(ENTRE)LINHAS
Re is a do P og ama de Pós-g aduação em His ó ia da UFOP
Ma iana, V.05, N. 01, 2025. DOI 10.5281/zenodo.17259674
Ma ina a Cos a Leão1
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e
es a égias de isibilidade dian e
do apagamen o eminino nas
a es (1922-1947)
INTRODUÇÃO
O obje i o des e abalho é o mula um pa alelo sob e quem oi a a is a
Dahlia Déa Rossas e seus ês e a os, mais especi icamen e, em seu
au o e a o, pa indo da p emissa que um e a o pode se lido como
na a i a biog á ica (CIPINIUK, 2003, p.15). Dessa o ma, busca-se aça
um aciocínio sob e es a pe sonagem de quem a his o iog a ia da a e ão
pouco sabe, além de comp eende como seu abalho pode se in e p e ado
dian e do empo. Pa a mais, analisando os e ei os causado es da
in isibilidade eminina nas a es e ela como a ausência de on es sob e sua
aje ó ia a ís ica.
A ca ei a eminina nas a es se mos a des a o á el no deco e do
empo enquan o a is as homens es ão majo i a iamen e nos ace os e
exposições. Em compa ação, as mulhe es apa ecem com meno no o iedade
em museus e gale ias, incidindo na escassez de in o mações sob e suas
ca ei as, à esse olha , Ana Mae Ba bosa expõe: “Ti e am sucesso no seu
empo, ganha am medalhas e a é p êmios de iagens, mas hoje são
desconhecidas.” (BARBOSA, 2020. p.147). Es a ase é a ma e ialização do
es udo sob e Dahlia Déa que p oponho.
Dahlia Déa Rossas nasceu em Vila do Pinhei o, a ual Dis i o de Icoa aci,
em 16 de maio de 1922 , coinciden emen e, no mesmo ano da Semana de
A e Mode na oco ida na cidade de São Paulo, du an e um pe íodo de
e lexões sob e o o o eminino e a igualdade de gêne o (BARBOSA, 2020).
Filha de Dahlia Viei a Rossas e Joaquim Rossas Filho, seus pais ansi a am
en e o Cea á e o Pa á, algo comum no início do século XX (LACERDA, 2010,
p. 88). Úl ima ilha do casal Rossas, Dahlia pôde e acesso ao mundo das
a es mui o no a, p o a elmen e pela p eocupação de seus pais com a sua
educação. Ci culou no meio a ís ico dos anos 30 e 40 em Belém, sendo seu
nome lis ado na maio pa e dos ca álogos e insc ições dos Salões O iciais
2
1 G aduanda em His ó ia na Uni e sidade
Fede al do Pa á (UFPA). E-mail pa a con a o:
ma ina [email protected]
01
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
2 REGISTRO Ci il de Nascimen o de Dahlia
Déa Rossas. Ca ó io Rena o Sa enay Fe ei a,
Li o n.13 Fls. 71 Regis o 3142. 06 ab . 1934.
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
Belas A es. Em 1938, a jo em de 16 anos in eg ou a Exposição do
Cinquen ená io da Abolição no salão nob e da Biblio eca e A qui o Público
do Pa á. Naquele ano, hou e am ou as pin o as ambém exibindo seus
abalhos, como: An onie a San os Feio , Anni a Teixei a e Lau a
Aca auassú Nunes. Nos anos que se segui am, euni am-se ou as a is as
nos salões de a e: Alba Ma anhão (1° Salão), Es e Ma ins da Cos a (1°
Salão), E alda Xa ie Falcão (1° Salão), Bea iz Mon ei o (1° Salão), Julia
Azulai (1° Salão), Ma ina P oença (1° Salão), Ma ia de Lou des Aca auassu
Nunes (1° e 2° Salão), Ru h Lisboa Al es de Sousa (3° Salão), Helena Jesus
Lambe (3° Salão), Ma ia Naza é Figuei edo (3° Salão), G aciema C uzei o
(3° Salão), Anne Ma ie U sule Guidi (5° Salão), Celma Ma ia de Almeida (5°
Salão), Ana Noguei a Fe az (5° Salão), I ene Teixei a de Aze edo (5° e 8°
Salão), Ca men Sousa (pa icipou do 1°, 2°, 3°, 5° e 8° Salão), Lidia Nelson
(8° Salão), Ma ia Lúcia Feio Ma ques (1°, 3° e 8° Salão) e Bea iz San os (8°
Salão). No en an o, as on es pa a além dos ca álogos não apon am pa a a
ca ei a dessas mulhe es, com exceção de An onie a San os Feio (SILVA,
2009) e Ca men Sousa (ROSA, 2017).
3
4
5
Den e as pin o as e escul o as que expuse am seus abalhos, Dahlia Déa
oi a mais equen emen e ela ada nos ca álogos. Ap esen ou seus
abalhos en e e a os, na u ezas mo as e paisagens nos Salões O iciais
de Belas A es no deco e dos anos de 1940 a 1947. Mesmo com seu nome
ei e ado nos abalhos acadêmicos , há poucas on es disponí eis sob e
sua ca ei a e ida pessoal. En ão é p eciso “ edob a es o ços pa a que o
pesquisado supe e as an as lacunas cons i u i as de ace os de sujei os
emininos elegados a um segundo plano da his ó ia” (SIMIONI;
ELEUTÉRIO, 2018, p.22). A omissão de on es sob e mulhe es a is as é
imp escindí el na comp eensão das di iculdades de uma pesquisa de gêne o
na his ó ia da a e (SIMIONI, 2022).
6
Os salões de a e e exposições em conjun o, oco idas po odo B asil
e am a p incipal opo unidade dos a is as de exibi suas ob as (SIMIONI,
2022). Mesmo com o g ande núme o de mulhe es acei as no ol de a is as,
a pe manência de seus nomes en e ob as lemb adas é secundá ia. Se az
necessá io, po an o, pesquisa sob e a ida des a mulhe que es e e ão
e iden e em um ela i o pe íodo da his ó ia das a es em Belém. Os
documen os disponí eis aos quais i e acesso es ão elacionados ao nome
de seu pai e egis os de nascimen os de seus i mãos. Em consequência
disso, a bibliog a ia ol ada pa a o mundo a ís ico igu ado po mulhe es é
o alice ce pa a en ende a al a de on es sob e sua ca ei a na en a i a de
esponde os ques ionamen os sob e o apagamen o eminino no mundo das
a es.
7
02
3 ANTONIETA San os Feio (1897-1980) oi
uma pin o a pa aense especialis a em
e a os, ambém p o esso a do Ins i u o de
Educação do Pa á. Suas ob as azem pa e de
ace os do Museu de A e de Belém, Museu da
UFPA, Ace o do Palácio do Campo das
P incesas em Reci e-PE e ace os pa icula es.
4 I ene Teixei a de Aze edo (1907-1986) oi
p o esso a e pin o a pa aense. O Museu de
A e de Belém (MABE) possui qua o ob as de
sua au o ia no ace o, dois desenhos em bico
de pena: Ruínas do Mu ucu u I e Ruínas do
Mu ucu u II de 1951. E dois óleos sob e ela:
Índia com Pássa os (s/d.) e Ruínas do
Engenho do Mu u ucu (1952).
5 CARMEN Sousa (1908-1950) oi uma a is a
nascida em Po ugal que eg essou a Belém
em 1942. Se des acou com seus abalhos
expos os nos Salões oco idos du an e oda a
década de 40. C . ROSA, Sand a R. C. Coleção
Ca men Sousa do Museu da Uni e sidade
Fede al do Pa á (MUFPA): uma análise do
ace o pelo p ocesso de documen ação
museológica. Monog a ia (Bacha elado em
Museologia) - Faculdade de A es Visuais,
Uni e sidade Fede al do Pa á, 2017.
6 C . MODESTO, Rosângela do Soco o
Fe ei a. Análise de Rep esen ações Neg as na
Pin u a Pa aense na P imei a Me ade do
Século XX e o ensino de a e: pe spec i a à
aplicação da Lei 10.639/2003. 2013.
Disse ação (Mes ado em A es),
Uni e sidade Fede al do Pa á, Belém-PA,
2013; DE ASSIS, Sissa Aneleh Ba is a.
A icanidade, A e Feminina e Ri ualidade na
Amazônia B asilei a. Disponí el: Acesso em:
29 no . 2024.
7. C . ANDRADE, Rod igo Vi as. Os Salões
Municipais de Belas A es e a Eme gência da
A e Con empo ânea em Belo Ho izon e.
1960-1969. 2008. Tese (Dou o ado em
His ó ia da A e) - UNICAMP, Campinas/SP,
2008; VARGAS, Rosane. Excluídas da
memó ia: Mulhe es no Salão de Belas A es do
Rio G ande do Sul (1939-1962). T abalho de
Conclusão de Cu so, Uni e sidade Fede al do
Rio G ande do Sul, 2013; SILVA, Ande son
Ma inho da. A Escola de Belas A es da Bahia:
pin o es esquecidos e consag ados 1889-1950.
Tese (Dou o ado em A es Visuais) - PPGAV -
EBA/UFBA. 2023.
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
ESTRATÉGIAS PARA A VISIBILIDADE DA MULHER ARTISTA
Sé e ine So io (2018) elencou cinco e apas que pin o as pode iam e
seguido na F ança do século XIX pa a se em bem sucedidas ao se posiciona em
no me cado da a e. I onicamen e, a pin o a Dahlia Déa seguiu quase à isca as
es a égias das quais So io indicou 80 anos an es de publica seu a igo.
Dahlia não nasceu em amília de a is as a é onde se sabe, mas uma no a do
jo nal, menciona seu i mão Oswaldo, aos 7 anos, num conce o musical .
Po an o, a amília Rossas inha alguma p eocupação com a ida a ís ica de
seus ilhos. A p imei a es a égia açada po Sé e ine So io é de que as
mulhe es de e iam se ap esen a à sociedade como belas. Esse é um dos
p imei os modos seguidos po Dahlia, que in e p e o como associado
di e amen e a pin u a de au o e a os como o ma de pe pe uação de seus
nomes na his ó ia (SOFIO, 2018, p.33). Isso pode se analisado no abalho de
Dahlia na o ma como a pe cepção de si e de seu os o ansmi e e se ende, a
qual se á ap esen ada mais adian e.
8
A segunda e apa a se seguida pelas a is as segundo Sé e ine So io é a
escolha do mes e/p o esso como passo de ex ema impo ância pa a se
inicia nos salões de a e. Sabe-se que An onie a San os Feio, Ca los de
Aze edo e Oswaldo Teixei a o am p o esso es de Dahlia . Embo a seja
desconhecida a na u eza dessas aulas, se po cu so o icial ou aulas pa icula es,
não há como igno a que a iniciação da jo em a is a em seu p imei o salão de
exposições enha sido execu ada po in e enção de um de seus p o esso es, o
que mos a an ecipação de Déa em elação ao que So io p esc e e ia pa a as
a is as.
9 10 11
A e cei a es a égia é “se aze ( e)conhece ” (SOFIO, 2018, p.37). Quan o
mais cedo expo seus abalhos nos salões, mais ápido comp ado es, mecenas
e colecionado es a conhece iam, além da possibilidade de apa ição no ca álogo
de ob as, o e ecendo isibilidade e p es ígio a a is a. O que cla amen e
acon eceu com Dahlia pois suas mais de 21 ob as o am exibidas em seis salões
de Belém, como cons a no quad o a segui .
Quad o 1 - Ob as de Dahlia Déa Rossas ap esen adas em salões de a es
03
8 ESCOLA de música Ca los Gomes. O Cea á.
Fo aleza, 31 jul. 1928.
9 Ca los Cus ódio de Aze edo (1871-1944) oi
um pin o e p o esso pa aense. Expôs o
quad o A iandei a no Salão de Pa is (1899),
es e quad o az pa e do ace o do Museu do
Es ado do Pa á (MEP). Em 1906, suas ob as
o am ap esen adas no oye do Thea o da
Paz. Algumas de suas elas conhecidas são:
Co adou o de Roupa (1903), Re a o do
In enden e An ônio José de Lemos (1904),
En ada do Cí io no A aial de Naza é (1905) e
Coquei os (1905).
10 Oswaldo Teixei a (1905-1974) oi pin o ,
p o esso , c í ico e his o iado da a e.
Fundou e di igiu o Museu Nacional de Belas
A es, e oi p esiden e do Salão Nacional de
Belas A es po 9 anos. O Museu de A e de
Belém possui dois de seus quad os: Me cado
O ien al (1934) e Má i C is ão (1934).
11 INSCRIÇÃO de Dahlia Déa Rossas no V
Salão O icial de Belas A es, Belém, 1944.
A qui o Público do Es ado do Pa á. Fundo:
Biblio eca e A qui o Público - Caixa 21
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
04
Fon e: A qui o Público do Es ado do Pa á. Fundo: Biblio eca e A qui o Público - Caixa 21
A qua a á ica é sabe se ende , ou seja, es a em ol a de pessoas
in luen es que possam di ulga seu abalho. Homens e mulhe es das a es, da
li e a u a e da imp ensa se iam o ca ão de isi a pa a no os clien es. A
e a is a e e amizade ou, ao menos, man e e con a o a é seu alecimen o com
a amília de Adalbe o Lassance Cunha , pois seu sepul amen o acon eceu no
jazigo da amília . Lassance Cunha ambém oi p o esso e sog o do pin o e
escul o João Pin o Ma ins pa icipando dos Salões O iciais de Belas A es ao
lado de Dahlia Déa, suge indo uma p oximidade en e os colegas de p o issão.
12
13
14
Po im, a úl ima es a égia é pensa na pos e idade. Não muda o nome
em caso de ma imônio é essencial, pois sua ob a pode ia se incumbida a
ou o ou ou a pin o a (SOFIO, 2018, p.41). Uma ez sendo de g ande in e esse
e em mãos i ens deixados pela pin o a, já isso possibili a ia um maio acesso
a ob as. Em unção de nunca e se casado ou ido ilhos Dahlia Rossas não
ansmi iu di e amen e, a é onde se em no ícias, à posse de suas ob as, pa a
além das que es ão no Museu de A e de Belém. E ao que pa ece isso in luencia
no a o de não e mos no ícias sob e as ob as que são ci adas nos ca álogos dos
Salões O iciais de Belas A es. Pa a Sé e ine So io o casamen o pode ia se um
empecilho pa a a con inuação da ca ei a das mulhe es do século XIX. No
en an o, Dahlia cump iu as es a égias abalhadas pela au o a e ainda se
cons a a ausência de on es da a is a nos es udos sob e his ó ia da a e e/ou
gêne o.
15
16
12 Adalbe o Lassance Cunha (1882–1957) oi
p o esso e a is a que es e e p esen e em
á ios salões de a e em Belém e undou a
Academia Li e de Bellas A es em 1918,
uncionando a é 1922.
13 GUIA de inumação de Dahlia Déa Rossas.
Sepul amen o: 30 mai. 1990. Li o: 38-x,
Página: 155. Ca ó io 3° O ício, Belém. Da a da
guia: 11 ab . 2024.
14 João Pin o Ma ins (1911-1991) oi um
pin o e escul o dos mais no ó ios da cidade
de Belém. Pa icipou de á ios Salões O iciais
de Belas A es en e ou as exposições.
Recebeu o P imei o P êmio de escul u a no 1º
Salão de A es Plás icas da Uni e sidade
Fede al do Pa á, em 1963. Algumas de suas
ob as azem pa e do ace o do Museu de A e
de Belém, como a escul u a O T abalhado
(1948), en e abalhos de nanquim, aqua ela,
pas el, g a i e e óleo sob e ela. O a is a é
c iado da be linda usada no Cí io de Nossa
S a. de Naza é.
15 REGISTRO de Óbi o de Dahlia Déa Rossas.
Ca ó io 3° O ício de No as de Belém/PA.
Disponí el: . Acesso em: 27 ma . 2024.
16 C . Quad o 1: Ob as de Dahlia Déa Rossas
ap esen adas em salões de a es.
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
O RETRATO COMO NARRATIVA BIOGRÁFICA
O gêne o e a o e a e ainda é uma ep esen ação social de pode (CIPINIUK,
2003). E a ol ado, a é o inal do século XIX, pa a egis o de igu as polí icas e
economicamen e abas adas como o ma de ea i mação, sociabilidade e
memó ia den o da sociedade. En e an o, com a oco ência e es abelecimen o
do mode nismo nos es udos de egionalidades, a igu a de pe sonagens
popula es omam os os nos ca ale es dos a is as. O po o assumiu
p o agonismo nas elas, conside ando que os e a os e am “elemen os
undamen ais pa a dema ca a his ó ia local” (SILVA, 2009. p, 91).
Na exposição em Comemo ação ao Cinquen ená io da Abolição da
Esc a idão, oco ido em 13 de maio de 1938, oi ap esen ada ob as plás icas e
li e á ias sob e pe sonagens neg os . Apesa do quad o P e o Velho (Imagem 1)
não es a lis ado no ca álogo da exposição de 1938, não se pode desca a a
in enção de egis a esse pe íodo de comemo ação da abolição (BAXANDALL,
2006). O p o agonismo de um único pe sonagem in ei amen e ligado ao
gêne o e a o ma e ializa o pe encimen o das igu as excluídas do pano ama
da cidade. A imagem do homem neg o de cabelos b ancos, usando camisa de
bo ões na co azul, de apa ência cansada, pode eme e a qualque homem de
idade.
17
Ou a ob a de Dahlia Déa que omen a o deba e sob e a omada de
cen alidade na na a i a mode nis a é o p o agonismo de pessoas
acializadas, exemplo disso é o quad o Mo ena de T anças (Imagem 2). Es e
quad o ambém oi nomeado como Bus o de Mulhe em algum momen o da
sal agua da do ace o. A igu a eminina es á no cen o do quad o quase como
uma o o 3x4, ela possui cabelos, sob ancelhas, olhos neg os e na iz g osso, e
so i pa a o espec ado . A onalidade da pele não chega a se e in a como a do
homem do quad o an e io , mas cons i ui uma moça de pele neg a.
18
05
17 O cincoen ena io da abolição. Folha do
No e. Belém, 11 mai. 1938.
18 EXAME de Ob as de A e. Pas a de Dahlia
Déa. Ace o do Museu de A e de Belém.
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
06
Imagem 1 - P e o Velho
Fon e: DÉA, Dhalia. P e o Velho. Óleo sob e ela, 71 x 56 cm, 1936. Ace o do Museu de A e de
Belém.
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
Imagem 2 - Mo ena de T anças
Fon e: DÉA, Dhalia. Mo ena de T anças. Óleo sob e ela, 56 x 48 cm, s/d. Ace o do Museu de
A e de Belém.
07
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
08
Um a o de e minan e do di e encial da a e mode nis a pa a a academicis a
oi a ambien ação de os os comuns an e io men e negligenciados. Em seu
li o Cenas da Vida Amazônica, José Ve íssimo des ina um dos capí ulos a ala
sob e a isionomia das pessoas chamadas de mamelucas, desc e endo sua
apa ência:
Pe cebe-se uma semelhança com o e a o Mo ena de T anças (s/d) e o ex o
de José Ve íssimo ao olha uma pe sonagem do co idiano da cidade. Ani a
Mal a i (1889-1964) an e io men e já ha ia p oduzido uma ela chamada
Mulhe no Pa á (1927) com ca ac e ís icas emininas egionais, na qual se
des aca am os modos de es i (SILVA, 2009). Em 1947, An onie a San os Feio
ap esen ou um e a o de uma mulhe com ca ac e ís icas que conside a a
egionais in i ulado Vendedo a de Chei o, en ando e idencia ipos sociais
popula es. A composição de co es e luz azem um aquejo de indi idualidade
à pe sonagem ep oduzida (SILVA, 2008).
An onie a San os Feio pa icipou dos Salões O iciais de Belas A es e em
em seus e a os mais amosos a busca po memb os e ma e iais do co idiano.
Com isso compõe uma na a i a de iden idade cole i a. Po an o, Dahlia Déa
como aluna de An onie a, ambém decidiu exibi um os o habi ual à sua ol a.
In elizmen e es e quad o não possui da a, mas se pode deduzi se do mesmo
pe íodo de P e o Velho (1936), conside ando não ha e mui os elemen os
elegan es e a aen es nos de alhes. Suge indo, en ão, que o quad o pode e
sido ei o no início da ca ei a da pin o a.
A e cei a ob a de Rossas publicamen e conhecida é seu Au o e a o
(Imagem 3). O quad o ap esen a a jo em pin o a no cen o, sen ada de lado
com os joelhos pendendo pa a sua di ei a. Pele b anca, olhos cas anhos e
cabelo cu o, p e o e ondulado. Usa uma i a e melha com um laço en ei ando
sua cabeça. Seu olha es á ixo no espec ado , a boca en eabe a. Ves e um
es ido cla o com mangas bu an es em um le e om de azul nos ieses. Ca ega
à en e do pei o uma pale a de in as em om escu o com qua o pincéis, e na
mão di ei a segu a um único pincel apoiado na pale a em alusão ao a o de
pin a . O undo é escu o e inde inido. No can o in e io esque do, há o nome da
ob a, a assina u a da pin o a e o ano.
(...) uns olhos p e os, p o undos, a nada em um luido amo oso,
co oados po sob ancelhas neg as, le emen e a queadas; os
cabellos, neg os ambém, ás ezes ondeados, ás ezes não; o os o
edondo; a es a cu a; o na iz bem ei o mas ligei amen e cha o na
ex emidade, com duas azas que i ilam quando o p aze a
commo e; den es apon ados, al os, o es; co inhas no can o da
boca pequena e eng açada; pescoço cu o, mas bem o neado, collo
cheio, de ija ca nadu a. (VERÍSSIMO, 1899, pp. 366-367)
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
09
Imagem 3 - Au o e a o
Fon e: DÉA, Dhalia. Au o e a o. 1941. Óleo sob e ela, 84,7 x 56x5 cm. Ace o do Museu de
A e de Belém.
Nes e quad o os de alhes no ecido e dos pincéis demons am mais
ma u idade no o ício de e a is a. O abalho não deixa nada a deseja pa a
uma pin o a inician e com ce ca de 19 ou 20 anos de idade. As mo i ações de
Dahlia a se au o ep esen a não escondem a ensão que pai a sob e a sua
es u u a co po al e acial (SILVA, 2009). Po ém, qual o p opósi o de pin a e
expo um au o e a o? O que ha e ia po ás da disposição de e seu os o
en e suas ob as?
19
Desconhece-se o obje i o de Dahlia Déa de se au o- ep esen a , no en an o
se ia uma o ma de conhece suas habilidades como pin o a, de se posiciona
na sociedade a ís ica belenense como pin o a p o issional, se expondo ao
ou o como ela p óp ia se ia. A o mação de sensibilidade dos a is as abalha
19 9 Dahlia Déa p eencheu a insc ição do V
Salão O icial de Belas A es com a idade de 22
anos. C .: INSCRIÇÃO de Dahlia Déa Rossas
no V Salão O icial de Belas A es, Belém, 1944.
A qui o Público do Es ado do Pa á. Fundo:
Biblio eca e A qui o Público - Caixa 21.
Dahlia Déa Rossas: aje ó ia e es a égias de isibilidade dian e do apagamen o eminino nas a es (1922-1947) | LEÃO
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674
16
Dahlia Déa Rossas:
aje ó ia e es a égias de isibilidade
dian e do apagamen o eminino nas a es
(1922-1947)
Resumo: Es e abalho aça um pa alelo sob e quem oi a a is a Dahlia Déa Rossas em seus
ês e a os, mais especi icamen e, em seu au o e a o, pa indo da p emissa que um e a o
pode se lido como na a i a biog á ica (CIPINIUK, 2003). O obje i o é en ende como sua ob a
pode se in e p e ada ao longo do empo, p opondo analisa a in isibilidade eminina nas a es
pa a explica a escassez de in o mações sob e sua aje ó ia. Como ês ob as de sua au o ia
compõem o ace o do Museu de A e de Belém (MABE)? Quais mo i os da apa en e
in e upção de uma ca ei a p omisso a? A bibliog a ia ol ada pa a o mundo a ís ico
igu ado po mulhe es é o alice ce pa a en ende a al a de on es sob e sua ca ei a na
en a i a de esponde os ques ionamen os sob e o apagamen o eminino no mundo das a es
plás icas.
Abs ac : This wo k d aws a pa allel ega ding who he a is Dahlia Déa Rossas was h ough
he h ee po ai s, wi h pa icula a en ion o he sel -po ai , based on he p emise ha a
po ai can be ead as a biog aphical na a i e (CIPINIUK, 2003). The aim is o unde s and
how he wo k can be in e p e ed o e ime, p oposing an analysis o emale in isibili y in he
a s as a way o explain he sca ci y o in o ma ion abou he ajec o y. Why a e h ee o he
wo ks pa o he collec ion o he Museu de A e de Belém (MABE)? Wha explains he
appa en in e up ion o a p omising ca ee ? The bibliog aphy ocused on he a is ic wo ld
shaped by women p o ides he ounda ion o unde s anding he lack o sou ces on he ca ee ,
in an a emp o add ess ques ions ega ding emale e asu e in he wo ld o isual a s.
Pala as-cha e: Belém do Pa á; A es plás icas; Re a os; Gêne o.
Recebido em: 30 de agos o de 2024
Ap o ado em: 03 de janei o de 2025
Key-wo ds: Belém do Pa á; Visual A s; Po ai s; Gende .
Dahlia Déa Rossas:
ajec o y and s a egies o isibili y
in he ace o emale e asu e in he
A s (1922–1947)
(en e)linhas, Ma iana, V. 05, N. 01, 2025, p. 01-16. doi.o g/10.5281/zenodo.17259674