Resumo
A en ada de pacien es ao Sana ó io Pinel e a seguida de exames, além
de um ques ioná io espondido po um amilia . A a és da lei u a dos
p on uá ios, no amos que as espos as ob idas po meio do ques ioná io
p eenchido pelo amilia esponsá el pela in e nação e am equen emen-
e u ilizadas e e o çadas na desc ição do exame psíquico, o que suge e
um o e ínculo en e amília e médicos, e, consequen emen e, a di usão
do discu so eugênico na sociedade b asilei a da década de 30 e 40. Nes e
a igo, p e endemos expo o con ex o b asilei o dos anos 1930-1940, e al-
guns aspec os dos p on uá ios de mulhe es in e nadas no Sana ó io Pinel
de Pi i uba nessas décadas.
Pala as-cha e
Eugenia, Sana ó io, Mulhe es, His ó ia Social.
Abs ac
The hospi aliza ion o pa ien s o he ‘Sana ó io Pinel’ was ollowed by
exams, in addi ion o a ques ionnai e answe ed by a amily membe .
By eading he medical eco ds, we no iced ha he answe s ob ained
h ough he ques ionnai e illed ou by he amily membe esponsible
o he hospi aliza ion we e o en used and ein o ced in he desc ip ion
o he psychic examina ion, which sugges s a s ong bond be ween amily
and doc o s, and, consequen ly, he dissemina ion o eugenic discou se in
B azilian socie y in he 30s and 40s. In his a icle, we in end o expose
he B azilian con ex o he 1930-1940s, and some aspec s o he medi-
cal eco ds o women hospi alized in he ‘Sana ó io Pinel de Pi i uba’ in
hose decades.
Keywo ds
Eugenics, Sana o ium, Women, Social His o y.
WOMEN IN THE MEDICAL RECORDS OF THE
PINEL SANATORIUM IN PIRITUBA
Re e encia: dos Reis Ba bosa, G. (2021). As mulhe es nos p on uá ios do sana ó io
pinel de pi i uba. Cul u a La inoame icana, 33(1), pp. 22-31. DOI: h p://dx.doi.
o g/10.14718/Cul u aLa inoam.2021.33.1.2
23
AS MULHERES NOS PRONTUÁRIOS
DO SANATÓRIO PINEL DE PIRITUBA
G azielle dos Reis Ba bosa *
Uni e sidade de São Paulo
DOI: h p://dx.doi.o g/10.14718/Cul u aLa inoam.2021.33.1.2
A mulhe em con ex o eugenis a
Ao acompanha mos a His ó ia do B asil, emos que, com a queda
do Impé io e ins au ação da República, o discu so p edominan e no
B asil e a aquele que isa a e enal ecia o p og esso, des acando-se,
po an o, na p opaganda epublicana, o ideá io posi i is a, que encon-
a a na ciência a possibilidade do homem p og edi cada ez mais.
Segundo Cláudia Al es (2013, p. 12), dou o a em His ó ia Social, o
ideal epublicano não se associa a apenas à supe ação do a aso écni-
co, mas ambém à mudança de men alidade.Dessa manei a, “o dem
e p og esso”, lema polí ico posi i is a, ganhou impulso “cien í ico”
nos p onunciamen os do Es ado após a P oclamação da República e
oi undamen al pa a o o denamen o do desen ol imen o u bano que
se acen uou nos anos 20, de aco do com Ri a C is ina Ca alho de
Medei os Cou o (1994).
Den o da p opos a de p og esso ado ada pela sociedade b asilei-
a do século XX, des acou-se o mo imen o eugênico, uma ez que a
“nação só pode ia p og edi se i esse um po o saudá el e in eligen e”
(Cas añeda, 2003, p. 915). Con o me apon ado po Luzia Au elia Cas-
añeda (p. 902), o e mo ‘eugenia’ (eugenics) oi cunhado po F ancis
Gal on, conside ado undado da eugenia, ainda no século XIX, em
1883, e signi ica “a ciência do melho amen o biológico do ipo huma-
no”. Essa di a ciência, ainda con o me Cas añeda (p. 902), oi di undida
po di e sos países, e em cada um deles ganhou con o nos pa icula es.
Aqui, no B asil, po meio de egis os de sana ó ios como Juque y e
* Mes anda em Filologia e Língua Po uguesa pela FFLCH-USP (Faculdade de Filoso ia, Le as
e Ciências Humanas da Uni e sidade de São Paulo). Con ac o: [email p o ec ed]
Fecha de acep ación: 1 de eb e o de 2021; echa de ecepción: 4 de ma zo de 2021.
24 Cul u a La inoam. Volumen 33, núme o 1, ene o-junio 2021, pp. 22-31
GRAZIELLE DOS REIS BARBOSA
Pinel, obse amos que men es in elec uais eugênicas u iliza am a psi-
quia ia como ins umen o de “ape eiçoamen o” da nação.
É impo an e lemb a que o Sana ó io Pinel de Pi i uba não oi o
p imei o sana ó io do B asil ou do es ado de São Paulo, indicando,
po an o, que o in e esse e a p eocupação pela loucu a den o da
ealidade b asilei a não su gi am a pa i do século XX. Con o me
apon amen os de Magali Engel (2004, p. 322), a “medicalização da
loucu a” já podia se isualizada no século XIX a con a com a un-
dação do Hospício de Ped o II (1841) — ambém conhecido como
o Palácio dos Loucos—, ins i uído po um dec e o de Dom Ped o
II, e pelo es abelecimen o da cadei a de Clínica Psiquiá ica nas a-
culdades de medicina do Impé io (1879). Segundo Engel (2004), a
psiquia ia b asilei a almeja a o monopólio do conhecimen o sob e
a loucu a, cons uindo-a po meio de es a égias no ma izado as
(p.322). Apon amos pa a o a o das es a égias no ma izado as e-
em sido in ínsecas ao p oje o eugênico do Es ado b asilei o da-
quele pe íodo.
As es a égias no ma izado as e eugenis as es a am di undidas
em di e sos países e âmbi os da sociedade, no en an o é a igu a do
médico que p imei o nos chama a a enção como agen e a i o dessas
es a égias. De aco do com Ana Paula Vosne Ma ins (2004, p. 217), o
con ex o eugenis a co obo ou com uma supos a missão ci iliza ó ia
dos médicos, c ença que impulsiona a esses p o issionais a ol a em
seus olhos pa a as mulhe es, a im de “adap a as eo ias e as ideias a
espei o da al e idade eminina às pa icula idades da ealidade social
e cul u al b asilei a”, conside ando-a uma “ o mado a de homens”
(p. 222) em uma isão, segundo a au o a, menos misógina do que
aquela di undida em ambien e eu opeu e no e-ame icano. Além dis-
so, os médicos ambém emp ega am uma a enção especial à amília,
uma ez que, con o me apon ado po Isaac Joseph (1977 apud MAR-
TINS, APV, 2004, p.217), a amília e a conside ada uma “ ecnologia
da população, da conse ação das c ianças e do ape eiçoamen o da
espécie”. Dessa manei a, podemos dize que os médicos e am impo -
an es agen es da egene ação celula do co po b asilei o, ou seja, eles
e am conside ados agen es da egene ação e ape eiçoamen o das a-
mílias e, consequen emen e da nação.
O D . An ônio Ca los Pacheco e Sil a, possuido de um p olí ico
cu ículo na á ea de saúde e psiquia ia, especialmen e na década de
1920, oi uma dessas men es in elec uais eugênicas e médico que ca -
egou em si a sup aci ada missão ci iliza ó ia. Vejamos alguns de seus
abalhos, mencionados po Juliana Suckow Vaca o (2011, p. 18):
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AS MULHERES NOS PRONTUÁRIOS DO SANATÓRIO PINEL DE PIRITUBA
1) di e o do Hospi al Juque y em 1923; 2) líde na c iação da Liga
Paulis a de Higiene Men al em 1926; 3) di e o do Depa amen o de
Assis ência Ge al aos Psicopa as em 1930; 4) p o esso ca ed á ico de
clínica psiquiá ica da USP; 5) p o esso da Escola Paulis a de Me-
dicina e da Escola de Sociologia e Polí ica de SP; 6) pa icipan e da
Assembleia Cons i uin e em 1933-34; 7) p esiden e do Conselho Pe-
ni enciá io em SP. Além das a i idades apenas ci adas exe cidas po
Pacheco e Sil a, podemos ainda des aca ou a ação a uada po ele,
na qual es amos mais in e essados, a idealização e a undação do Sa-
na ó io Pinel de Pi i uba.
O Sana ó io Pinel de Pi i uba oi undado em 1929 em ca á e
p i ado e busca a a ende amílias de al a condição social o e ecendo
lei os psiquiá icos de al o pad ão. Segundo Ma ia Célia Lima-He -
nandes (2008, p. 2), ele oi cons uído na en ão Fazenda Anas á-
cio, e o e ecia uma ho a pa a labo e apia, além disso ambém oi
pionei o na aplicação de ele ochoque. A ins i uição man e e-se em
ca á e p i ado a é o ano de 1944, quando o Go e no do Es ado de
São Paulo ob e e o ace o social do Sana ó io Pinel, e enomeou-o
de Sana ó io Psiquiá ico Pinel, a pa i desse momen o a ins i uição
psiquiá ica passou a ecebe pacien es de di e sas camadas sociais.
Assim como Vaca o (2011, p. 11), enxe gamos a psiquia ia da épo-
ca como um ins umen o de pode , manuseado em a o da “manu-
enção de uma sociedade equilib ada” (p. 19). Nesse pe íodo, com
a ên ase c escen e na saúde ísica, men al e mo al, pe cebemos que
a igu a da mulhe se o nou mais moni o ada, uma ez que ela e a
o agen e esponsá el não somen e pela ep odução biológica, como
ambém pela ep odução ideológica (Cou o, 1994, p. 55).
Na época, po an o, a nação b asilei a busca a a mulhe ideal, um
se do sexo eminino capaz de equilib a a sociedade b asilei a, a-
zendo, po meio desse equilíb io, a nação e olui . Ri a C is ina Cou o
(1994, p. 53) apon a pa a a indade somá ica- ísico-mo al, como o
aço ca ac e ís ico da mulhe ideal, de aco do com eugenis as como
Rena o Kehl, o que signi ica a ambém no malidade, e e a aduzido,
em uma escala maio , no que a nação de e ia se . Tal como a mulhe ,
o B asil ambém de e ia e equilíb io em di e sos aspec os. Nes e
momen o, não é nosso in en o explo a a elação homem e mulhe
ou a ca ac e ização do homem em empos eugenis as, no en an o es-
sal a emos, ainda nes e a igo, o papel de e minan e que as amílias
i e am na in e nação de mulhe es no Sana ó io Pinel de Pi i uba, e a
ca ac e ização dessas po seus amilia es e médicos.
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GRAZIELLE DOS REIS BARBOSA
Os p on uá ios do Sana ó io Pinel de Pi i uba
Ao in e agi mos com os p on uá ios de pacien es emininas do
Sana ó io Pinel de Pi i uba po meio de isi as ao A qui o do Es a-
do de São Paulo, pudemos obse a que esses documen os his ó icos
são g andes on es da pesquisa sob e a His ó ia Social da Mulhe no
B asil. Ti emos con a o com cinco la as de p on uá ios, que são as se-
guin es: CO 95 89; CO 9592; CO 9621; CO 9640; CO 9652. A pa i
disso o og a amos e ansc e emos odos os p on uá ios de pacien es
do sexo eminino encon ados nessas la as. Ao o al, 45 documen os
o am cole ados em nossa busca, co esponden es a en adas e saídas
de pacien es no Sana ó io Pinel nos anos de 1932, 1933, 1937, 1939,
1940, 1941, 1942, 1943 e 1944.
A quan idade de páginas po p on uá io é a iá el, en e os 45 do-
cumen os ao nosso alcance, obse amos uma média de 23 páginas po
p on uá io. O p on uá io com o meno núme o de páginas ap esen a
apenas 3 olhas, de uma pacien e, idosa, in e nada em janei o de 1932
e desin e nada em janei o de 1945, que pa ece e sido hospi alizada
no Sana ó io Pinel não po mo i os psíquicos, mas sim ísicos, uma
ez que a seguin e obse ação é ei a no exame do a o de en ada:
“Não ap esen a dis ú bios men ais bem ca ac e izados. Acusa, apenas,
ce a impaciência, jus i icá el em quem se acha p esa em uma cama há
an os anos”. Além disso, podemos no a que o p on uá io dessa pa-
cien e é dedicado à desc ição do exame somá ico e neu ológico, nada
sendo mencionado sob e o exame psíquico ou os aspec os men ais.
Dessa manei a, podemos in e i que ha ia, no Sana ó io Pinel de Pi i-
uba, in e nações que des ia am a ins i uição em pau a de seu ca á e
psiquiá ico.
O p on uá io com o maio núme o de páginas com o qual i emos
con a o ap esen a 50 páginas, pe encen e a uma pacien e de 39 anos,
sol ei a e domés ica, in e nada em 17 de junho de 1939 e desin e nada
em 17 de no emb o de 1939. A g ande ex ensão do documen o se dá,
sob e udo, pelo egis o de a amen os e medicamen os aplicados à
pacien e. Nesse p on uá io, podemos obse a a impo ância do pa-
pel da amília na elação iádica sana ó io- amília-pacien e. No amos,
assim como Juliana Suckow Vaca o (2011, p. 56), que o papel dos a-
milia es e a a i o, ou seja, eles inham au o idade an o pa a in e na
como pa a e i a a pacien e do Sana ó io Pinel. Vejamos um echo
do documen o que e idencia isso:
27
AS MULHERES NOS PRONTUÁRIOS DO SANATÓRIO PINEL DE PIRITUBA
[…]
A obse anda acha-se subme ida a ualmen e a e apêu ica de choque e
ho mono e apia p é-hipo isá ia.
Em 17 de no emb o de 1939- Após e -se subme ido às injeções endo e-
nosas do Ca diazol, segundo a écnica de Meduna, ap esen ou sensí eis
melho as a pon o de lhe se pe mi ido, a í ulo de expe iência, passa
alguns dias em sua casa. Lá, as melho as mais se acen ua am, de so e que
a amília esol eu, nes a da a, sua e i ada, em de ini i o, nes e Sana ó io.
(P on uá io 2356)
Os p on uá ios do Sana ó io Pinel de Pi i uba e am o ganizados
da seguin e manei a, além dos egis os de p ocedimen os e de medi-
camen os:
- Dados Pessoais;
- Físico;
- Men al;
- Exame Somá ico;
- Exame Neu ológico;
- Exame Psíquico;
- Ques ioná io de in e nação.
A p imei a página dos p on uá ios, além do núme o do documen-
o, con ém dados pessoais, como nome, idade, dados é nicos, nacio-
nalidade, es ado ci il, p o issão, esidência e da a de en ada e saída.
Logo após, emos uma desc ição do es ado ísico e men al da pacien e
ealizado, ao que udo indica, no a o de en ada; seguido dos exames.
Cada exame, somá ico, neu ológico e psíquico, ecebe uma indicação
do que de e desc e e . Con o me os p óp ios p on uá ios, o exame
somá ico de e ap esen a dados an opomé icos, hábi os ex e nos,
ícios de con o mação (congêni os e adqui idos), apa elho espi a ó-
io, apa elho ci cula ó io, apa elho diges i o, ó gãos gêni o-u iná ios
e glândula de sec eção in e na. Já o exame neu ológico de e ia des-
c e e os seguin es a o es: es á ico, o ien ação, mo ilidade, sensibili-
dade, e le i idade, o icidade e pe u bação asomo o as, ó gãos do
sen ido, exames complemen a es.
Em seguida, con o me o p on uá io, o exame psíquico de e con-
e as seguin es desc ições: g au de cul u a; a enção; comp eensão;
associação de ideias- uga de ideias, ou simples acele ação na ma cha
do pensamen o, con usão; exame dos esc i os, an o na o ma g á ica,
como no con eúdo. Memó ia, eco dação dos a os an igos e ecen es;
noção do meio, luga e empo. Pe cepção, ilusões e alucinações, que
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GRAZIELLE DOS REIS BARBOSA
espécie de pe u bação senso ial. Delí io- sis ema izado, di uso, con-
ínuo, quais as ideias p edominan es. Psicomo icidade- mo imen os
olun á ios, ba agem, o po , exci ação. Es ado de humo p edomi-
nan e. Sen imen os é icos- pudo , indi e ença pelo meio social ou pela
amília. Capacidade de abalho; eações ao meio social. Apon amos
pa a o a o de nem odos os p on uá ios ap esen am odos os exames,
não sabemos, no en an o, se páginas o am pe didas ou se os exames
e am ealizados con o me necessidades e impo âncias dadas pelos
médicos e psiquia as.
Po im, há anexado aos p on uá ios um ques ioná io p eenchido
pelo esponsá el pela in e nação, ge almen e um amilia da pacien-
e, como pais, i mãos ou ma ido. As pe gun as do o mulá io são as
seguin es:
1- Há casos de molés ias men ais na amília do pacien e?
2- É a p imei a ez que o pacien e ap esen a molés ias men ais?
Caso já enha ido qualque pe u bação:
a) Em que época se mani es ou?
b) Qual oi a du ação?
c)Es e e o pacien e in e nado?
3-Na in ância e e con ulsões, c ises ne osas com pe da de
conhecimen o, e igens, a aques ou pa alisias?
a) U ina a-se?
b) Mo dia a língua?
c)Menciona ou as molés ias oco idas quando c iança.
4-Qual é a ins ução ecebida?
5-An es da molés ia a ual, qual
a. a in eligência?
b. a condu a?
c. o ca ác e ?
d. as ap idões p o issionais?
6-Fazia o uso de bebidas alcoólicas?
a) Abusa a de medicamen os? (mo ina, cocaína, chlo al, b ome o?)
7-As unções diges i as e am boas? O sono egula ?
8-Quais são, no osso pensa , as causas da molés ia a ual?
9-Em que época o am no adas as p imei as modi icações do es ado
men al?
a) ci a a os
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AS MULHERES NOS PRONTUÁRIOS DO SANATÓRIO PINEL DE PIRITUBA
Podemos obse a po meio das pe gun as do ques ioná io a o -
e impo ância não apenas do his ó ico indi idual de cada pacien e
(pe gun as 2, 3 e 9), mas ambém de sua he edi a iedade (pe gun a
1), ambos a o es ele an es pa a o mo imen o eugenis a, undamen-
ado em uma ciência de he edi a iedade e modelado pelo con ex o
social (Cas añeda, 2003, p. 902). Ao o nece esses dados equisi ados
pelo Sana ó io Pinel, os amilia es es a am cump indo unção dupla:
agen es de con oles eugênico e culpados pelo descon ole, uma ez
que, con o me apon ado po Ri a C is ina Cou o (1994), embo a os
amilia es ossem conside ados aliados dos médicos, ao o e ece em
obse ações p i ilegiadas a eles, esses e am ambém cons an emen e
julgados como o mo i o do “desequilíb io” da pacien e, po a o es
gené icos ou pelo modo de c iação das ilhas.
É comum as in o mações comunicadas pelos amilia es aze em
pa e da desc ição do exame psíquico das pacien es, como emos no
p on uá io 2380, expos o abaixo, obse e ambém a isí el p eocu-
pação na he edi a iedade exp essa no exame, e, consequen emen e,
na eugenia, o ape eiçoamen o da nação, po meio da ên ase dada à
saúde da p ole da pacien e. Ressal amos ambém que a saúde ísica
e psíquica do menino não é desc i a de manei a asse i a, is o que
uma dú ida é in oduzida su ilmen e a a és de “apa en emen e”.
Vejamos:
10-Quais os mo i os que de e mina am a in e nação do pacien e no
Sana ó io?
a) Ap esen a a-se agi ado, iolen o, pe igoso?
b) Fica a is e, dep imido?
c) Tinha ideias de suicídio?
d) P eocupa a-se de modo exage ado com a saúde?
e) Mani es a a-se sa is ação ou con en amen o, sem mo i o jus i icado?
) Imagina a possui inimigos, se pe seguido?
g) Via pessoas imaginá ias?
h) Ou ia ozes que não exis iam?
i) Sen ia, ao come , gos os que não co espondiam à ealidade?
j) Queixa a-se de sensações es anhas pelo co po?
11-Come ia a os indelicados, imo ais, deli uosos?
30 Cul u a La inoam. Volumen 33, núme o 1, ene o-junio 2021, pp. 22-31
GRAZIELLE DOS REIS BARBOSA
O empe amen o oi semp e algo “ne oso” e i i adiço. Tem um único
ilho, ago a com 14 anos de idade apa en emen e no mal ísica e psiqui-
camen e.
Foi há ce ca de 2 anos que se no a am os p imei os indícios de pe u -
bação psíquica. À p incípio, demons ou apaixonado pendo pa a as cha-
madas ciências ocul as, endo lido 14 li os sob e ais assun os. Pouco
empo depois, o am no adas ou as modi icações em sua condu a, pois
passou a ala o menos possí el, conse ando-se, nas isi as, no la , em
qualque ambien e, com os b aços c uzados, mui o sé ia, com um a de
mis é io. Nunca se expandiu sob e essas a i udes es anhas, nem mesmo
com a p óp ia p ogeni o a. Con inuou, no en an o, a desempenha -se a
con en odos seus de e es de dona de casa. Apenas, não mais compa il-
ha a das aleg ias e is ezas do la . (P on uá io 2380)
Analisando 45 p on uá ios de pacien es do sexo eminino in e na-
das en e a década de 30 e 40, o que mais nos chamou a enção oi a
eu ilização do discu so da amília no exame psíquico pelos médicos,
uma ez que pa e da desc ição inse ida no exame psíquico é a e o -
mulação das espos as ob idas no ques ioná io, obje i ando não solu-
ciona um p oblema de comp eensão, mas sim da um no o en oque,
a pe spec i a médica, ao que já oi ela ado, es abelecendo, po an o,
uma elação de equi alência semân ica com o ela os dos amilia es.
Dessa manei a, nos é e elado o quan o o discu so médico eugenis a
es a a di undido na sociedade, is o que, a amen e, pelo que se ob-
se a nos p on uá ios, ha ia disco dância en e médicos e amilia es.
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do no XV Cong eso In e nacional da ALFAL em Mon e idéu.