Juliana So ia de F ei as Ma ins Félix
O Papel dos Recu sos Digi ais no
Desen ol imen o de Compe ências
Comunica i as no P é-Escola e no
1.º Ciclo do Ensino Básico
O Papel dos Recu sos Digi ais no Desen ol imen o de Compe ências
Comunica i as no P é-Escola e no 1.º Ciclo do Ensino Básico
Juliana So ia de F ei as Ma ins Félix
UMinho | 2025
Juliana So ia de F ei as Ma ins Félix
O Papel dos Recu sos Digi ais no
Desen ol imen o de Compe ências
Comunica i as no P é-Escola e no
1.º Ciclo do Ensino Básico
Rela ó io de Es ágio
Mes ado em Educação P é-Escola e Ensino do 1.º
Ciclo do Ensino Básico
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Í is Susana Pi es Pe ei a
julho de 2025
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
E assim e mina es a caminhada iniciada em 2019. Cheguei com dú idas e eceios, se se ia
capaz, se já não se ia a de pa a ol a à escola, mas a sensibilidade que a ma e nidade me deu e o
desejo p o undo de i além do ensino adicional, oi o mo o que impulsionou e me man e e ocada
desde a licencia u a. Ap endi, c esci e ap o undei mui as das ideias que in uía, ganhei ou as, e hoje
sigo mais segu a, com bases sólidas e p on a pa a no os desa ios.
Ao meu ma ido, Fe nando Félix, companhei o de ida, o ça e supo e nos dias di íceis, ob igada
po udo. Po me apoia es, ou i es, cuida es e assumi es an o, mesmo quando a ua ca ga já e a
g ande. Aos meus ilhos, Inês e Ped o, que c esce am a e es a mãe semp e a es uda . Ob igada pela
paciência e pelo amo , pelos p og amas que não izemos jun os, mas que i emos e oma ago a com
ou a o ça e p esença o al. E à nossa pequena So ia, que nasceu em pleno mes ado e essigni icou
udo. T ouxe cansaço, noi es sem do mi , mas ambém um amo imenso e um no o sen ido pa a a
educação e pa a es a no a e apa da minha ida. Nada e ia sen ido se não osse po ocês. Aos meus
pais, Gonçalo e F ancelina, ag adeço o apoio essencial, sob e udo quando a So ia nasceu: cuida am,
ampa a am e o am o melho apoio que podia e ido.
Além des a base, ou as pessoas o am essenciais nes e pe cu so. A P o esso a Í is, o ien ado a
gene osa e inspi ado a. P esença de e minan e nes e caminho, pacien e, amo osa e al amen e
p o issional. Le o comigo a g a idão p o unda po udo o que me ajudou a descob i e a se .
Ag adeço à Zi a, educado a e amiga, po me mos a o quão bela e signi ica i a pode se a nossa
ação no P é-Escola . Ob igada po me aze es ac edi a e po me mos a es, com o eu exemplo, o que
pode se a educação quando os adul os espei am, escu am e digni icam as c ianças, o nando-se
e dadei os mediado es da ap endizagem.
Ag adeço ainda às p o esso as coope an es, Fe nanda e Mónica, pela ajuda e amizade; às
colegas Inês, And eia, Ana Ma ga ida e Bia, pelo apoio, sob e udo du an e a g a idez; à equipa do
p oje o
E a uma ez
e à P o esso a C is ina Sylla, in es igado a p incipal, pela comp eensão e apoio
em momen os-cha e.
Es e abalho oi inanciado pela Fundação Po uguesa pa a a Ciência
e a Tecnologia (FCT): E a uma Vez: um Ki de Fe amen as pa a P omo e
o Desen ol imen o de Mul ili e acias, Compe ências Sociais e Sensibilidade
In e cul u a. Re e encia: PTDC/CED-EDG/0736/2021 l
DOI 10.54499/PTDC/CED-EDG/0736/2021
h ps://doi.o g/10.54499/PTDC/CED-EDG/0736/2021
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo
que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que
conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
O Papel dos Recu sos Digi ais no Desen ol imen o de Compe ências
Comunica i as no P é-Escola e no 1.º Ciclo do Ensino Básico
RESUMO
O p esen e ela ó io oi desen ol ido no âmbi o da unidade cu icula de P á ica de Ensino
Supe isionada do Mes ado em Educação P é-Escola e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico da
Uni e sidade do Minho. O p oje o e e como io condu o a u ilização da na a i a digi al mul imodal
Mobeybou em Po ugal
e cen ou-se na p omoção da comunicação o al, a iculada com a lei u a e a
esc i a. A in e enção pa iu da pe ceção de que mui as c ianças ap esen a am di iculdades ao ní el
da exp essão o al e da escu a a i a, de que esul ou a c iação de con ex os mais icos de linguagem,
com o apoio de ecu sos digi ais e uma mediação pedagógica in encional. No P é-Escola , as p opos as
p ocu a am ompe com o silêncio inicial do g upo, a a és da c iação de expe iências ime si as,
senso iais e a e i amen e signi ica i as. No 1.º Ciclo, man e e-se esse io condu o , mas com ajus e de
es a égias pa a da con a da pouca mo i ação e a enção. A o alidade oi abalhada como base pa a a
lei u a e a esc i a, com mediação p óxima e p opos as colabo a i as que culmina am na cons ução de
um li o cole i o, a pa i das ideias o ganizadas em duplas.
A a és de uma abo dagem sociocons u i is a, baseada nas mul ili e acias e na pedagogia da
pa icipação, o p oje o e e como p incipal obje i o a p omoção da comunicação o al, da escu a a i a e
do gos o pela pa icipação o al, a iculando o alidade, lei u a e esc i a. A me odologia de in es igação-
ação pe mi iu ajus a a p á ica às necessidades dos g upos e ap o unda o meu desen ol imen o
p o issional como u u a docen e. A in e enção p omo eu a pa icipação a i a das c ianças, o
en ol imen o das amílias e a cons ução de ap endizagens signi ica i as a a és do uso in encional de
ecu sos digi ais.
Pala as-Cha e: 1.º Ciclo do Ensino Básico; comunicação o al; Educação P é-Escola ;
mul ili e acias; na a i as digi ais.
i
The Role o Digi al Resou ces in he De elopmen o Communica ion Skills in
Ea ly Childhood and P ima y Educa ion
ABSTRACT
This epo was de eloped as pa o he Supe ised Teaching P ac ice cou se o he Mas e 's
p og amme in Ea ly Childhood Educa ion and P ima y School Teaching a he Uni e si y o Minho. The
p ojec cen ed on he use o he mul imodal digi al na a i e Mobeybou in Po ugal and ocused on
p omo ing o al communica ion, combined wi h eading and w i ing. The in e en ion came om he
ealiza ion ha many child en p esen ed di icul ies in e ms o o al exp ession and ac i e lis ening,
which esul ed in he c ea ion o iche language con ex s, wi h he suppo o digi al esou ces and
in en ional pedagogical media ion. In p e-school , he p oposals sough o b eak he ini ial silence o he
g oup by c ea ing imme si e, senso y and a ec i ely meaning ul expe iences. In he 1s Cycle, his
h ead was main ained, bu s a egies we e adjus ed o deal wi h he lack o mo i a ion and a en ion.
O ali y was wo ked on as he basis o eading and w i ing, wi h close media ion and collabo a i e
p oposals ha culmina ed in he cons uc ion o a collec i e book, based on ideas o ganised in pai s.
Th ough a sociocons uc i is app oach, based on mul ili e acies and pa icipa ion pedagogy, he
p ojec 's main objec i e was o p omo e o al communica ion, ac i e lis ening and a as e o o al
pa icipa ion, combining speaking, eading and w i ing. The ac ion esea ch me hodology allowed me o
adjus my p ac ice o he needs o he g oups and u he my p o essional de elopmen as a u u e
eache . The in e en ion p omo ed he ac i e pa icipa ion o he child en, he in ol emen o amilies
and he cons uc ion o meaning ul lea ning h ough he in en ional use o digi al esou ces.
Keywo ds: digi al s o y elling; Ea ly Childhood; mul ili e acies;O al communica ion; P eschool
Educa ion; P ima y Educa ion.
ii
Con eúdo
AGRADECIMENTOS.................................................................................................................... iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ............................................................................................... i
RESUMO .....................................................................................................................................
ABSTRACT ................................................................................................................................. i
Índice de abelas ........................................................................................................................ ix
Índice de Figu as ....................................................................................................................... ix
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 1
CAPÍTULO I – Con ex o e plano ge al de in e enção .................................................................. 3
1.1 Ca ac e ização da Ins i uição ................................................................................................ 3
1.2 Ca ac e ização dos g upos ................................................................................................... 4
1.2.1 G upo do P é-Escola ......................................................................................................... 4
1.2.2 G upo do 1.º Ciclo ............................................................................................................. 4
1.3 Jus i icação da Temá ica do P oje o...................................................................................... 4
Capí ulo II – Fundamen ação eó ica .......................................................................................... 6
2.1 Enquad amen o Ge al ........................................................................................................... 6
2.2 Documen os O ien ado es do Cu ículo e do Pe il P o issional ............................................ 6
2.2.1 O ien ações Cu icula es pa a a Educação P é-Escola (OCEPE) ....................................... 6
2.2.2 Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (PASEO) ......................................... 8
2.2.3. Ap endizagens Essenciais pa a o 1.º ano ......................................................................... 9
2.2.4 Educação Inclusi a e Di e enciação Pedagógica ..............................................................11
2.3 Teo ias e Abo dagens que sus en a am a in e enção ........................................................11
2.3.1 Teo ias do Desen ol imen o da Linguagem .....................................................................12
2.3.2 Abo dagens Pedagógicas: Sociocons u i ismo, Pedagogia da Pa icipação ....................14
2.3.3 Recu sos Digi ais e Na a i as Mul imodais .....................................................................17
2.3.4 Comunicação o al e Iniciação à Lei u a e Esc i a ............................................................19
4
1.2 Ca ac e ização dos g upos
1.2.1 G upo do P é-Escola
O Ja dim de In ância possuía ês salas (A, B e C), endo sido na sala C que deco eu o meu
es ágio. O g upo e a compos o po 20 c ianças: 12 do sexo eminino e 8 do sexo masculino. A
composição e á ia e a he e ogénea: 10 c ianças de 3 anos, 9 de 4 anos e uma c iança de 6 anos com
hemipa esia. As c ianças de 3 anos p o inham da mesma c eche do cen o social da eguesia. A
c iança de 6 anos pe manecia no Ja dim de In ância po decisão dos pais, de ido à sua condição e ao
i mo de desen ol imen o.
1.2.2 G upo do 1.º Ciclo
No 1.º Ciclo, a u ma e a compos a po 20 alunos do 1.º ano de escola idade, sendo 10 do sexo
eminino e 10 do sexo masculino. T a a a-se de um g upo globalmen e pa icipa i o, capaz de se
en ol e quando as p opos as conseguiam cap a e dadei amen e o seu in e esse. No en an o, e a
isí el que o g upo ainda se encon a a em p ocesso de desen ol imen o de compe ências sociais,
como a escu a, a espe a pela ez de ala e a colabo ação com os pa es. Os i mos de ap endizagem
e am di e sos, e alguns alunos mos a am di iculdades na ap endizagem da lei u a e da esc i a.
1.3 Jus i icação da Temá ica do P oje o
O p oje o de in e enção pedagógica desen ol ido ao longo do es ágio e e como pon o de pa ida
o desejo de ap o unda a cons ução da minha iden idade p o issional enquan o u u a p o esso a e
educado a. Ao longo des e pe cu so, p ocu ei comp eende de o ma c í ica e e lexi a como planea ,
in e i e a alia as p á icas pedagógicas, pa a que ossem e dadei amen e signi ica i as e adequadas
às necessidades das c ianças e aos seus con ex os.
O p oje o oi inicialmen e pensado pa a o g upo de Educação P é-Escola , endo como oco a
p omoção da comunicação o al e a cons ução de sen ido a a és das in e ações en e c ianças, adul os
e seus pa es. Es a in enção su giu das di iculdades obse adas ao ní el da exp essão e bal, da escu a
a i a e da comp eensão de na a i as lidas pa a e com as c ianças. Pa indo de uma abo dagem
mul imodal e numa pe spe i a sociocons u i is a, a in e enção p ocu ou desde o início in eg a o
in e esse das c ianças pelas na a i as e pelo uni e so digi al numa expe iência educa i a a i a,
en ol en e e cul u almen e signi ica i a.
Ao inicia o es ágio no 1.º Ciclo, man i e a mesma linha de abalho, mas com abe u a pa a a
ea alia e adap a às no as necessidades de e minadas pelas ap endizagens cu icula es. Nas
5
p imei as semanas de obse ação, con i mei a pe inência da p opos a, com a de ida e o mulação do
oco: passou-se a p i ilegia a a iculação en e o alidade e a iniciação à lei u a e esc i a, man endo a
na a i a digi al como ecu so in eg ado e es u u an e. Apesa de e man ido a linha o ien ado a do
p oje o, a ansição en e ciclos implicou, na u almen e, uma adap ação cuidadosa das es a égias e
p opos as, ajus adas às especi icidades do g upo do 1.º ano e às exigências cu icula es des e ciclo.
Foi nes e con ex o que op ei po in eg a , como ecu so pedagógico, o uso de na a i as digi ais
mul imodais, nomeadamen e a S o yApp Mobeybou em Po ugal, como e amen a pedagógica pa a a
cons ução e desen ol imen o do cu ículo e pa a a p omoção de compe ências comunica i as, em
pa icula , a o alidade, a lei u a e a esc i a eme gen e, das c ianças do P é-Escola e do 1.º Ciclo. Es a
escolha baseou-se na necessidade de c ia con ex os educa i os mais icos, capazes de cap a a
a enção das c ianças, p omo e a sua pa icipação a i a e acili a a ap endizagem de o ma in eg ada
e signi ica i a, numa pe spe i a sociocons u i is a e numa abo dagem mul imodal.
Nes e sen ido, o p oje o desen ol eu-se não só como uma in e enção educa i a cen ada nas
c ianças, mas ambém, necessa iamen e, como um pe cu so pessoal e p o issional, a a és do qual
p ocu ei in es iga e comp eende o papel das his ó ias digi ais na cons ução de ap endizagens
comunica i as e no meu p óp io desen ol imen o enquan o docen e em o mação, en e a Educação
P é-Escola e o 1.º Ciclo.
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Capí ulo II – Fundamen ação eó ica
2.1 Enquad amen o Ge al
O p esen e capí ulo em como obje i o ap esen a os undamen os eó icos e cu icula es que
sus en a am a in e enção pedagógica desen ol ida no âmbi o da unidade cu icula de P á ica de
Ensino Supe isionada.
Numa pe spe i a e lexi a e a iculada com a p á ica, es a undamen ação o ien ou as decisões
pedagógicas omadas ao longo do p oje o, ao mesmo empo que me pe mi iu ap o unda o meu
pe cu so o ma i o enquan o u u a p o esso a dos p imei os anos de escola idade. As opções
me odológicas, os ecu sos u ilizados e os obje i os o am sendo p e is os e e is os à luz de eo ias,
au o es e documen os o ien ado es que alo izam o desen ol imen o da linguagem, a mul imodalidade,
a ação comunica i a, a in encionalidade pedagógica e o papel do docen e enquan o mediado da
cons ução do conhecimen o.
Assim, nes e capí ulo se ão explo ados os documen os cu icula es que o ien am a ação
educa i a na educação P é-Escola e no 1.º CEB em Po ugal, eo ias sob e o desen ol imen o da
linguagem, abo dagens pedagógicas cen adas na comunicação e no uso de ecu sos digi ais, assim
como e lexões sob e a a iculação en e ciclos e o papel do p o esso e lexi o na cons ução de p á icas
pedagógicas signi ica i as e da sua p óp ia iden idade p o issional.
2.2 Documen os O ien ado es do Cu ículo e do Pe il P o issional
A in e enção pedagógica ealizada oi o ien ada po di e sos documen os cu icula es e
legisla i os que de inem os p incípios, os alo es, as inalidades e as ap endizagens da educação em
Po ugal, an o na Educação P é-Escola como no 1.º Ciclo do Ensino Básico. Es es documen os, além
de o e ece em o enquad amen o necessá io pa a ga an i a coe ência en e a p á ica educa i a e as
polí icas cu icula es em igo , são ambém e e ências undamen ais pa a a cons ução da iden idade
p o issional dos u u os p o esso es.
2.2.1 O ien ações Cu icula es pa a a Educação P é-Escola (OCEPE)
A Educação P é-Escola é econhecida pela Lei n.º 5/97, de 10 de e e ei o, como “a p imei a
e apa da educação básica no p ocesso de educação ao longo da ida” (a . 2.º), di igida a c ianças dos
3 anos a é à en ada na escola idade ob iga ó ia. As
O ien ações Cu icula es pa a a Educação P é-
Escola
(Sil a e al., 2016), publicadas quase duas décadas depois, são o p incipal e e encial
pedagógico pa a a ação educa i a nes e ní el de educação, de endendo um cu ículo in encional,
7
a iculado e cen ado na c iança. Es e documen o em como unção “apoia a cons ução e ges ão do
cu ículo no ja dim de in ância, da esponsabilidade de cada educado /a, em colabo ação com a equipa
educa i a do es abelecimen o educa i o/ag upamen o de escolas” (p. 5), assumindo-se como um
e e encial que alo iza a in encionalidade pedagógica e a cen alidade da c iança na ação educa i a.
No enquad amen o ge al, des aca-se o econhecimen o da c iança como “o p incipal agen e da
sua ap endizagem, dando-lhe opo unidade de se escu ada e de pa icipa nas decisões ela i as ao
p ocesso educa i o” (Sil a e al., 2016, p. 9). Es a isão es e e na base da minha in e enção, onde
p ocu ei c ia con ex os nos quais as c ianças se pudessem exp essa li emen e, e cons ui sen ido a
pa i das suas p óp ias expe iências, usando di e en es o mas de linguagem e ep esen ação.
A linguagem é desc i a nas OCEPE como um ins umen o ans e sal e essencial à
ap endizagem, es ando p esen e em odas as expe iências educa i as. De aco do com Sil a e al.
(2016), “as compe ências comunica i as ão-se es u u ando em unção dos con ac os, in e ações e
expe iências i enciadas nos di e sos con ex os de ida da c iança”, sendo “essenciais à cons ução
do conhecimen o nas di e en es á eas e domínios” (p. 60). Es a conceção oi especialmen e ele an e
na de inição dos obje i os do meu p oje o, cen ado no desen ol imen o da o alidade e na c iação de
con ex os mul imodais de comunicação signi ica i a. Pa a além disso, as OCEPE econhecem ainda a
impo ância de p opo ciona expe iências iniciais de con ac o com a linguagem esc i a, p omo endo a
cu iosidade, a expe imen ação e a exp essão g á ica de ideias, o que undamen a ambém a a enção
dada à esc i a eme gen e ao longo da in e enção.
Nas Á eas de Con eúdo, a “Á ea de Exp essão e Comunicação” ganha um papel de des aque. É
conside ada uma “á ea básica” po ab ange dimensões undamen ais do desen ol imen o e da
ap endizagem, p opo cionando às c ianças os meios indispensá eis pa a acede a no as ap endizagens
nou as á eas do sabe e pa a con inua a ap ende de o ma au ónoma ao longo da ida (Sil a e al.,
2016, p. 43). Inspi ada nes a alo ização da linguagem enquan o base ans e sal do desen ol imen o,
p ocu ei c ia múl iplas o mas de exp essão, coe en es com a abo dagem das cem linguagens
de endida po Lo is Malaguzzi. A a és de di e en es es a égias pedagógicas, como, po exemplo,
d ama izações, pin u a, modelagem, colagem, dança e cons ução de ma e iais, p ocu ei c ia , de
o ma in encional, opo unidades pa a que cada c iança pudesse comunica , ep esen a e cons ui
sen ido de o ma signi ica i a e pessoal. As na a i as digi ais mul imodais, po sua ez, assumi am um
papel es u u an e nes e p ocesso: unciona am como pon o de pa ida e io condu o da in e enção,
a o ecendo a a iculação en e linguagens di e sas e po enciando a cons ução pa ilhada de
signi icados.
8
No subdomínio da “Linguagem O al e Abo dagem à Esc i a”, salien a-se que a ap endizagem da
linguagem acon ece a a és de “um p ocesso de ap op iação con ínuo que se começa a desen ol e
mui o p ecocemen e e não somen e quando exis e o ensino o mal” (Sil a e al., 2016, p. 60). Es e
en endimen o e o ça a necessidade de c ia opo unidades icas e di e si icadas de comunicação, onde
o/a educado /a em a esponsabilidade de “ala ga in encionalmen e as si uações de comunicação,
em di e en es con ex os, com di e sos in e locu o es, con eúdos e in enções” (p. 62). Foi com base
nes es p incípios que me ez sen ido desen ol e p opos as que en ol essem as c ianças em in e ações
o ais signi ica i as, em si uações au ên icas e p óximas à sua ealidade, p omo endo a p og essi a
cons ução das suas compe ências comunica i as. Pa a e o ça essa in encionalidade, i e ambém a
p eocupação de en ol e as amílias, c iando opo unidades pa a que as con e sas e ap endizagens se
p olongassem em casa e, mais a de, eg essassem à escola, en iquecidas pelas i ências amilia es e
pelas pa ilhas das c ianças.
2.2.2 Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (PASEO)
Ou o documen o es u u an e pa a a cons ução do cu ículo e das compe ências dos alunos ao
longo da escola idade ob iga ó ia é o Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (Ma ins e
al., 2017), homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho. Es e pe il cons i ui uma “ma iz
pa a decisões a ado a po ges o es e a o es educa i os ao ní el dos o ganismos esponsá eis pelas
polí icas educa i as e dos es abelecimen os de ensino” (Ma ins e al., 2017, p. 9), o ien ando as
p á icas educa i as numa pe spe i a holís ica e humanis a, iden i icando as compe ências que os alunos
de em desen ol e ao longo da escola idade ob iga ó ia, en e as quais se des acam a comunicação, o
pensamen o c í ico, a c ia i idade, a sensibilidade es é ica, a au onomia e a capacidade de ap ende ao
longo da ida. Na minha in e enção, p ocu ei e es e e e encial como ho izon e o ma i o, ainda que
adap ado à aixa e á ia do g upo. Dei pa icula ele ância à alo ização da linguagem como ins umen o
de exp essão pessoal, de cons ução de sen ido e de pa icipação a i a das c ianças no seu p ocesso
educa i o. No âmbi o des a alo ização, pa i do econhecimen o do papel es u u an e da linguagem
o al como pon o de pa ida pa a a ap endizagem da lei u a e da esc i a, sob e udo nas e apas iniciais.
Es a alo ização da o alidade como undação pa a o abalho com a linguagem esc i a em ambém
eco nas con ibuições de A u Gomes de Mo ais, que de ende que a linguagem esc i a de e se
comp eendida como uma ep esen ação isual da linguagem o al, em que a meno unidade da esc i a,
a le a, co esponde à meno unidade da o alidade, o onema. Es a co espondência é a base do
p incípio al abé ico, cuja comp eensão é essencial pa a que as c ianças comecem a ap op ia -se do
9
sis ema de esc i a de o ma signi ica i a e uncional (Gomes, 2012). Como demons a am Fe ei o e
Tebe osky (1999), as c ianças não ap endem a esc e e po imi ação ou epe ição de códigos isuais,
mas sim a pa i das suas expe iências linguís icas, o mulando hipó eses sob e a na u eza da esc i a
e p ocu ando egula idades. Es a cons ução a i a da linguagem esc i a depende, assim, da exis ência
de uma base sólida de o alidade, que pe mi a à c iança econhece , in e p e a e eo ganiza
signi icados. Também po isso, Fe ei o e Tebe osky (1999) ci am Vygo sky ao a i ma que “é
necessá io le a a c iança a uma comp eensão in e na da esc i a e consegui que es a se o ganize mais
como um desen ol imen o do que como uma ap endizagem” (p. 293), e o çando que a ap endizagem
da esc i a não de e se dissociada da linguagem o al enquan o ins umen o de pensamen o e
comunicação. Es a isão sus en ou as opções didá icas da minha in e enção, onde a p omoção da
o alidade ambém e e em is a a o ma como se cons i ui, pa a as c ianças, como base pa a o abalho
com a lei u a e a esc i a, a a és da escu a, da c iação de na a i as e da alo ização das múl iplas
o mas de exp essão das c ianças. Ao acili a con ex os mul imodais de ap endizagem, onde a escu a,
a cons ução pa ilhada de sen ido, a exp essão o al e a ís ica, e o en ol imen o das amílias o am
in encionalmen e p omo idos, p ocu ei con ibui pa a o desen ol imen o das compe ências que es e
documen o p opõe como undado as de uma cidadania a i a, c í ica e in o mada. Como e e ido no
Pe il (Ma ins e al., 2017), impo a o ma “pessoas au ónomas e esponsá eis e cidadãos a i os” (p.
5), capazes de “ oma decisões li es e undamen adas sob e ques ões na u ais, sociais e é icas, e
dispo de uma capacidade de pa icipação cí ica, a i a, conscien e e esponsá el” (p. 10), p incípios
que, mesmo em idades p ecoces, podem e de em se cul i ados a a és de p á icas educa i as
signi ica i as, pa icipadas e espei ado as da oz das c ianças. Es es p incípios, a iculados com o
con ex o eal do meu es ágio, se i am de guia pa a a cons ução de p opos as pedagógicas que
incen i assem as c ianças a comunica com in encionalidade, a ep esen a o mundo que as odeia e
a pa icipa a i amen e na cons ução do seu p óp io conhecimen o.
2.2.3. Ap endizagens Essenciais pa a o 1.º ano
As Ap endizagens Essenciais (AE) pa a o 1.º Ciclo do Ensino Básico, homologadas pelo Despacho
n.º 6944-A/2018, de 19 de julho, são documen os de e e ência undamen ais que o ien am o
desen ol imen o cu icula , de inindo um conjun o comum de conhecimen os, capacidades e a i udes
que odos os alunos de em desen ol e ao longo da escola idade ob iga ó ia. A iculadas com o Pe il
dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (Ma ins e al., 2017), as AE, o ganizadas po á eas
disciplina es, p omo em uma isão in eg ada e coe en e do p ocesso educa i o, alinhada com as
10
inalidades da educação pa a uma cidadania a i a, c í ica e conscien e.
No âmbi o do p esen e p oje o, cen ado na p omoção da comunicação, des aco as
Ap endizagens Essenciais de Po uguês pa a o 1.º ano, que assumem especial ele ância. Logo na
in odução, é sublinhado que a ap endizagem da língua po uguesa “ em em con a a ealidade as a e
complexa que é uma língua e inco po a o conjun o das compe ências que são undamen ais pa a a
ealização pessoal e social de cada um e pa a o exe cício de uma cidadania conscien e e in e en i a”
(Di eção Ge al da Educação, 2018a, p. 1).
As AE o ganizam-se em seis domínios: Comp eensão do o al, Exp essão o al, Lei u a, Educação
li e á ia, Esc i a e Conhecimen o explíci o da língua. Cada domínio p opõe ap endizagens g aduais e
a iculadas, que isam desen ol e compe ências linguís icas e me alinguís icas que a o ecem a
exp essão, a comp eensão e a cons ução de signi icados. É igualmen e e e ido que
o 1.º e o 2.º anos do 1.º Ciclo do Ensino Básico uncionam como um
con inuum
no
p ocesso de iniciação, de desen ol imen o e de consolidação da comp eensão e da exp essão
da linguagem esc i a, nas e en es da lei u a e da esc i a, o que implica uma es ei a
a iculação com a o alidade. (Di eção Ge al da Educação, 2018a, p. 2)
Es a isão es e e na base da minha in e enção, que p ocu ou a icula , de o ma in encional, as
di e en es dimensões da linguagem, o alidade, lei u a e esc i a, num pe cu so in eg ado e signi ica i o.
Pa indo das na a i as digi ais, p ocu ei p omo e si uações au ên icas de comunicação, onde as
c ianças pude am pa ilha ideias, cons ui ex os o ais e esc i os, escu a os colegas e ep esen a as
suas in e p e ações de o ma pessoal e mul imodal. Es as p á icas alinham-se com os obje i os
p esen es nas AE de Po uguês (Di eção Ge al da Educação, 2018a), como, po exemplo, “escu a ” (p.
2) e “con a his ó ias, aze ela os de expe iências pessoais [...] o mula uma opinião” (p. 3).
Es a in encionalidade ambém se exp essou nas á eas de Es udo do Meio e Ma emá ica, onde a
linguagem desempenha um papel cen al na cons ução do conhecimen o. Po exemplo, é p opos o
que os alunos comuniquem “adequadamen e as suas ideias, a a és da u ilização de di e en es
linguagens (o al, esc i a, iconog á ica, g á ica, ma emá ica, ca og á ica, e c.), undamen ando-as e
a gumen ando ace às ideias dos ou os” (Di eção Ge al da Educação, 2018b, p. 2). O abalho que
desen ol i dialoga com es a o ien ação na a iculação en e á eas, alo izando a comunicação como
ins umen o ans e sal de ap endizagem.
Ao longo do p oje o, as Ap endizagens Essenciais o am uma e e ência pa a a plani icação, a
in e enção e a a aliação. Mais do que me as a cump i , unciona am como o ien ação pa a a
11
cons ução de expe iências pedagógicas signi ica i as, in eg adas e espei ado as do i mo das c ianças.
2.2.4 Educação Inclusi a e Di e enciação Pedagógica
Além dos documen os cu icula es an e io men e e e idos, o Dec e o-Lei n.º 54/2018, que
es abelece o egime da educação inclusi a, e o ça a necessidade de esponde à di e sidade das
c ianças a a és de p á icas pedagógicas di e enciadas, colabo a i as e cen adas no aluno. Es e
enquad amen o legal es e e p esen e na o ma como obse ei e in e p e ei o g upo, p ocu ando
comp eende as necessidades, os in e esses e os i mos de cada c iança.
A u ilização de ecu sos digi ais, a iculada com uma p á ica e lexi a e assen e na obse ação
con ínua, pe mi iu-me c ia opo unidades mais ajus adas ao g upo. Es as opo unidades p omo e am
a pa icipação a i a das c ianças e con ibuí am pa a a cons ução de sen ido de g upo.
Assim, es es documen os o am undamen ais não só pa a undamen a a in e enção
pedagógica, mas ambém pa a o ien a a minha p á ica p o issional, ajudando-me a comp eende o
papel do educado /p o esso como alguém que in es iga, plani ica, escu a e a ua com in encionalidade
pedagógica, em a iculação com os con ex os e as c ianças com quem abalha. Es a pe spe i a es á
em consonância com o Pe il Especí ico de Desempenho P o issional do Educado de In ância e do
P o esso do 1.º Ciclo do Ensino Básico (Dec e o-Lei n.º 241/2001), que e o ça a impo ância de
planea , desen ol e e a alia p á icas educa i as adequadas aos con ex os e cen adas nas c ianças.
Es e documen o ajudou-me ambém a consolida a imagem do docen e que que o se : alguém que a ua
com in encionalidade pedagógica, de o ma e lexi a, colabo a i a e e icamen e comp ome ida com o
desen ol imen o global de cada c iança.
Es es documen os o ien ado es não só sus en a am as minhas decisões, como ambém se i am
de base às opções me odológicas e às abo dagens pedagógicas que passo a ap o unda no pon o
seguin e.
2.3 Teo ias e Abo dagens que sus en a am a in e enção
A in e enção pedagógica desen ol ida ao longo do p oje o oi sus en ada po um conjun o de
eo ias sob e o desen ol imen o da linguagem, abo dagens pedagógicas e ecu sos educa i os, que
pe mi i am da in encionalidade às p á icas e coe ência ao pe cu so o ma i o i ido. Nes e pon o,
analiso as p incipais e e ências que undamen a am as decisões omadas, passando pelas conceções
sob e a linguagem, pelas abo dagens sociocons u i is as e pelas mul ili e acias, pela in eg ação dos
ecu sos digi ais, pela a iculação en e o alidade, lei u a e esc i a, e pelo p ocesso de cons ução da
minha iden idade p o issional enquan o educado a e p o esso a.
12
2.3.1 Teo ias do Desen ol imen o da Linguagem
O desen ol imen o da linguagem é um p ocesso na u al e p og essi o, que oco e de o ma
in eg ada e dinâmica. De aco do com Vygo sky (1978), a linguagem é uma e amen a undamen al
pa a o desen ol imen o cogni i o, uma ez que pe mi e às c ianças o ganiza os seus pensamen os,
esol e p oblemas e comunica com os ou os. Des acando que as “ unções cogni i as e comunica i as
da linguagem o nam-se en ão a base de uma no a e supe io o ma de a i idade da c iança,
dis inguindo-a dos animais”
1
(Vygo sky, 1978, pp. 28 e 29).
B une (1983) ac escen a a es a pe spe i a o concei o de “push”, um impulso in e no que
p omo e o desen ol imen o linguís ico de modo p ocessual, ans o mando as in enções comunica i as
em exp essões cada ez mais so is icadas, e “pull” que ep esen a a in luência social ex e na, onde a
c iança, a a és de in e ações, ap ende “como o na as suas in enções comunica i as cla as, e como
pene a as in enções dos ou os” (B une , 1983, p. 10). Des e modo, B une suge e que o
desen ol imen o da linguagem oco e pela conjugação de impulsos in e nos com as solici ações
ex e nas na in e ação com os ou os, sendo es as úl imas decisi as pa a que a c iança ap enda a
comunica in encionalmen e e a in e p e a as in enções dos ou os. Es as ideias se ão e omadas no
pon o seguin e, onde analiso as abo dagens pedagógicas que p ocu ei dinamiza pa a p omo e
in encionalmen e con ex os de in e ação icos e signi ica i os, econhecendo que é esponsabilidade do
educado e do p o esso c ia condições que es imulem o uso da linguagem como e amen a de
desen ol imen o e ap endizagem.
A isão de B une sob e o desen ol imen o da linguagem é complemen ada po Sim-Sim (2007),
que az uma dis inção cla a en e a linguagem o al, adqui ida de o ma na u al, e a linguagem esc i a,
que exige ensino explíci o:
Ao con á io da língua o al, que a c iança adqui e no con ex o amilia na u al e
espon aneamen e, o domínio da e en e esc i a da língua exige o ensino explíci o e
sis ema izado de quem ensina, o p o esso , e a on ade conscien e de ap ende po pa e do
aluno. (p. 5)
Essa dis inção é essencial, pois ma ca duas aje ó ias de ap endizagem di e en es: a o alidade,
que se desen ol e em con ex os in o mais e elacionais; e a lei u a e esc i a, que eque em mediação
1
T adução nossa
13
educa i a. Nes e p ocesso, a lei u a assume um luga cen al, não como simples deci ação de
símbolos, mas como um p ocesso complexo de cons ução de sen ido. Como sin e iza Sim-Sim (2009),
“Le é comp eende o que es á esc i o. A lei u a é acima de udo um p ocesso de comp eensão que
mobiliza simul aneamen e um sis ema a iculado de capacidades e de conhecimen os” (p. 6).
É impo an e comp eende es a di e ença en e o alidade e esc i a, pois ela o ien a as p á icas
pedagógicas e o papel do p o esso como mediado . Também Rego (2009) con ibui pa a es a dis inção,
ao sublinha que “o ap endizado da linguagem esc i a ep esen a um no o e conside á el sal o no
desen ol imen o da pessoa” (p. 68), p omo endo o mas mais abs a as de pensa e de se elaciona
com o conhecimen o. Es a ideia e o ça o en endimen o de que a linguagem esc i a pode se en endida
como uma conquis a mediada pela escola/pelo p o esso , e não um p olongamen o espon âneo e
na u al da linguagem o al.
No meu p oje o, es as conceções se i am de base pa a a escolha de es a égias que
alo izassem a linguagem como p á ica social e ins umen o cogni i o. Essa in encionalidade aduziu-
se numa di e enciação cla a en e os dois con ex os de in e enção: no P é-Escola , p ocu ei p i ilegia
o desen ol imen o da o alidade e da escu a pa ilhada, enquan o no 1.º ano p ocu ei da con inuidade
a esse abalho, ago a a iculando-o com o ensino explíci o da lei u a e da esc i a, econhecendo que
cada e apa con ibui de o ma única e complemen a pa a o desen ol imen o linguís ico das c ianças,
num pe cu so que se inicia na o alidade e se expande pa a a lei u a e esc i a com mediação in encional.
Como em ambos os con ex os abalhei com as aixas e á ias mais baixas (no P é-Escola , dez das in e
c ianças inham ês anos, e no P imei o Ciclo es i e com o 1.º ano), ez-me sen ido, ao obse a os
desa ios p óp ios de cada g upo, apos a mais no desen ol imen o da o alidade, c iando momen os
que a o ecessem o diálogo e a pa ilha de expe iências e conhecimen os, de escu a a i a, de
en iquecimen o lexical e de in e ação. No P é-Escola , p ocu ei ambém in eg a , embo a de o ma
subsidiá ia, p á icas de li e acia eme gen e, dando às c ianças opo unidades de con ac o inicial com a
linguagem esc i a em con ex os com signi icado pa a elas, a a és do uso da na a i a digi al, que
combina a imagem, som, linguagem o al e esc i a. No 1.º Ciclo, es a abo dagem oi ganhando uma
no a in encionalidade, com um olha mais a en o ao p ocesso de ap endizagem da lei u a e da esc i a,
pa indo da o alidade como pon o de pa ida e de apoio ao longo do p ocesso de ap endizagem o mal.
Com a expansão das p á icas comunica i as no mundo a ual, ambém a noção de linguagem e
de li e acia se ans o ma, passando a inclui o mas isuais, sono as e digi ais. É nes e con ex o que a
pedagogia das mul ili e acias ganha ele o, ao econhece que as c ianças cons oem signi icados
a a és de múl iplos modos de exp essão, pa a além da linguagem esc i a adicional. Segundo o G upo
20
Ao longo des e p oje o de in e enção, p ocu ei cons ui p opos as pedagógicas o ien adas pa a
o desen ol imen o das compe ências comunica i as das c ianças, mas ambém cons ui , em pa alelo,
o meu p óp io pe cu so o ma i o enquan o u u a educado a e p o esso a.
Com base nos con ibu os de au o es como Vygo sky, B une , o G upo No a Lond es, assim
como nos p incípios das abo dagens sociocons u i is as, mul ili e acias e da pa icipação, ui
desen ol endo uma p á ica pedagógica que p ocu a alo iza a escu a, a adap ação, a mediação e a
co-cons ução de conhecimen o com as c ianças. A u ilização de ecu sos digi ais como as his ó ias
mul imodais oi mais do que uma escolha me odológica, uma ez que se o nou pa e in eg an e da
minha iden idade p o issional em cons ução, desa iando-me a pensa e agi com c ia i idade,
lexibilidade e sen ido pedagógico. Es e exe cício e lexi o sob e a minha p á ica oi essencial pa a o
meu desen ol imen o p o issional, pois, como e e e An ónio Nó oa (2019), “ o ma -se como p o esso
é comp eende a impo ância des e conhecimen o e cei o, des e conhecimen o p o issional docen e,
que az pa e do pa imónio da p o issão e que necessi a de se de idamen e econhecido, abalhado,
esc i o e ansmi ido de ge ação em ge ação” (p. 204).
Nes a cons ução da minha iden idade p o issional, ui ap endendo a uni eo ia e p á ica, a a és
da obse ação a en a, do planeamen o in encional e da e lexão con ínua sob e as minhas decisões em
sala. Assumi es e luga de docen e signi icou ambém assumi uma pos u a é ica, sensí el e
comp ome ida com a qualidade da educação. Es e ela ó io, mais do que o egis o de um p oje o
pedagógico, p ocu a se um e lexo de um pe cu so de ans o mação e c escimen o pessoal e
p o issional.
21
Capí ulo III – Me odologia de in e enção e in es igação
3.1 In es igação-Ação
De aco do com Cou inho e al. (2009), a in es igação-ação p ocu a comp eende , melho a e
e o mula p á icas, ealizando in e enções em pequena escala em con ex os eais, enquan o se
analisa de alhadamen e os impac os dessas mesmas ações. A pesquisa exige planeamen o, execução,
obse ação e e lexão, com o in ui o de p omo e melho ias e ap o unda o conhecimen o dos docen es
sob e suas p á icas. Es a me odologia desen ol e-se num p ocesso cíclico que se pode ep esen a do
seguin e modo:
Figu a 2 - Ciclo de in es igação-ação
Como ilus ado na igu a 2, um p ocesso de in es igação-ação não se limi a a um único ciclo.
Es a me odologia isa, undamen almen e, p omo e mudanças nas p á icas pa a melho a os
esul ados, o que le a a epe idas sequências de ases ao longo do empo, a a és de e lexão con ínua.
Ainda segundo Cou inho e al. (2009), es a me odologia des aca-se po se c í ica, pois espe a-se que
os seus in e enien es ado em um olha cons u i o sob e a in e enção, p ocu ando ampliá-la, não se
limi ando a cump i a i idades. É, ainda, au oa alia i a, uma ez que odas as mudanças ou ajus es são
a aliados cons an emen e no sen ido de ealiza os de idos ajus es consoan e a in encionalidade
pedagógica do educado /p o esso . O desen ol imen o do meu p oje o de in e enção pedagógica oi
undamen ado numa me odologia de in es igação-ação, em que cada ase oi cuidadosamen e
cons uída, conside ando o con ex o, os undos de sabe das c ianças e as ap endizagens a cons ui , e
ambém analisada à luz do enquad amen o eó ico e dos obje i os açados, in luenciando assim a
cons ução con inuada do p ocesso de ensino e ap endizagem das c ianças e o meu desen ol imen o
p o issional. Em con o midade, du an e as in e enções, obse ei e p ocu ei e le i c i icamen e sob e
22
as minhas p á icas, o en ol imen o das c ianças com as a i idades p opos as e as in e ações
es abelecidas en e elas. Es a e lexão e e como p incipal obje i o melho a a qualidade dessas
in e ações, c iando con ex os mais icos de comunicação, coope ação e pa icipação. A ecolha de dados
pa iu das no as de campo, egis os audio isuais ( o og a ias, g a ações de áudio), p oduções das
c ianças e do diálogo o ien ado ou espon âneo com as c ianças e/ou en e elas. Es es dados não
se i am apenas pa a desc e e , mas sob e udo pa a in e p e a , ajus a e epensa con inuamen e o
pe cu so pedagógico e consolida a minha ap endizagem p o issional.
3.2 Obje i os e es a égias pedagógicas
Nos pon os seguin es ap esen o os obje i os que no ea am a in e enção e as es a égias que a
sus en a am, di e enciando as p á icas nos dois con ex os educa i os (P é-Escola e 1.º Ciclo), de o ma
a ga an i uma a uação in encional e ajus ada às ca ac e ís icas de cada g upo.
3.2.1 Obje i os de in e enção pedagógica
Es e p oje o oi desen ol ido com a in enção de p omo e a comunicação como eixo cen al da
ap endizagem, a a és da c iação de con ex os icos e signi ica i os de linguagem no P é-Escola , com
o en ol imen o das amílias, e da es imulação, no 1.º Ciclo, da au onomia, do gos o po ap ende e da
a iculação en e o alidade, lei u a e esc i a. Em ambos os con ex os, os ecu sos digi ais o am
in eg ados como pon o de pa ida pa a a exp essão o al, a escu a a i a e a cons ução pa ilhada de
signi icados.
Pa indo da in encionalidade pedagógica em que sus en ei es e p oje o, de ini um conjun o de
obje i os o ien ado es pa a a in e enção ealizada nos con ex os da Educação P é-Escola e do 1.º
Ciclo do Ensino Básico. Es es obje i os p ocu a am não só desen ol e compe ências comunica i as,
como ambém p e endiam omen a o en ol imen o a i o das c ianças na cons ução do seu p óp io
conhecimen o.
Com base nes es aspe os, os obje i os da in e enção pedagógica no con ex o da Educação P é-
Escola o am:
1. Es imula o desen ol imen o da comunicação o al das c ianças;
2. P omo e o en ol imen o das amílias no desen ol imen o da comunicação o al;
3. Apoia a cons ução a iculada de conhecimen o, alo izando a cu iosidade, a escu a e a
exp essão indi idual e cole i a.
23
No con ex o do 1.º Ciclo, os obje i os de inidos o am:
1. Es imula a mo i ação e o gos o pela lei u a e pela esc i a;
2. P omo e o desen ol imen o a iculado da o alidade, lei u a e esc i a
3. Desen ol e a au onomia, a con iança e a pa icipação a i a das c ianças na cons ução do
conhecimen o;
4. Familia iza as c ianças com p á icas digi ais de cons ução de conhecimen o, de o ma
au ónoma, c í ica e c ia i a.
Es es obje i os in luencia am as á ias decisões omadas du an e a in e enção, planeamen o,
implemen ação, obse ação e e lexão.
3.2.2 Es a égias de in e enção pedagógica
Pa a alcança os obje i os de inidos, um dos ecu sos cen ais da in e enção oi a
S o yApp
Mobeybou em Po ugal
. A his ó ia da app oi abalhada an o no P é-Escola como no 1.º Ciclo, de
o ma a iculada com os obje i os pedagógicos de cada sessão, uncionando como pon o de pa ida
pa a momen os de explo ação, diálogo e c iação cole i a. A escolha des e ecu so pa iu da con icção
de que a sua na u eza lúdica e in e a i a ap esen a um o e po encial pa a cap a o in e esse das
c ianças e es imula a sua pa icipação a i a, acili ando o desen ol imen o das compe ências
linguís icas e cul u ais, de o ma signi ica i a.
A na a i a digi al oi o mo e pa a a implemen ação das seguin es es a égias, u ilizadas de o ma
in encional ao longo da in e enção. En e elas, des acam-se:
● Lei u a dialogada e odas de pa ilha;
● Visualização de ídeos e imagens eais sob e as á ias egiões e e idas;
● Análise, pa ilha e in e p e ação das o og a ias en iadas pelas amílias;
● Rep esen ações d amá icas e plás icas das descobe as ei as;
● P odução de ex os e econ os o ais.
Es as es a égias o am adap adas aos dois con ex os:
● No P é-Escola , o oco es e e mais ol ado pa a a c iação de ambien es de linguagem icos,
onde as c ianças pudessem conhece e usa ocabulá io, exp essa ideias e sen imen os e
desen ol e o in e esse po comunica . As a i idades o am pensadas pa a espei a os i mos
indi iduais e a di e sidade de o mas de exp essão, p ocu ando a o ece a pa icipação a i a
24
de odos. Pa alelamen e, ambém se desen ol eu a cons ução da consciência ísica e
geog á ica inicial, a a és da alo ização dos luga es, dos mapas e das i ências associadas às
di e en es egiões.
● No 1.º Ciclo, a p opos a e oluiu pa a a a iculação en e a o alidade e ap endizagem o mal da
lei u a e da esc i a. A na a i a digi al passou a se usada como pon o de pa ida pa a a i idades
mais sis ema izadas de explo ação ex ual, iden i icação de pe sonagens, es u u a na a i a e
p odução de pequenas ases e ex os. A in odução de in o mação complemen a pe mi iu
expandi a expe iência pa a além da na a i a digi al: pa indo da app e in eg ando ambém
ídeos, imagens e cu iosidades sob e as egiões/ emas abo dados, o que ajudou a amplia o
conhecimen o das c ianças e a elaciona o con eúdo da his ó ia com aspe os eais e p óximos
das suas i ências, e o çando ambém a cons ução de uma consciência ísica e geog á ica
inicial.
Todas es as es a égias o am pensadas em a iculação com os documen os cu icula es
o ien ado es, assegu ando a coe ência com as OCEPE no P é-Escola e com as Ap endizagens
Essenciais no 1.º Ciclo.
3.3 Obje i os e es a égia de in es igação
A in e enção que desen ol i ao longo da minha p á ica educa i a oi o ien ada pela inalidade
in es iga i a de ap o unda a minha comp eensão eó ica e p á ica sob e o papel dos ecu sos digi ais,
em pa icula das na a i as mul imodais, no desen ol imen o da comunicação o al e na cons ução de
ap endizagens signi ica i as com c ianças da Educação P é-Escola e do 1.º Ciclo.
Pa a al, es abeleci alguns obje i os de in es igação que no ea am o meu abalho diá io, bem
como selecionei ins umen os de ecolha de dados que me pe mi i am, pos e io men e, ealiza uma
análise sis emá ica da minha in e enção. A in es igação e a in e enção es i e am semp e in e ligadas,
e os seus obje i os undamen a am p o undas e lexões. A minha in enção não oi apenas a de ealiza
a i idades, mas comp eende de que o ma essas expe iências con ibuíam pa a o desen ol imen o
das c ianças e pa a a minha cons ução como u u a p o esso a. A segui , ap esen o os obje i os de
in es igação de inidos, assim como os ins umen os de ecolha de dados u ilizados.
3.3.1 Obje i os de in es igação
Os obje i os de in es igação que no ea am a e en e in es iga i a do p oje o o am:
25
1. Comp eende de que o ma o uso de ecu sos digi ais, em pa icula de na a i as
mul imodais, pode p omo e o desen ol imen o da comunicação o al e das p imei as
ap endizagens na lei u a e esc i a na Educação P é-Escola e no 1.º Ciclo;
2. Iden i ica po encialidades e desa ios associados ao uso de ecu sos digi ais na c iação de
con ex os de ap endizagem cul u almen e signi ica i os na Educação P é-Escola e no 1.º
Ciclo.
3. A alia o e ei o da p á ica pedagógica sus en ada na in es igação-ação na cons ução do
desen ol imen o p o issional conscien e, in encional e undamen ado.
3.3.2 Recolha de dados
Sendo es e um p oje o sus en ado na me odologia de in es igação-ação, o nou-se essencial
ecolhe in o mação de o ma sis emá ica, du an e e após as sessões, pa a comp eende o impac o
das decisões pedagógicas omadas e adequa as p á icas às necessidades do g upo. Os dados ob idos
se i am não só pa a documen a o p ocesso educa i o, mas ambém pa a me ajuda a pe cebe em
que medida os obje i os pedagógicos e in es iga i os es a am a se alcançados, apoiando a cons ução
con ínua e in encional da p á ica e do meu desen ol imen o p o issional.
A análise dos dados oi ealizada com base numa abo dagem emá ica de na u eza dedu i o-indu i a,
que pa iu de ca ego ias de inidas a pa i do enquad amen o eó ico, cu icula e dos obje i os
pedagógicos, mas es e e ambém abe a à eme gência dos dados ecolhidos. Es a opção me odológica
pe mi iu-me a icula eo ia e p á ica de o ma dinâmica. Nesse sen ido, eco i aos seguin es
ins umen os de ecolha de dados ao longo da minha p á ica educa i a:
● Obse ação pa icipan e: A obse ação oi a minha p incipal e amen a de ecolha de dados.
A a és da obse ação pa icipan e, pude conhece cada c iança e ambém o g upo/ u ma de
o ma holís ica. Inicialmen e, a obse ação oi undamen al pa a comp eende o con ex o e
de ini es a égias de in e enção. Pos e io men e, a obse ação ambém me ajudou a
moni o iza o p og esso em elação aos obje i os es abelecidos, e i icando a necessidade de
al e ações no deco e do mesmo.
● No as de campo: As no as de campo o am egis adas de o ma pon ual, sob e udo depois de
momen os signi ica i os, endo sido complemen adas po egis os audio isuais e e lexões
esc i as, que me pe mi i am analisa o p ocesso e eajus a a in e enção. Es es egis os
26
con ibuí am pa a e le i sob e o impac o das minhas p opos as e o ien a decisões
pedagógicas seguin es, com maio in encionalidade,
● Regis os audio isuais ( o og a ias e g a ações de áudio): Ao longo de odo o p ocesso, as
o og a ias o am u ilizadas pa a egis a momen os signi ica i os de cons ução de
conhecimen o e de en ol imen o das c ianças nas a i idades. As g a ações de áudio
pe mi i am cap a diálogos espon âneos e in e ações e bais signi ica i as, ajudando-me a
escu a com mais a enção o que as c ianças diziam, como o ganiza am o seu discu so e de
que o ma pa icipa am nas a i idades. Es e ipo de egis o e elou-se pa icula men e
impo an e pa a obse a a e olução da o alidade e a qualidade das ocas comunica i as. Em
nenhum momen o as g a ações ou o og a ias comp ome e am a p i acidade ou o anonima o
das c ianças, sendo semp e espei ados os p incípios é icos da in e enção.
● P oduções das c ianças: As ep esen ações, ichas de abalho, ases esc i as e ou as
p oduções ei as ao longo das sessões o am ecolhidas e analisadas enquan o indicado es das
ap endizagens em cu so. Es es ma e iais ie am complemen a os dados ecolhidos po
obse ação e egis os de áudio, ajudando-me a pe cebe de que o ma as c ianças es a am a
o ganiza o pensamen o, se en ol iam nas a i idades e iam cons uindo sen ido a pa i das
his ó ias digi ais.
● Ques ioná io às amílias (Educação P é-Escola ): No con ex o da Educação P é-Escola , oi
ainda aplicado um b e e ques ioná io às amílias, com o in ui o de ecolhe pe ceções sob e o
impac o da in e enção nas c ianças, em pa icula ao ní el da comunicação, do en ol imen o
com as his ó ias e das possí eis con e sas em casa elacionadas com as a i idades ealizadas
no Ja dim de In ância. As espos as ob idas pe mi i am comp eende de que o ma a
in e enção e e epe cussões o a do ambien e escola e o am um con ibu o impo an e pa a
e le i sob e o papel do con ex o escola na cons ução de pon es com o con ex o amilia e
podem se consul ados no Apêndice II.
● Ques ioná io inal às c ianças (1.º Ciclo): No inal do p oje o no 1.º ciclo, oi aplicado um b e e
ques ioná io às c ianças, com o obje i o de ecolhe dados sob e a sua pe ceção do p oje o,
das ap endizagens ealizadas e da u ilização das ecnologias. Es e ins umen o pe mi iu
pe cebe que elemen os o am mais alo izados pelas c ianças e de que o ma o uso das TIC
in luenciou o seu en ol imen o e mo i ação e pode se consul ado no Apêndice III.
27
Capí ulo IV – Ap esen ação das a i idades e análise dos dados
Nes a secção, ap esen o uma análise das p incipais a i idades ealizadas ao longo da
in e enção, em cada con ex o educa i o, com o obje i o de da a conhece o abalho desen ol ido
an o no P é-Escola como no 1.º Ciclo. Os dados se ão o ganizados po ca ego ias emá icas de inidas
e são discu idos à luz dos obje i os pedagógicos. Além disso, a ei um balanço c í ico ace ca da
ealização dos obje i os pedagógicos inicialmen e es abelecidos.
4.1 Sín ese das a i idades desen ol idas
A in e enção pedagógica desen ol ida ao longo do p oje o p ocu ou a icula obje i os,
es a égias e p á icas di e enciadas nos dois con ex os educa i os: P é-Escola e 1.º ano do 1.º Ciclo do
Ensino Básico. Pa a con ex ualiza o pe cu so ealizado, ap esen o de seguida uma abela sín ese com
as sessões dinamizadas em cada con ex o, com as p incipais a i idades ealizadas, des acando as
á eas de con eúdo abo dadas em cada uma delas.
P é-Escola
Ap esen o, em seguida, uma abela que sin e iza as sessões ealizadas no con ex o do P é-
Escola , des acando as p incipais a i idades desen ol idas e as á eas de con eúdo mobilizadas ( igs. 3
e 4). Em cada linha, des aco as ap endizagens p omo idas, iden i icadas a a és de um código de
co es, cuja legenda, baseada nas á eas de con eúdo das OCEPE, se encon a abaixo pa a acili a a
lei u a e a análise do pe cu so:
Figu a 3 - Á eas de Con eúdo das OCEPE p esen es na abela 1
28
Tabela 1 – A i idades desen ol idas no con ex o do P é-Escola
Da a - Tí ulo
05/11/24 - Vamos conhece Po ugal com a S o yApp!
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Pa icipação a i a na lei u a dialogada da his ó ia e
espei o pelas opiniões dos colegas.
Pa icipação a i a na lei u a dialogada da his ó ia;
Ap op iação o al de ocabulá io no o sob e as egiões e
os elemen os ap esen ados na na a i a.
Conhecimen o e iden i icação de elemen os na u ais e
cul u ais do e i ó io nacional.
Desenho do mapa de Po ugal.
Da a - Tí ulo
06/11/24 - Descobe as do ma com a Joana
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Re lexão sob e o lixo no oceano e alo ização de a i udes
de cuidado com o plane a.
Ap op iação o al de ocabulá io no o sob e animais e
elemen os do ma ; desc ição o al das imagens da app.
Rep esen ação da ilha.
Con agem de elemen os no con ex o da a i idade.
29
Da a - Tí ulo
13/11/24 - Explo ando os Aço es
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Pa icipação a i a nas con e sas sob e os animais e
pa ilha de opiniões no g upo.
Aquisição de no o ocabulá io e egis o cole i o no
mu al de “pala as no as”.
Descobe a dos animais dos Aço es e localização no
mapa de Po ugal.
C iação de desenhos sob e os Aço es e egis o no mapa
cole i o.
Da a - Tí ulo
14/11/24 - Explo ando a Madei a: Sabo es e sons adicionais
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Pa icipação en usias a na dança e espei o pelas
adições e pelos pa es du an e as a i idades de g upo.
Descobe a e iden i icação dos ing edien es do bolo do
caco e obje os ípicos; pa ilha de ideias e descobe as.
Explo ação senso ial do bolo do caco e conhecimen o
das adições madei enses.
Audição do b inquinho e ap eciação de i mos e
ins umen os ípicos.
C iação do cola de ebuçados com ecu so a ma e iais
a iados.
Dança e ec iação de mo imen os do bailinho da
Madei a em oda com os colegas.
36
Tabela 2 – A i idades desen ol idas no con ex o do 1.º Ciclo
Da a - Tí ulo
13/03/25 - Descob indo a le a F: A iagem da Joana pelos Aço es
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Pa icipação a i a na lei u a dialogada da na a i a
digi al e iden i icação de pala as iniciadas com a
le a F. Realização de um jogo de bingo sono o com
sons iniciais.
Es abelecimen o de sequência empo al da his ó ia
e con agem dos elemen os associados à iagem.
Obse ação e pa ilha de cu iosidades sob e os
se es i os dos Aço es, com des aque pa a o
caga o e a ajã.
P odução de desenho com legenda sob e o
episódio, incen i ando a comunicação esc i a.
Pa ilha em g upo das p oduções e alo ização da
cu iosidade e da escu a dos colegas.
Da a - Tí ulo
20/03/25 - Descob indo a Madei a: Cul u a, Ma emá ica e T adição
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Lei u a dialogada da na a i a sob e a Madei a e
esc i a c ia i a de ases associadas à his ó ia.
Realização de sub ações con ex ualizadas,
u ilizando a e a numé ica como es a égia de
esolução.
Pa ilha de conhecimen os sob e a cul u a
madei ense, com des aque pa a o me cado, o bolo
do caco e o b inquinho.
Obse ação e dob agem de o igamis inspi ados na
cul u a local; ilus ações li es sob e os elemen os
explo ados.
Valo ização da di e sidade cul u al e colabo ação
en e pa es na conc e ização das a e as.~
37
Da a - Tí ulo
27/03/25 - À Descobe a do Alga e: Sons, Sabo es e Ma e iais
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Explo ação da na a i a digi al sob e o Alga e,
incen i ando a iden i icação do díg a o “ss” e a
dis inção audi i a en e di e en es onemas;
Obse ação e discussão sob e obje os associados à
cul u a alga ia, p omo endo a desc ição o al e o
en iquecimen o do ocabulá io.
In es igação sob e as p op iedades dos ma e iais
usados na ca aplana e nou as adições locais.
Ilus ação com legenda de elemen os ca ac e ís icos
da egião.
Valo ização do pa imónio; abalho em g upo,
p omo endo a coope ação e a alo ização do
pa imónio.
Da a - Tí ulo
03/04/25 - Do Alen ejo ao co ação – uma iagem pelas pala as e pela
na u eza
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Lei u a dialogada da na a i a com en oque na
iden i icação da le a Z e pos e io ealização de
di ado com pala as selecionadas.
Obse ação de imagens e ídeos sob e a auna e
lo a da egião, com des aque pa a as cegonhas e os
campos alen ejanos. Compa ação das necessidades
dos se es i os em di e en es habi a s.
P odução a ís ica simbólica com semen es e
elemen os na u ais, explo ando a ligação à na u eza.
Re lexão em g upo sob e a i udes de cuidado,
empa ia e espei o pelos se es i os.
38
Da a - Tí ulo
24/04/25 - Descob i Lisboa: sons, o mas e p o issões
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Explo ação da na a i a digi al com des aque pa a os
sons [s] e [z] e iden i icação de pala as elacionadas
com a cidade de Lisboa. Esc i a de ases simples
com apoio isual.
Obse ação de imagens e ídeos sob e Lisboa, com
especial a enção às achadas geomé icas, aos
monumen os, ao io Tejo e às p o issões locais.
Realização de composições geomé icas com igu as
planas.
Diálogo sob e a capi al, com des aque pa a o
pa imónio a qui e ónico, p o issões u banas e
elemen os da gas onomia local, como o pas el de
na a.
Realização de composições geomé icas inspi adas
nas achadas de edi ícios e monumen os de Lisboa.
Valo ização de p o issões, gos o pessoal, abalho de
g upo.
Da a - Tí ulo
02/05/25 - Descob i Coimb a com a Joana: Descobe as sob e a cidade, o
io e a música
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Lei u a dialogada da na a i a digi al, com
iden i icação de elemen os cul u ais e na u ais,
como a Uni e sidade e o io Mondego. P odução de
ex o o ien ado sob e as descobe as ei as.
Diálogo em g upo sob e os elemen os ap esen ados,
com des aque pa a o pa imónio cul u al da cidade
e o io Mondego.
Rep esen ação g á ica do que oi mais signi ica i o.
Escu a e ap eciação musical de exce os de ado.
Reconhecimen o da iden idade cul u al; alo ização
do país.
39
Da a - Tí ulo
08/05/25 - Viajando po Po o e Podence
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Lei u a dialogada da na a i a digi al com explo ação
o al de imagens e diálogo sob e a cidade do Po o e
a aldeia de Podence. Iden i icação do io Dou o e
compa ação en e cidade e aldeia.
Resolução de p oblemas simples com ep esen ação
de es a égias u ilizadas.
Descobe a do pa imónio cul u al de Podence, com
des aque pa a a adição dos Ca e os.
C iação de desenhos e igu as inspi adas nas
másca as e ajes ípicos.
Re o ço sob e a i udes de espei o, esponsabilidade
e coope ação nos di e en es con ex os.
Da a - Tí ulo
15/05/25 - Ba celos: Dos igu ados às medidas e memó ias
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Explo ação da lenda do Galo de Ba celos e econ o
o al cole i o, seguido de esc i a coope a i a do ex o,
com a enção à consciência onológica e à
segmen ação das pala as.
A i idades p á icas de medição com unidades não
con encionais, p omo endo a compa ação e
ep esen ação de g andezas.
Obse ação e diálogo sob e o pa imónio simbólico
e cul u al de Ba celos, com des aque pa a os
igu ados popula es.
Rep esen ação g á ica inspi ada no Galo de Ba celos
de Joana Vasconcelos.
Valo ização das adições e da iden idade cul u al;
espei o pela jus iça e di e sidade.
40
Da a - Tí ulo
22/05/25 - Esc i a C ia i a em Dupla
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Re isi ação das egiões explo adas ao longo do
p oje o e o ganização de ideias em dupla pa a c ia
um pequeno ex o; Planeamen o e p odução de ex o
na a i o simples, o alidade e o ganização de ideias.
Localização e iden i icação de ca ac e ís icas
egionais no e i ó io nacional.
Ilus ação c ia i a do local ep esen ado.
T abalho coope a i o e alo ização da pa ilha de
expe iências cole i as.
Da a - Tí ulo
29/05/25 - Cons ução Cole i a do
Nosso Li o
Á eas de
con eúdo
abalhadas
-
Desc ição
Planeamen o do ex o inal; Lei u a pa ilhada das
ases c iadas pelas duplas e o ganização do ex o
cole i o em g ande g upo; e o ço sob e o uso de
conec o es pa a ga an i a coesão da na a i a.
Expe imen ação a ís ica com e amen as digi ais.
En ol imen o a i o na cons ução de sen ido cole i o
e pe ença ao g upo.
Esc i a colabo a i a no documen o Wo d p oje ado;
Explo ação inicial do S o yMake em duplas;
Valo ização do pe cu so i ido e do sen imen o de
pe ença ao g upo, a a és da c iação de uma
his ó ia cons uída po odos.
Tabela 2 - A i idades ealizadas no âmbi o do p oje o de es ágio no 1.º Ciclo de Educação Básica e espe i as á eas cu icula es.
41
4.2 Análise da in e enção
Após a ap esen ação das a i idades desen ol idas, segue-se a análise dos dados ecolhidos nos
dois con ex os educa i os. Es a análise p ocu a mos a o impac o da in e enção na p omoção das
compe ências comunica i as das c ianças. A ap esen ação é o ganizada po ca ego ias emá icas e
es u u ada sepa adamen e pa a o P é-Escola e o 1.º Ciclo.
4.2.1 - Educação P é-Escola
Um dos p incipais desa ios que sen i du an e a in e enção oi o de adap a as p opos as às
di e en es o mas de comunicação das c ianças, sob e udo das mais no as. Foi no momen o em que
i e as p imei as in e ações que sen i o “choque de ealidade” ao pe cebe que mui as das minhas
ideias p é-concebidas não e am su icien es pa a chega às c ianças mais no as. Foi oda uma
cons ução de ap endizagem ao longo do meu es ágio a é comp eende quais as melho es o mas de
as en ol e de o ma signi ica i a. Pe cebi que e ia de po encia á ias o mas de linguagem pa a além
da e bal e o na as expe iências o mais senso iais possí el pa a po encia a comunicação o al das
c ianças.
Foi com esse sen ido, com essa no a pe ceção, que, logo numa das p imei as in e enções do
p oje o, c iei a “ilha” na sala, que exigiu uma p epa ação p é ia com man as e ecidos, luzes e som
ambien e do ma . An es de en a na sala, as c ianças o am con idadas a descalça -se e en amos na
sala simulando o mo imen o de o ação de b aços, como se es i éssemos a nada a é à ilha. As c ianças
ade i am com en usiasmo e comp eende am de o ma conc e a o que e a uma ilha ( ig. 5).
Figu a 5 - Rep esen ação simbólica da “ilha” c iada na sala
42
Logo após esse momen o, uma das c ianças, a b inca com um elemó el imaginá io, disse: “Mãe,
es ou a aze uma iagem!”. Nou o momen o, quando en a am na sala já com a disposição habi ual,
ou a c iança comen ou: “Nós já não es amos no oceano”. Es as exp essões espon âneas mos a am-
me que, quando as p opos as en ol em o co po e a imaginação, as c ianças en ol em-se e
comunicam, seja com pala as, ges os ou a a és da b incadei a simbólica. Foi nes e p ocesso de
descobe a que comp eendi a impo ância de po encia con ex os que espei em o empo, o co po e
as linguagens únicas de cada c iança. Es a expe iência oi, pa a mim, um pon o de i agem na
in e enção que eio e o ça a impo ância de c ia ambien es ime si os e exp essi os como pon o de
pa ida pa a o desen ol imen o da comunicação.
Tendo como e e ência os obje i os de inidos pa a es e con ex o (p omo e a comunicação o al,
e o ça o en ol imen o amilia e alo iza a di e sidade exp essi a e amplia o conhecimen o do
mundo), o ganizei a análise em cinco ca ego ias que p ocu am aduzi , na p á ica, o impac o da
in e enção. Ao longo das sessões, pude obse a p og essos signi ica i os em di e sos aspe os da
linguagem, assim como no en ol imen o, na pa icipação das c ianças e na ampliação do seu
conhecimen o sob e o mundo que as odeia.
Pa icipação e exp essão o al: No início do es ágio, as c ianças ap esen a am di iculdades
ao ní el da exp essão e bal, algumas com ases mui o cu as, ou as com a iculação pouco cla a. As
p imei as obse ações e momen os de con e sa e ela am ambém uma escu a pouco a en a e um
empo de a enção limi ado, o que e o çou a necessidade de c ia con ex os comunica i os mais icos
e en ol en es. Essas limi ações ica am e iden es numa manhã, logo na segunda semana de es ágio,
em que i e a opo unidade de con a uma his ó ia ao g upo. P ocu ei aze uma lei u a dialogada, mas
as espos as e am mui o escassas e, quase semp e, pa iam das c ianças de 4 anos, duas meninas
que já es a am na sala no ano an e io . A maio ia das c ianças man inha longos silêncios ou olha a
ixamen e pa a mim, sem da qualque espos a. Algumas mu mu a am pala as isoladas, di íceis de
comp eende , o que exigia e o mulações cons an es da minha pa e pa a da con inuidade à con e sa.
Com a in odução da
S o yApp Mobeybou em Po ugal
e a mediação dos di e en es episódios,
no ei um aumen o p og essi o do in e esse das c ianças pela na a i a, acompanhada de uma maio
on ade de pa icipa nos diálogos, de comen a , de aze pe gun as, cons uindo ases mais comple as
e p og essi amen e mobilizando ocabulá io ap endido. A exp essão da Dalila sob e a ca aplana quando
43
es á amos a e o episódio do Alga e (sessão 4): “Olha, es ou a e conchas lá den o!” é um exemplo
dessa pa icipação comunica i a, assim como a obse ação do João: “comeu udo!”, ao obse a o
episódio, e elando não só a enção ao de alhe como a cons ução de sen ido com base na na a i a
isual. Já du an e a explo ação do episódio de Lisboa (sessão 7), mui as c ianças começa am a
comen a ao mesmo empo, a iden i ica po meno es nas imagens e a es abelece ligações com
expe iências pessoais. A Ma ia, po exemplo, ao e a es á ua na p aça exclamou: “É Jesus!”. Nessa
mesma sessão, pe gun ei ao g upo: “O que é que se az mais num io?”. A Cla a, uma menina de 3
anos, disse: “Eu que o dize .” Incen i ei-a a ala “Diz”, mas ela icou em silêncio. A educado a,
en ando apoia , começou a e o mula a pe gun a, mas Cla a in e ompeu com i meza: “Não, eu
es a a p imei o!” Ao e oma a pala a, espondeu com o gulho: “Nada ”. Es es episódios e elam não
só o aumen o da pa icipação, mas ambém o c escen e desejo de oma a pala a e se escu ada.
Cons a ei que um pon o de pa ida impo an e pa a esse aumen o da pa icipação es e e
elacionado com o uso de pe gun as abe as, que ui in eg ando de o ma mais in encional à medida
que obse a a o g upo. Pe gun as como
“O que se á que ai acon ece ago a?”
,
“Quem já iu algo
assim?”
ou
“Se es i essem ali o que gos a am de aze ?”
o am su gindo com equência nas
in e ações, pe mi indo às c ianças pensa , imagina e o ganiza melho as suas espos as. Nes e
sen ido, e pa a incen i a a espos a, p ocu ei c ia um ambien e de acei ação e abe u a, um espaço
segu o pa a ala , onde as c ianças se sen issem con o á eis pa a o aze , sem medo de exposição ou
de e o. Um exemplo cu ioso acon eceu quando, ao explo a o episódio de Lisboa, pe gun ei às c ianças
o que gos a iam de aze se es i essem naquele luga . O Ra ael espondeu: “B inca a e co ia.” A pa i
desse momen o, essa exp essão icou associada à cidade de Lisboa, sendo e omada po á ias
c ianças semp e que o ema su gia nos momen os de abalho na sala. Es as pe gun as con ibuí am
pa a ala ga os momen os de diálogo e omen a a escu a en e pa es, e o çando a o alidade como
espaço pa ilhado de cons ução de sen ido.
Foi ambém isí el o uso de no o ocabulá io ap endido nas sessões, não só nos momen os de
g upo, mas ambém nas in e ações espon âneas. Um exemplo signi ica i o oco eu quando a O iana
me disse numa manhã, quando nos es á amos a sen a pa a can a os “Bons dias”:
“
Oh p o esso a,
eu disse ao meu pai que que ia i ao Oceano A lân ico”. Es a ase demons a não só a ap op iação do
e mo, mas ambém a ans e ência do que oi ap endido na escola pa a o con ex o amilia , o que
e o ça a in encionalidade do p oje o na a iculação en e ap endizagem e ida das c ianças. Também
nos momen os de b incadei a li e, e a equen e obse a si uações em que a na a i a deixa a
ma cas. Vá ias ezes, as c ianças o ganiza am as cadei as em ila e b inca am a aze iagens de
44
au oca o, escolhendo des inos di e sos: p aia, comp as, es a, médico... “Vamos à p aia!”, dizia o
Ma eus. Ainda que não mencionassem di e amen e a his ó ia, es as b incadei as pa eciam se
in luenciadas pela ideia de iagem explo ada nas sessões.
À medida que a na a i a a ança a, ui pe cebendo que as c ianças se ap op ia am de pala as-
cha e que o am associando a cada episódio. Em cada sessão, an es de inicia o no o episódio,
cos uma a ecapi ula os episódios an e io es à medida que iam passando, sem aze a lei u a, mas
dando espaço pa a que comple assem a sequência da iagem da Joana. Es e momen o de
ecapi ulação mos ou-se mui o in e essan e, po que pe cebi que o g upo inha ei o uma associação
que se epe ia de sessão pa a sessão. Os Aço es e am associados ao “Pico”, de ido à pa ilha do
Dua e, que ouxe uma imagem de casa e explicou ao g upo que e a a maio mon anha de Po ugal.
Quando lhe pedi que eco dasse o que a mãe lhe inha di o (“É uma mon anha que é...?”), ele
espondeu: “G ande!”. Es a associação oi e o çada po ou as pala as como “ ajã” e “caga os”. A
Madei a e a associada ao “Me cado dos La ado es”; o Alga e, aos “bichinhos do ma ” den o da
ca aplana; o Alen ejo às “cegonhas”, semp e acompanhadas do ges o de ba e com as mãos como os
bicos das a es; sob e Lisboa diziam “a cidade” e os “pas éis de Belém”, in o mação que oi uma ou a
c iança que in oduziu, po que no ex o e na sala eu ala a nos pas éis de na a; e Coimb a, ao “ ado”.
Es es elemen os mos am não só a ap op iação de ocabulá io ele an e, como ambém o modo como
cada episódio oi sendo in eg ado na memó ia cole i a do g upo, c iando um epe ó io comum que
se ia de pon o de pa ida pa a no as ap endizagens. Quando chegamos à nossa cidade, em Vila No a
de Famalicão, o desejo de pa icipa o nou-se especialmen e isí el, mui as c ianças econheciam as
imagens ap esen adas e comen a am com en usiasmo: “Eu conheço!” ou “Eu ou ali com a minha
mãe”. Es e ipo de comen á io espon âneo e elou não só a enção ao que e a ap esen ado, mas
ambém a on ade de pa ilha e de se aze ou i , demons ando uma o alidade mais con ian e e
si uada.
Conhecimen o do Mundo: Pa a além das e idências iden i icá eis no pon o an e io , uma
e idência da cons ução de conhecimen o es á na e olução da pe ceção do g upo sob e o mapa de
Po ugal. Na p imei a sessão, ao ap esen a a aplicação sem som, nenhuma c iança econheceu que
se a a a de um mapa. Já na sessão 7, a So ia apon ou com en usiasmo pa a o ec ã e disse: “Olha
p o esso a, o nosso Po ugal!”, uma e idência cla a da cons ução p og essi a de conhecimen o,
mos ando não só a enção, mas ambém ap op iação do que já inha sido explo ado. Ainda nessa
cons ução de conhecimen o espacial, uma si uação ma can e acon eceu du an e a sessão sob e os
Ca e os de Podence. Ao pe gun a ao g upo onde ica a Podence, a Cla a (3 anos) apon ou pa a o
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mapa e disse: “Fica ali em cima”. Inicialmen e, apon ei pa a a zona de Viana do Cas elo, mas ela iu e
co igiu-me dizendo que não. Apenas quando coloquei a mão no lado di ei o supe io do mapa é que
disse de o ma di e ida que eu es a a ce a, como se osse algo ão ób io e desse g aça um adul o
não sabe . Es a c iança, inda da c eche, su p eendeu-me pela o ma como conseguiu de o ma ão
ápida econhece a localização espacial. Sei que é algo abs a o e nunca i e como in enção que
e i essem esse ipo de in o mação, sob e udo as c ianças mais no as. Con udo, apesa da abs ação,
o p oje o pa ece e a o ecido uma pe ceção inicial sob e localização geog á ica.
En ol imen o: As o og a ias ecolhidas ao longo das sessões mos am momen os de g ande
concen ação e en ol imen o c escen e ( ig. 6).
Figu a 6 - As c ianças assis em com a enção à explo ação digi al da S o yApp Mobeybou
As c ianças mos a am en usiasmo isí el: le an a am-se dos luga es, apon a am, imi a am os
mo imen os das pe sonagens e, em algumas sessões, dança am ao som da música e ba iam palmas.
Po exemplo, após ou i em o som que as cegonhas azem com o bico e o que isso signi ica, á ias
c ianças começa am a imi a esse ba e com as mãos em en e à boca, simulando que elas p óp ias
es a am a “ba e os seus bicos”. A pa i desse momen o, semp e que se ala a em cegonhas,
começa am o mo imen o, so indo e ocando olha es cúmplices e di e idos en e elas.
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pudéssemos p o a . Todos es es exemplos su gi am de o ma espon ânea e com en usiasmo. Um ou o
exemplo des a ligação a e i a e pedagógica oi o caso do Ra ael. Sabendo que Ba celos ia se explo ada,
os pais decidi am i isi a a cidade no im de semana p é io à sessão. Du an e a ap esen ação das
imagens e ídeos, o Ra ael mos a a g ande en usiasmo, econhecendo os locais e comen ando com
en usiasmo o que inha is o. Es e momen o con i mou o impac o que o en ol imen o amilia pode e
na mo i ação e no in e esse da c iança, com e ei o na sua comunicação, e o çando a impo ância de
man e uma a iculação es ei a en e o que se i e na escola e em casa. Sei que não consegui oca
odos os pais, mas sen i que se ia uma ques ão de empo. Reco do o caso do pai da So ia, que, na
p imei a eunião, ap esen a a uma pos u a mui o sé ia e com uma pos u a co po al ensa e com pouca
abe u a, endo icado emocionado ao e o ídeo do p oje o com o og a ias das c ianças nos di e sos
momen os do p oje o, que p oje ei na eunião inal. Impo a e e i , que depois do ídeo, os pais o am
con idados a i à sala e os abalhos dos ilhos, e es e pai em conc e o es a a a i a o og a ias a
odos os abalhos, p ocu ando os da ilha, endo sido quase o úl imo a abandona a sala. Apesa de
con inua sem se exp essa e balmen e, ap esen a a, nesse momen o, uma pos u a mais elaxada. A
esposa dizia que o ma ido es a a encan ado com os abalhos. Essa ligação a e i a e pedagógica acabou
po en iquece ainda mais a expe iência educa i a, e o çando o sen imen o de pe ença e o diálogo
en e a escola e a amília. Numa ou a si uação, num encon o casual, a mãe de uma c iança que
inha da c eche, e que no início se mos a a mais ímida e com alguma di iculdade em comunica ,
con idenciou-me: “A é a minha mãe diz, ela pa ece ou a. An es cho a a pa a i pa a a c eche, ago a
diz que não se pode a asa po que em mui o abalho pa a aze .” Es e es emunho espon âneo
mos ou-me o quan o o p oje o pode ia es a a consegui ge a en ol imen o a e i o e sen ido de
pe ença nas c ianças.
Pa a comp eende o impac o des a in e enção o a do ambien e escola , apliquei um
ques ioná io às amílias no inal do p oje o ( e Apêndice II). As espos as mos a am que a maio ia
pa icipou nas pa ilhas p opos as e que odas as amílias econhece am e ei os posi i os nas con e sas
e b incadei as em casa, o que e o ça a ideia do e ei o do p oje o, com con inuidade en e os con ex os
de ida da c iança. Nas pala as de uma mãe: "Todos os dias, as b incadei as que ínhamos com ela
inham a e com alguma pa e da iagem da Joana... ou sob e os caga os, ou sob e os binóculos pa a
e as cegonhas..." Es e ipo de espos a e ela não só o en usiasmo das c ianças, mas ambém a
o ma como os con eúdos abalhados o am ap op iados e essigni icados nas o inas amilia es. Ou o
enca egado de educação e e iu: "Ve a Ma ilde a aze o ba ulho das cegonhas; a da -nos a conhece
os caga os (que soube logo dize que e a um pássa o) ... Iden i ica o galo como sendo de Ba celos e
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ainda i supe -en usiasmada dize -nos que exis e um io chamado Dou o!". Es es es emunhos
con i mam não só a ap op iação do ocabulá io e dos con eúdos cul u ais e geog á icos, como mos am
o impac o a e i o que es as descobe as p o oca am nas c ianças.
Algumas amílias des aca am ambém mudanças na qualidade do discu so, como "a u ilização
de pala as mais complexas" ou "um discu so mais o ganizado", e ou as des aca am a cu iosidade
c escen e po emas como o Oceano A lân ico, as ilhas, os mapas ou os elemen os cul u ais das egiões.
Pa a além do ocabulá io, su gi am ambém no as a i udes e in e esses: "Ela que ia i a o os a udo
o que gos a a pa a mos a aos amigos e à p o esso a." ou "Passou a que e p o a coisas no as dos
locais." Es as espos as mos am como a p opos a pedagógica se es endeu pa a além dos mu os da
escola, e o çando a sua in encionalidade ao en ol e a amília como pa cei a a i a no desen ol imen o
comunica i o e cul u al da c iança.
Ainda que o ques ioná io enha ido um ca á e in o mal, os dados ob idos e o çam a pe ceção
de que a mediação pedagógica baseada na S o yApp e e eco no con ex o amilia , con i mando o seu
po encial pa a a cons ução de p oje os com sen ido, que es abelecem pon es en e escola, amília e
e i ó io, c iando con ex os de comunicação mo i ado es.
Sín ese: De uma o ma ge al, a análise dos dados ecolhidos nes e con ex o pe mi e-me conclui
que, apesa das limi ações de empo e ecu sos, a u ilização da na a i a digi al, aliada a uma mediação
in encional a a és das es a égias implemen adas e a en a à escu a das c ianças, e e um impac o
posi i o na p omoção da comunicação o al e no en ol imen o das c ianças nas a i idades. As
es a égias implemen adas, como a c iação de cená ios ime si os, o uso de pe gun as abe as, a
alo ização das á ias linguagens e o diálogo cons an e com as amílias, po encia am uma e olução
no ó ia na pa icipação, na escu a en e as c ianças e na sua exp essão, mesmo en e aquelas com
maio es di iculdades iniciais. As p oduções, os momen os de explo ação e con e sa, as pa ilhas e os
comen á ios das amílias con i mam que a p opos a não se esgo ou no con ex o escola , mas e e
e lexo na ida amilia , despe ando no as cu iosidades e o mas de comunicação. Um dos momen os
mais signi ica i os su giu quando, a p opósi o do desa io de explo a em em amília a nossa e a,
Famalicão, uma amília le ou a c iança e o seu i mão mais no o a isi a duas eguesias do concelho
de onde os a ós e am na u ais. C ia am, assim, um momen o amilia iquíssimo, no qual os a ós
assumi am o papel de guias e con ado es das suas his ó ias, pa ilhando memó ias com os ne os. O
egis o o og á ico e em ídeo ei o pela amília icou como ma ca isí el de um en ol imen o que
ex apolou la gamen e as minhas expec a i as iniciais.
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4.2.2 - 1.º Ciclo
A con inuidade do p oje o no con ex o do 1.º Ciclo do Ensino Básico implicou um eajus e dos
obje i os e das es a égias de inidos pa a o P é-Escola , man endo-se, no en an o, o mesmo io condu o
o uso de na a i as digi ais mul imodais como ecu so pedagógico in eg ado e po enciado da
comunicação e da ap endizagem.
Ao inicia o es ágio na u ma do 1.º ano, pe cebi que mui as c ianças ainda não inham
consolidado aspe os undamen ais da o alidade. Re ela am di iculdades na cons ução de ases
comple as, ocabulá io limi ado e, em mui os casos, um empo de a enção eduzido. Além disso, a
mo i ação pa a a i idades escola es mais adicionais, como segui o manual de o ma in eg al, ealiza
a e as epe i i as e pa icipa em p á icas ainda mui o cen adas no p o esso , e a baixa, o que me
le ou à cons an e adap ação das p opos as, ajus ando-as de o ma a cap a o in e esse do g upo. Esse
p ocesso implicou uma e lexão con ínua sob e a minha mediação pedagógica, le ando-me a e o mula
a minhas es a égias, e a cla i ica e e bem p esen e qual e a a in encionalidade da minha ação. Es e
con ex o acabou po exigi um maio es o ço men al da minha pa e logo desde o início. O ac o de e
mui as dú idas e poucas espos as desgas ou-me e ez-me sen i um pouco pe dida. A apa en e apa ia
que pe cebi em g ande pa e do g upo oi uma ealidade que não espe a a encon a da o ma como
encon ei num 1.º ano. Algumas c ianças mos a am di iculdades de concen ação, chegando, po
ezes, a dispe sa -se ao im de poucos minu os de explicação, o que o nou e iden e que a ges ão do
empo e das dinâmicas e ia de se cons an emen e eajus ada pa a despe a e man e o en ol imen o
do g upo. Foi p ecisamen e es e desa io que ma cou o início do meu p ocesso de in es igação-ação
nes e con ex o, pa a pe cebe o que não es a a a unciona e como pode ia adap a -me pa a i ao
encon o das necessidades eais das c ianças. Hou e momen os em que i e de encu a a p opos a
inicial, simpli ica as ins uções ou aze escolhas sob e o que se ia mais impo an e e adequado pa a
o g upo naquele momen o, deixando o es o pa a ou a al u a mais opo una. Esses pequenos ajus es
o am essenciais pa a ajus a a p á ica à ealidade do g upo e ajuda as c ianças a man e em o oco e
a mo i ação.
Lei u a dialogada, o alidade e pa icipação: Um dos obje i os pedagógicos cen ais pa a
es e ciclo e a es imula o gos o pela lei u a e esc i a, começando pela cons ução da o alidade como
base de odo esse p ocesso. As p imei as sessões cen a am-se, po isso, na lei u a dialogada da
na a i a da S o yApp Mobeybou em Po ugal, p omo endo a in e p e ação o al da his ó ia, a
iden i icação dos pe sonagens e das suas ações, assim como a explo ação de concei os e
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conhecimen os geog á icos e cul u ais do nosso país, c iando pon es com as expe iências das c ianças
e p omo endo o uso espon âneo e si uado da linguagem.
Desde a p imei a sessão, com a ap esen ação da na a i a comple a, oi possí el obse a essa
ligação com o mundo pessoal das c ianças, po enciada pela app. A a és da lei u a dialogada, os
comen á ios espon âneos iam su gindo e da am sen ido ao ex o. Ao chega ao episódio do Alga e,
po exemplo, o San iago comen ou: “Alga e, já ui”, sendo logo seguido pelo Gonçal es, duas ca ei as
à en e: “Eu ambém”. Es as alas espon âneas pa ecem mos a a on ade de pa ilha as suas
i ências, de econhece o local ap esen ado e de se coloca , de alguma o ma, den o da na a i a.
Uma si uação semelhan e oco eu na sessão dedicada ao episódio de Lisboa, no momen o em que
explo ámos as p o issões. Mui as c ianças mos a am en usiasmo e quise am pa ilha o que os seus
pais aziam. Esse momen o de pa ilha amilia mobilizou a o alidade de o ma signi ica i a, a o ecendo
a ligação en e o con eúdo escola e o conhecimen o e i ência pessoal das c ianças, e o nando o
diálogo mais exp essi o e espon âneo.
Nou a sessão, ao abo da a cidade do Po o, pe gun ei se já inham isi ado a zona da Ribei a,
ao que a F ancisca esponde de o ma segu a: “Já ui ao Po o, mas não ui pa a aí”, mos ando
comp eensão do cená io e dis inção geog á ica. Na explo ação in e a i a do episódio do No des e
T ansmon ano, no momen o em que e a necessá io ajuda a pe sonagem a a ança , o Dinis exclamou
com en usiasmo: “Joga, p o esso a!”, e elando en ol imen o e emoção nesse momen o. Na sessão
sob e Ba celos, quando apenas ínhamos a imagem do episódio e eu pe gun a a se conheciam alguma
cidade que desse des aque aos galos, enquan o odo o g upo mos a a um a con uso, o San iago, após
algum silêncio diz: “Ba celos!”, an ecipando co e amen e o nome da cidade an es de es a e sido
e elada, ac escen ando: “A minha a ó i e lá, eu ou lá almoça ao domingo.”
En endo que es es episódios, apa en emen e simples, mos am como a lei u a dialogada pode
po encia a o alidade, sob e udo quando há espaço e abe u a e quando o con ex o é signi ica i o (Fig
14).
56
Figu a 14 – Momen o de lei u a dialogada da na a i a da S o yApp Mobeybou
Esc i a e cons ução ex ual: De o ma p og essi a e aseada, em cada episódio a o alidade
oi ambém in eg ando a p odução esc i a. As p imei as p opos as de esc i a oca am-se na elabo ação
de pequenas ases a pa i das imagens da his ó ia, com o apoio do ocabulá io abalhado
cole i amen e. Numa das sessões, depois da isualização do episódio da Madei a, no Me cado dos
La ado es, a pe sonagem, depois de coloca u as no ces o e com a nossa in e ação, sai do ec ã.
Pedi, en ão, às c ianças que imaginassem o que pode ia e acon ecido depois. O obje i o e a es imula
a c ia i idade e o uso da linguagem esc i a num con ex o signi ica i o. Expliquei que pode iam esc e e
como acha am que se esc e ia, sem se p eocupa em com os e os o og á icos, po que o mais
impo an e e a a ideia e o es o ço em pa icipa . Na e dade, nes e momen o, o meu maio obje i o e a
mesmo es imula a c ia i idade. Con udo, a maio ia das espos as es a a mui o cen ada no que inha
acon ecido, inha mui os “comp ou u as”, e ou as ases semelhan es, mas, ainda assim pe cebi algo
impo an e: as c ianças acei a am bem a p opos a, mesmo aquelas que inham mais di iculdades na
esc i a, ou que cos uma am mos a esis ência à esc i a, e começa am odos a abalha mal acabei
de explica o que p e endia. Foi ainda possí el pe cebe que, ao alo iza a in enção e não a co eção
57
o mal, a maio ia conseguiu esc e e com au onomia, come endo apenas e os pon uais ou na u ais
des a ase inicial da esc i a.
Foi nesse úl imo pedido que a Yasmin esc e eu “A Joana oi paga .”, acompanhando a ase
com uma ilus ação de alhada da cena, onde se econhece a pe sonagem jun o ao balcão (Fig. 15).
Figu a 15 – P odução esc i a e isual sob e a ação da pe sonagem após sai do ec ã.
Ainda que b e e, es a p odução já e idencia como a a iculação en e o alidade, lei u a e esc i a
começou a ganha o ma, pe mi indo à c iança exp essa o essencial de o ma au ónoma. Ce ca de
dois meses depois, já mais a ançada, a mesma aluna esc e eu: “Eu não sabia que exis iam os Ca e os
de Podence. E não sabia que abana am [o] ca apuço de noi e.” ( ig. 16). Es a espos a à pe gun a
sob e o que ap endeu ou descob iu mos a a capacidade de esga a in o mação que oi signi ica i a
pa a si, o ganizá-la e e balizá-la po esc i o com bas an e au onomia.
58
Figu a 16 – Regis o esc i o e ilus ado após sessão sob e os Ca e os de Podence.
Em á ios momen os, pa a apoia o desen ol imen o da esc i a, suge i aos alunos que elessem
o que inham esc i o em oz al a. Num desses momen os, a Ma ia ape cebeu-se de que inha epe ido
a mesma pala a e, espon aneamen e, e o mulou a ase. Numa ou a ocasião, a So ia não sabia como
começa a esc e e . Pe gun ei o que mais inha gos ado da his ó ia e ela espondeu: “do ado”. A pa i
daí, omos cons uindo jun as a ase: “O ado de Coimb a é mui o boni o.”. Es as pequenas
in e enções mos am a impo ância da mediação, da escu a e da alo ização da in enção da c iança
como pon o de pa ida pa a a cons ução do ex o esc i o, p ocesso que se o nou ainda mais e iden e
na esc i a coope a i a do li o cole i o, ealizada na e a inal da in e enção ( e Apêndice IV). Esse
abalho começou com uma pesquisa p é ia sob e cada egião, o ien ada e ealizada em casa com o
apoio das amílias. O pedido oi o malizado a a és de uma comunicação esc i a en iada às amílias
(Apêndice I), na qual o am indicadas suges ões de ópicos simples como adições, paisagens,
gas onomia ou elemen os cul u ais ípicos da egião a ibuída a cada c iança. Seguiu-se a elabo ação
dos episódios das egiões em duplas, onde cada pa de alunos esc e eu e ilus ou a sua pa e da
his ó ia, e culminou com a cons ução do ex o inal em g ande g upo. Nes a ase, os ex os e as
ilus ações o am p oje ados e, du an e o p ocesso in encional de esc i a colabo a i a, omos decidindo
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em conjun o, o que man e , como es abelece as ligações en e os episódios e como ga an i a
coe ência da na a i a, num exe cício pa ilhado de e isão, escu a e cons ução de sen ido. Es a
expe iência de esc i a colabo a i a pa eceu deixa uma ma ca posi i a nas c ianças. No ques ioná io
inal, uma das espos as ecolhidas oi: “Gos ei de aze o li o da Joana”, o que pa ece mos a o
o gulho de pa icipa a i amen e num p odu o cole i o com signi icado.
En ol imen o e coope ação: Ao longo das sessões, oi possí el obse a um aumen o
p og essi o da pa icipação das c ianças. Os abalhos em duplas, o so eio de espá ulas com nomes
pa a escolhe quem i ia ao quad o e os momen os de abalho cole i o, em pequeno g upo ou em
g ande g upo, p opo ciona am uma excelen e opo unidade pa a abalha a coope ação, a escu a e a
esponsabilidade pa ilhada.
A es e p opósi o, e i o, po exemplo, o caso de uma das duplas que se euniu du an e o im de
semana, em casa, com o apoio dos pais, pa a ealiza a pesquisa sob e a sua egião. A p opos a
consis ia em p ocu a in o mações simples sob e adições, paisagens, gas onomia ou elemen os
cul u ais ípicos da egião a ibuída, de o ma a p epa a em-se pa a esc e e o episódio da his ó ia. Es a
si uação oi pa icula men e in e essan e, pois mos a como o en ol imen o ul apassou o espaço
escola e se ans o mou numa inicia i a amilia e coope a i a.
O p óp io ac o de o ganiza as c ianças em pequenos g upos, na sala, mesmo quando
ealiza am a e as indi iduais, como algumas ichas de lei u a ou esc i a, e elou-se uma es a égia
e icaz pa a p omo e a en eajuda e man e a a enção. Nesses momen os, mui as ezes pa ilha am
dú idas, oca am ideias ou compa a am espos as, o que es imulou o pensamen o cole i o e o sen ido
de coope ação ( ig. 17). As c ianças mos a am-se en usiasmadas com a possibilidade de colabo a ,
de cons ui algo em conjun o e de e o seu con ibu o econhecido no p odu o inal, o que oi
pa icula men e e iden e no âmbi o do li o cole i o. A ase da Mia esume bem essa i ência: “Gos a a
quando azíamos em g upos e pensá amos coisas nos nossos g upos”, o que me pa ece se bas an e
posi i o.
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Figu a 17 – Exemplo de uma a i idade em g upo: c ianças en ol idas na o ganização de o mas
Ainda nos abalhos de g upo, hou e momen os em que cada g upo, odos os elemen os ou um
ep esen an e, ap esen ou as suas p oduções/ esoluções à u ma. Es as ap esen ações o am
momen os icos de comunicação o al, pa icipação e escu a, onde os colegas o am con idados a
comen a , suge i melho ias ou con i ma o que inha sido di o. Quando disco da am, i e am de
jus i ica o po quê, o que ajudou a p omo e o pensamen o c í ico e a a gumen ação. Como, po
exemplo, num momen o de esolução de p oblemas ma emá icos, em que um g upo mos ou que, na
sua esolução, escolheu usa eijões pa a chega à espos a, e um ou o g upo a gumen ou que inha
usado a abela do cem e que isso e a “mais ápido”. Nesse momen o, con idei a c iança a i ao
quad o, onde ínhamos uma abela do cem a ixada, pa a explica como inham pensado. A compa ação
en e es a égias p opo cionou um momen o ico de pa ilha o al e ap endizagem.
Familia ização com o uso dos ecu sos digi ais pa a cons ui conhecimen o: A
u ilização da S o yApp Mobeybou como pon o de pa ida e elou-se, mais uma ez, al amen e
mo i ado a. O in e esse e en usiasmo das c ianças oi c escendo p og essi amen e, sendo isí eis
a a és da expec a i a e ânsia de conhece em os episódios seguin es. F ases como “É hoje o dia da
his ó ia da Joana?” ou “Po que é que não podemos e a his ó ia odos os dias? Ou pelo menos duas
ezes po semana?” e elam esse en ol imen o a e i o com a na a i a e a on ade de con inua a
acompanha a iagem da pe sonagem pelo país.
61
Pa a além de odos os ganhos já e e idos, a na a i a digi al p opo cionou ambém
ap endizagens signi ica i as ao ní el cogni i o. As c ianças o am p og essi amen e econhecendo e
ap op iando-se de concei os elacionados com o e i ó io po uguês, como a di e ença en e cidade e
aldeia, as adições egionais, os ins umen os musicais ípicos ou os elemen os na u ais como o io e
o ma , in eg ando esse conhecimen o de o ma a i a e con ex ualizada. A S o yApp uncionou como
pon o de pa ida pa a ap endizagens geog á icas e cul u ais, acili ando a cons ução de sen ido a pa i
da expe iência digi al. As c ianças demons a am es a ap op iação an o nos diálogos em sala, como
nas ep esen ações isuais e e bais ealizadas pos e io men e, como já e idenciado.
Es e en ol imen o a e i o e cogni i o oi ambém e e ido pelas p óp ias c ianças no ques ioná io
inal, no qual a i ma am: “Gos á amos mui o po que ap endíamos coisas no as”, “E a bom po que
cada ez e a uma coisa no a”, e ainda “T abalhá amos odos os dias, mas e a di e en e”. Es es
comen á ios suge em que a expe iência digi al oi en endida como uma opo unidade de ap endizagem
eal e signi ica i a, di e en e da o ina escola habi ual. A S o yApp uncionou como pon o de pa ida
pa a ou as ap endizagens, como a localização geog á ica e o econhecimen o de cos umes egionais.
Es e en ol imen o oi ambém e iden e nas espos as ao ques ioná io inal, como: “Gos ei mui o de e
as his ó ias” ou “Ap endi que ha ia Ca e os em Po ugal”, e elando ap op iação dos con eúdos
explo ados e ligação a e i a com a na a i a. Pa a além disso, os alunos des aca am o ca á e in e a i o
da aplicação, demons a am g ande en usiasmo e cu iosidade semp e que iam algo a b ilha , pedindo
pa a que ca egasse pa a “ e o que acon ece”. Na a aliação do p oje o esse oi um dos aspe os
des acados. Re e i am exp essões como “a Joana mexia”, “nós é que azíamos”, e des aca am ambém
a ap endizagem com exp essões como “ap endíamos coisas no as sob e Po ugal”.
Também as c ianças com mais di iculdades, seja ao ní el da concen ação ou da exp essão o al,
eagi am posi i amen e ao es ímulo mul imodal da app, pa icipando com mais egula idade e
mos ando mais in e esse em pa icipa . É disso exemplo a espos a do Da id, uma c iança que se
dis aía acilmen e com qualque es ímulo, quando lhe pe gun ei po que azão que ia an o e a
his ó ia e ele disse: “Eu que o abalha !”. Uma ase que me su p eendeu pelo con as e com o
compo amen o habi ual.
Pa a além da na a i a mul imodal em si, pe cebi que ambém as es a égias associadas ge a am
g ande mo i ação. A pa i de cada episódio, p ocu a a expandi a na a i a, azendo imagens, ídeos,
obje os e a i idades que pe mi issem ap o unda os con eúdos ap esen ados e a iculá-los com ou as
á eas do sabe . Como e e iu o Dinis, na sua espos a ao inqué i o: “Tinha coisas no as... Po que nós
íamos aze a i idades…”, e e indo-se a esses momen os de p olongamen o da his ó ia, onde as
68
Re e ências bibliog á icas, apêndices e anexos
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Dec e o-Lei n.º 54/2018, Diá io da República n.º 129/2018, Sé ie I de 6 de julho de 2006
Despacho n.º 6478/2017, Diá io da República n.º 143/2017, Sé ie II de 26 de julho de 2017
Despacho n.º 6944-A/2018, Diá io da República n.º 138, Sé ie II de 19 de julho de 2018
Lei n.º 5/97, Diá io da República n.º 34/1997, Sé ie I-A, 10 de e e ei o de 1997
70
Anexos
71
Anexo I - Imagens da S o yApp Mobeybou em Po ugal
As imagens que se seguem o am e i adas da aplicação digi al
S o yApp Mobeybou em Po ugal
,
u ilizada como ecu so cen al no desen ol imen o da in e enção pedagógica. Es as imagens ilus am
os cená ios, pe sonagens e obje os explo ados com as c ianças ao longo das sessões, uncionando
como supo e isual pa a a cons ução de sen ido, o desen ol imen o da linguagem e o diálogo
in e cul u al. A p esença des es elemen os mul imodais con ibuiu pa a a c iação de expe iências
educa i as mais en ol en es, signi ica i as e cul u almen e icas.
Página inicial
1.º capí ulo
72
2.º capí ulo
73
3.º capí ulo
4.º capí ulo
74
5.º capí ulo
75
6.º capí ulo
7.º capí ulo
76
8.º capí ulo
*
77
9.º capí ulo
10.º capí ulo
84
Apêndice III – Ques ioná io Final às C ianças (1.º Ciclo)
No inal do p oje o, oi aplicado um b e e ques ioná io aos alunos do 1.º ciclo com o obje i o de
ecolhe as suas opiniões sob e a expe iência i ida e as ap endizagens ealizadas. O ques ioná io oi
p eenchido em con ex o de sala de aula, com apoio da es agiá ia, espei ando o i mo das c ianças.
85
Es u u a do ques ioná io:
86
87
Regis o das espos as:
1. Gos as e de pa icipa na iagem da Joana po Po ugal?
Respos a:
N.º de alunos
Mui o
20
Assim-assim
0
Não gos ei
0
2. Ap endes e coisas no as sob e o nosso país?
Respos a:
N.º de alunos
Sim
20
Não
0
Não sei
0
3. Qual oi a egião que mais gos as e de conhece ? (seleciona a é 3
espos as)
Respos a:
N.º de alunos
Aço es
6
Madei a
5
Alga e
10
Alen ejo
2
Lisboa
5
88
Coimb a
2
Po o
8
Podence
5
Ba celos
6
4. O que mais gos as e de aze du an e o p oje o?
Respos a:
N.º de
alunos
Ou i / e a
his ó ia
13
Conhece
mais sob e Po ugal
5
Esc e e em
dupla
1
Faze
desenhos e igu as
1
Ou a
0
5. Sen es que consegues ago a con a algo sob e Po ugal a ou a pessoa?
Respos a:
N.º de alunos
Sim
16
Tal ez
3
Não
1
6. Foi ácil abalha com o colega na esc i a da his ó ia?
89
Respos a:
N.º de
alunos
Sim, combinámos bem
14
Às ezes oi di ícil
6
Não gos ei de abalha
em dupla
0
7. Conseguis e da ideias pa a a ossa his ó ia?
Respos a:
N.º de
alunos
Sim, dei mui as ideias
14
Dei algumas
6
Não consegui
0
8. Como e sen is e ao e a ua his ó ia no li o?
Respos a:
N.º de
alunos
Mui o eliz
18
Um bocadinho eliz
2
Não gos ei mui o
0
9. Que es c ia mais his ó ias como es a no u u o?
Respos a:
N.º de
alunos
Sim
18
90
Tal ez
1
Não
1
10. Pe gun a com espos a o al:
● O que é que o Mobeybou e e de di e en e de ou a na a i a/his ó ia/li o?
As c ianças iden i ica am á ias di e enças en e a aplicação e as his ó ias ou
li os adicionais, ocando-se na in e a i idade:
- Pe sonagens Dinâmicas e In e a i as: Ao con á io dos li os onde os
pe sonagens es ão "quie inhas", na aplicação a Joana "mexe-se”.
- In e a ii idade: Na aplicação, e a necessá io "pega nas u as e colocá-las na
sex a", algo que "não acon ece nos li os". Es a capacidade de "pega as coisas pa a
aze na Joana" oi um aspe o " ixe".
- Explo ação de Luga es e No as In o mações: A his ó ia "da a mui os móis, da a
móis do mundos que nós nunca omos" e e a di e en e dos li os, pe mi ia "explo a
ainda mais Po ugal" pois "semp e que nós íamos e ou a coisa, ou a egião".
● Po que é que gos ei an o?
- No idade: Gos a am "po que nós ap endemos ainda mais coisas no as" e
"cada ez e am coisas no as". A possibilidade de " aze a i idades hã… no as" oi um
a o des acado.
- Descobe a Cul u al e Geog á ica: O desejo de "ap ende coisas no as po que
nós não conhecemos mui as coisas ipo de Po ugal. Nós podemos explo a ainda
mais Po ugal". Ap ecia am ambém p o a "algumas coisas no as de cada [pa e]".
- In e a i idade: A pe sonagem "se mexia", oi um algo e e ido po á ias
c ianças.
- Componen e Social e Colabo a i a: A o ganização em g upos pa a ealiza
a i idades, onde "nós pensá amos coisas dos nossos g upos", e “Gos a a quando
azíamos em g upos e pensá amos coisas nos nossos g upos” indicou que gos a am de
" abalha em g upo".
91
● O que mais me chamou a a enção?
- Elemen os Cul u ais e Lendas de Po ugal:
- A lenda do "Galo de Ba celos", com uma c iança a gos a de "conhece a
lenda do galo de Ba celos".
- Os "Ca e os de Podense", com uma c iança a a i ma que não inha medo,
pois já sabia o que signi ica am.
- As "espigas de de do Alen ejo". Apesa de es a a i idade não e sido
ealizada no âmbi o do p oje o, oi in e essan e pe cebe a mobilização de
conhecimen o.
- Luga es de Po ugal: A descobe a dos "Aço es", com uma c iança a não sabe
que exis ia e a acha que e a "mui o belo lá".
- Momen os Especí icos da His ó ia:
- A pa e em que a Joana oi "come ao es au an e a ca aplana" com a
amiga "B asilei a".
- A Joana a "anda no ma , no ma a nada ".
- A Expe iência In e a i a: A egião que "da a a i pa a cima, pa a o lado"
( e e indo-se à uncionalidade de o ação e explo ação isual ime si a da aplicação,
como em Lisboa). Uma c iança ambém gos ou da aplicação S o yMake .
92
Apêndice IV – Li o cole i o
Es e li o cole i o oi cons uído no âmbi o da in e enção pedagógica desen ol ida com a u ma
do 1.º ano. Inspi ado na na a i a da pe sonagem Joana na
S o yApp Mobeybou em Po ugal
, o li o
eúne os episódios c iados pelas c ianças a pa i das egiões explo adas ao longo das sessões.
A a en u a do 1GA
Já com a ba iga cheia, omos isi a a
Capela dos Ossos. Ficámos espan ados
e a é com medo, mas já es a a na ho a
de segui pa a a p óxima a en u a do
1GA.
Na e a seguin e, omos do mi num
ho el com uma bela is a sob e o Tejo.
Logo pela manhã, p o amos os
amosos pas éis de Belém e bebemos
chocola e quen e. Os pas éis de Belém
são mesmo pa ecidos com as na as que
comemos na nossa e a.
Quando a p o esso a Mónica disse que
íamos ao Oceaná io, icámos mui o
en usiasmados. Es á amos mesmo
ansiosos pa a e os uba ões, as aias,
os pinguins e as a a ugas. No inal do
dia es á amos cansados, mas elizes.
Ado ámos conhece a capi al do nosso
país.
No dia seguin e, pa imos pa a
Coimb a. Fomos di e os pa a o
Po ugal dos Pequeni os, que é uma
cidade em minia u a onde só
conseguem en a c ianças. Foi ão
di e ido!
À a de, isi ámos a Biblio eca
Joanina e, na ho a do jan a , ou imos
o amoso ado de Coimb a numa
esplanada à bei a do io Mondego.
Que dia ão ag adá el!
Quando chegámos à cidade do Po o,
omos ao Es ádio do D agão assis i ao
jogo en e Po o e Ben ica. Ficámos
supe en usiasmados!
Saímos do es ádio em di eção ao io
Dou o pa a da mos um passeio num
ba co abelo.
O nosso jan a oi uma F ancesinha.
Em Podence, encon amos uma amiga
que é de lá e que se p on i icou a
mos a -nos a aldeia. Visi ámos a Casa
do Ca e o, onde imos as oupas
colo idas e as másca as que eles usam.
A é b incámos com alguns ca e os que
se es i am pa a nós.
Já em Ba celos, imos an os galos, de
á ias co es e amanhos. É uma cidade
mui o aleg e. Es i emos numa o icina
de a esana o, de ola ia, onde cada um
de nós ez um galo pequenino pa a
eco dação. À noi e, omos e um
conce o na Fes a das C uzes e imos o
ogo de a i ício na pon e medie al
sob e o io Cá ado.
Depois de aco da , no dia seguin e,
ol ámos pa a Vila No a de Famalicão
de comboio. A nossa u ma ocupou
uma ca uagem in ei a! Quando
chegamos omos a pé a é ao Pa que da
De esa, onde nos encon amos com os
nossos pais, com um delicioso
piquenique p epa ado.