Diogo An ónio Peixo o da Sil a
Uma Lei Bosman no u ebol amado ? O impac o
da li e ci culação de jogado es no Campeona o
Popula de Fu ebol de Ba celos.
ab il de 2025
Uma Lei Bosman no u ebol amado ? O impac o da li e ci culação
de jogado es no Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos.
Diogo Sil a
UMinho |2025
Diogo An ónio Peixo o da Sil a
Uma Lei Bosman no u ebol amado ? O impac o da
li e ci culação de jogado es no Campeona o
Popula de Fu ebol de Ba celos.
Disse ação
de
Mes ado
Mes ado em Economia Social
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o An hony Macedo
e do
P o esso Dou o Paulo Jo ge Reis Mou ão
ab il de 2025
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
Ag adecimen os
Em p imei o luga , que o ag adece aos meus pais, po odo o apoio que me de am, pelos
sac i ícios que ize am po mim e que me o na am na pessoa que sou hoje.
Aos meus amigos, que es i e am comigo nos bons e maus momen os, na di e são e no caos,
que me encaminha am quando e a p eciso e que pe mi i am desanu ia , um ob igado mui o especial.
Ag adeço ambém à pessoa que es e e semp e ao meu lado ao longo des e pe cu so. Uma
página não chega pa a desc e e o quão impo an e os e pa a udo is o e o quan o signi icas pa a mim.
Ag adeço- e, do undo do co ação, po oda a ua disponibilidade, pelo eu a e o, pela ajuda incansá el e
pela paciência nos momen os mais di íceis. Ob igado, Ca ina!
Po im, que o ag adece aos meus o ien ado es, o p o esso dou o An hony Macedo e o
p o esso dou o Paulo Mou ão, po oda a disponibilidade, paciência, po me guia em du an e oda es a
e apa da minha ida académica e po pa ilha em odo o conhecimen o que con ibui pa a a ealização
des e abalho e pa a o meu en iquecimen o pessoal.
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Uni e sidade do Minho, 30 de ab il de 2025
Uma Lei Bosman no u ebol amado ? O impac o da li e ci culação de jogado es no Campeona o
Popula de Fu ebol de Ba celos
Resumo
O obje i o des e es udo é a alia o equilíb io compe i i o no Campeona o Popula de Fu ebol de
Ba celos, analisando o impac o de uma al e ação nas eg as, que aboliu a es ição que impedia os
clubes de insc e e em mais de seis jogado es não na u ais da eguesia po equipa. Pa a a alia a
e olução do equilíb io compe i i o, analisamos os dados de desempenho das equipas en e as épocas
de 1999/2000 e 2018/2019, u ilizando indicado es de concen ação como o Índice No malizado de
He indahl-Hi schman (nHHI) e o Índice de He indahl de Equilíb io Compe i i o (HICB), bem como
indicado es de domínio, como o núme o de í ulos conquis ados, núme o de í ulos conquis ados po
pe íodo, núme o de pe íodos com í ulos consecu i os e pe cen agem de í ulos conquis ados.
De modo a complemen a a análise, com base nos dados dos Censos Nacionais de 2011 e
2021, es udamos as ca ac e ís icas demog á icas e socioeconómicas das comunidades ep esen adas
na liga, com o in ui o de comp eende como essas condições e oluí am após a al e ação da eg a e de
que o ma podem es a elacionadas com o desempenho despo i o.
Po im, as conclusões des e es udo indicam que o Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos
se o nou mais equilib ado após a eliminação da eg a que limi a a a insc ição de jogado es es angei os,
e le ido nos alo es mais baixos dos indicado es de concen ação (nHHI e HICB). No en an o, apesa
des e equilíb io ge al, egis ou-se uma maio concen ação de í ulos numa única equipa no pe íodo pós-
mudança. Ve i icou-se ainda que, an es da al e ação egulamen a , o a o populacional e a mais
impo an e pa a o sucesso das equipas, a o ecendo eguesias mais populosas, enquan o, após a
eliminação da eg a, o a o inancei o passou a e maio peso, bene iciando eguesias com maio pode
económico na o mação de equipas mais compe i i as. Discu e-se ainda as implicações sociais mais
amplas do u ebol amado e des aca-se a ele ância des a análise no con ex o da Economia Social,
nomeadamen e na comp eensão de como o despo o comuni á io se elaciona com o desen ol imen o
local e a coesão social.
Pala as-cha e: Comunidades; Economia Social; Equilíb io Compe i i o; Fu ebol; Sociedade.
i
A Bosman Ruling in Ama eu Foo ball? The Impac o F ee Playe Mo emen in he
Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos
Abs ac
The objec i e o his s udy is o assess he compe i i e balance in he
Campeona o Popula de
Fu ebol de Ba celos
by examining he impac o a majo ule change ha , in 2010, abolished he
es ic ion p e en ing clubs om egis e ing mo e han six non-local playe s pe eam. To e alua e he
e olu ion o compe i i e balance, we analyze eam pe o mance da a om he 1999/2000 o
2018/2019 seasons using concen a ion indica o s such as he No malized He indahl-Hi schman
Index (nHHI) and he He indahl Index o Compe i i e Balance (HICB), as well as dominance indica o s,
such as he numbe o i les won, numbe o i les won pe pe iod, numbe o pe iods wi h consecu i e
i les, and pe cen age o i les won.
Fu he mo e, d awing on na ional census da a om 2011 and 2021, we explo e he
demog aphic and socio-economic cha ac e is ics o he communi ies ep esen ed in he league, in o de
o unde s and how hese condi ions e ol ed a e he ule change and how hey may ela e o spo ing
pe o mance.
The conclusions o his s udy indica e ha he Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos
became mo e compe i i ely balanced a e he elimina ion o he ule limi ing he egis a ion o o eign
playe s, as e idenced by he lowe alues o he concen a ion indica o s (nHHI and HICB). Howe e ,
despi e his g ea e o e all balance, he e was a highe concen a ion o i les won by a single eam
du ing he pos - ule change pe iod. Fu he mo e, i was ound ha , p io o he egula o y change,
popula ion size played an impo an ole in de e mining eam success, a o ing communi ies wi h la ge
popula ions, whe eas a e he elimina ion o he ule, inancial s eng h became mo e decisi e, wi h
weal hie communi ies able o ec ui be e playe s and assemble mo e compe i i e eams.I also
discusses he b oade social implica ions o ama eu oo ball and highligh s he ele ance o his
analysis wi hin he con ex o he Social Economy, pa icula ly in unde s anding how communi y spo s
ela e o local de elopmen and social cohesion.
Keywo ds:
Compe i i e Balance; Communi ies; Social Economy; Foo ball; Socie y.
ii
Índice
1-In odução ........................................................................................................................................ 9
2-Re isão de Li e a u a ...................................................................................................................... 10
2.1- Regulação e Equilíb io Compe i i o no Fu ebol: Impac os da Lei Bosman e Ou as Medidas ..... 10
2.1.1-Equilíb io Compe i i o .................................................................................................. 10
2.1.2-Lei Bosman ................................................................................................................. 15
2.1.3-Medidas Regula ó ias no Fu ebol e o seu Impac o ......................................................... 18
2.2- O Fu ebol como Fenómeno Social: Rele ância Sociocul u al e Mé odos de A aliação ................ 24
2.2.1-Impac o do Despo o na Sociedade .............................................................................. 24
2.2.2-Impac o do Fu ebol na Sociedade ................................................................................. 26
2.2.3-A aliação do Impac o Social do Fu ebol ........................................................................ 31
2.2.4-Sín ese e Fundamen ação pa a o P oblema .................................................................. 32
3-Me odologia .................................................................................................................................... 35
3.1-P oblema e Hipó eses de In es igação ..................................................................................... 35
3.2-Sis ema de Pon uação e Regulamen os de Compe ição ............................................................ 36
3.3-Indicado es da In es igação ..................................................................................................... 37
3.4-Recolha de Dados ................................................................................................................... 40
4-Resul ados e Discussão .................................................................................................................. 40
4.1-Resul ados da In es igação ..................................................................................................... 40
4.2-O Con ex o Demog á ico e Socioeconómico das F eguesias de Ba celos .................................. 46
4.3-Implicações dos Resul ados pa a a Economia Social ................................................................ 54
5-Conclusões ..................................................................................................................................... 55
Re e ências ....................................................................................................................................... 58
Anexo 1- Pon uações das Épocas do Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos. ............................ 64
Anexo 2- HHImax calculados po Á ila-Cano e T igue o-Ruiz .............................................................. 72
Índice de abelas
Tabela 1. Valo es do nHHI pa a as épocas an e io es à abolição da eg a ......................................... 41
Tabela 2. Valo es do nHHI pa a as épocas pos e io es à abolição da eg a ......................................... 41
Tabela 3. Valo es do HICB pa a as épocas an e io es à abolição da eg a ........................................... 42
Tabela 4. Valo es do HICB pa a as épocas pos e io es à abolição da eg a ......................................... 43
14
A li e a u a ambém a ibui a ince eza de esul ados a di e sos a o es. Gilch (2022) a ibui essa
ince eza a dinâmicas do jogo, explicando que mui as des as pa idas podem se in luenciadas po
momen os cha e como pe o mances indi iduais ou cole i as acima do espe ado, e os indi iduais,
lesões, e os de a bi agem ou a é momen os de “pu a so e”, e como es es são di íceis de p e e , a
maio pa e dos esul ados é um e lexo das qualidades (o ensi as e de ensi as) das equipas em ques ão.
Do lado opos o, Ande son e Sally (2013) a gumen am que a so e ep esen a um papel c ucial
no u ebol. Po exemplo, uma equipa pode domina em es a ís icas como ema es e posse de bola, mas
acaba po pe de . Eles des acam como e en os alea ó ios como golos des iados ou decisões
con o e sas da equipa de a bi agem in luenciam o desen ola da pa ida, em ce os casos a é mais que
supe io idade á ica ou habilidade. Num despo o em que não se ma ca/pon ua equen emen e, como
o u ebol, es es e en os alea ó ios endem a decidi os jogos mais equilib ados (Ande son & Sally, 2013).
Exis em exemplos em ou os despo os que co obo am as ideias de Ande son e Sally (2013).
Sobkowicz e colegas (2020), de o ma a es ima o papel do acaso na conquis a do sucesso, compa a am
dados empí icos de compe ições de co ida de 100 me os, conside ando que es a é uma das
modalidades despo i as com maio con olo sob e a o es ex e nos, em e mos de alea o iedade, a a és
de um modelo compu acional baseado em agen es como o alen o dos a le as e a so e. Os esul ados
ob idos indica am uma con ibuição pequena do a o alea ó io no desempenho dos melho es elocis as.
Os esul ados a i mam que a so e alea ó ia ep esen a ap oximadamen e 4% do desempenho nos
homens e 6% nas mulhe es, o que pode se conside ado um limi e in e io na es ima i a do papel do
acaso em ou as si uações menos con oladas, nomeadamen e despo os cole i os como o u ebol.
Também são conside ados os a o es psicológicos nes a ince eza. Fa o es como a ansiedade e
o s ess aumen am a endência de o jogado se concen a em es ímulos i ele an es, p ejudicando a
sua capacidade de ma ca golos e a sua omada de decisão (Eysenck & Wilson, 2016).
Jo de (2005) e e e que p ocessos cogni i os como a a enção, pe ceção, an ecipação, in enção
e omada de decisão êm um papel ulc al na pe o mance de al o endimen o, pa icula men e numa
dinâmica de um despo o de equipa complexo. Ele dá o exemplo dos médios no u ebol, sendo es a uma
posição odeada de ou os jogado es pela posição no cen o do e eno, cujas posições e mo imen os
êm de se pe cebidos e, consequen emen e, seguidos de uma eação ap op iada pa a o con ex o do
jogo. Es e ipo de jogado es p ecisa de p ocessos de eunião de in o mação e e i os, co igi in o mação
no momen o e de o ma ápida e decisi a comp eende quando a ua e que ações oma com a bola
(Jo de , 2005). De ido a es a complexidade, a o es psicológicos como a ansiedade podem a e a a
capacidade de execu a essas ações de o ma e icaz. A le as com “maio es” ní eis de ansiedade são
15
mais p edispos os a a iações de pe o mance no u ebol, pois expe ienciam espos as de s ess mais
p onunciadas du an e os jogos (Woodman & Ha dy, 2003).
Exis em ambém á ios de e minan es que in luenciam o equilíb io compe i i o, nomeadamen e
medidas de dis ibuição das ecei as, egulamen ações e polí icas de ans e ências, mecanismos de
con olo sala ial como os e os sala iais, enómenos como a globalização e o acesso a alen os
in e nacionais, o núme o de equipas e o o ma o da compe ição en e ou os. Todos es es de e minan es
se ão desen ol idos em maio de alhe nas secções seguin es.
2.1.2- Lei Bosman
A Lei Bosman, cujo nome de i a do jogado belga que le ou o seu caso a ibunal, e e um
eno me impac o no u ebol global. O caso emon a ao ano de 1990, no qual Jean-Ma c Bosman
a gumen a a que inha o di ei o de se ans e i pa a ou o clube sem qualque axa de ans e ência, já
que o seu con a o ha ia expi ado, con a iando assim a p á ica comum a é en ão no u ebol eu opeu.
Após 5 anos de p ocessos, em 1995, o T ibunal de Jus iça da União Eu opeia (TJUE) a ibuiu a azão a
Bosman, não só abolindo uma das p incipais eg as do sis ema de ans e ências da época como
conside ou que qualque limi ação ao núme o de jogado es com passapo es da União Eu opeia (UE) e a
ilegal, ci ando as egulamen ações da p óp ia UE do A igo 58 do T a ado de Roma de 1957, que ga an ia
que a o ça de abalho com passapo es da UE inha libe dade absolu a de mo imen o den o dos países
pe encen es a es a o ganização (Dou is & Billonis, 2005).
A pa i des e momen o deixa am de exis i duas das egulamen ações mais in ínsecas do
sis ema de ans e ências da época, sendo abolidas quaisque axas a paga a clubes po jogado es o a
de con a o e qualque limi e de con a ação de jogado es de nacionalidades pe encen es à UE. Apesa
disso a União das Associações Eu opeias de Fu ebol (UEFA) en ou con ence o TJUE de que os e ei os
de al decisão causa iam sé ios danos ao u ebol, sendo esse apelo igno ado pelo TJUE que baseou a
sua decisão em ac os económicos e na libe dade de conco ência, conside ando que o despo o e a
uma indús ia como qualque ou a e não uma a i idade cul u al, in imamen e ligada às adições de
cada país. Es a lei ouxe assim di e sas consequências an o pa a clubes como jogado es em di e en es
aspe os, ais como abolições de ce as axas de ans e ências, salá ios mais al os, con a os mais longos
e a abolição de quo as pa a jogado es es angei os al e ando o equilíb io compe i i o, as p á icas de
con a ação e o p óp io elacionamen o en e jogado es, clubes e adep os (Dou is & Billonis, 2005).
Uma dessas mudanças esul an es oi a possibilidade de os clubes exigi em uma axa de
ans e ência pa a jogado es que saem du an e a igência de um con a o. Es a condição incen i ou os
16
clubes a assina em con a os de longo p azo com os jogado es mais aliosos, a a és dos quais os
ans o ma a em a i os inancei os que pode iam se endidos se necessá io. Es es con a os de longo
p azo passa am a se is os como uma espécie de "bilhe e de lo a ia" pa a os clubes, uma ez que
alguns jogado es, ao demons a alen o e consis ência, pode iam ge a ecei as subs anciais pa a os
clubes em u u as ans e ências. Ao mesmo empo, e a do in e esse dos jogado es acei a con a os
mais longos de ido à segu ança e es abilidade que eles o e ecem numa ca ei a ma cada po ince ezas
como lesões, bene iciando assim ambos os lados: os clubes ga an em o jogado como um a i o alioso,
enquan o os jogado es ob êm uma maio segu ança inancei a pa a o u u o (Szymanski & Kuype s,
1999).
Ou a g ande consequência da Lei Bosman oi a maio libe dade de mobilidade concedida aos
a le as, mobilidade essa que e e um impac o di e o nos salá ios e na es u u a dos con a os. Com a
possibilidade de muda de clube sem axas de ans e ência no inal dos con a os, os jogado es
ganha am maio pode de negociação, exigindo salá ios mais al os e melho es condições pa a
pe manece em num clube. Em simul âneo, os clubes começa am a o e ece con a os mais longos pa a
e e os seus melho es alen os, o que o nou es es jogado es um in es imen o inancei o mais segu o,
aumen ando assim an o o alo das suas ans e ências como os seus salá ios. No en an o, es a p á ica
ambém ge ou um aumen o conside á el na ca ga inancei a dos clubes, c iando uma maio p essão
económica sob e as equipas “meno es”, que equen emen e não conseguem compe i com os salá ios
o e ecidos pelas equipas de maio pode io inancei o (Dou is & Billonis, 2005; Szymanski & Kuype s,
1999).
A pesquisa de Dobson e Godda d (2001) con i ma esse aspe o que, de o ma algo não
in encional, a Lei Bosman causou impac os nas e bas de ans e ências pagas. Apesa do seu obje i o
se e i a que os clubes ossem ei os “p isionei os”, acabou po in laciona as e bas de ans e ências
po jogado es ainda sob e con a o. Como os clubes ica am a en os à possibilidade de pe de um jogado
a cus o ze o no inal do seu con a o, es es p ocu a am ende o jogado an es do seu con a o expi a
ou o e ece con a os de longa du ação de modo a man ê-lo, aumen ando signi ica i amen e o alo das
ans e ências.
Bou g e Gougue (2023) ac edi am que a Lei Bosman, simul aneamen e com o desen ol imen o
do u ebol e a sua espe i a mone a ização, a a és de canais pagos de ele isão que segui am as
des egulações de ou os meios audio isuais, aumen a am a p ocu a dos adep os e as ecei as dos
clubes. Es es a o es legais e económicos con ibuí am pa a a in lação das e bas de ans e ências,
p incipalmen e em a ançados, conside ados mais “impo an es” e “ is osos” que de esas e gua da- edes
17
(Ande son & Sally, 2013).
A Lei Bosman ambém eliminou ce as axas de ans e ência e quo as pa a jogado es
es angei os, o que ouxe implicações adicionais. A abolição das axas de ans e ência signi icou que os
jogado es passa am a des u a de maio libe dade de mobilidade, mas ambém esul ou numa meno
mo i ação pa a que os clubes in es issem em jo ens jogado es, além de uma pe da de ecei a pa a
clubes pequenos, que an es dependiam dessas ans e ências pa a equilib a suas inanças. A ausência
de quo as pa a es angei os aumen ou o núme o de opo unidades de emp ego em di e en es me cados,
mas causou uma ce a pe da de iden idade dos clubes, a e ando a elação en e adep os e clubes de ido
à c escen e p esença de jogado es es angei os, o que, em alguns casos, diluiu os laços locais e cul u ais.
Mais ainda, a p á ica de con a os mais longos ambém ouxe desa ios. Embo a ga an am segu ança de
emp ego aos a le as, esses con a os podem desmo i a alguns jogado es, que se "acomodam" sabendo
que êm um con a o du adou o. Em algumas si uações, esses con a os ans o ma am-se em
a madilhas pa a os clubes, que acabam "p isionei os" dos jogado es — os a le as, em posição de o ça,
podem exigi melho es condições ou a é o ça uma saída (Dou is & Billonis, 2005).
Szymanski (2010) a i ma que a Lei Bosman le ou a uma concen ação de alen o nos clubes
mais icos, aumen ando a di e ença en e os clubes de opo e os clubes meno es. De ac o, em ligas
com alguns clubes que possuem um pode inancei o signi ica i o, os clubes mais icos a aí am os
melho es jogado es, incluindo jogado es de equipas “in e io es”, o alecendo-se cada ez mais à medida
que en aquece am a compe ição, le ando assim a uma diminuição do equilíb io compe i i o.
Essa diminuição do equilíb io compe i i o não oco eu só nos campeona os domés icos, mas
ambém nas compe ições eu opeias. A UEFA Champions League, a p incipal compe ição de clubes de
u ebol na Eu opa, passou a se cada ez mais dominada pelos mesmos clubes “de eli e”, eduzindo a
imp e isibilidade da compe ição (Kupe & Szymanski, 2014; Macedo, 2023). No passado, equipas como
o Ajax, Es ela Ve melha de Belg ado e o S eaua de Buca es e, equipas de ligas conside adas de meno
dimensão, conseguiam compe i e a é ganha a compe ição, exis indo um “exodus” de alen os des as
equipas no pe íodo pós-Bosman pa a equipas com maio pode io inancei o (Lan anchi & Taylo , 2001).
Lan anchi e Taylo (2001) ambém e e em que a Lei Bosman não en aqueceu os clubes meno es
pu amen e na pe da de alen o. As equipas de meno dimensão passa am a e e idas, em alguns casos,
como “ eede clubs”, pois os seus melho es alen os acabam po sai , em mui os casos no inal do seu
con a o a cus o ze o, pa a os seus i ais mais icos. Es a si uação le ou a uma maio ins abilidade
inancei a, pois os clubes pe dem assim os seus maio es alen os e não êm capacidade de compe i
com os meios inancei os dos seus i ais, seja em salá ios ou e bas de ans e ência (Lan anchi &
18
Taylo , 2001).
Ma cén (2014), no seu es udo sob e o impac o da Lei Bosman no me cado de jogado es de
u ebol espanhol, conclui que es a lei e e um e ei o nega i o na pe cen agem do núme o de jogado es
espanhóis a pa icipa na 1ª Liga. Tan o a pa icipação como o núme o de minu os jogados diminuí am,
o impac o no núme o de golos ambém é nega i o e suge e que o papel do jogado de nacionalidade
espanhol é, em média, menos p eponde an e após a Lei Bosman.
2.1.3- Medidas Regula ó ias no Fu ebol e o seu Impac o
Ou o concei o impo an e na comp eensão des e p oje o é o de medidas egula ó ias no u ebol
e o seu impac o, dada a ele ância dessas medidas pa a a con inuidade de qualque compe ição, de
como mui as o ganizações en am p omo e o equilíb io compe i i o a a és de p ocessos egula ó ios
e, apesa de se mais impo an e no u ebol de escalões supe io es, ajuda a i a conclusões de como o
equilíb io compe i i o pode a e a as equipas, incen i ando-as a apos a em alen os locais (Pee e s &
Szymanski, 2014; Ramchandani e al., 2023).
A UEFA in oduziu o seu p incipal p ocesso egula ó io, o ‘Financial Fai Play’ (FFP) em 2011
que, inicialmen e, inha dois g andes obje i os. O p imei o e a in oduzi disciplina e acionalidade nas
inanças dos clubes, a i mando que “os clubes que se quali icam pa a as compe ições da UEFA êm de
p o a que não em dí idas em a aso em elação a ou os clubes, jogado es, segu ança social e
au o idades iscais”, de modo a ga an i a sus en abilidade inancei a dos clubes a longo p azo. O
segundo e a aumen a o equilíb io compe i i o, an o em compe ições domés icas de cada país como
em compe ições in e nacionais (como po exemplo a UEFA Champions League) (Ramchandani e al.,
2023; UEFA, 2015).
An es da in odução des as medidas egula ó ias, en e 2007 e 2011, os p ejuízos dos clubes
quase iplica am, passando de €0,6 bilhões pa a €1,7 bilhões. Es e desequilíb io inancei o oco eu
po que os clubes gas a am mais do que podiam supo a em jogado es. Embo a as ecei as i essem
aumen ado a uma axa média de 5,6% ao ano, os salá ios c esce am ainda mais, ce ca de 9,1% ao ano
desde 2007. Como eação a es e desen ol imen o, ce as pa es in e essadas na indús ia do u ebol
passa am a pa ilha cada ez mais a pe ceção de que a iabilidade e sus en abilidade a longo p azo de
odo o sis ema inancei o es a a ameaçada pela c ise inancei a cada ez mais p o unda dos clubes
(F anck, 2018).
A pa i de 2013 os clubes passa am a e de espei a uma ges ão equilib ada de “b eak-e en”
(não podiam gas a mais do que ganha am, es ingindo, em eo ia, a acumulação de dí idas) (UEFA
19
2020), sendo o con olo ei o pelo Comi é de Con olo Financei o dos Clubes (CFCB) da UEFA que analisa
em odas as épocas as con as consolidadas de odos os clubes pa icipan es nas p o as da UEFA nos
úl imos 3 anos. Apesa da ideia cen al se uma de “b eak-e en” po pa e dos clubes, na p á ica a
p óp ia UEFA a i ma que “em e mos igo osos, os clubes podem gas a a é mais 5 milhões de eu os do
que ganham po pe íodo de a aliação ( ês anos)”.
No en an o, ao longo da úl ima década, a e icácia do FFP oi amplamen e c i icada seja po
ques ões em o no da legalidade dos egulamen os, a gumen ando-se que o FFP limi a as injeções de
inanciamen o ex e no a a és da egulamen ação, como pelo p óp io impac o do FFP na qualidade das
equipas e nos salá ios dos jogado es (Ramchandani e al., 2023).
F anck (2013), quando discu e os obje i os e e ei os do FFP, e e e como o FFP limi a os gas os
dos clubes em salá ios e ans e ências, es ingindo assim as opções de jogado es disponí eis pa a
con a ação e consequen emen e uma maio u ilização de jogado es dos escalões de o mação ou de
alen os locais. Os a gumen os de Pee e s e Szymanski (2014) ão ao encon o das ideias de F anck
(2013), que o desen ol imen o de alen os locais é pe mi ido po eg as egula ó ias como o FFP, que
ao limi a os gas os supe io es às ecei as, incen i a os clubes a desen ol e em os seus jo ens alen os
con ibuindo an o pa a o desen ol imen o dos jogado es, como dos clubes.
F anck (2018), num dos seus abalhos pos e io es a i ma que os dados mais ecen es mos am
que o u ebol de clubes eu opeu é ca ac e izado p incipalmen e po uma ápida ecupe ação inancei a
e po uma maio pola ização, indicando ambém que essa ecupe ação inancei a es á in imamen e
elacionada com o aumen o da pola ização. Po ou o lado, o c escimen o absolu o das ecei as oi mui o
mais o e no opo da pi âmide do u ebol, consolidando ainda mais o domínio despo i o dos clubes de
maio dimensão. Apesa disso, o es udo de F anck (2018) apon a pa a a conclusão de que a indús ia
do u ebol se o nou inancei amen e mui o mais es á el desde a in odução do FFP.
A pe inência des e concei o é ele an e mesmo pa a um campeona o de u ebol popula , pois
alguns impac os do FFP, podem e consequências semelhan es an o a ní el amado como a ní el
p o issional. O mesmo p incípio pode á se aplicado em campeona os in e io es, com eg as de insc ição
de jogado es conside ados “es angei os” (que no caso do Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos,
consis e em jogado es de ou as eguesias) em que, em eo ia, pode eduzi a qualidade global do
plan el, mas aumen a a sus en abilidade inancei a e limi a os cus os (po exemplo cus os de
deslocação).
Po es as azões, exis em á ios p os e con as da eg a de limi ação de es angei os.
Po um lado, pode-se a i ma que a limi ação de jogado es es angei os pe mi e c ia um maio
20
sen imen o de o gulho local, dada a ligação com a equipa. Magee e Sugden (2002) a i mam que em
si uações em que os clubes são compos os po jogado es locais, como acon ecia “an igamen e” no
u ebol eu opeu, a ligação com os jogado es locais o alecia o sen imen o de pe ença dos adep os. Com
a globalização, as equipas passa am a se mais di e si icadas, eduzindo essa ligação com a
comunidade.
B own e colegas (2006) desen ol e am o ema no con ex o inglês, nomeadamen e no u ebol
p o issional de Ingla e a, no qual a i mam que o u ebol “ em sido his o icamen e um oco pa a a
exp essão de iden idades comuni á ias”, a gumen ando que mui os dos clubes mais bem-sucedidos da
a ualidade a ibuem as suas o igens a o ganizações comuni á ias, sendo que a maio ia dos clubes su giu
com nomes compa ilhados com ilas, cidades ou á eas de cidades (algo ex emamen e comum mesmo
nos dias de hoje). Po essa azão, os clubes ganham legi imidade a a és dessas ei indicações his ó icas
de “ ep esen a ” as populações dessas á eas geog á icas, o que pa a alguns ambém signi ica a ibui
aos clubes uma ob igação mo al de e ibui (além de en e enimen o u ebolís ico cla o) às pessoas que
a i mam ep esen a .
Essa ob igação mo al de e ibuição pa a com a comunidade ci cundan e não se cinge apenas
a essas ei indicações his ó icas. Tal como Kupe e Szymanski (2009) e e em, a i alidade en e equipas
eu opeias baseadas na mesma cidade mui as ezes su giu ao longo de linhas de classe ou eligiosas, o
que “mo almen e” impede os ãs de “muda ” de clube.
Signi ica ambém que com menos jogado es es angei os, as opo unidades pa a jogado es
locais aumen am como e e e F anck (2013), em que es ições do géne o limi am as opções de
jogado es disponí eis pa a con a ação e consequen emen e uma maio u ilização de jogado es dos
escalões de o mação ou de alen os locais.
Pe mi e ambém uma maio coesão social. Como e e e Maia (2016) clubes como o A hle ic
Bilbao ado am uma polí ica de ec u amen o que p i ilegia jogado es locais, acei ando apenas a le as
nascidos ou o mados na egião do País Basco. Es e ipo de abo dagem o alece assim a iden idade
cul u al local, p omo endo a coesão social e a p ese ação das adições locais.
Po ou o lado, exis em ambém algumas des an agens des a limi ação de jogado es
es angei os. Em p imei o luga , p omo e uma meno di e sidade cul u al den o das equipas e limi a a
in e ação com ou as cul u as u ebolís icas (Maia, 2016), o que no caso do Campeona o Popula de
Fu ebol de Ba celos pode se in e p e ado como uma edução na oca cul u al e na in e ação en e as
di e en es eguesias, limi ando o desen ol imen o de laços sociais mais amplos den o da egião.
Pode ambém signi ica algum desní el compe i i o e, consequen emen e, uma meno
21
a a i idade da compe ição. F eguesias com meno es populações “pa em em des an agem”
ela i amen e aos seus compe ido es de eguesias mais populosas, podendo e di iculdade em mon a
equipas o es de ido à limi ação de jogado es disponí eis, enquan o eguesias maio es pode iam e
mais alen o local. Ao impedi a pa icipação de jogado es de ou as eguesias, o ní el écnico e a
compe i i idade do campeona o podem se in e io es aos expe ienciados sem a exis ência dessa eg a.
De o ma algo p e isí el, as des an agens da eg a que limi a a insc ição de jogado es
es angei os são as an agens da ex inção dessa eg a. Um campeona o “abe o” nesse sen ido pode
desen ol e , po encialmen e, um sen ido de iden idade mais egional em ez de apenas local e uma
maio in eg ação egional. Com a ex inção da eg a, jogado es de di e en es eguesias passam a
compe i jun os, o que pode á aumen a o núme o de in e ações en e comunidades izinhas e, embo a
es a abe u a da compe ição possa e en aquecido a ligação exclusi a com cada eguesia, ambém
pode incen i a esse sen ido de iden idade mais p óp io da egião como um odo e não como eguesia.
Da mesma manei a, a compe i i idade ambém pode se a e ada, como as equipas passa am a
e mais opções de jogado es, o ní el écnico da compe ição pode se supe io ao expe ienciado
an e io men e.
Exis em ainda ou as medidas egula ó ias a abo da , nomeadamen e os e os sala iais. Um e o
sala ial é um limi e pa a o mon an e de dinhei o que é pe mi ido a um clube gas a em salá ios dos
a le as, no malmen e de inido como uma pe cen agem das ecei as médias anuais do de e minado clube
e são calculadas pela o ganização egulado a, no malmen e a liga, com base nas ecei as que o clube
ob e e na empo ada an e io . Os e os sala iais impedem assim os clubes de in es i de o ma excessi a
em jogado es. Po essa azão os de enso es des a medida ci am a p o eção do u u o inancei o das
ins i uições e do despo o em si como a p incipal azão pa a a in odução de um e o sala ial, de modo
a e i a si uações como a de mui os clubes que en en am uma uína inancei a depois de apos a em
em a le as com salá ios c escen es e insus en á eis. Tal acon ece, de ido ao ac o do me cado nos
despo os cole i os p o issionais, p incipalmen e no caso de a le as “es elas”, es a sujei o a uma
compe ição des u i a o que le a alguns clubes à alência. Exis em inúme as si uações em que ges o es
dos clubes gas am excessi amen e em alen o na en a i a de ans o ma as suas equipas em candida as
a í ulos, ou seja, acabando po in es i pa a além das suas capacidades em jogado es “es ela”, como
comp o a o desen ol imen o das inanças dos clubes no u ebol eu opeu (Die l e al., 2009).
Es e ipo de medida ambém a e a o bem-es a social. Como os e os sala iais são elabo ados
pa a limi a os pagamen os sala iais, podem acilmen e se in e p e ados como um es o ço po pa e dos
p op ie á ios dos clubes pa a con ola os cus os labo ais. Seguindo nessa suposição, se ia de p e e
22
que os e os sala iais diminuíssem o bem-es a social. Na e dade, e os sala iais podem e e ei os
dis in os no bem-es a social, dependendo da p e e ência dos adep os em elação a alen o ag egado e
ao equilíb io compe i i o, apesa desse e ei o esul an e sob e o bem-es a social se algo con ain ui i o.
Die l e colegas (2009) e e em, na sua análise que, se a liga já o mui o equilib ada (no caso em que os
adep os p e e em um equilíb io compe i i o), um e o sala ial eduzi á o bem-es a social, pois diminui á
a qualidade da liga ao baixa o ní el da compe ição. Nes e cená io, os “ganhos adicionais” de uma
medida des as, en ando equilib a ainda mais a compe ição são baixos. Em con apa ida, se a liga so e
de uma dis ibuição desigual de alen o (no caso de os adep os p e e i em o alen o mais concen ado
em algumas equipas), o bem-es a social (e os luc os dos clubes) podem aumen a com a implemen ação
de um e o sala ial (a i mando que a pesquisa empí ica sob e o impac o do equilíb io compe i i o suge e
que es e segundo caso é mais ealis a).
Ou a medida impo an e a desen ol e é da edis ibuição das ecei as pelos clubes. Szymanski
e Késenne (2004) des acam que os mecanismos de pa ilha de ecei as, embo a enham sido concebidos
pa a p omo e equidade en e as equipas, nem semp e le am a um maio equilíb io compe i i o. Alguns
p op ie á ios de equipas despo i as êm usado consis en emen e o equilíb io compe i i o pa a jus i ica
esquemas de edis ibuição e pa ilha de ecei as, com o obje i o de equaliza os ecu sos pa a que
equipas com meno capacidade de a ai público possam compe i com equipas mais o es nesse
aspe o.
No en an o, Szymanski e Késenne (2004) apon am que a pa ilha de ecei as pode eduzi o
incen i o pa a os p op ie á ios das equipas maximiza em o luc o in es indo em alen o ou desempenho.
Isso oco e po que, pa a cada equipa, o e o no inancei o associado às i ó ias é diminuído, o que pode
esul a numa meno compe ição pa a a ai os melho es jogado es e melho a a pe o mance ge al, o
que po encialmen e pode ambém esul a em compe ições menos equilib adas.
De um modo ge al, odas es as medidas êm como obje i o a es abilidade inancei a dos clubes,
es abelecendo assim a impo ância dessa es abilidade. De ac o, é essencial pois os clubes de u ebol
es ão o emen e in e ligados, p oduzindo em conjun o a compe ição do campeona o. Se alguns clubes
deixassem de ope a a meio da empo ada, a c edibilidade de odo o campeona o se ia g a emen e
comp ome ida, de ido aos calendá ios incomple os, desencadeando e ei os inancei os em dominó, já
que clubes alidos deixam de cump i suas ob igações em negócios de ans e ências, colocando ou os
clubes em isco. De modo in e so, clubes que conseguem equilib a as con as e i e den o da enda
ge ada pelo me cado do u ebol são sus en á eis e não ge am esse ipo de ex e nalidade nega i a,
espei ando o equisi o de equilíb io inancei o e a eg a de não e pagamen os a asados, compo ando-
23
se, nas pala as de F anck (2018), de uma o ma “jus a” inancei amen e alando.
Também a o es como o o ma o da compe ição e o núme o de equipas p omo idas e
desp omo idas podem in luencia o equilíb io compe i i o. A o ma como as equipas compe em en e si
e os p óp ios mecanismos de p omoção e desp omoção podem a e a di e amen e não só a ince eza
dos esul ados, mas simul aneamen e os incen i os pa a in es imen o em alen o e a dis ibuição das
ecei as en e os clubes, endo assim implicações económicas e despo i as signi ica i as, a e ando a
sus en abilidade dos clubes.
Segundo Kim e Lee (2025), a in odução de um sis ema de play-o s numa compe ição melho a
signi ica i amen e o equilíb io compe i i o, pois não só c ia ince eza nas ecei as como incen i a o
in es imen o das equipas de me cados pequenos em alen o. Ao con á io do sis ema adicional, onde
a egula idade ao longo da época adicionalmen e a o ece os clubes inancei amen e mais o es, os
play-o s o e ecem às equipas designadas “in e io es” uma opo unidade mais jus a de alcança o
sucesso, an o despo i o como inancei o.
Embo a g ande pa e da in es igação de Kim e Lee (2025) sob e o impac o dos play-o s enha
sido conduzida no con ex o do basebol, es es au o es suge em que, com algumas adap ações ao seu
modelo, as suas conclusões podem se aplicadas ao u ebol. Ao ado a modelos de compe ição que
in oduzam maio imp e isibilidade e ajus em as dispa idades de ecei as en e clubes, as ligas podem
o na -se mais equilib adas, ga an indo uma compe ição mais jus a e a a i a pa a os adep os.
Em elação ao núme o de equipas a e adas pela p omoção e desp omoção de uma liga, Noll
(2002) a i ma que os e ei os no equilíb io compe i i o são ambíguos. Embo a o sis ema aumen e a
ince eza dos esul ados e possa incen i a o en ol imen o dos adep os, ambém pode ge a
desigualdades inancei as en e os clubes. Nesse sen ido, es e au o a i ma que equipas que lu am pela
subida de di isão endem a in es i o emen e na aquisição de alen o, con a iamen e a equipas ecém-
p omo idas que, mui as ezes, não conseguem compe i inancei amen e com os ad e sá ios da liga em
que se encon am no momen o, le ando-as a in es i menos em jogado es do que quando es a am numa
di isão in e io , quase esignando-se ao des ino da desp omoção.
Nesse sen ido pode-se a i ma que o impac o económico des e sis ema depende da o ma como
a mudança de uma liga/di isão pa a a ou a a e a as ecei as e cus os dos clubes. A p omoção pode se
uma an agem pa a as equipas mais o es, pois, em eo ia, ep esen a um incen i o adicional pa a
ence e pode aumen a o in e esse dos adep os enquan o pa a os clubes mais acos, a desp omoção
pode igualmen e ge a en ol imen o dos adep os, uma ez que aumen a a impo ância dos jogos no inal
da época e po que se espe a que, na empo ada seguin e, os ad e sá ios sejam menos compe i i os.
30
es udan es da aculdade e da Escola Secundá ia de Sogndal. Sendo uma pla a o ma pa a o
desen ol imen o das ins alações e na p omoção de p ocessos que o alece am os laços en e despo o,
educação e desen ol imen o u al, o clube ambém ap o ei ou os seus ecu sos inancei os pa a
p o issionaliza , o ma e expandi a sua adminis ação, in luenciando ambém as p á icas das emp esas
ci cundan es e de emp esas associadas ao clube (Fløysand & Jakobsen, 2007).
Es e aumen o do emp ego e le e uma mudança de amado pa a p o issional, com uma
adminis ação cada ez mais p o issional do clube e o aumen o das exigências adminis a i as à medida
que o clube se oi en ol endo em no as a i idades, a i mando que “o a o indus ial mais dinâmico na
á ea é o u ebol... não o u ebol em si, mas a come cialização ligada ao despo o, o u ebol como nicho”.
Embo a Fløysand e Jakobsen (2007) a i mem que o clube se o nou mais ol ado pa a os negócios, o
seu p incipal obje i o é desen ol e uma equipa/o ganização que seja o o gulho da comunidade. A
a i idade do clube não é di ecionada pela busca de endas de alugue de espaços ou po uma axa de
e o no pa a os seus memb os ou acionis as, mas sim pelo sucesso do clube e pela au oes ima posi i a
da comunidade, endo o clube lide ado o desen ol imen o de ins alações despo i as e es abelecendo-
as como co po ações, le ando à c iação de mais emp egos, mais ecei a e mais a enção pa a a egião e
pa a os seus cidadãos, o nando o clube num ca alisado pa a o p og esso comuni á io e o
desen ol imen o egional.
Wicke e B eue (2015), ambém em uma pe spe i a in e essan e, conside ando os clubes
despo i os comuni á ios locais como “impo an es o necedo es de a i idades de laze , despo o e
p og amas sociais, e, g aças à sua o ma ju ídica, como o ganizações sem ins luc a i os”. Nesse sen ido
a i mam que pa a mui as o ganizações sem ins luc a i os que ope am a um ní el local, a si uação
económica e inancei a é de ex ema impo ância. Em pa icula , a si uação do p óp io me cado de
abalho e a consequen e dis ibuição de endimen os da população dessa comunidade podem se
de e minan es pa a o ganizações sem ins luc a i os baseadas em memb os. Es es au o es a gumen am
que comunidades que ap esen am axas de desemp ego ele adas e endimen os baixos, podem p e eni
a adesão de esiden es que não êm ecu sos inancei os pa a se o na em memb os. Mais ainda,
ac escen am que “quando a comunidade en en a di iculdades inancei as, o seu apoio às o ganizações
locais sem ins luc a i os, em e mos de inanciamen o ou disponibilização de in aes u u as, pode se
limi ado.”
Em elação a esul ados despo i os, os clubes podem i a an agens de es a em inse idos em
comunidades maio es, simplesmen e po que exis e um maio núme o de po enciais in e enien es. No
en an o, ambém se pode a gumen a que exis e mais conco ência po ecu sos em comunidades
31
maio es, pois há ambém mais clubes e ou as o ganizações inanciá eis, ha endo assim á ias opções
pa a possí eis in es imen os e, consequen emen e, uma meno p obabilidade de in es imen o numa só
o ganização, le ando a uma compe ição en e o ganizações po ecu sos escassos (Wicke & B eue ,
2015).
2.2.3- A aliação do Impac o Social do Fu ebol
A a aliação do impac o social do u ebol é ei a po mé odos como o SROI, de ido á sua
complexidade. O SROI ou Re o no Social sob e o In es imen o, é uma me odologia u ilizada pa a
en ende , medi e a alia os impac os sociais de uma de e minada a i idade ou o ganização. O seu uso
é cada ez mais equen e, p incipalmen e po en idades e o ganizações ligadas ao e cei o se o , pa a
medi e a alia impac os sociais, de modo a jus i ica o in es imen o público, pe cebe onde é que ce as
a i idades c iam alo social e como se pode usa es a e amen a es a égica pa a planea e maximiza
o alo social u u o (Da ies e al., 2019).
Como e amen a de medição, o SROI em a an agem da e sa ilidade, de pode se aplicado a
uma ampla gama de o ganizações e con ex os, incluindo polí icas públicas. De ac o, Da ies e colegas
(2019) e e em que o SROI pode se aplicado com di e en es ní eis de igo dependendo do ipo de
decisão que ele es á des inado a in o ma , ou seja, es e mé odo pode usa ní eis de igo semelhan es a
uma análise cus o-bene ício ou emp ega ní eis mais baixos de igo pa a in o ma sob e decisões
ope acionais den o de uma o ganização, pe mi indo uma medição mais ampla do alo social (Da ies
e al., 2019).
De o ma a adap a es e concei o ao u ebol, eco o ao exemplo do modelo GROW SROI da
UEFA. O modelo GROW SROI (ou C escimen o e Re o no Social do In es imen o no u ebol) é um modelo
c iado pela UEFA na en a i a de esponde quão bené ico o u ebol pode se pa a um indi íduo,
comunidade ou a é país (UEFA, 2019). É uma análise de cus o-bene ício que pe mi e aos go e nos e
associações/ ede ações nacionais pe cebe os bene ícios sociais que o u ebol az e onde são aplicados
(UEFA, 2020). O obje i o é de a alia o impac o des e despo o, em qualque país, em qua o á eas
dis in as: económica, social, saúde e al o desempenho. A esse impac o da pa icipação em massa no
u ebol nessas á eas é, após análise, a ibuído um alo mone á io aos bene ícios comp o ados nas ês
p imei as á eas (UEFA, 2019).
Em Po ugal, o u ebol e e um e o no social de in es imen o de 1,67 mil milhões de eu os,
de endo se conside ado um se o essencial pa a a economia po uguesa. De aco do com o p esiden e
da Fede ação Po uguesa de Fu ebol, Fe nando Gomes, o u ebol dá um con ibu o p eciosos a á ias
32
á eas dis in as ajudando no seu p og esso e sus en abilidade. A i ma ambém que á ias posições
associadas ao u ebol ais como jogado es, einado es, á bi os, clubes, olun á ios, en e ou os, são
elemen os que dinamizam as comunidades e a sociedade em ge al pois es e despo o é “um ins umen o
pode oso de desen ol imen o económico, coesão e esponsabilidades sociais” (mais u ebol, 2021)
Mais ainda, o impac o social posi i o da população po uguesa a i a que es á ligada ao u ebol
co esponde ao alo ep esen a i o de 366,481 milhões de eu os, sendo 299,06 milhões de eu os pa a
o olun a iado, 66,78 milhões de eu os pa a educação e emp ego, 200 mil eu os na edução da axa de
c iminalidade e 460 mil eu os em p oje os e p og amas. Também na saúde oco e um impac o posi i o,
nomeadamen e ce ca 361,745 milhões de eu os são poupados pelos se iços de saúde g aças à
pa icipação em u ebol no solo po uguês. O modelo indica que, na p e enção de doenças, exis e um
bene ício de 64,54 milhões de eu os na diabe es e em p oblemas ca dio ascula es, 14,98 milhões de
eu os no en elhecimen o, 7 milhões de eu os em doenças men ais e 726 mil eu os no canc o
(mais u ebol, 2021).
De ac o, es e modelo não é apenas ú il pa a calcula o e o no social do in es imen o o al de
um de e minado país, mas pode ambém se usado pa a calcula esse e o no em egiões especi icas.
Tal como a i ma a UEFA (2020), ao usa o modelo de e o no social sob e o in es imen o num clube
especí ico, podemos medi os bene ícios económicos, sociais e de saúde do u ebol amado nas
comunidades locais (a a és de gas os em lojas locais como po exemplo equipamen os, in es imen o
em ins alações de u ebol como equipamen os de eino, campos e a con ibuição social p esen e nos
einado es olun á ios pa a a educação ísica) (UEFA, 2020)
Po odas es as azões, a UEFA conside a que es e modelo e a sua espe i a análise az mui os
bene ícios. Des a manei a, o diálogo com as associações go e namen ais sob e os bene ícios do despo o
pode se supo ado com alo es es ados e conc e os, sendo es as e idências cien í icas econhecidas
pelo mundo académico, pela O ganização Mundial da Saúde e pelo Conselho Eu opeu. Es es bene ícios
mais amplos assim comp o ados pe mi em que o u ebol e os seus esponsá eis dialoguem com di e sos
minis é ios, como os da saúde, educação, jus iça e desen ol imen o egional (UEFA, 2019). Mais ainda,
pe mi e que os pa cei os come ciais do u ebol des aquem os bene ícios que es e az à sociedade e,
consequen emen e que es es p óp ios pa cei os subsc e em, ao apoia o u ebol de o mação ou amado
(UEFA, 2019).
2.2.4 - Sín ese e Fundamen ação pa a o P oblema
Exis e um núme o signi ica i o de índices, ó mulas e a é mesmo a iações adap adas a di e sos
33
con ex os compe i i os que podem medi o equilíb io compe i i o. De um modo ge al a li e a u a empí ica
sob e equilíb io compe i i o é ca ac e izada em duas linhas dis in as: a p imei a é oca-se no que
acon eceu com o equilíb io compe i i o ao longo do empo ou como esul ado de mudanças nas p á icas
come ciais do despo o p o issional, já a segunda abo da o e ei o do equilíb io compe i i o sob e os ãs
e es a a ince eza da hipó ese de esul ado, es a sendo a hipó ese de que uma pequena di e ença de
qualidade en e dois compe ido es num e en o despo i o maximiza o bem-es a dos espe ado es (E ans,
2014; Fo & Maxcy, 2003; Ro enbe g, 1956; Zimbalis , 2002).
Como suge em Pawlowski e Ande s (2012), podemos ob e uma medida subje i a da ince eza
de esul ado e do equilíb io compe i i o pe cecionado pelos adep os a a és de inqué i os e en e is as,
con udo o p esen e es udo op a po medidas ma ema icamen e calculadas, pois assim e i a o iés
subje i o que pode oco e em inqué i os ou en e is as e pe mi e que o es udo seja eplicado em ou os
con ex os semelhan es.
Es e equilíb io é a e ado po a o es como medidas egula ó ias e conjun u a ex e na, como po
exemplo a Lei Bosman. Es a Lei, es abelecida pelo T ibunal de Jus iça da União Eu opeia em 1995,
aboliu axas de ans e ência pa a jogado es o a de con a o e p oibiu limi es na con a ação de jogado es
da União Eu opeia, ga an indo-lhes libe dade de mo imen o en e clubes den o da UE, em con o midade
com o T a ado de Roma. Pa a além disso, in luenciou a o es como os salá ios dos a le as e a du ação
média dos con a os p a icados a é en ão (Dou is & Billonis, 2005; Szymanski & Kuype s, 1999).
A Lei Bosman le ou, con udo, a uma concen ação de alen o nos clubes mais icos, aumen ando
a di e ença en e os clubes de opo e os clubes meno es, le ando assim a uma diminuição do equilíb io
compe i i o, não só nos campeona os domés icos, mas ambém nas compe ições eu opeias (Kupe &
Szymanski, 2014; Macedo, 2023).
Também é impo an e pe cebe como mui as o ganizações en am p omo e o equilíb io
compe i i o a a és de medidas egula ó ias. Po exemplo, a UEFA in oduziu o seu p incipal p ocesso
egula ó io, o FFP, de modo a ga an i a sus en abilidade inancei a dos clubes a longo p azo e a
aumen a o equilíb io compe i i o. Nes e os clubes podem gas a a é mais 5 milhões de eu os do que
ganham po pe íodo de a aliação, limi ando os gas os em salá ios e ans e ências, e le ando
consequen emen e uma maio u ilização de jogado es dos escalões de o mação ou de alen os locais
(F anck, 2013; Pee e s & Szymanski, 2014; Ramchandani e al., 2023).
Ou a medida impo an e nes e con ex o é a dos e os sala iais. Um e o sala ial é um limi e pa a
o mon an e de dinhei o que é pe mi ido a um clube gas a em salá ios dos a le as. Es a medida impede
assim os clubes de in es i de o ma excessi a em jogado es, e i ando si uações de uína inancei a
34
consequen es de apos a em a le as com salá ios c escen es e insus en á eis. Pa a além disso, e os
sala iais êm e ei os dis in os no bem-es a social, dependendo da p e e ência dos adep os em elação a
alen o ag egado e ao equilíb io compe i i o, nomeadamen e se a liga já o mui o equilib ada, um e o
sala ial eduzi á o bem-es a social e ice- e sa (Die l e al., 2009).
Também é impo an e e e i o papel que o despo o em na sociedade, dando des aque especial
ao u ebol. O despo o, de um modo global, con ibui pa a a o mação de c ianças e jo ens, pode o na
a sociedade mais jus a, mais coesa e é uma e amen a de desen ol imen o. De ac o, o despo o
consegue uni pessoas de di e en es cul u as e c enças, p omo endo a di e sidade e pe mi indo a
inclusão de pessoas com de iciência, p omo endo igualdade de opo unidades, con ibuindo assim pa a
alcança obje i os como a edução da pob eza, o acesso uni e sal à educação e a igualdade de géne o
(Pe ei a, 2007; SDGF, 2018).
O u ebol, além dos aspe os e e idos an e io men e, ap esen a algumas especi icidades que
podem não se encon adas em ou os despo os. A ligação comuni á ia é undamen al, azendo
bene ícios mú uos signi ica i os, como a disponibilização de anspo es nos dias de jogos, p eços
acessí eis pa a comunidades des a o ecidas, polí icas de bilhe ei a inclusi as ajudam a o alece a
ligação en e os clubes e as suas comunidades, enquan o eduzem impac os nega i os como ânsi o e
exclusão social (B own e al., 2006).
A in luência dos clubes nas comunidades não se limi a à ep esen ação da cul u a, mas ambém
a di e sos a o es como o aumen o do alo dos e enos e po enciais melho ias no desen ol imen o
u bano, in e enções sociais, e c (Ahl eld & Maennig, 2010; B own e al., 2006; Kupe & Szymanski,
2009).
O impac o que o u ebol em nas comunidades u ais pode se p edominan e, como acon ece
no Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos. Nesse sen ido, exis em exemplos de como os clubes
podem in luencia uma egião, seja em emp ego, ino ações ecnológicas ou desen ol imen o de
in aes u u as (Fløysand & Jakobsen, 2007). Wicke e B eue (2015) conside am os clubes despo i os
comuni á ios locais como “impo an es o necedo es de a i idades de laze , despo o e p og amas
sociais, e, g aças à sua o ma ju ídica, como o ganizações sem ins luc a i os”
Exis em, ambém nesse sen ido, mé icas que pe mi em pe cebe em alo es conc e os o e o no
social do in es imen o no u ebol. O modelo GROW SROI é uma análise de cus o-bene ício que pe mi e
aos go e nos e associações/ ede ações nacionais pe cebe os bene ícios sociais que o u ebol az e
onde são aplicados, sendo que em Po ugal, o u ebol e e um e o no social de in es imen o de 1,67
mil milhões de eu os (mais u ebol, 2021; UEFA, 2020).
35
A pa i das in o mações an e io es, conseguimos es abelece uma base pa a a comp eensão do
p oblema, hipó eses e me odologia que se á explicada no p óximo capí ulo.
3- Me odologia
Nes a pa e do abalho i ei explica o p ocesso pelo qual a in es igação se guiou, sendo es a
me odologia di idida em á ias secções: p oblema e as hipó eses de in es igação (3.1), o sis ema de
pon uação e egulamen os da compe ição (3.2), indicado es da in es igação (3.3) e a ecolha dos dados
(3.4).
3.1- P oblema e Hipó eses de In es igação
O Campeona o de Fu ebol Popula de Ba celos é uma compe ição com mais de ês décadas de
exis ência, ma cada po di e en es ases, o ma os e inclusão ou ex inção de de e minadas eg as. Es e
es udo oca-se na ex inção de uma eg a especí ica e as suas consequências, sendo ela a es ição da
insc ição de jogado es de o a da eguesia po pa e de equipas pa icipan es, que inha como obje i o
man e a compe ição local e equilib ada, p i ilegiando os jogado es locais e a ligação à comunidade local.
A é à empo ada de 2010/2011, os clubes es a am limi ados a insc e e na compe ição um
o al de 6 jogado es “es angei os” (a le as que não esidem nem são na u ais da eguesia). A pa i
dessa empo ada, com o seu im, as equipas passa am a e a libe dade de ec u a alen os de ou as
eguesias de Ba celos, po encialmen e al e ando a dinâmica compe i i a do campeona o, e a é mesmo
social. De ce o modo, exis e aqui um pa alelo (em escala mui o mais eduzida) com o caso Bosman,
uma ez que os dois casos a am de uma mudança de pa adigma ao pe mi i uma ci culação mais li e
de a le as.
Os obje i os des a in es igação são, p imei amen e, calcula o equilíb io compe i i o do
Campeona o de Fu ebol Popula de Ba celos, ao longo das épocas. Após isso, e e ua uma compa ação
dos alo es de compe i i idade do campeona o nas di e sas épocas, nomeadamen e en e dois pe íodos
dis in os, um an e io à abolição da eg a que limi a a o uso de jogado es es angei os e um pos e io a
essa abolição, de modo a pe cebe se a abolição dessa eg a in luenciou (ou não) a compe i i idade. Em
seguida, p ocu a-se es abelece ligações en e os esul ados ob idos e as ca ac e ís icas demog á icas e
socioeconómicas das eguesias do concelho de Ba celos, bem como iden i ica possí eis impac os
dessas ca ac e ís icas nas equipas.
Essa análise se á ei a a a és dos egis os de pon uações de épocas en e 1999 e 2019. O ano
inicial é limi ado pela disponibilidade de dados e o ano inal pela pandemia Co id-19, que le ou ao
36
cancelamen o da compe ição em 20/21 e ge ou modi icações na o ganização nas duas épocas
seguin es. As épocas são dí idas em dois pe íodos de es udo dis in os: um pe íodo que ai da época
99/00 à época de 09/10, da a da úl ima época em que a eg a que limi a a o uso de jogado es
es angei os ainda se encon a a em igo e um pe íodo pos e io à abolição de eg a, que começa em
10/11 e se es ende a é ao im da amos a ecolhida. O Índice No malizado de He indahl-Hi schman
(nHHI) é usado como o p incipal indicado pa a es uda a concen ação no campeona o e u ilizado em
abalhos semelhan es como de Á ila-Cano e T igue o-Ruiz (2018), pa a além de ou os indicado es como
o Índice de He indahl de Equilíb io Compe i i o (HICB) desen ol ido po Michie e Ough on (2004) (os
indicado es se ão explicados em maio de alhe em secção pos e io dedicada).
A análise ambém u iliza di e sos indicado es de domínio (como núme o de í ulos ganhos po
cada equipa, núme o de í ulos ganhos po cada equipa no pe íodo an e io à mudança, núme o de
í ulos ganhos po cada equipa no pe íodo pos e io à mudança e núme o de pe íodos em que a mesma
equipa conquis ou o í ulo consecu i amen e) pa a a e igua se es a mudança le ou a uma maio
dispa idade en e os in e enien es des e campeona o e como is o pode á in luencia o u u o des a
compe ição e de ou as semelhan es. Após isso, p ocu a-se a e i quais são as condições
socioeconómicas das comunidades locais e como es as in luenciam a p es ação das equipas no
campeona o e, consequen emen e, o equilíb io da compe ição. Após isso e median e os esul ados,
de e mina-se que po enciais impac os pode ão e a compe i i idade e abolição da eg a em es udo nas
comunidades locais e que ilações que podem aplica -se a ou as compe ições despo i as.
As hipó eses de in es igação que se ão abo dadas nes e p oje o, de o ma simpli icada, são as
seguin es:
- “Como em e oluído o equilíb io compe i i o no Campeona o de u ebol Popula de Ba celos?”
- “A li e ci culação de jogado es impac ou o equilíb io da compe ição?”
- “Quais são as condições demog á icas e socioeconómicas das comunidades locais e como es as
in luenciam a p es ação das equipas?”
A secção seguin e elabo a en ão em de alhe o sis ema de pon uação e os egulamen os da
compe ição usado pelo Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos.
3.2- Sis ema de Pon uação e Regulamen os da Compe ição
O Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos é uma liga de u ebol abe a com desp omoção,
sem play-o s (du an e o pe íodo des e es udo), de duas ol as, em que os pa icipan es dispu am en e
si os jogos, na condição de isi ado e isi an e, a ibuindo 3 pon os po i ó ia, 1 pon o po empa e e 0
37
pon os po de o a.
O encedo do campeona o é de e minado pelo melho o al de pon os. Em caso de empa e
pon ual, são u ilizados os seguin es c i é ios de desempa e, po o dem: ”a) Núme o de pon os alcançados
pelos clubes nos jogos dispu ados en e si; b) Maio di e ença en e o núme o de golos ma cados e
so idos nos jogos dispu ados en e os clubes empa ados; c) Maio di e ença en e os golos ma cados e
so idos, du an e oda a compe ição; d) Maio núme o de i ó ias na compe ição; e) Maio núme o de
golos ma cados na compe ição; ) Meno núme o de golos so idos na compe ição; g) Jogo en e as
equipas empa adas em campo neu o” (Associação de Fu ebol Popula de Ba celos, 2024) .
Os jogos êm a du ação de 90 minu os, compos os po duas pa es de 45 minu os cada, sendo
que oco e um in e alo de 15 minu os en e as duas pa es e se ão dispu ados em con o midade com
as leis em igo a ní el do u ebol p o issional, são pe mi idas cinco subs i uições dis ibuídas po ês
pe íodos do jogo (não con abilizando o in e alo), não podendo os jogado es subs i uídos ol a a joga
no mesmo jogo (Associação de Fu ebol Popula de Ba celos, 2024).
Rela i amen e à u ilização de jogado es, na i e ação a ual da compe ição não exis e qualque
limi ação de u ilização de jogado es não esiden es e/ou não na u ais da eguesia (jogado es que i emos
daqui em dian e chama de “es angei os”), con udo, endo em con a o obje i o do es udo, é impo an e
sublinha que essa mudança só oco eu a pa i da empo ada 2010/2011. Em odas as épocas que
an ecedem essa empo ada, as equipas não podiam insc e e na compe ição mais que 6 jogado es
es angei os. Con ém ainda salien a que apesa de não ha e limi ações ela i amen e à eguesia, os
jogado es de em e na u alidade ou esidência em Ba celos pa a pa icipa , e o çando a ligação da
compe ição à comunidade local.
3.3- Indicado es da In es igação
Tal como oi e e ido an e io men e, o p incipal indicado de concen ação u ilizado nes e es udo
é o nHHI, uma a iação do Índice de He indahl-Hi schman (HHI). O HHI mede a concen ação de
me cado numa de e minada indús ia, usando a seguin e exp essão:
𝐻𝐻𝐼=∑𝑆𝑖2
𝑛
𝑖=1
onde 𝑆𝑖 é quo a de me cado da emp esa
i
e
n
é o núme o de emp esas na indús ia.
O mesmo pode se aplicado na medição do equilíb io compe i i o das ligas despo i as, u ilizando
a mesma exp essão, mas subs i uindo o e mo “emp esa” po “equipa” ou “o ganização” e “quo a de
me cado de uma emp esa” po “pe cen agem de pon os ob idos na liga”. Con udo, exis e um p oblema
38
ine en e a es a medida. Es e índice es á co elacionado com o núme o de emp esas numa indús ia (ou
de equipas num campeona o), ou seja, é sensí el ao núme o de equipas de um campeona o,
especialmen e quando em compa ações de campeona os (ou épocas) com núme os di e en es de
equipas (E ans, 2014), como é o caso do Campeona o de Fu ebol Popula de Ba celos.
De modo a co igi essa sensibilidade ao núme o de equipas, um indicado obus o que pe mi e
a compa ação en e ligas que ap esen am di e en es núme os de equipas, Owen e colegas (2007)
in oduzem en ão uma medida no malizada pa a a alia o equilíb io compe i i o, o nHHI, o e ecendo um
indicado ajus ado que acili a a compa ação en e con ex os dis in os, que, no en an o, exige conhece
os alo es eó icos máximos e mínimos do índice pa a se calculado.
O indicado p opos o po es es au o es a ia en e ze o e um, onde o alo ze o ep esen a uma
si uação de equilíb io pe ei o, em que odas as equipas possuem igual p obabilidade de sucesso,
enquan o o alo um e le e o cená io de maio desequilíb io possí el, no qual uma única equipa domina
amplamen e a compe ição, pe mi indo assim uma lei u a mui o mais simples dos esul ados ob idos,
senda essa uma an agem habi ualmen e a ibuída a es e indicado (Owen e al., 2007).
Con udo, o cálculo do ní el máximo de HHI, o HHImax, um dos componen es necessá ios pa a
calcula o nHHI, e o alo que ep esen a o maio desequilíb io possí el, é complexo, pois a ia com o
sis ema de pon uação e a exis ência ou não de empa es. Pa a um sis ema de pon uação como o do
Campeona o de u ebol Popula de Ba celos (3,1,0) e do u ebol a ual,Á ila-Cano e T igue o-Ruiz (2018)
de ini am alo es mínimos e máximos que incluem a possibilidade de empa es. Es a abo dagem o na-
se pa icula men e ele an e pa a es udos como o p esen e, pe mi indo assim uma análise mais igo osa.
O nHHI é calculado da seguin e o ma:
𝑛𝐻𝐻𝐼= 𝐻𝐻𝐼−𝐻𝐻𝐼𝑚𝑖𝑛
𝐻𝐻𝐼𝑚𝑎𝑥−𝐻𝐻𝐼𝑚𝑖𝑛
Em que n é o núme o de equipas p esen es no campeona o e HHImin é o maio equilíb io possí el na
compe ição, o çosamen e 𝐻𝐻𝐼𝑚𝑖𝑛=1
𝑛 , pois o maio equilíb io possí el se ia as equipas e em odas
o mesmo núme o de pon os.
Como já e e ido, o cálculo do HHI máximo é, no en an o, mais complexo. O HHImax ep esen a
a classi icação mais desequilib ada possí el em e mos eó icos. Em compe ições onde não há empa es,
es e cená io é simples de desc e e : a equipa em 1º luga ence odos os jogos, a equipa em 2º luga
ence odos os jogos exce o con a o 1º, a equipa em 3º luga ence odos os jogos exce o con a o 1º e
o 2º, e assim sucessi amen e.
No en an o, em campeona os de u ebol, onde a dis ibuição de pon os inclui i ó ias, empa es
39
e de o as, os cálculos o nam-se di e en es. Nesse sen ido, es a in es igação u iliza os alo es de
HHImax já calculados po Á ila-Cano e T igue o-Ruiz (2018), (p esen es na abela do anexo 2), de modo
a calcula o nHHI, já que o seu abalho ap esen a alo es endo em con a o núme o de equipas p esen es
no campeona o em de e minada época.
Po exemplo, num campeona o com 20 equipas, o HHImax é 0,075402, enquan o num
campeona o com 18 equipas, o HHImax é 0,083938. Nes es dois casos, a equipa em 1º luga enceu
odos os jogos, a equipa em 2º luga enceu odos os jogos exce o con a o 1º, e a equipa em 3º luga
enceu odos os jogos exce o con a o 1º e o 2º, e assim sucessi amen e a é ao 7º luga . As es an es
equipas, classi icadas en e o 8º luga e o úl imo, empa a am odas as suas pa idas, com exceção das
de o as con a as equipas dos 7 p imei os luga es. Es e é o cená io que de ine o campeona o de u ebol
eo icamen e mais desequilib ado possí el, an o pa a 18 como pa a 20 equipas.
De modo a da ou a obus ez à in es igação, ambém o am u ilizados ou os indicado es de
concen ação pa a pe cebe a di e ença en e os dois pe íodos. O HICB, uma a iação do HHI c iada po
Michie e Ough on (2004), é dada pela seguin e exp essão:
𝐻𝐼𝐶𝐵=(∑𝑆𝑖2
𝑛
𝑖=1
1
𝑁)×100
𝑆𝑖 ep esen a a pe cen agem de pon os da equipa
i
e
n
ep esen a o núme o de equipas do campeona o.
Es a medida pe mi e uma in e p e ação ácil dos esul ados, pois uma liga pe ei amen e
equilib ada ob ém um alo de 100, aumen ando o alo des e indicado com o aumen o do desequilíb io
compe i i o (Michie & Ough on, 2004). Con udo, é ele an e ealça que es e indicado é sensí el ao
núme o de equipas p esen es no campeona o, não endo assim an a obus ez na compa ação de
épocas/campeona os com núme os di e en es de equipas como indicado es como o nHHI.
Rela i amen e aos indicado es de domínio, es e es udo u iliza es a ís icas desc i i as, como
núme o/pe cen agem de í ulos da liga po equipa e o núme o de ezes em que uma equipa conquis ou
í ulos consecu i os. Ro enbe g (1956), num dos p imei os a igos na li e a u a sob e economia do
despo o, a i ma que o núme o de ezes que cada equipa enceu o í ulo da sua liga pe mi e pe cebe
quão dominado a é uma equipa (ou á ias) no seu campeona o. Michie e Ough on (2004), no seu es udo
em que analisa am a P emie League inglesa de u ebol, des acam que podemos pe cebe um ce o
domínio de um clube ela i amen e aos es an es, que nos 12 anos desde a c iação da liga, um único
clube (Manches e Uni ed) e conquis ado o í ulo em 8 dessas empo adas, enquan o apenas dois
clubes (A senal e Manches e Uni ed) ence am o campeona o em 11 das 12 épocas.
46
épocas de 99/00 e 00/01 e ou a en e as épocas de 05/06 e 06/07, ou seja, du an e o pe íodo em
que exis ia limi ação aos jogado es es angei os. De no a ambém que ambas as equipas (Águas San as
e Ca ei a) conquis a am a o alidade dos seus í ulos du an e esses pe íodos de í ulos consecu i os,
não eplicando esse sucesso mais nenhuma ez. Es a a idade de í ulo consecu i os pa ece e o ça a
na a i a an e io de que o Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos oi icando mais equilib ado ao
longo do empo ou que exis e alguma inconsis ência na p es ação dos clubes mais bem-sucedidos.
No en an o, e como já oi e e ido na e isão de li e a u a, o equilíb io compe i i o pode e á ios
de e minan es, não sendo in luenciado apenas po eg as como a da limi ação da insc ição de jogado es
es angei os. Nesse sen ido, de modo a da alguma obus ez a es a análise, a secção seguin e i á oca -
se no con ex o demog á ico e socioeconómico da egião, nomeadamen e as eguesias ou uniões de
eguesias que con êm equipas no campeona o nas épocas es udadas, analisando a iá eis como
população esiden e, população masculina esiden e en e os 15 e os 44 anos (segmen o onde são
encon ados os po enciais jogado es), axa de a i idade e axa de desemp ego (p oxies do pode de
comp a ou do pode io inancei o). Se á analisada a e olução en e 2011 (p imei a época da mudança
da eg a) e 2021.
4.2- O Con ex o Demog á ico e Socioeconómico das F eguesias de Ba celos
Es a secção p opõe uma ex ensão da análise empí ica a a és da inco po ação de a iá eis
demog á icas e socioeconómicas das eguesias de o igem dos clubes pa icipan es no campeona o, de
modo a analisa as dispa idades es u u ais en e clubes, po exemplo, no que oca aos ecu sos
disponí eis. A hipó ese subjacen e é que, a p io i, eguesias com maio dinamismo económico o e ecem
condições mais a o á eis ao desen ol imen o despo i o dos clubes locais e que a iá eis demog á icas,
como a dimensão da população, p incipalmen e masculina en e os 15 e os 44 anos, podem e le i o
po encial alen o que as eguesias e iam à sua disposição no pe íodo an e io à mudança da eg a. Ao
inclui es es indicado es, p ocu a-se ob e uma isão mais ab angen e sob e os de e minan es do
equilíb io compe i i o, especialmen e no con ex o das ans o mações in oduzidas pela “Lei Bosman do
u ebol amado ”.
A abela 9 mos a odas as eguesias/uniões de eguesias p esen es no campeona o nas
épocas es udadas an e io men e:
47
Tabela 9
F eguesias p esen es no Campeona o e espe i as equipas
F eguesia
Equipa
Abo im
UCR Abo im
Alhei a e Ig eja no a
Alhei a FC
Cho en e, Góios, Cou el, Ped a Fu ada e Gue al
GD Ped a Fu ada
Vila Co a e Fei os
GD Fei os
Sil ei os e Rio Co o
GD Águas San as, ADCR Sil ei os
Campo e Tamel
GDR Campo
Ca ei a e Fon e Cobe a
ADRC Fon e Cobe a, AD Ca ei a
Balugães
A Baluganense CD
C eixomil e Ma iz
GD C eixomil
Sequeade e Bas uço
ARC Sequeade
Cambeses
ACDR Cambeses
Ca apeços
ACD Ca apeços
Ca alhal
AD Ca alhal
Ca alhas
Ca alhas FC
Cossou ado
ARC Cossou ado
C is elo
GDC C is elo
Ai ó
Leões da Se a FC
F agoso
GD F agoso
Tamel (San a Leocádia) e Vila do Mon e
GDR Leocadenses
Du ães e T egosa
FC Li io do Nei a
Lijó
Lijó FC
Maciei a de Ra es
GD Maciei a
Milhazes, Vila de Figo e Fa ia
AD Milhazes
Neg ei os e Cha ão
FC de Neg ei os
Ba celos, Vila Boa e Vila F escainha
ADCR Vila Boa, ADRJ S.Ma inho
Oli ei a
FC Oli ei a
Palme
Palme FC
A cozelo
GDC C is ina
Pa adela
GDRM Pa adela
48
Pe ei a
ACD Pe ei a
Pe elhal
JRC Pe elhal
Remelhe
ADC Remelhe
Sil a
ND da Sil a
Vá zea
ARC Vá zea
A análise oca-se em dois po enciais de e minan es do equilíb io compe i i o, sendo es es a
população das comunidades onde os clubes es ão inse idos e onde, a é à mudança da eg a, ob inham
os jogado es com que dispu a am o campeona o e os ecu sos inancei os das comunidades onde os
clubes es ão inse idos. A li e a u a mos a alguns exemplos sob e como essas a iá eis in luenciam os
clubes. Em elação à população, Balish e colegas (2015) a i mam que esiden es de comunidades com
populações maio es inham maio p obabilidade de pa icipa em despo os cole i os do que aqueles em
comunidades meno es suge indo que comunidades ligei amen e maio es o e ecem melho es
opo unidades pa a o desen ol imen o de equipas despo i as. Pa a Wicke e B eue (2015), a dimensão
da comunidade es á associada aos ecu sos dos clubes despo i os, nomeadamen e aos ecu sos
humanos e inancei os. Em elação a esul ados despo i os, os clubes podem i a an agens de es a em
inse idos em comunidades maio es, simplesmen e po que exis e um maio núme o de po enciais
in e enien es.
Em elação aos ecu sos inancei os, (F anck, 2010) a i ma que a posição compe i i a de um
clube não é de e minada pela sua en abilidade, mas sim pelo seu pode de in es imen o. Um clube que
consiga acede a on es de inanciamen o que os seus conco en es não conseguem, aumen a á a sua
posição compe i i a nessa co ida, ce e is pa ibus. T anspondo isso pa a o con ex o des a in es igação,
eguesias com mais emp esas, axa de emp ego mais ele ada ou casas mais aliosas podem simboliza
eguesias mais icas o que pode signi ica mais ecu sos pa a os clubes e, consequen emen e, uma
an agem pe an e ou os compe ido es com menos ecu sos. Pa a isso o am ecolhidos dados de odas
as eguesias/uniões de eguesias, a a és dos Censos Nacionais ealizados em 2011 e 2021,
ag upando-se em cinco a iá eis dis in as: população esiden e, núme o de homens esiden es en e os
15 e os 44 anos, axa de a i idade, axa de desemp ego e axa da a iação populacional en e os dois
pe íodos. Usando os dados de 2011 ( abela 10), pode-se a e i como se iam as condições pa a os clubes
du an e o pe íodo p é-abolição da eg a (que e minou em 2010) e, usando os dados de 2021 ( abela
11), pode-se a e i como e oluí am essas a iá eis ao longo do empo e que condições em os clubes na
a ualidade pa a compe i .
49
Tabela 10
Va iá eis demog á icas e socioeconómicas de cada eguesia em 2011
F eguesias
População
esiden e em
2011
Homens dos
15 aos 44
anos em 2011
Taxa de
a i idade em
2011 (%)
Taxa de
desemp ego
em 2011 (%)
Abo im
891
184
48,15
12,59
Alhei a e Ig eja No a
1456
273
43,41
8,86
Cho en e, Góios,
Cou el, Ped a Fu ada
e Gue al
2568
432
46,81
7,82
Vila Co a e Fei os
2564
516
48,36
9,03
Sil ei os e Rio Co o
2151
460
49,79
9,99
Campo e Tamel
1521
328
50,03
14,85
Ca ei a e Fon e
Cobe a
2033
439
52,19
12,06
Balugães
841
168
48,51
10,05
C eixomil e Ma iz
1208
250
50,25
9,88
Sequeade e Bas uço
1916
424
49,48
12,66
Cambeses
1300
287
46,85
12,15
Ca apeços
2277
488
49,85
10,84
Ca alhal
1391
283
46,8
7,83
Ca alhas
691
154
49,78
13,37
Cossou ado
825
185
45,7
11,14
C is elo
1875
410
48,37
6,5
Ai ó
913
206
49,73
9,03
F agoso
2193
488
44,82
12
50
Tamel (San a
Leocádia) e Vila do
Mon e
1420
339
52,18
8,23
Du ães e T egosa
1409
271
46,42
10,24
Lijó
2306
500
49,78
11,32
Maciei a de Ra es
2083
506
48,44
10,11
Milhazes, Vila de
Figo e Fa ia
2066
419
48,84
8,92
Neg ei os e Cha ão
2364
491
45,05
9,67
Ba celos, Vila Boa e
Vila F escainha
11108
2298
48,8
13,43
Oli ei a
1004
221
47,61
12,13
Palme
1073
243
48,09
10,85
A cozelo
12840
2887
52,83
15,67
Pa adela
850
192
47,65
9,63
Pe ei a
1318
304
53,79
11,42
Pe elhal
1749
378
51
11,32
Remelhe
1309
285
53,4
10,3
Sil a
913
188
50,38
8,26
Vá zea
1904
429
52,57
13,59
Ao analisa as épocas an e io es à mudança, ce os aspe os são no ó ios quase imedia amen e.
A e en e demog á ica con i ma a sua impo ância em cená ios “p é-Bosman” pois, de ac o, os qua o
p imei os luga es de cada época são, na sua maio ia, ocupados po equipas de eguesias com maio es
populações e maio es núme os de homens esiden es en e os 15 e os 44 anos. Con udo, é impo an e
e e i que não há um en ol imen o ge al nes a compe ição, ou seja, é uma compe ição com in e esse
p edominan emen e u al e po essa azão ce as eguesias com ambien e ci adino e um g ande ní el
de concen ação de população (po exemplo, Ba celos e A cozelo), que em eo ia e iam uma an agem
51
eno me em elação aos seus compe ido es no sis ema p é-mudança, não ap esen am g andes esul ados
a ní el de sucesso. Es as eguesias em ambien e mais ci adino endem a ap esen a equipas que
compe em em campeona os dis i ais ou nacionais (po exemplo, o Gil Vicen e). Mais ainda, é impo an e
e e i que a o ganização das eguesias em uniões de eguesias oi só ealizada em 2013, não sendo
possí el a ce os clubes usa oda a população espe i a na abela.
Em e mos de axa de a i idade e axa de desemp ego, os dados indicam que os clubes com
mais p esenças nos qua o p imei os possuem, nes e pe íodo pelo menos, uma axa de a i idade, em
média, in e io aos clubes que o bi am as úl imas posições da liga. Ao analisa mos as eguesias das
equipas com mais p esenças nos p imei os luga es da abela (nes e caso, Sil ei os e Rio Co o; Campo
e Tamel; Ca ei a e Fon e Cobe a; C eixomil e Ma iz; Ca apeços; Ca alhal; Vá zea e Tamel (San a
Leocádia) e Vila do Mon e) cons a amos que a sua axa média de a i idade onda os 50,46%, que
cu iosamen e, é ligei amen e in e io à egis ada nas eguesias cujas equipas su gem mais
equen emen e nos úl imos luga es (que são nes e caso Pe ei a; Oli ei a; Ba celos, Vila Boa e Vila
F escainha; Lijó; Pe elhal; Ca ei a e Fon e Cobe a; Sil ei os e Rio Co o e Vá zea) cuja axa de a i idade
média se si ua nos 50,69%. Impo a salien a que, pa a in eg a qualque um dos dois g upos analisados,
oi ado ado como c i é io a p esença das espe i as eguesias em duas ou mais ocasiões nas posições
conside adas.
Já pa a a axa de desemp ego a endência man ém-se, com a média das eguesias do “g upo
dos p imei os” a se ligei amen e in e io à média das eguesias do “g upo dos úl imos”, sendo es as
espe i amen e 10,91% e 11,91%. Isso e o ça a ideia de que o a o inancei o es á ela i amen e
equilib ado en e ambos os g upos e que o a o populacional é mais impo an e de que o aspe o
inancei o na explicação do equilíb io compe i i o.
Su gem ambém nes a análise dois casos cu iosos, que são duas uniões de eguesia que
con êm egula men e equipas di e en es an o nos p imei os luga es como nos úl imos, nomeadamen e
a união de eguesias de Sil ei os e Rio Co o e a união de eguesias de Ca ei a e Fon e Cobe a. O caso
de Ca ei a e Fon e Cobe a pode se explicado com ela i a acilidade, exis e uma di e ença de população
mui o g ande en e es as eguesias (segundo os censos de 2011 Ca ei a inha uma população esiden e
de 1451 pessoas, compa ando com as 582 de Fon e Cobe a) e, consequen emen e, um maio núme o
de jogado es disponí eis pa a u iliza , o que ende a aumen a a qualidade do plan el. Já o caso de
Sil ei os e Rio Co o não se encon a uma explicação ão ób ia pa a o caso, a di e ença populacional não
é ão acen uada como no caso an e io (1181 e 970, espe i amen e), nem o núme o de homens em
Sil ei os é in e io aos núme os de Rio Co o. Mais ainda, não o am encon ados dados que
52
di e enciassem es as eguesias em elação às a iá eis de axa de a i idade e de axa de desemp ego,
le ando a ausência de conclusões sob e es e caso especí ico.
A abela 11 mos a os dados socioeconómicos pa a o ano 2021, incluindo ambém a axa de
a iação da população esiden e de 2011 a 2021, de modo a a e i as a uais condições dos clubes e
como es as e oluí am ao longo do pe íodo pós-mudança:
Tabela 11
Va iá eis demog á icas e socioeconómicas de cada eguesia em 2021
F eguesias
População
esiden e
em 2021
Homens dos
15 aos 44
anos em
2021
Taxa de
a i idade
em 2021
Taxa de
desemp ego
em 2021
Taxa de
a iação de
população
esiden e
de 2011 a
2021 (%)
Abo im
827
132
48,37
7,25
-7,18
Alhei a e Ig eja
no a
1347
220
42,98
6,74
-7,49
Cho en e, Góios,
Cou el, Ped a
Fu ada e Gue al
2454
453
49,51
5,35
-4,44
Vila Co a e Fei os
2449
421
49,2
3,57
-4,49
Sil ei os e Rio
Co o
2098
393
49,81
4,98
-2,46
Campo e Tamel
1509
280
50,43
4,2
-0,79
Ca ei a e Fon e
Cobe a
2022
379
50,49
5,58
-0,54
Balugães
787
134
51,46
4,69
-6,42
C eixomil e Ma iz
1112
212
51,08
2,99
-7,95
Sequeade e
Bas uço
1808
351
50
5,31
-5,64
Cambeses
1236
218
47,9
6,93
-4,92
Ca apeços
2168
408
52,17
5,22
-4,79
Ca alhal
1233
196
47,61
4,6
-11,36
Ca alhas
692
131
44,51
8,44
0,14
Cossou ado
758
137
47,1
3,36
-8,12
53
C is elo
1657
323
49,67
3,16
-11,63
Ai ó
883
179
51,42
4,63
-3,29
F agoso
2069
369
46,88
4,74
-5,65
Tamel (San a
Leocádia) e Vila
do Mon e
1269
252
54,61
3,46
-10,63
Du ães e
T egosa
1379
255
46,48
5,77
-2,13
Lijó
2425
474
51,42
5,53
5,16
Maciei a de Ra es
1907
379
50,81
4,23
-8,45
Milhazes, Vila de
Figo e Fa ia
1993
350
50,23
5,19
-3,53
Neg ei os e
Cha ão
2203
403
48,39
4,22
-6,81
Ba celos, Vila
Boa e Vila
F escainha
11344
2014
49,11
5,62
2,17
Oli ei a
986
184
48,17
3,58
-1,79
Palme
1045
207
51,77
2,96
-2,61
A cozelo
12824
2528
53,59
7,42
-0,12
Pa adela
789
154
50,95
1,99
-7,18
Pe ei a
1241
224
53,99
2,84
-5,84
Pe elhal
1700
307
47,94
3,07
-2,8
Remelhe
1451
243
51,25
4,57
-2,22
Sil a
900
153
50
5,11
-1,42
Vá zea
1933
379
51,14
6,27
1,58
O pe íodo pós-mudança de eg a ap esen a desde logo algumas di e enças. Em e mos
populacionais, obse a-se cla amen e um declínio, ilus ado pela axa de a iação da população esiden e
que é nega i a na maio pa e das eguesias. Con udo, ela i amen e à axa de a i idade e à axa de
desemp ego, egis a-se um esul ado mais posi i o, enquan o a axa de a i idade média aumen ou
ligei amen e, dos 48,99% egis ados em 2011 pa a os 49,72% em 2021, e a axa de desemp ego média
54
desceu d as icamen e, de um alo médio de 10,76% em 2011 pa a um alo médio de 4,81% em 2021.
Rela i amen e aos p imei os qua o (cujas eguesias nes e caso são: C eixomil e Ma iz;
Ca apeços; Ca alhal; Ai ó; Tamel (San a Leocádia) e Vila do Mon e; Maciei a de Ra es; Remelhe; Pe ei a
e Sil a) e úl imos qua o (cujas eguesias nes e caso são: Cho en e, Góios, Cou el, Ped a Fu ada e
Gue al; Sil ei os e Rio Co o; Ca ei a e Fon e Cobe a; Balugães; Cossou ado; Lijó; Oli ei a e Palme) es e
pe íodo ap esen a-se de o ma con á ia ao an e io .
Começando pelo a o populacional, es e pa ece e pe dido p eponde ância, cons a ando-se que
á ias equipas de eguesias com núme os de populações meno es consegui am alcança os p imei os
qua o luga es egula men e e á ias equipas de eguesias com maio es núme os de populações
acaba am egula men e nos úl imos qua o, apesa de ainda exis i em algumas equipas de eguesias
maio es de o ma habi ual no op qua o e algumas equipas de eguesias “meno es” de o ma habi ual
nos úl imos qua o, sendo u ilizado o mesmo c i é io de an e io men e de duas ou mais p esenças.
Em elação às axas de a i idade e desemp ego, a sua impo ância pa ece e aumen ado. As
eguesias com equipas a compe i egula men e pelos luga es do opo da abela ap esen am uma axa
de a i idade média de 51,44%, sendo es a supe io à ap esen ada pelas eguesias com equipas que
egula men e acabam nos úl imos luga es, que onda os 49,97%. Na axa de desemp ego média, os
dados indicam que, apesa da di e ença se ligei a, a an agem inancei a con inua do lado das eguesias
com equipas nos p imei os qua o, com uma axa média de 4,18% con as ando com a axa média de
4,59% ap esen ada pelas eguesias com equipas nos úl imos qua o. Is o ai de encon o da li e a u a
elacionada com a Lei Bosman, nomeadamen e que a iá eis como a população e o núme o de jogado es
disponí eis êm mais impo ância num sis ema que limi a a insc ição de jogado es es angei os e num
pe íodo subsequen e de adap ação, mas que ao longo do empo essa impo ância ai-se pe dendo pa a
o aspe o inancei o, em que, sem qualque limi ação, os clubes com mais ecu sos passam a i busca
os a le as mais alen osos do me cado, endo assim maio es p obabilidades de sucesso despo i o.
4.3- Implicações dos Resul ados pa a a Economia Social
Um es udo de equilíb io compe i i o num campeona o de u ebol pode aze lições aliosas pa a
um amo como a Economia Social. Nes e caso, podemos conside a o u ebol amado como um a o de
dinamização social e económica, is o que a p esença de equipas da AFPB pode aumen a o mo imen o
no comé cio local (ca és, es au an es, pequenos negócios), em dias de jogo. Re i o, po exemplo, as
pesquisas de Ahl eld e Maennig (2010) e de B own e colegas (2006), cujos casos de li e a u a abo dam
ideias que in aes u u as ligadas ao u ebol podem aze bene ícios pa a as comunidades. Pode ambém
55
se i como uma pla a o ma de p omoção de inclusão e bem-es a dos memb os das comunidades,
como a pesquisa de Mousa (2020) mos a, a a és do u ebol, um meio que não p ecisa de mui os
ecu sos pa a se uncional (Ho mann e al., 2002). O equilíb io compe i i o, enquan o concei o, adqui e
uma no a dimensão quando inse ido no campo da Economia Social. Num campeona o amado , onde os
clubes são, na sua maio ia, ge idos po associações locais, possuindo um en ol imen o comuni á io
di e o e uma base olun á ia, a análise do equilíb io compe i i o assume con o nos sociais e económicos
ele an es. Como Wicke e B eue (2015) a i mam, os clubes despo i os comuni á ios locais são
impo an es o necedo es de a i idades de laze , despo o e p og amas sociais, e podem se
conside ados, g aças à sua o ma ju ídica, o ganizações sem ins luc a i os.
Nesse sen ido um es udo de equilíb io compe i i o na compe ição enquad a-se na emá ica pois
um campeona o equilib ado pode ge a um impac o posi i o na economia local, is o que há mais
opo unidades pa a di e en es equipas (e comunidades) pode em alcança o sucesso, incen i ando assim
um maio en ol imen o social e uma maio pa icipação no despo o (enquan o p a ican e ou espe ado ),
o que pode p omo e uma maio inclusão social, is o que p opo ciona opo unidades pa a que pessoas
de meios des a o ecidos se pode em in eg a socialmen e a a és do despo o e e i a a concen ação de
alen o em apenas algumas equipas, p omo endo ambém uma maio dis ibuição dessas opo unidades.
Mais ainda, ao c uza os dados do desempenho despo i o com os indicado es demog á icos e
socioeconómicos, e i icam-se indícios que exis e uma elação en e o con ex o social e a pe o mance
compe i i a, o que pode e o ça a ideia de que a compe ição a ua como um ins umen o de
desen ol imen o comuni á io, de in eg ação e coesão social.
5- Conclusões
Es e es udo analisou o impac o da eliminação da eg a que limi a a a insc ição de jogado es
ex a- eguesia no Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos, a aliando o seu e ei o sob e o equilíb io
compe i i o e a dinâmica en e as equipas pa icipan es. A a és da aplicação de indicado es de
concen ação (nHHI e HICB), de indicado es de domínio e da análise de dados demog á icos e
socioeconómicos p o enien es dos Censos Nacionais de 2011 e 2021, oi possí el a e i mudanças
signi ica i as na compe ição. A ele ância des e es udo eside no ac o de con ibui pa a a comp eensão
dos e ei os de al e ações egulamen a es em con ex os despo i os amado es, de como o con ex o
comuni á io pode in luencia as equipas duma compe ição e a equidade do despo o em ge al.
Após a análise dos dados, é possí el e i a á ias ilações. P imei amen e, que o Campeona o
Popula de Fu ebol de Ba celos icou mais equilib ado compe i i amen e após a eliminação da eg a que
62
258. h ps://doi.o g/10.1086/257790
SDGF. (2018).
The Con ibu ion o Spo s o he Achi emen o Sus ainable De elopmen Goals: A
Toolki o Ac ion
. h ps://www.sdg und.o g/si es/de aul / iles/ epo -
sdg_ und_spo s_and_sdgs_web.pd
Sobkowicz, P., F ank, R. H., Biondo, A. E., Pluchino, A., & Rapisa da, A. (2020). Inequali ies, chance
and success in spo compe i ions: Simula ions s empi ical da a.
Physica A: S a is ical Mechanics
and I s Applica ions
,
557
, 124899. h ps://doi.o g/10.1016/j.physa.2020.124899
Spaaij, R. (2009).
The Social Impac o Spo : Di e si ies, Complexi ies and Con ex s
(1s ed.).
Rou ledge. h ps://doi.o g/10.4324/9781315875057
Szymanski, S. (2010).
Foo ball Economics and Policy
. Palg a e Macmillan UK.
h ps://doi.o g/10.1057/9780230274266
Szymanski, S., & Késenne, S. (2004). Compe i i e balance and ga e e enue sha ing in eam spo s.
The Jou nal o Indus ial Economics
,
52
(1), 165–177. h ps://doi.o g/10.1111/j.0022-
1821.2004.00220.x
Szymanski, S., & Kuype s, T. (1999).
Winne s and Lose s: The Business S a egy o Foo ball
.
PenguinPu nam. h ps://doi.o g/10.1177/152700250100200406
UEFA. (2015, June 30).
“Fai play” inancei o: udo o que p ecisa sabe
. h ps://p .ue a.com/news-
media/news/0222-0e89a7a3c455-71 07795acb3-1000-- ai -play- inancei o- udo-o-que-p ecisa-
sabe /
UEFA. (2019, Ap il 9).
The impo ance o social e u n on in es men
. h ps://www.ue a.com/news-
media/news/0250-0 8e6a605726-2468bc103ecc-1000-- he-impo ance-o -social- e u n-on-
in es men /
UEFA. (2020, Decembe 2).
UEFA Explaine : aluing Eu opean oo ball’s social e u n on in es men
.
h ps://www.ue a.com/news-media/news/0264-10 e1ac0497c- e49c301d3e-1000--ue a-
explaine - aluing-eu opean- oo ball-s-social- e u n-on-/
Wicke , P., & B eue , C. (2015). How he Economic and Financial Si ua ion o he Communi y A ec s
Spo Clubs’ Resou ces: E idence om Mul i-Le el Models.
In e na ional Jou nal o Financial
S udies
,
3
(1), 31–48. h ps://doi.o g/10.3390/ij s3010031
Woodman, T., & Ha dy, L. (2003). The ela i e impac o cogni i e anxie y and sel -con idence upon
spo pe o mance: a me a-analysis.
Jou nal o Spo s Sciences
,
21
(6), 443–457.
h ps://doi.o g/10.1080/0264041031000101809
Zimbalis , A. S. (2002). Compe i i e Balance in Spo s Leagues.
Jou nal o Spo s Economics
,
3
(2),
63
111–121. h ps://doi.o g/10.1177/152700250200300201
64
Anexo 1- Pon uações das Épocas do Campeona o Popula de Fu ebol de Ba celos
Época 18/19
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
ACD Ca apeços
34
29
2
3
89
ADC Remelhe
34
25
3
6
78
GDR Leocadenses
34
20
6
8
66
AD Ca alhal
34
19
5
10
62
FC Oli ei a
34
17
7
10
58
ARC Sequeade
34
15
7
12
52
ACD Pe ei a
34
13
10
11
49
JRC Pe elhal
34
13
7
14
46
GD F agoso
34
12
10
12
46
GD Maciei a
34
13
6
15
45
Leões da Se a FC
34
9
14
11
41
Palme FC
34
10
9
15
39
FC de Neg ei os
34
10
7
17
37
ADRC Fon e Cobe a
34
8
11
15
35
Lijó FC
34
8
8
18
32
ND da Sil a
34
7
5
22
26
GDR Campo
34
4
13
17
25
A Baluganense CD
34
6
6
22
24
Época 17/18
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
AD Ca alhal
34
23
5
6
74
Leões da Se a FC
34
21
10
3
73
ADC Remelhe
34
19
10
5
67
ACD Ca apeços
34
20
5
9
65
GD Maciei a
34
18
8
8
62
GDR Leocadenses
34
18
7
9
61
ACD Pe ei a
34
12
14
8
50
FC de Neg ei os
34
13
7
14
46
JRC Pe elhal
34
10
14
10
44
GD F agoso
34
12
7
15
43
Palme FC
34
11
9
14
42
GDR Campo
34
9
14
11
41
ND da Sil a
34
10
7
17
37
FC Oli ei a
34
8
11
15
35
A Baluganense CD
34
8
10
16
34
GD Fei os
34
8
5
21
29
ARC Cossou ado
34
5
12
17
27
GD Ped a Fu ada
34
1
5
28
8
65
Época 16/17
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
ACD Pe ei a
34
19
11
4
68
Leões da Se a FC
34
19
9
6
66
FC de Neg ei os
34
18
9
7
63
ACD Ca apeços
34
16
5
13
53
FC Oli ei a
34
14
11
9
53
ARC Cossou ado
34
13
7
14
46
GDR Leocadenses
34
11
12
11
45
ND da Sil a
34
11
12
11
45
GDR Campo
34
11
11
12
44
AD Ca alhal
34
11
10
13
43
GD Ped a Fu ada
34
11
10
13
43
GD Maciei a
34
9
16
9
43
A Baluganense CD
34
11
9
14
42
ADC Remelhe
34
10
12
12
42
Palme FC
34
11
6
17
39
ARC Sequeade
34
9
10
15
37
ADCR Sil ei os
34
7
9
18
30
ADRC Fon e Cobe a
34
5
11
18
26
Época 14/15
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
ACD Ca apeços
30
17
10
3
61
GDR Leocadenses
30
13
11
6
50
ADC Remelhe
30
15
4
11
49
GDR Campo
30
13
9
8
48
FC de Neg ei os
30
14
5
11
47
ARC Sequeade
30
12
9
9
45
Leões da Se a FC
30
11
12
7
45
GD Maciei a
30
12
8
10
44
ND da Sil a
30
10
14
6
44
AD Ca alhal
30
0
8
12
38
GDC C is elo
30
8
14
8
38
ARC Cossou ado
30
8
13
9
37
ACD Pe ei a
30
11
4
15
37
JRC Pe elhal
30
8
7
15
31
GD C eixomil
30
6
10
14
28
AD Milhazes
30
0
6
24
6
Época 13/14
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
ND da Sil a
30
24
3
3
75
ACD Ca apeços
30
17
5
8
56
GD Maciei a
30
13
11
6
50
66
GDR Leocadenses
30
13
9
8
48
GDR Campo
30
12
9
9
45
GDC C is elo
30
13
3
14
42
GD C eixomil
30
11
8
11
41
ARC Cossou ado
30
11
8
11
41
AD Ca alhal
30
11
7
12
40
AD Milhazes
30
11
7
12
40
Leões da Se a FC
30
11
6
13
39
ACD Pe ei a
30
10
9
11
39
ARC Sequeade
30
9
10
11
37
Ca alhas FC
30
9
9
12
36
ADRC Fon e Cobe a
30
5
6
19
21
FC Oli ei a
30
3
4
23
13
Época 12/13
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
ACD Ca apeços
30
19
6
5
63
GDR Leocadenses
30
18
7
5
61
ACD Pe ei a
30
18
4
8
58
GD Maciei a
30
14
8
8
50
Leões da Se a FC
30
14
8
8
50
AD Ca alhal
30
14
8
8
50
GDC C is elo
30
14
5
11
47
GD C eixomil
30
10
11
9
41
ADRC Fon e Cobe a
30
12
4
14
40
GDR Campo
30
11
5
14
38
ND da Sil a
30
11
5
14
38
ARC Sequeade
30
9
7
14
34
FC Oli ei a
30
8
7
15
31
Palme FC
30
8
6
16
30
ADCR Sil ei os
30
7
3
20
24
GD Ped a Fu ada
30
4
4
22
16
Época 11/12
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
GDR Leocadenses
30
23
3
4
72
ACD Ca apeços
30
22
6
2
72
Palme FC
30
17
3
10
54
GD C eixomil
30
15
7
8
52
ND da Sil a
30
14
9
7
51
GD Maciei a
30
14
5
11
47
ACD Pe ei a
30
12
8
10
44
GDR Campo
30
11
10
9
43
Leões da Se a FC
30
11
10
9
43
67
ADRC Fon e Cobe a
30
11
9
10
42
AD Ca alhal
30
8
7
15
31
ARC Sequeade
30
7
9
14
30
GD Ped a Fu ada
30
5
11
14
26
ARC Cossou ado
30
4
9
17
21
Lijó FC
30
3
8
19
17
GDC C is ina
30
4
4
22
16
Época 10/11
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
ACD Ca apeços
26
20
3
3
63
GD C eixomil
26
18
3
5
57
GDR Leocadenses
26
14
7
5
49
ND da Sil a
26
15
3
8
48
Palme FC
26
14
4
8
46
AD Ca alhal
26
11
10
5
43
GD Maciei a
26
12
2
12
38
GDC C is ina
26
9
5
12
32
GDR Campo
26
8
6
12
30
ACD Pe ei a
26
7
8
11
29
ARC Sequeade
26
6
6
14
24
ADRJ S.Ma inho
26
7
2
17
23
GD Águas San as
26
5
2
19
17
GDRM Pa adela
26
4
3
19
15
Época 09/10
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
GDR Leocadenses
26
19
5
2
62
ACD Ca apeços
26
18
5
3
59
ND da Sil a
26
16
5
5
53
ARC Sequeade
26
12
6
8
42
Palme FC
26
11
8
7
41
GDR Campo
26
12
1
12
37
ACD Pe ei a
26
10
7
9
37
GD C eixomil
26
10
4
12
34
AD Ca alhal
26
8
9
8
33
GDRM Pa adela
26
6
7
13
25
GD Águas San as
26
5
9
12
24
ADCR Sil ei os
26
5
7
14
22
FC Oli ei a
26
4
8
14
20
ADRC Fon e Cobe a
26
2
5
19
11
Época 07/08
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
AD Ca alhal
24
15
8
1
53
68
AD Ca ei a
24
15
7
2
52
ACD Ca apeços
24
14
9
1
51
GDR Leocadenses
24
10
7
7
37
ACDR Cambeses
24
9
7
8
34
ADRC Fon e Cobe a
24
8
8
8
32
GDRM Pa adela
24
6
11
7
29
ARC Sequeade
24
8
3
13
27
GD C eixomil
24
6
7
11
25
GDR Campo
24
7
4
13
25
GD Águas San as
24
6
6
12
24
GDC C is ina
24
3
10
11
19
ACD Pe ei a
24
2
7
15
13
Época 06/07
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
AD Ca ei a
26
18
6
2
60
AD Ca alhal
26
15
9
2
54
ARC Vá zea
26
13
9
4
48
ACD Ca apeços
26
12
10
4
46
GD C eixomil
26
12
5
9
41
GDR Leocadenses
26
11
7
8
40
GD Águas San as
26
9
9
8
36
GDRM Pa adela
26
11
2
13
35
ADRC Fon e Cobe a
26
10
4
12
34
GDR Campo
26
9
3
14
30
ACD Pe ei a
26
5
6
15
21
JRC Pe elhal
26
5
6
15
21
Lijó FC
26
4
8
14
20
ADRJ S.Ma inho
26
3
6
17
15
Época 05/06
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
AD Ca ei a
26
19
6
1
63
ACD Ca apeços
26
17
3
6
54
AD Ca alhal
26
14
6
6
48
GD Águas San as
26
13
8
5
47
ARC Vá zea
26
10
13
3
43
GDR Campo
26
11
7
8
40
JRC Pe elhal
26
11
7
8
40
GDR Leocadenses
26
11
6
9
39
GD C eixomil
26
9
3
14
30
ADRC Fon e Cobe a
26
8
4
14
28
Lijó FC
26
6
5
15
23
AD Milhazes
26
4
6
16
18
69
ADCR Vila Boa
26
3
7
16
16
ARC Cossou ado
26
2
7
17
13
Época 04/05
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
GDR Campo
22
15
5
2
50
ACD Ca apeços
22
15
4
3
49
ADRC Fon e Cobe a
22
11
2
9
35
ARC Vá zea
22
10
5
7
35
AD Ca ei a
22
9
7
6
34
JRC Pe elhal
22
10
2
10
32
GD C eixomil
22
8
5
9
29
UCR Abo im
22
6
7
9
25
AD Ca alhal
22
6
6
10
24
Lijó FC
22
4
8
10
20
ARC Sequeade
22
3
8
11
17
Leões da Se a FC
22
3
5
14
14
Época 03/04
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
ACD Ca apeços
20
12
5
3
41
GD C eixomil
20
11
4
5
37
UCR Abo im
20
11
2
7
35
GDR Campo
20
9
7
4
34
ADRC Fon e Cobe a
20
10
3
7
33
ARC Vá zea
20
9
4
7
31
AD Ca alhal
20
9
3
8
30
JRC Pe elhal
20
6
5
9
23
AD Ca ei a
20
5
6
9
21
ADCR Vila Boa
20
3
3
14
12
GD Águas San as
20
3
2
15
11
Época 02/03
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
JRC Pe elhal
22
14
6
2
48
AD Ca alhal
22
14
5
3
47
ADRC Fon e Cobe a
22
11
4
7
37
AD Ca ei a
22
10
6
6
36
GD C eixomil
22
11
2
9
35
GD Águas San as
22
9
4
9
31
GDR Campo
22
8
5
9
29
ACD Ca apeços
22
6
10
6
28
ARC Vá zea
22
7
6
9
27
ACD Pe ei a
22
5
9
8
24
AD Milhazes
22
2
5
15
11
70
Alhei a FC
22
2
4
16
10
Época 01/02
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
AD Ca alhal
22
11
6
5
39
GD C eixomil
22
11
5
6
38
GD Águas San as
22
9
8
5
35
GDR Campo
22
10
5
7
35
ARC Vá zea
22
9
7
6
34
ACD Pe ei a
22
10
2
10
32
AD Milhazes
22
8
5
9
29
Alhei a FC
22
8
3
11
27
ACD Ca apeços
22
5
11
6
26
ADRC Fon e Cobe a
22
7
5
10
26
ADCR Vila Boa
22
7
4
11
25
Lijó FC
22
4
5
13
17
Época 00/01
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
GD Águas San as
22
14
7
1
49
GD C eixomil
22
14
2
6
44
ADCR Vila Boa
22
12
8
2
44
ACD Ca apeços
22
11
6
5
39
GDR Campo
22
11
4
7
37
ADRC Fon e Cobe a
22
10
3
9
33
AD Milhazes
22
9
5
8
32
AD Ca alhal
22
7
7
8
28
ARC Vá zea
22
8
2
12
26
Lijó FC
22
6
3
13
21
Palme FC
22
4
3
15
15
UCR Abo im
22
0
2
20
2
Época 99/00
Jogos
Vi ó ias
Empa es
De o as
Pon os
GD Águas San as
30
24
3
1
75
GD C eixomil
30
22
1
7
67
GDR Campo
30
20
6
4
66
AD Milhazes
30
18
3
9
57
ADCR Vila Boa
30
17
6
7
57
ACD Ca apeços
30
18
3
9
57
ARC Vá zea
30
17
4
9
55
Palme FC
30
13
8
9
47
AD Ca alhal
30
13
5
12
44
ADRC F. Cobe a
30
13
4
13
43
Lijó FC
30
9
8
13
35
71
UCR Abo im
30
7
8
15
29
FC Oli ei a
30
4
6
20
18
GDR M. Pa adela
30
3
4
23
13
FC Lí io do Nei a
30
3
2
25
11
GD Ped a Fu ada
30
1
3
26
6