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Algumas estratégias de negação sintática no português brasileiro [Some syntactic negation strategies in Brazilian Portuguese]

Author: Ribeiro Figueiredo Junior, Selmo
Publisher: Zenodo
DOI: 10.5281/zenodo.17329084
Source: https://zenodo.org/records/17329084/files/2024_mackenzie.pdf
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Es e a igo es á licenciado com uma Licença C ea i e Commons - A ibuição-NãoCome cial 4.0 In e nacional
LÍNGUA E LINGUÍST ICA
AlgumAs es A égiAs de
negAção sin á icA no
po uguês b Asilei o
1 Selmo Ribei o Figuei edo Junio *
h ps://o cid.o g/0000-0001-8367-0306
Como ci a es e a igo: FIGUEIREDO JUNIOR, S. R. Algumas es a égias de negação
sin á ica no po uguês b asilei o. Todas as Le as – Re is a de Língua e Li e a u a,
São Paulo, . 26, n. 2, p. 1-17, maio/ago. 2024. DOI: h ps://doi.o g/10.5935/1980-
6914/eLETLL16373.
Submissão: 12 de agos o de 2023. Acei e: 8 de e e ei o de 2024.
Resumo: Es e a igo abo da a negação ia diale ologia, com oco na sin axe do
po uguês alado no B asil, com eco e na elação posicional en e ope ado de
negação e aquilo ab angido em seu escopo. A discussão começa com a conhe-
cida ico omia negação p é- e bal, dupla negação e negação pós- e bal, segue
à classi icação ipa i e negação sen encial, negação de sin agma complexo e
negação de cons i uin e pa a en ão chega à iden i icação de no e es a égias
(ou ypes) de negação sin á ica especí icas.
Pala as-cha e: Diale ologia. Sin axe. Negação. Va iação linguís ica. Co elações
ex alinguís icas.
* Faculdade de Tecnologia (Fa ec), Pi acicaba, São Paulo. E-mail: [email p o ec ed]
Selmo RibeiRo FigueiRedo JunioR
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LÍNGUA E LINGUÍST ICA
Todas as Le as, São Paulo, . 26, n. 2, p. 1-17, maio/ago. 2024
DOI 10.5935/1980-6914/eLETLL16373
In odução1
■De aco do com Zeijls a (2015), oda língua na u al dispõe de algum
ecu so cujo p opósi o seja in e e o alo de e dade de sen enças,
ou seja, algum ecu so de negação. Toda ia, nem semp e se a a de
alo de e dade. Esse é o caso de uma sen ença como (1):
(1) “Não co a!”
O impe a i o nesse caso exp essa uma o dem que, no momen o da sua enun-
ciação, não pode se e i icada em e mos de e dade. Enquan o a o de ala, ela
pode se medida a pos e io i, com uma necessá ia ex apolação dos ní eis lin-
guís icos, ou seja, com uma necessá ia e e ência ao âmbi o p agmá ico-social
(c ., po exemplo, Han, 2001). Po essa e ou as azões, a negação em línguas
na u ais, apesa de já bas an e explo ada in es iga i amen e2, ainda impõe mui a
labu a aos linguis as em pa icula .
Embo a oda língua disponha de algum ecu so de negação, ope ado es de
negação podem di e encia -se de um idioma a ou o. Essa di e sidade é ampla,
em o ma, unção e in e p e ação, e aumen a de modo conside á el quando o
escopo de análise ai além do ní el es i amen e sin á ico, incluindo nomeada-
men e os ní eis mo ológico, p osódico e discu si o-p agmá ico.
No es udo cien í ico da língua com base empí ica, o es o ço ge al dos pesqui-
sado es é que eles en em localiza , desc e e e explica os a o es que espon-
dem pela (in luência à) p odução do seu obje o de in es igação. No en an o, o
núme o de a o es (ou a iá eis independen es) é as o. Po exemplo, sabe-se
que as egiões geog á icas cons i uem um a o ele an e ( a iá el dia ópica). Os
g upos de alan es êm suas pa icula idades como e ei o da sua es a i icação
( a iá el dias á ica). Ce as si uações sociais demandam ce os egis os de
ala ( a iá el dia ásica). Indi íduos emininos e indi íduos masculinos possuem
di e en es p e e ências ( a iá el diassexual ou diagené ica). Di e en es ge ações
são a a essadas po di e en es es ados sinc ônicos da língua ( a iá el diage a-
cional). A lis a de a o es de mo i ação ex alinguís ica não pa a po aqui.
Assim, com a exis ência de uma cons elação an o de ecu sos de negação
(âmbi o linguís ico) quan o de a o es que os de e minam ou in luenciam ( indos
do âmbi o linguís ico e do âmbi o ex alinguís ico), um eco e é e iden emen e
necessá io pa a o p esen e abalho. Vamos lida com a “negação sin á ica” e,
com dados p óp ios (a pa i da seção “Es a égias em de alhes”), amos co e-
laciona es a égias de negação especí icas com a o es ex alinguís icos, nomea-
damen e com o dias á ico, o diage acional e o diassexual.
Aqui, u ilizo a exp essão “negação sin á ica” como hipe ônimo a dis in amen-
e aze e e ência à “negação sen encial”, à “negação de sin agma complexo” e à
“negação de cons i uin e”. Assim, icam de o a mo emas nega i os p esos (po
exemplo, in-), p onomes nega i os (po exemplo, nenhum), p onomes de e o ço
1 Num p imei o momen o da pesquisa, como pa e de um dou o ado na Uni e sidade de São Paulo (USP), o co pus oi le an ado
com os auspícios da Fundação de Ampa o à Pesquisa do Es ado de São Paulo (Fapesp, p ocs. 2015/14038-5 e 2011/51787-5), do
Se iço Alemão de In e câmbio Acadêmico (DAAD, p og. 57214225) e da Coo denação de Ape eiçoamen o de Pessoal de Ní el
Supe io (Capes, p oc. 0128-16-3 / 99999.000128/2016-03). Num momen o pos e io , no âmbi o de um es ágio de pós-dou o a-
men o na USP, os dados o am p ocessados e analisados, e a p esen e publicação, a p imei a da pesquisa, oi o nada possí el
g aças ao apoio do p oje o de pesquisa ins i ucional Coope a io – Ling is ika, da Uni e zi a Ka lo a, P aga, República Tcheca.
2 T abalhos de ul o a esse espei o são, po exemplo, de Haegeman (1995) e Ho n (2001), en e an os ou os.
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nega i o (po exemplo, algum pós- e bal em pa ce ia com ope ado de negação
p é- e bal), negação da negação, p osódia suges i a de negação e negação p ag-
má ica sem con apa e linguís ica.
De uma pe spec i a ampla, as di e en es ins anciações da negação sin á ica
com que amos lida mais cen almen e nes e abalho podem se subsumidas
às já mencionadas (2) negação sen encial, (3) negação de sin agma complexo e
(4) negação de cons i uin e, ilus adas adian e3.
(2) “Não es á a de.”
(3) “– Vamos? – Não de no o…”
(4) “Es a é uma aca não a iada.”
O exemplo (2) ilus a uma negação com escopo numa o ação. O (3) ilus a
especi icamen e uma negação com escopo num sin agma p eposicional. Já o
exemplo (4) ilus a uma negação com escopo num i em lexical apenas. Na p ó-
xima seção, po ém, amos e um pano ama da negação sin á ica a a és da
conhecida ico omia cons i uída pela “negação p é- e bal”, pela “dupla nega-
ção” e pela “negação pós- e bal” com apoio em dados cole ados e analisados po
di e en es pesquisado es em localidades ep esen a i as de á ias egiões do
B asil. Depois, amos expandi o pano ama com ins anciações pa icula es da
negação sin á ica ia es a égias especí icas iden i icadas em dados p óp ios.
ês es a égIas de negação sIn á Ica
Yaco enco e Nascimen o (2016) aduzem a negação p é- e bal, a dupla nega-
ção e a negação pós- e bal, e as analisam com base em dados p óp ios (ex aí-
dos de 18 en e is as do co pus Po uguês Falado na Cidade de Vi ó ia – Po Vix,
es ado do Espí i o San o) e em dados azidos pelos es udos de Ronca a i (1996),
Fu ado da Cunha (2000), Alkmim (2001), Rocha (2013) e Goldnadel e al.
(2013). Elas ap esen am as ês es a égias de negação da seguin e o ma4: “N +
SV” (negação p é- e bal) (5); “N + SV + N” (dupla negação) (6); e “SV + N” (nega-
ção pós- e bal) (7). Na no ação, “N” deno a “negação”; “SV”, “sin agma e bal”.
Seguem os exemplos espec i os:
(5) “Ah, não em a ida mui o boa, sei lá.”
(6) “Comp a ia ca o ambém, só que eu não enho idade ainda não.”
(7) “Alimen ação é no mal. Tem nada de egime de nada não.”
Os esul ados ge ais ob idos nos es udos e e idos encon am-se quan i ica-
dos na Tabela 1. As eduções na p imei a coluna e e em-se a di e en es es ados
nacionais – “ES” = “Espí i o San o”, “CE” = “Cea á”, “RN” = “Rio G ande do No e”,
“MG” = “Minas Ge ais”, “SP” = “São Paulo”, “SC” = “San a Ca a ina”, “PR” =
“Pa aná”, “RS” = “Rio G ande do Sul” –, enquan o a edução “S/O” nas duas
úl imas colunas deno a “sem oco ências”.
3 Na p esen e elabo ação, subsumo aci amen e a dupla negação à negação sen encial.
4 Rep oduções de Yaco enco e Nascimen o (2016) ex aídas do co pus Po Vix.
Selmo RibeiRo FigueiRedo JunioR
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Cidade
Negação p é- e bal Dupla negação Negação pós- e bal
N % N % N %
Vi ó ia, ES 1.751/2.263 77,4 478/2.263 21,1 34/2.263 1,5
Fo aleza, CE 625/774 77,0 149/774 18,0 39/774 5,0
Na al, RN 308/466 66,1 96/466 20,6 62/466 13,3
Ma iana, MG 1.787/2.505 71,5 489/2.505 19,5 40/2.505 1,5
São Paulo, SP 5.279/5.607 94,0 354/5.607 5,8 4/5.607 0,2
Flo ianópolis, SC 1.018/1.065 95,6 47/1.065 4,4 S/O S/O
Cu i iba, PR 1.371/1.408 97,4 37/1.408 2,6 S/O S/O
Po o Aleg e, RS 1.402/1.410 99,4 8/1.410 0,6 S/O S/O
Tabela 1 – Negação em á ias egiões b asilei as5
Fon e: Yaco enco e Nascimen o (2016, p. 134-135).
Em Vi ó ia, a negação p é- e bal p edomina, com 77,4%. Em segundo luga ,
em a dupla negação, com 21,1%. A negação pós- e bal em oco ência bas an e
baixa. Com esse a o conside ado, pode-se dize que os i o ienses p a icamen-
e não lançam mão da e cei a es a égia, em a o sob e udo da p imei a. Em
Fo aleza, o quad o é essencialmen e o mesmo. Apenas que a negação pós- e bal
se ele a um pouco mais. A si uação já passa a muda mais com elação a Na al,
onde a negação pós- e bal log a já signi ica i os 13,3%, o que a o na ela i a-
men e p óxima da segunda colocada, a dupla negação. Sua p imei a es a égia
cai p a icamen e 10% em compa ação com as localidades an e io es. Já Ma iana
ni ela-se com Vi ó ia no que conce ne às ês es a égias em ques ão. Apenas há
uma di e ença mais sensí el quan o à negação p é- e bal, a qual Ma iana p o-
duz um pouco menos do que Vi ó ia. Uma p imei a explosão na elação das lo-
calidades a é aqui conside adas diz espei o à cidade de São Paulo, onde a ne-
gação p é- e bal ob ém al i os 94% de equência ela i a, deixando as ou as
duas es a égias de negação ex emamen e à ma gem. Tal si uação é essencial-
men e compa ilhada com as localidades es an es: Flo ianópolis, Cu i iba e
Po o Aleg e. Es as úl imas azem pa e da Região Sul do B asil. Pelos esul a-
dos exibidos na Tabela 1, ica copiosamen e cla o que os sulis as i ualmen e
só se se em da negação p é- e bal.
es a égIas em de alhes
A pa i des a seção, amos abo da es a égias de negação especí icas, em
ex ensão a uma pe spec i a ico ômica, com base em dados de pesquisa p ó-
p ia. A cole a e e luga no âmbi o do meu dou o amen o, obje i ando a elabo-
ação de um a las linguís ico (Figuei edo Junio , 2019) sob os auspícios da
Fundação de Ampa o à Pesquisa do Es ado de São Paulo, do Se iço Alemão de
In e câmbio Acadêmico e da Coo denação de Ape eiçoamen o de Pessoal de
Ní el Supe io 6. Con udo, em unção da p io ização de ou os ní eis linguís icos
5 Os 7,5% al an es na linha de Ma iana e e em-se a uma ou a a ian e não con emplada pela abela.
6 Fapesp (p ocs. 2015/14038-5 e 2011/51787-5), DAAD (p og. 57214225) e Capes (p oc. 0128-16-3 / 99999.000128/2016-03).
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à época, os dados sin á icos pe manece am in ocados a é o pós-dou o amen o
pela Uni e sidade de São Paulo (2019-2021), ecém-concluído, que o a p opos-
o especi icamen e pa a p ocessa ais dados, e o p esen e a igo di ulga os
p imei os esul ados mais adian e.
Me odologia
Com o apo e eó ico-me odológico da diale ologia plu idimensional (Rad ke;
Thun, 1996; Thun, 2000, 2005), dados sin á icos o am cole ados e análises
inédi as sob e es a égias de negação no po uguês b asilei o são ap esen adas.
O ins umen o me odológico de cole a aplicado é uma e são modi icada do
Ques ioná io Mo ossin á ico (QMS) o iginalmen e desen ol ido pelo Comi ê Na-
cional do P oje o A las Linguís ico do B asil – ALiB (2001). Aqui, impo am-nos
as ques ões 47, 48 e 49, po se em as pe gun as do QMS que ema izam a ne-
gação, cujos enunciados o Quad o 1 exibe.
Q47 Vc/S sabe se em ida em ou o plane a / na lua?
Q48 Vc/S já iu disco oado ?
Q49 Vc/S já iajou de a ião? / Tem medo de iaja de a ião?
Legenda: c = ocê; s = o senho / a senho a
Quad o 1 – Ques ões do QMS
A elas, esponde am 80 in o man es7. Em cada g upo, uma me ade inha
baixa escola idade (do anal abe ismo a é o ensino médio/secundá io incomple-
o; classe b, Cb), e a ou a me ade inha al a escola idade (a pa i dos es udos
supe io es/do e cei o g au, comple os ou incomple os; classe a, Ca). Ainda,
uma me ade inha de 18 a 36 anos (g upo ge acional I, GI), e a ou a me ade
inha a pa i de 55 anos (GII). Além disso, uma me ade e a o mada po mulhe-
es (W ), e ou a me ade e a o mada po homens (Wm). Todos os in o man es
inham um o al não in e io a ês qua os da ida mo ando na espec i a loca-
lidade. Desse empo, odos lá es a am de modo inin e up o pelos úl imos cinco
anos pelo menos.
Po an o, no es udo, Cb e Ca cons i uí am os alo es al e na i os possí eis
pa a a a iá el dias á ica (Cx); GI e GII; os alo es al e na i os possí eis pa a a
a iá el diage acional (Gy); e W e Wm, os alo es al e na i os possí eis pa a a
a iá el diassexual (Wz). Com isso, os dados dos in o man es se i am a ês
co elações (ou c uzamen os) equi a i as e sis emá icas: CxGy, CxWz e WzGy.
An es de abo dá-las, ejamos as ma izes do uni e so das espos as ob idas de
uma pe spec i a ge al na seção a segui .
Dados p imá ios
Em o dem dec escen e, a Tabela 2 mos a as espos as elici adas à ques ão 47.
Na segunda coluna, as eduções com suas espec i as o mas po ex enso são
as seguin es: “neg.” = “negação”; “o ac.” = “o acional”; “SV” = “sin agma e bal”;
7 Das seguin es dez localidades: San ana de Pa naíba, Pi apo a do Bom Jesus, A aça iguama, São Roque, So ocaba, I u, Po o Feliz,
Tie ê, Capi a i e Pi acicaba.

Selmo RibeiRo FigueiRedo JunioR
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“SV1” = “SV da ma iz”; “SV2” = “SV encaixado”; “conj.” = “conjunção”; “enc.” =
“encaixada”; “ex ao ac.” = “ex ao acional”; “CNV” = “cons i uin e não e bal”;
“SP” = “sin agma p eposicional”. Os pa ên eses ence am o elemen o con ingen e.
As cha es o ganizam as hie a quias sin á icas.
Es a égias de negação FA FR
(i) {neg. o ac. + SV} →{NO + SV} 38 59%
(ii) {SV1 + conj. + {neg. o ac. enc. (+ SV2)}} →{SV1 + C + {NOS (+ SV2)}} 14 22%
(iii) {apenas neg.} →{a.N} 3 5%
(i ) {{neg. ex ao ac.} {(+ conj.)} + {SV(s)}} →{{NE} {(+ C)} + {SV(s)}} 2 3%
( ) {{neg. o ac. + SV} + {neg. ex ao ac.}} →{{NO + SV} + {NE}} 2 3%
( i) {sin agma não e bal + neg.} →{SNV + N} 2 3%
( ii) {{neg. ex ao ac.} + {neg. o ac. + SV}} →{{NE} + {NO + SV}} 1 2%
( iii) {neg. de cons i uin e não e bal + CNV} →{NCNV + CNV} 1 2%
(ix) {SV1 + conj. + {SP + negação o ac. enc.}} →{SV1 + C + {SP + NOS}} 1 2%
[ RI ] 16
∑:80 100%
Legenda: RI = espos as in álidas; FA = equência absolu a; FR = equência ela i a com base nas espos as
álidas.
Tabela 2 – Ma iz e e en e à Q47
Das espos as conc e as egis adas à ques ão 47, uma amos a alea ó ia
ilus a i a é a que segue: (i) “Não sei.” (in o man e 4); (ii) “Acho que não em.”
(in . 45); (iii) “Não.” (in . 15); (i ) “Não, mas ac edi o que sim.” (in . 52); ( ) “Não
ac edi o, não.” (in . 71); ( i) “Com p o as, não.” (in . 77); ( ii) “Não, não sei.” (in .
32); ( iii) “Tal ez não iguais à da Te a.” (in . 49); e (ix) “Acho que na lua não.”
(in . 25). A o con ínuo, a Tabela 3 ap esen a a ma iz e e en e à ques ão 48.
Es a égias de negação FA FR
(a) {apenas neg.} →{a.N} 52 71%
(b) {neg. o ac. + SV} →{NO + SV} 10 14%
(c) {{neg. ex ao ac.} {(+ conj.)} + {SV(s)}} →{{NE} {(+ C)} + {SV(s)}} 5 7%
(d) {{neg. ex ao ac.} + {neg. o ac. + SV}} →{{NE} + {NO + SV}} 3 4%
(e) {sin agma não e bal + neg.} →{SNV + N} 2 3%
( ) {SV1 + conj. + {neg. o ac. enc. (+ SV2)}} →{SV1 + C + {NOS (+ SV2)}} 1 1%
[ RI ] 7
∑:80 100%
Legenda: RI = espos as in álidas; FA = equência absolu a; FR = equência ela i a com base nas espos as
álidas.
Tabela 3 – Ma iz e e en e à Q48
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Um eco e alea ó io ilus a i o do conjun o das espos as elici adas à Q48 é
o que segue: (a) “Não.” (in . 25); (b) “Nunca i.” (in . 36); (c) “Não, mas i coisas…”
(in . 60); (d) “Não, nunca i.” (in . 39); (e) “G aças a Deus, não.” (in . 1); e ( ) “Acho
que não.” (in . 35). Po im, a Tabela 4 aduz a ma iz e e en e à ques ão 49.
Es a égias de negação FA FR
(A) {apenas neg.} →{a.N} 38 51%
(B) {neg. o ac. + SV} →{NO + SV} 20 27%
(C) {{neg. ex ao ac.} + {neg. o ac. + SV}} →{{NE} + {NO + SV}} 8 11%
(D) {neg. de cons i uin e não e bal + CNV} →{NCNV + CNV} 3 4%
(E) {{neg. o ac. + SV} + {neg. ex ao ac.}} →{{NO + SV} + {NE}} 3 4%
(F) {SV1 + conj. + {neg. o ac. enc. (+ SV2)}} →{SV1 + C + {NOS (+ SV2)}} 2 3%
(G) {{neg. ex ao ac.} {(+ conj.)} + {SV(s)}} →{{NE} {(+ C)} + {SV(s)}} 1 1%
[ RI ] 5
∑: 80 100%
Legenda: RI = espos as in álidas; FA = equência absolu a; FR = equência ela i a com base nas espos as
álidas.
Tabela 4 – Ma iz e e en e à Q49
Como ei o an es a espei o das ques ões an e io es, eis aqui ambém uma
amos a alea ó ia ilus a i a à Q49: (A) “Não.” (in . 46); (B) “Nunca iajei.” (in .
24); (C) “Não, nem p e endo.” (in . 56); (D) “Nem um pouco.” (in . 51); (E) “Não
enho medo, não.” (in . 43); (F) “Acho que não.” (in . 71); e (G) “Não, enho me-
do.” (in . 72). A Tabela 5 uni ica os dados das abelas 2, 3 e 4.
Es a égias de negação FA FR
(I) {a.N} 93 44%
(II) {NO + SV} 68 32%
(III) {SV1 + C + {NOS (+ SV2)}} 17 8%
(IV) {{NE} + {NO + SV}} 12 6%
(V) {{NE} {(+ C)} + {SV(s)}} 84%
(VI) {{NO + SV} + {NE}} 52%
(VII) {NCNV + CNV} 42%
(VIII) {SNV + N} 42%
(IX) {SV1 + C + {SP + NOS}} 10%
[ RI ] 28
∑: 240 100%
Legenda: RI = espos as in álidas; FA = equência absolu a; FR = equência ela i a com base nas espos as
álidas.
Tabela 5 – Ma iz ge al
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O equi alen e g á ico dos dados álidos da Tabela 5 é o G á ico 1. Ele se á
impo an e pa a os p opósi os compa a i os da p óxima seção, na qual se ão
ei as co elações en e os esul ados da ma iz ge al e as a iá eis ex alinguís-
icas con oladas no es udo, e e en es aos pe is dos in o man es, ou seja, as
a iá eis (ou a o es) dias á ica, diage acional e a diassexual.
44%
32%
8% 6% 4% 2% 2% 2% 0%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
45%
50%
(I) (II) (III) (IV) (V) (VI) (VII) (VIII) (IX)
G á ico 1 – Dis ibuição es a ís ica da ma iz ge al8
Co elações e análises
Es a seção ap esen a c uzamen os en e a p odução linguís ica dos 80 in o -
man es inqui idos e os a o es ex alinguís icos a eles mesmos associados. Pa a
isso, amos conside a nas abelas e nos g á icos não só as es a égias de nega-
ção mais es a is icamen e signi ica i as (I-IV), mas ainda as menos signi ica i as
(V-IX), em consonância com o in e esse da diale ologia plu idimensional, a en a
ambém aos esul ados menos exp essi os quan i a i amen e. Nes e a igo, po-
ém, o oco analí ico ecai nas a ian es mais es a is icamen e signi ica i as. A
Tabela 6 co elaciona os dados álidos às a iá eis dias á ica e diage acional.
Va .
CaGII CaGI CbGII CbGI
FA FR FA FR FA FR FA FR
(I) 20 42% 24 42% 19 35% 30 57%
(II) 16 33% 21 37% 20 37% 11 21%
(III) 3 6% 4 7% 6 11% 4 8%
(IV) 2 4% 3 5% 5 9% 2 4%
(V) 3 6% 1 2% 1 2% 3 6%
8 Ve Tabela 5 pa a índice das es a égias aqui apenas nume adas po simplicidade.
(con inua)
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LÍNGUA E LINGUÍST ICA
AlgumAs es A égiAs de negAção sin á icA no po uguês b Asilei o
Todas as Le as, são paulo, . 26, n. 2, p. 1-17, maio/ago. 2024
doi 10.5935/1980-6914/ele ll16373
Va .
CaGII CaGI CbGII CbGI
FA FR FA FR FA FR FA FR
(VI) 2 4% 0 0% 2 4% 1 2%
(VII) 0 0% 3 5% 0 0% 1 2%
(VIII) 2 4% 0 0% 1 2% 1 2%
(IX) 0 0% 1 2% 0 0% 0 0%
∑48 100% 57 100% 54 100% 53 100%
Legenda: Va . = a ian e; FA = equência absolu a; FR = equência ela i a en e os dados álidos; Ca/b =
classe escola al a/baixa; GII/I = g upo e á io elho/jo em.
Tabela 6 – C uzamen o CxGy
Como se obse a na Tabela 6, a a ian e {a.N} (I) – que é a com a subs ância
linguís ica mais le e den e odas – é a no ma9 en e os alan es jo ens da classe
baixa, com 57% de FR. Esse alo é esponsá el po coloca a classe baixa como
um odo (is o é, conside ados ao mesmo empo seus dois g upos) na posição
daqueles que mais a iculam {a.N}: sua média a i mé ica é 46% (= (57% + 35%)
/ 2) con a 42% da classe al a. Em compensação, o mesmo g upo jo em da clas-
se baixa é o que menos lança mão da es a égia {NO + SV} (II), com 21% de FR.
Con udo, no a-se um equilíb io no uso dessa a ian e po pa e an o do g upo
jo em da classe al a quan o do g upo elho da classe baixa, an agônicos en e
si. Apesa disso, em ambos a es a égia {NO + SV} ob ém 37% de FR cada. Esse
a o con as a o an e io , apon ando pa a a plausibilidade de que {NO + SV} em
aplicação não in luenciada po a o es ex alinguís icos.
Quan o à es a égia {SV1 + C + {NOS (+ SV2)}} (III), há e idências, ainda que
ênues, de que sua u ilização é in luenciada pelo a o dias á ico: as equên-
cias ela i as mais al as es ão ao lado da classe baixa. São 11% e 8% de FR
obse ados na classe baixa elha e na classe baixa jo em, espec i amen e, con-
a 6% e 7% de FR obse ados na classe al a elha e na classe al a jo em, es-
pec i amen e. Com elação à a ian e {{NE} + {NO + SV}} (IV), endo-se o pa âme-
o > 5% pa a alo es es a is icamen e signi ica i os, no a-se que a es a égia
em ques ão só é signi ica i a na classe baixa elha, com 9% de FR, enquan o os
ou os ês g upos pon ua am abaixo do pa âme o e e ido. No que ange à
a ian e {{NE} {(+ C)} + {SV(s)}} (V), as e idências quan i a i as exibidas na Tabela 6
sinalizam neu alidade de in luência de a o es ex alinguís icos, já que g upos
an agônicos ealizam os mesmos alo es: a classe al a elha e a classe baixa jo-
em ap esen am-se com 6% de FR cada, e a classe al a jo em e a classe baixa
elha ap esen am-se com 2% de FR cada. Isso di o, passemos ao G á ico 2 a se-
gui , de i ado da Tabela 6. Tal g á ico compu a os dados das p imei as qua o
a ian es (I-IV) e ag upa as demais (V-IX) em “O” (de “ou as”).
9 Nes e a igo, no ma deno a uma a ian e com equência ela i a > 50%.
Selmo RibeiRo FigueiRedo JunioR
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Rela i amen e à nossa p óp ia pesquisa aqui di ulgada, con ando com uma
base documen al com 212 (88%) dados álidos, no amos que a es a égia espe-
cí ica (I) – {a.N}: “Não.” – é no ma en e os alan es jo ens da classe baixa, com
57% de equência ela i a (FR), e a classe baixa como um odo é a que mais a
a icula. Aliás, o g upo jo em da classe baixa é o que menos lança mão da es a-
égia (II) – {NO + SV}: como em “Não sei.” –, com 21% de FR, ao mesmo empo
que os esul ados ambém indicam que al es a égia em aplicação não in luen-
ciada po a o es ex alinguís icos.
Quan o à es a égia (III) – {SV1 + C + {NOS (+ SV2)}}: como em “Acho que não
em.” –, há e idências, ainda que su is, de que sua aplicação é in luenciada pelo
a o dias á ico, nomeadamen e pela classe baixa. Com elação à es a égia (IV)
– {{NE} + {NO + SV}} (IV): como em “Não, não sei.” –, endo-se em men e o pa â-
me o > 5% pa a alo es es a is icamen e signi ica i os, ela só é signi ica i a na
classe baixa elha. No pa icula da es a égia (V) – {{NE} {(+ C)} + {SV(s)}}: “Não,
mas ac edi o que sim.” –, as e idências sinalizam neu alidade de in luência de
a o es ex alinguís icos.
Apon a-se que a es a égia (I) é p og essi a e que a es a égia (II) é eg essi a
en e os alan es da classe baixa como um odo. Isso oco e po que (II) p edomi-
na en e os elhos, e (I) é hegemônica en e os jo ens. Em elação a al compa-
ação en e indi íduos da classe al a, exis e um equilíb io en e os elhos e os
jo ens não só quan o às a ian es (I) e (II), mas ambém às demais. A o dem
descenden e das a ian es en e os elhos é a mesma no ada en e os jo ens.
Ou a cons a ação e e e-se ao a o de ha e mui o mais a iação na classe
baixa do que na classe al a, quando o enômeno enquad ado são as es a égias
de negação. No a-se ambém que a classe baixa masculina, com 50% de FR, é o
g upo que se des aca no emp ego da es a égia (I). Em elação à es a égia (II),
o g upo que mais a a icula é no amen e masculino, mas da classe al a. Aliás, o
aço masculino é o a o ex alinguís ico que mais a ua na p odução da es a-
égia (II). No que diz espei o à a ian e (III), acon ece o opos o: as mulhe es,
sob e udo da classe baixa, são os alan es que mais p oduzem a es a égia (III).
A es a égia (V) é ligei amen e menos a a na classe baixa masculina do que
nos ou os g upos. Po im, diga-se que o conjun o compos o pelas es a égias
de (V) a (IX)10 p esen e na classe al a eminina, com su p eenden es 17% de FR,
supe a quan i a i amen e as es a égias (III) e (IV), não só quando es as úl imas
são omadas isoladas, mas ambém quando elas são omadas somadas. Esse
a o adicionalmen e eduz a impo ância das es a égias (III) e (IV) e, em con as-
e, des aca a ele ância das es a égias (I) e (II) do pon o de is a da equência
ela i a, com 40% e 29% de FR, espec i amen e.
some syn ac Ic nega Ion s a egIes In B azIlIan Po uguese
Abs ac : The nega ion in B azilian Po uguese syn ax is s udied ia dialec olo-
gy. The ocus lies on he posi ional ela ionship be ween he nega ion ope a o
and he elemen s wi hin i s scope. We explo e he well-known icho omy o
p e e bal nega ion, double nega i e, and pos e bal nega ion. Mo eo e , we in-
oduce a ipa i e classi ica ion consis ing o sen ence nega ion, complex ph ase
10 (VI): {{NO + SV} + {NE}}, como em “Não ac edi o, não.”; (VII): {NCNV + CNV}, como em “Nem um pouco.”; (VIII): {SNV + N}, como
em “Com p o as, não.”; (IX): {SV1 + C + {SP + NOS}}, como em “Acho que na lua não.”

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LÍNGUA E LINGUÍST ICA
AlgumAs es A égiAs de negAção sin á icA no po uguês b Asilei o
Todas as Le as, são paulo, . 26, n. 2, p. 1-17, maio/ago. 2024
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nega ion, and cons i uen nega ion. We hen iden i y nine speci ic s a e gies (o
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