Alexand a Filipa Lou ei o Cos a e Sil a
P og amas de En e magem de Reabili ação
P omo o es da Capaci ação do Cuidado
junho de 2025
P og amas de En e magem de Reabili ação P omo o es da Capaci ação do Cuidado
Alexand a Filipa Lou ei o Cos a e Sil a
UMinho|2025
Uni e sidade do Minho
Escola Supe io de En e magem
Alexand a Filipa Lou ei o Cos a e Sil a
P og amas de En e magem de Reabili ação
P omo o es da Capaci ação do Cuidado
junho de 2025
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em En e magem de Reabili ação
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Ma ia Manuela Pe ei a Machado
Uni e sidade do Minho
Escola Supe io de En e magem
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIC ES DE UTILIZAÇ O DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó io da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Ao Gabine e de Cinesi e apia Respi a ó ia, ao Se iço de Ca diologia, ao Se iço de O opedia, e ao
Se iço de Pedia ia e Neona ologia, pela opo unidade dada pa a a ealização des es es ágios de
na u eza p o issional.
A odas as equipas de p o issionais que abalham dia iamen e nes as unidades, pelo acolhimen o e
disponibilidade.
Ao P o esso Fe nando Pe onilho, à P o esso a Manuela Machado e à P o esso a Lisa Gomes, da
Uni e sidade do Minho, pela disponibilidade e o ien ações.
Às en e mei as u o as, En e mei a Paula Cos a, En e mei a Ana Ve melho, En e mei a Sand a
Mesqui a e En e mei a Sa a Du ães, pela dedicação na o ien ação e ansmissão de conhecimen os.
Pela disponibilidade demons ada e pela con ibuição pa a o desen ol imen o das minhas
compe ências, a ní el pessoal e p o issional.
Com odo o meu amo e g a idão, ao meu que ido ma ido e às minha ado adas ilhas. Ob igada po
es a em ao meu lado, pela pa ilha das minhas aleg ias e po me ampa a em nas is ezas, ao longo
des e pe cu so. Pelo apoio incondicional, pela amizade since a, pelo ca inho acolhedo e pelo amo
que semp e me o alece. E, acima de udo, pelos p eciosos momen os elizes que jun os cons uímos
e que an o me enchem a ida de signi icado.
À es an e amília, o meu since o ag adecimen o pelo apoio, pelas pala as de incen i o e pela
p esença disc e a, mas semp e sen ida. O osso ca inho oi ambém uma o ça impo an e nes e
pe cu so.
A TODOS O MEU MUITO OBRIGADA!
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
PROGRAMAS DE ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO PROMOTORES DA CAPACITAÇÃO DO
CUIDADOR
RESUMO
O en elhecimen o populacional e a c escen e p e alência de doenças c ónicas êm aumen ado a
necessidade de cuidados de longa du ação p es ados no domicílio, equen emen e assumidos po
cuidado es in o mais. To na -se cuidado de o ma inespe ada implica desa ios signi ica i os, exigindo
uma ápida adap ação. Nes e con ex o, o En e mei o Especialis a em En e magem de Reabili ação
assume um papel undamen al na capaci ação dos cuidado es, p omo endo cuidados segu os,
e icazes e humanizados.
Es e ela ó io analisa e e le e sob e as compe ências comuns e especí icas do en e mei o especialis a
em En e magem de Reabili ação, desen ol idas nos qua o con ex os do Es ágio de Na u eza
P o issional, e in eg a uma
scoping e iew
cen ada nos p og amas de En e magem de Reabili ação
que isam capaci a cuidado es in o mais. A e isão, conduzida segundo a me odologia do
Joanna
B iggs Ins i u e
e com base na mnemónica PCC (População, Concei o e Con ex o), incluiu 14 es udos
de di e sas bases de dados.
Os p og amas iden i icados, p edominan emen e implemen ados no domicílio, oca am-se em cuidados
pós-AVC, doenças ca díacas, lesões neu ológicas e dé ices no au ocuidado. As in e enções mais
e icazes combina am o ensino eó ico, eino p á ico supe isionado e apoio emocional, eco endo a
e amen as educa i as e jogos digi ais. Ve i ica am-se melho ias na uncionalidade dos u en es e na
edução da sob eca ga dos cuidado es. Os ins umen os de a aliação mais u ilizados o am a Escala de
Za i , o QASCI, a ENCS e a NACI.
Conclui-se que a capaci ação do cuidado in o mal é essencial pa a a con inuidade dos cuidados,
sendo os p og amas de En e magem de Reabili ação uma es a égia e icaz. O En e mei o Especialis a
em En e magem de Reabili ação desempenha um papel cen al na iden i icação das necessidades, na
implemen ação de in e enções e na p omoção da au onomia do cuidado e do u en e.
Pala as-cha e: capaci ação; compe ências; cuidado ; p og amas de eabili ação;
scoping e iew
.
i
REHABILITATION NURSING PROGRAMS PROMOTING CAREGIVER EMPOWERMENT
ABSTRACT
The aging popula ion and he g owing p e alence o ch onic diseases ha e inc eased he need o long-
e m ca e p o ided a home, o en by in o mal ca egi e s. Becoming a ca egi e unexpec edly poses
signi ican challenges, equi ing apid adap a ion. In his con ex , he Specialis Nu se in Rehabili a ion
Nu sing plays a key ole in aining ca egi e s, p omo ing sa e, e ec i e, and humane ca e.
This epo analyzes and e lec s on he common and speci ic compe encies o nu ses specializing in
ehabili a ion nu sing, de eloped in he ou con ex s o he P o essional In e nship, and includes a
scoping e iew ocused on ehabili a ion nu sing p og ams ha aim o ain in o mal ca egi e s. The
e iew, conduc ed acco ding o he Joanna B iggs Ins i u e me hodology and based on he PCC
(Popula ion, Concep , and Con ex ) mnemonic, included 14 s udies om a ious da abases.
The p og ams iden i ied, p edominan ly implemen ed a home, ocused on pos -s oke ca e, hea
disease, neu ological inju ies, and sel -ca e de ici s. The mos e ec i e in e en ions combined
heo e ical eaching, supe ised p ac ical aining, and emo ional suppo , using educa ional ools and
digi al games. Imp o emen s we e seen in he unc ionali y o use s and in he educ ion o ca egi e
bu den. The mos commonly used assessmen ools we e he Za i Scale, he QASCI, he ENCS, and
he NACI.
I was concluded ha he empowe men o in o mal ca egi e s is essen ial o con inui y o ca e, wi h
ehabili a ion nu sing p og ams being an e ec i e s a egy. The Specialis Nu se in Rehabili a ion
Nu sing plays a cen al ole in iden i ying needs, implemen ing in e en ions, and p omo ing he
au onomy o he ca egi e and he use .
Keywo ds: ca egi e ; compe encies; empowe men ; ehabili a ion p og ams; scoping e iew.
ii
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 1
PARTE I – ANÁLISE DO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS ...................................................... 4
1. CONTEXTUALIZAÇÃO DOS CONTEXTOS CLÍNICOS ......................................................................... 5
2. ANÁLISE E REFLEXÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PARA A AQUISIÇÃO DE COMPETÊNCIAS 9
2.1 Domínios das Compe ências Comuns do En e mei o Especialis a ........................................... 10
2.2 Domínios das Compe ências Especí icas do En e mei o Especialis a em En e magem de
Reabili ação ................................................................................................................................. 18
3. NOTA FINAL ................................................................................................................................. 30
PARTE II – PROGRAMAS DE ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO PROMOTORES DA CAPACITAÇÃO DO
CUIDADOR / REHABILITATION NURSING PROGRAMS PROMOTING CAREGIVER EMPOWERMENT .... 32
1. ENQUADRAMENTO TEÓRICO ....................................................................................................... 35
1.1 O Cuidado ............................................................................................................................ 37
1.2. O Cuidado e o EEER ............................................................................................................ 39
1.3 P og amas de Reabili ação ..................................................................................................... 42
2. METODOLOGIA ............................................................................................................................ 46
2.1. Ques ão de Scoping Re iew e Obje i os ................................................................................. 46
2.2. C i é ios de inclusão no es udo .............................................................................................. 46
2.3. Es a égia de Pesquisa .......................................................................................................... 47
2.4. Seleção dos es udos e ex ação dos dados ............................................................................ 50
3. RESULTADOS ............................................................................................................................... 52
3.1 P og amas de En e magem pa a Capaci ação do Cuidado ..................................................... 52
3.2 Con ex os de aplicação dos P og amas de En e magem pa a Capaci ação do Cuidado ........... 58
3.3 Domínios da uncionalidade em que são aplicação os P og amas de En e magem pa a
Capaci ação do Cuidado .............................................................................................................. 58
3.3 Ins umen os de A aliação da Capaci ação do Cuidado .......................................................... 59
4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................................................................... 61
4.1 Limi ações do Es udo ............................................................................................................. 66
5. NOTA FINAL ................................................................................................................................. 68
CONCLUSÃO .................................................................................................................................... 70
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................... 72
3
segundo capí ulo ap esen a o enquad amen o me odológico, no qual são desc i os a ques ão de
in es igação, os c i é ios de inclusão e a es a égia de pesquisa ado ada. O e cei o capí ulo con empla
a ap esen ação dos esul ados. O qua o capí ulo e idencia a discussão dos esul ados ob idos. Po
im, ap esen a-se uma no a inal, na qual se sin e izam as p incipais conclusões da
scoping e iew
.
Te mina-se com uma conclusão inal que in eg a os p incipais con ibu os das duas componen es,
clínica e de in es igação, seguida das e e ências bibliog á icas que undamen am e sus en am
eo icamen e es e abalho.
4
PARTE I – ANÁLISE DO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS
5
1. CONTEXTUALIZAÇÃO DOS CONTEXTOS CLÍNICOS
O Es ágio de Na u eza P o issional com Rela ó io, oi ealizado em á ios con ex os hospi ala es e
di ecionado pa a a p es ação de cuidados à pessoa com al e ações dos p ocessos: neu ológico,
espi a ó io, ca díaco e musculoesquelé ico, ao longo do ciclo da ida. Assim, deco eu em qua o
con ex os dis in os, nomeadamen e, num gabine e de Cinesi e apia Respi a ó ia, de 3 de e e ei o a 16
de ma ço de 2025; numa Unidade de Cuidados In ensi os e In e médios de Ca diologia, de 17 de
ma ço a 13 de ab il de 2025; num Se iço de O opedia, de 22 de ab il a 18 de maio de 2025; e, po
im, numa Unidade de Cuidados In e médios Neona ais e Pediá icos e in e namen o de Pedia ia, de
19 de maio a 22 de junho de 2025.
Cada um des es con ex os p opo cionou expe iências únicas e aliosas, pe mi indo uma comp eensão
ab angen e das di e en es abo dagens e in e enções necessá ias pa a a ende às necessidades
especí icas dos u en es. A segui , de alham-se as pa icula idades de cada um dos con ex os clínicos.
Gabine e de Cinesi e apia Respi a ó ia da ULS de B aga
O gabine e de Cinesi e apia Respi a ó ia é uma unidade especializada na p es ação de cuidados
espi a ó ios em egime de ambula ó io. Es e se iço des ina-se a u en es com pa ologias espi a ó ias
di e sas, como doenças pulmona es c ónicas, asma, b onqui e, en e ou as, e em como p incipais
obje i os melho a a unção espi a ó ia, ali ia sin omas como a dispneia e osse, e p omo e a
au onomia a a és da capaci ação pa a o au ocuidado no domicílio.
O espaço es á o ganizado em duas unidades de a endimen o e desen ol e a i idades como a a aliação
da unção pulmona , a aplicação de écnicas de desobs ução das ias aé eas, ensino sob e o uso
co e o de inalado es e disposi i os médicos, e implemen ação de p og amas de eabili ação
espi a ó ia pe sonalizados.
A equipa é compos a po EEER, uma écnica auxilia de saúde e ou os p o issionais de saúde que
assegu am cuidados in eg ados. Dia iamen e, são escalados dois EEER po u no (manhã e a de)
du an e os dias ú eis. Aos sábados, a equipa con a com ês EEER de manhã, enquan o aos domingos
e e iados são escalados dois EEER de manhã, sendo necessá io eco e ao ac éscimo de EEER dos
in e namen os pa a ga an i a cobe u a adequada du an e esses pe íodos. Os EEER assumem a
esponsabilidade de planea , execu a e a alia os cuidados de cinesi e apia espi a ó ia, assegu a o
6
a endimen o ele ónico ao u en e e ge i o agendamen o e equência dos a amen os, an o em egime
de ambula ó io como em apoio aos se iços de in e namen o du an e os ins de semana e e iados.
Du an e o es ágio, os u en es a endidos ap esen a am uma a iedade de diagnós icos médicos,
incluindo doença pulmona obs u i a c ónica (DPOC), insu iciência espi a ó ia ipo 1 e ipo 2,
b onquiec asias, a elec asias, pneumonias, asma, de ames pleu ais, discinesia cilia , b onquioli es,
sequelas pulmona es de quimio ó ax, eceções de pa es de lobos pulmona es, a u as das cos elas
com con usão pulmona , sínd ome de uminação, escle ose la e al amio ó ica, e uma sé ie de
sínd omes (
Re , We dnig-Ho mann, Wes
, en e ou os) que p o ocam al e ações neu omuscula es e
comp ome imen o en ila ó io. A in e enção do EEER e elou-se essencial na p omoção da en ilação
e icaz, na p e enção de complicações espi a ó ias e no apoio à ges ão da doença, e o çando o papel
da En e magem de Reabili ação na con inuidade e qualidade dos cuidados.
Unidade de Cuidados In ensi os e In e médios de Ca diologia
A Unidade de Cuidados In ensi os (UCIC) e In e médios de Ca diologia (UIC) in eg a á ios se o es
especializados, como unidades de in e namen o, labo a ó ios de diagnós ico e in e enção, hospi al de
dia e consul a ex e na. P es a cuidados di e enciados a doen es com pa ologias ca dio ascula es
agudas e c ónicas, como en a e agudo do miocá dio, insu iciência ca díaca, a i mias, en e ou as,
exigindo igilância con ínua e in e enções especí icas. Dispõem de ecu sos ecnológicos a ançados,
como sis emas de moni o ização hemodinâmica e ce eb al, disposi i os de assis ência en icula ,
ecóg a os, sis emas de
pacing
e equipamen os de supo e a ançado de ida.
A p es ação de cuidados de En e magem de Reabili ação é assegu ada po en e mei os especialis as,
dia iamen e, du an e o u no da manhã. A in e enção do EEER cen a-se na p omoção da ecupe ação
uncional, con olo dos a o es de isco, educação pa a o au ocuidado e eabili ação ca díaca e
espi a ó ia, du an e o in e namen o. No que espei a à eabili ação ca díaca após a al a, exis e a
consul a de En e magem de Reabili ação ca díaca pa a o doen e com insu iciência ca díaca, que se
ealiza às segundas, qua as e sex as- ei as, no hospi al de dia, e que p omo e o acompanhamen o de
sin omas do doen e e o con olo dos a o es de isco ca dio ascula es. Es a consul a ealiza-se en e os
8 a 15 dias após a al a do in e namen o hospi ala , aos 3 meses, aos 6 meses e aos 12 meses,
con emplando eleconsul as en e as consul as p esenciais.
Ao longo das 4 semanas de es ágio, o am acompanhados u en es com di e sas pa ologias ca díacas,
incluindo doença isquémica (en a es agudos do miocá dio, angina ins á el, angina es á el),
7
insu iciência ca díaca, ca diopa ias de s ess (Tako subo, Minoca), ca diopa ias al ula es (es enose
aó ica se e a, insu iciência mi al e icúspide), e ou as condições complexas, subme idos a
in e enções como colocação de implan es al ula es po ia pe cu ânea, colocação de disposi i os
ele ónicos ca díacos implan á eis e ca e e ismos ca díacos de diagnós ico e de a amen o com
colocação de S en s. Alguns doen es agua da am a ealização de ci u gia de e ascula ização
miocá dica, sendo ans e idos pa a o Se iço de Ci u gia Ca dio o ácica no dia da ci u gia ou no dia
p é io à mesma. A a uação do EEER e elou-se essencial na melho ia da uncionalidade, p e enção de
complicações e capaci ação do u en e pa a a ges ão da sua doença.
Se iço de O opedia
O Se iço de O opedia dedica-se à a aliação e a amen o de pa ologias do sis ema músculo-
esquelé ico, com oco em cuidados ci ú gicos di e enciados, an o em egime de in e namen o como
em ambula ó io. A unidade a ende uma a iedade de casos o opédicos e auma ológicos, incluindo
a u as complexas, pa ologia degene a i a a icula , e auma izados e eb o-medula es.
Subdi ide-se em duas á eas dis in as: a á ea de in e namen o, compos a po ês alas, e a á ea de
consul a, que se di ide em consul a de O opedia Adul os e consul a de O opedia Pediá ica. Cada ala
de in e namen o con a com uma EEER, no u no da manhã, du an e os dias ú eis. O p esen e es ágio
deco eu numa das alas de in e namen o, endo, no en an o, nos p imei os quinze dias, sido
assegu ados cuidados de eabili ação em duas alas em simul âneo, de ido à ausência po é ias da
EEER da ala adjacen e.
Du an e o es ágio, os u en es in e nados ap esen a am diagnós icos como a u as ósseas, a u as
expos as ou echadas; in eções p o ésicas; a oses; hé nias discais; o u as endinosas, a i es sé icas
e os eomieli es. Fo am subme idos a p ocedimen os ci ú gicos como os eossín eses, a oplas ias,
a odeses, a amen os conse ado es com imobilizações gessadas ou alas e ações esquelé icas. A
in e enção do EEER é c ucial pa a a mobilização p ecoce, eino de ma cha, p e enção de
complicações, educação pa a o au ocuidado e capaci ação do cuidado , p omo endo a au onomia e a
ein eg ação do u en e no seu con ex o de ida.
8
Unidade de Cuidados In e médios Neona ais e Pediá icos e In e namen o de
Pedia ia
A Unidade de Cuidados In e médios Neona ais e Pediá icos (UCINEOPED) e In e namen o de Pedia ia
p es am cuidados de saúde a ecém-nascidos, c ianças e adolescen es, ga an indo cuidados de
u gência pediá ica e neona al 24 ho as po dia.
A equipa de p o issionais inclui médicos, en e mei os, en e mei os especialis as, assis en es écnicos e
écnicos auxilia es de saúde. A EEER da Unidade de Cuidados In e médios Pediá icos e Neona ais
assegu a a p es ação de cuidados de En e magem de Reabili ação na espe i a unidade e no
in e namen o de Pedia ia, nos dias ú eis, das 8h00 às 15h00.
Ao longo do es ágio, os ecém-nascidos, os bebés e as c ianças in e nados ap esen a am uma
a iedade de diagnós icos médicos, incluindo sépsis, in eções espi a ó ias, auma ismos c ânio-
ence álicos, ic e ícia, es ição de c escimen o in au e ino e, maio i a iamen e, si uações associadas à
p ema u idade. O papel do EEER nes es se iços é undamen al na p omoção do desen ol imen o
neu opsicomo o e na p e enção de complicações. Es e, a ua a a és da a aliação p ecoce,
es imulação mo o a e senso ial, posicionamen o e apêu ico, apoio à unção espi a ó ia, p omoção da
alimen ação o al segu a e o ien ação às amílias. A icula-se com a equipa mul idisciplina ,
con ibuindo pa a cuidados indi idualizados e cen ados na c iança e na amília, desde a hospi alização
a é à al a.
9
2. ANÁLISE E REFLEXÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PARA A AQUISIÇÃO DE
COMPETÊNCIAS
Os cuidados de En e magem de Reabili ação ge am ganhos adicionais em saúde que se e le em na
edução da p ocu a dos se iços de saúde, nomeadamen e das u gências, na diminuição do núme o e
du ação de in e namen os hospi ala es e nos cus os associados. P omo em maio independência das
pessoas e das amílias, além de p e eni em complicações elacionadas à ina i idade, como úlce as po
p essão, in eções espi a ó ias e u iná ias, de o midades os eoa icula es e pe da de ónus muscula .
Con ibuem ainda pa a a edução do uso de medicamen os, aumen o da adesão ao a amen o, meno
dependência uncional e social, edução da mobilidade e dos cus os com apoios sociais e cuidados
domiciliá ios. Além disso, a o ecem a adap ação do ambien e e a capaci ação dos u en es,
p omo endo uma ein eg ação mais e e i a no con ex o amilia e social, com meno impac o
socioeconómico (APER, 2010).
Segundo a O dem dos En e mei os (2019b), o en e mei o especialis a é econhecido pela sua
compe ência cien í ica, écnica e humana na p es ação de cuidados de en e magem especializados, no
âmbi o das di e en es á eas de especialidade em en e magem. Es e p o issional de ém um conjun o de
conhecimen os, capacidades e habilidades que, conside ando as necessidades de saúde do g upo-al o,
mobiliza de o ma in eg ada pa a in e i nos di e sos con ex os de ida das pessoas e em odos os
ní eis de p e enção.
Os Pad ões de Qualidade dos Cuidados Especializados em En e magem de Reabili ação (PQCEER),
a ualizados pela O dem dos En e mei os em 2018, cons i uem um e e encial o ien ado da p á ica
p o issional dos en e mei os especialis a em eabili ação. Es es pad ões assegu am cuidados segu os,
e icazes e cen ados na pessoa, p omo endo a melho ia con ínua da qualidade dos cuidados
p es ados. São oi o os pad ões enunciados: Sa is ação do Clien e, P omoção da Saúde, P e enção de
Complicações, Bem-es a e Au ocuidado, Readap ação Funcional, Reeducação Funcional, P omoção da
Inclusão Social e O ganização dos Cuidados de En e magem. Visam explici a a na u eza e os
di e en es aspe os do manda o social da En e magem de Reabili ação, se indo como e e ência
comum pa a os en e mei os e como ga an ia de qualidade pa a as pessoas cuidadas.
O p esen e capí ulo ap esen a uma análise c í ica e e lexi a das a i idades ealizadas ao longo do
Es ágio de Na u eza P o issional, endo como e e ência os obje i os es abelecidos no Guia O ien ado .
Es es, o ien a am a ap endizagem em con ex os eais da p á ica p o issional, pe mi indo in eg a
10
conhecimen os écnicos e eó icos em di e en es ealidades ins i ucionais. A e lexão desen ol e-se em
o no dos qua o domínios das Compe ências Comuns do En e mei o Especialis a e dos ês domínios
das Compe ências Especí icas do EEER, de aco do com os espe i os egulamen os (nº 140/2019; nº
392/2019), e os Pad ões de Qualidade dos Cuidados Especializados em En e magem de Reabili ação
de inidos pela O dem dos En e mei os (2018), des acando as adap ações ealizadas e o impac o na
o mação p o issional como EEER.
2.1 Domínios das Compe ências Comuns do En e mei o Especialis a
As Compe ências Comuns do En e mei o Especialis a ab angem di e sas dimensões, nomeadamen e a
educação dos clien es e dos pa es, a o ien ação, o aconselhamen o e a lide ança. Incluem ainda a
esponsabilidade de in e p e a , di ulga e aplica in es igação ele an e, con ibuindo assim pa a o
a anço e a melho ia con ínua da p á ica de en e magem (O dem dos En e mei os, 2019a).
Es as compe ências o ien am o desempenho p o issional do en e mei o com í ulo de especialis a,
independen emen e da sua á ea especí ica de especialização. Os seguin es domínios es ão de inidos
pela O dem dos En e mei os (2019a), no Regulamen o nº 140/2019 e es abelecem pad ões de
qualidade, segu ança, é ica e excelência que odos os en e mei os especialis as de em demons a e
aplica na sua p á ica.
Domínio da esponsabilidade p o issional, é ica e legal
No decu so do es ágio ealizado nos á ios con ex os oi possí el consolida e ap o unda compe ências
no domínio da esponsabilidade p o issional, é ica e legal, con o me p econizado no Regulamen o das
Compe ências Comuns do En e mei o Especialis a (Regulamen o n.º 140/2019, O dem dos
En e mei os). O desempenho da p á ica clínica desen ol eu-se de o ma alinhada com os p incípios
o ien ado es do Código Deon ológico do En e mei o (O dem dos En e mei os, 2015a), do Regulamen o
do Exe cício P o issional dos En e mei os (O dem dos En e mei os, 1996), bem como dos
Regulamen os das Compe ências Comuns e Especí icas do EEER (O dem dos En e mei os, 2019a,
2019b). Em cada con ex o, p ocu ou-se assegu a uma a uação p o issional pau ada pelo espei o
pelos di ei os das pessoas cuidadas, pela de esa da sua dignidade e au onomia, e pela equidade no
acesso e p es ação de cuidados, independen emen e da idade, condição clínica ou con ex o
sociocul u al.
Ga an iu-se a ob enção do consen imen o in o mado de o ma adequada a cada si uação,
especialmen e ele an e no con ex o pediá ico e neona al, onde oi necessá ia uma comunicação
11
e icaz com os ep esen an es legais, espei ando o p incípio da au onomia (Beauchamp & Child ess,
2013). Assegu ou-se, de o ma con ínua, a con idencialidade da in o mação clínica e a p ese ação da
p i acidade das pessoas cuidadas, con o me p econizado nos p incípios é ico-deon ológicos da
p o issão.
As in e enções o am ealizadas den o dos limi es da compe ência p o issional, em con o midade
com a legislação e egulamen ação p o issional igen es. A iculou-se com a equipa mul idisciplina e
supo a am-se as omadas de decisão com base no conhecimen o adqui ido na componen e eó ica do
Cu so de Mes ado de En e magem de Reabili ação, no cump imen o de p o ocolos ins i ucionais e na
p á ica baseada na e idência, de o ma a ga an i uma condu a é ica, esponsá el e legalmen e
sus en ada. Es a condu a ai ao encon o do p econizado po Ca peni o (2022), que de ende que a
omada de decisão de e se undamen ada e den o do âmbi o da compe ência p o issional.
Du an e a , í
limi ado. A inco po ação dos p incípios é icos na p á ica clínica
implica a p omoção da jus iça, equidade e espei o pelos di ei os humanos (O dem dos En e mei os,
2018). Po esse mo i o, inco po a am-se na p á ica os p incípios undamen ais da bioé ica: jus iça,
bene icência, não male icência e au onomia, con o me de inido po Beauchamp & Child ess (2013).
Assim, ao capaci a o u en e e a amília/cuidado pa a a con inuidade do plano e apêu ico, a a és de
in e enções como o eino de ma cha, as mobilizações a icula es a i as ou a es imulação cogni i a,
ga an iu-se a implemen ação de cuidados consis en es, o imizando os esul ados em saúde.
Reconheceu-se a ele ância das compe ências ine en es à Especialidade de En e magem de
Reabili ação no e o ço de uma p á ica p o issional e icamen e exigen e e legalmen e sus en ada. Nos
con ex os da Ca diologia e O opedia, e i icou-se que a equipa de en e magem eco e equen emen e
aos en e mei os especialis as em eabili ação pa a alida e o ien a as suas in e enções,
especialmen e em si uações menos habi uais no se iço, endo sido cons an e o en ol imen o na
de inição dos ensinos a ansmi i no momen o da al a, po exemplo. Es a p á ica co obo a o que é
e e ido po . (2021), “
a aliação mais acu ada, de diagnós ico mais especí ico, de p e isão sob e os esul ados mais ealis a,
z ” (p. 154). Assim, en ende-se que
os obje i os p e is os pa a es e domínio o am alcançados, con ibuindo pa a uma p á ica p o issional
cen ada na pessoa e sus en ada po p incípios é icos e legais.
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Domínio da melho ia con ínua da qualidade
No âmbi o das compe ências associadas ao domínio da melho ia con ínua da qualidade, p ocu ou-se,
ao longo dos di e en es con ex os de es ágio, desen ol e uma p á ica de en e magem especializada,
baseada na e idência cien í ica e na a aliação c í ica dos cuidados p es ados. P ocu ou-se ga an i
in e enções segu as, e icazes e adap adas às necessidades indi iduais da pessoa e da sua ede de
apoio, a a és de planos de cuidados ajus á eis e moni o izados de o ma con ínua.
Pa a isso, implemen a am-se ins umen os de a aliação alidados, como a escala de Ba hel, a escala
de Rankin Modi icada, a escala de B aden, en e ou as, que sus en a am o diagnós ico uncional e a
omada de decisão clínica. A a aliação sis emá ica da e icácia dos p og amas de eabili ação pe mi iu a
ede inição opo una das in e enções, assegu ando a con inuidade de cuidados o ien ados pa a
ganhos em saúde sensí eis aos cuidados de en e magem. Nes e sen ido, con o me p econizado pela
Mesa do Colégio da Especialidade de En e magem de Reabili ação (2016), a u ilização de ins umen os
de colhei a de dados alidados e ela-se undamen al pa a quan i ica e e idencia os esul ados
deco en es da in e enção do EEER, bem como pe mi em uma ca ac e ização mais cla a da condição
de saúde da pessoa, o ien ando in e enções ajus adas às suas necessidades ao longo do ciclo de
ida, dando supo e à melho ia con ínua dos cuidados de En e magem de Reabili ação.
A u ilização de egis os clínicos igo osos, a adesão a p o ocolos ins i ucionais e a pa icipação em
euniões de equipa e passagens de u no, con ibuí am pa a a uni o mização de boas p á icas e pa a a
de eção p ecoce de si uações de isco.
A ealização de egis os de en e magem nos aplica i os in o má icos oi uma cons an e no deco e do
es ágio nos á ios con ex os. Pa a Pes ana (2023), a adoção de ecnologias de in o mação pelas
o ganizações de saúde pe mi e a acessibilidade e a legibilidade da in o mação dos u en es, acili a o
acesso a bases de dados de conhecimen o e cons i uem um supo e pa a a omada de decisão. Es as,
e idenciam ganhos em saúde sensí eis aos cuidados de En e magem de Reabili ação e a sua u ilização
p omo e a melho ia con ínua da qualidade. No con ex o de Ca diologia, a u ilização do nico
cons i uiu um desa io, dada a ausência de expe iência p é ia com es a pla a o ma. A panóplia de
diagnós icos e in e enções disponí eis e elou-se dis in a daquela habi ualmen e u ilizada, endo sido
necessá io empo pa a in e io iza odo es e p ocesso de egis os de en e magem. O apoio p es ado
pelas o ien ado as e elou-se undamen al, cons i uindo uma mais- alia pa a a supe ação das
di iculdades sen idas nes e p ocesso de adap ação ao sis ema de egis os.
19
No gabine e de cinesi e apia espi a ó ia, a in e enção cen ou-se em u en es com doenças
espi a ó ias agudas e c ónicas. Na UCIC e UIC, des aca-se a impo ância da in e enção p ecoce do
EEER em si uações c í icas, p e enindo complicações da imobilidade. No Se iço de O opedia, o oco
oi a ecupe ação uncional e a au onomia do adul o e do idoso. No se iço de in e namen o de
Pedia ia e UCINEOPED, en en ou-se o desa io de cuida de ecém-nascidos p ema u os e c ianças
com necessidades especiais, exigindo uma adap ação dos cuidados ao g au de desen ol imen o e à
ulne abilidade clínica. Assim, p ocu ou-se adequa as in e enções à condição clínica de cada pessoa,
de aco do com as di e en es aixas e á ias, p omo endo in e enções adequadas pa a a p omoção da
au onomia e da au oges ão da doença, com oco na melho ia da qualidade de ida e p e enção de
complicações.
Pa a sus en a a unidade de compe ência “ õ
õ ” (O dem dos En e mei os, 2019b, p.13566), e de
o ma a ob e um plano de cuidados, oi ealizada a a aliação inicial, a obse ação dos u en es e o am
aplicados di e sos ins umen os alidados. A escolha do ins umen o de a aliação pa a uma
de e minada unção de e basea -se na sua alidade pa a medi com p ecisão essa unção, possui
iabilidade adequada e se sensí el o su icien e pa a de e a mudanças clínicas signi ica i as. Na á ea
da En e magem de Reabili ação, é essencial que esses ins umen os pe mi am a alia o g au de
incapacidade, acompanha a e olução do u en e, acili a a comunicação en e as equipas
p o issionais, comp o a a e icácia das in e enções e assegu a o egis o da con inuidade dos
cuidados, bem como os bene ícios esul an es das ações de en e magem (Sousa e al., 2023).
Pa a a a aliação da capacidade uncional dos u en es aplica am-se algumas escalas, de aco do com as
escalas em u ilização nas di e sas ins i uições. No con ex o da Ca diologia e O opedia o am u ilizadas,
as escalas de B aden, Glasgow, Mo se e a Medical Resea ch Council (a aliação da o ça muscula ), de
o ma a diagnos ica limi ações que a e am a au onomia. Ainda no es ágio de Ca diologia, eco eu-se
ao Talk-Tes , à escala de Bo g Modi icada e ao es e de ma cha de 6 minu os pa a moni o iza o
es o ço ísico e a capacidade uncional. Em O opedia, aplica am-se a escala ASIA e o es e de GUSS,
undamen ais na a aliação neu ológica e da deglu ição. Na Pedia ia e UCINEOPED, oi u ilizada a
escala EFS-VM pa a a alia as compe ências o ais de ecém-nascidos, especialmen e p ema u os,
du an e o p ocesso de alimen ação. No gabine e de Cinesi e apia Respi a ó ia, além de um
ques ioná io de sa is ação dos u ilizado es do apa elho Simeox, que é um apa elho de higiene
b ônquica e que p omo e a desobs ução da ia aé ea a a és da d enagem b ônquica e icien e, oi
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p opos a a aplicação da CAT e da escala de Bo g Modi icada em u en es com DPOC, pa a a a aliação
da dispneia e consegui e i ica , a a és da aplicação de escalas, a e iciência da implemen ação do
plano de eeducação uncional espi a ó ia. Ve i icou-se e e i amen e uma melho ia da condição de
saúde des es u en es no deco e da aplicação do p og ama de eabili ação espi a ó ia, o que alida a
impo ância da moni o ização dos p ocessos com escalas de a aliação. Salien a-se que algumas
escalas exigem conhecimen os écnicos e eino especí ico pa a uma aplicação adequada.
A a aliação cogni i a pode se e e uada a a és da consul a do p ocesso clínico, en e is a, obse ação
do compo amen o, p ocedimen os especí icos e ins umen os de a aliação (Va anda & Rod igues,
2023). Du an e os es ágios, essencialmen e em O opedia, oi ealizada, ainda, uma a aliação
neu ológica ab angen e, incluindo o es ado de ale a (escala de coma de Glasgow), a o ça muscula
(escala MRC), o ónus muscula (escala de Ashwo h Modi icada), a coo denação mo o a (p o a dedo-
na iz e calcanha -joelho), equilíb io (sen ado e em pé), sensibilidade ác il, dolo osa e p op ioce i a, as
capacidades cogni i as (como linguagem, memó ia e a enção) e ma cha. Repa ou-se que es a
a aliação, que eque expe iência na sua ealização, mui as ezes susci a dú idas na equipa de
en e magem. O EEER em um papel undamen al no escla ecimen o das dú idas da equipa quan o à
ealização da a aliação e dos seus esul ados, o que se conc e izou semp e que solici ado.
A u ilização do p ocesso de en e magem pe mi iu o planeamen o de in e enções cen adas na pessoa
e adap adas ao seu es ado uncional. Em Ca diologia, des aca am-se diagnós icos como dé ice de
conhecimen o sob e p é-ope a ó io; al e ações na en ilação, mobilidade, do , ansiedade, ges ão do
egime e apêu ico, a i idade ísica, dispneia, in ole ância à a i idade e papel do p es ado de cuidados,
sendo as in e enções cen adas na execução, ensino, ins ução e eino. Em O opedia, su gi am
diagnós icos como igidez a icula , espas icidade, anquilose, di iculdades na ma cha, expe o a , isco
de pé equino e au ocon olo de en ilação comp ome ido. Já em Pedia ia e UCINEOPED, os
diagnós icos de en e magem incidi am sob e o au ocon olo da en ilação e a sucção e icaz.
Pa indo des es diagnós icos, o am p esc i as in e enções indi idualizadas, adequadas às
necessidades iden i icadas e ao es ado uncional de cada pessoa, com oco na ecupe ação da
au onomia e na p omoção da adap ação ao longo do p ocesso de eabili ação. A documen ação
igo osa das in e enções e a sua e icácia e elou-se essencial, não só pa a ga an i a con inuidade dos
cuidados, como pa a acili a a comunicação en e os p o issionais de saúde, apoia a omada de
decisões clínicas e demons a os esul ados ob idos (Pi es, 2012; Gomes e al., 2012). A
21
moni o ização con ínua a a és de escalas de a aliação e es es pad onizados pe mi iu ajus a o plano
e apêu ico de o ma dinâmica, de aco do com as necessidades em cons an e e olução (Gomes e al.,
2025; Pi es, 2012).
Em suma, o desen ol imen o da compe ência 1 nos di e sos con ex os de es ágio pe mi iu consolida
capacidades écnicas e cien í icas na a aliação e in e enção jun o de pessoas com necessidades
especiais, alo izando a indi idualização dos cuidados e a adap ação pe manen e à condição uncional
e ao ciclo de ida. A u ilização de ins umen os pad onizados, o planeamen o indi idualizado e a
moni o ização con ínua das in e enções demons a am-se essenciais pa a a e icácia dos cuidados de
En e magem de Reabili ação.
Compe ência 2 – Capaci a a pessoa com de iciência, limi ação da a i idade e/ou
es ição da pa icipação pa a a einse ção e exe cício da cidadania
Es a compe ência cen a-se na p omoção da au onomia, einse ção social e exe cício pleno da
cidadania po pa e da pessoa com de iciência, limi ação da a i idade e/ou es ição da pa icipação,
a a és de in e enções de eabili ação ajus adas ao seu es ado uncional e con ex o de ida (O dem
dos En e mei os, 2019b).
A ope acionalização des a compe ência a icula-se di e amen e com a Teo ia do Au ocuidado de
Do o hea O em, que de ende que o papel do en e mei o é in e i em si uações de dé ice de
au ocuidado, p omo endo a capaci ação da pessoa pa a ecupe a ou man e essa compe ência
(O em, 2001). As in e enções desen ol idas du an e o es ágio p ocu a am jus amen e iden i ica
esses dé ices e omen a a capacidade da pessoa pa a cuida de si, a a és do eino uncional, do
ensino es u u ado e do en ol imen o dos cuidado es.
Simul aneamen e, es as ações inse em-se no quad o concep ual da Teo ia das T ansições de Ala
Meleis, que econhece o papel cen al da en e magem na acili ação de p ocessos de mudança, como
o e o no ao domicílio, a adap ação a uma no a uncionalidade ou a econ igu ação do papel amilia e
social (Meleis e al., 2000). Ao planea in e enções pa a a al a, eo ganiza o ambien e domiciliá io e
educa os cuidado es, o EEER a ua como acili ado de uma ansição saudá el, p omo endo a
ein eg ação plena da pessoa na sua ida quo idiana.
Nos di e en es con ex os de es ágio, es as p emissas conc e iza am-se a a és de in e enções di igidas
à capaci ação uncional e social da pessoa. No gabine e de Cinesi e apia Respi a ó ia, oi p omo ida a
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au onomia de u en es com pa ologia espi a ó ia a a és do ensino de exe cícios espi a ó ios e
écnicas de conse ação de ene gia, acili ando a con inuidade da pa icipação nas a i idades do
quo idiano. Na UCIC e UIC, o am abalhadas es a égias de adap ação à no a condição clínica, com
oco na li e acia em saúde, ges ão do egime e apêu ico, e p omoção da au o igilância, con ibuindo
pa a a ein eg ação uncional e social dos u en es. Em O opedia, a eeducação uncional cen ou se no
eino de ma cha com auxilia es, eino de ans e ências e de AVD com segu ança, ensino de écnicas
adap a i as e uso de p odu os de apoio e en ol imen o dos cuidado es, o que pe mi iu uma
abo dagem cen ada na au onomia e con inuidade dos cuidados após a al a. Fo am, ambém,
p omo idos ambien es segu os a a és da iden i icação de ba ei as a qui e ónicas e diminuição dos
a o es de isco ambien ais pa a p e eni a oco ência de e en os ad e sos, an o em ambien e
hospi ala como no domicílio. No se iço de Pedia ia e UCINEOPED, a capaci ação en ol eu
cuidado es, pais e a ós, na con inuidade de cuidados após a al a, a a és do ensino de écnicas
posicionamen o, exe cícios espi a ó ios e es imulação mo o a p ecoce.
A conc e ização des a compe ência o nou-se especialmen e e iden e no acompanhamen o da u en e
C.S., de 83 anos, cogni i amen e p ese ada e p e iamen e au ónoma, subme ida a ci u gia de
enca ilhamen o de a u a ocan é ica di ei a. No pós-ope a ó io, inha indicação de ma cha sem ca ga
e oxigenio e apia. O plano de eabili ação oi ajus ado à sua condição clínica e uncional, iniciando-se
com eeducação uncional espi a ó ia, que possibili ou a e i ada da oxigenio e apia ao e cei o dia.
A aliada pela escala Medical Resea ch Council ao segundo dia, ap esen ou o ça g au 5 em odos os
memb os, endo sido iniciado eino de equilíb io es á ico no lei o. Ao e cei o dia, iniciou-se o le an e
pa a cadei ão, com ensino da écnica de ans e ência sem ca ga no memb o ope ado. Fo am ainda
implemen adas mobilizações a i as-assis idas, que p og edi am pa a a i as- esis idas, com o obje i o
de p ese a o mo imen o a icula e a o ça muscula . Ao qua o dia, oi p opos o o eino de ma cha
com anda ilho, o qual oi acei e pela u en e. Pa alelamen e, o am ealizadas sessões de ensino
indi idualizado sob e os au ocuidados, nomeadamen e higiene pessoal, es i /despi , ans e ências,
sen a /le an a do cadei ão, ajus adas à sua limi ação uncional. A u en e e oluiu de o ma posi i a,
adqui indo au onomia p og essi a nas ans e ências e nas AVD. A endendo à manu enção da es ição
de ca ga no memb o ope ado após a al a, o am en ol idas as cuidado as p incipais (ne as) na
p epa ação do eg esso a casa, a a és do ensino sob e a eo ganização de espaços pa a acili a a
mobilização, a emoção de ape es, o desimpedimen o de co edo es, a adap ação de casas de banho
e a u ilização de disposi i os de apoio, ga an indo maio segu ança. Ainda oi e e uada uma en a i a de
23
eino de ma cha com canadianas, mas a u en e não se adap ou ao disposi i o, o que mo i ou a
aquisição de um anda ilho pa a o domicílio.
No caso da u en e C.S., a implemen ação de in e enções indi idualizadas e o ensino sob e os
cuidados pós al a e le em uma a uação alinhada com a Teo ia do Au ocuidado de O em (2001), ao
p omo e a au onomia e a au oges ão da condição de saúde. Es a abo dagem cen ada na pessoa,
e o çada pelo en ol imen o a i o das cuidado as in o mais, ilus a a impo ância do ensino e apêu ico
como es a égia de capaci ação e con inuidade dos cuidados. Pa a além disso, es e momen o da al a
hospi ala cons i ui uma ansição de ida e de saúde, exigindo um acompanhamen o cuidadoso po
pa e do en e mei o especialis a. De aco do com a Teo ia das T ansições de Meleis, mudanças no
es ado uncional eque em in e enções delibe adas e con ex ualizadas, que apoiem a pessoa na
adap ação a uma no a ealidade (Meleis e al., 2000). Tal como e e e Ribei o (2021a), o
í um pon o cha e pa a o sucesso das in e enções e adesão às mesmas, pelo
que o EEER de e en ol e es es cuidado es na pa ce ia de cuidados de o ma a aumen a a e icácia da
in e enção.
Com es e caso, ambém, se e idencia a ele ância do aciocínio clínico e da adap ação con ínua das
es a égias de in e enção, undamen ais pa a a p á ica au ónoma e di e enciada do EEER.
A capaci ação pa a o exe cício da cidadania implica, assim, a p omoção de ambien es acili ado es, a
eliminação de ba ei as e a alo ização das capacidades p ese adas. O en ol imen o da equipa
mul idisciplina , como o se iço social e a nu ição, e elou-se essencial pa a uma espos a in eg ada e
o ien ada pa a a con inuidade de cuidados no domicílio.
Ao longo do pe cu so o ma i o, icou e iden e que a capaci ação da pessoa cons i ui um pila da
En e magem de Reabili ação, pe mi indo não só ecupe a capacidades, mas ambém omen a o
en ol imen o a i o da pessoa no seu p ocesso de ealização, alo izando a sua dignidade, au onomia e
pa icipação social.
Compe ência 3 – Maximiza a uncionalidade desen ol endo as capacidades da
pessoa
A compe ência 3 oca-se na maximização da uncionalidade da pessoa, a a és do desen ol imen o das
suas capacidades mo o a, ca díaca e espi a ó ia. Implica uma a aliação con ínua e sis ema izada do
po encial uncional, com a implemen ação de in e enções indi idualizadas que p omo am a
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au onomia, p e inam complicações e melho em a qualidade de ida. O en e mei o especialis a a ua de
o ma p oa i a na eabili ação, po enciando as capacidades p ese adas e es imulando o p og esso
uncional em con ex os di e sos, semp e cen ado na pessoa e nos seus obje i os (O dem dos
En e mei os, 2019b). Em odos os con ex os de es ágio, o obje i o oi maximiza a uncionalidade dos
u en es, p omo endo o seu desen ol imen o e a melho ia da capacidade pa a ealiza as AVD.
A eeducação uncional espi a ó ia consis e num conjun o de écnicas, baseadas essencialmen e no
con olo da espi ação, posicionamen o e mo imen o, que isam melho a as ocas gasosas e os
sin omas esul an es dos desequilíb ios da elação en ilação pe usão (Gomes & Fe ei a, 2023). Tem
o obje i o de p e eni complicações, e i a e co igi al e ações pos u ais e de ei os, assegu a a
pe meabilidade das ias aé eas, eeduca no es o ço e melho a a pe o mance dos músculos
espi a ó ios (Co dei o & Menoi a, 2014). No gabine e de Cinesi e apia Respi a ó ia, os p og amas de
En e magem de Reabili ação o am adap ados a di e en es aixas e á ias, englobando écnicas como o
con olo e dissociação dos empos espi a ó ios, exe cícios de eeducação dia agmá ica, cos al e
segmen a , manob as de d enagem pos u al modi icada, eino de osse e icaz, ciclo a i o da
espi ação e écnica de expi ação len a o al com glo e abe a; oi ainda ins uída a u ilização de
espi óme o de incen i o e de disposi i os como o Cough Assis ® e Simeox, com bons esul ados,
especialmen e em adolescen es e jo ens adul os. A educação dos u en es e dos seus cuidado es,
pa icula men e das c ianças, pa a a ealização dos exe cícios no domicílio oi essencial pa a po encia
a con inuidade e a e icácia dos planos de eabili ação. A ea aliação pe iódica da unção espi a ó ia
pe mi iu adap ação das in e enções às necessidades indi iduais, p omo endo melho ias na en ilação,
na ole ância ao es o ço e no con olo sin omá ico, com ganhos e iden es na qualidade de ida.
Em casos de c ianças e jo ens com comp omisso neu omuscula , os p og amas de eabili ação
espi a ó ia exigi am adap ações especí icas, com ên ase em écnicas não in asi as do supo e
en ila ó io, posicionamen o e apêu ico e manob as acessó ias de desobs ução b ônquica, associadas
ao eino da osse assis ida. A capaci ação dos cuidado es oi uma es a égia essencial pa a assegu a
a con inuidade dos cuidados no domicílio e p e eni in eções espi a ó ias. A in e enção oi semp e
cen ada na p omoção da uncionalidade espi a ó ia e da qualidade de ida da c iança e do jo em.
No con ex o da eabili ação ca díaca, es a cons i ui um p ocesso con ínuo que isa ajuda a pessoa
com doença ca díaca a ecupe a e a man e o maio ní el possí el de uncionamen o ísico,
psicológico, emocional, social e p o issional. A eabili ação em início no con ex o hospi ala , mas
p olonga-se após a al a, com con inuidade no domicílio e, idealmen e, numa ase de manu enção ao
25
longo da ida, semp e que exis am condições comuni á ias que sus en em essa con inuidade (Fe ei a
& Ab eu, 2009; Mendes, 2009).
O EEER, na UCIC e UIC, assume um papel cen al na Fase I da eabili ação ca díaca, iniciada en e as
12 e 24 ho as após o e en o ca díaco, e pa icipa ambém na Fase II, sob e udo em u en es com
insu iciência ca díaca. Assim, p ocu ando que a pessoa a inja a independência o al e a maximização
da uncionalidade, p ocu ou-se desen ol e as capacidades do u en e a a és da concessão de sessões
de eino, com is a à p omoção da saúde, à p e enção de lesões e à sua eabili ação (O dem dos
En e mei os, 2019b).
Na UCIC e na UIC, exis iam p og amas es u u ados de eabili ação ca díaca, nomeadamen e os
p og amas CADIE-IN e CADIE-OUT. O p imei o, ealizado em meio hospi ala , inclui a a aliação
uncional, exe cício ísico supe isionado e educação pa a a au oges ão. Es e p og ama é compos o po
uma sequência de exe cícios isomé icos e iso ónicos, explici ando em que momen o do dia de em se
execu ados e o núme o de epe ições a ealiza . Também ale a pa a os sinais de ala me pa a
in e ompe a ealização dos exe cícios. O segundo p og ama isa a con inuidade da eabili ação no
domicílio, com oco na modi icação de a o es de isco, p á ica de exe cício ísico e esponsabilização
pela sua saúde, com a disponibilização de um plano de exe cícios pa a se em ealizados 3 a 5 dias po
semana, o necendo o ien ações cla as sob e a equência ca díaca segu a, pe ceção de es o ço e
sinais de ala me de en a e. Complemen a men e, as EEER desen ol e am di e sos olhe os
educa i os que apoiam um ensino indi idualizado, abo dando emas como a a i idade sexual na
pessoa com doença ca díaca, a o es de isco ca dio ascula , bene ício do exe cício na doença a e ial
pe i é ica dos memb os in e io es e p é-habili ação na ci u gia ca díaca. É de no a que, nes as
unidades de cuidados, odos os ensinos educacionais ica am a ca go das en e mei as de eabili ação
não sendo da esponsabilidade dos en e mei os gene alis as, endo ha ido opo unidade de pa icipa
a i amen e nes e p ocesso educa i o em colabo ação com as EEER.
Aliado à es u u ação dos p og amas de eabili ação ca díaca já exis en es, p ocedeu-se en ão ao
ensino, ins ução e eino de écnicas de eeducação uncional mo o a, a a és da ealização de
exe cícios isomé icos e iso ónicos, eino de ma cha, eino de subida e descida de escadas,
es a égias de conse ação de ene gia e es a égias adap a i as pa a as AVD. Es as o am
equen emen e in eg adas com in e enções espi a ó ias como a espi ação abdomino- ica,
cos al, ensino da osse e icaz e con olo espi a ó io. A a uação do EEER es endia-se à p epa ação p é-
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ope a ó ia de doen es ci ú gicos, com ensino de exe cícios espi a ó ios e mobilizações a icula es,
e o çando a adesão ao plano pós-ope a ó io. Es e eino p é-ope a ó io é undamen al pa a p omo e a
comp eensão e adesão do doen e às o ien ações pós-ope a ó ias (Co dei o & Menoi a, 2014).
A implemen ação de p og amas de eino mo o e ca dio espi a ó io oi semp e ajus ado aos obje i os
indi iduais de cada u en e, con o me p econizado no Regulamen o nº 392/2019, da O dem dos
En e mei os. Um dos aspe os undamen ais nes es p og amas oi a ges ão adequada do es o ço, sendo
a ma cha em co edo e o eino de escadas conside adas a i idades essenciais, an o pa a a
eabili ação da mobilidade como pa a o aumen o da capacidade uncional e do condicionamen o
ca dio espi a ó io. Todos os p og amas de eabili ação ca díaca p og ediam pa a a ma cha em
co edo e o eino de subida e descida de escadas, endo sido, como já e e ido an e io men e,
ealizado o es e de ma cha de 6 minu os pa a a alia a capacidade uncional e a espos a ao es o ço
ísico em odos os u en es com al a clínica, de o ma a o ien a o u en e pa a o domicílio.
De e e i que, du an e es as in e enções, o am igualmen e ansmi idas o ien ações ao u en e quan o
à adoção de medidas p e en i as essenciais pa a a segu ança no domicílio. A u ilização de calçado
adequado e oupa cu a, a ins alação de co imões em escadas, a ga an ia de uma boa iluminação, a
eliminação de ape es sol os e a e icção de pisos esco egadios o am des acados como elemen os
undamen ais pa a a c iação de um ambien e segu o e p omo o da au onomia.
A Fase II da eabili ação, apesa de menos exp essi a nes as unidades, inclui uma consul a de
En e magem de Reabili ação especí ica pa a doen es com insu iciência ca díaca, que se ealiza às
segundas, qua as e sex as- ei as, no Hospi al de Dia de Ca diologia, e que p omo e o
acompanhamen o de sin omas do doen e e o con olo dos a o es de isco ca dio ascula es. Es a
consul a ealiza-se en e os 8 a 15 dias após a al a do in e namen o hospi ala , aos 3 meses, aos 6
meses e aos 12 meses, con emplando eleconsul as en e as consul as p esenciais.
A eabili ação uncional mo o a consis e num conjun o de es a égias e apêu icas que u iliza écnicas
de eino uncional, mobilizações, co eções pos u ais e coo denação mo o a, com o obje i o de
ecupe a ou melho a a au onomia da pessoa nas AVD e no seu con ex o uncional habi ual. Engloba
exe cícios isomé icos e iso ónicos, undamen ais pa a o o alecimen o dos músculos quad icípi es e
glú eos pa a uma ma cha e icaz e dos músculos b aquiais pa a a u ilização dos auxilia es de ma cha
(Sousa & Ca alho, 2023).
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No Se iço de O opedia, os p og amas de En e magem de Reabili ação cen a am-se na eabili ação
após ci u gia, na p e enção de complicações deco en es da imobilização, e na eabili ação de u en es
com lesões medula es pa ciais. Fo am u ilizados exe cícios isomé icos com con ação dos músculos
abdominais, glú eos e quad icípi es, e exe cícios iso ónicos, mobilizações a i as li es, a i as-assis idas
ou a i as- esis idas polia icula es e polissegmen a es, po ezes, com a u ilização de disposi i os com
peso ou pedalei a, de o ma a melho a a o ça muscula , a coo denação e a mobilidade dos u en es.
Também o am ealizadas mobilizações passi as com o auxílio de a omo o , com aumen o g adual da
ampli ude a icula a pa i dos 30°. Fo am ainda ealizados ensinos sob e e es a égias pa a
es i /despi e calça de o ma segu a e uncional, p omo endo a au onomia e o uso e icien e dos
p odu os de apoio disponí eis, como a calçadei a ou o es uá io com echos de co e e calçado com
elc os pa a ape a de o ma simples. U en es com limi ações mo o as o am al o de écnicas de
posicionamen o pa a p e eni a espas icidade, exe cícios e apêu icos no lei o, einos de ma cha com
auxilia es , , e bengala e eino de equilíb io es á ico e dinâmico,
an o na posição sen ada como em pé. No caso de u en es subme idos a colocação de p ó ese da
anca, oi ensinado o uso adequado de canadianas, bem como a écnica de al e na a di eção pa a o
lado do memb o ope ado, de modo a e i a mo imen os de adução. Fo am ainda e e uados ensinos
ela i os à o ma co e a de sen a e le an a , assegu ando a p o eção do memb o ope ado. A p esença
de pa ologias espi a ó ias c ónicas le ou a in eg ação de cinesi e apia espi a ó ia, com o obje i o de
melho a a unção en ila ó ia e p e eni complicações associadas à imobilização.
Quando há al e ações p op ioce i as, a pessoa pode e di iculdades em pe cebe a posição dos
memb os ou em ealiza mo imen os coo denados, o que pode le a a quedas, al a de equilíb io e
limi ações uncionais (Shumway-Cook & Woollaco , 2017). Pa a es imula a p op iocepção, eco eu-se
a a i idades senso iais com di e en es ex u as e obje os manipulá eis pa a es imula a coo denação e
o equilíb io.
Segundo Paixão Teixei a & Sil a (2009), du an e a alimen ação que o en e mei o pode obse a
sinais impo an es elacionados à deglu ição, como o ence amen o e icaz dos lábios, a mas igação, a
mo imen ação do alimen o na boca, sinais de e luxo nasal, ele ação da la inge, núme o de
deglu ições, p esença de osse, engasgamen o, al e ações ocais, en e ou os indicado es ele an es
pa a a segu ança alimen a . A dis agia oi ambém uma á ea de in e enção eco en e, sendo u ilizada
a escala de GUSS pa a as eio e implemen ação de es a égias compensa ó ias, adap ação de
28
consis ências e ensino a cuidado es e écnicas auxilia es de saúde, sob e a adoção da posição de 90º
du an e a alimen ação pa a ga an i a segu ança do p ocesso.
Na unidade de Pedia ia e UCINEOPED, os p og amas de eabili ação o am ajus ados às necessidades
especí icas de cada aixa e á ia. No ecém-nascido p ema u o, aplicou-se o PIOMI (
P ema u e In an
O al Mo o In e en ion
), écnica que demons ou melho ias na coo denação da sucção-deglu ição-
espi ação, na edução do empo necessá io pa a alcança a alimen ação o al e exclusi a e na edução
do empo de in e namen o hospi ala (PIOMI, s.d.). A es imulação sensi i o-mo o a a a és do oque
com as p óp ias mãos do ecém-nascido a é à linha média e o posicionamen o e apêu ico o am
ambém u ilizados com is a a simula o ambien e in au e ino pa a e o ça a sensação de segu ança
e a p omoção do neu o desen ol imen o e p e enção de de o midades (Mon i osso e al., 2023).
Em bebés e c ianças hospi alizadas, a eabili ação ocou-se, maio i a iamen e, na unção espi a ó ia,
com in e enções adap adas à idade e ensino aos cuidado es sob e inalo e apia e exe cícios
espi a ó ios. A colabo ação amilia oi cen al pa a o sucesso da eabili ação e a inclusão da c iança
no seu con ex o habi ual. Con udo, a ealização des as in e enções exigiu sensibilidade écnica e
g ande capacidade de adap ação po pa e do EEER, dada a agilidade ana ómica dos bebés e os
desa ios de coope ação em idade pediá ica. A cons an e a aliação do es ado clínico oi essencial pa a
ga an i a e icácia e segu ança dos cuidados. O exemplo do bebé J.F., de 4 meses, com issomia 21,
in e nado com in eção espi a ó ia e ins abilidade clínica, ilus a es a complexidade. De ido à
necessidade equen e de colhei as de sangue e à manu enção do ca e e cen al, o bebé ap esen a a-
se equen emen e exaus o, o que ob iga a ao adiamen o das sessões de cinesi e apia espi a ó ia pa a
momen os mais opo unos do dia, espei ando os seus i mos e p omo endo o seu con o o. Es a
adap ação dos ho á ios e das in e enções e elou-se essencial pa a ga an i a ealização do p og ama
de eabili ação espi a ó ia, sem comp ome e o seu bem-es a .
O espei o pelos ciclos de sono, pelos momen os de alimen ação e pelas limi ações ísicas impos as
pela condição clínica o am conside ados em cada decisão, assegu ando uma abo dagem cen ada na
c iança e p omo o a do seu desen ol imen o global.
A a aliação con ínua dos p og amas de eabili ação e elou-se essencial pa a ga an i a qualidade e a
segu ança dos cuidados p es ados, pe mi indo a sua cons an e adap ação à condição clínica dos
u en es e à sua e olução. Es a moni o ização sis emá ica, ealizada ao longo dos es ágios, eco eu a
escalas alidadas e aos sis emas in o má icos das ins i uições, possibili ando o egis o e análise da
35
1. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
A amília cons i ui o ambien e na u al pa a a ansmissão de no mas e alo es é icos, cul u ais, sociais
e cí icos, desempenhando um papel undamen al na ap endizagem dos es ilos de ida, c enças e
p incípios do indi íduo. É a p imei a unidade onde es e se inse e, con ibuindo a i amen e pa a o seu
desen ol imen o, socialização e o mação da pe sonalidade (Ma ins e al., 2023).
A amília em como p incipais obje i os assegu a o bem-es a dos seus memb os e a ua como agen e
de e minan e no seu desen ol imen o (Pe onilho, 2007). Es a é um sis ema dinâmico que se
eo ganiza con inuamen e pa a esponde às mudanças necessá ias, ga an indo a sa is ação das suas
necessidades básicas e dos seus memb os (Ma ins e al., 2023).
O aumen o da espe ança média de ida, associado ao c escimen o do núme o de pessoas em si uação
de dependência e com doenças c ónicas, eio e o ça a impo ância do papel desempenhado pela
amília, uma ez que o ambien e amilia cons i ui, po excelência, o espaço p i ilegiado pa a a
p es ação de cuidados con ínuos e in eg ais à pessoa dependen e. Con udo, es a ealidade impõe uma
esponsabilidade signi ica i a sob e os memb os da amília (Pe onilho, 2007).
A doença de um memb o da amília ompe a homeos asia amilia , exigindo uma eadap ação cole i a
pa a es abelece o equilíb io do sis ema, dado que a al e ação na unção/papel/si uação de um dos
seus elos a e a odos os es an es (Menoi a, 2012). No en an o, quando a amília se ê pe an e a
necessidade de cuida de um memb o dependen e, é comum que as esponsabilidades associadas a
essa ansição não sejam dis ibuídas de o ma equi a i a en e odos os seus memb os (Pe onilho,
2007).
A p es ação de cuidados a um amilia dependen e no seio da amília en ol e di e sas dimensões
ele an es pa a os en e mei os. En e elas, des acam-se as ansições, equen emen e desencadeadas
po e en os inespe ados e indesejá eis, que podem se i enciadas num con ex o de ince eza e
ins abilidade. Es as mudanças podem o na , an o a pessoa dependen e como o amilia cuidado ,
mais ulne á eis, sendo que, pela sua p oximidade e compe ência, os en e mei os es ão
pa icula men e bem posicionados pa a p es a supo e e o ien ação nes as si uações (Gonçal es,
2013).
36
Na sua Teo ia das T ansiçõ , A M “ ”
en e magem. É de inida como uma passagem de um es ado ela i amen e es á el pa a ou o
ela i amen e es á el, sendo desencadeada po uma mudança e ca ac e izada po ases dinâmicas,
ma cos e pon os de i agem, podendo se comp eendida a a és de p ocessos e/ou esul ados. Es e
concei o é pa icula men e ele an e pa a os en e mei os de ido às suas implicações pa a a saúde. A
in e enção de en e magem p ocu a apoia a pessoa na c iação de condições a o á eis a uma
ansição saudá el, conside ando a saúde e o bem-es a como possí eis esul ados da sua in e enção
(Meleis, 2010).
Du an e o pe íodo de ansição, as in e enções e apêu icas implemen adas pelo EEER isam
p omo e pad ões de espos a adequados nas pessoas sob os seus cuidados. Es as espos as
mani es am-se que ao ní el do p ocesso (a a és da o ien ação, in e ação com ou os na mesma
condição e com p o issionais de saúde), que ao ní el do esul ado (mes ia, e o mulação da
iden idade), aduzindo-se numa ansição e icaz e posi i a (Ribei o e al., 2021b).
É impo an e cla i ica que, no con ex o des a análise, o oco incide pa icula men e sob e a ansição
expe ienciada pelo cuidado in o mal, e não sob e a ansição clínica ou uncional da pessoa em
si uação de dependência. De aco do com Meleis (2010), as ansições implicam ans o mações nos
papéis sociais e nas elações in e pessoais, sendo o p ocesso de se o na cuidado um exemplo
pa adigmá ico de ansição si uacional. Es a mudança pode se ab up a, não planeada, e implica uma
eo ganização p o unda da iden idade, do quo idiano e da dinâmica amilia . Como e e em Ribei o e
al. (2021b), o en e mei o especialis a de e econhece e acompanha es as ans o mações, in e indo
desde os p imei os sinais de mudança, pa a acili a a adap ação e p omo e uma ansição saudá el.
Des e modo, o papel do EEER e ela-se c ucial na capaci ação do cuidado in o mal enquan o sujei o
em ansição, apoiando não só a aquisição de compe ências, mas ambém a econs ução do equilíb io
emocional e uncional ace às no as exigências impos as pelo cuidado.
Assim, o desa io que os en e mei os en en am é comp eende os p ocessos de ansição e
desen ol e in e enções e icazes que p omo am a ecupe ação da es abilidade e do bem-es a das
pessoas. Mas independen emen e da ansição i enciada, o EEER de e oca -se especialmen e no
modo como a pessoa/ amilia cuidado / amília enca am a no a condição de saúde, ou seja, à o ma
como se consciencializa am ace ca da si uação e da mudança que es a aca e a, in e indo o mais
p ecocemen e possí el (Ribei o e al., 2021b).
37
1.1 O Cuidado
Como já desc i o an e io men e, o en elhecimen o populacional em conduzido a um aumen o do
núme o de pessoas com p oblemas de saúde e dependências. Pa alelamen e, os a anços na saúde e
ecnologia êm pe mi ido a sob e i ência a lesões po encialmen e a ais e uma maio longe idade pa a
pessoas com doenças c ónicas (O dem dos En e mei os, 2018).
Es a endência implicou um aumen o da necessidade e consumo de cuidados de saúde de longa
du ação. Nesse sen ido, mui os países eu opeus êm implemen ado e o mas subs anciais nas polí icas
e sis emas de cuidados de longa du ação. Adicionalmen e, os co es nos se iços de saúde
p o issionais êm le ado a um aumen o signi ica i o na p ocu a po cuidados in o mais, an o po
amilia es quan o po cuidado es não amilia es (Sousa e al., 2022).
Os cuidado es de pessoas dependen es di idem-se em o mais e in o mais, di e enciando-se pelo
ínculo, o mação e na u eza da p es ação de cuidados. O cuidado o mal é um p o issional
emune ado, com o mação especí ica na á ea da saúde, in eg ados em ins i uições de saúde ou apoio
social e sujei o a egulamen ação p o issional (Ma ga ido, 2016). Po ou o lado, o cuidado in o mal é,
maio i a iamen e, um amilia ou amigo que p es a cuidados de o ma não emune ada, mui as ezes
sem o mação adequada (Ca alho e al., 2022).
O e mo Cuidado In o mal (CI) ap esen a di e sas designações na li e a u a, podendo se indicado
como Familia Cuidado (FC), dado que es a unção é, na maio ia das ezes, assumida po amilia es,
con o me mencionado an e io men e. De aco do com a In e na ional Council o Nu ses (2020), o FC é
“ í ” ( .
63). No en an o, uma ez que a designação mais comum é CI, no con ex o da legislação, assim como
a ní el da in es igação, se á essa a u ilizada ao longo do ela ó io.
De aco do com a Eu oca e s (2023), en e 2013 e 2060, a pe cen agem de pessoas dependen es em
Po ugal de e á c esce de 8,5% pa a 13,4% da população o al, um aumen o de 57%, supe io à média
da União Eu opeia de 36%. O núme o de esiden es com o es limi ações de ido a p oblemas de
saúde pode á subi de 0,89 pa a 1,1 milhões.
Também segundo a úl ima edição do inqué i o nacional de saúde, em 2014, ce ca de 1,1 milhões de
pessoas com 15 anos ou mais (12,5% da população o al) p es a am assis ência ou cuidados in o mais
a pessoas com p oblemas de saúde ou idade a ançada. A maio ia (85%) cuida a de amilia es, sendo
38
que 57,4% dedica am pelo menos 10 ho as semanais a essa a e a. As mulhe es ep esen a am 61%
do o al de cuidado es in o mais e, en e elas, 64,3% p es a am cuidados du an e 10 ho as ou mais
(Eu oca e s, 2023).
A c iação do Es a u o do Cuidado In o mal, a a és da Lei nº100/2019, ep esen ou um ma co
signi ica i o no âmbi o da saúde e da p es ação de cuidados in o mais em Po ugal, econhecendo
o malmen e o papel dos cuidado es e es abelecendo medidas de apoio des inadas a melho a as
condições em que es es p es am assis ência.
A legislação po uguesa dis ingue o concei o de cuidado in o mal em duas denominações dis in as:
cuidado in o mal p incipal e cuidado in o mal não p incipal (Lei nº 100/2019 de 6 de se emb o,
2019). O cuidado in o mal p incipal é en endido como:
O cônjuge ou unido de ac o, pa en e ou a im a é ao 4.º g au da linha e a ou da linha cola e al da pessoa
cuidada, que acompanha e cuida des a de o ma pe manen e, quando se e i ique, comp o adamen e, uma
i ência de en eajuda e pa ilha de ecu sos en e ambos, coincidindo ou não o domicílio iscal, e não au e indo
qualque emune ação de a i idade p o issional ou pelos cuidados que p es a à pessoa cuidada; aquele que, não
sendo amilia da pessoa cuidada, acompanha e cuida des a de o ma pe manen e, i endo em comunhão de
habi ação, e com o mesmo domicílio iscal da pessoa cuidada, e não au e indo qualque emune ação de
a i idade p o issional ou pelos cuidados que p es a à pessoa cuidada (p.9).
Po z, “quem acompanha e cuida de o ma
egula , mas não pe manen e da pessoa cuidada, podendo au e i ou não emune ação po a i idade
” ( .9).
Cuida de uma pessoa dependen e implica um abalho con inuo, diá io e inin e up o, o que pode
le a ao desgas e ísico e emocional do CI, impac ando a sua ida pessoal. A p es ação de cuidados
po es es é, na maio ia dos casos, baseada na expe iência p á ica e no senso comum, sem que enha
sido p ecedida po o mação especí ica na á ea do cuida (Fialho, 2022).
De aco do com um es udo do Mo imen o Cuida dos Cuidado es In o mais (2021), quando inqui idos,
os cuidado es apon am a al a de o mação/capaci ação (51,8%) como uma das p incipais di iculdades
que en en am. Além disso, 43,2% e e em sen i -se pessoalmen e desp epa ados e sem capacidade
pa a desempenha esse papel. Con udo, quando ques ionados sob e qual o ipo de ajuda que
necessi am, apenas 5,7% e e em a o mação.
39
As polí icas e di e izes elacionadas com a capaci ação do cuidado , es ão o ien adas po um conjun o
de no mas e documen os que isam ga an i o apoio adequado aos cuidado es amilia es e
p o issionais, p omo endo o seu bem-es a e a capaci ação pa a a execução das suas unções de
o ma e icaz e segu a. Como já oi e e ido, o Es a u o do Cuidado In o mal, ap o ado pela Lei nº
100/2019, de 6 de se emb o, econhece os di ei os e de e es dos cuidado es in o mais e das pessoas
al o dos cuidados. Es e es a u o es abelece medidas de apoio, incluindo o mação especí ica pa a os
cuidado es, isando do á-los de compe ências adequadas à p es ação de cuidados. A Po a ia n.º
64/2020, de 10 de ma ço, egulamen a aspe os como a o mação e in o mação aos cuidado es,
pa icipação em g upos de au oajuda e apoio psicossocial. Adicionalmen e, a Po a ia n.º 269/2022,
de 8 de no emb o, cons i ui a Comissão de Acompanhamen o, Moni o ização e A aliação do Es a u o
do Cuidado In o mal, assegu ando a implemen ação e icaz das medidas de apoio e is as (Lei n.º
100/2019, 2019; Po a ia n. º 269/2022, 2022; Po a ia n.º 64/2020, 2020).
Exis e, ainda, um po al de se iços públicos da República Po uguesa, denominado Go .p (2025), que
disponibiliza um Guia P á ico, denominado Guia dos cuidado es, pa a download. Es e guia em
in o mação ú il sob e a pessoa que cuida (cuidado ) e a pessoa cuidada, com des aque pa a os seus
di ei os e bene ícios, medidas de apoio e se iços, bem como espos as a á ios ní eis, que p omo am
a melho ia da sua qualidade de ida. A in o mação di ulgada no po al des ina-se ambém a
p o issionais que in e enham jun o de cuidado es e pessoas cuidadas.
Es as polí icas e di e izes e le em o comp omisso do nosso país em p omo e a qualidade dos
cuidados de eabili ação a a és da in eg ação da capaci ação do cuidado nas suas polí icas de saúde.
1.2. O Cuidado e o EEER
Nos hospi ais, a al a p ecoce é incen i ada não apenas pela necessidade con ínua de disponibiliza
agas, mas ambém pelos iscos ine en es a in e namen os p olongados. No en an o, essa an ecipação
da al a impõe o desa io de capaci a a amília pa a a p es ação de cuidados e de ga an i a adequada
adap ação do domicílio às necessidades da pessoa dependen e (Fialho, 2022).
Os CI desempenham en ão um papel essencial na ede de cuidados, sendo, po isso, undamen al
apoiá-los na ges ão das di iculdades ine en es à p es ação de cuidados. A qualidade dos cuidados
p es ados es á di e amen e elacionada com o bem-es a do cuidado , o nando essencial iden i ica os
ecu sos necessá ios pa a minimiza a sob eca ga ísica e emocional des es. Assim, os p o issionais de
saúde de em comp eende essas necessidades, de modo a desen ol e em planos de apoio e icazes
40
que p omo am melho es condições pa a os cuidado es e con ibuam pa a a edução do uso
desnecessá io de se iços hospi ala es (Dixe e al., 2019).
A c iação da Rede Nacional de Cuidados Con inuados In eg ados (RNCCI), a a és da Lei nº
101/2006, eio es abelece o egime ju ídico pa a a eabili ação e a in eg ação das pessoas em
si uação de dependência, em di e en es momen os e ci cuns âncias da e olução das suas doenças e
si uações sociais. Também a Lei nº 38/2004, que de ine as bases ge ais do egime ju ídico da
p e enção, habili ação, eabili ação e a in eg ação da pessoa com de iciência, e o ça a necessidade de
p omo e a capaci ação dos cuidado es, a a és de medidas especí icas de o mação (Dec e o-Lei n.º
101/2006, 2006; Dec e o-Lei n.º 38/2004, 2004). Nes e con ex o, des aca-se a ele ância das
Equipas de Cuidados Con inuados In eg ados (ECCI), que, ao p es a cuidados no domicílio, p omo em
a con inuidade dos cuidados e a melho ia da qualidade de ida das pessoas em si uação de
dependência.
Os EEER assumem um papel cen al nes as equipas, sendo esponsá eis não apenas pela in e enção
di e a jun o da pessoa dependen e, mas ambém pela capaci ação dos cuidado es in o mais, do ando-
os de compe ências e conhecimen os essenciais pa a o cuidado segu o, e icaz e humanizado no
domicílio.
En e as di e sas medidas de apoio c iadas com o Es a u o do Cuidado In o mal (Ins i u o da
Segu ança Social, 2025), des aca-se ainda a designação de um p o issional de saúde de e e ência,
esponsá el po aconselha , acompanha , capaci a e o ma o CI.
Nes e âmbi o, o EEER, pela sua á ea de compe ência, que ab ange odas as ases do ciclo i al e os
di e sos p ocessos de saúde-doença, des aca-se como um dos p o issionais de saúde pa icula men e
quali icados pa a assumi essa unção. Es e papel é e o çado pelo Pad ão Documen al dos Cuidados
de En e magem da Especialidade de Reabili ação (O dem dos En e mei os, 2015b), no qual são
desc i as di e sas in e enções que e idenciam a sua a uação an o jun o da pessoa dependen e como
dos seus cuidado es, incluindo a esponsabilidade do EEER no ensino, ins ução e eino do clien e e CI
nas á eas do au ocuidado e uso de p odu os de apoio, capaci ando-os pa a p omo e o bem-es a e
melho ia da qualidade de ida.
Reis & Bule (2023) de inem capaci ação como um p ocesso mul idimensional que en ol e
conhecimen o, decisão e ação. Os p ocessos de capaci ação são adap ações que podem oco e de
41
o ma g adual, associados ao desen ol imen o pessoal, ou de manei a ab up a, sendo desencadeados
po expe iências i idas ou si uações inespe adas. É es a capaci ação que po sua ez le a á à mes ia
do CI no cuidado ao seu amilia . Nes e con ex o, os modelos eó icos de en e magem o e ecem
con ibu os essenciais pa a comp eende e o ien a es e pe cu so de ans o mação. Além do modelo
de ansições de Meleis que pe mi e iden i ica e acompanha as mudanças emocionais, sociais e
p á icas associadas à adoção do no o papel de cuidado , des acando a impo ância do apoio
p o issional pa a acili a essa ansição (Meleis e al., 2000), exis em ou os modelos de capaci ação
como o modelo de adap ação de Roy que en ende o cuidado como um se adap a i o, cuja espos a
ao desa io do cuida depende do equilíb io en e es ímulos ex e nos e os seus mecanismos in e nos de
coping
(Roy, 2009).
A eo ia do au ocuidado de O em e o ça a necessidade de capaci a o cuidado não apenas pa a o
cuidado ao ou o, mas ambém pa a a manu enção do seu p óp io bem-es a , e i ando o esgo amen o
(O em, 2001). Po sua ez, o modelo de
empowe men
de Gibson alo iza a cons ução da au onomia
e da au ocon iança, p omo endo uma capaci ação a i a e cen ada no cuidado como agen e deciso
(Gibson, 1995). A eo ia do
s ess e coping
de Laza us e Folkman con ibui com uma pe spe i a
psicológica, ajudando a econhece os a o es de s ess ine en es ao cuida e a impo ância de
p omo e es a égias e icazes de
cooping
(Laza us & Folkman, 1984)
.
Po im, o
Family Ca egi e
Compe ency F amewo k
(Gube man e al., 2001) o e ece uma abo dagem p á ica e es u u ada,
desc e endo as compe ências essenciais pa a o desempenho e icaz do papel de cuidado , incluindo o
conhecimen o écnico, as habilidades p á icas e o supo e emocional. A in eg ação des es modelos
pe mi e uma abo dagem holís ica e undamen ada da capaci ação, espondendo às eais necessidades
dos cuidado es in o mais e alo izando a sua expe iência indi idual, o nando-os pa cei os a i os na
con inuidade dos cuidados.
Na in e ação com o CI, o EEER de e e como base dessa elação a sua unicidade, es abelecendo
p io idades que conside em as necessidades an o da pessoa assis ida como do cuidado . Compe e ao
EEER ansmi i conhecimen os e desen ol e capacidades que habili em o CI na p es ação de
cuidados, o e ecendo-lhe a ins ução e o eino necessá ios pa a que se sin a p epa ado e mo i ado
pa a en en a os desa ios de saúde (Oli ei a e al., 2021).
Sequei a (2018) e o ça a ideia de que, a a uação dos p o issionais de saúde é essencial pa a
capaci a os cuidado es, do ando-os de compe ências cogni i as (in o mação), ins umen ais (sabe -
42
aze ) e pessoais (sabe lida com). Pa a p omo e ganhos em saúde an o pa a o cuidado quan o
pa a a pessoa cuidada, é c ucial o alece a colabo ação en e cuidado es o mais e in o mais. O
mesmo au o suge e a implemen ação de p og amas es u u ados em ês ases: inicialmen e, a
disponibilização de in o mação sob e a doença e os cuidados necessá ios; pos e io men e, o apoio
p á ico a a és de o ien ação, ins ução e eino; e, po im, a o e a de supo e emocional e psicológico
pa a minimiza a sob eca ga associada ao a o de cuida .
A impo ância de desen ol e modelos e p og amas de capaci ação, e po sua ez, a mes ia é
supo ada pela e idência que indica que, mesmo os p og amas de cu a du ação, con ibuem pa a a
edução da sob eca ga do cuidado e pa a a melho ia das suas compe ências no desempenho do
cuida . Pa a maximiza o impac o, os cuidado es de em se pa icipan es a i os nesses p og amas, em
ez de um papel me amen e ece i o, p omo endo a sua au oe icácia (Dixe e al., 2020).
Tal como já oi ei e ado, o EEER em como uma das suas unções sup i as necessidades educa i as
dos cuidado es. A educação no âmbi o da saúde, sob uma pe spe i a c í ica, de e se is a como um
p ocesso de cons ução, onde ap ende en ol e desen ol e habilidades pessoais e sociais, em ez de
simplesmen e adqui i conhecimen os ou ep oduzi compo amen os. O en oque a ual nas p á icas
educa i as isa o alece a capacidade de escolha das pessoas, incen i ando a pa icipação a i a no
p ocesso de omada de decisão e na implemen ação de es a égias pa a melho a a sua saúde (Pin o
e al., 2023; Sousa e al., 2020).
Assim, é undamen al ga an i que o cuidado disponha de um conjun o de conhecimen os,
compe ências e ecu sos que lhe pe mi am p es a assis ência adequada ao seu amilia dependen e
pelo que o en e mei o de e iden i ica , planea , execu a e a alia con inuamen e as suas in e enções,
ga an indo uma abo dagem e icaz e ajus ada às necessidades do cuidado e da pessoa dependen e
(Pe onilho, 2007).
1.3 P og amas de Reabili ação
Os P og amas de Reabili ação em En e magem são um conjun o de in e enções sis emá icas e
planeadas que isam es au a a uncionalidade e a qualidade de ida de u en es que en en am
limi ações ísicas, men ais ou sociais de ido a doenças, lesões ou condições c ónicas. Es es p og amas
são desen ol idos po equipas de en e magem em colabo ação com ou os p o issionais de saúde e
43
podem inclui um conjun o de a i idades, como exe cício ísico, educação pa a a saúde, supo e
emocional e eino de a i idades de ida diá ias.
Os p og amas de En e magem de Reabili ação êm como obje i o p incipal p omo e a au onomia e a
ein eg ação social da pessoa em si uação de dependência. Es es p og amas baseiam-se em p incípios
como a indi idualização do cuidado, a abo dagem mul idisciplina e o en ol imen o a i o do u en e e
da amília no p ocesso de eabili ação (O dem dos En e mei os, 2019b).
A En e magem de Reabili ação em Po ugal em-se a i mado como uma especialidade essencial na
p omoção da au onomia e uncionalidade das pessoas em si uação de dependência. Es a p á ica
especializada é o ien ada po p og amas es u u ados que isam a ecupe ação e ein eg ação dos
u en es na comunidade. A En e magem de Reabili ação é uma á ea especializada da p á ica de
en e magem que isa maximiza o po encial uncional e a qualidade de ida das pessoas com
limi ações ísicas, psíquicas ou sociais, empo á ias ou pe manen es. Em Po ugal, o desen ol imen o
de p og amas de En e magem de Reabili ação em ganho ele o, acompanhando as necessidades
c escen es da população en elhecida e com doenças c ónicas (O dem dos En e mei os, 2018, 2019b;
Co eia e al., 2023).
Segundo a O dem dos En e mei os (2019b), o EEER é esponsá el po planea , implemen a e a alia
in e enções de en e magem que isem es au a ou man e a uncionalidade, u ilizando écnicas
especí icas, como a cinesi e apia, o eino de AVD, e a p e enção de complicações associadas à
imobilidade.
Exis em di e sos p og amas de En e magem de Reabili ação que são implemen ados em di e en es
con ex os de saúde, cada um ocado nas necessidades especí icas dos u en es, nomeadamen e
P og amas de Reabili ação Neu ológica, ocada nos u en es que so e am Aciden e Vascula Ce eb al
(AVC), lesões ce eb ais aumá icas ou ou as condições neu ológicas. O obje i o é es au a a unção
mo o a, a ala e a cognição (A aújo e al., 2021; San os, Ma ins & Campos, 2020); Reabili ação
Ca díaca des inada a pessoas com doenças ca dio ascula es, isando p omo e a edução do isco
ca dio ascula , incen i a a adoção e manu enção de compo amen os de ida saudá eis, diminui a
incapacidade e p omo e um es ilo de ida a i o (Delgado e al., 2021); Reabili ação Respi a ó ia pa a
u en es com doenças espi a ó ias em que o p og ama é compos o po eino de exe cício, educação,
eeducação uncional espi a ó ia e supo e psicossocial (O dem dos En e mei os, 2023); a
Reabili ação Ge iá ica, com oco na população idosa, in es e na ecupe ação de habilidades uncionais
44
e a p e enção de quedas e complicações (Ga cia, Cunha & No o, 2021; Rod igues Mendes e al.,
2023; Gomes e al., 2019); a Reabili ação O opédica abalha com u en es que passa am po ci u gias
o opédicas ou que êm lesões musculoesquelé icas, ocando na ecupe ação da mobilidade e o ça
muscula (Lou enço e al., 2021; Dias, Fe inho Fe ei a & Messias, 2021) e ainda a Reabili ação em
Oncologia que se des ina a u en es com p oblemas oncológicos e que es ão a lida com os e ei os
cola e ais do a amen o a melho a a sua qualidade de ida (San os & Pêla, 2023; Rod igues &
Gomes, 2021).
Em Po ugal, os p og amas de En e magem de Reabili ação podem se ealizados em di e en es
con ex os: Unidades de In e namen o de Reabili ação, p esen es em hospi ais e cen os de eabili ação,
es es p og amas são di igidos a pessoas com sequelas neu ológicas, o opédicas ou ou as condições
limi an es, com oco na eabili ação in ensi a; Unidades de Cuidados Con inuados In eg ados, que
con emplam, no âmbi o da RNCCI, unidades de média e longa du ação onde os en e mei os de
eabili ação desen ol em planos e apêu icos pe sonalizados pa a u en es em ase de ecupe ação ou
es abilização clínica; Reabili ação no Domicílio, onde os cuidados de saúde são p es ados di e amen e
na casa do u en e, po equipas da unidade de saúde (como os Cuidados de Saúde P imá ios ou
Cuidados Con inuados In eg ados – ECCI), que p opo cionam p og amas de eabili ação no domicílio,
pe mi indo ao u en e ecupe a num ambien e amilia , ap esen ando e icácia na edução da
ins i ucionalização e na melho ia da qualidade de ida; e, po im, P og amas na Comunidade, onde os
cuidados são p es ados o a do domicílio e o a do hospi al, em espaços da comunidade como cen os
de saúde, escolas, cen os de dia, Ins i uições Pa icula es de Solida iedade Social (IPSS), la es de
idosos, associações locais, e c., em que os en e mei os de eabili ação pa icipam em p og amas de
p e enção de quedas, p omoção da mobilidade e educação pa a a saúde, di igidos a g upos
ulne á eis, como idosos.
En e os p incipais desa ios en en ados pa a a implemen ação dos p og amas des acam-se a escassez
de ecu sos humanos especializados, a necessidade de o mação con ínua, e a in eg ação e e i a dos
en e mei os de eabili ação em equipas mul idisciplina es. No en an o, com o en elhecimen o
populacional e o aumen o das doenças c ónicas, p e ê-se uma maio alo ização e expansão des a
á ea.
Todo o expos o e idenciou a igu a de e e ência que é o EEER assumindo-se como um acili ado na
adap ação e icaz do CI ao seu no o papel. Es e p o issional es abelece pa ce ias en e cuidado es
51
Os dados o am ex aídos dos a igos selecionados pa a es a e isão, po 4 e iso es independen es
usando uma e amen a de ex ação de dados desen ol ida pelos mesmos, no
Mic oso Excel
incluído
no
Mic oso 365
(
Mic oso Co po a ion
, 2024). Os dados ex aídos incluí am de alhes especí icos
sob e a população, o concei o e o con ex o an e io men e de inidos, os mé odos u ilizados e os
esul ados ele an es pa a a pe gun a de pesquisa.
Es udos iden i icados: 752
Scopus: n = 185
Coch ane Da abase: n = 387
PubMed: n = 4
EBSCOHos : n = 110
RCAAP: n = 22
Scielo: n = 2
DANS Da a S a ion: n = 7
P oQues : n = 22
BVS: n = 7
Google Académico: n = 6
Es udos emo idos po
duplicação (n = 446)
Es udos pa a iagem
(n = 306)
Es udos excluídos após lei u a
do í ulo e/ou esumo
(n = 203)
Es udos a aliados pa a
elegibilidade
(n = 103)
Es udos excluídos após lei u a
do ex o comple o (n = 89)
To al de es udos incluídos na
scoping e iew (n = 14)
Iden i icação dos es udos a a és de bases de dados
Iden i icação
T iagem
Incluído
Figu a 1: Fluxog ama PRISMA adap ado às
scoping e iews
52
3. RESULTADOS
Os esul ados des a e isão se ão ap esen ados de o ma es u u ada, seguindo a lógica das ques ões
de in es igação que o ien a am odo o p ocesso de e isão, de o ma a pe mi i uma comp eensão
cla a das e idências disponí eis ela i amen e aos p og amas de En e magem de Reabili ação
p omo o es da capaci ação do cuidado .
Os es udos incluídos nes a e isão o necem um pano ama de pesquisas ecen es sob e p og amas de
En e magem de Reabili ação ocados na capaci ação de cuidado es in o mais pa a pessoas com
di e sas condições de saúde, como o AVC, lesão e eb o-medula (LVM) e doenças ca díacas. Es es
es udos, abo dam desde a iden i icação de necessidades e desen ol imen o de e amen as educa i as
(como jogos digi ais ou b ochu as in o ma i as) a é à a aliação da e icácia das in e enções, em
con ex os domiciliá ios e comuni á ios.
Com base na pesquisa e e uada, obse a-se uma cla a p edominância de es udos ealizados em
Po ugal. Dos 14 es udos incluídos, publicados en e 2019 e 2024, a la ga maio ia (n =12), o am
conduzidos em Po ugal. Os es an es dois es udos o am ealizados na China (Zhou e al., 2019) e na
Tailândia (Gane ian y e al., 2021), ha endo ainda um es udo de consenso in e nacional ( ipo Delphi)
que, embo a con ando com especialis as de 20 países, incluindo Po ugal, B asil e EUA, não es á
associado a um único país de implemen ação de p og ama (Lou ei o e al., 2024). Na abela 2,
encon am-se compilados os dados essenciais ex aídos dos 14 es udos selecionados pa a es a
scoping e iew
:
3.1 P og amas de En e magem pa a Capaci ação do Cuidado
Dos es udos analisados, iden i icam-se uma a iedade de p og amas de En e magem de Reabili ação,
dis ibuindo-se po di e en es ipologias, de aco do com a condição clínica do u en e e os obje i os
especí icos da capaci ação do cuidado . Des a o ma, oi possí el ag upa os p og amas em ês
ca ego ias p incipais: p og amas de eabili ação neu ológica, ca díaca e musculoesquelé ica. Na á ea
da eabili ação neu ológica, encon am-se a maio ia dos es udos analisados, e le indo a ele ada
p e alência de si uações como o AVC, a lesão ce eb al aumá ica (LCT) e a lesão e eb o-medula
(LVM).
53
Tabela 2: Es udos selecionados
Nº
Au o (es), Ano, País,
Tí ulo do Es udo
Tipo de
Es udo/Me odologia
Obje i os do Es udo
P incipais Resul ados
Con ex o
E1
San os C.A.,2019
Po ugal
O papel do en e mei o de
eabili ação na capaci ação
do cuidado in o mal nos
cuidados domiciliá ios:
e isão da li e a u a
Re isão sis emá ica da
li e a u a
Iden i ica as in e enções do en e mei o de
eabili ação num p og ama de eabili ação
domiciliá ia, de o ma a capaci a a Pessoa e os
Cuidado es In o mais no p ocesso de ges ão da
doença.
O EEER capaci a cuidado es na p es ação de cuidados ao
doen e dependen e, o ien ando adap ações no domicílio,
p e enindo complicações e ajudando a de ini obje i os
ealis as no p ocesso de eabili ação. Es as in e enções
o alecem o papel do cuidado na au oges ão da doença,
melho am a au onomia da pessoa cuidada e ge am
ganhos em saúde.
Con ex o domiciliá io
E2
Zhou B., Zhang J., Zhao Y.,
Li X., C aig S.A., Xie B., e
al., 2019
China
Ca egi e -Deli e ed S oke
Rehabili a ion in Ru al
China: The RECOVER
Randomized Con olled T ial
Ensaio clínico
andomizado con olado
De e mina a e icácia de um modelo de
eabili ação pós-AVC, lide ado po en e mei os e
implemen ado po cuidado es, em á eas u ais
da China.
Um p og ama ino ado de eabili ação pós-AVC, lide ado
po en e mei os, com supo e digi al e en egue a
cuidado es, não melho ou o desempenho uncional dos
u en es pós AVC, em á eas u ais da China. Não hou e
di e ença es a is icamen e signi ica i a na ecupe ação
ísica en e os g upos de in e enção e con ole; desa ios
na implemen ação de ido à complexidade do eino.
É necessá ia mais in es igação em eabili ação pós-AVC
adequada a con ex os com poucos ecu sos.
Hospi ais u ais
E3
Ba bas L., 2020
Po ugal
P opos a de capaci ação
pa a a pessoa com
al e ações do au ocuidado e
pa a o seu cuidado : ganhos
sensí eis dos cuidados de
En e magem de
Reabili ação
Rela ó io de Es ágio
Desc e e as compe ências do EEER
desen ol idas na capaci ação da pessoa e do
cuidado .
Fo am cons uídos um modelo de capaci ação pa a o
au ocuidado e um plano de in e enção. Ob i e am-se
ganhos na uncionalidade ge al e no au ocuidado de odas
as pessoas. A capaci ação do cuidado con ibuiu pa a o
seu p óp io au ocuidado, assim como pa a a melho ia dos
cuidados p es ados à pessoa dependen e.
Con ex o Hospi ala
E4
Ma os M.F., Simões J.A.,
2020
Po ugal
En e magem de
Reabili ação na T ansição
da Pessoa com Al e ação
Mo o a po AVC: Re isão
Sis emá ica da Li e a u a
Re isão sis emá ica da
li e a u a
Iden i ica as in e enções do EEER que
capaci am a pessoa e amília/cuidado , em
si uação de AVC com al e ação mo o a na
p epa ação do eg esso casa.
Des aque pa a a impo ância de p og amas de eabili ação
que in eg em as dimensões ísica, psicológica e cogni i a
da pessoa com AVC, e o çando o papel undamen al dos
cuidado es amilia es na ges ão da dependência e das
AVD. A in e enção do EEER cen a-se na capaci ação do
cuidado , no ensino e eino de AVD e na a iculação com
ecu sos comuni á ios pa a da con inuidade ao p ocesso
de eabili ação.
Con ex o domiciliá io
54
E5
Raposo P., Relhas L.,
Pes ana H., Mesqui a A.,
Sousa L., 2020
Po ugal
In e enção do en e mei o
especialis a em eabili ação
na capaci ação do cuidado
amilia após AVC: es udo
de caso
Es udo de caso quali a i o
A alia a in e enção do en e mei o especialis a
em En e magem de Reabili ação na capaci ação
do cuidado amilia e na p es ação de cuidados
a uma pessoa com AVC
A capaci ação do cuidado amilia esul ou num aumen o
p og essi o do conhecimen o e domínio das écnicas de
posicionamen o an iespás ico, com au onomia ao inal das
cinco sessões e boa adesão ao ca az in o ma i o como
ecu so educa i o. Pa a a pessoa com AVC, e i ica am-se
bene ícios como edução da do no omb o hemiplégico,
p e enção do ag a amen o da espas icidade e
manu enção da in eg idade cu ânea. O ca az in o ma i o
oi alidado e adap ado pa a melho a a cla eza isual e
linguagem, sendo alo izado ambém pela equipa de
en e magem. O cuidado desen ol eu compe ências
c í icas e es a égias adap a i as pa a ga an i con o o e
alinhamen o pos u al, culminando na esolução dos
diagnós icos de en e magem elacionados ao
conhecimen o e execução do posicionamen o
an iespás ico.
Con ex o Domiciliá io
E6
Gane ian y A., Songwa hana
P., Nilmana , K., 2021
Tailândia
T ansi ional ca e p og ams
o imp o e ou comes in
pa ien s wi h auma ic b ain
inju y and hei ca egi e s: A
sys ema ic e iew and me a-
analysis
Re isão sis emá ica e
me a-análise
A alia a e icácia de p og amas de cuidados
ansicionais na melho ia dos esul ados de
pacien es com lesão ce eb al aumá ica (TBI) e
seus cuidado es du an e a ansição hospi al-
domicílio.
Os p og amas de cuidados ansicionais pa a pessoas com
lesão ce eb al aumá ica (LCT) melho am
signi ica i amen e o desempenho ísico, a ecupe ação
uncional e a au onomia dos pacien es, além de eduzi
complicações secundá ias após a al a. Pa a os cuidado es,
esses p og amas diminuem sin omas de dep essão,
ansiedade e sob eca ga emocional, mos ando bene ícios
du adou os. As abo dagens mais e icazes incluem
educação, eino p á ico, supo e psicológico,
aconselhamen o indi idualizado e acompanhamen o pós-
al a (como isi as domiciliá ias e ollow-up), sendo esses
elemen os essenciais pa a uma adap ação bem-sucedida
ao con ex o domiciliá io, com e ei os posi i os
es a is icamen e signi ica i os pa a pacien es e cuidado es.
Con ex o Domiciliá io
E7
San os, A., 2022
Po ugal
O Papel do En e mei o de
Reabili ação na Capaci ação
do Cuidado In o mal do
Idoso Dependen e po AVC
no Domicílio
Es udo Quan i a i o -
Es udo de Caso
A alia os e ei os de um p og ama de
En e magem de Reabili ação na capaci ação do
cuidado in o mal pa a a p es ação de cuidados
de au ocuidado ao idoso dependen e após um
AVC, no domicílio.
Os esul ados indica am melho ias signi ica i as nas
capacidades dos cuidado es in o mais em odas as á eas
de au ocuidado a aliadas após a in e enção. As melho ias
o am mais acen uadas nas á eas que inicialmen e
ap esen a am maio di iculdade, nomeadamen e
es i /despi , ans e i e posiciona . Es as di e enças
o am es a is icamen e signi ica i as, e idenciando a
e icácia do p og ama de capaci ação implemen ado.
Con ex o Domiciliá io
55
E8
Pessoa C., Fe nandes C.,
Noguei a P., 2022
Po ugal
CuizGi e : desen ol imen o
de um jogo digi al pa a a
capaci ação do cuidado do
lesionado e eb o-medula
Es udo pilo o com
abo dagem me odológica
em 3 ases:
Re isão in eg a i a da
li e a u a pa a iden i ica
necessidades dos
cuidado es;
Desen ol imen o do jogo
“ zG ”;
Validação do jogo po um
g upo de 23 pe i os.
Desc e e o p ocesso de desen ol imen o e
a alia a usabilidade e acei ação do jogo digi al
“ zG ”
pessoas com lesão e eb o-medula .
Iden i icação de necessidades de conhecimen o dos
cuidado es sob e:
Ges ão da bexiga e in es ino neu ogénicos.
P e enção de in eções u iná ias e espi a ó ias.
P e enção de úlce as de p essão.
A uação pe an e dis e lexia au onómica e espas icidade.
Ges ão de medicação e nu ição adequada.
O jogo oi conside ado educa i o, apela i o e cen ado nas
dú idas dos cuidado es, com eedback posi i o dos pe i os.
Hospi ala e
Domiciliá io
E9
Peixo o A.M., 2023
Po ugal
Cuidado T ansicional ao
Cuidado In o mal da
pessoa com Aciden e
Vascula Ce eb al:
In e enções do En e mei o
Especialis a em
En e magem de
Reabili ação
Re isão Na a i a da
Li e a u a
In e enções de En e magem de Reabili ação
com oco no cuidado ansicional ao cuidado
in o mal da pessoa com AVC
Necessidades/desa ios dos cuidado es in o mais da
pessoa com AVC na ansição hospi al-casa:
- in o mação clínica e comunicação e icaz
- supo e p o issional
- supo e ju ídico/ ecu sos e supo e inancei o
- sob eca ga ísica/emocional e ges ão
emocional/psicológica
- p epa ação/ eino pa a o au ocuidado.
Con ex o Domiciliá io
E10
Lou ei o M., Pa ola V.,
Dua e J., Mendes E.,
Oli ei a I., Cou inho G.,
Ma ins M.M., e al., 2023
Po ugal
In e en ions o Ca egi e s
o Hea Disease Pa ien s in
Rehabili a ion: Scoping
Re iew
Scoping Re iew
Mapea as in e enções di ecionadas aos
cuidado es de pessoas com doenças ca díacas
em p og amas de eabili ação ca díaca que
p omo am o seu papel e saúde
In e enções iden i icadas di ecionadas ao cuidado :
- in e enções educacionais e mudanças de hábi os de ida
- exe cício ísico
- in e enções psicológicas/con olo de s ess
- ca ego ia "Ou os": in e enções de eino em supo e
básico de ida, elabo ação de
guidelines
/ ecomendações e
eino do papel de cuidado .
Domiciliá io,
Hospi ala ,
Comuni á io e Cen o
de Reabili ação
E11
An unes C.B., 2023
Po ugal
A educação e apêu ica dos
amilia es cuidado es de
pessoas com demência:
p o ocolo de a uação do
en e mei o especialis a em
En e magem de
Reabili ação
Re isão In eg a i a da
Li e a u a
Mapea e analisa a e idência exis en e sob e o
papel do en e mei o especialis a em
En e magem de Reabili ação na educação
e apêu ica do amilia cuidado da pessoa com
demência, isando a p omoção da ges ão do
egime e apêu ico.
Que online que p esencial, há bene ícios na educação
e apêu ica do Cuidado In o mal, na p omoção da ges ão
do egime e apêu ico e na saúde do p óp io cuidado .
Obse ou-se uma diminuição da sob eca ga dos
cuidado es e uma melho ia na qualidade de ida des es.
Es a educação passa pelos ensinos ela i os aos di e sos
au ocuidados, bem como pela ges ão das al e ações
compo amen ais.
Con ex o Domiciliá io
56
E12
Gomes C., 2023
Po ugal
Capaci ação de Cuidado es
de Pessoas com Al e ações
do Au ocuidado: Ganhos
Sensí eis dos Cuidados de
En e magem de
Reabili ação
Rela ó io de es ágio
Desen ol e compe ências de En e magem de
Reabili ação pa a capaci a cuidado es em
au ocuidado
Iden i ica am-se necessidades signi ica i as de capaci ação
dos cuidado es in o mais em á eas como alimen ação,
mobilização, posicionamen os, exe cícios e apêu icos e
p e enção de úlce as de p essão. A dependência uncional
dos u en es co elacionou-se com maio es ní eis de
sob eca ga dos cuidado es, ag a ada pela al a de
conhecimen o e eino adequado. As in e enções de
en e magem pe mi i am ganhos na uncionalidade dos
u en es, edução da sob eca ga dos cuidado es, melho ias
na comunicação e adap ação dos espaços domés icos,
p omo endo o au ocuidado e a capaci ação do cuidado
amilia .
Con ex o Domiciliá io
E13
Pin o D., Magalhães S.,
Fe ei a S., 2023
Po ugal
Capaci ação do Cuidado
In o mal pa a a Abo dagem
do Equilíb io Co po al da
Pessoa Dependen e em
Con ex o Domiciliá io
Es udo quase-
expe imen al, de g upo
único, longi udinal
A alia o con ibu o de um p og ama de
capaci ação pa a a abo dagem do equilíb io
co po al em casa
An es da in e enção, os CI ap esen a am baixos ní eis de
conhecimen o, sendo que 90% adqui i am compe ências
após a aplicação de um p og ama de capaci ação baseado
em sessões eó ico-p á icas ao domicílio, com ma e ial
in o ma i o e supe isão p óxima. Ve i ica am-se ganhos
signi ica i os no equilíb io co po al dos pacien es (média
de 8,9 pon os no es e de Tine i) e na au onomia uncional
(ganho médio de 21 pon os no índice de Ba hel),
sob e udo em a i idades básicas como alimen ação,
ans e ências e es uá io. A in e enção e elou-se e icaz,
con i mando que a capaci ação do cuidado con ibui pa a
melho ias no equilíb io e au onomia da pessoa
dependen e.
Con ex o Domiciliá io
E14
Lou ei o M., Dua e J.,
Mendes E., Oli ei a I.,
Cou inho G., Ma ins M.M.,
e al., 2024
Es udo in e nacional
Iden i ying Elemen s o a
Ca diac Rehabili a ion
P og am o Ca egi e s: An
In e na ional Delphi
Consensus
Delphi ele ônico
in e nacional, de ês
ondas
Iden i ica componen es de p og amas de
eabili ação ca díaca pa a cuidado es
Fo am es abelecidas se e ecomendações pa a a
in eg ação de cuidado es em p og amas de eabili ação
ca díaca, des acando-se a impo ância da sua inclusão em
ações de educação pa a a saúde, con olo de a o es de
isco e p e enção p imá ia. A pa icipação dos cuidado es
pode a o ece a adesão dos pacien es aos p og amas,
sendo ecomendada a sua p esença especialmen e nas
ases II e III da eabili ação. Além disso, incen i a-se o uso
da ele eabili ação como es a égia pa a acili a a
pa icipação a i a dos cuidado es.
Hospi ais e domicílio
Ên ase em ases
ambula o iais e
comuni á ias (Fase II
e Fase III).
57
Os p og amas incluídos nes es es udos (San os, 2019; Zhou e al., 2021; Ma os & Simões, 2020;
Raposos e al., 2020; Gane ian y e al., 2021; San os, 2022; Pessoa e al., 2022; Peixo o, 2023;
An unes, 2023) cen am-se na capaci ação do cuidado pa a p es a cuidados especí icos e segu os à
pessoa dependen e, com oco em AVD, posicionamen os e apêu icos, u ilização de ajudas écnicas e
p e enção de complicações. No que espei a à eabili ação ca díaca, os es udos de Lou ei o e al.
(2023) e Lou ei o e al. (2024) e idenciam in e enções des inadas a cuidado es de u en es com
doenças ca díacas, com is a à p omoção da li e acia em saúde, con olo de a o es de isco, adesão
ao egime e apêu ico e p e enção p imá ia. Es as in e enções incluem sessões educa i as sob e a
pa ologia, nu ição, exe cício ísico e supo e psicológico, podendo deco e de o ma p esencial ou à
dis ância ( ele eabili ação), como p opos o no es udo de consenso in e nacional de Lou ei o e al.
(2024).
Po im, os p og amas inse idos na á ea da eabili ação musculoesquelé ica su gem associados a
con ex os de limi ação uncional po lesões aumá icas, dé ice do equilíb io co po al, dé ice no
au ocuidado e al e ações da uncionalidade (Ba bas, 2020; Gomes, 2023; Pin o e al., 2023). Nes es
p og amas des aca-se o eino p á ico do cuidado nas ans e ências, mobilizações, eino de ma cha,
eino de equilíb io e exe cícios e apêu icos, com o obje i o de p omo e a ecupe ação uncional do
u en e dependen e e p e eni a sob eca ga do cuidado . Es es p og amas e idenciam melho ias
signi ica i as ao ní el da au onomia e equilíb io co po al dos u en es, bem como do desempenho e
con iança dos cuidado es.
Alguns des es p og amas são es u u ados em sessões sequenciais e pe sonalizadas, u ilizando
mé odos eó ico-p á icos como ensino, demons ação, eino supe isionado, e a aliação do
conhecimen o adqui ido. Exemplo disso é o es udo de Ba bas e al. (2020) que inclui a capaci ação
pa a posicionamen os especí icos (an iespás ico) e o es udo de Pin o e al. (2023) di ecionado pa a a
capaci ação global dos au ocuidados. Salien a-se, ainda, o desen ol imen o e alidação de e amen as
in e a i as, como jogos digi ais, pa a capaci a os cuidado es que isam o na a ap endizagem mais
in e a i a e e icaz (Zhou e al., 2021; Pessoa e al, 2022). Es es p og amas p e endem empode a o
cuidado com conhecimen os, habilidades e supo e pa a ge i em a condição do u en e dependen e e a
manu enção do seu p óp io bem-es a , p omo endo uma ap endizagem a i a e p og essi a.
58
3.2 Con ex os de aplicação dos P og amas de En e magem pa a Capaci ação do
Cuidado
A maio ia dos p og amas de capaci ação di igidos aos cuidado es são aplicados em di e sos con ex os,
sendo o domicílio da pessoa dependen e o ambien e mais equen emen e u ilizado (n = 9) (San os,
2019; Ma os & Simões, 2020; Raposo e al., 2020; Gane ian y e al., 2021; San os, 2022; Peixo o,
2023; An unes, 2023; Gomes, 2023; Pin o e al., 2023). Também se iden i ica am p og amas
implemen ados em con ex o hospi ala sob e udo na ase inicial da eabili ação onde se inicia o
p ocesso de ensino e eino do cuidado (n = 2) (Zhou e al., 2021; Ba bas, 2020). Adicionalmen e,
su gem con ex os comuni á ios, mui as ezes ligados a cen os de saúde ou cen os de eabili ação,
que p opo cionam p og amas de eabili ação a médio e longo p azo (n = 1) (Lou ei o e al., 2023). Em
alguns es udos, os p og amas deco e am em ambien es mis os, com início no hospi al e con inuidade
no domicílio, numa lógica de con inuidade de cuidados que e o ça a a iculação en e os di e en es
ní eis do sis ema de saúde (n = 2) (Pessoa e al., 2022; Lou ei o e al., 2024).
Vá ios es udos analisados abo dam in e enções de En e magem de Reabili ação, ealizados em
con ex o domiciliá io, a pessoas com doenças c ónicas e aos seus cuidado es. Em pa icula , os
u en es com AVC es ão p esen es em á ios es udos com oco no domicílio (Zhou e al., 2021, Ma os &
Simões, 2020; Raposo e al, 2020; San os, 2022; Peixo o, 2023), que des acam a capaci ação do
cuidado in o mal e a p omoção da au onomia da pessoa dependen e no eg esso a casa. Também se
iden i icam in e enções domiciliá ias pa a u en es com demência (An unes, 2023), lesão ce eb al
aumá ica (Gane ian y e al., 2021) e lesão e eb o-medula (Pessoa e al., 2022), a a és de
p og amas educa i os e digi ais ino ado es. Os cuidados de En e magem de Reabili ação a u en es
com doença ca díaca são iniciados em con ex o hospi ala (Lou ei o e al., 2023; Lou ei o e al., 2024),
com ên ase na eabili ação e con olo de a o es de isco e com o oco de con inuidade no domicílio
dos u en es. Po im, os es udos de San os (2019), Ba bas (2020), Gomes, (2023) e Pin o e al. (2023)
e e em-se a pessoas com al e ação da uncionalidade, dé ici no equilíb io co po al e no au ocuidado,
po múl iplas pa ologias (neu ológicas, oncológicas, me abólicas) que impac am na uncionalidade e
qualidade de ida do u en es e cuidado es.
3.3 Domínios da uncionalidade em que são aplicação os P og amas de En e magem pa a
Capaci ação do Cuidado
A maio ia dos p og amas de En e magem de Reabili ação aplicados pa a p omo e a capaci ação do
cuidado in o mal o am di ecionados pa a o domínio neu ológico (n = 8) (Zhou e al., 2021; Ma os &
59
Simões, 2020; Raposo e al, 2020; Gane ian y e al., 2021; San os, 2022; Pessoa e al., 2022; Peixo o,
2023; An unes, 2023). O domínio neu ológico é o mais p e alen e com p og amas ocados na
eabili ação do doen e com AVC, LCT, LVM e demência. Ou os qua o es udos o am di ecionados pa a
o domínio musculoesquelé ico (San os, 2019; Ba bas, 2020; Gomes, 2023; Pin o e al., 2023) e dois
pa a o domínio ca dio espi a ó io (Lou ei o e al., 2023; Lou ei o e al., 2024). Con udo, seis des es
es udos (San os, 2019; Ba bas, 2020; San os, 2022; An unes, 2023; Gomes, 2023; Pin o e al., 2023)
e idenciam di eciona -se pa a um domínio mis o, is o que ambém são di ecionados pa a a
uncionalidade global, incluindo p omoção do au ocuidado e in e enções a iadas como eino de AVD
básicas e ins umen ais, equilíb io co po al e ges ão do egime e apêu ico (ensino sob e uso de
medicação, uso de disposi i os).
3.3 Ins umen os de A aliação da Capaci ação do Cuidado
Os es udos selecionados mencionam alguns ins umen os u ilizados, que pa a a alia o cuidado
di e amen e (necessidades, sob eca ga, conhecimen o, u ilização de e amen as) que pa a a alia
esul ados no u en e, que podem e le i a e icácia da capaci ação do cuidado ( uncionalidade,
au onomia). Os ins umen os especi icamen e elacionados com o cuidado são:
Ques ioná io de A aliação das Necessidades de Cuidado es In o mais (QASCI), com a
inalidade de iden i ica e comp eende as necessidades ísicas, emocionais, o ma i as e
p á icas dos cuidado es in o mais de pessoas em si uação de dependência (Ba bas, 2020);
Elde ly Nu sing Co e Se
(ENCS), ins umen o baseado na Classi icação In e nacional de
Funcionalidade (CIF) pa a a alia a uncionalidade e necessidades do idoso, com oco na
a uação do cuidado (Ba bas, 2020; e Gomes, 2023);
Escala das Necessidades de Ap endizagem do Cuidado In o mal (NACI), u ilizada pa a
iden i ica as necessidades de conhecimen o e compe ências p á icas dos cuidado es in o mais
em elação aos au ocuidados (Gomes, 2023);
Escala de Sob eca ga do Cuidado In o mal de Za i , u ilizada pa a a alia a sob eca ga do
cuidado , mos ando melho ias nos sco es após a in e enção de capaci ação (Gomes, 2023);
Pa a além da u ilização de ins umen os pa a a alia a capaci ação do cuidado , ambém oi
u ilizada a
Sys em Usabili y Scale
(SUS), num es udo de desen ol imen o de jogo digi al pa a
a alia a usabilidade dessa e amen a po pe i os (Pessoa e al., 2022). Alguns es udos
quali a i os ou de caso u iliza am mé odos como obse ação di e a, en e is as, ou sessões de
eino supe isionado com a aliação inal do conhecimen o/capacidade p á ica (Raposo e al,
60
2020; San os, 2022; Pin o e al., 2023), e alidação de ma e ial educa i o como ca azes e
b ochu as (Raposo e al, 2020; Pessoa e al., 2022). Pa a e i ica a e olução nas compe ências e
pe ceção de segu ança/au onomia, nos es udos de San os (2022), Pin o e al. (2023) e Lou ei o e
al. (2024) oi ealizada compa ação com análise es a ís ica p é e pós-in e enção.
67
es udos, de in o mações essenciais pa a o mapeamen o comple o, como a ca ac e ização de alhada da
população ou a desc ição de alhada dos p og amas de En e magem de Reabili ação implemen ados.
Es a lacuna di icul ou a ecolha in eg al dos dados p e endidos em cada es udo. Ainda assim, p ocu ou-
se ex ai o máximo de in o mação possí el das di e en es on es, de o ma a ga an i um mapeamen o
ab angen e das e idências disponí eis. Também o am encon ados poucos es udos de na u eza
longi udinal, o que di icul a pe cebe os e ei os das in e enções ao longo do empo. Da mesma o ma,
poucos p og amas incluem es a égias es u u adas de
ollow-up
ou u ilizam ecu sos de
ele eabili ação de o ma sis emá ica, apesa da e idência do seu po encial, como demons ado no
es udo de Lou ei o e al. (2024). Além disso, os es udos ap esen am g ande a iedade nas
me odologias u ilizadas, an o nos ins umen os de a aliação como nos ipos de in e enção aplicados,
o que o na di ícil compa a os esul ados de o ma consis en e. Ve i icou-se, ambém, uma al a de
pad onização, an o nas in e enções aplicadas como nos c i é ios u ilizados pa a a alia os seus
impac os. Es a al a de uni o mização pode a e a a iabilidade das conclusões. Po im, g ande pa e
dos es udos analisados cen a-se em cuidado es de pessoas com doenças neu ológicas, como a
demência ou o AVC, o que e ela uma escassez de in es igação que explo e a capaci ação des es
cuidado es nou os con ex os de saúde, nomeadamen e no acompanhamen o de pessoas com
doenças c ónicas não neu ológicas. Es a lacuna apon a pa a a necessidade de amplia os ocos da
En e magem de Reabili ação, sob e udo com in e enções ol adas à au onomia uncional e qualidade
de ida global, e não apenas a eabili ação dos dé ices mo o es isolados. Além disso, apenas dois
es udos (Lou ei o e al., 2023; Lou ei o e al., 2024) abo dam especi icamen e a eabili ação ca díaca
com en ol imen o di e o do cuidado , embo a o supo e ao cuidado nesses con ex os possa melho a
signi ica i amen e a adesão ao a amen o e eduzi o isco de e en os ad e sos. Es as limi ações
e o çam a necessidade de mais in es igação que alo ize o con ibu o especí ico do EEER na
capaci ação do cuidado , em di e en es con ex os do cuidado.
68
5. NOTA FINAL
A análise dos es udos selecionados pe mi e iden i ica in e enções e icazes na capaci ação dos
cuidado es in o mais, e idenciando o con ibu o signi ica i o dos p og amas de En e magem de
Reabili ação nes e domínio. As in e enções mais ele an es incluem es a égias como o ensino eó ico
es u u ado, o eino p á ico supe isionado, o acompanhamen o pós al a, o ecu so a ecnologias
educa i as e a implemen ação de p og amas mul icomponen es pe sonalizados.
O ensino eó ico es u u ado cons i ui a base da maio ia dos p og amas, abo dando emas como o
au ocuidado, as AVD, a ges ão do egime e apêu ico, a p e enção de complicações, a ges ão de
al e ações compo amen ais e dos a o es de isco. Es e ipo de educação isa do a o cuidado de
conhecimen os undamen ais pa a a p es ação de cuidados segu os e e icazes.
A demons ação p á ica e eino supe isionado são igualmen e essenciais, pe mi indo ao cuidado
desen ol e compe ências em á eas como os cuidados de higiene, ans e ências (cama pa a cadei a),
posicionamen o co po al, o uso de ajudas écnicas, apoio na alimen ação, hid a ação, es uá io e
execução de exe cícios e apêu icos. A supe isão do EEER, especialmen e em con ex o domiciliá io,
acili a a co eção de écnicas, o escla ecimen o de dú idas e o e o ço da au ocon iança do cuidado .
O acompanhamen o após a al a hospi ala e ela-se uma es a égia undamen al pa a assegu a
a
con inuidade dos cuidados e a adap ação ao no o con ex o de ida. A ealização de isi as
domiciliá ias, o con a o ele ónico e o apoio con ínuo da equipa de saúde êm demons ado impac o
posi i o na qualidade da ansição e na adesão ao plano de cuidados. A in e enção em con ex o
domiciliá io pe mi e a ua di e amen e sob e o ambien e eal da p es ação de cuidados, o que a o ece
a adequação das o ien ações à ealidade do cuidado e da pessoa dependen e. A adap ação do
domicílio, nomeadamen e a eliminação de ba ei as a qui e ónicas e a implemen ação de al e ações
es u u ais, cons i ui uma dimensão impo an e des as in e enções, acili ando a mobilidade e a
segu ança no ambien e domés ico.
O ecu so a ecnologias educa i as em-se a i mado como uma es a égia ino ado a e um ecu so
educa i o ú il. O desen ol imen o de ma e iais in o ma i os (ca azes, b ochu as) e o uso de
õ j ( “ zG ”)
su gem como e amen as ino ado as e p omisso as pa a o na a ap endizagem in e a i a e e icaz,
69
com boa acei ação po pe i os. A ele eabili ação ambém é incen i ada pa a acili a a pa icipação
dos cuidado es.
Os p og amas mul icomponen es pe sonalizados, que in eg am educação, eino p á ico, supo e
psicológico e acompanhamen o pós-al a, e elam-se pa icula men e e icazes. A sua es u u ação em
sessões sequenciais, adap adas ao i mo de ap endizagem do cuidado e às limi ações da pessoa
cuidada, êm demons ado ganhos signi ica i os na qualidade dos cuidados e no bem-es a dos
en ol idos.
De o ma ans e sal, obse a-se que os p og amas mais e icazes são os que ado am uma abo dagem
holís ica, combinando es a égias educa i as com eino p á ico, adap ados à ealidade e às
capacidades do cuidado . Es a abo dagem em-se e elado de e minan e pa a p omo e a au onomia
da pessoa cuidada, bem como pa a melho a o bem-es a ísico e emocional do cuidado , con ibuindo
pa a um p ocesso de eabili ação mais segu o, con ínuo e cen ado na pessoa e na amília.
A li e a u a analisada e o ça que a capaci ação do cuidado in o mal con ibui pa a a melho ia das
suas compe ências, aumen o da au ocon iança e da pe ceção de segu ança, assim como pa a a
edução da sob eca ga e ansiedade. Simul aneamen e, em e ei os posi i os na pessoa cuidada,
e le indo-se em ganhos na uncionalidade, no au ocuidado, no equilíb io co po al, na au onomia e na
p e enção de complicações.
Nes e con ex o, ecomenda-se o desen ol imen o de p og amas de En e magem de Reabili ação que
incluam es a égias de seguimen o e ea aliação a médio e longo p azo, bem como o o alecimen o da
a iculação en e os di e en es ní eis de cuidados de saúde, com is a à p omoção de in e enções
con ínuas, pe sonalizadas e sus en á eis.
Em suma, os p og amas de En e magem de Reabili ação di ecionados à capaci ação dos cuidado es
in o mais cons i uem ins umen os undamen ais pa a assegu a a con inuidade de cuidados, a
au onomia uncional da pessoa cuidada e o bem-es a de ambos. Ainda assim, pe manecem desa ios
signi ica i os, como a necessidade de maio pad onização me odológica, a ampliação pa a di e en es
domínios clínicos e a a aliação longi udinal das in e enções. O e o ço do papel do EEER nes es
p og amas ep esen a, po an o, uma es a égia p omisso a pa a esponde às c escen es exigências
deco en es do en elhecimen o populacional e das condições c ónicas de saúde.
70
CONCLUSÃO
O Es ágio de Na u eza P o issional com Rela ó io cons i uiu uma e apa cen al e es u u an e no
p ocesso o ma i o, pe mi indo a consolidação das compe ências comuns do En e mei o Especialis a e
das compe ências especí icas do EEER, con o me de inido pelos Regulamen os n.º 140/2019 e n.º
392/2019. A Pa e I des e ela ó io, cen ada na análise e e lexão das a i idades desen ol idas em
con ex o de es ágio, e idenciou a p og essi a aquisição e in eg ação de conhecimen os écnicos,
cien í icos e elacionais, aduzidos na p á ica clínica a a és de in e enções indi idualizadas,
cen adas na pessoa e p omo o as da sua uncionalidade, au onomia e qualidade de ida.
O desempenho em con ex o eal de cuidados possibili ou uma a uação esponsá el e au ónoma, onde
oi possí el aplica conhecimen os eó icos e desen ol e compe ências em domínios como a a aliação
uncional, a de inição de obje i os e apêu icos ealis as, a implemen ação de in e enções de
eabili ação adequadas, bem como a capaci ação da pessoa cuidada e dos seus cuidado es in o mais.
Es a componen e p á ica oi essencial pa a a in e io ização do papel do EEER como elemen o
dinamizado da con inuidade de cuidados e agen e a i o no p ocesso de eabili ação.
Pa alelamen e, a Pa e II, co esponden e à componen e de in es igação, que in eg a uma
scoping
e iew
sob e os p og amas de En e magem de Reabili ação di igidos à capaci ação do cuidado
in o mal, pe mi iu ap o unda o conhecimen o cien í ico na á ea da eabili ação e desen ol e
compe ências de in es igação, análise c í ica e pensamen o e lexi o. Es a e isão sis emá ica
possibili ou uma comp eensão ala gada das es a égias educa i as mais e icazes, dos con ex os de
aplicação e das á eas uncionais mais equen emen e abo dadas, e o çando a e idência cien í ica que
sus en a a p á ica especializada do EEER.
A a iculação en e as duas pa es do ela ó io e elou-se undamen al pa a o desen ol imen o
p o issional e pessoal. Po um lado, a p á ica clínica acili ou a pe ceção eal das necessidades dos
cuidado es e a ele ância da sua capaci ação no con ex o domiciliá io. Po ou o, a in es igação
bibliog á ica con e iu supo e eó ico às in e enções ealizadas em es ágio, p omo endo uma p á ica
baseada na e idência e sus en ada em dados a uais e ele an es. Es a in eg ação pe mi iu uma
abo dagem mais conscien e, c í ica e undamen ada das decisões clínicas, po enciando a qualidade
dos cuidados p es ados.
71
Nes e pe cu so o ma i o, e à luz do modelo de aquisição e desen ol imen o de compe ências p opos o
po D ey us e adap ado à en e magem po Benne (2001), econheço me a ualmen e no ní el de
P o iciência, o qua o dos cinco pa ama es desc i os. Es e ní el ca ac e iza-se pela capacidade de
comp eende as si uações clínicas de o ma holís ica, in e p e a con ex os complexos com base na
expe iência acumulada e agi com in uição, luidez e julgamen o undamen ado. A p á ica deixa de se
igidamen e egida po eg as pa a passa a se o ien ada po pad ões adqui idos pela expe iência,
pe mi indo um cuidado mais au ónomo, e icien e e cen ado na pessoa (Benne , 2001). Es e
posicionamen o aduz-se numa a uação clínica mais segu a e adap a i a, em cons an e e olução umo
ao ní el seguin e, o de pe i o, que exige um domínio ainda mais e inado e in ui i o da p á ica.
A
scoping e iew
, ao e idencia a impo ância dos p og amas de capaci ação de cuidado es in o mais,
maio i a iamen e desen ol idos em con ex o domiciliá io e conduzidos po EEER, e o çou a pe inência
de in es i nes e ipo de in e enção como pa e in eg an e da eabili ação. Ao mesmo empo, se iu de
base pa a e le i sob e as p á icas obse adas e execu adas em es ágio, con ibuindo di e amen e pa a
a aquisição de compe ências especí icas na á ea da capaci ação e educação.
Em suma, o p esen e ela ó io e le e o pe cu so do desen ol imen o de compe ências écnicas,
cien í icas e humanas essenciais à p á ica do EEER. A in e ligação en e a componen e p á ica e a
componen e de in es igação oi de e minan e pa a a cons ução de um sabe c í ico, e lexi o e
undamen ado, essencial à ob enção do g au de Mes e. No u u o, espe a-se que o EEER con inue a
a i ma -se como um p o issional di e enciado e ino ado , con ibuindo pa a a p omoção da au onomia
das pessoas cuidadas, o bem-es a dos seus cuidado es e a melho ia con ínua dos cuidados de saúde
p es ados à população. O o alecimen o des a e en e exige não só o mação con ínua dos
en e mei os de eabili ação, como ambém o desen ol imen o de polí icas públicas que econheçam
o malmen e o papel dos cuidado es e o e eçam supo e sis emá ico à sua capaci ação. In es imen os
em ecnologia educa i a, es a égias de ansição e in eg ação en e se iços são undamen ais pa a
sus en a os ganhos alcançados e p omo e a au onomia das pessoas cuidadas e de quem cuida.
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