Uni e sidade
do
Minho
Escola
de
Economia
e
Ges ão
Anabela Gomes Lopes Dias
O Papel do Ambien e Regulamen a e
Adminis a i o na ino ação em PMEs:
O caso da União Eu opeia
Ab il
de
2025
O papel do ambien e egulamen a e adminis a i o na
ino ação em PMEs: o caso da União Eu opeia
Anabela Dias
UMinho | 2025
1
d g h
2
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Anabela Gomes Lopes Dias PG53206
O papel do ambien e egulamen a e adminis a i o na ino ação em PMEs: o caso da União
Eu opeia
Disse ação
Mes ado em Economia Indus ial e da Emp esa
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Lu des Ma ins
Ab il de 2025
3
Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 3
Di ei os de Au o e Condições de u ilização do abalho po e cei os
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
4
Ag adecimen os
A ealização des e abalho é o esul ado de uma jo nada que con ou com o apoio, incen i o e inspi ação
de á ias pessoas e ins i uições, às quais exp esso a minha mais p o unda g a idão.
Em p imei o luga , gos a ia de ag adece à P o esso a Dou o a Lu des Ma ins pela o ien ação e pa ilha
de conhecimen o e pelo apoio cons an e du an e odas as e apas des e p ocesso. A sua disponibilidade
oi undamen al pa a a conc e ização des a disse ação.
Ag adeço ambém à Uni e sidade pela opo unidade, que p opo cionou um ambien e de ap endizagem
e c escimen o ines imá el.
Aos meus colegas e amigos, pelo companhei ismo e pelas discussões que en iquece am a minha
pe spe i a sob e o ema.
Po im, um ag adecimen o especial à minha amília pelo apoio incondicional, paciência e mo i ação ao
longo de oda a minha aje ó ia académica.
A odos, o meu since o ob igada!
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
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Resumo
Obje i o
Es e es udo em como obje i o ob e e idência empí ica sob e a impo ância que a egulação económica
em na decisão de ino a omada pelas Pequenas e Médias Emp esas (PMEs) da União Eu opeia (UE).
O cump imen o com a egulação pode do a a emp esa com a ibu os que a capaci em a ino a ou, po
ou o lado, se os emp esá ios pe cecionam as es ições egulamen a es e adminis a i as como
obs áculos à sua a i idade pode ão ap esen a meno p opensão pa a ino a .
Me odologia
A in es igação desen ol ida baseia-se nas espos as ob idas no Flash Eu oba ome e 486 da União
Eu opeia, ealizado em 2020, que ecolhe in o mações sob e ino ação, obs áculos e con ex o
emp esa ial em PMEs. Reco e-se à es imação de modelos Logi pa a es uda a decisão de ino a em
emp esas de pequena e média dimensão. Seguindo de pe o a li e a u a sob e o ema, en e as a iá eis
explica i as conside adas es ão, pa a além do es o ço no cump imen o com no mas e p ocedimen os
egulamen a es, o acesso a inanciamen o, a quali icação dos ecu sos humanos, a digi alização, a
in aes u u a ecnológica e a idade da emp esa.
Resul ados
Os esul ados ob idos demons am uma associação es a is icamen e signi ica i a en e o cump imen o
das no mas egulamen a es e adminis a i os e a p opensão das PMEs eu opeias pa a ino a . De o ma
consis en e, os coe icien es es imados pa a a a iá el "ambien e egula ó io" são posi i os e signi ica i os
em odos os modelos analisados, suge indo que, em de e minados con ex os, es as es ições uncionam
como es ímulos indi e os à ino ação. Pa a além do ambien e egulamen a , ou as a iá eis, como a
in aes u u a ecnológica, o se o de a i idade, o acesso ao inanciamen o e a idade da emp esa, e elam
igualmen e o e capacidade explica i a, e o çando a na u eza mul idimensional dos de e minan es da
ino ação.
Implicações
Os esul ados des e es udo o necem e idência empí ica ele an e pa a a o mulação de polí icas
públicas mais ajus adas à ealidade das PMEs eu opeias. Ao demons a que o ambien e egula ó io
pode, em ce os casos, impulsiona compo amen os ino ado es, es a disse ação suge e que o oco não
de e es a na des egulação, mas sim na melho ia da qualidade, simplicidade e p e isibilidade das
no mas. As conclusões alinham-se com os p incípios da comunicação “Be e Regula ion o SMEs”
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(COM(2023)), que de ende um ambien e egula ó io “business- iendly”, assen e na p opo cionalidade e
na edução dos enca gos adminis a i os injus i icados.
O iginalidade
Es a disse ação o e ece uma con ibuição eó ica e p á ica ao explo a o papel do con ex o ins i ucional
— nomeadamen e o ambien e egula ó io — como a o condicionan e ou po enciado da ino ação em
PMEs. Do pon o de is a empí ico, dis ingue-se pela u ilização de uma base de dados ep esen a i a a
ní el eu opeu (Flash Eu oba ome e 486) e pela aplicação de modelos economé icos que pe mi em
iden i ica pad ões de compo amen o ino ado em unção de a iá eis ins i ucionais.
Códigos JEL: L26, O31, O3
Pala as-cha e: Ambien e egula ó io, con ex o ins i ucional, ino ação, PMEs, União Eu opeia
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Abs ac
Objec i e
This s udy aims o p o ide empi ical e idence on he impo ance o economic egula ion in he inno a ion
decisions made by Small and Medium-sized En e p ises (SMEs) in he Eu opean Union (EU). Compliance
wi h egula ion may endow i ms wi h a ibu es ha enable inno a ion o , on he o he hand, i
en ep eneu s pe cei e egula o y and adminis a i e cons ain s as obs acles o hei ac i i y, hey may
show a lowe p opensi y o inno a e.
Me hodology
The esea ch is based on da a om he Flash Eu oba ome e 486 conduc ed by he Eu opean Union in
2020, which ga he s in o ma ion on inno a ion, obs acles, and he business en i onmen in SMEs. Logi
models a e es ima ed o s udy he inno a ion decision in small and medium-sized en e p ises. Following
closely he exis ing li e a u e, he explana o y a iables conside ed include, in addi ion o e o s o comply
wi h egula o y no ms and p ocedu es, access o inance, human capi al quali ica ions, digi alisa ion,
echnological in as uc u e, and i m age.
Resul s
The esul s show a s a is ically signi ican associa ion be ween egula o y and adminis a i e compliance
and he p opensi y o Eu opean SMEs o inno a e. Consis en ly, he es ima ed coe icien s o he a iable
" egula o y en i onmen " a e posi i e and signi ican ac oss all models analysed, sugges ing ha in
ce ain con ex s, hese cons ain s ac as indi ec incen i es o inno a ion. Beyond he egula o y
en i onmen , o he a iables—such as echnological in as uc u e, sec o o ac i i y, access o inance,
and i m age—also exhibi s ong explana o y powe , ein o cing he mul idimensional na u e o inno a ion
d i e s.
Implica ions
The indings o his s udy p o ide ele an empi ical e idence o suppo he design o public policies
be e ailo ed o he eali y o Eu opean SMEs. By demons a ing ha he egula o y en i onmen can, in
some cases, s imula e inno a i e beha iou , his disse a ion sugges s ha he ocus should no be on
de egula ion bu a he on imp o ing he quali y, simplici y, and p edic abili y o ules. The conclusions
align wi h he p inciples o he “Be e Regula ion o SMEs” communica ion (COM(2023)), which
ad oca es o a business- iendly egula o y en i onmen based on p opo ionali y and he educ ion o
unnecessa y adminis a i e bu dens.
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O iginali y
This disse a ion o e s bo h heo e ical and p ac ical con ibu ions by explo ing he ole o he ins i u ional
con ex —namely he egula o y en i onmen —as a condi ioning o enabling ac o o inno a ion in SMEs.
F om an empi ical s andpoin , i s ands ou h ough he use o a ep esen a i e EU-wide da abase (Flash
Eu oba ome e 486) and he applica ion o econome ic models ha help iden i y pa e ns o inno a i e
beha iou based on ins i u ional a iables.
JEL Codes: L26, O31, O38
Keywo ds:Eu opean Union, inno a ion, ins i u ional con ex , SMEs, egula o y en i onmen .
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S alke , 1961). Em con as e, o ganizações al amen e hie á quicas endem a e mais di iculdades em
implemen a mudanças e in oduzi no as ideias.
Po ou o lado, a o es ex e nos como as condições de me cado e a dinâmica compe i i a exe cem uma
in luência signi ica i a sob e a ino ação (Po e , 1990). Em me cados al amen e compe i i os, as
emp esas são p essionadas a ino a pa a ga an i a sua sob e i ência e di e enciação (Aghion e al.,
2005). O modelo de ino ação abe a, p opos o po Chesb ough (2003), en a iza que as emp esas não
ino am isoladamen e, mas sim den o de um ecossis ema de ino ação que en ol e colabo ações com
ou as emp esas, uni e sidades e cen os de in es igação (E zkowi z & Leydesdo , 2000).
A p esença de clus e s ecnológicos e edes de conhecimen o aumen a a axa de ino ação ao acili a a
oca de ideias e a sine gia en e di e en es agen es económicos (Ma shall, 1920; Saxenian, 1994). Em
pa icula , a União Eu opeia em p omo ido cadeias de alo globais e p og amas de coope ação
in e nacional como o mas de omen a a ino ação ansnacional (OECD, 2021; Ho izon Eu ope, 2022).
Po im, o apoio go e namen al e ins i ucional desempenha um papel cen al no es ímulo à ino ação
(Nelson & Win e , 1982). A li e a u a empí ica demons a que polí icas públicas que p omo em o
in es imen o em I&D e o e ecem incen i os iscais aumen am signi ica i amen e as axas de ino ação
emp esa ial (Mazzuca o, 2013).
Na União Eu opeia, inicia i as como o Ho izon Eu ope e o Eu opean Inno a ion Council o necem
inanciamen o e apoio écnico pa a p oje os ino ado es, especialmen e nas á eas de ecnologia
a ançada, ansição ene gé ica e digi alização (Eu opean Inno a ion Sco eboa d, 2023). Além disso,
polí icas que p o egem a p op iedade in elec ual são undamen ais pa a ga an i que as emp esas colham
os bene ícios dos seus in es imen os em ino ação, incen i ando a c iação de no os p odu os e p ocessos
(A ow, 1962).
A elação en e ino ação e egulação é complexa. Enquan o alguns au o es de endem que egulação
excessi a pode a ua como um en a e à ino ação (Blind, 2012), ou os suge em que eg as cla as e
bem es u u adas podem c ia um ambien e mais p e isí el e es imulan e pa a emp esas ino ado as
(Bo ás & Edquis , 2013).
É p ecisamen e sob e es a ambi alência que se deb uça a p esen e disse ação: in es iga
empi icamen e se a pe ceção das es ições egulamen a es e adminis a i as po pa e das PMEs
eu opeias a ua como ba ei a ou como es ímulo à ino ação.
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Os de e minan es da ino ação são múl iplos e in e ligados. Enquan o os ecu sos in e nos de uma
emp esa, como o in es imen o em I&D e a quali icação dos seus abalhado es, são a o es c uciais pa a
a ino ação, a dinâmica compe i i a e as condições do ambien e ex e no ambém desempenham um
papel de e minan e. Além disso, o apoio ins i ucional e as polí icas públicas podem a ua como
acili ado es ou ba ei as ao p ocesso ino ado . Pa a as PMEs, que equen emen e en en am es ições
de ecu sos, a c iação de um ambien e ins i ucional a o á el e polí icas de incen i o à ino ação são
essenciais pa a ga an i a sua compe i i idade no longo p azo.
2.2.1 Fa o es condicionan es da ino ação em PMES
Pa a as PMEs, que equen emen e ope am com ecu sos limi ados, a exis ência de um ambien e
ins i ucional a o á el e de polí icas e icazes de apoio à ino ação é c ucial pa a ga an i a sua
compe i i idade e sus en abilidade a longo p azo.
Embo a as emp esas eu opeias e elem um o e dinamismo ino ado em á ios domínios, con inuam a
en en a um conjun o de a o es que podem es ingi a sua capacidade de ino a . No caso especí ico
das PMEs, esses desa ios assumem con o nos pa icula es de ido à sua meno dimensão, es u u a
o ganizacional mais eduzida e acesso limi ado a ecu sos inancei os e humanos.
É, po isso, undamen al analisa os p incipais condicionan es da ino ação nes as emp esas.
Es a secção ap esen a uma sín ese dos a o es mais equen emen e e e idos na li e a u a como a o es
explica i os da ino ação nas PMEs, incluindo o acesso a inanciamen o, o enquad amen o egulamen a
e adminis a i o, os ecu sos humanos, a cul u a o ganizacional e a in aes u u a ecnológica.
2.2.2 Acesso a Financiamen o
O inanciamen o desempenha um papel ambi alen e no p ocesso de ino ação. Po um lado, é um a o
acili ado essencial pa a o in es imen o em I&D, aquisição de no as ecnologias e expansão de
capacidades p odu i as (Ha el e Schwa z, 2021). Po ou o, o seu acesso limi ado pode ep esen a
uma condicionan e ele an e, pa icula men e pa a PMEs com meno capacidade de o e ece ga an ias
ou com his ó ico inancei o insu icien e (Zimme mann & Thomä, 2016).
Em mui os casos, o inanciamen o bancá io con inua a se a p incipal on e de capi al, mas
equen emen e em condições des a o á eis. O cus o do c édi o e os equisi os exigidos limi am o acesso
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aos ecu sos necessá ios pa a impulsiona a ino ação (Mad id-Guija o e al., 2009). Es a ealidade le a
mui as emp esas a eco e em a on es in e nas, como ecei as p óp ias ou apoio amilia , que endem
a se insu icien es pa a sus en a p oje os ino ado es de médio e longo p azo (Ind awa i, 2020).
Con udo, o inanciamen o ambém pode a ua como ca alisado da ino ação. PMEs com acesso acili ado
a undos — a a és de mecanismos como capi al de isco ou undos eu opeus — demons am maio
p opensão pa a desen ol e e implemen a soluções ino ado as. Gundo á e al. (2017) mos am que,
quando exis e inanciamen o adequado, as emp esas conseguem supe a obs áculos ecnológicos e
o na -se mais compe i i as a ní el global, o que é pa icula men e ele an e em se o es in ensi os em
ecnologia (Talege a, 2012).
Em espos a a es as condicionan es, êm sido implemen adas polí icas públicas que isam mi iga as
di iculdades de inanciamen o das PMEs, como p og amas de subsídios e incen i os iscais (Lejp as,
2014). No en an o, a sua e icácia depende da acessibilidade e simplicidade dos p ocessos
adminis a i os. Como e e em Mad id-Guija o e Ga cía-Pé ez-de-Lema (2016), nem odas as emp esas,
especialmen e as de meno dimensão, conseguem usu ui desses ins umen os de ido à bu oc acia
en ol ida.
Assim, a c iação de um ecossis ema inancei o a o á el à ino ação exige não apenas o ala gamen o das
on es de inanciamen o disponí eis, mas ambém a sua adequação às especi icidades das PMEs.
Inicia i as de inanciamen o mis o (público-p i ado), p og amas de capaci ação inancei a e o
o alecimen o da coope ação com ins i uições de ensino e in es igação podem con ibui pa a c ia
condições mais equi a i as e sus en á eis ao in es imen o em ino ação.
2.2.3 Fa o es egulamen a es e adminis a i os
A in luência dos a o es egulamen a es e adminis a i os na ino ação das PMEs é complexa e
mul i ace ada. Po um lado, a egulação é essencial pa a ga an i pad ões mínimos de segu ança,
qualidade e sus en abilidade. Po ou o, a sua complexidade e igidez podem condiciona nega i amen e
a lexibilidade das PMEs, pa icula men e quando es as não dispõem de ecu sos su icien es pa a ge i
os enca gos bu oc á icos e adap a -se às exigências legais (Blind, 2012; Veugele s, 2008).
A ca ga adminis a i a associada ao cump imen o de no mas legais, licenciamen o, ce i icações ou
ob igações de epo e ep esen a um es o ço signi ica i o pa a mui as PMEs. Segundo A onso (2013), o
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empo e os ecu sos alocados à con o midade egula ó ia des iam a a enção es a égica do in es imen o
em ino ação. Es e e ei o é ag a ado pela limi ada es u u a o ganizacional das PMEs, que mui as ezes
não êm equipas especializadas pa a lida com es as exigências (Dalla Cos a & El Alam, 2019).
Adicionalmen e, a ins abilidade no ma i a — causada po al e ações equen es na legislação — in oduz
um ele ado g au de ince eza, comp ome endo o planeamen o e a execução de inicia i as ino ado as
(Aghion, Be geaud & Van Reenen, 2023). Es e desa io é pa icula men e no ó io em se o es egulados
como o a macêu ico e o ecnológico, onde p ocessos de ce i icação e ap o ação podem a asa
signi ica i amen e a en ada de no os p odu os no me cado (Ghise i e al., 2017).
No en an o, nem odos os e ei os da egulação são nega i os. A li e a u a mais ecen e econhece que a
egulação ambém pode a ua como ca alisado da ino ação. Reg as exigen es, quando bem
desenhadas, incen i am as emp esas a melho a p ocessos, desen ol e soluções mais sus en á eis e
cump i pad ões de qualidade (Ja e & Palme , 1997; Ullah, 2022). Es e enómeno, conhecido como
"inno a ion-inducing egula ion", é pa icula men e ele an e no domínio ambien al, onde egulações
igo osas êm impulsionado a c iação de ecnologias mais limpas e e icien es.
A egulação ambien al, embo a imponha cus os de con o midade, pode ambém ep esen a uma
opo unidade de di e enciação pa a emp esas ino ado as. Pinge , Bocque e Mo he (2015) iden i ica am
que, apesa dos desa ios, algumas PMEs ans o mam es as exigências em an agem compe i i a,
desen ol endo p odu os e p ocessos sus en á eis.
Ou o aspe o a conside a é a ha monização das egulamen ações en e os Es ados-memb os da UE. A
di e sidade no ma i a den o do me cado eu opeu con inua a se um en a e à expansão e
in e nacionalização das PMEs (OECD, 2021). No en an o, inicia i as de alinhamen o e simpli icação
adminis a i a — como as p opos as po Bo ás & Edquis (2013) — êm po encial pa a eduzi os cus os
de con o midade e omen a a pa icipação das PMEs em cadeias de ino ação ansnacionais.
A Comissão Eu opeia em indo a esponde a es es desa ios com polí icas que p omo em um ambien e
egula ó io mais a o á el. A comunicação "Paco e de Alí io pa a as PME" (COM(2023)) de ende um
enquad amen o no ma i o baseado na p opo cionalidade, p e isibilidade e simpli icação, e o çando a
ideia de que a boa egulação pode coexis i com um ecossis ema emp esa ial ino ado .
Des a o ma, os a o es egula ó ios e adminis a i os de em se analisados não apenas como po enciais
ba ei as, mas como elemen os es u u an es que, dependendo da sua conceção e implemen ação,
podem es ingi ou es imula a capacidade ino ado a das PMEs.
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2.2.4 Recu sos Humanos/Colabo ação
Os ecu sos humanos e a capacidade de colabo ação in e o ganizacional cons i uem a o es cen ais na
p omoção — ou limi ação — da ino ação nas PMEs. Po um lado, a quali icação da o ça de abalho é
essencial pa a a abso ção de conhecimen o ex e no e pa a o desen ol imen o in e no de ino ação
(Cohen & Le in hal, 1990; Teece, 2007). Po ou o, a escassez de alen o quali icado e as di iculdades
de coope ação limi am a e icácia das es a égias ino ado as.
As PMEs en en am equen emen e desa ios na a ação e e enção de abalhado es quali icados, de ido
à sua meno capacidade de o e ece condições labo ais compe i i as em compa ação com g andes
emp esas (Fa si & Togh aee, 2014). Es a limi ação impac a nega i amen e os in es imen os em I&D,
eduzindo a capacidade de desen ol imen o ecnológico (Hall & Le ne , 2010). Es udos como os de
Talege a (2012) con i mam que a ausência de compe ências écnicas eduz a agilidade e compe i i idade
das emp esas em se o es in ensi os em ino ação.
Apesa des as limi ações, o in es imen o na o mação con ínua dos colabo ado es e ela-se uma
es a égia e icaz pa a compensa a escassez de capi al humano e e o ça a capacidade de ino ação
(OECD, 2021). Incen i os públicos à quali icação, p og amas de econ e são p o issional e pa ce ias
com ins i uições de ensino supe io podem con ibui signi ica i amen e pa a esse obje i o.
A colabo ação in e o ganizacional é ou o e o de e minan e. A li e a u a econhece que a ino ação é
equen emen e um enómeno colabo a i o, exigindo a a iculação com uni e sidades, cen os
ecnológicos, clien es e ou as emp esas (Chesb ough, 2003). No en an o, as PMEs endem a en en a
obs áculos es u u ais e es a égicos à colabo ação e icaz, como limi ações na capacidade de abso ção
de conhecimen o, desalinhamen o de obje i os e al a de con iança (Muscio, 2007; Van de V ande e al.,
2009).
A pa ilha de in o mação en e pa cei os é mui as ezes di icul ada pelo eceio de pe da de con olo sob e
a i os es a égicos ou dependência excessi a de e cei os (Sa i skaya, Salmi & To kkeli, 2010; Be ello
e al., 2022). Ainda assim, emp esas que conseguem es abelece edes colabo a i as es u u adas
bene iciam de maio acesso a ecu sos, ideias e ecnologias.
Polí icas públicas que p omo am ecossis emas colabo a i os — como clus e s de ino ação, edes
emp esa iais ou pla a o mas ecnológicas — são undamen ais pa a c ia ambien es p opícios à ino ação
em ede (Bo ás & Edquis , 2013). A c iação de in aes u u as de apoio à ino ação, combinada com
incen i os à coope ação, pode ans o ma desa ios em opo unidades.
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Assim, embo a a escassez de capi al humano e as di iculdades de colabo ação possam ep esen a
limi ações à ino ação, a sua abo dagem es a égica e a implemen ação de polí icas o ien adas pa a a
capaci ação e a coope ação e elam-se caminhos iá eis pa a o alece a compe i i idade das PMEs
num ambien e económico em cons an e ans o mação.
2.2.5 Fa o es cul u ais e abe u a à mudança
As ca ac e ís icas cul u ais das o ganizações in luenciam p o undamen e a sua capacidade de ino ação,
uncionando an o como ba ei as como acili ado es, dependendo do con ex o e da a i ude da lide ança.
Em mui as PMEs, a esis ência à mudança é equen emen e iden i icada como um dos p incipais
desa ios cul u ais, mani es ando-se na elu ância dos colabo ado es em abandona p á icas
es abelecidas ou ado a no as abo dagens (Mad id-Guija o e al., 2009).
Segundo Scipioni e al. (2021), cul u as o ganizacionais excessi amen e conse ado as e a essas ao
isco endem a su oca a c ia i idade e desenco ajam os colabo ado es a p opo ideias ino ado as. Es a
esis ência pode ad i de expe iências nega i as an e io es, eceio de alha ou simples desconhecimen o
das an agens associadas à ino ação. Kamalian e al. (2011) salien am que es as ba ei as são ainda
mais e iden es em emp esas com es u u as in o mais e baixa o a i idade, onde a mudança é pe cebida
como dis upção em ez de opo unidade.
A adoção de no as ecnologias é uma das á eas onde es a esis ência cul u al se o na mais isí el.
Guzmán e Ga za-Reyes (2017) iden i ica am que o medo de e os e o ce icismo ela i amen e aos
bene ícios ecnológicos são a o es c í icos que con ibuem pa a a es agnação o ganizacional. A al a de
o mação adequada ag a a a si uação, o nando a ansição ecnológica uma a e a in imidan e pa a
mui os colabo ado es (Aquilani e al., 2017).
Con udo, o papel da lide ança é de e minan e pa a in e e es a endência. Taneja e al. (2016) e
Dubouloz & Bocque (2021) a gumen am que líde es com uma isão es a égica e comp omisso com a
ino ação são capazes de in luencia posi i amen e a cul u a in e na, p omo endo alo es como a
c ia i idade e a ap endizagem con ínua. Es a ans o mação depende, em g ande medida, da
comunicação cla a, do exemplo dado pela ges ão e do econhecimen o do es o ço ino ado .
Demi kan, S ini asan & Nand (2022) demons am que p og amas de o mação con ínua não só
melho am as compe ências écnicas, como ambém al e am a i udes ace à ino ação. Quando os
21
colabo ado es comp eendem os bene ícios das mudanças e se sen em p epa ados pa a as en en a , a
esis ência diminui e a abe u a à ino ação c esce.
A limi ação de ecu sos, no en an o, con inua a se um en a e impo an e. PMEs com es ições
o çamen ais en en am di iculdades em in es i em es u u as o ganizacionais mais ágeis ou em
e amen as que p omo am ambien es colabo a i os (Maldonado-Guzmán e al., 2017). Ainda assim,
es a égias al e na i as — como o incen i o à pa ilha in o mal de ideias ou a celeb ação de pequenas
conquis as ino ado as — podem e impac o signi ica i o na cul u a o ganizacional.
Em úl ima análise, os a o es cul u ais de em se comp eendidos como ala ancas es a égicas. Quando
o ien ados de o ma adequada, alo es como a cu iosidade, a esiliência e a abe u a ao no o o nam-se
a i os in angí eis que impulsionam a ino ação de o ma sus en á el e alinhada com os obje i os da
o ganização.
2.2.6 In aes u u a ecnológica
A in aes u u a ecnológica cons i ui um a o es a égico pa a a ino ação nas PMEs, podendo a ua
como mo o de ans o mação ou, quando insu icien e, como limi ação es u u al. A disponibilidade de
ecu sos inancei os e écnicos pa a in es i em ecnologias a ançadas é equen emen e iden i icada
como uma condicionan e c í ica à adoção de soluções ino ado as (Talege a, 2012).
A ausência de acesso a sis emas mode nos e e amen as ecnológicas di icul a a adap ação das PMEs
às ápidas mudanças do me cado e às exigências da ans o mação digi al. Em mui os casos, as
emp esas ope am com in aes u u as desa ualizadas que comp ome em a lexibilidade e a capacidade
de in eg ação de no as soluções (Thomä & Zimme mann, 2016).
Pa a além da dimensão ecnológica em si, há a o es es u u ais e con ex uais que ag a am es e desa io.
Tabas e al. (2011) e e em que, na Eu opa, mui as PMEs não dispõem de apoio go e namen al
adequado pa a mode niza as suas in aes u u as. A limi ação de capi al di icul a a aquisição de
equipamen os a ualizados, comp ome endo a ino ação e a expansão das ope ações. Chao e al. (2017)
ac escen am que, equen emen e, os p óp ios ges o es não possuem conhecimen os écnicos
su icien es pa a lide a e icazmen e p ocessos de ans o mação ecnológica.
Es e dé ice de conhecimen o écnico é pa icula men e p oblemá ico quando se a a da adoção de
ecnologias eme gen es, como in eligência a i icial, au omação, ou análise a ançada de dados. A sua
22
in eg ação eque in aes u u as mode nas e in e ope á eis — algo que mui as PMEs não possuem.
Hadjimanolis (1999) iden i icou es e enómeno em me cados menos desen ol idos, como o caso de
Chip e, onde a limi ação ecnológica ep esen a uma ba ei a c í ica à ino ação.
Con udo, a in aes u u a ecnológica pode ambém se uma pode osa ala anca da ino ação, se o em
c iadas as condições adequadas. H olko a e al. (2019) de endem que polí icas públicas de incen i o à
mode nização — como subsídios, c édi os iscais e p og amas de digi alização — são undamen ais pa a
do a as PMEs de meios adequados à ino ação. Es as medidas pe mi em supe a os bloqueios
inancei os e écnicos, p omo endo a compe i i idade num me cado cada ez mais digi al.
A c iação de in aes u u as de apoio colec i o — como cen os de ino ação, espaços de cowo king com
ecu sos ecnológicos pa ilhados ou cen os de expe imen ação digi al — pode cons i ui uma al e na i a
iá el pa a as PME com menos ecu sos. Nes es ambien es, as emp esas podem acede a ecnologias,
o mação e edes de colabo ação que p omo em a ino ação, mesmo sem necessidade de g andes
in es imen os indi iduais.
Assim, embo a a limi ação de in aes u u a ecnológica possa condiciona a capacidade de ino ação, a
sua alo ização es a égica e o apoio ins i ucional adequado pe mi em ans o ma es e a o num eixo
po enciado da ans o mação digi al e do c escimen o sus en á el das PMEs.
2.3 Classi icação da Ino ação
2.3.1 Ino ação de P odu o
Es a é a o ma de ino ação mais comum e concen a-se no desen ol imen o de no os p odu os ou na
melho ia subs ancial de p odu os exis en es, com o obje i o de o e ece maio alo ao clien e (Ve hees
& Meulenbe g, 2004). Es e ipo de ino ação é c ucial pa a man e a compe i i idade, especialmen e em
me cados dinâmicos, onde a ino ação con ínua é necessá ia pa a sa is aze as expec a i as dos
consumido es (Acs & Aud e sch, 1990)
A in odução de no os p odu os é undamen al pa a a di e enciação no me cado e pa a a ende às
necessidades dos consumido es po soluções mais sus en á eis e ecnologicamen e a ançadas, algo
que é cada ez mais ele an e no con ex o da UE (Eu opean Inno a ion Sco eboa d, 2023).
23
Po ezes a ino ação de p odu o pode esul a na c iação de no os me cados ou ans o ma os
exis en es, impac ando signi ica i amen e o sucesso das emp esas.
Segundo Gunday e al. (2011), a ino ação de p odu o em pequenas emp esas es á equen emen e
associada a es a égias de di e enciação, onde o oco é c ia p odu os únicos ou ap imo ados pa a
a ende a nichos especí icos de me cado. Aksoy (2017) a gumen a que as pequenas emp esas endem
a in es i mais em ino ação de p odu o do que em ino ação de p ocesso, já que no os p odu os podem
e um impac o imedia o no me cado e aumen a a idelidade do clien e. Além disso, Ga cia e Calan one
(2002) suge em que a ino ação de p odu o equen emen e inco po a ino ações ecnológicas,
especialmen e em se o es al amen e compe i i os, onde a an agem es á em o e ece p odu os com
uncionalidades ecnológicas a ançadas.
A ino ação de p odu o pode se obse ada em di e sos se o es. Na indús ia da ecnologia, po exemplo,
os sma phones passa am po inúme as ino ações desde o lançamen o do p imei o iPhone em 2007.
As melho ias incluem câma as de al a esolução, econhecimen o acial, in eligência a i icial e
capacidade de ealidade aumen ada (Ch is ensen, 1997). Na indús ia au omo i a, a in odução de
eículos elé icos como o Tesla Model S ep esen a uma ino ação de p odu o que não apenas melho a
a e iciência ene gé ica, mas ambém ede ine os pad ões de desempenho e design au omo i o.
Os impac os da ino ação de p odu o são mul i ace ados. As emp esas que ino am os seus p odu os
equen emen e ganham an agem compe i i a, cap u ando uma maio a ia do me cado aumen ando a
lealdade do clien e. Além disso, ino ações de p odu o podem le a a no as opo unidades de ecei a e
c escimen o. Po exemplo, a in odução de se iços de s eaming como Ne lix ans o mou a o ma como
o en e enimen o é consumido, c iando um no o me cado e uma on e con ínua de ecei a (Teece, 2010).
No en an o, a ino ação de p odu o ambém en en a desa ios signi ica i os. O p ocesso de
desen ol imen o de no os p odu os pode se ca o e demo ado, exigindo in es imen os subs anciais em
I&D. Além disso, exis e o isco de acasso, onde os no os p odu os podem não se acei es pelos
consumido es ou podem se supe ados apidamen e po ecnologias conco en es. A ges ão e icaz da
ino ação de p odu o eque uma comp eensão p o unda das necessidades do me cado, capacidades
ecnológicas e a capacidade de supe a os iscos associados ao desen ol imen o de no os p odu os
(Ch is ensen, 1997).
A ino ação de p odu o é um mo o essencial pa a o p og esso ecnológico e econômico. Embo a en en e
desa ios signi ica i os, os bene ícios po enciais em e mos de compe i i idade, c escimen o de me cado
24
e sa is ação do clien e o nam a ino ação de p odu o uma p io idade es a égica pa a mui as emp esas.
A capacidade de desen ol e e lança no os p odu os e icazmen e pode de e mina o sucesso ou
acasso de uma o ganização no ambien e de negócios compe i i o de hoje.
2.3.2 Ino ação de P ocesso
A ino ação de p ocesso e e e-se à implemen ação de no os mé odos de p odução ou en ega,
p ocu ando aumen a a e iciência e eduzi cus os (Damanpou & A a ind, 2006). Es e ipo de ino ação
é especialmen e ele an e pa a pequenas emp esas, pois, ao ap imo a os p ocessos in e nos, podem
aumen a a compe i i idade sem g andes in es imen os em no os p odu os.
Diaconu (2011) explo a a ino ação de p ocesso como um mecanismo essencial pa a a sus en abilidade
econômica em pequenas emp esas, onde mé odos e icien es podem compensa a limi ação de ecu sos.
Pozo e Akabane (2019) des acam que a ino ação de p ocesso, quando bem implemen ada, pode eduzi
os cus os ope acionais e melho a a qualidade dos p odu os, aumen ando a sa is ação do clien e e a
e enção de me cado. Além disso, Aksoy (2017) obse a que pequenas emp esas que ino am os
p ocessos endem a ap imo a as ope ações e, com isso, ob e uma melho capacidade de espos a às
mudanças do me cado.
As emp esas eu opeias êm se concen ado cada ez mais na au omação e na digi alização dos seus
p ocessos, impulsionadas pelas no as ecnologias da Indús ia 4.0, como a in eligência a i icial e a
In e ne das Coisas (IoT) (OECD, 2021; Wo ld Economic Fo um, 2022).
A ino ação de p ocessos é en ão a in odução de no os mé odos, écnicas ou sis emas pa a melho a a
e iciência e a e icácia das ope ações de uma o ganização. Um exemplo comum é a au omação de
p ocessos de ab icação pa a eduzi cus os e aumen a a p odu i idade (Hamme & Champy, 1993).
Ou o exemplo des e ipo de ino ação é a imp essão 3D que ans o mou á ias indús ias. Es a
ecnologia pe mi e a p odução ápida e pe sonalizada de peças e p odu os, eduzindo o empo de
desen ol imen o e os cus os de p odução. (Gibson, Rosen, & S ucke , 2015).
A ino ação de p ocesso az inúme os bene ícios pa a as emp esas. Ao aumen a a e iciência e eduzi
cus os, as emp esas podem melho a as ma gens de luc o e compe i mais e icazmen e no me cado.
Além disso, ino ações de p ocesso podem melho a a qualidade do p odu o, esul ando numa maio
sa is ação e lealdade do clien e. A capacidade de esponde apidamen e às mudanças na p ocu a do
31
A análise se á conduzida com base em dados quan i a i os, conside ando indicado es que e le em as
condições ins i ucionais en en adas pelas PMEs no seu p ocesso de ino ação. A in es igação não só
e o ça a impo ância do con ex o ins i ucional, mas ambém pe mi e comp eende como polí icas
públicas, es abilidade egula ó ia e incen i os inancei os podem c ia um ambien e mais a o á el pa a
o desen ol imen o ecnológico e a compe i i idade das pequenas e médias emp esas.
4. Es udo Empí ico
A base de dados u ilizada nes a in es igação p o ém do inqué i o Flash Eu oba ome e 486, ealizado
pela Comissão Eu opeia em 2020, sob o í ulo “SMEs, S a -ups, Scale-ups and En ep eneu ship”. Es e
inqué i o ecolhe dados ep esen a i os a ní el nacional de 12 108 PMEs em 27 Es ados-Memb os da
União Eu opeia e 12 países e cei os, o e ecendo um pano ama de alhado sob e o ecossis ema de
ino ação, digi alização, inanciamen o e pe ceção de obs áculos adminis a i os e egulamen a es nas
emp esas.
De aco do com A anz e al. (2024), es a base de dados dis ingue-se pela sua ab angência emá ica e
g anula idade, pe mi indo a análise de a o es in e nos e ex e nos que a e am a adoção de ecnologias e
p á icas ino ado as. Findik e al. (2023) e Sega a-Blasco e al. (2025) ambém des acam o po encial da
base Eu oba ome e 486 pa a es uda a elação en e a ino ação e o con ex o ins i ucional, dada a
inclusão de pe gun as sob e egulamen ação, bu oc acia, digi alização e p á icas emp esa iais
sus en á eis.
A amos a é es a i icada po país, se o e dimensão da emp esa, assegu ando ep esen a i idade
es a ís ica e compa abilidade en e países. A ecolha oi ei a a a és de en e is as ele ónicas assis idas
po compu ado (CATI), a deciso es ou esponsá eis pelas á eas de ges ão e ino ação nas emp esas.
O inqué i o con ém pe gun as de na u eza quan i a i a e quali a i a, incluindo:
• Tipos de ino ação implemen ada (p odu o, p ocesso, o ganizacional, ma ke ing);
• Pe ceção de obs áculos à ino ação (ex. inanciamen o, ecu sos humanos, bu oc acia…);
• Ní el de digi alização e adoção de ecnologias eme gen es (como in eligência a i icial e big da a);
• A aliação do ambien e emp esa ial e do supo e ins i ucional;
• Ca ac e ís icas da emp esa (dimensão, se o , idade, país).
32
O p esen e es udo oca-se pa icula men e nas a iá eis elacionadas com a pe ceção de obs áculos
egulamen a es e adminis a i os, c uzando-as com as p á icas de ino ação epo adas. A u ilização des a
base pe mi e iden i ica pad ões e he e ogeneidades en e países, se o es e pe is emp esa iais,
o e ecendo uma pe spe i a compa a i a essencial pa a comp eende o impac o do con ex o ins i ucional
na ino ação em PMEs eu opeias.
4.1 Ca ac e ização da Amos a
En e as emp esas que esponde am a i ma i amen e à pe gun a “Du an e os úl imos 12 meses, a sua
emp esa in oduziu algum dos seguin es ipos de ino ação?”, a ino ação do p odu o/se iço des acou-
se como o ipo de ino ação mais implemen ado pelas emp esas, sendo mencionada po ce ca de 27%
das espos as. Es a oi seguida pela ino ação de ma ke ing e pela ino ação do p ocesso/mé odo de
p odução, ambas ado adas po ap oximadamen e 20% das emp esas. A ino ação o ganizacional, com
18% de ep esen a i idade, ambém oi um a o ele an e, e idenciando a di e sidade de es a égias
ado adas pelas PMEs pa a se man e em compe i i as no me cado.
G á ico 1 - Tipos de Ino ação Implemen ados pelas PMEs na União Eu opeia
Fon e: Elabo ação p óp ia com base nos dados do Eu oba óme o. Es es dados co espondem às espos as de odos os inqui idos do
Flash
Eu oba ome e 486 (2020) (SMEs, S a -ups, Scale-ups and En ep eneu ship)
da União Eu opeia. Inclui dados dos seguin es países: Po ugal,
Espanha, F ança, Alemanha, I ália, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Dinama ca, Finlândia, Áus ia, I landa, Polónia, Hung ia, República Checa,
Eslo áquia, Eslo énia, C oácia, Roménia, Bulgá ia, G écia, Li uânia, Le ónia, Es ónia, Chip e, Mal a e Luxembu go.
A a aliação do con ex o ins i ucional pelas Pequenas e Médias Emp esas (PMEs) é undamen al pa a
comp eende os a o es que in luenciam o seu desempenho e capacidade de ino ação. O quad o a segui
analisa di e sos aspe os do ambien e emp esa ial, com base nas espos as do ques ioná io aplicado as
emp esas dos di e en es se o es.
33
Tabela 2 - Pe ceção das PMEs sob e o Ambien e Emp esa ial
Fon e: Elabo ação p óp ia com base nos dados do Eu oba óme o. Es es dados co espondem às espos as de odos os inqui idos do
Flash
Eu oba ome e 486 (2020) (SMEs, S a -ups, Scale-ups and En ep eneu ship)
da União Eu opeia. Inclui dados dos seguin es países: Po ugal,
Espanha, F ança, Alemanha, I ália, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Dinama ca, Finlândia, Áus ia, I landa, Polónia, Hung ia, República Checa,
Eslo áquia, Eslo énia, C oácia, Roménia, Bulgá ia, G écia, Li uânia, Le ónia, Es ónia, Chip e, Mal a e Luxembu go.
O ambien e emp esa ial da egião oi amplamen e pe cebido de o ma posi i a pelos inqui idos. Ce ca
de 79,14% a alia am-no como "Mui o Bom" (20,30%) ou "Bom" (58,84%), indicando uma pe ceção
a o á el das condições egionais pa a os negócios. Con udo, 16,19% epo a am di iculdades,
classi icando-o como "Mau" ou "Mui o Mau". Es e esul ado suge e que, embo a a maio ia eja o
ambien e egional como a o á el, há desa ios a se em abo dados pa a uma maio uni o midade nas
pe ceções.
O acesso ao inanciamen o público e p i ado ap esen ou uma maio dispe são nas espos as. Enquan o
58,44% dos pa icipan es classi ica am es e aspe o de o ma posi i a, uma p opo ção conside á el
(24,95%) ela ou di iculdades, classi icando-o como "Mau" ou "Mui o Mau". Além disso, 16,60% dos
esponden es op a am po "Não sabe/Não espondeu" (ns/n ), o que pode e le i desconhecimen o
sob e os mecanismos de inanciamen o disponí eis ou uma baixa u ilização dos mesmos.
A qualidade dos se iços de apoio às emp esas, p es ados po agen es públicos e p i ados, oi
conside ada "Mui o Boa" po 11,13% dos esponden es e "Boa" po 48,76%. Ainda assim, 24,71%
a alia am es e se iço como insu icien e ("Mau" ou "Mui o Mau"), indicando que melho ias na e icácia
e acessibilidade dos se iços são necessá ias pa a a ende às expec a i as das emp esas.
A colabo ação com ou os pa cei os, incluindo emp esas, se o público e ins i uições educacionais, oi
pe cecionada como "Mui o Boa" po 17,90% dos pa icipan es e "Boa" po 54,94%. Apesa de uma
a aliação global posi i a, ce ca de 16,22% ela a am di iculdades nes a á ea.
34
A disponibilidade de pessoal com compe ências adequadas, incluindo capacidades de ges ão, é um dos
aspe os com maio a aliação nega i a. Apesa de 59,94% e em classi icado es e a o como "Mui o
Bom" ou "Bom", 36,75% a alia am-no nega i amen e. Es es esul ados apon am pa a uma lacuna
signi ica i a na quali icação de ecu sos humanos, o que pode cons i ui uma ba ei a es u u al à
ino ação nas PMEs.
O ambien e ju ídico e adminis a i o ecebeu uma a aliação mis a. Ce ca de 70,30% dos pa icipan es
conside a am-no "Mui o Bom" ou "Bom", enquan o 22,85% o a alia am de o ma nega i a. A bu oc acia
excessi a e a complexidade egulamen a podem es a en e os a o es que con ibuem pa a es a
pe ceção, ep esen ando uma á ea c í ica pa a e o mas ins i ucionais.
Po úl imo, a in aes u u a pa a as emp esas oi o aspe o mais posi i amen e a aliado, com 34,07%
classi icando-a como "Mui o Boa" e 51,65% como "Boa". Apenas 10,73% epo a am di iculdades nes e
domínio, suge indo que as condições in aes u u ais são adequadas pa a a maio ia das emp esas.
Os desa ios en en ados pelas PMEs são di e amen e in luenciados pelo con ex o ins i ucional em que
ope am. Além da ca ac e ização do ambien e ins i ucional, analisamos de seguida as p incipais
di iculdades ela adas pelas emp esas:
Tabela 3 – Desa ios na ino ação pa a as emp esas
Fon e: Elabo ação p óp ia com base nos dados do Eu oba óme o. Es es dados co espondem às espos as de odos os inqui idos do
Flash
Eu oba ome e 486 (2020) (SMEs, S a -ups, Scale-ups and En ep eneu ship)
da União Eu opeia. Inclui dados dos seguin es países: Po ugal,
Espanha, F ança, Alemanha, I ália, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Dinama ca, Finlândia, Áus ia, I landa, Polónia, Hung ia, República Checa,
Eslo áquia, Eslo énia, C oácia, Roménia, Bulgá ia, G écia, Li uânia, Le ónia, Es ónia, Chip e, Mal a e Luxembu go.
De aco do com os dados ecolhidos, os obs áculos egulamen a es ou enca gos adminis a i os
eme gem como a p incipal ba ei a en en ada pelas emp esas, com 46,79% dos inqui idos a apon a
es e aspe o como um p oblema signi ica i o. Es e esul ado es á alinhado com a a aliação mis a do
35
ambien e ju ídico e adminis a i o desc i a an e io men e, apon ando pa a a necessidade de e o mas
que simpli iquem os p ocessos e eduzam a ca ga bu oc á ica.
Ou os desa ios incluem o a aso nos pagamen os, mencionado po 32,51% das emp esas, e a al a de
acesso ao inanciamen o, ela ada po 18,81% dos pa icipan es. Es as di iculdades podem limi a
signi ica i amen e a capacidade de ino ação e c escimen o das PMEs, demons ando a impo ância de
polí icas públicas que p omo am maio liquidez e pon ualidade nos luxos inancei os.
A análise e elou ambém p eocupações com a in e nacionalização (7,82%) e di iculdades com a
digi alização (11,19%). Embo a es es alo es sejam in e io es aos obs áculos egulamen a es, eles
ep esen am ba ei as es a égicas que impac am a compe i i idade das emp esas no me cado global e
a sua adap ação às exigências ecnológicas a uais.
Além disso, 21,45% das emp esas apon a am compe ências, incluindo capacidades de ges ão, como um
desa io signi ica i o. Es a ba ei a é consis en e com a pe ceção nega i a epo ada na secção an e io
sob e a disponibilidade de pessoal quali icado, des acando uma lacuna c í ica no capi al humano
disponí el pa a as PMEs.
De seguida o am analisados os obs áculos não só no ge al da emp esa, mas em pa icula no p ocesso
de implemen ação de ino ações. A análise ealizada iden i icou um conjun o de ba ei as, cujos impac os
são amplamen e econhecidos na li e a u a sob e o ema.
Tabela 4 - Ba ei as à Ino ação
Fon e: Elabo ação p óp ia com base nos dados do Eu oba óme o. Es es dados co espondem às espos as de odos os inqui idos do
Flash
Eu oba ome e 486 (2020) (SMEs, S a -ups, Scale-ups and En ep eneu ship)
da União Eu opeia. Inclui dados dos seguin es países: Po ugal,
Espanha, F ança, Alemanha, I ália, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Dinama ca, Finlândia, Áus ia, I landa, Polónia, Hung ia, República Checa,
Eslo áquia, Eslo énia, C oácia, Roménia, Bulgá ia, G écia, Li uânia, Le ónia, Es ónia, Chip e, Mal a e Luxembu go.
36
As di iculdades em p e e a espos a do me cado e a al a de ecu sos inancei os su gem como as
ba ei as mais equen emen e mencionadas pelos inqui idos, com 33,17% e 28,49%, espe i amen e,
das emp esas indicando es es a o es como obs áculos ele an es.
Ou o obs áculo impo an e es á elacionado à al a de compe ências, incluindo capacidades de ges ão,
apon ada po 23,56% das emp esas. Es e dado e o ça os desa ios já discu idos sob e a insu iciência de
ecu sos humanos quali icados, seguido pelo ambien e legal e adminis a i o que ambém oi iden i icado
como uma ba ei a po 23,46% dos pa icipan es, suge indo que a bu oc acia e os enca gos
adminis a i os pe manecem um en a e subs ancial pa a mui as emp esas. Es e esul ado é consis en e
com as pe ceções nega i as sob e o ambien e ju ídico e adminis a i o desc i as an e io men e.
Embo a menos equen e, a al a de in aes u u a ecnológica oi mencionada po 13,97% das emp esas.
Adicionalmen e, 14,08% dos esponden es indica am a al a de pa cei os es a égicos, e po úl imo,
di iculdades em p o ege a p op iedade in elec ual o am mencionadas po 8,31% das emp esas. Apesa
de menos equen e, es a ba ei a sublinha a impo ância de mecanismos legais e adminis a i os que
ga an am a p o eção de ino ações e p omo am um ambien e segu o pa a o desen ol imen o ecnológico.
Os esul ados ap esen ados e idenciam a mul iplicidade de ba ei as en en adas pelas PMEs no
con ex o da ino ação. Es as di iculdades não apenas limi am a capacidade de c escimen o des as
emp esas, como ambém es ingem o impac o posi i o da ino ação sob e a economia como um odo.
4.2 Jus i icação do Modelo Economé ico
Dado que a a iá el dependen e u ilizada nes e es udo ep esen a a oco ência ou não de ino ação
( a iá el biná ia: 0 pa a ausência e 1 pa a p esença), op ou-se pela aplicação de um modelo
economé ico Logi . Es e modelo é mais ap op iado do que os modelos linea es adicionais (como o
OLS), pois é especi icamen e desenhado pa a lida com a iá eis dependen es dico ómicas ga an indo
es ima i as consis en es e in e p e ações mais p ecisas. O modelo Logi é mais ap op iado pa a es e ipo
de análise, pois pe mi e es ima a p obabilidade de um e en o biná io com maio p ecisão e obus ez.
Além disso, es e modelo acili a a in e p e ação dos coe icien es em e mos de odds a io, o e ecendo
uma isão mais cla a do impac o ela i o de cada a iá el explica i a.
Fo am conside adas qua o ca ego ias de ino ação: p odu o, p ocesso, o ganizacional e ma ke ing. As
a iá eis explica i as o am selecionadas com base na li e a u a ele an e e incluem: acesso ao
37
inanciamen o, bu oc acia e egulamen ação, coope ação com pa cei os, o mação e quali icação dos
ecu sos humanos, digi alização e in aes u u a ecnológica. A análise economé ica con olou ainda
a o es como o se o de a uação, a dimensão da emp esa e o país de o igem, ga an indo que os
esul ados e le em as di e enças con ex uais en e as PMEs. A análise u ilizou o modelo Logi pa a a alia
o impac o des as a iá eis em cada ipo de ino ação, ajus ando os esul ados pa a con ola a o es
como se o de a i idade, dimensão e localização geog á ica das emp esas.
4.3 Fa o es explica i os da ino ação em PMEs: O papel do ambien e egulamen a e
adminis a i o.
Com a es imação economé ica, o oco es á em a alia se a pe ceção das PMEs quan o ao ambien e
egulamen a e adminis a i o se associa posi i a ou nega i amen e à adoção de p á icas ino ado as.
Pa a isso, o am elabo ados qua o modelos, cada um elacionado a um ipo de ino ação: p odu o,
p ocesso, o ganizacional e ma ke ing. Essa segmen ação e le e a abo dagem p opos a pela
OCDE/Eu os a , econhecendo que cada ipo de ino ação ap esen a ca ac e ís icas dis in as.
As a iá eis explica i as u ilizadas o am selecionadas com base na li e a u a e na ele ância pa a o
con ex o das PMEs, incluindo a o es como acesso ao inanciamen o, bu oc acia e egulação, coope ação
com pa cei os, o mação de ecu sos humanos, digi alização, in aes u u a ecnológica e ou os
elemen os ele an es ao con ex o ins i ucional.
Dado que as espos as à a iá el dependen e (ino ação) são biná ias (0 pa a ausência de ino ação e 1
pa a p esença de ino ação), o modelo Logi oi escolhido como o mais adequado pa a a es imação
(Guja a i, 2009).
A análise economé ica ealizada nes e es udo isa in es iga se a pe ceção do ambien e egula ó io e
adminis a i o po pa e das PMEs es á es a is icamen e associada à sua p opensão pa a ino a . Pa a
al, es ima am-se qua o modelos Logi dis in os, co esponden es a qua o ipos de ino ação: p odu o,
p ocesso, o ganizacional e ma ke ing.
De seguida são ap esen ados os esul ados dessa es imação:
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Tabela 5 – Resul ados da Reg essão Logís ica pa a os De e minan es da Ino ação em PMEs - Ino ação
de P odu o, P ocesso, O ganizacional e de Ma ke ing.
Fon e: Elabo ação p óp ia com base nos dados do Eu oba óme o. Es es dados co espondem às espos as de odos os inqui idos do
Flash
Eu oba ome e 486 (2020) (SMEs, S a -ups, Scale-ups and En ep eneu ship)
da União Eu opeia. Inclui dados dos seguin es países: Po ugal,
Espanha, F ança, Alemanha, I ália, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Dinama ca, Finlândia, Áus ia, I landa, Polónia, Hung ia, República Checa,
Eslo áquia, Eslo énia, C oácia, Roménia, Bulgá ia, G écia, Li uânia, Le ónia, Es ónia, Chip e, Mal a e Luxembu go.
A análise dos esul ados ob idos a a és dos modelos de eg essão logís ica e ela que di e sas a iá eis
êm in luência es a is icamen e signi ica i a sob e a p obabilidade de uma PME in oduzi ino ação, em
di e en es dimensões: p odu o, p ocesso, o ganizacional e ma ke ing.
A a iá el “Ambien e Regula ó io” ap esen a coe icien es posi i os e signi ica i os (p<0,01) em odos os
modelos. No caso da ino ação de p odu o, o coe icien e es imado é 0,2023, com um Exp(B) de 1,224,
indicando que, man endo as ou as a iá eis cons an es, um aumen o de uma unidade no ambien e
egula ó io aumen a a azão de p obabilidade de ino a em 22,4% numa PME. Es a endência man ém-
se na ino ação de p ocesso (B = 0,1927; Exp(B) = 1,212), ino ação o ganizacional (B = 0,2031; Exp(B)
= 1,225) e ino ação de ma ke ing (B = 0,1840; Exp(B) = 1,202), suge indo um e ei o ans e sal posi i o
da egulação pe cebida.
Es es esul ados co obo am a ideia de que egulamen ações bem es u u adas podem a ua como
es ímulo à ino ação, induzindo as emp esas a adap a em-se ou a di e encia em-se a a és de soluções
ino ado as. Es a pe spe i a es á alinhada com o abalho de Blind (2012) e Ja e & Palme (1997), que
de endem que no mas bem desenhadas podem mo i a ino ação o ien ada pa a con o midade,
e iciência ou sus en abilidade.
39
Ou as a iá eis ambém se des acam com e ei os consis en es. A a iá el “Se o ” ap esen a coe icien es
posi i os e signi ica i os pa a a ino ação de p odu o (B = 0,5232; p<0,01) e p ocesso (B = 0,3547;
p<0,01), indicando que ce as indús ias es ão mais p opensas à ino ação. Is o suge e que o con ex o
sec o ial in luência o emen e as decisões ino ado as, em linha com a li e a u a sob e ino ação
o ien ada pela ecnologia e pelas p essões de me cado.
O acesso ao inanciamen o mos a-se signi ica i o na ino ação de p odu o (B = 0,239; p<0,01) e
o ganizacional (B = 0,315; p<0,01), e le indo o papel dos ecu sos inancei os como acili ado de
in es imen o em no as ideias e p á icas de ges ão. Já a in aes u u a ecnológica em impac o
es a is icamen e ele an e na ino ação de p ocesso (B = 0,532; p<0,01), o ganizacional (B = 0,566;
p<0,01) e ma ke ing (B = 0,414; p<0,01), con i mando a impo ância de ecu sos écnicos pa a a
implemen ação de ino ação digi al, con o me ambém discu ido po Findik e al. (2023).
A idade da emp esa ap esen a coe icien e nega i o e signi ica i o pa a ino ação de p ocesso (B = -0,097;
p<0,01) e o ganizacional (B = -0,147; p<0,01), o que indica que emp esas mais jo ens endem a ino a
mais nes es domínios, possi elmen e po se em mais lexí eis e o ien adas pa a c escimen o.
Rela i amen e ao pode explica i o dos modelos, os alo es de Pseudo-R² a iam en e 0,0219 (ino ação
de p ocesso) e 0,041 (ino ação de ma ke ing). Embo a baixos, es es alo es são comuns em modelos
logi aplicados a enómenos complexos como a ino ação, onde mui os a o es ex e nos e in e nos não
obse ados in luenciam o compo amen o das emp esas. Os alo es do es e de qui-quad ado (χ²) são
ele ados e es a is icamen e signi ica i os em odos os modelos (p<0,01), com des aque pa a o modelo
de ino ação de p odu o (χ² = 257,34) e ma ke ing (χ² = 133,22), o que con i ma a adequação ge al dos
modelos e a ele ância cole i a das a iá eis incluídas.
Em odos os modelos, a a iá el “ambien e egulamen a ” e elou-se es a is icamen e signi ica i a
(p<0,01), com coe icien es posi i os em odas as o mas de ino ação. Is o suge e que, na amos a
analisada, as emp esas que iden i icam desa ios egula ó ios e adminis a i os êm maio p obabilidade
de desen ol e p á icas ino ado as. Es a elação con ain ui i a pode e le i enómenos como a ino ação
o ien ada pela necessidade de adap ação a egulamen ações exigen es, o que em sido denominado
como o “e ei o indu o da egulação” (Ja e & Palme , 1997).
Es es esul ados es ão alinhados com as conclusões de Blind (2012), que ealizou uma análise empí ica
em 21 países da OCDE, demons ando que egulações bem desenhadas podem induzi ino ação ao c ia
me cados pa a no as soluções ecnológicas, mesmo quando impõem cus os de con o midade. O au o
40
dis ingue en e di e en es ipos de egulação — económica, social e ins i ucional — e de ende que os
impac os sob e a ino ação a iam con o me a na u eza da no ma e o se o egulado.
Também Kad iu, K asniqi e Boa i (2019), ao analisa em economias em ansição, e idenciam que a
p e isibilidade e consis ência das polí icas egula ó ias aumen am a p opensão das PMEs pa a ino a ,
ao eduzi em a ince eza e acili a em a alocação de ecu sos pa a I&D. Po sua ez, Og ean e He ciu
(2021) des acam o papel das e o mas digi ais e da simpli icação adminis a i a como elemen os c í icos
pa a alinha as PMEs com as exigências da dupla ansição digi al e e de p omo ida pela União
Eu opeia.
No p esen e es udo, o ac o de a a iá el "ambien e egulamen a " ap esen a coe icien es posi i os pode
suge i que, em ez de inibi , a egulação na EU es á a a ua como mo o es indi e os da ino ação — seja
po exigi em con o midade com pad ões écnicos, seja po mo i a em as emp esas a encon a soluções
mais e icien es. A li e a u a denomina es e enómeno como “ino ação puxada pela egulação”
( egula ion-induced inno a ion) — uma pe spe i a que ambém es á pa en e nos abalhos de Ullah
(2022) e Ja e & Palme (1997).
Em e mos compa a i os, os esul ados ob idos são coe en es com os de Findik e al. (2023), que, ao
u iliza em ambém os dados do Eu oba óme o, concluem que PMEs que in es em em digi alização e
espondem p oa i amen e a es ímulos egula ó ios são mais p opensas à ino ação sus en á el. De modo
semelhan e, Sega a-Blasco e al. (2025) mos am que egulações associadas à adoção de IA e obó ica
nas PMEs uncionam como incen i os à mode nização e di e enciação emp esa ial.
A análise pe mi e conclui que, no con ex o eu opeu, um ambien e egula ó io exigen e pode coexis i
com uma dinâmica ino ado a obus a nas PMEs. Os esul ados supo am a ideia de que as
egulamen ações — quando bem desenhadas — não apenas não cons i uem ba ei as à ino ação, como
podem se um a o impulsionado . Es e esul ado em implicações polí icas ele an es: as e o mas
egulamen a es não de em isa apenas a des egulação, mas sob e udo a melho ia da qualidade e
p e isibilidade do ambien e no ma i o.
Em sín ese, os esul ados apon am pa a uma elação posi i a en e a pe ceção de exigências
egulamen a es e a p opensão pa a ino a nas PMEs eu opeias. Longe de se cons i ui apenas como um
en a e, o ambien e egulamen a pa ece unciona , em mui os casos, como um a o de p essão posi i a
pa a a ans o mação o ganizacional, écnica e come cial nas emp esas de meno dimensão. Es e
esul ado é pa icula men e ele an e se i e mos em con a que, segundo os dados do Flash
47
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