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O impacto dos media na vida da pessoa com deficiência visual

Abstract

No fim do século XX, o desenvolvimento acelerado dos novos conhecimentos e das tecnologias da informação levou o mundo a uma nova era da comunicação, por meio da internet. Sabe-se que atualmente a interatividade com a internet modifica a sociedade a cada dia. Provocadas por essa constatação, percebe-se que a transformação e apropriação dos media modificaram, também, a forma dos deficientes visuais se relacionarem e comunicarem com a realidade. O presente trabalho quer analisar brevemente o conceito atribuído à midiatização digital, assumindo como contexto teórico, a transformação do paradigma sociocultural na história da pessoa com deficiência visual. Além disso, tem como objetivo não só aferir a importância da midiatização nas transformações sociais e culturais para a pessoa com deficiência visual, bem como tentar compreender e responder à pergunta: de que modo o uso cotidiano dos media impacta a pessoa com deficiência visual? Para tanto, em um primeiro momento discute-se o tema midiatização e a pessoa com deficiência visual, a partir de conceitos como paradigmas comunicacionais no contexto dos media sociais na cultura científica-tecnológica; em um segundo momento, por meio da pesquisa empírica, buscar-se-á compreender como os media afetam a vida da pessoa com deficiência visual.

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O impacto dos media na vida da pessoa com deficiência visual

Author: Gama, Valdeci Ribeiro da; Rabot, Jean-Martin; Martins, Moisés de Lemos
Publisher: Universidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Year: 2020
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/b05c1455-dc87-4662-967a-824fa82501fc/download
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O impac o dos media na ida da
pessoa com de iciência isual
Valdeci RibeiRo da Gama; Jean-maR in
Rabo & moisés de lemos maR ins
[email p o ec ed]; [email p o ec ed]; [email p o ec ed]
Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade
(CECS), Uni e sidade do Minho, Po ugal
Resumo
No im do século XX, o desen ol imen o acele ado dos no os conhecimen-
os e das ecnologias da in o mação le ou o mundo a uma no a e a da comu-
nicação, po meio da in e ne . Sabe-se que a ualmen e a in e a i idade com a
in e ne modi ica a sociedade a cada dia. P o ocadas po essa cons a ação,
pe cebe-se que a ans o mação e ap op iação dos media modi ica am, am-
bém, a o ma dos de icien es isuais se elaciona em e comunica em com a
ealidade. O p esen e abalho que analisa b e emen e o concei o a ibuído
à midia ização digi al, assumindo como con ex o eó ico, a ans o mação
do pa adigma sociocul u al na his ó ia da pessoa com de iciência isual.
Além disso, em como obje i o não só a e i a impo ância da midia ização
nas ans o mações sociais e cul u ais pa a a pessoa com de iciência isual,
bem como en a comp eende e esponde à pe gun a: de que modo o uso
co idiano dos media impac a a pessoa com de iciência isual? Pa a an o, em
um p imei o momen o discu e-se o ema midia ização e a pessoa com de-
iciência isual, a pa i de concei os como pa adigmas comunicacionais no
con ex o dos media sociais na cul u a cien í ica- ecnológica; em um segundo
momen o, po meio da pesquisa empí ica, busca -se-á comp eende como
os media a e am a ida da pessoa com de iciência isual.
Pala as-cha e
de iciência isual; media; memó ia; sen idos
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in Rodução
O p esen e abalho limi a-se às conside ações mais di e amen e as-
sociadas ao ema p opos o, a im de pe mi i uma maio comp eensão do
impac o dos media na pessoa com de iciência isual, p ocu ando, ao mes-
mo empo, não ala ga demais as on ei as dema cadas. Assim, longe de
p e ende esgo a o ema, es e abalho que se apenas uma colabo ação
e uma e lexão pessoal de cunho in odu ó io de um assun o ão denso e
complexo. Inse ido nes e con ex o midiá ico, é plausí el conside a que a
pe cepção espacial das pessoas com de iciência isual se ealiza de o ma
conc e a a pa i do a o, da audição, do ol a o e do palada . A essos à
isão, esses sen idos não ep esen am a o alidade imedia a do espaço ísi-
co, de modo que, a cons ução do espaço ísico cen ada em sensações não
isuais oco e de manei a len a. No en an o, não se pode dize o mesmo da
cons ução do espaço digi al.
Com o ad en o da in e ne , o am aos poucos sendo desen ol idas
no as e amen as de mediação pa a um público especí ico (com alguma
de iciência), mas, é cla o, que essas no as e amen as não são c iadas com
a mesma elocidade que se ecebem ino ações ol adas pa a o público i-
den e. So wa es pa a uma de e minada de iciência le am empo, dinhei o
e on ade pa a se em desen ol idos e nem semp e os nossos go e nan es
es ão dispos os a in es i no desen ol imen o de aplica i os pa a acili a
a ida de uma mino ia na sociedade. Mas hoje, alguns so wa es e apps
são desen ol idos po en idades sem ins luc a i os ou, a é mesmo, po
pessoas com de iciência que se in e essam em muda um pouco o mundo.
Exis ia há alguns anos a ás uma eno me di e ença na quan idade
de apps p oduzidas pa a o público iden e e pa a a pessoa com de iciência
isual. Hoje, as coisas es ão mudando de o ma len a, mas em uma cons-
an e. A ualmen e, é possí el no a essa di e ença. Se o ei a uma b e e
busca no Google Play, digi ando as pala as “aplica i os pa a de icien es
isuais”, os esul ados que apa ece ão se ão milha es de aplica i os, g á is
ou pagos, ol ados pa a a pessoa com de iciência isual. Mas é cla o que
não e am ão abundan es assim há alguns anos a ás.
No início da popula ização da in e ne , no inal da década de 90, os
aplica i os que exis iam e am ol ados apenas pa a compu ado es. A é po -
que as edes sem ios (wi- i, 3G e 4G) só se o na am popula es mais a de.
A popula ização das apps só oi di undida com oda a sua in ensidade a
pa i de 2008, quando su gi am as p imei as apps ol adas pa a celula es.
Hoje, as apps são e amen as de uma conside á el impo ância
pa a a ans o mação da ida da pessoa com de iciência isual e de ou as
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pessoas com de iciência. É com elas que a pessoa com de iciência isual
encon a mais uma o ma de comunica e e o mundo em sua ol a. É
mais uma e amen a ecnológica que az a mediação do de icien e com a
ex ao diná ia manei a de comunica no século XXI.
Em ace disso, os media digi ais u ilizados pela pessoa com de iciên-
cia isual co espondem aos u ilizados pelas pessoas que conseguem en-
xe ga , exce o, que há algumas modi icações necessá ias pa a ajuda na
in e a i idade. A di e ença, po an o, es á na o ma com que ambos eem
e usam essas e amen as. As pessoas que êm odos os sen idos u ilizam,
basicamen e, a isão, como p imei o con a o com as e amen as digi ais.
Embo a pa a essas pessoas seja quase impe cep í el a necessidade dos
ou os sen idos pa a o uso dos media, pa a a pessoa com de iciência isual,
o a o e a audição são de ex ema impo ância, em um p imei o momen o,
pa a a in e a i idade com os media.
Nes e a igo ap esen a-se apenas uma b e e e lexão ace ca das dis-
cussões iniciais de uma in es igação mais ampla, que es á em desen ol i-
men o, pa a a conclusão da ese de Dou o amen o em Ciências da Comuni-
cação com o ema: “Ve com os sen idos: as mídias digi ais como condição
de possibilidade pa a os de icien es isuais”. No en an o, o obje i o ge al
de oda a in es igação consis i á em comp eende , de um pon o de is a
eó ico-empí ico, uma p oblemá ica social a ual e singula : como os sen i-
dos das pessoas com de iciência isual são es imulados e a e ados pelos
media digi ais na sua in e a i idade e comunicabilidade social. Além dis-
so, p ocu a -se-á en ende os e ei os das pe cepções, sensações, memó ia
e emoções, es imuladas pelos sen idos (audição, a o, palada e ol a o) e
p o ocadas pela sociabilidade e in e a i idade midiá ica, especi icamen e,
no que diz espei o ao uni e so da pessoa com de iciência isual inse ida
nes e no o con ex o mediá ico. Po im, en a -se-á e idencia como é que
as pessoas com de iciência isual con i em e in e agem en e si com as
mais di e sas ecnologias que êm su gido, bem como e le i ace ca do
papel dos media digi ais na ealidade comunicacional das pessoas com de-
iciência isual das cidades de B aga, em Po ugal, e Munique, na Alema-
nha, p incipalmen e, nas duas p incipais ins i uições (Acapo, de B aga, em
Po ugal, e Das Blindenins i u , de Munique, na Alemanha), que abalham
di e a e indi e amen e com pessoas de icien es isuais. Desse modo, a me-
odologia u ilizada consis i á em alia e lexões eó icas, undamen adas
na lei u a e in e p e ação de ex os dedicados ao ema, com in es igações
empí icas, alice çadas no emp ego de uma me odologia de o o quali a i o.
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Po an o, o obje i o, aqui, não é um ap o undamen o no obje i o
ge al da in es igação, mas, apenas, a pa i de algumas obse ações em
cu so. T a a-se de lança um olha de e lexão pa a en a a e i a impo -
ância da midia ização nas ans o mações sociais e cul u ais pa a a pes-
soa com de iciência isual, bem como en a comp eende e esponde à
pe gun a: de que modo o uso co idiano dos media impac a a pessoa com
de iciência isual?
midia ização
Ve o mundo em ans o mações ecnológicas equen es é quase
pa e essencial da con empo aneidade, pois, a cada dia, são c iadas no as
e amen as pa a acili a a ida que, po conseguin e, a o ecem o o ale-
cimen o da midia ização.
O e mo midia ização oi aplicado, p imei amen e, ao impac o dos
meios de comunicação na comunicação polí ica, po Ken Ch is e Asp
(1986). Asp é um pesquisado sueco em Comunicação e p o esso naGö e-
bo gs Uni e si e , na Suécia.
O e mo midia ização oi aplicado, pela p imei a ez, ao
impac o dos meios de comunicação na comunicação polí-
ica e a ou os e ei os na polí ica. Asp oi o p imei o a ala
sob e a midia ização da ida polí ica, e e indo-se a um
p ocesso pelo qual um sis ema polí ico é, em al o g au,
in luenciado pelas e ajus ado às demandas dos meios
de comunicação de massa em sua cobe u a da polí ica.
(Hja a d, 2012, p 54).
Já pa a o pesquisado Jai o Fe ei a, a midia ização é uma análise do
disposi i o midiá ico, que se con igu a a pa i de ês bases conc e as: o
social, o ecnológico e a linguagem. A midia ização se ia, po an o, odos
os media que se elacionam com a sociedade, com o ecnológico e com a
linguagem (Fe ei a, 1998); já o sociólogo John B. Thompson (1995), ê a
midia ização como uma pa e in eg al do desen ol imen o da sociedade
mode na. No en an o, o dicioná io de língua po uguesa Houaiss online
ap esen a o concei o de midia ização como a ação ou o e ei o de midia i-
za ; e midia iza , po sua ez, é di undi qualque in o mação po meio dos
eículos de comunicação. Po an o, a midia ização pode se emp egada
como um p ocesso de p opagação de conhecimen o ecnológico e mudan-
ça de in e a i idade, ansi i idade e comunicabilidade po meio dos media,
conside ando as in e - elações en e a mudança comunica i a dos meios e
a mudança sociocul u al.
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o homem na cul uRa cien í ica- ecnolóGica
Como p oduções da cul u a, an o a écnica, quan o a ciência, são
inaugu adas e man idas pelo p ocesso de incidência e eincidência do e hos
sob e o bios. A cul u a obje i a o homem pa a ele mesmo (suas ideias do
mundo, de si p óp io), e a ci ilização, nas suas ealizações conc e as, ob-
je i a a cul u a, p oduzindo um dinamismo que modi ica a p óp ia cul u a.
O despon a da cul u a da azão no Ociden e e e luga no con li o en e
a sabedo ia consubs anciada no e hos da adição g ega e no no o sabe
cien í ico, ad indo da pe sc u ação da na u eza e da sua ansc ição na o -
dem da azão humana. Essa passagem do sabe à epis eme é uma das mais
p o undas e oluções da his ó ia. A pa i desse momen o, a azão lança a
as suas p e ensões de da as azões, demons a e o dena , an o o mun-
do-na u eza, quan o o mundo-humano. Assim, os e en os que oco e am
nes a cul u a da azão a é o ad en o das ecnologias o am undamen ais,
po sua ez, pa a a cons i uição de uma cul u a cien í ico- ecnológica com
p e ensões plane á ias pa a a ci ilização pos e io .
O e mo ci ilização designa, de modo ge al, um conjun o de ins i ui-
ções e o ganizações, pelas quais os elemen os cul u ais conc e os ou abs a-
os de uma sociedade são cole i amen e acionalizados e ealizados em e -
mos ma e iais e a a és da o ganização social. Uma ci ilização pode indica
um g upo amplo de cul u as, uni icado ou in eg ado sob uma ci cuns ância
his ó ica ou geog á ica, ma cado po um ce o g au de desen ol imen o
ecnológico, econômico e in elec ual (como a ci ilização omana, po exem-
plo). O e mo ci ilização apa eceu em F ança no século XVIII, quando a
pesquisa conside a a as cul u as a pa i do seu p ocesso de e olução e do
ideal iluminis a de p og esso. Na medida em que a pesquisa, a descobe a
cien í ica e a in enção écnica cons i uem a p áxis cul u al dominan e da
nossa ci ilização, cons i uímos uma cul u a ecnológica. O p og esso ma e-
ial nes a ci ilização é ealizado median e a cons ução con ínua de no os
mecanismos p odu o es de iqueza e e iciência no domínio da na u eza,
os quais são ab icados de aco do com leis e eo ias cien í icas. A ciência
o na possí el o p og esso écnico, ao mesmo empo em que é socialmen e
jus i icada po ele. Assim, o con ínuo p og esso in elec ual e cul u al da hu-
manidade inclui, e o con ínuo p og esso ma e ial exige, o p og esso an o
da ciência, como da ecnologia, indis in amen e (Knelle , 1980).
Não é aqui o luga pa a se aze um in en á io exaus i o de ais e-
oluções e ans o mações in oduzidas nos di e sos se o es das elações
do se humano com a na u eza, e en e si. E oca-se aqui, apenas, alguns
pon os ep esen a i os, pa a aumen a a pe cepção da ex ensão des as

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ans o mações no conhecimen o e nas écnicas, e das eações p o undas
que p o oca am na ida co idiana, no imaginá io e na capacidade de sim-
bolização do se humano. Se o mos à aiz des as ans o mações, pe ce-
be emos que se a a de uma econ igu ação, um e aze das o mas sim-
bólicas, não só dos mé odos e meios ma e iais de p odução e u ilização de
bens, mas, de ce os alo es p op iamen e humanos da ida, especialmen-
e, da ida cole i a, exp essa na o ganização do abalho (no as on es de
ene gia – pe óleo, sola , a ômica, e c. – máquinas, sis emas de ge encia-
men o e o ganização), na ci culação de pessoas e p odu os (au omó eis,
ens, a iões e espaçona es), nas elações cada ez mais mediadas po
algum ins umen o écnico ( e olução das comunicações, in o má ica ci-
be espaço, cibe cul u a; inclui um dec éscimo nas elações ace a ace), no
laze (cinema, ele isão, ádio, ídeo, in e ne ). En im, o imenso pode que
êm os meios ecnológicos de conquis a espaço e empo e de in luencia
plane a iamen e o pensamen o, as isões de mundo e as cul u as.
Hoje, a sociedade ecnológica não é mais a sociedade das máquinas
do século XIX e início do século XX; no século XXI, a sociedade ecnológi-
ca é a sociedade da in o mação (Ma ela , 2002), das midia izações, dos
media. Sob e udo, é a sociedade da in e ne . O p ocesso de aquisição de
no os conhecimen os, po exemplo, passa ago a pa a uma e apa em que
o a mazenamen o e con ole da in o mação o nam-se c uciais, is o que
a p odução de no os dados cien í icos es á pul e izada, mesmo que de
o ma desigual, no sis ema global público e p i ado de pesquisa e desen-
ol imen o ecnológico1.
Depois de assegu ado o domínio da na u eza nos seus componen es
mais elemen a es e do espaço- empo ( anspo es, in o mação e comuni-
cações), a in luência decisi a sob e o pensamen o es a ia mais bem asse-
gu ada, com p o undas epe cussões sob e o compo amen o humano e o
sen ido da ida. Eis que a ida humana, a é a libe dade do seu laze ou a é
o simples “ ica em casa”, es á pe passada pelos obje os écnicos e pela
lógica da écnica. Tele isão, sma phone, cinema e in e ne , po exemplo,
além de ecu sos écnicos de laze e cul u a, acaba am po pe pe a uma
e olução cul u al, na qual subme ge uma no a cul u a, a cibe cul u a, ci-
be espaço, que se o na-se a cul u a da imagem, do isual, do i ual, do
online, do conec ado e do não luga (digi alização de imagens, ilmes de
“ ealidade” i ual).
1 Es ados Unidos, Alemanha, Ingla e a, F ança, Canadá, Aus ália e Japão, p oduzi am mais de 62%
dos a igos cien í icos publicados no ano de 2002. O B asil con ibuiu com apenas 1,3% e a China
com 3,8% ( e i ado de www.mc .go .b ).
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Pe cebe-se que oda essa e olução ecnológica oi, sem sob a de dú-
ida, uma impo an e aliada pa a a ans o mação do se humano. Com es-
sas ans o mações, ambém o am bene iciados g upos especí icos, como
pessoas com alguma de iciência. Pa a esses g upos especí icos, os mais
impo an es bene ícios demo am a chega , mas quando chegam, mesmo
assim, é possí el ap o ei a algumas o mas dessas e amen as, que aju-
dam, seja na locomoção, audição, isão, in e ação, comunicação ou quais-
que ou as manei as de u ilizá-las que si am pa a i a algum bene ício
pa a a ida cul u al e social.
A pessoa com de iciência isual, hoje, pode aze uso de á ias e -
amen as pa a se o na cada dia mais independen e. Com as no as ec-
nologias, a sensação de libe dade, de au onomia, ica mais p óxima e pos-
sí el. Tudo isso se o na eal, na medida em que a pessoa com de iciência
isual desen ol e a sua capacidade de concen ação e de in e ação com os
seus sen idos, a a és dos quais, cons ói uma no a ealidade, po meio
dos con li os p o ocados em sua pe cepção e imaginação. O pesquisado
Hugo Müns e be g a i ma que a “peça cinema og á ica nos con a uma his-
ó ia humana ul apassando as o mas do mundo ex e io – a sabe , espaço,
empo e causalidade” (Müns e be g, 1991, p. 27) e ajus ando os acon eci-
men os às o mas do mundo in e io – sabe , a enção, memó ia, imagina-
ção e emoção. Dian e disso, algumas dessas sensações, es imuladas pelos
sen idos, azem com que a pessoa com de iciência isual não in e aja com
uma ealidade ine en e a nós. No en an o, es as sensações são mais sen-
sí eis e pe cep í eis pa a a pessoa com de iciência isual, que anscende
em ou a ealidade, po meio dos sen idos e das sensações. Como se es a
ealidade osse insu icien e, en ão, o imaginá io in oduz-se na ealidade,
al qual ela, e des igu a-a, in ensi ica-a, dando-lhe um signi icado no o e de
ácil comp eensão pa a as pessoas com de iciência isual.
Es es es ímulos não são um p i ilégio apenas da pessoa com de-
iciência isual. Isso só acon ece po que exis e em odo o se humano a
habilidade de en ende sen imen os, chamada de es esia. O semiólogo Al-
gi das Julien G eimas (2002), em 1978, de iniu-a como uma condição de
sen i as qualidades sensí eis exis en es e que exalam na sua con igu ação
pa a se em cap u adas, sen idas e p ocessadas, azendo sen ido pa a o
ou o. Segundo o dicioná io de língua po uguesa, es esia é a capacidade
de pe cebe sensações e sensibilidade. Po sua ez, a sensação consis e na
eação ísica do co po ao mundo ísico, que esul a na a i ação das á eas
p imá ias do có ex ce eb al. O o ganismo humano ecebe inúme os es í-
mulos, sendo que a pessoa in e p e a somen e os necessá ios. Apesa dos
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es ímulos ecebidos se em iguais pa a odos, o que muda é a pe cepção.
Na pessoa com de iciência isual, a pe da da isão es imula mais as pe -
cepções, pa a sup i-la de ce a o ma. Me leau-Pon y ap o unda um pouco
mais o ema, ao escla ece que “a ap eensão das signi icações se az pelo
co po odo: ap ende a e as coisas é adqui i um ce o es ilo de isão, um
no o uso do co po p óp io, é en iquece a eo ganiza o esquema co po al”
(Me leau-Pon y, 1994, p. 212). Po an o, pode-se conside a a es esia como
uma on e de inspi ação pa a a pessoa com de iciência isual, que usa des-
sa habilidade pa a comp eende e in e agi com os media. É exa amen e
o que suge e o pesquisado Hugo Müs enbe g nas suas pesquisas sob e
a enção, memó ia, imaginação e emoções.
sensações e sen imen os
A enção, memó ia, imaginação e emoções são concei os e mé odos
da Psicologia usados po Hugo Müns e be g pa a explica , no início do
século XX, o e ei o de ealidade que o cinema causa no espec ado e que
elemen os psicológicos são susci ados pela na a i a cinema og á ica. No
en an o, é pe ei amen e comp eensí el nos apode a mos des es concei-
os, pa a comp eende mos como es es são desen ol idos pela pessoa com
de iciência isual po meio dos sen idos.
Hugo Müns e be g e a psicólogo e p o esso de Ha a d, nascido na
Alemanha, em Danzig. Ele oi um dos pionei os a aze c í icas cinema o-
g á icas. Na sua ob a The pho oplay: a psychological s udy (1916), Müns e -
be g analisa a elação do cinema com o espec ado e os elemen os que a
sus en am, ais como a a enção, a memó ia, a imaginação e a emoção. Foi
es e au o que an ecipou a “ eo ia da ecepção”, quando explo ou o en en-
dimen o de que os ilmes p oduzem e en os men ais. Es es e en os não
es ão apenas na ela do cinema, mas ambém na men e daqueles que os
obse am e os escu am. Müns e be g usa a a enção, a memó ia, a imagi-
nação e as emoções pa a explica o e ei o de ealidade que o cinema causa
no espec ado . Seja ele pessoa com de iciência isual ou não, os e ei os são
basicamen e os mesmos, po ém com in ensidade di e en e pa a a pessoa
com de iciência isual. Pa a Müns e be g, os media nos impac am de di e-
en es manei as, mas nos a e am di e amen e na a enção, na memó ia, na
imaginação e nas emoções.
A a enção se ia uma das unções in e nas que mais c ia signi icados
do mundo ex e io . É conside ada mais undamen al, pois seleciona o que
é signi ica i o e ele an e. Müns e be g (1991) analisa a a enção de duas
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o mas: olun á ia e in olun á ia. A olun á ia é quando as imp essões pa -
em de ideias p é-concebidas. A in olun á ia é mui o di e en e da olun-
á ia. A in olun á ia in luencia di e amen e aquilo que lhe é ex ínseco, de
modo que o oco de a enção é dado pelos obje os pe cebidos. Tudo o que
mexe com os ins in os na u ais assume o con ole da a enção. A memó ia
é a nossa on e de ideias e da imaginação. A memó ia a ua ia na men e do
espec ado , e ocando coisas que dão sen ido pleno, si uando melho cada
cena, cada pala a e cada mo imen o.
Müns e be g (1991) a i ma que a memó ia se elaciona com o passa-
do e a imaginação com o u u o. O cinema agi ia de o ma análoga à ima-
ginação. Possui ideias que não es ão subo dinadas às exigências conc e as
dos acon ecimen os ex e nos, mas sim, às leis psicológicas de associações
de ideias. Assim, a memó ia pode se co elaciona com a imaginação.
As emoções podem se dis inguidas em dois g upos di e en es: de
um lado, as emoções que comunicam os sen imen os dos a o es e de seus
espec i os pe sonagens den o do ilme; do ou o lado, as emoções que as
cenas do ilme susci am no espec ado , podendo se in ei amen e di e sas,
a é mesmo as emoções exp essas pelos pe sonagens. Esses mé odos da
Psicologia usados po Hugo Müns e be g pa a explica o e ei o de ealidade
que o cinema causa no espec ado são cen ais na pe cepção do se humano.
Mas o que é que a a enção, a memó ia, a imaginação e as emoções
que Müns e be g (1991) desc e e êm a e com comunicação mediada pela
midia ização digi al e com a pessoa com de iciência isual? Na e dade,
Müns e be g mos a em seu ex o um mé odo psicológico especi icamen e
pa a o cinema, azendo compa ações en e o cinema e o ea o. Mas, se se
analisa com bas an e a enção, é possí el pe cebe e en ende que essas
écnicas desen ol idas pelo au o ambém podem se aplicadas aos no os
eículos de comunicação, mediados pela midia ização digi al, sob e udo na
in e ne . A in e ne , po sua ez, é uma dessas e amen as a que se pode
aplica pe ei amen e o que Müns e be g ap esen ou pa a o cinema.
E, como se ia aplica essas écnicas pa a pe cebe os e ei os e os im-
pac os que p o ocam na pessoa com de iciência isual? Pa a uma pessoa
de icien e isual é bas an e na u al que os subsen idos (a enção, memó-
ia, imaginação e as emoções) ge minem com mais acilidade, são mais
aguçadas e pe cep í eis, p o ocando sensações di e a nos sen idos. Essas
sensações su gem de o ma na u al pa a a pessoa com de iciência isual;
com isso, es a acaba se ap op iando de ou as o mas de e , pe cebe e
sen i o mundo, es imulando de uma o ma ins in i a os ou os sen idos,
sup indo a al a do sen ido que lhe al a.
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O impac o dos media na ida da pessoa com de iciência isual
Valdeci Ribei o da Gama; Jean-Ma in Rabo & Moisés de Lemos Ma ins
aGRadecimen os
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