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Design Sustentável na cadeia da moda: repensar a circularidade dos resíduos de denim

Author: Azambuja, Patrícia Paula
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/e7142971-2762-41ce-a53f-0220f9423447/download
Pa icia de Paula Azambuja
Design Sus en á el na cadeia da moda:
epensa a ci cula idade dos esíduos de
denim
junho de 2025
UMinho | 2025 Pa icia de Paula Azambuja Design Sus en á el na cadeia da moda:
epensa a ci cula idade dos esíduos de denim
Es a in es igação oi inanciada pela FCT – Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, bolsa 2021.08742.BD,
no âmbi o do P oje o de In es igação de Dou o amen o em Design de Moda – Uni e sidade do Minho,
Escola de Engenha ia – unidade de acolhimen o o Cen o de Ciência e Tecnologia Têx il (2C2T). Po ugal.
Uni e sidade do Minho
Escola de Engenha ia
Pa icia de Paula Azambuja
Design Sus en á el na cadeia da moda:
epensa a ci cula idade dos esíduos
de denim
Tese de Dou o amen o
Design de Moda
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o An ónio Manuel Dinis Ribei o
Ma ques (UM)
Junho de 2025
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR
TERCEIROS
Es e é um abalho acadêmico que pode se u ilizado po e cei os, desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
A ibuição
CC BY-NC
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc/4.0/
Ag adecimen os
Que o, p imei amen e, ag adece à minha amília — aos meus pais, An ônio e Ma ia Te eza, e à
minha i mã, Ma iana — po odo o apoio e incen i o que me o e ece am ao longo da ealização des e
Dou o amen o.
Ao meu o ien ado , P o esso Dou o An ónio Dinis Ma ques, pelo ensinamen o e apoio em odas
as e apas des a in es igação.
Aos meus amigos e colegas, em especial à minha amiga e colega de dou o amen o, Lí ia La a,
e aos meus amigos, Ma celo A onso e Ma jo ie De Na di Ramos, pelo apoio du an e o andamen o des a
in es igação.
Aos p o esso es da Uni e sidade do Minho e da Uni e sidade Bei a In e io , em especial ao
Depa amen o de Engenha ia Têx il e ao Cen o de Ciência e Tecnologia Têx il da Uni e sidade do Minho,
po acolhe em e apoia em nes e es udo.
Aos écnicos da Uni e sidade do Minho, em especial ao Joaquim Jo ge Peixo o, pelo
conhecimen o e disponibilidade de me acompanha nos expe imen os labo a o iais.
À emp esa To Be G een pela con ibuição no p ocesso de ecolha dos esíduos êx eis e a oda
a equipe do Pólo de Ino ação em Engenha ia de Políme os.
Ao Cen o de Valo ização de Resíduos e à equipe Fib enamics, em especial ao Daniel Ba os,
pelo conhecimen o e apoio nos expe imen os do labo a ó io de comp essão de políme os.
À emp esa DenimX, especialmen e a Ma c Meije s, pela opo unidade de ealiza a isi a écnica
de es udo e pelo conhecimen o compa ilhado, o qual con ibuiu signi ica i amen e pa a meu
c escimen o e pa a es a pesquisa.
À Fundação pa a a Ciência e Tecnologia pelo apoio inancei o aos es udos.
E, po im, que o ag adece a Deus po e me dado es a opo unidade única em minha ida, e
a odos os amigos e amilia es que, pe o ou longe, me incen i a am em odas as e apas.

Decla ação de in eg idade
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho acadêmico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas elacionadas à sua elabo ação.
Uni e sidade do Minho, 21/06/2025
Nome comple o: Pa icia de Paula Azambuja
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i
Tí ulo - Design Sus en á el na cadeia da moda: epensa a ci cula idade dos esíduos de
denim.
Resumo
Os designe s a uais en en am inúme os desa ios, sendo um dos p incipais desen ol e p odu os que
a endam às demandas do me cado sem negligencia as p eocupações com a sus en abilidade. Es a ese
in es iga o desen ol imen o de um no o ma e ial, cuja ma é ia-p ima é baseada em esíduos de êx il
denim, ol ado à c iação de no os p odu os. T a a-se de uma pesquisa expe imen al, es u u ada em
cinco capí ulos. Po meio do Design Sus en á el, busca-se desen ol e p odu os que p ese em o alo
dos ma e iais pelo maio empo possí el e ap o ei em esíduos como base pa a no as soluções na
indús ia da moda. Esse se o , ma cado po um modelo linea de p odução e consumo, ag a ado pelo
as ashion (ca ac e izado pela ab icação, consumo e desca e acele ados), é esponsá el po ele ados
índices de desca e de esíduos êx eis dia iamen e. Ao mesmo empo em que a indús ia da moda
p ecisa ea alia o i mo e ans o ma os meios de p odução, é p eciso encon a uma solução pa a
diminui os esíduos exis en es, minimizando os danos já causados ao meio ambien e. Dian e des a
p oblemá ica e da mo i ação em busca soluções pa a a diminuição de esíduos êx eis, su ge o es udo
des a in es igação que, com pensamen o em uma p odução ci cula , p ocu a ecoloca os despe dícios
êx eis na cadeia p odu i a. Es a in es igação a a do eap o ei amen o de esíduos de denim,
especi icamen e calças jeans pós-consumo. A escolha po es e ipo de esíduo baseia-se no a o de que
o denim é um dos ma e iais mais poluen es da cadeia êx il ( an o em elação à p odução da ma é ia-
p ima algodão quan o em elação ao consumo de água nas la agens). Es e es udo isa, po meio do
Design Sus en á el, con ibui pa a o desen ol imen o de no os p odu os baseado nos p incípios da
Economia Ci cula . O obje i o é desen ol e p odu os po meio do uso de despe dícios de denim capazes
de colabo a pa a o aumen o da ci cula idade na cadeia da moda, p olongando o ciclo de ida dos
ma e iais. O no o ma e ial, desen ol ido po meio do
upcycling
( eu ilização capaz de man e ou melho a
a qualidade dos desca es), pode á se aplicado em di e en es p odu os e colabo a com a diminuição
dos danos já causados, eduzindo a quan idade de esíduos e ecolocando es es ma e iais no ciclo
p odu i o. Pa a a c iação do no o ma e ial o am desen ol idas amos as com esíduos de denim e
políme os pelo p ocesso de moldagem po comp essão. Pa a a ende a um dos obje i os p incipais des a
in es igação, que é a c iação de um ma e ial sólido sem a des ib agem do êx il e capaz de conse a as
ca ac e ís icas es é icas do denim, o am selecionados dois dos qua o ipos de políme os es ados pa a
segui em pa a a ase de ca ac e ização de algumas p op iedades ísicas e Análise do Ciclo de Vida do
ma e ial. As amos as inais, con endo desca es de polie ileno de al a densidade e polime ilme ac ila o,
o am u ilizadas pa a ealização de p o ó ipos que demons am a aplicabilidade do ma e ial como
ma é ia-p ima pa a desen ol imen o e design de no os p odu os.
Pala as-Cha e: Design de Moda Sus en á el, Economia Ci cula , Resíduos de denim,
Upcycling
.
Ti le - Sus ainable Design in he ashion chain: e hinking he ci cula i y o denim was e.
Abs ac
Con empo a y designe s ace nume ous challenges, one o he main ones being he de elopmen o
p oduc s ha mee ma ke demands wi hou neglec ing sus ainabili y conce ns. This hesis in es iga es
he de elopmen o a new ma e ial, using ex ile denim was e as i s p ima y aw ma e ial, aimed a
c ea ing new p oduc s. I is an expe imen al esea ch s udy, s uc u ed in o i e chap e s. Th ough
sus ainable design, he goal is o de elop p oduc s ha p ese e he alue o ma e ials o as long as
possible and u ilize was e as he basis o new solu ions wi hin he ashion indus y. This sec o ,
cha ac e ized by a linea model o p oduc ion and consump ion, wo sened by as ashion (de ined by
accele a ed manu ac u ing, consump ion, and disposal), is esponsible o high le els o ex ile was e
disca ded daily. While he ashion indus y needs o eassess i s pace and ans o m i s means o
p oduc ion, inding a solu ion o educe exis ing was e and minimize en i onmen al damage is impe a i e.
Con on ed wi h his issue and mo i a ed o seek solu ions o educing ex ile was e, his esea ch seeks
o ein eg a e ex ile was e in o he p oduc ion chain, guided by ci cula p oduc ion p inciples. This
in es iga ion ocuses on he euse o denim was e, pa icula ly pos -consume jeans. The choice o his
was e ype is based on denim being one o he mos pollu ing ma e ials in he ex ile chain (bo h in e ms
o co on aw ma e ial p oduc ion and wa e consump ion in washing). Th ough Sus ainable Design, his
s udy aims o con ibu e o he de elopmen o new p oduc s based on Ci cula Economy p inciples. The
goal is o de elop p oduc s using denim was e o inc ease ci cula i y in he ashion chain, he eby
ex ending he ma e ials' li ecycle. The new ma e ial, de eloped h ough upcycling ( euse capable o
main aining o imp o ing was e quali y), can be applied o di e en p oduc s and help educe he damage
al eady caused by educing he amoun o was e and pu ing hese ma e ials back in o he p oduc ion
cycle. To c ea e he new ma e ial, samples we e de eloped using denim was e and polyme s h ough
comp ession moulding. To ul il one o he main objec i es o his esea ch, which is o c ea e a solid
ma e ial wi hou de ib ing he ex ile and capable o p ese ing denim's aes he ic cha ac e is ics, wo ou
o ou es ed polyme ypes we e selec ed o p oceed o he phase o physical p ope y cha ac e iza ion
and Li e Cycle Analysis o he ma e ial. The inal samples con aining high-densi y polye hylene was e and
polyme hyl me hac yla e we e used o c ea e p o o ypes demons a ing he ma e ial's applicabili y as a
aw ma e ial o he de elopmen o new design p oduc s.
Keywo ds: Ci cula Economy, Denim Was e, Sus ainable Fashion Design, Upcycling.
i
ÍNDICE
Resumo.............................................................................................................................................. i
Abs ac ...............................................................................................................................................
CAPÍTULO I ......................................................................................................................................... 1
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 2
1.1 Con ex ualização – p oblemá ica do es udo e ele ância do ema ................................................ 2
1.2 Mo i ação ............................................................................................................................... 5
1.3 Pe gun a de in es igação ........................................................................................................ 6
1.4 Obje i os ................................................................................................................................. 6
1.4.1 Obje i os especí icos ........................................................................................................... 6
1.5 Me odologia de In es igação .................................................................................................... 7
1.6 Es u u a da ese .................................................................................................................... 8
CAPÍTULO II ..................................................................................................................................... 10
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E ESTADO DA ARTE ............................................................................... 11
2.1 Sus en abilidade e a Moda ................................................................................................... 11
2.1.1 Ações Sus en á eis e Consumo Conscien e ...................................................................... 13
2.1.2 A indús ia da moda e o desen ol imen o de p odu o sus en á el ..................................... 20
2.2 Ino ação .............................................................................................................................. 21
2.3 Economia Ci cula ................................................................................................................... 22
2.4 Design ..................................................................................................................................... 27
2.4.1 B e e his ó ia do design ................................................................................................... 27
2.4.2 Design de Supe ície ........................................................................................................ 29
2.4.3 Design Modula ................................................................................................................ 33
2.4.4 Design C ia i o –
Design Thinking
.................................................................................... 34
2.4.5 Design Sus en á el e o eap o ei amen o de esíduos ....................................................... 35
2.4.6 Mé odos de eciclagem êx il ............................................................................................ 39
xiii
Figu a 64 - Amos as de denim, espec i amen e A1, A2 e A3............................................. 101
Figu a 65 - Amos as de políme o HDPE e PMMA ............................................................... 102
Figu a 66 - Apa elho
Sp ay Tes e
- pe meabilidade à água ................................................. 103
Figu a 67 – Fo og a ias de e e ência u ilizadas pa a g au de pe meabilidade ..................... 104
Figu a 68 - Amos a DenimHDPE após
Sp ay Tes e
........................................................... 105
Figu a 69 - Amos a DenimPMMA após
Sp ay Tes e
.......................................................... 105
Figu a 70 - Equipamen o pa a ensaio de esis ência ........................................................... 106
Figu a 71 - Fo ma o de p o e e pa a ensaio de ação ......................................................... 107
Figu a 72 - Ensaio de esis ência à chama .......................................................................... 108
Figu a 73 – Fluxog ama, P ocessos desen ol imen o ma e ial de in es igação .................... 112
Figu a 74 - G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais po ca ego ia ............................ 113
Figu a 75 - G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais po e apa ................................ 113
Figu a 76- G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais no malizados po ca ego ia ........ 115
Figu a 77 - G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais no malizados po e apa ............ 116
Figu a 78 - Fluxo dos impac es calculados em ambos os ma e iais ..................................... 116
Figu a 79 – G á ico dos esul ados dos ma e iais DenimHDPE e DenimPMMA .................... 118
Figu a 80 - G á ico compa a i o en e DenimHDPE e EPD Cou o Aniline ............................. 119
Figu a 81- G á ico compa a i o en e DenimPMMA e EPD Thin Lamina es ........................... 121
Figu a 82 - G á ico compa a i o en e DenimPMMA e EPD Alu deco ................................... 122
Figu a 83 – De alhe da maleabilidade do ma e ial DenimHDPE .......................................... 123
Figu a 84 - De alhe do ma e ial DenimPMMA ...................................................................... 124
Figu a 85 – Ob a de Pablo Picasso - O Poe a ...................................................................... 125
Figu a 86 - Ob a de Pablo Picasso-
Femme endo mie
......................................................... 125
Figu a 87 - Painel de Inspi ação acessó io de moda ............................................................ 126
Figu a 88 - Ma e ial co ado e pe u ado com pe u ado manual à quen e .......................... 127
Figu a 89 – Resíduos de ios inse idos nas la e ais do ma e ial ........................................... 127
Figu a 90 - Fios sendo en elaçados pa a echamen o la e al .............................................. 128
Figu a 91 - De alhe do acabamen o da alça e echamen o supe io ..................................... 128
Figu a 92 - Resul ado inal do p o ó ipo de bolsa ei o com ma e ial DenimHDPE ................ 129
Figu a 93 - Simulação i ual aplicação do ma e ial em luminá ia deco a i a ....................... 130
Figu a 94 - Painel de Inspi ação Design Supe ície .............................................................. 131
Figu a 95 - Medidas ma e ial DenimPMMA usado no p o ó ipo ............................................ 132

xi
Figu a 96 - De alhe do ma e ial DenimPMMA ...................................................................... 132
Figu a 97 - Exemplos de módulos e pad ões com o ma e ial de es udo ............................... 133
Figu a 98 - Placas do ma e ial aplicados em supe ície de bandeja deco a i a ..................... 134
Figu a 99 – Placas do ma e ial; Placas e es imen o deco a i o pa ede .............................. 134
Figu a 100 - Placas u ilizadas como deco ação de pa ede ................................................... 135
Figu a 101 - Placas do ma e ial aplicadas como e es imen o ampo de mesa .................... 135
Figu a 102 – Placas do ma e ial; Placas e es imen o mobiliá io......................................... 136
Figu a 103 - G á ico compa ação esis ência em ação ...................................................... 140
Figu a 104 - G á ico compa ação de o mação o u a........................................................... 141
Figu a 105 - Esquema ci cula idade dos esíduos ............................................................... 143
Figu a 106 – Esquema alo ização de esíduos a cada m² .................................................. 144
Figu a 107 - luxo e apa desen ol imen o ma e ial DenimHDPE .......................................... 177
Figu a 108 - luxo e apa desen ol imen o ma e ial DenimPMMA ......................................... 177
x
Lis a de Tabelas
Tabela 1 - Composição da amos agem de calças ecolhidas ................................................ 70
Tabela 2 - Resul ado dos ensaios sem políme o ex a............................................................ 71
Tabela 3 - Sín ese do ensaio de amos as iniciais com denim e PP a iação de empe a u a . 75
Tabela 4 - Sín ese ensaio amos as com denim e PP a iação empe a u a e comp essão ..... 79
Tabela 5 - Va iações iniciais amos as HDPE / LDPE ............................................................ 83
Tabela 6 - Va iações iniciais amos as PMMA ........................................................................ 87
Tabela 7 - Amos as pa a ensaios e p o ó ipo ........................................................................ 88
Tabela 8 - Especi icação dos ma e iais u ilizados pa a desen ol imen o amos as ................. 91
Tabela 9- Resul ados ensaio Resis ência ............................................................................. 107
Tabela 10 - Resul ado po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimHDPE .......................... 112
Tabela 11- Resul ado pe cen ual po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimHDPE .......... 113
Tabela 12 - Resul ado po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimPMMA ......................... 114
Tabela 13- Resul ado pe cen ual po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimPMMA ......... 114
Tabela 14 - No malização esul ado pe cen ual po ca ego ia impac es pa a o pio cená io . 115
Tabela 15 - Resul ados de ambos os ma e iais desen ol idos ............................................. 117
Tabela 16 - Resul ado dos Impac es – Compa a i o DenimHDPE e EPD Cou o Aniline ........ 119
Tabela 17 -Resul ado dos Impac es – Compa a i o DenimPMMA e EPD Thin Lamina es ..... 120
Tabela 18 - Resul ado dos Impac es – Compa a i o DenimPMMA e EPD Alu deco ............. 122
Tabela 19 - P op iedades dos ma e iais com base nos ensaios ealizados ........................... 142
Tabela 20 - P op iedades ma e ial desen ol ido .................................................................. 143
Tabela 21 -- Incidência de a igos nos e mos pesquisados ................................................. 164
Tabela 22 - Abs ac A igo de es udo 1 .............................................................................. 164
Tabela 23 - Abs ac A igo de es udo 2 .............................................................................. 165
Tabela 24 - Abs ac A igo de es udo 3 .............................................................................. 165
Tabela 25 - Abs ac A igo de es udo 4 .............................................................................. 166
Tabela 26 - Abs ac A igo de es udo 5 .............................................................................. 166
Tabela 27 - Composição da amos agem de calças ecolhidas ............................................ 167
Tabela 28 - Especi icação dos ma e iais u ilizados pa a desen ol imen o amos as ............. 167
Tabela 29 - Va iações iniciais empe a u a amos as (PP) ................................................... 168
Tabela 30 - Va iações iniciais comp essão amos as PP ...................................................... 169
x i
Tabela 31 - Va iações iniciais amos as HDPE e LDPE ........................................................ 170
Tabela 32 - Va iações iniciais amos as PMMA .................................................................... 170
Tabela 33 - Amos as pa a ensaios e p o ó ipo .................................................................... 171
Tabela 34 – Dimensões 1A e 1B co pos p o a .................................................................... 172
Tabela 35 - En adas e Saídas u ilizadas no
So wa e SimaP o
- Ma e ial DenimHDPE ......... 175
Tabela 36- En adas e Saídas u ilizadas no
So wa e SimaP o
- Ma e ial DenimPMMA ......... 176
x ii
Lis a de siglas, ab e ia u as e símbolos
ACV – Análise Ciclo de Vida
2C2T – Cen o de Ciência e Tecnologia Têx il
CO – Algodão
COM – Comp ession Moulding
CVP – Ciclo de Vida do P odu o
CVR – Cen o de alo ização de esíduos
DET – Depa amen o de Engenha ia Têx il
E – Elas ano
HDPE – High -densi y polye hylene
HPL – High-p essu e lamina e
ISO – In e na ional O ganiza ion o S anda iza ion
Mpa – Mega Pascal
N – New on
ODS – Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el
ONU – O ganização das Nações Unidas
PC - Polica bona o
PE - Polie ileno
PEAD – Polie ileno de al a densidade
PEBD – Polie ileno de baixa densidade
PES – Poliés e
PIEP – Pólo de Ino ação em Engenha ia de Políme os
PMMA – Polime ilme ac ila o
POM - Polioxime ileno
PP – Polip opileno
PS – Polies i eno
PU - Poliu e ano
PUE – Poliu e ano/Elas ano
PVC – Poli clo e o de inil
TNT – Tecido não ecido
Uminho/UM – Uni e sidade do Minho
x iii
Glossá io
Denim - ecido de algodão du á el ou de sa ja de algodão usado no malmen e na ab icação de
calças jeans.
Jeans – a igo de es uá io desen ol ido com denim ingido com in u a índigo que é usada pa a
con e i a colo ação azul.
Impac o e Impac e - No deco e des e abalho, oi u ilizada a pala a "Impac e" pa a e e i -se
aos e ei os ou consequências que uma ação é capaz de ge a sob e algo, podendo se posi i os ou
nega i os. Enquan o que a pala a "Impac o" oi u ilizada pa a e e i -se aos e ei os nega i os ge ados.
Pala as como denim, jeans, design e designe (s) são de o igem es angei a inco po adas ao
ocabulá io po uguês e, po an o, quando u ilizadas isoladamen e, se ão g a adas sem o uso de aspas
ou i álico.

1
CAPÍTULO I
INTRODUÇÃO
2
INTRODUÇÃO
1.1 Con ex ualização – p oblemá ica do es udo e ele ância do ema
A ualmen e, exis e uma c escen e p eocupação com os impac os ambien ais que, ao longo dos
anos, êm indo a se p o ocados pela quan idade de esíduos indus iais desca ados inde idamen e.
Essa p eocupação acabou po ge a uma busca po ma e iais al e na i os e pela iabilização de
opo unidades de melho ia pa a minimização da ge ação de esíduos nos p ocessos p odu i os, ais
como a eciclagem.
A indús ia êx il é esponsá el pela ge ação de uma g ande quan idade de esíduos sólidos,
conside ados lixos limpos. Esses esíduos êx eis são ge ados an o du an e o p ocesso de ab icação
quan o no pós-consumo, com o desca e de oupas. Ge almen e, esses esíduos acabam sendo
deposi ados em a e os sani á ios.
O design, de uma o ma ge al, en ol e c iação de es uá io, calçados e acessó ios, ambien es
(deco ação), en im, odo ipo de desen ol imen o de p odu o, es á a ualmen e cada ez mais ol ado
pa a o desen ol imen o de p odu os mais sus en á eis, capazes de uni es é ica, uncionalidade e
sus en abilidade. As emp esas e os designe s de p odu os, po di e sas azões, passa am a inco po a
a emá ica ambien al nos seus p ocessos de p odução.
Anualmen e, exis em oneladas de esíduos indus iais acumulados e des uídos po ainda não
ha e uma o ma de ap o ei amen o. Den o dessa ealidade, o papel do design o na-se ex emamen e
impo an e na busca po soluções pa a os despe dícios indus iais, c iando meios pa a a edução da
c iação de esíduos (Cos a, 2016). Todo ma e ial esul an e de sob as de uma p odução e que não
possui mais u ilidade após de e minado p ocesso é desca ado pela indús ia sendo en ão chamado de
esíduo indus ial (Menegucci e al., 2015).
A emá ica des a in es igação enquad a-se den o das es a égias da Economia Ci cula
1
e es á
elacionada com as o mas de p olonga o ciclo de ida de ma e iais êx eis, mais especi icamen e os
esíduos de denim. O eap o ei amen o de esíduos êx eis é bas an e amplo e, po an o, com o obje i o
de delimi a a in es igação a um ipo de esíduo êx il especí ico, oi selecionado o denim. A escolha po
¹ A Economia Ci cula busca concebe p odu os, se iços e modelos de negócio que excluam a p odução de esíduos e poluição, man e p odu os e ma e iais
em u ilização pelo máximo empo possí el, assim como ga an i a egene ação dos ecu sos ma e iais u ilizados (Pa lamen o Eu opeu, 2023). É uma
abo dagem sis êmica pa a o desen ol imen o econômico p oje ado pa a bene icia os negócios, a sociedade e o meio ambien e. Es e modelo de economia
em como obje i o desassocia o c escimen o econômico do consumo de ecu sos ini os e c ia capi al econômico, na u al e social (Ellen MacA hu
Founda ion, 2019).
3
es e ipo de esíduo baseia-se no a o de que o denim é um dos êx eis mais poluen es da cadeia êx il
( an o em elação à p odução da ma é ia-p ima algodão quan o em elação ao consumo de água nas
la agens). Ao mesmo empo em que sua p odução é poluen e, esse ma e ial é de g ande esis ência e
de uso mundial, não ha endo p e isão de que, algum dia, deixe de se p oduzido. O eap o ei amen o
des e ma e ial não elimina os danos causados na sua p odução, mas em a in enção de p olonga o seu
ciclo de ida e e i a ao máximo que es e seja desca ado. O denim é p oduzido em g ande escala e
ge almen e ap esen a suas qualidades p ese adas mesmo quando desca ado pós-consumo, podendo
se u ilizado como ma é ia-p ima de qualidade pa a ou as indús ias.
Es a in es igação p e ende colabo a pa a inco po a conhecimen os do p ocesso de eciclagem,
po meio do
upcycling
( eu ilização capaz de man e /melho a a qualidade dos desca es) des e ma e ial,
einse indo-o na cadeia p odu i a e p omo endo o uso des es desca es pa a desen ol imen o de no os
p odu os po moldagem de políme os e denim, capazes de se em aplicados a di e sos p odu os de moda
(acessó ios), deco ação e mobiliá io. Há ainda o in e esse em desen ol e um ma e ial com maio igidez
e, po an o, maio aplicabilidade (podendo se aplicado à di e en es se o es de p odu os), sem pe de a
ca ac e ís ica es é ica no que se e e en e à colo ação/apa ência ca ac e ís ica do denim.
Ao analisa o compo amen o do consumido quan o ao ema, a di ulgação de um es udo
in e nacional em 2020 apon a que 79% dos consumido es, dos 7.500 inque idos, passou a muda a
opção de aquisição de p odu os com p e e ência baseada na esponsabilidade social, inclusi idade ou
impac o ambien al de suas comp as (Capgemini Resea ch Ins i u e, 2020). O es udo di ulgado em 2022,
a ní el mundial, com ce ca de 11.300 pessoas, demons a que es a p e e ência em se man endo en e
os consumido es; no en an o, há um aumen o na p eocupação com o cus o de ida e a in enção de
pode encon a p odu os sus en á eis pelos quais não enham que paga a mais po isso. Os dados
apon am que 54% de odos os consumido es a ní el mundial a i mam alo iza a acessibilidade em
de imen o da sus en abilidade do p odu o no momen o da decisão de comp a. Além disso, 41% dos
consumido es em odo o mundo a i mam que es ão dispos os a paga mais po um p odu o que
conside am sus en á el. Na in es igação de 2020 sob e sus en abilidade em p odu os de consumo e
e alho, 57% dos consumido es a i ma am e pago p eços supe io es à média po p odu os que
conside a am sus en á eis (Capgemini Resea ch Ins i u e, 2023). Den o da p oblemá ica do excesso de
esíduos, somada ao apelo de alguns consumido es mais conscien es po p odu os mais sus en á eis,
uma no a ealidade econômica de con enção em sendo mani es ada em conjun o com as p eocupações
ambien ais. Os esíduos desca ados no meio ambien e cons i uem um p oblema que a e a a odos, e o
4
uso desses despe dícios é um dos p ocessos sus en á eis em busca da alo ização de ma e iais
desca ados es udada pelo Design Sus en á el (Oli ei a e al., 2013).
É impo an e salien a que, assim como a p eocupação ambien al, ques ões sociais elacionadas
a desigualdades, di iculdades de acesso à p odu os/se iços básicos e condições dignas de abalho são
a o es p eocupan es e c escen es a ní el mundial. Di e sas pessoas lu am dia iamen e po melho es
condições de abalho, saúde e alimen ação, e dian e des a lu a pela sob e i ência não possuem meios
inancei os e conhecimen o pa a que possam pensa em aquisição de p odu os sus en á eis.
Populações in ei as i endo em condições mui as ezes desumanas são p eocupações que es ão
den o do concei o de sus en abilidade. No en an o, apesa de ele an es, não se á um ema abo dado
ao longo des a in es igação.
Dian e disso, unindo o in e esse pela sus en abilidade e pela in es igação das o mas de
eap o ei amen o de esíduos de denim, su ge o ema des e es udo, que isa o desen ol imen o de no os
p odu os na cadeia da moda a pa i do uso de despe dícios de denim. A p esen e in es igação o na-se
ele an e dian e das p o undas ans o mações pelas quais o mundo em passando. P eocupações
ambien ais não são ecen es; no en an o, al e ações como as mudanças climá icas o na am os
p oblemas mais e iden es e, consequen emen e, in luencia am os hábi os e as o mas de consumo
p a icadas a ualmen e.
Segundo Ellen MacA hu Founda ion (2017), as al e ações climá icas são cada ez mais mo i o
de p eocupação, sendo que ce ca de 1,2 bilhões de oneladas anuais do o al de emissões de gases de
e ei o es u a são p o enien es da p odução êx il. Es es e ou os dados di ulgados ajudam a sensibiliza
a no a ge ação de designe s, incen i ando a epensa , edesenha e cons ui uma Economia Ci cula
com menos impac os nega i os.
A União Eu opeia demons a p eocupação e u gência quan o às ques ões elacionadas aos
esíduos êx eis, es abelecendo que os êx eis desca ados de e ão se ecolhidos sele i amen e de modo
ob iga ó io an es de 2025. Essa ecolha pe mi i á a seleção do que pode se eciclado ou eu ilizado,
possibili ando uma maio ede de ges ão sob e os esíduos êx eis (CCDR-N, 2020). Es ima-se que ce ca
de 5 milhões de oneladas de oupas são desca adas odos os anos na União Eu opeia, o equi alen e a
ce ca de 12 kg po pessoa, e apenas 1% desse ma e ial é eciclado e u ilizado pa a con ecção de no as
oupas (Eu opean Commission, n.d.).
Segundo a APA (Agência Po uguesa do Ambien e, n.d.), o consumo de êx eis na UE ocupa a
qua a posição de maio impac o no ambien e e nas al e ações climá icas, a segui aos alimen os,
habi ação e mobilidade. É conside ado o e cei o a o p eocupan e em e mos de u ilização dos ecu sos
11
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E ESTADO DA ARTE
Nes e capí ulo oi cons uída uma base eó ica, a pa i de e isão bibliog á ica e le an amen o
de in o mações sob e as p incipais emá icas ligadas à in es igação - sus en abilidade, ino ação,
Economia Ci cula e Design Sus en á el.
Pa a Manzini (2008), o design, ao mesmo empo em que é pa e do p oblema nos es ilos de
p odução e consumo excessi os
a uais, ap esen a ambém a sua impo an íssima capacidade e
possibilidade de c ia modos de se e de aze que sejam c ia i os e colabo a i os, pon os es es ele an es
quando o assun o é sus en abilidade.
P odu os desen ol idos com p odução e ma e iais mais ecológicos pode ão se um g ande
di e encial; uma p odução com ino ação ambien al passa a se um a o de di e enciação en e a
emp esa e os seus conco en es. A ino ação ambien al en ol e p oduções po meio do Design
Sus en á el, com u ilização de ma e iais p o enien es de on es eno á eis, eciclados, o imização do
p ocesso de desmon agem, eu ilização e eciclabilidade do p odu o, cuidado maio com embalagens,
ipos de co an es e sol en es, en e ou os.
Ques ões que en am ambém no concei o da Economia Ci cula , que p io iza pela p odução de
p odu os, se iços e/ou modelos de negócio sem ge a poluição ou esíduos; e no qual os sis emas
na u ais são egene ados, a ene gia e os ma e iais p o êm de on es eno á eis e o esíduo é e i ado
po meio do design de ma e iais, p odu os e modelos de negócios (Ellen MacA hu Founda ion, 2019).
2.1 Sus en abilidade e a Moda
G ande pa e dos es udos apon a que o concei o de sus en abilidade su giu na década de 1970,
em euniões o ganizadas pela O ganização das Nações Unidas (ONU). A pala a sus en abilidade indica
a ação de sus en a , es á elacionada ao a o de p ese a ou conse a e em sendo cada ez mais
u ilizada em elação às ações do se humano ao meio ambien e.
Segundo Bo (2017), a sus en abilidade ep esen a odos aqueles p ocedimen os que são
omados pa a pe mi i que a Te a e seus biomas se man enham i os, p o egidos, alimen ados de
nu ien es a pon o de es a em semp e bem conse ados e à al u a dos iscos que possam ad i . Pa a
um p odu o ou p oje o se conside ado sus en á el, é necessá io p incipalmen e que seja ecologicamen e
co e o, economicamen e iá el, socialmen e jus o e cul u almen e di e so; esse é o e dadei o obje i o
do desen ol imen o sus en á el, como mos a o esquema da Figu a 1.

12
As ques ões elacionadas ao desen ol imen o sus en á el en ol em mui o mais que p ese ação
ao meio ambien e, pois azem p eocupações econômicas, sociais e cul u ais. Isso inclui p oduções que
p opo cionem condições dignas aos abalhado es, an o em e mos de salá ios quan o de ambien e de
abalho. É impo an e pe cebe que o desempenho de um sis ema não de e se medido apenas pelo
luc o que ge a, mas ambém pelo impac o posi i o nas pessoas e no plane a.
A indús ia da moda acele ou os p oblemas ambien ais po meio da p odução e consumo
exceden es. Ela se des aca como uma das maio es esponsá eis pelos impac os nega i os ao meio
ambien e, de ido a p ocessos de p odução e consumo acele ados que ge am g ande olume de desca e.
Isso oco e an o po pa e das indús ias, que p oduzem esíduos e e alhos p o enien es de co e de
p odução, quan o po pa e dos consumido es, que desca am suas peças an igas ao adqui i em no os
p odu o.
Es e p ocesso ex emamen e acele ado, conhecido ambém como
as ashion,
é ca ac e izado
po um pad ão de p odução e consumo no qual os p odu os são ab icados, consumidos e desca ados
apidamen e. O desca e oco e an o pela má qualidade dos p odu os quan o pela necessidade de
consumo de no as endências. A pa i de an a p odução, odos os anos oneladas de esíduos
indus iais são acumulados e des uídos sem que um no o ap o ei amen o seja encon ado. O Design
assume en ão um papel impo an e na busca po soluções pa a os despe dícios indus iais, c iando
meios pa a essa edução de c iação de esíduos (Cos a, 2016).
Es ima i as apon am que a indús ia global de es uá io e calçados é esponsá el po 10% do
me cado mundial de emissões de gases de e ei o es u a (UNFCC, 2018). A emissão de gases de e ei o
es u a da indús ia da moda é maio do que a emissão po oos in e nacionais e anspo e ma í imo em
conjun o. Segundo dados di ulgados pela Agência Eu opeia do Ambien e no ano de 2017, a comp a de
Figu a 1- Esquema Concei ual de Sus en abilidade
Fon e: EquipeONB, 2015
13
êx eis na UE ge ou ce ca de 654 kg de emissões de CO2 po pessoa, o que signi ica que os p odu os
êx eis consumidos na UE ge a am emissões de gases com e ei o es u a de 121 milhões de oneladas
(Pa lamen o Eu opeu, 2020).
A indús ia da moda ge a gas os desde a p odução das ma é ias-p imas. Todo o p ocesso do
ciclo de ida adicional do desen ol imen o de peças de es uá io en ol e plan io e ex ação das
ma é ias-p imas, manu a u a, bene iciamen o, dis ibuição, a é o consumo e o desca e. O inal des e
ciclo de ida, em elação a peças de es uá io que são desca adas an o po consumido es no pós-
consumo quan o po indús ias da moda, o nou-se uma das maio es p eocupações elacionadas à busca
pela sus en abilidade no mundo da moda.
2.1.1 Ações Sus en á eis e Consumo Conscien e
Dian e das p eocupações en ol endo sus en abilidade e a indús ia da moda, começam a su gi ,
cada ez mais, no os es udos e índices a im de mensu a o en ol imen o das emp esas e consumido es
nas ques ões elacionadas aos gas os de p odução e es ilo de consumo. O assun o elacionado à
esponsabilidade ambien al e social nunca es e e ão p esen e nas emp esas de moda; a
sus en abilidade passou a se um assun o ele an e no se o nos úl imos anos. Mui as das emp esas de
moda passa am a anuncia ações e me as pa a melho a o impac o ambien al e social. Pa a mensu a
ais ações, a p imei a edição do BoF
Sus ainabili y Index
busca as ea se a indús ia es á ealmen e
azendo os p og essos necessá ios pa a e i a as mudanças climá icas e alcança equisi os sociais mais
amplos. O
Sus ainabili y Index
é um índice desen ol ido pelo
Business o Fashion
(BoF) pa a a alia a
sus en abilidade das p incipais emp esas de moda globais. O
Business o Fashion
in es igou e compa ou
as ações sus en á eis das 15 maio es companhias de moda, selecionadas com base na ecei a anual
ge ada em 2019 e di ididas em ês g upos: luxo, moda e oupa espo i a. Os esul ados o am
di ulgados em ma ço de 2021 e e elam que, de ido à in luência cul u al e à escala mundial da indús ia
da moda, essas companhias êm 10 anos pa a p omo e mudanças signi ica i as nas suas p á icas
sus en á eis. Es e p azo é uma e e ência às me as es abelecidas po di e sos aco dos e comp omissos
in e nacionais, como os Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el (ODS) da ONU pa a limi a o
aquecimen o global e alcança di e sas me as sociais e ambien ais a é 2030. No con ex o do
Sus ainabili y Index
, o p azo alinha-se com os obje i os e comp omissos globais, e le indo a u gência
econhecida globalmen e pa a que a indús ia da moda aça mudanças signi ica i as em suas p á icas
sus en á eis. Es a a aliação cons a em um ela ó io compa a i o que iden i ica as lacunas en e o
14
discu so e a ação, e idenciando ambém as ques ões impo an es pa a conc e iza esses a anços. (BoF,
2021).
Segundo o ela ó io do
Business o Fashion
(BoF, 2021), as emp esas demons a am um maio
p og esso na análise e comp eensão de seus impac es e no es abelecimen o de me as elacionadas às
emissões de gases de e ei o es u a, enquan o que as ques ões elacionadas ao despe dício e aos di ei os
dos abalhado es o am as ca ego ias de meno sucesso ( e Figu a 2).
Figu a 2 -
BoF Sus ainabili y index
Fon e: BoF, 2021
Fo am analisadas seis á eas conside adas impo an es nas quais a indús ia da moda de e
concen a es o ços pa a se adequa : esíduos, água e p odu os químicos, di ei os dos abalhado es,
ma e iais, emissões e anspa ência. En e as ques ões analisadas, a ca ego ia despe dício em os pio es
índices. O es udo in es igou o desca e de lixo pa a a e os sani á ios e embalagem plás icas, a p odução
com despe dício ze o e os modelos de negócio ci cula . No en an o, apesa de odas as me as das
g andes emp esas de moda a aliadas, demons a que quando o assun o é ci cula idade, es á mais di ícil
alinha o discu so à p á ica. Em elação às in o mações sob e edução do despe dício e uso de ma e iais
polimé icos, es es emas es ão en e os obje i os das emp esas, mas in o mações sob e o p og esso
ainda são inconsis en es, o nando di ícil mensu a . É possí el cons a a que pouco mais de um e ço
das emp esas es á p oduzindo algumas oupas pa a se em eciclá eis. A maio ia possui esquemas de
15
oca de peças an igas, no en an o, in o mações sob e o olume cole ado ou a des inação ainda são
limi adas (BoF, 2021).
O ela ó io não es uda a o alidade das emp esas de moda; ep esen a apenas uma amos agem
do se o , capaz de demons a as lacunas exis en es. Dian e disso, pode-se cons a a que, embo a já
exis am mui as ino ações e a anços, as ações elacionadas a esses emas pela indús ia da moda ainda
são insu icien es, e há mui o abalho a se ei o em elação à sus en abilidade de o ma conc e a.
Mui as emp esas pe cebe am que é p eciso mudança em elação à sus en abilidade pa a a ingi
os no os consumido es. No en an o, algumas ações ainda cons am apenas no papel, ap esen ando
g andes lacunas en e discu so e as ações de a o. Na Eu opa, dois e ços des es consumido es ela am
que pa a iam ou eduzi iam signi ica i amen e os gas os com ma cas que não espei am uncioná ios
ou o necedo es (Amed e al., 2021). Con o me dados do 2° Rela ó io de Índice de Sus en abilidade
publicado pelo
Business o Fashion
, di ulgado em 2022, as maio es emp esas de luxo, moda e oupa
espo i a ainda não ap esen am impulso su icien e com as suas polí icas e p á icas de sus en abilidade
que possam se capazes de ans o ma a indús ia a é 2030 (Ken , 2022). O índice di ulgado em 2022
dob ou o escopo pa a as 30 maio es emp esas lis adas do se o em e mos de ecei a em a igos de
luxo, moda e espo i os. O ela ó io mos a um melho desempenho ge al da ma ca Puma e uma
diminuição da pon uação média nas ca ego ias quando compa ado ao ela ó io do ano an e io . O es udo
mos a uma indús ia mo endo-se mui o len amen e pa a alcança os obje i os, com alguns dos maio es
pa icipan es da indús ia da moda o necendo pouca ou nenhuma in o mação sob e como lidam com o
impac o ambien al e social ( e Figu a 3)
16
A equência e in ensidade de e en os climá icos ex emos nos úl imos anos demons am a
g a idade da c ise ambien al. Tais e idências deixa am a cadeia de alo da moda especialmen e
ulne á el. A exposição à p oblemá ica das mudanças climá icas globais ge ou no os pa adigmas à
indús ia da moda, que se iu impossibili ada de adia a cons ução de esiliência nas suas cadeias de
abas ecimen o, a im de colabo a com a edução das emissões. No en an o, é p eciso es a a en o pa a
que es a p eocupação po pa e das emp esas seja e dadei a e não apenas como uma boa imagem
dian e dos consumido es. His o icamen e, a p eocupação ambien al em sido mínima po pa e da
indús ia, com mui as emp esas buscando adap a seus p odu os à uma imagem de emp esa
'sus en á el' unicamen e como uma o ma de ma ke ing pa a ganha isibilidade e ge a luc os.
Figu a 3 –
BoF Sus ainabili y index
2022
Fon e: Ken , 2022

17
A indús ia da moda não se e e e somen e ao que es imos; moda en ol e compo amen o e
opiniões. A moda pode se is a mui o além do es uá io; é ambém a adoção de uma pos u a, de um
compo amen o, de uma ealidade e de uma iden idade. É exa amen e den o desse con ex o de pos u a
e compo amen o que en a o papel do consumido mais conscien e e como ele age, buscando as
mudanças de consumo como um es ilo de ida que en ol e p eocupação com ques ões sociais e é icas,
além de ambien ais e econômicas. O consumo sus en á el na moda alo iza as pessoas en ol idas no
p ocesso p odu i o, em cuidado com a escolha de ma é ias-p imas menos poluen es e com uma
p odução mais humanizada, com emune ação e jo nadas de abalho jus as, se opondo aos emp egos
in o mais e mal emune ados que êm man ido o baixo cus o da p odução no
as ashion
, um dos
g andes a o es esponsá eis pelo excesso de consumo, e consequen emen e, de desca e.
A pa i do momen o que os consumido es o am omando consciência dos p oblemas causados
pelo consumo acele ado, um “ ê c ” m qu p u qu p z m p c c
ambien ais começa a ganha o ça. Su ge uma a enção maio pa a os p odu os e p oduções com
p eocupação social, econômica e ambien al, a o es que passa am a in luencia a p io idade de escolha
dos p odu os. Nes e con ex o, su gem p oduções que eu ilizam esíduos êx eis. À medida que as
emp esas pe cebem a p oblemá ica e sen em a mudança no compo amen o do consumido , elas são
ob igadas a a ende às no as demandas dos clien es. Além disso, ou a mudança signi ica i a no se o
êx il é a c iação de passapo es digi ais, uma e amen a que isa p omo e a anspa ência e a
as eabilidade dos p odu os êx eis, con ibuindo pa a um consumo conscien e.
O passapo e digi al é um documen o ele ônico associado a um p odu o êx il, con endo
in o mações sob e sua o igem, composição, p ocessos de p odução e impac o ambien al. Ele pode se
acessado po meio de códigos (
QR
codes
), aplica i os mó eis ou pla a o mas digi ais, pe mi indo que
consumido es e, ab ican es consul em dados ele an es sob e o p odu o em ques ão.
Um es udo global, ealizado en e 2016 e 2019 em 19 países com mais de 22.000 pessoas,
sob e o compo amen o do consumido indicou o su gimen o de consumido es mais conscien es e o
posicionamen o das ge ações mais jo ens, colocando cada ez mais ên ase na sus en abilidade. Se en a
e no e po cen o (79%) dos consumido es disse am inclui embalagens sus en á eis em suas decisões
de comp a, sendo que es e núme o é ainda maio en e os
millennials,
chegando a a ingi 83%. O es udo
ainda indica que a ge ação
millennial
, nascida en e 1981 e 1996, ela a es a p epa ada pa a paga
mais po p odu os que êm o meno impac o nega i o sob e o meio ambien e e pa a ob e p odu os de
emp esas que compa ilham seus alo es (McKinsey&Company, 2020).
18
Um consumo conscien e signi ica pensa an es de agi e, po an o, o p imei o passo é en ende
que, pa a se um consumido conscien e, é necessá io pe cebe que o consumo de qualque coisa, seja
p odu o ou se iço, az consigo consequências. Consumi a e a não só o consumido , mas ambém o
meio ambien e, a economia e a sociedade como um odo.
Ques ionamen os en ol endo o consumo conscien e, com p eocupações ambien ais, ganha am
o ça a pa i da década de 1990, quando as a enções ica am mais ol adas pa a os meios de p odução,
hábi os de consumo e a esponsabilidade do consumido com a sus en abilidade ambien al (Panucci-
Filho e al., 2018).
Pa a um consumo conscien e, é p eciso a enção ao que é consumido e aos possí eis impac os
que o a o de comp a pode causa . O consumo conscien e, mui as ezes chamado de consumo
sus en á el ou esponsá el, es á elacionado com a busca po p odu os e se iços ecologicamen e
co e os. Den o des e con ex o, o consumido conscien e é aquele que em p eocupação com seu bem-
es a , com a sociedade a ual e com as ge ações u u as. Segundo o Ins i u o Aka u (2020), o consumo
conscien e é a o de consumo ei o não só a pa i de uma análise p é ia das necessidades do consumido ,
mas ambém de um conjun o de in o mações elacionadas aos impac es sociais, econômicos e
ambien ais que o p odu o a se adqui ido possa causa .
O consumido conscien e se e como um agen e capaz de ans o ma a sociedade po meio de
suas escolhas de consumo, buscando equilíb io en e suas necessidades e a sus en abilidade como um
odo.
Reduzi a p odução de lixo, conhece a o igem dos ma e iais e os p ocessos de ab icação dos
p odu os, e odo o impac o causado ao longo de oda sua ida ú il, desde a ex ação da ma é ia-p ima
a é o desca e inal, az pa e do consumo conscien e. Pa a isso, é necessá io que o consumido
desen ol a sua pe cepção e senso c í ico em elação ao seu papel como elemen o in eg an e na cadeia
de p odução e consumo, ans o mando-se em a o impo an e na cob ança po mudanças de
pa adigmas e in luenciando as emp esas na busca po modelos de p odução mais sus en á eis.
O consumido conscien e em uma p eocupação com os ecu sos gas os na p odução do
p odu o e como ele de e se co e amen e usado e desca ado no u u o. O consumo
conscien e começa com uma análise p é ia da necessidade: p eciso ealmen e comp a ?
Decidido que sim, o consumido de e de ini as ca ac e ís icas que p ecisa no p odu o,
pensa sob e como i á comp a , escolhe o ab ican e de aco do com a sua
19
esponsabilidade socioambien al na p odução, aze um uso o imizado do p odu o pa a e
uma ida ú il mais longa, e de ini uma o ma de desca e adequada. Só assim, omando
decisões conscien es em cada uma dessas ases, o consumido pode á compa a e
escolhe a melho opção (Ins i u o Aka u, 2020).
O Ins i u o Aka u é uma o ganização não go e namen al b asilei a sem ins luc a i os, ocada na
p omoção do consumo conscien e. Fundado em 2001, o Aka u incen i a p á icas de consumo que
con emplam aspec os econômicos, sociais e ambien ais a a és de inicia i as educa i as e colabo ações
com di e sas en idades.
O compo amen o conscien e inclui, ambém, p eocupações com as o mas de desca e
adequadas aos p odu os no inal de ida, isando a eciclagem e edução de despe dício.
Uma pesquisa ealizada em no emb o de 2020 com 1.058 ame icanos sob e consumido
conscien e e ela que 80% dos ame icanos ecicla am, des ina am adequadamen e os esíduos e
p i ilegia am p odu os eu ilizá eis no ano an e io . Dados do es udo e elam ainda que es es a os
es a am em declínio desde 2015, quando a ingi am 90%. No ela ó io di ulgado pela mesma emp esa,
em 2023, são ap esen ados alo es c escen es sob e o consumo conscien e. Realizada com 1.052
ame icanos, a pesquisa sob e consumo conscien e mos a um ní el de econhecimen o po 39% dos
indi íduos, em compa ação a 34% em 2022 e 33% em 2013 (Good.Mus .G ow, 2020).
O consumido conscien e ambém pode dissemina o concei o e a p á ica des e ipo de consumo,
o nando possí el, po meio de pequenos ges os ealizados po um núme o mui o g ande de pessoas,
p omo e g andes ans o mações. T a a-se de uma con ibuição olun á ia, diá ia e solidá ia capaz de
ga an i a sus en abilidade da ida no plane a (Ins i u o Aka u, 2020).
A p á ica do consumo conscien e ou esponsá el de e-se mui o à educação e a sensibilização
da sociedade sob e os p oblemas ambien ais e sociais A pa i do momen o em que o consumido
econhece seu papel como in luenciado nos p ocessos de omada de decisão que podem a e a , em
maio ou meno g au, a es e a p odu i a, muda á seus pa adigmas e, consequen emen e, seus p óp ios
hábi os de consumo. Uma educação ol ada pa a um consumo com oco na sus en abilidade pode se
capaz de colabo a nesse p ocesso. No en an o, como já ci ado an e io men e, essa conscien ização e
po encial de escolha dependem ambém de ques ões econômicas e sociais, e in elizmen e mui as
pessoas que i em na pob eza não êm seque possibilidade de escolha.
20
2.1.2 A indús ia da moda e o desen ol imen o de p odu o sus en á el
Em azão da quan idade de esíduos êx eis ge ados pelo se o da moda, al e na i as como euso
e eciclagem su gem pa a p olonga o ciclo de ida dos ma e iais já p oduzidos e podem con ibui pa a
não aumen a os danos causados. O desen ol imen o de no as ma é ias-p imas que não ep esen em
impac os nega i os ao meio ambien e são capazes de con ibui pa a e i a que sejam ge ados mais
danos.
Uma pa e dos consumido es es á cada ez mais cien e dos impac os nega i os causados pelo
excesso de p odução e da escassez de ecu sos na u ais, enquan o as ma cas de moda p ecisam
ea alia suas escolhas a im de não pe de em a con iança desses consumido es. Sendo assim, di e sas
es a égias começam a se u ilizadas pelas ma cas em busca de desen ol imen o e p odu os mais
sus en á eis.
Como uma o ma de alcança o desen ol imen o sus en á el, o am es abelecidos os chamados
Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el (ODS) que são 17 me as es abelecidas pela Assembleia Ge al
das Nações Unidas ( e Figu a 4). Elas ab angem ques ões de desen ol imen o social e econômico,
buscando acaba com a pob eza, p omo e a p ospe idade e o bem-es a de odos, p o ege o ambien e
e comba e as al e ações climá icas (Uni ed Na ions, 2021).
Vale essal a , que nesse es udo es á incluído p incipalmen e o obje i o 12 – Consumo
Responsá el, que em como me as:
Figu a 4- Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el
Fon e: BCSD Po ugal, n.d.
27
duplicou, passando de 58 milhões de oneladas em 2000 pa a 109 milhões de oneladas em 2020, com
p e isão de aumen o de 145 milhões de oneladas a é 2030 (Pa lamen o Eu opeu, 2020).
A ansição pa a a Economia Ci cula inicia com a p e enção dos despe dícios, a minimização
dos esíduos deposi ados em a e os e implan ação de p ocessos de eciclagem.
O aumen o de esíduos, somado ao declínio dos ecu sos na u ais, le ou a uma busca po o mas de
compensa o dé ici de o e a de ma é ias-p imas. Dessa o ma, ecicla esíduos e despe dícios de
p ocessos de ab icação pa a desen ol e no os p odu os é uma solução que pode se o na mais ba a a
e e icaz quando compa ada aos cus os pa a desen ol e no as ma é ias-p imas. A ans o mação de
esíduos em no os p odu os e ma e iais com a máxima e iciência é a manei a que em sendo ado ada
po di e en es se o es da indús ia, impulsionados pela c escen e necessidade de ecu sos na u ais
ini os (Velicko e al., 2020).
Uma Economia Ci cula pa a a moda possibili a c ia melho es p odu os e se iços pa a os
clien es, con ibuindo pa a uma indús ia da moda esilien e e p óspe a, capaz de colabo a com a
egene ação do meio ambien e (Ellen Maca hu Founda ion, 2020). Pau ada nos concei os da
sus en abilidade, a Economia Ci cula em como g ande aliado o Design Sus en á el, que busca sup i
as necessidades do consumido po meio do desen ol imen o de p odu os mais ecologicamen e co e os,
economicamen e iá eis e socialmen e jus os.
2.4 Design
2.4.1 B e e his ó ia do design
Tudo que p ecisa se pensado e, po an o, não es á disponí el p on o, de e se planejado e
p oje ado. Sejam mó eis, oupas, o uncionamen o de um apa elho ele ônico, obje os, a supe ície de
um êx il, ou in e ações, udo de e se concebido conside ando não apenas a es é ica e a uncionalidade
adicionais, mas ambém a expe iência do usuá io, a sus en abilidade, a ino ação e a conexão
emocional, in eg ando o ma, p opósi o e impac o ao longo do ciclo de ida do p odu o — em ou as
pala as, um design holís ico e con empo âneo.
O concei o de design não em uma o igem exa a de inida, mas ge almen e es á elacionado com
a Re olução Indus ial, que e e início em meados do século XVIII. Resumidamen e, a Re olução
Indus ial es á ligada à subs i uição do abalho humano po máquinas, seguida pelo su gimen o e uso
de no as on es de ene gia ce ca de um século depois.

28
An es de oco e a chamada Re olução Indus ial, as peças e am execu adas na sua o alidade
pelos a esãos e o p ocesso incluía a ase de c iação, p odução e enda. Foi en ão após a Re olução
I u l qu c m ç u l m “ g ” ã b l , m “ l z çã
p j ” “execução do p oje o”. No en an o, alguns au o es a gumen am que essa di isão do
abalho e e o igem no inal da Idade Média, com o c escimen o do comé cio (Rü hschilling, 2012). O
g p cup c m “c m c u c m”, c m ã c l , c m çã
pessoas e a ecnologia (No man, 2013).
A expansão come cial e as opo unidades e iam aumen ado a conco ência, ha endo a
necessidade de di e enciação dos p odu os. Na I ália e na Alemanha, os p imei os designe s começa am
a aze essa di e enciação e ino ação nos p odu os (Rü hschilling, 2012). Com o c escimen o da
indús ia, a ida de a esãos começou a ica ameaçada, p incipalmen e pelo baixo cus o dos p odu os
indus ializados. Po ou o lado, a p odução em massa diminuiu a qualidade dos p odu os, dando o igem
ao mo imen o A es e O ícios, que alo iza a a qualidade a ís ica. No en an o, o aumen o dos cus os
não pe mi iu que o mo imen o p ospe asse.
Du an e o século XIX, quando começa am a se p oje ados obje os pa a a ab icação indus ial,
e am u ilizados e mos como a es écnicas ou a es indus iais. Apenas após 1865 su giam ou os
concei os como a es aplicadas à indús ia, a es e o ícios, indús ia a ís ica, a e ab il, a e aplicada e
a e deco a i a. O e mo design só começou a se amplamen e u ilizado na Alemanha depois da Segunda
Gue a Mundial (Rü hschilling, 2012 apud Schneide , 2010).
Na Alemanha, a escola
S aa liches Bauhaus
, m c c c m “
Bauhaus
”, undada em
1919 pelo a qui e o Wal e G opius. Seu p incipal obje i o e a uni a e e écnica, p omo endo a
colabo ação en e a esãos e a is as pa a aplica ca ac e ís icas a ís icas e uncionais à p odução em
massa. A escola busca a democ a iza o design, c iando obje os es é icos, uncionais e acessí eis,
isando a ende a uma ampla pa cela da população, incluindo as classes popula es. Assim, a
Bauhaus
su ge como uma usão en e a e e écnica, com o p opósi o de inco po a c ia i idade e qualidade
a ís ica à p odução indus ial (J. C. R. P. Sil a e al., 2012). A
Bauhaus
é conside ada a é hoje como
uma e e ência na á ea do design, endo sido g ande incen i ado a na elação en e a a e, o a esana o
e o design. A pa i daí que começam a su gi , em di e sos países, escolas baseadas no seu modelo de
ensino, disseminando assim o design pelo mundo.
Design pode se desc i o como uma a i idade capaz de soluciona p oblemas uni icando es é ica
e u ilidade, uma elação en e o ma e unção. Pa a se conside ado bom, um design de e pe mi i ácil
29
descobe a e comp eensão das ações possí eis, bem como o e ece cla eza sob e como o p odu o de e
se u ilizado (No man, 2013).
Manzini (2015) a gumen a que o design não in luencia apenas a unção ou a o ma de um obje o,
mas sim ambos de manei a in eg ada, econhecendo que são independen es e in e agem en e si.
Além de es é ica e uncionalidade, o design ambém es á ligado ao aspec o emocional. No man
(2004) in oduziu o concei o de Design Emocional, en a izando que além de u ilidade e usabilidade, a
di e são, o p aze , a aleg ia, a exci ação, e a é mesmo a ansiedade, a ai a, o medo e a ú ia
desempenham papéis impo an es na expe iência do usuá io com um p odu o. Essas conexões
emocionais, mui as ezes inconscien es, êm o pode de ans o ma obje os simples em ex ensões do
usuá io. No man (2004) iden i icou ês ní eis emocionais que o design pode alcança :
• Visce al: es á a ní el subconscien e. É supe icial e em elação com a apa ência. É
quando o p odu o é escolhido pela embalagem, po exemplo;
• Compo amen al: subconscien e, mas a ní el mais p o undo, é quando o usuá io em
“c l ” e le a em conside ação a espos a que o p odu o dá em elação a sua e icácia
e usabilidade, ou seja, p aze e habilidade de uso;
• Re lexi o: é a imagem que o p odu o ep esen a, e como ele es á ajudando a cons ui
a pe sonalidade do seu u ilizado . Tem elação di e a com o s a us social.
Dessa o ma, quando o p odu o consegue a ingi os ês ní eis emocionais, em g andes chances
de maio acei ação e ap o ação pelos consumido es.
O design pode se aplicado a di e sos se o es, podendo se ocado no design de p odu o, g á ico,
supe ícies, ambien e e moda. Cada um desses se o es demanda conhecimen os especí icos, mas odos
compa ilham a p eocupação com a in e ação en e o ma e unção.
Ou o aspec o c escen emen e ele an e no design é a sus en abilidade, que es á sendo aplicada
pa a p omo e o desen ol imen o sus en á el e es á cada ez mais p esen e em odos os se o es do
design.
2.4.2 Design de Supe ície
O Design de Supe ície, como o p óp io nome suge e, es á elacionado ao p oje o de ex u as,
pad ões e acabamen os bidimensionais e idimensionais aplicados a qualque ipo de ma e ial. É um
amo do design ol ado pa a encon a soluções es é icas e uncionais pa a supe ícies di e sas. Pode
se desen ol ido u ilizando uma a iedade de ma e iais e aplicado em á eas como papela ia, êx il e
30
ce âmica. O Design de Supe ície equen emen e colabo a com ou as á eas do design, como moda e
design de in e io es.
Assim como o Design Sus en á el, o Design de Supe ície é ele an e nes e es udo,
especialmen e quando se conside a o uso de ma e iais desen ol idos a pa i de esíduos na c iação de
di e sos p odu os de design.
Segundo Rü hschilling (2008):
Design de Supe ície é uma a i idade c ia i a e écnica que se p eocupa com a c iação e
desen ol imen o de qualidades es é icas, uncionais e es u u ais, p oje adas
especi icamen e pa a a cons i uição e/ou a amen os de supe ícies, adequadas ao
con ex o sócio cul u al e às di e en es necessidades e p ocessos p odu i os. (p.23)
A
Su ace Design Associa ion
(SDA) oi undada em 1977 nos Es ados Unidos. Es a associação
eúne p o issionais da á ea e publica e is as, jo nais e ealiza e en os elacionados ao Design de
Supe ície. A pa i desse pe íodo, o e mo "
Su ace Design
" ou Design de Supe ície passou a se
u ilizado pa a desc e e p oje os desen ol idos po designe s que en ol em qualque ipo de supe ície,
seja ela manu a u ada ou indus ial, e u ilizando an o mé odos manuais quan o digi ais (Menezes &
Sil a, 2023).
O e mo Design de Supe ície di e encia-se do design êx il e da es ampa ia po es a elacionado
à qualque ipo de supe ície e, sendo um e mo mais amplo não se limi a apenas ao campo êx il e
imp essão de desenhos.
Os ela os das p imei as mani es ações de in e enção em supe ícies emon am às pin u as
upes es, como as encon adas na ca e na de
Chau e
, na F ança, e na Se a da Capi a a, no B asil
(Menezes & Sil a, 2023). Embo a essas pin u as sejam conside adas exp essões a ís icas e cul u ais,
elas e idenciam a p á ica humana de se comunica e se exp essa po meio de supe ícies. Ao longo da
e olução humana, essa elação com supe ícies oi se ans o mando, passando de mani es ações
a ís icas espon âneas pa a p ocessos mais sis emá icos e in encionais, que hoje con igu am o Design
de Supe ície. O desenho em supe ícies mani es ou-se de di e sas o mas ao longo dos séculos, desde
as écnicas a esanais adicionais a é a aplicação de ecnologias a ançadas em ma e iais e p ocessos
con empo âneos. Regis os de desenhos em supe ícies da am do pe íodo Paleolí ico, com igu as mais
de inidas no Mesolí ico (Rü hschilling, 2008).
No pe íodo conhecido como An iguidade, que comp eende desde a in enção da esc i a a é a
queda do Impé io Romano Ociden al (476 d.C.) e o início da Idade Média (século V), há mui as
31
in e enções em ma e iais que pode iam se conside ados como aplicações do Design de Supe ície, ais
como azuleja ia, mosaicos, ces a ia, ape es, joias e c. (Menezes & Sil a, 2023; Rü hschilling, 2008).
São conside ados, basicamen e, dois ipos de p oje os de Design de Supe ície: o p imei o
quando não exis e epe ição, onde o módulo (desenho) é aplicado local ou globalmen e (ocupando um
único pon o ou em maio escala ocupando oda a supe ície), na Figu a 7a. O segundo, en ol e o módulo
em epe ição, ge ando um pad ão g á ico de aplicação pa cial ou o al, na Figu a 7b (Menezes & Sil a,
2023).
a) b)
Figu a 7 – P oje o de Design Supe ície : a) sem epe ição b) com epe ição
Fon e: Menezes & Sil a, 2023
Conside a-se “módulo” como a unidade básica e “ epe ição” como a o ma como os módulos
são eplicados. O "
appo
" é essencialmen e a o ma como o desenho ou pad ão é epe ido pa a cob i
oda a ex ensão da supe ície de manei a con ínua e sem in e upções isí eis. Exis em á ios sis emas
de epe ição, esses sis emas de epe ição ou alinhamen o dos módulos é chamado de g ade ou malha,
que co esponde a manei a como os módulos são alinhados na supe ície. Con o me a manei a como o
módulo é epe ido, são c iados os pad ões e pos e io men e a chamada pad onagem (Figu a 8); ou seja,
o pad ão é esul ado da disposição de um módulo p ede inido.
32
Figu a 8 - Módulo, pad ão e pad onagem
Fon e: Menezes & Sil a, 2023
Ao alinha o módulo po meio de epe ições c iando pon os de encon o, podem se c iadas
di e sas pad onagens. Na Figu a 9, obse a-se exemplos de epe ição de um mesmo módulo aplicado
de di e sas o mas. No a-se que a pa i de de e minada sime ia, podem se ge ados di e en es
appo s
que esul am em pad ões g á icos di e en es en e si.
Figu a 9 - Exemplo de di e en es
appo s
com mesmo módulo
Fon e: Rü hschilling, 2008
Com o uso do Design de Supe ície, é possí el c ia p odu os com uma linguagem isual ainda
mais apela i a. O designe , u ilizando combinação de ma e iais, co es e écnicas, é capaz de in luencia
a pe cepção dos indi íduos em elação aos obje os e as suas supe ícies. Dessa o ma, o Design de
Supe ície, o na-se um g ande aliado pa a desen ol imen o de p oje os com eu ilização e alo ização
de ma e iais desca ados. En e os mé odos u ilizados no Design de Supe ície, des aca-se a abo dagem
modula , que consis e na c iação de pad ões epe i i os, an o bidimensionais quan o idimensionais.

33
Essa es a égia con ibui pa a o desen ol imen o de no os p odu os com oco na sus en abilidade,
pe mi indo maio lexibilidade, eap o ei amen o e e iciência no p ocesso de c iação.
2.4.3 Design Modula
O design modula consis e na decomposição de um p odu o ou sis ema em módulos
independen es, que possuem in e aces pad onizadas e bem de inidas, pe mi indo que sejam
combinados, subs i uídos ou a ualizados sem a e a a in eg idade ge al do sis ema. Ul ich (1995) de ine
a qui e u a modula como aquela em que cada unção do p odu o é implemen ada em um módulo ísico
único, acili ando a manu enção e a lexibilidade do p odu o. De o ma complemen a , Me ens e al.
(2022) essal am que a modula ização é um p ocesso que busca eduzi as in e dependências en e os
módulos, possibili ando uma maio a iedade de con igu ações do p odu o com cus os con olados e
maio e iciência no desen ol imen o.
A u ilização de ecu sos modula es p opo ciona lexibilidade e e sa ilidade nos p oje os,
acili ando a manu enção ou eposição de peças. Os componen es de um p odu o podem se
econ igu ados, emo idos ou adicionados, o que con ibui pa a a epa ação e, consequen emen e, pa a
a sus en abilidade.
Na á ea de design e deco ação, a designe sueca Mia Cullin c ia supe ícies e desen ol e p oje os
com ên ase na cons ução de mon agens e conexões de módulos inspi adas po pad ões geomé icos.
Ela a ua nos se o es de mobiliá io, iluminação, obje os e acessó ios de design. U ilizando o mas simples
e de ácil mon agem, a designe c ia pad ões êx eis idimensionais como o painel acús ico ei o com
el o, con o me Figu a 10.
Figu a 10 - Painel acús ico modula em el o de lã
Fon e: Cullin, n.d.
34
Pa a a Ellen MacA hu Founda ion (2020), o design modula é uma es a égia essencial den o
da economia ci cula , pois possibili a que os p odu os sejam acilmen e desmon ados, epa ados e
a ualizados, con ibuindo pa a a ex ensão do ciclo de ida dos ma e iais e a edução do despe dício. Na
indús ia da moda, po exemplo, a modula idade pe mi e uma desmon agem e icien e pa a eu ilização
e eciclagem, alinhando p á icas de design a modelos de p odução mais sus en á eis e ci cula es. Essas
abo dagens en a izam a impo ância de p ocessos c ia i os e colabo a i os pa a a ino ação em design.
2.4.4 Design C ia i o –
Design Thinking
O desen ol imen o de p oje os de design exige um p ocesso c ia i o ol ado à busca po soluções
adequadas e ino ado as. Segundo Ka ja Tschimmel (2011), esse p ocesso eque uma obse ação
a en a do p oblema, com o obje i o de enxe ga além do ób io e ompe com pe cepções habi uais,
pe mi indo assim o su gimen o de ideias o iginais e su p eenden es. Esse ipo de abo dagem pode se
a o ecido po me odologias como o
Design Thinking
, que acili am a ge ação, expe imen ação e análise
de soluções cen adas no usuá io.
O
Design Thinking
é uma abo dagem ol ada ao p ocesso c ia i o e à esolução de p oblemas
complexos ou mal de inidos. Ca ac e iza-se po sua es u u a não linea , pe mi indo a cons an e
eadap ação das e apas con o me a e olução do p oje o. Suas ases são in e ligadas, a o ecendo a
expe imen ação, a colabo ação e a e isão con ínua ao longo do desen ol imen o da solução (Clemen e
e al., 2016).
O
Design Thinking
ado a uma abo dagem cons u i a e expe imen al, ol ada à busca de
soluções ino ado as e cen adas na expe iência humana. Essa me odologia é capaz de a ibui no os
signi icados aos p odu os ao conside a dimensões cogni i as, emocionais e con ex uais no p ocesso de
c iação. A iden i icação da solução mais adequada en ol e a comp eensão p o unda das necessidades
das pessoas, aliada à a aliação de soluções ecnicamen e iá eis e sus en adas po es a égias de
negócio sólidas — ou seja, soluções que ge em alo pa a o usuá io e ep esen em opo unidades de
me cado pa a as o ganizações. O modelo baseia-se em pesquisa e ap esen a uma es u u a sis êmica
ci cula , com luxo in e dependen e en e as e apas do p oje o (San os, 2015).
É uma abo dagem ol ada à busca de soluções c ia i as e cen adas no se humano. Ca ac e iza-
se po sua es u u a i e a i a e não linea , que pe mi e e isi a , combina e adap a suas e apas
con o me a necessidade do p oje o (Figu a 11). O p ocesso é ge almen e es u u ado em cinco ases
p incipais:
• a eme gência ou iden i icação de opo unidade ou p oblema;
35
• a empa ia ou o conhecimen o do con ex o a se explo ado;
• a expe imen ação ou ge ação das ideias;
• a elabo ação ou desen ol imen o da solução p op iamen e di a;
• a exposição das no as soluções ge adas.
Na ase de elabo ação ou p o o ipagem é onde é colocado em es e a ideia escolhida, ase de
cons ui pa a pensa e es a pa a ap ende (Hasso Pla ne Ins i u e o Design, 2024). No modelo c iado
po Ka ja Tschimmel (2011), é ainda incluída um x p qu “ x ã ”, qu l z m
pa e a implemen ação, obse ação e possí eis melho ias.
2.4.5 Design Sus en á el e o eap o ei amen o de esíduos
O design en a como a o de e minan e pa a a busca de soluções, com a p eocupação no
desen ol imen o de p odu os sus en á eis. Os designe s ocam no desen ol imen o de p odu os com
ecu sos e p ocessos de baixo impac o ambien al. No design de p odu o sus en á el, pela chamada eco
e iciência, são amplamen e abo dados os aspec os ambien ais, onde o oco é c ia mais p odu os e
se iços com o uso cada ez meno de ecu sos, esíduos e poluição (Manzini, 2008). O Design
Design
Thinking
Eme gência
Empa ia
Expe imen açãoElabo açao
Exposição
Figu a 11 - Mé odo p ocessual
Design Thinking
Fon e: Au o a, modelo adap ado
36
Sus en á el abo da exa amen e es es aspec os elacionados a eduzi os impac os ambien ais dos
p odu os, ao mesmo empo em que a o ece a c iação de opo unidades pa a a indús ia da passos
p og essi os no sen ido da sus en abilidade de o ma ge al.
Os designe s b asilei os, i mãos Humbe o e Fe nando Campana, são exemplos de p o issionais
que es ão abalhando com oco na sus en abilidade. Os designe s Campana eco em à eu ilização de
ma e iais desde a década de 1989, já abalha am com a eu ilização de di e sos esíduos como co das,
bonecos de pelúcia, êx eis e mui os ou os, e desen ol em peças que unem écnica e a e em um
abalho expe imen al.
Na Figu a 12, o abalho dos designe s e uma de suas c iações desen ol idas com
eap o ei amen o de esíduos êx eis.
Figu a 12 - I mãos Campana e o eap o ei amen o de esíduos êx eis
Fon e: Campana, n.d.
De uma manei a ge al, odos os p odu os causam algum ipo de impac o ambien al du an e o
seu ciclo de ida, pois al p ocesso engloba desde a ex ação da ma é ia-p ima, p odução, anspo e e
u ilização, a é o des ino dos esíduos (ges ão e depósi o). Todos os e ei os ambien ais ge ados ao longo
do p ocesso es ão elacionados e são esul an es des es á ios es ágios do Ciclo de Vida do P odu o -
CVP (San os, 2015). Es a égias de Design Sus en á el são undamen ais pa a eduzi a dependência de
ma e iais i gens e diminui danos já causados ao meio ambien e, pe mi indo uma ansição pa a uma
Economia Ci cula que dissocia c escimen o a pa i do consumo de ecu sos ini os.
O Design Sus en á el busca o desen ol imen o de p odu os sus en á eis, que em como um dos
ocos p incipais a edução de esíduos, isando pe mi i a ex ensão do Ciclo de Vida do P odu o, seja
pela p e enção ou eu ilização de esíduos ge ados. Técnicas de Design Sus en á el podem eduzi
impac os po meio do edesign, po exemplo: ma e iais ou subs âncias que se iam esíduos desca ados
43
ecu sos na u ais e poluição; e os meios senso iais/cul u ais, elacionados à qualidade de ida, onde
p odu os podem p opo ciona p aze de uso, mas ambém a e a nega i amen e o ambien e, como no
caso do impac o no silêncio e na qualidade do a (Rü hschilling, 2012).
Conside ando uma das p oblemá icas da cadeia êx il, que é a ge ação de esíduos, a eu ilização
de desca e êx il, le ando em conside ação ambém a g ande quan idade de ma é ias-p imas já
u ilizadas, su ge como uma o ma de p olonga o ciclo de ida do p odu o, con ibuindo pa a que o ciclo
do ma e ial não enha im, einiciando-se con inuamen e. Uma Análise do Ciclo de Vida do P odu o
(ACVP) é uma me odologia ú il pa a es uda de alhadamen e os impac es ge ados ao longo de odo o
ciclo de ida do p odu o.
Análise do Ciclo de Vida - a aliação dos impac es ambien ais
Os impac es ambien ais causados pelas indús ias êx eis são bas an e conhecidos e discu idos.
O impac o no consumo de água e na ge ação de e luen es é p eocupan e, assim como os e ei os ge ados
du an e a p odução de ma é ias-p imas, como no cul i o de algodão, e em p ocessos químicos
elacionados a ingimen o e acabamen o de p odu os. Todos es es impac os a e am a qualidade do
ambien e, causando al e ações climá icas, na qualidade do a , en e ou os danos.
A Análise do Ciclo de Vida (ACV) su ge como uma e amen a pa a calcula e analisa os cus os
e os danos ambien ais ge ados pelo p ocesso p odu i o. Segundo B aga e al. (2005), essa me odologia
pode se capaz de e e e si uações c í icas e es ima os impac os u u os po meio de simulações com
modelos ísicos e ma emá icos. O es udo possibili a busca medidas pa a mi iga os danos ambien ais,
podendo en ol e an o melho ias es u u ais, como ob as de in aes u u a, quan o mudanças nos ipos
de combus í eis u ilizados pa a eduzi esíduos e danos, po exemplo.
Os impac os ambien ais podem se a aliados de di e sas o mas, como o mé odo da análise
mul iobje i o, modelos de simulação, supe posição de ca as e a a aliação do ciclo de ida de p odu os
e se iços.
A ACV pode se uma aliada na a aliação dos impac es de p odução, uso e desca e de no os
ma e iais, assim como de ma e iais já p oduzidos. Ela colabo a pa a compa a di e en es ma e iais e
p ocessos. U ilizando a ACV, é possí el ealiza uma análise de alhada de odas as e apas en ol idas na
p odução de um de e minado p odu o e compa á-lo a p odu os semelhan es desen ol idos com
di e en es ma é ias-p imas ou p ocessos de p odução. A écnica de Análise do Ciclo de Vida (ACV),
ambém conhecida como
Li e Cycle Assessmen
(LCA), oi aplicada pela ma ca Nudie Jeans
.
No ela ó io
de 2022 da ma ca, oi di ulgado um es udo compa ando ês modelos di e en es de calças da sua

44
coleção. O es udo a alia desde os impac os causados pelo cul i o do algodão pa a o desen ol imen o do
ecido denim u ilizado, a é odas as e apas subsequen es a é a dis ibuição ao consumido , desc e endo
odo o p ocesso "
c adle o ga e
" (do "be ço ao po ão") (Nudie Jeans Co, 2023). O obje i o do es udo é
a alia os impac es ambien ais do p óp io p odu o da ma ca, es abelece me as pa a melho ias e edução
de cus os e danos ambien ais, além de di ulga as inicia i as sus en á eis da emp esa.
A écnica de ACV pode se aplicada u ilizando a no ma ISO 14040. A ACV abo da os aspec os
ambien ais e os po enciais impac es ambien ais, como o uso de ecu sos e as consequências ambien ais
das emissões ge adas ao longo do ciclo de ida de p odu os, desde a aquisição de ma é ias-p imas
(ABNT, 2009). Es e mé odo de a aliação é u ilizado pa a a alia esses impac es, possibili ando p oje a
possí eis melho ias e ambém como uma o ma de as emp esas demons a em aos seus clien es o
comp omisso ecológico e o in es imen o em p odu os/se iços sus en á eis, po meio de selos ou
decla ações ambien ais. De aco do com a ABNT NBR ISO 14044:2009, es udo de ACV de e inclui
qua o ases que se in e - elacionam, como mos a a Figu a 13:
• ase de de inição de obje i o e escopo, nes a ase é delimi ado onde começa e e mina
o es udo, as chamadas on ei as do sis ema assim como o g au de p o undidade e
de alhamen o da análise;
• ase de análise do in en á io dos p ocessos en ol idos, consis e na cole a dos dados de
en ada e saída associados ao sis ema em es udo;
• ase de a aliação dos impac es associados às en adas e saídas do sis ema, ge ados
com auxílio de um so wa e de apoio;
• ase de in e p e ação dos esul ados ob idos, que pode se acompanhada de uma análise
de o mas de melho ias.
45
Figu a 13 - Fases ACV con o me no ma ISO 14044
Fon e: ABNT, 2009
Na li e a u a, exis em di e en es mé odos e so wa es pa a calcula os impac es. No malmen e,
os indicado es ado ados incluem os seguin es impac es, que podem se a aliados no p ocesso de
in e p e ação de uma ACV:
• Aquecimen o global: al e ações climá icas e mudanças associadas ao aquecimen o
global que o plane a Te a em so endo, p o ocado pelo aumen o na concen ação dos gases
de e ei o es u a (como dióxido de ca bono, me ano, óxido ni oso e clo o luo ca bono), os quais
abso em o calo e le ido ou emi ido pela supe ície do plane a. Es e impac o é medido em
KgCO2 (B aga e al., 2005);
• Acidi icação: ce as subs âncias ino gânicas como sul a os, ni a os e os a os, quando
em excesso na a mos e a, podem causa mudanças na acidez do solo. Todos os ipos de plan as
p ecisam de um equilíb io adequado de acidez; caso esse equilíb io seja ul apassado, pode se
noci o pa a a espécie, podendo a e a seu desen ol imen o no malmen e. Es e impac o é
medido em KgSO2;
• Eu o ização: pode se de inida como o en iquecimen o de nu ien es do ambien e
aquá ico (que pode se di idido em água doce e salgada), calculado em Kg pa a ós o o e
ni ogênio. O desequilíb io na quan idade de nu ien es ( ós o o e ni ogênio) p opo ciona o
c escimen o descon olado de algas e ege ais aquá icos. Com a p oli e ação excessi a dos
46
ege ais aquá icos pode ha e dispu a pelo oxigênio com peixes e consequen e diminuição de
sua população (B aga e al., 2005);
• Oxidan e Fo oquímico: o ozônio con ido na a mos e a é o mado pelo esul ado da eação
o oquímica do núme o de oxidação (NOx) e Compos os O gânicos Volá eis Não Me anos
(NMVOCs). Es a o mação é mais in ensa no e ão e o excesso pode causa in lamações nas
ias aé eas e sé ios danos à saúde humana. Como a o mação de ozônio depende de condições
me eo ológicas e dos ní eis de concen ação de NOx e NMVOCs, qualque desequilíb io pode
al e a os ní eis no mais de o mação (Mo i a, 2013). Es e impac o é medido em Kg NMVOC;
• Po encial de esgo amen o abió ico: es e impac o co esponde aos ecu sos mine ais e
ósseis u ilizados (miné ios – me ais como e o, cob e e c. e combus í el óssil - subs âncias
o madas po compos os de ca bono, po exemplo, me ano, gás na u al, pe óleo, ca ão mine al
e c.) e a alia o po encial de esgo amen o des es ecu sos com uma elação en e a quan idade
uso e a disponibilidade exis en e, es e impac o é medido em Kg (Mo i a, 2013);
• Depleção da água: es e impac o es á elacionado ao uso da água disponí el no meio
ambien e e é calculado em m³;
• Depleção do ozônio: es e impac o mede a emissão de subs âncias capazes de des ui
a camada de ozônio. A camada de ozônio possui a capacidade de bloquea as adiações sola es,
em especial a adiação ul a iole a que é esponsá el pelo aumen o da incidência de cânce de
pele, inibição do c escimen o de espécies ege ais, en e ou os danos. A emissão de CFC
(clo o luo ca bono) em a capacidade de des ui a camada de ozônio (B aga e al., 2005), es e
impac o é medido em KgCFC -11.
2.4.9 Resíduos de denim e eu ilização
Uma das ma é ias-p imas que em sendo mui o in es igada pa a a eu ilização é o denim. O a o
p eocupan e é que o denim é um dos êx eis mais poluen es da cadeia êx il. A á ea global dedicada ao
cul i o de algodão não al e ou nos úl imos 70 anos; no en an o, esse cul i o empob eceu e deg adou o
solo. No cul i o, são u ilizadas ce ca de 200 mil oneladas de pes icidas e 8 milhões de oneladas de
e ilizan es anualmen e. Isso signi ica que pa a p oduzi 1kg de algodão são necessá ios 0,35 a 1,5kg
de químicos, con aminando solos, ios, lagos e aquí e os sub e âneos. Em elação à água, são gas os
em média 93 mil milhões de me os cúbicos de água po ano na indús ia êx il. Esse consumo e e e-
se p incipalmen e à p odução de ma é ias-p imas como o algodão, às e apas de ingimen o e la agem
47
indus ial, e ao uso domés ico, especialmen e du an e as la agens ealizadas pelos consumido es
(Mendonça e al., 2019).
No en an o, a poluição pelo denim não se esume ao cul i o e ab icação. Além de odos es es
dados p eocupan es, depois que os p odu os são consumidos e desca ados, apenas 20% das oupas
são ecolhidas pa a eu ilização ou eciclagem, e menos de 1% dos ma e iais u ilizados na ab icação da
oupa são eciclados pa a p oduzi no as peças (Mendonça e al., 2019; Pa lamen o Eu opeu, 2020).
Ao mesmo empo em que sua p odução de denim é poluen e, o p odu o é de g ande esis ência
e de uso mundial em g ande escala. O seu eap o ei amen o não elimina os danos causados na sua
p odução, mas pode p olonga o seu ciclo de ida e minimiza o desca e desnecessá io.
O desca e inadequado de denim não só con ibui pa a a deg adação ambien al, mas ambém
ep esen a um despe dício de ecu sos aliosos. Di e sas pesquisas es ão sendo ealizadas e algumas
ma cas já es ão desen ol endo p odu os a pa i de esíduos de denim.
Um exemplo é a ma ca de óculos Mose ic (Figu a 14), que u iliza esíduos de denim pós-
consumo pa a desen ol e seus p odu os. O ma e ial consis e em á ias camadas de denim empilhadas
e p ensadas em moldes, cobe as po uma esina sin é ica especial que o ma um compos o sólido,
denominado pela emp esa como "denim sólido". Após o p ocesso, as a mações dos óculos são co adas
e la adas com ped a pa a es au a a apa ência clássica do jeans.
Figu a 14 - Mose ic, óculos ei o de denim eu ilizado
Fon e: Aiken, 2016
Semp e que um p odu o é desen ol ido a pa i da u ilização de esíduos, exis e a opo unidade
de da uma no a ida a ma e iais que já consumi am g andes quan idades de água, ene gia, p odu os
químicos e ex ensas á eas de cul i o, como é o caso do denim.
48
Pa a Manzini & Vezzoli (2008), o design é pa e do p oblema, no en an o, pode se o na um
agen e p omo o da sus en abilidade ao busca no as al e na i as de p oje o.
Na pesquisa sob e eap o ei amen o de denim, é possí el comp eende o po encial des e
ma e ial e a impo ância de eu ilizá-lo. Na Figu a 15, é possí el e o abalho de eap o ei amen o da
designe Sophie Rowley, que c ia obje os mobiliá ios u ilizando esíduos de denim. O p odu o c iado em
apa ência semelhan e ao má mo e, sendo le e e esis en e, ei o de esíduos de denim pós-consumo e
esíduos da p odução das indús ias da moda. Pa a c ia esse no o ma e ial, os esíduos são dispos os
em camadas, unidos com uma esina especial. Depois de p on o, o ma e ial é esculpido em di e en es
o mas pa a uso in e no.
Figu a 15 - Bahia Denim, eap o ei amen o de denim
Fon e: Hi i, 2019
Os Países Baixos são econhecidos po ab iga uma das maio es concen ações de ma cas de
jeans do mundo, com sedes de ma cas enomadas como Tommy Hil ige e Cal in Klein em Ams e dã.
Em 2012, oi es abelecida a p imei a
Jean School,
si uada na cidade, ocada no desen ol imen o de
jeans. A escola coloca ên ase na ino ação e sus en abilidade, e le indo os ideais iniciados pela
House o
Denim Founda ion
em 2009. Essa undação sem ins luc a i os se e como pla a o ma pa a a esana o
e ino ação na indús ia do denim, p omo endo a busca po soluções que o nem o denim mais
sus en á el e incen i ando a eu ilização de ma e iais pós-consumo.
Além disso, ambém nos Países Baixos, a ma ca DenimX se des aca po desen ol e p odu os a
pa i da eu ilização de denim. A emp esa u iliza ma e ial que combina ib as de denim com ma e iais
polimé icos de base biológica, buscando não apenas eduzi o despe dício, mas ambém c ia no os
p odu os sus en á eis e es e icamen e apela i os, alguns p odu os podem se is os na Figu a 16
(DenimX, n.d.).

49
Es a inicia i a da DenimX se iu como uma das e e ências pa a a ase p á ica des a
in es igação. Uma isi a de es udos oi ealizada e se á de alhada pos e io men e no CAPÍTULO IV
(subcapí ulo 4.3.5 VISITA DE ESTUDOS).
Figu a 16 - P odu os
upcycling
denim da ma ca DenimX
Fon e: DenimX, n.d.
Es as são algumas o mas de eap o ei amen o de denim pa a desen ol imen o de no os
ma e iais, o nando possí el não só p olonga o uso de uma ma é ia-p ima desca ada, mas ambém
u iliza es e esíduo como ma é ia-p ima de qualidade pa a di e sos obje os de design.
A ques ão de esíduos da indús ia êx il e de es uá ios é p eocupan e, pois são explo ados
excessi amen e ecu sos não eno á eis, elacionados à ex ação de pe óleo pa a a p odução de ib as
sin é icas, na u ilização de e ilizan es em plan ações de algodão de químicos pa a o a amen o das
ib as êx eis, além da u ilização de milhões de me os cúbicos de água po ano gas os nas la agens de
es uá io e plan ação de algodão. Dessa o ma, o se o é esponsá el pela emissão de milhões de
oneladas de CO2 (Ellen MacA hu Founda ion, 2017).
A indús ia êx il e de es uá io con ibui em 20% pa a a poluição da água, a o que se de e aos
ingimen os e a amen o dos êx eis. Além disso, é a maio esponsá el pelos plás icos nos oceanos,
de ido às mic o ib as de ma e iais polimé icos libe adas nas la agens de êx eis ei os a pa i de
ma e iais como poliés e , nylon ou ac ílico (Ellen MacA hu Founda ion, 2017).
Segundo dados di ulgados em 2023 pela Agência Eu opeia do Ambien e (AEA), somen e no ano
de 2020 o consumo médio de êx eis po pessoa na EU ocupou 400m² de e eno, 9m³ de água e 391
kg de ma é ia-p ima (en ol endo plan io e u ilização de ma é ia-p ima pa a p odução do es uá io). Es es
dados ge a am uma pegada ca bônica de ce ca de 270 kg (Pa lamen o Eu opeu, 2020).
50
2.5 Es udo dos ma e iais
Pa a o desen ol imen o des e es udo e pa a c ia o no o ma e ial a pa i de esíduos de denim
( êx il c iado a pa i da ib a do algodão), é p eciso ac escen a ou os ipos de ma e iais. Dessa o ma,
az-se impo an e o es udo sob e o algodão e uma análise sob e ma e iais polimé icos.
2.5.1 Políme os e Biopolíme os
Políme os são subs âncias o madas po mac omoléculas que, ligadas en e si, o mam um odo
coeso e com p op iedades bem de inidas. En e as p incipais an agens dos políme os em elação a
ou os ipos de ma e iais, des aca-se a acilidade de ab icação, a esis ência a co osão, a capacidade
de isolamen o de ene gia e calo , a anspa ência em alguns casos e a eciclabilidade.
A classi icação dos políme os quan o ao seu compo amen o mecânico é di idida em: plás icos,
elas ôme os e ib as. Os plás icos são ma e iais sólidos à empe a u a ambien e podendo se di ididos
em e moplás icos e e mo ígidos ou e mo ixos. Os ma e iais e moplás icos são ma e iais moldá eis,
o que signi ica que amolecem com o aumen o da empe a u a e endu ecem ao se em es iados. Es e
ipo de ma e ial possui baixa densidade, é solú el, esis en e ao impac o e possui baixo cus o,
ap esen ando ampla aplicabilidade. O p ocesso de ab icação desses ma e iais polimé icos é e e sí el,
o que possibili a a eciclagem desses ma e iais. Já os e mo ígidos ou e mo ixos não são emodelá eis;
uma ez moldados, se aquecidos no amen e, se decompõem, sendo conside ados ma e iais não-
eciclá eis e insolú eis. Os políme os elas ôme os são os ma e iais com g ande capacidade elás ica e
podem de o ma mais de duas ezes o comp imen o inicial; no en an o, ecupe am apidamen e a o ma
o iginal após a e i ada dos es o ços. Um exemplo desse ipo de políme o é a bo acha ulcanizada. Po
im, exis em as ib as, que possuem uma o ien ação o çada da cadeia e dos c is ais pa a se em
mecanicamen e esis en es, podendo se u ilizadas como ios inos (Filho & San elice, 2018).
Os políme os podem se sin é icos, de i ados da indús ia pe oquímica, ou de o igem na u al.
Os p imei os ma e iais plás icos emp egados na indús ia i e am o igem em p odu os na u ais e o am
modi icados quimicamen e, como oi o caso do ni a o de celulose (da celulose do algodão), a
agallali e
(da caseína do lei e) e a eboni e (da bo acha na u al) (Mano & Mendes, 1999).
Os políme os na u ais são ambém conhecidos como biopolíme os, em como o igem ecu sos
na u ais e su gem como uma al e na i a pa a p odução de ma e iais biodeg adá eis. Biopolíme o ou
bioplás ico é um ma e ial polimé ico que ap esen a ge almen e as mesmas p op iedades do ma e ial
polimé ico comum ei o do pe óleo ( on e não eno á el), mas di e e po usa como ma é ia-p ima on es
51
eno á eis. No en an o, nem odos os bioplás icos são biodeg adá eis, e, sendo assim, não bas a deixá-
los na e a pa a que se decomponham, pois em alguns casos a decomposição pode du a an o quan o
a dos ma e iais polimé icos p o enien es do pe óleo. Ou a ques ão é o a o de que o bioplás ico
ambém pode se ei o a pa i de on es não eno á eis, como o pe óleo, que á o caso do bioplás ico
de polibu ileno e e ala o adipa o (PBAT), conhecido po poliu e ano. Es e bioplás ico é biodeg adá el e
compos á el, no en an o, u iliza uma on e não eno á el. Exis em ambém os plás icos p oduzidos com
base em on es eno á eis, como a cana-de-açúca , mas que não se biodeg adam (Equipe eCycle, n.d.).
Con o me a
Eu opean Bioplas ics
, um ma e ial plás ico é de inido como bioplás ico se o de base
biológica, biodeg adá el ou ap esen a ambas as p op iedades (Eu opean bioplas ics, n.d.).
Segundo Filho & San elice (2018), o g ande di e encial dos políme os ob idos po on es
eno á eis é o a o de eles não p oduzi em excesso de gás ca bônico pa a a a mos e a, pois se o iginam
de se es que ealizam o ossín ese. O ca bono p esen e nesses ma e iais é p o enien e da p óp ia
a mos e a e, po an o, quando deg adado, ol a a se abso ido pelas plan as.
São mui os os ecu sos na u ais conhecidos e dos quais é possí el ap o ei a ou ans o ma
como on e pa a p odução dos políme os na u ais ou biopolíme os. Os políme os na u ais êm baixa
oxicidade e podem se al amen e biodeg adá eis. En e esses ecu sos eno á eis, podem se ci ados
os amidos (como milho, mandioca, igo ou ba a a), óleo de gi assol, soja e mamona, po exemplo. O
políme o de amido, um polissaca ídeo p oduzido a pa i de ege ais como a ba a a, p ecisa passa po
um p ocesso químico que esul a em um ma e ial com ca ac e ís icas plás icas.
A celulose é um biopolíme o biodeg adá el e um dos mais abundan es exis en e na bios e a. As
bio esinas, ou esinas na u ais, são sec eções p oduzidas na u almen e pelas á o es como pa e do
mecanismo de de esa à ag essão. Como exemplo, emos a esina de pinus, que ap esen a sec eções
cons i uídas de uma ação olá il conhecida como e ebin ina e uma ação sólida denominado b eu ou
goma de colo ônia (Co ea e al., 2018). Um exemplo de bio esina é a esina na u al de
Pinus pinas e
,
p esen e em Po ugal. A esina colo ônia é ambém conhecida como Pez de Lou o ou B eu.
Os plás icos biodeg adá eis são os menos poluen es, pois no malmen e se decompõem em
ce ca de 18 semanas, quando em condições ap op iadas. São classi icados da seguin e o ma
(Ecoe icien es, 2021):
• Bioplás ico compos á el: são os bioplás icos que se de e io am acilmen e em p ocessos de
compos agem;
• Bioplás ico hid o-solú el: são os bioplás icos que iniciam o p ocesso de decomposição apenas
quando en am em con a o com a água;
52
• Plás ico oxi-deg adá el: são os bioplás icos que p ecisam ecebe adi i os pa a que se
decomponham quando em con a o com aios ul a iole a e oxigênio.
Os políme os sin é icos, ao longo dos anos, o am os p ecu so es dos plás icos, mas com o
empo su gi am p eocupações c escen es sob e os impac os associados à sua p odução. Po isso, há
um c escen e in e esse na busca po p odu os na u ais como al e na i a pa a eduzi esses impac os.
Os p imei os ma e iais polimé icos sin é icos come cializados na o ma de a e a os o am o PVC, PMMA
e PS na década de 1930. Na década de 1940, su gi am o LDPE e PU, e na década de 1950, o POM,
HDPE, PP e PC. Essas décadas o am ma cadas po um g ande a anço na química de políme os (Mano
& Mendes, 1999).
A ualmen e, o Polie ileno e e ala o (PET), é um ma e ial mui o conhecido e amplamen e
u ilizado. T a a-se de um políme o e moplás ico não eno á el, de i ado do pe óleo, que necessi a de
eu ilização ou eciclagem de ido à sua deg adação mui o len a, o que pode causa sé ios p oblemas
ambien ais.
O plás ico sin é ico em a deg adação len a, podendo le a a é 500 anos. Du an e esse p ocesso,
são ge ados agmen os meno es de plás ico que acabam se acumulando em g andes quan idades nos
ecossis emas. Em con as e, os políme os na u ais biodeg adá eis possuem p op iedades semelhan es
aos sin é icos, mas com um empo de deg adação meno (Fa ias e al., 2016).
A quan idade de p odu os p oduzidos a pa i de ma e iais polimé icos é ex ensa, sendo u ilizados
em quase odas as á eas das a i idades humanas, com des aque pa a as indús ias au omobilís icas, de
embalagens, de e es imen os e de es uá io. Segundo Velicko e al. (2020), uma g ande quan idade de
políme os não eno á eis é u ilizada a ualmen e em di e sas aplicações, incluindo os êx eis. Os
políme os sin é icos o e ecem cus os de p odução mais baixos em compa ação com al e na i as
na u ais, po ém implicam em um al o cus o ambien al de ido à poluição ge ada, esul an e de a o es
como esíduos e emissões excessi as de dióxido de ca bono na a mos e a.
Em es udo di ulgado pela OECD (
O ganisa ion o Economic Co-ope a ion and De elopmen
),
apenas 9% dos 353 milhões de oneladas de esíduos plás icos do mundo o am eciclados no ano de
2019. Seguindo dados das Pe spec i as Mundiais do Plás ico, das 460 milhões de oneladas p oduzidas
em 2019 no mundo, 353 milhões acaba am como esíduos. Segundo o ela ó io inal do es udo, apenas
9% dos esíduos plás icos o am eciclados, enquan o ap oximadamen e 19% o am incine ados. Ce ca
de me ade, ou 50%, acabou em a e os con olados. Os 22% es an es o am des inados a a e os ilegais,
queima ou abandono em ambien es na u ais (OECD.O g, 2022).
59
A indús ia êx il é uma g ande consumido a de água. Po exemplo, o p ocesso de
bene iciamen o êx il possui um al o po encial poluido , não apenas de ido aos g andes olumes de água
necessá ios, mas ambém pela ge ação de esíduos quimicamen e complexos. No caso dos p odu os
jeans, o bene iciamen o (p ocessos que melho am as ca ac e ís icas isuais e á eis do ecido) é uma
das es a égias mais u ilizadas pa a di e encia as peças. É com o bene iciamen o que se adiciona alo
e con o o ao es uá io. Es ima-se que pa a cada e apa de bene iciamen o, calcula-se um pe cen ual
sob e o peso das oupas, equi alen e a dez li os de água pa a cada quilo (Mon ei o, 2018).
Dian e da p eocupação com a quan idade de água po á el su icien e pa a consumo e p odução,
su giu a necessidade de implemen a écnicas ol adas pa a o ge enciamen o sus en á el do uso da
água. Foi c iado o concei o de Pegada Híd ica, que se elaciona com o cálculo do olume o al de água
consumida de o ma di e a e indi e a, an o pelos se es humanos quan o nos p ocessos p odu i os.
A qualidade e quan idade de água po á el mundial es ão cada ez mais ameaçadas, à medida
que as populações aumen am, as a i idades ag ícolas e indus iais se in ensi icam, e as mudanças
climá icas ameaçam al e a odo o ciclo hid ológico global.
As la ande ias de jeans são conside adas en e as a i idades indus iais mais impac an es pa a
o meio ambien e, de ido ao ele ado ní el poluido e complexidade química dos e luen es ge ados. A
baixa disponibilidade de água doce, o que co esponde a apenas 2,5% do olume o al de água disponí el
pa a consumo no plane a, coloca o mundo dian e de uma escassez híd ica, onde a o e a de água é
in e io ao consumo (Viana e al., 2018). A escassez de água aumen a á os cus os associados aos
ecu sos híd icos, o nando sua p ese ação uma necessidade não apenas ecológica, mas ambém
econômica.
A Vicunha Têx il, uma das maio es p odu o as mundiais de índigos e e e ência em
jeanswea
,
em pa ce ia com ou as emp esas, p p j “P g í c V cu ”. O p oje o mede o
consumo de água no ciclo de ida de uma calça jeans no B asil, desde o plan io do algodão a é o
consumido inal, como mos a a Figu a 20. U ilizando a me odologia global
Wa e Foo p in Ne wo k
, o
es udo e ela o consumo médio de 5.196 li os de água po calça jeans no B asil. Es e alo desconside a
a chamada Pegada cinza po pa e do consumido inal. O cálculo pa a chega aos alo es gas os é
baseado em ês indicado es de Pegada Híd ica que, somados, con e em a Pegada Híd ica o al (A Moda
pela Água, 2019). Es a mesma quan idade de consumo de água é su icien e pa a que uma pessoa possa
sup i odas as suas necessidades básicas (bebe , higiene pessoal, cozinha e pa a ins sani á ios)
du an e ce ca de 70 dias (Ins i u o Aka u, 2022).
Segundo o es udo, os indicado es u ilizados são:

60
• Pegada Ve de, que se e e e ao olume da água da chu a u ilizada pelas plan as nos
p ocessos ag ícolas da cadeia p odu i a;
• Pegada Azul, elacionada ao consumo das on es de água doce, das supe ícies
sub e âneas e que não é de ol ido pa a as mesmas on es de cap ação;
• Pegada Cinza, que es á elacionada ao olume de água necessá io pa a a na u eza
assimila o e luen e ge ado e de ol ido ao meio ambien e.
Figu a 20 - Desc ição da pegada híd ica do jeans
Fon e: A Moda pela Água, 2019
O es udo indica que o olume o al consumido po uma calça jeans co esponde a 41% água
e de, 11% água azul e 48% água cinza. Em maio es de alhes, são conside ados os seguin es gas os em
cada e apa da cadeia: 4.247 li os no plan io, 127 li os na ecelagem, 362 li os nas ases de la ande ia
e con ecção, e 460 li os nas la agens casei as ealizadas pelo consumido inal (A Moda pela Água,
2019).
2.6 Pesquisa em base de dados
Pa a inaliza es e capí ulo, são ap esen ados, nesse ópico, os c i é ios u ilizados pa a a
ealização da pesquisa po a igos cien í icos, com o obje i o de cole a in o mações pe inen es ao
61
p opósi o des a in es igação, que se concen a em publicações cien í icas elacionadas ao
desen ol imen o de p odu os com esíduos de denim. A pa ame ização des e le an amen o en ol eu os
seguin es c i é ios:
• R c T mp : Publ c çõ l z 2019, 2020, 2021 e 2022 e 2023;
• T p Publ c çõ : A g c í c ;
• Lí gu c : I glê P uguês;
• F m Publ c çã : D g l;
• Á Publ c çã : Têx l, Sus en abilidade, Ma e iais, Design e Moda;
• T m p qu :
ecycling, ecycle, ecycled, upcycling, upcycled, euse
(e a iações
ambém em Língua Po uguesa, quando aplicá el) semp e elacionados à pala a denim. Pesquisados
em Tí ulos de A igos, Resumo e pala as-cha es.
Os e mos pesquisados i e am como p io idade a ligação com o ecido denim elacionado à
eu ilização pa a desen ol imen o de no o ma e ial, po se o p incipal obje o de es udo.
O eco e empo al oi ei o com o in ui o de seleciona os es udos mais a uais sob e o ema
começando no ano de 2019, ou seja, um ano an es do início des a in es igação. Foi selecionada pa a a
pesquisa a base de dados
Scopus
, essa escolha oi ei a le ando em con a a ele ância acadêmico-
cien í ica das publicações.
Fo am selecionados 88 es udos, na g ande maio ia dos a igos são desc i os es udos en ol endo
co an es, p ocesso de ingimen o e água esidual do p ocesso de la agem do denim, con ecção de moda,
eciclagem química, desen ol imen o de no o io e uso de ib a. O maio núme o de a igos oi
encon ado nos anos de 2021 e 2022 com 22 e 27 a igos, espec i amen e.
O u publ c m 2022, ul “
Mic os uc u e and pe o mance cha ac e is ics o
acous ic insula ion ma e ials om pos -consume ecycled denim ab ics
” (Islam e al., 2022), desc e e
o uso da ib a de denim e écnicas de ab icação de não- ecidos com uma ib a aglu inan e e moplás ica
biodeg adá el pa a uso como painéis de isolamen o acús ico. N g “
De elopmen o 3D needled
composi e om denim was e and polyp opylene ibe s o s uc u al applica ions
” (Wang e al., 2022),
publicado em 2022, é ela ado o uso de denim no desen ol imen o de compósi o com ib a de denim e
polip opileno po meio de agulhamen o.
A m g l c m “
upcycling
” ( u çõ ) é ol ada pa a
desen ol imen o de con ecções de coleções com eu ilização de denim.
Em 2021, o a igo ul “
Design o composi e insula ion panels con aining 100% ecycled
co on ibe s and polye hylene/polyp opylene packaging was es
”(Sezgin e al., 2021), ambém oi
62
conside ado um dos ma e iais ele an es pa a es e es udo po a a do desen ol imen o de no o
ma e ial. Nessa publicação é desc i o o desen ol imen o de compósi os com ib a de algodão eciclado
e esíduos de embalagem polip opileno (PP) e Polie ileno (PE).
Obse a-se que não o am mui os os a igos cien í icos, nes a base de dados, que a am da
mesma pe spec i a des a in es igação: Denim e Sus en abilidade com oco no desen ol imen o de no o
ma e ial. E mesmo em publicações encon adas que ap esen am es es e mos em conjun o, ou são de
aspec o gené ico, apenas eu ilizando a ib a do denim pa a ou os ins que não o desen ol imen o de
no o ma e ial, ou são de aspec o mui o especí ico, como desen ol imen o de no o io. As abelas com a
incidência dos e mos de pesquisa e as Iden i icações e Abs ac s dos a igos conside ados mais
ele an es pa a es e es udo podem se con e idas na sessão de Anexos (Anexos I).
Em pesquisas complemen a es sob e o assun o o am encon adas mui as ma cas
desen ol endo p odu os u ilizando denim (algumas ci adas acima, no sub í ulo 2.4.9 Resíduos de denim
e eu ilização), no en an o, em elação a a igos e es udos cien í icos é possí el obse a uma pequena
lacuna, em e mos acadêmico-cien í icos, que colabo a am ainda mais pa a o in e esse e p opósi o do
seguimen o des a pesquisa a im de con ibui com es udos embasados cien i icamen e pa a
desen ol imen o de no os ma e iais e p odu os, assim como com a di ulgação no meio cien í ico.
Após o es udo eó ico, ac edi a-se que a u ilização do despe dício de ecido denim e ma iz
polimé ica pa a o desen ol imen o do ma e ial ajuda á a maximiza as p op iedades do no o compósi o.
63
Pa e des e capí ulo oi di ulgado nas seguin es publicações:
Ma ques, A. e Azambuja, P. (2021). P ojec Design Me hods and Upcycling o Fashion P oduc s
in Bachelo cu icula o Fashion Design Cou ses. In 15 h Annual In e na ional Technology, Educa ion and
De elopmen Con e ence. INTED 2021 P oceedings, pp 9056 – 9061. – ISBN 978-84-09-27666-0.
IATED, h ps://doi.o g/10.21125/in ed.2021.1896
de Paula Azambuja, P., Ma ques, A. (2023). Repensando o desca e de êx eis: eu ilização de
jeans pa a desen ol imen o de no os p odu os. In: B oega, AC, Cunha, J., Ca alho, H., P o idência, B.
(eds) A anços na Pesquisa em Moda e Design. CIMODE 2022. Sp inge , Cham.
h ps://doi.o g/10.1007/978-3-031-16773-7_53
64
CAPÍTULO III
DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO EXPERIMENTAL

65
DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO EXPERIMENTAL
3.1 Me odologia de in es igação
Segundo o a is a e designe i aliano B uno Muna i (1981), o design não de e se p oje ado sem
um mé odo; o pensamen o a ís ico com a inalidade de encon a uma solução não é su icien e se não
hou e a ealização de uma pesquisa sob e p oje os semelhan es ao que se deseja aze .
Complemen ando essa isão, Don No man (2013) en a iza que o design e icaz eque uma comp eensão
p o unda do usuá io e do con ex o de uso, alcançada po meio de pesquisa e análise. Pa a No man, o
design é um p ocesso sis emá ico que ai além da c ia i idade a ís ica, en ol endo obse ação,
expe imen ação e i e ação pa a desen ol e soluções uncionais e emocionalmen e signi ica i as. Es a
abo dagem me odológica o ien ou a ase inicial des a in es igação, con ibuindo pa a a cons ução de
uma base sólida de conhecimen o pa a a e apa expe imen al de pesquisa-ação. O es udo oi desen ol ido
po meio da análise de abalhos elacionados ao euso de denim, combinado com a a aliação do luxo
de ma e iais, undamen ada nos p incípios da Economia Ci cula , após a ex ação da ma é ia-p ima,
con o me ilus ado na Figu a 21.
Figu a 21 - A aliação luxo dos ma e iais após ex ação
Fon e: Au o a, adap ado de (Velicko e al., 2020)
66
A pesquisa explo a ó ia com oco na alo ização de esíduos de denim e no design sus en á el,
buscou-se pela ans o mação des es em no as ma é ias-p imas e p odu os po meio do Design C ia i o.
O obje i o p e endido é ap esen a um ma e ial que man em as ca ac e ís icas es é icas do denim e que
possa se in eg ado a uma abo dagem do
upcycling
e Design Sus en á el pa a o eap o ei amen o de
esíduos. Pa a an o, o desen ol imen o des e abalho o ien a-se desde o es udo dos esíduos, c iação
de no o ma e ial a é a u ilização e alo ização dos mesmo po meio do Design C ia i o.
Pa a o desen ol imen o, são seguidas as cinco e apas do
Design Thinking
:
1 - Eme gência: e apa na qual o am iden i icados o p oblema e a opo unidade de ino ação no
âmbi o da p oblemá ica dos esíduos de denim, isando c ia no o ma e ial e no os p odu os com alo
ecológico ac escen ado;
2 - Empa ia: e e e-se ao es udo explo a ó io ei o de concei os e es udos exis en es pa a en ende
o con ex o do desen ol imen o sus en á el e as ideias já explo adas, a im de encon a no as
possibilidades pa a o desa io;
3 - Expe imen ação: expe iências p é ias, conhecimen o e ideias adqui idos são colocados em
p á ica na ase de expe imen ação em busca da elabo ação do no o ma e ial. Pos e io men e, po meio
do p ocesso c ia i o aliado aos conhecimen os eó icos adqui idos e e e ências, ealizou-se a idealização
dos p odu os que pode iam se c iados;
4 - Elabo ação: es a ase e e e-se a uma ex ensão da e apa an e io , na qual são colocadas em
p á ica as ideias de aplicação do ma e ial desen ol ido;
5 - Exposição: nes a ase são ap esen ados os p o ó ipos como aplicação p á ica e c ia i a do
design capaz de c ia .
Na ase de Empa ia, e i ica-se que du an e a e apa de eciclagem êx il, são des acados os
p ocessos de eciclagem mecânica, u ilizada ge almen e pa a ap o ei amen o das ib as como man a, e
a eciclagem química, que é no malmen e aplicada pa a sepa ação de ma e iais no desen ol imen o de
no o io. Como o obje i o des a in es igação é a c iação de um no o ma e ial a pa i do denim e, a im
de e i a es es dois p ocessos de eciclagem sup aci ados, oi escolhido o mé odo de comp essão pa a
desen ol imen o de um no o ma e ial compósi o. Assim como o uso do ecido in ei o, ou seja, sem
ep ocessamen o.
A pa i do es udo ealizado, o am selecionadas as possí eis combinações de ma e iais a se em
es ados nes a ase expe imen al em busca do melho esul ado pa a o desen ol imen o do no o
ma e ial. O no o ma e ial se á cons i uído ao menos po dois componen es, sendo es es di e en es em
p op iedades químicas e ísicas. P e ende-se que uma combinação de políme o, ib a de e o ço e
67
p ocesso de ab icação possa conduzi a uma aplicação com melho es p op iedades elacionadas à
esis ência, pe meabilidade, en e ou os, buscando e i a o p ocesso de des ib agem e p ese a o
aspec o es é ico elacionado à colo ação do esíduo êx il selecionado pa a es e es udo, especi icamen e
esíduos de calças jeans pós-consumo.
Em elação ao denim, u ilizado na ab icação das calças jeans, oi obse ado que o esíduo des e
ma e ial, na sua g ande maio ia, não é cons i uído de 100% algodão, cos uma ap esen a combinações
de algodão com elas ano e/ou poliés e . A abela com as composições pode se con e ida no Anexo II
(A2.1 - Amos agem de calças do cen o de ecolha de esíduos êx eis). Essa mis u a de ma e iais é um
dos a o es que di icul a o p ocesso de eciclagem pa a desen ol imen o de no o io, mas que pode se
an ajosa pa a o desen ol imen o des e no o ma e ial a se in es igado. O algodão, conside ado como
a ib a de e o ço, possui p op iedades como isolamen o é mico e acús ico, ca ac e ís icas que podem
ag ega alo ao no o ma e ial a se desen ol ido. Além do mais, o denim ap esen a boas p op iedades
mecânicas, é êx il bas an e esis en e de ido ao en elaçamen o dos ios de ama e u dume da sua
composição (Cha aignie , 2007). Um es udo publicado em 2022 ela a que oi possí el u iliza denim e
polip opileno pa a o desen ol imen o de compósi os de al o desempenho e baixo cus o (Wang e al.,
2022).
O denim a se combinado com demais ma e iais pode se esul ado de desca e po pa e dos
consumido es, são p odu os pós-consumo com desgas es de uso e/ou esíduos de denim do p ocesso
de p odução (p é-consumo) ei os 100% de algodão (que é um políme o na u al) ou em combinação com
ou as ib as sin é icas como elas ano e/ou poliés e .
Assim como os esíduos êx eis, os desca es de ma e ial polimé ico são um g a e p oblema
ambien al. A ab icação e uso de ma e ial plás ico ainda es á a i a, o ma e ial é mui as ezes de uso
único e causa acumulo de lixo no meio ambien e sem que sejam eciclados. Além dos plás icos já
deposi ados, a cada dia mais plás ico é p oduzido, u ilizado e desca ado. O a o de não se um ma e ial
biodeg adá el é conside ado uma das maio es ameaças ao ambien e. Ce ca de 80% a 85% do lixo
ma inho na UE é cons i uído po plás ico, 50% são elacionados aos plás icos de uso único e 27% a
a igos elacionados com a pesca (CGD, 2021). Tal poluição pelo uso dos políme os pode ia se
minimizada com a eciclagem dos ma e iais polimé icos e consequen emen e o desen ol imen o de
políme os biodeg adá eis e de on e eno á el.
Pa a passa pa a a p óxima ase des a in es igação é necessá ia a escolha do ipo de ma iz a
se usada, uma seleção de aco do com as p e ensões do ma e ial a p ocessa e com as aplicações a
que o compos o ai se sujei o.
68
Como o obje i o do es udo é desen ol e um ma e ial sólido pa a aplicação em p odu os de
deco ação, mobiliá io e moda (mais especi icamen e acessó ios de moda), e le ando em conside ação
a análise dos es udos an e io es, oi selecionada a ma iz polimé ica e moplás ica como a opção a se
aplicada. Tendo em is a que es e ma e ial pode ap esen a um es ado ísico sólido, maio esis ência
ao impac o e boa du abilidade no ex e io , que são a o es conside ados impo an es nes a e apa.
Ou o pon o impo an e oi le ado em conside ação pa a a ealização das amos as: man e o
p c é c m m m “c um ” g m m é -p ima, que no caso
des e es udo são calças jeans desca adas pelo consumido ( esíduo pós-consumo).
Os políme os e moplás icos p é-selecionados pa a es a ase expe imen al são ambém, assim
como o denim, esíduos que p ecisam se eap o ei ados, e i ando que sejam deposi ados
inde idamen e no meio ambien e. Fo am selecionados dois ipos de esíduos pós-consumo de sacos
u ilizados em supe me cados (polie ileno de al a e baixa densidade) e dois ipos de esíduos p é-
consumo, especi icamen e esíduos de ecido não ecido (polip opileno é mui o u ilizado pa a p oduzi
oupas e másca as hospi ala es, uma p eocupação a mais que su giu com ais esíduos uma ez que
pa e des a in es igação oi desen ol ida em pe íodo pandêmico), e esíduos de polime ilme ac ila o, que
é ambém conhecido como ac ílico e es á inse ido em di e sos ipos de indus ias (au omobilís ica,
ele ônica, médica, deco ação en e ou os; é mui o usado em p odu os que exigem anspa ência e
esis ência como cobe u as de lâmpadas de au omó eis, equipamen os de iluminação, elas de c is al
líquido, len es, mobiliá io, acessó ios e c.).
Na li e a u a, são e e enciadas á ias écnicas pa a a ab icação de compósi os, en e elas,
moldagem po comp essão, moldagem po ans e ência de esina, in usão a ácuo e
hand lay-up
(Temmink e al., 2018). A écnica
hand lay-up
, ou moldagem manual, é um dos mé odos de moldagem
mais adicionais pa a a ab icação de compósi os que consis e no empilhamen o da ib a e uso de
esina.
As écnicas de p ocessamen o do ma e ial podem se esumidas em p ocessos de molde abe o
e echado. En e as écnicas mais encon adas em es udos es ão a RTM (
esin ans e moulding
),
p ocesso que usa uma esina e mo ixa líquida e molde echado; VARTM (
acuum-assis ed esin ans e
moulding
), que é capaz de p opo ciona um aumen o na esis ência; e COM (
comp ession moulding
),
uma écnica simples que u iliza uma ca idade de molde aquecida e que pode se aplicada a um
compósi o com êx il e políme o e moplás ico.
75
Tabela 3 - Sín ese do ensaio de amos as iniciais com denim e PP a iação de empe a u a
Amos a
Composição
Tempe a u a
°C
Resul ado
1.2
3 camadas denim in e calado com PP
170
Fusão/al e ação
denim
1.3
3 camadas denim in e calado com PP camada dupla
1.4
3 camadas de e alhos de denim in e calado com PP
1.5
3 camadas denim in e calado com PP em e alhos
1.6
2 camadas de denim duplo in e caladas com PP
150
Sem usão
1.7
3 camadas denim e uma camada PP acima
1.8
2 camadas de e alhos de denim in e calados com camada PP +
1 camada de PP acima
1.9
2 camadas denim in e calados com camada dupla PP e camada
dupla em e alhos PP acima
1.10
2 camadas denim in e calados com PP
160
Pouca usão
1.6.1
Idem amos as 1.6, 1.7, 1.8, 1.9
165
Boa usão,
al e ação co
1.7.1
1.8.1
1.9.1
1.6.2
1.7.2
1.8.2
1.9.2
Idem amos as 1.6, 1.7, 1.8, 1.9
160
Pouca usão
1.11
3 camadas e alhos de denim in e caladas PP e inalizado PP
duplo
1.12
Idem 1.9
155
Pouca usão
Quan o à composição das amos as:
Amos a 1.2 – 3 camadas de denim in e caladas com camada simples de políme o (PP)
Amos a 1.3 – 3 camadas de denim in e caladas com camada dupla de políme o (PP)
Amos a 1.4 – 3 camadas de e alhos de denim in e calados com camada simples de políme o
(PP)
Amos a 1.5 – 3 camadas de denim in e calados com camada simples de e alhos de políme o
(PP)
A Figu a 30 ap esen a as amos as p on as pa a se em p ensadas no p ocesso de moldagem
po comp essão.

76
Figu a 30 - Amos as de denim e políme o an es da comp essão
(Amos a 1.2, 1.3, 1.4, 1.5 sen ido ho á io da esque da pa a a di ei a)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Após o p ocesso de moldagem, pôde-se obse a que o denim al e ou um pouco a colo ação,
icando mais ama elado e com um le e odo de combus ão. Hou e uma boa usão do políme o em odas
as amos as, a amos a 1.3 com camada dupla de políme o e a amos a 1.4 com e alhos de denim
pa ecem um pouco mais ígidas que as demais e e i ica-se a necessidade de camada de políme o en e
as amas de e alho de denim na Amos a 1.4 pa a ha e adesão do ma e ial ( e Figu a 31).
Figu a 31 - Amos as de denim e políme o após comp essão à 170°C
(Amos a 1.2, 1.3, 1.4, 1.5 sen ido ho á io da esque da pa a a di ei a)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
No as amos as o am es adas e subme idas à empe a u a mais baixa, o am es adas à 150°C
de empe a u a, po 10 minu os e 30N de comp essão. Fo am ei as qua o no as amos as, des a ez,
além da empe a u a mais baixa oi es ado o compo amen o do denim com adição de políme o ex a,
mas sem in e cala odas as camadas, ou seja, o am ei as amos as com camadas duplas e iplas de
denim, ( e Figu a 32). O obje i o, além de es a o compo amen o da empe a u a mais baixa, e a
77
ambém es a se o políme o se ia capaz de pene a mais de uma camada de denim. As amos as o am
o ganizadas da seguin e manei a:
Amos a 1.6 – 2 camadas de denim duplo (CO) in e caladas com 1 camada de políme o
(PP): (2CO+PP+2CO)
Amos a 1.7 – 3 camadas de denim e uma camada de políme o (PP) sob e o denim: (3CO+PP)
Amos a 1.8 – 2 camadas de e alhos de denim in e calados com 1 camada de políme o (PP) e
mais 1 camada de políme o sob e o denim: (ReCO +PP+ ReCO+ PP)
Amos a 1.9 – 2 camadas de denim in e calados com camada dupla de PP e camada dupla em
e alhos de políme o sob e o denim (CO+2PP+CO+2PP)
Figu a 32 - Amos as 1.6, 1.7, 1.8 e 1.9
sen ido ho á io da esque da pa a a di ei a an es da comp essão à 150°C
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Após a comp essão obse a-se que com a empe a u a em 150°C em 10 minu os não hou e
boa usão do políme o como mos a a Figu a 33, man e mais empo na mesma empe a u a não al e a,
pois, a empe a u a man em o mesmo alo ; en ão o am ei as no as amos as com a mesma
composição (amos as 1.6.1, 1.7.1, 1.8.1 e 1.9.1) e colocadas pa a comp essão à empe a u a de
165°C, ( e Figu a 34).
Figu a 33 - Amos as 1.6, 1.7, 1.8 e 1.9
sen ido ho á io da esque da pa a di ei a após comp essão 150°C
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
78
Com a empe a u a de 165°C hou e usão do políme o, mas nas amos as com denim duplo
e i ica-se que não há uma boa adesão das camadas denim sem uma camada de políme o en e elas.
Fo am colocadas no as amos as (com a mesma composição) à empe a u a 160°C, nas quais hou e
boa usão do políme o, mas as camadas pa ecem descola acilmen e. No as amos as o am en ão
es adas à 155°C após 10 minu os com 30N de comp essão, nas quais não hou e usão do ma e ial
po comple o, a usão não é uni o me como pode se e i icada na amos a 1.12 (composição igual a
1.9 e 1.9.1 compos a po CO+2PP+CO+2PP). Pode-se e i ica as bo das com o políme o sem undi
( e Figu a 35).
Figu a 35 - Amos a 1.12 após comp essão à 155°C
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
A pa i des a e apa, o am iniciados os es es com mais camadas e al e ação de comp essão e
empe a u a. A Tabela 4 ap esen a a sín ese das demais amos as ealizadas com PP e a iação da
comp essão que se ão desc i os logo a segui (a abela comple a cons a no Anexo III - A3.1 – Composição
das amos as iniciais com políme o ex a (PP)):
Figu a 34 - Amos as 1.6.1, 1.7.1, 1.8.1 e 1.9.1
sen ido ho á io da esque da pa a a di ei a após 165°C
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
79
Tabela 4 - Sín ese do ensaio de amos as com denim e PP a iação empe a u a e comp essão
Amos a
Composição
Tempe a u a
°C
Comp essão
(N)
Resul ado
após 10 min
1.13
12 camadas denim, in e caladas com PP e camada de
PP acima
160
100
Sem usão
1.13.1
Idem 1.13
165
200
Boa usão/
ma cas
1.14
3 camadas denim in e caladas PP e PP an es e depois
100
Boa adesão/
al e ação co
1.15
7 camadas de e alhos de denim in e calados de PP
150
Boa
usão/ma cas
1.16
20 camadas de denim in e caladas PP e 1 camada PP
acima
140
Pouca adesão
1.16.1
Idem 1.16
168
140
Boa usão
1.17
Idem 1.14
165
30
Boa usão,
adesão meno
1.18
6 camadas de denim in e caladas com PP
mais 2 camadas PP acima
165
100
Boa
usão/al e ação
co
1.19
10 camadas de denim in e caladas com PP
mais 2 camadas PP acima
165
100
Boa
usão/al e ação
co
1.30
30 camadas de denim in e caladas com PP
mais 1 camada PP acima
168
140
Boa usão, boa
cobe u a,
al e ação co
Fo am ei as amos as com 12 camadas de denim (amos a 1.13) e odas in e caladas com
políme o PP, o am es adas com 160°C e 100N de comp essão ( e Figu a 36), após 10 minu os
e i icou-se que hou e boa comp essão mas a usão do políme o não oi 100% e ap esen ou bo das
descoladas ( e Figu a 37); oi es ado en ão uma no a amos a com es a mesma composição e colocada
à 165°C de empe a u a à uma comp essão de 200N po 10 minu os, es a amos a e e uma boa usão
mas ap esen ou ma cas na pa e de ás que demons am um excesso de comp essão ( e Figu a 38).
Figu a 36 - Amos a com 12 camadas an es de comp essão de 100N à 160°C
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
80
Figu a 37 - Amos a 12 camadas após comp essão de 100N à 160°C
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Figu a 38 - pa e de ás da amos a com 12 camadas
(após comp essão de 200N à 165°C)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Com o obje i o de e i ica a possibilidade de desen ol e amos as com ma e ial mais espesso
o am ei as amos as com 20 camadas de denim in e caladas com políme o pa a e i ica a comp essão
e a empe a u a necessá ias pa a uma boa compac ação. No p imei o ensaio a amos a 1.16 oi
subme ida à 165°C de empe a u a e com 140N de comp essão po 10 minu os, o esul ado
demons ou que a usão do políme o não oi comple a ha endo pouca adesão dos ma e iais. Após 10
minu os o ma e ial es a a compac o e i me, mas em alguns pon os o políme o não es a a o almen e
ade ido ao denim, no a-se que é possí el e i a a camada de políme o acilmen e, como uma película
adesi a da camada supe io ( e Figu a 39).
Figu a 39 - Amos a 1.16 com 20 camadas
(após comp essão à 165°C e 140N)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal

81
Uma no a amos a 1.16.1, com o mesmo núme o de camadas, oi ei a e subme ida à
empe a u a de 168°C e uma comp essão de 140N e após 10 minu os o ma e ial es a a compac o e
com boa usão, com apa ência i me e esis en e como pode se isualizado na Figu a 40.
Figu a 40 - Amos a 1.16.1 com 20 camadas após comp essão à 168°C e 140N
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
É possí el obse a a di e ença das amos as 1.16 e 1.16.1 em elação à adesão do políme o
após a comp essão ( e Figu a 41).
Figu a 41 - Amos as 1.16 e 1.16.1 (de cima pa a baixo)
(após comp essão à empe a u a de 165°C e 168°C espec i amen e)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
An es de segui com ou o ipo de políme o o am ei as mais duas amos as in e caladas com
polip opileno, a amos a 1.18 com 6 camadas de denim e p imei a e úl imas camadas duplas de
políme o e a amos a 1.19 com 10 camadas ambas subme idas à 165°C de empe a u a e comp essão
de 100N po 10 minu os. Hou e boa usão e não al e ando o esul ado a camada dupla de políme o.
Foi desen ol ida uma amos a de ma e ial com 30 camadas de denim, a qual oi subme ida à
168°C de empe a u a e comp essão de 140N po 10 minu os ( e Figu a 42).
82
Figu a 42 - Amos a com 30 camadas de denim an es e pós comp essão
(da esque da pa a a di ei a)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Em amos a com 3 camadas de denim in e caladas com políme o e ac escen ando uma camada
de políme o an es e uma depois do denim, como uma o ma de acabamen o do ma e ial, oi colocada
em comp essão de 30N (amos a1.17) e nas mesmas p opo ções epe ida em comp essão de 100N
(amos a 1.14). A comp essão com 100N demons ou uma maio adesão e usão das camadas quando
compa ada ao ma e ial desen ol ido com 30N.
Após odos es es expe imen os iniciais, oi alcançado um esul ado sa is a ó io quan o à
compac ação e i meza do ma e ial, mas não sa is a ó io quan o à al e ação de co so ida pelo denim,
po in luência da colo ação do polip opileno ac escen ado. Os ensaios passa am pa a no a ase,
u ilizando ou os ês ipos de políme os desca ados, mas já endo como base as condições
expe ienciadas com o polip opileno. A abela com as composições das amos as es adas cons a no
Anexo III (A3.1 – Composição das amos as iniciais com políme o ex a (PP)).
Moldagem de amos as com políme o ex a - polie ileno
Nos ensaios a segui , são u ilizadas sacolas plás icas desca adas, esíduos pós-consumo:
polie ileno de al a densidade – PEAD (high-densi y polye hylene - HDPE) e o polie ileno de baixa densidade
– PEBD (low-densi y polye hylene - LDPE), como mos a a Figu a 43.
Figu a 43 - Desca e de polie ileno de al a e baixa densidade, espec i amen e
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
A mon agem das amos as seguiu da mesma o ma an e io , ou seja, sem p ocesso de
des ib agem dos ma e iais. O denim oi dispos o em camadas empilhadas e in e caladas com políme os
83
(após e sido e i icado an e io men e a necessidade de políme o ex a en e as camadas de denim). O
ma e ial oi moldado à quen e en e duas olhas de an iade en e. Fo am ealizadas amos as semelhan es
às desc i as no subcapí ulo an e io u ilizando polip opileno. A Tabela 5 ap esen a a composição das
amos as iniciais com políme o ex a HDPE e LDPE.
Tabela 5 - Va iações iniciais amos as HDPE / LDPE
Amos a
Políme o
ex a
Composição
(Denim e polie ileno)
Camadas
Tempe a u a
°C
Comp essão
(N)
Resul ado
após 10 min
2.1
10 camadas denim
in e caladas com HDPE
mais 1 camada de
políme o sob e o denim
10 CO+ 11HDPE
165
100
Boa usão, boa
cobe u a (co
inal e ada)
2.2
10 camadas denim
in e caladas com LDPE
mais 1 camada de
políme o sob e o denim
10 CO+ 11 LDPE
165
100
Boa usão, boa
cobe u a (al e ação de
co )
2.3
Cos u as das calças
dispos as em espi al
en e camadas de LDPE
Disposição
alea ó ia
168
120
Compac o, boa usão e
es é ica mas al e a
apa ência do denim
2.4
Idem 2.1
135
100
Pouca ade ência
2.5
Idem 2.2
140
100
Fusão, pouca ade ência
2.6
3 camadas de denim
in e calados com camada
simples de e alhos de
LDPE
3 CO
+
2 ReLDPE
160
100
Fusão, pouca cobe u a
(al e ação de co )
Denim_algodão (CO)/ Polie ileno de al a densidade (HDPE) polie ileno de baixa densidade (LDPE) /Re alhos de LDPE(ReLDPE)
A segui , são desc i as as amos as 2.1 e 2.2:
Amos a 2.1 - esíduos de denim in e calados com desca e de sacola plás ica, HDPE ( e Figu a
44).
Figu a 44 - Amos a 2.1 com desca e de denim e HDPE an es da comp essão
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Amos a 2.2 – esíduos de denim in e calados com desca e de sacola plás ica, LDPE ( e Figu a
45).
84
Figu a 45 - Amos a 2.2 com desca e de denim e LDPE an es da comp essão
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Ambas amos as êm 10 camadas de denim e o am subme idas à 165ºC de empe a u a, po
10 minu os com comp essão de 100N.
Após a comp essão ambos os ma e iais es a am compac os e i mes, ap esen ando boa usão,
o esul ado após comp essão da amos a 2.1 pode se isualizada na Figu a 46 e o esul ado da amos a
2.2 após a comp essão na Figu a 47.
Figu a 46 - Amos a 2.1 com HDPE após p ocesso de comp essão
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Figu a 47 - Amos a 2.2 com LDPE após p ocesso de comp essão
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Demais amos as com os mesmos ma e iais o am es adas pa a e i ica a iações de camadas
e empe a u a (semelhan e ao p ocesso desc i o com PP). Sendo o pon o de usão do polie ileno mais
baixo que do polip opileno, a iando en e 115° e 135°C, o am es adas algumas amos as com
91
u iliza os ês ipos de denim na mesma p opo ção, o am ei as amos as com 3 camadas pa a os
u u os ensaios. Fo am ei as as seguin es amos as desc i as abaixo e subme ida à 165°C e 100N de
comp essão po 10 minu os. Cada amos a possui os ês ipos de denim (Denim A1, A2 e A3, dispos os
na mesma o dem) e segui am pa a a ase de ca ac e ização, cujos ensaios se ão desc i os no p óximo
capí ulo:
• Denim A1 em composição de 98% algodão (CO)+2% elas ano(E);
• Denim A2 em composição de 100% algodão (CO);
• Denim A3 em composição de 80%CO+15% poliés e (PES)+5% elas ano(E).
Quan o a g amagem, o denim u ilizado em calças jeans é conside ado como um ecido de
g amagem média a pesada, as g amagens mais comuns a iam en e 270 g e 450 g (Audaces, n.d.). O
ma e ial p oduzido u ilizou esíduos com ês g amagens di e en es: 389 g/m², 408 g/m² e 426 g/m²,
como mos a a Tabela 8 com a g amagem dos ma e iais das amos as:
Tabela 8 - Especi icação dos ma e iais u ilizados pa a desen ol imen o amos as
As amos as são compos as pelos ês ipos de denim no amanho de 30x15cm, na amos a
DenimHDPE oi ac escen ado o polie ileno de al a densidade (HDPE).
Fo am colocadas 3 camadas do denim in e caladas com sacolas plás icas de HDPE, as camadas
de denim o am dispos as en e camadas de HDPE. A Figu a 56, mos a o ma e ial an es e após
comp essão.
Figu a 56 - Amos a DenimHDPE an es e após comp essão
(da esque da pa a a di ei a)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Ma e ial
Composição
G amagem
(g/m²)
Espessu a
(h)
Denim A1
98% algodão 2% elas ano
408
0,94
Denim A2
100% algodão
389
0,95
Denim A3
80% algodão 15%políés e 5% elas ano
426
0,92
HDPE
Polie ileno de al a densidade ilme
7,3
0,07
PMMA
Polime ilme ac ila o ilme
91,9
0,11

92
Na amos a DenimPMMA oi ac escen ado o polime ilme ac ila o (PMMA).
Fo am colocadas 3 camadas do denim in e caladas com esíduos de PMMA, as camadas de
denim o am dispos as en e camadas de PMMA. A Figu a 57, mos a o ma e ial an es e após
comp essão.
Figu a 57 - Amos a DenimPMMA an es e após comp essão
(da esque da pa a a di ei a)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Em odas as amos as o denim oi dispos o em camadas e in e calado com o políme o
co esponden e e inalizado com camada de políme o. A inalização com o políme o c ia um acabamen o
ao ma e ial. O denim oi co ado semp e no mesmo sen ido, no sen ido longi udinal, ou seja, no sen ido
da eia do ecido. As amos as com 3 camadas de denim esul a am em um ma e ial com 1,5mm.
Fo am ealizadas ambém amos as com seis camadas de denim especi icamen e pa a a
ca ac e ização de lamabilidade, em azão da espessu a mínima exigida pa a o ensaio. As amos as
o am desen ol idas como desc i o an e io men e, com dimensão de 15x15cm o que esul ou em uma
espessu a de 3mm.
3.3.4 Desen ol imen o de ma e ial u ilizando cos u as
Nes a ase expe imen al, além das amos as desc i as e desen ol idas pa a a ealização dos
ensaios e p o ó ipos o am ei as algumas amos as pa a e i ica a u ilização de 100% dos esíduos de
denim a im de explo a mais possibilidades de eu ilização u u amen e.
Pa a e i ica o e ei o es é ico, e a possibilidade de u iliza odas as pa es da calça jeans o am
ei as es agens de amos as de co es do ecido com as cos u as incluídas e p ensados com políme o
PMMA. O esul ado isual oi sa is a ó io, o ma e ial ap esen ou as ca ac e ís icas p incipais buscadas
nes a in es igação, ou seja, icou o almen e compac ado e man endo as ca ac e ís icas de co e de alhes
do ecido denim ( e Figu a 58).
93
Figu a 58 - Amos as de denim p ensado com cos u as incluídas e PMMA
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
O desen ol imen o do ma e ial com HDPE e o denim com cos u as ap esen ou um esul ado
menos sa is a ó io, a Figu a 59, mos a uma ade ência meno do políme o ao denim, ap esen ando uma
boa compac ação, mas uma acilidade de descolamen o da supe ície, no en an o, demons a uma boa
maleabilidade e i meza.
94
3.3.5 Ma e iais desen ol idos e suges ão de u ilização
F l z “ xp m çã ” c m ç l z “ l b çã ”, qu l
começam a se p oje ados os ipos de aplicações e o design dos no os p odu os.
Os ma e iais inais ob idos, depois do p ocesso de comp essão, esul a am em dois ipos de
p odu os possibili ando di e en es suges ões de u ilização. Nes a e apa são ap esen adas apenas
suges ões baseadas nas ca ac e ís icas e compo amen os es é icos dos ma e iais. Os p o ó ipos
desen ol idos são expos os no Capí ulo IV, após a ase de ca ac e ização de algumas p op iedades que
em como obje i o conhece um pouco mais o ma e ial desen ol ido, mas não são o oco des a
in es igação.
A segui , é possí el isualiza o ma e ial u ilizado e desen ol ido com ês camadas de denim e
qua o camadas de políme o (HDPE ou PMMA), ( e Figu a 60).
Figu a 59 - Amos a de denim p ensado com as cos u as exis en es e HDPE
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
95
Os ma e iais desen ol idos com os dois ipos de políme os ap esen am apa ência semelhan e
como pode se isualizado na Figu a 61:
Figu a 61 - Ma e iais com DenimHDPE e DenimPMMA após comp essão,
(da esque da pa a a di ei a)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
No en an o, ca ac e ís icas como maleabilidade e ex u a são di e en es en e os dois ma e iais.
O ma e ial desen ol ido com HDPE é mais maleá el e com ex u a de acabamen o menos lisa e mais
semelhan e ao denim enquan o que o ma e ial desen ol ido com PMMA é mais ígido e com supe ície
mais lisa e b ilhan e. O ma e ial com DenimPMMA pode se obse ado no opo da Figu a 62 sob e o
ma e ial mais maleá el que ap esen a cu a u a (DenimHDPE).
Figu a 60 - Resíduo de denim, políme os e o ma e ial inalizado
(esque da pa a di ei a)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
96
Após a inalização des es expe imen os e a pa i da análise ei a sob e os esul ados alcançados
nes a ase o am idealizadas as possibilidades de usabilidade dos ma e iais. São ei as suges ões de uso
na gama de Design de In e io es – Re es imen o de pa ede, Painel deco a i o e Re es imen o de
mobiliá io (com a possibilidade de se pe sonalizado); Cúpula de candeei o/luminá ia (obje o deco a i o);
Jogo Ame icano/
Souspla
( oalhas de mesa pequenas onde se colocam p a os, alhe es e copos); i ens
deco a i os; e em Design de Moda – Acessó ios de moda: B acele e/Pulsei a; Chapéu; Cin o; Bolsa;
Mala de iagem.
A segui , no Capí ulo IV, são ap esen ados os ensaios ealizados, a ACV e os p o ó ipos
desen ol idos.
Figu a 62 - Ma e ial com DenimHDPE (ma e ial mais maleá el em cu a)
e ma e ial com PMMA (ma e ial mais ígido e com acabamen o mais liso e b ilhan e colocado no opo)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal

97
Pa e des e capí ulo oi publicado no seguin e a igo:
Azambuja, P., & Ma ques, A. (2023, Augus 14). Upcycling o denim disca d o de elopmen o new
ma e ial. WASTES: Solu ions, T ea men s and Oppo uni ies IV. CRC P ess.
h p://doi.o g/10.1201/9781003345084-62
98
CAPÍTULO IV
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS
99
RESULTADOS
Após o desen ol imen o expe imen al ap esen ado no capí ulo an e io , como modo de iden i ica
algumas ca ac e ís icas do ma e ial desen ol ido, oi ei a a análise de alguns aspec os ísicos
(p op iedades mecânicas), as quais o am ealizadas e são ap esen adas na sequência des e capí ulo.
É impo an e salien a que o obje i o des e es udo não é ca ac e iza o ma e ial desen ol ido,
mas sim p opo uma o ma de alo ização dos esíduos e a aplicação em p odu os de design, sendo
assim os ensaios o am ealizados apenas como base de ca ac e ização pa a conhecimen o do ma e ial.
A segui se á ap esen ado: Iden i icação – análise da g amagem dos esíduos a se em u ilizados
pa a o desen ol imen o do no o ma e ial; Ca ac e ização ísica do ma e ial desen ol ido – em que se
demons a as p op iedades dos ma e iais, po in e médio de Tes es Físicos; Ap esen ação da ACV ei a
do ma e ial; Exempli icação das o mas de aplicabilidade do ma e ial com a ap esen ação do p o ó ipo.
4.1Ma e ial pa a ca ac e ização
Concluídas e selecionadas as amos as com as ca ac e ís icas p é-es abelecidas no início des a
in es igação (ob e um ma e ial sólido p ese ando as ca ac e ís icas do denim quan o à colo ação), a
ase a segui é de ca ac e ização do ma e ial. Es e capí ulo inicia ap esen ado, na Figu a 63, um esquema
que esume de o ma ilus a i a as opções conside adas inicialmen e nes a in es igação a é as escolhas
inais que de am o igem ao p odu o inal pa a ca ac e ização. Como ma e iais iniciais, as opções de uso
o am denim p é e pós-consumo, no qual oi selecionado o denim pós-consumo, mais especi icamen e
calças jeans. Logo a segui , os políme os selecionados pa a o expe imen o o am esíduos de políme o
e moplás ico, mais especi icamen e sob as de con ecção de ecido não ecido de polip opileno, sacolas
plás icas pós-consumo de polie ileno de al a e de baixa densidade e esíduos p é-consumo de
polime ilme ac ila o ilme. Fei os os expe imen os iniciais des a in es igação, o am selecionados os
esíduos disponí eis de polie ileno de al a densidade e o polime ilme ac ila o pa a o seguimen o das
amos as pa a ca ac e ização, conside ando melho esul ado quan o a es é ica desejada e e en e à
p ese ação da apa ência do jeans, aliado aos esul ados elacionados à boa compac ação e
maleabilidade dos ma e iais. Fo am desen ol idas amos as com cos u as (u ilizando 100% do esíduo
êx il); no en an o, segui am pa a a ase de ca ac e ização amos as desen ol idas sem cos u a, a im
de que man i essem ao máximo semelhança en e os ma e iais pa a compa ação dos esul ados.
100
Figu a 63 - Esquema ilus a i o do p ocesso de in es igação
Fon e: Au o a
4.2 DESENVOLVIMENTO DA FASE DE CARACTERIZAÇÃO
4.2.1 Fase de ensaios - Labo a ó io de Física Têx il
Com as amos as concluídas, passou-se pa a a ase de ca ac e ização do ma e ial, com ensaios
pa a e i ica as p op iedades ísicas quan o às p op iedades elacionadas a pe meabilidade,
lamabilidade ( esis ência à chama) e esis ência, os quais e ão o p ocesso desc i o no sub í ulo a segui .
A escolha des es es es se deu le ando em conside ação as ca ac e ís icas ap esen adas pelo no o
ma e ial quando compa ado ao ecido e conside adas pon os de pa ida impo an es pa a uma a aliação
inicial do que oi desen ol ido.
107
Segundo a no ma, os co pos de p o a no o ma o 1A de em e medida
l
3 de 170 mm,
b
2 de
20 mm e
h
de 4,0 mm ( e Figu a 71). A abela com odas as dimensões indicadas pode se consul ada
no Anexo IV (A 4.1 - Dimensões co pos de p o a ipo 1A e 1B).
Figu a 71 - Fo ma o de p o e e pa a ensaio de ação
Fon e: BSI S anda ds Publica ion Plas ics, 2012
Tendo a no ma como base pa a os ensaios, os ma e iais ap esen a am como esul ado os
alo es ap esen ados a segui , Tabela 9 . O ela ó io comple o con endo os g á icos dos ensaios cons a
no Anexo V (A5.1 Resul ados ensaios ação e lamabilidade).
Tabela 9- Resul ados ensaio Resis ência
P op iedades
DenimHDPE
DenimPMMA
P op iedade em ação
Di eção
longi udinal
Di eção
ans e sal
Di eção
longi udinal
Di eção
ans e sal
Resis ência em ação,
50 mm/min (Mpa)
23,7
7,9
35,7
8,9
De o mação na o u a,
50 mm/min (%)
47,8
24,8
24,1
11,3
Ensaio lamabilidade
Foi ealizado o ensaio pa a e i ica o compo amen o quan o à chama, pa a con i ma a
elocidade de combus ão do ma e ial quando expos o ao ogo. O ensaio seguiu a no ma UL94 (
Tes o
Flammabili y o Plas ic Ma e ials o Pa s in De ices and Appliances
). O ensaio examina a lamabilidade
e o compo amen o pe an e o ogo dos ma e iais polimé icos sendo u ilizada pa a de e mina as
p op iedades elacionadas a lamabilidade de plás icos semi ígidos e moldagem de e moplás icos. O
ensaio de lamabilidade UL94 é um pa âme o impo an e pa a uso das emp esas capaz de es a as
ca ac e ís icas de lamabilidade de componen es polimé icos usados em di e sas indús ias.

108
Foi aplicado o ensaio na posição ho izon al (mé odo A), no qual ap oxima-se a chama (com ce ca
de 20mm de al u a) do p o e e a 45° du an e 30 segundos, con o me Figu a 72.
Figu a 72 - Ensaio de esis ência à chama
(segundo no ma UL-94, mé odo A)
Fon e: Cae ano, n.d.
Du an e o ensaio é e i icado o empo necessá io pa a a combus ão a ingi a ma ca de 25 mm
(1 polegada) e, se a combus ão p ossegui , é analisado o empo necessá io pa a a ingi a ma ca de 100
mm (4 polegadas).
Ambos os ma e iais es ados (DenimHDPE e DenimPMMA), com 3mm de espessu a, ob i e am
esul ado das amos as de aco do com o c i é io pa a a classi icação HB da no ma UL94, ob endo
elocidade de combus ão < 40 mm/min (queima len a e au o ex inguí el ap esen ada nos 2 conjun os
de 3 amos as cada).
A classi icação HB é a ibuída caso sejam cump idas as seguin es condições (UL S anda ds,
2001):
• elocidade de combus ão meno do que 38 mm/min. (1,5 polegadas/min.), em
p o e es com espessu as en e 3 e 12,7 mm;
• elocidade de combus ão meno do que 75 mm/min. (3 polegadas/min.), pa a p o e es
com espessu a in e io a 3 mm (0,120 polegadas);
• A combus ão de e au o ex ingui -se an es de se em a ingidos os 100 mm (4 polegadas).
4.2.3 Análise do Ciclo de Vida
A Análise do Ciclo de Vida do ma e ial desen ol ido oi ealizada nas ins alações do Pólo de
Ino ação em Engenha ia de Políme os – PIEP. A a aliação dos impac es oi ealizada com supo e do
So wa e
SimaP o
( e são 9.4.0.1), u ilizando como ecu so a base de dados
secundá ia
Ecoin en
(2023, e são 3.9.1). Como me odologia de a aliação de impac os ambien ais oi
109
u ilizada a me odologia de decla ação ambien al do p odu o EPD –
En i onmen al P oduc
Decla a ion
(2018, e são V1.04).
A Análise do Ciclo de Vida do ma e ial e e como base a no ma ISO 14.040 (ABNT, 2009). A
no ma u ilizada e e sua p imei a e são em 2006 e a segui se ão desc i as as ês (3) ases do es udo
ealizado:
a) Fase de de inição de obje i o e escopo;
b) Fase de análise de in en á io;
c) Fase de in e p e ação.
Fase de de inição de obje i o e escopo
De inição de obje i o e escopo:
ACV de ma e ial desen ol ido com ecupe ação de esíduo pós-consumo de o igem êx il (denim)
e embalagem polimé ica ( ilme) pa a desen ol imen o de p odu os de design. Recupe ação de ma e ial.
Aplicação p e endida: módulos pa a e es imen o (mobiliá io e pa ede), acessó ios de moda
(mala, bolsa), obje os deco ação e c.
Razões pa a execução do es udo: es ende o im de ida dos esíduos ( ecupe ação de
ma e iais).
Público Al o: in es igado es, emp esas e designe s.
Compa a i o: com ma e ial laminado pa a e es imen o deco a i o e com cou o bo ino.
Fluxo de e e ência: p oduzi uma placa com ma e ial ecupe ado 30x15cm (0,045m²) e
1.5mm espessu a.
Nome do P odu o: placas sólidas de denim.
Iden i icação do p odu o: chapas ei as com esíduos de denim e políme os po meio de
comp essão à quen e.
Desc ição do p odu o: chapas ei as com esíduos pós-consumo de denim e esíduos pós-
consumo de sacos plás icos de polie ileno de al a densidade e esíduos de p odução de
polime ilme ac ila o pelo p ocesso de moldagem po comp essão à quen e. O ma e ial des ina-se a uma
a iedade de aplicações ais como supe ícies in e io es e icais ou ho izon ais e desen ol imen o de
acessó ios de moda como bolsas. Onde o design e a apa ência do denim podem se es endidos em
no os p odu os mesmo após o desca e es endendo o inal de ida.
110
In o mações pa a ACV
Unidade Funcional: A unidade decla ada é de 1m² do ma e ial acabado com espessu a de
1.5mm.
Medidas ma e ial acabado: 30x15 cm = 0,045m² com 1.5mm de espessu a e peso de 55g
(DenimHDPE) e 76g (DenimPMMA).
Espessu a do p odu o: 1.5mm
Dados: secundá ios ob idos po on e e e enciá el (base de dados
Ecoin en
) quando
elacionado à ma é ia-p ima u ilizada (ma e ial ecupe ado) e p imá ios quando elacionado a e apa de
desen ol imen o do ma e ial.
Conside ações:
• O ma e ial u ilizado nes e es udo é de escala de p odução de p o ó ipo;
• Todo o ma e ial disponí el no cen o de ges ão de esíduo êx il (cen o de cole a) já es á
sepa ado apenas com ma e ial denim;
• En e os esíduos de denim disponí eis são selecionadas apenas calças;
• Como o ma e ial é p oduzido com ma é ia-p ima ecupe ada ( ecupe ação de esíduos)
e mui as ezes não iden i icada (sem e ique a), não se em con ole sob e o ipo de denim disponibilizado
(composição e g amagem);
• Pa a a p odução do ma e ial das amos as (p o ó ipo) o am selecionados ês ipos de
composições de calças, a seleção oi ei a com base nas composições de p odução de denim mais
equen es encon adas na amos agem ei a no cen o de cole a. A abela cons a no Anexo II (A2.1 -
Amos agem de calças do cen o de ecolha de esíduos êx eis). A ib a p incipal é o algodão e as ib as
mais u ilizadas nas mis u as de composições são o elas ano e o poliés e (ou as ib as são u ilizadas,
mas em meno quan idade). Dian e disso o am selecionados esíduos de denim 100% algodão, denim
98% algodão e 2% elas ano e denim 80% algodão, 15% poliés e e 5% elas ano;
• Quan o a g amagem, o denim es á conside ado como um ecido de g amagem média a
pesada, conside ando denim u ilizado pa a p odução de calças a g amagem a ia en e 270 g e 450 g
(Audaces, n.d.). O ma e ial p oduzido u ilizou esíduos com ês g amagens di e en es: 389 g/m², 408
g/m² e 426 g/m². Especi icações do ma e ial no Anexo II (A2.2 – Especi icações dos ma e iais das
amos as);
• A composição da amos a de 30x15 cm e 1.5 mm de espessu a u ilizada nes e es udo
em 7 camadas (3 camadas de denim e 4 camadas de políme o), ou seja, 42,84% denim e 57,16%
políme o em cada amos a; como o denim não é 100% algodão a po cen agem é de 39,71% algodão,
111
2,14% poliés e e 0,99% de elas ano e os 57,16% do políme o u ilizado pa a a usão do ma e ial (HDPE
ou PMMA);
• Fo am ei as amos as u ilizando denim e esíduos de HDPE (
high-densi y polye hylene
)
e amos as com denim e esíduos de PMMA (
polyme hylme hac yla e
);
• Os esíduos de HDPE são pós-consumo de uso domés ico p o enien es de sacos de
u as/legumes de supe me cados;
• O PMMA é p é-consumo, esíduo ilme p o enien e de p oje os an e io es e ecolhidos
do labo a ó io de comp essão da Uni e sidade do Minho;
• O ma e ial conside ado nes e es udo oi desen ol ido apenas com o ecido das pe nas
das calças, sem u ilização de cos u as ou bolsos embo a haja expe imen os de amos as e es udo
u ilizando maio pa e do ma e ial;
• Os co es o am ei os manualmen e;
• Sob e o ma e ial e e en e ao êx il denim ecupe ado oi u ilizada a e e ência de
poliés e eciclado po al a de dados de e e ência de denim/algodão ecupe ado na base de dados (o
êx il p ecisa se conside ado como ecupe ado nes e es udo pois conside ando a p odução da ma é ia-
p ima i gem o cálculo da análise se ia como se a ma é ia-p ima i esse sido p oduzida especi icamen e
pa a o desen ol imen o do ma e ial em es udo e não uma eu ilização e ex ensão de im de ida do
denim;
• Como ma e ial e e en e ao PMMA ecupe ado oi u ilizada a e e ência disponí el na
base de dados de g ânulos de ma e ial e moplás ico eciclado não iden i icado;
• Fo am desconside ados os gas os de água pa a o a e ecimen o da p ensa após
comp essão do ma e ial;
• Os esíduos de denim do p ocesso de p odução do ma e ial o am conside ados como
esíduos pa a incine ação, mas já es á sendo ei o es udo pa a a eu ilização/ eciclagem des es esíduos.
Cos u as e ou as pa es da calça já es ão sendo incluídas no no o ma e ial.
Desc ição dos limi es do sis ema: Do po ão ao po ão (
ga e o ga e
).
F on ei a do sis ema: anspo e da ma é ia-p ima (ma e ial ecupe ado) - desen ol imen o
ma e ial – Ac b m p u . Sã c p l c “
CORE
” c m
mos a a Figu a 73.
112
4.2.4 P ocesso de A aliação do desempenho ambien al do ma e ial
Dados dos Impac es ge ados
Ma e ial desen ol ido com Denim e HDPE
O ma e ial desen ol ido com denim e HDPE ap esen ou maio impac o na e apa de
desen ol imen o, como pode se obse ado nas Tabela 10 e Tabela 11 e nos g á icos das Figu a 74 e
Figu a 75, c iados a pa i dos dados ge ados pelo
So wa e
Simap o.
Os dados de en ada cons am no
Anexo VI (A6.1 En adas u ilizadas no So wa e SimaP o, ma e ial DenimHDPE):
Tabela 10 - Resul ado po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimHDPE
Ca ego ia de impac e
Unidade
To al
Rec. ma é ia-p ima
P ocesso
Acabamen o
Acidi ica ion ( a e no incl.)
kg SO2 eq
0,022061695
0,000365524
0,021727991
3,18E-05
Eu ophica ion
kg PO4--- eq
0,004579939
5,99E-05
0,004522951
-2,96E-06
Global wa ming (GWP100a)
kg CO2 eq
5,6537599
0,10366549
5,5627179
-0,012623453
Pho ochemical oxida ion
kg NMVOC
0,02268832
0,000704884
0,022029051
-4,56E-05
Abio ic deple ion, elemen s
kg Sb eq
3,06E-07
4,21E-09
3,03E-07
-9,40E-10
Abio ic deple ion, ossil uels
MJ
34,647633
1,3745291
33,767197
-0,49409324
Wa e sca ci y
m3 eq
1,1836695
0,001237932
1,1934558
-0,011024233
Ozone laye deple ion (ODP)
(op ional)
kg CFC-11 eq
6,54E-08
1,78E-09
6,37E-08
-5,48E-11
Fluxog ama – P ocessos desen ol imen o ma e ial de in es igação
Fon e: au o a
• P odução da
ma é ia-p ima
T anspo e
ma é ia-p ima
• Sepa ação/co e
(manual);
• P é-aquecimen o
p ensa (ele icidade);
• Mon agem das
amos as (manual);
• P ocesso moldagem
(ele icidade);
• A e ecimen o
ma e ial (na u al);
• A e ecimen o p ensa
(água);
• Acabamen o/co e
(manual)
Aquecimen o e
a e ecimen o
p ensa
UPSTREAM
CORE
DOWNSTREAM
Dis ibuição
Uso
Fim de ida
Resíduo
Figu a 73 – Fluxog ama, P ocessos desen ol imen o ma e ial de in es igação
Fon e: Au o a

113
2,01
98,41
-0,42
-20,00
0,00
20,00
40,00
60,00
80,00
100,00
120,00
Impac o
% Receção ma é ia-p ima % P ocesso % Acabamen o
Tabela 11- Resul ado pe cen ual po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimHDPE
Ca ego ia de impac e
Unidade
To al
Rec. ma é ia p ima
P ocesso
Acabamen o
Acidi ica ion ( a e no incl.)
%
100
1,66
98,49
-0,14
Eu ophica ion
%
100
1,31
98,76
-0,06
Global wa ming (GWP100a)
%
100
1,83
98,39
-0,22
Pho ochemical oxida ion
%
100
3,11
97,09
-0,20
Abio ic deple ion, elemen s
%
100
1,38
98,93
-0,31
Abio ic deple ion, ossil uels
%
100
3,97
97,46
-1,43
Wa e sca ci y
%
100
0,10
100,83
-0,93
Ozone laye deple ion (ODP)
(op ional)
%
100
2,72
97,36
-0,08
Impac e o al
%
100
2,01
98,41
-0,42
-20,00 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00
Acidi ica ion ( a e no incl.)
Eu ophica ion
Global wa ming (GWP100a)
Pho ochemical oxida ion
Abio ic deple ion, elemen s
Abio ic deple ion, ossil uels
Wa e sca ci y
Ozone laye deple ion (ODP) (op ional)
% Rec. ma é ia-p ima % P ocesso % Acabamen o
Figu a 75 - G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais po e apa ( e e en e a Tabela 6) -
Ma e ial DenimHDPE
Figu a 74 - G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais po ca ego ia
( e e en e a Tabela 11) - Ma e ial DenimHDPE
114
Ma e ial desen ol ido com Denim e PMMA
O ma e ial desen ol ido com denim e PMMA ambém ap esen ou maio impac o na e apa de
desen ol imen o, como pode se obse ado nas Tabela 12 , Tabela 13 e Tabela 14 e nos g á icos das
Figu a 76 e Figu a 77 c iados a pa i dos dados ge ados pelo
So wa e Simap o
. Os dados de en ada
cons am no Anexo VI (A6.2 En adas u ilizadas no
So wa e SimaP o,
ma e ial DenimPMMA).
Tabela 12 - Resul ado po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimPMMA
Ca ego ia de impac e
Unidade
To al
Rec. ma é ia-p ima
P ocesso
Acabamen o
Acidi ica ion ( a e no incl.)
kg SO2 eq
0,019255297
0,000360688
0,022027337
-0,003132728
Eu ophica ion
kg PO4--- eq
0,004364376
5,92E-05
0,004572838
-0,000267615
Global wa ming (GWP100a)
kg CO2 eq
5,0758378
0,10229412
5,6485967
-0,67505303
Pho ochemical oxida ion
kg NMVOC
0,02034455
0,00069556
0,022300721
-0,002651731
Abio ic deple ion, elemen s
kg Sb eq
-1,88E-07
4,16E-09
3,03E-07
-4,96E-07
Abio ic deple ion, ossil
uels
MJ
26,391259
1,3563458
34,599121
-9,5642072
Wa e sca ci y
m3 eq
1,0999804
0,001221556
1,2017328
-0,102974
Ozone laye deple ion
(ODP) (op ional)
kg CFC-11 eq
6,59E-08
1,76E-09
6,42E-08
-8,32E-11
Tabela 13- Resul ado pe cen ual po ca ego ia dos Impac es – Ma e ial DenimPMMA
Ca ego ia de impac e
Unidade
To al
Rec. ma é ia p ima
P ocesso
Acabamen o
Acidi ica ion ( a e no incl.)
%
100
1,87
114,40
-16,27
Eu ophica ion
%
100
1,36
104,78
-6,13
Global wa ming (GWP100a)
%
100
2,02
111,28
-13,30
Pho ochemical oxida ion
%
100
3,42
109,62
-13,03
Abio ic deple ion, elemen s
%
-100
2,21
161,07
-263,28
Abio ic deple ion, ossil uels
%
100
5,14
131,10
-36,24
Wa e sca ci y
%
100
0,11
109,25
-9,36
Ozone laye deple ion (ODP)
(op ional)
%
100
2,67
97,46
-0,13
Impac e To al
%
100
2,35
117,37
-44,72
Pa a no maliza os esul ados, oi ei o o cálculo le ando em conside ação o pio cená io, ou
seja, a e apa de p ocesso de desen ol imen o do ma e ial. Es e cálculo oi ei o di idindo o alo de cada
c g p l l p “p c ” c p ( alo es da Tabela 12). Como exemplo, na
ca ego ia
Acidi ica ion
, ul c p “R c. é -p ima (0,000360688)
pelo l b p “P c ” m m c g (0,022027337), c m ul l
2%.
115
Os alo es des a no malização podem se con e idos na Tabela 14 ap esen ada a segui :
Tabela 14 - No malização do esul ado pe cen ual po ca ego ia dos impac es pa a o pio cená io
(P ocesso de desen ol imen o do ma e ial)
Valo es no malizados (pa a a pio e apa - o p ocesso de desen ol imen o do ma e ial)
Ca ego ia de impac e
% Recepção
% P ocesso
% Acabamen o
Acidi ica ion ( a e no incl.)
2
100
-14
Eu ophica ion
1
100
-6
Global wa ming (GWP100a)
2
100
-12
Pho ochemical oxida ion
3
100
-12
Abio ic deple ion, elemen s
1
100
-163
Abio ic deple ion, ossil uels
4
100
-28
Wa e sca ci y
0
100
-9
Ozone laye deple ion (ODP)
(op ional)
3
100
0
Impac e To al
2
100
-30
Figu a 76- G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais no malizados po ca ego ia
(le ando em conside ação o pio cená io, e e en e a Tabela 14) - Ma e ial DenimPMMA
-200% -150% -100% -50% 0% 50% 100% 150%
Acidi ica ion ( a e no incl.)
Eu ophica ion
Global wa ming (GWP100a)
Pho ochemical oxida ion
Abio ic deple ion, elemen s
Abio ic deple ion, ossil uels
Wa e sca ci y
Ozone laye deple ion (ODP) (op ional)
% Acabamen o % P ocesso % Receção
116
Figu a 77 - G á ico ge ado sob e os esul ados pe cen uais no malizados po e apa
(le ando em conside ação o pio cená io, e e en e a Tabela 14) - Ma e ial DenimPMMA
Impac es ge ados po e apa
Tan o o ma e ial desen ol ido com denim e HDPE quan o o ma e ial desen ol ido com denim e
PMMA, o maio impac o oi na e apa de desen ol imen o, seguida da e apa de ecepção e acabamen o
do ma e ial, como mos a a Figu a 78:
Na e apa de desen ol imen o do ma e ial, a maio pa e dos impac os oi de ido ao consumo de
ene gia no p ocesso de comp essão e pelo a o de e em sido conside ados que os esíduos de denim
esul an es do p ocesso e iam como im a incine ação (especialmen e os desca es das pa es com
cos u a que não o am u ilizados pa a as amos as ei as pa a os ensaios e p o ó ipo). Mais de 60% do
impac o ge ado no desen ol imen o é p o enien e da não eciclagem desses esíduos êx eis. O luxo
2%
100%
-30%
-40%
-20%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
120%
Impac o
% Receção da ma é ia-p ima % P ocesso % Acabamen o
Desen ol imen o do ma e ial
Recepção ma e ial
Acabamen o
Figu a 78 - Fluxo dos impac es calculados em ambos os ma e iais
(Denim e HDPE e Denim e PMMA)
Fon e: au o a
123
do desen ol imen o do ma e ial com denim e HDPE e denim e PMMA podem se con e idas no Anexo
VI.
4.2.5 Desen ol imen o dos p o ó ipos
A segui , se á ap esen ada “ l b çã ”, ou seja, desen ol imen o dos p o ó ipos
c iados a pa i dos ma e iais desen ol idos com denim e HDPE e, denim e PMMA.
O ma e ial DenimHDPE ap esen a uma consis ência sólida, acabamen o mais ugoso, boa
capacidade hid o óbica e maleabilidade que se assemelham isualmen e ao cou o ( e Figu a 83). Foi
en ão desen ol ido como p o ó ipo des e ma e ial um acessó io de moda, suge indo sua aplicabilidade
no amo de Design de Moda, assim como uma luminá ia, suge indo a sua aplicabilidade no amo de
Design de In e io es.
Figu a 83 – De alhe da maleabilidade do ma e ial DenimHDPE
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
O ma e ial DenimPMMA ap esen a uma consis ência sólida e uma maio igidez, assim como
acabamen o mais liso com maio capacidade hid o óbica ( e Figu a 84). O ma e ial se assemelha à
ma e iais laminados u ilizados pa a e es imen os deco a i os. Como p o ó ipo des e ma e ial, o am
desen ol idas placas mul iuso que podem se aplicadas em e es imen o deco a i os de pa ede,
mobiliá io e obje os de casa no amo de Design de In e io es. As placas podem se aplicadas o mando
di e en es designs de supe ície, possibili ando di e sos
layou s
.

124
Figu a 84 - De alhe do ma e ial DenimPMMA
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Concei o
Com os ma e iais desen ol idos e conhecimen o de algumas p op iedades e ca ac e ís icas
ísicas, o concei o de design c iado p opõe explo a o mas e linhas pa a o desen ol imen o dos no os
p odu os endo como base de inspi ação o abalho e as ob as de Pablo Picasso (1881-1973). A c iação
dos p o ó ipos busca explo a o mas geomé icas, linhas e encaixes.
Pablo Ruiz Picasso oi um pin o espanhol, e ambém escul o , ce amis a, cenóg a o, poe a e
d ama u go, que passou a maio pa e da sua ida na F ança. En e as ob as mais amosas es ão
Gue nica
e
Les Demoiselles d'A ignon
, es a úl ima em ques ão e e g ande impac o po suas igu as
dis o cidas e pe spec i a agmen ada ma cando início de uma no a e a na a e mode na. Picasso oi
um dos iniciado es do "Cubismo", um dos mais des acados mo imen os de a e do século XX. O Cubismo
ouxe mudanças e impac ou não apenas a pin u as, mas ambém a escul u a, design e a qui e u a
(C ’ , 2023; B azil A es, 2024; F azão, n.d).
O concei o escolhido engloba duas ases di e en es do a is a, a ase cubis a com a ino ação no
campo das a es e inclusão de inúme as eg as geomé icas na sua cons ução e a ase em que o a is a
se en ega a uma paixão e inclui linhas, co es e o mas sua es ao seu abalho. O pin o semp e
exp essou suas angus ias e es ado de espí i o em suas ob as, cos uma a dize que pin a a as coisas
como as imagina a e não como as ia.
A pa i de 1906, Picasso começa uma ase em sua pin u a na qual passa a pin a ob as baseada
em o mas geomé icas, a e que exp essa o Cubismo. Em suas ob as en e 1909 e 1912, as igu as
an es e a adas p a icamen e deixam de exis i ap esen ando apenas alguns aços esquemá icos.
125
Su gem com mais e idência as o mas e olumes, como na ela “O Poe a” pin ada em 1911 ( e Figu a
85) (F azão, n.d.). É uma ase em que o a is a Pablo Picasso explo a linhas em o mas geomé icas,
com o mas e ângulos que se encaixam o mando um odo.
Figu a 85 – Ob a de Pablo Picasso - O Poe a, 1911
Fon e: F azão, n.d.
Em ou a ase do abalho, Picasso e a a a sua paixão po Ma ie-Thé èse, nessa ase o a is a
u iliza co es sua es e in oduz linhas em cu a que e le em aleg ia e sensualidade. O omance
desencadeou em uma mudança signi ica i a em sua abo dagem a ís ica, a pin u a “
Femme endo mie”,
pin ada em 1934 ( e Figu a 86), e a a essa ase (C ’ , 2023).
Figu a 86 - Ob a de Pablo Picasso-
Femme endo mie
, 1934
Fon e: C ’ , 2023
126
Acessó io moda e obje o deco a i o – p o ó ipo ma e ial lexí el
Acessó io de moda - bolsa
O desen ol imen o da bolsa oi p oje ado a pa i da inspi ação nas ob as de Pablo Picasso, em
especial na ase em que u iliza linhas mais sua es e cu as como mos a a pin u a “
Femme endomie”.
Fo am buscadas ainda e e ências em acessó ios de moda e em écnicas de ecelagem manual
como mac amê e c ochê. Como o ma e ial u ilizado mos a-se lexí el e ao mesmo empo consegue
man e sua o ma e es u u a, a in enção oi i a p o ei o des as ca ac e ís icas. Linhas e cu as eme em
mo imen o, libe dade, sua idade e eminilidade. O desen ol imen o e e como e e ências linhas e
o mas com a in enção de exp essa sua idade u ilizando cu a u a na o ma. O desen ol imen o seguiu
o painel de inspi ação mos ado na Figu a 87.
Figu a 87 - Painel de Inspi ação acessó io de moda
Fon e: Au o a, imagens da in e ne
127
As e apas do desen ol imen o des e p o ó ipo podem se acompanhadas pelas imagens a segui ,
iniciando com o desen ol imen o da bolsa a pa i do co e do ma e ial. O ma e ial DenimHDPE oi
co ado manualmen e com esou a, na medida de 20x15cm, e pe u ado com pe u ado manual à
quen e em ês das qua o la e ais. São 51 u os com dis ância de 1cm en e eles e de 0,5 cm da bo da
ex e na ( e Figu a 88).
Após esse p ocesso, o am sepa ados esíduos de ios de icô e co ados com medida de 82cm
cada, pa a se em aplicados em cada u o, como mos a a Figu a 89.
Figu a 88 - Ma e ial co ado e pe u ado com pe u ado manual à quen e
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Figu a 89 – Resíduos de ios inse idos nas la e ais do ma e ial
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
128
Logo a segui a colocação dos ios, o ma e ial oi dob ado ao meio c iando uma cu a u a. A
pa i de en ão, começou a se ei o um en elaçamen o dos ios pa a o echamen o la e al como mos a
a Figu a 90.
Pa a o acabamen o inal, oi ei a uma alça ap o ei ando os ios que sob a am das la e ais
en ol os em um io pa a acabamen o. Pa a o echamen o supe io , oi ei o o en elaçamen o de ios na
pa e supe io da bolsa que cob em a abe u a ( e Figu a 91).
Figu a 90 - Fios sendo en elaçados pa a echamen o la e al
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Figu a 91 - De alhe do acabamen o da alça e echamen o supe io
Fon e: Au o a, a qui o pessoal

129
Como esul ado inal, é ap esen ada uma bolsa pequena e es u u ada que oi oda abalhada
manualmen e, sem cos u as, e con eccionada com o ma e ial desen ol ido e esíduos de ios de icô
( e Figu a 92). O p óp io ma e ial dá o ma sem necessidade de u iliza ou os componen es pa a a
es u u as a bolsa. O design buscou explo a cu as, luidez dos ma e iais e inco po ação de co es.
Obje o deco a i o – luminá ia
Ainda azendo o uso da aplicação des e ma e ial menos ígido e uso de o mas sua es,
ap o ei ando a capacidade de lexibilidade e po encial de man e ce a es u u a, oi ei a a simulação da
sua aplicação pa a deco ação. O ma e ial oi aplicado na simulação de uma luminá ia deco a i a. A
imagem oi ge ada com o auxílio do
So wa e Adobe Pho oshop
, onde oi aplicada a imagem eal do
ma e ial desen ol ido sob e uma imagem de luminá ia. O esul ado da simulação pode se con e ido na
Figu a 93. A é que sejam ei os mais es e e melho ias de acabamen o, suge e-se seu uso em luminá ias
deco a i as, com u ilização de lâmpadas LED.
Figu a 92 - Resul ado inal do p o ó ipo de bolsa ei o com ma e ial DenimHDPE
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
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Design Supe ície – p o ó ipo ma e ial ígido
Placas deco a i as modula es
O desen ol imen o das placas é ei o a pa i da e e ência do uso das o mas geomé icas e
pad ões nas ob as de Pablo Picasso na ase cubis a, como is o na ela “O Poe a”
.
Além disso, busca am-
se e e ências na a qui e u a, no design de supe ície e na modula idade. De ido à igidez do ma e ial
u ilizado, a in enção oi explo a essas ca ac e ís icas e abalha com o mas geomé icas que se
encaixam, pe mi indo inúme as combinações. Isso possibili a que designe s e a qui e os explo em
di e en es desenhos de supe ície u ilizando o mesmo ma e ial. O desen ol imen o seguiu o painel de
inspi ação mos ado na Figu a 94.
Figu a 93 - Simulação i ual aplicação do ma e ial em luminá ia deco a i a
Fon e: Au o a, imagem modi icada da in e ne
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As e apas do desen ol imen o do p o ó ipo c iado com o ma e ial DenimPMMA podem se
acompanhadas pelas imagens a segui . A Figu a 95 mos a as medidas das placas deco a i as que o am
co ados manualmen e com esou a.
Figu a 94 - Painel de Inspi ação Design Supe ície
Fon e: Au o a, imagens da in e ne
132
Na Figu a 96 pode se con e ida a capacidade hid o óbica do ma e ial e a apa ência i me.
A pa i dos módulos c iados, é possí el a mon agem de di e sos designs de supe ícies azendo
uso de odas as o mas ao mesmo empo, ou de uma combinação especí ica en e elas, e epe ição de
um pad ão. A cada combinação dos módulos aplicada, podem se c iados di e en es pad ões e
p opo cionadas inúme as pad onagens. A segui , exempli ica-se a u ilização de algumas combinações
Figu a 95 - Medidas ma e ial DenimPMMA usado no p o ó ipo
Fon e: Au o a, a qui o pessoal
Figu a 96 - De alhe do ma e ial DenimPMMA
(quan o à maleabilidade e pe meabilidade à água)
Fon e: Au o a, a qui o pessoal