scieee Science in your language
[pt] (orig)

Mediação comunitária como constructo de convivência inclusiva num centro de alojamento de emergência social

Author: Sales, Marileide de
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/02e4f022-98f2-46ac-9e7f-ef859cf24570/download
Ma ileide de Sales
Mediação comuni á ia como cons uc o
de con i ência inclusi a num Cen o de
Alojamen o de Eme gência Social
ou ub o de 2024
Mediação comuni á ia como cons uc o de con i ência inclusi a num Cen o de Alojamen o de Eme gência Social
Ma ileide de Sales
UMinho|2024
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Ma ileide de Sales
Mediação comuni á ia como cons uc o
de con i ência inclusi a num Cen o de
Alojamen o de Eme gência Social
ou ub o de 2024
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em Educação
Á ea de Especialização em Mediação Educacional
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Isabel Ma ia da To e
Ca alho Viana
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o
u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no
licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
Ag adecimen os
Ag adeço de o ma especial e inesquecí el à minha mãe, D. Ma ga ida, e ao meu pai, S . João
Luiz, que, com suas di e en es o mas de me mos a o mundo, o am essenciais pa a a cons ução
dos alo es que ca ego. Mesmo sem comp eende plenamen e seus ensinamen os na época,
o na am-me a pessoa que hoje alo iza lealdade, since idade, hones idade, espei o, coope ação e
solida iedade.
Ag adeço a mim mesma pela co agem de con inua , mesmo dian e das di iculdades humanas,
e pela o ça das u opias e do idealismo que me impulsionam a i e . Ao meu ilho, Luiz Guilhe me, que
há 22 anos ouxe no os sen idos à minha ida, pe mi indo-me c esce e supe a desa ios na
complexidade e beleza de se mãe.
Às expe iências que molda am a minha aje ó ia, deixo minha g a idão. A mili ância num
pa ido e olucioná io oi essencial pa a a minha o mação e isão de mundo. Ao g upo GENPROF, pelo
acolhimen o e pela escu a a i a, que despe a am minha alo ização enquan o mulhe e p o issional da
educação pública. Ao g upo SERTANIA, que me econec ou às minhas aízes no des inas e ao o gulho
de se b asilei a e ilha do se ão, e a de his ó ias, cul u a e iden idade.
À C is ina, po sua o ien ação e apêu ica, que oi undamen al ao longo do meu pe cu so de
ida, e às mui as pessoas especiais que con ibuí am com apoio, escu a a en a e incen i o ao meu
desen ol imen o pessoal.
Ag adeço à P o esso a Isabel, cuja comp eensão e apoio me ensina am que o a o de pesquisa
nem semp e segue o caminho que planejamos, mas é, ainda assim, alioso.
Po im, em Po ugal, ag adeço às pessoas que es i e am p esen es nos momen os di íceis,
aleg es e de ap endizado, p o enien es de di e en es países e cul u as: B asil, Índia, Angola, Guiné-
Bissau, São Tomé e P íncipe e Po ugal . Es e pe íodo de mig ação, que apelidei de "mig ação é
bipola ", oi eple o de lições e i ências ans o mado as que en iquecem minha caminhada.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação.
No mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho
MEDIAÇÃO COMUNITÁRIA COMO CONSTRUCTO DE CONVIVÊNCIA INCLUSIVA NUM
CENTRO DE ALOJAMENTO DE EMERGÊNCIA SOCIAL
RESUMO
O p esen e abalho desc e e a expe iência de um es ágio cu icula p o issionalizan e em
Educação. Es e es ágio oco eu num Cen o de Alojamen o de Eme gência Social (CAES), localizado na
egião no e de Po ugal. Com oco na mediação, es e abalho de in es igação/in e enção
concen ou-se na análise de como a comunicação pode con ibui pa a a cons ução de um ambien e
inclusi o e colabo a i o no con ex o do alojamen o. A pa i dos p essupos os da in es igação-
in e enção e da abo dagem quali a i a, oi implemen ada a mediação comuni á ia como uma
me odologia pa icipa i a, com o obje i o de p omo e uma comunicação e e i a en e as pessoas
acolhidas e as mediado as de eme gência social do CAES, buscando acili a a cons ução de um
ambien e de con i ência inclusi a, coesão social e in eg ação. Cien es dos desa ios en en ados po um
público em si uação de ulne abilidade social, como o con on o, a exclusão e a desigualdade, o CAES
en en a, além de suas unções socioassis enciais, a complexa a e a de omen a um ambien e que
a o eça a inclusão e o exe cício de au onomia das pessoas acolhidas. Nesse sen ido, a mediação
comuni á ia oi u ilizada como uma e amen a pa a melho a as dinâmicas de comunicação en e as
pessoas acolhidas e p omo e um sen imen o de pe encimen o e alo ização mú ua. Os esul ados da
in es igação/in e enção apon am pa a a necessidade de ea alia os espaços de in e ação e
con i ência, conside ando a impo ância da comunicação e icaz pa a es imula a au onomia e a
colabo ação en e os esiden es do CAES. Ao longo dessa expe iência, a mediação demons ou se
uma me odologia e icaz pa a ans o ma pad ões de comunicação, p omo endo no as o mas de se ,
agi e con i e em comunidade, con ibuindo pa a a cons ução de um ambien e mais inclusi o e
colabo a i o no con ex o do alojamen o.
Pala as-cha e: Comunicação, Con i ência, Inclusão, Mediação.
i
COMMUNITY MEDIATION AS A CONSTRUCT FOR INCLUSIVE COEXISTENCE IN A SOCIAL
EMERGENCY SHELTER
ABSTRACT
The p esen wo k desc ibes he expe ience o a p o essional cu icula in e nship in Educa ion. This
in e nship ook place a a Social Eme gency Accommoda ion Cen e (CAES) loca ed in he no he n
egion o Po ugal. Focusing on media ion, his esea ch/in e en ion p ojec cen e ed on analyzing how
communica ion can con ibu e o he cons uc ion o an inclusi e and collabo a i e en i onmen wi hin
he accommoda ion con ex . Based on he assump ions o in e en ion- esea ch and he quali a i e
app oach, communi y media ion was implemen ed as a pa icipa o y me hodology o p omo e e ec i e
communica ion be ween he hos ed indi iduals and he social eme gency media o s a CAES, aiming o
acili a e he c ea ion o an inclusi e coexis ence en i onmen , social cohesion, and in eg a ion. Awa e
o he challenges aced by a popula ion in si ua ions o social ulne abili y, such as con on a ion,
exclusion, and inequali y, CAES aces, in addi ion o i s socio-assis ance unc ions, he complex ask o
os e ing an en i onmen ha p omo es inclusion and he exe cise o au onomy o hose hos ed. In his
sense, communi y media ion was used as a ool o imp o e communica ion dynamics among he
hos ed indi iduals and o p omo e a sense o belonging and mu ual app ecia ion. The esul s o he
esea ch/in e en ion highligh he need o eassess he spaces o in e ac ion and coexis ence,
conside ing he impo ance o e ec i e communica ion in s imula ing au onomy and collabo a ion
among CAES esiden s. Th oughou his expe ience, media ion p o ed o be an e ec i e me hodology
o ans o ming communica ion pa e ns, p omo ing new ways o being, ac ing, and li ing in a
communi y, hus con ibu ing o he cons uc ion o a mo e inclusi e and collabo a i e en i onmen
wi hin he accommoda ion con ex .
Keywo ds: Coexis ence, Communica ion, Inclusion, Media ion.
ii
Índice Ge al
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ...... ii
Ag adecimen os .............................................................................................................. iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ....................................................................................... i
RESUMO ............................................................................................................................
ABSTRACT ........................................................................................................................ i
ÍNDICE DE QUADROS ....................................................................................................... ix
LISTA DE SIGLAS ...............................................................................................................x
In odução ........................................................................................................................ 1
CAPÍTULO I - enquad amen o con ex ual do es ágio ......................................................... 4
1.1 O con ex o de es ágio, si uando o espaço, seus desa ios e ans o mações ............................... 4
1.2 Ca ac e ização do público-al o obje o da in es igação/in e enção ........................................... 9
1.3. Á ea de in es igação/in e enção .......................................................................................... 12
1.4 Diagnós ico de necessidades, mo i ações e expec a i as da in es igação/in e enção ............. 13
CAPÍTULO II - enquad amen o eó ico da p oblemá ica do es ágio ................................. 19
2.1 A mediação comuni á ia como cons uc o essencial pa a p omo e a con i ência inclusi a em
um Cen o de Alojamen o de Eme gência Social ............................................................................ 19
2.2. Iden i icação dos con ibu os eó icos mobilizados pa a a p oblemá ica especí ica de
in es igação/in e enção .............................................................................................................. 22
2.2.1 P á ica educa i a in o mal ................................................................................................ 23
2.2.2 Mediação ........................................................................................................................ 24
2.2.3 Mediação Comuni á ia ..................................................................................................... 28
2.2.4 A igu a do mediado ...................................................................................................... 30
2.2.5 O Uso da Te minologia 'Pessoa' ...................................................................................... 32
2.2.6 Comunicação .................................................................................................................. 33
CAPÍTULO III- Enquad amen o me odológico do es ágio ................................................. 36
3.1. Ap esen ação das ques ões, inalidade e obje i os do es ágio ................................................ 36
3.2 Ap esen ação da in e enção/in es igação .............................................................................. 37
3.3 Fundamen ação da me odologia de in e enção/in es igação .................................................. 40
3.3.1 Mé odo e écnicas de in es igação/in e enção ................................................................ 41
3.3.2 T a amen o e análise dos dados ....................................................................................... 46
3.4. Recu sos mobilizados e limi ações do p ocesso de in es igação/in e enção .......................... 57
4
CAPÍTULO I - enquad amen o con ex ual do es ágio
“Gos o de se gen e po que, inacabado, sei que sou um se condicionado, mas, conscien e do
inacabamen o, sei que posso i mais além dele”
(Paulo F ei e)
Es e capí ulo ap esen a o con ex o da in es igação-in e enção ealizada no Cen o de
Alojamen o de Eme gência Social – CAES, local onde se desen ol eu o es ágio supe isionado. O
con ex o do es ágio é uma ins i uição que acolhe pessoas em si uação de u gência e eme gência
social, o e ecendo supo e e p o eção social a pa i de uma abo dagem cen ada nas necessidades
indi iduais das pessoas acolhidas. A in es igação oi conduzida po meio da obse ação pa icipan e da
mediado a es agiá ia, u ilizando-se de e amen as como sensibilidade, empa ia, escu a a i a, omada
de decisão e au onomia, essenciais pa a a cole a de in o mações ele an es ao es udo.
Assim, a pa i desse es ágio oi possí el ob e uma comp eensão de alhada da es u u a
o ganizacional e ísica da ins i uição, bem como das dinâmicas in e nas que pe co em seu
uncionamen o. Dessa o ma, a segui são analisadas as p incipais ca ac e ís icas do espaço,
des acando a in luência das in e ações diá ias, que alimen am a educação in o mal, num ambien e
sus en ado pela comunicação.
1.1 O con ex o de es ágio, si uando o espaço, seus desa ios e ans o mações
A ins i uição que ecebeu o es ágio é uma ins i uição que acolhe pessoas em si uação de
u gência e eme gência social sinalizadas pelos Se iços de Acompanhamen o Social – SAAES – e pela
Linha Nacional de Eme gência Social – LNES.
Em Po ugal, o P o ocolo de Ino ação de Respos as à Eme gência Social, sob a
esponsabilidade do Ins i u o de Segu ança Social (ISS) e ampa ado pela Po a ia 218-D/2019
1
,
compõe a Rede de Respos a In eg ada em Eme gência Social (RRIES). A sua unção é ge i o sis ema
de copa icipação en e o Es ado e o se o p i ado, incluindo en idades pa icula es que p es am
se iços de p omoção da inclusão social, como o CAES.
Nessa pe spec i a, o p og ama iniciado em 2021, az pa e de uma en idade não
go e namen al localizada na egião no e de Po ugal. O p oje o ope a p o iso iamen e em um p édio,
1
Po a ia 218d/2019 – que es abelece o modelo de pa ilha de esponsabilidades, pa a o desen ol imen o de p oje os e medidas ino ado as de ação
social, bem como p oje os pilo o, que conco am pa a a esolução de si uações iden i icadas nos e i ó ios.

5
ocupando uma ala desa i ada, cedida pa a esse im. A escolha desse con ex o pa a a ealização do
es ágio oi mo i ada pela ele ância do p og ama, cujo p incipal obje i o é a p ese ação da ida
humana em si uações de ulne abilidade social. O p og ama a ua como uma ede de apoio
undamen al pa a pessoas que en en am iscos sociais e eme gências, p opo cionando acolhimen o
imedia o e uma espos a ápida às suas necessidades mais u gen es. Dian e da complexidade e da
di e sidade das si uações en en adas pelas pessoas acolhidas, o p og ama desempenha um papel
c ucial na ga an ia de di ei os básicos, como a segu ança, a alimen ação, a saúde e a dignidade
humana.
Em si uações de u gência ou eme gência, o ing esso no espaço oco e a a és da Equipe
Cen al de Eme gência (ECE), que é esponsá el pela a aliação, anspo e, de inição do ipo de
in e enção necessá ia e iden i icação das p io idades de u gência, conside ando as pa icula idades de
cada caso. Com base nessa a aliação, a equipe écnica do CAES ealiza o acolhimen o e ado a uma
sé ie de p ocedimen os pa a a ende às necessidades imedia as da pessoa acolhida.
Inicialmen e p o idencia alimen ação, alojamen o, i ens essenciais, encaminhamen o pa a
se iços médicos e a iculação com ou os se iços sociais. Em seguida, pa a da con inuidade à
in e enção, a pessoa acolhida de e i ma um con a o de p es ação de se iços com a en idade
esponsá el, comp ome endo-se ambém a cump i o egulamen o in e no de con i ência. Em um
e cei o momen o, ealiza-se um le an amen o de dados e elabo a-se um ela ó io de alhado,
espei ando a his ó ia de ida de cada pessoa e ga an indo a con idencialidade das in o mações.
Con o me o ien am os documen os o iciais do p og ama, du an e esse pe íodo é desen ol ido um
p oje o de ida pe sonalizado, isando apoia a inse ção social da pessoa acolhida e p omo e um
ambien e de con i ência inclusi a no CAES. Esse p ocesso oco e de o ma sis emá ica, po meio de
ações in eg ado as, em pa ce ia com di e sas ins i uições e se iços sociais.
Vale salien a que, nesse con ex o, a es adia no p og ama é olun á ia e não compulsó ia,
onde as pessoas acolhidas podem pe manece po um pe íodo de e minado, com um máximo de ês
meses. A população a endida é, po an o, ansi ó ia.
A es u u a de ecu sos humanos do p og ama é compos a po uma equipe écnica, in eg ada
po duas assis en es sociais, uma delas é a di e o a do espaço, e uma psicóloga. Esses p o issionais
colabo am de o ma in eg ada en e si e com ou as ins i uições, isando a egulação social de cada
pessoa acolhida. A abo dagem de abalho é e lexi a e a alia i a, com o obje i o de ga an i que as
pessoas acolhidas enham acesso a opo unidades, se iços e di ei os básicos, espei ando suas
di e enças e o igens. Além disso, é ealizado um acompanhamen o sis emá ico pa a assegu a o
6
p og esso con ínuo e a e icácia das inicia i as da ins i uição, con o me o p o ocolo de Ino ação de
Respos a à Eme gência Social - IRES buscando p omo e o exe cício da au onomia das pessoas
acolhidas.
Além da equipe écnica, o p og ama con a com as Mediado as de Eme gência Social, um
g upo de se e p o issionais que acompanham as a i idades diá ias das pessoas acolhidas, man endo
uma elação p óxima e a ualizando os egis os diá ios, con o me o p o ocolo es abelecido no con a o
de p es ação de se iços. O acompanhamen o ealizado po essas p o issionais ab ange di e sos
aspec os, como a higiene indi idual e cole i a das pessoas acolhidas e do ambien e; a alimen ação; o
uso de medicação, quando necessá io; a p esença ou ausência das pessoas no in e io da ins i uição;
a o ganização de e en os in e nos; e a obse ação da con i ência inclusi a e cole i a den o do espaço.
Além disso, as mediado as de eme gência social são esponsá eis pela ges ão dos
man imen os e ma e iais u ilizados, pela dis ibuição de i ens de uso pessoal, pelo anspo e das
pessoas acolhidas, quando necessá io, e pelo ecolhimen o das e eições no es au an e, que são
en ão en egues às pessoas acolhidas. Complemen ando a equipe, há uma auxilia de se iços ge ais,
que é esponsá el pela limpeza de odo o p édio da ins i uição. Vale des aca que, a é o momen o da
p odução des e ela ó io, odas as p o issionais são mulhe es, sendo, po an o, u ilizado o p onome
adequado ao se e e i às abalhado as.
Quan o à sua es u u a ísica, a achada on al do edi ício é ampla, com um ja dim e uma á ea
abe a, que inclui um es acionamen o pa imen ado. Ao aden a o edi ício, há um pequeno hall de
en ada, equipado com ês pol onas azuis, onde as pessoas cos umam se sen a pa a con e sa e
passa o empo. No local, ambém há duas geladei as que o e ecem ca é e e ige an es à enda. À
esque da do hall, encon a-se um banhei o masculino, de li e acesso pa a banhos, e uma pequena
sala indi idual com po a, des inada a euniões indi iduais, ga an indo um ambien e de p i acidade e
con idencialidade. Nesse mesmo espaço, há uma á ea equipada com uma cuba de inox (balcão
quen e) elé ica, onde as e eições diá ias são a mazenadas, seguindo igo osamen e as no mas de
igilância sani á ia e as o ien ações de um nu icionis a. A alimen ação, p epa ada em ou o local, é
epos a a cada u no pela equipe. Ainda nessa á ea, há uma janela com uma bancada di isó ia
des inada à en ega das e eições. O e ei ó io é di idido em duas pa es: a p imei a con ém mesas e
cadei as pa a o consumo das e eições, além de um a má io, con olado pelas mediado as, com
u ensílios de cozinha, e uma bancada pa a a en ega dos alimen os. A segunda pa e possui mesas,
cadei as, uma máquina de la a louça, uma pia, uma lixei a e um pequeno a má io pa a a mazena os
ma e iais de limpeza usados dia iamen e.
7
Na la e al di ei a, há um balcão com uma pequena janela de id o que dá acesso à equipe
écnica, semelhan e a uma ecepção, com uma campainha na pa ede pa a chama as uncioná ias.
En e o e ei ó io e a ecepção, à en e, há um co edo que, logo no início, em o e ei ó io
mencionado an e io men e na la e al esque da e, na la e al di ei a, um espaço de a mazenamen o de
alimen os, equipado com geladei a, a má io e caixas de plás ico. Mais adian e, encon a-se a sala das
mediado as de eme gência social, que dispõe de dois a má ios pa a a mazena ma e iais de uso diá io
ou pa a as pessoas acolhidas, medicamen os, uma mesa edonda com ês cadei as, uma sec e á ia e
um compu ado pa a ealiza os egis os diá ios e moni o a as câme as de segu ança. Logo em
seguida, à di ei a, há um pequeno co edo que le a a uma á ea de ja dim, sepa ada po amplas
po as de id o. Nesse co edo , es ão dispos as ês cadei as e uma ele isão de cinquen a polegadas,
onde as pessoas in e essadas assis em à p og amação dia iamen e.
Ao i a à di ei a no co edo , encon a-se um compu ado com acesso à in e ne disponí el
pa a as pessoas acolhidas, além de um sis ema i ual de a aliação in e na pa a a p es ação do se iço
o e ecido. Ao lado desse compu ado , há uma di isó ia de madei a com uma bancada onde es á
ins alado um ele one esidencial de uso li e. Essa di isó ia ambém possui uma po a que, apesa de
ge almen e man ida echada, dá acesso à equipe écnica quando necessá io; uma campainha es á
disponí el pa a acili a a comunicação, uncionando como uma espécie de segunda ecepção. A
es u u a inclui ainda uma pequena sala, equipada com a má ios e um cabide pa a o a mazenamen o
de i ens pessoais da equipe. Em uma segunda po a, há uma ampla sala, que con a com um la abo
exclusi o pa a uso das abalhado as, uma mesa g ande pa a e eições com qua o cadei as, duas
pol onas, uma mesa de cen o, um a má io pa a a mazena ma e iais da equipe, além de uma
geladei a e uma ca e ei a elé ica pa a apoio nas a i idades diá ias.
Na la e al, há duas salas: a p imei a, mais ampla e com janelas de id o, es á equipada com
um quad o de a isos, ês mesas de abalho, cada uma com uma cadei a acolchoada e um no ebook,
além de um cabide de madei a e ical, dois a má ios pa a ma e iais e documen os, um aquecedo
po á il, aquecedo es de pa ede, cen al de in e ne e ces os de lixo. A segunda sala, meno e sem
janelas, possui uma mesa edonda com ês cadei as, um quad o de a isos e um pequeno a má io.
Re o nando ao co edo onde ica o ja dim in e no, es ão localizados os eze qua os que
acomodam as in e e cinco pessoas alojadas. Alguns qua os possuem duas camas de sol ei o,
enquan o ou os êm ês. Cada qua o é iden i icado po um nome e, na po a, há uma icha imp essa
con endo os nomes dos ocupan es e uma agenda do dia. Nesse espaço, as pessoas alojadas de em
8
egis a com an ecedência sua in enção de se alimen a , o que acili a a o ganização das e eições. A
icha ambém inclui um c onog ama de a umação do qua o, incen i ando a manu enção do espaço.
Há uma sala onde é gua dado e o ganizado odo ma e ial de uso cole i o e de manu enção,
esse espaço ambém dispõe de a má ios indi iduais, onde os esiden es podem gua da seus
pe ences pessoais e i ens de alo , como documen os, sob a supe isão das p o issionais. À esque da
desse depósi o, encon a-se uma la ande ia cole i a, cujo uso é o ganizado po uma escala p é-
es abelecida. A la ande ia é equipada com uma máquina de la a , uma máquina de seca , a ais de
chão e um pequeno a má io pa a a mazena de e gen e e amacian e de oupas, cuja dis ibuição é
ei a pelas mediado as de eme gência social, con o me a necessidade. Pa a acili a a o ganização, há
caixas de plás ico pa a a classi icação das oupas.
O ja dim in e no, ambém conhecido como "ja dim de in e no", es á localizado no cen o do
p édio e é sepa ado dos ou os ambien es po po as de id o. O solo é a enoso, com di e sas plan as
de pequeno po e e uma g ande á o e ondosa. Nes e espaço, i e Simba, um cacho o que ecebe
acompanhamen o e e iná io egula . A esponsabilidade pelo cuidado de Simba é compa ilhada en e
odos, seguindo uma decisão cole i a das p o issionais. A adoção de Simba oi mo i ada pela
pe cepção de que a p esença de um animal no ambien e de acolhimen o con ibui signi ica i amen e
pa a o bem-es a emocional dos esiden es, o nando o espaço mais acolhedo , ajudando a eduzi o
es esse e incen i ando o senso de esponsabilidade compa ilhada.
Ainda em elação à es u u a ísica, cons a ou-se que, a é o inal do es ágio, a o ganização do
espaço ap esen a a obs áculos à comunicação en e as pessoas, de ido à p esença de di e sas
di isó ias. Essa con igu ação di icul a a a in e ação di e a e o luxo de diálogo, comp ome endo um
ambien e mais in eg ado.
Além disso, obse ou-se a ausência de um espaço amplo adequado pa a a ealização de
a i idades cole i as. Tais a i idades são undamen ais pa a p omo e o au oconhecimen o, a
au ocon iança, o alece os mecanismos de diálogo e exe ci a a au onomia, com o obje i o de
omen a uma con i ência inclusi a e ha moniosa no CAES. Apesa das limi ações es u u ais, o am
iden i icadas duas pequenas salas adequadas pa a a p á ica da mediação ol ada pa a esolução de
con li os, como a o comunica i o, em que pe meiam os p incípios undamen ais da mediação:
igualdade en e as pa es, olun a iedade e con idencialidade. As duas salas possuem ca ac e ís icas
que ga an em a p i acidade das pessoas acolhidas.
É impo an e des aca que as ca ac e ís icas ísicas ap esen adas nes e abalho são u o da
expe iência i enciada e das obse ações sis emá icas ealizadas du an e o pe íodo de es ágio da
9
mediado a es agiá ia. Es e es ágio p opo cionou uma ime são no co idiano do Cen o de Alojamen o de
Eme gência Social (CAES), pe mi indo uma análise minuciosa dos elemen os que compõem o
ambien e ísico e sua in luência di e a nas in e ações sociais e na dinâmica de con i ência en e as
pessoas acolhidas.
Nesse pe íodo, a equipe es a a en ol ida em um p ocesso de e lexão sob e a necessidade de
eo ganiza o ambien e ísico, com o obje i o de ap imo a o luxo de comunicação e c ia condições
mais a o á eis pa a o desen ol imen o de a i idades que p omo am a in eg ação social e a
con i ência inclusi a en e as pessoas acolhidas.
1.2 Ca ac e ização do público-al o obje o da in es igação/in e enção
Obse a-se que a comunicação é um elemen o essencial que pe meia oda a o ina diá ia do
CAES, mani es ando-se nas in e ações en e as p o issionais, na elação com as pessoas acolhidas e
nas in e ações en e as p óp ias pessoas acolhidas. Além disso, no a-se que as a i idades de educação
in o mal, comp eendidas como p á icas sociais que e le em e pe pe uam alo es, no mas e es u u as
da sociedade, es ão p esen es nas a e as diá ias acompanhadas pelas mediado as de eme gência
social, de o ma que essas a i idades con ibuem pa a o o alecimen o das o ças p odu i as e pa a a
ansmissão de alo es cul u ais.
Dian e desse cená io, em que as mediado as de eme gência social desempenham um papel
cen al como acili ado as do diálogo e p omo o as da inclusão no CAES, suas p á icas o am
escolhidas como oco p incipal e on e de inspi ação do p oje o que dá co po a es e ela ó io. Nesse
p ocesso, são se e mediado as de eme gência social que desempenham um papel cen al ao a ua
como acili ado as de diálogo e p á icas inclusi as no in e io do CAES. Elas não apenas ajudam a
esol e desen endimen os, mas ambém o alecem ínculos sociais, e p omo em a cons ução de um
senso de pe encimen o en e as pessoas acolhidas. Po an o, discu i o papel dessas p o issionais é
essencial pa a en ende a dinâmica de inclusão e ans o mação social que pode se p omo ida em
con ex os de c ise.
Os dados ob idos po meio da en e is a semidi e i a pe mi i am le an a in o mações
biog á icas das p o issionais, com o obje i o de comp eende suas ca ac e ís icas e pe is. Con o me
ap esen ado no quad o 1, odas as mediado as de eme gência e am mulhe es. Quan o à escola idade,
o am demons adas di e sidade: duas inham escola idade acima do 9º ano, duas possuíam ensino
médio comple o, duas e am licenciadas e duas es a am cu sando pós-g aduação. Sob e o es ado ci il,

10
qua o mediado as de eme gência social e am sol ei as e qua o casadas. No quesi o ma e nidade, ês
não inham ilhos e cinco e am mães. Essas in o mações são undamen ais pa a con ex ualiza as
expe iências e pe spec i as das pa icipan es, con ibuindo pa a uma comp eensão mais ab angen e
das dinâmicas desen ol idas no CAES.
Quad o 1. Ca ac e ização do pe il do público al o da in es igação/in e enção
N° DE MEDIADORAS
SEXO
ESCOLARIDADE
ESTADO CIVIL
MATERNIDADE
Oi o
Todas do
sexo
eminino
Duas mediado as
possuíam acima
do 9º ano de
escola idade,
Qua o das mediado as
e am sol ei as
T ês mediado as
não inham ilhos
Duas inham
ensino médio
Qua o e am casadas
Cinco e am mães
Duas possuíam
licencia u a
Duas es a am
cu sando pós-
g aduação
Fon e: A au o a, 2024.
Ademais, des aca-se a impo ância de ap oxima a eo ia da p á ica de mediação comuni á ia,
conside ada uma ia educa i a undamen al no con ex o do es ágio, pois a mediação comuni á ia é
is a como uma o ma de in e enção social e um p ocesso o ma i o nas in e ações sociais. Alinhada
à p á ica social da comunicação e à educação in o mal desen ol ida nesse con ex o, essa abo dagem
demanda uma pe spec i a mul idisciplina e ans e sal, isando p omo e a coesão social e con ibui
pa a uma con i ência inclusi a e ha moniosa.
A opção pela p á ica das mediado as de eme gência social como público-al o dessa
in es igação/in e enção se undamen a na elação p óxima que essas p o issionais man êm com as
pessoas acolhidas, cujas a i idades p opo cionam um campo ico pa a análise e e lexão, sendo
ele an e pa a a p odução de conhecimen o no âmbi o da mediação comuni á ia. No quad o 2, abaixo,
e i icamos as p incipais esponsabilidades das p o issionais de aco do com os documen os pa a
ec u amen o da ins i uição.
11
Quad o 2. Responsabilidades das p o issionais de Eme gência Social - público al o do ela ó io
COMPETE AO/À MEDIADOR/A DE EMERGÊNCIA SOCIAL DO CAES
apoia no acolhimen o e no dia a dia dos indi íduos e amílias, em si uação de Eme gência
Social:
Auxilia a equipa écnica no acolhimen o do(s) u en e(s);
Acompanha o(s) u en e(s) a es u u as sociais e/ou de saúde;
Auxilia no bem-es a , segu ança e con idencialidade dos u en es;
Ajuda a equipa écnica na execução das a i idades a desen ol e no CAES;
P omo e a in eg ação social do(s) u en e(s);
Capaci a , apoia e moni o iza o(s) u en e(s) pa a o cump imen o das eg as de alojamen o
de inidas no CAES;
Zela pela segu ança e bom ambien e do CAES;
Facili a p ocessos de comunicação indi idual e em g upo;
Apoia na implemen ação de p og amas de p omoção de compe ências;
T anspo a o(s) u en e(s), den o do Dis i o, pa a o local de acolhimen o
Apoia o(s) u en e(s) na ansição da saída do CAES;
Cump i o de inido no Sis ema de Ges ão da Qualidade e aplicá el à sua unção;
Con ibui a i amen e pa a a melho ia con ínua do Sis ema de Ges ão da Qualidade;
Pa icipa na melho ia das a i idades po o ma a o imiza ecu sos e sa is aze clien es.
Fon e: A au o a, 2024.
Adicionalmen e, a p o issional de limpeza oi incluída na in es igação, sendo in eg ada ao
g upo das mediado as de eme gência social. Sua cons an e p esença e a enção às o ien ações
in e nas azem com que ela desempenhe um papel pa icipa i o e ele an e no uncionamen o cole i o.
12
É impo an e des aca que odas as p o issionais desempenham unções essenciais, que ab angem
desde a en ega de alimen ação e medicação, o acompanhamen o das a i idades diá ias e a
e i icação da higiene pessoal e cole i a, a é a elabo ação de ela ó ios diá ios.
Ou o a o que in luenciou essa opção oi o ca á e ansi ó io da população que u iliza es e
se iço, lemb ando que as pessoas acolhidas pa icipam das ações p opos as pelo CAES de o ma
olun á ia, limi ada a uma pe manência de, no máximo, ês meses na ins i uição. Embo a o oco
p incipal do es udo seja a a uação das mediado as de eme gência social, o am ecolhidas in o mações
jun o às pessoas acolhidas, com o obje i o de cap a as suas expe iências e pe cepções e no in ui o de
amplia a comp eensão dos enômenos sociais p esen es no con ex o das eme gências sociais
1.3. Á ea de in es igação/in e enção
Em elação à ên ase na mediação comuni á ia, des aca-se a sua ele ância como p á ica
essencial no con ex o dos Cen os de Alojamen o de Eme gência Social (CAES), espaços onde a
in e enção social assume um papel c í ico de ido ao g au de ulne abilidade das pessoas a endidas.
Nes e con ex o, a mediação comuni á ia su ge como um ins umen o de ans o mação, al como
apon ado po Viei a (2016), ao pe mi i p á icas baseadas na comunicação e na negociação, em ez de
imposições ex e nas.
As pessoas acolhidas en en am desa ios complexos que ão pa a além das espos as
eme genciais às necessidades básicas, como a segu ança alimen a ou a si uação de ua, o nando os
CAES ambém um espaço de de esa de di ei os. Nesse cená io, a mediação comuni á ia nos CAES
su ge como uma e amen a c ucial pa a acili a a con i ência inclusi a e p omo e o desen ol imen o
pessoal e social dos en ol idos, ampliando a ele ância des e deba e de ido à na u eza eme gencial
desses cen os de acolhimen o, onde as si uações demandam a amen o com u gência, mas ambém
com sensibilidade. Nesse con ex o conco dando com Sil a (2018, p. 57), “A mediação é, pois, uma
me odologia de in e enção social que eco e a mé odos, écnicas e ins umen os especí icos, cuja
implemen ação e desen ol imen o em sido alidado em di e sos con ex os sociais, o ganizacionais,
in e pessoais e in e nacionais.”
Es a p á ica ap esen a-se como um espaço de con e gência de sabe es, habilidades e
expe iências, p omo endo e lexão e diálogo que impulsionam a ans o mação. Em con o midade com
Viei a (2016), en endemos que a in e enção social, que p e en i a e ans o ma i a, que esolu i a,
13
de e, semp e que possí el, se sus en ada pela mediação, ou seja, po meio de comunicação e
negociação, es a é uma compe ência ans e sal da mediação.
A mediação comuni á ia pe mi e, assim, uma abo dagem mais humanizada, que espei a as
his ó ias de ida e as necessidades dos indi íduos a endidos, possibili ando que es es se o nem
agen es da sua p óp ia ans o mação. Num con ex o onde a comunicação, a coope ação e a
lexibilidade são essenciais pa a lida com as complexidades e desa ios do quo idiano, as mediado as
de eme gência social desempenham um papel c ucial na cons ução de uma con i ência inclusi a e na
p omoção de uma cul u a de paz e espei o mú uo.
Com base nes e en endimen o, es e es udo p e ende con ibui pa a uma maio alo ização da
mediação comuni á ia como p á ica essencial em con ex os de ulne abilidade social. Con o me Sil a
(2011, p. 256), “a mediação sus en ada em modelos cons u i is as es á ligada a es a égias
o ma i as e p e en i as e não apenas a écnicas pa a esolução de con li os no con ex o social”. Dessa
o ma, comp eendemos a mediação como um p ocesso con ínuo, que p omo e uma cons an e
ans o mação e ap endizagem humana. Além disso, es e es udo e o ça a impo ância da
comunicação e da capaci ação das p o issionais, que p ecisam es a p epa adas pa a lida com a
di e sidade de p oblemas e pe is das pessoas acolhidas, p omo endo um ambien e onde a
sensibilidade, o diálogo e a empa ia são cen ais pa a a con i ência e o o alecimen o de uma ede de
apoio e icaz. A mediação comuni á ia é, po an o, ap esen ada como mais um caminho iá el pa a a
cons ução de ambien es inclusi os, mais jus os e in eg ado es, não só nos CAES mas ambém em
ou as inicia i as de apoio social.
1.4 Diagnós ico de necessidades, mo i ações e expec a i as da in es igação/in e enção
Du an e o pe íodo de es ágio cu icula , o am ealizadas obse ações que o ien a am o
p ocesso de in es igação e in e enção, u ilizando di e sas es a égias me odológicas. En e essas
es a égias, des aca am-se a obse ação pa icipan e, di e a e indi e a, ealizadas ao longo dos meses
de ou ub o e no emb o de 2023. Esse p ocesso oi en iquecido pela in eg ação da mediado a
es agiá ia à p á ica das mediado as de eme gência social, du an e qua o dias, nos quais a uou como
assis en e, pa icipando di e amen e das a i idades co idianas e das in e ações com as pessoas
acolhidas.
Pa a inicia o p ocesso de iden i icação e a aliação do diagnós ico de necessidades,
mo i ações e expec a i as da in es igação/in e enção, oi conduzida uma en e is a semidi e i a com
20
Passos (2020, p. 65) que de inem “denominação comunidade se á con e ida aos g upos sociais que
i em na mesma localização geog á ica e que, nessa condição, endem pa ilha os mesmos se iços,
p oblemas, ecu sos, códigos de condu a, linguagem e alo es”.
Po im, é impo an e conside a que esse con ex o de acolhimen o en ol e di e sas pessoas,
cada uma azendo suas his ó ias subje i as, bem como di e enças cul u ais, eligiosas, linguís icas e
de alo es. Essas pa icula idades o nam a mediação comuni á ia mais um ins umen o alioso pa a
p omo e o espei o e a in eg ação, essenciais pa a a cons ução de uma con i ência inclusi a no
CAES.
Bus aman e (2017) a i ma que a mediação comuni á ia se o ganiza como o ma de
en en amen o da ulne abilidade social, especialmen e em espaços onde, de ido à escassa ou
ausen e p esença do Es ado, somada à al a de diálogo e comp eensão do mundo con empo âneo,
le am ao c escimen o da o ganização e implemen ação de no mas elabo adas pelos p óp ios cidadãos
pa a lida com seus con li os. O mesmo au o (2017), a i ma que dian e da ine icácia e ilegi imidade
do Es ado, mui as pessoas buscam al e na i as pa a esol e seus p oblemas, c iando soluções
pa alelas à jus iça o icial. Esse p ocesso en ol e a esponsabilização dos cidadãos po suas p óp ias
ações e a p ocu a po mé odos mais adequados pa a lida com as di e gências locais. Con udo, em
algumas si uações, essa abo dagem pode eco e à iolência, não apenas pa a soluciona dispu as,
mas ambém como o ma de exe ce pode . Nesse con ex o, a mediação comuni á ia possibili a que a
p óp ia comunidade esol a seus con li os de manei a au ônoma, p omo endo a au o egulação e o
exe cício da au onomia das pessoas na omada de decisões e na exp essão de opiniões
undamen adas. Esse p ocesso assegu a uma pa icipação equi a i a das pa es en ol idas, an o no
que se e e e à comunicação quan o à acionalidade, eliminando cons angimen os e ga an indo que o
mé odo de esolução alo ize a a gumen ação acional, pe mi indo a aplicação de um di ei o legí imo.
En ão, p á icas de mediação comuni á ia buscam o alece sua legi imidade ao acili a o consenso
en e as pessoas sob e as no mas de con i ência, p omo endo um ambien e de espei o mú uo e
diálogo.
Foley e Passos (2020) des acam que a mediação comuni á ia, enquan o uma o ma de
in e enção social, es á cen ada na c iação de espaços e p ocessos de diálogo pa icipa i o en e
indi íduos ou g upos. Essa abo dagem isa cons ui ambien es que acili em a ges ão e ans o mação
dos con li os, p omo endo uma comp eensão mais p o unda das ques ões em dispu a. Os au o es
azem ainda a concepção de que o obje i o cen al da mediação comuni á ia é pe mi i que os
en ol idos exp essem suas p eocupações, in e esses e necessidades em um ambien e segu o e

21
colabo a i o. Isso não apenas con ibui pa a a esolução dos con li os imedia os, mas ambém pa a o
o alecimen o das elações en e os pa icipan es, incen i ando a empa ia e a escu a a i a. Dessa
o ma, a mediação não se limi a a uma simples esolução de impasses; ela c ia um espaço onde as
pa es podem e le i sob e as causas e implicações de suas di e gências, p omo endo o ap endizado
mú uo e o desen ol imen o de habilidades de negociação e con i ência pací ica.
Dessa o ma, o na-se e iden e que a ideia de o e ece uma sequência de ap endizagem
al e na i a suge e que, no con ex o da mediação, os en ol idos êm a opo unidade de ap ende no as
o mas de lida com os con li os e in e agi socialmen e, mo endo-se além de eações au omá icas,
impulsi as ou emocionais. Nos es udos de Sil a, Cae ano e F ei e (2010, p. 120), obse amos que:
A mediação é uma a i idade undamen almen e educa i a, pois o obje i o essencial é
p opo ciona uma sequência de ap endizagem al e na i a, supe ando o es i o compo amen o
eac i o ou impulsi o, con ibuindo pa a que os pa icipan es no p ocesso de mediação ado em
uma pos u a e lexi a
Essa abo dagem, cen ada na ap endizagem e no desen ol imen o pessoal, é especialmen e
ele an e em con ex os de ulne abilidade social, como os CAES, onde a mediação comuni á ia não só
con ibui pa a a con i ência inclusi a, mas ambém o alece as pessoas pa a lida em com desa ios de
o ma au ônoma e conscien e. Assim, a mediação comuni á ia assume uma unção pedagógica,
p opo cionando uma p á ica de con i ência mais inclusi a e mais ha moniosa.
A p á ica da mediação em indo a ans o ma -se sob a in luência de di e en es co en es de
pensamen o. No en an o, essa p á ica não é uma in enção mode na; ela emon a da expe iência
his ó ica de po os ances ais, o diálogo e o aconselhamen o desempenha am um papel undamen al
na esolução de con li os. Con o me des aca Sil a (2018, p. 19): “A mediação enquan o p á ica em
uma o igem ela i amen e emo a no empo, nomeadamen e em comunidades indígenas, como modo
de soluciona p oblemas e con li os com a pa icipação das pessoas e a colabo ação de um líde
econhecido pelas mesmas”.
22
2.2. Iden i icação dos con ibu os eó icos mobilizados pa a a p oblemá ica especí ica de
in es igação/in e enção
Pa a o ien a e ap o unda es a in es igação, o nou-se undamen al iden i ica os apo es
eó icos que sus en am a p oblemá ica em es udo. Nesse con ex o, op ou-se pela abo dagem
enomenológica como base me odológica pa a a análise. Es a in es igação az como ques ionamen o,
como as mediado as de eme gência social econhecem as p á icas educa i as in o mais como pa e
in eg an e das suas esponsabilidades na p omoção da con i ência inclusi a no CAES. Além disso,
p e ende-se explo a como a mediação comuni á ia pode cons i ui uma espos a social e icaz pa a o
desen ol imen o da con i ência inclusi a em con ex os de acolhimen o social de eme gência,
en endendo-a aqui como uma p á ica de exe cício de cidadania.
Nessa pe spec i a, o p incipal obje i o des e es udo é comp eende o po encial da mediação
comuni á ia no o alecimen o da con i ência inclusi a, especialmen e no con ex o do CAES.
A pa i da pe spec i a enomenológica, que alo iza a expe iência di e a e conscien e dos
enômenos, busca-se analisa como as p á icas das mediado as de eme gência social, enquan o
sujei os in encionais, in luenciam a in eg ação de p á icas educa i as in o mais no p ocesso de
acolhimen o social. Essa abo dagem pe mi e explo a as p á icas co idianas das p o issionais e como
essas expe iências con ibuem pa a a cons ução de um ambien e de acolhimen o mais inclusi o,
pa icipa i o e colabo a i o, com ên ase na p omoção de diálogos e na mediação de con li os, isando o
desen ol imen o de elações sociais mais ha moniosas.
A complexidade do compo amen o humano é econhecida pela sua ab angência, o que exige a
adoção de abo dagens que espei em sua na u eza subje i a e mul i ace ada. Nesse sen ido, a opção
pela enomenologia e ela-se uma es a égia me odológica aliosa, o e ecendo um caminho sólido pa a
comp eende os enômenos humanos em sua p o undidade. Essa abo dagem pe mi e explo a o
uni e so das expe iências humanas e, po meio da in e p e ação dos sen idos e signi icados a ibuídos
pelos indi íduos, alcança uma comp eensão mais holís ica e humanizada do compo amen o.
Con o me a i mam Bogdan e Biklen (1994), a enomenologia p opõe:
(...) comp eende o compo amen o e a expe iência humanos. Ten a comp eende o p ocesso
median e o qual as pessoas cons oem signi icados e desc e e em que consis em es es
mesmos signi icados. Reco e à obse ação empí ica po conside a que é a pa i de
ins âncias conc e as do compo amen o humano que se pode e le i com maio cla eza e
23
p o undidade sob e a condição humana... Es abelece diálogos com os sujei os ela i amen e ao
modo como es es analisam e obse am os di e sos acon ecimen os e a i idades, enco ajando-
os a consegui em maio con ole sob e as suas expe iências. (p. 70)
Dessa o ma, o ecu so à enomenologia possibili a não apenas a comp eensão in e p e a i a
do compo amen o humano, mas ambém p omo e o diálogo com os pa icipan es no p ocesso
in es iga i o, pe mi indo que es es ampliem sua pe cepção e au onomia sob e suas p óp ias
expe iências. Tal abo dagem econhece a singula idade de cada indi íduo e en a iza o papel dos
signi icados subje i os na cons ução da ealidade, alinhando-se a uma pe spec i a in es iga i a
sensí el e humanis a.
Nes e sen ido, a iden i icação e análise dos con ibu os eó icos, à luz da enomenologia, o am
undamen ais pa a cons ui uma base que pe mi isse explo a es as ques ões de o ma igo osa.
2.2.1 P á ica educa i a in o mal
Em elação à p á ica de educação in o mal desc i a no p esen e es udo, não se p e ende
p omo e um deba e sob e a elação en e eo ia e p á ica na educação o mal, nem ampouco
de ende uma ou ou a abo dagem eó ica. O obje i o é des aca as ca ac e ís icas da educação
in o mal, comp eendendo-a como uma p á ica social p o undamen e en aizada nos sabe es
cons i uídos pelos se es humanos e i enciada cole i amen e no co idiano.
De aco do com F ei e (2020), os se es humanos moldam o mundo e c iam uma linguagem
pa a nomea e comp eende o que cons oem a a és da in e ação com seu en o no. Esse p ocesso de
"in eligi ", que en ol e en ende e conec a elemen os do mundo, esul a na c iação de uma ede de
signi icados e comunicações que e le e a complexidade da nossa exis ência. Assim, F ei e (2020) az
à luz a e lexão sob e como essa capacidade de comp eensão é undamen al na o mação do nosso
mundo e das nossas elações, mos ando que a comunicação e a linguagem são e amen as
pode osas que podem uni ou di idi os indi íduos.
Tal pe spec i a dialoga com a ideia de B andão (2007, p. 7), que a i ma:
Ninguém escapa da educação. Em casa, na ua, na ig eja ou na escola, de um modo ou de
mui os odos nós en ol emos pedaços da ida com ela: pa a ap ende , pa a ensina , pa a
24
ap ende -e-ensina . Pa a sabe , pa a aze , pa a se ou pa a con i e , odos os dias
mis u amos a ida com a educação.
Nesse sen ido, sob e a onip esença da educação em di e sos con ex os da ida co idiana –
seja em casa, na ua, em qualque espaço – e le e di e amen e o papel desempenhado pelas
mediado as de eme gência social no CAES. Ao ope acionaliza as a i idades es abelecidas pelo
egulamen o da ins i uição, como o acompanhamen o das o inas das pessoas acolhidas e a p omoção
da con i ência cole i a, as p o issionais não apenas desempenham uma unção assis encial, mas
ambém p o agonizam uma p á ica de educação in o mal. Nesse con ex o, elas ensinam e ap endem
cons an emen e, con ibuindo pa a o ien ação das pessoas acolhidas em aspec os como exe cício de
au onomia, esponsabilidade e con i ência social.
O mesmo au o e o ça ainda, a isão da educação in o mal como uma p á ica social, que
e le e e pe pe ua os alo es, no mas e es u u as de uma sociedade. Desen ol ida a a és de
cos umes, adições e in e ações quo idianas, a educação in o mal desempenha um papel impo an e
no desen ol imen o das o ças p odu i as e dos alo es cul u ais. Moldada pela con i ência e pelas
elações in e pessoais, ela in luencia como as pessoas in e nalizam e ep oduzem os códigos sociais,
ge ando hábi os, ideias, compo amen os, o mas de comunicação e linguagem, con o me a cul u a de
cada um. Assim, é pe inen e econhece a ele ância da educação in o mal na es u u ação e
e olução de uma sociedade, e le indo suas dinâmicas sociais e econômicas.
Po sua ez, segundo Ta a es e Melo (2019) a ap endizagem in o mal ge almen e oco e de
manei a espon ânea, podendo se mani es a em di e sos con ex os do dia a dia. Embo a
equen emen e acon eça sem um p opósi o de inido, ambém pode se in encional, quando o ap endiz
p ocu a a i amen e adqui i conhecimen o e em consciência de que es á assimilando algo du an e a
i ência da expe iência.
2.2.2 Mediação
Es udos indicam que a p á ica da mediação é uma ação his ó ica, expe imen ada po di e sas
sociedades ao longo do empo e com aízes p o undas que emon am às p imei as o mas de
o ganização social de mui os po os. Nessas comunidades, a mediação e a equen emen e conduzida
po líde es ou anciãos, cuja sabedo ia e au o idade e am amplamen e econhecidas, acili ando o
diálogo e a conciliação en e as pa es em dispu a em p ocessos undamen ados na o alidade. Nesse
25
sen ido, Pa kinson (2008) des aca: “A mediação é is a mui as ezes como um no o p ocesso, embo a
na e dade ela enha um longo legado em ci ilizações e cul u as mui o di e en es”.
O con li o, assim, e ela-se como um elemen o ine en e às elações sociais humanas. Como
des aca Bona é-Schmi (2009, p. 16), “(...) o se humano eque comunicação”. Esse legado his ó ico
sublinha a ele ância da mediação na a ualidade, e idenciando sua con inuidade e adap ação às
mudanças das dinâmicas sociais ao longo dos séculos. Segundo Sil a (2018, p. 19),
É a pa i dos anos 60 do século XX que a mediação su ge de o ma mais sis emá ica nas
sociedades ociden ais, sus en ada numa concepção democ á ica e elacional de egulação
ju ídica e social, que oi ganhando isibilidade em á ias inicia i as de na u eza p i ada e
pública com enquad amen o legisla i o.
Assim, des aca-se que a mediação, na o ma como é conhecida a ualmen e, em suas o igens
no campo judicial, sendo inicialmen e desen ol ida pa a acili a o acesso à jus iça e eduzi o núme o
de p ocessos. Nessa mesma pesquisa Sil a (2018) az uma e ospec i a ace ca da mediação
elacionada a á ea ju ídica:
A li e a u a in e nacional especializada, especialmen e no domínio do Di ei o e das Ciências
Ju ídicas, a mediação encon a-se insc i a nos Mé odos de Resolução Al e na i as de Con li os,
ao qual se associa maio cele idade e meno es cus os na adminis ação da jus iça e na
esolução dos p oblemas das pessoas(...) (p. 20)
Po an o, di e en emen e de ou os mé odos, a mediação ca ac e iza-se po se um p ocesso
coope a i o e pa icipa i o, no qual as pa es en ol idas man êm au onomia e esponsabilidade pela
esolução do con li o, sem que um e cei o imponha uma decisão.
Com o empo, essa p á ica e oluiu, assumindo no as o mas e ampliando seu alcance pa a
além do con ex o judicial. Em suas pesquisas, Sil a (2018, p.20), apon a uma lis a de a o es que
con ibuí am pa a a a ual concepção da p á ica de mediação:
I. a diminuição do papel do Es ado e a ans o mação das ins i uições públicas ao longo da
segunda me ade dos anos 70;
II. o ad en o do es ado social;

26
III. o desencan o do mundo e a c ise das g andes na a i as eligiosas e ideológicas;
IV. a exal ação do sujei o enquan o au o do seu des ino e, mais ecen emen e;
V. a impo ância econhecida e inadiá el da educação pa a a con i ência e pa a a paz.
Es e ela ó io não em como obje i o explo a a polissemia da noção de jus iça ou os deba es a
ela elacionados, mas sim si ua o pon o de pa ida necessá io pa a comp eende o concei o e o
o ma o a ual da mediação. A in es igação ocou-se na mediação como uma p á ica social com
dimensão educa i a, con o me apon a Sil a (2018, p. 22): “(...) na medida em que eco e a
es a égias de ap endizagem al e na i a, nomeadamen e de con eúdos, compo amen os e a i udes
pa a p e eni e econhece os con li os e esol ê-los de o ma coope a i a, pací ica e c ia i a (...)”.
Busca-se, po an o, comp eende a po encialidade da p á ica da mediação no con ex o do es ágio,
des acando seu papel educa i o e o mado nas in e ações sociais. Esse en endimen o é e o çado po
F ei e e Cae ano (2011, p. 597), que des acam:
A mediação é ambém uma ac i idade educa i a e é ica, na medida em que em como
objec i o p opo ciona uma ap endizagem al e na i a de p á icas de ges ão das elações
humanas e simul aneamen e pe segue de e minados p incípios é icos, cuja aplicação dê
sen ido à mediação como ins umen o de e o ço do bem-es a social e da coesão dos g upos,
das comunidades e da sociedade em ge al.
Como ambém, imos na nas pesquisas de Giménez (2020, p. 33), ambém oi obse ado o
ca á e “endo o ma i o da mediação, ou seja, o seu papel em educa a pa i da expe iência i ida”.
Es e concei o des aca a mediação como um p ocesso de ap endizagem que oco e no con ex o de ida
das pessoas en ol idas, pe mi indo-lhes e le i e c esce a pa i dos seus p óp ios con li os e
i ências.
Nesse sen ido, a mediação é comp eendida como uma a i idade educa i a, pois c ia um
espaço que ensina as pa es a ge encia suas elações sociais, p omo endo, simul aneamen e,
habilidades undamen ais, como au oconhecimen o, exe cício da au onomia das pa es, espei o mú uo
e a busca de soluções que a o eçam o bem comum. Assim, a mediação não apenas esol e con li os,
mas ambém con ibui pa a o o alecimen o do bem-es a social e da coesão nas comunidades e na
sociedade como um odo.
27
Desde cedo, ap ende-se que não de emos ala sob e con li os, uma p á ica comum que busca
e i a descon o os an o pa a si quan o pa a os ou os. Ensina-se que, dessa o ma, p ese a-se a
ha monia en e as pessoas, mas, na ealidade, isso c ia apenas uma ilusão apa en e de con i ência
cole i a. Além disso, há uma endência em pe mi i que e cei os esol am o con li o, o que acaba po
incen i a a ocul ação dos p oblemas, em ez de p omo e a sua esolução di e a en e as pa es
in e essadas. Como Maldonado (2010) explica essa i ência em elação ao con li o:
Mui as ezes, o con li o exis e, não pe cebido nem econhecido: é o con li o la en e, que
anspa ece no clima de ensão e insa is ação, in ensi icando a us ação, a descon iança e a
desa monia nos á ios ní eis em que ele se ins ala (in apessoal, in e pessoal ou
o ganizacional). Ao con á io do con li o mani es o, que é isí el e palpá el, o la en e ge a
mui as co en es sub e âneas po que as pessoas en ol idas p e e em aze de con a que o
p oblema não exis e, não mani es am cla amen e o seu descon o o ou desag ado e pensam
que ala sob e ele é mais pe igoso do que mexe num ninho de espas. (p. 22)
No en an o, nas disciplinas es udadas no mes ado, obse ou-se uma pe spec i a opos a,
con o me jus i ica Giménez (2020, p. 33), ao a i ma que “(...) a mediação assume que os con li os e
c ises êm um lado posi i o, ep esen ando opo unidades de c escimen o pessoal e social quando são
a ados de o ma pa icipa i a e pací ica.” O mesmo au o ca ac e iza o con li o da seguin e manei a:
Alguns dos p oblemas sociais e in e pessoais mani es am-se como con li os abe os, que
sejam de na u eza económica, labo al, polí ica ou ins i ucional, que sejam de na u eza
amilia , o ganizacional, escola , comuni á ia, en e ou os. Pa a esol e p oblemas, ensões e
con li os, a sociedade em à sua disposição á ios mecanismos (dec e os, polí icas públicas,
julgamen os, decisões a bi ais e ou os, pelo menos quando aplicados de o ma jus a),
incluindo os modelos de esolução de con li os acima mencionados, ais como a mediação,
que p i ilegiam a con iança, o diálogo coope a i o, a legi imação. (p. 33)
De aco do com a pesquisa de To emo ell (2008), na mediação de con li os, é undamen al
ado a um pensamen o iplo. Es e concei o ab ange ês elemen os essenciais: a pessoa, que az
28
consigo sua his ó ia e es á dispos a a se mediada; o con li o, que su ge como uma opo unidade pa a
o desen ol imen o pessoal e social; e o p ocesso, que in eg a comunicação, pa icipação, coope ação,
lexibilidade, au onomia e esponsabilidade. Essa abo dagem con as a com o pensamen o biná io, que
se concen a na noção de encedo e pe dedo , e le indo uma isão indi idualis a e hie a quizada.
2.2.3 Mediação Comuni á ia
A mediação de con li os possui aízes his ó icas p o undas, emon ando a p á icas adicionais
de esolução de dispu as em di e sas cul u as ao longo do empo. Em sociedades an igas, como as
ibos indígenas, comunidades a icanas e ci ilizações o ien ais, os con li os e am equen emen e
mediados po líde es comuni á ios, anciãos ou igu as de espei o, que u iliza am sua sabedo ia e
au o idade mo al pa a p omo e o diálogo e alcança consensos (Ca alcan e & Fei osa , 2011). Essas
p á icas inham como obje i o não apenas soluciona os desen endimen os, mas ambém es au a a
ha monia social e o alece os laços comuni á ios.
A mediação comuni á ia, sob e udo quando aplicada a populações em si uação de
ulne abilidade social, cons i ui uma ex ensão signi ica i a do po encial ans o mado pa a as pessoas
en ol idas. Assim encon amos espaldo com as pesquisas de Ola e e al (2014, p. 11) quando
a i mam que (...) “mediação comuni á ia não apenas como uma p á ica que isa busca aco dos en e
as pa es em con li o, mas concen a am-se no seu po encial emancipa ó io, c í ico e ans o mado ”.
Sua p á ica em con ex os de agilidade social, como en e aqueles que en en am p ocessos
de exclusão e ma ginalização, e ela-se essencial na p omoção do desen ol imen o das
po encialidades dos indi íduos, azendo com que a mediação comuni á ia c ie um espaço onde os
sujei os podem econhece e ei indica seus di ei os, além de o alece os laços amilia es, sociais e
comuni á ios. Assim, des acam Foley e Passos (2020, p. 67)
A cole a de dados de e le a em con a as de iciências e necessidades da comunidade, mas
ambém os alen os, habilidades e ecu sos disponí eis. Essa es a égia possibili a que o
mapeamen o si a de espelho pa a a comunidade que, ao se olha , enha consciência de seus
p oblemas, mas ambém conheça as suas po encialidades, o que é essencial pa a a
cons ução de uma iden idade comuni á ia
29
Dessa o ma, anscende a simples esolução de con li os imedia os, a uando como um
ins umen o de cons ução de edes de apoio e con iança mú ua, que capaci am os pa icipan es a
o na em-se agen es a i os na melho ia de suas p óp ias condições de ida. Ao p omo e um ambien e
de diálogo, pa icipação e coope ação, essa p á ica o alece a coesão e a esiliência social,
incen i ando indi íduos e g upos a econhece em-se como pa es de um cole i o e a en ol e em-se
a i amen e na cons ução de uma sociedade mais jus a e inclusi a. Como obse a Vezzulla (2010), ao
ecupe a em a au ocon iança e en en a em sua ealidade a a és da au oges ão, os indi íduos não
apenas assumem o con ole de suas idas, mas ambém desen ol em alo es essenciais como
esponsabilidade, coope ação e solida iedade, o que os o na menos dependen es do sis ema de
assis ência social.
Um aspec o cen al nes e deba e eside em comp eende a mediação como um p ocesso
dinâmico e não apenas como uma unção especí ica e delimi ada. Essa pe spec i a amplia a
comp eensão da complexidade dos seus mecanismos e pe mi e uma análise mais ap o undada de
suas múl iplas unções enquan o ins umen o de in e enção social. Assim, apon am Foley e Passos
(2020, p. 75) que a “Mediação Comuni á ia apos a na capacidade de seus a o es locais a ua em sob
um modelo pa icipa i o, ho izon al e democ á ico, como sujei os de sua p óp ia ans o mação social”.
Assim, ao se is a como um p ocesso con ínuo, a mediação e ela-se mais e icaz na p omoção de
mudanças signi ica i as, pois inco po a a adap ação e a e olução das elações sociais em cada
con ex o especí ico.
Conco damos com Ola e e al (2014) quando a i mam que: “A p á ica da mediação
comuni á ia undamen a-se em alo es como a emancipação, a delibe ação, a pedagogia social e a
pa icipação”. Esses alo es são essenciais pa a p omo e um ambien e onde as pessoas possam
exe ce sua au onomia, engaja -se em diálogos cons u i os e compa ilha esponsabilidades na busca
po soluções pa a os con li os. Além disso, ais alo es con ibuem pa a o alece a capacidade dos
en ol idos de e le i em c i icamen e sob e suas expe iências, incen i ando o desen ol imen o de
p á icas colabo a i as e uma con i ência mais ha moniosa e inclusi a den o da sociedade.
Nesse con ex o, a mediação comuni á ia a ua como um p ocesso de in e câmbio, ap oximando
as polí icas públicas das demandas co idianas da população. Foley e Passos (2020, p. 77) a i mam
que
A comunidade pa icipa i a, assume a esponsabilidade das suas ques ões e, longe de se
limi a a apon a culpados pelo es ado das coisas, p opõe conduzi , coope a i a e
36
CAPÍTULO III- Enquad amen o me odológico do es ágio
“A a e a mais impo an e de uma pessoa que em ao mundo é c ia algo.”
(Paulo F ei e)
Nes e capí ulo, se á ap esen ada a me odologia de in es igação- in e enção que o ien ou a
expe iência de es ágio. A cons ução do conhecimen o sob e o con ex o oi pau ada pela sensibilidade,
comp eensão, con iança, espei o e pela cons an e omada de decisões, em um ciclo con ínuo de
o mulação e e o mulação de ações e p opos as. Du an e esse p ocesso, as con ibuições das
mediado as de eme gência social o am semp e conside adas e inco po adas na in e enção. A
me odologia buscou, ainda, e le i com p ecisão as obse ações ei as ao longo do es ágio, ga an indo
que as p á icas analisadas seguissem o igo cien í ico, ossem ielmen e desc i as e in e p e adas.
3.1. Ap esen ação das ques ões, inalidade e obje i os do es ágio
Pa a di eciona e ap o unda es a in es igação, oi essencial iden i ica os undamen os
eó icos que sus en am a p oblemá ica em análise. Nesse sen ido, escolheu-se a abo dagem
enomenológica como base me odológica. Es a in es igação busca comp eende o ques ionamen o
ace ca de que o ma as mediado as de eme gência social pe cebem as p á icas educa i as in o mais
como pa e de suas esponsabilidades na p omoção da con i ência inclusi a no CAES. Além de
explo a como a mediação comuni á ia pode se i como uma espos a social e icaz pa a p omo e a
con i ência inclusi a em con ex os de acolhimen o social de eme gência, concebendo-a como uma
p á ica de exe cício de cidadania.
O obje i o cen al des a in es igação oi analisa como a mediação comuni á ia pode con ibui
pa a a p omoção de uma con i ência inclusi a em con ex os de acolhimen o social de eme gência,
ocando no papel desempenhado pelas mediado as de eme gência social e em suas p á icas
educa i as in o mais. A pesquisa buscou comp eende de que o ma as ações dessas p o issionais
a o ecem a in eg ação e o o alecimen o de ínculos en e as pessoas acolhidas, p omo endo uma
con i ência baseada em espei o e solida iedade.
Foi elabo ado uma calenda ização das ases da in es igação e da in e enção p opos a a
ealiza / ealizada du an e o p ocesso in es iga i o (ou ub o 2023 a junho 2024) - As ases do
desen ol imen o do p oje o em ques ão segui am a o dem c onológica ( e o apêndice, p. ). A p opos a

37
da calenda ização do es ágio cu icula seguiu um p ocesso de conceção, implemen ação e a aliação,
no qual oi essencial conside a as especi icidades do público-al o, os ecu sos disponí eis e o
ambien e ins i ucional. A plani icação da in e enção oi cuidadosamen e elabo ada, ajus ando-se às
necessidades e limi ações do con ex o, num ciclo de ação- e lexão-ação. De manei a, que oi
de e minan e pa a adap a as es a égias e assegu a a con inuidade da in e enção, ainda que os
esul ados inais não enham sido comple amen e alcançados. Assim, a es a égia de calenda ização
no eou odo plano em que acili ou a sis ema ização, a análise e a in e p e ação dos dados ecolhidos.
Pa imos pa a es e es udo com base nos conhecimen os p é ios e na expe iência acumulada
da mediado a es agiá ia, que o am ajus adas e e o muladas à medida que o p ocesso in es iga i o
a ança a numa elação ação- e lexão-ação. Assim, o des acam Bogdan e Biklen (1994, p. 84) ao
a i ma dois elemen os essenciais: “os in es igado es quali a i os pa em pa a um es udo munidos dos
seus conhecimen os e da sua expe iência (...)”, os mesmos essal am a impo ância da bagagem
pessoal e acadêmica do pesquisado no p ocesso de in es igação quali a i a, uma ez que esse ipo de
pesquisa não se baseia exclusi amen e em dados obje i os ou em me odologias p ees abelecidas, mas
ambém na capacidade da mediado a es agiá ia de in e p e a e in e agi com o con ex o es udado
pa a p odução de conhecimen o.
3.2 Ap esen ação da in e enção/in es igação
No âmbi o do p oje o de in es igação/in e enção, oi ealizada uma capaci ação in i ulada
Mediação Comuni á ia na Fo mação das Mediado as de Eme gência Social do CAES, com o obje i o de
apoia e ap imo a a p á ica das p o issionais, essencial pa a o bom uncionamen o da ins i uição. A
p opos a e e como oco p incipal ap esen a e amen as que pudessem melho a as compe ências
das mediado as de eme gência social no acolhimen o de pessoas em si uação de ulne abilidade
social a endidas pelo se iço, além de con ibui pa a a p omoção de uma p á ica inclusi a no in e io
do CAES. A p opos a inicial oi pensada pa a uma ca ga ho á ia de in e ho as di ididas em sessões.
O encon o oco eu em o ma o i ual, de ido ao ca á e o a i o dos ho á ios de abalho das
mediado as de eme gência social e às demandas ins i ucionais que limi a am sua disponibilidade.
Além disso, a pa icipação na in es igação e a olun á ia, e as p o issionais inham ainda ou as
esponsabilidades pessoais a cump i . De aco do com Mo an (2000), ações de o mação con inuada
com uso de ecnologia podem auxilia na ansposição de ba ei as geog á icas en e os p o issionais,
in eg ando con eúdos eó icos e p á icos po meio de pla a o mas online. O au o des aca que o uso de
38
ambien es i uais de ap endizagem p omo e não apenas a lexibilidade no acesso ao conhecimen o,
mas ambém a in e ação en e os pa icipan es, pe mi indo o desen ol imen o de compe ências de
o ma colabo a i a e con ex ualizada. Essas e amen as, segundo Mo an (2000), possibili am uma
educação mais inclusi a e e icien e, especialmen e em con ex os onde o dis anciamen o ísico é um
desa io pa a al.
A me odologia ado ada oi lexí el e e lexi a, pe mi indo a pa icipação an o em a i idades
sínc onas quan o assínc onas. Esse o ma o se mos ou adequado ao con ex o da in es igação
quali a i a, pois possibili ou a cole a de dados sob e a in e ação das mediado as de eme gência social
com os con eúdos e o p ocesso o ma i o. Além disso, espei ou suas expe iências e pe cepções,
elemen os essenciais pa a a análise enomenológica que o ien ou o es udo.
Fo am usadas di e sas es a égias de ap endizagem, do ipo, a ap esen ação eó ica, deba es
e a ealização de a i idades p á icas, como dinâmicas indi iduais e em g upo. Na modalidade i ual, a
pe spec i a é a socialização do sabe cien í ico de manei a desa iado a, em que cada pa icipan e c ia
seu p óp io espaço e empo pa a ga an i , com disciplina, o es udo de o ma au ônoma e lexí el. Esses
são pon os ele an es pa a o êxi o em elação à ap endizagem quali a i a à dis ância.
A ualmen e, de aco do com Mo an (2000), com o uso da in e ne é possí el explo a uma
a iedade de ecu sos pa a ap o unda -se em de e minados emas. Exis em múl iplas possibilidades de
a i idades sínc onas e assínc onas, como ideocon e ências, edes sociais, ídeos cien í icos, salas
i uais com ó uns, cha s, quizzes, jogos in e a i os e e en e ao con eúdo es udado e acesso a uma
as a gama de lei u as online, disponí eis em empo eal pa a odos os en ol idos. Essas e amen as
p omo em uma in e ação mais ica, o alecem a socialização e a o ecem uma ap endizagem
signi ica i a, ao mesmo empo que diminuem as ba ei as geog á icas.
O Quad o 3 ap esen a uma isão ge al da capaci ação o e ecida, o ganizada com base nos
p incípios dos di ei os humanos e da mediação. O planejamen o buscou comp eende o p ocesso de
mediação comuni á ia, des acando a impo ância das écnicas comunicacionais e pa icipa i as. Po
im, p ocu ou p omo e , de o ma cole i a, a cons ução de uma lis a de p á icas de mediação
comuni á ia, com o obje i o de ap imo a as a i idades ealizadas pelas mediado as de eme gência
social no CAES.
39
Quad o 3. Ca ac e ização do con eúdo p og amá ico da o mação con inuada ealizada com as
mediado as sociais
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
SESSÕES
CARGA HORARIA
TEÓRICAS
PRÁTICAS
Ap esen ação das pa icipan es da
o mação e da p opos a de o mação
“Mediação Comuni á ia na Fo mação das
Mediado as de Eme gência Social do
CAES” – aula dialogada
X
1H
Impo ância dos P incípios dos di ei os
humanos si uações do co idiano do
CAES.
X
X
4H
P incípios da mediação: na u eza da
mediação comuni á ia
X
X
4H
Mediação comuni á ia como p á ica de
in e enção social pa a con ibui na
p omoção da paz e da jus iça nas
elações in e pessoais.
X
X
3H
A impo ância da escu a a i a pa a
qualidade das in e ações in e pessoais e
a comp eensão mú ua a a és de es udo
de caso.
X
X
3H
C iação de uma lis a de p á icas de
mediação comuni á ia, con endo
es a égias e écnicas pa a ap imo a as
a i idades desen ol idas pelas
mediado as de eme gência social.
X
X
5H
TOTAL DE HORAS
20H
Fon e: A au o a, 2024.
A ação de capaci ação p opos a e e como obje i o cen al a p omoção de dinâmicas que
a o ecessem discussões e p á icas de mediação comuni á ia, com ên ase em emas undamen ais,
como a comp eensão dos di ei os humanos e a comunicação e icaz. Esses emas o am escolhidos po
sua ele ância pa a o desempenho das unções p o issionais no con ex o do es ágio e pela sua
con ibuição pa a a mediação como uma p á ica ans o mado a.
40
O planejamen o o ma i o oi pau ado nos p incípios da educação in o mal, en endida como
uma p á ica social que alo iza a oca de expe iências, o diálogo e a e lexão cole i a sob e as p á icas
diá ias das mediado as de eme gência social. A in enção oi c ia um espaço de ap endizado
signi ica i o, que pe mi isse às pa icipan es cons ui conjun amen e soluções pa a os desa ios
en en ados no seu co idiano p o issional e o alece o papel das mediado as de eme gência social no
acolhimen o ealizado no CAES. Po an o, econhece-se o po encial e a impo ância de se in es i em
ações o ma i as que a iculem eo ia e p á ica, com o obje i o de p io iza an o o desen ol imen o de
compe ências écnicas quan o a cons ução de uma isão c í ica e é ica sob e o papel das mediado as
de eme gência social no con ex o do es ágio. Essas inicia i as o ma i as de em con empla não
apenas a ansmissão de conhecimen o écnico, mas ambém a p omoção de e lexões que pe mi am
às p o issionais comp eende em as dinâmicas sociocul u ais e os desa ios é icos associados ao seu
abalho. Assim, é possí el o alece sua capacidade de a uação como agen es de ans o mação
social, especialmen e em con ex os de acolhimen o e ulne abilidade.
3.3 Fundamen ação da me odologia de in e enção/in es igação
A me odologia ado ada nes e es udo baseia-se em ês pila es p incipais: a in es igação-ação, a
in es igação quali a i a e a enomenologia. Essa escolha me odológica oi di ecionada pelo obje i o de
comp eende de manei a holís ica e e lexi a o con ex o social analisado, além de explo a as
dinâmicas de con i ência nos espaços de acolhimen o social. Esses pila es pe mi i am uma
abo dagem in eg ada, ol ada an o pa a a in e enção p á ica quan o pa a a análise c í ica das
in e ações e p ocessos i enciados.
A enomenologia guiou a análise e in e p e ação dos dados nes e es udo, cen ando-se na
comp eensão das expe iências i idas con o me pe cebidas pelas p óp ias pa icipan es. Segundo
Bogdan e Biklen (1994, p. 53), é undamen al alcança "comp eensões in e p e a i as das in e ações
humanas". Nesse con ex o, a enomenologia pe mi iu cap a de o ma au ên ica as i ências an o das
pessoas acolhidas quan o das mediado as de eme gência social, le ando em conside ação suas
pe spec i as e sen imen os. Essa abo dagem possibili ou a cons ução de um quad o in e p e a i o que
ai além dos dados obje i os, alo izando a subje i idade e a singula idade de cada expe iência. Ao
oca nas expe iências i idas, a enomenologia o nece uma base sólida pa a explo a a mediação
comuni á ia como uma p á ica que alo iza a subje i idade e es imula o exe cício da au onomia das
pessoas en ol idas.
41
O modelo me odológico ado ado oi a in es igação-ação, que combina a pesquisa cien í ica
com a ação p á ica no con ex o es udado. Essa abo dagem não isa apenas comp eende o enômeno,
mas ambém p omo e a ans o mação social po meio de in e enções conc e as. Como des acado
po Amado (2014, p. 188), "du an e odo o p ocesso há p odução de sabe , a a és da e lexão sob e
a ação, p opo cionando, assim, um aumen o do conhecimen o an o dos in es igado es quan o das
pessoas en ol idas na si uação e con ex o in es igado". Com essa me odologia, o es udo não se
es ingiu à cole a de dados, mas o nou-se um espaço e lexi o e p oposi i o, especialmen e no campo
das p á icas de mediação comuni á ia. A in es igação-ação o ien ou a comunicação, a esolução de
con li os e a p omoção de um ambien e inclusi o, undamen al no acolhimen o social de eme gência.
A mediação comuni á ia, enquan o obje o de análise, oi examinada an o no plano eó ico
quan o em sua aplicação p á ica no con ex o da in e enção o ma i a, "Mediação Comuni á ia na
Fo mação das Mediado as de Eme gência Social do CAES". Essa p á ica, desen ol ida em in e ação
com as mediado as de eme gência social, undamen a-se em uma comunicação e icaz, com o obje i o
de p omo e um acolhimen o inclusi o e ha monioso. A me odologia ado ada possibili ou a c iação de
um p ocesso con ínuo de e lexão e ação, pe mi indo espos as lexí eis e adap á eis às necessidades
eme gen es do con ex o social de acolhimen o.
3.3.1 Mé odo e écnicas de in es igação/in e enção
Quan o aos mé odos e p ocedimen os u ilizados pa a a ealização do p oje o de in es igação-
in e enção desen ol ido du an e o es ágio, ado ou-se uma abo dagem quali a i a, que isa
comp eende a complexidade das expe iências sociais e humanas em seu con ex o.
A in es igação quali a i a oi escolhida po sua habilidade em cap a a complexidade das
in e ações humanas e o e ece uma comp eensão ap o undada dos enômenos sociais. Como e e em
Bogdan e Biklen (1994, p. 52), “es amos a ala de um modo de en endimen o do mundo, das
asse ções que as pessoas êm sob e o que é impo an e e o que az o mundo unciona .” Assim, esse
mé odo pe mi e explo a as nuances dos signi icados a ibuídos pelas pessoas às suas expe iências,
alo izando as pe spec i as indi iduais e cole i as em con ex os especí icos. Nessa pe spec i a, a
in es igação quali a i a segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 49), “exige que o mundo seja examinado
como ideia de que nada é i ial, que udo em po encial pa a cons i ui uma pis a que nos pe mi a
es abelece uma comp eensão mais escla ecedo a do nosso obje o de es udo”.

42
Além disso, Bicudo e Cos a (2019, p. 136) a i mam que a pesquisa quali a i a é uma
cons ução humana que se o igina na consciência dos pesquisado es e pos e io men e se mani es a
em ex os concei uais. Essa me odologia es á undamen ada na ideia de que as pessoas se o mam a
pa i de suas i ências e in e ações sociais co idianas em di e en es con ex os. Assim, no p esen e
es udo, a abo dagem quali a i a oi essencial pa a explo a , em p o undidade, o obje i o p incipal:
comp eende o papel da mediação comuni á ia na p omoção da con i ência inclusi a no con ex o do
CAES. Esse mé odo mos ou-se pa icula men e e icaz ao cap a as subje i idades dos pa icipan es,
incluindo suas pe cepções, emoções e expe iências, pe mi indo uma análise mais ica e
con ex ualizada.
Pa a a cole a de dados, a p odução in es iga i a oi o ien ada po um plano de a i idades
undamen ado no mé odo quali a i o e nos p incípios da in es igação-ação. Con o me a i mam Bogdan
e Biklen (1994, p. 293), “os mé odos quali a i os se baseiam na obse ação, na en e is a abe a e na
análise de documen os”. Assim, uma in es igação com essa abo dagem não se limi a apenas ao
le an amen o de dados ou à iden i icação de p oblemas sociais; ela busca ambém con ibui pa a a
esolução de ques ões sociais e p opo ecomendações pa a mudanças, le ando em conside ação as
elações sociais das pessoas en ol idas na in es igação.
Nesse con ex o, pa a Bogdan e Biklen (1994, p. 295) “a in es igação é econhecida como
endo consequências polí icas”, e essa pe spec i a implica que as decisões omadas du an e o
p ocesso in es iga i o são ealizadas de manei a independen e e conscien e, com a enção às
consequências que podem ad i dessas escolhas. Po an o, o comp omisso com a é ica e a
esponsabilidade social é undamen al, assegu ando que o es udo não apenas amplie o conhecimen o
da mediado a es agiá ia, mas ambém p omo a um impac o posi i o nas comunidades en ol idas.
Essa abo dagem holís ica pe mi e que a pesquisa se desen ol a de manei a a espei a e alo iza a
oz das pa icipan es, c iando um espaço pa a a e lexão e a ação ans o mado a.
Em suma, pa a a cole a de dados o am emp egadas á ias écnicas, incluindo a obse ação
pa icipan e e en e is as semi di e i as, além da análise documen al e do egis o em diá io de bo do.
A escolha desses mé odos se jus i ica pela na u eza in e a i a e dinâmica do con ex o de acolhimen o
social no CAES. A segui , se á possí el desc e e com mais cla eza cada uma dessas écnicas e como
elas con ibuem pa a a análise do enômeno em ques ão.
A obse ação pa icipan e oi o eixo no eado des a in es igação-in e enção, pe mi indo a
desc ição e in e p e ação dos dados cole ados e con ibuindo pa a o delineamen o do p oje o e pa a a
p odução de conhecimen o. Esse mé odo, alinhado aos p incípios da in es igação quali a i a, en a iza a
43
ime são da mediado a es agiá ia no con ex o es udado, a o ecendo uma comp eensão mais p o unda
das dinâmicas sociais. A obse ação pa icipan e en iqueceu a cole a de dados ao cap u a a
complexidade das in e ações humanas e suas nuances, essenciais em con ex os que demandam
sensibilidade e comp eensão das ealidades i idas pelas pessoas. Com isso, p omo eu uma
abo dagem in es iga i a que espei a a é ica e busca a ans o mação social, alo izando as
expe iências das pessoas en ol idas e o e ecendo insigh s ele an es pa a p á icas u u as. Esse
comp omisso enquan o in es igado a encon a espaldo na in es igação quali a i a, con o me Gonzales
(2003, p. 6):
(...) numa pesquisa quali a i a, o in es igado é o ins umen o p incipal e a gumen a: po
de inição, um ins umen o de pesquisa é qualque disposi i o que pe mi a cap u a , cole a e
egis a in o mações que se em de base pa a a emissão de julgamen os, omadas de
decisões, ap esen ação de a gumen os, o mulação de c í icas, iden i icação de disc epâncias,
p oposição de soluções pa a p oblemas e c, ques ões que p ecisam es a em sin onia com os
p opósi os, obje i os ou me as delineados no espec i o p oje o de pesquisa.
A obse ação pa icipan e, não apenas en iqueceu a cole a de dados, mas ambém acili ou a
cons ução de um conhecimen o que espei a a complexidade das in e ações humanas e suas
nuances. Isso é especialmen e impo an e em con ex os sociais que exigem sensibilidade e
comp eensão das ealidades i idas pelas pessoas, con ibuindo pa a uma abo dagem in es iga i a
que é an o é ica quan o ans o mado a.
O diá io de bo do oi u ilizado como um p ocedimen o de no as de campo, con igu ando-se
como uma e amen a indispensá el na in es igação quali a i a. A uou como um egis o diá io e lexi o
das expe iências e obse ações da mediado a es agiá ia du an e o es ágio. Além de documen a os
dados cole ados, pe mi iu o egis o de imp essões, emoções e e lexões da in es igado a ace ca do
ambien e e das in e ações obse adas, cap u ando nuances que podem não se e iden es nos
mé odos de cole a de dados o mais. Essa p á ica p opo cionou uma comp eensão mais ica e
con ex ualizada do enômeno em es udo, ampliando a in e p e ação dos dados a pa i de uma
abo dagem enomenológica. A ele ância dessa e amen a encon a espaldo em au o es como
Bogdan e Biklen (1994), que des acam a impo ância do diá io de bo do na p odução de um ela o
denso e desc i i o, essencial pa a a análise quali a i a.
44
(...) Desc ição de pessoas, obje os, luga es, acon ecimen os, ac i idades e con e sas. Em
adição e como pa e dessas no as, o in es igado egis a á ideias, e lexões e palpi es, bem
como os pad ões que eme gem. Is o são no as de campo: o ela o esc i o daquilo que o
in es igado ou e, ê, expe iencia e pensa no decu so da ecolha e e le indo sob e os dados
de um es udo quali a i o. (p. 150)
No con ex o des e es udo, o diá io de bo do desempenhou um papel c ucial ao o e ece um
espaço pa a o egis o das dinâmicas sociais no CAES. Ele possibili ou iden i ica pad ões, desa ios,
limi ações e dados que su gi am du an e a capaci ação in i ulada Mediação Comuni á ia na Fo mação
das Mediado as de Eme gência Social do CAES. Além disso, ao acili a a au o e lexão da mediado a
es agiá ia, o diá io con ibuiu pa a uma comp eensão mais ap o undada do con ex o in es iga i o,
o alecendo a análise enomenológica e en iquecendo a in e p e ação dos dados. Em sín ese, o diá io
de bo do oi uma e amen a indispensá el pa a o desen ol imen o do es udo, p omo endo uma
conexão signi ica i a en e eo ia e p á ica.
As en e is as semidi e i as o am u ilizadas po se a a em de uma écnica de cole a de
dados amplamen e u ilizada em pesquisas quali a i as, o e ecendo uma es u u a lexí el que pe mi e
explo a a p o undidade das expe iências e pe cepções dos pa icipan es. Nesse o ma o, o
pesquisado u iliza um guia de ques ões p ede inidas, mas man ém a libe dade pa a adap a as
pe gun as e ap o unda -se em emas eme gen es du an e a con e sa. Essa abo dagem é
pa icula men e e icaz pa a comp eende as nuances das i ências das pessoas, pois a o ece um
diálogo mais abe o e espon âneo, pe mi indo que as en e is adas compa ilhem suas his ó ias e
e lexões de manei a mais ica e con ex ualizada. Assim e i icamos nas o ien ações de Bogdan e
Biklen (1994, p. 134), “a en e is a é u ilizada pa a ecolhe dados desc i i os na linguagem do p óp io
sujei o, pe mi indo ao in es igado desen ol e in ui i amen e uma ideia sob e a manei a como os
sujei os in e p e am aspec os do mundo”.
Além disso, as en e is as semidi e i as p omo em um ambien e de con iança e empa ia en e
o en e is ado e o en e is ado, essencial pa a que os pa icipan es se sin am à on ade pa a
exp essa suas opiniões e sen imen os. Essa écnica não apenas acili a a cole a de dados
signi ica i os, mas ambém espei a a subje i idade dos pa icipan es, econhecendo suas ozes e
expe iências únicas. Ao inal, a análise das en e is as pe mi e uma in e p e ação mais ap o undada
dos enômenos sociais es udados, con ibuindo pa a uma comp eensão holís ica das dinâmicas
en ol idas nas in e ações humanas e nas p á icas sociais obse adas.
45
A análise de documen os da ins i uição oi essencial, pois possibili ou uma comp eensão
dos enquad amen os legais e no ma i os que egem o uncionamen o do CAES. Os documen os
o necidos pela ins i uição, como o P o ocolo de Ino ação de Respos a à Eme gência Social en e o
Ins i u o de Segu ança Social (IP) e a Po a ia nº 218/2019, de 15 de julho, além do Regulamen o
In e no do Cen o de Alojamen o de Eme gência Social e do Con a o de P es ação de Se iço CAES,
cons i uí am uma base sólida pa a a análise das di e izes o mais que o ien am as p á icas de
acolhimen o e in e enção social. Essa análise possibili ou uma comp eensão mais ap o undada da
o ganização, das esponsabilidades ins i ucionais e das p á icas ope acionais do CAES.
Encon amos espaldo com as pesquisas de Ai es (2015) que jus i ica nossa escolha em usa
a écnica da ecolha dos dados a pa i dos documen os o iciais disponibilizados pela di eção do CAES:
in es igado es ansi am en e o campo eó ico e o campo empí ico, u ilizando es a égias que
conec am pa adigmas de in es igação a mé odos especí icos de ecolha e análise. Nesse
con ex o, a ecolha de dados po meio de documen os o iciais ganha um des aque pa icula ,
pois es abelece um ínculo di e o com os ma e iais ele an es pa a a in es igação. Esses
documen os são on es legí imas e ep esen a i as que o e ecem insigh s sob e os con ex os,
as ins i uições e as p á icas que con igu am o obje o de es udo. (22)
Ainda com a mesma pesquisado a (2015) comungamos com o pensamen o de que:
Além disso, ao en ol e documen os e a qui os, o in es igado não apenas u iliza ma e ial
empí ico, mas ambém con e e c edibilidade e igo ao es udo, alinhando-se ao luxo de
ep esen ação e legi imação da pesquisa. No caso de es a égias de pesquisa enomenológicas
os documen os o iciais se em como um complemen o alioso às écnicas in e p e a i as,
amplia o p ocesso em mo imen o em oda pesquisa desde a da comp eensão do enómeno
em es udo.
Dessa o ma, a in eg ação de documen os o iciais como mé odo de ecolha não só o alece a
base empí ica da pesquisa, mas ambém posiciona mediado a es agiá ia em diálogo com o campo
pa adigmá ico, conec ando as capacidades analí icas às p á icas conc e as da in es igação.
52
Pa a sis ema iza o a amen o e análise das espos as das mediado as de eme gência social
pa a a sessão II da capaci ação, oi elabo ado um quad o esumo es u u ado com os p incipais emas
que su gi am du an e as in e ações pelo g upo de Wha sApp.
Quad o 7. Ca ac e ização dos emas e espos as das mediado as de eme gência social du an e a
capaci ação da Sessão II
TEMA
RESPOSTAS
P esunção de Inocência e Di ei os
Humanos no CAES
Mediado a de eme gência social 1: Relaciona a p esunção de
inocência ao abalho no CAES, des acando que a ins i uição
"assen a exa amen e na de esa e hon a dos di ei os humanos",
com ên ase na igualdade de opo unidades, onde qualque pessoa
é acolhida sem dis inção.
Igualdade e Respei o Mú uo
Mediado a de eme gência social 2: A impo ância do p imei o
a igo da Decla ação Uni e sal dos Di ei os Humanos, que sublinha
a dignidade e igualdade de odos os se es humanos. No CAES, es e
p incípio se aduz no " espei o mú uo e comp eensão en e os
alojados", e no comba e a disc iminações de aça, sexo e idade,
buscando uma sociedade mais equi a i a e ha moniosa.
Di ei o à Igualdade e à P o eção
con a a Disc iminação
Mediado a de eme gência social 3: Re le e sob e o a igo 7.º da
Decla ação, que p econiza a igualdade pe an e a lei e a p o eção
con a disc iminação. Como mediado a, a i ma que seu papel é
ga an i um a amen o digno e inclusi o pa a odos, p omo endo
uma "cul u a de inclusão e espei o", onde cada um pode
econs ui a p óp ia ida em segu ança e igualdade.
Di ei o a uma Vida Digna e
Su icien e
Mediado a de eme gência social 4: Baseia-se no a igo 25.º, que
de ende o di ei o a um "ní el de ida su icien e" e elaciona isso ao
abalho no CAES, onde as mediado as de eme gência social
a uam pa a "incen i a e auxilia " as pessoas acolhidas na
cons ução de uma au onomia, en ol endo an o cuidados pessoais
quan o a i idades de eino de compe ências.
Libe dade de Exp essão e
Supo e Social
Mediado a de eme gência social 5: En a iza o a igo 18 da
Decla ação, sob e a libe dade de exp essão. Ressal a a impo ância
desse di ei o pa a o desen ol imen o humano e da sociedade e, no
con ex o do CAES, a i ma que p omo e essa libe dade é essencial
pa a o c escimen o pessoal e social das pessoas acolhidas.
Fon e: A au o a, 2024.

53
Es e quad o esume como cada p o issional se iden i ica com um a igo especí ico da
Decla ação Uni e sal dos Di ei os Humanos, e le indo ambém sob e a aplicação p á ica desses
p incípios em suas a i idades diá ias no CAES. As espos as e elam um alinhamen o en e os alo es
pessoais das mediado as de eme gência social e a missão do CAES, que é p opo ciona supo e social
de eme gência, p omo e a dignidade humana e assegu a a igualdade pa a odas as pessoas
acolhidas.
Nos echos des acados, obse amos o comp ome imen o das mediado as de eme gência
social em emas como jus iça, igualdade e au onomia, que undamen am a ele ância e o impac o
posi i o do CAES na ida das pessoas acolhidas em si uação de ulne abilidade social. Essa
o ganização emá ica pe mi e uma análise e demons a a in eg ação dos p incípios dos di ei os
humanos com a p á ica social do CAES.
O ema p esunção de inocência e Di ei os Humanos no CAES é is o na espos a da mediado a
de eme gência social 1: ao ci a o A igo 11.º dos Di ei os Humanos que busca ga an i que apenas os
e dadei os culpados sejam esponsabilizados, e i ando injus iças e p ejuízos aos inocen es. A mesma
des aca que o abalho no CAES, "assen a exa amen e na de esa e hon a dos di ei os humanos", com
ên ase na igualdade de opo unidades, onde qualque pessoa é acolhida sem dis inção. Mediado a de
eme gência social 2: des aca a impo ância do p imei o a igo da Decla ação Uni e sal dos Di ei os
Humanos, que sublinha a dignidade e igualdade de odos os se es humanos. Cujo ema igualdade e
espei o mú uo pe meia as ações do CAES, es e p incípio se aduz no " espei o mú uo e comp eensão
en e os alojados", e no comba e a disc iminações de aça, sexo e idade, buscando uma sociedade
mais equi a i a e ha moniosa. A mediado a de eme gência social 3: Re le e sob e o a igo 7.º da
Decla ação, que p econiza a igualdade pe an e a lei e a p o eção con a disc iminação. Daí ime ge o
ema Di ei o à Igualdade e à p o eção con a a disc iminação, con o me ci ado a mediado a de
eme gência social, a i ma que seu papel é ga an i um a amen o digno e inclusi o pa a odos,
p omo endo uma "cul u a de inclusão e espei o", onde cada um pode econs ui a p óp ia ida em
segu ança e igualdade. Já no ema elacionado ao di ei o a uma ida digna e su icien e a mediado a de
eme gência social 4: Baseia-se no a igo 25.º, que de ende o di ei o a um "ní el de ida su icien e" e
elaciona isso ao abalho no CAES, onde as mediado as de eme gência social a uam pa a "incen i a
e auxilia " as pessoas acolhidas na cons ução de uma au onomia, en ol endo an o cuidados pessoais
quan o a i idades de eino de compe ências. O ema o a obse ado de libe dade de exp essão e
supo e social é ap esen ado pela mediado a de eme gência social 5: en a iza o a igo 18º da
Decla ação, sob e a libe dade de exp essão. Ressal a a impo ância desse di ei o pa a o
54
desen ol imen o humano e da sociedade e, no con ex o do CAES, a i ma que p omo e essa libe dade
é essencial pa a o c escimen o pessoal e social das pessoas acolhidas.
Obse amos que as epos as das mediado as de eme gência social no con ex o do CAES, se
alinha com a de esa dos Di ei os Humanos, p io izando o p incípio da igualdade e p omo endo di ei os
essenciais, como mo adia, alimen ação e se iços básicos de saúde pa a pessoas em si uação de
ulne abilidade social. Essas p o issionais desempenham um papel cen al ao o e ece supo e p á ico,
auxiliando no exe cício da au onomia e na inclusão social daqueles que ca ecem de habilidades
inclusi as de con i ência cole i a. Isso inclui educa e sensibiliza a comunidade sob e o espei o e a
empa ia, p omo endo uma cul u a de apoio e coope ação, obse ada na p á ica da educação in o mal.
Além disso, o apoio ao exe cício da au onomia e à dignidade é um dos g andes obje i os das
mediado as de eme gência social, que desen ol em a i idades de o ina, como exemplo, pa a p á ica
de a i udes de higiene pessoal e do espaço cole i o, como ambém, da con i ência cole i a. Essas
ações p omo em opo unidades que mui os não i e am, ajudando as pessoas acolhidas a alcança em
uma ida mais independen e e digna. Dessa o ma, o abalho no CAES e le e um comp omisso
genuíno com os di ei os humanos, ga an indo que p incípios como igualdade, jus iça e dignidade
es ejam p esen es na ida das pessoas em si uação de ulne abilidade social.
Segue abaixo o quad o esumo da Sessão III da capaci ação, no qual o planejamen o oi
o ganizado em ês momen os de a i idade assínc ona. No p imei o momen o, abo da am-se os
p incípios da mediação po meio de uma ques ão inicial, en iada ia Wha sApp, pa a explo a o
conhecimen o p é io de cada pa icipan e sob e o concei o de mediação. No segundo momen o, oi
c iada uma nu em de pala as i ual com base nas espos as das mediado as de eme gência social,
lançando a discussão sob e os p incípios da mediação. Complemen ando essa a i idade, oi
compa ilhado o ídeo "O Que Não Pode Fal a No P ocesso De Mediação", no YouTube, com a
o ien ação pa a que as pa icipan es e le issem sob e os aspec os que en iquece am ou muda am seu
conhecimen o inicial.
No e cei o momen o, a a i idade ocou na Na u eza da Mediação Comuni á ia ( e o apêndice
5, p. ). Foi ap esen ado um ídeo sob e a e isão dos p incípios e da na u eza da mediação
comuni á ia, seguido po um desa io in e a i o no jogo online Kahoo . Esse desa io baseou-se em uma
si uação eal ex aída de uma obse ação pa icipa i a, egis ada no diá io de bo do da mediado a
es agiá ia.
55
Quad o 8. Ca ac e ização da Sessão III da Capaci ação das mediado as de eme gência social
SESSÃO III
OBJETIVOS:
DESENVOLVIMENTO
Pla a o ma U ilizada: you ube, g upo de wa sap, can a e jogo online
kahoo
Es imula a capacidade de
a alia c i icamen e os concei os
eó icos e p á icos da mediação
no con ex o das suas
expe iências.
MOMENTO I
P incípios da mediação
Pon o de pa ida: Como ocês de ini iam mediação em suas p óp ias
pala as? Fiz um pos e e caminhei pa a o g upo de wa s
O ganiza uma nu em de pala as com as de inições p é ias das
mediado as de eme gência social
Facili a a conexão en e o
conhecimen o p é-exis en e dos
pa icipan es e os no os
concei os ap esen ados du an e
a o mação.
MOMENTO II
Ap esen ação do ídeo 4 - P incípios da mediação – o que não pode
al a no p ocesso de mediação. Link de acesso do you ube, empo
de du ação 11’28:
h ps://you u.be/VwX -N4uYdk
Re lexão Indi idual:
Re li a sob e como seu en endimen o inicial sob e mediação oi
impac ado pelos concei os eó icos ap esen ados.
Esc i a das Re lexões:
Esc e a suas e lexões, ocando em aspec os especí icos que
muda am ou o am en iquecidos em seu conhecimen o inicial.
Re le i , jun o com as
mediado as de eme gência
social, sob e os impac os
posi i os da mediação
comuni á ia, e o çando a sua
impo ância na p á ica
p o issional pa a con ibui na
cons ução de um ambien e
inclusi o e ha monioso.
MOMENTO III
Na u eza da mediação comuni á ia
Assínc ona:
Ap esen ação de um ídeo you ube sob e a e isão dos p incípios e
da na u eza da mediação comuni á ia. Link
h ps://you u.be/PpJ7Umk80bQ
A i idade de desa io no jogo online kahoo : a si uação oi e i ada de
uma obse ação pa icipa i a, egis ada no diá io de bo do da
in es igado a. Link:
h ps://kahoo .i /challenge/09801484?challenge-id=9865c7d6-
bb93-4d27-88 2-091d20a26 b3_1719456180483
Fon e: A au o a, 2024.
56
Pa a sis ema iza o a amen o e análise das espos as das mediado as de eme gência social
pa a sessão III da capaci ação, elabo amos um quad o esumo es u u ado com os p incipais emas
que su gi am du an e as in e ações pelo g upo de Wha sApp. Es a a i idade jus i ica-se pela sua
capacidade de es imula a e lexão e o pensamen o c í ico, pe mi indo aos pa icipan es elaciona os
seus conhecimen os p é ios com os no os concei os ap esen ados. Assim, p omo e um ap endizado
mais signi ica i o e p á ico, con ibuindo pa a uma melho comp eensão dos p incípios da mediação.
Quad o 9. Ca ac e ização dos emas e espos as das mediado as de eme gência social du an e a
capaci ação da Sessão III
TEMA
RESPOSTAS
Papel da Mediação
"Mediação pa a mim é um pouco daquilo que desempenhamos no
nosso dia a dia de CAES. [...] O ou i é imp escindí el, quan as
ezes no o que o ou o só p ecisa de se ou ido."
Impa cialidade e Ajuda
"A ideia é se impa cial, ou i os dois lados e en a en a num
consenso, num aco do a o á el às duas pa es do con li o [...]
ajudamos a e olui e a esol e p oblemas."
Ambien e Segu o e Saudá el
"Se mediado a esume-se undamen almen e a p opo ciona um
ambien e saudá el, segu o, solidá io e educa i o, [...] passamos a
se de ce a o ma o po o
P omoção de Au onomia e
Capaci ação
"O ien amos nas di iculdades ajudando a encon a soluções
pací icas e cons u i as [...] p omo emos a i idades educa i as e de
capaci ação pa a a au onomia e ein eg ação."
Relação de Coope ação
"Assim conseguimos desempenha melho a nossa unção com a
coope ação de odos, an o en e equipa como com os u en es."
Fon e: A au o a, 2024.
As espos as das mediado as de eme gência social e elam comp eende o papel que
desempenham no con ex o do CAES. Um aspec o que se des aca nas suas alas é a ên ase na escu a
a i a como uma e amen a c ucial pa a a mediação. As pa icipan es econhecem que mui as ezes as
pessoas p ecisam de alguém que os ouça de o ma genuína, o que não só alida suas expe iências,
mas ambém c ia um ambien e p opício à con iança e à colabo ação
Além disso, a impa cialidade oi mencionada como um p incípio undamen al na mediação. As
mediado as de eme gência social se eem como acili ado as que ajudam a esol e con li os, semp e
buscando um aco do que bene icie odas as pa es en ol idas. Esse comp omisso com a
57
impa cialidade não apenas p omo e a esolução de p oblemas, mas ambém capaci a as pessoas
acolhidas pa a o exe cício da au onomia.
Ou o pon o ele an e nas espos as é a impo ância de c ia um ambien e segu o e solidá io.
As p o issionais econhecem que, mui as ezes, se o nam um "po o segu o" pa a os pa icipan es do
CAES, o e ecendo não apenas ab igo, mas ambém supo e emocional. Elas ambém conside am
desempenha um papel essencial na cons ução de um espaço onde as pessoas possam se sen i
acolhidas e espei adas.
Po im, a p omoção do exe cício da au onomia é um ema eco en e nas espos as. As
mediado as de eme gência social mencionam a necessidade de p opo ciona a i idades educa i as que
ajudem a desen ol e habilidades necessá ias pa a a coesão social. Essa abo dagem não apenas
con ibui pa a o c escimen o indi idual das pessoas acolhidas, mas ambém o alece a comunidade
como um odo, ao c ia opo unidades pa a que os indi íduos se o nem pa icipan es a i os e
esponsá eis de suas p óp ias idas.
Ressal o que du an e a obse ação dos echos das espos as, oi conside ado a linguagem
u ilizada pelas mediado as de eme gência social, como, “u en es”, “indi íduos”, “ ein eg ação”.
Em suma, as espos as das mediado as de eme gência social ace ca do conhecimen o p é io
sob e mediação des acam a complexidade ine en e ao abalho no CAES, que ai além da simples
execução de a e as assis enciais. E apon am pa a os p incípios da p á ica de mediação e idenciando
um comp omisso com a escu a, a impa cialidade, a c iação de um ambien e segu o e a p omoção do
exe cício da au onomia, onde as pessoas acolhidas possam sen i -se alo izadas e espei adas.
Em conclusão, embo a os es o ços ealizados ao longo do es ágio enham p opo cionado
insigh s aliosos sob e os desa ios e possibilidades da mediação comuni á ia no con ex o do CAES, não
oi possí el a ança com a p opos a planejada de in e enção, a capaci ação no modelo i ual. Essa
limi ação deco eu de a o es es u u ais e con ex uais, como a esis ência inicial à comp eensão do
plano, as di iculdades de engajamen o e a necessidade de sucessi os ajus es no o ma o das
a i idades.
3.4. Recu sos mobilizados e limi ações do p ocesso de in es igação/in e enção
Du an e o es ágio no CAES, o obje i o p incipal oi desen ol e um plano de in e enção que
a endesse às necessidades das mediado as de eme gência social, le ando em con a os ecu sos
disponí eis na ins i uição e a o mação da mediado a es agiá ia. Assim, a p opos a da ação de

58
capaci ação in i ulada "Mediação Comuni á ia na Fo mação das Mediado as de Eme gência Social" oi
planejada e elabo ada no o ma o i ual, u ilizando pla a o mas digi ais pa a ealiza a i idades
sínc onas e assínc onas. Essa abo dagem oi planejada pa a acomoda a o a i idade de ho á ios e as
demandas diá ias das p o issionais.
Di e sos ecu sos o am mobilizados pa a iabiliza a e e ida ação de capaci ação, incluindo a
c iação de uma sala i ual no Google Class oom, onde as a i idades o am pos adas an ecipadamen e,
e a u ilização pela mediado a es agiá ia de um diá io de bo do e lexi o pa a acompanhamen o de odo
o plano. No en an o, su gi am limi ações signi ica i as du an e o p ocesso. A p incipal di iculdade oi
ga an i a pa icipação de odas as pa icipan es nas a i idades sínc onas, de ido aos ho á ios a iá eis
e à sob eca ga de abalho, o que exigiu adap ações con ínuas nas es a égias. A c ia i idade oi
colocada à p o a na busca po soluções, o que demandou empo e no as e lexões. Como esul ado,
o am ei os ajus es nas a i idades em ou as pla a o mas i uais, como g upos de Wha sApp, canais
do YouTube e jogos in e a i os.
Ou a limi ação encon ada oi a adap ação ao o ma o i ual, já que nem odas as
pa icipan es es a am amilia izadas com as e amen as ecnológicas, o que exigiu supo e adicional.
Além disso, embo a a equipe osse colabo a i a, es a a sob eca egada, o que es ingiu o empo
disponí el pa a o p oje o, especialmen e com a saída de uma mediado a de eme gência social. Esse
cená io di icul ou um ap o undamen o nas e lexões sob e os con eúdos p opos os e impôs desa ios à
ges ão do empo, conside ando que a pa icipação na in e enção e a olun á ia.
Ademais, as es ições ope acionais da ins i uição, combinadas com o ambien e de abalho
dinâmico e a ele ada ca ga ho á ia das mediado as de eme gência social, di icul a am a
implemen ação in eg al das a i idades da in e enção p opos a. Em deco ência dessas limi ações, os
esul ados alcançados ica am aquém das expec a i as, e idenciando a necessidade de um apoio
ins i ucional mais es u u ado e de uma colabo ação mais obus a en e as pa icipan es en ol idas.
Essa a iculação é essencial pa a ga an i a e e i idade do p oje o de in es igação-in e enção.
Apesa dessas di iculdades, a ins i uição demons ou disponibilidade pa a colabo a den o de
suas possibilidades. Em sín ese, o es ágio oi adap ado às limi ações en en adas, com a adoção de
soluções c ia i as e ajus es con ínuos pa a ga an i a con inuidade da o mação e das a i idades
p e is as no plano de in e enção. No en an o, a al a de pa icipação do público-al o esul ou em um
des echo inconcluso pa a o p oje o.
De ido à o a i idade dos ho á ios das p o issionais e às exigências do abalho diá io, oi
necessá io al e a o calendá io inicialmen e p e is o. As dinâmicas e es a égias planeadas pa a a
59
capaci ação em o ma o i ual, com a i idades sínc onas e assínc onas, o am ajus adas
con inuamen e pa a assegu a a pa icipação das mediado as de eme gência social e a qualidade do
p ocesso o ma i o.
Fo am ei as adap ações ao longo da in e enção, des acando a sequência didá ica das
a i idades planejadas e ealizadas, os ecu sos mobilizados, as di iculdades encon adas e os ajus es
necessá ios pa a a implemen ação das sessões o ma i as. Cada e apa oi acompanhada po
momen os de e lexão e ea aliação, pe mi indo a ( e)cons ução da in e enção con o me as
limi ações e necessidades das pa icipan es.
3.5 Ques ões é icas da in es igação/in e enção
As ques ões é icas na in es igação-in e enção o am p io i a iamen e abo dadas pa a ga an i
a in eg idade e o espei o aos pa icipan es en ol idos. Pa a isso, oi ob ido o consen imen o ( e
apêndice 6, p. ) in o mado de odos os pa icipan es, assegu ando que eles es i essem cien es dos
obje i os e implicações do es udo. A in o mação oi ap esen ada de manei a cla a e acessí el,
pe mi indo que os pa icipan es omassem decisões conscien es sob e a sua pa icipação. Além disso,
oi ga an ida a p i acidade e a con idencialidade das in o mações cole adas, u ilizando dados de o ma
anônima, a im de p o ege a iden idade dos en ol idos e p e eni possí eis consequências nega i as.
Con o me des acam Amado e Ca doso (2014):
A necessidade de cons ui uma elação baseada na since idade, na e dade e na con iança
mo men e na esc i a inal, a con idencialidade e a p i acidade dos pa icipan es na
in es igação e de p ese a os seus dados pessoais. Além da necessá ia au o ização pa a
e e ua a pesquisa (com uma cla a ap esen ação e in o mação dos seus obje i os, p ocessos,
esul ados espe ados e modos de di ulgação), o na‑se undamen al o cump imen o in eg al de
udo o que o con a ado na abo dagem e negociação pa a ob e a anuência e colabo ação
das pessoas e das ins i uições. (p. 405)
A elação es abelecida en e os in es igado es e os pa icipan es oi pau ada pelo espei o e
empa ia, c iando um ambien e de con iança que a o eceu a exp essão li e e hones a das
expe iências, bem como, a anspa ência nas in e ações oi man ida, e hou e disposição pa a
esponde a pe gun as e p eocupações das pa icipan es, e o çando o comp omisso é ico na pesquisa.
60
Além disso, a esponsabilidade social das in es igado as oi uma p eocupação cons an e. As
in e enções o am ealizadas com a in enção de ge a bene ícios angí eis pa a a comunidade e os
indi íduos en ol idos, e i ando qualque o ma de explo ação. De manei a que comp eendemos que o
p ocesso in es iga i o pe passa po uma ação pedagógica, assim comungamos com Amado e Ca doso
(2014, p. 411), a in es igação é um ” a o educa i o, pela sua p óp ia na u eza, es á des inado a
p o oca melho ias na ida indi idual e cole i a assegu a que ela não só seja cien i icamen e igo osa
como con ibua posi i amen e pa a a a e a educa i a”.
En a izamos o espei o pela au onomia e au ode minação dos pa icipan es, um dos p incípios
undamen ais na condução de in es igações cien í icas: Es e p essupos o econhece a capacidade
in ínseca dos indi íduos de oma em decisões in o madas sob e sua pa icipação em es udos,
alo izando seu di ei o à au ode e minação. A anspa ência do in es igado , ao o nece in o mações
cla as e comp eensí eis sob e os obje i os, mé odos, bene ícios e po enciais iscos do es udo, é c ucial
pa a ga an i que a pa icipação seja e dadei amen e olun á ia. Além disso, a ga an ia de que os
pa icipan es possam e i a -se do es udo a qualque momen o, sem so e qualque penalização,
e o ça a con iança no p ocesso e assegu a que o consen imen o seja con ínuo e não apenas inicial.
Em conco dância com Amado e Ca doso (2014):
Es e p incípio assen a no p essupos o de que as pessoas são capazes de di igi a sua ida de
manei a au ónoma e de oma as suas p óp ias decisões, incluindo a de que e pa icipa , ou
não, numa in es igação cien í ica. Nes e sen ido, elas êm á ios di ei os, como o de se
in o madas ace ca do es udo pa a o qual lhes é pedida colabo ação, o de se sen i em li es
pa a decidi quan o à sua pa icipação no mesmo e o de sabe em que pode ão abandona a
qualque momen o o p ocesso, sem que isso lhes aga penalizações. (407)
Ao cump i com essas conside ações é icas, a pesquisa não apenas con ibuiu pa a o
conhecimen o, mas ambém espei ou a dignidade e os di ei os das pa icipan es, esul ando em um
impac o posi i o no con ex o social em que oi ealizada. Além disso, oi igo osamen e obse ada a
con o midade com o egulamen o acadêmico e o código de condu a é ica da Uni e sidade do Minho,
assegu ando que odas as p á icas se alinhassem aos p incípios de esponsabilidade, anspa ência e
espei o, undamen ais an o no âmbi o acadêmico quan o na a uação social.
61
CAPÍTULO IV- Ap esen ação e discussão do p ocesso de in es igação/in e enção
“Ensina não é ans e i conhecimen o, mas c ia as possibilidades pa a a sua p óp ia p odução ou a
sua cons ução”
(Paulo F ei e)
Nes e capí ulo, ap esen a-se o p ocesso de in es igação/in e enção ealizado no ambien e de
es ágio, onde i emos discu i o que oi obse ado e ap endido na p á ica da mediado a es agiá ia. Com
oco nas es a égias ado adas pa a cap a as pe cepções das mediado as de eme gência social. Pa a
undamen a esse p ocesso, u iliza am-se a obse ação pa icipan e com ano ações e lexi as no diá io
de bo do e uma en e is a semidi e i a ia Google Fo ms, des inada a ca ac e iza o pe il do público-
al o, incluindo dados biog á icos e comp eensão de suas unções no CAES. Essas es a égias o am
essenciais pa a a elabo ação de um plano de ação que culminou numa capaci ação em se iço
di ecionada às mediado as de eme gência social.
4.1 En e is a semidi e i a
A en e is a semidi e i a, des aca-se como um ins umen o alioso em pesquisas quali a i as
de ido à sua lexibilidade e capacidade de espei a a pe spec i a do en e is ado. Essa ca ac e ís ica
de espei a a singula idade do en e is ado é especialmen e signi ica i a em es udos que buscam
comp eende enômenos sociais, cul u ais ou subje i os, pois alo iza o con ex o e a in e p e ação do
p óp io pa icipan e. Além disso, a dinâmica semidi e i a possibili a ao pesquisado cap a nuances e
in o mações espon âneas que podem não se p e is as em um o ei o echado. Tal abo dagem é
essencial pa a ap o unda análises quali a i as e en iquece a comp eensão do ema es udado.
Con o me en a izam Amado e Ca doso (2014):
(...) apon a a en e is a semidi e i a como um dos p incipais ins umen os da pesquisa de
na u eza quali a i a, sob e udo pelo ac o de não ha e uma imposição ígida de ques ões, o
que pe mi e ao en e is ado disco e sob e o ema p opos o ‘ espei ando os seus quad os de
e e ência’, salien ando o que pa a ele o mais ele an e, com as pala as e a o dem que mais
68
mediação comuni á ia. Ressal ou a impo ância dada aos aspec os essenciais do abalho das
mediado as de eme gência social e à cons ução de elações signi ica i as com os u en es.
A a aliação, mesmo baseada em uma única espos a, e idencia a ele ância do p oje o e a
necessidade de en en a os desa ios encon ados no con ex o do CAES. O depoimen o essal a a
impo ância de inicia i as que u ilizem a mediação comuni á ia como e amen a pa a ans o ma
elações in e pessoais e p omo e a con i ência inclusi a em cená ios de ulne abilidade social.
Além de sublinha a pe inência da capaci ação o e ecida, o ela o apon a pa a a necessidade
de ap imo a as condições pa a sua implemen ação, incluindo a o e a de ecu sos mais adequados.
Também des aca limi ações subje i as, como o uso de e amen as i uais, que podem impac a a
in e ação e o en ol imen o das pa icipan es. Pa alelamen e, essal a a necessidade de supe a
ba ei as es u u ais, como a sob eca ga de abalho das mediado as, limi ações ins i ucionais e os
desa ios ine en es a ambien es ma cados po u gências humani á ias.
Essa expe iência e o ça o papel essencial de p oje os como es e na p omoção de mudanças
sociais, demons ando seu po encial de dinamiza p á icas mais inclusi as e colabo a i as. Dian e
desses desa ios, o na-se ainda mais u gen e in es i em o mação con inuada, o alece polí icas
ins i ucionais que consolidem a mediação comuni á ia e c ia espaços que incen i em a pa icipação
a i a e e lexi a dos en ol idos.
4.2.1 Es a égias U ilizada
O p ocesso de capaci ação das mediado as de eme gência social no CAES demons ou uma
adap ação dinâmica às p e e ências e limi ações das pa icipan es. Inicialmen e planejado pa a in eg a
e amen as como Google Mee e Class oom, que p i ilegiam aulas dialogadas e a i idades
colabo a i as, o plano e e que se ajus ado de ido à baixa adesão. O g upo de Wha sApp des acou-se
como canal p incipal po sua acessibilidade e amilia idade, a endendo melho às necessidades e à
o ina das pa icipan es.
Ou os ecu sos, como links pa a ídeos no YouTube, in og á icos desen ol idos no Can a e
jogos in e a i os no Kahoo , o am u ilizados pa a di e si ica as es a égias de engajamen o e o imiza
o uso de a mazenamen o nos disposi i os das pa icipan es. Embo a algumas e amen as inicialmen e
planejadas não enham sido amplamen e ado adas, as adap ações ealizadas e o çam a impo ância
de man e a lexibilidade me odológica em inicia i as de capaci ação, especialmen e em con ex os
ma cados po condições ad e sas e limi ações ecnológicas.

69
Esse p ocesso e idencia que o sucesso de ações o ma i as depende não apenas da qualidade
dos ma e iais e e amen as, mas ambém da capacidade de a ende às especi icidades do público-
al o, p omo endo acessibilidade e engajamen o e e i o. As lições ap endidas podem con ibui pa a o
planejamen o de u u as inicia i as de capaci ação mais alinhadas às ealidades ins i ucionais e
ope acionais das mediado as de eme gência social.
4.2.2 Pon os Fo es e Desa ios
En e os pon os o es obse ados, des aca-se a habilidade da in es igado a es agiá ia no uso
de pla a o mas digi ais e na o ganização p é ia das a i idades, que pe mi i am ajus es ápidos e
eplanejamen o con o me as necessidades do g upo. A c iação de a i idades em links le es pa a
compa ilhamen o oi uma solução e icaz pa a e i a p oblemas de a mazenamen o e o e ece
con eúdo em o ma os acessí eis. Além disso, hou e um es o ço cons an e pa a man e a
comunicação a i a e acolhedo a, com mensagens de incen i o, ecomendações cul u ais e con a os em
p i ado.
Ademais, a in e enção ealizada oi conduzida com igo é ico, alinhando-se aos p incípios
undamen ais da olun a iedade, con idencialidade e espei o. Cada e apa do p ocesso in es iga i o oi
guiada po uma abo dagem de ação- e lexão-ação, que pe mi iu não apenas a execução p á ica das
a i idades planejadas, mas ambém uma cons an e e isão c í ica das es a égias ado adas.
O espei o à olun a iedade oi essencial, assegu ando que odos os en ol idos pa icipassem
de o ma li e e conscien e, sem p essões ou imposições. A con idencialidade, po sua ez, p ese ou a
p i acidade das in o mações compa ilhadas, c iando um espaço segu o pa a o diálogo e a oca de
expe iências. O comp omisso com o espei o, an o nas elações in e pessoais quan o nas decisões
me odológicas, e o çou a cons ução de um ambien e de ap endizagem inclusi o e dialógico.
Esse en oque é ico e e lexi o não apenas alidou a legi imidade da in e enção, mas ambém
con ibuiu pa a uma comp eensão mais ap o undada dos desa ios e das po encialidades no con ex o
in es igado. Dessa o ma, a in e enção exempli ica como p á icas de mediação e pesquisa pa ilham
p incípios in eg ado es de manei a a ge a esul ados signi ica i os, an o em e mos de impac o social
quan o de p odução de conhecimen o acadêmico.
Po ou o lado, desa ios signi ica i os o am iden i icados. A o a i idade nos ho á ios de
abalho e as demandas pessoais das mediado as de eme gência social comp ome e am o plano
inicial, di icul ando a implemen ação in eg al das a i idades. Uma solici ação a dia de apoio indi idual
70
pode e di icul ado a comp eensão e adesão ao p oje o desde o início. Além disso, a saída de uma
mediado a sob eca egou a equipe, es ingindo a disponibilidade e o empo pa a pa icipação a i a. A
al a de espos as, inclusi e nos con a os em p i ado, e o silêncio p olongado no g upo de Wha sApp
o am obs áculos cons an es, e le indo uma al a de alinhamen o en e as necessidades das
pa icipan es e a p opos a inicial da capaci ação.
4.2.3 In e ências e Conclusões
Em elação às in e ências, obse ou-se que o en endimen o limi ado da p opos a inicial oi uma
ba ei a pa a o engajamen o. Con udo, o edi ecionamen o das a i idades pa a o Wha sApp con ibuiu
pa a uma melho a na adesão, ainda que de o ma pa cial. As cinco mediado as de eme gência social
que pa icipa am demons a am expe iência p é ia em ações sociais, o que indicou alinhamen o com o
pe il desejado pa a o abalho no CAES e a o eceu uma iden i icação com o a endimen o à população
em si uação de ulne abilidade social. En e an o, a ausência de um en ol imen o cole i o nas
a i idades planejadas da in e enção e a esis ência às pla a o mas i uais limi a am as in e ações e o
desen ol imen o espe ado da capaci ação.
Essas obse ações des acam a impo ância de ajus a as es a égias de comunicação e
adap ação do con eúdo con o me as demandas especí icas do g upo. Embo a a p opos a inicial não
enha sido plenamen e comp eendida ou implemen ada, as adap ações ealizadas e idencia am uma
abo dagem a alia i a, lexí el, e lexi a e adap a i a.
Ao im da p opos a de in es igação-in e enção deco ida no es ágio, a al a de eedback e a
ausência de in e ação consis en e o na am o p osseguimen o insus en á el, esul ando no
ence amen o du an e a sessão II, no segundo momen o das a i idades p opos as, po an o, a
in e enção oi inalizada de junho de 2024.
4.3 E idenciação de esul ados ob idos (p e isí eis e não p e isí eis)
Na sessão de ap esen ação dos esul ados, an o os p e isí eis quan o os não p e isí eis, es e
es udo buscou alcança ês obje i os p incipais. O p imei o oi ca ac e iza o papel das p á icas
educa i as in o mais no Cen o de Alojamen o de Eme gência Social (CAES) na p omoção de uma
con i ência inclusi a. Pa a isso, o am iden i icadas e analisadas as dinâmicas co idianas que
con ibuí am pa a o desen ol imen o de habilidades sociais, comunicação e icaz e empa ia en e os
71
pa icipan es. Esses aspec os o am a aliados como essenciais pa a o alece os laços comuni á ios e
c ia um ambien e mais acolhedo e colabo a i o no con ex o do CAES.
Na análise dos esul ados, e idenciou-se que as p á icas educa i as in o mais desempenham
um papel essencial no Cen o de Alojamen o de Eme gência Social (CAES), p omo endo o exe cício da
au onomia pelas pessoas acolhidas. Essas p á icas, inse idas na o ina ins i ucional, in eg am alo es
de cole i idade e colabo ação, e o çando dinâmicas que a o ecem o desen ol imen o de habilidades
sociais.
Tais p á icas são execu adas pelas mediado as de eme gência social con o me o egimen o
in e no, cujo obje i o é acolhe pessoas em si uação de ulne abilidade social e es u u a um ambien e
de apoio à eme gência social. Obse ou-se, po ém, um elemen o imp e is o: a mediado a es agiá ia
iden i icou que as pessoas acolhidas possuem pe íodos p olongados de ociosidade, equen emen e
acompanhados de isolamen o e silêncio nos co edo es. Essa ca ac e ís ica do con ex o, embo a
coe en e com o ca á e empo á io da es adia, con o me indicado na análise documen al, e le e a
ausência de a i idades especí icas pa a p omo e a comunicação e icaz, in e ação e inclusão cole i a
en e as pessoas acolhidas.
O segundo obje i o do es udo consis iu em iden i ica os p incipais desa ios pa a a p omoção
da con i ência inclusi a no con ex o do es ágio. Du an e a análise, oi obse ado que mui as pessoas
acolhidas azem his ó ias de ida complexas e subje i as, equen emen e não alo izadas ou
comp eendidas em sua o alidade. Esse g upo inclui indi íduos com ans o nos psiquiá icos,
dependências químicas ou compo amen ais, bem como aqueles que chegam ao CAES sem uma
o ina es abelecida, demons ando esis ência à cole i idade e di iculdade em comp eende e segui os
p o ocolos ins i ucionais.
Esses a o es e idenciam ba ei as signi ica i as pa a a con i ência inclusi a, pois a e am an o
a in e ação en e as pessoas acolhidas quan o a adesão às p á icas p opos as pela equipe. A ausência
de um supo e adequado pa a lida com essas especi icidades e o ça a necessidade de uma
abo dagem mais pe sonalizada e sensí el, que conside e as di e en es aje ó ias e desa ios indi iduais.
Além disso, a o a i idade das mediado as de eme gência social e a acumulação de unções
sob eca egam a equipe, o nando a comunicação e icaz um desa io cons an e. Não há um ho á io
p e iamen e ese ado e ixo pa a momen os de comunicação com a i idades que possibili em um
acolhimen o inclusi o. Em algumas escalas, há apenas uma mediado a de eme gência social
esponsá el, o que limi a a possibilidade de man e uma escu a a i a e de iden i ica con li os implíci os
72
nas in e ações. Esses a o es culminam em momen os de ensão, mal-en endidos e al a de
comp eensão mú ua, di icul ando a c iação de um ambien e de con i ência inclusi a.
O e cei o obje i o des e es udo oi analisa como a mediação comuni á ia se cons i ui como
um cons uc o com po encial inclusi o pa a pessoas em si uação de eme gência social, na p omoção
do exe cício da cidadania pa icipa i a, mui o embo a a implemen ação p á ica dessa abo dagem
e elou-se desa iado a no con ex o do es ágio. Apesa de comp eende eo icamen e os bene ícios
dessa p á ica e econhece seu po encial ans o mado , oi di ícil alinha esses p incípios às ações
co idianas desen ol idas jun o às mediado as de eme gência social do CAES.
Esses desa ios podem se a ibuídos a a o es como a al a de amilia idade das p o issionais
com os undamen os e me odologias da mediação comuni á ia, além da esis ência à mudança de
p á icas es abelecidas. A dinâmica ins i ucional, com oco em demandas imedia as e ope acionais,
ambém di icul ou a c iação de espaços pa a o diálogo pa icipa i o e a cons ução de uma con i ência
cole i a mais alinhada aos p incípios da mediação.
Pa a in es iga es e p ocesso, a mediado a es agiá ia ado ou uma abo dagem an o o mal
quan o in o mal, en ol endo a sensibilidade, a con e sa, a obse ação pa icipan e di e a e indi e a,
aplicação de en e is as e uma capaci ação pa a mediado as de eme gência social. Mas, ambém,
pe passando pelo acolhimen o das alas das pessoas acolhidas, como das p o issionais do con ex o,
a a és da empa ia e da escu a a i a.
4.4 Discussão dos esul ados em a iculação com os e e enciais eó icos mobilizados e
com os esul ados de ou os abalhos de in es igação/in e enção sob e o ema
Na secção de discussão dos esul ados, é impo an e e le i sob e os desa ios en en ados na
en a i a de desen ol e , em conjun o com as mediado as de eme gência social, es a égias de
mediação comuni á ia com um p opósi o p e en i o, colabo a i o e ans o ma i o. Esse obje i o isa a
omen a habilidades con ínuas de comunicação e icaz, esolução de con li os e empa ia no con ex o do
CAES, p omo endo p á icas de mediação comuni á ia pa a con i ência inclusi a e sensí el às
necessidades das pessoas acolhidas.
A análise dos esul ados ob idos na in es igação/in e enção apon a que, apesa dos es o ços
da mediado a es agiá ia pa a implemen a es a égias de mediação comuni á ia com inalidades
p e en i as, colabo a i as e ans o ma i as, o obje i o p e is o não oi alcançado. A o a i idade de
u nos das mediado as de eme gência social e a ele ada ca ga de esponsabilidades a ibuídas a cada
73
p o issional limi a am a pa icipação in eg al nas a i idades o ma i as e di icul a am o desen ol imen o
das habilidades planejadas, como comunicação e icaz, esolução de con li os e empa ia.
Além disso, o o ma o e a logís ica da o mação i ual ap esen a am desa ios signi ica i os,
di icul ando a c iação de um ambien e e dadei amen e pa icipa i o e e lexi o, aspec os undamen ais
pa a uma mediação comuni á ia ans o ma i a. A esis ência a algumas p opos as de a i idades,
aliada à elu ância em u iliza e amen as digi ais pa a aulas dialogadas, impac ou a execução
con o me o planejado, exigindo cons an es adap ações ao plano de ação.
Ao e isi a os dados documen ais, obse ou-se que o p o ocolo de ino ação de espos a à
eme gência social do LNES de ine que es a in e enção isa ga an i espos as em si uações de
eme gência ou c ise, que demandem a uação imedia a no âmbi o da p o eção social. Sendo assim, o
p óp io p o ocolo en a iza uma “ espos a de baixo limia de exigência”, ocada na edução de danos
humani á ios. Com base nisso, é possí el comp eende que o con ex o do es ágio CAES não a o eceu
plenamen e a implemen ação de uma polí ica de mediação comuni á ia, pois seu en oque p incipal é o
a endimen o imedia o e a mi igação de c ises. Ademais, o con ex o ins i ucional e elou-se incompa í el
com a p opos a de mediação comuni á ia ans o ma i a, p e en i a e colabo a i a, is o que ainda não
exis e uma polí ica in e na de mediação que o e eça supo e e con inuidade pa a essas p á icas no
CAES.
No en an o, os esul ados da in es igação indicam a impo ância de inco po a um p o issional
quali icado em mediação, que possa a ua an o no a endimen o di e o num gabine e de mediação,
pa a esolução de con li o, como, p omo endo p á icas de mediação comuni á ia de na u eza
pedagógica. Essa abo dagem es a ia alinhada com a educação in o mal, que já se mani es a no
con ex o do cen o de alojamen o e que, ao se o alecida, pode con ibui pa a o desen ol imen o de
uma con i ência mais inclusi a e ha moniosa en e as pessoas acolhidas.
Du an e a in es igação e in e enção ealizadas no CAES, oi possí el iden i ica o po encial da
mediação comuni á ia como e amen a pa a ap imo a p ocessos educa i os in o mais, especialmen e
em con ex os de eme gência social. A mediação comuni á ia e elou-se um mecanismo p omisso na
cons ução de p á icas que p omo em a con i ência inclusi a, o alecendo o ecido social em
si uações de ulne abilidade. Con udo, a capaci ação planejada pa a media essas p á icas e o e ece
supo e às mediado as de eme gência social não oi concluída in eg almen e, con o me o plano de
in e enção o iginalmen e es abelecido. Essa limi ação comp ome eu a implemen ação plena das
es a égias idealizadas.

74
Di e sos a o es con ex uais e ins i ucionais con ibuí am pa a essa in e upção.
P imei amen e, o modelo de a uação do CAES, cen ado na espos a imedia a às necessidades
eme genciais e na edução de danos, di eciona os es o ços das mediado as pa a a ende às demandas
u gen es das pessoas acolhidas, o que eduz o espaço pa a a aplicação de écnicas comunicacionais
ou in e enções inclusi as de longo p azo. Além disso, a sob eca ga de abalho en en ada pelas
mediado as de eme gência social e as es ições no uso de e amen as ecnológicas adequadas
limi a am a iabilidade do plano de capaci ação.
Pa a supe a essas ba ei as, o na-se essencial planeja e ga an i espaços des inados à
p á ica de uma comunicação pa icipa i a e e icaz. Segundo Foley e Passos (2020):
É na comunicação p a icada nesses espaços - ho izon al e li e de coe são - que os di e sos
sabe es e suas incomple udes pode ão se exp essa . E é exa amen e po sua capacidade de
cons ui consensos que essa a iculação é um dos pila es de sus en ação de mediação
comuni á ia. (p. 79)
Ainda assim, a expe iência da in es igação-in e enção e idenciou a impo ância de conside a
a mediação comuni á ia como uma p á ica pedagógica em con ex os de ulne abilidade social. Apesa
das limi ações encon adas, essa in es igação e o ça a ele ância de in eg a p á icas de mediação
comuni á ia aos p o ocolos de a endimen o em cen os de eme gência social, ab indo caminho pa a
u u as in e enções que possam o maliza e consolida essa p á ica na ins i uição.
Além do mais, obse amos com a pesquisado a Sil a (2018, p. 22) que “A mediação é pouco
econhecida no domínio das polí icas públicas e, po isso, em uma implemen ação social ainda
limi ada. O seu econhecimen o polí ico e implemen ação ala gada são uma condição impo an e pa a
o desen ol imen o e ampliação da cul u a de mediação”.
A li e a u a sob e mediação comuni á ia e o abalho de au o es como Paulo F ei e, que
alo iza o diálogo como e amen a emancipado a e colabo a i a, suge e que a cons ução de um
ambien e inclusi o demanda mais do que a p esença ísica; exige um engajamen o p o undo e uma
abe u a pa a o ap endizado cole i o de au oconhecimen o e de au o e lexão. Essa ealidade
e idenciou-se como um desa io p á ico, especialmen e em um ambien e de al a o a i idade e com
demandas in ensas e complexas i idas po pessoas adul as em si uação de ulne abilidade social.
75
Compa a i amen e, ou os es udos de in es igação-in e enção na á ea de mediação
comuni á ia apon am a impo ância de condições es u u ais adequadas pa a o sucesso de p og amas
com p opósi os p e en i os, ans o ma i os e colabo a i os. Como des aca Sil a e . Al (2016, p. 28):
É u gen e demons a a impo ância da mediação não apenas na decomposição do núcleo
du o do con li o, mas no impac o que ela p oduz a ní el pessoal, in e pessoal, social, ambien al
e polí ico. É necessá io coloca ên ase no seu con ibu o pa a a p e enção e diminuição da
escalada da con li ualidade a a és da coope ação dialogan e, pa a cons i ui um alo
ac escido quando se pensa em coesão e desen ol imen o social. Mas pa a que isso acon eça é
necessá io alo iza a o mação, e le i sob e o pe il adequado à mediação social que adqui e
con o nos di e en es no âmbi o da mediação.
Nesse es udo en a iza a impo ância de alo iza a mediação em uma pe spec i a ampla, indo
além da esolução imedia a de con li os pa a abo da os impac os dessa p á ica nos ní eis pessoal,
in e pessoal, social, ambien al e polí ico. Essa isão essal a o papel da mediação como mais uma
e amen a de con ibuição pa a a ans o mação social, ao p omo e pa icipação, coope ação e
diálogo. A mediação não apenas dissol e o con li o, mas ambém p e ine e eduz a escalada de
ensões, ou seja, de iolência, con ibuindo pa a a coesão social.
Pa a alcança esses obje i os, con o me Sil a (2018) é undamen al in es i em o mação de
mediado es e e le i sob e os pe is mais adequados pa a a mediação em cada con ex o, conside ando
que a p á ica de mediação social exige habilidades especí icas. Com a quali icação e o pe il co e o, o
p o issional mediado pode a ua com maio e icácia, adap ando-se a di e en es ambien es e
necessidades. Ao longo do empo, a mediação pode, en ão, cons i ui um alo ag egado essencial na
cons ução de sociedades mais coesas, pací icas e inclusi as, alinhadas aos obje i os de jus iça e
cidadania global.
De manei a que ea i mamos, que mediação é uma a i idade undamen almen e educa i a,
con o me des aca Sil a e al. (2010, p. 132) “obje i o essencial é p opo ciona uma sequência de
ap endizagem al e na i a, supe ando o es i o compo amen o ea i o ou impulsi o, con ibuindo pa a
que os pa icipan es no p ocesso de mediação ado em uma pos u a e lexi a." Nesse sen ido, a
mediação a ua como um p ocesso o ma i o, que, segundo Sil a (2011), não apenas lida com o
con li o em si, mas p omo e uma in e enção de ca á e p e en i o e educa i o, onde a comunicação
76
desempenha um papel cen al. Bo dena e (1982) e o ça es a isão ao salien a que a comunicação
não só acili a o en endimen o en e as pa es en ol idas, mas ambém con ibui pa a a ans o mação
mú ua e pa a o desen ol imen o de um con ex o social mais inclusi o e ha monioso. Assim, a
mediação comuni á ia no CAES ap esen a-se como mais um ecu so pa a omen a uma con i ência
é ica, o ien ada pa a pa icipação, pa a o exe cício da au onomia e o espei o mú uo, ao mesmo empo
em que p opicia a ap endizagem social con ínua pa a odos os en ol idos.
Como ambém, e i icamos nas pesquisas de Gimènez, as elações sociais es ão em cons an e
ans o mação, e le indo-se em ambien es ins i ucionais, que ambém so em mudanças con ínuas. A
adap ação ins i ucional, no en an o, ai além de uma simples mudança nos p ocessos in e nos; ela
en ol e ajus es que passam po aspec os como linguagem, p o ocolos, e quali icação dos memb os da
equipe.
Embo a a na u eza e os obje i os de uma o ganização sejam di íceis de modi ica apidamen e,
essas p á icas podem sua iza a ansição pa a uma cul u a mais acolhedo a e esponsi a às
necessidades das pessoas a endidas. Nesse sen ido, a mediação não só se o na uma e amen a
necessá ia, mas ambém bené ica e an ajosa pa a o ap imo amen o dos se iços ins i ucionais. Essa
abo dagem de Giménez e o ça a ideia de que a mediação comuni á ia con ibui pa a uma con i ência
mais inclusi a e ha moniosa no ambien e ins i ucional, bene iciando an o os p o issionais quan o as
pessoas acolhidas, ao acili a p ocessos de adap ação e esolução de con li os.
Além do mais, Gimènez az uma conexão essencial en e mediação e cidadania, indicando que
a p á ica de mediação nas ins i uições con ibui pa a que es as se alinhem aos Obje i os de
Desen ol imen o Sus en á el da ONU, especi icamen e o Obje i o 16. Esse obje i o, es abelecido pela
Agenda 2030 da ONU, isa p omo e sociedades pací icas e inclusi as, ga an i o acesso à jus iça pa a
odos e cons ui ins i uições e icazes, esponsá eis e inclusi as em odos os ní eis. De manei a que a
mediação acili a uma abo dagem ins i ucional mais humanizada e pa icipa i a, onde o oco passa a
inclui o o alecimen o das elações sociais e a cons ução de canais de comunicação e icazes e
iguali á ios. Pa a que as ins i uições alcancem esse obje i o de o ma genuína, a mediação a ua não só
pa a esol e con li os, mas ambém como um mecanismo de ans o mação, pe mi indo que elas
adap em suas p á icas in e nas pa a e le i alo es de jus iça e inclusão. Assim, conco damos com o
pesquisado que a mediação pode se uma e amen a c ucial pa a o desen ol imen o sus en á el, ao
es imula uma con i ência pací ica e omen a a cidadania a i a, con ibuindo di e amen e pa a as
me as da Agenda 2030.
77
Es udos p é ios essal am que, sem um ambien e de apoio e a disponibilidade de ecu sos
adequados — como empo, o mação con ínua e um espaço p opício pa a a comunicação —, a e icácia
de p á icas mediado as pode se comp ome ida. Nesse sen ido, os esul ados ob idos co obo am
esses achados, des acando a necessidade de adap ações nas condições ins i ucionais pa a a plena
ealização de uma mediação comuni á ia ans o ma i a e inclusi a.
Em sín ese, a expe iência e ela que, embo a o p oje o es eja alinhado com p incípios de
mediação comuni á ia pa icipa i a, colabo a i a, p e en i a e ans o mado a limi ações p á icas
impedi am o pleno alcance dos seus obje i os. Es e cená io e o ça a necessidade de maio
lexibilidade e supo e o ganizacional pa a que, no u u o, polí icas públicas de econhecimen o sejam
c iadas e implemen adas, ampliando o uso de es a égias de mediação nos a iados con ex os sociais
e p omo endo espaços de con i ência mais inclusi as e ha moniosas.
84
Sil a, A. M. C., Cae ano, A. P., F ei e, I., Mo ei a, M. A., F ei e, T., & Fe ei a, A. S.
(2010). No os ac o es no abalho em educação: Os mediado es socioeduca i os.
Re is a
Po uguesa de Educação
,
23
(2), 119-151. CIEd - Uni e sidade do Minho.
Sil a, A. M. C. (2011). Mediação e(m) educação: Discu sos e p á icas.
Re is a In e sabe es
,
6
(12),
249-265.
Sil a, A. M. C., Ca alho, M. L., & Oli ei a, L. R. (2016). Mediação social: Teceindo sine gias.
Em A. M. C. Sil a, M. L. Ca alho, & L. R. Oli ei a (Eds.),
Sus en abilidade da mediação social:
P ocessos e p á icas
(pp. 5-10). B aga: CECS.
Sil a, A. M. C. (2018). O que é a mediação? Da concep ualização aos desa ios sociais e educa i os.
Em M. A. Flo es, A. M. Sil a, & S. Fe nandes (O gs.),
Con ex os de mediação e de desen ol imen o
p o issional
(pp. 17-34). San o Ti so: De Fac o Edi o es.
Ta a es, V. dos S., & Melo, R. B. de. (2019). Possibilidades de ap endizagem o mal e in o mal na
e a digi al: O que pensam os jo ens na i os digi ais?
Psicologia Escola e Educacional
,
23
,
e183039. h ps://doi.o g/10.1590/2175-35392019013039
To emo ell, M. C. B. (2008).
Cul u a da mediação e mudança social
. Coleção Ciências da
Educação, Século XXI. Po o Edi o a.
Vezzulla, J. C. (2010).
A mediação comuni á ia: Desa ios e pe spec i as
.
Viei a, R., Sil a, J. M. P., Viei a, A., & Ma ga ido, C. (O gs.). (2016).
Mediações sociocul u ais:
Concei os e con ex os. Pedagogias de mediação in e cul u al e in e enção social
. Edições
A on amen o.

85
APÊNDICES
APÊNDICE 1 – ESTRUTURA DO DIÁRIO DE BORDO
P oje o: Mediação Comuni á ia Como Cons uc o De Con i ência Inclusi a Num Cen o De
Alojamen o De Eme gência Social
Responsá el do P oje o: Ma ileide de Sales
ATIVIDADE: DATA:
OBJETIVOS:
DESCRIÇÃO:
PONTOS FORTES:
PONTOS VULNERÁVEIS:
INFERÊNCIAS:
OBSERVAÇÃO CRÍTICA:
86
APÊNDICE 2 – ESTRUTURA DO GUIÃO PARA ENTREVISTA SEMIDIRETIVA PARA
MEDIADORAS DE EMERGÊNCIA SOCIAL E A PESSOA RESPONSÁVEL PELA LIMPEZA
P oje o: Mediação Comuni á ia Como Cons uc o De Con i ência Inclusi a Num
Cen o De Alojamen o De Eme gência Social
Responsá el do P oje o: Ma ileide de Sales
Foi elabo ado o seguin e guião p é io pa a ecolha de dados a se aplicado às Mediado as de
Eme gência Social e a Pessoa da esponsá el pela limpeza do CAES 2.0, o qual i á cons i ui na
o ien ação de um ques ioná io di igido pela pesquisado a.
En e is ado a: Ma ileide de Sales
En e is ada: Mediado a de Eme gencia Social e Responsá el Pela Limpeza
Local: Se á ealizada pelo Google Fo m no o ma o i ual
Obje i os: Conhece os dados biog á icos das mediado as de eme gência social e da pessoa
esponsá el pela limpeza. En ende sob e o compo amen o; sob e compe ências; as c enças
subjacen es. Busca suges ões e comen á ios pa a ase inicial e explo a ó ia da in es igação
in e enção. Planeja es a égias pa a o desen ol imen o do plano de a i idade do es ágio, an o
cole i as quan o indi iduais.
Pe íodo: ase inicial da in es igação-in e enção
Recu sos: sala das mediado as de eme gencia social; ecnologia da in o mação, no ebook e celula .
BLOCOS
OBJETIVO DO BLOCO
QUESTÕES
ORIENTADORAS
PERGUNTAS DE
RECURSO E
AFERIÇÃO
BLOCO – I
 Legi imação da
en e is a.
 Documen o de
consen imen o
pelos
pa icipan es
en ol idos na
pesquisa.
 Conhece os
dados
biog á icos
das mediado as
de u gência
 Ap esen a o
p oje o de
in es igação
in e enção e
c ia um
espaço
acolhedo .
 Ca ac e iza os
dados
biog á icos das
mediado as de
u gência social
CAES 2.0.
 Ap esen ação do
p oje o de
in es igação
in e enção e
assina u a de
consen imen o
de pa icipação
na pesquisa.
 Recolha dos
dados biog á icos
das mediado as
de eme gência
social e a pessoa
esponsá el pela
 Dados pessoais
dos
pa icipan es.
 Escola idade
 Si uação
p o issional
 País de o igem.
 Es ado ci il.
87
social
CAES 2.0.
limpeza.
Bloco II –
COMPORTAMENTAL
 Ob e dados sob e
a p á ica da unção
de mediado de
eme gência social
 Ap esen ação de
omadas de
decições na p á ica
do co idiano do
CAES 2.0.
.
 Relaciona a
missão da
ins i uição
p es ado a do
se iço com a
unção de
Mediado de
Eme gência
Social
desen ol ida no
CAES 2.0.
 Impo ância da
unção na ida
de pessoas
desalojadas.
BLOCO III -
COMPETÊNCIAS
 En ende as ações
in eg adas de
conhecimen os,
habilidades e
a i udes da unção
de mediado es de
eme gência social
 P opo ciona
ques ões pa a au o
e lexão ace ca da
compe ência que
ajuda na inclusão
social das pessoas
a endidas pelo
CAES 2.0.
 P incipais
habilidades
necessá ias
pa a exe ce a
unção:
comunicação,
empa ia,
lexibilidade.
Bloco IV – CRENÇAS
SUBJACENTES
 Comp eende sob e
o pensamen o, o
sen imen o, o
desejo e ação da
p á ica de
mediado de
eme gência social.
 O ien ação pa a
abo dagem e lexi a
 Ques ões que
explo am a
o ma como o
p o issional
pe cebe o
mundo, a si
mesmo e os
ou os.
BLOCO V - Suges ões e
Comen á ios
 Conside a
suges ões e
comen á ios dos
pa icipan es pa a
en iquece a
pesquisa.
 Coloca o
en e is ado na
si uação de
colabo ado .
 Ag adece a
disponibilidade
88
APÊNDICE 3 – PLANO PARA SESSÃO I DA CAPACITAÇÃO
P oje o: Mediação Comuni á ia Como Cons uc o De Con i ência Inclusi a Num Cen o De
Alojamen o De Eme gência Social
Responsá el do P oje o: Ma ileide de Sales
SESSÃO I
CAPACITAÇÃO: Mediação Comuni á ia na Fo mação das Mediado as de Eme gencia Social do CAES
2.0
PLANO
PARTICIPANTES: Mediado as de eme gência social
LOCAL: Google Class oom Tempo: 1 h
ATIVIDADE VIRTUAL SINCRONA:
Ap esen ação dos cu sis as na sala do Class om e conhece a p opos a da o mação “Mediação
Comuni á ia na Fo mação das Mediado as de Eme gencia Social do CAES 2.0”
OBJETIVOS:
 Opo uniza que as pa icipan es da o mação se ap esen em de manei a c ia i a e
compa ilhem aspec os ele an es sob e si mesmas.
 Ap esen a a p opos a da o mação.
 Conhece o ambien e de ap endizagem, a sala de aula no google class om.
DESENVOLVIMENTO:
Pla a o ma U ilizada:
 Vídeo con e ência pelo google mee
 Ap esen ação das pa icipan es da o mação e da p opos a de o mação “Mediação
Comuni á ia na Fo mação das Mediado as de Eme gência Social do CAES 2.0” – aula
dialogada
 Na ega pela pla a o ma Google Class oom – link
h ps://class oom.google.com/c/NjgyODgxMDEwODQ4
Passos:
1. Fó um de ap esen ação no Google Class oom
2. Responsá el pelo p oje o c ia o ó um e se ap esen a .
3. Dinâmica pa a ap esen ação:
 Escolha pala as-cha e: escolha duas ou ês pala as-cha e que conside am
essencial sob e si mesmas.
 Com base nessas pala as-cha e, c iem uma b e e ap esen ação. Podem se
pala as elacionadas a in e esses, habilidades, expe iências passadas ou
expec a i as u u as.
 Usem a c ia i idade no o ma o de ap esen ação. Podem op a po : c iação de um
ex o, slides, desenhos, poemas, ou qualque o ma que ep esen e isualmen e
suas pala as-cha e.
89
 Leiam as ap esen ações e iquem li es pa a in e agi . O espaço é nosso.
Exemplo:
Pala a-Cha e 1: Ino ação
 "Eu escolhi 'Ino ação' po que semp e busco manei as c ia i as de abo da desa ios e
encon a soluções únicas."

Pala a-Cha e 2: Ap endizagem Con ínua -
"A 'Ap endizagem Con ínua' é essencial pa a mim.
Es ou aqui pa a expandi meus conhecimen os e c esce p o issionalmen e."
4. Ab i uma ídeo con e ência pa a aula dialogada: google mee ( e a ho a com o g upo ou
a endimen o indi idual) -
REFERÊNCIAS:

RECURSOS:
o Disposi i o ligado a in e ne

90
APÊNDICE 4 – PLANO PARA SESSÃO II DA CAPACITAÇÃO
P oje o: Mediação Comuni á ia Como Cons uc o De Con i ência Inclusi a Num Cen o De
Alojamen o De Eme gência Social
Responsá el do P oje o: Ma ileide de Sales
SESSÃO II
CAPACITAÇÃO: Mediação Comuni á ia na Fo mação das Mediado as de Eme gencia Social do CAES
2.0
PLANO
PARTICIPANTES: Mediado as de eme gência social
LOCAL: Google Class oom Tempo: 4 h
ATIVIDADE VIRTUAL ASSINCRONA:
FÓRUM de abe o no class oom
OBJETIVOS:
 Fomen a o deba e pa a iden i ica e comp eende a impo ância dos P incípios dos di ei os
humanos em si uações do co idiano do CAES.
DESENVOLVIMENTO:
Pla a o ma U ilizada: class om e g upo de wa sapp
Aula dialogada do con eúdo p og amado: Impo ância dos P incípios dos di ei os humanos em
si uações do co idiano do CAES.
MOMENTO I – FÓRUM - VIRTUAL ASSINCRONA:
1. Exposição: ídeo aula do con eúdo p og amado: - Di ei os Humanos, Igualdade e Cidadania.
Tempo: 11:35 min/seg
h ps://www.you ube.com/wa ch? =y0T p9kAbM
mais slides pelo can a
3. Assis a o ídeo sob e os di ei os humanos, o link es á na sala:
h ps://www.you ube.com/wa ch? =quQQ PC7WME
3. Fó um de discussão no mu al no class oom - Ca a cu sis a escolha um di ei o humano
especí ico que enha signi icado pessoal. Pesquisa e compa ilha in o mações sob e esse di ei o no
ó um.
4. Pa a en iquece emos um documen o em PDF - Tex o e i ado na in eg a do Guia pa a
Facili ado es/as sob e Di ei os Humanos e Cidadania. (p.p 13-20). (pos ado na sala)
MOMENTO II – DIREITOS HUMANOS - VIRTUAL ASSINCRONA
1. A i idade em dupla: escolha um desa io, le e em conside ação sua p á ica no CAES 2.0.
Suges ão de desa ios, escolhe no mínimo um:
 Ti e uma o o de uma ação do CAES 2.0 (não iden i ica as pessoas) onde os di ei os dos
cidadãos são cla amen e espei ados. Comen e, conside ando os Di ei os Humanos.
 Assis a a um ídeo educa i o sob e di ei os ci is e esc e a um b e e esumo sob e o que
ap endeu e elacione com a p á ica das mediado as de eme gência social. Não esqueça de
pô a e e ência.
 Compa ilhe in o mações sob e sua p á ica no CAES 2.0 pa a p omoção dos di ei os
91
humanos.
2. Resul ado dessa a i idade: pos agem de um a qui o em wo d no class om
REFERÊNCIAS:
 Tex o e i ado na in eg a do Guia pa a Facili ado es/as sob e Di ei os Humanos e Cidadania.
(p.p 13-20)
Lopes, A. Vicen e, M. J. (2014). Guia pa a Facili ado es/as sob e Di ei os Humanos e Cidadania. EAPN
– Rede Eu opeia An i-Pob eza/Po ugal
 h ps://www.you ube.com/wa ch? =quQQ PC7WME
 h ps://un ic.o g/p /al o-comissa io-dos-di ei os-humanos-75o-ani e sa io-da-
decla acao-uni e sal-dos-di ei os-humanos/
 h ps://gddc.minis e iopublico.p /pagina/o-que-sao-os-di ei os-
humanos?menu=di ei os-humanos
RECURSOS:
o Disposi i o ligado a in e ne
92
APÊNDICE 5 – PLANO PARA SESSÃO III DA CAPACITAÇÃO
P oje o: Mediação Comuni á ia Como Cons uc o De Con i ência Inclusi a Num Cen o De
Alojamen o De Eme gência Social
Responsá el do P oje o: Ma ileide de Sales
SESSÃO III
CAPACITAÇÃO: Mediação Comuni á ia na Fo mação das Mediado as de Eme gencia Social do CAES
2.0
PLANO
PARTICIPANTES: Mediado as de eme gência social
LOCAL: G upo de wa s, jogo in e a i o kahoo e you ube Tempo: 4 h
ATIVIDADE VIRTUAL ASSINCRONA:
P incípios da mediação e a na u eza da mediação comuni á ia
OBJETIVOS:
 Incen i a os pa icipan es a e le i em sob e as suas expe iências e pe cepções indi iduais
em elação aos p incípios da mediação.
 Es imula a capacidade de a alia c i icamen e os concei os eó icos e p á icos da mediação
no con ex o das suas expe iências.
 Facili a a conexão en e o conhecimen o p é-exis en e dos pa icipan es e os no os concei os
ap esen ados du an e a o mação.
 Re le i , jun o com as mediado as de eme gência social, sob e os impac os posi i os da
mediação comuni á ia, e o çando a sua impo ância na p á ica p o issional pa a con ibui na
cons ução de um ambien e inclusi o e ha monioso."
DESENVOLVIMENTO:
Pla a o ma U ilizada: you ube, g upo de wa sap, can a e jogo online kahoo
MOMENTO I
 P incípios da mediação
1. Pon o de pa ida: Como ocês de ini iam mediação em suas p óp ias pala as? Fiz um
pos e e caminhei pa a o g upo de wa s
2. O ganiza uma nu em de pala as com as de inições p é ias das mediado as de
eme gência social
3. C iação de ídeo 3 a pa i da pe gun a de pa ida com o uso da - nu em de pala as
concei uais. Com obje i o de e oma a discussão. Link de acesso do you ube:
h ps://you u.be/09QggGoQU-Q
MOMENTO II
 Ap esen ação do ídeo 4 - P incípios da mediação – o que não pode al a no p ocesso de
mediação. Link de acesso do you ube, empo de du ação 11’28:
h ps://you u.be/VwX -N4uYdk
1. Assis i ao Vídeo 4 no You ube:
 Assis a ao ídeo sob e mediação e p es e a enção nos concei os eó icos ap esen ados.
2. Re lexão Indi idual:
 Re li a sob e como seu en endimen o inicial sob e mediação oi impac ado pelos concei os
93
eó icos ap esen ados.
3. Esc i a das Re lexões:
 Esc e a suas e lexões, ocando em aspec os especí icos que muda am ou o am
en iquecidos em seu conhecimen o inicial.
MOMENTO III
 Na u eza da mediação comuni á ia
Assínc ona:
1. Ap esen ação de um ídeo sob e a e isão dos p incípios e da na u eza da mediação
comuni á ia. Link
h ps://you u.be/PpJ7Umk80bQ
2. A i idade desa io: a si uação oi e i ada de uma obse ação pa icipa i a, egis ada
no diá io de bo do da in es igado a. Link:
h ps://kahoo .i /challenge/09801484?challenge-id=9865c7d6-bb93-4d27-88 2-
091d20a26 b3_1719456180483
Conside ando os es udos an e io es, leia o caso ap esen ado a segui e jogue no kahoo , após cada
ques ão há comen á ios pa a e o ça o conhecimen o.
SITUAÇÃO
Uma mulhe alojada no CAES, Ho ência (nome ic ício), conseguiu egula iza sua si uação social.
A ualmen e, es á com os documen os o ganizados, es á azendo um cu so e ecebe endimen o social
do go e no. Ela expôs que es á decepcionada com uma colega de qua o em pa icula , com quem e a
amiga an e io men e. Ho ência di ide o qua o com mais duas mulhe es e, em dezemb o de 2023,
deixou uma p enda pa a cada uma em suas espec i as camas. Uma das colegas não quis acei a e
de ol eu a p enda imedia amen e, enquan o a ou a acei ou, mas de ol eu no dia seguin e. Ho ência
ela ou que se sen e ex emamen e so ida, pois es á sendo excluída; as colegas não con e sam com
ela du an e a con i ência diá ia e eclamam à di eção po qualque mo i o, o que a cons ange, já que
oma di e sos emédios. Ela sen e que a si uação es á pio ando e não sabe o que aze . Como
esul ado, em se isolado e cho ado. Ho ência a i mou que já eclamou sob e essa ques ão à di eção.
Ou a mulhe alojada, chamada Camélia (nome ic ício), pa icipa egula men e das a i idades do
CAES. No en an o, ela in o mou que não pa icipa á de nenhuma a i idade em que Ho ênsia es eja
p esen e. Camélia não quis o nece mais de alhes sob e o mo i o.
QUESTÕES
Pe gun a 1:
Qual é a p incipal azão pela qual Ho ência se sen e excluída?
 A. As colegas de qua o eclamam dela à di eção
 B. Ho ência oma mui os emédios
 C. As colegas de ol e am as p endas que ela deu
 D. Ho ência não pa icipa das a i idades do CAES
Respos a co e a: C. As colegas de ol e am as p endas que ela deu
Comen á io:
Ho ência se sen e excluída p incipalmen e po que suas colegas de qua o de ol e am as p endas que
ela deu. Esse ges o oi in e p e ado po Ho ência como uma ejeição pessoal, in ensi icando sua
sensação de não se acei a pelo g upo. Pa a Ho ência, a acei ação pelo g upo é uma necessidade
impo an e, e a de olução das p endas ep esen a uma queb a na en a i a de c ia ou o alece laços
sociais.
Pe gun a 2:
O que a mediação comuni á ia busca p omo e em um con li o como o de Ho ência?
 A. Imposição de eg as