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Integração de imigrantes e acesso ao ensino do Português como Língua Estrangeira em Portugal: O que há de novo no Plano Estratégico para 2024-2027?

Author: Jerónimo, Patrícia
Publisher: Pedro & João Editores
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/296ebe20-bbf5-443c-ad2c-da026b223607/download
1
Língua Po uguesa e in e nacionalização:
aspec os plu ais
2Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
O p esen e abalho oi ealizado com apoio da Coo denação de
Ape eiçoamen o de Pessoal de Ní el Supe io B asil (CAPES)
Código de Financiamen o 001.
Es e li o oi inanciado pela FAPERJ - Fundação Ca los Chagas
Filho de Ampa o à Pesquisa do Es ado do Rio de Janei o, P ocesso
SEI 260003/000538/2023
Es e li o oi inanciado pelo PGLe as P og ama de Pós-
g aduação em Le as UERJ, u ilizando e ba PROAP CAPES
(P ocesso 0907/2022/88881.719943/2022-01)
JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 3
Je e son E a is o
Da i Bo ges de Albuque que
Monique Ca bone Cin a
(O ganizado es)
Língua Po uguesa e in e nacionalização:
aspec os plu ais
4 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
Copy igh © Au o as e au o es
Todos os di ei os ga an idos. Qualque pa e des a ob a pode se ep oduzida,
ansmi ida ou a qui ada desde que le ados em con a os di ei os das au o as e
dos au o es.
Je e son E a is o; Da i Bo ges de Albuque que; Monique Ca bone Cin a
[O gs.]
Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais. São Ca los:
Ped o & João Edi o es, 2025. 286p. 16 x 23 cm.
ISBN: 978-65-265-1894-6 [Imp esso]
978-65-265-1892-2 [Digi al]
1. Língua po uguesa. 2. In e nacionalização. 3. Ensino supe io . 4. G upo
de Es udos em Po uguês Língua In e nacional - GEPLI. I. Tí ulo.
CDD 370/410
Capa: Ma cos Della Po a
Ficha Ca alog á ica: Hélio Má cio Pajeú CRB - 8-8828
Diag amação: Diany Akiko Lee
Edi o es: Ped o Ama o de Mou a B i o & João Rod igo de Mou a B i o
Conselho Edi o ial da Ped o & João Edi o es:
Augus o Ponzio (Ba i/I ália); João Wande ley Ge aldi (Unicamp/B asil); Hélio
Má cio Pajeú (UFPE/B asil); Ma ia Isabel de Mou a (UFSCa /B asil); Ma ia da
Piedade Resende da Cos a (UFSCa /B asil); Valdemi Mio ello (UFSCa /B asil);
Ana Cláudia Bo olozzi (UNESP/Bau u/B asil); Ma iangela Lima de Almeida
(UFES/B asil); José Kuia a (UNIOESTE/B asil); Ma isol Ba enco de Mello
(UFF/B asil); Camila Ca acelli Sche ma (UFFS/B asil); Luís Fe nando Soa es
Zuin (USP/B asil); Ana Pa ícia da Sil a (UERJ/B asil).
Ped o & João Edi o es
www.ped oejoaoedi o es.com.b
13568-878 São Ca los SP
2025

JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 5
Ag adecimen os
Ag adecemos às nossas amílias, sem as
quais nada do que izemos e azemos se ia
possí el. Seja no B asil, na I ália ou na
China, nossos abalhos só exis em po que
o azemos po elas.
JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 7
Sumá io
P e ácio
Semeando ideias: A his ó ia da Jo nada de Es udos
em Po uguês Língua In e nacional
Luciane Boganika
Ma ina Del ino
Ap esen ação
Je e son E a is o
Da i Albuque que
Monique Ca bone Cin a
P opos as pa a um ensino c í ico do po uguês em
con ex o in e nacional e i aliano
Ana Luiza Oli ei a de Souza
O diálogo cancional luso-b asilei o: a música popula
como a o de Luso onia
And é Con o e
O papel de Timo -Les e no p ocesso de
in e nacionalização do po uguês
Da i Albuque que
Polí icas linguís icas de in e nacionalização da língua
po uguesa: documen os o iciais, e is as acadêmicas
e pós-g aduação b asilei a
Je e son E a is o
9
13
15
39
73
87
8 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
A canção como po a de en ada pa a o ensino da
li e a u a em po uguês como língua adicional
José Peixo o Coelho de Souza
Luís Felipe Maliszewski Gonçal es
A cons ução de Polí icas Linguís icas plu ilíngues
pa a o con ex o uni e si á io: do ( e)conhecimen o de
ealidades à busca de caminhos
Lucas A aujo Chagas
Elaine Ma ia San os
Mig ação enezuelana e ensino de po uguês como
língua de acolhimen o no ex emo no e do B asil
Ma cus Vinícius da Sil a
O papel da compe ência me alinguís ica na
ap endizagem do Po uguês como Língua Es angei a
pa a alunos po ado es de T ans o nos Especí icos de
Ap endizagem (TEAp). Uma ajuda ou um obs áculo?
Ma ia An onie a Rossi
Cons uindo pon es linguís icas: a coleção Rapazinho
e o ensino de PLE desde Misiones (A gen ina) - uma
análise da ob a
Nicolás O. Bo gmann
Romina Soledad Macenchuk
In eg ação de imig an es e acesso ao ensino do
Po uguês como Língua Es angei a em Po ugal: O
que há de no o no Plano Es a égico pa a 2024-2027?
Pa ícia Je ónimo
Con ac o, mig ação e e úgio em Po ugal: elações
in e nas do po uguês na di e sidade
Paulo Fey o Pin o
117
139
167
191
213
241
267
JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 241
In eg ação de imig an es e acesso ao ensino do
Po uguês como Língua Es angei a em Po ugal: O
que há de no o no Plano Es a égico pa a 2024-2027?
Pa ícia Je ónimo
(Uni e sidade do Minho Po ugal)
In odução
As compe ências linguís icas são econhecidamen e um
impo an e a o e ins umen o de in eg ação dos imig an es1nas
sociedades de acolhimen o, não apenas po que acili am o acesso
ao me cado de abalho e a in e ação com as au o idades es a ais,
mas ambém po que cons i uem um equisi o habi ual pa a a
ob enção de au o ização de esidência e pa a a aquisição da
nacionalidade do Es ado onde esidem. Assim é, po exemplo, em
Po ugal, cuja lei de imig ação exige comp o a i o de
conhecimen o do Po uguês básico aos eque en es de
au o ização de esidência pe manen e e demons ação de luência
no Po uguês básico aos eque en es do es a u o de esiden e de
longa du ação2, e cuja lei da nacionalidade exige conhecimen o
su icien e da língua po uguesa aos candida os à na u alização3,
1
2
3
248 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
sis ema de ensino local, pa icula men e no que espei a ao ensino
da língua local (a igo 45.º, n.º 2)18. Tal como imos no pa ág a o
an e io , es as disposições não econhecem di ei os subje i os aos
abalhado es mig an es e aos seus ilhos meno es e deixam uma
conside á el ma gem de con o mação aos Es ados, apesa de o om
se ligei amen e mais asse i o, sob e udo, na Con enção Eu opeia
ela i a ao Es a u o Ju ídico do T abalhado Mig an e, que, no
en an o, só se aplica aos nacionais dos Es ados Pa e, excluindo os
imig an es o iundos de o a da Eu opa. Não deixa de se ele an e,
oda ia, que a ap endizagem da língua o icial igu e nes es
ins umen os no ma i os como algo que os Es ados de acolhimen o
de em acili a e não an o como um de e impos o aos imig an es.
O único a ado in e nacional de di ei os humanos em que a
ap endizagem da língua o icial é ap esen ada como um de e e,
mesmo aí, de o ma não in ei amen e explíci a é a Con enção
Quad o pa a a P o eção das Mino ias Nacionais, cujo a igo 14.º, n.º
3, essal a que a conc e ização da possibilidade de ap ende uma
língua mino i á ia ou de ecebe ensino nessa língua no sis ema de
um p ecei o a espei o do qual o Rela ó io
18

JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 249
Explica i o da Con enção Quad o19 obse a que o conhecimen o
da língua o icial é um a o de coesão social e de in eg ação.
A esponsabilidade dos Es ados na acili ação da in eg ação
dos imig an es a a és da o e a de ensino da língua o icial é,
en e an o, ambém uma no a eco en e nos ins umen os
in e nacionais de polí ica em ma é ia de ges ão das mig ações. Po
azões de b e idade, a en a emos apenas em dois exemplos
ecen es, um da ONU e ou o da UE.
O Pac o Global pa a as Mig ações Segu as, O denadas e
Regula es, ap o ado pela Assembleia-Ge al das Nações Unidas em
19 de dezemb o de 201820, inclui a o mação linguís ica en e os
se iços básicos que os Es ados de em p opo ciona aos imig an es
(obje i o 15) e esponsabiliza os Es ados pela capaci ação dos
imig an es e das sociedades de acolhimen o pa a assegu a a
inclusão plena e a coesão social (obje i o 16), a a és e.g. do
es abelecimen o de p og amas de o mação p é-pa ida e pós-
chegada comple os e a en os às necessidades dos mig an es, que
podem inclui o mação linguís ica básica, pa a além de
in o mações sob e di ei os e de e es e sob e no mas sociais e
cos umes no país de des ino, bem como pelo in es imen o na
aquisição de compe ências e pela acili ação do econhecimen o de
quali icações (obje i o 18), a a és e.g. da coope ação com o se o
p i ado e emp egado es no sen ido de disponibiliza p og amas de
o mação a dis ância, que incluam o mação linguís ica básica e
ajus ada ao se o de emp ego, pa a aumen a a emp egabilidade
dos imig an es.
Po seu u no, o Plano de Ação sob e a In eg ação e a Inclusão
pa a 2021-2027, ap esen ado pela Comissão Eu opeia em no emb o
de 202021
19
20
21
250 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
in e alia que o aumen o da pa icipação das c ianças imig an es ou
descenden es de imig an es na educação e no acolhimen o na
p imei a in ância pode e um o e e ei o posi i o no seu u u o
ap endizagem da língua do país de
acolhimen o 22. Po a
uma in eg ação bem-
essa ap endizagem não de e e mina poucos meses após a
chegada e pa a a impo ância de ambém apoia a equência de
aulas de língua em ní eis in e médios e a ançados e de adap a es as
aulas às necessidades dos di e en es g upos23. Assumindo como
obje i o consegui uma maio pa icipação dos mig an es em
p og amas ab angen es de o mação linguís ica e o ien ação cí ica,
o incen i a os
Es ados Memb os a assegu a em apoio à ap endizagem da língua
e minado o pe íodo inicial de in eg ação, p omo endo o seu
conhecimen o além do ní el elemen a ou in e médio, e a aze em
pleno uso do inanciamen o da UE pa a apoia p og amas e medidas
elacionados com a educação, as compe ências e a o mação
linguís ica, em unção das necessidades iden i icadas a ní el
22
23
JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 251
nacional e egional. A decisão quan o aos conc e os p og amas de
in eg ação a ado a con inua, no en an o, es á bem de e , na in ei a
disponibilidade dos Es ados Memb os24. Apesa de o T a ado de
adqui iu compe ências pa a es abelece medidas de incen i o e
apoio à ação dos Es ados Memb os no omen o da in eg ação dos
nacionais de países e cei os legalmen e esiden es nos espe i os
e i ó ios, endo o a igo 79.º, n.º 4, do T a ado sob e o
Funcionamen o da União Eu opeia, excluído exp essamen e
qualque ha monização das disposições legisla i as e
egulamen a es dos Es ados Memb os. Assim sendo, não
su p eende que os Es ados eu opeus ado em polí icas de in eg ação
mui o di e en es en e si, adequadas à sua his ó ia e modelo de
sociedade, à sua expe iência em ma é ia de imig ação e à p essão
mig a ó ia sen ida em cada momen o (Je ónimo, 2019, pp. 50-51).
A e mina es e b e e in en á io dos pa âme os
in e nacionais aplicá eis, cump e e e i , eg essando à ma é ia
dos di ei os linguís icos po que começámos, que as
ecomendações que êm indo a se ei as pela O ganização das
Nações Unidas pa a a Educação, a Ciência e a Cul u a (UNESCO)
ao longo dos anos, sob e o ensino da língua o icial a p opo ciona
24
252 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
pelos Es ados aos imig an es, insis em na impo ância de
incen i a o mul ilinguismo e o uso das línguas ma e nas, não
apenas como p imei as línguas de ins ução pa a as c ianças em
idade escola , mas ambém como elemen o a mobiliza nos
p og amas de li e acia e o mação linguís ica minis ados aos
adul os (UNESCO, 2003, pp. 30-33; Hanemann, 2018, p. 63). Nos
anos mais ecen es, a UNESCO (2023) em insis ido ambém na
impo ância do ensino in o mal e no uso das ecnologias, bem
como na necessidade de assegu a o econhecimen o, alidação e
ac edi ação desse ipo de ensino25.
2. Polí icas de in eg ação e ensino da língua po uguesa como
língua es angei a em Po ugal
Desde que ascendeu ao es a u o de país de imig ação, na
década de 1990, Po ugal em indo a conhece um aumen o
cons an e do olume de imig an es, in e ompido apenas no
pe íodo en e 2005 e 2010 (em esul ado da c ise inancei a) e,
en e an o, acele ado nos úl imos anos26. Com es a acele ação,
chega am ambém os ap o ei amen os polí icos dos ala mes
sociais em o no da p essão mig a ó ia, num cla o mime ismo do
que emos indo a obse a no es o da Eu opa e nos Es ados
Unidos da Amé ica há mui os anos. A é aqui, a imig ação e a
in eg ação dos imig an es ha iam sido quase não-assun os na
agenda polí ica nacional, em la ga medida u o do aco do de
p incípio sob e a ma é ia en e os dois maio es pa idos (Cook,
2018, pp. 9-10), da expe iência como país de emig ação (que
Po ugal nunca deixou de se ) e da ci cuns ância de os núme os da
imig ação se em ainda compa a i amen e baixos no con ex o
25
26
JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 253
eu opeu. Vá ios es udos e sondagens indica am que os
po ugueses inham uma isão mais posi i a da imig ação do que
mui os dos seus izinhos eu opeus (Fonseca; McGa igle, 2014, pp.
65-68) e alguns obse ado es es angei os (Cook, 2018, p. 2)
chega am mesmo a apon a Po ugal como um caso à pa e,
me ecedo de maio es udo, pela gene osidade das suas polí icas
em ma é ia de imig ação.
mui o empo a necessidade de ado a polí icas de in eg ação pa a
os imig an es no país, p o a elmen e, po a maio ia dos imig an es
se o iunda de Es ados de língua o icial po uguesa (B asil, Cabo
Ve de, Guiné-Bissau) e se p esumi que não exis i iam di iculdades
de maio com a sua in eg ação cul u al na sociedade po uguesa, já
que es a am amilia izados com a cul u a e conheciam a língua.
Uma polí ica de imig ação e in eg ação digna desse nome só
começou a oma o ma com o XIII Go e no Cons i ucional (1995-
1999) (San os, 2004, pp. 109, 114), em espos a ao a luxo de um
g ande núme o de imig an es do les e eu opeu (Uc ânia, República
Moldo a).
Em 1995, oi c iado o Al o-Comissá io pa a a Imig ação,
depois designado Al o-Comissá io pa a a Imig ação e Mino ias
É nicas, com a incumbência de acompanha a ní el in e minis e ial
o apoio à in eg ação dos imig an es (cuja p esença oi ap esen ada
con ibui in e alia
imig an es em Po ugal, de o ma a p opo ciona a sua in eg ação
na sociedade, no espei o pela sua iden idade e cul u a de
27. Em 1997, a e isão cons i ucional adi ou às
27

254 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
incumbências es a ais em ma é ia de ealização da polí ica de
ensino, a de assegu a aos ilhos dos imig an es apoio adequado
pa a a e e i ação do di ei o ao ensino28. A p imei a inicia i a
di igida à in eg ação de imig an es oi ado ada em 2001, com a
Após a legalização a
29. Consis ia na adminis ação pelo Ins i u o
do Emp ego e Fo mação P o issional (IEFP) de ações de o mação
pa a abalhado es imig an es desemp egados, com uma ca ga
ho á ia de 62 ho as, das quais 50 se iam dedicadas ao ensino da
língua po uguesa e 12 ho as ao exe cício da cidadania (igualdade
de opo unidades e a amen o no acesso ao abalho, emp ego e
o mação p o issional e o mas de acesso à in o mação). Os cu sos
e am g a ui os e os pa icipan es inham di ei o a subsídio de
alimen ação e de anspo e, mas os esul ados ica am mui o
aquém do espe ado (San os, 2004, pp. 120-121). Seja como o , a
o e a o ma i a em língua po uguesa di igida aos imig an es
passou a igu a em odos os planos de in eg ação ado ados desde
en ão30
28
29
30
JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 255
, po pa e dos imig an es, passa am aliás a se
explici amen e ap esen ados como condições pa a uma sua plena
in eg ação, haja is a, po exemplo, os e mos em que o am
de inidas as a ibuições do ACIME, em 200231.
O p imei o Plano pa a a In eg ação dos Imig an es, ap o ado
em 200732, incluiu, en e ou as medidas, (i) o incen i o à
esponsabilidade social dos emp egado es e abalhado es
po ugueses na in eg ação de abalhado es imig an es no seu
con ex o labo al, a a és, po exemplo, de ações no domínio do
apoio à ap endizagem da língua; (ii) a o mação dos docen es pa a
a in e cul u alidade, endo o Po uguês língua não ma e na como
uma das á eas p io i á ias de o mação; (iii) a adequação das
es a égias de acolhimen o na Escola às especi icidades dos alunos
descenden es de imig an es, endo nomeadamen e em con a o seu
domínio da língua; (i )
di e sidade de con ex os e p omo o es; ( ) a alo ização do ensino
do Po uguês como língua não ma e na, a a és da aplicação pelas
escolas e ag upamen os de escolas do documen o o ien ado
das o ien ações Nacionais e da disponibilização de ins umen os de
a aliação de diagnós ico pa a de inição do pe il de compe ência
linguís ica e do pe il escola do aluno e seus c i é ios de
( ) o e o ço da o mação inicial e con ínua de
31
32
256 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
educado es na á ea do ensino/ap endizagem do Po uguês como
língua não ma e na; e ( i) o in es imen o em p og amas de
o mação em Po uguês écnico, especializados pa a de e minados
con ex os p o issionais que exigem um ocabulá io especí ico. Em
cump imen o des e p imei o Plano, oi lançado, em 2008, o
P og ama Po uguês pa a Todos (PPT), co inanciado pelo Fundo
Social Eu opeu, com o obje i o de desen ol e cu sos de Po uguês
básico (ní el A2 do Quad o Eu opeu Comum de Re e ência pa a as
Línguas) e de Po uguês écnico, di igidos à população imig an e.
O p og ama e a adminis ado pelo ACIDI (depois ACM) e
consis ia na disponibilização à população imig an e, sem cus os
pa a os pa icipan es, de cu sos de o mação de Po uguês
ce i icados, com a du ação de 150 ho as, em escolas secundá ias
da ede pública e em alguns cen os de emp ego e o mação
p o issional do IEFP, ge almen e em ho á io no u no (pós-
labo al)33. Foi sinalizado como p á ica p omisso a po Ca e a e
Vanko a (2019, p. 44) num es udo compa a i o de polí icas de
in eg ação de á ios Es ados Memb os do Conselho da Eu opa.
O II Plano pa a a In eg ação dos Imig an es (2010-2013)34 deu
con inuidade ao PPT, ala gando-o aos ní eis in e médios (B1 e B2)
pa a acili a aos imig an es um maio domínio da língua
po uguesa. O II Plano deu ambém con inuidade ao p og ama
ago a designado p og ama de in e enção
pa a abalhado es imig an es desemp egados e ao p og ama
Po uguês Língua Não Ma e na, insis indo, a es e espei o, na
necessidade de escla ece os enca egados de educação quan o à
possibilidade de ap endizagem da língua po uguesa como língua
não ma e na, o que suge e que as c ianças ilhas de imig an es não
es a am a bene icia des a possibilidade po al a de in o mação. O
II Plano incluiu ainda, en e as suas medidas, a p omoção de cu sos
de Po uguês pa a Falan es de Ou as Línguas, des inados a
33
34
JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 257
adul os es angei os, de en o es de is o de es ada empo á ia ou
de esidência, ecém-chegados a Po ugal, minis ados em escolas
da ede pública e cen os de o mação do IEFP35; e a de inição e
aplicação de ecomendações pa a a cons i uição de u mas
equilib adas e pa a adequação das es a égias das escolas no
acolhimen o dos alunos es angei os e descenden es de imig an es,
con inuando a p e e a adoção de es a égias di e si icadas de
apoio à in eg ação dos alunos ilhos de imig an es, endo
nomeadamen e em con a o seu domínio da língua.
O Plano Es a égico pa a as Mig ações (2015-2020)36 p opôs o
e o ço do ensino da língua po uguesa, a a és da e isão do
p og ama PPT e da p omoção do ensino da língua po uguesa aos
mig an es, c ianças e adul os, com o en ol imen o das escolas, do
IEFP, de associações, o ganizações não go e namen ais e
emp esas, bem como a consolidação dos p og amas de
ap endizagem do Po uguês como língua não ma e na, a a és da
ecolha de in o mação a ualizada sob e o uncionamen o do
Po uguês Língua Não Ma e na (PLNM) no sis ema educa i o e da
ealização de es udos de a aliação de impac o das medidas de
polí ica educa i a de inidas pa a o PLNM, bem como da conceção
de uma o mação, ac edi ada pelo Conselho Cien í ico-Pedagógico
da Fo mação Con ínua, di igida aos p o esso es de PLNM e de
Po uguês dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino
secundá io, no âmbi o da especi icidade do ensino do Po uguês
como língua não ma e na, endo em is a a sua cedência aos
Cen os de Fo mação de Associação de Escolas.
O Plano Nacional de Implemen ação do Pac o Global das
Mig ações, ap o ado em 201937, assumiu a p omoção do
acolhimen o e in eg ação dos imig an es como um dos seus cinco
35
36
37
264 Língua Po uguesa e in e nacionalização: aspec os plu ais
É um plano a cu o p azo, he dei o de á ios ou os planos de cu o
p azo que o an ecede am. Cla amen e, es a é uma ma é ia que
ca ece de cons an es a inações, um pe pé uo wo k in p og ess. As
di iculdades p á icas con inuam a se de mon a, sob e udo no que
espei a à disponibilidade de ecu sos humanos quali icados, o que
ajuda a explica a abe u a do Plano Es a égico ao en ol imen o
de olun á ios no ensino da língua po uguesa e a alo ização dos
con ex os educa i os não o mais e in o mais, pa a além da apos a
na u ilização de e amen as digi ais e do ensino a dis ância.
É de sauda a alo ização e econhecimen o da impo ância
das línguas ma e nas das c ianças e jo ens no p ocesso de
in eg ação escola , já isí el nos egimes aplicá eis às medidas de
in eg ação de alunos de PLNM no sis ema de ensino e aos cu sos
PLA, ainda que não se aduza em mais do que na p omoção de
pa ce ias. Os p og amas de al abe ização bilingues com línguas
ma e nas das c ianças mig an es ecomendados pela UNESCO
pa ecem con inua a es a o a de cogi ação, sendo p e isí el que
con inuem a depende da inicia i a das comunidades alan es
dessas línguas num u u o p óximo.
Impo a ambém no a , pa a conclui , que, apesa dos
inegá eis es o ços despendidos e dos elogios que Po ugal em
ecebido pelas suas polí icas de in eg ação gene osas, os imig an es
que não êm o Po uguês como língua ma e na (incluindo aqueles
que p o êm de Es ados de língua o icial po uguesa, como os
alan es de C ioulo cabo- e diano ou guineense) con inuam a
depa a -se com mui as di iculdades de in eg ação no sis ema de
ensino e na sociedade em ge al, sendo que os obs áculos
encon ados na ob enção de o mação em língua po uguesa (po a
o e a disponí el se escassa e/ou de pouca qualidade) são um
mo i o de queixa eco en e.

JEPLI - Jo nada de Es udos em Po uguês Língua In e nacional 265
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