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Geoeconomia e protecionismo: Novas configurações do comércio internacional

Author: Martins, Michelle Márcia Viana,Nonnenberg, Marcelo José Braga
Publisher: Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Year: 2025
DOI: 10.38116/td3091-port
Source: https://www.econstor.eu/bitstream/10419/316203/1/1923497898.pdf
Ma ins, Michelle Má cia Viana; Nonnenbe g, Ma celo José B aga
Wo king Pape
Geoeconomia e p o ecionismo: No as con igu ações do
comé cio in e nacional
Tex o pa a Discussão, No. 3091
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: Ma ins, Michelle Má cia Viana; Nonnenbe g, Ma celo José B aga (2025) :
Geoeconomia e p o ecionismo: No as con igu ações do comé cio in e nacional, Tex o pa a
Discussão, No. 3091, Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), B asília,
h ps://doi.o g/10.38116/ d3091-po
This Ve sion is a ailable a :
h ps://hdl.handle.ne /10419/316203
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3091
GEOECONOMIA E PROTECIONISMO:
NOVAS CONFIGURAÇÕES DO
COMÉRCIO INTERNACIONAL
MICHELLE MÁRCIA VIANA MARTINS MICHELLE MÁRCIA VIANA MARTINS
MARCELO JOSÉ BRAGA NONNENBERG MARCELO JOSÉ BRAGA NONNENBERG
3091
Rio de Janei o, ab il de 2025
GEOECONOMIA E PROTECIONISMO:
NOVAS CONFIGURAÇÕES DO
COMÉRCIO INTERNACIONAL1
MICHELLE MÁRCIA VIANA MARTINS2
MARCELO JOSÉ BRAGA NONNENBERG3
1. Os au o es ag adecem os comen á ios e as suges ões de Vic o Hen ique
Lana Pin o, Fe nando José da Sil a Pai a Ribei o e Ve a Tho s ensen.
2. P o esso a no Depa amen o de Economia da Uni e sidade Fede al de
Viçosa (UFV). E-mail: michelle. iana@u .b .
3. Técnico de planejamen o e pesquisa na Di e o ia de Es udos
In e nacionais do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplica (Din e/Ipea).
E-mail: ma celo.nonnenbe [email p o ec ed].b .
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2025
Ma ins, Michelle Má cia Viana
Geoeconomia e p o ecionismo : no as con igu ações do
comé cio in e nacional / Michelle Má cia Viana Ma ins, Ma celo
José B aga Nonnenbe g. – Rio de Janei o: Ipea, 2025.
51 p. : il., g á s., mapas. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3091).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. T ump. 2. Gue a Come cial. 3. T ansição Ene gé ica. 4.
Ag onegócio. 5. B asil. I. Nonnenbe g, Ma celo José B aga. II.
Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada. III. Tí ulo.
CDD 382.3
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
MARTINS, Michelle Má cia Viana; NONNENBERG, Ma celo José
B aga. Geoeconomia e p o ecionismo: no as con igu ações do
comé cio in e nacional. Rio de Janei o: Ipea, ab . 2025. 51 p.: il.
(Tex o pa a Discussão, n. 3091). DOI: h ps:// dx.doi.o g/10.38116/
d3091-po
JEL: F13; F51; Q17; Q54.
As publicações do Ipea es ão disponí eis pa a download g a ui o nos
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Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
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que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o a de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a
FERNANDA DE NEGRI
Di e o de Es udos e Polí icas Sociais
RAFAEL GUERREIRO OSÓRIO
Di e o a de Es udos In e nacionais
KEITI DA ROCHA GOMES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL
Ou ido ia: h ps://www.ipea.go .b /ou ido ia
URL: h ps://www.ipea.go .b
SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ........................................................................... 6
2 GEOECONOMIA E DISPUTAS COMERCIAIS:
FUNDAMENTOS E DINÂMICAS DE COMPETIÇÃO .................9
3 MEDIDAS COMERCIAIS E IMPACTOS
GEOECONÔMICOS NA INDÚSTRIA .......................................17
4 EFEITOS SOBRE OS BENS AGRÍCOLAS ................................19
5 RUPTURA VERDE: PROTECIONISMO E
NEGACIONISMO CLIMÁTICO ................................................27
6 REFLEXOS DO PROTECIONISMO: O QUE ESPERAR
PARA OUTRAS ÁREAS? .........................................................34
6.1 Mul ila e alismo e OMC ............................................................ 34
6.2 Impac os mac oeconômicos ...................................................36
6.3 Comé cio in e nacional e segu ança alimen a ......................39
7 CONCLUSÕES .........................................................................43
REFERÊNCIAS ............................................................................44

SINOPSE
O obje i o des e Tex o pa a Discussão é discu i o cená io geoeconômico pós-eleição de
Donald T ump em 2025, examinando o c escimen o do p o ecionismo, as epe cussões
pa a a segu ança alimen a e os impac os nas cadeias globais de alo , sob e udo no
ag onegócio e nos se o es associados ao p ocesso de ansição ene gé ica. A análise
abo da o aumen o de a i as e possí eis e aliações, e idenciando como ais p á icas
podem a e a p eços, ealoca luxos come ciais e in ensi ica ensões diplomá icas.
A alia-se ambém a pos u a dos Es ados Unidos em elação aos comp omissos
climá icos e às polí icas ambien ais, bem como seu e ocesso na p omoção de
ene gias limpas. O ex o explo a, ainda, a posição do B asil dian e desses mo imen os
e as implicações pa a sua inse ção come cial e o desen ol imen o de sua es a égia
climá ica. Po im, apon a-se que, apesa do a anço do p o ecionismo, exis em
mo imen os de adap ação e coope ação que podem a enua iscos mac oeconômicos
e assegu a es abilidade no o necimen o de alimen os.
Pala as-cha e: T ump; gue a come cial; ansição ene gé ica; ag onegócio; B asil.
ABSTRACT
The objec i e o his discussion pape is o examine he geoeconomic landscape
ollowing he 2025 elec ion o Donald T ump, ocusing on he expansion o p o ec ionism,
i s epe cussions o ood secu i y, and i s impac s on global alue chains, pa icula ly
wi hin ag ibusiness and sec o s associa ed wi h he ene gy ansi ion p ocess.
The analysis add esses he inc ease in a i s and po en ial e alia o y measu es,
demons a ing how such p ac ices may in luence p ices, edi ec ade lows, and
in ensi y diploma ic ensions. I also e alua es he Uni ed S a es s ance ega ding
clima e commi men s and en i onmen al policies, as well as he eg ession in he
p omo ion o clean ene gy. Fu he mo e, he pape explo es B azil’s posi ion in esponse
o hese de elopmen s and he implica ions o i s comme cial in eg a ion and clima e
s a egy. Finally, i sugges s ha , despi e he ise o p o ec ionism, adap i e and
coope a i e ini ia i es exis ha can mi iga e mac oeconomic isks and secu e s abili y
in he ood supply.
Keywo ds: T ump; ade wa ; ene gy ansi ion; ag ibusiness; B azil.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
6
3091
1 INTRODUÇÃO
A in ensi icação das dispu as come ciais, a busca po no as o as me can is e a cons-
an e compe ição po á eas de in luência êm ma cado as elações in e nacionais.
Esse enômeno es á associado à geoeconomia, concei o que se e e e ao uso de
ins umen os econômicos pa a p omo e e de ende in e esses nacionais. Enquan o
a geopolí ica se concen a no en oque e i o ial e na o ma como o pode é exe cido
sob e o espaço ísico e os ecu sos na u ais, a geoeconomia conside a como as ações
econômicas de ou os países podem in luencia os esul ados geopolí icos a o á eis
(Blackwill e Ha is, 2016).
A geoeconomia é comp eendida no escopo da eglobalização (WTO, 2023), concei o
u ilizado pela O ganização Mundial do Comé cio (OMC), e da agmen ação geoeconô-
mica (IMF, 2023), con o me emp egado pelo Fundo Mone á io In e nacional (FMI). Em
odos os casos, ela e le e os in e esses geopolí icos a pa i de ecu sos econômicos,
como medidas come ciais, ecnológicas e inancei as, pa a molda a o dem in e nacional
con o me os obje i os es a égicos dos países (Ai e al., 2025; Baka, 2025; B own, 2024;
Ma ey, 2025). Ainda não há consenso na li e a u a sob e a exis ência de um p ocesso de
desglobalização ou se esse enômeno é mais complexo e demanda uma análise mais
ap o undada. De odo modo, a con luência en e dimensões econômicas e geopolí icas
em mo i ado e lexões sob e as es a égias ado adas pelas nações.
Nesse con ex o, os Es ados Unidos e a China eme gem como os p incipais p o a-
gonis as, mas não são os únicos. A União Eu opeia (UE), a Rússia e, em meno escala,
ou as economias eme gen es, a exemplo dos países do BRICS
1
ampliado,
2
ambém
exe cem in luência na dinâmica global, ao u iliza em ins umen os geoeconômicos
como es a égia de pode sob e os luxos come ciais e p odu i os (Ai e al., 2025).
Desde a c ise econômica de 2008, essa dinâmica em se acen uado. Episódios
mais ecen es, como a pandemia da co id-19 e a gue a en e Rússia e Uc ânia, ap o-
unda am o uso de polí icas p o ecionis as e a enegociação de aco dos come ciais,
es a égias ado adas pelos países pa a o alece sua hegemonia econômica e mi iga
ulne abilidades es a égicas.
A adminis ação de Donald T ump, nos Es ados Unidos, exempli ica o uso de
ins umen os geoeconômicos pa a apoia a polí ica Ame ica Fi s .
3
Du an e seu p imei o
1. Ac ônimo: B asil, Rússia, Índia, China e Á ica do Sul (BRICS).
2. Ve seção 2.
3. T adução li e: “(Es ados Unidos da) Amé ica em p imei o luga ”.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
7
3091
manda o (2017-2021), a imposição de a i as e ba ei as come ciais con a a China oi
um dos pila es da polí ica ex e na de T ump. Já no seu segundo manda o, iniciado em
janei o de 2025, o a ual p esiden e dos Es ados Unidos em ei o anúncios de ele ação
de a i as como ins umen o pa a a ingi obje i os econômicos decla ados, como
o alece a indús ia no e-ame icana, e geopolí icos, como o aumen o e o alecimen o
de sua es e a de in e esses.
O aumen o das a i as em sido p opos o, sob e udo, pa a aliados p óximos, como
México e Canadá, além da implemen ação de es ições come ciais con a a China
(Ma ey, 2025; Pe ei a e Gilio, 2025). Essas medidas êm sendo al e adas quase
dia iamen e, o que o na ince a a e olução dessa es a égia. No en an o, as possí eis
epe cussões econômicas já es ão em deba e, uma ez que as ince ezas ge adas
pelos discu sos de T ump in ensi ica am a ap eensão em elação à implemen ação
das medidas anunciadas.
A simples sinalização de no as a i as em desencadeado eações nos me cados,
a e ando expec a i as, p o ocando oscilações de p eços e an ecipando decisões es a-
égicas, mesmo an es da conc e ização dos a os. Em um ambien e de pola ização
ideológica, apenas as decla ações de T ump sob e suas in enções geoeconômicas
são su icien es pa a aci a ensões, ge a p eocupações in lacioná ias e epe cu i
nos me cados de câmbio e de capi ais, como já e idenciado pela queda dos índices
u u os de Wall S ee e pela alo ização de di e sas moedas an e o dóla (So kin e al.,
2025; I ’s No O e ..., 2025).
Essa escalada de ensões não a e a somen e se o es indus iais e de al a ec-
nologia, ambém incide sob e commodi ies ag ícolas e bens ol ados à ansição
ene gé ica. Sob o p imei o manda o de T ump, o ag o oi al o de a i as, subsídios e
p essões ex e nas. A c escen e demanda po segu ança alimen a e a dependência de
ecu sos na u ais o na am o se o pa icula men e sensí el às negociações come ciais,
sendo ago a a e ado po con li os a i á ios en e Canadá, China, México e Es ados
Unidos (Bekamp e Wu, 2025). Isso demons a que o p o ecionismo e as e aliações
não se limi am aos se o es adicionais, como o de manu a u as, que pa ece se o oco
p incipal, mas a e am ambém cadeias p odu i as que ganha am des aque nos úl imos
anos, como as de bens a macêu icos, semicondu o es, e ilizan es, combus í eis
(Poon, 2024) e os me cados globais de alimen os, a e ando p eços e a disponibilidade
de insumos (Bekamp e Wu, 2025).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
8
3091
O esul ado pode se uma econ igu ação das cadeias globais de p odução
(Guillén e To es, 2025), inclusi e de p odu os que co obo am pa a a mi igação e
adap ação às mudanças climá icas. Apesa de o deba e mul ila e al e a ançado em
comp omissos sob e o clima, a adminis ação T ump demons ou ce icismo em elação
à ciência climá ica e eduziu egulações ambien ais in e nas, ep esen ando um ecuo
nos es o ços pa a con e as emissões de gases do e ei o es u a (GEEs) (Ande son,
2022; Si in, 2025). No p imei o manda o, T ump e i ou os Es ados Unidos do Aco do
de Pa is. Em sua segunda adminis ação, não apenas ea i mou essa decisão, mas
ambém e i ou o país de odos os a ados climá icos no âmbi o da Con enção-Quad o
das Nações Unidas sob e Mudança do Clima (Uni ed Na ions F amewo k Con en ion on
Clima e Change – UNFCCC). Além disso, p io izou p incípios como e iciência econômica,
p ospe idade nacional, p e e ência do consumido e con enção iscal, em de imen o
de inicia i as ambien ais (Uni ed S a es, 2025b).
A pa i desse cená io, os Es ados Unidos podem impo a i as adicionais sob e
me ais es a égicos, além do e o, aço e alumínio, con li ando com a c escen e
demanda global po mine ais c í icos pa a a p odução de ba e ias e ecnologias e -
des (UNCTAD, 2024). Isso en aquece a posição no e-ame icana nesse segmen o
ene gé ico, eduzindo seu so powe (capacidade de in luência não coe ci i a) na
agenda e ap oximando o país de um isolamen o es a égico, uma ez que seu ce i-
cismo climá ico di e ge da abo dagem de nações comp ome idas com a acele ação
da ansição e de. Além disso, esse con ex o amplia as ince ezas no me cado global
de commodi ies ag ícolas, já que e en os climá icos ex emos a e am a p odu i idade
do se o ag opecuá io, com impac os que ão além dos Es ados Unidos e epe cu em
em odo o comé cio in e nacional de alimen os (Elkind, 2025; Uni ed S a es, 2025b).
Dian e do expos o, es e ex o em como obje i o analisa , sob o cená io polí ico
pós-eleição de T ump pa a seu segundo manda o, a e olução da geoeconomia sob
in ensi icação do p o ecionismo e explo a as consequências das es ições come -
ciais sob e o comé cio, em especial pa a cadeias alimen a es e pa a a ansição
ene gé ica. Des aca-se como a sob eposição de in e esses polí icos, inclusi e de
na u eza ideológica, molda as dispu as come ciais e de que modo as decla ações do
p esiden e no e-ame icano podem impac a a es abilidade geopolí ica no cu o e no
longo p azo. Es e ex o suge e que os desa ios pa a sis emas p odu i os sus en á eis
e a di e si icação de me cados podem se o na no as p io idades, dado o cená io
in e nacional olá il.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3091
TABELA 2
Medidas de libe alização e es ição que a e a am Es ados Unidos, China e es o do mundo (2004-jan. 2025)
2004-2025
Libe alização Res ição
China Es ados
Unidos
Res o do
mundo To al China Es ados
Unidos
Res o do
mundo To al
Quan i-
dade %Quan i-
dade % Quan i-
dade % Quan i-
dade
Quan i-
dade % Quan i-
dade % Quan i-
dade % Quan i-
dade
2009 192 2,1 166 1,8 8.769 96,1 9.127 779 2,2 586 1,6 34.458 96,2 35.823
2010 205 2,6 149 1,9 7.449 95,5 7.803 854 2,7 542 1,7 29.884 95,5 31.280
2011 233 2,2 194 1,8 10.137 96,0 10.564 738 2,0 601 1,7 34.727 96,3 36.066
2012 253 2,3 224 2,0 10.735 95,7 11.212 763 2,0 671 1,8 36.268 96,2 37.702
2013 260 2,5 214 2,1 9.900 95,4 10.374 812 2,1 736 1,9 37.533 96,0 39.081
2014 234 2,3 209 2,1 9.690 95,6 10.133 818 1,4 749 1,3 57.684 97,4 59.251
2015 286 2,0 238 1,7 13.794 96,3 14.318 949 2,2 1.024 2,4 41.092 95,4 43.065
2016 265 2,3 240 2,1 11.115 95,7 11.620 821 2,1 929 2,4 37.274 95,5 39.024
2017 279 2,4 254 2,2 10.954 95,4 11.487 774 1,7 916 2,0 44.720 96,4 46.410
2018 279 2,4 294 2,5 11.040 95,1 11.613 860 1,6 947 1,8 51.882 96,6 53.689
2019 321 3,0 299 2,7 10.254 94,3 10.874 736 1,0 1.057 1,4 74.928 97,7 76.721
2020 732 3,2 692 3,0 21.389 93,8 22.813 1.210 1,6 1.500 1,9 74.803 96,5 77.513
2021 585 3,5 565 3,4 15.708 93,2 16.858 1.324 1,5 1.432 1,6 87.822 97,0 90.578
2022 805 2,9 786 2,9 25.974 94,2 27.565 1.709 2,1 1.590 1,9 79.149 96,0 82.448
2023 708 3,1 622 2,7 21.566 94,2 22.896 1.481 2,7 1.541 2,8 51.710 94,5 54.732
2024 611 3,0 535 2,6 19.058 94,3 20.204 1.215 51,5 818 34,7 327 13,9 2.360
202512 3,3 2 3,3 57 93,4 61 14 3,3 20 4,7 390 92,0 424
To al 6.250 2.7 5.683 2,5 218.353 94,8 230.319 15.980 1,9 15.718 1,9 805.264 95,8 84.0471
Fon e: GTA, 2025. Disponí el em: h ps://global adeale .o g/. Acesso em 6 de e . 2025.
Elabo ação do au o .
No a: 1 Janei o de 2025.
Obs.: Células com ons de azul ep esen am menos medidas e com ons de e melho, mais medidas. Quan o maio a in ensidade
das co es, maio a sua quan idade.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3091
A igu a 1 e idencia as economias com maio pa icipação em inicia i as de libe-
alização e es ição come cial. No âmbi o das medidas de libe alização, a Aus ália se
des aca com 1.001 inicia i as (5,9% do o al de 25.868), seguida po Índia (1.124, 4,3%),
B asil (1.046, 4,0%) e Rússia (765, 3,0%), consolidando-se como as economias mais a i as
nesse sen ido. Em con apa ida, os países que mais implemen a am medidas es i i as
o am os Es ados Unidos, com 10.685 es ições (12,3% do o al de 86.859), China (7.827,
9,0%), B asil (7.578, 8,7%) e Alemanha (3.311, 3,8%). En e os mais bene iciados po medidas
de libe alização, a China lide a com 6.250 medidas (2,7% do o al de 229.522), seguida po
Es ados Unidos (5.683, 2,5%), Alemanha (5.269, 2,3%) e I ália (4.896, 2,1%). En e os mais
a e ados po es ições es ão a Alemanha, com 18.205 medidas (2,2% do o al de 836.390),
seguida po F ança (17.462, 2,1%), I ália (17.418, 2,1%) e Reino Unido (16.571, 2,0%).
FIGURA 1
Medidas de es ição e libe alização impos as pelos países: implemen ado es e
a e ados (2009-jan. 2025)
1A – Países implemen ado es 1B – Países a e ados po
de medidas de libe alização medidas de libe alização
1C – Países implemen ado es 1D – Países a e ados po
de medidas de es ição medidas de es ição
Fon e: GTA, 2025. Disponí el em: h ps://global adeale .o g/. Acesso em: 6 e . 2025.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Co es mais escu as ep esen am maio in ensidade de es ição pa a aquele país.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3 MEDIDAS COMERCIAIS E IMPACTOS GEOECONÔMICOS
NA INDÚSTRIA
No campo indus ial, di e en es go e nos implemen a am a i as unila e ais e ações
de e aliação sob e manu a u as de maio alo ag egado e se o es es a égicos pa a
a segu ança nacional (Mihaylo e Si ek, 2021; Munhoz, 2025). Em 2018, os Es ados
Unidos amplia am essas sob e axas pa a as impo ações de aço e alumínio, com o
obje i o de con e impo ações chinesas e eequilib a a balança come cial (Aiya
e al., 2023; Mason, 2025).
En e 2018 e 2021, essa polí ica ele ou os p eços domés icos desses me ais, em
média, em 2,4% ao ano. Apesa de se um alo baixo, a e ou as cadeias p odu i as
dos se o es au omo i o e de ele odomés icos, que epassa am pa e dos cus os ao
consumido (Glass, 2025; Johanson e al., 2023). Como consequência, hou e queda na
demanda in e na e edução do olume de p odução em alguns segmen os indus iais.
No se o au omo i o, es imou-se uma pe da de 1,7 milhão de eículos na p odução
no e-ame icana desde 2021, com co es ou suspensões de ce ca de 750 mil abalhado es.
Na cadeia de au opeças, os componen es impo ados da China aumen a am 24,5%
de p eço, esul ando na queda de 50,1% no olume impo ado (Johanson e al., 2023).
Mesmo com ce o es ímulo à p odução domés ica de aço e alumínio, quando
os Es ados Unidos ap esen a am um inc emen o médio de 1,9% ao ano na p odução
side ú gica local o am obse ados e ei os nega i os sob e ou as indús ias. Em
um balanço ge al, a polí ica a i á ia es adunidense não oi e icaz em melho a as
condições de p odução e abalho no país e em amplia a compe i i idade da indús ia
nacional. Pa a 2025, oi comunicada a implemen ação de a i as de 25% sob e as
impo ações do Canadá e do México, e de 10% sob e as impo ações da China (Uni ed
S a es, 2025e). Po ém, Donald T ump assume que essa medida pode e um e ei o
ambíguo no se o au omobilís ico. Ao mesmo empo que as a i as incen i am a p o-
dução side ú gica domés ica, podem p ejudica a cadeia de sup imen os da indús ia
au omo i a, que depende de componen es e ma é ias-p imas do Canadá e do México
(Uni ed S a es, 2025 ).
A imposição de a i as ambém de e á impac a a p odução de ene gia nos se o es
indus iais, incluindo oleodu os, u binas eólicas e painéis sola es, de ido à p e isão
de aumen o nos cus os de ma e iais me álicos. Além disso, espe a-se uma edução
no alo de me cado das emp esas au omobilís icas e de de esa dos Es ados Unidos,
e lexo do aumen o dos cus os de p odução (Klomp, 2025).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Embo a as a i as p opos as inicialmen e pelo go e no T ump possam aumen a
as ecei as iscais ede ais em ap oximadamen e US$ 1,2 ilhão en e 2025 e 2034, um
aumen o médio de impos os de mais de US$ 830,0 po domicílio em 2025, es ima-se
que sua implemen ação esul e na pe da de ce ca de 344.000 emp egos equi alen es
em empo in eg al. As indús ias mais a e adas se ão aquelas dependen es de p odu os
impo ados, de ido ao aumen o dos cus os p odu i os (Yo k e Du an e, 2025).
Essas são es ima i as bem p elimina es, pois ainda é ince o o quan o i ão aumen a
as a i as e pa a que países. Toda ia, em e mos globais, a gue a come cial de 2025 em
po encial de eduzi o p odu o in e no b u o (PIB) mundial em 2030 em 0,5% e o comé -
cio in e nacional, em 3,4% (Bouë , Sall e Zheng, 2025). Além disso, o enca ecimen o de
insumos me álicos p essiona oda a cadeia global, pois di e sos países buscam o as
come ciais que eduzam a dependência de o necedo es a i ados.
En e 2018 e 2021, algumas emp esas dos Es ados Unidos ans e i am pa e de
sua p odução manu a u ei a pa a o a da China, bene iciando países como México
e Vie nã. No en an o, essa ealocação não eliminou a dependência no e-ame icana
da p odução chinesa, especialmen e em se o es es a égicos. No segmen o de semi-
condu o es, po exemplo, as a i as impos as pelos Es ados Unidos eduzi am em
72% as impo ações desses i ens da China, mas esul a am em escassez e ins abi-
lidade nas cadeias de sup imen os do se o ele ônico no me cado no e-ame icano
(Johanson e al., 2023).
Pa a 2025, é espe ado que haja uma no a ealocação dos luxos come ciais.
Es ima-se que as expo ações da China pa a os Es ados Unidos diminuam em 80,5%,
enquan o as expo ações dos Es ados Unidos pa a a China eduzi iam em 58,0%. Além
disso, é espe ado um aumen o exp essi o nos dé ici s come ciais de mui os países em
elação à China (Bouë , Sall e Zheng, 2025).
Em e mos se o iais, as p e isões mos am que as a i as de T ump pode iam
amplia , nos Es ados Unidos, as a i idades indus iais ligadas ao se o de me ais, al
como oco eu em 2018. Os se o es êx il, de ele ônicos (celula es, compu ado es e
ele iso es), químico, bo achas e plás icos, eículos e p odu os ó icos ambém podem
assis i a uma ampliação na p odução domés ica. Con udo, ambém se es ima que
ha e á uma queda na a i idade ag ícola es adunidense (Bouë , Sall e Zheng, 2025;
Vanze i, 2025). De modo ge al, os se o es bene iciados nos Es ados Unidos se iam
os mais p ejudicados na China, e e endo os pad ões adicionais das an agens
compa a i as globais.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Em um cená io mais amplo, o impac o sob e ou os países i á depende se as
a i as se ão impos as bila e almen e, con a a China, po exemplo, ou uni e salmen e,
con a odos os países. Ta i as bila e ais êm um impac o limi ado em comé cio,
bem-es a e salá ios eais, po que ambos os países podem ob e impo ações de on es
al e na i as e, da mesma o ma, expo a pa a ou os des inos. Em con apa ida, não
há espaço pa a des io de comé cio se os Es ados Unidos impuse em aumen os de
a i as uni e salmen e.
Se as a i as uni e sais o em aplicadas, a economia no e-ame icana ende a se
a mais impac ada, pois a edução na impo ação de bens es angei os le a ia a um
aumen o da demanda po p odu os domés icos (Bouë , Sall e Zheng, 2025). No en an o,
os e ei os depende ão da capacidade p odu i a dos Es ados Unidos em a ende essa
demanda a p eços compe i i os. O cená io mais p o á el é uma al a da in lação. Além
disso, as emp esas nacionais podem não se bene icia , já que o aumen o das axas de
câmbio e a queda nas expo ações podem neu aliza possí eis ganhos. A p opos a
de a i as ecíp ocas é ainda mais complexa de a alia , mas ce amen e a ia impac os
nega i os exp essi os sob e o comé cio.
Alguns es udos já p oje am cená ios conside ando a c escen e p eocupação dos
Es ados Unidos com o a anço da in eligência a i icial chinesa, exempli icada ecen-
emen e pelo DeepSeek. No en an o, o i mo acele ado do se o o na essa dinâmica
olá il, pois ou as emp esas podem lança modelos mais a ançados cons an emen e
(Ox o d Analy ica, 2025). Segundo Egan e Cla ke (2023), a es a égia dos Es ados Unidos
con a a China se concen a na es e a ecnológica, en ol endo semicondu o es, ecno-
logias de in o mação e sis emas de in eligência a i icial. Pa a es ingi a p esença
chinesa nesses segmen os, o go e no no e-ame icano pode eco e a ins umen os
geoeconômicos, além das a i as, como di ei os de p op iedade, pad ões egula ó ios,
aco dos es a égicos e dispu as ecnológicas, que são equen emen e in e p e adas
como o mas de gue a come cial, cujos impac os ão além dos con li os a i á ios
adicionais (Aiya e al., 2023; S&P Global, 2025).
4 EFEITOS SOBRE OS BENS AGRÍCOLAS
As a i as sob e o aço e alumínio esul am em um “e ei o dominó” no comé cio global,
desencadeando uma sucessão de e aliações que ex apolam os se o es inicialmen e
a e ados. Esse enômeno oi obse ado quando as a i as dos Es ados Unidos, que
a ingi am di e amen e os p odu os chineses do se o indus ial, a e a am ou os se o es
de ou os países. As con amedidas chinesas a p odu os no e-ame icanos, como soja
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3091
e ca ne suína (Pe ei a e Gilio, 2025; S&P Global, 2025), le a am a desdob amen os sob e
o comé cio ag ícola.
Pa a eduzi sua ulne abilidade come cial, a China in es iu na di e si icação de
o necedo es de alimen os e o as come ciais, o que o aleceu o comé cio ag ícola
a pa i da Ásia, Á ica e Amé ica La ina (Wang e al., 2025). Os g á icos 2 (comé cio
o al en e Es ados Unidos e China) e 3 (expo ações de soja pa a a China) e idenciam
que hou e uma al e ação nos luxos come ciais a pa i de 2018. Enquan o o me cado
ame icano pe deu pa icipação na China, países como B asil e A gen ina a ança am
em suas expo ações pa a o país, sob e udo no o necimen o de soja.
GRÁFICO 2
Comé cio o al en e Es ados Unidos e China (2015-2023)
(Em USD bilhões)
0
100
200
300
400
500
600
700
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023
China → Es ados Unidos Es ados Unidos → China
Fon e: WITS, 2025. Disponí el em: h ps://wi s.wo ldbank.o g/. Acesso em: 10 e . 2025.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: A á ea hachu ada ep esen a o pe íodo da gue a come cial sino-ame icana.

TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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GRÁFICO 3
Expo ações de soja pa a a China po meio de seus p incipais pa cei os (2012-2023)
(Em USD bilhões)
0
15
20
25
30
35
40
45
2015201420132012 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023
A gen ina B asil Es ados Unidos
5
10
Fon e: WITS, 2025. Disponí el em: h ps://wi s.wo ldbank.o g/. Acesso em: 10 e . 2025.
Elabo ação do au o .
Obs.: 1. A á ea hachu ada ep esen ada o pe íodo da gue a come cial sino-ame icana.
2. O luxo come cial de soja co esponde ao código HS 1201, classi icado como
soja em g ãos.
Esse pano ama e ela um “choque de escala” (Blessley e Mudambi, 2022), que
oco e quando g andes quan idades de p odu os, an es des inadas a ce os me cados,
são ealocadas pa a ou os. A pe da de acesso ao me cado chinês ocasionou esse
choque ao le a os p odu o es de soja dos Es ados Unidos a di eciona exceden es pa a
ou os me cados ou a é a a mazená-los in e namen e. Esse exceden e p essionou a
logís ica local, ge ou cus os de es ocagem e, em ce a medida, p ecisou se abso ido
po p og amas de segu ança alimen a , o que sob eca egou o ganizações de dis i-
buição (Blessley e Mudambi, 2022).
Além disso, as dispu as a i á ias ambém podem desencadea um “choque de
escopo”, quando sanções ou ba ei as come ciais modi icam epen inamen e os
luxos globais de p odu os. Isso se mani es a quando i ens an e io men e pouco
come cializados em escala in e nacional passam a ocupa g ande olume nos luxos
de comé cio, exigindo adap ações ápidas em e mos de p ocessamen o, anspo e
e no ma ização sani á ia.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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3091
A gue a a i á ia le ou a China a eduzi a impo ação de ca ne suína no e-ame icana,
a o ecendo o necedo es eu opeus e sul-ame icanos. O aumen o da demanda po
ca ne suína b asilei a e espanhola exigiu ajus es na capacidade p odu i a desses países,
na ce i icação sani á ia e na es u u a logís ica pa a a ende aos pad ões chineses.
Ou o exemplo en ol e as es ições à expo ação de a oz na Índia, obse adas em
2022 e 2023, que impac a am nações como o Senegal, que i e am de eco e a B asil,
Paquis ão e Tailândia pa a compensa a al a de a oz, ge ando cus os adicionais e
mudanças em egulamen os i ossani á ios (Abdullah e Glaube , 2025).
A acomodação de exceden es de expo ações em ou os des inos ge a mudanças
p o undas na geopolí ica do ag onegócio. O mesmo mo imen o que bene icia alguns
p odu o es aumen a a concen ação de isco quando esses expo ado es no os passam
a depende de um comp ado dominan e. Se, u u amen e, a China ou qualque ou o
g ande impo ado e e e a polí ica de a i as e se eap oxima dos Es ados Unidos, os
países que consolida am pa icipação nesse ín e im podem so e uma g ande queda
de demanda (FAO, 2022).
Esse edi ecionamen o de o as pode á ge a p essão sob e egiões no e-ame icanas
al amen e dependen es do comé cio ag opecuá io, no a ual pano ama de gue as a i-
á ias. Isso e idencia ia a ulne abilidade de á eas u ais que, nos úl imos anos, inham
apoiando as agendas p o ecionis as de T ump (Guillén e To es, 2025; Reidy, 2025).
Segundo es a ís icas da Comissão de Comé cio In e nacional dos Es ados Unidos, as
e aliações impos as em 2018 esul a am em eduções de mais de US$ 27 bilhões nas
expo ações do país (Johanson e al., 2023).
Na ocasião, hou e en a i as de i ma aco dos com Japão, Co eia do Sul e países
do Sudes e Asiá ico como o ma de compensa a pe da de espaço na China. No en an o,
elas não o am su icien es pa a abso e o olume que oi eduzido das expo ações
no e-ame icanas pa a a China. Em 2017, os Es ados Unidos expo a am ap oximada-
men e 31,7 milhões de oneladas mé icas (MMTs) de soja pa a o me cado chinês. Em
2018, esse olume caiu pa a ce ca de 8,2 MMTs, uma edução de ap oximadamen e
74% (Adjemian, Smi h e He, 2021). Além disso, a manu enção de pa e das a i as a é
após 2021, du an e o go e no Biden, mos ou que o p o ecionismo não oi o almen e
e e ido, alimen ando um ambien e de ince eza que ainda pe manece.
No con ex o a ual, os en ios de ca ne suína, soja e a é p odu os p ocessados
pode ão en en a p essão compe i i a, ge ando exceden es e quedas nos p eços
domés icos. Ao mesmo empo, o e ei o dominó se p onuncia ia sob e os cus os de
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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p odução no campo, que aumen a iam em unção das a i as sob e aço e alumínio,
enca ecendo a o es, colhei adei as, silos e di e en es implemen os (Glass, 2025).
Fe ilizan es e de ensi os ambém i e am seus p eços ele ados an o pelas ba ei as
a i á ias, em 2018, quan o po in e upções nas cadeias de sup imen o de i adas da
gue a usso-uc aniana, em 2022. No a ual cená io, mo i ados pela geoeconomia, os o -
necedo es ex e nos podem so e e aliações ou mudanças na o e a (Fumasi e al., 2024).
Pa a amo ece esses impac os, os ag icul o es ame icanos podem ecebe
paco es de compensação inancei a (Pe ei a e Gilio, 2025). No con ex o da edução
das expo ações de soja dos Es ados Unidos pa a a China, em 2018, o Depa amen o
de Ag icul u a dos Es ados Unidos (Uni ed S a es Depa men o Ag icul u e – USDA)
implemen ou o Ma ke Facili a ion P og am (P og ama de Facili ação de Me cado),
que ge ou pagamen os aos p odu os de ap oximadamen e US$ 8,5 bilhões. Esse alo
não oi su icien e pa a cob i os impac os di e os deco en es da a i a de 25% apli-
cada pela China, que ocasionou uma queda média de US$ 0,74 po bushel no p eço
de expo ação da soja no e-ame icana, du an e um pe íodo de ce ca de cinco meses.
Essa edução nos p eços, quando combinada com o olume exp essi o de expo -
ações an e io men e di ecionadas à China, ge ou pe das es imadas em o no de
US$ 3,2 bilhões pa a os p odu o es no e-ame icanos da commodi y (Adjemian e al.,
2021; Coppess, Kalai zandonakes e Ellison, 2025).
Embo a os subsídios do USDA enham buscado a enua as pe das no cu o p azo,
a sua exis ência e o ça a cons a ação de que, mesmo quando as a i as isam nomi-
nalmen e p o ege a indús ia domés ica, os expo ado es podem se o na í imas
in olun á ias da polí ica p o ecionis a. Isso se o na e iden e em decla ações a uais
de associações dos Es ados Unidos, como a Ame ican Soybean Associa ion (Associação
Ame icana de Soja), Ame ican Seed T ade Associa ion (Associação Ame icana de
Comé cio de Semen es), Ag icul u al Re aile s Associa ion (Associação de Va ejis as
Ag ícolas) e The Fe ilize Ins i u e (Ins i u o de Fe ilizan es), que c i ica am as a i as
implemen adas po T ump em 2025, en a izando que os epasses go e namen ais não
cob em e e i amen e as pe das come ciais e que a imp e isibilidade das negociações
u u as amplia a insegu ança do se o (Da ies, 2025).
Esse episódio sob e o ag onegócio não é um caso isolado. Há e idências de que
a es ição sob e p odu os ag ícolas e alimen ícios em c escendo em di e sos blocos
geopolí icos. Dados do GTA, no g á ico 4, mos am que p odu os alimen ícios p ocessados,
commodi ies e bens in e mediá ios pa a a indús ia ag oalimen a êm sendo al os
eco en es de polí icas es i i as que, ao enca ece insumos ou bloquea expo ações,
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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ge am uma sucessão de ajus es. O e ei o esul an e ende a se o ag a amen o dos
iscos de desabas ecimen o, pa icula men e quando há e aliações en ol endo i ens
conside ados essenciais pelas populações locais (Fumasi e al., 2024).
GRÁFICO 4
Se o es mais a e ados po medidas es i i as (2005-jan. 2025)
0,4% (3.454)
1,4% (3.485)
1,6% (3.515)
1,6% (3.521)
1,8% (3.917)
2,1% (4.544)
2,1% (4.565)
2,5% (5.439)
2,5% (5.525)
2,6% (5.757)
3,0% (6.503)
3,0% (6.510)
3,1% (6.712)
3,1% (6.774)
3,8% (8.350)
4,2% (9.175)
4,3% (9.403)
4,6% (10.113)
4,8% (10.501)
4,9% (10.706)
5,0% (10.972)
5,3% (11.548)
5,5% (12.086)
5,7% (12.593)
6,3% (13.743) 15% (30.057)
0
5.000
10.000
15.000
20.000
25.000
30.000
35.000
P odu os lo es ais e de explo ação madei ei a
P odu os lác eos e o os
Animais i os e p odu os animais (excluindo ca ne)
Peixes e ou os p odu os de pesca
Bebidas
Celulose, papel e p odu os de papel; ma e ial imp esso e a igos elacionados
P odu os pe olí e os e inados, de o no de coque e combus í el nuclea
Fios e linhas; ecidos êx eis ecidos e u ados
Apa elhos médicos, ins umen os de p ecisão e óp icos, elógios e elógios
Mó eis; ou os bens anspo á eis, nec
P odu os de madei a, co iça, palha e ma e iais de en ança
P odu os de bo acha e plás ico
P odu os me álicos ab icados, exce o máquinas e equipamen os
Vid o e p odu os de id o e ou os p odu os não me álicos, nec
Ou os p odu os químicos; ib as a i iciais
Máquinas pa a ins ge ais
Equipamen os e apa elhos de ádio, ele isão e comunicação
Ca ne, peixe, u as, ege ais, óleos e go du as
P odu os de moagem de g ãos, amidos e ou os alimen ícios
Máquinas e apa elhos elé icos
P odu os químicos básicos
Equipamen os de anspo e
Me ais básicos
Máquinas pa a ins especiais
P odu os da ag icul u a, ho icul u a e ho icul u a
Ou os (46 se o es)
Fon e: GTA, 2025. Disponí el em: h ps://global adeale .o g/. Acesso em: 6 e . 2025.
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Nec – não especi icados em ou a ca ego ia.
Ou a consequência ecai sob e as decisões de in es imen o e as es a égias emp e-
sa iais, que so em cons an es e isões po que as cadeias ag opecuá ias, compos as
po e ilizan es, semen es, maquiná io e se iços logís icos, dependem de p e isibili-
dade pa a se man e em compe i i as (Fumasi e al., 2024; Pe ei a e Gilio, 2025; Reidy,
2025; Tá o a, 2025). Nesse pon o, é impo an e analisa não apenas o esul ado di e o
das sob e axas, mas ambém a sucessão de e aliações que a e am á ios elos da
cadeia, inclusi e anspo ado es, p ocessado es de alimen os e dis ibuido es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
31
3091
Essa mudança de o a dos Es ados Unidos, ao sup imi a con inuidade do IRA12 e
de ou as legislações de incen i o à ene gia limpa, le an a emo es quan o à compe-
i i idade e à capacidade no e-ame icana de acompanha a c escen e economia de
ecnologias e des. In es imen os sem p eceden es em ene gia limpa, que pode iam
ge a milha es de emp egos em se o es de al o alo ag egado, podem se ea aliados
ou in e ompidos, di icul ando o cump imen o das me as de edução de emissões e
enca ecendo a adoção de ino ações no e i ó io es adunidense (Elkind, 2025).
Análises apon am que man e o IRA é impo an e pa a os Es ados Unidos não
pe de em a co ida ecnológica pa a a China, que, po sua ez, se consolida como g ande
playe na manu a u a de painéis sola es, ba e ias de eículos elé icos e ou as cadeias
de alo ol adas à ansição ene gé ica (Baka, 2025). Além disso, na pe spec i a de
coope ação in e nacional, espe a-se que, com a saída dos Es ados Unidos do Aco do
de Pa is, o luxo de undos in e nacionais des inados à mi igação e adap ação climá ica
se eduzam, embo a isso já acon ecesse desde o go e no Biden, quando os apo es
ame icanos inham espaço pa a c esce , mas não chega am a a ingi pa ama es
compa á eis aos comp omissos de países eu opeus (Munhoz, 2025).
Além disso, a e e são de polí icas ambien ais execu i as, como a in odução de
egulações de emissões se o iais, es á na mi a do a ual p esiden e, que já a i mou
que algumas no mas, como aquelas que isam con ola o me ano em ins alações
de pe óleo e gás, “se ão e is as e possi elmen e e ogadas” (Uni ed S a es, 2025b).
O e ei o disso ende a se exp essi o na indús ia de óleo e gás de xis o, um dos pila es
da au ossu iciência ene gé ica p egada po T ump.
Ao mesmo empo que os Es ados Unidos sinalizam o descomp omisso ambien al,
a China e o ça sua condição de po ência ecnológica, dominando a p odução global
de ba e ias pa a eículos elé icos, módulos o o ol aicos, p ocessamen o de ele-
men os de e as a as e insumos de al o alo pa a a indús ia de ene gias eno á eis
(Munhoz, 2025). Com meno es ímulo go e namen al nos Es ados Unidos pa a es a
á ea, a lacuna en e a indús ia chinesa e a no e-ame icana em e mos de ino ações
e des pode se ala ga .
12. O IRA, jun amen e com a Lei Bipa idá ia de In aes u u a, oi desenhado pa a impulsiona a indús ia
nacional de painéis o o ol aicos, u binas eólicas, hid ogênio limpo e sis emas de cap u a de ca bono,
c iando emp egos e es imulando o c escimen o econômico em egiões indus iais a e adas pelo declínio
de se o es adicionais (Glass, 2025). Con udo, a des inculação do go e no T ump 2.0 dessas es a égias,
alinhada ao discu so de p omoção do pe óleo e do gás, pode ea o adensamen o de cadeias p odu i as
e de ino ação em ene gia limpa nos Es ados Unidos, jus amen e em um momen o em que a demanda
global po soluções eno á eis es á em expansão.

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A ampliação desse hia o de lide ança em ecnologias pode impulsiona ou as
po ências a assumi maio des aque no cená io in e nacional. A UE man ém a Lei de
Ma é ias-P imas C í icas (C i ical Raw Ma e ials Ac – CRMA) e e o ça a coope ação
com países eme gen es que possuam ese as de mine ais, além de incen i os à
eciclagem e à edução da in ensidade de emissões na indús ia de al o consumo
ene gé ico (Kowalski e Legend e, 2023). A China ende a explo a ainda mais esse
ácuo, expandindo a in luência de suas emp esas e c iando aco dos come ciais que
ixam pad ões ecnológicos com base em sua p óp ia expe ise. O e ei o dessa co ida
pode se a concen ação das cadeias de abas ecimen o em poucas egiões do globo e
a é o aci amen o de dispu as geoeconômicas no pionei ismo ecnológico em p odu os
demandados globalmen e.
O cená io que eme ge combina ensões p o ecionis as, dispu a po lide ança
em ecnologias limpas e ea anjos diplomá icos que não icam es i os à á ea
climá ica, mas a e am a polí ica indus ial e de comé cio ex e io de inúme os países.
As sanções sob e eículos elé icos chineses e a busca po maio au onomia em
mine ais c í icos e le em uma in e dependência global que con as a com discu sos
de sobe ania ene gé ica. Ainda que a di e si icação de o necedo es e a coope ação
em ma é ia de ino ação sejam caminhos pa a eduzi iscos, há a p eocupação de
que polí icas mais ag essi as de um país possam es imula e aliações e amplia o
cus o ge al da ansição limpa.
A p eocupação climá ica ambém a e a o ag onegócio ame icano, e as decisões
sob e polí icas ambien ais podem le a a uma e isão de medidas de apoio ag í-
cola, como a Fa m Bill, cujas seções de conse ação ambien al podem so e co es
o çamen á ios, esul ando em menos incen i os pa a p á icas ag ícolas sus en á eis
(Munhoz, 2025). Tal mo imen o, em um momen o em que a UE e ou os me cados
impõem egulações de desma amen o e as eabilidade cada ez mais igo osas,
pode p ejudica a compe i i idade das expo ações ag opecuá ias dos Es ados Unidos
(Nonnenbe g e al., 2024).
Na mesma linha, o Mecanismo de Ajus e de Ca bono na F on ei a (Ca bon Bo de
Adjus men Mechanism – CBAM), da UE, que p e ê axa p odu os com pegadas de
ca bono ele adas caso o país expo ado não possua polí ica climá ica equi alen e,
pode a e a as expo ações dos Es ados Unidos pa a o me cado eu opeu com o aban-
dono do Aco do de Pa is. Isso a e a ia ce os se o es indus iais e ag opecuá ios dos
Es ados Unidos, que podem i a en en a ba ei as adicionais na Eu opa (Plume e
Hu s u e , 2025).
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Ainda que polí icas de p o eção ao ca ão e ao pe óleo açam pa e cen al do
discu so umpis a, é espe ado que a consolidação de uma desca bonização global
p ossiga, apesa dos en a es (Baka, 2025). Os cus os dec escen es de ene gias eno-
á eis e de ecnologias de a mazenamen o, aliados a p essões de consumido es e
acionis as po maio esponsabilidade ambien al, indicam que a ansição ene gé ica
con inua em cu so. Emp esas nos Es ados Unidos, como g andes mon ado as au o-
mo i as e a é g andes a uan es do se o de in es imen o, ainda eem a expansão do
me cado de ca os elé icos e a desca bonização indus ial como p oje os economi-
camen e iá eis. Um exemplo é o olume de capi ais p i ados engajados em p oje os
de ene gia limpa, embo a a pa alisação do IRA c ie ince ezas e possa e a da pa e
desses in es imen os (Elde , Zusman e Hengesbaugh, 2025).
Ainda que haja um sinal de e ocesso es adunidense na polí ica ambien al e
climá ica, es o ços diplomá icos co obo am pa a a coope ação e o o alecimen o do
mul ila e alismo pa a en en a a c ise do clima e a agmen ação come cial, pois os
impac os ambien ais e econômicos se ag a am na ausência de coo denação.
Ao conside a a pe spec i a do B asil, a polí ica climá ica de T ump pode e
implicações ele an es pa a o ag onegócio b asilei o. Se os Es ados Unidos eduzi em
in es imen os em ecnologias limpas no se o ag o, deixa em de ade i a pad ões
ambien ais mais a ançados e aci a em dispu as come ciais, pode ha e abe u a de
nichos pa a o B asil em me cados exigen es em e mos de sus en abilidade. En e an o,
isso depende á de o país demons a capacidade de adap ação e baixa pegada de
ca bono na soja, na ca ne e em ou as commodi ies, a im de a ende às exigências
egula ó ias da UE e de ou os impo ado es.
Ademais, a pos u a ame icana de in e ompe as inicia i as de inanciamen o
climá ico não in e e e di e amen e no Fundo Amazônia ou em p og amas bila e ais
que en ol em doado es eu opeus, mas eduz a chance de engajamen o inancei o
adicional do país no e-ame icano em pau as socioambien ais. Nesse sen ido, o
a ual go e no b asilei o de e es ei a alianças com a UE e com a China em e mos
de ansição ene gé ica e p o eção de ecossis emas. Essa se ia uma es a égia pa a
amplia as expo ações do B asil e p oje os de coope ação, eduzindo a dependência
dos Es ados Unidos.
Ou a dimensão se e e e a uma e en ual adoção de a i as c uzadas. Se o go e no
T ump consegui ap o a sanções ou a i as especí icas con a p odu os b asilei os,
isso a e a ia segmen os como o aço e o alumínio, mas a escalada de con li os com a
China pode o na a soja e ou as commodi ies b asilei as ainda mais compe i i as no
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me cado chinês, caso o go e no daquele país eduza as impo ações do ag o ame icano.
Isso já oi obse ado an e io men e, po ém, essa dinâmica depende de ou os a o es,
como a demanda global e a lu uação de p eços. Além disso, a China pode di e si ica
o igens de impo ação, como a A gen ina, ou ealiza aco dos de longo p azo que
o nem menos olá il sua dependência do me cado ame icano.
Com isso, se, em p incípio, a subs i uição de combus í eis ósseis po al e na i as
eno á eis em po encial de a enua iscos geopolí icos ligados ao pe óleo e ao gás,
pode aci a a dependência de ecu sos mine ais especí icos, nem semp e dis ibuídos
de o ma equânime. A en a i a de equilib a in e esses nacionais e comp omissos
ambien ais ep esen a um desa io que ex apola o uso de ecnologias, pois en ol e
a cons ução de um a cabouço ins i ucional que pe mi a in es imen os es á eis, a
implemen ação de pad ões socioambien ais igo osos e a colabo ação en e g andes
blocos econômicos.
Nesse xad ez polí ico-econômico, a e olução das polí icas de incen i o, a ges ão
de ese as mine ais, a p o eção ambien al e a capacidade de ino ação de cada egião
molda ão os des echos u u os. A escolha en e alça a ansição ene gé ica a um pa ama
du adou o ou pe manece em ciclos de e ocessos egula ó ios depende do g au de
coope ação en e as po ências e da consolidação de um me cado global de ene gia
limpa. Embo a o segundo manda o de T ump simbolize um des io da o a ambien al,
a dinâmica dos me cados e a p essão de a o es não es a ais (como emp esas, undos
de in es imen o e sociedade ci il) podem man e as inicia i as de desca bonização
em ou as en es. Po isso, o des echo desse pe íodo polí ico e ela á a é que pon o a
geoeconomia, as medidas de p o ecionismo e a busca po segu ança de sup imen os,
em conjun o com a ação climá ica, se ão conciliadas ou colocadas em choque.
6 REFLEXOS DO PROTECIONISMO: O QUE ESPERAR PARA
OUTRAS ÁREAS?
6.1 Mul ila e alismo e OMC
Depois de de e mina a i as a países e p odu os especí icos, as p imei as inicia i as
come ciais de T ump en ol e am medidas mais amplas, que podem a e a di e amen e
o comé cio no mundo. O memo ando “Fai and Recip ocal Plan” on T ade13 (“Plano Jus o
13. Disponí el em: h ps://www.whi ehouse.go / ac -shee s/2025/02/ ac -shee -p esiden -donald-j-
ump-announces- ai -and- ecip ocal-plan-on- ade/. Acesso em: 14 e . 2025.
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e Recíp oco” sob e Comé cio) p opõe a imposição de ba ei as come ciais equi alen e
às aplicadas pelos países aos p odu os es adunidenses. A ideia é co igi desequilíb ios
na balança come cial e ga an i jus iça nas negociações.
O documen o menciona explici amen e o B asil e o comé cio de p odu os ag ícolas
ao desc e e : i) enquan o nos Es ados Unidos a a i a sob e o e anol é de apenas 2,5%,
uma a i a de 18% é aplicada pelo go e no b asilei o sob e as expo ações de e anol
no e-ame icano; e ii) a a i a média da Nação Mais Fa o ecida (NMF) aplicada pelos
Es ados Unidos sob e p odu os ag ícolas é de 5%, enquan o na Índia essa média chega
a 39%. Isso suge e que o memo ando pode al e a as a i as dos Es ados Unidos sob e
p odu os b asilei os e do se o ag o.
Ou a medida que pode a e a di e amen e o B asil é a a i a de 25% sob e as
impo ações de aço e de alumínio (Uni ed S a es, 2025c). Em 2018, o B asil e ou os
países (A gen ina, Aus ália, Canadá, Japão, México, Co eia do Sul, UE, Uc ânia e Reino
Unido) ecebe am isenção a i á ia em uma polí ica simila , que inha como obje i o
di icul a o comé cio desses p odu os p o enien es da China. A no a adminis ação
T ump ac edi a que a isenção acili ou a comp a de aço e alumínio chinês de o ma
indi e a, quando esses me ais e am impo ados po ou os países e endidos aos
Es ados Unidos um pouco mais p ocessados, como na o ma de aço semiacabado,
po exemplo. Com e ei o, a no a p opos a de T ump é aplica as a i as pa a odos os
expo ado es, inclusi e o B asil, que é o segundo maio expo ado pa a os Es ados
Unidos, a ás apenas do Canadá (Ha ison, 2025).
A expe iência de 2018 se e como e e ência pa a o a ual cená io. Na ocasião, após
negociações, o B asil conseguiu es abelece uma co a de 3,5 milhões de oneladas
pa a a expo ação de aço semiacabado aos Es ados Unidos, o que ga an iu alguma
p e isibilidade pa a a indús ia side ú gica nacional. Essa pode ia se uma polí ica a
se ado ada no amen e, a depende das no as di e izes es abelecidas po T ump.
Essa não é apenas uma expec a i a apenas pa a o B asil. A pa i do Fai and
Recip ocal Plan, espe a-se que os países busquem aco dos indi iduais com os Es ados
Unidos, pa a amo iza os e ei os das medidas a i á ias. Toda ia, essa es a égia indi i-
dualizada expõe uma ulne abilidade do sis ema de comé cio in e nacional desen ol ido
no Aco do Ge al de Ta i as e Comé cio (Gene al Ag eemen on Ta i s and T ade – GATT),
em 1947 e, pos e io men e, pela OMC. Em p imei o luga , a negociação bila e al
comp ome e o p incípio da não disc iminação, que impõe que os países-memb os sejam
a ados de manei a iguali á ia, sem que haja a o ecimen o ou e aliação disc imina ó ia
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em unção de di e enças nas condições come ciais. Se, no caso do e anol, os Es ados
Unidos decidi em aplica a mesma a i a que o B asil impõe, isso ep esen a ia uma
ecip ocidade unila e al, que des i ua o a amen o equânime espe ado nas elações
come ciais mul ila e ais.
Além disso, essa p á ica pode abala a p e isibilidade e a es abilidade do sis ema
mul ila e al, que é is o uni e salmen e como o local pa a negocia no os comp omissos
a i á ios, mode niza eg as come ciais e impo comp omissos po meio do sis ema
de solução de con o é sias. Se os países decidi em po eco e às negociações
bila e ais como o ma de p o eção, e i a iam a dispu a do ambien e mul ila e al, que
de ine eg as cole i amen e e se mani es a po meio do mecanismo de a bi agem da
OMC pa a soluciona con o é sias. Essa endência agiliza o sis ema ao p omo e
exceções às no mas comuns e ao incen i a a adoção de medidas unila e ais que
podem se p opagadas, comp ome endo a in eg idade e a e icácia dos p ocedimen os
de esolução de con li os es abelecidos pela o ganização.
6.2 Impac os mac oeconômicos
Embo a as a i as impos as po T ump p o a elmen e não eduzam o dé ici come cial
dos Es ados Unidos, podem ocasiona epe cussões sob e a in lação, ele ando os
p eços dos p odu os impo ados e daqueles ab icados in e namen e que compe em
com os bens es angei os ou que dependem de insumos impo ados.
A in lação no e-ame icana já supe a a me a de 2%, é imp o á el que o Fede al
Rese e Sys em (FED), banco cen al do país, pe maneça ine e; é possí el que a
ins i uição a ase os co es p e is os nas axas de ju os ou, possi elmen e, as ele e
pa a compensa o impac o in lacioná io deco en e das a i as. Essa expec a i a se
e le e nos me cados inancei os, em que a alo ização do dóla em acompanhado
cada no a ameaça a i á ia (P adhan e Usa di, 2025).
Uma simulação sob e as no as a i as impos as pelo go e no T ump suge e que
uma sob e axa de 25% sob e a maio ia dos p odu os do Canadá e do México (exce-
uando ene gia canadense, axada em 10%) e de 10% sob e p odu os da China pode
ep esen a um aumen o ibu á io supe io a US$ 1.200 anuais pa a as amílias
medianas dos Es ados Unidos. Além do enca ecimen o di e o aos consumido es,
essas medidas in ensi icam o isco de e aliações in e nacionais, o que pode comp o-
me e cadeias de sup imen os em di e sos países e ge a no as p essões in lacioná ias
no ex e io (Clausing e Lo ely, 2025).

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Ou a simulação, com os mesmos p essupos os, es ima que o Canadá e ia sua
axa de c escimen o possi elmen e eduzida pela me ade, e o PIB do México cai ia en e
0,5 e 0,6 pon o pe cen ual (p.p.) nos dois p imei os anos. Caso ou os go e nos e aliem,
o PIB dos Es ados Unidos pode ecua 0,7 e 0,5 p.p. em 2025 e 2026, espec i amen e
(Kaya e Milla d, 2025).
A expe iência da gue a come cial de 2018 e 2019 indica que as a i as impos as
nesses anos, mui as delas man idas pelo go e no Biden, le a am os consumido es
domés icos a a ca com g ande pa e dos cus os a i á ios, pois expo ado es es an-
gei os não eduzi am seus p eços. A pe spec i a a ual é pio , pois ab ican es locais
que compe em com p odu os al o das a i as podem ele a seus p eços, ampliando
as despesas dos consumido es (Clausing e Lo ely, 2025). No ge al, as medidas
a i á ias a uais podem eduzi o PIB de longo p azo dos Es ados Unidos em 0,2%
(Yo k e Du an e, 2025).
Em escala mundial, o p o á el ealinhamen o de o necedo es e a adoção de
con amedidas po ou as economias podem a o ece a p opagação de ince ezas e
limi a o c escimen o global. Embo a a a ual adminis ação de T ump cogi e ein oduzi
os co es de impos os ins i uídos em 2017 pa a a enua impac os domés icos, os
endimen os da maio ia das amílias de enda baixa e média ainda podem se de e io a ,
uma ez que os aumen os a i á ios supe a iam po enciais bene ícios iscais.
As no as p opos as de a i as pa a 2025, se implemen adas de o ma pe manen e
em odo T ump 2.0, podem ap o unda os desequilíb ios na economia mundial, aumen-
a o ní el de ince eza e p essiona ainda mais as cadeias de sup imen os globais.
O aumen o das axas de ju os nos Es ados Unidos pode desencadea uma es ição na
liquidez global, expondo ao isco a capacidade de emp esas e go e nos com ele ados
ní eis de endi idamen o em dóla es de hon a suas ob igações. Caso ou os bancos
cen ais op em po segui o exemplo do FED, o que é uma p á ica his o icamen e obse -
ada, a é mesmo os agen es econômicos com exposição limi ada a dí idas em dóla es
pode ão en en a di iculdades inancei as.
Pa a mi iga os e ei os do choque come cial p omo ido pelas a i as, os go e nos
podem ado a algumas medidas mac oeconômicas ou desen ol e es a égias de
e aliação que sejam e icazes. A UE possui um ins umen o com es u u a ju ídica e
ope acional que pe mi e aos países do bloco iden i ica e esponde , de o ma p opo -
cional, a p á icas de coe ção econômica. Po meio des e ins umen o, a UE pode aciona
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medidas, como a i as, es ições come ciais e limi ações ao acesso a in es imen os,
pa a neu aliza p essões con a p odu os dos Es ados Unidos (Gelda d, 2025).
Medidas dessa na u eza pode iam pe mi i , en e ou as ações, a suspensão
empo á ia de p o eções elacionadas à p op iedade in elec ual pa a so wa es e se iços
de s eaming p o enien es dos Es ados Unidos ou a imposição de es ições à a uação de
bancos e p es ado es de se iços inancei os ame icanos nos me cados eu opeus. Tais
inicia i as podem se pa icula men e a a i as pa a os países em desen ol imen o,
como o B asil, uma ez que os Es ados Unidos cos umam ap esen a supe á i s exp es-
si os nas á eas de p op iedade in elec ual e se iços inancei os.
Ou o exemplo é o ado ado pela China em elação às expo ações de mine ais. Uma
ez que o país de ém o con ole sob e a o e a global de di e sos insumos-cha e, a
imposição de es ições pode eduzi os luc os de emp esas es adunidenses, enquan o
bene icia as companhias locais. A China em e i ado eco e a essas medidas na úl ima
década, depois de uma decisão des a o á el no âmbi o da OMC sob e a limi ação das
expo ações de e as a as.14 No en an o, o a o de as a i as dos Es ados Unidos
ambém iola em ob igações assumidas na OMC pode le a o go e no chinês a ado a
uma pos u a come cial e alia ó ia, seguida po ou os países que de êm pode de
me cado em p odu os es a égicos.
Além das espos as ado adas de o ma isolada, é possí el que os países busquem
ações cole i as. O o alecimen o da in eg ação econômica egional, po meio da
eliminação de ba ei as come ciais e de in es imen o exis en es den o dos blocos
egionais, pode o e ece uma espos a mais e icaz do que a simples ele ação de
a i as sob e p odu os no e-ame icanos. A acele ação das negociações pa a no os
aco dos come ciais e de in es imen o, como a pa ce ia en e a UE e o Me cosul, da
Índia com a Aus ália, dos Emi ados Á abes Unidos com os países da Á ea Eu opeia
de Li e Comé cio (Eu opean F ee T ade Associa ion – EFTA), que comp eendem
Islândia, Liech ens ein, No uega e Suíça, são algumas pa ce ias es a égicas pa a as
pa es con e em os impac os da gue a a i á ia.
Embo a a polí ica a i á ia da adminis ação T ump se assemelhe a um e en o de
g ande magni ude e po encial impac o ao comé cio mundial, seus e ei os podem se
amenizados. Ao e i a eações p ecipi adas e omen a pa ce ias, a economia global
pode encon a caminhos pa a en en a os desa ios impos os po esse cená io.
14. Disponí el em: h ps://www.w o.o g/english/ a op_e/dispu_e/cases_e/ds431_e.h m. Acesso em:
17 e . 2024.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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6.3 Comé cio in e nacional e segu ança alimen a
Uma possí el gue a come cial se mani es a em um momen o de ea anjos geopo-
lí icos com o po encial de in ensi ica ensões en e Es ados Unidos, China e ou os
a o es, inclusi e a Rússia, Eu opa e blocos egionais. Nesse cená io, há e lexos di e os
na economia mundial. A adoção de a i as em la ga escala, caso o go e no T ump á
adian e na ideia de axa as impo ações de alguns pa cei os, pode desencadea um
choque ainda maio na o dem mul ila e al de comé cio (Saliya, 2025).
Teme-se a epe ição de algo como o que se iu na década de 1930, quando as
chamadas Ta i as Smoo -Hawley con ibuí am pa a o colapso do comé cio global
du an e a G ande Dep essão (Rosenbe ge , 2024). Hoje, no en an o, há um ag a an e:
a economia mundial é mui o mais in e conec ada, com cadeias globais de alo que
podem so e deso ganização p o unda dian e de ba ei as, impac ando in es imen os
e cus os de p odução.
No caso b asilei o, a ques ão do p o ecionismo global assume ele ância, em
i ude da posição do B asil como g ande expo ado de soja, ca nes, milho, açúca ,
suco de la anja e ca é (Pe ei a e Gilio, 2025). Em 2023, a China impo ou quase 70%
de suas necessidades de soja do B asil, ao passo que os Es ados Unidos eduzi am as
expo ações de soja pa a o me cado chinês em 16% a é no emb o de 2024, esul ado
de ince ezas a i á ias (Plume e Hu s u e , 2025). Embo a o B asil possa ap o ei a
b echas pa a sup i me cados an es dominados pelos Es ados Unidos, a ins abilidade
das eg as e a possibilidade de e aliações c uzadas p ejudicam oda a cadeia global
de sup imen os, ele ando cus os logís icos e ampliando a ola ilidade dos p eços
(S&P Global, 2025).
A segu ança alimen a é sensí el às ba ei as come ciais. Quando g andes expo -
ado es es ingem a o e a ou so em e aliações, os p eços in e nacionais sobem
e países com meno pode de comp a icam ulne á eis. Em 2008, a c ise inancei a
coincidiu com a al a nos p eços de commodi ies ag ícolas, momen o em que oi possí el
no a que as p oibições de expo ação ou ele ação de a i as desencadea am c ises
de abas ecimen o em nações de meno enda (FAO, 2022).
Além disso, ele ações a i á ias em insumos, como adubos e máquinas, impac am
di e amen e o cus o de p odução, eduzindo a compe i i idade do ag icul o que
depende de i ens impo ados. A ag oindús ia dos Es ados Unidos usa pa e conside-
á el de insumos es angei os pa a p ocessa ca nes, ab ica ações e e ina óleos.
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Da mesma o ma, no B asil, ce ca de 80% dos e ilizan es êm do ex e io (Plume e
Hu s u e , 2025). Qualque sob e axa sob e esse p odu o one a a a i idade ag ícola
e e e be a nos p eços inais de bens de p imei a necessidade.
As a i as no e-ame icanas de 10% a 25% sob e impo ações indas de Canadá,
México ou China, com oco em con e o luxo de en o pecen es ou busca an agens
come ciais, ge a ap eensão em p odu o es u ais. O USDA p oje ou que, em 2023, as
expo ações ag ícolas no e-ame icanas soma am US$ 190 bilhões (Plume e Hu s u e ,
2025). Desse o al, me ade oi des inada a esses ês países, que são os p incipais
consumido es de soja, milho, igo, ca nes e la icínios dos Es ados Unidos. A adoção
de con amedidas po esses pa cei os, eduzindo as comp as de p odu os ag ícolas
dos Es ados Unidos, le a ia a um p ejuízo que pode chega a bilhões de dóla es e ecai
sob e p odu o es que já en en am al os cus os de e ilizan es e ene gia (Coppess,
Kalai zandonakes e Ellison, 2025).
Há ambém pe spec i as sob e os se o es de u as, ho aliças e p odu os in na u a,
cuja demanda no e-ame icana é abas ecida em la ga medida po México, Canadá,
Chile e Pe u. Se o go e no ame icano amplia a i as, o consumido local paga ia mais
ca o po ho i u is, p incipalmen e nos meses de en essa a domés ica, sem g andes
bene ícios pa a o p odu o ame icano, pois g ande pa cela desses i ens não é cul i ada
ou não se encon a em sa a no país du an e odo o ano (S&P Global, 2025; Glaube ,
Piñe o e Giana iempo, 2025; Abdullah e Glaube , 2025). Esse e ei o in lacioná io sob e
a ces a de alimen os pode ge a eações nega i as da sociedade, eduzindo o apoio
polí ico a medidas p o ecionis as.
Em con apa ida, quando as a i as ecaem sob e os expo ado es dos Es ados
Unidos, o B asil e ou os o necedo es podem ocupa opo unidades de me cado
em países que aplicam as a i as, como a China. A consequência da polí ica a i-
á ia de 2018 e 2019 oi a pe da pe manen e de a ias do me cado chinês pa a os
Es ados Unidos, pois a China a ançou em aco dos de longo p azo com expo ado es
sul-ame icanos, in es indo em in aes u u a pa a ga an i sup imen o cons an e.
Mesmo após a edução das ensões, pa e da capacidade come cial ame icana não
oi ecupe ada in eg almen e.
A segu ança alimen a no mundo depende da luidez dos luxos de alimen os.
Mui os países de enda baixa impo am ce eais, açúca e óleos ege ais pa a sup i
suas necessidades nu icionais (S&P Global, 2025). Ele ações de a i as em g andes
me cados podem edi eciona expo ações e eduzi a o e a disponí el pa a ou as
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Ipea – Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada
EDITORIAL
Coo denação
Ae omilson T ajano de Mesqui a
Assis en es da Coo denação
Ra ael Augus o Fe ei a Ca doso
Samuel Elias de Souza
Supe isão
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Re isão
B una Oli ei a Ranquine da Rocha
Ca los Edua do Gonçal es de Melo
C islayne And ade de A aújo
Elaine Oli ei a Cou o
Luciana Bas os Dias
Rebeca Raimundo Ca doso dos San os
Vi ian Ba os Volo ão San os
Luíza Ca doso Mendes Velasco (es agiá ia)
Edi o ação
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
Camila Guima ães Simas
Leona do Simão Lago Al i e
Maya a Ba os da Mo a
Capa
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
P oje o G á ico
Aline C is ine To es da Sil a Ma ins
The manusc ip s in languages o he han Po uguese
published he ein ha e no been p oo ead.

Missão do Ipea
Ap imo a as polí icas públicas essenciais ao desen ol imen o b asilei o
po meio da p odução e disseminação de conhecimen os e da assesso ia
ao Es ado nas suas decisões es a égicas.
Missão do Ipea
Quali ica a omada de decisão do Es ado e o deba e público.