Ins i u o de Ciências Sociais
José Júlio Schulz Melo
O ideojogo como simulação da His ó ia.
Uma p opos a de análise me odológica a
pa i do This Wa o Mine
Ou ub o de 2024
Uni e sidade do Minho
ou ub o de 2024
Ins i u o de Ciências Sociais
José Júlio Schulz Melo
O ideojogo como simulação da His ó ia.
Uma p opos a de análise me odológica a
pa i do This Wa o Mine
Disse ação de Mes ado
Mes ado em His ó ia
T abalho e e uado sob a o ien ação do(a)
P o esso a Dou o a Joana Isabel Ribei o Sequei a
P o esso Dou o F ancisco Manuel Fe ei a de
Aze edo Mendes
Uni e sidade do Minho
ii
Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 3
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
Ag adeço aos meus pais po ac edi a em nes e p oje o.
À Jani, amiga, que semp e olhou po mim quando p ecisei. Não ou esquece o quad o, nem as
cos u as, nem o Dingo, A i e Jojo.
João, amigo, ob igado po e p eocupa es comigo, po joga es comigo, po ala es comigo, po da es
aquilo que ens.
À minha o ien ado a, Dou o a Joana Sequei a, po p ocu a comp eende e acompanha es e no o
ema. Re i o-me à abe u a e desa io sob e a ideia de simula e expe iencia o passado; que não são de
odo no malidades da his o iog a ia. De ac o, p ocu a comp eende , mas de o ma exigen e. C i ica a
lógica, o po quê das coisas e os esul ados. Ag adeço ambém pelo desa io e ajuda na
LAN-Pa y
His o iog á ica ou como aze o jogo à in es igação académica. Espe o que haja uma p óxima.
Ao meu o ien ado , P o esso Dou o F ancisco Mendes, po e suge ido Huizinga e ou as linhas
eó icas. Po e ambém abe o á ias po as pa a eu pode explo a o ema com maio libe dade
den o do Ins i u o de Ciências Sociais. Tal como o o o de con iança pa a execu a a expe iência
LAN-
Pa y
his o iog á ica e c ia laços concep uais en e in es igações, como, po exemplo, as « ex u as». E
ainda a e isão do índice pa a pad oniza o es udo de ideojogo à his o iog a ia.
Ao Depa amen o de His ó ia pelos desa ios. Em conc e o, o ques iona da alidação e do igo dos
ideojogos al como a sua aplicabilidade.
Aos meus cães e ao pássa o po me macaca em ou não me deixa em esquece que há uma ida pa a
além da ese.
i
Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 4
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
O VIDEOJOGO COMO SIMULAÇÃO DA HISTÓRIA. UMA PROPOSTA DE ANÁLISE
METODOLÓGICA A PARTIR DO
THIS WAR OF MINE
.
RESUMO
Nos úl imos anos, os ideojogos êm susci ado um in e esse c escen e jun o da comunidade
académica. Cada ez mais os au o es p oblema izam o ideojogo enquan o po encializado da
in es igação.
É e dade que exis e um dis anciamen o en e o conhecimen o his ó ico e a as ciências dos
ideojogos (ciências de cons ução de jogos, ciências da compu ação e ou as engenha ias). No
en an o, cada ez mais as ciências sociais e as engenha ias se elacionam.
Nes e sen ido, p opõe-se nes a disse ação pensa o ideojogo enquan o simulação e ambém
como um obje o do empo ( on e) e que ep esen a de e minado empo (documen o).
Pe an e a ausência de me odologias de análise e o mas de ci a ideojogos su icien emen e
comple as, elabo ou-se aqui uma p opos a de análise me odológica, bem como uma no a p opos a
de o ma o de ci ação.
Es a disse ação ambém inco po a na sua análise as eo ias de jogo, a ciência de cons ução de
jogos, as ciências da compu ação e a eo ia da his ó ia, pa a ga an i o igo da análise e a sua
p o undidade.
O es udo de caso ap esen ando cen a-se no ideojogo
This Wa o Mine
, cons uído pela
11 bi
s udios
(2014), que e a a a sob e i ência de ci is numa gue a con empo ânea. Mais
conc e amen e, o Ce co de Sa aje o (1992–1996). Foi ei a uma análise dos sis emas do jogo, do
espe i o código, das on es e dos documen os usados pelos au o es. Explo ou-se ambém a o ma
como
This Wa o Mine
abalhou o con ex o his ó ico que ep esen a. Es a análise e mina com
uma simulação do di o con ex o usando o p óp io
This Wa o Mine
como simulado .
Es a disse ação inclui ainda uma expe iência que consis iu em ap esen a o
This Wa o Mine
ao
público académico com is a a es a a me odologia p opos a. A expe iência oi in i ulada de
LAN-
Pa y
His o iog á ica, na qual os pa icipan es, com o acesso ao jogo
This Wa o Mine
e ao seu
con ex o his ó ico, i e am libe dade de explo a o jogo, segundo um guião baseado na e e ida
p opos a me odológica.
Po im, es e abalho e mina com algumas e lexões ge ais e pa icula es ela i as ao
This Wa
o Mine
, ao Ce co de Sa aje o, à impo ância da ime são e aos esul ados que o ideojogo p oduz
e que podem se ú eis à expansão do conhecimen o his o iog á ico.
Pala as-cha e:
Ce co de Sa aje o
, His ó ia, Simulação,
This Wa o Mine
, Videojogos.
i
THE VIDEO GAME AS A HISTORY SIMULATION. A PROPOSAL FOR METHODOLOGICAL
ANALYSIS BASED ON THIS WAR OF MINE
ABSTRACT
In ecen yea s, ideo games ha e a oused g owing in e es in he academic communi y. Mo e and
mo e au ho s a e p oblema izing ideogames as an enable o esea ch.
I is ue ha he e is a gap be ween his o y and ideo game sciences (game design, compu e
sciences and o he enginee ing disciplines). Howe e , social sciences and enginee ing a e
inc easingly linked.
In his ega d, his disse a ion p oposes o hink o he ideo game as a simula ion and also as an
objec o ime (sou ce) ha ep esen s a ce ain ime (documen ).
Gi en he lack o su icien ly comple e me hodologies o analyzing and ci ing ideogames, a
p oposal o me hodological analysis has been d awn up he e, as well as a new p oposal o a
ci a ion o ma .
This disse a ion also inco po a es game heo ies, game cons uc ion science, compu e science
and his o ical heo y in o i s analysis, in o de o gua an ee he igo o he analysis and i s dep h.
The case s udy p esen ed ocuses on he ideo game
This Wa o Mine
, made by
11 bi s udios
(2014), which po ays he su i al o ci ilians in a con empo a y wa . Mo e speci ically, he Siege
o Sa aje o (1992 - 1996). An analysis was made o he game's sys ems, i s code, he sou ces and
documen s used by he au ho s. The way in which
This Wa o Mine
wo ked wi h he his o ical
con ex i ep esen s was also explo ed. This analysis ends wi h a simula ion o said con ex using
This Wa o Mine
i sel as a simula o .
This disse a ion also includes an expe imen ha consis ed o p esen ing This Wa o Mine o he
academic public in o de o es he p oposed me hodology. The expe imen was called he
His o iog aphic
LAN-Pa y
, in which he pa icipan s, wi h access o he game
This Wa o Mine
and
i s his o ical con ex , we e ee o explo e he game, acco ding o a sc ip based on he
a o emen ioned me hodological p oposal.
Finally, his wo k concludes wi h some gene al and speci ic e lec ions on
This Wa o Mine
, he
Siege o Sa aje o, he impo ance o imme sion and he esul s ha he ideo game p oduces and
ha can be use ul o expanding his o iog aphical knowledge.
Keywo ds: His o y, Siege o Sa aje o, Simula ion, This Wa o Mine, Video games.
ii
ÍNDICE
Ag adecimen os
iii
Resumo
Abs ac
i
Índice de Imagens
ix
In odução
1
Capí ulo 1. His ó ia e Videojogos
10
1.1. O documen o e a c í ica his ó ica
10
1.2. O jogo e a ede concep ual
13
1.2.1. Simulação
13
1.2.2. Sis ema
15
1.2.3. Es u u as condicionais
16
1.2.4. Espaço-digi al
16
1.2.5. Mo o de jogo
16
1.2.6. Videojogo
18
1.3. A dis ância en e his ó ia e ideojogos
18
1.3.1. O es udo de jogos
18
1.3.2. Jogos sé ios (educa i os) ou Ludologia?
19
1.3.3. Na a ologia ou Ludologia?
20
1.3.4.
Gamic mode
ou ep esen ação his ó ica?
21
1.3.5. Simulação ou modelo?
21
1.3.6. Con e gência dos opos os
21
1.4. Uma simulação is a po den o
22
Capí ulo 2.
This Wa o Mine
como on e e documen o
26
2.1. O ideojogo como on e
26
2.1.1. C iação e in enção
26
2.1.2. So wa e u ilizado
28
2.1.3. Fon es his ó icas u ilizadas
33
2.2. O ideojogo como documen o
45
2.2.1. Tempo e espaço do jogo
45
2.2.2. Na a i as his ó icas ep esen adas
46
2.2.3. Pe sonagens
49
2.2.4. Po encialidades e limi ações
52
2.3. A discussão cien í ica sob e o ideojogo
56
Capí ulo 3.
This Wa o Mine
como expe iência de in e ação e eceção
59
3.1. A
LAN-Pa y
his o iog á ica: p og ama, pa icipan es e ecu sos
59
3.1.1. P og ama
59
3.1.2. Pa icipan es
63
3.1.3. Recu sos
64
3.2. A
LAN-Pa y
his o iog á ica: análise dos esul ados
66
3.2.1. Sessão
66
3.2.2. En e is as
67
3.2.3. Inqué i os
74
3.3. A e lexão p agmá ica sob e o ideojogo
84
4
A minha expe iência com ideojogos é as a e já deco e desde os meus 5-6 anos. É um ema que
gos o em odas as suas dimensões (a dimensão ecnológica, a cul u al, a social e a indi idual). O
que ajudou a e uma elação mais p óxima com as on es e os documen os, pois ap endi sob e
eo ia de jogo, ciência da cons ução de jogo, ciências da compu ação e his ó ia a joga .
Ap esen o ago a uma lis a de ideojogos que o am pa a mim memo á eis e me ajuda am na
cons ução pessoal an es de en a na uni e sidade. Es a lis a oi uma econs ução ei a a a és
da minha memó ia, egis os de comp a e segundo os anos escola es.
Lis a de ideojogos que muda am a minha pe ceção da His ó ia e da ecnologia de 1999 a 2014.
Uma econs ução da c onologia
1
de alguns ideojogos que me o am memo á eis a é en a na
uni e sidade
2
:
1.
C ash Bandicoo 2
(Naugh y Dog, 1997) e o
Disney’s He cules
(Eu ocom, 1997), ambos
po ol a de 1999-2000, pla a o ma Plays a ion 1, 5-6 anos, 1º ano de escola.
2.
SimCi y 4
(Maxis, 2003), po ol a de 2003-2004, pla a o ma Windows 98, 8-9 anos, 4º
ano de escola.
3.
Runescape
(Jagex, 2001), po ol a de 2004-2005, pla a o ma Windows XP, 10-11 anos,
5º e 6º ano de escola.
4.
Hi man: Blood Money
(Eidos In e ac i e, 2006), em julho de 2006, pla a o ma Windows
XP, 12 anos, 6º e 7º ano de escola.
5.
9 D agons
(Acclaim, 2006) em 2006-2007, pla a o ma Windows XP, 12-13 anos, 7º e 8º
ano de escola.
6.
2 moons
(Acclaim, 2007) em 2007-2008, pla a o ma Windows XP, 13-14 anos, 8º e 9º
ano de escola.
7.
Coun e -S ike: Sou ce
(Val e, 2004), em ou ub o de 2007, e são ísica pa a a pla a o ma
S eam,
13-14 anos, 8º e 9º ano de escola.
8.
Da k Messiah: Migh and Magic
(A kane S udios, 2006), em 2008 e e ei o, e são ísica
pa a a pla a o ma
S eam,
13-14 anos, 8º e 9º ano de escola.
9.
D agonica EU
(gPo a o, 2009), em 2009-2010, pla a o ma Windows XP, 15-16 anos, 10º
ano de escola (1ª á ea, ciências e ecnologias).
10.
Killing Floo
(T ipwi e, 2010), em 2010 se emb o, e são digi al pa a a pla a o ma
S eam
,
16 anos, 10º ano de escola (á ea de ciências socioeconómicas).
1
O meu ani e sá io é em 17 julho. Po isso, inha semp e uma idade meno do que o meu ano de escola idade
2
En ei em 2014.
5
11.
B aid
(Numbe None, 2011), em 2011 ma ço, e são digi al pa a a pla a o ma
S eam
, 16
anos, 10º ano de escola (á ea de ciências socioeconómicas).
12.
Amnesia: The Da k Descen
(F ic ional Games, 2011), em 2011 ab il, e são digi al pa a
a pla a o ma
S eam
, 16 anos, 10º ano de escola (á ea de ciências socioeconómicas).
13.
Shi a Oka: Second Chances
(Okashi S udios, 2010), p o a elmen e en e ma ço a maio
de 2011, e são digi al pa a Windows XP, 17 anos, 11º ano de escola (á ea de ciências
socioeconómicas).
14.
Bas ion
(Wa ne B os. In e ac i e En e ainmen , 2011), em agos o de 2011, e são digi al
pa a a pla a o ma
S eam
, 17 anos, 11º ano de escola (á ea de ciências socioeconómicas).
15.
The Binding o Isaac
(Edmund McMillen, 2011), em no emb o de 2011, e são digi al
pa a a pla a o ma
S eam
, 17 anos, 10º ano de escola, oca de á ea (á ea de línguas e
humanidades).
16.
Be o e he Echo
(I idium S udios, 2011) em dezemb o de 2011, e são digi al pa a a
pla a o ma
S eam
, 17 anos, 10º ano de escola (á ea de línguas e humanidades).
17.
Recei e
(Wol i e Games, 2012), p o a elmen e em junho de 2012, e são
ech-demo
pa a Windows 7, 17 anos, 11º ano de escola (á ea de línguas e humanidades).
18.
Pa h o Exile
(G inding Gea Games, 2013) em se emb o de 2014, e são digi al pa a a
pla a o ma
S eam
, 20 anos, 12º ano de escola (á ea de línguas e humanidades) e 1º ano
de uni e sidade.
4. Me odologia
No que conce ne à me odologia, pa i dos concei os de «Fon e» e «Documen o» al como de inidos
pelo his o iado Jacques Le Go (1996). Em e mos ge ais, on e é aquilo que pe ence a
de e minado empo e documen o é aquilo que ala de de e minado empo. É no undo semelhan e
à es u u a de on e p imá ia e secundá ia, mas com maio libe dade lógica e maio necessidade
de o ganização. Que o com is o dize que, enquan o o sis ema on e p imá ia e secundá ia é mui o
o ganizado, mas limi ado nas abo dagens, o sis ema on e e documen o é o con á io. Es e pe mi e
uma maio libe dade lógica mas sob o isco de uma maio deso ganização.
P ocu ei pe cebe as á ias eo ias exis en es em análise de ideojogos:
Na a ology
(F asca, 2001,
pp. 17–21)
, Ludology
(F asca, 2003a)
, Se ious-games
(S. Chen & Michael, 2005; Djaou i e al.,
2011)
, Game S udies,
(Ca alho, 2017; Chapman, 2012; Hough on, 2018);
mas nenhuma me
sa is ez. A p incipal azão é que não ap esen am o mas de analisa de ac o o ideojogo na sua
o alidade enquan o jogo e
so wa e
.
6
Des a o ma, p opus-me ao longo des e mes ado c ia uma me odologia que osse p á ica,
igo osa, com possibilidade de expansão eó ica e espei asse o ideojogo como jogo e p odu o
das ciências da compu ação. Cons uí um guião de pe gun as que assim o pe mi isse. As
pe gun as o am inspi adas no mé odo his ó ico ( empo, espaço, obje o de es udo, on es e
documen os), que oi so endo al e ações e melho ias ao longo de ês anos com o ap o unda dos
abalhos.
Enquan o p oduzia e es a a o guião ambém cons uí uma no a o ma de explo a e ci a o
Videojogo e i-lo po duas azões.
Em p imei o luga , o sis ema de ci ação APA, que é usado nes a disse ação, não pe mi e ci a
ideojogos de o ma igo osa e p ecisa, mas somen e enquan o p odu os es é icos ou cul u ais.
A ualmen e, segundo a APA, no co po do ex o apenas é possí el ci a a au o ia do jogo (nome do
jogo, da a e o au o ) e não o que o cons i ui (o seu código e os seus sis emas
3
). Ou seja, e e e-se
apenas a ap esen ação es é ica do jogo e não o jogo em si. O mesmo p oblema acon ece na lis a
de e e ências inais. Há uma omissão da sua componen e de
so wa e
e das á ias ‘ eg as’ (os
sis emas) enquan o jogo que o cons oem. Re i o-me ao
engine
4
, aos sis emas, às mecânicas de
jogo, ao código, en e ou os. Des a o ma, não é possí el ci a pa es do jogo den o do co po do
ex o, nem pe cebe exa amen e em que consis e a a és da lis a de e e ências, ou se oi al e ado
(modi icado). Se ia, po an o, o equi alen e a não pe cebe , a a és da lis a de e e ências, se o
obje o se a a de um manusc i o, de um li o, de um a igo, ou ou o.
A segunda azão é que os á ios g upos de au o es de ciências sociais que es udam o Videojogo
apenas o azem numa isão es é ica. Na sua g ande maio ia não e e em o jogo em si, mas a
expe iência que i e am nele. Es a abo dagem ca ece de igo e mo i ou-me a p ocu a qual se ia
a o ma mais co e a de ci a ideojogos, que se ap esen a no capí ulo 2. Tendo em con a que os
p óp ios au o es não ci am, com p ecisão, o jogo, ac edi o que mui o p o a elmen e ainda não
exis em sis emas de ci ação pa a ideojogos su icien emen e igo osos e, po isso mesmo,
ap esen o uma p opos a nesse sen ido.
Na análise do ideojogo (o obje o de es udo), p ocu o es uda as mo i ações dos au o es do jogo,
as on es em que se basea am, e a es u u a (ou sis emas e código) que u iliza am.
3
Ve «Sis emas» no capí ulo dos Concei os.
4
Ve «Mo o de jogo ou
Game Engine
» no capí ulo dos Concei os.
7
A bibliog a ia que u ilizei di ide-se em se e in e esses emá icos: eo ia e me odologia da his ó ia,
es udos cul u ais/educa i os de ideojogos (
game s udies, e . All.
), eo ia de simulação, eo ia de
jogos (
game heo y
), desen ol imen o de ideojogos (
game design
), on es e documen os sob e o
This Wa o Mine,
e on es e documen os sob e o Ce co de Sa aje o.
Como já inha abalhado de o ma p o unda e ex ensa a eo ia e me odologia da his ó ia no
p imei o ano de mes ado (com o obje i o de pe cebe o que unciona ia, o que se ia lógico), op ei
po segui as p opos as de Le Go em «Memó ia e His ó ia» (1984), olume que eúne o essencial
da pa icipação des e consag ado medie alis a no p oje o enciclopédico da Edi o a Einaudi nos
inais dos anos se en a do século XX. A análise de Le Go é pa icula men e in e essan e, pois
es á colocada numa enc uzilhada de e oluções quali a i as e quan i a i as da p á ica documen al
em His ó ia.
Sob e os es udos cul u ais e educa i os de ideojogos (
game s udies, e . All.
) iz uma e isão ge al
das bases eó icas, a sabe :
Se ious Games
ou a ideia que há jogos com p opósi o maio
(Becke ,
2015a, 2015b; Chen & Michael, 2005;
Con e ência “Play ul by Design
, 2023
5
; Djaou i e al., 2011;
Ins i u de l’audio isuel e des élécommunica ions en Eu ope, 2008; Plass e al., 2015)
,
na a ologia e ludologia ou o deba e se o jogo é uma na a i a ou in e ações (Aa se h, 1997, 2007;
F asca, 2003a, 2003b),
gamic mode
(Clyde e al., 2012)
e
game s udies
ou o es udo de ideojogos
apenas pela sua ques ão es é ica (
gameplay
) (Ca alho, 2017; Chapman, 2012, 2013b, 2013a;
Hough on, 2014, 2018).
Na e dade, já an es de inicia o abalho da disse ação, que ia e le i pa a além da dimensão
lúdica do ideojogo e pensá-lo no seu odo e pe cebe como é cons uído (
game heo y,
game
design e eo ia de simulação). Tinha o obje i o de o en ende como de ac o unciona. Pa a isso,
oi necessá io um co e com a eo ia dos
game s udies.
Mais a de, es e co e pe mi iu-me ambém
pe cebe alguns e os mais escondidos den o de algumas eo ias, como, po exemplo, a ausência
de e e ência às on es e aos documen os.
Sob e eo ia de simulação, p ocu ei comp eende e u iliza es udos de engenhei os da á ea de
simulação e modelagem (P. P. Bo haku , 2023; P. Bo haku & Sa mah, 2021; F asca, 2001;
McCall, 2012; Zeigle e al., 2019).
5
Assis i p esencialmen e a es e e en o e oi in e essan e pa a cons a a a ilha
Se ious Games.
8
No que diz espei o a eo ia de jogos (
game heo y
), abalhei an o a eo ia ma emá ica como o
homo Ludens
(humano que b inca) de Johan Huizinga (BOOKWARMGAMES, 2021;
Game Theo y
| De ini ion, Fac s, & Examples | B i annica
, 2023; Huizinga, 1938; Ley on-B own & Shoham,
2008). Unindo assim eo ia de jogo in luenciada pela ma emá ica com a eo ia de jogo in luenciada
pelo meio social.
Sob e desen ol imen o de ideojogos (
game design
), p ocu ei pe cebe os concei os essenciais.
Pa a al, eco i a bibliog a ia que osse usada como manual nos cu sos de cons ução de
ideojogos e/ou pela indús ia. Po exemplo, o manual de Ka ie Salen & E ic Zimme man (2004)
e o manual de Jeannie No ak (2012), al como ou os manuais (B azie, 2023; Game omsc a ch,
2015; Kos e , 2014; Sweden Game A ena, 2016; Swink, 2014; Zagalo, 2010, 2013).
Sob e on es e documen os ace ca do jogo
This Wa o Mine,
eco i àquilo que os au o es diziam
e dizem sob e o jogo, a in es igação his ó ica que ize am pa a cons ui o jogo, in o mações sob e
o
engine,
as e amen as de abalho dos au o es, guias sob e as mesmas, e elacionei o jogo com
on es do Ce co de Sa aje o (11 bi s udios, 2014a, 2014b, 2014c, 2014d, 2015c, 2016, 2022,
n.d.)
.
Sob e on es e documen os ace ca do Ce co de Sa aje o, u ilizei documen os e on es ge ais do
con ex o his ó ico, en e is as a sob e i en es, ela os de jo nalis as, on es espaciais e o og a ias
(And eas, 2008; Ap, 1996; Bell, 1992; Co ey, 1999; Demick, 2012a, 2012b; Ma k Mils ein, 2010;
Mo ison, 2016; Shami, 2016; T ipad iso , 2024).
Foi di ícil encon a bibliog a ia bósnia, c oa a e sé ia sob e a Jugoslá ia e Sa aje o e iquei com
a ideia que de e á exis i algum dis anciamen o en e a his o iog a ia da Eu opa ociden al,
incluindo os Es ados Unidos, e a Eu opa do Les e.
Pa eceu-me ambém impo an e es a o uso da minha p opos a me odológica e, po an o,
o ganizei um e en o abe o à comunidade. Es a expe iência chamou-se LAN-Pa y His o iog á ica
e consis iu numa
LAN pa y
( eunião de jogado es com compu ado es in e ligados numa ede
local, ou LAN, num mesmo espaço ísico)
com o obje i o de explo a his o icamen e um jogo
enquan o on e e documen o.
Recolhi as expe iências de jogo dos pa icipan es em o ma o de en e is a em ela o o al e
inqué i o esc i o e obse ei as pessoas no e en o pa a a análise dos dados. Tendo em is a ado a
as melho es p á icas de ecolha e u ilização de dados, coloca am-se odos os egis os no géne o
9
masculino e ize am-se pequenas al e ações nos exce os ci ados pa a ga an i a pe ei a
anonimização.
Como es a disse ação u iliza uma maio ia de on es e documen os em línguas es angei as, oi
necessá io aduzi-las pa a po uguês e, pa a al, eco eu-se à ajuda de uma e amen a de
adução po In eligência A i icial: o
DeepL
(Ku ylowski, 2017). Is o po que, pa a ga an i que a
disse ação e a passí el de se p oduzida e concluída, hou e a necessidade de o imiza empo.
Não obs an e, odas as aduções o am e is as, al e adas e co igidas pelo au o des a
disse ação quando necessá io.
5. Es u u a da disse ação
A disse ação es u u a-se em ês capí ulos.
O p imei o começa po se epo a a dis ância exis en e en e a His ó ia e ideojogos, p ocu ando
es abelece o Es ado da A e, pe cebe as á ias eo ias que se c ia am e uma in odução à
p opos a da disse ação.
O segundo capí ulo consis e em análise do obje o de es udo enquan o on e e documen o. Após a
análise, o mesmo é pe spe i ado como simulado do con ex o his ó ico ep esen ado.
No e cei o capí ulo ap esen a-se a expe iência LAN-pa y his o iog á ica e analisa-se os seus
esul ados.
A disse ação e mina com algumas e lexões inais.
10
CAPÍTULO 1.
HISTÓRIA E VIDEOJOGOS
1.1. O documen o e a c í ica his ó ica
De o ma b e e, o documen o é o egis o e a c í ica de on es, de ac os e dados his ó icos.
Po an o, é algo que ala de de e minado empo. Es e concei o oi amplamen e explo ado po
Jacques Le Go (1984) numa en ada pa a o p imei o olume da Enciclopédia Einaudi, p oje o
em á ios olumes que na década de se en a do século XX oi pensado como uma demons ação
do conhecimen o uni e sal da humanidade. Nessa a en u a enciclopédica, en e ou as en adas,
o au o abalhou as á ias ‘ aces’ da noção de documen o his ó ico ao longo do empo. Ao azê-
lo, des acou e ope ou uma i agem c í ica na análise das on es his ó icas, ao ixa no binómio
«documen o/monumen o, í ulo da en ada enciclopédica, a p oblema ização da documen ação
his ó ica. Es e binómio, anspo ado pa a o plano dos ideojogos, se á i al no desen ol imen o
inicial des a disse ação.
Em jogo, pa a Le Go , nessa longínqua década de 1970, es a a o papel da memó ia na
ope acionalização da ealidade documen al no es udo do passado. Como e e e: os «ma e iais da
memó ia podem ap esen a -se sob duas o mas p incipais: os
monumen o
s, he ança do passado,
e os
documen os
, escolha do his o iado » (Le Go , 1984, p. 95). Na o ação da p imazia en e
es as duas o mas, Le Go p oje ou odo um « ilme», com uma pe iodização, em que a pa i da
mode nidade o
documen o
supe a o
monumen o
na a i mação cien í ica da his ó ia enquan o
conhecimen o c í ico.
Inicialmen e o ‘documen o’ signi ica a
doce e
ou ensina , mas e oluiu pa a o signi icado de 'p o a'
(Le Go , 1984, p. 95). Foi no século XVII que o documen o, p imei o na linguagem ju ídica
ancesa, se ap esen ou nes e sen ido mode no de ‘p o a’ ou ‘papel jus i ica i o’. Es a
ans o mação deco eu a é ao início do século XIX, ci cunsc e endo-se ao documen o ‘esc i o’ (Le
Go , 1984, p. 96-97). Po an o, colocou-se o documen o esc i o à en e da memó ia enquan o
p o a do passado. O que pe mi iu a cons ução da his o iog a ia esc i a. No inal do século XIX, o
documen o começa a ganha uma es u u a cien í ica. Es a cien i icidade co esponde à
necessidade de o his o iado se basea em documen os e on es, à expansão do ipo de on es e
de documen os usados, à con ex ualização dos mesmos na sua c iação, à u ilização e
11
melho amen o das me odologias e à inse ção do abalho cien í ico na memó ia (Le Go , 1984,
p. 97-100).
Com es a e olução, o documen o ans o ma-se pa a além do signi icado de ‘p o a’ de algo.
T ans o ma-se numa memó ia que não só eco da, mas mais impo an e, pensa e c i ica o
passado. Con ando ambém com o p óp io con ex o e mo i ações do seu au o .
Baseando-se na ci ação ci ú gica de á ios au o es que o ajudam a compo uma genealogia c í ica,
Le Go assinala a necessidade de não eduzi os documen os à ma é ia ex ual:
«Não há no ícia his ó ica sem documen os»; e p ecisa a: «Pois se dos ac os his ó icos não o am egis ados
documen os, ou g a ados ou esc i os, aqueles a os pe de am-se» [Geo ge Le eb e]. Toda ia, se a
concepção de documen o não se modi ica a, o seu con eúdo en iquecia-se e amplia a-se. Em p incípio, o
documen o e a sob e udo um ex o. No en an o, o p óp io Fus el de Coulanges sen ia o limi e des a de inição.
(…) «Onde al am os monumen os esc i os, de e a his ó ia demanda às línguas mo as os seus seg edos....
De e esc u a as ábulas, os mi os, os sonhos da imaginação...» (Le Go , 1984, p. 98, adap ado).
«Há que oma a pala a 'documen o' no sen ido mais amplo, documen o esc i o, ilus ado, ansmi ido pelo
som, a imagem, ou de qualque ou a manei a» [Cha les Sama an] (Le Go , 1984, p. 98, adap ado).
Com es a ampliação, Le Go oca desen ol imen o da c í ica ao documen o:
(…) a c í ica do documen o adicional oi essencialmen e uma p ocu a da au en icidade. Ela pe segue os
alsos e, po consequência, a ibui uma impo ância undamen al à da ação (Le Go , 1984, p. 100).
Mas os undado es dos «Annales» da am início a uma c í ica em p o undidade da noção de documen o.
«Os his o iado es icam passi os, demasiado equen emen e, pe an e os documen os, e o axioma de Fus el
(a his ó ia az-se com ex os) acaba po se e es i pa a eles de um sen ido dele é io», a i ma a Lucien
Feb e (Le Go , 1984, p. 101).
Assim:
«Não obs an e o que po ezes pa ecem pensa os p incipian es, os documen os não apa ecem, aqui ou ali,
pelo e ei o de um qualque impe sc u á el desígnio dos deuses. A sua p esença ou a sua ausência nos
undos dos a qui os, numa biblio eca, num e eno, dependem de causas humanas que não escapam de
o ma alguma à análise» [Ma c Bloch] (Le Go , 1984, p. 101).
E especi icamen e so e a memó ia-his ó ia e o pode : «O documen o não é qualque coisa que
ica po con a do passado, é um p odu o da sociedade que o ab icou segundo as elações de
o ças que aí de inham o pode » (Le Go , 1984, p. 102).
12
Pe cebe-se po es a duas g andes linhas de pensamen o que o ‘documen o’ é an o p ese a
como c i ica o passado num o ma o legí el. Que seja o ma o esc i o, desenhado, musical… (ou,
numa lei u a a ual, in e a i o e digi al). Assumindo-se, cla o, o igo .
Re omando a análise de Le Go , ao mesmo empo que o documen o se cien i ica a e expandia,
acon eceu ou o enómeno: a in odução dos dados se iais ou quan i a i os com a es a ís ica e,
depois, ambém os compu ado es a pa i da segunda me ade do séc. XX. Es a e olução ouxe
à his o iog a ia uma elação mais p óxima en e documen os e ambém a p óp ias on es:
(…) a his ó ia quan i a i a al e a o es a u o do
documen o
. «O documen o, o dado já não exis em po si
p óp ios, mas em elação com a sé ie que os p ecede e os segue, é o seu alo ela i o que se oma obje i o
e não a sua elação com uma inap eensí el subs ância eal» [F ançois Fu e ] (Le Go , 1984, 99).
Nes e con ex o, com impo ância pa a es e abalho, oco e a cons ução da elação di e a en e
his o iog a ia e ecnologias de in o mação, de ido à u ilização do ac o his ó ico ans o mado em
dado e colocado numa base de dados in o má ica.
Com es a no a expansão, o ‘documen o’ ganha ou o sen ido. O de pe ence a um conjun o ou
sé ie p oduzida. Não es ando isolado, ganha um alo ho izon al den o da p ese ação e da c í ica
ao passado. Po que ago a pe mi e comunica as lógicas do passado den o do conjun o a que
pe ence de documen os, on es e dados. Dependendo da o ça do seu conjun o, da qualidade na
econs ução, a pe ceção e a c í ica se ão mais o es. Ou como Jacques Le Go e e iu:
O no o documen o, ala gado pa a além dos ex os adicionais, ans o mado – semp e que a his ó ia
quan i a i a é possí el e pe inen e – em dado, de e se a ado como um documen o/monumen o. De onde
a u gência de elabo a uma no a e udição capaz de ans e i es e documen o/monumen o do campo da
memó ia pa a o da ciência his ó ica (Le Go , 1984, p. 104).
Nes a descons ução da noção de documen o, pe an e as e oluções quali a i as e quan i a i as
do conhecimen o his ó ico, o au o insis e que nenhuma mudança de e impedi «o his o iado do
seu de e p incipal: a c í ica do documen o – qualque que ele seja – enquan o monumen o» (Le
Go , 1984, p. 102). Is o é, no « ilme» que p epa ou, Le Go edescob e a impo ância da
memó ia, do monumen o. A c í ica cien í ica é em la ga medida a in eg ação e não supe ação da
memó ia monumen al do documen o: «O documen o não é qualque coisa que ica po con a do
passado, é um p odu o da sociedade que o ab icou segundo as elações de o ças que aí de inham
o pode » (Le Go , 1984, p. 102).
13
Numa ob a dedicada à e idência isual e ma e ial na p á ica his ó ica, Ludmilla Jo dano a
eposiciona, de ce a manei a, es e binómio, ecupe ando de o ma mais cla a a pala a on e e
in oduzindo na e e ida e udição uma elação mais explíci a en e desc ição e in e p e ação:
P o a é um e mo ela i o, uma on e é a p o a de um palpi e, de uma hipó ese, de um a gumen o ou de
uma a i mação. As desc ições a uam como pon es en e as on es e as in e p e ações das mesmas. Os
ela os de alhados êm o po encial de o nece p o as aos his o iado es, não só po que con êm in o mações
e (po ezes) egis os simples de enómenos ele an es, mas po que a linguagem em que são exp essos já
es á a p ocessa as espos as e ideias do au o (Jo dano a, 2012, p. 19).
Pa indo do binómio documen o/monumen o, ace às e oluções quali a i as e quan i a i as do
conhecimen o his ó ico da ealidade, assinalada es a a ualização en e as desc ições e a
in e p e ação his ó ica, em que aquelas, pelos seus de alhes, ans o mam as on es numa ede
mais ampla, suma io de seguida um conjun o de concei os e p oponho algumas ques ões que me
pe mi i am, nes a ase, pe spe i a os ideojogos como um no o campo de possibilidades na
c í ica his ó ica.
1.2. O jogo e a ede concep ual
1.2.1. Simulação
Simulação e e e-se ao a o de ep oduzi pa e da ealidade ao longo do empo a a és de um
conjun o de sis emas (Bo haku , 2023, pa . In odução; Bo haku & Sa mah, 2021, pa .
In odução; F asca, 2001, pp. 21–23; Zeigle e al., 2019, pp. 27–28, 36–37). Es a ep odução
é conseguida a a és da ‘modelagem’ dos sis emas complexos da ealidade e a p e isão dos seus
compo amen os (P. P. Bo haku , 2023), ou seja, comp eende as lógicas abs a as e ep oduzi-
las num o ma o legí el em que se ab angem as á ias hipó eses.
Como se pode e na Imagem 1, que sin e iza as á ias pa es da eo ia de modelagem e
simulação, a simulação inicia-se com a cons ução do con ex o e modelagem da ealidade que
que emos ep oduzi conside ando os seus compo amen os ou lógicas.
20
aplicado de o ma di e a a a és da jogabilidade (Chen & Michael, 2005; Djaou i e al., 2011). Es a
eo ia é con as ada pela eo ia de Ludologia de Espen Aa se h (Aa se h, 1997, 2007) e de Gonzalo
F asca (F asca, 2003a, 2003b) que es uda odo o ipo de jogos segundo as ciências sociais e as
ciências humanas a a és da jogabilidade.
Ambas as linhas de abalho p ocu am pe cebe que ipo de conhecimen o os jogos podem
ansmi i , mas uma singula iza-se no espaço de aula e ou a nas ciências sociais e ciências
humanas.
A necessidade de se iedade nos jogos educa i os esul a das necessidades cu icula es das
escolas e de compe i com ou os meios de ap endizagem como os li os (Becke , 2015b; Djaou i
e al., 2011). Con udo, exis e uma ca ego ia cul u al dos di os jogos de en e enimen o, chamados
de «ha dco e», que se dis inguem po e em sis emas e mecânicas complexos que exigem
ap endizagem. Po exemplo, o ideojogo Dayz (2018) da Bohemia In e ac i e, que em sis emas
complexos de sob e i ência, pe mi e um espaço de expe iência, ap endizagem e u ilização de
conhecimen os de a i ado u i o pa a melho joga e comp eende o mundo (King Alex, 2024a,
2024b). Um an igo a i ado u i o p o issional com a alcunha de King Alex ensina á ios mé odos
mili a es que ap endeu no seu se iço (King Alex, 2024a, 2024b). Es a ca ac e ís ica não é só de
jogos «ha dco e», mas é mais salien e.
Como se pode pe cebe , es as duas eo ias pode iam comple a -se. Cla o que há jogos mais
ap op iados pa a a sala de aula. O seu
design
es á di ecionados pa a os con eúdos a leciona . Po
ou o lado, ambém é impo an e algum igo na Ludologia a a és do ipo de conhecimen o
exis en e e como é explo ado.
1.3.3. Na a ologia ou Ludologia?
A na a ologia é uma eo ia que p opõe analisa os jogos segundo as suas na a i as (N. Chen &
Li, 2023; F asca, 2003b) e aplica mé odos de li e a u a e semió ica pa a o aze (Culle , 2002;
Dawson & Mäkelä, 2023). Pode -se-ia analisa um jogo como se osse um ilme ou um li o. Em
con apa ida, como já explicado, a ludologia explo a o jogo segundo a sua jogabilidade sem que
haja uma necessidade de cons ui na a i as (Aa se h, 2007; F asca, 2003a). Ambas as eo ias
complemen am-se e o deba e me odológico é conside ado po Gonzalo F asca (F asca, 2003b)
como azio. Mas ambas ambém explo am a análise segundo a expe iência pessoal e os elemen os
es é icos.
21
1.3.4. Gamic mode ou ep esen ação his ó ica?
«Gamic mode» é uma eo ia p opos a po Je emie Clyde, Howa d Hopkins e Glenn Wilkinson
(Clyde e al., 2012) em que se p ocu a delimi a os ideojogos a ex os académicos e a a gumen os
his ó icos. A abo dagem ans o ma o jogo num meio pa a ep esen a ex os e a gumen os já p é-
es abelecidos. Des a o ma, a possibilidade de in e ação e jogabilidade é mui o limi ada. Po ou o
lado, Je emie Clyde é dos poucos au o es que e e e a impo ância de sis emas de ci ação e
e e ências no jogo e pa a o jogo (Clyde e al., 2012).
A con a espos a a es a eo ia oi lançada Robe Hough on (Hough on, 2018). O mesmo a i ma
a subs i uição do uso o odoxo de na a i as pela ep esen ação his ó ica. Po ou as pala as, a
ep esen ação do passado a a és de con ex os com a possibilidade de in e agi e al e a os
mesmos (Hough on, 2014, 2018). O au o segue o enquad amen o de Espen (Hough on, 2018).
Ambas as eo ias di e gem em como um jogo de e ep oduzi o passado. Ou o jogo é um
ep odu o de a gumen os e ex os ou o jogo é um espaço con a ac ual (cená ios E SE?) mas
ep esen a i o do passado.
1.3.5. Simulação ou modelo?
Um úl imo g upo de eo ias é ep esen ado po Je emiah McCall e o uso de jogos como simulações
(McCall, 2012) ou o uso dos mesmos como modelos (Ca alho, 2017) a se usados na academia.
Ambas as eo ias são o iginais, conside ando a e isão bibliog á ica. A ques ão de ou simulações
ou modelos pode se comp eendida na elação ci cula en e simula e modela . Ou seja, a
simulação an o necessi a de modelos que a sus en em como de simula es es modelos num
con ex o (P. P. Bo haku , 2023; Zeigle e al., 2019). Es as duas são o que pe mi em con ui e
execu a uma simulação pa a ep oduzi pa e da ealidade.
Ambos os au o es es ão a ala da mesma eo ia em pa es di e en es (P. P. Bo haku , 2023;
Zeigle e al., 2019). Se o in es igado se oca no a o de simula (McCall, 2012) ou na modelagem
inicial (Ca alho, 2017) é uma ques ão de abo dagem.
1.3.6. Con e gência dos opos os
22
Após es a in odução eó ica, pe gun o se é possí el as á ias eo ias con e gi em, em ez de
di e gi em. Ac edi o que nes e momen o seja mais ap op iado oca nas eo ias que desen ol em
e cons oem ideojogos como a eo ia de Huizinga (Huizinga, 1938), a eo ia de jogo (Ley on-
B own & Shoham, 2008; Ross, 2021), as ciências da compu ação (de Camp, 2024; Fos e , 2003;
GameF omSc a ch, 2015; Timo hy, 2023) e a ciência de cons ução de jogos (Gazaway, 2021;
Kos e , 2014; No ak, 2012; Salen & Zimme man, 2004; Selle s, 2018).
1.4. Uma simulação is a po den o
O que que o aze ? Po que que o aze ? Que esul ados espe o e ?
Quando iniciei o mes ado pensei que não exis iam me odologias de análise, de ido à escassa
e e ência às mesmas e al a de igo . E assim, p ocu ei c ia uma me odologia igo osa que me
pe mi isse analisa os ideojogos. A p opos a e ia que se p á ica, igo osa, capaz de analisa o
ideojogo enquan o p odu o do seu empo e enquan o so wa e. Pa a des a o ma pe cebe que
ipo de conhecimen o os ideojogos p oduzem.
O esul ado de qua o abalhos expe imen ais ao longo do p imei o ano de mes ado, em que
semp e analisei his o icamen e um ou dois ideojogos, oi um guia de pe gun as mui o semelhan e
às pe gun as que o his o iado az, mas baseando-me nas á ias ciências que con ibuem pa a a
cons ução de ideojogos.
Es e guia es á di idido em duas pa es:
A análise do ideojogo como on e (ou on e p imá ia). O jogo no seu con ex o de cons ução:
1. Po quem, onde e quando? Além disso, a e são jogá el é modi icada?
2. Qual a in enção do au o ?
3. Que ipo de so wa e oi usado?
4. A que on es se e e e?
A análise como documen o (ou on e secundá ia). Aquilo de que o jogo ‘ ala’:
5. Onde e quando o ideojogo acon ece?
6. Que g andes na a i as his ó icas es ão p esen es?
7. Quem é o pe sonagem/ins i uição con olá el?
8. O que pe mi e simula e p oduzi pa a o conhecimen o his o iog á ico e que limi ações em?
23
Es e ‘guia de pe gun as’ so eu ans o mações em que algumas pe gun as o am unidas,
al e adas de posição, ou a é eesc i as pa a acomoda as lógicas e eo ias de ciências da
compu ação e da ciência de cons ução de jogos.
A o ma de e e encia e ci a que aqui se p opõe espei a as eg as undamen ais dos sis emas
de e e ências e ci ação. Ou seja, inicia-se do ge al pa a o pa icula , seguindo a o dem: au o ,
da a e página/código e eme e pa a a lis a de e e ências.
Den o da lis a de e e ências, se o código do jogo es i e disponí el, a en ada de e eme e ao
jogo em ques ão, po exemplo: «11 bi s udios. (2014a).
This Wa o Mine
(Windows) [So wa e]».
Bem como a sua localização no compu ado :
«C: P og amFiles S eam s eamapps common ThisWa o Mine Mods 7dd25c1371 c48dd9cd3
83261044c4a9».
Jun ando ambas as pa es, a en ada na lis a de e e ências ap esen a-se da seguin e o ma:
11 bi s udios. (2014a).
This Wa o Mine
(Windows) [So wa e].
C: P og amFiles S eam s eamapps common ThisWa o Mine Mods 7dd25c1371 c48dd9cd38
3261044c4a9.
É impo an e menciona que es e exemplo não é o código o iginal do
This Wa o Mine,
mas se e
como exemplo. Es a ques ão se á desen ol ida no subcapí ulo 2.1 – «O ideojogo como on e».
Nos casos em que não haja acesso ao código, de e-se eme e pa a a e amen a que oi usada
pa a econs ui e descompila o mesmo, como po exemplo: «11 bi s udios. (2015).
S o y elle
[Engine Liquid]».
A e e ência no co po do ex o, quando se em acesso ao código, de e se o núme o da linha do
mesmo, como po exemplo: (11 bi s udios, 2014a, Linhas 22–58).
Nos casos em que não se em acesso ao código o iginal na sua ín eg a, de e-se e e i odo o
pe cu so desde o g upo ge al e espe i os subg upos a é chega à pa e que se p e ende e e i ,
como po exemplo: (11 bi s udios, 2015a, Linha Visi s con ig, Visi Types, Koso o isi ype dwelle
join in o, DailyPoin GainsWi hDwelle s).
24
Com o obje i o de o na o ex o nes e abalho mais ácil de le , adap ei a eg a da APA (
Ame ican
Psychological Associa ion
) pa a e e i o código em odapé, como nos casos em que me e i o no
Capí ulo 2 sob e os á ios con ex os do
Ho el Holiday
ep esen ado no jogo
8
.
A ci ação no co po do ex o em que segui a o dem do espe i o g upo e subg upos, além de
e e i o jogo ou a e amen a de econs ução, como po exemplo: «Visi s con ig, Visi Types,
Koso o isi ype dwelle join in o, DailyPoin GainsWi hDwelle s (11 bi s udios, 2015a)».
É de no a que, se o ideojogo ou
so wa e
i e e amen as de modi icação, é p o á el que se
enha acesso ao código.
Já sob e os esul ados a ob e , inicialmen e oi mui o di ícil p e e que ipo de esul ados i ia ob e .
De ac o, como a maio ia dos au o es ala da es é ica do jogo e não dos esul ados do jogo, i e a
necessidade de me a as a , pensa o jogo pelo jogo e pe gun a o que é a his o iog a ia no jogo?
Após a conclusão des a disse ação, já enho uma ideia mui o mais cla a do que são es e ipo de
esul ados sob e as elações dos concei os simulação e ideojogos. An es de mais, já au o es
como Gonzalo F asca (2001, 2003a), Espen Aa se h (2007), Je emiah McCall (2012), Je emie
Clyde e . al. (2012), Vinicius Ma ino Ca alho (2017), Robe Hough on (2018), (Gazaway, 2021),
Dax Gazaway (Gazaway, 2021) e Pa ha Bo haku & Sa mah P anjal (P. Bo haku & Sa mah,
2021), apon a am uma elação em á ias pe spe i as. Eu apenas ou e e i que o jogo, enquan o
um espaço de in e ação delimi ado po eg as e i uais, é uma simulação is a po den o, po que
o p ocesso de cons ução do mesmo implica a modelagem e simulação.
Já o pe sonagem/ins i uição con olá el ê o p óp io jogo segundo a uma pe spe i a indi idual. O
jogo, an es de udo, p ocu a a in e ação. Mas pa a es e aze sen ido aos jogado es e e in e ações
en iquecedo as, é necessá io que seja bem cons uído. O que implica comp eende pa e da
ealidade que se deseja ep esen a e o seu an ás ico (Gazaway, 2021, Capí ulo 7 Dis illing Li e
in o Sys ems). Es a necessidade pelo ealismo le a à cons ução de a iados sis emas (Gazaway,
2021, Capí ulo 7 Dis illing Li e in o Sys ems). Po ou as pala as, p ocu a-se ep oduzi pa e da
ealidade ao longo do empo a a és de um conjun o de sis emas (P. P. Bo haku , 2023, pa .
In odução; P. Bo haku & Sa mah, 2021, pa . In odução; F asca, 2001, pp. 21–23; Zeigle e
8
Que se encon am em: «Sca enge loca ions con ig, Loca ionPacks, MapPack_##, En ies,
!CURRENT/012_sca _domek_ho el, Loca ionVe sionName: Lone , Psyhic e T ade (11 bi s udios, 2015)».
25
al., 2019, pp. 27–28, 36–37). O que equi ale à de inição de simulação, mas is a po den o, aos
olhos do pe sonagem ou ins i uição jogá el.
26
CAPÍTULO 2.
ANÁLISE DE
THIS WAR OF MINE
COMO FONTE E DOCUMENTO
2.1. O ideojogo como on e
2.1.1. C iação e in enção
O
This Wa o Mine
oi desen ol ido pela
11 bi s udios
, em Va só ia, na Polónia («11 Bi S udios»,
2022) e oi lançado em 2014 («11 Bi S udios», 2022). A e são jogada não oi modi icada e é a
e são comple a do ideojogo. Comple a no sen ido que em odas as expansões cons uídas pelos
au o es do jogo, ou
de elope s,
após o lançamen o inicial do mesmo.
Segundo a desc ição do ideojogo na loja online
S eam
,
a in enção da
11 bi s udios
oi e a a a
pe spe i a de ci is numa gue a con empo ânea e de o ma ealis a. Pa a al, inspi a am-se em
e en os his ó icos (
This Wa o Mine on S eam
, 2023).
No websi e do p óp io jogo, a equipa e e e o seguin e:
No século XXI uma coisa é ine i á el. A gue a pode eben a em qualque al u a e em qualque luga . E se
a ua cidade o ce cada, podes e a ce eza de que não es a ias p epa ado pa a isso (…)
A VERDADEIRA FACE DA GUERRA. VÊ-A DA PERSPECTIVA DOS CIVIS. Em
This Wa o Mine
, pela p imei a
ez, não jogas como um soldado de eli e, mas como um g upo de ci is que en a sob e i e numa cidade
si iada, lu ando con a a al a de ecu sos e o pe igo cons an e (…)
ESCONDE-TE DURANTE O DIA. SAI APENAS QUANDO A NOITE TE COBRIR. Du an e o dia, os a i ado es
u i os no ex e io impedem- e de sai do eu e úgio, po isso ens de e concen a em man e o eu
esconde ijo. À noi e, le a um dos eus ci is numa missão pa a p ocu a obje os que e ajudem a man e es-
e i o (…)
TOMA DECISÕES DE VIDA OU DE MORTE. ENFRENTA AS CONSEQUÊNCIAS. Toma decisões de ida ou de
mo e guiado pela ua consciência. Ten a p o ege oda a gen e do eu ab igo. Du an e a gue a, não exis em
decisões boas ou más; exis e apenas a sob e i ência. Quan o mais cedo pe cebe es isso, melho
9
(11 bi
s udios, n.d.).
A a és das an e io es desc ições pe cebe-se que hou e um cuidado e consciência em pe cebe a
ealidade da gue a na Idade Con empo ânea. Desc e endo-a como imp e isí el, aniquilado a e
que en ol e os ci is, que não es ão p epa ados pa a es a.
9
Disponí el no
websi e
o icial do ideojogo
This Wa o Mine.
Em h ps://www. hiswa o mine.com/#desc ip ion
27
Há ambém uma alo ização do papel dos ci is na gue a. Es es, como desc e eu o es údio (
11
bi s udios
), são an o a ace como a í ima da gue a, pois ep esen am as o mas da gue a e as
suas consequências ne as as.
Es a ep esen ação do so imen o e i ências dos ci is, em con as e com a glo i icação dos
soldados nos
media
, é uma mo i ação cen al des e documen o.
Explo ando ago a uma en e is a do websi e
Ven u eBea s
(2014) à
11 bi s udios
, o en e is ado
Dan C awley in oduz os an asmas de ce cos passados, mais conc e amen e, o ce co Nazi em
1939 à cidade na al do es údio, Va só ia (Polónia), como conexão en e o passado cul u al das
pessoas da
11 bi s udios
e o con ex o do jogo:
Embo a o c iado
11 bi s udios
insis a que
This Wa o Mine
se passa numa cidade in ei amen e ic ícia, os
an asmas de Va só ia pe manecem ine i a elmen e na paisagem cinzen a e bomba deada do jogo, lançado
pa a PC, Mac e Linux na passada sex a- ei a (…)
A cidade de Va só ia oi eduzida a escomb os na "liquidação" nazi que se seguiu à e ol a alhada de 1944.
O mo imen o de esis ência en ou lu a con a a o ça de ocupação, mas oi de o ado após 63 dias de
sang en as ba alhas de ua, execuções públicas e a ocidades inac edi á eis. Após a e ol a, o exé ci o
alemão a asou a cidade e, onde ou o a i e a mais de um milhão de cidadãos, não es ou nada pa a além
de pó e des uição. Ce ca de 1.000 pessoas pe manece am nas uínas da sua ou o a g ande capi al,
en ando sob e i e (…).
Es a lu a desespe ada pela sob e i ência é o que impulsiona a jogabilidade em
This Wa o Mine
. P ocu a
comida odas as noi es e en a man e -se quen e é uma sensação somb ia e eal. E é assim que de e se ,
pois es e é um jogo sob e os mui os esquecidos. Os ci is p esos in olun a iamen e no meio de uma zona
de gue a (…).
Bem- indo à 11 Bi .
O es údio de desen ol imen o da 11 Bi ica num bloco de esc i ó ios no boémio dis i o de P aga, em
Va só ia. Fica do lado do io que melho sob e i eu ao ni elamen o da cidade, mas se nos a as a mos
apenas alguns qua ei ões, ainda podemos e os sinais do con li o de há 70 anos, ais como bu acos de
balas que se des acam das pa edes em uínas (C awley, 2014).
Na mesma en e is a, a equipa de desen ol imen o (os
de elope s
)
e e i am que, naquela al u a,
a endência da ep esen ação da gue a em jogos e a ingénua e semelhan e a uma b incadei a de
c ianças. Vis o que apenas se exp essa a a gló ia da gue a e não as suas consequências ne as as
pa a os soldados e, p incipalmen e, pa a os ci is: «Quando se joga a maio ia dos jogos de gue a,
pa ece di e ido»
,
disse Zajaczkowski (C awley, 2014). Ac escen ou ainda:
«Pa ece que são miúdos a b inca no quin al. Temos a mas de plás ico e dispa amos e nós somos os he óis
e ocês são os maus da i a. A gue a não se pa ece com isso. Não se pa ece com isso pa a os soldados e,
mais ainda, não se pa ece com isso pa a os ci is» [Zajaczkowski] (C awley, 2014).
Pa a conc e iza a isão de uma ep esen ação mais ealis a, o es údio inspi ou-se no e en o de
gue a mais ecen e:
28
Assim, a 11 Bi decidiu c ia um jogo que ep esen asse e e i amen e a gue a e ê-lo pesquisando
exa amen e como é a ida dos ci is en ol idos em con li os e alando com sob e i en es.
«P ocu ámos pessoas de Sa aje o [a cidade si iada du an e 1425 dias du an e a Gue a da Bósnia dos anos
90] po que é um dos con li os mais p óximos, po isso ínhamos a ce eza de que i íamos encon a algumas
pessoas que ealmen e es i e am lá» (C awley, 2014).
Numa ou a en e is a, onde a
11 bi s udios
alou com a CCN Po ugal em 2022, Pawel
Miechowski, p og amado do es údio e e e o seguin e:
Ou o mecanismo que u iliza am pa a en ol e emocionalmen e o jogado oi o a as amen o do escapismo.
Onde ou os jogos pe mi em que os u ilizado es escapem à ealidade expe imen ando an asias, em "This
Wa o Mine" p ocu a am o opos o. «Coloca-nos numa simulação da ealidade. Uma ealidade ho í el como
a gue a. Re i a-nos semp e da nossa zona de con o o e depois começamos a joga com mui a a enção.
P es amos a enção aos de alhes dos nossos ci is, a cada pedaço de comida, medicação... E quando o
azemos, en ol emo-nos mui o mais como jogado es. É assim que c iamos a ligação en e as pe sonagens
e o jogo» [Miechowski] (Se gio Gómez, 2022).
Após a exposição des as on es, pode-se suma ia que a mo i ação do jogo oi ep esen a a gue a
con empo ânea de o ma ealis a e, p incipalmen e, pela pe spe i a de ci is, conside ando as
ealidades his ó icas sob e o assun o. Mais conc e amen e, usando a ealidade mais p óxima
geog á ica e empo almen e das suas possibilidades: o Ce co de Sa aje o.
2.1.2. So wa e u ilizado
O ideojogo
This Wa o Mine
usa o
engine
Liquid
desen ol ido pela p óp ia
11 bi s udios
(
Engine
· Liquid · Technologies
, 2023;
Liquid - Summa y
, 2011). Es e
engine
oi especialmen e cons uído
pa a supo a múl iplas pla a o mas como PC, And oid, e c. (
Liquid - Summa y
, 2011)
10
. É p eciso
e e i que apenas os c iado es des e
engine
êm acesso ao mesmo. Já os jogado es usu uem
dos p odu os do di o
engine
;
nes e caso, o ideojogo
This Wa o Mine
.
O
engine,
como já e e ido no subcapí ulo dedicado aos concei os,
em a unção de se a mesa de
abalho pa a cons ui um ideojogo de aiz ou com g ande au onomia, ace à necessidade de
ou os
so wa es.
Inclui no malmen e coleções de código de p og amação
ele an es à p odução
e eusá eis designados de biblio ecas (ou
lib a ies
) (Game omsc a ch, 2015), en e ou os.
Se i e mos acesso ao
engine
e subsequen emen e aos sis emas e código do jogo, podemos usa
os mesmos como índice e o ma de ci ação. Is o po que, os sis emas e o código pe mi em-nos e
as á ias pa es do jogo al como um índice e, ambém, e e i-las de o ma igo osa.
10
Ap o ei o pa a e e i o a qui o online
S eamDB
como a qui o de e e ência pa a ideojogos na loja S eam; em
h ps://s eamdb.in o/. Es e a qui o con empla in o mação base, como nomes, da as e, mais impo an e, o ipo de
so wa es
p esen es no jogo. Ou seja, o espe i o
engine
.
29
Mas como não é possí el e acesso a es a ‘mesa de abalho’, não se pode cons a a di e amen e
os limi es e possibilidades do jogo enquan o simulação. Des a o ma, p oponho que se aça uma
econs ução do
This Wa o Mine
undamen ada nas e amen as que os c iado es do jogo
disponibiliza am, chamadas de
S o y elle
(11 bi s udios, 2015a) e na espe i a linguagem de
p og amação que já oi documen ada (es a é semelhan e à linguagem p og amação
HTML
), pa a,
assim, pode le es e ideojogo, en ende as suas eg as e lógicas, e delimi á-lo enquan o
ep esen ação da ealidade
11
. Po an o, exp essa-se aqui ambém o a o de documen a o ideojogo,
possibili ando a comp eensão do mesmo sem o e jogado
12
.
Pa a cump i es es obje i os, a econs ução p ocu a p imei o pe cebe as eg as e linguagem de
p og amação do jogo em ge al pa a, depois, delimi a as eg as mais elemen a es e ans o má-
las em concei os
13
.
A econs ução é sus en ada po ês g andes bases de in o mação: a
wiki
14
do jogo (Fandom,
2023) hospedada no websi e
Fandom
, um guia de modi icação (Kie k, 2023b, 2023a) no websi e
S eam
e o p óp io
so wa e
de modi icação do jogo:
S o y elle .
Es e úl imo é a on e mais p óxima
do
engine
do jogo.
A
wiki,
como o nome indica, é uma en ada Wikipédia sob e udo o que seja elacionado com o
jogo, incluindo as eg as e mecânicas do mesmo. Foi cons uída po uma comunidade au ónoma
de jogado es
15
(Fandom, 2023). Es a
wiki
oi usada pa a e uma noção ge al das ca ego ias e
mecânicas do jogo.
O guia de modi icação é uma ansc ição e compilação da linguagem de p og amação p esen e
no jogo que em po base os ecu sos que os p óp ios
de elope s
disponibiliza am pa a
modi icações: o
S o y elle
. Es e guia oi esc i o po um jogado
16
(Kie k, 2023b).
11
O que ambém p essupõe comp eende as suas possibilidades.
12
Comple a-se o seu p ocesso de documen ação enquan o p odu o de um empo e espaço, ou obje o his ó ico.
13
Es a o ma de analisa em semelhanças com a p opos a ap esen ada pelo
de elope
Raph Kos e na con e ência
Game De elope s Con e ence
(2017),
sendo que o mesmo e e iu que a cons ução de um jogo é mais p odu i a se
o jogo o pensado segundo as suas á ias pa es, ao in és do seu núcleo inicial. E o uso pe spicaz de e bos pode
de ini o ipo de jogo que se c ia. Po exemplo:
cause damage
e
do no ake damage
c iam um jogo de lu a. Es as
pa ilham, espe i amen e, da necessidade de pe cebe as pa es do jogo pa a en ende o odo e o uso de e bos ou
concei os pa a explica ou documen a o jogo.
14
De inição de
Wiki
no dicioná io online Me iam Webs e : é um websi e que pe mi e aos isi an es aze mudanças,
con ibuições ou co eções em: h ps://www.me iam-webs e .com/dic iona y/wiki.
15
Disponí el em: h ps:// his-wa -o -mine. andom.com/wiki/This_Wa _o _Mine_Wiki.
16
Disponí el em: h ps://s eamcommuni y.com/sha ed iles/ ilede ails/?id=1919792317.
36
Como se pode e , os elemen os a qui e ónicos são os mesmos, al como alguma da sua
o ganização. Além disso, mesmo sendo di ícil e nes as imagens, ambos os edi ícios es ão
localizados pe o de um ho el. No en an o, ambém se pe cebe que as ma cas de i os não o am
ep oduzidas no jogo digi al. É p o á el que seja uma limi ação écnica is o que um bom ní el de
de alhe nas ex u as de um ideojogo pode comp ome e a compa ibilidade do mesmo com
ha dwa e de meno es ecu sos.
No en an o, a deg adação dos edi ícios oi ep esen ada nos seus in e io es
22
, como po exemplo:
a sujidade e as pa edes com humidade, como se pode e na Imagens 6, 7 e 8 (11 bi s udios,
2014a).
Imagem 6 – In e io de um dos ab igos dos pe sonagens jogá eis den o do This Wa o Mine (11 bi s udios, 2014a).
22
Conside ando que a in e ação do jogado é p edominan emen e den o dos edi ícios az sen ido que o maio de alhe
es eja den o e não o a.
37
Imagem 7 - In e io de um dos edi ícios den o do mapa Shelled School den o do This Wa o Mine (11 bi s udios, 2014a).
Imagem 8 – In e io de um dos edi ícios den o do mapa Snipe Junc ion (Snipe s Alley) den o do This Wa o Mine (11 bi s udios,
2014a).
38
Es as ma cas de i os são uma ca ac e ís ica impo an e daquele con ex o. Os
snipe s
dispa a am
egula men e e indisc iminadamen e a ingindo ambém edi ícios, como ela am á ios
documen os sob e o inciden e:
O elé ico le ou-nos pela ua Zmaja od Bosne, apelidada de "Snipe 's Alley" du an e a gue a, po que os
a i ado es cos uma am dispa a sob e os ci is que en a am a a essa a es ada (Co ey, 1999).
Escondidos em edi ícios al os, os a i ado es igia am a linha da en e, ma ando í imas desp e enidas de
ambos os lados. (Bell, 1992).
De aco do com os dados ecolhidos em 1995, os a i ado es u i os inham e ido 1030 pessoas e ma ado
225, incluindo 60 c ianças (Shami, 2016).
Ap esen o ambém uma g a ação em di e o des e con ex o no momen o de dispa os pelo epó e
Ma in Bell da
BBC News
(Bell, 1992) que se encon a em no a de odapé
23
. É ainda possí el e
á ias o og a ias de achadas esbu acadas nes a ua e de au o es di e en es na coleção gua dada
no websi e
T ipad iso
(T ipad iso , 2024)
24
.
Após es a análise inicial, em ge al, e i ica-se que há igo na co espondência dos elemen os
a qui e ónicos. Fal a ago a pe cebe a idelidade ao ipo de edi ícios e uas, na sua impo ância
den o do con ex o e na sua disposição geog á ica.
Na Imagem 9, ap esen a-se um mapa de Sa aje o e na Imagem 10 o mapa do jogo.
Es ão sublinhados ês locais his ó icos do Ce co e os co esponden es no jogo.
23
G a ação em di e o da
BBC News:
h ps://www.bbc.com/news/a /uk-17390057.
24
Po exemplo:
h ps://www. ipad iso .com/A ac ion_Re iew-g294450-d10502033-Re iews-Snipe _Alley-
Sa aje o_Sa aje o_Can on_Fede a ion_o _Bosnia_and_He zego ina.h ml (T ipad iso , 2024).
39
Imagem 9 - Mapa do cen o de Sa aje o com alguns dos locais p incipais do Ce co de Sa aje o ma cados a isco p e o,
usando a base de dados do Google Maps (2024).
Imagem 10 - Mapa do ideojogo This Wa o Mine com ep esen ações de locais do ce co do jogo equi alen es aos locais do
Ce co de Sa aje o ma cados a isco b anco (11 bi s udios, 2014).
40
Es es locais his ó icos são: o
Ho el Holiday
(an e io men e conhecido como Holiday Inn) (Mo ison,
2013) que co esponde ao Ho el no jogo, o
Pijaka Ma kale
(me cado) de Sa aje o que
co esponde, no jogo, ao
Supe ma ke
, e a ua Zmaja od Bosne, ep esen ada pela zona
Snipe
Junc ion
.
Vejamos, ago a, a impo ância des es locais no con ex o his ó ico do Ce co de Sa aje o.
O Holiday Inn
oi inicialmen e a sede do che e do Pa ido Democ á ico Sé io (SDS), de Rado an
Ka adžić (Mo ison, 2016, p. ii). Rado an Ka adžić oi o líde polí ico esponsá el pelo a aque a
1 de ma ço de 1992 das opas sé ias e sé ias-bósnias à Bósnia-He zego ina, após a de o a
elei o al no ano an e io . Es e aplicou uma limpeza é nica sob e a população muçulmana, en e
ou os c imes de gue a (B i annica, 2023; Gilbe , 2016, pp. 19,21). Po an o, o au o polí ico do
ce co (B i annica, 2023; Gilbe , 2016, pp. 19,21-22).
Em Ab il de 1992, o Holiday Inn ecebeu dispa os, mas Rado an Ka adžić conseguiu escapa
(Mo ison, 2016, p. 203)
.
Es e ho el oi ambém o único a unciona du an e o ce co, hospedando á ios jo nalis as
in e nacionais (Co ey, 1999). Mesmo es ando numa zona pe igosa (na ua Zmaja od Bosne), o
edi ício man e e-se ela i amen e p ese ado (Mo ison, 2013, 2016, p. ii).
Numa en e is a ealizada pelo his o iado Kenne h Mo ison
25
a um uncioná io do Holiday Inn,
em junho de 2015, ela a que o es ado p ese ado do edi ício pode á de e -se à p esença de
jo nalis as in e nacionais e aos espe i os pode es polí icos:
‘Felizmen e, omos poupados ao pio dos bomba deamen os - e penso que isso se de eu ao ac o de o ho el
es a cheio de jo nalis as. Os pe pe ado es dos bomba deamen os em Sa aje o não que iam chama mais
a a enção pa a os seus a aques à cidade, ao a ingi o local onde os jo nalis as es a am alojados’ (Mo ison,
2016, p. 193).
Ou a explicação, e e ida po Pe e Maas, en iado do Washin on Pos
no local, oi a
incon eniência/bene ício mú uo da gue a pa a ambos os lados. Du an e um con li o, quando
de e minada ação é mu uamen e pejo a i a/bené ica, comp ome endo a en abilidade do con li o,
25
Mo ison é p o esso uni e si á io de His ó ia na Uni e sidade de Mon o . T abalhou e documen ou de o ma
ex ensi a sob e c ises polí icas na Eu opa do Les e. Mais in o mações em: h ps://www.dmu.ac.uk/abou -
dmu/academic-s a /a -design-humani ies/kenne h-mo ison/kenne h-mo ison.aspx
41
não é incomum que ambos os lados se comp ome am a aze aco dos. Como se pode le na
ci ação seguin e:
E a su p eenden e que os sé ios não i essem bomba deado o ho el a é ao chão, mas ha ia uma azão
pa a a sua omissão. A gue a causa incon enien es pa a ambos os lados, mas alguns des es podem se
ul apassados com consequências mu uamen e bené icas. Des a o ma: os sé ios êm um edi ício que
que em p ese a , al ez uma ig eja an iga, e os bósnios êm um edi ício que que em p ese a , al ez o
Holiday Inn. Os dois lados azem um aco do po ádio de ondas cu as em que os sé ios conco dam em
não des ui o Holiday Inn e os bósnios conco dam em não des ui a ig eja. Pode a é se mais simples: os
bósnios pagam simplesmen e aos sé ios pa a não bomba dea em o Holiday Inn. Ma ca-se uma ho a pa a
o encon o numa zona calma na e a de ninguém e passa-se um saco de ma cos alemães de um bósnio
pa a um sé io. Isso, e a p esença da imp ensa es angei a, ajuda a explica a sob e i ência do ho el (Maass,
1997, p. 122; Mo ison, 2016, p. 194).
Pelas e e ências ap esen adas, pode-se esumi que Holiday Inn oi um espaço de neu alidade
de alçada in e nacional (Maass, 1997, p. 122; Mo ison, 2016, pp. 193–194), um ab igo pa a os
abalhado es ci is do mesmo (Mo ison, 2016, pp. 167, 193). Mas ambém oi um local de ocas
e elações com o me cado-neg o (Mo ison, 2016, pp. 33, 167–168).
Em esumo, o ho el oi sede de Rado an Ka adžić, polí ico bósnio-sé io e oi um espaço de
neu alidade in e nacional em que con i e am jo nalis as e os abalhado es locais du an e o
Ce co. Foi simul aneamen e um pon o es a égico mili a e um ab igo ci il (dos abalhado es) e
de comé cio.
As e e ências den o do jogo ao Holiday
Inn são as seguin es: é o único ho el a unciona no mapa,
es á pe o do Snipe Junc ion (equi alen e à ua Zmaja od Bosne) (Imagem 10) e pode e ou
mili a es ou come cian es (11 bi s udios, 2015a).
Em de alhe, na linguagem de p og amação do jogo, há ês con ex os
pa a o ho el e apenas um é
conc e izado du an e o jogo. Pode se um espaço com um ci il sozinho, ou um espaço de bandidos
(Ka adžić) ou ainda de ocas e elações com o me cado neg o
26
:
Den o do jogo, cada con ex o é desc i o da seguin e o ma:
1. Con ex o de ci il sozinho:
An e io men e p op iedade da agência de iagem de Pogo en
27
, es e pequeno mas luxuoso ho el já há mui o
que oi abandonado. Os saqueado es já le a am quase udo de alo . Mas al ez lhes possa e escapado
26
Que se encon am em: «Sca enge loca ions con ig, Loca ionPacks, MapPack_##, En ies,
!CURRENT/012_sca _domek_ho el, Loca ionVe sionName: Lone , Psyhic e T ade » (11 bi s udios, 2015).
27
Nome da cidade ic ícia den o do jogo. Re e en e a Sa aje o.
42
alguma coisa. Um louco mas ino ensi o [ci il] es á a i e lá, de momen o. (11 bi s udios, 2014a; Fandom,
2024).
2. Con ex o dos bandidos:
Um ho el pequeno mas luxuoso, an e io men e p op iedade da agência de iagem de Pogo en. No p esen e
es á ocupado po alguns bandidos a mados. Po ezes, ou em-se g i os indos do in e io do edi ício. É
melho man e -se a as ado. (11 bi s udios, 2014a; Fandom, 2024).
3. Con ex o de ocas:
A agência de iagem de Pogo en cos uma a se a p op ie á ia des e pequeno mas luxuoso ho el. Os donos
ugi am da cidade mesmo an es do ce co, jun amen e com os jo nalis as in e nacionais que es a am
hospedados. Alguém se mudou pa a lá ecen emen e, e espalhou a no ícia de que es á dispos o a negocia .
Tal ez ele enha algo ú il pa a nós? (11 bi s udios, 2014a; Fandom, 2024).
Pe cebe-se assim que o con ex o dos bandidos co esponde ao con ex o de Ka adžić mesmo no
início do Ce co. O de ocas, em pa e, co esponde ao con ex o do p óp io Holiday Inn du an e o
ce co após Ka adžić ugi . No en an o, no con ex o do jogo, diz-se que os donos do ho el e os
jo nalis as ugi am. No jogo, limi a-se o e cei o cená io apenas à ideia do Holiday Inn enquan o
espaço de di ícil acesso, mas de alguma neu alidade e de ealização de ocas.
Já o con ex o do ci il sozinho não em elação com o con ex o his ó ico e ep esen a apenas um
espaço neu o com con i ência en e ci is.
A limi ação no con ex o de ocas é um e lexo do ipo p edominan e de on es usadas ( ela os de
ci is ou sob e i en es) e da dis inção de a amen o en e jo nalis as in e nacionais e ci is. Como
os jo nalis as es a am, em pa e, p o egidos da gue a den o do ho el e como o mesmo se
encon a a numa zona pe igosa, os ci is di icilmen e e iam con ac o com os mesmos. O jo nalis a
Kenne h Mo ison pa ilha o ela o do seu colega John Simpson
28
, no qual se demons a que,
den o do ho el, ainda e a possí el abs ai -se a gue a:
”É mui o ácil", disse ele , "começa a i e no meio jo nalís ico e esquece qual é a ealidade da ida - a
ealidade da ida [em Sa aje o] não é o ac o de ha e luz e uma ce a quan idade de comida limi ada e
abo ecida. A ealidade da ida é que as pessoas es ão a co a á o es pa a se man e em quen es". E a
comida, po mais limi ada ou abo ecida que osse, es a a semp e disponí el no Holiday Inn, embo a a
qualidade e a quan idade a iassem signi ica i amen e. Mas es a a disponí el, e numa al u a em que a
g ande maio ia dos habi an es da cidade sob e i ia com mag as ações de ajuda humani á ia (Mo ison,
2016, p. 167).
Regis a-se a alo ização de uma de e minada isão sob e o con li o, cen ada na expe iência e no
conhecimen o dos ci is. Ou seja, há uma limi ação das on es e na ep esen ação no jogo que
28
Co esponden e da BBC News.
43
de e se ida em con a na análise do mesmo enquan o documen o. Não obs an e, o Ho el, ou
Holiday Inn, não deixa de se an o um espaço de con li o (pe igoso) como de negócio e con í io
(neu o). Po an o, é e dadei o no campo abs a o do con ex o his ó ico, mas insu icien e no
campo conc e o do con ex o. Ou seja, apesa de ac ualmen e inexa o, acaba po es a co e o do
pon o de is a concep ual.
O
Pijaca
Ma kale
(me cado) de Sa aje o oi palco de dois massac es com o uso de mo ei os sob e
ci is. O p imei o oco eu em 5 e e ei o de 1994 e o segundo em 28 agos o de 1995 (Gilbe ,
2016, p. 39,49). Vejamos em de alhe:
No dia 5 de e e ei o de 1994, mo e am 68 pessoas, í imas da explosão de um mo ei o no me cado de
Sa aje o. Qua o dias depois, a OTAN emi iu um ul ima o aos sé ios pa a que e i assem as suas a mas
pesadas da zona ci cundan e de Sa aje o (…)
(Gilbe , 2016, p. 39).
Uma es emunha, um an igo o icial sénio da UPROFOR (Fo ça de P o eção das Nações Unidas),
a i mou que o mo ei o eio da di eção do Exé ci o da República Sé ia [BPC] (
RTS
:: Ch onicle
::
Wi ness: Ma kale was no s aged
, 2013). O líde polí ico do BPC e a Rado an Ka adžić.
O segundo a en ado consis iu no seguin e: «no dia 28 de agos o, o ogo de mo ei o dos sé ios
bósnios con a Sa aje o ma ou 37 pessoas que es a am no me cado» (Gilbe , 2016, p. 49).
No jogo, a e e ência a es es episódios ma e ializa-se a a és de uma ansmissão de ádio com o
seguin e con eúdo:
In e ompemos a nossa emissão pa a os in o ma de um ágico inciden e. Es a manhã, um mo ei o explodiu
no me cado, ma ando mais de sessen a pessoas e e indo mui as ou as (11 bi s udios, 2015a)
29
.
Pelo núme o de mo os, es a desc ição co esponde de o ma cla a ao p imei o a en ado em 1994.
No en an o, não se pode a i ma que o jogo se epo a exclusi amen e aos momen os du an e e
após o e e ei o de 1994. Há di e en es ep esen ações do empo den o do jogo chamadas
imelines
e algumas iniciam-se an es de 1994.
A ua
Zmaja od Bosne
du an e o ce co o nou-se um espaço comum dos a i ado es u i os. Os
seus p édios al os pe mi iam que se dispa asse sob e uma la ga á ea e dis ância. (Bell, 1992;
Shami, 2016). Lau a T. Co ey (an iga jo nalis a do The P ague Pos
30
), em con e sa com um
29
Que se encon a em: «Localiza ion S ing, Game s ing g oup, G oups, Radio, G oups, Impo an , G oups, lu , S ings, Ma ke placeShelling,
English (11 bi s udios, 2015a)».
30
Mais in o mações em h ps://www.linkedin.com/in/lau a-co ey-08087035/.
44
e e ano de gue a, e e e a o igem do nome Snipe 's Alley e a elação des a ua com ou os
edi ícios:
O elé ico le ou-nos pela ua Zmaja od Bosne, apelidada de "Snipe 's Alley" du an e a gue a, po que os
a i ado es cos uma am dispa a sob e os ci is que en a am a a essa a es ada. (...) A gue a começou
em ab il de 1992, pouco depois de os a i ado es sé ios do Holiday Inn e em dispa ado sob e mani es an es
ci is desa mados no ex e io do ho el. (Co ey, 1999).
As e e ências à ua
Zmaja od Bosne
no jogo são o espaço Snipe Junc ion, que se encon a pe o
do Ho el no mapa do jogo (Imagens 9 e 10) e é desc i o da seguin e o ma:
O cen o da cidade cos uma a se boni o, com pa ques, p aças e monumen os, odeado de edi ícios
an igos. In elizmen e, os nume osos inciden es com ci is baleados ale am-lhe a alcunha de ‘Snipe
Junc ion’
31
. Podemos encon a lá coisas aliosas, mas é mui o a iscado
32
(11 bi s udios, 2015a).
Após a análise das on es, a i ma-se assim que há uma co espondência do ipo e impo ância dos
espaços his ó icos do Ce co com os espaços do jogo. Con udo, a co espondência geog á ica não
é o almen e coe en e com a ealidade.
Como se pode obse a ao compa a as Imagens 9 e 10, a disposição des es edi ícios e a espe i a
dis ância não são idedignas à ealidade. Po exemplo, con a iamen e ao o iginal, o Me cado es á
pouco dis an e do Ho el e pe ence à ua
Zmaja od Bosne.
Mesmo assim, como já oi explici ado,
a impo ância do me cado no con ex o e a sua elação com ou os espaços é bem ep esen ada.
O mesmo acon ece com o ho el, apa e da ques ão da ausência dos jo nalis as. A
Snipe Junc ion
ambém
man e e o es semelhanças em elação à ua o iginal, eiculando a ideia de se uma das
mais pe igosas da cidade.
Conside ando o ipo p edominan e de on es usadas pelos
de elope s
(as en e is as a ci is), que
êm uma o e endência pa a o campo das ideias e dos sen imen os, pe cebe-se o po quê de uma
ep esen ação dos espaços do jogo es a mui o ma cada pelas emoções, i ências e expe iências
(o abs a o). De emos e em a enção que as ep esen ações no jogo são mais in luenciadas pela
31
Snipe Junc ion
signi ica um espaço habi ado po
snipe s
(a i ado es u i os). Po ou as pala as é um ninho de
snipe ’s («snipe s nes »)
(Fi che , 2024).
32
Localizado em: «Loca ion S ings, Game s ing g oup, G oups, Loca ionTex s, G oups, 016_Snipe , S ings,
Desc ip ion, English (11 bi s udios, 2015a)». Veja-se, em de alhe, um ídeo da jogabilidade:
h ps://www.you ube.com/wa ch? =iY1 qymKoPI (mun esac u, 2017, Pa e 0:22-2:10).
45
ipologia e impo ância dos edi ícios no ce co, do que p op iamen e pela sua disposição
geog á ica
33
.
A limi ação das on es eside no ac o de e em sido u ilizadas sob e udo en e is as a ci is, que
acabam po p i ilegia uma de e minada isão ace a ou as possí eis. De odo o modo, a
mo i ação da c iação do jogo cump e o seu obje i o: ‘expe iencia ´ as men alidades e i ências
dos ci is no con ex o de gue a.
Es a análise das on es pe mi e já in oduzi pa a o capí ulo seguin e a ideia da econs ução dos
documen os a a és da simulação. Ou, po ou as pala as, a econs ução de con ex o his ó ico
pela simulação das espe i as on es e documen os pe mi e iden i ica melho os aspe os em al a.
2.2. O Videojogo como documen o
2.2.1. Tempo e espaço do jogo
O
This Wa o Mine
deco e na cidade ic ícia G azna ia de Pogo en, que oi si iada. O jogo não
a i ma di e amen e em que da a exa a começa, mas os pe sonagens jogá eis dizem que a gue a
já pe du a há anos. Mais impo an e, lendo o código do jogo sob e os e en os ma can es ela ados
na ádio, comp eende-se que cada
imeline
(ou c onologia)
no jogo,
é um momen o di e en e no
ce co (11 bi s udios, 2015a)
34
.
Os g andes acon ecimen os do con ex o his ó ico que o am usados pa a il a e compa a os
e en os do jogo com os do p óp io Ce co o am as e e ências aos massac es nas minas de Kazani
(ab il de 1992 - ou ub o de 1993), o p imei o massac e no Me cado (5 de e e ei o de 1994) e a
chegada do in e no nos á ios anos do Ce co (se es e in e no es a a p óximo do im do ce co [a
21 no emb o de 1995] ou se e a no início/meio do con li o)
.
O jogo em se e
imelines
possí eis
35
, a ibuídas em unção das pe sonagens escolhidas
inicialmen e pelo jogado , que cons i uem a c onologia do jogo e de e minam a sucessão de
33
Também é in e essan e cons a a que mesmo sendo incoe en e geog a icamen e e al ez ambém po causa disso,
o ideojogo simula á ios momen os do ce co nos mesmos espaços. Po exemplo, o Ho el que se e an o como base
dos mili a es como local de ci is. O mesmo espaço é adap ado ao con ex o.
34
Es es ela os es ão em:
«Radio con ig, Impo an , Timeline X, Localized ex » e «Loca ion s ings, Game s ing g oup,
G oups, Radio, G oups, Impo an , G oups, lu , S ings». Es e ‘X’ ep esen a o nome da imeline, po exemplo: Ea ly1
ou a Ea ly2.
35
As se e
imelines
são:
ChildWi hP o ec o , Ea ly1, Ea ly2, Ha dco e, Ha dco eLong, Lone O Couple, Win e 1
e que
es ão em
«Scena ios con ig, Timelines (11 bi s udios, 2015a)».
52
Des a o ma, pode-se dize que o jogo az uma boa ep esen ação dos pe sonagens e do seu
con ex o, mesmo que com algumas limi ações.
2.2.4. Po encialidades e limi ações
O
This Wa o Mine,
em linhas ge ais, pe mi e simula a condição humana dos ci is em con ex o
de gue a de ce co. Es a a i mação p o ém da análise ei a nos an eceden es subcapí ulos sob e
a mo i ação da c iação do jogo, o ipo de on es usadas, o espe i o código e as g andes na a i as
p esen es.
Po ou as pala as, es a simulação da condição humana, anco ada nos concei os de empo,
empe a u a, saúde, quali icação e quan i icação de obje os, quali icação dos espaços,
mo alidades e iolência e co elacionada com as de idas on es, cons ói as seguin es g andes
na a i as: a i ência dos ci is na impo ência pe an e a gue a, a ans o mação dos edi ícios, o
ag a amen o das condições humanas, as al e ações do concei o de luxo e a se e idade do in e no.
Pa indo ago a des as g andes na a i as, enunciam-se algumas das po encialidades do a o de
simula :
• Pe cebe a elação en e a ipologia de edi ícios e a sua ans o mação no con li o, em
unção dos di e en es ipos de con ex o. Is o pe mi e expe iencia e comp eende as á ias
aces dos edi ícios ao longo do con li o.
Po exemplo, os locais
Cen al Squa e
e
Snipe Junc ion
do jogo são ep esen ações da
zona u bana cen al da ua
Zmaja od Bosne
. É o mesmo espaço, mas e e ido e
ca ac e izado de o mas di e en es.
Consegue-se, de igual modo, pe cebe as adap ações uncionais dos edi ícios e a sua
a iabilidade. As necessidades económicas a iam de aco do com o g upo de pe sonagens
e, como al, a pe spe i a sob e os locais ambém se al e a. Um local de ocas é desejado
ou an ajoso pa a um g upo de sob e i en es-me cado es. Já um g upo de sob e i en es-
assal an es pode á p e e i o ninho de
snipe s
pa a ouba a mamen o e munição de
qualidade.
Den o des as na a i as, é ainda possí el explo a ou as opções, como o ipo de obje os
a oca ou saquea . Tal pode se explo ado a é aos limi es da p óp ia simulação que, ao
con á io da p óp ia ealidade, em possibilidades ini as.
53
• Rep esen a di e en es c onologias com os espe i os e en os e condicionan es
49
.
• Iden i ica o ipo de obje os necessá ios à i ência das pessoas no con ex o da gue a
con empo ânea e comp eende os a o es que de e minam a oscilação do seu alo num
no o pa adigma económico impos o pela gue a. Simul aneamen e, é possí el de e a as
nuances das di e en es sociabilidades, papéis sociais e iscos ine en es a cada g upo
social.
• Pe ceciona os es ados men ais, emocionais e ísicos dos ci is den o das á ias
condicionan es impos as pela gue a e pela sucessão de e en os
• Recons ui os documen os pelo a o de simula . Enquan o me ana a i a, o jogo pe mi e
densi ica e conc e iza a in o mação sob e a i ência dos ci is no con ex o de gue a de
ce co, que não es a a su icien emen e documen ada. A in o mação disponí el sob e a
i ência dos ci is es a a bas an e condicionada pelo olha dos jo nalis as in e nacionais.
Ou seja, a pe spe i a do jo nalis a acaba semp e po se ex e na em elação à gue a e
em elação à i ência dos ci is, p ecisamen e po que os jo nalis as não expe iencia am
esse mesmo ipo de i ências. Com o jogo, e a espe i a aplicação das lógicas da
ealidade, é possí el p eenche esses ‘espaços azios’, ep esen ando, de uma o ma
ap oximada, essas mesmas i ências. Pa a al, a simulação é cons uída com base em
di e sas on es que pe mi em cons ui as eg as do jogo com base na ealidade.
• Comp eende o impac o dos a o es imponde á eis no desen ola dos acon ecimen os.
Po se a a de um jogo em que o jogado nem semp e consegue p e e os
acon ecimen os ou condicionan es, o na-se mais ácil pe cebe o papel da alea o iedade
no cu so dos e en os his ó icos.
• Explo a a in e ação de á ios a o es simul aneamen e, ul apassando a linea idade de
um aciocínio simples de causa-e ei o. A mul iplicidade de a o es em jogo, sejam eles
alea ó ios ou in encionais, bem como a di e sidade de pe sonagens, pe mi e uma
ampliação das pe spe i as, en iquecendo a comp eensão dos enómenos.
Tudo is o é possí el po que a simulação, den o das suas limi ações e eg as, pe mi e pe cebe as
á ias aces dos concei os que usa. O p odu o nes e jogo é a documen ação das ‘expe iências’
49
Veja-se as di e en es c onologias no subcapí ulo “Tempos e espaço do jogo”.
54
dos ci is, que se aduzem em múl iplos olha es sob e os mesmos concei os como a ome, a
saúde, a sob e i ência, e c. Repa e-se assim o concei o nas suas imensas possibilidades lógicas.
Rela i amen e às limi ações da simulação, e i o de no o o uso p i ilegiado de um ipo de on es
( ela os de ci is) que limi ou a isão dos au o es e ambém a u ilização de um código de
p og amação simples que não pe mi e condicionan es complexas na sua gene alidade.
Vejamos, ago a, em casos p á icos, a impo ância da condição humana pa a a sob e i ência, al
como a impo ância dos edi ícios.
Es e con li o icou ma cado po eco en es episódios de iolência, pe íodos de in ensi icação do
con li o, espe i as imposições da NATO pa a a esolução e o queb a das mesmas po no os
episódios (Gilbe , 2016, pp. 30–31, 39–41, 49; Jo ić, 2008; Sulli an, 1995). Como já oi e e ido,
o cidadão ci il não inha o ma de esol e es e p oblema, es ando-lhe apenas en a sob e i e .
De ac o, exis i am meses sem ele icidade, luz ou água canalizada (Sulli an, 1995). Cons a a-se,
a a és da lei u a de ela os de ci is, um sen imen o gene alizado de us ação. No en an o,
ambém se egis a uma espe ança na melho ia da sua condição. Sendo es a condição
ep esen ada como um g ande denominado pa a a sob e i ência. Po exemplo, a disponibilidade
de coisas essenciais como água, luz e gás impulsionam os ci is a aze mais e a i e mais, como
se dep eende do seguin e es emunho:
Há meses que Ve a Ko o san, uma a ó de Sa aje o, não oma a banho. Mas on em, enquan o o seu gen o
oi busca água, a S a. Ko o san disse que inha chegado a al u a. A aleg ia de Ve a Ko o san po um p aze
ão simples oi mo i ada pelo eg esso do gás, da ele icidade e de alguma água à capi al da Bósnia, depois
de quase seis meses de p i ação (Sulli an, 1995).
Numa en e is a a uma ou a cidadã (Lala Meme i), e o ça-se es a impo ância. Em conc e o, a
mesma ela a que o simples ac o de se a anja le a a-a a enca a a ealidade e a lu a po algo
melho :
Semp e que Lala Meme i ou ia o es ondo de um mo ei o a explodi , pega a no ba om. Depois, com as
mãos a eme , punha os b incos. "Mesmo que haja bomba deamen os, co o pa a o ab igo an i-bombas e
maquilho-me ao mesmo empo. Faço isso desde os dezasse e anos, po isso sou mui o boa nisso", disse
ela, indo. Lala es a a só a b inca quando nos sen ámos uma a de a bebe ca é no apa amen o da sua
i mã na Rua Loga ina. (…) Com gue a ou sem gue a, os habi an es le a am mui o a sé io a sua apa ência.
Mui as mulhe es iam a manu enção da sua apa ência como um a o de desa io con a os sé ios da Bósnia.
"Não que emos desis i ", decla ou Lala en a icamen e, sem qualque es ígio de humo na sua oz.
"
Não
que emos que eles digam que nos de o a am" (Demick, 2012a, p. 105).
Os p óp ios edi ícios inham um papel impo an e nes e sen imen o. Enquan o p ese ados e am
um símbolo de esis ência, pois man inham as suas unções o iginais. Já os que inham sido
55
ocados pela gue a, ep esen a am o con á io, o nando-se espaços de ausência de condição
humana pa a os ci is.
Tal como ela ou a jo nalis a in e nacional an e io men e ci ada, Ba ba a Demick, a mesma já
sabia qual e a a ua que que ia usa pa a ala sob e as pessoas. E a uma ua que simboliza a
isualmen e a lu a dos ci is pelo e o no à no malidade. Mesmo du an e o con li o não deixou de
se uma ua boni a e o ganizada, al como os seus edi ícios:
Já sabia qual e a a ua sob e a qual que ia esc e e desde a p imei a ez que a subi. Mesmo cas igada pela
gue a, e a uma ua boni a, que se e guia num ângulo pe pendicula pe ei o em elação à ua p incipal,
com ês mina e es b ancos a pe u a o céu po cima de elhados e melhos. Passei a maio pa e de dois
anos na Rua Loga ina, a ba e às po as, a bebe ca é de pessoas que mal o podiam paga , a ou i as suas
agédias. As suas his ó ias se i am de base a uma sé ie de a igos e, mais a de, a um li o
50
(Demick,
2012b).
Salien e-se que não só a ua, mas ambém os espe i os edi ícios o am p ese ados na sua
o iginalidade. Den o do jogo, podemos abalha es a ques ão. Explo a as a iações da condição
humana e dos edi ícios usando condicionan es, como po exemplo a empe a u a
51
, ou as
sociabilidades, os ecu sos, as iolências, os aumas. No caso da empe a u a, pode-se explo a
o impac o da descida da mesma sob e a condição humana e pe cebe o que se al e a na ida das
pessoas e que ealidades eme gem. Is o pode se ansc i o no código do jogo: se na « imeline
Ea ly 1» o dia 28 co esponde ao início do in e no com -1 g au Celsius e o dia 33 co esponde ao
im do in e no com 6 g aus Celsius
52
, com um coe icien e de 0.04 (4%) mais uma cu a u a de
1.5 (150%) sob e o congelamen o
53
, signi ica que o e ei o de congela ai quase que duplica com
ag a amen o a cada dia. Ou seja, a cada dia o io ai-se sen i de o ma mais in ensa ela i amen e
ao an e io , chegando aos 5 g aus nega i os. Des a o ma, a água po á el se ia cada ez mais
di ícil de descongela , ha e ia um maio consumo de lenha e a doença es a ia p esen e em
qualque sí io que não es i esse aquecido.
Pe cebe-se assim que a condição humana ambém es á elacionada com a empe a u a ou a
ausência dela. É possí el chega a es e esul ado po que já o am ixadas as possibilidades e as
50
Es e li o, é o an e io men e ci ado:
Loga ina S ee : li e and dea h in a Sa aje o neighbo hood
(2012).
51
Es e concei o é ep esen ado nas seguin es eg as
: Con o con ig, Emo ion con ig, E en s con ig, G aphics con ig,
Loca iza ion s ings, Loo gene a o s con ig, Radio con ig, Sca enge loca ions con ig, Sca enge e u n con ig, Scena ios
con ig, Sick and hea con ig, Sound con ig, Sound g oups con ig, T ading con ig, Visi s con ig
e
Win e con ig
(11 bi
s udios, 2015).
52
De no o, a linguagem de p og amação simples do jogo não pe mi e mui os dias. Po an o, os mesmos são apenas
ep esen ações ela i as e não exa as da passagem do empo.
53
Es e concei o é ep esen ado nas seguin es eg as:
Timelines, Sick and hea con ig
e
Win e con ig
(11 bi s udios,
2015).
56
limi ações da simulação com a linguagem de p og amação, on es, documen os e o con ex o
his ó ico. Com a adição de on es mais especí icas pa a es e caso, mais comple a ica ia es a
p oblema ização.
2.3. A discussão cien í ica sob e o ideojogo
A mo i ação do au o e elou-se como um elemen o cen al pa a a coesão do ideojogo po que é
es a que no eia as á ias pa es do jogo como o ipo de on es e documen os usados e explo ados,
as eg as e o código de p og amação. É, po an o, a ques ão p imo dial que o his o iado de e
coloca .
O es udo do código do jogo e espe i as eg as oi undamen al pa a p ecisa o igo do mesmo
enquan o documen o da His ó ia. Além disso, ambém pe mi iu pe cebe as suas a iações ou
possibilidades como documen o. De igual modo, oi impo an e pa a começa a pe cebe que ipo
de concei os es ão ep esen ados no jogo e o uso das eg as como um índice de um li o.
Es e es udo do código e das eg as ealça a dis ância en e His ó ia/His o iog a ia e o
Desen ol imen o de Videojogos, já e e ida no Capí ulo 1.
A ausência in encional dos jo nalis as no jogo e elou conside ações impo an es sob e as
di e en es dinâmicas en e espaços p o egidos in e nacionalmen e e espaços ci is. Es as
di e enças icam mui as ezes esquecidas de ido ao es a u o p i ilegiado dos espaços
in e nacionais no con ex o.
As g andes na a i as sob e o ce co de Sa aje o iden i icadas no
This Wa o Mine
pe mi em
epensa as on es da época e os documen os à luz de concei os e da simulação.
Os pe sonagens es ão bem ep esen ados, al como o seu con ex o. É possí el sen i alguma
mul ie nicidade e a supos a na u alidade de coabi ação da mesma. Mesmo assim, o jogo não
explo a a i amen e es a ques ão.
A impo ância da condição humana demons ou-se cen al no con li o, que pelas on es, que
pelos documen os. Mais impo an e, oi possí el de o ma b e e desdob a o concei o de condição
humana em á ias pa es, pe cebendo de o ma mais cla a qual é o seu impac o den o do con li o.
O mesmo se e i ica em elação aos edi ícios.
57
Como já se pe cebeu, simula a His ó ia é a his o iog a ia da epa ição de concei os
54
. Além disso,
ambém é possí el documen a as expe iências po que não só é possí el ep esen a a ealidade
na sua complexidade, como ambém há a ep esen ação da possibilidade de escolha e au o ia
a a és de pe sonagens jogá eis e não jogá eis.
Sob e a discussão cien í ica em o no des e jogo, já exis em á ios au o es que esc e e am sob e
a pe spe i a es é ica do mesmo. Que -se com is o dize , a imagem e som e subsequen es, po
exemplo, a é ica ep esen ada.
Um dos a igos que me chamou a a enção oi o «The Case o This Wa o Mine: A P oduc ion
S udies Pe spec i e on Mo al Game Design» de S ephanie de Smale, Ma ijn J. L. Ko s,e Alyea M.
Sando a (De Smale e al., 2017). O mesmo e e e a necessidade de explo a o con ex o de
p odução do jogo pa a o en ende . Ou seja, quem o p oduziu, em que condições de abalho, e c.
Além disso, o a igo ambém em uma en e is a a qua o dos
de elope s
do
This wa o Mine.
Es a en e is a é bas an e ica e ala do p ocesso de c iação e design do jogo. A en e is a explo a
ambém algumas dinâmicas p esen es no capí ulo 3 des a disse ação –
THIS WAR OF MINE
COMO EXPERIÊNCIA DE INTERAÇÃO E RECEÇÃO,
como po exemplo a elação do jogado com
os pe sonagens e as emoções ealis as den o do jogo e sob e o jogo (De Smale e al., 2017).
Ou o a igo que acho signi ica i o pa a a p oblemá ica oi o «This Wa o Mine: Human Su i al
and he E hics o Ca e» de Gilles Roy (Roy, 2016). Que ala de como es e ideojogo ep esen a a
expe iência ci il numa gue a e a alidade do seu uso enquan o documen o his ó ico. O au o az
uma análise o iginal, compa ando as mecânicas e sis emas do jogo à es u u a an opológica de
caçado /p o iso (enquan o peça cen al da e olução humana) e à é ica do cuidado (Gilligan,
1995; S aud , 2024). Po ou as pala as, os homens endencialmen e eem a mo alidade como
lógica e execu am-na. Já as mulhe es endencialmen e eem-na como algo a se ge ido e man ido.
Eu não explo ei es a ques ão na minha análise do jogo, mas pode se pe cecionada. Mais ainda,
po aqueles que joga am o jogo e que se ão e e nes e ipo de eo ias.
A ou a ideia que o au o explo a é a alidade des e ideojogo enquan o documen o his ó ico. Uma
discussão mais in e essan e pa a es e abalho. O au o e e e b e emen e os con ibu os do
mo imen o omân ico, socialis a, da Escola do
Annales
e dos es udos subal e nos pa a explica a
impo ância do con ex o, a c í ica da on e e do documen o e as elações de pode (Roy, 2016).
54
É semp e de concei os is o que não podemos ol a ao passado. Apenas emos agmen os des e e daí o ac o de
o p odu o mais idedigno se em os concei os. Tudo o es o, é uma ia pa a o concei o.
58
Es a ideia co obo a o abalho do p imei o capí ulo com os concei os, c í ica eó ica e cons ução
da me odologia de análise.
Também é explo ada a impo ância da abs ação pa a comp eende o ideojogo enquan o p odu o
e p odu o da His ó ia (Roy, 2016), da mesma o ma que a abs ação oi aplicada nes a
disse ação. Mais conc e amen e, a ideia de pensa concep ualmen e o ce co de Sa aje o e a
epa ição dos seus concei os a a és da simulação. O au o ambém e e e a documen ação da
expe iência que ambém oi explo ada nes a disse ação. Ou seja, pe cebe a documen ação da
expe iência como um abalho adicionalmen e di ícil de ealiza , mas que, com os ideojogos, se
o nou iá el de ealiza e comp eensí el ao público.
59
CAPÍTULO 3.
THIS WAR OF MINE
COMO EXPERIÊNCIA DE INTERAÇÃO E RECEÇÃO
3.1. A LAN-Pa y his o iog á ica: p og ama, pa icipan es e ecu sos
3.1.1. P og ama
O p esen e capí ulo desc e e a sessão p á ica do p oje o LAN-pa y que se ealizou no dia 17 de
maio de 2023 e analisa os espe i os esul ados.
O p oje o LAN-pa y oi uma sessão p á ica ealizada com o obje i o de analisa , pa indo de uma
pe spe i a his o iog á ica, um ideojogo, seguindo a p opos a me odológica que em indo a se
desen ol ida ao longo des a disse ação.
O ideojogo escolhido pa a a expe iência oi, após um p ocesso sele i o, o
This Wa o Mine
(2014)
da
11 bi s udios
. T a a-se de um jogo de sob e i ência e ges ão de ecu sos humanos e ma e iais,
baseado na i ência ci il do Ce co de Sa aje o (1992-1996).
Es e capí ulo inicia-se com uma b e e ap esen ação dos ecu sos usados na expe iência, pa a
depois expo e abalha os dados ob idos. Os dados esul am da obse ação dos pa icipan es
du an e a sessão, no momen o de pa ilha no inal da expe iência e nos inqué i os espondidos
após a sessão. Po im, elabo am-se conclusões ace ca da expe iência, e le indo-se sob e algumas
das po encialidades da p opos a me odológica ap esen ada.
O obje i o inicial do p oje o
LAN-pa y
e a es a a p opos a me odológica ap esen ada nes a
disse ação den o de uma sessão p á ica. Além disso, p ocu a a-se pe spe i a pa a um u u o
no as inicia i as passí eis de se em eplicadas
55
.
O p oje o iniciou-se, como e e ido, com uma seleção de possí eis ideojogos, conside ando os
seguin es a o es: p oximidade a emas comuns da His o iog a ia (economia, pode , cul u a,
sociedades, polí ica e gue a, e c.), equisi os de
ha dwa e
56
em con o midade com as condições
o e ecidas pelo Labo a ó io de His ó ia do Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade do Minho.
55
Consolidando e o alecendo o uso académico de ideojogos, al como espe i as boas p á icas me odologias.
56
Es e a o não de e se is o como algo nega i o. Não é po um jogo e mais ou menos equisi os que o o na
bom, mas sim a o ma como abalha as suas po encialidades e limi es. Nes e sen ido, um ideojogo com equisi es
mais modes os é uma an agem pois é mais acessí el.
60
P ocu ou-se ainda que osse um jogo in ui i o e de p eço acessí el ou que disponibilizasse
demons ações públicas ou
demos.
Numa seleção de in e e cinco ideojogos
57
, escolheu-se o
This Wa o Mine
(11 bi s udios, 2014)
,
pelo ac o de se um ideojogo que oi p oduzido pa a ep esen a um con ex o his ó ico. Mais
conc e amen e, a ealidade de uma gue a con empo ânea segundo a pe spe i a ci il. Po
exemplo, como os c iado es do jogo e e i am numa en e is a ao jo nal digi al
Ven u eBea :
“Quando se joga a maio ia dos jogos de gue a, pa ece di e ido", disse Zajaczkowski. "Pa ece que são
miúdos a b inca no quin al. Temos a mas de plás ico e dispa amos e nós somos os he óis e ocês são os
maus da i a. A gue a não se pa ece com isso. Não se pa ece com isso pa a os soldados e, mais ainda,
não se pa ece com isso pa a os ci is". (...) "P ocu ámos pessoas de Sa aje o [a cidade si iada du an e 1425
dias du an e a Gue a da Bósnia dos anos 90] po que é um dos con li os mais p óximos, po isso ínhamos
a ce eza de que i íamos encon a algumas pessoas que ealmen e es i e am lá. Con ac ámos alguns
museus e algumas undações que ajuda am essas pessoas e dissemos-lhes que ipo de jogo es á amos a
aze ” (C awley, 2014) .
Além des a azão, o jogo cump e á ios ou os equisi os: é in ui i o, pouco exigen e em e mos
de
ha dwa e
e
de p eço acessí el.
Com o jogo de inido, p ocu ou-se da o ma à sessão: se ia uma sessão em g upo de qua o ho as,
na qual cada pa icipan e e ia acesso g a ui o e indi idual ao ideojogo, disponibilizado já num
compu ado da sala.
P oje ou-se uma ap esen ação e con ex ualização do ideojogo no início da sessão, seguida da
expe iência p á ica de ês ho as. Nes a pa e, os pa icipan es, com o auxílio de um guião de
ideias-cha e, pode iam explo a , assimila e p oblema iza o jogo como bem en endessem. O
guião, além de e as ideias cha e, e a ambém uma simpli icação da p opos a me odológica.
Além disso, o am es abelecidas duas eg as pa a es a pa e p á ica: não aze
me a-game
(ou o
a o de e ela in o mação a colegas pelo ac o de já se conhece o jogo) e, caso osse necessá io
oca in o mação, de e -se-ia azê-lo a pa i da pe spe i a da pe sonagem do jogo e não do
jogado . Nes e sen ido, a análise his o iog á ica do ideojogo inse iu-se na sua con ex ualização e
p oblema ização como on e e documen o da his ó ia.
Após o é mino da pa e p á ica, os pa icipan es o am con idados a pa ilha as suas expe iências
em g upo, num o ma o de en e is a conduzida pelo au o des a disse ação. Deno ou-se alguma
57
Qua o jogos ‘ inalis as’ que i e am ambém nes a seleção o am: «Banished
(Shining Rock So wa e LLC, 2014)»,
«The P ocession o Cal a y
(Joe Richa dson, 2020)», «S alke : Shadow o Che nobyl (2007 GSC Game Wo ld)» e
«Pa ician III (Asca on En e ainmen l d, 2003)».
61
hesi ação, incomodo e emo i idade quando exp essa am o que pensa am. Sendo que ambém
p ocu a am coloca -se numa pos u a mais con o á el al como a empa ia nos colegas.
Os pa icipan es ambém i e am di iculdade em acionaliza e p ecisa am de se dis ancia
daquela expe iência ime si a. Além disso, alguns pa icipan es ainda e e i am que conside a am
o ideojogo como um meio mais neu o da ep esen ação his ó ica, compa a i amen e a ou os
meios (li os, ilmes, e c.). Po im, dis ibuí am-se inqué i os pa a os jogado es esponde em após
a sessão ( e Apêndice 1).
P ocu ou-se que a sessão osse igo osa, que usasse a p opos a me odológica ap esen ada,
cons uísse conhecimen o e osse eplicá el.
Em elação às licenças do jogo, o am usadas doze com apenas o jogo base e seis com o jogo
base e expansões
58
;
59
. Es as úl imas incluíam a ep esen ação de c ianças.
A di ulgação do e en o oi ei a a a és da p omoção pessoal, a ixação de ca azes A3 e
lye
s A5
na Uni e sidade, websi e do Ins i u o de Ciências Sociais e ainda a a és do email ins i ucional.
Na Imagem 13 podemos e os ca azes/ lye s e e idos.
58
Todas es as licenças o am o e ecidas aos pa icipan es.
59
Exemplo do con a o base e ge al na loja online
S eam
, h ps://s o e.s eampowe ed.com/subsc ibe _ag eemen .
Es e con e e acesso a uma licença pa a joga o jogo e não o jogo em si. Mais conc e amen e, comp a-se o se iço
mas não o p odu o em si
68
ao géne o jogos de sob e i ência. Con udo, o con ex o his ó ico, po e sido explicado na
ap esen ação, e e mais impac o. Inclusi e, o pa icipan e indicou o p óp io igo no jogo como
a o do impac o que e e sob e ele:
No en an o, após da o con ex o his ó ico, sin o que acaba po impac a mais (...) Cla o que odos emos
noção do que se passa no mundo e do que já se passou. Mas aze em um ideojogo baseado e ão à eg a
daquilo que acon eceu, de ce a o ma sim, impac a, impac a mais.
Realçou ambém a pa e isual ou es é ica do jogo, a o ma como e a pe cecionada:
En ão eu gos ei mui o do isual. Da es é ica. Não cos umo joga mui os jogos assim, com es e ipo de
câma a
64
(…). Sem dú ida que gos a a de expe imen a mais. Semp e i e a ideia que não da a pa a
conec a mui o com os pe sonagens des e ipo de jogo. Po que mal os conseguimos e , não é? E sin o que
oi comple amen e o con á io (Pa icipan e 2, discu so di e o du an e as en e is as).
Depois, e e iu a impo ância dos diálogos pa a a ep esen ação daquela ealidade: «Sin o ambém
com os pequenos pedaços de diálogo que eles inham de ez em quando, consegui pe cebe mais
a pe sonalidade deles (Pa icipan e 2, discu so di e o du an e as en e is as)»
.
Tal como pe cebe
as mudanças nas idas com a gue a: «Como é que eles e am an es. As saudades que êm de
onde cos uma am i e . Dos a ependimen os. Do que eles gos am. Do que é que eles não
gos am. É o que eu não es a a à espe a, que a esc i a osse ão elabo ada (Pa icipan e 2, discu so
di e o du an e as en e is as)»
.
Em elação a pe sonagens com as quais e e maio conexão, o pa icipan e e e iu que oi pouco
o empo pa a c ia conexões. Con udo, mani es ou maio in e esse nas especialidades de cada
pe sonagem (como, po exemplo: o co edo p o issional que az
sca enging,
ou ecolhe ma e iais
da ua apidamen e):
Bem, eu só iz dez dias. Sin o que al ez [com] mais uns cinco/dez já me consegui ia elaciona um pouco
melho . Mesmo assim, sin o que pe cebi, especialmen e en ando [a] u iliza aquilo [em] que eles são bons.
Especialmen e a aze Sca enge e assim. E cheguei um [com o qual] já es a a a ica ão conec ado que às
ezes inha medo de aze ações que pudessem le a … não é? À sua mo e, ou assim (Pa icipan e 2,
discu so di e o du an e as en e is as).
Nes e exemplo, o mais in e essan e é pe cebe que hou e um medo em conec a -se com
pe sonagens de ido às condições de ince eza e isco associados ao Ce co. Tal é e elado do
p o undo g au de ime são que o pa icipan e alcançou.
64
Es e ipo de câma a
e e e-se à pe spe i a em e cei a-pessoa sob e um plano 2D e meio (2.5D). Ou seja, uma isão
pano âmica sob e um espaço em duas dimensões que apa en a e elemen os de ês dimensões. Es e enómeno é
possí el po que es e espaço 2.5D es á a se simulado num espaço 3D. Mais em: h ps://en.wikipedia.o g/wiki/2.5D
69
O Pa icipan e 3 ambém em uma ampla expe iência com ideojogos, mas ainda não inha jogado
This Wa o Mine
. Não inha con ac o com a His o iog a ia.
Começou po dize que o sen imen o de angús ia e a escassez de ecu sos o am os aspe os que
lhe causa am maio impac o. E ac escen ou a ideia da ince eza nes a ealidade:
O que mais me impac ou no jogo oi a angús ia e a di iculdade em a anja os ecu sos. Pensa o que ou
aze , o que não ou aze . Uma coisa que me ma cou mui o oi quando o meu pe sonagem es a a o a do
ab igo. Semp e que ol a a, sen ia-me um bocadinho ne oso po que podia ha e oubos, podia ha e aids.
(…) Podiam e -me oubado algum ecu so impo an e. A ida (Pa icipan e 3, discu so di e o du an e as
en e is as)
Ou seja, segundo o pa icipan e, na Gue a, na qualidade de ci il, a ince eza e o pe igo cons an e
c ia am es a angús ia: «O que é que pode acon ece ? Se á que eu posso um dia chega aqui e e
udo des uído do abalho de cinco, seis, se e, in e dias? Tudo des uído numa noi e?».
Mesmo sendo apenas um jogo, pe cebe-se que ma cou o pa icipan e. Es e desc e e a
p obabilidade de pe de udo mesmo endo em conside ação que se a a a de uma icção:
(…) Sim, como e a no jogo, oi quad o de bombas, de e e sido angus ian e eu, sei lá, i daqui ao im da
ua. E quando ol a , simplesmen e, não e ecu sos ou não e um amilia , ou e um amilia ... é não e
nada! A casa, os amilia es, os ecu sos. Te udo i ado pó! Não sei, não é? Nós es amos aqui. Eu sei
quando chega a casa, a minha casa ainda ai es a lá. A minha his ó ia ainda ai es a lá (Pa icipan e 3,
discu so di e o du an e as en e is as).
Além disso, ez um pa alelismo com uma gue a ecen e cuja documen ação, em empo eal, es á,
pelo menos pa cialmen e disponí el: «Sim. Sim. E a ualmen e na Uc ânia es amos a e isso. Com
pessoas que inham as suas idas. E num ab i e echa de olhos luiu udo, desapa eceu udo
(Pa icipan e 3, discu so di e o du an e as en e is as)».
O pa icipan e não e e iu di e amen e como é que o ideojogo ep esen ou a ealidade his ó ica,
mas a desc ição dos sen imen os e iolência que os causa am, associado ao espaço ísico como
os des oços e casas, adequa-se a uma desc ição de um cená io de gue a.
Re e iu ainda a p esença de c ianças na gue a, bem como a sua o ça men al, ac escen ando a
p esença do pai e o modo como o pa icipan e encenou o papel do pe sonagem:
Pa a mim, eu, a minha pe sonagem na c iança no a a-se, especialmen e nos p imei os dias, que ela sen ia
mui o a al a da escola. No en an o, conseguiu eagi bem, que acho que é uma coisa que ia acon ece na
ida eal. Acho que as c ianças êm a capacidade de se adap a melho às si uações. Sen i mui a conexão
com o pai. Pelo menos ele en ou da o máximo de con o o possí el à c iança. Eu, o meu pe sonagem,
p imei o ele como pe sonagem da c iança, depois eu como pe sonagem. Uma das p imei as coisas que iz
oi a cama [cons ui a cama]. Que e a pa a o pe sonagem da c iança pode do mi bem. Embo a no jogo
a c iança seja um bocadinho inú il. Po que não consegue abalha em pa e (…) (Pa icipan e 3, discu so
di e o du an e as en e is as).
70
Po im, o pa icipan e usou um concei o geopolí ico pa a e e i um desen ola possí el no jogo.
Es e desen ola é mui o p óximo de alguns ela os de ci is na gue a. O que demons a um ganho
de empa ia com os pe sonagens da his ó ia:
E já pa a um pai, nas p imei as ases do jogo pa a o pai e ido aze o sca enging e depois ol a es, sem
sabe como é que a ilha es a ia, os [ ecu sos] es a iam. Na ida eal se ia mui o pio . (…) O que impac ou
ao pe sonagem, de momen o, logo nos p imei os dias i que inha poucos ecu sos. Pelo menos a ní el de
alimen ação. En ão i e de a aca uns idosos. Es a a… E ambém, não sei, é ambém um bocadinho essa
zona cinzen a. Da mesma o ma que eu ica a p eocupado quando a minha base e a a acada. Também,
ago a, pensando eu naqueles momen os, ui um bocadinho o ilão. Fui um bocadinho a pessoa que a acou
a base dos ou os. Já oi esse momen o que i e de eco e à iolência pa a um pe sonagem. Não sei bem
o ipo de ida que ele inha an es, mas e a uma pessoa comum como nós. E em ce ca de cinco/seis dias
se ob igado a lu a pela sob e i ência mesmo. De e e deixado umas ma cas, umas boas ma cas a ní el
psicológico (Pa icipan e 3, discu so di e o du an e as en e is as).
O Pa icipan e 4 conhece e joga ideojogos e já inha jogado
This Wa o Mine,
inclusi e ambém
a e são do jogo em abulei o. Mas não inha con ac o com a His o iog a ia. Começou po e e i
que a ques ão que mais o ma cou oi a possibilidade de in e agi com o con ex o de Gue a,
des acando que es a possibilidade de in e ação é algo que só um jogo ou ideojogo pe mi em,
enquan o p odu os de cul u a. Re e iu ainda que pe mi e ime são na ealidade his ó ica:
O que mais me ma cou no jogo, eu acho que isso é um pon o de is a que se em de e mui o em
conside ação. P incipalmen e com es e [media] de, que nos ende a in e agi com media, com cul u a. É
mesmo o pon o em que o jogo nos coloca no meio do con li o. Po que nós emos mui as, po exemplo, em
li e a u a, ou nou o ipo de a es como cinema, nós i emos den o de um con li o ou de um momen o
ma can e da His ó ia nós emos a his ó ia da ou a pessoa desen ola -se. Eu acho que o ac o de nos se
dada na mão a possibilidade de escolha naqueles momen os que o jogo não nos julga ou não nos censu a
po ela; se calha as pe sonagens den o do jogo mas isso é po que elas são pessoas em si no seu con ex o
mas o jogo deixa-nos se o ilão que nós quise mos se . E en ão colocamos nas escolhas (…). En ão o
momen o que nós es amos po exemplo num hospi al, que ainda es á a unciona pela o ça de on ade de
uma única pessoa, e a cada dado momen o eu enho aquela mão que simboliza ouba a olha pa a mim a
dize : u podes simplesmen e i a o que es á aqui e se consegui es ugi es ás bem. Mas eu es ou a olha
pa a uma pessoa que es á doen e naquela cama e es ou a pensa : es a é a decisão que p o a elmen e
mui a gen e du an e o ce co e mui a gen e hoje ainda es á a oma . E eu es ou a omá-la ambém. Eu posso
es a a quilóme os de dis ância, posso es a comple amen e sem qualque sensibilidade pa a o que es á a
acon ece , osse num pon o de is a de lei u a, osse num pon o de is a de e no ícias. A ce a al u a, po
exemplo, a con agem, po exemplo, dos alecimen os do Co id ambém a ce a al u a nós sen imos isso. É
que são mais núme os (…). Quando es á à nossa en e, deixa de se , passa a se um bocadinho di e en e
(Pa icipan e 4, discu so di e o du an e as en e is as).
E sob e a mudança de ida nos pe sonagens, o pa icipan e, enquan o conside a a o passado das
suas pe sonagens an es do con li o, e e iu as condições que as mesmas passa am du an e o
jogo. P oblema izou ambém o que elas pode iam es a a pensa naqueles momen os e a ibuiu
azões pa a o compo amen o de um pai naquela gue a:
71
Eu acho que um pai que passa a maio pa e do início da gue a escondido numa ca e e passa pa a uma
zona, en a muda de zona pa a se mais ácil da uma melho ida à ilha, mesmo naquele con ex o… Eu
acho que a pa i do momen o em que a gue a desen ola…. Que dize , que não cheguei mui o longe, não
hou e g andes a aques. Que eu sei que a ce a al u a… Já joguei is o. Na minha p imei a expe iência, sei
que a ce a al u a o io começa a ape a e começa a se uma p eocupação. É es anho dize que um pai
en ou encon a uma melho si uação pa a a ilha naquele con ex o (Pa icipan e 4, discu so di e o du an e
as en e is as).
Depois e e iu aquilo que conside ou ealis a do pon o de is a his ó ico e e le iu sob e a na u eza
humana naquele con ex o de gue a:
Mas o que é e dade é que as pessoas en am i e a sua ida. É po isso que não saem dos sí ios. Nes e
caso especí ico do ce co, as pessoas não podem sai ! Não êm como. Há ou as si uações de gue a que
as pessoas êm uma escolha, mas escolhem ica . Eu acho que é uma boa manei a de ep esen a odas
as his ó ias di e en es. P incipalmen e po que es a oi inspi ada numa especí ica (Pa icipan e 4, discu so
di e o du an e as en e is as).
O pa icipan e e minou com a p oblema ização do jogo enquan o Fon e. Mais conc e amen e,
e e iu algumas limi ações de in e ação que o jogo em, mas, po ou o lado, salien ou algumas
ca ac e ís icas bem desen ol idas. Es as obse ações es ão elacionadas com o que ele gos a ia
de explo a e ambém conhece melho sob e o con ex o his ó ico em ques ão.
Em de alhe, disse que exis iam poucas in e ações pe sonalizadas com opções pa a cada
pe sonagem ace às ci cuns âncias p esen es. E que se ia in e essan e pa a p oblema iza o seu
p ocesso men al:
É que se calha eu gos a a que osse um pouco mais pessoal os acon ecimen os den o do jogo. Não
necessa iamen e eu a esponde a si uações, mas aquela pe sonagem a esponde a si uações. Po que
assim, eu podia e , mesmo sendo eu a oma a decisão eu podia e qual e a o p ocesso men al. Isso
acon ece uma ez, po acaso, mas não mui as. (…) gos a a que isso osse mais explo ado. Que hou esse
mais con e sas sob e o passado delas, que osse mais empo, p incipalmen e quando es amos o a. Po que
ou imos as his ó ias do casal idoso e da ilha. Nós emo-los lá de ac o e conseguimos in e agi com elas
(Pa icipan e 4, discu so di e o du an e as en e is as).
Sob e o pon o posi i o das in e ações, especi icou que as suas ações enquan o jogado inham
in luência no con ex o à sua ol a, inclusi e nas elações in e pessoais. O que a ibui maio ime são
ou ealismo. Po exemplo, ao comanda a c iança que inha em jogo pa a abalha egula men e,
an o o pai como a p óp ia c iança demons a am p eocupação:
Foi a ce a al u a, po exemplo, eu comecei que como eu inha a ilha e ela ambém não azia mui o, não é?
E como nós que emos a sob e i ência daquelas pessoas, nós que emos que acon eça udo o máximo. Eu
comecei a ensina à minha ilha o que podia aze . E a ce a al u a ela começa a dize – a apa ece lá
ma cado na Bio que é in e essan e po que dá pa a e o desen ola do es ado de espí i o da his ó ia de
cada pe sonagem - ela começa a dize : es ás a abalha demasiado. E o pai ambém diz o mesmo. Ou
72
seja, eu, como jogado , es ou a oma decisões que as duas pessoas es ão a essen i -se po que elas são
pessoas. Ao inal do dia elas es ão a i e no con ex o (Pa icipan e 4, discu so di e o du an e as en e is as).
O Pa icipan e 5 é um caso isolado nes a expe iência. Foi um pa icipan e que apenas pôde es a
p esen e no inal da sessão, jogando 30 minu os (ou dois dias den o do jogo). Além disso, como
se comp eende, não iu a ap esen ação do ideojogo e do seu con ex o, o que acabou po di a a
sua análise bas an e di e en e da dos ou os pa icipan es, como se e á de seguida.
Na en e is a, começou po e e i que inha a ideia
a p io i
de que es e jogo se ia só um
en e enimen o: «É aquela lógica de is o é só um jogo: amos lá joga . E pus-me a joga , quase
como se osse um Sims
65
, mas com um cená io de gue a (Pa icipan e 5, discu so di e o du an e
as en e is as)»
.
No en an o, ape cebeu-se que o jogo ep esen a a uma ealidade mais impiedosa
do que a i ência numa cidade desen ol ida. Mais conc e amen e, a ans o mação dessa cidade,
Sa aje o, num cená io de gue a:
E de epen e depa ei-me que eu es a a a a aca uma casa que inha pessoas. E as pessoas começa am-me
a a aca . E de epen e oi aquele a aque de ansiedade que é: epá, a inal enho inimigos no jogo mas es es
inimigos são ou os cidadãos. São ou as pessoas como eu enho a minha base. Isso aí acho que oi o que
mais me impac ou no jogo. Não es a a à espe a dessa, desse con on o assim de epen e. Tão, de e de
decidi e ago a o que é que eu aço? A aco-os? Foi… oi…. Foi o que mais me impac ou. (…) (Pa icipan e 5,
discu so di e o du an e as en e is as).
Des a o ma, o pa icipan e, que pa iu descon ex ualizado pa a o jogo, e e iu-se à sua expe iência
me amen e como jogado . Re e iu ainda que en ou pe cebe o con ex o po si mesmo. Depois de
se e ape cebido desse mesmo con ex o, icou chocado com a ação que e e:
E ambém iquei chocado com a minha p óp ia decisão de; eu mal i um inimigo, eh pá, a aquei logo. O
quão ápido oi de eu oma a decisão: mas eu ou a acá-lo! De p ese ação. Não é? Aquele ins in o de
p ese a . Po an o, dispa ou logo. Também me chocou isso (Pa icipan e 5, discu so di e o du an e as
en e is as).
Des a en e is a podem se a ançadas as seguin es e lexões:
• O Jogo ansmi e uma ap oximação à ealidade que ou os meios não p opo cionam. Es e
pa icipan e sabia que se a a a de um jogo de gue a, mas não es a a conscien e da
p o undidade do mesmo. No undo, odos os pa icipan es expe iencia am um pouco es a
sensação, mas nes e caso especí ico oi ainda mais no ó io.
65
A anquia
Sims,
é uma amília de jogos que simula a ida de ag egados amilia es den o do con ex o de egiões
com médio-al o
índice de desen ol imen o humano
(«
The Sims 4
», 2023; Uni ed Na ions, 2023). Po exemplo: uma
amília ou indi iduo, na sua casa, com o seu abalho, salá io e inse ido numa cidade/aldeia.
73
• O Jogo é um meio de in e ação que impele o jogado a con ex ualiza -se pa a pode oma
decisões conscien es. O pa icipan e não assis iu à ap esen ação ace ca do con ex o
his ó ico do ideojogo. E, após se con on ado com uma ealidade desconhecida e as
suas consequências, p ocu ou con ex ualiza -se usando o p óp io jogo a im de oma
decisões mais conscien es.
• O acesso p é io à con ex ualização his ó ica de um ideojogo pe mi e explo a de o ma
mais e icaz a ealidade ep esen ada. Es a en e is a é um exemplo da impo ância de
con ex ualiza his o icamen e o Videojogo. Enquan o os ou os pa icipan es pa i am
inicialmen e de uma pe spe i a pessoal, pa a depois explo a uma pe spe i a de ci il na
gue a, es e pa icipan e pa iu sob e udo da sua pe spe i a pessoal pa a explo a os
con eúdos do ideojogo. Ou seja, incluiu o que sen iu e passou enquan o jogado , mas
não a ealidade his ó ica ep esen ada. No amen e, é p eciso e e i que es e oi o
pa icipan e que dispôs de meno empo pa a joga .
• A comp eensão do con ex o his ó ico e dos seus indi íduos pode pe mi i uma maio
coope ação e empa ia, o que acili a a esolução de p oblemas. Es e pa icipan e, ao
con á io de ou os jogado es, quando con on ado com uma si uação de con li o no jogo,
op ou di e amen e po eco e à iolência como único meio de esolução. Como já oi
e e ido, o pa icipan e e e acesso a pouca ou nenhuma con ex ualização his ó ica e
pouco empo de jogo. Es e a o in luenciou na sua desconside ação pelas condições dos
pe sonagens no jogo, conduzindo-o ao ecu so à iolência pa a sob e i e .
Como oi e e ido na en e is a ao Pa icipan e 7 e nos á ios inqué i os esc i os, os ecu sos
humanos, como a empa ia e a coope ação, o am apon ados como p incipal a o pa a a esolução
de con li os e manu enção das es u u as sociais numa gue a.
O g au de ealismo a ibuído a um jogo depende ambém do ní el de ime são a que o jogado se
p edispõe. Após explo a a en e is a do Pa icipan e 5, a expe iência do mesmo oi de cu a
du ação e segundo a pe spe i a de um jogado e não de alguém que ‘ es iu a pele’ de um ci il de
gue a. Deno a-se que as suas espos as o am as que e ela am meno g au ime si o no ideojogo
enquan o jogo e ep esen ação da ealidade.
É de ac o impo an e e e i que os ou os pa icipan es hesi a am. Po ezes, a é es a am
incomodados ao esponde . Não oi incomum ajus a em a pos u a pa a ica em mais con o á eis.
74
Regis ou-se ambém uma ce a emo i idade. A o ma não só como ala am, mas ambém como
olha am, p ocu ando comunhão e empa ia po pa e quem ou ia. Es es pa icipan es i e am
di iculdade em acionaliza e p ecisa am de se dis ancia daquela ime são, daquela ‘ ealidade’,
pa a pode em pensa . Além dis o, pe cebe-se que, mesmo exis indo um guia de pe gun as que
conduzia a en e is a, os pa icipan es es a am à on ade pa a desen ol e as suas ideias.
Po im, chamo a a enção pa a um ou o aspe o que oi e e ido du an e as en e is as: o ideojogo
é, segundo alguns dos pa icipan es, um meio mais neu o da ep esen ação his ó ica
compa a i amen e a ou os meios (li os, ilmes, e c.), p ecisamen e pelo ac o de o jogado não
e de segui uma na a i a demasiado condicionada e e acesso a múl iplas opções de in e ação
num mesmo con ex o ou espaço. Po exemplo, o Pa icipan e 7 e e iu:
Eu acho que o ideojogo ac escen a uma coisa que não se consegue e em mais nenhum sí io que é a
mo alidade cinzen a de uma Gue a. Os ilmes, li os, e c. e c.; é udo de um lado pa a [sic] o ou o [de um
lado ou do ou o]. Uma neu alidade na his ó ia é um bocado di ícil de se aze po que es amos semp e a
con a uma his ó ia de uma pessoa pa a a ou a. Aqui, como emos a decisão de ma a , ouba , ajuda . Isso
udo. E não somos cas igados po nada disso. A única coisa que cas iga é a pe sonagem em si, como ela
se sen e. Eu acho que é uma coisa que não consegue se ep esen ada de uma o ma ão ácil e bem ei a
como é num ideojogo (Pa icipan e 7, discu so di e o du an e as en e is as).
3.2.3. Inqué i os
No a: Os inqué i os esc i os encon am-se no Apêndice 6.
Fo am espondidos se e inqué i os. Em ge al, os pa icipan es e e i am a sensação de es a numa
gue a, as suas condicionan es e a na u eza humana. An es de inicia es a análise, é p eciso isa
que o seu obje i o não é abalha a de inição de gue a, mas sim o conhecimen o que os
pa icipan es consegui am cons ui sob e a gue a con empo ânea e, mais p ecisamen e, sob e
o Ce co de Sa aje o.
Sob e a sensação de se es a numa gue a, o Pa icipan e 2 esc e eu:
(…) pe gun a a-me o po quê de não exis i um bo ão que me pe mi isse a ança um pouco no empo,
sen indo-me abo ecido enquan o espe a a pela ho a de sai pa a p ocu a ecu sos. No en an o, acabei po
me ape cebe que, em con ex o de gue a, esses momen os de ‘ édio’ são os mais alo izados pelas í imas
(Pa icipan e 2, Inqué i o).
E o Pa icipan e 3 e e iu:
(…) a ealidade de ci is numa si uação de gue a, a sensação de u gência em aze as coisas mesclada com
cuidado e ‘sangue- io’ que é necessá io e o cons an e sen imen o de pe igo e de impo ência o nam o
75
jogo numa expe iência bas an e angus ian e e que ce amen e me ai aze e le i du an e um empo
(Pa icipan e 3, Inqué i o).
O Pa icipan e 4, po sua ez, cons a ou: «Como desc e em as pe sonagens, a mudança oi
c i icamen e a assalado a, ao pon o da mudança adical das es u u as amilia es em que se
inse em, dos con ac os de amigos e do isolamen o social (Pa icipan e 4, Inqué i o)».
E o Pa icipan e 6 mencionou: «O sen imen o de desespe o pe an e a gue a, pe an e a des uição,
sabendo que se a a de um momen o da his ó ia con empo ânea o na a expe iência mais in ensa,
mais p o unda (Pa icipan e 6, Inqué i o)».
Segundo es as e ou as espos as, édio, u gência, isolamen o e desespe o pode iam se e mos
usados pa a desc e e a sensação de gue a. Sendo que se cons ói a ideia de que a gue a
con empo ânea é um e en o de anulação da libe dade e condição humana, no qual os ci is, ou
í imas, êm inicialmen e a sua ida p o undamen e al e ada. Ma cada po um no o quo idiano de
u gências e de us ação. A sua libe dade passa a se di ada pela ação do ou o ou daqueles que
p o ocam a gue a e a sua condição é eduzida às sensações acima e e idas. Tal condição o na
hábi os banais como limpa , a uma , cozinha , e c., em momen os a os e aliosos, pois
elemb am uma condição de ida que já não exis e.
Como se pode pe cebe , há uma elação mui o pessoal en e as sensações/sen imen os dos
jogado es e a ealidade ep esen ada. Es a ca ac e ís ica da elação pessoal oi obse ada nou as
espos as aos inqué i os, al como inha sido du an e as en e is as.
Quando me e i o ao seu supos o alo de expe iência pessoal ou indi idual não se pode assumi
como pe da de alo em compa ação às á ias on es e documen os sob e o assun o,
conside ando que o jogado não es á isolado de ou as on es e documen os. Mais conc e amen e,
um jogo simula uma ealidade com á ias on es e documen os, o e ecendo múl iplas pe spe i as.
Ou seja, não ado a apenas uma na a i a.
Ou seja, a a és de um sis ema
66
complexo de e dadei os e alsos e espe i as condicionan es,
p ocu a-se cons ui á ios esul ados den o desse mesmo con ex o. Es es esul ados,
dependendo da complexidade do sis ema, podem ap esen a múl iplas o mas: na a i as, dados
ou on es/documen os his ó icos e que podem, inclusi e, se de na u eza con adi ó ia.
66
De inição de “sis ema” segundo o dicioná io P ibe am da Língua Po uguesa:
Conjun o de p incípios e dadei os ou
alsos eunidos de modo que o mem um co po de dou ina
. In "sis ema", Dicioná io P ibe am da Língua Po uguesa
2008-2023. Fon e: h ps://diciona io.p ibe am.o g/sis ema.
76
Sob e as condicionan es da gue a, o Pa icipan e 2 e e iu:
As di iculdades pa a a anja e ge encia ecu sos, escolhe quem ajuda e quem deixa de pa e, quem
ouba , a aca ou ma a , são algumas das ações e decisões, po ezes ins an âneas, que emos de oma
nes as ci cuns âncias e aca e a com odas as consequências que es as a ão (Pa icipan e 2, Inqué i o).
Já o Pa icipan e 3 esc e eu:
Os a o es que mais impac a am a minha expe iência oi a di iculdade em ge i os ecu sos (que po alguns
deles se em escassos que pela di iculdade e pe igo em consegui adqui i-los), a imp e isibilidade daquele
‘mundo’( já que um assal o no pe íodo da noi e pode al e a comple amen e o es o da gameplay). Também
sob e os ecu sos, o Pa icipan e 7 ac escen a a saúde: Foi de ini i amen e o sis ema de ecu so que
demons a o quão necessá io é [a] saúde de um se humano no empo de gue a (Pa icipan e 3, Inqué i o).
O Pa icipan e 9 abo dou a ques ão da coope ação:
A necessidade de sob e i ência e os ecu sos necessá ios pa a man e um mínimo de bem-es a . Ajuda -se
mu uamen e num momen o de necessidade e cuida dos izinhos e de odos os se es humanos. Te um ilho é mui o
impo an e numa al u a de ce co (Pa icipan e 9, Inqué i o).
Numa ou a pe spe i a, o Pa icipan e 4 e e iu o ce co em si:
(…) como a p oibição das iagens diu nas e a necessidade de oubo pa a subsis ência, o na o con ac o
in e pessoal impossí el e os núcleos de sob e i ência ex emamen e con idos e limi ados, ao pon o da
deg adação da mo alidade em elação às ou as pessoas. E o Pa icipan e 6, mencionou os edi ícios: (…) a
si uação de des uição em que as casas se encon a am (…) (Pa icipan e 4, Inqué i o).
O Pa icipan e 8 e e iu an o o ce co como os ecu sos:
O ac o de não pode mos sai de dia po causa dos snipe s e e mos de sai à noi e pa a asculha ou a é
mesmo ouba ou as casas e ao mesmo empo e i a que sejamos oubados, endo de lida com o
emocional das nossas pe sonagens, nu ição e p ocu a soluções pa a possibili a o esquema de e semp e
alguém a sai de noi e, ou o a de ende a casa e ou o a do mi , azendo uma espécie de ciclo en es os
pe sonagens (Pa icipan e 8, Inqué i o).
Segundo as espos as dos pa icipan es, iden i icam-se as duas g andes condicionan es pa a os
ci is na gue a e em especial no Ce co de Sa aje o: os ecu sos e os edi ícios. Sob e os ecu sos
ma e iais, em ge al os pa icipan es sublinha am a di iculdade em e e ge i ecu sos, p o ocada
pela escassez, di iculdade de ob enção e descon iança: «As di iculdades pa a a anja e ge encia
ecu sos, escolhe quem ajuda e quem deixa de pa e, quem ouba , a aca ou ma a »
(Pa icipan e 2, Inqué i o); «di iculdade em ge i os ecu sos (que po alguns deles se em
escassos que pela di iculdade e pe igo em consegui adqui i-los), a imp e isibilidade daquele
‘mundo’» (Pa icipan e 3, Inqué i o).
77
E mais do que os ecu sos ma e iais, os pa icipan es alo iza am os ecu sos humanos pa a a
econs ução de es u u as socioeconómicas du an e a gue a. Em especí ico, a necessidade de
e saúde e segu ança: «Foi de ini i amen e o sis ema de ecu so que demons a o quão
necessá io é [a] saúde de um se humano no empo de gue a)» (Pa icipan e 7, Inqué i o. Aqui,
o pa icipan e não desen ol eu mais, mas nas en e is as e e iu:
Quando os ecu sos mo ais, quando as pessoas começam a ica mais doen es ou coisa assim, u começas
a pe de ecu sos ísicos. E começa udo o es o a, a i , a desaba ; A necessidade de sob e i ência e os
ecu sos necessá ios pa a man e um mínimo de bem-es a . Ajuda -se mu uamen e num momen o de
necessidade e cuida dos izinhos e de odos os se es humanos. Te um ilho é mui o impo an e numa
al u a de ce co (Pa icipan e 7, discu so di e o du an e as en e is as).
E sob e os edi ícios hou e duas en adas: «(…) a si uação de des uição em que as casas se
encon a am» (Pa icipan e 6, Inqué i o); «O cená io do jogo, que es a a des uído, em chamas,
pa ido e escu o, oi o sinal pa a que o jogado sen isse a ealidade his ó ica da si uação de ce co
que acon ece quando qualque país es á em gue a» (Pa icipan e 9, Inqué i o).
Não se pode omi i que e a nes as casas e edi ícios que se p oduziam e a mazena am os ecu sos
ma e iais e humanos. Recu sos esses que o am e e idos de o ma ex ensi a pelos pa icipan es.
Analisando as espos as, pode-se e e i que não é expec á el que os ci is esol am a gue a, mas
que econs uam alguma ‘no malidade’. O colapso das es u u as socioeconómicas de ido à
gue a é isí el que no es ado dos edi ícios. Como e e iu o Pa icipan e 6, implica que, pa a se
sob e i e , haja uma econs ução das mesmas es u u as. Mas, pa a que es a econs ução seja
possí el, é necessá io que exis am ecu sos ma e iais como alimen os e, em especial, ecu sos
humanos.
Os edi ícios, como locais ísicos das es u u as socioeconómicas, são o e lexo des a ealidade.
Es ão colapsados ou des uídos e pe de am a sua unção o iginal, passi amen e à espe a de se em
econs uídos.
Es a cons a ação ealça no amen e a condição de ci il numa gue a. É alguém que não em pode
sob e a mesma pa a a esol e , mas o na-se o p incipal condicionado.
Sob e a na u eza humana, oi possí el iden i ica dois g andes emas: as ques ões sociais e as
ques ões pessoais. Po exemplo, sob e ambas as ques ões, o Pa icipan e 2 esc e eu: «No início,
inha eceio de ajuda os ou os sob e i en es, assumindo semp e que o pio i ia acon ece , mas
as pe sonagens eagiam semp e posi i amen e, o nando-me mais p opícia a ajuda » (Pa icipan e
84
Pode-se ago a e e i que es e c uzamen o das á ias condicionan es com as on es documen os
his ó icos c iou um abalho mui o ico pa a a His o iog a ia, ao concilia as on es e documen os
com lógicas ma emá icas. Nes e caso, as condicionan es do ideojogo que es ão esc i as segundo
linguagem de p og amação e ma emá ica.
3.3. A e lexão p agmá ica sob e o ideojogo
A sessão de jogo deco eu de modo silencioso e calmo, o que e ela o ele ado empenho dos
pa icipan es na expe iência. No momen o das pa ilhas, hou e uma g ande pa icipação e uma
g ande in e ação en e as á ias in e enções o ais. Os comen á ios dos pa icipan es
comple a am-se e conduzi am g adualmen e a uma explo ação mais complexa dos emas comuns
como a sensação de es a numa gue a, as suas condicionan es e a na u eza humana.
As in o mações iniciais da ap esen ação
Powe Poin
e do guião pe mi i am aos pa icipan es
comp eende e p oblema iza o con ex o de cons ução do ideojogo e as suas limi ações. Os
pa icipan es consegui am elaciona os con eúdos do jogo com a ealidade his ó ica ep esen ada.
Tal pe mi iu que eles p oblema izassem a ques ão do igo his ó ico do ideojogo, bem como a
ealidade his ó ica ep esen ada.
Po im, conclui-se que a me odologia ap esen ada nes a disse ação oi aplicada com sucesso
jun o de pa icipan es que inham elação com a His o iog a ia e ambém de ou as á eas do
conhecimen o bas an e dis in as.
De aco do com os esul ados ob idos nas en e is as, pode conclui -se que o ideojogo pe mi e
uma maio ap oximação à ealidade his ó ica pelo ac o de se possí el, de ce o modo,
expe iencia essa ealidade (ques ão pessoal) e po pe mi i a comp eensão de concei os, ou
ideias, nas suas a iações ou possibilidades (ques ão de simula ). Mais ainda, es a simulação,
enquan o al, ambém pe mi e o e e so. Ou seja, in e agi com as a iações dos concei os. Po
exemplo: comp eende o In e no de Sa aje o não no ge al, mas ambém nas pa icula idades
implicadas, como o congela da água ou a doença.
De e-se ambém e e i que o jogo como simulação e ao se usado na His o iog a ia pe mi e
concilia a Ma emá ica e as Ciências da Compu ação com a His ó ia. Po ou as pala as, a
comunicação e ap oximação en e ciências exa as e ciências sociais.
85
As espos as aos inqué i os o am mais concisas e es u u adas do que as en e is as. Fo am
alo izadas a ealidade ep esen ada e espe i as condições, al como os sen imen os e as
pe spe i as pessoais dos pe sonagens. O que en iquece os esul ados p óp ios da simulação ou
jogo: as a iações den o de um concei o ou ideia.
Os esul ados das en e is as e dos inqué i os comp o a am que an o a con ex ualização do
ideojogo como a p opos a me odológica pe mi i am aos pa icipan es cons ui , p oblema iza e
expandi conhecimen o his ó ico. Conhecimen o esse que se di ide en e ep esen ações de
i ências pessoais e as a iações den o de um concei o condicionados a uma ealidade his ó ica.
86
CONCLUSÃO
Te minado es e abalho, icou e iden e que exis e uma dis ância en e His ó ia/His o iog a ia e o
Desen ol imen o de Videojogos. Tal acon ece de ido a á ias azões como a linguagem de
p og amação, o uncionamen o de um compu ado , en e ou os.
Os his o iado es não es ão mui o amilia izados com a linguagem de p og amação e as lógicas
que subjazem à cons ução de ideojogos. Nes e sen ido, há uma necessidade incon o ná el de
le o código e sis emas do jogo pa a o pode analisa o comp eende na o alidade.
Conside ando ambém as de inições de Simulação e de Videojogo (P. P. Bo haku , 2023; P.
Bo haku & Sa mah, 2021; Esposi o, 2005; Gazaway, 2021; No ak, 2012), o jogo pode se
pensado como uma simulação is a po den o. Também já exis e bibliog a ia especializada em
simulação elacionada com ideojogos (P. Bo haku & Sa mah, 2021) e, po an o, es a não é uma
hipó ese desp opo cional.
Depois de ei a a análise do ideojogo
This Wa o Mine
, pe cebe-se de o ma cla a que a mo i ação
dos au o es é um no eado daquilo que o jogo p ocu a se . Desco ina a mo i ação é assim uma
o ma p á ica de pe cebe a coe ência em elação às on es e a consis ência do ideojogo. Po que
é es a que no eia as á ias pa es do jogo, como o ipo de on es e documen os usados e
explo ados, as eg as e o código de p og amação, e c. Es a é, po an o, a ques ão p imo dial que
o his o iado de e coloca .
A complexidade dos sis emas e do código ap esen a os limi es do jogo. O es udo do código do jogo
e espe i as eg as oi undamen al pa a p ecisa o igo do mesmo enquan o documen o da
His ó ia. Além disso, ambém pe mi iu pe cebe as suas a iações ou possibilidades como
documen o. De igual modo, oi impo an e pa a começa a pe cebe que ipo de concei os es ão
ep esen ados no jogo. Ou seja, os sis emas e código do jogo ap esen am-se como um índice.
Como al, ap esen o uma no a o ma de ci a di e amen e os ideojogos segundo a eg a de
ci ação APA pa a pode ansmi i a in o mação de modo mais igo oso.
Na u almen e, o ipo de on es usadas condiciona a cons ução do ideojogo, de que é exemplo o
caso do Holiday Inn. Na ida eal oi um cen o p o egido po o ças in e nacionais onde es a am
alojados jo nalis as de á ios países. Além disso, o mesmo ambém inha elações com o me cado
87
neg o e conseguia man e alguma no malidade. No jogo, há uma ausência da ep esen ação dos
jo nalis as explicada pelo p óp io con ex o de di ícil acesso a es e espaço po pa e dos ci is. Es a
ausência e elou conside ações impo an es sob e as di e en es dinâmicas en e espaços
p o egidos in e nacionalmen e e espaços ci is. Es as di e enças icam mui as ezes esquecidas
de ido ao es a u o p i ilegiado dos espaços in e nacionais no con ex o de gue a.
A limi ação das on es eside no ac o de e em sido u ilizadas sob e udo en e is as a ci is, que
acabam po p i ilegia uma de e minada isão ace a ou as possí eis. De odo o modo, a
mo i ação da c iação do jogo cump e o seu obje i o: da a ‘expe iencia ´ as i ências dos ci is no
con ex o de gue a de ce co.
O jogo az ambém uma ep esen ação da ipologia e da impo ância dos p incipais edi ícios no
ce co. Mas há limi ações na ep esen ação da disposição geog á ica. Des a o ma, a análise da
elação en e edi ícios apenas pe mi e pensa a impo ância/in luência indi idual de cada edi ício
du an e a gue a e não no seu conjun o. Mas essa mesma limi ação pe mi e simula á ios
momen os do ce co nos mesmos espaços. Po exemplo, o Ho el se e an o de base aos mili a es,
como de local de ci is. O mesmo espaço é assim adap ado a cada um dos di e en es con ex os.
O jogo pe mi e ep esen a múl iplas ases da c onologia e di e en es e sões do mesmo e en o
no mesmo espaço. As g andes na a i as sob e o ce co de Sa aje o iden i icadas no
This Wa o
Mine
pe mi em epensa as on es da época e os documen os à luz de concei os e da simulação.
A impo ância da condição humana demons ou-se cen al no con li o, que pelas on es, que
pelos documen os. Mais impo an e, oi possí el de o ma b e e desdob a o concei o de condição
humana em á ias pa es, pe cebendo de o ma mais cla a qual é o seu impac o den o do con li o.
O mesmo se e i ica em elação aos edi ícios.
A aplicação da Ma emá ica à His ó ia, pelo uso da simulação de jogo, pe mi e pensa e
documen a a His ó ia ambém segundo ó mulas, como o caso do código de jogo sob e o in e no
no con li o. O jogo pe mi e ainda documen a as expe iências das pessoas e pe cebe os concei os
nas suas á ias pa es. Po ou o lado, es a documen ação da expe iência demons a a
possibilidade em econs ui as on es e os documen os his ó icos a a és da simulação. Is o
po que há uma ep esen ação da ealidade his ó ica, das possibilidades de escolha e a au o ia
a a és dos pe sonagens jogá eis e não jogá eis.
88
A expe iência da
LAN-Pa y
His o iog á ica demons ou a impo ância da ime são pa a a análise
do jogo e a ap oximação do jogado àquela ‘ ealidade’. A pos u a dos pa icipan es e a sua
in e ação du an e as en e is as e inqué i os co obo am es a pe spe i a.
O ideojogo, como meio, pode se uma al e na i a es imulan e e ime si a pa a a ansmissão de
conhecimen o his ó ico e al e le iu-se nas pos u as e a i udes dos pa icipan es da
LAN-Pa y
His o iog á ica.
A ap esen ação em
Powe Poin
e o guião pe mi i am aos pa icipan es comp eende e
p oblema iza o con ex o de cons ução do ideojogo e as suas limi ações. Os pa icipan es
consegui am elaciona os con eúdos do jogo com a ealidade his ó ica ep esen ada. Ou seja,
consegui am p oblema iza a ques ão do igo his ó ico do ideojogo e da ealidade his ó ica
ep esen ada.
As espos as aos inqué i os o am mais concisas e es u u adas do que as en e is as. De ido ao
ele ado ní el de ime são, os pa icipan es p ecisa am de empo pa a pensa . Os esul ados das
en e is as e dos inqué i os comp o a am que an o a con ex ualização do ideojogo como a
p opos a me odológica pe mi i am aos pa icipan es cons ui , p oblema iza e expandi
conhecimen o his ó ico. Conhecimen o esse que se di ide en e ep esen ações de i ências
pessoais e as a iações den o de um concei o condicionados a uma ealidade his ó ica.
Após enuncia es es esul ados, pode dize -se que a me odologia ap esen ada nes a disse ação
oi aplicada com sucesso jun o de odos os pa icipan es.
Sob e os dados e os esul ados que o jogo p oduz segundo es a expe iência (os sis emas, código,
condicionan es, i ências e as a iações de concei os), há uma dimensão pessoal na i ência
des a ‘ ealidade’ e uma dimensão abs a a ou de simulação. A dimensão de simula an o oco e
na comp eensão da o alidade do concei o como nas suas á ias pa es.
Em jei o de e lexão p ospe i a, se ia impo an e, no u u o, explo a ou os jogos, sob a mesma
g elha de análise, como po exemplo:
Kingdom Come: Deli e ance
(Wa ho se S udios, 2018)
,
Banished
(Shining Rock So wa e LLC, 2014)
e
Recei e 2
(Wol i e Games, 2020)
.
A expe iência
da
LAN-Pa y
oi bas an e es imulan e e c eio que se ia pe inen e mul iplica es e ipo de
inicia i as, con idando in es igado es na á ea da His ó ia pa a joga em di e sos jogos, pa a es a
a me odologia que se p opôs.
89
Finalmen e, o es udo aqui ap esen ado esul a de uma en a i a, ainda em ase expe imen al, de
aze as eo ias e me odologias da simulação pa a o cen o do deba e epis emológico
his o iog á ico, que se espe a pode i a consolida nos p óximos empos.
90
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101
ANEXOS
Anexo 1: Vídeo de ap esen ação de um sob e i en e do Ce co de Sa aje o cons uído pelos
de elope s de This Wa o Mine. [Pa a aseamen o de: This Wa o Mine Launch T aile - The
Su i o ] (11 bi s udios, 2014d). Fon e:
h ps://www.you ube.com/embed/go K5DLdV I? ea u e=oembed
102
APÊNDICES
Apêndice 1 - Inqué i os dis ibuídos após a sessão
Ques ioná io sob e a expe iência da 1ª sessão de LAN-pa y his o iog á ica
No a: sal e o nome do ichei o com cu so, ano e o seu nome. E en ie pa a o email:
Lanpa [email protected]
Exemplo: Mes ado_His ó ia_2_ano_Julio_Schulz
1. Como e e conhecimen o des e wo kshop? (exemplo: os ca azes/ lye s, um amigo, e c.)
2. O que mais o/a impac ou den o do ideojogo? E po quê?
3. Comp eendendo que a gue a ci il da Bósnia já deco e no momen o do jogo, o que ac edi a
que se al e ou na ida das suas pe sonagens du an e a gue a? E po quê?
4. Do seu pon o de is a, o que é que no ideojogo lhe pe mi iu econhece ou sen i a ealidade
his ó ica?
5. Que possibilidades gos a ia de explo a num u u o pa a os seus pe sonagens, ou pe sonagem,
nes e ideojogo?
103
Apêndice 2 - Guião de in o mações do jogo pa a os pa icipan es du an e
a sessão
Guião de in o mações pa a os pa icipan es
Sob e a cons ução do ideojogo (condições de on e):
➢ O ideojogo oi lançado em 2014.
➢ P oduzido pelo 11 bi s udios, em Va só ia, Polónia.
➢ A in enção do au o oi e a a a gue a con empo ânea de o ma ealis a e numa pe spe i a ci il.
Mais conc e amen e, inspi ando-se no Ce co de Sa aje o den o do con ex o da gue a da Bósnia.
➢ O so wa e ou
game-engine
não é especi icado. Con udo, há eg as uni e sais e g andes na a i as
que o ideojogo usa pa a simula es e con ex o his ó ico. A e são do jogo não es á modi icada!
Sob e o con ex o do ideojogo (condições de documen o):
➢ Es e ideojogo acon ece den o da cidade ic ícia
Pogo en
, num con ex o geopolí ico mui o
especí ico. Com o escala da gue a ci il no país ic ício
G azna ia
, a sua capi al,
Pogo en
, oi
ce cada pelas o ças do go e no depos o, p endendo, assim, an o as o ças ebeldes locais como
os ci is de
Pogo en
.
➢ Há uma g ande na a i a his ó ica a que o ideojogo o emen e se e e e. E essa na a i a
ep esen a a con inuação do auma de gue a den o da Eu opa na década de 1990-1999.
➢ Há pe sonagens que podemos con ola e há pe sonagens com os quais in e agimos. Todos eles
êm necessidades e obje i os/in e esses. E, assim, odos os pe sonagens p o agonizam uma
na a i a, baseada nos seus con ex os e nas suas escolhas.
➢ Den o do jogo, há a iadas e idências do con ex o his ó ico ep esen ado. E pode á ha e algumas
e idências do seu in e esse, de ido à o ma ou impo ância que êm.
➢ Es as e idências do jogo pode iam dialoga com ou as e idências do empo his ó ico
ep esen ado pa a c ia um conhecimen o mais obus o. Inclusi e e idências que pe encessem
de ac o a esse con ex o his ó ico.
➢ Há ambém que conside a quando o ideojogo oi p oduzido. Ou seja, o con ex o his ó ico,
ecnológico e cul u al que in luenciou a sua p odução e delimi ou a sua cons ução.
104
Apêndice 3 - Powe Poin da ap esen ação da LAN-pa y
105
106
Vídeo:
This Wa o Mine Launch T aile - The Su i o (11 bi s udios, 2014d)
Fon e:
h ps://www.you ube.com/embed/go K5DLdV I? ea u e=oembed
107
108
109
(Fim do
Powe Poin
de ap esen ação).
116
si uações de gue a que as pessoas êm uma escolha, mas escolhem ica . Eu acho que é uma
boa manei a de ep esen a odas as his ó ias di e en es. P incipalmen e po que es a oi inspi ada
numa especí ica.
O que eu gos a a de explo a mais no u u o do ideojogo. Eu acho que, is o é dois lados e po um
lado a minha p imei a é uma c í ica. É que se calha eu gos a a que osse um pouco mais pessoal
os acon ecimen os den o do jogo. Não necessa iamen e eu a esponde a si uações, mas aquela
pe sonagem a esponde a si uações. Po que assim, eu podia e , mesmo sendo eu a oma a
decisão eu podia e qual e a o p ocesso men al. Isso acon ece uma ez, po acaso, mas não
mui as. Foi a ce a al u a, po exemplo, eu comecei que como eu inha a ilha e ela ambém não
azia mui o, não é? E como nós que emos a sob e i ência daquelas pessoas, nós que emos que
acon eça udo o máximo.
Eu comecei a ensina à minha ilha o que podia aze . E a ce a al u a ela começa a dize – a
apa ece lá ma cado na Bio que é in e essan e po que dá pa a e o desen ola do es ado de
espí i o da his ó ia de cada pe sonagem - ela começa a dize : es ás a abalha demasiado. E o
pai ambém diz o mesmo. Ou seja, eu, como jogado , es ou a oma decisões que as duas pessoas
es ão a essen i -se po que elas são pessoas. Ao inal do dia elas es ão a i e no con ex o. Mas
po ou o lado gos a a que isso osse mais explo ado. Que hou esse mais con e sas sob e o
passado delas, que osse mais empo, p incipalmen e quando es amos o a. Po que ou imos as
his ó ias do casal idoso e da ilha. Nós emo-los lá de ac o e conseguimos in e agi com elas. Mas
não há uma manei a de nós mos a mos quem somos pe an e aquilo. Po que, po exemplo, eu
como pai de uma ilha p o a elmen e conseguia empa iza mui o mais com aquelas pessoas.
Enquan o, po exemplo, com alguns u ias se calha conseguia an o. E ice- e sa, se osse ou a
pessoa. Po que isso acho que ep esen a ia mui o mais as di e en es pe spe i as den o de um
con ex o. E acho que isso e a uma manei a melho de aze as coisas.
O quin o pa icipan e ambém em expe iência com ideojogos, inclusi e abalha com es es
no domínio da ap endizagem. Mais conc e amen e o seu uso como e amen as in e a i as. Não
inha elação com a His o iog a ia.
Con udo, de ido a a o es ex e nos, es e pa icipan e só pôde apa ece no inal da sessão.
117
E disse:
Eu não enho mui o mais a adiciona o que eles já disse am. Mas i ando ali, se calha a
p imei a pe gun a. O que é que mais me impac ou no jogo? Tendo em con a que eu só joguei dois
u nos, não é?
Mas comecei logo…
- Mas ambém é impo an e!
Sim, sim! Pois. É aquela lógica de is o é só um jogo: amos lá joga . E pus-me a joga , quase
como se osse um Sims, mas com um cená io de gue a.
No en an o, ape cebeu-se que o jogo
ep esen a a uma ealidade mais impiedosa do que a i ência numa cidade desen ol ida. Mais
conc e amen e, a ans o mação dessa cidade, Sa aje o, num cená io de gue a:
E de epen e
depa ei-me que eu es a a a a aca uma casa que inha pessoas. E as pessoas começa am-me a
a aca . E de epen e oi aquele a aque de ansiedade que é: epá, a inal enho inimigos no jogo mas
es es inimigos são ou os cidadãos. São ou as pessoas como eu enho a minha base. Isso aí acho
que oi o que mais me impac ou no jogo. Não es a a à espe a dessa, desse con on o assim de
epen e. Tão, de e de decidi e ago a o que é que eu aço? A aco-os? Foi… oi…. Foi o que mais
me impac ou.
De es o, não sei. Não enho mui o mais adiciona do que eles disse am. É isso, lá es á, ambém
não consegui joga mui o.
- Mas eu acho que é uma boa espos a, po que dás mui o a ideia inicial do jogo e mui as ezes
alguns con li os a Gue a inham mesmo essa ques ão. Que é que inicialmen e pensas que es á
udo bem e depois começas a e con li os a escala .
Pois.
- E essa no malidade, po exemplo com a mesma coisa com o Co id, inicialmen e e a udo no mal
mas depois êh! E a inal não é udo no mal.
E ambém iquei chocado com a minha p óp ia decisão de; eu mal i um inimigo, eh pá, a aquei
logo. O quão ápido oi de eu oma a decisão: mas eu ou a acá-lo! De p ese ação. Não é? Aquele
ins in o de p ese a . Po an o, dispa ou logo. Também me chocou isso.
- Vi e ou sob e i e .
Sim, sim.
118
O p óximo pa icipan e, o sex o, não inha expe iência com ideojogos nem com a sua cul u a.
No en an o, inha elação com a His o iog a ia.
- O que é que u achas e da ua sessão?
Eu não sei mui o bem o que dize po que i e semp e um bocado meio pe dido. Po que eu nunca
inha is o, nunca inha jogado nada. Nem nunca inha is o, não sabia como é que e a. Eu acho
que não p es ei an a a enção na his ó ia e na ques ão da gue a po que eu anda a a en a
descob i como azia as coisas. Como é que saia, como é que ol a a pa a casa. E depois eu
pe cebi que mo i ês ezes. Deixei os pe sonagens mo e ês ezes. Não sei
(de o ma
exp essi a)
se isso acon eceu com os colegas ou não. Mas…
- Não os e a única. Também mais colegas acon ece am. É de ac o um jogo di ícil.
Sim!
- É… O jogo é in ui i o, mas em mui a coisa.
Sim!
E como é um cená io de c ise…
Sim!
To na-se di ícil nesse pon o po que…
Nunca inha mesmo jogado nada, nada, nada! Nunca inha is o. Ti e que descob i udo. Do
início, como é que se azia, como é que… Mas depois eu i, achei mui o in e essan e os
pe sonagens in e agi em, como eles já e e i am a ás
(os colegas).
Ehh…. Mais?
Acho que é isso, não enho assim mui a coisa.
- Se ajuda, eu ambém gos o de pensa que os pe sonagens ambém não se em capazes de aze
logo e não se logo in ui i o comple amen e ao jogado é ambém po que é um con ex o que eles
p óp ios não sabiam mui o bem como aze inicialmen e. Isso é udo ques ões in e essan es.
O p óximo pa icipan e, o sé imo, em expe iência com ideojogos e a sua cul u a. Inclusi e,
jogou a e são em abulei o de
This Wa o Mine
. Mas não inha elação com a His o iog a ia.
E en ão. O que mais me impac ou oi, cem po cen o, o sis ema de ecu sos. Eu acho que é
in e essan e se um jogo de sob e i ência onde os ecu sos não são ão no mais e na u ais como:
cons ui a casa e e comida. E depois expandi den o disso. São sis emas bas an e di e os e
119
áceis. Acho que aqui é mui o di e en e e mui o mais…. Demons a mui o mais como unciona
uma gue a po que: ens o sis ema de ecu sos, em a comida, a água, os medicamen os e isso
udo.
- Que não é me cado abe o. Que é o que dizes não se , não podes aze uma casa di e amen e,
cons ui di e amen e po que o me cado em si não é, nem seque é abe o.
Exa o.
Es e sis ema de ecu sos é bas an e in e essan e e é a o ma como se e olui a Casa. Depois em
o ecu so das pessoas. Quan as mais pessoas i e es mais di ícil é alimen a mas podes aze
mais coisas. E quan as menos pessoas i e es menos di ícil é alimen a mas podes cons uí es
mais
73
coisas e ens menos empo. E depois em e cei o, o sis ema da mo alidade das pessoas.
Se elas es ão animadas, se elas não es ão animadas. E e o que impo a pa a as pessoas. Eu
acho que esses ês sis emas são ex emamen e in e essan es po que demons am de ac o os
ecu sos ma e iais são comple amen e desnecessá ios na Gue a. Na gue a in e essa mesmo é
a mo alidade das pessoas e como é que elas se es ão a sen i . E acho que isso é mesmo mui o
impo an e demons a numa gue a po que demons a um elemen o humano. Demons a o quão
elas so em ou quão elas passam mal. E é uma coisa que não expe ienciei aqui mas expe ienciei
no jogo de abulei o. Quando os ecu sos mo ais, quando as pessoas começam a ica mais
doen es ou coisa assim, u começas a pe de ecu sos ísicos. E começa udo o es o a, a i , a
desaba . E a comunidade que os e cons uindo pode desapa ece assim com só uma pessoa a
ica mal. E eu acho que o elemen o da Pessoa é mesmo mui o impo an e em elação a udo o
es o.
- E como é que achas que isso se e ela no con ex o his ó ico que es e jogo e e encia. Pa a i
se ia his ó ia ou consegui ias e is o como uma análise his ó ica desse empo?
Eu acho que o con ex o his ó ico aqui demons a que a his ó ia que acon ece po o a é me amen e
ilus a i a do que acon eceu no momen o. E acho que a his ó ia que mais impo a não é a his ó ia
esc i a em li os nem nada disso. Acho que é mesmo o elemen o humano que as pessoas passam.
E uma coisa que não se consegue pe cebe a a és de le um li o! Acho que é um
bocado como
disse
a senho a ali
(a apon a pa a o segundo pa icipan e, In es igado a Auxilia do Depa amen o
de His ó ia).
Acho que é… Não é possí el e isso po que es amos um bocado sensibilizados com
73
É p o á el que o pa icipan e quisesse dize
menos
em oposição à ideia an e io .
120
o que já lemos a é ago a. Eu acho que é, is o aqui demons a melho como as pessoas eagi iam
a es e ipo de coisa po que eu no meu con ex o mo al não es ou OK com ma a ninguém. Mas se
passa mos, se calha , pa a um con ex o de gue a já ico mais OK. Mas, mesmo assim, não me
ou sen i OK po causa da minha expe iência de ida passada.
- Exa amen e, exa amen e…
- Que es ala de algum dos pe sonagens que e enha ma cado? Ou que, como é que os e ias
an es e depois… Que dize , an es e depois da gue a já alas e um pouco! Que é a al ques ão de:
an es da gue a e as uma pessoa, depois da gue a já és ou a pessoa.
Sim! Mas uma coisa que me demons ou isso oi a Ka ia
(pe sonagem do jogo).
Que
e a uma
jo nalis a que ala a com ou as pessoas e conseguia esc e e his ó ias como ela que ia. Ela
p óp ia diz isso. E nes e momen o ela em uma ase que é: Eu, a pa i de que começou a gue a
não consigo esc e e nada po que eu não que o sabe do con ex o que es á a acon ece à minha
ol a. Eu só que o é es a com a minha amília.
E acho que isso aí é uma boa ase pa a demons a , de ac o, as coisas que acon ecem à ol a
não impo am. O que impo a é o elemen o humano.
O oi a o pa icipan e, ambém já inha expe iência com ideojogos. Inclusi e, jogou a e são
em abulei o de
This Wa o Mine.
Mas não inha elação com a His o iog a ia.
E disse:
O que mais me impac ou nes e jogo oi mesmo a libe dade que o jogo nos dá. Nós
podemos oma … podemos se os ilões, ou a é mesmo os he óis. No meu caso, eu a é ui um
pouco dos dois. Hou e momen os que eu en ei se um pouco mais… e i a con li os, en a se
um pouco mais ímido? Tímido e…
-
Al uís a?
E al uís a ambém às ezes. Não, mas no início do jogo en ei não impac a mui o a ida das
ou as pessoas. Hou e um momen o que o jogo, não sei se acon eceu nessa gue a ou não. A
ideia que me passou al ez enha sido.
- Eu posso e dize .
A pa i do momen o que… Nós… Eu comecei po explo a as zonas sem habi an es, mas hou e
momen os no jogo que esse ipo de casas deixou de ha e . Deixou de ha e esse ipo de casas.
121
Começou a a unila . Começou a ha e mais casas mais pe igosas, luga es mais pe igosos em que
eu ia e que e con li os. En ão eu i e que começa a oma esses con li os.
- É, nos momen os inais da gue a do Sa aje o, aquilo du ou desde 92 a 96. De 94 a 96 hou e
momen os de g andes picos de iolência in e nos. Que le ou a essa ques ão que inicialmen e se
inha um pouco de paz e depois apidamen e sí ios no mais e am a idos. E pu gas é nicas o am
ei as e as coisas escala am mesmo mui o a é à NATO in e i . Dai a ques ão que as coisas
começam a ag a a . O Jogo ep esen a mui o bem essa dinâmica de que: os con li os in e nos
não es ão a sa a . Supos amen e de e iam pa a , de e iam eduzi mas não. In ensi icam-se, a é
uma o ça ex e na, nes e caso a NATO, impedi . E começa a pô im ao con li o.
Pois. Também sen i que, po exemplo, os mili a es nesse jogo, eles ão simplesmen e quase como
os ci is! Eles ambém es ão a en a sob e i e po que eles es ão ce cados. Tem mesmo uma
base deles que nós podemos oca di e amen e com eles a mas e podemos negocia . O p óp io
jogo a é a isa pa a e cuidado ao en a nessa zona po que os p óp ios mili a es podem muda
de ideias. E a é podem…
- Que é alusão ao Sa aje o, po que ha ia á ios g upos mili a es. Eles lu a am inicialmen e en e
eles, e depois inicialmen e en e eles ize am uniões. O g ande inimigo e a semp e o, a o ça Sé ia
do go e no depos o. A o ça in e na. E mesmo as o ças ebeldes, as ais que inicialmen e, lu a am
en e elas, lu a am con a os Bósnios Sé ios uniam-se mas e a semp e numa ques ão mui o
ágil.
E essa al ques ão, sim eles são mili a es, u não sabes quem é que é a ação daqueles mili a es.
Pa a i, são udo mili a es. Pelo menos, é a ideia que o jogo me deu. E u nunca sabes com o que
con a . Sabes que eles não são os mili a es da o ça conse ado a (depos a). Mas u não sabes o
que de ac o eles es ão a de ende
Exa o.
- Daí essa… Que no p óp io con ex o his ó ico isso acon eceu.
Ainda assim, eu sin o que um colega meu passou a ideia que ica num Ce co al ez não passe
mesmo a ideia de qualque gue a. É algo mais especí ico. Isso pode se bom, pode se mau?
Pode passa melho a isão daquela gue a. Mas ambém eu sin o que, al ez não es e jogo, mas
pode ia ha e mais jogos des e ipo. Po exemplo, ago a i emos a gue a na Uc ânia. E inclusi e
122
es e jogo quando a gue a es ou ou, eles me e am o jogo em descon o. E inclusi e odo o dinhei o
que oda a gen e comp asse o jogo, odo o dinhei o i ia pa a a Uc ânia. Eles disponibiliza am.
E eu sin o que e a in e essan e ha e mais jogos, em cená ios di e en es, com o mesmo con ex o
de gue a. Mas em cená ios di e en es. Eu acho que mos a ia uma isão di e en e.
Ou a coisa. Eu acho que, uma Run
74
acho que não se ia su icien e pa a demons a o que é que
eu ealmen e consegui i a do jogo. Po que eu acho que as di e en es pe sonagens e as di e en es
his ó ias e con ex os passam, de em passa isões di e en es. E eu acho que se eu joga , po
exemplo, com um pai e com um ilho, é di e en e de eu joga com os pe sonagens que eu es a a
a joga que e a ês pessoas já bas an e madu as. Elas já sabiam que cada uma inha a sua
especialidade. Uma sabia cozinha , ou a sabia p ocu a melho ecu sos, ou a sabia negocia
bem. Se calha o jogo pa a mim eu sen i mui a acilidade. Tinha mui os ecu sos, conseguia oca
com pessoas. Po exemplo: inha semp e o me cado que ele p ecisa a de ecu sos e o que ele
da a mais alo e a os medicamen os. Eu inha um mon e de medicamen os! Eu começa a com
a jo nalis a a i a o máximo de p o ei o
75
. Não sei se isso e a bom ou mau, e icamen e.
Es amos num cená io de gue a.
- É uma zona cinzen a.
Pois.
Ehh. Pois.
- E eu pe gun o, se essas dinâmicas ou a iações, que u epa as e, se ambém elas não são
ep esen ações his ó icas. Ou seja, u is e que de e minados pe sonagens passa am po um
de e minado egis o, ou po um de e minado ipo de condições. E ou os pe sonagens já es ás a
assumi , po que comp eendes que eles êm ques ões di e en es e não passa po ou as. E…
Posso pelo menos dize que, como his o iado , de ac o quando emos con ex os amos e que
odas pessoas acionam uma isão di e en e
.
Ou seja, se pa a i, es e ipo de a iações den o do
jogo, ajudou a en iquece o con ex o his ó ico e o seu g au de e dade?
Sim, eu acho que sim. Ajudou a en iquece . Eu inicialmen e a é i e aquela… A é inha a de inição,
não sei se é e ada ou não, de uma pessoa ex e io . Não sou his o iado . Do que ealmen e é algo
74
Concei o de ideojogos usado pa a desc e e uma sessão de jogo comple a, de p incípio a im, com ou sem pausas.
75
Es a pe sonagem do jogo, a jo nalis a, em p o iciência a ala e ega ea .
123
his ó ico. Po exemplo, pa a mim algo his ó ico e a só mesmo ex o. Algo, coisas isuais e audi i as
não passa am an a. Ou pelo menos a in o mação que passa a, não e a ão iá el. E ao e ago a
assim no inal, depois de con e sa e en ende e depois de olha um pouco pa a as coisas, acho
que consegui i a uma melho ideia que ealmen e consigo…
- E al ez, essa ideia não deixa de se e dade. Ou seja, u con inuas a, ais con inua a acha ,
po que p o a elmen e az algum sen ido, que o ex o em uma componen e mui o p óp ia, mui o
di e a. Mas p o a elmen e ez- e pensa de o ma mais expansi a que: Tal ez é is o e mais. Ou
seja, emos o Tex o que em es as p op iedades. E emos a imagem ou in e ação que em ou as
p op iedades. E que nos pe mi e e mais his ó ia. E ambém az pa e do al con ex o his ó ico
- Es as a esponde , coo denado um (Segundo coo denado ).
- Posso só aze mais uma pe gun a (Segundo coo denado )?
- É um bocadinho, ocês pega am nas duas coisas. A pe gun a é pa a odos. Já que de his ó ia
não é ninguém, po não? Ó imo (Segundo coo denado )!
Pensando naquilo que ocês já ap ende am sob e Gue as e as gue as mais con empo âneas,
que ap ende am nas aulas de His ó ia, sei ap ende am! De li os, e is as, jo nais que le am, que
êm nas no ícias, o que êm nas edes sociais, do que i am em ilmes! O ideojogo, pa a ocês,
o que é que os ac escen ou sob e o conhecimen o da ealidade his ó ica de uma gue a,
ac escen a alguma coisa? Que ou as, po exemplo um ilme, um ilme é dos mais comple os. Que
um ilme não o e ece. O que é que adiciona aqui de di e en e (Segundo coo denado )?
(Pa icipan e 7)
Eu acho que o ideojogo ac escen a uma coisa que não se consegue e em mais
nenhum sí io que é a mo alidade cinzen a de uma Gue a. Os ilmes, li os, e c. e c.; é udo de
um lado pa a
[sic]
o ou o
[de um lado ou do ou o]
. Uma neu alidade na his ó ia é um bocado
di ícil de se aze po que es amos semp e a con a uma his ó ia de uma pessoa pa a a ou a. Aqui,
como emos a decisão de ma a , ouba , ajuda . Isso udo. E não somos cas igados po nada
disso. A única coisa que cas iga é a pe sonagem em si, como ela se sen e. Eu acho que é uma
coisa que não consegue se ep esen ada de uma o ma ão ácil e bem ei a como é num
ideojogo.
124
(Pa icipan e 5)
A ní el de ende os ac os his ó icos, que não se ap ende ia… Uma an agem
que os ideojogos êm em elação a ou os ipos de media é como nós es amos a pa icipa e
es amos a e desen ola as coisas mais ao nosso i mo. E conseguimos e mais conexão com os
pe sonagens. Acabamos po consegui abso e esses ac os de uma o ma mais na u al do que
se i éssemos só a e um ilme. Po exemplo, o ac o que ele abo dou. Ele disse que ao longo do
jogo os sí ios segu os iam icando cada ez mais escassos, é um ac o eal. Pa ece que no im da
gue a hou e, a insegu ança e a maio do que no início da gue a. Foi uma coisa que se conseguiu,
que ele conseguiu abso e na u almen e. Po an o, sem sabe desse ac o. Que se osse num
ou o ipo de media, às an as, passa ia mais ba ido.
(Pa icipan e 4)
Sim eu acho que an o esses ac os, que podem se na u almen e abso idos e
que icam, são mais e idos. Ou seja, de ce a manei a, são melho ep esen ados no jogado .
Pa e-se mui o ambém da ideia do Subje i ismo. Que é essa ideia. Que pa a mim o que mais é
melho ep esen ado aqui é mesmo a ideia de mo alidade. É po isso que es ou a ala de subje i o.
Po que é mui o di ícil, como es a am a dize , e a a impa cialmen e dados his ó icos. Po que
p imei o emos a His ó ia con ada pelos encedo es e a es an e. E ambém emos a conside ação
de que nós não i emos naquela época. Ou seja, nós não i emos… nós pessoal não emos de
oma decisões sob e as coisas que es ão a acon ece nessa época. E podemos simplesmen e
lemb a mo-nos de conside ações que emos po pessoas que i e am, po exemplo, no século
XVII pa a ás. Pa a nós é um con ex o social mui o di e en e. E o jogo, ao coloca -nos uma posição
que nós emos que i e segundo aquelas leis, nós podemos aze a nossa mo alidade pa a lá,
mas no inal do dia o jogo mos a-nos, se o iel ao con ex o his ó ico que es á a en a ep esen a ,
o jogo de e-nos mos a que, se calha , a nossa mo alidade ai e consequências que nós não
es á amos à espe a. Ou seja, nós es amos a exigi de ac os his ó icos mo alidade que não con ém
aquela sociedade. E assim dá ao jogado uma melho comp eensão de qual e a a e dade do
momen o. Po exemplo, nós acha mos que: eu de ac o, não há p oblema nenhum eu ala com
mili a es. Eles são supos amen e as pessoas que nos ão a p o ege . E es amos a a isca a nossa
ida só po causa disso. Não é? Que dize , acho que há esse ipo de conside ação.
E ou os meios podem dize : de ac o o e olui da gue a ouxe mais pe igo aos locais. Mas a é
es a mos li e almen e a oma decisões: se de o i aquilo ou não local, é que in endemos de ac o
o que é que is o signi ica pa a as pessoas. P incipalmen e, indi idualmen e. Po que, eu de ac o,
é que a His ó ia, pelo menos no meu pon o de is a, pe de a indi idualidade e ápido. Re a a
sociedades, e a a g upos, e a a o ças mili a es po exemplo que é um g upo a é ela i amen e
125
g ande. Não e a a os indi íduos, a não se que eles sejam nomeados ou sejam de en o es de
posse de Pode . Não da sua his ó ia.
No a: o nono pa icipan e, não pôde expo a sua en e is a. Mas o seu inqué i o es á p esen e nos
Inqué i os pós-sessão em Apêndice.
(Fim das en e is as).
132
O que mais o/a impac ou den o do ideojogo? E po quê?
A libe dade que o jogo me p opo cionou, podemos se os “ ilões” ou “he óis” de aco do com as
nossas ações no jogo e embo a sejamos ep imidos emocionalmen e po alguns dos pe sonagens,
nada nos impede de oma ce as a i udes pa a sob e i e . O ac o de se um jogo com múl iplas
pe sonagens, di e en es começos e e um sis ema de sob e i ência az com que o jogo possa se
jogado mais do que uma ez o que além de o na a expe iência menos abo ecida, emos semp e
algo no o pa a descob i ou no as abo dagens pa a oma , o que é ó imo em e mos his ó icos
pois emos di e en es on es de in o mação que podemos usu ui . Po an o, o es ilo do jogo
ambém é impo an e pa a inse i o jogado numa expe iência his ó ica, se o jogo osse um jogo
mais linea , is o é, mais pa ecido com um ilme, com um en edo e missões já p é-de inidas não
a ia a é sen ido, na minha opinião, op a po um jogo, pois um ilme e ia quase o mesmo alo .
Comp eendendo que a gue a ci il da Bósnia já deco e no momen o do jogo, o que ac edi a que
se al e ou na ida das suas pe sonagens du an e a gue a? E po quê?
A ida dos nossos pe sonagens é mudada do a esso, no meu caso, eu inha um jo nalis a que já
não se sen ia bem em p a ica a sua esc i a e só que ia es a com a amília e um cozinhei o que
nunca ac edi ou que a gue a chega ia na sua ealidade, ago a ambos êm de coope a e
sob e i e . Po an o, a mudança de o ina, o ac o de eles pa a em de i e e começa em a
sob e i e mudou comple amen e a ida das minhas pe sonagens.
Do seu pon o de is a, o que é que no ideojogo lhe pe mi iu econhece ou sen i a ealidade
his ó ica?
O ac o de não pode mos sai de dia po causa dos snipe s e e mos de sai à noi e pa a asculha
ou a é mesmo ouba ou as casas e ao mesmo empo e i a que sejamos oubados, endo de
lida com o emocional das nossas pe sonagens, nu ição e p ocu a soluções pa a possibili a o
esquema de e semp e alguém a sai de noi e, ou o a de ende a casa e ou o a do mi , azendo
uma espécie de ciclo en es os pe sonagens. Isso, se ia de ac o uma es a égia bas an e álida
na ida eal. Além disso, o ac o de o jogo nos o ça e en ualmen e a oma iscos, no sen ido em
que amos e que in e agi com ou os sob e i en e, que podem ou não se hos is, isso pa a um
jogado no mal se ia algo a é mesmo ób io pois qual se ia a piada de um jogo man e -se ácil na
sua maio ia, ob iamen e az sen ido o jogo ica di ícil no seu passa , mas em e mos his ó icos
is o az odo o sen ido, de ac o os ecu sos ão ica cada ez mais escassos, os ci is ão p ocu a
133
no as soluções como ouba , come qualque ipos de animais e a é mesmo ma a pa a pode
sob e i e .
Que possibilidades gos a ia de explo a num u u o pa a os seus pe sonagens, ou pe sonagem,
nes e ideojogo?
Eu gos a ia de explo a o in e no, embo a não enha chegado a essa ase, ac edi o que se á um
bom desa io an o a ní el de gameplay quan o a ní el his ó ico, pois ou e que sen i e p ocu a
soluções pa a man e os meus p o agonis as quen es, ac escen ando uma no a a iá el à
equação.
Pa icipan e 9
Como e e conhecimen o des e wo kshop? (exemplo: os ca azes/ lye s, um amigo, e c.)
A a és do co eio ele ónico ins i ucional.
O que mais o/a impac ou den o do ideojogo? E po quê?
A necessidade de sob e i ência e os ecu sos necessá ios pa a man e um mínimo de bem-es a .
Ajuda -se mu uamen e num momen o de necessidade e cuida dos izinhos e de odos os se es
humanos. Te um ilho é mui o impo an e numa al u a de ce co. O jogo ea i a qualque memó ia
do passado se es a se elaciona com a si uação, em qualque momen o, ap esen ada no jogo.
Com o aumen o dos dias, a si uação o na-se di ícil, pois os ecu sos começam a esgo a -se e as
pessoas começam a ica mais e idas e cansadas, o que ob iga a pe sonagem a co e iscos.
Es as si uações de isco êm impac o na ida eal quando em pe igo.
Comp eendendo que a gue a ci il da Bósnia já deco e no momen o do jogo, o que ac edi a que
se al e ou na ida das suas pe sonagens du an e a gue a? E po quê?
To nou a pe sonagem mais esponsá el pelas suas ações e pe suadiu-a a p ocu a ajuda de odas
as o mas possí eis. Fez com que a pe sonagem saísse da sua zona de con o o, mesmo quando
es á e ida e cansada. Is o de e-se à necessidade de sob e i e e de encon a uma o ma de sai
do ambien e de ce co, de modo a ul apassa a ase mais di ícil da sua ida i o e com os amigos
e a amília que em.
134
Do seu pon o de is a, o que é que no ideojogo lhe pe mi iu econhece ou sen i a ealidade
his ó ica?
O cená io do jogo, que es a a des uído, em chamas, pa ido e escu o, oi o sinal pa a que o
jogado sen isse a ealidade his ó ica da si uação de ce co que acon ece quando qualque país
es á em gue a. A es ição que impede a pe sonagem de sai do ab igo du an e o dia e de p ocu a
ecu sos à noi e é mais a e ado a de sen i na ida eal.
Que possibilidades gos a ia de explo a num u u o pa a os seus pe sonagens, ou pe sonagem,
nes e ideojogo?
A possibilidade de ob e algumas e amen as, como uma pá, desde o início do jogo o na á o jogo
um pouco mais ápido e man e á o jogado conec ado com o jogo. Pode ha e uma o ma pa a
a mazena a in o mação sob e os ecu sos necessá ios de aco do com a lis a dos mais
impo an es, dos impo an es e dos menos impo an es. Is o ajuda á o jogado a sabe o que em
de aze p imei o pa a man e a sua sob e i ência.
[ adução da minha au o ia]
No as:
Os pa icipan es 1 e 5 não en ega am o inqué i o insc i o.