Ped o Filipe Ribei o de Mou a
As na a i as ansmediá icas no quo idiano
dos jo ens: es udo empí ico com alunos do
3.º Ciclo e do Ensino Secundá io
janei o de 2025
As na a i as ansmediá icas no quo idiano dos jo ens:
es udo empí ico com alunos do 3.º Ciclo e do Ensino Secundá io
Ped o Filipe Ribei o de Mou a
UMinho|2025
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Ciências Sociais
Ped o Filipe Ribei o de Mou a
As na a i as ansmediá icas no quo idiano
dos jo ens: es udo empí ico com alunos do
3.º Ciclo e do Ensino Secundá io
janei o de 2025
Tese de Dou o amen o
P og ama Dou o al em Ciências da Comunicação
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Sa a Pe ei a
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Ciências Sociais
II
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da
Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
III
Ape cebia-me ago a de que ambém se podem sonha
li os, e que, po an o, se podem sonha sonhos.
Umbe o Eco,
O Nome da Rosa
Suponho que das eses se possa dize o mesmo.
IV
V
AGRADECIMENTOS
Se o esul ado úl imo de um pe cu so como dou o ando é assinado no singula , o caminho
pe co ido nunca o é. En e amilia es, amigos e p o esso es (ca ego ias, no e-se, não
mu uamen e exclusi as), o am mui as as pessoas que con ibuí am pa a o melho que es a ese
em.
A p imei a pala a de econhecimen o é in ei amen e de ida à minha o ien ado a, a p o esso a
Sa a Pe ei a. Vamos já pa a lá de uma década de abalho em conjun o, ac o que mui o me
o gulha pelo p i ilégio que é. Ag adeço, pois, o apoio cons an e, o exemplo de esiliência e
exigência e a amizade que consolida am a ce eza de que es e oi e é o caminho ce o. À
p o esso a Sand a Ma inho, ainda eco dis a na lecionação de unidades cu icula es po mim
equen adas, ag adeço a simpa ia, o pe sis en e in e esse e as con e sas sob e es a ís ica que
mui o me ajuda am a consuma as opções me odológicas des a ese. Ao p o esso Hen y
Jenkins, cuja in luência eó ica se o na á isí el nas páginas que se seguem, ag adeço a p on a
disponibilidade pa a uma en e is a explo a ó ia que an o auxiliou na pe sc u ação das ques ões
a que hoje impo a esponde à luz da cul u a de con e gência.
Es a é uma ese sob e jo ens e, ine i a elmen e, com jo ens. É, po an o, impe ioso que se
deixe aqui explíci o um ag adecimen o sem limi es a odos aqueles que acei a am colabo a nos
di e en es momen os do abalho que ealizamos. Não obs an e o con ex o que a meio se o nou
inusi ado, à con a de um í us imp e is o, i e o p i ilégio de con a com a colabo ação
i ep eensí el, de esme ada esponsabilidade, de cen enas de es udan es. Uma pala a especial
pa a os 21 que ize am o es o ço ex a de se olun a ia em pa a en e is as indi iduais, já em
plena pandemia. T ês escolas o am o campo de ec u amen o, a di e en es ní eis, des es
jo ens: a Escola Secundá ia Ca los Ama an e, de B aga, a Escola Básica e Secundá ia D . Ben o
da C uz, si a em Mon aleg e, e a Escola Secundá ia de Paços de Fe ei a, a minha
alma ma e
.
Ag adeço, nes e sen ido, aos di e o es de cada uma pela disponibilidade em acolhe em o p oje o
de dou o amen o: p o esso es Ho ense San os, G aça Al es Ma ins e Valen im Sousa,
espe i amen e. A consumação do abalho de campo es e e nas mãos de p o esso es de cada
uma des as ins i uições. O meu econhecimen o ao empenho, p eocupação, des eza e simpa ia
das p o esso as Ana Ma ga ida Dias (B aga), Ana Paula Adão (Mon aleg e) e Celes ina Gomes
(Paços de Fe ei a) é incomensu á el, al como a minha g a idão. À p o esso a Celes ina Gomes
deixo uma pala a especial: enho o p i ilégio de a e como amiga, econhecendo que mui o
VI
an es de odos (sob e udo de mim p óp io) soube que es e e a o caminho que eu ha e ia de
ilha .
Nem semp e pa ecendo, há ida na academia pa a lá do que é académico. Falo das amizades
que i e o p i ilégio de a a à con a do p e ex o que é a uni e sidade, em dois g andes
momen os. Começo po ag adece àqueles que desde a licencia u a me êm dado o gos o de
aze em pa e da minha ida: An ónio, B uno, Daniel, Da id, Joanna, Noguei a, Xico. Ag adeço,
ambém, aos cama adas que se e ela am, com ines imá el o gulho, desde o eg esso a B aga,
em 2016: Ana Isabel, Ca a ina, Fábio, Ma isa, Ma a, So ia. A seu empo celeb a emos como
semp e: em edo de uma mesa e em ho á ios ap op iados.
Quase a e mina , uma pala a especialíssima pa a a minha amília, com na u al des aque pa a
os meus pais. Bolsas, in es igação e ese podem pa ece opções demasiado abs a as pa a o
quo idiano de um ilho que não a as ezes é ainda is o como um u u o jo nalis a, mas o apoio
e o ca inho são incondicionais.
Po im, de no a que es a ese ambém não se ia possí el sem di e en es apoios ins i ucionais.
Nes e sen ido, ag adeço à Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, pela bolsa indi idual de
dou o amen o, que inanciou os p imei os anos do p oje o que conduziu a es e ex o, bem como
ao Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade, que o acolheu. Uma no a de
econhecimen o ao papel do MILObs, Obse a ó io sob e
Media
, In o mação e Li e acia, que
desde 2021 me acolhe enquan o bolsei o. Nes e sen ido, ag adeço aos coo denado es –
p o esso es Manuel Pin o e Sa a Pe ei a – pelas condições que semp e me p opo ciona am pa a
con inua a desen ol e es a ese.
Apoio inancei o
A p esen e ese esul a do p oje o de dou o amen o com a e e ência SFRH/BD/124039/2016,
inanciado, ia bolsa de dou o amen o, pela Fundação Pa a a Ciência e a Tecnologia, pelo
Minis é io da Ciência, Tecnologia e Ensino Supe io e co inanciado po e bas do Fundo Social
Eu opeu, a a és do P og ama Ope acional do Capi al Humano.
VII
RESUMO
O concei o de cul u a de con e gência, cunhado po Hen y Jenkins (2008), p opõe uma
ede inição dos papéis adicionalmen e desempenhados po
media
e públicos, mo men e
quando mediada pelas na a i as ansmediá icas, que se a igu am como a mani es ação
es é ica da cul u a de con e gência. As na a i as ansmediá icas são, po um lado, es a égias
de explo ação de p op iedades in elec uais po á ios meios, dando o ma a his ó ias dis ibuídas
en e
media
e p ocu ando aumen a audiências em empos de agmen ação da a enção
disponí el. Po ou o lado, são sin omá icas de uma maio isibilidade e alo das p á icas dos
públicos, que inc emen am a o ça des es ace às indús ias cul u ais: não só são exempla es de
um supe io alo de a i idades an es con inadas a nichos de ãs, esmo ecendo o peso
hegemónico dos g andes núme os de audiência, como acomodam a possibilidade de os públicos
in e i em e c ia em con eúdos que expandem os sen idos das na a i as ansmediá icas.
Aqui es udamos, pelo p isma da análise da eceção, os sen idos de duas amos as de jo ens
po ugueses, com idades en e os 12 e os 18 anos, sob e as na a i as ansmediá icas. É,
po an o, uma in es igação cen ada nos p ocessos de signi icação que os públicos mani es am
ace às na a i as ansmediá icas, mas ambém em elação àquilo que deles é espe ado pela
cul u a de con e gência. Pa a al, emp ega mé odos quan i a i os e quali a i os. No ano le i o
2019/2020, inqui iu, ia inqué i o po ques ioná io, 248 jo ens de dois es abelecimen os de
ensino: a Escola Secundá ia Ca los Ama an e e a Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da C uz.
No ano le i o seguin e, 169 alunos, das mesmas escolas, comple a am um ou o inqué i o po
ques ioná io, endo ansi ado pa a en e is as indi iduais semidi igidas 21 jo ens.
En e os p incipais esul ados des acam-se a p esença de á ios meios e con eúdos nos
epe ó ios mediá icos dos jo ens, bem como uma p edisposição endencialmen e conco dan e
ace à exis ência de p á icas com na a i as ansmediá icas ou es a égias come ciais a elas
associadas. As en e is as e idencia am, ainda assim, que es as e am sob e udo equipa adas à
sua enca nação mais simples: as adap ações en e meios. Apenas uma mino ia – de ãs
acé imos – econhecia, consumia e, sob e udo, discu ia em p o undidade as consequências da
dis ibuição na a i a pa a a c iação de sen ido sob e his ó ias ansmediá icas.
Pala as-cha e:
Análise da eceção, cul u a de con e gência, jo ens, na a i as ansmediá icas, públicos.
XIV
Tabela 18. Ma iz pad ão dos a o es ex aídos (Q.9.) da p imei a amos a (n = 248) .......... 265
Tabela 19. Ma iz pad ão dos a o es ex aídos (Q.9.) da segunda amos a (n = 169) .......... 266
Tabela 20. Ní eis de conco dância ace a p á icas c ia i as susci adas po his ó ias ou
pe sonagens p edile as, em unção da ase de aplicação dos inqué i os po ques ioná io (1 –
Disco do o almen e; 5 – Conco do o almen e) ..................................................................... 271
Tabela 21. Núme o e pe cen agem de espos as de não conhecimen o de mundos iccionais
po ase de aplicação do inqué i o po ques ioná io ............................................................... 276
Tabela 22. Média de idades dos jo ens que conheciam ou não conheciam di e en es mundos
iccionais po ase de aplicação do inqué i o po ques ioná io ................................................ 277
Tabela 23. Médias da escala de ap eciação dos con eúdos lis ados (Q.10.) po sexo, na
p imei a amos a (n = 248) .................................................................................................. 283
Tabela 24. Médias da escala de ap eciação dos con eúdos lis ados (Q.10.) po sexo, na
segunda amos a (n = 169) .................................................................................................. 283
Tabela 25. Ma iz pad ão dos a o es ex aídos (Q.8.) da p imei a amos a (n = 248) .......... 289
Tabela 26. Ní eis de conco dância ace a p á icas e p e e ências na a i as, em unção da ase
de aplicação dos inqué i os po ques ioná io (1 – Disco do o almen e; 5 – Conco do o almen e)
............................................................................................................................................ 292
Tabela 27. Ní eis de conco dância ace a a i mações ca ac e izado as dos ãs, em unção da
ase de aplicação dos inqué i os po ques ioná io (1 – Disco do o almen e; 5 – Conco do
o almen e) ........................................................................................................................... 296
Tabela 28. Ma iz pad ão dos a o es ex aídos (Q.13.) po cada ase de aplicação dos
inqué i os po ques ioná io ................................................................................................... 298
Tabela 29. Ní eis de conco dância ace a p á icas e p e e ências na a i as, em unção da
au oclassi icação como ã, na p imei a amos a (1 – Disco do o almen e; 5 – Conco do
o almen e) ........................................................................................................................... 307
Tabela 30. Ní eis de conco dância ace a p á icas e p e e ências na a i as, em unção da
au oclassi icação como ã, na segunda amos a (1 – Disco do o almen e; 5 – Conco do
o almen e) ........................................................................................................................... 309
Tabela 31. Ní eis de conco dância en e ãs ace a a i mações que ca ac e iza am as suas
mo i ações pa a o se em, em unção da ase de aplicação dos inqué i os po ques ioná io (1 –
Disco do o almen e; 5 – Conco do o almen e) ..................................................................... 311
XV
Tabela 32. Ní eis de conco dância en e não- ãs ace a a i mações que ca ac e iza am as suas
mo i ações pa a o se em, em unção da ase de aplicação dos inqué i os po ques ioná io (1 –
Disco do o almen e; 5 – Conco do o almen e) ..................................................................... 312
XVI
XVII
ÍNDICE DE FIGURAS
Figu a 1. Habili ações escola es dos p ogeni o es dos jo ens da p imei a amos a (n = 248)
............................................................................................................................................ 228
Figu a 2. Habili ações escola es dos p ogeni o es dos jo ens da segunda amos a (n = 169)
............................................................................................................................................ 232
Figu a 3. Pe cen agem de alunos com acessos, indi iduais ou em casa (Q.1.), a di e en es
meios, po amos a .............................................................................................................. 239
Figu a 4. Ap eciação de con eúdos cons an es no ques ioná io (Q.10.), pelos jo ens da p imei a
amos a ................................................................................................................................ 281
Figu a 5. Ap eciação de con eúdos cons an es no ques ioná io (Q.10.), pelos jo ens da
segunda amos a .................................................................................................................. 282
Figu a 6. Géne os p e e idos selecionados pela segunda amos a (n = 169) ........................ 287
Figu a 7. F equência de lei u a ou isualização de an ic ion pelos ãs au odecla ados das
p imei a (n = 201) e segunda (n = 128) amos as ................................................................. 306
Figu a 8. Conhecimen o e equência de uso do Wa pad pelos ãs au odecla ados nas p imei a
(n = 201) e segunda (n = 128) amos as .............................................................................. 306
XVIII
1
1. INTRODUÇÃO
No a Sam Fo d (2014), num a igo ins igado pelo legado que e a já en ão de mais de duas
décadas de uma das e e ências bibliog á icas (Jenkins, 1992/2013) que é ainda basila do
abalho que aqui in oduzimos, que “o oco dos es udos de ãs é em pa e moldado pelas á eas
de in e esse daqueles a aídos pa a o campo” (Fo d, 2014, p. 61). Es a ese a igu a-se como
he dei a des e p incípio, sendo á ias as azões que impo a a icula .
Foi, a í ulo pessoal, edigida po alguém que se ap oxima – mas só a é ce o pon o – da
condição de
aca/ an
(Jenkins, 2006; Fo d, 2014) que an o em in luenciado o, ainda assim,
cada ez mais plu al domínio dos
an s udies
(Sand oss e al., 2017). Is o é, não obs an e o
au o não in eg a uma qualque comunidade como aquelas que êm ipi icado o
andom
como
enómeno cole i o (Jenkins, 1992/2013), p ocu ando simul aneamen e in es igá-las a pa i de
den o (é p ecisamen e es e olha p óximo que em dado o ma à aceção mais con encional de
aca/ an
), assume-se, ainda assim, como um ã. Um ã que, po an o, não es á o çosamen e
coadunado com as desc ições, amiúde no ma i as, que a mais in luen e li e a u a exis en e diz
se de inido des e nicho dos públicos. Um ã de na a i as que são (algumas delas)
ansmediá icas po se desen ol e em em á ios meios, mas não necessa iamen e da dimensão
ansmediá ica dessas na a i as que em sido equen emen e pensada como espos a às
p á icas mais e iden es do
andom
.
Es as apa en es ambi alências – e as ques ões que daí su gem, desde logo a possí el
ex ensão das ambi alências ape cebidas a ou os ãs que não o au o da ese – ace à condição
de
aca/ an
e à in es igação po ela susci ada encon am um e eno p o ícuo de explo ação
académica numa das p incipais adições de pesquisa sob e os públicos dos
media
. Falamos da
análise da eceção (Jensen, 2012c, 2019; Jensen & Roseng en, 1990; Sch øde , 2013, 2019),
que se ca ac e iza po se um espaço p i ilegiado pa a auscul a os públicos na sua di e sidade
de sen idos e, com is o, con on a os seus discu sos com os de quem os in es iga. Tendo is o
em conside ação, é possí el esumi , desde já, o p opósi o do abalho que es amos a
ap esen a : p ocu amos comp eende , den o dos p incípios eó icos e me odológicos da análise
da eceção, p ecisamen e essa di e sidade de sen idos, que nes a ese é o iunda de públicos
jo ens e po ugueses e associada a uma expec á el mul iplicidade de p á icas cons i uin es da
eceção de con eúdos ag upados sob o enómeno das na a i as ansmediá icas.
1. INTRODUÇÃO
2
Como consequência, as na a i as ansmediá icas a igu am-se como um dos dois
concei os es u u ais des a ese: e emos que começa am po se con inadas ao p incípio da
dispe são de uma dada icção po á ios meios e ao longo do empo, em ex ensões
in insecamen e canónicas pa a a edi icação de um dado mundo diegé ico coe en e. E oluí am,
con udo, no sen ido de acomoda as mui as ambi alências susci adas que pela ges ão das
p op iedades in elec uais (logo, come ciais, do lado das indús ias cul u ais) que es ão
a almen e associadas às icções em causa, que pela p óp ia eceção, que se mani es a não só
na c iação de sen idos que expandem as na a i as ansmediá icas, como na e en ual c iação
de mais con eúdos (não o iciais, po ezes, a é, de esis ência e co eção do cânone) – mas
ago a com base na p odu i idade dos públicos (dos ãs, sob e udo). Es a e olução en onca
pe ei amen e no segundo (mais amplo e, a é, p eceden e) concei o basila usado: a cul u a de
con e gência, al como en endida nes a ese. Is o é, ainda que as na a i as ansmediá icas
enham sido semp e ap esen adas como a mani es ação es é ica da cul u a de con e gência
(Jenkins, 2008), o seu alas amen o pa a além da dispe são de uma his ó ica uni icada e le e
de modo mui o adequado a conceção de cul u a de con e gência usada, en endida como um
p ocesso elacional e abe o en e ês g andes elemen os: indús ias cul u ais, ex os e públicos,
onde, não obs an e o desequilíb io de o ças a a o das p imei as, os úl imos conseguem
ambém e idencia a sua a i idade, mo men e em elação aos ex os que in e medeiam es a
elação.
Expandindo um pouco mais os nossos pon os de pa ida, es es podem se
sis ema izados do seguin e modo:
− es a é uma ese sob e públicos empí icos dos
media
, cen ada nos sen idos po eles
mani es ados e que em nos es udos de ãs (aqui es ingidos àqueles cen ados em
con eúdos mediá icos, sob e udo de en e enimen o e/ou de icção) e nos seus
sucedâneos eó icos – mo men e os já e e idos concei os de cul u a de
con e gência e de na a i as ansmediá icas (Jenkins, 2008) – os seus p incipais
alice ces bibliog á icos. Nes e sen ido, é um es udo de eceção sob e na a i as
ansmediá icas, que olha com pa icula a inco pa a o caso dos ãs e con ex ualiza
a discussão ealizada nos p incípios da cul u a de con e gência pelo ac o de es a
úl ima pô em elação indús ias, ex os e, cla o, públicos;
− não obs an e pa i de um p isma econhecidamen e especí ico, es a é uma ese
sob e públicos dos
media
pa a lá dos con encionados pelos
an s udies
– com
1. INTRODUÇÃO
3
des aque pa a os que Co nel Sand oss e colegas (2017) apelida am de p imei a
aga e que ainda hoje assumem um luga pa adigmá ico nes a á ea de in es igação:
não só po que o abalho ealizado p ocu a ou i ãs cujas au ode inições podem
desa ia ou ma iza os limi es es abelecidos po eo izações que alo izam
assime icamen e di e en es sen idos e p á icas de se se ã, como po p e ende
aba ca , no es udo de eceção, elemen os de públicos que não se conside am ãs,
mas que es ão necessa iamen e em elação que com quem se iden i ica como al,
que com os con eúdos (e as indús ias) que mais êm sido associados ao
andom
;
− es a é ainda uma ese sob e (a é ce o pon o com, po p ocu a ou i-los com
abe u a su icien e pa a econhece e in eg a os seus discu sos na discussão
ge ada) um ou o ipo mui o pa icula de públicos dos
media
: os jo ens, aqui
sob e udo com idades comp eendidas en e os 12 e 18 anos e que an as ezes são
obje o de espe anças u ópicas e de eceios apocalí icos (ambos o mando ca a e
co oa de uma mesma moeda, como e emos) na sua elação com os meios de
comunicação, nomeadamen e quando são eme idos pa a a e cei a pessoa do
plu al pelos adul os que alam em seu nome;
− po im, é uma ese sob e jo ens po ugueses, de duas egiões dis in as (B aga e
Mon aleg e), que são con on ados com conceções eó icas mani es amen e
en o madas no mundo anglo-saxónico e nos modos que aí se êm des acado de se
se memb o de um público e ã. Po an o, es e abalho ambém p ocu a con ibui
que pa a a discussão dos concei os usados com base nas especi icidades das
p á icas dos jo ens que acei a am pa icipa nos di e en es momen os de ecolha de
dados, que pa a a c iação de e idência empí ica sob e a escassamen e es udada
eceção de na a i as ansmediá icas jun o de públicos (empí icos e jo ens)
nacionais.
Os pon os de pa ida que acabamos de ap esen a o am consubs anciados jun o de
duas amos as de jo ens, em dois momen os dis in os e ec u adas em ou as an as escolas.
Ainda que o plano me odológico inicial con emplasse a inclusão de ês es abelecimen os de
ensino – um si uado numa cidade de conside á el dimensão, ou o localizado numa pequena
cidade nos a edo es de uma das á eas me opoli anas do país e, po im, ainda uma escola si a
numa egião p edominan emen e u al – e de apenas uma amos a cons i uída num único ano
1. INTRODUÇÃO
4
le i o, as icissi udes da pandemia susci ada pelo í us SARS-CoV-2 ob iga am a uma ede inição
dos planos açados pa a o abalho de campo. Nes e sen ido, no ano le i o 2019/2020
ec u amos 248 alunos das escolas Secundá ia Ca los Ama an e (B aga) e Básica e Secundá ia
D . Ben o da C uz (Mon aleg e). Es a amos a pa icipou num único momen o de ecolha de
dados: o p eenchimen o de um inqué i o po ques ioná io, capaz de mapea a elação da
amos a com os concei os da ese e que p ecede ia a ealização (nunca consumada, po o ça
da eme gência de saúde pública mencionada) de g upos de oco e en e is as indi iduais
semidi igidas (em consonância com a ape ência da análise da eceção pa a me odologias mis as
– McQuail, 2003). No ano subsequen e, após a in e upção o çada susci ada pela pandemia de
Co id-19, con amos com a colabo ação de um o al de 169 es udan es, o iundos dos mesmos
es abelecimen os de ensino. Todos es es jo ens esponde am a um no o inqué i o po
ques ioná io; uma subamos a de 21 olun á ios pa icipou, ainda, num momen o
eminen emen e quali a i o de ecolha de dados, pensado pa a ap o unda a discussão dos
sen idos em o no das na a i as ansmediá icas e da mais as a cul u a de con e gência –
en e is as indi iduais semidi igidas. São, pois, es es os es udan es que dão sen ido a es a ese,
cuja es u u a passamos a ap esen a .
1.1. ESTRUTURA
A p esen e ese con a com no e capí ulos e dois anexos. Po maio ia de azão, p incipia com a
in odução que es á ago a a se concluída. Seguem-se qua o capí ulos eó icos: os ês
cen ados nos dois concei os que guiam o abalho ealizado e um qua o sob e os sujei os que
são o p opósi o da in es igação ei a.
Assim sendo, os dois p imei os capí ulos eó icos es ão umbilicalmen e ligados: em “2.
A con e gência e os
media
. Discussões sob e o concei o de con e gência”, cen amo-nos no
amplo e mul i ace ado enómeno associado à con e gência dos
media
, que se desdob a em
dimensões (indes inçá eis) de na u eza ecnológica, económica e de me cado, polí ica e
egula ó ia, mas ambém, cla o, cul u al. É nes a úl ima que se si ua o p incipal concei o eó ico
u ilizado: a cul u a de con e gência, abalhada des acadamen e po Hen y Jenkins (2008), e
que é a mais emblemá ica aceção cul u al da con e gência mediá ica. Po conseguin e, a
p opos a eó ica em causa é esmiuçada em “3. O concei o de cul u a de con e gência”, onde
enal ecemos a cul u a de con e gência como um ângulo pa icula men e p o ícuo pa a se pensa
1. INTRODUÇÃO
5
a in e ceção (semp e mu á el, po assen a num p ocesso elacional) en e indús ias, ex os e
públicos, mesmo quando nos cen amos no enómeno especí ico que é a eceção dos úl imos.
No capí ulo seguin e, denominado “4. Na a i as ansmediá icas, mani es ação es é ica da
cul u a de con e gência”, a amos de ap o unda a discussão dos ipos de ex os que êm sido
emblemá icos das cogi ações em o no da cul u a de con e gência e que medeiam a in e ação
en e as indús ias cul u ais e os públicos: alamos, cla o, das na a i as ansmediá icas
(po an o, o segundo concei o-base da ese) e de como êm e oluído no sen ido de e le i em a
p óp ia na u eza elacional da cul u a de con e gência. No de adei o capí ulo eó ico (“5.
Es uda os públicos dos
media
com oco nos ãs e nos jo ens”) deba emos a conceção de
públicos, dos eó icos aos empí icos, e como es es eme gem inexo a elmen e associados ao
olha de quem os es uda. Des acamos, ainda, as pa icula idades dos ãs e dos jo ens que não
escapam aos condicionamen os desse iés, mesmo quando in es igados pelo p isma de uma
das adições de pesquisa que en a ab i -se aos discu sos dos públicos: a análise da eceção,
como sup a e e ido.
O sex o capí ulo ap esen a as opções me odológicas do abalho ealizado, que assen ou
em écnicas an o de ca iz quan i a i o como quali a i o (em linha, aliás, com os p essupos os da
análise da eceção), de alha o pe cu so sinuoso que a pandemia de Co id-19 ob igou a
pe co e , aquando do abalho de campo, e ca ac e iza as duas amos as de jo ens
cons i uídas. Os dois capí ulos subsequen es ap esen am e discu em os dados o iundos da
conc e ização do caminho delineado an e io men e. Is o é, em “7. Mapea a cul u a de
con e gência: esul ados de inqué i os po ques ioná io” usam-se os esul ados dos dois
su eys
aplicados (um po cada ano le i o em que deco eu o abalho de campo) pa a aça um plano
ge al da elação das amos as de jo ens com di e en es elemen os da cul u a de con e gência,
ainda que com na u al des aque pa a dimensões associadas que às na a i as ansmediá icas,
que à ca ac e ização do que cons i ui um ã. Em “8. Discu i a cul u a de con e gência:
e lexões a pa i de en e is as indi iduais semidi igidas” es ei amos o olha po o ça da
abo dagem quali a i a e con e sacional ado ada jun o de uma subamos a de es udan es
ec u ada na segunda amos a e que oi desa iada a e le i não só sob e as suas p á icas e
conceções elacionadas com as na a i as ansmediá icas, como sob e o que signi ica se -se ã.
A ese ence a com as no as conclusi as que suma iam os con ibu os do abalho ealizado.
Ainda ela i amen e à es u u a da ese, impo a especi ica o pa de anexos aludidos
an e io men e: começamos po ap esen a a es u u a dos ques ioná ios ado ados (Anexo 1),
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
12
me á o a, in oduzindo con ibu os (o iundos, po exemplo, da cons ução social da ecnologia ou
da eo ia a o - ede) que p oblema izam as p imei as aceções, desde logo po conside a em os
media
pa a lá da sua dimensão écnica. Ou seja, pa a o au o , a eme gência, sob e i ência e
(co)e olução dos
media
não é somen e uma ques ão en e meios, es ando an es assen e “na
elação es abelecida en e as ecnologias, os sujei os e as ins i uições” (Scola i, 2012a, p. 213).
Como consequência des a elação complexa, pensa a con e gência pela ecologia dos
media
(ou, pa a se se p eciso, po es e en endimen o expandido) implica conside a que a coe olução
não se az somen e de ap oximações e assimilações: há mo imen os cen í ugos que
complemen am os cen ípe os; os p ocessos de con e gência “ge am no as igu as p o issionais
e modelos de negócio, p oduzem u u as ecnológicas, c iam no os hábi os de consumo e
impõem no as o mas de elaciona -se e, inclusi amen e, de aze polí ica” (Scola i, 2009a, p.
55), ao mesmo empo que e idenciam um es ei amen o (po an o, uma maio con e gência)
nas elações de coe olução e de hib idização en e os di e en es elemen os do ecossis ema
mediá ico.
Também Fidle (1997) conside a que o “p ocesso complexo” (p. 16) de su gimen o e
e olução dos
media
“é compa á el de mui as manei as à e olução das espécies. Fo mas bem-
sucedidas de no os
media
, al como as no as espécies, não eme gem espon aneamen e. Todas
p ecisam de ligações com o passado” (pp. 16–17). O concei o de
mediamo ose
p ocu a da
con a des e p ocesso onde a especi icidade do no o su ge ambém como esul ado de
in luências mú uas en e
media
– consequen emen e, os meios já exis en es ambém e oluem
nes a elação en e memb os de um sis ema in e dependen e. A
mediamo ose
pode, po isso,
se de inida como “
a ans o mação dos meios de comunicação ge almen e azida pela
complexa in e ação de necessidades pe cebidas, p essões compe i i as e polí icas, e ino ações
sociais e ecnológicas
” (Fidle , 1997, pp. 22–23). Es a ans o mação é in luenciada po ês
p incípios-cha e iden i icados pelo au o (Fidle , 1997):
− a complexidade, is o que os di e en es elemen os dos
media
são idos como pa e
de um uni e so in e dependen e, em expansão e dinâmico, onde os p ocessos de
mudança e adap ação são essenciais e in eg ais à
mediamo ose
;
− a coe olução, de ido à endência his ó ica de coexis ências de
media
, cuja in e -
elação é ago a ap o undada;
− a con e gência.
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
13
A p opósi o des a úl ima dimensão, Fidle (1997) ejei a as suas aceções mais es i as
(nomeadamen e a subs i uição en e
media
ou a mais simples usão en e emp esas), bem
como a exace bação da no idade que aca e a, p e e indo des aca o aumen o da escala da
con e gência. Consequen emen e, es a “é mais como um c uza de caminhos ou um
casamen o, que esul a na ans o mação de cada en idade con e gen e, bem como na c iação
de no as en idades” (Fidle , 1997, p. 27).
De aco do com Miège (1997, 2017), a concep ualização da con e gência mediá ica
enquan o p ocesso em o mé i o de a abo da como “uma cons ução social cujos con o nos
esul am simul aneamen e dos cons angimen os elacionados com as lógicas socioeconómicas
dominan es e da ação mais ou menos e icaz dos di e sos g upos sociais” (Miège, 1997, p. 14);
é semp e algo inacabado, onde “pa icipam, e mais equen emen e se con on am, nume osas
ca ego ias de a o es sociais” (Miège, 2017, p. 55). Con udo, o oco no p ocesso em luga de
num obje o inal não elimina os p oblemas de imp ecisão concep ual, nem ge a consenso
quan o à nomencla u a.
A a gumen ação de Juha He kman (2012) é disso sin omá ica, já que aí encon amos
um exemplo da esis ência e imológica da con e gência, quando o au o ecusa o e mo de ido à
suges ão de “de e imen o [dos
media
] uns nos ou os” (He kman, 2012, p. 370), bem como a
lemb ança de que es e em sido usado com uma “ce a imp ecisão e in angibilidade” ao pon o
de pode se ap esen ado como um “concei o gua da-chu a” (He kman, 2012, p. 371). Des a
o ma, ao con á io de Lugmay e Dal Zo o (2016) e de Peil e Spa ie o (2017), He kman
(2012) a gumen a con a o uso do concei o de con e gência mediá ica p ecisamen e pela sua
con i ência com ou os p ocessos. Conside a o au o que “em luga de se « euni em», al como
o e mo con e gência suge e, há hoje mais a iedade do que nunca de ecnologias, apa elhos,
ins umen os, o ma os e
s anda ds
de comunicação e de
media
” (He kman, 2012, p. 370).
He kman (2012) p opõe, po isso, um ou o concei o que en ende se mais capaz de da con a
da complexidade einan e no campo dos
media
: a in e medialidade. Es a ejei a a usão suge ida
pela con e gência – ou pelo seu signi icado mais limi ado – em a o da con i ência en e a
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
14
c escen e in e dependência de di e en es
media
e as con inuidades e di e enciações ine en es
“às suas p óp ias his ó ias e adições” (He kman, 2012, p. 370). Assim, a in e medialidade é
“uma abo dagem que examina as elações en e á ios
media
num con ex o his ó ico
pa icula ”, en a izando “a análise de con inuidades e mudanças nos
media
como elações
in e mediá icas” (He kman, 2012, p. 374). Não é, po isso, um en endimen o subs ancialmen e
di e en e da con e gência mediá ica en endida como p ocesso nos e mos acima desc i os: os
mo imen os de ap oximação e a as amen o são o esul ado sis émico da mais p óxima elação
en e
media
. Es e é o en endimen o a o ecido po es a ese e que e le e a lei u a que azemos
das p opos as de Jenkins (2008), de alhada no capí ulo seguin e.
2.1.1. A pe sis ência do concei o de con e gência
Os a anços e ecuos de que demos con a no pon o an e io susci am necessa iamen e a
seguin e in e ogação: conside ando a ambi alência do concei o e as suas apa en es
imp ecisões, o que é que explica a con inuada popula idade da con e gência? Ande s Fage jo d
e Tanja S o sul (2007) apon am duas azões.
A p imei a causa é a acilidade do seu uso enquan o e amen a e ó ica. Tal como se
e e iu no início des e capí ulo, as expec a i as em o no da ine i abilidade de uma con e gência
guiada pela ino ação ecnológica se i am como jus i icação pa a a o ien ação polí ica e de
polí icas, que, po sua ez, p omo e am a con e gência. Nes e sen ido, a con e gência e ela-se
como uma p o ecia que se cump e a si mesma (Hesmondhalgh, 2007; Dwye , 2010). Segundo
Fage jo d e S o sul (2007), a sua e icácia enquan o a gumen o é exponenciada pelo ac o de
unciona como me á o a pa a o desen ol imen o ecnológico ao mesmo empo que masca a o
pendo de e minís ico ine en e a um desen ol imen o p ede e minado, que se ia mais
abe amen e c i icado caso não se eco esse a es a igu a de es ilo. Dwye (2010), que pa ilha
do a gumen o ela i o à o ça e ó ica da con e gência, ac escen a um ou o ecu so es ilís ico
c ucial pa a se comp eende o impac o do concei o: o eu emismo, is o que a con e gência é
eco en emen e e ocada pa a sua iza discu si amen e p á icas de edução de cus os,
maximização de luc os e consolidação de pode no me cado dos
media
.
Já a segunda azão apon ada po Fage jo d e S o sul (2007) é o con o o azido pela
apa en e simplicidade suma iada pela pala a con e gência: “a complexidade é di ícil de
comunica ”, apon am os au o es (Fage jo d & S o sul, 2007, p. 28). Se uma me á o a pode se
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
15
usada pa a masca a o en iesamen o ecnológico, ambém pode se ú il pa a o na
comp eensí eis as mudanças e as con inuidades no campo dos
media
(Fage jo d & S o sul,
2007). Assim, se a p imei a azão espelha a “na u eza impe a i a” de uma con e gência olhada
como um im (Peil & Spa ie o, 2017, p. 5), a segunda pa ece econhece a con e gência
mediá ica enquan o um p ocesso com “ca á e poliéd ico” (Sala e ía Aliaga, 2009, p. 5), onde
à dinâmica p ocedimen al se jun a a mul iplicidade de dimensões em jogo.
A b e e in odução ao concei o de con e gência que desen ol emos a é aqui exempli ica
a sua complexidade. Es a de i a, em la ga medida, da exis ência dessas di e en es dimensões
que “dialogam e se in luenciam en e si” (Scola i, 2009a, p. 53), p oduzindo caminhos á ios
pa a se pensa a con e gência mediá ica. No en an o, a decomposição da con e gência só é
possí el pa a ins analí icos e, cla o, e ó icos, endo em conside ação o en elaçamen o das
suas dimensões. Apesa de ad e i pa a es e a o , Balbi (2017) iden i icou qua o g andes
endências “his ó icas e na a i as” (p. 33) do concei o de con e gência, que se êm
in luenciado, complemen ado e e o çado. A p imei a é a mui o popula con e gência
ecnológica. A segunda e a e cei a são as con e gências económica e de me cado e polí ica e
egula ó ia que equen emen e hipe boliza am a me á o a ecnológica pa a ede ini o
uncionamen o das indús ias cul u ais, bem como o seu enquad amen o legal. A qua a é a
con e gência cul u al. A é ao inal des e capí ulo i emos discu i as ês dimensões da
con e gência que an ecedem e con ex ualizam a cul u al.
2.2. O PRIMADO DA TECNOLOGIA NA DISCUSSÃO DA CONVERGÊNCIA
A p imei a g ande endência iden i icada po Balbi (2017) assen a nas expec a i as em o no da
e olução ecnológica, sendo a mais ans e sal e du adou a. A mesma cons a ação é
ap esen ada po Geo ge (2010): a con e gência em sido maio i a iamen e pensada como “um
p ocesso ecnológico que co esponde à digi alização dos sinais que ci culam a a és de
e minais e em edes, nomeadamen e a dis ibuição desses sinais. Simul aneamen e e e e-se à
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
16
digi alização em odos os es ádios de p odução e dis ibuição de p odu os cul u ais e
in o macionais” (Geo ge, 2010, pp. 556–557). Como consequência, oi em mui o de ido às
p omessas da digi alização que, sob e udo a pa i dos anos 80 do século XX, a con e gência
mediá ica – maio i a iamen e pensada enquan o a uni icação dos di e en es
media
– conquis ou
um espaço de ele o nos imaginá ios sociais (Peil & Spa ie o, 2017). De aco do com Balbi:
A mais ele an e ca ac e ís ica da digi alização é que o ex o, imagens es á icas ou em
mo imen o e o som (po conseguin e, as o mas mediá icas na base do se o de con eúdos
edi o iais) podem se codi icados usando a mesma linguagem compos a po simples cadeias de
0 e 1. (Balbi, 2017, p. 33)
Ao con e e di e en es o mas de exp essão cul u al em código biná io, a digi alização
o nou a comunicação mais acilmen e anspo á el e manipulá el (Bolin, 2012; Hesmondhalgh,
2007) e, sob e udo, ez com que di e en es
media
se o nassem “po encialmen e
in e conec á eis” (Hesmondhalgh, 2007, p. 241). Des a manei a, são de ubadas pa e das
ba ei as écnicas exis en es en e o mas mediá icas adicionalmen e sepa adas, sob e udo se
a ques ão o discu ida pelo p isma da “ascensão de um
s anda d
digi al comum” (Peil &
Spa ie o, 2017, p. 4), que pode acili a “não só o egis o, a mazenamen o, e ansmissão de
dados, mas ambém possibili a, pela p imei a ez, a dissociação das ecnologias e dos seus
espe i os se iços mediá icos” (Peil & Spa ie o, 2017, p. 4). De o ma mais ab angen e,
Nicholas Ga nham (1996) enunciou di e en es á eas onde e a expec á el que as consequências
da digi alização se izessem sen i :
− nas ecnologias de p odução (de g a ação, de imp essão, e c.);
− nos supo es ma e iais dos
media
(papel, ilme, ondas, e c.);
− nas ecnologias de dis ibuição (p oje o es, emisso es, ece o es, e c.);
− nos sis emas de p odução (edi o as discog á icas, de li os, p odu o as de cinema,
emp esas de elecomunicações, e c.) e de dis ibuição ( e alho, adiodi usão, e c.);
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
17
− na egulação e na ideologia do sis ema mediá ico (dos se iços públicos de
media
às
conceções sob e a imp ensa li e, po exemplo, que en o ma am a es u u a dos
media
p é-digi ais);
− nos (no os) con eúdos daqui esul an es.
Face à ab angência das ans o mações que e am espe adas, bem como à eco ência
das compa ações e oposições en e
media
semp e que su ge um no o meio, não su p eende
que enham sido a ançadas di e sas hipó eses sob e o impac o da digi alização na elação en e
media
e, consequen emen e, sob e o p óp io caminho a segui pelas á ias abo dagens à
con e gência mediá ica.
2.2.1. Expec a i as sob e a eme gência dos
media
digi ais
A pa i do caso dos li os, P iscilla Coi Mu phy (2003) sis ema izou ês abo dagens
ans e sais à elação en e
media
ecém-chegados e es abelecidos e que ambém e le em as
di e en es expec a i as sob e os meios digi ais.
De aco do com a au o a (Mu phy, 2003), uma das abo dagens habi uais apon a pa a a
“assunção de que os
media
são i ais uns dos ou os, compe indo po um conjun o ini o de
ecu sos das audiências – empo, dinhei o e a enção” (p. 89). Es a pe spe i a eduz o uso dos
meios de comunicação à maio ou meno capacidade pa a sa is aze necessidades: “os
bene ícios de um meio habili am-no a subs i ui ou o menos con enien e ou ú il; um meio
co ige um p oblema que ou o não abo dou adequadamen e” (Mu phy, 2003, p. 89). Uma
ou a endência habi ual é p ecisamen e designada po “con e gência”, mas com um alcance
es i o: “nes a pe spe i a, um no o meio i á a e a ou o já exis en e ao pon o de os dois
con e gi em pa a esponde em a odos os p opósi os an e io es e al ez c ia em alguns no os”
(Mu phy, 2003, p. 90). Des e modo, a pe sis ência de á ios meios signi ica ia somen e que os
no os ainda não e iam conseguido um desen ol imen o écnico capaz de aba ca os an e io es.
Es as duas abo dagens espelham um p incípio elemen a : o da subs i uição en e
media
, com os
mais ecen es a ende em pa a a suma ização dos an e io es, o nando-os edundan es. Ou seja,
indiciam uma conceção de con e gência como não mais do que a usão dos a é en ão di e en es
meios de comunicação.
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
18
Em sen ido con á io, a de adei a abo dagem iden i icada po Mu phy (2003) apon a
pa a a complemen a idade dos
media
. Cen a-se, po an o, no maio en elaçamen o en e
di e en es meios e, consequen emen e, espelha o en endimen o especí ico da con e gência
enquan o um p ocesso umo a uma c escen e in e dependência dos
media
:
Po o ça da especialização en e unções dos meios e da in e ação dos
media
den o de um
sis ema de in o mação e comunicação, os no os
media
– após um pe íodo de mudança e
assen amen o – são pensados como assumindo unções complemen a es ace a ou os meios.
Pa a além dis o, podem a é abalha sine ge icamen e pa a amplia o papel de cada um.
(Mu phy, 2003, p. 91)
Os aços ge ais delineados po Mu phy (2003) são ambém apon ados po Niels Ole
Finneman (2006), que se ocou de modo mais conc e o nos meios digi ais. O au o (Finneman,
2006) iden i icou seis g andes abo dagens eó icas. Es as podem se ag upadas em duas
íades: uma cen ada na hipó ese de subs i uição en e
media
e uma ou a mais p óxima da
suges ão de complemen a idade dos di e en es meios.
No p imei o io podemos inclui aquilo que Finneman (2006) designou po eo ias do
cibe espaço, eo ias da comple a subs i uição e eo ias de uma no a supe es u u a hegemónica.
Em odas elas encon amos a p e alência de um ce o de e minismo ecnológico: mesmo
a iando em g au, es as pe spe i as des acam a o ça ans o mado a da dimensão écnica. Ou
seja, enquan o as eo ias do cibe espaço “suge em a eme gência de um uni e so [ i ual] no o,
sepa ado, pa a lá da ida eal” (Finneman, 2006, p. 66), as eo ias ela i as à eme gência de
uma no a supe es u u a hegemónica sob es imam o impac o das ecnologias pa a a c iação de
“uma no a mo ologia social” (Finneman, 2006, p. 67). As eo ias da comple a subs i uição
en e
media
me ecem maio a enção po pa e do au o , a é pela sua decomposição em
a ian es. A mais adical apon a pa a a p óp ia supe ação do Humano pelo desen ol imen o das
ecnologias (nomeadamen e a in eligência a i icial); a mais mode ada suge e uma comple a
ul apassagem ecnológica – is o é, o digi al consegui ia impo -se ecnicamen e e subs i ui os
demais meios (Finneman, 2006). Con udo, aquela que é mais de alhada pelo au o diz espei o
à supos a i e e sibilidade da “no a escala in oduzida nos assun os humanos po cada ex ensão
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
19
de nós p óp ios, po qualque no a ecnologia”, ci ando Ma shall McLuhan (1964/2008, p. 21),
cujos con ibu os es u u a am es a abo dagem (Finneman, 2006). Ou seja,
De aco do com es as eo ias, os á ios
media
azem consigo um no o pa adigma concep ual
dominan e, subs i uindo pa adigmas an e io es. Como o no o enquad amen o concep ual é
de i ado au oma icamen e do no o meio, sucede – pa a se coe en e – que a ansição é
conside ada uma subs i uição comple a. (Finneman, 2006, p. 67)
Quan o à segunda íade, a p imei a abo dagem que podemos aí enquad a é o mui o
di e si icado conjun o de eo ias sob e a con e gência. Aliás, de aco do com Finneman (2006, p.
67), boa pa e das abo dagens subsc i o as da subs i uição en e
media
ambém pode iam se
ag upadas nes a dimensão; con udo, o au o segue um caminho dis in o, an es apon ando pa a
um en endimen o de con e gência que ai além da ecnologia e que o ap oxima do que acima
se esc e eu sob e a sua concep ualização enquan o p ocesso:
Se a con e gência é um dos lados da moeda , en ão exis e um conjun o de p ocessos de
di e enciação do ou o lado. A noção de con e gência ica, en ão, sob eca egada. Ao mesmo
empo, alude a um u u o p e isí el, onde o mundo dos
media
se assemelha a um uni e so de
complexidade c escen e. (Finneman, 2006, p. 68)
Es ei amen e elacionadas com es e en endimen o de con e gência es ão as demais eo ias
apon adas pelo au o nes e segundo io, que des acam a complemen a idade dos di e en es
meios: a da suplemen ação e a da coe olução en e
media
, com a úl ima a dis ingui -se da
p imei a po e o ça as in luências mú uas en e eles, sem negligencia o no o que deco e que
dessas in e ações, que das possibilidades in oduzidas pelo digi al (Finneman, 2006).
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
20
Tan o Mu phy (2003) como Finneman (2006) p ocu a am mapea a conside á el
di e sidade de abo dagens à ques ão da elação en e
media
es abelecidos e ecém-chegados.
Con udo, não p ecisa íamos de i além dos abalhos dos “pais undado es da con e gência”
(Balbi, 2017, p. 36) pa a encon a mos dois exemplos que se oca am especi icamen e na
con e gência ecnológica o a como um p ocesso de inc emen o da elação en e
media
, o a
como o ça sin e izado a dos meios an e io men e igen es pelo no o
medium
a despon a . I hiel
de Sola Pool (1983) e Nicholas Neg opon e (1996) são eco en emen e apon ados como
p ecu so es do deba e em o no da con e gência ecnológica (Balbi, 2017; He kman, 2012;
Jenkins, 2008; Sala e ía Aliaga, 2009).
2.2.2. A con e gência de modos de Pool (1983)
Pool (1983) inse e a discussão sob e a con e gência na c escen e in e dependência
en e
media
an e io men e bem delimi ados, ossem eles de massas (como a adiodi usão ou a
imp ensa) ou de um-pa a-um (como os se iços ele ónicos). A cada meio co espondiam
ecnologias e usos p óp ios, cuja sepa ação igo ou du an e os p imei os 3/4 do século XX e
que passou a se ques ionada com a di usão dos
media
ele ónicos (Pool, 1983). Daqui deco e
um p oblema não es i amen e ecnológico e que es á no cen o do li o
Technologies o
F eedom
: que modelo de egulação e de me cado i á p e alece numa al u a em que
assis imos a uma con e gência de modos?
Ainda que, de aco do com o au o (Pool, 1983), o modelo ado ado não seja o almen e
ine en e à ecnologia, mas an es uma eação a es a, a con e gência de modos que a an ecede
em po de ás “uma e olução ele ónica ão p o unda como a da imp ensa” (Pool, 1983, p.
24). Es a “esba e as linhas en e
media
” (Pool, 1983, p. 23): com a digi alização, da mesma
manei a que um único meio ísico consegue dis ibui di e en es se iços an es dema cados, um
mesmo se iço pode se acedido a a és de di e en es meios ísicos. Consequen emen e, os
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
21
se o es edi o ial, das elecomunicações e da adiodi usão, cuja conco ência e a an e io men e
di icul ada po azões ecnológicas, de uso e egula ó ias, encon am-se ago a em compe ição.
Se, po um lado, o au o (Pool, 1983) des aca a “ex ao diná ia con eniência” (p. 53) do sis ema
uni e sal que c ê se o digi al (da codi icação, à ansmissão e à descodi icação), po ou o lado,
ambém ac edi a que es e não se á o alizan e. Po an o, apesa de ealça que “a explicação
pa a a c escen e con e gência en e modos de comunicação his o icamen e sepa ados eside
nas capacidades da ele ónica digi al” (Pool, 1983, p. 27), es as não negam a possibilidade de
coexis ência en e di e sos
media
, incluindo os adicionais, mesmo pe dendo a p imazia. Di o
de ou o modo:
O que is o signi ica é que em cada meio – seja ele elé ico como o ele one e a adiodi usão, ou
his o icamen e não elé ico, como a imp ensa – an o a manipulação de símbolos em
compu ado es como a ansmissão desses símbolos ele onicamen e es ão a se usadas em
e apas c uciais no p ocesso de p odução e dis ibuição. (Pool, 1983, p. 25)
Pa a além dis o, mesmo en e a ansmissão digi al não e a c í el, pa a Pool (1983), que
iesse a su gi um caminho único. Exempli icando com as possibilidades de con e gência en e,
po exemplo, as elecomunicações e a adiodi usão (no limi e a é a um pon o de usão), o au o
(Pool, 1983) não ac edi a a na sua suma ização numa “ ede digi al in eg ada, se indo odos os
p opósi os” (p. 38). Pelo con á io, Pool (1983) es abelece uma analogia com o sis ema
odo iá io, onde di e en es in aes u u as, com p opósi os di e sos e complemen a es,
con i em. Assim, uma das ma cas dis in i as da con e gência concep ualiza po Pool (1983) é a
sua associação a “uma o ça de uni icação, mas semp e em ensão dinâmica com a mudança”
(p. 53): a omnip esença dos meios ele ónicos se á semp e acompanha po “especialização,
ino ação e en a i as de aze di e en e e, pa a alguns p opósi os, melho ” (Pool, 1983, p. 53).
Consequen emen e, o au o (Pool, 1983) não conside a que exis a “uma lei imu á el do
c escimen o da con e gência; o p ocesso de mudança é mais complicado do que isso. Não
obs an e, uma endência pa icula de con e gência oi pos a em mo imen o pelo
desen ol imen o da comunicação ele ónica” (p. 54).
O pe cu so da dis ibuição dos sinais ele ónicos e da adiodi usão é sin omá ico do
modo como Pool (1983) pensou a con e gência: apesa da p imazia dada à écnica, es a é
indissociá el de ou os a o es. “Nenhuma lei da Na u eza disse que inha de se dessa manei a.
Ou as abo dagens o am p opos as e en adas” (Pool, 1983, p. 27), alhando po azões de
cus o, de capacidade écnica e pela exis ência de melho es al e na i as. O caso da dis ibuição
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
28
p incipais impulsionado es do p oje o (nomeadamen e a p edominância de ope ado es de
se iço público de ádio e dos seus depa amen os de in es igação). Assim, o desen ol imen o
do DAB “ oi pa e de um es o ço ge al na década de 1980 pa a desen ol e sis emas de
ansmissão mais e icien es de ido à capacidade de anspo a in o mação sob a o ma de
sinais digi ais” (O'Neill & Shaw, 2010, p. 32). Mesmo endo sido is o como um ins umen o de
geopolí ica po pa e da União Eu opeia no me cado global das comunicações e da ele ónica de
consumo, em unção a sua possí el cons i uição como
s anda d
global, não euniu o mesmo
“sen ido de u gência e de p io idade polí ica” (O'Neill & Shaw, 2010, p. 36) dado pos e io men e
à ele isão e à sua o çosa ansição pa a o digi al. O seu desen ol imen o oi deixado ao
me cado, apesa dos p o es os dos p omo o es do p oje o e da p óp ia indús ia da ele ónica de
consumo eu opeia, que, no amen e ao con á io do que sucedeu com a ele isão (Ala-Fossi,
2016; Iosi idis, 2011; Nä änen, 2005), não con ou com o es ímulo legisla i o pa a assegu a a
exis ência de um me cado su icien emen e p e isí el e ab angen e.
A ádio, em con as e com a ele isão, e a ida como “um meio local, cuja
esponsabilidade p imá ia pe encia a di e sas au o idades nacionais e egionais” (O'Neill &
Shaw, 2010, p. 36). O desen ol imen o das ansmissões digi ais oi essencialmen e
impulsionado pelo apoio da Eu opean B oadcas ing Union e po pa cei os como a BBC, que
molda am o p oje o de modo a “desen ol e o DAB como sucesso da adiodi usão em AM e
FM” (O'Neill & Shaw, 2010, p. 32). Daqui esul ou uma opção ecnológica que, apesa dos
a anços écnicos, e a “bas an e conse ado a do pon o de is a social, e le indo as
necessidades e as on ades das ádios públicas que domina am a adiodi usão eu opeia an es
da in odução das ádios locais p i adas” (Ala-Fossi, 2010, p. 48). O umo seguido pelo DAB
p ocu ou, no essencial, “encon a a melho e mais ino ado a solução de ádio digi al que
se isse as necessidades do
s a us quo
” (O'Neill & Shaw, 2010, p. 39), podendo o mesmo se
di o (em pa e, pelo menos) a p opósi o da ele isão digi al.
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
29
De aco do com Ma ko Ala-Fossi (2016), quando em se emb o de 1993 se inicia o
desen ol imen o do
Digi al Te es ial B oadcas ing
(DVB), es e oi guiado pa a a sa is ação das
necessidades e das p á icas já exis en es (mais do que melho ias na imagem ou a p es ação de
ou os se iços, p ocu ou-se o ala gamen o da o e a de canais que se iam ecebidos
essencialmen e de o ma con encional, po ece o es ixos ), e não pelo impe a i o do maio
desen ol imen o ecnológico possí el. Pa a além dis o, oi ambém es u u ado pela eo ien ação
polí ica de uma União Eu opeia em empos neolibe ais (onde em luga do p o ecionismo e do
es ímulo decla ados às indús ias nacionais ou a uma ecnologia em pa icula , que igo ou nas
décadas an e io es, se p ocu ou sob e udo assegu a a exis ência do me cado único ambém
nes e campo) e pelas expec a i as ace às opo unidades o e ecidas pelo espec o libe ado pela
digi alização (ligadas à ele isão ou, sob e udo, à sua dedicação a se iços de in e ne ).
Consequen emen e, a con e gência de sinais digi ais no domínio da adiodi usão nunca
oi uma p io idade – aliás, Ala-Fossi (2010) e e e que apesa da exis ência de semelhanças
écnicas en e ambos, “na p á ica, os no os sis emas eu opeus de adiodi usão digi al pa a ádio
e ele isão e am menos compa í eis en e si do que os sis emas analógicos (ambos usa am FM
pa a o som) inham sido” (p. 49). En e o DAB e o DVB p essuponha-se a exis ência de uma
elação de complemen a idade, e não de con e gência – desde que en endida como a junção de
sinais (Ala-Fossi, 2016). Es a só i ia a acon ece nos domínios da in e ne e da
web
, que se
mos a iam capazes de aloja an o os con eúdos da ádio e da ele isão, mesmo que ambém
aqui haja uma plu alidade de soluções écnicas – dos se iços de
s eaming
aos de IPTV
(In e ne P o ocol Tele ision
), po exemplo – que são equen emen e in isí eis pa a o u ilizado
inal dada a exis ência de e minais con e gen es (Hesmondhalgh & Loba o, 2019).
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
30
2.3.1. Caixa neg a, a alácia da con e gência
Os e minais a que nos e e imos no inal da secção an e io exempli icam a capacidade
da digi alização pa a unciona como aquilo que au o es como Jenkins (2008) ou Da id
Hesmondhalgh e Ramon Loba o (2019) classi ica am como como uma caixa neg a sin e izado a
de á ios
media
. Ou as e minologias, como
elepu e
(Fidle , 1997) ou
übe box
(Balbi, 2017),
o am igualmen e usadas e e le em de o ma mais e iden e as p imei as expec a i as ace ao
desen ol imen o dos meios digi ais – nomeadamen e as eiculadas po Neg opon e (1996): os
disposi i os mul imédia ep esen a iam o im da especialização dos di e en es e minais como
consequência da suma ização des es úl imos em meios como o compu ado , que o na ia os
demais e minais numa edundância dispensá el. Es a pe spe i a, que igo ou sob e udo a é à
c ise do
do -com
, em maio de 2000
(Dwye , 2010), oi “p o a elmen e a mais isí el das
ideias alhadas de con e gência”, conside ou Balbi (2017, p. 35). Jenkins (2008) classi icou-a
como uma ilusão e ó ica: a alácia da caixa neg a. Nes a pe spe i a, a con e gência não se ia
mais do que um “p ocesso singula com um im ixado: odos os
media
con e gi ão; o p oblema
se á simplesmen e p e e que aglome ado de meios ou que sis ema de dis ibuição especí ico
sai á iun an e” (Tho bu n & Jenkins, 2003, p. 3). Con udo, como e e em Peil e Spa ie o
(2017), “na e dade, quase odos os disposi i os man i e am o seu luga único no conjun o dos
media
” (p. 9), como demons ado pelo exemplo da ádio e da ele isão.
A cons a ação an e io não signi ica que es es e minais con e gen es não enham
su gido, an es sublinha que a sua exis ência não ep esen ou, numa lógica de causa/e ei o, a
comple a subs i uição dos
media
adicionais: dos seus supo es ecnológicos, mas ambém das
p á icas e dos modelos de negócio que lhe es ão associadas ou dos sis emas de signi icação que
usam (Scola i, 2012a). Aliás, di e en es meios con e gen es con i em a ualmen e nos acessos e
usos dos públicos: apesa dos inúme os pon os de con ac o en e disposi i os como
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
31
compu ado es,
sma phones
ou
able s
, a posse de um não equi ale necessa iamen e à
p e e ência dos ou os; “os di e en es e minais são usados em adição, e não em subs i uição
uns dos ou os” (Fage jo d & S o sul, 2007, p. 22), a é pelo ac o de se p omo e a sua
di e si icação e in e ligação enquan o es a égia de negócio (Dwye , 2010). Po conseguin e,
ambém en e e minais con e gen es se e i ica a hipó ese de con i ência en e di e en es ias
a ançada po Pool (1983) e exempli icadas pelo caso da ádio e da ele isão.
O exemplo que ap esen amos a é aqui em aços la gos ilus a um dos aspe os que
emos sublinhado desde o início des e capí ulo: o concei o de con e gência só é comp eensí el
pela conside ação das suas á ias dimensões. P ecisamen e a espei o da ansição dos meios
da adiodi usão, G aham Mu dock (2000) e e ia que a “« e olução» digi al” (p. 39) que es a a a
acon ece nes e se o deco ia num con ex o que se encon a a em ees u u ação há já 20
anos. Consequen emen e, impo a a “explo a a elação en e as po encialidades ecnológicas
eme gen es, as lógicas económicas es abelecidas e as pe ceções polí icas em mudança”
(Mu dock, 2000, p. 39). Em poucas pala as, as
p omessas
écnicas
desempenha am um papel
de ele o nas ans o mações do me cado, na egulação e na polí ica elacionadas com os
media
, que, po sua ez, omen a am a mais as a con e gência mediá ica.
2.4. CONVERGÊNCIAS PARA LÁ DO FASCÍNIO PELA TECNOLOGIA
Ainda que Peil e Spa ie o (2017) sus en em que é a dimensão ecnológica que unciona como
“p é- equisi o pa a a eme gência e o desen ol imen o de ou as mani es ações da con e gência”
(p. 4) pelo ac o de odas as demais aceções lhe es a em associadas, o es abelecimen o de um
início cla amen e delimi ado pa a a con e gência enquan o p ocesso a isca-se a peca po
educionismo ecnológico (Hesmondhalgh, 2007). Es a cons a ação é jus i icada pela p óp ia
in luência es imulado a que aquilo que Balbi (2017) classi icou como con e gência económica e
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
32
de me cado e con e gência polí ica e egula ó ia i e am no desen ol imen o da digi alização.
Vincen Mosco (2006) e Manuel Cas ells (2002) e o çam es e a gumen o.
De aco do com o p imei o au o (Mosco, 2006) oi a “cons i uição mú ua da digi alização
e da come cialização” (p. 84) que con ibuiu pa a a con e gência dos se o es dos
media
, das
elecomunicações e das ecnologias da in o mação e da comunicação (TIC), e le indo “as
ca ac e ís icas legais e ins i ucionais” (Mosco, 2006, p. 84) do pe íodo em que se desen ol eu.
Já o segundo au o (Cas ells, 2002), que p ocu ou desc e e uma “ e olução ecnológica,
cen ada nas ecnologias da in o mação, [que] começou a emodela , de o ma acele ada, a
base ma e ial da sociedade” (p. 1) no inal do século XX, econhecia a necessidade de se a en a
na elação es abelecida com ou os domínios da sociedade, nomeadamen e com o polí ico.
Cas ells (2002) des aca a o papel dos Es ados e das suas elações globalmen e
in e dependen es pa a impulsiona o domínio ecnológico num pe íodo de ees u u ação do
capi alismo. Segundo o au o (Cas ells, 2002), “o p ocesso his ó ico em que esse
desen ol imen o de o ças p odu i as oco e ma ca as ca ac e ís icas da ecnologia e da sua
in e - elação com o social” (p. 15). Des e modo, as ans o mações económicas e polí icas
associadas à con e gência dos
media
e o ça am-se mu uamen e na en a i a de c ia e cump i
as p omessas a ibuídas à mudança ecnológica – aquelas que se encon a am em cu so ou que
ainda es a am somen e no ho izon e.
2.4.1. A con e gência económica e de me cado
De aco do com Balbi (2017), em inais do século XX e no início do no o milénio, “de ido
ao sucesso e ó ico da con e gência ecnológica e às á ias p omessas de edução de cus os,
mui as usões e aquisições es a égicas nas indús ias de elecomunicações e dos
media
o am
es adas e implemen adas, azendo uma ede inição len a” (p. 37) des es me cados. A pala a
de o dem nes es se o es
e a a maximização. Segundo Mu dock (2000), “es a endência pa a
«maximiza »” (p. 38) podia se is a como o aspe o-cha e da con e gência, na medida em que
e am os es o ços das megaco po ações em o mação que es a am a “ma ca o passo da
digi alização e a esc e e as eg as pa a o me cado das comunicações eme gen e” (Mu dock,
2000, p. 38). Também Pe e Golding (2000) conside a a a con e gência sob e udo como “um
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
33
enómeno económico, econhecido de o ma mais ób ia ao ní el da es a égia e da es u u a
emp esa ial” (p. 179), apesa de admi i igualmen e os impac os po enciais da digi alização pa a
uma mais in incada dis inção en e
media
.
A p opósi o da o mação das megaco po ações a que aludia Mu dock (2000), Balbi
(2017) iden i ica dois ipos de in eg ação económica e de me cado. Es es o am
eco en emen e en ados em conjun o de manei a a usu ui dos bene ícios eó icos
elacionados com as ambicionadas sine gias daí esul an es: uma in eg ação diagonal, semp e
que uma emp esa p ocu a a ala ga a sua in luência a se o es de negócio onde a é en ão não
es a a p esen e; ou a e ical, assim que uma emp esa p ocu a a expandi a sua exis ência a é
aos di e sos pon os da cadeia de p odução de con eúdos, mas den o da mesma indús ia
(Balbi, 2017). Hesmondhalgh (2007) ap esen a uma ca ego ização mais ab angen e. Pa a além
de econhece as in eg ações p e is as po Balbi (2017), pa ilhando a nomencla u a da úl ima e
designando a p imei a po “mul isse o ial e mul imediá ica” (Hesmondhalgh, 2007, p. 22), o
au o ac escen a duas ou as es a égias de con e gência emp esa ial: a in eg ação ho izon al,
onde se egis a a comp a de emp esas no mesmo se o , eduzindo a conco ência; e a
in e nacionalização, conseguida pelo es abelecimen o de pa ce ias ou pela aquisição de
emp esas no es angei o.
Rela i amen e aos obje i os subjacen es às sine gias esul an es das in eg ações às
quais aludiu Balbi (2017), Peil e Spa ie o (2017) sis ema iza am di e en es bene ícios
p ocu ados aquando do seu es abelecimen o, nomeadamen e “a di e si icação (is o é, a
dispe são de iscos e opo unidades a a és de múl iplas indús ias e me cados), a eu ilização
de con eúdos a a és de di e sas pla a o mas, a p omoção c uzada do con eúdo en e
pla a o mas, a c iação de ma cas e a explo ação de di ei os” (p. 15) elacionados com as
di e en es p op iedades in elec uais em causa. Na han Vaughan (2011) pa ilha dos mesmos
p incípios, de inindo as sine gias como um “p ocesso de di e si icação e coo denação
emp esa ial” (p. 170) que p ocu a diminui os iscos associados às indús ias cul u ais e
maximiza os luc os e as ecei as.
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
34
Também no caso da con e gência económica e de me cado, a conc e ização das
expec a i as ela i as aos seus bene ícios e elou-se p oblemá ica. A in eg ação diagonal das
indús ias das elecomunicações e dos
media
ep esen a a uma pa ce ia es a égica. De aco do
com Elsa Cos a e Sil a (2008), “a analogia classicamen e e e ida pa a explica es e mo imen o
e a a do á ego au omó el (con eúdos, ais como no ícias, ilmes, música, e c.) nas au oes adas
(comunicações po cabo, in e ne ou sa éli e)” (p. 163). Ou seja, se, po um lado, a necessidade
de en abiliza os in es imen os ei os em no as in aes u u as ecnológicas oi um a gumen o
usado comummen e pelas indús ias das elecomunicações pa a jus i ica a necessidade de
acaba com a sepa ação (com o igem na egulação) en e dis ibuição e con eúdos (as no as
au oes adas necessi a am de á ego em maio quan idade); po ou o lado, ambém os
media
sen iam, na gene alidade, a necessidade de se associa ao u u o p ome ido (o digi al, bem
como a usão do seu se o com o das elecomunicações), a é pa a con abalança a sa u ação
dos seus mais es ei os me cados habi uais (Balbi, 2017; Ga nham, 1996; Hesmondhalgh,
2007). Negócios como a usão da AOL (emp esa de elecomunicações) com a Time Wa ne (do
se o dos
media
) ou, a ní el nacional, a aquisição da Lusomundo pela Po ugal Telecom, os dois
ealizados em 2000, p ocu a am consubs ancia es as p e ensões. Con udo, nenhum deles
co espondeu in eg almen e às expec a i as que suma iamos.
No início do século XXI, no momen o em que “p ecisa iam de bons en os pa a
es abiliza os negócios de con e gência e e uados, a ecessão económica e o çou os p oblemas
de endi idamen o dos g upos e p ejudicou a sua liquidez” (Sil a, 2008, p. 165). No mesmo
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
35
sen ido, o me cado dos
media
e o no o me cado da in e ne e ela am-se menos p e isí eis e
luc a i os do que o an ecipado, com as sine gias en adas a não edunda em nos e ei os
p ome idos – pelo menos não ao pon o de jus i ica a exis ência de emp esas “que que iam se
donas de udo, dos con eúdos à in e ne ” (Jin, 2017, p. 210), o madas po ia de aquisições e
usões en e se o es ma cadamen e dis in os. O p incípio da
descon e gência
su ge como
espos a ao não cump imen o des as expec a i as da con e gência económica e de me cado.
De aco do com Jin (2017), a
descon e gência
p ocu a desen ol e um en endimen o
ela i o à con e gência económica e de me cado a é en ão endencialmen e eduzida à o mação
das megaco po ações, acau elando o econhecimen o das suas á ias nuances. Não se opõe,
po an o, a essa o ma limi ada de olha a con e gência económica e de me cado, desde logo
po pe sis i em di e sos exemplos da sua conc e ização en e se o es dis in os: a incu são de
emp esas de base ecnológica, como a Apple ou a Google, pelo campo dos con eúdos – sendo
es es eiculados a a és de pla a o mas de dis ibuição p óp ias – é um exemplo pe inen e
(Hesmondhalgh & Loba o, 2019). O que a
descon e gência
az é, en ão, des aca uma e olução
que pode se enquad ada numa con e gência ge al en endida como um p ocesso
equen emen e ambi alen e e mul idimensional, mas que ende a e o ça uma maio
in e dependência en e se o es an es mais cla amen e dema cados.
Ou seja, mui as das g andes emp esas cen alizado as, que en a am assegu a odas
as indús ias elacionadas com os
media
e as elecomunicações, decompuse am-se (mesmo
que, po exemplo, se enham man ido na es u u a acionis a das emp esas de que se libe a am)
e concen a am-se nas suas á eas cen ais de negócio, e o çando, des a manei a, a
concen ação ho izon al en e conco en es di e os (Hesmondhalgh, 2007; Jin, 2017; Sil a,
2008). No en an o, es a o ma de
descon e gência
não edundou numa diminuição da
in e dependência en e os di e en es se o es das indús ias cul u ais, an es modi icou-a. De
aco do com Hesmondhalgh (2007), uma das mudanças-cha e que se êm e i icado “desde os
anos 1970 em sido a c escen e in e dependência en e pequenas e g andes emp esas: es as
encon am-se en ol idas em complexas edes de licenciamen o, inanciamen o e dis ibuição”
(p. 176) em o no de de e minadas p op iedades in elec uais. Mesmo en e as g andes
emp esas há elações de conco ência e de in e dependência, po ia de “complexas eias de
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
36
alianças, pa ce ias ou
join - en u es
” (Hesmondhalgh, 2007, p. 2). No mesmo sen ido apon a
Vaughan (2011), pa a quem as sine gias económicas são mais equen emen e ex ensi as do
que in ensi as: em luga de a no ma se as g andes emp esas cen alizado as que assumem
odas as ases do negócio, o au o des aca a o mação de edes de in e dependência en e
di e en es emp esas. As edes, pa a além de se em mais lexí eis e de consegui em esponde
de modo mais ágil às “mudanças nos gos os e desejos dos públicos” (Vaughan, 2011, pp. 174–
175), pe mi em dis ibui e dilui os iscos associados às indús ias cul u ais.
2.4.2. A con e gência polí ica e egula ó ia
A con e gência en e as elecomunicações e os
media
, os enómenos de concen ação
emp esa ial ou a o mação de amplas sine gias são apenas comp eensí eis quando conjugadas
com a e cei a g ande endência iden i icado po Balbi (2017), a con e gência polí ica e
egula ó ia, dadas a limi ações legais que es a eio sup imi . Segundo Hesmondhalgh (2007),
um bom pon o de pa ida pa a se analisa as mudanças e as con inuidades nas indús ias
cul u ais, nomeadamen e no que diz espei o às polí icas que lhes es ão associadas, é a
sequência de c ises (do luc o, sob e udo) nas sociedades capi alis as iniciada nos p imei os anos
da década de 70 do século XX. A sua conjugação com aquilo que o au o designou po “ eo ias
da ansição” (Hesmondhalgh, 2007, p. 7) con ex ualizou a eme gência do neolibe alismo e
das ações pa a en a consubs ancia as p omessas associadas à digi alização e à con e gência
– uma no a sociedade da in o mação, a “no a mo ologia social” a que aludia Finneman (2006,
2. A CONVERGÊNCIA E OS MEDIA. DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CONVERGÊNCIA
37
p. 67). Es as expec a i as aduzi am-se num aumen o da c ença na maio ele ância económica
das indús ias cul u ais (e de ou as que lhe es ão associadas, como as TIC), bem como em
incen i os polí icos ao seu uncionamen o numa lógica de me cado. Segundo Balbi (2017), “a
ideologia neolibe al iden i icou as elecomunicações e a adiodi usão como os p incipais se o es
onde in e i a a és de um p ocesso de des egulação, de libe alização da in e enção
go e namen al e de come cialização” (p. 40). De aco do com Robin Mansell (2016), as polí icas
daí esul an es inham como base “a ideia de que um alhanço na libe alização dos me cados
le a ia ao en aquecimen o das posições compe i i as de a o es nacionais no me cado global e
ao ab andamen o do i mo da ino ação ecnológica” (p. 9).
Mu dock (2000) sis ema izou cinco mudanças que o ma am um “pano de undo
essencial” (p. 43) pa a se comp eende , no início do século, o modo como a ação polí ica
es imula a a consumação des e caminho especí ico:
− a p i a ização de emp esas de elecomunicações ou de
media
;
− a libe alização des es me cados, colocando um pon o inal nos monopólios
nacionais, bem como ab indo a po a às usões nes es se o es e à en ada de a o es
in e nacionais;
− a eo ien ação da egulação, que, pa a além de elimina ba ei as à expansão
emp esa ial, a incen i a a pela supos a necessidade de con e gi pa a compe i na
sociedade da in o mação;
− a emp esa ialização dos se iços públicos, nomeadamen e os de
media
,
c escen emen e incen i ados a compo a em-se como emp esas;
− as no as possibilidades de come cialização dos con eúdos ou se iços, a a és, po
exemplo, de subsc ições.
Es as mudanças es a am anco adas numa sensação de ine i abilidade em o no da
con e gência, e e e Hesmondhalgh (2007), que unciona a como uma p o ecia que se ealiza a
a si mesma: a mudança polí ica su gia an o da con e gência ape cebida como, ao mesmo
empo, a acele a a. Os monopólios (essencialmen e es a ais, no con ex o eu opeu) nas
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
44
De aco do com Raymond Williams (1983), o ocábulo cul u a é pa icula men e
desa ian e. Se a di e sidade de signi icados e a já e iden e no é imo la ino
cole e
, que
aba ca a ideias e p á icas ão dis in as como habi a , cul i a , p o ege ou ado a , a sua e olução
acen uou a mul iplicação de pala as e de sen idos de i ados (Williams, 1983). Aliás, é
p ecisamen e a complexidade azida pela “ex ensão e sob eposição de signi icados” que o au o
(Williams, 1983, p. 91) conside a se eminen emen e signi ica i o no concei o de cul u a.
Williams (1983) sis ema izou ês amplas ca ego ias de uso que, em luga de se e eza em,
coexis em nas di e en es abo dagens à pala a.
A p imei a ca ego ia es á mais p óxima dos usos iniciais de cul u a, en a izando a ideia
de p ocesso, de se a “ endência
de
algo” (Williams, 1983, p. 87) – das cul u as ag ícolas, po
exemplo. Es as u ilizações i iam a se i de e e ência pa a me á o as pos e io es mais amplas,
onde o ocábulo cul u a é equen emen e acompanhado pela p eposição “de”, que o elaciona
de o ma decla ada com o desen ol imen o de elemen os subsequen es. Já a segunda ca ego ia
iden i icada po Williams (1983), comum em abo dagens an opológicas e sociológicas, e oca a
elação en e os concei os de cul u a(s) – com ên ase no plu al – e “um es ilo pa icula de ida,
seja de uma pessoa, de um g upo ou da humanidade em ge al” (Williams, 1983, p. 90),
deambulando, po isso, “en e uma dimensão de e e ência signi ica i amen e o al e ou a
segu amen e pa cial” (Williams, 1981, p. 11). Po im, a e cei a ca ego ia – mais ecen e, mas
mui o possi elmen e aquela que i ia a assumi uma di usão mais ampla (Williams, 1981, 1983)
– enquad a a cul u a como o nome associado às p á icas e às a i idades in elec uais, com
pa icula des aque pa a as a ís icas.
As ês dimensões iden i icadas po Williams (1983) a igu am-se como uma
opo unidade p i ilegiada pa a se suma ia , desde já, a ex ensão da cul u a de con e gência. O
amplo en endimen o de cul u a como a “ endência
de
algo” (Williams, 1983, p. 87) es á em
consonância com um dos p incipais a gumen os em a o da pe inência do concei o aqui em
deba e: apesa das ambiguidades que odeiam a con e gência dos
media
, dos a anços e ecuos
exis en es na conc e ização das suas di e en es dimensões, é possí el sus en a a eme gência
de um p ocesso que, no im de con as, sublinha um esba imen o de on ei as en e elemen os
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
45
a é en ão mais cla amen e dema cados. Um desses elemen os é p ecisamen e a elação
es abelecida en e os
media
e os seus públicos. Pa a discu i a e olução des a elação, Jenkins
(2008) es ei ou o olha , cen ando-se numa o ma pa icula de se se público dos
media
,
e oca i a dos legados que da segunda que da e cei a ca ego ia sis ema izada po Williams
(1983). Falamos dos ãs dos con eúdos mediá icos: um nicho nem semp e alo izado, cujas
p á icas in ensi as colidem a é com os di ames da uição a ís ica (Jenkins, 1992/2013), mas
que ep esen a ia, de aco do com o au o (Jenkins, 2008), uma janela p i ilegiada pa a se
an e e a e olução dos demais públicos na cul u a de con e gência. Is o é, elemen os como a
p edisposição dos ãs pa a a pa icipação ace às indús ias cul u ais (em ensão, mas ambém
em coope ação com es as) ou a maio ele ância de segmen os mais pequenos dos públicos
num con ex o de agmen ação de audiências, o na iam o
andom
num exemplo de ele o
aquando da an e isão do umo a oma po uma mais complexa elação en e os
media
e os
públicos.
Em suma, nes e capí ulo discu e-se com po meno o concei o de cul u a de
con e gência e os modos como as suas ês dimensões – a p óp ia con e gência mediá ica, mas
ambém a cul u a pa icipa i a e a in eligência cole i a – in e agem pa a da o ma a um
p ocesso que em edundado numa modi icação da elação dos públicos com os
media
(e que
con a, na u almen e, com uma espos a po pa e des es, nomeadamen e a a és das na a i as
ansmediá icas). Como e e ido an e io men e, o YouTube é, no inal, ap esen ado como
signi ica i o pa a se deba e a ex ensão das po encialidades, mas ambém das á ias limi ações,
que êm sido apon adas à cul u a de con e gência.
3.1. UMA INTRODUÇÃO À CULTURA DE CONVERGÊNCIA DE HENRY JENKINS
A “camada cul u al” (Balbi, 2017, p. 41) é a mais ecen e pe spe i a de en e as á ias
dimensões associadas à con e gência dos
media
. Balbi (2017) si ua a sua eme gência na
p imei a década do século XX, sus en ando que o g ande impulso pa a a sua popula ização –
sob e udo no deba e académico – es á associado à publicação da p imei a edição do li o
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
46
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008), em 2006. Balbi esume, des e modo, a dimensão em
causa:
A con e gência cul u al pode se obse ada como a qua a na a i a da con e gência mediá ica e
en ol e nume osos elemen os, especialmen e a p odução e o consumo dos
media
. Es as duas
ases não são comple amen e sepa adas, an es e o çando-se mu uamen e com egula idade
po que os públicos e as indús ias mediá icas, no no o con ex o, podem dialoga e in luencia -se
nos seus compo amen os al como os ga os e os a os azem. (Balbi, 2017, p. 42)
A ên ase dada pelo au o (Balbi, 2017) à in e ação en e a p odução e o consumo dos
media
e le e a impo ância que Jenkins (2008) lhe a ibui den o da cul u a de con e gência:
es a é essencialmen e discu ida pelo seu impac o na cul u a popula no e-ame icana e, de
modo ainda mais incado, na elação in incada que es abelecem alguns dos seus mais
des acados p o agonis as – os públicos, os p odu o es e os con eúdos mediá icos, num con ex o
em mudança. As al e ações em cu so, conside a a Jenkins (2004), deco iam sob e udo “na
in e ceção en e a p odução e o consumo” (p. 36) dos
media
, ainda que os seus impac os
ex a asassem os limi es de ambos: “as nossas idas, elações, memó ias, an asias e desejos”
(Jenkins, 2008, p. 17) ambém en am em jogo na de inição da cul u a de con e gência. As
mudanças e am o esul ado an o “de um p ocesso guiado, do opo pa a a base, pelas
emp esas, como de um p ocesso ascenden e, impulsionado pelos consumido es. A
con e gência emp esa ial coexis e com a con e gência de base” (Jenkins, 2008, p. 18). Pa a se
comp eende o que es á em causa, de aco do com o au o , no c uzamen o des es p ocessos,
impo a sin e iza a elação en e os concei os de
media
e de p o ocolo, à qual Jenkins se
soco e a a és dos con ibu os de Lisa Gi elman (2006).
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
47
Em linha com abo dagens eó icas que ecusam a p edominância de uma qualque
o ma de de e minismo ecnológico como a azão pa a a mudança nos
media
e na elação que
man emos com es es, Gi elman (2006) suge e que os meios de comunicação podem se
pensados enquan o “es u u as socialmen e cons uídas” (p. 7) onde coincidem o mas
ecnológicas, p o ocolos sociais e p á icas cul u ais. Po conseguin e, a au o a (Gi elman, 2006)
não nega a impo ância do que é ou não é possí el aze -se ecnicamen e, já que exis e nos
meios de comunicação uma dimensão ma e ial cuja in luência não pode se negada. Tal como
e e e Da id Buckingham (2008), “as ecnologias êm po encialidades ou «
a o dances
»
ine en es: é mui o mais ácil usá-las pa a alguns p opósi os do que pa a ou os” (p. 12). No
en an o, Gi elman (2006) essal a que o “núcleo ecnológico” (p. 7) é insu icien e pa a de ini
de o ma cabal os
media
. Es es es ão necessa iamen e associados a p o ocolos que exis em
pa a lá dos
s anda ds
écnicos e que “exp essam uma g ande a iedade de elações sociais,
económicas e ma e iais” (Gi elman, 2006, p. 7).
Des a manei a, os p o ocolos sociais enal ecem o ac o de os meios de comunicação
não se esgo a em nos p opósi os ecnicamen e mais e iden es. Os
media
são ambém o
esul ado de p á icas si uadas social e cul u almen e – de que podem se exemplo as mudanças
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
48
nas indús ias cul u ais que de alhamos no úl imo capí ulo a p opósi o das con e gências
económica e de me cado e polí ica e egula ó ia, mas ambém as pa icula idades que
encon amos na a i idade dos públicos dos
media
. De o ma a ilus a es e p incípio, a au o a
sus en a que, enquan o meio,
O ele one inclui a saudação “Hello?” (pa a alan es de inglês, pelo menos), o ciclo de a u ação
mensal e os ios e cabos que ligam ma e ialmen e os nossos ele ones. O co eio ele ónico
inclui odos os p o ocolos écnicos elabo adamen e concebidos e os o necedo es de se iços
in e ligados que cons i uem a in e ne , mas ambém con empla an o os eclados QWERTY em
que a mensagem é “dac ilog a ada” como o sen ido comum que as pessoas êm do que é o
co eio ele ónico enquan o géne o. O cinema inclui udo, desde os bu acos das odas den adas
que pe co em os lados do ilme a é ao sen ido amplamen e pa ilhado de pode espe a e e
“ ilmes” em casa, em o ma o ídeo. (Gi elman, 2006, pp. 7–8)
Ainda que nem as ecnologias, nem os p o ocolos sociais sejam necessa iamen e
pe enes, a sua consolidação enca ega-se de na u aliza es a eia de elações: “o sucesso de
odos os
media
depende, em algum ní el, da desa enção ou «ceguei a» pa a as p óp ias
ecnologias mediá icas (e odos os seus p o ocolos de apoio) em a o da a enção aos
enómenos, «o con eúdo»” (Gi elman, 2006, p. 6). A cul u a de con e gência ep esen a, em
p imei a ins ância, o ques ionamen o de algo que se encon a a num es ado de ela i a acalmia:
os p o ocolos sociais (necessa iamen e associados a um núcleo ecnológico ambém em
mudança) que egiam a p odução e a eceção dos
media
. Ou, po ou as pala as, do que
signi ica c ia e consumi con eúdos mediá icos num con ex o onde as mudanças e as
con e gências são múl iplas.
3.1.1. De inições da cul u a de con e gência
O p incípio do ques ionamen o dos p o ocolos subjacen es à elação en e os
media
e os
seus públicos encon a-se na u almen e e le ido em di e en es de inições da cul u a de
con e gência ap esen adas po Jenkins (2008). As ês que se seguem exempli icam a ex ensão
das mudanças em causa, bem como a ambiguidade da sua consubs anciação:
Bem- indos à cul u a de con e gência, onde os no os e os elhos meios
colidem, onde os
media
co po a i os e os de base se in e ce am, onde o pode do p odu o e o pode do consumido dos
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
49
media
in e agem de manei as imp e isí eis. (…) Po con e gência en endo o luxo de con eúdo
a a és de á ias pla a o mas mediá icas, a coope ação en e múl iplas indús ias dos
media
e o
compo amen o mig a ó io das audiências, que ão quase a qualque luga à p ocu a das
expe iências de en e enimen o que que em. (Jenkins, 2008, p. 2)
A con e gência não depende de um qualque mecanismo especí ico de dis ibuição. Pelo
con á io, a con e gência ep esen a uma al e ação de pa adigma – uma mudança de con eúdos
especí icos a um meio pa a con eúdos que luem a a és de di e en es canais; pa a uma
c escen e in e dependência en e sis emas de comunicações; pa a múl iplas o mas de acede
aos con eúdos mediá icos; e pa a elações cada ez mais complexas en e as emp esas
mediá icas, guiadas do opo pa a baixo, e uma cul u a pa icipa i a de base. (Jenkins, 2008, p.
254)
A ep esen ação das mudanças dos
media
como uma ba alha de encedo es e encidos en e os
a é en ão de en o es de pode e insu gen es dis ai-nos ace às mudanças conc e as que es ão a
oco e na nossa ecologia mediá ica. Mais do que subs i ui os
media
an e io es, aquilo a que
chamo cul u a de con e gência é moldada pelo c escen e con ac o e colabo ação en e
ins i uições mediá icas es abelecidas e eme gen es, pela expansão do núme o de a o es que
in e êm na p odução e ci culação dos
media
, pelo luxo dos con eúdos a a és de á ias
pla a o mas e canais. (Jenkins, 2008, p. 274)
Es as de inições enal ecem a cul u a de con e gência como “uma espécie de ge ingonça
(…) e não um sis ema o almen e in eg ado” (Jenkins, 2004, p. 34), a é po que p ocu a da
con a de uma “paisagem mediá ica con adi ó ia” (Jenkins & Deuze, 2008, p. 7). Ao mesmo
empo, as ci ações en a izam a complexi icação da elação en e os
media
e os seus públicos,
que é o elemen o dis in i o da dimensão cul u al. Como consequência, encon amo-nos pe an e
um concei o sem uma e iden e inclinação pa a a pa cimónia (Ge ing, 1999), is o que se a a
de uma concep ualização lexí el e abe a, mais cen ada na p oblema ização de um enómeno
em dispu a e assumidamen e ince o do que na sis ema ização e ponde ação dos esul ados já
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
50
consubs anciados nas mudanças em cu so. Podemos obse a uma consequência des a
ca ac e ís ica a p opósi o da me á o a ecológica p esen e na e cei a ci ação, que é e ocada po
Jenkins (2008) de o ma gené ica, na medida em que não a si ua eo icamen e. O mesmo não
oi ei o po Oc a io Islas (2009), que associa uma conceção especí ica da ecologia dos
media
à
cul u a de con e gência.
De aco do com es e au o , “a ecologia dos
media
dis ingue-se po concede uma ên ase
pa icula ao es udo do impac o das ecnologias sob e os ambien es comunica i os” (Islas,
2009, p. 26). Pensa a dimensão cul u al da con e gência a a és des e p isma, mesmo
assumindo o li o
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008) como uma das p incipais e e ências
eó icas, ende à c iação de uma incong uência (a cen alidade da dimensão écnica) com
di e sas ami icações. Uma das mais e iden es é o caso da elação en e
media
. Onde Jenkins
(2008) sublinha a complexi icação da elação en e meios es abelecidos ou no os (e,
consequen emen e, dos p o ocolos associados), Islas (2009) sus en a que “na con e gência
cul u al alguns meios con encionais o na am-se pe dedo es, ao passo que os no os meios
digi ais ganha am e eno” (p. 29). O de adei o desa io se ia, po an o, a ansição pa a o
digi al po o ça da ine i abilidade do desen ol imen o écnico, p emissa que nos pa ece,
simul aneamen e, con adize e sublinha o concei o de cul u a de con e gência. Is o é, se po
um lado apa en a opo -se àquilo que Jenkins (2008) esc e eu, bas ando a en a no início da
ci ação onde é e e ida a ecologia mediá ica, po ou o lado e le e a “geome ia a iá el” (Miège,
2017, p. 54) da con e gência, incluindo da sua dimensão cul u al, que a le a a p es a -se a
alguma imp ecisão concep ual.
Impo a, como consequência, e o ça aquilo que de mais signi ica i o conside amos
subsis i no concei o. Pa ilhamos a lei u a de Jack B a ich (2011) ela i amen e à ele ância da
ap esen ação da con e gência, po pa e de Jenkins, “não como uma conclusão, uma solução
ou uma sín ese es á el. Ao in és, [a con e gência] es abelece no as condições pa a a mudança.
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
51
Es a conjun u a es á eple a de expe imen ação, decisões á icas e imp e isibilidade” (p. 632).
Tal como sus en ou Me yl Alpe (2013), a cul u a de con e gência e e e-se, em p imei a
ins ância, “à in e ação especí ica en e pla a o mas mediá icas e à econ igu ação da elação
en e os
media
de massas e a cul u a pa icipa i a” (p. 148). Aliás, segundo a au o a (Alpe ,
2013), o concei o opõe-se ao “pa adigma da e olução digi al dos anos 1990” (p. 148) pela
impo ância a ibuída à in e ação en e
media
, que são en endidos pa a lá da sua dimensão
ecnológica. No mesmo sen ido apon a Elizabe h E ans (2011, p. 7): a cul u a de con e gência
“não negligencia a ele ância da con e gência ecnológica, mas posiciona-a den o de uma
ma iz de p ocessos” di e si icados, ainda que com os públicos no cen o das p eocupações de
Jenkins. Po im, ambém Galb ai h e Ka lin (2016) leem nas p opos as de Jenkins a
necessidade de a en a sob e udo num p ocesso ambi alen e, “onde linhas são c uzadas e
esba idas à medida que coisas se ap oximam” (p. 23) e em que os elemen os em causa não são
es i amen e ecnológicos: “is o não signi ica igno a a mudança ecnológica, mas ala ga o
âmbi o da análise pa a inclui a lógica pela qual as indús ias dos
media
e os públicos ope am”
(Galb ai h & Ka lin, 2016, p. 9).
Como consequência, um a o dis in i o do concei o de cul u a de con e gência é o
papel desempenhado po uma cul u a pa icipa i a exis en e (e em mudança) do lado dos
públicos. Assim, nes a ese conside a-se a cul u a de con e gência sob e udo enquan o:
Um p ocesso abe o e assimé ico, um p isma pa a se discu i a e olução da elação
( equen emen e de pa ada e espos a) en e os
media
e os públicos, a complexi icação do que
signi ica in eg a cada uma das ca ego ias, que são hoje po encialmen e menos es anques. A
dimensão cul u al da con e gência es á necessa iamen e elacionada com os demais
componen es do concei o de con e gência mediá ica e, po conseguin e, dis ancia-se de
qualque o ma de de e minismo, seja ele ecnológico, mas ambém económico, na medida em
que econhece a impo ância ( ela i a) da a i idade dos públicos na cons ução da sua elação
com os
media
e os seus con eúdos.
Es a ci cunsc ição da cul u a de con e gência p ocu a e le i uma lei u a dúplice que azemos
das p opos as de Jenkins (2008), onde
encon amos a con i ência en e dois ní eis de análise:
um ma cadamen e ge al e ou o assumidamen e pa icula .
O p imei o ní el, que é o cená io mais as o que oi açado pelas de inições do p óp io
au o que ci amos an e io men e, es á ocado na iden i icação
daquilo que se encon a em
cu so
, ou seja, uma endência ge al da e olução da elação en e os
media
e os públicos, egida
“po um no o conjun o de eg as que ainda ninguém pe cebe o almen e” (Jenkins, 2008, p. 3),
mas, ainda assim, con ex ualizada po um p ocesso de con e gências (com di e gências)
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
52
múl iplas. Des e modo, a cul u a de con e gência é, em p imei a ins ância, uma eo ia da
p odução e do consumo dos
media
, bem como das suas in e ceções, num con ex o mais amplo
e pa icula men e ince o (Jenkins, 2004). O segundo ní el de análise p ocu a lida com es a
ince eza pelo es ei amen o do olha de Jenkins (2008), que em unção da simul aneidade e
complexidade das di e sas ans o mações que es ão a deco e , assume o uso de exemplos
conc e os, de “pe spe i as localizadas” (Jenkins, 2008, p. 12) e de pon os de is a não-neu os
pa a induzi ela i amen e aos caminhos que a mais ema anhada elação en e os
media
e os
públicos – en e o que signi ica pe ence a cada uma des as ca ego ias – pode oma .
Duas das ês dimensões da cul u a de con e gência – a cul u a pa icipa i a e a
in eligência cole i a, aquelas que são sob e udo pensadas pelo lado dos públicos – es ão em
la ga medida undadas no mais pa icula segundo ní el de análise. Já a dimensão em al a,
cen ada no lado dos
media
, é uma lei u a especí ica do au o (Jenkins, 2008) ace às azões e
às consequências da mais ampla con e gência mediá ica, que discu imos no capí ulo an e io e
e omamos b e emen e de seguida.
3.2. A CONVERGÊNCIA MEDIÁTICA NA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
De aco do com Jenkins (2008), pa e do p ocesso que é a cul u a de con e gência é
impulsionada “do opo pa a baixo” (p. 254), sendo aí que encon amos uma maio p oa i idade
po pa e das emp esas mediá icas pa a in e i na elação em cu so com os seus públicos. A
ampla con e gência mediá ica é, des e modo, a dimensão da cul u a de con e gência que mais
se cen a no lado dos
media
.
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
53
Das á ias aceções que elencamos no capí ulo an e io , a con e gência económica e de
me cado assume um des aque pa icula en e as p opos as de Jenkins (2003a, 2008). Ainda
que o au o econheça que “a digi alização ge ou as condições pa a a con e gência”, de ende
que, no essencial, o am “os conglome ados emp esa iais [que] c ia am o seu impe a i o”
(Jenkins, 2008, p. 11), is o que a ação des es p ecedeu, pelo menos na maio ia dos casos, as
“al e ações na es u u a ecnológica” (Jenkins, 2008, p. 17). A p opósi o do modo como
deco eu endencialmen e a eo ganização das emp esas mediá icas, Jenkins (2008), à imagem
do que de alhamos no capí ulo p eceden e, ecusa a sua simpli icação enquan o um enómeno
es i amen e hegemónico de concen ação, o almen e p e isí el ou explicado po simples
o ganig amas. Po um lado, ainda que o au o econheça a endência pa a a o mação de
g andes emp esas con e gen es, apon a pa a a sua olubilidade in e na: “mui os dos gigan es
mediá icos pa ecem amílias dis uncionais, cujos memb os não alam en e si e pe seguem as
suas p óp ias agendas, mesmo se à cus a de ou as di isões da mesma emp esa” (Jenkins,
2008, pp. 7–8). Po ou o lado, em linha com o sus en ado pelos concei os de
descon e gência
(Jin, 2017)
ou de indús ias c ia i as (Deuze, 2007, 2009; Ha ley e al., 2013; Po s e al.,
2008),
bem como po au o es como Hesmondhalgh (2007) ou Vaughan (2011), Jenkins (2008)
econhece a p oli e ação de in e ações en e g andes e pequenas emp esas, a c escen e in e -
elação (de coope ação, mas ambém de conco ência) en e quem c ia e az ci cula con eúdos
– ca ego ia onde ago a ambém es ão, em po ência, os públicos.
Rela i amen e às demais dimensões da con e gência igualmen e a ados no capí ulo
an e io , a polí ica e egula ó ia é somen e abo dada de o ma implíci a – enquan o condição
necessá ia pa a os enómenos de concen ação emp esa ial) ou, em pa e, pa a a ci culação
global de con eúdos (Jenkins, 2006). Já a p edominan e con e gência ecnológica (Peil &
Spa ie o, 2017) é discu ida pa a con es a a sua cen alidade, nomeadamen e daquilo que o
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
60
comp eensão de uma aixa de compo amen os da audiência” (Napoli, 2011, p. 31). São á ias
as azões que con ex ualizam es a mudança. Desde logo, as di iculdades económicas susci adas
pela G ande Dep essão dos anos 30 do século XX, que colocou os di e en es in e enien es do
me cado dos
media
“sob uma p essão mais in ensa pa a maximiza a e iciência da alocação de
ecu sos e p o idencia p o as « angí eis» de que o dinhei o inha sido in es ido de modo lógico
e e icaz” (Napoli, 2011, p. 35). Pa a além dis o, há ainda que conside a a eo ien ação ge al
dos
media
pa a o me cado, po o ça:
− do aumen o dos in es imen os na indús ia mediá ica, que e a acompanhado pela
necessidade de os en abiliza ;
− da adap ação dos modos de aze con eúdos, e oluindo de uma cul u a de p odução
pa a uma cul u a de consumo;
− dos modelos de negócio – nomeadamen e na adiodi usão, mas igualmen e
aplicá eis, em maio ou meno g au, a ou os
media
, exempli icando as in luências
en e campos e agen es (Bou dieu, 1989, 1997; Ne eu, 2007) – que es abiliza am
sob e udo em o no da publicidade, po oposição a al e na i as como a subsc ição
(Napoli, 2011).
É es e papel es u u ado da publicidade que impõe que se conside e, na elação en e
os
media
e os públicos, a impo ância de um e cei o elemen o, os anuncian es, cujo in e esse
em dados especí icos em es u u ado o es u u ado me cado da a aliação das audiências
(Ca ey, 2016; Ne eu, 2007). O modelo seguido – no amen e de o ma pa icula pela
adiodi usão, mas ambém com ami icações nou os meios – sus en a a que “p imei o e a
p eciso cons ui a audiência enquan o uma massa angí el e mensu á el; e depois segmen a
e e i amen e essa massa em subunidades dis in as e homogéneas” (Napoli, 2011, p. 40), em
unção de ca ac e ís icas socioeconómicas. Tan o Signe Sophus Lai (2015) como Jacob L.
Nelson e James G. Webs e (2016) e e em que essa cons ução edunda a numa “moeda”
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
61
comummen e acei e pelas pa es capazes de aze ou i a sua oz a es e espei o,
media
e
anuncian es.
Po an o, no que diz espei o às ca ac e ís icas dos consumido es, alamos de “uma
classe de mé icas que quan i ica os a ibu os das audiências alo izados pelos anuncian es”
(Nelson & Webs e , 2016, p. 10), em ge al espei an es ao seu amanho e composição. De
aco do com John Ca ey (2016), nes e modelo es u u ado em o no da exis ência de exposição,
os anuncian es ambém paga am pa a sabe , a a és de amos as amplas e es a is icamen e
ep esen a i as, bem como pelo ecu so a dados p e e encialmen e ecolhidos de o ma
au oma izada e em empo eal, “quan as pessoas i am um p og ama ou um anúncio, po
quan o empo e quais as ca ac e ís icas demog á icas dessas pessoas” (p. 123).
Consequen emen e, a de inição de um sucesso es a a habi ualmen e balizada no empo (o
p imei o pe íodo de exibição, onde os con eúdos no os ge a iam maio in e esse) e no espaço (a
dimensão imedia a das audiências, ainda que le ando em conside ação di e enças
sociodemog á icas).
O enómeno de agmen ação do ambien e mediá ico a que emos aludido ques iona a
o ien ação pa a a maximização, bem como a iabilidade da sua medição
al como ealizada a é
en ão
– ou seja, edunda numa dep eciação da moeda do campo dos
media
. Napoli (2011)
dis ingue dois componen es amplamen e elacionados: a agmen ação dos meios de
comunicação, que se aduz numa maio o e a de pla a o mas e nas c escen es possibilidades
pa a a desag egação dos con eúdos, e a agmen ação das audiências, “que podem ago a es a
dispe sas ao longo de um conjun o sem p eceden es de opções de con eúdos” (p. 57), ac o que
di icul a os p ocessos de amos agem po
medium
nos quais assen a am po adição os
es udos das audiências. Ao mesmo empo, o au o econhece uma c escen e au onomia po
pa e dos públicos, na medida em que:
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
62
O ambien e mediá ico con empo âneo o e ece às audiências ní eis sem p eceden es de con olo
não só sob e os
media
que consomem, mas ambém sob e quando, onde e como os
consomem; sob e a capacidade de os públicos pode em se mais do que me os consumido es,
o nando-se igualmen e con ibuido es do ambien e mediá ico. (Napoli, 2011, p. 55)
A conjugação dos enómenos de agmen ação e de au onomização implica a
eap eciação do que cons i ui uma “na a i a popula ”, de aco do com Jenkins (2003a, p. 284),
e, po conseguin e, daquilo que se alo iza na cons ução das audiências e, a é, nas p á icas
conc e as dos públicos (Li ings one, 2004). Napoli (2011) ci a a es e p opósi o o concei o de
cauda longa, de Ch is Ande son. A conceção do úl imo au o assen a na dis inção en e os êxi os
imedia os (os casos mino i á ios de maio sucesso e que concen a am o in e esse da indús ia
dos
media
no modelo de maximização – cons i uem a cabeça da cu a de dis ibuição, po
concen a em a maio ia das ecei as) e os con eúdos que não ul apassam os limi es de nichos,
os an e io es con eúdos de cul o (Richa ds, 2010), e que o mam amiúde a cauda longa da
ep esen ação g á ica das ecei as. Segundo Napoli:
Tal como Ande son (2006) en a iza, o ambien e mediá ico al amen e agmen ado de hoje é
aquele em que a cauda con inua a alonga , ao pon o de a a enção ag egada do público aí
con ida pode começa a i aliza – e a é mesmo a excede – a a enção ag egada das audiências
dos
hi s
(i.e., a “cabeça”). (Napoli, 2011, p. 58)
A p eponde ância da cauda é po enciada pelas con e gências de que a amos an e io men e,
que acili am não só a mul iplicação de con eúdos, mas ambém expandem as possibilidades de
acesso, ace à maio coo denação en e ias de dis ibuição e às hipó eses de escolhe onde,
quando e como acon ece o consumo.
A p opósi o da ideia de cauda longa, Jenkins (2008) enquad a-a, no essencial, como um
modelo que “p essupõe um consumido dos
media
cada ez mais sabedo , alguém que i á
p ocu a a i amen e con eúdos do seu in e esse e que o gulha -se-á de pode ecomendá-los aos
seus amigos” (p. 263). Da pa e dos
media
, a alo ização des as a i idades po mé icas além
da exis ência de consumo se á c ucial pa a a es u u ação de uma indús ia das audiências pós-
exposição, onde o es udo do e o incen i o ao en ol imen o de em assumi um luga de
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
63
des aque (Jenkins e al., 2013; Napoli, 2011). Jenkins (2008) abo da es a ques ão pelo ângulo
da economia a e i a, um concei o o iundo do
ma ke ing
e que enal ece os bene ícios de se
conhece e econhece a dimensão emocional dos consumido es. Is o signi ica que os
media
–
mas ambém os anuncian es e os pa ocinado es, de o ma indi e a – es ão, de aco do com o
au o (Jenkins, 2008), cada ez mais in e essados nas mo i ações e nas ligações a e i as dos
públicos aos seus con eúdos p e e idos. Pa a além de se p es a em ao acompanhamen o de
con eúdos dispe sos no empo, os públicos mais empenhados são idos, pela indús ia, como
undamen ais pa a a ai a a enção de ou os mais gené icos (Jenkins, 2008).
Uma das o mas de consubs ancia e incen i a esse supos o in e esse pelo
en ol imen o do público é a a és do omen o da sua pa icipação. A abe u a de linhas
ele ónicas pa a a escolha de encedo es de
eali y-shows
é um dos exemplos – básicos –
apon ados (Jenkins, 2008), na medida em que p ocu a inci a um maio en ol imen o emocional
do público com os p og amas, mas ambém com quem apoia e anuncia nesses espaços. Um
ou o caso a ado po Jenkins (2008), mais ele an e no âmbi o da cul u a de con e gência,
es á elacionado com o incen i o da c iação amado a em o no de um con eúdo popula ,
ap o ei ando a p oli e ação de disposi i os e de espaços capazes de a democ a iza , associados
à eme gência dos
media
digi ais. Con udo, es a inicia i a deambulou en e o desejo de
capi aliza e coop a os con eúdos c iados pelos u ilizado es e a on ade de p oibi p á icas pa a
lá das econhecidas pelas emp esas mediá icas e pelo
ga ekeeping
p opo cionado pelos di ei os
de p op iedade in elec ual. O incen i o a uma pa icipação con olada e, a é ce o pon o,
encenada, colidiu com as demais dimensões da cul u a de con e gência, ilus ando a dispu a
ine en e ao concei o: a cul u a pa icipa i a e a in eligência cole i a dos públicos. Es as
dimensões suge em uma eno ada capacidade do público pa a se exp essa , econ igu ando a
sua posição habi ualmen e ido como silenciosa, “localizada no inal de uma cadeia de p á icas
de p odução e ansmissão” (Ang, 1991, p. 4) no campo dos
media
o emen e o ien ados pa a
o me cado. Como esumiu Jensen,
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
64
O que os públicos aziam – podiam aze – com os meios de comunicação de massas e a
in e p e á-los como indi íduos e comunica sob e eles em pequenos g upos. Apesa da
an
ic ion
e de algum acesso limi ado do público aos meios de comunicação social, os públicos não
es a am em posição de se di igi em aos pode es ins i uídos ou uns aos ou os a uma escala
signi ica i a. Foi es a condição que se al e ou com a popula ização da in e ne , sob a o ma da
wo ld wide web
, a pa i de meados da década de 1990. (Jensen, 2019, p. 147)
Logo, é ambém numa al e ação do equilíb io de o ças e papéis en e
media
e públicos, olhada
pelo p isma des es, que se cen a a cul u a pa icipa i a den o da cul u a de con e gência.
3.3. DIMENSÕES DO LADO DOS PÚBLICOS: A CULTURA PARTICIPATIVA E A
INTELIGÊNCIA COLETIVA NA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
O segundo exemplo ap esen ado po Jenkins (2008) a que aludimos acima é um conjun o de
concu sos pa a ilmes amado es c iados em o no de
S a Wa s
e p omo ido pela p odu o a
Lucas ilm, de en o a dos di ei os ela i os a es a na a i a ansmediá ica, em 2003 e 2005. As
eg as pa a a admissão de candida os limi a am os géne os (pa ódias e documen á ios) e as
his ó ias (impunham uma p oibição explíci a de his ó ias de icção que p ocu assem expandi o
uni e so na a i o em causa) acei á eis, bem como os ma e iais passí eis de uso – os ilmes
amado es não podiam usa elemen os p o egidos po di ei os de
copy igh
, da Lucas ilm ou de
ou as en idades, a não se igu as de ação ou os ichei os sono os o necidos e alidados pela
inicia i a (Jenkins, 2008).
De aco do com Jenkins (2008), os concu sos e le iam o legado de uma cul u a de
massas que en o mou o uncionamen o dos
media
du an e o século XX: po que a i ma am a
p e alência dos di ei os de p op iedade in elec ual, po deco em numa pla a o ma echada e
es i amen e come cial, mas ambém pela conceção especí ica dos públicos que p omo iam.
Es es e am uma ez mais olhados pelo p isma da audiência, pos a no luga dos consumido es
de quem e a expec á el que “celeb assem a his ó ia al como ela é” (Jenkins, 2008, p. 154) e
que, mesmo es ando disponí eis e capaci ados pa a c ia , o izessem somen e nos e mos
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
65
de inidos pelos habi uais p odu o es de con eúdos. Es as es ições não impedi am que cen enas
de pa icipan es subme essem p opos as aos concu sos, mas ambém mo i a am eações
ad e sas de alguns dos públicos de
S a Wa s
. Es as são con ex ualizadas pela exis ência de
uma cul u a pa icipa i a, ago a c escen emen e isí el (Jenkins, 2008).
3.3.1. A cul u a pa icipa i a: da
olk cul u e
no e-ame icana aos con eúdos
japoneses
A cul u a pa icipa i a ep esen a o e e so da conceção ado ada pela Lucas ilm desc i a
an e io men e, cons i uindo-se como uma endência de sen ido opos o na de inição do p ocesso
elacional que é a cul u a de con e gência:
Em odos os lados e a qualque ní el, o e mo
pa icipação
eme giu como um concei o
es u u an e, ainda que odeado po expec a i as con li uan es. As emp esas imaginam a
pa icipação como algo que podem inicia e pa a , canaliza e eo ien a , comodi iza e
me can iliza . Os p oibicionis as es ão a en a impedi a pa icipação não-au o izada; os
colabo acionis as es ão a en a conquis a os c iado es amado es pa a o seu lado. Os
consumido es, pelo seu u no, es ão a exe ce um di ei o a pa icipa na cul u a, nos seus
p óp ios e mos, quando e onde desejam. Es es consumido es empode ados en en am uma
sé ie de desa ios pa a p ese a e ala ga es e di ei o ape cebido a pa icipa . (Jenkins, 2008, p.
175)
A capaci ação dos públicos oi possibili ada, em la ga medida, pela gene alização de
ecnologias que “pe mi em ao cidadão comum pa icipa no a qui o, ano ação, ap op iação,
ans o mação e eci culação dos con eúdos mediá icos” (Jenkins, 2003a, p. 286). Po an o, de
aco do com o au o (Jenkins, 2008), a cul u a pa icipa i a assen a amplamen e numa eno ada
capacidade écnica dos públicos, associada à disseminação dos meios digi ais e de pla a o mas
online
, pa a ealiza ês ca ego ias de ações dis in as, mas elacionadas:
− a
c iação
de con eúdos po pa e dos u ilizado es dessas ecnologias, sejam eles
p oduzidos de aiz ou de i ados de ou os com o igem nos
media
, o que implica
conside a a queb a do monopólio das indús ias cul u ais na p odução e na
dis ibuição de ex os capazes de a ingi um público conside á el;
− a in e enção na
ci culação
de odo o ipo de con eúdos, amado es ou p o issionais,
ago a com possibilidades ac escidas de os consegui di undi além dos cí culos
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
66
sociais imedia os. Es e ipo de pa icipação i ia a da o igem a um ou o concei o do
au o – p imei o sob a o ma de uma b e e e e ência na e são a ualizada de
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008) e depois já amplamen e desen ol ido no li o
Sp eadable Media
(Jenkins e al., 2013). Esse concei o designa-se, en ão, po
sp eadabili y
e p ocu a des aca o papel a i o (e a iado nos seus in en os) do
público na pa ilha de con eúdos, numa al u a em que alego ias com í us dominam
a ca ac e ização dos con eúdos que capazes de chega a á ias pessoas nos meios
online
e que, de aco do com os au o es, des alo izam a ação e a di e sidade dos
públicos em a o de uma qualque ca ac e ís ica in ínseca dos ex os (Jenkins e
al., 2013);
− a expansão dos
espaços cole i os de eceção
, na medida em que os públicos podem
mais acilmen e dialoga en e si, em comunidades.
Cada uma des as ações encon a p eceden es em p á icas já exis en es com os
media
, mas que
se encon a am nas ma gens ace às p io idades do esc u ínio público – sendo es e p incípio
aquilo que mais di e encia as conceções do au o (Jenkins, 2008) de ou as con empo âneas e
ambém cen adas no empode amen o dos públicos, de que é exemplo a ambém popula
suges ão da eme gência dos
p oduse s
, po Axel B uns (2007).
Segundo Jenkins (2008), o século XX, no que diz espei o à cul u a popula no e-
ame icana, icou ma cado pela subs i uição p og essi a de uma cul u a
olk
po uma cul u a de
massas. Ou seja, a p odução de elemen os cul u ais signi ica i os en e as classes popula es,
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
67
que se encon a a dependen e das p á icas c ia i as locais e in o mais dessas mesmas pessoas,
pe deu, p og essi amen e, a sua p imazia pa a os con eúdos ge ados pelos
media
de massas.
Con udo, essas p á icas nunca desapa ece am, an es passa am a se menos isí eis: “as
pessoas con inua am a compo e a can a canções, os esc i o es amado es ainda
esc e inha am e sos, os pin o es de im-de-semana ambém abisca am, as pessoas
con inua am a con a his ó ias e algumas comunidades ainda o ganiza am bailes locais”
(Jenkins, 2008, pp. 139–140).
Também os ex os dos
media
podiam se i de pon o de pa ida pa a es as a i idades
dos públicos. Os seus ãs, de o ma especial, mos a am se pa icula men e ocacionados pa a
a p odução de mais con eúdos com base naqueles ge ados p o issionalmen e, ais como
an
ic ion
e
an a
(Jenkins, 1992/2013), mas ambém de elemen os menos e iden es, como
legendas ou cópias (não necessa iamen e au o izadas) de con eúdos es angei os e/ou de di ícil
acesso. O caso da di usão dos desenhos animados japoneses (
anime
) nos Es ados Unidos da
Amé ica é dis o sin omá ico. A pa i da década de 80 do século XX, numa al u a em que os
media
nacionais não p o idencia am a o e a de
anime
p ocu ada pelas comunidades de ãs,
es es públicos – ambém conhecidos enquan o
o aku
, nes e caso em conc e o – enca ega am-
se da sua adequação (a a és da legendagem) e ci culação (Eng, 2012; Fennell e al., 2012; I o,
2012; Jenkins, 2006). P imei o sob a o ma de cópias ísicas em casse e, depois a a és da
in e ne , os públicos o am undamen ais pa a o desen ol imen o des e nicho – com des aque
pa a a pe ença de g upos de uni e si á ios, em p imei o luga , que depois se ala gou a ou os
jo ens (Eng, 2012). Pa a além de con ibuí em pa a a sup essão de “uma p ocu a que não
es a a a se se ida pelas indús ias come ciais” (I o, 2012, p. 183), os conjun os de ãs
es u u a am uma manei a especí ica de ecebe e concebe
anime
en e os seus públicos mais
empenhados:
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
68
− equen emen e em comunidades –
online
ou p esenciais (Eng, 2012);
− onde equen emen e se p eza a a manu enção da o iginalidade dos desenhos
animados – is o é, onde as dob agens e am p e e idas em a o de legendas (po
ezes o iundas da p óp ia comunidade) que espei assem aquilo que e a pe cebido
como as ma cas locais de um con eúdo japonês, como dão con a Dana Fennell e
colegas (2012) ou Mizuko I o (2012);
− onde o in e esse ex a asa a os limi es dos con eúdos, aba cando a discussão de
elemen os como géne os ou au o es (Fennell e al., 2012), mas ambém a de inição
de ques ões iden i á ias – em duplo sen ido, al como sublinha Buckingham (2008)
a p opósi o do concei o de iden idade, na medida em que en a em jogo an o aquilo
que nos dis ingue como aquilo que nos ap oxima de ou os.
O concei o de
pop cosmopoli anism
suge ido po Jenkins (2006) deb uça-se
p ecisamen e sob e es as ques ões iden i á ias, apon ando pa a uma o ma de escapismo em
o no dos con eúdos japoneses. A eceção dos ãs no e-ame icanos es udados pelo au o
(Jenkins, 2006) ul apassa a, á ias ezes, os limi es das sé ies e dos ilmes de animação
nipónicos, implicando uma dimensão aspi acional em o no de ep esen ações – mais ou menos
es e eo ipadas (Hills, 2002) – sob e o Japão. Ou seja, se -se público de
anime
ia, em alguns
casos, além do consumo de his ó ias; nes as p ocu a am-se elemen os idos como
ma cadamen e japoneses, que unciona iam como um elemen o de iden i icação com ou os,
ou que se issem de pon o de pa ida pa a ap endizagens sob e a cul u a ou a língua des e país
asiá ico, com o obje i o de escapa “ao pa oquialismo e ao isolacionismo” das ealidades sociais
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
69
mais p óximas (Jenkins, 2006, p. 166). A e cei a dimensão da cul u a de con e gência, a
in eligência cole i a, eio exponencia es es in en os.
3.3.2. A in eligência cole i a e a eceção comunal dos públicos
O desen ol imen o da in e ne e da
wo ld wide web
alimen ou di e sas expec a i as
sob e a cons i uição de comunidades
online
– p imei o o madas en e académicos, depois
alas ando-se a mo imen os de con acul u a (
hacke s
, nomeadamen e) ou a
hobbyis as
(Flichy,
2001). À medida que o acesso às ecnologias digi ais e
online
se ia gene alizando – e, ambém,
que es as se o na am de uso simples, com in e aces que não necessi a am de conhecimen os
especializados pa a a sua u ilização – ques ões como “a p oximidade geog á ica, a pe ença
ins i ucional e o g au de in e conexão” (Flichy, 2001, pp. 105–106) en e os pa icipan es
dessas comunidades desen ol e am con o nos mais complexos. Em es ei a elação com
discu sos como aqueles associados à já discu ida sociedade da in o mação, mas ambém com
as expec a i as pós-mode nas sob e o ques ionamen o da acionalidade e da au o idade das
ins i uições sociais da mode nidade (Lyon, 1997; Paque e de Oli ei a e al., 2004), concei os
como
ne izens
(Hauben, 1996)
ou cibe espaço (Lé y, 2000) ap esen am-se como exemplos de
ideias que p ome e am a e o mulação da es u u a socie al po o ça dos meios digi ais e
online
.
Se conside a mos a di isão emp eendida po Ka l E ik Roseng en (1994), an o o
sis ema social das ações, o sis ema ma e ial dos a e ac os e o sis ema cul u al das ideias, cuja
p o unda in e - elação o ma a sup amencionada es u u a socie al, se iam la gamen e
al e ados pela eme gência dos meios digi ais e
online
. A en ando na unção es u u an e do
sis ema cul u al, que se mani es a em g ande medida pela ação de agen es de socialização
que con ibuem pa a a elação, consolidação e dispu a de ideias e alo es en e os di e en es
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
76
numa das p imei as ap esen ações do p óp io YouTube no seu
si e
(Bu gess & G een, 2009b, p.
3). Es e posicionamen o enquan o pouco mais do que uma ex ensão das p á icas em o no dos
ídeos casei os oi apidamen e subs i uído po uma ap esen ação mais ambiciosa e em
consonância com o mais en usiás ico “imaginá io social” (Peil & Spa ie o, 2017) igen e: o
B oadcas You sel
.
A eme gência des e
slogan
coincidiu com a aquisição do YouTube pela Google
(en e an o eba izada Alphabe ), em ou ub o de 2006 (Bu gess & G een, 2009b; an Dijck,
2013), e inha como obje i o a p omoção do
si e
pela associação às espe anças em o no da
mais as a e popula Web 2.0, que cons i ui ia “uma ge ação da in e ne que supos amen e é
de inida pelos u ilizado es, e não pelos p odu o es” ( an Dijck & Niebo g, 2009, p. 858). Um
exemplo lag an e des as expec a i as su ge no mesmo ano de 2006, quando o
You
– u e ós,
simul aneamen e, en e os p onomes da língua po uguesa – oi escolhido como pessoa do ano
pela e is a
Time
, po “ oma as édeas dos
media
globais, po unda e es u u a a no a
democ acia digi al, po abalha po nada e ence os p o issionais no seu p óp io jogo”
(G ossman, 2006, pa a. 9). Os di e en es modos semió icos (K ess, 2001) u ilizados po uma
e is a, nomeadamen e na sua capa, con ibuí am pa a a especi icação dos signi icados do
p onome em causa: mais do que qualque pessoa ou conjun o de pessoas, o
You
empode ado
e a aquele que usa a pla a o mas como o YouTube.
Os p imei os empos de exis ência do
si e
pa eciam con i ma a sua maio a inidade
com os p odu o es amado es, que como eposi ó io pa a as suas c iações, que – sob e udo –
enquan o espaço pa a se cons ui uma comunidade e uma cul u a pa alelas aos
media
de
massas (Bu gess & G een, 2009b). O mês de no emb o de 2007 i ia a p o oca um p imei o
abalo ele an e nes a endência: Op ah Win ey lançou o seu canal no YouTube, numa
campanha de p omoção ansmediá ica, e ep esen ou a p imei a incu são de ele o de uma
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
77
celeb idade das indús ias cul u ais na pla a o ma (Bu gess & G een, 2009b). Se a de inição dos
bene ícios ou dos male ícios da me a p esença da ap esen ado a no e-ame icana não eunia
consenso en e aqueles que já p oduziam pa a o YouTube, a sub e são dos p o ocolos
(Gi elman, 2006; Jenkins, 2008) de pa icipação, do que signi ica a es a nes e
si e
, pelo canal
de Op ah Win ey oi mais con es ada: po causa da sup essão da possibilidade de pa ilha os
ídeos, pela o e mode ação dos comen á ios ou, a é, de ido à suspei a de a o ecimen o dos
seus con eúdos em des a o de ou os (Bu gess & G een, 2009b). Como sis ema izam Jean
Bu gess e Joshua G een:
O canal de Op ah oi is o como sin omá ico de pa cei os co po a i os a dios a explo a o
me cado de a enção que inha sido c iado po pa icipan es an e io es mais “au ên icos”, uma
si uação apenas exace bada pela p á ica do YouTube em p omo e , de o ma p oa i a, as suas
pa ce ias com emp esas de
media
e com celeb idades que não inham ei o o caminho di ícil na
subcul u a. (Bu gess & G een, 2009b, p. 92)
Se conside a mos o caminho seguido pelo
si e
, des a p imei a dispu a esul ou, em la ga
medida, o iun o do modelo ado ado po Op ah Win ey. Re omando os con ibu os de Gillespie
(2010), o posicionamen o discu si o do YouTube enquan o pla a o ma é su icien emen e abe o
pa a ambém inclui a p omoção dos in e esses de ou os a o es. Aliás, segundo o au o , é
p ecisamen e a abe u a do concei o que o o na a a i o: “um e mo como «pla a o ma» não cai
do céu ou eme ge de o ma o gânica e li e na discussão pública. Baseia-se no ocabulá io
cul u al exis en e (…) e é cuidadosamen e a ado pa a e um signi icado pa icula pa a
públicos especí icos” (Gillespie, 2010, p. 359). Gillespie (2010) apon a qua o públicos-al o,
eunidos numa espécie de quad a u a do cí culo p opo cionada pela lexibilidade do concei o:
− os u ilizado es inais, os públicos, a quem é p ome ido um espaço pa a a
pa icipação e a disponibilidade de con eúdos di e sos;
− os anuncian es, a quem se ga an e o acesso a audiências simul aneamen e as as e
segmen adas;
− os
media
adicionais, cujos con eúdos conco em com os ge ados pelos u ilizado es
e ganham um no o espaço pa a a sua di ulgação (ou es ição da mesma, caso a
publicação enha o igem em canais que não os o iciais);
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
78
− os legislado es, pela p omoção das pla a o mas como me os in e mediá ios,
capazes de omen a a c ia i idade e a libe dade de exp essão, mas ambém os
negócios que lhes es ão associados num con ex o polí ico (sociedade da in o mação,
indús ias c ia i as, e c.) que os alo iza de modo pa icula .
Segundo o au o , a conciliação des es g upos o na o abalho discu si o mais i al.
In e mediá ios como o YouTube de em ap esen a -se es a egicamen e a cada um deles,
esculpi um papel e um conjun o de expec a i as que sejam acei á eis pa a odos e ainda se i
os seus p óp ios in e esses inancei os, enquan o esol em ou, pelo menos, dis a çam as
con adições (Gillespie, 2010). Em Pe ei a e Mou a (2022) dá-se con a da pe meabilidade e da
lexibilidade des as ap esen ações: em ab il de 2017, o YouTube ap esen a a-se, na secção
“Sob e nós”, como “um ó um pa a as pessoas se liga em, in o ma em e inspi a em ou as em
odo o mundo e a ua como uma pla a o ma de dis ibuição pa a c iado es de con eúdo o iginal e
anuncian es g andes e pequenos”. A ualmen e, a sua missão eme e pa a as iniciais
p omessas emancipa ó ias, sendo simpli icadas pelo desejo em “da a odos uma oz e mos a -
lhes o mundo”, que se á “um luga melho quando escu amos, pa ilhamos e cons uímos uma
comunidade a a és das nossas his ó ias”. No en an o, a ap esen ação p imei amen e ci ada,
que econhece a maio di e sidade de p opósi os da pla a o ma, es á ainda p esen e nos Te mos
de Se iço do
si e
.
Apesa de, em
Sp eadable Media
,
Jenkins e colegas (2013) e em complexi icado o
en endimen o que o p imei o au o ap esen ou na ca ac e ização do YouTube (Jenkins, 2008)
que iniciou es a secção, a não alo ização – ou uma abo dagem supe icial – de ques ões
eminen emen e do lado da economia polí ica dos
media
, ais como a p op iedade de
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
79
pla a o mas como o YouTube ou os meios de que os me cados e dos seus a o es dispõem pa a
condiciona a a i idade e a pa icipação dos públicos, o iginou um conjun o de c í icas
ex ensí eis à conceção ge al da cul u a de con e gência. Uma das objeções mais eemen es é
ap esen ada po Ch is ian Fuchs (2014) e assen a na disc epância exis en e en e o seu concei o
de pa icipação e a a e ição da exis ência de uma cul u a pa icipa i a em espaços como o
YouTube, nos e mos p opos os po Jenkins (2008).
3.4.2. Dispu as sob e a pa icipação, ambém no campo concep ual
De aco do com Fuchs (2014), pa icipa “signi ica que os humanos êm o di ei o, bem
como a sua consumação, de aze pa e das decisões e de go e na e con ola as es u u as
que os a e am” (p. 57). Consequen emen e, é um en endimen o exigen e e no ma i o, o iundo
de uma abo dagem eminen emen e polí ica, sob e o que é a pa icipação (Ca pen ie e al.,
2019). Se conside a mos a escada de pa icipação cí ica de She y R. A ns ein (1969), que
econhece a exis ência de pa ce ias, a delegação de pode e o con olo cidadão como o mas
e e i as de exe cício da pa icipação, somen e o úl imo deg au es á inega elmen e den o da
conceção de Fuchs (2014), na medida em que é o único que espei a, enquan o condição
sine
qua non
, a conjugação da pa icipação na omada de decisões com
o exe cício do con olo dos
meios de p odução. Como consequência, a lei u a de uma “aliança sua e” ( an Dijck & Niebo g,
2009, p. 870) en e os
media
e os públicos nas p opos as de Jenkins (2008) é enca ada como
uma suges ão pe niciosa, dada a (alegada) negligência p es ada às assime ias na dis ibuição
de pode .
Des e modo, ela i amen e à cul u a pa icipa i a, Fuchs (2014) des alo iza-a po , na
melho das possibilidades, assen a naquilo que Nico Ca pen ie (2011) suma iou enquan o
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
80
pa icipação a a és dos
media
, mais p óxima de uma pe spe i a sociológica sob e a
pa icipação onde es a é en endida como “uma o ma de aze pa e de uma de e minada
ealidade, o que esul a numa in e ação social conc e a” (Ca pen ie e al., 2019, p. 20). Ou
seja, aos olhos de Fuchs (2014), a cul u a pa icipa i a se ia “maio i a iamen e sob e
exp essões, en ol imen o, c iação, pa ilha, expe iência, con ibuição e sen imen os, não an o
sob e como es as p á icas são acili adas e an agonis icamen e ema anhadas com a acumulação
de capi al” (p. 57). Assim, se, po um lado, não é negada a possibilidade de associação en e
pessoas como os ãs, po ou o lado, es á longe de se ce a a capacidade de se chega à
in e enção no espaço público , à en a i a de aze pa e da omada de decisões, po o ça da
ação di e a ou es u u al de quem con ola os
media
. Es e ac o le a ia a conside a -se enquan o
pa icipação, na ó ica de Fuchs (2014), a simples exis ência de um conjun o de pessoas a
p oduzi em qualque ipo de con eúdo ou, a é, somen e a coincidi em em espaços
online
.
Re omando o caso do YouTube que em se ido de exemplo nes e capí ulo, aí
encon amos di e en es ma e ializações des as conside ações, incluindo em abalhos com a
assina u a do p incipal p oponen e da cul u a de con e gência. Des e modo, Jenkins e al.
(2013) econhecem que, pa a além de a pla a o ma albe ga di e en es u ilizado es, com
pe spe i as a iadas (nomeadamen e sob e os di ei os de p op iedade in elec ual e quem pode
usa os elemen os po eles ab angidos), es es êm um a amen o di e enciado po pa e do
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
81
YouTube, que ende a a o ece os de en o es desses di ei os. No momen o de al e a os e mos
de u ilização ou de moni o iza o uso de con eúdos p o egidos, a pla a o ma equen emen e não
ou e ou in o ma os públicos e au oma iza a imposição das suas decisões, mas dialoga com os
ep esen an es legais das indús ias cul u ais, p ocu ando e i a p oblemas judiciais e a ai pa a
o seu p óp io modelo de negócio esses (g andes) p odu o es e os seus popula es e já
econhecidos con eúdos (Jenkins e al., 2013). Segundo Jin Kim (2012, p. 56), es a é uma
ca ac e ís ica eminen emen e associada à mudança de p op iedade: se an es da comp a pela
Google o YouTube e a sob e udo um espaço “ca ac e izado pelos ídeos amado es num
ambien e sem publicidade”, o pe íodo que se seguiu ao in es imen o “sem p eceden es” ( an
Dijck, 2009, p. 42) de 1,65 mil milhões de dóla es (Bu gess & G een, 2009b) e oluiu no sen ido
de p io iza os “ ídeos ge ados p o issionalmen e num ambien e a o á el à publicidade” e
des inados a públicos massi icados (Kim, 2012, p. 56).
De aco do com Ma hias Bä l (2018), en e 2006 e 2016, ap oximadamen e 3% dos
canais do YouTube o am esponsá eis po ce ca de 28% dos con eúdos ca egados no
si e
e
capazes de conquis a pe o de 85% das isualizações ealizadas na pla a o ma. Ainda que o
au o sublinhe a necessidade de se ap o unda o es udo sob e a di e enciação en e os ipos de
canais (is o é, p o issionais ou amado es) , es es dados ins igam a discussão de ou o dos
a gumen os de Fuchs (2014) con a a exis ência de uma cul u a pa icipa i a onde a capacidade
de se ou i e aze ou i ou as ozes e ia sido ala gada: “a economia polí ica da a enção
online
ende a p i ilegia g andes emp esas mediá icas que êm ma cas es abelecidas e que
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
82
con olam mui os ecu sos” (p. 62). A es e p opósi o, Ma k And eje ic (2011) des aca o papel
dos algo i mos, que in luenciam la gamen e aquilo que se ê, mas ambém o ipo de elação
es abelecida en e os
media
e os públicos, e az pa a discussão a economia a e i a suge ida po
Jenkins (2008).
De aco do com o au o (And eje ic, 2011), a alo ização das mo i ações dos públicos
nos
media
digi ais dis ancia-se daquela suge ida po Jenkins (2008) po assen a , sob e udo, na
ecolha au omá ica e quan i icá el de dados – e não numa obse ação a en a e quali a i a da
di e sidade de p á icas dos públicos e das suas comunidades. No mesmo sen ido apon a José
an Dijck (2013), pa a quem “as emp esas es ão menos in e essadas nas comunidades de
u ilizado es do que nos seus dados” (p. 4), usados pa a ge a algo i mos capazes de po encia a
ex ensão e a manu enção da conec i idade. Também Webs e (2017) sus en a que da ecolha
de dados ads i os a compo amen os (como isualizações, cliques ou comp as) são
equen emen e in e idas p e e ências sem que es eja assegu ada a alidade quali a i a dessas
suposições (an es alo izando-se a in eligibilidade dos dados pa a emp esas e anuncian es,
numa lógica eminiscen e da adicional a aliação de audiências). Daqui esul am no as
o mas de desigualdade na es u u ação e no con olo da ci culação de con eúdos. Segundo
au o es como And eje ic (2011), an Dijck (2013) e Webs e (2017), es as desigualdades não
são su icien emen e con empladas pela cul u a de con e gência, já que as a i idades dos
u ilizado es não são “simplesmen e canalizadas pelas pla a o mas, mas
p og amadas
com um
obje i o especí ico” ( an Dijck, 2013, p. 6): ge a acessos, mas ambém pa ilhas, ela i izando a
escala da ação dos públicos na ci culação. Po an o, “aqueles que assumem que os agen es
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
83
[os públicos, nes e caso] es ão no con olo mui as ezes igno am os
push media
” (Webs e ,
2017, p. 354), is o é, os con eúdos que encon am as pessoas, que lhes são ap esen ados pelos
algo i mos das pla a o mas, e que se dis inguem daqueles que são p ocu ados po inicia i a dos
públicos (os
pull media
). Pa a And eje ic,
Tal é a an asia de con olo baseada em dados na economia a e i a: quan o mais emoções são
exp essas e pos as em ci culação, mais o compo amen o é moni o izado e ag egado, maio a
capacidade dos p o issionais de
ma ke ing
de en a canaliza e co igi o a e o de manei as que
se aduzam num aumen o do consumo. O con olo come cial sob e a in aes u u a e, po an o,
sob e os dados ge ados es á no ce ne des a e são da economia a e i a. (And eje ic, 2011, p.
615)
Es a capacidade única de pe ceção do mac o cená io é eminiscen e da de adei a o ma de
pode iden i icada po S e en Lukes (1974), na medida em pe mi e, de aco do com And eje ic
(2011), o exe cício de in luência sob e a pe ceção dos públicos, sem que es es a econheçam ou
con es em a sua exis ência ou ex ensão na de inição da “o dem das coisas” (Lukes, 1974, p.
24).
A ge ação de dados não é única o ma de explo ação exis en e em pla a o mas como o
YouTube: Fuchs (2014) ac escen a a ques ão do abalho. As ques ões susci adas pelo au o
(Fuchs, 2014) a p opósi o da economia polí ica da a enção não in alidam a exis ência de
con eúdos ge ados pelos u ilizado es em pla a o mas como o YouTube. No en an o, es es
en en am uma dupla desigualdade: pa a além da já e e ida di iculdade em chega a audiências
conside á eis pelo ac o de se a o ece es u u almen e alguns con eúdos, não encon am
o mas de e ibuição álidas em unção do alo ge ado pelos seus con eúdos. Is o é, quem
capi aliza a c ia i idade amado a em
si es
como o YouTube é, em p imei a ins ância, o p óp io
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
84
YouTube num p ocesso de subsunção eal, em e mos ma xis as, que e i a as c iações dos
públicos das ma gens na es i a medida em que “passam a unciona como on e de alo
capi alis a” (B a ich, 2011, p. 624). Ca ieLynn D. Reinha d (2009) desen ol e es as ques ões
pelo p isma da coop ação dos con eúdos c iados pelos u ilizado es.
A au o a (Reinha d, 2009) sublinha que os
media
não são nem indi e en es, nem
uni o mes na eação às cons i uições discu si as dos públicos susci adas pelas p omessas dos
meios digi ais e
online
. Assim, a pa i do momen o em que econhecem e in e êm – como ez
a já ci ada e is a
Time
(G ossman, 2006) – nos deba es sob e a capacidade de os públicos
c ia em e dis ibuí em con eúdos, p ocu am o mas de se elaciona com e de bene icia dessas
conceções de públicos. Ou seja, p ocu am conjuga o já es abelecido público-enquan o-bem com
o público-enquan o-agen e pela en a i a de “colhe o po encial e as a i idades conc e as dos
públicos pa a seu bene ício” (Reinha d, 2009, p. 10). Se, no início, a a i idade c iado a dos
públicos que alas ou com o desen ol imen o dos meios digi ais e
online
oi essencialmen e
enca ada com descon iança e enquan o uma ameaça, “a indús ia dos
media
começou a
esponde [à e olução das conceções sob e o público] pela capi alização da a i idade pa a os
seus p óp ios obje i os – cap u a um aio com uma ga a a” (Reinha d, 2009, p. 21). Os
concu sos como o que Jenkins (2008) abo dou a p opósi o da Lucas ilm são exempli ica i os
des es – há mui o ins i uídos, incluindo num pe íodo p é-meios digi ais (Pea son, 2010) –
es o ços de coop ação, que êm em pla a o mas como o YouTube espaços p i ilegiados pa a a
sua consumação. No pe cu so que conduziu à elabo ação des a ese, i emos a opo unidade de
ealiza um es udo de caso (Mou a, 2018) sob e um des es concu sos – mais ecen e do que o
analisado po Jenkins (2008), mas com p omo o es e des ina á ios semelhan es, e que nos
pe mi e p oblema iza a e olução das es a égias de coop ação.
O lançamen o do p imei o ilme isolado de
S a Wa s
, em 2016, uncionou como
p e ex o pa a a dinamização de um concu so de ilmes amado es pela Disney, em 2016. Ao
con á io do que se e i icou nos e en os semelhan es o ganizados em 2003 e em 2005 po
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
85
uma Lucas ilm ainda sob a di eção de Geo ge Lucas (Jenkins, 2008), a eg a simbolicamen e
p oblemá ica sob e a c iação de no as his ó ias caiu. Pelo con á io, os pa icipan es e am
incen i ados a di e i em-se e a coloca em a sua ma ca no uni e so de
S a Wa s
(Mou a,
2018). Es a pequena mudança discu si a e a, no en an o, con abalançada po di e sas
con inuidades e ea i mações sob e o papel dos
media
e dos públicos. Assim, ainda que
hou esse uma maio libe dade o mal pa a c ia , odos os ídeos inham de es a elacionados
com o ilme a se lançado e p omo ido – is o é, os ídeos amado es a iam pa e da es a égia
de p omoção de
Rogue One
. Aliás, um dos p émios do concu so – que nunca assumi iam a
o ma de emune ação – e a mesmo a exibição dos ídeos encedo es imedia amen e an es do
ilme, apesa de em nenhum momen o pode em se assumidos como ep esen a i os do cânone
de
S a Wa s
.
Ao pa icipa em no concu so, os au o es desses ídeos conco da am em aliena os seus
di ei os sob e os mesmos – incluindo os de au o ia mo al, quando as ju isdições locais assim o
pe mi issem (Mou a, 2018). Ao mesmo empo que pedia o al con olo sob e o que aze com os
ídeos subme idos, incluindo publicá-los no YouTube sem di ei o a qualque e ibuição, a Disney
ambém se des esponsabiliza a po qualque p oblema ge ado po esses mesmos ídeos, desde
que esses p oblemas não esul assem de al e ações ealizadas pela p óp ia, ca ac e izando-se
enquan o um “canal passi o” (Mou a, 2018, p. 90) pa a a sua exibição e dis ibuição. Aliás, a
p e enção de e en uais p oblemas ju ídicos e a a no a dominan e nas eg as do concu so,
nomeadamen e a p opósi o da p op iedade in elec ual da Disney e de e cei os (Mou a, 2018).
Pa a além de sal agua da os seus di ei os e de es ingi a p op iedade in elec ual p óp ia que
podia se u ilizada, p oibia o uso, mas ambém a e e enciação, de ou os con eúdos
igualmen e p o egidos, especi icando, a é, o caso de
S a T ek
(Mou a, 2018). Des e modo, o
concu so de 2016 ep esen a, no que diz espei o às eg as es abelecidas pelos
media
, um
en e á ios exemplos (Pea son, 2010) de uma en a i a de coop ação da c ia i idade dos
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
92
u ilização des a pla a o ma po mo imen os sociais exis en es pa a lá do YouTube e que o
ap o ei am como “uma o ma ba a a e simples de expandi os seus públicos” (Jenkins &
Ca pen ie , 2013, p. 275). Ou seja, es es mo imen os sociais êm consciência da ausência de
con olo sob e es e
si e
da Alphabe , mas econhecem ma gem de manob a nas
a o dances
do
si e
pa a in e i e pa icipa numa ci culação mais ampla de sen idos. Simbolizam, po an o:
− a ambiguidade do YouTube, que, apesa de a o ece os de en o es de p op iedades
in elec uais, é su icien emen e abe o pa a acolhe ou os in e enien es;
− a exis ência de p á icas (de pa icipação, nes e caso) exis en es a mon an e dos
media
e que se elacionam com es es, podendo expandi -se pelo ecu so a
pla a o mas como o YouTube;
− a não equi alência en e os p opósi os das emp esas de
media
e os dos públicos
que p oduzem ou con ac am com os di e en es con eúdos, que edunda no con li o
de in e esses associado à possí el coop ação pela publicação em espaços
eminen emen e come ciais (S ehling e al., 2018): um con li o que ele a a
desigualdade na dis ibuição de pode en e
media
e públicos, mas que não
co esponde à condução à passi idade dos segundos, que podem e consciência
dessas limi ações, mas ambém das possibilidades exis en es, o nando e iden es
di e en es ní eis de li e acia na elação com os
media
(Jenkins, 2014c; Jenkins e
al., 2013; Jenkins, I o, & boyd, 2016);
− a c escen e capacidade pa a in e i na ci culação de sen ido, pela c iação e pa ilha
de ídeos, mas ambém do pon o de is a da eceção, de ede ini igu a i amen e
os con eúdos “pela sua inse ção em con e sas em cu so e a a és e á ias
pla a o mas” (Jenkins e al., 2013, p. 27).
Es es aspe os ap esen am di e en es pon os de con ac o com os abalhos po ugueses
publicados no âmbi o do p oje o eu opeu
T ansmedia Li e acy
, ealizados nos mesmos con ex os
sociodemog á icos aba cados pelo abalho de campo associado a es a ese, e que incidi am
(di e a ou indi e amen e) sob e o YouTube e os seus públicos jo ens.
Do pon o de is a dos con eúdos, em Pe ei a, Mou a e Fillol (2018) cen ámo-nos nos
dois YouTube s mais popula es pa a uma amos a de 78 jo ens o iundos de B aga e
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
93
Mon aleg e, o po uguês Wuan e o sueco PewDiePie. Es es ap esen a am ca ac e ís icas
ma cadamen e con as an es com os mo imen os sociais mencionados po Jenkins (Jenkins &
Ca pen ie , 2013): os YouTube s são as “es elas c iadas no YouTube”, de aco do com Jean
Bu gess e Joshua G een (2009a, p. 100), e dadei as ma cas come ciais que a ingi am um
as o alcance na pla a o ma e o a dela, ambém em colabo ação com as es abelecidas
indús ias cul u ais. E am ambos jo ens a c ia ídeos com c escen e so is icação écnica,
mas com p eocupações es é icas que p ocu a am omen a a in o malidade e a au en icidade
(pela linguagem coloquial usada, pelo enquad amen o da g a ação ocado no
en e aine
a ala
di e amen e pa a a câma a, pelas emá icas em o no da
pop
cul u e online
, e c.).
Is o é, em linha com ou os abalhos sob e os YouTube s (Balleys e al., 2020; Bu gess
& G een, 2009a; Lange, 2014; Ma ôpo e al., 2020; Scola i & F a icelli, 2019), concluiu-se que
os seus con eúdos e am ma cados po uma ce a hib idez: se, po um lado, e ela am e iden es
ma cas de p o issionalização, que os a as a am das p oduções espon âneas ou acessí eis à
gene alidade dos u ilizado es e os ap oxima am dos demais p odu o es de con eúdos, po ou o
lado, ap esen a am o mas e emá icas con as an es com o que se ia expec á el nos
legacy
media
, he dei as de uma manei a in o mal de c ia (dos ídeos casei os às comunicações po
webcam
) e indiciado as de uma c escen e capacidade de aze com que di e en es o mas de
exp essão cheguem a públicos mais as os. Quando ques ionados sob e as azões po de ás
das suas p e e ências, os jo ens que nos inham le ado à análise dos YouTube s indica am dois
g andes mo i os amplamen e associados à hib idez de que demos con a: a capacidade que os
YouTube s êm pa a di e i enquan o são pe cecionados como
en e aine s
na u ais, jo ens a
mos a em quem são enquan o c iam con eúdos decla adamen e pensados pa a ou os jo ens
(Pe ei a & Mou a, 2022).
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
94
O abalho quali a i o com es es públicos em o no dos YouTube s e idenciou ou os
aspe os ele an es no âmbi o da cul u a de con e gência em pla a o mas com a ambiguidade do
YouTube. Desde logo, o ac o de a maio popula idade dos YouTube s acima ci ada se
enquad ada po uma conside á el dispe são de gos os, al como se cons a ou em Pe ei a e
Mou a (2022). Ou seja, apesa de o YouTube unciona como “um e eno cul u al comum, que
pode en ol e os jo ens em discussões cole i as” como as que acon ece am nos qua o g upos
de oco ealizados (Pe ei a & Mou a, 2022, p. 133), as p e e ências da amos a em ques ão (n =
36) mos a am se bas an e di e si icadas e, sob e udo, mo i adas po iden i icações
pa associais dis in as e p á icas ela i amen e indi idualizadas de isionamen o. Po an o, se, po
um lado, o YouTube não e a um pon o eco en e en e a sociabilidade
online
exis en e, nem
seque um pa icula ins igado de p á icas de pa icipação explíci a (mais ídeos) ou implíci a
(comen á ios, pa ilhas, e c.), po ou o lado, e a um cla o elemen o de socialização pa a a
amos a, “ on es ele an es pa a o desen ol imen o dos imaginá ios cí icos des es jo ens,
o necendo ecu sos simbólicos pa a a lei u a do mundo (nomeadamen e o media izado) que
lhes in e essa” (Pe ei a & Mou a, 2022, p. 132).
Assim, po de ás des as p á icas apa en emen e indi idualizadas ínhamos (Pe ei a &
Mou a, 2022) a consumação de um dos elemen os cen ais das comunidades de conhecimen o
associadas à cul u a de con e gência (Jenkins, 2008): as c escen es hipó eses de p ocu a e
seleciona ou as ozes e on es de iden i icação pa a lá dos mais imedia os agen es sociais,
incluindo os
media
adicionais. Tínhamos (Pe ei a & Mou a, 2022), igualmen e, e idências da
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
95
capacidade em aplica esses imaginá ios em discussões ela i as aos p óp ios
media
, às
possibilidades e cons angimen os exis en es: di e en es ní eis de li e acia mediá ica ize am-se
sen i nos g upos de oco, com uma das sessões a e ela jo ens pa icula men e conscien es
sob e o uncionamen o e inanciamen o dos canais e sob e as
a o dances
do p óp io YouTube
(iden i icando e deba endo p á icas de
clickbai
e a sua elação com as o mas de mone iza
con eúdos numa pla a o ma
online
, po exemplo).
3.5. SÍNTESE
A p opósi o da cul u a pa icipa i a, Sa a Pe ei a (2021) essal a “a impo ância de desen ol e
um modelo mais ma izado pa a comp eende a complexidade social e cul u al da ação p odu i a
e pa icipa i a dos u ilizado es, nes e caso das c ianças e dos jo ens, nos e a a és dos
media
”
(p. 24). A discussão em o no da cul u a de con e gência nes e capí ulo p ocu ou con ibui pa a
isso mesmo, ap esen ando, discu indo e a ualizando os deba es em o no de um concei o que
baliza a o ma como olhamos pa a os públicos e a sua cul u a pa icipa i a: em necessá ia
elação com as indús ias cul u ais e os seus con eúdos, mas sem deixa de a en a nas suas
ozes e pa icula idades.
Um dos aspe os que es e e em maio des aque nes e capí ulo é a ambiguidade
subjacen e às p opos as do p incipal p oponen e da cul u a de con e gência, Hen y Jenkins.
Com o li o
Con e gence Cul u e
à cabeça, o au o (Jenkins, 2008) p ocu ou aça um cená io
amplo com base em es udos de caso. Is o é, pa indo da a ipicidade dos ãs, Jenkins (2008)
delineou uma endência ge al a o ma -se na elação en e os
media
e os seus públicos: es es
úl imos, com o auxílio da p oli e ação das ecnologias digi ais e po o ça da ine en e a i idade
dos públicos c escen emen e eunidos em comunidades
online
, es a iam em condições de lu a
pela ede inição do seu peso ela i o nas elações que es abelecem com os
media
. As di e en es
c í icas ei as a es a p incípio podem se sin e izadas em dois aspe os complemen a es: a
sob e alo ização de casos pa icula es e a consequen e sub alo ização do peso da desigualdade
ge al da dis ibuição de pode na elação
media
/públicos a a o dos p imei os. T abalhos mais
3. O CONCEITO DE CULTURA DE CONVERGÊNCIA
96
ecen es do au o (e.g. Jenkins, 2014c; Jenkins & Ca pen ie , 2013; Jenkins e al., 2013,
2016a) p ocu a am esponde a algumas des as c í icas, nomeadamen e pelo econhecimen o
da necessidade de se a en a nas mui as onalidades que podem sus en a o desen ol imen o
de uma cul u a mais pa icipa i a (em e mos ela i os). Es e ap imo amen o o na mais explíci a
a dimensão p ocedimen al de oda a cul u a de con e gência, a as ando-a de suges ões mais ou
menos linea es sob e o empode amen o dos públicos e ealçando dois lados de uma mesma
moeda: a elação
media
/públicos não es á o al e a almen e subo dinada aos in en os dos
p imei os e os públicos con inuam ( ela i a e di e samen e) a i os e capazes de ge a sen idos
di e gen es ace aos suge idos pelos
media
.
No p óximo capí ulo discu e-se uma das p incipais mani es ações da cul u a de
con e gência: as na a i as ansmediá icas, que e le em a na u eza esqui a do concei o que se
a ou a é aqui. Po um lado, são p odu o das indús ias cul u ais e balua es da explo ação cada
ez mais ex ensi a das suas p op iedades in elec uais. Po ou o lado, são uma espos a à
agmen ação dos públicos e p ocu am e le i e alo iza p á icas de nichos an es des alo izadas
num modelo o ien ado pa a a maximização de audiências. Pa a além dis o, os p óp ios públicos
podem se enquad ados como endo uma pala a a dize no seu desen ol imen o, como
e emos opo unidade de de alha em seguida.
97
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO
ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
Es e capí ulo cen a-se num dos mui os concei os que, a eboque das p omessas da
con e gência dos
media
, p ocu a am da con a das possibilidades de c iação de algo
ela i amen e no o, pelo ecu so combinado a á ios meios (Scola i, 2013b). As na a i as
ansmediá icas são, en ão, a ideia em causa, endo começado o seu pe cu so pela publicação
de um a igo de opinião de Hen y Jenkins (2003b) no magazine
Technology Re iew
. Apesa de
b e e e p elimina , esse ex o delineou os p imei os aços das p oposições que ainda hoje
es u u am o deba e sob e as na a i as ansmediá icas (Sánchez-Mesa e al., 2016; Scola i,
2019; Sousa e al., 2016). Em
T ansmedia s o y elling
(Jenkins, 2003b), que pode se enca ado
como um ma co inicial pa a as indou as en a i as de ci cunsc ição, po a iados au o es, de
“um concei o au ónomo e de um campo de pesquisa independen e” (Sousa e al., 2016, p.
117), da a-se con a de um enómeno simul aneamen e p é io e com no as ma izes , bem
como em anco desen ol imen o. Em aços ge ais, aí (Jenkins, 2003b) es a am já p esen es
alguns dos elemen os basila es que i iam a es u u a boa pa e das discussões em edo
daquilo que é especí ico às na a i as ansmediá icas. Na u almen e, essas discussões
epe cu em-se na es u u a des e capí ulo.
Assim, nesse esboço inicial, as na a i as ansmediá icas o am imedia amen e
ap esen adas como uma consequência da mais ampla con e gência dos
media
. A p opósi o da
“quase ine i abilidade” (Jenkins, 2003b, pa a. 3) do mo imen o de con eúdos en e pla a o mas,
Jenkins (2003b) des aca a a p eponde ância das expec a i as das indús ias cul u ais em
elação aos desen ol imen os écnicos. Es es o am abo dados não pelas dimensões
eminen emen e ecnológicas, mas pelo p isma de “ o na em mui o mais ealis a a edução de
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
98
cus os pela pa ilha de a i os en e meios” (Jenkins, 2003b, pa a. 3) – logo, em consonância
com os p incípios da cul u a de con e gência (Jenkins, 2008), al como ap esen ada nas páginas
p eceden es. O au o (Jenkins, 2003b) ac escen ou ainda que “ udo na es u u a da indús ia de
en e enimen o mode na oi concebido com es a única ideia em men e – a cons ução e
alo ização de
anchises
de en e enimen o” (pa a. 3). Em
Con e gence Cul u e
, Jenkins
(2008) desen ol eu es e p incípio, alinhando com o que ambém e e imos no e cei o capí ulo
sob e as especi icidades das indús ias cul u ais, bem como as es a égias comummen e
ado adas pa a lida com esses aços dis in i os (Hesmondhalgh, 2007; Vaughan, 2011):
Os p o issionais da indús ia u ilizam o e mo "ex ensão" pa a se e e i em aos seus es o ços
pa a expandi os me cados po enciais, mo endo con eúdos a a és de di e en es sis emas de
en ega, "sine gia" pa a se e e i em às opo unidades económicas ep esen adas pela sua
capacidade de de e e con ola odas essas mani es ações, e "
anchise
" pa a se e e i em aos
seus es o ços coo denados pa a o na em numa ma ca e come cializa em con eúdos iccionais
nes as no as condições. A ex ensão, a sine gia e o
anchising
es ão a p essiona as indús ias
dos
media
a ab aça a con e gência. (Jenkins, 2008, p. 19)
Não obs an e, o legado da o ganização das emp esas (só ago a) con e gen es do se o ,
com compe ições in e nas e hie a quias en e meios, di icul a a a ele ação dos a ibu os
po encialmen e con e idos pelo adje i o
ansmedia
(Jenkins, 2007, 2017c; Long, 2007) pa a lá
da me a (e já amplamen e es abelecida) “adap ação de con eúdos que c uzam os
media
”
(Jenkins, 2003b, pa a. 5) e em di eção a um “no o modelo pa a a coc iação” (Jenkins, 2003b,
pa a. 5). Nes e no o modelo, de onde eme ge o concei o de na a i as ansmediá icas, cada
meio, em coo denação com os demais, a ia um con ibu o especí ico pa a o
desen ol imen o e a expansão de his ó ias e, sob e udo, de mundos iccionais mais amplos. “De
aco do com a adição de Hollywood um bom
pi ch
começa com um pe sonagem ca i an e e um
mundo in e essan e”, e e iu Jenkins (2003b, pa a. 13), ac escen ando:
Pode íamos, a pa i daí ap esen a o seguin e a gumen o: uma boa pe sonagem pode sus en a
múl iplas na a i as e assim le a a um
anchise
cinema og á ico de sucesso. Um bom
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
99
“mundo” pode sus en a múl iplas pe sonagens (e as suas his ó ias) e assim lança com
sucesso um
anchise
ansmediá ico. (Jenkins, 2003b, pa a. 13)
Aos públicos – com os ãs, sob e udo os mais jo ens, em des aque – oi ese ado um
luga mui o especí ico nes e p imei o esboço das na a i as ansmediá icas. Des a manei a, as
na a i as ansmediá icas o am igualmen e ap esen adas como uma necessidade ace às
expec a i as e às p á icas dos jo ens que “c esce am a consumi a ap ecia Pokémon en e
meios” (Jenkins, 2003b, pa a. 4) e que espe a am con inua a usu ui des a o ma de
s o y elling
onde êm de assumi o papel pa icula men e p oa i o de “caçado es e ecolec o es
de in o mação” (Jenkins, 2003b, pa a. 4), em comunidades de conhecimen o.
Tendo em con a es a b e íssima ap esen ação, icam desde já e iden es algumas das
di e en es p oblemá icas que impo a desen ol e a pa i daqui. Nes e capí ulo cen amo-nos,
em p imei o luga , no pe cu so de
ansmedia
, discu indo a sua e olução de não mais do que
uma manei a de enal ece o uso de á ios meios a é se con e e num elemen o hipo e icamen e
dis in i o de uma no a o ma de c ia na e pa a a cul u a de con e gência. Es e obje i o em no
seu e e so a discussão de ou as e minologias e p á icas (p edecesso as ou coinciden es) que
ambém apon a am pa a a exis ência de con eúdos capazes de es a p esen es em di e en es
pla a o mas e que nos mos am as al e na i as exis en es num pe cu so que edundou na ampla
popula idade – na indús ia, mas ambém na academia – da nomencla u a “na a i as
ansmediá icas”.
Após es e p imei o mapeamen o, segue-se o deba e sob e as po encialidades, mas
ambém sob e as insu iciências das mais popula es p opos as de Jenkins (2003b, 2007, 2008)
em o no das na a i as ansmediá icas, à luz do p óp io concei o de cul u a de con e gência.
Is o é, e emos opo unidade de de alha o en endimen o inicial do au o (Jenkins, 2003b, 2007,
2008) sob e as na a i as ansmediá icas, con as ando-o depois com um conjun o de c í icas
que, a pa i do desen ol imen o conc e o de con eúdos
ansmedia
pelas indús ias cul u ais,
no am um ce o u opismo nesses p imei os abalhos de Jenkins. Po im, da emos con a de que
as insu iciências elencadas o am, en e an o, econhecidas po Jenkins e ou os au o es, que
nas suas con inuadas en a i as de ci cunsc e e em o concei o de na a i as ansmediá icas
anco a am os seus abalhos mais ecen es num modelo que designam de na e-mãe. E é
p ecisamen e a e olução pa a es e modelo que nos le a ambém a inclui nes e capí ulo a
discussão sob e o luga ese ado aos públicos nas na a i as ansmediá icas: es es podem se
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
100
enca ados enquan o des ina á ios e ap eciado es po excelência (Jenkins, 2003b), mas ambém
como e en uais in e enien es na expansão dos mundos iccionais que dão o ma à
mani es ação es é ica da cul u a de con e gência.
4.1. DO ADJETIVO
TRANSMEDIA
ATÉ ÀS NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS
Ca los Albe o Scola i (2019) iden i icou ês ma cos de c escen e ele ância pa a a a i mação e
popula ização do e mo
ansmedia
, cujo en endimen o mais elemen a , is o é, quando “u ilizado
po si só, signi ica simplesmen e «a a és de á ios meios»” (Jenkins, 2011, pa a. 8).
Começamos po an ecipa uma conclusão expec á el: o de adei o desses momen os
co espondeu à al u a em que o econhecimen o do ocábulo “explodiu” (Scola i, 2019, p. 85).
Esse pe íodo começou em 2003, com a publicação do p imei o ex o de Jenkins (2003b), endo-
se acen uado em 2006, com o lançamen o da p imei a edição de
Con e gence Cul u e
(Jenkins,
2008). Po an o, es es são ainda hoje econhecidos como dois dos p incipais abalhos que
desen ol em a ideia de
ansmedia
, associando-a ao
s o y elling
(Scola i, 2019) – uma
conjugação popula , endo-se con e ido na “mais econhecida componen e” dos á ios usos a
que se p es a
ansmedia
e que, pa a e oma um me á o a e ocada an e io men e, se o nou
numa “moeda académica signi ica i a” (E ans, 2011, p. 19) a pa i dos p imei os anos do
século XXI.
Já o p imei o pe íodo de u ilização do e mo mencionado po Scola i (2019) emon a às
décadas de 60 e 70 do século XX, al u a em que é possí el a e i usos ma cadamen e simples,
p óximos da conceção mais elemen a acima ci ada, da pala a. Apesa de i em pouco além do
alo nominal de
ansmedia
, essas u ilizações des aca am-se po já oco e em que do lado das
indús ias cul u ais, “no ci cui o p o issional e a ís ico” (Scola i, 2019, p. 71), que , igualmen e,
em publicações de pendo académico. Assim, segundo o au o (Scola i, 2019), é possí el
iden i ica , já nos anos 1960, “algumas emp esas de p odução ele isi a a usa o concei o, de
que são exemplo a T ansmedia P oduc ions, a T ansmedia Educa ional Se ices e a
T ansmendia In e na ional Co p., odas de No a Io que” (p. 73). No en an o, Scola i (2019) não
escla ece em que sen ido apon a a a pala a
ansmedia
nessas emp esas iliadas num meio
especí ico, como é o caso da ele isão. O mesmo já não acon ece a p opósi o da discussão do
li o
The Celluloid Cu iculum: How o Use Mo ies in he Class oom
, de Richa d A. Mayna d,
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
101
publicado em 1971. Es e cons i ui-se como “uma das p imei as p esenças con i madas”
(Scola i, 2019, p. 72) do ocábulo em abalhos o iundos da academia.
De aco do com a súmula ap esen ada po Scola i (2019), o abalho em causa dá con a
das po encialidades do “es udo
ansmedia
” (Mayna d, 1971, ci ado em Scola i, 2019, p. 72)
pa a a discussão li e á ia. Is o é, o li o de Mayna d “ap esen a uma sé ie de es a égias pa a a
explo ação de ilmes”, po elação com os li os que adap assem, “em ambien es educacionais”
(Scola i, 2019, p. 72). Des a manei a, o “es udo
ansmedia
” e e ido em
The Celluloid
Cu iculum
eme ia, no essencial, pa a “a análise de « aduções in e -semió icas» ou
« ansmu ações», al como de inidas po Jakobson” (Scola i, 2019, p. 72). O a, as
conside ações de Roman Jakobson (1959) apon a am pa a um sen ido que eio a se
in e p e ado como es ando p óximo ao das adap ações (Dusi, 2015; Scola i, 2013b):
econhecendo a in luência da semiose ilimi ada de Cha les Sande s Pei ce, pelo ac o de “o
sen ido de um qualque signo linguís ico se a sua adução num ou o signo al e na i o"
(Jakobson, 1959, p. 232), o au o en endia a adução in e -semió ica como “a in e p e ação de
signos e bais a a és de signos de sis emas não e bais” (Jakobson, 1959, p. 233). Em
esumo, es e en endimen o a as a a ansmu ação (e, consequen emen e, o sen ido dos
p imei os usos de
ansmedia
) da na a i a necessa iamen e
expandida
com ecu so a á ios
meios, que da iam con ibu os dis in os, mas coo denados, pa a a c iação de sen ido, suge ida
po um ce o concei o inicial de
ansmedia s o y elling
(Lemke, 2009; Ma ins, 2012; Scola i,
2012b), nomeadamen e aquele que é eiculado pelos p imei os abalhos de Jenkins (2003b,
2007, 2008).
Ainda que econhecendo a exis ência des es p imei os passos em o no de
ansmedia
,
se á, con udo, impo an e no a que, de aco do com Scola i (2019), oi na década de 1990 que
“a sua popula ização começou” (p. 85) e dadei amen e. A publicação do li o
Playing wi h
Powe in Mo ies, Tele ision and Video Games: F om Muppe Babies o Teenage Mu an Ninja
Tu les
, po Ma sha Kinde (1991), cons i uiu o segundo momen o iden i icado pelo in es igado
(Scola i, 2019) pa a a a i mação do e mo
ansmedia
.
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
108
his ó ia consis en e, mas equen emen e o nece pouco mais do que o con ac o p olongado com
uma ma ca. A p óxima ase de con e gência digi al a á disposi i os mais in eg ados e
in e a i idade mais pode osa aos ec ãs domés icos de en e enimen o, queb ando o isolamen o
da ele isão ace a ou as o mas de en e enimen o e in o mação digi al, como jogos e
websi es
.
(Mu ay, 2012, p. 5)
Con inuando a explo ação de concei os a ins às na a i as ansmediá icas, impo a
ol a a enções pa a dois ou os exemplos, sendo es es pa icula men e in e essan es pela
simili ude mo ológica: alamos das p oposições em edo dos e mos
c oss-media
e
ansmedial
. O p imei o é, a é, e e ido espo adicamen e po Jenkins (2008): enquan o sinónimo
pa a a con e gência económica e de me cado, i.e., os “no os pad ões de p op iedade
c oss-
media
” (p. 11), e ela i amen e ao uso coo denado de á ios meios nas na a i as
ansmediá icas, ou seja, as “colabo ações
c oss-media
” (p. 128). Assim, à imagem de
ansmedia
enquan o adje i o isolado, es es dois b e es exemplos de
c oss-media
eme em, em
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008), simplesmen e pa a o uso de á ios meios. Ou os
au o es (Aa se h, 2006; Ib us & Scola i, 2012; Scola i, 2013a, 2013b; Villa-Mon oya & Mon oya-
Be múdez, 2020) desen ol e am com maio de alhe um pe cu so pa a o ocábulo em causa.
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
109
De aco do com Scola i (2013b), a pala a
c oss-media
é “uma das mais popula es
den o das comunidades académica e p o issional (p. 25), ainda que com maio ascenden e
nes a úl ima (Scola i, 2013a). Ma ía Isabel Villa-Mon oya e Diego Mon oya-Be múdez (2020)
quali icam es a conclusão, no que diz espei o à comunidade académica, pela análise
bibliomé ica de 895 a igos indexados na Web o Science e pelo SciELO Ci a ion Index e que
mencionassem o a
ansmedia
o a
c oss-media
. Segundo os au o es (Villa-Mon oya & Mon oya-
Be múdez, 2020), ambas são usadas equen emen e de modo indisc iminado, ainda que seja
possí el encon a di e enças associadas à p o eniência geog á ica dos in es igado es (EUA e
Espanha des acam-se no uso de
ansmedia
, po exemplo) e, sob e udo, às á eas cien í icas de
a uação. Is o é,
ansmedia
é pa icula men e usado nas Ciências Sociais e Humanas, com as
da Comunicação à cabeça e po associação às na a i as, ao passo que “cinco das dez á eas
mais des acadas que usam o e mo
c oss-media
ap esen am um in e esse comum pelos
aspe os écnicos” (Villa-Mon oya & Mon oya-Be múdez, 2020, p. 260), pela p emissa elemen a
de uso de á ios meios. Es e elemen o não es azia a p esença de
c oss-media
nas Ciências da
Comunicação, consubs anciando-se, an es, numa u ilização gené ica que é depois ma izada
pela associação a ou os enómenos (Villa-Mon oya & Mon oya-Be múdez, 2020).
A í ulo de exemplo, Espen Aa se h (2006) soco e-se de
c oss-media
pa a discu i as
es a égias de edução de isco das indús ias cul u ais, que i emos opo unidade de abo da no
segunda capí ulo: “o isco em de se epa ido pelos
media
, e não só, pa a ga an i o esul ado
inal”, sublinha o au o (Aa se h, 2006, p. 203). Nes e sen ido, Aa se h (2006) dis ingue dois
ipos de p odução
c oss-media
: uma sínc ona, em que e sões de um mesmo con eúdo são
p oduzidas em pa alelo, e ou a assínc ona, onde se e i ica uma mig ação en e meios,
edundando equen emen e em adap ações com o obje i o de capi aliza o econhecimen o já
exis en e. Aa se h no a, en ão, que os con eúdos em causa são, sob e udo, as p op iedades
in elec uais que ansi am en e meios:
As p oduções
c oss-media
podem assumi mui as o mas e dependem de um núme o as o de
á eas:
s o y elling
,
design
de jogos, desen ol imen o de concei o, en e ou as. Mas um bom
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
110
sen ido de negócio pode se o mais impo an e. Pa a pe cebe es a lógica guiada pelo
me cado, a es a égia de in es igação pa ece su icien emen e simples: segui o dinhei o!
(Aa se h, 2006, p. 211)
A dis inção que Ind ek Ib us e Scola i (2012) azem en e
c oss-media
e na a i as
ansmediá icas exempli ica o que es á aqui em causa: o p imei o concei o é equen emen e
ido como “uma p op iedade in elec ual, um se iço, uma his ó ia ou expe iência que é
dis ibuída a a és de múl iplas pla a o mas de
media
pelo uso de uma a iedade de o mas
mediá icas” (p. 7). Enquan o as na a i as ansmediá icas êm uma componen e cen ada na
na ação e ou a que a en a na ques ão dos públicos ace às indús ias cul u ais (e ice- e sa), o
concei o de
c oss-media
aba ca, sob e udo, as es a égias de di e si icação do lado dos
p odu o es de con eúdos e de en o es de di ei os de p op iedade in elec ual (Ib us & Scola i,
2012).
Em sen ido con á io, o e mo
ansmedial
es á incadamen e iliado nas ques ões
na a i as (Newman & Simons, 2011; Page & Thomas, 2011; Rosendo Sánchez, 2016),
eme endo pa a segundo plano aquelas susci adas pela p odução e eceção. Ma ie-Lau e Ryan
(2005) e Lisbe h Klas up e Susana Tosca (2004) ep esen am dois exemplos conc e os, ocados
na na a ologia e na mais especí ica cons ução de mundos – um aspe o, aliás, cuja cen alidade
é pa ilhada com as na a i as ansmediá icas, independen emen e da ampli ude das di e en es
abo dagens ado adas.
A p imei a au o a (Ryan, 2005) p ocu a discu i a possibilidade de concep ualiza as
na a i as a a és de á ios
media
, libe ando-as da cen alidade habi ualmen e a ibuída à
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
111
linguagem e bal na ep esen ação/ap esen ação de uma his ó ia com e en os, empo e
espaço – o con a e o mos a a a és de um mo imen o com um pon o de pa ida e ou o de
chegada (Cobley, 2001). Po an o, a na a ologia
ansmedial
suge ida po Ryan (2005) assen a
num p edomínio dos signi icados ace aos meios emp eendidos na na ação, esul ando num
en endimen o de na a i a que p i ilegia “um ce o ipo de imagem men al ou modelo cogni i o
que pode se isolado do es ímulo que desencadeou a sua cons ução” (p. 4) e que pe passa
mais acilmen e en e meios. Na cons ução dessa imagem men al es ão en ol idos di e en es
elemen os que es abelecem en e si elações de p ecedência e que azem do concei o de
na a i a algo mais do que o “a o de ala de con a uma his ó ia po um agen e chamado
na ado ” (Ryan, 2005, p. 2):
− p imei o, uma na a i a implica “a cons ução da imagem men al de um mundo”
habi ado po agen es e obje os (Ryan, 2005, p. 4);
− es e mundo em, depois, de e olui , de se modi icado po acon ecimen os ou ações
não o almen e p e isí eis;
− po im, es es acon ecimen os e ações êm de e , pa a além de um es ado ísico
(mesmo se den o de um mundo iccional), es ados men ais: “es a ede de elações
dá aos e en os coe ência, mo i ação, clausu a e in eligibilidade, e ans o ma-as
num en edo” (Ryan, 2005, p. 4).
A consumação des es elemen os p e ê ações necessa iamen e complemen a es do lado
dos emisso es e dos ece o es, nos e mos u ilizados po Ryan (2005), eminiscen es dos
p imei os modelos de comunicação (McQuail & Windahl, 2003): po um lado, uma na a i a é
“um a o ex ual de ep esen ação (ou ap esen ação) – um ex o [em sen ido la o] que codi ica
um ipo pa icula de signi icado” (Ryan, 2005, p. 6); po ou o lado, a na a i a “é uma imagem
men al cons uída pelo in é p e e como espos a ao ex o” (Ryan, 2005, p. 6), sendo es a uma
ação de a ualização indispensá el pa a a conc e ização da na a i a. Di o de ou o modo, “é o
econhecimen o pelo ece o des a in enção [do emisso ] que le a ao julgamen o: es e ex o é
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
112
uma na a i a, ainda que nunca se possa e a ce eza de que emisso e ece o enham a
mesma his ó ia em men e” (Ryan, 2005, pp. 6–7).
Po sua ez, os
ansmedial wo lds
de Klas up e Tosca (2004) es ão ambém
sus en ados numa “
imagem men al da «mundialidade
»
(um núme o de ca ac e ís icas dis in i as
do seu uni e so)
” (p. 1). No mesmo sen ido do p econizado pela na a ologia
ansmedial
, essa
imagem men al em de se econhecida e pa ilhada não só pelos p oponen es dessas
ca ac e ís icas como ambém pelos seus públicos, a uando sob e udo ao ní el do
conhecimen o enciclopédico de ambos e que baliza á necessa iamen e as p opos as, mas
ambém as in e p e ações dos mundos possí eis a desen ol e pelos ex os (Eco, 1993; Ryan,
2014). Po an o, um mundo
ansmedial
ai além de “uma his ó ia especí ica”, podendo se
econhecido “pelas suas p op iedades abs a as” (Klas up & Tosca, 2004, p. 1). Es as
p op iedades são es abelecidas pelo
my hos
, o
opos
e o
e hos
o iundos equen emen e
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
113
de um ex o o iginal e que se p olongam nou os con eúdos e, cla o, meios. As au o as
(Klas up & Tosca, 2004) dis inguem as suas conceções ace às de Ryan (2005) da seguin e
manei a: es a úl ima “ ala da «na a i idade» como o elemen o-cha e no mundo abs a o e
men al. Pa a nós, mesmo que um mundo
ansmedial
possa e na a i a, ela não é a única
ca ac e ís ica de inido a ou nem semp e es a á p esen e de uma o ma econhecí el” (Klas up
& Tosca, 2004, p. 2). Em suma, al como os géne os, os mundos
ansmedial
assen am em
emas, aos quais se adiciona “uma his ó ia con ex ual comum” (Klas up & Tosca, 2004, p. 2),
que se á desen ol ida po con eúdos conc e os indou os.
Ainda sob e os mundos
ansmedial
, impo a sublinha que es es o am
concep ualizados po Klas up e Tosca (2004) a p opósi o dos desa ios susci ados pelo
desen ol imen o de cibe mundos, que e iam, po um lado, de e e i -se ao
my hos
,
opos
e
e hos
de um ex o an e io , e, po ou o lado, pe mi i o uso e a ecombinação dos elemen os
abs a os cons i uin es pa a lá da es u u a de uma na a i a. Podem, des e modo, se
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
114
enca ados como exempli ica i os de um aspe o iden i icado po Le Mano ich (2001): o luga
p i ilegiado da in o mação
pe se
na con empo aneidade, nomeadamen e enquan o o ma de
exp essão cul u al nos
media
digi ais. “A na a ologia, o amo da eo ia li e á ia mode na
dedicada à eo ia da na a i a, dis ingue en e na ação e desc ição”, a o ecendo
adicionalmen e aquela – “as pa es da na a i a que azem a ança o en edo” – em elação à
ap esen ação de in o mação, esume o au o (Mano ich, 2001, p. 216). Con udo, se á uma
endência em p ocesso de in e são, impondo-se o desen ol imen o de uma in o-es é ica: “
uma
análise eó ica da es é ica do acesso à in o mação, bem como da c iação de obje os mediá icos
que «es e icizam» o p ocessamen o de in o mação
” (Mano ich, 2001, p. 217). Esses obje os
endem a assemelha -se a bases de dados, enquan o “coleção es u u ada” de in o mação
(Mano ich, 2001, p. 218), que ap esen am um modelo de “como é um mundo. É nes e sen ido
que a base de dados é uma o ma cul u al p óp ia”, e e e Mano ich (2001, p. 219).
Como imos a é aqui, os demais plane as da galáxia semân ica (Scola i, 2013b) de
ansmedia
que iden i icamos con êm aspe os inega elmen e elacionados com as na a i as
ansmediá icas. Aba cam, mui o suma iamen e, o a as po encialidades mais ou menos
abs a as que a o ecem (e enal ecem) a dispe são das na a i as e a o mação dos seus
mundos, o a os usos e e i os e p opósi os do lado (sob e udo) das indús ias cul u ais. Têm,
po an o, ocos mui o especí icos (a na a i a libe ada dos meios, o uso
pe se
de á ios
media
,
o acional das es a égias
c oss-media
das indús ias cul u ais, e c.). Em sen ido con á io, o
p imei o ex o de Jenkins (2003b) sob e as na a i as ansmediá icas é classi icado po Klas up
e Tosca (2004) como “in e essan e po que equilib a an o as pe spe i as das emp esas como do
consumo” (p. 2), sem negligencia um olha especí ico sob e as ques ões na a i as. Es e é
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
115
um aspe o com o qual conco damos (em pa e, como e emos opo unidade de desen ol e ),
a gumen ando desde já que a lei u a de Klas up e Tosca (2004) ganha especial ele ância
quando olhamos pa a en endimen os de na a i as ansmediá icas pós-
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008), mais consis en es com uma ideia de cul u a de con e gência em linha com a
desen ol ida no capí ulo an e io . É, aliás, es a a azão que jus i ica a p e e ência pelo concei o
de na a i as ansmediá icas nes a ese.
Ou seja, apesa dos á ios pon os de con ac o com as e minologias que elencamos, o
concei o de na a i as ansmediá icas des aca-se po dois aspe os: po um lado, al como
sus en a Aa on Delwiche (2017), oi capaz de “cap u a o in e esse e en usiasmo de pessoas a
abalha ” (p. 34) an o nas indús ias cul u ais, como na academia, assumindo-se como
e e encial no diálogo (com con e gências e di e gências) en e es as es e as; po ou o lado, as
na a i as ansmediá icas es ão necessa iamen e enquad adas na mais ampla cul u a de
con e gência, a é po se em a sua mani es ação es é ica (Rosendo Sánchez, 2016). Is o signi ica
que, pa a além de da em nome a um concei o capaz de aba ca p eocupações na a i as, es as
são inse idas numa abo dagem mais de alhada às lógicas de uncionamen o das indús ias
cul u ais, mas ambém às p á icas do lado dos públicos (Gue e o-Pico & Scola i, 2016; Scola i,
2013a), quando compa ada com os e mos que acabamos de ap esen a sucin amen e. Em
sín ese, como no am Ib us e Scola i (2012), as na a i as ansmediá icas não podem se
concebidas como “ enómenos apenas ex uais, mas exis indo igualmen e como enómenos
económicos e sociais” (p. 10).
Há, no en an o, um ou o concei o elacionado que an o c uza campos de a uação
como se ap oxima des a íade (na a i as-indús ias-públicos) susci ada pelas na a i as
ansmediá icas undadas na cul u a de con e gência: o
media mix
, que é abalhado sob e udo
a pa i do Japão (S einbe g, 2012) e que oi inclusi amen e ci ado po Jenkins (2008).
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
116
4.1.3. O caso do
media mix
japonês
Ma c S einbe g (2012) e Pa ick W. Galb ai h e Jason G. Ka lin (2016) es ão de aco do:
a ideia de um
media mix
emon a ao “discu so do
ma ke ing
” (S einbe g, 2012, p. 72), endo
eme gido em plena década de 1960, no Japão. Ainda assim, a sua popula idade alas ou-se
sob e udo a pa i dos anos 80 do mesmo século (Galb ai h & Ka lin, 2016; S einbe g, 2012).
Desde en ão, o
media mix
passou a se amplamen e econhecido como “um sis ema de
media
e
bens em elação” (Galb ai h & Ka lin, 2016, p. 15), nomeadamen e quando em causa es a am
os conside á eis in es imen os dos
anchises
de ilmes e desenhos animados nipónicos, que se
ami ica am nou os supo es (S einbe g, 2012). Os mesmos au o es (Galb ai h & Ka lin,
2016; S einbe g, 2012) conco dam, uma ez mais, na a aliação da exis ência de uma elação
es ei a en e o
media mix
e os concei os de con e gência mediá ica, cul u a de con e gência e
na a i as ansmediá icas, al como abalhados po Jenkins (2008). De aco do com o sumá io
ap esen ado po Galb ai h e Ka lin:
A con e gência mediá ica e o
media mix
não são dois enómenos di e en es, an es ên ases
analí icas dis in as. Se a con e gência apon a pa a a ap oximação de duas ou mais coisas, o
media mix
assinala um sis ema de
media
e bens em elação uns com os ou os. (Galb ai h &
Ka lin, 2016, p. 22)
Assim, no concei o de
media mix
há ambém no os e elhos
media
a colidi em e a
colabo a em. Pa a além dis o, aí encon amos igualmen e públicos cada ez mais capaci ados
pa a in e i ace aos seus con eúdos p edile os, cujo desen ol imen o ansmediá ico le an a
ques ões eminen emen e na a i as (mesmo quando se soco em de elemen os não
in insecamen e na a i os, como é o caso do
me chandising
). Aliás, é o enquad amen o dado
que às p á icas dos públicos, que ao ipo de desen ol imen o ansmediá ico dos con eúdos
que ap esen a nuances su icien emen e dis in i as pa a não ha e uma equi alência en e es e
concei o e as na a i as ansmediá icas na cul u a de con e gência (Galb ai h & Ka lin, 2016;
S einbe g, 2012), al como ap esen adas em
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008).
Ō
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
117
De aco do com S einbe g (2012), a “sine gia, ou o p incípio de que o odo é maio do
que a soma das pa es, es á no cen o do modelo de na a i as ansmediá icas elabo ado po
Jenkins” (p. 74). Is o é, o au o (S einbe g, 2012) sublinha a p eponde ância da con e gência
das di e en es ex ensões das na a i as, usadas pa a a cons ução de um mundo de his ó ias
coo denadas (e não apenas jus apos as), como um elemen o dis in i o das na a i as
ansmediá icas. Em sen ido con á io, o
media mix
é ca ac e izado po um ce o modelo de
di e gência, já que no seu cen o não es á a consumação de
uma
his ó ia ansmediá ica e
consis en e (S einbe g, 2012). “Mais do que pa a o mas eme gen es de na ação, a discussão
do
media mix
chama a a enção pa a a dis ibuição de pe sonagens e pa a a economia de
a eição que exis e em o no des as”, esumem Galb ai h e Ka lin (2016, p. 17), e le indo as
o igens do e mo do lado do
ma ke ing
. Is o é, o desen ol imen o do
media mix
edundou no
enal ecimen o de uma lógica de base de dados (Mano ich, 2001), de uma p esença pa alela de
á ias e sões de uma pe sonagem ou mundo, unidos po um nome (ou somen e alguns
a ibu os mais ou menos gené icos), e não po uma na a i a (enquan o his ó ia com p incípio,
meio e im, mesmo se ansmediá ica) mais ampla e uma p o eniência bem de inida (Azuma,
2012).
No en an o, al como dão con a Mizuko I o (2007) ou S einbe g (2012), é possí el
iden i ica aqui ques ões que ão além da come cialização de p op iedades in elec uais e que
podem se enquad adas po e mos a ins às p eocupações na a i as. Ou seja, “os
media mixes
es ão cada ez mais desenhados pa a sus en a e e ências in e ex uais ao longo de á ias
enca nações mediá icas” (I o, 2007, p. 94), sendo es e um elemen o econhecido e espe ado
que do lado da c iação de con eúdos, que do pon o de is a da eceção (S einbe g, 2012). Em
causa es á, consequen emen e, a cons ução de mundos pa alelos, mas com uma iliação
pa ilhada, bem como a de inição de quem se espe a pode con ibui pa a o su gimen o das
á ias mani es ações desses mundos. A es e p opósi o, S einbe g (2012) des aca a con inuada
ele ância das p oposições de Eiji Ō suka (Ō suka & S einbe g, 2010), au o com expe iência
do lado das indús ias cul u ais (enquan o esc i o de
manga
), mas ambém académica.
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
124
Como consequência, as na a i as ansmediá icas, al como êm indo a se discu idas
(Jenkins, 2003b, 2007, 2008), aspi am à consumação de um equilíb io econhecidamen e
di ícil. Po um lado, cada ex ensão assume-se como uma his ó ia, p essupondo-se, en ão, que
de e pe mi i o consumo ocasional e au ossu icien e, desligado da mac o-his ó ia. Po ou o lado,
cada ex ensão de e se igualmen e uma po a de en ada dis in a, pa a di e en es públicos, no
mundo iccional que es á a se cons uído pela acumulação de na a i as. À imagem do suge ido
pelas na a i as dis ibuídas (Walke , 2004) ou pela hipe se ialidade do digi al (Mu ay, 2003),
com as na a i as ansmediá icas “es amos a assis i ao apa ecimen o de no as es u u as de
his ó ias que c iam complexidade ao ala ga em o leque de possibilidades na a i as, em ez de
segui em um único caminho com p incípio, meio e im” (Jenkins, 2008, p. 121). É, aliás, den o
des a complexidade que se inse e a ecusa de um
u ex
, já que cada ex ensão con a pa a a
de inição da mac o-his ó ia em desen ol imen o. Es a opção es á ambém anco ada no desejo
de se chega aos públicos – nes e caso, aos da cul u a de con e gência: a c escen e ele ância
da cul u a pa icipa i a e das comunidades de conhecimen o jus i ica ia o desen ol imen o das
na a i as ansmediá icas com base no p incípio da comp eensão adi i a do elemen os no os
en e
media
. Como esumiu o in es igado (Jenkins, 2008), as na a i as ansmediá icas “são
en e enimen o pa a a e a da in eligência cole i a” (p. 97), is o que:
Pa a expe iencia o almen e cada mundo iccional, os consumido es de em assumi o papel de
caçado es e ecolec o es, pe seguindo pedaços de his ó ia en e meios, compa ando no as en e
si a a és de g upos de discussão
online
e colabo ando pa a ga an i que odos os que in es em
empo e es o ço acaba ão com uma expe iência de en e enimen o mais ica. (Jenkins, 2008, p.
21)
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
125
O a, segundo Jenkins (2007), a comp eensão adi i a diz espei o “às o mas como cada
no o ex o adiciona um no o pedaço de in o mação que nos o ça a e isi a a nossa
comp eensão da icção como um odo” (pa a. 7). O mesmo au o (Jenkins, 2008) sublinha
que “a edundância queima o in e esse dos ãs e causa o acasso dos
anchises
” (p. 98),
sob e udo numa al u a em que os públicos es ão c escen emen e inse idos na cul u a de
con e gência. A comp eensão adi i a opõe-se p ecisamen e à edundância e p e isibilidade que
a “ elha Hollywood” (Jenkins, 2008, p. 106) omen a a: cada ex ensão az necessa iamen e
algo de no o, com maio ou meno impac o na comp eensão do mais as o mundo iccional,
sendo es e, como já imos, um elemen o p e ensamen e dis in i o das na a i as
ansmediá icas (Long, 2007). É, po isso, uma espos a à p ocu a dos públicos (jo ens,
sob e udo) da cul u a de con e gência, que c esce am a “ e i a p aze na in es igação de
con ex os de pe sonagens e de pon os do en edo e a aze ligações en e di e en es ex os den o
de um mesmo
anchise
” (Jenkins, 2008, p. 133).
Tendo is o em con a, impo a o na explíci o quem es á po de ás dessa espos a: “se
os c iado es, em úl ima análise, não con olam aquilo que e i amos das suas his ó ias
ansmediá icas, is o não os inibe de en a em molda as nossas in e p e ações”, e e e Jenkins
(2008, p. 127) a p opósi o da comp eensão adi i a. Des a o ma, o au o desen ol eu,
nomeadamen e em
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008), es e p incípio sob e udo pela inicia i a
das indús ias cul u ais. Conco damos, pois, com pa e da in e p e ação a ançada po Ryan
(2015, 2016): “ao insis i numa expe iência de en e enimen o coo denada e uni icada, a
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
126
de inição de Jenkins [ al como discu ida nas e e ências usadas a é aqui] p essupõe uma
dis ibuição delibe ada, do opo pa a a base, de con eúdos a a és de mui os meios de
comunicação social” (Ryan, 2016, p. 4), enal ecendo-se, segundo a au o a (Ryan, 2015), o
“consumo de mui os” con eúdos (p. 6) como a p á ica dos públicos con emplada po um
concei o de na a i as ansmediá icas que en a iza a con inuidade de um cânone o mado pela
comp eensão adi i a.
Po an o, ainda que na cons ução dos mundos das na a i as ansmediá icas possam
se conside adas as “especulações e elabo ações dos ãs” (Jenkins, 2008, p. 116) – a inal,
na cul u a de con e gência há uma maio capacidade (ou desejo, ou necessidade) de ou i as
exp essões dos públicos – o ónus da de inição do que in eg a ou não o con ínuo da mac o-
his ó ia ecai, em úl ima ins ância, nos de en o es das p op iedades in elec uais. Veja-se, a es e
p opósi o, as expec a i as do au o sob e quem in e ém (e como o az) idealmen e no abalho
de p odução das na a i as ansmediá icas:
Em b e e, o licenciamen o da á luga àquilo que os especialis as da indús ia es ão a chama
“coc iação”. Na coc iação, as emp esas [con e gen es] colabo am desde o início pa a c ia
con eúdo que sabem que ão se ap op iados aos seus se o es, pe mi indo a cada meio ge a
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
127
no as expe iências pa a o consumido e expandi pon os de en ada no
anchise
. (Jenkins,
2008, p. 107)
A p eponde ância a ibuída ao p ocesso de p odução do lado das indús ias cul u ais é e o çada
quando olhamos pa a os ês ipos de na a i as ansmediá icas iden i icadas po Long (2007):
− o p imei o, ma cadamen e ap io ís ico, oi designado
ha d ansmedia
e co esponde
às expec a i as de Jenkins (2008) acima ci adas: es as são as na a i as
ansmediá icas “desenhadas como al desde o início” (Long, 2007, p. 20);
− po con as e, o
so ansmedia
aba ca “as na a i as ansmediá icas que apenas
são c iadas depois de uma componen e o iginal dos
media
e sido bem-sucedida”
(Long, 2007, p. 20);
− a de adei a ca ego ia co esponde a uma amálgama das an e io es: suges i amen e
apelidada de “
ansmedia
mas igá el”, conjuga os p incípios do
ha d
e
so
ansmedia
, já que p ocu a da con a de “expansões ei as como pa e de uma
di usão
ansmedia
coo denada após o sucesso de uma o ma inicial”, sendo, des a
o ma, ei a
a pos e io i
como no
so ansmedia
, “mas elabo ada como uma
en idade comple a a pa i desse pon o, da mesma o ma que um p oje o
a p io i
[sendo, desde aí,
ha d ansmedia
] pode ia e ei o desde o início”. (Long, 2007, p.
21).
A dis inção emp eendida po Long (2007) p ocu ou da con a das “ equen es di e enças
es é icas pe ce í eis en e as na a i as ansmediá icas” (p. 19) que o am desenhadas ou não
como al desde a sua conceção. Po conseguin e, as a iações iden i icadas pelo au o (Long,
2007) man êm-se iliadas numa ideia mui o conc e a de na a i as ansmediá icas: es as,
independen emen e dos caminhos seguidos aquando da p odução, se iam o madas po á ias
his ó ias imp e e i elmen e ligadas a um mesmo mundo, au ocon idas independen emen e de
como se p ocessasse a sua dispe são. Con udo, o mesmo não pode se di o ela i amen e a
abalhos pos e io es que ambém elenca am di e en es ipologias de na a i as ansmediá icas:
nes es, mais do que nega a idealização ap esen ada po Jenkins (2003b, 2007, 2008) e
sublinhada po au o es como Long (2007), dá-se con a da complexi icação em o no des e
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
128
concei o. Des a o ma, uma discussão que con emple duas axonomias em pa icula (Delwiche,
2017; Ha ey, 2014), desen ol idas após a idealização das na a i as ansmediá icas, pe mi e-
nos pe cebe po que, já em 2009, Jenkins (2009a) admi ia que os seus “p imei os esc i os
sob e
ansmedia
” podiam “ e sob e alo izado a «no idade»” (pa a. 13), o e ecendo-nos, des a
o ma, uma boa opo unidade pa a discu i a isão a ualizada do au o ace ao concei o que
cunhou. Como e emos opo unidade de a gumen a , a complexi icação daqui esul an e esul a,
a é, numa ap oximação do concei o de na a i as ansmediá icas ao ângulo pelo qual
abo damos a cul u a de con e gência, no capí ulo an e io .
4.2.2. A queb a da unidade na elação en e ex os ansmediá icos
As qua o ipologias iden i icadas po Aa on Delwiche (2017), baseadas no o ça das
ligações en e os di e en es ex os que cons i uem uma na a i a ansmediá ica, são um bom
pon o de pa ida pa a se discu i a e olução do concei o, a é po que duas dessas ca ego ias
pa ilham o nome com ou as an as das designações ap esen adas po Long (2007). Des a
manei a, pa a além de
ha d
e
so ansmedia
, o au o (Delwiche, 2017) e e e a exis ência de
um
ansmedia
deco a i o, bem como dos jogos de ealidade al e na i a, odos sob a alçada
das na a i as ansmediá icas.
Assim sendo, a p opósi o do
ha d ansmedia
, Delwiche (2017) des aca um ele ado g au
de in e dependência na ligação en e as ex ensões de uma na a i a ansmediá ica:
pa icula men e p óxima da de inição ideal ap esen ada po Jenkins (2003b, 2007, 2008) ou
Long (2007), a p opos a de Delwiche (2017) sublinha que, nes a o ma de na a i as
ansmediá icas, “os desen ol imen os na a i os num meio a e am signi ica i amen e o sen ido
das his ó ias con adas nou os canais” (p. 38). Em sen ido con á io, o
so ansmedia
ma ca o
início da queb a da unidade de uma mac o-his ó ia como p incípio inegociá el da conceção de
na a i as ansmediá icas. Segundo o in es igado ,
As his ó ias
so ansmedia
são aquelas em que um uni e so iccional pa ilhado se desen ol e
a a és de [múl iplos] canais mediá icos, mas em que há ela i amen e poucos pon os de
con ac o na a i o en e os canais. Algumas pe sonagens ou si uações [den o de uma mesma
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
129
his ó ia, assegu ando con inuidade na a i a] podem anscende pla a o mas especí icas, mas
es as são as exceções e não a eg a. (Delwiche, 2017, p. 37)
Tan o o
ansmedia
deco a i o como os jogos de ealidade al e na i a acen uam es e
a as amen o ace à p e alência da comp eensão adi i a e da p óp ia in e ex ualidade. No que
diz espei o àquela ca ego ia, as ex ensões em causa são, no essencial, suplemen os. Po an o,
Delwiche (2017) ca ac e iza-os como pa a ex os p omocionais, equen emen e o iundos dos
depa amen os de
ma ke ing
, e não das equipas c ia i as po de ás do ex o p incipal em
desen ol imen o, aquele com maio es (ou e dadei as) p eocupações na a i as. Um dos
exemplos apon ados pelo au o (Delwiche, 2017) é a simulação de uma b e e
TED Talk
po
pa e de uma pe sonagem do ilme
P ome heus
, conjugando um elemen o iccional, mas sem a
es u u a de uma na a i a, com a p omoção de um
blockbus e
no YouTube. Já os jogos de
ealidade al e na i a es ão unidos a uma na a i a ansmediá ica apenas pela pa ilha de um
conjun o de elemen os de um dado mundo, usados pa a c ia expe iências in e a i as (e, como o
nome indica, al e na i as) “que se desen ol em a a és de múl iplas pla a o mas” (Delwiche,
2017, p. 39), nomeadamen e po meios que habi am o quo idiano (
oice-mail
, mensagens de
ex o, e c.).
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
130
Com base nes as di e en es mani es ações de na a i as ansmediá icas podemos
enquad a as c í icas de Ryan (2015, 2016) à conceção popula izada po Jenkins (2003b, 2007,
2008). Segundo a au o a (Ryan, 2015, 2016), mais do que numa “his ó ia uni icada, o que
implica um ipo de signi icado au ocon ido que segue um a co empo al a pa i de um es ado
inicial e em di eção a uma complicação e esolução” (Ryan, 2015, p. 4), as na a i as
ansmediá icas assen am, em p imei a ins ância, na ans iccionalidade – is o po que a
ans iccionalidade é o elemen o comum às qua o ca ego ias de Delwiche (2017). Es e concei o
oi p opos o po Richa d Sain -Gelais pa a e idencia
A elação en e dois ou mais ex os com base numa comunidade iccional: cons i uem um
conjun o ans iccional não os ex os que mencionam um pe sonagem como She lock Holmes
(nomeadamen e os abalhos dos lógicos, que o usam amiúde como exemplo), mas os ex os
onde Holmes su ge e age como pe sonagem. O mesmo se aplica a uni e sos ic ícios
conside ados como um odo. Um au o que si ue uma his ó ia na Te a Média, o mundo
imaginado po Tolkien em
O Senho dos Anéis
, c ia ia um odo ic ício no qual o ex o de Tolkien
se ia incluído e ospe i amen e [mas sem o ma em necessa iamen e uma mesma his ó ia
coe en e]. (Sain -Gelais, 2002, pa a. 3)
Po an o, aquilo que se des aca nas na a i as ansmediá icas, quando olhadas pelo p isma da
ans iccionalidade, é apenas a pa ilha de e e en es iccionados, que uncionam como um
mínimo denominado comum pa a con a his ó ias que podem a é se p o undamen e
di e gen es ou edundan es den o de um mesmo mundo iccional de e e ência. Nes e sen ido,
a ans iccionalidade con ibui pa a a cons ução de uma imagem men al de um mundo com
na a i idade, mas que não em de se um na a i a (Ryan, 2005). Um mundo que albe ga
his ó ias múl iplas e, p incipalmen e, icções (pe sonagens, locais,
my hos
, e c.) pa ilhadas, mas
que não é necessa iamen e o mado po uma g ande e consis en e mac o-his ó ia, al como
suge ido pela idealização de Jenkins (2003b, 2007, 2008).
Es e en endimen o sob e as na a i as ansmediá icas ap oxima-as, pois, da
mundi idência que se cons ói no
backg ound
, iden i icada po Ō suka (Ō suka & S einbe g,
2010) e, sob e udo, da lógica de base de dados de endida po Azuma (2012), a p opósi o do
media mix
japonês e que a amos an e io men e. Como esumiu Ryan (2015), a abo dagem
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
131
pela ans iccionalidade enal ece a sa is ação da “paixão enciclopédica pela aquisição de mais e
mais conhecimen o sob e o mundo ou a paixão do colecionado pela aquisição de mais
lemb anças, mas não a paixão do de e i e pela econs ução de uma his ó ia a pa i de ac os
dispe sos” (p. 4), al como p econizado po Jenkins (2003b, 2007, 2008). Es a cons a ação le a
a au o a a suge i uma mudança de designação: de
ansmedia
s o y elling
pa a
ansmedia
wo ld-building
, já que a na ação de uma his ó ia assume um papel secundá io. Is o po que,
al como e e e Jason Mi el
A na ação suge e no malmen e a cen alidade dos acon ecimen os na a i os, em que uma
his ó ia consis e naquilo “que acon ece”. É ce o que os acon ecimen os são ing edien es
c uciais de qualque his ó ia, mas (…) as na a i as são ambém compos as po pe sonagens e
cená ios, dois componen es adicionais que são c uciais pa a as na a i as ansmediá icas.
(Mi el, 2015, p. 296)
Emblemá ico des a o ma de enca a as na a i as ansmediá icas é o luga
p oeminen e que Ryan (2015, 2016) a ibui às adap ações (logo, à adução in e -semió ica de
uma dada icção) nos
anchises
ansmediá icos, que, eco damos, es a am explici amen e de
o a das conceções de Jenkins (2003b, 2007, 2008):
Jenkins em ce amen e azão quando a i ma que o
ansmedia s o y elling
[na sua o ma ideal]
não é a mesma coisa que adap ação, mas se ia e ado exclui as econ agens do mesmo
ma e ial, em di e en es meios, dos mundos ansmediá icos, po que isso elimina ia a
edundância des es sis emas. Pelo con á io, as econ agens são a espinha do sal de
ansmedia
e os públicos ado am-nas po que pe mi em às pessoas e i e his ó ias e e isi a o seu mundo
de uma o ma di e en e. (Ryan, 2016, p. 4)
Ch is y Dena (2019) desen ol e a de esa da adap ação como pa e das na a i as
ansmediá icas. Segundo a au o a (Dena, 2019), uma das p incipais azões pa a as en a i as
de dema cação en e ambas oi a necessidade sen ida de enuncia a no idade po de ás do
concei o, mesmo se po con as e – as na a i as ansmediá icas não se iam “
apenas
adap ações, mas algo melho ” (Dena, 2019, p. 201). Con udo, es a exclusão negligencia ia pelo
menos dois aspe os (Dena, 2019):
− as adap ações não são o almen e edundan es, apesa da amilia idade que
e ocam, daí que possam se i de po a de en ada a di e en es públicos – logo,
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
132
cump indo com uma das p óp ias p emissas das na a i as ansmediá icas, al
como idealizadas po Jenkins (2003b, 2007, 2008);
− as adap ações nunca se iam me as econ agens da mesma his ó ia, is o que uma
adap ação az semp e algo de no o, ais como in e p e ações di e sas,
ansmu ações in e -semió icas, ou o p eenchimen o de pequenas alhas de
in o mação – esul an es, po exemplo, das
a o dances
de um meio audio isual; al
como exempli ica Mi el (2015), as no elizações de ilmes ou sé ies, ainda que
possam es a longe “do modelo de na a i as ansmediá icas coo denadas e
dispe sas” (p. 296), acabam po “ equen emen e adiciona ma e ial ao mundo pelo
p eenchimen o de espaços em b anco na his ó ia, seja a a és de e en os não is os
no ec ã, de pensamen os de pe sonagens ou his ó ias con ex uais que são mui o
mais áceis de ansmi i a a és da pala a esc i a” (Mi el, 2015, pp. 296–267).
Segundo Dena (2019), apesa da pe sis ência de um ce o consenso em o no da
dis inção en e adap ações e na a i as ansmediá icas, em exis ido uma amenização dos
a gumen os, esba endo on ei as en e ambas. Di e en es abalhos de Scola i (2012b, 2013b;
Scola i e al., 2012) exempli icam is o mesmo. O au o começa po dema ca as na a i as
ansmediá icas das adap ações p ecisamen e em e mos p óximos aos e ocados po Dena
(2019): aquelas não se iam “apenas uma adap ação de um meio pa a ou o” (Scola i, 2009c, p.
587). En e an o, abalhos mais ecen es de Scola i – indi iduais (Scola i, 2012b, 2013b) ou
com ou os in es igado es (Scola i e al., 2012) – já con emplam as adap ações na discussão
das na a i as ansmediá icas, a é po que “ odas as adap ações ap esen am e lexões di e sas,
incluem algum a oma no o e deixam um gos o di e en e ace ao o iginal” (Scola i, 2013b, p.
49). Em suma, al como Dena (2019), Scola i (2012b, 2013b; Scola i e al., 2012) sus en a que
as adap ações são equen es po as de en ada pa a um mundo na a i o ansmediá ico e,
pa a além dis o, do pon o de is a das indús ias cul u ais, adap ações e na a i as
ansmediá icas são ealizadas com o mesmo p opósi o de explo a p op iedades in elec uais de
sucesso.
Também Jenkins econhece, em ex os mais ecen es (Jenkins, 2011, 2017a), a
in ínseca luidez en e adap ações e na a i as ansmediá icas – ou en e aquelas e a
a ualização emp eendida pelo au o des e úl imo concei o. “Aquilo que a dis inção adap ação-
ex ensão p ocu ou abo da oi a [impo ância da] comp eensão adi i a” (Jenkins, 2011, pa a.
4. NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS, MANIFESTAÇÃO ESTÉTICA DA CULTURA DE CONVERGÊNCIA
133
12), cons i uindo-se, acima de udo, como uma p á ica discu si a en e eó icos das na a i as
ansmediá icas, usada pa a “c i ica a edundância que ma cou nega i amen e an as
no elizações sem sen ido dos
anchises
exis en es em a o de abalhos que explo a am no as
possibilidades c ia i as” (Jenkins, 2017a, pa a. 6). De aco do como Jenkins (2017a), impo a
ago a sublinha os e ei os edu o es da dico omia em causa, já que aquilo que di e encia
adap ação e ex ensão “pode se apenas uma ques ão de g au – adiciona ou sub ai cenas e
pe sonagens, no caso de adap ações iéis, adiciona his ó ias ou can os ao uni e so, no caso das
ex ensões ansmediá icas” (pa a. 5). Po an o, al como Dena (2019) ou Scola i (2013b), o
au o (Jenkins, 2011) sus en a que adap ação e ex ensão não são necessa iamen e
an agonis as, is o que “di e en es meios en ol em di e en es ipos de ep esen ação” (pa a.
17), azão pela qual uma adap ação az semp e algo de no o. A í ulo de exemplo, Jenkins
(2011) e e e que “ anspo
Ha y Po e
de um li o pa a uma sé ie de ilmes signi ica e le i
mui o mais p o undamen e sob e o aspe o de Hogwa s e, assim, o di e o a ís ico/
designe
de
p odução expandiu e ala gou signi ica i amen e a his ó ia no p ocesso” (pa a. 11).
Des a o ma, o in es igado (Jenkins, 2011) suge e que “pode se melho pensa em
adap ação e ex ensão como pa e de um
con inuum
no qual ambos os polos são possibilidades
eó icas e a maio ia da ação oco e algu es pelo meio” (pa a. 11). Também Mi el (2015), po
exemplo, e e e que a maio ia das na a i as ansmediá icas “encaixa algu es num espec o
en e o mas balanceadas e desequilib adas” (p. 294) de c iação, onde a p imei a co esponde
ao “ideal p opos o po Jenkins” (Mi el, 2015, p. 294) e a segunda apon a a exis ência de “um
ex o cen al cla amen e iden i icá el e uma sé ie de ex ensões ansmediá icas pe i é icas, que
podem se mais ou menos in eg adas no odo na a i o” (Mi el, 2015, p. 294). O a, a ampli ude
in ínseca a es e
con inuum
ou espec o pode se explicada pelo modelo na e-mãe, que
econhece um luga cimei o à explo ação de e e en es iccionais en e á ios meios, ou seja, a
ans iccionalidade, embo a não se esgo ando aí, nem es ingindo as na a i as ansmediá icas
ao simples uso de á ios
media
(logo, ao sen ido mais elemen a de
ansmedia
). Tal como
e e e Jenkins (2011), impo a con inua a conside a “as elações lógicas” (pa a. 13)
236
237
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA:
RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
Es abelecemos, no capí ulo me odológico, um p opósi o mui o conc e o pa a os inqué i os po
ques ioná io aplicados: si ua a(s) amos a(s) de jo ens que cons i uímos ace a alguns dos mais
salien es aspe os da cul u a de con e gência, dando pa icula des aque à elação que aqueles
públicos empí icos es abelecem com a mani es ação es é ica des e concei o (po an o, as
na a i as ansmediá icas) e com os públicos-modelo aí idealizados – alamos, em conc e o, dos
ãs, e, em p imei a ins ância, daqueles eunidos em comunidades, logo, no
andom
e po
con as e com manei as mais indi idualizadas de se se ã. Es e obje i o e es e-se de pa icula
impo ância po duas azões umbilicalmen e ligadas, pa en es ao longo do enquad amen o
eó ico delineado em páginas p eceden es e que impo a ago a sin e iza .
Em p imei o luga , e de o ma mais ób ia, su ge a escassez de abalhos académicos,
nomeadamen e na ealidade po uguesa, que ap o undem o conhecimen o sob e a eceção de
na a i as ansmediá icas e a sua elação com os es a u os de ãs – os mais exigen es e
comunais, mas ambém aqueles cen ados em p á icas de consumo e en ualmen e
ansmediá ico e de iden i icação sob e udo pa associal. Em segundo luga , e não obs an e a
ca ência de que acabamos de da con a, há indícios que con a iam as expec a i as em o no de
alguns dos ou os é ices da cul u a de con e gência (Jenkins, 2008), desde logo:
− a pe sis ência do
andom
nacional a p á icas de nichos e de isibilidade eduzida
(Gonçal es e al., 2021; Mou a & Pe ei a, 2019) – desde logo po compa ação com
ou os públicos, inclusi amen e segundo as pe ceções dos p óp ios ãs (Jo ge &
Na io, 2013);
− a baixa p e alência de ní eis de p odução e pa icipação mais complexos – com e
nos
media
, incluindo os digi ais e
online
– po jo ens, apesa do amplo acesso e uso
de di e en es meios de comunicação (Pe ei a e al., 2015; Pe ei a & Mou a, 2019;
Pon e & Ba is a, 2019), elemen o que con a ia as expec a i as da cul u a de
con e gência, mo men e ace a duas das suas dimensões: a cul u a pa icipa i a e a
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
238
in eligência cole i a de comunidades de conhecimen o. Es a cons a ação ab ange,
inclusi amen e, os exa os con ex os em que deco eu a cons i uição da amos a
des a ese (Pe ei a e al., 2021; Pe ei a, Mou a, e al., 2018).
Tendo como pon o de pa ida es as in o mações de base aqui esumidas, o inqué i o po
ques ioná io (Anexo 1) p ocu ou não só explo a a elação das amos as com as na a i as
ansmediá icas e o
andom
, como ab i espaço pa a o deba e do que podem signi ica
dimensões como a con e gência mediá ica ou as comunidades de conhecimen o à luz das
ealidades expe ienciadas pelos jo ens inqui idos e al como e idas nos dados quan i a i os
ge ados. Po conseguin e, a es u u a des e capí ulo e le e a ab angência de p opósi os do
ins umen o u ilizado. Começa po da con a do mapeamen o de acessos, usos e p e e ências
elacionados com os
media
e com di e en es pla a o mas, não só enquan o elemen os de
in e esse in ínseco pa a a cul u a de con e gência, mas ambém pelo seu papel como e en uais
acili ado es e p ecu so es de p á icas com na a i as ansmediá icas e em comunidades de ãs.
Segue-se, po conseguin e, a discussão mais especí ica das p á icas, pe ceções e a i udes das
amos as em elação a elemen os undamen ais das eo izações de e e ência em o no do
ansmedia s o y elling
e do
andom
.
7.1. DISCUTIR A CONVERGÊNCIA MEDIÁTICA ENTRE JOVENS PORTUGUESES:
ACESSOS E USOS DOS
MEDIA
Vimos, no e cei o capí ulo, que o concei o de cul u a de con e gência (Jenkins, 2008) assen a
numa abo dagem especí ica ao enómeno da mais ampla con e gência mediá ica: não só ecusa
a subs i uição en e meios e a sua edução a um única
medium
con e gen e, como apon a o
e e so – is o é, a con i ência de di e en es
media
, mesmo en e aqueles ecnicamen e
edundan es – como a no ma expec á el. Em conco dância com es es p edicados, e ambém
em con o midade com os esul ados de alguns dos já ci ados abalhos sob e a ealidade
nacional (e.g., Pe ei a e al., 2015; Pe ei a, Mou a, e al., 2018; Pon e & Ba is a, 2019; Pon e e
al., 2019), as espos as das amos as aba cadas pelos inqué i os po ques ioná io e ela am
exis i uma disseminação ans e sal de disposi i os como o elemó el, a ele isão e (a é ce o
pon o) o compu ado , bem como de ligação à in e ne . Po an o, nem na p imei a (n = 248),
nem na segunda amos a (n = 169) a disponibilidade eó ica dos
media
apa en a a cons i ui -se
como um p oblema pa a a gene alidade dos jo ens que pa icipa am nes e es udo (Figu a 3).
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
239
Figu a 3.
Pe cen agem de alunos com acessos, indi iduais ou em casa (Q.1.), a di e en es meios, po
amos a
Especi icando a possibilidade de usu u o, pelos alunos inqui idos, de se e
media
lis ados pelo ins umen o de ecolha de dados (Q.1.), em unção das amos as que pa icipa am
no es udo:
− odos os jo ens que esponde am ao ques ioná io na ase p é-pandémica a i ma am
e acesso a um elemó el. Com uma exceção, os demais assegu a am o mesmo
pa a a ele isão (99,6%). Já a in e ne es a a ao alcance, em casa ou pessoalmen e,
de 98,8% des a amos a e o compu ado disponí el pa a 94,7% dos esponden es;
− numa endência semelhan e e sem que enham sido encon adas di e enças
es a is icamen e signi ica i as ace ao
su ey
aplicado em 2019/2020, p a icamen e
odos os es udan es que p eenche am o inqué i o du an e a pandemia inham à sua
disposição, de o ma indi idual ou nos espe i os ag egados amilia es, in e ne
(99,4%), elemó el (98,8%), ele isão (98,2%) ou compu ado (97,0%).
Pa a além des es meios, os ês demais que ap esen amos no ins umen o de ecolha
de dados ambém es a am ao alcance da maio ia dos esponden es:
− ce ca de 78,9% dos jo ens da p imei a amos a epo a am a possibilidade de
usa em um
able
, descendo o alo pa a 65,1% na segunda amos a. Aliás, no
acesso ao
able
egis ou-se a exis ência de uma associação es a is icamen e
signi ica i a, de aco do com o es e do qui-quad ado, en e a ase em que oi
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
240
aplicado o ques ioná io (logo, en e amos as) e a possibilidade de usa , em casa ou
pessoalmen e, es e meio (χ = 9,699). Tomando, no en an o, como e e ência o
alo de V de C amé calculado (V = 0,153) e o quad o de in e p e ação ap esen ado
po Louis M. Rea e Richa d A. Pa ke (1992) desc i o no capí ulo me odológico,
encon amo-nos pe an e uma associação aca – um ac o que, no limi e e
conside ando as pe cen agens sup a e e idas, pode se lido como enal ecendo o
ele o do acesso a
able s
não só na p imei a amos a, mas ambém, apesa de
meno , na segunda;
− é isí el a exis ência de um cená io semelhan e no que diz espei o à disponibilidade
de consolas de ideojogos: mais p esen es na p imei a amos a (71,5%) do que na
segunda (59,2%), e i icando-se no amen e uma associação es a is icamen e
signi ica i a en e acesso e ase de aplicação (χ = 6,885), ainda que uma ez mais
classi icá el como aca (Rea & Pa ke , 1992), endo em conside ação um alo de V
de C áme de 0,129;
− po im, os esul ados associados ao ádio ci a am-se nos 71,5% de a i mações de
exis ência de acesso, en e os 248 jo ens da p imei a ase, e nos 68,6% jun o dos
169 esponden es dos segundos inqué i os po ques ioná io, sem que se enham
calculado di e enças es a is icamen e signi ica i as en e es es dados.
A ançando pa a lá da me a exis ência de acesso, os mesmos se e meios o am,
ambém, al o de inqui ição sob e a equência dos seus usos, com base numa escala de Like
de cinco pon os, pos e io men e con e ida em alo es numé icos de 1 a 5, em unção da
in ensidade dos pos os ap esen ados (Q.3.). Com base nes a ede inição oi possí el calcula
medidas de endência cen al o iundas da escala em uso – desde logo, uma média indica i a da
maio ou meno equência de u ilização (Tabela 8). De o ma expec á el, a in e ne e o
elemó el, sob e udo, seguidos da ele isão e do compu ado (po an o, os ecu sos mediá icos a
que as amos as e iam maio acesso), o am os meios que egis a am, em média, as mais
ele adas equências decla adas de usos, nas duas ases de aplicação dos inqué i os po
ques ioná io.
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
241
Tabela 8.
F equência de uso de meios de comunicação em unção da ase de aplicação dos inqué i os
po ques ioná io (1 – Nunca; 5 – Semp e)
Meios
Fase
P é-pandémica (n = 248)
Du an e a pandemia (n = 169)
M
DP
M
DP
Compu ado *
3,2
1,0
3,5
1,0
Telemó el
4,8
0,5
4,7
1,0
Table *
2,5
1,1
2,2
1,1
Tele isão
3,8
1,1
3,7
1,0
Rádio
2,1
1,0
2,1
1,0
Consola de jogos*
2,6
1,4
2,2
1,3
In e ne
4,8
0,5
4,8
0,5
Como igualmen e se cons a a pelos dados ap esen ados na Tabela 8, o am uma ez
mais iden i icadas di e enças de ele o, do pon o de is a es a ís ico, en e a equência de
u ilização de alguns dos meios lis ados e a ase em que deco eu o abalho de campo. Não
su p eenden emen e,
able s
e consolas de jogos epe em a p esença: não só se e i icou, como
demos con a, um maio acesso da p imei a amos a a es es dois meios, como ago a se cons a a
que os alunos que p eenche am o ques ioná io na ase p é-pandémica endiam a usá-los mais
equen emen e (ainda que não mui o mais, ac o possi elmen e e oca i o da in ensidade da
associação) do que os seus homólogos da segunda amos a. Há, no en an o, uma no a
di e ença que impo a des aca : o uso do compu ado e a signi ica i amen e mais eco en e
en e os jo ens que comple a am o inqué i o po ques ioná io já em plena pandemia. Ainda que
não es ejamos em condições, pelas ca ac e ís icas da in es igação, de a i ma as causas des a
e olução, os e ei os do dis anciamen o social, incluindo a o çosa adoção do ensino à dis ância,
podem o e ece um enquad amen o plausí el pa a se comp eende o inc emen o no uso des e
meio.
Tendo em con a os dados a é aqui ap esen ados, a igu a-se uma lei u a e iden e: o ac o
de ala mos de acessos e usos de meios digi ais con e gen es (sublinhe-se o plu al emp egado,
con i mando a dimensão alaciosa da me á o a da caixa neg a de alhada no capí ulo 3),
possibili ado es do consumo de linguagens mediá icas di e sas, mas ambém de um dos
símbolos da comunicação de massas (a ele isão, cla o, apesa do p ocesso de digi alização de
que demos con a no capí ulo 2), ap oxima os conjun os mediá icos (Haseb ink & Hepp, 2017)
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
242
das amos as, al como enquad ados no inqué i o po ques ioná io, da in e p e ação que a
cul u a de con e gência (Jenkins, 2008) ez do signi icado da mais ampla con e gência
mediá ica pa a a cons i uição de
media ensembles
(Haseb ink & Hepp, 2017). Is o é, os
conjun os mediá icos dos esponden es são ca ac e izados po uma ce a edundância écnica
de meios e, po conseguin e, as di e en es alias e usos dos
media
e ão de se encon ados nos
p o ocolos eminen emen e sociais (Gi elman, 2006) que lhes es ão associados. Pa a esses
p o ocolos con ibuem, necessa iamen e, elemen os con ex uais como os a e idos pelas a iá eis
sociodemog á icas cons an es no inqué i o po ques ioná io. Tendo em con a o papel
es u u an e que a idade desempenha que no enquad amen o da dependência das c ianças,
le ado a cabo po adul os (capí ulo 5), que nos eceios quando jus apos a à simples exis ência
de acessos e usos, jus i ica-se começa p ecisamen e po aqui.
Tan o na p imei a como na segunda amos a, os jo ens com acesso a compu ado e am
signi ica i amen e mais elhos do que os (poucos, impo a elemb a ) que esponde am não
e o ma de usa , em casa ou pessoalmen e, es e meio, de aco do com o es e não-pa amé ico
de Mann-Whi ney pa a amos as independen es (Tabela 9). Pa a além do compu ado , apenas
no caso do ádio se e i icou uma ou a di e ença es a is icamen e ele an e ao ní el dos
acessos, mas já es i a à ase p é-pandémica: a média de idades dos alunos com acesso (M =
15,2; DP = 1,6) e a supe io à dos que ga an i am não o e (M = 14,1; DP = 2,0).
Tabela 9.
Exis ência de acesso a compu ado , em casa ou pessoalmen e, em unção da ase de
aplicação dos inqué i os po ques ioná io e idade dos inqui idos
Fase
Acesso a compu ado
Sim
Não
M
DP
M
DP
P é-pandémica (n = 248)*
15,0
1,8
13,8
1,6
Du an e a pandemia (n = 169)*
15,0
1,8
12,2
0,8
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
243
Rela i amen e à equência de usos, a idade ol a a es a signi ica i amen e
(co ) elacionada com a u ilização do compu ado , mas ambém com os ou os meios digi ais
mais disseminados. Ou seja, com base na a e ição do coe icien e de co elação de Kendall,
encon amos indícios énues de um inc emen o de uso com a idade:
− na p imei a amos a, do compu ado (τb = 0,217;
= 0,047), do elemó el (τb =
0,191;
= 0,036) e da in e ne (τb = 0,156;
= 0,024). Toda ia, os coe icien es
calculados sus en am a p esença de uma elação negligenciá el, pa a o caso do
elemó el ou do acesso à in e ne , ou aca, a p opósi o da equência de uso
compu ado (New on & Rudes am, 1999);
− o mesmo acon ece na segunda amos a, onde apenas as equências de u ilização
do compu ado (τb = 0,244;
= 0,060) e do elemó el (τb = 0,237;
= 0,056)
es a am posi i amen e associadas ao inc emen o da idade, ainda que, uma ez
mais, em elações quali icá eis como acas (New on & Rudes am, 1999).
Um olha pelos coe icien es de de e minação (
) acima lis ados, esul an es da ele ação
ao quad ado dos alo es de τb e e idos, auxilia na comp eensão da adje i ação p opos a po
Rae R. New on e Kjell E ik Rudes am (1999), sob e udo quando
é mul iplicado po 100 e
con e ido em pe cen agens, não obs an e a exis ência de di e enças es a is icamen e
signi ica i as. Assim, na p imei a amos a, apenas 2% da a iabilidade da equência de
u ilização da in e ne e ce ca de 3% no caso do elemó el são enquad á eis pela sua associação
à idade. Rela i amen e à eco ência de uso do compu ado , não só en e os alunos que
p eenche am o ques ioná io an es da pandemia, mas ambém du an e, não mais de 6% dessa
a iabilidade es á de algum modo associada à e olução da idade. Um alo ambém a onda os
6% aplica-se ao caso da equência de uso do elemó el, na segunda amos a.
Apesa da ibieza das elações de que acabamos de da con a, é possí el a en a
algumas (cau elosas) hipó eses de lei u a que se jun am à possibilidade de es a mos pe an e um
me o acaso es a ís ico de somenos, sob e udo jus i icadas pelo ac o de os es es e em
colocado em e idência p ecisamen e ês dos
media
mais disseminados e u ilizados pelas
τ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
244
amos as e pela exis ência de alguma li e a u a exis en e que inci a as in e p e ações que i emos
ap esen a . Um dos casos é a já ci ada ambi alência que C is ina Pon e e colegas (2019)
iden i ica am, en e p ogeni o es, ace à elação en e as suas p oles e os meios digi ais, que
pode o e ece uma e en ual pis a pa a a discussão da idade como um a o elacionado (ainda
que in imamen e) com o acesso e a equência de uso dos mais comuns ec ãs digi ais.
Reco damos que as au o as (Pon e e al., 2019) cons a a am, jun o dos 40 mães e pais
en e is ados em 2016, uma con i ência en e o desejo de p opo ciona acesso, bem como as
opo unidades e ine i abilidades associadas aos imaginá ios sociais (Peil & Spa ie o, 2017)
sob e os meios digi ais, e os eceios ela i os à p o usão de ec ãs, associados a uma ce a
nos algia ace a in âncias p é-digi ais. O caminho ei o en e es es dois polos apa en emen e
an agónicos ma ca a as en a i as de mediação pa en al ace aos
media
, incluindo os digi ais e
online
(Pon e e al., 2019). Es ando nós, no con ex o des a ese, mais capaci ados pa a aze
pe gun as a se em espondidas po abalhos u u os, do que pa a a ança com espos as sob e
es e ema, impo a ques iona se as di e enças de que acabamos de da con a, que colocam a
idade em oco, são apenas casualidades de pouca mon a ou, pelo con á io, se e le em indícios
dessa mesma ambi alência na mediação, ma cada simul aneamen e pela acili ação de acessos,
e idenciada pela quase omnip esença dos meios em causa, e po en a i as de mode ação de
usos (sob e udo em idades mais p ecoces) – incluindo quando uma pandemia o çou o
inc emen o da u ilização de disposi i os e espaços digi ais.
Uma in e ogação simila pode se susci ada quando subs i uímos a idade pelas
habili ações dos p ogeni o es, enquan o a iá eis a compa a com acessos e usos de di e en es
meios. Como demos con a no capí ulo an e io (Tabelas 4 e 7), há, nas duas amos as, uma
a iedade conside á el de ní eis de habili ações escola es. Po ém, es a di e sidade não se
aduz em di e enças es a is icamen e signi ica i as no acesso a qualque um dos se e
media
ap esen ados, pela aplicação do es e do qui-quad ado. Em sen ido con á io, as equências de
uso da ele isão, na p imei a amos a, e do elemó el, na segunda es a am signi ica i a e
nega i amen e co elacionadas com as habili ações de ambos os p ogeni o es, no p imei o
caso, e somen e dos pais, no segundo. Especi icando:
− no ques ioná io aplicado em 2019/2020, o alo do coe icien e de co elação de
Kendall calculado pa a a elação en e a equência de uso da ele isão e as
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
245
habili ações escola es da mãe (τb = –0,135;
= 0,02) e do pai (τb = –0,155;
=
0,02) indicou a p esença de uma co elação es a is icamen e signi ica i a, ainda que
negligenciá el (New on & Rudes am, 1999);
− já em plena pandemia, no ano le i o seguin e, oi en e a equência de uso do
elemó el e as habili ações escola es dos pais que se egis ou uma co elação
ele an e es a is icamen e (τb = –0,238;
= 0,06), subindo na escala de New on e
Rudes am (1999) e o nando-se adje i á el como aca.
Po an o, es amos no amen e em p esença de co elações ágeis, mas que não só
en ol em p ecisamen e alguns dos meios mais acessí eis e usados, como êm o condão de
e oca eminiscências de esul ados de abalhos an e io es. Res a-nos, pois, ques iona uma
ou a ez se nos encon amos pe an e uma me a cu iosidade p o ocada pelos es es aplicados
ou, pelo con á io, se os alo es acima enunciados são signos de, po exemplo,
− no p imei o caso, uma al e ação do pe il das p á icas (ainda assim, equen es) em
o no da ele isão nos ag egados amilia es com maio es habili ações escola es, em
linha com as ca ac e ís icas socioeconómicas da amos a eunida po Pon e e al.
(2019), bem como das suas p á icas com a ele isão;
− no segundo caso, uma e en ual consequência da pandemia e do inc emen o dos
con ac os media izados, que pode e susci ado algum ipo de mudança na
mediação dos pais ela i amen e ao uso dos elemó eis, e oca i o dos eceios que
ambém subsis em sob e os ec ãs digi ais (Pon e e al., 2019).
No que diz espei o à escola, cuja localização em á eas maio i a iamen e u banas e
u ais di ou, como especi icamos no capí ulo me odológico, um c i é io ap io ís ico pa a a
cons i uição da amos a, a maio ou meno u banidade não se e elou como uma a iá el
decisi a pa a a gene alidade dos acessos e dos usos dos jo ens que pa icipa am na ese, com
as di e enças a se em o a débeis, o a localizadas a unicamen e em uma das duas amos as. Em
de alhe, só o acesso a
able s
es a a associado signi ica i amen e, mas de o ma aca (Rea &
Pa ke , 1992), à escola equen ada pelos esponden es: an o na ase p é-pandémica (χ =
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
252
A p e alência das edes sociais en e as p á icas dos jo ens le ou-nos, ainda, a p ocu a
especi ica a equência de uso de di e en es pla a o mas – inclusi amen e de uma
pa icula men e ocacionada pa a a exp essão da p odu i idade de um
andom
(
ide
Wa pad) e,
nes e sen ido, passí el de o e ece uma janela de opo unidade pa a a discussão sob e o luga
dessa mesma p odu i idade nas p á icas das duas amos as com os
media
. Como e e imos no
capí ulo me odológico e es á pa en e no Anexo 1, a escala usada nes a ques ão (Q.2.) oi em
pa e al e ada no ex emo de meno in ensidade de uso, po suges ão de jo ens que
pa icipa am nos p é- es es ao ins umen o, que sen i am necessidade de e baliza o
conhecimen o ou desconhecimen o de de e minados espaços. Po an o, os esponden es que
nunca usa am uma dada pla a o ma i e am opo unidade de especi ica se o aziam
conhecendo ou não a exis ência da ede em causa. Pa a e ei os de a amen o es a ís ico, a
escala oi pos e io men e ecodi icada na ans e sal escala de Like de cinco pon os,
ag egando-se as espos as “não conheço” e “conheço, mas não uso” no habi ual “nunca/1”.
A opção pela des inça da exis ência de conhecimen o e elou-se u í e a, po elação
aos obje i os que açamos pa a es a Tese. Dos 248 jo ens da p imei a amos a, 64,1% não
conheciam seque o Wa pad; na segunda amos a, o alo cingiu-se ambém a uns mui o
semelhan es 63,9% de en e os 169 inqui idos em ques ão. Aliás, das edes sociais
ap esen adas em ambos os ques ioná ios, apenas o não conhecimen o da pla a o ma de
li e
s eaming
e pa icula men e ocacionada pa a ideojogos Twi ch ap esen a a ambém alo es de
ele o (31,5%) – ainda que somen e no p imei o inqué i o po ques ioná io, já que es as
espos as desce am ab up amen e pa a os 1,8% no segundo. Ou seja, as demais edes sociais
e am conhecidas po odos (Ins ag am, Wha sApp e YouTube) ou quase odos os jo ens que
pa icipa am em qualque um dos momen os do es udo (nunca mais de seis esponde am não
conhece as pla a o mas em causa, inclusi amen e no caso do Twi ch, já em 2020/2021).
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
253
No que diz espei o à equência de uso das edes sociais lis adas pelo ques ioná io,
cons a ou-se (Tabela 12) que o YouTube e o Ins ag am, sob e udo, seguidos do Wha sApp, e am
as mais habi uais no dia-a-dia dos jo ens que pa icipa am no abalho empí ico des a ese. No
campo opos o, encon amos, sem su p esas, o pouco conhecido Wa pad. Aliás, não mais de
11,3% dos inqui idos da p imei a amos a e 10,7% da segunda indica am usa pelo menos às
ezes (ou seja, do pon o in e médio da escala em dian e) es a pla a o ma que, sublinhamos, es á
ocacionada pa a uma das a i idades mais des acadas nos es udos de ãs enquan o memb os
de um
andom
(e.g., Fiske, 1992b; Jenkins, 1992/2013): a edação e/ou lei u a de
an ic ion
,
que, como imos (Tabela 10), e a ambém gene icamen e incomum. Po an o, es es dados,
conjugados com o desconhecimen o acima demons ado, indiciam o emen e a condição de
nicho des a ede social.
Tabela 12.
F equência de uso de edes sociais em unção da ase de aplicação dos inqué i os po
ques ioná io (1 – Nunca; 5 – Semp e)
Redes sociais
Fase
P é-pandémica (n = 248)
Du an e a pandemia (n = 169)
M
DP
M
DP
Facebook*
1,9
0,9
1,8
0,9
Ins ag am
4,2
1,1
4,0
1,2
Messenge *
2,9
1,3
2,4
1,2
Wha sApp
3,5
1,2
3,6
1,0
Twi e
2,6
1,7
2,6
1,6
YouTube*
4,3
0,8
4,0
0,9
Wa pad
1,4
0,9
1,4
1,0
Snapcha
2,7
1,5
2,4
1,4
Twi ch*
1,6
1,1
2,6
1,5
TikTok
–
–
1,6
1,1
Apesa da ampla popula idade do YouTube, es a pla a o ma emblemá ica da cul u a de
con e gência (capí ulo 3) ap esen ou uma meno equência de uso na segunda amos a. Es e
ac o é acompanhado pelo inc emen o do ele o (ou su gimen o) de ou as pla a o mas
dedicadas ao ídeo: o TikTok e, sob e udo, o Twi ch. Nes e sen ido, a di e ença
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
254
es a is icamen e signi ica i a enunciada susci a uma in e ogação pa icula men e a im ao
enquad amen o eó ico des a ese: es amos pe an e um caso de subs i uição (capí ulos 2 e 3)
en e edes com inúme as simili udes, con ex ualizada pela semp e ini a disponibilidade de
empo dos públicos (capí ulo 5)? A espos a a igu a-se como nega i a, e ocando uma analogia
com os p incípios da con e gência mediá ica, se a en a mos na elação es abelecida en e
YouTube e Twi ch: as equências de uso de ambas as edes, na segunda amos a, es a am, a é,
signi ica i a e posi i amen e co elacionadas, apesa de ap esen a em alo es de associação
negligenciá eis (τb = 0,127;
= 0,016). Di o de ou o modo, es a co elação mos a sob e udo
que o aumen o da equência de uso de uma des as edes não es a a endencialmen e
acompanhado pela descida da eco ência de u ilização da ou a, numa lógica de subs i uição
(pelo menos imedia a). Po an o, os usos coexis en es des as pla a o mas a é ce o pon o
edundan es, do pon o de is a écnico, exempli icam, uma ez mais, o luga indispensá el dos
p o ocolos sociais (Gi elman, 2006; Jenkins, 2008) – e de mé odos de in es igação ap op iados
pa a a ap eensão dos sen idos e minudências que ma cam os públicos empí icos ace aos mais
acionalizados e compa imen ados hipo é icos – pa a se comp eende os meand os da eceção
dos
media
.
Ainda no caso em ap eço, é possí el si ua a o igem do ( ela i o) meno peso do
YouTube na segunda amos a: pela aplicação do es e não-pa amé ico de Mann-Whi ney, en e
os alunos da Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da C uz, o uso des a ede social (M = 3,7;
DP = 0,9) e a signi ica i amen e meno do que jun o dos es udan es da Escola Secundá ia
Ca los Ama an e (M = 4,1; DP = 0,9). E apesa de a o dem se in e e no caso do Twi ch – e a
signi ica i amen e mais equen e em Mon aleg e (M = 3,0; DP = 1,5) do que em B aga (M =
2,4; DP = 1,5) –, no amen e YouTube e Twi ch es a am posi i amen e co elacionados (τb =
0,254;
= 0,065) nos dados o iundos dos jo ens esiden es na á ea maio i a iamen e u al e
que comple a am o ques ioná io no ano le i o 2020/2021. Po im, as p e e ências
mani es adas pelos esponden es da segunda amos a ela i amen e a e ídeos na in e ne
e o çam a hipó ese de que o que aqui es á em causa não é a mig ação de uma ede pa a ou a
– oi iden i icada uma associação es a is icamen e ele an e (χ = 8,337; V = 0,222), a é de
in ensidade mode ada (Rea & Pa ke , 1992), en e a escola e a seleção da p á ica em ques ão
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
255
como uma das ês a o i as (somen e seis alunos da Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da
C uz apon a am e ídeos como es ando en e as suas a i idades p edile as, con as ando com
um alo espe ado, pelo es e do qui-quad ado, de 13,6). Is o é, e ídeos
online
e ia um
peso (compa a i amen e) meno en e as die as mediá icas dos jo ens de Mon aleg e da
segunda amos a, sem que is o e i asse o YouTube do opo das edes sociais mais usadas,
onde apenas e a suplan ado pelo Ins ag am (M = 4,1; DP = 1,0). Pa a além da escola, nenhuma
das demais a iá eis sociodemog á icas mos ou es a associada ao YouTube, em qualque uma
das amos as.
Ainda den o do olha de po meno o e ado pelas a iá eis sociodemog á icas
conside adas no que conce ne às p e e ências e eco ências em o no de edes sociais, impo a
desen ol e o eo icamen e ele an e caso do Wa pad. Como se cons a a nas Tabelas 13 e 14,
a menos usada e econhecida das pla a o mas lis adas
oi, oda ia, uma das mui as edes
sociais em que a elação com o sexo dos esponden es ap esen ou esul ados de ele o ace aos
es es aplicados, em qualque uma das duas amos as cons i uídas pa a es a Tese. O sen ido
e a in a iá el: não obs an e o uso da pla a o ma de
an ic ion
ap esen ada pelo inqué i o po
ques ioná io se indiscu i elmen e de nicho, mos ou se mais comum en e as apa igas de
qualque uma das amos as, do que en e os apazes.
Tabela 13.
F equência de uso de edes sociais po sexo dos esponden es, na p imei a amos a (1 –
Nunca; 5 – Semp e)
Redes sociais
Sexo
Feminino (n = 142)
Masculino (n = 105)
M
DP
M
DP
Facebook*
1,8
0,8
2,1
0,9
Ins ag am*
4,4
1,0
4,0
1,2
Messenge *
2,7
1,2
3,2
1,3
Wha sApp*
3,7
1,1
3,3
1,2
Twi e
2,8
1,7
2,5
1,7
YouTube
4,3
0,8
4,4
0,7
Wa pad*
1,6
1,1
1,1
0,5
τá
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
256
Snapcha *
3,0
1,4
2,2
1,5
Twi ch*
1,2
0,6
2,1
1,3
Tabela 14.
F equência de uso de edes sociais po sexo dos esponden es, na segunda amos a (1 –
Nunca; 5 – Semp e)
Redes sociais
Sexo
Feminino (n = 107)
Masculino (n = 45)
M
DP
M
DP
Facebook
1,7
0,9
1,7
0,9
Ins ag am*
4,2
1,1
3,7
1,2
Messenge
2,4
1,3
2,3
1,1
Wha sApp*
3,8
0,9
3,3
1,0
Twi e
2,6
1,7
2,3
1,5
YouTube
3,9
0,9
4,1
0,8
Wa pad*
1,5
1,1
1,1
0,5
Snapcha *
2,6
1,4
1,9
1,3
Twi ch*
2,9
1,5
1,9
1,4
TikTok*
1,3
0,8
2,2
1,4
A e o ça a pe inência des a di isão po sexo es ão, ainda, os alo es ela i os à
seleção da lei u a ou isualização de
an ic ion
como p á ica p edile a – apenas na p imei a
amos a (χ = 9,174; V = 0,193) e numa associação aca (Rea & Pa ke , 1992) – e, sob e udo,
a equência da ealização des a a i idade, independen emen e da pla a o ma: an o na p imei a,
como na segunda amos a, os esponden es do sexo eminino (M = 1,8; DP = 1,2 e M = 1,8; DP
= 1,1, espe i amen e) ap esen a am alo es signi ica i amen e supe io es (mesmo se
modes os) po compa ação com os do sexo masculino (M = 1,4; DP = 0,8, em 2019/2020, e M
= 1,4; DP = 0,9, no ano le i o subsequen e).
7.3. REFLEXÕES SOBRE AS COMUNIDADES DE CONHECIMENTO A PARTIR DE
PRÁTICAS DE PARTICIPAÇÃO E DE PRODUÇÃO
Os alo es ela i os às edes sociais e idenciados po ambos os ques ioná ios assumem um
ele o adicional: se as p á icas di e si icadas de que demos con a e am p essupos os essenciais
pa a a eceção de na a i as ansmediá icas, a p esença em espaços
online
como as
pla a o mas em causa o e eciam as mesmas condições de base pa a a hipo é ica pa icipação
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
257
dos jo ens em comunidades de conhecimen o. Como i emos opo unidade de desen ol e no
enquad amen o eó ico, a eceção cole i a em comunidades de conhecimen o é um dos é ices
da cul u a de con e gência e das na a i as ansmediá icas, pelo modo como aquelas
con ibuem pa a c ia sen ido ace à dispe são de his ó ias conc e izadas em á ios meios
(Jenkins, 2008). Con udo, imos igualmen e que a exigen e conceção de pa icipação associada
às comunidades de conhecimen o em sido uma das p incipais objeções a en adas às p opos as
de Hen y Jenkins (e.g., Bi d, 2011; Fuchs, 2014; Schä e , 2011). As azões dessas c í icas
podem se esumidas à al a de e idência de uma conc e ização gene alizada dos o es e mos
p opos os pela cul u a de con e gência – uma conclusão ex ensí el, aliás, à ealidade nacional
(e.g., Pe ei a e al., 2015, 2019, 2021; Pe ei a & Mou a, 2019).
No que aos jo ens que comple a am os inqué i os po ques ioná io aplicados no âmbi o
des a ese diz espei o (Q.6.), con e sa com amigos e a, de o ma ma cadamen e des acada e
sem di e enças de mon a en e ases, a a i idade de pa icipação e in e ação com ou em em
edes sociais
mais comum (Tabela 15). A ans e salidade aqui enunciada es a a ambém
e le ida nas elações que es a p á ica ap esen a a ace às a iá eis sociodemog á icas com que
emos e e uado c uzamen os de dados. Ou seja, as di e enças es a is icamen e signi ica i as
iden i icadas, pa a além de não se em pa ilhadas en e ases, são, eg a ge al, insipien es ou
de po meno :
− na p imei a amos a, os jo ens da Escola Secundá ia Ca los Ama an e (M = 4,5; DP
= 0,8) ala am signi ica i amen e mais amiúde com os amigos a a és das edes
sociais do que os seus congéne es da Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da C uz
(M = 4,3; DP = 0,8), de aco do com o es e não-pa amé ico de Mann-Whi ney pa a
amos as independen es, ainda que es a p á ica osse ex emamen e egula em
qualque um dos casos. Na segunda amos a já não o am iden i icadas
di e enciações es a ís icas com base na escola. Aliás, en e os alunos que
p eenche am o inqué i o po ques ioná io em 2020/2021, somen e o sexo indicou
a iações es a is icamen e ele an es: apesa de, uma ez mais, es a mos em
p esença de médias ele adas em ambos os sexos, as apa igas (M = 4,4; DP = 0,8)
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
258
endiam a ala mais com os amigos a a és das edes sociais do que os apazes (M
= 4,0; DP = 0,8) aba cados pelo de adei o inqué i o po ques ioná io;
− de eg esso à p imei a amos a, a equência do a o de con e sa com amigos
a a és das edes sociais mos ou es a signi ica i amen e co elacionada com e
e oluindo no mesmo sen ido que a idade (τb = 0,257;
= 0,066) e as habili ações
dos pais (τb = 0,128;
= 0,016). Con udo, os alo es de co elação calculados são,
na ipologia p opos a po New on e Rudes am (1999), adje i á eis como acos ou,
a é, inexis en es, espe i amen e.
Tabela 15.
F equência de a i idades de pa icipação e in e ação online em unção da ase de aplicação
dos inqué i os po ques ioná io (1 – Nunca; 5 – Semp e)
A i idades
Fase
P é-pandémica (n = 248)
Du an e a pandemia (n = 169)
M
DP
M
DP
Publica ou pa ilha con eúdos
nas edes sociais*
3,1
1,0
2,7
1,0
Con e sa com amigos nas
edes sociais
4,4
0,8
4,3
0,8
Con e sa com amilia es nas
edes socais
3,2
1,1
3,4
1,1
Con e sa com desconhecidos
nas edes sociais
1,5
0,8
1,5
0,9
Pa icipa num ó um ou
comunidade online
1,6
0,9
1,6
1,0
Joga ideojogos online
2,7
1,5
2,7
1,4
A p eponde ância de agen es socialização (Roseng en, 1994) adicionais ambém em
espaços
online
sai e o çada pela igualmen e conside á el eco ência da in e ação com
amilia es, sob e udo en e as apa igas. Em sen ido con á io, a única p á ica lis ada pela
Tabela 15 mais p opícia ao con ac o com ou em com base sob e udo em in e esses – um dos
p incípios basila es das comunidades de conhecimen o, que med a iam na isão pós-mode na
de diluição da impo ância ela i a de elemen os como a amília nuclea (capí ulo 3) – com
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
259
algum ele o em e mos de equência no quo idiano é joga ideojogos
online
. A i idades
como con e sa com desconhecidos e pa icipa em ó uns ou comunidades
online
e am
incomuns – nas amos as como um odo, mas ambém sem dis inções e e i amen e
impac an es em unção das a iá eis sociodemog á icas. Po an o, em linha com os seu
congéne es que pa icipa am no p oje o eu opeu
T ansmedia Li e acy
(Pe ei a e al., 2021) e no
que diz espei o à sociabilidade desen ol ida
online
, os jo ens que colabo a am no abalho de
campo des a ese apa en a am usa pla a o mas como as edes sociais sob e udo pa a expandi
– ou dilui , e ocando o concei o de
onli e
de Luciano Flo idi (2007) –, no empo e no espaço, os
seus momen os de con ac o com amigos e amilia es.
Um ou o aspe o indes inçá el das concep ualizações em o no das comunidades de
conhecimen o é a exp essão dos gos os e da c ia i idade dos seus elemen os, que con ibuem
pa a o desen ol imen o de uma in eligência cole i a (Le y, 2000) ambém pela p odução e
dis ibuição de bens cul u ais en e pa es de uma mesma comunidade (Jenkins, 2008). Pelos
esul ados cons an es na Tabela 15 pe cebemos que as amos as, sob e udo a da ase p é-
pandémica, pa ilha am e publica am com alguma egula idade con eúdos nas edes sociais.
E am, con udo, menos p opensas à p odução, pa ilha ou p ossecução de a i idades (Q.7.)
associadas às p odu i idades enuncia i a e ex ual (Fiske, 1992b):
− desenha mos ou se a a i idade c ia i a, en e aquelas lis as pelo inqué i o po
ques ioná io, mais eco en e em qualque uma das duas amos as. Toda ia, oi
p ecisamen e aqui que encon amos a única di e ença es a is icamen e signi ica i a
com e e ência à ase, de aco do com o es e não-pa amé ico de Mann-Whi ney: os
jo ens que comple a am as ques ões susci adas pelo ins umen o du an e a
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
260
pandemia desenha am signi ica i amen e mais egula men e (M = 2,7; DP = 1,3) do
que os que esponde am no momen o de aplicação an e io (M = 2,3; DP = 1,1). A
idade e o sexo es a am, da mesma o ma, signi ica i amen e associadas a es a
p á ica, em ambas as amos as. Tan o no p imei o (τb = –0,258;
= 0,067) como
no segundo ques ioná io (τb = –0,214;
= 0,046), oi iden i icada uma co elação
nega i a, ainda que aca (New on & Rudes am, 1999), en e a equência de
desenha e a idade. Es a p á ica e elou-se, ambém, mais signi ica i amen e mais
eco en e en e apa igas (M = 2,6; DP = 1,1, na p imei a amos a, e M = 2,9; DP =
1,3, na segunda) do que en e apazes (M = 2,0; DP = 0,9, em 2019/2020, e M =
2,2; DP = 1,3, no ano le i o seguin e);
− já a p á ica de g a a ídeos não acompanha a a an e io men e mencionada
popula idade das pla a o mas dedicadas a es e o ma o: com médias a onda os
dois alo es na escala de cinco pon os usada – 2,1 (DP = 1,2) na p imei a amos a
(sendo aqui um pouco supe io en e as apa igas) e 2,0 (DP = 1,1) na segunda –
, não se dis inguia, em e mos de egula idade, de, po exemplo, esc e e ex os
pessoais (M = 1,9; M = 1,2 an es da pandemia e M = 2,0; DP = 1,2 já aquando da
eme gência de saúde pública susci ada pelo SARS-CoV-2);
− a ques ão em o no da publicação na in e ne , incluindo em edes sociais, das suas
p óp ias c iações de ol eu médias ainda mais baixas: na p imei a amos a, a onda
os 1,8 (DP = 1,1) e na segunda uns em udo semelhan es 1,7 (DP = 1,1), numa
escala de Like de cinco pon os. No que diz espei o à elação des a p á ica com o
mais amplo a o de publica con eúdos nas edes sociais de que demos con a acima
(Tabela 15), e i icou-se a exis ência de uma co eção posi i a, mas ágil (New on &
Rudes am, 1999), em qualque um dos momen os de cole a de dados: os alo es
do coe icien e de co elação de Kendall (τb) iden i icados na p imei a amos a
ci a am-se em 0,255 (
= 0,065), subindo pa a 0,390 (
= 0,152) na segunda;
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
261
− po im, o a o de aze
cosplay
, exp essão-mo da p odu i idade enuncia i a dos ãs,
des acou-se po alo es p o undamen e disco dan es em qualque uma das ases (e
sem di e enças en e elas): nos dados ela i os a 2019/2020, a média não oi além
de 1,1 (DP = 0,5); pa a o ano le i o subsequen e oi calculada em 1,3 (DP = 0,8).
Das a iá eis sociodemog á icas, apenas na associação com escola e somen e no
p imei o ques ioná io encon amos dis inções es a is icamen e signi ica i as – não
obs an e os dados sublinha em que, mesmo na di e ença, as médias são
ma cadamen e baixas: 1,1 (DP = 0,3), en e os alunos da escola de B aga, e 1,3
(DP = 0,7), com base nas espos as dos es udan es de Mon aleg e.
As in equen es p á icas au odecla adas de p odução não equi aliam, oda ia, a
pe ceções nega i as sob e as capacidades exis en es pa a c ia em di e en es o ma os ou
ela i amen e aos conhecimen os sob e modos como são ge ados, alojados e explo ados alguns
dos mais salien es ex os mediá icos, al como se cons a a nos esul ados enume ados pela
Tabela 16, e e en es a Q.12.. Os dados aí lis ados são o esul ado de uma no a con e são de
uma ou a escala de Like de cinco pon os em alo es numé icos de 1 a 5.
Um dos aspe os mais e iden es da in o mação ap esen ada pela Tabela 16 é a ausência
de di e enças es a is icamen e signi ica i as en e as amos as. Aliás, es a consis ência nas
a i udes sai e o çada pelos esul ados de uma análise a o ial explo a ó ia ealizada pa a a
pe gun a Q.12., com o p opósi o de simpli ica a discussão das oi o asse ções ap esen adas pela
iden i icação de a o es que lhes se iam la en es. Em ambos os casos, os mesmos ês a o es
o am ex aídos (Tabela 17), sem que se enham egis ado di e enças es a is icamen e
signi ica i as en e as médias de cada ase, podendo se nomeados como:
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
268
Fa o 1: nuances do en ol imen o com comunidades conhecimen o de con eúdos
na a i os
No que diz espei o ao a o 1, uma das mais salien es cons a ações que esul a do
ag upamen o de a iá eis que êm la en e o en ol imen o em comunidades de conhecimen o é a
di e sidade de mani es ações que esse mesmo en ol imen o assumia nas duas amos as – em
con o midade com a discussão eó ica esboçada no e cei o capí ulo, que, eco damos,
sus en ou a pe inência de se assumi uma ce a polissemia do concei o de pa icipação,
con as ando com a isão es i amen e in e a i a, de alo ização p imo dial da pa icipação
explíci a (Schä e , 2011), eiculada po Jenkins (2008) em
Con e gence Cul u e
. Ou seja:
− apesa de equen emen e menosp ezada (C aw o d, 2011; Jenkins e al., 2013), a
escu a – aqui en endida em sen ido la o, sendo, como imos, pejo a i amen e
associada ao
lu king
(C aw o d, 2011; Jenkins e al., 2013) e endo, na ques ão em
ap eço, assumido a o ma de segui páginas – não só in eg a o a o em causa,
como mos ou se o ipo de p á ica, de en e as ag egadas, cuja pe o mance euniu
um maio ní el de conco dância. Em de alhe, a a i mação associada a segui
páginas o iciais edundou numa média de 3,8 (DP = 1,2) na p imei a amos a e de
3,9 (DP = 1,2) na segunda. Já o acompanhamen o de páginas de ãs egis ou
alo es meno es – e es a is icamen e supe io es en e os esponden es de
2019/2020 (M = 2,9; DP = 1,5) ace aos do ano le i o seguin e (M = 2,6; DP =
1,6) –, mas que, ainda assim, supe a am os a e bados pelas asse ções mais do
lado da pa icipação explíci a (Schä e , 2011) e com as quais con i e no a o . Es e
úl imo esul ado indicia um aspe o de e iden e impo ância pa a a discussão da
cul u a de con e gência – a apa en e capacidade de os jo ens que colabo a am
nes e abalho (ou alguns deles, impo a sublinha , já que os ele ados alo es de
des io-pad ão enunciados sus en am uma conside á el dispe são de espos as)
encon a em e acompanha em espaços do
andom
a a és de meios
online
;
τ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
269
− po conseguin e, os ní eis de conco dância com a i mações que sus en a am a
exis ência de comen á ios e pa ilhas – logo, de o mas mais isí eis de pa icipação
– com e e ência a espaços o iciais ou de ãs e am endencialmen e meno es po
compa ação com as p á icas de escu a, em qualque uma das amos as. No
en an o, as di e enças e am menos acen uadas no que espei a à ipologia das
páginas (o icial/de ãs). Assim, an o o hábi o de pa icipa em páginas o iciais (M =
2,5; DP = 1,3, em 2019/2020, e M = 2,4; DP = 1,4, no ano le i o seguin e) como
em páginas de ãs (M = 2,2; DP = 1,3 na p imei a amos a e M = 2,0; DP = 1,3, na
segunda) das his ó ias a o i as dos jo ens en a am já em e enos de disco dância,
mesmo se pa cial;
− po im, de ealça que nes e a o en a, ambém, um aspe o p imo dial das
comunidades de conhecimen o eo izadas po Jenkins (2008): o uso dos meios
digi ais pa a ompe com os limi es geog á icos, possibili ando o diálogo com ãs
pa a além dos agen es de socialização adicionais. Vimos, na secção an e io , que
ala com desconhecidos e a um hábi o pouco equen e en e os jo ens inqui idos;
as a i udes aqui a aliadas es ão, ambém, em e eno de disco dância, no amen e
pa cial, endo egis ado médias de 2,1 (DP = 1,2) na p imei a amos a e de 2,2 (DP
= 1,3) na segunda. Toda ia, es e compo amen o emblemá ico das comunidades de
conhecimen o enal ecidas em
Con e gence Cul u e
(Jenkins, 2008) es á posi i a e
signi ica i amen e co elacionado que com segui que com pa icipa em
páginas elacionadas com as his ó ias p edile as dos esponden es. Po an o, ainda
que as equências de pa icipação em comunidades de conhecimen o possam não
se aquelas espe adas pela eo ização de Jenkins (2008), as associações aqui
τ τ
τ
τ
τ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
270
iden i icadas, mesmo se ela i as a p á icas espo ádicas ou mino i á ias, alinham
com o sus en ado pelo concei o-ânco a des a ese.
Ainda ela i amen e às a i udes e ao a o a é aqui e idenciados, os dados em causa não
só alinham com a ecusa de um en endimen o de pa icipação subjugada a um aciocínio de
udo ou nada, alo izado somen e das dimensões mais exigen es do concei o, como são
indiciado es de um ou o aspe o já e e ido no sus en áculo eó ico da ese: a escu a e as o mas
de pa icipação endencialmen e explíci as não são mu uamen e exclusi as; a p imei a é amiúde
p ecu so a des as úl imas. A pe inência des a cons a ação (aqui necessa iamen e apenas com
e e ência aos jo ens que colabo a am no abalho de campo) sai e o çada pelas co elações
iden i icadas en e segui e pa icipa , não obs an e os di e en es ní eis de conco dância que
acima elencamos. Assim, an o no p imei o (τb = 0,432;
= 0,187) como no segundo (τb =
0,372;
= 0,138) ques ioná io, os esul ados apon am pa a uma elação posi i a – aca, mas
já a ap oxima -se do limia máximo des a delimi ação emp eendida po New on e Rudes am
(1999) – en e segui e pa icipa em páginas o iciais das his ó ias. Os alo es do coe icien e de
co elação de Kendall são mais exp essi os quando os a os de segui e pa icipa são ei os com
e e ência a páginas de ãs: an o en e os jo ens da amos a cons i uída em 2019/2020 (τb =
0,536;
= 0,287) como en e aqueles que esponde am às ques ões no ano le i o seguin e (τb
= 0,596;
= 0,355) o am iden i icadas associações que e oluem no mesmo sen ido en e
a iá eis em causa e que são já adje i á eis como mode adas (New on & Rudes am, 1999).
Há, pa a ence a a discussão des e a o , um ou o ipo de co elação iden i icada de
que impo a da con a: a coincidência en e páginas o iciais e de ãs no en ol imen o dos jo ens
das amos as com comunidades de conhecimen o, que é pa icula men e consonan e com um
en endimen o de cul u a de con e gência onde con i em, com alguma luidez, indús ias
cul u ais e públicos c iado es de con eúdos (de que se ão exemplo as páginas
seguidas/pa icipadas da pe gun a). No que diz espei o ao seguimen o de páginas o iciais e de
ãs, an o no p imei o ques ioná io (τb = 0,382;
= 0,146) como no segundo (τb = 0,412;
=
0,170) o am iden i icadas associações posi i as, mas acas. Con udo, o pa ama de lei u a
pa a a pa icipação (com comen á ios ou pa ilhas) em qualque um des es ipos de espaços
online
é já o da co elação mode ada – que na amos a inicial (τb = 0,504;
= 0,254), que na
subsequen e (τb = 0,546;
= 0,298), enal ecendo a luidez acima e e ida.
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
271
Fa o 2: a c iação e publicação de con eúdos ins igadas pelas his ó ias ou pe sonagens
p edile as
Ti emos já opo unidade de da con a, com base na pe ceção da equência de
ealização de p á icas c ia i as, que es as e am incomuns nas duas amos as. Os ní eis de
conco dância com cada uma das qua o a iá eis ag egadas pelo a o 2 consolidam es a lei u a:
as médias ob idas po qualque e são do ins umen o de in es igação es ão, sem su p esa ou
di e enças es a is icamen e ele an es en e amos as, en aizadas no e eno da disco dância
(Tabela 20).
Tabela 20.
Ní eis de conco dância ace a p á icas c ia i as susci adas po his ó ias ou pe sonagens
p edile as, em unção da ase de aplicação dos inqué i os po ques ioná io (1 – Disco do o almen e; 5 –
Conco do o almen e)
Asse ções
Fase
P é-pandémica (n = 248)
Du an e a pandemia (n = 169)
M
DP
M
DP
Cos umo esc e e ou g a a
his ó ias que se passam nos
meus uni e sos de icção
p e e idos
2,0
1,2
2,0
1,3
Cos umo esc e e ou g a a
his ó ias em que mis u o
pe sonagens que azem pa e
uni e sos de icção di e en es
1,8
1,1
1,9
1,2
Cos umo esc e e ou g a a
e iews (c í icas, a aliações,
e c.) das minhas his ó ias ou
pe sonagens a o i as
1,7
1,0
1,8
1,2
Cos umo publica na In e ne
as minhas c iações inspi adas
nas minhas his ó ias e
pe sonagens p e e idas
1,7
1,0
1,8
1,2
Con udo, há que salien a que um dos aspe os mais ele an es pa a a in e p e ação do
a o 2 é encon ado naquilo que lhe escapou. Pelas ma izes ap esen adas pelas Tabelas 18 e
19 e i ica-se que o hábi o de imagina his ó ias ou eo ias sob e os mundos diegé icos a o i os
dos jo ens inqui idos – logo, uma o ma de ope acionalização das suas p odu i idades
semió icas (Fiske, 1992b) – não acompanha a as p á icas c ia i as/de pa ilha la en es. Aliás,
as médias a e badas pela a i mação “cos umo imagina his ó ias ou eo ias sob e as minhas
pe sonagens e uni e sos de icção a o i os” es ão já o a dos alo es disco dan es: em
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
272
2019/2020 oi de 3,4 (DP = 1,4), na escala de Like de cinco pon os u ilizada, e no ano le i o
seguin e quedou-se nuns mui o semelhan es 3,5 (DP = 1,4). Po an o, não su p eende que,
apesa de e em sido iden i icadas, em ambas as amos as, co elações signi ica i as e de
sen ido semelhan e en e qualque uma das a i mações do lado da p odu i idade ex ual,
eunidas no a o 2, e a asse ção do lado da p odu i idade semió ica (Fiske, 1992b), as
associações em causa sejam in a ia elmen e negligenciá eis ou acas (New on & Rudes am,
1999). Ou seja, são, no limi e, e en uais indiciado as da p ecedência que Fiske (1992b) a ibuía
à p odu i idade semió ica ace às demais, mas igualmen e da já e e ida condição de nicho das
p á icas mais alo izadas pela p imei a aga dos
an s udies
no con ex o po uguês, já que a
adução de uma o ma de p odu i idade em ou a se á, sem su p esas, espo ádica e/ou
mino i á ia.
Pa a lá dos a o es: no as sob e amizades, a sua elação com os con eúdos p e e idos
das amos as e o caso das ap endizagens in o mais
En e as a i mações lis adas em Q.9., aquela que euniu, de o ma des acada, um maio
ní el de conco dância incidia sob e a exis ência de gos o em ala com amigos sob e con eúdos
mediá icos p edile os e pa ilhados: nas duas amos as, as médias calculadas pa a es a a iá el
edunda am nuns exp essi os 4,3, a e idas com e e ência a uma escala de Like de cinco
pon os. Apesa da a inidade mani es ada ace à con e sa en e pa es, não encon amos
e idências sólidas de que as his ó ias e pe sonagens p e e idas, como um odo, dos jo ens das
amos as ossem amplamen e comungadas nos seus cí culos de amizade: pa a além de
τ
τ
τ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
273
médias de conco dância mais baixas em qualque um dos ins umen os de ecolha de dados (M
= 2,8; DP = 1,1 em 2019/2020 e M = 2,9; DP = 1,0 em 2020/2021) e de não e ca egado
num mesmo a o álido ace à a iá el an e io (Tabelas 18 e 19), as co elações
iden i icadas en e as duas asse ções aqui em causa e am classi icá eis (New on & Rudes am,
1999) como negligenciá eis – na p imei a amos a, com um coe icien e de co elação de
Kendall (τb) de 0,122 (
= 0,015) – ou acas – na segunda, onde o alo de au-b ci ou-se em
0,237 (
= 0,056).
As apa en es dissonâncias de que acabamos de da con a são, no en an o, e oca i as de
uma das p incipais cons a ações iden i icadas num dos
ou pu s
do p oje o
T ansmedia Li e acy
,
ela i amen e aos YouTube s: aí (Pe ei a & Mou a, 2022), mais do que um a unilamen o de
gos os, encon á amos uma conside á el di e sidade de p e e ências que, ainda assim, não
obs a am ao econhecimen o de e e ências a en adas po ou em e, sob e udo, à exis ência de
um e eno cul u al comum que pe mi isse o diálogo sob e a pla a o ma em ques ão e os seus
c iado es de con eúdos. Os dados dos ques ioná ios ela i os ao gos o de ala com amigos
sob e p e e ências pa ilhadas, mesmo que es as não o sejam o almen e, podem se lidos po
um p isma a im: os con eúdos a o i os dos jo ens das amos as não se esgo am – nem negam
– a exis ência de sociabilidade e socialização em o no de um conjun o mais es i o de
p edileções; den o da di e sidade de gos os, há espaço pa a as comunalidades e es as são,
como se cons a a pelos esul ados ap esen ados no começo des e pon o, amplamen e
ap eciadas. Es e ac o é, ainda, exempli ica i o do que esc e emos a p opósi o do público como
p á ica (capí ulo 5): mais do que um es ado ixo, de ácil ap eensão e delimi ação, se -se público
é uma condição, uma a i idade necessa iamen e si uada que con i e com ou as que
cons i uem as mais di e sas ealidades sociais des es jo ens.
Também ela i amen e ao papel dos amigos nas p e e ências dos jo ens inqui idos, há
um ou o aspe o de ele o cuja abo dagem é ine i á el, conside ando o enquad amen o eó ico
açado: a não iden i icação de qualque co elação es a is icamen e signi ica i a
(nomeadamen e de sen ido opos o) en e as ases que e sa am sob e pa ilha de gos os e a
con e sa, en e amigos, sob e os con eúdos a o i os dos esponden es com o uso da in e ne
α
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
274
pa a ala com ãs de his ó ias e pe sonagens que os jo ens ap eciassem, mas cujo gos o não
osse pa ilhado com os amigos. Di o de ou o modo, es a o ma de en ol imen o com
comunidades de conhecimen o, in eg an e do a o 1, e oca a a possibilidade que os espaços
online
ep esen a iam pa a escapa “ao pa oquialismo e ao isolacionismo” (Jenkins, 2006, p.
166) o iundos das limi ações geog á icas e da p emência dos agen es de socialização
con encionais, um aspe o que, na cul u a de con e gência, es a a sus en ado não só na p á ica
dos ãs, como na e osão do peso desses mesmos agen es indele elmen e ma cados pela
p oximidade ísica. Con udo, em linha com alguns dos dados já a ançados, ela i amen e às
edes sociais, e com bibliog a ia an e io men e publicada sob e a ealidade nacional (e.g.,
Pe ei a, Mou a, e al., 2018; Pe ei a e al., 2021; Pe ei a & Mou a, 2022), os amigos não só
con inua am a se in e locu o es p i ilegiados dos jo ens das amos as, como não se iden i icou
uma endência pa a eco e a espaços
online
quando os in e esses não e am pa ilhados. Es a
cons a ação es á undamen ada não só pelas baixas médias da p imei a asse ção de Q.9., como
pela ausência de uma co elação es a is icamen e signi ica i a en e o ecu so a espaços
online
na ausência de in e esses pa ilhados com aquela que pos ula a que as his ó ias e pe sonagens
p e e idas dos jo ens e am as mesmas dos seus amigos.
Po im, há ainda que e e i os alo es de conco dância a e bados, somen e na
segunda amos a, pela ase que asse e a a a ap endizagem de coisas no as e pesquisas
ins igadas pelos con eúdos a o i os dos esponden es. Se, como imos, as a i mações que
pos ula am a pa icipação explíci a em comunidades de conhecimen o – que, em Jenkins
(2008), se iam
pi o s
des acados na consumação des as o mas de ap endizagens in o mais –
ap esen a am médias em e enos disco dan es, o mesmo não pode se di o pa a a asse ção
aqui em análise: com uma média de 3,9 (DP = 1,1), encon a a-se num luga cimei o e
ans e sal de conco dância.
7.4. PREFERÊNCIAS E PRÁTICAS COM NARRATIVAS
Se a é aqui a amos de dimensões que se iam undamen ais a mon an e ou si uados, do
pon o de is a da sus en ação eó ica esboçada, sob e udo a jusan e da mani es ação es é ica
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
275
da cul u a de con e gência, impo a ago a abo da as p á icas e p e e ências associadas a
elemen os eminen emen e na a i os. Como se cons a a no Anexo 1, os inqué i os po
ques ioná io abo da am es e aspe o de duas o mas. Po um lado, ize am-no de manei a di e a,
inqui indo odos os jo ens sob e con eúdos especí icos ancamen e associados a na a i as
ansmediá icas (Q.10.) e, somen e na segunda amos a, sob e os géne os na a i os de
p e e ência (Q.11.). Po ou o lado, ambém ado a am uma abo dagem essencialmen e indi e a,
a e indo as a i udes dos esponden es ela i amen e a di e en es a i mações que incidiam sob e
aspe os es u u ais das na a i as ansmediá icas (Q.8.), al como discu idas no capí ulo 4.
7.4.1. P e e ências conc e as: o caso de mundos a ei os à na ação
ansmediá ica e dos géne os
Com undamen o na mesma lógica desc i a a p opósi o da in en a iação das edes
sociais conhecidas, em p imei o luga , e depois e e i amen e usadas pelos jo ens, a escala
aplicada pa a a ca ac e ização da a inidade das amos as pe an e uma lis agem de mundos
iccionais p opensos à ansmedialidade ambém p ocu ou conjuga dois p opósi os: p imei o
des inça o conhecimen o p é io e e i o dos con eúdos e depois, em caso a i ma i o, a alia
os gos os dos esponden es a a és de um no o
con inuum
com cinco pon os. Igualmen e em
coe ência com o que se e i icou com o balanço des a opção pa a o caso das edes sociais,
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
276
ambém aqui es e pe cu so duplo se mos ou impo an e do pon o de is a da in o mação
ge ada.
Como se cons a a na Tabela 21, a maio ia dos uni e sos iccionais lis ados e a
econhecida pela ambém maio ia dos jo ens. Alguns, com pa icula des aque pa a o caso de
Homem-A anha
(cuja adição do pe sonagem ao Ma el Cinema ic Uni e se, elemb amos,
jus i icou a sua inclusão como exemplo a discu i nas en e is as indi iduais), ou ainda de
Ba man
e
Ha y Po e
,
ap esen a am, em qualque uma das ases, alo es de conhecimen o a
onda ou a ul apassa os 90%, enquan o e e so dos esul ados ap esen ados na Tabela 21,
cen ados no pon o da escala que indica a desconhecimen o.
Tabela 21.
Núme o e pe cen agem de espos as de não conhecimen o de mundos iccionais po ase de
aplicação do inqué i o po ques ioná io
Con eúdos
Fase
P é-pandémica (n = 248)
Du an e a pandemia (n = 169)
n
%
n
%
S a Wa s
19
7,7%
58
34,3%
S a T ek
141
56,9%
123
72,8%
Os Vingado es/The A enge s
13
5,2%
32
18,9%
Liga da Jus iça
63
25,4%
65
38,5%
Ba man
8
3,2%
17
10,1%
Homem-A anha
4
1,6%
6
3,6%
Pokémon
11
4,4%
33
19,5%
D agon Ball
21
8,5%
54
32,0%
One Piece
136
54,8%
118
69,8%
Ha y Po e
7
2,8%
18
10,7%
Senho dos Anéis/Hobbi
37
14,9%
62
36,7%
Gue a dos T onos/Game o
Th ones
31
12,5%
77
45,6%
The Wi che
–
–
116
68,6%
Di e gen e
122
50,8%
100
59,2%
C epúsculo/Twiligh
60
24,2%
57
33,7%
Os Jogos da Fome/The
Hunge Games
71
28,6%
63
37,3%
Se, po um lado, a escola ou as habili ações dos p ogeni o es não se e ela am
como a iá eis pa icula men e eco en es na iden i icação de di e enças es a is icamen e
χ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
277
signi ica i as associadas à exis ência de conhecimen o dos con eúdos em causa, o mesmo não
pode se a i mado no espei an e à idade e ao sexo dos jo ens. Começando pela idade, há que
des aca ês icções que ma ca am p esença, en e as a iações es a ís icas de ele o, nas duas
amos as conside adas. Como se e i ica pelos alo es ap esen ados pela Tabela 22, os jo ens
que conheciam
Di e gen e
,
C epúsculo/Twiligh
e
Os Jogos da Fome/The Hunge Games
e am
signi ica i amen e mais elhos do que aqueles que não conheciam, de aco do com o es e não-
pa amé ico de Mann-Whi ney pa a amos as independen es.
Tabela 22.
Média de idades dos jo ens que conheciam ou não conheciam di e en es mundos iccionais
po ase de aplicação do inqué i o po ques ioná io
Con eúdos
Fase
P é-pandémica (n = 248)
Du an e a pandemia
(n = 169)
Idade
Idade
Não conhece
Conhece
Não conhece
Conhece
S a Wa s*
M
14,9
14,9
15,4
14,7
DP
2,0
1,8
1,7
1,9
S a T ek*
M
14,5
15,4
14,8
15,2
DP
1,7
1,7
1,8
1,9
Os Vingado es/The
A enge s
M
14,8
14,9
15,1
14,9
DP
1,8
1,8
1,6
1,9
Liga da Jus iça
M
14,7
15,0
15,0
14,9
DP
1,7
1,8
1,8
1,8
Ba man
M
15,9
14,9
14,7
14,9
DP
1,8
1,8
1,8
1,8
Homem-A anha
M
15,8
14,9
13,8
15,0
DP
1,3
1,8
2,0
1,8
Pokémon
M
15,0
14,9
15,2
14,9
DP
1,8
1,8
1,8
1,8
D agon Ball
M
14,8
14,9
15,0
14,9
DP
1,4
1,8
1,8
1,8
χ
χ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
284
Os Vingado es/The
A enge s
83
3,1
1,3
41
3,4
1,2
Liga da Jus iça
59
2,8
1,3
35
2,9
1,0
Ba man
95
2,5
1,2
42
2,9
1,2
Homem-A anha
104
2,9
1,3
43
3,2
1,3
Pokémon*
85
2,0
1,2
38
2,9
1,5
D agon Ball
69
1,6
1,0
32
2,2
1,4
One Piece
23
2,2
1,5
20
2,5
1,4
Ha y Po e
95
3,3
1,7
42
3,2
1,6
Senho dos
Anéis/Hobbi
64
3,0
1,4
31
2,7
1,6
Gue a dos
T onos/Game o
Th ones
56
2,8
1,5
26
2,7
1,5
Di e gen e
26
2,7
1,5
21
3,0
1,4
C epúsculo/Twiligh *
43
3,0
1,3
18
2,4
1,3
Os Jogos da
Fome/The Hunge
Games
73
3,0
1,6
28
2,1
1,4
Começando po
C epúsuclo/Twiligh
, é sem su p esas, ace ao que a ançamos acima
sob e o osso po sexo que em sido es udado en e os públicos des a diegese iniciada nos li os
de S ephenie Meye (Click e al., 2016; She ield & Me lo, 2010), que encon amos di e enças
assinalá eis, das maio es en e aquelas lis adas nas Tabelas 23 e 24, en e as médias o iundas
de apa igas ( endencialmen e maio es) e apazes (signi ica i amen e meno es). Como
esc e emos, a no idade espei an e a es e uni e so de an asia esidia a mon an e, no ac o de
di e enças equi alen es não se e em e i icado ambém na exis ência de expe iências p é ias de
eceção. O a, a con i ência en e es es dois cená ios susci a, pelo menos, duas hipó eses de
lei u a que impo a a ança :
− ou os apazes das amos as, enquan o públicos, compo a am-se como omní o os
cul u ais (Pe e son, 1992), logo, com consumos a iados que desa ia am a
segmen ação hipo é ica, não obs an e a exis ência pos e io de ap eciações
cla amen e di e sas;
− ou sen i am necessidade de ma ca , pelo ecu so à escala ap esen ada no
ques ioná io, o seu dis anciamen o ace a um con eúdo que em sido emblemá ico
das desigualdades que subsis em na alo ização social do sexo p e e encial de
públicos hipo é icos e, consequen emen e, dos (maio i a iamen e) empí icos que
lhes co espondem – jo ens apa igas, no exemplo em ques ão (Click e al., 2016;
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
285
She ield & Me lo, 2010). Es a possibilidade coaduna -se-ia com uma endência
iden i icada po Da id Buckingham e Julian Se on-G een (2004): “a g ande
maio ia dos apazes é ex emamen e esis en e a udo o que é «de menina»” (p.
15).
Já ela i amen e a
Pokémon
, que, ao con á io dos demais con eúdos japoneses
ap esen ados, não inha, como opo unamen e demos con a, lei o es-modelo explici amen e
masculinos, as azões pa a a maio p e e ência egis ada en e os apazes, po compa ação
com as apa igas, a igu am-se menos e iden es. Ainda assim, uma pis a e en ualmen e
impo an e pode se encon ada na o e p esença des es con eúdos em o ma o de ideojogo:
mesmo ap esen ando associações endencialmen e acas (New on & Rudes am, 1999), a
p e e ência po
Pokémon
es a a, em qualque uma das amos as, signi ica i a e posi i amen e
co elacionada com o hábi o de joga em consolas (τb = 0,184;
= 0,034, na p imei a amos a;
τb = 0,237;
= 0,056, na segunda) e com o gos o po ideojogos (τb = 0,238;
= 0,057, em
2019/2020; τb = 0,378;
= 0,143, no ano le i o seguin e, cons i uindo es e o alo mais
exp essi o no caso em discussão). Assim, mesmo que pudesse não se uma p edileção em oga
na al u a da cole a de espos as, desde logo en e os jogado es (sob e udo masculinos) de
ideojogos, é plausí el que es es i essem já ido algum ipo de conhecimen o ou hábi o p é io
com a mundi idência desen ol ida em exclusi o pa a sis emas Nin endo pela Game F eak – e,
sob e udo, que alguns o man i essem.
A ançando pa a as demais a iá eis sociodemog á icas e e omando a globalidade das
icções lis adas em Q.10., ambém na escala de ap eciação dos con eúdos lis ados a idade e as
habili ações dos p ogeni o es dos jo ens mos a am não es a ele an emen e associadas às
alo izações mani es adas nos inqué i os po ques ioná io. Is o é, as poucas di e enças
es a is icamen e signi ica i as iden i icadas apon a am pa a associações negligenciá eis
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
286
(New on & Rudes am, 1999) en e os dados da escala e as a iá eis aqui em causa. A escola
ambém p oduziu poucas di e enças, sendo, no en an o, de des aca uma ez mais o caso de
C epúsculo/Twiligh
: es e e a cla amen e mais ap eciado pelos alunos a equen a o
es abelecimen o de Mon aleg e (M = 3,2; DP = 1,6, na p imei a amos a; M = 3,3; DP = 1,5, na
segunda) do que pelos seus pa es que cu sa am em B aga (M = 2,6; DP = 1,6, no p imei o ano
de aplicação do inqué i o po ques ioná io; M = 2,4; DP = 1,6), no segundo), segundo o es e
não-pa amé ico de Mann-Whi ney pa a amos as independen es. Pa a além des e caso,
egis a am-se di e enças singula es ela i as a:
−
Homem-A anha
e
Senho dos Anéis/Hobbi
, na p imei a ase, com o p imei o a se
signi ica i amen e mais ap eciado en e os es udan es da Escola Secundá ia Ca los
Ama an e (M = 3,7; DP = 1,3
e sus
M = 3,1; DP = 1,3) e o segundo a e idencia -se
en e os inqui idos da Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da C uz (M = 3,0; DP =
1,2
e sus
M = 2,6; DP = 1,5);
−
One Piece
, na segunda, sendo es e
anime/manga
signi ica i amen e mais ap eciado
en e os discen es da escola em á ea maio i a iamen e u bana (M = 2,5; DP = 1,6)
do que en e os do es abelecimen o de ensino localizado na á ea
p edominan emen e u al (M = 1,4; DP = 0,5).
Ainda a p opósi o das p e e ências conc e as dos jo ens, impo a, pa a inaliza es a
secção, des aca o caso dos géne os na a i os abo dado somen e no segundo ques ioná io. Em
Q.11., os 169 inqui idos pude am seleciona a é ês das dez opções ap esen adas. Como se
cons a a na Figu a 6, se os con eúdos de comédia e ação lide a am des acadamen e, os de
supe -he óis e
anime/manga
encon a am-se no ex emo opos o. Se es e úl imo não cons i ui
um dado su p eenden e, conside ando a cla a condição de nicho dos con eúdos japoneses de
que emos indo a da con a, o caso dos supe -he óis é-o com necessá ias implicações pa a a
discussão dos dados an e io es: não obs an e alguns dos mais econhecidos e, a é, ap eciados
con eúdos lis ados pelo ques ioná io (Tabela 21 e Figu a 5) en ol e em supe -he óis, o ap eço
po es e géne o não é exp essi o ao pon o de se escolhido como uma de ês possibilidades.
Aliás, géne os adicionalmen e p opícios à na ação ansmediá ica –
anime/manga
, supe -
τ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
287
he óis, an asia, icção cien í ica – não o am selecionados, qualque um deles, po mais de um
em cada qua o dos 169 jo ens que esponde am ao segundo ques ioná io. De en e os 18
inqui idos que indica am p e e i ou os géne os, somen e e o e suspense/mis é io (oi o
indicações cada) egis a am um núme o plu al de espos as.
Figu a 6.
Géne os p e e idos selecionados pela segunda amos a (n = 169)
Quan o a di e enças de p e e ências po géne o na a i o ace às a iá eis
sociodemog á icas, uma ez mais o sexo mos ou se o a o mais eco en e e, po ezes,
cla amen e di e enciado . Is o é, com base em es es de qui-quad ado,
− os apazes des aca am-se ace às apa igas na escolha de
anime/manga
(χ =
5,524; V = 0,191), numa associação aca (Rea & Pa ke , 1992), e de despo o (χ
= 17,530; V = 0,340) e de supe -he óis (χ = 9,459; V = 0,249), em associações
mode adas (Rea & Pa ke , 1992). Quan i icando, dos 45 esponden es do sexo
masculino que pa icipa am no segundo ques ioná io, 10 seleciona am
anime/manga
, sendo a p opo ção bas an e in e io en e os do sexo eminino (9 em
107, logo, somen e 8,4%). Já ela i amen e a despo o e a supe -he óis, ce ca de 1
em cada 3 apazes escolheu um des es géne os, ao passo que as pe cen agens de
seleção onda am somen e os 9,3% e 12,1% en e apa igas, espe i amen e;
− em sen ido con á io, as apa igas escolhe am mais ma cadamen e d ama (χ =
11,459; V = 0,275), an asia (χ = 6,577; V = 0,208) e omance (χ = 28,836; V =
0,436), sendo as duas p imei as associações mode adas e a e cei a já
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
288
ela i amen e o e, segundo a ipologia p opos a po Rea e Pa ke (1992). Ou seja,
os casos de d ama e an asia o am apon ados po 32,7% e 30,8% das apa igas,
po con as e com os somen e 3 e 5 apazes, espe i amen e, em 45 inqui idos do
sexo masculino. O osso é ainda maio no caso de omance: somen e 2 apazes
indica am es a possibilidade, po oposição à maio ia (50,5%) das apa igas, o único
caso em que mais de me ade dos esponden es de um dado sexo selecionou um
géne o na a i o em conc e o.
Des e modo, ambém os esul ados de Q.11. indicia am um aspe o já amplamen e
a ado: o papel do sexo (necessa iamen e socializado) na elação en e os públicos hipo é icos
de con eúdos e os empí icos consubs anciados nos jo ens da amos a, numa ansposição que
não é pe ei a (a inal, nem odos os apazes ou apa igas p e e em ou consomem os con eúdos
ou géne os que mais lhes são associados, pa a além de se semp e necessá ia acau ela a
panóplia de sen idos e mo i ações que onalizam as eceções). Das demais a iá eis
sociodemog á icas, apenas a idade, e somen e no caso de omance, mos ou es a
es a is icamen e elacionada com a sua indicação pela amos a: a média de idades e a
signi ica i amen e supe io en e quem selecionou es e géne o na a i o (M = 15,3; DP = 1,9)
ace a quem não o escolheu (M = 14,7; DP = 1,8), com base na aplicação do es e não-
pa amé ico de Mann-Whi ney pa a amos as independen es.
7.4.2. A i udes ace a aços dis in i os das na a i as ansmediá icas
Como elencamos na Tabela 1, oi pela pe gun a Q.8. que odos os jo ens das duas
amos as o am con on ados com di e en es aspe os que são essenciais pa a a consumação
das na a i as ansmediá icas, al como p imo dialmen e desen ol idas po Jenkins (e.g., 2007,
2008, 2011). Também na p imei a abela des a ese di e enciamos p á icas e p e e ências,
en e as alíneas da ques ão; con udo, a análise a o ial ealizada con i mou um aspe o e iden e:
a di isão suge ida exis e apenas pa a ins analí icos e a gumen a i os, de cons ução de um
modelo de análise, já que ambas (p á icas e p e e ências) mos a am es a emb enhadas. Ou
seja, na segunda amos a, odas as dez alíneas de Q.8. ca ega am num mesmo a o
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
289
amplamen e consis en e (α = 0,832); na p imei a amos a, o único a o álido iden i icado
(Tabela 25) conjuga a a iá eis do lado das p á icas e ou as das p e e ências, des acando-se
po ag ega asse ções que enal eciam a ex ensão, no empo e po con eúdos (o iciais) á ios,
das diegeses de eleição. Ainda assim, apesa de as espos as ecolhidas em 2019/2020 não
e em e idenciado um a o ag egado de odas as a i mações, o ní el de consis ência in e na
das dez alíneas de Q.8., a e ido uma ez mais pelo α de C onbach, encon a a-se nuns
acei á eis 0,723. Es es dados podem se lidos como suge indo, en ão, não só a já e e ida
a i icialidade da dis inção en e p á icas e p e e ências, como ambém o legí imo luga que
elemen os pa a ex uais, do
me chandising
à p odu i idade enuncia i a e ex ual dos ãs,
ocupa am no ecossis ema o mado em o no da eceção de na a i as ansmediá icas pelos
jo ens das duas amos as.
Tabela 25.
Ma iz pad ão dos a o es ex aídos (Q.8.) da p imei a amos a (n = 248)
Asse ções
Fa o es
1
2
3
Quando gos o de um con eúdo (um li o, ilme,
sé ie, ideojogo, e c.), cos umo e ou le
ambém ou os con eúdos com his ó ias que
acon ecem no mesmo uni e so ou com as
mesmas pe sonagens*
0,738
0,038
–0,107
Cos umo le ou e con eúdos mediá icos
a iados, com his ó ias e pe sonagens di e en es*
0,744
–0,190
0,055
Quando gos o de uma pe sonagem, p ocu o
segui as suas his ó ias em no os con eúdos, ao
longo do empo*
0,599
0,354
0,087
Tenho o hábi o de e sequelas ou p equelas
(his ó ias que acon ecem depois ou an es da
o iginal) e ou as adap ações dos meus
con eúdos mediá icos p e e idos*
0,527
–0,124
0,451
Cos umo le ou e c í icas, eo ias e/ou
p e isões ei as po ãs sob e o desen ol imen o
das minhas his ó ias e pe sonagens p e e idas
0,279
–0,140
0,665
Cos umo comp a me chandising ( oupa, igu as
de ação, obje os de coleção, e c.) elacionado
com as minhas his ó ias e pe sonagens
p e e idas
–0,159
0,161
0,843
Gos o que as minhas pe sonagens e his ó ias
a o i as enham con inuações, que não acabem
0,026
0,692
–0,204
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
290
Gos o de acompanha o c escimen o e
desen ol imen o das minhas pe sonagens e
uni e sos de icção p e e idos ao longo do
empo*
0,573
0,346
0,029
As pe sonagens e his ó ias que acompanho em
di e en es con eúdos mediá icos são aquelas com
que mais me iden i ico
0,237
0,477
0,068
Quando gos o de um con eúdo, gos o de o e e ,
ele ou de o ol a a joga mui as ezes
–0,135
0,646
0,259
α
de C onbach po a o **
0,731
0,356
0,518
α α
A consis ência in e na apon ada ou a indicação de que há algo la en e às di e en es
a i mações em análise não signi ica que odas elas cons i uam uma unidade com ní eis de
conco dância semelhan es, calculados a pa i da escala de Like de cinco pon os em uso. A
es e espei o, há que des aca dois aspe os complemen a es, com base nos esul ados
elencados pela Tabela 26, pelo ac o de salien a em as nuances da elação dos jo ens com os
elemen os na a i os e en ualmen e ansmediá icos ap esen ados pelos inqué i os po
ques ioná io:
− os ní eis de conco dância es ão (quase) in a ia elmen e em e enos a i ma i os. Ou
seja, somen e uma asse ção, ela i a ao hábi o de aquisição de
me chandising
,
ap esen a a alo es um pouco abaixo do pon o in e médio da escala. Pa a além
dis o, apenas se egis ou uma di e ença es a is icamen e signi ica i a en e
amos as, numa a i mação com ele ados ní eis de conco dância e espei an e à
ex ensão no empo de pe sonagens e his ó ias. Es as cons a ações enal ecem,
en ão, a exis ência de um cená io ge al e ans e sal de conco dância com as
di e en es dimensões na a i as esboçadas;
− a ans e salidade das a i udes cons an es na Tabela 26 saiu e o çada pelas
igualmen e escassas di e enças es a is icamen e signi ica i as iden i icadas po
elação às a iá eis sociodemog á icas das amos as. Nes e sen ido, nem a idade,
nem as habili ações dos p ogeni o es mos a am es a signi ica i a ou
ele an emen e co elacionadas com qualque uma das a i mações aqui em
τ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
291
análise. A escola apenas e elou di e enças de ele o – mas em qualque uma das
ases, segundo o es e não-pa amé ico de Mann-Whi ney pa a amos as
independen es – no que dizia espei o ao hábi o de comp a
me chandising
: nas
duas amos as, os ní eis de conco dância e am signi ica i amen e supe io es en e
os alunos de Mon aleg e (M = 3,1; DP = 1,4, nos dois ques ioná ios) po
compa ação com os de B aga (M = 2,6; DP = 1,4, nos dados ecolhidos em
2019/2020; M = 2,5; DP = 1,4, no ano le i o seguin e). Há, con udo, uma exceção,
que se á desen ol ida adian e dada a sua pe inência eó ica e pelo his ó ico de
p esenças que em sido e idenciado ao longo des e capí ulo: sob e udo na ase
inicial de cole a de espos as, o sexo apon ou di e enças mais ma cadas en e os
jo ens e, p incipalmen e, e oca i as da li e a u a que mais con ibuiu pa a a
de inição de Jenkins (2007, 2008, 2011) de na a i as ansmediá icas;
− é possí el, oda ia, nes e pano ama de di e enças maio i a iamen e de po meno ,
des aca algumas asse ções pelo ac o de e em egis ado médias pa icula men e
ele adas, i.e., iguais ou supe io es a 4. As a i mações em causa (Tabela 26)
enal eciam aspe os como a se ialidade, a cons ução e acompanhamen o de
mundos capazes de albe ga á ias his ó ias e o gos o em e isi a os con eúdos
a o i os desses mesmos mundos. Po an o, os alo es mais ele ados o am
egis ados em a i mações que, ao sublinha em a p emência da ex ensão – na a i a
e de eceção – de mundos iccionais, suge iam que as p á icas e p e e ências das
amos as es a am alinhadas com as expec a i as da de inição o iginal de Jenkins
(2007, 2008) pa a as na a i as ansmediá icas: enquan o, sob e udo, uma
es a égia das indús ias cul u ais que espondia ao desejo dos públicos po
no idades den o da amilia idade o e ecida po um dado mundo iccional
p e iamen e ap eciado.
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
292
Tabela 26.
Ní eis de conco dância ace a p á icas e p e e ências na a i as, em unção da ase de
aplicação dos inqué i os po ques ioná io (1 – Disco do o almen e; 5 – Conco do o almen e)
Asse ções
Fase
P é-pandémica (n = 248)
Du an e a pandemia (n = 169)
M
DP
M
DP
Quando gos o de um con eúdo
(um li o, ilme, sé ie,
ideojogo, e c.), cos umo e ou
le ambém ou os con eúdos
com his ó ias que acon ecem
no mesmo uni e so ou com as
mesmas pe sonagens
4,1
0,9
4,0
1,0
Cos umo le ou e con eúdos
mediá icos a iados, com
his ó ias e pe sonagens
di e en es
3,7
1,1
3,7
1,3
Quando gos o de uma
pe sonagem, p ocu o segui as
suas his ó ias em no os
con eúdos, ao longo do empo
4,0
1,1
4,1
1,0
Tenho o hábi o de e sequelas
ou p equelas (his ó ias que
acon ecem depois ou an es da
o iginal) e ou as adap ações
dos meus con eúdos
mediá icos p e e idos
3,3
1,3
3,3
1,3
Cos umo le ou e c í icas,
eo ias e/ou p e isões ei as
po ãs sob e o
desen ol imen o das minhas
his ó ias e pe sonagens
p e e idas
3,0
1,4
3,2
1,4
Cos umo comp a
me chandising ( oupa, igu as
de ação, obje os de coleção,
e c.) elacionado com as
minhas his ó ias e pe sonagens
p e e idas
2,8
1,5
2,7
1,5
Gos o que as minhas
pe sonagens e his ó ias
a o i as enham con inuações,
que não acabem*
4,3
1,1
4,1
1,2
Gos o de acompanha o
c escimen o e desen ol imen o
das minhas pe sonagens e
uni e sos de icção p e e idos
ao longo do empo
4,1
1,1
4,0
1,1
As pe sonagens e his ó ias que
acompanho em di e en es
con eúdos mediá icos são
aquelas com que mais me
3,5
1,1
3,5
1,2
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
293
iden i ico
Quando gos o de um con eúdo,
gos o de o e e , ele ou de o
ol a a joga mui as ezes
4,1
1,1
4,0
1,1
Re e imos acima que, sob e udo no p imei o ques ioná io, o sexo dos esponden es,
uma ez mais, mos ou-se pa icula men e capaz de e idencia di e enças es a is icamen e
ele an es em algumas a iá eis de uma ques ão que inha sendo ma cada pela escassez de
a iações de mon a. Assim, em 2019/2020, as apa igas, po compa ação com os apazes,
e idencia am supe io es ní eis de conco dância ela i amen e:
− ao hábi o de le ou e con eúdos mediá icos a iados, com his ó ias e pe sonagens
di e en es (M = 3,9; DP = 1,1
e sus
M = 3,5; DP = 1,1);
− à p e e ência po segui as his ó ias das pe sonagens p e e idas em no os
con eúdos, ao longo do empo (M = 4,1; DP = 1,1
e sus
M = 3,9; DP = 1,1);
− o hábi o de comp a
me chandising
( oupa, igu as de ação, obje os de coleção, e c.)
elacionado com as suas his ó ias e pe sonagens p e e idas (M = 3,0; DP = 1,5
e sus
M = 2,5; DP = 1,3);
− a cons a ação de que as pe sonagens e his ó ias que acompanha am em di e en es
con eúdos mediá icos e am aquelas com que mais se iden i ica am (M = 3,7; DP =
1,1
e sus
M = 3,1; DP = 1,1).
Já em 2020/2021, somen e na a i mação “Gos o que as minhas pe sonagens e his ó ias
a o i as enham con inuações, que não acabem” o am iden i icadas di e enças
es a is icamen e ele an es ace ao sexo, uma ez mais com médias supe io es – e
pa icula men e ele adas – en e os inqui idos do sexo eminino (M = 4,3; DP = 1,1) po
compa ação com os do masculino (M = 3,9; DP = 1,1).
As di e enças po sexo aqui enume adas, que se jun am a an as ou as já e e idas,
o e ecem uma boa ocasião pa a e le i sob e como a ine i á el cons ução dos públicos pelos
in es igado es, aludida no de adei o capí ulo do enquad amen o eó ico, pode e -se epe cu ido
num capí ulo dedicado aos esul ados o iundos de um ins umen o que le ou concei os p é ios
pa a o campo. Is o é, i emos opo unidade de esc e e que an o as na a i as ansmediá icas
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
300
com uma única exceção, não indicou di e enças es a is icamen e signi ica i as no que conce ne
aos ní eis de conco dância ace às no e a i mações que esboça am aços ca ac e ís icos dos
ãs como um odo (Tabela 27). A e e ida exceção incidiu somen e sob e os dados do
ques ioná io inicial e a p opósi o da p odu i idade ex ual des e ipo de público, que John Fiske
(1992b) pos ula a como elemen o di e enciado dos públicos mais a i os ace aos demais.
Con udo, o sen ido não é o espe ado: no caso em ap eço, os não- ãs da p imei a amos a
conco da am endencialmen e mais (M = 3,5; DP = 1,1) com a a i mação “pa a mim, um ã é
alguém que gos a de c ia his ó ias ou ou os ex os sob e as suas pe sonagens p e e idas” do
que os p óp ios ãs (M = 3,1; DP = 1,2), que, des a o ma, con a ia am – a é ce o pon o – as
eo izações do au o sob e o de adei o elemen o dis in i o des e ipo de público (Fiske, 1992b).
7.5.1. Os ãs e os não- ãs
As cla as maio ias de ãs au odecla ados – independen es dos momen os de cole a de
dados ou de dis inções com e e ência a a iá eis sociodemog á icas – de que acabamos de da
con a podem se su p eenden es se eco da mos alguns dos alo es ( endencialmen e baixos)
a e bados, na gene alidade das amos as, po p á icas e a i udes que a li e a u a a ibui a es es
públicos como ca ac e ís icas de inido as: da con i ência com as p odu i idades ex uais (Fiske,
1992b) de ou os ãs a é à egula idade das suas p óp ias p á icas c ia i as, passando pela
pa icipação em comunidades de conhecimen o. Impo a, pois, esmiuça as e en uais elações
exis en es en e os posicionamen os enquan o ãs e essas mesmas p á icas e a i udes
eo icamen e basila es e an e io men e discu idas, às quais odos os jo ens – ãs e não- ãs –
i e am opo unidade de esboça espos as.
Começando pelo en ol imen o com comunidades de conhecimen o, é ice da dimensão
cole i a do
andom
(Jenkins, 1992/2013, 2008), não iden i icamos di e enças de ele o en e
ãs e não- ãs no espei an e às endencialmen e incomuns (Tabelas 15 e 20) p á icas de
con e sação com desconhecidos, de pa ilha de con eúdos, de publicação das suas p óp ias
c iações ou, na p imei a amos a, de pa icipação em ó uns ou comunidades
online
,
ap esen adas em sen ido la o. Consequen emen e, na segunda amos a, os ãs pa icipa am
signi ica i amen e mais nes es espaços (M = 1,8; DP = 1,1) do que os não- ãs (M = 1,2; DP =
0,6), ainda que ambos os g upos con inuassem si uados nos e enos in equen es da escala de
Like de cinco pon os aqui omada como e e ência. De o ma mais especí ica, odos aqueles
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
301
que se conside a am ãs o am ques ionados (Q.17.) se inham o hábi o de pa icipa numa
qualque comunidade a im aos seu gos os mais incados, osse ela
online
ou não. Os alo es
consumados adensam as e idências em o no da diminu a p eponde ância da dimensão cole i a
do
andom
, al como en endida po Jenkins (1992/2013, 2008), nas idas da maio ia dos
jo ens inqui idos: somen e 16,9% dos 201 ãs que p eenche am o inqué i o po ques ioná io em
2019/2020 disse am azê-lo amiúde e, no ano le i o seguin e, a pe cen agem onda a os
18,8%, de en e 128 ãs au odecla ados. Não o am egis adas, nes a ques ão, quaisque
a iações ele an es po ase ou em unção das a iá eis sociodemog á icas em uso. Também
consolidada saiu a dispe são de gos os e p á icas, aqui em elação à pa icipação em
comunidades: de en e as 52 enume adas em Q.17.1., na p imei a amos a, a mais eco en e
(Amino) oi e e ida po apenas 4 pessoas; na segunda amos a, o am iden i icadas 23
comunidades e 4 (Amino, Reddi , Disco d e, cu iosamen e os p óp ios amigos) o am as mais
ezes e e idas com não mais do que um pa de menções cada.
Po ém, es e cená io insis en e de pa co en ol imen o ica ma izado se econhece mos a
di e sidade que as p á icas de pa icipação em comunidades de conhecimen o especi icamen e
cen adas em con eúdos na a i os podem assumi , ais como delimi adas nos a o es
iden i icados pelas Tabelas 18 e 19. Con a iando a já a ada escassez de di e enças
e idenciadas, nas alíneas co esponden es de Q.9., em unção da ase de aplicação do
ins umen o de pesquisa e da in o mação sociodemog á ica disponí el, a condição de ã
aduziu-se, com base em es es não-pa amé icos de Mann-Whi ney pa a amos as
independen es, nas seguin es dispa idades es a is icamen e salien es:
− na p imei a amos a, os ãs des aca am-se dos não- ãs nas a iá eis associadas à
menosp ezada escu a enquan o o ma de pa icipação: is o é, no acompanhamen o
de páginas o iciais (M = 4,4; DP = 0,8, que compa a com M = 3,7; DP = 1,3) e de
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
302
ãs (M = 3,4; DP = 1,3, ace a M = 2,8; DP = 1,5) sob e os seus con eúdos
p edile os, mas ambém no uso da in e ne pa a ala com ou os ãs sob e his ó ias
e pe sonagens de que os seus amigos não gos assem (M = 2,8; DP = 1,3
e sus
M
= 2,1; DP = 1,2). Con udo, a – sob e udo incomum – pa icipação explíci a (Schä e ,
2011) em espaços o iciais ou do
andom
não ap esen ou di e enças es a is icamen e
signi ica i as en e os dois g upos em análise;
− pelo con á io, na segunda amos a odas as cinco asse ções em causa coloca am
em e idência médias signi ica i amen e supe io es en e ãs do que en e não- ãs:
aqueles não só acompanha am mais egula men e páginas o iciais (M = 4,5; DP =
0,8, que con as a com M = 4,0; DP = 1,1) e de ãs (M = 3,9; DP = 2,6 em elação
a M = 2,6; DP = 1,5), como pa icipa am ambém mais amiúde nes es espaços
ge idos o a pelas indús ias cul u ais (M = 3,4; DP = 1,4, ace a M = 2,5; DP = 1,4),
o a pelo
andom
(M = 3,2; DP = 1,4 con a M = 1,9; DP = 1,2), e ala am mais
comummen e com ou os ãs sob e con eúdos cujo gos o não e a pa ilhado po
amigos (M = 3,4; DP = 1,2
e sus
M = 2,2; DP = 1,3).
Po an o, a di e sidade de manei as pelas quais se pode consubs ancia a pa icipação
em comunidades de conhecimen o (i.e., pa a lá das suas o mas mais explíci as) de que demos
con a an e io men e – sob e udo quando o in es igado , ia ins umen o de pesquisa, a si ua
especi icamen e em elação a con eúdos na a i os – é pa icula men e incada en e os ãs
esponden es. Des e modo, os esul ados o iundos dos jo ens das duas amos as ap oximam-
se a é ce o pon o do espí i o da di isão emp eendida po Fiske (1992b): os inqui idos que se
decla a am ãs não só c ia am ine i a elmen e sen idos, como se des aca am nos modos de
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
303
consuma a p odu i idade enuncia i a – desde que se econheça que pa a pensa es a úl ima
podemos conside a a pe inência de o mas de pa icipação que ão da escu a mais in ensi a à
in e ação comummen e mais alo izada, que nes a en am p e e encialmen e os amigos, mas
onde ou os ãs, com os quais os jo ens se unem, de modos di e sos e com base num qualque
in e esse, ambém êm um papel a desempenha . Os alo es a e bados pelo con ac o, com
ou os ãs, compensado da ausência de comunhão de p edileções com os amigos apa en am
se , a é, incong uen es com os sup aci ados escassos esul ados sob e o en ol imen o
decla ado com comunidades
online
. Podem, no en an o, se lidos num ou o sen ido: o da
in o malidade ou meno sis ema icidade dessas in e ações, que e en ualmen e oco em sem a
eco ência ou es ão pa a lá o ganização que a ideia de comunidade de conhecimen o
e en ualmen e aca e a. A pis a da in o malidade nos modos de consuma a p odu i idade
enuncia i a dos jo ens que são ãs sai e o çada pela não exis ência de di e enças
τ τ
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
304
es a is icamen e ele an es no que diz espei o ao emblemá ico (e incomum, nas amos as) a o
de aze
cosplay
.
Res a, da ilogia de p odu i idades de inida pelo au o (Fiske, 1992b), pe cebe se es es
públicos ambém se dis inguiam do pon o de is a da mais eo icamen e di e enciado a
p odu i idade ex ual. E aqui, sim, a espos a é essencialmen e nega i a: os ãs não in e e am o
cená io de cla a disco dância (Tabela 20) ace a p á icas c ia i as susci adas pelas his ó ias ou
pe sonagens de que mais gos a am, dado não e em sido encon adas di e enças
es a is icamen e signi ica i as a es e espei o. Sem su p esas, a condição mino i á ia da c iação
es a a ambém mani es ada (Q.18.):
− na ( ela i a) al a de hábi o, en e a gene alidade dos ãs, de co igi em pa es de
que não enham gos ado, esc e endo al e na i as pa a os seus con eúdos p e e idos
(M = 2,2; DP = 1,3, na p imei a amos a, e M = 2,4; DP = 1,5, na segunda);
− na ausência de pa ilha das his ó ias que e en ualmen e c iassem com amigos,
amilia es e p o esso es (médias a onda os 2 alo es em qualque uma das
amos as).
Pa a além dis o, no que diz espei o a p á icas de p odução ap esen adas de o ma mais ampla,
somen e na p imei a amos a o desenha (M = 2,4; DP = 1,1, po compa ação com M = 2,0; DP
= 1,1) e o esc e e (M = 2,0; DP = 1,1
e sus
M = 1,5; DP = 1,0) a o ece am os ãs ace aos
não- ãs, ainda que num mesmo cená io de in equência.
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
305
Po im, ela i amen e ao caso da lei u a ou isualização de
an ic ion
, imos que o
con ac o com es a exp essão da in e enção dos ãs nos seus mundos iccionais de eleição e a
espo ádico, se não mesmo inexis en e (Tabelas 10 e 11), pa a a cla a maio ia dos jo ens,
incluindo no que diz espei o ao conhecimen o e uso de uma ede social dedicada pa a o e ei o –
o Wa pad (Tabela 12). Não obs an e, se -se (ou não) ã ins igou a iden i icação de di e enças
es a is icamen e signi ica i as nas equências das p á icas aqui em ques ão, nas duas amos as:
com base no es e não-pa amé ico de Mann-Whi ney pa a amos as independen es, os ãs liam
e iam signi ica i amen e mais
an ic ion
(M = 1,4; DP = 1,0, no p imei o ques ioná io, e M =
1,5; DP = 1,1, no segundo) do que os não- ãs (M = 1,0; DP = 0,2, nos dados ecolhidos em
2019/2020, e M = 1,1; DP = 0,6, em 2020/2021). A mesma endência e i ica a-se na
eco ência de uso do Wa pad: en e ãs (M = 1,7; DP = 1,2; na amos a inicial, M = 1,8; DP =
1,2, na de adei a) e a signi ica i amen e mais equen e do que en e não- ãs (M = 1,2; DP =
0,4; no ques ioná io p eenchido an es da pandemia, M = 1,1; DP = 0,4, aquando da eme gência
de saúde pública). Ainda assim, o conhecimen o des a pla a o ma – que, eco damos, não se
encon a a no ada da maio ia dos jo ens inqui idos – o a não es a a associado (na p imei a
amos a), o a apon ou um associação signi ica i a, mas aca (Rea & Pa ke , 1992), ia es e do
qui-quad ado (na segunda amos a), com a au oclassi icação como ã.
Como se cons a a pelos alo es que acabamos de enume a , mesmo en e os ãs das
amos as a expe iência com espaços e ex os de
an ic ion
e a sob e udo incomum. Há, no
en an o, um elemen o de ele o em que nos podemos e e pa a esmiuça a di e ença que a
es a ís ica indicou subsis i en e ãs e não- ãs a es e p opósi o: os des ios-pad ão associados às
di e en es médias. Es es são pa icula men e baixos jun o dos esul ados dos não- ãs, dando
con a de uma cla a concen ação de espos a no ex emo mais disco dan e das escalas
u ilizadas. Ilus ando, en e os 42 não- ãs da p imei a amos a, 36 disse am nunca le ou e
an
ic ion
e 43 a i ma am não conhece (n = 33) ou conhece , mas não usa (n = 10) o Wa pad.
En e os que epo a am algum ipo de eco ência nes as a i idades, 5 jo ens ga an i am
apenas le ou e
an ic ion
poucas ezes e um caso singula asse e ou azê-lo às ezes; os dois
casos em al a no uso do Wa pad disse am que usa am poucas ezes es a pla a o ma. Na
segunda amos a, o cená io é em udo semelhan e: em 41 não- ãs, 37 nunca con ac a am com
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
306
an ic ion
, 3 aziam-no poucas ezes e somen e 1 ela ou le ou e es e ipo de con eúdos às
ezes; o Wa pad ou e a desconhecido (n = 32) ou nunca usado (n = 8), e i icando-se um caso
inusi ado que indicou o pon o de u ilização mais eco en e da escala emp egada. Pelo con á io,
encon amos uma maio di e sidade de espos as en e ãs, mesmo econhecendo a
in ulga idade da p odu i idade ex ual de ou os ãs nos quo idianos dos jo ens das amos as
(Figu as 7 e 8).
Figu a 7.
F equência de lei u a ou isualização de an ic ion pelos ãs au odecla ados das p imei a (n =
201) e segunda (n = 128) amos as
Figu a 8.
Conhecimen o e equência de uso do Wa pad pelos ãs au odecla ados nas p imei a (n =
201) e segunda (n = 128) amos as
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
307
Dos esul ados a é aqui ap esen ados podem se suge idas pelo menos duas lei u as
especialmen e pe inen es, uma explíci a e ou a implíci a – e ambas amplamen e emb enhadas.
A p imei a é aquela que emos indo a e idencia não só ao longo des e capí ulo, como ambém
no decu so do enquad amen o eó ico: as p á icas dos ãs, ais como p esc i as pela p imei a
aga dos
an s udies
(Sand oss e al., 2017), endem a se mino i á ias na ealidade
expe ienciada pelos jo ens das duas amos as – inclusi amen e en e aqueles que se
conside a am como al. A segunda diz espei o à ( ela i a) di e sidade de espos as que, apesa
de udo, encon amos en e ãs, po con as e com aqueles que não o e am: es e ac o enco aja
a pensa -se e a es uda os ãs pelo p isma da a iedade de sen idos e p á icas que es es
a ibuem a es a condição (logo, pela análise da eceção), que ag ega não só quem co esponde
àquilo que Fiske (1992b) ou Jenkins (1992/2013) conside a am como dis in i o des es
públicos, mas ambém quem não em hábi os associados à p odu i idade ex ual – suas ou de
ou os ãs – ou pa icipa num público enquan o comunidade imagina sob e udo pelo
equen emen e ilipendiando
lu king
.
7.5.2. Os ãs e os não- ãs em elação às na a i as ansmediá icas
Uma das mais p emen es ques ões a que impo a esponde é se ãs e não- ãs se
dis inguiam no espei an e às na a i as ansmediá icas, mo men e em elação aos aços
dis in i os des es con eúdos, al como ap esen ados pelo inqué i o po ques ioná io (Q.8.). A
espos a é cla amen e a i ma i a: como se cons a a pelos alo es ap esen ados pelas Tabelas 29
e 30, em qualque uma das amos as há uma cla a maio ia de a iá eis em que os ãs
ap esen am alo es signi ica i amen e supe io es ace aos não- ãs. Mais, pa a além das
a iações se em es a is icamen e ele an es, as médias egis adas po asse ções que a i ma am
o acompanhamen o ansmediá ico dos mundos iccionais de eleição, o en ol imen o eco en e
e ao longo do empo com essas mesmas ans iccionalidades a e ba am alo es pa icula men e
ele ados en a ãs, posicionando en e os pon os 4 e 5 da escala de Like u ilizada.
Tabela 29.
Ní eis de conco dância ace a p á icas e p e e ências na a i as, em unção da
au oclassi icação como ã, na p imei a amos a (1 – Disco do o almen e; 5 – Conco do o almen e)
Asse ções
Fase
Fã (n = 201)
Não- ã (n = 45)
M
DP
M
DP
Quando gos o de um con eúdo
4,2
0,8
3,8
1,1
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
308
(um li o, ilme, sé ie,
ideojogo, e c.), cos umo e ou
le ambém ou os con eúdos
com his ó ias que acon ecem
no mesmo uni e so ou com as
mesmas pe sonagens*
Cos umo le ou e con eúdos
mediá icos a iados, com
his ó ias e pe sonagens
di e en es
3,8
1,1
3,5
1,2
Quando gos o de uma
pe sonagem, p ocu o segui as
suas his ó ias em no os
con eúdos, ao longo do empo*
4,1
1,0
3,6
1,3
Tenho o hábi o de e sequelas
ou p equelas (his ó ias que
acon ecem depois ou an es da
o iginal) e ou as adap ações
dos meus con eúdos
mediá icos p e e idos*
3,4
1,3
2,8
1,3
Cos umo le ou e c í icas,
eo ias e/ou p e isões ei as
po ãs sob e o
desen ol imen o das minhas
his ó ias e pe sonagens
p e e idas*
3,1
1,4
2,6
1,3
Cos umo comp a
me chandising ( oupa, igu as
de ação, obje os de coleção,
e c.) elacionado com as
minhas his ó ias e pe sonagens
p e e idas*
2,9
1,5
2,4
1,3
Gos o que as minhas
pe sonagens e his ó ias
a o i as enham con inuações,
que não acabem
4,3
1,1
4,3
1,1
Gos o de acompanha o
c escimen o e desen ol imen o
das minhas pe sonagens e
uni e sos de icção p e e idos
ao longo do empo
4,2
1,0
3,9
1,2
As pe sonagens e his ó ias que
acompanho em di e en es
con eúdos mediá icos são
aquelas com que mais me
iden i ico*
3,5
1,1
3,1
1,1
Quando gos o de um con eúdo,
gos o de o e e , ele ou de o
ol a a joga mui as ezes*
4,2
1,0
3,6
1,4
7. MAPEAR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: RESULTADOS DE INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIO
309
Tabela 30.
Ní eis de conco dância ace a p á icas e p e e ências na a i as, em unção da
au oclassi icação como ã, na segunda amos a (1 – Disco do o almen e; 5 – Conco do o almen e)
Asse ções
Fase
Fã (n = 201)
Não- ã (n = 45)
M
DP
M
DP
Quando gos o de um con eúdo
(um li o, ilme, sé ie,
ideojogo, e c.), cos umo e ou
le ambém ou os con eúdos
com his ó ias que acon ecem
no mesmo uni e so ou com as
mesmas pe sonagens*
4,2
0,9
3,6
1,2
Cos umo le ou e con eúdos
mediá icos a iados, com
his ó ias e pe sonagens
di e en es*
3,8
1,2
3,1
1,4
Quando gos o de uma
pe sonagem, p ocu o segui as
suas his ó ias em no os
con eúdos, ao longo do empo*
4,2
1,0
3,6
1,2
Tenho o hábi o de e sequelas
ou p equelas (his ó ias que
acon ecem depois ou an es da
o iginal) e ou as adap ações
dos meus con eúdos
mediá icos p e e idos*
3,5
1,2
2,7
1,4
Cos umo le ou e c í icas,
eo ias e/ou p e isões ei as
po ãs sob e o
desen ol imen o das minhas
his ó ias e pe sonagens
p e e idas*
3,3
1,4
2,8
1,4
Cos umo comp a
me chandising ( oupa, igu as
de ação, obje os de coleção,
e c.) elacionado com as
minhas his ó ias e pe sonagens
p e e idas*
2,9
1,5
2,0
1,3
Gos o que as minhas
pe sonagens e his ó ias
a o i as enham con inuações,
que não acabem
4,1
1,1
3,8
1,4
Gos o de acompanha o
c escimen o e desen ol imen o
das minhas pe sonagens e
uni e sos de icção p e e idos
ao longo do empo*
4,2
1,0
3,5
1,2
As pe sonagens e his ó ias que
acompanho em di e en es
con eúdos mediá icos são
aquelas com que mais me
3,6
1,1
3,1
1,2
8. DISCUTIR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: ANÁLISE E REFLEXÕES A PARTIR DE ENTREVISTAS INDIVIDUAIS SEMIDIRIGIDAS
316
mediá icas ge ais e de in e esse pa a a discussão da eceção das na a i as ansmediá icas
anco adas na cul u a de con e gência.
Como demos con a na a gumen ação em o no da na u eza da análise emá ica
ealizada (capí ulo 6), es es ópicos de i ados de um guião p e iamen e es abelecido assumem
aqui maio i a iamen e a o ma de (amplos) emas deduzidos com base no enquad amen o
eó ico açado e cons i uem um elemen o c ucial na delimi ação dos públicos emp eendida po
quem os in es iga (Dayan, 1998, 2001, 2005). Toda ia, como ambém salien amos na
ap esen ação das opções me odológicas que es u u a am o abalho de campo ealizado, um
es udo como o que ap esen amos, iliado na análise da eceção (Jensen, 2012c, 2019; Jensen
& Roseng en, 1990; McQuail, 2003; Sch øde , 2013, 2019), em necessa iamen e de ab i
espaço pa a a eme gência e o econhecimen o de ópicos (e, sob e udo, das ma izes que os
o nam mais angulosos e de alhados) induzidos com undamen o na exp essão dos sen idos dos
públicos, em e mos ão p óximos quan o possí el dos seus, ainda que necessa iamen e
enquad ados eo icamen e pelo in es igado (numa a e a ei a imp e e i elmen e
a pos e io i
).
Nas en e is as aqui em ap eço, mais do que ca ego ias ma cadamen e díspa es ace às
e minologias ap esen adas aquando da e isão bibliog á ica, des acou-se a cons a ação da
a iedade de o mas de se se pa e de públicos dos
media
e a exis ência an o de di e gências
como de ap oximações às exigen es expec a i as da cul u a de con e gência (Jenkins, 2008).
Des a o ma, es e capí ulo con ibui pa a a pe sc u ação de onalidades nos emas de inidos
eo icamen e, quando con on ados com a especi icidade das p á icas de eceção de 21 jo ens
po ugueses.
8.1. ANTES DAS NARRATIVAS TRANSMEDIÁTICAS: PRÁTICAS E PREFERÊNCIAS
MEDIÁTICAS COM RELEVO FACE À CULTURA DE CONVERGÊNCIA
In a ia elmen e, cada uma das en e is as p incipiou com uma auscul ação das p á icas e
p e e ências mediá icas mais comuns en e cada um dos 21 jo ens en e is ados, de modo a
pa i daqui (is o é, dos seus discu sos e pe ceções sob e as a i idades po si ealizadas, que
es ão em necessá ia a iculação com ex os e indús ias) pa a uma discussão de dis in os
8. DISCUTIR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: ANÁLISE E REFLEXÕES A PARTIR DE ENTREVISTAS INDIVIDUAIS SEMIDIRIGIDAS
317
aspe os de ele o p econizados pela cul u a de con e gência, al como balizada ao longo des a
ese. Reco damos que os jo ens des a subamos a (Anexo 3), que inham já espondido ao
segundo inqué i o po ques ioná io, inham idades comp eendidas en e os 12 e os 18 anos (M
= 15,0; DP = 2,0) e que e am mais as en e is adas (n = 12) do que os en e is ados (n = 9). No
que diz espei o à dis ibuição po escola, 13 e am o iundos da Escola Secundá ia Ca los
Ama an e, de B aga (e 10 o am en e is ados p esencialmen e, com os sob an es a
pa icipa em ia Zoom) e 8 equen a am a Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da C uz, em
Mon aleg e ( odos en e is ados po ideochamada).
A ançando pa a a análise das con e sas man idas com os jo ens, oi sem su p esa
que oi possí el ag upa as mesmas p á icas e p e e ências dos en e is ados em dez as as
ca ego ias não mu uamen e exclusi as – i.e., á ias ezes coinciden es nos epe ó ios
mediá icos (Haseb ink & Hepp, 2017) da subamos a em ques ão:
− usa edes sociais;
− e ilmes e sé ies;
− se ou não consumido de géne os na a i os em conc e o, mo men e a an asia e a
icção cien í ica;
− usa pla a o mas de ídeo, como o YouTube;
− le ;
− joga ideojogos;
− ou i música;
− o og a a ;
− pesquisa ;
− man e -se in o mado.
As ês p imei as ca ego ias des aca am-se pela eco ência das menções, na medida em que
o am enal ecidas, com na u ais dis in os g aus de desen ol imen o, po odos os en e is ados
( ambém, impo a econhece , os emas em causa se iam expec a elmen e equen es pela
8. DISCUTIR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: ANÁLISE E REFLEXÕES A PARTIR DE ENTREVISTAS INDIVIDUAIS SEMIDIRIGIDAS
318
p óp ia es u u a do guião que o ien ou a con e sa com os jo ens). Da p eponde ância das
edes sociais a a emos de manei a mais ap op iada na de adei a secção des e capí ulo, a
p opósi o da dimensão cole i a do
andom
. Po o a, impo a que nos cen emos nos modos
como os en ol imen os com con eúdos audio isuais e com alguns dos géne os na a i os –
nomeadamen e a an asia e a icção cien í ica, pa icula men e a ei os à cons ução dos mundos
em que assen am as na a i as ansmediá icas (Hanson, 2004; Klas up & Tosca, 2004; Ryan,
2005; Wol , 2019) – podem con ibui pa a a ap eensão de alguns dos aços exis en es da
elação que as p emissas da cul u a de con e gência man êm com a di e sidade das p á icas de
eceção dos en e is ados. Como es as p á icas e as p e e ências com os
media
não acon ecem
num azio social, há que abo da , igualmen e, algumas das suas ami icações de in e esse, com
des aque pa a dois aspe os in imamen e elacionados e a ados ao longo do enquad amen o
eó ico: as ap endizagens – o mais, não- o mais e in o mais, bem como as suas e en uais
in e ceções (G eenhow & Lewin, 2016; an Noy e al., 2016) – ealizadas pelos jo ens e a
elação es abelecida en e os
media
(de aco do com as suas p á icas e pe ceções), a escola e os
o ícios de c iança e aluno (Sa men o, 2011).
8.1.1. Os géne os na a i os como exemplo da ine i abilidade do consumo
especula i o
Começando pela discussão dos géne os na a i os, es a su giu necessa iamen e a
eboque da sup amencionada ans e salidade das p e e ências po ilmes e sé ies, mas
ambém dos casos ilus a i os que o in es igado le ou pa a odas as en e is as (cen ados em
duas na a i as ansmediá icas,
S a Wa s
e o Ma el Cinema ic Uni e se), que ins iga am uma
e lexão mais abs a a – não obs an e basea -se em exemplos especí icos – sob e ou os
con eúdos a ins. Os modos como os jo ens enquad a am a ques ão gené ica podem se
8. DISCUTIR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: ANÁLISE E REFLEXÕES A PARTIR DE ENTREVISTAS INDIVIDUAIS SEMIDIRIGIDAS
319
maio i a iamen e ag egados num único ópico e oca i o da e isão bibliog á ica ap esen ada no
qua o capí ulo: ou seja, e am sob e udo eminiscen es do consumo especula i o a ado po
Jona han G ay (2010). Con udo, impo a econhece uma di e ença eó ica de po meno :
enquan o o au o (G ay, 2010) abo dou a exis ência de consumo especula i o sob e udo
associado aos pa a ex os, nas en e is as a p odução de sen idos a mon an e da eceção
consumada es a a mais p óxima de uma das ou as o mas de ans ex ualidade elencadas po
Gé a d Gene e (1982), a hipe ex ualidade. Is o é, um dado ex o (com pa icula des aque pa a
os casos ap esen ados pelo in es igado com ecu so a
aile s
, logo, a pa a ex os) e a
in e p e ado pelos cons i uin es da subamos a – mesmo quando es es não o conheciam
e e i amen e – em unção das expe iências com um qualque hipo ex o p é io (ou uma ideia
mais ou menos p econcebida e essigni icada sob e os hipo ex os de um dado géne o), que
se i ia como on e de compa ação e e e ência pa a o mencionado consumo especula i o (G ay,
2010).
Os ês casos que lis amos em seguida – aqueles que mais ap o unda am a
impo ância dos géne os nas suas p á icas e p e e ências mediá icas – são dis o sin omá icos, a
di e en es ní eis:
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− 001, Rapa iga, 14 anos, Escola Secundá ia Ca los Ama an e (B aga):
In es igado (I): Foi uma descobe a um bocadinho a dia [jo em inha começado a e Ha y
Po e há não mais de dois anos]. Como é que acon eceu?
001: Eu semp e me ecusei a e
Ha y Po e
, mas quando saiu na Ne lix eu iquei mais ou
menos… “Tal ez en e e , al ez não”. E depois expe imen ei. Quando não ado meci nos
p imei os 15 minu os pensei que al ez osse bom e con inuei a e o es o.
I: Po que é que an es não e in e essa a?
001: Po que eu não cos umo se do ipo de pessoa que ê coisas de icção… De icção ex ema,
como
Ha y Po e
.
I: En ão e a o géne o, e a demasiada an asia pa a i?
001: Sim.
− 003, Rapa iga, 16 anos, Escola Secundá ia Ca los Ama an e (B aga):
I: [Após exibição do aile de S a Wa s – Episódio I: A Ameaça Fan asma] En ão, conheces?
003: Eu, eu [ i-se]… Eu conheço só mais ou menos. Eu, po acaso, não gos o lá mui o de
S a
Wa s
…
I: É do géne o que não gos as ou é dos ilmes em conc e o?
003: Eu nunca i odos os ilmes de
S a Wa s
. Acho que é mais no sen ido de... Eu não me
iden i ico an o com a his ó ia, não me cap a an o.
I: Já en as e e ?
003: Uma al u a, e a mui o no a. Po exemplo, se ago a me pe gun assem o que é que eu i, eu
ambém não me lemb o. Ago a iquei in e essada e a é acho que ou en a e ou a ez.
Po que ao mesmo empo ambém é um mundo mais da an asia, não é? E as pessoas acham
mui as ezes que, se gos as de
Ha y Po e
, gos as de
S a Wa s
. Se gos as de uma an asia,
ais gos a de
S a Wa s
. Eu sen i, no momen o em que en ei e , que... Não sei, alguma coisa
não me cap a an o. Tal ez... Não sei. Mas, sim, conheço e admi o. Mui as pessoas gos am.
− 007, Rapaz, 15 anos, Escola Secundá ia Ca los Ama an e (B aga):
I: O que é que e le ou a esse a as amen o em elação à an asia? Apesa de udo, a
de e minada al u a gos as e de Ha y Po e , po exemplo. Os eus gos os muda am?
007: Gos o, mas se o a escolhe en e um ilme ac ual e ic ício ou escolhe o ac ual, po que
ambém me dá um maio conhecimen o pa a a ida e me ai ajuda mais no u u o. P e i o
ap o ei a o empo com esse ilme do que com ou os. Po exemplo, essa sé ie que
p o a elmen e ou e nas é ias de Na al, o
Che nobyl
, acho que me ai ajuda mais do que se
osse e odos os ilmes de
S a Wa s
. Também acho que passei a gos a mais de ilmes
ac uais po causa das lições e do conhecimen o que nos dão. Acho que ilmes ic ícios nos
ajudam na imaginação e a desen ol e no as ideias, mas... Mesmo assim p e i o ilmes ac uais.
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I: As ap endizagens são, en ão, uma das azões pa a o in e esse?
007: Gos o que enha in o mações, que enha conhecimen o, mas que não seja cha o, que seja
in e essan e. Mas é di ícil conjuga os dois.
Em sín ese, as alusões aos géne os na a i os nas en e is as demons a am o papel que
aqueles podem desempenha enquan o um “ins umen o de socialização” dos con eúdos,
ci ando uma ez mais Jean-Pie e Esquenazi (2006b, p. 18): os jo ens que acabamos de
ap esen a em discu so di e o e le i am sob e como as ca ac e ís icas gené icas de
de e minados ex os in luencia am as suas escolhas e p á icas de eceção, nomeadamen e
ainda an es da sua consumação. Simpli icando, os géne os na a i os pe mi iam c ia sen ido
num p ocesso de consumo especula i o (G ay, 2010) – mas ambém, impo a econhece ,
numa con e sa ins igada pelo in es igado , ilus ando como a p á ica de se se público dos
media
(Fiske, 1992a) não exis e somen e aquando do con ac o com os ex os po es es
p oduzidos e pos os a ci cula .
De salien a , con udo, que o io de es udan es ci ados ele ou a complexidade das
alusões aos géne os pelas associações a ou as ace as das suas necessa iamen e plu ais
p á icas de eceção. As duas p imei as jo ens (001 e 003), a í ulo de exemplo, elemb a am-
nos que as mo i ações e sen idos c iados pelos públicos não êm uma co espondência pe ei a
com os lei o es-modelo (Eco, 1993) de ex os que, apesa de di e sos en e si, as con enções
dos géne os necessa iamen e ap oximam: nem um elemen o do público es á a almen e
condenado a não gos a de algum ex o de um géne o que, à pa ida, não ap ecia ia (caso de
001), nem a a inidade com um qualque hipo ex o (Gene e, 1982) assegu a o gos o po um
subsequen e hipe ex o, con a iando, a é, as expec a i as e ecomendações de ou as pessoas
(no exemplo de 003). Pela oz do e cei o jo em (007) encon amos mani es ada a e olução das
p e e ências ace a géne os – nomeadamen e à an asia, ap eciada em empos passados, po
oposição a algo mais “ ac ual” e mais alo izado a ualmen e – e algumas das azões pa a al,
com des aque pa a a pe ceção da u ilidade das p á icas com os
media
nas ap endizagens e,
concomi an emen e, na escola e pa a a p ossecução do seu papel como es udan e. Es a ensão
en e p e e ências mediá icas – incluindo gené icas, mas não só – e a ealização de
ap endizagens, sob e udo quando não se mos a am necessa iamen e consonan es com a
escola, cons i uiu-se como um ou o ema eco en e nas en e is as ealizadas.
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8.1.2. As p e e ências mediá icas e as ap endizagens in o mais con on am-
se com a escola
Re omando os con ibu os do es udan e 007, o expec á el papel desempenhado pela
ele ância das p á icas mediá icas
pa a
a escola – i.e., a p emência do “ ac ual” que con as a a
com um gos o p é io pela an asia – o nou-se mais explíci o quando o jo em em causa oi
ques ionado sob e os con eúdos dos
media
de que se conside a a ã:
I: Conside as- e ã de alguma coisa?
007: Ah... ã de u ebol. Gos o de música e de le . Um li o que li, o
Che nobyl
, é de um esc i o
uc aniano que acho que ganhou um p émio qualque . Li esse li o, é mui o denso. Tem 400 e
al páginas. Acho que a maio ia das pessoas não de e gos a daquilo, po que é só in o mação e
a explica . Mas acho que esse ipo de li o é do que gos o mais, a é.
I: Esse ipo de li o já e le ou a e , po exemplo, sé ies? Che nobyl acabou ambém po da
o igem a uma sé ie. P ocu as c uza esses in e esses?
007: Po acaso... Quando se a a de sé ie não enho an o empo pa a e , mas po acaso es ou
in e essado em e a sé ie.
I: Que a é é mais pequena, é uma minissé ie.
007: Acho que ou en a e nas é ias de Na al, que enho mais empo.
I: En ão acaba po não se egula : e es in e esse num ópico e acaba es po e ...
007: Tenho in e esse, mas não se ealiza no momen o.
I: Po algum mo i o pa a além da al a de empo?
007: Também penso que é melho não e po que, se não, ou con inua a e mais e ico com
menos empo. Fico menos in e essado no es udo e depois pio o.
A elação umbilical en e p á icas e p e e ências mediá icas e a escola, que ao longo da
en e is a oi eduzida às disciplinas e às suas no as, no caso do en e is ado 007, ica
cabalmen e demons ada pela necessidade (sen ida) que as p imei as, en o mando
ap endizagens in o mais, se aduzissem em compe ências imedia amen e mobilizá eis pa a a
ap endizagem o mal, consubs anciada nos cu ículos escola es – não obs an e, como imos
na secção an e io , o mesmo jo em econhece o e en ual papel de con eúdos de an asia pa a
o desen ol imen o da imaginação, po exemplo. A lei u a oi apon ada pelo aluno como exemplo
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pa adigmá ico des a es a égia: conside ando-se um lei o acima da média po compa ação com
os seus colegas, o es udan e 007 p ocu a a cen a -se em li os que ossem pe inen es
“p incipalmen e pa a Po uguês, na pe ceção dos ex os e na in e p e ação”, mas ambém pa a
abalhos especí icos. Nes e sen ido, pelo menos um docen e desempenha a um papel c ucial
como on e de ecomendações:
I: Os p o esso es sabem que lês? Têm in e esse?
007: Po acaso, a p o esso a des e ano pe gun ou no início e eu disse-lhe. Ela ago a a é me
aconselhou um li o,
A Me amo ose
, do F anz Ka ka. Que já li, mas ou le ou a ez pa a aze
uma ap esen ação.
I: Vais ap o ei a pa a...
007: Pa a es ende os meus conhecimen os e aze uma melho ap esen ação.
I: No as... Quando és u a aze os eus in e esses pa a um abalho. Isso o na as coisas mais
in e essan es?
007: To na... Faz com que eu quei a i a ainda melho no a, que seja uma melho
ap esen ação. Só pelo ac o de já e lido. E enho an agem em elação a ou os alunos que não
leem an o, que não ão aze uma ão boa ap esen ação, em eo ia, po que não le am o li o.
Conside ando os esul ados dos inqué i os po ques ioná io ap esen ados no capí ulo
an e io , bem como o iden i icado po , a í ulo ilus a i o, Sa a Pe ei a e al. (2019) em con ex os
sociogeog á icos amplamen e simila es, não é su p eenden e que o ajus e p oa i o ealizado
pelo es udan e en e as ap endizagens in o mais e o mais se enha ele ado a exceção en e
os 21 en e is ados. Ainda assim, impo a salien a que mesmo es e en e is ado (007)
pa ilha a com a maio ia dos demais uma pe ceção de inadequação en e algumas das
a i idades mais popula es com os
media
e aquilo que é pedido e alo izado pela escola. Ou seja,
o jo em 007 decidiu, como imos acima, muda as suas p á icas de modo a adequá-las ao que
pe ceciona a se mais bené ico pa a o seu o ício de aluno (Sa men o, 2011), especi icamen e
cen ado nos p og amas das disciplinas – ao con á io de ou os que, de um modo simila ,
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econheciam que gos os po géne os como an asia ou icção cien í ica pe enciam a mundos
(quase) pa alelos (Pe ei a e al., 2019) ace à escola (ou, melho en endido, aos p og amas
cu icula es das di e en es disciplinas, como e emos pelo p imei o exemplo) ou que sen iam
necessidade de conjuga e mode a as suas p á icas mediá icas idas como incompa í eis com o
es udo, pelo necessa iamen e limi ado empo disponí el. Deixamos, uma ez mais, alguns
exce os que exempli icam e po meno izam os discu sos dos en e is ados sob e as nuances do
ópico abo dado a é aqui:
− 018, Rapa iga, 17 anos, Escola Secundá ia Ca los Ama an e (B aga):
I: Reg essando às uas p á icas com an ic ion, sob e udo de lei u a. Os eus p o esso es êm
consciência de que gos as de le ? Nomeadamen e os de Inglês, de que gos as de le an ic ion
que é sob e udo esc i a em inglês?
018: Hum... A minha an iga p o esso a de Inglês acho que sabia que eu gos a a de le em
inglês, mas não enho a ce eza. Eu não sei, não enho uma elação mui o p óxima com os
meus p o esso es po que sou mais calada nas aulas.
I: E se ouxessem con eúdos de an asia pa a as aulas? Se ia uma manei a de e exp essa es
mais?
018: Se calha . Se soubesse do que e a al ez alasse mais.
I: Pa ece- e que os con eúdos de an asia são bem is os pela escola ou é um géne o que não
em luga nas aulas?
018: Nas aulas não. A minha p o esso a de Po uguês acho que gos a mais de li e a u a
clássica, poesia, Fe nando Pessoa. Coisas que pa ece que êm mais signi icado. Po que, apesa
de udo, es as coisas [con eúdos de an asia], es e ipo de li os, êm his ó ia po de ás e
signi icado. Mas as pessoas só eem os ei iços e não sei que mais e pe dem logo o in e esse.
Nas aulas nem an o, mas na biblio eca em. A minha an iga p o esso a de His ó ia, que é a
p o esso a esponsá el pela biblio eca, já me le ou a mim e a algumas colegas a comp a li os
pa a a biblio eca. Po que ela p ecisa a de comp a e sabia que nós líamos. En ão le ou-nos pa a
escolhe .
I: Como é que oi a expe iência de pode aconselha um p o esso ?
018: Foi di e ido, po acaso. Mas algumas que iam uns li os, ou as que iam ou os. En ão
es á amos a disco da um bocado.
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− 014, Rapa iga, 16 anos, Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da C uz
(Mon aleg e):
I: De o ma ge al, essa capacidade de ap ende po inicia i a ua [a língua inglesa,
nomeadamen e, a a és de in e ações nas edes sociais susci adas pelo gos o po Ana omia de
G ey], com um gos o que é mui o eu, é alo izada pela escola?
014: Acho que, de o ma ge al, não é mui o alo izada. De ido aos mé odos po ugueses de
classi icação das no as e udo. Acho que não êm mui o a noção disso e limi am-se mui o aos
es es. Tal ez nos es es não sejamos capazes de demons a do que somos capazes. Acho que
é uma limi ação.
I: O ac o de e es um gos o pa icula po uma sé ie, isso deu o igem a no as ap endizagens,
pa a além do inglês?
014: Acho que sim. A a és da sé ie podemos ap ende ou as coisas, sob e ou as cidades,
ou as cul u as ambém.
I: Cos umas aze pesquisas?
014: Sim, de ez em quando sim.
− 001, Rapa iga, 14 anos, Escola Secundá ia Ca los Ama an e (B aga):
I: Gos a as que hou esse uma maio abe u a pa a esse ipo de li e a u a [ an asia, mo men e
Ha y Po e ] que e cap a a a enção e e le a po i p óp ia a le ? Ou escola az bem em
ecomenda os clássicos?
001: Eu gos a a que hou esse uma maio abe u a pa a ou o ipo de li os.
I: Po alguma azão em especial?
001: Mui as ezes não é só po se em li os sob e, po exemplo, coisas que já conhecemos. Po
exemplo,
Os Maias
, nós já conhecemos algumas coisas que se aziam em Po ugal, po ou i os
nossos a ós e coisas que se [impe ce í el]. Mas é po , a é, não que e mos es a semp e a le
coisas do nosso país, oa mos um bocadinho pa a o a do sí io onde es amos semp e.
I: Nes e caso é a é oa pa a uma dimensão mais imaginada. A ai- e o ac o de pode es
conhece , a a és dos li os ou ilmes, ou as ep esen ações de um mundo mais an asiado?
001: Sim, sim. Mui o.
I: É um dos p incipais pon os de in e esse?
001: É um dos maio es pon os. Di ia que sim.
I: Apesa de e es di o que Ha y Po e e a demasiada an asia. A ua opinião mudou,
começas e a consumi mais coisas desse géne o?
001: Não assim an as, mas um bocadinho mais. Mas ao e e as coisas que i an es olhei pa a
elas de uma o ma di e en e. Não é assim an a an asia como eu pensa a. Pode se an asia,
pode se eal, en e aspas, mas não assim ão eal. Se is a po uma len e de ou o olho.
I: É uma me á o a, ambém?
001: Sim.
8. DISCUTIR A CULTURA DE CONVERGÊNCIA: ANÁLISE E REFLEXÕES A PARTIR DE ENTREVISTAS INDIVIDUAIS SEMIDIRIGIDAS
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I: Cos umas e sé ies po onde? Ne lix, ele isão?
017: Vejo às ezes po compu ado , ou as na Ne lix e na TV.
I: Como é que cos umas e ? P ocu as e as empo adas odas seguidas, po exemplo?
017: Sim! Eu, po acaso, enho... Não sei se é de ei o, mas quando começo a e uma sé ie
enho de a e seguida. Fico mui o cu ioso com o que se ai passa .
I: É po quê? Pa a não ica es a meio da his ó ia?
017: Exa o. Pa a não... Pa a le a udo seguido, pa a não pe de nada.
− 019, Rapa iga, 17 anos, Escola Básica e Secundá ia D . Ben o da C uz
(Mon aleg e):
I: E con eúdos que acompanhes ao longo do empo?
019: Algumas sé ies que ou endo e depois a segunda empo ada só sai no ano seguin e.
En ão ou e quando sai. Po exemplo,
Ri e dale
. Vai sai a quin a empo ada e eu ou e .
Gos ei mui o dessa sé ie.
I: Ri e dale penso que é baseada numa banda desenhada…
019: Sim, acho que sim.
I: Já icas e com cu iosidade pa a e a banda desenhada?
019: Não, po acaso não.
I: Po que é um ipo de lei u a que não ap ecias? Ou a sé ie é que não e despe ou cu iosidade
su icien e?
019: A sé ie despe ou-me cu iosidade, mas po eu es a habi uada a e assim… Não é uma
coisa que eu enha in e esse em i le a banda desenhada.
I: Tens eceio que seja mui o di e en e?
019: Não sei [ isos]. É algo que ainda não despe ou a minha cu iosidade.
Não obs an e as comunalidades em o no do
binge-wa ching
e da se ialidade que
possibili a am a sua ag egação num mesmo ópico, os con o nos das eceções dos jo ens são
ma cadamen e dis in os. A p imei a (002) e a uma consumido a ela i amen e usual de
na a i as ansmediá icas, o segundo (017) a i mou não e qualque o ma de na ação
ansmediá ica en e as suas p e e ências e a e cei a (019) inha uma ce a p edileção po uma
das mani es ações mais elemen a es associadas ao
ansmedia s o y elling
: as adap ações (de
li os do Nicholas Spa ks, em pa icula ), mas que não anspunha pa a o caso de
Ri e dale
. O
io en e is ados em causa elemb a, po an o, dois aspe os dis in os, mas complemen a es.
Po um lado, os públicos con inuam a se plu ais e di e si icados nas suas a i idades e sen idos,
mesmo quando podem se ag egados com base em algumas das es a égias das indús ias
cul u ais mais associadas às na a i as ansmediá icas: a se ialidade e o consumo in ensi o e
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