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Pinturas de embarcações tradicionais do Tejo

Author: Silva, Jose Barbieri
Publisher: Zenodo
DOI: 10.5281/zenodo.17306073
Source: https://zenodo.org/records/17306073/files/Pinturas_de_embarcacoes_tradicionais_do_Tejo.pdf
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Ficha de in en á io
Pin u as de emba cações adicionais do Tejo
Bo e Leão @MEMORIAMEDIA
Resumo
Na baía do io Tejo, sob e i e uma a e singula , ib an e e ca egada
de simbolismo: as pin u as de emba cações adicionais do Tejo. Os seus
p o agonis as são a esãos que embelezam os a inos, aluas, canoas e
ca aias e p ese am uma exp essão iden i á ia cole i a en aizada na
cul u a ibei inha. Es a a e, não é apenas deco a i a, é pa e
in eg an e do Pa imónio Cul u al Ima e ial da egião, ansmi ida de
ge ação em ge ação, associada à cons ução adicional das emba cações
do Tejo.
Vídeo: h ps://you u.be/DjDJM OeKKM?si= o2FIy 3e55VQ7oo
Domínio: P ocessos e écnicas adicionais
Ca ego ia: P á icas a ís icas e co elacionadas
Indi íduo(s): Edua do Rod igues, Luís Filipe, Luís Gue ei o
Município: Moi a
País: Po ugal
Da a do egis o: 2025
Página web: h ps://memo iamedia.p /index.php/ adicao/moi a
DOI: 10.5281/zenodo.17306073
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Des ai ada, po meno @MEMORIAMEDIA
Ca ac e ização
Es e egis o en e is ou os pin o es Edua do Rod igues, Luís
Filipe, Luís Gue ei o. Embo a es es ês pin o es es ejam
sediados na Moi a, o seu abalho es ende-se a oda a baía
do Tejo. São equen emen e chamados a pin a emba cações de
ou os concelhos, como Seixal, Mon ijo, Vila F anca de Xi a
ou Alcoche e sendo econhecidos po um es ilo p óp io e
incon undí el. Es e econhecimen o e le e o ca ác e
pa ilhado da adição, em que cada comunidade ibei inha
con ibui pa a a manu enção de um pa imónio comum.
A a e de pin a ba cos es á ambém in imamen e ligada à
cons ução na al adicional do Tejo. Não há pin u a sem
madei a, nem deco ação sem casco. Os es alei os, alguns deles
ainda a i os, con inuam a se espaços de ansmissão de
sabe es, onde a colabo ação en e ca pin ei os, a ais e
pin o es man ém i a uma cadeia de conhecimen o a esanal.
Es e ecossis ema cul u al az pa e do ecido i o das
comunidades ibei inhas e é exemplo de uma p á ica in eg ada
e colabo a i a.
Os mo i os deco a i os p esen es nes as emba cações são
a iados e de g ande iqueza simbólica. Des acam-se:
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• Flo es ( osas, c a os, malmeque es), mui as ezes
ag upadas como buquês ou bo dados, com co es i as e
somb eados sub is;
• Le as deco a i as, pin adas de aco do com um ipo de
le a in o mal, não ixado mas pa ilhado pela
comunidade, onde cada pin o ac escen a o seu oque
pessoal.
• Painéis de popa e p oa com cenas eligiosas, au inas
ou da ida quo idiana no es uá io;
• Elemen os geomé icos e pad ões o namen ais, he dados
da es é ica popula e na al po uguesa.
Es as composições são execu adas com in as diluídas,
pincéis iníssimos, e com con olo do ges o e da espi ação.
Os ba cos o nam-se exp essões a ís icas lu uan es, cujas
pin u as são pensadas pa a b ilha especialmen e nas es as
lu iais, como a da Nossa Senho a da Boa Viagem, na Moi a,
desc i a po um dos p a ican es como “um des ile de
aidades”, onde cada emba cação exibe com o gulho a sua
deco ação mais ecen e.
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O Boa Viagem @MEMORIAMEDIA
Funções e Signi icados
A pin u a adicional das emba cações desempenha múl iplas
unções:
• Es é ica: con e e beleza e dis inção às emba cações;
• Iden i á ia: exp essa a pe ença à comunidade
ibei inha;
• Social e i ual: in eg a-se nas es as e e en os
eligiosos e laicos;
• Memó ia cole i a: man ém i a a ligação en e as
ge ações e o e i ó io;
• Técnica: complemen a o ciclo da cons ução e manu enção
na al a esanal.
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Va ino e F aga a - Sec. XIX. Au o desconhecido. @PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/LSM/000917
O igem / his ó ia
As emba cações adicionais do io Tejo i e am, desde pelo
menos o século XV, um papel cen al na ida económica da
egião. Fo am undamen ais no anspo e de me cado ias,
ma é ias-p imas, p odu os ag ícolas, gado e passagei os
en e as ma gens do io e a cidade de Lisboa, abas ecendo-a
com ecu sos p o enien es da lezí ia, da cha neca e da se a.
Es as emba cações e am adap adas ao egime das ma és, aos
en os e às co en es do es uá io, e ope a am dia iamen e
como pa e da economia lu ial. O seu egis o es á
documen ado em on es iconog á icas di e sas — incluindo
pin u as an igas, g a u as, o og a ias de a qui o e pos ais
ilus ados do século XIX e início do século XX — que mos am
a imponência des as o as em pleno uncionamen o.
T adicionalmen e, os cascos das emba cações e am p o egidos
com pez (alca ão) pa a impe meabilização, o que con e ia à
madei a uma co neg a e limi a a a pin u a deco a i a a á eas
eduzidas como as "emendas", pequenas aixas no opo dos
cascos, e o in e io das emba cações, onde se localiza am os
painéis igu a i os e lo ais.
Com o a anço écnico e o abandono p og essi o do uso de pez
no início do século XX, os cascos passa am a se pin ados
com in as colo idas, ab indo espaço pa a o desen ol imen o

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e expansão das deco ações ex e io es, que se o na am mais
exube an es e isí eis.
Pa alelamen e, nas es as eligiosas, lu iais e oma ias,
o nou-se hábi o engalana as emba cações com bandei as,
colchas, lo es e pin u a eno ada, como o ma de hon a,
i alidade saudá el e exp essão es é ica. Em es as como a
da Moi a, as emba cações e am po ezes apadas com lonas
a é ao momen o da p ocissão lu ial, gua dando em seg edo a
pin u a no a — numa “ ei a de aidades” onde se mos a a o
alen o do pin o e o o gulho do p op ie á io.
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Ba cos no cais da Moi a @MEMORIAMEDIA
Con ex o de p odução
Comunidade ou g upo: Comunidade de p a ican es da Moi a
De en o de di ei os: P a ican es e de en o es
Desc ição de di ei os: Di ei os Cole i os e Comunais
A a e de pin a ba cos adicionais da baía do Tejo é um
sabe cole i o, en aizado na expe iência das comunidades
ibei inhas do es uá io do Tejo (Moi a, Ba ei o, Seixal,
Alcoche e, Lisboa, en e ou as). T a a-se de um pa imónio
que:
• É ansmi ido o almen e e na p á ica, de ge ação em
ge ação;
• Pe ence à memó ia cole i a e iden idade cul u al
dessas comunidades;
• In eg a o sis ema de elações sociais e de coope ação
(ex.: en e es alei os, a ais, pin o es e
p op ie á ios de ba cos).
Po isso, os di ei os de sal agua da e ges ão cul u al do
elemen o pe encem p ima iamen e à comunidade p a ican e,
cabendo ao Es ado e às ins i uições o de e de espei a ,
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econhece e apoia essa p á ica, sem a exp op ia ou
des i ua .
As comunidades que man êm i a es a adição (pin o es,
cons u o es na ais, associações náu icas, es alei os)
possuem o di ei o de pa icipação a i a em:
• P ocessos de in en a iação e econhecimen o
pa imonial;
• P oje os de sal agua da, alo ização e ansmissão do
sabe ;
• Tomada de decisões sob e o mas legí imas de uso,
ep odução e comunicação do elemen o.
Medidas de sal agua da
C iação de o icinas e p og amas in e ge acionais de
ansmissão de sabe es;
Apoio à manu enção dos es alei os e cons ução na al
adicional;
P omoção da a e nas es as lu iais e e en os cul u ais
ibei inhos;
Riscos iden i icados
Es e elemen o en en a á ios iscos:
• En elhecimen o e escassez de p a ican es a i os;
• Desapa ecimen o dos es alei os adicionais;
• Fal a de alo ização escola e ins i ucional da a e;
• P essões u banas e dis anciamen o das comunidades do
io.
Apesa disso, subsis e um núcleo esilien e de a is as e
comunidades que con inuam a p a ica , p omo e e alo iza
es a adição, sob e udo em momen os es i os e inicia i as
de sal agua da local.
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Po meno de pin u a @MEMORIAMEDIA
Pa imónio associado
Pa imónio Cul u al Ima e ial
A p á ica de pin u a adicional de emba cações do Tejo es á
in eg ada num sis ema cul u al mais amplo, que a icula
sabe es écnicos, exp essões simbólicas, p á icas sociais e
es i idades comuni á ias. En e os elemen os de Pa imónio
Cul u al Ima e ial associados, des acam-se:
1. Sabe es e Técnicas T adicionais
Cons ução na al a esanal em madei a ( a inos, aluas,
canoas);
Repa ação, cala e agem e manu enção dos cascos, em
a iculação com a pin u a;
Técnicas de aplicação de pigmen os, somb eados e aço li e,
ansmi idas o almen e ou pela p á ica di e a com mes es.
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á ios séculos de exis ência des as emba cações no Tejo, os
cascos adqui iam a co neg a a a és da aplicação de pez,
alca ão, que impe meabiliza a os ba cos. Hoje, os cascos
são p o egidos com in as indus iais ma í imas, com uma
pale a a iada de co es, o que ac escen ou di e sidade isual
a es as emba cações e pe mi iu es ende a aplicação das
pin u as deco a i as a odo o ba co, con o me a c ia i idade
dos pin o es.
Es a a e é p a icada po um núme o eduzido de pin o es
ibei inhos, com exp essão signi ica i a na Moi a, mas cujas
in e enções ab angem emba cações de oda a baía do Tejo,
incluindo o Ba ei o, Seixal, Alcoche e e Lisboa. Es es
a is as colabo am es ei amen e com ca pin ei os na ais,
a ais, p op ie á ios de emba cações e associações náu icas.
Mui os pin o es inicia am-se no o ício a a és da
con i ência com mes es an igos, es alei os amilia es ou
pa icipação in o mal em a i idades comuni á ias. A
ansmissão dos sabe es é essencialmen e empí ica e o al,
po obse ação e p á ica.
Modo de T ansmissão
A ansmissão dos sabe es é não o mal, ealizada no con ex o
do es alei o, da comunidade ou da amília. A obse ação
di e a, o acompanhamen o de mes es e a p á ica cons an e
são os p incipais modos de ap endizagem. Exis em ambém
egis os pon uais de ações o ma i as p omo idas po
au a quias e associações, como o cu so p omo ido pela Câma a
Municipal da Moi a em 2011, que con ibuiu pa a eno a o
in e esse e a ai no os p a ican es.
Idioma
Po uguês
T ansc ição: Memó ia Ima e ial CRL
Regis o ídeo / áudio: José Ba bie i
En e is a: Filomena Sousa
In en á io PCI: Memó ia Ima e ial CRL
Ficha de in en á io: h ps://www.memo iamedia.ne /index.php/ odo- undo-
memo iamedia/de ails/3/860