1
E-Re is a de Es udos In e cul u ais do CEI-ISCAP
N.º 13, maio de 2025
A A i mé ica dos Tempos: Compaixão, hospi alidade e epa ação no Ge ado
The A i hme ic o Time: Compassion, hospi ali y and epa a ion in Ge ado
Chisoka Simões
1
Sheila Khan
2
Rosa Cabecinhas
3
RESUMO: O p esen e abalho em po on ade ab i uma ma iz de pensamen o e de pa ilha
pública, ainda pouco amadu ecida, em o no da elação en e ealidade social po uguesa e a
eme gência dos meios de comunicação al e na i os, nomeadamen e de na u eza digi al. Nesse
sen ido, p e endemos comp eende qual a esponsabilidade his ó ica, cí ica e social que os meios de
comunicação al e na i os êm, a pa i de ês pila es de pensamen o social: Compaixão (Nussbaum,
2001), Poé ica da Hospi alidade (Almeida, 2023) e, po úl imo, Repa ação His ó ica (Hall, 2018). No
seguimen o des a in enção e lexi a e c í ica, ap esen amos como abalho de campo uma en e is a
ealizada à pla a o ma digi al Ge ado , en e is a cons uída a pa i das nossas ques ões de
in es igação: podem os meios de comunicação al e na i os digi ais con ibui pa a a in eg ação de
1
Chisoka Simões é dou o ando em Es udos Cul u ais no Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade do Minho,
Po ugal, e bolsei o de in es igação no p oje o “Mig aMediaAc s – Mig ações, Media e A i ismos em Língua
Po uguesa: Descoloniza Paisagens Mediá icas e Imagina Fu u os Al e na i os” do Cen o de Es udos de Comunicação
e Sociedade (CECS). A sua in es igação académica a ual cen a-se no pa imónio cul u al e na imig ação no No oes e
de Po ugal, abo dando dimensões como e i ó io, iden idade e mig ação.
2
Sheila Khan é socióloga, in es igado a do CICANT – Cen o de In es igação em Comunicações Aplicadas e No as
Tecnologias, Uni e sidade Lusó ona; p o esso a auxilia da Uni e sidade Lusó ona e comen ado a do painel do p og ama
Deba e A icano da RDP Á ica. É dou o ada em Es udos É nicos e Cul u ais pela Uni e sidade de Wa wick. As suas
publicações mais ecen es são: Racismo e Vigilância Racial. Mode ni y Ma e s (eds. com Nazi Can e Helena Machado,
Rou ledge, 2021); Repa ações His ó icas: Deses abilizando Cons uções do Passado Colonial, Re is a Comunicação e
Sociedade, ol.41 (eds., com Ví o Sousa e Ped o Schach Pe ei a); ‘Pós-memó ias Femininas: Vozes e Expe iências na
G amá ica do Mundo’ (eds. com Sand a Sousa e Susana Pimen a); Djaimilia Pe ei a de Almeida: Tecelã de Mundos
Passados e P esen es (eds. com Sand a Sousa, 2023), e, ecen emen e, ‘Eme ging Pe spec i es on A o-Descendan
P oduc ion: Memo y, Iden i y and Global Diaspo a’, Po uguese Li e a y & Cul u al S udies (2025, em p epa ação; eds.
com Sand a Sousa).
3
Rosa Cabecinhas é p o esso a no Depa amen o de Ciências da Comunicação e in es igado a no Cen o de Es udos de
Comunicação e Sociedade (CECS) da Uni e sidade do Minho. Desempenhou unções como Di e o a do Depa amen o
de Ciências da Comunicação, Di e o a do Mes ado em Ciências da Comunicação e Di e o a do Dou o amen o em
Es udos Cul u ais. A ualmen e, é In es igado a P incipal do p oje o “Mig ações, Media e A i ismos em Língua
Po uguesa: Descoloniza Paisagens Mediá icas e Imagina Fu u os Al e na i os” ( inanciado pela Fundação pa a a
Ciência e a Tecnologia) e co-coo dena a linha de in es igação “Espaço Público” no p oje o CONCILIARE – Con iden ly
Changing Colonial He i age (2024-2027), inanciado pelo p og ama Ho izon e Eu opa.
2
comunidades sociais e his ó icas silenciadas e ma ginalizadas? E como aze a no malização des as
comunidades na g amá ica pós-colonial po uguesa?
PALAVRAS-CHAVE: Compaixão; Hospi alidade; Repa ação; Meios de Comunicação Al e na i os
Digi ais
ABSTRACT: This wo k aims o es ablish a new amewo k o hough and public sha ing, which is
s ill in i s ea ly s ages, ega ding he ela ionship be ween Po uguese social eali y and he
eme gence o al e na i e media, pa icula ly o a digi al na u e. In his sense, we in end o unde s and
he his o ical, ci ic and social esponsibili ies ha al e na i e media ha e, based on h ee pilla s o
social hough : Compassion (Nussbaum, 2001), Poe ics o Hospi ali y (Almeida, 2023) and, inally,
His o ical Repa a ion (Hall, 2018). Following his e lec i e and c i ical in en ion, we p esen as
ieldwo k an in e iew ca ied ou wi h he digi al pla o m Ge ado , an in e iew cons uc ed om
ou esea ch ques ions: can digi al al e na i e media con ibu e o he in eg a ion o silenced and
ma ginalised social and his o ical communi ies? And how can hese communi ies be no malised
wi hin pos -colonial Po uguese g amma ?
KEYWORDS: Compassion; Hospi ali y; Repa a ion; Digi al Al e na i e Media
1. In odução: A A i mé ica dos Tempos
Ninguém passa a empes ade sem que e se ab iga
Ninguém nos pe deu po aza
Quem quise pin a passados. Vai e mui o p' a emenda .
Sé gio Godinho, Delicado, Nação Valen e, 2018.
Se ia impossí el esc e e es e ex o sem nos coloca mos no empo con o e so e pleno de
lu as, ei indicações, su p esas, quezílias e con o é sias que nos exigem alguma se enidade de
espí i o. Todos os dias, somos con on ados com e en os, ao ní el mundial, que pe u bam e
con adizem mui o das nossas espe anças que ac edi á amos já p on as pa a se em i ó ias de
cidadania, libe dade, democ acia e, acima de udo, de solida iedade. Os meios de comunicação
educam-nos pa a alguma apa ia e uma o al al a de empa ia pa a an os con li os polí icos em
múl iplos con inen es. Es a obse ação não esul a de nenhum ala ido, nem de uma con e sa sol a de
ua. É, com igo , esul ado dos empos sociais aos quais os meios de comunicação não escapam como
disposi i os das nossas sociedades, comunidades, g upos sociais e cidadãos. Desacele ação da nossa
a enção e comp eensão ela i amen e à in asão da Uc ânia pela Rússia, o genocídio em cu so em
3
Gaza (A. L. Coelho, 2025), a ins abilidade polí ica esul an es de golpes de Es ado em á ios países
a icanos, as c ises humani á ias no Sudão, na Líbia. A ins abilidade social e económica em á ios
países da Amé ica La ina e, con a odas as agas de é e de esis ência, o eg esso de Donald T ump
à Casa B anca le ando consigo odo um séqui o de polí icos e sequazes aná icos pela cons ução de
uma Amé ica [do No e] G ande, hegemónica, edu o a de libe dades e de di ei os ci is conquis ados
com an o suo , sac i ício e sangue du an e longas e ex ensas décadas. A ascensão da ex ema-di ei a
na Eu opa não pode deixa -nos hesi an es quan o ao e o no (Riemen, 2012) de uma de e minada
g amá ica his ó ica e sociológica que põe em pe igo e, ago a a pa i de mui as ozes que o dizem
sem pudo e com ânsia de des uição, os g andes pila es humanis as que se en aiza am após a Segunda
Gue a Mundial: Libe dade, F a e nidade e Igualdade. Valo es que a Re olução F ancesa can a a
en e os oponen es a uma isão do mundo que se egula a pela anulação do Ou o, es e du amen e
subjugado, os acizado e in isibilizado na sua dignidade pelas lógicas coloniais e impe iais eu opeias,
essa g ande expe iência que deixou um legado po ex i pa e po sanea a é aos dias de hoje (Khan,
2021; M’cha ek e al., 2014; San os, 2007; S ole , 2016; T a o d, 2021). A Mode nidade ociden al é,
ainda, uma memó ia i a nas na a i as, iden idades de milha es de sujei os sociológicos, mesmo na
i agem de uma ma cha his ó ica pa a o que designamos de pós-colonialismo. Mui as sequelas des a
mode nidade ociden al esis en e encon am-se en e nós, nos nossos quo idianos, ins i uições,
elações in e pessoais e cul u ais (Raposo e al., 2019). O que é equen emen e chamado po
colonialidade ociden al a dia (Khan e al., 2021), assume ou as es es e designações: acismo
es u u al, disc iminação acial, igilância acial, os acismo, en e an os ou os epí e os.
Um dos g andes desa ios des e empo é comp eende , mapea os caminhos pelos quais
de emos calco ea pa a e u a es as o mas de hegemonia e de di e enciação humana ainda a i as.
Essa on ade não é espon ânea e eque um conhecimen o minucioso des as pos u as no in e io das
nossas es u u as de o ganização social e polí ica (El-Enany, 2020; Ga ell, 2017; Lowe, 2015; S one,
2018). É equen e olha mos pa a as nossas ins i uições como canais de pe pe uação e de manu enção
des as lógicas de colonialidade. Es udos ao ní el das mig ações (Macedo e al., 2024; Pa ma , 2017,
2020; Pa ma e al., 2020; Phillips e al., 2019), da c iminalização (Machado & G anja, 2018, 2019;
Machado e al., 2020; Phillips & Bowling, 2003), da educação (A aújo & Maeso, 2016; Balbé e al.,
2024; Cabecinhas, 2023) e das lu as pelas libe dades ci is (Maeso, 2021; Roldão e al., 2025) já
demons a am g ande acuidade e igo nas suas análises. Po ém, ou as ealidades que, ambém elas,
cons i uem janelas e espaços po onde eiculam e sob e i em esse in e io ideológico e his ó ico de
p econcei os e de es e eó ipos pe an e o Ou o, êm pe manecido dis an es de um exame cuidadoso.
Com acuidade, e e imo-nos aos meios de comunicação como disposi i os que i em no seio de
nações, comunidades e g upos sociais. A adição do es udo da esponsabilidade social, cí ica e
his ó ica dos meios de comunicação é, po o a, na sociedade po uguesa, uma consciência ímida e
4
quase inexis en e (Posch e al., 2024). Ao con á io do que já podemos es emunha em ou os
con ex os geopolí icos de p odução de conhecimen o e de in e ação com a cidadania ao ní el da
comunicação (Ushe & Ca lson, 2022), sob e como os meios de comunicação con ibuem como
espaços de in luência de uma de e minada inclinação de enca a e de in e p e a a di e sidade do
mundo humano, a cidadania comunica i a no con ex o po uguês exige de odos nós, cidadãos,
p o issionais, es udiosos, mui a diligência, mé odo e econhecimen o no exame das elações en e
ealidades sociais e os meios de comunicação.
Uma ap oximação a en a aos abalhos ealizados nas úl imas décadas mos a uma eno me
igilância da pa e de alguns se o es mais comp eensi os da comunicação com a esponsabilidade de
memó ia (Zelize & Tenenboim-Weinbla , 2014) pe an e as suas comunidades. Essa consciência
ouxe pa a a a ena pública a necessidade de um jo nalismo mais compassi o, acolhedo e epa ado
quando con on ado com decisões de um longo passado jo nalís ico cúmplice com as libe dades ci is
nos Es ados Unidos da Amé ica. Des a cons a ação eme giu o que, a ualmen e, se designa po
jo nalismo epa a i o (To es & Wa son, 2023). Is o é, um comp omisso é ico e de memó ia
ela i amen e a décadas de demonização, in e io ização, sup essão de expe iências humanas,
nomeadamen e, aquelas associadas às comunidades a o-ame icanas e la ino-ame icanas (Dixon,
2003; G ay, 2015). Como obse ado po Ushe e Ca lson (2022), “as ins i uições de comunicação
social, dado o seu papel na cons ução social da ealidade, o am chamadas a p es a con as po
a i is as da jus iça acial po pe pe ua o dominan e s a us quo dos b ancos” (2022, p.553). As
au o as analisam a in icada e coni en e elação en e con ex os polí icos e ideológicos no e-
ame icanos e o papel co osi o que os meios de comunicação o am assumindo na his o icidade da
cidadania a o-ame icana, a gumen ando ainda que, a in luência na disseminação de ep esen ações
e pe ceções sociais nega i as, a obs ução ao conhecimen o e e i o das comunidades
subal e nizadas, acializadas e desca ac e izadas po uma linguagem jo nalís ica inóspi a ep esen a
o húmus pa a um exe cício ine i á el e, po conseguin e, u gen e de compaixão, hospi alidade e de
epa ação quando a his ó ia da nação no e-ame icana e a his ó ia dos di ei os ci is a o-ame icanos
(González & To es, 2011) é, umbilicalmen e, a his ó ia dos meios de comunicação. Nesse sen ido,
ou as ozes acolhem es e mesmo posicionamen o ao salien a , “se há alguma ins i uição ame icana
que de e paga epa ações, é o jo nalismo” (Cla k, como ci ado em Ushe & Ca lson, 2022, p.554).
Es a consciência his ó ica conduz-nos pa a uma ou a ace a ine en e à uncionalidade dos meios de
comunicação. Com igo , a esponsabilidade dos meios de comunicação como co-p odu o es de
memó ias cole i as e de au o idades de memó ia (Edy, 1999, 2006, 2014; Zelize , 1993). Nes e
sen ido, é ele an e comp eende o impac o de uma ausência de in e esse e de econhecimen o das
expe iências humanas que azem pa e dos con ex os sociais e his ó icos de e en os sonegados e
igno ados pelos meios de comunicação. No en ende de mui os es udiosos e jo nalis as es as lógicas
5
de sup essão de ou as ealidades sociais espelham uma ce a cumplicidade com p ocessos
ideológicos e polí icos que, epe idamen e, con ibuem pa a um empob ecimen o de uma cidadania
mais in ei a e cla i iden e. É no seguimen o des as á ias agilidades anco adas a uma ce a
colonialidade de comunicação e de in e ação com o meio social en ol en e, que eme ge a u gência
de um exe cício cí ico de compaixão (Nussbaum, 2001), hospi alidade (Almeida, 2013) e de
epa ação his ó ica (Hall, 2018), nomeadamen e, no con ex o po uguês democ á ico e pós-colonial.
2. Con ex o Po uguês da Cidadania Comunica i a
A exclusão sis emá ica das populações a o-eu opeias no discu so his ó ico pode se
comp eendida a a és do concei o de colonialidade do pode (Quijano, 2005) ou da colonialidade
ociden al a dia (Khan e al., 2021), pela pe sis ência das es u u as de pode , como as hie a quias
aciais es abelecidas du an e o pe íodo colonial pe sis em nas sociedades, incluindo nas edes de
conhecimen o, como nos média. Nos média po ugueses, es a colonialidade aduz-se na manu enção
de na a i as eu ocên icas que a uam sob as ozes e expe iências das comunidades acializadas e
imig an es, epe cu indo-se nas suas ep esen ações sociais. A conside ação de que es as comunidades
são no idades ou elemen os ex e nos, alheios à sociedade po uguesa acabam po apaga memó ias
in ei as de ge ações, his o iog a ias, no que Al es (2016) desc e e como uma acialização da
imig ação. Des e modo, pa a além de desconside a a his ó ia compa ilhada, es a amnésia his ó ica
(Cabecinhas & Ba os, 2022) e a o obia epis émica (Ca u he s, 2020), ambém con ibui pa a a
exclusão con ínua des as populações do discu so público dominan e, endo epe cussões di e as na
cons ução de uma consciência his ó ica inclusi a. Em elação aos indi íduos pe encen es a es es
g upos, a al a de um conhecimen o mais cabal e adequado e o ça es e eó ipos nega i os e limi a as
opo unidades de in eg ação plena. É nes e pon o que assen a a necessidade de uma p á ica de
compaixão como c i icamen e elabo ada pela ilóso a Ma ha Nussbaum. De aco do com a au o a,
compaixão não é apenas uma dimensão emocional, mas quando acompanhada pelas i ências que
são con inuamen e asu adas po uma his ó ia hesi an e (Lowe, 2015), alham na sensibilidade
humana de inclusão nas nossas isões do mundo, de ou as na a i as e iden idades ão ele an es
quan o complemen a es. Po conseguin e, o apelo à compaixão não esul a apenas de uma on ade
sen imen al, ela é, a pa i da in e p e ação da ilóso a, uma on ade cogni i a, um posicionamen o
cla i iden e e igilan e da nossa capacidade de escu a , comp eende e de espei a a dignidade dos
ou os. An ónio Sousa Ribei o ap esen a com g ande cla eza e sín ese o pensamen o da au o a ao
de alha compaixão da seguin e o ma:
(...) a elação que se es abelece com o so imen o de ou em é mo ida pela
comp eensão de que esse so imen o susci a ques ões que dizem espei o de manei a
p o unda a cada se humano, desde logo, a ques ão da ulne abilidade essencial do
6
co po humano, semp e po encialmen e expos o à do . Di o ainda de ou a o ma,
compaixão signi ica, nes es e mos, o impulso pa a in eg a o so imen o alheio no
quad o do nosso conhecimen o do mundo, sendo, assim, indissociá el de um impulso
pe o ma i o, de um impulso pa a a ação. (Ribei o, 2018, p.15).
Es e ‘impulso pa a a ação’ é c ucial pa a o que a esc i o a luso-angolana, Djaimilia Pe ei a de
Almeida, no seu li o de ensaios, O que é se esc i o a neg a hoje, de aco do comigo, mapeou e
de iniu como a poé ica da hospi alidade. Es a incu são pelo ol de ausências, de esquecimen os,
issu as le ou a esc i o a a pe cebe a ele ância de uma inclusão a i a do Ou o, como pa e dessa
e amen a indispensá el que é a cidadania po uguesa. O ecu so à sua p óp ia expe iência como
sujei o pós-colonial assume a ene gia e a o ça i ais pa a uma maio in e p e ação da nossa
ealidade e das con adições ine en es a uma nação que se a oga o ó ulo colo ido de nação
cosmopoli a e democ á ica. Mui os dos abalhos de Djaimilia Pe ei a de Almeida, es es de na u eza
iccional (Khan & Sousa, 2023), con on am a his o icidade po uguesa com os seus aquedu os de
a asia social e cul u al, demons ando minuciosamen e, pelo de alhe dado a cada pe sonagem, as
p isões his ó icas onde são colocadas mui as comunidades imig an es a icanas e a odescenden es
da expe iência da descolonização po uguesa. Na sua ob a que é, simul aneamen e, luga de um
pensamen o sé io e de me odologia social, a au o a obse a:
Relegados pa a a condição de pe sonagens azias e es e eo ipadas, os indi íduos
neg os são a os no cânone po uguês, sendo ep esen ados como se es humanos
desp o idos de iden idade. Todos sabemos que não se a a de uma his ó ia
especi icamen e po uguesa. Sem uma ce a dose inicial de ódio de si p óp io, ninguém
se o na um lei o neg o ou um esc i o neg o em qualque língua ociden al. Eu não
e ia sido acei e à mesa de alguns an ecesso es li e á ios. Eles não o am capazes de
desc e e a minha linhagem, não a comp eende am, subes ima am-na, oça am dela.
Tal pe da é pa icula men e noci a na e en e lusó ona do p oblema, onde, ainda hoje,
há uma men alidade impe ial mais ou menos b anda que se ecusa a admi i as suas
o mas idiossinc á icas de obsolescência e iolência ins i ucional, menos ainda a
econhecê-la na ida e na icção. (Almeida, 2023, p.72)
É es e plano de ei indicação da hospi alidade que amplamen e se anco a aos p ocessos e
caminhos de epa ação his ó ica. Repa a e econs ui é uma dinâmica subjacen e à e isão co ajosa
e des emida das hegemonias his ó icas da memó ia, da comunicação, das sociabilidades en e po os,
g upos, comunidades e sujei os indi iduais. Nes e me idiano quase comple o, é comp eensí el a
ele ância da epa ação his ó ica que eme ge nos con ex os onde ozes desobedien es exigem
compaixão e hospi alidade às suas his ó ias, pe cu sos de ida e, p incipalmen e, econhecimen o
pela sua p esença nos espaços sociais aos quais pe encem. A en a a odos es es meand os somb ios
das his ó ias en elaçadas, a his o iado a Ca he ine Hall (2008), aplicando o seu pensamen o ao es udo
das elações en e o impé io b i ânico e as populações pós-coloniais, salien a a impo ância de pensa
7
c i icamen e o passado e o seu p olongamen o nas idas dos seus sujei os co-p o agonis as dos ios
de iden idade, de cul u a, de memó ia e his ó ia po onde, ainda hoje, ci culam isões do passado e
se ão ecendo uma ou a comp eensão e al e na i as pa a a eesc i a de uma g amá ica humana mais
epa ado a e cla i iden e.
3. Le an ando o éu: Os meios de comunicação al e na i os digi ais
Como ence a es e i ine á io no enquad amen o de um cená io mundial ão ácido, ins á el a
pa i de ozes, ações e on ades cla i iden es e lúcidas? Po ou o lado, como man e es a lucidez
nes a no a a i mé ica do empo?
Um modo de lida com es es no os empos – con u bados, olá eis e pola izados - é escu a
meios que p omo em um discu so con aco en e, meios que ep esen am ozes insubmissas e que
p e endem c ia , desde já, um u u o di e en e. Es as ozes podem se encon adas nos meios de
comunicação al e na i os digi ais. Ao longo do a igo, a gumen a -se-á que os média al e na i os não
de em se is os apenas como uma espos a empo á ia à exclusão mediá ica, mas como um modelo
sus en á el pa a um no o cânone mains eam, pa a uma cidadania comunica i a onde compaixão,
hospi alidade e epa ação ep esen am uma decisão impo an e e inadiá el.
Os média al e na i os di e enciam-se dos média adicionais po di e en es especi icidades,
nomeadamen e pela independência (Ka ppinen & Moe, 2016), a inclusão de uma di e sidade de
pe spe i as (Ihlebæk e al., 2022), um a as amen o da cobe u a mediá ica con encional ao ealça
emas equen emen e negligenciados pelos média adicionais (Hol e al., 2019), al como, uma
abo dagem pa icipa i a e colabo a i a, u o de uma cul u a pa icipa i a (Jenkins, 2006), e, ambém,
pela ealização do seu abalho a a és de écnicas de jo nalismo len o (P aze es, 2018). Des e modo,
desempenham um papel único na di e si icação do ecossis ema mediá ico, ao o e ece em uma
con apa e necessá ia aos média adicionais (Hol e al., 2019), assim, pe mi em e ela e pa ilha
ou as na a i as sociais, azendo uma no a adição de pa ilha pública. Especi icamen e, a
ap endizagem de na a i as sociais que êm sido silenciadas du an e séculos no con ex o nacional, o
que a e a di e amen e a ep esen ação de um núme o de iden idades que comungam do mesmo
e i ó io e, consequen emen e, a cons ução de nações a e nas. Den o des es g upos, podemos
indaga sob e a ca ego ização de di e en es g upos em especí ico.
Nomeadamen e, nos úl imos anos, a ep esen ação das comunidades acializadas e imig an es,
nos média em Po ugal em sido al o de uma ímida discussão, mas com ela i a ele ância
4
(Go jão,
2018, 2016). Es a ele ância su ge de ido a indi idualidades especi icas, ligados à academia como
4
A des aca as epo agens jo nalís icas de Joana Go jão Hen iques que ab iu um no o empo de deba e, e lexão cole i a
e de econhecimen o da exis ência de ou as his ó ias de ida e de iden idade longamen e esquecidas e igno adas e
encedo do p émio Associação Co ações com Co oa, que p emeia abalhos sob e di ei os humanos:
h ps://www.publico.p /2018/11/20/sociedade/no icia/se ie- acismo-po uguesa-publico-ganha-p emio-1851751
8
C is ina Roldão, à polí ica, como Joacine Ka a Mo ei a, mas ambém com o p og essi o
apa ecimen o de a i is as neg os, como po exemplo, Mamadu Bá ou Paula Ca doso. A p esença
des es indi íduos nos média o nou-se especialmen e e iden e no con ex o das comemo ações dos 50
anos da e olução de Ab il e consequen emen e, dos 50 anos das independências das ex-colónias
a icanas.
Apesa da p esença his ó ica e inin e up a des as comunidades em Po ugal, os média
adicionais con inuam a a á-las como uma no idade ou mesmo uma exceção, o que e o ça uma
posição de exclusão da g ande na a i a iden i á ia do país. Es a ma ginalização mediá ica e le e
dinâmicas mais p o undas e es u u ais de exclusão e colonialidade assen es no No e Global, com
epe cussões globais. Es as comunidades, quando não são simplesmen e silenciadas, acabam po se
incluídas sob enquad amen os especí icos ou emá icos, maio i a iamen e ligadas à ma ginalidade
c iminal, pob eza, limi ações de acesso à habi ação.
Nesse con ex o, os média al e na i os su gem como pla a o mas pa a a exp essão dessas
comunidades, sendo es es, um local de p omoção de na a i as que desa iam as cons uções
hegemónicas, em especial, pelo des aque e en ol imen o di e o des as populações (Hen iques, 2018,
2016). Es as pla a o mas abo dam equen emen e emá icas a u an es e dissonan es da sociedade,
as quais "não são a adas pelos meios de comunicação adicionais" (Teixei a & Jo ge, 2021). Des e
modo, es es podem se os mesmos emas que nos média adicionais são impu ados com uma
cono ação nega i a, pelo simples ac o de incluí em mino ias é nicas. En ão, os média al e na i os
ap o ei am es a i agem mediá ica, ap esen ando es as comunidades de um modo posi i o, endo
assim êm uma abo dagem con as an e e mais humanis a, empá ica e epa ado a.
Pese embo a o c escimen o exponencial nas úl imas décadas, há que sublinha que es es média
se encon am p esen es no país há mais de um século (Posch e al, 2024), como o ainda em ci culação
A Ba alha, undado em 1919. Po exemplo, du an e a 1ª República, exis iu o jo nal O Neg o, que
desempenha a uma unção semelhan e à que os média al e na i os digi ais desempenham hoje, num
mundo já hipe -globalizado. Con i ma-se, assim, a p esença his o icamen e in isibilizada an o dos
média e das suas emá icas como da população que neles pa icipa, uma ealidade i ida em segundo
plano, quase num espí i o de clandes inidade.
Den o des es meios de comunicação al e na i os p esen es no país, su ge o Ge ado , a
pla a o ma escolhida pa a es e es udo de caso. A pa do Ge ado exis em em Po ugal ou os média
com abo dagem semelhan es, nomeadamen e a BANTUMEN, de 2015, com quem possuem uma
pa ce ia, Buala, de 2010, A olis e Di e gen e, ambos de 2014, Fumaça, de 2016, e a A olink, de
2019. Es a simila idade, consis e conc e amen e no a o de emp ega em pessoas imig an es ou
9
acializadas na sua equipa de edação ou di eção, e se deb uça em sob e ques ões iden i á ias
undamen ais pa a es as comunidades
5
(Posch e al., 2024).
O Ge ado oi undado o icialmen e em 27 de maio de 2014, e desde en ão em indo a
consolida -se como uma e e ência no pano ama mediá ico e cul u al po uguês. Tal como ou os
meios independen es, des aca-se pela sua au onomia, exp essa de o ma cla a no seu mani es o
edi o ial: "O Ge ado é independen e de p essões polí icas, económicas ou de ou o ipo" (Ge ado ,
2014). Além disso, o comp omisso com a di e sidade é um dos seus pila es, com o Ge ado a a i ma
que " ejei a qualque disc iminação baseada no géne o, eligião, o igem é nica ou o ien ação sexual
e de ende os alo es da plu alidade e di e sidade cul u al" (Ge ado , 2014). A sua a uação ambém
se e le e nas causas sociais que ab aça, a i mando: " e le imos sob e as dinâmicas p incipais de uma
sociedade mode na e p og essis a, como a desigualdade, a disc iminação, o luga de ala, a iden idade
e a o ien ação sexual ou as polí icas de mig ação" (Ge ado , 2014).
4. Jo nalismo Repa a i o: Ge ado
A capacidade epa ado a do jo nalismo, al como ap esen ada po To es e Wa son (2023) e
p e iamen e analisada nes e es udo, em-se mani es ado, em especial, no con ex o dos meios de
comunicação al e na i os. Es es meios abo dam equen emen e emas especí icos con es ados po
es as comunidades, sob e udo em dimensões que pe pe uam injus iças sociais. Nes e domínio,
exis em pla a o mas no e-ame icanas como The Roo , P ism, Colo lines e Democ acy Now! que
dedicam g ande pa e da sua dimensão edi o ial à p odução de na a i as que su gem de ozes
ma ginalizadas, nomeadamen e a população a odescenden e. No en an o, é possí el obse a , nes e
espaço geog á ico, que alguns canais pe encen es a g andes conglome ados de média, como o Vox,
da Vox Media, possuem abo dagens p óximas dos média al e na i os. O Vox, po exemplo, em
explo ado ques ões undamen ais como, o ema das epa ações his ó icas, a a és de peças
jo nalís icas como “Repa a ions Could Heal Ame ica” e “The e's No F eedom Wi hou
Repa a ions”. Pa a além des e cená io, den o des es média, o deba e sob e epa ações ambém é
analisado nou as ealidades geog á icas, como no a igo “Wha New Zealand Can Teach Us Abou
Repa a ions”, que e le e sob e as polí icas de epa ação na No a Zelândia. Dado o legado da
colonialidade i ido no p esen e no Sul Global, obse am-se dimensões edi o iais semelhan es em
5
Nomeadamen e, dos con eúdos que o Ge ado p oduziu na úl ima década den o des a dimensão, des acam-se á ios
emas cen ais, como a descolonização dos manuais de His ó ia que con inua po conc e iza , e le indo, assim, a
di iculdade em e e o ensino e a o ma como o passado é con ado. Nes a senda, o "colonialismo público" mos a como
a memó ia do impé io ainda se man ém i a no espaço público e na o ma como a his ó ia é lemb ada. A es i uição de
pa imónio às ex-colónias em sido deba ida como uma ques ão de memó ia e iden idade, le an ando a necessidade de
de ol e bens cul u ais e econhece as ma cas do colonialismo. Ví o de Sousa (2022) e le e sob e a pe ença e a
iden idade, a i mando que não exis e um ca imbo que de ine quem é po uguês. Também su ge o ques ionamen o de
igu as his ó icas como Mouzinho de Albuque que, e as suas elações com a memó ia pública nacional. Su ge nas a es,
a explo ação de co en es a ís icas, po exemplo, o a ossu ealismo e o a o u u ismo que p opõem no as o mas de
ep esen a uma sociedade mais inclusi a, ao desa ia a isão adicional da his ó ia e ao p oje a u u os al e na i os.
16
es ilo, à abo dagem na comunicação e à p odução de con eúdo. Assim, conside amos que o Ge ado
p opõe um no o en endimen o de mains eam, que não exclui, mas inclui e in eg a as di e sas ozes
que, a é en ão, es a am à ma gem.
O Ge ado pode se um exemplo de como é possí el c ia caminhos pa a o jo nalismo e a
comunicação social, ao ab i po as pa a um u u o mais jus o e ep esen a i o pa a odos. Es a
mo imen ação luída en e sec o es – p i ado e público- su ge como uma mais alia. Os undado es
do Ge ado exp essa am uma isão o imis a pa a o u u o da pla a o ma, ao des aca planos pa a
es abelece no as pa ce ias. Esse c escimen o e le e uma endência global de o alecimen o dos
média al e na i os, que êm indo a ganha maio ele ância ace ao declínio da con iança nos média
con encionais, que se si ua nos 58% no país (Ibe i ie , 2024). Assim, conside amos que o Ge ado
p opõe um no o en endimen o de mains eam, que não exclui, mas inclui e in eg a as di e sas ozes
que, a é en ão, es a am à ma gem. Des e modo, pode-se conside a que se encon a numa ase
a ançada den o da conceção de di usão de ino ações na comunicação (Reis & Hos in, 2019), que
p essupõe es ágios p og essi os desde o momen o em que uma ino ação é c iada e se o na a no ma
em elação à população em ge al.
17
Financiamen o
Es e a igo oi desen ol ido no âmbi o do p oje o “Mig aMediaAc s – Mig ações, media e
a i ismos em língua po uguesa: descoloniza paisagens mediá icas e imagina u u os al e na i os”
(PTDC/COM-CSS/3121/2021), inanciado po undos nacionais a a és da FCT — Fundação pa a a
Ciência e a Tecnologia, I.P.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Almeida, D.P. (2023). O que é se uma esc i o a neg a hoje, de aco do comigo. Companhia
das Le as.
Al es, A. R. (2016). (P é) ex os e con ex os: media pe i e ia e acialização. Polí ica &
T abalho, (44), 91-107.
A aújo, M., & Maeso, S. (2016). Os con o nos do eu ocen ismo: aça, his ó ia e ex os
polí icos. Almedina.
Balbé, A., Lins, L., & Cabecinhas, R. (2024). “Não em como a gen e ugi do que nos
ensinam”: deba es sob e memó ia pública e educação com es udan es do ensino secundá io
po uguês. Es udos Ibe o-Ame icanos, 50(1), 1-22. h ps://doi.o g/10.15448/1980-
864X.2024.1.45807
Cabecinhas, R., & Ba os, M. D. (2022). P odução de Conhecimen o, Repa ação His ó ica e
Cons ução de Fu u os Al e na i os. En e is a com Miguel de Ba os. Comunicação e sociedade,
(41), 243-258. h ps://doi.o g/10.17231/comsoc.41(2022).3719
Cabecinhas, R. (2023). “A memó ia da nação na e a plane á ia. Passados e u u os em deba e”.
Análise Social, 249, l iii(4.º), 766-788. h ps://doi.o g/10.31447/AS00032573.2023249.07
Callison, C. & Young. M.L. (2019). Reckoning: Jou nalism’s limi s and oppo uni ies. Ox o d
Uni e si y P ess.
Ca u he s, I. E. (2020). Rememb ance–Towa d Righ eousness and Repa a ions. The
Ecumenical Re iew, 72(1), 6-18.
Coelho, A. L. (2025). Gaza es á em oda a pa e. Caminho.
Coelho, R. G. (2019). An a chaeology o decoloniza ion: Impe ial in imacies in
con empo a y Lisbon. Jou nal o Social A chaeology, 19(2), 181-
205. h ps://doi.o g/10.1177/1469605319845971
Dixon, T.L. (2003). Whi e news, incognizan acism, and new p oduc ion biases. Re iew o
Communica ion 3(3), 216-219. e Sil a, R. T., Ma çalo, M. J., & Lima-He nandes, M. C. (2025).
Lexicon plu icen ali y and plu ici cula i y in Po uguese language a ie ies. Po uguese g amma :
Usage-based pe spec i es, 4, 35.
Edy, J. A. (2006). T oubled pas s: News and he collec i e memo y o social un es .
18
Temple Uni e si y P ess.
Edy, J. A. (2014). Collec i e memo y in a pos -b oadcas wo ld. In B. Zelize & K. Tenenboim-
Weinbla (Eds.), Jou nalism and memo y (pp. 66–79). Palg a e Macmillan
Edy, J. A. 1999. “Jou nalis ic uses o collec i e memo y”. Jou nal o Communica ion, 49(2),
71–85.
El-Enany, N. (2020). Bo de ing B i ain, Law, Race and Empi e. Manches e Uni e si y
P ess.
Ga ell, P, (2017). “Re ugees—wha ’s w ong wi h his o y?”. Jou nal o Re ugee S udies, ol.
30, no. 2, 170–189. Ge ado . (2014). Es a u o edi o ial. Ge ado . h ps://ge ado .eu/o-ge ado /
González, J. & To es, J. (2011). News o all he people: The epic s o y o ace and he
Ame ican media. Ve so Books.
Go jão, J.H. (2016). Racismo em Po uguês. O lado esquecido do colonialismo. Tin a- da-
China.
Go jão, J.H. (2018). Racismo no País dos B ancos Cos umes. Tin a-da-China.
G ay, H. (2015). The eel o li e: Resonance, ace, and ep esen a ion. In e na ional Jou nal o
Communica ion, 9, 1108-1119.
Hall, C. (2018). Doing epa a o y his o y: B inging « ace» and sla e y home. Race & Class,
60(1), 3-21.
Hol , K., Figenschou, T., & F ischlich, L. (2019). Key Dimensions o Al e na i e News Media.
Digi al Jou nalism, 7, 860 - 869. h ps://doi.o g/10.1080/21670811.2019.1625715.
Ihlebæk, K., Figenschou, T., Eld idge, S., F ischlich, L., Cushion, S., & Hol , K. (2022).
Unde s anding Al e na i e News Media and I s Con ibu ion o Di e si y. Digi al Jou nalism, 10,
1267 - 1282. h ps://doi.o g/10.1080/21670811.2022.2134165.
Jenkins, H. (2006). Con on ing he challenges o pa icipa o y cul u e: Media educa ion o
he 21s cen u y. An occasional pape on digi al media and lea ning. John D. and Ca he ine T.
MacA hu Founda ion.
Ka ppinen, K., & Moe, H. (2016). Wha We Talk Abou When Talk Abou "Media
Independence." Ja nos - The Public, 23(2), 105–119.
h ps://doi.o g/10.1080/13183222.2016.1162986
Khan, S. (2021). “Um na cisismo colonial: Implicações his ó icas nas ecnologias de
igilância”. Re is a Ciências Humanas, 14, 54-62. h ps://doi.o g/10.32813/2179-
1120.2121. 14.n2.a743
Khan, S., & Sousa, S. (2023). Djaimilia Pe ei a de Almeida: Tecelã de Mundos Passados e
P esen es. Edi o a Uminho
Lowe, L. (2015). The In imacies o Fou Con inen s. Duke Uni e si y P ess.
19
M’cha ek, A., Sch amm, K. and Skinne , D. (2014).“Technologies o Belonging”, Science,
Technology, & Human Values, 39(4), 2014, 459–467.
Macedo, I., Cabecinhas, R., & de And és, S. (2024). Mig ações, Comunicação e A i ismos.
Olha es e Re lexões. Re is a Lusó ona De Es udos Cul u ais, 11(2), e024021.
h ps://doi.o g/10.21814/ lec.6095
Machado, H., & G anja, R. (2019). “Police epis emic cul u e and bounda y wo k wi h judicial
au ho i ies and o ensic scien is s: The case o ansna ional DNA da a exchange in he EU”, New
Gene ics and Socie y, 38(3), 1–19.
Machado, H., & G anja, R. (2018). “E hics in ansna ional o ensic DNA da a exchange in he
EU: Cons uc ing bounda ies and managing con o e sies”, Science as Cul u e, 27(2), 242–264.
Machado, H., & G anja, R. (2020). Fo ensics Gene ics in he Go e nance o C ime. Palg a e
MacMillan.
Machado, H., G anja, R. & Amelung, N. (2020). “Cons uc ing suspicion h ough o ensic
DNA da abases in he EU. The iews o he P üm p o essionals”, The B i ish Jou nal o C iminology,
60(1), 141–159.
Maeso, S. R. (2021). O Es ado do Racismo em Po ugal. Racismo An ineg o e An iciganismo
no Di ei o e nas Polí icas Públicas, Lisboa, Tin a da China.
Melo-P ei e , S. (2016). Public unde s anding o language planning and linguis ic igh s: The
deba e on he cu en Po uguese o hog aphic e o m. Language in socie y, 45(3), 423-443.
Newman, N., Fle che , R., Schulz, A., Andi, S., Robe son, C. T., & Nielsen, R. K. (2021).
Reu e s Ins i u e digi al news epo 2021. Reu e s Ins i u e o he s udy o Jou nalism.
Nussbaum, M. (2001). Uphea als o Though : The In elligence o Emo ions. Uni e si y
P ess.
Pa ma , A. (2017). “In e sec ionali y, B i ish c iminology and ace: A e we ye he e?”,
Theo e ical C iminology, Vol.21(1), 35-45.
Pa ma , A. (2019). “Policing Mig a ion and Racial Technologies”, B i ish Jou nal o
C iminology, 1-20.
Pa ma , A. (2020). “A es ing non (ci izenship): The policing mig a ion nexus o na ionali y,
ace and c iminaliza ion”, Theo e ical C iminology, 1-22.
Phillips, C., & Bowling, B. (2003). “Racism, e hnici y and c iminology: De eloping mino i y
pe spec i es”, B i ish Jou nal o C iminology, 43(2), 269-290.
Phillips, C., Ea le, R., Pa ma , A., and Smi h, D. (2019). “Dea B i ish c iminology: whe e has
all he ace and acism gone?”, Theo e ical C iminology,1-20.
h ps://doi.o g/10.1177/1362480619880345
20
Posch, P., Co eia Bo ges, G., Simões, C., & Ce quei a, C. (2024). “Eme ging pe spec i es:
An o e iew o al e na i e digi al media and mig an and/o acialised people in Po ugal”.
Lusophone Jou nal o Cul u al S udies, 11(2), 1-21. h ps://doi.o g/10.21814/ lec.5748
Quijano, A. (2005). Colonialidade do pode , eu ocen ismo e Amé ica La ina. In E. Lande
(O g.), A colonialidade do sabe : Eu ocen ismo e ciências sociais. Pe spec i as la ino-ame icanas
(pp. 71–99). CLACSO.
Raposo, O. Al es, A.R. Va ela, P. and Roldão, C. (2019).“Neg o d ama. Racismo, seg egação
e iolência policial nas pe i e ias de Lisboa”, Re is a C í ica de Ciências Sociais, 119 | 2019, 5-28.
Reis, C., & Hos in, R. (2019). Comunicação pa a o desen ol imen o: O pe cu so eó ico-
me odológico das abo dagens clássicas aos en oques con empo âneos. Re is a B asilei a de Ges ão
e Desen ol imen o Regional, 15(4, jul).
Ren schle , C. A. (2010). T auma aining and he epa a i e wo k o jou nalism. Cul u al
S udies, 24(4), 447–477. h ps://doi.o g/10.1080/09502380903215275
Ribei o, A.S. (2018), “Pós-memó ia e compaixão. A azão das emoções.
h ps://memoi s.ces.uc.p / ichei os/4_RESULTS_AND_IMPACT/JORNAL/MEMOIRS_ENCART
E_web.pd
Riemen, R. (2012). O E e no Re o no do Facismo. Bizâncio.
Roldão,
C.,
Lima,
R.,
Va ela,
P.,
Raposo,
O.,
&
Ma ias, A.R.
(2025,
o hcoming).
A oeu opeans.Iden i ies, Racism, and Resis ances. Rou ledge.
San os, B., S. (2007). “Beyond Abyssal Thinking: F om Global Lines o an Ecology o
Knowledges”, Re is a C í ica de Ciências Sociais, 78: 3:46.
Seoane-Pé ez, F., C espo, M., Vasconcelos, A., Paisana, M., Gelado-Ma cos, R., Ma ga o&
Ca doso, G. (2024). IBERIFIER epo s–Disin o ma ion consump ion pa e ns in Spain and
Po ugal.IBERIFIER.h ps://ibe i ie .eu/app/uploads/2024/05/IBERIFIER_Repo _Disin o ma ion
Consump ionPa e nsSpainPo ugal.pd
S ole , A. L. (2016). Du ess. Impe ial Du abili ies in Ou Times. Duke Uni e si y P ess.
S one, D. (2018). “Re ugees hen and now: memo y, his o y and poli ics in he long wen ie h
cen u y: an in oduc ion”. Pa e ns o P ejudice, 52:2-3, 101-106.
Teixei a, L. M., & Jo ge, A. (2021). Pla a o mas de Financiamen o Cole i o na Economia
Polí ica dos Média Al e na i os. Comunicação e sociedade, (39), 183-202.
To es, J., & Wa son, C. (2023). Repai ing jou nalism’s his o y o an i-Black ha m. The
ANNALS o he Ame ican Academy o Poli ical and Social Science, 707(1), 208-227.
T a o d, J. (2021). The Empi e a Home In e nal Colonies and he End o B i ain. Plu o P ess.
21
Ushe , N., & Ca lson, M. (2022). Jou nalism as his o ical epai wo k: Add essing p esen
injus ice h ough he second d a o his o y. Jou nal o Communica ion, 72(5), 553–564.
h ps://doi.o g/10.1093/joc/jqac022
Zelize , B. & Tenenboim-Weinbla , K. (Eds.) (2014). Jou nalism and memo y. Palg a e-
Macmillan.
Zelize , B. (1993). Jou nalis s as in e p e i e communi ies. C i ical S udies in Mass
Communica ion, 10(3), 219-237.