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A hora do conto

Abstract

Intitulado “A Hora do Conto”, o presente relatório resultou da prática de intervenção e investigação pedagógica ocorrida em dois contextos distintos – o contexto de Educação Pré-escolar e o contexto de 1.º Ciclo do Ensino Básico. A temática explorada ao longo deste trabalho prendia-se com a investigação de estratégias de dinamização da hora do conto, de modo a estimular o interesse das crianças por obras de Literatura para a Infância. Essa temática surgiu a partir da observação de grupos distintos de crianças e constituiu-se como uma oportunidade para investigar questões relacionadas com a formação de leitores. Reconhecendo o pouco envolvimento das crianças nos momentos dedicados à escuta e narração de contos, tornou-se fundamental a implementação de atividades e estratégias que promovessem o interesse e motivação pela leitura. Embora exploradas de forma mais ampla em contexto Pré-escolar, estas estratégias permitiram explorar e mediar um conjunto de obras de Literatura para a Infância com os diferentes grupos de crianças. A utilização de pequenas rimas, lengalengas e contos tradicionais foi, também, uma estratégia importante para o estímulo do gosto pelo livro e pela leitura. Em ambos os contextos educativos, a investigação foi orientada pela metodologia de Investigação-Ação.

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A hora do conto

Author: Castro, Helena Isabel Félix
Year: 2021
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/5fa91d1f-8dff-4c5b-8b2c-0ac32fed5b87/download
A Ho a do Con o
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Helena Isabel Félix Cas o
julho de 2021
A Ho a do Con o
Helena Isabel Félix Cas o
UMinho|2021
Helena Isabel Félix Cas o
julho de 2021
A Ho a do Con o
T abalho e e uado sob a o ien ação da
Dou o a Ca la Ma ia de Fa ia Al es e Pi es An unes
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em Educação P é-escola e Ensino do 1.º Ciclo
do Ensino Básico
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, pelas opo unidades e pelos caminhos que me ajudam a pe co e odos os
dias. Pelo exemplo de humildade, esiliência e abalho á duo. Pelas doces pala as de enco ajamen o.
À minha i mã, pelo seu apoio incansá el.
Aos meus a ós, pela sua sabedo ia.
À Isabel e à Cláudia, pela amizade e companhei ismo.
À Ma a e à Mau a.
À minha o ien ado a, Dou o a Ca la An unes, pela ajuda, comp eensão, apoio e dedicação. Po
ac edi a em mim. Pelas doces e calo osas pala as de ânimo, que an o me con o a am.
À educado a Céu e à p o esso a Conceição, po me ecebe em nas suas salas e pelas
opo unidades de ap endizagem que me p opo ciona am.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
A Ho a do Con o
RESUMO
In i ulado “A Ho a do Con o”, o p esen e ela ó io esul ou da p á ica de in e enção e
in es igação pedagógica oco ida em dois con ex os dis in os – o con ex o de Educação P é-escola e o
con ex o de 1.º Ciclo do Ensino Básico. A emá ica explo ada ao longo des e abalho p endia-se com a
in es igação de es a égias de dinamização da ho a do con o, de modo a es imula o in e esse das
c ianças po ob as de Li e a u a pa a a In ância. Essa emá ica su giu a pa i da obse ação de g upos
dis in os de c ianças e cons i uiu-se como uma opo unidade pa a in es iga ques ões elacionadas
com a o mação de lei o es.
Reconhecendo o pouco en ol imen o das c ianças nos momen os dedicados à escu a e
na ação de con os, o nou-se undamen al a implemen ação de a i idades e es a égias que
p omo essem o in e esse e mo i ação pela lei u a. Embo a explo adas de o ma mais ampla em
con ex o P é-escola , es as es a égias pe mi i am explo a e media um conjun o de ob as de
Li e a u a pa a a In ância com os di e en es g upos de c ianças. A u ilização de pequenas imas,
lengalengas e con os adicionais oi, ambém, uma es a égia impo an e pa a o es ímulo do gos o pelo
li o e pela lei u a.
Em ambos os con ex os educa i os, a in es igação oi o ien ada pela me odologia de
In es igação-Ação.
Pala as-cha e: con o; o mação de lei o es; lei u a.
i
S o y ime
ABSTRACT
En i led “S o y ime”, his epo esul ed om he p ac ice o in e en ion and pedagogical
esea ch ha ook place in wo dis inc con ex s – he con ex o P e-School Educa ion and he con ex
o he 1s Cycle o Basic Educa ion. The heme explo ed h oughou his epo eme ged om he
obse a ion o dis inc g oups o child en and cons i u es an oppo uni y o in es iga e issues ela ed o
he o ma ion o eade s.
The Ac ion Resea ch me hodology was used in he esea ch ca ied ou in bo h con ex s. Da a
collec ion ins umen s and s a egies we e suppo ed by he same me hodology.
Recognizing he low in ol emen o child en in momen s dedica ed o lis ening and elling
s o ies, i became essen ial o implemen ac i i ies and s a egies ha p omo e in e es and mo i a ion
o eading.
Al hough explo ed in a deepe way in he p eschool con ex , hese s a egies allowed us o
explo e and media e a ange o child en’s books wi h di e en g oups o child en. The use o small
hymes, and olklo e ales we e also signi ican in os e ing a posi i e in e ac ion wi h books and
eading.
Key-wo ds: o ma ion o eade s, eading, ales
ii
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS ................................................................................................................... ii
RESUMO ...................................................................................................................................
ABSTRACT ............................................................................................................................... i
ÍNDICE DE FIGURAS ................................................................................................................. ix
ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................................ ix
ÍNDICE DE QUADROS ............................................................................................................... ix
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 1
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO .............................................................................. 3
1. O luga do li o nos documen os o ien ado es ....................................................................... 3
2. A Li e a u a pa a a In ância ................................................................................................... 5
3. A o igem do con o: algumas no as ........................................................................................ 6
4. A na ação de con os e a o mação de lei o es ...................................................................... 8
5. Po quê na a e escu a con os no ja dim de in ância e no 1.º ciclo ....................................... 9
6. A impo ância do mediado de lei u a ................................................................................. 11
7. Alguns c i é ios de seleção de um ace o li e á io pa a a ho a do con o .............................. 13
CAPÍTULO II - ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO E CARACTERIZAÇÃO DOS CONTEXTOS
EDUCATIVOS .......................................................................................................................... 15
1. A Me odologia de In es igação-Ação ................................................................................... 15
2. Es a égias de Recolha de dados ........................................................................................ 16
3. Obje i os de in es igação e de in e enção pedagógica ....................................................... 17
4. Ca ac e ização do con ex o P é-escola .............................................................................. 20
4.1 A Ins i uição ................................................................................................................ 20
4.2 Ca ac e ização do g upo de c ianças ........................................................................... 20
4.3 A o ina diá ia ............................................................................................................. 21
5. Ca ac e ização do con ex o do 1º Ciclo do Ensino Básico ................................................... 22
5.1 A ins i uição ................................................................................................................ 22
5.2 Ca ac e ização da u ma ............................................................................................. 23
5.3 O ganização do empo le i o ....................................................................................... 23
CAPÍTULO III – PROJETO DE INVESTIGAÇÃO E INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA.......................... 25
1. A in e enção em Con ex o P é-escola ............................................................................... 25
4
c ianças, especialmen e do li o-álbum. Nes e sen ido, as OCEPE (
ibidem,
p. 66) des acam que “é
a a és dos li os que as c ianças descob em o p aze da lei u a e desen ol em a sensibilidade es é ica
(…). O gos o e in e esse pelo li o e pela pala a esc i a iniciam-se na educação de in ância”
O
P og ama e Me as Cu icula es de Po uguês do Ensino Básico
(Buescu
e al
., 2015, p.8)
abo da qua o domínios de con eúdo: “O alidade (O)”; “Lei u a e Esc i a (LE)”; “Educação Li e á ia (EL)
– Iniciação à Educação Li e á ia (IEL), no 1.º e 2.º ano”; “G amá ica (G)”. Ao explo a mos,
sucin amen e, a dimensão li e á ia nes e documen o, encon amos um domínio exclusi amen e ligado
à “Educação Li e á ia”, denominado po “Iniciação à Educação Li e á ia”, nos 1.º e 2.º anos. No que
diz espei o ao domínio da “Lei u a e Esc i a”, a Lei u a, po sua ez, es á con igu ada no mesmo
domínio da Esc i a.
Ainda elacionados com a Educação Li e á ia encon amos en e os obje i os do P og ama de
Po uguês pa a o Ensino Básico os de desen ol imen o de capacidades de lei u a, de in e p e ação de
ex os li e á ios e de ap eciação es é ica desses mesmos ex os (Bescu e al., 2015, p.5). Des e modo,
é pe ce í el que a g ande inalidade da lei u a e audição de ex os li e á ios é desc i a como “um
pe cu so que conduz ao obje i o p io i á io de comp eensão de ex os e é um es ímulo à ap eciação
es é ica” (
ibidem
, p. 8).
Recen emen e assis imos à publicação de um documen o que complemen a o p og ama
sup aci ado: as
Ap endizagens Essenciais
(Minis é io da Educação, 2018). Es e no ma i o, embo a
con emple a Lei u a e Esc i a no mesmo domínio, ap esen a de o ma cla a quais as capacidades que
os alunos de em desen ol e ao ní el da Lei u a e ao ní el da Esc i a. Assim, no que diz espei o à
Lei u a, é des acada a impo ância da cons ução de uma compe ência de lei u a luen e e de
comp eensão do ex o po pa e dos alunos.
As
Ap endizagens Essenciais
de Po uguês (Minis é io da Educação, 2018, p. 3) ap esen am o
domínio da Educação Li e á ia como um domínio em que se p e ende que “os alunos se amilia izem e
con ac em dia iamen e com li e a u a de e e ência, a pa i da qual pode ão desen ol e capacidades
de ap eciação”. A p omoção de “expe iências g a i ican es de lei u a” (
ibidem
) é apon ada como
elemen o essencial na omen ação do p aze e do hábi o de le , es abelecendo-se, desse modo, uma
“ elação a e i a e es é ica” (
ibidem
, p. 4) com a ob a li e á ia, impo an e pa a o desen ol imen o da
Educação Li e á ia.

5
2. A Li e a u a pa a a In ância
A seleção de ob as de Li e a u a pa a a In ância, po pa e do Educado de In ância e do
p o esso do 1.º Ciclo do Ensino Básico, é um a o impo an e pa a a p omoção do gos o pela lei u a
e, consequen emen e, pa a a o mação de lei o es. A ualmen e, em Po ugal, assis e-se a uma maio
p eocupação com a publicação de li os dedicados à in ância, o nando-se, po essa azão, o olume
de li os de au o es e ilus ado es po ugueses cada ez mais as o.
Tendo em con a que se assis e a uma c escen e publicação de ob as que êm como público
al o as c ianças, são inúme os os in es igado es na á ea da Li e a u a que es udam o uni e so da
Li e a u a pa a a In ância, desde a sua conce ualização, à desc ição dos seus obje i os e o seu papel
na o mação de lei o es li e a iamen e compe en es.
Inicialmen e, a Li e a u a In an il e a des alo izada po mui os au o es, is a sob um olha
pejo a i o ( endo em con a o adje i o “in an il”), ha endo a é, como e e e Ce e a (1991, p. 9), quem
i esse “negado su exis ência, su necesidad y su na u aleza”. De o ma semelhan e, Bas os (1999, p.
21) a gumen a que a exis ência de uma Li e a u a pa a a In ância “ em susci ado alguma discussão,
cujas p incipais coo denadas passam po pos u as que ão de dú ida quan o ao ac o de se pode
conside á-la como e dadei o objec o li e á io, à ecusa da e e ência a des ina á io explíci o”.
A ualmen e, embo a não se negue a exis ência e a impo ância de uma Li e a u a di igida às
c ianças, a e dade é que o seu concei o en ol e semp e um amplo deba e, es ando longe de se
consensual, uma ez que es á e es ido de uma ce a ambiguidade.
Pe o, si ambíguo esul a el é mino li e a u a, no lo es menos el adje i o in an il. Así,
li e a u a in an il, desde su denominación, suma dos ambiguedades. Es lógico que la
usión de ambos é minos aboque a una ealidade ambién ambígua. Lo que signi ica
que cualquie de inición p opues a há de se , a su ez, obje o de p ecisiones conc e as.
(Ce e a,1991, p. 11)
Pe cebe-se que se á di ícil encon a consenso na de inição daquilo que é Li e a u a pa a a
In ância. Pa a Aguia e Sil a (1981, p.11) a “a li e a u a in an il é a li e a u a que em como
des ina á io ex a ex ual as c ianças”. Já Ce e a (1991, p.11) de ende que ao ap esen a -se uma
conce ualização pa a a Li e a u a di igida a c ianças, de e -se-á e semp e em con a que essa
de inição seja in eg ado a e sele i a, pa a que udo o que se inclua no amo da li e a u a in an il não
6
ique o a dela. Conside ando es es aspe os, o au o a ança ainda com a ideia de que a Li e a u a pa a
a In ância é uma p odução que en ol e a a e, a ludicidade e o in e esse po pa e da c iança.
Embo a sejam complexos os aspe os que en ol em a de inição da Li e a u a pa a a In ância, a
e dade é que não de pode descu a a sua necessidade nos con ex os de in ância, pois a a-se de um
domínio essencial pa a a sensibilização das c ianças pa a a p á ica da lei u a e de ap eciação do li o.
Assim sendo, é necessá io que nos Ja dins de In ância e nas escolas se p omo a uma pedagogia que
a en e na lei u a li e á ia.
3. A o igem do con o: algumas no as
Não é es anho que mui os de nós enhamos ou ido na in ância alguns con os que o am
sendo o alizados pelos nossos a ós. Após na a em um con o, ulga men e e e ido como “con a uma
his ó ia”, os a ós a i ma am que a mesma já lhes ha ia sido con ada pelos seus pais. A e dade é que
a ansmissão o al de con os pode admi i -se como sendo uma p á ica cul u al e ansge acional
(Veloso, 2005) e “cons i ui uma ac i idade que se pe de no p incípio dos empos” (Albuque que, 2000,
p. 13).
Mui os dos con os que conhecemos como con os adicionais são con os que ou o a e am
especi icamen e di igidos aos adul os, cons i uindo-se, de ce a o ma, como legislado es da ida em
sociedade e o ien ado es de de e minados compo amen os e p á icas (Bas os, 1999, p. 57). Com o
a ança do empo esses con os o am adap ados pa a c ianças, dando luga àquilo a que Ce e a
(1991) designa como “Li e a u a ganada”.
A Li e a u a de adição o al oma di e sas o mas - mi os, lendas, p o é bios e imas, ábulas e
pequenos con os -, sendo conside ada, po alguns au o es, como o início da Li e a u a pa a a In ância.
Como e e e o p o esso Aguia e Sil a (1981, p. 11) na sua
Nó ula sob e o Concei o de
Li e a u a In an il
, “O apa ecimen o no âmbi o da chamada ‘li e a u a esc i a’, de ex os de li e a u a
in an il cons i ui um enómeno his o icamen e ecen e, mas as aízes da li e a u a in an il p oduzida e
ecebida o almen e a undam-se na espessu a dos empos”. Daqui podemos in e i que an es de se
esc e e pa a as c ianças, con a a-se pa a as c ianças e, po an o, a esc i a de ob as especi icamen e
di igida pa a as c ianças não se mos a uma p á ica ances al.
De aco do com Ce e a (1991), uma das p imei as ob as li e á ias di igidas às c ianças su giu
no século XVII pelas mãos de Cha les Pe aul . Con udo, o século XIX é apon ado como um impo an e
ma co na p odução esc i a de li os di igidos aos mais pequenos, de ido, em pa e, a mudanças
7
polí icas e sociais i idas um pouco po oda a Eu opa. As p oduções a que nos e e imos e am ainda
imp egnados po uma dimensão didá ica e mo al (
ibidem
, p. 15).
Em Po ugal, oi ambém a pa i do século XIX, mais conc e amen e da década de 70, que se
começou a pe cebe um aumen o signi ica i o de ob as des e géne o, com um c escen e conjun o de
au o es que se dedica a à p odução li e á ia pa a a in ância (Bas os, 1999, p. 38).
O século XX oi, ambém ele, ca ac e izado po á ias mudanças e acon ecimen os que
abala am a a enção dada, an e io men e, à p odução ob as de Li e a u a pa a a In ância.
A consolidação do pode salaza is a a pa i dos anos 30 e á o es epe cussões no
ambien e cul u al e educa i o. Também a 2.ª G ande Gue a, embo a sen ida de o ma
indi ec a em Po ugal, são ac o es que se conjuga am e de e mina am um ela i o
empob ecimen o des as décadas. (
ibidem
, p. 43)
Na década de 1930, como nos e ela, ainda, Bas os (
ibidem
), a Li e a u a pa a a In ância
adqui ia quase exclusi amen e um ca á e ins u i o, deixando de pa e o po encial lúdico do li o.
En e os anos 40 e 50 do século XX, Po ugal ainda se encon a a sob e o pode di a o ial e, como al,
nas escolas, o ensino da lei u a e a somen e ocalizado na o alização de ex os, a as ando-se des a
o ma a cons ução de um sen ido c í ico po pa e das c ianças e consequen emen e a as ando ideais
de mudança e p og essão (Veloso, 2006).
Já na década de 1960, al como des aca, ainda, Veloso (
idem
), su gem as p imei as
mani es ações de mudança, como é o caso de um c escen e luxo emig a ó io e e ol as es udan is e
ope á ias, mas ambém a ins alação de biblio ecas i ine an es (disponibilizadas pela undação Calous e
Gulbenkian) nalguns pon os do país. Es as biblio ecas con inham um conjun o de ob as de ele ada
qualidade mo i ando, como al, as c ianças pa a a lei u a.
Com a e olução de ab il em 1974 oco e am signi ica i as mudanças sociais e económicas
que en ol e am o im de um pe íodo de censu a e p omo e am a e olução cul u al do país, o que
pe mi iu da maio ên ase à Li e a u a dedicada às c ianças, como salien a Bas os (1999). E chama-
nos ainda a a enção pa a a impo ância da década de 80 do século XX, uma década conside ada
“como um no o pe íodo de «ou o» - nos pa âme os de qualidade e quan idade – da nossa his ó ia da
li e a u a pa a c ianças e jo ens” (
ibidem
, p. 46).
Nos dias de hoje assis imos a uma maio p odução de ob as pa a a in ância e,
consequen emen e, a um maio núme o de au o es e ilus ado es empenhados na á dua a e a de
8
c ia em li os di igidos aos mais jo ens. Pa a além des e aspe o, su gi am edi o as que abalham
exclusi amen e, ou quase exclusi amen e, na edição de ob as de Li e a u a pa a a In ância, o nando o
me cado de p odução e edição de li os pa a os pequenos lei o es mais a a i o e compe i i o.
Pe cebe-se, assim, que a ualmen e há, e e i amen e, um in e esse na conceção e publicação de
ob as des inadas às c ianças e que, po an o, a Li e a u a pa a a In ância alcançou um luga no
quo idiano dos con ex os educa i os. É equen e pe cebe que educado es e p o esso es incluem na
sua p á ica es a égias pa a p omo e o li o, a lei u a e a li e a u a. Falamos especialmen e de
es a égias como a “Ho a do Con o”, p esen e especialmen e na educação p é-escola .
4. A na ação de con os e a o mação de lei o es
Se, po um lado, se ala da impo ância da li e a u a pa a o desen ol imen o de compe ências
de exp essão, comunicação e de li e acia, no con ex o educa i o, a e dade é que ela ambém se
e es e de um ca ác e a e i o, quando incluída no seio amilia , desde idades p ecoces. Gomes (1996,
p.11) acen ua na sua ob a es e úl imo aspe o, e e indo que “hoje, mais do que nunca, um lei o
o ma-se desde o be ço” e, na mesma linha de pensamen o, Sousa (2007) ac escen a a ideia de que,
e e i amen e, ninguém nasce lei o , po ém a sua o mação de e á se p i ilegiada desde o nascimen o.
Na senda de Gomes (1996) e Sousa (2007), Ramos e Sil a (2014, p. 149) a i mam que o
sucesso de uma c iança, no que diz espei o à lei u a, es á ligado a “compo amen os eme gen es de
lei u a” pa a os quais a in e enção da amília é essencial. É ambém essencial, segundo as mesmas
au o as, que os p imei os con ac os com o li o e a lei u a sejam posi i os, de modo a que se possam
impedi e en uais obs áculos à o mação de lei o es (
ibidem).
Le é uma a i idade que exige, en e ou os aspe os, mo i ação. Viana (2009), ao ap esen a as
suas conceções ace ca da mo i ação pa a a lei u a e e e que os a e os são uma das ias essenciais
pa a a iniciação da lei u a e que a amília em um papel essencial no que diz espei o a essa
mo i ação.
Vol ando à noção da elação en e a lei u a ealizada no seio amilia e a p omoção de
compo amen os eme gen es de lei u a, pode dize -se que a na ação de con os po pa e do adul o e a
sua escu a po pa e das c ianças de em cons i ui uma o ina assídua no quo idiano de ambos, de
modo a que as c ianças associem o li o a p aze e bem-es a . Es e con ac o eme gen e com a li e acia
es á elacionado com a ap endizagem de compe ências ligadas ao desen ol imen o da linguagem o al,
à aquisição de no o ocabulá io, ao “domínio de es u u as linguís icas complexas, mas ambém a
9
cons ução p é ia de ep esen ações conc e as sob e a u ilidade da lei u a” (Ramos e Sil a, 2014, p.
150-151).
Escla ecidos ace ca da impo ância da amília na o mação de lei o es, não podemos descu a
o papel que a escola e dos educado es êm nes a a e a.
Faze da lei u a um hábi o, enca á-la como pa e in eg an e do quo idiano, é uma
a i ude que exige um es o ço conjugado de odos os in e enien es na Educação da
c iança, assumindo a amília um papel de eixo es u u ado que se á solidi icado e
ampliado pelo educado do Ja dim de In ância, como p imei a ins ância do Sis ema
Educa i o. (Sousa, 2007, p. 66)
O con ex o de Ja dim de In ância é igualmen e impo an e pa a a c iação de momen os de
uição em o no do li o e da lei u a, sendo, po isso, necessá io ha e uma di e sidade de ob as
li e á ias e de qualidade. É nes e con ex o que os educado es podem alia uma p á ica in encional e
es u u ada com a componen e de explo ação lúdica do li o e a ap eciação do ca ác e es é ico do
mesmo (
ibidem
).
Conside ando o expos o, conside amos impe iosa a a i idade de na ação de con os na o ina
diá ia do Ja dim de In ância. Es es momen os de
o a u a
(exp essão u ilizada po Veloso, 2005) que
podem se apoiados po ma e iais manipulá eis e momen os de d ama ização, cons i uem-se como
es a égia e icaz pa a p omo e a lei u a e o ma lei o es compe en es.
5. Po quê na a e escu a con os no ja dim de in ância e no 1.º ciclo
Como já se oi e e indo ao longo des e abalho, o con ex o educa i o é um dos meios
p i ilegiados pa a a aquisição de compe ências de lei u a e de ap eciação do li o e da li e a u a. Tan o
a ní el da Educação P é-escola quan o ao ní el do 1.º Ciclo do Ensino Básico as p á icas dos
p o issionais de educação são, de ce a o ma, o ien adas po documen os no ma i os que, en e
ou os aspe os, guiam es es mesmos p o issionais no campo da Educação Li e á ia.
Na a e escu a con os, an o no Ja dim de In ância como no 1º CEB, de e cons i ui um
“momen o mágico em que adul o e c ianças sabo eiam o pu o p aze da his ó ia lida ou con ada, sem
ou as exigências que são sejam a comunhão i ida pelo g upo”, como nos diz Veloso (2006, p. 6).
Ao escu a a na ação de um con o, as c ianças deixam-se iaja po mundos imaginá ios,
deixam-se en ol e pela oz do con ado que em o pode de as anspo a pa a um mundo de

10
a en u as épicas. As c ianças pe cebem que de cada ez que se ab e um li o, ab e-se um mundo
no o. Assim, o a o de ou i na a em oz al a en iquece a imaginação, p omo e a cu iosidade e a
escu a a en a do con o. Pa a além des es aspe os, a c iança começa a desen ol e a sua capacidade
de comp eensão e busca pelo sen ido do ex o, começando ambém a ap op ia -se da p óp ia es u u a
da na a i a e de no o ocabulá io (Ramos e Sil a, 2014).
A Ho a do Con o é um momen o lúdico de ap endizagem, capaz de es imula a e lexão e o
espí i o c í ico dos mais pequenos à medida que se ão ap op iando de compe ências ao ní el li e á io,
sendo ambém um momen o de desen ol imen o cogni i o, es é ico e mo al. Nes a pe spe i a, Gomes
(1996, p.39) ap esen a aqueles que conside a se em os g andes obje i os da Ho a do Con o,
1.º Alimen a a necessidade in an il de ou i his ó ias, c iando assim condições pa a
que ela enha a sa is aze -se, ambém, com a lei u a u u a de con os e omances
ju enis.
2.º Es imula , nas c ianças que ainda não sabem le , o desejo de domina os
mecanismos da lei u a, de se o na em, elas ambém, capazes de deci a esse código
mis e ioso que se esp aia pelas páginas dos li os.
No que diz espei o à es u u a des e momen o des inado à lei u a em oz al a, podem
conside a -se, como a i mam Ramos e Sil a (2014), ês momen os dis in os: a p é-lei u a, a lei u a e a
pós-lei u a.
O p imei o des es momen os é o momen o inicial em que o li o é ap esen ado às c ianças.
Es e momen o é c ucial pa a a cap ação do in e esse dos ou in es e pe ceção de expe a i as e ideias
p é ias ela i amen e ao li o.
A lei u a, po sua ez, de e se acompanhada e mediada po pequenos diálogos ace ca do
con eúdo do ex o, de o ma a que a c iança não des ie a sua a enção de elemen os ulc ais pa a a
comp eensão da ob a. Con udo, es as pequenas in e upções da na a i a não de em se demasiado
in usi as, sob p ejuízo de se pe de o abalho já ei o a ní el da comp eensão.
O úl imo momen o, a pós- lei u a, é um momen o des inado aos comen á ios das c ianças,
semp e o ien ado pelo mediado de lei u a, o qual pode eco e à elei u a de pa es da na a i a pa a
assegu a e sis ema iza a comp eensão (Ramos e Sil a, 2014, p. 152-153).
De uma o ma mais de alhada, Gomes (1996) ap esen a á ios aspe os que de em se idos
em con a aquando da ealização da Ho a do Con o. Começa po se e e i às condições em que a
Ho a do Con o de e se ealizada, is o é, não de endo se conside ada um momen o de lecionação de
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con eúdos, mas sim, um momen o especial e mágico; de ém-se, ambém, sob e o modo como o
espaço onde oco e a na ação do con o de e á es a o ganizado, a i mando que é impo an e que
esse espaço assuma uma con igu ação di e en e daquela u ilizada pa a as es an es a i idades; ece,
ainda, alguns comen á ios sob e a pos u a que o na ado do con o de e assumi , is o é, de endo e
uma pos u a descon aída e sem excessos de ea alização; az algumas conside ações ela i as à a e
de le , e e indo que o na ado do con o de e a en a em aspe os como a dicção, o om de oz e a
exp essi idade com que na a um con o; salien a que o clima que acompanha a Ho a do Con o, pode
se um clima de silêncio, com música de undo ou com acompanhamen o de imagens de undo; e, po
im, numa no a mui o semelhan e ao con eúdo ap esen ado po Ramos e Sil a (2014), ap esen a
alguns ópicos e e en es a a i idades que podem se ealizadas an es (p é-lei u a), du an e (lei u a) e
após a lei u a (pós-lei u a) (Gomes, 1996, pp. 41-43).
6. A impo ância do mediado de lei u a
Se é e dade que p omo e a lei u a en e os mais pequenos adqui e um papel de ex ema
impo ância na educação das c ianças, o ce o é que ambém a pessoa que dá oz ao con o assume
um papel de al o ele o, p incipalmen e jun o dos p é-lei o es. Ace ca des e assun o, Veloso (2005,
p.3) salien a que “o con ado é um pedagogo e a sua oz celeb a o pode da comunicação”.) Po sua
ez, Pennac (1997, p.88) decla a que “o homem que lê m oz al a ele a-nos à al u a do li o. Ele dá
e dadei amen e a le !”. Nes es moldes, podemos a i ma que o educado de in ância/ p o esso ao
na a um con o es á a assumi o papel de mediado da lei u a.
No que conce ne ao ab angen e mundo da Li e a u a pa a a In ância, al como e e e Ce illo
(2004), os concei os de
p omoção
,
animação
e
mediação
de lei u a, embo a possam es a
elacionados, adqui em signi icados di e en es. Con udo, é em elação ao úl imo concei o, o de
mediação de lei u a, que nos i emos oca com mais de alhe, nes e i em.
De o ma sucin a, pode dize -se que o a o a que chamamos de animação de lei u a con empla
écnicas e es a égias que ajudam a cap a a a enção do lei o pa a o ex o que es á a se lido (
ibidem
).
A p omoção da lei u a, po sua ez, engloba os p ocessos de animação de lei u a, mas es á
elacionada com “polí icas cul u ais das colec i idades de que, en cada caso, se a e, e que debe a e
como obxe i o único o desen ol imen o dos hábi os lec o es” (
ibidem,
p.18).
O papel do mediado de lei u a pode se assumido po educado es e p o esso es, po
biblio ecá ios, pela p óp ia amília da c iança, en e ou os. Con udo, não deixa de se impo an e
e e i que es a igu a de mediado de e ia se assumida po alguém com a de ida compe ência no
12
âmbi o da Educação Li e á ia. Tendo em con a es a ideia, pode-se enca a um mediado de lei u a
como sendo um acili ado en e o ex o e o ece o -c iança, desco inando, desse modo, alguns
en a es que se possam coloca no caminho da in e p e ação da ob a li e á ia. De o ma mais
po meno izada, Ce illo (2004, p. 20), mos a que as unções de um mediado de lei u a de e ão
cen a -se essencialmen e em:
1º. C ea e omen a hábi os lec o es es ábeis.
2º. Axuda a le po le , di e enciando cla amen e a lec u a ob iga ó ia da lec u a
olun a ia.
3º. O ien a a lec u a ex aescola .
4º. Coo dina e acili a a selección de lec u as segundo a idade e os in e esses dos
seus des ina a ios.
5º. P epa a , desen ol e e a alia animacións á lec u a.
Um na ado de con os de e á e p esen e alguns equisi os p é ios pa a que a lei u a que i á
aze ob enha o sucesso p e endido.
O homem que lê em oz al a expõe-se em absolu o. Se ele não sabe o que es á a le , é
igno an e no que diz, é uma lás ima, e isso ou e-se. Se se ecusa a habi a a sua
lei u a, as pala as man êm-se le as mo as, e isso sen e-se. Se inunda o ex o com a
sua p esença, o au o e ai-se, e nada mais es a do que um núme o de ci co, e isso
ê-se. O homem que lê em oz al a expõe-se o almen e aos olhos que o escu am. Se
ele lê e dadei amen e, se nessa lei u a coloca o seu sabe dominando o seu p aze ,
se a lei u a é um ac o de simpa ia an o pa a com o audi ó io como pa a o ex o e o
seu au o , se consegue da a en ende a necessidade de esc e e aco dando a nossa
mais obscu a necessidade de comp eende , en ão os li os ab em-se po comple o, e a
mul idão dos que se julgam excluídos da lei u a, me gulham nela a a és dele”.
(Pennac,1997, p. 165)
No en an o, al como des aca Ce illo (2004, pp. 20 e 21), os educado es, enquan o
mediado es de lei u a, podem encon a algumas di iculdades, po exemplo, na adequação das ob as
13
aos ní eis de lei u a das c ianças, na associação po pa e das c ianças do a o de le como um a o
abo ecido, ou ha endo, mesmo, uma ins umen alização da lei u a.
7. Alguns c i é ios de seleção de um ace o li e á io pa a a ho a do con o
Como es a égia de p omoção da lei u a, en e os mais pequenos, o li o-obje o pode assumi
um ecu so adequado. Es es podem se conside ados uma ob a de a e, adqui indo os mais di e en es
o ma os e sendo cons uídos com os mais a iados ma e iais. Podem se de pano, de ca ão ou de
plás ico (mais di igidos a bebés), álbuns na a i os, li os
pop-up
, li os
pull- he- ab
, li os de poesia, de
banda desenhada, ex os d amá icos, apenas pa a ci a alguns exemplos (Sil a, 2011).
Pe an e o as o me cado de ob as dedicadas à in ância, um aspe o a e p esen e é o cuidado
com o c i é io de seleção e aquisição do ace o li e á io que educado es e p o esso es de em e na
escolha dos ex os que p e endem ap esen a às c ianças, uma ez que assumem o impo an e papel
de mediado es de lei u a.
Na a e a de se escolhe um li o pa a os pequenos lei o es os c i é ios de não de em es a
es i amen e elacionados à idade da c iança, mas an es à sua compe ência lei o a, is o é, o ní el lei o
da c iança.
A composição es é ica da ob a li e á ia ambém de e á se um c i é io pa a a seleção, na
medida em que, se o de qualidade, p opo ciona a uição da componen e plás ica do li o.
Quando se abo da a ques ão das ilus ações p esen es num li o pa a c ianças, emos
de a ende ao ac o de elas cons i uí em uma linguagem icónica que se a icula coma
linguagem e bal. O a is a plás ico, ao c ia o seu ex o, p e ende ala ga a dimensão
imaginan e do ex o e bal, compondo um pe cu so que e i a a edundância e o e ece
à sensibilidade do lei o um olha ou o: o pe cu so diegé ico sai, pois, en iquecido pela
co espondência signi ica i a en e os dois discu sos. (Veloso, 2005, p. 9)
A ques ão da ludicidade ambém de e se ida em con a no momen o da escolha de uma boa
ob a de Li e a u a pa a a In ância.
A e en e lúdica, an ecipado a da lei u a-p aze , não pode, em caso algum, es a
ausen e do elacionamen o inicial com o li o. Aos olhos da c iança, es e começa po
20
4. Ca ac e ização do con ex o P é-escola
4.1 A Ins i uição
A ins i uição onde deco eu a in e enção em Educação P é-escola es á localizada na cidade
de B aga.
Os p incípios pelos quais se ege a ins i uição es ão desc i os no P oje o Educa i o do
Ag upamen o de Escolas a que pe ence no eando-se pela cons ução de “pe cu sos inclusi os e
di e si icados, o ien ados pa a a alo ização de uma cul u a do conhecimen o (sabe ), da o mação
in eg al (se ) e de uma cidadania a i a (es a )” (P oje o Educa i o do Ag upamen o do Ja dim de
In ância em ques ão).
No ano le i o em que deco eu o es ágio es a am em uncionamen o qua o salas de a i idades
que acolhiam 90 c ianças, com idades comp eendidas en e os ês aos seis anos. Gene icamen e, no
que se e e e à es u u a ísica, es a ins i uição é compos a pelas qua o salas e e idas an e io men e,
po um á io, uma cozinha, um e ei ó io, algumas casas de banho e um ec eio.
A sala onde oi ealizado o es ágio es á o ganizada po á eas de in e esse especí ico, aplicando-
se o modelo cu icula
High/Scope
, sendo ampla, bem iluminada e com acesso a uma ex ensa
a anda.
4.2 Ca ac e ização do g upo de c ianças
A sala de a i idades onde o es ágio oi ealizado é equen ada po um g upo de 25 c ianças, 9
do sexo masculino e 16 do sexo eminino, com idades comp eendidas en e os 4 e os 6 anos.
Es e g upo in eg a a ês c ianças que en a am na ins i uição pela p imei a ez, mas a maio
pa e das c ianças já se conhecia, sendo acompanhadas pela mesma educado a desde os 3 anos. Da
o alidade das c ianças, 12 equen am a ins i uição em egime condicional, o que signi ica que,
embo a enham comple ado (ou i ão comple a ) 6 anos no p esen e ano le i o, só i ão começa a
equen a o Ensino Básico no p óximo ano.
O P oje o Cu icula de Tu ma, designado po “Poupa água, poupa”, é o espelho do in e esse
das c ianças pelas ques ões ambien ais que já êm sendo abalhadas desde o ano an e io , a a és da
explo ação da emá ica da eciclagem.
As c ianças des e g upo são bas an e cu iosas e mui o pa icipa i as, o que as le a a
ques iona á ias ezes os adul os. No ge al, es e é um g upo au ónomo, que gos a de expe imen a e
de b inca li emen e, pelo que pedem á ias ezes pa a aze em de e minadas a i idades sozinhos.

21
Es e g upo es á amilia izado com a o ina da sala e do p óp io Ja dim de In ância, o que
ambém é um indicado da au onomia das c ianças. De uma o ma gené ica, a o ina da sala encon a-
se o ganizada essencialmen e po empos de pequeno g upo e de g ande g upo.
4.3 A o ina diá ia
Como já oi e e ido acima, a sala do Ja dim de In ância onde deco eu o es ágio o ien a-se
pelo modelo
High/Scope
e, como al, a o ina diá ia segue alguns moldes p óp ios des a abo dagem.
A o ina diá ia, segundo es e modelo pedagógico, é en endida como um indicado -cha e do
desen ol imen o das c ianças e le indo, po isso, o seu desen ol imen o emocional, men al e social,
assim como as suas compe ências mo o as. Essa o ina de e cons i ui -se como uma o ma de
p omo e a ap endizagem a i a de odas as c ianças a a és do p ocesso
planea – aze – e e
. É na
aplicação des e p ocesso que as c ianças demons am ao educado as suas in enções. A o ina
con empla semp e empos em pequenos g upos e em g ande g upo.
A o ina em um ca á e lexí el, de endo se ajus ada a cada dia de o ma a melho se i os
in e esses das c ianças e a acili a as suas ap endizagens.
9h20-9h30
Acolhimen o das c ianças na sala
9h30-10h30
Tempo de g ande g upo/A i idades lúdico-educa i as
10h30-11h30
Tempo de ec eio
11h30-12h00
A i idades lúdico-educa i as
12h00-14h00
Tempo de almoço
14h00-16h00
Tempo de pequeno g upo/A i idades lúdico-educa i as
Tabela 1 - Ap esen ação gené ica da o ina diá ia em con ex o P é-escola
A o ina diá ia des e g upo começa com o acolhimen o, no á io, que acon ece en e as 9:00h
e as 9:20h da manhã. De seguida, as c ianças di igem-se à casa de banho pa a aze em a sua higiene
an es de en a em na sala. Já na sala, as c ianças sen am-se na man a e o che e do dia começa a
ma ca as p esenças, a indica qual o dia da semana e qual é o es ado de empo. Depois can a-se uma
canção dos bons dias (que é escolhida pelo che e), seguindo-se uma con e sa em g ande g upo e a
escolha das á eas po pa e das c ianças, ou seja, cada c iança planeia o local pa a onde que i e o
que ai aze nesse local.
Pos e io men e, cada c iança b inca li emen e na(s) á ea(s) onde que e, po ol a das
10:20h, di igem-se pa a a casa de banho, pa a la a em as mãos an es do lanche. Uma ez no
22
e ei ó io, cada c iança come o lanche e quando acaba di ige-se pa a o ec eio, onde pe manece a é às
11:30h. Quando acaba a ho a do ec eio, as c ianças são conduzidas no amen e à casa de banho e,
depois, eg essam à sala. Po ol a das 12:00h, as c ianças di igem-se no amen e pa a o e ei ó io
pa a almoça em.
Da pa e da a de, en e as 14:00h e as 14:30h, as c ianças ol am a en a na sala e azem o
elaxamen o, is o é, a educado a coloca uma música elaxan e e os meninos dei am-se na man a com
os olhos echados e espi am calmamen e, seguindo as ins uções da p óp ia educado a. Depois do
elaxamen o há no amen e um empo de con e sa em g ande g upo, seguido de b incadei a nas á eas
de in e esse especí ico ou da ealização de alguma a i idade p opos a pela educado a.
Po im, po ol a das 16:00h, as c ianças di igem-se no amen e ao e ei ó io pa a o lanche da
a de.
5. Ca ac e ização do con ex o do 1º Ciclo do Ensino Básico
5.1 A ins i uição
A ins i uição onde deco eu o es ágio do 1º Ciclo do Ensino Básico si ua-se na cidade de B aga,
numa eguesia mui o p óxima de locais com in e esse a qui e ónico, his ó ico e social, num con ex o
socioeconomicamen e a o ecido.
De aco do com o P oje o Educa i o do Ag upamen o de Escolas a que pe ence es a ins i uição,
a comunidade escola o ien a-se pa a o abalho colabo a i o en e escolas e comunidade local. O
P oje o Educa i o da EB1 e e e que nas ins i uições que compõem a comunidade educa i a se
p omo e uma cul u a de pa icipação que en ol e “pais e enca egados de educação, alunos,
docen es, assis en es ope acionais e ep esen an es da comunidade educa i a”. Em e mos
me odológicos, des aca, ainda, que es a ins i uição p i ilegia p á icas pedagógicas que p omo am “a
pesquisa e a e lexão, a comunicação e o abalho de p oje o”.
O espaço escola oi sujei o a ob as de equali icação no ano de 2018 sendo, po isso, um
espaço no o e bas an e amplo. O edi ício escola ap esen a dois pisos, en e os quais es ão epa idas
10 salas de aulas, salas de apoio indi idualizado e salas de abalho de p o esso es. Nes e edi ício,
pode-se ainda encon a um amplo e ei ó io, á ias casas de banho, uma biblio eca, uma ep og a ia,
á ios caci os e uma unidade de apoio a c ianças com au ismo. O piso supe io es á acessí el, que po
meio de escadas, que po ele ado , o que acili a a mobilidade de c ianças com di iculdades mo o as.
O espaço ex e io é bas an e amplo, em um campo de jogos, um ingue e uma á ea el ada
de amanho conside á el. Quando as condições me eo ológicas são ad e sas, e as c ianças não
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podem acede ao espaço ex e io da ins i uição, êm ao seu dispo uma pequena á ea cobe a onde
pode ão es a du an e o in e alo.
A sala de aulas onde deco eu a in e enção localiza-se no anda supe io do edi ício. É um
local acolhedo , simples e bem iluminado, dispondo de um quad o in e a i o e um compu ado . As
sec e á ias encon am-se o ganizadas em o ma de “U” e as pa edes es ão deco adas com alguns
pos e s
e placa es que se elacionam com os con eúdos que es ão a se lecionados no momen o. Es a
sala possui ainda uma pequena bancada com uma o nei a, com espaços de a umação na pa e de
baixo.
5.2 Ca ac e ização da u ma
O Es ágio do 1º Ciclo deco eu com uma u ma do 4º ano do Ensino Básico, compos a po 22
alunos, 13 do sexo masculino apazes e 9 do sexo eminino apa igas. Um desses alunos es á
sinalizado como aluno com Necessidades Educa i as Especial (NEE) e ês alunos equen am o apoio,
como o ma de colma a as di iculdades que ap esen am.
Es e g upo de c ianças em sido acompanhado pela mesma docen e desde o 1º ano e, po
esse mo i o, é pe ce í el que odas elas se conhecem bem, e idenciando-se o espí i o de en eajuda.
Es a é uma u ma bas an e calma que demons a e adqui ido compe ências no âmbi o do ‘sabe se ’
e do ‘sabe i e ’, uma ez que odos sabem ou i e espei a opiniões e ideias di e en es das suas.
Es es alunos demons am, ainda, se em bas an e pa icipa i os e en ol em-se em a i idades
p opos as pela escola, mas ambém p opos as no seio da p óp ia u ma. É equen e obse a que
algumas c ianças ap o ei am os in e alos pa a ealiza em pesquisas de assun os que lhes despe am
cu iosidade, cons uindo ap esen ações pa a pa ilha em com a u ma as suas descobe as e os seus
in e esses.
Po im, des aca-se a au onomia e esponsabilidade des a u ma e a capacidade de
iden i ica em dú idas e di iculdades, sem eceio de as expo em pe an e a p o esso a e os es an es
colegas.
5.3 O ganização do empo le i o
A o ganização do empo des a u ma es á di idida en e as á eas cu icula es de Po uguês,
Inglês, Ma emá ica, Es udo do Meio e Exp essões A ís icas e Físico-Mo o as. Pa a além disso, az
ambém pa e da componen e le i a o Apoio ao Es udo e a O e a Complemen a - Iniciação à
P og amação.
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Ho as
2ª ei a
3ª ei a
4ª ei a
5ª ei a
6ª ei a
9h00 – 9h30
Po .
Ma .
Inglês
Ma .
Po .
9h30 – 10h00
Po .
Ma .
Inglês
Ma .
Po .
10h00 – 10h30
Po .
In e alo
A.E.
Ma .
A.E.
10h30 – 11h00
In e alo
Po .
In e alo
In e alo
In e alo
11h00 – 11h30
Ma .
Po .
Po .
Po .
Ma .
11h30 – 12h00
Ma .
Po .
Po .
Po .
Ma .
12h00 – 12h30
Ma .
A.E.
Po .
Po .
Ma .
12h30 – 14h15
Almoço
14h15 – 14h45
E.M.
E.M.
Ma .
E.M.
Exp.
14h45 – 15h15
E.M.
E.M.
Ma .
E.M.
Exp.
15h15 – 15h45
Exp.
Exp.
Ma .
Exp.
Exp.
15h45 – 16h30
In e alo
16h30 – 17h00
Inglês
RMC/EA
O.C./TIC
EA
AFD
17h00 – 17h30
Inglês
RMC/EA
O.C./TIC
EA
AFD
Tabela 2 - O ganização do ho á io da u ma
A componen e le i a pe az um o al de 25 ho as semanais e, embo a lexí el, p ocu a segui a
o ganização ap esen ada na abela an e io . A componen e não le i a (in e alo) ocupa, no ho á io dos
alunos, um o al semanal de 2h30.
25
CAPÍTULO III – PROJETO DE INVESTIGAÇÃO E INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA
1. A in e enção em Con ex o P é-escola
A obse ação das c ianças, no con ex o de p é-escola , pe mi iu-nos, al como já an es e e ido,
conhecê-las e pe ceciona os seus in e esses e mo i ações. As a i idades desen ol idas o am
pensadas e plani icadas semp e em unção do seu in e esse, a a és de con e sas indi iduais ou em
g ande g upo e no decu so de a i idades que iam sendo desen ol idas. Nesse sen ido, passa emos a
ap esen a aquelas que en endemos e em sido mais signi ica i as.
1.1 “Como chega a água às nossas casas?”
Em sessões an e io es, e ao abalha o p oje o de u ma “Poupa água, poupa”, du an e o
empo de discussão em g ande g upo as c ianças e ela am e cu iosidade em sabe como é que a
água chega a nossas casas. Nesse sen ido, e de o ma a sa is aze a sua cu iosidade, decidiu-se
explo a es a emá ica na ho a do con o.
As OCEPE (2016) des acam a impo ância de o educado p omo e a pa ilha e a p ocu a de
“explicações pa a enómenos e ans o mações que obse a no meio ísico e na u al” (Sil a, 2016, p.
91). Como al, p ocu ou-se seleciona e explo a uma ob a de Li e a u a pa a a In ância cujo ema se
adequasse aos in e esses demons ados pelo g upo de c ianças e acili asse a comp eensão e a
ep esen ação do Ciclo U bano da Água, p omo endo, assim, o p ocesso de ap endizagem das
c ianças.
Um dos meus obje i os de in e enção p endia-se com a aquisição, cons ução e adequação de
di e sos ma e iais pa a a dinamização da ho a do con o. Nesse sen ido, decidi in oduzi a ‘caixa dos
con os’, p ocu ando, simul aneamen e, esol e um dos p oblemas que pe cebi exis i , a a és da
minha obse ação, no início do es ágio, que se p endia com o ac o de as c ianças não consegui em
es a a en as a ou i um con o do início ao im.
Começou-se a a i idade deba endo, du an e algum empo, os emas explo ados na semana
an e io , elacionados com a água, de modo a que as c ianças pudessem iden i ica o que já sabiam
sob e o ema ago a p opos o. Du an e a con e sa oi, ambém, possí el e le i com o g upo ace ca dos
e ei os da ação humana na na u eza (Sil a,
e al.,
2016), nomeadamen e, quais os compo amen os
humanos que p o ocam o despe dício da água e como é que se podem co igi esses
compo amen os.

26
Depois des e momen o, in oduzi na dinâmica da sala a ‘caixa dos con os’. A ‘caixa dos con os’
o nou-se uma das e amen as pa a melho a a ho a do con o e uma es a égia pa a p omo e a sua
uição de o ma mais lúdica. Foi cons uída a pa i de uma caixa de sapa os e e es ida com papel
dou ado, de o ma a assemelha -se a uma a ca do esou o.
P e endia, assim, que semp e que as c ianças issem a ‘caixa dos con os’, na man a ou em
cima da pequena mesa que exis ia na á ea da lei u a, pe cebessem que aquele e a o momen o do
con o e que, po an o, icassem cu iosos sob e o que i iam escu a . Assim, quando as c ianças saí am
pa a o in e alo, coloquei a ‘caixa dos con os’ em cima da pequena mesa que es a a em en e à
man a. Quando as c ianças eg essa am do in e alo e se sen a am na man a, ica am mui o
admi adas com aquele obje o e pe gun a am imedia amen e “o que é aquilo?”. Respondi que lhes
inha azido uma su p esa e coloquei a caixa sob e as pe nas. Ao ab i a ‘caixa dos con os’, e i ei do
seu in e io uma ca a que dizia “Sala 3”. Desc e e ei, no egis o que se segue, o que acon eceu nessa
manhã.
Depois do in e alo da manhã, no empo ese ado ao con o, comecei po dize às
c ianças que inha uma su p esa pa a elas:
- “Hoje ouxe- os uma su p esa! É uma caixa mui o especial… é a caixa dos con os!” -
disse eu, com a caixa pousada sob e as pe nas.
As c ianças ica am mui o cu iosas e pedi am-me logo que ab isse a caixa pa a sabe em
o que es a a no seu in e io . Depois de ab i a caixa, as c ianças pe cebe am que ha ia
uma ca a lá den o.
- “É uma ca a! O que é que diz?”, pe gun a p on amen e a Leono .
Mos ei-lhes o en elope, explicando que a ca a lhes e a di igida, uma ez que es a a
esc i o “sala 3”, e comecei a lê-la.
- “Vamos e o que diz aqui”, disse eu, passando de seguida à lei u a do seu con eúdo.
– “Amiguinhos da sala 3, eu sou a caixa dos con os. Semp e que me i em na man a
signi ica que ão ou i um con o. Es e momen o é mui o impo an e, po isso, êm de
aze silêncio e p ecisam de es a com mui a a enção. O con o que ão ou i hoje ai
ala - os ace ca da água. Espe o que gos em! A é à p óxima, a caixa dos con os”.
Regis o do dia 29 de no emb o de 2019
27
Figu a 1 - A caixa dos con os
No inal da lei u a da ca a, as c ianças es a am eu ó icas e cu iosas pa a sabe em qual e a,
a inal, o con o que ia se na ado. Finalmen e, ap esen ei ao g upo a ob a
Chape, Chape, Chape!
da
au o ia de Mick Manning e B i a G ans öm (c . Anexo 1).
Es e li o explo a concei os elacionados com a água, à medida que as duas pe sonagens
p incipais, um apaz e o seu cão, emba cam numa iagem à descobe a do ciclo da água.
Num p imei o momen o, o li o abo da aspe os elacionados com o Ciclo (Na u al) da Água (c .
Anexo 2) e, à medida que o con o ia sendo na ado, as c ianças iam comen ando sob e o que já
sabiam ace ca do assun o. Du an e es e momen o, oi in e essan e pe cebe que as c ianças aziam
associações en e o que iam ep esen ado na ob a e o mu al ace ca da água que ha iam cons uído
an e io men e.
28
Enquan o apon a a pa a a pequena imagem do can o da página 8, ques ionei: “o que
se á que es e desenho que dize ?”. Ao analisa aquilo a que me e e ia, o Dinis a i mou
que “ele [o sol] manda aios com calo e aquece a água”. “O que é que acon ece à água
quando ica quen inha?”, pe gun ei. Algumas c ianças do g upo disse am que a água
“sobe” e ou as a i ma am que “sobe p’ as nu ens”.
Regis o do dia 29 de no emb o de 2019
Em seguida, o li o ai mos ando, de o ma simples, o aje o que a água ai pe co endo na
Na u eza a é chega às nossas casas (Manning
e al.,
2008, p. 17- 21). Escu ando a desc ição desse
aje o e ap eciando, em simul âneo, as ilus ações do con o, as c ianças, pela sua expe iência de
explo ação do mundo en ol en e, o am econhecendo alguns ins umen os e obje os u ilizados pa a
a mazena e conduzi a água a é às suas casas, como, po exemplo, ba agens, ubos, o nei as.
No inal da ob a encon amos um “Mapa da Água” (
ibidem,
p. 28-29) (c . Anexo 2) que e a a
os Ciclos Na u al e U bano da Água. Es e mapa é acompanhado pela exp essão “Temos de e mui o
cuidado e conse a a água limpa – odos nós p ecisamos dela pa a nos man e mos i os!” (
ibidem
, p.
28). Escu ando es a ase, o g upo começou um pequeno diálogo em que apon ou as á ias o mas de
poupa água que o am ap endendo à medida que se ia alando des e ema.
“Ago a emos aqui o mapa da água”, e e i à medida que i a a a página. Depois de
con empla em es as páginas, di igi-me às c ianças no amen e: “Aqui diz que, « emos de
e mui o cuidado e conse a a água limpa – odos nós p ecisamos dela pa a nos
man e mos i os!»”. – “É! Temos de poupa água, não é?”, lançou a Leono . – “Isso
mesmo”, e e i. – “É ácil”, disse p on amen e o Rod igo, “ emos de echa a o nei a”.
– “E [ aze ] aquilo do banho pa a dei a na sani a” disse o Dinis. (O Dinis e e ia-se à
colocação da água ia que sai do chu ei o, enquan o se espe a que a água saia quen e,
num ecipien e, pa a que depois possa se u ilizada, em ez de se ca ega no bo ão do
au oclismo).
Regis o do dia 29 de no emb o de 2019
Assim, a a és da explo ação des a ob a oi possí el as c ianças ossem “comp eendendo a
sua posição e papel no mundo e como as suas ações podem p o oca mudanças nes e” (Sil a
e al
.,
2016, p. 85).
29
Depois da lei u a do con o e e minado, oi suge ido às c ianças que comple assem o mu al
ace ca da água com os no os conhecimen os adqui idos. Des e modo, algumas das c ianças jun a am-
se pa a c ia em elemen os pa a o seu mu al.
Figu a 2 - Mu al ace ca da água
No inal des a a i idade, e já num momen o de e lexão, cons a ei que du an e a na ação do
con o pode ia e ap o ei ado melho a “musicalidade” do li o, ou seja, pode ia e ap o ei ado as
epe ições da exp essão “Chape, chape, chape!” pa a en ol e de uma o ma mais lúdica as c ianças
no con o, de o ma a p omo e a escu a a en a e e i a dis ações. Pode ia, po exemplo, e pedido
pa a que as c ianças ba essem palmas ou ba essem com o pé no chão semp e que ou issem es a
mesma exp essão.
A expe iência pe mi e-nos ap ende e a ap endizagem ambém se az pela cons a ação e
e lexão sob e aquilo que podemos melho a na nossa p á ica de in e enção pedagógica.
1.2 “A elhinha que comeu os en ei es de Na al”
Es a a i idade oco eu du an e a semana em que o g upo de c ianças começou a abo da a
emá ica do Na al.
Como a ‘caixa dos con os’ inha ido um esul ado ão posi i o na a i idade an e io , decidi
con inua a u ilizá-la, ambém, nes a a i idade. Assim, quando chegou a ho a de na a o con o
coloquei a caixa na man a e pe gun ei às c ianças se sabiam o que signi ica a e ali aquela caixa. Ao
ques ioná-las p e endia a e igua se as c ianças inham pe cebiam que a p esença daquele obje o
indica a que inha chegado o momen o de ou i um con o e que compo amen o de e iam ado a no
momen o de ou i o con o. Algumas c ianças assegu a am que iam ou i um con o e o Gab iel a i mou
– “ odos êm de es a mui o a en os”, sendo seguido pela Ma ga ida, que ac escen ou: - “pa a
ou i mos bem a his ó ia”.
36
Figu a 7 - Os Reis com as joias
Figu a 8 - A o e a dos p esen es dos Reis ao Menino Jesus
Ao longo de odo es e segundo momen o, as c ianças es i e am en ol idas em exe cícios que
desen ol iam a sua “ esis ência, o ça, lexibilidade, elocidade e a des eza ge al” (Sil a,
e al.,
2016,
p. 44).
Da pa e de a de, em con e sa com as c ianças, algumas delas pe gun a am insis en emen e
se i iamos con inua a “ginás ica dos Reis” e quando a e apeu a da ala en ou na sala de a i idades
as c ianças disse am-lhe, mui o di e idas, que da pa e de manhã inham sido os Reis e que le a am
“p endas à p o esso a C., que ez de Menino Jesus”.

37
1.4 “O cabide das imas”
Es a a i idade pa iu da plani icação de a i idades elacionadas com o In e no e oi esul an e
do in e esse demons ado pelas c ianças ace ca dos pinguins, em semanas an e io es, enquan o
cons uíam o “Mapa de Concei os de In e no”.
Du an e o empo des inado à ho a do con o, e en ando adequa os emas ao in e esse
mani es ado an e io men e, a Educado a e eu decidimos da a conhece às c ianças uma pequena
lengalenga ace ca do pinguim, o qual ap esen amos em seguida.
O Pinguim
O Pinguim gos a de mim
O Pinguim anda assim
O Pinguim gos a de pudim
O Pinguim gos a de amendoim
É o Pinguim Joaquim?
Não, é o Pinguim Se a im!
Coi adinho! O Pinguim az a chim, a chim
(Au o Desconhecido)
Dis ibuímos amendoins pelas c ianças pa a que, enquan o líamos o poema, ambém elas
pudessem come o mesmo que o Pinguim Se a im. Tinha planeado desa ia as c ianças a cons uí em
imas. Con udo, nem oi necessá io pedi que o izessem, uma ez que à medida que iam comendo,
iam dizendo “pala as que são pa ecidas” com pinguim. Es a in e ação o al acili a o desen ol imen o
da p odução linguís ica das c ianças (Sil a,
e al.,
2016), assim como, a o ece o ala gamen o do
ocabulá io. O ac o de e sido u ilizado um poema e, a pa i daí, as c ianças e em encon ado imas,
c iou uma pon e en e a ap endizagem e a abo dagem lúdica. Nes e caso, as OCEPE (2016) e e em
que, de ac o, “as c ianças en ol em-se equen emen e em si uações que implicam uma explo ação
lúdica da linguagem, demons am o p aze em lida com as pala as, in en a sons, e descob i as
suas elações” (Sil a,
e al
., 2016, p. 64).
Pa a além das imas acabadas em “im”, o g upo começou a encon a no as pala as que
ima am umas com as ou as. Assim, endo o seu en usiasmo, começámos a apon a odas as
pala as que as c ianças iam dizendo. A u ilização da o ma poé ica/ do ex o poé ico, o nou-se assim,
“um meio de descobe a e de omada de consciência da língua” (Sil a,
e al.,
2016, p. 64). Depois,
38
ap o ei ando es e momen o pe gun ei às c ianças: “o que acham se c ia mos um local pa a coloca
pala as que imam?” Responde am que sim e ainda suge i am que esse local osse “ao lado das
pin u as dos locos de ne e”. Su giu, assim, o cabide das imas.
O cabide das imas oi cons uído a pa i de um cabide e es ido com ecido colo ido, onde
pendu ámos pequenas i as de ecido e molas de madei a, e oi colocado na pa ede no local p opos o,
an e io men e, pelas c ianças. Pa a além do cabide, a ixámos ambém o poema o iginal que deu
o igem a odas as imas elabo adas pelas c ianças.
Po im, pedimos que as c ianças co assem pequenos pedaços de papel e con idámo-las a
copia em pa a cada papelinho as pala as que inham suge ido pa a as imas, as quais se iam,
pos e io men e, pendu adas com uma mola no cabide.
Figu a 9 - C ianças a copia em as pala as que encon a am
39
Figu a 10 - O cabide das imas
Em jei o de balanço, cons a ámos que ao longo de odo o p ocesso de in e enção e
in es igação hou e uma maio a luência das c ianças à “á ea da biblio eca”, a qual e a pouco
equen ada ou apenas u ilizada como espaço de cons ução de jogos. A ce a al u a, mui as c ianças
passa am a “le ” li os. Um aspe o que se o nou pa icula men e in e essan e oi pe cebe que as
c ianças imi a am a o ma de con a dos adul os. Vejamos o exce o seguin e.
«… enho no ado que, cada ez mais, a Bea iz p ocu a es a na “á ea da biblio eca”.
Hoje, an es do in e alo, es a a sen ada na man a a aze cons uções com legos com o
Dinis e o Ma cos, quando a i sai da mesa onde es a a a aze um desenho e a di igi -
se pa a a biblio eca. Sen ou-se e olhou pa a a es an e. Num ins an e le an ou-se, pegou
num li o,
Ped o e os bombons
, e chamou a Leono que es a a a “ aze um lanchinho”.
A Leono oi e com a Bea iz sen ando-se ao lado dela. Es a úl ima, encos ando o li o
ao co po com a capa i ada pa a a Leono , disse: - “o que ês aqui?” (apon ando pa a o
cão ep esen ado na capa). - “É um cão, não é?”. A Leono ges icula que sim com a
cabeça. - “P on o! Vou- e le a his ó ia”»
Regis o do dia 8 de janei o de 2020
40
O maio en ol imen o das c ianças com as ob as de Li e a u a pa a a In ância, passando a ha e
maio explo ação das ob as disponí eis e maio núme o de “lei o es”, oi um aspe o bas an e
g a i ican e. Mui as c ianças con ida am-me, inclusi amen e, pa a escu a as suas lei u as; ou as, de
ez em quando, pediam-me pa a lhes le um ou ou o li o.
2. A In e enção em Con ex o de 1º Ciclo do Ensino Básico
As a i idades que se seguem o am implemen adas du an e o empo de con inamen o impos o
pelo Go e no no início de ma ço de 2020. Após um longo pe íodo sem con ac o com a p o esso a
coope an e e sem a u ma, em meados de ab il ol ei ao es ágio na modalidade de ensino à dis ância.
Es a no a o ma de ensino oi implemen ada com algumas di e izes impos as pelo
Ag upamen o de Escolas e que, de ce o modo, di icul a am o con ac o com os alunos e,
consequen emen e, a ealização de a i idades. Re i o-me, especialmen e, à ca ga ho á ia semanal
des inada a sessões sínc onas, que icou eduzida a uma ho a semanal, à sex a- ei a. Su gi am, ainda,
alguns cons angimen os que ie am e idencia e acen ua di e enças sociais en e alunos, uma ez
que alguns deles não inham qualque apa elho ele ónico que lhes pe mi isse man e con ac o com a
u ma e assis i à aula sínc ona. Pa a além dos aspe os já ap esen ados, alguns alunos inham de
pa ilha equipamen os e espaços de es udo com ou os memb os do ag egado amilia , o que
di icul a a a sua pa icipação nas a e as p opos as.
Tendo em conside ação odas as limi ações, e na en a i a de ecupe a alguma no malidade
pa a os alunos, oi cons uído um ho á io de es udo de modo a que os alunos ealizassem as a e as
de o ma assínc ona, a iculando-se com as aulas da ele isão (#Es udoEmCasa) e com a aula sínc ona
semanal.
Rela i amen e à pla a o ma u ilizada pa a en io de ma é ias e pa a diálogo en e a u ma, oi
u ilizada a Google
Class oom
.
Logo que i e acesso a es a pla a o ma p ocu ei sabe quais e am as opiniões e as di iculdades
que os alunos mani es a am ela i amen e ao ensino à dis ância (adian e designado como E@D), pa a
que, com base nessa in o mação, osse mais ácil pe cebe quais e am as necessidades e os
in e esses dos alunos e, de alguma o ma, planea a i idades que pudessem i ao encon o dessas
mesmas necessidades e in e esses. Assim, ap esen amos, em seguida, alguns comen á ios esc i os
po alguns alunos da u ma, em momen os dis in os, que demons am as suas imp essões iniciais
ela i amen e aos p imei os dias de E@D.
41
- “Olá a odos! Tenho mui as saudades da u ma! Beijos pa a odos!”
- “Bom dia a odos! Es i e a assis i à aula na TV e gos ei mui o. No en an o, achei a
imagem do ho á io um pouco pequena e não consegui pe cebe as ho as que es a am
lá egis adas (aula de Ma emá ica). Também achei que de e iam ala mais ápido e
mos a as imagens du an e mais empo”;
- “P o esso a, as aulas de hoje o am uma seca”;
- “Olá p o esso a. Sem dú ida que as nossas aulas são mui o melho es! [que as aulas
da ele isão]. Mas é melho que nada…”
Regis os do dia 20 de ab il de 2020
Tendo em conside ação as opiniões que os alunos o am pa ilhando na pla a o ma e algumas
indicações da p o esso a coope an e sob e a al a de compa ência nas sessões sínc onas e a al a de
pa icipação dos alunos nas a i idades que a mesma p opunha, en ei, de alguma o ma, pensa numa
a i idade com um ca á e mais lúdico e dinâmico pa a os alunos, p ocu ando p omo e a in e ação
en e eles, a a és da pla a o ma, de modo p aze oso. P e endia, assim, que os alunos i essem
libe dade pa a pa ilha , comen a e dialoga ace ca das a e as ealizadas po cada um. Pa a além de
udo isso, plani iquei a i idades especialmen e elacionadas com a “Ho a do Con o pa a que, mesmo
de o ma assínc ona, pe mi i que os alunos me conseguissem e , p ocu ando, desse modo,
consegui despe a o seu in e esse pela na ação de con os.
Vá ios es udos êm demons ado que quem ganhou o gos o de le e e li os ao alcance
da mão, em casa, ou numa biblio eca p óxima… mas sob e udo, e e, quase semp e,
alguém que lhe con asse e/ou lesse his ó ias… Alguém que desse oz ao li o. (Rolo e
Sil a, 2009, p. 120)
Acima de udo, que ia se eu esse “alguém que dá oz ao li o”. E oi, assim, que su giu a
a i idade “M” de Mãe (c . Apêndice 5), a qual passa ei a desc e e , em seguida.
2.1 «M» de Mãe
Es a a i idade oi a p imei a a i idade ealizada na modalidade de ensino à dis ância. Como o
Dia da Mãe se es a a a ap oxima , es a a e a consis iu na ealização de um minili o com pequenas
imas pa a o e ece às mães nesse dia.

42
Du an e a plani icação des a a e a i e um especial cuidado na escolha da ob a que ia na a ,
uma ez que não e a possí el a in e ação com os alunos, nem a discussão e diálogo/colocação de
ques ões ace ca da ob a. Como al, a ob a e ia de con e um ex o simples e de ácil in e p e ação.
Decidi, en ão, u iliza a ob a
Pê de Pai,
de Isabel Minhós Ma ins e Be na do de Ca alho (c . Anexo 4).
Num p imei o momen o, g a ei um ídeo onde con ei o con o
Pê de Pai
, que se cons i uiu
como ex o-modelo pa a os li inhos que os alunos de e iam cons ui .
Fiz a g a ação do con o com alguma ap eensão e com eceio que as c ianças não se
iden i icassem com es a no a o ma de in e ação. Con udo, es a a dispos a a en a en ol ê-las e
mo i á-las pa a pa icipa em na ealização das a i idades p opos as e o ídeo pa eceu-me uma solução
iá el. Como al, nos p imei os minu os da cu a me agem comecei po me di igi aos alunos da
seguin e o ma: - “Olá a odos! Espe o que es ejam odos bem. Es ou com imensas saudades ossas e
en ão decidi aze - os es e pequeno ídeo pa a os con a uma his ó ia. No inal, enho um desa io
pa a os p opo !”. Depois iz a ap esen ação da ob a e dos seus au o es, passando pa a o con o da
mesma. Te minei o ídeo, lançando às c ianças o desa io a que me e e i no início: “es e é um desa io
elacionado com o dia da mãe”, disse, “gos a a que cons uíssem um li inho pa a o e ece em à mãe,
inspi ado no con o que acaba am de ou i . Vou, en ão, mos a - os como”.
Depois, g a ei um ou o ídeo com as ins uções de alhadas sob e o modo como os alunos
pode iam cons ui o seu p óp io li o e quais os ma e iais que pode iam u iliza . Quan o aos ma e iais,
en ei ce i ica -me que se iam apenas os que, comummen e, odos emos em casa, uma ez que o
con inamen o não acili a a quaisque deslocações.
Nes e segundo ídeo comecei po ap esen a às c ianças os ma e iais necessá ios pa a a
cons ução do minili o: - “ ão p ecisa de lápis e bo acha, de um ag a ado (ou en ão i a-cola caso
não enham ag a ado ), de uma olha de papel, de lápis de co ”.
Em seguida, aconselhei as c ianças a escolhe em as pala as que melho ca ac e izassem as
suas mães e com elas cons uíssem imas, como, po exemplo, mãe o e/mãe supo e, à semelhança
do que acon ece na ob a an e io men e ap esen ada.
Tendo encon ado/ o mado as imas, o p óximo passo se ia cons ui o li o a pa i da olha
de papel: - “quando i e em a ossa olha, de em dob á-la ao meio e co á-la pela dob a. Depois,
pegam numa das me ades e dob am-na no amen e ao meio e co am pela dob a (…). Ago a epe em o
mesmo p ocesso com a ou a me ade da olha. Pa a que o nosso li o não se desmon e, amos ag a a
po aqui (mos ando o que es a a a aze ).”
43
Po im, ap esen ei o úl imo passo des e desa io – ilus a os li os. Pa a al, ap esen ei um
pequeno li o que ha ia ilus ado, an e io men e, como o ma de exemplo.
Pa a acili a a o ganização e sis ema ização da in o mação con ida nos ídeos, cons uí um
pan le o (c . Anexo 6) com ins uções especí icas pa a a ealização da a i idade e com o exemplo de
minili o cons uído po mim (c . Anexo 5). Coloquei odo o ma e ial de apoio na pla a o ma e
disponibilizei-me pa a escla ece qualque dú ida que os alunos pudessem e .
In elizmen e a pa icipação dos alunos nes a a i idade oi bas an e baixa; apenas qua o alunos
subme e am os seus abalhos na pla a o ma. Con udo, penso que es es núme os não de em se
is os como um esul ado nega i o, pois o momen o e as condições em que oi p opos a a ealização
da a i idade e am comple amen e no os pa a odos, o nando o con ex o de comunicação bas an e
excecional.
Re le indo um pouco mais ace ca des a a i idade, podemos a i ma que o ac o de e sido
ealizada à dis ância colocou alguns en a es à pa icipação dos alunos. O ac o de a a i idade e sido
ap esen ada e explicada aos alunos de o ma assínc ona (de ido às condições impos as pelo
Ag upamen o de Escolas) não me pe mi iu pe cebe as e en uais dú idas dos alunos, nem a alia as
suas eações (posi i as ou nega i as) à a i idade p opos a. Pa a além des es aspe os, não oi possí el
auscul a os seus in e esses e inco po a as suas suges ões. Tendo em con a udo is o, pe cebi que
es a ap esen ação a a és de ídeo, embo a pe mi isse que as c ianças me issem, não e a a o ma de
con ac o ideal pa a a u ma, pois não p omo ia nem pe mi ia a in e ação.
44
Figu a 11 - Minili o cons uído po um dos alunos
2.2 “E se as Pe sonagens dos Con os T adicionais es i essem em con inamen o?”
A ideia de ealiza es a a i idade su giu da pe ceção de que os alunos es a am um pouco
assobe bados com a quan idade de no a in o mação ela i a aos cuidados a e pa a e i a o con ágio
pandémico que odos os dias su gia. Pa a além disso, du an e a aula sínc ona semanal, as c ianças
e e iam, mui as ezes, que es a am cansadas de es a em casa sem pode e os amigos e
queixa am-se que não conseguiam ap ende ão bem, como podemos pe cebe pelos seus
comen á ios.
- “Eu não acho mui o bom (o ensino à dis ância) po que o compu ado a a, e depois
não se consegue ou i (…) eu acho que a é conseguimos ap ende , mas não é assim ão
45
boa (a o ma como os alunos ap endem), e a melho se es i éssemos odos jun os”. (…)
Após a p o esso a ecomenda e ea i ma a impo ância de as c ianças ica em em
casa, a Bea iz ez uma ca e a. Ao e a sua eação, a p o esso a comen ou: -“Bia, não
aças essa ca a… emos de ica em casa!”
Regis o do dia 8 de maio de 2020
Tendo em a enção os comen á ios das c ianças e as e lexões sob e a a i idade an e io , en ei
pensa numa o ma de ap esen a aos alunos uma p opos a de abalho di e en e daquelas que eles,
no malmen e, ealiza am e que inham po base as a e as dos manuais escola es. Ao mesmo empo,
p ocu a a p opo uma a i idade em que conseguisse pe cebe como é que as c ianças en endiam e
i iam o con inamen o e odas as eg as de segu ança a ele associado.
Pa a que nes a a i idade pudesse in e agi com os alunos de o ma sínc ona, alei com a
p o esso a coope an e ace ca da possibilidade de u iliza uma pa e da sessão sínc ona de sex a- ei a
pa a p opo a a i idade que inha pensado aos alunos.
Pensei, en ão, que pode ia desa ia os alunos a eco da em um con o adicional que
gos assem e a eesc e ê-lo. Con udo, es a eesc i a inha de e algumas “ eg as”, is o é, e ia de se
esc i o endo em con a a si uação pandémica que se es a a a i e e, pa a isso, as pe sonagens e iam
de adap a o seu compo amen o de o ma a cump i em odas as ecomendações e cuidados de
segu ança p opos as pela Di eção Ge al da Saúde. De o ma a da um exemplo daquilo que se
p e endia, c iei um ex o exempli ica i o com a his ó ia da Capuchinho Ve melho (c . Anexo 7).
Como al, du an e uma sex a- ei a em que pude o ien a a sessão, ese ei algum empo pa a
expo aos alunos a a i idade que lhes que ia p opo . Assim, depois de lhes ap esen a a p opos a, li-
lhes o con o que esc e i como modelo. Pa a minha su p esa, um dos alunos icou ão con en e que me
disse: - “P o esso a acho que já enho uma ideia. Posso dize ?” Respondi a i ma i amen e e ele
con inuou: - “Acho que ou con a a his ó ia dos T ês Po quinhos e dize que o Lobo Mau não
conseguia sop a pa a as casas po que es a a de másca a!”
A in e enção des e aluno deixou-me bas an e con en e e mo i ada, pois pe cebi que
conside a am a a i idade di e en e do habi ual, di e ida! No inal da sessão, ecomendei aos alunos
que, caso não i essem p esen e nenhum con o, p ocu assem em li os que pudessem e em suas
casas ou, en ão, que eco essem à in e ne , is o que, nes a al u a, já odos inham acesso a es a
e amen a. Depois, coloquei na pla a o ma Google
Class oom
um guião com a desc ição da a i idade
p opos a e com algumas indicações ace ca daquilo que e a p e endido que os alunos izessem (c .
Anexo 8) e suge i ainda que, caso osse do seu in e esse, pode iam ilus a o seu con o.
52
o ma, a qualidade do p ocesso de ensino-ap endizagem e a possibilidade de chega a odas as
c ianças.

53
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55
ANEXOS
56
Anexo 1: Capa da ob a
Chape, Chape, Chape!
57
Anexo 2: Mapa de água ep esen ado na ob a
Chape, Chape, Chape!

58
Anexo 3: Con o
A Velhinha que Comeu os En ei es de Na al
E a uma ez uma Velhinha…
Boa cozinhei a, mas mui o gulosinha!
Bolachas, biscoi os, docinhos azia
Mas no inal, udo isso comia.
Um dia, es a a quase a chega o Na al,
Ficou com on ade de come algo especial…
E olhem só o que ela ez, ejam lá que mal….
Comeu 1 pinhei o de Na al!
No dia seguin e, não se sen iu mal,
E ol ou a deseja algo especial.
Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal,
Comeu 2 sinos de Na al!
No dia seguin e, não se sen iu mal
E ol ou a deseja algo especial.
Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal,
Comeu 3 co oas de Na al!
No dia seguin e, não se sen iu mal
E ol ou a deseja algo especial.
Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal,
Comeu 4 laços de Na al!
No dia seguin e, não se sen iu mal
E ol ou a deseja algo especial.
Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal,
Comeu 5 meias de Na al!
No dia seguin e, não se sen iu mal
E ol ou a deseja algo especial,
Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal,
Comeu 6 es elas de Na al!
E quan o mais comia, mais lhe ape ecia
A é que chegou o ma ido, que de nada sabia.
- Onde es ão gua dados os en ei es de Na al?
- Tenho de me p epa a , já es amos pe o a inal.
Ela que ia esponde , mas não conseguia.
59
Quando ab ia a boca, só lhe saia:
- Feliz Na al! Feliz Na al!
Mas, a cus o, lá disse:
- Comi 1 pinhei o de Na al, 2 sinos de Na al, 3 co oas de Na al,
- 4 laços de Na al, 5 meias de Na al e 6 es elas de Na al….
- E o enó, as enas, o saco e as p endas?
- O que é ei o delas?
- Não e p eocupes! Isso não comi.
- Mas oi só po que gos o mui o de i.
(Con o da au o ia de Ma ia Sousa)
60
Anexo 4: Capa da ob a
Pê de Pai
61
Anexo 5: Minili o
“M” de Mãe
68
Apêndice 3 – “O caminho dos Reis Magos”
Momen o 1
Á eas de
Con eúdo
Con eúdos
Obje i os
Desc ição da a i idade
Ma e iais
Tempo/O ganização
do G upo
A aliação
Á ea de
Exp essão e
Comunicação
(Domínio da
Linguagem
O al)
- O alidade
- Lenda
 Ap esen a
conceções
 Con a um con o
 Desen ol e a
capacidade de
comunica
o almen e
- No empo dedicado à ho a do con o, dialoga
com as c ianças ace ca da emá ica que
es ão a abo da du an e es a semana, is o é,
o dia de Reis e a p epa ação pa a i can a as
Janei as.
- Depois, ap esen a às c ianças a caixa dos
con os e deixa que se açam conje u as
ace ca do seu con eúdo.
- Num momen o seguin e, e ela às c ianças
o con eúdo da caixa – nes e caso, encon a-se
na caixa uma ca a, um “pe gaminho”
en olado, os ês Reis Magos ei os a pa i de
olos de papel higiénico e as imagens do
ou o, do incenso e da mi a.
- Deixa que as c ianças explo em o con eúdo
da caixa e que açam possí eis pe gun as
ace ca do seu con eúdo, podendo compa a
as conje u as ei as an e io men e com o que
se encon a a ealmen e na caixa.
- De seguida, passa à lei u a da ca a
ende eçada às c ianças
- Num momen o seguin e, desen ola o
“pe gaminho” e e ela às c ianças que i ei
con a a lenda dos Reis Magos.
- Como há uma g ande p obabilidade de as
c ianças já e em ou ido a his ó ia, pe gun a
se es as já a conhecem. Em caso a i ma i o,
deixa que sejam as c ianças a con a a
 Caixa dos
con os
 Lenda dos
Reis Magos
esc i a num
“pe gaminho
”
 Figu as dos
Reis Magos
 Ca a da
caixa dos
con os
ende eçada
às c ianças
 Imagens de
ou o,
incenso e
mi a
- Tempo de g ande
g upo
- Obse ação
di e a do
en ol imen o
das c ianças

69
his ó ia, mas em caso nega i o, con a a
his ó ia às c ianças.
- À medida que a his ó ia é con ada e que
apa ecem as pe sonagens p incipais
(Bal asa , Belchio e Gaspa ), coloca as
igu as a ci cula pelas c ianças.
Po im, mos a às c ianças as imagens do
ou o, incenso e mi a, explicando-lhes o que
são es es obje os.
70
Momen o 2:
Á eas de
Con eúd
o
Pa e
da
Sessã
o
Con eúdo
s
Obje i os
Desc ição da a i idade
Ma e iais
Tempo/O ganizaçã
o do G upo
A aliação
Á ea da
Exp essão
e
Comunicaç
ão
(Domínio
da
Educação
Física)
Pa e Inicial (Aquecimen o)
- Co e
-Con olo do
mo imen o
- Iden i ica
co es
 Aumen a da
empe a u a
co po al.
 Mobiliza e
a icula
di e sas pa es
do co po.
- Num p imei o momen o, in oduzi um jogo
pa ecido com “O Rei manda”. Aqui há um Rei
(nes e caso, a es agiá ia) que a ibui uma co ao
ou o, ao incesso e à mi a (ao ou o pode se
a ibuída a co ama ela, ao incenso a co
cas anha e à mi a a co e de, po exemplo).
- Assim sendo, os pequenos Reis, de o ma a
ecolhe em es es obje os, p ecisam de es a
a en os ao que é di o pelo Rei (es agiá ia), is o é,
se ele disse , po exemplo, ou o, as c ianças êm
de co e a é encon a um obje o ama elo. O
mesmo acon ece pa a o incenso e pa a a mi a.
- O jogo de e á acaba quando odas as c ianças
i e em aumen ado a sua empe a u a co po al.
- Nenhum
- G ande g upo
Obse ação
di e a das
c ianças
71
Pa e Fundamen al
- Sal a
- Co e
- Equilíb io
 Realiza
di e en es
ipos de
deslocamen o
s
 Coo dena os
mo imen os
 Segui
o ien ações
 Cump i
eg as
 Domina
mo imen os
que implicam
deslocamen o
s e equilíb ios
MOMENTO 1:
- Nes e momen o, o g upo de e á o ma duas
equipas depois, com as joias na mão, de e ão
sal a ao pé coxinho e pe co e um caminho a é
chega em às suas co oas, pa a lá coloca em as
joias. O caminho de eg esso de e se ealizado
ambém ao pé coxinho, mas des a ez com o
ou o pé.
MOMENTO 2:
- Ago a que os pequenos Reis já en ei a am as
suas co oas, de em se o ganizados em pa es.
Nesse pa , uma c iança é o Rei e o ou o é o
camelo. Ambos de em pe co e um caminho,
mas a c iança que az de camelo de e á desloca -
se com as mãos e os pés no chão, e a c iança
que az de Rei, de e á acompanha a c iança que
az de camelo. No caminho de eg esso aos
luga es, as c ianças de em oca de pe sonagens
e, po an o, de deslocamen o.
MOMENTO 3:
- No e cei o momen o, e de o ma a con inua em
o seu longo caminho, os pequenos Reis, de em
as eja , passando po baixo de uma mesa,
azendo de con a que es ão a a a essa um io.
- Depois, deslocando-se pé an e pé, e com as
o e endas na mão, as c ianças de em en egá-las
ao Menino Jesus.
Momen o 1:
- Legos
(joias)
Momen o 2:
- Nenhum
Momen o 3:
- Mesa
Momen o 1:
- 2 equipas
Momen o 2:
- Pa es
Momen o 3:
- Indi idual
72
Pa e Final (Relaxamen o)
- Respi ação
con olada
 Relaxa e
alonga os
músculos.
 Con ola a
espi ação.
- Po im, ealiza-se o elaxamen o. Nes e
momen o, as c ianças de em o ma uma oda e
pe manece em de pé. Depois de em en a le a
a sua mão di ei a à pon a do pé esque do, sem
dob a os joelhos e ice- e sa.
- Depois, man endo a oda, de em ica sen ados
e es ica a pe nas pa a o cen o en ando
alcança os pés.
- De seguida, coloca as penas à chinês, jun a os
pés e coloca as mãos nos joelhos, p essionado
le emen e.
- Po im, de em ealiza alguns exe cícios de
con olo da espi ação.
- Nenhum
- G ande g upo
73
Apêndice 4 – “O Cabide das Rimas”
Á eas de
Con eúdo
Con eúdos
Obje i os
Desc ição da a i idade
Ma e iais
Tempo/O ganização
do G upo
A aliação
Á ea de Exp essão
e Comunicação
(Domínio da
Linguagem O al)
- O alidade
- Esc i a
- Rimas
 Conhece no o
ocabulá io
 Desen ol e a
consciência
onológica
 Con ac a com a
linguagem esc i a
 Pa i de imas
pa a disc imina
sons
 C ia momen os
lúdicos a pa i da
explo ação da
linguagem o al
(nes e caso das
imas).
- Num p imei o momen o, na ho a do
con o, ap esen a às c ianças o
poema do pinguim.
- Num momen o seguin e, pedi que
iden i iquem qual é o som que se
epe e sucessi amen e ao longo do
pequeno poema.
- Dis ibui amendoins pelas c ianças.
- Desa ia as c ianças a encon em
imas pa a con inua o poema, mas
ambém a iden i ica ou as imas.
- Enquan o as c ianças suge em as
suas imas, apon a as suas
espos as.
- Po im, con ida as c ianças a
esc e e em num pequeno papel as
imas que disse am an e io men e e
a colocá-las no cabide das imas.
- Caixa dos
con os
- Cabide
- Tecidos
- Molas
- Pedacinhos
de Papel
- Ma cado es
- Tempo de g ande g upo
- Tempo de pequenos
g upos (esc i a das
pala as e a sua
colocação no cabide)
- Obse ação di e a
do en ol imen o
das c ianças na
escu a do poema.
- Pa icipação na
discussão ace ca
das imas.

74
Apêndice 5 – “«M» de Mãe”
Domínio
Con eúdos
Obje i os
Desc ição da a i idade
Ma e iais
Tempo/
O ganização
do G upo
A aliação
Esc i a (de aco do
com os documen os
P og amas e Me as
Cu icula es de
Po uguês do Ensino
Básico
e
Ap endizagens
Essenciais
pa a o
Ensino Básico)
Educação Li e á ia
(de aco do com os
documen os
P og amas e Me as
Cu icula es de
Po uguês do Ensino
Básico
e
Ap endizagens
Essenciais
pa a o
Ensino Básico)
- P odução de
ex o
- Audição de ex o
- Exp essão
a a és do
desenho
- Escu a a i a de
uma ob a li e á ia
 Ou i ex os li e á ios e
exp essa eações de
lei u a de modo
c ia i o;
 Comp eende a
o ganização do ex o
poé ico;
 Plani ica um ex o;
 Desen ol e um no o
ex o, com base no
ex o o iginal;
 T oca ideias e
opiniões com os
colegas.
- Num p imei o momen o, os alunos
de em le o guião de abalho en iado
pa a a pla a o ma, seguindo as e apas de
abalho nele ap esen adas:
1) Ou i a his ó ia
P de Pai
de
Be na do Ca alho (que lhes oi
en iada sob a o ma de ídeo) com
a enção;
2) Reuni o ma e ial necessá io pa a a
ealização do seu mini-li o;
3) Cons ui imas;
4) Cons ui o li o;
5) Ilus a da his ó ia;
6) Fo og a a o abalho e colocá-lo na
pla a o ma de o ma a pa ilhá-lo com
os colegas;
7) En ega o minili o à mãe.
- Depois de segui as e apas
ap esen adas acima, os alunos podem
comen a e pa ilha ideias com os
colegas de o ma a man e em a
p oximidade, como se es i essem na sala
de aula.
- Compu ado
- Vídeos
explica i os
- Guião de
abalho
- Lápis
- Papel
- Lápis de
co /Ma cado es
- Ag a ado /Fi a
Cola
T abalho
Indi idual
A aliação
ei a endo
em con a o
en ol imen o
dos alunos
na
ealização
da a i idade.
75
Apêndice 6 - “E se as Pe sonagens dos Con os T adicionais Es i essem em Con inamen o?”
Domínio
Con eúdos
Obje i os
Desc ição da a i idade
Ma e iais
Tempo/
O ganização
do G upo
A aliação
Esc i a (de aco do
com os documen os
P og amas e Me as
Cu icula es de
Po uguês do Ensino
Básico
e
Ap endizagens
Essenciais
pa a o
Ensino Básico)
- P odução de
ex o
- Con o adiconal
 P oduzi um ex o com
ca ac e ís icas
na a i as
 U iliza p ocessos de
plani icação,
ex ualização e e isão
de ex o
 Usa ases complexas
 Supe a p oblemas
associados ao
p ocesso de esc i a
po meio da e isão
com is a ao
ape eiçoamen o do
ex o
 Esc e e ex os,
o ganizados em
pa ág a os, coesos,
coe en es e
adequados às
con enções de
ep esen ação g á ica
- Num p imei o momen o, os alunos
de em elemb a um con o adicional
que gos em;
- Depois, com base no con o que
escolhe am, de em econ a a his ó ia.
Con udo es e econ o em de con empla
alguns aspe os: a his ó ia é passada em
empos de pandemia e as pe sonagens
êm de cump i as ecomendações de
segu ança da DGS;
- As c ianças pode ão ilus a a sua
his ó ia, se assim o en ende em;
- No inal, de e ão subme e os seus
con os na pla a o ma Google Class oom.
- Folhas
- Ma e ial de
esc i a
-Ma e iais de
desenho
- Compu ado
- T abalho
indi idual
A a aliação
pode á se
ei a endo
em con a
aspe os
como:
- Co e a
u ilização
dos
elemen os
de uma
na a i a;
- Coe ência
e
o ganização
do ex o;
-Uso de
ocabulá io
adequado.