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Narrativas dialogadas na investigação, formação e supervisão de professores

Abstract

[Excerto] Quando olhamos para as práticas sociais nas famílias, isto é, nos modos como a linguagem oral e escrita é usada quando as pessoas fazem coisas juntas (Gee, 2004: 21) (e que estão associados ao desenvolvimento precoce da literacia), encontramos formas sobretudo narrativas – nas histórias infantis, nos relatórios orais das actividades diárias, nas actividades de ‘fazer-de-conta’. As narrativas são tão ancestrais quanto a existência do humano – adoptando formas pictóricas ou verbais (escritas ou orais) e multimodais

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Narrativas dialogadas na investigação, formação e supervisão de professores

Publisher: Edições Pedago
Year: 2011
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/5004d93e-1304-44d3-9d72-392cee345d83/download
© dos au o es
© da p esen e edição
Edições Pedago, Lda.
Tí ulo: Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es
Colecção: Educação e Fo mação
Coo denado da Colecção: João M. Pa aske a
O ganizado a: Ma ia Al edo Mo ei a
Design e Paginação: Rica do Ta a es
Imp essão e Acabamen o: Tipog a ia Lousanense
ISBN:
Depósi o Legal:
Nenhuma pa e des a publicação pode se ansmi ida ou ep oduzida po qualque
meio ou o ma sem a au o ização p é ia do edi o . Todos os di ei os ese ados po
EDIÇÕES PEDAGO, LDA.
Edi o
Ped o M. Pa acho
Rua do Colégio, 8
3530-184 Mangualde
PORTUGAL
Rua Ben o de Jesus Ca aça, 12
Se a da Amo ei a
2620-379 Ramada
PORTUGAL
[email p o ec ed]
www.edicoespedago.p
Índice
In odução.
Da na a i a (dialogada) na in es igação, supe isão e
o mação de p o esso es
Ma ia Al edo Mo ei a
Cap. I. Diá io colabo a i o... Diálogo e lexi o sob e a
p á ica na o mação inicial de educado es de in ân-
cia, em con ex o de in e discu si idade
Deolinda Ribei o
Cap. II. Re lexão dialógica e desen ol imen o de
compe ências na o mação inicial de p o esso es de
Língua Es angei a
Isabel Ba bosa
Cap. III. Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade.
Es a égias Dialógicas e Au oscópicas
Isabel Cos a
Cap. IV. Vá ias ozes a uma só oz… na o mação con-
inuada/ supe isão de p o esso es das AECs (Inglês)
Ângela Vasconcelos
Cap. V. En e o p i ado e o público: o diá io como
luga de ans o mação
Flá ia Viei a
Cap. VI. Diá ios de In es igação em Educação His ó ica:
a pa i u a iniciá ica das ozes de in es igado es
Ma ia do Céu Melo
7 . 24
25 . 41
43 . 61
63 . 85
87 . 99
101 . 122
123 . 139

In odução
Ma ia Al edo Mo ei a _ Uni e sidade do Minho
Th ough hese s o ies and elde s’ eachings, I am lea ning o e u n home.
(…) I am lea ning a new oca ion as a eache . I eels good o be home and
wa ch he aces o young child en as I ell hem s o ies I was old as a young
child. I wan hem o know ha we ha e hese s o ies, e en i we o ge a
imes. I wan hem o know who hey a e, who hey we e, so hey can be
p oud o hemsel es he way I am. Acknowledgemen and honou ing o my
his o y and iden i y enable me o eel success ul as a human being. Tha
iden i y gi es me cou age o say we had some hing good be o e. The good-
ness and well being o ou u u e can be p edic ed by acknowledging and
honou ing who we we e and a e. (Saeed, 2002: 8)
1. P ólogo: a na a i a na comp eensão da
‘ ealidade’ e na lei u a do humano
Quando olhamos pa a as p á icas sociais nas amílias, is o é, nos
modos como a linguagem o al e esc i a é usada quando as pessoas a-
zem coisas jun as (Gee, 2004: 21) (e que es ão associados ao desen ol-
imen o p ecoce da li e acia), encon amos o mas sob e udo na a i as
– nas his ó ias in an is, nos ela ó ios o ais das ac i idades diá ias, nas
ac i idades de ‘ aze -de-con a’. As na a i as são ão ances ais quan o a
exis ência do humano – adop ando o mas pic ó icas ou e bais (esc i as
ou o ais) e mul imodais. É na sua cons ução e pa ilha que amos con-
e indo signi icados ao mundo que nos odeia, a ibuindo-lhe o dens e
in eligibilidades.
In odução . 7
Da na a i a (dialogada) na in es igação, supe -
isão e o mação de p o esso es
8 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
A expe iência i ida, enquan o on e impo an e de conhecimen o,
é o objec o do es udo das na a i as ( an Manen, 1990; Clandinin &
Connelly, 1994; Clandinin & Rosiek, 2007). A in es igação na a i a es-
uda a expe iência do mundo pelo indi íduo, o con ex o social, cul u al
e ins i ucional em que as expe iências são cons i uídas e exp essas, e as
na a i as p oduzidas. Es e es udo isa encon a modos de en iquece
e ans o ma a expe iência i ida pa a si e pa a os ou os (Clandinin &
Rosiek, 2007). Sendo a expe iência mul isenso ial e mul idimensional, só
a ela acedemos a a és do que o indi íduo nos deixa conhece – is o é,
pela e balização. O es udo das na a i as isa, simul aneamen e, es u-
da a his ó ia e o modo de conhece as p á icas sociais a a és do es udo
de discu sos que são p oduzidos pa a desc e e a acção; a a-se ainda
de um mé odo de pesquisa, en ol endo um p ocesso e lexi o e in en-
cional do in es igado , inciden e no modo como as pessoas es udam um
p oblema/ puzzle da sua p á ica e cons oem uma his ó ia ace ca do seu
signi icado (Lyons, 2007: 627).
O p ocesso de esc i a é, em si mesmo, um p ocesso e lexi o. Recua
no empo, pa a ecupe a acon ecimen os passados e deles nos dis an-
cia mos, acili a uma pe spec i a eno ada dos mesmos. Ao c ia es e
espaço- empo, a esc i a acili a um eposicionamen o do p o esso ace
à acção, p omo endo o au oconhecimen o, pelo “e ei o de espelho” que
o nece, e que lhe pe mi e e -se e e e -se na sua p á ica educa i a,
endo em is a a econs ução das suas pe spec i as e a i udes (Ramos
e Gonçal es, 1996: 139). A esc i a ajuda-nos a comp eende o modo
como expe ienciamos o mundo, c iamos e in e p e amos sen idos, oma-
mos decisões, cons uímos e econs uímos a nossa memó ia. São es as
ca ac e ís icas da na a i a esc i a, enquan o o ma de conhecimen o e
exp essão au o-biog á ica simul aneamen e eículo e ca alisado da e-
lexão sob e a acção, que a o nam uma es a égia p i ilegiada na in es-
igação e o mação de p o esso es.
No campo da in es igação e o mação de p o esso es, o es udo das
na a i as enquad a-se numa linha de es udo da expe iência pessoal
(Clandinin & Connelly, 1994) e do pensamen o do p o esso – es udo
daquilo que o sujei o diz que pensa, que e ela sob e o seu pensamen-
o (e acção), não o que e ec i amen e pensa ou az, ou seja, no es udo do
seu conhecimen o p á ico (Elbaz-Luwisch, 2007). Assim, o seu en oque
é a desocul ação da expe iência i ida, al como pe cebida e ap op iada
pelo sujei o, mediada pela linguagem e bal esc i a. Es udam-se as pe -
cepções dos sujei os, ou seja, a o ma como é pe cebida cada si uação
i enciada pelos sujei os no momen o da sua oco ência, p ocu ando
In odução . 9
da con a das o mas de o ganização men al e da comp eensão do mun-
do social po pa e dos sujei os, e que medeiam as suas elações do
quo idiano (Casa-No a, 2009). Daí o seu en oque analí ico de pendo
enomenológico e he menêu ico, ambém ma cado po uma o ien ação
ans o mado a e emancipa ó ia:
Esc e e sepa a-nos daquilo que sabemos e con udo une-nos mais es ei amen e
àquilo que sabemos. Esc e e ensina-nos o que sabemos, e o modo como sabe-
mos o que sabemos. À medida que nos comp ome emos com o papel, emo-nos
espelhados no ex o. Ago a o ex o con on a-nos. (...) Esc e e sepa a o conhe-
cedo do conhecido, mas ambém nos pe mi e eclama es e conhecimen o e
o ná-lo nosso de um modo no o e ín imo. Esc e e isa cons an emen e ex e io-
iza o que é in e no. Chegámos a conhece o que conhecemos nes e p ocesso
dialéc ico de cons ução do ex o (...) e assim ap ende o que somos capazes de
dize ... (Van Manen, 1990: 127, ad.)
2. Complicação: o luga da na a i a na in es i-
gação sob e o pensamen o do p o esso
P esen es hoje em di e sas á eas das ciências sociais e do compo a-
men o, são amplamen e conhecidos e di ulgados os mé odos (au o)biog á-
icos e as his ó ias de ida, bem como os e a os sociológicos e as en e-
is as con e sacionais, em campos ão di e sos como a medicina, di ei o,
sociologia ou psicologia (Lyons, 2007). O es udo das na a i as na comp e-
ensão do pensamen o (e, consequen emen e, conhecimen o p o issional e
acção p á ica) dos p o esso es jus i ica-se pela sua iqueza enquan o on es
de acesso e comp eensão do seu pensamen o e acção, como base pa a a
econs ução do seu esquema in e p e a i o pessoal, e pa a a comp eensão
do seu desen ol imen o p o issional (Kelch e mans, 1999). Deco e di ec-
amen e do econhecimen o ac ual da cen alidade dos p o esso es no de-
sen ol imen o do cu ículo e da pedagogia, na medida em que, pa a que
possamos melho comp eende o ensino, emos de p es a a enção aos p o-
esso es, escu ando as suas ozes e as suas his ó ias pessoais e p o issionais
pa a que as escolas possam se luga es melho es (Elbaz-Luwisch, 2007).
Enquan o his ó ias signi ica i as, elas e elam as emoções na expe iên-
cia, os impulsos ou con li os mo ais e, possi elmen e, as ensões polí icas
que se expe ienciam (Kelch e mans, 1999). O abalho do p o esso e os
p ocessos educa i os são dinâmicos, não-linea es, imp e isí eis, mul i-
senso iais e mul i- ocais, e inclusi é mis e iosos (Elbaz-Luwisch, 2007).
16 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
anspo a o au o de uma ase mais desc i i a da acção (pon o habi u-
al de pa ida pa a a esc i a), pa a ases de análise e in e p e ação dessa
acção, de con on o da acção com e e en es eó icos e expe ienciais
que a con i mem ou p oblema izem, isando a inalidade úl ima de
econs ução da acção (Figu a 1). Como e e e Smy h (1989), à emanci-
pação subjaz a capacidade de se exp imi , de queb a o silêncio, dis an-
ciando-se da acção, desocul ando as condições de op essão e alienação
do abalho do p o esso e ope a no sen ido da mudança desejada. Pa a
al, as na a i as e os diá ios de em se luga es de encon o c í icos
das p óp ias ozes, isando esponde , nos egis os, a pe gun as como:
O que aço? Como são as minhas p á icas? O que é que as minhas p á i-
cas dizem a espei o dos meus p essupos os, alo es e c enças ace ca do
ensino? De onde ie am es as ideias? Que p á icas sociais são exp essas
nes as ideias? O que é que az com que man enha as minhas p á icas?
Que isões de pode inco po am? Que in e esses pa ecem se se idos
pelas minhas p á icas? O que é que ope a no sen ido de cons ange a
minha isão do que é possí el no ensino? O que de o/ posso aze pa a
muda es a si uação? en e ou as (op.ci .).
Figu a 1: P ocessos e lexi os da na a i a (adap ado de Smy h, 1989).
1. Desc ição: Como é a minha
eo ia/ p á ica?
Iden i icação do quê, quem, onde,
quando e como da acção.
2. In e p e ação: Que eo ias e
c enças se exp essam a a és
da minha p á ica? Iden i icação
do po quê e do pa a quê da
acção
3. Con on o: Que causas e
azões subjazem à minha
p á ica? Iden i icação do
po encial e limi es da acção e
dos in e esses que ela se e.
4. Recons ução: Como posso
muda ?
Iden i icação das condições de
ans o mação
([im]possibilidade e
[des]espe ança) da acção

Toda ia, o comen á io esc i o aos egis os de ou em não é a e a
ácil. Como e e e Fenwick (2001), a espos a pode se libe ado a ou
op essi a, ao si ua -se en e a espos a às necessidades do au o e a ne-
cessidade de expandi o diálogo pa a ní eis ele ados de c i icidade e
de ans o mação do eal (Mo ei a, 2008). T anspo a os au o es pa a
ní eis de con on o e econs ução das condições de abalho eque
sensibilidade, con iança mú ua, escu a a en a e alo ização do Ou o,
sem deixa de p oblema iza a expe iência e de o e ece pon os de is-
a c í icos al e na i os. Não é ácil encon a um equilíb io adequado a
cada si uação na a i a e elação in e pessoal, en e um diálogo de o ça
cen í uga e mo imen os de o ça cen ípe a, ou seja, en e uma o ma
de exp essão dialógica baseada no espei o, plu alidade de pe spec i as,
in e dependência e con iança mú uos e a endência pa a a pad onização
ao a ibui signi icado ao desconhecido com base em pad ões amilia es
( . Mo ei a, Du ães & Sil a, 2006).
Assim, há que e i a a alácia na a i a (Taleb, 2007), ou seja, a en-
dência pa a a o ece mos his ó ias que êm ao encon o da nossa ex-
pec a i a po pad ões cla os e p e isí eis. E i á-la en ol e a o ece a
expe imen ação, a expe iência e o conhecimen o clínico, bem como
oma consciência de que con a uma his ó ia muda-a. Pelas mãos do
in es igado , apanhado no dilema en e a necessidade de c ia um ex o
que apele à expe iência do lei o e a ep esen ação iel da oz do au o
(Clandinin & Connelly, 1994: 423), as his ó ias dos sujei os mudam, bem
como as suas ozes. A ques ão Quem ala/ esc e e? o na-se c ucial, e-
conhecendo-se, con udo, que o pode das his ó ias dos p o esso es pode
ganha mais au o idade e c edibilidade em a iculação com as ozes dos
in es igado es.
Po ou o lado, as his ó ias são mui o mais pode osas do que as
ideias; são ainda mais áceis de eco da e mais di e idas: as ideias ão
e êm, as his ó ias icam (Taleb, 2007: xx ii). A na a i idade ajuda-nos
a con e i es abilidade e p e isibilidade aos acon ecimen os passados
– daí a sua na u eza e apêu ica, mas ambém a sua ulne abilidade à
dis o ção (ibid.). Tendemos a assumi , au oma icamen e, que a expe i-
ência subjec i a de algo é ‘uma’ ep esen ação iel das p op iedades do
objec o: “We end o o ge ha ou b ains a e alen ed o ge s, wea ing
a apes y o memo y and pe cep ion whose de ail is so compelling ha
i s inau hen ici y is a ely de ec ed.” (Gilbe , 2005: 98).
Tendemos ainda a esquece que, quan o mais longínquo o e en o i-
e oco ido no empo, mais di iculdade emos em o eco da com p eci-
são, e elando a endência que emos em alo iza mais os e en os mais
In odução 17
18 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
p óximos do que os longínquos, e em pe cepciona e en os passados e
u u os à luz da expe iência p esen e (op.ci .).
Não obs an e a consciência dos limi es epis emológicos, não de-
emos cai numa isão empob ecedo a da expe iência como on e de
conhecimen o, ao a a as na a i as, e as his ó ias que encapsulam,
como epi enómenos da in es igação social, ou seja, como e lexos
impo an es da ealidade social, mas não ealidades em si mesmas
(Dewey, in Clandinin & Rosiek, 2007). Na senda do pensamen o de
Roland Ba hes, a na a i a em semp e o seu ho izon e in e p e a i o
em abe o, sendo que o dia is a enasce no e com o ex o – ap op ian-
do-me do seu pensamen o, é essencial que o dia is a ‘mo a’ pa a que
o lei o nasça.
4. Desenlace: ins an âneos dos capí ulos que se
seguem
Es a ob a explo a as na a i as esc i as dialogadas, em con ex os de
o mação inicial, con ínua e pós-g aduada de p o esso es. Tem po ob-
jec i o ap esen a expe iências desen ol idas pelas au o as e discu i o
alo o ma i o e in es iga i o das na a i as p o issionais colabo a i as.
Pa indo de seis expe iências, desen ol idas na o mação inicial de edu-
cado es de in ância e de p o esso es em es ágio pedagógico, na o ma-
ção con inuada em con ex o in o mal de p o esso es das Ac i idades de
En iquecimen o Cu icula e na o mação especializada em a aliação e
supe isão pedagógica, as au o as de endem o uso do diá io colabo a i-
o como es a égia (au o e co- o ma i a/ supe isi a e in es iga i a) de
acesso ao pensamen o do p o esso / supe iso /o ien ado , associada? a
p ocessos de egulação da acção docen e e in es iga i a.
O ex o de Deolinda Ribei o, ela i o a uma expe iência no con ex o
da o mação inicial, isa es uda as po encialidades dos diá ios colabo-
a i os na co-cons ução de sabe es que omen am o desen ol imen o
da iden idade e o conhecimen o p o issional do educado de in ância.
Salien a a sua dimensão in e discu si a, de con luência de ozes que
p omo em, simul aneamen e, o c escimen o de odos e o desen ol i-
men o p o issional e humano de cada um. O diá io colabo a i o assume-
se como um luga que ab e a acção educa i a a á ias possibilidades de
comp eensão do eal, azendo con lui pe spec i as eó icas e p á icas,
p oblema izado pelas e p oblema izando as ozes dos di e en es ac o es
de o mação. T a a-se de uma es a égia o ma i a que p omo e a escu a
plu al, o sabe escu a e o sabe comunica , sus en ando o equilíb io en-
e a i ência indi idual da acção e o seu comp omisso com uma acção
colec i a que isa a ans o mação dos sujei os e dos seus con ex os.
O ex o de Isabel Ba bosa, ambém ela i o ao con ex o da o ma-
ção inicial de p o esso es, pa e do p incípio de que a qualidade da
pedagogia p a icada no ensino supe io depende, em g ande medida, da
coe ência, con iança, en ol imen o e in eg ação eo ia-p á ica das es a-
égias pedagógicas e o ma i as. As na a i as dialógicas isam p omo-
e o desen ol imen o de compe ências p o issionais (conhecimen os,
capacidades e a i udes) nos alunos u u os p o esso es, que lhes pe mi-
am esponde de o ma e icaz à complexidade das si uações educa i as
com que se ão con on ados ao longo da sua ca ei a p o issional. Des as
compe ências, a au o a salien a o modo como as compe ências da e le-
xi idade, au odi ecção e c ia i idade/ino ação, sendo objec i os cen-
ais da o mação, podem se desen ol idas com o ecu so a es a égias
supe isi as de na u eza e lexi a e indaga ó ia. De en e as es a égias
elei as, o seu ex o salien a o papel da e lexão dialógica na p omoção
de um mais ele ado ní el de c i icidade, po pa e dos es agiá ios, mas
ambém seu, enquan o supe iso a.
O ex o de Isabel Cos a, si uando-se ainda na o mação inicial de p o-
esso es, assen a na c ença numa o ien ação e lexi a das p á icas de su-
pe isão como condição ideal pa a a p omoção de uma ap endizagem
emancipa ó ia conducen e à ans o mação do pensamen o e da acção do
p o esso em o mação. Ao se o pon o de pa ida e de chegada, a expe i-
ência educa i a assume-se como um luga ulc al na ( e)cons ução do co-
nhecimen o e da acção das p o esso as es agiá ias, assumindo a e lexão
esc i a um papel essencial. As p á icas de esc i a a a és dos diá ios dialó-
gicos isa am p omo e ní eis a iados de e lexi idade ( écnica, p á ica e
emancipa ó ia) em ês a ian es (pe sonalização, con on o e comp ome-
imen o). Des e modo, os diá ios colabo a i os, em a iculação com a au o
e he e oscopia, omen a am a e lexão e e isão da acção da p óp ia acção
e das acções obse adas. P omo e am ainda, a elacionação da ac i idade
de cada es agiá ia com a de ou as, numa pe spec i a de abe u a p ó-
ac i a, compa ação, indagação e de a aliação dos p ocessos de o mação.
O ex o de Ângela Vasconcelos cen a-se numa expe iência supe i-
si a ho izon al e in e pa es ealizada no con ex o das Ac i idades de En-
iquecimen o Cu icula (AECs) de Inglês. A cons ução do diá io colabo-
a i o, enquan o p ocesso e ins umen o e lexi o, po enciou a p omoção
do au o-conhecimen o e a egulação da p á ica no con ex o p o issional,
unindo as dimensões da colabo ação e da e lexão com o im úl imo de
In odução 19
20 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
(des)( e)cons ui o pensamen o e p á ica pedagógicos das p o esso as pa -
icipan es. Tal emp eendimen o, de ins alação de um p og essi o descon-
o o com p á icas o inei as, a ibuído às na a i as colabo a i as, é ca ac-
e izado pela au o a enquan o e ei o “boome ânico”, ai ém de dú idas,
dilemas, di iculdades, cons angimen os, aleg ias e is ezas que p o oca o
c escimen o e a ap endizagem. Ajuda a queb a o isolamen o p o issional,
ab indo espaços de con luência das á ias ozes que acabam po se o na
uma só. Assim se p omo e a co-cons ução do conhecimen o a a és do
diá io, c iando possibilidades de maio sucesso na au o- egulação das p á-
icas, numa mic o-comunidade de ap endizagem colabo a i a com is a
ao desen ol imen o p o issional.
O ex o de Flá ia Viei a explo a o pode da esc i a e o modo como
o diá io de o mação, si uado en e o p i ado e o público, pode se um
luga de ans o mação dos modos de cons ução do conhecimen o na o -
mação pós-g aduada de p o esso es, em pa alelo à ans o mação do seu
papel nes e con ex o. A au o a analisa ensões esul an es da (in)de inição
do diá io enquan o p á ica de ap endizagem e de a aliação, assim como
as suas po encialidades enquan o ins umen o de p oblema ização do co-
nhecimen o. A inalidade p incipal do ex o é equaciona possibilidades e
pa adoxos de uma pedagogia da o mação que p e ende se ans o ma-
do a e emancipa ó ia, isibilizando o modo como a esc i a dialógica, ao
coloca a expe iência do sujei o no cen o do cu ículo-em-acção, pode
ep esen a uma p á ica de libe ação mas ambém de subo dinação e
p es ação de con as, o que nos eme e pa a a necessidade de de ini uma
é ica da esc i a em con ex o educa i o.
Cons i uindo o capí ulo inal, o ex o de Ma ia do Céu de Melo, sendo
ambém desen ol ido em con ex o de o mação pós-g aduada de p o es-
so es, cen a-se no uso das na a i as dialógicas enquan o es a égia de
desen ol imen o de sabe es e compe ências de me acognição sob e o a-
balho in es iga i o e suas implicações na p á ica pedagógica e na ap en-
dizagem dos alunos. P oduzido em g upo em momen os mais p i ados e
ou os mais in e ac i os, o diá io de in es igação oi u ilizado pa a en a-
bula um diálogo en e os o mandos e a p o esso a, isando econs ui
o p ocesso de e lexão associado ao desen ol imen o da in es igação em
Educação. A au o a ap esen a algumas e lexões sob e o con eúdo subs-
an i o dos diá ios e o ipo de e lexi idade mani es a, conside ando as di-
e en es ases do p ocesso de in es igação. Realça as omadas de decisões,
os a anços e os ecuos, os dilemas, as soluções e os ‘ azios’ que aquele
p ocesso semp e comp eende, e que um diá io de in es igação dialógico
consegue cap u a .
Epílogo…
Nos ex os ap esen ados nes a ob a, as in es igado as/ p o esso as/
supe iso as e o mado as de p o esso es não se eximem da exigen e
a e a da esc i a, jun amen e com os ( u u os) p o esso es com quem
abalham, assumindo, des e modo, o ideal da educação como uma
p á ica de libe dade, que só pode acon ece , nes e con ex o, quando
os o mandos não são os únicos a se con idados a pa ilha , a con-
essa -se. Como p opõe hooks (1994: 21), os p o esso es que espe am
que os alunos pa ilhem na a i as con essionais, mas que são ele/as
p óp io/as incapazes de pa ilha , es ão a exe ce pode de um modo
coe ci o, uncionando como in e ogado es/as silenciosos/as que udo
conhecem, o nando a esc i a um ac o op essi o. É necessá io que os
o mado es de p o esso es co am o p imei o isco, ligando as na a i as
con essionais às discussões concep uais, de modo a demons a o modo
como a expe iência pode ilumina e ap o unda a comp eensão do ma-
e ial académico. A esc i a em o ma de egis o académico é apenas
uma o ma de conhece e ep esen a a expe iência educa i a i ida.
Os in es igado es académicos de em apoia e dissemina as na a i as
dos p o esso es, aliando a esponsabilidade cien í ica, de cons ução e
disseminação de conhecimen o, à esponsabilidade polí ica, de isibili-
zação do abalho dos p o esso es.
Toda ia, como eco da Clough (2002), o mapa não é o e eno.
No es udo das na a i as de ou os, o in es igado - o mado -supe i-
so cons ói a sua e são da e dade do Ou o. Es a é ambém a ma ca
das na a i as das au o as des a ob a. Se ac edi a mos nes e pos ulado,
en ão busquemos a qualidade des a colec ânea na sua na u eza exem-
pla , na sua alidade ca alí ica e educa i a, ou seja, no seu po encial de
pô em ma cha mo imen os de ans o mação dos sujei os, as o mado-
as-supe iso as e os lei o es, e que po ela se sin am inspi ados a melho-
a as suas si uações de abalho.
Es a ob a é um con ibu o pa a es a demanda. Espe amos e sabi-
do econhece e hon a as his ó ias dos p o esso es e a sua iden idade
p o issional, pa a que, como e e e Sheema Saeed (2002) na ci ação
inicial, o u u o na Educação possa se i ido com mais dignidade.
In odução 21

22 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
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In odução 23
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Cap. I. Diá io colabo a i o... Diálogo e-
lexi o sob e a p á ica na o mação inicial
de educado es de in ância, em con ex o de
in e discu si idade
Deolinda Ribei o _ Escola Supe io de Educação do Po o
1. In odução
A expe iência desen ol ida nas p á icas de supe isão na o mação
inicial de educado es de in ância na ESE do Po o é o pon o de pa ida e
de chegada, da discussão em o no do alo o ma i o do uso das na a i-
as de e lexão colabo a i a en e os ac o es do p ocesso supe isi o, o -
mandos e supe iso es / o mado es. Es a es a égia o ma i a de e lexão
esc i a dialogada en e os ac o es dos con ex os da p á ica pedagógica
em indo a ap esen a -se como acili ado a da co-cons ução de sabe es
p o issionais, e in luenciado a da p og essi a emancipação dos sujei os
ao longo dos p ocessos de desen ol imen o de sabe es pa a a acção do-
cen e. Con udo, a iden i icação das po encialidades e cons angimen os
da esc i a colabo a i a p essupõe a egulação sis emá ica, como o ma
de comp eensão e alidação dos seus bene ícios no desen ol imen o do
pe il de compe ências do educado de in ância, no que se e e e às com-
pe ências de um p o issional e lexi o que, pelo exe cício da indagação
sob e a p á ica, isa a sua ans o mação.
É com esse objec i o que se em indo a es uda o uso des a es a é-
gia, p ocu ando iden i ica dimensões de análise na e lexão p oduzida
nos diá ios colabo a i os que possam alida o po encial do diálogo e-
lexi o na ans o mação do pensamen o e da acção, de o mandos e de
o mado es.
Diá io colabo a i o... Diálogo e lexi o sob e a p á ica na o mação inicial de educado es de in ância,
em con ex o de in e discu si idade _ Deolinda Ribei o 25
32 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Exce os da na a i a da es agiá ia
obse ado a pa icipan e
Comen á io in e p e a i o da es agiá ia
obse ada
Comen á io in e p e a i o da supe i-
so a coope an e
“Os compo amen os das c ianças nes a
ac i idade não o am mui o di e en es
da ac i idade de exp essão plás ica ana-
lisada numa e lexão an e io , em que as
c ianças mos a am di iculdade a ní el
da inicia i a, au onomia e c ia i idade.
Con udo, e i iquei que nes a ac i ida-
de as c ianças es a am mais empenha-
das (...) Es a e olução de condu a, na
minha pe spec i a, encon a-se elacio-
nada com a a iedade de ma e iais que
a SS colocou à disposição das c ianças
(...), com a mo i ação c iada pa a a a-
e a e ambém com o ac o de aze em
apenas as que es a am mo i adas (…)”
[Diá io, AF, 21.11.05]
“Conco do com a AF quando diz que
se no ou uma e olução na au onomia
das c ianças e, conco do ambém com
as azões po ela apon adas pa a o e-
sul ado posi i o des a ac i idade. A AF
já ap esen ou de o ma cla a o seu a -
gumen o jus i ica i o pa a a ac i idade
se ealizada em pequeno g upo. Ac es-
cen o ainda, que a minha in enção oi
que as c ianças i essem mais empo
pa a explo a os ma e iais, pe mi indo-
lhes uma melho o ganização, da -lhes
espaço, e eu p óp ia e mais disponibi-
lidade pa a as obse a (...)” [Diá io, SS,
21.11.05]
“Acho impo an e ealça ambém a
a ec i idade que a SS ansmi iu quan-
do ala a do “seu amigo” [ an oche] e
quando ala a com ele, ac o que pas-
sou pa a as c ianças, de al o ma, que
quando lhes oi p opos o cons ui um
amigo, odas ade i am (...) Nes a ac i-
idade ambém sen i a SS mais segu a,
o ien ando a ac i idade de uma o ma
mais dinâmica. Todo o ambien e c iado
pela aluna pa a ap esen a o “seu ami-
go” oi uma mais- alia pa a o espei o
que obse amos que as c ianças ago a
êm com es es ma e iais pedagógicos”.
[Diá io, DD, 21.11.05]
Re lexão esc i a dialogada sob e a ac i idade pedagógica: cons ução de an oches

Nes e exemplo pa ece-nos cla o que as na ado as, embo a com pa-
péis di e en es, êm um objec i o comum – melho a os sabe es p á icos,
pela signi icação que a ibuem às si uações obse adas. Re/a aliam a
p á ica a a és de uma análise que e idencia p eocupações com a se-
quencialidade do desen ol imen o, não só das c ianças, como dos sabe-
es p o issionais das p óp ias es agiá ias. E, embo a cen adas no mesmo
objec o de análise, a ibuem-lhe signi icados com simili udes e di e en-
ças, ca ac e izado as da di e si icação do olha de cada um, in o mado
pelos sabe es que cada um é po ado . No discu so dialogado no exem-
plo an e io , comp eendemos, com mais acuidade, a ên ase a ibuída
po Imbe nón (2002) à e lexi idade c í ica coope ada, si uada nas suas
po encialidades de o ien ação e ans o mação de p á icas, e ambém
das condições que in luenciam os p ocessos na acção educa i a e de
o mação p o issional, quando diz:
(…) no la que emos e únicamen e como un p oceso de mejo a de la
p ác ica educa i a sino de c eación de una ac i ud, y una au oconciencia
de la ealidad educa i a y social, y una capacidad pa a oma decisiones
de mejo a. Un ins umen o in elec ual que pe mi a analiza e in e p e a la
ealidad educa i a y social. (…) den o de un ma co de polí ica de colabo-
ación (au o)pe ecciona al p o eso ado y (au o) o ma le en nue as habi-
lidades, mé odos y po encialidades analí icas, y mo i a y p o undiza en
su conciencia social y p o esional asumiendo al e na i as adicionales de
eno ación y comunicación. (p. 61)
As na a i as de e lexão dialogada, enquan o es a égia de na u eza
colabo a i a, são desen ol idas a pa de ou as es a égias que, igual-
men e sus en adas nos p essupos os an e io es, con e gem pa a o mes-
mo objec i o - a cons ução do sabe p o issional e a ans o mação de
p á icas. Re e imo-nos à plani icação, egis os indi iduais de obse ação
e lexi a sob e a p á ica, no as dos encon os de supe isão, en e ou-
os egis os in o ma i os que con ibuam pa a a o mação p o issional
dos educado es. Todos es es egis os, conside ados ele an es pa a a
ap endizagem, são in eg ados na cons ução do po e ólio indi idual de
cada es agiá io, sendo es e um documen o in eg ado de in o mação e
in e p e ação pelos seus au o es, po enciando e idencia o desen ol i-
men o de compe ências, enquan o p odu o do desempenho, p og esso /
e olução de cada um. Uma das compe ências a desen ol e pelo uso
do Po e ólio o ma i o é a me a-cognição ou exe cício me a- e lexi o,
acili ado da au o-a aliação do desempenho do es agiá io no p ocesso
Diá io colabo a i o... Diálogo e lexi o sob e a p á ica na o mação inicial de educado es de in ância,
em con ex o de in e discu si idade _ Deolinda Ribei o 33
34 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
de o mação p o issional. É a a és des e exe cício que os es agiá ios
e idenciam compe ências de au o-a aliação, num ex o de ca iz me a-
e lexi o sob e o po e ólio, e com o qual e minam es e pe cu so inicial
de ap ende a se educado , e idenciando as suas pe cepções sob e o
con ibu o de cada uma das es a égias o ma i as expe ienciadas pa a
a cons ução de sabe es p o issionais, en e elas, o uso dos diá ios cola-
bo a i os.
4. Rep esen ações dos es agiá ios sob e o uso do
diá io colabo a i o... diá io e lexi o na sua o ma-
ção p o issional
Pa a acede mos às ep esen ações dos es agiá ios sob e o uso
des a es a égia o ma i a, oi ealizada a análise de con eúdo sob e o
discu so me a- e lexi o, p oduzido po cada es agiá io no inal do po -
e ólio indi idual, p ocu ando-se e idências das po encialidades des a
es a égia o ma i a. Embo a o uso dos diá ios colabo a i os enha sido
uma es a égia adop ada po odos os docen es /supe iso es do cu so de
Educação de In ância na ESE do Po o, desde 2005, o que nos p opomos
e lec i de seguida incide em algumas dimensões de análise encon adas
nos ex os de me a- e lexão dos es agiá ios nos úl imos anos.
4.1 Desen ol imen o da au onomia pa a p oblema i-
za , comp eende e ans o ma a p á ica
Es a o ma de e lec i em diálogo com o ou o pa ece se in luen-
ciado a de um olha pa a além do ób io. Ou seja, aquilo que pa ece só
e uma possibilidade de in e p e ação, pelo diálogo, ab e-se a ou as
possibilidades de comp eensão do eal, p oblema izado pelos di e en es
ac o es de o mação. Des a o ma, podemos in e i que as na a i as co-
labo a i as c iam possibilidades de desen ol imen o de um olha p os-
pec i o, pa a p á icas mais conscien es das suas consequências, apo -
ando, com isso, uma p og essi a au onomia do pensamen o e da acção
dos es agiá ios.
As na a i as de e lexão colabo a i a ajudam-nos a a ina a nossa capaci-
dade de obse ação e consequen emen e a nossa p á ica. É como se, aos
poucos, cons uíssemos em nós uma espécie de “lupa in e io ” que az com
que olhemos com mui o mais minúcia e in e esse aquilo que azemos e
aquilo que ou os azem, ap endendo com isso e lidando melho com as
nossas alhas e conquis as. [MC, Junho de 2009]
A e lexão que desen ol emos sob e a nossa p á ica oi um passo impo an e
pa a “queb a ” o inas, possibili ando a análise de opções múl iplas pa a
cada si uação e e o ça a nossa au onomia ace ao pensamen o dominan e
de uma dada ealidade. [MM, Junho de 2008]
Ou a po encialidade des e ipo de exe cício e lexi o é a o ece
o abandono de p á icas ac í icas, ou o “queb a o inas”, omen ando
um ce o dis anciamen o do sabe p o issional s anda d pa a odas as
si uações educa i as, e que acilmen e se ins ala, po o ça de uma so-
cialização p o issional “ echada” nos con ex os da p á ica. Vejamos o
exemplo seguin e:
Os diá ios colabo a i os, endo como pila a e lexão c í ica, cons u i a
e undamen ada, cons i ui am uma es a égia de um capi al ico pa a uma
abo dagem in eligen e pa a expe iências u u as, enquan o p o issionais de
educação. [PS, Junho de 2008]
Es e ipo de e lexão p omo e a dialogicidade de cada um, en e o
quad o e e encial eó ico que domina e as obse ações ealizadas na
p á ica. A pa ilha de pe spec i as sob e a acção do Ou o, sendo cons-
u i a, eque uma undamen ação, só possí el pela a iculação en e
eo ia e p á ica. Po ou o lado, ao e lec i mos no que pode signi ica as
pala as de PS, quando diz “(...) uma abo dagem in eligen e pa a expe-
iências u u as, enquan o p o issionais de educação”, podemos in e i
que es a es a égia de e lexão dialogada com o Ou o, pa ece e lan-
çado semen es pa a a o mação con inuada, como alice ce do desen-
ol imen o de compe ências in elec uais exigí eis a um educado , pa a
comp eende e ans o ma a p á ica.
4.2 (Re)cons ução de sen idos pela pedagogia da escu a
Es a o ma de e lec i a p á ica educa i a e a supe isão que se de-
sen ol e, en ol endo o mado es e o mandos numa dimensão in e pes-
soal, o singula e o soli á io deixam de se ca ac e ís icas dos con ex os
de o mação, ganhando p og essi amen e mais e idência a colabo ação
Diá io colabo a i o... Diálogo e lexi o sob e a p á ica na o mação inicial de educado es de in ância,
em con ex o de in e discu si idade _ Deolinda Ribei o 35
36 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
e o comp omisso com a acção e desen ol imen o do Ou o, al como
pode e i ica -se no exce o seguin e.
Penso que é en iquecedo le ês pe spec i as de algo que acon eceu e
que in ui i amen e emos endência a pensa que e á uma única in e p e-
ação (a nossa). Ape cebi-me assim que pa e do p ocesso de c escimen o
p o issional e pessoal que espe o a a essa es e ano se á o comp eende
e in e io iza que uma si uação pe mi e an as in e p e ações, quan os os
in e enien es (...). Num abalho de equipa odas as pessoas são di e en es,
êm po encialidades di e sas e podem pa ilha , da o seu con ibu o pa a a
melho ia do mesmo. Ao le o con ibu o dos Ou os, ape cebi-me da o ma
como expe iencia am as minhas acções e que signi icados lhes a ibuí am.
Foi mui o posi i o do pon o de is a de ques iona o que pode íamos melho-
a numa p óxima ac i idade e ainda mais in e essan e quando con e samos
sob e o que esc e emos. [MC, Junho de 2009]
A p oblema ização das ques ões da p á ica, a a és do diá io co-
labo a i o... diá io e lexi o, assume a ca ac e ís ica da escu a plu al,
ab indo-se à cons ução de no as hipó eses explica i as sob e e pa a
a acção, não só aos es agiá ios e supe iso es coope an es que di ec a-
men e p es am a enção uns aos ou os no p óp io con ex o da p á ica
pedagógica, como ao supe iso ins i ucional que, sob e os di e en es
diálogos na ados, ambém ele pa ilha os seus sabe es, ad indos do seu
quad o e e encial e da obse ação nos p óp ios con ex os de o mação
p o issional. Pode -se-á in e i que o sabe escu a e o sabe comunica ,
en e ou os, são c i é ios que legi imam e sus en am a ans o mação da
educação. Es a ideia es á p esen e nas e lexões de mui os es agiá ios, al
como se pode cons a a no seguin e exemplo:
A dimensão colabo a i a oi ulc al, pe passando na globalidade das es a é-
gias de o mação, ha endo espaço pa a cada indi idualidade em in e acção
(...) pe mi iu a c iação de um espaço pa a a análise de alguns silêncios /pon os
inicialmen e ausen es da consciência pedagógica, bem como a e isão e e-
cons ução de sen idos, pela pa ilha de sabe es pedagógicos, in luenciando
p og essi amen e acções educa i as mais conscien es. [IV, Junho de 2008]
Nes e p ocesso de cons ução de eo ias e p á icas pa a a acção do-
cen e, a ( e)cons ução de sen idos sob e os pe cu sos de ap endizagem
omen am, nos p óp ios con ex os da p á ica pedagógica, a comp een-
são p og essi a da complexidade da acção educa i a, a caminho de uma
au onomia no agi in encional, sus en ado em omada de decisões con-
cep ualmen e mais ajus adas à ans o mação da acção.
4.3 Comp eensão das dimensões é ica e democ á ica
da e lexão e da acção
O desocul a pa a o Ou o sabe es e não sabe es passa ambém
po abalha a i udes in elec uais de abe u a, ecep i idade e espei o
pelas o mas de concebe e expe imen a a acção pedagógica de cada
um. Pa ece-nos que es es sabe es são ulc ais em con ex o de in e ação,
enquad ados pelas dimensões é ica e democ á ica, como in encionalida-
de social da p óp ia educação.
Embo a a dialogicidade e con on o de pe spec i as e elem aspec os di í-
ceis da elação in e pessoal, ul apassa as suas ba ei as omen ou e lexões
e uma in e enção educa i a p og essi amen e mais é ica e democ á ica.
[JS, Junho de 2008]
Con udo, o con on o de pe spec i as de e es a anco ado no equilí-
b io en e a i ência da acção e a sua eo ização, ou seja, o diálogo de e
exp essa a coe ência das p á icas com o discu so pedagógico sob e elas
p oduzido. Es e ipo de compe ências eque igualmen e a i udes assen-
es em c i é ios de since idade, abe u a in elec ual ao Ou o, pa ilha de
emoções, c enças e alo es, numa in e acção onde a con luência do Eu
e do Ou o ai ab indo possibilidades de au o-conhecimen o a cada um
dos pa icipan es na o mação.
(...) iquei mais a en a ao ac o de não exis i só a minha ealidade, e passei
a en a e em a enção que o signi icado que a ibuo ao que aço, o que
digo e sou não é necessa iamen e igual às in e p e ações que ou as pessoas
lhe con e em, consoan e o que elas mesmas azem, dizem e são. Ou seja, o
espei o pelo Ou o, e que nós an o p ocu amos abalha na educação de
in ância, é sem dú ida po enciado po es e exe cício e lexi o pa ilhado.
[MV, Junho de 2009]
O con on o com os di e en es pon os de is a não é pe cepcionado
como uma si uação a eme , passando a se uma si uação desejada pa a
(des)cons ui e ( e)cons ui com o Ou o acções pedagógicas que pos-
sam da espos a a eais necessidades de desen ol imen o das c ianças,
Diá io colabo a i o... Diálogo e lexi o sob e a p á ica na o mação inicial de educado es de in ância,
em con ex o de in e discu si idade _ Deolinda Ribei o 37

38 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
e de co-cons ução do conhecimen o p á ico dos es agiá ios, pelo diálo-
go in e subjec i o.
4.3 Au o e he e o-a aliação na egulação das p á icas
educa i as e de o mação
Re i a implicações pa a acções u u as é um dos objec i os da di-
mensão p ospec i a da e lexão nas na a i as colabo a i as sob e a p á-
ica. No en an o, o exe cício e lexi o p eceden e de e e como objec o
as ques ões eme gen es da p óp ia p á ica educa i a, e onde se ão ( e)in-
es idas as hipó eses de ans o mação. Es a es a égia o ma i a acili a,
assim, a ( e)a aliação sis emá ica da p á ica que se desen ol e, a o e-
cendo a ( e)signi icação das acções e a comp eensão do seu impac o nos
p ocessos de desen ol imen o. É no ai ém que ca ac e iza a pa ilha
na cons ução das na a i as e lexi as que o conhecimen o ai sendo
p og essi amen e cons uído sob e as o mas de agi , pensa e de se de
cada um, in luenciado pela au o e he e o-a aliação dos p ocessos de
ap endizagem e de desen ol imen o. Vejamos o seguin e exemplo:
O diá io colabo a i o pe mi iu-me edimensiona a minha p á ica educa i a,
com base numa pos u a de au o e he e o-a aliação c í ica e lexi a, cons-
uindo, des e modo, a minha p o issionalidade docen e, com base numa
p á ica pedagógica in encional e es u u ada, de aco do com as ca ac e ís i-
cas e necessidades do g upo de c ianças, a a iculação en e o que ap endi
na eo ia e o que ía expe imen ando na p á ica, e o que ui pe cebendo
como necessidade da minha p óp ia ap endizagem (...) [SS, Junho de 2008]
Também podemos dize que a dimensão colabo a i a da e lexão
exe ce o e ei o de “desa io” aos seus p o agonis as. Ou, al ez possamos
dize que “aguça” o uso de uma a gumen ação, sus en ada na espon-
sabilidade de um olha cada ez mais analí ico sob e a acção do ou o,
no qual se unda a he e o-a aliação, como exigência sócio- elacional de
cons ução de uma cul u a de ap endizagem com o(s) ou o(s). Vejamos
o seguin e exemplo:
Sendo a e lexão um exe cício undamen al pa a a minha acção docen e, as
na a i as de e lexão colabo a i a o am de ex ema impo ância, po que
o am en endidas po mim como uma o ma de me in e oga sob e as p á-
icas desen ol idas, endo o ou o a con e i um olha di e en e daquele do
meu (...) oi a oca de olha es sob e a mesma si uação que me pe mi iu ga-
nha no as compe ências pa a obse a as acções, e sob e elas desen ol e
o meu olha analí ico (...) [BA, Junho de 2009]
Conside ações inais
De aco do com a expe iência de supe isão que emos indo a de-
sen ol e , o uso do diá io colabo a i o... diá io e lexi o em indo a
e idencia -se como uma es a égia com po encialidades o ma i as e
o ien ada pa a o “comba e” à ep odução ac í ica do sabe p o issional.
Numa p imei a e lexão, posso iden i ica as suas po encialidades pa a
mim p óp ia, enquan o o mado a, na p ocu a con inuada de ( e)cons-
ução dos meus p óp ios sabe es p o issionais, pela opo unidade de
en a em diálogo com os Ou os e, pela e lexão sob e ele, encon a
eno adas signi icações. Po ou o lado, pa ece se possí el iden i ica a
ele ância da na u eza e lexi a, pa ilhada e emancipa ó ia dos diá ios
colabo a i os na co-cons ução dos sabe es p o issionais, em cong uên-
cia com as e idências nos e alhos dos discu sos me a- e lexi os esc i os
pelos seus au o es, e que apo amos nes e ex o.
Re o çamos a con icção de que a ans o mação da educação pode
se omen ada na o mação inicial, pela c iação de espaços de e lexi i-
dade a o á eis à p oblema ização da complexidade da acção docen e.
É ambém no con ex o o ma i o dos educado es de in ância que o diá io
colabo a i o... diá io e lexi o cons i ui uma o ma de ap o undamen o
da a iculação en e eo ia e p á ica, pela con luência das eo ias públi-
cas e p i adas, o ien adas pa a a p og essi a consciencialização dos p o-
cessos de o mação p o issional, ou seja, do que azemos, como azemos
e como podemos i a melho a .
Diá io colabo a i o... Diálogo e lexi o sob e a p á ica na o mação inicial de educado es de in ância,
em con ex o de in e discu si idade _ Deolinda Ribei o 39
40 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
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Diá io colabo a i o... Diálogo e lexi o sob e a p á ica na o mação inicial de educado es de in ância,
em con ex o de in e discu si idade _ Deolinda Ribei o 41
48 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
en ada do diá io o am, po isso, o pon o de pa ida pa a a e lexão
sob e á ios aspec os do abalho que i ia se ealizado ao longo do se-
mes e. P e endia-se discu i es a égias de ges ão do “caos” ge ado pela
in odução da ino ação, consciencializando os alunos da impo ância
do seu papel na de inição do umo a oma .
Na segunda ase do es udo, co esponden e ao es ágio pedagógico,
no quin o ano da Licencia u a, acompanhei seis dos alunos na qualida-
de de supe iso a, dando con inuidade ao abalho iniciado na discipli-
na de MEA, des a ez no con ex o da iniciação à p á ica pedagógica.
O abalho ealizado nes e con ex o enquad ou-se no p ojec o supe i-
si o acima e e ido.
Com base em esul ados de in es igação no âmbi o do nosso p ojec o
de supe isão (Fe nandes, 2005), apos ei na e lexão dialógica con ic a
de que, na qualidade de supe iso a, pode ia desempenha um papel im-
po an e na p omoção de um mais ele ado ní el de c i icidade da e le-
xão esc i a dos es agiá ios, a a és de comen á ios e ques ões susci ados
pela lei u a das e lexões que es i essem dispos os a pa ilha comigo.
Es a democ a ização da supe isão a a és do diálogo (Wai e, 1999) e a,
pa a mim, uma condição undamen al ao exe cício duma e lexão c í ica
sob e as p á icas de odos os sujei os en ol idos, em clima de colabo a-
ção au ên ica e o al anspa ência.
... con iança
Po ou o lado, o en ol imen o num diálogo e lexi o pode ia dimi-
nui o na u al eceio de exposição po pa e dos es agiá ios, pois ambém
eu p óp ia e ia de me expo , diminuindo, desse modo, a assime ia de
papéis en e supe iso a e es agiá ios, e acili ando a c iação dum clima
de con iança mú ua (English, 2001; Fenwick, 2001; Wai e, 1995).
Sendo a e lexão esc i a ine en e ao p ocesso de desen ol imen o
dos p ojec os de in es igação-acção, es a am c iadas as condições pa a
da con inuidade à adopção do po e ólio e lexi o iniciado na p imei-
a ase do es udo, endo sido possí el es abelece um diálogo e lexi o
en e mim e os es agiá ios que em mui o con ibuiu pa a po encia o
ca ác e colabo a i o que en ei con e i à minha acção como supe iso-
a. Pa a os incen i a à con inuação da cons ução dos seus po e ólios
e lexi os, ago a no ano de es ágio, em a iculação com os diá ios de
in es igação-acção, decidi começa po pa ilha com eles um ex ac o
do meu diá io p o issional, no sen ido de es imula a e lexão e ( e)inicia
o que p e endia iesse a o na -se um diálogo a man e a é ao im do ano:

Es e ai se um ano em que mui o se pode aze no campo das compe ên-
cias que conside amos essenciais pa a o desen ol imen o p o issional dos
p o esso es. As mudanças com que nos con on amos não de em pa alisa -
nos, mas se enca adas como desa ios à nossa capacidade de ino a . Temos
mo i os pa a e lec i mais e mais p o undamen e, e somos ob igados a pô
à p o a a nossa capacidade de au odi ecção. (…)
Es a isão do possí el es á de aco do com a espe ança que ca ac e iza o
pensamen o pedagógico de Paulo F ei e, e com o qual me iden i ico. Como
ele, es ou con encida de que “Há uma elação en e a aleg ia necessá ia à
a i idade educa i a e a espe ança. A espe ança de que p o esso e alunos*
jun os podemos ap ende , ensina , inquie a -nos, p oduzi e jun os igual-
men e esis i aos obs áculos a nossa aleg ia. (...) Po udo isso me pa ece
uma eno me con adição que uma pessoa p og essis a, que não eme a no i-
dade, que se sen e mal com as injus iças, que se o ende com as disc imina-
ções, que se ba e pela decência, que lu a con a a impunidade, que ecusa o
a alismo cínico e imobilizan e, não seja c i icamen e espe ançosa. (Diá io
de In es igação-Fo mação, 05/10/2005)
* Leia-se supe iso es e es agiá ios (no a da au o a)
Todos os es agiá ios eagi am a es e ex o, po esc i o. Como p imei-
a eacção, ecebi o seguin e comen á io da Ma iana, ao qual espondi
poucos dias depois, einiciando-se um diálogo e lexi o que, no caso
des a es agiá ia, assumiu um ca ác e pa icula men e sis emá ico e es-
imulan e.
Comen á io ao ex ac o do diá io de supe isão de
Isabel Ba bosa de 05/10/2005
O ex ac o em causa eio su p eende -me quando demons ou deb uça -se
sob e aspec os bem di e en es daqueles que me habi uei a le no diá io da
mesma au o a do ano lec i o que já passou. A base eó ica que o sus en a
az dele um ex o bem cons uído e que se au o-jus i ica cons an emen e.
Conco dando com a necessidade da exis ência de p oblemas pa a a conse-
cução de mui os dos nossos objec i os, nomeadamen e o de adqui i com-
pe ências como as que nos p opusemos a ingi no qua o ano do nosso cu so
e que al ez nos p oponhamos a ingi nes e ano de es ágio, não me pa ece
que es a mudança osse necessá ia. É e dade que de emos ap o ei á-la
pa a daí i a o maio p o ei o possí el e que é uma boa no idade sabe que
ambém os supe iso es êem que êm de con inua a desen ol e com-
Re lexão dialógica e desen ol imen o de compe ências na o mação inicial de p o esso es de Língua es angei a
_ Isabel Ba bosa 49
50 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
pe ências, nunca se deixando pa alisa . No en an o, embo a enha icado
su p eendida e eliz po no a o om espe ançoso e op imis a com que es a
supe iso a enca a a mudança, ape ece-me dize que po maio que alguma
ez enha sido o choque da no ícia da mudança pa a alguém, nunca oi
ão g ande como o choque dos ac uais es agiá ios, os quais escolhe am o
seu cu so po que p ocu a am um de e minado egime e sabem que ano de
es ágio só há um5. A is eza é g ande quando pensamos que pe demos a
opo unidade de alguma ez e um “espaço a sós” com os nossos alunos,
quando pensamos na possibilidade de se mos enca ados como p o esso es
que ambém são ob igados a pa icipa em euniões de depa amen o ou ou-
as que conce nem apenas aos e dadei os p o esso es, quando pensamos
que não ecebemos um o denado po que ambém não abalhamos de aco -
do com os pa âme os que nos da iam di ei o a es e, que po isso pe demos
a opo unidade de e um IRS e de, a a és des e, consegui um subsídio de
a endamen o jo em ou um subsídio de desemp ego se o o caso, quando
pensamos que pe demos um ano de se iço. Não que o queixa -me mais,
mas que ia, ambém em o ma de diá io e desaba o, menos o mal e dedica-
do, deixa aqui o egis o da minha mágoa.
Embo a a a aliação não seja udo, a e dade é que somos con on ados
com o isco. De emos alo izá-lo? Como se ão os esul ados inais? É ac o
que quando não há p oblemas não e oluímos com uma cu a ão isí el,
mas a inal es a eo ia pode aplica -se mais aos supe iso es do que aos es-
agiá ios: se es es úl imos en a am ago a numa ase no a da sua ida como
pode iam es a já con o mados ou em posição con o á el? São os supe -
iso es que êm indo a ealiza o mesmo abalho há mais empo e que
podem sen i -se ali iados com a ob igação de epensa odo o abalho em
que se en ol e am. É e dade, cabe- os esse papel: o de, a í ulo de exem-
plo, pe cebe que não mais e emos opo unidade de ap o unda an o um
p ojec o de in es igação-acção (dado que me pa ece adqui ido no caso da
au o a des e diá io). Nós, po ou o lado, ha íamos sido iniciados nes e p o-
cesso de desen ol imen o das melho es compe ências e p e endíamos (ou
eu p e endia) con inuá-lo. Pa ece-me que ambos os con ex os de es ágio,
o p esen e e o passado, se iam p opícios. É cla o que quando chegamos à
escola e nos depa amos com uma no a ealidade, como já e e i na minha
p imei a e lexão des e ano lec i o, su ge um desejo o e de nos deixa mos
le a pela co en e e echa mos o cade no da e olução que nos ha ia sido
5 _ Nes e ano lec i o o am in oduzidas al e ações ao uncionamen o do es ágio pedagógico
pela Po a ia 1097/ 2005, que eio al e a o es a u o dos es agiá ios dos cu sos das licencia-
u as em ensino e do amo educacional. Sendo an es p o esso es con a ados, passa am a se
apenas alunos, pe dendo o di ei o a emune ação e a e u mas p óp ias.
o e ecido. A supe iso a da uni e sidade, po ém, já demons ou sua o ça
pa a nos a anca dos b aços do luga -comum e das aízes da p eguiça que
não é mais do que um acei a a con enção. Que ia, a inal, dize que o
melho e bo pa a nos ca ac e iza é “ o s uggle”. Se não o sabíamos icou
mais cla o com a lei u a de um ce o diá io. Foi um mo i o de espe ança le
sob e o desejo implici amen e exp esso de nos inquie a mos, ap ende mos e
esis i mos “aos obs áculos da nossa aleg ia” em conjun o. (...)
(Ma iana, 16 de Ou ub o de 2005)
Respos a ao comen á io da Ma iana ao ex ac o do meu
diá io
An es de me deb uça sob e aspec os conc e os do eu ex o, gos a a só de
dize que, po ezes sen i que, ao ala es da “au o a” do ex o que comen as,
e e e ias a alguém ex e no, uma e cei a pessoa. Acho que nes e ipo de
“co espondência” pedagógica, podemos adop a um es ilo mais dialógico,
não conco das?
Bem, cen ando-me ago a no eu comen á io, achei cu ioso que enhas, de
alguma o ma, icado su p eendida, mas não achas na u al que os con ex-
os em que as e lexões oco em de e minem não só o seu con eúdo como
mesmo o seu es ilo? Achei ambém in e essan e que enhas ei o uma a a-
liação do meu ex o. Pa ece que, de ac o, é possí el diminui a assime ia
de papéis que ende a ca ac e iza a elação en e o mado es e o mandos
(ou mesmo p o esso es e alunos), e ag ada-me que es e ipo de mo imen o
acon eça. Penso que pode se in e p e ado como sinal de con iança in e -
pessoal, ac o acili ado de um e dadei o espí i o de colabo ação.
Quan o ao papel dos p oblemas na cons ução do desen ol imen o p o-
issional, eu não que ia dize que p ecisá amos que es a mudança i esse
acon ecido, pa a pode mos desen ol e as compe ências que se incluem
nos nossos objec i os de o mação. Mas, sendo es a mudança enca ada
como um p oblema, não posso deixa de conco da com Rubem Al es,
pois é um ac o que, po causa dele, já i emos não só opo unidade, mas
ambém necessidade de e lec i mais sob e á ios aspec os da o mação.
Es ou con encida de que não se á em ão. Quando en o aze uma lei u a
op imis a da si uação, enho a noção de que não es ou a se demasiado
sonhado a. Também essa minha a i ude de p ocu a semp e o lado posi i-
o das con a iedades não signi ica que eu não en enda o osso pon o de
is a. Cus a-me é e gen e ão jo em com an a di iculdade de eacção a
essas con a iedades. Também sin o que não é jus o muda as eg as do jogo
Re lexão dialógica e desen ol imen o de compe ências na o mação inicial de p o esso es de Língua es angei a
_ Isabel Ba bosa 51
52 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
quando ele es á quase no im. Foi isso que acon eceu, e não a ingiu só os
es agiá ios. É po isso que eu uso a p imei a pessoa do plu al quando alo
de desen ol imen o de compe ências. Todos nós p ecisamos de ap ende a
lida com as implicações da mudança, mesmo que plenamen e conscien es
de que es amos a en a “ o make he bes o a bad job”. São as si uações
de c ise que põem à p o a as nossas capacidades, das quais se des aca a
de ino a , a é pa a e mos mo i os pa a alguma aleg ia, indispensá el ao
comba e con a a is eza e a us ação de mui os dos planos pessoais de
cada um de ós.
As p eocupações com a a aliação são legí imas, mas são as de semp e. É um
aspec o des a ase da ossa o mação à qual não podemos escapa , mas es a
e á de se ei a em unção do abalho ealizado. E quais são as e en es
desse abalho? O que é que ai con a ? Se á que os p oblemas no es ágio
só ão apa ece es e ano? Se á que os p oblemas ão se os mesmos pa a o-
dos? Em anos an e io es, em que á ios es agiá ios inham que pa ilha uma
só u ma en e si6, as opo unidades de lecciona não e am signi ica i amen-
e maio es que as des e ano. Pa a eles, o es ágio ambém implica a co e
iscos. É cla o que cabe aos supe iso es epensa o abalho que êm indo
a aze , e pa a alguns is o cons i ui um desa io in e essan e. Mas epensa
não signi ica abandona p á icas em cujo po encial o ma i o ac edi amos.
No caso do desen ol imen o dos p ojec os de in es igação-acção, an o eu
como as minhas colegas de equipa emos consciência de que, a ní el indi-
idual, não se á possí el “ap o unda ” o ecu so a es a es a égia de o ma-
ção. Mas ambém nunca oi possí el azê-lo nou os anos. Semp e i emos
a noção de que, no ano de es ágio, ninguém ica “pe i o” em in es igação-
acção, mas as pequenas expe iências ei as com os alunos êm-se e elado
posi i as an o pa a es es como pa a os es agiá ios. As aulas que cada g upo
de es agiá ios pode á dedica ao p ojec o, que deixa de se indi idual, pa a
se colec i o, podem da um impo an e con ibu o pa a o desen ol imen o
das compe ências dos alunos com quem ão abalha , e pa a as suas p ó-
p ias. E, po is o, já ale a pena en a .
A p opósi o do desen ol imen o des as compe ências, não pude deixa de
no a que usas o mas e bais que exp imem alguma al a de con icção
(“ al ez nos p oponhamos a ingi ”; “p e endia ap o unda ”; “se iam p opí-
cios”). Espe o que penses sob e isso (…).
6 _ Es e e a equen emen e o caso das u mas de Alemão, e que, dada a escassez de u mas
exis en es, ob iga a à si uação de co-docência em es ágio.
O “choque da ealidade” ambém não é um enómeno no o, como já i e
opo unidade de e dize no meu comen á io à ua p imei a e lexão. Mas es-
as coisas ul apassam-se! Os supe iso es podem ajuda e eu es ou a en a
azê-lo. Pa a isso p eciso da ossa colabo ação. Dizes bem, quando escolhes
o e bo “ o s uggle”, como um daqueles que i emos conjuga mui as ezes
ao longo des e ano. Mas nem semp e quem lu a sai encido, não é e dade?
E es es p incípios não se aplicam só a es ágios mais ou menos complicados.
Fazem pa e de uma iloso ia de ida, cada ez mais necessá ia no mundo
em que i emos, e no qual p ecisamos cada ez mais uns dos ou os. É po
isso que ac edi o an o na o ça da colabo ação. A é as inquie ações são
mais bem i idas se as pa ilha mos. (...)
(Isabel Ba bosa, 21 de Ou ub o de 2005)
F equen emen e, os meus ex os me eciam, po seu u no, comen á-
ios e eacções, como ilus am as igu as 1 e 2 e e en es a e lexões da
Ma iana e da Cecília, espec i amen e.
Re lexão dialógica e desen ol imen o de compe ências na o mação inicial de p o esso es de Língua es angei a
_ Isabel Ba bosa 53

54 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Figu a 1: Exemplo de esc i a dialógica com a Ma iana
Figu a 2: Exemplo de esc i a dialógica com a Cecília
Re lexão dialógica e desen ol imen o de compe ências na o mação inicial de p o esso es de Língua es angei a
_ Isabel Ba bosa 55
56 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
... en ol imen o
Embo a a p á ica de e lexão dialógica enha encon ado alguma e-
sis ência en e os es agiá ios en ol idos no p ojec o, oi possí el e i ica
as suas po encialidades a pa i da expe iência ealizada, p incipalmen e
com base nos dois casos (Ma iana e Cecília) em que ela assumiu um
ca ác e mais sis emá ico. Os exemplos ap esen ados ilus am a na u eza
da comunicação que se ge ou nesses casos. Na maio pa e das ezes,
as ma gens das e lexões dos es agiá ios e am ap o ei adas pa a ece
comen á ios, coloca ques ões ou aze suges ões. Mas nem semp e as
ma gens dos ex os chega am pa a exp essa udo o que a sua lei u a
susci a a. Assim, hou e mui as ezes a necessidade de esponde am-
bém em o ma de ex o, onde, num egis o bas an e “con e sacional”, a
e lexão sob e di e en es dimensões do p ocesso de o mação e a ap o-
undada, não de aco do com uma agenda p é ia, mas em unção das
ideias exp essas pelos “in e locu o es”.
O seguin e ex o oi esc i o como espos a a uma e lexão da Cecília,
em que mani es a algum cep icismo ela i amen e ao papel da eo ia na
cons ução do conhecimen o p o issional:
De dilema em dilema… (pa a a Cecília, em 29/03/06)
Ap ecio o eu c escen e en ol imen o nes e “diálogo” e espe o que e i es
alguns bene ícios do empo que dedicas a es a ac i idade. Fico semp e mui-
o sa is ei a quando encon o “mensagens” dos es agiá ios no meu caci o,
as quais me despe am mui a cu iosidade. Assim, mesmo que não consiga
esponde ão dep essa como gos a ia, ico equen emen e a pensa no que
me dizeis. Foi o que acon eceu des a ez. (...)
Quan o à ua elação com a eo ia e as lei u as de ca ác e pedagógico,
comp eendo que gos es de le “his ó ias”. Eu ambém gos o, po que é bom
con on a a nossa expe iência com a de ou os. De qualque o ma, a ex-
pe iência, que se de e aduzi em compe ência p o issional, di icilmen e se
cons ói só com o conhecimen o esul an e da p á ica, se es a não assen a
no conhecimen o que a jus i ique. É po isso que nenhum p o issional pode
depende só do conhecimen o p á ico, mas p ecisa de desen ol e uma ac-
ção em que eo ia e p á ica são duas aces da mesma moeda. Consegues
imagina um bom médico que não enha um sólido conhecimen o cien-
í ico? Po que hão-de os p o esso es/educado es/pedagogos (que é o que
que emos se ) se menos compe en es? Po que há-de se su icien e pa a nós
“da aulas”? Não que o dize que o que az um bom p o esso seja a quan i-
dade de lei u as que az e a sua capacidade de ci a au o es. Acho que não
pensas que é isso que de endo. Mas acho di ícil pode ejei a ex os eó icos
sob e au onomia, ou es a égias de ap endizagem, se que emos implemen-
a uma pedagogia cen ada no aluno. Não se á po al a des e conhecimen-
o que an os p o esso es nem en am en ol e os alunos em ac i idades que
podem ajuda a desen ol e a sua au onomia? Não se á po esis i em a es a
e en e da (au o) o mação, que de e se con ínua, que p e e em a anja
desculpas e jus i icações pa a não ino a ? Um bom p o esso não de e ia
se in elec ualmen e cu ioso, no âmbi o da sua ac i idade p o issional? Não
se ia impo an e pa a a digni icação da p o issão? Não se emos capazes de
en iquece as nossas his ó ias pessoais e p o issionais com os con ibu os de
ou os? Que ipo de p o issionais pode ão con a as his ó ias que u gos as
de le ?
E, eagindo a uma e lexão que a Ma iana in i ulou de “Uma g ande
man a de e alhos”, esc e o o seguin e:
É ealmen e ecompensado sen i que o meu es o ço é econhecido e que
alo izas o ac o de es a mos no mesmo ba co da expe imen ação/ino ação.
(…)
Re i o-me ambém à expe iência de esc i a dialógica, que des acas como
p o ei osa pa a i. Tenho aqui encon ado mui os mo i os de aleg ia semp e
que ( e)leio o que esc e emos. Cada um de ós em e elado ca ac e ís icas
pessoais que me em dado mui o gos o conhece e que, como já enho a i -
mado, o nam o nosso abalho mais ico, po que mais humanizado. Além
duma elação académica/p o issional, emos cons uído uma espécie de
cumplicidade que esul a des e conhecimen o como pessoas, pa a quem se
deseja o melho e com quem, po isso, gos amos de pa ilha ideias, sen i-
men os, conhecimen os. E o mais in e essan e é que ambém a es e ní el em
ha ido in e são de papéis, pois ambém eu enho bene iciado des as ocas.
Re i o-me, em pa icula , ao li o que e e is e numas das uas úl imas e-
lexões (“Elogio da T ansmissão”7) e cuja lei u a ecomendas e. Deixei-me
con agia pelo en usiasmo com que alas e do li o, ui comp á-lo e ambém
o li. Também encon ei nele mui as ideias com as quais me iden i ico, p in-
cipalmen e no que espei a à paixão pelas línguas e ao econhecimen o da
sua impo ância na ida das pessoas. (…) Acho que é um es emunho de
7 _ S eine G. & Ladjali, C. (2004). Elogio da T ansmissão. O P o esso e o Aluno. Lisboa: Publi-
cações D. Quixo e.
Re lexão dialógica e desen ol imen o de compe ências na o mação inicial de p o esso es de Língua es angei a
_ Isabel Ba bosa 57
64 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
desen ol e a i udes de c í ica e de in es igação a a és da acção e le-
xi a e da in ospecção (Viei a, 1993: 15). Ainda em Viei a (ibid.: 51) se
ale a pa a a impossibilidade de se ala em educação ac ualmen e sem
se implica a e e ência aos concei os de au o-di ecção e au onomia.
Com base nes es p essupos os, a expe iência de supe isão pedagó-
gica oi es u u ada a pa i de uma inquie ação das alunas es agiá ias em
elação à edacção das suas e lexões. Pe an e a necessidade de ans-
po em pa a a esc i a os seus comen á ios ela i os não só às aulas que
lecciona am, mas ambém e e en es a odo o ipo de assun o associado
às suas expe iências de es ágio, as alunas es agiá ias e ela am e algu-
ma di iculdade em ap o unda o ní el de e lexi idade desses egis os,
limi ando-se essencialmen e a edigi um comen á io desc i i o e in e -
p e a i o do que inha sucedido du an e as aulas po si leccionadas.
Assim, os objec i os que o ien a am a condução des a expe iência
o am:
a) Ajuda as alunas es agiá ias a ap o unda as suas e lexões esc i as,
de modo a a ingi em ní eis de e lexão c í ica ou emancipa ó ia, ul a-
passando os ní eis de e lexão me amen e écnica ( an Manen, 1977,
ci . po Ama al e al., 1996).
b) Con ibui pa a uma maio consciencialização das suas eo ias
pessoais.
c) Ajuda as alunas es agiá ias a melho a as suas compe ências de
esc i a.
d) Re lec i ace ca do con ibu o/impac o de uma me odologia su-
pe isi a de esc i a dialógica e obse ação au oscópica na p omoção de
compe ências de e lexi idade c í ica.
Numa ca ac e ização mui o gené ica, a expe iência con emplou as
seguin es es a égias de acção:
a) B e e abo dagem eó ica, em seminá io, sob e o que é e lec i e
os di e en es ní eis de e lexão.
b) Com base nesses p essupos os eó icos, cons ução de um “guião”
de o ien ação pa a a ealização das e lexões esc i as.
c) Recu so à au oscopia como o ma de maio consciencialização da
sua acção e, consequen emen e, maio p o undidade a ní el da e lexão.
d) Esc i a de um diá io dialógico onde, a a és dos seus comen á ios
e ques ionamen o, a supe iso a o ien a as alunas es agiá ias nas suas
e lexões esc i as.

Tudo is o se alice çou numa abo dagem me odológica que dá ên ase
à anspa ência, à in eg ação eo ia-p á ica, à e lexi idade, à in e sub-
jec i idade, à negociação e à egulação.
1. Re lexi idade: O olha da au oscopia e Esc i a
dialógica
Segundo Ala cão (1996b: 175) se e lexi o é “ e a capacidade de u i-
liza o pensamen o como a ibuido de sen ido”. A e lexão é o esul ado
da on ade, do pensamen o, do ques ionamen o e da p ocu a, con apon-
do-se ao impulso, ao hábi o, à adição e à o ina.
Pa a Zeichne (1993: 22), o e mo ensino e lexi o implica que os p o-
esso es c i iquem e desen ol am as suas eo ias p á icas2 à medida que
e lec em sozinhos e em conjun o na acção e sob e ela, ace ca do seu en-
sino e das condições sociais que modelam as suas expe iências de ensino.
En ão, a adopção de um modelo e lexi o de o mação p o issional insc e-
e-se nos p essupos os de que a p á ica é ge ado a de eo ia, alo izando a
cons ução do sabe pelo sujei o a pa i da e lexão sob e a p á ica, e ainda
de que um bom p o issional é um se e lexi o e au ónomo, que o ma
alunos au ónomos (Viei a: 1993: 23; Zeichne , 1993: 17-23). O concei o
de e lexi idade baseia-se, en ão, no p o esso enquan o p á ico e lexi o
(Schön, 1983, 1987). Es a ideia o nou-se a base eó ica de á ias linhas de
in es igação educacional (Ala cão, 1996a; Zeichne & Lis on, 1999), cujas
concepções assen am no conhecimen o na acção, e lexão na acção, e le-
xão sob e a acção e e lexão sob e a e lexão na acção.
Re lec imos sob e o quê? O que signi ica, en ão, se um p o esso
e lexi o? Segundo Ala cão (1996b: 180), o objec o da e lexão aba ca
udo o que se elaciona com a ac i idade do p o esso no deco e do
ac o educa i o: con eúdos, con ex os, mé odos, inalidades, objec i os,
conhecimen os, compe ências, cons angimen os; di iculdades de ap en-
dizagem, a aliação, o papel do p o esso , e c. Num con ex o de ensino,
a e lexão p essupõe que o p o esso p oblema ize as jus i icações e im-
plicações das suas opções (Viei a, 2006b: 17), ais como a elação en e
a p á ica e as acepções pessoais, alo es e c enças ace ca do ensino,
as suas o igens, que ipo de p á icas sociais essas ideias exp imem, e c.
2 _ Handal & Lau ås (1987: 9) de inem eo ia p á ica como sendo um cons u o pessoal de co-
nhecimen o, expe iência e alo es, que cada um possui e que é ele an e pa a a p á ica lec i-
a. Es e é con inuamen e es abelecido a a és de uma sé ie de acon ecimen os – ais como a
expe iência p á ica, lei u as, audição, obse ação da p á ica de ou os – que são mis u ados
ou in eg ados com a no a pe spec i a, onde se incluem as ideias e alo es do indi íduo.
Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 65
66 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Assim, ao se o pon o de pa ida e de chegada, a expe iência educa i a
assume-se como um luga ulc al na ( e)cons ução do conhecimen o e
da acção do p o esso .
Nes a linha de pensamen o, o abalho de Ala cão e Ta a es (2003: 34-37)
põe a ónica não apenas na na u eza cons u i is a da abo dagem e le-
xi a, assen e na consciência da na u eza única e imp e isí el dos con-
ex os da acção p o issional, mas ambém na comp eensão dessa acção
como ac i idade lexí el, in eligen e, con ex ualizada e eac i a. Numa
o ien ação e lexi a, o p og ama de o mação ai sendo cons uído g a-
dualmen e a a és de um cons an e p ocesso de índole e lexi a, cujas
p incipais componen es são: plani icação-acção-a aliação. Es e cená io
oco e num con ex o eal, p essupondo uma elação dialógica en e os
in e enien es, que con emple a cons ução colabo a i a de sabe es, en-
co ajando a c i icidade e onde se e idencie uma negociação de papéis
e decisões.
A necessidade de ap o unda as e lexões esc i as das alunas es agi-
á ias e explo a o seu po encial emancipa ó io na p omoção de uma su-
pe isão c í ica de p o esso es mo i a am o ecu so ao diá io3. A na a i a
esc i a cons i ui-se como uma e amen a essencial à au onomização do
p o esso ao p omo e a desc ição, in e p e ação, e lexão e a aliação
po pa e de quem esc e e (McKe nan, 1996: 84), bem como à comp e-
ensão p o unda do seu pensamen o e acção: “In ewo king, e hinking he
dia y en ies, eache s can gain powe ul insigh s in o hei own class oom
beha iou and mo i a ion” (Bailey, 1990, ci . po Gebha d, 1999: 78).
Con udo, endo em linha de con a os objec i os des e es udo, op ou-
se pelo uso de diá ios dialógicos, pois es es aliam a componen e indi i-
dual e in imis a de acesso ao pensamen o, numa p imei a ase, à pos e-
io pa ilha e comen á io de egis os, assumindo-se como ins umen os
acili ado es do p ocesso de cons ução de conhecimen o pela e lexão
sob e /indagação das p á icas.
Ao associa es e p ocedimen o à esc i a de ca as pessoais, á ios
au o es (B in on, Hol en, Goodwin, 1999; ci . po Gebha d, 1993) consi-
de am que es e p ocesso de in e acção esc i a ai ap o unda e pe sona-
liza de o ma posi i a e con ian e a elação en e os in e enien es, is o
que, se o p ocesso es i e a unciona adequadamen e, se pode á assu-
mi como um po o segu o pa a coloca ques ões, p eocupações, alhas e
3 _ No con ex o des a expe iência, o ecu so ao e mo diá io p e ende signi ica o egis o esc i-
o, mais ou menos equen e, de oco ências no con ex o de es ágio pedagógico, e não um
egis o de equência diá ia. A opção pelo uso des e e mo ambém es á associada ao seu
ca ác e indi idual e in imis a de acesso ao pensamen o.
sucessos, dando ên ase ao desen ol imen o de um p ocesso cons u i o
e colabo a i o de sabe es. Pois, à medida que a in e acção e a colabo a-
ção en e os in e enien es, nes e con ex o especí ico en e supe iso e
es agiá io, se ai desen ol endo, os sabe es ão sendo paula inamen e
cons uídos, solidi icados e ampliados.
Na sequência da ques ão colocada an e io men e - Re lec imos so-
b e o quê? - , pode -se-á pe gun a ago a “Esc e emos sob e o quê?”,
ques ões es as ão equen emen e colocadas pelas alunas es agiá ias in-
e enien es nes e es udo. Esc e e-se sob e uma ex ensa a iedade de
ópicos. Con udo, e al como acon eceu com es as es agiá ias, segundo
McKe nan (1996: 84) p o esso es menos expe ien es e em início de ca -
ei a esc e em endencialmen e sob e écnicas de ensino e o mas de e-
sol e p oblemas, assim como ambém endem a cen a a a enção em si
p óp ios, nos seus sen imen os ace ca do seu ensino. O diá io dialógico,
no con ex o especí ico da supe isão pedagógica, a se implemen ado
en e supe iso e aluno es agiá io, pode á su gi como o ma de ladea
es a endência, is o que o supe iso pode á assumi um papel de o ien-
ação do pensamen o do p o esso , p ocu ando descen a as suas e le-
xões de um ní el e lexi o quase exclusi amen e écnico, ab indo-lhe o
caminho pa a ní eis mais c í icos e emancipa ó ios.
O uso de um diá io dialógico unciona como um espelho onde o
p o esso ê e e ê as suas ideias, p á icas, sen imen os ou a i udes de
o ma mais cla a; ajuda a cons ui au o-con iança; pode da espos a a
modos de explo a o ensino; p omo e a consciencialização c í ica ace -
ca de p á icas e c enças sob e o ensino; pode e um e ei o ca alisado e
o igina no as indagações e ques ionamen os, endo em is a a econs-
ução da sua acção p o issional (McKe nan, ibid.). Tal como é e e ido
em Mo ei a (2006: 73) e Mo ei a e al. (2006: 131-132), ao se desen ol-
ido en e dois ou mais au o es, o diá io colabo a i o ai associa uma
mul iplicidade de pe spec i as em elação ao p ocesso de cons ução
do conhecimen o p o issional, es abelecendo-se uma elação dialógica
en e quem esc e e e quem lê: “expande as po encialidades do diálogo
in e io que a esc i a indi idual susci a, ao adiciona as an agens do
diálogo com o ou o” (Mo ei a e al., ibid.).
No en an o, não podemos esquece que desen ol e um diá io dia-
lógico ambém pode se cons angedo pa a alguns, de ido ao ele ado
g au de exposição pessoal. Como al, de e ão es a semp e sal agua da-
das ques ões de na u eza é ica. No sen ido exis encial, o dia is a em o
di ei o à sua p óp ia p i acidade. O lei o de e á e semp e em linha de
Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 67
68 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
con a a na u eza in imis a do diá io como pon o de pa ida pa a qual-
que acção. Di iculdades a ní el de ges ão de empo e ausência de p á-
icas de e lexão esc i a são ambém equen emen e mencionadas como
ac o es cons angedo es.
Associada à esc i a dialógica, es a a igualmen e con emplada, nes a
expe iência, o ecu so à au oscopia. A au oscopia4, segundo Bou on &
Denne ille (1995: 13) e Bou on, Chaduc & Chau in (1998: 5), consis e
em ilma indi íduos em si uações de exp essão e comunicação, com a
inalidade de es es se pode em obse a e melho a o seu compo amen-
o. No con ex o de o mação inicial, a au oscopia p e ê a execução de
uma de e minada ac i idade pedagógica, no malmen e a leccionação
de uma aula, pa a se obse ada e analisada, com is a à melho ia do
desempenho do es agiá io.
A au oscopia de e mina uma omada de consciência, quase isce al, do
que é uma comunicação au ên ica no seio de um g upo (…) A omada de
consciência de si, a a és da au oscopia, é a melho das mo i ações pa a o
“sabe ” dos o mandos. No p ocesso de o mação é uma e apa undamen al
que susci a a e lexão sob e si, em si uação, no sen ido de melho a o seu
desempenho. (Sil a, 1998: 40)
Pelas pala as de Sil a, acilmen e se comp eende o po encial que
al écnica pode assumi num con ex o de o mação, na medida em que
pe mi e ao o mando e i ica “o e ei o que p oduz sob e os ou os, so-
b e o que pa ece. Tem e ei o ap eciá el na modi icação quali a i a do
o mando” (Sil a, ibid.). Além disso, p opo ciona ao es agiá io uma aná-
lise in ospec i a, de consciencialização de papéis e compo amen os
e ai-lhe possibili a o con on o com a p óp ia imagem, p opondo-lhe
e -se como os ou os o êem, e idenciando um ele ado po encial au o-
o ma i o e po encializado de ní eis de e lexão de índole mais c í ica
e emancipa ó ia.
Num es udo ealizado pela au o a (Cos a, 2007), conclui-se que es-
a égias de au o e he e oscopia se assumem como p omo o as de p o-
cessos de (au o) o mação e lexi a, p opo cionado as de uma conscien-
cialização da p óp ia acção e da sua o ganização, não suscep í el de se
obse ada di ec amen e po ou em, assen es em p á icas supe isi as de
coope ação e endencialmen e emancipa ó ias. A i ma ainda que es as
possuem um ele ado po encial o ma i o, pois, ao p opicia momen os
4 _ Também pode á se designada po ideoscopia, ou ídeo eedback (Bou on & Denne ille,
1995: 13).
de análise in imis a, e lexi idade, (au o)consciencialização, econs u-
ção, colabo ação, in e subjec i idade, pa ilha e ap endizagem mú ua
ins igam o desen ol imen o e a au onomia dos p o issionais de ensino.
C emos, en ão, que o ecu so à au oscopia e a implemen ação de
na a i as dialógicas se complemen am e se assumem como adju an es
do abalho do supe iso , is o que os p ocessos de au o-conscienciali-
zação, in ospecção, acei ação da esponsabilidade e mo i ação in e na
pa a a mudança são ac o es do compo amen o do es agiá io pouco
passí eis de se con olados pelo supe iso e al amen e po enciados po
es as duas es a égias. Assim, is o que o plano de acção des a expe iên-
cia p e endia aze eme gi /consciencializa as eo ias p á icas de cada
es agiá ia, que mui as ezes não es ão conscien es, elege am-se es as
duas es a égias de acção como as mais p opícias à p omoção de com-
pe ências de e lexi idade c í ica.
2. Desen ol imen o da Expe iência: Pe cu sos
Re lexi os…
A expe iência ealizou-se no con ex o do es ágio in eg ado da licen-
cia u a em ensino de Po uguês/Inglês da Uni e sidade do Minho, no
ano lec i o de 2008/2009. O núcleo de es ágio encon a a-se colocado
na escola secundá ia D Sancho I, do concelho de V. N. de Famalicão.
Es a escola em já uma longa adição em ecebe es ágios da Uni e si-
dade do Minho.
T a a-se de uma escola g ande, uma das maio es do concelho, que
ecebe alunos de quase odas as escolas do 3º ciclo da egião. Ap esen-
a uma g ande di e sidade de cu sos, dis ibuídos po um signi ica i o
núme o de alunos. Encon a-se mais ocacionada pa a o ensino secun-
dá io, compa a i amen e com um núme o mais eduzido de u mas do
ensino básico (duas po cada ano, do 7º ao 9º), endo indo a aze uma
o e apos a em cu sos ecnológicos e p o issionais, nos úl imos anos.
As es agiá ias obse a am e lecciona am em duas u mas de Inglês,
uma de 10º ano e ou a de 11º ano de escola idade, da á ea de ciências
e ecnologias.
O núcleo de es ágio em ques ão e a compos o po duas alunas
es agiá ias, designadas nes a expe iência po P.C., P.F., pela supe i-
so a da escola, au o a des e ex o, e pela supe iso a da uni e sidade,
Ma ia Al edo Mo ei a. A au o a des e ex o, a supe iso a da esco-
la, desempenha a concomi an emen e as unções de dinamizado a
Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 69

70 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
e esponsá el pelo p og ama de o mação das es agiá ias e pelo de-
sen ol imen o des a expe iência na disciplina de Inglês. É P o esso a
do Quad o de Nomeação De ini i a e memb o do Depa amen o de
Línguas Ge mânicas. Desen ol e a ac i idade docen e há dezasse e
anos e exe ceu as unções de supe iso a nes a escola desde o ano
lec i o de 1997/1998 a é 2008/2009.
Ao ac edi a num pa adigma de supe isão e lexi o, c í ico e de
colegialidade, no âmbi o da supe isão clínica e a a és de um es ilo
colabo a i o, p ocu ou-se com es a expe iência, eco endo a es a égias
de esc i a dialógica e de au oscopia, p opo ciona momen os de e lexão
c í ica e emancipa ó ia às alunas es agiá ias, na sequência das di icul-
dades e balizadas po es as a ní el da p odução de e lexões esc i as.
Pa a da cump imen o aos objec i os inicialmen e p opos os oi de-
senhado um plano de acção, ao qual se chamou Pe cu sos Re lexi os…,
e cujas es a égias se ão seguidamen e explici adas:
P imei a Fase – Fez-se uma abo dagem eó ica do concei o de e le-
xão, no sen ido de pa ilha opiniões, (des) econs ui concepções ace ca
do concei o – o que é e lec i ?, sob e o que se e lec e?... Reco eu-se à
li e a u a especializada, de onde se des aca a e e ência e discussão so-
b e os ês ní eis de e lexi idade ap esen ados po Ama al e al. (1996,
de inidos segundo an Manen, 1977), que p e endem mos a que o po-
encial c í ico e emancipa ó io deco en e do exe cício da e lexão a ia
em unção da ampli ude e p o undidade des a. De aco do com es as
au o as os ní eis são os seguin es:
- Ní el 1: Re lexão écnica – Co esponde a uma e lexão na e pa a a
acção ace ca do p óp io ensino, i.e., a uma análise das acções explíci as.
Cen a-se essencialmen e na consecução e icien e e e icaz de objec i os a
cu o p azo, ais como p oblemas de indisciplina, mo i ação dos alunos,
e c., com a in enção de melho a o desempenho do o mando – O que
aço? Como posso melho a a minha acção?
- Ní el 2: Re lexão p á ica – P essupõe uma maio ab angência, que
ai pa a além do p óp io ensino do o mando e dos aspec os écnicos
desse ensino. Po isso, si ua-se um ní el acima do an e io na escala da
e lexi idade – Quais as implicações da minha acção sob e os ou os?
Como explico a minha acção ou a das minhas colegas? Que eo ias e-
i o da minha p á ica e das p á icas que obse o? Assim, o o mando ai
mais longe ao eo iza as suas p á icas, a disciplina que lecciona, os seus
alunos, e c. No en an o, pode á ha e a endência de o o mando se cen-
a apenas numa pe spec i a, alhando no econhecimen o de múl iplos
ac o es esponsá eis pelos esul ados.
- Ní el 3: Re lexão c í ica ou emancipa ó ia – Es e é o ní el de e-
lexi idade desejado no inal do pe íodo de o mação inicial. O seu âm-
bi o é ainda mais ala gado, es endendo-se às dimensões é ica, social e
polí ica das p á icas do o mando. Suben ende uma comp eensão mais
complexa em unção dos con ex os que o en ol em e os p ocessos de
o mação, numa pe spec i a indaga ó ia e a alia i a. Aqui o o mando
já é capaz de pe spec i a as si uações de di e en es ângulos – p o esso ,
alunos, in es igado es, pais, e c. Encon a-se implíci o nes e ní el uma
capacidade de c í ica cons u i a.
Tal como Zeichne & Lis on (1999), ambém conside amos que o
p o esso e lexi o é aquele que julga as o igens, objec i os e conse-
quências do seu abalho nos ês ní eis, sem deixa , con udo, de a ibui
maio ên ase e es ímulo a um ní el de e lexão que emp egue c i é ios
educa i os e mo ais (ibid.: 508).
Segunda ase: Na sequência do que oi abo dado em seminá io, a
supe iso a p oduziu um “guião” de o ien ação pa a a ealização das
e lexões esc i as (Figu a 1). Es e guião inha como inalidade o ien a
as alunas es agiá ias na esc i a das e lexões, mas ambém p e endia se
uma o ien ação à análise e comen á io das aulas que lecciona am.
Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 71
72 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Ca ac e ís icas da Re lexão Con eúdo da Re lexão
I. Desc ição / In o mação
- In oduz o ópico/con ex ualiza
- Desc e e o que acon eceu (na aula) / a si-
uação
II. In e p e ação - Exp ime opinião ace ca do que acon eceu
(na aula) e jus i ica (com ou sem exemplos)
III. P oblema ização
- Ques iona-se/in e oga-se ace ca da (sua)
p á ica e suas implicações
- Consciencializa-se ace ca de (in)cong uên-
cias/dilemas ( elação objec i os/ esul ados)
e/ou aspec os a e o mula e/ou bem sucedi-
dos (acção e ospec i a)
IV. Recons ução - De ine umos al e na i os de acção, planos
de acção (acção p ospec i a)
V. (In e )Subjec i idade
5.1. Pe sonalização
- Re e e as suas eo ias e/ou p á icas em e-
lação ao p ocesso de ensino/ap endizagem;
- Relaciona as suas eo ias e/ou p á icas com
expe iências an e io es em elação ao p o-
cesso de ensino/ ap endizagem;
V. (In e )Subjec i idade
5.2. Con on o
- Relaciona as suas eo ias e/ou p á icas com
as de ou os (colegas, supe iso es)
- Aplica sabe documen al (li e a u a espe-
cializada)
V. (In e )Subjec i idade
5.3. Comp ome imen o
- Demons a a i udes de mo i ação, en ol i-
men o, esponsabilidade, es o ço, pe sis ên-
cia, on ade, esis ência p ó-ac i a ace aos
cons angimen os
- Demons a a i udes de desânimo, ap e-
ensão, desilusão ace aos acon ecimen os/
cons angimen os.
Figu a 1 – Guião de O ien ação à Realização de Re lexões Esc i as
(baseado em Cos a, 2007)
Segue-se uma b e e desc ição de cada uma das ca ac e ís icas ap e-
sen adas no quad o:
I - Desc ição/In o mação: Re e e-se à explicação ac ual dos acon-
ecimen os da aula, não se emi indo juízos de alo . Segundo Smy h
(1989: 6) es e é o pon o de pa ida pa a os passos seguin es, ais como
a in e p e ação e a p oblema ização: “When eache s desc ibe hei ea-
ching, i is no an end in i sel , i is a p ecu so o unco e ing he b oade
p inciples ha a e in o ming (consciously o o he wise) hei class oom
ac ion”. Des e modo, es a ase da e lexão é ele an e ao cons i ui -se
como o mo o pa a o desen ol imen o das es an es den o de um pa a-
digma e lexi o.
II – In e p e ação: Con a iamen e à “desc ição/ in o mação”, a “in-
e p e ação” su ge associada a uma exp essão de opinião, à emissão de
juízos de alo e de uma in e p e ação, po pa e de quem az a e lexão.
Exp imi opinião, em e mos de e lexi idade, já implica maio p o undi-
dade. Aqui dis ingue-se se a es agiá ia apenas az uma ap eciação (iden-
i icação de aspec os bem sucedidos e/ou p oblemá icos), ou se pa a
além disso ambém jus i ica e/ou eco e a exemplos elucida i os de al
si uação, e idenciando assim maio e lexi idade.
III – P oblema ização: Conside ando que a e lexi idade em es-
ei amen e associada, no con ex o de ensino, a uma cons an e p oble-
ma ização das jus i icações e implicações pedagógicas omadas pelo
p o esso , a “p oblema ização” assume uma ele ância ulc al como e i-
dência do ní el de e lexi idade. Con empla o ques ionamen o de eo-
ias e p á icas - in e ogação/a i ude de ques ionamen o ace ca da acção
e das eo ias pessoais em unção do obse ado. Também p essupõe uma
omada de consciência ace ca dessas eo ias e p á icas. E idencia uma
análise e ospec i a da aula/das p á icas po e e ência às in enções e
objec i os delineados, onde se o na e iden e uma consciencialização
po pa e da es agiá ia ace ca dos aspec os bem sucedidos e daqueles a
e o mula .
IV – Recons ução: Encon a-se in imamen e associada a uma cons-
ciencialização is o que na sequência des a pode i uma de inição de
umos al e na i os de acção. Em e mos ge ais, dis ingue-se da an e io da
seguin e o ma: enquan o que na “p oblema ização” nos podemos epo -
a a uma análise e ospec i a da acção, equen emen e associada aos
Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 73
80 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Conclusões … Acesso à In e io idade
P e ende-se, com es a secção, ap esen a uma sín ese das p incipais
conclusões des a expe iência supe isi a de Acesso à In e io idade das
alunas es agiá ias, po e e ência aos objec i os inicialmen e açados.
Fa -se-á igualmen e alusão a algumas das implicações mais ele an es
deco en es da análise, bem como das limi ações e cons angimen os
de ec ados.
Em e mos globais, es a expe iência e idencia esul ados o ma i os
no ap o undamen o de ap endizagens no campo da e lexão. Há indícios
que apon am pa a um conjun o de elações en e as es a égias desen ol-
idas e os ní eis de e lexi idade e idenciados. C ia am-se, assim, con-
dições undamen ais que p opicia am momen os de análise in imis a da
p á ica p o issional e de acesso à in e io idade (Gonçal es, 2006) das es-
agiá ias. O caminho pe co ido implicou a p odução de ap endizagens
ele an es pa a as in e enien es, pois es as demons a am uma pos u a
e lexi a mais conscien e, c í ica e undamen ada.
Con udo, es a escalada oi ei a a di e en es elocidades, is o que
assumiu um di e en e ele o em cada uma das es agiá ias. Tal si uação
ad ém de ac o es ex e nos à implemen ação das es a égias, al como
a pe sonalidade de cada es agiá ia, bem como a ac o es si uacionais
ine en es à condição de es ágio, a deco e em simul âneo com ac o es
de o dem p o issional, em elação a uma das es agiá ias, e consequen e
maio limi ação em e mos de disponibilidade pa a a o mação.
Que espos as se ob i e am, en ão, ela i amen e aos objec i os ini-
cialmen e p opos os?
1. Ajuda as alunas es agiá ias a ap o unda as suas e lexões esc i-
as, com o in ui o de a ingi em ní eis de e lexão c í ica ou emancipa-
ó ia, ul apassando os ní eis de e lexão me amen e écnica;
2. Con ibui pa a uma maio consciencialização das suas eo ias
pessoais;
3. Ajudá-las a melho a as suas compe ências de esc i a;
Tan o o “guião de o ien ação pa a a ealização de e lexões esc i as”
como a implemen ação de diá ios dialógicos e o uso de a e as au oscó-
picas inham como objec i o p incipal apoia as alunas es agiá ias no

ap o undamen o das suas e lexões; daí se cons i uí em como as p in-
cipais es a égias pa a os ês p imei os objec i os delineados, de ido à
o e in e dependência en e eles.
Rela i amen e às es a égias mencionadas, a a e a de esc i a dia-
lógica en en ou alguns cons angimen os elacionados com o empo,
dado que a equência da esc i a não assumiu as p opo ções desejá eis.
Po um lado, não se incu em hábi os de esc i a em ão b e e espaço de
empo e é necessá io despende empo pa a ealiza a e as de esc i a, que
é semp e ão escasso num ano de es ágio. Além disso, não e a in enção da
supe iso a p essiona a ealização de al ac i idade, dado que, al como
e e em Mo ei a e al. (2006: 129), os espaços de diálogo po es a ia não
podem se espaços de no malização ou de imposição. Con udo, apesa
das con ingências, com a es a égia de esc i a dialógica oi possí el acede
ao “mundo in e io do sujei o e [à] na u eza das suas pe cepções que são,
po de inição, idiossinc á icas, caleidoscópicas e icas” (ibid.). No inal,
e a cla amen e isí el o quão esba ida es a a aquela esis ência inicial à
esc i a e à a e a de e lexão, chegando mesmo uma es agiá ia a desaba a :
“O que cus ou oi inicia , depois de começa os assun os su gem na u al-
men e”.
No que conce ne ao “guião de o ien ação pa a a ealização de e-
lexões esc i as”, pa ece e sido en endido como uma mais- alia pa a a
o ien ação da esc i a e lexi a nos diá ios dialógicos ao se a aliado po
uma aluna es agiá ia do seguin e modo:
Num seminá io an e io à ideog a ação e à au oscopia, a D a. Isabel Cos a
dedicou os nossos no en a minu os à ques ão da e lexão (já que e a uma
á ea que an o eu como a P.C. dizíamos e di iculdades). As minhas dú i-
das o am sendo escla ecidas e o am-se dissipando, mas nada me ga an ia
que essa cla i icação osse pe manen e (a é po que a minha esis ência à
esc i a é assumida). (…) O “li o de ins uções” pa a odas as minhas e le-
xões! Se a au oscopia oi pa a mim ão an ajosa, mui o se de e à e amen a
que a D a. Isabel inha cons uído pa a nos ajuda /o ien a . Ago a, pa a além
de me sen i mais capaz de passa pa a a esc i a as minhas e lexões, sin o-
me mais “compe en e” pa a e lec i sob e as ques ões mais impo an es e-
lacionadas com as minhas p á icas de ensino-ap endizagem, de conduzi
uma iagem de au oconhecimen o a é às p o undezas do meu sel , que an o
eima em pe manece escondido.
(Re lexão Es agiá ia P.F., 22/02/09)
Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 81
82 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
No que conce ne a es a égias de au oscopia, e na sequência de
á ios es udos já e ec uados (Gebha d & Op andy, 1999; Simão, 2001;
Amado, 1994; A onso, 1995; Fe nandes, 2004; Cos a, 2007, en e
ou os), mais uma ez se con i ma e a i ma o seu po encial no es ímulo
de uma a i ude e lexi a, ac i a e cons u i a ao p omo e p ocessos de
au o-consciencialização, in ospecção, acei ação da esponsabilidade e
mo i ação in e na pa a a mudança. Es a es a égia é igualmen e alidada
pelas es agiá ias ao ece em os seguin es comen á ios sob e es e assun o,
egis ados nos seus diá ios:
P esen emen e, já posso asse e a que a au oscopia oi um momen o mui o
impo an e na minha o mação enquan o u u a p o esso a. A opo unidade
de me obse a a mim p óp ia em acção (em ez de só ou i as pe cepções
das minhas o ien ado as e da minha colega de es ágio) pe mi iu-me a dis an-
ciação emocional do ac o de ensino-ap endizagem e, consequen emen e, a
u ilização de um ou o “olho”, um “olho” mui o mais a en o, mais igo oso,
mais c í ico e mais e lexi o, que me possibili a uma pos u a de maio cu io-
sidade e maio ques ionamen o ace àquilo que aço – se p o esso a.
O impac o da au oscopia não pode ia e sido melho ! Ago a pude comp e-
ende melho aquilo que a D a. Ma ia Al edo e a D a. Isabel semp e me
disse am e conc e iza com exemplos eais e isioná eis, (…). De ac o, “su-
pe isiona mos” a nossa pessoa em acção é algo ex emamen e an ajoso
e, se hoje algum colega me ques ionasse sob e o assun o, não hesi a ia um
segundo em enco ajá-lo.
(Re lexão Es agiá ia P.F., 22/02/09)
Con udo, es a [au oscopia] e elou-se bas an e ú il numa pós-obse ação,
uma ez que o am cap ados po meno es, ace ca dos quais ge almen e nem
nos ape cebemos. A a e a de au o-obse ação não é ácil, mas é um mé odo
sem dú ida e icaz na cap ação do po meno , uma ez que a câma a não
olha pa a o lado, não esc e e apon amen os no cade no, ou seja, não se
dis aí com a mínima coisa. Assim, a ideog a ação é mais um dos passos
imp escindí eis na nossa o mação po que a a és des a podemos analisa
inclusi e po meno es que po ezes nos escapam an o ao obse ado como
ao obse ado.
A a és da ideog a ação e após os comen á ios e ec uados no seminá io são
pe cep í eis alguns de alhes que an e io men e não o am al o de a enção.
Na minha opinião, a ideog a ação é um aspec o posi i o no que diz espei-
o à nossa au o-a aliação (…)
(Re lexão Es agiá ia P.C., 01/03/09)
Es a es a égia e elou-se impo an e ao pe mi i nas alunas es agiá-
ias uma maio consciencialização da sua acção e, consequen emen e,
acili ou de al manei a a esc i a e lexi a dialógica que, na ase inal da
expe iência, os comen á ios da supe iso a e am escassos, limi ando-se
essencialmen e a e o ça o que e a mencionado pelas es agiá ias.
4. Re lec i ace ca do con ibu o/impac o de
uma me odologia supe isi a de obse ação au os-
cópica e esc i a dialógica na p omoção de compe-
ências de e lexi idade c í ica.
Rela i amen e a uma me odologia supe isi a de esc i a dialógica
pode-se a e i que, mesmo não endo oco ido com a equência deseja-
da, se e es e de impo ância undamen al na omada de consciência e
análise das si uações obse adas, pelo que se ins i ui com um al o alo
au o- o ma i o e de en iquecimen o pessoal e c escimen o p o issional:
O ela o de ac os e subsequen es in e p e ações com a ajuda de um obse -
ado ex e no induz à omada de consciência da objec i idade dos ac os
e da subjec i idade das suas in e p e ações, o que ajuda a des inça en e
ac os e in e p e ações. Pa a além disso, o discu so esc i o pe mi e a lei u a
pos e io que possibili a uma e lexão mais p o unda, po que é pe spec i a-
da pelo empo e pela ine en e sucessão de ac os, in e p e ações e subse-
quen es eap eciações. (Mo ei a e al., 2006: 136).
Em elação à au oscopia, es e es udo eio con i ma que es a égias
des e ipo su gem como coadju an es e acili ado as do papel desempe-
nhado pelo supe iso , pois pe mi em uma análise emocionalmen e mais
dis anciada da si uação, e uma maio objec i idade e igo na ecolha dos
dados e na sua in e p e ação.
Tan o o ecu so ao diá io dialógico como o uso da au oscopia se as-
sumem, des e modo, como es a égias ins igado as de momen os de au o-
consciencialização pe mi indo aze a ansição do blind sel (eu ocul o)
e do hidden sel (eu escondido) pa a o open sel (eu conscien e) (Lu &
Ing am, 1969, ci . po Bailey, 2006), p opiciando momen os au ên icos de
au o- ans o mação. Con ibuem, igualmen e, pa a a pa ilha e a análise
colabo a i a en e odos os elemen os que cons i uem o núcleo, no caso
da supe isão pedagógica, is o que o es agiá io bene icia de uma análise
e e lexão ala gada, in e subjec i a e mul i ace ada sob e a sua p á ica.
Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 83
84 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Tal como já oi sendo mencionado no deco e des e ela o, o p in-
cipal cons angimen o associado à implemen ação des as es a égias
elaciona-se com o empo necessá io, an o pa a a esc i a de diá ios dia-
lógicos como pa a a análise das aulas ideog a adas.
Em e mos de pe spec i as u u as, es a expe iência pe mi e-nos e-
o ça a c ença de que as p á icas de colabo ação p o issional, com mo-
men os de au oscopia e esc i a dialógica, são p omo o as de e dadei os
momen os de econs ução p o issional e de in e subjec i idade, não só
em con ex o de o mação inicial, mas ambém em con ex o de au o-
supe isão e de o mação ao longo da ida.
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Pe cu sos Re lexi os de Acesso à In e io idade. Es a égias Dialógicas e Au oscópicas _ Isabel Cos a 85

Cap. IV. Vá ias ozes a uma só oz… na
o mação con inuada/ supe isão de p o-
esso es das AECs (Inglês)
Ângela So ia Lace da Vasconcelos _ Ag upamen o de Escolas,
Vila do Conde
1. In odução
O p esen e ex o desc e e uma expe iência le ada a cabo pela au o-
a, enquan o coo denado a das Ac i idades de En iquecimen o Cu icu-
la (AEC) de Inglês no 1º ciclo num Ag upamen o de Escolas em Vila do
Conde, e po um g upo de seis p o esso as que leccionam as e e idas
ac i idades. Enquan o coo denado a das AEC’s semp e pau ei a minha
ac uação pela p omoção de es a égias que isassem a (des)( e)cons u-
ção do conhecimen o p o issional das p o esso as, apoiada nas suas e-
o ias p á icas, que segundo Handal & Lau ås (1987) se ca ac e izam po
um sis ema de conhecimen o, expe iências e alo es que são ele an es
pa a a p á ica e que mui as ezes se encon am in isí eis aos ou os.
O e ela des as eo ias a a és do p ocesso de na a i as e lexi as pode
con ibui pa a, de uma o ma dialógica, ap o unda a comp eensão das
expe iências e a p odução de conhecimen o em con ex os p o issionais
(Mo ei a, 2008b). Assim, o ecu so ao diá io colabo a i o, enquan o
ins umen o e lexi o e c í ico com is a ao desen ol imen o p o issio-
nal, é undamen al no p ocesso de cons ução do conhecimen o. Es as
concepções in luencia( a)m sob emodo a au o a des a expe iência e
de e mina( a)m a sua opção em p opo às p o esso as a cons ução de
um diá io colabo a i o.
Os p incipais objec i os des a expe iência p ende am-se com o de-
sen ol imen o de p á icas e lexi as colabo a i as e com a (des)( e)cons-
ução do pensamen o e p á ica pedagógicos baseados em p essupos os
de uma e lexão sob e e pa a a acção.
Vá ias ozes a uma só oz... na o mação con inuada/ supe isão de p o esso es das AECs (Inglês)
_ Ângela So ia Lace da Vasconcelos 87
88 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
1. O a ina das ozes…
A esc i a az pa e das nossas idas. Esc e e é uma ac i idade ão
impo an e como ala , anda ou pensa . Van Manen (1990, ci . po
Mo ei a e al., 2006: 131) e e e que “esc e e ensina-nos o que sabe-
mos, pois, à medida que nos comp ome emos com a esc i a, emo-nos
espelhados no ex o; assim, esc e e , embo a sepa ando o conhecedo
do conhecido, pe mi e a eap op iação des e conhecimen o de modos
semp e eno ados”. A esc i a o e ece, des a o ma, possibilidades pa a
além de um simples egis o de ac os, pensamen os ou desc ições, su gin-
do como um meio de (des)( e)cons ução do pensamen o, e pe mi indo
aze enasce o “a qui o mo o” das nossas memó ias, ideias, emoções
e conhecimen o enclausu ados mui as ezes no nosso mais p o undo Eu.
A a és da esc i a é possí el e acesso ao pensamen o do p o esso ,
que pode aze um mo imen o iangula en e o passado, o p esen e e o
possí el u u o. Mui as ezes es a “ iangulação de empos” é bené ica,
na medida em que o amanhã passa acilmen e a se o on em e o pensa-
men o do p o esso é es udado numa pe spec i a e olu i a en e o sabe ,
o aze e o pensa no/sob e o aze . A es a pe spec i a subjaz a ideia de
ans o mação e ( e)cons ução e lexi a do conhecimen o p o issional.
Mo ei a (2008b) a i ma que, ao esc e e , os p o esso es descob em
o que é mais alioso e signi ica i o, pa icipando num p ocesso c í ico-
e lexi o e o ien ado pa a a in es igação. A a és da esc i a ( e lexi a)
é possí el na a episódios e si uações, cujas causas, consequências e
signi icados podem con ibui pa a uma e lexão sob e si p óp io, sob e
o seu papel, sob e a sua acção e sob e as suas concepções e eo ias
pessoais.
O diá io do p o esso /p o issional, ins umen o-base des a expe iên-
cia, pode ans o ma -se numa p eciosa es a égia de análise e lexi a
do pensamen o e acção do p o esso com is a ao seu desen ol imen o
p o issional (Zabalza, 1994). Es a esc i a pode oma a o ma de p ocesso
“soli á io” ou pa ilhado. Em p ocessos colabo a i os de esc i a exis e
uma plu alidade de ozes que se con on am desa iando cânones adi-
cionais de ap endizagem e ele ando a capacidade c í ico- e lexi a dos
sujei os. Como ad oga Boud (2001: 14-15):
These e lec i e p ocesses can be unde aken in isola ion om o he s, bu
doing so o en leads o a ein o cemen o exis ing iews and pe cep ions.
Wo king in pai s o wi h a g oup o which lea ning is he eason o being
can begin o ans o m pe spec i es and challenge old pa e ns o lea ning.
I is only h ough a gi e and ake wi h o he s and by con on ing he challen-
ges hey pose ha c i ical e lec ion can be p omo ed.
Es a expe iência p essupõe es e “da e ecebe ” que op imiza p o-
cessos c í ico- e lexi os e emancipa ó ios, endo em con a que há uma
“conjugação de es o ços” no sen ido da pa ilha de conhecimen o en e
o Eu e o Ou o.
O diá io colabo a i o unciona, des a o ma, como uma po a abe a
pa a a e lexão de di e en es pad ões de ac uação dos p o esso es, que
p ocu am encon a espos as pa a angús ias, dilemas e cons angimen-
os ine en es à p á ica pedagógica. Po ou o lado, é possí el a a és
des e ins umen o, desc e e , in e p e a e con on a a acção pedagó-
gica com os pa es, sendo possí el o na em-se ac o es ac i os na ( e)
cons ução do seu conhecimen o p o issional:
(…) collabo a i e jou nals play an impo an ole in unco e ing he
eache ’s pe sonal p ac ical knowledge, as well as pa ing a way o so-
cial ans o ma ion. As eache s a e equi ed o desc ibe, in e p e , and
con on hei pedagogical ac ion in coope a ion wi h signi ican o he s,
d awing on educa ional si ua ions and dilemmas aken om hei own p o-
essional con ex s, hey become ac i e agen s in he econs uc ion o hei
p o essional ac ion (c . Smy h, 1989) in an emancipa o y and au onomous
way. (Mo ei a, 2008b).
Assim, a pa ilha e o eedback com ca iz e lexi o podem o na -se
elemen os undamen ais no diá io dialógico, uma ez que a explici ação
e a aliação da ealidade podem con ibui pa a a esolução de p oble-
mas, expansão de ideias, descobe a e alidação do Eu, podendo p o-
po ciona no os dados pa a o desen ol imen o p o issional dos dia is as
(Fenwick, 2001). A ecip ocidade é a base de odo o p ocesso, e a a e a do
esponden e passa pela acei ação ou con on o de pe spec i as, pelo apoio
e enco ajamen o, ou pela p oblema ização e pela c í ica. É impo an e que
nes e p ocesso p e aleça uma oca abe a e anca de ideias, sem qualque
ipo de endência au o i á ia ou hie á quica (Mo ei a e al., 2006) e numa
base de con iança e hones idade (Bailey, 2005).
Es e ai ém de in o mação pe mi e queb a o inas e muda a o ga-
nização de p á icas. A p oblema ização é mais equen e e a possibili-
dade de comp eende , desc e e , analisa , con on a e concep ualiza
o pensamen o e a acção do p o esso pode o na -se uma mais- alia e
con ibui sob emodo pa a o seu desen ol imen o pessoal e p o issional.
Vá ias ozes a uma só oz... na o mação con inuada/ supe isão de p o esso es das AECs (Inglês)
_ Ângela So ia Lace da Vasconcelos 89
96 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
É possí el, pois, e i a algumas ilações da lei u a e análise dos diá-
ios elabo ados e das espos as das p o esso as a es e documen o:
O diálogo, o ques ionamen o e o con on o de pe spec i as possibili-
a a co-cons ução do conhecimen o:
O que mais me em ma cado nes a expe iência é… O quão en iquecedo a
e ú il es a expe iência é. Embo a es i esse cu iosa, não pe cebi inicialmen e
de uma o ma cla a como is o me ajuda ia a conhece -me melho e a me-
lho a . (F., A aliação in e média, Janei o 2009).
E a e lexão, a sua p á ica, ainda que não diá ia, é uma ajuda pa a nós
mesmos nos a alia mos como pessoas que somos, indi íduos/ p o issionais
den o e o a da sociedade. (J., Diá io colabo a i o, Fe e ei o 2009)
O diá io colabo a i o o e ece no as ias de e lexão e acção:
Es ou conscien e que no p imei o ano come i alguns e os e, de ce eza, que
daqui a alguns anos ou dize o mesmo sob e as minhas a i udes de ago a.
(M. M., Diá io colabo a i o, Ou ub o 2008).
Penso que ap endi a pa a equen emen e pa a pensa no que enho ei o e
aze um balanço. (M. B., A aliação in e média, Janei o 2009).
O diá io colabo a i o é uma es a égia com po encial na queb a do
isolamen o p o issional:
Mais uma ez, salien o que o nosso diá io mensal ambém me em ajudado
bas an e, pois sin o que não es ou sozinha nes a á dua, po ém g a i ican e,
a e a de ensina . (M. M., Diá io colabo a i o, No emb o 2008).
O que mais me em ma cado nes a expe iência é a oca de desaba os, ideias
e expe iências. Acho que chegamos à conclusão de que a inal odas es amos
no mesmo ba co, com as mesmas dú idas, p eocupações e expe iências.
(M. B., A aliação in e média, Janei o 2009).
Du an e a semana, apenas me encon o com a J. nas escolas e po ezes
com a M. B., po ém sin o que es ou um pouco com odas, g aças a es e
diá io. (M. M., Diá io colabo a i o, Maio 2009)

A e lexão dialógica pe mi e (des)( e)cons ui a p á ica pedagógica:
Hoje em dia a ealidade ap esen a-se de manei a di e en e e se calha nós é que
emos de nos enca a e enca a o p ocesso de ensino-ap endizagem de manei a
di e en e. (M. B., Diá io colabo a i o, Ou ub o 2008).
Penso que ap endi… que a e lexão é ex emamen e necessá ia no nosso c esci-
men o enquan o p o esso es, pois só assim podemos melho a as nossas p á icas
lec i as, desen ol endo no as es a égias e supe ando di iculdades. (F., A alia-
ção in e média, Janei o 2009).
Po isso, es e pe íodo ou es a mais a en a com as minhas u mas. Não que o
come e os mesmos e os. E enho de encon a no as es a égias pa a algumas
delas. (M. M., Diá io colabo a i o, Janei o 2009).
O diá io colabo a i o con ibui pa a o desen ol imen o de uma pe-
dagogia cen ada no aluno:
(…) p ecisamos de conhece bem os nossos alunos; quais são as suas in eli-
gências? O que os abo ece? O que os mo i a? Como ap endem bem? O que
p ecisamos de melho a ? O que é que eles p ecisam? São es as ques ões que
de emos es a semp e a pe gun a a nós p óp ias quando es amos a lecciona
po que somos “an ou side looking in”.» (C., Diá io colabo a i o, Janei o 2009)
Ap endemos, ainda que a de, que é mui o impo an e, como e e es, da au-
onomia aos alunos. Ao azê-lo, es amos a da -lhes espaço, independência e
empo pa a pensa em e e lec i em (ou não) ace ca do seu p ocesso de ensino-
ap endizagem. Nós, como alunos, não i emos essa opo unidade, e como se ia
c ucial! (J., Diá io colabo a i o, Ab il 2009)
Temos que alo iza os nossos alunos e passa -lhes alo es impo an es pa a o
seu u u o po que eles se ão o e a o daqueles que êem. A au onomia é sem
dú ida um desses alo es e, al como a F., gos a a de e mais ideias pa a a pô
em p á ica. Admi o que ainda me sin o um pouco p esa ao sis ema em que o
p o esso é o cen o e c eio que es á na ho a de melho a . Acei o suges ões e
expe iências. (Ma., Diá io colabo a i o, Ab il 2009)
Vá ias ozes a uma só oz... na o mação con inuada/ supe isão de p o esso es das AECs (Inglês)
_ Ângela So ia Lace da Vasconcelos 97
98 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Conclusões… usão das á ias ozes
Conside o que as p o esso as começa am a p oblema iza e a « ica-
em mais ezes descon o á eis» com a sua o ina. Pude am pensa pa a
(e depois de) agi , agi a pensa e muda …
É ambém isí el que podem con ia , e que pedi ajuda a ou as “ o-
zes” ajuda a adop a um umo mais ino ado . É no ó io que desen ol e am
uma “amizade c í ica” como «um meio de es abelece laços com um ou
mais colegas pa a da apoio a p ocessos de ap endizagem e mudança, pa a
que as ideias, pe cepções, alo es e in e p e ações possam se pa ilhados
a a és da ex e io ização mú ua do pensamen o e da p á ica, bem como de
sen imen os, de espe anças e de medos» (Day, 2001: 158). Ap ende am a
au o- egula o seu desempenho e as suas p á icas, econhecendo ago a o
papel undamen al da e lexi idade, embo a de o ma pouco conscien e, e
azendo jus ao concei o “co-supe isão” enquan o p ocesso de egulação
colabo a i a e emancipa ó ia. Pa a a au o a, a análise do diá io colabo a-
i o pe mi iu comp eende melho a acção das p o esso as con as ando
com ou as o mas de agi e comp eende o ensino e a ap endizagem.
Apesa de udo, es a es a égia impôs algumas limi ações e/ou p oble-
mas, nomeadamen e a al a de empo ou a mo i ação pa a aze egis os
de uma o ma con inuada, limi ações que podem, como já e e ido, cons-
ange a egula idade da esc i a (Mo ei a & Ribei o, 2009). Exemplo des a
si uação oi o ac o de uma p o esso a não e cons uído qualque en ada,
alegando al a de empo e disponibilidade pa a pa icipa nes a expe iên-
cia, apesa de esponde à maio pa e das en adas das ou as p o esso as.
No en an o, es es cons angimen os pa ece am ul apassados, uma ez que
as p o esso as solici a am mui as ezes as espos as das colegas, cu iosas
po sabe e compa a as suas e lexões com a maio b e idade possí el
pois aziam as suas en adas logo nos p imei os dias de cada mês.
Pode-se conclui que a cons ução des e diá io colabo a i o e e um
impac o mui o posi i o nas p á icas das p o esso as e na minha p óp ia
acção e pensamen o enquan o coo denado a/supe iso a das AEC’s nes e
ag upamen o de escolas, uma ez que conside o que o meu papel e e
que passa pela sensibilização pa a a e lexão e pa a p ocessos de ques-
ionamen o das p á icas, isando a (des)( e)cons ução do conhecimen o
p o issional das p o esso as que comigo abalha am.
Nes e p ocesso as ozes da coo denado a/supe iso a e das p o esso as
undi am-se numa só, pe mi indo queb a silêncios e des ela o Eu mais
p o undo e a sua o ien ação e abe u a ao Ou o (Mo ei a e al., 2006: 143):
Mas saímos o alecidas, po que nos sen imos acompanhadas e ampa adas.
Sen imos que não es amos sós. E es e e ei o “boome ânico”, es e ai ém de
dú idas, dilemas, di iculdades, cons angimen os, aleg ias e is ezas az-nos
c esce .
Vemos ou as isões, ou imos ou as ozes, emos ou as sensações…
C escemos enquan o pessoas e p o issionais po que esquecemos o b anco
e p e o em que i emos e começamos a e ou as co es, deixamos de se
um ins umen o pa a aze mos pa e de uma o ques a, deixamos de se uma
oz pa a nos o na mos num co o…
(Ângela, Maio 2009)
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_ Ângela So ia Lace da Vasconcelos 99
Cap. V. En e o p i ado e o público: o
diá io como luga de ans o mação
Flá ia Viei a _ Uni e sidade do Minho
1. Da expe iência ao conhecimen o: o luga da
esc i a
[1]
W i ing eaches us wha we know, and in wha way we know wha we
know. As we commi ou sel es o pape we see ou sel es mi o ed in his
ex . Now he ex con on s us. We y o ead i as someone else migh , bu
ha is ac ually qui e impossible, since we canno help bu load he wo ds
wi h he in en ions o ou p ojec . ( an Manen, 1990: 127)
É exac amen e is o que sin o quando esc e o sob e a minha expe i-
ência de o mado a, como ago a, nes a na a i a, onde o meu p ojec o
é esc e e sob e a esc i a de diá ios na o mação de p o esso es, mas é
ambém mais do que isso – é explo a a possibilidade de cons ui co-
nhecimen o pedagógico a a és da esc i a, como se só ela me pudesse
ensina o que sei, e de que o ma sei aquilo que sei. Foi es e pode da es-
c i a que quis que os meus alunos-p o esso es ambém expe ienciassem
quando lhes p opus cons ui um diá io de o mação.
[2]
Ye , he ex says less han we wan , i does no seem o say wha we wan :
we sigh: “Can’ we do be e han his? “This is no good!” “We a e no co-
ming o e ms wi h i .” “Why do we keep going when we a e no ge ing
anywhe e?” “We need o sc ap his.” “Le ’s y i again ha way.” (ibidem)
En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 101

102 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Também sin o is o: mui as ezes o ex o diz menos do que o que que e-
mos. Ob iga-nos a e e e cla i ica o que que emos. Mas às ezes ambém
diz mais do que que emos. E de no o nos ob iga a e e e cla i ica o que
que emos. E é nesse espaço de imp ecisão e de indecisão que ele se ai
( e)cons uindo, e com ele o nosso pensamen o e o nosso conhecimen o.
[3]
W i ing gi es appea ance and body o hough . As i does, we disembo-
dy wha in ano he sense we al eady embody. Howe e , no un il we had
w i en his down did we qui e know wha we knew. W i ing sepa a es he
knowe om he known (...), bu i also allows us o eclaim his knowledge
and make i ou own in a new and mo e in ima e manne . (ibidem)
A ideia do diá io como luga de ans o mação si uado en e o p i a-
do e o público pai a a na minha men e há algum empo e e a eal den o
de mim, mas p ecisa a de me sepa a dela a a és da esc i a pa a que
ela pudesse ganha uma no a exis ência e assim a pudesse eclama de
o ma mais ín ima. Po isso esc e i es e ex o.
A ideia em uma o igem p ecisa, num comen á io p oduzido po um
dos p o esso es (FR) sob e um p imei o ex o que edigi sob e a mesma
expe iência (Viei a, 2009a), no qual ele suge e que o diá io nos si ua
num espaço de “semi-in imidade” e “pública imidez”, as quais podem
“con igu a uma limi ação sé ia ao ca ác e emancipa ó io da esc i a e-
lexi a”. Con udo, e como esc e i nesse ex o a p opósi o do seu comen-
á io, é al ez nesse espaço de ansição en e o p i ado e o público que
se mo e oda a pedagogia que quei a se emancipa ó ia.
[4]
W i ing cons an ly seeks o make ex e nal wha somehow is in e nal. We
come o know wha we know in his dialec ic p ocess o cons uc ing a ex
(a body o knowledge) and hus lea ning wha we a e capable o saying (ou
knowing body). I is he dialec ic o inside and ou side, o embodimen and
disembodimen , o sepa a ion and econcilia ion. (ibidem)
Cons ui conhecimen o sob e a pedagogia da o mação, como p e-
endo com es e ex o em elação à p á ica do diá io, implica es a dialéc i-
ca. Implica, po an o, um ai- ém en e o p i ado e o público, si uando-
se num espaço in e médio inde iní el, de que só o au o (eu) e á maio
consciência. É nesse espaço que es e ex o se desenha. Foi ambém nesse
espaço que os diá ios de o mação dos alunos se desenha am.
2. Esc e e dialogicamen e
Es e li o cen a-se nos diá ios colabo a i os como exemplos de es-
c i a dialógica. Como a i ma Mo ei a (2008), a a-se de uma p á ica que
pode a o ece um pa adigma c í ico na o mação de p o esso es, dando
oz aos pa icipan es, p opiciando a econs ução e o esc u ínio das e-
lações de pode , e p omo endo a emancipação p o issional.
Con udo, a minha na a i a não se cen a p io i a iamen e na esc i a
colabo a i a, embo a ela in eg e a expe iência a que me epo o, eali-
zada em 2007/08 com in e e ês alunos-p o esso es na disciplina de
A aliação das Ap endizagens, do 2º semes e do cu so de Mes ado em
Educação – Á ea de Especialização em A aliação, da Uni e sidade do
Minho1. Nessa expe iência, os alunos p oduzi am um “diá io da disci-
plina”, cujo único equisi o e a que incidisse em ques ões de a aliação
das ap endizagens (incluindo a sua p óp ia a aliação). Aco dámos que
cada aluno edigi ia um núme o mínimo de oi o en adas. Cada diá io
oi comen ado po mim e po um colega da u ma em dois momen os do
semes e, cons i uindo um dos elemen os de a aliação. Em simul âneo,
edigi um diá io pessoal como es a égia de au o-supe isão, endo pa -
ilhado algumas en adas com os alunos2.
Como dizia, es a na a i a não se cen a p io i a iamen e na esc i a
colabo a i a enquan o objec o de análise, mas an es no diá io como lu-
ga de ans o mação si uado en e o p i ado e o público. No en an o,
p ocu o cons ui a na a i a de o ma dialógica, con ocando exce os
dos diá ios, o meu e o dos alunos, e o mulando conjec u as na sua in e -
p e ação. Nes e sen ido, c io um diálogo a a és da esc i a, iangulando
di e en es ozes: as dos alunos e a minha, no segundo caso em duas po-
sições – a de o mado a-dia is a e a de o mado a-na ado a. Há ainda as
ozes dos au o es que aqui e ali são e e idos, po mim ou pelos alunos.
Po an o, o ex o é ambém ace ca da esc i a dialógica enquan o modo
de na a i iza e comp eende a pedagogia da o mação, p essupondo-
se que odo o conhecimen o pedagógico é uma cons ução social que
necessa iamen e (embo a nem semp e de o ma conscien e) inco po a a
oz do Ou o.
1 _ Es a expe iência oi ealizada no âmbi o do p ojec o T ans o ma a pedagogia na uni e sida-
de: e lec i , (in e )agi , econs ui (2007-2009), que coo denei e que se in eg a na linha de
in es igação Ensino Supe io : Imagens e P á icas (UM, CIEd).
2 _ A expe iência en ol eu ou as es a égias na a i as pa a além da cons ução de diá ios
( . Viei a, 2009a), embo a aqui me cen e apenas nalgumas dimensões des a p á ica.
En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 103
104 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Ao ecupe a exce os dos diá ios, a as o-me das in enções dos dia is-
as, já que “comp eende não é apenas epe i o e en o do discu so num
e en o semelhan e, é ge a um no o acon ecimen o, que começa com o
ex o em que o e en o inicial se objec i ou” (Ricoeu , 2009: 106); ou ain-
da, “le não é só caminha sob e as pala as, e ambém não é oa sob e
as pala as. Le é eesc e e o que es amos lendo” (F ei e e Sho , 1986).
Nes a pe spec i a, ele o que eu e os alunos esc e emos conduz-me à in-
e ogação das pala as em elação com os con ex os da esc i a, e po an o
à in e ogação dos con ex os que de e mina am as pala as. Há, po an o,
um ou o diálogo que se es abelece, en e as pala as di as e o con ex o de
enunciação.
Analiso a p á ica do diá io de dois ângulos: as ensões esul an es
da sua (in)de inição enquan o p á ica de ap endizagem e de a aliação
(pon o 3) e as suas po encialidades enquan o ins umen o de p oble-
ma ização do conhecimen o, nes e caso ace ca da a aliação (pon o 4).
Em ambos os casos se equaciona o luga da esc i a en e o p i ado e o
público como luga de ans o mação.
3. Esc e e pa a quê? A (in)de inição do diá io
como p á ica de ap endizagem e de a aliação
Ao longo da minha p á ica de o mado a no con ex o de cu sos de
pós-g aduação des inados a p o esso es, enho indo a desen ol e uma
pedagogia cen ada na indagação da expe iência, o que se baseia no
econhecimen o e ac ualização de uma “conexão o gânica en e educa-
ção e expe iência pessoal” (Dewey, 1963: 25), ou seja, uma “educação
da, a a és da e pa a a expe iência” (op. ci .: 29). Con a ia-se, desse
modo, a hegemonia do conhecimen o académico e c iam-se condições
pa a a negociação de decisões sob e o que conhece e como conhece
(Viei a, 2009b/c).
Uma pedagogia da expe iência eque a análise do i ido, não só
da pa e dos o mandos mas ambém dos o mado es, o que pode se
po enciado a a és da sua na a i ização. Esc e e sob e a expe iên-
cia – em diá ios, ela os da p á ica, po e ólios ou ou os egis os de
na u eza e lexi a – signi ica ein e p e a as i ências e busca pa a
elas no os sen idos, o nando público o que e a p i ado e po enciando
ou as lei u as. Enquan o mé odo de indagação da p á ica e cons ução
de conhecimen o, a na a i ização da expe iência não p e ende che-
ga a uma e dade absolu a ou de ini i a (Webs e & Me o a, 2007).
Des e modo, a as a-se de ou os mé odos mais con encionais: eco-
nhece a elação es ei a en e pensamen o, acção e con ex o, alo iza
a cons ução (in e )subjec i a de signi icados, ecusa a objec i idade
ou neu alidade do conhecimen o e ins i ui-se, sob e udo, como o ma
de au o-es udo.
Ao p opo aos alunos a esc i a de um “diá io da disciplina”, inha
consciência das suas po encialidades e cons angimen os enquan o p á-
ica de ap endizagem e de a aliação, si uada en e o p i ado e o público:
En ada nº 1, 26 de Fe e ei o de 2008
(exce o do meu diá io da disciplina de A aliação das Ap endizagens)
Po quê p opo o diá io?
Fundamen almen e, pa ece-me que pode á ep esen a um bom ins umen o de e-
gulação das ap endizagens a a és do qual cada aluno pode á de ini pa a si p óp io
o que é mais ele an e pa a a sua ap endizagem e desen ol imen o p o issional.
O meu e á uma unção semelhan e, embo a na pe spec i a de o mado a. (...) Na
selecção dos objec os de e lexão e ela -se-ão as suas p io idades, aquilo que po
algum mo i o cap a a sua a enção e po quê, con a iando-se o habi ual desconheci-
men o ace ca de como os alunos se ap op iam do cu ículo de o mação. Po ou o
lado, e es ando o diá io elacionado com o objec o da disciplina e po an o com
ques ões da a aliação das ap endizagens, ele se á, como esc e i no p og ama, “uma
es a égia de des/ econs ução discu si a de imagens e p á icas de a aliação”, en-
do como uni e so de e e ência a expe iência de o mação e a sua elação com os
con ex os p o issionais. In e essa-me c ia espaços de e lexão sob e a a aliação, e o
diá io e á aí um papel impo an e.
Como já u ilizei a es a égia do diá io de disciplina em anos an e io es, enho uma
expec a i a posi i a quan o aos seus esul ados. Con udo, é a p imei a ez que ele
ai se um objec o pa ilhado (...), a aliado po cada aluno e po mim no âmbi o do
po e ólio, e is o cons i ui um no o desa io. Te emos de ace a c i é ios de qualida-
de e cons ui um ins umen o de (au o-)a aliação consensual, e essa se á uma das
nossas a e as. Um dos dilemas que an e ejo é: Como concilia a e lexi idade e a
au en icidade necessá ias com a unção de a aliação? Ou seja, como ga an i que o
diá io enha uma unção o ma i a quando ão se de inidos c i é ios de qualidade
com e ei os na sua a aliação e classi icação?
A é ago a enho e i ado es e p oblema, conside ando que a esc i a do diá io e a
uma a e a pessoal e p i ada, aduzida numa classi icação igual pa a odos os
que a ealizassem, independen emen e do que esc e essem, e azendo apenas uma
a aliação anónima das suas po encialidades e p oblemas num ques ioná io inal.
En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 105
112 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
as p opos as que aço são pouco amilia es, como e a o caso do diá io
da disciplina. Nes as ci cuns âncias, a sua possibilidade de con es ação
ou acei ação das p opos as é condicionada pela dupla posição de des-
an agem em que se encon am: são alunos e desconhecem o que lhes
é ap esen ado como uma “boa” p á ica. Assim, a sua adesão baseia-se,
numa p imei a ins ância, na condição de alunos a quem compe e acei a
as p opos as do p o esso e, e en ualmen e, na c ença de que o p o esso
sabe o que az. Na ase inicial do semes e, em que o diá io se impôs
a es es alunos como p á ica escola , es ou ce a de que eles não e am
capazes de an e e com cla eza os seus p opósi os, o que le ou alguns
a desen ol e es a égias de sob e i ência ou esis ência que o am ex-
plici ando, o almen e ou na esc i a, e que omos discu indo em aula,
pondo a nu os dilemas que su giam e en ando p oblema izá-los à luz
das expe iências i idas.
A espos a à ques ão “Esc e e pa a quê?” oi sendo encon ada à
medida que os alunos o am esc e endo. A a és das di iculdades en-
con adas, a (in)de inição do diá io como ex o de ap endizagem e a a-
liação ge ou mo imen os de desap endizagem de modos de esc e e e
cons ui conhecimen o, conduzindo os alunos a uma ce a libe ação
ace a p á icas mais con encionais, nomeadamen e pela p ocu a de uma
oz que se si uasse en e o p i ado e o público. Embo a isso osse mais
e iden e nuns casos do que nou os, odos econhece am o pode ans-
o mado do diá io enquan o ins umen o de exp essão e e elação do
“eu”, de au o- egulação e ( e)cons ução da ap endizagem, e de diálogo
com o “ou o”.
Uma das dimensões dessa ans o mação epo a-se à explici ação
de posições pessoais ace a eo ias de a aliação, nomeadamen e a a és
de comen á ios a ex os lidos e discu idos em aula. No pon o seguin e
ilus o es e e ei o do diá io, o qual ep esen a uma dimensão impo an e
da sua localização en e o discu so p i ado e o discu so público, des a
ez ace ca dos con eúdos cu icula es.

4. P oblema iza o conhecimen o: dize o que
se pensa ace ca do que ou os dizem
Uma pedagogia da expe iência em implicações no modo como se
es abelecem elações en e eo ias pessoais e públicas3 no p ocesso de
cons ução do conhecimen o. Como e e i acima, e i ica am-se di i-
culdades a es e ní el, nomeadamen e pela in e io ização de uma isão
posi i is a do conhecimen o. Como suge e Kincheloe (2003: 7), “The
echnicis , posi i is adi ion o p oducing knowledge (...) seeks o p o-
ide a imeless body o u h. This so-called ‘ o mal knowledge’ is no
only unconnec ed o he wo ld bu sepa a e om issues o commi men ,
emo ion, alues, and e hical ac ion”.
P omo e lei u as c í icas o na-se pa icula men e di ícil quando os
alunos êm es a isão posi i is a do conhecimen o, que os le a a assumi
uma posição ela i amen e passi a ace aos ex os de au o , caminhan-
do sob e as pala as ou oando sob e elas, a amen e eesc e endo o
que es ão lendo (F ei e e Sho , 1986). Assim, em ez de dize em o que
pensam ace ca do que ou os dizem, ep oduzem o que é di o, assu-
mindo a au o idade de um conhecimen o ex e no ace ao qual não se
posicionam, pelo menos de o ma explíci a. Es a pos u a de sujeição às
eo ias públicas é e o çada no meio académico, onde mui os o mado-
es silenciam a oz dos alunos e abalham essas eo ias como co pos
de conhecimen o in ocá eis. Con a ia es a p á ica em implicações na
escolha dos ex os a le e discu i .
3 _ Com base em G i i hs & Tann (1992), de ine-se aqui a “ eo ia pessoal” (ou “ eo ia p i ada”)
como o conhecimen o que cada um de nós cons ói em es ei a elação com a sua expe i-
ência de ida pessoal, e que no caso dos p o esso es é um conhecimen o eminen emen e
p á ico e de uso local; a exp essão “ eo ia pública” e e e-se ao conhecimen o p oduzido
com base na in es igação, nomeadamen e no meio académico, e o nado público com p o-
pósi os de expansão, gene alização ou uni e salização. Es a dis inção baseia-se, po an o,
nos modos de p odução de conhecimen o e nos usos que se dá ao conhecimen o p oduzido,
embo a seja discu í el. Po exemplo, es e ex o pode se is o como um exemplo de “ eo ia
pública”, mas cons ói-se na base da minha “ eo ia pessoal”. Na e dade, p e i o enca á-lo
como “ eo ia pessoal” que o no “pública”, e que inco po a elemen os de ou as eo ias
“pessoais” e “públicas”. Em odo caso, a dis inção ei a, embo a um an o simplis a, em-se
e elado ú il nos con ex os de o mação, sob e udo pa a e idencia a p io idade do conhe-
cimen o pessoal e p oblema iza o papel do conhecimen o público na sua ( e)cons ução.
En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 113
114 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
En ada nº 4, 6 de Ab il de 2008
(exce o do meu diá io da disciplina de A aliação das Ap endizagens)
Tenho indo a con i ma , ao longo do empo, que a melho o ma de p omo e uma
lei u a c í ica é o nece ex os c í icos, e que com es es ex os a lei u a que azemos
se es ende necessa iamen e às nossas eo ias pessoais, abalando-as o su icien e pa a
que não sejam mais as mesmas, ou pelo menos ob igando-nos a muda o ângulo de
isão que no malmen e adop amos, o que já é impo an e.
Quando alo de ex os c í icos, e i o-me a ex os que ap esen am i-
sões que in e ogam a educação, p oblema izando discu sos ou p á icas
dominan es e na u alizados, ex os que assumem posições con o e sas
e p o ocado as, ou que lançam polémica sob e um de e minado assun o
pa indo de p essupos os conse ado es e o e ecendo pe spec i as “po-
li icamen e inco ec as” segundo um de e minado quad an e de pensa-
men o (a ideia do “eduquês”, de Nuno C a o, é um exemplo dis o no seio
da comunidade educacional).
Assim, quando p oponho lei u as aos meus alunos, baseio as mi-
nhas escolhas nas minhas eacções aos ex os e naquilo que an e ejo
pode em se as suas, enca ando as eo ias públicas como ins umen o
de ans o mação pessoal. Quando discu o esses ex os na aula, cos umo
pa i das suas lei u as pessoais: o que lhes pa eceu impo an e e po quê.
A pa i daí, p ocu amos pon es com as suas expe iências p o issionais,
lei u as an e io es, con eúdos da disciplina, a e as que no seu âmbi o se
encon am a ealiza ... Ou seja, um ex o é semp e um p e ex o pa a um
diálogo a a és do qual se ai desenhando o cu ículo-em-acção, numa
lógica de “in e p e ação e ecomposição” e não de “acumulação e dupli-
cação” do conhecimen o, espe ando-se que a dinâmica en e os sabe es
“cien í icos” e “expe ienciais” a o eça mudanças (Co eia, 2003).
Nos diá ios dos alunos, eme gi am mo imen os de p oblema ização
do conhecimen o ace ca da a aliação das ap endizagens, que ganha-
am ampli ude pelo ac o de os diá ios se em comen ados po mim e
po um colega. Como e e e o FR, compa ando es e p ocesso a uma
“composição o og á ica” (po oposição a um “ins an âneo”), “o comen-
á io dá ‘p o undidade’ ao diá io, que o ecoloca numa posição menos
‘es ábica’ pa a o au o . A as ando-o ligei amen e do au o , muda-se o
enquad amen o das pe spec i as au o ais e e ela-se uma imagem mais
ampla”.
Assim, dize o que se pensa ace ca do que ou os dizem em aqui
dois sen idos: o dia is a exp essa ideias despole adas pelas ideias do
ex o e o lei o comen a essas ideias ou exp essa ideias elacionadas
com as do dia is a e/ou do ex o. Em ambos os casos, o nam-se públicas
posições p i adas – pa ilha-se com ou os o que se pensa sob e o que
alguém diz –, mas ambém se o nam p i adas posições públicas – a-
zem-se in e p e ações subjec i as do que alguém diz, num p ocesso de
ap op iação pessoal onde se jogam a expe iência e o sabe an e io es do
esc i o /lei o . Des a o ma, o diá io na ega en e o p i ado e o público,
num espaço de c uzamen o de olha es4.
Rela i amen e aos comen á ios ex e nos, o neci as o ien ações ap e-
sen adas em seguida, salien ando que eles pode iam e á ias unções,
mas nunca sob epo -se ao ex o do dia is a ou sob e ele ece juízos de
alo que não i essem uma unção o ma i a.
[Doc. 2]
Qual a unção do comen á io ex e no?
“A di e ença impo an e en e esponde a um diá io e oca co espondência é que
o au o do diá io pe manece no plano p incipal. Quem esponde não ocupa um lu-
ga idên ico na con e sa, ocando a sua a enção no p ocesso e p opósi os do esc i o
e não nos seus p óp ios in e esses.” (Fenwick, 2001: 39, ad.)
(adap ado de Fenwick, 2001: 41)
(exce o do doc. pedagógico Diá io da disciplina, 2008)
Se i de espelho
Reagi posi i amen e a p oblemas/ dilemas iden i icados; con-
i ma ideias; ap esen a casos/ exemplos pessoais ele an es;
o nece insigh s pa a a esolução de um p oblema…
P oblema iza
Comen a , ques iona , explo a ideias; ap esen a uma pe s-
pec i a al e na i a; p opo exemplos, ideias ou pe gun as que
ajudem à cla i icação; desa ia à e lexão…
O ien a
Re i a conclusões do que é di o; iden i ica pon os de i agem/
e oluções ao longo do diá io; suge i explo ações u u as/ lei-
u as; iden i ica aspec os conseguidos em unção de c i é ios;
aze suges ões cons u i as de melho ia…
En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 115
116 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Vejamos um exce o do diá io da MP, comen ado po mim e pelo
colega FR4, onde se ilus a o po encial do diá io na p oblema ização do
conhecimen o. O egis o da MP eme ge da lei u a de um capí ulo de um
li o de Pe enoud (1995), sob e as es a égias que os alunos desen ol-
em ace à a aliação e as suas implicações.
MP, 2ª en ada (02.04.2008), comen ada pelo FR e po mim
Es a semana a p o esso a ecomendou a lei u a de um ex o pa a casa que eu con-
side ei bas an e pe inen e, “Es a égias ace à a aliação” de Philippe Pe enoud
[1995, cap, VI], e sob e o qual eu gos a ia de esc e e umas b e es ilações. O ex o
em causa susci ou-me algumas dú idas, en e elas, o modo como a a aliação em
indo a se u ilizada e a é como eu a u ilizei e u ilizo enquan o aluna do mes ado
em A aliação…
Uma ase ma can e pa a mim oi: “é impossí el cap a compe ências di ec amen-
e” (p.137). P o a elmen e, inconscien emen e já me ha ia dado con a disso, a é
po que como aluna já me sen i a “desempenha um papel” mais adequado ou uma
esc i a “mais ap op iada” pa a um(a) p o esso (a), mas lê-lo ão on almen e ez-me
ques iona e se induzida pela pe spec i a Pe enousiana de que oda a a aliação é
du idosa, não exp essando um ní el de conhecimen o.
//P o ª: Toda a a aliação é du idosa, de ac o. A ques ão es á na ex ensão da
dú ida, mas ambém em decidi se que emos lida com ela como elemen o
in ínseco ao ac o a alia i o, ou assumi que pode se o almen e e adicada.
Pessoalmen e acho que não pode, mas ambém acho que a negociação da a a-
liação pode c ia sen idos (in e )subjec i os pa a a a aliação, con ex ualizados e
mais c edí eis, e menos ge ado es de injus iças. Em odo o caso, há que man e
semp e alguma dú ida, po que é a dú ida que nos ob iga a es a a en os e e i a
maio es e os. Ac edi o na dú ida como mé odo de conhece .//
//FR: De o econhece que os ex os de Pe enoud ambém me ma ca am pela
sua ac ualidade, pe inência e “ iolência”. Já inha ou ido ala do au o mas
nunca le a nenhum dos seus ex os, nem o amoso “Não mexam na minha a a-
liação”. O que me pa ece mais cu ioso é a o ma como Pe enoud conseguiu
plasma ac os que são quo idianos, que odos i emos na pele de alunos e p o-
esso es, mas dos quais não ínhamos e dadei a consciência. Falo po mim, po
nós e, co endo o isco de excessi a gene alização, po odos quan os passam
4 _ Os comen á ios e am in e calados (a co di e en e) no ex o do dia is a, como no caso aqui
ap esen ado, ou egis ados numa coluna la e al a esse ex o. No inal do semes e, os alunos
ap esen a am o seu diá io com os comen á ios.
e abalham no ensino. A “ iolência” eside na on alidade do au o e no con-
on o que somos le ados a aze com as nossas p á icas; a inal a a aliação não
é uma ins i uição, uma me odologia, um p ocesso, uma écnica, o que seja, que
se ap oxime seque da jus iça que lhe a ibuímos, é, bem pelo con á io, mui o
mais alí el do que que emos ac edi a . Como p o esso es econhecemos a ali-
dade dos a gumen os, emos desmo ona -se o sen ido de uma das p á icas que
mais pode nos con e ia, pe cebemos, como a inal, podemos se enganados po
esses “sinais ex e io es de compe ência”. Aliás ou o dos aspec os in e essan es
des es ex os é a ideia de que, de ac o, não in e essa a nenhum dos ac o es a
al e ação do es ado de coisas. Po que exis e uma acomodação? Po que, aos
alunos, é possí el con o na a a aliação do que se az? Po que se podem man e
as desigualdades sociais? Po que os modelos de a aliação, assen es na medição
e se iação, são o p odu o da sociedade em que i emos?//
O pa adoxo do sabe e do pa ece das ap endizagens dos alunos eme eu-me pa a
as aulas do 1º semes e de Educação e Li e acias, onde analisámos um ex o de Jean-
Paul Gee, “Discu sos y al abe izaciones” in La ideologia en los Discu sos. Linguís ica
Social e Al abe izaciones. Es e ex o abo da a p oblemá ica da Li e acia, enquan o
p odu o de ap endizagem que pode a o ece ou p i a os alunos de sabe es e de
pa ece sabe . Po ou o lado, os “sinais ex e io es de compe ência” di igi am o meu
pensamen o pa a um ní el económico e inancei o, onde a ase “sinais ex e io es de
iqueza” se emp ega equen emen e. Compa a-se a ap endizagem dos alunos a um
esul ado es anque e con ábil, que pode se manuseado segundo a habilidade, mais
do que conhecimen o, po pa e dos alunos. No ex o de Gee (2005) é analisado um
exemplo me a ó ico de um “índio au ên ico” – as habilidades que lhe são con e idas,
os acessó ios que de e anspo a , a pos u a a man e , os i uais a consag a , e c..
Podemos con e e o exemplo aos “jogos ác icos” que os alunos de ez em quando
êm de ealiza pa a alcança sucesso numa de e minada disciplina ou com um de-
e minado p o esso .
//P o ª: Excelen e echo e lexi o es e: in e ex ual, c í ico e elacionado com a
expe iência…//
//FR: A p opósi o des e úl imo pa ág a o, elemb ei um exe cício e ec uado numa
das aulas des a disciplina que consis ia em elenca ca ac e ís icas da a aliação.
Pa a além de juízo, medição, emancipação, pode , o ien ação, e c., uma das
ca ac e ís icas da a aliação ambém se á a es a égia?//
O papel da esc i a na p oblema ização do conhecimen o se á an-
o mais ma cado quan o mais p o ocado es, adicais ou inspi ado es
En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 117

118 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
o em os ex os lidos, a o ecendo uma elação lei o - ex o que di icil-
men e se á apenas de conco dância ou de disco dância, conduzindo a
posições híb idas que exigem o con on o de di e en es pon os de is a.
Os exemplos abaixo ap esen ados ilus am eacções a um ex o ela i-
amen e polémico sob e a a aliação o ma i a nas escolas, in i ulado
“A a aliação: a áb ica do sucesso”, capí ulo do li o A pedagogia da
a es uz, de Gab iel Mi há Ribei o (2003), um p o esso que, com base
na sua expe iência p o issional, expõe c uamen e o que en ende se em
agilidades e absu dos das p á icas a alia i as nas escolas, posicionan-
do-se em con a-co en e ace a discu sos eó icos dominan es no campo
da pedagogia e assumindo posições que podem se lidas como conse -
ado as. Foi po es as azões que suge i es a lei u a, con a iando a en-
dência de p opo ex os com os quais me iden i ico e p ocu ando induzi
um maio con on o de pon os de is a. O ac o do au o se um p o esso
e a impo an e, na medida em que o seu conhecimen o da ealidade es-
cola e a p o a elmen e semelhan e ao dos alunos, ambém p o esso es,
e in e essa a-me sabe em que medida esse conhecimen o pa ilhado
p oduzia posições de conco dância. Como se pode le nos exce os aqui
ap esen ados, as eacções o am di e si icadas, indo de uma acei ação
com ese as a é uma o al ejeição:
Num es emunho bas an e co ajoso e incon o mado, o au o denuncia aspec os
do sis ema de a aliação das ap endizagens dos alunos que o êm conduzido ao
desc édi o, ap esen ando exemplos de p á icas de a aliação em escolas que são
o ien adas pa a e idencia “sucesso” a odo o cus o. Gos ei da lei u a, acho o
ex o co ajoso, quando o li pela p imei a ez sen i-o hila ian e, le an ando ques-
ões de undo mui o impo an es.
Embo a conco de com mui os ac os desc i os, não me iden i ico com os p es-
supos os e as concepções do au o sob e a missão da escola e sob e a a aliação
(que a a aliação das ap endizagens dos alunos, que a a aliação do desempe-
nho dos p o esso es). (...)
Conco do que as polí icas educa i as êm indo a exe ce p essão sob e as esco-
las e os p o esso es pa a que subam as axas de “sucesso” dos alunos, a a és de
uma sé ie de medidas legisladas e de discu sos polí ico-ideológicos ex emamen-
e pode osos. Não conco do, po ém, com as soluções p opos as pelo au o , que
de ende uma pe spec i a de ensino ex emamen e conse ado a, cen ada num
ensino ansmissi o e em que a a aliação em uma unção eminen emen e suma-
i a e o emen e imp egnada de pode . (...) Não podemos ans o ma as p á icas
pedagógicas numa ameaça que ca i a i ualmen e os alunos! (CN, diá io da
disciplina, 19.05.2008)
Se bem en endo, o au o posiciona-se de o ma con á ia à dos no os pedagogos
(“ ilóso os-pedagogos”) e belíge a con a o ME. O pon o ulc al é es e: es e p o-
esso , que segu amen e ep esen a uma pe cen agem azoá el do nosso co po
docen e, pa ece ainda não e pe cebido que as co en es ideológicas deco em
na u almen e da p óp ia e olução social. Res a á pe gun a se de emos impedi
o na u al p og esso socie al ou, o que me pa ece mais azoá el, en a comp e-
ende a sociedade e sob e ela in e i nas suas eias de complexidade elacional
– de que a escola é iel deposi á ia...
O au o demons a mais ama gu a do que p op iamen e e idências empí icas e
acionais, na maio ia das ezes. Uma análise discu si a b e e le a-nos a com-
p eende que u iliza bem os e e en es exis en es, mas é desp opo cionado nas
suas conclusões. (RB, diá io da disciplina, 05.05.2008)
Acabei de le “A pedagogia da a es uz” de Gab iel Mi há Ribei o. Ainda na
p imei a página oco eu-me que a sex a en ada do meu diá io de A aliação das
Ap endizagens ia le a umas pinceladas da minha pe spec i a sob e es e ex o,
que ia “pega ” nalgumas ci ações e espelha a minha conco dância ou con apo
alguns a gumen os... mas essa on ade oi-se es anecendo à medida que a lei u-
a ia a ançando e que as ce ezas do au o não cabiam no meu mundo... Sob e
o ex o apenas digo que o conside o e óg ado – ui duas ezes e i ica a da a
da 1ª edição: Julho de 2003 –, desajus ado da época que i e o ensino, assim
como não acei o ( e ei legi imidade pa a o dize ?) a pe spec i a do au o sob e
a a aliação o ma i a. Não sei a é que pon o é posi i o e comp eensí el pa a as
pessoas que ão con inua a conhece es e diá io sabe em assim ão c uamen e
que me au o- ecusei a abo da in ensamen e es e ex o, suge ido no âmbi o da
disciplina. Legí imo acho que é. (EC, diá io da disciplina, 18.05.2008)
Os egis os dos alunos e idenciam lei u as c í icas e omadas de posi-
ção que al ez nunca i essem sido exp essas des a o ma se não ossem
esc i as. Sabemos que a discussão de ex os em aula, condicionada pela
necessidade de ges ão colec i a do empo e da pala a, pode a apalha
o aciocínio, cala o pensamen o, deixa no a a con usão. No ac o da
esc i a, pelo con á io, cada aluno pode usa o empo e a pala a ao seu
i mo, numa mais es ei a ligação com o p ocesso de cons ução de co-
nhecimen o. Vol ando às pala as de an Manen (1990: 127):
W i ing eaches us wha we know, and in wha way we know wha we know.
As we commi ou sel es o pape we see ou sel es mi o ed in his ex . (...) W i-
ing sepa a es he knowe om he known (...), bu i also allows us o eclaim
his knowledge and make i ou own in a new and mo e in ima e manne .
En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 119
120 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
5. Um mundo po explo a ...
Espe o, com es e ex o, e con ibuído pa a a i ma o pode da esc i-
a dialógica na comp eensão da pedagogia da o mação, nes e caso com
um en oque no modo como o diá io, desen ol ido numa ensão en e o
p i ado e o público, pode se um luga de ans o mação: ans o mação
dos modos de cons ução do conhecimen o, pa alela à ans o mação do
papel dos alunos nos con ex os o ma i os.
Em elação a es a expe iência, impo a ainda dize que a p á ica do
diá io ge ou uma espécie de “cu ículo pa alelo” aduzido no olume de
ex os p oduzidos pela u ma e que, não sendo o almen e conhecido de
odos os pa icipan es, cons i uiu um “cu ículo semi-ocul o” ou, como
esc e i num ou o ex o a p opósi o da mesma expe iência (Viei a, 2009a),
um mundo po explo a :
Uma limi ação de uma pedagogia da expe iência é a sua incapacidade de ex-
plo a , colec i amen e, a mul iplicidade de ozes e isões que nela eme gem.
O momen o em que maio consciência i e do alcance des a limi ação oi quan-
do li os diá ios no inal do semes e. Essa lei u a pe mi iu-me cons a a a iqueza
dos discu sos p oduzidos pelos 23 alunos em o no da a aliação das ap endi-
zagens, discu sos esses que cons i uíam uma pa e signi ica i a do cu ículo-
em-acção, mas aos quais apenas eu inha o al acesso. O meu pensamen o oi:
odos os alunos de e iam e a opo unidade de le e discu i udo is o. Sen i que
es a a ali, debaixo dos meus olhos, um mundo po explo a ... A es e p opósi o,
esc e e uma aluna (OB) que ambém comen ou es e ex o: “Pe cebo que a isão
que a p o esso a em com o acesso aos nossos mundos a a és dos nossos ex os
é como uma isão pano âmica de uma paisagem em que nós es amos pe o de
mais pa a pode e e que só posso imagina . (...) Le o seu ex o, pa a mim, é
como se osse le ada pela sua mão a e a paisagem”. Esc e e sob e a pedago-
gia que p a icamos e pa ilha com os nossos alunos os ex os que esc e emos
pode eduzi a limi ação apon ada, c iando opo unidades de colec i ização e
elei u a do i ido.
Es a e lexão coloca-nos uma ez mais pe an e a ques ão do p i ado
s. público. Quando o p o esso é o único que em acesso a odos os ex-
os p oduzidos, como oi o caso, há um imenso mundo semi-p i ado que
ica po explo a . A na a i ização da expe iência de o mação num e-
gis o mul i ocal, como acon ece nes e ex o, é uma incu são nesse mun-
do, mas mui o incomple a. Po ou o lado, se á que é legí imo a ança
pa a uma maio exposição pública daquilo que, não sendo o almen e
p i ado, e lec e a indi idualidade de cada um? C eio que não. Tal ez
haja mundos que não que emos expô e que de em ci cula somen e
en e o p i ado e o público, p ese ando dessa o ma a sua in eg idade
sem se echa em o almen e ao diálogo. Alguns alunos sinaliza am cla a-
men e es a ques ão a p opósi o da es a égia do comen á io, apesa de a
alo iza em. Vejamos um es emunho:
Acabo de le as p imei as pala as des e diá io e ico, desde já, com a ní ida
sensação de que comen a um egis o des e géne o se á uma a e a espinhosa,
po udo o que odeia a sua p odução, lei u a e in e p e ação. (...) Mesmo não
es ando em causa ou a coisa senão uma e lexão, que ge a um eedback, que
é, po sua ez, ou a e lexão, é uma si uação es anha, inédi a (no meu caso),
que causa uma descon o á el sensação “quase an i-democ á ica”. (FR, p imei o
comen á io ao diá io da MP)
A sensação “quase an i-democ á ica” de in adi um ex o p i ado
al ez deco a da al a de hábi o que o aluno assinala, mas eme e-nos
ambém pa a a necessidade de pensa uma é ica da esc i a em con ex o
educa i o, uma é ica que nos ajude a de ini uma on ei a en e o que é
legí imo e ilegí imo aze .
Ag adecimen os
Es e ex o é dedicado a odos os alunos que comigo abalha am na disciplina de A aliação
das Ap endizagens em 2007/08, acei ando os desa ios que lhes p opus e colocando-me am-
bém desa ios que me mo i am a esc e e sob e o abalho que jun os ealizámos. Não ol ei
desde aí a lecciona essa disciplina, mas ap endi mui o com ela e es e ex o p e ende se disso
es emunho.
Re e ências
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En e o p i ado e o público: o diá io como luga de ans o mação _ Flá ia Viei a 121
128 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Eu disco do, mas se á que a minha a i mação oi cla a ou oi su icien emen e
o e pa a muda as ossas ideias?
Mesmo que eu conco de com x posso dizê-lo sem co e o isco de se edun-
dan e?
Se á que as minhas ideias es ão e adas?
E se eu ecebe só silêncio às minhas dú idas? O que é que esse silêncio que
dize ?
Em e cei o luga , oi ele an e o con ibu o da esc i a do diá io na
cons ução da coesão dos pequenos e do g ande g upo ( u ma), e no
mi iga da p esença do discu so da au o idade. No en an o, a amilia ida-
de de alguns alunos-in es igado es e da p o esso a com o ema a ec ou
uma desejá el pa icipação mais simé ica. Em qua o luga , a esc i a do
diá io denunciou a exis ência de uma plu alidade de o mações uni e -
si á ias en o madas po di e en es, e po ezes an agónicas, concepções
epis emológicas e pedagógicas sob e a His ó ia e o seu ensino, ac o
que p o ocou a necessidade de ques iona as o odoxias e p omo e a
ole ância, a a és de discussões acesas ace a es a di e sidade de pon os
de is a. Mas como o diá io oca a o abalho de in es igação em g upo,
oi necessá io encon a comunalidades e consensos, pa icula men e
quan o à escolha dos con ibu os eó icos e às omadas de decisão me o-
dológica. Assim, negociação oi a pala a-cha e que de iniu a na u eza
das en adas que e sa am as decisões sob e o desenho e sob e a me o-
dologia de análise, o nando-se e idências da consciência de que, sem
consensos, o p ocesso se ia pouco p odu i o e com um alo cien í ico
discu í el. Reconhece-se que, apesa de es a demanda e sido alcança-
da, hou e alguns in es igado es que ade i am po iné cia e/ou que se
de am como « encidos mas não con encidos». Es a cons a ação ale a-
nos pa a a en ação de olha mos pa a o diá io colabo a i o como ins u-
men o mágico que p o oca necessa iamen e consensos e/ou mudanças.
Aliás, oi in e essan e econhece um pa alelo en e es a si uação com as
es a égias de pe sis ência que os alunos (sujei os dos es udos de caso)
desen ol em quando con on am as suas ideias áci as com o conheci-
men o his ó ico cien í ico (Melo, 2009: 21):
1. A adição é a es a égia mais equen e pa a ees u u a os a gumen os num
no o aciocínio. Os alunos in eg am a no a in o mação o al ou pa cialmen-
e, oco endo apenas uma modi icação na quan idade do conhecimen o; 2.
A p ocu a de co espondência en e o conhecimen o áci o e o conhecimen o

escola consubs ancia-se quando um aluno p ocu a elemen os isolados de in o -
mação ou elações que exis em na si uação ou enómeno em es udo que sejam
simila es ou con o me o seu conhecimen o áci o; 3. A p ocu a de e idências
con i ma ó ias cons a a-se quando os alunos en en am e idências que con a-
dizem cla amen e o seu conhecimen o áci o. En ão, p ocu am e só acei am as
e idências que con i mem o seu conhecimen o p é io; 4. A selecção en iesada,
elacionada com a es a égia an e io , consis e na ejeição das con a-e idências
que con adizem o seu conhecimen o áci o subs an i o; 5. Po ezes, os alunos
acei am es as con a-e idências, mas ca alogam-nas como pa icula es, que di-
ze , elas são is as como ‘uma excepção à eg a’. São assim a umadas numa
ca ego ia pa alela, de modo a e i a os con li os e as con adições que elas pos-
sam ge a ; 6. A c iação de no as a iá eis é uma ou a es a égia que consis e
na in enção de hipó eses a pa i das e idências p opos as que podem exp essa
di e en es g aus de plausibilidade; 7. O uso do silêncio pode se sinal da sob e-
alo ização e segu ança no seu conhecimen o, aduzido na ecusa de o es a
pe an e no as e idências.
Bo g (2001) iden i icou um o ma o que lhe oi ú il pa a a esc i a do seu
diá io de in es igação, e que seguiu os seguin es ac os: a) econhece o seu
p oblema, b) o mula ques ões pa a descons ui o p oblema, c) iden i ica
a causa e as acções mais imedia as, e d) oma decisões e e balizá-las
em esc i a. A e isi ação às páginas do seu diá io chamou a sua a enção
pa a uma ce a ansiedade que os in es igado es podem sen i an es de
con ac a em e /ou implemen a em os seus ins umen os nas salas de aula
eais. Realçou emoções como o en usiasmo ou desapon amen o ace às
ac i idades dos alunos e dos p o esso es ou ace a eacções nega i as
ao seu abalho, e ainda o sen imen o de impo ência pe an e p oblemas
que podem a ec a o p og esso da in es igação, e/ou que não podem (ou
pa ecem não pode ) se esol idos. Assim, es e in es igado adjec i ou
os ela ó ios e os li os sob e in es igação de «assép icos» pois e i am
es a oz pessoal, já que de endem que os sen imen os e as emoções não
êm um papel ele an e no seu p ocesso de implemen ação. Mas como
já e e ido, equen emen e es e silêncio ensu decedo az com os in es-
igado es inician es ejam os p oblemas como limi ações pessoais; daí
que econheça que o ac o de “es abelece em um diálogo e apêu ico
com o seu diá io - o que Thomas (1995b) chama de in a-comunicação
en e o esc e en e e o Eu - pe mi e que possam ge i a dimensão a ec i a
do abalho” (Bo g, 2001: 165).
Diá ios de In es igação em Educação His ó ica: A pa i u a iniciá ica das ozes de in es igado es
_ Flá ia Viei a 129
130 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Nos es udos que a nossa equipa em indo a desen ol e 3 (Melo,
2004, 2007, 2008, 2009), es as e ou as dimensões emocionais nem
semp e oco e am, já que as escolas, os p o esso es e alunos e am ami-
lia es aos in es igado es. Em alguns casos oi mesmo possí el c ia uma
comunidade onde os p o esso es e os es udan es o am en ol idos como
pa es. No es udo em cu so, que ap esen a emos de seguida, a ideia de
pa ce ia oi cla amen e assumida como undado a, já que o es udo e a
esc i a dos diá ios in es iga i os o am ei os em g upo, onde um dos
elemen os e a esponsá el pela classe / u ma e pela execução p á ica do
es udo, e onde os ou os elemen os agi am como in es igado es/ obse -
ado es.
1. Os passos do es udo
O objec i o des e es udo em cu so oi ca og a a as ideias e os p o-
blemas que os in es igado es o ganizados em g upo encon am ao longo
do desen ol imen o de uma in es igação. Es á amos pa icula men e
in e essados em: a) Iden i ica os objec os de e lexão alo izados em
cada en ada e nas á ias ases da in es igação, e as ideias subs an i as
que exp essam ace ca dos p oblemas, dilemas e soluções que a imple-
men ação ge a, e b) Con i ma a exis ência de uma elação explíci a de
implicação en e as ideias subs an i as e a na u eza da esc i a e lexi a.
Os sujei os são p o esso es, u u os in es igado es, insc i os no Mes a-
do de Supe isão Pedagógica em Ensino da His ó ia e Ciências Sociais
da Uni e sidade do Minho, e es e es udo oi desen ol ido no con ex o
da disciplina com o nome do mes ado. Pa a a maio ia, es a oi a sua
p imei a expe iência, daí que lhes enha sido dada uma b e e e esque-
má ica in o mação sob e os p ocedimen os in es iga i os. Os es udos
(qua o) o am desen ol idos em salas de aula de His ó ia (3º ciclo do
Ensino Básico e Ensino Secundá io) e os seus emas o am: a) Os ma-
pas de concei os como ep esen ação g á ica do conhecimen o his ó i-
co/ C ise do séc. XIV (10º ano); b) As ideias áci as sob e o acismo (9º
ano); c) A lei u a de ca oons polí icos/ Es ado No o - Censu a (9º ano),
e d) As canções polí icas como on es p imá ias/ José A onso (9º ano)4.
3 _ Os es udos /li os publicados inse em-se na linha de in es igação “Li e acias: P á icas e Dis-
cu sos em Con ex os Educa i os” (Coo d. Lou des Dionísio) /P ojec o colec i o “Cons ução
do conhecimen o em con ex os educa i os o mais: P á icas e discu sos” (Coo d. Ma ia do
Céu de Melo). Cen o de In es igação em Educação, Uni e sidade do Minho.
4 _ Es es es udos se ão publicados em b e e.
Os g upos o am con idados a esc e e os diá ios de in es igação, onde
a au o ia de cada en ada se ia decidida en e os seus elemen os, de
modo o a i o ou li emen e. A equência de esc i a oi deixada ambém
ao seu c i é io, endo apenas sido lemb ado que as en adas de iam en-
a cob i odos os passos da in es igação: Cla i icação e especi icação
do ema, p ocu a e lei u a de a igos e li os, de inição das pe gun as
de in es igação, desenho e implemen ação (momen os, ins umen os de
ecolha de dados, me odologia de análise), análise e discussão dos da-
dos e edacção das conclusões. O cump imen o des a suges ão pode á
o na -se um indicado do g au de comp omisso e da dinâmica dialógi-
ca que o am capazes de ece en e si, bem como ge a um ela o dos
p oblemas eais que o g upo en en ou. Cada en ada de ia se mandada
pa a os ou os elemen os do g upo (se de au o ia indi idual) e pa a a p o-
esso a-o ien ado a po e-mail que, de aco do com o ciclo de e lexão
colabo a i a, espondia en iando os seus comen á ios pa a odos os ele-
men os do g upo. Os in es igado es o am ale ados pa a os con ibu os
de á ios es udos sob e a na u eza e ipos de e lexi idade que já inham
sido es udados (Oli ei a, Melo & Mo ei a, 2005; Viei a e al., 2006).
De empos a empos, a pedido dos g upos, o o ien ado eunia-se com
cada g upo pa a discu i a p og essão dos es udos.
A me odologia de análise con emplou dois p ocedimen os. O p i-
mei o adop ou o c i é io diac ónico. Assim, e de aco do com os á ios
momen os de in es igação p e endeu-se iden i ica a na u eza dos enun-
ciados, ou seja, as ideias, os p oblemas e as soluções que eme jam.
Es a análise pe mi i -nos-á e i ica se os emas a iam em consonância
com a especi icidade de cada momen o in es iga i o, e se alguns pe -
manece ão ao longo do p ocesso e os seus po quês. Assim, os enun-
ciados o am ca ego izados de aco do com os passos de in es igação
(Scha zman & S auss, 1973): 1. Tema /objec o: cla i icação e especi i-
cação; 2. Lei u a da li e a u a; 3. De inição dos objec i os e pe gun as
de in es igação; 4. Desenho da in es igação; 5. Cons ução dos ins u-
men os de ecolha de dados; 6. Implemen ação e ecolha; 7. Análise e
8. Esc i a. De seguida, os mesmos se ão ca ego izados de aco do com a
na u eza da sua in enção: 1. Obse ação /da a da en ada / ema; 2. Te-
ó ica /da a da en ada / ema; 3. Me odológica / da a da en ada / ema;
4. Esc i a / da a da en ada / ema. É de ealça no amen e que a sequência
dos passos é uma me a sis ema ização ope acional que não pode se
enca ada com uma linea idade diac ónica ígida, já que mui os passos
se epe em, sendo o mais ilus a i o o passo 2, que de e adop a uma
p esença espi alada ao longo de odo o p ocesso. A nossa in enção de
Diá ios de In es igação em Educação His ó ica: A pa i u a iniciá ica das ozes de in es igado es
_ Flá ia Viei a 131
132 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
de e mina a elação en e a equência de oco ência de x emas em
ce os passos, ou independen emen e deles, e a in o mação subs an i a
que explici am, oi p ocu a encon a e idências sob e a a ibuição de
ele ância dada pelos in es igado es e as possí eis causas pa a a sua pe -
sis ência e/ou desapa ecimen o. Es a p imei a ca ego ização supo ou a
seguin e, o e ecendo uma lis a simul aneamen e desc i i a e subs an i a
dos emas elei os em cada passo de in es igação. O segundo p ocedi-
men o adop ou um c i é io sinc ónico, onde se p e endeu es abelece uma
elação a ibu i a en e as en adas ei as em cada passo de in es igação e
a na u eza e lexi a da esc i a. Pa a al, usa am-se as seguin es ca ego ias
(Oli ei a, Melo & Mo ei a, 2005, adap .): 1. Desc ição: Iden i icação de o
quê, quem, onde, quando e como a in es igação se p ocessa (os seus ac os);
2. In e p e ação: Iden i icação dos po quês e das inalidades da in es i-
gação (os seus ac os); 3. Con on o: Iden i icação da ele ância, da sua
sus en ação eó ico-p á ica, limi es e cons angimen os, e os (?) da in-
es igação (os seus ac os); 4. Recons ução: Iden i icação, plani icação
e implemen ação (se iá el) de mudanças. O objec i o des a segunda
análise oi, uma ez mais, p ocu a e idências que es abelecessem uma
elação de implicação en e o con eúdo subs an i o dos enunciados dos
in es igado es e a sua na u eza e lexi a, de modo a comp eende o im-
pac o da esc i a do diá io no desen ol imen o da me acognição do p o-
cesso in es iga i o i ido, assim como se ele oi ou não um ca alisado
de mudanças nos seus discu sos e p á icas sob e o ensino, ap endizagem
e in es igação em Educação His ó ica. Isolando cada en ada /da a, a
unidade de análise oi de inida (Melo, 2003: 72) como “uma p oposição
com um con eúdo semân ico dis in o, podendo assumi um pa ág a o,
uma ase ou pa e dela. No en an o, o nosso c i é io de delimi ação não
oi necessa iamen e só linguís ico, já que no p ocesso de a ibuição de
sen ido, cada unidade oi conside ada como pa e da en ada, endo sido
ambém con ocado o modo de uncionamen o do mundo sociolinguís i-
co dos alunos [in es igado es]”.
2. As ozes dos in es igado es
A análise dos qua o diá ios e a p ocu a de comunalidades e di e-
enças en e eles ainda não es á e minada; daí que as pala as seguin es
de am se conside adas como pa cela es e p o isó ias. No en an o, é
possí el ala de algumas endências já isí eis.
• A p imei a mos a que uma maio equência de en adas ende
a oca os passos 1 e 3 ( espec i amen e, a cla i icação do ema /objec o
e a de inição dos objec i os e pe gun a de in es igação) e, mais a de, o
passo 7 (Análise), pa icula men e quan o aos p ocedimen os analí icos,
onde os enunciados endem a se de p eocupação me odológica. Apesa
de e mos e e ido que o passo 2 (Lei u a de Li e a u a) de e adop a uma
p esença espi alada, as e e ências são diminu as e subs anciadas p edo-
minan emen e em pedidos de bibliog a ia. Os enunciados que e sam
es a lei u a só apa ecem com uma equência signi ica i a mais a de,
quando os in es igado es se encon am já em plena análise das espos as
dos alunos, sen indo en ão a impo ância daquela na in e p e ação do
que es á explíci o, e ainda mais no que es á implíci o:
Se á que alhámos? Nós ago a econhecemos alguns e os na ca ego ização, e
mais na in e p e ação das ideias dos alunos, mas já es á amos num pon o sem
e o no. De íamos e lido aqueles ex os sob e as ideias áci as, apesa do ema
his ó ico se di e en e.
Ela [a análise] es á mui o supe icial, e es amos quase semp e só a a uma e a
ci a as espos as dos alunos e não conseguimos esca a o que es á po de ás
delas. O que aze ?
O p oblema é que es amos habi uados a sepa a a eo ia da p á ica, como se elas
ossem dois aspec os independen es. Ago a é que sen imos na ‘pele’ que elas se
ajudam uma à ou a.
• A segunda endência pe mi e-nos a i ma ambém que, quan o
ao ipo de e lexi idade, os enunciados são inicialmen e mais desc i i-
os (Passos 1: cla i icação do ema e especi icação do objec o; Passo 3:
De inição dos objec i os e pe gun as de in es igação), passando a se em
mais in e p e a i os e/ou de con on o apenas quando as en adas do su-
pe iso os despole a. No en an o, e apesa de conside a mos es a nossa
a i mação como endência, a lei u a c uzada dos á ios diá ios, já que
a análise sis emá ica ainda não es á ei a, mos a que, pelo menos num
g upo, os seus enunciados são endencialmen e mais in e p e a i os e/ou
de con on o. Es es úl imos ipos apa ece am cla amen e p edominan es
quando os in es igado es se dedica am à cons ução dos ins umen os de
ecolha de dados (passo 5), e quando no passo da implemen ação alam
das a e as de obse ação (passo 6). A é es e momen o da nossa análise
Diá ios de In es igação em Educação His ó ica: A pa i u a iniciá ica das ozes de in es igado es
_ Flá ia Viei a 133

134 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
não oco e am enunciados que ocassem p oblemas quan o aos p oce-
dimen os de implemen ação p op iamen e di a, que c emos de e -se ao
ac o dos in es igado es conhece em as escolas e os alunos en ol idos.
• Uma e cei a endência e e e-se aos enunciados do ipo con-
on o. Como já mencionado, eles o am dominan es no momen o da
a aliação da p imei a análise dos dados e após a lei u a de con ibu os
eó icos. Apa ece am ambém quando a pe o mance dos alunos não
co espondeu às suas expec a i as ace ao ipo de leccionação ealizada,
e/ou no momen o da discussão dos esul ados, ase inal da análise mais
po meno izada e diac ónica ( espos as nos ins umen os escolhidos):
E eu que pensei que eles comp eende am os concei os. Se calha , ou alei de-
p essa demais, ou os documen os e as imagens que le ei não e am as melho es.
Fiquei is e. Es a a ão con ian e que eles inham pe cebido que, num con ex o
his ó ico, udo es á ligado, a economia, a polí ica e a é a eligião. Mas as es-
pos as dos alunos mos a am que não ui mui o e icaz. Faz-me pensa que enho
al ez de melho a o meu discu so. Po isso, al ez i esse sido bom g a a as
aulas e ansc e ê-las… Se calha o choque e a maio .
In elizmen e o li o da Rosa Cabecinhas sob e o acismo eio a de. Ago a que
es amos a lê-lo, econhecemos que pode -se-ia e cons uído o ques ioná io e o
guião. Ago a só amos ê-lo em con a na pa e eó ica e nas conclusões.
Gos ei… As espos as dos alunos ize am-nos pe cebe que não bas a explica
que de emos lu a po ce os alo es. Mui os p econcei os con inuam a es a na
cabeça dos alunos e mais g a e nas suas elações com os ou os. Po um lado
icámos chocadas, po ou o pe cebemos que e emos que ol a ao assun o.
• Uma qua a endência a e e-se com a p esença de alguns, pou-
cos, enunciados econs u i os na ase inal do p ocesso de in es igação,
mas en ão já ma cados pela consciência de que e a a de pa a se pode
desencadea mudanças. Com o con ibu o das en adas da supe iso-
a, alguns g upos eme e am pa a as pala as inais dos seus ex os o
econhecimen o da necessidade de no u u o se p ocede de um modo
di e so. A maio pa e des es enunciados concen a a-se, p edominan-
emen e, an o no ipo de ins umen o de ecolha de dados elei o (em
mui os, o ques ioná io), como na o mulação das pe gun as, o a pela
de icien e cla eza linguís ica em unção das compe ências de lei u a e
in e p e ação dos alunos ‘ eais’, o a pela (i ) ele ância de algumas delas:
Reconhece os e os é mais ácil quando alamos. Esc e ê-los é uma g ande es-
ponsabilidade. As nossas ideias e sen imen os icam p e o no b anco. Se á que
ão ajuda quem nos o le ?
Tal ez i esse sido mais ele an e e u uoso se i éssemos g a ado as discus-
sões, mas as ansc ições são mo osas…
Pa a melho pe cebe as espos as de alguns, e a melho e ei o umas pequenas
en e is as, mesmo àqueles que deixa am o espaço em b anco.
O p oblema do ques ioná io oi o empo. Mui as pe gun as. O empo é a pala a-
cha e. Tempo pa a pensa . Tempo pa a con e e os pensamen os em pala as.
O p oblema é que es amos iciados no ipo de pe gun as que êm do Minis é io,
e elas são di íceis de pe cebe . A D .ª [a au o a des e ex o] de ia da um empo
pa a explica como se azem as s epped ques ions, que pelo que nós pe cebe-
mos (?) acompanham os di e en es passos do aciocínio, não é?
• Uma quin a endência e e e-se à au o ia das en adas. Em o-
dos os diá ios, a maio ia das en adas são de au o ia do g upo, já que
adop a am a eleição de um dos elemen os com a a e a de i ecolhen-
do in o mações sob e o que se discu ia, e p opo um ascunho, que se
o na a depois a en ada do diá io. Po ezes, a au o ia oi do elemen o
do g upo esponsá el pela u ma (o p o esso ) onde o es udo es a a se
implemen ado. Es as en adas oca am pa icula men e os sen imen os
que sen i am quando con on ados com as espos as dos seus alunos que
não co espondiam, como já salien ado, às suas expec a i as. Ra amen e
apa ece am en adas de ou a au o ia isolada.
• Po im, uma sex a endência oi a já espe ada cons a ação do
papel mo i ado do supe iso na dinâmica da equência e do i mo
da esc i a, e no ipo de e lexi idade dos enunciados. As suas en adas
assumi am in encionalmen e unções di e sas: escla ecimen o, conse-
lhos, comen á io à ma gem do p oblema e da si uação especí ica, e/ou
pe gun as:
A 1ª ques ão é de na u eza ão ampla que não pode se conside ada como pe -
gun a de in es igação, mas sim mais uma inquie ação, uma azão de odos es a -
mos aqui. A 2ª é mui o boa e cla a pe gun a de in es igação. As ou as são ou a
ez inquie ações. C eio que mais uma sessão de discussão en e ós, e depois
pode emos euni . Bom T abalho.
Diá ios de In es igação em Educação His ó ica: A pa i u a iniciá ica das ozes de in es igado es
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136 _ Na a i as Dialogadas na In es igação, Fo mação e Supe isão de P o esso es _ Ma ia Al edo Mo ei a (O g.)
Lemb ei-me ago a de um di ado, ou pensamen o chinês que enho na minha
agenda que diz: eu não con olo as minhas pala as. Só con olo os meus si-
lêncios… en endo- e pe ei amen e. A pala a é um ob iga ao desnudamen o
semp e p ecá io.
Tens azão! Mesmo que sejam dispa a es no sen ido do senso comum, po que
não i ? É p eciso ap ende a lida com os dispa a es que dizemos; mais, às ezes
nem são dispa a es, ou não são só dispa a es. Aí o de e do p o esso é desmon-
a o que oi di o, ou a é mesmo da “le eza” à aula.
Não gos as e po que i es e que se c í ico? Mas essa é uma condição de um
in es igado , se au o-c í ico e se c í ico pa a com os abalhos dos ou os.
Gos a ia apenas que pensassem bem: Quais o am os a gumen os que oco e am
na ossa discussão pa a conside a em ‘necessá io’ o c uzamen o das ca ica u as
com documen os e bais? Reconhece am já algumas limi ações? Ou em a e
com o enquad amen o que ão aze das ca ica u as com p á icas censó ias?
Po quê?
Es a ão a pensa em aze inicialmen e uma o mação especí ica na g amá i-
ca das ca ica u as? Ou aze á ias aulas de modo a que os alunos a possam
ap ende em simul âneo à sua abo dagem como on e his ó ica? Quais se ão as
consequências des as duas opções nas espos as dos alunos?
Pala as inais...
Como no início oi cons a ado, exis em poucos es udos sob e o papel
e o impac o da esc i a dos diá ios na consciência me acogni i a dos in-
es igado es do p ocesso de in es igação que le am a cabo. Como es e
ex o ap esen a apenas uma pa e do nosso es udo, ap o ei amos es e
úl imo momen o pa a ealça ou os ac o es que podem su gi ao longo
do empo e que de e minam o p ocesso de in es igação, ac o es pa a
os quais os sujei os en ol idos, in es igado e supe iso , de em es a
ale ados.
Dominguez (2006) enuncia uma longa lis a que o ganizou em dois
ipos. No p imei o, os ac o es ex e nos, incluiu os p oblemas pessoais e
amilia es, os inancei os (os mais equen es e mais ele an es), a p es-
são e ob igações p o issionais, e c.. A li e a u a en a iza, no en an o, o
papel de ce os ac o es in e nos, dos quais salien a emos aqueles que
oco e am nos diá ios de in es igação que analisámos. O p imei o em a
e com a plani icação, sendo essencial dedica um empo pa a a cla i-
icação e especi icação do ema e do objec o, pa a uma p imei a lei u a
da li e a u a, pa a a de inição dos objec i os e pe gun as de in es igação,
e pa a o seu desenho. Com base na nossa expe iência, os in es igado-
es iniciados endem a que e sal a es as e apas, e a ança logo pa a a
cons ução dos ins umen os de ecolha de dados. A esc i a equen e de
uma en ada do diá io o na-se ele an e, não apenas pa a a diminui-
ção das p essões iniciais associadas à omada de decisões, como pa a a
mobilização de compe ências elacionadas com a de inição dos limi es
e especi icidade do objec o e das pe gun as. O segundo ipo ab ange
a disposição pessoal que con empla a p esença de qualidades como a
au onomia, lexibilidade, disciplina, con iança e esis ência. Apesa de
se em ca ac e ís icas de na u eza oli i a e idiossinc á ica, o supe i-
so em um papel medula na sua cons ução, se ausen es do pe il do
in es igado , e/ou na sua manu enção ao longo do p ocesso que sabe-
mos e um ajec o sinusoidal. O e cei o ocaliza a comunicação, que
de endemos de e adop a uma na u eza dialógica-colabo a i a, que se
sus en e p incipalmen e nas capacidades do in es igado e do supe iso
de exp essa em li emen e (nunca pe dendo de is a os planos a cu o,
médio e longo p azo) ideias, suges ões e p eocupações. Po im, que o
supe iso ‘ espei e a au o ia’ da in es igação, ou seja, o seu o ien ando.
Conside amos que es a á ea de es udo me ece um in es imen o mais
equen e e ap o undado, já que pensa e aze in es igação são ac os de
cons ução e pa ilha de sen idos… e sen imen os, en im, pa i u as que
odos compomos quando in es igamos e o ien amos. Te mino ci ando
um exce o dum ex o meu, en o mado po p eocupações da His ó ia e
do seu ensino, espe ando que con ide à e lexão sob e a na u eza des e
ac o colec i o, seja ele o ensino ou a in es igação:
Conside em os p onomes: Eu, Tu, Ele, Nós, Vós, Eles. Eles são uma modes a
pa e do nosso discu so, ão en e gonhada que, mui as ezes, não é e e ida,
decla adamen e esquecida. O p onome só lá es á pa a ap esen a alguém ou
alguma coisa. Os p onomes são calmos, comuns e ão amilia es que quase
nem os no amos. Mas os p onomes são ambém ma ei os, po que mui as ezes
azem consigo uma mensagem o e sob e o que nós somos e como nós emos
o mundo. Mesmo que não quei amos. Na e dade, eles anspo am pe gun as
desa iado as.
Quando digo Eu, alo mesmo de mim ou alo de Nós? Quando dizemos Nós, es-
a emos mesmo a inclui e espei a á ios e dis in os Eu(s)? E Tu és pa e de Nós?
Diá ios de In es igação em Educação His ó ica: A pa i u a iniciá ica das ozes de in es igado es
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