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As dinâmicas de transição energética no Brasil e na Argentina: Potencialidades, limites e papel da China

Author: Ungaretti, Carlos Renato,Nunes, Ticiana Gabrielle Amaral,de Mendonça, Marco Aurélio Alves
Publisher: Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Year: 2024
Source: https://www.econstor.eu/bitstream/10419/306802/1/1909098434.pdf
Unga e i, Ca los Rena o; Nunes, Ticiana Gab ielle Ama al; de Mendonça, Ma co
Au élio Al es
Wo king Pape
As dinâmicas de ansição ene gé ica no B asil e na
A gen ina: Po encialidades, limi es e papel da China
Tex o pa a Discussão, No. 3057
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: Unga e i, Ca los Rena o; Nunes, Ticiana Gab ielle Ama al; de Mendonça,
Ma co Au élio Al es (2024) : As dinâmicas de ansição ene gé ica no B asil e na A gen ina:
Po encialidades, limi es e papel da China, Tex o pa a Discussão, No. 3057, Ins i u o de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA), B asília
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3057
AS DINÂMICAS DE TRANSIÇÃO
ENERGÉTICA NO BRASIL E NA
ARGENTINA: POTENCIALIDADES,
LIMITES E PAPEL DA CHINA
CARLOS RENATO UNGARETTICARLOS RENATO UNGARETTI
TICIANA GABRIELLE AMARAL NUNESTICIANA GABRIELLE AMARAL NUNES
MARCO AURÉLIO ALVES DE MENDONÇAMARCO AURÉLIO ALVES DE MENDONÇA
3057
B asília, no emb o de 2024
AS DINÂMICAS DE TRANSIÇÃO
ENERGÉTICA NO BRASIL E NA
ARGENTINA: POTENCIALIDADES,
LIMITES E PAPEL DA CHINA1
CARLOS RENATO UNGARETTI2
TICIANA GABRIELLE AMARAL NUNES3
MARCO AURÉLIO ALVES DE MENDONÇA4
1. A análise do caso da A gen ina se es ende a é o pe íodo da p esidência de Albe o
Fe nández (2019-2023). Po isso, não o am incluídas ques ões associadas ao p i-
mei o ano do go e no Ja ie Milei, em exe cício desde dezemb o de 2023. As pe s-
pec i as a uais suge em maio alinhamen o de Buenos Ai es em elação aos Es ados
Unidos e ao Ociden e, com possí eis p ejuízos ao engajamen o de en idades chinesas
em no os p oje os de in es imen o no país (Gius o, 2024).
2. Pesquisado bolsis a do Subp og ama de Pesquisa pa a o Desen ol imen o Nacio-
nal (PNPD) na Di e o ia de Es udos In e nacionais do Ins i u o de Pesquisa Econô-
mica Aplicada (Din e/Ipea). E-mail: c[email p o ec ed].b . O cid: h ps://o cid.
o g/0000-0002-1599-2941.
3. Pesquisado a bolsis a do PNPD na Din e/Ipea. E-mail: [email p o ec ed] .b .
O cid: h ps://o cid.o g/0000-0002-0999-9637.
4. Técnico de planejamen o e pesquisa na Din e/Ipea. E-mail: ma co.mendonca@
ipea.go .b . O cid: h ps://o cid.o g/0000-0001-7806-4942.
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o a de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a
FERNANDA DE NEGRI
Di e o de Es udos e Polí icas Sociais
CARLOS HENRIQUE LEITE CORSEUIL
Di e o de Es udos In e nacionais
FÁBIO VÉRAS SOARES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL
Ou ido ia: h ps://www.ipea.go .b /ou ido ia
URL: h ps://www.ipea.go .b
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em
desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e
o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2024
Unga e i, Ca los Rena o
As dinâmicas de ansição ene gé ica no B asil e na A gen ina :
po encialidades, limi es e papel da China / Ca los Rena o Unga e i,
Ticiana Gab ielle Ama al Nunes, Ma cos Au élio Al es de Mendonça. –
B asília, DF: Ipea, 2024.
73 p. : il., g á s. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3057).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. T ansição Ene gé ica. 2. In es imen os. 3. B asil. 4. A gen ina. 5.
China. I. Nunes, Ticiana Gab ielle Ama al. II. Mendonça, Ma co Au élio
Al es de. III. Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada. IV. Tí ulo.
CDD 333.794
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
UNGARETTI, Ca los Rena o; NUNES, Ticiana Gab ielle Ama al;
MENDONÇA, Ma co Au élio Al es de. As Dinâmicas de ansição
ene gé ica no B asil e na A gen ina: po encialidades, limi es e papel
da China. B asília, DF: Ipea, no . 2024. 73 p. (Tex o pa a Discussão,
n. 3057). DOI: h ps://dx.doi.o g/10.38116/ d3057-po
JEL: Q42; F21; F5.
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.38116/ d3057-po
As publicações do Ipea es ão disponí eis pa a download g a ui o
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As opiniões emi idas nes a publicação são de exclusi a e in ei a
esponsabilidade dos au o es, não exp imindo, necessa iamen e, o
pon o de is a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada ou do
Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
É pe mi ida a ep odução des e ex o e dos dados nele con idos, desde
que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO .......................................................................... 6
2 TRANSIÇÃO OU ADIÇÃO ENERGÉTICA?
O PAPEL DA CHINA NOS INVESTIMENTOS
EM ENERGIAS RENOVÁVEIS ................................................11
2.1 T ansição e sus adição ene gé ica e suas
consequências pa a a agenda do clima ................................. 12
2.2 O papel da China nos in es imen os
em desca bonização ............................................................... 17
3 O PAPEL DA CHINA NA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
DE BRASIL E ARGENTINA ...................................................23
3.1 B asil .......................................................................................... 23
3.2 A gen ina ................................................................................... 39
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................53
REFERÊNCIAS .........................................................................56
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR .........................................72

SINOPSE
À luz do deba e a espei o da dis inção en e adição e ansição ene gé ica, es e ex o
pa a discussão busca iden i ica as po encialidades e limi ações dos in es imen os
e inanciamen os chineses pa a a desca bonização das economias de B asil e
A gen ina, ab angendo um ma co empo al que se es endeu a é o inal de 2023. Além
disso, buscou-se e i ica as semelhanças e di e enças en e os modos de a uação
de emp esas e ins i uições chinesas em cada país. Ambos os países obse a am
o c escimen o do engajamen o chinês no se o de ene gias eno á eis nos úl imos
anos. A gumen a-se que a China em con ibuído com as aje ó ias de di e si icação
ene gé ica de ambos os países, com impac os, po encialidades e limi ações que o a
se assemelham, o a se di e enciam. No a-se que no B asil p edomina a aquisição de
a i os exis en es, enquan o na A gen ina os inanciamen os exe cem um papel mais
ele an e. As po encialidades esidem na ampliação de capacidades ia in e sões
em no as unidades e in e nalização de cadeias p odu i as associadas à ansição
ene gé ica. A p e alência das aquisições no me cado b asilei o con igu a impo an e
limi ação, ao passo que as agilidades mac oeconômicas da A gen ina se ap esen am
como desa io impo an e.
Pala as-cha e: B asil; A gen ina; China; ansição ene gé ica; in es imen os.
ABSTRACT
In ligh o he deba e on he dis inc ion be ween addi ion and ene gy ansi ion, his
s udy sough o iden i y he po en ial and limi a ions o Chinese in es men s and
inancing o he deca boniza ion o he economies o B azil and A gen ina, as well as
o e i y he simila i ies and di e ences be ween he modes o ope a ion o Chinese
companies and ins i u ions in each coun y. Bo h coun ies ha e seen he g ow h o
Chinese engagemen in he enewable ene gy sec o in ecen yea s. I was a gued ha
China has been con ibu ing o he ene gy di e si ica ion ajec o ies o bo h coun ies,
wi h impac s, po en ial and limi a ions ha a e some imes simila and some imes
di e en . I was no ed ha in B azil, he acquisi ion o exis ing asse s p edomina es,
while in A gen ina, inancing plays a mo e ele an ole. The educ ion o ene gy in ensi y
in he gene a ion sec o in A gen ina was iden i ied. The po en ial lies in he expansion
o capaci ies h ough in es men s in new uni s and in e naliza ion o p oduc ion chains
associa ed wi h he ene gy ansi ion. The p e alence o acquisi ions in he B azilian
ma ke is an impo an limi a ion, while he mac oeconomic agili ies o A gen ina
p esen an impo an challenge.
Keywo ds: B azil; A gen ina; China; Ene gy T ansi ion; In es men s.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
6
3057
1 INTRODUÇÃO
O en en amen o do i mo acele ado das mudanças climá icas, um dos maio es desa ios
que a humanidade en en a cole i amen e, demanda es o ços conjun os e subs anciais
na con enção de seus e ei os de as ado es, como o aquecimen o global, o aumen o
do ní el dos oceanos e a in ensi icação de enômenos ex emos. Esses es o ços com-
p eendem uma as a gama de ans o mações, com p o undas epe cussões no un-
cionamen o das sociedades e me cados.
A ansição ene gé ica é conside ada um dos componen es c uciais das ações de
mi igação, endo em is a que o se o de ene gia é o que mais con ibui pa a as emis-
sões globais de gases de e ei o es u a (GEE). Po an o, a desca bonização das ma izes
ene gé icas, especialmen e a subs i uição dos combus í eis ósseis po on es mais
limpas, como ene gia sola e eólica, desempenha um papel undamen al nesse p ocesso.
O deba e sob e o i mo dessa ansição é especialmen e sensí el pa a as econo-
mias eme gen es, is o que sua execução demanda olumes inancei os conside á-
eis e as ob iga a e o mula suas es a égias de desen ol imen o. As negociações
in e nacionais sob e o clima, p incipalmen e no âmbi o das Con e ências das Pa es
(COPs) da Con enção-Quad o das Nações Unidas sob e a Mudança do Clima (Uni-
ed Na ions F amewo k Con en ion on Clima e Change – UNFCCC), êm p omo ido
comp omissos e o consenso en e as nações, a im de se limi a em as emissões e se
es imula a ansição ene gé ica. No en an o, além das p eocupações de longo p azo,
elacionadas ao ag a amen o da c ise climá ica, as mo i ações de ganho econômico
e desen ol imen o êm um papel ainda mais p e alen e nas economias eme gen es
na busca pela ansição ene gé ica.
Nesse con ex o, B asil e A gen ina são países que êm mos ando engajamen o
nas negociações in e nacionais sob e o clima, subme endo suas me as de edução de
emissões e, pa alelamen e, buscando opo unidades pa a es imula se o es luc a i os
e a ai in es imen os com polí icas e incen i os à ansição ene gé ica.
O B asil, com sua ex ensa u ilização de ene gia hid elé ica, cujo ap o ei amen o
é incen i ado pelo go e no ede al há décadas, con a com uma ma iz p edominan e-
men e limpa. Não obs an e, o país em log ado di e si ica sua composição, ele ando
signi ica i amen e a pa icipação da biomassa e das on es eólica e sola po meio
de ações como a Polí ica Nacional de Biocombus í eis (Rono abio) e o P og ama de
Fon es Al e na i as de Ene gia Elé ica (P oin a).
Po seu u no, a A gen ina con a com o e a p imá ia de ene gia majo i a iamen e
óssil e desa ios conside á eis pa a desca boniza seu sis ema elé ico. Ainda assim, o
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
7
3057
go e no a gen ino em p omo ido a i amen e a ansição po meio do Plan de Ene gías
Reno ables (P og ama Reno A ), com chamadas abe as pa a p oje os de in es imen o
em ene gia eno á el.
Ambos os países subme e am suas e sões das con ibuições de e minadas nacio-
nalmen e (NDCs), con emplando me as de desca bonização g adual de suas econo-
mias. Sem emba go, a en ada de in es imen os e inanciamen os ex e nos é c ucial e
pode po encializa o i mo da ansição ene gé ica, adicionando ecu sos ao es oque
de capi al e ainda possi elmen e in ensi icando ocas de conhecimen o e ecnologia.
Con udo, os es udos exis en es não pe mi em ex ai conclusões de ini i as sob e
a ligação en e o in es imen o es angei o di e o (IED), conside ado de o ma ampla, e
a desca bonização das economias. Há e idências que suge em a oco ência an o da
hipó ese de “ e úgio da poluição” (pollu ion ha en), na qual as mul inacionais ans e em
suas a i idades pa a países com egulações ambien ais mais pe missi as, quan o da
hipó ese do “halo de poluição” (pollu ion halo), na qual os in es imen os es angei os
con ibui iam pa a di undi ecnologias mais limpas e p á icas de ges ão ambien al
mais a ançadas.
Con o me a p imei a hipó ese, a ans e ência de indús ias e a i idades poluen-
es dos países desen ol idos pa a os países em desen ol imen o – seja de ido ao
es abelecimen o ou à in ensi icação das egulações ambien ais, seja esul an e da
especialização em se o es mais ecnológicos e de meno in ensidade de emissões –
ag a a ia a poluição ambien al nos des inos de in es imen o (Zhou e al., 2018; Sapko a
e Bas ola, 2017). Na di eção opos a, es udos que es a am a hipó ese de pollu ion
halo cons a a am uma co elação nega i a en e IED e aumen o das emissões, o que
se ia po encialmen e a ibuído aos seus e ei os sob e o desen ol imen o cien í ico e
ecnológico (Jiang e al., 2018). Ao obse a essa co elação no ansco e do empo,
há ainda abalhos que iden i ica am uma elação de “U in e ido”, na qual se assume
que o IED em e ei os ealçado es e, em seguida, edu o es sob e a poluição ambien al
(Xu e al., 2021). A g ande a iabilidade dos esul ados se de e aos di e en es mé o
-
dos u ilizados, assim como à escolha dos casos, aos poluen es analisados e à escala
empo al obse ada (quad o 1).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
8
3057
QUADRO 1
Hipó eses do e úgio e do halo de poluição (pollu ion ha en e pollu ion halo)
Au o es Mé odo Amos a Resul ado
Sapko a
e Bas ola
(2017)
Análise economé ica em
painel pa a examina a elação
en e o in es imen o es an-
gei o di e o (IED), a poluição
ambien al e a enda em países
da Amé ica La ina.
Dados anuais
em ní el de país
de 1980 a 2010,
ab angendo
ca o ze países da
Amé ica La ina.
Os esul ados indica am que
o IED es á posi i amen e ela-
cionado à poluição, co obo-
ando a hipó ese de e úgio da
poluição (pollu ion ha en)
Xu e al.
(2021)
U ilização do modelo STIR-
PAT como es u u a eó ica
e analí ica, jun amen e com
um mé odo semipa amé ico
de análise de eg essão e o
mé odo de e ei os ixos de
duas ias.
Dados p o inciais
chineses de 2002
a 2016 o am
u ilizados pa a a
análise da elação
en e IED, ansi-
ção ene gé ica e
emissões de CO2.
Há elação em o ma de “U
in e ido” en e o IED e as
emissões de CO2, indicando
uma mudança das emissões
de CO2 de expansão pa a
sup essão à medida que o IED
aumen a, in luenciado pela
ansição ene gé ica e pelas
polí icas ambien ais do país
ecep o .
Jiang e al.
(2018)
U ilização de modelos eco-
nomé icos espaciais pa a
analisa a elação en e IED
e deg adação ambien al. A
a iá el dependen e do es udo
oi o Índice de Qualidade do A
e as a iá eis independen es
o am: enda, IED, pa icipação
do se o e ciá io, densidade
populacional e poluen es
a mos é icos (SO2 e PM2.5).
Dados em ní el
municipal de 150
cidades chinesas
em 2014.
O es udo encon ou uma
elação nega i a en e IED e
poluição do a na China, indi-
cando e idências da hipó ese
do halo de poluição (pollu ion
halo). Ou seja, o IED ouxe
impac os posi i os pa a a qua-
lidade ambien al na China.
Zhou e al.
(2018)
U ilização de um modelo de
dados em painel dinâmico
pa a analisa a elação en e
a iá eis econômicas e emis-
sões de ca bono em cidades
chinesas en e 2003 e 2015.
Os dados o am
cole ados de on-
es como o Anuá-
io es a ís ico da
China e o Anuá io
es a ís ico u bano
da China, ab an-
gendo 285 cidades
chinesas.
O IED demons a um impac o
nega i o na qualidade ambien-
al, em um p imei o es ágio.
Con udo, o na-se bené ico à
qualidade ambien al po meio
de e ei os de ansbo damen o
ecnológico e ex e nalidades
posi i as no longo p azo
Elabo ação dos au o es.
Assim como es udos an e io es empenha am-se em a e igua a elação en e IED e
emissões, es e abalho busca si ua os possí eis impac os dos in es imen os chineses
em ansição ene gé ica, na A gen ina e no B asil, em seus obje i os de desca bonização.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3057
Du an e a maio pa e da his ó ia, as ansições ou adições ene gé icas oco e am
em escala local, egional ou indi idual com coo denação limi ada ou inexis en e (Smil,
2010). Ademais, a ansição de baixo ca bono di e e de ansições ene gé icas an e-
io es, pois de e oco e em um cu o in e alo (poucas décadas), en ol endo escala
geog á ica massi a e coo denação en e di e sos países e se o es p odu i os.
Assim, excepcionalmen e, a e e ida ansição é delibe adamen e incen i ada, indu-
zida e coo denada, dada a necessidade de desca boniza os sis emas elé icos de o ma
ápida e em escala global. Adicionalmen e, é necessá io le a em conside ação os
desa ios inancei os e ecnológicos de in eg a ene gias eno á eis apidamen e a um
sis ema p é io, o que é mui o di e en e do que pode se exigido sob maio pene ação
desses ecu sos (IPCC, 2012).
É indiscu í el que as inanças ocupam um papel cen al na iabilização das me as
de desca bonização consen idas nos âmbi os mul ila e al e domés ico. Uma ansição
“ e de” demanda olumes de in es imen os e inanciamen os mui as ezes indispo-
ní eis pa a que os países possam e e ua sua ansição pa a uma economia de baixo
ca bono. A edução g adual do uso dos combus í eis ósseis cons i ui a e a complexa
pa a os países o emen e dependen es de on es como o ca ão, que, pa a além dos
empecilhos econômicos associados à ansição, en en am ques ões elacionadas
aos impe a i os de uma ansição jus a e equi a i a que con emple abalhado es e
esiden es locais (I ena, 2022).
Simul aneamen e, os in es imen os em ene gias eno á eis en ol em al os equi-
si os inancei os e pe íodos de amo ização mais longos do que cos uma oco e em
ou os se o es. A in odução massi a de eículos elé icos, in es imen o em a maze-
namen o e sis emas de ansmissão e dis ibuição de ene gia, em sinc onia com o
ape eiçoamen o de uma sé ie de ecnologias de e iciência ene gé ica, são igualmen e
impe a i os pa a a ansição ene gé ica (Zademach e Dich l, 2016).
Es udos e ela ó ios publicados po ins i u os e agências in e nacionais busca am
elabo a es ima i as sob e o capi al necessá io pa a uma ansição ene gé ica em
escala mundial ( abela 2). Con o me apon ado pelos ela ó ios, a ingi a me a de ze a as
emissões líquidas de CO2 em 2050 exige a ele ação subs ancial dos pa ama es a uais
de in es imen os, com engajamen o conjun o en e os se o es público e p i ado. Uma
pa cela conside á el desses cus os de e ia se alocada em in es imen os em ecno-
logias de ansição ene gé ica. Nesse cená io, é impe a i a a alocação de ecu sos e
inanciamen os do se o p i ado e a cons ução de um ambien e egula ó io p opício
que possibili e a cap ação de in es ido es, mas ambém ge e emp egos e con ibua
pa a o bem-es a das populações (IEA, 2023a).

TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3057
TABELA 2
Es ima i as sob e os apo es necessá ios pa a o cump imen o das me as de
mi igação das mudanças climá icas
Agência Obje i o Apo es p e is os Recomendações
IEA
Emissões líquidas
ze o de CO2
em 2050
US$ 5 ilhões
anuais a é 2030
e US$ 4,5 ilhões
anuais en e 2031
e 2050
Redi eciona o capi al exis en e no se o
elé ico pa a ecnologias de ene gia limpa
e aumen a subs ancialmen e o ní el
ge al de in es imen o em ene gia.
En ol imen o dos se o es p i ado e
público, sendo o úl imo esponsá el pela
adequação dos ma cos egula ó ios,
in aes u u a e incen i os ao desen ol i-
men o ecnológico.
I ena
Manu enção do
aumen o da empe-
a u a média global
abaixo de 1,5 ºC
a é 2050
US$ 150 ilhões
a é 2050, ou
US$ 5 ilhões
anuais
Os ní eis de implan ação de sis emas de
ene gias eno á eis de em c esce de
ce ca de 3 mil gigawa s em 2022 pa a
mais de 10 mil gigawa s em 2030, uma
média de 1 mil gigawa s anualmen e.
McKinsey
Emissões líquidas
ze o de CO2
em 2050
US$ 275 ilhões,
ou US$ 9,2 ilhões
anuais
Ca alisa a ealocação e e i a de capi al
e no as es u u as de inanciamen o,
ge encia mudanças de demanda e
aumen os de cus os uni á ios de cu o
p azo, es abelece mecanismos de
compensação pa a lida com impac os
socioeconômicos.
UNFCCC
Emissões líquidas
ze o de CO2
em 2050
US$ 125 ilhões
em in es imen os
climá icos
a é 2050
Aumen o g ada i o dos in es imen os
em desca bonização do se o elé ico,
de US$ 600 bilhões anuais, en e 2016 e
2020, pa a US$ 1,3 ilhão, en e 2021 e
2025; US$ 1,9 ilhão, en e 2026 e 2030;
US$ 2,2 ilhões, en e 2031-2040; e US$
1,7 ilhão, en e 2041 e 2050.
Fon es: IEA (2021a; 2021b); I ena (2023); K ishnam e al. (2022); e UNFCCC (disponí el em: h ps://
www.g anze o.com/ne ze o inancing; acesso em: 11 maio 2023).
Em con o midade com o p incípio de esponsabilidades comuns, mas di e enciadas
(common bu di e en ia ed esponsibili ies – CDBR),9 o malizado na Con e ência das
Nações Unidas sob e Meio Ambien e e Desen ol imen o de 1992 (Eco-92), a magni ude
dos comp omissos assumidos pelos países de e ia se p opo cional às con ibuições
9. P incípio o malizado na Eco-92, no Rio de Janei o, que es abelece que odos os Es ados são espon-
sá eis po lida com a des uição ambien al global, mas não de o ma igual. A dis ibuição das espon-
sabilidades, de aco do com a CBDR, de e se alocada em con o midade com as emissões dos Es ados,
bem como com a sua capacidade de abo da esses p oblemas.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
17
3057
his ó icas de emissões e às a uais capacidades de en en a os desa ios das mudanças
climá icas. A ansição ene gé ica jus a demanda ia obse a e co igi os es o ços
de mi igação de aco do com as di e enças na pa icipação dos di e sos agen es nas
emissões. Embo a os desa ios elacionados à c ise climá ica ep esen em iscos às
sociedades e aos ecossis emas, é impo an e des aca que, de ido a signi ica i as
di e enças econômicas e demog á icas, os países colabo am em g aus di e en es pa a
o p oblema.
O Aco do de Pa is incluiu, em seu a . 9o, o comp omisso das economias a an-
çadas de o nece US$ 100 bilhões anualmen e a é 2020 aos países em desen ol i-
men o pa a o inanciamen o de seus p og amas de ação climá ica. Con udo, além de
as ações e e i amen e execu adas pelos países icos ica em aquém do aco dado em
Pa is, os mon an es p opos os na con e ência já se iam po si só insu icien es pa a
o cump imen o das me as de mi igação do aco do, con o me apon a am os es udos
mencionados.
G an , Zelinka e Mi o a (2021) demons am a magni ude da concen ação de emis-
sões em um núme o eduzido de usinas, con e indo ímpe o ao deba e sob e a desp o-
po cionalidade da con ibuição de um núme o es i o de países pa a o aumen o das
emissões na a mos e a. Segundo o es udo, apenas 5% das usinas de ene gia, en e as
29 mil plan as e i icadas, espondem po quase ês qua os das emissões de CO2 da
ge ação de ele icidade.10 A maio ia dessas plan as es á localizada nos Es ados Uni-
dos, na Eu opa Ociden al, na Índia e no Les e Asiá ico (Japão, Co eia do Sul, Taiwan e
cos a les e da China).
Além dos países eu opeus e dos Es ados Unidos, a China é indiscu i elmen e um
pa icipan e-cha e nos comp omissos de mi igação das mudanças climá icas. O país
posiciona-se, simul aneamen e, como o maio emisso de CO2 em e mos absolu os e
como o maio in es ido em ansição ene gé ica, sendo o seu engajamen o na agenda
in e nacional do clima c ucial pa a as me as de desca bonização.
2.2 O papel da China nos in es imen os em desca bonização
A China se posiciona en e os p incipais poluido es globais: em 2022, as emissões a in
-
gi am ce ca de 8 de CO2 pe capi a, o que, em sua população de mais de 1,4 bilhão de
10. Es imado a pa i do cálculo de oneladas de CO2 lançadas na a mos e a, com base em ela ó ios de
emissões em ní el de plan a dos Es ados Unidos, da União Eu opeia, da Aus ália, do Canadá e da Índia,
es ima i as do Pla 's Wo ld Elec ic Powe Plan s Da abase e dados de p odução de ene gia especí icos
dos países da In e na ional Ene gy Agency (IEA).
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18
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habi an es, o aliza em o no de 11,4 bilhões de oneladas anuais, ou quase um e ço,
30%, das emissões globais.11 As esponsabilidades chinesas nos es o ços de mi igação
se jus i icam não somen e po suas emissões a uais, mas ambém po seu cumula i o
ao longo do empo: a é o inal de 2022, as emissões chinesas soma iam 260 bilhões
de oneladas de CO2, pa ama in e io somen e às emissões acumuladas dos Es ados
Unidos, da o dem de 426 bilhões de oneladas de CO2 (Ri chie e Rose , 2024).
Não obs an e, o país passou a ocupa ambém a lide ança nos in es imen os pa a
a ansição ene gé ica na úl ima década. Em 2022, ce ca de me ade dos ecu sos mun-
diais aplicados a ecnologias de baixo ca bono oco e am na China, de aco do com
uma análise ecen e da Ca sa os (2023). Ce ca de US$ 546 bilhões incluí am ene gia
sola e eólica, eículos elé icos e ba e ias, supe ando os gas os dos Es ados Unidos
(US$ 141 bilhões) e da União Eu opeia (US$ 180 bilhões) somados (Schonha d , 2023).
A p esença das emp esas chinesas como ab ican es de módulos sola es e u binas
eólicas ambém é exp essi a. Es ima-se ainda que 80% das células o o ol aicas sola es
expo adas em odo o mundo sejam o iginá ias da China, assim como cinco das dez
maio es emp esas de ab icação de módulos sola es do mundo, em ecei a, êm sede no
país (Jinko Sola , GCL-Poly Ene gy, J.A Sola , Xinyi Sola e Yingli G een Ene gy). Me ade dos
dez p incipais ab ican es globais de u binas eólicas ambém são chineses – Goldwind,
En ision, Mingyang, Windey e Dong ang (GWEC, 2020; F ogga e Quiggin, 2021).
O c escimen o dos in es imen os e da pa icipação das companhias chinesas
nas indús ias de baixo ca bono acompanhou a ansição econômica do país, an o
no âmbi o domés ico – pois passou-se a p omo e o desen ol imen o sus en á el e
p io iza polí icas de desca bonização da economia – quan o na a uação ex e na, is o
que a China se no abilizou po sua condução engajada e p oposi i a no es abelecimen o
de no mas e p incípios na agenda mul ila e al do clima.
No con ex o domés ico, a ci ilização ecológica, ou ecoci ilização, isão polí ica
que busca a conciliação en e sus en abilidade e c escimen o econômico, oi ele ada
à condição de es a égia nacional e ocupou pa ama cen al nas agendas polí ica e
econômica da China. O concei o não co esponde a um plano de inido, com medidas e
me as p og amá icas do go e no cen al, como uma p opos a de g een-new-deal, mas
se obse a que sua e e i ação es á inculada a p og amas, obje i os e e o mas mul-
isse o iais cujo in ui o é p omo e o desen ol imen o de baixo ca bono, opondo-se ao
11. Em compa ação, as emissões de ou os dois g andes poluido es, Es ados Unidos e União Eu opeia,
acumula am, em 2022, 5,06 e 2,76 bilhões de oneladas de CO2, espec i amen e (Ri chie e Rose , 2024).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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p incípio de “polui p imei o, limpa depois”, que p edominou nas p á icas econômicas
chinesas ao longo das décadas p eceden es.
Mudanças ins i ucionais, incen i os à P&D e ino ação em ecnologias e des, deso-
ne ação de indús ias de baixo ca bono e in ensi icação da iscalização sob e polí icos
locais, no cump imen o das me as de edução da poluição, o am algumas das ações
que êm sido p omo idas em con e gência com o ideal de ci ilização ecológica (Ama al
e al., 2023).12
Na polí ica ex e na, a China ansi ou pa a uma a uação mais p oposi i a e asse i a,
em seus comp omissos in e nacionais, elacionada à edução das emissões, sob e udo
após os comp omissos i mados no Aco do de Pa is. No a elmen e, en e as p inci-
pais p omessas, há o anúncio ei o pelo p esiden e Xi Jinping, na Assembleia Ge al da
ONU, em 2021, de que a China não pa ocina ia no os p oje os de ca ão no ex e io .
O comp omisso e e ampla epe cussão global, is o que o país é ainda um dos g andes
inanciado es de usinas de ca ão no mundo, sob e udo no Sul e no Sudes e da Ásia
(Kong e Gallaghe , 2021).
Adicionalmen e, uma sé ie de di e i as o am p opos as isando à ele ação dos
pad ões socioambien ais dos in es imen os e inanciamen os in e nacionais, pa a a a ua-
ção global das emp esas e en idades de inanciamen o chinesas. O go e no chinês di ul-
gou, no início de 2023, o li o b anco China’s g een De elopmen in a new e a, salien ando a
in enção de p omo e a Inicia i a Cin u ão e Ro a (Bel and Road Ini ia i e – BRI) e de, além
de ea i ma o comp omisso com o desen ol imen o sus en á el e a pa icipação p oa i a
na go e nança climá ica global e na coope ação in e nacional pa a o clima (China, 2023).
Não obs an e, con o me cons a ado po Ama al e al. (2023), há uma zona cinzen a
que pe sis e na a uação ex e na da China, na qual pa cela conside á el das a i idades
p omo idas po emp esas e bancos chineses con inua a en ol e p oje os com emis-
sões ele adas e impac os noci os ao meio ambien e.
12. O Documen o Cen al no 12, Opiniões do Comi ê Cen al do Pa ido Comunis a da China e do Conse-
lho de Es ado sob e a p omoção do desen ol imen o da ci ilização ecológica, é um dos mais ins u i os
sob e as p á icas da ecoci ilização, is o que inclui p incípios, me as, planos e o ien ações de e o mas
e iscalização a se em implemen ados em “ odos os aspec os e odo o p ocesso do desen ol imen o
econômico, polí ico, cul u al e social” (Geall e Ely, 2018).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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De aco do com dados da China’s Global Powe Da abase (CGPD),
13
da Uni e sidade
de Bos on, as emp esas e/ou bancos chineses inancia am e/ou adqui i am14 ce ca de
39 GW15 em p oje os de ca ão no ex e io en e 2000 e 2021, p incipalmen e na Á ica
e na Ásia, si uação que posicionou a China como no o “campeão” no pa ocínio de
p oje os de ca ão ao longo da década passada (Kong e Gallaghe , 2021).
Os bancos de desen ol imen o chineses – Banco de Desen ol imen o da China
(China De elopmen Bank – CDB) e Banco de Expo ação e Impo ação da China (Expo -
-Impo Bank o China – Chexim) –
16
o am esponsá eis po inancia ce ca de dois
e ços do o al da capacidade dessas usinas de ca ão (Sp inge , Lu e Chi, 2022).
Se a desca bonização dos po ólios do CDB e do Chexim cons i ui ia um dos p in-
cipais desa ios pa a conc e iza os es o ços de Beijing o ien ados ao “es e deamen o”
de seus in es imen os e inanciamen os in e nacionais,17 as emp esas chinesas, em
pa icula as companhias de capi al p i ado, êm lide ado a expansão dos luxos de
IED em ene gias al e na i as e consequen emen e ampliado o engajamen o chinês
em p oje os eno á eis no ex e io (Sp inge , 2020). En e 2019 e 2022, a capacidade
acumulada de unidades sola es em ope ação e em cons ução con oladas po i mas
chinesas mais do que iplicou, passando de 1,4 GW pa a mais de 4,9 GW, enquan o a
po ência ins alada de ene gia eólica p a icamen e dob ou, subindo de 5,1 GW pa a 9,5
GW (Ama al e al., 2023).
13. Disponí el em: h ps://www.bu.edu/cgp/. Acesso em: 13 ab . 2023.
14. A base da CGPD con empla os luxos de IED de emp esas chinesas e os inanciamen os do CDB e/
ou do Chexim em p oje os de ge ação de ene gia no ex e io . No âmbi o do IED, são conside ados an o
a aquisição de a i os exis en es (b own ield) quan o a cons i uição de no os a i os (g een ield). Além
disso, uma pa cela dos dados cons an es na base conside a p oje os que en ol em simul aneamen e
IED e inanciamen o do CDB e/ou do Chexim.
15. De aco do com a CGPD, esses 39 GW co espondem apenas a p oje os em ope ação. Há p edomínio
dos inanciamen os do CDB e/ou do Chexim (23,8 GW), seguido pelo IED g een ield (7,9 GW) e pelas
ope ações de usão e aquisição (2,6 GW). Há ainda p oje os de ca ão que con a am simul aneamen e
com IED de i mas chinesas e inanciamen o do CDB e/ou do Chexim (4,9 GW). In o mações disponí eis
em: h ps://www.bu.edu/cgp/. Acesso em: 13 ab . 2023.
16. Es ima-se que esses bancos enham o necido ce ca de US$ 15,6 bilhões, ou o equi alen e à me ade
de odo o inanciamen o público ans on ei iço de ca ão en e 2013 e 2018. Disponí el em: h ps://
globalene gymoni o .o g/p ojec s/global-coal-public- inance- acke /. Acesso em: 16 se . 2023.
17. Somados, os se o es de ene gia eólica, sola e de biomassa co esponde am a menos de 2% do
o al de inanciamen os de ambas as en idades em p oje os de ge ação de ene gia en e 2000 e 2021.
In o mações disponí eis em: h ps://www.bu.edu/cge /#/in o. Acesso em: 13 ab . 2023.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
21
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Os dados do China Global In es men T acke (CGIT), apesa de o e ece em um
pano ama mais conse ado ,
18
co obo am essa dinâmica ecen e. Desde 2018, e, po -
an o, con emplando os impac os das es ições da pandemia sob e os in es imen os
chineses (Scisso s, 2022), os luxos de IED em ene gias al e na i as p a icamen e
duplica am, subindo de US$ 21 bilhões pa a mais de US$ 42 bilhões, iden i icados ao
inal de 2023. Em pa alelo, no a-se uma d ás ica edução dos in es imen os no se o
de ca ão, que declina am de mais de US$ 10 bilhões, em 2015, pa a US$ 290 milhões,
em 2022.19,20
É no ó io o des aque da Amé ica La ina, egião que possui a e cei a maio capa-
cidade de ge ação de ene gia com inanciamen o e/ou IED chinês, onde os ecu sos
eno á eis êm ecebido p e e ência.
21
Mesmo exce uando a obus a capacidade hid elé-
ica (20,5 GW) ins alada com a pa icipação de ecu sos chineses, ais con ibuições
ambém se azem signi ica i as em pa ques sola es (2,25 GW) e eólicos (4,1 GW).
A Amé ica La ina é a única egião a ecebe ecu sos e inanciamen os em p oje os de
biomassa – 703 MW (Ama al e al., 2023).
De e-se essal a que ap oximadamen e ês qua os da capacidade de ge ação de
ene gia com a pa icipação chinesa en ol e am IED b own ield (24,2 GW), em especial
no se o hid elé ico (15 GW), o que não implica ac éscimo de capacidade ins alada,
ao menos no cu o p azo (Ching, 2021). O CDB e o Chexim ambém con ibuí am com
o inanciamen o de di e sos p oje os hid elé icos na egião (2,7 GW). Po sua ez, os
luxos de IED g een ield da China em ge ação de ene gia na Amé ica La ina o aliza am
ce ca de 4 GW, incluindo 2,5 GW de ac éscimos de capacidade eólica e sola .22
O en ol imen o de emp esas chinesas em p oje os e des na Amé ica La ina pa ece
c escen e, seja po meio das aquisições (b own ield), seja pela cons ução de no os
p oje os (g een ield). En e 2019 e 2022, a capacidade eólica con olada po i mas
18. O alo pa a as ene gias al e na i as ende a se subes imado, uma ez que a CGIT exclui ansações
de IED in e io es a US$ 100 milhões, mais equen es no âmbi o das ene gias al e na i as.
19. Cabe salien a que não o am egis ados in es imen os acima de US$ 100 milhões no se o de
ca ão em 2021.
20. Disponí el em: h ps://www.aei.o g/china-global-in es men - acke /. Acesso em: 10 maio 2023.
21. Pa a mais de alhes sob e a dis ibuição egional do en ol imen o chinês em emp eendimen os de
ge ação de ene gia, e Ama al e al. (2023).
22. Esses alo es con emplam p oje os em ope ação, em cons ução e em planejamen o. Ve Ama al
e al. (2023) pa a mais de alhes.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
22
3057
chinesas na egião dob ou, passando de 1,4 GW pa a 3,2 GW,
23
enquan o a capacidade
sola p a icamen e quad uplicou du an e o mesmo pe íodo, subindo de 363 MW pa a
ce ca de 1,4 GW24 (Ama al e al., 2023).
Embo a subes imados, os dados da CGIT con i mam esse cená io. Desde o inal
de 2018, o acumulado de IED de emp esas chinesas em ene gias al e na i as quin-
uplicou, subindo de US$ 960 milhões pa a US$ 5,3 bilhões, egis ados ao inal de
2023.25 A a uação des as i mas ambém en ol eu a p es ação de se iços de cons-
ução e engenha ia, sob e udo po meio de p oje os na modalidade EPC,
26
além do
o necimen o de ecnologias na i as e insumos a baixo cus o, em pa icula de painéis
sola es, mesmo pa a unidades cons uídas po companhias de ou as nacionalidades
(Uga eche e Leon, 2022).
De ido ao peso da China e a seu engajamen o nas ações climá icas globais, a coope-
ação com o país se á de ex ema ele ância pa a auxilia a ansição ene gé ica dos países
em desen ol imen o. Na Amé ica La ina, egião que já concen a uma pa cela signi ica i a
dos in es imen os chineses em p oje os de ene gias eno á eis (Ama al e al., 2023), as
emp esas chinesas êm buscado expandi sua p esença no segmen o, consequen emen e
ampliando a capacidade ins alada de ge ação de ene gia de baixo ca bono.
Con udo, em con o midade com a di e enciação p e iamen e desc i a en e adição
e ansição ene gé ica, é possí el a i ma que es es in es imen os es ejam e e i amen e
impulsionando a ansição ene gé ica da egião, ou apenas adicionando ao seu po encial
ene gé ico? É plausí el que es a a uação das emp esas chinesas na Amé ica La ina
es eja e le indo as no as o ien ações e p incípios p omo idos pela China em sua “no a
e a de desen ol imen o e de”, ou os in es imen os em ecu sos eno á eis icam em
segundo plano, em compa ação à p esença de companhias chinesas em indús ias
ex a i as e poluen es na egião?
23. O soma ó io con empla apenas p oje os em ope ação, conside ando-se que não há egis os de unida-
des em cons ução. Ce ca de um e ço des e o al (950 MW) co espondeu a ac éscimos de capacidade
ins alada (g een ield). Pa a mais de alhes, e Ama al e al. (2023) e CGPD (disponí el em: h ps://www.
bu.edu/cgp/; acesso em: 13 ab . 2023).
24. O soma ó io inclui p oje os em ope ação e em cons ução. Des e o al, pa cela ele an e (1 GW)
co espondeu à aquisição de a i os exis en es (b own ield). Pa a mais de alhes, e Ama al e al. (2023)
e CGPD (disponí el em: h ps://www.bu.edu/cgp/; acesso em: 13 ab . 2023).
25 . Disponí el em: h ps://www.aei.o g/china-global-in es men - acke /. Acesso em: 10 maio 2023.
26. Sigla pa a enginee ing, p ocu emen and cons uc ion. Re e e-se a um ipo de con a o que comp eende
odas as e apas de implemen ação de um p oje o, com cus os e pe íodo de execução p e iamen e ixados.
Podem se ambém e e idos como u nkey p ojec s. Há uma p e e ência de companhias chinesas po
esse ipo de con a o (Chau e e al., 2020). Segundo dados da CGIT, são US$ 2,26 bilhões em con a os
de cons ução no se o de ene gias al e na i as com en ol imen o de i mas chinesas na Amé ica La ina
(disponí el em: h ps://www.aei.o g/china-global-in es men - acke /; acesso em: 10 maio 2023).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
23
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O ien ada po esses ques ionamen os, a p óxima seção explo a os e ei os da p e-
sença chinesa sob e a ansição ene gé ica da Amé ica La ina, omando como e e ência
os casos de B asil e A gen ina.
3 O PAPEL DA CHINA NA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA DE BRASIL
E ARGENTINA
A a luência de capi ais chineses em p oje os de ge ação de ene gia eno á el e le e, de
o ma ainda incipien e, embo a pe cep í el, as polí icas de desen ol imen o impulsio-
nadas pela China na es e a domés ica e c escen emen e inco po adas às suas ações
in e nacionais de coope ação e desen ol imen o (Ama al e al., 2023). Na Amé ica
La ina, o in e esse chinês em p oje os de ene gia eno á el em se mani es ado inicial-
men e em pa cei os adicionais, como B asil e A gen ina (Ribei o e Unga e i, 2020).
Ambos os países cul i am p o undas elações econômicas com a China e i ma am, ao
longo do século XXI, pa ce ias es a égicas com o país asiá ico (Rubio e Jáu egui, 2022).
De um lado, o B asil se si ua como cen o g a i acional dos luxos de IED da China
na Amé ica La ina, endo sido des ino de US$ 71,6 bilhões em in es imen os desde
2007, com en oque ecen e nos se o es de ecnologia e ansição ene gé ica (Ca iello,
2023). A A gen ina, po ou o lado, des aca-se como p incipal me cado na Amé ica
La ina pa a p oje os de in aes u u a cons uídos po i mas chinesas, com egis os
que somam US$ 26,6 bilhões desde 2012 (Pe e s, 2023).
A análise dos casos de B asil e A gen ina é ilus a i a quan o às po encialidades e
às limi ações das con ibuições chinesas pa a as aje ó ias de ansição ene gé ica na
Amé ica La ina, e elando, ao mesmo empo, semelhanças e di e enças impo an es, em
especial no que diz espei o aos di e en es modos de a uação e engajamen o da China.
3.1 B asil
A discussão sob e a ansição ene gé ica do sis ema elé ico b asilei o pa a on es al e -
na i as – sola e eólica – pe maneceu ela i amen e a e ecida no B asil (Hochs e le ,
2020; Kamigau i e al., 2023). Es a conjun u a se dá p o a elmen e po que o país con a
com a ia conside á el da ge ação de ene gia elé ica baseada em on es eno á eis
e em um pe il de emissões de GEE peculia , no qual desma amen o e expansão das
on ei as ag ícolas espondem pela maio pa e. Con udo, na úl ima década, mo i ado
po uma combinação de a o es, an o me cadológicos quan o ela i os à segu ança
ene gé ica e a comp omissos assumidos na es e a mul ila e al, o B asil log ou a anços
no á eis no aumen o da pa icipação das ene gias al e na i as ci adas em sua ma iz.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
24
3057
Uma das ca ac e ís icas mais emblemá icas do pe il ene gé ico b asilei o consis e
no p edomínio da on e hid elé ica. O país con a com mais de 109 GW de capacidade ins-
alada e ge ação de ene gia es imada em 362,82 GWh, o que o coloca na e cei a posição
mundial em ge ação a pa i dessa on e, somen e a ás de China e Canadá.27 O po encial
hid elé ico b asilei o é es imado em 172 GW, dos quais mais de 60% já o am ap o ei ados.
28
Du an e a úl ima década, o B asil passou po modi icações impo an es em seu
sis ema ene gé ico. Con o me demons ado na abela 3, ao mesmo empo que a pa -
icipação combinada do gás na u al e do ca ão mais do que duplicou no pe íodo, o
maio c escimen o oi elacionado às chamadas on es “al e na i as” (eólica e sola ).
No a elmen e, a ge ação de ene gia sola passa a de i ualmen e inexis en e, no início
da década, pa a 16,75 GW em 2021, enquan o as on es eólicas ap esen a am expansão
de mais de 33 ezes no mesmo pe íodo, em g ande medida, de ido às polí icas e aos
incen i os públicos di ecionados ao se o .29
TABELA 3
E olução da capacidade ins alada de ge ação elé ica, po on e de ene gia –
B asil (2010-2021)
(Em MW)
Se o 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Biomassa e
esíduos 9.800 10.700 11.200 12.300 13.200 13.500 14.000 14.400 14.500 14.700 15.000 15.600
Sola
o o ol aica 0 0 0 0 0 0 100 1500 2.900 5.800 10.000 17.200
Pequenas
hid elé icas 3.700 4.200 4.600 4.800 5.000 5.100 5.400 5.600 5.800 6.100 6.200 6.400
Ca ão 1.100 1.400 2.100 2.900 2.900 2.900 3.100 3.100 3.100 3.500 3.500 3.500
Eólica 900 1.500 1.900 2.200 5.000 7.700 10.100 12.400 14.300 15.300 16.600 18.900
Óleo e diesel 5.600 6.600 7.000 7.700 7.800 8.200 8.400 8.500 8.500 8.700 8.900 9.000
Nuclea 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000
G andes
hid elé icas 77.300 78.800 82.800 87.200 87.900 89.700 101.200 101.900 101.900 103.000 103.000 103.000
Gás na u al 10.900 11.000 11.000 12.100 12.600 12.600 13.200 13.800 13.800 13.800 15.400 17.000
To al 111.300 116.200 122.600 131.200 136.400 141.700 157.500 163.200 166.800 172.900 165.600 192.600
Fon e: Clima escope. Disponí el em: h ps://www.global-clima escope.o g/ma ke s/b /. Acesso
em: 13 ago. 2023.
Elabo ação dos au o es.
27. Pa a mais in o mações, e Clima escope (disponí el em: h ps://www.global-clima escope.o g/
ma ke s/b /; acesso em: 13 ago. 2023); e Hyd oelec ici y Gene a ion: coun y ankings (disponí el em:
h ps://www. heglobaleconomy.com/ ankings/hyd oelec ici y_gene a ion/#:~: ex =Hyd oelec ici y%20
gene a ion%20-%20Coun y%20 ankings& ex =The%20a e age%20 o %202021%20based,and%20Ba -
buda:%200%20billion%20kilowa hou s; acesso em: 13 ago. 2023).
28. In o mações disponí eis em: h ps://www.epe.go .b /p /a eas-de-a uacao/ene gia-ele ica/
expansao-da-ge acao/ on es.
29. Disponí el em: h ps://www.global-clima escope.o g/ma ke s/b /. Acesso em: 13 ago. 2023.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
31
3057
Embo a a a enção do planejamen o ene gé ico pa a o desen ol imen o de ene gia
sola enha sido pos e io e mui o associada à edução dos cus os in e nacionais, o
desen ol imen o desse segmen o c esceu exp essi amen e nos úl imos anos. Em
2012, oi egulamen ada a ge ação dis ibuída (GD),43 incluindo ene gia sola (Resolu-
ção No ma i a – REN no 482/2012); e, em 2014, dinâmicas semelhan es às da ene gia
eólica su gi am quando a Aneel ealizou o p imei o leilão de ese a com ene gia sola
cen alizada (Hochs e le , 2021). En e 2017 e 2018, as ins alações sola es quase ipli-
ca am, enquan o, somen e no p imei o semes e de 2023, o B asil egis ou a adição de
4,1 GW de po ência ins alada po mic o e minige ação o o ol aica e 360,9 mil sis emas
o o ol aicos conec ados (Hein, 2023).
O desen ol imen o das indús ias b asilei as de ene gia sola e componen es
en en a obs áculos signi ica i os. As emp esas b asilei as êm expe iência em p o-
cessamen o e mon agem, mas p ecisam melho a suas capacidades de design de
componen es. A al a de ecu sos pa a pesquisa e ino ação, as ince ezas mac oeco-
nômicas, a lacuna de inanciamen o e a dominação chinesa na p odução de compo-
nen es sola es são desa ios impo an es (Fe ei a, 2017). Além disso, a ausência de
uma polí ica es á el de ene gia sola no B asil con ibui pa a a al a de con inuidade
na demanda (Losekann e Halack, 2018).
O B asil é o maio me cado de ene gias eno á eis da Amé ica La ina e um dos
p incipais em e mos de ac éscimos de capacidade de ge ação eno á el, ao lado dos
Es ados Unidos, da União Eu opeia, da Índia e da p óp ia China (IEA, 2023b). Não obs-
an e, a ingi as me as de desca bonização p opos as em suas NDCs mais ecen es e
uma p opo ção ainda mais al a de ene gia eno á el em sua ma iz demanda es o ços
signi ica i os, sob e udo em e mos de edi ecionamen o dos olumes de in es imen os.
Os desa ios pa a desca boniza a economia b asilei a são di e sos e en ol em
ga galos in aes u u ais, como capacidade de conexão da ede, ausência de linhas
de ansmissão, di iculdades na in eg ação de ede, ba ei as de acesso ou linhas de
inanciamen o insu icien es pa a a ende à demanda po capi al, an o público quan o
43. Ge ação dis ibuída é a exp essão usada quando a ele icidade é ge ada a pa i de on es, mui as
ezes on es de ene gia eno á eis, p óximas do pon o de uso, em ez de on es de ge ação cen alizadas
de usinas de ene gia. As cen ais elé icas cen alizadas exigem que a ene gia elé ica seja ansmi ida
po longas dis âncias. A ge ação dis ibuída, en e an o, es á localizada pe o da demanda. A ge ação
dis ibuída pode a ende a uma única es u u a, como uma casa ou uma emp esa, ou pode aze pa e de
uma mic o ede, como em uma g ande ins alação indus ial, uma base mili a , ou um campus uni e si á io
(disponí el em: h ps://www.epa.go /ene gy/dis ibu ed-gene a ion-elec ici y-and-i s-en i onmen al-im-
pac s; acesso em: 22 maio 2023).

TEXTO pa a DISCUSSÃO
32
3057
p i ado (San os, 2017). Há ques ões de na u eza polí ica e ins i ucional ligadas à á ea
de egulação da ansição ene gé ica e polí icas indus iais azoá eis pa a o se o .
De aco do com o Rela ó io de clima e desen ol imen o do país pa a o B asil, do
Banco Mundial, pa a ap o ei a ao máximo o po encial de ansição, o B asil p ecisa
-
ia de in es imen os líquidos de 0,8% de seu p odu o in e no b u o (PIB) anualmen e,
a é 2030. Embo a os bancos nacionais de desen ol imen o, pa icula men e o Banco
Nacional de Desen ol imen o Econômico e Social (BNDES), sejam p o agonis as no
inanciamen o de ene gia limpa, a pa icipação de in es ido es p i ados e de in es i-
men o e inanciamen o ex e no de e ia se incen i ada.
Na p óxima subseção, se á e i icado como o IED e a coope ação pa a o desen ol
-
imen o da China podem con ibui pa a a expansão e o desen ol imen o da indús ia
de ene gias al e na i as e a ansição ene gé ica, no caso b asilei o.
3.1.1 Coope ação da China pa a a ansição ene gé ica no B asil
O B asil é o maio ecep o de in es imen os chineses no se o ene gé ico, com mais de
US$ 50 bilhões em IED de emp esas chinesas no se o , en e 2005 e 2022.
44
Como esul-
ado, emp esas e bancos do país asiá ico g adualmen e o na am-se a o es undamen-
ais nas a i idades que en ol em ge ação, ansmissão e dis ibuição de ele icidade.
No pe íodo en e 2007 e 2022, de aco do com o Conselho Emp esa ial B asil-China
(CEBC), o se o de ele icidade abso eu a maio pa e das in e sões chinesas no B asil
(45,5% do olume o al), seguido po ex ação de pe óleo (30,4%), ex ação de mine-
ais me álicos (6,2%), indús ia manu a u ei a (6,2%), ob as de in aes u u a (4,4%) e
ag icul u a e se iços elacionados (3,4%). Os demais se o es i e am pa icipações
indi iduais de in es imen o in e io es a 2% (Ca iello, 2023).45
O segmen o de ge ação hid elé ica oi impulsionado pela chegada de emp esas
como a China Th ee Go ges (CTG), em 2011; e nas a i idades de ansmissão e dis i-
buição, o impulso oi dado pela S a e G id, cujas ope ações o am iniciadas em 2010
no país. Somadas, as aquisições (e p oje os g een ield, em meno escala) des as i mas
o alizam 14.776 MW na capacidade ins alada de hid elé icas na ma iz b asilei a.46
44. Disponí el em: h ps://www.aei.o g/china-global-in es men - acke /. Acesso em: 10 maio 2023.
45. Em elação ao núme o de p oje os, o se o de ele icidade ambém se mos ou o mais a a i o, com
35,7% dos emp eendimen os, seguido pela indús ia manu a u ei a (23,4%) e os se o es de ecnologia
da in o mação (13,2%), ag icul u a e se iços elacionados (6,4%), ex ação de pe óleo (5,5%) e se iços
inancei os (5,1%). Ou os segmen os i e am pa icipações meno es, abaixo de 4% (Ca iello, 2023).
46. Disponí el em: h ps://www.bu.edu/cgp/. Acesso em: 13 ab . 2023.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
33
3057
A comp a de a i os de emp esas nacionais e es angei as mos ou-se o p incipal
mecanismo de en ada das emp esas chinesas no me cado b asilei o de ene gia. A CTG
inicialmen e adqui iu 49% dos a i os da Ene gias de Po ugal (EDP), assumindo pa e das
usinas hid elé icas (UHEs) de São Manoel (700 MW), em Ma o G osso; San o An ônio
do Ja i (392 MW), no Pa á; e Cachoei a-Caldei ão (219 MW), no Amapá ( abela 5). A CTG
ambém adqui iu, po leilão da Aneel, as UHEs de Jupiá e Ilha Sol ei a, em 2015; e, em
2016, concluiu a comp a de oi o UHEs da Duke Ene gy.47
TABELA 5
P incipais aquisições de emp esas chinesas em ge ação de ene gia hid elé ica
no B asil
Ano
In es ido
Aquisição Recep o Volume
(R$ 1 milhão)
2018 CTG 100% da A iaia Ene gia Co nélio B enna d 940,8
2017 SPIC UHE São Simão Cemig 7.180
2016 CTG Oi o UHEs do po ólio de a i os da
Duke Ene gy Duke Ene gy 3.700
2015 CTG UHEs Jupiá e Ilha Sol ei a Cesp 13.800
2015 CTG UHEs Sal o e Ga ibaldi T iun o Pa icipações
e In es imen os 966,7
2013 CTG 50% UHEs Cachoei a Caldei ão EDP 294
2013 CTG 33,3% da UHE São Manoel EDP 3.600
2013 CTG 50% da UHE San o An ônio do Ja i EDP 490
Fon es: Aneel (2016); B asil (2017; 2018; 2020); CTG B asil... (2022; disponí el em:h ps://www.c gb .
com.b /sob e-nos/); Colle (2017); Es ado de São Paulo (2020); e S a e... (2017).
Elabo ação dos au o es.
Obs.: SPIC – S a e Powe In es men Co po a ion; Cemig – Companhia Ene gé ica Minas Ge ais
S/A; Cesp – Companhia Ene gé ica de São Paulo.
A a uação das emp esas chinesas na ansmissão e dis ibuição de ene gia elé-
ica acompanhou a expansão das a i idades das emp esas no segmen o de ge ação.
Es ima-se que es as i mas con olem 10% da p odução de ele icidade, 12% das linhas
de ansmissão e 12% de oda a malha de dis ibuição de ene gia elé ica no B asil
(Ba bosa, 2021).
47. Pa a mais in o mações, consul a Aneel (2016) e o si e da CTG B asil, disponí el em: h ps://www.
c gb .com.b /sob e-nos/.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3057
A S a e G id passou a lide a o segmen o de ansmissão, sendo esponsá el pela
linha Xingu-Rio, a maio linha de ansmissão do mundo.48 Hou e ambém a aquisição
do con ole acioná io da CPFL Ene gia (po R$ 14,190 bilhões) e o êxi o na lici ação
pa a a cons ução das duas linhas de ansmissão de Belo Mon e, segunda maio
hid elé ica do B asil, com 11 GW de capacidade ins alada (Reu e s, 2017; Cui e Zheng,
2019). Em pa icula no caso da CPFL Ene gia,49 cabe isa que os a i os adqui idos
não se limi a am ao segmen o de ansmissão, englobando ambém as a i idades de
ge ação e dis ibuição.
A mesma i ma oi esponsá el pela in odução do sis ema de ansmissão de
±800 kV UHVDC (ul a-high- ol age di ec cu en ), ou ul a-al a ensão (UHV), no p oje o,
ecnologia que pe mi e o anspo e de ene gia po dis âncias in e con inen ais, com
pe das ene gé icas mínimas. As linhas de al a ensão de Belo Mon e conec am pon os
de mais de 4,6 mil quilôme os de dis ância.50
A CTG ambém passou a ope a no se o de ansmissão em 2016, po meio de
suas aquisições na EDP. A comp a de emp esas como a Li o al Sul T ansmisso a de
Ene gia e a Cen ais Elé icas de San a Ca a ina S/A (Celesc), ambas localizadas em
San a Ca a ina, possibili ou a expansão em ce ca de 2.111 km de linhas de ansmissão
sob pode da emp esa (Ba bosa, 2021).
As duas emp esas ambém pa icipam do segmen o de dis ibuição de ene gia
elé ica. No caso da S a e G id, a pa icipação se de e ao con ole acioná io da CPFL
Ene gia, em 2017. A CTG, po sua ez, passou a a ua no segmen o po meio da EDP,
que con a com unidades de dis ibuição em 28 municípios do es ado de São Paulo e
78 no Espí i o San o. A EDP con a ainda com pa icipação de 29,9% no capi al social
da Celesc, que a ua em San a Ca a ina.51
48. Disponí el em: h ps://www.s a is a.com/s a is ics/1305820/longes -powe - ansmission-lines-wo ldwide/.
49. CPFL – Companhia Paulis a de Fo ça e Luz.
50. O p oje o oi di idido em duas e apas. A p imei a ase consis iu na cons ução de ap oximadamen e
2,1 mil quilôme os de linhas que conec a am Xingu, no Pa á, a Es ei o, em Minas Ge ais. Essa ase oi
inaugu ada em dezemb o de 2017, po meio de um consó cio o mado po Fu nas (24,5%), Ele ono e
(24,5%) e S a e G id (51%). A segunda ase en ol eu a cons ução de mais de 2,5 mil quilôme os de
linhas que conec am Xingu ao Rio de Janei o, pela S a e G id, ob a concluída em junho de 2019 (Cui e
Zheng, 2019).
51. Disponí el em: h ps:// i.edp.com.b /p -b /edp-ene gias-do-b asil/a ea-de-a uacao/. Acesso em: 12 se . 2023.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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TABELA 6
P incipais aquisições de emp esas chinesas em ansmissão de ene gia no B asil
Ano In es ido Aquisição Recep o Volume
(R$ 1 milhão)
2015 S a e G id e
Ele ono e
Segunda linha de ansmis-
são de Belo Mon e Leilão da Aneel 1.200
2014 S a e G id,
Ele ono e e Fu nas
P imei a linha de ansmis-
são de Belo Mon e Leilão da Aneel 434,60
2012 S a e G id e Copel Lo es A e B do Complexo
Teles Pi es Leilão da Aneel 126,44
2012 S a e G id Se e linhas de ansmissão ACS G oup1 1.860
2010 S a e G id Se e linhas de ansmissão Plena T ansmisso a 3.100
Fon es: CEBC (2014, 2016, 2018); Ca allini (2015); Zhou e al. (2022); e AEI (disponí el em: h ps://
www.aei.o g/china-global-in es men - acke /; acesso em: 10 maio 2023).
Elabo ação dos au o es.
No a: 1 Ac i idades de Cons ucción y Se icios ACS G oup.
Obs.: Ele ono e – Cen ais Elé icas do No e do B asil S/A; e Fu nas – Fu nas Cen ais Elé icas S/A.
As ope ações b own ield ambém p edomina am em elação às on es eólica e
sola . A SPIC, g ande emp esa no se o de eno á eis, ampliou pa icipação no seg-
men o eólico b asilei o ao adqui i dois pa ques do po ólio da Paci ic Hyd o B azil, em
2017, o Millennium e o Vale dos Ven os, com capacidade o al ins alada de 58,2 MW.52
Em 2019, a China Gene al Nuclea Powe (CGN) comp ou o conjun o de p oje os de
ene gia eólica da A lan ic Ene gias Reno á eis, pe encen e à i ma b i ânica Ac is.
53
Po
meio dessa ansação, a CGN se o nou de en o a de di e sos pa ques eólicos espalhados
pelo e i ó io b asilei o, incluindo o Pa que Eólico Lagoa do Ba o (195 MW), no Piauí;
o Complexo Mo inhos (180 MW), localizado na Bahia; o Pa que Eólico Renascença V
(30 MW), no Rio G ande do No e; e o Complexo San a Vi ó ia do Palma , (207 MW), no
Rio G ande do Sul. No mesmo ano, a CGN adqui iu a i os da i aliana Enel G een Powe ,
com capacidade combinada de 540 MW, compos a dos pa ques sola es de No a Olinda
(292 MW), no Piauí; e Lapa (158 MW) e o pa que eólico C is alândia (90 MW), ambos
localizados na Bahia (Enel..., 2019).
52. Disponí el em: h p://eng.spic.com.cn/2021/wha wedo/in e na ionalp esence/oceaniacen aland-
sou hame ica/. Acesso em: 25 maio 2023.
53. Ac ônimo de accoun abili y, collabo a ion, anspa ency, inclusion, sus ainabili y).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3057
A CTG ealizou impo an es aquisições ambém no segmen o eólico. A companhia
adqui iu 49% em onze pa ques eólicos da EDP e da EDP Reno á eis (EDPR), em 2015.
O in es imen o oi de ap oximadamen e US$ 333 milhões, e a capacidade ins alada
dos pa ques a inge 328 MW.
Em elação aos in es imen os g een ield, em 2023, a EDPR inaugu ou seu mais
ecen e complexo eólico no Rio G ande do No e, conside ado o maio do B asil, com
580 MW de capacidade e 138 u binas. O complexo inclui ca o ze pa ques eólicos,
sendo os maio es Mon e Ve de I-VI, Boquei ão I-II e Je usalém I-VI (EDP..., 2023).
54,55
A emp esa ambém inaugu ou em 2021 o maio complexo sola de São Paulo e quin o
maio do B asil, no município de Pe ei a Ba e o (EDP..., 2021). Com á ea equi alen e
a 421 campos de u ebol, o complexo con a com quase 600 mil placas sola es e em
p odução su icien e pa a abas ece um município com 751.970 habi an es. O pa que
adiciona 199 MW de capacidade ao po ólio da emp esa no B asil (Daguano, 2021).56
O con ole acioná io da CPFL Ene gia e sua subsidiá ia de eno á eis pela S a e
G id possibili ou que a emp esa chinesa expandisse sua a uação pa a os segmen os
de ene gias al e na i as no B asil. Além de oi o usinas hid elé icas, ep esen ando
44,83% da sua ge ação de ene gia, seu po ólio inclui 49 pa ques eólicos (31,72%), seis
cen ais ge ado as hid elé icas (CGHs) e 46 pequenas cen ais hid elé icas – PCHs
(10,83%), oi o plan as de biomassa (8,43%), uma usina sola o o ol aica (0,04%) e duas
e melé icas (4,15%).57
54. A emp esa possui mais de 7 GW em ene gia sola e eólica no B asil, sendo 800 MW já ins alados no
Rio G ande do No e e mais de 300 MW em cons ução no es ado.
55. Pa a mais in o mações, e ambém EDP (disponí el em: h ps:// i.edp.com.b /p -b /edp-ene gias-
-do-b asil/a ea-de-a uacao/; acesso em: 12 se . 2023).
56.
Pa a mais in o mações, e ambém CGDP (disponí el em: h ps://www.bu.edu/cgp/; acesso em:
13 ab . 2023).
57. Disponí el em: h ps://cp lsolucoes.com.b /po olio-ge acao-ene gia-cp l/. Acesso em: 18 se . 2023.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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TABELA 7
P incipais aquisições de emp esas chinesas em p oje os de ene gias
al e na i as no B asil
Ano In es ido Aquisição Recep o Volume
(US$ 1 milhão)
2019 CGN Aquisição de a i os da
Enel G een Powe Enel G een 780
2019 CGN Aquisição de a i os da
A lan ic Reno á eis Ac is 1.030
2017 SPIC
Aquisição dos a i os de
ene gia eólica da Paci ic
Hyd o B asil
Paci ic Hyd o B asil -
2017 S a e G id
Aquisição do con ole
acioná io (54,64% das ações)
da CPFL Ene gia
CPFL Ene gia 4.500
2015 CTG 49% da pa icipação de
onze pa ques eólicos EDP Reno á eis 333
Fon es: Zhou e al. (2022); S a e... (2018); AidDa a (disponí el em: h ps://china.aidda a.o g/; acesso
em: 11 maio 2023); e CGDP (disponí el em: h ps://www.bu.edu/cgp/; acesso em: 13 ab . 2023).
Elabo ação dos au o es.
A China ambém ma ca p esença na indús ia de biomassa no B asil, de ido às
aquisições ealizadas po S a e G id e China Oil and Foods u s Co po a ion (COFCO).
Em conjun o, os p oje os comissionados adicionam 683 MW à capacidade ins alada
de biomassa no B asil,
58
cujas adição e ecnologia no p ocessamen o da cana-de-açú-
ca são econhecidas in e nacionalmen e. A biomassa ep esen a 9,1% da ge ação de
ene gia elé ica b asilei a, e 77,5% dessa po ência ins alada é compos a po ene gia
do bagaço da cana-de-açúca (Cos a e al., 2022).
A COFCO adqui iu o con ole da Noble Ag i Limi ed po ce ca de US$ 750 milhões,
incluindo seu po ólio de qua o usinas suc oalcoolei as em São Paulo, em 2015: Ca an
-
du a, Me idiano, Po i endaba e Sebas ianópolis (Ramos, 2016). Po seu u no, a S a e
G id inco po a a as usinas do po ólio da CPFL Ene gia, após a aquisição do con ole
acioná io da emp esa em 2017. Hoje, a emp esa con a com oi o usinas em qua o
es ados b asilei os.
58. Disponí el em: h ps://www.bu.edu/cgp/. Acesso em: 13 ab . 2023.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3057
Há ambém impo an es in es imen os chineses no me cado de ba e ias, módulos
o o ol aicos e eículos elé icos b asilei os, lide ados pelo conglome ado BYD,59 cuja
subsidiá ia (BYD B asil) anunciou ecen emen e in es imen os de R$ 3 bilhões pa a a
cons ução de seu e cei o complexo indus ial, e p imei o des inado à ab icação de
eículos elé icos no país, no município de Camaça i, Bahia, a pa i da comp a dos
a i os da Fo d na egião (Ne y, 2023).
A BYD já con a a com duas unidades no B asil, em Campinas-SP, em ope ação
desde 2017 e 2022, espec i amen e, ol adas pa a a ab icação de módulos o o ol ai-
cos (BYD e o B asil..., 2022). Em seu anúncio, a BYD des acou que p oduzi á chassis pa a
ônibus e caminhões elé icos, além de p ocessa lí io e e o os a o em ba e ias que
ambém e ão como des ino a expo ação. Uma das unidades se á des inada exclusi a-
men e ao p ocessamen o de lí io e os a o, o que e ia como an agem a p oximidade
com o iângulo do lí io, onde A gen ina, Bolí ia e Chile ab igam 56% das ese as do
me al essencial na p odução de ba e ias (China..., 2023).
Com elação aos inanciamen os chineses pa a os se o es eno á eis, o ICBC apo -
ou ce ca de US$ 1 bilhão pa a a aquisição do complexo hid elé ico Jupiá e Ilha Sol ei a
pela subsidiá ia da CTG, a Rio Pa aná Ene gia, em 2016. Ou a a uação exp essi a oi o
co inanciamen o do Banco da China com o San ande na cons ução do Pa que Sola
I u e a a, na Bahia, com capacidade de 254 MW e alo es imado de US$ 400 milhões,
pela Enel G een Powe .60
Apesa dos a anços no es abelecimen o de diálogo e da expansão dos IED em
ene gias al e na i as no B asil, a pe spec i a da pa icipação da China pa a ala anca
a ansição ene gé ica e a desca bonização da economia b asilei a é de on ada em
ou as es e as, nas quais a in ensi icação das elações econômicas en e os países
esul a no ap o undamen o da deg adação ambien al e das emissões.
Um dos p incipais desa ios nesse quesi o eme ge no campo das elações come -
ciais, pois a China é o maio impo ado de soja, miné io de e o e pe óleo c u do B asil,
me cado ias cujas a i idades p odu i as ge am impac os conside á eis no desma a-
men o e na deg adação do solo e meio ambien e.61 Di e sos es udos demons am os
e ei os nega i os do c escimen o da demanda chinesa po ais ecu sos no desma a-
men o e na ele ação das emissões (Fuchs, 2020; Kim e T omp, 2021; Sil a e al., 2020).
59. BYD – Build You D eams.
60. Disponí el em: h ps://china.aidda a.o g/. Acesso em: 11 maio 2023.
61. Disponí el em: h ps://oec.wo ld/en/p o ile/coun y/b a. Acesso em: 14 ago. 2023.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
39
3057
Os impac os são pa icula men e acen uados pelo c escimen o da demanda chinesa
po soja, que ele a os p eços in e nacionais e, consequen emen e, es imula ag icul o es
b asilei os a expandi em a p odução (Fuchs, 2020). O aumen o da p odução b asilei a se
dá no malmen e pela expansão do uso das e as, p incipal a o ge ado de emissões
GEE (e não pelo aumen o da p odu i idade). Po isso, a iscalização insu icien e mui as
ezes implica desma amen o e expansão da on ei a ag ícola. P oje os de in aes u u a
e a expansão da mine ação equen emen e ocasionam impac os ambien ais nega i os,
sob e udo na egião amazônica (Fea nside, Figuei edo e Bonjou , 2013).
O di ecionamen o ex ensi o do IED pa a se o es ósseis da economia nacional,
sob e udo o pe óleo, ambém cons i ui p oblema ele an e. Com a descobe a da
camada p é-sal, as g andes pe olei as es a ais chinesas China Na ional Pe oleum
Co po a ion (CNPC), China Pe oleum and Chemical (Sinopec), Sinochem e China Na io-
nal O -sho e Oil Co po a ion (CNOOC) o na am-se a i as do se o . Em 2021, 85% dos
in es imen os chineses no B asil o am des inados ao se o de pe óleo, o equi alen e a
ce ca de R$ 5 bilhões, sendo ce ca de 97% do olume des inado pa a p oje os g een ield
(Ca iello, 2021).
3.2 A gen ina
A ansição ene gé ica a gen ina e ela desa ios a elados às dinâmicas elacionadas à
c escen e p esença de en idades chinesas no se o de ene gias eno á eis na Amé ica
La ina. Nas úl imas décadas, o país em mani es ado c escen e in e esse em assegu a
opções de on es adicionais pa a a ga an ia da segu ança ene gé ica. Há mo i ações
que en ol em a o es como p eocupações com a c ise climá ica, ola ilidade dos p eços
de pe óleo e gás e necessidade de mode niza a in aes u u a ene gé ica (Clemen i
e al., 2019).
Em cump imen o ao Aco do de Pa is, a A gen ina ap esen ou, em 2015, sua
p imei a NDC, cuja me a inicialmen e consis ia em não excede a emissão líquida
de 483 milhões de oneladas de dióxido de ca bono (M CO2e) a é 2030, o que ep e-
sen a ia uma edução de 18% em elação a um cená io de con inuidade – business
as usual – BUA (Panadei os, 2020). Em dezemb o de 2020, a NDC a gen ina se ia
a ualizada, p e endo o comp omisso de não excede emissões líquidas de 349
M CO2e a é 2030, co espondendo a uma edução adicional de 26% nas emissões
em elação à p imei a NDC ap esen ada pelo país.62
62. Disponí el em: h ps://clima eac ion acke .o g/coun ies/a gen ina/ a ge s/. Acesso em: 20 jul. 2023.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
40
3057
A e e i ação dos comp omissos ci ados e o a ingimen o da me a de neu alidade
de ca bono a é 2050 exigi iam, en e an o, uma p o unda ees u u ação do sis ema
ene gé ico, al amen e dependen e de on es ósseis. Es a es u u a cons i ui a p incipal
on e de emissões de GEE do país63 (Clima e T anspa ency, 2022). O gás na u al64 e o
pe óleo espondem, espec i amen e, po 52% e 32% da o e a p imá ia de ene gia
65
(A gen ina, 2021) e, em conjun o, ep esen am mais de 60% da ge ação o al de ele ici-
dade no país (Noga , Clemen i e Decun o, 2021). Em 2022, as on es de ene gia é mica
(gás na u al, óleo e diesel e ca ão) co esponde am a pa cela ele an e dos ce ca de
43 GW de capacidade ins alada de ge ação na A gen ina (g á ico 5).
GRÁFICO 5
Capacidade ins alada (MW) de ge ação de ele icidade, po on e de ene gia –
A gen ina (2022)
(Em %)
59
25
8
431
Té mica Hid elé ica Eólica Nuclea Sola Hid elé ica eno á el Biomassa/biogás (0%)
Fon e: Cammesa (2023).
Elabo ação dos au o es.
Obs.: De aco do com a legislação nacional da A gen ina (2015), apenas as hid elé icas com a é
50 MW de capacidade são conside adas eno á eis.
A despei o do p edomínio óssil, a A gen ina em a ançado na inco po ação de
on es eno á eis, di e si icando sua ma iz elé ica e eduzindo sua dependência de
63. O se o ag ícola é o segundo mais ele an e, esponsá el po 32% das emissões de GEE, seguido po
a i idades en ol endo p ocessos indus iais, com 6% (Clima e T anspa ency, 2022).
64. Além da ge ação de ele icidade, o gás na u al é amplamen e u ilizado nos se o es indus ial e esi-
dencial, enquan o o se o de anspo es ambém se baseia o emen e em combus í eis ósseis, com
exceção dos ens elé icos exis en es nas p incipais cidades (Goe e e Chincuini, 2023).
65. As on es não ósseis ep esen am 13% da o e a p imá ia de ene gia, con emplando ene gia nuclea
(4%), ene gias eno á eis (6%) e g andes hid elé icas (3%) (A gen ina, 2021).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
47
3057
Como esul ado da odada 1, no segmen o de ene gia sola , oi concedida à Jemse,
emp esa pública local de ene gia, a lici ação pa a cons ui um complexo sola em
Caucha i, na p o íncia de Jujuy. A cons ução e a ope ação do pa que sola ica am
sob esponsabilidade de duas emp esas chinesas, a Powe Cons uc ion Co po a ion
o China (Powe China) e a Shanghai Elec ic, enquan o a Talesun o neceu os painéis
sola es (Rubio e Jáu egui, 2022).
O cus o da ob a icou ao edo de US$ 540 milhões, dos quais US$ 331 milhões
o am inanciados pelo Chexim, e o es an e po í ulos e des
73
emi idos pelo go e no
p o incial de Jujuy (Lucci e Ga zón, 2019). A inaugu ação de Caucha í oco eu em
ou ub o de 2019 e a come cialização da ene gia se iniciou ce ca de um ano depois.
O uncionamen o das ês unidades en ega ao sis ema in eg ado a gen ino ene gia
su icien e pa a sup i 70% do consumo a ual da p o íncia de Jujuy (El pa que..., 2021).
Du an e a odada 1.5, a Jinko Sola oi con a ada pa a cons ui o pa que sola
Iglesia Es ancia Guañizuil, na p o íncia de San Juan, com uma capacidade de ge ação
de ene gia de 80 MW. O p oje o exigiu in es imen os de US$ 104 milhões e em ida ú il
de in a anos. Inaugu ada em 2019, a unidade é a ualmen e um dos pa ques de maio
capacidade de ge ação de ene gia sola do país e em, em sua composição, 290 mil
módulos o o ol aicos p o idos pela companhia chinesa, capazes de p oduzi ene gia
su icien e pa a abas ece 60 mil esidências (Noga , Clemen i e Decun o, 2021).
Conside ando-se as pa icipações di e as e indi e as, as emp esas chinesas ob i-
e am 415 MW (45% do o al concedido) em ene gia sola nas duas p imei as odadas
do p og ama Reno A (Oe ec, 2016). Dos 97% dos p oje os concedidos nes as duas
odadas,74 as i mas do país asiá ico ica am com 29% do o al, seguidas pelas espa-
nholas (17%); os 54% es an es o am dis ibuídos en e companhias a gen inas e de
ou os países (Rubio e Jáu egui, 2022).
Cabe des aca ou os p oje os que con a am com apo es de IED de companhias
chinesas. Em 2017, a Xinjiang Goldwind Science & Technology (Goldwind) in es iu
na cons ução das azendas eólicas Loma Blanca I, II e III (cada uma com 52 MW de
73. T a a-se de um í ulo de dí ida ou ins umen o de enda ixa o ulado como e de pelo emisso e
u ilizado pa a cap a ecu sos pa a p oje os climá icos e ambien almen e sus en á eis. Pa a se quali ica
como um í ulo e de, o p oje o de e se e i icado po uma e cei a pa e, como a Clima e Bond S anda d
Boa d, que ce i ica se os undos são des inados a p oje os que azem bene ícios ambien ais (Lucci e
Ga zón, 2019; Bha acha yya, 2022).
74. Nas odadas 1 e 1.5, 97% dos p oje os concedidos o am des inados à ge ação de ene gia sola e
eólica, enquan o os 3% es an es o am dis ibuídos en e p oje os de biogás, biomassa e pequenas
cen ais hid elé icas.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
48
3057
po ência) e Loma Blanca IV (com 103 MW de po ência), odas si uadas na p o íncia
de Chubu , no sul do país. A mesma Goldwind
75
in es iu no pa que eólico Mi ama I
(com 96 MW de po ência), cuja adjudicação ha ia sido inicialmen e concedida pa a a
espanhola Isolux Co sán, na odada 1.5 do Reno A (Unga e i, 2022; Jáu egui, 2021).
Rubio e Jáu egui (2022) a gumen am que os chineses êm mesclado in e esses de
expansão global com o obje i o da A gen ina de p og edi pa a uma ma iz ene gé ica
mais di e si icada e sus en á el, a uando de o ma alinhada aos p og amas go e na-
men ais e em coo denação com en idades locais e emp esa iais, ambém esponsá eis
po a egimen a aco dos de coope ação e a ai inanciamen os.
Es ima-se que as companhias chinesas es ejam en ol idas com a ope ação de
ce ca de 1 GW de a i os eólicos e sola es na A gen ina, equi alen es a um quin o da
capacidade de ene gia eno á el do país sul-ame icano (Unga e i, 2022). Uga eche
e León (2022) ainda eco dam que, mesmo em casos em que as emp esas ou bancos
chineses não sejam os p incipais inanciado es, di e sos p oje os con am com se iços
de cons ução e engenha ia de i mas chinesas ou com a implemen ação de ecnologias
chinesas, como u binas eólicas e células e módulos o o ol aicos.
Em di e en es ocasiões, os in es imen os e/ou inanciamen os são acompanhados
do en ol imen o de en idades chinesas nos p oje os de in aes u u a elacionados,
a uação que oco e especialmen e po meio de cons ução.76 Po exemplo, a Powe -
China, emp esa associada ao p ocesso de cons ução e ope ação do pa que sola
de Caucha í, oi con a ada pela Goldwind pa a o nece os se iços de cons ução e
engenha ia das qua o unidades de Loma Blanca e do pa que eólico de Mi ama , an e-
io men e mencionadas (Nuñez, 2020; Lewkowicz, 2022).
Conside a-se como p oje o de in aes u u a um se iço en e um clien e e um o ne-
cedo po meio de um con a o, no qual a p op iedade pe ence ao clien e. A pa icipação
chinesa em p oje os de in aes u u a não se limi a à cons ução p op iamen e di a,
incluindo a i idades ao longo do ciclo de ida do p oje o. Ou seja, con empla desde a
75. Em conjun o, as unidades cons i uem o maio p oje o eólico desen ol ido po uma emp esa chinesa
na A gen ina. Em ab il de 2021, qua o unidades en a am em ope ação (Loma Blanca I, II e III e Mi ama
I) e o am inco po adas ao sis ema in eg ado da A gen ina (Especial..., 2021).
76. Con a os ge almen e i mados sob a modalidade EPC (enginee ing, p ocu emen and cons uc ion).
T a a-se de um ipo de con a o que comp eende odas as e apas de implemen ação de um p oje o, com
cus os e pe íodo de execução p e iamen e ixados, não en ol endo p op iedade. Podem se ambém
e e idos como u nkey p ojec s. Há uma p e e ência de companhias chinesas po esse ipo de con a o
(Chau e e al., 2020).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
49
3057
concepção, design e cons ução a é p ocessos pós-cons ução, como moni o amen o,
manu enção e ope ação (Pe e s, 2020; 2023).
A abela 11 ap esen a p oje os que con a am com o en ol imen o de en idades
chinesas em in aes u u a de on es não ósseis de ene gia na A gen ina.
TABELA 11
P oje os de in aes u u a em on es não ósseis de ene gia com en ol imen o
de i mas chinesas, po mon an e e s a us
(Em US$ 1 milhão)
P oje o Ano Emp esa chinesa Mon an e S a us
Pa que Eólico A auco 2015 Powe China e
Hyd ochina Co po a ion 300 Em ope ação
Hid elé icas Nes o Ki chne
e Jo ge Cepe nic 2016 CEEC e CGGC 4.714 Em cons ução
Pa que Eólico Loma Blanca 2016 Powe China e Goldwind 665 Em ope ação
Pa que Eólico Vien os del
Secano 2017 En ision Ene gy 200 Em ope ação
Pa que Eólico Vien os de
Mi ama 2018 Goldwind 75 Em ope ação
Pa que Eólico Ga cía del Río 2019 En ision Ene gy 17 Em ope ação
Plan a Sola Guañizuil 2019 Jinko Sola 103 Em ope ação
Plan a Sola Ca aya e 2019 Powe China 50 Em ope ação
Pa que Sola Caucha í 2019 Powe China e Shanghai
Elec ic 390 Em ope ação
Cen al Nuclea A ucha III 2020 CNNC 7.900 Em planejamen o
Rep esa Hid elé ica Po e-
zuelo del Vien o 2020 Powe China e
Sinohyd o 1.023 Em planejamen o
Fon e: Pe e s (2023).
Elabo ação dos au o es.
Obs.: CGGC – China Ghezouba Co po a ion; e CNNC – China Na ional Nuclea Co po a ion.
A en ada da A gen ina na BRI, i mada após isi a do p esiden e Albe o Fe nán-
dez à China, em e e ei o de 2022, ge ou expec a i as em elação à chegada de no os
in es imen os e inanciamen os. Es ipulou-se que o ing esso na BRI esul a ia em ce ca
de US$ 23,7 bilhões em inanciamen os pa a p oje os de in aes u u a, incluindo os
no os e aqueles já em andamen o, isando cob i necessidades em di e en es á eas,
incluindo a p omoção de p oje os de ansição ene gé ica (Unga e i e al., 2022).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
50
3057
A mobilização desses ecu sos se o ien a ia ao inanciamen o de p oje os p io
-
i á ios e se canaliza ia po meio de dois mecanismos. O p imei o deles consis e no
Diálogo Es a égico pa a Coo denação e Coope ação Econômica (DECCE), a anjo
i mado ainda em 2013, e que em em sua composição a Chancela ia A gen ina e a
Comissão Nacional de Desen ol imen o e Re o ma da China (Na ional De elopmen
and Re o m Comission – NDRC). O segundo co esponde ao g upo ad hoc c iado pelos
dois go e nos com o obje i o de abalha no Plano de Coope ação no ma co da BRI
(Dina ale, 2022; Acue do..., 2022).
O p imei o mecanismo en ol e US$ 14 bilhões em p oje os já ap o ados du an e a
V Reunião do DECCE, ealizada ce ca de um mês an es da isi a do p esiden e Albe o
Fe nández à China (A gen ina, 2022). O emp eendimen o conside ado mais ele an e
en ol e a e omada da usina nuclea A ucha III, p oje o o iginalmen e aco dado em 2015 e
que p ome e ac escen a 1,2 mil megawa s de capacidade ao sis ema elé ico a gen ino.
O con a o assinado en e as es a ais CNNC e Nucleoeléc ica A gen ina, em e e-
ei o de 2022, p e ê in es imen os de mais de US$8bilhões pa a engenha ia, cons-
ução, comissionamen o e en ega de um ea o HPR-1000 (Hualong), de ecnologia
chinesa (Unga e i e al., 2022). A expec a i a é de que o ICBC seja o p incipal inanciado
da no a cen al nuclea , que se ia a qua a do país (Koop, 2022).
Adicionalmen e, cons a, en e os p oje os ap o ados no âmbi o da DECCE, a amplia-
ção dos pa ques sola es de Caucha í pa a 500 MW
77
e Ce o A auco, na p o íncia de
La Rioja, cuja po ência ins alada se á expandida em 200 MW (Dina ale, 2022; Lewko-
wicz, 2022). Espe a-se ambém maio en ol imen o de i mas chinesas no segmen o
de ansmissão de ele icidade, como já oco e no B asil, no Chile e no Pe u, con o me
mani es ado nas a a i as em o no do p oje o Amba I,78 que p e ê a mode nização da
ede elé ica da á ea me opoli ana de Buenos Ai es (Ellis, 2022).
Em janei o de 2022, ep esen an es da Sec e a ia de Ene gia da A gen ina e da China
Elec ic Powe Equipmen and Technology (CET), subsidiá ia da S a e G id, se euni am
pa a i ma os e mos do con a o. O p oje o, de US$ 1,1 bilhão, de e con a com inan-
ciamen o do ICBC e en ol e a cons ução de uma no a es ação ans o mado a e de
mais de 500 km de linhas de al a ensão (Res i o, 2022; Gua ino, 2022).
77. Em ou ub o de 2022, a Sec e a ia de Ene gia da A gen ina au o izou a cons ução das unidades de
Caucha í IV e V, que pe mi i ão o ac éscimo de mais 200 MW de capacidade de ge ação. Es ima-se que
os cus os dessa ampliação sejam de US$ 250 milhões (Espina, 2022).
78. Amba – Á ea me opoli ana de Buenos Ai es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
51
3057
Na A gen ina, a a-se de um consenso que a expansão da capacidade de ene gia
eno á el e a conexão de no as ins alações ao sis ema elé ico dependem de in es i-
men os em capacidade de ansmissão (So o e al., 2022; Gandini, 2023). Es ima-se que
sejam necessá ios US$ 5,75 bilhões em in es imen os pa a a manu enção de in aes-
u u as exis en es e a cons ução de 6 mil quilôme os de no as linhas de ansmissão
e es ações ans o mado as a é 2030, o que pe mi i ia escoa o po encial eólico e sola
p esen e nas egiões no e e sul do país, sob e udo (Snapsho ..., 2023).
Além dos p oje os aco dados no âmbi o da DECCE, o go e no a gen ino ap esen-
ou uma ca ei a de p oje os eno á eis pa a se em inanciados no ma co do Plano de
Coope ação da Inicia i a Cin u ão e Ro a. As p opos as englobam os pa ques eólicos
El Esco ial e An onio Mo án, ambos na p o íncia de Chubu ; o complexo hid elé ico
Po e o del Cla illo-El Na anjal, en e as p o íncias de Ca ama ca e Tucumán; e o p oje o
Bio Fu u o Ene gía Regene a i a, em San a Fé. Pa a es es p oje os, a expec a i a é de
que o inanciamen o chinês con emple mais de 80% dos cus os de cons ução e seja
ealizado em yuan, p e endo ainda maio in eg ação p odu i a en e emp esas locais
e chinesas (P esen an..., 2023).
A China demons a, po an o, se pa cei a na aje ó ia de di e si icação ene gé ica
a gen ina, em especial po meio do p o imen o de capi ais, insumos e ecnologias e
da o mação de a anjos de coope ação ene gé ica. Pa a Jáu egui (2021), é i al aos
in e esses do país sul-ame icano impulsiona a coope ação ene gé ica com a China
po meio de di e en es mecanismos, como a p óp ia BRI, ca alisando o po encial desse
elacionamen o em e mos de ansição ene gé ica e ans e ência de conhecimen os
e ecnologia, bem como sua aplicação pa a o desen ol imen o de capacidades locais.
De aco do com o Plano de T ansição Ene gé ica a é 2030, publicado em junho de
2023, a A gen ina es á buscando ge a 57% de sua ele icidade a pa i de on es eno á-
eis a é o inal da década79 e cons ui 5 mil quilôme os de no as linhas de ansmissão,
com cus os es imados de US$ 86,6 bilhões (A gen ina, 2023b). As me as es ipuladas
pelo go e no a gen ino ep esen am mudanças po encialmen e signi ica i as na ma iz
elé ica do país: o obje i o é eduzi a pa icipação óssil na ge ação de ele icidade,
es imada a ualmen e em 60%, pa a 35% a é 2030, po meio da expansão de ene gias
eno á eis, incluindo-se hid elé icas e p incipalmen e as on es eólica e sola .
79. A ep esen ação de 57% inclui hid elé icas supe io es a 50 MW. Caso se excluam as g andes hid elé-
icas, con o me de inido pela Lei no 27.191/2015, a pa icipação das ene gias eno á eis ica em 30%
(A gen ina, 2023b).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
52
3057
A conc e ização des es planos exigi á a cons ução de 14 GW de capacidade adi-
cional, incluindo-se 4 GW de capacidade eólica e 3 GW de po ência sola . Ressal a-se,
oda ia, que a edução da dependência po combus í eis ósseis na A gen ina em sido
uma me a que não se desen ol e de o ma independen e e se en elaça com di e sos
desa ios pa a a cons ução de um sis ema de ene gia mais sus en á el (Koop, 2023).
De um lado, as emp esas p i adas, nacionais e es angei as, iden i icam que o
me cado a gen ino ap esen a iscos adicionais em compa ação a ou os países da
Amé ica La ina,80 de ido à ola ilidade dos aspec os legais e egula ó ios, es ições
cambiais e capacidades limi adas de ansmissão. A pe sis en e c ise cambial e o
cená io mac oeconômico ad e so implica am meno es in es imen os em ene gias
eno á eis81 e a es agnação no desen ol imen o de no os p oje os sob o ma co do
p og ama Reno A (Ba e a, Saba ella e Se ani, 2022; Lewkowicz, 2022).
Po ou o, o go e no a gen ino gua da g andes expec a i as em elação à explo a-
ção de Vaca Mue a, o mação geológica que ab iga alguns dos maio es depósi os de
gás de xis o e pe óleo do mundo. O espe ado aumen o da p odução de hid oca bone os
ge a eceios a espei o de sua p io ização, em de imen o de polí icas o ien adas ao
desen ol imen o de ene gias eno á eis (Cu zio e al., 2022; Zugm an, 2022), embo a
haja a p e isão de que ecu sos ob idos po meio da p odução de hid oca bone os
sejam e e idos ao inanciamen o de on es eno á eis.82
O equacionamen o desses desa ios e a cons ução de condições acili ado as pa a
a ansição po encialmen e ampli icam o papel e as con ibuições chinesas na aje ó ia
de di e si icação e adição de on es eno á eis na ma iz elé ica da A gen ina, com
implicações p e ensamen e posi i as em e mos de mi igação de emissões inculadas
ao o necimen o de ele icidade. Adicionalmen e, de em-se salien a as opo unidades
80. Em e mos de a a i idade pa a in es imen os e implemen ação de ene gias limpas, a Clima escope
classi ica 136 me cados com base em indicado es e pa âme os que englobam as ealizações an e io-
es de cada me cado, seu ambien e de in es imen o a ual e as opo unidades. A A gen ina se si ua em
uma posição in e mediá ia en e os me cados eme gen es, icando na 40a colocação en e 107 países,
enquan o no uni e so la ino-ame icano o país se encon a na 9a colocação, en e dezeno e países (dis-
poní el em: h ps://www.global-clima escope.o g/ma ke s/a /; acesso em: 10 jul. 2023).
81. Em 2020 e 2021, os in es imen os em ene gia limpa o am in e io es a US$ 200 milhões, alo es
signi ica i amen e in e io es aos ecu sos necessá ios pa a ampliação de on es eno á eis na ma iz
elé ica (disponí el em: h ps://www.global-clima escope.o g/ma ke s/a /; acesso em: 10 jul. 2023).
82. A p odução de gás na u al es á planejada pa a c esce dos a uais 133 milhões de me os cúbicos
po dia pa a 174 milhões a é 2030, um c escimen o de 30% que pe mi i ia à A gen ina não mais depen-
de de impo ações de gás, bem como ele a suas expo ações po meio de p oje os planejados de
in aes u u a, incluindo usinas de gás na u al lique ei o (GNL) e gasodu os. De aco do com o plano, a
ele ação das expo ações eduzi ia a escassez de inanciamen o e o alece ia os undos pa a ene gias
eno á eis (A gen ina, 2023b; Koop, 2023).

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de comé cio, in es imen o e coope ação, a eladas com a con igu ação de cadeias
p odu i as associadas ao desen ol imen o de ecnologias eme gen es e cen ais pa a
ansição ene gé ica, como eículos elé icos, hid ogênio e de e ecnologias de cap u a
e a mazenamen o de ca bono (ca bon cap u e and s o age – CCS).
De o ma mais especí ica, cabe eco da que a A gen ina, ao lado de Chile e Bolí ia,
83
é de en o a de uma das maio es ese as mundiais de lí io, mine al es a égico pa a
p odução de ba e ias u ilizadas po eículos elé icos e ecnologias de a mazenamen o
de ene gia (Alb igh , Ray e Liu, 2023). Nos úl imos anos, o am anunciados in es imen os
em p oje os de lí io84 e no se o de eículos elé icos85 po pa e de en idades chinesas,
indicando a possibilidade de cons ução de pa ce ias capazes de capi aliza ino ações
no se o de a mazenamen o de ene gia e p oduzi bene ícios em e mos de ag egação
de alo e in e nalização de ecnologias de baixo ca bono (Manja ez Pe ez, 2023).
Como é sabido, o pe cu so de ansição ene gé ica en ol e a desca bonização de
ou os se o es, pa a além do o necimen o de ele icidade, e as pe spec i as inculadas
ao desen ol imen o de no as ecnologias e cadeias p odu i as me ecem acompanha-
men o e maio a enção em u u os es udos sob e a aje ó ia de ansição na A gen ina
e as con ibuições chinesas nes e p ocesso.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Es e es udo buscou iden i ica po encialidades e limi es elacionados ao pano ama
dos in es imen os e inanciamen os chineses pa a desca bonização das economias
de B asil e A gen ina, bem como e i ica semelhanças e di e enças en e os modos
de a uação e engajamen o de emp esas e ins i uições chinesas em cada país. Como
o ma de con ex ualiza a discussão, ap esen ou-se inicialmen e o deba e eó ico e
concei ual ace ca da adição e da ansição ene gé ica, e suas supos as consequências
pa a os obje i os globais de desca bonização e mi igação da c ise climá ica.
83. Os sala es si uados na egião no e da A gen ina in eg am os e i ó ios que con o mam o chamado
“T iângulo do Lí io”, egião que a ualmen e compo a ce ca de 60% do lí io iden i icado globalmen e.
84. Somen e em 2022, o am anunciados no e p oje os de in es imen o nas á eas de Sal a, Ca ama ca
e Jujuy (Ba ía, 2023). Além disso, des aca-se a pa icipação da Gan eng Li hium como acionis a majo-
i á ia na ope ação de Caucha í-Ola oz, uma das p incipais minas de p odução de lí io do mundo, e o
in es imen o de US$ 380 milhões da Zijin Mining pa a a cons ução de uma unidade de e ino no p oje o
de T es Queb adas (Chechimex, 2023; Pe aza, 2022).
85. A mon ado a Che y anunciou o in e esse de in es i US$ 400 milhões na cons ução de uma áb ica
de eículos elé icos na A gen ina. O obje i o é a ingi a ma ca de 50 mil eículos p oduzidos po ano
a é 2025 e ap o ei a as ese as de lí io disponí eis na egião no e do país, com as ba e ias sendo
p oduzidas em Jujuy pela ambém chinesa Go ion (Una au omo iz..., 2023).
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Con o me obse ado, o a ual p ocesso de ansição ene gé ica é singula e sem
p eceden es. Ao con á io de ansições p edecesso as, que se no abiliza am mais pela
adição de no as on es de ene gia e ecnologias associadas do que pela sua subs i uição
(Fouque , 2016), a ansição de baixo ca bono implica p o undas al e ações nas o mas
de p oduzi e consumi ene gia e necessi a se e e i a em um cu o espaço de empo,
o nando imp escindí el a coo denação en e di e sos países e se o es p odu i os.
Demons ou-se o ca á e cen al e indiscu í el que as inanças ocupam na iabili-
zação das me as de desca bonização consen idas pelos países desen ol idos e em
desen ol imen o nos âmbi os mul ila e al e domés ico. Is o po que uma ansição e de
demanda olumes de ecu sos (e inanciamen os) eco en emen e indisponí eis pa a
que os países e e i em aje ó ias de ansição ene gé ica e desca bonização.
As es ima i as de ins i u os de pesquisa e agências in e nacionais apon am pa a a
necessidade de ele ação subs ancial dos pa ama es a uais de in es imen o ( abela 2),
amplamen e idos como insu icien es pa a se a ingi o obje i o de ze a as emissões
líquidas de CO2 em 2050.
Dian e da necessidade de es o ços globais de coo denação e inc emen o dos
in es imen os pa a a ansição ene gé ica, a China indiscu i elmen e se ap esen a
como a o cen al nos comp omissos de mi igação das mudanças climá icas. O país
posiciona-se, simul aneamen e, como o maio emisso de CO2, em e mos absolu os, e
líde em in es imen os pa a a ansição ene gé ica, sendo o seu engajamen o na agenda
in e nacional do clima e no inanciamen o ansnacional em p oje os de baixo ca bono
elemen o c ucial pa a o cump imen o das me as de desca bonização.
Nos úl imos anos, o am emi idas di e i as po pa e do go e no cen al chinês
isando à ele ação dos pad ões socioambien ais dos in es imen os e inanciamen os
in e nacionais pa a a a uação global das emp esas e en idades de inanciamen o chi-
nesas. Embo a emb ioná io, e ainda ma cado pela p esença de uma pe sis en e zona
cinzen a, há epe cussões que suge em um maio engajamen o de en idades chinesas
em emp eendimen os de ene gia eno á el, pa icula men e eólica e sola . As emp esas
chinesas êm lide ado es e p ocesso e ampliado sua pa icipação em p oje os eno á-
eis no ex e io : desde 2018, os luxos de IED em ene gias al e na i as p a icamen e
duplica am, subindo de US$ 21 bilhões pa a mais de US$ 38 bilhões, ao inal de 2022.
A Amé ica La ina, egião que possui a e cei a maio capacidade de ge ação de
ene gia, des aca-se como des ino ele an e de IED e inanciamen os chineses, endo
os ecu sos eno á eis ecebido p e e ência ecen e. Desde o inal de 2018, cons a-
ou-se que o acumulado de IED de emp esas chinesas em ene gias al e na i as ipli-
cou, subindo de US$ 960 milhões pa a US$ 3,8 bilhões, egis ados ao inal de 2022.
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O in e esse do país asiá ico em in es i e cons ui p oje os de ene gia eno á el na
Amé ica La ina em se mani es ado inicialmen e po meio de conso es adicionais,
como B asil e A gen ina, duas das maio es economias da egião e pa cei os es a é-
gicos da China.
Em linhas ge ais, en ende-se que os casos de B asil e A gen ina e le em, em alguma
medida, as dinâmicas en e adição e ansição ene gé ica an e io men e discu idas,
com ampliação da capacidade de on es eno á eis, em pa alelo ao c escimen o de
on es adicionais de ene gia, em pa icula do gás na u al (g á icos 1 e 6). Nesse
cená io, a gumen a-se que a China em con ibuído com as aje ó ias de di e si icação
ene gé ica de ambos os países, com impac os, po encialidades e limi ações que o a
se assemelham e o a se di e enciam.
Di e enças impo an es nos modos de a uação de emp esas e ins i uições chine-
sas de inanciamen o o am obse adas. Enquan o no B asil p edomina a aquisição
de a i os no se o elé ico, na A gen ina os inanciamen os e p oje os de in aes u u a
exe cem um papel mais ele an e, con o me suge em as expec a i as em o no de
no os p oje os pa ocinados pela China no ma co da BRI, da qual Buenos Ai es az
pa e desde e e ei o de 2022. Cabe essal a , con udo, que há ince ezas associadas
à e e i ação de no os p oje os chineses na A gen ina, conside ando-se a eleição do
p esiden e Ja ie Milei e as expec a i as de uma maio ap oximação de Buenos Ai es
com os Es ados Unidos e os países ociden ais (Gius o, 2024).
Po ou o lado, iden i ica am-se, de o ma mais ní ida na A gen ina, os impac os do
engajamen o chinês em e mos de edução da in ensidade ene gé ica e das emissões
ela i as ao se o de ge ação, o que não se mos ou possí el ealiza no caso b asilei o
po di e en es azões, incluindo-se a composição da ma iz ene gé ica b asilei a e o
seu pe il das emissões.
Há po encialidades em comum nas elações de B asil e A gen ina com a China
e sua ex ensão pa a a es e a da ansição ene gé ica, coexis indo nuances pa icula-
es, no en an o. A China pode con ibui com a edução do dé ici de in es imen os
em desca bonização e ansição ene gé ica nos dois países, po meio da e e i ação
de p oje os capazes de ac escen a capacidade eno á el às ma izes de ge ação
de ene gia. Os capi ais chineses e suas ecnologias em ansmissão i ualmen e se
ap esen am como al e na i a pa a a necessidade de expansão e mode nização das
edes elé icas, bem como pa a a in eg ação de on es eno á eis in e mi en es aos
sis emas de ansmissão e dis ibuição de ene gia.
As po encialidades ambém se mos am p esen es no âmbi o das indús ias e -
des e a eladas aos umos da ansição ene gé ica. No B asil, cons a ou-se c escen e
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in e esse chinês no desen ol imen o de complexos indus iais de eículos elé icos e
ba e ias, em especial po meio da subsidiá ia da BYD. B asil e China compa ilham um
ex enso his ó ico de coope ação ene gé ica e inicia i as de colabo ação cien í ica e
ecnológica ( abela 8). E en ual ampliação con ibui ia pa a a ans e ência de conhe-
cimen os e a cons ução de capacidades na es e a local.
A A gen ina, po sua ez, pe cebe a China como pa cei a c ucial pa a impulsiona
sua p odução de lí io, a ualmen e a e cei a maio do mundo, a ás da Aus ália e do
Chile (Vásquez, 2023). Adicionalmen e, há a p e ensão de a ai capi ais chineses pa a
p omo e o desen ol imen o local de ba e ias e eículos elé icos. Nos úl imos anos,
esse mo imen o adqui iu ação e se mani es ou nos ecen es anúncios de in es imen o
de emp esas in e essadas em p omo e p oje os indus iais e explo a as an agens
compa a i as opo unizadas pelo po encial local de p odução de lí io (A wood, Gilbe
e Du ao, 2023).
No que diz espei o às limi ações, são dis in os os a o es que cons angem as a-
je ó ias de ansição ene gé ica no B asil e na A gen ina. A p e alência das aquisições
no me cado b asilei o pode con igu a impo an e limi ação, ao passo que as agili-
dades mac oeconômicas e ins i ucionais da A gen ina se ap esen am como desa ios
impo an es ge ado es de ince ezas.
O es udo p e endeu se um es o ço de sis ema ização eplicá el pa a ou os países
ecep o es de capi ais chineses em p oje os de ene gia eno á el. T a a-se de um p i-
mei o passo pa a u u as in es igações, com agilidades a se em co igidas no u u o.
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