Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Lídia Lúcia Vaz do Nascimen o
C ianças, educação e o mação de p o esso es:
Conceções de in ância em epe ó ios
p o issionais
Maio de 2025
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Lídia Lúcia Vaz do Nascimen o
C iança, educação e o mação de
p o esso es: Conceção de in âncias em
epe ó ios p o issionais
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Es udos da C iança
T abalho e e uado sob a o ien ação da
Dou o a Ma ia Te esa Jacin o Sa men o Pe ei a
Maio de 2025
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas p á icas
in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no
licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi o UM da Uni e sidade do Minho.
Licençaconcedidaaos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY NC ND
C ea i e Commons A ibu ion-NonComme cial-NoDe i a i es 4.0 In e na ional
iii
AGRADECIMENTOS
Ag adeço, p imei amen e, a Deus, meu sus en o e minha o ça! Ob igada, Senho , po se o
Dono do meu empo e dos meus planos.
Minha g a idão especial à minha mãe, E a Lúcia (in memo iam), que nunca deixou de ac edi a
no meu po encial e semp e me incen i ou a oa . G a idão, mãe, deu ce o! Sua ilha oou! Semp e
sen i ocê ao meu lado o empo odo.
À minha i mã, Jéssica, minha on e inesgo á el de amo , que segu ou minha mão nos
momen os mais di íceis e não me deixou desis i , quando nosso mundo desabou. Ob igada, i mã, po
se meu po o segu o!
Ag adeço p o undamen e à minha pa cei a de ida, Pa ícia Guedes, que es e e ao meu lado
em cada e apa dessa jo nada acadêmica. No pe íodo mais desa iado , os e meu apoio, minha o ça e
meu amo . Que bom que nos escolhemos! Te amo.
Sou imensamen e g a a à minha amília, que, mesmo à dis ância, semp e me apoiou. Ao meu
que ido cunhado, Ped o, e à minha ia Elza, que não apenas ac edi ou em mim, mas ambém cus eou
meus es udos. A minha amiga Au elice (in memo iam) que oi uma das maio es incen i ado as pa a
que eu es udasse o a. À minha ozinha, que o ceu pelo meu e o no, con iando que eu ol a ia com
sucesso, minha e e na g a idão.
Às minhas p o esso as da Uni e sidade do Minho, meu p o undo espei o e ca inho. P o esso a
D a. Te esa Sa men o, ocê é minha mes a do humano! Ap endi an o com a senho a e ui acolhida
pela ua gene osidade e simplicidade. P o esso a D a. C is ina Pa en e, minha mes a do amo , semp e
disponí el e de co ação imenso, ob igada po udo! P o esso a D a. Na ália Fe nandes, nunca
esquece ei o ab aço com que me ecebeu no p imei o dia de aula, quando eu es a a em pedaços. Ali,
naquele momen o, ocê me ajudou a me ecolhe . A cada uma de ocês, ag adeço pelas aulas, pelas
pa ilhas e pelos sabe es.
Po im, ag adeço aos meus amigos, que, mesmo de longe, ib a am po mim. Como disse
Má io Quin ana, “A amizade é um amo que nunca mo e”, e o amo de ocês só ez c esce o meu.
Ag adeço po cada o ação, ib ação e demons ação de ca inho. Aos amigos que iz em Po ugal,
ob igada po o na em essa jo nada mais le e e signi ica i a.
Essa caminhada oi in ensa, mas ans o mado a. Ag adeço a odos que ize am pa e dela!
“Ninguém começa a se p o esso numa ce a e ça- ei a às 4 ho as da a de…
Ninguém nasce p o esso ou ma cado pa a se p o esso . A gen e se o ma como
educado pe manen emen e, na p á ica e na e lexão sob e a p á ica.”
(Paulo F ei e)
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à
p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em
nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
C iança, educação e o mação de p o esso es: Conceção de in âncias em epe ó ios p o issionais
RESUMO
A in ância é uma cons ução social e his ó ica, cuja comp eensão in luencia di e amen e as p á icas pedagógicas
e a o mação de p o esso es na educação de in ância. Pa indo dessa p emissa, es a disse ação in es iga as
concepções dos p o esso es sob e a in ância como um campo de pesquisa, explo ando como esses p o issionais
cons oem suas p á icas e eo ias a pa i de suas expe iências o ma i as e da in e ação com as c ianças. A
pesquisa em como ques ão cen al: De que o ma a comp eensão da in ância (expe iências pessoais e
conceções) in luenciam as p á icas pedagógicas, e o que isso e ela sob e a a uação dos educado es? Pa a
esponde a essa ques ão, oi ado ada uma abo dagem quali a i a, u ilizando a me odologia (au o)biog á ica pa a
analisa as expe iências e na a i as de ês educado as de in ância. O es udo baseou-se na aplicação de
en e is as semies u u adas e ques ioná ios, além de uma e isão eó ica undamen ada em au o es como
Sa men o (1994, 2005), A iès (1981), Sa men o, T. (2002, 2017) e Leal da Cos a e Sa men o (2018). A
disse ação es á o ganizada em qua o capí ulos. Os esul ados indicam que as concepções de in ância dos
educado es são undamen ais pa a a cons ução de suas p á icas pedagógicas, in luenciando desde a
o ganização do ambien e escola a é a o ma como es abelecem ínculos com as c ianças e suas amílias. No
en an o, o am iden i icadas di iculdades, como a ausência de e lexão c í ica sob e essas concepções du an e a
o mação inicial e a esis ência de alguns p o issionais em ea alia suas p á icas. Dian e desses desa ios,
suge e-se que u u as pesquisas ampliem a análise pa a di e en es con ex os educacionais e in es iguem o
impac o das concepções de in ância sob e a expe iência escola das p óp ias c ianças. Conclui-se que é
essencial p omo e uma o mação docen e mais e lexi a e c í ica, que conside e a c iança como sujei o de
di ei os e p o agonis a do p óp io ap endizado. Dessa o ma, espe a-se con ibui pa a a cons ução de uma
educação de in ância mais inclusi a, pa icipa i a e alinhada às necessidades e ealidades das c ianças na
con empo aneidade.
Pala as-cha e: In ância. Educação In an il. Fo mação de P o esso es. Conceções de In ância.
Cul u a da Escu a.
i
Child en, educa ion and eache aining: Concep ion o childhoods in p o essional epe oi es
ABSTRACT
Childhood is a social and his o ical cons uc ion, he unde s anding o which di ec ly in luences pedagogical
p ac ices and eache aining in ea ly childhood educa ion. Based on his p emise, his disse a ion in es iga es
eache s' concep ions o childhood as a ield o esea ch, explo ing how hese p o essionals cons uc hei
p ac ices and heo ies based on hei o ma i e expe iences and in e ac ions wi h child en. The esea ch has as
i s cen al ques ion: how does he unde s anding o childhood, based on educa o s' pe sonal expe iences and
concep ions, in luence hei pedagogical p ac ices and wha does his e eal abou hei pe o mance? To answe
his ques ion, a quali a i e app oach was adop ed, using he (au o)biog aphical me hodology o analyze he
expe iences and na a i es o h ee ea ly childhood educa o s. The s udy was based on he applica ion o semi-
s uc u ed in e iews and ques ionnai es, in addi ion o a heo e ical e iew based on au ho s such as Sa men o
(1994, 2005), A iès (1981), Sa men o, T. (2002, 2017) and Leal da Cos a and Sa men o (2018). The
disse a ion is o ganized in o ou chap e s. The esul s indica e ha educa o s’ concep ions o childhood a e
undamen al o he cons uc ion o hei pedagogical p ac ices, in luencing e e y hing om he o ganiza ion o he
school en i onmen o he way hey es ablish bonds wi h child en and hei amilies. Howe e , di icul ies we e
iden i ied, such as he lack o c i ical e lec ion on hese concep ions du ing ini ial aining and he esis ance o
some p o essionals o ee alua e hei p ac ices. Gi en hese challenges, i is sugges ed ha u u e esea ch
expand he analysis o di e en educa ional con ex s and in es iga e he impac o childhood concep ions on he
school expe ience o child en hemsel es. I is concluded ha i is essen ial o p omo e mo e e lec i e and
c i ical eache aining, which conside s child en as subjec s wi h igh s and p o agonis s o hei own lea ning. In
his way, we hope o con ibu e o he cons uc ion o a mo e inclusi e and pa icipa o y ea ly childhood
educa ion ha is aligned wi h he needs and eali ies o child en in con empo a y imes.
Keywo ds: Childhood. Ea ly Childhood Educa ion. Teache T aining. Concep ions o Childhood. Cul u e o
Lis ening.
ii
ÍNDICE
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS..…..ii
AGRADECIMENTOS.........................................................................................................................….iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE.....................................................................................................…..i
RESUMO..................................................................................................................................….
ABSTRACT..............................................................................................................................…. i
ÍNDICE DE TABELAS................................................................................................................…i
x
INTRODUÇÃO...................................................................................................................................….1
CAPÍTULO 1 - EXPLORANDO O CONCEITO DE INFÂNCIA: DEFINIÇÕES, PAPÉIS SOCIAIS
E EDUCAÇÃO...............................................................................................................….3
1.1. De inição de in ância...........................................................................................................….3
1.2. Abo dagens his ó ico-sociológicas........................................................................................….5
1.3. A C iança como Ac o social................................................................................................….9
1.4. In ância e educação..........................................................................................................….11
CAPÍTULO 2 - A INFLUÊNCIA DAS CONCEÇÕES DE INFÂNCIA NA EDUCAÇÃO
INFANTIL DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES..........….14
2.1. Conceções de in ância na o mação inicial de p o esso es................................................…...14
2.2. A Fo mação de P o esso es de In ância no Cu ículo Uni e si á io:desa ios e opo unidades…17
2.3. O desa io da o mação con inuada de p o esso es de in ância........................................….....21
2.4. A Docência e Pesquisa do P o esso de In ância..............................................................…...24
CAPÍTULO 3 - UMA INVESTIGAÇÃO (AUTO)BIOGRÁFICA.............................................….26
3.1. Pa adigma Quali a i o.......................................................................................................…..26
3.2. P oblemas e Obje i os.......................................................................................................….28
3.2.1. P oblema da pesquisa.....................................................................................….....…28
3.2.2. Obje i o Ge al e especí icos.............................................................................…....…..29
3.2.3. Dimensões de análise ou indo x Educado as de in ância..............................…........….30
3.3. Mé odo de Pesquisa – Es udo (Au o)biog á ico...................................................................….31
3.4. P ocedimen os de Cole a de Dados...................................................................................….33
3.4.1. En e is as Semies u u ada....................................................................................….36
3.5. Aspe os É icos no T a amen o dos Dados...........................................................................….38
5
O concei o de in ância es á semp e em cons ução e a ia con o me cada ealidade e g upo
in an il. E nessa ase da in ância do se humano que udo começa, an o o que é de na u eza
gené ica quan o o que deco e das elações e dos ínculos que cada pessoa es abelece com seu
en o no: os espaços de con i ência; os a o es com que cada um in e age; cada olha ; cada ges o; cada
a i ude de empa ia, an ipa ia ou indi e ença. Esses e ou os a o es in e e em signi ica i amen e nos
p imei os anos de ida, de o ma dinâmica, na o ma de cada indi iduo.
Pa a Sa men o (2005), a in ância é concebida como uma cons ução social que su ge den o
de um con ex o de in e ações sociais, onde as c ianças, como pa icipan es desse p ocesso,
desempenham um papel na o mação dessa ealidade.
Nesse con ex o, a in ância é is a como uma ca ego ia social que e le e an o as opo unidades
quan o as limi ações da es u u a social. A in ância é conside ada uma ealidade social eme gen e de
um conjun o de p ocessos sociais onde as c ianças, como seus cons i uin es, pa icipam na p odução
da mesma ealidade.
1.2. Abo dagens his ó ico-sociológicas
Ao discu i mos a in ância, não es amos nos e e indo a um concei o abs a o, mas sim a um
conjun o de elemen os que es abelecem ce as condições. Isso inclui a amília, a escola, o pai, a mãe,
en e ou os elemen os que con ibuem pa a a o mação de de e minadas manei as de comp eende e
expe imen a a in ância.
A in ância, is a sociologicamen e, começou a ganha um no o pe il nos anos 80-90.
A gumen a-se que a in ância não é uma ealidade na u al, mas uma cons ução social in luenciada po
a o es empo ais e espaciais. Essa ideia é uma ein e p e ação dos clássicos do Ph. A iès que
en a izam o sen imen o da in ância, o econhecimen o e a ep esen ação da c iança como um indi íduo
especí ico e di e en e da idade adul a. Es es concei os es ão associados à p i a ização e à
sen imen alização da ida amilia , p omo idas pela ascenden e bu guesia indus ial.
A iès é conhecido como o pionei o no es udo da in ância na his ó ia, pois suas pesquisas
u iliza am di e sas on es, como imagens eligiosas e secula es, diá ios e a qui os amilia es, ca as,
egis os de ba ismo e insc ições em úmulos. A a és dessas pesquisas, su gi am os p imei os
es udos sob e a his ó ia da c iança e sua ep esen ação na sociedade en e os séculos XII e XVII. Com
base sob e a his ó ia das men alidades, A iès (1981), a i ma:
6
(...) é semp e, que ou não, uma his ó ia compa a i a e eg essi a. Pa imos necessa iamen e
do que sabemos sob e o compo amen o do homem de hoje, como de um modelo ao qual
compa amos os dados do passado com a condição de, a segui , conside a o modelo no o,
cons uído com o auxílio dos dados do passado, como uma segunda o igem, e desce
no amen e a é o p esen e, modi icando a imagem ingênua que ínhamos no início. (p. 26)
O pesquisado ancês Philippe A iès a gumen a que a noção de in ância oi cons uída ao
longo do empo. Po um longo pe íodo, a c iança não e a is a como um indi íduo em desen ol imen o
com suas p óp ias ca ac e ís icas e necessidades, mas sim como uma e são minia u izada de um
adul o. A his ó ia da in ância, po an o, o nece um espaço pa a e lexões p o undas sob e como
in e agimos e en endemos as c ianças hoje.
Con o me mencionado po A iès (1981), a sociedade em ques ão não possuía uma cla a
pe cepção de ansição en e a in ância e a idade adul a. O au o a gumen a que as c ianças e am
is as po essa sociedade como e sões meno es de adul os.
Na idade média, no início dos empos mode nos, e po mui o empo ainda nas classes
popula es, as c ianças mis u a am-se com os adul os assim que e am conside ados capazes
de dispensa a ajuda das mães ou das amas, poucos anos depois de um desmame a dio – ou
seja ap oximadamen e, aos se e anos de idade. A pa i desse momen o, ing essa am
imedia amen e na g ande comunidade dos homens, pa icipando com seus amigos jo ens ou
elhos dos abalhos e dos jogos de odos os dias. O mo imen o da ida cole i a a asa a
numa mesma o en e as idades e as condições sociais[...]. (p.275)
Ao abo da o concei o de in ância, A iès a gumen a que a sociedade medie al não econhecia a
in ância como uma ase dis in a da ida. Ele incula a ausência de ep esen ações de c ianças na a e
medie al, seu campo de in es igação, à al a de econhecimen o do espaço da in ância nes e pe íodo
his ó ico.
[...] o sen imen o de in ância não exis ia – o que não que dize que as c ianças ossem
negligenciadas, abandonadas ou desp ezadas. O sen imen o de in ância não signi ica o mesmo
que a eição pelas c ianças: co esponde à consciência da pa icula idade in an il, essa
pa icula idade que dis ingue essencialmen e a c iança do adul o, mesmo jo em. Essa
consciência não exis ia. (A iès, 1981, p.156)
7
O mesmo au o obse a a é o im da Idade Média, que a ideia de in ância e a bas an e
ab angen e, englobando não apenas c ianças e adolescen es, mas ambém implicando em um sen ido
de dependência. A ansição da in ância só oco ia quando a dependência e a supe ada, ou ao menos
quando os ní eis mais básicos de dependência e am ul apassados.
Em con as e, en e os nob es, a in ância e a is a como a p imei a ase da ida, onde a
dependência es a a ligada à incapacidade ísica. A iès (1981), a gumen a que oi somen e no século
XVII que a pala a in ância começou a oma seu signi icado mode no, e e indo-se mais comumen e a
c ianças pequenas.
Em odos os pe íodos da his ó ia humana, as c ianças es i e am p esen es, mas é a manei a
como a sociedade as a ou e se elacionou com elas que moldou a ideia de in ância ao longo dos
empos. De aco do com Pin o e Sa men o (1997), oi du an e a Idade Mode na que a in ância começou
a se econhecida como uma ca ego ia social dis in a.
Com e ei o, c ianças exis i am desde semp e, desde o p imei o se humano, e in ância como
cons ução social – a p opósi o da qual se cons uiu um conjun o de ep esen ações sociais e
de c enças e pa a a qual se es u u a am disposi i os de socialização e con ole que a
ins i uí am como ca ego ia social p óp ia – exis e desde os séculos XVII e XVIII. (p.13)
In luenciada pelos pa adigmas eó icos p opos os po Philippe A iès, a in es igação acadêmica
conce nen e à ase in an il em expe imen ado um p ocesso de econ igu ação subs ancial, esul ando
na eme gência de uma abo dagem eno ada denominada No a Sociologia da In ância. Es e no o
p isma eó ico-me odológico p opõe epensa as pe cepções adicionais sob e c ianças, essal ando
sua au onomia, isões e pa icipação a i a na moldagem de suas p óp ias ealidades sociais.
Nes e con ex o, as con ibuições de Manuel Sa men o, William Co sa o e ou os pesquisado es
são no á eis, pois suas ob as êm impac ado signi ica i amen e o desen ol imen o des e campo de
es udo. Apesa das abo dagens dis in as ado adas po cada au o , suas análises sob e a expe iência
in an il se complemen am, en iquecendo assim o deba e acadêmico. O p esen e ensaio em como
p opósi o analisa e compa a os esc i os desses dois eminen es sociólogos, explo ando suas
pe spec i as ace ca da in ância e sua ele ância pa a a No a Sociologia da In ância.
Na pe spec i a de Sa men o (1997), a agência das c ianças - a sua capacidade de oma
decisões, exe ce in luência e pa icipa a i amen e na sociedade - é o que as posiciona como agen es
a i os no p ocesso de socialização, con ibuindo pa a a dinâmica social de suas comunidades. Ele
8
des aca a impo ância de da oz às c ianças e de alo iza suas pe spec i as, econhecendo o seu
po encial pa a molda a sua p óp ia ealidade.
A socialização das c ianças, sendo embo a um concei o ela i amen e ecen e, eme e pa a
uma ealidade que é ão an iga como as sociedades humanas. Consis e no p ocesso a a és do qual os
indi íduos ap eendem, elabo am e assumem no mas e alo es da sociedade em que i em, median e
a in e acção com o seu meio mais p óximo e, em especial, a sua amília de o igem, e se o nam, desse
modo, memb os da e e ida sociedade.
A e e ência ao con ex o cul u al e socie al o na-se pa icula men e pe inen e na abo dagem
da socialização, uma ez que que os p ocessos, que os con eúdos, que os agen es, egis am
a iações assinalá eis de cul u a pa a cul u a e de sociedade pa a sociedade, como os es udos
an opológicos e sociológicos e idenciam. (Sa men o, 1997, p.45)
William Co sa o (2011), po sua ez, é econhecido pela sua abo dagem in e acionis a e
mic osociológica da in ância, que é ocada nas in e ações sociais e nas cul u as in an is. Co sa o,
a a és de seus es udos e nog á icos, explo a as a i idades diá ias das c ianças em ambien es como
c eches, pa ques in an is e espaços de jogos, en a izando a ele ância das elações en e colegas na
o mação de iden idades in an is e na negociação de signi icados.
Co sa o (2011), de ende que as c ianças c iam suas p óp ias cul u as, que são de inidas po
sis emas de signi icados compa ilhados, no mas e i uais pa icula es. Essas cul u as in an is são
mu á eis e luidas, sendo moldadas pela in e ação con ínua en e as c ianças e seu en o no social. Ao
analisa as in e ações en e colegas, o au o mos a a complexidade das elações sociais na in ância,
con es ando concepções simplis as de pode e hie a quia.
As c ianças p oduzem uma sé ie de cul u as locais que se in eg am e con ibuem pa a as
cul u as mais amplas de ou as c ianças e adul os a cujo con ex o elas es ão in eg adas. Esses
p ocessos a iam ao longo do empo e en e cul u as, e a documen ação e a comp eensão
dessas a ian es de em se um ema cen al na no a sociologia da in ância. (p. 127)
A Sociologia da In ância em consis en emen e consolidado o concei o de "Cul u as da
In ância" como um ma cado dis in i o da ca ego ia ge acional. Esse concei o econhece a habilidade
das c ianças em desen ol e de manei a es u u ada o mas de da signi icado ao mundo e de agi
in encionalmen e, que se di e enciam das abo dagens dos adul os em elação ao signi icado e à ação.
Segundo Sa men o (2003),
9
A plu alização do concei o signi ica que as o mas e con eúdos das cul u as in an is são
p oduzidas numa elação de in e dependência com cul u as socie ais a a essadas po
elações de classe, de géne o e de p o eniência é nica, que impedem de ini i amen e a ixação
num sis ema coe en e único dos modos de signi icação e acção in an il. (p.54)
A cul u a in an il ab ange os hábi os, adições e modos de exp essão especí icos das c ianças.
Essas cul u as êm aízes ão p o undas quan o a p óp ia exis ência da in ância. Sa men o (2003),
a gumen a que as cul u as da in ância anspo am as ma cas dos empos, exp imem a sociedade nas
suas con adições, nos seus es a os e na sua complexidade.
Podemos conclui que a in ância não é apenas uma ase da ida, mas sim um cons uc o
social complexo, in luenciado po a o es his ó icos, cul u ais e sociais. A No a Sociologia da In ância
p opõe uma abo dagem eno ada, que alo iza a au onomia das c ianças e econhece sua capacidade
de pa icipa a i amen e na cons ução de suas p óp ias ealidades sociais. E undamen al, po an o,
con inua a explo a e comp eende as múl iplas dimensões da in ância, a im de p omo e uma
sociedade mais inclusi a e sensí el às necessidades das c ianças.
1.3. A C iança como Ac o Social
Uma e i alização do in e esse pela in ância no âmbi o da sociologia em impulsionado um
aumen o nas pesquisas sob e a c iança e a in ância, que u ilizam uma ampla a iedade de
me odologias, incluindo análises e e isões c í icas. Uma endência ma can e nesse campo nos úl imos
anos é a ansição das pesquisas sob e a in ância pa a pesquisas com ou pa a a c iança. Essa
mudança ede ine a c iança como sujei o a i o, em ez de simplesmen e um obje o de es udo.
Po an o, o p ocesso de pesquisa e le e um es o ço delibe ado em da oz às c ianças, conside ando
suas pe spec i as, in e esses e di ei os como cidadãos.
Os a anços ecen es na sociologia e em ou as ciências sociais êm o e ecido uma con ibuição
signi ica i a pa a a desc ição da "c iança" como um ac o social, capaz de molda sua iden idade,
p oduzindo e comunicando isões con iá eis do mundo social, enquan o man ém o di ei o de pa icipa
a i amen e dele. A c ença de que as c ianças podem se p odu o as au ônomas de signi icado desa ia
as concepções adicionais sob e o desen ol imen o in an il, que as e a am como passi as, acas e
dependen es, ima u as e, po an o, incapazes de oma decisões esponsá eis sob e suas p óp ias
10
idas. Essas abo dagens esul a am na exclusão das c ianças dos p ocessos de omada de decisão e
da es e a pública em ge al.
Po ou o lado, há uma ep esen ação das c ianças como agen es sociais a i os, o que
con ibui pa a sua inclusão em con ex os sociais dos quais an e io men e es a am excluídas e
desp o idas de di ei os, a é ecen emen e. Con o me obse a Pech elidis (2021):
As c ianças, po meio de suas in e enções e mobilizações públicas, como e idenciado nos
ecen es mo imen os pela p o eção do meio ambien e e do plane a, eme gem como agen es
a i os, c í icos e complexos, do ados de compe ências e habilidades sociais. Elas discu em os
p oblemas en en ados em suas idas amilia , comuni á ia e escola , desa iando as na a i as
ociden ais p edominan es de que as c ianças são se es sociais ima u os e i acionais, sem
capacidade de pensa c i icamen e, en e ou os es e eó ipos. (p.54)
As c ianças eme gem, assim, como se es a i os, c í icos e complexos, do ados de
compe ências e habilidades sociais no á eis. Elas não apenas discu em, mas ambém en en am e
desa iam os p oblemas que su gem em suas idas amilia es, comuni á ias e escola es. As c ianças
desempenham um papel signi ica i o em suas idas e é c ucial concebê-las como p o agonis as a i os
na cena social, possuindo a capacidade de exe ce in luência e, po sua ez, se em in luenciadas pelo
ambien e em que es ão inse idas. Como des aca Sil a (2009):
A c iança, an o como causa quan o como e ei o de al e ações na ede de elações en e os
ou os a o es da elação escola- amília, cons i ui um agen e social. Seu papel não de e - e não
pode - se igno ado, ao con á io do que é habi ual. (p. 39)
O econhecimen o das c ianças como agen es p imo diais e a i os na es e a social é
e idenciado po suas ações signi ica i as. A elação dialógica en e escola e amília é di ecionada e
ans o mada pela p óp ia c iança, que a ua como e o de eno ações e cons ução de sen ido. E
inegá el que seu papel não de e se subes imado, mas sim ap eciado, em con as e com a endência
usual. A c iança é um componen e essencial e pa icipa i o an o na dinâmica escola quan o no
amilia . Sua in e ação com a his ó ia oco e em um con ex o em que as ci cuns âncias e
opo unidades são moldadas pela p óp ia his ó ia, em cada es u u a social e momen o especí ico.
Nesse p ocesso, oco e a ans o mação de alo es, ideais e conhecimen os adqui idos. Em sua
análise Sa men o (2011), diz que:
11
A c iança de hoje age sob o mas e em condições mui o dis in as do passado. A c iança,
jogado -jogado, es abelece as bases do seu ' eino' em condições sociais conc e as, que he dou
e são independen es de sua on ade. Mas é aí que ela se cons i ui como agen e social,
con ibuindo, à sua medida, pa a a conse ação e ans o mação da sociedade. (p. 583)
As p á icas sociais das c ianças êm o pode de ees u u a os ambien es ins i ucionais em
que es ão inse idas. Suas in e ações e compo amen os podem in luencia e modi ica con inuamen e
as p á icas amilia es, escola es e ins i ucionais, assim como os e i ó ios e espaços sociais em que
habi am. Embo a equen emen e negligenciado, é inegá el que as ações das c ianças ans o mam os
luga es onde coexis em com os adul os. Essas mic o ans o mações, de ido ao e ei o cumula i o e à
in e dependência dos con ex os de exis ência, exe cem in luência sob e a sociedade como um odo.
1.4. In ância e educação
Kohan (2019) a i ma: "A escola não em in ância" (p. 11). Co obo ando com essa a i mação
Ab amowicz (2019), diz:
A Educação In an il so e um a aque gene alizado, o que se ouba dela é a in ância. Es e é o
pa adoxo a ual, uma educação in an il sem in ância, cujo obje i o é azê-la g a i a em o no da
escola, sendo colonizada po ela. E is o que i e a Educação In an il. As c ianças sendo
escola izadas, al abe izadas p ecocemen e, in oduzindo-se apos ilas já p on as e pas eu izadas,
e an ecipando-se odas as consequências desse p ocesso de uma escola ização sem in ância:
acasso escola , acismo p ecoce, in e dição do co po, da b incadei a e da aleg ia. (p. 15)
Os au o es exp essam uma p eocupação p o unda com o es ado a ual da Educação de In ância,
ma cada po um pa adoxo de uma escola p esen e, mas uma in ância ausen e. Segundo eles, pa ece
ha e um a aque gene alizado à Educação de In ância, onde a in ância é e i ada do con ex o escola . A
escola, em ez de p opo ciona um espaço pa a as c ianças i e em plenamen e a in ância, impõe um
modelo que as assimila e coloniza.
Essa si uação é e idenciada pela an ecipação da escola ização o mal, incluindo al abe ização
p ecoce e uso de ma e iais didá icos pad onizados que es ingem a exp essão indi idual e cole i a das
c ianças. Isso conduz a consequências nega i as, como o acasso escola , o su gimen o p ecoce do
acismo, a es ição do co po e do b inca .
12
Nesse cená io, a Educação de In ância en en a um dilema complexo, exigindo uma e isão de
suas p á icas pedagógicas e o esga e da in ância como um pe íodo de desen ol imen o único e
alioso. Pa a uma pedagogia que celeb a a singula idade e a plu alidade, que omen a o en ol imen o
di e o e a c iação colabo a i a de sabedo ia, en ol endo dis in os pa icipan es e cená ios, e um deles é
conside a a oz das c ianças. E pa a ala p ecisamos ap ende a escu a .
Conceição Leal da Cos a e Te esa Sa men o (2018), nos ap esen am a “Cul u a da Escu a”.
P omo e a oca in e a i a de escu a e seu eco nas p á icas educacionais, que culmina no a anço e
alo ização dos pa icipan es e con ibuin es no ambien e escola , signi ica impulsiona a expansão e
melho ia de uma cul u a de escu a. Isso, em consequência, a o ece o incen i o ao diálogo e à
coope ação na c iação de sabe es cole i os en e os p o agonis as en ol idos nas ocas e a e as
elacionadas à c iança, com um espei o conscien e das dis in as isões. Como a i mado po Leal da
Cos a e Te esa Sa men o (2018):
U ilizamos, en ão, uma noção de escu a enquan o p ocesso a i o de comunicação, consis indo
em ou i , in e p e a e cons ui signi icados que não se limi am à pala a alada, mas omam
como pon o de pa ida o ac o de c ianças e adul os es a em expos os a múl iplas ozes,
múl iplas pe spec i as nos olha es e pensamen os sob e a ap endizagem, sob e a c iança e
sob e a p o issão e, ainda, múl iplas noções de qualidade em Educação. (p. 4)
A o ma como es abelecemos laços com as c ianças e c iamos elações com o ambien e que
as odeia es á in insecamen e ligada aos nossos pa adigmas de pensamen o, concei os, ideologias,
es u u as sociais e pad ões de compo amen o, que po sua ez in luenciam nossa comp eensão da
in ância e da c iança. As in âncias eque em empo pa a explo ação, pesquisa e cons ução de
iden idade social, an o indi idual quan o cole i a. E impo an e que o ambien e social, como o espaço
escola , os p o esso es e a ges ão, acolha e espei e es as di e en es mani es ações da in ância. De
aco do com Lo is Malaguzzi (2016):
E inú il a i ma que é mui o di ícil obse a a p on idão das c ianças. Na e dade, ela pode se
is a! P ecisamos es a p epa ados pa a e , já que endemos a pe cebe apenas o que
espe amos e . En e an o, não de emos nos ap essa . Es amos p opensos, com demasiada
equência a ualmen e, a nos o na mos esc a os do elógio, um ins umen o que alsi ica o
empo na u al e subje i o das c ianças e dos adul os. (p. 90)
13
Sob e a p on idão das c ianças e a impo ância de desen ol e uma pe spec i a sensí el e
abe a pa a econhecê-la, Malaguzzi (2016) a gumen a que a p on idão das c ianças não é uma
en idade in isí el e ina ingí el, mas algo angí el e obse á el, desde que es ejamos dispos os a ajus a
nossas pe cepções. Isso suge e a necessidade de uma mudança de pa adigma na manei a como
en endemos e a aliamos o desen ol imen o in an il. A ên ase na p epa ação pa a e e na supe ação
das expec a i as p econcebidas essal a a necessidade de os educado es es a em conscien es de seus
p óp ios p econcei os e de como eles podem in luencia sua pe cepção das capacidades das c ianças.
Essa consciência é c ucial pa a ga an i que não subes imemos ou supe es imemos as habilidades de
uma c iança com base em nossas p óp ias expec a i as ou c enças.
A c í ica ao papel do empo, pa icula men e ao elógio, como um a o que dis o ce nossa
comp eensão do desen ol imen o in an il, é especialmen e pe inen e. O au o suge e que a p essão
pa a cump i p azos e ho á ios pode obscu ece nossa capacidade de econhece e alo iza o empo
na u al e subje i o das c ianças. Isso le an a ques ões sob e a na u eza da educação o mal e seu
impac o na libe dade e au en icidade do desen ol imen o in an il.
Como And ade (2020), nos ap esen a: “da isibilidade às c ianças como a o es sociais cujas
agencias p ecisam se conside adas pela sociedade e suas ins i uições” (p. 13). Comp eendemos que
pa a in eg a a oz das c ianças na es e a social, é impo an e que a pesquisa educacional se
concen e na capacidade e lexi a que su ge na in ância, uma ca ac e ís ica essencial da condição
humana, e examine suas implicações pa a epensa o papel das ins i uições de ensino na sociedade
con empo ânea. Isso eque não apenas escu a as c ianças, mas p incipalmen e da des aque às
pe spec i as das no as ge ações de memb os da sociedade que es ão en ando no ambien e escola ,
pe mi indo-lhes exp essa suas expe iências em ins i uições educacionais especí icas e nas cul u as
que as en ol em, sob a ó ica de quem as i encia. Tais conside ações são equen emen e
negligenciadas na elabo ação de polí icas públicas pa a a in ância e na o mação de p o esso es, já
que, em ge al, a abo dagem polí ica pa a a in ância ende a p i ilegia apenas os adul os como
in e locu o es, ma ginalizando c ianças e adolescen es nesse diálogo.
Pa a cons ui uma educação e dadei amen e inclusi a e cen ada na c iança, é essencial
ou i , espei a e alo iza suas ozes, econhecendo a in ância como um pe íodo único e alioso de
desen ol imen o humano. Somen e a a és de uma abo dagem que p i ilegie a escu a a i a, a
lexibilidade e o espei o pela di e sidade de expe iências, podemos aspi a a uma educação que
e dadei amen e a enda às necessidades e po enciais de odas as c ianças.
14
CAPÍTULO 2 - A In luência das Conceções de In ância na Educação de in ância: Desa ios
e Pe spec i as pa a a Fo mação de P o esso es
A in ância, enquan o cons ução social, in luencia di e amen e as conceções e p á icas
pedagógicas ado adas na educação de in ância. A manei a como a sociedade en ende a in ância ao
longo da his ó ia e le e-se nas abo dagens educa i as, impac ando an o a o mação inicial dos
p o esso es quan o suas p á icas em sala de aula. Dian e disso, a o mação de p o esso es p ecisa se
cons an emen e e isi ada, de modo a in eg a conceções a ualizadas sob e o desen ol imen o in an il
e a ap endizagem, p omo endo p á icas pedagógicas mais e lexi as e alinhadas às necessidades das
c ianças.
Es e capí ulo in es iga a in luência das conceções de in ância na o mação de p o esso es,
analisando os desa ios en en ados no desen ol imen o p o issional dos educado es e as
opo unidades pa a ap imo a sua p á ica pedagógica. Se ão abo dadas as di e en es pe spec i as
eó icas sob e a in ância e como elas se mani es am nos cu ículos uni e si á ios ol ados à o mação
docen e. Além disso, se ão discu idas as lacunas exis en es en e eo ia e p á ica, conside ando as
di iculdades dos p o esso es em a icula o conhecimen o acadêmico com as ealidades do co idiano
escola .
Po meio de uma análise compa a i a en e os cu ículos de ês uni e sidades po uguesas,
busca-se comp eende como a o mação de p o esso es de in ância é es u u ada e de que manei a ela
p epa a os educado es pa a lida com a complexidade do ensino in an il. Também se á explo ado o
papel do p o esso enquan o pesquisado da in ância, e le indo sob e a impo ância da docência como
uma p á ica in es iga i a que conside a as ozes das c ianças e as especi icidades de seus con ex os
sociocul u ais.
Ao longo des e capí ulo, p e ende-se demons a a necessidade de um olha mais c í ico e
ap o undado sob e a o mação docen e, de modo que os p o esso es possam a ua de o ma mais
conscien e e ino ado a na educação de in ância.
2.1. Conceções de in ância na o mação inicial de p o esso es
21
Ao longo dos úl imos anos, emos di o (e epe ido) que o p o esso é a pessoa, e que a pessoa
é o p o esso . Que é impossí el sepa a as dimensões pessoais e p o issionais. Que ensinamos
aquilo que somos e que, naquilo que somos, se encon a mui o daquilo que ensinamos. Re i o-
me à necessidade de elabo a um conhecimen o pessoal (um au o-conhecimen o) no in e io
do conhecimen o p o issional e de cap a (de cap u a ) o sen ido de uma p o issão que não
cabe apenas numa ma iz écnica ou cien í ica. Toca-se aqui em qualque coisa de inde iní el,
mas que es á no ce ne da iden idade p o issional docen e. (Pa ág a o 43º)
E ecomendado um maio alinhamen o en e as ins i uições de ensino supe io e as demandas
eais das escolas de educação de in âncias, buscando a ualiza cons an emen e o cu ículo
uni e si á io. Além disso, é essencial p omo e pa ce ias mais sólidas com as escolas e comunidades,
possibili ando aos u u os p o esso es uma ime são eal no ambien e educacional. A in eg ação de
ecnologias educacionais e p á icas ino ado as ambém de e se uma p io idade, p epa ando os
p o esso es pa a lida com os desa ios ac uais. Ressal o a impo ância da c iação de indicado es de
qualidade mais p ecisos pa a a o mação de p o esso es de in ância, possibili ando uma a aliação mais
e icaz e a iden i icação de á eas que necessi am de melho ia, buscando cada ez mais os diálogos
en e o que se es uda e as p á icas.
2.3. O desa io da o mação con inuada de p o esso es de in ância
A elabo ação e a implemen ação de p opos as pedagógicas que sejam adequadas às di e en es
aixas e á ias, e que anscendam o assis encialismo adicional his o icamen e p esen e na educação
de in âncias em di e sas egiões do mundo, cons i uem um impe a i o. Isso e idencia a c escen e
necessidade de examina as p á icas educa i as i enciadas po c ianças de dis in as idades como
p ocessos e e i os de ensino-ap endizagem. Nesse con ex o, o na-se essencial in es iga se o
p o esso , conscien e de que seu papel ai além de sup i as necessidades ísicas das c ianças, em
demons ado a capacidade de essigni ica as dimensões do cuidado e da educação em sua a uação
p o issional.
Di e en es au o es, como Nó oa, apon am a o mação c í ica como a mais adequada pa a os
p o issionais da educação. Segundo Mou o e Souza (2013), “Tal o mação eque a o e a de
possibilidades pa a ( e)cons ução das concepções que os p o issionais que abalham com c ianças
pequenas de êm a opo unidade de essigni icação das suas concepções de in ância, c ianças e
22
educação in an il, bem como suas p á icas” (p.203). A Educação de in ância, econhecida como e apa
inaugu al da educação básica, ap esen a-se como um campo de es udo ascinan e e complexo,
ca ac e izado po uma dualidade uncional que me ece uma pequena e lexão. Es a e apa educacional
oscila en e duas unções p imo diais, cada uma com implicações signi ica i as pa a o desen ol imen o
in an il e pa a as p á icas pedagógicas.
A p imei a unção cen a-se no o alecimen o das compe ências in an is, isando a assimilação
de in o mações c uciais an o pa a o u u o acadêmico quan o pa a a o mação in eg al do indi íduo.
Es a abo dagem en a iza as elações de ensino-ap endizagem, p io izando a aquisição de
conhecimen os undamen ais e o desen ol imen o de habilidades essenciais pa a a in eg ação social e
o sucesso u u o da c iança.
Nes e con ex o, as ins i uições de educação de In ância assumem a esponsabilidade de c ia
ambien es p opícios à ap endizagem, es u u ando o conhecimen o em p oje os pedagógicos
cuidadosamen e elabo ados. Es es p oje os, o ganizados em o no de á eas de conhecimen o, são
me iculosamen e ajus ados às especi icidades de cada aixa e á ia, espei ando os es ágios de
desen ol imen o cogni i o in an il.
A segunda unção, igualmen e impo an e, concebe a Educação de in ância como um espaço
p i ilegiado de socialização. Nes a pe spec i a, p io iza-se a c iação de um ambien e onde as c ianças
possam expe imen a plenamen e sua in ância, li es das p á icas i ualizadas que equen emen e
ca ac e izam as o inas escola es, domés icas e ins i ucionais.
Es a abo dagem econhece a impo ância das in e ações sociais e das expe iências lúdicas no
desen ol imen o in an il, alo izando a espon aneidade e a c ia i idade como elemen os undamen ais
do p ocesso educa i o. Aqui, o oco não es á na p epa ação pa a e apas u u as, mas na i ência
signi ica i a do p esen e, espei ando as pa icula idades e os i mos indi iduais de cada c iança.
Nes e con ex o, o conhecimen o não se ap esen a como um im em si mesmo, mas como um
meio pa a a o mação in eg al do indi íduo. Os con eúdos abo dados na Educação de in ância es ão
in insecamen e inculados aos p ocessos globais de cons i uição da c iança como se humano,
conside ando sua inse ção em múl iplos con ex os sociocul u ais. Essa abo dagem mul idimensional
ab ange o desen ol imen o de capacidades in elec uais, ísicas, c ia i as, es é icas, exp essi as e
emocionais, o mando uma química indissociá el no p ocesso educa i o.
A ques ão cen al que se coloca é: como o ma um p o esso ap o pa a abalha com
c ianças, conside ando as demandas e pe spec i as a uais? As ca ac e ís icas p óp ias dessa aixa
e á ia, assim como suas o mas de ap ende , suge em a necessidade de que, desde a o mação inicial,
23
o u u o p o esso enha con a o com ques ões especí icas elacionadas a essa e apa do
desen ol imen o in an il, bem como com as pa icula idades do co idiano. Como desc i o po Nó oa
(1992)
A o mação não se cons ói po acumulação (de cu sos, de conhecimen os ou de écnicas),
mas sim a a és de um abalho de e lexi idade c í ica sob e as p á icas e de ( e)cons ução
pe manen e de uma iden idade pessoal. Po isso é ão impo an e in es i a pessoa e da um
es a u o ao sabe da expe iência. (Pa ag a o 45º)
E undamen al que os u u os p o esso es sejam expos os a si uações de expe iência di e a o
quan o an es, p omo endo o "ap ende azendo", uma abo dagem pela concepção de p o esso
e lexi o. No con ex o da o mação inicial de p o esso es pa a abalha com c ianças, essa
especialização o na-se ainda mais necessá ia. Du an e a g aduação em Pedagogia, no con ex o
b asilei o, os u u os p o esso es pode iam se acompanhados em seus a anços po um p o esso
supe iso , p á ica que con ibui ia pa a que eles ing essassem nas c eches e ja dins de in âncias mais
p epa ados pa a en en a os desa ios e as especi icidades do abalho com a p imei a in ância.
A o mação do educado ai além do me o acúmulo de conhecimen os eó icos e écnicas
pedagógicas. E essencial que esse p ocesso inclua um p o undo abalho de e lexão sob e a p á ica
educacional. Pa a isso acon ece , o p o issional p ecisa e uma a i ude abe a e dispos a a analisa
c i icamen e suas p óp ias expe iências em sala de aula.
Essa p á ica e lexi a ai além da me a pa icipação em cu sos de a ualização ou aquisição de
no os conhecimen os. Essa e amen a o e ece ao educado uma comp eensão mais ap o undada
sob e seu desempenho, pe mi indo que ele iden i ique pon os posi i os e á eas que p ecisam se
ap imo adas em sua abo dagem pedagógica. Ao se en ol e nes e p ocesso con ínuo de au oanálise e
ap endizado, o educado não apenas ap imo a suas habilidades, mas ambém con ibui pa a a
e olução con ínua de sua p á ica p o issional.
De aco do com a pe spec i a de A aujo e Ca doso (2022), “Ap ende a escu a , obse a e
e le i sob e a c iança enquan o sujei o social e his ó ico, são ações necessá ias quando se deseja
pesquisá-las” (p. 26). Essa ação de obse ação e e lexão só pode se possí el a pa i do campo da
expe iencia e ação, do campo do sen i e discu i e da in e ação com o ou o, como ci a Sa men o, T.
(2017),
Como sinônimos de ‘ o ma ’ encon am-se os e bos cons i ui , compo , unda , c ia , ins ui ,
desen ol e , da , en e ou os, aos quais (no en endimen o da pa icipação de cada um
24
enquan o sujei o e agen e de o mação) semp e se liga o p onome e lexo se. Nessa linha,
cada p o esso o ma-se, cons ói-se, ou seja, oma pa e a i a no seu p ocesso de o mação,
associado a um p ocesso que é cole i o e se ealiza en e pa es e na in e ação com ou os
(alunos, p o esso es, sabe es e c.). Nessa concepção de o mação, a pessoa-p o esso é
colocada no cen o do p ocesso, pa indo-se dos seus sabe es e expe iências pa a o malizá-los
po meio da e lexão pa ilhada com o seu g upo p o issional, seguindo o p incípio de uma
o mação que se ealiza ao mesmo empo que se a ua como p o esso . (p. 292)
A o mação de um p o esso ai além do simples ins ui ou ensina ; ela ab ange uma sé ie de
ações como cons i ui , compo , e desen ol e , que são essenciais na cons ução con ínua do p óp io
educado . O p ocesso oco e de o ma e lexi a e pa icipa i a, onde o p o esso é sujei o e agen e do
seu p óp io desen ol imen o, de o ma au ônoma e cole i a, num mo imen o con ínuo de au o e lexão
e au ocons ução.
2.4. A Docência e Pesquisa do P o esso de In ância
A ans o mação da expe iência de ap endizagem dos alunos oco e po meio de mudanças
nos mé odos de ensino e ap endizagem emp egados pelos p o esso es. A e lexão e omen o de
ambien es de pensamen os con ínuos são elemen os essenciais pa a es e p ocesso nas salas de aula.
Não de emos enca a isso como ações isoladas, mas sim como p á icas diá ias que es imulam e
ap imo am o pensamen o dos es udan es. Somen e dessa manei a consegui emos desen ol e a
cul u a de pensamen o que aspi amos cons ui .
Re le i sob e as expe iências da in ância demanda uma abo dagem in encional e
ques ionamen os p o undos. E essencial obse a a en amen e, aplicando nossa capacidade de
pensamen o, e documen a essas obse ações pa a que se o nem isí eis aos ou os po meio de
egis os e compa ilhamen os. Esse p ocesso de o mulação de hipó eses não apenas coloca o
p o esso na posição de pesquisado , mas ambém cul i a uma comp eensão mais p o unda sob e o
seu abalho com as c ianças.
Examina sob e as expe iências da in ância demanda uma abo dagem in encional e
ques ionamen os p o undos. As necessidades e in e esses das c ianças impac am di e amen e an o a
pesquisa quan o o ensino. En ende as c ianças, suas cul u as e conhecimen os é o pon o de pa ida
pa a concebe uma educação descolonizada e c ia abo dagens educa i as que alo izem as cul u as
25
in an is. Na docência com c ianças pequenas, assim como na pesquisa, é impo an e econhece o
po encial e a di e sidade das c ianças. Po an o, podemos conco da que, como a i ma F ei e (2013):
[...] oda docência implica pesquisa e oda pesquisa implica docência. Não há docência
e dadei a em cujo p ocesso não se encon e a pesquisa como pe gun a, como indagação,
como cu iosidade, c ia i idade, assim como não há pesquisa em cujo andamen o
necessa iamen e não se ap enda po que se conhece e não se ensine po que se ap ende
(p.123 - 124).
O p o issional que abalha com c ianças de e i além do papel de pesquisado e lexi o e
p o agonis a, compa ilhando com as c ianças e suas amílias o p ocesso educa i o. Ele de e pe cebe
a docência e suas p á icas como expe iências inse idas em uma sociedade plu al e complexa, na qual
as c ianças não apenas pa icipam, mas ambém desempenham um papel undamen al. Pa a isso, é
essencial que os es ados e as ins i uições in is am na ca ei a dos p o esso es, econhecendo e
espei ando-os como pesquisado es da in ância. A alo ização do p o esso como um in es igado a i o,
en ol ido no desen ol imen o in eg al das c ianças, é essencial pa a uma educação de qualidade e
pa a o c escimen o saudá el das no as ge ações. Esse in es imen o não apenas bene icia os
p o esso es, mas ambém o alece a base educacional de oda a sociedade, con ibuindo pa a um
u u o mais jus o e equi a i o pa a as c ianças.
26
Capí ulo 3 - Uma In es igação (Au o)biog á ica
A me odologia (au o)biog á ica eme ge como uma pode osa e amen a de in es igação nas
ciências humanas e sociais, pe mi indo uma comp eensão ap o undada das aje ó ias indi iduais no
con ex o social e cul u al em que es ão inse idas. Ao abo da as his ó ias de ida, essa me odologia
o e ece uma opo unidade singula de explo a as expe iências e pe cepções pessoais que moldam a
iden idade de um sujei o ao longo do empo. No campo da educação, especialmen e na o mação de
p o esso es de in ância, a in es igação (au o)biog á ica se des aca po sua capacidade de in eg a as
dimensões pessoais e p o issionais, e elando como essas in e ações in luenciam as p á icas
pedagógicas e o desen ol imen o da ca ei a docen e.
Nes e capí ulo, se á ap esen ada uma análise da me odologia (au o)biog á ica, des acando sua
ele ância e aplicabilidade no con ex o des e es udo. O oco se á a explo ação das na a i as de ida de
p o esso es de in ância, que são simul aneamen e sujei os e obje os da in es igação. A a és dessa
abo dagem, se á possí el acessa , de manei a de alhada e e lexi a, as i ências que con ibuem pa a
a cons ução das p á icas educacionais e pa a a o mação das iden idades p o issionais. De aco do
com To es (1997), “os a o es escola es, em con ex o o ganizacional, so em ans o mações nos seus
sis emas de alo es e ep esen ações o iginais e, simul aneamen e, ambém p oduzem al e ações na
p óp ia es u u a o ganizacional” (p. 99). Isso e o ça a ideia de que a in e ação en e o sujei o e o
ambien e o ganizacional é dinâmica e impac a di e amen e a cons ução iden i á ia e p á ica dos
p o esso es.
O capí ulo es á o ganizado em á ias secções, iniciando com uma in odução aos mé odos
(au o)biog á icos, seguida pela desc ição dos ins umen os u ilizados pa a cole a de dados e pela
p epa ação do guião de en e is as. Também se á discu ida a elação en e as dimensões pessoais e
p o issionais na ida dos educado es, além dos cuidados é icos necessá ios ao desen ol imen o da
pesquisa. Po im, se á abo dado o p ocesso de con a o com os na ado es e a impo ância das
his ó ias de ida como um ecu so alioso pa a a análise de aje ó ias no campo educacional.
3.1. Pa adigma Quali a i o
A pesquisa no campo das ciências humanas e sociais em se bene iciado amplamen e do
pa adigma quali a i o, um en oque me odológico que p io iza a comp eensão p o unda dos enômenos,
27
em ez de sua quan i icação. O pa adigma quali a i o busca explo a as pe cepções, signi icados e
expe iências subje i as dos indi íduos, alo izando a complexidade dos con ex os sociais e cul u ais nos
quais es ão inse idos. Den o desse quad o, o mé odo (au o)biog á ico eme ge como uma abo dagem
pa icula men e ica pa a o es udo das aje ó ias indi iduais, pois o e ece uma ia pa a acessa as
na a i as pessoais que e elam os p ocessos de cons ução de iden idades, alo es e p á icas.
O mé odo (au o)biog á ico, anco ado no pa adigma quali a i o, pe mi e que o sujei o
in es igado não seja apenas um obje o de es udo, mas ambém um pa icipan e a i o na cons ução do
conhecimen o. Con o me Souza e Senna (2023), "a cons ução do conhecimen o es á implicada
di e amen e no en ol imen o do sujei o com seu p ocesso biocogni i o, pe mi indo-lhe in eg a à
consciência, descobe as, signi icados e ap endizados que são p imo diais numa pesquisa"(p. 1).
Assim, po meio de ela os de ida, sejam eles (au o)biog á icos (quando o p óp io sujei o na a sua
his ó ia) ou biog á icos (quando a his ó ia é con ada po ou o), a pesquisa (au o)biog á ica ap o unda-
se nas expe iências subje i as, p opo cionando uma análise e lexi a sob e a in e ação en e o
indi íduo e o ambien e sociocul u al.
Essa abo dagem ai além da simples cole a de dados; ela p i ilegia a in e p e ação dos
signi icados a ibuídos pelos indi íduos às suas expe iências, en a izando o ca á e dinâmico e
p ocessual da cons ução da iden idade e das p á icas p o issionais. Souza e Senna (2023), des acam
que "a u ilização dessa abo dagem em pesquisas ab e espaço pa a econs ui expe iências em
es u u as signi ica i as ao ememo a o i ido, ans o mando i ências em ap endizagens e, a pa i
daí, cons ui um p ocesso au o o ma i o" (p. 5). Dessa manei a, as na a i as (au o)biog á icas
o nam-se e amen as essenciais pa a comp eende a iden idade e o pe cu so o ma i o dos sujei os,
a iculando ação e e lexão em um mo imen o subje i o e au o e lexi o (Souza & Senna, 2023, p. 2).
No campo da educação, e pa icula men e na o mação de p o esso es, o pa adigma
quali a i o aliado ao mé odo (au o)biog á ico e ela-se uma e amen a pode osa. Ele possibili a
in es iga de que manei a as expe iências pessoais e p o issionais dos educado es se en elaçam e
in luenciam suas p á icas pedagógicas. Ao esga a as na a i as de ida dos p o esso es, o na-se
possí el comp eende as múl iplas dimensões que compõem sua iden idade p o issional, o e ecendo
insigh s aliosos sob e os desa ios, mo i ações e ans o mações ao longo de suas aje ó ias. Como
apon a Sa men o, T. (2002)
Num pa adigma quali a i o com uma in es igação em his ó ias de ida, cada educado a de
in ância ale po si, e as idas não são compa á eis. No en an o, se a ende mos a que nos
seus pe cu sos passam po expe iências simila es ainda que sen idas de o ma di e enciada
28
po cada uma, es a in es igação pode á ale a pa a possí eis egula idades, bem como pa a
na u ais he e ogeneidades cuja cons a ação pode á e alguma u ilidade nas unções da
docência na o mação de educado as de in ância. (p. 270)
Essa obse ação e o ça a impo ância de econhece an o as singula idades quan o as
con e gências nas aje ó ias de ida dos educado es, possibili ando que os pad ões eme gen es
possam o e ece subsídios pa a e lexões sob e o campo da docência e suas p á icas o ma i as.
3.2. P oblemas e Obje i os
Esse ópico explo a o núcleo da in es igação sob e como as conceções dos educado es sob e
a in ância impac am suas p á icas pedagógicas. Den o da pesquisa (au o)biog á ica, essa análise se
concen a em comp eende como as expe iências pessoais e p o issionais dos educado es moldam
suas abo dagens e in e ações com as c ianças. O p oblema cen al da pesquisa gi a em o no de como
essas concepções da in ância in luenciam o modo de a ua dos p o esso es na p á ica educa i a. A
pa i desse p oblema, o es udo es abelece obje i os cla os, an o ge ais quan o especí icos, pa a
in es iga as pe cepções e p á icas dos educado es, le ando em con a o con ex o social e cul u al em
que es ão inse idos. Assim, buscamos comp eende de que o ma a isão dos educado es sob e a
in ância e sua o mação acadêmica con ibuem pa a a c iação de ambien es pedagógicos e lexi os,
cen ados na c iança e ajus ados às demandas sociocul u ais con empo âneas.
3.2.1. P oblema da pesquisa
A pe gun a que no eia es a in es igação é: De que o ma a comp eensão da in ância
(expe iências pessoais e conceções) in luenciam as p á icas pedagógicas, e o que isso
e ela sob e a a uação dos educado es?
Como essal a Tuckman (2002), “a iden i icação de um p oblema pode conside a -se a ase
mais di ícil de um p ocesso de in es igação. Podemos descob i e de ini não só uma á ea de
p oblemas, mas ambém um p oblema especí ico den o dessa á ea” (p. 22). Esse p ocesso de
de inição é pa icula men e desa iado nes e es udo, pois o p oblema de pesquisa le an ado busca
29
explo a como a comp eensão da in ância, enquan o ase undamen al do desen ol imen o humano,
in luencia as p á icas pedagógicas dos educado es e o que isso e ela sob e sua a uação p o issional.
A in ância, po se obje o de di e en es concepções ao longo do empo, é in e p e ada de
di e sas manei as pelos p o issionais da educação, o que acaba e le indo di e amen e em suas
abo dagens pedagógicas. Con o me obse ado po Qui y e Campenhoud (2003), a de inição p ecisa
do p oblema é essencial pa a guia a pesquisa com cla eza, e "consis e em p ocu a enuncia o p oje o
de in es igação na o ma de uma pe gun a de pa ida, a a és da qual o in es igado en a exp imi o
mais exa amen e possí el, o que p ocu a sabe , elucida , comp eende melho " (p. 32). Essa a iação
nas pe cepções pode es a ligada a a o es como a o mação inicial, as expe iências pessoais e
p o issionais, bem como as in luências sociocul u ais que moldam o en endimen o dos educado es
sob e o papel da c iança no p ocesso educa i o.
Comp eende como os educado es eem a in ância é impo an e, pois al isão o ien a não
apenas as es a égias pedagógicas que u ilizam, mas ambém a o ma como in e p e am e espondem
às necessidades de desen ol imen o das c ianças. Educado es que enxe gam a in ância como um
pe íodo de g ande po encial e agência endem a c ia ambien es pedagógicos mais democ á icos e
cen ados na c iança, p omo endo p á icas que a o ecem a au onomia, a c ia i idade e o pensamen o
c í ico. Em con as e, uma isão mais adicional da in ância pode le a a p á icas mais di e i as, com
oco na ansmissão de conhecimen o em ez de na cons ução a i a de sabe es.
Esse p oblema de pesquisa, po an o, não se limi a a in es iga as p á icas pedagógicas em si,
mas p ocu a e ela o que essas p á icas indicam sob e a o mação e os alo es dos educado es.
Analisa de que o ma as concepções sob e a in ância in luenciam o co idiano das salas de aula
pe mi i á comp eende melho o papel que os educado es desempenham na cons ução de ambien es
de ap endizagem mais inclusi os, e lexi os e alinhados com as necessidades do desen ol imen o
in an il. Assim, ao in es iga essas elações, o es udo pode á o nece insigh s aliosos pa a o
ap imo amen o da o mação docen e e o desen ol imen o de p á icas pedagógicas que alo izem a
in ância como um pe íodo singula e essencial no p ocesso de cons ução do conhecimen o.
3.2.2. Obje i o Ge al e especí icos
A in ância em sido obje o de di e sas concepções ao longo dos séculos, e a educação de
in ância consolidou-se como uma á ea de pesquisa undamen al, que explo a as complexas in e ações
sociais, cul u ais e pedagógicas no desen ol imen o in an il. Dian e dessa complexidade, es e es udo
30
em como obje i o ge al in es iga as concepções dos p o esso es de educação de in ância
sob e a in ância como um campo de pesquisa, explo ando como esses p o issionais
cons oem suas p á icas e eo ias a pa i de suas expe iências o ma i as e da in e ação
com as c ianças.
Os obje i os de uma pesquisa desempenham um papel c ucial na o ien ação do es udo, pois
"o obje i o da in es igação é esponde à pe gun a de pa ida. Pa a es e e ei o, o in es igado o mula
hipó eses e p ocede às obse ações que elas exigem" (Qui y e Campenhoud , 2003, p. 211). Assim, a
o mulação de obje i os cla os é essencial pa a que as in o mações ob idas possam se e i icadas e
analisadas à luz das hipó eses es abelecidas, p opo cionando uma es u u a sólida pa a o
desen ol imen o da in es igação.
Dessa o ma, com base nessa undamen ação eó ica, os seguin es obje i os especí icos o am
de inidos pa a o ien a a in es igação de manei a mais de alhada.
Obje i os Especí icos:
1. Analisa as pe cepções dos p o esso es sob e a in ância e a in luência dessas pe cepções em
suas p á icas pedagógicas.
2. In es iga como as expe iências o ma i as dos p o esso es ( an o acadêmicas quan o pessoais)
moldam suas abo dagens pedagógicas na educação de in ância.
3. Explo a a elação en e a cons ução de p á icas pedagógicas e as expe iências di e as com as
c ianças, conside ando o con ex o sociocul u al em que essas in e ações oco em.
4. Examina como os p o esso es pe cebem a c iança como sujei o de di ei os e agen e a i o em
seu p ocesso de ap endizagem.
Esses obje i os especí icos p opo ciona ão uma comp eensão mais ap o undada das
pe cepções e p á icas dos p o esso es de educação in an il, pe mi indo que se explo em as nuances e
in e - elações en e o mação, p á ica pedagógica e o papel a i o da c iança no p ocesso educa i o.
3.2.3. Dimensões de análise ou indo x Educado as de in ância
Es udos an e io es (Sa men o, T., 2002; Passeggi, 2014; Leal da Cos a & Sa men o, T., 2018,
e ou os) de endem que as iden idades p o issionais dos educado es de in ância êm sido
37
A ep esen ação social das p o issões segue um modelo pi amidal, em que no opo es ão as
p o issões que g anjeiam um maio econhecimen o e na base as de mais baixo
econhecimen o. Den o de cada p o issão, pode-se isualiza de no o ou a pi âmide. Assim,
no g upo p o issional dos p o esso es, no opo encon am-se os p o esso es uni e si á ios e na
base, os p o esso es do ensino bá sico-1º ciclo e as educado as de in ância. Na sociologia das
p o issões es e posicionamen o de base a icula-se com o ac o de se em p o issões
desen ol idas po mulhe es com c ianças, ac o es sociais cujo econhecimen o e di ei os em
so ido um p ocesso de a i mação mui o len o. (p.104).
En e as educado as de in ância, selecionei ês pa icipan es de aco do com os seguin es
c i é ios: uma educado a que es i esse p óxima ao inal de sua aje ó ia p o issional e duas que ainda
se encon assem no meio dessa aje ó ia. O con a o inicial com as educado as oi acili ado po
colegas po uguesas que a uam em escolas de Po ugal e me auxilia am nesse p ocesso de
in e mediação. O p imei o con a o oco eu po meio de uma mensagem de ex o, na qual expliquei o
p opósi o do meu es udo e o ema da pesquisa. Caso a educado a demons asse in e esse em
pa icipa , um segundo con a o e a es abelecido ia e-mail, acompanhado de um o mulá io de
anamnese pa a a p imei a e apa da in es igação. Esse o mulá io incluía 21 ques ões que cada
educado a de e ia esponde . Após alguns dias, quando o ques ioná io oi inalizado, ealizei uma
ligação ele ônica pa a con ida as pa icipan es a uma en e is a p esencial, ealizada indi idualmen e,
na qual as ques ões do guião de en e is as o am ap o undadas.
De comum aco do, icou es abelecido que os encon os se iam ealizados nos ho á ios e locais
que as educado as conside assem mais adequados às suas ealidades. Como o in e esse na pesquisa
pa ia de mim, a minha esponsabilidade e a o ganiza -me e compa ece aos encon os. As educado as
semp e se mos a am mui o disponí eis pa a pa icipa da pesquisa e con ibuí am signi ica i amen e
com o p oje o.
Todos os encon os o am mui o signi ica i os, an o pa a as educado as quan o pa a mim. Em
di e sos momen os, nossas his ó ias se c uza am em alguma ala, ase ou pala a. Eu escu a a
a en amen e e, em á ias ocasiões, pe cebia a emoção omando con a delas, o que co obo a com o
que a i ma Sa men o, T. (2002) “T abalha com his ó ias de ida é mexe no humano, é mui as ezes
oca em e idas não cica izadas, ou cuja a umação só se des az po que um elemen o ex e no a le a
à ememo ização” (p. 279).
As na a i as de ida são essenciais pa a comp eende mos a iden idade das pessoas, pois
a a és das his ó ias que con am sob e si mesmas é possí el iden i ica como cons oem seu senso de
38
iden idade ao longo do empo. A a és da pesquisa (au o)biog á ica é possí el analisa as di e en es
ases da ida de um sujei o e como suas expe iências molda am quem são. As na a i as de ida
ambém são uma o ma de exp essão da iden idade, ajudando a comp eende como cada indi íduo se
ê e como é is o pelos ou os.
As educado as compa ilha am um pouco da his ó ia de suas idas, an o pessoal quan o
p o issional, con ando os ela os que conside a am essenciais naquele momen o. Elas ouxe am à
ona os pe sonagens de suas na a i as, dando ida a eles ao desc e ê-los den o de seus en edos.
Como desc i o po Be aux (2010),
A simples menção do e mo "na a i a de ida" e oca imedia amen e a imagem de uma
na a i a de ida -"comple a", is o é, que a a da o alidade da his ó ia de um sujei o. Ela
começa ia pelo nascimen o, a é mesmo pela his ó ia dos pais, pelo seu meio, em suma, pelas
o igens sociais. Cob i ia oda a his ó ia da ida do sujei o. Pa a cada pe íodo dessa his ó ia, a
na a i a desc e e ia não só a ida in e io do sujei o e suas ações, mas ambém os con ex os
in e pessoais e sociais que ele/ela a a essou. (p.47)
No compa ilhamen o de his ó ias de ida po educado as, que ela a am an o aspec os
pessoais quan o p o issionais de suas aje ó ias, des aca am pe sonagens e episódios signi ica i os.
Esse p ocesso de na a i ização con e e i alidade às suas his ó ias, ao inco po a an o os con ex os
in e nos quan o os sociais em que essas expe iências oco e am. Com base na concepção de Be aux
(2010), a "na a i a de ida" e oca uma ideia de o alidade, ab angendo desde as o igens amilia es e
sociais a é o desen ol imen o do sujei o ao longo de sua exis ência. Tal na a i a busca não apenas
desc e e as ações e i ências pessoais, mas ambém os ambien es in e pessoais e sociais que
in luenciam suas aje ó ias de idas.
Na pesquisa (au o)biog á ica, é undamen al en ende como as iden idades são cons uídas e
econs uídas ao longo da ida. A a és das na a i as de ida, é possí el iden i ica os momen os-
cha e e as in luências que le a am a uma mudança na iden idade de um indi íduo. Isso pode inclui
e en os aumá icos, conquis as pessoais, elacionamen os signi ica i os, en e ou os aspec os que
moldam a o ma como as pessoas se eem e se ap esen am ao mundo.
3.5. Aspec os É icos no T a amen o dos Dados
39
Em uma pesquisa quali a i a que in es iga na a i as de ida, é undamen al ado a uma
abo dagem é ica e sensí el. O p ocesso de cole a dessas his ó ias exige cuidado pa a c ia um
ambien e de con iança e segu ança, pe mi indo que os na ado es se sin am à on ade pa a
compa ilha suas memó ias e expe iências de o ma au ên ica.
O consen imen o in o mado é essencial pa a ga an i que os pa icipan es es ejam cien es de
como suas na a i as se ão u ilizadas. Além disso, o pesquisado de e ado a uma pos u a obse ado a
e impa cial, e i ando in e e ências nas his ó ias compa ilhadas. A p o eção da iden idade dos
pa icipan es é igualmen e c ucial, assegu ando o anonima o e p ese ando a con idencialidade das
in o mações.
Sa men o, T. (2002) des aca que: "Todos possuem espaços de seg edo que desejam
p ese a . Embo a a elação en e pesquisado e en e is ado possa acili a a e elação de aspec os
ín imos, compa ilhá-los em con ex os mais amplos pode se p oblemá ico" (p. 279).
Pa a ga an i a in eg idade da pesquisa, é necessá io que os ho á ios e locais das en e is as
sejam escolhidos de comum aco do, assegu ando o con o o do en e is ado du an e odo o p ocesso.
Po im, a ga an ia do anonima o de e se is a como um di ei o undamen al do na ado e
uma ob igação é ica do pesquisado . P o ege as iden idades dos pa icipan es é essencial pa a
p ese a sua p i acidade e con idencialidade, bem como pa a man e a in eg idade do es udo. Ao
segui essas di e izes é icas, o pesquisado pode á conduzi uma pesquisa quali a i a de o ma
sensí el e espei osa, explo ando as icas na a i as de ida dos educado es.
No capí ulo seguin e, subdi idi as na a i as em ês pa es, uma pa a cada educado a,
espei ando a singula idade das suas na a i as. Cada pe cu so oi analisado de manei a
indi idualizada, buscando in e p e a os caminhos ilhados po essas educado as e comp eendê-los
em p o undidade. O obje i o oi acolhe e alo iza as iden idades cons uídas ao longo de suas
aje ó ias, econhecendo que cada uma delas ca ega expe iências únicas que molda am suas
p á icas p o issionais e pessoais. A análise não apenas buscou desc e e suas his ó ias, mas ambém
en ende como os con ex os sociais e cul u ais in luencia am a o mação de suas iden idades
educacionais.
40
CAPÍTULO 4 - APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DA PESQUISA
A pesquisa desen ol ida nes e es udo em como obje i o comp eende as conceções de
in ância no epe ó io p o issional de educado as de in ância, analisando como essas pe ceções
in luenciam suas p á icas pedagógicas e sua o mação p o issional. Nes e capí ulo, se ão ap esen ados
e analisados os dados cole ados po meio de en e is as ealizadas com ês educado as de in ância:
E a (Pa icipan e 1), Olga (Pa icipan e 2) e Au elice (Pa icipan e 3). A pa i desses depoimen os, se á
possí el ap o unda a comp eensão sob e suas expe iências, desa ios e e lexões, a iculando ais
elemen os com o e e encial eó ico p e iamen e discu ido.
As en e is as, es u u adas com base em um guião p e iamen e elabo ado, pe mi em
iden i ica pad ões e endências nos discu sos das pa icipan es, e idenciando como suas expe iências
e aje ó ias p o issionais moldam sua isão sob e a in ância e a p á ica educa i a. A análise dos dados
é ap esen ada a endendo a qua o ní eis p og essi os:
1. Ap esen ação dos dados cole ados, e idenciando os p incipais emas eme gen es das
en e is as.
2. Análise dos epe ó ios p o issionais das educado as, iden i icando como suas expe iências
in luenciam sua p á ica pedagógica.
3. Iden i icação de pad ões e endências nas conceções de in ância, analisando os elemen os
comuns e di e gen es en e as pa icipan es.
4. Discussão dos esul ados à luz da li e a u a, des acando possí eis con ibuições pa a o campo
da o mação de p o esso es de in ância.
Pa a esponde aos obje i os des a in es igação, a análise dos dados ob idos nas en e is as
com as ês educado as de in ância (E a, Olga e Au elice) oi ealizada a pa i de um p ocesso de
lei u a in e p e a i a e ap o undada dos ela os, o ien ada po uma lógica quali a i a e indu i a.
Assim, com base em cada obje i o especí ico do es udo, o am iden i icadas dimensões ou
aspec os signi ica i os eme gen es das alas das pa icipan es, que se con igu a am como ca ego ias
de análise. Essas ca ego ias, po an o, não o am de inidas p e iamen e, mas cons uídas a pa i da
ap oximação con ínua com os dados empí icos, espei ando a complexidade e a singula idade das
expe iências ela adas.
41
Esses emas eme gen es pe mi i am o ganiza a análise de modo a es abelece elações en e
as conceções de in ância das educado as, suas p á icas pedagógicas e os desa ios que en en am,
c iando um pe cu so de in e p e ação alinhado aos obje i os da in es igação.
Pa a melho comp eensão des e p ocesso, ap esen a-se a segui um quad o exempli ica i o da
o ganização da análise, e idenciando a a iculação en e os obje i os do es udo, as ca ego ias de
análise iden i icadas e os con ibu os das alas das
Es e p ocesso de análise pe mi iu, assim, o ganiza e comp eende a complexidade dos
discu sos das educado as, espei ando suas singula idades, mas ambém e idenciando pad ões,
con e gências e di e gências nas suas conceções e p á icas. Essa es a égia analí ica possibili ou da
espos a aos obje i os de inidos pa a es e es udo e o nece um olha mais ap o undado sob e as
p á icas educa i as na educação de in ância e as conceções que as o ien am con o me abela 1.
Tabela 1 - Análise iden i icadas e os con ibu os das alas das educado as.
Obje i o Especí ico
Ca ego ias/Temas
Eme gen es
E a
Olga
Au elice
1. Analisa as pe cepções
dos p o esso es sob e a
in ância e a in luência
dessas pe cepções em
suas p á icas pedagógicas.
a) In ância como espaço de
imaginação e an asia.
b) In ância como e apa
es u u an e.
c) In ância como espaço de
cons ução da au onomia.
“A c iança i e
em um mundo de
an asia...”
“A in ância é a
base pa a udo
na ida adul a...”
“A in ância é um
momen o pa a
desen ol e
au onomia...”
2. In es iga como as
expe iências o ma i as dos
p o esso es moldam suas
abo dagens pedagógicas na
educação de in ância.
d) Fo mação acadêmica e
con ínua.
e) Expe iências pessoais e
p o issionais.
“Du an e minha
o mação, ap endi
a alo iza o
b inca ...”
“Minhas
i ências como
mãe in luenciam
minha p á ica
docen e...”
“Os cu sos que
iz me ajuda am
a en ende
melho as
c ianças...”
3. Explo a a elação en e
a cons ução de p á icas
pedagógicas e as
expe iências di e as com as
c ianças, conside ando o
con ex o sociocul u al em
que essas in e ações
oco em.
) P á icas cen adas no
b inca .
g) Pa icipação a i a da
c iança.
h) Relação escola- amília.
“Uso a Pedagogia
de P oje os, com
p o agonismo das
c ianças...”
“Meu abalho
se cons ói em
pa ce ia com as
amílias...”
“A c iança em
di ei o à oz e a
decidi o que
que aze ...”
4. Examina como os
p o esso es pe cebem a
c iança como sujei o de
di ei os e agen e a i o em
seu p ocesso de
ap endizagem.
i) Reconhecimen o da
c iança como sujei o de
di ei os.
j) Valo ização da escu a e
da pa icipação in an il.
“As c ianças êm
di ei o a se em
ou idas e
espei adas...”
“Vejo a c iança
como
p o agonis a do
seu
ap endizado...”
“E undamen al
escu a o que a
c iança em a
dize ...”
Fon e: Elabo ado pela au o a, com base nos dados da pesquisa.
Esse capí ulo isa, po an o, não apenas ela a as pe ceções das educado as, mas ambém
p omo e um diálogo en e suas expe iências e os undamen os eó icos que sus en am es e es udo,
42
con ibuindo pa a um en endimen o mais amplo do impac o das conceções de in ância na p á ica
pedagógica e na o mação docen e.
4.1. Ap esen ação dos Dados Cole ados
A pesquisa con ou com a pa icipação de ês educado as de in ância com aje ó ias dis in as,
mas que compa ilham pon os de con e gência em elação às suas conceções sob e a in ância e à
p á ica pedagógica.
A segui , são ap esen ados os p incipais dados cole ados sob e cada educado a, des acando
in o mações e e en es às suas expe iências p o issionais, conceções de in ância, p á icas pedagógicas
e desa ios en en ados.
4.1.1. Pe is P o issionais das Pa icipan es
Pa a comp eende melho os pe is das educado as en e is adas, ap esen a-se a segui uma
sín ese de suas in o mações p o issionais e o ma i as. A abela 2 des aca aspec os como idade,
empo de expe iência, locais de a uação e o mação acadêmica das pa icipan es, pe mi indo uma
isão cla a de suas aje ó ias na educação de in ância.
Tabela 2 – Pe is P o issionais das Educado as Pa icipan es
Nome
Idade
Expe iência
P o issional
Local de A uação
Fo mação
Acadêmica
E a
63 anos
42 anos
Ag upamen o em San a Ma ia da Fei a, com
c ianças de 3 a 5 anos
Magis é io P imá io
de A ei o
Olga
47 anos
23 anos
Qua o escolas do Minis é io da Educação em
Ba celos, Famalicão e Felguei as
Uni e sidade do
Minho
Au elice
47 anos
23 anos
Ag upamen o em Viei a do Minho, com c ianças
da educação p é-escola
Uni e sidade do
Minho
Fon e: Elabo ado pela au o a, com base nos dados da pesquisa.
A pa i das in o mações ap esen adas, obse a-se que odas as pa icipan es possuem ampla
expe iência na educação de in ância e a uam em di e en es con ex os ins i ucionais. Enquan o E a em
uma aje ó ia mais longa, acumulando mais de qua o décadas de abalho na á ea, Olga e Au elice
compa ilham um empo semelhan e de a uação, ambas com 23 anos de expe iência. Além disso,
des aca-se que as ês educado as possuem o mação especí ica na á ea, o que e o ça sua base
43
eó ica e p á ica no abalho com c ianças pequenas. Essa di e sidade de pe cu sos con ibui pa a
uma análise ap o undada das conceções de in ância e das p á icas pedagógicas desen ol idas em
suas ins i uições.
4.1.2. Conceções de In ância das Educado as
As pa icipan es possuem di e en es pe spec i as sob e a in ância, mas odas en a izam sua
impo ância pa a o desen ol imen o humano, bem como a alo ização do b inca e da c ia i idade.
E a des aca a in ância como um pe íodo de elicidade, imaginação e simplicidade. Pa a ela, a
c iança i e em um uni e so de an asia e b incadei a, onde " adas, p incesas e ainhas encem
mons os, b uxas e odo o mal" (Apêndice D, p. 99). Essa isão e le e-se em sua p á ica pedagógica,
onde busca p opo ciona um ambien e lúdico e en iquecedo pa a o desen ol imen o in an il.
Olga ê a in ância como uma e apa es u u an e pa a a o mação do se humano, essal ando
que é um pe íodo c ucial pa a o desen ol imen o de esiliência e assimilação de conhecimen os. Como
des aca, "a in ância é a ase mais impo an e e p i ilegiada pa a educa e p epa a o se humano pa a
a ida, com esiliência, capacidades e in e esse de assimila conhecimen os" (Apêndice D, p. 99).
Au elice en a iza o equilíb io en e b inca e ap ende , de endendo que a in ância de e
a o ece a au onomia, a au oes ima e a coope ação. Ela ac edi a que "a in ância de e p opo ciona
que a c iança desen ol a sua au onomia e au oes ima, que ap enda a pa ilha , a coope a e a
desen ol e empa ia e esiliência" (Apêndice D, p. 99).
Apesa das ên ases dis in as, odas con e gem na alo ização do b inca e da expe iência
in an il como elemen os undamen ais do desen ol imen o humano.
A pa i da sín ese ap esen ada, pe cebe-se que, apesa das di e enças indi iduais, as
conceções das educado as sob e in ância e ap endizagem compa ilham a p eocupação com a
cen alidade da c iança no p ocesso educa i o. Con udo, os desa ios en en ados e elam a
necessidade de epensa p á icas pedagógicas e polí icas educacionais que assegu em uma
abo dagem mais equi a i a e cen ada na c iança.
Essas conceções e o çam o pensamen o de Sa men o (2005), que de ende que a in ância não
de e se enca ada apenas como uma p epa ação pa a a ida adul a, mas sim como uma ase dis in a,
ica em expe iências p óp ias e do ada de signi icados sociais e cul u ais. Isso ambém se alinha com
44
as discussões de Co sa o (2011), que p opõe a ideia da "agência in an il", des acando a impo ância
de econhece as c ianças como sujei os a i os em seu p óp io p ocesso de ap endizagem.
No p óximo ópico, discu i emos as p incipais implicações desses achados pa a a o mação
docen e e pa a a cons ução de um ambien e educacional mais inclusi o e e lexi o.
4.1.3. Ca ac e ís icas A ibuídas à In ância
Ao se em ques ionadas sob e as ca ac e ís icas que associam à in ância, as educado as
apon a am elemen os que englobam aspec os emocionais, cogni i os e sociais:
E a desc e e a in ância como um pe íodo de "inocência, cu iosidade, imaginação, c ia i idade,
aleg ia e espon aneidade" (Apêndice D, p. 99).
Olga en a iza que essa ase ep esen a a base pa a a ida adul a, ca ac e izando-a como um
pe íodo de "adap ação, agilidade, desen ol imen o, a e o e in e ação" (Apêndice D, p. 99).
Au elice des aca a impo ância do lúdico e da c ia i idade no desen ol imen o da c iança,
essal ando que a in ância de e a o ece "a esolução de p oblemas, o aciocínio, o desen ol imen o
da linguagem e a exp essão emocional" (Apêndice D, p. 99).
Embo a as desc ições ap esen em nuances dis in as, há um consenso en e as pa icipan es
de que a in ância de e se espei ada em suas especi icidades e alo izada como uma e apa essencial
do desen ol imen o humano.
Segundo Fe nandes (2005, p. 126), é undamen al conside a a pa icipação das c ianças
como um p incípio que eo ganiza as elações en e adul os e c ianças, de modo que sua p esença
a i a nos p ocessos educa i os seja legi imada.
Essa pe spec i a e o ça a impo ância de econhece que as c ianças não são me os
ecep o es passi os de p ocessos de socialização, mas sim agen es a i os na cons ução de
signi icados sob e suas expe iências.
4.1.4. O Papel do P o esso na In ância
As ês educado as econhecem o p o esso como mediado no p ocesso de desen ol imen o
in an il, embo a ap esen em di e en es pe ceções sob e sua unção:
45
E a ac edi a que o p o esso de e p o ege a inocência da c iança, es imulando sua
cu iosidade e c ia i idade, pe mi indo-lhe explo a o mundo de manei a lúdica. Ao se ques ionada
sob e o papel do p o esso no p ocesso de o mação da c iança a pa icipan e diz que é “P o ege essa
inocência, incen i a a cu iosidade, a imaginação e a c ia i idade. P omo e o b inca , a descobe a do
mundo que as odeia, a pa icipação a i a, a espon aneidade, a au onomia, a in e a i idade...”
(Apêndice D, p. 99).
Olga de ende que o p o esso de e a ua em pa ce ia com as amílias, assegu ando um
desen ol imen o in eg al e p omo endo a esiliência: “... Sendo a Escola a con inuidade da amília...o
p o esso de e á se "pa cei o" num abalho de equipa com a amília” (Apêndice D, p. 99).
Au elice essal a que o p o esso em um impac o di e o na cons ução da iden idade da
c iança, des acando que sua pos u a e ações in luenciam a manei a como a c iança se pe cebe e
in e age com o mundo. Segundo ela, "o p o esso se e de modelo pa a as c ianças. A a és das
a i udes, ações e compo amen os, exe ce impac o (posi i o ou nega i o) na manei a como as c ianças
se eem e se elacionam com o mundo, con ibuindo pa a uma educação inclusi a" (Apêndice D, pp.
99-100). Essas pe ceções indicam que a p á ica pedagógica es á di e amen e elacionada às
conceções indi iduais sob e in ância e ao papel do p o esso como acili ado da ap endizagem.
Pa a Malaguzzi (1995), o p o esso de e se um "obse ado a en o e acili ado das
descobe as in an is" (p. 152), ga an indo que a c iança se sin a enco ajada a explo a e a cons ui
conhecimen os de o ma a i a.
Esse pensamen o e o ça a necessidade de uma abo dagem pedagógica baseada na escu a
a i a e na alo ização da agência in an il, pe mi indo que o educado a ue como um mediado no
p ocesso de ap endizagem.
4.1.5. P á icas Pedagógicas e In luências
As conceções de in ância in luenciam di e amen e as p á icas pedagógicas das educado as:
E a ado a uma abo dagem cons u i is a, p io izando a Pedagogia de P oje o, em que as
c ianças pa icipam a i amen e do planejamen o das a i idades. A ala de E a que e o ça sua
abo dagem cons u i is a e sua p io idade na Pedagogia de P oje o pode se encon ada no documen o
analisado:
46
P i ilégio uma me odologia di e enciada baseada no cons u i ismo, na qual di e en es
pedagogias e modelos se en elaçam na es u u ação do meu abalho. No en an o, a
p edominan e é a Pedagogia de P oje o, que pa e das mo i ações das c ianças e se baseia em
um plano de ação lexí el, cons uído po elas, com meu apoio e coo denação. (Apêndice D, p.
100)
Essa decla ação con i ma a impo ância que E a a ibui à pa icipação a i a das c ianças no
planejamen o das a i idades e ao seu p o agonismo no p ocesso educa i o.
Olga alo iza a colabo ação com as amílias e a o mação in eg al da c iança, incen i ando
alo es como espei o e esponsabilidade. A seguin e ci ação da educado a e o ça a a i mação de que
ela alo iza a colabo ação com as amílias e a o mação in eg al da c iança, incen i ando alo es como
espei o e esponsabilidade:
O meu obje i o enquan o educado a é colabo a com as amílias di e amen e (semp e que
possí el), colabo a com as escolas e ajuda da melho o ma a desen ol e u u os adul os
saudá eis e elizes. (Apêndice D, p. 100)
Essa a i mação e idencia a p eocupação de Olga em es abelece uma pa ce ia a i a en e a
escola e a amília, econhecendo a impo ância desse ínculo pa a o desen ol imen o in eg al da
c iança. A li e a u a sob e a educação de in ância des aca que a colabo ação en e p o esso es e
amílias o alece o p ocesso educa i o, p opo cionando um ambien e mais segu o e es imulan e pa a
as c ianças (Sa men o, 2005). Dessa o ma, a isão de Olga alinha-se a uma abo dagem que conside a
a c iança como um se em desen ol imen o den o de um con ex o social mais amplo, no qual a
in e ação en e os di e en es agen es educa i os é essencial pa a sua o mação.
Au elice en a iza a escu a a i a e a pa icipação das c ianças na omada de decisões no
co idiano escola , assegu ando que suas ozes sejam econhecidas: "Passa pela o ma como emos a
c iança: um se com di ei os, com oz, com agência e como cons u o a do seu conhecimen o"
(Apêndice D, p. 100). Essa a i mação e o ça sua isão da c iança como um sujei o a i o no p ocesso
de ap endizagem, que de e se ou ida e e seu p o agonismo econhecido na dinâmica escola .
Sua pe spec i a dialoga com abo dagens con empo âneas da educação de in ância, como a
pedagogia da escu a de Malaguzzi (1995), que des aca a impo ância de conside a as c ianças
agen es cons u o es de seus p óp ios sabe es. Além disso, essa conceção se alinha com as di e izes
da pa icipação in an il de endidas po Fe nandes (2005), que essal am a necessidade de legi ima a
oz das c ianças nas p á icas pedagógicas e na o mulação de polí icas educacionais.
53
Essas conceções demons am que, apesa das di e enças, as educado as conco dam sob e a
necessidade de alo iza a in ância como uma e apa única e undamen al pa a o desen ol imen o
humano.
4.3.2. A In ância como Alice ce pa a o Desen ol imen o Humano
Todas as pa icipan es econhecem que a in ância não de e se is a apenas como uma
p epa ação pa a a ida adul a, mas como um pe íodo au ônomo e eple o de expe iências signi ica i as.
Olga en a iza a esponsabilidade da escola e da sociedade em ga an i que essa ase oco a de
o ma es u u ada, assegu ando o pleno desen ol imen o das c ianças.
Au elice de ende que a in ância de e p omo e a au onomia e a cons ução da iden idade
in an il, pe mi indo que a c iança desen ol a habilidades cogni i as e emocionais.
E a des aca que essa e apa é ma cada pela descobe a do mundo e pelo ap endizado po
meio da expe imen ação e do b inca .
Essa isão dialoga com Sa men o (2005), que a gumen a que a in ância de e se
comp eendida como uma cons ução social inse ida em um con ex o de in e ações, no qual as
c ianças desempenham um papel a i o na o mação de sua p óp ia ealidade. Nesse sen ido, o na-se
essencial que a escola e a amília a uem jun as pa a ga an i condições a o á eis ao c escimen o das
c ianças.
4.3.3. A In luência das Conceções de In ância na P á ica Pedagógica
As educado as econhecem que suas conceções sob e a in ância impac am di e amen e suas
p á icas pedagógicas. A Tabela 4 ap esen a uma sín ese dessas in luências:
Tabela 4 – In luência das Conceções de In ância na P á ica Pedagógica
Conceção de In ância
P á icas Pedagógicas Associadas
A in ância como um pe íodo de imaginação e ludicidade
(E a)
En oque na Pedagogia de P oje o e no ap endizado po
meio da explo ação e da b incadei a.
A in ância como um pe íodo es u u an e pa a a ida
adul a (Olga)
Ên ase na o mação de alo es, na pa ce ia escola- amília
e no ensino es u u ado.
A in ância como um espaço pa a o desen ol imen o da
au onomia (Au elice)
P á icas que alo izam a escu a a i a, a pa icipação das
c ianças nas decisões e a cons ução da iden idade
in an il.
Fon e: Elabo ado pela au o a, com base nos dados da pesquisa.
54
Os dados e idenciam que, embo a as educado as compa ilhem a alo ização do b inca e da
pa icipação in an il, suas me odologias e le em di e en es conceções sob e o papel da in ância na
ap endizagem.
4.4. Discussão dos Resul ados à Luz da Fundamen ação Teó ica
A análise dos ela os das educado as demons a que as conceções sob e in ância es ão
in imamen e elacionadas às suas aje ó ias p o issionais e às condições ins i ucionais em que a uam.
A segui , discu imos os p incipais achados à luz da li e a u a.
4.4.1. O Impac o da T aje ó ia P o issional nas Conceções de In ância
As en e is as indicam que a o mação inicial e as expe iências p o issionais in luenciam
di e amen e a o ma como as educado as concebem a in ância e es u u am suas p á icas pedagógicas.
E a e e sua p á ica moldada po uma abo dagem mais lexí el, a o ecendo a pa icipação
a i a das c ianças na cons ução do conhecimen o.
Olga, ao ansi a en e o se o p i ado e o ensino público, desen ol eu uma isão mais
es u u ada sob e o papel da in ância, en a izando a impo ância de alo es e ap endizagens o mais.
Au elice, ao ing essa na educação in an il após um pe cu so inicial em ou a á ea, cons uiu
sua p á ica a pa i de um olha ol ado pa a a au onomia e a escu a a i a das c ianças.
Esses achados dialogam com Nó oa (1992), que des aca que a iden idade p o issional docen e
é cons uída ao longo da ca ei a, sendo in luenciada an o pela o mação quan o pela p á ica co idiana.
4.4.2. Desa ios e Con adições nas P á icas Pedagógicas
Embo a as educado as alo izem a in ância como uma ase essencial pa a o desen ol imen o
humano, elas en en am desa ios que limi am a implemen ação de p á icas pedagógicas alinhadas a
essa isão.
E a menciona a c escen e bu oc a ização do ensino e a al a de ecu sos como en a es à
au onomia do p o esso .
55
Olga des aca a p essão pa a a escola ização p ecoce, que di icul a a adoção de abo dagens
mais lúdicas e pa icipa i as.
Au elice apon a a desigualdade social como um a o que comp ome e o pleno
desen ol imen o das c ianças, e o çando a necessidade de polí icas públicas que ga an am equidade
no acesso à educação.
4.4.3. Relação com as Famílias e a Comunidade
Ou o pon o cen al da en e is a é a elação da educado a com os pais e a comunidade. E a
des aca a impo ância de es abelece uma pa ce ia a i a com as amílias, p omo endo e en os, ei as e
a i idades colabo a i as. Essa pe spec i a e o ça a conceção da educação de in ância como um
espaço que anscende os mu os da escola, en ol endo di e en es agen es sociais na cons ução do
conhecimen o.
Como apon am Leal da Cos a e Sa men o, T. (2018), a c iação de uma "cul u a da escu a" na
educação de in ância é essencial pa a ga an i que as ozes das c ianças e das amílias sejam
alo izadas no p ocesso educa i o.
No en an o, a educado a ambém ela a di iculdades no diálogo com alguns colegas, que eem
a pa icipação dos pais como uma in e e ência inde ida. Esse emba e e idencia um con li o de
pa adigmas den o da comunidade escola : alguns educado es de endem uma abo dagem mais abe a
e pa icipa i a, enquan o ou os p e e em uma elação mais dis an e e hie á quica com as amílias.
Olga en a iza a impo ância da elação en e a escola e as amílias, des acando que a pa ce ia
en e educado es e esponsá eis é essencial pa a o desen ol imen o in an il. No en an o, ambém
menciona di iculdades nesse p ocesso, especialmen e em con ex os em que há dis anciamen o en e a
escola e a comunidade.
Um episódio ma can e ela ado po Olga oi seu en ol imen o com uma amília guineense, cuja
mãe possuía de iciência ísica e en en a a di iculdades no cuidado da ilha pequena. A educado a
desc e e sua a uação pa a apoia essa amília, demons ando um comp omisso que ai além do papel
pedagógico adicional (Apêndice C, p. 85).
Esse ela o ilus a a ideia de endida po Kohan (2019), segundo a qual a educação in an il de e
se um espaço de acolhimen o e cons ução de cidadania, onde os p o esso es desempenham um
papel a i o na p omoção do bem-es a das c ianças e de suas amílias.
56
Po ou o lado, Olga ambém menciona os desa ios no en ol imen o pa en al, especialmen e
no se o público, onde pe cebe uma meno in e ação diá ia com os esponsá eis. Essa di iculdade é
apon ada po Sa men o, T. (2003) como um dos p incipais obs áculos pa a a cons ução de uma
pa ce ia e e i a en e escola e amília.
Au elice obse a uma g ande di e ença en e sua expe iência no se o p i ado e no público no
que se e e e ao en ol imen o dos pais no p ocesso educa i o. No se o p i ado, os pais inham
pa icipação a i a, o ganizando a i idades e es abelecendo um con a o mais p óximo com os
p o esso es. No se o público, essa elação é bas an e limi ada, uma ez que a en ada e saída das
c ianças são mediadas po uncioná ios, di icul ando o diálogo diá io en e educado es e amílias.
Esse dis anciamen o pode se p ejudicial, já que a pa icipação a i a dos pais na ida escola
dos ilhos é amplamen e econhecida como um a o essencial pa a o sucesso educacional das
c ianças (Sa men o, T., 2003).
A educado a ambém menciona um episódio ma can e em sua ca ei a, no qual e e que
in e i em um caso de maus- a os in an is. Esse ela o essal a a impo ância do olha a en o dos
educado es pa a além dos aspec os pedagógicos, assumindo ambém um papel social e p o e i o em
elação às c ianças.
Segundo Sa men o (2005), a escola é um espaço p i ilegiado pa a a de ecção de
ulne abilidades in an is, e o p o esso desempenha um papel c ucial na sinalização e
encaminhamen o de casos de isco.
4.4.4. P á icas Pedagógicas e Resis ência à Escola ização P ecoce
Um dos aspec os mais ele an es da en e is a é a abo dagem pedagógica ado ada po E a,
que se dis ancia da endência p edominan e de escola ização p ecoce na educação de in ância. A
educado a en a iza o ap endizado po meio da explo ação, do con a o com a na u eza e da alo ização
da cu iosidade in an il, em oposição a p á icas baseadas em ichas e exe cícios es u u ados.
Essa abo dagem es á em consonância com au o es como Malaguzzi (2016), que de endem
uma educação de in ância cen ada na expe imen ação e na alo ização da in ância como um pe íodo
singula de desen ol imen o.
Além disso, E a ela a desa ios en en ados com a comunidade escola e alguns pais, que
ques iona am a ausência de ichas e a me odologia ado ada. No en an o, com o empo, conseguiu
57
demons a a e icácia de sua abo dagem, e o çando a impo ância do diálogo con ínuo en e
p o esso es e amílias pa a a alo ização de di e en es p á icas pedagógicas.
Um dos pon os mais c í icos le an ados po Olga é a ensão en e suas conceções pedagógicas
e as exigências ins i ucionais. Ela exp essa p eocupação com a c escen e pad onização da educação
in an il, que impõe eg as ígidas às c ianças e limi a sua libe dade de exp essão e c ia i idade.
Esse enômeno é equen emen e discu ido na li e a u a acadêmica como um p ocesso de
"escola ização p ecoce", que eduz a in ância a um pe íodo de p epa ação pa a o ensino o mal
(Kohan, 2019).
Olga ambém des aca a di e ença na o ma como os educado es são a ados no se o p i ado
e no ensino público: No se o p i ado, pe cebia uma elação mais ho izon al en e p o esso es e
amílias, mas ambém uma maio ca ga de abalho e meno alo ização da p o issão. No ensino
público, embo a haja uma hie a quia mais ígida, os educado es são a ados com maio espei o e
possuem mais es abilidade p o issional.
Além disso, a p o esso a menciona sua us ação com a al a de in es imen os em polí icas
públicas pa a a educação de in ância, c i icando a ausência de c eches públicas e a p eca iedade das
in aes u u as disponí eis pa a essa e apa da educação.
Essa c í ica es á alinhada com os es udos sob e polí icas educacionais em Po ugal, que
apon am a necessidade de maio in es imen o na p imei a in ância pa a ga an i igualdade de acesso e
qualidade no a endimen o (Leal da Cos a & Sa men o, T., 2018).
Au elice exp essa p eocupação com a c escen e ins i ucionalização da educação de in ância,
c i icando a imposição de p á icas que limi am a libe dade e a c ia i idade das c ianças. Ela obse a
uma endência c escen e de p epa a as c ianças pa a o ensino p imá io de manei a p ecoce,
en a izando a necessidade de que iquem sen adas, sigam eg as ígidas e ealizem a i idades
es u u adas.
Esse enômeno, desc i o po di e sos pesquisado es como a "escola ização da in ância",
ep esen a uma ameaça à essência da educação de in ância, que de e ia p io iza a explo ação, a
b incadei a e a cons ução a i a do conhecimen o (Kohan, 2019).
A educado a econhece ambém um desequilíb io en e a pe missi idade excessi a em alguns
con ex os e a igidez em ou os, di icul ando a cons ução de um ambien e educa i o equilib ado. Essa
e lexão se alinha às discussões de Co sa o (2011), que en a iza a impo ância de encon a um meio-
e mo en e a libe dade e a es u u a na educação de in ância.
58
Ou o pon o abo dado é a al a de econhecimen o das educado as de in ância no sis ema
público de ensino. Au elice menciona que, ao ansi a do se o p i ado pa a o es a al, sen iu-se a ada
como uma "educado a de segunda ca ego ia", en en ando esis ências e p econcei os. (Apêndice C, p.
98)
Esse sen imen o de des alo ização p o issional es á alinhado com os es udos de Ta di (2014),
que des acam a necessidade de maio econhecimen o da p o issão docen e e melho es condições de
abalho pa a os educado es.
4.4.5. Re lexões Finais e Impac o Pessoal
Os ela os das educado as e idenciam que suas conceções de in ância in luenciam
di e amen e suas p á icas pedagógicas, mas ambém são cons an emen e ensionadas pelas
exigências ins i ucionais. Den e os aspec os cen ais iden i icados, des acam-se:
A impo ância de um modelo pedagógico cen ado na c iança, que econheça sua au onomia,
c ia i idade e capacidade de pa icipação a i a no p ocesso educa i o.
A necessidade de o alece a pa ce ia en e escola e amília, ga an indo um ambien e educa i o
mais in eg ado e alinhado às necessidades das c ianças.
Os desa ios impos os pela escola ização p ecoce e pela bu oc a ização do ensino, que limi am a
implemen ação de abo dagens pedagógicas mais lúdicas e pa icipa i as.
Dessa o ma, o na-se essencial epensa polí icas educacionais que assegu em a qualidade da
educação in an il, o alecendo o econhecimen o p o issional dos educado es e p omo endo ambien es
de ap endizagem que espei em a singula idade da in ância. Como en a iza Sa men o (2005, p. 18), é
undamen al ga an i que as c ianças sejam econhecidas como sujei os a i os no p ocesso educa i o,
pe mi indo que suas ozes sejam ou idas e alo izadas nas p á icas escola es e nas polí icas públicas
ol adas pa a a in ância.
A análise das en e is as com E a, Olga e Au elice pe mi e comp eende , de manei a
ap o undada, como as conceções de in ância e os con ex os ins i ucionais in luenciam as p á icas
pedagógicas na educação de in ância. Seus ela os e idenciam desa ios, ensões e po encialidades
dessa e apa educacional, des acando a necessidade de abo dagens que espei em a singula idade da
in ância e alo izem o papel do p o esso como mediado do desen ol imen o in an il.
59
Ao longo de suas aje ó ias, as ês educado as i encia am expe iências que ma ca am
p o undamen e suas iden idades docen es. E a des aca o impac o posi i o do econhecimen o dos
alunos e amílias, essal ando a impo ância do abalho colabo a i o na cons ução de uma p á ica
pedagógica signi ica i a. Olga, po sua ez, en a iza os desa ios en en ados na docência e a
necessidade de esis ência en e às imposições ins i ucionais, ao mesmo empo em que e le e sob e
a impo ância do p o esso como mediado do conhecimen o e agen e de ans o mação social.
Au elice demons a um o e comp omisso com uma pedagogia humanizada e signi ica i a,
econhecendo que, apesa das di iculdades, a educação in an il pe manece sendo sua e dadei a
ocação.
Os depoimen os ambém e elam a in e seção en e a ida p o issional e pessoal das
educado as. Olga, po exemplo, compa ilha expe iências de sua in ância, incluindo episódios de
bullying e seu en ol imen o no cuidado de amilia es idosos, que in luencia am sua p á ica p o issional.
Au elice menciona como as p eocupações do abalho equen emen e se es endem pa a sua ida
pessoal, en ol endo sua amília na p odução de ma e iais pedagógicos e discussões sob e p á icas
educa i as. Essa usão en e os âmbi os pessoal e p o issional e le e o comp omisso dos educado es
com sua p á ica, mas ambém e idencia a ca ga emocional e cogni i a que a p o issão exige.
Os desa ios en en ados pelas educado as apon am pa a a necessidade de melho es condições
de abalho, o mação con inuada e alo ização p o issional, especialmen e dian e da c escen e
bu oc a ização do ensino e da endência à escola ização p ecoce. Nesse sen ido, o na-se undamen al
epensa polí icas públicas que assegu em a qualidade da educação de in ância e o aleçam o
econhecimen o social e ins i ucional dos educado es.
Dessa o ma, e o ça-se a ideia de que a educação in an il de e se um espaço de
expe imen ação, in e ação e desen ol imen o in eg al, onde c ianças possam ap ende de manei a
signi ica i a e p o esso es enham au onomia pa a cons ui p á icas pedagógicas ino ado as. Pa a que
isso se conc e ize, é essencial que polí icas educacionais e p á icas ins i ucionais es ejam alinhadas
com uma conceção de in ância que espei e suas especi icidades, p omo endo ambien es educa i os
acolhedo es e es imulan es.
60
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O p esen e es udo buscou in es iga como as concepções sob e a in ância in luenciam a
o mação de p o esso es e suas p á icas pedagógicas na educação de in ância. A pa i de uma análise
eó ica e empí ica, e i icou-se que a in ância, longe de se um concei o uni e sal e es á ico, é uma
cons ução social e his ó ica, moldada po a o es cul u ais, econômicos e polí icos. Essa comp eensão
oi essencial pa a con ex ualiza os desa ios en en ados pelos educado es na cons ução de p á icas
pedagógicas mais alinhadas às necessidades e di ei os das c ianças.
Os esul ados des a pesquisa apon am que a isão do educado sob e a in ância a e a
di e amen e sua a uação em sala de aula, in luenciando a manei a como o ganiza o ambien e de
ap endizagem, in e age com as c ianças e es abelece elações com a amília e a comunidade.
Educado es que pe cebem a in ância como um pe íodo a i o de desen ol imen o, no qual a c iança é
um sujei o de di ei os e p o agonis a de sua ap endizagem, endem a ado a p á icas mais e lexi as e
democ á icas. Em con apa ida, concepções mais adicionais podem esul a em abo dagens
pedagógicas mais di e i as e cen adas no ensino em de imen o da cons ução do conhecimen o.
Além disso, a análise das es u u as cu icula es de o mação de p o esso es em di e en es
uni e sidades e elou di e gências na abo dagem da in ância, indicando que a manei a como a
in ância é concei uada du an e a o mação acadêmica in luencia a p á ica docen e. A o mação de
p o esso es, po an o, de e se epensada pa a in eg a uma isão mais ampla da in ância,
p omo endo uma educação que alo ize a escu a a i a, a pa icipação in an il e a in e ação en e
escola, amília e comunidade.
A me odologia (au o)biog á ica ado ada nes e es udo possibili ou comp eende de o ma
ap o undada as aje ó ias e expe iências dos p o esso es, e idenciando como suas i ências pessoais
e p o issionais impac am suas concepções sob e a in ância. As na a i as dos educado es
demons a am que a p á ica pedagógica é cons uída ao longo do empo, sendo in luenciada po
múl iplos a o es, incluindo o mação acadêmica, expe iências p o issionais e alo es pessoais.
Du an e a ealização des a pesquisa, algumas di iculdades o am iden i icadas. Em p imei o
luga , a limi ação no acesso a um núme o mais amplo de educado es di icul ou uma análise mais
ab angen e sob e as concepções de in ância na p á ica pedagógica. Além disso, a di e sidade de
con ex os educacionais e a a iação nos cu ículos das uni e sidades analisadas impuse am desa ios
na cons ução de compa ações di e as en e as di e en es abo dagens de o mação docen e.
61
Ou o obs áculo encon ado oi a esis ência de alguns p o issionais em e le i sob e suas
p óp ias concepções de in ância e como elas in luenciam sua p á ica pedagógica. Mui os educado es
a uam de o ma in ui i a, sem necessa iamen e ques iona os undamen os eó icos que embasam
suas decisões didá icas. Essa cons a ação e o ça a impo ância de incen i a uma o mação
con inuada que es imule o pensamen o c í ico e a au o e lexão en e os docen es.
Dian e das e lexões azidas po es a in es igação, algumas di eções pa a es udos u u os
podem se suge idas. P imei amen e, ecomenda-se a ampliação do núme o de educado es
en e is ados, incluindo p o issionais de di e en es con ex os socioeconômicos e cul u ais, a im de
ap o unda a comp eensão sob e a in luência das concepções de in ância nas p á icas pedagógicas.
Ou a possibilidade de pesquisa é a análise compa a i a en e países com di e en es polí icas
educacionais pa a a in ância, in es igando de que o ma a o mação docen e e as di e izes
cu icula es impac am a pe cepção dos p o esso es sob e a c iança e o seu papel na sociedade.
Além disso, es udos que en oquem o impac o das polí icas públicas na o mação inicial e
con inuada de p o esso es de educação de in ância pode iam con ibui pa a a comp eensão de como
a concepção de in ância es á sendo moldada pelas di e izes ins i ucionais e quais são os desa ios na
implemen ação de p á icas pedagógicas mais inclusi as.
Po im, se ia ele an e explo a a elação en e as concepções de in ância dos educado es e a
pe cepção das p óp ias c ianças sob e sua expe iência escola . Ou i a oz das c ianças pode ia
o nece um con apon o alioso pa a en ende como as p á icas pedagógicas in luenciam seu
desen ol imen o, pa icipação e bem-es a no ambien e escola .
Pe an e essas cons a ações, des aca-se a necessidade de uma o mação docen e mais
e lexi a e c í ica, que conside e a c iança como agen e social a i o e p omo a p á icas educacionais
mais inclusi as e pa icipa i as. Além disso, é undamen al o alece a elação en e escola e amília,
ga an indo um ambien e educacional que econheça e espei e as múl iplas in âncias exis en es na
sociedade con empo ânea.
Es e es udo con ibui pa a o deba e sob e a impo ância da o mação de p o esso es e das
concepções de in ância na educação de in ância. No en an o, econhece-se a necessidade de no as
in es igações que ap o undem a análise sob e o impac o dessas concepções na p á ica pedagógica em
di e en es con ex os sociocul u ais. A educação de in ância de e se um espaço de acolhimen o, escu a
e alo ização da c iança como sujei o pleno de di ei os, e cabe aos educado es o comp omisso de
cons ui p á icas que espei em e p omo am essa isão.
62
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Pedagogia da espe ança: Um eencon o com a Pedagogia do Op imido
. Paz e Te a.
69
APÊNDICE B
Te mo de Consen imen o Li e e Escla ecido
70
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Te mo de Consen imen o pa a Pa icipação em In es igação
Eu, ___________________________________________________, abaixo-assinado, conco do
em pa icipa na in es igação académica de mes ado in i ulada "C ianças, Educação e Fo mação
de P o esso es: Conceções de In ância nos Repe ó ios P o issionais", conduzida pela
es udan e Lídia Lúcia Vaz da Uni e sidade do Minho, sob a o ien ação da P o esso a Dou o a Te esa
Sa men o.
Tendo sido in o mada ace ca do p opósi o da in es igação, bem como sob e os p ocedimen os que
se ão u ilizados, con i mo que a minha pa icipação é comple amen e olun á ia e que posso e i a -me
da in es igação a qualque momen o, sem consequências. A minha iden i icação se á man ida em
sigilo em qualque publicação ou ap esen ação esul an e des a in es igação.
Assina u a: _____________________________________________
Da a: ____/____/____
71
APÊNDICE C
T ansc ições das en e is as
72
En e is a Pa icipan e 1 (E a)
En e is ado a: [00:00] en ão p o esso a o que é que eu que o sabe ? Quem que é quem que é a pessoa né a senho a?
Onde a senho a nasceu e o local que a senho a i e a ualmen e?
Pa icipan e 1: [00:12] eu sou a E a, sou de A ei o, nasci em A ei o e es udei em A ei o, iz meu cu so de educação p é-
escola em A ei o, e depois conco i, na al u a conco i ao cen o egional de segu ança social ab i concu so pa a ja dim
de in ância que e a o mesmo da segu ança social não é o IPSS as mesmas da segu ança social e eu conco i iquei
colocado em San a Ma ia da Fei a. Nos p imei os anos eu a minha a ó inha em casa em Ali ei a dos Inez que é,
ob iamen e essa e a São João da Madei a e eu en ia lá, en iá-la odos os dias, odo algumas acinas, inha odos os dias
aqui pa a ei a, p a esse ja dim in ância que é nunca, a ás de cas elo, é uma quin a eno me a ás de cas elo, é sí io
ma a ilhoso, en a a é só a na u eza, e eu iquei, quando en ei oi pa a o con a o só po seis meses, mas depois co eu
bem, p on o, eu iquei en a ino, e iquei lá in a e dois anos.
[01:22] iquei lá in a e dois anos, oi os anos a ní el p o issional, o am os anos que eu mais gos ei. Tínhamos uma equipa
mui o boa, abalhá amos mui o a equipa aquilo e a c eche ja dim in ância mas abalhá amos odas jun as, não ha ia não
ha ia aquela sepa ação en e o di e o e educado e auxilia es e a como se ôssemos uma amília odos mui o bem e
abalhá amos odos com o mesmo obje i o que e a a c iança, em p imei o luga a c iança, p on o, e azíamos coisas
gi íssimas, lá es á é amos amigas e o má amos g upo e es á amos uma a pensa uma coisa é que ele ma a e ou o escola,
e uma inha uma ideia e oda a gen e apoia a e aquilo anda a p a en e, emos coisas mui o gi as, com mui o abalho e
que en ol íamos a câme a e ela já, a jun a de eguesia, população e não sei o que, emos mui as coisas no cas elo, ipo
omos nós, que damos início à ei a medie al que ago a é ão conhecida a ei a medie al.
[02:27] bem isi ada, né? E omos nós com uma coisinha pequenina, com p oje o mui o pequenino, izemos uma ei inha
média do Alden o, do Cas elo, só com os meninos e com os p o issionais, não sei o que, e depois na al u a, o e a Ca los
Ma ins, o dou o Ca los Ma ins, gos ou mui o de ideia e começou a pega naquilo começou a aze a ei a medie al que oi
c escendo, c escendo, c escendo e que es e dia, e que ago a é is o, não é? Nós izemos coisas mui o inas.
[02:56] E o imaginá io ambém, quem já ou i ala de imagina ea o de ua? Não, não é isso? Exis e ambém aqui na ei a,
acho que a é é bem, ainda não ou i ala , nossa, mas acho que acho que se chama a assim se emb o ou udo, são á ios
espe áculos do ea o, pa a os países, cla o que nos p imei os anos, oi hou e coisas mui o espe acula es, não é? Ago a o
ní el es á bocadinho mais baixo ambém é al a mais de, não é? P a icamen e. E cla o, mas p on o con inua a se con inua
a chama mui a gen e aqui a San a Ma ia da Fei a.
En e is ado a: Que legal.
Pa icipan e 1: E omos nós ambém que começamos com uma coisinha dessas começamos a aze os a aques lá em
cima no cas elo
En e is ado a: [03:43] E esse p oje o começou com as c ianças?
Pa icipan e 1: Sim. Vamos a aze começamos a con a ámos á ios g upos, ambém na ideia e a semp e cas elo
po que é o cas elo que domina aqui is o, não é? E en ão con a ámos á ios g upos de ea o p a c ianças é? E con idamos
con ida mos as escolas odas aqui à ol a. De manei a que isso ambém oi ganhando, mas ago a deu me imagina , de
manei a que omos assim, digamos assim das coisas boas. P on o, só que, en e an o, há no e anos, penso que oi há no e
anos, o cen o egional achou que, que não podiam e mos in an o, não podiam con inua a e mos in an o, en ão, e am
concu sos, não é? E en ega am, e en ão pa ece que es as emp esas, não é uma emp esa, são associações, não é? Mas no
undo são emp esas.
[04:41] Associações de mise icó dias, a ualis as, não sei o que, ica am, o am icando com as igu inhas de in ância. E os
obje i os muda am, embo a ossem associações com sem- ins luc a i os, na eo ia po que depois na p á ica não, não são
sem ins luc a i os po isso o obje i o passou deixou de se a c iança em p imei o luga passou a se in es imen os embo a
eles digam que, não é? Tudo e a pa a paga , não é? Tudo e a paga as bases emos que paga as ob as que nunca aziam
que íamos a nós a pin a e a anja coisas odas. Mudou os obje i os mudou udo e eu não gos ei. E saiu eu e á ias
colegas saímos logo. Conco emos ao Minis é io da Educação e iquei no Minis é io da Educação.
En e is ado a: [05:36] E as suas aízes amilia es? Seus pais? Você em i mãos? Quan os i mãos ocê êm? E os seus
pais aziam o quê? Qual e a a unção deles? Assim, o que que eles abalha am com pei o?
73
Pa icipan e 1: [05:49] eu ainda enho os meus pais i os, mo am em A ei o, con inuam a minha amília, minha i mã
ambém enho a minha i mã, con inua em A ei o, só eu que sei, a minha i mã é in o má ica, o meu pai inha uma emp esa
de alo mecânica, e a minha mãe, é de Lisboa, e só eio p a A ei o quando se casou. En ão ela i ia em Lisboa, e depois se
casou e eio p a A ei o, e quando eio p a A ei o, deixou de abalha . E ela é mui o de boas com o que ela em.
En e is ado a: [06:41] E ocê em uma i mã? E ela az o quê?
Pa icipan e 1: Em in o má ica, em compu ado .
En e is ado a: E os seus pais abalham com quê?
Pa icipan e 1: E ago a já não, es ão e o mados, já há mui o empo, os meus pais em no en a e um anos. P on o, já
es ão o mados já mui o empo, con inuam a i e lá em A ei o, enho mui as ezes aqui po minha causa, não é? Po que
ago a já es ão naquela ase, p ecisam, pensa pa a eles. Cla o, A minha i mã mo a po cima deles, no anda em cima e po
isso é que lhes dá mais apoio, não é? P on o. Mas de qualque manei a aos ins de semana sou eu que ou pa a lá e p on o
e semp e que é possí el quando es a bom empo e udo eles êm passa aqui umas semanas.
En e is ado a: [08:00] E a senho a é casada? Tem ilhos?
Pa icipan e 1: Sou casada, enho uma ilha, a Inês e a Inês es á em B uxelas pa a aze dou o amen o.
En e is ado a: [08:11] O que que a Inês az?
Pa icipan e 1: A Inês es á a aze es á a e mina ambém es á na e a inal dou o amen o em bioquímica.
En e is ado a: [08:21] en ão ago a ica só a senho a e o seu esposo?
Pa icipan e 1: Es á a casa azia. Mas ela em mui as ezes cai na casa des e im de semana oi no domingo. Vem
quin a- ei a a é ao domingo p on o já ai, mas uma ez po mês ela em cá.
En e is ado a: [08:38] E p o esso a, du an e a sua ida como p o esso a du an e a sua ida na educação, ocê exe ceu
ou os
Pa icipan e 1: [09:13] opção, hou e ou a colega que ambém que icou. Aqui, no Minis é io da educação, iquei como
es a a como ep esen an e da escola, só ha ia um luga e eu comecei a aze udo, não é? E e a a ep esen an e ambém
e a ipo coo denado a da escola. Ago a, es e ano como en ou ou a colega, eu achei que e a al u a de passa a pas a.
En e is ado a: [09:41] E ocê se sen ia con o á el nessa coo denação ou pa a ocê e a uma coisa mais di ícil?
Pa icipan e 1: No cas elo sim, no cas elo eu gos a a embo a osse mui o mais abalho po que e a, e a e am no e salas
não é? P on o, com c eche, mas lá es á e a udo aí eu sen ia que e a, e a coo denado ha ia uma equipa e eu só inha a
unção de coo dena a equipa, da pa a en ende ? P on o. E a coo denado a pedagógica ha ia uma di e o a e ha ia uma
sec e á ia que azia odo o abalho democ á ico po isso eu só inha só coo dena a a pa e pedagógica e como a equipa
unciona a mui o bem nós es á amos mui o bem eu só inha de coo dena mesmo p on o e a ela i amen e ácil aqui, aqui
assim é só mais di ícil po que é mui o bu oc á ico, em papéis pa a odo lado, e no ou o lado e a é o que es ou a dize , e a
só a pa e pedagógica, aqui não é? As euniões pedagógicas e am momen os icos de pa ilha e cons ução. Ago a, mui as
ezes, são apenas pa a epassa no mas e bu oc acias. Aqui não, aqui eu e a mais a pa e bu oc á ica, não é? O ma e ial
que al a pa a ma e ial de limpeza, o que al a ao lei e, mapas de lei e, mapas de u a, odos os papéis possí eis e
imaginá ios. Essa pa e não gos o.
En e is ado a: E o p o esso que é esponsá el po isso? O coo denado ?
Pa icipan e 1: [11:05] não é coo denado , é a di eção, e sou eu que enho de aze isso. Em cada ja dim de in ância há
uma pessoa que em de aze isso, depois isso ai pa a a di eção e depois eles azem o as , mas, mas cada ja dim de
in ância em que e coo denado a e isso. E mais a pa e bu oc á ica, não, não, não lida a, não é al di e ença que o
A senal, ha ia uma equipa, e es ou alando de cas elo, depois quando eu i a o cas elo, iden i ica.
74
En e is ado a: [11:39] ocê ai ala o que ocê quise .
Pa icipan e 1: Não, mas o ac o de eu não dou nome, de ac o, a minha his ó ia
En e is ado a: Sim, eu que o sabe da sua his ó ia!
Pa icipan e 1: Chegam logo lá. Aquilo que eu que eu aço enquan o lá em cima ha ia essa equipa que eu abalha a
sem equipa, aqui não. Aqui, não me chamo, es ou aqui nes a não se abalha em equipa. Fal a sen i mui a al a disso.
Embo a sejamos ago a a é acho que são in e educado as e dezesse e auxila es de in ância, mas não emos uma eunião
po mês e não sei e não sei quê mas não as euniões são mui o a ní el bu oc á ico não sei o que é que as colegas es ão a
aze enquan o imos cas elo ínhamos odos que emos odos os duas semanas e eu sabia que se es a a a passa nas
salas de odas as colegas po que nós con á amos e ponhamos olha que u conhecíamos odos os meninos eu conhecia os
meninos de odas as salas sabia odos os p oblemas deles odo udo nós alamos mui o nas nossas euniões e a pa a isso
aqui não, aqui as euniões são udo bu oc á icos, é as leis, é os a igos, é as ichas e não sei quê, é udo bu oc á ico,
p on o, não há abalho de equipa, não se abalha em consul a, e eu sen i essa al a.
En e is ado a: [13:21] ago a eu ou aze umas pe gun as sob e a sua ida enquan o educado a, né que ambém en a
nisso que a gen e já es á con e sando. O que que mo i ou a sua escolha pela educação de in ância enquan o ca ei a? Po
que que ocê escolheu se educado a de in ância?
Pa icipan e 1: [13:38] E eu acho que, os meus pais inham g upo de amigos g andes, semp e i e am mui o com inha
g upo de amigos g andes, jun a am-se aos ins de semana, e odos eles inham ixos, e ha ia alguns que inham ixos mais
mon inhos, e en ão eu e a das mais elhas e es a a semp e eu ou oma con a dos daqueles meninos odos, não é? Fo am
aumen ando, não é? Cada ez e am mais, e am mais meninos e en ão eu passa a empos eles já diziam a p o esso a ai
não ai? Po que a p o esso a ai, a p o esso a can a a his ó ias, a p o esso a azia jogos e não sei quê e eu gos a a p on o
eu sen ia que ealmen e gos a a disso, mas a minha ideia e a psicologia a minha ideia e a psicologia semp e gos ei mui o
de psicologia con inuo a gos a mui o de psicologia.
[14:25] mas no ano que é que eu ou que acabei o décimo p imei o ano oi o ano em que ab iu o magis é io em A ei o. Foi
uma coincidência assim que ab iu. En ão oda a gen e começou a p o esso a en ão não ais ap o ei a e inha à bei a
pe inho de casa, me ens de i pa a o lado de mim ou é aquilo que gos as não sei aquilo. E eu sei okay, os comen a .
P on o e en ei no magis é io, i ei o cu so, e p on o o cu so na al u a e a só baixa dela, depois conco i ao al, ao al
minis é io da dos assun os sociais e iquei colocado aqui na, no cen o in an il Cas elo, e depois uns anos mais a de uns
anos mais a de nem sei quan os anos esol emos, esol emos a g upo ambém de odas de lá esol emos i aze
licencia u a, en ão omos pa a a uni e sidade abe a A ei o e izemos a nossa licencia u a.
En e is ado a: E como sua amília in luenciou di e amen e ou indi e amen e a sua decisão p o issional?
Pa icipan e 1: [15:34] Só nesse aspe o de me dize não é, ab iu, ab iu apa ece, pa ece que oi mesmo pa a i, não é?
Que não sei o que que essa al in luência não só dos meus pais a é não acho que oi mais a é dos amigos dos meus pais
do que p op iamen e dos meus pais, não é? Mas pa a os meus pais como eu semp e disse que que ia psicologia eles
ica am com aquela ideia de que eu i ia que ia i a psicologia, mas depois começa am aquela ideia de psicologia, pois é
di ícil a anja emp ego e não sei quê p on o e olha, oi coincidência se não i esse abe o o magis é io naquele ano eu inha
eu ia pa a inha i ado psicologia, como ab iu p on o iquei pe o de casa não i e de i pa a o Po o nem nada, p on o, oi
conjun o de a o es.
En e is ado a: [16:21] ocê acha que o a o de se mulhe in luenciou na sua escolha p o issional?
Pa icipan e 1: Sei. Já pa ou com a pensa nisso?
En e is ado a: [16:34] não.
Pa icipan e 1: Eu acho que não, não oi o ac o de a é po que lá es á eu a minha ideia e a psicologia embo a ambém se
calha haja mais mulhe es do que eu mesmo psicologia, não é? Mas não penso que não, e a mesmo aquele e a o que eu o
que eu gos a a, não é? E p on o es a a a in luência oi po que as pessoas acha am odas que eu inha mui o jei o pa a os
meninos po que eles ica am ho as e ho as à minha ol a ou indo his ó ias e eu inha semp e his ó ias de coisas pa a aze
com eles, e po isso a in luência oi essa.
[17:05] se calha se osse se osse apaz e mos asse essas, essas compe ências se calha em inham di o a mesma coisa.
Embo a seja di ícil ealmen e no meu no meu nos meus anos não hou e nenhum ipo de alo es.
75
En e is ado a: [17:22] no seu no seu g upo de colegas não inha homens?
Pa icipan e 1: Não. Po isso du an e esses ês anos que eu es i e a aze o não inha não hou e nenhum apaz e
mesmo numa es é il eu i no p imei o ciclo eu i aluno.
En e is ado a: [17:43] mas hoje no seu caminha na educação, ocê já conheceu algum p o esso de in ância?
Pa icipan e 1: dois ou ês, um em B aga, que já oi o mado, e os ou os dois já nem sei onde é que andam, mas assim
dois ou os. O es o aqui po exemplo, aqui no ag upamen o é udo a..., lá em cima nunca es a a ambém, oi semp e
mulhe es, nunca e e. Po que em é pena po que eu acho que se calha pensam que digam isso, não é? Que isso é
emp ego de menina, isso é p o issão de mulhe es. Sim ainda há!
En e is ado a: [18:34] ocê ac edi a que eles pensam que é uma p o issão o almen e eminina?
Pa icipan e 1: Sim. E não só educação, e não só educação de in ância, p imei o ciclo ambém, poucos p o esso es, lá
sabe po que acham que ealmen e os homens é engenha ia, é.
En e is ado a: [18:55] se se hoje ocê es i esse lá no início, ocê escolhe ia de no o essa p o issão?
Pa icipan e 1: Sim, en e uma ou ou a, en ão é que eu es ou dizendo enho pena não e i ado psicologia po que eu ia
gos a , mas se calha eu ia gos a da psicologia aplicada a es a aixa e á ia, a es a idade e po isso, acabo po e mais na
p á ica.
En e is ado a: Vou passa pa a uma ou a sessão ago a, sob e a ques ão do con ex o cul u al e p o issional. Como que
ocê desc e e ia ambien e de e elacionamen o en e os p o issionais da sua ins i uição de abalho e no seu g upo
p o issional? Você já a é alou pouco já né, sob e a equipa que ocê abalha. Mas ocê pode ala mais pouquinho. Pode
ala o que ocê quise .
Pa icipan e 1: [19:47] aquilo que eu já disse é assim não im duma ealidade comple amen e di e en e, e con inuo a
única an agem que eu inha e a que ealmen e inha uma escola em que acaba a po es a só eu, não é? E as minhas
auxilia es e u que oe bem lá, não é? A ní el de, a ní el de acampamen o eu não gos o. Vi a de ag upamen o? Não gos o.
Do que é que ocê não gos a? Não gos o, não gos o de di eção, ou melho , di e o , o di e o do ag upamen o é p o esso de
educação ísica, e que, não que ipo p oblemas com o senho em bocado, não sei quê, mas eu acho que ele ambém não
alo iza mui o o p é-escola e o p imei o ciclo, es á mais i ado pa a o segundo ciclo, não é? P on o.
[20:43] cada ano que passa, ap endo algo no o. Mas ambém pe cebo como a educação de in ância p ecisa se mais
alo izada e espei ada. Não há alo ização, não se in e essam mui o po pe cebe as nossas ealidades e udo. Depois
den o da di eção há ou os di e o es e há que es á com a pa e pa icula e de p imei o ciclo. Mui o mui o mui o mal. E
uma pessoa ex emamen e po en e, mal o mada, educação é que nem seque cump imen a as pessoas, mui o al a de
educação, al a de espei o, mui o, em a mania que o Wha sApp sabe as leis odas e a igos odos e esponde udo com os
leis e a igos, não é capaz de esol e p oblema assim an o a con e sa é uma ex emamen e pu o impo ência, a di eção é
udo é udo bom beijo, que lá es ão educação de in ância acham que as que os educado es de in ância es ão lá pa a a a
com a in és limpa na izes a casa ambém mui o pa a ab i e não há mui o es a ideia sabe de os educado es es ão lá
bocadinho p a isso não damos no as não a aliamos não a aliamos não a aliamos com os núme os não E hum oi uma
di e ença mui o g ande.
[22:00] lá em cima es a a habi ua embo a eu enha ido du an e á ios anos uma di e o a que e a social, ambém e a
bem bas an e po en e, mas nós ínhamos uma equipa, nós educado as o ma am-se uma equipa e ela e a uma, sabe?
Quando íamos pa a as euniões nós íamos em equipa ínhamos o ça, não é? Ela dizia mui as ezes ou ia-nos e depois dizia
mui as ezes que depois ui pa a casa pensa e a inal não é is o que eu que eu acho e en a a con a ia aquilo que nós
ínhamos di o, mas nós ínhamos mui o sucesso po que é amos mui as é amos mui o unidos, que não, não emos o ça,
po que não somos unidas, sabes de manei a que acaba pa a baixa a al di e ença não enho, da pa e do ag upamen o
não enho qualque apoio.
[22:53] Depois há ou a coisa que é o que eu que eu acho que exis e bocadinho na pa e da educação é assim, se há uma
equipa, como que eu dizia há uma equipa que se dá bem, as pessoas já não pa a a en e, es á odo en a , oda a gen e
com on ade de que não exis e isso, aqui acon ece ou a coisa é que o g upo já é odo sessen a cinquen a e mui os
sessen a o obje i o ago a passa a se os anos pa a o a i embo a. Já não já não já as pessoas es ão cansadas.
[23:33] cansadas desmo i ados. En ão o obje i o é mui o não que o que aças po que se u ize es, chamas a a enção e
depois os pais compa am e depois os pais dizem ali eche e ocê não ez. En ão são mui as ezes c i icados po que aço.
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Po que ab o a po a aos pais po que abalho mui o com os pais po que eu acho que, se não se abalha em em equipa
com os pais, não é? Não se consegue aze nada em educação, se es ou a abalha pa a lado e os pais en am abalha
pa a o ou o, não é? A p imei a coisa que eu en o é c ia en ol imen o en e mim e os pais e andamos, abalha mos em
o ma essa equipa que não enho com os colegas, mas con o me com os pais.
[24:23] eles não pensam isso, êm uma manei a de pensa di e en e, acham que os pais não são amigos já es ão, os pais
êm que ica ao pé, po que os pais mandam, os pais só que em manda , os pais só que em, in e e ência, p on o, há
bocadinho essa men alidade mui o conside á el, mas ambém já desis i, en ei no p incípio, no p incípio ainda inha com
aquela on ade de acha que ele conseguia, não é? Ao im de ano eu i hipó ese en ão ago a é assim en e muda e acei a lá
dá.
En e is ado a: [24:58] A p óxima pe gun a que eu, que o aze diz espei o a isso que a senho a já es á colocando. De
que manei a os pais públicos e ou os memb os da comunidade pa icipam e in luenciam no seu abalho?
Pa icipan e 1: [25:11] Os pais in luenciam mui o e abalham mui o com os pais. Já abalha a mui o lá em cima, lá em
cima abalha a os únicos, e é bom po que, ago a passados es es anos odos encon o os pais, não só os das minhas
c ianças, mas pais de c ianças dos ou os g upos, e a ideia deles é assim que soldados que eu enho do ambien e e das
coisas que aziam po que abalhá amos em conjun o. Fazíamos mui as anga iações, azíamos mui as es inhas, mui as
olhas no opo, mui as olhas, achamos aqui, pa a anga ia o obje i o e a anga ia o a ião pa a os inalis as po que azemos
uma iagem de a ião, uma iagem de inalis as inha semp e a Lisboa de a ião e en ão ha ia aquela coisa dos pais
pode iam em conjun o a c ia aquela a aze aquela iagem a ba e no meio dos inalis as e não sei quê.
[26:00] E isso unia mui o, unia mui os pais. Aqui, eu en o aze ainda aço a mesma coisa, não é? Cla o o obje i o já não é
a iagem de a ião nem me me o nisso como é que omos da di eção e udo nem pensei, mas abalho com os pais e odos
os iam à escola e azemos as ei inhas ao colo e as es as e en ão há mui o en ol esse dos pais, com os pais, po an o bem,
com a jun a de anquia ambém, a jun a de eguesia de So o em p esiden e Tem p esiden e da jun a que que apoia
mui o as escolas e que es á mui o mui o p esen e o e ece ki a cada menino no início do ano como mui o ma e ial, Hum,
in e essasse pelo escola ocê ai pe gun a o que é que é possí el consegui sim.
[26:47] A câma a. Já oi mais. Mas que a ende ? Não. Au a quia, quando e a a dou o a sim abalhou imenso com a
au a quia e pa icipa pa a nós quase odos os p oje os da câma a é assim. Ago a as coisas muda am. O e eado da
educação não é só o e eado da educação, é e eado da cul u a, do dos e eado es de á ias coisas. Aquilo que ele gos a
mesmo po que ele é p o esso de música
En e is ado a: [27:40] Pessoas, êm acesso a essas pessoas?
Pa icipan e 1: Sim, sim ele já oi lá à escola eu já o conheço há mui os anos, eu já o conheci o a des e con ex o, não é?
Que ele e a p o esso ele é p o esso de música e eu conhecido como p o esso de música, só que lá es á aí é mui o boa
pessoa, só que não consegue, não é? E mui o, e como o coelho gos a mesmo é cul u a e é o alo que ele se dedica mais,
e acon ece que no da educação, ejam á ias pessoas que acabam po aze o abalho dele, não é ele, en endem? Aí já as
coisas são di e en es, é, é a mesma coisa que acon ece no ag upamen o, o que is o es á acon ecendo nes e di e o es i e
doen e, es e e ausen e mui o empo, e quando es á o di e o ausen e os ou os odos é quem manda mais en endem, se
desis e e ou o diz e que em da manda , e é o não unciona.
En e is ado a: [2:54] amos ala pouquinho ago a sob e a elação de ida pessoal e p o issional. Que eco dação ou
imp essões ma can es gua da dos seus empos de es udan e?
Pa icipan e 1: [29:08] Hum o am os meus momen os da minha ida cla a. Mas só acho que eu des oei dando sim.
En e is ado a: O que que ocê lemb a que e ma cou enquan o es udan e?
Pa icipan e 1: [29:20] Não p ecisa se dada g upo não, aquilo que ma cou mais, aquilo que eu me lemb o mais, do meu
cu so sim, algumas amigas mas no cu so que ma cou o am bem as p o esso as, uma p o esso a de psicologia que eu i e
oi an ás ico, já aleceu mas oi ma cou mui o e ainda con inua a ma ca , a p o esso a de ação, elas o ma am lá es á ua,
as coisas quando se o mam em equipa unciona a, elas o ma am uma equipa que e a a p o esso a de psicologia, a
psicologia, a p o esso a de an opologia, a de écnicas e a de como é que se chama aqui dama, mo imen o em d ama, a
disciplina chama a-se mo imen o em d ama, e elas abalha am mui o em equipa, e en ão as aulas e am mui o mui o
p á icas, mui o p á icas, e mui o odas i adas no mesmo sen ido.
[30:23] Ma cou mui o. E con inua.
En e is ado a: Enquan o na sua ida de es udan e c iança in ância ocê em alguma memó ia que e ma cou?
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Pa icipan e 1: [30:35] Hum pouco. Que dize , não, não i e nada nega i o, ui uma c iança me que se diz ipo udo, que
eu que ia, i e mui o apoio aos meus a ós, os meus pais, não enho nada nega i o.
En e is ado a: [30:53] Nem uma his ó ia que ocê lemb e assim de se , enquan o ocê es uda a que posi i a igual ocê
ouxe que ocê lemb e que oi legal, que acon eceu na escola ou com a p o esso a
Pa icipan e 1: [31:06] Lemb o-me que na escola, no p imei o ciclo, lemb o-me das b incadei as cá o a no ex e io , as
odinhas cada ez que eu lemb o numa escola, passo no ex e io e lemb o-me de anda lá aze as odas O b inquedo e a o
que eu lemb o-me de abalho ou dois, ambém de a es, de uma que eu iz com ós o os, ja dim in ância uma aldeia onde
oi lá uma não me lemb o de nada, da escola lemb o do ex e io das b incadei as no ex e io e depois disso eu enho mui as
saudades, enho g upo de amigas, ainda, que ainda nos jun amos uma ez, uma ou duas ezes po ano, odos a u ma do
quin o ano.
[32:04] Aquela u ma do quin o ano, que con inua a aze no mês passado izemos, Maio pa e são do lado, ilha bem não
sei quê, mas eu ou a odos. En ão se não pude . De es o eu ou a odos. E essa u ma, e ma camos mui o posi i o a
o ma mos g upo de amigos, olhe, ela es á ais cinco dias essa u ma o mou-se o seu do seu do seu ano e depois hou e
i mãs que o am saindo ou os que o am en ando, mas a maio pa e con inuou, não é? Só dispa a mos depois no sé imo
ano.
[32:38] De manei a que o am mui os que es i emos ali jun os, e icamos num g upo g ande emos g upo no Wha sApp
emos g upo no e es amos semp e lá os cujo ou os somos mui os somos sessen a e al. Mas, mas amos odos bem e às
ezes encon amos só uns pequenininhos que amos alando, não é? P on o cada em a sua ida e a segui , mas quando
jun amos é bom po que nos eco damos das aquices odas que azíamos, das b incadei as, dos b incá amos mui o, lá
es á, nos nossos in e alos, íamos cá pa a o a b inca , nos joga ao jogo do makes, e a aí não sei quê, mas ha ia
elemó eis, não ha ia nada dessas coisas, ago a, não
En e is ado a: [33:38] ocê eco da de alguma si uação especialmen e ma can e que ocê possa ela a pa a a gen e?
Po que em cons an e na sua ida p o issional assim, du an e esses anos enquan o p o esso a, em alguma si uação que e
ma cou?
Pa icipan e 1: [33:52] Só posi i amen e, es as ago a? Não consigo.
En e is ado a: Que ocê possa me con a , inham acon ecido, alguma coisa que oi o e pa a ocê, se ocê lemb a a é
hoje o que acon eceu?
Pa icipan e 1: [34:04] Tenho mui o, eu enho uma boa memó ia nessas coisas, enho é o que eu es ou a dize , lemb o-
me de como izemos, o ganiza mos aquelas coisas, lemb o-me de quando jun a a os seus colegas íamos à câma a, inha-
se de medo, pensa que não íamos e apoio da câma a, e embo a como é que amos aze ? Como é que amos aze ?
Mas udo co ia, mui o bem, conseguimos semp e com o apoio, depois quando começamos a implemen a o p oje o, e a
con ida aquela escola oda, escolas odas, mas mui as ezes não é que nos me emos, não é? Ai an a gen e como é que
amos da solução a isso, mas p on o.
[34:34] Lemb o-me de que, e con inua-me a acon ece mui o isso, e eu consigo esol e os meus p oblemas de noi e. Dei o-
me a pensa , dei o-me a pensa naquilo, ado meci logo, mas depois aco do, e du an e a noi e no silêncio udo consigo, é
onde eu consigo encon a es a égias pa a es aciona is o e aquilo, sim. O ama go é mui o bem sim, e ainda con inuo a
ma ca as c ianças, não é? Há coisas mui o boas que que que me azem con inua a gos a de se ope ado a de in ância,
eu ou con a uma coisa que acon eceu ainda hoje, quando ago a es i e no médico, e na sala quando cheguei à sala de
espe a, ouço uma boa au oes ima, en ão e a uma menina que já es á aí, décimo p imei o ou décimo segundo, e oi odos os
ab aços aqueles aba es mui o mui o mui o mui o udo p on o in e essan e eu ui chama daqui p a den o, ela es a a com a
mãe, e depois quando eu saí a mãe disse p o esso a em cá, em cá que eu enho alguma coisa p a e con a , e eu en ão,
sabe o que é que a minha ilha disse quando a p o esso a en ou? Ela ainda em o mesmo chei inho, eu inha an as
saudades des es ab aços com es e chei inho, e assim chei o de beijo, não é? E eu acho que assim, ela disse, eu enha
an as saudades des es ab aços com es es beijinhos, e é is o que que ealmen e me az con inua apesa de chega
deixamos de e ilas ago a mui o cada g upo são mais e ilas mais di íceis são mais, mais di íceis po que que em mui a
coisa não, não êm di iculdade em se em es a concen adas mui o com mais com mais capacidades mui o mais
desen ol idos, mas a ní el comple amen e em mui o, mui o, mui o du an e o ele one.
En e is ado a: [36:40] Na sua ida pessoal, a sua ida pessoal es á a iculada com a sua ida p o issional, mui o in e sa
né? De que o ma que ocê o ganiza isso assim?
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Pa icipan e 1: [36:53] Assim, ago a é mui o ácil, não é? P on o, já oi di ícil quando a minha ilha, oi mais di ícil quando
a minha ilha e a pequenina, é? P on o, meu ma ido abalha a no Po o, ia odos de pe o de manhã e só inha à noi e, e
po isso aqui eu inha de, dá semp e a co e , não é? P on o, cla o, uns anos que elas es e e já em de in ância oi ácil ela
i ia comigo p on o, depois quando ela oi pa a a escola começou a se mais complicado po que ele ela começou não e a
pisca p a come e po isso inha de, inha de i busca à ho a do almoço, só inha uma ho a, e nessa ho a eu inha de i
busca a co e da escola, le á-la a casa a come , ia aze as bi as odas p a come e p os seus imaginá ios, i le á-la
a a és da escola, e p on o e eu anda a e depois quando saía inha de ago a aqui, é cla o, e a mais di ícil que e a eu
sozinha.
[37:46] Depois o meu ma ido eio abalha aqui, eu a Baca , po a abalha no banco e já, já oi mais ácil, não é? P on o.
Po an o ela oi his ó ia ela pa a o Po o, e ago a p on o, olhe, é ácil, não enho o mais empo, ainda abalho, eu abalho
ago a abalho a cinco minu os a é posso i a pé, não é? P on o abalho a cinco minu os, só abalhei cinco ho as na escola,
es ou lá a pessoa lá mais empo, mas, é udo ela i amen e ácil.
En e is ado a: [38:20] Enquan o as suas pe cepções assim de si enquan o p o issional, ocê pe cebe alguma ensão
en e as suas aspi ações pessoais e o que ocê pensa né enquan o p o esso a, as expec a i as da ins i uição de ensino e as
demandas da sociedade, as cob anças da sociedade, o que a escola que , en e o que ocê pensa e o que ocê ac edi a?
Pa icipan e 1: [38:56] O que que ocê pe cebe p e endem, aquilo que os pais po exemplo p e endem, não é? P on o.
Eu não eu não eu sou eu abalho de uma manei a mui o especial de in luência dessas desse g upo de p o esso as com
que que eu i e e que con inuam a es a mui o p esen es e que quando eu es ou en ada a aze alguma coisa bocadinho
do que se az ago a lemb o-me mui o delas e disse não. Elas é que es a am ce as, é elas que eu ou con inua a segui ,
que é po exemplo, sin o que, cada ez mais, há uma endência de escola ização p ecoce. Há momen os em que a p óp ia
ins i uição p essiona pa a que ado emos uma abo dagem mais adicional, com mais ichas e menos explo ação. Eu não
ado o com ichas, eu não abalho com ichas, abalho mui o com a na u eza, mui o com jogos com quando no cen o
in an il não ha ia di iculdade nenhuma po que ninguém abalha a com ichas ninguém abalha a com duas ichas aquilo
e a uma quin a eno me e po isso nós i íamos mui o no ex e io , i íamos mui o do abalho no ex e io , mui o de jogos,
mui o de esse odo esse ipo de abalho.
[39:57] Quando im pa a aqui, pa a o Minis é io da Educação, ambém sen i essa di iculdade, po que assim, a maio pa e
dos meus colegas ado am, amigos ichas abalham uns dias odos com os meninos sen ados com ichas, mui o cuidado de
p epa ação pa a p imei o ciclo. E eu enho uma pe spec i a di e en e, eu acho que a p epa ação é semp e pa a
al abe ização? Sim. Eu sou con a, e não alo, alo dos núme os, alo das le as, enho jogos na sala com le as e com, mas
não es ou como obje i o de eles ap ende em o oceaná io, não, há c ianças que sim, e o Daniel da Elizabe h eu gos a a,
pe gun a a e eu espondia e ele sabia o al abe o odo e sabia as lu as odas, há ou as c ianças que não es ão, não es ão,
não êm essa coisa, ambém não êm, as pessoas êm, eu acho que as coisas êm de acon ece quando eles que em,
quando eles êm on ade de, não é? Não es ou ali a en a , aí o a, aquilo que eu acho é que há mui a coisa que no ja dim
in ância, são mais são p io i á ios, que é, mui o, os alo es, abalho mui os alo es, abalho mui o conhecimen o do
mundo, e o po quê, udo que nos os po quês de udo que nos ce ca, não é? P on o.
[41:30] Mas colegas meninos mui o, po exemplo, ago a es á o ou ono, e os meus colegas, não me lemb o di ícil, os
meninos pin am as olhas la anjas ama elas e cas anhas e le o já aos pa ques e eles apanham olhas e calculam as olhas
me em as olhas na boca e da na iz e sen em as olhas e sen em o en o e sen em a chu a e mui o aí e icam mui o mais
coisa do que é o ou ono e o co eio das ichinhas com as olhas ama elas que os anéis posso e . Hum o que é que
acon ecia? Nos p imei os anos em odas as euniões inha pais a pe gun a , enho li o ichas, já que ai ado a ? E eu i e
mui a di iculdade em consegui mos a que eu não abalha a com isso, mas que os meninos no im do cu so inham
essas compe ências odas, não e a p ecisas, mas e a mui o di ícil po que eles es ão mui o, okay ago a já não em essa
di iculdade passou.
En e is ado a: [42:34] Mas aí po exemplo, isso é a o ma que a senho a abalha e aí como a escola eage a isso?
Pa icipan e 1: Qual escola? O ag upamen o?
En e is ado a: [42:44] Seu ag upamen o, seus colegas?
Pa icipan e 1: Ah e assim, não sei como é que é no B asil, aqui não há, só há o ien ação cu icula es que é o único
documen o que nos o ien a, e são o ien ações, não há nada que nos ob igue, não é? Não há é? Uma me odologia, há á ias
me odologias cada uma pode op a pela que quise ou po á ias me odologias ao mesmo empo, e po isso que acon ece,
em a e espei o, po que abalhamos odas de manei a di e en e, e eu espei o os meus colegas que abalham com
ichas e que gos am que os minis am sen adinhos e que p io izam o ac o de eles es a em sen adinhos e acham que
p on o isso é impo an e pa a eles pa a em pa a a escola es a em com aquela pos u a e não sei quê. Na educação de
in ância, o mais impo an e é o desen ol imen o in eg al da c iança. Hoje, a p essão pa a que saibam le e esc e e cedo
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es e sen imen o que eu es ou a ê-la já aleceu, que é a p o esso a Fá ima, ela p a mim oi semp e a p o esso a Fá ima e
eu enho aqui uma alha de memó ia em elação ao sob enome dela, sei que ela oi-se cedo, há poucos anos, e ela e a ã
do Miguel Zabalza, e a zona de desen ol imen o p óximo e eu con inuo pa ada nessa ase e eu acho que ainda es á mui o
a ualizada e ela in luencio-me p o undamen e nessa o ma de es a pe an e as c ianças e p on o e se o mos a e , se nós
ou seja, se eu enquan o p o issional es ou na sala com as c ianças e enho bocado essa pos u a, e é ob igação ambém,
não é bem ob igação, mas é supos o, ou az sen ido que essa o ma essa pos u a ambém seja passada pouco aos pais e
nós emos um abalho p o undíssimo e impo an íssimo com os pais e é p eciso sabe es a com os pais.
[36:56] E eu isso nunca i e p oblema e é uma coisa que me dá algum gozo, ambém há desilusões, po que nós sabemos
que os pais não são odos, não é uma ques ão de eles se em simpá icos ou bonzinhos pa a nós, ou nos é ques ão de eles
se em bons pais pa a os ilhos, só isso, não é? Eles não êm que se a é gene osos conosco. Se eles o em excelen es pais
com os ilhos esponsá eis, ão se excelen es pa a nós p o issionais educado es, não é? Nes e caso, e isso é uma coisa
que sim, que me a e a bas an e e mas po exemplo, se eu i que há alguma negligência dos pais eu se calha consigo e
aquela pos u a echada, olha se a c iança não ale a pena, eu aço o con á io, po que há pessoas que dizem al pai e al
ilho ou a c iança os pais não são esponsá eis ou não que em sabe e eu se calha sou capaz de ainda le a mais a essa
c iança po que in elizmen e os pais não conseguem chega lá, e a c iança não em culpa.
[38:00] E, mas isso é uma coisa, e pais e c ianças a coisa ainda ai. Ago a, o ganização de ins i uições, é udo mui o alado
mui o eó ico, ala-se cla o, pouco da dion ologia p o issional, isso udo, mas isso não, não, não em nada a e com o que a
gen e depois encon a quando a gen e chega, e oi aí oi quando eu sup i mui o, a minha p imei a expe iência com quando
eu cheguei a mise icó dia eu inha um g upo de in a e cinco c ianças p a começa , in a e cinco c ianças em dois mil e
um de qua o anos numa sala com duas auxilia es is o e a comple amen e impensá el.
[38:47] Tudo que eu azia da uni e sidade e a comple amen e impensá el. Eu inha duas auxilia es e uma delas, ainda
abalha na nessa ins i uição, e oi a pio pessoa que eu conheci a é hoje. A pessoa, a pio pessoa que eu conheci a é hoje
ao im de algum empo de abalha com ela, eu pe cebi que essa pessoa, ou seja, não é eu pe cebi, eu pe cebi, mas
qualque pessoa que i esse esponsabilidade na ins i uição, não podia deixa de abalha lá nem mais, ela já abalha a lá
há anos, con inua ainda a abalha e é a pio pessoa que eu conheci na minha ida.
En e is ado a: En ão ago a a gen e ai ala sob e a ida da educado a. O que que mo i ou sua escolha pela educação
de in ância como ca ei a?
Pa icipan e 2: E mui o simples, eu semp e gos ei mui o da á ea da psicologia, e depois e a az pa e da minha
ca ac e ís ica, mui o sonhado a, mui o inha assim aquelas ideias, eu nunca ui uma aluna b ilhan e, ou seja, ui e não ui,
mas ha ia ali si uações ipo a ma emá ica e as ísicas, químicas e a inglês, e a e í el en ão azia com que eu não osse ão
b ilhan e po que depois, esses são os meus ... ou e am enquan o es udan es, p on o. E eu inha mui a in enção enquan o
e minei décimo segundo ou ao longo do úl imo ano secundá io, a minha in enção e a eu que o cu so, inha aquilo, eu não
sabia bem po que eu não inha um sonho, e al a a-me isso e in elizmen e isso acon ece com mui a gen e, não é? Eu não
inha aquela p o issão ce a que eu dizia eu que o se is o, E, mas eu sabia que que ia mui o algo que i esse a e com a
psicologia, e nunca associei a psicologia à educação da in ância.
[01:18] E en ão eu concluí no p imei o ano com uma média azoá el, mas as médias nessa al u a e am mui o al as, pa a
ecu sos humanos, psicologia, de psicologia mesmo, cu so assim e p a uni e sidades p óximas pa a o Po o, p a B aga,
p on o. En ão nesse ano eu não me en ei. E eu iquei anquila, oi ano espe acula que o e ecia a mim mesma, os meus
pais pe mi i am-me e eu iz ou as coisas, iajei, iz coisas mesmo inc í eis que eu não e ia ei o se osse logo pa a a
uni e sidade descansei, e ui e c esci.
[01:54] E eu inha, eu sou ia desde os meus doze anos, doze eze anos. Em mil no ecen os e no en a esse p ecisamen e
eze anos. E a minha p imei a sob inha nasceu em mil no ecen os e no en a, e ago a já é mãe po an o já sen i a a ó e eu
enho se e sob inhos. Quando eu ui pa a a uni e sidade, eu en ei na uni e sidade em no en a e se e, e em no en a e se e
nesse ano, nasce am os dois, ou seja, enho uma sob inha ago a mais no a que em in e anos, mas os meus sob inhos
odos mais elhos nasce am odos seguidos, e os úl imos a nasce , nasce am em no en a e se e no ano que eu en ei pa a
a uni e sidade, e am bebés, uma nasceu em e e ei o e ou a em maio.
[02:44] E com o pe cu so, eu e a mesmo uma ia, p esen e, babá, eu oma a con a, eu a a a, alimen a a udo que
pudesse aze , nas é ias da minha i mã, ha ia uns meus sob inhos, uns, ou seja, ilhos duma das minhas i mãs, que eles
anda am numa escola em que o mês de agos o, assim à escola de agos o, echa a e a minha i mã não inha o mês odo
de é ias, en ão ha ia ali pe íodo ipo quinze dias que ele ica a, eles ica am po minha con a.
[03:20] E eu i e isso, mas isso é de mim, mas eu nunca dei, lá es á, eu às ezes enho di iculdades em le os meus sinais,
mui a, ou acei a ou sei lá, po que eu digo, eu inha izinhos e eu i, po exemplo eu ui a i izinhas minhas a casa , a
cons i ui amília, a e os ilhos e ha ia mui a in e ação, não é como ago a, não é? Mas na sin onia eu mo a a ha ia
in e ação com as izinhas, eu acompanha a as g á idas, ado a a g á idas, eu ica a, se pudesse ica colado às ba igas eu
ado a a, e a de mim, desde pequenininha isso.
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[03:56] E depois eu ambém sou mesmo a mais no a da amília, não é só da minha casa, da minha amília nuclea , eu sou
mesmo a das sob inhas mais no as meus, oda a minha amília é mui o já idosa, e eu ado o a e cei a idade, é a minha
segunda paixão, essa é ou a his ó ia, ado o, enho o maio espei o e i e que ap ende mui o po que a minha ida me
ob igou a ap ende essa pa e da e cei a idade e pe cebo, e não ob e po aí po que lá es á, ambém não iz lei u as nem li
sinais nem nada disso, e quando eu não en ei, ou seja, não en ei na uni e sidade e depois quando eu ol ei a conco e ,
eu não desis i , só icou em s andby, eu que o i es e ano, iz os exames no amen e, es udei que inha a es uda das
disciplinas que me in e essa a p a eu e umas no as boas nos exames nacionais e co eu mui o bem, e depois nesse
segundo ano eu conco i cem po cen o à educação de in ância, sendo que educação de in ância na uni e sidade do Minho,
a é po que e a a uni e sidade mais p óxima da minha á ea de esidência, e a a minha p imei a opção.
[05:05] E eu en ei na Uni e sidade do Minho, em educação de in ância. E ipo, inques ioná el, ado ei o cu so, o cu so
mesmo ado ei, ado ei as pessoas que conheci an o a ní el de colegas como a ní el de p o esso es, ado ei o que ap endi, e
p on o enho só essa ques ão, não sei se ala ago a.
En e is ado a: [05:27] como sua amília in luenciou di e a ou indi e amen e a sua decisão p o issional?
Pa icipan e 2: E sim, a minha amília semp e espei ou as minhas decisões e semp e es e e lá pa a me apoia isso
ambém é mui o impo an e, eu não sou se calha a pessoa que sou, ou seja, eu não se ia es a pessoa se eu não i esse
essa amília que enho. Libe dade o al pa a eu aze as minhas escolhas, nunca hou e in e e ência ago a hou e
in e e ência indi e a pelo ac o de eu e sido ia e e em passado an as c ianças nas ases mais inc í eis, não é? Ou odas
as inc í eis desde que nasce am a é deixa em de se c ianças e ainda ago a sou babada po eles e são adul os.
[06:06] E, po an o, eu ui mesmo uma ia in ensi a e em qualidade e quan idade. E isso oi an es da uni e sidade, da
minha decisão, e depois ambém e a a izinha, eu an es de se ia, eu já e a a izinha que não podia sabe como a izinha
e bebés po que eu es a a lá e eu podia, po a o , muda aldas pa a mim e a uma coisa inc í el, po que há gen e que
oge, não é? Aquela pa e do muda , do da banho, do es i , i a , eu p e e ia que osse na c iança eal do que na boneca,
isso e a o ideal pa a mim, p on o.
En e is ado a: [06:42] E ocê acha que o ac o de se mulhe in luenciou a sua escolha p o issional?
Pa icipan e 2: Assim, se calha sim, se calha sim, po que se calha se eu i esse nascido homem, na minha amília,
com o meu pe cu so, não ac edi o de odo, não é que seja uma amília machis a, nada disso, nem acho que is o, que exis e,
mas acho que não az sen ido o machismo, eu inha colegas de cu so homens e são educado es no a i o. Mas eu acho que
em a e mesmo com es a minha endência ma e nal, que não sou mãe, mas é assim que se diz, não é? De cuidado a,
mas is o é mesmo uma ca ac e ís ica de mulhe , e eu sou mesmo mulhe , não é?
En e is ado a: [07:27] se i esse se ocê i esse no início assim ocê ol a ia a escolhe essa p o issão?
Pa icipan e 2: Vol a a. Isso é mui o impo an e. Vol a a a escolhe , não consigo, assim, semp e achei e já passei po
ases em quando eu es a a naquela ase mais di ícil da minha ca ei a quan o a abalha no ensino p i ado, é di ícil no
sen ido de desgas e, e eu cheguei a pô em causa, eu cheguei a pô em causa do géne o, eu sen i-me al manei a cansada
que eu já acha a que eu não, que o p oblema e a a p o issão, e não e a a p o issão e a p o a es á mais que i ada, mas eu
acho é que isso é ou a ca ac e ís ica minha, eu ado o ap ende e se eu i esse que ap ende uma p o issão de no o, cla o
que isso depois inclui aqui disponibilidade, empo, ecu sos inancei os, não é? Essas coisas odas, mas se eu i esse que
ap ende uma ou a p o issão de no o eu ap ende ia com o mesmo gos o, isso sim e eu há uma segunda, e eu cheguei a
pô isso em causa em momen os mais ágeis da minha ca ei a em que eu es a a mais desgas ada e a e cei a idade, mas
ambém lá es á, isso e se me pe gun assem mais a de, mas po que a e cei a idade em a e com o meu pe cu so
pessoal? Com as minhas expe iências amilia es, eu semp e es i e mui o ligado a idosos, eu semp e na minha ida i e
idosos, semp e i e idosos na minha ida, e con inuo a é ago a, semp e, p imei o os meus a ós ma e nos que e am mais
elhos, depois os meus a ós pa e nos, ou seja não aí e a mui o pequena não e a ão cuidado a, mas de ia cuida e is o
ambém se ambém nos in luencia, depois o meu pai que já inha se en a e cinco que não é que osse e a idoso não é? Mas
depois oi a ques ão da do es ado em que ele icou depois de uma AVC mui o g a e, que ele icou mesmo dependen e,
cheguei a ap ende , oi pon ual po que ele depois deixou de p ecisa mas, e es e é o meu espí i o, mas ambém é o da
minha amília, nós pusemos hospi al odo ipo que ocês não exis em, po que quando meu pai icou de dia p a o ou o num
a cama em coma e depois de odo o coma e o es ado dele e a ege a i o, embo a que ele semp e comunicou conosco sem
me ala , mas ha ia uma comunicação de olha , de oque, po que ele ap endeu a consegui . E en ão ele, ipo, a nossa ida
ans o mou-se mui o comple amen e, ou seja, nós i emos que ans o ma a casa, i emos que ans o ma as nossas
o inas e i emos que ap ende a a a dele, po que nós nunca ínhamos a ado uma pessoa acamada, e os en e mei os
mal po que ele e e ês semanas in e nada e os en e mei os disse am de géne o, nós omos acompanhados po assis en e
social, como é que ele ia e oma a casa, is o que ele sob e i eu, e e a ou a pessoa, não é? Mas e a o nosso pai, e nós
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é amos cinco, nessa al u a é amos cinco, e os cinco i emos a mesma pos u a, nós emos que sabe cuida dele, amos
se os cuidado es do imedia o, i emos que a anja uma pessoa que assegu asse o nosso empo de ausência, quan o que
abalhá amos, mas nós, po exemplo ao im de semana e a cem po cen o po nossa con a, al ez, nós o ganizámos, e
en ão nessa ase an es dele sai do hospi al, os en e mei os, há uma dinâmica no hospi al que nos pe mi e ap ende , eles
azem o mação, as amílias, mas quase nenhuma que . E uma ealidade, eu não inha noção.
En e is ado a: Esse cuida , es á semp e mui o p esen e pa a ocê.
Pa icipan e 2: Es á. Eu sou mesmo uma cuidado a, não consigo dize , mesmo nos meninos, eu gos o, é assim, eu não
sou só educado a, eu sou ambém cuidado a, e o passa pa a o ensino público oi mui o impo an e pa a mim, pa a eu me
oca mais na pa e educa i a e não an o na pa e de cuidado a. Numa ins i uição p i ada, ipo mise icó dia, EPSS, essa
pa e de cuidado a é nos incu ida, po que nós azemos abalho de auxilia , de udo, depende das ho as, a ho a que
es amos sozinhas e em que se aze udo e não sei quê.
[12:01] no ensino público ambém não há c eche, é mui o impo an e es a pa e, não é? As c ianças já são mui o mais
au ónomas e depois nós emos, em ge al, as auxilia es que azem o seu abalho, e é a pa e do cuida , não é? Nós não
alimen amos, nós não azemos higiene, nós não acompanhamos c iança à casa de banho, podemos azê-lo, mas, não é?
Po que se não i e não ai deixa a c iança de se o ien ada, mas quase que não há essa ma gem.
[12:32] en ão pa a mim ambém oi mui o impo an e, eu e es a mudança na minha ida pa a eu me oca mais na pa e,
não que dize que eu não me ocasse, mas pa a eu deixa bocado de lado essa pa e de cuidado a que é mui o di ícil
mesmo.
En e is ado a: Que eco dação ou imp essão ma can e gua da dos seus empos de es udan e?
Pa icipan e 2: De empos de es udan e, eu ui mui o ma cada pelo meu p o esso da escola p imá ia. Foi um pe cu so, o
meu p imei o ciclo oi al ez o pe cu so mais b ilhan e e mais eliz da minha ida. Enquan o es udan e mesmo, eu ui mui o
í ima de bullying na escola, só pela minha isionomia. E quan o is o mui as ezes, ou seja, como que eu lemb o, mas não
me auma izou. Fez-me se uma pessoa di e en e, e se calha há coisas que eu po exemplo eu sou comple amen e
in ole an e a si uações do acismo, sou mesmo in ole an e. E en ão no acismo, ou xeno obia, ou disc iminação, alunos
meus sabem, eles se es i e em uns anos comigo ago a já não em an o essa possibilidade de con inuação, ou de
con inuidade, mas alunos meus eles já sabem pe ei amen e, e eu não sou má, nada disso, mas eles conhecem, chegam a
pon o de nos conhece em ão bem a pe cebe is o ambém, eu ansmi o ão bem e ão cla o, que eles sabem
pe ei amen e que a disc iminação numa sala onde eu es eja não é possí el.
En e is ado a: [01:28] mas ocê se sen e à on ade pa a con a essa his ó ia?
Pa icipan e 2: Já con ei a minha his ó ia, sim, já con ei a minha his ó ia a alunos meus e eles ica am ipo, meninos
pequeninos, não é? Com menos de cinco anos, com a é seis anos, e a his ó ia é assim, eu sou do Minho, não é? E, mas eu
nunca me iden i iquei com umas pessoas, cada e a em umas ca ac e ís icas, não é? E é uma e a, é uma é uma
localidade do concelho, mas eu nunca me iden i iquei com aquelas pessoas e nunca ize am mui o pa e da minha ida, eu
inha espaço mui o g ande em casa, ia a sí ios públicos e e a mui o, aze p opo cional na aula e qualque ipo a ca equese,
mas em mim só a escola p imá ia é que eu equen a ia aos qua o anos e depois eu saí daquela zona e meu esposo oi
semp e em B aga. Mas enquan o eu es i e esses qua o anos na escola, e a uma menina que e a, eu não e a ilha única,
mas e a ilha mais no a, uma amília com a ós, inha mui o mimo, e a mui o bem a ada, não é? Onde eu inha ealmen e
ca ac e ís icas ísicas di e en es dos ou os meninos. Dizem, dizem não, eu lemb o-me do e mo de se chamado de
ba óque. Sabe o que é ba óque?
En e is ado a: Não.
Pa icipan e 2: En ão a ques ão ambém, se calha , da di e ença cul u al, não é? Mas sabes se quem é po uguês ipo
c esceu, que dize , o Ba oque é, há ipo de inho, aqueles picos de madei a que ago a já se usa ogo, não é? E esse ipo
em uma olha, as ga a as de inho êm umas olhas assim ininhas, não é? E o pepe em uma bolha assim. En ão e a
uma o ma de se chama go da, mas uma o ma pejo a i a, não é? E e a mui as ezes pos a de lado nas b incadei as po
causa de eu se go da, mas eu não e a go da, que eu olho pa a as o os e não ejo uma o o que seja go da, como ejo
ago a uma miúda go da, aquela miúda que e a bem obus inha, não inha ossinhos à mos a, não é? Mas não e a
campanhas nem nada disso.
En e is ado a: [03:57] E ocê so eu isso na escola?
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Pa icipan e 2: E eu so ia na escola, e a, mas isso aqui é oda a há uma mis u a, po que eu e a mui o p o egida pela
minha amília, mas eu não gos a a de nada dessa p o eção. E eu gos a a de expe imen a coisas, mas po exemplo, a
minha mãe não deixa a joga aquele jogo da Mosca, sal a a Mosca udo.
En e is ado a: [04:23] como é o jogo de sal a a mosca?
Pa icipan e 2: Isso exis e no B asil de e se chama a ou a coisa, que é uma c iança agacha e a ou a a ança de cima.
Sim. P on o. Eu isicamen e não e a mui o desen ol ida no sen ido de es a à on ade, mui a agilidade, eu inha medos,
mas inha medos ambém po que e am ansmi idas po minha mãe, po que inha medo de que eu me magoasse e e a
p oblema, não é? En ão ela p o egia, p o egia, e semp e que eu podia eu en a a me libe a , mas eu inha essa consciência
en ão eu ge ia isso mui o bem, e ui semp e ge indo, eu ap endi a anda de bicicle a quando inha in e e se e anos, e
es a a eu em Esposende com a minha bicicle a inalmen e, e a minha mãe liga e sabe o que é que eu es ou a aze ? Mas
es ou udo anquilo, es ou a anda de bicicle a e ela não, o que é que es ás a aze ? Es ou a anda de bicicle a, a minha
mãe icou apa o ada, mas es ás sozinha? Ou ens uma amiga que es eja con igo po que amos que a minha ilha de in e e
se e anos eu podia cai me magoa . E cao, aí magoe-me com in e e se e anos podia e sido só com se e, não é? Mas oi
com in e e se e. P on o, isso e a dos mo i os e há o ou o que é o meu cabelo. Eu ago a enho cabelo assim cu o, mas o
meu cabelo e a ipo a o. E, e o pessoal não es á nesse modo. Eu consigo pô o cabelo assim ipo a o, não é aquele
ape adinho, aquele que es á emido, mas o meu cabelo é de amília e odas as minhas i mãs êm como eu, o meu pai
inha o cabelo assim ca apinha mesmo, e nós nascemos assim, é uma ca ac e ís ica, não é assim, ago a é mais luga
po que há mais mis u as de aças, e eu sou mui o de o igem b anca, eu não enho nenhuma o igem neg a na minha
amília nem nada disso e mesmo de co eu não enho co , eu sou mo ena mas não sou p e a.
En e is ado a: [06:09] E como isso e le ia na escola pa a ocês?
Pa icipan e 2: diziam que não iam b inca comigo po que eu sou p e a. Eu e a a ada e ui a ada na minha escola
como se osse mesmo p e a. Eu ado o, que se pudesse e ilho ado ado p e o, eu ado a a. No en an o, i e que ago a,
amos aqui po em des aque po que é p e o e não enho esse sen imen o, mas isso ez com que eu pensasse udo ao
con á io. De géne o que iângulo, enho o cabelo desigual a oda a gen e, me pe cebe que o meu cabelo é di e en e e é
ão ixe.
En e is ado a: E boni o!
Pa icipan e 2: Não é? Eu ado a! E se alguém me chamasse de p e o eu espondia, não sabe as co es? Eu ia semp e
uma pessoa ou ou a po mim, mas aí e a, não é? E eu e a uma c iança, e não oi p eciso pa a os adul os me ensina em
es as coisas, e eu sen ia mesmo p o undamen e que a no malidade, que gen e ão má, que c ueldade e ão igno an e. E eu
sen ia is o po oi o anos, no e anos de idade, po que e e mais p o undamen e e não iquei com sequelas de nada disso,
acho que me o nou, oi uma pessoa se calha mui o melho e mui o mais mui o sensí el.
En e is ado a: E azendo isso pa a sua ida p o issional, o que que ocê eco da de alguma si uação especialmen e
ma can e? Você pode ela a alguma coisa?
Pa icipan e 2: De pe cu so p o issional?
En e is ado a: E, da sua ida p o issional den o da escola, e e algum pe cu so que e ma cou enquan o p o esso a?
Pa icipan e 2: Te e mui os.
En e is ado a: Algum que ocê possa ela a pa a nós?
Pa icipan e 2: Uma si uação com uma c iança ou com uma amília...
En e is ado a: o que ocê quise sen i den o da sua ida como p o esso a que e ma cou mui o.
Pa icipan e 2: Vou con a uma, se eu não i esse, se eu não osse educado , se eu não es i esse passado pela
coo denação não e ia que i esse a expe iência da minha ida, oi das melho es expe iências da minha ida, e aqui ai
aze aqui apanhado, é assim, eu es a a na coo denação e ecebi um casal de guinenses, com uma bebé de no e meses.
Eles e am guinenses pu os, es a am Esposende e ela inha p oblema da poliomieli e, en ão ela anda a numa cadei a de
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odas, quando es a a g á ida ez a g a idez em cadei a de odas, po que ela inha as pe nas comple amen e como se não
exis issem. E não, e p on o, eu apaixonei-me logo de paixão, logo. E uma cul u a comple amen e di e en e, eles p ecisa am
ambém o am lá a a és da segu ança social e ha ia mui a, ela es a a a e apoio da segu ança social, e odos esses
mecanismos, loja social, udo que e a apoio, depois há aqui ou as ques ões que a gen e pode a alia , mas eu es ou a ala
só pa e de humana elacional e na p á ica, de que essas pessoas êm pa a Po ugal e eu aí c i ico algumas coisas, po que
acho que nós, e isso já oi uns anos ago a as pessoas em Po ugal es ão mui o pio , acho que em pessoas que em e que
em di ei os, e eu acho mui o bem, mas eu acho que não pode al a nada em não ha e alhas com p imei o quem cá es á
desde semp e, não é? Isso eu acho, eu aí sou mui o p on o. E, mas eu iquei com uma amizade pa a a ida, com essa
amília, e se eu não i esse es ado nessa si uação de coo denação eu não e ia ido a opo unidade de es a ão p óxima,
mas ambém oi a Olga humana, se humano, que conseguiu se ala ga .
[10:11] en ão quando eu ecebi essa amília, ele inha que mig a po que e a o sus en o da amília, o pai e a jo em, ele
inha que mig a e a mãe não podia oma con a, ou seja, a mãe que i ia oma con a sozinha da ilha, eu iquei a epiada.
Eu iquei ipo assim, inconcebida, como é que a mãe anda numa cadei a de odas ai consegui oma con a de uma
c iança de no e meses e ge i uma casa, alimen ação, higiene da bebé, isso udo, e se ela em umas pe nas que a gen e
não exis issem, ela não inha equilíb io nenhum, inha uns b aços o es que abalha am e que es a a mui o adap ada
po que e a desde c iança, mas eu iquei a epiada ipo oi mui o di ícil man e a dis ância, ou seja naquele dia sai e
esquece que i e aquela ealidade e aquele conhecimen o daquela si uação, não é? Não de em se si uações mui o
equen es. En ão ela eio pa a Po ugal pa a i pa a Alcoa ão, ou seja, ela inha já esse pe cu so já em pe spec i a pa a o
Alcoa ão pa a me e umas o odo eses, que e a pa a consegui e e pode segu a de pé, e não es a só dependendo da
cadei a.
[11:26] E só inha uma c iança de no e meses e que, po an o, e e dez e e e onze, no e meses e o pai ia imi a -se, uma
semana a segui , ele só que ia e a ce eza de que a c iança ica a bem gua dada numa c eche, ela oi pa a c eche, não é?
E sim, nós i emos aga p a ela, eu a ní el de mise icó dia, mobilizei udo o que e a possí el, mas ela já es a a a se
ambém a mise icó dia já es a a a in e i nessa amília a ní el da alimen ação po exemplo, ela ecebia alimen ação dada
pela mise icó dia mas em a e com uma ede de apoio e e ce e a, só que eu ia pa a casa, eu inha pe dido o meu pai há
pouco empo, e eu ia p a casa e ipo meu pai me ocupou mui o empo, e aí eu não ia mais ninguém só ia o des ino e o
apoio que eu inha que da ao meu pai e eu inha sucedido, a Ad iana nasceu em dois mil e doze e o meu pai aleceu em
dois mil e doze. Fabiana que é bebé. E eu inha pe dido o meu pai há pouco empo en ão ele mo a a pe o, pa a além da
minha zona de abalho, não é? Ou seja, e a udo pe o do géne o, a escola ica a aqui, ela mo a a aqui e eu mo a a aqui,
mas nós udo a pé. E en ão eu ia p a casa e ipo não conseguia me pa a de pensa nessa amília, es ão sozinhas das duas
em casa, ela não anda, se a c iança cai como é que é? Pá sei lá essas coisas e eu ilo-me semp e pa a cima e depois hou e
momen o eno me gigan e com odos e apaixonei pela c iança mui o, mas mui o, ela e a apaixonan e, e a uma c iança
exempla , ela inha op e so iso e olha , uma coisa o a do no mal.
[13:18] E eu depois ui me ap oximando, omos ganhando con iança, e eu acabei po in e i de uma o ma pessoal
dizendo, dinhei o nunca, eu segu a a, po que eles não êm a mesma o ma de ge i o dinhei o que nós, não êm, se eu
desse dinhei o e a capaz de gua da me ade e manda p a Guiné, e eu joga ou a his ó ia, não é? Po que já, eu ambém
de ia deixa de lado a minha essência e a minha cul u a, e aze -me ale da dela. Eu enho esse a ão, mas ha ia uma
c iança que podia se de qualque cul u a, ela ia bebe mui o do Guineense embo a não enha nascido lá e nunca lá oi
ainda.
[13:58] mas ambém ia nasce na nossa cul u a, po an o, e depois ha ia a si uação que oi o algo que pos o passado
pouco empo que ela ia e aqui pa a o Alcoi ão e e que es a lá no mínimo um mês, se ia a mesma ol a do mês, mas dia
es á de ce eza em con alescença pa a se adap a a anda com a p ó ese e a aze ajus es.
[14:26] O Alcoi ão é em Lisboa, é uma clínica de eabili ação, mais ou menos isso, hospi al público, udo pa e do nosso
es ado e há os aco dos com esses países que êm alguma ligação a Po ugal e ela en ão inha nesses p og amas de apoio
à saúde e a Ad iane em que ica com alguém e ha ia a possibilidade de ela e aqui pa a uma ins i uição de um o ana o
du an e esse pe íodo e eu não deixei e passei a ica com ela. Isso é a melho expe iência da minha ida. E ipo, eu sou
mui o aquela pessoa, eu sou mui o ligada, mas eu ambém, não é me desliga , há coisas que me ma ca am e icam pa a a
ida, mas eu dou mui o espaço às pessoas e eu não sou aquela pessoa que es á semp e e a minha ida depois ambém
deu mui as ol as e eles ambém acaba am po emig a algum empo depois de udo isso passa , a miúda já c escida, a é
que ela ez o p imei o ciclo num país o a, no Canadá, al ez uma coisa assim. E eu é só liga que é só liga e dize es ão
em B aga ago a a ualmen e a mo a . E eles es i e am mui os anos em Esposende, sei que ma quei p o undamen e aquela
c iança e aquilo oi uma expe iência que eu gua do pa a a minha ida, que oi das melho es expe iências da minha ida, e
em a e com o meu pe cu so.
En e is ado a: [00:03] amos aze ago a os con ex os cul u ais e p o issionais. Como ocê desc e e ia o ambien e de
in e ação e elacionamen o en e os p o issionais da sua ins i uição de abalho e no seu g upo p o issional?
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Pa icipan e 2: [00:16] pois, eu aqui es ou com a mesma di iculdade que i e quando espondeu ques ioná io, po que a
minha expe iência nes e momen o eu enho que aze duas, dois momen os, e é o almen e di e en e, momen o em que eu
es i e no p i ado, e ago a o momen o em que eu es ou no público. Eu p eciso é de in e ação e elacionamen o en e
p o issionais na sua ins i uição. E que aí é mesmo aquela ques ão c í ica po que o elacionamen o e in e ação en e
p o issionais no ensino público não em nada a e com o elacionamen o no ensino p i ado.
[01:03] E se eu soube eu que sei hoje, eu não que ia e conhecido o ensino público, oi p i ado peço desculpas. De odo.
Assim, há mui o, e pode se que eu ainda enha ou as expe iências que me digam que me digam não é o con á io, po que
is o é assim. Ago a, pode e a e com a ins i uição onde eu abalhei p i ada, não é? E eu conside o que elas são odas
mui o idên icas e conheço ou as pessoas que abalha am nessas ins i uições e enho me c uzado com colegas que me
saí am dos meus de pe cu so idên icos aos meus dou as ins i uições e odas elas êm a mesma opinião, e ai ao encon o
dis o, o espei o pela nossa p o issão, a alo ização da nossa p o issão, do nosso do que é educado de in ância num ja dim
de in ância ou numa c eche que seja, e eu espei o mesmo a e o espei o, o espei o de p o issional, ha e dis ância
p o issional, ou seja, ipo há mui a mis u a, cla o que depois depende de cada de man e as dis ancias, de exigi o espei o,
não é? Eu ui a ada, mas eu isso acho que o se a ado pelo nome, po eli e, não, não podia oda a gen e e a a po é?
Ou eu me enho que se a ada po p o esso a nem po educado a embo a que não ensino público, esse e mo é semp e
colocado, eu nunca sou a ada só po meu nome, é semp e po p o esso a X, p o esso a X, p o esso a X, e que eu a é nem
me g aduei, mas não ado o po que eu não sou p o esso a, sou educado a, e há mui o, eu é mesmo de mim mesmo, eu
disse, eu di e encio mui o esses í ulos.
[03:11] P imei o, dou o a, não acho que enha sen ido nenhum, já ui a ada há mui o empo po isso, do quando es a a
na coo denação. E eu e a exa amen e a mesma, só que e a coo denado a, di e o a écnica, en ão e a dou o a X. Ti ando
isso e a a X, como se osse aquela que oi colega na escola. E ago a, eu sou a p o esso a lisa. Mas é assim, de odas, a que
eu mais ado o é es a úl ima. Po que apesa de eu e p o esso a es a bocadinho des iado, po que eu p e i o educado a,
mas eu ambém conside o que é mui o mais ácil dize p o esso a X do que Educado a X, é uma pala a mais di ícil de
dize , mas sem dú ida que a posição de cada es á no seu luga , mesmo, ou seja, a é os meninos que eu es a a eu inha
assim uma coisa que eu ado a a se a ado, eles a a am po X, e e a aquela coisa ipo X, a X que b inca, a X que se
sen e ao ní el deles, e às ezes ha ia ali uma di iculdade em a a , e eu enho esse p oblema com os meninos ambém, no
p i ado, no público, no ensino público, como há, a é dos pais, que é uma coisa inc í el, po que pa a os pais no ensino
p i ado, eles p óp ios não es á ão po eles, po homem, e quase odos, e no ensino só mais is o, no ensino público, eles
a am as educado es, ou po educado , não é? Ou po p o esso es semp e, não é, eu disse, e es amos a ala do mesmo
país, da mesma zona do país, da mesma língua de udo, mas é uma di e ença inc í el, só que az a di e ença pa a da
sen ido de ou o espei o.
En e is ado a: E essa in e ação com seus colegas no dia a dia?
Pa icipan e 2: Es amos a ala de colegas peço desculpa, colegas de p o issão, ipo educado pa a educado ?
En e is ado a: [05:17] de p o issionais, isso, de educado pa a educado , no dia a dia. Como que ocê ê essa elação
en e ocês assim? Exis e uma pa ce ia? Exis e companhei ismo? Ou ocê ê ambien e de dispu a? Como que é a sua isão?
Pa icipan e 2: [05:34] eu i e á ias isões, á ias expe iências no ensino que i e, i e á ias expe iências e i e as
melho es e as pio es, mas i e mui o mais ambém. Mesmo mui o mais, pa a não lemb a , com colegas e a é mesmo com
educado es, com a sociedade nem se ala, po que al a a espei o a eno mes. No p i ado, no público, há mui a di e ença de
auxilia es, há semp e espei o, acho que conside o que enho apanhado semp e essa pa e do espei o es á sal agua dada,
mas já há semp e auxílio as melho es e pio es po que essas são o nosso b aço di ei o, es ão bons mesmo na sala.
[06:22] depois como colegas eu enho a melho das expe iências nesse público, eu acho que são mesmo colegas, a
espi ação é o almen e di e en e. Não há dispu a que gos am, são mui o mais abe as, mui o mais umadas po que a
o mação é uma cons an e no ensino da ede pública, em mui o mais conhecimen o po que a ede pública ob iga, não é
an o assim, cla o que há pessoas que pa a am mais no empo, mas não é possí el pa a mui o no empo na ede pública,
há mui a supe isão e depois as pessoas ajudam-se mesmo, não há ninguém que es eja sozinho, não há.
[07:09] é a expe iência que eu enho e depois é assim, apesa de eu es a há pouco empo no público, po que eu só
comecei em janei o de dois mil e in e e dois, não sei. P on o, mas eu já passei po mui as escolas po causa da si uação
em que me p opus a abalha , e an as escolas quan as p o issionais eu me c uzei, o a ou e a auxilia ou colegas de
b asilei os e assim há algumas di e enças no público depois assim democ acias e e ce e a que eu ui comple amen e, elas
nem p ecisei dize olha eu es ou com di iculdade, eu p eciso da ajuda, oi es ás a en a , ens do p i ado ais e
di iculdades, nós es amos aqui pa a e ajuda . E es e ipo de pessoa que a gen e encon a, en ão de lá.
En e is ado a: E assim, de que manei a assim? Dos pais, os colegas, os memb os dessa comunidade que pa icipam
in luenciam no seu abalho?
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Pa icipan e 2: [08:29] in luencia mui o. In luencia mui o po que assim, quando nós nos sen imos, p imei o, eu p eciso
de uma coisa mui o impo an e pa a me sen i pa a me pa a me sen i bem a abalha , eu p eciso me sen i ú il, e p eciso
sen i que iz alguma coisa que ac escen a, aze mais do mesmo não me in e essa nada, mas em udo na minha ida,
mais do mesmo não me in e essa nada. E en ão se os pais me de em a opo unidade de se ú eis na educação dos ilhos
deles, e se eu o econhecida, não é econhecida no sen ido, aí, ipo, emos que ag adece , não, po que eu ganho o meu
salá io, mas se eu sen i que ealmen e eles a aliam ago a o meu abalho e que o meu abalho az, az alguma di e ença,
ou ac escen a, ac escen a.
[09:17] se ac escen a es á ó imo. E assim, se nós sen i mos, is o é mui o bom e es á, e se eu sen i is o, pa a mim es á
ó imo e eu segui em en e e es ou com é como se osse ca imbo de que ai em en e e es ás me com o caminho, não é?
Como se ôssemos a segui caminho. Só que ambém podemos sen i ou as coisas e sen i já, po que se sen imos que os
pais po exemplo en am dize que a c iança não az nada coisa, não sabe nada coisa, po que a Educado a não ensinou, ou
ipo, não em sucesso na escola, no ime ciclo, po que a Educado a oi má, mas há ou os que ul apassam as nossas
capacidades.
[10:25] ago a, é bom que as pessoas pe cebam a é onde ai a nossa a nossa capacidade de in e enção. E lá es á, e nem
semp e, is o é, ou seja, nem semp e is o, como é que é de explica is o? Às ezes as pessoas p ecisam de encon a
culpado, não é? A é mesmo a o ganização de uma ins i uição. De géne o, uma coisa que eu ou lido mui o mal é p oje os, e
eu es ou semp e a g a a e dize assim, ok es a ideia é espe acula , colegas, ideias b ilhan es, isso é pa a pô em p á ica
ou é só pa a esc e e no papel? Po que eu de es o esc e e no papel aquilo que não ai se ei o. Odeio, nem consigo
esc e e , depois pa ece que es ou ali a a asa .
En e is ado a: [00:01] pa a a gen e echa aqui, amos ala um pouquinho sob e a pe cepção de si quan o p o issional.
Pa icipan e 2: Uhum.
En e is ado a: Você pe cebe que em alguma ensão en e as suas aspi ações pessoais, e as expec a i as da ins i uição
de ensino, enquan o as demandas da sociedade? Você pe cebe que exis e uma ensão en e as suas ques ões pessoais e
as expec a i as da ins i uição de ensino? Você comp eende isso? Você acha que exis e alguma ques ão?
Pa icipan e 2: [00:38] eu es ou a en a en ende bem a ques ão.
En e is ado a: Po exemplo, ocê em as suas ideias pessoais? A suas expec a i as enquan o p o esso , enquan o
p o issional. E aí ocê que coloca isso pa a a ins i uição de ensino, mas a ins i uição de ensino em a sua o ma de ge i
isso po con a das ques ões sociais, e ocê em as suas c enças.
Pa icipan e 2: [01:08] E aí exis e ali assim, isso não é um emba e. Não é, não é
En e is ado a: ocê em espaço pa a coloca suas ideias, ocê consegue coloca as suas ideias, ou seja, é uma ou a.
Pa icipan e 2: [01:20] que ambém, ambém eu já enho uma expe iência que me az sabe bem o luga que ocupo e os
meus limi es, não é? Há coisas que é a ida ambém já me ensinou que eu não ou muda o mundo. Ago a, isso o ac o de
ha e essa eo ia de não ai muda o mundo não signi ica que eu desac edi o de uma coisa ou ou a que eu quei a que seja
di e en e. E, mas às ezes isso não é pos o em causa po que eu ambém mui as ezes ul apasso limi es, ou seja, imagina
que pa a aze uma expe iência com os miúdos eu p eciso de de e minado ma e ial que não exis e na escola, não é? Pode
acon ece an o no p i ado como no público.
[02:03] isso às ezes pa a mim não é ba ei a. Po quê? Po que eu es ou semp e disponí el pa a i in en a , pa a i
p ocu a , pa a i ao im do mundo busca ma e ial seja a paga eu, seja pedi emp es ado, seja pedi p a da . Eu pe co a
b oinha oda e ou se o coisa que eu ac edi o ou que eu quei a mui o que a c iança expe iencie e eu pe gun o a odo
mundo aço udo pa a i , mas acho que isso ambém é bocado ca ac e ís ica, é bocado ca ac e ís ica dos educado es em
ge al. Pode á não se odos, pode á não se odos. Mas, mas assim, es ou a ala ambém de exemplo mais p á ico, mas eu
nunca me sen i p op iamen e, eu nunca pude dize assim olha, eu não iz abalho melho po que não me deixa am, eu não
posso dize isso.
En e is ado a: E den o disso, ocê já expe imen ou alguma desilusão com o sis ema educacional?
Pa icipan e 2: Assim pa a mim olha, a maio desilusão é o nosso es ado, não é? Po ugal, não e c eche públicos, essa
é a maio desilusão, acho g a íssimo. E en ão alando a ualmen e como é que se pode c ia as c eches elizes, is o é uma
polí ica uma coisa que es á ago a em es á a se ago a discu ida como é que se pode apoia e aze uma polí ica em que se
de ende as c eches elizes e apoia , mas como é, e depois pe mi isse ou aze com que haja a possibilidade das c eches
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pa a as c ianças, pa a de e minadas c ianças, se g a ui a, e o núme o de c eche é o mesmo que e a. Isso acho g a íssimo,
e acho g a íssimo que há in e anos o núme o do ácio, não é? E po exemplo, à pa e ísica de uma sala e há pa e do
ácio de ecu sos humanos, não é? Os ecu sos ísicos e os ecu sos humanos, como é que o ácio há uns anos a ás e a
uma que eu não sei especí ica , não sei conc e iza com nomes, mas po exemplo eu sei que be çá io não podia e mais
de dez c ianças. E como é que ago a se calha , eu nem que o e como é que es ão os be ça ios hoje em dia.
[04:23] não em dez, nenhum, nenhum, is o é mui o g a e. E mui o g a e mesmo, po que eu es ou a ala de be çá io, eu
pe cebo mui o de c eche embo a que eu ago a já não ou abalha mais em c eche, di icilmen e, mas isso pa a mim é
uma coisa g a íssima. E g a íssima ambém a o ma como se ge e nos ja dins de in ância a ques ão da ou a coisa
g a íssima que eu ambém acho é a idade de ca ei a como p o esso . Acho g a íssima, acho que é inadmissí el, e já oi
di e en e, já oi melho , já oi adequado há mui os anos, como é que ago a, não é? Como é que ago a pio a? Não é? Como é
que eles me pagam a mim, po exemplo, um salá io pa a eu es a um dia po semana em cada escola? E o es ado que
paga a ualmen e.
[05:19] eles azem-me pensa , é bom pa a mim, eu es ou bem, es ou con o á el, es ou a ganha menos com que es a a
no p i ado po que ainda cheguei, ainda não subi os pa ama es p eciso pa a es a numa si uação mais jus a po que eu i e
que, ou seja, eu com es a minha mudança é como se eu es i esse a inicia a minha ca ei a, e eu enho in e e ês anos
de se iço, não é? E, mas acho, acho g a íssimo a e . Eu po exemplo, eu no mês de agos o eu ecebi, não que o men i ,
ês mil e se ecen os eu os, isso é um absu do, ecebi odos os meus di ei os, não é? Eu pe cebi, eu abalha a em ês
ag upamen os, eu pe cebi, eu pe cebi, mas não e a subsídio, é alo onde é ou se a sessão de con a o, ou seja, se se
con a o com ag upamen o ou o e ou o, is o é mul iplica .
[06:21] imagina que esse alo é cem eu os, que é mais que eu não sei de co , mas en ão u que sabes ezen os e bas
po que p ecisasses de con a os com essas ês escolas. Po que no ano seguin e ão p ecisa das pessoas no amen e,
desses luga es exis em, não é? E pa a da essa acilidade, é di ei o e, mas isso é uma coisa que nem az sen ido. Em ez de
es a em a eduzi a con o midade ao meu educado a pa i dos sessen a, de ia dize não, abalhou a é aos sessen a e ok,
po que seja a é os sessen a, já é e que já oi menos.
[06:54] mas a é aos sessen a e se e sessen a e se e e mais não sei quan os meses é inadmissí el, é inadmissí el. E depois
o que é que is o az? Faz com que haja baixas sucessi as e semp e as agas a sai , en ão o Es ado es á a paga as baixas e
as educado as que já não êm saúde que in elizmen e chegam a pon o de ida que já nem pa a goza a sua e o ma ão
es a disponí eis, não é? Não ão e esse empo de ida, es ão desgas adas po que es ão, po que é no mal, não é? E uma
p o issão que desgas a, pode se gos a mui o e elas acabam.
[07:27] E a expe iência que eu i e com as colegas que êm mais de sessen a anos, eu ico boquiabe a, ico o gulhosa, de
ainda às e a abalha assim, das que eu conheci, po que ainda conseguem e ene gia, a idade não é, algumas coisas,
mas elas ainda, ainda são, acabam po se empenha , mas es ão cansadas. Sessen a e se e anos numa idade pa a
ninguém se e o ma , mui o menos um p o esso , po que es ão a lida com c ianças cheias de ene gia, que sugam a
ene gia e não az sen ido elas e em que apanha como educado as com sessen a e cinco anos,não é? Po que ai uma que
é menos do que essa idade, como eu, um dia, e os ou os qua o, elas es ão como educado a, já não êm o mesmo í ulo.
Pode se a melho pessoa e a melho p o issional do mundo, não é? Mas ob iamen e que depois ambém adap a o seu
abalho às capacidades que em, nem a capacidade de conhecimen o, capacidades in elec ual ou p o issionais,
capacidades a é ísicas a é onde pode i , não é? Eu ano passado i e uma expe iência assim, eu es a a dois dias, já há
algum empo es i e dois dias numa na mesma escola. Um dia es a a numa sala a subs i ui a edução da amamen ação,
do ho á io da amamen ação de uma colega, e no ou o dia es a a a subs i ui , oi uma p opos a do ag upamen o, passa
empo á io. Es a a a subs i ui uma colega que inha mais de sessen a e cinco, oi ho á io anual esse daqui do ano. Mas no
dia que eu es a a na no g upo da colega que amamen a a, eu ia a colega que as subs i uía na sala lá de manhã. E eu
apanhei o início do ano le i o po que ainda ui ocado em se emb o.
[09:18] E nesse g upo ha ia uma c iança que oi mui o di ícil a adap ação daquela c iança, mas ambém oi di ícil, po
causa dessa educado a que já, ela é indelicada, depois a conheci bem, aliás ela oi das pessoas que melho me a ou e
que me ecebeu, que me mos ou à escola, que oi, ela como colega, com uma equipa, ela ez uma equipa espe acula p a
mim, só que ela não podia ou i a c iança a cho a , que ela já não conseguia mesmo. En ão o que é que ela azia? Não
azia mal nenhum, não mo a a com ninguém, e a uma pessoa supe anquila, só que ez a pio coisa que pode ia se ei a,
a é e baixa, ele e e p a icamen e o ano odo de baixa. Não oi odo, ela e e o início do ano e o inal do ano, o g osso do
ano, sob e o pe íodo não es e e, e me ade do p imei o pe íodo não es e e, eio pa a i a meio do e cei o pe íodo. Aliás,
não oi a meio, ela eio no e cei o pe íodo, oi isso. Po que depois em janei o oi, oi isso, ela eio no e cei o pe íodo. Que
dize , nem es á amos a con a aquela iesse, mas o que é que ela ez no início do ano enquan o es e e no a i o? No
p imei o naquele empo c ucial pa a a c iança se adap a . Como ela não conseguia mesmo ou i a c iança a usa po que
e a aquelas c ianças que le a am supe in eligen e, mui o in e essan e enquan o c iança, mas usa a a in eligência pa a
manipula , não é? De odas as manei as e mais algumas. E a uma c iança de ês anos, supe p o egido pela amília
ambém no malíssima u ma no mal.
[10:57] E ele não conseguia se con ola , oi no ou o, e nos meus dias ambém o inha. E nos dias que ela es a a, a época,
essa época, manda a a c iança passea com auxilia , p e e ia ica com o g upo odo do que ou i a c iança na sala, não
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conseguia a u a-la, en ão a c iança habi uou-se a i pa a a e ei ó io, a i pa a aze os ecados odos pa a auxilia , anda
nos co edo es, du an e o mês e al, a é ela me e mais. Depois quise am, is o esumindo mui o ápido, conseguiu-se
esol e a si uação.
[11:35] Quando ela oi baixa, eio uma educado a subs i uí-la, e em equipa po que a equipa da escola inha, a escola inha
ês salas, ja dim de in ância, e a equipa unciona a mui o bem e oda a gen e ali, aquilo não e a p oblema daquela sala,
e a p oblema daquela escola, oi assim que oi is o e oi ao ag upamen o, oi ei a a p opos a ao ag upamen o que a
c iança mudasse de sala, po que já não e a possí el ecomenda aquele miúdo es a a em expe imen o e ele não conseguia
es a na sala, e chegou-se a expe imen a an es de se aze a p opos a, ipo sem se o icial, não é? Ele passa dia in ei o
den o da ou a sala, da mesma idade, em que inha amigos mais elhos, eu ambém inha da idade dele, mas inha
amigos mais elhos que e a a sala onde eu es a a. Ou seja, eu apanhei nas duas salas e a e a c iança es a a sendo
es elas sem cho a , sem aze manipulação, sem coisa nenhuma. Po que assim ele na ou a sala ele não em es a lei u a à
c iança, mas em uma eação, ele na ou a sala se sujei a a e pa ecia que e a espe acula anda a passea po odo o lado,
não é? Mas no undo ele oi pos o o a da po a, não oi acolhido, com paciência, com, mas ez mal nenhum, mas ez o pio
que podia e ei o. E depois a escola oi espe acula e o a gumen o oi cinco es elas, mui o, mui o abe os já da passa a
mudanças e pe mi i am po que isso é uma coisa o icial, não se pode pô uma con iança duma sala pa a ou a só po que
sim oi jus i icado e esol esse o p oblema da c iança mudando pa a ou a sala
En e is ado a: [13:22] ocê acha que essa colega es a a no num es ado de es esse, cansada?
Pa icipan e 2: não conseguia já ole a o cho o. Assim não sei se ela oi semp e assim sei que ela ol ou e o ano le i o
con inuou, só que assim não deixa de se uma colega com sessen a e mui o anos a abalha num g upo que não é isso
que p e ende.
En e is ado a: [13:41] Sim, comp eende.
Pa icipan e 2: Assim e depois eu ambém cheguei nunca i e choque, mas eu i e que dize auxilia nos dias que eu
es ou ele não ai anda a passea nem que ele me odeie, ele pode me odia , mas ele não ai associa a isso po que isso é a
pio di e ença que podem aze .
En e is ado a: [13:55] essa colega inha quan os anos?
Pa icipan e 2: Tinha não sei quan os, mas inha em sessen a e sessen a e cinco. Não, inha mais de sessen a e
sessen a e dois.
En e is ado a: [14:10] essa aixa do que ocê colocou da e o ma.
Pa icipan e 2: Is o é um exemplo, não é? Depois há aquelas colegas, eu, chegam num pon o que não que em le a os
meninos a passeios, isso não é o mais impo an e do ano le i o, elas podem e p á icas pedagógicas mui o boas, po
exemplo, ambém êm, ambém êm colegas com uma ansiedade que que não e oluí am e que despacham udo com as
o ocópias da c iança, é, é o ou ono pin am a espinha de milho, é o ca na al pin am a másca a, não é? E es ão ali sen adas
e chegou ao im do dia. E eu, isso, eu cheguei a e , nós emos aquelas pla a o mas onde emos que pô o sumá io, não é?
E elas azem umas semanas espe acula es, a é põem as á eas de con eúdo e udo que es á a abalha , mas na p á ica a
a i idade é di ícil. Se acele a os ela ó ios, os sumá ios es á mui o bem, a colega abalha as á eas odas de uma o ma,
não alha nada, música, á udo lá, mas depois em a o ocópia.
En e is a Pa icipan e 3 (Au elice)
En e is ado a: [00:03] P imei o eu que o sabe , quem é essa pessoa né? Onde ocê nasceu? Em qual local que ocê
i e a ualmen e?
Pa icipan e 3: Olá, meu nome é Au elice, eu nasci aqui em B aga em Gual a po an o aqui mui o pe inho, semp e i i
em B aga, e é uma pessoa olha sou uma pessoa no mal como odos e con inua em B aga.
En e is ado a: [00:29] ocê nunca mudou daqui?
Pa icipan e 3: Não, sim, semp e i i em B aga, só iz oi ERASMUS, po an o no úl imo ano da uni e sidade iz
ERASMUS e ui pa a Holanda, po an o o am ce ca de ês meses, oi o úl imo ano do cu so, na al u a nós passá amos,
94
não é? Po que e a só ês anos depois já podemos aze um e icá amos com a licencia u a e eu ap o ei ei e iz a
licencia u a, já saí com a licencia u a, mas nesse ano ap o ei ei e ui a é lá o a ealmen e conhece ou a ealidade.
En e is ado a: Que expe iência ma a ilhosa! Qual que é a p o issão e a quali icação dos seus pais?
Pa icipan e 3: O a bem. A minha mãe não sabia le nem esc e e , e o meu pai inha a qua a classe.
En e is ado a: [01:14] E hoje e eles abalha am de quê?
Pa icipan e 3: A minha mãe oi domés ica e o meu pai e a ma cenei o.
En e is ado a: Hoje eles são i os?
Pa icipan e 3: Não já alece am os dois.
En e is ado a: [01:26] ocê em i mãos?
Pa icipan e 3: Tenho somos oi o, eu sou a mais no a, po an o
En e is ado a: Todos mo am aqui em B aga?
Pa icipan e 3: Não, um emig ou, o mais elho emig ou, e os ou os sim, os ou os odos mo am cá em B aga.
En e is ado a: [01:43] ocê é casada? Tem ilhos?
Pa icipan e 3: Sou casada, enho um ilho de eze anos, e é mui o maland o, pois p on o!
En e is ado a: E qual que é a p o issão do seu ma ido?
Pa icipan e 3: O meu ma ido é p o esso ambém.
En e is ado a: Você em um ilho de eze anos?
Pa icipan e 3: Sim.
En e is ado a: Só um?
Pa icipan e 3: Só, é e dade é e dade.
En e is ado a: [02:08] ocê se o mou onde e qual que é as suas quali icações p o issionais?
Pa icipan e 3: Po an o eu como sou daqui de B aga semp e es udei aqui nas escolas de B aga e i ei o cu so aqui na
Uni e sidade do Minho. Po an o como eu disse, na al u a eu en ei pa a aze bacha elado, mas depois como e a a
ansição po mais ano azia a licencia u a e iz. Po an o, a base em a licencia u a em educação de in ância. Depois
insc e i-me no mes ado, só que só iz o p imei o ano, o p imei o ano do mes ado, que e a en ol imen o pa en al, não,
supe isão e mul icul u alidade.
En e is ado a: [02:49] en ão a gen e ai ala pouquinho ago a sob e a sua ida de educado a. O que oi o mo i o da
sua escolha pela educação de in ância como ca ei a?
Pa icipan e 3: [02:59] que mesmo?
En e is ado a: O que e mo i ou a escolhe se educado a de in ância? Que que ocê pensou pa a ala assim eu que o
se educado a de in ância?
Pa icipan e 3: [03:10] não, olha bem o meu pai disse se que es i pa a a uni e sidade ens que i a cu so aqui que pa a
o a não ais. E eu ealmen e no ano an e io inha ei o a insc ição pa a a uni e sidade e iquei o a. Não en ei pa a o
cu so que que ia, que ia geog a ia. No segundo ano mesmo assim bem, eu que o mesmo i a um cu so e na al u a
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PERGUNTAS
EVA
OLGA
AURELICE
equência ocê
ealiza e lexões
sob e o seu
abalho e sua
o mação como
p o esso ? Além
disso, que ipos de
lei u a ocê
cos uma aze e
quais ou as
e lexões p á icas
ou eó icas ocê
ealiza pa a
ap imo a sua
p á ica educa i a?
aço dia iamen e, odo o
empo! Sob e a minha
o mação de base acon ece
mui as ezes po que passados
es es 42 anos con inuo a e
como base as ap endizagens
que ealizei naqueles ês anos
de Magis é io e que eu
conside o mui o a uais po que
p i ilegiam o se c iança. Ti e
a so e de e p o esso as
excepcionais que gos a am e
comp eendiam as mo i ações
conc e as das c ianças e nos
ensina am a pa i delas,
espei ando os seus in e esses
e necessidades. Reco do com
mui a saudade e p o undo
ag adecimen o a odas elas e
p ocu o não me des ia mui o
daquilo que elas me o am
ensinando. Cos umo le as
e is as da APEI e equen a
á ias o mações em cen os
de o mação pa a p o esso es.
p á icas é uma cons an e,
sou mui o exigen e comigo e
com as c ianças que se
c uzam comigo...Cos umo le
alguns li os écnicos
pon ualmen e, o mação
semp e que possí el, e
publicações que ão
su gindo. Man e -me
a ualizada com a in o mação
pa ilhada pelo ag upamen o
/ Minis é io da Educação
(que é mui o equen e).
o mação, com especi icidade
na educação de in ância: na
pa ilha de opiniões com as
colegas, na lei u a au ónoma
de ex os
Quais aspec os da
sua o mação
o am mais
impac an es pa a
a sua
comp eensão de
in ância?
Penso que em pa e já
espondi a es a pe gun a em
cima, mas na minha o mação
de base ap endi a alo iza a
imaginação a c ia i idade das
c ianças, a p omo e o
conhecimen o e comp eensão
do mundo que as odeia, a
incen i a a pa icipação a i a
de odas as c ianças em odos
os momen os desde o
planeamen o a a aliação das
a i idades. A p io iza uma
pedagogia de si uação como
pedagogia não di e i a que
pa e do que a c iança já sabe,
alo izando esses sabe es
como undamen o pa a no as
ap endizagens e endo a
p eocupação de es imula a
pa icipação de odas as
c ianças.
Miguel Zabalza, oi a minha
maio in luência enquan o
pedagogo. Alguns p o esso es
que i e a opo unidade de
conhece e ap ende com
eles ao longo da minha
licencia u a ambém.
A c iança como se capaz e
compe en e pa a a omada de
decisões e de ealiza os
abalhos de o ma au ónoma.
Quais são os
p incipais desa ios
que ocê en en a
ao abalha com
c ianças na
p imei a in ância?
Um dos desa ios é man e -me
iel aquilo que ap endi e
ac edi o quando a maio pa e
p omo e uma escola ização
p ema u a, onde os in e esses,
mo i ações e necessidades
conc e as das c ianças não
passam do papel e as c ianças
passam odo o empo
sen adas a aze ichas. Ou o
A g ande al e ação da
sociedade a ual, o acili ismo,
a pe missi idade, a al a de
esponsabilidade dos pais, a
al a de hie a quia amilia , a
al a de espei o, os
p oblemas de saúde (alguns
congéni os) de cada ez mais
c ianças e a al a de apoios e
de apoios de qualidade pa a
P incipalmen e a desigualdade
social, que ge a di iculdades
que podem condiciona o pleno
desen ol imen o da c iança; as
mudanças amilia es e po
ezes de país.
102
PERGUNTAS
EVA
OLGA
AURELICE
desa io é o compo amen o
a ual das c ianças em g upo.
Cada ez mais, as c ianças
demons am di iculdade de
concen ação e a enção em
a i idades que eque em um
pouco mais de a enção como
ou i uma his ó ia, con e sa
em g upo sob e uma si uação
ou ema, aze uma pesquisa,
joga um jogo mais elabo ado
e c. Demons am
compo amen os egocên icos,
di iculdade em ou i os ou os
en ando chama semp e a
a enção sob e eles,
p ocu ando semp e se o
cen o das a enções. Ou o
em a e com a al a de
empo que os pais das
c ianças demons am e no
dia a dia com os seus ilhos
o e ecendo elemó eis, able s,
compu ado es e jogos pa a
que eles es ejam ocupados e
os deixem nos seus a aze es.
Tal ez daí a necessidade deles
na escola de se o cen o das
a enções!
acompanha e ajuda
adequadamen e cada uma
das necessidades.
Na sua o mação
inicial o am
abo dadas
conceções de
in ância? Se sim,
em que
disciplinas? Qual a
conceção mais
de endida na
o mação inicial?
Sim, em Psicologia,
Pedagogia, Mo imen o e
D ama, Técnicas Pedagógicas.
Quan o a conceção de endida
já expus nas pe gun as
an e io es.
O cons u i ismo. Nas
disciplinas de P á ica
Pedagógica, Me odologias da
Educação, Psicologia...
Sim, oi nos dado uma
pe spe i a da in ância ao longo
o dos empos.
Você sen e que
sua dedicação
como educado de
in ância é
econhecida pela
comunidade local?
Além disso,
pe cebe a
exis ência de um
ambien e p opício
pa a o
desen ol imen o
pleno dessa
p o issão den o
da comunidade?
De que o ma é
isso mani es o?
Sim, mui o econhecida pelos
pais e amilia es das c ianças
de quem ui educado a ao
longo des es 42 anos.
Reconhecida pelas colegas e
di e o as do Cen o In an il
onde abalhei in a
anos.Reconhecida na
comunidade po di e sos
elemen os da au a quia, jun as
e algumas ins i uições. Pouco
econhecida no ag upamen o
onde abalho nes e momen o,
po e ideias p óp ias e não
acei a imposições que ão
con a a minha o ma de
pensa e se educado a. Nes e
momen o o ambien e não é
Sim, especialmen e pelas
c ianças e amílias. Consigo
con i ma com as exp essões
das c ianças de a e o e à
on ade pa a comigo e nos
pais a a és das suas
eacções e comen á ios que
azem a meu espei o e do
meu abalho.
Não, apesa de já se e dado
um g ande passo na
alo ização da nossa p o issão,
ainda se hou e se pa a se
educado de in ância é p eciso
e cu so supe io , uma ez que
só " en e emos" c iança.
103
PERGUNTAS
EVA
OLGA
AURELICE
p opício pa a o
desen ol imen o pleno da
minha unção, mas p ocu o
da o meu melho pelas
minhas c ianças.
Como ocê in eg a
as ozes e
expe iências das
c ianças na sua
p á ica
pedagógica? De
que o ma?
Ou indo e alo izando odas
elas em g ande g upo, em
pequeno g upo e em
con e sas indi iduais.
Como a base e o mo o do
meu abalho. O meu obje i o
a cada dia é o na as
c ianças elizes e
au ónomas...as suas ideias
são semp e escu adas, os
seus desejos ealizados
semp e que possí el e as
suas necessidades a endidas
indi idualmen e.
Na escu a a i a da c iança: no
acolhe das suges ões das
c ianças; na c iação e ges ão
dos mapas da o ina.
Com base em sua
expe iência como
educado de
in ância, quais são
os p incipais
desa ios que ocê
en en a no seu
co idiano
p o issional,
conside ando a
in e ação com a
comunidade
in an il na qual
ocê abalha?
Penso já e espondido a es a
pe gun a numa das ques ões
acima.
A mul icul u alidade, cada ez
mais sen ida nas escolas e
nos g upos; as c ianças com
p oblemas, que são cada ez
em maio núme o po sala e
a consequen e al a de
ecu sos humanos pa a
apoia a educação inclusi a;
as di e en es pos u as de
esponsabilidade na
educação p imá ia das
c ianças dos pais; o uso
excessi o e pouco ou nada
sele i o de elemó el, able ,
TV que p o ocam
seden a ismo, al a de
a enção e concen ação e
desin e esse nas c ianças...
T aze expe iências
signi ica i as pa a as c ianças,
que as p opos as de a i idades
enham in e esse e signi icado
pa a cada uma das c ianças.
Pa a ocê, qual a
concecão de
in ancia es á mais
p esen e na
sociedade?
Exis e a p eocupação po
espei a os seus di ei os,
con ibui pa a o seu
desen ol imen o in eg al e
sensibiliza pa a os p oblemas
sociais e ambien ais
p omo endo uma a i ude de
pa icipação nos desa ios de
cidadania com a espe ança de
que se o nem adul os
esponsá eis e possam
esol e os p oblemas a uais e
u u os.
A c iança em que e udo,
aze o que que (sem limi es
de inidos e a al a de espei o
pelos pais e pelos mais
elhos).
Uma in ância p o egida pelos
di ei os das c ianças, endo em
con a a cul u a em que se es á
inse ida.
Na sua opinião,
como a educação
pode con ibui
pa a uma
comp eensão mais
ampla e inclusi a
da in ância?
P omo endo um amplo
conhecimen o dos seus
di ei os, das suas
necessidades, dos seus
in e esses e mo i ações na
comunidade em ge al. As
escolas êm cada ez mais a
missão de p omo e uma
cul u a democ á ica,
pa icipa i a, inclusi a,
humanis a e ino ado a.
Com um abalho mais
p óximo das amílias e com
os limi es e esponsabilidades
melho de inidos en e a
escola e a amília. T abalha
de uma o ma mais
adequada às necessidades
das c ianças, com uma
educação mais cuidada e
pe sonalizada.
Uma educação cen ada nos
di ei os humanos e das
c ianças, uma educação
cen ada na educação
mul icul u al e uma educação
cen ada no espei o, na
alo ização le a a que as
c ianças ap endam a pa ilha e
a c ia um ambien e segu o e
p aze oso pa a odos.
104
PERGUNTAS
EVA
OLGA
AURELICE
Você ac edi a que
as polí icas
educacionais
a uais e le em
uma comp eensão
adequada das
necessidades e
di ei os das
c ianças?
Since amen e não. O que se
esc e e como missão,
obje i os ica na maio pa e
das ezes apenas no papel.
Não exis e uma p eocupação
eal em conhece e
comp eende cada c iança,
cada aluno. A p eocupação
eal é com as es a ís icas, com
os luga es nos ankings...
Nes e momen o não. A
sociedade es á a e olui
mui o ápido e as polí icas da
educação não es ão a
consegui acompanha ... é
p eciso pa a e e le i ápido
pa a agi ...
Sim, embo a al em ecu sos
humanos e ma e iais.
P o esso (a),
gos a íamos de
ou i mais sob e
suas expe iências
ou insigh s
elacionados à
educação de
in ância. Exis e
alguma
in o mação
adicional ou
expe iência que
ocê gos a ia de
compa ilha
conosco e que não
enha sido
abo dada nas
pe gun as
an e io es? Se sim,
aça seu egis o
abaixo.
Penso que na en e is a e
nes e inqué i o já i e a
opo unidade de ala de udo
um pouco.
A educação p ecisa de
mudanças u gen es nos
con eúdos e nas es u u as...
a "máquina" es á a ica
obsole a e os p o esso es êm
cada ez mais e maio es
desa ios.