F on ispício. Scy alopus i aiensis, uma no a espécie de macaquinho dos campos úmidos do les e do Es ado do
Pa aná, sul do B asil. A esque da es á ep esen ado o holó ipo (MN n°43378, êmea adul a) e a di ei a um dos
pa á ipos (MPEG n° 52944, êmea ima u a). Desenho: Diana Ca nei o Ma ques
3
A a ajuba 6(l);3-36
junho de 1998
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do
sul do B asil, com comen á ios sob e a mo ologia da amília
Ma cos Rica do Bo nschein1,2,3, Bianca Luiza Reine 1,2,3 e Mau o Picho im4
1 Pesquisado (a) colabo ado (a) da Di isão de Museu de His ó ia Na u al "Capão da Imbuia", SMMA-PMC, Cu i iba, Pa aná, B asil.
2 Pós-g aduação em Engenha ia Flo es al/Conse ação da Na u eza, Uni e sidade Fede al do Pa aná, Cu i iba, Pa aná, B asil.
3 Ende eço pa a co espondência: A . República A gen ina 1927, ap o. 903, 80260-010, Cu i iba, Pa aná, B asil. E-mail: [email p o ec ed]
4 Depa amen o de Zoologia, Uni e sidade Fede al do Pa aná, Caixa Pos al 19020, 81531-990, Cu i iba, Pa aná, B asil.
E-mail: picho im @bio.u p .b
Recebido em 12 de ab il de 1998; acei o em 30 de ab il de 1998
ABSTRACT. Desc ip ion, ecology and conse a ion o a new Scy alopus apaculo (Rhinoc yp idae) om sou he n B azil, wi h commen s
ega ding he mo phology o he amily. Scy alopus i aiensis sp. no . (Tail-g ass We land Tapaculo) is desc ibed om he me opoli an egion o Cu i iba,
eas e n pa o Pa aná S a e, sou he n B azil. In colo a ion i is simila o males o S. speluncae in ull adul plumage, bu dis inguishes i sel om ha species
by i s blackish back and g ey belly, ins ead o a uni o m sla e-g ey colo . I also di e s om S. speluncae o any age and sex in he b oade ec ices; in a
longe and na owe s e num-, in he medial me as e num being na owe on a e age; in i e cha ac e is ics o he sy inx mo phology; and in i s song, which
also consis s o he p olonged epe i ion o a sho no e o la ge ampli ude, al hough he undamen al song possesses a lowe in e al o equency modula ion.
The pa ially ossi ied nasal sep um (sep um nasale osseum), and he ale call appa en ly also di e en ia e he new species om S. speluncae. The colo a ion
and he song dis inguish S. i aiensis sp. no . om all o he congene s, including se e al Andean o ms wi h p edominan ly da k colo a ion (e.g. S. magellanicus
uscus, S. unicolo la ans, S. mac opus). Based upon he song and he mo phology o he sy inx, he new species is being conside ed close o S. speluncae
and dis inc om S. indigo icus, cha ac e izing a polyphyle ic g oup. Scy alopus i aiensis sp. no . inhabi s humid ields along i e s (we lands) whe e he
ege a ion is high (ca. 60-180 cm) and o ms dense hicke s o hin g ass lea es and sedges, shading he g ound. I s mo emen s mainly occu o e ba e soil,
bu also along lea es and sh ub b anches. I inhabi s he same a eas as do se e al ield and ma sh bi ds (e.g. Po zana albicollis, La e allus leucopy hus,
Eleo h ep us anomalus, Embe izoides ypi anganus). Il was encoun e ed in h ee a eas: in one i is abundan and in he o he s i seems o be a e. The i s
a ea will be inunda ed in 1998 and he o he s a e pa ially being co e ed wi h ea h. The en i onmen o S. i aiensis sp. no . is cha ac e is ic o some i e heads
in eas e n Pa aná Sla e and no he n San a Ca a ina S a e. This habi a is hea ily impac ed due o he ex ac ion o sand om he subsoil, housing
de elopmen s, d aining, c ea ion o pas u es, bu ning, e c. U gen ac ion owa d he p o ec ion o his new species is p oposed.
KEY WORDS: Scy alopus i aiensis sp. no ., Rhinoc yp idae, mo phology, emiges, ec ices, p e ylosis, a sal scu ella ion, skull, s e num, sy inx, bioacous ics,
we ail-g ass meadow, sou he n B azil, conse a ion.
RESUMO. Scy alopus i aiensis sp. no . (macuquinho-da- á zea) é desc i o na egião me opoli ana de Cu i iba, po ção les e do Es ado do Pa aná, sul do
B asil. Sua colo ação lemb a a dos machos de S. speluncae com plumagem de ini i a, dis inguindo-se po se p e a no do so e cinza no en e ao in és de
cinza-a dósia uni o me. Ainda di e e de S. speluncae em qualque idade e sexo pelas e izes mais la gas; pelo s e num mais comp ido e mais es ei o; pelo
me as e num mediano, em média, mais es ei o; po cinco ca ac e ís icas na mo ologia da si inge; e pelo can o, que embo a igualmen e cons i uido de
p olongada epe ição de uma cu a no a de g ande ampli ude, ap esen a um in e alo de modulação de eqüência mais baixo. O sep o nasal pa cialmen e
ossi icado (sep um nasale osseum) e o g i o de ale a, apa en emen e, ambém di e enciam a no a espécie de S. speluncae. O colo ido e o can o dis ingue
S. i aiensis sp. no . dos demais congêne es, incluindo di e sas o mas andinas com colo ação p edominan emen e escu a (e.g. S. magellanicus uscus, S.
unicolo la ans, S. mac opus). Com base na ocalização e mo ologia da si inge, conside amos a espécie no a ilogene icamen e p óxima de S. speluncae
e dis an e de S. indigo icus, ca ac e izando um g upo poli ilé ico. Scy alopus i aiensis sp. no . habi a campos úmidos ma ginais a ios ( á zeas) onde a
ege ação é al a (ca. 60-180 cm) e o ma uma ama densa e echada de inas olhas de capins e cipe áceas que somb eia o chão. Desloca-se p incipalmen e
no solo nu, mas ambém na ama de olhas e cm galhos de a bus os, i endo lado a lado com di e sas a es de campo e b ejo (e.g. Po zjana albicollis.
La e allus leucopy hus, Eleo h ep us anomalus, Embe izoides ypi anganus). Foi encon ada em ês á eas: em uma é abundan e e nas ou as pa ece se
a a. A p imei a á ea de e á se alagada cm 1998 e as demais es ão sendo pa cialmen e a e adas. O ambien e de S. i aiensis sp. no . é ca ac e ís ico das
cabecei as de alguns ios do les e do Pa aná e no e de San a Ca a ina, e a ualmen e so e um o e impac o de ido à ex ação de a eia do subsolo,
lo eamen os, d enagens, o mação de pas agens, ogo, e c. P opomos ações u gen es pa a a p o eção des a no a espécie.
PALAVRAS-CHAVE: Scy alopus i aiensis sp. no ., Rhinoc yp idae, mo ologia, êmiges, e izes, p e ilose, escu elação a sal, c ânio, s e num, si inge,
bioacús ica, campos úmidos, sul do B asil, conse ação.
A amília Neo opical Rhinoc yp idae é compos a de 12 gêne os
(Sibley e Mon oe J . 1990), dos quais o mais di e si icado é
Scy alopus, que so eu g ande especiação na Co dilhei a dos
Andes (Fjeldså e K abbe 1990, Whi ney 1994). Os au o es são
di e gen es quan o ao núme o de espécies, conside ando desde
13 (Sibley e Mon oe 1990, 1993) a é 31 (S o z e al. 1996). Há
ainda espécies no as não desc i as e ou as cujos nomes não
podem se aplicados com ce eza, p incipalmen e pela inexa a
p ocedência de
alguns ipos (Fjeldså e K abbe 1990, Whi ney 1994). No B asil
o am desc i as qua o espécies: S. speluncae e S. indigo icus na
egião o ien o-me idional, S. no acapi alis no B asil cen al
(Sick 1997) e S. psychopompus no sul da Bahia (Teixei a e
Ca ne alli 1989).
Com o obje i o de conhece as a es das paisagens abe as
do Es ado do Pa aná, em 20 de se emb o de 1991, M. R. B. e M.
P. isi a am os campos úmidos do io I ai, que se si uam nas
p oximidades de Cu i iba, Pa aná, sul do B asil. Causou
4
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
g ande su p esa a obse ação de ês exempla es de Eleo h ep us
anomalus, uma a e pouco conhecida e ameaçada de ex inção
(Be na des e al. 1990, Colla e al. 1992). Buscando ob e
maio es in o mações a seu espei o, M. R. B. e B. L. R.
in es iga am o local di e sas ezes a é meados de 1996. Em 19
de ab il de 1997, M. R. B. e B. L. R. e oma am ao io I ai,
quando obse a am alguns pássa os escu os oando
pesadamen e cu as dis âncias sob e os campos, pa ecendo
machos adul os de Vola inia jaca ina. Chegando quase a pega
um indi íduo com as mãos, pude am iden i icá-lo como um
Scy alopus. De início pensa am a a - se de machos adul os de
S. speluncae, iden i icação dada ao Scy alopus ou ido na egião.
No en an o, suspei ando da colo ação e p incipalmen e do
ambien e de oco ência, p ocu a am con i ma a iden i icação
com M. P. A a és dos abalhos de campo que se p olonga am
a é e e ei o de 1998, oi possí el ob e cinco exempla es e
g a ações de alguns indi íduos, cuja análise p o ou pe ence em
a uma no a espécie de Scy alopus, desc i a a segui .
MATERIAL E MÉTODOS
E e uamos ap oximadamen e 95 h de a i idades de campo
en e ab il de 1997 e e e ei o de 1998 na egião les e do Es ado
do Pa aná, B asil. G ande pa e dos abalhos ealizamos na
p op iedade de R. Venske, ma gem di ei a do io I aí (25°23'S,
49°05'W), município de Qua o Ba as, egião me opoli ana de
Cu i iba. P ocu ando po á eas com ambien e semelhan e ao
des a localidade, in es igamos mais oi o locais nos a edo es de
Cu i iba e um mais pa a o in e io do es ado (Pa que Es adual de
Vila Velha, município de Pon a G ossa, 25°15'S, 50°00'W). De
odas as á eas isi adas omamos a coo denada geog á ica com
auxílio de um GPS GARMIN 45 XL e, da localidade- ipo,
medimos a luminosidade do ambien e com um luxíme o Lu on
LX- 101.
Desen ol emos os abalhos de campo com obse ações a
olho nú e com binóculos Zeiss 10.x 40, com g a ações de
ocalizações, com cap u as e com "playback". As ocalizações
o am g a adas com mic o one di ecional Sennheise -ME-66 em
i as casse e (C O2), u ilizando um g a ado Sony TCM5000.
Pa a cap u as usamos de uma a cinco edes o ni ológicas de 12
m e malha de 30 mm. Indi íduos e am cap u ados depois de
a aídos pa a pe o da ede pelo uso de "playback" e en ão,
espan ados po um dos memb os da equipe. Cole amos os
exempla es cap u ados nas edes e com pis ola calib e 22, balas
espalha-chumbo. Con i mamos a iden i icação da espécie nos
locais de egis o a a és de cole a, isualização e/ou median e a
elabo ação de espec og amas do can o.
Ob i emos as ocalizações cm ambien e na u al, egis ando
os can os espon âneos e os es imulados po "playback".
G a amos ap oximadamen e oi o indi íduos: seis na p op iedade
de R. Venske e os demais cada qual em uma localidade dis in a.
Fizemos a análise sonog á ica u ilizando os ecu sos do
p og ama Cana y 1.2.1 (Co nell Labo a o y o O ni hology)
a a és do qual medimos a
du ação, a ampli ude de modulação da eqüência e a eqüência
de maio ene gia das no as amos adas, assim como o empo de
in e alo en e as mesmas. Pa a a con ecção dos espec og amas
il amos os uídos sem o comp ome imen o da es u u a das
no as.
Mensu amos os espécimes com paquíme o Mi u oyo
(p ecisão 0,05 mm) e ob i emos as massas co po ais a a és de
balança AVINET com capacidade de 30 g (p ecisão de 0,2 g).
E e uamos as seguin es medidas: em peles axide mizadas, bico
a pa i da ma gem dis al do opé culo nasal, asa “cho d”, cauda
e a so con o me Sick (1997) e la gu a da e iz cen al; e em
espécimes escos, bico a pa i da ma gem p oximal e dis al da
abe u a nasal, comp imen o das úl imas êmiges secundá ias,
comp imen o das e izes, comp imen o do p imei o ao e cei o
dedo, e c ânio du an e a e e são da pele na axide mia. Não
e e uamos medidas quando as penas es a am mui o desgas adas
e, no caso da cauda, quando o pa cen al es a a al ando.
Nos espécimes escos, examinamos a o ma do opé culo
nasal, a ó mula ala , o núme o de êmiges e desenhamos o
con o no das e izes. Ano amos a ó mula ala obse ando o
comp imen o das êmiges p imá ias, da maio pa a a meno ,
es ando a asa echada e espei ando a cu a u a no mal das
penas. Conside amos como êmiges secundá ias as penas que se
encon a am alinhadas uma após a ou a na asa e que con inham
uma cobe ei a supe io co esponden e. A a és desse exame,
ac escemos uma secundá ia pequena, udimen a e não uncional
à no a espécie. A li e a u a a a as secundá ias como sendo
penas ixas à ulna (Ginn e Mel ille 1983), mas cons a amos em
á ios Thamnophilidae que as úl imas secundá ias ão omando-
se mais ouxas, sendo que pelo menos a úl ima êmige uncional
já é o almen e sol a. Sendo assim, achamos pe inen e
conside a , nas análises, a úl ima pequena pena como uma
secundá ia.
E e uamos a p e ilog a ia de um espécime con o me Ames
e al. (1968). Con amos pena po pena da p é ila en al e áquis
po áquis da p é ila do sal na pele in e ida du an e a
axide mia. Podem e ha ido algumas omissões de penas que
e en ualmen e caí am do espécime. Uma ez que Ames e al.
(1968) não desc e em a p e ilose en al de Rhinoc yp idae em
de alhes, a sua iden i icação na espécie no a oi ealizada em
compa ação com á ios ou os Passe i o mes, odos em meio
líquido (e.g. Thamnophilus dolia us, Fo mici o a melanogas e ,
Hylopezus och oleucus, Conopophaga linea a, Agelaius
cyanopus). Ado amos a e minologia de Clench (1995). •
De e minamos a escu elação a sal com base em Dabbene
(1910); a condição da ca idade nasal e do pala o con o me
Ga od (1873) e Huxley (1867), espec i amen e; e o s e num
segundo Heime dinge e Ames (1967). U ilizamos a
nomencla u a dos ossos ap esen ada po Baumel e al. (1993),
exce o pa a as pa es do s e num e pa a o p ocesso pala ino, que
seguem espec i amen e Heime dinge e Ames (1967) e Bock
(1960). Limpamos os ossos com subme sões con oladas em
hipoclo i o de. sódio 12% diluído A ce ca de 10%
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
5
Desc e emos as si inges seguindo o pad ão e a e minologia
es abelecida po Ames (1971), dissecando apenas a me ade de
cada peça. Co amos a muscula u a com iodine s ain (Cannell
1988) e a ca ilagem com alcian blue s ain (Wasse sug 1976),
exce o quan o ao empo de subme são, que p olongou-se po a é
dez dias. Não u ilizamos colo ação pa a e idencia a ossi icação
da si inge, po an o é gené ica a menção de algumas es u u as
como sendo ca ilaginosas. Também não co amos a ene ação,
de modo que a desc ição ap esen ada limi ou-se à po ção mais
conspícua do a o ne oso. Es a es u u a oi econhecida
a a és de compa ações com o desc i o po P um (1992) pa a os
Pip idae.
As ca caças o am ixadas em o mol a 10% amponado e
conse adas em álcool a 70%, sendo que as si inges após
desc i as o am man idas em álcool com glice ina, con o me
suge ido na li e a u a (Ames 1971, P um 1993).
O núme o de amos as de cada ca ac e e mo ológico
analisado nos Rhinoc yp idae, encon a-se na abela 1.
Pa a as e e ências da colo ação, u ilizamos a codi icação do
ca álogo de Smi he (1975). Ado amos a nomencla u a das
espécies o ni ológicas basicamen e de Meye de Schauensee
(1982). Pa a a classi icação da O dem Passe i o mes ado amos
We mo e (1960), com exceção da Família Fo mica iidae que
seguiu Sibley e Mon oe (1990). A ci ação das amílias bo ânicas
supe io es seguiu C onquis (1981).
O ma e ial cole ado oi deposi ado no Museu Nacional (MN),
do Rio de Janei o, e no Museu Pa aense Emílio Goeldi (MPEG),
Belém, Pa á. Ou as ins i uições ci adas no abalho seguem com
as de idas siglas: Museu de Zoologia da Uni e sidade de São
Paulo (MZUSP), São Paulo, e Di isão de Museu de His ó ia
Na u al “Capão da Imbuia” (MHNCI), P e ei u a Municipal de
Cu i iba, Pa aná.
Espécimes examinados. Scy alopus unicolo ; Colômbia:
coas ange, W o Popayan, Cauca, 1 macho (= m) e 1 de sexo
inde e minado (= ?) (MZUSP nos. 13334, 13479); El Roble,
abo e Fusugasuga, E Andes, 1 êmea (= ) (MZUSP no. 13428);
S. speluncae: B asil: Minas Ge ais: Se a do Capa aó, 3 m e 1 ?
(MN nos. 26267, 26281,27035, 27036); Casa Queimada, Se a
do Capa aó, 1 m (MN no. 14202); Rio de Janei o: Fazenda
Toledo, T ês Picos, No a F ibu go, 1 m (MN no. 36652); Se a
de I a iaia, Caminho do Mo ei a, 1 (MN no. 14203); I a iaia,
Caminho do Cou o, 1 ? (MN no. 14206); I a iaia, 1 ? (MN no.
14205); Campos do I a iaia, 1 m e 1 ? (MZUSP nos. 6121, 6123);
Pa que Nacional de I a iaia, 1 m e 1 ? (MZUSP nos. 34804,
36347); km 11, Pa que Nacional de I a iaia, 1 e 1 ? (MZUSP
nos. 36348, 36349); Maciei as, Pa que Nacional de I a iaia, 2 e
1 ? (MZUSP nos. 34805-34807); Ma omba, Pa que Nacional de
I a iaia, 1 m (MZUSP no. 34381); Ma omba, 6 km do Pa que
Nacional de I a iaia, 1 ? (MZUSP no. 34808); Ma omba, 7 km
do Pa que Nacional de I a iaia, 1 (MZUSP
Tabela 1. Ca ac e es mo ológicos analisados nos Rhinoc yp idae com o núme o da amos a.
Espécie
Ca ac e es Mo ológicos*
A
B**
C*»
D
E**
F
G*»
H I
J
K
L«
M
N
P e op ochos megapodius
1
1
1
Scelo chilus albicollis
2
2
2
1
S. ubecula
1
1
1
Rhinoc yp a lanceqla a
1
1
1
1
Liosceles ho acicus
7
2
8
3
Melanopa eia o qua a
9
1
6
1
5
1
2 1
3
1
I
M. maximiliani
1
1
1
Psilo hamphus gu a us
23
20
18
17
1
Me ulaxis a e
19
15
14
13
M. s esemanni
1
1
1
1
Eug aUa pa adoxa
1
1
1
Scy alopus unicolo
3
3
3
3
S. speluncae
30
2
3
24
4
17
4
4 1
1
1
8
5
5
S. emo alis
1
2
2
S. no acapi alis
3
3
3
2
S. indigo icus
48
3
3
38
4
28
4
26 1
1
1
8
5
5
S. psychopompus
3
2
3
2
S. magellanicus
1
1
1
••
S. supe cilia is
2
2
2
2
S. i aiensis sp. no .
5
2
4
5
5
5
5
5 2
2
2
5
5
5
Ac op emis o honyx
2
2
2
2
* Ca ac e es mo ológicos: A- p esença/ausência de emicle; B- núme o de êmiges secundá ias; C- ó mula ala ; D- núme o de e izes;
E- p e yla spinalis e p e yla en alis; F- escu elação a sal; G- opé culo nasal; H- p esença/ausência de chan adu a no bico; I- condição da
enda nasal; J- p esença/ausência de p ocesso pala ino; K- p esença/ausência de sep o nasal ossi icado (sep um nasale osseum);
L- pneuma ização c aniana; M- s e num; N- si inge.
** Analisado somen e em espécimes conse ados em meio líquido ou axide mizados pelos au o es.
6
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
no. 34380); São Paulo: Se ão das Cob as, Bananal, Se a do
Ma , 1 m (MN no. 25845); Al o da Se a, 1 (MZUSP no. 4836);
Pa ana: Mo o Anhanga a, Bo da do Campo, município de
Qua o Ba as, 2 (MN nos. 38751, 43381); Co o, município
de Qua o Ba as, 1 e 1 ? (MHNCI no. 3193, MN no. 43382);
Mananciais da Se a, município de Pi aqua a, 2 m e 1 (MN nos.
38757,43433,43434); San a Ca a ina: Fazenda Nade e , São
Ben o, 1 ? (MN no. 13400); Limoei o, município de Água Doce,
1 m (MHNCI no. 3452). S. emo alis: Colômbia: W Quindio,
Andes, abo e Salen o, Cauca, 1 m (MZUSP no. 13164); El Eden,
E Quindio, Andes, 1 ? (MZUSP no. 13161); S. no acapi alis:
Dis i o Fede al: B asília, 1 m e 1 ? (MN nos. 27906, 27905;
holó ipo e pa á ipo); Rese a Biológica do IBGE, B asília, 1
(MZUSP no. 71007); S. indigo icus: B asil: 1 e 2 ? (MN no.
13294, MZUSP nos. 66616,66227); Ba a do io Feio, 1 ?
(MZUSP no. 1985); Minas Ge ais: Fazenda Ta ei a, Ma iana, 1
m e 2 (MN nos. 13395-13397); Se a de Ma a Pau, Ou o P e o,
1 m (MN no. 13398); Espí i o San o: 1 (MN no. 22751); San a
Te esa, 1 m (MN no. 26497); Rio de Janei o: Fazenda Ja aca iá,
1 m (MN no. 20944); Ma omba, 7 km do Pa que Nacional de
I a iaia, 1 m (MZUSP no. 34382); São Paulo: São F ancisco
Xa ie , se a Man iquei a, 1 (MZUSP no. 31195); Lucélia, 1 m
(MZUSP no. 32195); Rio Ipi anga, Tamanduá, 2 m (MZUSP
nos.,47987,47988); Rio Ipi anga, Po o Es ada, 1 m (MZUSP
no. 47989); Rese a ó io Ipi anga, 1 m (MZUSP no. 369);
P imei o Mo o, 2 m e 1 (MZUSP nos. 50009, 50010, 59015);
P imei o Mo o, Rio Ipi anga, 1 (MZUSP no. 47986);
Mo e inho, 1 m e 1 (MZUSP nos. 50013, 50014); Quad o
Pen eado, 2 m e 1 (MZUSP nos. 50016-50018); Ribei ão
Fundo, 1 m, 2 e 1 ? (MZUSP nos. 50011,50012,50019,50020);
Campo G ande, EFSJ, 1 m (MZUSP no. 51237); Fazenda Poço
G ande, Rio Juquiá, 1 e 1 ? (MZUSP nos. 23952, 23953); Onça
Pa da, 1 m (MZUSP no. 47985); Bana do Ribei ão Onça Pa da,
1 m (MZUSP no. 57031); Ba a do Rio das Co ujas, 1 m e 1
(MZUSP nos. 57034, 57035); Al o da Se a, 2 m (MZUSP nos.
5847, 6520); Ba a do Rio das Conchas, 1 m (MZUSP no.
57033); Ba a de Icapa a, 3 m e 3 (MZUSP nos. 63003, 63116-
63119,67004); Iguape, 1 ? (MZUSP no. 66226); Rio Ribei a,
Embu, 1 (MZUSP no. 67002); Pa aná: Jaca ezinho, 1 m
(MZUSP no. 1847); Fazenda Ba a Mansa, município de
A apo i, 3 e 1 ? (MHNCI nos. 3525, 4046, 4052, 4051);
Fazenda Capi a i, município de Campina G ande do Sul, 2 m e
1 (MHNCI nos. 2974, 3020, 3031); Co o, município de Qua o
Ba as, 1 (MN no. 43383); Zoada d’água, município de
An onina, 1 ? (MHNCI no. 3605); Pon al do Sul, município de
Pa anaguá, 1 m (MN no. 38453); Limei a, Se a da P a a,
município de Gua a uba, 1 m (MHNCI no. 4112); Fazenda
Es ela, município de Gua a uba, 1 m e 1 (MHNCI no. 4947;
espécime em meio líquido de posse dos au o es); Cháca a San o
Ama o, ma gem di ei a do Rio Boguaçu, município de
Gua a uba, 1 m (espécime em meio líquido de posse dos au o es);
San a Ca a ina: Fazenda Nade e , São Ben o, 1 (MN no.
14201); Hansa Humbold , 1 (MN no. 13399); B usque, 1 ? (MN
no.29138); S. psychopompus: Bahia: 17kmaWde Valença, 1 m
e 1 (MN nos. 34352,34371; holó ipo e pa á ipo); Ilhéus, 1 m
(MZUSP no. 33429, pa á ipo); S. magellanicus: Colômbia: 1 m
(MZUSP no. 2527); S. supe cilia is: A gen ina: El Fue e, San a
Bá ba a, Tucumán, 1 ? (MZUSP no. 31016); Ce o de La
Hoya a, 1 (MZUSP no. 2649).
Vozes examinadas. Scy alopus speluncae: B asil: 1 ? (in
Viellia d 1995); Pa aná: Co o, município de Qua o Ba as (B.
L. R., M. R. B.); Mo o Anhanga a, Bo da do Campo, município
de Qua o Ba as (M. P., M. R. B. e B. L. R.).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Scy alopus i aiensis sp. no .
macuquinho-da- á zea
Holó ipo. MN no. 43378 ( on ispício); êmea adul a;
p op iedade de R. Venske, ma gem di ei a do io I ai (25°23’S,
49°05’W; ca. 900 m de al i ude), município de Qua o Ba as,
Es ado do Pa aná, B asil; cole ado po M. R. B., B. L. R. e M. P.
em 05 de junho de 1997; p epa ado po M. R. B. P o a elmen e
g a ado. C ânio ao menos em g ande pa e não pneuma izado;
gônada ina i a (6,5 x 2,5 mm); sem placa de incubação; cloaca
?; sem go du a acumulada; muda: pouca de e izes pelo co po,
oi a a êmige secundá ia da asa di ei a e sex a êmige secundá ia
da asa esque da.
Pa á ipos. MN no. 43379; macho adul o; localidade, cole o
e p epa ado igual ao do holó ipo; cole ado em 23 de maio de
1997. G a ado. C ânio pneuma izado p óximo do bico, no
squamosum a é o local de inse ção da é eb a, e na junção
in e io com o pa ie ale; gônadas ina i as ( es ículo di ei o 1,0
x 1,0 mm; es ículo esque do 2,0 x 1,0 mm); sem placa de
incubação; cloaca pequena; pouca go du a acumulada (go du a
ama elada); muda: bas an e de e izes pelo co po, nona e décima
êmiges p imá ias nas duas asas, quin a êmige secundá ia nas
duas asas, qua a êmige secundá ia na asa di ei a (sé ima êmige
secundá ia da asa esque da ausen e) e qua a e quin a e izes do
lado di ei o.
MN no. 43380 ( igu a 1); macho adul o; localidade, cole o
e p epa ado igual ao do holó ipo; cole ado em 04 de dezemb o
de 1997. Não g a ado. Pele axide mizada sem o c ânio e sem
os ossos de uma asa. Tíbias, ígado e sangue cole ados pa a
es udos ci ogené icos (Labo a ó io de Ci ogené ica da
Uni e sidade Fede al do Pa aná). C ânio pneuma izado p óximo
do bico, nos lados da ca idade ocula , no squamosum a é o local
de inse ção da é eb a e na junção in e io com o pa ie ale
( igu a 2); gônadas pa cialmen e a i as ( es ículo di ei o 2,5 x
2,5 mm; es ículo esque do 4,5 x 2,5 mm); com placa de
incubação; cloaca pequena; pouca go du a acumulada (go du a
ama elada); muda: pouca de e izes no do so e no pei o (sex a
e iz di ei a ausen e).
MPEG no. 52945; macho adul o; localidade e p epa ado
igual ao do holó ipo; cole ado po M. R. B. e B. L. R. em 31 de
dezemb o de 1997. Não g a ado. Pele axide mizada sem o
c ânio. Fígado ixado em bu e . C ânio pneuma izado no
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
7
Figu a 1. Vis a do sal (a) e en al (b) de Scy alopus i aiensis sp. no . (MN no. 43380, macho). Fo os: Euclides S. G ando-J .
10 mm
Figu a 2. Desenho
esquemá ico do c ânio de
Scy alopus i aiensis sp. no .:
A- o o e pon ilhado indica a
egião com máxima
pneuma ização obse ada na
sé ie- ipo e a se a apon a a
ca idade nasal holo hinal
(MN no. 43380); B- is a
inclinada da po ção an e io
do c ânio, a pa i do os
nasale, onde se apon a com a
se a o sep um nasale osseum
(MPEG no. 52945).
8
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
squamosum a é o local de inse ção da é eb a e na junção
in e io com o pa ie ale; gônadas pa cialmen e a i as ( es ículo
di ei o 4,0 x 1,5 mm; es ículo esque do 6,0 x 2,0 mm); sem placa
de incubação; cloaca de amanho médio; mui a go du a
acumulada; muda: pouca de e izes pelo co po, p imei a e
segunda êmiges p imá ias nas duas asas e segunda e iz
esque da.
MPEG no. 52944; êmea ima u a ( on ispício); localidade,
cole o e p epa ado igual ao do holó ipo; cole ado em 05 de
junho de 1997. P o a elmen e g a ado. C ânio nada
pneuma izado; gônada ina i a (5,0 x 2,0 mm); sem placa de
incubação; cloaca ?; pouca go du a acumulada; muda: e izes
pelo co po, sé ima e nona êmiges secundá ias da asa di ei a,
quin a, sex a e sé ima êmiges secundá ias da asa esque da
(p imei a, quin a e sex a e izes do lado di ei o al ando).
Diagnose - plumagem e mo ologia. Po ap esen a asa
eu áxica; dez êmiges p imá ias; p e ilose com a p e yla en alis
sem sepa ação na ma gem do lanco; opé culo nasal mó el; pé
anisodác ilo com 2, 3, 4 e 5 alanges, espec i amen e, do
p imei o ao qua o dedos; pala o egi hogna hae; enda nasal
holo hinal; s e num com qua o enes as; si inge com
memb ana acheales e po não possui muscula u a in ínseca
nem pessulus na si inge, enquad a-se na Família Rhinou yp idae
( ide Dabbene 1910, Pló nick 1958, Sick
1960,1985,1997,Heime dinge e Ames 1967, Ames e al. 1968,
Ames 1971, Holyoak 1978, Raikow 1982, Campbell e Lack’
1985: 375, Ha ison 1985, Sibley e Ahlquis 1985, Voous 1985,
Hil y e B own 1986). No que conce ne ao gêne o Scy alopus, a
alocação baseia-se em aspec os um an o a bi á ios. Dis ingue-
se de g ande pa e dos gêne os da amília pelo pequeno po e e
pelo cúlmen ele ado sob e o opé culo nasal ( ide Hil y e B own
1986). Dos gêne os mais elacionados, Eug alla e Myomis
(Ridgely e Tudo 1994), dis ingue-se do p imei o po se meno
e po não ap esen a o cúlmen ala gado e ele ado em con ínuo
a é a on e, e do segundo pela cauda p opo cionalmen e cu a
(37,7 -41,8 mm ao in és de 70 mm) ( ide Vuilleumie 1985,
Ridgely e Tudo 1994).
Scy alopus i aiensis sp. no . lemb a, den e espécies
b asilei as do gêne o, a colo ação de machos de S. speluncae com
plumagem de ini i a, dos quais di e e de imedia o po ap esen a
o do so neg o e a supe ície en al cinza ao in és de um colo ido
cinza-a dósia uni o me. Não examinamos o holó ipo de 5.
speluncae (no Zoological Ins i u e Russian Academy o Science,
São Pe esbu go, V. Losko in li . 1998 a J. F. Pacheco), mas
aquela ca ac e ís ica sepa a a espécie no a de odas as peles
examinadas, as quais em sido iden i icadas como S. speluncae.
As desc ições des e congêne e na li e a u a ambém co obo am
a diagnose na plumagem (e.g. Ch os owski 1921, Co y e
Hellmay 1924, Naumbu g 1937, além de ou os já
e e endados).
A no a espécie ainda se dis ingue de S. speluncae, em
qualque idade e sexo, po mais no e ca ac e ís icas
mo ológicas, das quais as úl imas cinco e e em-se à si inge: (1)
as e izes são mais la gas, medindo na pena cen al de
(x= 9,1 mm; N = 28), espec i amen e ( igu a 3); (2) o s e num
é mais comp ido; (3) o s e num é ambém mais es ei o; (4) o
me as e num mediano é em média mais es ei o ( abela 2, igu a
4); (5) o p ocessus ocalis possui a me ade an e io pa alela ao
lado da si inge (N = 5), ao in és de cu ada lá e o- en almen e
(N = 4); (6) o musculus acheola e alis se inse e no p ocessus
ocalis ocupando nes a ca ilagem ex ensão equi alen e a um (N
= 4) ou dois (N = 1) elemen os ca ilaginosos A, con a ês (N =
3) ou qua o (N = 1), espec i amen e; (7) quando se ixa no
p ocessus ocalis, o musculus acheola e alis ocupa en e 23,1
e 32,5% (x = 27,9%; N = 5) da supe ície en al da si inge no
local, con a 36,2 a 47,7% (x= 40,9%; N = 4), espec i amen e;
(8) o musculus s e no achealis pa e do ex emo an e io do
p ocessus ocalis (N = 5), ao passo que em S. speluncae pa e de
uma posição equi alen e a um (N = 3) ou dois (N = 1) elemen os
A abaixo do ex emo an e io des a ca ilagem; (9) o pa de
ne os lá e o en al é a iá el quan o a sua disposição, mas não
ap esen a desenho de “X” o mado pela con luência dos amos,
como oco e em S. speluncae (N = 5) ( igu a 5).
Pelo do so neg o e en e cinza S. i aiensis sp. no . di e e
dos demais congêne es, cujas o mas mais pa ecidas possuem
plumagem de ini i a em di e en es onalidades de cinza ou
aneg ado, mas não com as duas co es (e.g. S. unicolo la ans, S.
mac opus, S. magellanicus uscus, S. m. canus). A pa ca sé ie de
o mas andinas examinadas não pe mi e e e ua uma diagnose
mais acu ada, po an o undamen amo-nos p incipalmen e nas
desc ições e ilus ações ap esen adas na li e a u a, especialmen e
Zimme (1939), Fjeldså e K abbe (1990) e Ridgely e Tudo
(1994).
Diagnose - oz. O can o de S. i aiensis sp. no . segue o
pad ão do de S. speluncae, mas di e e po ap esen a o
undamen al da no a do can o modulado em eqüências mais
baixas: de 0,7 kHz a 3,6 kHz con a 1,7 kHz a 4,8 kHz em S.
speluncae (Viellia d 1990) ( eja VOCALIZAÇÕES a segui ).
Em campo, es a di e ença só é pe cep í el após a amilia ização
com as duas ozes.
O can o de S. i aiensis sp. no . ambém é di e en e de odos
os ou os desc i os pa a os demais congêne es, a sabe : “S.
mac opus, S. emo alis, S. panamensis, S. la eb icola, S.
ca acae, S. no acapi al is, S. indigo icus, S. magellanicus ssp.,
S. uscus, S. schulenbe gi, S. a gen i ons, S. unicolo ssp., S.
icinio , S. boli ianus e S. sanc aema ae" ( ide Hil y e B own
1986, Fjeldså e K abbe 1990, Viellia d 1990, Ridgely e Tudo
1994, Whi ney 1994).
Dis ibuição. Conhecida a pa i de ês localidades si uadas
nos a edo es de Cu i iba, Es ado do Pa aná, B asil: (1)
p op iedade de R. Venske, ma gem di ei a dó io I ai (25°23’S,
49°05’W), município de Qua o Ba as (localidade- ipo); (2)
enc uzilhada da BR 277 com a A . Rui Ba bosa, ma gem
esque da do io Pequeno (25°30’S, 49°09’W), município de São
José dos Pinhais; e (3) p op iedade de C. Lou ei o, ma gem
esque da do io Pu ga ó io, km 57,5 da BR 277 (25°33’S,
49°00’W), município de São José dos Pinhais ( igu a 6). A
al i ude a ia
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
9
Figu a 3. Desenho esquemá ico das e izes (R1-R6) e de uma e iz (TE) do pei o de ês espécies de Scy alopus. A- S. i aiensis sp. no . (MN
no. 43378, holó ipo); B- S. speluncae, no caso com cinco pa es de e izes e com as e izes do pei o es ei as (MN no. 43382); C- S. indigo icus
(MN no. 43383). Desenho: B. L. R.
Figu a 4. Desenho esquemá ico do s e num de ês espécies de Scy alopus ( is a en al): A- S. i aiensis sp. no . (MN no. 43378, holó ipo,
êmea); B- S. speluncae (MHNCI no. 3193, êmea); C- S. indigo icus (MN no. 43383, êmea). MM= me as e num mediano; FL= enes a la e al;
FM= enes a mediana; PPL= p ocesso pos e io la e al; PLM= p ocesso la e al me as e nal. Desenho: M. P.
10
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
Tabela 2. Medidas (mm) do s e num de ês espécies de Scy alopus, exp essas com média e in e alo.
Espécie
Comp imen o
La gu a
La gu a do me as e num
mediano
S. i aiensis sp. no . (N = 5)
16,3 (16,2-16,6)
9,8 (9,2-10,6)
2,8 (2,4-3,3)
S. speluncae (N = 5*)
14,4 (14,1-14,8)
11,6 (11,2-12,1)
4,0 (3,1-4,6)
S. indigo icus (N = 5)
15,7 (15,2-16,1)
11,4 (10,6-12,0)
1.3 (1,0-1,6)
• N = 4 pa a a la gu a.
Figu a 5. Desenho esquemá ico de ce as es u u as da si inge de ês espécies de Scy alopus: A- S. i aiensis sp. no . (MN no. 43378, holó ipo);
B- S. speluncae (MN no. 43382); C- S. indigo icus (Faz. Es ela; espécime em meio líquido de posse dos au o es); 1- pa e da muscula u a da
si inge em is a la e al (lado di ei o); 2- p ocessus ocalis (lado di ei o) (a linha indica o meio da la e al da si inge; o de S. speluncae e S.
indigo icus es ão acha ados); 3- pa e do a o ne oso em is a en al (lá e o en al de S. i aiensis sp. no . e S. speluncae e la e al de S.
indigo icus) (ao menos a po ção mais conspícua). MT = musculus acheola e alis; MS = musculus s e no achealis. Desenho: M- R- B.
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
17
Figu a 10. Si inge de ês espécies de Scy alopus em is a en al (A, C, E) e do sal (B, D, F): A, B- S. i aiensis sp. no . (MPEG no. 52945); C,
D- S. speluncae (MN no. 43382); E, F- S. indigo icus (Faz. Es ela; espécime em meio líquido de posse dos au o es). MT= musculus
acheola e alis; ME = musculus s e no achealis; PV = p ocessus ocalis; MeT = memb ana acheales; elemen os ca ilaginosos A-1 e B-l.
Fo os: Zig Koch.
18
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
po qua o p olongamen os ao in és de cinco, que se undem
deslocados lá e o en almen e de o ma ainda mais deso denada
na al u a do A-20 e A-19.
Medidas dos pa á ipos. MN no. 43379 (macho adul o);
comp imen o o al 127,0 mm; en e gadu a 167,0 mm. Bico a
pa i da ma gem p oximal e dis al da abe u a nasal:
comp imen o 8,0/6,0 mm, al u a 4,2/3,2 mm, la gu a 4,1/ 2,8
mm; bico a pa i da ma gem dis al do opé culo nasal a é a pon a:
5,4 mm. Asa 49, 2 mm; cauda 40,7 mm; a so 19,0 mm;
comp imen o do p imei o ao e cei o dedo com unhas 36,6 mm
e sem unhas 28,5 mm; comp imen o das úl imas êmiges
secundá ias ?; comp imen o das e izes ?; la gu a da e iz
cen al 12,3 mm; comp imen o do c ânio com o bico ?; la gu a
do c ânio 13,6 mm; s e num: comp imen o 16,3 mm, la gu a
10,6 mm, la gu a do me as e num mediano 3,3 mm; massa 15,0
g.
MN no. 43380 (macho adul o); comp imen o o al 131,0 mm;
en e gadu a 168,0 mm. Bico a pa i da ma gem p oximal e
dis al da abe u a nasal: comp imen o 8,5/5,8 mm, al u a 4,1/3,0
mm, la gu a 4,2/2,5 mm; bico a pa i da ma gem dis al do
opé culo nasal a é a pon a. ? Asa 47,7 mm; cauda 41,8 mm; a so
19,5 mm; comp imen o do p imei o ao e cei o dedo com unhas
35,5 mm e sem unhas 28,3 mm; comp imen o das úl imas
êmiges secundá ias: sé ima 30,5 mm, oi a a 25,8 mm, nona
20,1 mm (maio de que a sua cobe ei a supe io ) e décima 10,5
(2,1 mm meno que a sua cobe ei a supe io ); comp imen o das
e izes: p imei a 40,4 mm, segunda 41,8 mm, e cei a 39,4 mm,
qua a 36,8 mm, quin a 30,5 mm e sex a 21,9 mm (úl imas ês
desgas adas); la gu a da e iz cen al 12,3 mm; comp imen o do
c ânio com o bico 31,3 mm; la gu a do c ânio 13,6 mm; s e num:
comp imen o 16,3 mm, la gu a 9,2 mm, la gu a do me as e num
mediano 2,4 mm; massa 14,8 g.
MPEG no. 52945 (macho adul o); comp imen o o al 127,0
mm; en e gadu a 159,0 mm. Bico a pa i da ma gem p oximal
e dis al da abe u a nasal: comp imen o 7,5/5,1 mm, al u a
3,9/3,2 mm, la gu a 4,0/2,8 mm; bico a pa i da ma gem dis al
do opé culo nasal a é a pon a. ? Asa 44,5 mm; cauda 38,4 mm
(bas an e desgas ada); a so 19,6 mm; comp imen o do p imei o
ao e cei o dedo com unhas 35,0 mm e sem unhas 28,2 mm;
comp imen o das úl imas êmiges secundá ias: sé ima 28,7 mm,
oi a a ? (queb ada), nona 19,5 mm e décima 10,0 mm (2,1 mm
meno que a sua cobe ei a supe io ); comp imen o das e izes
?; la gu a da e iz cen al 12,5 mm; comp imen o do c ânio com
o bico 29,8 mm; la gu a do c ânio ?; s e num: comp imen o 16,2
mm, la gu a 10,0 mm, la gu a do me as e num mediano 2,7 mm;
massa 14,5 g.
MPEG no. 52944 ( êmea ima u a); comp imen o o al 123,0
mm; en e gadu a 155,0 mm. Bico a pa i da ma gem p oximal
e dis al da abe u a nasal: comp imen o 7,5/5,0 mm, al u a
3,5/2,7 mm, la gu a 4,1/2,3 mm; bico a pa i da ma gem dis ai
do opé culo nasal a é a pon a: 5,0 mm. Asa 43,3 mm; cauda 37,7
mm; a so 18,5 mm; comp imen o do p imei o ao e cei o dedo
com unhas 33,7 mm e sem unhas 26,6 mm; comp imen o das
úl imas êmiges secundá ias: sé ima ? (em muda), oi a a 22,7
mm e nona 17,4 mm (maio do que a sua
37,7 mm, segunda 37,5 mm, e cei a 36,7 mm, qua a 32,0 mm,
quin a 27,7 mm e sex a 21,1 mm; la gu a da e iz cen al 11,1
mm; comp imen o do c ânio com o bico ?; la gu a do c ânio ?;
s e num: comp imen o 16,6 mm, la gu a 9,5 mm, la gu a do
me as e num mediano 3,0 mm; massa 12,4 g.
E imologia. “I aiensis” que dize na u al do I aí, e e ência
que azemos à localidade- ipo da espécie no a, io I aí, que
de e á se alagada. Pa a o nome comum em po uguês,
“macuquinho-da- á zea”, u ilizamos do e mo popula com o
qual se designa o ambien e onde i e es a espécie no a,
enquan o que “macuquinho” oi ado ado po Willis e Oniki
(1991) pa a odos os Scy alopus spp. b asilei os. Pa a o nome em
inglês, suge imos “Tall-g ass We land Tapaculo”.
ASPECTOS MORFOLÓGICOS
Na diagnose de S. i aiensis sp. no . u ilizamos á ios
ca ac e es da sua mo ologia pa a si uá-lo nos Rhinoc yp idae.
No en an o, a maio ia senão odos es es ca ac e es ambém são
compa ilhados com algum ou o g upo de a e, de modo que
discu imos a segui o enquad amen o axonômico. Ou os
aspec os plumá ios e mo ológicos da espécie no a ambém são
comen ados e compa ados en e os demais ep esen an es da
amília.
A sé ie- ipo cons i ui-se de ês machos adul os, uma êmea
adul a e uma êmea ima u a (MPEG no. 52944). A condição
e á ia des e espécime oi de inida pela ausência de
pneuma ização c aniana, pela comissu a bem desen ol ida e
pela colo ação mais cla a do bico ( ide Sick 1960:162). Se
admi i mos que S. i aiensis sp. no . possui uma plumagem
ju enil dis in a (sensu Ha ison e Dyck 1985), como os demais
Scy alopus spp. (Ridgely e Tudo 1994, Whi ney 1994), o
espécime ima u o pode ia e e e uado apenas uma ou duas
ocas de penas pos e io es à plumagem ju enil, o que implica ia
que a espécie adqui e o colo ido do adul o com ce ca de um ano
de ida. Em ou os congêne es o p ocesso é semelhan e (e.g. S.
indigo icus) ou bem mais demo ado (e.g. S. speluncae) ( ide
Ridgely e Tudo 1994). No en an o, op amos po agua da pela
ob enção de mais exempla es da espécie no a an es de
conside a a ápida aquisição da plumagem do adul o como uma
ca ac e ís ica diagnós ica en e S. i aiensis sp. no a e S.
speluncae.
Os exempla es de S. i aiensis sp. no . ap esen am g ande
uni o midade na colo ação da plumagem e não possuem
dimo ismo sexual plumá io ( igu a 11). Es a ca ac e ís ica
possi elmen e di e encia a espécie no a de S. speluncae, cuja
plumagem ai se omando g adualmen e cinza-a dósia, exce o
al ez nos lancos das êmeas que apa en emen e pe manecem
ba ados. Ridgely e Tudo (1994) a i mam que a êmea de S.
speluncae é simila ao macho, mas nós nunca examinamos
alguma o almen e cinza-a dósia, de modo que o dimo ismo
sexual nes a espécie é assun o sujei o a con i mação. No que
conce ne a p esença de uma pena b anca em um exempla da
espécie no a, é mencioná el que is o acon ece comumen e nas
a es, inclusi e nos Scy alopus
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
19
As di e enças nas medidas e na massa co pó ea dos
indi íduos de S. i aiensis sp. no ., embo a pouco ap eciá eis,
e elam que as medidas de êmeas são, em eg a, meno es que
as médias e os machos são, em g ande pa e, maio es ( abela 3,
igu a 12). Digno de menção, é o a o de S. speluncae
apa en emen e não possui di e ença de massa en e os sexos,
mas uma possí el a iação clinal. Seis espécimes de Minas
Ge ais e Rio de Janei o pesa am en e 14,8 e 16,0 g (x= 15,5;
odos machos), enquan o que no e do sul do B asil (PR, SC, RS)
pesa am en e 11,5 e 15,0 g (x = 13,1; qua o machos, qua o
êmeas e um inde e minado) (Sick 1958, 1960, Bel on 1994;
abela 3). Es a endência dos espécimes me idionais se em mais
le es pode e le i -se ambém em meno es medidas,
especialmen e de asa e cauda ( ide Naumbu g 1937).
A condição eu áxica, na qual a quin a êmige secundá ia es á
p esen e, oco e em odos os Passe i o mes e em ou as O dens
(e.g. Tinami o mes, Cuculi o mes) (Dabbene 1910, Ha ison
1985, Voous 1985). Den o de algumas O dens, e mesmo de
uma única amília, es a condição ambém oco e com a opos a
dias a áxica, na qual a quin a secundá ia es á ausen e (Raikow
1982).
A ó mula ala em S. i aiensis sp. no . a ia
indi idualmen e, exce o na seqüência das qua o meno es penas
(1>8>9>10) (N = 4). Em S. indigo icus a cons ância se e i ica
na maio êmige (5a) e nas qua o meno es, uma das quais di e e
da espécie no a (7>8>9> 10) (N = 3). Em S. speluncae a
cons ância e i ica-se apenas nas ês meno es êmiges
(8>9>10) (N = 3), enquan o que a qua a meno é a p imei a (N
= 1) ou a sé ima (N = 2). Também oco eu
Figu a 11. Sé ie- ipo de Scy alopus i aiensis sp. no . em is a do sal (A) e en al (B). Fo os: Zig Koch.
Figu a 12. Rep esen ação g á ica das medidas dos cinco espécimes de Scy alopus i aiensis sp. no ., e idenciando em p e o alo es iguais ou
supe io es à média e em b anco in e io es. Os dois da esque da são êmeas (MPEG no. 52944, MN no. 43378) e os demais machos (MPEG no.
52945, MN no. 43379, MN no. 43380). “Comp. To al” signi ica comp imen o o al da a e. “Comp. D-C/U” e e e-se a dis ância en e o
p imei o e e cei o dedo com unhas e “Comp. D-S/U” à mesma dis ância sem as unhas.
Tabela 3. Medidas (mm) e massa co pó ea (g) de Scy alopus spp.
Espécie
Sexo
Bico*
Asa (cho d)
N
x (in e alo)
N
x (in e alo)
N
S. unicolo
m 1
5,7
1
53,2
1
1
6,1
1
49,7
1
? 1
6,2
1
56,6
-
S. speluncae
m 11
5,5 (5,0-6,5)
12
49,2 (46,6-53,9)
1
1
8
5,2 (4,6-5,5)
10
47,1 (42,3-50,7)
7
? 9
5,3 (4,6-5,9)
8
47,6 (44,9-50,3)
8
S. emo alis
m 1
6,9
1
64,9
1
? 1
6,8
-
-
-
S. no acapi alis
m
-
1
50,1
1
1
5,8
1
51,7
1
? 1
5,6
1
53,6
1
S. indigo icus
m 28
6,1 (5,1-7,1)
31
47,4 (43,8-51,2)
lí
22
5,8 (4,4-6,6)
24
46,9 (43,7-50,0)
1
3
? 6
6,1 (5,7-6,7)
9
47,7 (44,8-49,9)
7
S. psychopompus
m 1
7,9
2
51,3,52,2
1
1
7,2
1
51,6
1
S. magellanicus
m 1
5,0
i
54,6
1
S. supe cilia is
1
4,9
i
48,3
-
? 1
5,6
i
48,3
-
S. i aiensis sp. no .
m 1
5,4
3
47,1 (44,5-49,2)
2
2
5,0, 5,4
2
43,3,45,4
2
* Ma gem dis al do opé culo nasal a é a
pon a do bico.
Cauda
Ta so
Massa
x (in e alo)
N
x (in e alo)
N
x (in e alo)
41,0
1
22,0
-
-
39,0
1
21,6
-
-
•
1
20,6
-
-
1 44.4 (39,6-48,5)
12
19,9(18,5-20,9)
4
13,5(11,5-16,0)
42,1 (38,7-44,7)
10
19,2(17,5-20,6)
4
13,5(12,5-15,0)
41,4 (35,3-46,1)
9
19,4(18,4-20,2)
1
13,3
48,6
1
23,4
-
1
21,6
-
-
44,7
1
19,8
1
19,2
45,6
1
18.9
-
-
45,9
1
19,6
1
15,6
1 36,7(31,2-44,4)
25
18,8(18,0-19,7)
6
13,9(13,0-15,5)
1 37,2(33,0-11,3)
20
18,5(17,2-20,1)
5
14,3(12,2-16,0)
35,5 (32,9-37,0)
6
18,7(18,0-19,8)
1
13,0
33,9
-
1
17,5
34,8
1
19,7
1
18,0
41,9
1
20,7
-
-
1
18,3
-
1
20,1
-
-
40,7,41,8
3
19,4(19,0-19,6)
3
14,8(14,5-15,0)
37,7, 38,9
2
18,2, 18,5
2
12,4, 12,4
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
21
a iação na ó mula ala de uma asa pa a a ou a, o que se
obse ou em um exempla de cada uma des as ês espécies.
Dez êmiges p imá ias es ão p esen es na maio ia das a es
(excluída a emicle), como nos Ty anni, ao passo que ou as
possuem duas ou ês (Casua iidae), qua o (Ap e ygidae), no e
(e.g. mui os Oscines neo opicais), onze (e.g. Ciconiidae,
Phoenicop e idae) e a é 16 (S u hionidae) (Ginn e Mel ille 1983,
Campbell e Lack 1985: 486, Ha ison 1985, Sick 1997).
A emicle es á p esen e em um g ande núme o de a es
(Campbell e Lack 1985: 486, 502, Ha ison 1985). Embo a
es igial, ap esen a a iações no amanho (S esemann 1963).
Nos Rhinoc yp idae oco e ao menos em odas as espécies da
abela 1 onde es a ca ac e ís ica pode se obse ada ( odas exce o
P e op ochos megapodius), nas quais ap esen ou-se de o ma
lanceolada e p opo cionalmen e pequena.
O núme o de êmiges secundá ias nas a es a ia bas an e,
sendo po exemplo, seis ou se e em T ochilidae, 11 em Picidae,
18 a 25 em Ca ha idae e a é mais de 40 em Diomedeidae (Ginn e
Mel ille 1983). Os Passe i o mes no malmen e possuem no e,
mas podem ap esen a a é 14 (Ginn e Mel ille 1983). As
in o mações, aqui ap esen adas, p o a elmen e omadas de o ma
di e en e da dos demais au o es, apon am pa a dez secundá ias em
S. i aiensis sp. no . (N = 2), S. speluncae (N = 2) e em S.
indigo icus (N = 3), sendo que a úl ima é udimen a . Um
exempla de Melanopa eia o qua a ap esen ou no e
secundá ias, mas é p e e í el con i ma es e dado com mais
espécimes. A í ulo ilus a i o, com o mesmo c i é io analisamos
alguns Thamnophilidae, encon ando-se no e ou dez secundá ias.
Uma ez que não é possí el examina com segu ança es e
ca ac e e em peles axide mizadas, oma- se di ícil ap o unda
es e assun o.
Nas a es que possuem e izes, o núme o a ia de qua o a é
mais de 30, sendo 12 a quan idade mais eqüen e (Ginn e
Mel ille 1983). Den e os Rhinoc yp idae, Psilo hamphus
gu a us possui apenas oi o e izes (Sick 1997), enquan o que as
demais espécies analisadas quan o a es a ca ac e ís ica
ap esen am 10 e/ou 12 ( abela 1). Com 10 e izes êm-se M.
o qua a, S. unicolo , S. indigo icus, S. psychopompus e S.
supe cilia is. No a elmen e S. speluncae ap esen a 10 (N = 8
espécimes; 33% de 24 examinados) e 12 e izes (N = 16; 67%).
Si uação simila pa ece oco e com S. no acapi alis, pois dois
exempla es possuem 10 e izes e um deles 12, que pode a a -se
de igual a iação indi idual ou anomalia. As ou as no e espécies
examinadas ap esen am 12 e izes ( abela 1), mas essal amos
que maio es amos as pode ão muda algum julgamen o.
O dimo ismo quan o ao núme o de e izes em S. speluncae
apa en emen e é mais eqüen e no sul do B asil. Da sé ie
analisada, a maio ia dos espécimes com 10 e izes são do Pa aná
(N = 5), enquan o que os demais são do Rio de Janei o (N = 2) e
de San a Ca a ina (N = 1). Em e mos pe cen uais, o Pa aná
ap esen ou 83% dos seus espécimes com dez e izes, San a
Ca a ina 50% e o Rio de Janei o 18%.
Obse amos dois Rhinoc yp idae anômalos, com 13 e izes.
Um exempla da espécie no a con ém uma e iz a mais no lado
di ei o (MN no 43378 holó ipo) e um
P. megapodius ap esen a duas p imei as e izes no lado di ei o
(MZUSP no. 3807). Re izes sup anume á ias oco em em
á ias a es, podendo acon ece com a adição de penas, como no
caso do S. i aiensis sp. no ., ou com a duplicação de olículos,
como no caso do P. megapodius (Pa kes 1996).
Vá ios S. speluncae e um dos dois S. emo alis analisados
possuem as e izes do pei o es ei as e com a pon a algo
lanceolada ( igu a 3). Nos demais Rhinoc yp idae examinados
( abela 1), não de ec amos es a ca ac e ís ica.
Ao menos en e os Passe i o mes, a p e ilose com a p e yla
en alis sem sepa ação na ma gem do lanco só oco e nos
Rhinoc yp idae (Ames e al. 1968). Exceções são M.
ma anonica (Ames e al. 1968) e M. o qua a (obs. pess.), nas
quais es a egião é sepa ada espei ando a condição ge al dos
Passe i o mes. A pa s pél ica emplumada é ou a ca ac e ís ica
dos Passe i o mes (Clench 1985), exce o nos Thamnophilidae,
que a ap esen am com nenhuma ou somen e poucas pequenas
penas espa sas (Ames e al. 1968).
A papila da glândula u opigiana (papilla u opygialis sensu
Baumel e al. 1993) pode ou não con e um u o de penas, o que
oco e de o ma dis ibuída nas A es (Raikow 1982). Nos
Passe i o mes ela é desp o ida de penas (Raikow 1982).
Bico epígna o com uma incisão quase na pon a dos ômios
da maxila oco e ao menos em odos os Rhinoc yp idae da abela
1 em que es a ca ac e ís ica pode se con e ida pelos au o es
( odos exce o S. ubecula). Nas espécies meno es es a
chan adu a é quase impe cep í el, ao passo que nas maio es é
bem conspícua.
A p esença de opé culo nasal mó el (Sick 1960, 1985, 1997,
Holyoak 1978, Hil y e B own 1986, Ridgely e Tudo 1994) é
uma ca ac e ís ica p óp ia dos Rhinoc yp idae (Campbell e Lack
1985: 375). A sua o ma em espécimes escos de Scy alopus
spp., ap esen a algumas di e enças. O opé culo pode se o al (S.
i aiensis sp. no ., N = 4) ou pa cialmen e abe o (S. speluncae,
N = 4; S. indigo icus, N = 4; S. i aiensis sp. no ., N = 1),
culminando espec i amen e com uma abe u a nasal
coinciden e ou não com o seu comp imen o. Quando o opé culo
é pa cialmen e abe o, a iá el ex ensão da sua po ção dis al ica
encos ada na an o eca ou um pouco acima dela. O con o no
des a po ção dis al do opé culo ambém a ia, sendo cônca o ou
e o em S. i aiensis sp. no . e S. speluncae e con exo em S.
indigo icus ( igu a 9).
Pé anisodác ilo com 2, 3, 4 e 5 alanges espec i amen e do
p imei o ao qua o dedos, é a condição da maio ia das a es e de
odos os Passe i o mes (Raikow 1982). Cada supe amília dos
Ty anni ap esen a quase odos os ipos de escu elação a sal,
sendo que em Fuma ioidea é axaspidiana nos Thamnophilidae
(Ames e al. 1968) e em pa e dos Rhinoc yp idae. Ames e al.
(1968) conside a am os Rhinoc yp idae como axaspidianos,
não obs an e Pló nick (1958) já i esse desc i o o a so de P.
gu a us como liso. Es e au o , en e an o, equi ocou-se ao
conside a es a espécie como a única exceção da amília quan o
ao e es imen o do a so, pois L. ho acicus ambém ap esen a
escu elação lisa. As demais espécies po nós analisadas ( abela
1) ap esen am o e es imen o axaspidiano.
22
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
Pala o egi hogna hae é obse ado em odos os Passe i o mes,
além de ou as a es (Raikow 1982). Fenda nasal holo hinal, que
ambém é comum na Classe, den e os Ty anni só não oco e nos
Fuma iidae e em pa e dos Dend ocolap idae (Jollie 1958, Ames
e al. 1968, Feduccia 1973).
O p ocesso pala ino do os p emaxilla e é uma ca ac e ís ica
ausen e ou p esen e nos Passe i o mes (Bock 1960). Nos poucos
Rhinoc yp idae analisados po es e au o , es a es u u a es e e
ausen e, assim como o obse ado po nós em S. i aiensis sp. no .
(N = 2), S. speluncae (N = 1) e S. indigo icus (N = 1).
O sep o nasal na maio ia das a es é ca ilaginoso mas em
algumas espécies ossi ica-se em ex ensões a iá eis (Dabbene
1910, Bu on 1985, Baumel e al. 1993), con o me cons a ado em
S. i aiensis sp. no . (N = 2) ( igu a 2B). Os c ânios de um S.
speluncae e de um S. indigo icus examinados não possuíam o
sep o ossi icado. Uma ez que exis e a possibilidade de oco e
a iação on ogené ica (H. F. Al a enga com. pess., 1998),
p e e imos analisa mais espécimes os eológicos an es de
conside a a di e ença obse ada como diagnós ica.
Winkle (1985) comen a que são a os os Passe i o mes cuja
pneuma ização c aniana não é o al, den e os quais pelo menos
S. i aiensis sp. no ., S. speluncae e S. indigo icus são exemplos
( eja igu a 2A). Con udo, is o não é comum a odos os
Rhinoc yp idae, pois ao menos em M. o qua a o c ânio
pneuma iza comple amen e (obs. pess.; N = 3). Pa a o auxílio na
de e minação da idade em Scy alopus, suge imos a en a pa a o
con o no, do c ânio, emo endo nes e caso alguns músculos.
En e os Ty anni, s e num com qua o enes as,
co esponden e ao ipo “6” de Heime dinge e Ames (1967) e ipo
“7” des e es udo ( eja Desc ição dos pa á ipos - aspec os
mo ológicos), encon a-se apenas em alguns dos Fo mica iidae
e nos Rhinoc yp idae, exce o um P. a nii no qual um lado possui
duas enes as ( ipo “6”) e o ou o uma enes a e um o i ício ( ipo
“5”) (Heime dinge e Ames 1967, Ames e al. 1968). Os s e num
que analisamos de M. o qua a (N = 1), S. speluncae (N = 5) e S.
indigo icus (N = 5) são odos do ipo “6”.
A compa ação do s e num dos Scy alopus spp. e elou
algumas di e enças na o ma e na p opo ção ( eja Diagnose -
plumagem e mo ologia acima, igu a 4, abela 2). O de S.
i aiensis sp. no . é longo e es ei o, o de S. speluncae é cu o e
la go e o de S. indigo icus é in e mediá io. O me as e num
mediano é la go em S. speluncae, es ei o em S. indigo icus e
in e mediá io na espécie no a. Em S. i aiensis sp. no ., S.
speluncae e em alguns S. indigo icus (N = 3) o ex emo an e io
da enes a mediana si ua-se abaixo do ex emo an e io da
enes a la e al, disposição es a con á ia em dois S. indigo icus.
Os p ocessos la e al me as e nal e pos e io la e al são
con e gen es (S. indigo icus, N = 3), pa alelos (S. i aiensis sp.
no ., N = 2; S. speluncae, N = 2; S. indigo icus, N = 1) ou
di e gen es (S. i aiensis sp. no ., N = 3; S. speluncae, N = 3; S.
indigo icus, N = 1).
En e os Passe i o mes, a si inge com memb ana acheales
e p ocessus ocalis é ca ac e ís ica dos Fuma ioidea (Ames e al.
1968, Ames 1971, Voous 1985). Ausência de músculos
in ínsecos nes a O dem é obse ada
Fuma ioidea, nos Fo mica iidae, Conopophagidae e em pa e dos
Rhinoc yp idae (Ames 1971). Ainda den e os Passe i o mes, a
ca ilagem pessulus es á p esen e em quase odas as espécies, mas
ausen e em odos os Fuma ioidea (Ames 1971).
A si inge dos Rhinoc yp idae di e e odas as espécies que
possuem es a es u u a desc i a, o que co esponde a onze
espécies den e se e gêne os (Ames 1971, es e es udo). A es a
elação pode íamos ac escen a M. o qua a (N = 1), cuja si inge
não desc i a e examinada po nós é di e en e de M. maximilliani,
ao menos pela ausência de usão de elemen os ca ilaginosos A.
Excluímos des a elação a desc ição da si inge de P. gu a us
(Pló nick 1958) de ido à e ônea de inição de muscula u a
in ínseca e à b e idade dos de alhes. Po es es mesmos mo i os
não conside amos nes e cômpu o a desc ição de Mülle (1847),
da si inge de S. indigo icus.
Do gêne o Scy alopus se conhece a si inge de qua o
espécies. A de S. i aiensis sp. no . e S. speluncae são semelhan es
e po sua ez mui o di e en es da si inge de S. indigo icus e S.
magellanicus, que en e si ambém são bas an e dis in as. Esse é
um a o no á el conside ando-se que pe encem ao mesmo
gêne o. Des aca-se ainda a ausência de muscula u a in ínseca
nos ês Scy alopus po nós analisados, uma ez que e a uma
ca ac e ís ica a é en ão conhecida na amília apenas pa a
Teled omas uscus (Ames 1971).
Algumas su is di e enças apon adas en e as si inges da
espécie no a quan o a posição do a o ne oso lá e o en al e
das ib as muscula es na egião mediana da ace en al da
si inge, podem e o igem na ixação o cida da peça, a o que
cons a amos oco e ao manipula mos uma si inge de S.
speluncae an es de ixá-la. O mesmo não se aplica pa a a o ção
do p ocessus ocalis de S. speluncae, cuja o ma oi con i mada
em uma peça esca. A p esença de algumas ib as lá e o do sais
do musculus acheola e alis con ínuas com pa e do musculus
s e no achealis em S. magellanicus (Ames 1971), ca ac e ís ica
não cons a ada nos Scy alopus examinados, pode ia se uma
in e p e ação e ônea de um e en ual espessamen o do pa de
ne os lá e o do sal.
Finalizando, cump e essal a , que de ido às di e enças na
mo ologia e no can o de S. speluncae ( ide S aneck e Ca izo
1990, Viellia d 1990), se ia opo uno es uda es a espécie mais
p o undamen e, pois com o seu nome al ez es eja-se
denominando duas ou mais espécies c íp icas.
HÁBITAT
Scy alopus i aiensis sp. no . habi a campos úmidos si uados
na planície de inundação de alguns ios ( igu a 13). Es e ambien e
oi denominado como campo edá ico das baixadas (Klein e
Halschbach 1962). Segundo os c i é ios de classi icação da
ege ação b asilei a p opos os pelo P oje o RADAMBRAS1L
(in Veloso e al. 1991), aplica-se o e mo “Fo mação Pionei a de
In luência Flu ial” ma geada po “Fo mação Omb ó ila Mis a
Alu ial” ( lo es a de gale ia). Popula men e, es as á eas são
chamadas de á zeas, mas o e mo inclui as lo es as cilia es
sujei as a inundações pe iódicas dos ios. Quan o à idade
geológica, es as á zeas
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
23
Figu a 13. Vis a ge al da localidade- ipo de Scy alopus i aiensis sp. no . e a edo es ( io I ai, Pa aná, B asil). 1- campo seco; 2- campo úmido
ou á zea (es e é o único local da o o com egis o da espécie); 3- lo es a acompanhando o cu so do io; 4- campo úmido al e ado pelo ogo; 5-
queimada p oposi al. A ualmen e a á ea “4" es á sendo mine ada ( eja igu a 17A) e, den o em b e e, oda a egião se á alagada. Fo o: M. P.,
e e uada em 1991.
A no a espécie oco e onde a ege ação é al a (ca. 60- 180
cm) e o ma uma ama densa e echada de inas olhas de capins
e cipe áceas. Olhando do al o não é possí el enxe ga o solo, a
não se que a massa de olhas seja a as ada. P óximo ao chão o
aspec o é bas an e di e en e. G ande pa e do solo é ocupado po
mudas de capins e cipe áceas, dis an es umas das ou as, cujas
bases são es ei as mas que se ala gam à medida que ganham
al u a ( igu a 14). Es e o ma o de cone in e ido a o ece a
condução dos de i os pa a a base das plan as, onde se obse a
um solo o gânico o o, o iundo da decomposição dos de i os
empilhados ao longo do empo. Is o az com que o chão des as
á zeas pa eça e dois ní eis: o é eo e o p imei o anda ,
delimi ado pelo solo acumulado a ap oximadamen e 20 cm da
base das moi as. Du an e os pe íodos de chu a o chão ica
pa cialmen e subme so po alguns cen íme os de água. Em
pe íodos de enchen e não oi possí el isi a o local.
Exce uando-se as escassas b ió i as, o subs a o da á zea é
desp o ido de ege ais, ce amen e de ido à pouca
luminosidade, o que con e e um aspec o de solo nu. G ande
pa e da luz é e ida pela ege ação. Na me ade da al u a da
á zea a luminosidade é equi alen e a do es a o in e io de uma
lo es a p imá ia (ca. 300 lux). Ren e ao solo a luminosidade é
quase nula (ca. 7-15 lux), al qual uma noi e.
A homogeneidade das á zeas é queb ada po a bus os que
se desen ol em acima da ama das olhas, e po algumas
plan as de olhas o es e la gas que man ém a ege ação
ci cundan e a as ada (e.g. Blechnum sp. - Blechnaceae,
E yngium spp — Apiaceae Cenecio sp. — As e aceae) como
se es i essem alojadas em um bu aco no meio do capinzal. Algo
pa ecido ambém acon ece com mui os a bus os, que po se em
cons an emen e balançados pelo en o a as am um pouco a
ama de olhas, dando a imp essão de que seus oncos
c esce am no meio de um es ei o únel.
Na localidade- ipo, o ambien e de S. i aiensis sp. no .
apa en emen e é dominado po Eleocha is sp. (Cype aceae),
cujas inas e longas olhas são as g andes esponsá eis pelo
aspec o ca ac e ís ico da á zea. Vá ias ou as espécies com
olhas simila es ambém con ibuem pa a o ma a ama acima
desc i a, den e as quais mui as Cype aceae (e.g. Rhynchospo a
globosa, Rhynchospo a sp.), Poaceae (e.g. B isa sp.), en e
ou as. Mui os a bus os sob essaem do meio da ege ação,
como Eupa o ium spp., Baccha is semise a a, B. illini a,
Baccha is sp. (As e aceae), Tibouchina g acilis, T. u sina
(Melas oma aceae), Siphocampilus e icilla us
(Campanulaceae), Leuco hoe sp. (E icaceae), Rapanea
pa i olia (My sinaceae) e Eupa o ium bupleu i olium
(As e aceae), que é abundan e. Vá ias plan as ainda são
obse adas, como capins (e.g. E ioch ysis sp., Panicum sp. -
Poaceae), e as (e.g. Ve nonia spp. - As e aceae, Anagalis
a ensis - P i ulaceae), epadei as, samambaias, en e ou as
(e.g. Begonia sp. - Begoniaceae, Linum sp. - Linaceae).
Scy alopus i aiensis sp. no . i e nas á zeas jun o com
á ias ou as a es, que são adicionalmen e denominadas de
espécies de b ejos, de campos ou de capoei as. Na localidade-
ipo con i em com a no a espécie, po exemplo, Po zana
albicollis, La e allus leucopy hus, Eleo h ep us anomalus,
Colib i se i os is, Synallaxis spixi, Phacellodomus
24
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
Figu a 14. Pe il esquemá ico do ambien e de Scy alopus i aiensis
sp. no . na localidade- ipo (p op iedade de R. Venske, ma gem di ei a
do io I ai, município de Qua o Ba as, Pa aná, B asil). Desenho:
Diana Ca nei o Ma ques.
s ia icollis, Thamnophilus u icapillus, Cyanoloxia
glaucocae ulea, Embe izoides ypi anganus, Donacospiza
albi ons, Poospiza nig o u a e Embemag a pla ensis.
Campos de á zea oco em no Pa aná em ês á eas dis in as:
da egião me opoli ana de Cu i iba a é o sul do es ado (bacia
hid og á ica do Iguaçu); ap oximadamen e na po ção no des e
do es ado (bacia hid og á ica do Tibagi); e no ex emo no oes e
do es ado (bacia hid og á ica do Pa aná) (Maack 1950, 1981).
Es as á zeas do no oes e si uam-se em uma egião opical,
com baixa al i ude e apa en emen e possuem ege ação dis in a
das demais, que se localizam em zonas empe adas, de al i udes
mais ele adas e que compa ilham en e si á ias espécies de
plan as (G. Ha schbach com. pess., 1998). Semelhan es a es as
ambém de em se as poucas á zeas que oco em na bacia
hid og á ica do Iguaçu no Es ado de San a Ca a ina, na di isa
com o Pa aná (Klein 1978).
No sul do B asil exis em ou os ambien es pa ecidos com as
á zeas de planal o mencionadas. São es es alguns campos de
al i ude do cume de ce as mon anhas da Se a do Ma (Pa aná)
e da Se a Ge al (San a Ca a ina), e os campos úmidos que
oco em como manchas nas dep essões do ele o nos domínios
dos campos limpos do planal o me idional b asilei o (sul do
Pa aná ao no e do Rio G ande do Sul). É possí el que S.
i aiensis sp. no . oco a nes es campos e á zeas de al i ude, dos
quais in es igamos apenas uma localidade na bacia hid og á ica
do Tibagi/Pa que Es adual de Vila Velha)
Dis ibuição e habi a dos congêne es nas p oximidades da
espécie no a. Na p op iedade de C. Lou ei o egis amos a
espécie no a na á zea e S. speluncae a poucos me os, na
lo es a. Na localidade de Co o (25°20’S, 48°54’W), município
de Qua o Ba as, dis an e 27 km da localidade- ipo, oco em
na lo es a, lado a lado, S. speluncae e S. indigo icus. Es e a o,
aliás, con a ia Viellia d (1990) que a i mou se em ambas não
sin ópicas. Em hábi a um pouco pa ecido ao de S. i aiensis sp.
no . imos S. speluncae no cume do Mo o I api oca (25°14’S,
48°52’W), município de Campina G ande do Sul, onde a lo es a
azia ansição com o campo. No en an o, ao menos na egião
sudes e do país S. speluncae ambém i e nos campos do al o
das se as (Sick 1960, 1997: 32).
ECOLOGIA
Compo amen o. Scy alopus i aiensis sp. no . desloca-se
p incipalmen e no solo nu. Usa ambém a ama de olhas e os
a bus os, a a és dos quais desce ao chão ou acessa o opo da
ege ação. Po ezes alça ôo sob e o campo, especialmen e se
espan ada pela p esença humana, baixando den o da ege ação
a a és dos galhos dos a bus os ou a a essando a ama de
olhas, que às ezes o e ece bas an e esis ência. O ôo é pesado
e cu o, não a ingindo mais do que 10 m. Du an e o in e no
á ios indi íduos oa am com ex ema di iculdade, ao pon o de
quase pode em se cap u ados com as mãos, p o a elmen e
po que muda am as penas. O anda é silencioso e bem ápido,
sendo que as poucas ezes que o am obse ados com maio
p ecisão de de alhes, desloca am-se com a cauda na ho izon al.
Algumas ezes o am obse ados caminhando pela linha de
edes o ni ológicas, sob a qual passa am sem p oblemas,
abaixando a cabeça.
Assim como os demais ep esen an es do gêne o, es a
espécie é ex emamen e di ícil de se obse ada, mas acilmen e
ou ida. Vocaliza ao longo do ano e do dia, sendo que mais
eqüen emen e pela manhã e pela a de. Pela manhã, oda ia,
pa ece que não cos uma ocaliza mui o cedo. Em uma
opo unidade, no e ão, suas p imei as ocalizações começa am
somen e 1 h após o cla ea do dia. No malmen e o can o não é
mui o p olongado e as no as não são emi idas mui o acele adas,
mas a espécie ambém modi ica es e pad ão espon aneamen e.
Exci ada po “playback” can a p olongadamen e, mui as ezes
acele ando a emissão de no as, chegando ao pon o de um
indi íduo e ocalizado inin e up amen e po 11 min.
Igualmen e a ou os congêne es, quando a aída po “playback”,
no malmen e ap oxima-se an es de esponde . Quando
assus ados emi em uma ocalização dis in a, p o a elmen e de
ala me ( eja VOCALIZAÇÕES a segui ).
Alimen ação. A análise dos con eúdos es omacais dos
espécimes cole ados e elou a p esença de pequenos a ópodes,
os quais encon a am-se agmen ados ( abela 4). Os i ens mais
inge idos o am Hemip c a, p esen e em odos os con eúdos,
seguido de Coleop e a e Bla odea, p esen es em qua o
con eúdos. Bla odea es e e ep esen ada a a és de oo ecas. Os
ege ais encon ados em um dos es ômagos podem e sido
inge idos aciden almen e ( ide Ruschi 1979: 285).
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
25
Tabela 4. Con eúdo es omacal dos espécimes de Scy alopus i aiensis sp. no .
I em alimen a *
Es u u a
Espécimes (no. de indi íduos inge idos)**
1
2
3
4
5
Plan ae
ib as
X(?)
A h opoda
agmen os
X(?)
X (?)
Insec a (ge al)
agmen os
X(?)
X(?)
Bla odea
oo ecas
X(l)
X(l)
X (6)
X(1)
Hemip e a
cabeça
X (1)
Cicadomo pha (Hemip e a)***
cabeça, pe nas
X(4)
X(1)
X (1)
X (1)
Redu iidae (Hemip e a)
cabeça
X(l)
Coleop e a
cabeça, éli os
X (1)
X(l)
X (1)
Cu culionidae (Coleop e a)
cabeça
X(1)
* Meno ní el axonômico.
** Espécimes: 1- MN no. 43379; 2- MPEG no. 52944; 3- MN no. 43378; 4- MN no. 43380; 5- MPEG no. 52945.
*** Possi elmen e Ce copidae.
O es udo de Schuba e al. (1965) ambém e elou
p incipalmen e inse os na alimen ação de S. speluncae, S.
indigo icus e S. no acapi alis, além de um molusco e es os de
musgo. Digno de menção é o a o de Olalla (1938) e
encon ado basicamen e Hemip e a na die a de L. ho acicus.
Muda e ep odução. Os espécimes cole ados no ou ono
possuíam gônadas ina i as e muda de plumagem. O espécime do
im da p ima e a es a a ep oduzindo, sem muda de penas, e o
do início do e ão es a a com gônadas a i as e pouca muda de
penas. Es a c onologia se enquad a no pad ão ge al das a es.
Ec opa asi as. O espécime MN no. 43378 (holó ipo)
possuía uma pequena la a de ca apa o na cabeça (Amblyomma
sp., Ixodidae) e alguns aglome ados de la as de T ombiculidae
no abdômen. Os espécimes MN no. 43379 e MPEG no. 52945
ambém ap esen a am la as de T ombiculidae no abdômen,
mas em meno quan idade. Es es a ópodes pa asi am
comumen e á ias espécies de a es (Ma ini e al. 1996, obs.
pess.).
VOCALIZAÇÕES
O can o é compos o pela p olongada epe ição de uma no a
cu a de g ande ampli ude (“ chek- chek- chek...”) ( igu a 15D),
cuja du ação a ia bas an e, desde 0,5 a 11 min. O início de um
can o ípico, no en an o, é cons i uído de uma cu a sé ie de no as
dis in as ( igu a 15 A) que passa apidamen e po um es ágio
in e mediá io ( igu a 15B) an es de assumi a o ma
ca ac e ís ica ( igu a 15C, D).
O início do can o cons i ui-se de cinco a oi o emissões len as
de no as longas compos as pelo undamen al e mais qua o
ha mônicos, que ap esen am uma su il modulação de eqüência
ascenden e descenden e. O undamen al ou o p imei o
ha mônico concen am a maio ene gia e os dois úl imos
ha mônicos, às ezes, são ausen es ou pouco
audí eis. As no as do início do can o de qua o indi íduos
ap esen a am uma du ação média de 106 ms (SD = ± 22; N =
22) e um in e alo médio de 354 ms en e as emissões (SD = ±
137; N = 20). O pon o de maio ene gia si ua-se em média a 1,38
kHz (SD = ± 0,33; N = 29). Os in e alos médios das
equências dos componen es des as no as es ão ap esen ados na
abela 5.
A po ção de ansição do can o compõem-se po no as
ca ac e izadas pelos seguin es aspec os: maio ene gia no
undamen al, dois ha mônicos, modulação de eqüência
ascenden e descenden e p onunciada e, compa adas com as do
início do can o, são mais cu as e emi idas em in e alos de
empo meno es ( igu a 15B).
A no a do can o ap esen a uma modulação de eqüência
ascenden e descenden e bas an e p onunciada no undamen al,
o qual concen a a maio ene gia e é acompanhado apenas pelo
p imei o ha mônico, que é pouco exp essi o ( igu a 15C, D,
16A). A ampli ude de modulação de eqüência do undamen al
si ua-se en e os ex emos de 0,73 e 3,6 kHz (média de 0,94 kHz
± 0,08 a 2,81 kHz ± 0,52; N = 50), es ando o pon o de maio
ene gia localizado a 2,15 kHz em média (SD = ± 0,45; N = 50).
No can o analisado de cinco indi íduos, a no a du ou em média
38 ms (SD = ± 5; N = 50), oi emi ida em média 4,38 ezes po
segundo (SD = ± 0,31) e com um in e alo médio de empo en e
cada emissão de 194 ms .(SD = ± 15; N = 50). Po ezes oco em
in e upções ápidas de 1 a 5 segundos na ase, cuja e omada
se az com o i mo já acele ado.
Obse amos uma a iação no can o p op iamen e di o de
dois indi íduos. A no a ap esen ou apenas a pa e descenden e
de eqüência, an o no undamen al como no ha mônico, o que
ambém pe mi iu que osse emi ida mais apidamen e ( igu a
16A).
A exci ação, esul an e do uso de “playback”, não modi icou
a es u u a ge al do can o, apenas le ou, em alguns
32
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Ba as - PR. Cu i iba: Ins i u o Ambien al do Pa aná - IAP.
Zimme , J. T. (1939) S udies o Pe u ian bi ds. No. XXXII.
The genus Scy alopus. Ame . Mus. No i . 1044.
APÊNDICE
Desc e emos a si inge de S. speluncae e S. indigo icus,
ci adas no co po do abalho. Todas são comp imidas do so
en almen e, desp o idas de muscula u a in ínseca e de usão
de elemen os. As si inges de S. speluncae do segundo exempla
em dian e são desc i as de o ma compa a i a com a do p imei o.
Quan o aos espécimes, que p ocedem do Pa aná, pode-se
con e i suas localidades de cole a em “MATERIAL E
MÉTODOS”, mas nem semp e o sexo, que indicamos en e
pa ên eses.
Scy alopus speluncae
Espécime MN no. 43382 (p o a elmen e êmea) ( igu a 5,
10). Os elemen os A-1 e A-2 são di ididos, ela i amen e inos
no en e e la gos no do so, especialmen e nas ex emidades; os
A3 em dian e são comple os; os A-3 ao A- 10 são inos; o A-11
é ino no en e e mais la go no do so;
o A-12 é la go; e os demais são bas an e la gos. A memb ana
acheales é cu a, es endendo-se do A-2 ao A-12 no en e e do
A-2 ao A-11 no do so da si inge, de ido a mais la ga espessu a
na po ção do sal do A-11. Os elemen os A são mui o p óximos
en e si. Os elemen os B são di ididos, com espaçamen o
cons an e en e si e la gos, especialmen e nas ex emidades dos
B-L Uma massa ca ilaginosa densa cob e as ex emidades do
A-2, A-1 e do B-l no en e da si inge, enquan o que no do so
ela é limi ada à po ção an e io dos ex emos de cada pa e do
A-2, que ica am conec ados.
O p ocessus ocalis é comp ido (1,9 mm), ela i amen e
g osso na base (com ce ca de 0,3 mm do A-1 a é a al u a do A-
5) e es ende-se do A-1 a é a al u a do A-11. Na me ade caudal
dispõem-se na la e al da si inge, enquan o que na me ade c anial
so e uma o ção e se p oje a pa a a po ção lá e o en al da
si inge. Possui uma g ande expansão de ce ca de 1,1 mm que
pa e da base des a ca ilagem em di eção ao meio da supe ície
do sal da si inge. Es a p ojeção inicialmen e é la ga, cob indo do
A-1 a é a al u a do A-4 e depois es ei a-se g adualmen e
limi ando-se a cob i o A-1 e o A-2 ( igu a 5). Na al u a do A-6
o ma um pequeno es angulamen o e depois p oje a-se em
la gu a cons an e a é a sua ex emidade an e io . O p ocessus
ocalis é ixo no A-1 e no A-2 e se p oje a li e a é a al u a do
A-11, exce o po ágil ecido conec i o.
A si inge possui ce ca de 1,6 mm de la gu a na po ção
an e io a é mais ou menos o A-15, quando começa a ala ga - se
a é mais ou menos o A-7, onde a inge a la gu a máxima de ce ca
de 2,6 mm (excluindo a muscula u a). A sua ci cun e ência é
a edondada em oda a egião an e io à memb ana acheales,
elíp ica na memb ana acheales e algo cilínd ica no A-1 ao A-
2, o que con e e pe ei o con a o com a base do p ocessus
ocalis.
O musculus acheola e alis se o igina na base da língua
como um pa de músculos, que p oje a-se caudalmen e pelos
lados da aquéia. Na al u a do A-34 começa a se ala ga
g adualmen e, cob indo oda a supe ície en al da aquéia na
al u a do A-30. A pa i do A-18 di ide-se no amen e, umando
cada pa e pa a as la e ais da si inge. Na al u a do 12o elemen o
A an e io à memb ana acheales, aba ca ce ca de 250° da
ci cun e ência da aquéia, o que implica que seja denominado
como la go. É cons i uído po mui as ib as nos lados da aquéia
e da si inge e po poucas na po ção des e músculo que cob e a
supe ície en al da si inge. Se ixa na po ção an e io da
supe ície ex e na do p ocessus ocalis, na al u a do A-11 ao A-
9, exce o po umas poucas ib as que se ade em lá e o
do salmen e sob e o A-13. No p ocessus ocalis a sua ixação é
jus amen e an e io ao musculus s e no achealis, os quais
limi am-se de o ma inclinada ( igu a 5).
O musculus s e no achealis cons i ui-se de um eixe de
ib as que pa e da supe ície ex e na do p ocessus ocalis, na
al u a do A-9 ao A-6.
O a o ne oso, na sua po ção conspícua, oi acompanhado
desde a egião do hióide, onde alguns ne os bi u cam-se
ene ando ao menos a língua, a aquéia e a si inge. Um pa de
amos ne osos assim que a inge a
34
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
aquéia, acompanha lá e o do salmen e quase odo o musculus
acheola e alis a é a egião an e io do musculus
s e no achealis, onde az um cu a pa a ene a alguma ou a
pa e do co po da a e, o que não oi possí el e i ica pelo seu
ompimen o, p o a elmen e na ex ação da si inge. A pa e do
musculus acheola e alis desacompanhada do ne o é a sua ace
lá e o do sal di ei a na po ção an e io da aquéia, onde o ne o
a a essa a egião do sal da si inge pa a a ace esque da e logo
depois e o na à ace di ei a no amen e. Ao longo do seu aje o,
emi e inos p olongamen os que di igem-se a ou as pa es
do sais e en ais da si inge e há um mais conspícuo que aden a
no musculus s e no achealis. Na al u a do A-18, es e pa de
amos ne osos se posiciona no lado da si inge e ecebe um pa
ela i amen e g ande de p olongamen os que êm da po ção
en al da si inge, após o qual aumen a em espessu a e e oma a
posição lá e o do sal.
Um segundo pa de ne os a inge a aquéia a pa i do
hióide, ene ando a sua po ção la e al e en al. Caudalmen e
desapa ece den o da egião an e io do musculus
s e no achealis. P oje a-se la e almen e em quase oda a
ex ensão da aquéia e da si inge, exce o po um echo onde
o ma um “X”, di igindo-se cada memb o do pa umo ao en e
a pa i da al u a do A-26, a ingindo o meio da si inge na al u a
do A-21 e alcançando no amen e as suas la e ais na al u a do A-
15 ( igu a 5). O meio do “X” é o mado po uma ba a
pe pendicula à si inge de ce ca de 0,4 mm de comp imen o. Em
odo o seu aje o, an es de aden a no musculus
s e no achealis, es e pa de ne os se dispõem sob e ou sob
algumas ib as do musculus acheola e alis.
No espécime MN no. 43381 ( êmea), obse ado a é o A- 26,
o A-3 é assimé ico. Conec a-se com as ex emidades an e io es
do A-2 no en e da si inge e no do so es á p esen e apenas em
pa e da sua me ade esque da. Os A-4 em dian e são comple os;
os A-4 ao A-10 são inos; o A-11 é ino no meio do en e e do
do so da si inge e mais la go no es o; os A-12 em dian e são
bas an e la gos. A memb ana acheales es ende-se do A-2 ao A-
12 an o no en e quan o no do so da si inge, mas é menos
de inida do A-11 ao A-12 de ido a mais la ga espessu a nas
la e ais do A-11. O elemen o A-5 é bas an e a as ado dos demais.
A massa ca ilaginosa é um pouco mais densa no do so da
si inge, onde cob e oda a ex emidade do A-2. O p ocessus
ocalis se es ende do A-1 a é a al u a do A-10; é espesso do A-1
ao A-4; expande-se menos e de o ma mais es ei a pa a o do so
da si inge; e não ap esen a es angulamen o de inido, embo a
ala gue-se um pouco na sua ex emidade an e io .
A la gu a máxima da si inge a inge 2,2 mm. O musculus
acheola e alis aba ca 280° da ci cun e ência da aquéia e no
p ocessus ocalis a sua ixação é ei a na al u a do A-10 ao A-8.
Nes a ca ilagem limi a-se com o musculus s e no achealis de
o ma mais ou menos e a. O musculus s e no achealis pa e do
p ocessus ocalis na al u a do A-9 ao A-5.
O pa de amos ne osos da supe ície lá e o en al da
si inge o ma o “X” umando ao en e a pa i da al u a do A-
24 e a ingindo no amen e as la e ais da al u a do A-17
A ba a pe pendicula , que ambém o ma-se na al u a do A-
21, possui ce ca de 0,3 mm de comp imen o. Um pouco an es
da ba a pe pendicula , o amo di ei o emi e pelo seu lado
di ei o um pequeno p olongamen o na al u a do A-21, que se
p oje a caudalmen e undindo-se com a sua con inuação após
a ba a pe pendicula na al u a do A-22.
No espécime MN no. 43433 ( êmea), obse ado a é o A-48,
os A-3 ao A-9 são inos, mais la gos no meio da supe ície
en al do A-3 e do A-4; o A-10 é ino no en e e um pouco
mais la go no do so; e o A-1 1 é ela i amen e ino na me ade
di ei a do en e e la go no es o. A memb ana acheales
es ende-se do A-2 ao A-11 no en e e do A-2 ao A-10 no do so
da si inge, de ido a mais la ga espessu a na po ção do sal do A-
10. Alguns elemen os A an e io es à memb ana acheales são
pa cialmen e encos ados en e os demais na egião en al da
si inge. A massa ca ilaginosa encos a no A-3, an o na ace
en al quan o do sal da si inge. O p ocessus ocalis se es ende
do A-1 a é a al u a do A-10 na ace di ei a e do A-1 a é a al u a
do A-9 na ace esque da da si inge; é mais uni o me em
espessu a; e não ap esen a expansão do sal.
A si inge possui ce ca de 1,9 mm de la gu a na po ção
an e io e a inge a la gu a máxima mais ou menos no A-6. O
musculus acheola e alis começa a se ala ga na al u a do A-
34; cob e odo o en e da si inge na al u a do A-29; di ide-se
no amen e na al u a do A-17; e aba ca ce ca de 270° da
ci cun e ência da aquéia. É cons i uído po uma camada de
ib as muscula es ex emamen e ina na sua po ção que cob e o
en e da si inge. Fixa-se na supe ície ex e na e em pa e da
supe ície in e na da egião an e io do p ocessus ocalis, na
al u a do A-10 ao A-7 na ace di ei a e do A-9 ao A-6 na ace
esque da da si inge, exce o po umas poucas ib as que se
ade em lá e o do salmen e no A-14 ao A-12. No p ocessus
ocalis limi a-se com o musculus s e no achealis ci cundando-
o pa cialmen e.
O musculus s e no achealis pa e do p ocessus ocalis na
al u a do A-9 ao A-5 na ace di ei a da si inge e do A-8 ao A-4
na ace esque da. Nes e espécime obse amos que a inse ção
des e músculo dá-se na ace in e na das cos elas.
O pa de amos ne osos da supe ície lá e o en al da
si inge, o ma um “X” umando à egião en al a pa i da al u a
do A-31, a ingindo à po ção mediana da si inge na al u a do A-
22 e alcançando no amen e as suas la e ais na al u a do A-16. A
ba a pe pendicula que se o ma na al u a do A-22, possui ce ca
de 1,2 mm de comp imen o. Um pouco an es da ba a
pe pendicula , o amo esque do emi e pelo seu lado esque do um
pequeno p olongamen o na al u a do A-28, que se p oje a
caudalmen e undindo-se no amen e com o seu eixo p incipal
após a ba a pe pendicula na al u a do A-24.
No espécime MN no. 38757 (macho), obse ado a é o A- 40,
o A-3 é assimé ico no do so. Sua me ade esque da es ende- se
a é a egião mediana da si inge e a sua me ade di ei a conec a-se
com o A-4 um pouco an es do meio da si inge. O p ocessus
ocalis, que se es ende a é a al u a do A-10, é semelhan e ao do
espécime MN no. 43381. O musculus s e no achealis di ide-se
na al u a do A-20 e no p ocessus
Desc ição, ecologia e conse ação de um no o Scy alopus (Rhinoc yp idae) do sul do B asil
35
ocalis a sua ixação é obse ada na al u a do A-10 ao A-8. O
musculus s e no achealis pa e do p ocessus ocalis na al u a
do A-9 ao A-3. Cada amo do pa de ne os da supe ície lá e o
en al da si inge, na al u a do A-30 emi e pelo seu lado de o a
um longo p olongamen o que os acompanha a é se inse i em
jun amen e den o do musculus s e no achealis.
No espécime MN no. 43434 (macho), a memb ana
acheales e a me ade an e io do p ocessus ocalis jun o com
os músculos que nele se inse em e se o iginam, ica am
des uídos na ocasião de sua cole a. Nas demais es u u as,
quando a obse ação assim o pe mi iu, hou e uma simila idade
com a si inge do espécime MN no. 43382, exce o pelas
ex emidades dos B-2 e B-3 que ambém são ala gadas e pela
expansão do sal do p ocessus ocalis, que é meno e e mina
limi ada en e o A-1 e o A-2.
Scy alopus indigo icus
Espécime da Faz. Es ela, em meio líquido, de posse dos
au o es (macho) ( igu as 5, 10). Os elemen os A-1 e A-2 são
di ididos, o A3 é incomple o no do so e os demais são
comple os. O A-1 é la go, especialmen e nas ex emidades, mas
é algo mais ino na ace en al; o A-2 é semelhan e, mas no
en e é ela i amen e ino; os A-3 ao A-10 são inos, sendo que
na ace do sal da si inge o A-3 e o A-4, são em g ande pa e,
inexis en es e o A-5 é inexis en e do so la e almen e; o A-11 é
ela i amen e ino, exce o nas la e ais que são ela i amen e
la gas; o A-12 é como o A-1 1, mas a pa e la ga é um pouco
mais expandida sendo a ina um pouco mais cu a, an o na ace
en al como na do sal da si inge. Os demais elemen os A em
dian e êm a pa e la ga expandida pa a a po ção mediana da ace
en al e do sal da si inge em de imen o da pa e ina, a qual
a ila-se cada ez mais. Is o acon ece a é ap oximadamen e o A-
20, a pa i do qual a p opo ção da pa e la ga e da pa e ina não
se al e am mais. Es a pa e ina o na-se limi ada a uma pequena
ação na po ção mediana da ace en al e do sal da si inge,
onde é algo mais conspícua. Re omando a desc ição pa icula
da la gu a dos elemen os ca ilaginosos, os A-13 ao A-15 podem
se conside ados ela i amen e inos na po ção mediana da ace
en al, ela i amen e la gos na po ção mediana da ace do sal e
la gos no es o; os A-16 ao A-18 podem se conside ados
ela i amen e la gos na po ção mediana da ace en al, la gos
na po ção mediana da ace do sal e bas an e la gos no es o; os
A-19 em dian e são la gos na po ção mediana das aces en al
e do sal da si inge e bas an e la gos no es o. A memb ana
acheales, an o na egião en al quan o do sal da si inge,
limi a-se caudalmen e no A-2 mas não pode se limi ada
c anialmen e, de ido a con igu ação mais ina dos elemen os A
na po ção mediana da ace en al e do sal da si inge a pa i do
A-11. Es e úl imo, no en an o, pode se conside ado como o
limi e an e io da po ção bem de inida da memb ana acheales.
Po es a ca ac e ís ica, a memb ana acheales des e espécime
de ine-se como longa. Os elemen os A são bem p óximos en e
si. Os elemen os B são di ididos, p óximos en e si e la gos,
especialmen e nas ex emidades dos B-l nas aces en al e
do sal da si inge e dos B-2 e B-3 na ace en al da si inge.
O p ocessus ocalis é comp ido (ca. 1,6 mm), ino (ca. 0,1
mm) e se es ende pelas la e ais da si inge da me ade an e io do
A-1 a é a al u a do A-10. Sob e o A-1 e o A-2 é es ei o, após o
qual ala ga-se a é a al u a do A-4, onde ap esen a ce ca de 0,8
mm de la gu a e depois es ei a-se um pouco a é o seu ex emo
an e io . Na al u a do A-4 emi e uma es ei a p ojeção de ce ca
de 0,7 mm de comp imen o que se es ende en e o A-2 e o A-1
a é quase o meio da supe ície do sal da si inge ( igu a 5). Es a
p ojeção do sal e uma ex ensão equi alen e a dois elemen os A
do ex emo an e io do p ocessus ocalis são moles. Es a
ca ilagem é ixa no A-1 e do A-2 p oje a-se li e a é a al u a do
A-10, exce o po ágil ecido conec i o.
A si inge possui ce ca de 1,8 mm de la gu a na po ção
an e io a é mais ou menos o A-27, após o qual ala ga-se
g adualmen e a é ap oximadamen e o A-19, de onde ai a é o A-
1 com la gu a quase cons an e de ce ca de 2,2 mm (excluindo-se
a muscula u a). A sua ci cun e ência é a edondada a é p óximo
do A-19 e elíp ica a pa i des e elemen o a é o A-1.
O musculus acheola e alis se o igina na base da língua
como um pa de músculos, que se p oje a caudalmen e pelos
lados da aquéia. É p a icamen e uni o me na la gu a. No
en an o, a pa i da al u a do A-18 ao A-10 es ei a-se
g adualmen e na po ção lá e o en al e a pa i da al u a do A-
21 ao A-18 ala ga-se g adualmen e na po ção lá e o do sal, após
o qual es ei a-se sua emen e a é a al u a do A-10 ( igu a 5).
Nes a po ção do músculo mais ala gada do salmen e exis em
algumas ib as que pa em do local, sob e os elemen os A.
Ac edi amos que is o seja de ido a ib as que pe de am a
con inuidade des e pon o com o ex emo an e io do músculo,
julgamen o que opõe-se à possibilidade des as ib as e em se
o iginado no local. A o igem de ib as em si uação semelhan e
pode ia oco e com a muscula u a in ínseca. No en an o,
de ido ao eduzido núme o de ib as que pa em do local; de ido
à assime ia com a ace lá e o do sal esque da, onde as ib as são
em núme o ainda mais eduzido, não passando de qua o ou
cinco; e po ixa em-se caudalmen e no mesmo pon o que odas
as demais ib as dos a edo es que são con ínuas, desca amos a
possibilidade de a a -se de algum ipo de músculo in ínseco.
Na al u a do décimo segundo elemen o A an e io à po ção bem
de inida da memb ana acheales, cada ace do musculus
acheola e alis aba ca ce ca de 90° da ci cun e ência da
aquéia, o que implica que es e músculo seja denominado como
la go. E o emen e ade ido em odos os elemen os A, mas ixa-
se, ouxamen e, na po ção an e io da supe ície ex e na do
p ocessus ocalis, na al u a do A-10 ao A-8. No p ocessus
ocalis a sua ixação é jus amen e an e io ao musculus
s e no achealis, os quais limi am-se de o ma inclinada ( igu a
5).
O musculus s e no achealis cons i ui-se de um eixe de
ib as que pa e da supe ície ex e na do p ocessus ocalis, na
al u a do A-9 ao A-8, onde é ouxamen e ixo.
O a o ne oso, na sua po ção conspícua, oi acompanhado
desde a egião do hióide, onde alguns ne os bi u cam-se
ene ando ao menos a língua, a aquéia e a
36
M. R. Bo nschein, B. L. Reine e M. Picho im
si inge. Um pa de amos ne osos, assim que a inge a aquéia,
acompanha la e almen e oda a si inge a é aden a na egião
an e io do musculus s e no achealis, dispondo- se nes e aje o
sob e ou sob o musculus acheola e alis. Na al u a do A-12, o
amo di ei o emi e um p olongamen o da sua ace lá e o do sal
que se ade e sob e o musculus s e no achealis, onde az uma
cu a pa a ene a alguma ou a pa e do co po da a e, o que não
oi possí el e i ica pelo seu ompimen o acon ecido
p o a elmen e na ex ação da si inge. Há ainda alguns
p olongamen os ne osos que po ezes obse am-se em
algumas ou as pa es da aquéia e da si inge, mas são di usos e
pouco pe cep í eis. Um des es p olongamen os a inge o
musculus s e no achealis e compo a-se igual men e ao
p olongamen o do amo ne oso opos o, azendo um cu a pa a
ene a alguma ou a pa e do co po da a e. No en an o, di e e
po se bem menos conspícuo.
As si inges de ou os qua o espécimes examinados
ambém o am analisadas (MHNC1 no. 2974, macho; MHNC1
no. 4947, êmea; MN no. 43383, êmea; Cháca a San o Ama o,
espécime em meio líquido de posse dos au o es, macho;
obse ados espec i amen e a é o A-21, A- 32, A-26 e A-42).
Embo a ap esen em á ias di e enças su is, nos aspec os
p incipais conco dam com o desc i o acima.
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