Cos a, Wande son San os; Rui o, Heloísa Muse i; So e oni, Aline C is ina; Ramos,
Fe nando Manuel; Pompe maye , Fabiano Mezad e
Wo king Pape
Impac os na ag icul u a b asilei a u ilizando di e en es
cená ios de demanda domés ica de e anol
Tex o pa a Discussão, No. 3140
P o ided in Coope a ion wi h:
Ins i u e o Applied Economic Resea ch (ipea), B asília
Sugges ed Ci a ion: Cos a, Wande son San os; Rui o, Heloísa Muse i; So e oni, Aline C is ina;
Ramos, Fe nando Manuel; Pompe maye , Fabiano Mezad e (2025) : Impac os na ag icul u a
b asilei a u ilizando di e en es cená ios de demanda domés ica de e anol, Tex o pa a Discussão,
No. 3140, Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), B asília,
h ps://doi.o g/10.38116/ d3140-po
This Ve sion is a ailable a :
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3140
IMPACTOS NA AGRICULTURA
BRASILEIRA UTILIZANDO DIFERENTES
CENÁRIOS DE DEMANDA
DOMÉSTICA DE ETANOL
WANDERSON SANTOS COSTA WANDERSON SANTOS COSTA
HELOÍSA MUSETTI RUIVO HELOÍSA MUSETTI RUIVO
ALINE CRISTINA SOTERRONI ALINE CRISTINA SOTERRONI
FERNANDO MANUEL RAMOS FERNANDO MANUEL RAMOS
FABIANO MEZADRE POMPERMAYER FABIANO MEZADRE POMPERMAYER
3140
Rio de Janei o, agos o de 2025
IMPACTOS NA AGRICULTURA
BRASILEIRA UTILIZANDO DIFERENTES
CENÁRIOS DE DEMANDA
DOMÉSTICA DE ETANOL1
WANDERSON SANTOS COSTA2
HELOÍSA MUSETTI RUIVO3
ALINE CRISTINA SOTERRONI4
FERNANDO MANUEL RAMOS5
FABIANO MEZADRE POMPERMAYER6
1. Es e abalho oi p oduzido no âmbi o do Te mo de Execução Descen alizada
aco dado en e a Sec e a ia de Desen ol imen o da In aes u u a do Minis é io
da Economia e o Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (TED/SDI/Ipea
no 01/2019), igen e en e 2019 e 2022. A en e de abalho em que es e Tex o
pa a Discussão se inse e oi coo denada po Edison Benedi o da Sil a Filho e
Fabiano Mezad e Pompe maye .
2. Bolsis a do Subp og ama de Pesquisa pa a o Desen ol imen o Nacional
(PNPD) na Di e o ia de Es udos e Polí icas Se o iais, de Ino ação, Regulação e
In aes u u a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada (Dise /Ipea).
3. Bolsis a do PNPD na Dise /Ipea.
4. Bolsis a do PNPD na Dise /Ipea.
5. Bolsis a do PNPD na Dise /Ipea.
6. Técnico de planejamen o e pesquisa na Dise /Ipea.
Tex o pa a
Discussão
Publicação se iada que di ulga esul ados de es udos e pesquisas
em desen ol imen o pelo Ipea com o obje i o de omen a o deba e
e o e ece subsídios à o mulação e a aliação de polí icas públicas.
© Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea 2025
Impac os na ag icul u a b asilei a u ilizando di e en es cená ios de
demanda domés ica de e anol / Wande son San os Cos a ... [e al.].
– Rio de Janei o: Ipea, 2025.
26 p.: il., g á s., mapas. – (Tex o pa a Discussão ; n. 3140).
Inclui Bibliog a ia.
ISSN 1415-4765
1. Modelo de Uso do Solo. 2. Biocombus í eis. I. Cos a,
Wande son San os. II. Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada.
CDD 338.10981
Ficha ca alog á ica elabo ada po Elizabe h Fe ei a da Sil a CRB-7/6844.
Como ci a :
COSTA, Wande son San os e al. Impac os na ag icul u a b asilei a
u ilizando di e en es cená ios de demanda domés ica de e anol.
Rio de Janei o: Ipea, ago. 2025. 26 p.: il. (Tex o pa a Discussão,
n. 3140). DOI: h ps://dx.doi.o g/10.38116/ d3140-po
JEL: R11; R12; Q1; Q16.
As publicações do Ipea es ão disponí eis pa a download g a ui o nos
o ma os PDF ( odas) e EPUB (li os e pe iódicos).
Acesse: h ps:// eposi o io.ipea.go .b /.
As opiniões emi idas nes a publicação são de exclusi a e in ei a
esponsabilidade dos au o es, não exp imindo, necessa iamen e, o
pon o de is a do Ins i u o de Pesquisa Econômica Aplicada ou do
Minis é io do Planejamen o e O çamen o.
É pe mi ida a ep odução des e ex o e dos dados nele con idos, desde
que ci ada a on e. Rep oduções pa a ins come ciais são p oibidas.
Go e no Fede al
Minis é io do Planejamen o e O çamen o
Minis a Simone Nassa Tebe
Fundação pública inculada ao Minis é io do
Planejamen o e O çamen o, o Ipea o nece supo e
écnico e ins i ucional às ações go e namen ais –
possibili ando a o mulação de inúme as polí icas
públicas e p og amas de desen ol imen o b asilei-
os – e disponibiliza, pa a a sociedade, pesquisas
e es udos ealizados po seus écnicos.
P esiden a
LUCIANA MENDES SANTOS SERVO
Di e o de Desen ol imen o Ins i ucional
FERNANDO GAIGER SILVEIRA
Di e o a de Es udos e Polí icas do Es ado,
das Ins i uições e da Democ acia
LUSENI MARIA CORDEIRO DE AQUINO
Di e o de Es udos e Polí icas Mac oeconômicas
CLÁUDIO ROBERTO AMITRANO
Di e o de Es udos e Polí icas Regionais,
U banas e Ambien ais
ARISTIDES MONTEIRO NETO
Di e o de Es udos e Polí icas Se o iais,
de Ino ação, Regulação e In aes u u a
PEDRO CARVALHO DE MIRANDA
Di e o a de Es udos e Polí icas Sociais
LETÍCIA BARTHOLO DE OLIVEIRA E SILVA
Di e o a de Es udos In e nacionais
KEITI DA ROCHA GOMES
Che e de Gabine e
ALEXANDRE DOS SANTOS CUNHA
Coo denado a-Ge al de Imp ensa e
Comunicação Social
GISELE AMARAL DE SOUZA
Ou ido ia: h ps://www.ipea.go .b /ou ido ia
URL: h ps://www.ipea.go .b
SUMÁRIO
SINOPSE
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ...........................................................................7
2 O MODELO GLOBIOM-BRASIL ...............................................10
3 COMPARAÇÃO ENTRE DIFERENTES CENÁRIOS DE
DEMANDA DOMÉSTICA DE ETANOL NO BRASIL ................12
4 IMPACTOS DO CENÁRIO DE DEMANDA DE ETANOL
ZERO NO USO DA TERRA ...................................................... 13
4.1 Tendência de á ea e p odução de cana-de-açúca en e
os cená ios ................................................................................18
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................24
REFERÊNCIAS ............................................................................25
SINOPSE
Es e abalho a alia os e ei os sob e o uso da e a nas a i idades de ag icul u a, pecuá ia
e lo es al quan o a um cená io hipo é ico de edução a ze o da demanda domés ica
b asilei a po e anol combus í el. Pa a an o, u iliza-se o modelo Globiom-B asil, que
simula a decisão dos p odu o es sob e que a i idade desen ol e conside ando
cus os de insumos, p eços de enda dos p odu os, p odu i idade da e a e cus os de
come cialização e anspo es, em um equilíb io espacial de p eços com in a egiões
de p odução e consumo dis ibuídas pelo mundo, com de alhamen o espacial do B asil
em células de ce ca de 50 km po 50 km. Os cená ios le am em conside ação o con ole
do desma amen o ilegal, impac os das mudanças climá icas sob e as p incipais cul u as
ag ícolas e p ojeções de demanda alinhadas com a na a i a socioeconômica SSP2.
Eles di e em apenas quan o à demanda domés ica po e anol combus í el: no cená io
Linha de Base a demanda c esce con o me a endência his ó ica a é 2030, man endo-se
cons an e a pa i daí a é 2050, ano inal da p ojeção; o cená io E anol Ze o man ém a
endência his ó ica a é 2025, quando começa a dec esce mono onicamen e a é ze a
em 2050. Os esul ados indicam que a á ea de cana-de-açúca no cená io E anol Ze o
so e ia uma pe da de 8,68 milhões de hec a es (Mha) em 2050, compa ado ao Linha
de Base. Dessa á ea, 2,02 Mha se iam des inados a ou as cul u as ag ícolas, 2,58 Mha
pa a pecuá ia, 0,82 Mha pa a ege ação na i a e 3,20 Mha pa a á eas não p odu i as.
O e o no econômico ag egado dos p odu o es se ia eduzido em quase odos os anos
da p ojeção, com a pe da de endimen o da cana-de-açúca não sendo compensada
pelo ganho de endimen o nas ou as a i idades modeladas. En e an o, o e o no
das ou as a i idades se ia maio que a pe da p o ocada pela meno p odução de
cana-de-açúca em 2050.
Pala as-cha e: modelo de uso do solo; biocombus í eis.
ABSTRACT
This wo k e alua es he e ec s on land use in ag icul u al and o es y ac i i ies
in e ms o a hypo he ical scena io o educing B azilian domes ic demand o uel
e hanol o ze o. Fo his pu pose, we use he Globiom-B azil model, which simula es
he p oduce s’ decision on which ac i i y o de elop conside ing inpu cos s, p oduc
sales p ices, land p oduc i i y, and ma ke ing and anspo cos s, in a spa ial p ice
equilib ium model wi h 30 egions dis ibu ed a ound he wo ld, wi h spa ial de ailing
o B azil in cells o abou 50 x 50 km. The scena ios ake in o accoun he illegal
de o es a ion con ol, clima e change impac s on he main c ops, and demand
p ojec ions aligned wi h he socioeconomic na a i e SSP2. The scena ios di e only
in e ms o domes ic demand o uel e hanol: in he Baseline scena io, demand g ows
acco ding o he his o ical ends un il 2030, emaining cons an om hen un il 2050,
he inal yea o he p ojec ion; he Ze o E hanol scena io main ains he his o ical
ends un il 2025 when i s a s o dec ease mono onically un il eaching ze o in 2050.
The esul s indica e ha he suga cane a ea in he Ze o E hanol scena io would su e
a loss o 8.68 Mha in 2050 compa ed o Baseline. Wi hin his a ea, 2.02 Mha would
be alloca ed o o he c ops, 2.58 Mha o li es ock, 0.82 Mha o na i e ege a ion, and
3.20 Mha o non-p oduc i e a eas. The p oduce s’ agg ega e economic e u n would be
educed in almos all yea s o he p ojec ion, wi h he loss o income om suga cane
no being compensa ed by he p o i s in he o he modelled ac i i ies. Howe e , he
e u n on o he ac i i ies would be g ea e han he loss caused by lowe suga cane
p oduc ion by 2050.
Keywo ds: land use model; bio uels.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
7
3140
1 INTRODUÇÃO
O B asil é o único país do mundo com uso in ensi o de e anol como combus í el pa a
au omó eis. Seu uso em escala nacional e e início com o P og ama Nacional do Álcool
(P oálcool) das décadas de 1970 e 1980, em que eículos mo idos a gasolina o am
adap ados pa a u iliza o combus í el eno á el da cana-de-açúca . Com a edução dos
p eços in e nacionais de pe óleo na década de 1990, o e anol deixa de se compe i i o
em elação à gasolina, le ando a uma o e edução dos eículos ab icados com mo o es
calib ados pa a consumi e anol. Pa e desse e ei o ambém oi de ido à in odução,
nessa época, da injeção ele ônica nos ca os nacionais – ecnologia impo ada das
ab ican es mul inacionais, ainda não adap ada pa a o e anol.
Nos anos 2000, os p eços de combus í eis de i ados de pe óleo ol am a subi ,
mas os au omó eis a e anol ainda não e am a a i os ao consumido , p o a elmen e
po eceio da al a de o e a do combus í el e da maio di iculdade de e enda do eículo
em compa ação ao mo ido a gasolina. No en an o, a busca po ene gias eno á eis
es a a c escendo. Uma descobe a ela i amen e simples pe mi iu adap a os sis emas
de injeção de combus í el em mo o es a combus ão do ciclo O o (como aqueles a
gasolina e a e anol) pa a u iliza an o gasolina como e anol, em qualque p opo ção
de mis u a, ge ando os chamados mo o es lex uel, ou bicombus í eis.
Ao im da década de 2000 quase odos os au omó eis ab icados no B asil
passa am a ado a os mo o es bicombus í eis. Em ou os países ambém se passou
a ado a al ecnologia, com algum omen o ao uso do e anol, como o E85 (mis u a de
85% de e anol com 15% de gasolina) disponí el nos Es ados Unidos e na Eu opa.
Con udo, a o e a de e anol nesses países é bas an e eduzida. Mesmo no B asil, o
me cado de e anol é bem meno que o da gasolina. Segundo a Emp esa de Pesquisa
Ene gé ica (EPE), a pa icipação do e anol hid a ado no consumo o al de combus í eis
do ciclo O o icou en e 17% e 30% no pe íodo 2011-2021 ( abela 1). Vale essal a
ambém o uso do e anol em mis u a com a gasolina no B asil. Na abela 1 são ap esen-
adas as quan idades de e anol anid o, usado na mis u a com a gasolina A (p oduzida
nas e ina ias) pa a o ma a gasolina C, u ilizada nos au omó eis b asilei os.
Apesa de a ecnologia dos mo o es bicombus í eis es a dominada, a indús ia
au omobilís ica passa po uma ediscussão do pad ão a se ado ado no u u o, na
busca po eículos que sejam menos poluen es e emi am menos gases de e ei o es u a.
Com isso, discu e-se a subs i uição dos mo o es a combus ão in e na (como aqueles
a gasolina, e anol e óleo diesel). Das ês ecnologias mais conside adas – eículos
híb idos, eículos elé icos e eículos a célula de hid ogênio – apenas a p imei a ainda
TEXTO pa a DISCUSSÃO
8
3140
usa ia mo o es a combus ão in e na, o que pe mi i ia o uso do e anol nos eículos,
mas em ge al ela é is a como uma ecnologia de ansição. Os eículos a combus ão
de biocombus í eis a é o am conside ados, mas apa en emen e deixados de lado
pela possí el compe ição po e a pa a a p odução de alimen os que uma p odução
de biocombus í eis em la ga escala, pa a a ende à demanda mundial equi alen e po
combus í eis ósseis, p o oca ia.1 A u ilização dessa ecnologia na ansição ene gé ica
pa a uma economia de baixo ca bono em sido conside ada apenas como empo á ia.
TABELA 1
Demanda do ciclo O o e pa icipação dos di e en es combus í eis
Ano Gasolina A Anid o Hid a ado To al Gasolina A Anid o Hid a ado
Milhões de m³ de gasolina equi alen e %
2011 27,1 8,4 8,6 44,0 61 19 19
2012 31,8 7,8 7,9 47,4 67 16 17
2013 31,7 9,7 9,2 50,6 63 19 18
2014 33,4 11,0 9,8 54,1 62 20 18
2015 30,2 10,9 13,2 54,3 56 20 24
2016 31,4 11,1 10,9 53,4 59 21 20
2017 32,2 12,1 10,2 54,5 59 22 19
2018 28,0 10,2 14,1 52,3 54 20 27
2019 27,9 10,6 16,3 54,7 51 19 30
2020 26,2 9,8 13,9 49,8 52 20 28
2021 28,7 11,0 12,3 52,0 55 21 24
Fon e: EPE (2022).
Obs.: O e anol anid o é usado na mis u a com a gasolina A pa a o ma a gasolina C,
que é disponibilizada aos consumido es nos pos os de combus í el. Os olumes
ap esen ados o am con e idos pa a o olume equi alen e de gasolina A, con o me
o pode calo í ico de cada combus í el.
Assim, conside ando que a decisão pela ecnologia dominan e nos eículos
au omo o es de e se capi aneada pela indús ia au omobilís ica e pelos países com
g andes me cados de au omó eis (po exemplo, Es ados Unidos, China e Eu opa), e que
1. Es udos que abo dam a possí el compe ição po e a pa a p odução de alimen os e sus pa a
biocombus í eis apon am, em ge al, a ausência de e idências signi ica i as dessa compe ição (Ajano ic,
2011; Cobuloglu e Büyük ah akın, 2015; Weng e al., 2019). Vale essal a , en e an o, que mui os desses
es udos conside am apenas a si uação a ual, em que o olume de biocombus í eis é uma pequena
ação do consumo de combus í eis líquidos. Ainda que sem analisa quan i a i amen e cená ios de
maio subs i uição dos combus í eis ósseis po biocombus í eis, é eco en e o ale a pa a a p o á el
insus en abilidade desse cená io. Ajano ic (2011, p. 2070), po exemplo, chega a a i ma que “mesmo que
odas as la ou as, lo es as e pas agens a ualmen e não u ilizadas ossem usadas pa a a p odução de
biocombus í eis, se ia impossí el subs i ui odos os combus í eis ósseis usados hoje nos anspo es”.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
15
3140
As mudanças das p incipais classes de uso da e a nos cená ios Linha de Base
e E anol Ze o du an e o pe íodo 2025-2050 es ão ilus adas no g á ico 2. As a iações
mais signi ica i as ao compa a os dois cená ios oco e am nas classes á eas não
p odu i as, pas agem e ag icul u a.
Con o me ilus ado na igu a 2, a á ea da classe ag icul u a no cená io E anol Ze o
é eduzida em 6,67 milhões de hec a es (Mha) em 2050, compa ado ao cená io Linha
de Base. Es a edução é dis ibuída pelo modelo nas classes á eas não p odu i as
(+3,2 Mha), pas agem (+2,58 Mha) e ege ação na i a (+0,82 Mha). O aumen o das á eas
não p odu i as pode ca ac e iza abandono de p odução ela i o ao cená io Linha de
Base. Embo a esse abandono possa esul a em egene ação passi a, essa hipó ese
é desca ada na modelagem po que os ganhos ecológicos desse ipo de es au ação
são ince os (B ancalion e al., 2016). Além disso, di e en emen e de á eas des inadas
pa a a es au ação de ecossis emas, como as APPs e RL de inidas pelo Código
Flo es al, as á eas não p odu i as não são es ingidas pa a con e são e podem se
o na p odu i as no amen e em qualque momen o da simulação. Cabe menciona ,
ainda, que as á eas des inadas à p odução de cana-de-açúca em 2050, segundo o
modelo, não se iam as usadas a ualmen e. As p odu i as á eas do in e io do es ado
de São Paulo eduzi iam a p odução de cana pa a p oduzi soja e milho no cená io base,
enquan o a p odução de cana mig a ia pa a o no e e o oes e. A mig ação pa a á eas
não p odu i as se da ia nessas egiões, de meno p odu i idade e/ou maio cus o de
escoamen o da p odução, e ambém menos ap as pa a ou as cul u as.
GRÁFICO 2
T aje ó ias de uso da e a das p incipais classes do Globiom-B asil nos
cená ios Linha de Base e E anol Ze o (2025-2050)
2A – Linha de Base 2B – E anol Ze o
Elabo ação dos au o es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
16
3140
FIGURA 2
P incipais a iações nas classes de uso da e a no cená io E anol Ze o,
compa ado ao cená io Linha de Base (2050)
Elabo ação dos au o es.
A igu a 3 ep esen a a dis ibuição espacial da di e ença das p incipais classes
de uso da e a en e os cená ios E anol Ze o e Linha de Base em 2050. As maio es
pe das de á ea de ag icul u a no cená io E anol Ze o ( igu a 3A) es ão concen adas
em São Paulo, Goiás e Minas Ge ais, os maio es es ados p odu o es suc oalcoolei os
do B asil. Em con apa ida, a di e ença en e os cená ios p oje a um ganho de á ea da
classe á eas não p odu i as nes es ês es ados ( igu a 3B), o que e o ça a hipó ese
de abandono de p odução. Chama a a enção o aumen o conside á el dessas á eas
não p odu i as no ex emo oes e de São Paulo, indicando que, mesmo com solo é il,
o cus o de ansição pa a ou as cul u as, somado aos demais cus os de p odução
e escoamen o nesses locais, le a ia à in iabilidade da p odução ag ícola em pa e
dessas á eas. Pa a a classe pas agem, p oje a am-se pe das e ganhos dis ibuídos po
odo o e i ó io nacional, com uma pequena concen ação de ganho de á ea na egião
no oes e do es ado de São Paulo ( igu a 3C). Po sua ez, a classe ege ação na i a
ap esen a di e enças pon uais de á ea nas egiões No e, No des e, Cen o-Oes e e
Sudes e ( igu a 3D).
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
17
3140
FIGURA 3
Di e ença da á ea das classes ag icul u a, á eas não p odu i as, pas agem e
ege ação na i a en e os cená ios E anol Ze o e Linha de Base (2050)
(Em 1 mil hec a es)
3A – Ag icul u a 3B – Á eas não p odu i as
3C – Pas agem 3D – Vege ação na i a
Elabo ação dos au o es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
18
3140
Se obse a mos a dis ibuição da á ea da classe ag icul u a pa a as dezoi o cul u as
en e os dois cená ios ( igu a 4), a á ea de cana-de-açúca no cená io E anol Ze o so eu
uma pe da de 8,68 Mha em 2050 de ido à queda da demanda in e na de e anol, compa-
ado ao Linha de Base. As p ojeções indicam aumen o de 1,49 Mha da á ea conjun a de
soja e milho no mesmo pe íodo. As ou as quinze cul u as ag ícolas i e am pequenos
ac éscimos de á ea no cená io E anol Ze o em 2050, o alizando 0,53 Mha.
FIGURA 4
Va iações de á ea das cul u as ag ícolas na classe ag icul u a no cená io
E anol Ze o, compa ado ao cená io Linha de Base (2050)
Elabo ação dos au o es.
4.1 Tendência de á ea e p odução de cana-de-açúca en e
os cená ios
As p ojeções de á ea de cana-de-açúca nos cená ios Linha de Base e E anol Ze o em
2050 es ão ilus adas na igu a 5. Em ambos os cená ios, as á eas de cul i o es ão
concen adas na egião cen al do B asil (São Paulo, Goiás e Minas Ge ais). O modelo
indica uma edução na á ea de 8,68 Mha, e na p odução de 4 milhões de oneladas (M )
da cul u a em 2050 no cená io E anol Ze o (g á ico 3). Ao longo do empo, en e an o,
as p ojeções indicam uma es agnação, e le e edução, da p odução de cana no cená io
E anol Ze o, que con as a com o c escimen o cons an e do cená io base. En e es es
8,68 Mha eduzidos no cená io E anol Ze o em elação ao Linha de Base, obse a-se
uma pe da de 3,33 Mha no es ado de São Paulo, 1,91 Mha em Goiás e 1,44 Mha em
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
19
3140
Minas Ge ais. A dis ibuição espacial da di e ença en e os dois cená ios po odo o
e i ó io nacional pode se isualizada na igu a 6. Como são á eas de ela i amen e
mais al a e ilidade, é na u al que sejam ocupadas po ou as cul u as ag ícolas,
deslocando as demais cul u as pa a essas egiões libe adas pela cana-de-açúca , com
consequen e edução da á ea de ag icul u a nas egiões menos p odu i as.
FIGURA 5
Á ea de cana-de-açúca p oje ada nos cená ios Linha de Base e E anol Ze o (2050)
(Em 1 mil hec a es)
5A – Cená io Linha de Base
5B – Cená io E anol Ze o
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Zoom das á eas na egião cen al do B asil.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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GRÁFICO 3
E olução da á ea e p odução de cana-de-açúca nos cená ios
Linha de Base e E anol Ze o
3A – Á ea (Mha) 3B – P odução (M )
Elabo ação dos au o es.
FIGURA 6
Di e ença da á ea de cana-de-açúca en e os cená ios E anol Ze o e
Linha de Base (2050)
(Em 1 mil hec a es)
Elabo ação dos au o es.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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Obse ando a e olução p oje ada da á ea e da p odução de cana-de-açúca pa a
2050, há uma edução de ce ca de 31% na á ea e 32% na p odução da cul u a no cená io
E anol Ze o ( abelas 3 e 4). Os esul ados indicam uma edução de á ea de 46% e de
18% na p odução pa a as egiões Sudes e e Cen o-Oes e, espec i amen e. A p odução
é eduzida em o no de 43% e 18% nes as duas egiões.
TABELA 3
Valo es p oje ados da á ea de cana-de-açúca pa a o B asil e po egião
nos dois cená ios analisados (2050)
(Em Mha)
Cená io B asil Sudes e Cen o-Oes e No des e Sul No e
Linha de Base 28,06 10,36 14,22 3,07 0,36 0,05
E anol Ze o 19,38 5,60 11,71 1,73 0,32 0,02
Elabo ação dos au o es.
TABELA 4
Valo es p oje ados da p odução de cana-de-açúca pa a o B asil e po egião
nos dois cená ios analisados (2050)
(Em M )
Cená io B asil Sudes e Cen o-Oes e No des e Sul No e
Linha de Base 1356,71 599,79 611,29 131,71 12,09 1,82
E anol Ze o 916,76 339,28 499,25 66,48 10,84 0,91
Elabo ação dos au o es.
Os alo es p oje ados pelo Globiom-B asil e e em-se à cana-de-açúca equi alen e,
que é ans o mada em açúca e e anol. Toda ia, ale essal a que, pa a o modelo,
odo o e anol p oduzido no B asil é consumido in e namen e. Tendo em is a ais
conside ações, o modelo p oje a um aumen o de 13,3% nas expo ações de açúca no
cená io E anol Ze o em 2050, co espondendo a um c escimen o de 9 M de açúca , se
compa ado com o Linha de Base.
O g á ico 4 exibe a e olução da expo ação de açúca du an e 2025-2050 nos dois
cená ios analisados. As p ojeções pa a 2030 em ambos os cená ios es ão den o do
in e alo p oje ado pelo Minis é io da Ag icul u a e Pecuá ia (Mapa), em e melho no
g á ico (B asil, 2021). No cená io Linha de Base, as expo ações de açúca no B asil
aumen a ão em 87,6% de 2025 a 2050, enquan o es a po cen agem aumen a pa a
112,6% no cená io E anol Ze o pa a o mesmo pe íodo.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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GRÁFICO 4
E olução da expo ação de açúca pa a os cená ios Linha de Base e E anol Ze o
(Em M )
4A – Linha de Base 4B – E anol Ze o
Elabo ação dos au o es.
Obs.: As es ima i as de expo ação do Mapa pa a os limi es supe io , in e io e alo
p oje ado pa a 2030 es ão des acadas em e melho.
Além do e ei o de aumen o na p odução e expo ação de açúca , a meno á ea
des inada à cana-de-açúca le a a uma maio p odução de ou as cul u as, em espe-
cial soja e milho, assim como algum e ei o sob e a p odução de bo inos. A abela 5
ap esen a as quan idades p oduzidas das ês p incipais cul u as empo á ias no país –
cana-de-açúca , soja e milho – em cada um dos cená ios.
TABELA 5
Quan idade p oduzida de cana-de-açúca , soja e milho simulada pelo
Globiom-B asil em cada cená io
(Em M /ano)
Cená io Linha de Base E anol Ze o
Ano Soja Milho Cana Soja Milho Cana
2000 32 32 295 32 32 295
2005 53 39 419 53 39 419
2010 82 54 610 82 54 610
2015 103 67 712 103 67 712
2020 122 87 838 122 87 838
2025 136 100 982 136 100 982
(Con inua)
TEXTO pa a DISCUSSÃO
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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(Con inuação)
Cená io Linha de Base E anol Ze o
Ano Soja Milho Cana Soja Milho Cana
2030 156 129 1.149 157 129 952
2035 164 135 1.183 166 135 898
2040 179 149 1.254 182 151 859
2045 188 170 1.283 194 172 818
2050 198 198 1.357 203 205 917
Elabo ação dos au o es.
Com base no Censo Ag opecuá io de 2017 do Ins i u o B asilei o de Geog a ia e
Es a ís ica (IBGE), o am es imadas as ma gens médias das cul u as de cana-de-açúca ,
soja e milho em São Paulo, Goiás, Ma o G osso e Ma o G osso do Sul, es ados mais
a e ados nos cená ios simulados. Os esul ados o am de 42% pa a soja, 60% pa a milho
e 15% pa a cana-de-açúca . Pa a a es ima i a dessas ma gens o am conside adas
odas as despesas, com exceção do i em a endamen o de e as, pois nem odos os
p odu o es êm esse ipo de cus o, alguns usam e as p óp ias, assim como pa a emula
a emune ação do a o e a nessas a i idades. Pa a a p odução bo ina, ado ou-se a
ma gem média es imada pa a pecuá ia como um odo nesses es ados, em 28%.
A pa i dessas ma gens e omando os endimen os médios desses p odu os en e
2018 e 2021 com base na P odução Ag ícola Municipal do IBGE (PAM/IBGE) de 2023,7
simula am-se as pe das e ganhos de ma gens en e os dois cená ios. Apesa de a
edução da quan idade p oduzida de cana-de-açúca no cená io E anol Ze o em elação
ao Linha de Base se bem mais p onunciada que o aumen o de p odução nas demais
a i idades, suas maio es ma gens compensam em pa e a pe da de e o no da a i i-
dade ag opecuá ia do B asil no cená io E anol Ze o. Na simulação pa a 2050 ha e ia
inclusi e maio e o no no cená io E anol Ze o que no Linha de Base. Isso de e oco e
pela maio demanda po alimen os nos anos inais da p ojeção, assim como po meno
p odução desses p odu os nos demais países simulados pelo Globiom-B asil.
O g á ico 5 ilus a como de em oco e as a iações das ma gens en e os dois
cená ios. Nos anos iniciais, a pe da de p odução de cana-de-açúca é p eponde an e.
A p odução das demais a i idades modeladas ai c escendo len amen e a pa i de
2030, de ido à c escen e demanda mundial po alimen os. A pa i de 2045, a di e ença
na p odução de cana-de-açúca en e os cená ios começa a eduzi , em i ude da maio
expo ação de açúca b asilei o, a pon o de a ma gem ag egada dessas a i idades
7. Disponí el em: h ps://sid a.ibge.go .b /pesquisa/pam/ abelas.
TEXTO pa a DISCUSSÃO
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o na -se maio no cená io E anol Ze o a pa i de 2047. De qualque o ma, no ho izon e
de 2025 a 2050, o cená io E anol Ze o le a ia a uma edução da ma gem ag egada em
o no de R$ 27 bilhões nessas a i idades ag opecuá ias. Não o am ei as simulações
sob e o e ei o nos demais se o es da economia, como p odução de pe óleo e de i ados,
insumos ag opecuá ios e c., pa a os quais ou as modelagens de em se ado adas,
como modelos de equilíb io ge al compu á el. Também não se conside a am di e enças
nos p eços de equilíb io dessas commodi ies en e os cená ios.
GRÁFICO 5
P ojeção do impac o di e encial nas ma gens de soja, milho, cana-de-açúca e
ca ne bo ina: cená io E anol Ze o menos Linha de Base
(Em R$ milhões/ano)
Elabo ação dos au o es.
Obs.: Valo es in e polados pa a os anos in e mediá ios en e os anos simulados
no Globiom-B asil.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Es e es udo a aliou o e ei o que um cená io hipo é ico de edução da demanda in e na po
e anol combus í el a ia sob e o uso da e a e a p odução ag opecuá ia b asilei a.
Po meio do modelo Globiom-B asil, o am simuladas as escolhas dos p odu o es em
elação à alocação de suas e as, conside ando um cená io base, que assume uma
demanda in e na po e anol combus í el c escen e a é 2030 e cons an e a pa i daí,
e um cená io al e na i o, chamado de E anol Ze o, no qual essa demanda é eduzida a
pa i de 2025 a é ze a em 2050.