296
26. QUALIDADE DA ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL E SEUS
IMPACTOS NA REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA:
REVISÃO INTEGRATIVA
QUALITY OF PRENATAL CARE AND ITS IMPACTS ON REDUCING
MATERNAL MORTALITY: INTEGRATIVE REVIEW
EIXO TEMÁTICO: SAÚDE MATERNA E PERINATAL
Ra ael Bi encou F ied ich
G aduando em Medicina pela Uni e sidade de San a C uz do Sul
Paola And ea Bel an Al a ez
Médica o mada pela Uni e sidade P i ada Abie a La inoame icana; Bolí ia
RESUMO
In odução: A mo alidade ma e na pe manece um g a e p oblema de saúde pública global,
e le indo desigualdades sociais e alhas na assis ência às ges an es. O p é-na al adequado é
undamen al pa a p e eni mo es e i á eis e eduzi a mo bimo alidade. Obje i o: analisa a
elação en e a qualidade do p é-na al e a edução da mo alidade ma e na. Me odologia:
e isão in eg a i a ealizada nas bases LILACS, SciELO e Web o Science, com desc i o es
con olados e ope ado es booleanos. Fo am incluídos a igos publicados en e 2015 e 2025,
disponí eis na ín eg a, que abo dassem di e amen e o ema. Após iagem de 18 es udos, 11
compuse am a amos a inal. Resul ados: iden i icou-se que a qualidade do p é-na al es á
associada à p e enção de complicações obs é icas e à edução de óbi os ma e nos. Ba ei as
como desigualdades sociais, aciais e di iculdades de acesso p ejudicam a adesão ao cuidado
con ínuo. Es a égias como a Rede Cegonha no B asil e p og amas de a enção p imá ia em
Po ugal demons a am impac o posi i o na melho ia dos indicado es ma e nos. Conclusão: o
o alecimen o das polí icas públicas e da o ganização do p é-na al é essencial pa a eduzi de
o ma sus en á el a mo alidade ma e na, in eg ando p á icas baseadas em e idências e ações
ol adas à equidade e à humanização do cuidado.
Pala as-Cha e: assis ência p é-na al; mo alidade ma e na; saúde ma e na.
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ABSTRACT
In oduc ion: Ma e nal mo ali y emains a se ious global public heal h p oblem, e lec ing
social inequali ies and gaps in he ca e p o ided o p egnan women. Adequa e p ena al ca e
is essen ial o p e en a oidable dea hs and educe mo bidi y and mo ali y. Objec i e: To
analyze he ela ionship be ween he quali y o p ena al ca e and he educ ion o ma e nal
mo ali y. Me hodology: An in eg a i e e iew was conduc ed in he LILACS, SciELO, and
Web o Science da abases using con olled desc ip o s and Boolean ope a o s. A icles
published be ween 2015 and 2025, a ailable in ull ex and di ec ly add essing he opic,
we e included. A e sc eening 18 s udies, 11 we e included in he inal sample. Resul s:
The quali y o p ena al ca e was associa ed wi h he p e en ion o obs e ic complica ions
and he educ ion o ma e nal dea hs. Ba ie s such as social and acial inequali ies and
di icul ies in accessing heal h se ices nega i ely a ec ed adhe ence o con inuous ca e.
S a egies such as he Rede Cegonha in B azil and p ima y ca e p og ams in Po ugal
showed a posi i e impac on imp o ing ma e nal heal h indica o s. Conclusion:
S eng hening public policies and o ganizing p ena al ca e a e essen ial o he sus ainable
educ ion o ma e nal mo ali y, in eg a ing e idence-based p ac ices and ac ions ocused on
equi y and he humaniza ion o ca e.
Keywo ds: ma e nal heal h; ; ma e nal mo ali y; p ena al ca e
INTRODUÇÃO
A mo alidade ma e na é um dos p incipais indicado es de saúde pública e e le e não
apenas a qualidade dos se iços de saúde, mas ambém as condições socioeconômicas e
cul u ais de uma população. Segundo a O ganização Mundial da Saúde (OMS), a maio ia das
mo es ma e nas é e i á el po meio de uma assis ência adequada du an e a ges ação, o pa o
e o pue pé io. No en an o, pe sis em desa ios signi ica i os, sob e udo em países em
desen ol imen o, onde ba ei as de acesso, desigualdades es u u ais e alhas na o ganização
do sis ema di icul am a e e i idade das polí icas públicas ol adas à saúde ma e na (Ma ins,
2016).
No B asil, apesa dos a anços ob idos com p og amas como o P og ama de
Humanização no P é-Na al e Nascimen o (PHPN) e a Rede Cegonha, os indicado es de
mo alidade ma e na pe manecem ele ados, p incipalmen e em egiões ma cadas po
desigualdades sociais, como o No e e o No des e. O p é-na al, quando ealizado de o ma
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p ecoce, con ínua e quali icada, desempenha papel undamen al na p e enção de des echos
ad e sos, pois possibili a a de ecção p ecoce de a o es de isco, o manejo adequado de
complicações e a p omoção da saúde ma e na e neona al (Tin o i e al., 2022).
Es udos apon am que a ausência ou inadequação do p é-na al es á di e amen e
elacionada à oco ência de si uações de mo bidade ma e na g a e, conhecidas como nea
miss, em que a ida da ges an e es e e em isco, mas oi p ese ada. Esses e en os são
conside ados indicado es sensí eis pa a a alia a qualidade do cuidado, e elando alhas
assis enciais e es u u ais que, se co igidas, pode iam p e eni óbi os ma e nos (Ma ins,
2016). Além disso, de e minan es sociais, como baixa escola idade, pob eza e desigualdade
acial, in luenciam de o ma signi ica i a o acesso aos se iços e a adesão ao
acompanhamen o ges acional. Mulhe es neg as, po exemplo, en en am maio es ba ei as no
a endimen o e ap esen am axas mais ele adas de complicações e des echos ad e sos,
e idenciando a necessidade de polí icas de equidade e es a égias ol adas à humanização do
cuidado (Pe ei a e al., 2016).
No cená io in e nacional, expe iências bem-sucedidas demons am que a o ganização
do p é-na al no âmbi o da a enção p imá ia pode eduzi exp essi amen e as axas de
mo alidade ma e na e pe ina al. Em Po ugal, po exemplo, a implemen ação de um modelo
baseado em consul as egula es, acompanhamen o mul ip o issional e u ilização de p o ocolos
pad onizados em se mos ado e icaz na melho ia dos indicado es ma e nos e na p omoção de
um cuidado in eg al e humanizado (Ma ins, 2014). Esses esul ados e o çam a impo ância
de sis emas de saúde in eg ados, cen ados na p e enção e na ga an ia do acesso uni e sal.
Dian e desse con ex o, o na-se undamen al analisa as e idências cien í icas
disponí eis sob e a elação en e a qualidade da assis ência p é-na al e a mo alidade ma e na,
iden i icando os p incipais desa ios e es a égias pa a ap imo a o cuidado p es ado às
ges an es. Assim, es e es udo em como obje i o discu i os impac os do p é-na al na
p e enção de óbi os ma e nos, com en oque na análise c í ica da qualidade do cuidado e na
p oposição de subsídios pa a a melho ia das p á icas assis enciais e das polí icas públicas
ol adas à saúde ma e na
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METODOLOGIA
T a a-se de uma e isão in eg a i a da li e a u a. A busca oi ealizada nas bases
LILACS, SciELO e Web o Science, u ilizando os desc i o es em po uguês, inglês e
espanhol, combinados com ope ado es booleanos. Fo am incluídos a igos publicados en e
2015 e 2025, disponí eis na ín eg a e que abo dassem a elação en e qualidade do p é-na al e
mo alidade ma e na. Excluí am-se duplicados, incomple os e não elacionados ao ema. Após
iagem de 18 es udos, 11 compuse am a amos a inal.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos onze a igos selecionados e idenciou que a mo alidade ma e na
con inua sendo um desa io signi ica i o pa a os sis emas de saúde, e le indo desigualdades
socioeconômicas, ba ei as es u u ais e alhas na o ganização da assis ência. Obse ou-se
que, embo a haja a anços nas polí icas públicas e no aumen o da cobe u a de se iços, a
qualidade do p é-na al pe manece he e ogênea, especialmen e em egiões com maio
ulne abilidade social.
A li e a u a demons a que o acesso p ecoce e con ínuo ao acompanhamen o
ges acional é undamen al pa a a p e enção de complicações que podem le a a óbi os
ma e nos, sendo a cap ação p ecoce um dos p incipais indicado es de qualidade do cuidado.
No en an o, es udos ealizados no B asil, pa icula men e nas egiões No e e No des e,
mos am que mui as ges an es ainda iniciam o p é-na al a diamen e e ealizam núme o
insu icien e de consul as, o que comp ome e a de ecção p ecoce de a o es de isco e a adoção
de medidas p e en i as. Essa ealidade oi e idenciada em pesquisa ealizada na Amazônia
Legal e no No des e, que demons ou que, apesa da ampliação da cobe u a da a enção
básica, apenas uma pequena pa cela das mulhe es e e acesso a um p é-na al conside ado
adequado, com ealização comple a de exames, o ien ações educa i as e ínculo es abelecido
com o se iço de saúde, demons ando a pe sis ência de desigualdades no acesso e na
qualidade da assis ência p es ada (Leal e al., 2015).
300
Ou o aspec o ele an e é a in luência dos de e minan es sociais na mo alidade
ma e na. Fa o es como baixa escola idade, enda insu icien e, esidência em á eas u ais e
di iculdades de anspo e limi am o acesso ao p é-na al e aumen am a ulne abilidade das
ges an es. Em 2020, ce ca de 287 mil mulhe es mo e am po causas elacionadas à ges ação
e ao pa o, sendo 95% desses óbi os em países de baixa e média enda, e idenciando a o e
elação en e desigualdades sociais e mo alidade ma e na (OMS, 2023). A desigualdade
acial ambém se des aca, especialmen e en e mulhe es neg as, que en en am ba ei as
adicionais e maio exposição à disc iminação du an e o a endimen o. Essa combinação de
a o es sociais, econômicos e aciais con ibui pa a e en os ad e sos, como os casos de nea
miss, que indicam alhas na assis ência e auxiliam na o mulação de es a égias pa a p e eni
mo es e i á eis (Ma ins, 2016).
No que se e e e às causas di e as de mo alidade ma e na, a li e a u a des aca a
hipe ensão, as hemo agias e as in ecções como as mais p e alen es, sendo condições que
pode iam se p e enidas ou con oladas po meio de um p é-na al quali icado. A de ecção
p ecoce desses ag a os depende de consul as egula es, ealização de exames labo a o iais e
de imagem, além do acompanhamen o mul ip o issional. Es udos mos a am que a ausência
de p o ocolos clínicos pad onizados e a al a de in eg ação en e os ní eis de a enção
di icul am o manejo adequado dessas condições, aumen ando o isco de complicações g a es
(Tin o i e al., 2022). Além disso, e idenciou-se que, mesmo em locais onde há maio
cobe u a de se iços, a qualidade da assis ência é comp ome ida pela escassez de
p o issionais capaci ados e pela insu iciência de ecu sos es u u ais, como lei os obs é icos e
equipamen os adequados pa a a endimen o de u gências.
Os es udos analisados e idencia am a impo ância de a alia a qualidade do p é-na al
po meio de indicado es especí icos que pe mi am moni o a os p ocessos assis enciais e os
esul ados alcançados. A u ilização de indicado es como núme o mínimo de consul as, início
p ecoce do acompanhamen o, cobe u a acinal e ealização de exames essenciais possibili a
iden i ica agilidades e di eciona in e enções. Um es udo ealizado no Pa aná ap esen ou
um modelo lógico de a aliação da qualidade em saúde ol ado à linha de cuidado ma e no-
in an il, e idenciando que a simples ampliação do acesso não ga an e a e e i idade do p é-
301
na al, sendo necessá io in es i na pad onização das p á icas, na quali icação das equipes e na
in eg ação en e a a enção p imá ia, secundá ia e e ciá ia (Migo o e al., 2021).
As polí icas públicas desempenham papel cen al na o ganização e quali icação da
assis ência. No B asil, a implemen ação da Rede Cegonha ep esen ou um ma co na
es u u ação de uma linha de cuidado ol ada à saúde ma e na e in an il, p omo endo a
a iculação en e di e en es ní eis de a enção e in eg ando ações de p omoção, p e enção,
assis ência e igilância. Essa es a égia con ibuiu pa a a anços impo an es, como a
ampliação do acesso aos se iços e a melho ia dos indicado es em algumas egiões, embo a
desa ios pe sis am, p incipalmen e em localidades com meno in aes u u a e cobe u a de
se iços (Tin o i e al., 2022). Expe iências in e nacionais, como a de Po ugal, e idenciam o
impac o posi i o de modelos de assis ência baseados na a enção p imá ia e na u ilização de
p o ocolos pad onizados. Nesse país, a o e a de consul as egula es, o acompanhamen o
mul ip o issional e a alo ização de p á icas humanizadas esul a am em eduções exp essi as
nas axas de mo alidade ma e na e pe ina al, e o çando a impo ância de sis emas de saúde
o ganizados e cen ados na p e enção (Ma ins, 2014).
Além das es a égias ins i ucionais, inicia i as comuni á ias desempenham papel
complemen a na edução da mo alidade ma e na. Em con ex os u ais e populações
adicionais, a alo ização do conhecimen o de pa ei as e a p omoção do pa o humanizado
êm se mos ado e icazes na ap oximação en e os se iços de saúde e as comunidades,
a o ecendo a adesão das ges an es ao p é-na al e o alecendo o ínculo en e p o issionais e
usuá ias (Pe ei a e al., 2016). Essas inicia i as con ibuem pa a a humanização do cuidado e
pa a a cons ução de uma ede de apoio social, aspec os undamen ais pa a a qualidade da
assis ência.
A sín ese dos achados demons a que a qualidade do p é-na al depende de uma
in e ação complexa en e a o es es u u ais, o ganizacionais e sociais. Ga an i consul as
p ecoces e egula es, com oco na de ecção e p e enção de iscos, exige não apenas a
ampliação da cobe u a, mas ambém in es imen os na o mação p o issional, na
in aes u u a e na ges ão baseada em e idências. A li e a u a analisada con e ge pa a a
necessidade de o alece a a enção p imá ia como po a de en ada do sis ema de saúde,
302
assegu ando que odas as ges an es enham acesso a um cuidado in eg al e humanizado. Além
disso, a in eg ação en e os di e en es ní eis de a enção e a a iculação com polí icas sociais
são undamen ais pa a a supe ação das desigualdades que ainda impac am os indicado es de
saúde ma e na. Dessa o ma, a assis ência p é-na al quali icada se e ela como um dos pila es
mais impo an es pa a a edução da mo alidade ma e na, sendo indispensá el pa a a
cons ução de sis emas de saúde mais equi a i os e esolu i os.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O p é-na al quali icado é essencial pa a iden i ica a o es de isco, p e eni
complicações e eduzi óbi os ma e nos. De e minan es sociais, como enda, escola idade e
aça, in luenciam di e amen e no acesso e na qualidade do cuidado ecebido, o nando
necessá ia a implemen ação de polí icas públicas ol adas à equidade e jus iça social.
Fo alece a a enção p imá ia, capaci a equipes mul ip o issionais e amplia a in aes u u a
dos se iços são medidas undamen ais pa a melho a a assis ência e ga an i um cuidado
con ínuo e humanizado.
Expe iências nacionais, como a Rede Cegonha, e modelos in e nacionais, como o
sis ema de a enção p imá ia em Po ugal, mos am que se iços o ganizados de o ma
in eg ada e humanizada são e icazes na edução da mo alidade ma e na. A inco po ação
dessas es a égias, adap adas às ealidades locais, pode ap oxima os países em
desen ol imen o das me as globais p opos as pela O ganização Mundial da Saúde,
p omo endo sis emas de saúde mais equi a i os e esolu i os.
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