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Habitação social no Reino Unido: Quadro atual e histórico dos principais programas

Author: Rodrigues, Rute Imanishi
Publisher: Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Year: 2025
DOI: 10.38116/td3083-port
Source: https://www.econstor.eu/bitstream/10419/315143/1/1919964800.pdf
Rod igues, Ru e Imanishi
Wo king Pape
Habi ação social no Reino Unido: Quad o a ual e his ó ico
dos p incipais p og amas
Tex o pa a Discussão, No. 3083
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: Rod igues, Ru e Imanishi (2025) : Habi ação social no Reino Unido: Quad o
a ual e his ó ico dos p incipais p og amas, Tex o pa a Discussão, No. 3083, Ins i u o de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA), B asília,
h ps://doi.o g/10.38116/ d3083-po
This Ve sion is a ailable a :
h ps://hdl.handle.ne /10419/315143
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3083
HABITAÇÃO SOCIAL NO REINO UNIDO:
QUADRO ATUAL E HISTÓRICO DOS
PRINCIPAIS PROGRAMAS
RUTE IMANISHI RODRIGUESRUTE IMANISHI RODRIGUES
3083
Rio de Janei o, e e ei o de 2025
HABITAÇÃO SOCIAL NO REINO
UNIDO: QUADRO ATUAL E HISTÓRICO
DOS PRINCIPAIS PROGRAMAS1
RUTE IMANISHI RODRIGUES2
1. Es e abalho oi desen ol ido a pa i de um pe íodo de ês meses como
pesquisado a isi an e na Uni e sidade de B is ol (B is ol Uni e si y), sob
a supe isão da p o esso a Pa icia Kenne . Pos e io men e, a pesquisa
con inuou a se desen ol ida como p oje o de pós-dou o ado no Ins i u o
de Pesquisa e Planejamen o U bano e Regional da Uni e sidade Fede al do
Rio de Janei o (IPPUR/UFRJ), sob a supe isão do p o esso Adau o Lucio
Ca doso. A au o a ag adece os comen á ios do p o esso Rena o Cymbalis a,
da Faculdade de A qui e u a e U banismo e de Design da Uni e sidade de
São Paulo (FAU/USP). Todos os ês p o esso es ci ados são isen os
de qualque esponsabilidade pelo con eúdo do ela ó io.
2. Técnica de planejamen o e pesquisa na Di e o ia de Es udos e Polí icas
Regionais, U banas e Ambien ais do Ins i u o de Pesquisa Econômica
Aplicada (Di u /Ipea).
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2025
Rod igues, Ru e Imanishi
Habi ação social no Reino Unido : quad o a ual e his ó ico dos
p incipais p og amas / Ru e Imanishi Rod igues. – Rio de Janei o:
Ipea, 2025.
51 p. : il., g á s., mapas. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3083).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. Habi ação Social. 2. Ingla e a. I. Ins i u o de Pesquisa
Econômica Aplicada. II. Tí ulo.
CDD 711.1
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
RODRIGUES, Ru e Imanishi. Habi ação social no Reino Unido: quad o
a ual e his ó ico dos p incipais p og amas. Rio de Janei o: Ipea,
e . 2025. 51 p.: il. (Tex o pa a Discussão, n. 3083). DOI: h ps://
dx.doi.o g/10.38116/ d3083-po
JEL: R28.
As publicações do Ipea es ão disponí eis pa a download g a ui o nos
o ma os PDF ( odas) e EPUB (li os e pe iódicos).
Acesse: h ps:// eposi o io.ipea.go .b /.
As opiniões emi idas nes a publicação são de exclusi a e in ei a
esponsabilidade dos au o es, não exp imindo, necessa iamen e, o
pon o de is a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada ou do
Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
É pe mi ida a ep odução des e ex o e dos dados nele con idos, desde
que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o a de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a
FERNANDA DE NEGRI
Di e o de Es udos e Polí icas Sociais
RAFAEL GUERREIRO OSÓRIO
Di e o a de Es udos In e nacionais
KEITI DA ROCHA GOMES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL
Ou ido ia: h ps://www.ipea.go .b /ou ido ia
URL: h ps://www.ipea.go .b
SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ...........................................................................6
2 HISTÓRICO DA HABITAÇÃO SOCIAL NO REINO UNIDO ........8
2.1 P imó dios da habi ação social .................................................8
2.2 Polí ica de Habi ação e Planejamen o U bano
(Housing and Town Planning Ac , 1919) ................................. 10
2.3 Polí ica pa a Cidades No as (New Towns Ac , 1946) ............11
2.4 Go e no conse ado (1951) ...................................................13
2.5 Go e no abalhis a (1964) ......................................................13
2.6 E a Tha che (Housing Ac , 1980) ............................................15
2.7 Go e nos da e a No o T abalhismo (1997) ............................18
2.8 Go e no de coalisão (2010-2015) ...........................................21
2.9 Go e nos conse ado es (2015) .............................................22
3 PRINCIPAIS PROGRAMAS DE HABITAÇÃO SOCIAL NA
INGLATERRA NA ATUALIDADE .............................................22
3.1 P incipais p og amas................................................................23
3.2 Quad o ge al da habi ação social ............................................24
3.3 Locação social: público ge al e g upos especí icos ...............25
3.4 Tipologia das habi ações .........................................................26
3.5 Cus o das habi ações: aluguéis ...............................................28
3.6 Á eas de concen ação no país ...............................................32
3.7 Pe il dos bene iciá ios .............................................................35
3.8 Auxílio-aluguel: ouche s .......................................................... 39
3.9 A qui e u a ins i ucional ...........................................................42
4 COMENTÁRIOS FINAIS ..........................................................48
REFERÊNCIAS ............................................................................49

SINOPSE
Es e ex o ap esen a os esul ados de uma pesquisa sob e a polí ica de habi ação
social no Reino Unido, com a enção especial pa a o caso da Ingla e a. Na seção 1,
ap esen a-se um esumo des a polí ica, desde o im do século XIX a é o p esen e. Em
seguida, desc e e-se o quad o a ual da locação social na Ingla e a, po meio de seus
p incipais p og amas, assim como as p incipais ca ac e ís icas do público a endido
e das habi ações. Na sequência, esboçam-se os p incipais aços da a qui e u a
ins i ucional que dá supo e a essa polí ica, do pon o de is a de seu inanciamen o
e de sua ges ão.
Pala as-cha e: habi ação social; Ingla e a.
ABSTRACT
This pape p esen s he esul s o a esea ch on he social housing policy in Uni ed
Kingdom, ocusing on he case o England. Sec ion 1, p esen s an e o o summa ize
he his o y o his policy. Sec ion 2, app oaches social housing policy in England
in now days, h ough i s main p og ams, as well as he main cha ac e is ics o he
popula ion se ed and i s dwellings. Sec ion 3, seeks o ou line he main ea u es
o he ins i u ional a chi ec u e ha suppo s his policy.
Keywo ds: social housing; England.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
6
3083
1 INTRODUÇÃO
Es uda os sis emas de habi ação social nos países conside ados desen ol idos nos
ajuda a comp eende de que o ma e em que medida as polí icas de habi ação social
são capazes de supe a os g a es p oblemas habi acionais das g andes cidades. A
comp eensão dessas polí icas é pon o de pa ida pa a es udos compa a i os, como o
caso b asilei o, com is as a iden i ica , a despei o das di e enças his ó icas e es u u ais
en e os países, as possí eis con e gências quan o ao con ex o mac oeconômico global
e sua in luência sob e as polí icas públicas, as di e enças ins i ucionais en e os países,
assim como as lacunas no ol de p og amas de habi ação social implemen ados.
No B asil, as polí icas de habi ação de in e esse social (HIS) êm de longa da a,
mas semp e se pau a am pela p omoção da casa p óp ia, com exceção do pe íodo
p imo dial de p odução de HIS po meio dos ins i u os de aposen ado ias e pensões,
en e 1937 e 1964, quando uma pa cela signi ica i a do es oque se des ina a à locação.
Como se sabe, a pa i de 1964, com a ins i uição do Sis ema Nacional de Habi ação
(SNH), a p odução de HIS oi o ien ada pa a a casa p óp ia, a pa i do Banco Nacional
de Habi ação e das companhias de habi ação es aduais e municipais.
A ualmen e, a legislação ede al de ine um amplo ol de p og amas como HIS,
inclusi e a locação social (Lei no 14620/2023).1 Não obs an e, a p odução dessas habi-
ações pe manece di ecionada à casa p óp ia, sob e udo po meio do p og ama Minha
Casa, Minha Vida. A despei o de esse p og ama e e omado a p odução habi acional
pa a as aixas de baixa enda nas úl imas décadas, como e idenciam di e sos es udos
(Rod igues e K ause, 2023), ao se basea na casa p óp ia, ele não en en a di e amen e
o maio componen e do dé ici habi acional obse ado no país, que é o ônus excessi o
com aluguel pa a a população de baixa enda. Com e ei o, es a é uma lacuna e iden e
na polí ica de HIS b asilei a na a ualidade.
Como se á is o nes e Tex o pa a Discussão, o sis ema de habi ação social no Reino
Unido a a, basicamen e, das modalidades de locação social ou a endamen o (leasing).
Assim, embo a exis am p og amas de subsídios pa a a casa p óp ia, a legislação de ine
como habi ação social a locação, ou esquemas de leasing (como a p op iedade com-
pa ilhada – sha ed owne ship), em que não há ans e ência o al da p op iedade pa a
os mo ado es (Uni ed Kingdom, 2008). Assim, a despei o da exis ência de p og amas
pa a a p omoção da casa p óp ia, há um es oque de habi ações sociais pa a locação
1. Disponí el em: h ps://www.planal o.go .b /cci il_03/_A o2023-2026/2023/Lei/L14620.h m.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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que pe manece sob egulação go e namen al, e é sob e es e es oque que se es u u a
a polí ica de HIS, assim como seu moni o amen o e sua a aliação.
Cabe no a ambém que, a ualmen e, o sis ema de HIS b i ânico con a com o e
a uação de o ganizações não go e namen ais (em sua maio ia sem ins luc a i os)
como ges o as do es oque de habi ações, e é conduzido po meio da go e nança de
uma ede complexa de ins i uições. Não obs an e, o inanciamen o do sis ema é ei o
basicamen e com ecu sos públicos, an o pa a in es imen os em no as cons uções
quan o pa a subsidia os gas os das amílias com aluguéis. Com e ei o, os p og amas
go e namen ais de ans e ência de enda, a í ulo de auxílio-aluguel ( ouche s),
subsidiam di e amen e boa pa e dos inquilinos em locação social, além daqueles
de baixa enda no se o p i ado. Os dados mos am ambém que os gas os públicos
com os p og amas de locação social pe manecem ele ados, pois os p og amas de
auxílio-aluguel ap esen am despesas c escen es, de ido aos e ei os do aumen o dos
cus os dos aluguéis no me cado p i ado. Assim, a edução dos p og amas de habi ação
pública em a o dos esquemas de ouche s e e e ei os ques ioná eis sob e o olume
de gas os públicos.
Os dados des e ex o mos am que o cus o da habi ação pa a as pessoas a endidas
po esses p og amas é bem abaixo dos cus os de me cado, o que a o ece o acesso
da população mais pob e aos demais bens e se iços necessá ios pa a le a uma ida
digna, ao ali ia os gas os com habi ação.
Embo a não ap esen e um es udo compa a i o do caso do Reino Unido, e mais
especi icamen e da Ingla e a, com o B asil, es e ex o p e ende o e ece insumos pa a
o deba e público ace ca da impo ância dos p og amas de locação social pa a a supe-
ação dos g a es p oblemas habi acionais nas g andes cidades, sem, no en an o, nega
a ele ância concomi an e dos p og amas de inanciamen o da casa p óp ia pa a a
população de baixa enda.
Es e es udo oi ealizado a pa i de um pe íodo, en e janei o e ma ço de 2020, em
que a au o a es e e como pesquisado a isi an e do Ins i u o de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) no Cen e o U ban and Public Policy Resea ch, da School o Policy
S udies, da B is ol Uni e si y, na Ingla e a, sub a supe isão da p o esso a Pa icia
Kenne . Du an e esse pe íodo, oi possí el euni um conjun o de bibliog a ias que
i e am como guia inicial as e e ências u ilizadas pelos p o esso es da uni e sidade,
em especial Alex Ma sh e Pa icia Kenne , com os quais o am discu idas as p in-
cipais linhas da pesquisa. A pa i des a lis a inicial, ou as e e ências bibliog á icas
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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o am encon adas, sob e udo na biblio eca da School o Policy S udies, in loco, assim
como po meio do acesso à sua biblio eca digi al. Também oi incluído nesse conjun o
de ex os ma e ial bibliog á ico encon ado nas li a ias de B is ol e, inclusi e, ma e ial
p oduzido pela p e ei u a (ci y council) sob e o ema. Assim, a lei u a desses ex os
se iu de base pa a es e es udo. Além disso, já de ol a ao B asil, o am pesquisadas
as p incipais on es de dados sob e a habi ação social, an e io men e obse adas na
e e ida bibliog a ia, disponí eis online pelo go e no do Reino Unido, que pe mi i am
cons ui as abelas e os g á icos que compõem es e ela ó io.
2 HISTÓRICO DA HABITAÇÃO SOCIAL NO REINO UNIDO
2.1 P imó dios da habi ação social
A habi ação passou a se is a como um p oblema social na Ingla e a, já no início do
século XIX. Se, po um lado, a e olução indus ial inglesa ouxe g ande dinamismo
econômico pa a as cidades, po ou o, causou o e êxodo u al e a eunião de um g ande
con ingen e de abalhado es pob es e desemp egados nas cidades. Boa pa e das habi-
ações pa a os ope á ios ab is, assim como pa a aqueles em busca de emp ego, e a
o mada po cômodos em imó eis an igos, ambém chamados de co iços ( ennemen s),
alugados po p op ie á ios p i ados. Tais habi ações ca eciam de saneamen o básico,
ene gia elé ica, iluminação e en ilação adequados, e e am associadas a su os de
doenças e à c iminalidade. Com e ei o, os co iços da e a i o iana (Vic o ian slums)2
o am desc i os como lócus de misé ia, c ime e mal-es a social em ex os polí icos
(Engels, 2008), li e á ios (Dickens, 1997) e jo nalís icos da época.
A ques ão da habi ação o nou-se, en ão, obje o de deba e público. Os mo imen os
ope á ios, po meio de sindica os, ei indica am melho es condições de abalho e
salá ios dignos. Já nes a época, o pa ido abalhis a, ligado aos sindica os, passou
a inclui em suas pau as melho es condições de habi ação pa a os abalhado es. Ao
mesmo empo, alguns g upos ligados a ig ejas desen ol iam ações de assis ência
social em bai os pob es, po meio de doações de alimen os, aulas de al abe ização e
cul os eligiosos. Os g upos ilan opos desen ol iam a i idades de cons ução habi-
acional a pa i de companhias de casas-modelo (model dwellings companies), com
2. Embo a o e mo slum seja emp egado con empo aneamen e de o ma ampla, signi icando qualque
local ou ag upamen o de habi ações p ecá ias e população pob e, a imagem ípica desses locais no Reino
Unido no século XIX e e e-se a becos (alleys), em ge al no cen o da cidade, com casas en ilei adas e
domicílios de apenas um cômodo, sendo as ins alações sani á ias dispos as no pá io (cou ) e de uso
compa ilhado, o que se ap oxima da de inição de co iço u ilizada no B asil.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3083
Em 1977, oi ins i uído o Housing Homeless Ac , o nando ob iga ó io o a endimen o
p e e encial a g upos ulne á eis pa a acessa as habi ações municipais.
2.6 E a Tha che (Housing Ac , 1980)
A ascensão de Ma ga e h Tha che ao pode ma cou o im do es ado de bem-es a
social no Reino Unido em moldes be e idgeanos e o início das polí icas neolibe ais e
da econ igu ação do es ado e de suas ins i uições (Malpass, 2005). Nesse p ocesso, a
polí ica de habi ação social passou a se cada ez mais ocalizada na população mais
pob e, in eg ando as polí icas de assis ência social, enquan o o alecia-se o apoio à
aquisição da casa p óp ia pa a as classes mais a luen es, com o abandono da polí ica
uni e salis a do pós-gue a (Lowe, 2011).
Ao mesmo empo, a má epu ação de alguns conjun os de habi ações municipais,
no adamen e em o es de apa amen os, ab iu lancos pa a a aques à habi ação pública
(Malpass, 2005). Assim, a polí ica de habi ação social da e a Tha che oi ma cada pela
isão, po pa e do go e no, da habi ação municipal como um “es ímulo à dependência”
(Lund, 2011).
Com o Housing Ac de 1980, oi lançado o p og ama Righ o Buy, que ha ia sido
uma p opos a da campanha de Ma ga e h Tha che , i o iosa nas eleições, em que
inquilinos em habi ação municipal, a pa i de ês anos de pe manência, e iam o di ei o
de comp a suas habi ações com descon o de 33%. Tais descon os c esce iam com
o empo de pe manência dos inquilinos, a é chega ao descon o máximo de 70%. Ao
mesmo empo, o am eduzidos os subsídios pa a as au o idades locais inancia em a
cons ução de no as habi ações municipais. Nesse pe íodo, a p incipal o ma de apoio
es a al pa a habi ação social passou a se po meio de ouche s pa a aluguéis, sendo
ins i uído um no o sis ema de bene ícios pa a a habi ação, o Housing Bene i , em 1982,
inanciado pelo o çamen o da assis ência social.
Na e a Tha che , ce ca de 1 milhão de unidades de habi ação municipal o am
endidas aos seus ocupan es, p incipalmen e aqueles de enda mais al a. Ao mesmo
empo, com os p ocessos de desindus ialização de de e minadas á eas, eduziu-se a
demanda po habi ação social em de e minadas egiões do país. Assim, e o çou-se
o p ocesso chamado de ‘ esidualização’ da habi ação municipal, in ensi icando sua
ocalização nos mais pob es (Lowe, 2011).

TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3083
O go e no cen al passou a a a as au o idades locais como ‘habili ado as’ da
p odução habi acional po associações de mo ado es, locado es p i ados e cons u o as,
que o nece iam habi ação acessí el (a o dable housing) (Lund, 2011).
O Housing Ac de 1988 in oduziu o p incípio da enan s choice, que pos ula que
os inquilinos dos conjun os de habi ação municipal pode iam escolhe , po meio de
plebisci o, en e pe manece sob a ges ão das au o idades locais ou ans e i-la pa a
associações de mo ado es. Assim, mui as au o idades municipais passa am a es imula
esse ipo de ans e ência, c iando o que icou conhecido como mecanismo de La ge Scale
Volun a y T ans e (LSVT). Po meio desse mecanismo, as au o idades locais passa am
a ans e i o es oque de habi ação social pa a as associações de mo ado es, que,
com o empo, o na am-se os p incipais ges o es do sis ema. Esse momen o ma cou
a ans o mação do se o não go e namen al a uando em habi ação (Bough on, 2018).
Assim, a pa i do inal dos anos 1980, pa e do es oque de habi ações de p op ie-
dade das au o idades locais passou a se ans e ida pa a associações de mo ado es
c iadas especialmen e pa a an o, e em g ande medida o madas po ges o es que
an es a ua am no se o habi acional dos go e nos locais (Pawson, 2006). En e 1988
e 2015, as associações de mo ado es o am classi icadas como o ganizações p i a-
das e, des a o ma, inham an agens sob e as au o idades locais quan o à omada
de emp és imos, uma ez que não es a am sujei as às limi ações impos as ao se o
público. Ao longo desse pe íodo, essa an agem inancei a a o eceu a ans e ência de
boa pa e do es oque de habi ação social das au o idades locais pa a as associações
de mo ado es. Os ecu sos go e namen ais pa a as associações o am man idos,
ago a com o nome de Social Housing G an . As associações de mo ado es o am
au o izadas a deixa os aluguéis subi em a ní eis de me cado, ao mesmo empo que
o am aumen ados os bene ícios sociais (housing bene i s) pa a subsidia os aluguéis
di e amen e aos loca á ios.
Em con apa ida, ainda nos anos 1980, os go e nos conse ado es ado a am
p og amas de egene ação do es oque de habi ação municipal emanescen e, embuídos
de sen ido de ans o mação do ambien e social, po meio de ações en ol endo
a pa icipação dos mo ado es, segu ança pública e mudanças no ambien e local.
O p imei o desses p og amas oi o P io i y Es a es P og am, ol ado pa a os conjun os
habi acionais “com di iculdades pa a se em alugados”. Pos e io men e, em 1985, es e
p og ama oi elançado com o nome de Es a e Ac ion P og am (Bough on). Em 1988,
oi lançado o Housing Ac ion T us , que se p opunha a egene a os “pio es” conjun os
habi acionais do país. Nesse esquema, á ios conjun os o am emodelados, com
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
17
3083
demolição de pa e das habi ações, e o ma de ou as e enda de pa e dos imó eis
pa a os an igos inquilinos. Nesses p oje os, ações “an ic ime” ambém o am ins i uídas
(Bough on, 2018).
A pa i de 1991, já no go e no de John Majo , do pa ido conse ado , oi lançado
o p og ama Ci y Challenge, que inha como base ações de quali icação p o issional e
educação em conjun os habi acionais, em pa ce ia com os go e nos locais. Assim,
embo a ainda osse um p og ama de egene ação da habi ação municipal, deixa a-se de
lado a e ó ica de passagem da ges ão do se o público pa a o p i ado, des iando o oco
pa a as ações sociais, e não an o pa a a emodelação ísica dos conjun os. As ações
mais p o ei osas dessas inicia i as o am as de policiamen o comuni á io, enquan o a
einse ção econômica da população p a icamen e não oi al e ada (Bough on). Ou o
aspec o p incipal do Ci y Challenge e a p omo e mixed enu e, ou seja, eduzi a
p opo ção de habi ação municipal nos conjun os, opo unizando a he e ogeneidade
social em de e minadas á eas. Ainda no go e no conse ado , em 1995, oi lançado o
mecanismo Es a es Renewal Challenge Fund, que ol a a a oca na ans e ência de
p op iedade da habi ação municipal pa a as associações de mo ado es.
No pe íodo de 1979 a 1997, os dispêndios públicos com habi ação caí am de 5,8%
pa a 1,5%, enquan o os bene ícios sociais, ou ouche s, c esce am de 1,2% pa a 3,8% do
o çamen o o al do go e no cen al.
GRÁFICO 2
Locação social na Ingla e a po ipo de p o edo (1970-2021)
6.000
5.000
4.000
3.000
Unidades habi acionais (1 mil)
%
1.000
2.000
0
35
30
20
5
10
15
0
P opo ção de locação socialAlugada de associações de mo ado es Alugada de go e nos locais
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
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2010
2011
2012
2013
2014
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2021
Fon e: Depa men o Le eling Up, Housing and Communi ies, UK Go e nmen . Li e able 104.
Disponí el em: h ps://www.go .uk/go e nmen /s a is ical-da a-se s/li e- ables-on-
dwelling-s ock-including- acan s.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
18
3083
2.7 Go e nos da e a No o T abalhismo (1997)
Os p incípios básicos da polí ica habi acional conse ado a o am man idos na e a dos
go e nos do No o T abalhismo. Assim, as associações de mo ado es con inua am a
se incen i adas como melho es ges o as do es oque de habi ação social, as con-
enções no gas o público o am man idas, assim como os p og amas de egene ação
dos conjun os habi acionais, em pa ce ia en e se o público, se o p i ado e associações
de mo ado es.
As polí icas da e a conse ado a le a am a uma o e mudança na população
ab igada em habi ação municipal, que ou o a a endia boa pa e da classe média do
país. Com as e o mas, a maio pa e dos mo ado es passa am a se de baixa enda,
de o a do me cado de abalho e de g upos ulne á eis. Além disso, de ido aos o es
co es no gas o público, a ges ão e a manu enção dos conjun os o am p ejudicadas.
Com e ei o, os conjun os habi acionais públicos passa am a con o ma um p oblema,
demandando e o ma sis êmica (Bough on, 2018).
No go e no de Tony Blai , o e mo “exclusão social” oi u ilizado como a exp essão
do p oblema a se en en ado, comp eendendo um p ocesso mul idimensional, em que
á ias o mas de exclusão social e am combinadas, ais como: pa icipação no p o-
cesso decisó io e polí ico, acesso ao emp ego e a ecu sos ma e iais e in eg ação no
p ocesso cul u al comum (Bough on, 2018). Assim, os bai os socialmen e excluídos
o na am-se o oco da polí ica pública. Em dezemb o de 1997, oi c iada a Unidade de
Exclusão Social, no go e no, com a incumbência de “ euni soluções pa a p oblemas
eunidos”, sendo um de seus p incipais p oje os o New Deal o Communi ies (NDC).
Em 1998 e 1999, o am al o do p og ama 39 bai os com maio p i ação na Ingla e a.
O NDC inha como ideia cen al a c iação de comunidades di e sas (mixed
communi ies), ou seja, obje i a a-se mis u a a população de di e en es classes de
enda, des azendo a ca ac e ís ica de de e minadas á eas como bolsões de exclusão
social. Assim, boa pa e dos ecu sos do p og ama des ina a-se à egene ação das
habi ações, no adamen e demolindo, ao menos pa cialmen e, as habi ações municipais,
cons uindo no as habi ações pa a enda e ans e indo os inquilinos es an es pa a
habi ações ge idas po associações de mo ado es. As no as habi ações pa a enda
se iam e guidas em pa ce ia com o se o p i ado.
Como des aca Boug hon (2018), os plebisci os necessá ios pa a iabiliza os p oje os
nem semp e o am a o á eis à in e enção p opos a. Não obs an e, apesa de mais
demo ados do que inicialmen e p e is os, ais p oje os o am sendo paula inamen e
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
19
3083
execu ados, esul ando em uma econ igu ação de di e sos conjun os, com a edução
das an igas habi ações municipais e sua ans e ência pa a a ges ão de associações
de mo ado es e a cons ução de no as habi ações pa a aluguéis acessí eis (a o dable
en s) e p op iedade compa ilhada (sha ed equi y). Esse p ocesso le ou à emoção
de boa pa e dos mo ado es de baixa enda das á eas en ão egene adas, que o am
dispe sos em ou os locais. Pa a Bough on (2018, p. 226), nas á eas cen ais e alo-
izadas de Lond es, isso pode se comp eendido como um p ocesso de “gen i icação
conduzido pelo Es ado”.
Os go e nos do No o T abalhismo ambém in ensi ica am o mecanismo de LSVT,
que a ingiu ce ca de 100 mil p op iedades anualmen e ans e idas, en e 2000 e 2002.
Embo a enham su gido g upos de a i is as con a o LSVT, en e 133 plebisci os ea-
lizados de 1999 a 2004, apenas dezesseis o am con á ios à ans e ência. Po meio
do p og ama Local Au ho i y Volun a y S ock T ans e (LAVST), o am ans e idas, no
pe íodo 1997-2009, 1 milhão de habi ações municipais pa a associações de mo ado es
(Lund, 2016).
Assim, a é o inal dos go e nos abalhis as, em 2010, as associações de mo ado es
ha iam se o nado os p incipais p o edo es de habi ação social na Ingla e a (g á ico 2).
GRÁFICO 3
Es oque de habi ações na Ingla e a po ipo de ocupação (1970-2021)
(Em 1 mil domicílios)
30.000
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
0
P óp ia Alugada no se o p i ado Alugada de associações de mo ado es Alugada de go e nos locais
Fon e: Depa men o Le eling Up, Housing and Communi ies, UK Go e nmen . Li e able 104.
Disponí el em: h ps://www.go .uk/go e nmen /s a is ical-da a-se s/li e- ables-on-
dwelling-s ock-including- acan s.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
20
3083
Ou a ans e ência de ges ão p omo ida pelos go e nos do No o T abalhismo oi
a ins i uição das A ms Lengh Managemen O ganisa ion (ALMOs), companhias sem
ins luc a i os, pe encen es às au o idades locais, cons i uídas pa a ge i e melho a
o al ou pa cialmen e o es oque de habi ação municipal das au o idades; e am
con oladas po di e o ias compos as po inquilinos, memb os independen es e pessoas
indicadas pelas au o idades locais. Assim, as au o idades locais pe manece iam com
a p op iedade das habi ações, mas a ges ão e a ei a pelas ALMOs.
Em 2002, oi lançado o p og ama Housing Ma ke Renewal Inicia i e, mais conhe-
cido como Pa h inde , ol ado pa a bai os decaden es de ido à desindus ialização,
onde as axas de acância dos imó eis e am mui o al as, e o es oque de habi ação
municipal, di ícil de aluga . O p og ama con a a a o se o p i ado pa a a ees u u ação
do es oque de habi ações, em um esquema inancei o a a i o pa a es e, mas aca e a a
uma dí ida de in a anos pa a os go e nos locais. Os esul ados desse p og ama o am
bas an e acos.
Ou a inicia i a desse pe íodo, com esul ados melho es, oi o Decen Homes
P og amme, iniciado em 2000. Tal p og ama p e endia que odas as habi ações no país
i essem um es ado azoá el de manu enção e con assem com equipamen os e se -
iços mode nos. Assim, uma habi ação com al a de ês ou mais dos seguin es i ens,
se ia conside ada não decen e: cozinha de desenho e amanho adequado, com menos
de in e anos, banhei o adequado, com menos de in a anos, uídos, aquecimen o e
iluminação adequados, e no caso dos apa amen os, amanho e desenho adequado
das á eas comuns. Es ima a-se, em 2001, que 1,6 milhão de habi ações sociais não
e am decen es. Em 2010, es imou-se que 92% das habi ações a endiam ao pad ão do
p og ama, es ando apenas 300 mil que ainda não o cump iam.
Não obs an e, mesmo o Decen Homes P og am uncionou na mesma lógica das
comunidades di e sas, qual seja: com a emoção de imó eis indesejados, a in odução
de casa p óp ia, aluguéis acessí eis e habi ação social e uma di e sidade de
ipos de habi ações.
Como pôde se obse ado no g á ico 1, na década de 2000 não hou e p a icamen e
nenhuma cons ução de habi ação municipal, embo a as associações de mo ado es
enham cons uído 350 mil no as habi ações en e 1997 e 2010.
O me cado imobiliá io na Ingla e a en en ou uma bolha de ealimen ação de
p eços de imó eis, po meio do mecanismo de " ehipo eca" ( emo gage) pa a inancia
o consumo, o que le ou ao c ash de 2008-2009.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
21
3083
Em 1999, com o chamado p ocesso de “de olução”, as polí icas habi acionais em
Ingla e a, Escócia, País de Gales e I landa do No e passa am a se o ganizadas e
ge idas pelos go e nos de cada país sepa adamen e, e não mais pelo pa lamen o do
Reino Unido (Lund, 2011).
2.8 Go e no de coalisão (2010-2015)
O go e no de coalisão Conse ado -Libe al Democ a a ado ou es ições o çamen á ias
e, no campo habi acional, es abeleceu o Na ional Planning Policy F amewo k, subme-
endo os planos locais ao esc u ínio nacional.
No que diz espei o à habi ação social, a pa i de en ão começa am as en a i as
de elimina o con a o ‘po oda a ida’, que ga an ia a pe manência das amílias po
empo inde e minado, uma ez cump idas as exigências. Os con a os de e mos ixos
passa am, en ão, a se p i ilegiados. O Localism Ac de 2011 empode ou os locado es
sociais a o e ece em con a os de 2 a 5 anos (Bough on, 2018).
GRÁFICO 4
Auxílio-aluguel ( alo o al) e núme o de bene iciá ios na Ingla e a (1979-2018)
10.000
5.000
1 mil
£ milhões
0
30.000
25.000
20.000
5.000
10.000
15.000
0
Auxílio-aluguelBene iciá ios
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Fon e: The Na ional A chi es: bene i expendi u e ables – bene i expendi u e and caseload
o ecas s. Disponí el em: h ps://weba chi e.na ionala chi es.go .uk/ukgwa/20130106150630/
h p://s a is ics.dwp.go .uk/asd/asd4/index.php?page=expendi u e.
Em 2012, o go e no de coalisão ins i uiu o impos o do qua o (bed oom ax),
cob ando axas de inquilinos em habi ações maio es que o pad ão de e minado
po amília.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
22
3083
2.9 Go e nos conse ado es (2015)
A pa i de 2015, os go e nos conse ado es in ensi ica am a polí ica do di ei o de comp a
( igh o buy) e aumen a am os aluguéis em habi ação municipal (Bough on, 2018).
Em 2015, no Housing and Planning Bill, o go e no conse ado en ou impo
con a os de aluguel po empo ixo pa a odas as habi ações sociais. Essa medida, no
en an o, oi a e ecida pelo pa lamen o (Câma a dos Lo ds), que ab iu concessões pa a
de e minados g upos, como amílias com c ianças, idosos e pessoas com de iciência,
que pode iam e con a os de p azos maio es.
Ou o componen e da polí ica conse ado a oi o mecanismo de paga pa a ica
(pay o s ay), impondo p eços maio es pa a amílias que i essem sua enda aumen ada.
Ao mesmo empo, os co es nos gas os em assis ência social eduzi am os e os dos
auxílios-aluguel (housing bene i s).
As polí icas de egene ação dos an igos conjun os de habi ações municipais
(council es a es) con inuou, sob e udo nas á eas mais alo izadas das cidades, onde ais
conjun os passa am a se is os como b own ield, ou seja, e enos p opícios pa a de u-
bada de p édios an igos e cons ução de no as edi icações. Os p oje os de egene ação
sob a lógica de c ia comunidades di e sas (mixed communi ies) pe manece am em
igo . Com o a gumen o de elimina gue os e ambien es hos is, onde igo a ia o á ico
de d ogas, mui os conjun os popula es o am demolidos e subs i uídos po casas pa a
enda ou po p op iedades de baixo cus o (sha ed owne ship), icando a meno pa e
como aluguel social, ge idos po associações de mo ado es (housing associa ions).
Em 2017, com o d amá ico episódio en ol endo um p édio de habi ações sociais
ge ido po uma o ganização não go e namen al (ONG) do ipo associação de inquilinos
( enan managmen o ganiza ion – TMO), o a anjo ins i ucional que colocou as ONGs
como p incipais ges o as do sis ema começou a se ea aliado. Nesse episódio, o
edi ício G en ell Towe , de 24 anda es, em Lond es, pegou ogo, de ido à má qualidade
dos ma e iais usados pa a o e es imen o do p édio e a alhas no sis ema de segu ança
con a incêndios, causando a mo e de 72 pessoas e deixando mais de 200 e idos.
3 PRINCIPAIS PROGRAMAS DE HABITAÇÃO SOCIAL NA
INGLATERRA NA ATUALIDADE
Nes a seção, abo da-se a habi ação social na Ingla e a, país que ep esen a o maio
con ingen e populacional do Reino Unido (83%). Tal indi idualização é necessá ia, pois,
em 1999, cada país cons i uin e do Reino Unido (Ingla e a, País de Gales, Escócia e
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
23
3083
I landa do No e) passou a se esponsá el pela legislação e execução de sua p óp ia
polí ica habi acional (de olu ion), ainda que o Reino Unido con inue sendo o go e no
de ju e.
3.1 P incipais p og amas
O go e no da Ingla e a de ine como habi ação social os esquemas de locação social,
assim como os esquemas chamados de p op iedade de baixo cus o (low cos home
owne ship), de aco do com o Housing and Regene a ion Ac 2008, pa e 2, capí ulo 1,
a s. 68, 69 e 70.
Como locação social, enquad am-se as habi ações o e ecidas a aluguéis abaixo do
alo de me cado. Como p op iedade de baixo cus o, enquad am-se os esquemas de
p op iedade compa ilhada, que são um ipo de leasing. Nesse caso, é possí el comp a
uma ação de um imó el – en e 15% e 75% – e paga aluguel ao p op ie á io sob e a
ação es an e. A legislação au o iza ou os ipos de p op iedade de baixo cus o, que
a am ambém de esquemas de comp a de ações de imó eis.
Em ambos os casos, locação ou p op iedade de baixo cus o, as habi ações sociais
de em se o e ecidas po p o edo es de idamen e egis ados na agência egulado a
da habi ação social (Regula o o Social Housing – RSH) e cump i suas eg as, assim
como a ende a pessoas que não êm acesso aos aluguéis a p eços de me cado.
As unidades pa a locação social o e ecidas po p o edo es go e namen ais
e e em-se ao es oque de habi ação municipal, que são de p op iedade dos go e nos
locais. A ualmen e, exis em di e en es ipos de con a o de locação de habi ação muni-
cipal, que a iam desde con a os pa a a ida oda, a é con a os mui o semelhan es
àqueles ealizados com o se o p i ado. Inicia-se com um con a o empo á io, ou
de expe iência ( ial), de doze meses. Pos e io men e, pode se ei o um con a o de
segu o (secu e enancy), com o qual é possí el ica o es o da ida com a habi ação,
desde que suas eg as sejam cump idas, e op a pela comp a do imó el (po meio do
p og ama Righ o Buy). Ou o ipo de con a o é o lexí el, álido de 2 a 5 anos, que
pode se sucessi amen e eno ado, inalizado ou ans o mado em um con a o de
segu o. Em ge al, exis e uma lis a de espe a pa a consegui uma unidade desse ipo.
De aco do com as ins uções pa a aplicação pa a a habi ação municipal, disponibiliza-
das pelo go e no cen al,
5
as eg as, em ge al, baseiam-se em um sis ema de pon os
de aco do com a necessidade de mo adia, que p i ilegiam, po exemplo, os sem- e o,
5. Disponí el em: h ps://www.go .uk/council-housing.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
24
3083
aqueles que i em em habi ações p ecá ias (c amped condi ions) ou os que êm um
p oblema de saúde ag a ado pelas condições habi acionais. Em algumas localidades
não há ila de espe a e os equisi an es podem escolhe a pa i de uma lis a de habi-
ações disponí eis.
As unidades em locação social o e ecidas po p o edo es p i ados e e em-se,
em g ande maio ia, àquelas de p op iedade de o ganizações sem ins luc a i os, no a-
damen e associações de mo ado es (housing associa ions), que adqui i am, a pa i
da década de 1980, boa pa e do es oque de habi ação municipal dos go e nos locais
(seção 2). No caso das unidades p o idas po associações de mo ado es, os ipos de
con a o ambém a iam, iniciando com con a os empo á ios de doze meses, que
podem se ans o ma em con a os ‘assegu ados’ que podem du a a ida oda, com a
opção de comp a do imó el, ou con a os de e mo ixo, no malmen e de a é cinco anos.6
Já as unidades na modalidade p op iedade compa ilhada são o e ecidas, p inci-
palmen e, po associações de mo ado es e ou os p o edo es p i ados egis ados,
mas ambém po alguns go e nos locais. Podem se no as habi ações ou e endas de
pa es de imó eis. São habili ados a aplica pa a es e esquema aqueles que êm enda
in e io a £ 80 mil (ou £ 90 mil em Lond es), ou aqueles que não êm enda su icien e
pa a adqui i uma hipo eca pa a comp a a habi ação que desejam. Nesse esquema,
pessoas com mais de 55 anos, pessoas com de iciência e memb os das o ças a madas
êm an agens especiais. Aqueles com mais de 55 anos, po exemplo, ao a ingi em
75% de comp a da p op iedade, não pagam aluguel sob e os 25% es an es.7
3.2 Quad o ge al da habi ação social
Os dois ipos de esquema desc i os na subseção 3.1 comp eendem o es oque de
habi ação social na Ingla e a que, em 2022, e a de ce ca de 4,4 milhões de unidades,
o que ep esen a a 17% dos domicílios ocupados do país. Des es, 95% des ina am-se
à locação, e apenas 5% e am p op iedades de baixo cus o. Desse es oque, 2,8 milhões
(65%) pe enciam a ONGs e a ou os p o edo es p i ados (p i a e egis e ed p o ide s), e
1,6 milhão (35%) pe encia a go e nos locais (local au ho i y egis e ed p o ide s). As p o-
p iedades de baixo cus o e am, majo i a iamen e, o e ecidas po p o edo es p i ados.
6. Disponí el em: h ps://www.go .uk/b owse/housing-local-se ices/council-housing-associa ion.
7. Disponí el em: h ps://www.go .uk/sha ed-owne ship-scheme.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
31
3083
TABELA 6
Valo dos aluguéis semanais, se o p i ado e locação social na Ingla e a (2022)

Se o p i ado –
go e nos locais
Associações de
mo ado es
Todos os
p o edo es sociais
Se o
p i ado
Go e nos
locais
Associações
de
mo ado es
Todos os
p o edo es
sociais
£ po
semana
(média)
P opo ção
dos
aluguéis
p i ados
(%)
£ po
semana
(média)
P opo ção
dos
aluguéis
p i ados
(%)
£ po
semana
(média)
P opo ção
dos
aluguéis
p i ados
(%)
£ po semana (mediana)
Lond es
2021-2022 353 131 37 152 43 141 40 330 123 137 125
Ingla e a (excluindo Lond es)
2021-2022 166 89 54 102 62 97 59 150 85 97 92
To al Ingla e a
2021-2022
209
100 48 110 53 106 51 173 91 101 97
Fon e: 2021-2022 English Housing Su ey Headline Repo : sec ion 1 – households annex ables. Disponí el em: h ps://www.
go .uk/go e nmen /s a is ics/english-housing-su ey-2020- o-2021-headline- epo .

TEXTO pa a DISCUSSÃO
32
3083
3.6 Á eas de concen ação no país
O g á ico 5 mos a a concen ação da habi ação social po ipo de localidade: dis i os
isolados, egião me opoli ana de Lond es, demais egiões me opoli anas e dis i os não
me opoli anos (shi e). Enquan o a maio p opo ção de locação social es á si uada em
dis i os não me opoli anos e em dis i os uni á ios (que ambém ep esen am a maio
pa cela em e mos de população), obse a-se g ande quan idade de habi ação social
nas egiões me opoli anas e, especialmen e, na egião me opoli ana de Lond es.
GRÁFICO 5
Es oque de locação social po ipo de localização na Ingla e a (2022)
960.737
813.157
1.108.350
1.331.680
Go e nos locais uni á ios Go e nos locais (bo oughs) de Lond es
Go e nos locais me opoli anos Go e nos locais (coun ies) não me opoli anos1
Fon e: Depa men o Le elling Up, Housing and Communi ies, UK Go e nmen . Li e able 100.
No a: 1 Subdi ididos em á eas não me opoli anas (shi e dis ic s).
Com e ei o, como pode se obse ado na abela 7, no o al das á eas me opoli anas,
inclusi e Lond es, o es oque de habi ação social chega a 22% do o al de domicílios,
enquan o no o al do país essa p opo ção é de 17%, e nas á eas não me opoli anas
(shi e dis ic s), é de 14%. Assim, a habi ação social é ela i amen e mais p esen e nas
á eas me opoli anas.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3083
TABELA 7
Dis ibuição dos domicílios na Ingla e a, po ipo de go e no local e ipo de p o edo (2022)
Go e nos
locais
P opo ção
no o al
(%)
P o edo es
p i ados
de
habi ação
social
P opo ção
no o al
(%)
Se o
público
– ou os
P opo ção
no o al
(%)
To al
habi ação
social
P opo ção
no o al
(%)
Se o
p i ado (P)
P opo ção
no o al
(%)
To al (P)
Ingla e a 1.581.413 6 2.598.546 10 33.965 0
4.213.924
17 20.659.397 83 24.873.321
Go e nos locais
uni á ios 308.838 5 642.063 10 9.836 0 960.737 16 5.222.263 84 6.183.000
Go e nos locais
de Lond es1390.298 11 418.586 11 4.273 0 813.157 22 2.857.675 78 3.670.832
Go e nos locais
me opoli anos 450.345 9 656.377 12 1.628 0
1.108.350
21 4.176.955 79 5.285.305
Go e nos
locais não
me opoli anos
2
431.932 4 881.520 9 18.228 0
1.331.680
14 8.402.503 86 9.734.183
Fon e: Depa men o Le elling Up Housing and Communi ies, UK Go e nmen . Li e able 100. Disponí el em: h ps://www.
go .uk/go e nmen /s a is ical-da a-se s/li e- ables-on-dwelling-s ock-including- acan s.
No as: 1 Go e nos locais (coun ies) não me opoli anos subdi ididos em dis i os do condado (shi e dis ic s) .
2 Classi icação po bai os (bo oughs).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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FIGURA 1
Go e nos locais no Reino Unido (2021)
Go e nos locais não
me opoli anos (Ingla e a)
Go e nos locais
me opoli anos (Ingla e a)
Go e nos locais uni á ios e
bai os de Lond es
(Ingla e a e Gales)
Á eas de conselho (Escócia)
Dis i os go e namen ais
locais (I landa do No e)
Fon e: O ice o Na ional S a is ics.
Obs.: Figu a ep oduzida em baixa esolução e cujos leiau e e ex os não pude am se
pad onizados e e isados em i ude das condições écnicas dos o iginais (no a
do Edi o ial).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3083
3.7 Pe il dos bene iciá ios
Os mo ado es das habi ações em locação social es a am en e os domicílios 40% mais
pob es da Ingla e a, is o é, pe enciam aos dois p imei os quin is de enda, em 2022.
Tal si uação e le ia a inse ção econômica do che e do domicílio, pois embo a 43% es i-
essem ocupados (em pe íodo in eg al ou pa cial), 8% es a am desemp egados; além
dos 25% aposen ados, 22% dos che es de domicílios e am ina i os po ou o mo i o.
Nesse g upo, des aca-se a g ande p opo ção de domicílios com pessoas com algum
ipo de de iciência ou en e midade incapaci an e (54%).
Quan o às ca ac e ís icas demog á icas, embo a a p opo ção en e aixas e á ias
dos mo ado es osse simila ao o al do país, alguns núme os chamam a a enção. Ce ca
de 19% dos mo ado es pe enciam a mino ias é nicas (sob e udo neg os), e 26% inham
amílias com ilhos e apenas um esponsá el. No a-se, ainda, que 43% dos domicílios
e am compos os po apenas um mo ado .
TABELA 8
Habi ação social e pe il dos mo ado es na Ingla e a (2022)

P op ie á ios
p i ados
Inquilinos
no se o
p i ado
Go e nos
locais
Associações
de
mo ado es
Inquilinos
de
habi ação
social
Todos os
domicílios
Idade do(a) che e do domicílio (%)
16-24 anos 0,7 10,3 4,6 3,8 4,1 3,1
25-34 anos 9,3 32,6 15,0 12,9 13,7 14,5
35-44 anos 15,4 21,9 14,4 16,9 15,9 16,7
45-54 anos 18,9 16,1 18,8 20,6 19,9 18,5
55-64 anos 19,8 10,3 17,3 19,6 18,7 17,8
65 anos ou mais 35,8 8,7 29,9 26,2 27,6 29,3
Si uação econômica do(a) che e do domicílio (%)
T abalhado (a) em
pe íodo in eg al 52,3 66,1 27,7 29,1 28,5 51,0
T abalhado (a) em
meio pe íodo 8,1 11,4 14,0 15,3 14,8 9,8
Aposen ado(a) 36,0 6,8 26,6 24,9 25,5 28,7
Desemp egado(a) 0,8 3,6 8,2 7,8 7,9 2,5
Es udan e em pe íodo in eg al 0,1 3,8 1,2 1,4 1,3 1,0
Ou os ina i os 2,7 8,3 22,4 21,6 21,9 7,0
(Con inua)
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3083
(Con inuação)

P op ie á ios
p i ados
Inquilinos
no se o
p i ado
Go e nos
locais
Associações
de
mo ado es
Inquilinos
de
habi ação
social
Todos os
domicílios
Raça ou co do(a) che e(a) do domicílio (%)
Asiá ica 5,5 9,3 4,5 3,6 4,0 6,0
P e a 1,1 5,7 10,3 7,7 8,7 3,3
Ou a 1,8 7,7 8,1 5,7 6,7 3,7
Todas as mino ias é nicas 8,4 22,6 22,9 17,0 19,3 13,0
B anca 91,6 77,4 77,1 83,0 80,7 87,0
Tipo de amília (%)
Casal sem ilhos(as) meno es 33,1 21,8 12,7 10,0 11,1 27,3
Casal com ilhos(as) meno es 18,3 17,1 9,8 12,4 11,3 16,9
Casal com ilhos(as)
meno es e maio es 3,0 2,1 1,9 2,0 1,9 2,7
Casal com ilhos(as) maio es 6,9 2,3 3,0 3,5 3,3 5,4
Monopa en al com
ilhos(as) meno es 2,5 11,2 14,6 15,0 14,8 6,2
Monopa en al com ilhos(as)
maio es e meno es 0,4 0,5 2,7 3,5 3,1 0,9
Monopa en al com
ilhos(as) maio es 3,5 2,9 10,3 6,2 7,8 4,1
Duas ou mais amílias 1,3 1,1 2,2 1,5 1,8 1,4
Pessoa sozinha di idindo
com ou as pessoas 1,3 7,2 1,9 2,0 2,0 2,5
Um homem 12,5 21,2 20,1 21,3 20,8 15,6
Uma mulhe 17,1 12,7 21,0 22,6 22,0 17,1
Incapacidade ou doença pe manen e (%)
Sim 30,1 30,1 51,8 55,5 54,0 34,1
Não 69,9 69,9 48,2 44,5 46,0 65,9
Renda semanal b u a do domicílio (%)
P imei o quin il 13,2 19,8 45,7 47,4 46,7 20,0
Segundo quin il 17,5 21,3 29,2 27,0 27,9 20,0
Te cei o quin il 20,2 25,1 14,1 12,8 13,3 20,0
Qua o quin il 23,0 20,2 7,3 9,0 8,3 20,0
Quin o quin il 26,1 13,5 3,7 3,7 3,7 20,0
Domicílios com acesso esidencial à in e ne (%)
Sim 94,7 94,8 80,6 83,8 82,5 92,7
Não 5,3 5,2 19,4 16,2 17,5 7,3
(Con inua)

TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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(Con inuação)

P op ie á ios
p i ados
Inquilinos
no se o
p i ado
Go e nos
locais
Associações
de
mo ado es
Inquilinos
de
habi ação
social
Todos os
domicílios
Todos os domicílios (%) 64,3 19,1 6,5 10,1 16,6 100,0
Núme o médio de pessoas po domicílio
2,28 2,27 2,18 2,22 2,20 2,26
Fon e: 2021-2022 English Housing Su ey Headline Repo .
Com base na abela 9, embo a os alo es dos aluguéis sejam bem mais baixos
nas habi ações pa a locação social, como a enda dos bene iciá ios ambém é baixa, a
p opo ção da enda gas a com aluguéis é, em média, acima de 30% pa a qualque ipo
de locação – social ou p i ada. É impo an e obse a que, nas locações po meio dos
go e nos locais, essa p opo ção é a mais baixa (33%), ao passo que, nos aluguéis po
meio das associações de mo ado es, chega a 37% o ní el de comp ome imen o da
enda, e no me cado p i ado, a 38%.
Esse dispêndio com aluguel, en e an o, é a e ecido pelo e ei o dos ouche s, ou
seja, dos bene ícios sociais pa a aluguel, que cob em a di e ença en e o alo do
aluguel cob ado e a capacidade de pagamen o das amílias.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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TABELA 9
P opo ção da enda gas a com aluguel ou hipo eca na Ingla e a (2022)
(Em %)
P op ie-
á ios
Inquilinos
no se o
p i ado
Go e nos
locais
Associa-
ções de
mo ado es
To al de
inquilinos
de
habi ação
social
P op ie-
á ios
Inquilinos
no se o
p i ado
Go e nos
locais
Associa-
ções de
mo ado es
To al de
inquilinos
de
habi ação
social
Renda domicilia (inclusi e auxílio-aluguel) Renda casal-che e (inclusi e auxílio-aluguel)
2021-2022
21,7 33,1 25,8 27,9 27,1
2021-2022
23,2 37,4 29,0 30,3 29,8
Renda domicilia (exclusi e auxílio-aluguel) Renda casal-che e (exclusi e auxílio-aluguel)
2021-2022
21,7 38,3 33,0 37,1 35,5
2021-2022
23,2 43,9 38,1 40,5 39,6
Fon e: 2021-2022 English Housing Su ey Headline Repo .
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3083
3.8 Auxílio-aluguel: ouche s
As pessoas que i em na Ingla e a, maio es de dezoi o anos e de baixa enda ou
desemp egadas são elegí eis ao Uni e sal C edi (C édi o Uni e sal), que con ém um
componen e ela i o a um auxílio-aluguel (housing cos s). Esse auxílio ambém ica
disponí el pa a aposen ados e pensionis as de baixa enda, mas como es es não são
elegí eis ao C édi o Uni e sal (e sim ao c édi o pensão), o auxílio-aluguel pe manece
como um bene ício a ulso pa a esse g upo. O C édi o Uni e sal ambém não é álido
pa a es udan es ou aining em pe íodo in eg al. É impo an e obse a que, pa a e
s a us de mo ado na Ingla e a, a pessoa de e e is o de pe manência, po an o, o
C édi o Uni e sal não inclui imig an es i egula es.
O C édi o Uni e sal pa a cada pessoa é calculado de aco do com uma sé ie de
condições pessoais e amilia es,9 que es ão a eladas à idade, ao es ado ci il, à exis-
ência de ilhos dependen es, a pessoas com de iciência ou mo bidade sé ia, assim
como aos cus os dos aluguéis ou p es ações habi acionais. Ob iamen e, exis e um
limi e máximo pa a cada um desses componen es, assim como pa a o mon an e o al
a se ecebido.
O componen e do C édi o Uni e sal ela i o à habi ação é o Uni e sal C edi
Housing Cos s. É impo an e obse a que esse bene ício pode se u ilizado pa a a ca
com despesas de hipo ecas e dí idas con aídas endo o imó el como ga an ia; no caso
dos aluguéis, se e pa a qualque ipo, seja em habi ações p i adas, sejam aquelas
pe encen es ao es oque de habi ação social a ado an e io men e. O auxílio ambém
pode se usado pa a necessidades ge ais, habi ação social e assis ência social, em
de e minadas ci cuns âncias.
No caso dos pagamen os ela i os a hipo ecas ou emp és imos sob e o imó el,
o auxílio é o e ecido como um emp és imo, po ém, es e só se á pago quando o
imó el o endido ou ans e ido pa a ou a pessoa, a menos que a pessoa quei a
pagá-lo an ecipadamen e.
Em elação aos pagamen os pa a esquemas de p op iedades de baixo cus o, o
auxílio-aluguel é pago pa a o bene iciá io e o auxílio ao pagamen o das p es ações é
pago ao p op ie á io do imó el.
9. Disponí el em: h ps://www.go .uk/uni e sal-c edi .
TEXTO pa a DISCUSSÃO
40
3083
O mon an e a se ecebido do auxílio-aluguel depende do amanho da amília,
assim como da idade de seus memb os, pois há uma pad onização de imó eis a
pa i desses pa âme os.
No caso dos aluguéis em habi ação social (go e no local ou associações de
mo ado es), é possí el ob e o pagamen o o al do alo do aluguel. Já no caso dos
aluguéis no se o p i ado, o alo a se ecebido depende do alo do Subsídio de
Habi ação Local (Local Housing Allowance – LHA) em cada á ea. O LHA é calcu-
lado pela Valua ion O ice Agency, que cole a dados de aluguéis no se o p i ado, de
aco do com as ca ac e ís icas do imó el, pa a um conjun o de á eas do país, e os
publica anualmen e.
O componen e dos cus os da habi ação do C édi o Uni e sal não pode se u ilizado
pa a habi ações empo á ias, em esquemas de assis ência social, em que os mo ado es
ecebem cuidados e são supe isionados, ampouco em casos de iolência amilia
ou de pessoas e ugiadas.
É impo an e obse a que, no caso de pessoas sol ei as meno es de 35 anos, o
imó el designado co esponde a um qua o em uma habi ação compa ilhada.
Além disso, o componen e de cus os com habi ação não cob e as despesas com
as con as da casa (u ili y), mas as pessoas podem plei ea ou os bene ícios elacio-
nados a ais con as.
Em 2022, ce ca de 3,4 milhões de domicílios ecebiam auxílio pa a o aluguel na
Ingla e a, sendo 2,3 milhões em habi ações sociais, e 1,1 milhão em habi ações
p i adas. Assim, 25% dos inquilinos de p op iedades p i adas ecebiam aluguel social,
enquan o 57% dos inquilinos em habi ações sociais ecebiam o auxílio. Os alo es
ecebidos e am, em média, £ 127,00 po semana pa a aluguéis p i ados e £ 87,00 nos
aluguéis sociais.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3083
3.9.4 Associações de mo ado es
De aco do com dados do RSH, em 2022, ha ia 1396 p o edo es p i ados de habi ação
social egis ados, sendo apenas 64 deles classi icados como o ganizações com ins
luc a i os ( o p o i ), e os demais, como ONGs. A maio pa e dessas o ganizações
e a de pequeno po e, sendo 883 delas p o edo as de a é 250 habi ações cada, e
ep esen a am apenas 1,6% do es oque o al de habi ações sociais na Ingla e a. Em
con apa ida, as 81 maio es ONGs e am p o edo as de mais de 10 mil habi ações
sociais cada, e man inham 72,4% do es oque de habi ações sociais na Ingla e a.
TABELA 13
P o edo es de habi ação social (locação e p op iedade de baixo cus o),
po ipo de p o edo e classes de p o edo es e po amanho do es oque
de sua p op iedade
Núme o de
p op iedades
sociais
Núme o de
p o edo es
p i ados
egis ados
Núme o de
go e nos
locais
egis ados
Núme o
o al de
p o edo es
egis ados
Habi ações
de
p o edo es
p i ados,
po amanho
do p o edo
(%)
Habi ações
de go e nos
locais, po
amanho
do p o edo
(%)
Habi ações
sociais, po
amanho
do p o edo
(%)
0 113 17 130 0,0 0,0 0,0
1-250 883 35 918 1,6 0,1 1,1
251-1.000 166 3 169 2,9 0,1 1,9
1.001-2.500 53 9 62 2,9 1,0 2,2
2.501-10.000 100 101 201 20,2 34,5 25,2
10.001-50.000 75 51 126 57,7 57,1 57,5
Mais de 50.000 6 2 8 14,7 7,2 12,1
Todos 1.396 218 1.614 100,0 100,0 100,0
Fon e: RSH. RP social housing s ock and en s in England 2022. Disponí el em: h ps://
www.go .uk/go e nmen /s a is ics/ egis e ed-p o ide -social-housing-s ock-and- en s-
in-england-2022- o-2023.
As associações de mo ado es são ONGs sem ins luc a i os (no o p o i ) coman-
dadas po uma di e o ia (managenmen boa d) de memb os olun á ios não elei os,
que podem se pagos, cujo obje i o é p o e habi ações sociais. Quando egis adas no
RSH, elas podem plei ea ecu sos go e namen ais e se enquad am como “p o edo es
p i ados egis ados” (Lund, 2011).

TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3083
De aco do com Lund (2011), há na li e a u a sob e as associações de mo ado es um
deba e sob e as ca ac e ís icas dessas o ganizações que comp eende, g osso modo,
di e enciadamen e a o ma de ges ão das pequenas e g andes ONGs. As pequenas
ONGs se iam mais a eladas a obje i os sociais, inclusi e quan o ao desen ol imen o
local, enquan o as maio es ONGs es a iam mais p óximas da o ma de a uação do se o
p i ado, na medida em que es ão mais p eocupadas em ge a esul ados inancei os
e em e mos de e iciência.
Pa e das ca ac e ís icas sociais das associações de mo ado es são cap adas
pelo e mo housing plus, endo em is a que, além das habi ações, mui as associações
ainda p omo em emp ego e apoio pa a capaci ação em di e sas habilidades pa a
os mo ado es, po meio da sua p óp ia demanda po abalho e o e a de p oje os
nas comunidades.
4 COMENTÁRIOS FINAIS
A his ó ia das polí icas de habi ação social no Reino Unido e ela que o país supe ou os
g a es p oblemas habi acionais de suas g andes cidades p incipalmen e po meio de
o es in es imen os públicos no se o e da cons i uição de um sis ema de habi ação
social ge ido ou egulado pelo Es ado, que não se baseia unicamen e na aquisição da
casa p óp ia.
En e as décadas de 1920 e 1970, o se o de habi ação social na modalidade de
locação sob ges ão pública ampliou seu espaço, ainda que concomi an emen e ao
aumen o da p opo ção da casa p óp ia no o al de domicílios. Assim, embo a se consoli
-
dasse um me cado imobiliá io p i ado, a locação social oi um elemen o impo an e pa a
a ga an ia do s a us de cidadania pa a amplas camadas da população. Essa es a égia
p opiciou mo adia digna pa a aqueles que não conseguiam adqui i ou aluga imó eis
a p eços de me cado, sem comp ome e os demais i ens necessá ios pa a alcança
um pad ão mínimo de qualidade de ida nas cidades.
Nesse pon o, é impo an e no a que, nos esquemas de habi ação social baseados
unicamen e na aquisição da casa p óp ia, ainda que subsidiada, o es oque de habi ação
social ‘pe de-se’ do pon o de is a da ges ão ou egulação pública, uma ez que é
conside ado p op iedade p i ada. Nessa modalidade, aqueles que, po en u a, enham
que deixa os imó eis po al a de pagamen o das p es ações, ou po qualque ou o
mo i o, deixam de se assis idos. Ao mesmo empo, nada ga an e que o es oque de
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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habi ação social cons uído pe maneça a endendo aqueles que são seu público-al o,
uma ez que é possí el “passa a casa” no me cado p i ado o mal ou mesmo in o mal.
A his ó ia mos a ambém que a guinada neolibe al das polí icas mac oeconômicas,
a pa i dos anos 1980, no sen ido de con enção do papel do se o público, que an es
es imula a a demanda ag egada pa a a sus en ação do pleno emp ego, se, po um lado,
ope ou uma mudança es u u al na o ma de ges ão da locação social no Reino Unido
e causou a edução da pa cela da população a endida po esses p og amas, po ou o,
não oi capaz de ealiza a comple a ans e ência da p op iedade e da ges ão da habi-
ação municipal pa a o se o p i ado. Com e ei o, a pa i dos anos 1990, essa mudança
omou o umo da ‘ e cei a ia’ (Giddens, 1998), e as o ganizações sem ins luc a i os
ocupa am boa pa e do espaço de ges ão deixado pelo se o público. Não obs an e,
o papel do se o público pe maneceu com g ande impo ância e peso no sis ema de
habi ação social, endo em is a que não deixou de se o p incipal inanciado da á ea.
No B asil, o con ex o mac oeconômico da década de 1980 e as polí icas de cunho
neolibe al ambém ope a am uma mudança no se o de habi ação social, po ém, pode-se
dize que a pa i de en ão hou e uma agmen ação das polí icas, sem con o ma
p op iamen e um no o sis ema, a despei o dos es o ços no ma i os nesse sen ido.
A pa icipação de o ganizações sem ins luc a i os no se o de HIS ambém se obse a
no B asil, no en an o, não exis e ó gão egulado do sis ema, o que impede que se
comp eenda o papel dessas o ganizações na p odução habi acional. Ao mesmo empo,
à medida que não se consolidou ainda um no o sis ema de habi ação social, após a
debacle do sis ema BNH-Cohabs, o p óp io papel dos go e nos locais na p o isão e
na ges ão da habi ação social não es á bem de inido.
Sem p e ende ecomenda a ansposição de modelos de HIS de ou os países, o
es udo desses sis emas pode se i como pon o de compa ação com o caso b asilei o,
com is as a uma melho de inição do sis ema de HIS no B asil.
REFERÊNCIAS
BEST, R. Housing associa ions, a sus ainable solu ion? In: WILLIANS, P. (Ed.). Di ec ions
in housing policy. London: Paul Chapman Publishing, 1997. p. 103-119.
BOUGHTON, J. Municipal d eams: he ise and all o council housing. London: Ve so, 2018.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Ipea – Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada
EDITORIAL
Coo denação
Ae omilson T ajano de Mesqui a
Assis en es da Coo denação
Ra ael Augus o Fe ei a Ca doso
Samuel Elias de Souza
Supe isão
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Re isão
B una Oli ei a Ranquine da Rocha
Ca los Edua do Gonçal es de Melo
C islayne And ade de A aújo
Elaine Oli ei a Cou o
Luciana Bas os Dias
Rebeca Raimundo Ca doso dos San os
Vi ian Ba os Volo ão San os
Debo ah Baldino Ma e (es agiá ia)
Luíza Ca doso Mendes Velasco (es agiá ia)
Edi o ação
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Camila Guima ães Simas
Leona do Simão Lago Al i e
Maya a Ba os da Mo a
Capa
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
P oje o G á ico
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
The manusc ip s in languages o he han Po uguese
published he ein ha e no been p oo ead.

Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.
Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.