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Assédio sexual no meio académico: a eficácia dos mecanismos de denúncia

Author: Oliveira, Ana Mafalda Miranda de
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/404a8fa5-dae1-4461-ae34-9bc70ae5c6f7/download
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Ana Ma alda Mi anda de Oli ei a
Assédio sexual no meio académico: A e icácia dos
mecanismos de denúncia
ou ub o de 2024
A ssédi o sex ua l no m ei o aca dé m i co: A e i cáci a dos m e cani sm o s
de de núncia
Ana Ma alda Mi anda de Oli ei a
UMinho | 2024
Uni e sidade
do
Minho
Escola
de
Economia
e
Ges ão
ou ub o
de
2024
Ana Ma alda Mi anda de Oli ei a
Assédio sexual no meio académico: A
e icácia dos
mecanismos de denúncia
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Ges ão de Recu sos Humanos
T abalho
e e uado
sob
a
o ien ação
da
P o ess o a D ou o a C a la F ei e
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
I
Ag adecimen os
Nes e espaço simbólico incluído nes a disse ação, o ma co do im de um ciclo, não pode ia deixa de
exp essa a minha g a idão a odos aqueles que, de alguma o ma, me apoia am na elabo ação da
mesma, assim como àqueles que me acompanha am e de am supo e ao longo do meu caminho e
pe cu so como es udan e e ambém como pessoa.
Como al, em p imei o luga , e endo em con a a se iedade e sensibilidade do ema, gos a ia de di eciona
o meu p imei o ag adecimen o a odos os pa icipan es des a in es igação. Ob igada pela ossa
disponibilidade, con iança e pa ilha. Sem ocês es e abalho não e ia sido possí el.
Exp esso o meu ag adecimen o à P o esso a Dou o a Ca la F ei e, pela o ien ação no desen ol imen o
des e abalho, ma cado po desa ios e ap endizagens. Ag adeço, não só pela pa ilha de conhecimen os,
mas ambém pelo apoio, p o issionalismo, disponibilidade e paciência demons ados ao longo de odo
es e p ocesso.
Aos meus Pais, ag adeço po odo o apoio incondicional ao longo do meu pe cu so e po se em a minha
on e de inspi ação. Ob igada po me ensina em a alo iza a opo unidade de es uda e pelo
in es imen o que ize am na minha o mação académica.
Ao meu i mão, que o na a ida mui o mais especial e boni a. É um p i ilégio pode c esce ao eu lado,
e sou p o undamen e g a a po aze es de mim a pessoa que sou hoje.
A odos ocês, um ob igada!

II
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
III
Resumo
Apesa do ema do assédio sexual em con ex o académico e indo a ecebe mais a enção nos úl imos
anos, es udos sob e os mecanismos de denúncia, polí icas de p e enção de assédio sexual e Códigos de
Condu a É ica no con ex o académico são ainda mui o incipien es.
Es a disse ação em como obje i o explo a a pe ceção dos es udan es sob e os mecanismos de
denúncia, polí icas e p ocedimen os das uni e sidades pa a esponde a casos de assédio sexual. Nesse
sen ido, o am ealizadas 12 en e is as semies u u adas a es udan es do ensino supe io que o am
í imas de assédio sexual em con ex o académico.
Como p incipais conclusões do es udo essal a-se a al a de in o mação ace ca dos mecanismos de
denúncia exis en es, di icul ando o acesso das í imas a esses ecu sos. Os es udan es a amen e sabem
onde denuncia , a quem ou como denuncia e p ocu a ajuda pa a lida com a si uação de assédio
sexual, o que comp ome e a e icácia das polí icas de p e enção. Além disso, a complexidade dessas
polí icas o na-as pouco acessí eis, di icul ando a sua aplicação. Simpli ica e di ulga melho esses
mecanismos é essencial pa a ga an i a p o eção das í imas.
Os esul ados ambém indica am que os es udan es demons am al a de con iança nos p ocessos de
denúncia e na o ma como os casos de assédio são a ados pelas ins i uições de ensino supe io . Esse
sen imen o es á equen emen e associado ao medo de ep esálias que podem esul a das denúncias,
o que desenco aja as í imas a p ocu a em ajuda.
Po im, é no ó io que as uni e sidades po uguesas êm p ocu ado da espos a ao enómeno do assédio
sexual e às expe iências i enciadas pelos seus es udan es a a és do desen ol imen o de mecanismos
e polí icas de p e enção do assédio sexual. No en an o, a al a de conhecimen o sob e os mesmos é
p oblemá ica e ala man e, endo em con a a p e alência de casos de assédio sexual expe ienciada pelos
es udan es do ensino supe io .
Pala as-cha e: Assédio sexual; Campus; Uni e sidades; Mecanismos de denúncia; Códigos de Condu a;
Polí icas de p e enção.
IV
Abs ac
Al hough he issue o sexual ha assmen in he academic con ex has ecei ed mo e a en ion in ecen
yea s, s udies on epo ing mechanisms, sexual ha assmen p e en ion policies and Codes o E hical
Conduc in he academic con ex a e s ill in hei in ancy.
The aim o his disse a ion is o explo e s uden s’ pe cep ion o uni e si ies’ epo ing mechanisms,
policies and p ocedu es o espond o cases o sexual ha assmen . To his end, 12 semi-s uc u es
in e iews we e ca ied ou wi h highe educa ion s uden s who had been ic ims o sexual ha assmen
in an academic con ex .
As he main conclusions o he s udy, i is highligh ed he lack o in o ma ion ega ding epo ing
mechanisms, making i di icul o ic ims o access hese esou ces. S uden s a ely know whe e, o
whom, o how o epo and seek help in dealing wi h sexual ha assmen , which unde mines he
e ec i eness o p e en ion policies. Fu he mo e, he complexi y o hese policies makes hem less
accessible, hinde ing hei implemen a ion. Simpli ying and be e p omo ing hese mechanisms is
essen ial o ensu e he p o ec ion o he ic ims.
The esul s also indica ed ha s uden s show a lack o con idence in he epo ing p ocesses and, in he
way, sexual ha assmen cases a e deal wi h by highe educa ion ins i u ions. This eeling is o en
associa ed wi h he ea o ep isals ha can esul om epo ing, which discou ages ic ims o m seeking
help o jus ice.
Finaly, i is clea ha , Po uguese uni e si ies ha e ied o espond o he phenomenon o sexual
ha assmen and he expe iences o hei s uden s by de eloping mechanisms and policies o p e en
sexual ha assmen . Howe e , he lack o knowledge abou hem is p oblema ic and ala ming, gi en he
high p e alence o sexual ha assmen expe ienced by highe educa ion s uden s.
Keywo ds: Sexual ha assmen ; Campus; Uni e si ies; Repo ing mechanisms; Codes o Conduc ;
P e en ion policies.
V
índice
Ag adecimen os.............................................................................................................................. I
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE..................................................................................................... II
Resumo ....................................................................................................................................... III
Abs ac ....................................................................................................................................... IV
1. In odução ............................................................................................................................. 1
2. Re isão da li e a u a ............................................................................................................... 3
2.1. Violência de géne o........................................................................................................ 3
2.2. Assédio sexual............................................................................................................... 4
2.3. Assédio Sexual em con ex o académico ........................................................................... 7
2.1.1. Assédio sexual no con ex o académico: mecanismos de denúncia e polí icas con a
assédio sexual ....................................................................................................................... 8
2.4. Ca ac e ização e consequências pa a as í imas ............................................................ 10
3. Me odologia ......................................................................................................................... 12
3.1. Tipologia de es udo ...................................................................................................... 13
3.2. Me odologia quali a i a................................................................................................. 13
3.3. Público-al o/Amos a ................................................................................................... 14
3.4. En e is as semies u u adas ........................................................................................ 14
3.5. T a amen o dos dados: Análise do con eúdo .................................................................. 17
4. Análise e discussão dos esul ados ........................................................................................ 21
4.1. Amos a do es udo: ca ac e ís icas sociodemog á icas.................................................... 21
4.2. Assédio sexual em con ex o académico: Explo ando as pe ceções em elação ao concei o 22
4.3. Desc ição da expe iência de assédio sexual em con ex o académico ............................... 26
4.4. Ges ão das emoções de i adas das expe iências de assédio sexual ................................. 31
4.4.1. Es a égias de
coping
............................................................................................... 33
4.5. Mecanismos de denúncia/Códigos de Condu a É ica...................................................... 36
4.5.1. Denúncias o mais e/ou in o mais ............................................................................ 41
4.6. P omoção das polí icas de p e enção de assédio sexual e dos mecanismos de denúncia .. 46
5. Conclusão ........................................................................................................................... 49
6. Re e ências bibliog á icas...................................................................................................... 52
7. Anexos ................................................................................................................................ 69
7.1. Anexo I: Guião da en e is a ......................................................................................... 69
6
c iminologia do AS em sido bas an e len o (Uggen e al., 2021). De ido à ascensão do núme o de casos
di ulgados, e conside ando os casos não denunciados, pa ece pe inen e começa a c iminaliza o AS,
pa a ga an i que as í imas se sin am segu as nas suas idas diá ias e puni os seus ag esso es.
Nos úl imos anos, os códigos po ugueses êm so ido modi icações, sendo que a úl ima
al e ação ao c ime de impo unação sexual esul ou da in e p e ação das ob igações es ipuladas no A igo
40.º da Con enção de Is ambul. Ou os países ambém êm ape eiçoado as suas de inições legais que
di e em de país pa a país, mas a maio ia con ém desc ições semelhan es: condu a indesejada com o
obje i o de se in imidan e, hos il, deg adan e, humilhan e ou o ensi a (EIGE, 2021; Quick & McFadyen,
2017; McDonald, 2012; Dias, 2008).
O AS em indo a se obje o de c escen e a enção, mas oi a pa i dos anos 70 que começou a
se is o como uma ques ão social, p imei o nos Es ados Unidos da Amé ica e depois na Eu opa
(Lahsaeizadeh & Youse inejad, 2012; Lisboa e al., 2009). O aumen o da pa icipação eminina no
me cado de abalho impulsionou a in es igação sob e o AS, com MacKinnon (1979) sendo uma das
p imei as a es uda o ema, de inindo-o como a imposição indesejada de equisições sexuais em elações
de pode desiguais. As equisições incluem suges ões, piadas, olha es ixos e p opos as com ameaças
de pe da de emp ego (Magalhães, 2011). Ou a de inição edi icado a oi desen ol ida po Fi zge ald,
Gel and e D asgow (1995), que sepa am o AS em ês dimensões: disc iminação de géne o, a enção
sexual indesejada e coe ção sexual. A disc iminação de géne o não em uma inalidade sexual, en ol e
a i udes de e io an es, hos is e inju iosas a g upos mino i á ios; a a enção sexual indesejada ab ange
compo amen os como con i es pa a encon os, mensagens in usi as e oques; a coe ção sexual es á
mais associada ao assédio no local de abalho, en ol endo subo nos ou ameaças elacionadas à
coope ação sexual (Gel and, Fi z e ald & D asgow, 1995).
Ou os au o es ambém êm es udado o AS, iden i icando di e sas ipologias. McCann (2005),
classi ica os a os de AS em ês ca ego ias: condu a ísica ( iolência e con ac o ísico e ameaças), e bal
(comen á ios ou insul os de eo sexual) e não e bal (exibição de imagens e ges os sexualmen e
explíci os). Um es udo de G oss-Schae e e al. (2003) e ela que o assédio e bal é o mais eco en e,
seguido pela dep eciação sexual e o oque indesejado. A APAV (2015) ca ac e iza o AS como odos os
compo amen os indesejados de ca iz sexual que a e am a dignidade do indi íduo c iando ambien es
in imida i os. O AS ambém inclui compo amen os indesejados, baseados na disc iminação, p a icados
no acesso ao emp ego ou em con ex os de abalho e educação.

7
Uma pesquisa ealizada na Eu opa, po Nielsen e al. (2010), indica que ap oximadamen e 30%-
50% de mulhe es e 10% de homens expe iencia am alguma o ma de AS ou compo amen os de eo
sexual indesejados. Em Po ugal, o assun o é ainda conside ado como um
abu
; um inqué i o ealizado
pela APAV (2022), e elou que quase 20% das pessoas o am í imas de assédio no abalho em 2021,
mas apenas 27% des as ap esen a am queixas, de ido à al a de p o as, e gonha ou eceio de
des alo ização da si uação.
2.3. Assédio Sexual em con ex o académico
O assédio sexual em con ex o académico e e e-se a compo amen os indesejados e insis en es
de ca iz sexual que oco am den o de ins i uições de ensino supe io ou nas suas imediações, c iando
um ambien e hos il e in imida i o pa a as í imas. Es e enómeno é econhecido como uma o ma de
disc iminação de géne o e pode mani es a -se a a és de comen á ios, piadas, a anços ísicos
indesejados, coe ção ou ag essão sexual, en ol endo in e ações en e es udan es, en e es udan es e
p o esso es, en e es udan es e uncioná ios ou qualque ou a combinação de elações exis en es den o
da comunidade académica.
Segundo Till (1980), o assédio sexual em con ex o académico é uma mani es ação do uso de
au o idade pa a en a iza a sexualidade ou a iden idade sexual na comunidade académica,
pa icula men e en e es udan es. Embo a a na a i a comum associe os docen es e uncioná ios como
ag esso es e os es udan es como í imas, a ealidade é mais complexa. Mui os casos de assédio sexual
são pe pe uados po es udan es, e le indo uma dinâmica de pode onde, equen emen e, os homens
assediam mulhe es, exace bando um ambien e hos il que a e a o desempenho académico e a ida social
das í imas (Shah & Gu, 2020).
Apesa de uma c escen e sensibilização pública em elação ao AS, as ins i uições de ensino
supe io con inuam a se locais onde es e compo amen o é equen emen e epo ado. O es udo de
Kayuni (2009) des aca o pode como um ac o cen al na dinâmica do AS. Nos casos em que o assédio
oco e en e docen es e es udan es, o p o esso em pode o mal sob e o aluno, acili ando abusos
(Ga cía-He nández e al., 2020). No en an o, o assédio en e es udan es en ol e pessoas do mesmo
es a u o, mas a pe ceção social, mui as ezes coloca os homens em posições de maio pode , le ando
à no malização desse compo amen o, o nando o ambien e académico hos il pa a as í imas.
O AS ab ange uma a iedade de compo amen os abusi os, equen emen e sem en ol imen o
de iolência ísica. Tais compo amen os pe mi em ao ag esso domina a í ima po meio de elações
de pode económico, social ou hie á quico. A desigualdade de géne o e a op essão hie á quica
mani es am-se a a és de piadas de eo sexual, desquali icação in elec ual de alunos e assédio po pa e
8
de p o esso es ou uncioná ios, e elando uma dinâmica onde o mais pode oso in imida a ou a pa e
(Melo, 2019; Quina & Ca lson, 1989).
Embo a mui os pe pe ado es de assédio nas uni e sidades sejam alunos, o silêncio das í imas
em elações de pode en e p o esso e aluno é acen uado pelo medo de e aliação, ep o ação e
pe seguição (Shah & Gu, 2020; Michelon, 2019). Mesmo quando há opo unidades pa a denúncia, a
p essão social e a al a de apoio amilia equen emen e desincen i am as í imas a agi . O
co po a i ismo en e p o esso es e as di eções das uni e sidades mui as ezes con ibuem pa a o
encob imen o e a des alo ização do assédio (Osó io, 2007). Es es p oblemas são sé ios e p ecisam de
se abo dados pelas uni e sidades, pois podem impac a a con inuidade dos es udan es, a epu ação da
ins i uição e as elações com a comunidade em ge al, en e ou os.
Recen emen e, o AS em con ex o académico o nou-se um ema de deba e c escen e,
especialmen e com o aumen o de casos epo ados nas uni e sidades po uguesas. No en an o, os
es udos ela i os ao ema são ainda escassos. Po exemplo, na Faculdade de Di ei o da Uni e sidade de
Lisboa, em 11 dias o am ap esen adas mais de 50 queixas de assédio sexual e mo al (Oli ei a, 2022),
enquan o a Uni e sidade do Po o egis ou queixas de assédio, acismo e xeno obia. No Ins i u o Supe io
Técnico, um inqué i o e elou cen enas de casos de assédio mo al e sexual, e na Uni e sidade do Minho,
um ques ioná io digi al disponibilizado pela Associação Académica da Uni e sidade do Minho, esul ou
em ce ca de uma cen ena de exposições de assédio mo al e sexual (Ne es e al., 2024).
Com a e elação des es dados cons a ou-se que apesa das uni e sidades possuí em Códigos
de Condu a É ica, mui os deles não es ão adap ados à ealidade pa icula de cada ins i uição (Campos,
2022). Assim, é u gen e a elabo ação de códigos de condu a e canais de denúncia, pa a p o ege
docen es, alunos, uncioná ios e oda a comunidade académica (Pe ei a, 2022). Além disso, a baixa axa
de denúncias e a insa is ação com os mé odos de esolução indicam a necessidade de melho a os
mecanismos de denúncia das uni e sidades e um zelo ins i ucional mais ab angen e (Shah & Gu, 2020).
2.1.1. Assédio sexual no con ex o académico: mecanismos de denúncia e
polí icas con a assédio sexual
Apesa da omnip esença do enómeno do assédio sexual no meio académico, ainda subsis em
ques ões ela i amen e à e icácia das espos as das uni e sidades. Embo a os ecu sos de apoio es ejam
nos campus, a adesão po pa e dos es udan es é baixa. Fa o es como o desconhecimen o desses
se iços, a al a de con iança no sis ema, e a pe ceção de que o inciden e não oi su icien emen e g a e
9
di icul am o ecu so a esses mecanismos (Bha acha ya & Casey, 2024; Pinche sky & Hayes, 2023;
Wamoyi e al., 2022).
Pa a que os es udan es possam eco e a esses ecu sos, é c ucial que es ejam in o mados
sob e as opções disponí eis e enham con iança nos p ocessos de denúncia. Po ém, os es udos
demos am que a maio pa e dos alunos p e e e não o maliza as suas expe iências, que po medo de
ep esálias, e gonha ou po que e p o ege as pessoas dos seus cí culos sociais (Mennicke e al., 2021;
Nas a e al., 2005). Pa a ag a a es a si uação, mui os es udan es não sabem se de em eco e à
uni e sidade, especialmen e quando o inciden e en ol e elemen os ex e nos à ins i uição, e p eocupam-
se com a con idencialidade e com o impac o pessoal que a denúncia pode e . Es es a o es são
ampli icados quando o ag esso é um p o esso , o que o na o desequilíb io de pode um obs áculo
signi ica i o à denúncia (Vohlídalo á, 2015).
Ou o pon o impo an e é que as in e p e ações dos a os de assédio a iam, e os e en os
conside ados menos g a es ou que não ge am medo, mui as ezes não são epo ados (Mennicke e al.,
2022). Essa sub alo ização pode se a ibuída à no malização de ce os compo amen os na sociedade,
o que le a as í imas a minimiza as suas expe iências a é que o assédio se o ne inques ioná el. Além
disso, mui os es udan es e elam os seus casos p imei amen e a amigos e amilia es, que, embo a
impo an es como p imei os con iden es, nem semp e es ão p epa ados pa a lida com a si uação e
podem, sem in enção, desincen i a no as e elações. Es a dinâmica des aca a necessidade de educa
a comunidade académica sob e como esponde adequadamen e às e elações de assédio, ajudando a
í ima a sen i -se segu a e a conside a os mecanismos o mais de denúncia como uma opção iá el
(S one & C ame , 2019).
Es udos mos am ambém que as uni e sidades êm alhado em p omo e e icazmen e os seus
mecanismos e polí icas pa a lida com o assédio sexual, o que esul a na al a de u ilização dos ecu sos
disponí eis. É undamen al que as ins i uições melho em a di ulgação e acessibilidade desses se iços,
ga an indo que os es udan es saibam que a con idencialidade se á espei ada e que não so e ão
consequências ad e sas po denuncia (Holland e al., 2018). Ao o nece exemplos cla os de
compo amen os que cons i uem assédio e ao di e encia os p ocedimen os de denúncia com base no
pe il do ag esso (po exemplo, es udan e ou p o esso ), as uni e sidades podem c ia um ambien e
mais segu o e e icaz pa a comba e o assédio (Klein & Ma in, 2021).
A espos a das uni e sidades ao AS em-se e elado insu icien e, e a melho ia da disponibilização
de ecu sos con inua a se uma necessidade especial (Bu gess-P oc o e al., 2016). As soluções
10
ap esen adas são a c iação de polí icas de p e enção e espos a, a p omoção de uma cul u a de espei o
e igualdade, e a o mação di igida a p o esso es, uncioná ios e es udan es.
2.4. Ca ac e ização e consequências pa a as í imas
O assédio sexual em con ex o académico pode e consequências g a es e a longo e mo pa a
as í imas, ab angendo an o o o o emocional e psicológico como o ísico. Es e compo amen o mina a
con iança, a colabo ação e o espei o mú uo en e os memb os da comunidade académica, podendo
e ela -se p oblemá ico, espe ando-se que seja um ambien e de ob enção de conhecimen os em
segu ança.
Embo a an o homens quan o mulhe es possam se í imas de AS, a maio ia dos es udos mos a
que as mulhe es são as í imas mais equen es, enquan o os ag esso es são ge almen e homens (Diehl
& Bohne , 2014; Filho, 2001). As í imas mais ulne á eis incluem es udan es, mulhe es jo ens,
pe encen es a mino ias sociais, como as economicamen e dependen es, imig an es, sol ei as e
memb os da comunidade LGBTQIA+ (Ma inmäki e al., 2023; Sil a e al., 2020). No con ex o académico,
o AS pode oco e an o em es u u as hie a quizadas quan o en e pa es. Assim, alunos, p o esso es,
in es igado es, pessoal écnico e adminis ação podem se í imas, dependendo da elação de pode
en e as pa es en ol idas (Shah & Gu, 2020; Klump, 2006).
As consequências do AS, mesmo sem se em o icialmen e econhecidas, a e am p o undamen e
an o a ins i uição quan o o bem-es a indi idual. Fisicamen e, as í imas podem expe iencia do es de
cabeça, náuseas, dis ú bios alimen a es, cansaço, p oblemas de sono e a é al e ações no ciclo
mens ual. O consumo excessi o de álcool ambém pode se uma consequência associada a es as
expe iências aumá icas (Klein & Ma in, 2021; Romi o e al., 2017; Ho e al., 2012). A ní el psicológico,
as í imas equen emen e ela am emoções nega i as como pe da de dignidade, ai a, medo, e gonha,
culpa, diminuição de au ocon iança, dep essão, ansiedade e, em casos ex emos, a é endências suicidas
(OPP, 2021; APAV, 2020, 2015; A ime & Buchholz, 2016; Rosen & Ma in, 1998).
A ní el académico, es as emoções podem in e e i di e amen e com o desempenho, esul ando
em di iculdades de concen ação, aumen o do s ess, no as mais baixas e a é o abandono do cu so
(Bu n, 2019; Vohlídalo á, 2015). O ambien e de assédio pode ambém inibi a pa icipação nas aulas e
em a i idades ex acu icula es, p ejudicando o desen ol imen o académico e social das í imas (Shah
& Gu, 2020). No con ex o académico po uguês, um es udo ealizado po Melo (2019), e elou que as
í imas mui as ezes desen ol em sen imen os de culpa, e gonha e medo de i em a se
desac edi adas. Mui as ela a am que o auxílio de p o issionais de saúde men al e ia sido ú il pa a
p ocessa expe iência.
11
As consequências do assédio a iam, sendo in luenciadas pelos ecu sos sociais e pessoais à
disposição de cada í ima, como o apoio amilia , mas ambém a au oes ima e, capacidade de eação,
en e ou os (Théo ê e al., 2022). A g a idade e a mani es ação das eações pessoais es ão, além disso,
elacionadas com as es a égias de
coping
da í ima. Vá ios in es igado es êm explo ado as es a égias
de
coping
e, de um modo ge al, podem se classi icadas em duas ca ego ias: as cen adas no p oblema
e as cen adas nas emoções, ou ex e nas e in e nas, espe i amen e (Ladislaus e al., 2024; Idås e al.,
2020). A p imei a, mais a i a, inclui ações como con on a o ag esso , denuncia os inciden es, muda
compo amen os e o inas ou p ocu a ajuda o mal. A segunda, mais passi a, en ol e ge i os
sen imen os sem en en a di e amen e a si uação, como p ocu a apoio em amigos e amilia es,
e aimen o emocional, exp essão de eações emocionais (ansiedade, descon o o ou medo),
culpabilização pessoal ou usa humo (Fa ima, 2024; Ladislaus e al., 2024; Tan e al., 2024; Saad,
2019).
Vá ios es udos indicam que as í imas que u ilizam es a égias de
coping
cen adas no p oblema,
como ala sob e a si uação ou con on a o ag esso , ap esen am melho es esul ados
compa a i amen e àquelas que ado am es a égias cen adas nas emoções (Gallo e al., 2024; Fo d &
I anic, 2020; Sca duzio e al., 2018). No en an o, a o ma mais comum de lida com o assédio con inua
a se igno a o compo amen o do ag esso (Mi hosseini e al., 2023; Chang e al., 2020). O e i amen o,
ou a espos a equen e, inclui ações como desis i de disciplinas, muda de cu so ou abandona a
uni e sidade (Geppe e al., 2024). Respos as menos comuns en ol em ala com alguém sob e o
assédio, con on a o ag esso ou epo a o compo amen o (Lewis, 2024; Keenan e al., 2024; He e a
e al., 2018; Benya e al, 2018; Golshan, 2017).
Embo a não seja ácil a alia a o alidade das consequências do AS e que es as a iem consoan e
o con ex o e os ecu sos da í ima, é inegá el que o impac o nega i o nas suas condições ísicas,
emocionais e no desempenho académico é p o undo e du adou o. O desen ol imen o de es a égias de
coping
mais e icazes e o apoio ins i ucional adequado são essenciais pa a mi iga es es e ei os.

12
3. Me odologia
O p esen e abalho, ao analisa a emá ica do assédio sexual, p e ende pe cebe de que o ma
es e enómeno é en endido na comunidade académica, e qual a isão des a quan o aos mecanismos de
denúncia disponibilizados e sua e icácia.
A discussão pública em Po ugal, em o no do ema de assédio sexual em con ex o académico
em subido de om nos úl imos anos de ido ao su gimen o dos á ios casos em á ias uni e sidades do
país. Em 2022, na Faculdade de Di ei o de Lisboa o am egis adas 50 denúncias de assédio sexual e
mo al (Du ães, 2022). Na Uni e sidade do Po o, às denúncias de assédio, o am ac escen ados ambém
ela os de xeno obia e acismo. No Ins i u o Supe io Técnico, um inqué i o e elou cen enas de casos
de assédio sexual e mo al en e os es udan es (Ca alho, 2022). E na Uni e sidade do Minho, ambém
po pa e de um ques ioná io o am e elados ce ca de uma cen ena de ela os de assédio sexual e mo al
no meio académico (Esque da, 2022). Mais ecen emen e, em 2023, dá-se o su gimen o de decla ações
de p á icas de assédio sexual e mo al no Cen o de Es udos Sociais em Coimb a. Já no ano de 2024,
num es udo que incluiu ce ca de 22 ins i uições do ensino supe io , ce ca de 89,2% dos pa icipan es
a i ma am e sido í imas de algum ipo de abuso (Ge ado , 2024).
Face a es e p oblema social que em sido p opalado e discu ido nos meios de comunicação
social e em alguns es udos, com es a in es igação p e ende-se ala ga a comp eensão do enómeno do
assédio sexual e con ibui pa a a comp eensão da pe ceção sob e os mecanismos exis en es de epo e
nas comunidades académicas do país. Espe a-se que com es e abalho as uni e sidades possam lida
melho com o enómeno.
Assim, com es e es udo p e ende-se: (1) analisa o enómeno do assédio sexual no con ex o
académico; (2) pe cebe quais são as pe ceções quan o aos mecanismos de denúncia disponibilizados
pelas uni e sidades, e a sua e icácia; (3) analisa como as í imas agi am de o ma a ge i a si uação, e
se a e ou a sua i ência no meio académico e es udan il, e (4) pe cebe como lida am com as si uações
de assédio sexual, a quem eco e am, em p imei o luga , após a si uação, e se i e am apoio po pa e
da amília, dos amigos e colegas.
Nes e capí ulo, se ão ambém ap esen adas as opções me odológicas que se ão seguidas, bem
como se ão mencionados o ipo de es udo, a amos a selecionada e o/s mé odo/s a u iliza pa a a
ecolha e análise da in o mação.
13
3.1. Tipologia de es udo
Es e es udo pode se conside ado de ca iz desc i i o e explo a ó io. Po um lado, é um es udo
desc i i o po que, al como Richa dson (1999) a i ma, es e ipo de es udo conside a como obje o de
es udo si uações especí icas, g upos ou indi íduos, sendo que no caso da p esen e in es igação é
analisada uma si uação em especí ico sendo essa o assédio sexual em con ex o académico, e o g upo
ou indi íduos co espondendo a es udan es do ensino supe io que enham sido í imas desse mesmo
enómeno.
Po ou o lado, é ambém um es udo explo a ó io, pois os es udos explo a ó ios auxiliam o
in es igado aumen ando o conhecimen o sob e os ac os, sendo que p ocu am ainda no as ideias
ajudando a agiliza uma maio p oximidade com o enómeno em es udo (Sell iz, 1972). Ou seja, a opção
po um es udo explo a ó io em ambém da necessidade de aumen a a comp eensão sob e o ema
abo dado nes a in es igação, uma ez que al como se ap esen ou na e isão da li e a u a, exis e
necessidade de ap o unda o es udo des a emá ica. Pa a além disso, é impo an e des aca que a
pesquisa explo a ó ia alo iza a abo dagem desc i i a, que eque a in e enção do in es igado , an o
na ecolha de dados, bem como na análise dos mesmos. De aco do com Luna (1997), a pesquisa
desc i i a é comummen e usada numa ase inicial da in es igação ou numa á ea que é no a, inexplo ada
ou sujei a a e isão.
3.2. Me odologia quali a i a
A me odologia ado ada é semp e um dos pon os impo an es na ealização de um abalho
cien í ico, pa a que o es udo seja alidado com o meno núme o de en iesamen os possí el e pa a
pe cebe se as conclusões e i adas podem se conside adas e dadei as. Pa a além disso, o mé odo
selecionado “signi ica a escolha de p ocedimen os sis emá icos pa a a desc ição e explicação de
enómenos” (Richa dson, 1999, p.29).
A me odologia quali a i a oi conside ada a mais adequada pa a es a in es igação, uma ez que
se p e ende ealiza um es udo em ampli ude e p o undidade, endo em is a a elabo ação de explicações
que alidem o caso es udado, econhecendo, no en an o, que os esul ados das obse ações se ão
semp e pa ciais (Ma ins, 2004). A me odologia quali a i a é ca ac e izada pelo es udo de enómenos
únicos ou do uncionamen o de sociedades es i as (Lima, 1971), e endo em con a que o ema do
assédio sexual ca ece ainda de explicação e ap o undamen o, a me odologia quali a i a é a melho opção
pa a o es udo des a emá ica.
14
Pa a além disso, a me odologia quali a i a, segundo P oe i (2018), iabiliza a in es igação de
ac os e a comp eensão dos mesmos endo em con a o con ex o em que oco em, uma ez que o
in es igado az o le an amen o de dados, analisa-os e comp eende a dinâmica des es. Po an o, pa a a
ob enção de um ela o mais pessoal das si uações em causa, ealiza -se-ão en e is as semies u u adas,
pe mi indo comp eende o enómeno i enciado pelos in e enien es (Fo in, 2009).
3.3. Público-al o/Amos a
No malmen e, as amos as nes e ipo de es udo são mais pequenas, pois sendo um es udo
explo a ó io e em p o undidade não a ia sen ido eco e a amos as de g ande ampli ude.
O público-al o é compos o po es udan es das uni e sidades po uguesas que enham so ido
compo amen os de assédio sexual no con ex o académico. A amos a selecionada, pode se conside ada
uma amos agem não-p obabilís ica uma ez que a população designada é mui o especí ica e de
disponibilidade limi ada. Es e c i é io de seleção de pa icipan es, o na-se ambém uma amos agem
po con eniência, pois se ão designadas pessoas que es ejam disponí eis e dispos as a pa icipa . Pa a
além disso, pode -se-á eco e à amos agem em bola de ne e, pedindo aos inqui idos pa a nomea
ou os que es ejam disponí eis a pa ilha a sua i ência. De e e i que, os pa icipan es se ão
igo osamen e in o mados dos obje i os da in es igação, bem como se á ga an ido o sigilo e o anonima o
dos dados o necidos. Impo an e ainda salien a que o es udo se á de pa icipação in ei amen e
olun á ia.
3.4. En e is as semies u u adas
A in es igação ganhou o ma a a és da écnica de en e is as semies u u adas, uma das mais
u ilizadas nes a me odologia e que é equen emen e emp egue com o obje i o de “iden i ica
sen imen os, pensamen os, opiniões, c enças, alo es, pe ceções e a i udes do en e is ado” (Guazi,
2021, p.2) ela i amen e a um ou a iados enómenos, o que oi o caso. No âmbi o de uma pesquisa
cien í ica, em que a na u eza do obje o de es udo exige in e ação en e in es igado e público-al o pa a
con ex ualiza as expe iências, i ências e sen idos, a en e is a ap esen a-se como uma écnica
adequada pa a a ob enção de in o mações das di e sas pa es en ol idas nos enómenos sociais,
o necendo dados pa a a comp eensão das elações en e os sujei os e o enómeno em análise (Oli ei a
e al., 2023). Po an o, a a és da ealização de en e is as semies u u adas se á possí el explo a o
que as pessoas podem es a a sen i e as suas ci cuns âncias.
As en e is as semies u u adas são ealizadas a a és de um conjun o de ques ões abe as p é-
de e minadas onde ou as ques ões podem su gi no deco e do diálogo en e o en e is ado e os
15
en e is ados. Es as ques ões adicionais, que podem eme gi ao longo da ealização da en e is a, êm
como obje i o an o cla i ica , como ob e in o mações complemen a es e mais ap o undadas a espei o
de algum aspe o do ela o do(a) en e is ado(a).
Assim, o guião da en e is a desen ol ido ( e Anexo I) é compos o po 15 ques ões, ha endo
ainda um conjun o de ques ões de ca a e ização sociodemog á ica. As á ias ques ões es ão
essencialmen e di ididas em 5 pa es, como se pode á e na abela abaixo: ca ac e ís icas
sociodemog á icas, assédio sexual (em con ex o académico): concei os, de inições e noções, desc ição
da expe iência de assédio sexual em con ex o académico, ges ão das emoções de i adas das
expe iências de assédio sexual e mecanismos de denúncia/Códigos de Condu a É ica. À p imei a pa e
co espondem ques ões de espos a di e a, que pe mi em ob e in o mações ela i amen e ao pe il dos
pa icipan es. Com as pe gun as da segunda pa e en a-se adqui i uma pe ceção da de inição de
assédio sexual que os en e is ados êm. Depois, as ques ões da e cei a pa e, eque em uma desc ição
da si uação de assédio sexual i enciada pelos pa icipan es. Na qua a pa e, inse e-se um conjun o de
ques ões em que os pa icipan es pode ão ela a a o ma como lida am com a si uação e como ge i am
as suas emoções. E po im, na quin a pa e, os en e is ados são con idados a pa ilha a pe ceção que
êm ela i amen e aos mecanismos de denúncia e Códigos de Condu a É ica das uni e sidades que
equen am.
Tabela 1 – Guião da en e is a (dimensões e ques ões)
Dimensão
Ques ões
Ca ac e ís icas sociodemog á icas
• Géne o
• Idade
• G au académico (Ano que equen am)
• Es abelecimen o de ensino
Assédio sexual (em con ex o académico):
concei os, de inições e noções
• Uma ez que não há apenas uma
de inição de assédio sexual e que pode
con igu a di e en es compo amen os, o
que é na sua pe spe i a o assédio sexual?
(Que compo amen os podemos
conside a de assédio sexual?)
22
And é
19
Masculino
Uni e sidade B
Uni e sidade B
Licencia u a
Gus a o
22
Masculino
Uni e sidade B
Uni e sidade B
Licencia u a
Jéssica
24
Feminino
Uni e sidade B
Uni e sidade C
Mes ado
B una
21
Feminino
Uni e sidade B
Uni e sidade B
Licencia u a
Ca olina
26
Feminino
Uni e sidade B
Uni e sidade B
Dou o amen o
Luísa
20
Feminino
Uni e sidade B
Uni e sidade B
Licencia u a
Tal como é indicado na li e a u a, o AS a inge mais as mulhe es e nes e con ex o as mais jo ens,
en e os 16 e os 24 anos (Guschke e al. 2019; Nas a e al., 2005). Es a endência oi con i mada na
p esen e in es igação, uma ez que a maio ia das pa icipan es de géne o eminino ela ou e i enciado
expe iências de AS em con ex o académico en e os 19 e os 25 anos.
Rela i amen e ao local, ou nes e caso à uni e sidade que os pa icipan es equen am e, po
conseguin e, na maio ia dos casos o local de oco ência do assédio, é de no a o p edomínio da
Uni e sidade B. Ou seja, a Bá ba a equen a a Uni e sidade A local onde ambém so eu de assédio,
mas a Jéssica, apesa de equen a à da a a Uni e sidade B, o assédio oco eu na Uni e sidade C,
enquan o ealiza a a Licencia u a.
Embo a não seja mencionado na abela, a nacionalidade dos pa icipan es, além do Ma eus, da
Tânia e do And é que são de nacionalidade b asilei a, os es an es são de nacionalidade po uguesa.
Também não se encon a na abela acima que apenas a Tânia habi a o a de Po ugal, nes e caso em
Espanha.
4.2. Assédio sexual em con ex o académico: Explo ando as pe ceções em elação
ao concei o
Ao analisa as de inições de assédio sexual o necidas pelos en e is ados, obse am-se
semelhanças e di e gências nas pe ceções en e pa icipan es de di e en es géne os. Essas di e enças
e le em não apenas as di e sas expe iências pessoais, mas ambém a manei a como o assédio sexual
é en endido e abo dado po homens e mulhe es. Es udos an e io es, como o de Wamoyi e al. (2022),
indicam que as de inições de assédio sexual endem a a ia en e géne os, e idenciando pe ceções
dis in as sob e o que cons i ui es e enómeno. Além disso, é amplamen e econhecido que não exis e
uma de inição uni e salmen e acei e pa a o e mo (Ca s ensen, 2016; Fapohunda, 2014), o que implica

23
que o que alguns conside am assédio, ou os podem não econhece como al. No en an o, no p esen e
es udo, as de inições o necidas pelos pa icipan es mos a am-se su p eenden emen e consis en es,
com uma con e gência signi ica i a nos aspe os mencionados, e elando um en endimen o comum
sob e o que é conside ado assédio sexual e suge indo uma pe ceção cole i a pa ilhada pelos
en e is ados. Es es esul ados ambém con adizem es udos an e io es que e e em di e enças de
géne o signi ica i as nas pe ceções do assédio sexual (Eko e, 2012; Ro undo e al., 2001).
De modo ge al, há um en endimen o pa ilhado en e os pa icipan es de que o assédio sexual
en ol e compo amen os que causam descon o o e in adem o espaço pessoal, seja a a és de oques,
olha es ou comen á ios. Independen emen e do géne o, a maio ia conco da que o descon o o da í ima
é o p incipal indicado de assédio, uma ideia apoiada po Ca s ensen (2016), que de ende que odos os
compo amen os o ensi os que p o oquem descon o o de em se conside ados assédio sexual. Nesse
sen ido, an o apazes como apa igas econhecem que o assédio sexual é, acima de udo, uma in asão
ao bem-es a da í ima, com a Bá ba a a i mando que
“Podemos conside a o assédio sexual qualque
ipo de compo amen o que aça a í ima sen i -se descon o á el”
(Bá ba a, 20 anos). A Tânia des aca
que,
“É mui o mais sob e o meu sen i em elação às si uações, o quan o incomodada eu ico”
(Tânia,
38 anos). A B una complemen a,
“A pa i do momen o em que a pessoa se sen e cons angida ou
descon o á el, pode começa a e consciência de que es á a se assediada”
(B una, 21 anos), enquan o
a Leono a i ma que o assédio sexual en ol e
“Uma en a i a cons an e de en a nesse espaço”
(Leono ,
27 anos). En e os apazes, o And é econhece que o assédio
“Oco e quando há um espasse de limi es
do espaço indi idual um do ou o”
(And é, 19 anos), e o Gus a o sublinha que
“Assédio sexual é quando
alguém en a in adi o nosso espaço”
(Gus a o, 22 anos).
Qualque compo amen o que ge e descon o o é conside ado assédio, des acando-se ambém
a insis ência após uma ecusa como a o que ag a a a si uação. Es a pe sis ência é is a como uma
cla a mani es ação de des espei o pelos limi es da ou a pessoa (Ca ensen, 2016). Pa a alguns dos
en e is ados, o assédio sexual o na-se e iden e quando há uma pe sis ência em compo amen os
indesejados, mesmo depois de a í ima e deixado cla o que não es á in e essada. Essa insis ência é
is a como um sinal cla o de des espei o pelos limi es da ou a pessoa, ans o mando a si uação
po encialmen e ino ensi a em uma expe iência de assédio. A Vanda e e e que,
“Pode se a enção, ou
ges os que não são desejados po i e que acon ecem e con inuam após u escla ece es que não são
desejados po i”
(Vanda, 24 anos), enquan o a Le ícia conco da ao a i ma que,
“Na minha pe spe i a
assédio sexual é pe u ba alguém de o ma insis en e”
(Le ícia, 24 anos). Já a Leono e o ça que,
24
“Assédio sexual é qualque ipo de con ac o ou a anços sem que a pessoa dê algum sinal de que é
ecíp oco, de que há algum in e esse, e pio ainda no caso de insis ência após a ecusa”
(Leono , 27
anos). O And é ac escen a que o assédio oco e quando
“A ou a pessoa em um limi e, e mesmo depois
de dize não, o compo amen o pe sis e”
(And é, 19 anos). A B una ambém sublinha que,
“Se o
eco en e, insis en e po pa e do abusado quando a í ima já i e negado ou pe manecido indi e en e,
aí sim, é uma o ma de assédio”
(B una, 21 anos).
Ou o pon o em comum, e al como a i mado no abalho de Alonso (2022), é a no malização
de ce os compo amen os na sociedade que mui as ezes são igno ados ou acei es como no mais.
Tan o os apazes como as apa igas exp essam que essa no malização di icul a a iden i icação e a
denúncia do assédio sexual, pe pe uando um ciclo de abuso silencioso. A Vanda menciona que
“Há
ce as coisas dessas que são mais mic o e con inuam a pe u ba as pessoas que são al os disso”
(Vanda, 24 anos). O Ma eus obse a que es a no malização se o na e iden e ao pe cebe a g a idade
do que es emunhou:
“Um p o esso aze com os homens”
(Ma eus, 35 anos). A Le ícia ac escen a que
“Há coisas que já são ão ulga izadas que, in elizmen e, já passam despe cebidas”
(Le ícia, 24 anos),
enquan o a Tânia e o ça que
“Assédio sexual é na u alizado, sim”
(Tânia, 38 anos). A Jéssica des aca
que,
“Além de se uma p á ica comum, nós ap endemos, inconscien emen e, a des alo iza aqueles
a os, aquelas o mas de es a ”
(Jéssica, 24 anos). A B una salien a que
“Mui os dos compo amen os
de assédio são des alo izados po se em idos como ‘no mais’, po acon ece em ão sis ema icamen e
ou po se em apa en emen e ‘ino ensi os’”
(B una, 21 anos), e a Ca olina ac escen a que
“Há
compo amen os no malizados (…) sob a o ma de comédia”
(Ca olina, 26 anos). Assim, a no malização
des es compo amen os o na-se um desa io signi ica i o pa a as í imas que p ocu am ajuda e
en en am a ealidade do assédio.
Num es udo ealizado po He e al. (2024), é a i mado que em ge al os es udan es do ensino
supe io conside am o con ac o ísico g a e como AS, enquan o comen á ios ou piadas elacionados com
o sexo, po exemplo, não se enquad am na ca ego ia de AS. No en an o, é aqui que as di e gências nas
de inições começam a su gi . Enquan o He e al. (2024) gene aliza que as de inições dos es udan es se
ocam mais no uso de o ça ísica, aqui, es e aspe o, apenas se e i ica nas de inições o necidas pelos
pa icipan es do géne o masculino. Os apazes equen emen e associam o assédio sexual à p esença
de o ça ísica ou emocional, en a izando que o pode ou a coação são elemen os essenciais pa a
ca ac e iza uma si uação como assédio. O Ma eus a i ma que,
“Assédio sexual, pa a mim, em de e
ou o ça ísica ou o ça emocional, eu acho que é isso que ma ca o assédio”
, ac escen ando ainda que
25
não ac edi a que possa ha e assédio
“Se há igualdade, pa idade en e as pessoas”
(Ma eus, 35 anos).
Pa ilhando de uma isão semelhan e, o Gus a o a i ma que o assédio
“Pode acon ece isicamen e,
quando a pessoa nos oca sem consen imen o, compo amen os coe ci os, como ameaças e/ou algum
ipo de hos ilidade”
(Gus a o, 22 anos).
Em con as e, as apa igas endem a en a iza a subje i idade da expe iência de assédio e a
ado a de inições mais ab angen es, que incluem olha es e comen á ios, como demons ado no es udo
de Gu ek (2010). A Bá ba a a i ma que
“Podemos conside a o assédio sexual qualque ipo de
compo amen o desde oques a comen á ios, a olha es”
(Bá ba a, 20 anos), uma isão apoiada pela
Vanda, que menciona
“Compo amen os, ges os, oques, olha es”
(Vanda, 24 anos). A Le ícia dis ingue
en e assédio e bal e ísico, e e indo-se a
“Pi opos indesejados, ocadilhos sexuais e ou os, e o assédio
sexual ísico, em que há oques indesejados, apalpões, uso de o ça e iolência”
(Le ícia, 24 anos). A
Tânia sublinha a impo ância do con ex o e do sen imen o pessoal, a i mando que o assédio é
“Mais
como eu me sin o numa de e minada si uação do que exa amen e as pala as ou os olha es”
(Tânia, 38
anos). A B una conside a o AS
“Todo o ipo de compo amen o, que seja e bal ou ísico”
(B una, 21
anos), enquan o a Ca olina des aca que o con ac o ísico, mesmo sem oco e ,
“Incomoda-me mais do
que, po exemplo, comen á ios ou pi opos”
(Ca olina, 26 anos).
Ou o pon o de di e gência é a o ma como a in asão do espaço pessoal é en endida. De um
modo ge al, as mulhe es são mais p opensas a conside a ce os compo amen os como assédio sexual,
uma conclusão que pode se explicada pelas di e enças en e os géne os na expe iência do assédio
sexual (S udzińska, 2016; Be dahl & Aquino, 2009; LaRocca & K om ey, 1999; Bu sik, 1992). Enquan o
os en e is ados de géne o masculino ge almen e ocam-se em compo amen os ísicos, como oques
sem consen imen o, as pa icipan es de géne o eminino incluem ambém olha es e pala as, indicando
que o assédio sexual pode se ão sub il quan o in asi o. Pa a o Ma eus, o assédio sexual
“Tem que e
o ça ísica”
(Ma eus, 35 anos), e o Gus a o ac escen a que
“Pode acon ece isicamen e, quando a
pessoa nos oca sem consen imen o”
(Gus a o, 22 anos). Em con as e, a Leono e e e que
“Já se
o nou ão comum ha e esses comen á ios (pi opos)”
, (Leono , 27 anos) e a Jéssica obse a que
“Mui as ezes assédio sexual es á lá e u só pe cebes quando se o na ísico”
(Jéssica, 24 anos). A Luísa
amplia ainda mais a de inição, mencionando que
“Há á ios compo amen os desadequados que se
enquad am na de inição de assédio sexual, como olha es, comen á ios, con e sas…”
(Luísa, 20 anos).
Po an o, com base nas pe ceções dos en e is ados, o assédio sexual pode se qualque
compo amen o indesejado de na u eza sexual que cause descon o o ou cons angimen o à í ima. Pode
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mani es a -se a a és de pala as, ges os, olha es, oques ou ou as o mas de in e ação, especialmen e
quando há uma insis ência em a ança após a ecusa ou quando esses compo amen os in adem o
espaço pessoal da í ima. O assédio sexual não se es inge a a os ísicos, podendo ambém se e bal
ou emocional, e é equen emen e no malizado pela sociedade, o nando di ícil a sua iden i icação ou
denúncia. Es a de inição p ocu a cap u a an o as semelhanças quan o as di e gências nas pe spe i as
de odos os en e is ados, ab angendo os di e sos aspe os e nuances que o am mencionados. Re le e
ambém a complexidade do enómeno do assédio sexual, demons ando que, embo a exis am elemen os
comuns, as expe iências indi iduais e as pe ceções de cada géne o podem in luencia signi ica i amen e
como o assédio é en endido e in e p e ado.
4.3. Desc ição da expe iência de assédio sexual em con ex o académico
Nes a ase da análise, se ão explo adas as expe iências de assédio sexual i enciadas pelos
en e is ados, com oco nos compo amen os que desc e em e sido al o. Se ão ambém iden i icados
os p incipais ag esso es, nomeadamen e se os casos en ol em colegas ou igu as de au o idade, como
p o esso es, écnicos, uncioná ios ou ou os indi íduos de pode . Es a análise pe mi i á ambém uma
compa ação en e as i ências eais dos pa icipan es e as suas p óp ias de inições de assédio sexual,
e elando e en uais dispa idades en e o que conside am assédio e o que e e i amen e expe iencia am.
Ao explo a esses elemen os, se á possí el comp eende melho a complexidade e as nuances do assédio
sexual no con ex o académico.
Ao analisa as expe iências de assédio sexual ela adas pelos pa icipan es, é possí el iden i ica
á ios compo amen os pe u bado es, que a iam desde comen á ios desag adá eis a oques ísicos e
ag essões. As desc ições des acam não apenas o impac o emocional das ações, mas ambém a na u eza
eco en e de ce os compo amen os, em pa icula en e as mulhe es, e o uso de dinâmicas de pode
po pa e dos ag esso es.
Uma g ande pa e da ida dos jo ens passa-se em pla a o mas online. As edes sociais
cons i uem um elemen o essencial da ida social dos jo ens. No en an o, a In e ne ambém in oduziu
no as o mas de i imização, como o assédio sexual online
(Nielsen e al., 2024). Exemplo disso é a
Bá ba a que desc e e uma si uação em que oi adicionada a um g upo de mensagens, onde a insul a am
com e mos pejo a i os, como “po ca”. A o ma como o insul o oi di ecionado e ela o uso de linguagem
o ensi a pa a des abiliza emocionalmen e a í ima:
“Fui adicionada a um g upo com o in ui o que, a é
hoje não pe cebi, e quando ui e as mensagens an e io es es a am a chama -me de po ca lá”
(Bá ba a,
20 anos). Es e ipo de linguagem des espei osa, usada como meio de humilhação pública ou p i ada, é
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uma o ma de assédio e bal que pode c ia um ambien e óxico, especialmen e quando pe pe uado po
colegas, como oi o caso.
Mui as ezes, o assédio sexual oco e en ol endo comen á ios, a anços, elogios indesejados ou
insul os, comen á ios insinuan es ou dep ecia i os ou pala as du as de na u eza sexual. Os pi opos ou
p opos as não solici adas são uma o ma de e elação e bal sexual e êm um impac o nega i o na ida
da í ima. Embo a não deixe p o as ísicas ão ób ias como uma ag essão ísica, o seu impac o pode se
igualmen e p ejudicial pa a a í ima (Mamba e al., 2024). A Luísa, po exemplo, ela a um
acon ecimen o em que, uma ez na pa agem de au oca o da uni e sidade oi abo dada po um apaz:
“Es a a na pa agem de au oca o da uni e sidade quando um apaz, que eu não conhecia de lado
nenhum, me pe gun ou se po 50
€
que ia i com ele”
(Luísa, 20 anos). Já a Le ícia, desc e e um
inciden e em que oi assediada enquan o abalha a numa ba aca du an e uma es i idade académica:
“Um dos jo ens alou pa a mim e eu sem pe cebe o que ele disse cheguei o meu ou ido a ele e numa
ques ão de segundos en ol eu o b aço no meu pescoço e en ou beija -me”
(Le ícia, 24 anos). Es e ipo
de compo amen o é ex emamen e comum nas expe iências emininas ela adas, e mesmo em con ex o
públicos ou sociais, onde a p esença de ou as pessoas não impede o escala pa a con ac os ísicos
indesejados.
Uma e amen a que as í imas podem u iliza nessas si uações é o con on o, seja po meios
e bais ou ísicos. No en an o, ainda há poucas in es igações sob e como os ag esso es eagem a esse
con on o, o que é c ucial pa a de e mina se es a es a égia é e icaz pa a as í imas. Além disso, an o
homens como mulhe es podem ap esen a a i udes p oblemá icas em elação ao consen imen o e à
ejeição sexual eminina, o que mui as ezes le a à incomp eensão ou des alo ização das ecusas. Po
ou as pala as, as ecusas sexuais po pa e das mulhe es são, po ezes, silenciadas ou igno adas
(Mason, 2023; C owley, 2022).
Den o desse p isma, a Vanda ela a um e en o pa icula men e pe u bado , onde en ou deixa
cla o que não es a a in e essada, mencionando ainda que inha namo ado. Po ém, os ag esso es
igno a am-na, o iginando uma si uação de assédio sexual ísico:
“Eles começa am a aga a -me, eu en ei
sol a -me, ainda me consegui am apalpa (um deles mo deu-me a ca a)”
(Vanda, 24 anos). De igual
o ma, ou os ela os e idenciam a pe sis ência do ag esso , mesmo dian e da esis ência da í ima. A
Leono desc e e como, mesmo en ando a as a -se, oi aga ada isicamen e:
“Eu en a a puxa o meu
b aço pa a mim, mas ele inha ealmen e mais o ça do que eu e es a a a en a beija -me”
(Leono , 27
anos). A ag essão ísica ambém se mani es a em si uações de oque não consen ido, como no ela o da

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B una, que con a:
“Começou po pega -me na mão e pedi -me ab aços e beijos, os quais eu ecusei…
começou a apalpa -me com uma mão enquan o me ape a a con a ele e a insis i que o beijasse”
(B una, 21 anos).
Ou o exemplo des e pad ão pode se encon ado na expe iência da Jéssica, em que um colega
a seguiu a é à po a de casa, insis indo em acompanhá-la apesa das suas en a i as de ejeição. A
pe sis ência do ag esso e o des espei o pelos limi es da en e is ada culmina am numa en a i a de
con ac o ísico não consensual:
“Aga ou-me no b aço”
, (Jéssica, 24 anos). A o ma como es e ipo de
compo amen os são no malizados, an o em si uações sociais como académicas, é e elado a de um
pad ão de des espei o pelos limi es pessoais das í imas.
Do pon o de is a masculino, ambém há expe iências de assédio sexual, embo a as
ci cuns âncias possam di e i em e mos de dinâmicas de pode . O And é desc e e um caso de assédio
homo óbico, em que colegas ques iona am a sua o ien ação sexual e o assedia am isicamen e num
balneá io:
“Que iam es a -me e começa am a pô a mão naquela egião. Eu alei ‘pa a’, mas eles
con inua am”
(And é, 19 anos). Nes e caso, o en e is ado desc e e como a insis ência e o des espei o
dos seus colegas esul a am numa o ma de humilhação e de p essão emocional. Du an e uma si uação
humilhan e em que es á p esen e uma es emunha, é p o á el que a í ima se sin a impo en e, pequena
e in e io e que sin a que os seus limi es o am ul apassados (Li e al., 2024). O oque ísico não
consensual oi ambém desc i o pelo pa icipan e como algo que ul apassou os seus limi es pessoais,
ge ando descon o o, e e le indo o impac o psicológico que es as expe iências podem e .
Mui os a igos discu em como homens podem se o çados a a os sexuais a a és de ameaças
ísicas, e como a di e ença ísica en e ag esso e í ima é equen emen e usada como e amen a de
in imidação. O es udo de Pe e sson e Plan in (2019) abo da essa dinâmica, sublinhando como o assédio
sexual en e homens pode en ol e ag essões ísicas g a es, especialmen e quando há dispa idades
ísicas e iden es. A si uação i enciada pelo Gus a o, demons a como o assédio en e homens pode
escala pa a ag essões ísicas g a es:
“Fui abo dado po um aluno mais al o e com uma cons i uição
ísica bem maio do que a minha que exigiu que, pa a sai da casa de banho, lhe izesse uma o al”
(Gus a o, 22 anos). Es e ipo de assédio e le e uma dinâmica de pode cla a, onde a di e ença ísica
en e o ag esso e a í ima oi explo ada pa a en a o ça um a o sexual.
Po ou o lado, o uso de pode ins i ucional ambém es á p esen e nas expe iências dos
pa icipan es. O abuso de pode e e e-se ao uso inadequado de au o idade pa a p ejudica ou con ola
ou a pessoa. Isso pode oco e quando alguém usa a sua posição pa a in luencia injus amen e ques ões
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como nomeações, p omoções ou a aliações de desempenho. Além disso, pode en ol e a c iação de
um ambien e de abalho hos il, eco endo a in imidação, ameaças ou coe ção, especialmen e g a e
quando associado a disc iminação ou assédio, como o assédio sexual (Ge ado , 2024). O Ma eus ela a
uma si uação de um p o esso , que numa posição de au o idade, azia ca ícias sub is du an e os
es es/exames, di icul ando a eação dos alunos:
“Du an e a p o a ele inha aze ca ícias aos alunos, e
como es á amos ali em a i idades e em p o a e a di ícil de ques iona ”
(Ma eus, 35 anos).
Já a Tânia, desc e e uma expe iência de assédio mani es ada a a és de olha es e comen á ios
inap op iados po pa e de p o esso es e ou os uncioná ios da ins i uição. Esses olha es e comen á ios
acaba am po es a elacionados com a sua nacionalidade b asilei a, masca ados como comen á ios
cul u ais, que dis a ça am as in enções sexuais:
“Uma que é mui o ípica com a gen e b asilei a é eles
que e em ala ‘b asilei o’, po uguês do B asil”
(Tânia, 38 anos). Também a Ca olina pa ilhou uma
expe iência semelhan e, em que um écnico, ambém em posição de au o idade, começou com
comen á ios apa en emen e ino ensi os, mas que e oluí am pa a um compo amen o isicamen e
in usi o:
“P imei o começou assim, sabes com comen á ios, po exemplo ‘não ens calo ? Não que es
i a o casaco?’, coisas desse géne o”
(Ca olina, 26 anos). O assédio a ingiu o seu auge quando o écnico
en ou
“Sen a -se connosco na mesma cadei a e passa as mãos nas pe nas”
(Ca olina, 26 anos),
cla amen e ul apassando qualque limi e acei á el de compo amen o. Aqui, o con ex o académico e o
abuso de pode c ia am uma si uação em que os alunos se sen iam incapazes de con es a o
compo amen o inadequado. Es a expe iência e le e como o assédio sexual pode se pe pe uado po
aqueles em posições de au o idade, e o çando a ulne abilidade dos alunos e c iando um ambien e de
impunidade (Ba bosa e al., 2024).
Ao compa a as expe iências en e os géne os, e i icou-se que as mulhe es, em ge al, en en am
assédios mais equen es e pe sis en es em di e sos con ex os, que sociais, que académicos. A
na u eza do assédio é equen emen e sexualizada e baseada no des espei o con ínuo pelos seus limi es.
Já os homens endem a ela a menos inciden es, mas, quando os desc e em, o assédio é
equen emen e ligado à o ça ísica ou ao ques ionamen o da sua o ien ação sexual, como oi o caso do
Gus a o e do And é, espe i amen e.
Finalmen e, em e mos de ag esso es, há uma p eponde ância de colegas ou conhecidos en e
os assediado es, como e idenciado pela Bá ba a, pela Vanda, pela Le ícia, pela Leono , pelo And é, pela
Jéssica, pela B una e pela Luísa. No en an o, há ambém menções a p o esso es ou ou os indi íduos
em posições de pode , como écnicos ou uncioná ios, que u ilizam a sua posição de au o idade pa a
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pe pe ua assédio, al como desc i o pelo Ma eus, pela Tânia e pela Ca olina. Es a obse ação co obo a
o es udo de Shah e Gu (2020), que demons a que, em con ex os académicos, os ag esso es mais
comuns de assédio sexual são colegas ou conhecidos, ao con á io do que se pode ia espe a de igu as
em posições de maio au o idade. O assédio sexual ela ado pelos pa icipan es a ia em g a idade e
con ex o, mas, independen emen e do géne o, e le e-se um pad ão de des espei o pelos limi es
pessoais, uso de pode e dinâmicas de con ole emocional e ísico. A in e secção en e pode , o ça e
ulne abilidade eme ge como uma linha condu o a nas di e en es o mas de assédio sexual que oco em,
an o no ambien e académico, como nou os espaços sociais.
Ao analisa as expe iências dos en e is ados, no ou-se ambém algumas co elações com as
de inições que os mesmos inham o necido de assédio sexual. Es udos indicam que as expe iências
pessoais podem molda a o ma como os indi íduos de inem e in e p e am o assédio sexual. Po
exemplo, as mulhe es, p incipalmen e, que en en a am assédio es ão mais a en as a compo amen os
disc imina ó ios, sendo assim mais p opensas a epo a ais expe iências, o que, po sua ez, in luencia
as suas de inições de assédio, baseadas em i ências pessoais (Howa d e al., 2024; Bu n, 2019).
A Bá ba a e a Tânia ap esen am de inições mais ab angen es de assédio sexual, cen ando-se
no descon o o e nos compo amen os indesejados, como oques, comen á ios ou olha es, que se
alinham com as suas expe iências pessoais de assédio. Já a Le ícia e a B una eem o assédio sexual
como compo amen os ísicos e e bais pe u bado es, o que ambém e le e as si uações que
i encia am. A Vanda, a Leono , o And é e o Gus a o, po ou o lado, dão ên ase à insis ência e à in asão
do espaço pessoal, des acando como a pe sis ência de compo amen os inadequados é cen al nas suas
expe iências de assédio. O Ma eus e a Ca olina abo dam o assédio em con ex os académicos e
p o issionais, des acando os compo amen os abusi os e des espei osos que expe iencia am nesses
ambien es. Finalmen e, a Jéssica e a Luísa discu em a na u alização de compo amen os de assédio,
e le indo em como si uações que são mui as ezes is as como no mais podem, na e dade, se o mas
sub is e in asi as de assédio. As suas de inições es ão, assim, p o undamen e in luenciadas pelas
expe iências pessoais que ela am.
As de inições de assédio sexual a iam en e os pa icipan es, e le indo di e enças nas o mas
como pe cebem e expe ienciam o assédio (Almas i e al., 2024). Enquan o alguns ocam mais em oques
ísicos e comen á ios, ou os conside am a in enção e o impac o emocional como cen ais pa a a
de inição. Es as mesmas de inições, de o ma ge al, co elacionam-se com as expe iências desc i as. No
en an o, as di e gências nas de inições suge em uma comp eensão subje i a e pessoal do assédio,
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in luenciada pelos con ex os especí icos e pelas expe iências indi iduais. De ac escen a , a co elação
en e de inições e expe iências ajuda a ilus a como o assédio sexual se pode mani es a de á ias
o mas e se in e p e ado de manei as di e en es, dependendo do con ex o e da pe spe i a da í ima.
4.4. Ges ão das emoções de i adas das expe iências de assédio sexual
O AS é um p oblema complexo que p ejudica os es udan es, a comunidade, a cul u a e o sucesso
das ins i uições de ensino supe io . No que conce ne às emoções deco en es das expe iências de
assédio sexual i enciadas pelos en e is ados, cinco sen imen os se des aca am de o ma ma can e: o
medo, a ansiedade, o pânico, a impo ência pa a eagi e a en a i a de esquece o oco ido. Esses
sen imen os e le em o impac o p o undo e du adou o que ais expe iências podem e sob e as í imas,
e idenciando a complexidade emocional en ol ida e as es a égias de
coping
pa a lida com o auma. A
análise dos es emunhos sob e a ges ão das emoções após si uações de assédio, e elam ambém o a
con e gências o a di e gências en e as eações de mulhe es/ apa igas e homens/ apazes.
O impac o do assédio sexual na saúde men al inclui ansiedade, baixa au oes ima ou
pe u bações/a aques de pânico (Ka ami e al., 2020), que ambém o am expe ienciados po alguns
dos pa icipan es des e es udo. De modo ge al, ambos géne os pa ilham sen imen os de ansiedade e
impo ência, indicando que es as emoções são uni e sais e e le em a ulne abilidade e a di iculdade em
lida com si uações de assédio. A Bá ba a e a Leono ela am e sen ido ansiedade no deco e e após
as suas expe iências de assédio sexual –
“Mui a ansiedade”
(Bá ba a, 20 anos);
“Eu sen ia-me mui o
ansiosa”
(Leono , 27 anos). A Vanda ac escen a, mencionando e -se sen ido claus o óbica e com
“Mui a ansiedade e medo em encon a essas pessoas”
(Vanda, 24 anos). O And é e o Gus a o ela am
sen imen os de desespe o e impo ência –
“Eu sen i-me desespe ado”
(And é, 19 anos);
“Sen i-me
impo en e pe an e mais uma si uação de assédio que so i não e conseguido aze absolu amen e nada”
(Gus a o, 22 anos). A Jéssica desc e e ambém e sen ido pa alisia, jun amen e com
“Uma impo ência
mui o g ande, e a como se não i esse o ça”
(Jéssica, 24 anos).
Tan o apa igas como apazes mencionam sen imen os de nojo e descon o o, con o me é
ap esen ado nas in es igações de K ause e Radomsky (2021) e Fas ing e al. (2007), o que ap esen a
uma epulsa p o unda pe an e o assédio e o impac o emocional signi ica i o que es e enómeno causa.
O Ma eus usa a pala a “nojo” pa a desc e e a sua eação:
“Não se sen e nem ai a, é só nojo”
(Ma eus,
35 anos), enquan o a Leono exp essa sen i -se
“Acima de udo sen i-me e ol ada, enojada com os
compo amen os que i e de so e ”
(Leono , 27 anos). No caso da Ca olina e da Luísa, ambas
exp essam e -se sen ido descon o á eis com as si uações.
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Além dos documen os no ma i os, a Uni e sidade B disponibiliza de um mecanismo de denúncia
pa a casos de assédio. Após o su gimen o do g ande núme o de casos, pa a além da elabo ação do
guia, oi ambém elabo ado ou o documen o com es a égias de p e enção de assédio a se
implemen adas nos p óximos anos. En e elas, es ão nomeadas a c iação de um código de condu a pa a
a p e enção do assédio na Uni e sidade B, o desen ol imen o de uma es a égia de comunicação global
que omen e uma cul u a de in o mação, omada de consciência, isibilidade, anspa ência,
esponsabilização e comp omisso, capaci ação da comunidade académica pa a econhece , p e eni e
esponde a qualque si uação de assédio, e a c iação de um mecanismo de denúncia ins i ucional,
pe mi indo o epo e anónimo e/ou a queixa o mal. Adicionalmen e, os es udan es podem ela a os
casos en iando um e-mail pa a o gabine e de Psicologia da uni e sidade.
Mui os dos en e is ados desconhecem a exis ência do código, sendo con i mado pela Leono ,
pelo And é e pela B una –
“Que eu me lemb e, nem sabia da exis ência de al código”
(Leono , 27 anos);
“Pessoalmen e não li, nem sabia da exis ência desse código”
(And é, 19 anos);
“Desconhecia a é da
exis ência de um Código de Condu a É ica”
(B una, 21 anos) – e dos mecanismos de denúncia
o e ecidos pela uni e sidade, como comen am a Le ícia e a Luísa –
“Não epo ei a é po que não inha
conhecimen o de nenhum mecanismo”
(Le ícia, 24 anos);
“Não, na e dade não sei se exis em seque
mecanismos de denúncia”
(Luísa, 20 anos).
A al a de con iança na e icácia dos mecanismos de denúncia e a pe ceção de que o p ocesso
não se ia bené ico são azões comuns pa a a não denúncia. Mui os es udan es ac edi am que epo a
a si uação pode ia pio a o cená io, con o me indica a Vanda:
“Acho que ia o na a si uação pio , não
ejo como esul a ia”
(Vanda, 24 anos). A Tânia exp essa uma descon iança gene alizada na ins i uição,
a i mando:
“Eu sei que não ai da em nada, não con io em qualque coisa den o da uni e sidade em
elação a isso, en ão acho que não ai adian a aze nada”
(Tânia, 38 anos). O Gus a o ambém apon a
a al a de con iança como um a o c ucial, a i mando que,
“A si uação não oi epo ada pela al a de
con iança na e icácia da ins i uição”
(Gus a o, 22 anos).
Alguns dos en e is ados exp essam eceio de que epo a o assédio possa esul a em
e aliações ou num escala das si uações, p incipalmen e quando se a a de pessoas com maio
hie a quia ou a é mesmo colegas de u ma. A Tânia, po exemplo, sen e que
“Quem ai sai pe dendo
sou eu po que eu sou o lado aco da coisa”
(Tânia, 38 anos), enquan o o Gus a o e o And é mencionam
e e gonha da si uação e e
“Medo das possí eis consequências po epo a um aluno”
(Gus a o, 22
anos), e
“Medo de me expo assim pa a os supe io es da uni e sidade”
(And é, 19 anos). A Ca olina

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ac escen a que
“Nós não a i amos nenhum mecanismo de ale a a é po que ínhamos eceio das
epe cussões que podiam ad i daí”
(Ca olina, 26 anos). Esse medo pode se exace bado pela al a de
in o mação cla a sob e onde e como aze uma denúncia.
Os pa icipan es ambém mencionam a al a de o ien ação adequada sob e os p ocedimen os
de denúncia, o que con ibui pa a a sua hesi ação em ela a casos de assédio. Mui os deles não sabiam
pa a quem se di igi ou não inham con iança de que a uni e sidade oma ia medidas e icazes. Po
exemplo, o Ma eus comen ou que se di igi ia à coo denação, ainda que achasse que
“Não se ia o mais
co e o, mas se ia semp e a coo denação”
(Ma eus, 35 anos). O Gus a o a i ma que
“Não penso que
saiba a quem me di igi pa a ap esen a uma possí el denúncia de assédio sexual”
(Gus a o, 22 anos),
es ando de aco do com a Luísa que ambém não sabe
“Se exis em seque mecanismos de denúncia ou
sob e onde me desloca pa a a aze ”
(Luísa, 20 anos). Da mesma opinião, a Leono menciona que
“Na
al u a, eu se não i esse ido con ac o com alguém imedia amen e eu e ia icado comple amen e à no a
do que aze , p o a elmen e nem inha ei o nada”
(Leono , 27 anos). O And é e a B una exp essam
alguma p eocupação com a al a de in o mação, ou a pa ilha dela, ace ca dos mecanismos de denúncia.
O And é obse a que
“Desde o meu p imei o dia cá a é ago a nenhum p o esso ou ou o alguém alou
como é que e a o p ocesso, nunca ui o ien ado pa a al”
(And é, 19 anos), sendo o mesmo des acado
pela B una, que a i ma:
“Nunca i qualque ipo de in o mação sob e o assun o a é hoje”
(B una, 21
anos). Além disso, a B una, jun amen e com a Ca olina, mani es a am alguma al a de con iança, com
a Ca olina a i mando que,
“Não acho de odo que a uni e sidade dá abe u a”
(Ca olina, 26 anos), e a
B una ac escen a que
“Ainda hoje não imagino a uni e sidade a da abe u a es e ipo de si uações”
(B una, 21 anos).
Em algumas ocasiões, os es udan es mencionam a al a de apoio e de ações conc e as po pa e
da uni e sidade quando en a am p ocu a ajuda ou escla ece a si uação. Es e oi o caso da Leono
que, apesa de e en en ado di iculdades na p ocu a de apoio, oi a única pa icipan e a en a o maliza
uma denúncia. Ela eco da,
“Eu lemb o-me mesmo de en a com *escola da pa icipan e* a en a e
se eles me conseguiam a anja manei a de e acesso à lis a de alunos de *cu so do ag esso *… Mas
não hou e algum ipo de apoio”
(Leono , 27 anos).
Po an o, a análise e ela uma necessidade u gen e de melho a a comunicação sob e os
mecanismos de denúncia e de assegu a que os alunos es ejam cien es das polí icas e dos ecu sos
disponí eis. A anspa ência e a e icácia na ges ão de casos de assédio sexual são essenciais pa a c ia
um ambien e segu o e de apoio den o da uni e sidade. A al a de con iança na ins i uição e al a de
40
in o mação cla a são ba ei as signi ica i as que de em se abo dadas pa a ga an i que odas as
denúncias sejam a adas com se iedade e que as í imas ecebam o supo e necessá io.
c) Uni e sidade C
Na Uni e sidade C, exis em dois códigos, o Código de Condu a e o Código de Boas P á icas e
Condu a, onde ambos es abelecem um conjun o de no mas que isam p omo e um ambien e
académico segu o e espei oso. Es es códigos explici am a ob igação dos es udan es de con ibuí em
pa a a ha monia e in eg ação da comunidade académica, ejei ando qualque o ma de disc iminação,
in imidação, humilhação e assédio.
No Código de Condu a especi ica-se que os es udan es de em p ese a a hon a, a libe dade, a
in eg idade ísica e mo al e a ese a da ida p i ada de odos os memb os da comunidade académica,
enunciando qualque a o de disc iminação, in imidação, humilhação ou assédio. No Código de Boas
P á icas e Condu a, é e o çada a necessidade de um ambien e de libe dade e espei o mú uo,
especialmen e du an e as a i idades de in eg ação académica, com uma ên ase explíci a na enúncia ao
assédio. Es as de inições de assédio sexual não são de alhadas de o ma especí ica, sendo abo dadas
de o mas mais amplas no con ex o de espei o e dignidade.
A al a de conhecimen o sob e os mecanismos de denúncia disponí eis na Uni e sidade C é um
pon o c í ico ap esen ado pela en e is ada. A Jéssica admi e não sabe onde pode ia aze uma denúncia
den o da ins i uição,
“Não aço a mínima ideia. Isso de e se mui o mau, não é? Não aço a mínima
ideia”
(Jéssica, 24 anos)
,
e econhece a al a de isibilidade e cla eza sob e esses ecu sos. Apesa de
exis i um canal de denúncias in e no con idencial e anónimo, a al a de in o mação acessí el con ibui
pa a a hesi ação em denuncia casos de assédio. A pa icipan e exp essa o medo de se mal in e p e ada
e de so e epe cussões nega i as – sen imen os comuns en e í imas de assédio sexual – onde a
mesma admi e que,
“Eu não epo ei po que eu inha e gonha de se mal in e p e ada, e inha e gonha
de ica no papel em que as í imas é que são as más da i a. Eu não es a a pa a lida com epe cussões”
(Jéssica, 24 anos).
De ac escen a ainda que, a en e is ada pa ilha a pe ceção de que, inicialmen e, há uma
endência pa a de ende o ag esso , –
“As pessoas numa p imei a análise ão e endência a de ende
o ag esso ” (Jéssica, 24 anos) –
o
que pode inibi ainda mais a decisão de denuncia . Es a isão pode
e le i uma descon iança nas ins i uições e nos sis emas de apoio, mesmo quando os mecanismos es ão
o malmen e disponí eis.
41
Embo a os códigos en a izem a impo ância de um ambien e li e de assédio, a al a de uma
de inição cla a e de alhada do que cons i ui ealmen e assédio sexual pode con ibui pa a a con usão e
hesi ação em epo a os casos. Além disso, a insu iciência de comunicação sob e os mecanismos de
denúncia, combinada com o medo das e aliações e descon iança na ins i uição, des aca a necessidade
de uma maio cla eza e di ulgação desses mecanismos. Pa a que as polí icas de comba e ao assédio
sejam e icazes, é essencial que a ins i uição académica de ina cla amen e o que cons i ui assédio e
ga an a que os seus memb os es ejam cien es dos ecu sos disponí eis e con ian es na sua e icácia.
4.5.1. Denúncias o mais e/ou in o mais
Ao analisa os ela os dos pa icipan es sob e como en en am si uações de assédio, no a-se
uma endência pa a eco e a edes pessoais em ez de segui os mecanismos de denúncia o mais,
sendo que, à exceção da Leono , que en ou o maliza uma denúncia sem sucesso, nenhum ou o
pa icipan e o ez. A maio ia op ou po p ocu a apoio jun o de amigos, amilia es ou colegas, o que
e le e a al a de con iança na e icácia dos mecanismos ins i ucionais e nas espos as o e ecidas pelas
uni e sidades. Es e enómeno e le e um p oblema gene alizado nas ins i uições de ensino supe io , onde
pe sis em dú idas e lacunas na in es igação sob e as medidas omadas pa a en en a es as expe iências
nega i as e melho a a capacidade e con iança dos es udan es em p ocu a ajuda. Apesa dos ecu sos
disponí eis pa a lida com o assédio sexual, poucos es udan es eco em a esses se iços ou en am em
con ac o com o pessoal da ins i uição pa a a a do assun o (K ebs e al., 2016).
Os es udan es podem e i a p ocu a ajuda jun o das uni e sidades po di e sas azões como,
não conside a em o inciden e su icien emen e g a e, não deseja em oma medidas e e i a
complicações, medo de e aliações ou ep esálias, po e gonha, ou po simplesmen e não que e em
lida com a si uação ou p e e i em esquece o oco ido. Além disso, as í imas podem e di iculdade em
classi ica a sua expe iência como AS, podem não e ce eza se é adequado con ac a a uni e sidade
pa a um inciden e o a do ambien e académico, e p eocupações com a con idencialidade, ou
desconhece a quem ou onde eco e (Bha acha ya & Casey, 2024; Loukai ou-Side is e al., 2024;
Pijlman e al., 2024; Nobels e al., 2023; Pinche sky & Hayes, 2023; S one & C ame , 2019; Spence
e al., 2017; Bu gess-P oc o e al., 2016).
Do pon o de is a ge al, a p e e ência po e i a denúncias o mais pode se a ibuída à pe ceção
de al a de apoio ins i ucional, ao medo de ep esálias ou à ideia de que o p ocesso o mal não a ia
esul ados sa is a ó ios. Tal como ap esen ado an e io men e, a Bá ba a, a Tânia, o Gus a o, o And é e
a Ca olina ela a am p eocupações semelhan es, odas elacionadas com o medo de e aliações ou com
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a pe ceção de que o p ocesso o mal não esul a ia em consequências posi i as. A Bá ba a e a Tânia
des aca am a ulne abilidade sen ida pe an e o ag esso ou a ins i uição, o que as le a a ac edi a que
pode iam so e maio es consequências ao o maliza uma queixa. O Gus a o e o And é menciona am a
e gonha e o eceio de se expo em pe an e colegas e supe io es, enquan o a Ca olina a i mou o medo
das epe cussões e a inação esul an e da al a de cla eza sob e os mecanismos de denúncia. Es es
es emunhos e o çam os pon os do pa ág a o inicial, mos ando como as expe iências pessoais
con i mam a pe ceção de al a de apoio e de e icácia nas espos as ins i ucionais.
A in es igação elacionada com a con iança dos es udan es nas suas ins i uições suge e que
es es êm pe ceções pa icula men e nega i as das espos as ins i ucionais ao AS e pouca con iança no
p ocesso. Num es udo ealizado po Mushonga e al. (2020), oi pe gun ado aos es udan es se alguém
denunciasse um caso de AS a a és dos mecanismos de denúncia, qual se ia a p obabilidade de as suas
uni e sidades le a em a denúncia a sé io, e as espos as encon adas o am bas an e nega i as. O
mesmo pode se cons a ado no âmbi o des e es udo.
A al a de con iança nas ins i uições e nos mecanismos de denúncia, e le e-se cla amen e nos
es emunhos dos pa icipan es. A Vanda, a Tânia, o Gus a o e a Bá ba a exp essa am ce icismo quan o
à e icácia das denúncias o mais, pa ilhando pe ceções de que a denúncia pode ia ag a a a si uação
ou não aze esul ados. A Vanda ac edi a que a si uação pio a ia, enquan o a Tânia e o Gus a o
demons a am descon iança an o na ins i uição como no p ocesso de denúncia. A Bá ba a e o ça essa
descon iança ao menciona a al a de in o mação na sua ins i uição, o que con ibui pa a a sensação
ge al de ine icácia e al a de apoio. Es es es emunhos ilus am a p e alência do sen imen o de
descon iança em elação às espos as ins i ucionais, em linha com o que oi obse ado no es udo de
Mushonga e al. (2020).
Uma azão possí el pa a es as pe ceções nega i as pode es a elacionada com o concei o de
“ aição ins i ucional”, que desc e e as o mas pelas quais as uni e sidades não omam as medidas
adequadas pa a p e eni e/ou esponde adequadamen e, nes e caso, ao assédio sexual em con ex o
académico. Es a, quando come ida con a es udan es í imas de AS, inclui a incapacidade de p e eni
abusos, no malização de con ex os abusi os, p ocedimen os de denúncia di íceis e espos as
inadequadas, con eniência em ocul a casos e desin o mação e punição de í imas e denuncian es
(Ch is l e al., 2024; Webe mann e al., 2024; Bloom e al., 2022; F eyd, 2018; Smi h & F eyd, 2013).
A noção de “ aição ins i ucional”, es á p esen e nos es emunhos dos es udan es que
expe iencia am a al a de espos a adequada das uni e sidades ao assédio sexual. A Leono é um
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exemplo cla o disso, pois, apesa dos es o ços pa a o maliza uma denúncia, encon ou-se sem apoio
conc e o po pa e da ins i uição, que não conseguiu o nece os ecu sos necessá ios pa a iden i ica o
ag esso ou o nece supo e adequado. Es a expe iência e le e as pe ceções pa ilhadas pela Tânia e
pelo Gus a o, que ambém mani es a am desc ença na capacidade das suas uni e sidades em lida com
os casos de assédio de o ma e icaz. A al a de ações conc e as po pa e das ins i uições, como
e idenciado pela Leono , con ibui pa a a pe pe uação des e sen imen o de descon iança e pa a a
pe ceção de que a espos a ins i ucional é insu icien e. Es e cená io e o ça a necessidade de um maio
en ol imen o ins i ucional, con o me mencionado pelo Gus a o, a a és de uma in es igação sé ia e
empenhada das denúncias, em ez de espos as me amen e supe iciais.
O abalho de DeLo eh e Ca aneo (2017) sob e a p ocu a de ajuda po pa e de í imas de AS
em con ex o académico iden i icou que, o (des)conhecimen o dos mecanismos e polí icas de p e enção
disponibilizados pelas uni e sidades, é um indicado signi ica i o da al a de p ocu a de ajuda.
E iden emen e, os es udan es não podem p ocu a apoio se não soube em onde eco e ou se não
i e em in o mações cla as e comple as sob e os ecu sos disponí eis, ou se es as o em de di ícil acesso.
Lamen a elmen e, e al como se pode cons a a nes a in es igação, os es udos a uais indicam que a
maio ia dos es udan es êm pouco ou nenhum conhecimen o ace ca dos se iços e mecanismos
exis en es (Can o e al., 2019; Sab i e al., 2019; McMahon & S eple on, 2018).
A al a de conhecimen o dos es udan es sob e os mecanismos de denúncia e ecu sos
ins i ucionais é um dos p incipais a o es que con ibuem pa a a sua hesi ação em p ocu a ajuda. Esse
desconhecimen o, mencionado pelos en e is ados Bá ba a, Ma eus, Tânia, And é, Gus a o, Luísa,
Le ícia, Jéssica, Ca olina e Luísa e le e a ausência de o ien ações cla as sob e o p ocesso de denúncia.
Mui os, como o And é e a B una, indicam que nunca ecebe am qualque ins ução sob e como p ocede
em casos de assédio, e a al a de isibilidade e cla eza sob e esses ecu sos e o ça a sua insegu ança
em oma medidas. Além disso, a al a de con iança na abe u a da uni e sidade pa a lida com ais
casos, mani es ada pela Ca olina e pela B una, ampli ica a sensação de desampa o dos es udan es,
deixando-os sem al e na i as de ação. Es e desconhecimen o ge al es á em linha com o que a
in es igação de DeLo eh e Ca aneo (2017) demons ou: sem in o mações cla as e acessí eis, os
es udan es são menos p opensos a p ocu a apoio o mal.
No que diz espei o ao apoio emocional, as en e is as mos am uma dualidade nas expe iências
dos pa icipan es. Alguns es udos concluem que as í imas que ecebem apoio posi i o de on es
in o mais ap esen am uma melho saúde men al (Holland & Co ina, 2017). A Le ícia des acou e
“Uma

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base amilia e de amigos mui o o e que me de am o maio apoio”
(Le ícia, 24 anos), o que a ajudou
a lida com o auma. Da mesma o ma a Bá ba a a i mou:
“Eu i e mui o apoio de á ias pessoas e
acabou po não elimina po que a si uação oi mui o desag adá el, mas acabou po a enua aquilo que
eu sen ia”
(Bá ba a, 20 anos), sublinhando o papel posi i o que o apoio amilia e de amigos e e na sua
ecupe ação emocional.
As eações de al a de apoio (po exemplo, aze pe gun as que são in usi as, comunica dú idas
e culpas) exace bam a angús ia dos sob e i en es (Holland & Co ina, 2017), como oi o caso da Jéssica,
que ela ou uma eação minimizado a do seu namo ado, o que a magoou p o undamen e:
“Independen emen e do que acon eceu, a eação dele e iu-me”
(Jéssica, 24 anos). De o ma
semelhan e, a Leono obse ou que embo a i esse ecebido algum apoio inicialmen e, es e oi apenas
empo á io:
“Sin o que oi um apoio mui o empo á io, oi um apoio de no dia em que acon eceu, ou nos
dois dias a segui ”
(Leono , 27 anos). A Vanda ambém exp essou a ependimen o po e con ado ao
seu cí culo mais p óximo adian ando que
“Se eu ol asse a ás eu não inha di o a ninguém o que
acon eceu”
(Vanda, 24 anos). Es es exemplos sublinham a impo ância de uma espos a
emocionalmen e adequada em momen os ulne á eis, pois eações nega i as podem le a as í imas a
sen i em-se mais isoladas (S one e C ame , 2019).
Uma comunicação e icaz é impo an e pa a o bem-es a da í ima. Num guia com in o mações
sob e como os pais podem p es a apoio pa a lida com a expe iência de assédio sexual es ão incluídas
dicas sob e como c ia um ambien e segu o onde as í imas se sin am à on ade pa a ela a o que
acon eceu, além de e o ça a impo ância de p ocu a apoio p o issional e enco aja a denúncia (PCAR,
2013). Apesa desse supo e amilia , alguns pa icipan es, como o And é e a Luísa, ela a am que os
seus pais es a am dispos os a oma medidas o mais. O And é menciona que os seus pais ica am
cha eados e que iam denuncia o caso à ins i uição, mas ele decidiu que não e a necessá io. Da mesma
o ma, a Luísa compa ilha que o seu pai lhe pe gun ou se que ia aze algo a espei o, mas ela p e e iu
esquece o oco ido. Essa hesi ação em p ossegui com uma denúncia o mal, mesmo com o incen i o
dos amilia es, pode se um e lexo da já mencionada al a de con iança nas ins i uições e na sua
capacidade de lida com casos de assédio de o ma adequada.
Con a iamen e a es es dois casos, há o exemplo da Le ícia que ela a não e sido incen i ada
a epo a o malmen e o inciden e, al ez de ido à sensibilidade do assun o. Spence e al. (2020),
a i mam se undamen al que in es igações u u as conside em os a o es que podem in luencia a
decisão de um sob e i en e em o maliza uma denúncia na uni e sidade, como o apoio de amigos e
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amilia es. De ac o, a o ma como os amilia es pe cecionam a delicadeza da si uação pode an o
enco aja como desenco aja as í imas a a ança com uma denúncia o mal, a e ando signi ica i amen e
a sua omada de decisão. Adicionalmen e, há o caso da Ca olina, cuja mãe a incen i ou a con on a
di e amen e o ag esso , suge indo que exp essasse o seu descon o o. Con on a o ag esso , é uma das
es a égias que a li e a u a indica como ap esen ando melho es esul ados (Gallo e al., 2024; Fo d &
I anic, 2020), po ém, a Ca olina op ou po se a as a , emendo que o ag esso pudesse nega o seu
compo amen o.
Exis em ambém si uações em que os pa icipan es op a am po não con a às suas amílias
sob e as suas expe iências de assédio, como é o caso do Ma eus e da B una. O Ma eus e ela que, na
al u a, escolheu discu i o assun o apenas com o seu psicólogo po não conside a a expe iência
su icien emen e g a e pa a p eocupa ou as pessoas. De manei a semelhan e, a B una decidiu não
in o ma a sua amília pa a e i a p eocupá-los, especialmen e endo em con a que con inua ia a in e agi
com o ag esso no ambien e escola . No en an o, a B una ac edi a que, caso i esse pa ilhado a
expe iência, os seus amilia es e iam incen i ado a denúncia. O eceio de não que e que a amília ou
os amigos saibam pode con ibui pa a que, algumas pessoas que econhecem a expe iência como
assédio sexual, op em po não o maliza uma denúncia, an o às au o idades do campus quan o aos
seus amilia es ou amigos (Khan e al., 2018).
Po an o, a análise e ela uma endência pa a a ausência de denúncias o mais de assédio sexual
no con ex o académico, mo i ada, p incipalmen e, pela al a de con iança nas ins i uições e pelo medo
de consequências emocionais ao e i e o auma. Embo a alguns pa icipan es enham ecebido apoio
signi ica i o de amigos e amilia es, es e não se demons ou uni e sal. Mui os ela a am expe iências de
apoio insu icien e ou supe icial, o que pode ambém e in luenciado a decisão de não a ança com uma
denúncia o mal. A pe ceção de apoio é c ucial pa a o bem-es a emocional das í imas, mas quando
esse é inadequado ou ausen e, as í imas podem sen i -se ainda mais ulne á eis e isoladas. Esse
cená io sublinha a necessidade de sensibilização e o mação, não apenas pa a as ins i uições de ensino
supe io , mas ambém en e os amigos e amilia es das í imas, pa a ga an i um supo e mais adequado
e e icaz.
Em suma, os esul ados indica am que dos 12 pa icipan es que so e am AS, apenas um decidiu
ap esen a uma denúncia, ou p ocu ou os meios pa a o aze . As espos as ela i amen e à in enção de
denúncia o am semelhan es en e os en e is ados do géne o eminino e do géne o masculino. Os
es udos e idenciam a di iculdade que as í imas êm em p ocu a ajuda e as que p ocu am p e e em
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on es in o mais, como: amilia es, amigos, colegas, e c. (Pjilman & Bu gmeije , 2024; Pijlman e al.,
2024). O mesmo oi e i icado nes e es udo em que, os en e is ados, e ela am os inciden es aos seus
amigos ou amilia es. Toma medidas o mais (ou seja, denuncia ) é a espos a menos comum em
si uações de assédio sexual (Ki kne e al., 2020).
4.6. P omoção das polí icas de p e enção de assédio sexual e dos mecanismos de
denúncia
Comp eende os pad ões de p ocu a de ajuda dos es udan es é essencial pa a o imiza os
ecu sos e o apoio nos campus, sendo c ucial inclui as suas expe iências e pe spe i as nos es o ços de
melho ia das polí icas de p e enção do assédio (Bha acha ya & Casey, 2024; Nigh ingale, 2023). A
li e a u a suge e que polí icas ab angen es cen adas apenas na denúncia e p e enção não são
su icien es (Albe e al., 2024). Quando ques ionados sob e suges ões pa a comba e o assédio, an o
as apa igas como os apazes das ês uni e sidades ap esen a am ideias semelhan es.
Klein e Ma in (2021) de endem que os es udan es de em ecebe o mação sob e como
econhece e in e i em casos de assédio sexual. Os en e is ados, quando ques ionados sob e como
melho a o conhecimen o dos es udan es ace ca do assédio sexual e das polí icas de p e enção, eme giu
uma cla a p io idade: a educação, ocada em ensina o que cons i ui assédio e como iden i icá-lo,
especialmen e conside ando que a p ocu a in o mal de ajuda é a mais comum. Po exemplo, a Vanda
suge e: “
Mais do que udo de íamos educa as pessoas pa a não o aze ”
(Vanda, 24 anos), enquan o
o Ma eus e o ça a necessidade de uma conscien ização con ínua sob e o que é e o que não é assédio.
Ou os, como o Gus a o e a B una, ecomendam pales as e sensibilização e icazes sob e a ealidade
do assédio, des acando que o oco de e se na educação das pessoas pa a p e eni que as í imas
su jam.
A ques ão do anonima o nas denúncias ambém é um pon o signi ica i o de discussão. A
implemen ação de sis emas de denúncia anónimos ou con idenciais pode incen i a os es udan es a
epo a em inciden es, pe mi indo que as ins i uições in e enham an es que os p oblemas se ag a em
(Messman e al., 2024). Mui os pa icipan es des acam a necessidade de canais de denúncia anónimos,
que pe mi am às í imas ela a os casos sem eceio de ep esálias. A Bá ba a des aca a necessidade
de ga an i que as í imas enham
“100% ce eza de que, se epo a em o que lhes acon eceu, não ão
e consequências u u as”
(Bá ba a, 20 anos), enquan o a Jéssica de ende canais de denúncia
anónimos. Con udo, alguns a gumen am que o anonima o pode c ia uma alsa sensação de segu ança,
e uma abo dagem mais abe a pode ia assegu a melho a p o eção das í imas. A Leono a i ma que
47
“Não é o anonima o que é a cha e pa a assegu a a segu ança das í imas, se oda a gen e soube quem
é a í ima, ha e á mais olhos an o pa a o ag esso quan o pa a a í ima”.
Os in es igado es de endem an o a necessidade de ape eiçoa e melho a os sis emas
exis en es de denúncia de casos como a implemen ação de polí icas nesse sen ido. Além disso,
exp essam c í icas ela i amen e ao p ocesso de denuncia que sendo bu oc á ico e de i imização,
en aquece a capacidade de a í ima ap esen a uma queixa (Bondes am & Lundq is , 2020). Nes e
con ex o, os pa icipan es en a iza am a necessidade de o alece os ecu sos de apoio e c ia gabine es
especializados pa a lida com queixas e o e ece supo e às í imas.
Po exemplo, a Le ícia suge e
“Melho a gabine es e núme os de apoio (anónimos)”
(Le ícia, 24
anos), enquan o o And é ecomenda
“C ia gabine es ou depa amen os de inclusão que cuidem das
queixas e p ocessem os assediado es”
(And é, 19 anos). O Gus a o ambém p opõe
“C ia um gabine e
de p e enção e supo e a í imas de abuso ou assédio sexual”
(Gus a o, 22 anos). Além disso, a B una
ecomenda
“Di ulga mais in o mação sob e o assun o, sensibiliza e icazmen e sob e a ealidade do
assédio sexual”
(B una, 21 anos), e a Ca olina suge e a dis ibuição de pan le os e a isos nos
placa ds
da uni e sidade.
As abo dagens pa a a conscien ização e implemen ação de medidas a iam. Es udos
demons a am ambém que um aumen o nas campanhas in o ma i as ou em p og amas de o mação
es á associado a uma maio comp eensão sob e o ema (T edinnick, 2022). A Tânia suge e campanhas
de sensibilização a a és de ca azes, pales as e o mações, a i mando que
“Tem de ha e ca az e
de e-se ala abe amen e sob e assédio sexual”
(Tânia, 38 anos). Em con as e, a Leono e o Gus a o
p opõem medidas mais d ás icas, como a p oibição de con ac o com o público pa a os ag esso es e a
aplicação de penalidades se e as. Es a posição es á alinhada com o es udo de Phipps (2020), em que
os pa icipan es ambém apelam a uma punição igo osa pa a os ag esso es, sublinhando a necessidade
de maio esponsabilização e consequências mais i mes pa a quem come e assédio. A Leono a i ma
que
“Se algum aluno ou p o esso o acusado de assédio, não de e ia mais pisa na uni e sidade”
(Leono , 27 anos), e o Gus a o ac escen a que é necessá io
“Sanciona o emen e odos os p a ican es
des e ipo de c ime”
(Gus a o, 22 anos).
Em conclusão, as suges ões dos pa icipan es e elam uma di e sidade de ideias pa a lida com
o assédio sexual, com um o e consenso sob e a necessidade de educação e conscien ização, bem
como o o alecimen o dos ecu sos de apoio, e dado que a p ocu a in o mal de ajuda é a mais comum,
é impo an e ga an i que o co po discen e em ge al es eja p epa ado com conhecimen os co e os e
ab angen es. Con udo, há di e enças no á eis nas abo dagens elacionadas ao anonima o, à aplicação
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9. Sabe o que o Código de Condu a É ica da sua Uni e sidade menciona sob e assédio sexual?
10. Repo ou a si uação à Uni e sidade ou às au o idades?
10.1. Se epo ou o caso à Uni e sidade, a quem epo ou e quais o am os p ocedimen os
omados?
10.1.1. Foi-lhe p opo cionado algum ipo de apoio pela Uni e sidade?
10.2. Se não epo ou, po que não o ez? A ependeu-se de não o e epo ado?
10.2.1. Sabe ia onde se desloca pa a aze uma denúncia? (Quais são os mecanismos de
denúncia da Uni e sidade?)
11. Es a si uação e e in luência na sua ida diá ia e na sua i ência no meio académico e es udan il?
De que o ma?
12. Tem alguma ede de apoio com quem possa con a / ala sob e a expe iência? (Familia es,
amigos, colegas, …)
13. P ocu ou algum ipo de apoio p o issional (médico(a)/psicólogo(a)) pa a o/a ajuda a lida com
a si uação?
14. Pa a além da sua expe iência, já p esenciou alguém so e algum ipo de assédio sexual em
con ex o académico? O que ez?
15. Como acha que as si uações de assédio se pode iam esol e , po pa e das Uni e sidades, de
modo a se menos penoso pa a as í imas?
Ques ioná io sociodemog á ico:
1. Géne o
2. Idade
3. G au académico (Ano que equen am)
4. Es abelecimen o de ensino