Sufixo adjetival -vel e adverbializador -mente: produtividade em português europeu de adjetivos terminados em -vel + o adverbializador -mente
Abstract
As línguas naturais tendem para a economia por razões de eficiência cognitiva, dado o menor número de palavras que é necessário aprender, pela capacidade de desambiguação através do contexto e do cotexto, e por razões de evolução histórica, entre outros fatores. Algumas dessas razões encontram realização na lexicalização semântica, na conversão, na homonímia ou na polissemia: ‘profundamente’ não significa ‘de modo profundo’, mas ‘muito’, ‘intimamente’; ‘ser’ tanto pode ser verbo como nome; ‘como’ é tanto a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo ‘comer’, como conjunção, advérbio interrogativo ou nome masculino, e ‘botão’ que, entre outras aceções, pode estar na peça de vestuário ou num ecrã de computador. Contudo, nas línguas naturais também ocorre o fenómeno inverso: novas palavras são adicionadas ao léxico, seja por via da necessidade de referenciar realidades até então inexistentes, de que é exemplo a tecnologia, seja por um processo morfológico ou sintático: flexão, composição ou derivação. É sobre este último fenómeno que irei debruçar-me, atentando nos adjetivos terminados em -vel, no adverbializador -mente e por que razão, se alguma, este se conjuga por vezes com aqueles, e outras não. Simultaneamente, procurarei averiguar a distribuição de formas em -avelmente e -ivelmente para determinar a sua potencialidade e efetiva cunhagem de formas. Por fim, será avaliada a questão da lexicalização semântica e o seu papel na formação e uso de advérbios em -velmente.