Ana C is ina Cos a e Cas o
O Papel da Supe isão Colabo a i a no
Desen ol imen o da Au onomia em
Sala de Aula
ou ub o de 2024
O Papel da Supe isão Colabo a i a no
Desen ol imen o da Au onomia em Sala de Aula
Ana C is ina Cos a e Cas o
UMinho|2024
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Ana C is ina Cos a e Cas o
O Papel da Supe isão Colabo a i a no
Desen ol imen o da Au onomia em
Sala de Aula
ou ub o de 2024
Tese de Dou o amen o
Dou o amen o em Ciências da Educação
Especialidade em Supe isão Pedagógica
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Isabel Flá ia Gonçal es
Fe nandes Fe ei a Viei a
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o
u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no
licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Ao olha pa a o caminho pe co ido ao longo des es ês anos é ine i á el não pe cebe de imedia o que
e ia sido in ini amen e mais á duo se não i esse as pessoas ce as do meu lado, que me apoia am, me
ou i am e enco aja am, e ib a am comigo a cada e apa. O mais since o ag adecimen o,
À minha o ien ado a, P o esso a Dou o a Isabel Flá ia Gonçal es Fe nandes Fe ei a Viei a, po e
ac edi ado nes e p oje o de in es igação e na minha capacidade pa a o conc e iza . Sou absolu amen e
g a a pela sua sabedo ia, po odas as pa ilhas e e lexões, po oda a sua disponibilidade e
p o issionalismo ines imá el. Po odas as suas obse ações p ecisas e sob e cada de alhe que me
pe mi i am e mais e mais além. Pela on e de inspi ação que se mos ou desde o início, que me
desa iou e guiou pa a encon a o meu NORTE!
À D a. Elisa Almeida, pelo exemplo de lide ança que semp e oi e po oda a disponibilidade, apoio,
con iança e colabo ação pa a com a ealização des a in es igação desde o p imei o dia.
Ao Cen o de Fo mação Ag upamen o de Escolas MaiaT o a na igu a do D . Cândido Pe ei a po oda a
disponibilidade e o apoio p es ado na o ganização do Cí culo de Es udos.
Aos meus colegas, pa icipan es no Cí culo de Es udos, que en a am comigo nes a iagem em busca
do seu NORTE e se mos a am disponí eis a desa ia a o ina e a ques iona , pa ilha e e le i . A eles
que me enco aja am e con ia am em mim ao longo de odo o pe cu so, con ibuindo signi ica i amen e
pa a a ealização des e es udo.
À minha amília. Aos meus pais, pelo exemplo de pe se e ança e de e minação que semp e o am e
pelos seus alo es e p incípios que me ize am a pessoa que sou hoje. Po me incen i a em a lu a pelos
meus obje i os. Pelo amo e apoio incondicionais que ouxe am le eza a es e pe cu so. Ao meu i mão,
que semp e oi um exemplo pa a mim pela sua ambição e esiliência.
Ao João, pelo seu amo e e dadei o companhei ismo, pela sua paciência e comp eensão nos momen os
mais desa ian es, po me enco aja e ac edi a semp e em mim.
A odos os que comigo se c uza am, me escu a am e me pe mi i am pa ilha um pouco des e pe cu so.
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
O Papel da Supe isão Colabo a i a no Desen ol imen o da Au onomia em Sala de Aula
RESUMO
A cons ução de uma escola democ á ica, humanis a e inclusi a mos a-se essencial pa a do a as
c ianças e os jo ens de compe ências académicas, sociais e cul u ais, capaci ando-os pa a esponde
aos desa ios do p esen e e do u u o. Pa a al, se á necessá io desen ol e uma isão ans o mado a
da educação e ede ini os papéis dos p o esso es e dos alunos po e e ência a p incípios de uma
pedagogia da au onomia. A supe isão colabo a i a su ge como um p ocesso po enciado do
desen ol imen o de p á icas con ex ualizadas e ino ado as, que ão ao encon o dos in e esses e
necessidades do con ex o, le ando os p o esso es, em colabo ação, a p oblema iza em e econs ui em
a sua ação. O p esen e es udo isou comp eende o papel da supe isão colabo a i a no desen ol imen o
de p á icas cen adas nos alunos, conc e izando-se a a és do desen ol imen o de uma ação de
o mação na modalidade de Cí culo de Es udos, na qual a in es igado a assumiu o papel de o mado a,
endo abalhado com seis p o esso es da sua ins i uição, de á eas disciplina es dis in as, en ol endo
cinco u mas do Ensino Básico (do 2.º ao 6.º anos). Os obje i os do es udo o am os seguin es:
ca ac e iza pe ceções dos p o esso es e dos alunos sob e as p á icas pedagógicas, po e e ência a
p incípios de uma pedagogia cen ada nos alunos; ca ac e iza pe ceções dos p o esso es sob e o papel
da supe isão colabo a i a na eno ação de p á icas e no seu desen ol imen o p o issional; analisa
p ocessos de supe isão colabo a i a e eno ação das p á icas pedagógicas; iden i ica po encialidades
e cons angimen os da supe isão colabo a i a na mudança pedagógica e no desen ol imen o
p o issional dos p o esso es. Em e mos me odológicos, a in es igação o ganizou-se na o ma de um
es udo de caso, sendo o caso o Cí culo de Es udos desen ol ido, ao longo do qual os pa icipan es
expandi am conhecimen o eó ico, pa ilha am conceções e p á icas, e ealiza am expe iências de
in es igação-ação de pequena escala com ecu so à obse ação in e pa es, no sen ido de o na as suas
p á icas mais cen adas nos alunos. Numa abo dagem in e p e a i a, o am analisados dados ecolhidos
a a és de ques ioná ios e en e is as aos p o esso es e aos alunos, egis os p oduzidos no âmbi o da
o mação, g a ações áudio de momen os e lexi os conjun os, um diá io de in es igação e no as de
campo. Os esul ados ob idos mos am que os p ocessos de supe isão colabo a i a a o ece am a
explo ação de p á icas pedagógicas mais cen adas nos alunos, assim como o desen ol imen o
p o issional dos p o esso es en ol idos, despe ando nes es o in e esse po p á icas mais e lexi as,
colabo a i as e ino ado as. Apesa dos desa ios que a supe isão colabo a i a e a ino ação pedagógica
ap esen am, a sua associação em con ex os de o mação con ínua pode se uma ia de ans o mação
pessoal e p o issional, com e ei os signi ica i os nas p á icas educa i as das escolas.
Pala as-cha e: desen ol imen o p o issional e lexi o, ino ação pedagógica, obse ação in e pa es,
pedagogia pa a a au onomia, supe isão colabo a i a.
i
The Role o Collabo a i e Supe ision in De eloping Au onomy in he Class oom
ABSTRACT
The cons uc ion o a democ a ic, humanis ic and inclusi e school is essen ial o p o iding child en and
young people wi h academic, social and cul u al skills, enabling hem o espond o he challenges o he
p esen and he u u e. To achie e his, i will be necessa y o de elop a ans o ma i e ision o educa ion
and ede ine he oles o eache s and s uden s wi h e e ence o p inciples o a pedagogy o au onomy.
Collabo a i e supe ision is a p ocess ha enhances he de elopmen o con ex ualized and inno a i e
p ac ices ha mee con ex ual in e es s and needs, leading eache s, in collabo a ion, o p oblema ize
and econs uc hei ac ion. The p esen s udy aimed o unde s and he ole o collabo a i e supe ision
in he de elopmen o s uden -cen e ed p ac ices. I was ope a ionalized h ough he de elopmen o a
aining ac ion – a S udy G oup –, in which he esea che assumed he ole o aine , ha ing wo ked
wi h six eache s om he ins i u ion, om di e en subjec a eas, in ol ing i e basic educa ion classes
( om he 2nd o he 6 h g ade). The objec i es o he s udy we e: o cha ac e ize eache s' and s uden s'
pe cep ions o pedagogical p ac ices, by e e ence o he p inciples o a pedagogy o au onomy; o
cha ac e ize eache s' pe cep ions abou he ole o collabo a i e supe ision in he enewal o p ac ices
and hei p o essional de elopmen ; o analyze p ocesses o collabo a i e supe ision and he enewal o
pedagogical p ac ices; o iden i y po en iali ies and cons ain s o collabo a i e supe ision in pedagogical
change and in eache s’ p o essional de elopmen . The esea ch ook he o m o a case s udy, he case
being he S udy G oup in which pa icipan s expanded heo e ical knowledge, sha ed concep s and
p ac ices, and ca ied ou small-scale ac ion esea ch expe iences using pee obse a ion, in o de o
make hei p ac ices mo e s uden -cen e ed. An in e p e a i e app oach was used o analyze da a
collec ed h ough ques ionnai es and in e iews wi h eache s and s uden s, eco ds p oduced wi hin
aining, audio eco dings o join e lec i e momen s, a esea ch dia y and ield no es. The esul s
ob ained show ha collabo a i e supe ision p ocesses a o ed he explo a ion o mo e s uden -cen e ed
pedagogical p ac ices, as well as he p o essional de elopmen o he eache s in ol ed, aising hei
in e es in mo e e lec i e, collabo a i e and inno a i e p ac ices. Despi e he challenges ha collabo a i e
supe ision and pedagogical inno a ion p esen , hei associa ion in in-se ice aining con ex s can be a
pa h o pe sonal and p o essional ans o ma ion, wi h signi ican e ec s on he educa ional p ac ices in
schools.
Keys wo ds: collabo a i e supe ision, pedagogical inno a ion, pedagogy o au onomy, pee
obse a ion, e lec i e p o essional de elopmen .
ii
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................................ iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ........................................................................................................ i
RESUMO .............................................................................................................................................
ABSTRACT ......................................................................................................................................... i
INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 1
CAPÍTULO I – SUPERVISÃO COLABORATIVA PARA A MUDANÇA EDUCATIVA ...................................... 4
1. A mudança educa i a como espaço de colabo ação ........................................................................ 4
2. A in es igação-ação e a obse ação in e pa es ao se iço da mudança e do desen ol imen o
p o issional ...................................................................................................................................... 12
2.1 Po encial ans o mado da in es igação-ação ............................................................................. 12
2.2 Po encial ans o mado da obse ação in e pa es ...................................................................... 19
3. A supe isão colabo a i a na o mação con ínua de p o esso es ................................................... 22
CAPÍTULO II - INOVAÇÃO PEDAGÓGICA PARA A PROMOÇÃO DA AUTONOMIA .................................. 32
1. Ino ação pedagógica: âmbi o, inalidades e na u eza .................................................................... 32
2. A au onomia como me a educa i a ............................................................................................... 38
CAPÍTULO III – METODOLOGIA DE FORMAÇÃO-INVESTIGAÇÃO ........................................................ 47
1. O con ex o: um local p opício à implemen ação do es udo ............................................................ 47
2. Um longo pe cu so a é ao Cí culo de Es udos ............................................................................... 49
3. Tipo de es udo, obje i os e pa icipan es ....................................................................................... 51
4. O Cí culo de Es udos .................................................................................................................... 54
5. Es a égias de ecolha e análise de dados ..................................................................................... 69
5.1. Ques ioná ios ............................................................................................................................ 71
5.1.1. Ques ioná io inicial aos p o esso es ........................................................................................ 71
5.1.2. Ques ioná io inicial aos alunos ............................................................................................... 72
5.1.3. Ques ioná io inal aos alunos .................................................................................................. 73
5.2. Re lexões conjun as: a i idades de e lexão desen ol idas no CE ................................................ 74
5.3. En e is as ................................................................................................................................ 75
5.3.1. En e is a inal aos p o esso es pa icipan es no CE ................................................................ 76
5.3.2. En e is a inal aos alunos ...................................................................................................... 77
5.4. Regis os cons uídos no âmbi o do CE ....................................................................................... 78
5.4.1. Plani icações e na a i as das expe iências ............................................................................. 79
5.4.2. Regis os de obse ação de aulas ............................................................................................ 79
5.4.3. Re lexão inal esc i a sob e o impac o no CE ........................................................................... 80
5.4.4. Diá io de in es igação e no as de campo ................................................................................ 81
CAPÍTULO IV – RESULTADOS DO ESTUDO ....................................................................................... 83
1. Pe ceções iniciais ace ca das p á icas pedagógicas ...................................................................... 83
1.1. Pe ceções dos p o esso es ........................................................................................................ 84
1.2. Pe ceções dos alunos ................................................................................................................ 92
2. Supe isão colabo a i a das p á icas pedagógicas ......................................................................... 97
4
CAPÍTULO I – SUPERVISÃO COLABORATIVA PARA A MUDANÇA EDUCATIVA
Ao longo des e capí ulo, ap esen a-se o supo e eó ico da p esen e in es igação no que conce ne
ao papel da supe isão colabo a i a na mudança educa i a. O capí ulo es á di idido em ês secções,
inciden es na mudança educa i a como espaço de colabo ação (secção 1), na in es igação-ação e na
obse ação in e pa es ao se iço da mudança e do desen ol imen o p o issional (secção 2), e na
supe isão colabo a i a na o mação con ínua de p o esso es (secção 3).
1. A mudança educa i a como espaço de colabo ação
De aco do com as polí icas educa i as nacionais e as o ien ações de o ganismos in e nacionais,
ac edi a-se hoje que a escola de e o ien a -se pa a uma educação ans o mado a, assen e em alo es
humanis as e democ á icos. Assim, essa de e se ambém a o ien ação a con e i aos p ocessos de
mudança. O Conselho Nacional de Educação (CNE, 2023 a/b) p opõe um Re e encial pa a a Ino ação
Pedagógica nas Escolas
assen e numa isão ans o mado a da educação, a qual in eg a di e sas
e en es in e elacionadas: educação inclusi a; educação pa a uma cidadania democ á ica; educação
pa a a sus en abilidade; educação digi al (inclusi a); e educação pa a a ap endizagem ao longo da ida.
Es as dimensões da educação con e em-lhe um
sen ido social
e in eg am o concei o de uma
educação
global
al como é
p omulgada pela
Decla ação Eu opeia sob e Educação Global a é 2050,
publicada pela
Global Educa ion Ne wo k Eu ope (GENE) em 2022
1
. En ende-se a
Educação Global
como:
(...) a educação que possibili a às pessoas e le i c i icamen e sob e o mundo e o seu luga no mesmo; e ab i os
seus olhos, co ações e men es à ealidade do mundo a ní el local e global. Capaci a as pessoas pa a comp eende ,
imagina , e espe ança e agi pa a c ia um mundo de jus iça social e climá ica, paz, solida iedade, equidade e
igualdade, sus en abilidade plane á ia e comp eensão in e nacional. Implica o espei o pelos di ei os humanos e
pela di e sidade, a inclusão e uma ida digna pa a odos, ago a e no u u o. (Global Educa ion Ne wo k Eu ope
(GENE), 2022).
Idealmen e, a escola de e ia agi como um odo, a uando em uníssono pa a a ingi obje i os e
p opósi os e le idos e açados conjun amen e po odos os in e enien es que nela êm palco. Ala cão
& Canha (2013) desc e em o concei o de “escola e icaz” como uma escola que educa, cons uída numa
isão de comunidade ap enden e, e lexi a e sus en ada em dinâmicas colabo a i as, com inalidades
1
h ps://www.gene.eu/
5
ans o mado as. Ap esen ando-se cada escola como um con ex o com uma as a di e sidade de alunos,
é ulc al que es a encon e “ o mas de lida com essa di e ença, adequando os p ocessos de ensino às
ca ac e ís icas e condições indi iduais de cada aluno, mobilizando os meios de que dispõe pa a que
odos ap endam e pa icipem na ida da comunidade educa i a” (Dec e o-Lei n.º 54/2018, 2018).
Con udo, di e sos a o es conco em pa a nos a as a mos da ideia de mudança educa i a como uma
possibilidade, su gindo es a esba ida num ho izon e, como que inalcançá el, em que mui os p o issionais
deixa am já de c e . En e esses a o es, podemos e e i a des alo ização social da p o issão, a
p e alência de cul u as escola es conse ado as e assen es no indi idualismo e isolamen o p o issional,
a agmen ação do cu ículo e a disciplina ização do abalho docen e, o desgas e e a exaus ão
p o issional ag a ados pela in ensi icação e bu oc a ização do abalho dos p o esso es, lide anças
escola es que são le adas ao cump imen o de bu oc acias que, mui as ezes, limi am o empo de apos a
na ino ação das p á icas, ou, ainda, a al a de mo i ação dos alunos pa a quem a escola se ap esen a
a as ada dos seus in e esses e necessidades .
Impe a a necessidade de uma mudança educacional: a ans o mação da escola num espaço
de ensino que co esponda às necessidades das á ias c ianças e jo ens que a equen am, um espaço
de ino ação em que odos enham oz, espei ando a indi idualidade dos alunos e c iando as condições
necessá ias pa a que odos a injam o seu po encial máximo e pa a que, an es de adul os ealizados,
sejam c ianças e jo ens bem-sucedidos a ní el social, emocional e académico. Tal como Seba oja
(2001) nos diz, “é necessá io pensa na escola do p esen e- u u o e não na escola do p esen e-passado”
(p. 12), e i a me odologias e pedagogias da moda e c ia espaços de mudança adequados a cada
con ex o escola .
To na a escola num espaço de c escimen o pessoal e social implica que os p óp ios p o esso es
a ejam de al modo – não como um local onde en am com a sua “másca a da docência”, deposi am
o conhecimen o que de êm e, ao inal do dia, eg essam a casa, mas an es como um espaço onde se
podem desa ia , ques iona , e olui , c esce , elaciona -se e emancipa -se. Ou i os p o esso es,
comp eende os p oblemas que en en am e en ol ê-los na mudança educacional o na-se imp escindí el
pa a que es e p ocesso enha sucesso, pois o p o esso é quem ocupa a p imei a linha de a uação jun o
dos educandos. Os p o esso es pode ão, assim, assumi -se como p o issionais a i os, e lexi os, capazes
de analisa e ans o ma as p á icas educa i as pa a da espos a aos p oblemas que encon am na sala
de aula, desen ol endo o cu ículo de o ma c í ica e lexí el, e e le indo sob e as decisões a oma , a
sua exequibilidade e a sua adequação ao con ex o em que abalham. Os docen es o nam-se
6
cons u o es de conhecimen o p á ico e não apenas aplicado es de écnicas eo izadas ou ecei as pa a
a ação (Ala cão, 1996; C ó, 1998; Dec e o-Lei n.º 55/2018, 2018).
Fullan (2016) e e e que a mudança educacional depende do que os p o esso es azem e
pensam e que, po isso, as escolas o nam-se e icazes quando êm p o issionais de qualidade, que se
sen em enco ajados e alo izados pelo seu abalho. Concebendo-se o p o esso como agen e de
mudança, es e de e se capaz de se do a de compe ências que lhe pe mi am adap a -se e econ e e -
se ace às necessidades de e adas, comp ome endo-se com o p ocesso de ino ação desde o p imei o
momen o (Cae ano, 2004; C ó, 1998). To na-se, po an o, ulc al que, numa p imei a ins ância, e li a
sob e es a ideia de mudança: Po que de o muda ? O que de o muda ? Como o posso aze ? O que
aca e a á essa mudança? Consciencializa -se ace ca do p ocesso de mudança se á essencial pa a que
o p o esso se consiga en ol e e dadei amen e nele, dando-lhe signi icado, conhecendo a sua
imp e isibilidade e as indagações que dele su gi ão, e acei ando as ince ezas, os dilemas e os iscos
que ele compo a.
Po ou o lado, a mudança educa i a nas escolas não se az de modo isolado. Ela pode á se
po enciada com a implemen ação de p á icas de supe isão colabo a i a en e docen es, a a és da
p omoção de ambien es de pa ilha de ideias e expe iências (Ala cão & Canha, 2013). A supe isão aliada
ao concei o de colabo ação assume-se como um p ocesso em que a in e ação e lexi a en e p o esso es
com aje os, con icções e p á icas di e si icados pode c ia um sen ido de comunidade, p omo e a
análise c í ica das expe iências educa i as, ge a a p odução de conhecimen os pa ilhados e melho a
a a i idade p o issional (Ala cão & Canha, 2013). O abalho colabo a i o pode se in e disciplina e pode
e e i -se a odas as ases do p ocesso ensino/ap endizagem, desde o planeamen o, à execução e
a aliação do ensino e das ap endizagens (Dec e o-Lei n.º 55/2018, 2018).
Mui as ezes, os docen es p ocu am lida com as exigências do ensino de o ma isolada, po
hábi o adqui ido ou a é mesmo po uma pos u a de ensi a ace ao ou o, po eceio de que se apode em
das suas ideias, de se em is os como exibicionis as ou incompe en es. Tudo is o acaba po limi a o
acesso a no as ideias e ecu sos, ao conhecimen o de di e en es pe spe i as ace ca da educação, assim
como à des alo ização das suas p á icas ou a é à pe sis ência no e o. Ao abalha em equipa, exis e
eedback
sob e a alidade e e icácia das p á icas po si desen ol idas, não se limi ando apenas a ele
p óp io a a és da sua e lexão indi idual ou, na melho das hipó eses, com os seus alunos (Fullan &
Ha g ea es, 2001). No comba e ao indi idualismo e ao isolamen o p o issional e, po conseguin e, ao
conse ado ismo alimen ado pela ausência de pa ilha de ideias e ecu sos ino ado es, impo a conhece
e comp eende os mo i os da inexis ência da colabo ação e as an agens que pode aze , pa a que ela
7
su ja de o ma con o á el e p o ei osa. A colabo ação não de e se uma p á ica impos a ou in lexí el,
mas sim desen ol ida de o ma g adual e con ex ualizada, em que os pa icipan es sejam ou idos e se
sin am comp eendidos, e que, a seu empo, aga melho ias isí eis nas suas p á icas educa i as e um
sen imen o de comunidade p o issional e o çado. Só assim, comp eendendo-se as dinâmicas
colabo a i as como ú eis ao desen ol imen o pessoal e p o issional, é que as mesmas con inua ão a se
le adas a cabo ao longo do empo e pode ão p o oca mudanças signi ica i as no con ex o (Fullan &
Ha g ea es, 2001). A associação da colabo ação à supe isão das p á icas pedagógicas supõe, assim,
uma conceção da supe isão como uma p á ica colegial, e lexi a e o ien ada pa a a mudança.
Du an e mui o empo en endida como uma p á ica essencialmen e inspe i a e a alia i a, e
essencialmen e elacionada com a o mação inicial de p o esso es em es ágio, a supe isão em indo
cada ez mais a se pe spe i ada e desen ol ida como um p ocesso o ma i o e es imulan e, um mo o
pa a a ans o mação e desen ol imen o dos sujei os, das suas p á icas e das ins i uições em que se
inse em (Ala cão & Canha, 2013; Ala cão & Ta a es, 2003; Mo ei a, 2004b; Roldão, 2014; Soa es,
1995; Viei a, 2006b; Viei a & Mo ei a, 2011). Embo a a supe isão pedagógica possa se de inida de
di e en es modos, assume-se nes e abalho uma isão ans o mado a da supe isão, globalmen e
de inida po Viei a (2006b) como eo ia e p á ica de egulação de p ocessos de ensino e de ap endizagem
com is a ao desen ol imen o de uma educação humanis a e democ á ica nas escolas, assen ando nos
p incípios da indagação e in e enção c í icas, democ a icidade, dialogicidade, pa icipação e
emancipação. A au o a ap esen a es as ideias no esquema da Figu a 1 (Viei a, 2006b, p. 10).
Figu a 1 – Visão ans o mado a da supe isão (Viei a, 2006b)
8
Quando o p ocesso de supe isão é assumido de o ma colabo a i a e alo izado pela
comunidade p o issional de uma ins i uição, desen ol ido de modo con ínuo e consis en e, nu e-se uma
cul u a colabo a i a, em que as elações en e os p o issionais se es ei am e os alo es de ajuda,
con iança, abe u a e ecip ocidade assumem um luga cen al. O insucesso e a ince eza deixam de se
ocul os, dando luga ao deba e, à e lexão e, po isso, mui as ezes, à disco dância e à supe ação. Es as
cul u as colabo a i as dão espos a c í ica à mudança, a a és do empenho comum num ambien e de
abalho p odu i o, com esponsabilidade cole i a e sen imen o de pe ença (Fullan & Ha g ea es, 2001).
Fala da elação en e a colabo ação p o issional e a mudança educa i a implica sublinha a
impo ância da e lexão p o issional em ambos os p ocessos. Uma das bases da supe isão colabo a i a
pa a a mudança educa i a é a e lexão conjun a sob e a p á ica educa i a. A ação e a e lexão de em
su gi em conjun o e em equilíb io, pois nem a e lexão isolada p oduz mudanças e e i as sem a
expe imen ação, nem as expe iências de ação de e ão su gi sem um p opósi o an e io men e e le ido
(Soa es, 1995). Schön (1987) dis ingue a “ e lexão na ação” da “ e lexão sob e a ação”, e e indo que
enquan o a p imei a assen a no p ocesso e lexi o que oco e du an e a p á ica a a és da obse ação,
a segunda é desen ol ida após a implemen ação da p á ica, com o obje i o de se pe cebe po que se
a uou de de e minada o ma, o impac o dessa a uação e o mas de a ape eiçoa , encon ando soluções
pa a os p oblemas eme gen es e delineando p á icas u u as. Do mesmo modo, Lamb (2000) e o ça a
impo ância da e lexão c í ica pa a uma melho ia das p á icas, na medida em que “obliges eache s o
conside he o igins and con ex s o hei own pe sonal belie s, heo ies and p ac ices, and he
implica ions o hese on hei ela ionships wi h hei pupils” (p. 125). O desen ol imen o de uma pos u a
e lexi a e de ques ionamen o de p á icas es abelecidas pe mi e ao p o esso conhece o seu pon o de
pa ida e aça o seu desejá el pon o de chegada (Cae ano, 2004), pa a além de desen ol e a sua
au onomia p o issional: “A e lexão sob e o seu ensino é o p imei o passo pa a queb a o ac o de o ina,
possibili a a análise de opções múl iplas pa a cada si uação e e o ça a sua au onomia ace ao
pensamen o dominan e de uma dada ealidade” (Ca doso e al., 1996, p. 83). A p á ica e lexi a, como
es a égia pa a o conhecimen o da p á ica e dos p oblemas que nela esidem, assim como pa a a
au o egulação dos p ocessos de mudança, o na possí el um equilíb io en e o isco e o con olo,
ajudando o p o esso a egula os seus eceios e a con inua a desa ia -se em p ol da ino ação
pedagógica e do seu desen ol imen o p o issional, es indo a pele de in es igado (Cae ano, 2004;
Ca doso, 2014).
De aco do com Oli ei a e Se azina (2002), o p ocesso e lexi o o nece ao p o esso “in o mação
co ec a e au ên ica sob e a sua ação, as azões pa a a sua acção e as consequências dessa acção” (p.
9
35). Assim, êm à supe ície as eo ias p á icas do p o esso pa a análise e discussão, po si p óp io,
pelos ou os e com os ou os, eme gindo mais hipó eses de p oblema ização e ans o mação de
conceções e p á icas, e de desen ol imen o de uma pos u a a i a no desen ol imen o da p o issão e de
si p óp ios enquan o p o issionais (Zeichne , 1993). A p á ica e lexi a en ol e momen os de deba e
sob e as ama as dos p o issionais e a o ma como se podem des aze delas, p ocesso esse que po encia
a ans o mação da p á ica docen e e o su gimen o de in es igações sob e a mesma (Oli ei a & Se azina,
2002; F. Viei a, 2010). Um p o esso que olha a sua p á ica com “len es c í icas” e a indaga com o
in ui o de a po encia , comp eendendo os en a es à mudança, explicando a sua o igem, a aliando as
suas implicações e, se necessá io, c iando no as o mas de a uação, assume o papel de p o esso -
in es igado , ques ionando as eo ias em uso e c iando no as eo ias pa a o con ex o em que abalha,
a iculando os meios que em ao seu dispo pa a da espos a às p oblemá icas que equaciona (Viei a,
2006a).
Numa pe spe i a democ á ica, a supe isão colabo a i a pa a a mudança educa i a implica a
c iação de ambien es de abalho colegiais. Day (2004) ala-nos do concei o de “colegialidade” como a
base de cons ução de uma cul u a baseada na comp eensão emocional de odos os memb os, das suas
mo i ações, p opósi os, comp ome imen os e iden idades. Fullan e Ha g ea es (2001) salien am a
impo ância da colegialidade como mecanismo pa a os p o esso es uni em o ças, ompe em com
o inas e lu a em po melho es p á icas pedagógicas, sus en ados na sua c ia i idade. Po sua ez, Li le
(1990) e o ça que a elação colegial ai mui o além de “da -se bem” ou “ abalha bem em conjun o”,
essal ando a impo ância de comp eende a in luência exis en e en e docen es e a o ma como essa
in e ação po encia (ou não) a capacidade de a ende às exigências in elec uais, emocionais e sociais do
ensino. Já Bonals (1996) ala-nos do abalho em equipa, num espaço de con iança, enco ajamen o,
e lexão, espei o e ole ância, onde os p o esso es êm opo unidade de exp essa as suas ideias e
posições e de se apoia em mu uamen e pa a jun os alcança em as suas aspi ações. Lima (2002) u iliza
ês c i é ios pa a uma a aliação da colegialidade nas cul u as docen es, dis inguindo as “ o es” das
“ acas”: a quan idade de elemen os que in e agem, a equência dessa in e ação e a ab angência da
in e ação, endo em con a as emá icas abo dadas. Segundo o mesmo au o e endo po base um es udo
po si ealizado, a colabo ação ende a dec esce quando o p ocesso de in e ação se o na mais
complexo, nomeadamen e, aquando dos momen os de p á ica conjun a, como po exemplo, a
plani icação, o desen ol imen o de ma e iais e o ensino em conjun o, po exigi um maio g au de
comp ome imen o po pa e dos pa icipan es ao ní el do empo, coo denação e exigências de
comunicação.
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Uma supe isão colabo a i a alice ça-se numa elação empá ica, a o á el a um ambien e de
en eajuda, equidade, ecip ocidade, abe u a, con iança, espon aneidade e co dialidade. Es a elação
pe mi e que os p o esso es, em colabo ação, numa pe spe i a ão ho izon al quan o possí el, se
en eguem à expe imen ação, se exp essem abe amen e e acei em os iscos que as no as o mas de
in e p e ação e a uação ca egam. Des e modo, en ol idos numa elação p opícia ao desen ol imen o
pessoal e p o issional, os p o esso es são coa o es da ans o mação educa i a (Soa es, 1995). Ala cão
e Canha (2013) sublinham qua o p eocupações basila es des a elação colabo a i a, pa a que dela seja
e i ado o seu po encial máximo: a con e gência conce ual, o aco do na de inição de obje i os, uma
ges ão pa ilhada e, po im, a an ecipação de ganhos indi iduais e comuns. Ala cão (2014) en a iza o
concei o de colabo ação e e indo-se à “in e ação colabo a i a” (p. 22), ac escen ando algumas
ca ac e ís icas des a elação: a assunção de papéis den o do pa /g upo, o espei o pela opinião c í ica,
suges ões e di e sidade dos memb os, a isão c í ica cocons u i a, e, ainda, a idelidade e o
comp omisso ace ao obje i o da a i idade/p oje o. Uma elação de colabo ação aca e a uma a i ude
de abe u a ace ao ou o e à possibilidade de au o ans o mação. Wai e (1995) p opõe uma supe isão
dialógica, em que o supe iso não su ge numa posição hie á quica supe io , mas como um Ou o que
obse a, e le e e ajuda na ans o mação das p á icas em conjun o com o p o esso , assumindo o
comp omisso da escu a conscien e e, an o quan o lhe o possí el, desapegada de c enças p óp ias
num es o ço de comp eensão do Ou o. Glickman (2002) oca a necessidade de o na cla o desde o
início o papel do supe iso como elemen o de apoio ao desen ol imen o p o issional e não como um
in e enien e a aliado de desempenho, sendo es e um a o undamen al pa a que os docen es se
sin am mais capazes de pa ilha os seus p oblemas, p eocupações e di iculdades, e assim se consiga
i a o maio p o ei o des a elação, em que a au onomia indi idual é o caminho pa a alcança obje i os
cole i os de ap endizagem e odos os in e enien es são esponsá eis pela mudança.
Apesa de odas as an agens que podem ad i dos p ocessos de supe isão colabo a i a nas
escolas, é impo an e es a cien e de di e en es o mas de colabo ação, assim como dos
cons angimen os, dilemas e di iculdades que podem su gi e pode ão coloca em causa es e ipo de
abalho.
Comecemos po abo da ês o mas de colabo ação ap esen adas po Fullan e Ha g ea es
(2001) e que podem ap esen a algumas limi ações: a balcanização, a colabo ação con o á el e a
colegialidade a i icial. Fala-se de balcanização quando docen es que con i em mais equen emen e
abalham em conjun o, mui as ezes po se em do mesmo depa amen o disciplina ou ciclo de es udos,
c iando g upos isolados e es i os. Es es g upos podem chega a compe i en e si, p ejudicando o
11
uncionamen o da escola como um odo. A colabo ação con o á el oco e quando g upos de p o esso es,
ocados apenas em aspe os p á icos e de cu o p azo, se dedicam a abalha em conjun o na
plani icação de aulas, na cons ução e pa ilha de ma e iais, ou na oca de conselhos e ideias pa a o
desen ol imen o das p á icas. Con udo, esse abalho colabo a i o não se cen a na ação, não ha endo
conhecimen o e e i o do abalho desen ol ido em sala de aula, nem e lexão e ques ionamen o sob e o
que se ensina, como se ensina e po que azões se ensina de de e minada o ma em de imen o de
ou a. Po sua ez, a colegialidade a i icial é um p ocesso de colabo ação con olado e egulado pelos
di igen es das escolas, que pode en ol e a plani icação de a i idades, a consul a en e colegas, empos
de eunião o mais pa a deba e, en e ou os. Es e ipo de colegialidade inci a à implemen ação de no as
abo dagens e écnicas, à pa ilha, ap endizagem e ape eiçoamen o de compe ências e sabe
especializado. Possui al denominação pelo a i icialismo adminis a i o c iado pa a a conc e iza , uma
ez que não su ge po inicia i a dos p o esso es, mas sim po que a di eção escola c ia as condições
necessá ias pa a apoia e acili a o abalho colabo a i o en e p o issionais den o do seu ho á io de
abalho. Embo a os au o es conside em que odas as cul u as colabo a i as possam e na sua génese
algum a i icialismo, conside am que, quando as p á icas de colabo ação não são desen ol idas
adequadamen e, podem eduzi a mo i ação docen e pa a colabo a , pois se ão is as como um
p ocesso impos o e in lexí el, em que os p o esso es são ob igados a abalha em conjun o na melho ia
da sua p á ica. Em suma, an o a balcanização como a colabo ação con o á el e a colegialidade a i icial
podem ep esen a um começo pa a a cons ução de uma o ma mais ala gada de colabo ação, is o é,
de uma cul u a colabo a i a, em que o ensino conjun o, a obse ação mú ua da p á ica ou a in es igação-
ação ganham luga .
É impo an e salien a que cul u as colabo a i as não se desen ol em apidamen e e são de
di ícil sus en ação no espaço e empo, o que az com que mui as ezes acassem ou se op e po
expe iências de colabo ação “supe iciais, pa ciais e, a é, con ap oducen es” (Fullan & Ha g ea es,
2001, p. 109). Se ia en ão i ealis a ac edi a que a supe isão colabo a i a é de ácil implemen ação ou
az somen e bene ícios, quando sabemos que qualque dinâmica que en ol a a comunicação de ideias,
c enças e pon os de is a en e pa es, mesmo endo p esen es os p incípios é icos do “sabe es a ”,
pode ge a eceios de exposição ao ou o, descon o o, inibição ou a é con li os. Um dos
cons angimen os pode se o ac o de a ideia de ans o mação de p á icas com is a a o ná-las mais
humanis as e democ á icas não se compa ilhada de igual o ma po odos os in e enien es. Po ezes,
pode assumi -se essa ideia somen e no plano do ideal, pelo ac o de os p o issionais não ac edi a em na
sua capacidade de muda e aze muda , ou não e em uma e dadei a p edisposição pa a a mudança
12
(Fullan & Ha g ea es, 2001; Pe enoud, 2002). Quando a p edisposição pa a a mudança é débil ou não
es á di ecionada pa a uma educação humanis a e democ á ica, a colabo ação pode á e o ça p á icas
de o ien ação ep odu o as. Fullan & Ha g ea es (2001) salien am, po isso, a impo ância de cada
pessoa de ini a sua posição indi idual e c í ica ace às si uações/ emá icas pa a depois se de ini uma
espos a cole i a. Viei a e Mo ei a (2011) des acam ainda ou os cons angimen os da implemen ação
de p á icas de supe isão colabo a i a, como as exigências de empo pa a as a e as que en ol e, as
incompa ibilidades de ho á io pa a a e lexão conjun a, a al a de acesso a ecu sos e espaços, ou mesmo
a esis ência dos alunos à al e ação das dinâmicas p opos as pelos p o esso es.
Apesa de odos os cons angimen os, iscos e eceios ine en es a qualque p ocesso de
mudança e ans o mação, os p o esso es podem semp e ambiciona e olui p o issionalmen e,
ques ionando a sua ealidade ace ao que ac edi am se o seu ideal, e p ocu ando c ia pon es en e o
eal e o ideal, de o ma equilib ada e em con o midade com o con ex o em que es ão inse idos e com as
possibilidades que es e lhes o e ece. Embo a sejam mui o di e si icadas as es a égias que podem
a o ece a colabo ação pa a a mudança educa i a, sublinha emos duas pela impo ância que
assumi am no es udo ealizado: a in es igação-ação e a obse ação de aulas en e pa es.
2. A in es igação-ação e a obse ação in e pa es ao se iço da mudança e do
desen ol imen o p o issional
2.1 Po encial ans o mado da in es igação-ação
Numa e a em que udo é en egue aos p o esso es de o ma o ganizada e dige ida como se de
ecei as pa a odos os males se a asse, e em que o seu papel pode á passa apenas pela aplicação
e icaz de o ien ações p é-de inidas em sala de aula, az sen ido pa a pa a e le i sob e as p á icas,
aco da medos e inquie ações, e in es iga as p óp ias p á icas? Se ac edi a mos que os p o esso es não
de em se me os écnicos de ensino e podem se agen es de mudança, como ica cla o nos p essupos os
acima ap esen ados, a espos a a es a ques ão só pode se a i ma i a. Teo ia, p á ica e in es igação,
concei os ou o a is os em campos sepa ados, ago a colocados em con on o e em a iculação, são
ca alisado es pa a o desen ol imen o do ensino, conside ando-se que “p o essional eaching knowledge
is buil on a dialogue be ween heo y and p ac ice and de eloped h ough indi idual and collec i e
e lec ion on a g owing epe oi e o expe iences” (UNESCO, 2021, p. 83). Uma das ecomendações do
13
Conselho Nacional de Educação (CNE, 2024) sob e as dimensões es u u an es da p o issão docen e
assen a p ecisamen e em “apoia a c iação e consolidação de edes e comunidades de ap endizagem
p o issional que po enciem a dimensão cole i a e in es iga i a da p o issão docen e e e o cem a
iden idade p o issional dos p o esso es” (p. 8). Assim, os p o esso es, em colabo ação, podem assumi -
se como pa icipan es e coau o es da in es igação sob e as p á icas educa i as, o nando-se capazes de
desen ol e conhecimen os den o e pa a além da sua p o issão (Ca doso, 2014; UNESCO, 2021).
A a és da in es igação-ação, podem desocul a e en en a ques ões p oblemá icas e o na a sua ação
mais educa i a, capaci ando-se pa a a eno ação das suas p á icas ao longo da sua ca ei a (Kemmis,
2006; Nó oa, 2017). Ao in es iga a sua p óp ia p á ica, i ão inci a os seus alunos a se em eles p óp ios
in es igado es do seu abalho, e le indo sob e o mesmo, ques ionando-o, egulando-o e a aliando-o
(Ala cão, 1996; Tonucci, 1990, ci ado po Ca doso e al., 1996). Po an o, o po encial ans o mado da
in es igação é mul i ace ado, na medida em que ela em e ei os nas p á icas de ensino, nas expe iências
de ap endizagem, no desen ol imen o p o issional docen e e nas cul u as escola es, con ibuindo pa a
a cons ução de escolas mais e lexi as. Ala cão (2001) abo da o concei o de
escola e lexi
a como uma
“escola que se pensa e que se a alia em seu p oje o educa i o” (p. 15), ge ando conhecimen o sob e si
p óp ia como um o ganismo i o, uma “o ganização ap enden e que quali ica não apenas os que nela
es udam, mas ambém os que nela ensinam ou apoiam es es e aqueles” (p. 15). Assim, e le i sob e
as i ências que p opo ciona, colocando em diálogo os p oblemas, sucessos e acassos, assim como
os pensamen os de odas as pessoas que com ela con ac am, é undamen al pa a lhe da sen ido e a
o na mais democ á ica, esponsá el, si uada, dinâmica e humana.
A in es igação da p óp ia p á ica, is o é, a in es igação-ação, su ge assim como uma me odologia
pa a a comp eensão e ans o mação da p á ica em espos a aos p oblemas e desa ios que a educação
en en a. Des aco aqui o es emunho ap esen ado há ce ca de duas décadas po Ellio (1991), um dos
au o es pionei os do mo imen o da in es igação-ação no ensino, que, na década de 60, em Ingla e a,
oi memb o in eg an e do mo imen o de p o esso es-in es igado es esponsá el po uma e o ma
cu icula no sis ema de educa i o po es e não co esponde aos in e esses e necessidades dos alunos
e assim limi a o seu sucesso académico. Com is a a da espos a a es e p oblema, esse conjun o de
p o esso es ino ado es, denominados de “inno a o y seconda y mode ns”, depa a am-se com a
necessidade de o na o cu ículo mais a a i o e, po conseguin e, ans o ma o sis ema de exames e
c ia espaços de ap endizagem pa a os alunos es abelece em conexões en e os con eúdos e as suas
i ências, elaciona conhecimen os e o na o p ocesso de ap endizagem mais signi ica i o.
De on a am-se en ão, nessa época, duas o ças opos as e de ensão: os “inno a o y seconda y
20
em-se assumido cada ez mais como um “p ocesso de in e ação p o issional, de ca ác e
essencialmen e o ma i o, cen ado no desen ol imen o indi idual e cole i o dos p o esso es e na
melho ia da qualidade do ensino e das ap endizagens” (Reis, 2011, p. 11). A obse ação é en ão uma
e amen a undamen al pa a conduzi no as expe imen ações, acili ando a sua es agem e a aliação,
sendo que o p o esso de e se capaz de obse a e p oblema iza aquilo que obse a, pa a depois
in e i e a alia (Es ela, 1994). A a és da obse ação, o p o esso ecebe
eedback
e apoio po pa e
do colega obse ado pa a a comp eensão e e o mulação do p ocesso ensino e da sua elação com a
ap endizagens dos p óp ios alunos (Donnelly, 2007). O p o esso obse ado , p ocu ando ado a a
pe spe i a do aluno, assume-se como um ecu so de ap endizagem p o issional pa a o p o esso
obse ado, po se ap esen a como um elemen o ulc al na e lexão sob e as p á icas, os seus p oblemas
e possí eis soluções (Donnelly, 2007; Fialho, 2016). Tal como e e e Donnelly (2007), “ e lec ion on
p ac ice is he key o inc easing le els o sel -e icacy in eache s” (p. 122), o nando os p o issionais
mais con ian es, capazes e mo i ados em a ingi os seus obje i os.
Reis (2011) abo da ês capacidades que o p o esso obse ado de e e : a capacidade de ou i ,
a capacidade de ques iona e a capacidade de a en a à sua linguagem co po al. O mesmo au o salien a
ainda que, pa a a obse ação e sucesso, é necessá io exis i uma p epa ação me iculosa, no que
conce ne à “ equência e du ação, à iden i icação e negociação de ocos especí icos a obse a , à seleção
das me odologias a u iliza e à concepção de ins umen os de egis o adequados à ecolha sis emá ica
dos dados conside ados ele an es” (p. 25). Assim, a obse ação pode á se mais ab angen e ou
di ecionada consoan e os in e esses e necessidades de e ados, podendo ecai sob e aspe os como os
compo amen os e a i udes dos alunos e/ou do p o esso , as in e ações em sala de aula, a cla eza e o
igo na explo ação dos con eúdos, os ecu sos didá icos em uso, en e ou os (Fialho, 2016).
Dado que os p ocessos de supe isão colabo a i a podem di eciona -se à esolução de
p oblemas exis en es na sala de aula e à ino ação das p á icas pedagógicas, az sen ido que a obse ação
seja o ien ada, desenhada e em pa e delimi ada, de o ma a oca especi icamen e os p oblemas em
es udo pa a assim se consegui da uma espos a mais e icaz. Pa a al, impo a que, num momen o
inicial, o p o esso coloque a ques ão “Obse a pa a quê?” (Es ela, 1994), pois só um p ocesso
de idamen e comp eendido e omado como ú il é que pode á se le ado a cabo com se iedade e
comp ome imen o, podendo assim aze b o a os u os desejados. Pos e io men e, aquando do
desenho e o ganização de um p ocesso de obse ação de aulas, de em se conside adas ques ões,
como “Quem? O quê? Onde? Quando? Como? Po quê?” (Donnelly, 2007).
21
O p o esso obse ado , du an e a aula obse ada, pode assumi uma a i ude pa icipan e ou
não pa icipan e, dis anciada ou pa icipada, in encional ou espon ânea (Es ela, 1994; Fialho, 2016).
Pode ecolhe dados a a és do uso de uma g elha (obse ação a mada), de o ma desc i i a e na u alis a
(obse ação desa mada), ou conjuga es es dois egis os, conciliando o p eenchimen o de uma g elha
pa a a análise da p esença ou equência de de e minados aspe os e a desc ição de si uações
conside adas signi ica i as (Fialho, 2016). Donnelly (2007) ale a pa a a u ilidade de o p o esso a isa
os alunos com an ecedência da compa ência de um p o esso obse ado em sala de aula, escla ecendo
os obje i os de al p esença, a im de ele a a anspa ência do p ocesso e e i a sen imen os de
es anheza ou a é eceio, uma ez que a obse ação in e pa es não cons i ui uma p á ica egula em
mui as escolas.
Numa ap oximação a um modelo de supe isão clínica, o p ocesso de obse ação in eg a um
ciclo de ês momen os: um p imei o, an es da obse ação, em que são es abelecidos e cla i icados os
obje i os da mesma, o conhecimen o do plano de aula, as es a égias a usa , a du ação, o ho á io; um
segundo, que consis e na obse ação da aula e no qual o p o esso obse ado p ocede ao egis o dos
aspe os ele an es, de aco do com os obje i os es abelecidos inicialmen e; e um úl imo momen o, em
que o p o esso obse ado se eúne com o p o esso obse ado pa a deba e em os aspe os da aula que
conside em mais pe inen es, com is a a comp eende e e e o mas de a uação (Fialho, 2016; Reis,
2011; F. Viei a, 1993a). Obse a aulas não pode, po isso, se um a o isolado, mas sim uma ação
in eg ada num ciclo e lexi o que inclui a p epa ação da obse ação e a análise das si uações obse adas
(Ca nei o, 2014). Cada ciclo de obse ação p opicia ao p o esso opo unidades pa a desc e e ,
in e p e a , con on a e econs ui eo ias e p á icas, o que é imp escindí el ao seu desen ol imen o
p o issional (F. Viei a, 1993a, 1993b).
A egula idade des e ipo de expe iências, p incipalmen e quando se a a da obse ação mú ua
de aulas em p ocessos de supe isão colegial, pode aze e olui a elação dos p o issionais ao pon o de
aze eme gi um sen imen o de comunidade (Ala cão & Canha, 2013; Fialho, 2013), mas pa a al é
essencial c ia uma elação a e i a de abe u a e espei o mú uo, e zela po um equilíb io de pode que
assegu e a libe dade de exp essão e de ação de cada um. Os p ocessos de obse ação e e lexão
conjun a in eg ados em p á icas de supe isão colabo a i a ajudam os p o esso es a ap ende a ap ende
uns com os ou os, num ambien e de na u eza au odi igida, em que odos êm espaço e empo pa a
exp essa as suas opiniões e oma decisões (Donelly, 2007). Esses p ocessos po enciam, ainda, a
comp eensão e a consciencialização dos papéis exis en es em sala de aula e podem e o ça a
au ocon iança dos p o esso es no desen ol imen o do seu abalho (Ribei o, 2010).
22
Rosmaninho e Romão (2021), no seu es udo sob e o con ibu o da obse ação de aulas pa a o
desen ol imen o p o issional docen e, pa a além de econhece em a obse ação de aulas como uma
es a égia aliada à supe isão colabo a i a pa a a ino ação das p á icas pedagógicas, alo izando os seus
ês momen os, de e a am alguns cons angimen os que a obse ação pode ap esen a , nomeadamen e,
o ac o de não se em p á icas desen ol idas com a equência e sis ema icidade desejadas, a
ea alização das aulas obse adas, não co espondendo às p á icas egula es, ou o ac o de os
p o esso es não e em no seu ho á io empo p e is o pa a a obse ação de aulas, icando es a p á ica
o almen e dependen e da on ade dos mesmos. Em consonância com as ideias an e io es, Donnelly
(2007), no seu es udo sob e o impac o da implemen ação de um esquema de obse ação en e pa es
no ensino, como pa e de um p og ama de ce i icação pós-g aduada pa a o desen ol imen o p o issional
docen e, encon ou limi ações como a insu iciência de empo pa a a p epa ação das sessões de e lexão
conjun a, pa a o o necimen o de
eedback
e p eenchimen o de documen os, assim como o ac o de o
eedback
do p o esso obse ado pode se pouco c í ico, le ando o p o esso obse ado a e
di iculdades em comp eende o que muda , como muda e com que p opósi os.
A obse ação in e pa es oi in eg ada no CE desen ol ido e adian e ela ado, sendo aí en endida
como um p ocesso que a o ece p á icas de in es igação-ação e de colabo ação no con ex o da o mação
con ínua de p o esso es. É pa a esse con ex o que se ol a ago a a a enção, sublinhando a noção de
p o issionalismo docen e, o papel que a supe isão colabo a i a pode desempenha no seu
desen ol imen o e o ipo de o mação que se espe a num Cí culo de Es udos enquan o modalidade de
o mação p e is a no Regulamen o pa a Ac edi ação e C edi ação de Acções de Fo mação Con ínua
(Conselho Cien í ico-Pedagógico de Fo mac!ão Con ínua (CCPFC) (2016).
3. A supe isão colabo a i a na o mação con ínua de p o esso es
No início da sua ca ei a, o p o esso que seja mo ido pela paixão pelo ensino es a á com um
olha pos o em odas as possibilidades, ime so em ideias c ia i as, de e minado a aze a di e ença na
ida dos seus alunos, em que o “ aze e acon ece ” é a o dem do dia pa a c ia a sua imagem de “bom
p o esso ” – a me a a alcança .
Mas o que se á um “bom p o esso ”? E o que se espe a des e p o issional? Segundo C ó (1998),
a o mação de um bom p o issional docen e de e ia con empla ês dimensões: os conhecimen os que
de ém ao ní el das polí icas educa i as, dos modelos e es a égias de ensino, do con eúdo a ensina e
23
dos sujei os a educa ; as suas compe ências pa a analisa si uações educa i as, pa a plani ica , aplica
e a alia as es a égias ado adas, eajus ando-as, se necessá io; e as qualidades pessoais,
nomeadamen e, a sua capacidade de comunicação, de escu a, de acei ação do aluno e das suas
pa icula idades, assim como a sua lexibilidade e c ia i idade na esolução de p oblemas. Day (2004),
na mesma linha de pensamen o, en a iza a capacidade de o p o esso se acessí el ao aluno,
p eocupando-se com ele enquan o ap endiz e enquan o pessoa, enco ajando-o a ap ende de di e en es
o mas e a esponsabiliza -se pela sua ap endizagem. Pa a o au o , um ensino de qualidade es á
in ei amen e ligado aos alo es dos p o esso es, às suas con icções é icas, às suas a i udes
ela i amen e à ap endizagem e ao seu empenho em se a sua melho e são pa a os seus alunos em
odos os momen os.
Ao longo da ca ei a, desempenha odos os anos o mesmo papel pode se en aquecedo e
causa dessensibilização ace à impo ância que a p o issão docen e em e às necessidades dos alunos
(Fullan & Ha g ea es, 2001). Como a i mam Glickman e Bu ns (2021), “Some imes eache s migh
become us a ed because hey eel like hey a e s agna ing p o essionally. Teaching is no exci ing o
hem anymo e” (p. 22). Os au o es suge em um conjun o de es a égias que podem eene giza os
p o esso es e apoia o seu desen ol imen o con ínuo nas escolas, como, po exemplo, expandi o
pensamen o dos p o esso es a a és do diálogo, ques ionamen o e desa io de ideias, assim como
p omo e a sua pa icipação em con e ências e
wo kshops
, a lei u a de a igos ou li os que p o oquem
a indagação das p á icas, e ainda incen i á-los a es abelece am o con ac o com ou os que es ejam
en ol idos em p á icas ino ado as (Glickman & Bu ns, 2021).
Fullan e Ha g ea es (2001) suge em o
concei o de “p o issionalismo in e a i o” como a cha e pa a p epa a , sus en a e mo i a os docen es
ao longo da sua ca ei a e enume am doze o ien ações pa a o p o esso desen ol e o seu abalho na
docência de o ma a i a, conscien e e colabo a i a. Tais o ien ações são as seguin es (Fullan &
Ha g ea es, 2001, p. 113):
Localize, escu e e a icule a sua oz in e io ;
P a ique a e lexão na ação, pela e sob e a ação;
Desen ol a uma men alidade o ien ada pa a o isco;
Con ie nos p ocessos, bem como nas pessoas;
Ao abalha com os ou os, ap ecie a pessoa na sua ín eg a;
Empenhe-se em abalha com os seus colegas;
P ocu e a di e sidade e e i e a balcanização;
Rede ina o seu papel, de modo a inclui a esponsabilidade o a da sala de aula;
24
Equilib e abalho e ida p i ada;
P essione e apoie os di e o es e ou os adminis ado es, no sen ido de desen ol e em um p o issionalismo
in e a i o;
Empenhe-se no ape eiçoamen o con ínuo e na ap endizagem pe manen e;
Moni o ize e o aleça a ligação en e o seu desen ol imen o e o dos alunos.
Nes e sen ido, os p o esso es, ao longo da sua ca ei a, “ êm de se agen es ac i os do seu
p óp io desen ol imen o e do uncionamen o das escolas como o ganização ao se iço do g ande p oje o
social que é a o mação dos educandos” (Ala cão, 1996, p. 177). Con udo, a noção de p o issionalismo
docen e não se dissocia das ci cuns âncias em que o abalho docen e se desen ol e e exis em di e sos
a o es que o nam a p o issão pa icula men e exigen e e complexa. O Conselho Nacional de Educação
(CNE, 2024) e e e alguns desses a o es e sinaliza a exis ência de “ ensões en e um p o issionalismo
bu oc á ico, o ganizacional e ge encialis a, po um lado, e um p o issionalismo colabo a i o, ocupacional
e democ á ico, po ou o” (p. 2). No mesmo documen o, são iden i icadas seis componen es da p o issão
docen e que a o nam especialmen e complexa: écnica; in elec ual e c ia i a; elacional e emocional;
é ica e polí ica; in es iga i a; e cole i a. P opõe-se, po an o, uma isão ampla do p o issionalismo
docen e e são ecidas ecomendações ao ní el da alo ização da p o issão docen e, do
con inuum
da
o mação ( o mação inicial, indução p o issional e o mação con ínua), das condições do exe cício da
p o issão e do e o ço do p o issionalismo docen e. Sob e a o mação con ínua de p o esso es, campo
no qual se desen ol eu o p esen e es udo, ecomenda-se o seguin e (CNE, 2024, p. 9):
Re o ça polí icas de o mação con ínua que espondam ao ca á e mul i ace ado do abalho dos p o esso es e à
di e sidade de p á icas e de con ex os numa lógica de ino ação e de colabo ação;
Rede ini o modelo de o mação con ínua, enquan o es a égia de desen ol imen o p o issional dos p o esso es, no
sen ido de esponde às especi icidades de cada con ex o e não ica dependen e de agendas polí icas que de inem,
a ní el nacional, p io idades nem semp e alinhadas com as necessidades das escolas;
C ia opo unidades de desen ol imen o p o issional ele an es pa a os p o esso es endo em con a o seu pe cu so
o ma i o, a sua aje ó ia p o issional, a ase da ca ei a em que se encon am e os con ex os em que abalham,
pa a além do equisi o exigido no con ex o da a aliação do desempenho docen e;
P omo e espaços de e lexão, de pa ilha e de cons ução de conhecimen o p o issional, omen ando a dimensão
cole i a da p o issão a a és de p oje os de o mação con ínua que a endam aos desa ios da p á ica p o issional dos
p o esso es;
C ia pa ce ias en e ins i uições de ensino supe io e escolas pa a a o mação dos ( u u os) p o esso es assen es
numa lógica de p oje o e de a iculação en e di e en es espaços e empos de o mação;
A alia o impac o da o mação con ínua no desen ol imen o p o issional dos p o esso es, na mudança das p á icas
cu icula es e pedagógicas e nas ap endizagens dos alunos;
25
Di ulga e discu i , nas escolas, os esul ados dessa a aliação com is a à iden i icação de e en uais p oblemas, à
e lexão e à busca conjun a de soluções em con ex o.
As ações de o mação con ínua não de em se is as como si uações isoladas, selecionadas
num ca dápio, consumidas pelos p o esso es e sem consequências na sua ação. De em se
selecionadas de aco do com as es a égias de desen ol imen o de cada escola e a ende aos in e esses
e necessidades dos docen es, endo em con a as p oblemá icas i enciadas no con ex o. As
ecomendações do Conselho Nacional de Educação acima ap esen adas sublinham ambém que a
o mação con ínua de p o esso es de e se de na u eza e lexi a, colabo a i a e cole i a, o ien ando-se
pa a a mudança. Nes e cená io, a á sen ido c ia ambien es de supe isão colabo a i a com ecu so à
in es igação-ação e à obse ação in e pa es, como oi o caso da ação de o mação desen ol ida na
modalidade de Cí culo de Es udos.
Em Po ugal, a o mação con ínua é en endida com um mecanismo pa a o ape eiçoamen o e
ino ação das p á icas, pelo desen ol imen o p o issional docen e e pela melho ia do desempenho e dos
esul ados escola es dos alunos (Dec e o-Lei n.º 22/2014, 2014). Pode assumi di e sos o ma os –
Ação de Cu a Du ação, Cu so de Fo mação, O icina de Fo mação, Cí culo de Es udos, Es ágio e P oje o
– os quais ap esen am inalidades, modos de o ganização e e ei os p o issionais di e sos. O Quad o 2
esume as modalidades de o mação exis en es, de aco do com o Regulamen o pa a Ac edi ação e
C edi ação de Acções de Fo mação Con ínua (CCPFC, 2016) e o Despacho n.º 5741/2015, de 29 de
maio (Despacho n.º 5741/2015, 2015).
Quad o 2 - Modalidades de o mação con ínua em Po ugal
Ação de Cu a Du ação
Ação de o mação de cu a du ação elacionada com o exe cício p o issional, incluindo seminá ios, con e ências, jo nadas
emá icas e ou os e en os de ca iz cien í ico e pedagógico.
Tem a du ação mínima de 3 ho as e máxima de 6 ho as.
Cu so de Fo mação
Des ina-se à aquisição, a ualização, ala gamen o e ap o undamen o de conhecimen os cien í icos e pedagógico-didá icos
e de compe ências p o issionais especializadas, podendo inclui colóquios, cong essos, simpósios, jo nadas e inicia i as
congéne es que se o ganizem em unção de uma emá ica. Pode assumi um ca ác e exclusi amen e eó ico e/ou eó ico-
p á ico, conc e izando-se p e e encialmen e em sessões conjun as p esenciais.
Tem a du ação mínima de 12 ho as.
O icina de Fo mação
Des ina-se à conceção, cons ução e ope acionalização de me odologias, écnicas e ins umen os, ecu sos e p odu os
pedagógicos e/ou didá icos com is a a esol e p oblemas conc e os e de idamen e iden i icados ao ní el da escola e/ou
da sala de aula. In eg a ês passos sequenciais: a) sessões p esenciais conjun as, pa a enquad amen o eó ico e/ou
no ma i o-legal, elabo ação de me odologias e/ou de ins umen os e ma e iais pedagógico-didá icos e o ganização do
26
desempenho dos o mandos po e e ência a essas me odologias e/ou ins umen os e ma e iais; b) abalho au ónomo
pa a conc e ização no e eno das decisões, es a égias e écnicas es abelecidas e aplicação, bem como a e ição inicial
dos esul ados des a, dos ma e iais e ecu sos gizados no passo an e io ; e espe i a ecolha de dados pa a e lexão
pos e io ; c) sessões p esenciais conjun as, pa a ap esen ação dos esul ados ob idos pelos o mandos e p odução de
sín eses igo osas, sis ema izadas e capazes de consolida desempenhos subsequen es que se e ela am e icazes.
Tem a du ação de 12 ho as (mín.) a 50 ho as (máx.) p esenciais e empo equi alen e de abalho au ónomo, pa a um
mínimo de 5 e máximo de 20 o mandos po ação.
Cí culo de Es udos
Des ina-se à in e ogação da ealidade educa i a – an o do sis ema educa i o como da escola e da sala de aula – e à
seleção e explo ação c í icas de ques ões e p oblemas de ele o pa a o desempenho docen e. Implica a eleição de
p incípios, p ocedimen os e ins umen os pedagógico-didá icos susce í eis de ge a mudanças p o issionais posi i as,
dando o igem a es udos de casos, p i ilegiando o deba e, a discussão, a in e ação e a in es igação. Inclui sessões
p esenciais conjun as e sessões de abalho au ónomo, que se o ganizam consecu i a e sequencialmen e al e nadas: a)
sessões p esenciais conjun as pa a le an amen o e delimi ação de ques ões/p oblemas ele an es, e de ecu sos que
pe mi am explo á-los de uma o ma es u u ada; b) abalho au ónomo, conduzido po me odologias de in es igação, no
âmbi o das quais a explo ação das ques ões/p oblemas escolhidos de em se obje o de um egis o capaz de sus en a
uma e lexão con inuada, consis en e e e icazmen e p odu i a; c) sessões p esenciais conjun as, pa a ap esen ação da
in es igação a que o am subme idas as ques ões/p oblemas; os dados ecolhidos pelos o mandos e as sín eses a que
conduzam de em pe mi i inequí ocas melho ias em desempenhos subsequen es.
Tem a du ação mínima de 12 ho as pa a um mínimo de 5 e máximo de 10 o mandos po o mado e 20 po ação.
Es ágio
Des ina-se ao desen ol imen o e o ape eiçoamen o p á icos de p ocedimen os, me odologias e écnicas cen adas na
ealidade dos di e en es domínios da ida escola . Pode assumi me odologias á ias, que conduzam a uma o mação
cen ada na escola e nos di e en es domínios a ela a inen es, a a és da consolidação de conhecimen os e de a i udes de
mudança e implemen ação de es a égias ino ado as.
Tem a du ação mínima de 12 ho as e máxima de 50 ho as pa a um mínimo de 1 e máximo de 7 o mandos po o mado .
P oje o
Des ina-se ao desen ol imen o de me odologias de in es igação- o mação cen adas na ealidade expe imen al da ida
escola e/ou comuni á ia – semp e no âmbi o do e i ó io educa i o –, a in e enção ao ní el da in e ação social e
disciplina pa a esol e p oblemas e/ou desen ol e planos de ação, o inc emen o do abalho coope a i o in e disciplina
e o ap o undamen o da elação en e o sabe e o aze e a ap endizagem e a p odução. Visa a consolidação de a i udes
de mudança e a p odução de conhecimen os e es a égias ino ado as. Pode assumi me odologias á ias, que conduzam
a uma o mação e e i amen e cen ada na escola e nos con ex os e e i ó ios educa i os.
Tem a du ação mínima de 12 ho as e máxima de 50 ho as, com o dob o de ho as de abalho au ónomo, pa a um mínimo
de 1 o mando e máximo de 7 o mandos po o mado .
As modalidades de Cí culo de Es udos e de P oje o são mais complexas do que as es an es,
uma ez que exigem o desen ol imen o de p ocessos de a iculação eo ia-p á ica e in es igação-ensino,
eque endo uma du ação ala gada no empo e um apoio con inuado do o mado , assim como modos
de a aliação mais complexos com is a à ce i icação dos o mandos. Tal ez po es as ca ac e ís icas,
são ambém menos equen es dos que as ou as modalidades. Obse e-se a Tabela 1, que ap esen a o
núme o de ações de o mação ac edi adas po modalidade com base no Rela ó io de A i idades do
CCPFC e e en e ao ano de 2023 (CCPFC, 2023).
27
Tabela 1 - Ações de o mação ac edi adas po modalidade e en idade no ano de 2023 (CCPFC, 2023)
Modalidade
AE
AP
IES
Ou as
To al
Cu so de Fo mação
1506
768
206
121
2601
O icina de Fo mação
981
63
32
28
1104
Cí culo de Es udos
55
1
3
0
59
Es ágio
1
0
0
0
1
P oje o
2
0
0
1
3
AE – Ag upamen o de Escolas; AP – Associações de P o esso es; IES – Ins i uição de Ensino Supe io
Em Po ugal, no ano de 2023, apenas 59 p ocessos de ac edi ação de ações de o mação
co espondem à modalidade de Cí culos de Es udos (1,5% do o al de ações ac edi adas), ha endo uma
p eponde ância dos Cu sos de Fo mação com 2601 p ocessos e das O icinas de Fo mação com 1104
casos. A a és do Tabela 2, é possí el comp eende que, ao longo dos anos, en e 2017 e 2023, a
modalidade de Cí culo de Es udos em ocupado um luga ma ginal nas ações ac edi adas.
Tabela 2 - A modalidade de Cí culo de Es udos en e 2017 e 2023 (CCPFC, 2023)
Modalidade
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
Cí culo de Es udos
1,1%
1,19%
1,68%
0,71%
0,78%
2,16%
1,5%
O Cí culo de Es udos, de o igem nó dica, mui o ap eciado na Suécia, apon a os seus inícios em
Po ugal na segunda me ade do século XX, de algum modo de ido à pa ce ia es abelecida en e a Agência
Sueca pa a a Coope ação e Desen ol imen o In e nacional e a Uni e sidade do Minho. Es a pa ce ia deu
o igem ao P oje o de Educação de Adul os, cujo obje i o e a sensibiliza , mo i a e o ma p o esso es
pa a a implemen ação, no e eno, de p og amas de o mação de adul os, em á eas dis in as. Salien a-
se o desen ol imen o de cí culos de es udos ealizados no Hospi al de S. Ma cos, em B aga, in eg ando
os auxilia es de ação médica, e que oi de e minan e na análise de p oblemas em con ex o e na busca e
es agem de soluções pa a os mesmos (No beck, 2002). T a a--se de uma modalidade de o mação
capaz de mo e e euni p o issionais pa a a e lexão-ação em busca de soluções e da p odução de
conhecimen os, num egime de democ acia pa icipa i a baseada na negociação e em que odos são
esponsá eis pelo p ocesso e esul ados, ap esen ando um ca á e emancipa ó io. Com o passa dos
anos e o con ac o com es a modalidade de o mação e os seus bene ícios pa a a ans o mação das
p á icas, o seu desen ol imen o na o mação con ínua o nou-se mais equen e, nomeadamen e, na
28
á ea da o mação con ínua de p o esso es, en endendo-se que “o p o esso que pa icipa do con ac o
dos ou os ica ou o, ans o ma ans o mando e disso adqui e consciência” (Pacheco, 2008, p. 41).
A “in e ogação da ealidade educa i a – an o do sis ema educa i o como da escola e da sala
de aula – e a selecção e explo ação c í icas de ques ões e p oblemas de ele o pa a o desempenho
docen e” são as p incipais inalidades des a modalidade de o mação (CCPFC, 2016, p. 5), na qual se
p i ilegia o deba e, o con on o de ideias/p oblemas, a colabo ação docen e, o espí i o de g upo e a
in es igação das p á icas, a a és da seleção de p incípios de a uação, es a égias, me odologias e
ma e iais pedagógicos com is a à melho ia do ensino po meio do ape eiçoamen o p o issional docen e.
Pa a a ingi ais ins, o CE con a com sessões p esenciais conjun as e momen os de abalho au ónomo.
As sessões p esenciais conjun as são des inadas ao ques ionamen o da p á ica, à de eção de p oblemas,
à seleção de es a égias e ecu sos a es a pa a lhes da espos a, à ap esen ação dos dados ecolhidos
na in es igação desen ol ida e das conclusões e i adas sob e possí eis melho ias na p á ica; nos
momen os de abalho au ónomo, a a és de me odologias de in es igação, nes e caso em especí ico de
in es igação-ação, é aplicado o plano delineado pa a soluciona os p oblemas de e ados e e e uada a
ecolha de e idências que pe mi am uma e lexão consis en e, sis emá ica e p odu i a sob e a p á ica
educa i a (CCPFC, 2016). Assim, “os empos de o mação eó ica são p á icos; os empos da p á ica
são de cons ução eó ica” (Pacheco, 2008, p. 57).
O desen ol imen o de um CE p e ê a exis ência do p incípio de colegialidade, abo dado
an e io men e, na busca de soluções pa a os p oblemas de e ados. Nes a linha, Pacheco (1995)
ap esen a ês alo es que de em es a p esen es: o mu ualismo (coope ação, abe u a e en eajuda),
au onomia c í ica e ans o mado a (c ia i idade, espí i o c í ico e esponsabilidade) e democ a icidade
(acei ação da di e sidade de ideias, pe spe i as e c enças, en ol imen o a i o e con ibu os decisi os
pa a o abalho do g upo). Pa a o au o , o CE é uma “de- o mação pelo que implica a descons ução de
ce ezas e do c ia de condições de ealização pessoal no g upo, no con ex o social mais ala gado, a a és
da ap op iação c í ica dos sabe es e da in e p e ação das es u u as e elações sociais” (p. 320). Ao
longo do seu desen ol imen o, o o mado su ge como um agen e desa iado , acili ado de acesso a
in o mações pe inen es a a és de
inpu s
eó icos ajus ados às necessidades do g upo, assim como um
mediado dos momen os de e lexão c í ica sob e as expe iências desen ol idas (Cae ano, 2004;
Pacheco, 2008).
Embo a, na adição nó dica, se espe e um con ínuo nes e p ocesso de o mação, em que após
a sua a aliação se passa à e o mulação ou c iação de no as ações, isso nem semp e acon ece de ido
à queb a de comp omisso pa a com o g upo. Pacheco (1995) e e e que al pode oco e em momen os
29
dis in os do seu desen ol imen o: no p imei o momen o, em que os pa icipan es êm con ac o com es e
ipo de o mação e es e não co esponde às expec a i as c iadas; quando é c iado o p imei o
comp omisso pa a com o g upo; na o malização do p oje o de o mação; na de inição do seu papel no
g upo; e quando não é de idamen e desen ol ido o sen imen o de pe ença e de p aze pelo que se az
que cap a o o mando pa a o con ínuo da e lexão, deba e e ap endizagem colabo a i a, colocando em
causa a sua pe manência ao longo do p ocesso de o mação.
A p omoção da supe isão colabo a i a em ações de o mação con ínua em con ex o de abalho,
como é o caso do CE desen ol ido nes e es udo, ap oxima os pa icipan es das suas necessidades e
in e esses e o alece o diálogo pedagógico e o sen ido de pe ença a um g upo, podendo omen a uma
cul u a de colegialidade (Pe enoud, 2002; C ó, 1998). Des e modo, az sen ido en e eda po uma
“pedagogia da expe iência” na o mação p o issional, deslocando o núcleo dessa pedagogia pa a o
con ex o p o issional e p omo endo a cons ução pa icipada do conhecimen o e a eo ização da
expe iência (F. Viei a, 2009). Ainda assim, impo a não descu a o abalho indi idual, que é ambém
essencial e que, aliado ao abalho colabo a i o, pode amplia os esul ados p oduzidos. Po exemplo, a
lei u a de ex os pedagógicos pode se o pon o de pa ida pa a o p ocesso de indagação e pa a a de inição
de uma posição pessoal ace a um de e minado ema pedagógico que mais a de se á explo ado e
deba ido em g upo (Seba oja, 2001). O ela ó io BERA-RSA (2014) en a iza, ambém, a impo ância da
in es igação ei a pelos p o esso es e espe i os o mado es, indi idualmen e ou em colabo ação, pa a
analisa as p á icas educa i as e os seus esul ados.
Quando olhamos pa a o e eno p o issional e azemos daí eme gi inicia i as pedagógico-
in es iga i as que pe mi am indaga e eno a as p á icas, alo iza-se a expe iência como espaço pa a a
o mação p o issional, numa abo dagem de o ien ação emancipa ó ia (Viei a, 2006b, 2009). A
ap endizagem passa a ap esen a -se como um p ocesso biuní oco, al como e e em Fullan & Ha g ea es
(2001), is o é, não em somen e uma di eção, a da in es igação pa a o ensino, mas sim duas: a
in es igação modi ica a p á ica do docen e e a p á ica pedagógica ques iona aquilo que a in es igação
diz.
A o mação con ínua de p o esso es, ao p omo e a p oblema ização da p óp ia p á ica,
ap esen a um ca á e holís ico, pa icipa i o e desescola izado , na medida em que p omo e o
desen ol imen o pessoal e in elec ual, incen i a o ques ionamen o pe manen e, a in e ação, a
colabo ação, a negociação e a e lexão c í ica sob e as expe iências pa a a cons ução do sabe , dando
des aque ao sabe p á ico a a és da colocação do p o esso no papel de p o esso -in es igado (Ca doso
e al., 1996; C ó, 1998). Po an o, mais do que odo o conhecimen o eó ico ú il que lhes possa se
36
signi icado, seleciona cuidadosamen e o seu oco e op a po expe iências em pequena escala, sem e
eceio de acassa e endo a alha como uma opo unidade de ap endizagem (Dye e al., 2011; Fullan
& Ha g ea es, 2001). Não obs an e, nem odos os p o esso es eem e acei am os iscos que a ino ação
aca e a da mesma o ma e, po isso, mos am-se mais ou menos esis en es à mesma. Quando
con on ado com a implemen ação de uma ino ação, o p o esso em endência a passa po di e en es
ases de p eocupação, e oluindo de um momen o de maio esis ência a é uma maio ece i idade à
mudança, sendo que cada p o esso ap esen a um ní el di e en e de p edisposição pa a mudança,
in luenciado po a o es como a idade, o es ádio da ca ei a, a expe iência de ida e o géne o (Ca doso,
2003; Fullan & Ha g ea es, 2001).
Quando a ino ação é pe cecionada como sendo impos a, como acon ece com as e o mas
educa i as, há uma maio endência a que seja ecebida com eceio e descon iança po se um p ocesso
que não pa e dos p o esso es e po se di ícil p e e o seu desen ol imen o e des echo. A implemen ação
da ino ação de o ma lexí el e pa icipa i a, com apoio o ma i o se necessá io, econhecendo-se a
c ia i idade e a inicia i a dos docen es e in eg ando-os em odas as e apas do p ocesso, pode á se a
solução pa a o sucesso da mesma (Ca doso, 2003). Recomenda-se a cons i uição de edes de
colabo ação pa a a ino ação pedagógica, p omo endo-se o desenho, a implemen ação, a a aliação e a
disseminação de inicia i as ino ado as pa a a cons ução cole i a de conhecimen o, alo izando-se a oz
dos alunos ao longo de odo o p ocesso (CNE, 2023a/b). O e o ço e a sus en abilidade dos p ocessos
de ino ação pedagógica implicam o ecu so a es a égias de ecolha e análise de e idências, sendo a
in es igação-ação uma das es a égias que pode se mobilizada com esse p opósi o.
Sendo a ocalização no educando e na ap endizagem o eixo cen al da ino ação pedagógica,
ol amos ao e e encial p opos o pelo Conselho Nacional de Educação pa a ap esen a um conjun o de
ques ões que podem o ien a os p o esso es no desenho e análise de inicia i as de ino ação de meno
ou maio âmbi o. O Quad o 5 é um exce o de um Guião de Ino ação Pedagógica ap esen ado nesse
e e encial (CNE, 2023b, pp. 16-17), com ques ões ela i as à ges ão do cu ículo e às abo dagens
pedagógicas:
-
Que implicações em a inicia i a de ino ação na ges ão lexí el do cu ículo?
-
De que o ma a inicia i a de ino ação p e ê o desen ol imen o de compe ências di e si icadas?
-
Que pa icipação êm os a o es educa i os na ges ão do cu ículo, em pa icula os educado es e os educandos?
-
Como são c iados ambien es cen ados nos educandos e na ap endizagem?
-
De que o ma as abo dagens pedagógicas in eg am a e lexão c í ica sob e a p á ica no sen ido de analisa e ele a
a sua qualidade?
37
Quad o 5 - Focalização do educando e na ap endizagem (CNE, 2023b)
Ges ão do cu ículo
lexibilidade, in e / ansdisciplina idade, elação escola- ida,
compe ências, pa icipação
Que implicações em a inicia i a de ino ação na ges ão lexí el do cu ículo?
- adequação à di e sidade dos educandos
- c iação de espaços in e / ansdisciplina es de ap endizagem
- elação en e a escola e a ida
De que o ma a inicia i a de ino ação p e ê o desen ol imen o de compe ências di e si icadas?
- conhecimen os (disciplina , in e / ansdisciplina , epis émico, p ocessual)
- capacidades (cogni i as e me acogni i as, sociais e emocionais, p á icas e ísicas)
- a i udes e alo es (pessoais, sociais, socie ais, humanos)
Que pa icipação êm os a o es educa i os na ges ão do cu ículo, em pa icula os educado es e os educandos?
Abo dagens pedagógicas
ambien es de ap endizagem (inclusão, ‘ oz’, au en icidade, elação
a aliação-ap endizagem), e lexão sob e a p á ica
Como são c iados ambien es cen ados nos educandos e na ap endizagem?
- alo ização da di e sidade dos educandos
- ampliação da ‘ oz’ dos educandos (inicia i a, pa icipação, e lexão, pensamen o c í ico, coope ação, omada de
decisão, au o egulação, au ode e minação...)
- a e as de ap endizagem au ên icas ou ealis as, a iculando o desen ol imen o de compe ências disciplina es e
ans e sais
- a aliação
da, pa a e como
ap endizagem, a iculando o desen ol imen o de compe ências disciplina es e
ans e sais ( a e as de a aliação au ên icas ou ealis as, negociação e anspa ência de p ocessos e c i é ios,
eedback
o ma i o, au oa aliação, a aliação en e pa es, pa icipação na de inição de modalidades de
a aliação...)
- o ganização de espaços ( ísicos e i uais, den o e o a da escola) acili ado es do diálogo, da pa icipação e da
inclusão
De que o ma as abo dagens pedagógicas in eg am a e lexão c í ica sob e a p á ica no sen ido de analisa e ele a a sua
qualidade?
- ecolha e análise de in o mação pa a comp eende e melho a os p ocessos de ensino e de ap endizagem
- pa icipação dos educandos na e lexão sob e os p ocessos de ensino e de ap endizagem
- pa icipação de ou os a o es educa i os (em pa icula , os pais ou enca egados de educação) na e lexão sob e
os p ocessos de ensino e de ap endizagem
A in enção des e Guião não é ansmi i a ideia de que odas as inicia i as de ino ação de em
esponde a odos os aspe os nele conside ados, a é po que essas inicia i as assumem di e sas
inalidades, o ma os e ex ensão, e sim apoia os p o esso es na e lexão c í ica sob e a mudança
educa i a, si uando-a po e e ência aos aspe os p opos os. Con udo p opõe-se que as inicia i as de
ino ação pedagógica p omo am pedagogias inclusi as, democ á icas e e lexi as. No pon o seguin e,
ap o unda-se es a ques ão po e e ência à au onomia como me a educa i a.
38
2. A au onomia como me a educa i a
Numa isão ep odu o a da educação (F. Viei a, 1993b, 1998), o p o esso ap esen a-se como
um “ azedo de pe gun as” e “a aliado de espos as”, enquan o o aluno se assume como
“ esponden e”. O aluno em uma pa icipação eduzida e essencialmen e di ecionada pelo e pa a o
p o esso , e es e, po sua ez, ansmi e e a alia os conhecimen os p esc i os e pouco indaga sob e os
mesmos ou sob e os modos de os ensina e ap ende . A posição assumida pelo docen e du an e o
p ocesso de ensino/ap endizagem é de con olo e ansmissão de conhecimen os, assumindo o aluno o
papel de consumido passi o desses conhecimen os. Na linha da educação bancá ia e e ida po F ei e
(2018), a educação eduz-se, assim, a “um a o de deposi a , em que os educandos são os deposi á ios
e o educado o deposi an e” (p. 64).
Um bom p o esso não é aquele que se compo a como uma máquina p og amada pa a execu a
de e minados p ocedimen os, mas sim aquele que se en ega aos seus alunos e à ap endizagem e a
enche com p aze , c ia i idade, desa io, sa is ação e odas as emoções que nela cabem. As emoções
es ão na base da p á ica educa i a e, enquan o agen e emocional, o p o esso de e á en a comp eende
os seus alunos e aquilo de que eles p ecisam pa a e olui e a ingi os seus p óp ios obje i os (Ha g ea es,
1998). O p o esso de e en ão dedica -se, não ao a o de ensina , mas ao a o de acili a a ap endizagem,
ado ando no as o mas de pensa e agi na escola, incen i ando uma ap endizagem pa icipada, na qual
o aluno é cons u o c í ico do sabe , encon ando um sen ido pa a a escola numa aje ó ia pessoal
(Nó oa, 2014).
É nes a isão mais ans o mado a da educação a que já oi ei a e e ência no pon o an e io ,
assen e em alo es humanis as e democ á icos, que se insc e e uma pedagogia pa a a au onomia. O
p o esso passa a se um agen e impulsionado e acili ado do p ocesso de ap endizagem, c iando
ambien es educa i os p opícios à aquisição e mobilização de compe ências disciplina es e ans e sais,
com es a égias e ecu sos que espondam aos in e esses e necessidades dos alunos, ga an indo uma
p á ica inclusi a e po enciado a do sucesso educa i o, alo izando o en ol imen o a i o dos alunos na
ap endizagem e na ges ão do cu ículo, e omen ando a sua au onomia e inclusão (Dec e o-lei n.º
240/2001, 2001).
De aco do com o p e is o no Dec e o-lei n.º 55/2018, “é necessá io desen ol e nos alunos
compe ências que lhes pe mi am ques iona os sabe es es abelecidos, in eg a conhecimen os
eme gen es, comunica e icien emen e e esol e p oblemas” (p. 2928). No Pe il do Aluno à Saída da
Escola idade Ob iga ó ia (Minis é io da Educação, 2017), p e ê-se ainda que cada um se o ne “li e,
39
au ónomo, esponsá el e conscien e de si p óp io e do mundo que o odeia” (p. 15). Su ge aqui o ideal
do aluno como a o , o que é um aspe o cen al de uma pedagogia pa a au onomia.
Embo a o concei o de au onomia seja mui o eco en e a ualmen e, não é no o. Já Quick (1896)
e e ia que, apesa de odas as eo ias exis en es sob e o papel do p o esso , a sua a enção não de e
es a cen ada em si e no seu conhecimen o, mas sim nos seus alunos e na sua e olução, não de endo
o docen e ap esen a -se como agen e que despeja o conhecimen o nos alunos, mas sim como alguém
que os guia e enco aja a descob i e pensa po si mesmos. Segundo F ei e (1996), uma p á ica
educa i o-c í ica em sala de aula de e c ia opo unidades pa a que cada um seja capaz de se assumi
“como se social e his ó ico, como se pensan e, comunican e, ans o mado , c iado ” (p. 23).
Ado a-se aqui o concei o de au onomia ap esen ado po Jimenez Raya e al. (2007), pa a quem
a au onomia é a “compe ência pa a se desen ol e como pa icipan e au ode e minado, socialmen e
esponsá el e c i icamen e conscien e em (e pa a além de) ambien es educa i os, po e e ência a uma
isão da educação como espaço de emancipação (in e )pessoal e ans o mação social” (p. 2). Os
au o es associam es e concei o não só ao aluno mas ambém ao p o esso , assumindo que a au onomia
de um e ou o são duas aces da mesma moeda. Lima (1999) eme e-nos ambém pa a essa ideia,
ques ionando a “au onomia da pedagogia da au onomia” e e o çando que “uma pedagogia da
au onomia, en ol endo es udan es que na escola se ão p og essi amen e es u u ando e a i mando
como sujei os au ónomos, exige ob iamen e a in e enção de p o esso es au ónomos e ambém sabe es
necessá ios às p á icas educa i as au onómicas” (p. 71). Po sua ez, Jiménez Raya e al. (2007)
de endem que “a au onomia do p o esso es a á ao se iço da au onomia do aluno apenas na medida
em que uma iloso ia da educação baseada em alo es democ á icos o ado ada” (p. 45), o que si ua
uma pedagogia pa a a au onomia no quad o de uma escola humanis a e democ á ica. Des a pe spe i a,
a escola de e p ocu a “li a os p o issionais do abalho p esc i o, pa a con idá-los a cons ui seus
p óp ios p ocedimen os em unção dos alunos, da p á ica, do ambien e, das pa ce ias e coope ações
possí eis, dos ecu sos e limi es p óp ios de cada ins i uição, dos obs áculos encon ados ou p e isí eis”
(Pe enoud, 2002, p. 198).
Apesa de não conco da com a ideia de Jesus (2008) quando a i ma que o p o esso em sala
de aula é um líde , uma ez que ac edi o que os alunos de em ambém lide a , conside o que ele em
um papel undamen al na c iação de ambien es a o á eis à ap endizagem e na o ien ação e mediação
do abalho em sala de aula, se indo como exemplo, embo a dando espaço pa a cada um pensa po
si, oma decisões e segui o seu caminho. Caminho com as ideias de F ei e (2018), que ê o p o esso
e o aluno como educado es e como educandos, le ando-me pa a a p emissa de que ambos ap endem
40
uns com os ou os e ambos se ensinam, c escendo jun os. Iden i ico-me com F. Viei a (1995), que ê a
educação a acon ece na in e ação, comunicação, negociação e a gumen ação, num espaço de
libe dade, opo unidade, au onomia, comp eensão mú ua e lexibilidade, no qual o sabe é cocons uído
e os acon ecimen os são comp eendidos colabo a i amen e pelo p o esso e os seus alunos.
O p o esso , como agen e e lexi o, assume um papel c ucial na lu a po uma escola mais
democ á ica, “encu ando a dis ância en e a ealidade e os ideais a a és da abe u a de possibilidades
pa a que a educação nas escolas se o ne mais acional, jus a e sa is a ó ia” (Jiménez Raya e al., 2007,
p. 46). A comp eensão da dis ância en e as p á icas que de ende e aquelas que coloca em uso pode
se o caminho pa a a ino ação. Assim, o p o esso de e e o papel de desa iado , não só pe an e os
alunos, mas pe an e si mesmo e as condições ex e nas, caso con á io a ua de o ma mecanizada e “é
mui o mais um epe ido cadenciado de ases e ideias ine es” (F ei e, 1996, p. 14) do que um agen e
de indagação, p o ocado de pensamen os, dú idas, cu iosidade e mo i ação pa a a descobe a. A sala
de aula de e se is a como um espaço segu o pa a e a e, simul aneamen e, ap ende com esse e o
a a és do
eedback
cons u i o do p o esso , que de e enco aja os alunos a supe a di iculdades,
le ando-os a ac edi a nas suas capacidades e, como nos suge e Wiliam (2012), dando uso ao pode oso
ad é bio “ainda” como o o con ic o de con iança de que podem “ainda” não e conseguido a ingi os
seus obje i os, mas se ão ce amen e capazes de o aze se con inua em a empenhados em alcançá-
los.
Abandona-se, assim, a ideia de uma “pedagogia da dependência”, que a as a os alunos do
p ocesso de ensino/ap endizagem, em a o de uma pedagogia pa a au onomia que en ol e o aluno no
p ocesso de ap endizagem, le ando-o a ap ende a ap ende , a cons ui e ge i a sua ap endizagem e
a desen ol e uma pos u a c í ica ace ao sabe e à sua ealidade (Viei a, 1998). Uma pedagogia pa a a
au onomia ans o ma os papéis adicionais do p o esso e dos alunos, e o Quad o 6 sin e iza alguns
aços que, de aco do com di e sos au o es, de em ca a e iza o papel dos alunos nessa pedagogia
(Dam, 1995; Dam e al., 1990; Holec, 1979; Jimenez Raya e al., 2007; Nunan, 1996). T a a-se,
undamen almen e, de p omo e um ensino cen ado nos alunos, in eg ando-os em p ocessos de ges ão
da ap endizagem (Nunan, 1996). Impo a e e i , con udo, que o g au de au onomia dos mesmos pode
se di e si icado, e que o p o esso desempenha um papel cen al na p omoção de compe ências de
ap endizagem. Viei a (2006a, p. 28) de alha o papel dos alunos numa pedagogia pa a a au onomia a
pa i de qua o dimensões da ap endizagem que podem se desen ol idas em con ex o pedagógico,
com o apoio do p o esso : Re lexão, Expe imen ação, Regulação e Negociação (Quad o 7).
41
Quad o 6 - Papéis do aluno e do p o esso numa pedagogia pa a a au onomia
Papel do p o esso
Papel do aluno
Foca a sua ação na ap endizagem e não no ensino;
Comp ome e -se com o aluno;
Es a ece i o e apoia as ideias/inicia i as dos alunos;
Obse a e analisa o compo amen o dos alunos du an e a
ap endizagem;
Desenha o mas de abalho e de a aliação jun amen e
com os alunos;
Se um conselhei o du an e o p ocesso de ap endizagem.
Iden i ica in e esses e necessidades de ap endizagem (o
que já sei e o que que o sabe );
Es abelece obje i os de ap endizagem;
Planea a i idades e negocia com o p o esso e os pa es;
Seleciona /cons ui ma e iais e es a égias de
ap endizagem;
Ge i o seu empo e espaço, de inindo papéis aquando do
abalho em g upo;
Moni o iza e a alia a ap endizagem;
Re le i e a alia o p ocesso de ensino e ap endizagem.
Quad o 7 - Papéis do aluno numa pedagogia pa a a au onomia (Viei a, 2006a)
1. Re lexão
Consciencialização do
sabe disciplina
(especi ica objec os de e lexão de aco do com a á ea de sabe )
Consciencialização do
p ocesso de ap ende
Re lec i sob e:
Sen ido de au o-con olo
A i udes, ep esen ações, c enças, p e e ências e es ilos
Finalidades, p io idades, es a égias (me a/cogni i as, sócio-a ec i as)
Ta e as (en oque, inalidade, p essupos os, equisi os)
P ocesso didác ico (objec i os, ac i idades, a aliação, papéis…)
2. Expe imen ação
Expe imen ação de
es a égias de
ap endizagem
Descob i e expe imen a es a égias na aula
Usa es a égias o a da aula
Explo a ecu sos/ si uações (pedagógicos / não-pedagógicos)
3. Regulação
Regulação de
expe iências de
ap endizagem
Moni o iza a i udes, ep esen ações, c enças
Moni o iza conhecimen o e capacidade es a égicos
A alia esul ados e p og essos da ap endizagem
Iden i ica p oblemas e necessidades de ap endizagem
De ini objec i os de ap endizagem
Faze planos de ap endizagem
A alia o p ocesso didác ico
4. Negociação
Co-cons ução de
expe iências de
ap endizagem
T abalha em colabo ação com os pa es
T abalha em colabo ação com o p o esso
Toma inicia i as, ealiza escolhas, oma decisões
Jiménez Raya e al. (2007) sublinham a impo ância da indagação e lexi a e da in e ação
con e sacional como dois p incípios pedagógicos pa a o desen ol imen o de uma pedagogia pa a a
42
au onomia em sala de aula. Du an e o p ocesso de ensino/ap endizagem, é essencial que o aluno seja
le ado a e le i , ques iona , coloca hipó eses, de ende a sua opinião e ees u u á-la caso seja
necessá io, negocia , a alia e oma decisões a a és da in e ação com ou os alunos e com o p o esso .
Assim, como a imagem de um bom p o esso muda, a de um bom aluno ambém se ans o ma,
passando es e a es a en ol ido a i amen e na cons ução da sua ap endizagem, com esponsabilidade,
espei o po ele e pelos ou os, usando es a égias di e sas e adequadas, assim como ecu sos den o e
o a da sala de aula, co endo iscos, ac edi ando no que az e desen ol endo um sen ido de o gulho no
seu abalho (Hagen e al., 1990).
Dam (2016) ap esen a um modelo pa a o desen ol imen o da au onomia do aluno que se aduz
num mé odo de abalho cíclico, iniciando-se pelo planeamen o das a e as, o desen ol imen o do plano
açado, a a aliação do p ocesso de ap endizagem e a decisão do p óximo passo a da , num egime de
coope ação en e o p o esso e os alunos. P og essi amen e, uma pedagogia pa a a au onomia de e á
desen ol e nos alunos uma “ esponsabilização c escen e pelas decisões pedagógicas: ap ende pa a
quê, o quê, como, onde e quando” (Viei a, 1993b, p. 35). É nes e sen ido que Smi h (2002) ala da
necessidade de desen ol e a au onomia de o ma g adual e con ex ualizada, de modo que o aluno se
o ne cada ez mais capaz de oma decisões, en ol endo-o no p ocesso de ap endizagem, le ando-o a
de ini obje i os e mé odos, e a a alia p og essi amen e as suas ap endizagens e as di iculdades
sen idas. No p ocesso de ap endizagem, o aluno de e se le ado a abalha colabo a i amen e com os
seus pa es na descobe a e econs ução de sabe es, p omo endo-se o deba e em sala de aula num
ambien e de pa ilha, negociação, en ol imen o e pe ença (Viei a, 1995).
Viei a (2006a) e e e algumas condições acili ado as da p omoção de uma pedagogia pa a a
au onomia, como a anspa ência, a in eg ação de compe ências disciplina es e ans e sais, a
adequação ao con ex o, uma me odologia especializada, a negociação, a colabo ação e a p og essão no
que diz espei o à capacidade de ges ão da ap endizagem po pa e dos alunos. Con udo, exis em á ios
a o es de cons angimen o ao desen ol imen o de uma pedagogia pa a a au onomia na escola, ela i os
ao con ex o (compe i i idade e indi idualismo, adições da educação escola , expec a i as das amílias
e da comunidade escola ...), ao p o esso ( eo ias e o mação p o issional, con o mismo, p á icas de
dependência...) e ao aluno ( isão da ap endizagem como ep odução e não descobe a, desmo i ação,
insegu ança...) (Jiménez Raya e al., 2007; Viei a, 2006a). Viei a (1995) de e ou ambém di iculdades
dos alunos na in e ação em g upo, no que conce ne à ges ão de assun os, a e as e pa icipações
equilib adas, jus i icando ais di iculdades com a pos u a compe i i a que mui as ezes ado am e a sua
43
al a de expe iência na negociação e con on o de ideias, e na ealização de a e as que não culminam
numa espos a única e e dadei a, mas em pe spe i as díspa es.
Assim, desen ol e pedagogias cen adas nos alunos eque do p o esso uma consciência c í ica
dos con ex os e a capacidade de aze ace aos cons angimen os, explo ando possibilidades en e o eal
e o ideal, ou seja, como Jiménez Raya e al. (2007) dizem, p á icas “ e(ide)alis as”. Como a i mam os
au o es, “se is o soa a u opia, en ão soa bem. Apenas os ideais podem aze com que a ealidade
a ance, e não se mos capazes de cump i-los plenamen e é jus amen e mais uma azão pa a
con inua mos a en a ” (p. 51). Nes e sen ido, é imp escindí el que o p o esso e li a sob e a sua p á ica
no sen ido de a analisa e ans o ma , o que se ap oxima da in es igação-ação, na qual a p á ica e a
e lexão se ap esen am numa elação de in e dependência, dado que a p á ica educa i a aca e a
ques ões, ince ezas e p oblemas, sob e os quais é necessá io e le i (Cou inho e al., 2009). Pa a Viei a
(1993b), “uma das p incipais ca ac e ís icas do p o esso au ónomo consis e na capacidade e exe cício
da in es igação na sala de aula”, de endo desen ol e e man e “uma pos u a e lexi a/in es iga i a
ace à p á ica pedagógica, undamen al a qualque pedagogia ocalizada no aluno” (p. 51). Enquan o
agen e educa i o esponsá el pela o mação de u u os jo ens e adul os, o p o esso de e, de o ma
cuidada e ponde ada, se ambicioso e deixa -se le a pela on ade de mudança, a qual se á o melho
impulsionado de uma e lexão c í ico-cons u i is a, da adesão ao papel de p o esso -in es igado e da
explo ação de p á icas educa i as cen adas nos alunos (Ala cão, 2000).
No con ex o nacional, podemos iden i ica alguns p oje os e es udos ocados na p omoção da
au onomia dos alunos em con ex o escola , como é o caso da disse ação de mes ado de Teixei a
(2011), in i ulada “Negociação e au odi ecção numa pedagogia e(ide)alis a: Uma expe iência na
disciplina de inglês”. No con ex o do ensino de Inglês no 3.º Ciclo do Ensino Básico, es a p o esso a
desen ol eu e a aliou uma expe iência de in es igação-ação na qual implemen ou aulas de
ap endizagem au odi igida, em que os alunos oma am decisões ace ca dos obje i os, con eúdos e
modalidades de ap endizagem, in e caladas com aulas po si lecionadas e denominadas como aulas
“no mais”. P ocu ando desen ol e uma pedagogia pa a a au onomia na sua sala de aula com um
es udo de (au o)supe isão assen e numa in es igação na u alis a, a p o esso a-in es igado a de e ou
uma maio consciencialização dos alunos ela i amen e ao seu conhecimen o e uma melho ia na sua
capacidade de ap ende a ap ende , num p ocesso em que o am cocons u o es do cu ículo. Com es e
es udo de caso, a in es igado a p ocu ou ompe com os papeis con encionais de p o esso e aluno,
c iando uma abo dagem e(ide)alis a do que pa a si é o ensino e e o çou algumas das po encialidades
do desen ol imen o de p á icas cen adas nos alunos. Expe iências des a na u eza podem se
44
encon adas em duas cole âneas edi adas po Viei a (2014a, 2014b), nas quais p o esso as expe ien es
ela am inicia i as de ino ação assen es em p incípios de uma pedagogia pa a a au onomia no âmbi o
da educação em línguas es angei as, com e ei os posi i os nas compe ências de ap endizagem dos
alunos e nas suas p óp ias compe ências p o issionais.
Numa abo dagem mul idisciplina e ambém ol ada pa a a p omoção de uma pedagogia pa a a
au onomia na escola, des aca-se aqui uma inicia i a que e e uma du ação de ce ca de 15 anos e que
oi lançada em 1997, na Uni e sidade do Minho – O G upo de T abalho-Pedagogia Pa a a Au onomia
(GT-PA), coo denado po Flá ia Viei a com a colabo ação de ou os colegas da Uni e sidade do Minho.
Des e g upo aziam pa e p o esso es, inicialmen e de línguas es angei as e, mais a de, de á ias á eas
disciplina es e ní eis de ensino, e in es igado es/ o mado es daquela e dou as ins i uições. O abalho
do GT-PA e a o ien ado po uma isão c í ica da educação e uma in e enção ans o mado a, p ocu ando
ques iona e ans o ma p á icas educa i as. Fe nandes e Viei a (2009) alam-nos do
luga GT-PA
como
“um luga de ansições e possibilidades, si uado en e o que a educação
é
e o que
de e se
” (p. 262).
Os seus obje i os p incipais e am: explo a e es uda uma pedagogia pa a a au onomia em con ex o
escola , associada à o mação de p o esso es e lexi os; analisa ins umen os que egulam os p ocessos
de ensino e ap endizagem com e e ência a p incípios de uma pedagogia pa a a au onomia; con a ia
o di ó cio in es igação-ensino e es ei a as elações uni e sidade-escola na p odução do sabe
educacional e na ans o mação das p á icas educa i as; desen ol e es a égias pa a
(au o)desen ol imen o p o issional; p omo e a colabo ação p o issional (Fe nandes & Viei a, 2009; F.
Viei a, 2009). Assumindo-se como uma comunidade dialógica, omen a a-se a econs ução da
iden idade p o issional dos in e enien es. A pa ilha e a disseminação das expe iências e es udos
desen ol idos assumiu-se como uma missão do g upo pa a a possí el cons ução de conhecimen o
p á ico, pe mi indo o con ac o não só en e pessoas, como ambém en e os con ex os em que es as
a ua am (Fe nandes & Viei a, 2009, 2013). Viei a (2009) ealça o ac o de, no GT-PA, se p ocu a
p omo e a ap endizagem p o issional num ambien e de equilíb io en e es u u a e lexibilidade, onde
se p e endia concilia in e esses indi iduais e cole i os, desen ol endo-se an o a au onomia dos
p o esso es como dos seus alunos.
Cada ez mais as escolas, públicas ou p i adas, p ocu ando co esponde às polí icas educa i as
elencadas em documen os legais sup amencionados, como o dec e o-lei n.º 55/2018, o dec e o-lei n.º
54/2018 e o Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (Minis é io da Educação, 2017),
desenham p oje os educa i os ino ado es como espos a às necessidades a uais. Con udo, o exemplo
45
mais conhecido de como uma escola pode p omo e a au onomia dos educandos é o caso da Escola da
Pon e, que emon a a 1976 e que cons i ui um p oje o educa i o pionei o nes e campo a ní el nacional.
O p oje o “Faze a Pon e” na Escola da Pon e, lide ado du an e décadas po José Pacheco, pa iu
da on ade de c ia um espaço e empo em que as c ianças ap endessem com abo dagens pedagógicas
mais ino ado as e p omo o as da sua au onomia (Pacheco, 2008). Po se mos a um p oje o ambicioso
e que se opunha o almen e às imagens adicionais da escola, de p o esso e de aluno, ques ionando
as p á icas educa i as em igo a é en ão no nosso país, o p oje o acabou po passa po inúme os
p ocessos de alidação e a aliação (Pacheco, 2008; Sil a & Ribei o, 2019). Es e p oje o pe manece a é
hoje e coloca o educando em p imei o plano como agen e da sua p óp ia ap endizagem na cons ução
da sua iden idade pessoal, espei ando as suas especi icidades e alice çando-se nos alo es da inicia i a,
c ia i idade e esponsabilidade. O p oje o p i ilegia as elações ho izon ais, a au onomia das c ianças, o
abalho em equipa dos p o esso es e o con ac o com o meio en ol en e. “Faze a Pon e” ompe com o
modelo conse ado do p o issionalismo docen e, despindo-se do concei o adicional de docência e de
p o esso , en e edando po um modelo em que o “o ien ado educa i o” es á em cons an e indagação
e o mação a a és da pa icipação em cí culos de es udos, como mecanismos de e lexão conjun a e
au o o mação coope ada, assen es na p á ica e no con ex o (Sil a & Ribei o, 2019). O o ien ado
educa i o assume-se como o elemen o p omo o da educação, endo como unções p incipais “coo ien a
o pe cu so educa i o de cada aluno” e “apoia os seus p ocessos de ap endizagem”(Escola da Pon e,
2023b, p. 5).
Nes a escola, o cu ículo, ocado em seis dimensões undamen ais – linguís ica, lógico-
ma emá ica, na u alis a, iden i á ia, a ís ica e pessoal e social –, é desen ol ido essencialmen e a a és
da me odologia de abalho de p oje o, ap esen a-se de o ma dinâmica e ca ac e iza-se po uma e en e
e lexi a cons an e po pa e dos o ien ado es educa i os, pa a a c iação dos ecu sos e ma e iais
essenciais à aquisição de sabe es e desen ol imen o de compe ências (Escola da Pon e, 2023b). Po
sua ez, as c ianças são o ganizadas em núcleos de p oje o designados po “iniciação, consolidação e
ap o undamen o”, ansi ando a a és des es semp e que a aliadas e enquad adas no pe il es abelecido
pela escola, com base nas Ap endizagens Essenciais e no Pe il do Aluno à Saída da Escola idade
Ob iga ó ia (Escola da Pon e, 2023c). Exemplo au ên ico de um espaço abe o e p omo o da au onomia
dos alunos, a Escola da Pon e eco e a disposi i os pedagógicos di e si icados que pe mi em às c ianças
desen ol e compe ências ulc ais pa a a assunção de uma pos u a p oa i a na sociedade. A í ulo de
exemplo, e i am-se os seguin es (Escola da Pon e, 2023a):
52
A a aliação do CE implicou a ecolha e análise de in o mação que desse espos a aos seguin es
obje i os de in es igação:
1. Ca ac e iza pe ceções dos p o esso es e dos alunos sob e as p á icas pedagógicas, po
e e ência a p incípios de uma pedagogia cen ada nos alunos;
2. Ca ac e iza pe ceções dos p o esso es sob e o papel da supe isão colabo a i a na eno ação
de p á icas e no seu desen ol imen o p o issional;
3. Analisa p ocessos de supe isão colabo a i a e eno ação das p á icas pedagógicas;
4. Iden i ica po encialidades e cons angimen os da supe isão colabo a i a na mudança
pedagógica e no desen ol imen o p o issional dos p o esso es.
A in es igação p opos a con igu a um es udo de caso, sendo o “caso” a ação de o mação
desen ol ida. O es udo de caso pode se de inido da seguin e o ma:
O es udo de caso é um p ocesso de in es igação empí ica que pe mi e es uda enómenos no seu con ex o eal e
no qual o in es igado , não endo con olo dos e en os que aí oco em, nem das a iá eis que os ans o mam,
p ocu a ap eende a si uação na sua o alidade e, de o ma e lexi a, c ia i a e ino ado a, desc e e , comp eende
e in e p e a a complexidade do(s) caso(s) em es udo, lançando luz sob e a p oblemá ica em que se enquad a(m)
e, inclusi e, p oduzindo no o conhecimen o sob e o(s) mesmo(s). (Mo gado, 2012, p. 63)
Um es udo de caso é uma es a égia in es iga i a de eo quali a i o que isa ge a conhecimen o
conc e o e con ex ualizado, a o ecendo uma p o undidade de in e p e ação dos acon ecimen os, em
de imen o da sua ampli ude, a a és da análise de dados p o enien es de múl iplas on es (Denscombe,
1998; Mo gado, 2012). Assim, “pe mi e que os in es igado es oquem um caso e e enham uma
pe spec i a holís ica e do mundo eal”, con ibuindo pa a o “conhecimen o de enómenos indi iduais,
g upais, o ganizacionais, sociais” (Yin, 2015, p. 4). Es a modalidade de in es igação em educação pode
“p opicia elemen os impo an es pa a se al e a em e melho a em as p á icas pedagógicas” (Mo gado,
2012, p. 58). Pa a al, o in es igado de e se capaz de euni uma g ande quan idade de in o mação e
de o ma po meno izada pa a consegui comp eende a o alidade da si uação em es udo. A a és do
seu en ol imen o pessoal em in e ação com o con ex o, consegue cap a de o ma iel os
acon ecimen os, possibili ando-lhe ge a hipó eses, descobe as e, po conseguin e, cons ui
conhecimen o (A nal e al., 1994; Mo gado, 2012). O in es igado pode, ao longo da in es igação,
ees u u a o plano me odológico açado inicialmen e em unção do abalho que é ealizado, num
p ocesso lexí el e abe o (A nal e al., 1994; Mo gado, 2012). Ao assumi o papel de o mado a no CE,
53
ui analisando e e le indo sob e a minha p óp ia p á ica de o mação, de o ma a ajus á-la às
necessidades do g upo e da p óp ia in es igação.
O es udo ap oxima-se de uma abo dagem in e p e a i a da in es igação educacional, na medida
em que p e ende desc e e e in e p e a as in e ações dos pa icipan es com de alhe, comp eende
múl iplas ealidades a pa i das suas pe spe i as e analisa o impac o que as suas ações êm no con ex o
em que es ão inse idos, alo izando-se an o o p ocesso como os esul ados (Bogdan & Biklen, 1994;
Mo gado, 2012). Pode-se ambém a i ma que o es udo pa ilha alguns aços do pa adigma c í ico, na
medida em que implicou uma in e enção no con ex o com o in ui o de o ans o ma a a és do
desen ol imen o de uma ação de o mação, “o ien ando o conhecimen o pa a a emancipação e
libe ação de cada indi íduo” (Mo gado, 2012, p. 43). Nes e sen ido, os p o esso es pa icipan es o am
en ol idos em expe iências pedagógicas de in es igação-ação de pequena escala que ossem p omo o as
da au onomia dos alunos, assumindo-se como in es igado es das suas p óp ias p á icas pa a a de eção
de p oblemas eais, e lexão sob e os mesmos e c iação e explo ação de soluções pa a os esol e .
A in es igação-ação, já abo dada no capí ulo an e io , “ca ac e iza-se po uma a i ude con ínua
de ases de plani icação, acção, obse ação e e lexão, e onde se ponde a semp e o eedback en e elas”
(Almeida & F ei e, 2008, p. 29). Tal como e e e S inge (2007), “i is a collabo a i e app oach o
inqui y ha seeks o build posi i e wo king ela ionships and p oduc i e communica i e s yles” (p. 20).
Es e ipo de me odologia ap esen a-se como um p ocesso cíclico, com ês obje i os: “p oduzi
conhecimen o, modi ica a ealidade e ans o ma os a o es” (Simões, 1990, p. 43). Os p o esso es
p ocu am, assim, c ia mudanças posi i as na o ma como desen ol em o seu abalho, a a és de uma
in es igação sis emá ica e c í ica (Bassey, 1999). Ao longo do CE, cada o mando oi in es igado da sua
p á ica com os seus alunos e com os seus pa es, a a és de p ocessos cíclicos e dinâmicos de
plani icação, ação, obse ação e e lexão. Pa a sus en a a in es igação den o da sua sala de aula, o am
ecolhendo dados das expe iências desen ol idas com os seus alunos, a im de analisa em o impac o
das suas p á icas.
Dos quinze p o esso es con idados a pa icipa no es udo, seis p o esso es, cinco do géne o
eminino e um do géne o masculino, insc e e am-se no CE e e mina am a o mação. O ac o se em
p o esso es de ciclos, anos de escola idade e á eas dis in os, não iden i icados aqui de o ma indi idual
pa a p ese a o seu anonima o, pe mi iu a pa ilha de di e en es pon os de is a, o nando os momen os
de discussão e e lexão no CE mais icos e p odu i os. Num ques ioná io inicial en iado aos pa icipan es
no início do CE, o am ecolhidos alguns dados de ca ac e ização sociop o issional: odos ap esen a am
idades comp eendidas en e os 30 e os 47 anos e, à exceção de um, inham, no mínimo, 7 anos de
54
empo de se iço e encon a am-se a abalha no colégio há pelo menos 5 anos; odos, à exceção de
um, de inham o mação especí ica pa a a docência e apenas um equen a a um cu so na á ea da
Supe isão Pedagógica.
Na p imei a sessão do CE, após a explicação de alhada do seu enquad amen o, obje i os,
me odologia de o mação, documen os de apoio e es a égias de ecolha de dados, os p o esso es
assina am uma decla ação de consen imen o in o mado (anexo 7) que sal agua da os p incípios é icos
da con idencialidade da in o mação e do anonima o dos pa icipan es, pelo que os p o esso es se ão
denominados como PA, PB, PC, PD, PE e PF. Os p o esso es pude am escolhe as u mas em que i iam
implemen a as expe iências pedagógicas a desen ol e no âmbi o do CE, num o al de cinco u mas de
di e en es ní eis de escola idade (2º ao 6º anos), en ol endo um o al de 121 alunos que pa icipa am
nas expe iências dos seus p o esso es e na a aliação dessas expe iências.
4. O Cí culo de Es udos
O CE cons i uiu an o um espaço de o mação como um espaço de in es igação e a assunção
do duplo papel de o mado a e de in es igado a oi um aspe o que me deixou ale a desde o início:
como
c ia um equilíb io en e o eu in es igado a e o eu o mado a?
Es ando num p ocesso de o mação em
cuja base es a a a de esa de uma supe isão colabo a i a, não pode ia man e -me à ma gem da
colabo ação, con a iando a na u eza de um CE e de uma pedagogia da expe iência na o mação (Viei a,
2009); não pode ia aze emá icas à discussão e supe isiona colabo a i amen e odo um p ocesso
de o mação sem ma ca a minha p esença a a és dos ideais que de endo e que o ien a am o CE. Po
ou o lado, su gia a p eocupação de in es igado a em ecolhe os dados necessá ios pa a o es udo e não
me en ol e em demasia no p ocesso de o mação a pon o de descu a uma pos u a mais dis anciada
de in es igado a.
Comp eendi que, al como os obje i os da minha in es igação dependiam di e amen e dos
obje i os açados pa a o CE, a minha pos u a enquan o in es igado a dependia ambém da o ma como
desempenha a o meu papel enquan o o mado a. Assumi, assim, que exis i iam momen os em que se ia
um pouco mais o mado a do que in es igado a, ou os mais in es igado a do que o mado a, e ou os
em que ais papeis se pode iam equilib a . Po exemplo, ui usando alguns dos dados ecolhidos pa a
p omo e o deba e e a e lexão em de e minados momen os da o mação. Ap op iei-me, en ão, dessa
pos u a de equilíb io e desequilíb io esponsá el en e duas o mas de es a e agi , p ocu ando que o
55
espaço de o mação in eg asse os alo es de democ a icidade, equidade, libe dade e emancipação
ap esen ados po S inge (2007).
Nas p imei as sessões, assumi uma pos u a mais a i a como o mado a, a a és de uma maio
p omoção e o ien ação do deba e, da in odução de in o mação eó ica e da mode ação de a i idades
com a inalidade de le a os o mandos a ques iona as p á icas. Ainda assim, na p omoção do
pensamen o e do deba e, p ocu ei não impo as minhas conceções pa a não co e o isco de aze com
que os o mandos mudassem as suas conceções “no sen ido de uma maio similia idade com as do
o mado ” (C ó, 1998, p. 88). O obje i o e a le á-los a ques iona , e le i e ap op ia -se dos p odu os
dessa e lexão, em que os sabe es eó icos e da p á ica se con on a am. Com o passa das sessões e
à medida que os o mandos o am desenhando, implemen ando e pa ilhando as suas expe iências, oi-
me possí el assumi cada ez mais uma pos u a de obse ado a e mediado a, in e indo sob e udo em
unção das suas solici ações.
Como já oi e e ido, o CE e e início no dia 1 de ma ço de 2023 e e minou no dia 7 de junho
do mesmo ano, com 10 sessões p esenciais conjun as de 3h cada uma (30h) e pe íodos de abalho
au ónomo en e as sessões (15h). A calenda ização das sessões p esenciais oi ei a de modo a deixa
in e alos de empo maio es quando os o mandos inham de ealiza a e as de implemen ação de
expe iências e obse ação in e pa es. O CFAE MaiaT o a cedeu o uso da sua pla a o ma
moodle
com
uma página de acesso dedicada unicamen e a es a ação de o mação, com acesso es i o pa a os
en ol idos, onde coloquei a calenda ização de odas as sessões e o sumá io de cada sessão, c iei um
banco de ecu sos com ex os de lei u a ecomendada e disponibilizei odos os ma e iais de apoio ao
desen ol imen o das a i idades do CE. E a ambém nes a pla a o ma que os o mandos ma ca am a
sua p esença nas sessões p esenciais conjun as.
A a aliação do CE oi e e uada numa escala de 1 a 10 con o me o sis ema de a aliação de inido
pa a as ações de o mação con ínua, endo em con a a pa icipação dos o mandos (4 alo es) e a
cons ução de um Rela ó io Indi idual de Re lexão C í ica no o ma o de um po e ólio (6 alo es), onde
es a am eunidos odos os ma e iais cons uídos ao longo do CE (plani icação das expe iências e g elhas
de obse ação de aulas p eenchidas), uma na a i a das expe iências pedagógicas desen ol idas e
e lexão c í ica sob e o impac o da pa icipação na ação de o mação. Es es elemen os de a aliação
o am de inidos endo po base as exigências colocadas pelo cen o de o mação ace à modalidade de
a aliação do CE, e ambém os obje i os do es udo. Assim, o po e ólio ap esen a a-se como o elemen o
com maio peso na a aliação dos o mandos e como p odu o essencial pa a a análise e a aliação do CE.
Os o mandos i e am acesso a um Guião de Cons ução do Rela ó io Indi idual de Re lexão
56
C í ica/Po e ólio (anexo 8) e a um Guião de Desenho de Expe iências Pedagógicas (anexo 9), ambos
cons uídos a pa i de ins umen os de o mação o necidos pela minha supe iso a e usados nou os
con ex os o ma i os. Ti e am ambém acesso a uma g elha de a aliação da pa icipação no CE, que
p eenche am como o ma de se au oa alia em. As es a égias de ecolha de in o mação pa a a a aliação
do CE se ão ap esen adas na secção 5, endo mui as delas ambém inalidades o ma i as. P ocedi,
ainda, ao egis o de no as de campo e à edação de um diá io de in es igação no qual edigi uma en ada
desc i i a e e lexi a no inal de cada sessão. Segue-se uma sín ese do abalho desen ol ido em unção
dos obje i os o ma i os do CE, que aqui se e omam:
1. Con ibui pa a a expansão de conhecimen os sob e pedagogia pa a a au onomia, supe isão colabo a i a,
obse ação de aulas e in es igação-ação;
2. Fomen a p ocessos de supe isão colabo a i a no desenho, desen ol imen o e a aliação de expe iências
educa i as de in es igação-ação cen adas nos alunos;
3. Desen ol e compe ências de ino ação, obse ação e análise de p á icas educa i as;
4. Lança bases pa a a cons i uição de uma comunidade de p á ica no seio da ins i uição.
Sessão 1
O Quad o 8 sin e iza a o ganização da sessão 1, ealizada no dia 1 de ma ço de 2023.
Quad o 8 - O ganização da sessão 1 do CE
Con eúdos/Assun os
A i idades
Documen os de apoio
Enquad amen o do
Cí culo de Es udos
Ap esen ação ge al do Cí culo de Es udos
Powe Poin
Consen imen o in o mado pa a
pa icipação na in es igação (anexo 7)
Guião de cons ução do Rela ó io
Indi idual de Re lexão C í ica/Po e ólio
(anexo 8)
Guião de cons ução das expe iências
pedagógicas (anexo 9)
Conceções idealizadas
dos pa icipan es sob e
sala de aula e aula
A i idade “O que é pa a mim uma sala de
aula ideal?”
Explo ação de uma isão
e(ide)alis a
da
pedagogia
Powe Poin
Conceções dos
pa icipan es sob e as
suas p á icas educa i as
Visualização de uma en e is a a An ónio
Nó oa e e lexão sob e a mesma
Vídeo de en e is a a An ónio Nó oa
(h ps://www.you ube.com/wa ch? =-
BT7XAZR7Oc& =706s)
Re e ências de supo e à sessão
Jiménez Raya, e al. (2007)
No início da sessão, cada o mando ecebeu uma capa, iden i icada com o logo c iado
especi icamen e pa a a ação de o mação (anexo 10), pa a gua da documen os em papel en egues ou
57
p oduzidos du an e a mesma. Cada capa con a a com uma no a de boas- indas (anexo 11) e com o
consen imen o in o mado pa a a pa icipação na in es igação (anexo 7).
A sessão iniciou-se com a ap esen ação ge al do CE, sendo abo dados, com apoio de uma
p ojeção em
powe poin
, a modalidade de o mação e os seus obje i os, o enquad amen o do CE na
in es igação de dou o amen o, o modo de uncionamen o, o ma de a aliação e guiões de apoio à
cons ução das expe iências pedagógicas (anexo 9) e à cons ução do Rela ó io Indi idual de Re lexão
C í ica/Po e ólio (anexo 8). Seguidamen e, cada o mando passou à assina u a e en ega do
consen imen o in o mado, pelo que odos au o iza am a ecolha de dados pa a ins in es iga i os.
Con ou-se de seguida com a in e enção do Di e o do Cen o de Fo mação do Ag upamen o de Escolas
MaiaT o a, que deu as boas- indas a odos os pa icipan es, enquad ou a o mação, essal ando a sua
impo ância pa a a o mação con ínua docen e, e disponibilizou-se pa a o escla ecimen o de qualque
dú ida sob e ques ões elacionadas com a o ganização, a aliação e c edi ação da o mação.
Passou-se ao le an amen o das conceções idealizadas dos pa icipan es sob e o espaço de sala
de aula a a és da a i idade “O que é pa a mim uma sala de aula ideal?”. Nes a a i idade, os o mandos,
o ganizados em pa es, e le i am sob e os seus ideais e c ia am um esboço em papel e uma desc ição,
po ópicos, de como se ia pa a si uma sala de aula ideal, e le indo sob e a o ganização espacial e os
ecu sos e ma e iais que de e ia in eg a pa a o desen ol imen o da ap endizagem nos alunos. As suas
ideias o am depois pa ilhadas, endo-se abe o um espaço de deba e e con on o de conceções pa a o
en iquecimen o cole i o. P e endeu-se es abelece uma ligação com a isão “ e(ide)alis a” da pedagogia
ap esen ada po Jiménez Raya e al. (2007), p ocu ando-se e idencia a impo ância de analisa os ideais
em con on o com a ealidade do con ex o pa a a imaginação de no as possibilidades.
Com o mesmo obje i o e como o ma de ala ga o momen o de e lexão sob e as p á icas,
passou-se à isualização de uma en e is a a An ónio Nó oa, em que es e discu e o papel da escola ace
às mudanças da sociedade, o p o esso do u u o, como pode ão os p o esso es da espos as às no as
ge ações que c escem com no os es ímulos e no as o mas de in e ação, e a impo ância da educação
emocional e do papel do educado . A en e is a oi p oje ada num
sma boa d
e os o mandos o am
incen i ados a oma no as do que conside assem mais impo an e. No inal, o am ques ionados ace ca
da sua opinião sob e o que ou i am e a ligação en e os ideais ap esen ados, os seus p óp ios ideais e
as suas i ências. A a és da e lexão, iniciou-se a indagação sob e as suas p á icas pedagógicas e os
p oblemas que nela de e am.
Finda a 1.ª sessão, os o mandos o am desa iados a esponde ao ques ioná io “Conceções sob e
a p á ica pedagógica” (anexo 12), en iado po
e-mail
e a se de ol ido pela mesma ia a é à segunda
58
sessão. Foi ambém pedido que lessem a na a i a “Todos a bo do – Uma expe iência em abalho
colabo a i o” (Vasconcelos e al., 2014), na qual um g upo de p o esso as desc e e uma expe iência de
in es igação-ação cen ada nos alunos, a se discu ida na sessão seguin e.
Sessão 2
O Quad o 9 ap esen a o sumá io da sessão 2, ealizada no dia 8 de ma ço de 2023.
Quad o 9 - O ganização da sessão 2 do CE
Con eúdos/Assun os
A i idades
Documen os de apoio
Conceções dos
p o esso es sob e o papel
de aluno e p o esso
A i idade “Na minha sala de aula, quem az o
quê?”
Deba e das espos as ao ques ioná io
p eenchido em abalho au ónomo
Powe Poin
Ampliação de
conhecimen os sob e
pedagogia pa a a
au onomia
Inpu
eó ico sob e pedagogia pa a a
au onomia
Análise da na a i a p o issional lida
(Vasconcelos e al., 2014), à luz
de
inpu
eó ico
Powe Poin
Na a i a “Todos a bo do – Uma
expe iência em abalho colabo a i o”
(Vasconcelos e al., 2014)
Ques ioná io inicial a
aplica aos alunos
Análise de um ques ioná io aos alunos sob e
as suas conceções da escola
P opos a de ques ioná io a implemen a
aos alunos (anexo 11)
Re e ências de supo e à sessão
Dam (1995); Dam (2016); Dam e al. (1990); F ei e (1996); Jiménez Raya, e al. (2007); Nunan (1996); Quick (1896);
Smi h (2002); Vasconcelos e al. (2014); Viei a (1993b); Viei a (2006a); Viei a (2009).
A 2.ª sessão começou com a a i idade “Na minha sala de aula, quem az o quê?”, como o ma
de in oduzi o ema “pedagogia pa a a au onomia” e le a os o mandos a e le i sob e o papel do
p o esso e do aluno em sala de aula. Nes a a i idade, cada p o esso inha dois ca ões: um com um P
(p o esso ) e um ou o com um A (aluno). No
sma boa d
, o am ap esen adas a e as de sala de aula
(po exemplo, “Seleciona os con eúdos a ap ende ”, “Escolhe as a i idades a ealiza ”, “De ine o abalho
de casa”) e cada o mando inha de seleciona a pessoa esponsá el po cada a e a na sua sala de aula.
Nes e momen o, podiam op a po seleciona apenas o P, apenas o A ou ambos. A a i idade pe mi iu
e le i sob e conceções de p o esso e aluno, ap oximando as isões dos o mandos mais de uma
pedagogia da au onomia ou de uma pedagogia da dependência e, a endendo ao con ex o, sob e que
a e as pode iam passa a es a mais cen adas nos alunos no u u o.
Seguiu-se um momen o de in o mação eó ica sob e uma pedagogia pa a a au onomia, com is a à
ampliação e ap o undamen o de conhecimen os, com ecu so ao
powe poin
. À medida que e a e e uada
a explo ação da emá ica, os o mandos podiam in e i pa a coloca ques ões ou opina sob e o que
59
es a a a se a ado. Seguidamen e, e e uou-se a análise conjun a da na a i a lida em abalho au ónomo
(Vasconcelos e al., 2014), à luz do
inpu
eó ico ap esen ado e da expe iência dos pa icipan es. Ainda
no âmbi o da emá ica da sessão, o am p oje ados alguns esul ados do ques ioná io p eenchido pelos
p o esso es, ela i os à desc ição de uma expe iência de ensino conside ada us an e e ou a
g a i ican e, pa a e i ica em que medida os aços de uma expe iência us an e se ap oxima am de
uma pedagogia da dependência, os aços de uma expe iência g a i ican e se ap oxima am de uma
pedagogia pa a a au onomia, e de que o ma os aspe os de melho ia alo izados pelos p o esso es se
ap oxima am ou a as a am dos aspe os ca ac e izado es de uma pedagogia pa a a au onomia.
A úl ima a i idade des a sessão oi a análise de uma p opos a de ques ioná io a aplica aos
alunos do 3.º ao 6.º ano (anexo 13) e a de inição de algumas ques ões a coloca o almen e aos alunos
do 2.º ano, en endendo-se que, nes e úl imo caso, essa modalidade de ques ionamen o se ia mais
adequada do que a espos a a um ques ioná io esc i o. Es a es a égia isa a le an a as conceções dos
alunos sob e a escola e sob e o papel do p o esso e do aluno em sala de aula. Como abalho au ónomo
após es a sessão, oi solici ado aos o mandos que e e uassem a lei u a da na a i a “Negociação e
au odi eção numa pedagogia e(ide)alis a” (Teixei a, 2011), na qual é ela ada mais uma expe iência de
in es igação-ação cen ada nos alunos, que se ia analisada na sessão seguin e. Foi ambém solici ado
que p ocedessem à aplicação do ques ioná io aos alunos do 3.º ao 6.º anos e das ques ões c iadas pa a
o 2.º ano.
Sessão 3
O Quad o 10 ap esen a a o ganização da sessão 3, ealizada no dia 15 de ma ço de 2023.
Quad o 10 - O ganização da sessão 3 do CE
Con eúdos/Assun os
A i idades
Documen os de apoio
Sín ese de
conhecimen os sob e
pedagogia pa a a
au onomia
Análise da na a i a p o issional lida (Teixei a,
2011)
Expansão de conhecimen o e elação com a
expe iência educa i a
Na a i a “Negociação e au odi eção numa
pedagogia e(ide)alis a” (Teixei a, 2011)
Powe poin
Ampliação de
conhecimen os sob e
obse ação de aulas
Inpu
eó ico sob e obse ação de aulas
Powe poin
P epa ação da p imei a
expe iência de
obse ação in e pa es
Discussão de uma g elha de obse ação
Desenho colabo a i o de uma expe iência de
obse ação in e pa es
P opos a de g elha de obse ação –
p o esso obse ado (anexo 14)
P opos a de g elha de obse ação –
p o esso obse ado (anexo 15)
Re e ências de supo e à sessão
Dam (1995); Jiménez Raya, e al. (2007); Lamb (2000); Oli ei a & Se azina (2002); Reis (2011); Schön (1987); Teixei a
(2011); Viei a & Mo ei a (2011).
60
No início da sessão, oi solici ado aos o mandos que dessem a sua opinião sob e a expe iência
pedagógica desc i a no ex o “Negociação e au odi eção numa pedagogia e(ide)alis a” (Teixei a, 2011)
que ha iam lido como abalho au ónomo e, azendo a a iculação com con eúdos abalhados nas
sessões an e io es do CE, e le i am sob e em que medida a expe iência ela ada se elaciona com uma
pedagogia “ e(ide)alis a”. Depois da e lexão e e uada sob e o ex o, oi-lhes ap esen ado um quad o
in i ulado “Es ou p edispos o a...” (Jimenez Raya e al., 2007, pp. 48-49), com alguns aspe os
ca ac e izado es de uma pedagogia pa a a au onomia sob e os quais o am le ados a e le i e a
conside a se os aplica iam na sua p á ica ou não, jus i icando. Fo am ainda ap esen adas mais algumas
expe iências cen adas nos alunos, explici adas po Leni Dam na ob a “Lea ne Au onomy: F om Theo y
o Class oom P ac ice” (Dam, 1995), p omo endo-se um deba e sob e a iabilidade de aplicação de
expe iências semelhan es nas salas de aula dos o mandos.
Seguidamen e, p ocedeu-se à ap esen ação de in o mação eó ica sob e obse ação de aulas,
sendo que os o mandos o am colocando á ias ques ões sob e as ases que al p ocesso de e ia
cump i , compa ando-o com o sis ema de obse ação de aulas implemen ado na ins i uição, le an ando
alguns dos cons angimen os que ap esen a e suge indo soluções pa a os mesmos. Após um longo
momen o de pa ilha de expe iências e de e lexão conjun a, o am analisadas duas p opos as de g elhas
de obse ação de aulas ocadas em dimensões de um ensino cen ado no aluno, uma a se p eenchida
pelo p o esso obse ado (anexo 14) e ou a a se p eenchida pelo p o esso obse ado (anexo 15)
aquando da implemen ação dos ciclos de obse ação de aulas no âmbi o do CE. Os o mandos i e am
a opo unidade de opina sob e a es u u a e con eúdo das g elhas e de p opo as al e ações que
conside assem pe inen es.
A sessão e minou com o desenho colabo a i o de uma expe iência de obse ação in e pa es,
em duplas. Nes a a i idade p e ia-se que, a endendo ao abalho que es a am a desen ol e em sala de
aula, expe ienciassem um ciclo de obse ação de aulas comple o com um encon o p é-obse ação
(nes a sessão do CE), discu indo as aulas a obse a , a obse ação e o encon o pós-obse ação como
momen o de e lexão sob e o abalho desen ol ido. Es as duas úl imas ases do p ocesso de obse ação
de aulas se iam o abalho au ónomo a ealiza a é à sessão seguin e.
61
Sessão 4
A sessão 4 deco eu no dia 22 de ma ço de 2023 e es á sin e izada no Quad o 11.
Quad o 11 - O ganização da sessão 4 do CE
Con eúdos/Assun os
A i idades
Documen os de apoio
Ampliação de
conhecimen os sob e
supe isão colabo a i a
Inpu
eó ico sob e supe isão
Powe poin
Re lexão sob e a
expe iência de
obse ação in e pa es
C iação do
Pos e boa d
“Eu e li o, u
e le es, jun os e le imos!”
Ma e iais pa a a cons ução do
Pos e
boa d:
ca ões co de la anja, azuis e
e des, emojis
G elhas de obse ação de aulas
p eenchidas
Respos as dos alunos ao
ques ioná io aplicado
Ap esen ação de dados ela i os aos
ques ioná ios aplicados aos alunos
Powe poin
Plani icação de uma
es a égia de ensino
cen ada no aluno
Desenho colabo a i o de uma a i idade de
ensino cen ada no aluno
Guião de Desenho de Expe iências
Pedagógicas (anexo 9)
Re e ências de supo e à sessão
Ala cão & Canha (2013); Mo ei a (2004a); Roldão (2014); Viei a (2006b).
Es a sessão iniciou-se com a ampliação de conhecimen os sob e supe isão pedagógica,
colabo ação p o issional e supe isão colabo a i a a a és de in o mação eó ica, com ecu so a uma
p ojeção em
powe poin
.
De seguida, ealizou-se a e lexão sob e o ciclo de obse ação in e pa es desen ol ido pelos
o mandos, consis indo na cons ução do
pos e boa d
“Eu e li o, u e le es, jun os e le imos!”. Nes a
a i idade, o am en egues a cada pa de o mandos ês ca ões de co es di e en es (um co de la anja,
um e de e um azul) e um conjun o de emojis ep esen a i os de emoções dis in as. De seguida, oi-lhes
pedido que e le issem em conjun o sob e o ciclo de obse ação de aulas desen ol ido e que
egis assem: no ca ão e de, os aspe os posi i os; no ca ão co de la anja, os cons angimen os
sen idos; e, no ca ão azul, os aspe os de melho ia a conside a em pa a ações u u as. Cada pa e e
ainda de seleciona os emojis que ep esen assem os sen imen os eme gen es desde a p opos a da
expe iência de obse ação a é à conclusão da mesma. Depois de ealizada a a i idade, cada pa pa ilhou
as suas conclusões com os es an es elemen os, ab indo-se um espaço pa a uma e lexão cole i a sob e
a p á ica de obse ação desen ol ida.
Seguidamen e, o am ap esen ados os esul ados do ques ioná io aplicado aos alunos pelos
p o esso es e po mim compilados. À medida que e am analisados, os p o esso es o am ecendo
comen á ios sob e as espos as dadas. Os dados ob idos na pe gun a “Tendo po base a ua expe iência
68
Pos e io men e, oi elemb ado o p ocesso de a aliação do CE com a cons ução do Rela ó io
Indi idual de Re lexão C í ica/Po e ólio, endo sido mais uma ez ap esen ado e analisado o guião de
cons ução do documen o (anexo 8). Es e documen o de e ia in eg a uma e lexão sob e o CE e uma
na a i a p o issional das expe iências pedagógicas desen ol idas, ap esen ando um guião de apoio à
elabo ação dessa na a i a, cons i uído pelas seguin es ques ões:
1. A na a i a em um í ulo suges i o?
2. A na a i a es á di idida em secções que cla i icam a sua es u u a?
3. Ap esen am-se os emas e a jus i icação das expe iências desen ol idas?
4. Ap esen am-se os obje i os e o con ex o das expe iências desen ol idas?
5. Desc e em-se b e emen e as expe iências desen ol idas e os ma e iais u ilizados?
6. Iden i icam-se as mo i ações e os aços ino ado es da expe iência ace a p á icas an e io es?
7. Discu em-se po encialidades e limi ações das expe iências de supe isão colabo a i a?
8. Discu em-se po encialidades e limi ações do desen ol imen o de p á icas cen adas nos alunos?
9. Ap esen am-se suges ões pa a p á icas/ações u u as?
10. Iden i icam-se ap endizagens p o issionais ealizadas com a pa icipação no CE?
Fo am escla ecidas as dú idas exis en es sob e o p ocesso de a aliação do CE e de iniu-se que
a en ega do Rela ó io Indi idual de Re lexão C í ica/Po e ólio de e ia se e e uada a é ao dia 18 de
junho de 2023. Foi ambém solici ado aos o mandos que e e uassem uma a aliação do CE a a és do
p eenchimen o de um o mulá io a se disponibilizado pelo CFAE MaiaT o a. Como abalho au ónomo
após es a sessão, os o mandos e iam de aplica o ques ioná io inal aos alunos, cons ui e en ia o
Rela ó io Indi idual de Re lexão C í ica/Po e ólio, ia
e-mail
, e esponde ao o mulá io de a aliação do
CE disponibilizado pelo CFAE MaiaT o a, ia
e-mail.
A modalidade de Cí culo de Es udos “conside a o indi íduo na sua o alidade, com o seu
po encial de conhecimen o e expe iências, a sua his ó ia, pe sonalidade e comp omissos” (Pacheco,
1995, p. 389). Enquan o o mado a, não pode ia nunca assumi uma pos u a ansmissi a, sem da
espaço e empo aos p o esso es pa icipan es pa a a pa ilha de opiniões sob e os assun os abo dados
e o uncionamen o do CE. Assim, desde o início oi dada abe u a pa a a pa ilha de ideias que
pe mi issem à ação de o mação i o mais possí el ao encon o das suas necessidades e in e esses.
P ocu ei ado a uma pos u a e lexi a cons an e, o nando-se essencial obse a e e le i sob e a eação
dos o mandos às a i idades p opos as e sob e a sua pos u a du an e os momen os de pa ilha e deba e,
pa a pode mais conscien emen e desen ol e e ajus a (semp e que necessá io) a sessão seguin e. No
inal de cada sessão, ui eunindo pe ceções, opiniões e suges ões
em con e sas in o mais, cole i a e
indi idualmen e, as quais me ajuda am a aze ajus es ao uncionamen o do CE semp e que necessá io.
Po exemplo, p oblemas de incompa ibilidade de ho á ios le a am-me a p opo uma ees u u ação dos
69
g upos de abalho, de duplas pa a ios, de modo a acili a os ciclos de obse ação de aulas; o am
ambém in oduzidos ajus es de calenda ização das sessões do CE, de o ma a e em mais empo
disponí el pa a se dedica em às a i idades au ónomas.
Da ap esen ação do CE, podemos conclui que o seu desen ol imen o exigiu um abalho in enso
po pa e dos p o esso es pa icipan es, assim como um abalho in enso de plani icação das sessões a
di e sos ní eis – pesquisa, p epa ação de ap esen ações eó icas, seleção de ex os de lei u a
ecomendada, desenho de a i idades e análise de dados a discu i nas sessões, e cons ução de ecu sos
de apoio. Sublinho a impo ância dos guiões o necidos, na medida em que apoia am o abalho dos
o mandos e o ien a am esse abalho pa a os obje i os do CE. Mui as das es a égias o ma i as
se i am ambém p opósi os in es iga i os, como e emos na secção seguin e.
5. Es a égias de ecolha e análise de dados
Ao longo de um es udo de caso, o in es igado de e ga an i que ecolhe a quan idade su icien e
de dados pa a a explo ação de aspe os signi ica i os do caso em es udo, que lhe pe mi am e e ua
in e p e ações adequadas, ga an i a iabilidade de ais in e p e ações e cons ui conhecimen o em
a iculação com a eo ia já exis en e (Bassey, 1999). A a iedade de mé odos e on es de ecolha de
dados sob e um mesmo enómeno possibili a uma in e p e ação mais ap o undada sob á ios pon os de
is a, a a és da compa ação, con on o, con as ação e assimilação de pe spe i as, e do a as amen o
de possí eis en iesamen os p o ocados pelo posicionamen o ou juízos de alo do in es igado
(Bisque a, 1989; Cohen & Manion, 1990; Denscombe, 1998; Mo gado, 2012). Es e c uzamen o e
diálogo en e dados p o enien es de di e en es mé odos e on es denomina-se iangulação e pe mi e
con e i consis ência aos dados e às in e p e ações ealizadas, ele ando a c edibilidade do es udo
(Denscombe, 1998).
Os mé odos usados no es udo o am os seguin es: inqué i o po ques ioná io e en e is a aos
docen es e alunos; obse ação pa icipan e, acompanhada da g a ação áudio de momen os do CE, no as
de campo e um diá io de in es igação; análise documen al de egis os di e sos dos o mandos ao longo
do CE. A análise de dados ocou-se, p incipalmen e, nos discu sos cons uídos pelos o mandos:
espos as a um ques ioná io inicial, p odu os esc i os de a i idades ealizadas, in e enções o ais
g a adas nas sessões p esenciais conjun as, po e ólio e espos as a uma en e is a inal. Con ou-se,
ainda, como on e secundá ia, com as minhas no as de campo e o meu diá io de in es igação. Fo am
70
ambém ecolhidos dados jun o dos alunos a a és de dois ques ioná ios, um no início e ou o no inal
do CE, e de uma en e is a inal a um g upo de 12 alunos (2 po o mando). Os enca egados de
educação das u mas en ol idas ecebe am uma ci cula in o ma i a ace ca da in es igação (anexo 6),
solici ando a au o ização pa a a espos a aos ques ioná ios, ga an indo as ques ões de con idencialidade
e anonima o (anexo 17). No inal do CE, cada p o esso selecionou dois alunos da u ma na qual
implemen ou as suas expe iências pedagógicas pa a uma en e is a semies u u ada, sendo dado
conhecimen o e pedida au o ização aos espe i os enca egados de educação a a és de um no o
consen imen o in o mado (anexo 18).
O Quad o 17 ap esen a a elação en e as di e sas on es de in o mação conside adas na análise
de dados e os obje i os de in es igação, e idenciando a iangulação de on es. Re omo aqui os obje i os
de in es igação de inidos e indicados no quad o:
1. Ca ac e iza pe ceções dos p o esso es e dos alunos sob e as p á icas pedagógicas, po e e ência a p incípios de
uma pedagogia cen ada nos alunos
2. Ca ac e iza pe ceções dos p o esso es sob e o papel da supe isão colabo a i a na eno ação de p á icas e no seu
desen ol imen o p o issional
3. Analisa p ocessos de supe isão colabo a i a e eno ação das p á icas pedagógicas.
4. Iden i ica po encialidades e cons angimen os da supe isão colabo a i a na mudança pedagógica e no
desen ol imen o p o issional dos p o esso es
Quad o 17 - Relação en e as on es de in o mação e os obje i os de in es igação
Fon es de in o mação
Obj. 1
Obj. 2
Obj. 3
Obj. 4
Ques ioná io inicial aos p o esso es
A i idades de o mação ( egis os esc i os e o ais)
Guiões de obse ação de aulas
Guiões de plani icação e na a i as das expe iências
En e is a inal aos p o esso es
Rela ó io indi idual de e lexão c í ica sob e o CE
Ques ioná io inicial aos alunos
Ques ioná io inal aos alunos
En e is a inal aos alunos
No as de campo e diá io de in es igação
Passa ei a de alha as p incipais es a égias de ecolha de in o mação u ilizadas: ques ioná ios,
e lexões conjun as, en e is as e egis os dos o mandos no âmbi o do CE.
71
5.1. Ques ioná ios
Os inqué i os po ques ioná io são equen emen e u ilizados em es udos de caso e consis em
em conjun os de pe gun as esc i as às quais se esponde ambém po esc i o, que pe mi em o es udo
de di e sas si uações e que podem se aplicados simul aneamen e a uma quan idade signi ica i a de
pessoas (A onso, 2005; Mo gado, 2012). As pe gun as podem se echadas, semi echadas ou abe as,
consoan e o ipo de in o mação que se p e ende ob e pa a o caso em es udo, sendo usual algumas
ques ões con a em já com espos as p é-codi icadas, de o ma que os inqui idos selecionem a sua
espos a de en e as que lá se encon am p opos as (Qui y & Campenhoud , 1998). A onso (2005)
conside a que a iabilidade do ques ioná io como écnica iá el de ecolha de dados depende da a i ude
coope a i a assumida pelos esponden es ao esponde em olun a iamen e e com anspa ência ao
mesmo.
Embo a o p esen e es udo seja de eo quali a i o, eco eu-se à ecolha de dados quan i a i os
que o am analisados c i icamen e pa a a comp eensão do enómeno em es udo. Fo am assim aplicados
ês ques ioná ios: no início do CE, oi aplicado um ques ioná io aos seis p o esso es pa icipan es; no
início e no inal do CE, oi aplicado um ques ioná io aos alunos das suas u mas do 3.º ao 6.º ano e um
conjun o de ques ões o ais aos alunos do 2.º ano.
5.1.1. Ques ioná io inicial aos p o esso es
O ques ioná io “Conceções sob e a p á ica pedagógica” (anexo 12) oi cons uído no âmbi o
des a in es igação com o obje i o de iden i ica conceções dos p o esso es pa icipan es sob e a p á ica
pedagógica, endo sido espondido pelos seis p o esso es em abalho au ónomo após a p imei a sessão
do CE. O ques ioná io é compos o po ês secções: ca ac e ização sociop o issional, expe iência
pedagógica e supe isão pedagógica. O Quad o 18 ap esen a a ma iz do ques ioná io, o qual e a
cons i uído po pe gun as de espos a abe a, à exceção de um conjun o inicial de ques ões pa a a
ca ac e ização dos pa icipan es. Os es emunhos dos p o esso es pe mi i iam conhece alguns aspe os
da sua p á ica educa i a, a sua imagem de p o esso ideal e aspe os da p á ica que gos a iam de
melho a , assim como comp eende as conceções que de inham ace ca da u ilidade da supe isão
colabo a i a e an agens e/ou limi ações do p ocesso de obse ação de aulas que p a ica am. As
espos as a es e ques ioná io pe mi i am, ainda, con on a as conceções iniciais dos p o esso es com
dados ecolhidos ao longo da in es igação e com as suas conceções inais.
72
Quad o 18 - Ma iz do ques ioná io inicial aos p o esso es
Obje i os
Secções
Tópicos
Ques ões
Ca ac e iza os p o esso es
inqui idos
1 – Ca ac e ização
sociop o issional
Faixa e á ia
Tempo de se iço
Fo mação académica
Fo mação em supe isão pedagógica
1/ 2/ 3/ 4
Ca ac e iza pe ceções dos
p o esso es sob e as
p á icas pedagógicas
2 – Expe iência
pedagógica
Expe iências posi i as/nega i as na p á ica
pedagógica
5/6
Ca ac e ís icas do ‘p o esso ideal’
7
Aspe os a melho a na p á ica pedagógica
8
Ca ac e iza pe ceções dos
p o esso es sob e a
supe isão colabo a i a
3 – Supe isão
pedagógica
U ilidade da supe isão colabo a i a pa a a
comp eensão e melho ia das p á icas
9
Van agens e/ou limi ações do p ocesso de
obse ação de aulas da ins i uição pa a a
comp eensão e melho ia das p á icas
10
As espos as o am analisadas, azendo-se delas eme gi dimensões de análise des acadas po
um código de co e que pe mi i am desen ol e uma análise mais ocada, de alhada e sis emá ica da
in o mação. Alguns dos esul ados o am pa ilhados e discu idos na segunda sessão do CE, na qual oi
o necida in o mação eó ica sob e uma pedagogia pa a a au onomia e onde se deba eu se as
expe iências pedagógicas ela adas (uma g a i ican e e uma us an e) e os aspe os que gos a am de
melho a nas suas p á icas se ap oxima am de uma pedagogia da dependência ou de uma pedagogia
da au onomia.
5.1.2. Ques ioná io inicial aos alunos
O ques ioná io “Ca ac e ização da i ência escola ” (anexo 13) oi c iado com o obje i o de
ecolhe as conceções dos alunos sob e a escola e sob e o papel do p o esso e do aluno em sala de
aula. Todas as ques ões são de espos a echada de o ma a acili a o p eenchimen o e ecolhe mais
in o mação, mas de ido à en a idade dos alunos do 2.º ano e possí el di iculdade de p eenchimen o,
conside ou-se mais adequado aplica o almen e um conjun o de ques ões baseadas nas ques ões do
ques ioná io, p ocedendo-se ao egis o das espos as. Como já oi e e ido, es e ques ioná io oi
pa ilhado e deba ido com os p o esso es na sessão 2 do CE, uma ez que inha ambém o obje i o
conhece em melho as conceções dos seus alunos sob e a sua i ência escola , ajudando-os a de ini o
seu pon o de pa ida pa a a ino ação da sua p á ica. Todos os docen es conco da am com a es u u a e
73
as ques ões p opos as, não suge indo qualque al e ação. Ap esen a-se a ma iz do ques ioná io no
Quad o 19.
Quad o 19 - Ma iz do ques ioná io inicial aos alunos
Obje i os especí icos
Secções
Tópicos
Ques ões
Iden i ica a aixa e á ia dos alunos
1 – Iden i icação do aluno
Faixa e á ia
1
Ca ac e iza sen imen os e pe ceções
dos alunos ela i amen e à sua
i ência na escola
2 – Ca ac e ização da
i ência escola do aluno
Sen imen os associados à
escola
2/ 4
Ideia que em de si p óp io
enquan o aluno
3
Pe ceções sob e os papéis do
p o esso e dos alunos em sala
de aula
5
O ques ioná io oi aplicado em papel po cada docen e numa das suas aulas, en e as sessões
2 e 3 do CE, sendo as ques ões e a o ma de p eenchimen o explicadas aos alunos. Os dados o am
sis ema izados e a ados em quad os de equência absolu a. Os esul ados ob idos o am pa ilhados
e discu idos em conjun o na qua a sessão do CE, e elando se c uciais pa a comp eende a isão que
os alunos inham da escola e do papel do p o esso e do aluno em sala de aula, ajudando os p o esso es
a no ea as suas in e enções u u as.
5.1.3. Ques ioná io inal aos alunos
No inal do CE, oi aplicado aos alunos um ques ioná io (anexo 16) com o in ui o de comp eende
as suas pe ceções ace ca das expe iências pedagógicas desen ol idas no âmbi o do CE e compa a
essas pe ceções com as dos p o esso es. Foi ap esen ado e analisado conjun amen e na úl ima sessão
do CE, sendo no amen e dada abe u a pa a a al e ação de algum aspe o que os p o esso es
conside assem pe inen e, mas não oi e e uada nenhuma al e ação. Conside ou-se pe inen e que cada
o mando aplicasse es e ques ioná io na u ma em que desen ol eu as expe iências pedagógicas
cen adas nos alunos. Como dois o mandos, de á eas dis in as, abalha am com a u ma do 4.º ano,
es a u ma espondeu duas ezes ao mesmo ques ioná io, endo po base as expe iências desen ol idas
po cada um dos p o esso es. Assim, an es da aplicação do ques ioná io, cada o mando elemb ou as
expe iências desen ol idas pa a que os alunos se ocassem nas mesmas aquando da espos a ao
74
mesmo. Ap esen a-se a ma iz do ques ioná io no Quad o 20. O ques ioná io e a compos o po ques ões
de espos a echada e uma ques ão de espos a abe a em que lhes oi solici ado que jus i icassem a
espos a à úl ima pe gun a, sob e a sua p edisposição pa a ealiza o mesmo ipo de a i idades no u u o.
Os alunos do 2.º ano o am inqui idos o almen e.
Quad o 20 - Ma iz do ques ioná io inal aos alunos
Obje i os especí icos
Secções
Tópicos
Ques ões
Iden i ica a aixa e á ia do aluno
1 – Iden i icação do aluno
Faixa e á ia
1
Ca ac e iza pe ceções dos alunos
sob e as expe iências desen ol idas
pelos p o esso es
2 – Ca ac e ização do
impac o das expe iências nos
alunos
Ní el de sa is ação,
comp eensão e ap endizagem
2
Pe ceções sob e dimensões da
ap endizagem nas expe iências
desen ol idas
3
P edisposição pa a pa icipa
em a i idades de na u eza
semelhan e no u u o
4
Os dados ecolhidos o am sis ema izados e a ados em quad os de equência. As jus i icações
ap esen adas o am eunidas e ag upadas de aco do com a a inidade das ideias eiculadas.
5.2. Re lexões conjun as: a i idades de e lexão desen ol idas no CE
Analisa e comp eende conceções e p á icas, indi idualmen e e cole i amen e, oi essencial ao
longo de odo o CE, o qual a o eceu a colabo ação na cons ução de um espaço dialógico de
enco ajamen o, abe u a e empa ia pa a com o ou o. P i ilegiou-se o pensamen o e lexi o dos
pa icipan es, o qual consis e em esc u ina c i icamen e as c enças e sabe es pessoais: “Ac i e,
pe sis en , and ca e ul conside a ion o any belie o supposed o m o knowledge in he ligh o he
g ounds ha suppo i , and he u he conclusions o which i ends, cons i u es e lec i e hough ”
(Dewey, 1910, p. 6). Os o mandos e le i am sob e as suas p á icas e conceções educa i as a a és do
desen ol imen o de di e sas a i idades, azendo jus à ideia de que, nes a modalidade de o mação, “o
p o esso é ido como p á ico- e lexi o-in es igado ” (Pacheco, 1995, p. 392).
As p incipais a i idades de e lexão desen ol idas ao longo do CE, já desc i as an e io men e,
são indicadas no Quad o 21. Os momen os de diálogo em g ande g upo o am audiog a ados pa a
pos e io análise, à exceção da a i idade “Re lexão sob e a en e is a a An ónio Nó oa”, na qual o am
75
apenas egis adas no as de campo. Aquando da análise de dados, o am selecionados exce os
signi ica i os das a i idades de e lexão audiog a adas, a endendo-se aos obje i os em es udo e com
is a a possibili a uma in e p e ação mais ap o undada das pe ceções e expe iências dos o mandos.
Quad o 21 - A i idades de e lexão desen ol idas no CE
Nome da a i idade
Sessão do CE
O que é pa a mim uma sala de aula ideal?
Sessão 1
Re lexão sob e a en e is a a An ónio Nó oa
Sessão 1
Na minha sala de aula, quem az o quê?
Sessão 2
C iação do
pos e boa d
“Eu e li o, u e le es, jun os e le imos!”
Sessão 4
Re lexão sob e a implemen ação da expe iência de ap endizagem cen ada no aluno
Sessão 5
Me a o izo!
Sessão 5
Re lexão sob e a implemen ação da 1.ª expe iência p omo o a de au onomia – 1.º ciclo de
in es igação-ação
Sessão 8
Re lexão sob e a implemen ação da 2.ª expe iência p omo o a de au onomia – 2.º ciclo de
in es igação-ação
Sessão 10
Encon ei o meu NORTE?
Sessão 10
5.3. En e is as
A en e is a é uma es a égia de ecolha de dados que pe mi e ao in es igado e i a
“in o mações e elemen os de e lexão mui o icos e ma izados” a a és do seu con ac o di e o com os
en e is ados, apoiando o en e is ado na exp essão das suas pe ceções em elação a algum
acon ecimen o de modo a consegui acede “a um g au máximo de au en icidade e p o undidade” (Qui y
& Campenhoud , 1998, p. 192).
O guião da en e is a, assim como as o ien ações pa a o desen ol imen o da mesma, de em
es a em consonância com o obje o em es udo e com o quad o eó ico que o supo a (Mo gado, 2012).
De aco do com a ipologia de ques ões que ap esen am, as en e is as podem se es u u adas, não
es u u adas ou semies u u adas, sendo es e úl imo o ipo de en e is a usado no p esen e es udo. Qui y
& Campenhoud (1998) denominam as en e is as semies u u adas de semidi igidas ou semidi e i as,
ca ac e izando-as po não se em in ei amen e echadas, podendo o en e is ado de e um conjun o de
pe gun as o ien ado as, abe as, que não p ecisam necessa iamen e de se colocadas pela o dem
76
delineada. O en e is ado de e pe mi i ao en e is ado ala abe amen e e limi a -se a eencaminha a
en e is a pa a os obje i os a que se p opôs, podendo coloca ques ões adicionais que possam apoia a
ecolha de dados quando o en e is ado não oca o ce ne da ques ão ou ap esen a alguma ideia
in e essan e a se explo ada.
O ecu so a en e is as na p esen e in es igação mos ou-se imp escindí el pa a a comp eensão
do impac o do CE nos docen es e nos alunos. Des e modo, depois de concluído o CE, o am ealizadas
duas en e is as: uma en e is a semies u u ada indi idual aos p o esso es pa icipan es no CE e uma
en e is a semies u u ada a um pa de alunos selecionados po cada p o esso en ol ido no CE, num
o al de 12 alunos.
5.3.1. En e is a inal aos p o esso es pa icipan es no CE
A en e is a indi idual semies u u ada ealizada aos seis p o esso es isa a comp eende e
a alia o impac o do CE no desen ol imen o de p á icas p omo o as da au onomia em sala de aula e no
seu desen ol imen o p o issional (anexo 19). As seis en e is as deco e am no espaço da ins i uição,
em local adequado à g a ação áudio das mesmas e de aco do com a disponibilidade de cada p o esso .
A pedido dos p o esso es, oco e am após a en ega do Rela ó io Indi idual de Re lexão C í ica/
Po e ólio, já no início da in e upção le i a de e ão, quando inham maio disponibilidade pa a o aze .
O guião da en e is a oi en iado p e iamen e a cada p o esso , ia
e-mail
, com is a a pe mi i uma
e lexão p é ia sob e as ques ões colocadas. Cada en e is a demo ou en e 13 e 28 minu os, sem
in e upções. O Quad o 22 ap esen a a es u u a da en e is a em blocos emá icos, obje i os e ópicos
abo dados. A ansc ição das en e is as oi e e uada pos e io men e e de ol ida aos en e is ados pa a
alidação in e subje i a, não endo sido indicada a necessidade de e o mula ou elimina algum
elemen o das espos as. Na análise emá ica dos es emunhos ecolhidos, comecei po euni as
espos as o necidas pa a cada pe gun a e in e p e ei a in o mação a pa i dos ópicos conside ados na
en e is a, iden i icando ideias-cha e a a és de um esquema de co es. Pa a algumas ques ões, o am
c iados esquemas ou quad os que sin e izam a in o mação ele an e pa a o es udo.
77
Quad o 22 - Es u u a da en e is a inal aos p o esso es
Blocos emá icos
Obje i os
Tópicos
Bloco A
Pedagogia pa a a au onomia
Recolhe pe ceções dos p o esso es sob e as
p á icas pedagógicas desen ol idas, po
e e ência a uma pedagogia cen ada nos
alunos
Es a égias didá icas
Ganhos p o issionais
Di iculdades sen idas
Papel do aluno e do p o esso
Bloco B
Supe isão colabo a i a e
desen ol imen o p o issional
Recolhe pe ceções dos p o esso es sob e o
papel da supe isão colabo a i a na eno ação
de p á icas e no seu desen ol imen o
p o issional
Impo ância da obse ação in e pa es
Impo ância da ecolha de e idências
em sala de aula
Impo ância da e lexão conjun a
Ganhos p o issionais
Compa ação en e sis emas de
obse ação de aulas
Bloco C
Ap eciação global do Cí culo
de Es udos
Recolhe pe ceções dos p o esso es sob e
aspe os posi i os e p oblemá icos do
desen ol imen o do Cí culo de Es udos
Aspe os posi i os do CE
Aspe os p oblemá icos do CE
Recomendação do CE
5.3.2. En e is a inal aos alunos
A en e is a semies u u ada oi aplicada a um g upo de alunos en ol idos nas expe iências
desen ol idas pelos p o esso es no âmbi o do CE e e e como o obje i o comp eende e a alia o impac o
das expe iências dos p o esso es na sua ap endizagem (anexo 20). Cada p o esso pa icipan e no CE
selecionou dois alunos da u ma em que implemen ou as expe iências po si desenhadas, que i essem,
du an e as aulas, espondido melho e mos ado mais esis ência às dinâmicas p opos as, de modo a
cap a i ências di e sas.
A en e is a oi ealizada em pa es, jun ando os dois alunos de cada u ma, um p ocedimen o
necessá io na medida em que cada u ma i enciou expe iências pa icula es. As en e is as, num o al
de seis, deco e am na biblio eca da ins i uição, espaço amilia aos alunos e adequado à g a ação áudio,
median e um agendamen o p é io com os enca egados de educação. Fo am e e uadas na in e upção
le i a de e ão, en e os dias 22 e 27 de junho de 2023, e i e am uma du ação de 12 a 24 minu os,
sem in e upções. O Quad o 23 ap esen a a es u u a da en e is a em blocos emá icos, obje i os e
ópicos abo dados.
84
1.1. Pe ceções dos p o esso es
Na a i idade “O que é pa a mim uma sala de aula ideal?”, p opos a na sessão 1, os p o esso es,
em pa es, deba e am e ep esen a am g a icamen e a sua sala de aula ideal, pa ilhando depois as suas
ideias com o g upo. Du an e a obse ação do abalho em pa es, pe cebi numa ase inicial que uns
de endiam uma sala de aula mais adicional, com sec e á ias, cadei as e um quad o onde o p o esso
explo a a os con eúdos p é-de inidos pa a a aula, enquan o ou os ap esen a am uma isão mais
ino ado a, de endendo a p esença de á ios espaços com obje i os dis in os den o da mesma sala, onde
a é o con ac o isual com o espaço ex e io e a undamen al. Aos poucos, iam ques ionando e negociando
ideias, ab indo ho izon es e alo izando aspe os cada ez mais especí icos, pois como oi di o po um
deles, “se é pa a pensa no ideal, podemos pensa em odos os po meno es sem condicionamen os”
(No as de campo). A ideia de uma educação e(ide)alis a ap esen ada po Jiménez Raya e al. (2007)
passa ambém po is o: pensa no ideal sem a ão e analisá-lo à luz da ealidade do con ex o pa a de ini
o espaço da possibilidade.
Das ap esen ações ao g upo e das ep esen ações g á icas da sala de aula ideal, podemos
conclui que a ca ac e iza am como um espaço dinâmico e uncional, po enciado da pa icipação dos
alunos; com di e en es á eas, acili ando o desen ol imen o de a i idades de na u eza di e sa ( abalho
indi idual e de g upo, pesquisa e lei u a, a i idades expe imen ais ou exposi i as, ap esen ações de
abalhos); e com g andes janelas, não só pa a o ap o ei amen o da luz na u al, como pa a o
es abelecimen o de con ac o do in e io da sala com o ex e io e ice- e sa. As ês ep esen ações
c iadas, embo a dis in as, colocam o oco no aluno, indicam u mas com um máximo de dezasseis
alunos, p i ilegiam o abalho colabo a i o, ap esen ando mesas de dois a cinco elemen os, alo izam os
ecu sos ecnológicos de apoio à ap endizagem, nomeadamen e, quad o in e a i o e
able s
, ap esen am
locais de a umação pa a ma e iais manipulá eis e espaço pa a a exposição de abalhos ealizados
pelos alunos ou documen os o ganizacionais de ele ância (calendá io escola , ho á io, en e ou os).
Numa das salas de aula, os o mandos não incluí am somen e os ecu sos ma e iais que conside a am
necessá ios e a sua espe i a o ganização, endo incluído ambém os ecu sos humanos, is o é, dois
docen es que abalha iam em colabo ação um com o ou o. De um modo ge al, comp eende-se que os
ideais dos o mandos se a as am da educação bancá ia ap esen ada po F ei e (2018) ou da ideia de
p o esso ansmisso e con olado do p ocesso ensino/ap endizagem abo dada po Viei a (1993b;
1998), colocando o aluno no cen o da ap endizagem num ambien e p opício ao desen ol imen o de
múl iplas compe ências.
85
A de esa de uma educação ans o mado a es e e ambém p esen e aquando da discussão do
ídeo da en e is a a An ónio Nó oa, ainda du an e a mesma sessão. Os p o esso es isualiza am-no
a en amen e, oma am no as e iam acenando com a cabeça, demons ando conco dância com inúme as
das ideias ap esen adas sob e a escola e o papel do p o esso . No inal, quando lhes oi pe gun ado que
aspe os gos a am de e idencia ou comen a , oi ealçada a paixão com que An ónio Nó oa ala sob e o
papel do p o esso e a impo ância des e na o mação de cidadãos do u u o. Con udo, oi ambém
e e ido que o que o a ou ido se si ua naquilo que é o ideal, e que, na p á ica, se ia impossí el o
p o esso consegui assumi al papel, de ido às suas condições de abalho. Os o mandos pa ilha am
algumas das suas p eocupações ela i amen e às suas p á icas: limi ações que lhes e am impos as po
exigências o ganizacionais da ins i uição de ensino, a dimensão dos p og amas a cump i nas di e sas
disciplinas, o as o plano anual de a i idades, a p ede inição de ma e iais a usa no p ocesso de
ensino/ap endizagem e a pos u a dos enca egados de educação ace à escola e ao p o esso . Ve a sua
admi ação pela isão de An ónio Nó oa, mas ê-la como o ideal, ez com que, po momen os, se a esse
do seu pensamen o o campo do possí el como mo o pa a a mudança. A ideia de o is a de “po ezes,
não há nada a aze ” su giu e inquie ou-me enquan o o mado a. Esse e a, na minha men e, o abismo
pelo qual não podíamos segui – a ideia de impossibilidade.
A sessão e minou com um ó imo ambien e e os colegas pa eciam ag adados e es a am mo i ados, endo e e ido
que gos a am mui o e que já es ão à espe a da p óxima. Fico ealmen e con en e com es e p imei o dia, mas não
posso deixa de pensa naquela ideia de impossibilidade. Ha e á semp e alguma coisa a aze ! Algo a muda pa a
nos ap oxima mos do nosso ideal! Um dia de cada ez! Penso que hoje já conseguimos da um passo em di eção
à ans o mação e melho ia da nossa comunidade p á ica: pessoas eunidas, abe as ao pensamen o, à e lexão e
à colocação de ques ões!
(1 de ma ço de 2023, Diá io de In es igação)
A a i idade “Na minha sala de aula... quem az o quê?”, ealizada na segunda sessão, pe mi iu
ap o unda um pouco mais a e lexão dos p o esso es sob e as suas p á icas. Ap esen ei cinco aspe os
da p á ica pedagógica pa a deba e, ambém p esen es no ques ioná io que se ia passado aos alunos:
seleção dos con eúdos, escolha das a i idades, escolha dos ma e iais, de inição do abalho de casa e
a aliação das ap endizagens. Em odos eles, os o mandos menciona am que cabe essencialmen e, ou
a é o almen e, ao p o esso , a omada de decisões sob e es as a e as. O p o esso assume, assim, o
papel cen al na sala de aula, sendo o aluno um seguido das suas indicações. Embo a o espaço de sala
de aula idealizado e ap esen ado an e io men e osse p omo o da au onomia do aluno, colocando es e
86
no cen o da ap endizagem como a o p incipal, consegue-se comp eende um a as amen o en e o ideal
dos o mandos e o eal po si i ido, ap oximando as suas p á icas de uma pedagogia da dependência
(Viei a, 1998).
No que diz espei o à seleção dos con eúdos e das a i idades a ealiza , os o mandos e e i am
que nos momen os de deba e com os alunos, apesa de a emá ica e sido de inida pelo docen e, mui as
ezes é omado ou o umo e são a ados aspe os complemen a es aos de inidos inicialmen e, po
cu iosidade e in e esse da u ma. Ac escen a am, ainda, que es a am ambém abe os às suges ões dos
alunos pa a u u as a i idades a ealiza em sala de aula, desde que conside adas pe inen es e
adequadas, e e e i am o P oje o BYTE da escola como um exemplo de como os alunos podem
desen ol e a sua au onomia:
Fo mado a: Quem é que de ine as a i idades a ealiza ?
PB: O p o esso , no meu caso. É mui o p á ico! Pode ia não se , lá es á...e os abalhos, às ezes, ão po ou os
caminhos numa aula p á ica, mas eu plani ico mui o o que eles ão aze po que senão descamba mui o. É aquilo
que eu sin o que pode acon ece .
PF: Às ezes, eles suge em alguma coisa “Podíamos aze is o!” e en amos da espos a ou ma ca alguma coisa
pa a ou a aula, mas essencialmen e o p o esso de ine.
PE: Eu ou dize o p o esso , mas endencialmen e es á mais a i a -se pa a os alunos, po exemplo P oje o BYTE.
Eles de inem os emas, de inem como é que que em ap esen a , de inem o que que em aze e, po an o, aí eles
êm o pode . Eles ambém não con am udo o que ão aze po que que em aze coisas su p esa à p o esso a. Aí
eu pe cebo a on ade que eles êm de começa a con ola e de saí em um bocado do meu con olo.
PD: No meu caso, o p o esso delineia o que é pa a aze e depois, median e as suges ões, se i que é in e essan e
pa a o que eu es ou a da seguimos po aí, se não...
PC: É a maio ia o p o esso , se já planeou alguma coisa, já em ce amen e as a i idades p epa adas, mas, lá es á,
com o deco e da aula, há semp e suges ões dos alunos e conco do com PE. Sei que em P oje o BYTE eles êm
mui o essa necessidade de se em po eles a de ini em o que que em aze . No p imei o pe íodo, eu de ini emas,
mas depois pe cebi que ago a no segundo lhes inha de da essa libe dade de se em eles a escolhe em os emas,
o que i iam aze , po an o, amo-nos des iando ago a e dando um bocadinho de pode pa a os alunos sen i em o
que que em aze .
PA: Sim, em P oje o BYTE, isso no a-se mui o.
(T ansc ição de g a ação áudio - A i idade “Na minha saba de aula, quem az o quê?)
É de salien a que PE e PC, embo a e e indo o papel cen al do p o esso na sala de aula, azem
e e ência à exis ência da disciplina de P oje o BYTE na ins i uição, que apela a um papel a i o dos
87
alunos. Sendo uma disciplina com uma me odologia de p oje o, os alunos abalham em g upo, decidem
o ema/p oblemá ica a explo a , como o que em aze , com que ecu sos e como que em e e ua a sua
ap esen ação à u ma, assumindo o papel p incipal no p ocesso de ensino/ap endizagem e con ando
com o p o esso apenas como um mediado . Es a e lexão le a-nos a pensa que o abalho de p oje o
se ia uma al e na i a a ou as o mas de abalho dos alunos, a implemen a nas di e sas disciplinas do
cu ículo e não apenas numa disciplina de o e a complemen a .
Quan o à escolha dos ma e iais pa a explo a os con eúdos, alguns o mandos mos a am uma
maio abe u a, e e indo que an o eles como os seus alunos escolhem os ma e iais a usa nas aulas,
an o po se uma po a pa a a c ia i idade dos mesmos, quando se a a de disciplinas mais p á icas,
como pela di e sidade de ecu sos exis en e que pode o na a ap endizagem mais apela i a. Po
exemplo, PC e e iu que, mui as ezes, os alunos suge em o uso de aplicações in e a i as, pelo ac o de
abalha em em sala de aula com
able s
.
Rela i amen e à de inição dos abalhos de casa e à a aliação das ap endizagens, os seis
assumi am que são eles quem ealiza es as a e as. Embo a a e lexão se assuma como um dos papéis
dos alunos numa pedagogia pa a a au onomia pa a a consciencialização do sabe disciplina e do
p ocesso de ap ende (Viei a, 2010), assim que o deba e en e edou pela capacidade de au oa aliação,
oi e iden e uma posição e icen e ace à p á ica au oa alia i a, po conside a em que os alunos não êm
capacidade pa a e le i e a alia c i icamen e o seu abalho e que an o o sob e alo izam como
des alo izam:
Fo mado a: Quem é que az a a aliação das ap endizagens?
PC: No malmen e, pa a a a aliação eles não êm an a capacidade. Mesmo quando azemos a au oa aliação, eles
não êm mui o essa capacidade... é algo que podemos abalha com eles – a capacidade de se au oa alia em.
Alguns conseguem e , alguns dão a ol a ao sis ema, mas alguns não êm a capacidade de se au oa alia em. Acho
que é uma das coisas que se de e abalha bas an e com eles, é essa ques ão de pe cebe em se es ão a consegui ,
se es ão a co esponde e, po an o, não acho que eles enham ainda ma u idade...ainda não conseguem...
PC: Mesmo no 2.º ciclo não êm essa capacidade de a alia em o abalho que es ão a aze e quando o a aliam
acho que ogem...
PB: É semp e po cima!
PC: É!
PE: Depende, depende! Há meninos que são mui o c í icos e que êm uma au oes ima bas an e baixa.
PD: Alguns a é se a aliam mui o po baixo.
88
PB: Mas eu, na minha á ea, depois enho endência de i e semp e as au oa aliações po que acho que é
impo an e sabe e é semp e mui o po cima na minha disciplina. Na minha á ea, como eles acham que não há
es es, en ão não se es uda, é semp e mui o po cima. E eu es ou cons an emen e a en a e es e eedback “Vocês
acham que a sala icou bem a umada?”, “As eg as o am cump idas?”, “Os abalhos ica am bem ei os?”. Vou
en ando que eles pensem, mas sou eu que ou puxando mui o pa a que eles e li am.
(T ansc ição de g a ação áudio - A i idade “Na minha saba de aula, quem az o quê?)
Impo a e e i que, quando os p o esso es alam da p á ica de au oa aliação, se e e em,
sob e udo, a momen os de inal do pe íodo em que os alunos p eenchem um ques ioná io ans e sal
às disciplinas, o que signi ica que ende a não exis i uma p á ica egula de au oa aliação e que isso
pode explica as di iculdades dos alunos. PB ac escen ou, con udo, que en a p omo e nas suas
disciplinas o pensamen o c í ico, a a és da análise indi idual com o aluno do seu abalho e
ques ionando-o se acha que es á bem, se es á con en e com o esul ado, o que pode ia melho a e como.
Conside a que, au onomamen e, os alunos êm endência a inaliza as a e as e que e passa de
imedia o pa a a p óxima, e que assim consegue le á-los a e le i e a é a melho a o seu desempenho.
Depois de e mos chegado à conclusão de que os o mandos assumiam o papel cen al nas suas
aulas, decidi ques iona se es a iam dispos os a cede ao aluno alguma daquelas esponsabilidades. A
espos a oi a i ma i a, endo sido e e ida a possibilidade de se em os alunos a de ini o ema da aula e
as es a égias de ensino. Ainda assim, demons a am duas conceções que de algum modo coloca iam
limi es a essa p á ica: a ideia de que o desen ol imen o da au onomia se ia especialmen e adequado
em de e minadas em á eas do conhecimen o, e com alunos mais c escidos, conside ando que é mais
di ícil desen ol e a au onomia em alunos mais no os, nomeadamen e, do 1.º Ciclo do Ensino Básico. O
inpu
eó ico oi essencial pa a descons ui e cla i ica algumas ideias p é-concebidas sob e uma
pedagogia pa a a au onomia. Um dos egis os do meu diá io, esc i o após a sessão 2, e idencia a minha
e lexão sob e a pos u a dos o mandos ao longo da sessão:
Ao longo da exposição eó ica sob e a pedagogia pa a a au onomia, pe cebi que as conceções que os colegas inham
sob e es e concei o se basea am numa espécie de obje i o desejá el embo a inalcançá el ace às condicionan es
do dia a dia. Que o iam como uma espécie de " udo ou nada". Sen i um ce o "alí io" a a és dos seus so isos e
olha es quando expliquei que, além de se algo desen ol ido de o ma con ex ualizada, endo em con a a u ma
com que ão abalha , a au onomia é algo que de e se desen ol ido g adualmen e.
Acho que, de uma o ma ge al, odos os colegas se iden i icam com es e ema e comp eendem a impo ância do
mesmo... Embo a um dos o mandos (...) enha umas ideias mais conse ado as do ensino, é in e essan e a o ma
cu iosa como eage ao que ai ou indo e a o ma in e essada como ou e e pa ilha a sua opinião.
89
Ou o o mando mos ou-se um pouco mais cau eloso do que os es an es em elação ao desen ol imen o da
au onomia com os seus alunos, po co esponde em a alunos mais no os e pelo impac o que as no as a i idades
possam causa nos enca egados de educação.
Acho que, nes e momen o e depois dos deba es es abelecidos, os o mandos já começam a e uma ideia sob e o
que que em abalha nas suas u mas. Pa ilha am a sua p eocupação com o oco dos alunos, os con li os
exis en es en e os mesmos aquando dos momen os de abalho de g upo, a pouca au onomia de uns em
compa ação com ou os na mesma u ma (he e ogeneidade), a desmo i ação du an e as aulas.
(8 de ma ço de 2023, Diá io de In es igação)
Ainda nes a ase inicial, os p o esso es esponde am a um ques ioná io com o obje i o p imo dial
de p i ilegia mais uma ez a pa ilha de expe iências e conceções sob e a p á ica pedagógica, sendo
que alguns esul ados o am depois abo dados e discu idos em g upo, mais p ecisamen e, na sessão 3.
A Pa e II do ques ioná io oca a-se em i ências pedagógicas dos docen es, endo sido solici ado o ela o
de duas expe iências pedagógicas, uma “g a i ican e” e ou a “ us an e”.
Das espos as à ques ão “Desc e a sucin amen e uma p á ica pedagógica que enha sido
g a i ican e pa a si, explicando po que azões a conside ou g a i ican e”, eme gi am os seguin es a o es
de sa is ação: a eação dos alunos ace às dinâmicas desen ol idas; o uso de es a égias ino ado as; a
colabo ação p o issional; e a co espondência à expec a i a docen e. No que conce ne à eação dos
alunos ace às dinâmicas desen ol idas, salien am o seu en ol imen o, a mo i ação, en usiasmo e
es o ço no desen ol imen o das a e as, o bom compo amen o, o oco/a enção,
inicia i a/independência na ealização das a i idades e ep odução das mesmas em con ex os ex e nos
à escola. Es es sen imen os e a i udes, que e elam uma pos u a posi i a ace à escola e à ap endizagem,
o am desen ol idos e acen uados pelo ecu so a es a égias de ensino ino ado as, como a
implemen ação de abalho de p oje o, o ensino expe imen al e o jogo didá ico. PE ealçou, ainda, um
episódio de colabo ação p o issional com um p o esso de ensino especial que ajudou a c ia e
implemen a es a égias di ecionadas pa a da espos a às necessidades de duas alunas com
necessidades educa i as especiais, le ando assim à sua inclusão na u ma e a uma p og essão mais
consolidada e sa is a ó ia na ap endizagem. Os o mandos e e em, ainda, como g a i ican e, o ac o de
o deco e da a i idade co esponde às suas expec a i as, le ando-os a c e no p og esso e sucesso do
momen o de ap endizagem, com a consolidação de conhecimen os e o alcance dos obje i os açados
pa a a aula, e com a sa is ação das necessidades de cada aluno, indo-se ao encon o das especi icidades
do con ex o e de cada c iança.
Quando passamos pa a a ques ão “Desc e a sucin amen e uma p á ica pedagógica que enha
sido us an e pa a si, explicando po que azões a conside ou us an e”, os o mandos ela a am de
90
si uações que, de uma o ma ge al, despe a am em si sen imen os como deceção, us ação e
cons angimen o, e que se jus i icam pelos seguin es a o es: as ca ac e ís icas dos alunos/ u ma;
limi ações ex e nas à sala de aula; e si uações imp e is as que, quando oco em, po ezes são di íceis
de con o na . PB e o çou o ac o de ha e , numa mesma u ma, alunos com i mos de abalho mui o
díspa es, pouco au ónomos e insegu os, que ez com que não conseguissem cump i a a e a al como
solici ada. PC ela ou uma si uação em que a coo denação pedagógica de uma ins i uição onde
abalha a se ap esen ou como elemen o limi ado , le ando à adoção de uma me odologia de aula
exposi i a, em de imen o da aula com ensino po descobe a inicialmen e planeada, endo assim
desen ol ido um momen o de ensino/ap endizagem pouco p aze oso pa a si e pa a os alunos
en ol idos. PE desc e eu um momen o em que, de ido a uma condicionan e elacionada com a saúde
de uma aluna, a p og essão na ap endizagem não es a a a deco e como desejá el e os esul ados
ob idos não iam ao encon o das expec a i as dos enca egados de educação, c iando desag ado e
e ol a con a PE. T ês o mandos e idencia am si uações imp e is as que o am di íceis de con o na ,
impossibili ando o cump imen o do plano inicialmen e açado pa a a aula: o desen ol imen o de uma
a i idade expe imen al que, mesmo endo sido es ada an e io men e, não e e os esul ados espe ados,
le ando a u ma a não consegui i a o de ido p o ei o da mesma e a eagi com deceção; a alha nos
equipamen os ecnológicos e ede
in e ne
, que não pe mi i am desen ol e a aula p e iamen e
delineada; e, ainda, a necessidade de subs i uição de aulas de uma á ea que não a sua, c iando
descon o o e conside ando que não conseguiu da o seu melho po não se uma aula de idamen e
p epa ada e na á ea que habi ualmen e leciona.
Tendo po base a análise dos ela os dos p o esso es, podemos e e ua um pa alelismo com
aquilo que a li e a u a nos diz sob e uma pedagogia pa a a au onomia, p ocu ando pe cebe de que
o ma alguns aspe os das expe iências conside adas g a i ican es se ap oximam dessa abo dagem.
Tomando como e e ência a p opos a de Viei a (2006a) sob e os papéis do aluno numa pedagogia pa a
a au onomia, ap esen ada no Quad o 7 do enquad amen o eó ico, podemos conclui que as expe iências
ela adas ap esen am algumas p á icas que a o ecem a
expe imen ação
de es a égias de
ap endizagem que en ol em inicia i a e omada de decisão po pa e dos alunos (po ex. a a és do
abalho de p oje o e do ensino expe imen al), assim como a
negociação
(a a és do abalho
coope a i o), mas a
e lexão
(sob e os sabe es disciplina es e o p ocesso de ap endizagem) e a
egulação
da ap endizagem não são aspe os ão e iden es nos ela os. Em odo o caso, odos eles deixam
anspa ece uma p eocupação com um ensino cen ado no aluno e na qualidade da ap endizagem. Es a
p eocupação icou ambém pa en e nas espos as a duas ou as ques ões do ques ioná io: “Como
91
desc e e ia o ‘p o esso ideal’?” e “Que aspe o(s) da sua p á ica gos a ia de melho a e po quê?”. As
ca ac e ís icas ap esen adas pelos o mandos sob e o que pa a eles e a o “p o esso ideal” podem se
ag upadas em ês dimensões con o me o Quad o 24 – compe ências cien í ico-pedagógicas,
compe ências elacionais e ca ac e ís icas pessoais.
Quad o 24 - Ca ac e ís icas de um “p o esso ideal”
Compe ências cien í ico-
pedagógicas
Compe ências elacionais
Ca ac e ís icas pessoais
PA
conhecimen o dos con eúdos
so
skills
necessá ios à p o issão
men e abe a à colabo ação
abe u a aos alunos
i ências cul u ais as as
cul u a ge al apu ada
c ia i idade
humildade
gene osidade
paciência
boa disposição
PB
e lexão
ocalização na ap endizagem
conhecimen o de odos os alunos
capacidade de adap ação aos
alunos
PC
conhecimen o dos con eúdos
expe iência p o issional
abo dagem didá ica e icaz
capacidade de despe a o
in e esse dos alunos
apoio aos alunos
abalho em equipa
abe u a a suges ões e ao diálogo
paciência
lexibilidade
PD
conhecimen o dos con eúdos
ansmissão cla a dos con eúdos
PE
conhecimen o dos con eúdos
ansmissão cla a e desa ian e dos
con eúdos
capacidade de comunicação
elação de empa ia
elação de pa ilha
capacidade de despe a ascínio
do conhecimen o nos alunos
o ganização
sensibilidade
boa disposição
empenho
c ia i idade
mo i ação
PF
compe ência p o issional
capacidade de adap ação aos
alunos
elação de empa ia
a enção e sensibilidade à
di e sidade dos alunos
gos o pelo ensino
de e minação
p agma ismo
exigência
Nem odos os o mandos e e em aspe os que se enquad am nas ês dimensões, ha endo po
isso uma alo ização díspa no que conce ne ao ipo de ca ac e ís icas ap eciadas. Des aca-se, po
92
exemplo, PD, que, com uma isão mais conse ado a do papel do docen e, o assume como aquele que
domina os con eúdos p og amá icos e os ansmi e de o ma cla a aos alunos. De um modo ge al, as
isões de um “p o esso ideal” ap esen adas pelos o mandos ap oximam-se da imagem de um p o esso
que acompanha os seus alunos, os desa ia e lhes dá espaço pa a pa icipa em a i amen e na sua
ap endizagem. É possí el iden i ica aços de uma p á ica e lexi a e cen ada nos alunos, na medida
em que se conside a o p o esso como alguém capaz de se adap a , e le i , dialoga e abalha em
equipa, que se dá a conhece aos alunos e se in e essa po conhecê-los, es ando sensí el às suas
pa icula idades e es abelecendo com eles uma elação empá ica.
Quando ques ionados quan o aos aspe os que gos a iam de melho a nas suas p á icas
pedagógicas, os o mandos mos a am o seu in e esse em desen ol e expe iências de colabo ação
pedagógica, nomeadamen e, a a és da implemen ação de dinâmicas in e disciplina es e de aulas
pa ilhadas. Re e i am, ainda, o uso de es a égias e ecu sos ino ado es que lhes pe mi issem aumen a
o oco dos alunos e e uma maio p oximidade des es, o uso de ma e iais apela i os e e amen as
ecnológicas, e o desen ol imen o de p oje os e abalhos de g upo em sala de aula pa a a p omoção de
um ambien e educa i o mais colabo a i o. PE ac escen ou que gos a ia de desen ol e mais a sua
empa ia pa a com as di iculdades dos seus alunos, assim como pa a com as limi ações dos p óp ios
enca egados de educação no apoio ao p ocesso de ap endizagem e c escimen o dos seus educandos.
Conside ando os aspe os de melho ia ap esen ados pelos o mandos, não só é possí el e i ica
que a maio ia se enquad a em aspe os impo an es de uma pedagogia pa a a au onomia, como ambém
ajudam o p o esso a ap oxima -se daquilo que conside am se um “p o esso ideal”.
1.2. Pe ceções dos alunos
O ques ioná io aos alunos dos seis p o esso es p ocu a a ecolhe pe ceções iniciais ace ca das
suas i ências da escola e dos papeis do p o esso e do aluno. Na u ma do 2.º ano, compos a po 25
alunos, as ques ões o am colocadas o almen e. Responde am ao ques ioná io em papel 96 alunos dos
3.º, 4.º, 5.º e 6.º anos de escola idade.
Na u ma do 2.º ano, odos alunos e e i am que gos a am de anda na escola e conside a am-
se bons alunos. As espos as das es an es u mas o am ambém globalmen e posi i as, como se pode
obse a nas Tabelas 3 e 4, embo a com alguns alunos a mani es a posições menos a o á eis.
93
Tabela 3 - Respos as po u ma à ques ão “Gos as de anda na escola?”
“Gos as de anda na escola?”
3º Ano
n=27
4º Ano
n=25
5º Ano
n=23
6º Ano
n=21
To al
n=96
%
Sim
26
23
21
19
89
92,7%
Não
1
2
2
2
7
7,3%
Tabela 4 - Respos as po u ma à ques ão “Conside as- e um bom aluno?”
“Conside as- e um bom aluno?”
3º Ano
n=27
4º Ano
n=25
5º Ano
n=23
6º Ano
n=21
To al
n=96
%
Sim
27
24
22
19
92
95,8%
Não
0
1
1
2
4
4,2%
Os alunos do 2.º ano associa am a escola a sen imen os como o ina, p aze e desa io. Os
es an es ap esen am pe ceções mais di e si icadas (Tabela 5). Nes a ques ão, os alunos podiam
seleciona um ou mais os sen imen os pa a ca ac e iza a sua i ência escola , de uma lis a que con inha
sen imen os posi i os e nega i os opos os (po exemplo, p aze s. sac i ício).
Tabela 5 - Sen imen os associados à escola po u ma
Sen imen os
3º Ano
(n=27)
4º Ano
(n=25)
5º Ano
(n=23)
6º Ano
(n=21)
To al
(n=337)
To al
%
(n=337)
Desa io
25
20
20
16
81
24%
Ro ina
20
21
19
20
80
23,7%
P aze
23
21
17
7
68
20,2%
Pa ilha
23
17
11
13
63
18,7%
Abo ecimen o
2
3
4
11
20
5,9%
Au o i a ismo
0
4
2
5
11
3,3%
Sac i ício
2
2
1
4
9
2,7%
Desânimo
0
2
1
2
5
1,5%
A maio ia das espos as associa a escola a desa io (24%), o ina (23,7%), p aze (20,2%) e
pa ilha (18,7%), e elando sen imen os globalmen e posi i os que acabam po i ao encon o da espos a
a i ma i a dada na ques ão 1 “Gos as de anda na escola?”. Ve i ica-se que os qua o sen imen os po
100
sessão 3 à sessão 9. Aquando da conclusão de cada um dos ciclos de obse ação, os o mandos
e le i am sob e os aspe os posi i os e cons angimen os do ciclo de obse ação ealizado, assim como
sob e os aspe os de melho ia pa a ações u u as. Após o CE e com uma isão mais ampla e ap o undada,
e le i am ace ca das expe iências de supe isão colabo a i a desen ol idas e do impac o das mesmas
no seu desen ol imen o p o issional.
Concluída a p imei a expe iência de obse ação in e pa es, na sessão 4 do CE, a a és da
a i idade “Eu e li o, u e le es, jun os e le imos!”, os o mandos i e am, com o seu pa , de egis a
aspe os posi i os, cons angimen os sen idos, ideias/suges ões pa a ações u u as e sen imen os
eme gen es ao longo do ciclo de obse ação.
Quan o aos aspe os posi i os da expe iência, salien a am o ac o de o p ocesso e con ado com
uma isão mais ocada do p o esso obse ado de ido ao conhecimen o p é io e ao planeamen o do
p ocesso de obse ação de aulas com um p opósi o, espei ando-se cada uma das suas e apas e a
possibilidade de diálogo e pa ilha de suges ões en e docen es, ha endo o con ibu o de ambos pa a a
p á ica educa i a desen ol ida.
O p incipal cons angimen o sen ido oi a di iculdade em concilia os ho á ios pa a e e ua a
obse ação. Um dos pa es mencionou ainda que, de ido a uma si uação eme gen e na ins i uição à qual
e e de da espos a, lhe oi impossí el es a p esen e du an e oda a aula, o que condicionou, em pa e,
a sua in e p e ação ace ca da mesma. Um dos o mandos e e iu que na es a égia ado ada pa a a
explo ação de um con eúdo um pouco mais complexo, os alunos mos a am di iculdades e hou e a
necessidade de al e a o plano inicial, não se conseguindo cump i o p e is o pa a a aula. Um ou o pa
mencionou o ac o de se em docen es de á eas dis in as e e em sen ido uma ce a di iculdade em
e e ua suges ões de melho ia, o que pode se uma limi ação da obse ação em equipas
mul idisciplina es, na medida em que o modo de ensina não é independen e do que se ensina:
PB: Nós somos de á eas mui o di e en es e se, po um lado, oi bom po que hou e semp e coisas que eu disse “eu
gos ei mui o de ou i is o na ua aula”, po ou o lado, aqui, naquele aspe o de “de e ias aze , nes e con eúdo...”
é complicado po que eu não domino os con eúdos ou mesmo a suges ão de uma a i idade ou um ecu so. Acho
que se osse a minha á ea conseguia, po exemplo, “Podias e pegado nes e ecu so que eu conheço que é
espe acula ”. Sen i essa incapacidade de consegui pode ajuda a colega nesse sen ido. Não que dize que não
possa ajuda nou as coisas, cla o que na pa e pedagógica conseguimos semp e alguma coisa, mas gos a a de
pode es imula nou os sen idos. Numa á ea que não e a a minha oi mais di ícil.
(T ansc ição de g a ação áudio – Re lexão em con ex o de CE)
101
Rela i amen e a aspe os a e em a enção em ações u u as, um dos pa es e e iu que se ia
in e essan e con inua a planea as suas a uações em conjun o e de o ma mais es u u ada, e c ia
ins umen os de egulação das ap endizagens que possam comba e queb as de i mo do abalho nas
suas aulas, pelo ac o de os alunos e em di iculdade em comp eende e cump i as indicações dadas
pa a a ealização de uma a e a. Ou o pa mencionou que, no u u o, gos a ia de combina com mais
empo a a i idade a se obse ada, uma ez que nes a si uação os o mandos i e am apenas uma
semana pa a a implemen ação da expe iência de obse ação in e pa es. Conside a am ambém a
hipó ese de, no u u o, c ia em uma g elha de obse ação de aulas di ecionada pa a a a i idade a
desen ol e , ou seja, mais ocalizada no ipo de a e a. Es a é uma suges ão ele an e, que pe mi i ia
uma obse ação mais ocada na na u eza especí ica de di e en es a e as e nos di e sos p ocessos de
ap endizagem que mobilizam. O e cei o pa de o mandos isou a necessidade de, em ações u u as,
ha e um maio cuidado na análise de disponibilidade ho á ia e da con inuidade a um abalho de
coope ação na ealização das expe iências.
Os o mandos usa am emojis pa a exp essa os sen imen os eme gen es desde a p opos a da
expe iência de obse ação a é à conclusão da mesma, endo indicado os seguin es: sus o, p eocupação,
con en amen o, con o o e ma a ilha. Os sen imen os de sus o e p eocupação o am jus i icados pela
di iculdade sen ida em concilia ho á ios pa a a ealização da obse ação in e pa es e pelo ac o de, num
dos g upos, essa obse ação e sido in e ompida po uma si uação imp e is a.
PE: O ac o de concilia ho á ios oi mesmo mui o di ícil. Só hoje de manhã consegui e a aula de PD po que ou
não es á em ho á io de aula, ou en ão es ou eu a da aulas. A nossa sensação inicial oi com es e emoji [sus o] po
causa do planeamen o. “O que é que amos aze e quando é que nos amos e um ao ou o? Não amos consegui ,
não ai se possí el”. Depois, du an e o p ocesso, eu sen i-me ex emamen e con o á el com PD nas aulas a
obse a , não hou e cons angimen o nenhum. E, no inal, deu pa a pe cebe que co eu udo bem, conseguimos!
Não oi assim ão ácil quan o isso, mas no inal acho que co eu bem.
(T ansc ição de g a ação áudio – Re lexão em con ex o de CE)
Os sen imen os de con en amen o e de con o o de e am-se à o ma como os o mandos se
sen i am pela p esença de um colega em sala de aula e pela pa ilha de ideias. O sen imen o de
ma a ilha su giu em odos os pa es po es es e em ap eciado a expe iência de obse ação in e pa es e
es a em cu iosos e o imis as em elação às p óximas expe iências, endo um dos pa es di o: “ emos
coisas boas a acon ece no u u o” (Exce o de g a ação áudio da a i idade).
102
Em suma, es a p imei a expe iência do ciclo de obse ação oi ao encon o do que os p o esso es
gos a iam que a obse ação in e pa es osse, a as ando-se das suas i ências an e io es numa di eção
que conside a am mais a o á el à colabo ação, à e lexão e à mudança de p á icas.
Depois de implemen ada a p imei a expe iência de ensino ol ada pa a a p omoção da
au onomia dos alunos, na sessão 5 do CE, os o mandos o am mais uma ez le ados a e le i sob e o
desen ol imen o do ciclo de obse ação in e pa es, endo de salien a no amen e os aspe os posi i os,
os cons angimen os sen idos e suges ões pa a ações u u as. Nes a e lexão, cen a am a sua a enção,
essencialmen e, na o ma como os alunos ececiona am a expe iência de uma pedagogia pa a a
au onomia, o que sinaliza o seu oco nos alunos e na ap endizagem. No que conce ne ao p ocesso de
supe isão colabo a i a, ol a am a e e i a di iculdade em concilia ho á ios como um dos
cons angimen os sen idos e o ac o de, po ezes, su gi em si uações imp e is as que colocam em
causa o deco e do p ocesso de obse ação de aulas. Um dos pa es ac escen ou que o ac o de es e
segundo ciclo de obse ação e incidido numa a i idade que o a planeada em conjun o ajudou a que
se sen issem mais expec an es e en ol idos na mesma du an e a sua implemen ação.
Seguiu-se o desenho colabo a i o, po á eas disciplina es, de duas expe iências de in es igação-
ação a implemen a em sala de aula, com a inalidade de explo a um ensino cen ado no aluno e
p omo o da sua au onomia, com o desen ol imen o de mais dois ciclos de obse ação de aulas, sendo
que en e um ciclo e ou o hou e um momen o pa a a habi ual e lexão conjun a sob e aspe os posi i os,
cons angimen os e delineamen o de ações u u as. Pa a colma a o p oblema da conciliação de ho á ios,
p ocu ei eag upa os o mandos de uma o ma que o minimizasse ao máximo, ga an indo que odos
se iam obse ado es e obse ados. Assim, em ez de abalha em em duplas, ha endo a ob iga o iedade
de uma obse ação mú ua (po ex., PA obse a PB e PB obse a PA), passa am a abalha em ios,
sendo que bas a a um p o esso se obse ado po ou o (po ex. PA obse a PB ou PC, PB obse a PA
ou PC e PC obse a PA ou PB). Es a medida acili ou, e e i amen e, o p ocesso de obse ação de aulas
ao ala ga as hipó eses de conciliação de ho á ios.
Du an e os momen os de pa ilha e e lexão conjun a, sen iu-se uma g ande abe u a e à- on ade
po pa e dos o mandos em desc e e o que desen ol e am em sala de aula, jus i ica as suas opções,
assim como em pa ilha pe spe i as e in e p e ações da o ma como os seus alunos eagi am às
a i idades p opos as. No ou-se ambém uma g ande cu iosidade em comp eende e e i amen e as
p á icas desen ol idas pelos colegas, ques ioná-las e da suges ões de melho ia. Rela i amen e a aspe os
posi i os da obse ação in e pa es, e idencia-se essencialmen e o acompanhamen o do abalho do
colega, que pe mi e analisa a e olução da pos u a dos alunos ao longo das expe iências, o acesso a
103
uma isão ex e na sob e a aula desen ol ida, a a és da e lexão e con on o de pe spe i as e da pa ilha
de suges ões, po conside a em que quem es á de o a ê e sen e de o ma di e en e. No que conce ne
aos cons angimen os da obse ação in e pa es, salien a-se o ac o de os p o esso es se sen i em
us ados po e em de e e ua , po ezes, ajus es à plani icação açada p e iamen e pa a a aula em
que se iam obse ados pelo seu pa , po necessidade de se inaliza alguma a e a da aula an e io ou
po al e ação do espaço em que a aula i ia deco e . Embo a o cons angimen o da conciliação de
ho á ios le an ado an e io men e enha sido, em pa e, esol ido com a o mação de ios de obse ação
em ez de duplas, abo dou-se ainda assim o eduzido empo disponí el pa a a ealização das
obse ações, di icul ando po ezes a obse ação da o alidade da expe iência aquando da exis ência de
a asos no início da aula ou du an e a p óp ia a i idade, quando os alunos êm necessidade de mais
empo pa a o cump imen o das a e as ap esen adas.
A endendo aos egis os das g elhas de obse ação p eenchidas pelos p o esso es obse ado es
e obse ados e aos momen os de e lexão em con ex o de CE, e i ica-se que, de um modo ge al, cada
pa e e uou suges ões semelhan es pa a ações u u as e di e amen e elacionadas com as expe iências
desen ol idas, não endo su gido nenhuma suges ão des inada ao p óp io p ocesso de obse ação
in e pa es, po se conside a que o p incipal cons angimen o – empo eduzido disponí el pa a a
obse ação in e pa es – dependia da o ganização do ho á io de cada docen e. Rela i amen e às
a i idades desen ol idas, os o mandos econhece am a necessidade de, no u u o, aquando do
momen o de plani icação, se p ocu a ado a es a égias mais e icazes pa a a ges ão do empo de
execução das a e as p opos as, es a égias pa a uma di isão mais equilib ada de a e as e de
pa icipação em momen os de deba e e de abalho de g upo, es a égias pa a a mediação de con li os
em abalhos de pa es e g upo, a c iação de g upos de abalho com mais elemen os pa a omen a uma
maio pa ilha de ideias, a c iação de esquemas iniciais po pa e dos docen es pa a o ien a o abalho
dos alunos, le ando-os pos e io men e à omada de decisão au ónoma e eduzindo a elação de
dependência aluno/p o esso , e a p omoção da au o egulação das ap endizagens po pa e dos alunos.
Apesa de os p o esso es não es a em habi uados, an es do CE, a ealiza obse ações de
na u eza e lexi a e colabo a i a, mos a am-se semp e abe os à e lexão, à pa ilha e à c í ica
cons u i a, e cu iosos pa a sabe como inham deco ido as expe iências uns dos ou os, o que mos a
o seu in e esse po es e ipo de p á ica no seu desen ol imen o p o issional.
104
2.3. Supe isão colabo a i a: o pon o de chegada
Finalizado o CE, na en e is a, os o mandos ealiza am uma e lexão mais ab angen e sob e as
p á icas de supe isão colabo a i a desen ol idas.
Quando ques ionados sob e a impo ância que a ibuí am à obse ação in e pa es, odos
econhece am a ele ância des e p ocesso pa a a melho ia das p á icas, conside ando mui o
en iquecedo o ac o de e em acesso a uma pe spe i a ex e na, que a a és da pa ilha, do diálogo e da
e lexão conjun a, os ajudou a ques iona as suas p á icas, a descons ui algumas c enças e ideias p é-
concebidas, e a melho a essas p á icas:
Eu acho que é mui o impo an e po que nós es amos a aze uma a i idade e, às ezes, es amos cen ados em que
eles [os alunos] pe cebam, enquan o se nós es i e mos a obse a , há coisas que emos e emos uma in e p e ação
di e en e de quem es á a aze . Eu acho que é mui o impo an e, po que depois ambém na pa e da discussão, há
semp e uma ou ou a opinião que nos ajuda a e se es amos a aze as coisas bem, se não es amos. Se calha ,
es amos a pensa que se es á a i po um bom caminho e não, se izéssemos de ou a manei a, possi elmen e,
esul a ia melho . Acho que é mui o impo an e!
(PD – en e is a inal)
O ac o de a obse ação se planeada e es u u ada, com o p imei o momen o de cons ução
colabo a i a da expe iência, o momen o de obse ação e o encon o pós-obse ação pa a a e lexão, a
in e p e ação dos acon ecimen os e o deba e de pe spe i as, ajudou a que ambos os p o esso es, an o
o obse ado como o obse ado , saíssem bene iciados, ha endo um c escimen o p o issional mú uo.
Acho que é undamen al pa a que odos sejam ... “bene iciados”, não sei se é a pala a mais ajus ada, mas que
haja aqui um c escimen o en e odos, que daquele que es á a se obse ado, que do obse ado . P on o, acho
que oi bem conseguido! Acho que es a pa ilha e o ac o de pode mos, não é apon a e os, mas apon a algumas
agilidades, coisas que não enham co ido bem, da opinião sob e o que é que pode íamos e mudado, o que é
que o colega podia e mudado oi undamen al... Foi undamen al a e lexão e a pa ilha, sem dú ida alguma.
(PC – en e is a inal)
Os o mandos e e em ainda, como aspe o que conside a am in e essan e, o ac o de e em
ealizado obse ações com p o esso es de ou as disciplinas, pelo le an amen o de ques ões em elação
a aspe os de que não es a am à espe a. Reco da-se que, num momen o inicial, es a p á ica de
obse ação num g upo mul idisciplina o a is a como um po encial cons angimen o, mas econheceu-
se ambém as suas po encialidades:
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O ac o ambém de se de ou a disciplina ambém é in e essan e, po que ai-nos apon a semp e coisas que nós
se calha não es amos assim a con a ou a e ou a en os e há semp e essa isão. A e lexão a segui é undamen al.
Mesmo pa a o que co e bem, há semp e aquele apoio... “Olha, co eu bem po que izes e is o, eu gos ei daquilo!”.
En ão penso: “Ok, en ão is o unciona!”. E pa a o que não co eu ão bem: “Se calha expe imen a aze is o ou...”.
Há es a égias que su gem depois da a i idade e que são mesmo, mesmo impo an es pa a nós epensa mos pa a
a p óxima in e enção e que nos ão ajuda . Acho mesmo impo an e! Às ezes um bocadinho a quen e, po que
saímos dali di e os pa a a sala. Não é mau de odo! Também po que nós não ínhamos an o empo pa a ala an es
da sessão, de es a mos odos jun os, mas acho mesmo impo an e essa pa e da e lexão e de e mos alguém em
sala de aula connosco, que az pa e... acho que é uma equipa, sen i que e a uma equipa!
(PB – en e is a inal)
A e lexão oi is a como o ma de ques iona a p á ica sob pe spe i as dis in as, de pa ilha
inquie ações sen idas e suges ões pa a a uações u u as, que a ní el de es a égias como de ecu sos,
e de desen ol e a en eajuda en e docen es. O p ocesso de e lexão sob e as p á icas oi mui o
ap eciado pelos o mandos, endo sido dada impo ância an o aos momen os de e lexão pós-
obse ação, como aos momen os de pa ilha e e lexão nas sessões conjun as, como ilus am os
seguin es es emunhos da en e is a inal:
Nós emos a nossa isão, po que já emos as coisas c iadas... Já p é-concebemos aquilo, já sabemos como é que
as coisas ão unciona , es á udo delineado, mas quem es á po o a não em esse conhecimen o... em, mas não
ão po meno izado, en ão es á a en o a ou as si uações que possam daí su gi . Po an o, o p ocesso de obse ação
in e pa es é undamen al e ajuda-nos a e ou a pe ceção daquilo que oi ei o. Numa p óxima a i idade, numa
ou a opo unidade, consegui emos ajus a “O que co eu bem, se á que amos man e ? OK, pode á se , mas e
aquilo que não co eu ão bem?... Se calha , ado a ou a es a égia”, e discu i essas es a égias en e pa es.
(PC – en e is a inal)
Também oi mui o impo an e aze mos es a e lexão conjun a po que quando es á amos em g upo, os colegas que
não inham is o a aula le an a am algumas ques ões, e isso ambém e a impo an e. Impo an e pa a nós
explica mos melho as coisas, an o eu como o ou o colega: eu que inha es ado a dinamiza e o colega que inha
es ado a obse a . Depois su giam dú idas: “Mas izes e assim? E como é que e a a abela? E como é que e am as
imagens?”. E isso ambém nos le a a a ques iona . Pa a nós pa ecia e iden e po que es á amos ali, es á amos em
sala de aula e o ac o de e mos de e baliza e su gi em pe gun as de quem es e e o almen e po o a, pa ece
que emos dois pa ama es: emos o pa ama do p o esso que es á de o a, mas ai e aula, e depois emos o
pa ama seguin e, que é o p o esso que nem oi e a aula e ambém es á po o a, que e a o es an e do g upo.
Po an o, acho que de ac o a é emos aqui ês pa ama es: eu o almen e en ol ida, o p o esso que oi obse a ,
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que es a a semi-en ol ido, e o es o do g upo que es a a o almen e po o a, mas acaba a po se en ol e . En ão,
são ês pe spe i as di e en es e que são impo an es!
(PA – en e is a inal)
Os o mandos conside a am que es e p ocesso le ou à ino ação das p á icas, en iquecendo-as,
e que p omo eu a ap oximação docen e, ajudando assim a comba e o isolamen o p o issional que
pudesse exis i na ins i uição. Re o ça-se aqui a ideia de que a “ação” de e semp e su gi em conjun o
e em equilíb io com a “ e lexão” como es a égia colabo a i a de melho ia das p á icas (Soa es, 1995).
PC e PF econhece am ambém a impo ância dos momen os de e lexão que le a am a cabo com os
seus alunos, pe mi indo-lhes o desen ol imen o da sua capacidade de analisa e a alia o abalho que
desen ol e am e os aspe os a melho a . Es es momen os possibili a am-lhes comp eende se es a am
a a ingi os obje i os inicialmen e açados pa a as suas in e enções pedagógicas e, caso não
es i essem, que u u as di eções pode iam ado a .
Com os pa es essencialmen e, com os pa es acho que oi uma mais- alia, mas com a u ma ambém. Acho que
e le i com eles, le á-los a pensa , p imei o ajuda mui o na ques ão da sua p óp ia au onomia, de eles consegui em
e le i , mas ambém a mim como p o esso a, pe cebe se a ingi os obje i os que que o ou não.
(PF – en e is a inal)
Uma dimensão cen al dos p ocessos de supe isão das expe iências de in es igação-ação oi a
a ecolha de e idências po pa e do p o esso e a sua análise c í ica pa a a comp eensão dos e ei os da
sua ação e pa a a cons ução de um no o plano (Cou inho e al., 2009; Ca doso, 2014). Ao longo dos
ciclos de in es igação-ação implemen ados, os o mandos o am ecolhendo e idências que lhes
pe mi i am delinea ações u u as de o ma mais es u u ada e con o me os in e esses e necessidades
da u ma. Es a ecolha de e idências oi e e uada a a és das g elhas de obse ação p eenchidas pelos
p o esso es obse ado e obse ado , o og a ias, abelas de au oa aliação dos alunos, abalhos
ealizados e momen os de diálogo com os alunos sob e as a i idades ealizadas, com a colocação de
ques ões como “Gos a am? O que acha am da a i idade? Sen i am di iculdades?”. Du an e a en e is a,
odos os o mandos conside a am a ecolha de e idências mui o impo an e pa a uma melho análise e
e lexão, indi idual e em conjun o com ou os p o esso es, sob e a p á ica pedagógica, e e indo que lhes
pe mi iu desen ol e um olha mais ocado pa a a p á ica e espe i os obje i os e, po consequen e,
delinea es a égias que possibili assem melho a as in e enções u u as. A en emos aos es emunhos
de dois docen es ela i amen e a es e aspe o:
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Recolhi o og a ias, abelas de alidação das ap endizagens, p eenchi abelas com eles. Tudo isso ajudou-me depois
a pensa em como é que amos aze as coisas na p óxima aula e a pa a , que é uma coisa que no malmen e nós
não azemos no dia a dia, não é? Nós não azemos is o em odas as aulas, nem em odas as a i idades. Depois
conseguimos e as coisas de o ma di e en e. Quan o mais pensamos, melho co e depois, na ez seguin e.
(PA – en e is a inal)
O ac o de e mos um p opósi o e as coisas o na em-se ealmen e mais e e i as, po que se se az uma coisa com
um p opósi o, um obje i o, e sabes que a segui ais e que obse a o que acon eceu e a é discu i o que acon eceu,
dá um sen ido comple o ao ciclo, não é? P epa as, aplicas, obse as e analisas. Vais i a uma conclusão sob e isso!
“P e endo implemen a no amen e, ou e o mula , ou melho a ou ou al e a ...”. Só a pa i desse momen o em
que u consegues e essa pe spe i a... Se ecolhes e in o mação... se não ecolhes e in o mação nenhuma, não
se iu pa a nada, não sei... pa a passa o empo, ce o?
(PE –en e is a inal)
Ao en ol e es es docen es em p á icas de supe isão colabo a i a que não ha iam expe ienciado
a é en ão, colocando-os no papel de p o esso es in es igado es da sua p óp ia p á ica, sen e-se uma
mudança na sua o ma de a uação e naquilo que alo izam, essencialmen e no que conce ne à sua
a uação como p o esso es. Tal a uação enquad a-se ago a num modelo cíclico con inuado em que se
planeia, implemen a, obse a, e le e e analisa a p á ica (Ca doso, 2014).
Enquan o p o issionais, os o mandos econhece am a pe inência do desen ol imen o de
expe iências de supe isão pedagógica, conside ando que o ac o de e le i em sob e os p oblemas
pedagógicos sob pe spe i as dis in as os le a a que e ino a e melho a as p á icas educa i as. A
implemen ação de p ocessos de supe isão colabo a i a desen ol eu a sua capacidade de abalha em
equipa, ajudando-os a comba e o isolamen o docen e, despe ando neles sen imen os como
anquilidade, segu ança e con iança no abalho que desen ol em:
Pe cebe mos que, se calha , não es amos a aze as coisas assim ão mal, a é po que pa ilhamos e alidam aquilo
que nós es amos a aze . Po que às ezes emos essas dú idas, não é? Somos p o esso es, emos essas
insegu anças. Se calha , “olha, não es ou a aze assim ão bem, não es ou a consegui chega lá”, mas a e dade
é que depois, quando alguém ê o nosso abalho, a inal de con as, co eu bem e podemos con e sa . Acima de
udo, acho que é pode mos pa ilha com colegas que es ão na mesma ins i uição connosco e que, às ezes, nós
não azemos a mínima ideia do que é que se es á a passa na sala dos ou os e, com es as expe iências,
conseguimos ica a e uma ideia e a é aze ideias pa a a nossa sala.
(PE – en e is a inal)
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Mos a uma pe spe i a mais posi i a, que é semp e mais posi i a pa a quem es á o a, oi bom. Deu-me algum
alen o, po an o, sen imo-nos menos... eu p o issionalmen e sen i-me mais acompanhada po que não é uma
ques ão de igia , é uma ques ão de acompanha , po an o, sen i-me acompanhada. Sen i que e olui po que e le i
mais ace ca daquilo que es a a a aze . As coisas o am mais anquilas. E ambém a pa e de conhece os meus
alunos o a daquele con ex o que e a um bocadinho mais con olado po mim ambém oi impo an e
p o issionalmen e pa a eu me libe a de algumas ama as.
(PA – en e is a inal)
No inal da implemen ação dos p ocessos de supe isão colabo a i a, aquando da en e is a inal
aos docen es, os o mandos ol a am a e le i sob e os p ocessos de obse ação, es abelecendo uma
compa ação en e o sis ema de obse ação de aulas desen ol ido an e io men e na ins i uição e o
p ocesso de supe isão colabo a i a que expe iencia am (Quad o 25). Embo a possamos dize que
ambos cons i uem p ocessos de supe isão pedagógica, ap esen am ca ac e ís icas mui o dis in as,
nomeadamen e quan o ao seu po encial pa a o desen ol imen o p o issional e a ino ação pedagógica.
Quad o 25 - Di e enças en e p ocessos de supe isão pedagógica (En e is a inal aos docen es)
Obse ação de aulas an es do CE
Supe isão colabo a i a du an e o CE
P ocesso não planeado
P ocesso echado
Ausência de eedback/espaço pa a e lexão pos e io
Ausência de impac o posi i o na p á ica pedagógica
Ausência de bene ícios/u ilidade pa a os in e enien es
Feedback a dio po pa e da di eção pedagógica sob e o
desempenho docen e
Dinâmica cons angedo a
P ocesso de idamen e planeado, es u u ado e e lexi o
Plani icação colabo a i a de expe iências a obse a
An ecipação de p oblemas an es da implemen ação
P ocesso de obse ação ocado nas expe iências
Re lexão conjun a/ eedback con ínuo/pa ilha
Su gimen o de suges ões de melho ia
P ocesso de ap endizagem pa a odos os in e enien es
En ol ência de odos os in e enien es
P ocesso p odu i o, com sen ido
Como podemos conclui , os o mandos salien am di e enças en e ambos os p ocessos de
supe isão pedagógica, endo e idenciado no amen e o ca á e a alia i o do sis ema de obse ação de
aulas implemen ado a é ao início do CE e o ca á e colabo a i o, e lexi o e cons u i o do p ocesso
ins i uído no âmbi o da o mação. Vejamos um es emunho:
Esse eedback é con ínuo, é cons an e. Eu p óp ia acho que aço pa e do
eedback
po que a con e sa não é só de
um lado, nós alamos sob e o que acon eceu e damos algumas ideias daquilo que imos e do que é que podemos
como p o esso ex e io ajuda ou c ia alguma es a égia... Po an o, é o almen e di e en e!”
(PB – en e is a inal)
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Foi salien ado mais uma ez o ciclo de obse ação como um p ocesso es u u ado em ês ases
com obje i os dis in os que exige que os p o esso es se eúnam “ o çosamen e pa a analisa , pa a
discu i , pa a pa ilha ” (PE – en e is a inal) e que, embo a mais abalhoso e exigen e do que o
ins i uído a é en ão na escola, oi conside ado como uma mais- alia po se mais p odu i o e signi ica i o
pa a o desen ol imen o p o issional. Po conside a em es e p ocesso uma mais- alia pa a o
desen ol imen o de uma comunidade educa i a na ins i uição e a p omoção de melho ias na p á ica
pedagógica, os o mandos mos a am in e esse em p opo uma al e ação ao p ocesso de supe isão
pedagógica habi ual da ins i uição, ap oximando-o do que oi desen ol ido ao longo do CE. Es e pa ece
se um sinal cla o da alo ização da supe isão colabo a i a na cons ução de escolas e lexi as, em que
os p incípios da indagação, e lexão e colabo ação se alinham com is a à comp eensão do con ex o,
c iação de conhecimen o e a ans o mação das p á icas educa i as (Ala cão, 2001).
Em sín ese, as p á icas de supe isão colabo a i a desen ol idas com base em ciclos de
obse ação o am bas an e alo izadas pelos o mandos, endo sido conside adas essenciais ao
desen ol imen o p o issional e lexi o, de ido à colabo ação e en eajuda p omo idas, po enciado as da
eno ação e ans o mação das p á icas educa i as. Os momen os de pa ilha e e lexão p opo cionados
pe mi i am aos o mandos e le i conjun amen e sob e as p á icas, ques ioná-las, c ia opo unidades
de a uação, expe imen a no as es a égias, jus i ica as opções pedagógicas ado adas, da e ecebe
suges ões dos seus pa es. Todo es e p ocesso mos ou se acili ado da ino ação das p á icas
pedagógicas e do comba e ao isolamen o p o issional, p omo endo a ap oximação dos pa icipan es e o
seu sen ido de con iança na eno ação p á ica p o issional. Os p o esso es alo iza am, ainda, a ecolha
de e idências ao longo da implemen ação das expe iências pedagógicas po si desen ol idas, po lhes
pe mi i in es iga mais ap o undadamen e as suas p á icas e es u u a de o ma mais adequada as
ações u u as, ajus ando-as às necessidades e in e esses da u ma. Iden i ica am uma dis inção cla a
en e o sis ema de supe isão da ins i uição, que conside a am e um pendo a alia i o e poucos e ei os
no seu c escimen o p o issional, e o no o p ocesso expe ienciado, mais colabo a i o e e lexi o,
mani es ando o desejo de al e a o p imei o no sen ido de se p omo e a colabo ação e a e lexão ao
se iço da ino ação das p á icas pedagógicas e do desen ol imen o p o issional dos docen es.
116
Quad o 29 - Obje i os das expe iências pedagógicas (PD)
Obje i os das expe iências pedagógicas
“Comp eende pa a ealiza ”
P omo e a capacidade de abalha
em g upo;
Po encia a au onomia dos alunos;
Fomen a a au o egulação das
ap endizagens e a capacidade de
au oa aliação.
“O mundo a ês dimensões:
Pesquisa pa a conhece ”
P omo e a capacidade de abalha
em g upo;
Es imula a en eajuda;
Desen ol e a au onomia dos alunos
na omada de decisão;
Po encia a capacidade dos alunos
em jus i ica as suas escolhas;
Fomen a a au o egulação das
ap endizagens e a capacidade de
au oa aliação.
“Logo ipo a ês dimensões:
Colabo a pa a c ia ”
P omo e a capacidade de abalha
em g upo;
Es imula a en eajuda;
Desen ol e a au onomia dos alunos
na omada de decisão;
Po encia a capacidade dos alunos
em jus i ica as suas escolhas;
Desen ol e a capacidade de
negociação;
Desen ol e a capacidade de os
alunos ap esen a em o seu abalho à
u ma.
PD desen ol eu as suas expe iências numa u ma que conside a a bas an e in e essada e
mo i ada pa a a ap endizagem, embo a com di iculdade em man e o oco na ealização das a e as,
endo á ios alunos endência à dispe são ou à desmo i ação semp e que se depa a am com algum
obs áculo, e e elando pouca au onomia na busca po soluções. Nas ês expe iências desen ol idas,
p e endeu o imiza a au onomia dos alunos na ealização dos abalhos de g upo, desen ol e as
compe ências ine en es ao abalho colabo a i o e ainda a capacidade e lexi a dos alunos.
Na expe iência “Comp eende pa a ealiza ”, os alunos o am o ganizados alea o iamen e em
g upos de ês elemen os. Pa a a o mação dos g upos, PD colocou em cada mesa de abalho um
boneco de uma co e, à en ada da sala, cada aluno i a a uma bola de um ecipien e e ag ega a-se à
mesa de abalho com o boneco de co co esponden e à co da sua bola. Os alunos o am desa iados
a ec ia uma cons ução 3D ap esen ada po PD – uma lo , um po a-cha es, um copo, uma aça e
uma mandala –, a a és da e amen a
Tinke cad
e de conhecimen os adqui idos em aulas an e io es.
Os gu pos deba e am e de ini am os passos a segui , dis ibuí am a e as e, no inal, ap esen a am o
seu abalho à u ma. Depois de ap esen ados os abalhos, oi e e uada uma e lexão conjun a sob e o
que co eu bem e menos bem ao longo do abalho e o que p ecisa am de melho a no u u o.
Na segunda expe iência, “O mundo a ês dimensões: Pesquisa pa a conhece ”, PD p e endeu
que os alunos e e uassem um abalho de pesquisa na
in e ne
pa a ap o unda os seus conhecimen os
ace ca da e amen a
Tinke cad,
que inham indo a explo a pa a a cons ução de imagens 3D. Vol ou
a o ganiza alea o iamen e cinco g upos de abalho, eco endo à es a égia usada na expe iência
an e io . De seguida, ap esen ou os obje i os da a i idade e, com ecu so a um guião, explicou odos os
117
passos a segui pa a a ealização do abalho, assim como os cuidados a e aquando da c iação da
ap esen ação em
Powe poin
e du an e a sua ap esen ação à u ma. Embo a i essem de segui as
indicações dadas po PD no guião, os alunos i e am libe dade pa a ac escen a os ópicos que
conside assem pe inen es à explo ação do ema. No inal, odos os g upos ap esen a am o abalho e
e le i am o almen e sob e o seu desempenho em conjun o com PD.
Na úl ima expe iência pedagógica desen ol ida, “Logo ipo a ês dimensões: Colabo a pa a
c ia ”, PD o ganizou um concu so que inha como obje i o a aplicação de conhecimen os na cons ução
de imagens 3D a a és da e amen a
Tinke cad
, pa a a cons ução de uma masco e pa a a u ma. Op ou
po man e os g upos de abalho da expe iência an e io pa a pode analisa a e olução dos mesmos
no desen ol imen o do abalho colabo a i o. Começou po ap esen a os obje i os da a i idade, passou
pa a a explo ação em g ande g upo de um guião de abalho com os passos que os alunos de e iam
segui pa a a cons ução da masco e e os cuidados a e aquando da ap esen ação do seu abalho à
u ma, e de iniu um empo pa a a ealização da a e a. Cada g upo e e de deba e qual se ia a melho
masco e da u ma, como a pode iam cons ui seguindo os passos de inidos e como jus i ica iam as
suas escolhas à u ma. De seguida, ap esen a am os abalhos e oi e e uada uma o ação pa a escolhe
a melho masco e. A masco e encedo a oi imp essa na imp esso a 3D e oi o e ecido um exempla a
cada elemen o da u ma. No inal, PD p omo eu um momen o de e lexão em g ande g upo sob e o
abalho desen ol ido e de au oa aliação indi idual com ecu so a uma g elha c iada pa a es e im.
Expe iências pedagógicas de PE
O Quad o 30 ap esen a os obje i os de inidos po PE pa a as suas expe iências pedagógicas.
Quad o 30 - Obje i os das expe iências pedagógicas (PE)
Obje i os das expe iências pedagógicas
“Dicioná io e Vocabulá io – uma
dupla de sucesso!”
Amplia o uni e so ocabula dos
alunos;
Explo a a elação de sinonímia en e
pala as;
Inc emen a a u ilização do dicioná io;
Fomen a a pa ilha en e pa es.
“Vamos às Comp as!”
Familia iza os alunos com as no as e
moedas de Eu o;
Po encia si uações da ida
quo idiana;
Mobiliza conhecimen os e i ências;
Fomen a o abalho de g upo/pa es.
“Quan o medem as coisas?”
Familia iza os alunos com as
unidades de medida – o mais e
in o mais;
Po encia a u iliza de di e sas
e amen as/ins umen os de
medição;
Mobiliza conhecimen os adqui idos
an e io men e;
Fomen a o abalho de g upo.
118
PE desen ol eu as suas expe iências numa u ma de alunos com ní eis de desempenho
he e ogéneos, embo a mui o mo i ados pa a a ap endizagem, es o çados e dinâmicos. PE conside a a
que os elemen os da u ma e am ainda pouco au ónomos de ido à sua en a idade.
Na a i idade “Dicioná io e Vocabulá io – uma dupla de sucesso!”, inha dois obje i os
complemen a es: amilia iza os alunos, em abalho indi idual, com o uso do dicioná io, e ala ga o seu
epo ó io lexical em conjun o com os pa es. Nes a expe iência, oi p opos o que cada aluno selecionasse
um conjun o de qua o pala as no dicioná io que desconhecesse e p ocedesse ao egis o das mesmas,
do espe i o signi icado e da página em que se encon a am. De seguida, cada aluno pa ilhou uma das
suas descobe as com a u ma, dizendo a pala a e ques ionando os colegas sob e o signi icado da
mesma. Caso não conhecessem a pala a e não conseguissem in e i o seu signi icado a pa i da sua
composição, o aluno indica a a página do dicioná io em que es a se encon a a e odos o consul a am
em conjun o.
A segunda expe iência desen ol ida po PE, in i ulada “Vamos às comp as!”, es e e associada
à á ea da Ma emá ica e e e como obje i o mobiliza conhecimen os p é ios elacionados com o dinhei o
(no as e moedas de Eu o), exp essa i ências pessoais e/ou amilia es, p omo e a au onomia dos
alunos na omada de decisão, e desen ol e a sua capacidade de abalha colabo a i amen e,
negociando escolhas. Nes a expe iência, os alunos ecebe am um o çamen o i ual (100€) com o qual
“ o am às comp as”. Fo am o ganizados em pa es e cada pa ecebeu olhe os p omocionais de di e sas
supe ícies come ciais. Cada pa e e de negocia o que “comp a ”, deba endo o que se ia mais
impo an e sem despe diça dinhei o e cump indo o o çamen o dado, eco a os a igos selecionados,
cola as imagens numa olha en egue po PE e, no inal, ap esen a à u ma as suas escolhas,
jus i icando-as.
Na úl ima expe iência implemen ada, “Quan o medem as coisas?”, PE p ocu ou que os alunos
mobilizassem os seus conhecimen os ao ní el das unidades de medida de comp imen o, eco endo a
ins umen os de medição o mais e in o mais. Num momen o inicial, depois de explica a a i idade à
u ma, os alunos o am o ganizados alea o iamen e em g upos de qua o ou cinco elemen os, endo PE
de inido um “o ganizado de g upo” em cada g upo. Em sala de aula, deba e am o que pode ia se
medido no ex e io e que e amen as e unidades de medida pode iam se u ilizadas pa a o e ei o. Após
essa ase, seguiu-se o abalho de campo, ou seja, os alunos o am pa a os espaços ex e io es a im de
e e ua as medições planeadas. Num e cei o momen o, já na sala de aula no amen e, cada g upo
pa ilhou com a u ma os esul ados do seu abalho, ha endo luga ao deba e e compa ação de
conclusões.
119
Expe iências pedagógicas de PF
O Quad o 31 ap esen a os obje i os de inidos po PF pa a as suas expe iências pedagógicas.
Quad o 31 - Obje i os das expe iências pedagógicas (PF)
Obje i os das expe iências pedagógicas
“Cons uo o meu conhecimen o”
Desen ol e a capacidade de ou i
a en amen e as ins uções da
p o esso a, sem in e upções;
Desen ol e a capacidade de ealiza
as a e as com base em ins uções,
sem exclui e apas;
Au oa alia -se a a és da e lexão
sob e o seu empenho e desempenho
na a e a.
“G ama ica – Re isão de
con eúdos g ama icais”
P omo e a capacidade de pesquisa e
e isão de con eúdos abalhados
an e io men e;
Pe mi i que os alunos açam a ges ão
au ónoma de algumas a e as;
Au oa aliação e e lexão sob e a
dinâmica.
“T abalha jun os”
P omo e o abalho colabo a i o;
P omo e a capacidade de seleção de
in o mação pa a ap esen ação à
u ma;
Au oa aliação e e lexão sob e a
dinâmica.
PF abalhou com uma u ma de alunos que conside a a mui o pa icipa i os, cu iosos e
es o çados, mas cuja desconcen ação in luencia a o seu desempenho na ealização das a e as.
Ap esen am di iculdades em escu a a en amen e as o ien ações dos p o esso es e cump i a e as sem
solici a em auxílio cons an e na esolução das mesmas e sem excluí em e apas que de e iam segui . PF
conside a a que es es aspe os acaba am po acen ua a disc epância en e i mos de abalho em sala
de aula. Re e iu, ambém, que os alunos ap esen a am di iculdades em abalha em pa es ou em g upo,
po que e em impo a sua on ade, sem consegui em es abelece momen os de negociação ou expo as
suas opiniões. A endendo a es as ca ac e ís icas, PF desenhou expe iências com o in ui o de comba e
os p oblemas de e ados, aumen ando a au onomia dos seus alunos.
A expe iência “Cons uo o meu conhecimen o”, embo a conside ada po si pouco ino ado a,
p ocu ou abalha o oco dos alunos na ealização das a e as de o ma au ónoma, sem in e upções
cons an es e seguindo os passos es abelecidos pelo docen e. A in e enção delineada inha como obje i o
que os alunos ealizassem uma a e a habi ual de lei u a e in e p e ação de um ex o no seu manual,
endo PF egis ado no quad o odos os passos que os alunos e iam de segui , desde as páginas que
co espondiam ao ex o, a é às páginas do li o de ichas onde es a a a a e a de in e p e ação e o empo
limi e pa a a conclusão da a i idade. No inal, e le iu com os alunos sob e como se sen i am em da
espos a às dú idas sozinhos, sem pedi o apoio de PF, se o egis o das e apas do abalho no quad o
os ajudou a se em mais o ganizados e, po conseguin e, a cump i o es abelecido no empo es ipulado
inicialmen e.
120
A segunda expe iência, in i ulada “G ama ica – Re isão de con eúdos g ama icais”, inha como
obje i o le a os alunos a e e em au onomamen e con eúdos g ama icais abalhados do ano le i o
an e io e aplica esses conhecimen os na esolução de exe cícios. PF cedeu um esumo sob e os g upos
cons i uin es da ase e as unções sin á icas, que os alunos de e iam explo a inicialmen e, e uma a e a
in e a i a sob e o ema no
si e
da Escola Vi ual, pa a que pudessem e alidação au omá ica das suas
espos as e e se inham comp eendido, ou não, o que es i e am a e e . Seguidamen e, os alunos
ealiza am duas ichas de abalho de um li o de exe cícios g ama icais sob e os con eúdos e is os,
endo ido a libe dade de começa pela icha que quisessem. Pa a inaliza , oi disponibilizado um
Quiz
do
si e
da Escola Vi ual sob e a emá ica abo dada. Conside ando que, de um modo ge al, a u ma e a
pouco au ónoma, PF op ou po man e a es a égia usada na expe iência an e io , egis ando as a e as
po ópicos no quad o e o empo disponí el pa a as ealiza em. Na aula seguin e, as a e as o am
co igidas em g ande g upo, endo PF pedido aos alunos que u ilizassem um código de co es du an e a
mesma: se o exe cício es i esse o almen e co e o, pin a am um cí culo e de; se es i esse incomple o
ou apenas pa cialmen e co e o, colo iam um cí culo ama elo; caso es i esse o almen e e ado, colo iam
um cí culo e melho. No inal, os alunos p eenche am um b e e ques ioná io sob e as a i idades
desen ol idas com o in ui o de e le i em sob e o que gos a am e as di iculdades que sen i am.
A úl ima expe iência desen ol ida po PF in i ulou-se “T abalha jun os”, isando p omo e a
au onomia dos alunos no abalho de pa es. Na sequência das expe iências desen ol idas an e io men e,
PF começou po elemb a as in e enções an e io es e que o obje i o de cada uma delas oi abalha a
au onomia, passando a explica que naquele dia i iam ealiza , em pa es, um abalho de lei u a e seleção
de in o mação na á ea de Es udo do Meio sob e o ema “Di ei os Humanos”, e c ia uma ap esen ação
à u ma sob e o ema, no u no da a de. Pa a isso, cada aluno i ia le e in e p e a a in o mação
p e iamen e disponibilizada no
si e
da Escola Vi ual po PF, jun amen e com o seu pa , c ia um
ascunho com a es u u a do abalho e os aspe os mais impo an es a menciona , e cons ui a
ap esen ação na pla a o ma de inida em g ande g upo –
Can a
. Ao início da a de, os alunos ealiza am,
indi idualmen e, um
Quiz
em papel como o ma de au oa alia as suas ap endizagens sob e o ema e
depois passa am à ap esen ação dos seus abalhos. No inal, oi e e uado no amen e um momen o de
e lexão conjun a sob e o abalho desen ol ido, endo cada pa a opo unidade de pa ilha aspe os de
que gos a am, em que i e am mais di iculdade e o que sen i am.
Como podemos conclui da desc ição das expe iências ealizadas pelos p o esso es, odas elas
se o ien a am pa a um ensino cen ado no aluno, ampliando a sua oz a a és da pa icipação a i a na
121
cons ução do conhecimen o, na negociação com os p o esso es e os colegas, na egulação da
ap endizagem e na a aliação das p á icas de ensino. Sublinha-se o en ol imen o dos alunos na e lexão
sob e o ensino e a ap endizagem, um aspe o que es a a ausen e das pe ceções iniciais dos p o esso es
ace ca do papel dos alunos nas suas p á icas. As expe iências inco po a am uma ou mais das dimensões
de ap endizagem num ensino cen ado no aluno, que es a am lis adas no guião de desenho de
expe iências e que os p o esso es i e am em conside ação na ase de plani icação. O Quad o 32
ap esen a a p esença dessas dimensões no conjun o das expe iências de cada um deles, assinalada
com √ (ma cadamen e p esen e), (√) (p esen e, mas de o ma menos ma cada), de aco do com a
in o mação ecolhida dos seus po e ólios.
Quad o 32 - Dimensões de uma pedagogia pa a a au onomia nas expe iências desen ol idas
A abo dagem pedagógica c iou condições pa a o aluno...
PA
PB
PC
PD
PE
PF
To al
To al
√
(√)
e le i c i icamen e e deba e ideias
√
√
√
√
(√)
(√)
4
2
coloca ques ões pe inen es e encon a no as soluções
(√)
√
√
(√)
(√)
2
3
ajus a opiniões consoan e os no os ac os encon ados
(√)
√
√
2
1
oma inicia i a, decisões e undamen a as suas escolhas
(√)
√
√
(√)
(√)
2
3
a i a conhecimen os p é ios
√
√
√
√
√
√
6
pesquisa in o mação e ap o unda conhecimen os
(√)
(√)
(√)
√
1
3
pa ilha expe iências, opiniões e sen imen os
√
√
√
(√)
√
4
1
negocia e encon a es a égias posi i as pa a aze com que a
sua oz se ouça
(√)
√
√
√
√
(√)
4
2
es a conscien e do seu ní el de comp eensão
√
√
(√)
(√)
√
3
2
colabo a com os colegas
√
√
√
√
√
(√)
5
1
colabo a com o p o esso
(√)
(√)
2
iden i ica p oblemas e necessidades de ap endizagem
(√)
√
√
(√)
√
3
2
moni o iza e a alia o seu p ocesso de ap endizagem
√
√
√
√
√
5
egula es a égias
√
√
√
√
√
5
se enco aja du an e p ocesso ensino/ap endizagem
√
√
√
(√)
(√)
(√)
3
3
O quad o mos a-nos que hou e um es o ço po pa e dos o mandos em dinamiza expe iências
que colocassem o aluno no cen o do p ocesso ensino ap endizagem, dando-lhes espaço pa a
assumi em uma pos u a a i a em sala de aula a a és de di e en es si uações. Assim, de uma o ma
mais ma cada, es es o am le ados a a i a au onomamen e conhecimen os p é ios e es i e am
en ol idos na e lexão e deba e de ideias, na pa ilha de expe iências, opiniões e sen imen os, na
122
negociação e busca de es a égias posi i as pa a se aze em ou i . Fo am, ainda, le ados a colabo a
com os colegas a a és da pa icipação em abalhos de pa es ou g upos, assim como a moni o iza e
a alia o seu p ocesso de ap endizagem, egulando es a égias de a uação com momen os de e lexão,
au o e he e oa aliação no inal das expe iências. Todos os p o esso es, uns po sen i em que os seus
alunos inham uma elação de dependência ace a si, ou os po p e ende em desen ol e o abalho de
g upo, p ocu a am que os alunos abalhassem au onomamen e e issem o p o esso como um
o ien ado /mediado ao longo das a i idades, jus i icando-se assim o ac o de o pa âme o “colabo a
com o p o esso ” es a p esen e de o ma pouco ma cada apenas nas expe iências desen ol idas po
dois o mandos.
No p ocesso de in es igação-ação, os o mandos u iliza am es a égias de ecolha de in o mação
no sen ido de e le i em sob e as expe iências nos encon os de pós-obse ação, nas sessões de
o mação e nos seus po e ólios. Des aca-se o diálogo com os alunos e a p omoção da sua e lexão
ace ca dos p ocessos e esul ados de ap endizagem, mas ambém a obse ação de aulas, que implicou
uma g elha pa a o p o esso obse ado e o p o esso obse ado, ambas incluindo um conjun o de
pa âme os ela i os a uma pedagogia pa a a au onomia, iguais aos dos guiões de desenho das
expe iências ap esen ados no Quad o an e io . Na Tabela 8, o am sin e izados os esul ados globais de
quinze expe iências de obse ação in e pa es cujos egis os o am incluídos nos po e ólios. Na
obse ação, e am usadas duas o mas de no ação
– √: Oco eu de o ma adequada
e
?: Pode se
melho ado
–,
indicando-se NA pa a pa âme os que não ossem aplicá eis na aula obse ada. Os
esul ados encon am-se o denados de o ma dec escen e na úl ima coluna dos To ais.
Os esul ados ap esen ados apon am pa a uma p esença mui o signi ica i a dos pa âme os
conside ados, embo a po ezes a p ecisa de melho ia, e elando o es o ço emp eendido pelos
p o esso es no sen ido de econ igu a as suas p á icas pedagógicas. Nas quinze expe iências, os aspe os
mais assinalados como podendo se melho ados (com mais de 10 espos as) o am os seguin es:
“coloca ques ões pe inen es e encon a no as soluções”, “negocia e encon a es a égias posi i as
pa a aze com que a sua oz se ouça” e “iden i ica p oblemas e necessidades de ap endizagem”. É
possí el e i ica que não exis em g andes disc epâncias en e a o ma como os p o esso es obse ados
e obse ado es in e p e a am as expe iências pedagógicas desen ol idas no que conce ne ao seu
po encial pa a o desen ol imen o da au onomia dos alunos. Ainda assim, e i ica-se que há uma maio
endência pa a o p o esso obse ado conside a que desen ol eu de o ma adequada de e minadas
condições em sala de aula, endo o p o esso obse ado conside ado que ais aspe os pode iam se
melho ados, po exemplo no caso dos pa âme os “negocia e encon a es a égias posi i as pa a aze
123
com que a sua oz se ouça”, “moni o iza e a alia o seu p ocesso de ap endizagem” e “ egula
es a égias”. Acon ece o in e so no pa âme o “es a conscien e do seu ní el de comp eensão”, indicado
apenas se e ezes pelos p o esso es obse ados como endo sido desen ol ido de o ma adequada,
endo os p o esso es obse ado es conside ado a sua p esença de o ma adequada em doze
expe iências.
Tabela 8 - Resul ados das obse ações in e pa es
Pa âme os de obse ação
A abo dagem pedagógica c ia condições pa a o
aluno...
P o esso es
obse ado es
P o esso es
obse ados
To ais
√
?
√
?
√
?
√+?
a i a conhecimen os p é ios
15
0
14
1
29
1
30
oma inicia i a, decisões e undamen a as suas
escolhas
9
5
11
2
20
7
27
coloca ques ões pe inen es e encon a no as soluções
6
7
8
6
14
13
27
ajus a opiniões consoan e os no os ac os encon ados
12
1
11
2
23
3
26
e le i c i icamen e e deba e ideias
10
3
11
2
21
5
26
se enco aja du an e p ocesso ensino/ap endizagem
11
1
9
5
20
6
26
es a conscien e do seu ní el de comp eensão
12
2
7
5
19
7
26
colabo a com os colegas
12
1
10
2
22
3
25
pa ilha expe iências, opiniões e sen imen os
9
2
9
3
18
5
23
egula es a égias
4
4
12
2
16
6
22
negocia e encon a es a égias posi i as pa a aze com
que a sua oz se ouça
2
8
6
6
8
14
22
iden i ica p oblemas e necessidades de ap endizagem
4
4
4
7
8
11
19
colabo a com o p o esso
9
0
8
1
17
1
18
pesquisa in o mação e ap o unda conhecimen os
5
1
8
1
13
2
15
moni o iza e a alia o seu p ocesso de ap endizagem
3
2
6
3
9
5
14
As expe iências pedagógicas o ien adas pa a a au onomia dos alunos ep esen a am, pa a es es
p o esso es, mo imen os de ino ação ace a p á icas an e io es, a segui sin e izados de aco do com os
egis os po e e uados no guião de desenho das expe iências, onde se coloca a a seguin e ques ão: “Que
aços ino ado es ap esen a a expe iência ace a p á icas an e io es?”. Os egis os o am o ganizados
em ês dimensões con o me o Quad o 33: papel do p o esso , papel do aluno e es a égias didá icas.
O Quad o e ela que os o mandos, cada um à sua medida, endo po base as suas i ências e
a u ma com que es a am a abalha , p ocu a am ado a es a égias que coloca am os alunos no cen o
do p ocesso pedagógico, dando mais espaço pa a se esponsabiliza em pelo seu p ocesso de
ap endizagem, le ando-os a mobiliza conhecimen os, oma decisões, abalha em g upo, egula as
124
ap endizagens e e le i sob e o seu desempenho e o desempenho dos seus pa es. Pa alelamen e, os
p o esso es a as a am-se um pouco do seu papel de con olado es e assumi am uma pos u a de
mediado es, acili ado es, desa iado es e obse ado es, p omo endo dinâmicas di e en es das habi uais
e que coloca am os alunos, e a si mesmos, à p o a. Começou-se, assim, a desen ol e um papel mais
a i o, pa icipa i o, colabo a i o e e lexi o dos alunos.
Quad o 33 - Dimensões de ino ação nas expe iências pedagógicas
Papel do p o esso
Papel do aluno
Es a égias didá icas
Medeia a ap endizagem e as
in e ações dos alunos
Obse a/supe isiona as in e ações
em sala de aula
O ien a o p ocesso e lexi o
Es á sensí el aos in e esses dos
alunos
P omo e a i idades de ap endizagem
mais mo i ado as
P omo e expe iências que
desen ol em o espí i o c í ico e de
en eajuda
Desa ia os alunos a a és da
p omoção de expe iências que
queb em a elação de dependência
en e aluno/p o esso
Regula as suas ap endizagens
a a és da au oco eção das a e as
Colabo a com os seus pa es pa a a
ealização de uma a e a
Negoceia, esol e con li os
Toma decisões e jus i ica as suas
escolhas
Pa icipa a i amen e e deba e ideias
Re le e sob e o abalho ealizado
indi idualmen e, com os colegas e
com o p o esso
A alia o seu desempenho e o dos
colegas
O ganiza au onomamen e o abalho
a ealiza es abelecendo p io idades
Ou e as opiniões dos colegas e
exp ime as suas
Responsabiliza-se pela ges ão e
cump imen o das a e as
Mobiliza au onomamen e
conhecimen os adqui idos
an e io men e
A i idades de au oco eção das a e as
ealizadas
Mobilização de conhecimen os a a és
da c iação de ques ões sob e algum
con eúdo es udado
Realização de abalhos de g upo
P omoção de momen os de e lexão
mais es u u ados e c ia i os
Seleção alea ó ia de g upos de
abalho
A ibuição de guiões o ganizado es do
abalho do g upo
Moni o ização/A aliação do seu
desempenho e das ap endizagens
a a és do p eenchimen o de
ques ioná ios
A ibuição de empos mais ígidos pa a
a execução das a e as
3.2. Pe ceções dos alunos ace ca das expe iências pedagógicas
Pa a ecolhe as pe ceções dos alunos, oi u ilizado um ques ioná io inal e o am selecionados,
po cada o mando, dois alunos que se iam en e is ados. Na u ma do 2.º ano, à semelhança do
ques ioná io inicial, as ques ões o am colocadas o almen e pela docen e, a a és da p omoção de um
diálogo em jei o de balanço.
Os alunos do 2.º ano, quando ques ionados sob e se gos a am das a i idades, se as
comp eende am e se ap ende am com elas, esponde am a i ma i amen e. Conside a am que o mais
125
impo an e nes as a i idades oi pa icipa em e abalha em com os pa es. Mani es a am, ainda, o seu
in e esse em con inua a aze esse ipo de a i idades, pelo ac o de gos a em de abalha em g upo e
po ap ende em de o ma di e en e.
Rela i amen e às in e enções dos es an es o mandos, as 121 espos as dadas pelos alunos à
pe gun a “Pensa nas a i idades que izes e e indica a ua opinião com uma c uz” o am o ganizadas na
Tabela 9.
Tabela 9 - Rece i idade às a i idades
Sim
%
Mais ou
menos
%
Não
%
Gos ei das a i idades
108
89,3%
13
10,7%
0
0,0%
Comp eendi as a i idades
96
79,3%
25
20,7%
0
0,0%
Ap endi com as a i idades
94
77,7%
25
20,7%
2
1,6%
To al
121 (100%)
Como se pode obse a , a maio ia dos alunos gos ou das a i idades (89,3%) e conside a que as
comp eendeu (79,3%) e ap endeu com elas (77,7%). Assim, é possí el conclui que as a i idades o am
bem ecebidas pela gene alidade dos alunos, o que é um indicado posi i o da sua adequação con ex ual.
Con udo, embo a as espos as nega i as sejam quase inexis en es (1,6%), uma pa e dos alunos (en e
10,7% e 20,7%) exp essou algumas ese as, o que se á de espe a ace à sua di e sidade. A impo ância
que a ibuí am a di e en es dimensões da sua ap endizagem nas a i idades ealizadas aduz ambém
essa di e sidade, como se pode obse a na Tabela 10. Na ques ão colocada, os alunos assinala am
uma ou mais das dimensões ap esen adas, pelo que se conside ou o o al de espos as (n=461).
Tabela 10 - Impo ância a ibuída a dimensões da ap endizagem nas a i idades
“O que oi impo an e pa a i nessas a i idades?”
%
T abalha em g upo ou pa es
104
22,6%
Ap ende coisas no as
95
20,6%
Pa icipa
80
17,4%
Faze escolhas
67
14,5%
Resol e as minhas di iculdades
44
9,5%
Re le i sob e a ap endizagem
41
8,9%
Da opiniões sob e as aulas
30
6,5%
Nada dis o oi impo an e
0
0,0%
To al
461
100%
132
pa a a necessidade de desen ol imen o as suas compe ências de au o egulação ao ní el de es a égias
emocionais (Jiménez Raya e al, 2007). Re e em, ainda, como a o de desmo i ação, a impossibilidade
de se em eles a escolhe emas, ecu sos e g upos de abalho pa a o desen ol imen o de algumas
a i idades, indicando a on ade de de e maio pode de decisão em sala de aula. Po exemplo,
ela i amen e à imposição po pa e do p o esso dos ópicos a explo a , um dos pa es de alunos
en e is ados mos ou-se indignado pelo ac o de e em de cump i es i amen e as indicações do
p o esso , não lhes sendo dada opção de escolha e azendo-os sen i -se es ingidos no momen o de
ap endizagem, endo um dos alunos p o e ido a ase: “é p e e í el coloca o que nós que emos ou o
que gos a íamos, do que es a a le e e de aze ou es a a elimina coisas que nós que emos...”. Es e
pa acabou po e e i que gos ou mais da úl ima a i idade desen ol ida – a c iação de uma masco e 3D
pa a o colégio -, pelo ac o de a emá ica es a elacionada com algo signi ica i o pa a eles e po lhes e
sido dada libe dade pa a c ia :
A7: Sen i que é semp e di ícil dialoga com os colegas quando emos uma ideia di ícil, apesa de e mos chegado
ao esul ado mui o mais ápido do que eu espe a a, mas oi di ícil nesse aspe o. Também no segundo abalho que
inha á ios ópicos e nós ínhamos de esc e e no
powe poin
sen i-me um bocadinho es i o, que ia aze alguma
coisa que osse mais li e, que osse mais o nosso ema do que es a ali a segui udo. Ti emos de apaga um
diaposi i o po es a a le aquilo (o guião), po an o sen i-me um pouco es i o nessa pa e, mas de es o acho que
co eu udo bas an e bem. (...)
En e is ado a: Mui o bem...Há assim alguma coisa que quei am ac escen a sob e as expe iências, que gos a am
mais ou que enha sido mais di e ido?
A7: Foi abalha em g upo...
A8: Sim, mas o p oje o que eu achei mais di e ido oi o da masco e.
En e is ado a: Po quê?
A7: Po que é o nosso colégio.
A8: Po que nós in en amos...
A7: É o nosso colégio e nós sabemos in e p e á-lo bem. Já es amos aqui há pelo menos cinco anos...
A8: E po que, basicamen e, deixou-nos aze o que nós que íamos...po exemplo, em ez de se um quad ado a
cabeça, podíamos escolhe uma es e a ou assim ... não dizia especi icamen e pa a coloca uma coisa...
(En e is a inal aos alunos, Bloco A – Pe gun a 3)
Podemos dize que as di iculdades apon adas pelos alunos eme gem, em g ande pa e, do ac o
de não es a em habi uados a es e ipo de a i idades e a ocupa um espaço cen al na ap endizagem. A
au onomia cedida pelos docen es, apesa de g adual e con ex ualizada, az p og essos na sua o ma de
e a escola e no seu papel enquan o alunos, con udo ap esen a ambém um desa io cons an e em que
o aluno em de pensa , negocia , esol e con li os, decidi , agi , a alia e expo -se pe an e o ou o.
133
Relemb ando que o c i é io de seleção usado pelos o mandos pa a a seleção dos alunos a se em
en e is ados e a escolhe em um aluno que i esse co espondido posi i amen e às expe iências
desen ol idas e ou o que i esse demons ado maio esis ência às mesmas, impo a e le i sob e as
di e enças en e a pos u a de uns e ou os aquando do momen o de en e is a. Todos eagi am mui o
bem, assumindo uma pos u a de g ande esponsabilidade, endo colabo ado e pa icipado a i amen e
na mesma, e mos ando-se con o á eis e in e essados em esponde às á ias ques ões. Todos
exp essa am ap eço pelas expe iências desen ol idas pelos seus p o esso es, não se endo e idenciado
di e enças signi ica i as a es e ní el. De um modo ge al, os alunos o am capazes de e ela espí i o
c í ico pe an e as a i idades ealizadas, o seu papel enquan o aluno e o papel do p o esso em sala de
aula, endo apon ado aspe os posi i os e aspe os de que não gos a am an o. Ainda assim, oi no ó ia
uma maio consciência me acogni i a da pa e dos alunos que co esponde am mais posi i amen e às
mesmas, endo es es mani es ado uma maio capacidade de e lexão a a és da maio acilidade
demons ada em desen ol e e undamen a as suas espos as. Es e ac o ale a pa a a necessidade de
um a endimen o di e enciado no que diz espei o ao desen ol imen o da compe ência de ap ende a
ap ende , p es ando especial a enção aos alunos cuja esis ência às a i idades pode e a e com um
baixo ní el de comp eensão da sua na u eza e inalidades.
Na en e is a, os alunos o am ques ionados sob e a noção “bom aluno”, endo alo izado,
sob e udo, aspe os a i udinais e ela i os ao seu papel enquan o alunos. Das espos as ob idas, podemos
salien a alguns mais elacionados com a au onomia e que o am abalhados nas expe iências dos
p o esso es, como a pa icipação, a au oco eção das a e as, a inicia i a na esolução de dú idas, a
coope ação e a capacidade de abalha de o ma au ónoma. Foi ambém colocada a ques ão “Se ocês
ossem p o esso es, como gos a am que ossem as ossas aulas?”, de modo a pe cebe as suas
ep esen ações do papel do p o esso depois das expe iências ealizadas. Sen iu-se, da pa e dos alunos,
uma ce a di iculdade em coloca em-se na posição de p o esso es e esponde em à pe gun a, pelo que
não sabiam mui o bem o que dize e oca am-se maio i a iamen e na pos u a que gos a am que os seus
alunos i essem em sala de aula, em de imen o do ipo de a i idades e dinâmicas que desen ol e iam
nas suas aulas enquan o docen es. Sen ida es a di iculdade, achei po bem e o mula a ques ão e
pe gun a -lhes como gos a iam que ossem as suas aulas no p óximo ano le i o, e aí já consegui am
esponde mais acilmen e. Das suas espos as, pude am se ex aídos aços de uma pedagogia mais
conse ado a e aços de uma pedagogia mais ino ado a, sendo es es mais equen es e ap oximados
de ca ac e ís icas de uma pedagogia pa a a au onomia.
Os aços de uma pedagogia mais conse ado a e e idos pelos alunos o am os seguin es:
134
- Aulas eó icas exposi i as, seguidas de aulas de aplicação de conhecimen os
- Realização de a i idades do manual, ichas e abalhos de casa
- Alunos a en os e com bom-compo amen o, que cump em o que o p o esso pede
- P o esso que explica os con eúdos e epe e a explicação, caso os alunos não en endam
- P o esso na sec e á ia e alunos a abalha indi idualmen e no luga
- P o esso que ep eende e aplica consequências pelo mau compo amen o
Quan o aos aços de uma pedagogia mais ino ado a, mais cen ada no aluno, o Quad o 36
o ganiza as espos as dos alunos em qua o dimensões da pedagogia: papéis pedagógicos, es a égias
didá icas, o ganização dos con eúdos e espaços de ap endizagem.
Quad o 36 - Aspe os ino ado es das aulas desejadas pelos alunos
Dimensões
Aspe os de uma pedagogia com aços mais ino ado es
Papéis
pedagógicos
P o esso como pessoa que dialoga com os alunos pa a os aze comp eende a impo ância de
e em um bom compo amen o;
Abe u a do p o esso pa a a explo ação de assun os/ emas que su jam, que podem não es a
p e is os no p og ama, mas que sejam do in e esse dos alunos;
P o esso que ou e os alunos e dialoga com eles pa a sabe a sua opinião sob e as aulas,
e le i em em conjun o e delinea em no as es a égias pa a o na as aulas mais dinâmicas;
P o esso c ia i o pa a man e os alunos ca i ados;
P o esso que desen ol e a ap endizagem consoan e as necessidades de cada aluno;
Aluno que explo a a ma é ia, pensa e c ia sem o p o esso .
O ganização
dos con eúdos
Relaciona ma é ias de disciplinas dis in as (in e disciplina idade);
Aulas em que o con eúdo de ap endizagem comece a pa i de uma con e sa (aulas de inglês, po
exemplo);
Da libe dade de escolha aos alunos, po exemplo, na seleção do ema pa a a esc i a de ex os;
Dia de ap endizagem que não es eja di idido po disciplinas: os alunos ap endem um con eúdo
no o, explo am-no e aplicam-no o dia odo.
Es a égias
didá icas
Uso de es a égias didá icas de explo ação de con eúdos que en ol am os alunos e os mo i em
pa a a ap endizagem, po exemplo, jogos e desa ios;
Realização de abalhos de g upo e p oje os - abalho colabo a i o pa a a supe ação de
di iculdades e es ei amen o da elação en e os elemen os da u ma;
Espaços de
ap endizagem
Realização de aulas em espaços dis in os (sala de aula, biblio eca, espaços ex e io es...);
Explo ação do espaço, usando os seus elemen os pa a a ap endizagem;
Alguns dos aspe os e e idos pelos alunos ão ao encon o de aspe os que os seus p o esso es,
num momen o inicial da o mação, gos a iam de melho a nas suas p á icas, e que depois p ocu a am
135
explo a nas suas expe iências, po exemplo, o desen ol imen o de es a égias e ecu sos que en ol am
os alunos e os mo i em pa a a ap endizagem, a implemen ação de abalhos de g upo e p oje os em
sala de aula, e a in e disciplina idade. Embo a não seja possí el es abelece uma elação de causa-e ei o
en e as expe iências po eles ealizadas e as ep esen ações dos alunos, podemos dize que es as
aduzem mui os dos aspe os que o am explo ados nessas expe iências, o que pa ece indica que os
alunos comp eende am e alo iza am o ipo de abo dagem que lhes oi p opo cionada.
Des aco o pensamen o ino ado de um dos pa es de alunos, do 6.º ano, que isou a impo ância
de o p o esso se capaz de ou i e dialoga com os seus alunos pa a sabe as suas opiniões sob e as
aulas, e le i em em conjun o e delinea em no as es a égias pa a o na as aulas mais dinâmicas, assim
como a necessidade de o p o esso e o cuidado em, após esse pe íodo de e lexão conjun a, desen ol e
p á icas pedagógicas consoan e as necessidades de cada aluno. Du an e o seu discu so, um des es
alunos e e uou um pa alelismo singula , com is a a aze -se en ende melho , dizendo o seguin e: “Eu
acho que isso é como no u ebol. Se u és, po exemplo, a ançado, não ais eina a de ende ...En ão,
eu acho que cada aluno de ia e aulas pa a o que mais necessi a melho a ”. P esencia-se aqui a
alo ização da e lexão pa a o desen ol imen o de a i idades e ecu sos educa i os que a o eçam a
di e enciação pedagógica, espondendo a es ilos e necessidades de ap endizagem di e sos, o que se á
uma das dimensões a alo iza nas inicia i as de ino ação pedagógica no sen ido de p omo e uma
educação inclusi a (CNE, 2023a/b).
3.3. Pe ceções dos p o esso es ace ca das expe iências pedagógicas
Depois de analisadas as pe ceções dos alunos, o na-se igualmen e pe inen e analisa aas
pe ceções dos p o esso es sob e as es a égias mais p opícias pa a o desempenho da au onomia nos
alunos, os ganhos e di iculdades sen idos e o impac o das p á icas na mudança ou e o ço da sua
conceção do papel do aluno e do p o esso na sala de aula. Os momen os de e lexão que incidi am
nes es aspe os o am ealizados no inal da implemen ação de cada ciclo de obse ação de aulas, mais
p ecisamen e, nas sessões 4, 5, 8 e 10 do CE, na en e is a inal aos o mandos e ainda nas suas
e lexões c í icas. Ap esen am-se esul ados c uzando in o mação, essencialmen e p o enien e das
en e is as inais e das e lexões c í icas.
Rela i amen e às es a égias mais p opícias pa a o desen ol imen o da au onomia dos alunos,
os o mandos e e i am, p incipalmen e, o desen ol imen o do abalho de g upo (cinco o mandos) e de
momen os de au o/he e oa aliação (dois o mandos).
136
O abalho colabo a i o oi is o como uma o ma de es ei a as elações en e pa es e
desen ol e compe ências de egulação da ap endizagem, le ando os alunos a es abelece obje i os,
c ia um plano pa a o abalho e di idi a e as. O ac o de con a em com o p o esso como elemen o
mediado no p ocesso de ap endizagem pe mi iu-lhes e um maio con olo do abalho a ealiza e das
decisões ine en es ao mesmo, dando-lhes mais libe dade e desen ol endo aspe os como o oco na a e a,
o empenho e a pe sis ência na sua esolução, a coope ação e a esponsabilidade. O con ac o e
coope ação com os colegas no desen ol imen o de de e minada a e a pa a o alcance de um obje i o
comum ez ambém com que os alunos se desa iassem e complemen assem. Seguem dois es emunhos:
Te minadas es as expe iências pedagógicas, chegou assim o momen o de analisa e e le i . Fo am sem dú ida
en iquecedo as e ans o mado as. Pe mi i am pe cebe que o abalho de g upo e colabo a i o é p omo o de
au onomia, mas ambém que a e lexão con ibui pa a o desen ol imen o do aluno, o e ecendo-lhe uma isão mais
comple a do seu desempenho, e p omo e o seu c escimen o con ínuo.
(PC – Re lexão c í ica)
En e odas as a i idades que ealizei, no ei uma g ande e olução po pa e dos alunos, pois em cada g upo
começa a cada ez mais a ha e oca de expe iências e opiniões, e assim e a mais ácil consegui em e mina a
a e a no p azo p e is o. No ei ambém que, quan o mais esponsabilidade lhes e a a ibuída, mais empenhados,
concen ados e ocados eles ica am.
(PD – Re lexão c í ica)
Dois o mandos alo iza am os momen os de e lexão p omo idos com os alunos a a és da
ealização da au o e he e oa aliação, po se assumi em como momen os em que o aluno é le ado a
pa a pa a e le i sob e o seu abalho e o dos colegas, incen i ando-os, de o ma cons u i a, a aze em
ou i a sua oz na u ma, assim como a ou i em e espei a em a oz dos seus pa es. A pa dis o, os
alunos são o ien ados a e le i sob e como pode ão a ua no u u o pa a, num p óximo abalho,
consegui em e i a cons angimen os que possam e su gido. Es a p á ica assume-se como uma o ma
de au o egulação das ap endizagens, p omo endo um pensamen o e lexi o e c í ico.
Embo a es as duas es a égias enham sido ap eciadas e alo izadas pelos o mandos,
apon a am algumas di iculdades sen idas aquando do desen ol imen o das expe iências em sala de
aula, p endendo-se es as, de ce o modo, ao aumen o de libe dade e au onomia dos alunos, que
p o ocou di iculdades ao ní el da ges ão do empo, do compo amen o e das expec a i as docen es.
Quando indicam di iculdades ao ní el da ges ão de empo, e e em-se essencialmen e ao ac o de e em
de cump i um p og ama cu icula ex enso e usa ecu sos educa i os p é-de e minados (manuais e
137
cade nos de apoio escola ). A p eocupação com a ges ão do empo p o ocou, po ezes, uma edução
dos momen os de e lexão e deba e en e os alunos, que pode iam e sido impo an es pa a a sua
ap endizagem:
Mui as ezes oi o empo que eles demo a am. Eles demo a am e eu não que ia acele á-los po que que ia que eles
c iassem as coisas com calma, com anquilidade, mas ao mesmo empo, ambém ínhamos mil ou as coisas pa a
aze , en ão eu não podia deixa que eles es i essem ali odo o empo que que iam a e mina o abalho e a discu i
como às ezes a é e a in e essan e deixá-los.
(PA – En e is a inal)
Da maio au onomia aos alunos implicou uma o ma no a de posiciona o aluno na
ap endizagem. Em momen os em que e am aplicadas as expe iências cen adas nos alunos, sen iam
que não inham o mesmo con olo do p ocesso de ensino/ap endizagem, es ando o i mo da aula
dependen e do i mo dos alunos, uma ez que o p o esso oi le ado a e um maio espei o pelo i mo
de cada um. Es e aspe o ouxe algumas insegu anças, ansiedade e p eocupação. A es e p opósi o,
a en emos nos seguin es es emunhos:
Lá es á, is o que é bom, a dis ância ambém é “não con ola ”, e u icas ali...o inal da aula, no malmen e e a
assim um bocadinho us an e, ou po que eles não es a am com o i mo que u deseja as, e ambém em esse
lado mais di ícil... Eu chega a ao im da aula assim um bocadinho ne osa, às ezes, um bocadinho ansiosa. Pensei
“eles não ão consegui e mina ...”, po que o i mo ambém é deles, não é? E u aí não podes con ola an o,
podes a anja es a égias de uma aula pa a ou a, mas o i mo é deles e icas ali um bocadinho ansiosa: “Se á que
is o ai co e bem?”
(PB – En e is a inal)
PD: É assim, no início, o en a da es a au onomia oi ipo “Se á que os alunos ão co esponde ou não?”. Mas
p on o, depois de aze a p imei a ez, pensei “se calha , eles podem i um bocadinho mais além”. Eu acho que oi
mesmo po aí, passo a passo, se calha , como eu ui expe imen ando as á ias ias e ui-lhes dando cada ez mais
libe dade, eu pe cebi que se calha , às ezes, podia da mais libe dade de aze em as coisas en e eles.
En e is ado a: No undo, a ua maio di iculdade oi da es es e passo de da libe dade. Tinhas eceio que as coisas...
PD: Sim, sim! Co essem mal ou acabassem po não se in e essa em no abalho que inham de aze , en ão em
de se mais con olado.
(PD – En e is a inal)
138
Ou o desa io epo ou-se ao desen ol imen o do abalho de g upo, mais p ecisamen e,
comp eende se odos os elemen os dos g upos es a am en ol idos e a con ibui pa a o abalho, e
ge i compo amen os quando es es e am esis en es a es e ipo de abalho, po não se iden i ica em
com a me odologia, com o ema ou com os elemen os do g upo.
Da maio p o agonismo e pode de decisão aos alunos implicou ambém pe mi i que es es
alhassem na de inição das suas p io idades, es a égias, ma e iais a usa , ou que se des iassem do
oco do abalho e i essem de lida com as di iculdades de abalha em g upo, pa a assim consegui em
desen ol e no as abo dagens a es e ipo de abalho e compe ências de colabo ação in e pa es. Embo a
es e aspe o enha sido apon ado como uma di iculdade sen ida, oi igualmen e e e ido que pe mi iu aos
alunos ap ende a ela i iza o e o e a passa a ê-lo como uma o ma de ap ende . Assim, ao e em a
opo unidade de ge i a sua ap endizagem, os alunos passam a e uma maio consciência do impac o
e da impo ância das suas decisões, uma ez que êm de lida com as consequências das mesmas,
sejam es as boas ou más:
Mui o na e dade sen i que me saiu um bocadinho um peso de e de decidi udo e de e que o ganiza udo de
uma pon a à ou a, ou seja, cla o que eu e a um elemen o condu o e da a-lhes as o ien ações iniciais, mas depois
o pe cu so que eles aziam dependia daquilo que eles decidiam e as consequências, e iden emen e, ambém.
Po an o, acho que nesse aspe o sen i-me um bocadinho mais li e da consequência da coisa boa ou menos boa.
E, acho que eles, nesse aspe o, ambém pe cebe am que aquilo que inham decidido e e uma implicação mui o
mais di e a no esul ado que ob i e am. Acho que nesse aspe o, pa a eles e pa a mim, acabou po se o a as a -
me do papel habi ual.
(PE – En e is a inal)
PF e o çou a ideia de que as expe iências educa i as de inidas com o obje i o de desen ol e a
au onomia dos alunos azem com que haja uma maio exigência no cump imen o daquele que de e se
o papel do docen e em sala de aula – mediado da ap endizagem –, le ando-o a e um maio
au ocon olo da sua in e enção, não dando aos alunos uma “ alsa au onomia”, em que lhes dá o pode
de decisão, con udo depois apoia-os em demasia na execução das a e as logo que es es ap esen em
alguma ques ão e pa a que não alhem. O es emunho de PB abaixo ansc i o ai no mesmo sen ido,
salien ando a impo ância de espei a as decisões e o caminho açado pelos alunos:
139
Acho que ali inhas esse dis anciamen o, sabias que é a au onomia dos alunos que az com que u ambém pe cebas
que as coisas êm um caminho que não é o que u ais decidi , po que eles êm abalho au ónomo, en ão o
caminho é deles, apesa de u e es semp e uma ideia do que é que que es que eles açam e o que é que que es
que eles desen ol am. A au onomia dá- e esse lado de... o caminho não é eu, ens mesmo de deixa , depois ais
e le i e podes, en e an o, c ia no as es a égias pa a a p óxima aula. Mas o caminho não é eu e acho que isso
ajudou bas an e.
(PB – En e is a inal)
Ao longo da en e is a, PB sublinhou es a ideia de que o caminho é o dos alunos e não aquele
que o p o esso impõe de o ma au o i á ia, ha endo po isso espaço pa a cada aluno expo , pensa ,
e le i , suge i , discu i , op a , de ini e desen ol e (-se). Segundo os o mandos, o desen ol imen o
des e ipo de expe iências ez com que se dis anciassem e ocupassem um papel menos in e en i o em
sala de aula, pe mi indo-lhes obse a as dinâmicas de abalho dos alunos com um olha mais a en o.
Assim, consegui am conhecê-los melho , ape cebe -se de algumas di iculdades sen idas e in e i de
o ma adequada, quando necessá io, ha endo espaço pa a a e lexão de odos os in e enien es (alunos
e p o esso ). O desen ol imen o da sua capacidade e lexi a oi um ganho apon ado após a ealização
des as expe iências.
Os aspe os e e idos e, ainda, as espos as dadas pelos o mandos à ques ão “Em que medida
as expe iências que ealiza am muda am ou e o ça am a sua conceção do papel do aluno e do p o esso
na sala de aula?”, pe mi em dize que hou e uma mudança na sua o ma de e o papel do p o esso e
do aluno em sala de aula a pa i do momen o em que conside a am que o aluno pode ia, e e i amen e,
assumi mais esponsabilidades e e um papel mais cen al no p ocesso de ap endizagem, c iando
condições pa a que al acon ecesse. Embo a em g aus e o mas di e en es, con a ia am as suas
conceções iniciais e de am maio espaço aos alunos nas suas p opos as didá icas. As aulas passa am a
e momen os em que os alunos e am o mo o da sua ap endizagem, explo ando es a égias, ma e iais
e con eúdos de o ma mais au ónoma, omando decisões, sem a dependência cons an e do docen e.
Em alguns casos, es es momen os de abalho que con a iam uma pedagogia mais cen ada no
p o esso in eg a am p á icas de au o egulação das ap endizagens, a a és da u ilização de guiões pa a
as a e as ealizadas e da au o/he e oa aliação do abalho desen ol ido, sendo que os alunos o am
le ados a e le i e a delinea es a égias de a uação pa a u u os abalhos.
PB, e e indo que mudou bas an e a o ma de e o papel do p o esso e dos alunos em sala de
aula, salien ou que, es ando a abalha em mais do que uma escola, já se encon a a a desen ol e um
ou o abalho em que o seu oco e a p omo e a au onomia dos alunos. Ac escen ou: “Já hou e esse
140
clique, de pensa nas a i idades semp e de uma manei a em que a au onomia es eja p esen e
u u amen e”.
PC ealçou, ambém, a sua adesão a uma pedagogia pa a a au onomia de o ma en usiasmada:
“É deixá-los mesmo se em mais au ónomos, se em mais... po eles, chega em ao conhecimen o.
Po an o, não se dado de bandeja aquilo que de e se adqui ido, mas se em eles a chega lá (...) deixá-
los explo a , e di e en es caminhos.”
Complemen ando a ideia an e io , PE ala-nos numa espécie de
oleplaying
, em que os alunos
po ezes são mais p o esso es e o p o esso acaba po se um o ien ado . Simul aneamen e, o p o esso
assume o papel de in es igado da sua p óp ia p á ica, analisando-a, e le indo ace ca da mesma e
c iando as mudanças necessá ias pa a que es a e olua umo aos seus obje i os.
Em sín ese, as expe iências pedagógicas desen ol idas e elam uma ede inição dos papéis
pedagógicos em sala de aula, po se cen a em no aluno e no p ocesso de ap endizagem, incen i ando
a pa icipação a i a, a omada de decisões, a negociação en e p o esso e aluno, a e lexão e a egulação
das ap endizagens, e ap oximando-se, assim, de uma pedagogia da au onomia (Jimenez Raya e al.,
2007). Os p o esso es desenha am expe iências que os le a am a abandona o seu papel con olado e
a assumi -se como desa iado es, mediado es, supe iso es e in es igado es da sua p óp ia p á ica,
ajus ando as suas in e enções às suas aspi ações p o issionais e às necessidades das u mas.
Salien am-se as expe iências que p omo e am o abalho colabo a i o, dando libe dade aos
alunos pa a oma em decisões, jus i ica em as suas escolhas e e le i em sob e o seu desempenho, po
se e em mos ado p opícias ao desen ol imen o de uma maio esponsabilidade na ges ão da
ap endizagem. Embo a as expe iências desen ol idas enham sido, de um modo ge al, do ag ado dos
alunos, endo-lhes pe mi ido ap ende melho e de o ma di e en e, despe a am algumas di iculdades,
essencialmen e, ao ní el da ges ão do abalho com os pa es, mais p ecisamen e, na ges ão de con li os,
di isão de a e as de o ma equilib ada e pa ilha de ideias ou nos momen os de e lexão sob e a
ap endizagem. Ainda assim, os o mandos conside a am que o desen ol imen o de abalho de g upo e
da e lexão sob e a ap endizagem o am es a égias essenciais pa a a p omoção da au onomia dos
alunos em sala de aula, man endo-os en ol idos, ocados, e desen ol endo neles compe ências
essenciais ao seu desen ol imen o con ínuo. O p ocesso e lexi o, en e p o esso es ou en e p o esso es
e alunos, sus en ou o desen ol imen o de a i idades que espondessem a necessidades de
ap endizagem di e sas, apoiando o desen ol imen o de p á icas de ino ação de o ien ação democ á ica
e inclusi a (CNE, 2023a/b).
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4. Ap eciação global do Cí culo de Es udos
Vá ios o am os momen os em que os o mandos o am le ados a e le i sob e o
desen ol imen o do CE, de modo a comp eende se es a a a co esponde às suas expec a i as, se
de e iam se ealizados alguns ajus es na sua o ganização e, numa ase inal, que impac o e e no seu
desen ol imen o p o issional. Des aco as a i idades “Me a o izo”, da sessão 5, e “Encon ei o meu
NORTE?”, da sessão 10, as e lexões c í icas inais e os es emunhos da en e is a.
Na a i idade “Me a o izo”, os o mandos, em ios, al como eu, seleciona am um obje o pa a
ca ac e iza a sua expe iência no CE, jus i icando a sua escolha. Da e lexão su gi am ês obje os
dis in os: o lápis, o elógio e o espelho. O lápis oi escolhido po se um ins umen o de desenho,
eme endo, nes e caso, pa a o desenho da p á ica educa i a e pelo ac o de não egis a algo de o ma
pe manen e e ap esen a um ca á e mais ans o mado , pe mi indo o edesenho e a ede inição da
ação docen e con o me as necessidades sen idas. O elógio oi escolhido pelo ac o de o CE exigi uma
boa ges ão de empo a di e sos ní eis: nos momen os de deba e e pa ilha no CE, que po ezes
gos a iam que ossem mais ex ensos, na implemen ação das expe iências educa i as cen adas nos
alunos, que, como imos, c ia am algumas p eocupações com a ges ão do empo cu icula , e, ainda,
nos momen os de obse ação de aulas, uma ez que, po ezes, gos a iam de e mais empo pa a
p á ica e ainda pa a pode em obse a mais do que um colega po cada ciclo de obse ação, de ido à
cu iosidade susci ada nos momen os de pa ilha do CE pelas expe iências que es a am a se
desen ol idas nas á ias u mas. Tendo ambém pa icipado na a i idade, escolhi o espelho po se um
obje o ágil, mas que pe mi e a e lexão. Vi o espelho como o local onde me obse ei num momen o
inicial e analisei a imagem, sendo a imagem a minha isão da p á ica educa i a, o que ap ecio, o que
não ap ecio e p e endo muda . A pa i des e pon o, jun ei ou as pessoas à minha imagem e passei a
e um “nós” pe an e mim e múl iplas possibilidades de ans o mação. Es e obje o oi ainda selecionado
pela sua agilidade, assemelhando-se à nossa enquan o se es humanos, que encon amos de ei os na
nossa p á ica pedagógica, conseguimos pa ilha ais agilidades e deixa en a os ou os na imagem
e le ida no espelho, sem es a égias camaleónicas que camu lem a ealidade, exp essando aquilo que
e e i amen e sen imos e as nossas in enções. Julgo que as ês me á o as sublinham dimensões
impo an es da expe iência do CE – a na u eza c ia i a e lexí el de uma pedagogia cen ada no aluno; o
possí el con li o en e o empo disponí el e as exigências ine en es a esse ipo de pedagogia e a c iação
de espaços de desen ol imen o p o issional e lexi o; e a cen alidade do diálogo en e o eu e o ou o na
busca de caminhos pa ilhados em unção de uma isão ideal.