Preferências e valor do teletrabalho para os trabalhadores: um estudo empírico exploratório
Abstract
A evolução das tecnologias da informação e da comunicação tem vindo a impactar as sociedades, alterando formas de estar, trabalhar e de viver. No mercado de trabalho, por exemplo, introduziu novos paradigmas e práticas, exigindo às empresas que se adaptassem e reformulassem a sua organização. Assim, a normalização de regimes de trabalho híbridos e/ou remotos, impulsionado pela maior valorização do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, veio introduzir um novo contexto na forma como as organizações operam. O objetivo do presente estudo passa por entender qual o valor real que os indivíduos dão ao teletrabalho, nomeadamente, se estariam dispostos a abdicar de parte do seu salário para terem a oportunidade de trabalhar remotamente. De igual modo, procura perceber se esta modalidade de trabalho é efetivamente a preferida pelos indivíduos aquando da procura por emprego. Pretende-se, ainda, saber se as variáveis demográficas (por exemplo a idade, o género, o grau académico) têm peso nas escolhas dos mesmos. Os dados utilizados nesta pesquisa foram obtidos através de um questionário publicado online, aplicado a uma amostra de conveniência de forma a obter e comparar perspetivas de quem já trabalhou remotamente e de quem nunca trabalhou neste tipo de regimes. Conclui-se que o valor dado pelos trabalhadores ao teletrabalho pode, ainda, ser explicado com base no género, sendo que os homens exigem maiores salários para aceitarem a transição de um regime 100% presencial para um regime híbrido.