Pa a Além da Fa da: A Mili a ização da Ju en ude
Po uguesa no Es ado No o
Beyond he Uni o m: The Mili a isa ion o Po uguese
You h in he Es ado No o
h ps://doi.o g/10.21814/ is a.6207
e025005
Josué Dua e
Conce ualização, análise o mal, in es igação, edação do ascunho o iginal, edação – e isão e
edição
Sil ana Mo a-Ribei o
Me odologia, supe isão, alidação
© Au o es
Pa a Além da Fa da: A Mili a ização da
Ju en ude Po uguesa no Es ado No o
h ps://doi.o g/10.21814/ is a.6207
Vis a N.º15 | janei o – junho 2025 | e025005
Subme ido: 15/01/2025 | Re is o: 31/03/2025 | Acei e: 31/03/2025 | Publicado:
22/05/2025
_____________________________________________________________
Josué Dua e
h ps://o cid.o g/0009-0001-8909-0465
Uni e sidade de T ás-os-Mon es e Al o Dou o, Vila Real, Po ugal
Conce ualização, análise o mal, in es igação, edação do ascunho o iginal,
edação – e isão e edição
Sil ana Mo a-Ribei o
h ps://o cid.o g/0000-0003-2665-1808
Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade, Ins i u o de Ciências Sociais,
Uni e sidade do Minho, B aga, Po ugal
Me odologia, supe isão, alidação
_____________________________________________________________
Es e a igo analisa a mili a ização da ju en ude po uguesa du an e o Es ado
No o, com oco no papel da a da da Mocidade Po uguesa como ins umen o
de p opaganda e con olo. A a és de uma abo dagem his ó ica e sociológica, o
es udo examina a c iação, os obje i os e a o ganização da Mocidade Po uguesa,
e desc e e e in e p e a a sua a da, explo ando o seu simbolismo e as in luências
mili a es p esen es na sua conceção. A análise e ela como a a da uncionou
como um ins umen o de p opaganda e con olo, con ibuindo pa a a cons ução
de uma iden idade cole i a e pa a a inculcação de alo es como a disciplina, a
obediência e o espí i o de sac i ício. O es udo compa a a Mocidade Po uguesa
com ou as o ganizações ju enis da época, como a Ju en ude Hi le iana, as
Ju en udes Falangis as e a Ope a Nazionale Balilla, e analisa as especi icidades
1
da Mocidade Po uguesa Feminina, demons ando como a o ganização e o ça a
os papéis de géne o adicionais. Conclui-se que a Mocidade Po uguesa e a sua
a da cons i uí am ins umen os e icazes na es a égia de con olo e dou inação
do Es ado No o, con ibuindo pa a a mili a ização da ju en ude e pa a a
cons ução de uma iden idade nacional au o i á ia.
Pala as-cha e: Mocidade Po uguesa, Es ado No o, a da, semió ica, con olo
social
Beyond he Uni o m: The Mili a isa ion o Po uguese You h in he
Es ado No o
This a icle examines he mili a isa ion o Po uguese you h unde he Es ado
No o egime, wi h pa icula emphasis on he ole o he Mocidade Po uguesa
(Po uguese You h) uni o m as a ool o p opaganda and social con ol. Adop ing
a his o ical and sociological app oach, he s udy examines he c ea ion, objec i es,
and o ganisa ional s uc u e o he Mocidade Po uguesa. I o e s a desc ip i e
and in e p e a i e analysis o i s uni o m, ocusing on i s symbolism and he
mili a y in luences embedded in i s design. The indings e eal ha he uni o m
unc ioned as a key ins umen in p omo ing a collec i e iden i y and in ins illing
alues such as discipline, obedience, and sel -sac i ice. The s udy compa es he
Mocidade Po uguesa wi h o he con empo a y you h o ganisa ions — namely
he Hi le You h, he Falangis You h, and he Ope a Nazionale Balilla — and
examines he speci ic ea u es o he Mocidade Po uguesa Feminina (Po uguese
Female You h), demons a ing how he o ganisa ion ein o ced adi ional gende
oles. The analysis concludes ha he Mocidade Po uguesa and i s uni o m
played a cen al ole in he Es ado No o's s a egy o you h indoc ina ion and
au ho i a ian na ion-building.
Keywo ds: Mocidade Po uguesa, Es ado No o, uni o m, semio ics, social
con ol
In odução
Es e a igo in es iga a p o unda in luência da mili a ização na ju en ude po -
uguesa du an e o Es ado No o, ocando no papel mul i ace ado da a da da
Mocidade Po uguesa. Mais do que uma simples es imen a, a a da anscen-
deu a sua unção p á ica, o nando-se um símbolo pode oso de p opaganda
e con olo social, in insecamen e ligado à cons ução de uma iden idade na-
cional au o i á ia e mili a izada. Ao longo do a igo analisa emos como cada
elemen o da a da, desde as co es e insígnias a é ao co e e os acessó ios, oi
cuidadosamen e concebido pa a ansmi i mensagens especí icas e molda as
pe ceções das c ianças e jo ens, inculcando alo es como obediência, disciplina e
o nacionalismo exace bado. A a és da análise da es é ica e da simbologia da
a da, des endamos como o egime di a o ial salaza is a explo ou a es imen a
pa a in luencia compo amen os e cons ui uma ju en ude subse ien e aos
seus ideais.
2
A in es igação sob e a Mocidade Po uguesa e a sua a da ab e caminho pa a
uma comp eensão mais p o unda da his ó ia da educação em Po ugal du an e o
Es ado No o, e elando como o egime di a o ial manipulou o sis ema educacional
pa a ins de p opaganda e con olo social. Mais do que ansmi i conhecimen o, a
educação se ia pa a molda men alidades e pe pe ua a ideologia salaza is a. A
a da, nes e con ex o, a ua a como um ins umen o de dou inação cons an e, um
lemb e e isual onip esen e da ideologia do egime e de seus alo es au o i á ios.
As c ianças e jo ens, ime sos nesse ambien e con olado, e am in luenciados a
in e naliza e ep oduzi os di ames do Es ado No o, limi ando o desen ol imen o
do pensamen o c í ico e da au onomia indi idual.
Pa a além da sua dimensão his ó ica, es e es udo possui ele ância no con ex o
a ual, ma cado pela ascensão de mo imen os populis as e au o i á ios em di e sas
pa es do mundo. Ao analisa mos as es a égias de con olo e dou inação
u ilizadas po egimes di a o iais do passado, como o Es ado No o, podemos
iden i ica pad ões e á icas que se epe em ao longo da his ó ia. Comp eende
como a a da da Mocidade Po uguesa oi u ilizada pa a molda men alidades e
compo amen os ale a-nos pa a os pe igos da manipulação e da p opaganda,
e con ibui pa a o desen ol imen o de uma maio consciência c í ica ace a
discu sos e p á icas que isam es ingi libe dades indi iduais e o pensamen o
c í ico.
A Mocidade Po uguesa: Enquad amen o
His ó ico e Ideológico
Pa a comp eende a Mocidade Po uguesa e o seu papel na mili a ização da
ju en ude, é c ucial analisa o con ex o his ó ico e ideológico em que a o ganização
su giu e se desen ol eu. Como e e e Rosas (2012), a Mocidade Po uguesa
cons i uiu um ins umen o undamen al na es a égia de con olo social e polí ico
do Es ado No o, moldando ge ações de jo ens de aco do com os seus p incípios.
A Mocidade Po uguesa oi c iada em 1936, no auge da consolidação do egime
do Es ado No o, lide ado po An ónio de Oli ei a Salaza . Inspi ada em o gani-
zações ju enis de egimes ascis as, como a Ju en ude Hi le iana, na Alemanha, e
a Ope a Nazionale Balilla, em I ália, a Mocidade Po uguesa isa a o enquad a-
men o da ju en ude po uguesa nos ideais do egime. O obje i o p imo dial
e a molda as c ianças e jo ens de aco do com os alo es do nacionalismo, da
disciplina, da obediência e do cul o da pá ia, c iando cidadãos obedien es e
submissos ao egime. A Mocidade Po uguesa p ocu a a incu i nos jo ens
uma o e iden idade nacional, baseada na exal ação do passado his ó ico de
Po ugal e na glo i icação dos he óis nacionais. Pa a além disso, a o ganização
p omo ia a o mação ísica e mo al dos jo ens, p epa ando-os pa a o se iço
mili a e pa a a de esa da nação. Es e p ocesso de “mili a ização cí ica”, como
lhe chamou Rosas (1998), isa a não só p epa a os jo ens pa a o se iço mili a ,
mas ambém inculca neles alo es como a hie a quia, a obediência e o espí i o
3
de sac i ício. A c iação da Mocidade Po uguesa oi o icializada pelo Dec e o-Lei
n.º26611, de 19 de ab il de 1936, que de inia os seus obje i os e es u u a. En e
os p incipais esponsá eis pela sua implemen ação des acam-se igu as como
F ancisco Cab al, o seu p imei o comissá io nacional, e Ma celo Cae ano, que
e e um papel impo an e na de inição da sua ideologia.
Segundo o Dec e o n.º27:301 (1936), da ado de 4 de dezemb o de 1936, a
Mocidade Po uguesa possuía uma es u u a hie á quica e o ganizada, que
ab angia jo ens de di e en es aixas e á ias, assemelhando-se, em alguns aspe os,
à es u u a mili a . A o ganização e a di idida em escalões, cada um com as suas
p óp ias a i idades e uni o mes, p og essi amen e mais exigen es à medida que
a idade dos jo ens aumen a a. Os escalões mais jo ens, como os “lusi os” (dos
se e aos 10 anos) e os “in an es” (dos 10 aos 14 anos), oca am-se em a i idades
ec ea i as e de o mação mo al, com ên ase no desen ol imen o do espí i o
pa ió ico e na ap endizagem dos alo es do egime. Já os escalões mais elhos,
como os “ angua dis as” (dos 14 aos 17 anos) e os “cade es” (dos 17 aos 21 anos),
incluíam eino mili a e p epa ação pa a o se iço mili a ob iga ó io, com
ins ução em o dem unida, i o e ou as a i idades de ca á e mili a . Pa a além
des es escalões, exis ia ainda a Mocidade Po uguesa Feminina, c iada em 1937,
que isa a p epa a as apa igas pa a o seu papel de “esposas e mães exempla es”,
de aco do com os ideais do egime. A Mocidade Po uguesa es a a p esen e
em odo o país, com delegações em odas as cidades e ilas, o que pe mi ia
ao egime exe ce um con olo e e i o sob e a ju en ude e, assim, discipliná-la.
Desse modo, a Mocidade Po uguesa e a como um disposi i o de pode que
ab ica a indi íduos com “co pos dóceis” e ú eis (Foucaul , 1975/2023, p. 160).
A p esença da mesma e a omnip esen e na ida social e cul u al do país, desde
as escolas aos es ádios de u ebol.
A ideologia da Mocidade Po uguesa es a a p o undamen e en aizada nos p incí-
pios do Es ado No o: nacionalismo, au o i a ismo, ca olicismo e an icomunismo.
A o ganização u iliza a di e sos mecanismos de dou inação, como a p opaganda,
a censu a e o con olo da in o mação, pa a molda a men alidade dos jo ens e
inculca os alo es do egime. Os manuais escola es, as publicações da Mocidade
Po uguesa e os discu sos dos seus di igen es es a am eple os de mensagens
que exal a am a igu a de Salaza , a g andeza de Po ugal e a supe io idade da
“ aça po uguesa”. A his ó ia de Po ugal e a ap esen ada de o ma idealizada
e mi i icada, com ên ase nos ei os he oicos e nas conquis as do passado. O
ca olicismo e a ap esen ado como a eligião o icial do Es ado e os jo ens e am
incen i ados a pa icipa em a i idades eligiosas. O an icomunismo e a ou o
pila da ideologia da Mocidade Po uguesa, que ap esen a a o comunismo como
uma ameaça à o dem social e aos alo es adicionais. A a és des es mecanis-
mos de dou inação, o egime p ocu a a c ia uma “ge ação no a” iel aos seus
p incípios e dispos a a de ende a nação.
4
A Fa da da Mocidade Po uguesa: Simbolismo e
Signi icado
Ba hes (1967/2015), na sua ob a Sis ema da Moda, a gumen a que cada peça de
oupa, cada acessó io, ca ega consigo uma sé ie de signi icados codi icados que
podem se lidos e in e p e ados como um ex o. Nesse sen ido, al como a oupa
e os acessó ios a que Ba hes se e e ia, a a da ambém pode se analisada e
es udada como um supo e de signi icado e como um meio de comunicação mó el
u ilizado pelo egime. Le ando isso em conside ação, após a analise do con ex o
his ó ico e ideológico da Mocidade Po uguesa, amos desc e e e analisa a a da,
elemen o cen al da iden idade isual da o ganização e ins umen o undamen al
na mili a ização da ju en ude.
A a da da Mocidade Po uguesa, inspi ada em uni o mes mili a es, e a compos a
po di e sos elemen os que a ia am consoan e o escalão e o géne o. Com base
no Dec e o n.º28:410 (1938), de 7 de janei o de 1938, conseguimos pe cebe ,
a a és da desc ição ex ual, que pa a os apazes, a a da base incluía camisa
e de, calças cas anhas, cin o com i ela em “S” e boina. Nos escalões mais
elhos, ac escen a a-se o casaco dólman cas anho, semelhan e ao casaco dólman
do exé ci o po uguês da mesma época. Podemos e a sua ep esen ação a a és
da ilus ação da Figu a 1, con ida no p óp io dec e o. Já a a és do Dec e o-Lei
n.º28:262 (1937), de 8 de dezemb o de 1937, conseguimos pe cebe , a a és da
desc ição ex ual, que as apa igas usa am camisa e de, saia cas anha plissada,
cin o com i ela e chapéu. Da mesma o ma que o dec e o an e io , es e ambém
inclui a ep esen ação ilus ada desses modelos de a da (Figu a 2). Apesa da
in e p e ação da co se um exe cício de análise semió ico um pouco subje i o,
podemos dize que o e de da camisa pode á simboliza a espe ança e a ju en ude,
enquan o o cas anho das calças e do dólman a adição. No que conce ne ao
“S” da i ela, embo a o icialmen e ep esen asse “se i ”, e a equen emen e
associado ao “S” de Salaza , e o çando a ligação en e Mocidade Po uguesa e o
egime, de emos essal a que essa associação a Salaza acaba a po pe soni ica
a de oção ao líde . As boinas, elemen os dis in i os dos uni o mes mili a es,
con e iam à a da um a de au o idade e disciplina. Pa a além das co es e dos
símbolos, o p óp io a o de es i a a da inha um signi icado simbólico. Ao
es i o uni o me, os jo ens “ es iam” ambém a iden idade nacional e os alo es
do egime, num p ocesso de in eg ação e con o mismo. A a da unciona a como
uma segunda pele, moldando o co po e a men e dos jo ens.
5
Figu a 1: Rep esen ação de ês escalões masculinos e da sua espe i a a da na
Mocidade Po uguesa
Fon e. Re i ado de Dec e o n.º 28:410, Diá io do Go ê no n.º 5/1938, Sé ie I, p.
17. (h ps:// iles.dia ioda epublica.p /1s/1938/01/00500/00130023.pd )
6
Figu a 2: Rep esen ação de ês escalões emininos e da sua espe i a a da
na
Mocidade Po uguesa
Fon e. Re i ado de Dec e o-Lei n.º 28:262, Diá io do Go ê no n.º 285/1937, Sé ie
I, p. 1382. (h ps:// iles.dia ioda epublica.p /1s/1937/12/28500/13791383.pd )
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A a da so eu algumas al e ações ao longo do empo, mas man e e semp e a sua
essência mili a is a e a sua unção de uni o miza e disciplina os jo ens. Nesse
sen ido a a da da Mocidade Po uguesa e a um e dadei o uni o me mili a em
minia u a, que isa a incu i nos jo ens o gos o pela o dem e pela disciplina.
A in luência mili a na a da da Mocidade Po uguesa é inegá el. Desde as co es
ao co e, dos símbolos aos acessó ios, o uni o me e oca a cla amen e os ajes
mili a es, e o çando a associação en e a o ganização e o uni e so cas ense. O
dólman (Figu a 3 e Figu a 4), peça cen al da a da dos escalões mais elhos, e a
uma e são simpli icada do casaco mili a , com bo ões abalhados e pla inas que
lhe con e iam um a ma cial. As boinas (Figu a 5 e Figu a 6) ambém eme iam
pa a os ade eços mili a es. A p óp ia o ganização da Mocidade Po uguesa,
com a sua es u u a hie á quica, os seus comandos e os seus des iles, seguia o
modelo mili a . Es a mili a ização da es é ica e da o ganização isa a incu i nos
jo ens o gos o pela o dem, pela disciplina e pela hie a quia, p epa ando-os pa a
o u u o se iço mili a e pa a a de esa da nação. Como a i ma Rosas (1998), a
Mocidade Po uguesa unciona a como uma espécie de exé ci o em minia u a,
onde os jo ens e am einados pa a se em soldados disciplinados e obedien es.
Es a in luência mili a e le ia a ideologia do Es ado No o, que alo iza a o
mili a ismo e o nacionalismo como pila es da o dem social.
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Figu a 3: Casaco dólman
Fon e. Re i ado de Dec e o n.º 28:410, Diá io do Go ê no n.º 5/1938, Sé ie I, p.
17. (h ps:// iles.dia ioda epublica.p /1s/1938/01/00500/00130023.pd )
ideológica. Apesa das di e enças, ambas as o ganizações econheciam a im-
po ância da a da como um ins umen o de iden i icação cole i a e de p omoção
dos alo es do egime.
P osseguindo com a análise das o ganizações ju enis eu opeias, ol amo-nos
ago a pa a a Espanha, onde as Ju en udes Falangis as desempenha am um papel
signi ica i o.
Ju en udes Falangis as (Espanha)
As Ju en udes Falangis as
2
, c iadas em Espanha em 1937, em plena Gue a Ci il
Espanhola, ap esen a am algumas semelhanças com a Mocidade Po uguesa,
nomeadamen e no que se e e e à ideologia nacionalis a e ao uso da a da
como ins umen o de p opaganda. Ambas as o ganizações su gi am em egimes
au o i á ios e isa am a dou inação da ju en ude e a sua mobilização pa a
a causa nacional. Payne (1999) des aca que as Ju en udes Falangis as, al
como a Mocidade Po uguesa, p ocu a am c ia uma no a ge ação de cidadãos,
imbuídos dos alo es do egime e dispos os a lu a pela pá ia. No en an o,
as Ju en udes Falangis as es a am mais di e amen e ligadas ao pa ido único
do egime anquis a, a Falange Espanhola, e inham um papel mais a i o
na ep essão aos oposi o es do egime. Enquan o a Mocidade Po uguesa e a
uma o ganização es a al, com uma es u u a mais au ónoma, as Ju en udes
Falangis as es a am in eg adas na es u u a da Falange, o que lhes con e ia um
ca á e mais polí ico e pa idá io endo um papel mais a i o na ep essão aos
oposi o es do egime.
Es a di e ença e le ia-se ambém na a da. A a da das Ju en udes Falangis as,
com a sua camisa azul, o seu cin o com a i ela com o símbolo da Falange (o jugo
e as lechas) e a boina e melha, e a uma cópia quase exa a da a da da Falange,
o que e o ça a a sua iden i icação com o pa ido. A Mocidade Po uguesa, po
ou o lado, inha uma a da com um design p óp io, que embo a se inspi asse
em uni o mes mili a es, não es a a di e amen e associada a nenhum pa ido
polí ico. Pa a além disso, as Ju en udes Falangis as i e am um papel mais
a i o na ep essão aos oposi o es do egime, pa icipando em ações de igilância,
denúncia e pe seguição. A Mocidade Po uguesa, embo a ambém con ibuísse
pa a a manu enção da o dem social, não e e um papel ão di e o na ep essão
polí ica. Es as di e enças e le em o ca á e mais iolen o e ep esso do egime
anquis a, em compa ação com o Es ado No o po uguês.
A Mocidade Po uguesa e as Ques ões de Géne o
A Mocidade Po uguesa, embo a enha sido concebida inicialmen e pa a apazes,
apidamen e se es endeu às apa igas, com a c iação da Mocidade Po uguesa
Feminina em 1937. Es a secção analisa as especi icidades da o ganização pa a as
2
Imagem disponí el em h ps://jou nals.openedi ion.o g/his c i /docannexe/image/4698/i
mg-2.png.
15
jo ens, explo ando os seus obje i os, a i idades e a a da u ilizada, e como es es
elemen os con ibuíam pa a e o ça os papéis de géne o adicionais.
Tal como Pimen el (2007) salien a, a Mocidade Po uguesa Feminina inha como
p incipal obje i o p epa a as apa igas pa a o seu papel de “esposas e mães
exempla es”, de aco do com os ideais do Es ado No o. As a i idades p omo idas
pela o ganização isa am incu i nas jo ens alo es como a modés ia, a submissão,
o espí i o de sac i ício e a dedicação à amília. As apa igas ap endiam a e as
domés icas, como cozinha , cose e cuida de c ianças, e e am incen i adas a
pa icipa em a i idades cul u ais e ec ea i as que e o ça am os papéis de
géne o adicionais. A o mação ísica e a ambém alo izada, mas com um
en oque di e en e da dos apazes, p i ilegiando a i idades como a ginás ica
í mica e a dança, que isa am p omo e a g aça e a eminilidade.
A a da eminina di e ia da a da masculina, al como salien ado an e io men e
a a és do Dec e o-Lei n.º 28:262 (1937), de 8 de dezemb o de 1937, em ez das
calças cas anhas, as apa igas usa am uma saia cas anha plissada, que ep esen-
a a a eminilidade e a modés ia. O cin o com i ela e o chapéu comple a am o
uni o me, con e indo-lhe um a dis in o e elegan e. A a da eminina, al como
a masculina, unciona a como um ins umen o de p opaganda e con olo, mas
ambém e o ça a os es e eó ipos de géne o e as expec a i as sociais em elação
às mulhe es.
De salien a ambém que a Mocidade Po uguesa Feminina desempenha a um
papel impo an e na manu enção dos papéis de géne o adicionais e na p omoção
de uma isão conse ado a da mulhe . As jo ens e am educadas pa a se em
esposas e mães dedicadas (Belo e al., 1987), submissas aos seus ma idos e
esponsá eis pelo la e pela educação dos ilhos. As no mas do que signi ica a se
mulhe es ão aliás bem de inidas numa das publicações da Mocidade Feminina
(Aze edo, 2011): Menina e Moça, que, segundo B aga e D umond B aga (2012),
e a conside ada pelo Regime “a melho e is a pa a odas as apa igas” (p. 204).
Os alo es e am os da o ganização, que e o ça a po á ios meios a ideia de
que o papel p incipal da mulhe e a o de esposa e mãe, e que a sua ealização
pessoal passa a pelo casamen o e pela ma e nidade. Es a isão conse ado a da
mulhe es a a em consonância com a ideologia do Es ado No o, que de endia a
amília adicional como pila da sociedade.
Apesa das di e enças, é c ucial no a que a Mocidade Po uguesa Feminina e
a Mocidade Po uguesa Masculina pa ilha am o obje i o comum de molda
a ju en ude de aco do com os ideais do Es ado No o. Ambas as o ganizações
p omo iam o nacionalismo, a disciplina e a obediência, embo a com nuances
e ên ases dis in as de aco do com os papéis de géne o adicionais. Enquan o
os apazes e am p epa ados pa a se em u u os soldados e líde es, as apa igas
e am educadas pa a se em esposas e mães exempla es, ga an indo a ep odução
dos alo es do egime no seio amilia . Ambas as o ganizações u iliza am a a da
como ins umen o de p opaganda e con olo, mas com simbolismos e signi icados
adap ados a cada géne o. A a da masculina, com o seu ca á e mili a is a,
isa a incu i nos apazes a co agem, a o ça e o espí i o de sac i ício, enquan o
16
a a da eminina, com o seu design mais disc e o e elegan e, isa a p omo e a
modés ia, a delicadeza e a submissão.
Conclusões
O p esen e a igo p opôs-se analisa a mili a ização da ju en ude po uguesa
du an e o Es ado No o, com oco no papel da a da da Mocidade Po uguesa
como ins umen o de p opaganda e con olo. A a és da análise do con ex o
his ó ico e ideológico da o ganização, da desc ição e in e p e ação da a da e
da compa ação com ou as o ganizações ju enis, oi possí el comp eende como
o egime u ilizou a Mocidade Po uguesa pa a molda as ge ações u u as de
aco do com os seus ideais.
A a da, com os seus símbolos e co es, desempenhou um papel cen al nes e
p ocesso, uncionamen o como um ins umen o de p opaganda, de cons ução da
iden idade e de con olo social. Ao es i a a da, os jo ens “ es iam” ambém
a iden idade nacional e os alo es do egime, num p ocesso de in eg ação e
con o mismo. A a da con ibuiu pa a a inculcação da disciplina, da obediência
e do espí i o de sac i ício, p epa ando os jo ens pa a o u u o se iço mili a e
pa a a de esa da nação.
A compa ação com ou as o ganizações ju enis da época, como a Ju en ude
Hi le iana, as Ju en udes Falangis as e a Ope a Nazionale Balilla, pe mi iu
con ex ualiza a Mocidade Po uguesa no pano ama in e nacional e e idencia
as suas especi icidades. Já a análise da Mocidade Po uguesa Feminina e elou
como a o ganização e o ça a os papéis de géne o adicionais e p omo ia uma
isão conse ado a da mulhe .
Em suma, a Mocidade Po uguesa e a sua a da cons i uí am ins umen os
e icazes na es a égia de con olo e dou inação do Es ado No o. A o ganização
con ibuiu pa a a mili a ização da ju en ude, pa a a pe pe uação da ideologia do
egime e pa a a cons ução de uma iden idade nacional au o i á ia. O es udo da
Mocidade Po uguesa e do seu legado é essencial pa a comp eende a his ó ia de
Po ugal no século XX e pa a e le i sob e os pe igos dos egimes au o i á ios e
das ideologias ex emis as.
Ag adecimen os
Es e abalho é inanciado po undos nacionais a a és da FCT – Fundação
pa a a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbi o do inanciamen o do Cen o de
Es udos de Comunicação e Sociedade (CECS) 2025-2029.
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No as Biog á icas
Josué Dua e, licenciado em Design G á ico pelo Ins i u o Poli écnico do Cá ado
e do A e e mes e em Design pa a Comunicação de Moda pela Uni e sidade
do Minho, encon a-se a ualmen e a dou o a em Ciências da Cul u a pela
Uni e sidade de T ás-os-Mon es e Al o Dou o. Pa a além da sua a i idade
académica como docen e na á ea da Educação Visual e Tecnológica, é au o da
ob a Ves idos Pa a Obedece e em indo a expo as suas elas abs a as em
a iadas exposições na zona no e.
ORCID: h ps://o cid.o g/0009-0001-8909-0465
Email: [email protected]
Mo ada: Escola de Ciências Humanas e Sociais, Uni e sidade de T ás-os-Mon es
e Al o Dou o, 5000-622 Vila Real, Po ugal
Sil ana Mo a-Ribei o é p o esso a auxilia do Depa amen o de Ciências da Comu-
nicação, do Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade do Minho. Dou o ou-se
em Ciências da Comunicação, nes a ins i uição em 2011. Leciona nas á eas da
cul u a e semió ica isuais, a e, moda e comunicação es a égica. Desen ol e
in es igação na á ea dos discu sos de géne o, análise de imagem, semió ica social,
mul imodalidade.
ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0003-2665-1808
Email: [email p o ec ed]minho.p
Mo ada: Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade, Ins i u o de Ciências
Sociais, Uni e sidade do Minho, 4710-057 Gual a , B aga, Po ugal
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