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A hora do conto

Castro, Helena Isabel Félix

Abstract

Intitulado “A Hora do Conto”, o presente relatório resultou da prática de intervenção e investigação pedagógica ocorrida em dois contextos distintos – o contexto de Educação Pré-escolar e o contexto de 1.º Ciclo do Ensino Básico. A temática explorada ao longo deste trabalho prendia-se com a investigação de estratégias de dinamização da hora do conto, de modo a estimular o interesse das crianças por obras de Literatura para a Infância. Essa temática surgiu a partir da observação de grupos distintos de crianças e constituiu-se como uma oportunidade para investigar questões relacionadas com a formação de leitores. Reconhecendo o pouco envolvimento das crianças nos momentos dedicados à escuta e narração de contos, tornou-se fundamental a implementação de atividades e estratégias que promovessem o interesse e motivação pela leitura. Embora exploradas de forma mais ampla em contexto Pré-escolar, estas estratégias permitiram explorar e mediar um conjunto de obras de Literatura para a Infância com os diferentes grupos de crianças. A utilização de pequenas rimas, lengalengas e contos tradicionais foi, também, uma estratégia importante para o estímulo do gosto pelo livro e pela leitura. Em ambos os contextos educativos, a investigação foi orientada pela metodologia de Investigação-Ação.

Full text

A Ho a do Con o Uni e sidade do Minho Ins i u o de Educação Helena Isabel Félix Cas o julho de 2021 A Ho a do Con o Helena Isabel Félix Cas o UMinho|2021 Helena Isabel Félix Cas o julho de 2021 A Ho a do Con o T abalho e e uado sob a o ien ação da Dou o a Ca la Ma ia de Fa ia Al es e Pi es An unes Rela ó io de Es ágio Mes ado em Educação P é-escola e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico Uni e sidade do Minho Ins i u o de Educação ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos. Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho. Licença concedida aos u ilizado es des e abalho A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações CC BY-NC-ND h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii AGRADECIMENTOS Aos meus pais, pelas opo unidades e pelos caminhos que me ajudam a pe co e odos os dias. Pelo exemplo de humildade, esiliência e abalho á duo. Pelas doces pala as de enco ajamen o. À minha i mã, pelo seu apoio incansá el. Aos meus a ós, pela sua sabedo ia. À Isabel e à Cláudia, pela amizade e companhei ismo. À Ma a e à Mau a. À minha o ien ado a, Dou o a Ca la An unes, pela ajuda, comp eensão, apoio e dedicação. Po ac edi a em mim. Pelas doces e calo osas pala as de ânimo, que an o me con o a am. À educado a Céu e à p o esso a Conceição, po me ecebe em nas suas salas e pelas opo unidades de ap endizagem que me p opo ciona am. i DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho. A Ho a do Con o RESUMO In i ulado “A Ho a do Con o”, o p esen e ela ó io esul ou da p á ica de in e enção e in es igação pedagógica oco ida em dois con ex os dis in os – o con ex o de Educação P é-escola e o con ex o de 1.º Ciclo do Ensino Básico. A emá ica explo ada ao longo des e abalho p endia-se com a in es igação de es a égias de dinamização da ho a do con o, de modo a es imula o in e esse das c ianças po ob as de Li e a u a pa a a In ância. Essa emá ica su giu a pa i da obse ação de g upos dis in os de c ianças e cons i uiu-se como uma opo unidade pa a in es iga ques ões elacionadas com a o mação de lei o es. Reconhecendo o pouco en ol imen o das c ianças nos momen os dedicados à escu a e na ação de con os, o nou-se undamen al a implemen ação de a i idades e es a égias que p omo essem o in e esse e mo i ação pela lei u a. Embo a explo adas de o ma mais ampla em con ex o P é-escola , es as es a égias pe mi i am explo a e media um conjun o de ob as de Li e a u a pa a a In ância com os di e en es g upos de c ianças. A u ilização de pequenas imas, lengalengas e con os adicionais oi, ambém, uma es a égia impo an e pa a o es ímulo do gos o pelo li o e pela lei u a. Em ambos os con ex os educa i os, a in es igação oi o ien ada pela me odologia de In es igação-Ação. Pala as-cha e: con o; o mação de lei o es; lei u a. i S o y ime ABSTRACT En i led “S o y ime”, his epo esul ed om he p ac ice o in e en ion and pedagogical esea ch ha ook place in wo dis inc con ex s – he con ex o P e-School Educa ion and he con ex o he 1s Cycle o Basic Educa ion. The heme explo ed h oughou his epo eme ged om he obse a ion o dis inc g oups o child en and cons i u es an oppo uni y o in es iga e issues ela ed o he o ma ion o eade s. The Ac ion Resea ch me hodology was used in he esea ch ca ied ou in bo h con ex s. Da a collec ion ins umen s and s a egies we e suppo ed by he same me hodology. Recognizing he low in ol emen o child en in momen s dedica ed o lis ening and elling s o ies, i became essen ial o implemen ac i i ies and s a egies ha p omo e in e es and mo i a ion o eading. Al hough explo ed in a deepe way in he p eschool con ex , hese s a egies allowed us o explo e and media e a ange o child en’s books wi h di e en g oups o child en. The use o small hymes, and olklo e ales we e also signi ican in os e ing a posi i e in e ac ion wi h books and eading. Key-wo ds: o ma ion o eade s, eading, ales ii ÍNDICE AGRADECIMENTOS ................................................................................................................... ii RESUMO ................................................................................................................................... ABSTRACT ............................................................................................................................... i ÍNDICE DE FIGURAS ................................................................................................................. ix ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................................ ix ÍNDICE DE QUADROS ............................................................................................................... ix INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 1 CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO .............................................................................. 3 1. O luga do li o nos documen os o ien ado es ....................................................................... 3 2. A Li e a u a pa a a In ância ................................................................................................... 5 3. A o igem do con o: algumas no as ........................................................................................ 6 4. A na ação de con os e a o mação de lei o es ...................................................................... 8 5. Po quê na a e escu a con os no ja dim de in ância e no 1.º ciclo ....................................... 9 6. A impo ância do mediado de lei u a ................................................................................. 11 7. Alguns c i é ios de seleção de um ace o li e á io pa a a ho a do con o .............................. 13 CAPÍTULO II - ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO E CARACTERIZAÇÃO DOS CONTEXTOS EDUCATIVOS .......................................................................................................................... 15 1. A Me odologia de In es igação-Ação ................................................................................... 15 2. Es a égias de Recolha de dados ........................................................................................ 16 3. Obje i os de in es igação e de in e enção pedagógica ....................................................... 17 4. Ca ac e ização do con ex o P é-escola .............................................................................. 20 4.1 A Ins i uição ................................................................................................................ 20 4.2 Ca ac e ização do g upo de c ianças ........................................................................... 20 4.3 A o ina diá ia ............................................................................................................. 21 5. Ca ac e ização do con ex o do 1º Ciclo do Ensino Básico ................................................... 22 5.1 A ins i uição ................................................................................................................ 22 5.2 Ca ac e ização da u ma ............................................................................................. 23 5.3 O ganização do empo le i o ....................................................................................... 23 CAPÍTULO III – PROJETO DE INVESTIGAÇÃO E INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA.......................... 25 1. A in e enção em Con ex o P é-escola ............................................................................... 25 4 c ianças, especialmen e do li o-álbum. Nes e sen ido, as OCEPE ( ibidem, p. 66) des acam que “é a a és dos li os que as c ianças descob em o p aze da lei u a e desen ol em a sensibilidade es é ica (…). O gos o e in e esse pelo li o e pela pala a esc i a iniciam-se na educação de in ância” O P og ama e Me as Cu icula es de Po uguês do Ensino Básico (Buescu e al ., 2015, p.8) abo da qua o domínios de con eúdo: “O alidade (O)”; “Lei u a e Esc i a (LE)”; “Educação Li e á ia (EL) – Iniciação à Educação Li e á ia (IEL), no 1.º e 2.º ano”; “G amá ica (G)”. Ao explo a mos, sucin amen e, a dimensão li e á ia nes e documen o, encon amos um domínio exclusi amen e ligado à “Educação Li e á ia”, denominado po “Iniciação à Educação Li e á ia”, nos 1.º e 2.º anos. No que diz espei o ao domínio da “Lei u a e Esc i a”, a Lei u a, po sua ez, es á con igu ada no mesmo domínio da Esc i a. Ainda elacionados com a Educação Li e á ia encon amos en e os obje i os do P og ama de Po uguês pa a o Ensino Básico os de desen ol imen o de capacidades de lei u a, de in e p e ação de ex os li e á ios e de ap eciação es é ica desses mesmos ex os (Bescu e al., 2015, p.5). Des e modo, é pe ce í el que a g ande inalidade da lei u a e audição de ex os li e á ios é desc i a como “um pe cu so que conduz ao obje i o p io i á io de comp eensão de ex os e é um es ímulo à ap eciação es é ica” ( ibidem , p. 8). Recen emen e assis imos à publicação de um documen o que complemen a o p og ama sup aci ado: as Ap endizagens Essenciais (Minis é io da Educação, 2018). Es e no ma i o, embo a con emple a Lei u a e Esc i a no mesmo domínio, ap esen a de o ma cla a quais as capacidades que os alunos de em desen ol e ao ní el da Lei u a e ao ní el da Esc i a. Assim, no que diz espei o à Lei u a, é des acada a impo ância da cons ução de uma compe ência de lei u a luen e e de comp eensão do ex o po pa e dos alunos. As Ap endizagens Essenciais de Po uguês (Minis é io da Educação, 2018, p. 3) ap esen am o domínio da Educação Li e á ia como um domínio em que se p e ende que “os alunos se amilia izem e con ac em dia iamen e com li e a u a de e e ência, a pa i da qual pode ão desen ol e capacidades de ap eciação”. A p omoção de “expe iências g a i ican es de lei u a” ( ibidem ) é apon ada como elemen o essencial na omen ação do p aze e do hábi o de le , es abelecendo-se, desse modo, uma “ elação a e i a e es é ica” ( ibidem , p. 4) com a ob a li e á ia, impo an e pa a o desen ol imen o da Educação Li e á ia. 5 2. A Li e a u a pa a a In ância A seleção de ob as de Li e a u a pa a a In ância, po pa e do Educado de In ância e do p o esso do 1.º Ciclo do Ensino Básico, é um a o impo an e pa a a p omoção do gos o pela lei u a e, consequen emen e, pa a a o mação de lei o es. A ualmen e, em Po ugal, assis e-se a uma maio p eocupação com a publicação de li os dedicados à in ância, o nando-se, po essa azão, o olume de li os de au o es e ilus ado es po ugueses cada ez mais as o. Tendo em con a que se assis e a uma c escen e publicação de ob as que êm como público al o as c ianças, são inúme os os in es igado es na á ea da Li e a u a que es udam o uni e so da Li e a u a pa a a In ância, desde a sua conce ualização, à desc ição dos seus obje i os e o seu papel na o mação de lei o es li e a iamen e compe en es. Inicialmen e, a Li e a u a In an il e a des alo izada po mui os au o es, is a sob um olha pejo a i o ( endo em con a o adje i o “in an il”), ha endo a é, como e e e Ce e a (1991, p. 9), quem i esse “negado su exis ência, su necesidad y su na u aleza”. De o ma semelhan e, Bas os (1999, p. 21) a gumen a que a exis ência de uma Li e a u a pa a a In ância “ em susci ado alguma discussão, cujas p incipais coo denadas passam po pos u as que ão de dú ida quan o ao ac o de se pode conside á-la como e dadei o objec o li e á io, à ecusa da e e ência a des ina á io explíci o”. A ualmen e, embo a não se negue a exis ência e a impo ância de uma Li e a u a di igida às c ianças, a e dade é que o seu concei o en ol e semp e um amplo deba e, es ando longe de se consensual, uma ez que es á e es ido de uma ce a ambiguidade. Pe o, si ambíguo esul a el é mino li e a u a, no lo es menos el adje i o in an il. Así, li e a u a in an il, desde su denominación, suma dos ambiguedades. Es lógico que la usión de ambos é minos aboque a una ealidade ambién ambígua. Lo que signi ica que cualquie de inición p opues a há de se , a su ez, obje o de p ecisiones conc e as. (Ce e a,1991, p. 11) Pe cebe-se que se á di ícil encon a consenso na de inição daquilo que é Li e a u a pa a a In ância. Pa a Aguia e Sil a (1981, p.11) a “a li e a u a in an il é a li e a u a que em como des ina á io ex a ex ual as c ianças”. Já Ce e a (1991, p.11) de ende que ao ap esen a -se uma conce ualização pa a a Li e a u a di igida a c ianças, de e -se-á e semp e em con a que essa de inição seja in eg ado a e sele i a, pa a que udo o que se inclua no amo da li e a u a in an il não 6 ique o a dela. Conside ando es es aspe os, o au o a ança ainda com a ideia de que a Li e a u a pa a a In ância é uma p odução que en ol e a a e, a ludicidade e o in e esse po pa e da c iança. Embo a sejam complexos os aspe os que en ol em a de inição da Li e a u a pa a a In ância, a e dade é que não de pode descu a a sua necessidade nos con ex os de in ância, pois a a-se de um domínio essencial pa a a sensibilização das c ianças pa a a p á ica da lei u a e de ap eciação do li o. Assim sendo, é necessá io que nos Ja dins de In ância e nas escolas se p omo a uma pedagogia que a en e na lei u a li e á ia. 3. A o igem do con o: algumas no as Não é es anho que mui os de nós enhamos ou ido na in ância alguns con os que o am sendo o alizados pelos nossos a ós. Após na a em um con o, ulga men e e e ido como “con a uma his ó ia”, os a ós a i ma am que a mesma já lhes ha ia sido con ada pelos seus pais. A e dade é que a ansmissão o al de con os pode admi i -se como sendo uma p á ica cul u al e ansge acional (Veloso, 2005) e “cons i ui uma ac i idade que se pe de no p incípio dos empos” (Albuque que, 2000, p. 13). Mui os dos con os que conhecemos como con os adicionais são con os que ou o a e am especi icamen e di igidos aos adul os, cons i uindo-se, de ce a o ma, como legislado es da ida em sociedade e o ien ado es de de e minados compo amen os e p á icas (Bas os, 1999, p. 57). Com o a ança do empo esses con os o am adap ados pa a c ianças, dando luga àquilo a que Ce e a (1991) designa como “Li e a u a ganada”. A Li e a u a de adição o al oma di e sas o mas - mi os, lendas, p o é bios e imas, ábulas e pequenos con os -, sendo conside ada, po alguns au o es, como o início da Li e a u a pa a a In ância. Como e e e o p o esso Aguia e Sil a (1981, p. 11) na sua Nó ula sob e o Concei o de Li e a u a In an il , “O apa ecimen o no âmbi o da chamada ‘li e a u a esc i a’, de ex os de li e a u a in an il cons i ui um enómeno his o icamen e ecen e, mas as aízes da li e a u a in an il p oduzida e ecebida o almen e a undam-se na espessu a dos empos”. Daqui podemos in e i que an es de se esc e e pa a as c ianças, con a a-se pa a as c ianças e, po an o, a esc i a de ob as especi icamen e di igida pa a as c ianças não se mos a uma p á ica ances al. De aco do com Ce e a (1991), uma das p imei as ob as li e á ias di igidas às c ianças su giu no século XVII pelas mãos de Cha les Pe aul . Con udo, o século XIX é apon ado como um impo an e ma co na p odução esc i a de li os di igidos aos mais pequenos, de ido, em pa e, a mudanças 7 polí icas e sociais i idas um pouco po oda a Eu opa. As p oduções a que nos e e imos e am ainda imp egnados po uma dimensão didá ica e mo al ( ibidem , p. 15). Em Po ugal, oi ambém a pa i do século XIX, mais conc e amen e da década de 70, que se começou a pe cebe um aumen o signi ica i o de ob as des e géne o, com um c escen e conjun o de au o es que se dedica a à p odução li e á ia pa a a in ância (Bas os, 1999, p. 38). O século XX oi, ambém ele, ca ac e izado po á ias mudanças e acon ecimen os que abala am a a enção dada, an e io men e, à p odução ob as de Li e a u a pa a a In ância. A consolidação do pode salaza is a a pa i dos anos 30 e á o es epe cussões no ambien e cul u al e educa i o. Também a 2.ª G ande Gue a, embo a sen ida de o ma indi ec a em Po ugal, são ac o es que se conjuga am e de e mina am um ela i o empob ecimen o des as décadas. ( ibidem , p. 43) Na década de 1930, como nos e ela, ainda, Bas os ( ibidem ), a Li e a u a pa a a In ância adqui ia quase exclusi amen e um ca á e ins u i o, deixando de pa e o po encial lúdico do li o. En e os anos 40 e 50 do século XX, Po ugal ainda se encon a a sob e o pode di a o ial e, como al, nas escolas, o ensino da lei u a e a somen e ocalizado na o alização de ex os, a as ando-se des a o ma a cons ução de um sen ido c í ico po pa e das c ianças e consequen emen e a as ando ideais de mudança e p og essão (Veloso, 2006). Já na década de 1960, al como des aca, ainda, Veloso ( idem ), su gem as p imei as mani es ações de mudança, como é o caso de um c escen e luxo emig a ó io e e ol as es udan is e ope á ias, mas ambém a ins alação de biblio ecas i ine an es (disponibilizadas pela undação Calous e Gulbenkian) nalguns pon os do país. Es as biblio ecas con inham um conjun o de ob as de ele ada qualidade mo i ando, como al, as c ianças pa a a lei u a. Com a e olução de ab il em 1974 oco e am signi ica i as mudanças sociais e económicas que en ol e am o im de um pe íodo de censu a e p omo e am a e olução cul u al do país, o que pe mi iu da maio ên ase à Li e a u a dedicada às c ianças, como salien a Bas os (1999). E chama- nos ainda a a enção pa a a impo ância da década de 80 do século XX, uma década conside ada “como um no o pe íodo de «ou o» - nos pa âme os de qualidade e quan idade – da nossa his ó ia da li e a u a pa a c ianças e jo ens” ( ibidem , p. 46). Nos dias de hoje assis imos a uma maio p odução de ob as pa a a in ância e, consequen emen e, a um maio núme o de au o es e ilus ado es empenhados na á dua a e a de 8 c ia em li os di igidos aos mais jo ens. Pa a além des e aspe o, su gi am edi o as que abalham exclusi amen e, ou quase exclusi amen e, na edição de ob as de Li e a u a pa a a In ância, o nando o me cado de p odução e edição de li os pa a os pequenos lei o es mais a a i o e compe i i o. Pe cebe-se, assim, que a ualmen e há, e e i amen e, um in e esse na conceção e publicação de ob as des inadas às c ianças e que, po an o, a Li e a u a pa a a In ância alcançou um luga no quo idiano dos con ex os educa i os. É equen e pe cebe que educado es e p o esso es incluem na sua p á ica es a égias pa a p omo e o li o, a lei u a e a li e a u a. Falamos especialmen e de es a égias como a “Ho a do Con o”, p esen e especialmen e na educação p é-escola . 4. A na ação de con os e a o mação de lei o es Se, po um lado, se ala da impo ância da li e a u a pa a o desen ol imen o de compe ências de exp essão, comunicação e de li e acia, no con ex o educa i o, a e dade é que ela ambém se e es e de um ca ác e a e i o, quando incluída no seio amilia , desde idades p ecoces. Gomes (1996, p.11) acen ua na sua ob a es e úl imo aspe o, e e indo que “hoje, mais do que nunca, um lei o o ma-se desde o be ço” e, na mesma linha de pensamen o, Sousa (2007) ac escen a a ideia de que, e e i amen e, ninguém nasce lei o , po ém a sua o mação de e á se p i ilegiada desde o nascimen o. Na senda de Gomes (1996) e Sousa (2007), Ramos e Sil a (2014, p. 149) a i mam que o sucesso de uma c iança, no que diz espei o à lei u a, es á ligado a “compo amen os eme gen es de lei u a” pa a os quais a in e enção da amília é essencial. É ambém essencial, segundo as mesmas au o as, que os p imei os con ac os com o li o e a lei u a sejam posi i os, de modo a que se possam impedi e en uais obs áculos à o mação de lei o es ( ibidem). Le é uma a i idade que exige, en e ou os aspe os, mo i ação. Viana (2009), ao ap esen a as suas conceções ace ca da mo i ação pa a a lei u a e e e que os a e os são uma das ias essenciais pa a a iniciação da lei u a e que a amília em um papel essencial no que diz espei o a essa mo i ação. Vol ando à noção da elação en e a lei u a ealizada no seio amilia e a p omoção de compo amen os eme gen es de lei u a, pode dize -se que a na ação de con os po pa e do adul o e a sua escu a po pa e das c ianças de em cons i ui uma o ina assídua no quo idiano de ambos, de modo a que as c ianças associem o li o a p aze e bem-es a . Es e con ac o eme gen e com a li e acia es á elacionado com a ap endizagem de compe ências ligadas ao desen ol imen o da linguagem o al, à aquisição de no o ocabulá io, ao “domínio de es u u as linguís icas complexas, mas ambém a 9 cons ução p é ia de ep esen ações conc e as sob e a u ilidade da lei u a” (Ramos e Sil a, 2014, p. 150-151). Escla ecidos ace ca da impo ância da amília na o mação de lei o es, não podemos descu a o papel que a escola e dos educado es êm nes a a e a. Faze da lei u a um hábi o, enca á-la como pa e in eg an e do quo idiano, é uma a i ude que exige um es o ço conjugado de odos os in e enien es na Educação da c iança, assumindo a amília um papel de eixo es u u ado que se á solidi icado e ampliado pelo educado do Ja dim de In ância, como p imei a ins ância do Sis ema Educa i o. (Sousa, 2007, p. 66) O con ex o de Ja dim de In ância é igualmen e impo an e pa a a c iação de momen os de uição em o no do li o e da lei u a, sendo, po isso, necessá io ha e uma di e sidade de ob as li e á ias e de qualidade. É nes e con ex o que os educado es podem alia uma p á ica in encional e es u u ada com a componen e de explo ação lúdica do li o e a ap eciação do ca ác e es é ico do mesmo ( ibidem ). Conside ando o expos o, conside amos impe iosa a a i idade de na ação de con os na o ina diá ia do Ja dim de In ância. Es es momen os de o a u a (exp essão u ilizada po Veloso, 2005) que podem se apoiados po ma e iais manipulá eis e momen os de d ama ização, cons i uem-se como es a égia e icaz pa a p omo e a lei u a e o ma lei o es compe en es. 5. Po quê na a e escu a con os no ja dim de in ância e no 1.º ciclo Como já se oi e e indo ao longo des e abalho, o con ex o educa i o é um dos meios p i ilegiados pa a a aquisição de compe ências de lei u a e de ap eciação do li o e da li e a u a. Tan o a ní el da Educação P é-escola quan o ao ní el do 1.º Ciclo do Ensino Básico as p á icas dos p o issionais de educação são, de ce a o ma, o ien adas po documen os no ma i os que, en e ou os aspe os, guiam es es mesmos p o issionais no campo da Educação Li e á ia. Na a e escu a con os, an o no Ja dim de In ância como no 1º CEB, de e cons i ui um “momen o mágico em que adul o e c ianças sabo eiam o pu o p aze da his ó ia lida ou con ada, sem ou as exigências que são sejam a comunhão i ida pelo g upo”, como nos diz Veloso (2006, p. 6). Ao escu a a na ação de um con o, as c ianças deixam-se iaja po mundos imaginá ios, deixam-se en ol e pela oz do con ado que em o pode de as anspo a pa a um mundo de 10 a en u as épicas. As c ianças pe cebem que de cada ez que se ab e um li o, ab e-se um mundo no o. Assim, o a o de ou i na a em oz al a en iquece a imaginação, p omo e a cu iosidade e a escu a a en a do con o. Pa a além des es aspe os, a c iança começa a desen ol e a sua capacidade de comp eensão e busca pelo sen ido do ex o, começando ambém a ap op ia -se da p óp ia es u u a da na a i a e de no o ocabulá io (Ramos e Sil a, 2014). A Ho a do Con o é um momen o lúdico de ap endizagem, capaz de es imula a e lexão e o espí i o c í ico dos mais pequenos à medida que se ão ap op iando de compe ências ao ní el li e á io, sendo ambém um momen o de desen ol imen o cogni i o, es é ico e mo al. Nes a pe spe i a, Gomes (1996, p.39) ap esen a aqueles que conside a se em os g andes obje i os da Ho a do Con o, 1.º Alimen a a necessidade in an il de ou i his ó ias, c iando assim condições pa a que ela enha a sa is aze -se, ambém, com a lei u a u u a de con os e omances ju enis. 2.º Es imula , nas c ianças que ainda não sabem le , o desejo de domina os mecanismos da lei u a, de se o na em, elas ambém, capazes de deci a esse código mis e ioso que se esp aia pelas páginas dos li os. No que diz espei o à es u u a des e momen o des inado à lei u a em oz al a, podem conside a -se, como a i mam Ramos e Sil a (2014), ês momen os dis in os: a p é-lei u a, a lei u a e a pós-lei u a. O p imei o des es momen os é o momen o inicial em que o li o é ap esen ado às c ianças. Es e momen o é c ucial pa a a cap ação do in e esse dos ou in es e pe ceção de expe a i as e ideias p é ias ela i amen e ao li o. A lei u a, po sua ez, de e se acompanhada e mediada po pequenos diálogos ace ca do con eúdo do ex o, de o ma a que a c iança não des ie a sua a enção de elemen os ulc ais pa a a comp eensão da ob a. Con udo, es as pequenas in e upções da na a i a não de em se demasiado in usi as, sob p ejuízo de se pe de o abalho já ei o a ní el da comp eensão. O úl imo momen o, a pós- lei u a, é um momen o des inado aos comen á ios das c ianças, semp e o ien ado pelo mediado de lei u a, o qual pode eco e à elei u a de pa es da na a i a pa a assegu a e sis ema iza a comp eensão (Ramos e Sil a, 2014, p. 152-153). De uma o ma mais de alhada, Gomes (1996) ap esen a á ios aspe os que de em se idos em con a aquando da ealização da Ho a do Con o. Começa po se e e i às condições em que a Ho a do Con o de e se ealizada, is o é, não de endo se conside ada um momen o de lecionação de 11 con eúdos, mas sim, um momen o especial e mágico; de ém-se, ambém, sob e o modo como o espaço onde oco e a na ação do con o de e á es a o ganizado, a i mando que é impo an e que esse espaço assuma uma con igu ação di e en e daquela u ilizada pa a as es an es a i idades; ece, ainda, alguns comen á ios sob e a pos u a que o na ado do con o de e assumi , is o é, de endo e uma pos u a descon aída e sem excessos de ea alização; az algumas conside ações ela i as à a e de le , e e indo que o na ado do con o de e a en a em aspe os como a dicção, o om de oz e a exp essi idade com que na a um con o; salien a que o clima que acompanha a Ho a do Con o, pode se um clima de silêncio, com música de undo ou com acompanhamen o de imagens de undo; e, po im, numa no a mui o semelhan e ao con eúdo ap esen ado po Ramos e Sil a (2014), ap esen a alguns ópicos e e en es a a i idades que podem se ealizadas an es (p é-lei u a), du an e (lei u a) e após a lei u a (pós-lei u a) (Gomes, 1996, pp. 41-43). 6. A impo ância do mediado de lei u a Se é e dade que p omo e a lei u a en e os mais pequenos adqui e um papel de ex ema impo ância na educação das c ianças, o ce o é que ambém a pessoa que dá oz ao con o assume um papel de al o ele o, p incipalmen e jun o dos p é-lei o es. Ace ca des e assun o, Veloso (2005, p.3) salien a que “o con ado é um pedagogo e a sua oz celeb a o pode da comunicação”.) Po sua ez, Pennac (1997, p.88) decla a que “o homem que lê m oz al a ele a-nos à al u a do li o. Ele dá e dadei amen e a le !”. Nes es moldes, podemos a i ma que o educado de in ância/ p o esso ao na a um con o es á a assumi o papel de mediado da lei u a. No que conce ne ao ab angen e mundo da Li e a u a pa a a In ância, al como e e e Ce illo (2004), os concei os de p omoção , animação e mediação de lei u a, embo a possam es a elacionados, adqui em signi icados di e en es. Con udo, é em elação ao úl imo concei o, o de mediação de lei u a, que nos i emos oca com mais de alhe, nes e i em. De o ma sucin a, pode dize -se que o a o a que chamamos de animação de lei u a con empla écnicas e es a égias que ajudam a cap a a a enção do lei o pa a o ex o que es á a se lido ( ibidem ). A p omoção da lei u a, po sua ez, engloba os p ocessos de animação de lei u a, mas es á elacionada com “polí icas cul u ais das colec i idades de que, en cada caso, se a e, e que debe a e como obxe i o único o desen ol imen o dos hábi os lec o es” ( ibidem, p.18). O papel do mediado de lei u a pode se assumido po educado es e p o esso es, po biblio ecá ios, pela p óp ia amília da c iança, en e ou os. Con udo, não deixa de se impo an e e e i que es a igu a de mediado de e ia se assumida po alguém com a de ida compe ência no 12 âmbi o da Educação Li e á ia. Tendo em con a es a ideia, pode-se enca a um mediado de lei u a como sendo um acili ado en e o ex o e o ece o -c iança, desco inando, desse modo, alguns en a es que se possam coloca no caminho da in e p e ação da ob a li e á ia. De o ma mais po meno izada, Ce illo (2004, p. 20), mos a que as unções de um mediado de lei u a de e ão cen a -se essencialmen e em: 1º. C ea e omen a hábi os lec o es es ábeis. 2º. Axuda a le po le , di e enciando cla amen e a lec u a ob iga ó ia da lec u a olun a ia. 3º. O ien a a lec u a ex aescola . 4º. Coo dina e acili a a selección de lec u as segundo a idade e os in e esses dos seus des ina a ios. 5º. P epa a , desen ol e e a alia animacións á lec u a. Um na ado de con os de e á e p esen e alguns equisi os p é ios pa a que a lei u a que i á aze ob enha o sucesso p e endido. O homem que lê em oz al a expõe-se em absolu o. Se ele não sabe o que es á a le , é igno an e no que diz, é uma lás ima, e isso ou e-se. Se se ecusa a habi a a sua lei u a, as pala as man êm-se le as mo as, e isso sen e-se. Se inunda o ex o com a sua p esença, o au o e ai-se, e nada mais es a do que um núme o de ci co, e isso ê-se. O homem que lê em oz al a expõe-se o almen e aos olhos que o escu am. Se ele lê e dadei amen e, se nessa lei u a coloca o seu sabe dominando o seu p aze , se a lei u a é um ac o de simpa ia an o pa a com o audi ó io como pa a o ex o e o seu au o , se consegue da a en ende a necessidade de esc e e aco dando a nossa mais obscu a necessidade de comp eende , en ão os li os ab em-se po comple o, e a mul idão dos que se julgam excluídos da lei u a, me gulham nela a a és dele”. (Pennac,1997, p. 165) No en an o, al como des aca Ce illo (2004, pp. 20 e 21), os educado es, enquan o mediado es de lei u a, podem encon a algumas di iculdades, po exemplo, na adequação das ob as 13 aos ní eis de lei u a das c ianças, na associação po pa e das c ianças do a o de le como um a o abo ecido, ou ha endo, mesmo, uma ins umen alização da lei u a. 7. Alguns c i é ios de seleção de um ace o li e á io pa a a ho a do con o Como es a égia de p omoção da lei u a, en e os mais pequenos, o li o-obje o pode assumi um ecu so adequado. Es es podem se conside ados uma ob a de a e, adqui indo os mais di e en es o ma os e sendo cons uídos com os mais a iados ma e iais. Podem se de pano, de ca ão ou de plás ico (mais di igidos a bebés), álbuns na a i os, li os pop-up , li os pull- he- ab , li os de poesia, de banda desenhada, ex os d amá icos, apenas pa a ci a alguns exemplos (Sil a, 2011). Pe an e o as o me cado de ob as dedicadas à in ância, um aspe o a e p esen e é o cuidado com o c i é io de seleção e aquisição do ace o li e á io que educado es e p o esso es de em e na escolha dos ex os que p e endem ap esen a às c ianças, uma ez que assumem o impo an e papel de mediado es de lei u a. Na a e a de se escolhe um li o pa a os pequenos lei o es os c i é ios de não de em es a es i amen e elacionados à idade da c iança, mas an es à sua compe ência lei o a, is o é, o ní el lei o da c iança. A composição es é ica da ob a li e á ia ambém de e á se um c i é io pa a a seleção, na medida em que, se o de qualidade, p opo ciona a uição da componen e plás ica do li o. Quando se abo da a ques ão das ilus ações p esen es num li o pa a c ianças, emos de a ende ao ac o de elas cons i uí em uma linguagem icónica que se a icula coma linguagem e bal. O a is a plás ico, ao c ia o seu ex o, p e ende ala ga a dimensão imaginan e do ex o e bal, compondo um pe cu so que e i a a edundância e o e ece à sensibilidade do lei o um olha ou o: o pe cu so diegé ico sai, pois, en iquecido pela co espondência signi ica i a en e os dois discu sos. (Veloso, 2005, p. 9) A ques ão da ludicidade ambém de e se ida em con a no momen o da escolha de uma boa ob a de Li e a u a pa a a In ância. A e en e lúdica, an ecipado a da lei u a-p aze , não pode, em caso algum, es a ausen e do elacionamen o inicial com o li o. Aos olhos da c iança, es e começa po 20 4. Ca ac e ização do con ex o P é-escola 4.1 A Ins i uição A ins i uição onde deco eu a in e enção em Educação P é-escola es á localizada na cidade de B aga. Os p incípios pelos quais se ege a ins i uição es ão desc i os no P oje o Educa i o do Ag upamen o de Escolas a que pe ence no eando-se pela cons ução de “pe cu sos inclusi os e di e si icados, o ien ados pa a a alo ização de uma cul u a do conhecimen o (sabe ), da o mação in eg al (se ) e de uma cidadania a i a (es a )” (P oje o Educa i o do Ag upamen o do Ja dim de In ância em ques ão). No ano le i o em que deco eu o es ágio es a am em uncionamen o qua o salas de a i idades que acolhiam 90 c ianças, com idades comp eendidas en e os ês aos seis anos. Gene icamen e, no que se e e e à es u u a ísica, es a ins i uição é compos a pelas qua o salas e e idas an e io men e, po um á io, uma cozinha, um e ei ó io, algumas casas de banho e um ec eio. A sala onde oi ealizado o es ágio es á o ganizada po á eas de in e esse especí ico, aplicando- se o modelo cu icula High/Scope , sendo ampla, bem iluminada e com acesso a uma ex ensa a anda. 4.2 Ca ac e ização do g upo de c ianças A sala de a i idades onde o es ágio oi ealizado é equen ada po um g upo de 25 c ianças, 9 do sexo masculino e 16 do sexo eminino, com idades comp eendidas en e os 4 e os 6 anos. Es e g upo in eg a a ês c ianças que en a am na ins i uição pela p imei a ez, mas a maio pa e das c ianças já se conhecia, sendo acompanhadas pela mesma educado a desde os 3 anos. Da o alidade das c ianças, 12 equen am a ins i uição em egime condicional, o que signi ica que, embo a enham comple ado (ou i ão comple a ) 6 anos no p esen e ano le i o, só i ão começa a equen a o Ensino Básico no p óximo ano. O P oje o Cu icula de Tu ma, designado po “Poupa água, poupa”, é o espelho do in e esse das c ianças pelas ques ões ambien ais que já êm sendo abalhadas desde o ano an e io , a a és da explo ação da emá ica da eciclagem. As c ianças des e g upo são bas an e cu iosas e mui o pa icipa i as, o que as le a a ques iona á ias ezes os adul os. No ge al, es e é um g upo au ónomo, que gos a de expe imen a e de b inca li emen e, pelo que pedem á ias ezes pa a aze em de e minadas a i idades sozinhos. 21 Es e g upo es á amilia izado com a o ina da sala e do p óp io Ja dim de In ância, o que ambém é um indicado da au onomia das c ianças. De uma o ma gené ica, a o ina da sala encon a- se o ganizada essencialmen e po empos de pequeno g upo e de g ande g upo. 4.3 A o ina diá ia Como já oi e e ido acima, a sala do Ja dim de In ância onde deco eu o es ágio o ien a-se pelo modelo High/Scope e, como al, a o ina diá ia segue alguns moldes p óp ios des a abo dagem. A o ina diá ia, segundo es e modelo pedagógico, é en endida como um indicado -cha e do desen ol imen o das c ianças e le indo, po isso, o seu desen ol imen o emocional, men al e social, assim como as suas compe ências mo o as. Essa o ina de e cons i ui -se como uma o ma de p omo e a ap endizagem a i a de odas as c ianças a a és do p ocesso planea – aze – e e . É na aplicação des e p ocesso que as c ianças demons am ao educado as suas in enções. A o ina con empla semp e empos em pequenos g upos e em g ande g upo. A o ina em um ca á e lexí el, de endo se ajus ada a cada dia de o ma a melho se i os in e esses das c ianças e a acili a as suas ap endizagens. 9h20-9h30 Acolhimen o das c ianças na sala 9h30-10h30 Tempo de g ande g upo/A i idades lúdico-educa i as 10h30-11h30 Tempo de ec eio 11h30-12h00 A i idades lúdico-educa i as 12h00-14h00 Tempo de almoço 14h00-16h00 Tempo de pequeno g upo/A i idades lúdico-educa i as Tabela 1 - Ap esen ação gené ica da o ina diá ia em con ex o P é-escola A o ina diá ia des e g upo começa com o acolhimen o, no á io, que acon ece en e as 9:00h e as 9:20h da manhã. De seguida, as c ianças di igem-se à casa de banho pa a aze em a sua higiene an es de en a em na sala. Já na sala, as c ianças sen am-se na man a e o che e do dia começa a ma ca as p esenças, a indica qual o dia da semana e qual é o es ado de empo. Depois can a-se uma canção dos bons dias (que é escolhida pelo che e), seguindo-se uma con e sa em g ande g upo e a escolha das á eas po pa e das c ianças, ou seja, cada c iança planeia o local pa a onde que i e o que ai aze nesse local. Pos e io men e, cada c iança b inca li emen e na(s) á ea(s) onde que e, po ol a das 10:20h, di igem-se pa a a casa de banho, pa a la a em as mãos an es do lanche. Uma ez no 22 e ei ó io, cada c iança come o lanche e quando acaba di ige-se pa a o ec eio, onde pe manece a é às 11:30h. Quando acaba a ho a do ec eio, as c ianças são conduzidas no amen e à casa de banho e, depois, eg essam à sala. Po ol a das 12:00h, as c ianças di igem-se no amen e pa a o e ei ó io pa a almoça em. Da pa e da a de, en e as 14:00h e as 14:30h, as c ianças ol am a en a na sala e azem o elaxamen o, is o é, a educado a coloca uma música elaxan e e os meninos dei am-se na man a com os olhos echados e espi am calmamen e, seguindo as ins uções da p óp ia educado a. Depois do elaxamen o há no amen e um empo de con e sa em g ande g upo, seguido de b incadei a nas á eas de in e esse especí ico ou da ealização de alguma a i idade p opos a pela educado a. Po im, po ol a das 16:00h, as c ianças di igem-se no amen e ao e ei ó io pa a o lanche da a de. 5. Ca ac e ização do con ex o do 1º Ciclo do Ensino Básico 5.1 A ins i uição A ins i uição onde deco eu o es ágio do 1º Ciclo do Ensino Básico si ua-se na cidade de B aga, numa eguesia mui o p óxima de locais com in e esse a qui e ónico, his ó ico e social, num con ex o socioeconomicamen e a o ecido. De aco do com o P oje o Educa i o do Ag upamen o de Escolas a que pe ence es a ins i uição, a comunidade escola o ien a-se pa a o abalho colabo a i o en e escolas e comunidade local. O P oje o Educa i o da EB1 e e e que nas ins i uições que compõem a comunidade educa i a se p omo e uma cul u a de pa icipação que en ol e “pais e enca egados de educação, alunos, docen es, assis en es ope acionais e ep esen an es da comunidade educa i a”. Em e mos me odológicos, des aca, ainda, que es a ins i uição p i ilegia p á icas pedagógicas que p omo am “a pesquisa e a e lexão, a comunicação e o abalho de p oje o”. O espaço escola oi sujei o a ob as de equali icação no ano de 2018 sendo, po isso, um espaço no o e bas an e amplo. O edi ício escola ap esen a dois pisos, en e os quais es ão epa idas 10 salas de aulas, salas de apoio indi idualizado e salas de abalho de p o esso es. Nes e edi ício, pode-se ainda encon a um amplo e ei ó io, á ias casas de banho, uma biblio eca, uma ep og a ia, á ios caci os e uma unidade de apoio a c ianças com au ismo. O piso supe io es á acessí el, que po meio de escadas, que po ele ado , o que acili a a mobilidade de c ianças com di iculdades mo o as. O espaço ex e io é bas an e amplo, em um campo de jogos, um ingue e uma á ea el ada de amanho conside á el. Quando as condições me eo ológicas são ad e sas, e as c ianças não 23 podem acede ao espaço ex e io da ins i uição, êm ao seu dispo uma pequena á ea cobe a onde pode ão es a du an e o in e alo. A sala de aulas onde deco eu a in e enção localiza-se no anda supe io do edi ício. É um local acolhedo , simples e bem iluminado, dispondo de um quad o in e a i o e um compu ado . As sec e á ias encon am-se o ganizadas em o ma de “U” e as pa edes es ão deco adas com alguns pos e s e placa es que se elacionam com os con eúdos que es ão a se lecionados no momen o. Es a sala possui ainda uma pequena bancada com uma o nei a, com espaços de a umação na pa e de baixo. 5.2 Ca ac e ização da u ma O Es ágio do 1º Ciclo deco eu com uma u ma do 4º ano do Ensino Básico, compos a po 22 alunos, 13 do sexo masculino apazes e 9 do sexo eminino apa igas. Um desses alunos es á sinalizado como aluno com Necessidades Educa i as Especial (NEE) e ês alunos equen am o apoio, como o ma de colma a as di iculdades que ap esen am. Es e g upo de c ianças em sido acompanhado pela mesma docen e desde o 1º ano e, po esse mo i o, é pe ce í el que odas elas se conhecem bem, e idenciando-se o espí i o de en eajuda. Es a é uma u ma bas an e calma que demons a e adqui ido compe ências no âmbi o do ‘sabe se ’ e do ‘sabe i e ’, uma ez que odos sabem ou i e espei a opiniões e ideias di e en es das suas. Es es alunos demons am, ainda, se em bas an e pa icipa i os e en ol em-se em a i idades p opos as pela escola, mas ambém p opos as no seio da p óp ia u ma. É equen e obse a que algumas c ianças ap o ei am os in e alos pa a ealiza em pesquisas de assun os que lhes despe am cu iosidade, cons uindo ap esen ações pa a pa ilha em com a u ma as suas descobe as e os seus in e esses. Po im, des aca-se a au onomia e esponsabilidade des a u ma e a capacidade de iden i ica em dú idas e di iculdades, sem eceio de as expo em pe an e a p o esso a e os es an es colegas. 5.3 O ganização do empo le i o A o ganização do empo des a u ma es á di idida en e as á eas cu icula es de Po uguês, Inglês, Ma emá ica, Es udo do Meio e Exp essões A ís icas e Físico-Mo o as. Pa a além disso, az ambém pa e da componen e le i a o Apoio ao Es udo e a O e a Complemen a - Iniciação à P og amação. 24 Ho as 2ª ei a 3ª ei a 4ª ei a 5ª ei a 6ª ei a 9h00 – 9h30 Po . Ma . Inglês Ma . Po . 9h30 – 10h00 Po . Ma . Inglês Ma . Po . 10h00 – 10h30 Po . In e alo A.E. Ma . A.E. 10h30 – 11h00 In e alo Po . In e alo In e alo In e alo 11h00 – 11h30 Ma . Po . Po . Po . Ma . 11h30 – 12h00 Ma . Po . Po . Po . Ma . 12h00 – 12h30 Ma . A.E. Po . Po . Ma . 12h30 – 14h15 Almoço 14h15 – 14h45 E.M. E.M. Ma . E.M. Exp. 14h45 – 15h15 E.M. E.M. Ma . E.M. Exp. 15h15 – 15h45 Exp. Exp. Ma . Exp. Exp. 15h45 – 16h30 In e alo 16h30 – 17h00 Inglês RMC/EA O.C./TIC EA AFD 17h00 – 17h30 Inglês RMC/EA O.C./TIC EA AFD Tabela 2 - O ganização do ho á io da u ma A componen e le i a pe az um o al de 25 ho as semanais e, embo a lexí el, p ocu a segui a o ganização ap esen ada na abela an e io . A componen e não le i a (in e alo) ocupa, no ho á io dos alunos, um o al semanal de 2h30. 25 CAPÍTULO III – PROJETO DE INVESTIGAÇÃO E INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA 1. A in e enção em Con ex o P é-escola A obse ação das c ianças, no con ex o de p é-escola , pe mi iu-nos, al como já an es e e ido, conhecê-las e pe ceciona os seus in e esses e mo i ações. As a i idades desen ol idas o am pensadas e plani icadas semp e em unção do seu in e esse, a a és de con e sas indi iduais ou em g ande g upo e no decu so de a i idades que iam sendo desen ol idas. Nesse sen ido, passa emos a ap esen a aquelas que en endemos e em sido mais signi ica i as. 1.1 “Como chega a água às nossas casas?” Em sessões an e io es, e ao abalha o p oje o de u ma “Poupa água, poupa”, du an e o empo de discussão em g ande g upo as c ianças e ela am e cu iosidade em sabe como é que a água chega a nossas casas. Nesse sen ido, e de o ma a sa is aze a sua cu iosidade, decidiu-se explo a es a emá ica na ho a do con o. As OCEPE (2016) des acam a impo ância de o educado p omo e a pa ilha e a p ocu a de “explicações pa a enómenos e ans o mações que obse a no meio ísico e na u al” (Sil a, 2016, p. 91). Como al, p ocu ou-se seleciona e explo a uma ob a de Li e a u a pa a a In ância cujo ema se adequasse aos in e esses demons ados pelo g upo de c ianças e acili asse a comp eensão e a ep esen ação do Ciclo U bano da Água, p omo endo, assim, o p ocesso de ap endizagem das c ianças. Um dos meus obje i os de in e enção p endia-se com a aquisição, cons ução e adequação de di e sos ma e iais pa a a dinamização da ho a do con o. Nesse sen ido, decidi in oduzi a ‘caixa dos con os’, p ocu ando, simul aneamen e, esol e um dos p oblemas que pe cebi exis i , a a és da minha obse ação, no início do es ágio, que se p endia com o ac o de as c ianças não consegui em es a a en as a ou i um con o do início ao im. Começou-se a a i idade deba endo, du an e algum empo, os emas explo ados na semana an e io , elacionados com a água, de modo a que as c ianças pudessem iden i ica o que já sabiam sob e o ema ago a p opos o. Du an e a con e sa oi, ambém, possí el e le i com o g upo ace ca dos e ei os da ação humana na na u eza (Sil a, e al., 2016), nomeadamen e, quais os compo amen os humanos que p o ocam o despe dício da água e como é que se podem co igi esses compo amen os. 26 Depois des e momen o, in oduzi na dinâmica da sala a ‘caixa dos con os’. A ‘caixa dos con os’ o nou-se uma das e amen as pa a melho a a ho a do con o e uma es a égia pa a p omo e a sua uição de o ma mais lúdica. Foi cons uída a pa i de uma caixa de sapa os e e es ida com papel dou ado, de o ma a assemelha -se a uma a ca do esou o. P e endia, assim, que semp e que as c ianças issem a ‘caixa dos con os’, na man a ou em cima da pequena mesa que exis ia na á ea da lei u a, pe cebessem que aquele e a o momen o do con o e que, po an o, icassem cu iosos sob e o que i iam escu a . Assim, quando as c ianças saí am pa a o in e alo, coloquei a ‘caixa dos con os’ em cima da pequena mesa que es a a em en e à man a. Quando as c ianças eg essa am do in e alo e se sen a am na man a, ica am mui o admi adas com aquele obje o e pe gun a am imedia amen e “o que é aquilo?”. Respondi que lhes inha azido uma su p esa e coloquei a caixa sob e as pe nas. Ao ab i a ‘caixa dos con os’, e i ei do seu in e io uma ca a que dizia “Sala 3”. Desc e e ei, no egis o que se segue, o que acon eceu nessa manhã. Depois do in e alo da manhã, no empo ese ado ao con o, comecei po dize às c ianças que inha uma su p esa pa a elas: - “Hoje ouxe- os uma su p esa! É uma caixa mui o especial… é a caixa dos con os!” - disse eu, com a caixa pousada sob e as pe nas. As c ianças ica am mui o cu iosas e pedi am-me logo que ab isse a caixa pa a sabe em o que es a a no seu in e io . Depois de ab i a caixa, as c ianças pe cebe am que ha ia uma ca a lá den o. - “É uma ca a! O que é que diz?”, pe gun a p on amen e a Leono . Mos ei-lhes o en elope, explicando que a ca a lhes e a di igida, uma ez que es a a esc i o “sala 3”, e comecei a lê-la. - “Vamos e o que diz aqui”, disse eu, passando de seguida à lei u a do seu con eúdo. – “Amiguinhos da sala 3, eu sou a caixa dos con os. Semp e que me i em na man a signi ica que ão ou i um con o. Es e momen o é mui o impo an e, po isso, êm de aze silêncio e p ecisam de es a com mui a a enção. O con o que ão ou i hoje ai ala - os ace ca da água. Espe o que gos em! A é à p óxima, a caixa dos con os”. Regis o do dia 29 de no emb o de 2019 27 Figu a 1 - A caixa dos con os No inal da lei u a da ca a, as c ianças es a am eu ó icas e cu iosas pa a sabe em qual e a, a inal, o con o que ia se na ado. Finalmen e, ap esen ei ao g upo a ob a Chape, Chape, Chape! da au o ia de Mick Manning e B i a G ans öm (c . Anexo 1). Es e li o explo a concei os elacionados com a água, à medida que as duas pe sonagens p incipais, um apaz e o seu cão, emba cam numa iagem à descobe a do ciclo da água. Num p imei o momen o, o li o abo da aspe os elacionados com o Ciclo (Na u al) da Água (c . Anexo 2) e, à medida que o con o ia sendo na ado, as c ianças iam comen ando sob e o que já sabiam ace ca do assun o. Du an e es e momen o, oi in e essan e pe cebe que as c ianças aziam associações en e o que iam ep esen ado na ob a e o mu al ace ca da água que ha iam cons uído an e io men e. 28 Enquan o apon a a pa a a pequena imagem do can o da página 8, ques ionei: “o que se á que es e desenho que dize ?”. Ao analisa aquilo a que me e e ia, o Dinis a i mou que “ele [o sol] manda aios com calo e aquece a água”. “O que é que acon ece à água quando ica quen inha?”, pe gun ei. Algumas c ianças do g upo disse am que a água “sobe” e ou as a i ma am que “sobe p’ as nu ens”. Regis o do dia 29 de no emb o de 2019 Em seguida, o li o ai mos ando, de o ma simples, o aje o que a água ai pe co endo na Na u eza a é chega às nossas casas (Manning e al., 2008, p. 17- 21). Escu ando a desc ição desse aje o e ap eciando, em simul âneo, as ilus ações do con o, as c ianças, pela sua expe iência de explo ação do mundo en ol en e, o am econhecendo alguns ins umen os e obje os u ilizados pa a a mazena e conduzi a água a é às suas casas, como, po exemplo, ba agens, ubos, o nei as. No inal da ob a encon amos um “Mapa da Água” ( ibidem, p. 28-29) (c . Anexo 2) que e a a os Ciclos Na u al e U bano da Água. Es e mapa é acompanhado pela exp essão “Temos de e mui o cuidado e conse a a água limpa – odos nós p ecisamos dela pa a nos man e mos i os!” ( ibidem , p. 28). Escu ando es a ase, o g upo começou um pequeno diálogo em que apon ou as á ias o mas de poupa água que o am ap endendo à medida que se ia alando des e ema. “Ago a emos aqui o mapa da água”, e e i à medida que i a a a página. Depois de con empla em es as páginas, di igi-me às c ianças no amen e: “Aqui diz que, « emos de e mui o cuidado e conse a a água limpa – odos nós p ecisamos dela pa a nos man e mos i os!»”. – “É! Temos de poupa água, não é?”, lançou a Leono . – “Isso mesmo”, e e i. – “É ácil”, disse p on amen e o Rod igo, “ emos de echa a o nei a”. – “E [ aze ] aquilo do banho pa a dei a na sani a” disse o Dinis. (O Dinis e e ia-se à colocação da água ia que sai do chu ei o, enquan o se espe a que a água saia quen e, num ecipien e, pa a que depois possa se u ilizada, em ez de se ca ega no bo ão do au oclismo). Regis o do dia 29 de no emb o de 2019 Assim, a a és da explo ação des a ob a oi possí el as c ianças ossem “comp eendendo a sua posição e papel no mundo e como as suas ações podem p o oca mudanças nes e” (Sil a e al ., 2016, p. 85). 29 Depois da lei u a do con o e e minado, oi suge ido às c ianças que comple assem o mu al ace ca da água com os no os conhecimen os adqui idos. Des e modo, algumas das c ianças jun a am- se pa a c ia em elemen os pa a o seu mu al. Figu a 2 - Mu al ace ca da água No inal des a a i idade, e já num momen o de e lexão, cons a ei que du an e a na ação do con o pode ia e ap o ei ado melho a “musicalidade” do li o, ou seja, pode ia e ap o ei ado as epe ições da exp essão “Chape, chape, chape!” pa a en ol e de uma o ma mais lúdica as c ianças no con o, de o ma a p omo e a escu a a en a e e i a dis ações. Pode ia, po exemplo, e pedido pa a que as c ianças ba essem palmas ou ba essem com o pé no chão semp e que ou issem es a mesma exp essão. A expe iência pe mi e-nos ap ende e a ap endizagem ambém se az pela cons a ação e e lexão sob e aquilo que podemos melho a na nossa p á ica de in e enção pedagógica. 1.2 “A elhinha que comeu os en ei es de Na al” Es a a i idade oco eu du an e a semana em que o g upo de c ianças começou a abo da a emá ica do Na al. Como a ‘caixa dos con os’ inha ido um esul ado ão posi i o na a i idade an e io , decidi con inua a u ilizá-la, ambém, nes a a i idade. Assim, quando chegou a ho a de na a o con o coloquei a caixa na man a e pe gun ei às c ianças se sabiam o que signi ica a e ali aquela caixa. Ao ques ioná-las p e endia a e igua se as c ianças inham pe cebiam que a p esença daquele obje o indica a que inha chegado o momen o de ou i um con o e que compo amen o de e iam ado a no momen o de ou i o con o. Algumas c ianças assegu a am que iam ou i um con o e o Gab iel a i mou – “ odos êm de es a mui o a en os”, sendo seguido pela Ma ga ida, que ac escen ou: - “pa a ou i mos bem a his ó ia”. 36 Figu a 7 - Os Reis com as joias Figu a 8 - A o e a dos p esen es dos Reis ao Menino Jesus Ao longo de odo es e segundo momen o, as c ianças es i e am en ol idas em exe cícios que desen ol iam a sua “ esis ência, o ça, lexibilidade, elocidade e a des eza ge al” (Sil a, e al., 2016, p. 44). Da pa e de a de, em con e sa com as c ianças, algumas delas pe gun a am insis en emen e se i iamos con inua a “ginás ica dos Reis” e quando a e apeu a da ala en ou na sala de a i idades as c ianças disse am-lhe, mui o di e idas, que da pa e de manhã inham sido os Reis e que le a am “p endas à p o esso a C., que ez de Menino Jesus”. 37 1.4 “O cabide das imas” Es a a i idade pa iu da plani icação de a i idades elacionadas com o In e no e oi esul an e do in e esse demons ado pelas c ianças ace ca dos pinguins, em semanas an e io es, enquan o cons uíam o “Mapa de Concei os de In e no”. Du an e o empo des inado à ho a do con o, e en ando adequa os emas ao in e esse mani es ado an e io men e, a Educado a e eu decidimos da a conhece às c ianças uma pequena lengalenga ace ca do pinguim, o qual ap esen amos em seguida. O Pinguim O Pinguim gos a de mim O Pinguim anda assim O Pinguim gos a de pudim O Pinguim gos a de amendoim É o Pinguim Joaquim? Não, é o Pinguim Se a im! Coi adinho! O Pinguim az a chim, a chim (Au o Desconhecido) Dis ibuímos amendoins pelas c ianças pa a que, enquan o líamos o poema, ambém elas pudessem come o mesmo que o Pinguim Se a im. Tinha planeado desa ia as c ianças a cons uí em imas. Con udo, nem oi necessá io pedi que o izessem, uma ez que à medida que iam comendo, iam dizendo “pala as que são pa ecidas” com pinguim. Es a in e ação o al acili a o desen ol imen o da p odução linguís ica das c ianças (Sil a, e al., 2016), assim como, a o ece o ala gamen o do ocabulá io. O ac o de e sido u ilizado um poema e, a pa i daí, as c ianças e em encon ado imas, c iou uma pon e en e a ap endizagem e a abo dagem lúdica. Nes e caso, as OCEPE (2016) e e em que, de ac o, “as c ianças en ol em-se equen emen e em si uações que implicam uma explo ação lúdica da linguagem, demons am o p aze em lida com as pala as, in en a sons, e descob i as suas elações” (Sil a, e al ., 2016, p. 64). Pa a além das imas acabadas em “im”, o g upo começou a encon a no as pala as que ima am umas com as ou as. Assim, endo o seu en usiasmo, começámos a apon a odas as pala as que as c ianças iam dizendo. A u ilização da o ma poé ica/ do ex o poé ico, o nou-se assim, “um meio de descobe a e de omada de consciência da língua” (Sil a, e al., 2016, p. 64). Depois, 38 ap o ei ando es e momen o pe gun ei às c ianças: “o que acham se c ia mos um local pa a coloca pala as que imam?” Responde am que sim e ainda suge i am que esse local osse “ao lado das pin u as dos locos de ne e”. Su giu, assim, o cabide das imas. O cabide das imas oi cons uído a pa i de um cabide e es ido com ecido colo ido, onde pendu ámos pequenas i as de ecido e molas de madei a, e oi colocado na pa ede no local p opos o, an e io men e, pelas c ianças. Pa a além do cabide, a ixámos ambém o poema o iginal que deu o igem a odas as imas elabo adas pelas c ianças. Po im, pedimos que as c ianças co assem pequenos pedaços de papel e con idámo-las a copia em pa a cada papelinho as pala as que inham suge ido pa a as imas, as quais se iam, pos e io men e, pendu adas com uma mola no cabide. Figu a 9 - C ianças a copia em as pala as que encon a am 39 Figu a 10 - O cabide das imas Em jei o de balanço, cons a ámos que ao longo de odo o p ocesso de in e enção e in es igação hou e uma maio a luência das c ianças à “á ea da biblio eca”, a qual e a pouco equen ada ou apenas u ilizada como espaço de cons ução de jogos. A ce a al u a, mui as c ianças passa am a “le ” li os. Um aspe o que se o nou pa icula men e in e essan e oi pe cebe que as c ianças imi a am a o ma de con a dos adul os. Vejamos o exce o seguin e. «… enho no ado que, cada ez mais, a Bea iz p ocu a es a na “á ea da biblio eca”. Hoje, an es do in e alo, es a a sen ada na man a a aze cons uções com legos com o Dinis e o Ma cos, quando a i sai da mesa onde es a a a aze um desenho e a di igi - se pa a a biblio eca. Sen ou-se e olhou pa a a es an e. Num ins an e le an ou-se, pegou num li o, Ped o e os bombons , e chamou a Leono que es a a a “ aze um lanchinho”. A Leono oi e com a Bea iz sen ando-se ao lado dela. Es a úl ima, encos ando o li o ao co po com a capa i ada pa a a Leono , disse: - “o que ês aqui?” (apon ando pa a o cão ep esen ado na capa). - “É um cão, não é?”. A Leono ges icula que sim com a cabeça. - “P on o! Vou- e le a his ó ia”» Regis o do dia 8 de janei o de 2020 40 O maio en ol imen o das c ianças com as ob as de Li e a u a pa a a In ância, passando a ha e maio explo ação das ob as disponí eis e maio núme o de “lei o es”, oi um aspe o bas an e g a i ican e. Mui as c ianças con ida am-me, inclusi amen e, pa a escu a as suas lei u as; ou as, de ez em quando, pediam-me pa a lhes le um ou ou o li o. 2. A In e enção em Con ex o de 1º Ciclo do Ensino Básico As a i idades que se seguem o am implemen adas du an e o empo de con inamen o impos o pelo Go e no no início de ma ço de 2020. Após um longo pe íodo sem con ac o com a p o esso a coope an e e sem a u ma, em meados de ab il ol ei ao es ágio na modalidade de ensino à dis ância. Es a no a o ma de ensino oi implemen ada com algumas di e izes impos as pelo Ag upamen o de Escolas e que, de ce o modo, di icul a am o con ac o com os alunos e, consequen emen e, a ealização de a i idades. Re i o-me, especialmen e, à ca ga ho á ia semanal des inada a sessões sínc onas, que icou eduzida a uma ho a semanal, à sex a- ei a. Su gi am, ainda, alguns cons angimen os que ie am e idencia e acen ua di e enças sociais en e alunos, uma ez que alguns deles não inham qualque apa elho ele ónico que lhes pe mi isse man e con ac o com a u ma e assis i à aula sínc ona. Pa a além dos aspe os já ap esen ados, alguns alunos inham de pa ilha equipamen os e espaços de es udo com ou os memb os do ag egado amilia , o que di icul a a a sua pa icipação nas a e as p opos as. Tendo em conside ação odas as limi ações, e na en a i a de ecupe a alguma no malidade pa a os alunos, oi cons uído um ho á io de es udo de modo a que os alunos ealizassem as a e as de o ma assínc ona, a iculando-se com as aulas da ele isão (#Es udoEmCasa) e com a aula sínc ona semanal. Rela i amen e à pla a o ma u ilizada pa a en io de ma é ias e pa a diálogo en e a u ma, oi u ilizada a Google Class oom . Logo que i e acesso a es a pla a o ma p ocu ei sabe quais e am as opiniões e as di iculdades que os alunos mani es a am ela i amen e ao ensino à dis ância (adian e designado como E@D), pa a que, com base nessa in o mação, osse mais ácil pe cebe quais e am as necessidades e os in e esses dos alunos e, de alguma o ma, planea a i idades que pudessem i ao encon o dessas mesmas necessidades e in e esses. Assim, ap esen amos, em seguida, alguns comen á ios esc i os po alguns alunos da u ma, em momen os dis in os, que demons am as suas imp essões iniciais ela i amen e aos p imei os dias de E@D. 41 - “Olá a odos! Tenho mui as saudades da u ma! Beijos pa a odos!” - “Bom dia a odos! Es i e a assis i à aula na TV e gos ei mui o. No en an o, achei a imagem do ho á io um pouco pequena e não consegui pe cebe as ho as que es a am lá egis adas (aula de Ma emá ica). Também achei que de e iam ala mais ápido e mos a as imagens du an e mais empo”; - “P o esso a, as aulas de hoje o am uma seca”; - “Olá p o esso a. Sem dú ida que as nossas aulas são mui o melho es! [que as aulas da ele isão]. Mas é melho que nada…” Regis os do dia 20 de ab il de 2020 Tendo em conside ação as opiniões que os alunos o am pa ilhando na pla a o ma e algumas indicações da p o esso a coope an e sob e a al a de compa ência nas sessões sínc onas e a al a de pa icipação dos alunos nas a i idades que a mesma p opunha, en ei, de alguma o ma, pensa numa a i idade com um ca á e mais lúdico e dinâmico pa a os alunos, p ocu ando p omo e a in e ação en e eles, a a és da pla a o ma, de modo p aze oso. P e endia, assim, que os alunos i essem libe dade pa a pa ilha , comen a e dialoga ace ca das a e as ealizadas po cada um. Pa a além de udo isso, plani iquei a i idades especialmen e elacionadas com a “Ho a do Con o pa a que, mesmo de o ma assínc ona, pe mi i que os alunos me conseguissem e , p ocu ando, desse modo, consegui despe a o seu in e esse pela na ação de con os. Vá ios es udos êm demons ado que quem ganhou o gos o de le e e li os ao alcance da mão, em casa, ou numa biblio eca p óxima… mas sob e udo, e e, quase semp e, alguém que lhe con asse e/ou lesse his ó ias… Alguém que desse oz ao li o. (Rolo e Sil a, 2009, p. 120) Acima de udo, que ia se eu esse “alguém que dá oz ao li o”. E oi, assim, que su giu a a i idade “M” de Mãe (c . Apêndice 5), a qual passa ei a desc e e , em seguida. 2.1 «M» de Mãe Es a a i idade oi a p imei a a i idade ealizada na modalidade de ensino à dis ância. Como o Dia da Mãe se es a a a ap oxima , es a a e a consis iu na ealização de um minili o com pequenas imas pa a o e ece às mães nesse dia. 42 Du an e a plani icação des a a e a i e um especial cuidado na escolha da ob a que ia na a , uma ez que não e a possí el a in e ação com os alunos, nem a discussão e diálogo/colocação de ques ões ace ca da ob a. Como al, a ob a e ia de con e um ex o simples e de ácil in e p e ação. Decidi, en ão, u iliza a ob a Pê de Pai, de Isabel Minhós Ma ins e Be na do de Ca alho (c . Anexo 4). Num p imei o momen o, g a ei um ídeo onde con ei o con o Pê de Pai , que se cons i uiu como ex o-modelo pa a os li inhos que os alunos de e iam cons ui . Fiz a g a ação do con o com alguma ap eensão e com eceio que as c ianças não se iden i icassem com es a no a o ma de in e ação. Con udo, es a a dispos a a en a en ol ê-las e mo i á-las pa a pa icipa em na ealização das a i idades p opos as e o ídeo pa eceu-me uma solução iá el. Como al, nos p imei os minu os da cu a me agem comecei po me di igi aos alunos da seguin e o ma: - “Olá a odos! Espe o que es ejam odos bem. Es ou com imensas saudades ossas e en ão decidi aze - os es e pequeno ídeo pa a os con a uma his ó ia. No inal, enho um desa io pa a os p opo !”. Depois iz a ap esen ação da ob a e dos seus au o es, passando pa a o con o da mesma. Te minei o ídeo, lançando às c ianças o desa io a que me e e i no início: “es e é um desa io elacionado com o dia da mãe”, disse, “gos a a que cons uíssem um li inho pa a o e ece em à mãe, inspi ado no con o que acaba am de ou i . Vou, en ão, mos a - os como”. Depois, g a ei um ou o ídeo com as ins uções de alhadas sob e o modo como os alunos pode iam cons ui o seu p óp io li o e quais os ma e iais que pode iam u iliza . Quan o aos ma e iais, en ei ce i ica -me que se iam apenas os que, comummen e, odos emos em casa, uma ez que o con inamen o não acili a a quaisque deslocações. Nes e segundo ídeo comecei po ap esen a às c ianças os ma e iais necessá ios pa a a cons ução do minili o: - “ ão p ecisa de lápis e bo acha, de um ag a ado (ou en ão i a-cola caso não enham ag a ado ), de uma olha de papel, de lápis de co ”. Em seguida, aconselhei as c ianças a escolhe em as pala as que melho ca ac e izassem as suas mães e com elas cons uíssem imas, como, po exemplo, mãe o e/mãe supo e, à semelhança do que acon ece na ob a an e io men e ap esen ada. Tendo encon ado/ o mado as imas, o p óximo passo se ia cons ui o li o a pa i da olha de papel: - “quando i e em a ossa olha, de em dob á-la ao meio e co á-la pela dob a. Depois, pegam numa das me ades e dob am-na no amen e ao meio e co am pela dob a (…). Ago a epe em o mesmo p ocesso com a ou a me ade da olha. Pa a que o nosso li o não se desmon e, amos ag a a po aqui (mos ando o que es a a a aze ).” 43 Po im, ap esen ei o úl imo passo des e desa io – ilus a os li os. Pa a al, ap esen ei um pequeno li o que ha ia ilus ado, an e io men e, como o ma de exemplo. Pa a acili a a o ganização e sis ema ização da in o mação con ida nos ídeos, cons uí um pan le o (c . Anexo 6) com ins uções especí icas pa a a ealização da a i idade e com o exemplo de minili o cons uído po mim (c . Anexo 5). Coloquei odo o ma e ial de apoio na pla a o ma e disponibilizei-me pa a escla ece qualque dú ida que os alunos pudessem e . In elizmen e a pa icipação dos alunos nes a a i idade oi bas an e baixa; apenas qua o alunos subme e am os seus abalhos na pla a o ma. Con udo, penso que es es núme os não de em se is os como um esul ado nega i o, pois o momen o e as condições em que oi p opos a a ealização da a i idade e am comple amen e no os pa a odos, o nando o con ex o de comunicação bas an e excecional. Re le indo um pouco mais ace ca des a a i idade, podemos a i ma que o ac o de e sido ealizada à dis ância colocou alguns en a es à pa icipação dos alunos. O ac o de a a i idade e sido ap esen ada e explicada aos alunos de o ma assínc ona (de ido às condições impos as pelo Ag upamen o de Escolas) não me pe mi iu pe cebe as e en uais dú idas dos alunos, nem a alia as suas eações (posi i as ou nega i as) à a i idade p opos a. Pa a além des es aspe os, não oi possí el auscul a os seus in e esses e inco po a as suas suges ões. Tendo em con a udo is o, pe cebi que es a ap esen ação a a és de ídeo, embo a pe mi isse que as c ianças me issem, não e a a o ma de con ac o ideal pa a a u ma, pois não p omo ia nem pe mi ia a in e ação. 44 Figu a 11 - Minili o cons uído po um dos alunos 2.2 “E se as Pe sonagens dos Con os T adicionais es i essem em con inamen o?” A ideia de ealiza es a a i idade su giu da pe ceção de que os alunos es a am um pouco assobe bados com a quan idade de no a in o mação ela i a aos cuidados a e pa a e i a o con ágio pandémico que odos os dias su gia. Pa a além disso, du an e a aula sínc ona semanal, as c ianças e e iam, mui as ezes, que es a am cansadas de es a em casa sem pode e os amigos e queixa am-se que não conseguiam ap ende ão bem, como podemos pe cebe pelos seus comen á ios. - “Eu não acho mui o bom (o ensino à dis ância) po que o compu ado a a, e depois não se consegue ou i (…) eu acho que a é conseguimos ap ende , mas não é assim ão 45 boa (a o ma como os alunos ap endem), e a melho se es i éssemos odos jun os”. (…) Após a p o esso a ecomenda e ea i ma a impo ância de as c ianças ica em em casa, a Bea iz ez uma ca e a. Ao e a sua eação, a p o esso a comen ou: -“Bia, não aças essa ca a… emos de ica em casa!” Regis o do dia 8 de maio de 2020 Tendo em a enção os comen á ios das c ianças e as e lexões sob e a a i idade an e io , en ei pensa numa o ma de ap esen a aos alunos uma p opos a de abalho di e en e daquelas que eles, no malmen e, ealiza am e que inham po base as a e as dos manuais escola es. Ao mesmo empo, p ocu a a p opo uma a i idade em que conseguisse pe cebe como é que as c ianças en endiam e i iam o con inamen o e odas as eg as de segu ança a ele associado. Pa a que nes a a i idade pudesse in e agi com os alunos de o ma sínc ona, alei com a p o esso a coope an e ace ca da possibilidade de u iliza uma pa e da sessão sínc ona de sex a- ei a pa a p opo a a i idade que inha pensado aos alunos. Pensei, en ão, que pode ia desa ia os alunos a eco da em um con o adicional que gos assem e a eesc e ê-lo. Con udo, es a eesc i a inha de e algumas “ eg as”, is o é, e ia de se esc i o endo em con a a si uação pandémica que se es a a a i e e, pa a isso, as pe sonagens e iam de adap a o seu compo amen o de o ma a cump i em odas as ecomendações e cuidados de segu ança p opos as pela Di eção Ge al da Saúde. De o ma a da um exemplo daquilo que se p e endia, c iei um ex o exempli ica i o com a his ó ia da Capuchinho Ve melho (c . Anexo 7). Como al, du an e uma sex a- ei a em que pude o ien a a sessão, ese ei algum empo pa a expo aos alunos a a i idade que lhes que ia p opo . Assim, depois de lhes ap esen a a p opos a, li- lhes o con o que esc e i como modelo. Pa a minha su p esa, um dos alunos icou ão con en e que me disse: - “P o esso a acho que já enho uma ideia. Posso dize ?” Respondi a i ma i amen e e ele con inuou: - “Acho que ou con a a his ó ia dos T ês Po quinhos e dize que o Lobo Mau não conseguia sop a pa a as casas po que es a a de másca a!” A in e enção des e aluno deixou-me bas an e con en e e mo i ada, pois pe cebi que conside a am a a i idade di e en e do habi ual, di e ida! No inal da sessão, ecomendei aos alunos que, caso não i essem p esen e nenhum con o, p ocu assem em li os que pudessem e em suas casas ou, en ão, que eco essem à in e ne , is o que, nes a al u a, já odos inham acesso a es a e amen a. Depois, coloquei na pla a o ma Google Class oom um guião com a desc ição da a i idade p opos a e com algumas indicações ace ca daquilo que e a p e endido que os alunos izessem (c . Anexo 8) e suge i ainda que, caso osse do seu in e esse, pode iam ilus a o seu con o. 52 o ma, a qualidade do p ocesso de ensino-ap endizagem e a possibilidade de chega a odas as c ianças. 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Aguia e Sil a, V. (1981). Nó ula sob e o concei o de li e a u a in an il in Domingos Guima ães de Sá, A Li e a u a In an il em Po ugal. Achegas pa a a sua his ó ia . B aga: Edi o ial F anciscana. Albuque que, F. (2000). A Ho a do Con o . Lisboa: Edi o ial Teo ema. Bas os, G. (1999). Li e a u a In an il e Ju enil . Lisboa: Uni e sidade Abe a. Bogdan, R. e Biklen, S. (2013). In es igação Quali a i a em Educação – Uma in odução à eo ia e aos mé odos . Po o: Po o Edi o a. Buescu, H., Mo ais, J., Rocha, M., Magalhães, V. (2015). P og ama e Me as Cu icula es de Po uguês do Ensino Básico . 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Coimb a: Almedina. pp. 9-41. 55 ANEXOS 56 Anexo 1: Capa da ob a Chape, Chape, Chape! 57 Anexo 2: Mapa de água ep esen ado na ob a Chape, Chape, Chape! 58 Anexo 3: Con o A Velhinha que Comeu os En ei es de Na al E a uma ez uma Velhinha… Boa cozinhei a, mas mui o gulosinha! Bolachas, biscoi os, docinhos azia Mas no inal, udo isso comia. Um dia, es a a quase a chega o Na al, Ficou com on ade de come algo especial… E olhem só o que ela ez, ejam lá que mal…. Comeu 1 pinhei o de Na al! No dia seguin e, não se sen iu mal, E ol ou a deseja algo especial. Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal, Comeu 2 sinos de Na al! No dia seguin e, não se sen iu mal E ol ou a deseja algo especial. Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal, Comeu 3 co oas de Na al! No dia seguin e, não se sen iu mal E ol ou a deseja algo especial. Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal, Comeu 4 laços de Na al! No dia seguin e, não se sen iu mal E ol ou a deseja algo especial. Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal, Comeu 5 meias de Na al! No dia seguin e, não se sen iu mal E ol ou a deseja algo especial, Olhem só o que ela ez, ejam lá que mal, Comeu 6 es elas de Na al! E quan o mais comia, mais lhe ape ecia A é que chegou o ma ido, que de nada sabia. - Onde es ão gua dados os en ei es de Na al? - Tenho de me p epa a , já es amos pe o a inal. Ela que ia esponde , mas não conseguia. 59 Quando ab ia a boca, só lhe saia: - Feliz Na al! Feliz Na al! Mas, a cus o, lá disse: - Comi 1 pinhei o de Na al, 2 sinos de Na al, 3 co oas de Na al, - 4 laços de Na al, 5 meias de Na al e 6 es elas de Na al…. - E o enó, as enas, o saco e as p endas? - O que é ei o delas? - Não e p eocupes! Isso não comi. - Mas oi só po que gos o mui o de i. (Con o da au o ia de Ma ia Sousa) 60 Anexo 4: Capa da ob a Pê de Pai 61 Anexo 5: Minili o “M” de Mãe 68 Apêndice 3 – “O caminho dos Reis Magos” Momen o 1 Á eas de Con eúdo Con eúdos Obje i os Desc ição da a i idade Ma e iais Tempo/O ganização do G upo A aliação Á ea de Exp essão e Comunicação (Domínio da Linguagem O al) - O alidade - Lenda  Ap esen a conceções  Con a um con o  Desen ol e a capacidade de comunica o almen e - No empo dedicado à ho a do con o, dialoga com as c ianças ace ca da emá ica que es ão a abo da du an e es a semana, is o é, o dia de Reis e a p epa ação pa a i can a as Janei as. - Depois, ap esen a às c ianças a caixa dos con os e deixa que se açam conje u as ace ca do seu con eúdo. - Num momen o seguin e, e ela às c ianças o con eúdo da caixa – nes e caso, encon a-se na caixa uma ca a, um “pe gaminho” en olado, os ês Reis Magos ei os a pa i de olos de papel higiénico e as imagens do ou o, do incenso e da mi a. - Deixa que as c ianças explo em o con eúdo da caixa e que açam possí eis pe gun as ace ca do seu con eúdo, podendo compa a as conje u as ei as an e io men e com o que se encon a a ealmen e na caixa. - De seguida, passa à lei u a da ca a ende eçada às c ianças - Num momen o seguin e, desen ola o “pe gaminho” e e ela às c ianças que i ei con a a lenda dos Reis Magos. - Como há uma g ande p obabilidade de as c ianças já e em ou ido a his ó ia, pe gun a se es as já a conhecem. Em caso a i ma i o, deixa que sejam as c ianças a con a a  Caixa dos con os  Lenda dos Reis Magos esc i a num “pe gaminho ”  Figu as dos Reis Magos  Ca a da caixa dos con os ende eçada às c ianças  Imagens de ou o, incenso e mi a - Tempo de g ande g upo - Obse ação di e a do en ol imen o das c ianças 69 his ó ia, mas em caso nega i o, con a a his ó ia às c ianças. - À medida que a his ó ia é con ada e que apa ecem as pe sonagens p incipais (Bal asa , Belchio e Gaspa ), coloca as igu as a ci cula pelas c ianças. Po im, mos a às c ianças as imagens do ou o, incenso e mi a, explicando-lhes o que são es es obje os. 70 Momen o 2: Á eas de Con eúd o Pa e da Sessã o Con eúdo s Obje i os Desc ição da a i idade Ma e iais Tempo/O ganizaçã o do G upo A aliação Á ea da Exp essão e Comunicaç ão (Domínio da Educação Física) Pa e Inicial (Aquecimen o) - Co e -Con olo do mo imen o - Iden i ica co es  Aumen a da empe a u a co po al.  Mobiliza e a icula di e sas pa es do co po. - Num p imei o momen o, in oduzi um jogo pa ecido com “O Rei manda”. Aqui há um Rei (nes e caso, a es agiá ia) que a ibui uma co ao ou o, ao incesso e à mi a (ao ou o pode se a ibuída a co ama ela, ao incenso a co cas anha e à mi a a co e de, po exemplo). - Assim sendo, os pequenos Reis, de o ma a ecolhe em es es obje os, p ecisam de es a a en os ao que é di o pelo Rei (es agiá ia), is o é, se ele disse , po exemplo, ou o, as c ianças êm de co e a é encon a um obje o ama elo. O mesmo acon ece pa a o incenso e pa a a mi a. - O jogo de e á acaba quando odas as c ianças i e em aumen ado a sua empe a u a co po al. - Nenhum - G ande g upo Obse ação di e a das c ianças 71 Pa e Fundamen al - Sal a - Co e - Equilíb io  Realiza di e en es ipos de deslocamen o s  Coo dena os mo imen os  Segui o ien ações  Cump i eg as  Domina mo imen os que implicam deslocamen o s e equilíb ios MOMENTO 1: - Nes e momen o, o g upo de e á o ma duas equipas depois, com as joias na mão, de e ão sal a ao pé coxinho e pe co e um caminho a é chega em às suas co oas, pa a lá coloca em as joias. O caminho de eg esso de e se ealizado ambém ao pé coxinho, mas des a ez com o ou o pé. MOMENTO 2: - Ago a que os pequenos Reis já en ei a am as suas co oas, de em se o ganizados em pa es. Nesse pa , uma c iança é o Rei e o ou o é o camelo. Ambos de em pe co e um caminho, mas a c iança que az de camelo de e á desloca - se com as mãos e os pés no chão, e a c iança que az de Rei, de e á acompanha a c iança que az de camelo. No caminho de eg esso aos luga es, as c ianças de em oca de pe sonagens e, po an o, de deslocamen o. MOMENTO 3: - No e cei o momen o, e de o ma a con inua em o seu longo caminho, os pequenos Reis, de em as eja , passando po baixo de uma mesa, azendo de con a que es ão a a a essa um io. - Depois, deslocando-se pé an e pé, e com as o e endas na mão, as c ianças de em en egá-las ao Menino Jesus. Momen o 1: - Legos (joias) Momen o 2: - Nenhum Momen o 3: - Mesa Momen o 1: - 2 equipas Momen o 2: - Pa es Momen o 3: - Indi idual 72 Pa e Final (Relaxamen o) - Respi ação con olada  Relaxa e alonga os músculos.  Con ola a espi ação. - Po im, ealiza-se o elaxamen o. Nes e momen o, as c ianças de em o ma uma oda e pe manece em de pé. Depois de em en a le a a sua mão di ei a à pon a do pé esque do, sem dob a os joelhos e ice- e sa. - Depois, man endo a oda, de em ica sen ados e es ica a pe nas pa a o cen o en ando alcança os pés. - De seguida, coloca as penas à chinês, jun a os pés e coloca as mãos nos joelhos, p essionado le emen e. - Po im, de em ealiza alguns exe cícios de con olo da espi ação. - Nenhum - G ande g upo 73 Apêndice 4 – “O Cabide das Rimas” Á eas de Con eúdo Con eúdos Obje i os Desc ição da a i idade Ma e iais Tempo/O ganização do G upo A aliação Á ea de Exp essão e Comunicação (Domínio da Linguagem O al) - O alidade - Esc i a - Rimas  Conhece no o ocabulá io  Desen ol e a consciência onológica  Con ac a com a linguagem esc i a  Pa i de imas pa a disc imina sons  C ia momen os lúdicos a pa i da explo ação da linguagem o al (nes e caso das imas). - Num p imei o momen o, na ho a do con o, ap esen a às c ianças o poema do pinguim. - Num momen o seguin e, pedi que iden i iquem qual é o som que se epe e sucessi amen e ao longo do pequeno poema. - Dis ibui amendoins pelas c ianças. - Desa ia as c ianças a encon em imas pa a con inua o poema, mas ambém a iden i ica ou as imas. - Enquan o as c ianças suge em as suas imas, apon a as suas espos as. - Po im, con ida as c ianças a esc e e em num pequeno papel as imas que disse am an e io men e e a colocá-las no cabide das imas. - Caixa dos con os - Cabide - Tecidos - Molas - Pedacinhos de Papel - Ma cado es - Tempo de g ande g upo - Tempo de pequenos g upos (esc i a das pala as e a sua colocação no cabide) - Obse ação di e a do en ol imen o das c ianças na escu a do poema. - Pa icipação na discussão ace ca das imas. 74 Apêndice 5 – “«M» de Mãe” Domínio Con eúdos Obje i os Desc ição da a i idade Ma e iais Tempo/ O ganização do G upo A aliação Esc i a (de aco do com os documen os P og amas e Me as Cu icula es de Po uguês do Ensino Básico e Ap endizagens Essenciais pa a o Ensino Básico) Educação Li e á ia (de aco do com os documen os P og amas e Me as Cu icula es de Po uguês do Ensino Básico e Ap endizagens Essenciais pa a o Ensino Básico) - P odução de ex o - Audição de ex o - Exp essão a a és do desenho - Escu a a i a de uma ob a li e á ia  Ou i ex os li e á ios e exp essa eações de lei u a de modo c ia i o;  Comp eende a o ganização do ex o poé ico;  Plani ica um ex o;  Desen ol e um no o ex o, com base no ex o o iginal;  T oca ideias e opiniões com os colegas. - Num p imei o momen o, os alunos de em le o guião de abalho en iado pa a a pla a o ma, seguindo as e apas de abalho nele ap esen adas: 1) Ou i a his ó ia P de Pai de Be na do Ca alho (que lhes oi en iada sob a o ma de ídeo) com a enção; 2) Reuni o ma e ial necessá io pa a a ealização do seu mini-li o; 3) Cons ui imas; 4) Cons ui o li o; 5) Ilus a da his ó ia; 6) Fo og a a o abalho e colocá-lo na pla a o ma de o ma a pa ilhá-lo com os colegas; 7) En ega o minili o à mãe. - Depois de segui as e apas ap esen adas acima, os alunos podem comen a e pa ilha ideias com os colegas de o ma a man e em a p oximidade, como se es i essem na sala de aula. - Compu ado - Vídeos explica i os - Guião de abalho - Lápis - Papel - Lápis de co /Ma cado es - Ag a ado /Fi a Cola T abalho Indi idual A aliação ei a endo em con a o en ol imen o dos alunos na ealização da a i idade. 75 Apêndice 6 - “E se as Pe sonagens dos Con os T adicionais Es i essem em Con inamen o?” Domínio Con eúdos Obje i os Desc ição da a i idade Ma e iais Tempo/ O ganização do G upo A aliação Esc i a (de aco do com os documen os P og amas e Me as Cu icula es de Po uguês do Ensino Básico e Ap endizagens Essenciais pa a o Ensino Básico) - P odução de ex o - Con o adiconal  P oduzi um ex o com ca ac e ís icas na a i as  U iliza p ocessos de plani icação, ex ualização e e isão de ex o  Usa ases complexas  Supe a p oblemas associados ao p ocesso de esc i a po meio da e isão com is a ao ape eiçoamen o do ex o  Esc e e ex os, o ganizados em pa ág a os, coesos, coe en es e adequados às con enções de ep esen ação g á ica - Num p imei o momen o, os alunos de em elemb a um con o adicional que gos em; - Depois, com base no con o que escolhe am, de em econ a a his ó ia. Con udo es e econ o em de con empla alguns aspe os: a his ó ia é passada em empos de pandemia e as pe sonagens êm de cump i as ecomendações de segu ança da DGS; - As c ianças pode ão ilus a a sua his ó ia, se assim o en ende em; - No inal, de e ão subme e os seus con os na pla a o ma Google Class oom. - Folhas - Ma e ial de esc i a -Ma e iais de desenho - Compu ado - T abalho indi idual A a aliação pode á se ei a endo em con a aspe os como: - Co e a u ilização dos elemen os de uma na a i a; - Coe ência e o ganização do ex o; -Uso de ocabulá io adequado.