Diana Ma ga ida Gonçal es F ei as
Sob eVi ências no campus: saúde
men al dos es udan es de 1º ciclo da
Uni e sidade do Minho
Ma ço de 2025
UMinho | 2025
Diana Ma ga ida Gonçal es F ei as
Sob eVi ências no campus: saúde men al dos
es udan es de 1º ciclo da Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Ciências Sociais
Ins i u o de Ciências Sociais
Diana Ma ga ida Gonçal es F ei as
Sob eVi ências no campus: saúde
men al dos es udan es de 1º ciclo da
Uni e sidade do Minho
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Sociologia (com Especialização em Sociologia
do T abalho e das O ganizações)
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Alice Dele ue Ma os
Ma ço de 2025
iii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da
Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
i
Ag adecimen os
An es de mais, que o dedica es e abalho aos meus pais que são os maio es
impulsionado es pa a a ealização des a disse ação.
Que o ambém ag adece -lhes a eles, aos meus a ós, i mão e amigos que semp e
es i e am p esen es nos momen os mais di íceis da ealização des e abalho. Que o sob e udo
ag adece à minha o ien ado a, a P o esso a Alice Dele ue Ma os, pela ajuda que me p es ou e
pelos ensinamen os ansmi idos.
Que o ambém ag adece a odos os pa icipan es dos ocus-g oups, pois sem eles es e
abalho não e a possí el.
Ob igada a odos,
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
i
Sob eVi ências no Campus: saúde men al dos es udan es de 1º Ciclo da
Uni e sidade do Minho
Resumo
A p esen e disse ação de mes ado in es iga a saúde men al dos es udan es do p imei o
ciclo da Uni e sidade do Minho, des acando os desa ios en en ados no ambien e uni e si á io.
Pesquisas indicam que esse g upo ap esen a uma maio p e alência de p oblemas psicológicos
em compa ação com a população em ge al, sendo a p essão académica, o a as amen o da amília,
di iculdades socioeconómicas e p oblemas de adap ação alguns dos p incipais a o es que
con ibuem pa a esse cená io. Tendo em con a a emá ica p opôs-se como p incipal obje i o des e
p oje o apu a os a o es de isco e de p o eção elacionados com as pe u bações do o o men al,
endo em conside ação os aspe os pessoais, económicos, sociocul u ais e ambien ais.
Pa a a conc e ização des es mesmos obje i os ado ou uma me odologia quali a i a que
comp eendeu a ealização de ocus-g oups aos es udan es do p imei o ciclo da Uni e sidade do
Minho e a analise de con eúdo emá ica dos dados ecolhidos.
Es e es udo apu ou que a saúde men al dos es udan es é in luenciada po di e sos a o es,
an o de isco quan o de p o eção. En e os p incipais desa ios es ão a p essão académica,
di iculdades inancei as, dis anciamen o da amília e compe i i idade excessi a, que podem
desencadea ansiedade, dep essão e bu nou . A al a de edes de apoio e de in eg ação no
ambien e uni e si á io ag a a essa ulne abilidade. Po ou o lado, o supo e amilia e
ins i ucional, espaços de con i ência e acesso a a endimen o psicológico são essenciais pa a o
bem-es a . Do pon o de is a sociológico, essa ques ão ai além do indi íduo, sendo moldada po
es u u as sociais e ins i ucionais.
Pala as-cha es: ensino supe io ; a o es de isco; a o es p o e o es; licencia u a; saúde men al
ii
Su i als on Campus: Men al Heal h o Fi s -Cycle S uden s a he Uni e si y o
Minho
Abs ac
This mas e 's disse a ion in es iga es he men al heal h o i s -cycle s uden s a he
Uni e si y o Minho, highligh ing he challenges aced wi hin he uni e si y en i onmen . Resea ch
indica es ha his g oup has a highe p e alence o psychological issues compa ed o he gene al
popula ion, wi h academic p essu e, amily sepa a ion, socioeconomic di icul ies, and adap a ion
challenges being key con ibu ing ac o s.
Gi en he heme, he main objec i e o his p ojec was o iden i y he isk and p o ec i e
ac o s associa ed wi h men al heal h diso de s, conside ing pe sonal, economic, sociocul u al,
and en i onmen al aspec s.
To achie e hese objec i es, a quali a i e me hodology was adop ed, in ol ing ocus g oups
wi h i s -cycle s uden s a he Uni e si y o Minho and a hema ic con en analysis o he collec ed
da a.
The s udy ound ha s uden s' men al heal h is in luenced by a ious ac o s, bo h isk and
p o ec i e. Key challenges include academic p essu e, inancial di icul ies, amily dis ancing, and
excessi e compe i i eness, which can igge anxie y, dep ession, and bu nou . The lack o suppo
ne wo ks and in eg a ion wi hin he uni e si y en i onmen u he inc eases ulne abili y. On he
o he hand, amily and ins i u ional suppo , social spaces, and access o psychological se ices
play a c ucial ole in p omo ing well-being. F om a sociological pe spec i e, his issue ex ends
beyond he indi idual, being shaped by social and ins i u ional s uc u es.
Keywo ds: highe educa ion; isk ac os; p o ec i e ac os; unde g adua e deg ee; men al heal h
iii
Índice
Ag adecimen os ........................................................................................................................ i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ................................................................................................
Resumo .................................................................................................................................... i
LISTA DE ABREVIATURAS ......................................................................................................... ix
In odução .............................................................................................................................. 10
Capí ulo I – A saúde men al no con ex o uni e si á io: desa ios e pe spe i as eó icas .............. 13
1.1. Fundamen os eó icos da saúde men al no ambien e uni e si á io ................................... 15
1.2. A saúde men al dos es udan es uni e si á ios .................................................................. 17
Capí ulo II - Obje i os, p ocedimen os me odológicos e conside ações é icas ........................... 24
Capí ulo III - Análise de dados ................................................................................................. 26
3.1. In odução à análise da in o mação ................................................................................. 26
3.2. Van agens da pe ença à Uni e sidade do Minho (UMinho) e Ensino Supe io ................... 27
3.3. Desa ios expe ienciados na UMinho ................................................................................. 30
3.4. Es a égias ace aos desa ios ........................................................................................... 35
3.5. Fa o es de isco e p o eção pa a a saúde men al e bem-es a .......................................... 37
3.5.1. Fa o es de isco ...................................................................................................... 37
3.5.2. Fa o es p o e o es .................................................................................................. 39
3.6. Pe ceção sob e a saúde men al na comunidade académica ............................................. 41
3.7. Impac o dos p oblemas de saúde men al e bem-es a ...................................................... 44
3.8. Conhecimen o dos se iços de apoio ............................................................................... 45
3.9. Recomendações pa a p omoção da saúde men al e bem-es a ........................................ 46
Capí ulo IV - Discussão de esul ados ...................................................................................... 53
4.1. Fa o es de isco e a o es p o e o es ................................................................................ 53
Capí ulo V - Conclusão ............................................................................................................ 56
Re e ências Bibliog á icas ....................................................................................................... 58
15
1.1. Fundamen os eó icos da saúde men al no ambien e uni e si á io
De o ma a p ocu a comp eende e explica a ep esen ação social da saúde men al e que
papel es a desempenha no aumen o ou diminuição da mesma, di e sos pensado es sociais
deb uça am-se sob e es a emá ica. Um des es pensado es oi Geo ge He be Mead, ilóso o
ame icano com impo an es con ibu os pa a a sociologia e psicologia social. Es e ilóso o p opôs
a eo ia da iden idade que a i ma que a iden idade de uma pessoa é cons uída po meio de
in e ações sociais e p ocessos de ap endizagem ao longo do empo. O au o a gumen a que a
iden idade não é um aço ina o ou ixo, mas sim uma cons ução social que se desen ol e a a és
da in e ação com os ou os e do p ocesso de in e nalização das no mas e alo es da sociedade
em que i emos. “Iden i ies can be de ined as one's answe s o he ques ion 'Who am I?" (S yke
& Se pe, 1982). Many o he "answe s" (e.g., "I am a a he ") a e linked o he oles we occupy,
so hey a e o en e e ed o as " ole iden i ies" o simply, “iden i ies” (Des cohe s e al, 2004). A
eo ia da iden idade social oca-se no papel do indi íduo na sociedade, de endendo que os g upos
aos quais os indi íduos pe encem le am à de inição dos mesmos em sociedade Hogg e al. (1995,
apud Des oche s e al., 2004, p. 61).
A eo ia da Iden idade pode con ibui pa a a comp eensão da saúde men al dos es udan es
uni e si á ios endo em conside ação o ac o de es a se uma ase da ida onde os es udan es
passam po um pe íodo de ansição e desen ol imen o pessoal signi ica i o. Du an e esse
pe íodo, os es udan es es ão cons an emen e em in e ação com seus pa es, p o esso es e
comunidade académica como um odo. Uma iden idade saudá el e posi i a é c ucial pa a o bem-
es a dos es udan es uni e si á ios. Quando os es udan es se sen em acei es, alo izados e
incluídos no ambien e académico, eles êm maio p obabilidade de desen ol e uma au oes ima
posi i a e en en a os desa ios académicos e sociais de o ma mais esilien e. Po ou o lado,
expe iências nega i as de exclusão, disc iminação ou al a de apoio podem a e a nega i amen e
a saúde men al dos es udan es, le ando ao s ess, ansiedade, dep essão e ou os p oblemas
psicológicos.
Ou a eo ia que pode se ú il à comp eensão da saúde men al é a Teo ia da Ação Ecológica
de U ie B on enb enne , que en a iza a in e ação en e o indi íduo e o seu ambien e como um
sis ema complexo. B on enb enne de endeu que o desen ol imen o humano esul a de in e ações
ecíp ocas en e o indi íduo e os ní eis ambien ais de in e ação, o mic ossis ema, mesossis ema,
exossis ema e o mac ossis ema. O mic ossis ema e e e-se a ambien es e elações mais p óximas
do indi íduo, elações di e as e equen es como in e ações com colegas e p o esso es, no caso
16
des e es udo, enquan o o mesossis ema e e e-se às conexões en e di e en es mic ossis emas,
como a elação en e amília e escola ou en e abalho e ida pessoal. A qualidade dessas ligações
pode e o ça ou p ejudica o desen ol imen o. O exossis ema ab ange a o es ex e nos, inclui
con ex os que não a e am di e amen e o indi íduo, mas in luenciam o seu ambien e, como
polí icas educacionais, que in luenciam indi e amen e o ambien e do es udan e. O mac ossis ema
ep esen a os alo es cul u ais, ideologias, no mas sociais e polí icas mais amplas que moldam
as in e ações nos ou os ní eis. Inclui aspe os como classe social, c enças cul u ais e sis ema
económico. B on enb enne des acou a impo ância do supo e e dos ecu sos disponí eis no
ambien e, pa a o bem-es a e desen ol imen o saudá el das pessoas. Ele ambém essal ou a
in luência do con ex o social e cul u al na o mação da iden idade e no compo amen o humano.
Ao aplica es a eo ia ao con ex o da saúde men al na Academia, podemos pe cebe que o
ambien e uni e si á io, como um sis ema compos o po di e en es ní eis, exe ce um impac o
signi ica i o no bem-es a /mal-es a dos es udan es. Os di e en es ní eis ambien ais, como as
in e ações en e os colegas de u ma, os elacionamen os com p o esso es, os ecu sos ma e iais
disponí eis na uni e sidade e as polí icas educacionais, odos a e am a saúde men al dos
es udan es. Um mic ossis ema posi i o e de apoio, onde os es udan es se sin am alo izados,
ou idos e apoiados emocionalmen e, pode con ibui pa a uma melho saúde men al. O
mesossis ema ambém desempenha um papel impo an e, a colabo ação en e di e en es
ambien es, como a comunicação en e p o esso es e se iços de apoio ao es udan e, pode c ia
uma ede de supo e mais ab angen e. O exossis ema ambém in luencia a saúde men al dos
es udan es uni e si á ios. Polí icas educacionais inclusi as, que p omo am a di e sidade, a
igualdade e a acessibilidade, são undamen ais pa a c ia um ambien e saudá el pa a odos os
es udan es. A alo ização da saúde men al nas polí icas académicas e a conscien ização sob e a
impo ância do bem-es a emocional podem ajuda a eduzi o es igma associado aos p oblemas
de saúde men al e incen i a a busca de apoio. Po an o, um ambien e uni e si á io que a o eça
in e ações saudá eis, o e eça supo e emocional e p omo a polí icas inclusi as pode
desempenha um papel c ucial na p omoção da saúde men al dos es udan es, con ibuindo pa a
um desen ol imen o académico e pessoal mais equilib ado.
A eo ia da in e seccionalidade, p opos a pela ju is a e p o esso a Kimbe lé C enshaw, é uma
len e analí ica que pode ambém pode se ú il na in e p e ação dos esul ados des a pesquisa.
Explo a como di e en es o mas de op essão e disc iminação — como sexo, aça, classe e géne o
— se sob epõem e in e agem pa a c ia expe iências únicas de ma ginalização. Um dos pon os
17
cen ais da sua eo ia é a dis inção en e a iolência acial e a iolência con a mulhe es. C enshaw
a gumen a que, em ez de analisa essas o mas de iolência de o ma sepa ada, de emos
econhece que elas são in e ligadas, especialmen e no caso das mulhe es neg as, que en en am
an o a iolência de géne o como a iolência acial de o ma simul ânea.
Um dos p oblemas que C enshaw apon a é que, quando os ac os não se enquad am nas
moldu as sociais disponí eis, as pessoas êm mais di iculdade em in eg a no as in o mações nas
suas conceções de um p oblema. No caso das mulhe es neg as, po exemplo, mui as ezes a sua
expe iência de op essão não se encaixa nas ca ego ias adicionais, que endem a oca apenas
na iolência de géne o ou apenas na iolência acial. Isso c ia uma lacuna na comp eensão e na
abo dagem dos seus p oblemas.
Sem moldu as que nos pe mi am e qual o impac o dos p oblemas sociais em odos os
memb os de um g upo-al o, mui os deles, como as mulhe es neg as, passa ão despe cebidos nas
malhas dos mo imen os sociais. Es es mo imen os, ao não econhece em as in e secções de
op essões, deixam que ce as ozes e expe iências so am p a icamen e sós. Como esul ado, as
polí icas e ações que isam comba e a op essão mui as ezes não conseguem abo da
adequadamen e as necessidades de pessoas que são ma ginalizadas de o ma múl ipla.
P oblemas sociais es ão, po an o, sob epos os. Todas essas dinâmicas — aciais, de géne o,
de classe — andam jun as e c iam desa ios que, po ezes, são únicos pa a indi íduos que se
encon am na in e seção dessas ca ego ias. Po isso, a eo ia da in e seccionalidade de C enshaw
e ela que, pa a comp eende a e dadei a ampli ude das injus iças sociais, p ecisamos de
econhece a complexidade das expe iências de cada pessoa, especialmen e daqueles que
en en am op essões múl iplas e in e ligadas. Es a eo ia enquad a-se nes a in es igação pelo ac o
de que as pe u bações do o o men al dos es udan es podem ad i das in e ligações de di e sos
es igmas que en en am e não só de um conjun o de es igmas pe cecionados de o ma sepa ada.
1.2. A saúde men al dos es udan es uni e si á ios
Uma das populações amplamen e a e adas no campo do o o men al são os es udan es
uni e si á ios. Es udos sob e a emá ica demons am que os es udan es uni e si á ios ap esen am
maio axa de dep essão compa a i amen e ao es o da população. “The ansi ion in o college
can pose a numbe o signi ican challenges o young adul s, including inc eased academic s ain
and anxie y, a new social en i onmen , and inc eased independence, all o which p esen
18
oppo uni ies o ad e se consequences” (Bakken, 2019, p.68). A ansição pa a o ensino supe io
exige que os es udan es se adap em a um ambien e de ap endizagem di e en e e às p essões
académicas, enquan o se o nam mais independen es e c iam edes sociais. Es e p ocesso de
in eg ação académica e social es á o emen e associado ao bem-es a e ao sucesso académico
dos alunos. Aqueles que en en am di iculdades podem expe iencia isolamen o e a é abandona
os es udos, o que se comp o a quando se obse am as es a ís icas sob e a emá ica. Segundo o
jo nal Público, em 2024, o abandono escola após o p imei o ano de licencia u a ixa a-se nos
11,73%, sendo a axa mais al a em 8 anos (Eco ci . Público, 2024). Além disso um es udo ealizado
nas in uições de ensino supe io po uguesas apon a uma co elação en e a baixa saúde men al
dos es udan es e o desempenho académico. Numa amos a de 1.174 pa icipan es de 53
Ins i uições de Ensino Supe io (IES), p edominan emen e mulhe es (79,7%), com uma média de
idade de 24 anos, os esul ados ecolhidos a a és de um ques ioná io, ap esen am esul ados
p eocupan es ao ní el da saúde men al dos es udan es uni e si á ios. Segundo os dados
adqui idos, 39% dos inqui idos ap esen a am sin oma ologia psicológica, sendo que 12,4%
ap esen a a sin oma ologia le e, 14,1% mode ada, 7% se e a e 5,3% ex emamen e se e a. No
que espei a ao desempenho académico 93% dos inqui idos sen e uma p essão com o abalho
académico e 63% indicam desin e esse nas aulas, sendo que 21% associa am es es a o es à
sin oma ologia psicológica (Sil a, Taliscas & Pai a, 2024, p. 8). Po ém es e p oblema não é
exclusi o do nosso país. Um ou o es udo, es e ealizado po Du y e al. (2020), in es igou a
p e alência e os a o es p edi i os de sin omas de saúde men al e desempenho académico em
es udan es do p imei o ano da uni e sidade. Os pesquisado es conduzi am um es udo longi udinal
com 1.530 es udan es numa uni e sidade canadense, a aliando sin omas de dep essão,
ansiedade e ou os a o es psicossociais no início e no inal do p imei o ano. Os esul ados
mos a am que, no início do cu so, 28% dos alunos ap esen a am sin omas clínicos de dep essão
e 33% de ansiedade. Esses núme os aumen a am pa a 36% e 39%, espe i amen e, ao inal do
p imei o ano. Além disso, 14% ela a am pensamen os suicidas e 1,6% en a am suicídio ao longo
do ano académico. Fa o es como baixa au oes ima, s ess ele ado, baixa qualidade do sono e
pouca a i idade ísica o am signi ica i amen e associados ao desen ol imen o e pe sis ência de
p oblemas de saúde men al. Além disso, sin omas de ansiedade e dep essão o am
co elacionados com meno es no as e pio bem-es a uni e si á io.
19
Abou 50% o uni e si y s uden s in I aly su e om psycho- logical dis ess, abou 40% in
he UK, and 50% in Spain. I is p edic ed ha a qua e o he global popula ion will be
a ec ed by dep essi e symp oms a some s age in hei li e. (Li e al., 2019, p.414)
Es a emá ica ag a a-se quando se obse am os dados ela i os ao compo amen o
au odes u i o não suicida (NSSI) e à ideação suicida nos es udan es uni e si á ios. Num es udo
ealizado na Uni e sidade do Wisconsin nos Es ados Unidos da Amé ica, e i icou-se que
ap oximadamen e 7% dos es udan es ela a am en ol imen o em NSSI no úl imo ano, enquan o
8% expe imen a am ideação suicida (Bakken, 2019). Esses compo amen os podem su gi em
espos a aos desa ios en en ados du an e a ansição pa a a ida uni e si á ia, como p essão
académica, ansiedade, no as dinâmicas sociais e independência.
A pandemia de COVID-19 ag a ou ainda mais es e cená io, in e ompendo o p ocesso de
in eg ação social e académica. O dis anciamen o social e o ensino à dis ância esul a am em
sen imen os de solidão e desconexão pa a mui os es udan es, especialmen e pa a os es udan es
de p imei o ano. A ausência de in e ações sociais ace a ace e de a i idades ex acu icula es
in ensi icou a sensação de isolamen o. Pa a além disso, oco eu uma edução do supo e das
ins i uições académicas, com menos o ien ações e a i idades p esenciais pa a auxilia os
es udan es na in eg ação na ida uni e si á ia. Mui os es udan es sen i am uma p essão c escen e
de ido à ince eza sob e o u u o e à al a de opo unidades pa a elaxa ou socializa . A mono onia
e o con inamen o ag a a am o s ess e a ansiedade. Es udos demons am que as medidas de
isolamen o a e a am nega i amen e o bem-es a men al dos alunos, sendo os es udan es do
p imei o ano pa icula men e ulne á eis a sin omas dep essi os du an e esse pe íodo.
S uden s in ou esea ch, howe e , no ed ha COVID-19 measu es caused a sepa a ion in his
no mally in e wining cha ac e o hei in eg a ion p ocess. Due o social dis ancing measu es,
when people swi ched o online lea ning, social aspec s o he HE expe iences la gely
diminished, and classes became p ima ily academically ocused. (B yn & Eeke , 2023, p.4)
1.3. Fa o es de isco/ Fa o es p o e o es das pe u bações do o o men al
A susce ibilidade pa a o desen ol imen o de p oblemas do o o men al pode se associada
às ca ac e ís icas do indi íduo e do seu con ex o social. Es es a o es podem se p omo o es ou
20
p o e o es de doenças do o o men al e podem se enquad ados an o a ní el do âmbi o con ex ual
como a ní el das ca ac e ís icas indi iduais. Fa o es de âmbi o con ex ual en ol em o ambien e
social, económico e académico em que os es udan es es ão inse idos. Esses a o es in luenciam
di e amen e a saúde men al e a adap ação dos es udan es, como as condições de ida e o
ambien e de ap endizagem.
No que conce ne aos a o es con ex uais, o ambien e educacional é um a o signi ica i o pa a
o bem-es a psicológico. Es udan es uni e si á ios es ão expos os a di e sos agen es de s ess
como sob eca ga académica, insegu ança sob e o u u o e ins abilidade emocional, o que pode
p edispo a sin omas dep essi os, ap esen ando-se como a o es de isco (T oy e al., 2022).
Numa amos a de 571 es udan es uni e si á ios, e i icou-se que 59,7% dos es udan es
ap esen am sen imen os nega i os ela i amen e à p essão do ambien e escola . Fa o es como
desempenho académico e obesidade ambém o am associados a sin omas dep essi os (Ben o e
al., 2021). Ademais do ambien e uni e si á io, o ambien e amilia ambém se ap esen a como
um a o que in luencia a p opensão pa a o desen ol imen o de pe u bações do o o men al. A
amília pode desempenha um papel c ucial no apoio emocional e psicológico dos es udan es,
mas ambém pode se uma on e de p essão. Es udan es que se a as am das suas amílias pela
p imei a ez podem sen i solidão e ansiedade.
Mo ing away om amilies and beginning a new li e equi es lexibili y and adap a ion o
adjus o a new li es yle. As mos unde g adua e s uden s lea e hei amily en i onmen
and en e a new li e wi h hei pee s, iends, and classma es, hei beha iou and li es yle
change oo. (AIMS Public Heal h, 2020, p.55)
A amília é um a o p o e o e de isco. Es udos iden i icam que 41,8% dos es udan es
uni e si á ios ela a am sa is ação com os elacionamen os amilia es. (…) O apoio amilia oi
iden i icado como um a o p o e o na p e enção de sin omas dep essi os. Po ou o lado, a pe da
de amilia es, baixos endimen os amilia es e a é enções amilia es aumen am o isco de
p oblemas de saúde men al, como obse ado du an e a pandemia de COVID-19. Pa a além disso,
o his ó ico de p oblemas men ais no ag egado amilia pode o na o es udan e mais susce í el a
ap esen a os mesmos p oblemas.
Ou o a o que in luencia e que se pode elaciona com o a o amilia diz espei o ao s a us
socioeconómico. Es udan es de amílias com baixa escola idade e endimen o são mais p opensos
21
a so e de p oblemas psicológicos, equen emen e en en ando maio es desa ios, como o acesso
limi ado a ecu sos educacionais e apoio social, o que pode aumen a o isco de p oblemas de
saúde men al. Es udan es de classes sociais mais baixas en en am desa ios adicionais, como
p essões económicas e al a de acesso a ecu sos, que podem ag a a sin omas de dep essão e
ansiedade. Es udos indicam que 36,8% dos es udan es uni e si á ios e e i am e um endimen o
amilia mensal en e 760 e 2.280 eu os ( alo es ap oximados com base no salá io mínimo
nacional em Po ugal). A pe ceção de classe socioeconómica oi associada an o a emoções
posi i as como nega i as (Ben o e al., 2021).
Espaços na u ais, como pa ques, são conhecidos po p omo e em o bem-es a men al.
Ambien es escola es que p omo em a conexão com a na u eza, como pá ios e á eas e des,
demons a am bene ícios psicológicos signi ica i os, p omo endo o bem-es a men al dos
es udan es. Os dados indicam que os espaços e des do campus êm um impac o posi i o an o
na saúde men al quan o no desempenho académico dos es udan es, com maio es e ei os nos
homens do que nas mulhe es. Enquan o os espaços e des ajudam a eduzi o s ess e a melho a
o desempenho académico de o ma ge al, os alunos do sexo masculino bene iciam-se mais
di e amen e em e mos de saúde men al, enquan o pa a as es udan es o desempenho académico
ambém em um papel mediado impo an e. Segundo um es udo ealizado num conjun o de
Uni e sidades na China, o e ei o di e o e o e ei o indi e o dos espaços e des do campus na saúde
men al dos es udan es uni e si á ios são signi ica i os, indicando que exis e um e ei o
in e mediá io no pe cu so que in luencia a saúde men al dos es udan es (Liu e al., 2022).
Po ou o lado, os a o es indi iduais eme em pa a as ca ac e ís icas dos es udan es, como
a esiliência, pe sonalidade, e a capacidade de lida com o s ess que in luenciam a o ma como
os es udan es en en am os desa ios uni e si á ios. Es udan es com p edisposições indi iduais,
como his ó ico de doença men al, êm maio ulne abilidade ao s ess da ida académica. Fa o es
como a pe sonalidade, gené ica e esiliência social in luenciam essa ulne abilidade. Mais de 80%
dos es udan es a aliados em alguns es udos ap esen a am algum g au de so imen o psicológico,
o que suge e uma c ise gene alizada de saúde men al nesse g upo (Li e al., 2020). O géne o e a
sexualidade ap esen am-se como a o es que p edizem a susce ibilidade pa a o desen ol imen o
de pe u bações do o o men al, es udos mos am que as mulhe es uni e si á ias endem a ela a
maio es ní eis de ansiedade e dep essão em compa ação com os homens. O géne o eminino oi
consis en emen e iden i icado como um a o de isco pa a o desen ol imen o de p oblemas de
saúde men al, incluindo dep essão e ansiedade. O es udo in i ulado "Campus G een Spaces,
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Academic Achie emen and Men al Heal h o College S uden s" obse ou que a p e alência de
dep essão oi maio en e as alunas (30,9%) em compa ação com os alunos (22,5%). Igualmen e
as o ien ações sexuais mino i á ias en en am equen emen e disc iminação e isolamen o,
aumen ando o isco de p oblemas de saúde men al.
A ansição pa a a ida adul a, ge almen e en e os 18 e 25 anos, é uma ase de explo ação
e ins abilidade, que pode aumen a a ulne abilidade pa a p oblemas de saúde men al. A maio ia
dos es udos ocados em es udan es uni e si á ios e e e-se p incipalmen e a indi íduos en e 18
e 30 anos, com sin omas de dep essão sendo pa icula men e p e alen es nessa aixa e á ia,
de ido a a o es como mudanças na ida e aumen o das esponsabilidades.
No que diz espei o à ques ão da nacionalidade e i ica-se que os es udan es in e nacionais
podem en en a desa ios adicionais, como a adap ação a uma no a cul u a, língua e a solidão, o
que pode impac a nega i amen e o seu bem-es a men al. Es udan es in e nacionais ou aqueles
de di e en es nacionalidades en en am desa ios adicionais, como isolamen o cul u al e
di iculdades de adap ação, o que pode aumen a o isco de desen ol e sin omas dep essi os
(Baken, 2019).
Rela i amen e a a i idades ex acu icula es que possam se um a o p o e o da saúde
men al dos es udan es uni e si á ios, a p á ica egula de exe cício ísico é amplamen e
econhecida po melho a o bem-es a men al, ajudando a eduzi a ansiedade e dep essão. Es a
p á ica es á associada a uma edução signi ica i a dos sin omas dep essi os, de ido à libe ação
de endo inas e à melho a da au oes ima e socialização. Segundo os es udos ealizados du an e
a pandemia de Co id-19, hou e uma diminuição signi ica i a na p á ica de exe cício ísico en e
es udan es uni e si á ios du an e a pandemia, o que con ibuiu pa a um aumen o nos sin omas
de ansiedade e dep essão (Buizza e al., 2022).
Es udan es uni e si á ios com baixa au oes ima são pa icula men e ulne á eis a en en a
di iculdades emocionais e sociais du an e a sua aje ó ia académica. Es a condição es á
equen emen e associada a uma maio incidência de sin omas dep essi os, como sen imen os
de inu ilidade e baixa au ocon iança, o que pode p ejudica an o o bem-es a pessoal como o
desempenho académico. In e enções di ecionadas pa a a p omoção da au oes ima êm
mos ado esul ados posi i os, con ibuindo pa a o o alecimen o da saúde men al e pa a uma
melho adap ação às exigências da ida uni e si á ia. Nos úl imos empos, a au oes ima dos
es udan es oi o emen e impac ada pelo isolamen o social e pela in e upção das a i idades
p esenciais, a o es que exace bam o sen imen o de desconexão e solidão. Es udos, como o de
23
Chia a Buizza, apon am que essa al a de in e ação di e a pode ag a a o isco de p oblemas de
saúde men al. Po ou o lado, as edes de apoio, compos as po amilia es, amigos e colegas,
desempenham um papel c ucial na ges ão do s ess e na p e enção do isolamen o social. Uma
ede de apoio o e o e ece um ambien e de segu ança e pa ilha, que ajuda a mi iga os impac os
nega i os do s ess e a p e eni o su gimen o de p oblemas de saúde men al. A ausência desse
supo e social ag a a a ulne abilidade dos es udan es, aumen ando o isco de dep essão e ou os
dis ú bios psicológicos. Po an o, p omo e o desen ol imen o de edes de amizade e in e ação
emocional é undamen al pa a o alece o bem-es a men al dos es udan es uni e si á ios e
p e eni o isolamen o social. A pesquisa de Lisa Thomson Ross e Tomas Pa ick Boss ealiza am
numa Uni e sidade no Sudoes e dos Es ados Unidos mos ou que al os ní eis de s ess e
p oblemas diá ios (sociais e não-sociais) es ão associados a maio es ní eis de ansiedade e
dep essão. En e an o, es udan es que ela a am e maio supo e social e mais au oacei ação
i e am melho es indicado es de bem-es a men al. Embo a o supo e social e a au oacei ação
não i essem e ei o di e o na edução dos impac os do s ess, ambos o am iden i icados como
bené icos pa a a saúde men al dos es udan es, des acando a impo ância de omen a edes de
apoio e p á icas de au oacei ação no ambien e uni e si á io (Ross & Ross, 2023).
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Capí ulo II - Obje i os, p ocedimen os me odológicos e conside ações
é icas
Conside ando a pe gun a de pa ida des a in es igação, o obje i o p incipal des e abalho é
apu a os a o es de isco e de p o eção elacionados com as pe u bações do o o men al nos
es udan es do p imei o ciclo da UM, endo em conside ação os aspe os pessoais, económicos,
sociocul u ais e ambien ais.
No que conce ne os obje i os especí icos des e p oje o p e ende-se:
1. Comp eende as pe ceções dos es udan es sob e as an agens e os desa ios da en ada no
Ensino Supe io .
2. Ca ac e iza o ní el de bem-es a dos es udan es de p imei o ciclo da Uni e sidade do Minho.
3. Comp eende os a o es de isco e p omo o es da saúde men al.
4. Comp eende as es a égias u ilizadas pa a lida com os desa ios expe ienciados.
5. Ap eende as al e ações que conside am que se iam necessá ias na Uni e sidade do Minho
pa a melho a saúde men al dos es udan es.
A endendo ao obje i o des a in es igação op ou-se po uma abo dagem quali a i a. De o ma
a comp eende melho as pe ceções e expe iências i idas pelos es udan es, a me odologia
ado ada isa a comp eensão de enómenos sociais, explo ando signi icados e i ências a a és de
écnicas de ecolha da in o mação como en e is as e obse ação. “… que desc e e os enómenos
po pala as ez de núme os ou medidas” (E sma, ci . Cou inho, 2020, p.28).
A écnica u ilizada pa a a ecolha de dados oi o ocus-g oup. A escolha des a écnica de e-
se ao ac o de a mesmo pe mi i apon a ecomendações pa a p og amas de p omoção da saúde
men al e pe mi i a in e ação en e os en e is ados que pa ilham elemen os em comum. “O
ocus g oup isa explo a pe ceções, expe iências ou signi icados de um g upo de pessoas que
êm alguma expe iência ou conhecimen o em comum sob e uma dada si uação ou ópico (Kuma ,
ci . Cou inho, 2020, p.143).
A seleção da amos a dos es udan es oi ealizada de o ma c i e ial, pois isa am-se os
es udan es que equen am, no pe íodo de ecolha dos dados, o p imei o ciclo de es udos na
Uni e sidade do Minho. O pe íodo da cole a oi iniciado em junho de 2024 e p olongou-se a é
dezemb o do mesmo ano. No início de cada ocus-g oup, os pa icipan es o am in o mados da
ga an ia do seu anonima o e con idencialidade, pa a além de se solici a o seu consen imen o
pa a a g a ação dos ocus-g oup.
31
Um a o consensual en e en e is ados dos ocus-g oup, é a ques ão da p axe, mas
sob e udo a ques ão de quem não pa icipa na p axe. Pa a os en e is ados apesa de
conside a em a p axe in eg ado a, conside am que pa a que não que pa icipa na mesma pode
se algo que di icul a a in eg ação. “E depois é complicado, po que quando se anda na p axe, há
aquela união en e eles, mas quem não ai pa a a p axe ica ali à oa, ica sozinho e é mui o mais
du o habi ua -se a cá es a .” 1E10
A ques ão da di e ença ge acional, dos es udan es do 1º ciclo ambém é um a o desa ian e
pois a di e ença de expec a i as e expe iências de ida en e es udan es mais jo ens que se
ap esen am como maio ia e es udan es mais elhos pode di icul a a elação en e os mesmos e
a in eg ação dos es udan es mais elhos.
“Ahhh, a aixa e á ia ambém é um bocadinho díspa . Eu enho 40 anos e ambém es ou
a lida com pessoas de 18, não des azendo, po que odas êm as suas expe iências (...)
Há pessoas que êm opiniões di e en es e nós emos que concilia isso udo” 1E02
Os abalhado es-es udan es en en am desa ios signi ica i os ao en a concilia a ida
académica com a p o issional e pessoal. Apesa de exis i em condições eó icas pa a apoia
abalhado es-es udan es, na p á ica, essas medidas não são e icazes. A p esença nas aulas é
essencial, mas as e amen as disponí eis, como apenas Powe Poin s, não subs i uem a
expe iência de es a p esen e, ob igando mui os a abdica de ho as de abalho e endimen o pa a
assis i às aulas. Além disso, a al a de empo é um p oblema cons an e, di icul ando a pa icipação
em a i idades ex acu icula es, como pales as ou despo o, e a ealização de abalhos
académicos.
A ges ão do empo é ainda mais complicada de ido à necessidade de equilib a es udos,
abalho e ida pessoal. Mui os abalhado es-es udan es sen em que êm de descuida uma á ea
pa a da a enção a ou a, como negligencia o abalho pa a se dedica aos es udos. “ enho
descu ado um bocadinho o meu abalho pa a consegui aze ace aos es udos.”1E02
32
“E o mais c ia ambém espaço. A é podíamos ou i “Aí, pode-se p a ica o despo o que
em o salão despo i o.” E empo e disponibilidade, po que es amos, es á em eduzido
espaço de empo. Temos an os abalhos. Depois emos que e aquele en iquecimen o
cu icula , de assis i a pales as e jo nadas. Que não, não há libe dade, digamos, pa a
consegui seque es a opo unidade de ap o ei a .” 1E05
Como e e ido pelos en e is ados mui os es udan es sen em uma o e p essão amilia e
social pa a escolhe cu sos adicionalmen e alo izados, como medicina, di ei o ou engenha ia,
mui as ezes sem e le i sob e suas eais mo i ações. Aos 18 anos, a ima u idade pa a oma
decisões ão impo an es é e iden e, e aqueles que op am po pa a pa a e le i são
equen emen e julgados po "pe de empo". Essa p essão é ag a ada pela compa ação com
colegas que já es ão a p og edi academicamen e.
A ansição pa a o ensino supe io é ma cada po us ações, especialmen e pa a alunos
que não conseguem en a na sua p imei a opção de cu so ou que en en am di iculdades de
adap ação. Es udan es que o am excelen es no ensino secundá io podem sen i -se desmo i ados
ao ecebe no as mais baixas na uni e sidade, o que é comum de ido às di e enças nos mé odos
de ensino e às no as esponsabilidades. Pa a es udan es in e nacionais, esse desa io é ainda
maio , pois en en am expec a i as ele adas e um ambien e académico desconhecido.
“A p o esso a es a a a ala sob e a p essão amilia , social e é mesmo isso que eu sen i
oi, eu acabei o 12º e eu ui pa a o p imei o ano de di ei o e pa a mim lá es á. Foi um ano
despe diçado po que oi algo que me oi p essionado pelo meu pai. Ele disse “Vai pa a
aqui, ens boas no as.” E lá es á uma pessoa é, em a p essão social de “Tens o 12º.
Ago a ens de i pa a o ensino supe io , ens de se alguém na ida.”, ou seja, é mui o a
p essão social do que se só i e es o 12º não dá pa a nada. Lá es á, é aquela do “Vais
pa a as caixas do Pingo Doce ou do con inen e.” É um abalho como ou o qualque . Se
uma pessoa gos a ai pa a isso, mas é o julgamen o social e amilia de “Tens de se
alguém na ida. Tens de e um cu so, ens de se dou o a” 1E07
33
“E en ão às ezes ambém à p essão, mas pode se um bocado idículo, mas, po
exemplo, os pais dos amigos ambém, po exemplo, “Aí, u se calha já sabes o que é que
que es, o ien a!” quando es amos ão pe didos ambém, que c endo que nós ajudemos
os ilhos quando nós es amos na mesma si uação ambém de es a em a aze p essão. É
po uma boa azão po que que em que os ilhos ambém se o ien em. Pá, mas às ezes
es amos a pô a nós ambém p essão pa a os ajuda quando nós ambém es amos
pe didos.” 1E06
Os es udan es do 1º ciclo en en am di e sos desa ios, incluindo p essão académica e
compe i i idade, que podem le a a si uações ex emas, como dep essão, especialmen e quando
assumem esponsabilidades excessi as em abalhos de g upo. A di iculdade em es abelece
elações de con iança com colegas ambém é um p oblema eco en e, impac ando nega i amen e
a execução de abalhos em g upo e a dinâmica académica.
Ou o desa io signi ica i o é a in eg ação social, que nem semp e é acili ada,
especialmen e pa a alunos que não pa icipam em a i idades como a p axe. A al a de in eg ação
pode di icul a a c iação de elações p óximas com colegas, a e ando o sen ido de pe ença e
colabo ação.
“Mas ambém conside o es a di iculdade no es abelecimen o de elações, sob e udo, nas
do p imei o ciclo nas miúdas que acompanho cá em casa, não é? Nes e consegui
es abelece elações e elações de con iança, o que depois se ma iza mui o na execução
dos abalhos do g upo, que é semp e um g ande p oblema.”1E01
“Aquela p essão de olha pa a o lado e as pessoas es a em a esc e e e u já esqueces e,
olhas pa a ou o lado a ou a pessoa es á a esc e e , ipo oda a gen e a aze o es e e
eu não. Aquilo acaba po se mais maçan e ainda.” 1E04
Além disso, em cu sos com u mas g andes, como engenha ias, a al a de apoio
indi idualizado po pa e dos p o esso es pode complica a esolução de dú idas, aumen ando a
sensação de desampa o e di iculdade de adap ação ao ensino supe io . “Mas nou os cu sos, se
calha engenha ias sim po que são mui os alunos, não dá pa a o p o esso es a a esponde a
odas as dú idas, é um bocado complicado.” 1E03
34
Um dos p incipais p oblemas mencionado pelos en e is ados oi a ques ão da ine iciência
bu oc á ica, como a demo a na emissão de documen os essenciais, como decla ações de
ma ícula, que podem le a a é um mês pa a ica em disponí eis. A comunicação ambém é um
pon o c í ico, com os e-mails a se em um meio pouco e icaz de ido à sob eca ga de in o mação.
Os es udan es êm di iculdade em il a mensagens impo an es, e os p o esso es, igualmen e
sob eca egados, demo am a esponde , o que ge a s ess, especialmen e em pe íodos de
a aliação. A logís ica e o con o o nas ins alações ambém são p oblemá icos, com ho á ios que
exigem longos aje os pa a aulas cu as, e cadei as e mesas descon o á eis que di icul am a
concen ação du an e aulas p olongadas. Esses a o es combinados con ibuem pa a um
ambien e académico desgas an e e pouco p opício ao ap endizado.
“Po exemplo, po exemplo, um audi ó io do edi ício 16, nós pa a es a com o compu ado .
O compu ado em de es a no colo. Se não emos de es a , eu não sei se é cadei a que
é mui o baixa. É mui o es anho, e as cadei as são mui o descon o á eis. Uma aula qua o
ho as, nós às ezes es amos odos assim com os compu ado es, po que senão não
conseguimos e mesmo aqueles audi ó ios que as cadei as êm um bocado de ecido pa a
se mais con o á el. Acaba po não se , po que as mesas não es ão ao ní el.” 1E06
“E con inuando, po exemplo, o nosso ho á io nós imos à e ça- ei a pa a e uma ho a
e meia de aula, mais ou menos, acaba po se um bocado cansa i o, po que azemos
odo um caminho pa a chega aqui, que às ezes demo a mais o aje o do que a aula em
si. Acabo po se mui o cansa i o e nem dá mui a on ade de i .” 1E09
Foi ambém mencionado ou ques ionada a e icácia dos sis emas de a aliação ado ados.
“Mas mesmo po exemplo, es a o ganização me i oc á ica, não é! De exigi pelo mé i o.
Acaba ambém, po exemplo, um aluno que em menos umas décimas e que em ocação
e gos a mui o de uma á ea e a impossibilidade de en a naquele cu so.” 1E05
35
3.4. Es a égias ace aos desa ios
As es a égias mencionadas pelos es udan es pa icipan es do ocus-g oup o am di idas em
adap a i as, mal adap a i as e insu icien es. Nas adap a i as oi mencionada a in e ajuda en e
colegas, os pa icipan es e e em a pa ilha de apon amen os, a ajuda mú ua na p epa ação pa a
es es e apoio a colegas com di iculdades, como alunos de E asmus com ba ei as linguís icas.
“eu na educação acho que emos es e in e ajuda e em a e ambém com a dinâmica da
p óp ia u ma. Se alguém al ou, não há. Há uma en eajuda em disponibiliza os
apon amen os, em ajuda pa a os es es. Temos aluna de E asmus, em nos jun a e i
pa a a biblio eca, en a explica an es do es e a ma é ia po causa da di iculdade
linguís ica da aluna ou da colega” 1E05
A p axe ambém con ibui pa a a c iação de laços o es en e os es udan es, p omo endo
in imidade e p oximidade a a és das a i idades ealizadas. “Eu acho que é o ac o das a i idades
que azem den o da p axe, eles êm que es a ão unidos que acabam po e mui a in imidade
uns com os ou os e icam p óximos…”
O impac o dos espaços ísicos na expe iência académica é ele an e, como no caso de es es
ealizados em salas di e en es das aulas, o que pode ge a descon o o e in e e i no desempenho
dos alunos.
“(...), mas na escola de Psicologia emos uma cadei a do p imei o semes e é gené ica
onde o es e não é ei o na sala, é ei o numa sala de es e na escola de Medicina. En ão
eu e os meus colegas sen imo-nos, pelo ac o de muda mos o ambien e de es e e aula,
in e e iu mui o. Po que imagina, eu es ou numa sala de aulas a e uma aula e logo em
seguida, ou e um es e numa sala de aula que é ela i amen e igual a essa. O con ex o,
o ambien e lemb a-me o es e, a sala lemb a um es e, o mé odo que o p o esso es á a
u iliza lemb a-me o mé odo que o ou o p o esso u iliza.” 1E04
Po ou o lado, a i idades como olun a iado e wo kshops o ganizados po associações
académicas são alo izados pelos es udan es, não só pelo impac o posi i o na comunidade, mas
ambém pelo bem-es a psicológico que p opo cionam. Essas inicia i as ajudam os alunos a
36
sen i em-se ú eis e a lida melho com o s ess académico, além de acili a a in eg ação e o
conhecimen o mú uo en e os es udan es.
“Po exemplo, o olun a iado de e e , eu nunca iz. Po acaso gos a a, mas acho que
aquela sa is ação de ajuda alguém a é a nós nos az sen i melho com nós p óp ios um
bocadinho. OK, se calha na uni e sidade hoje iz o es e, po exemplo, não co eu, mas
iz is o, já iz alguma coisa bem. Como sabe que posso, pode no meu u u o não i a
in luencia em nada, po que não iz, po exemplo, um es e, um abalho. Mas que mudei
alguma coisa no u u o de ou a pessoa já compensa um bocadinho, nem que seja só no
nosso psicológico de sen i , OK, ui ú il hoje.” 1E06
“Eu acho que os wo kshops que a associação académica e ambém as associações de
es udan es dos cu sos azem, são bas an e an ajosas. E ambém o acolhimen o aos
es udan es, que há semp e no início do p imei o semes e, ambém ajuda a que os
es udan es se conheçam um bocado, que al ez açam amigos que conheçam a
uni e sidade ambém e. Não sei, é isso (...) Se calha ajudam as pessoas a e uma noção
mais ealis a do que sen em e do es á a acon ece no momen o e, se calha , ajudam a
que essas pessoas que es ão a assis i à pales a possam ajuda ou as que, po exemplo,
es ejam a e um a aque de ansiedade ou de pânico ou assim.”1E03
As es a égias mal adap a i as, como a esignação e a in isibilidade do mal-es a , são comuns
en e es udan es que não pa icipam em a i idades como a p axe. Esses alunos mui as ezes
sen em-se excluídos, c iando uma di isão en e os que pa icipam na p axe e os que não
pa icipam. Quem es á o a da p axe pe cebe que os pa icipan es desen ol em laços mais o es
e uma maio in imidade en e si, o que pode in ensi ica o sen imen o de exclusão e ma ginalização
pa a os que op am po não pa icipa . Essa dinâmica pode con ibui pa a o isolamen o e a al a
de in eg ação social en e os es udan es. “(...), mas pa a quem não pa icipa há aquela di isão
en e os da p axe e os AP, os an i p axe.” 1E10 “(...), conhecem-se mui o melho (quem pa icipa
na p axe) do que nós que es amos o a da pele.” 1E09
As es a égias insu icien es e e em-se a medidas que não conseguem supe a e e i amen e
os desa ios académicos e pessoais dos es udan es. Po exemplo, a p axe, embo a p omo a a
37
in eg ação de alguns alunos, não é uma solução uni e sal, pois mui os não se iden i icam com o
mé odo ou o ambien e. Es udan es que não pa icipam na p axe sen em al a de al e na i as que
unam odos os alunos, independen emen e de ó ulos. A ausência de a i idades inclusi as e
al e na i as pode a e a nega i amen e o ambien e académico e a mo i ação pa a equen a as
aulas, deixando uma lacuna na in eg ação e no sen imen o de pe ença.
“Quem não es á na p axe, po exemplo, eu só andei uma semana. Eu não gos ei do
mé odo em si, não me iden i iquei. Mas é do géne o, se hou esse algo que não osse a
p axe, que é algo que já em um ó ulo, osse algo que nos unisse a odos, mesmo o
ambien e, mesmo a on ade de i pa a as aulas e a di e en e sim.” 1E07
3.5. Fa o es de isco e p o eção pa a a saúde men al e bem-es a
3.5.1. Fa o es de isco
Den o dos a o es que se conside am p opícios do desen ol imen o de pe u bações do
o o men al oi mencionado pelos pa icipan es a p essão amilia e social como a o de isco.
Desde a p essão pa a o ing esso imedia o pa a o ensino supe io após a inalização do ensino
secundá io, à escolha de um cu so conside ado socialmen e p es igian e, es a p essão é
conside ada p ejudicial pa a os es udan es do p imei o ciclo.
“En ão acaba ali po se uma sa u ação e en ão em que se da espos a e mui as ezes
op a se po um cu so, se calha nem se em nesse momen o p é io, não e e empo de
amadu ece a ideia de pe cebe o que é que se que ealmen e” 1E05
“eu alo do meu io oi o p imei o de 11 ilhos a i es uda pa a uni e sidade e pa a a
Uni e sidade do Minho, não é? Po an o, na década de 80, naquela al u a, ninguém lhe
pe gun a a se ele es a a bem ou não, po que oi o único da amília a e essa
opo unidade.”1E01
Vinculado a es a p essão, os pa icipan es mencionam a ques ão da ansição ab up a pa a
a ida adul a. Re e em que a passagem do ensino secundá io pa a o ensino uni e si á io é ei a
de o ma p ecipi ada sem um pe íodo de desen ol imen o das capacidades pa a lida com a no a
e apa que ão a a essa , sob e udo pa a os es udan es deslocados.
38
“A ní el de eg as e de alo es há uma mudança mui o g ande na sociedade. E o que é
que ai acon ece ? Pe de-se a noção, po exemplo do que é o espei o mesmo en e
colegas e docen es e ice- e sa e alunos, po an o. E há esse choque p ecisamen e que
ai condiciona imenso e pode despon a á ias si uações.” 1E05
Ademais as p á icas de in eg ação inadequadas, mencionadas pelos en e is ados, não
acili am a passagem pa a es a no a e apa da ida dos es udan es. Es a al a de in eg ação pode
le a ao isolamen o do es udan e p opiciando o desen ol imen o de pe u bações do o o men al.
“Mas da obse ação que enho ei o, (a p axe) seja do que cu so o o que é pau ado é
humilhação, é de es a ali, de na u aliza o insul o, de es a em de cabeça baixa, de olhos
endados, submissos ali. Seja de que cu so o , assim, acaba po se a união e a coesão
do g upo pelo ac o de sob e i ência, de e em de sob e i e basicamen e naquele
con ex o.” 1E05
Ou o a o mencionado pelos pa icipan es dos ocus-g oups como omen ado de
pe u bações do o o men al são os espaços da uni e sidade equen ados pelos es udan es. Os
pa icipan es mencionam as co es monoc omá icas dos edi ícios da uni e sidade, bem como as
salas de aula inadequadas e idên icas o que le a a uma mono onia desmo i an e pa a os
es udan es
“(...), eu es ou numa sala que é igual à sala de es e, eu es ou num ambien e com colegas
que ão aze o es e ambém aquilo acaba po me le a de uma o ma ou de ou a a um
pensamen o que é o es e e eu não consigo me oca nem no es e, po que ao pensa
demais acaba po esquece as ma é ias, con undi as ma é ias e não consigo nem es a
a en o aquela aula que al ez podia se uma aula mui o impo an e ambém.” 1E04
Um a o conside ado de isco pa a a saúde men al dos es udan es de p imei o ciclo é a
si uação socioeconómica dos es udan es. “Po que eu sei de alguns casos, não é, que são
abandono escola po insu iciência económica, não é? P on o” 1E01
39
“Condições económicas. É p opo ciona po que eu, Não é o meu caso, mas eu ejo alunos
que são deslocados e que mui as ezes o es o ço que se az pa a consegui paga um
alojamen o e p o a elmen e a esidência (...)Te algum, p o a elmen e, apoio que possa
uma pessoa espi a po que senão al ez a e os pais a e aquelas di iculdades ai
condiciona ambém, c ia ou as exp essões.” 1E05
Po im ambém oi mencionado nos ocus-g oups a ques ão da in e e ência de p oblemas
an e io es de saúde men al e baixa au oes ima como a o es pa a o desen ol imen o das
pe u bações do o o men al. Es udan es com sin omas de doenças do o o men al e com baixa
au oes ima êm mais p edisposição pa a desen ol e ais sin omas no con ex o uni e si á io.
“Mui as ezes penso eu, u o da sua baixa au oes ima, au ocon iança e c eio que esses são os
pa âme os que são essenciais começa mos a abalha .” 1E01
“imagino que alguém en a pa a a uni e sidade já com sin omas de dep essão e
p oblemas de saúde men al, acho que ai se mui o mais di ícil pa a essa pessoa se bem-
sucedida na uni e sidade e e melho es no as e passa a é, do que uma pessoa que en a
com menos p oblemas de saúde men al.” 1E03
3.5.2. Fa o es p o e o es
Os pa icipan es abo dam a impo ância da elação en e p o esso es e alunos e como isso
in luencia o desempenho e a mo i ação dos es udan es. A o ma como os p o esso es lidam com
a u ma, seja com maio disponibilidade e in e esse ou de manei a mais dis an e impac a
di e amen e os esul ados académicos ao inal do semes e ou ano. A compaixão e o
econhecimen o po pa e dos p o esso es são a o es mo i ado es.
Além disso, a in e ação in o mal an es das aulas, como con e sas e pe gun as sob e o bem-
es a dos alunos, c ia um ambien e mais p óximo. A al a desse ipo de con ac o pode le a a
julgamen os p ecipi ados sob e os p o esso es e diminui o in e esse dos alunos pelas aulas. Em
suma, a pos u a dos p o esso es, incluindo compaixão, econhecimen o e in e ação, é c ucial pa a
o sucesso e a mo i ação dos es udan es. “Sin o que é mui o o que a 1E04 es a a a dize que se
os docen es i e em compaixão uma pessoa já pa ece que em mo i ada pa a aulas” 1E06
40
“E algumas pala as de a i mações ambém de econhecimen o. Eu acho que o
econhecimen o indo de p o esso es, p incipalmen e ou indo de pessoas mais elhas,
pessoas com mais expe iência naquilo, é algo que deixa os alunos. Como po exemplo,
eu ago a a ní el pessoal, na úl ima semana eu ui pa a Cabo Ve de. Eu deixei as qua o
cadei as e eu iquei mui o mal. Ao ol a eu i e alguns p oblemas com a on ei a de lá
pe di ês semanas de aulas, pe di a úl ima semana do p imei o semes e, com oda
aquela ca ga emocional do lu o. Vol ei, pe di mais ês semanas do segundo semes e. Eu
pensei em anca e ol a pa a o ano. Cheguei na p imei a aula e o p o esso , eu nem
sabia que o p o esso sabia o meu nome. Eu pensei que ipo ele lemb a a po causa da
aula. Ele “Ó 1E04, sen i a ua al a. A u ma es a a di e en e sem i!”, en ão ipo, ele pode
a é e di o aquilo na b incadei a o quê? Mas oi, oi algo naquele momen o, aquele que
eu pensa a an o em desis i e só pelo ac o de ele me dize que aquela simples ase.”
1E04
A impo ância da comp eensão e apoio mú uo en e colegas pa a um ambien e académico
saudá el oi ambém mencionado pelos pa icipan es como um a o p o e o do desen ol imen o
de p oblemas de saúde men al. A al a de empa ia pode p ejudica a dinâmica do g upo, enquan o
a comp eensão acili a a colabo ação e o sucesso cole i o. Isso é especialmen e ele an e em
con ex os onde a compe i i idade, como a necessidade de al as médias pa a ing essa em
mes ados, pode c ia ensões e a compe i i idade en e os es udan es.
Além do mais, a p essão ge ada pela exigência de mes ados pa a exe ce ce as p o issões,
como a psicologia, pode p ejudica a coope ação en e os es udan es. No en an o, quando há
amizade e apoio genuíno, os colegas endem a coope a en e si, suge indo pausas ou es a égias
pa a melho a o desempenho, p omo endo um ambien e mais colabo a i o .“(...) ambém penso
que se os colegas o em comp eensi os uns com os ou os, po que às ezes não ha e
comp eensão ambém não ajuda, se hou e comp eensão en e colegas.” 1E07 “(...) se o em
amigos mesmo ão acaba po en ende ou po “Olha, i a um empo, pensa, analisa i a esse ano
pa a, es uda ê aquilo, não sei quê...” 1E04
Po im oi ambém mencionado o impac o de p á icas de in eg ação e icazes no
desen ol imen o de uma boa saúde men al.
47
sob e o plano cu icula , mas não há um en oque adequado sob e os desa ios emocionais e
p á icos que en en a ão. Suge e-se a dis ibuição de ma e iais in o ma i os, como mapas da
uni e sidade, ho á ios e con a os, no início do ano le i o pa a acili a a adap ação.
Além disso, os pa icipan es apon am que a uni e sidade já dispõe de ecu sos aliosos, como
núcleos despo i os, g upos cul u ais e p oje os es udan is, mas esses não são su icien emen e
di ulgados. A al a de comunicação az com que mui os es udan es não saibam da exis ência
desses ecu sos ou não os u ilizem. P opõe-se um mapeamen o dos se iços e a i idades
disponí eis pa a e i a a c iação de no os ecu sos sem an es o imiza os já exis en es.
Pa a melho a a isibilidade, são suge idas es a égias de di ulgação p esencial e digi al.
Pon os es a égicos, como can inas e á eas de g ande ci culação, são ideais pa a a colocação de
ca azes e lye s. As edes sociais (Facebook, Ins ag am) e pla a o mas uni e si á ias, como a
Blackboa d, ambém são apon adas como e amen as essenciais pa a a di ulgação, dada a sua
ampla u ilização pelos es udan es.
Po im, os pa icipan es en a izam que, sem di ulgação a i a, os es udan es não p ocu am
os se iços po desconhecimen o. A publicidade é is a como um meio e icaz pa a chama a
a enção, seja a a és de anúncios online ou de ma e iais ísicos. A implemen ação de uma
es a égia in eg ada de comunicação é undamen al pa a ga an i que os es udan es enham
conhecimen o e acesso aos se iços, con ibuindo pa a uma expe iência uni e si á ia mais posi i a
e equilib ada.
“(...) as ideias que êm cá na uni e sidade são boas, o núcleo despo o é bom, só que não
é alado, exa amen e isso. Os núcleos cul u ais são bons, só que não são alados, há
ou as coisas com ce eza ou há ou os g upos. Aqui, ou os g upos de es udan es que
êm p oje os ou em p opos as boas, mas não são ou idas, en ão acho que se ia mesmo
aze um mapeamen o daquilo que emos na uni e sidade, po que não se p ecisa
c ia ”1E04
“Eu penso que se não hou e di ulgação, as pessoas não p ocu am. Acho que é um
bocadinho isso. Que é hoje em dia é as ecnologias, é o Facebook, é o Ins ag am, ou seja,
48
apa ece mui a publicidade. En ão, se não o di ulgado, às ezes a é um simples papel,
se não o di ulgada as pessoas não sabem. Nem p ocu am sabe .” 1E07
Os es udan es suge em ainda a implemen ação de a i idades p omo o as da saúde men al,
como yoga e/ou medi ação. A i idades que se insi am den o das disciplinas pa a momen os de
descanso e de saída do con ex o sala de aula. Alguns suge em a u ilização dos espaços e des da
Uni e sidade pa a a ealização des as a i idades.
“É exigen e ês, qua o ho as, p o a elmen e aze um in e alo e a uni e sidade ia
p omo e meia ho a de uma aula no espaço e de de elaxamen o ali ou de uma dança.
P o a elmen e no segundo empo da aula já se ai com ou a a enção, com ou o. En ão
aze es e b eak e a uni e sidade podia p omo e es e p og ama no meio da manhã, no
meio da a de.” 1E05
“Uma p opos a que eu p opunha e a pa a inclui na ca ga ho á ia esses 20, 30 minu os
de medi ação ou a i idades que sejam pa a p omo e a saúde men al e o bem-es a , ou
seja, já es a incluído no ho á io e meio que se ob iga ó io as pessoas i em, assim, “Vais
e acabou”.” 1E07
“Mas na p imei a semana na uni e sidade i e am algumas a i idades ali pe o da el a e
conhece am se uns aos ou os e eu acho que isso pode ia se mais. Pode iam se apos as
que não se aziam somen e no p imei o ano, no p imei o semes e. Ao longo do empo
como po exemplo, as semanas cien í ico-pedagógicas” 1E04
Os pa icipan es e ela am uma insa is ação gene alizada com o con o o e a mono onia dos
espaços de aula, especialmen e em audi ó ios. Os es udan es des acam que as cadei as são
descon o á eis e as mesas mal posicionadas, o que di icul a o uso de compu ado es e o na as
aulas longas (como as de qua o ho as) cansa i as e pouco p odu i as. Além disso, os audi ó ios
são c i icados po p oblemas de clima ização, com a -condicionado que deixa os alunos com calo
no e ão e io no in e no, p ejudicando a concen ação.
49
“É mui o igual. Sim e às ezes ambém descon o á el, po exemplo, audi ó ios. Po
exemplo, po exemplo, um audi ó io do edi ício 16, nós pa a es a com o compu ado . O
compu ado em de es a no colo. Se não emos de es a , eu não sei se é cadei a que é
mui o baixa. É mui o es anho, e as cadei as são mui o descon o á eis. Uma aula qua o
ho as, nós às ezes es amos odos assim com os compu ado es, po que senão não
conseguimos e mesmo aqueles audi ó ios que as cadei as êm um bocado de ecido pa a
se mais con o á el. Acaba po não se , po que as mesas não es ão ao ní el.” 1E06
Como al e na i a, os pa icipan es suge em a u ilização de espaços e des e á eas ex e nas
pa a di e si ica o ambien e de ap endizagem. P opõem que aulas p á icas, que en ol em
pesquisa e abalho em g upo, sejam ealizadas em á eas abe as, como el ados, onde os
es udan es podem se o ganiza em pequenos g upos enquan o o p o esso ci cula pa a o ien a .
A mudança de cená io é is a como uma o ma de aumen a o in e esse e o ânimo dos alunos,
especialmen e em pe íodos mais desgas an es, como a semana de es es.
“E do que omos de p opos as que omos dizendo de espaços e des ou nou a sala. Faze
a i idades di e en es é o aze uma coisa no a, uma coisa di e en e já dá ânimo, já a é dá
mais in e esse, es a p esen e e amos ap ende alguma coisa di e en e. Vamos descob i
ou as coisas.” 1E07
“(...), mas as aulas p á icas que no malmen e é pesquisa , pensa , esc e e , pode se
ei o na ua, não p ecisa se e odas as aulas. Lá nós emos aulas no CP1, logo ao lado
do CP1 em aquela el a, imagina sen a o g upinho, g upinho, g upinho, g upinho po que
a aula p á ica é di idida em g upos, os g upos ão azendo o abalho e o p o esso ai
passando e explicando, “Olha, amos i a aula. A aula da p óxima semana se á na el a.”
Acho que é exa amen e isso, só pelo ac o de muda o cená io já muda mui o,
p incipalmen e na semana de es es.” 1E04
Além disso, há uma demanda po melho ias nos espaços e des exis en es, como a
ins alação de mesas, cadei as e bancos em á eas com el a, c iando ambien es mais ag adá eis
pa a aulas, con e sas ou momen os de descon ação du an e o ho á io de almoço. Esses espaços
são is os como p omo o es de paz e anquilidade, con as ando com a a mos e a claus o óbica
50
dos audi ó ios. A al a de manu enção de algumas á eas e des ambém é c i icada, com exemplos
de locais abandonados que pode iam se mais bem ap o ei ados.
Po im, os es udan es des acam a necessidade de aze mais co e ida pa a o ambien e
uni e si á io, que é desc i o como excessi amen e "b anco" e monó ono. A in odução de
elemen os isuais mais ib an es e a alo ização de espaços na u ais são apon adas como o mas
de o na a uni e sidade mais acolhedo a e inspi ado a, p omo endo o bem-es a e a c ia i idade
dos alunos. “Co , p ecisa de co . (a Uni e sidade)” 1E07
Ainda ela i amen e aos espaços oi ecomendado a colocação de música ambien e nos
espaços de con í io e es udo.
“Po exemplo, a ní el das can inas, po exemplo, às ezes ou ba es assim, po exemplo,
e música ambien e. Po exemplo, calma po que às ezes es amos an o empo odo
jun os que às ezes só que emos es a sen ados, nem que seja só olha uns pa a os ou os
e com música, às ezes ajuda a descomp imi um bocadinho só es a ali. Mas não se
música aos be os.” 1E06
Ou o pon o abo dado e ecomendo pelos en e is ados oi a edução da bu oc acia nos
se iços académicos.
“...que diminuísse a bu oc a ização ambém dos p ocessos, não é? Que dize , quando
necessi a de um documen o, esse documen o de e es a disponí el no minu o ze o, não
é, no passado 1 mês, não é, po que is o di icul a mesmo mui o.” 1E01
Os es udan es en a iza am a impo ância de disponibiliza apoio psicológico sem cus os,
conside ando-o undamen al pa a o bem-es a académico e emocional. A ausência desse se iço
acessí el pode di icul a o supo e adequado pa a os alunos que dele necessi am. “Eu acho que
a uni e sidade de e ia e apoio psicológico g a ui o pa a os alunos que não em e acho que é
undamen al.” 1E05
51
Pa a além disso, os mesmos mencionam que o acesso ao apoio psicológico es á concen ado
em Gual a , o que ep esen a uma di iculdade pa a es udan es de ou os polos, como o de Música
(Cong egados) e Tea o (Guima ães). Foi suge ida a descen alização dos se iços, ga an indo um
psicólogo em cada campus pa a acili a o acesso.
“Se calha como eu es ou a es uda música ambém nos cong egados, lá não em nenhum
psicólogo de se iço nem nada. En ão, se alguém quise e uma consul a ou assim, em
que i a Gual a . En ão eu di ia pa a pô se calha um psicólogo lá a abalha pa a se
mais ácil. Se calha ambém no Polo de ea o em Guima ães, po que de e se pa ecido.”
1E03
Uma al e na i a mencionada se ia a c iação de um espaço de pa ilha e aconselhamen o
in o mal, onde es udan es de psicologia do e cei o ano pode iam o e ece apoio aos alunos mais
no os. Essa inicia i a p omo e ia o olun a iado e acili a ia a oca de expe iências, sem subs i ui
um a endimen o p o issional, mas se indo como um p imei o pon o de escu a e o ien ação.
“Eu acho que é uma boa ideia. O que é que a IE05 já disse, p incipalmen e pelos
es udan es de psicologia do e cei o ano mui as ezes p ecisam de uma ideia daquilo que
ão encon a pa a a en e. (...), Mas uma eunião, uma sala, imagina, que c iámos a
sala 3.8, é uma sala onde es udan es do e cei o ano podem i , ipo, u azes olun a iado.
Já e a uma p omoção ao olun a iado, u azes olun a iado, icas uma ez po semana
du an e uma ho a. Naquela ho a o que é que ais aze ? Vais es a lá, se um es udan e,
p incipalmen e do p imei o e do segundo ano p ecisa não digo de apoio emocional, mas
p ecisa com quem ala pa a desaba a ou pa a “Olha, es ou a passa po isso e aquilo
em elação às cadei as.” e que o es udan e que já es á aqui há mais empo “Calma, eu
ambém passei, ou e da algumas dicas, ou- e.”, ou seja, não é uma consul a em si,
mas uns minu inhos de con e sa pa a mos a que ou as pessoas ambém já passa am
po aquilo e pa a “Olha, eu passei, eu iz isso.” 1E04
Os pa icipan es dos ocus-g oups des aca am a impo ância da alo ização dos docen es e
do seu en ol imen o mais p óximo no supo e aos es udan es. P imei amen e a al a de
con a ação de p o esso es sob eca ega os docen es a uais, a e ando a qualidade do ensino e a
52
elação com os alunos. A p essão de lida com múl iplas esponsabilidades pode comp ome e a
dinâmica das aulas e eduzi a disponibilidade dos p o esso es pa a apoia os es udan es.
Melho a as condições de abalho dos docen es con ibui ia pa a um ambien e de ensino mais
equilib ado e acolhedo .
“Valo ização dos docen es. A con a ação que az al a, não é? Po que isso ambém ai
c ia uma p essão sob e os docen es, não é? Há al a de pessoal e depois a p óp ia ai
condiciona a p óp ia dinâmica. Hoje o p o esso al ou po que inha que apaga dois ogos
em dois sí ios di e en es, não é? Ou se i e uma baixa médica de um docen e, en ão nisso
ambém acho que o assun o ulc al depois e ou os apoios(...)O docen e es á não endo
que da espos a a an os con ex os, que um se humano ambém, ele ai chega à aula
com ou a p edisposição con a. En ão ai cap a mais a enção dos alunos, p o a elmen e
aquele aluno que es á lá e aído na sala de aula, ele ai e ou o empo a é pa a
disponibiliza e sen i acolhido ambém e no sen i um ambien e de áb ica, ab il” 1E05
Foi suge ida a implemen ação de u o ias pa a o e ece supo e académico e emocional aos
alunos. Além disso, a capaci ação dos docen es pa a econhece sinais de di iculdades emocionais
e de saúde men al nos es udan es oi apon ada como essencial. Um acompanhamen o mais
a en o pode ia acili a in e enções p ecoces e o alece o ínculo en e p o esso es e alunos.
“Não sei de que manei a é que os p o esso es aí pode iam es a mais p óximos ou se pode ia
ha e umas u o ias. Se exis e ou se não exis e, não sei, umas u o ias pa a es es casos pa a
apoia , não é?”1E01
“Acho que há necessidade nos docen es, ambém capaci á-los pa a sinais. (...)Em
con ex o de odo o g upo e e a sensibilidade, p o a elmen e ao capaci á-los pa a al,
po que pode não se po maldade, mas endo em con a os inqué i os que se ê an a
saúde men al, não é dos jo ens p o a elmen e es a em mais a en os a sinais” 1E05
Concluindo, es a análise pe mi iu uma comp eensão ap o undada dos desa ios en en ados
pelos es udan es da Uni e sidade do Minho, bem como a iden i icação de es a égias e
ecomendações pa a melho a o bem-es a académico e a saúde men al no ambien e
uni e si á io.
53
Capí ulo IV - Discussão de esul ados
Os esul ados des a in es igação o nece am uma isão ap o undada sob e os a o es que
in luenciam a saúde men al dos es udan es do p imei o ciclo da Uni e sidade do Minho. A análise
dos ocus-g oups e elou que os es udan es en en am múl iplos desa ios que impac am o seu
bem-es a psicológico, bem como a o es de p o eção que podem mi iga esses e ei os nega i os.
4.1. Fa o es de isco e a o es p o e o es
Os pa icipan es ela a am que a ansição do ensino secundá io pa a o ensino supe io é
ab up a e mui as ezes oco e sem o supo e necessá io, o que pode esul a em di iculdades de
adap ação. Es es ela os es ão alinhados com es udos an e io es (Bakken, 2019; Du y e al.,
2020), que demons am que a en ada na uni e sidade é um pe íodo c í ico, ma cado po desa ios
emocionais e académicos que podem con ibui pa a sin omas de ansiedade e dep essão.
Ou o a o ele an e iden i icado oi a p essão social e amilia , especialmen e na escolha do
cu so uni e si á io. Mui os dos pa icipan es dos ocus-g oups ela a am sen i -se o çados a
ing essa no ensino supe io sem ma u idade su icien e pa a oma decisões in o madas, o que
pode ge a us ação e desmo i ação. Es es esul ados co obo am a li e a u a sob e a emá ica
que associa expec a i as ele adas e a necessidade de co esponde a pad ões amilia es e sociais
como p edi o es de so imen o psicológico en e es udan es do ensino supe io (Sil a, Taliscas &
Pai a, 2024).
Além disso, a p eca iedade socioeconómica eme giu como um elemen o cen al na
expe iência dos es udan es. A di iculdade inancei a, associada ao cus o de ida e à necessidade
de concilia abalho e es udos, oi mencionada como um a o que amplia o s ess e pode le a
ao abandono do cu so. Es as in o mações são consis en es com in es igações que demons am
que a ins abilidade inancei a impac a nega i amen e a saúde men al dos es udan es
uni e si á ios, aumen ando o isco de ans o nos do o o men al (Ben o e al., 2021).
Po ou o lado, o am iden i icados a o es que p omo em uma melho adap ação ao ensino
supe io . Den o dos a o es iden i icados pelos pa icipan es des aca-se o supo e social en e
colegas. A en eajuda na pa ilha de ma e iais de es udo e a c iação de edes de apoio den o da
uni e sidade o am apon adas como es a égias e icazes pa a lida com os desa ios académicos.
54
Es es achados são sus en ados pela eo ia ecológica de B on enb enne , que en a iza o papel do
ambien e social na p omoção do bem-es a dos indi íduos.
Ou o aspe o iden i icado como p o e o oi o en ol imen o em a i idades ex acu icula es,
como olun a iado, despo o e g upos académicos. A li e a u a apon a que es udan es que
pa icipam a i amen e em e en os uni e si á ios ap esen am meno es ní eis de s ess e maio
sa is ação com a expe iência académica (Liu e al., 2022). Con udo, os esul ados indicam que a
al a de di ulgação desses se iços limi a a sua u ilização pelos alunos, o que suge e a necessidade
de es a égias ins i ucionais pa a melho a a comunicação sob e essas opo unidades.
Além disso, o elacionamen o en e p o esso es e alunos mos ou-se um a o signi ica i o no
bem-es a dos es udan es. A disponibilidade dos docen es, bem como o econhecimen o e a
empa ia demons ados em sala de aula, o am desc i os como elemen os que aumen am a
mo i ação e eduzem a sensação de isolamen o. Is o e o ça a impo ância de p á icas
pedagógicas inclusi as e de um ambien e académico acolhedo , con o me de endido po Ross &
Ross (2023).
4.2. Pe ceções sob e a Saúde Men al dos es udan es do 1º ciclo na UMinho
Os dados e ela am uma no malização do so imen o emocional en e os es udan es, onde
exp essões como "ninguém anda bem na uni e sidade" o am eco en es. Essa banalização do
mal-es a pode di icul a a p ocu a po ajuda e e o ça o es igma em o no da saúde men al, um
enómeno amplamen e documen ado em es udos sob e bem-es a uni e si á io (B yn & Eeke ,
2023).
Além disso, e i icou-se uma co elação en e saúde men al e sucesso académico, sendo que
es udan es que ap esen am melho equilíb io emocional endem a ob e melho es desempenhos.
Isso suge e a necessidade de in e enções ins i ucionais que p omo am o bem-es a psicológico
como uma es a égia pa a aumen a a e enção e o sucesso dos alunos no ensino supe io .
Obse ando de o ma ge al odos os dados ecolhidos e odos os es udos an e io es
dep eende-se que os desa ios en en ados pelos es udan es do 1º ciclo na Uni e sidade do Minho
são in luenciados po múl iplos a o es in e ligados, con o me explicado pela eo ia da
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in e seccionalidade de Kimbe lé C enshaw. Es udan es in e nacionais ela a am di iculdades
linguís icas e cul u ais, além da al a de p ocessos e icazes de acolhimen o, o nando a adap ação
mais complexa pa a aqueles que ambém en en am ba ei as socioeconómicas. Além disso, a
p essão amilia e social pa a o sucesso académico a e a de manei a desigual os es udan es,
especialmen e os de con ex os mais ulne á eis, que mui as ezes p ecisam concilia es udos e
abalho, aumen ando a sob eca ga emocional.
A saúde men al ambém se des aca como um pon o c í ico, sendo in luenciada po a o es
como géne o, classe social e s a us mig a ó io. Alguns es udan es en en am ba ei as cul u ais e
inancei as no acesso ao apoio psicológico, di icul ando a p ocu a de ajuda p o issional. A
sob eca ga dos docen es ag a a a si uação, pois a al a de acompanhamen o pe sonalizado a e a
mais in ensamen e aqueles que já possuem di iculdades adicionais, c iando um ciclo de
desigualdade no ambien e uni e si á io.
A in e seccionalidade pe mi e comp eende que esses desa ios não são isolados, mas
es u u ais, e que di e en es o mas de desigualdade se c uzam, in ensi icando ulne abilidades.
Pa a mi iga essas di iculdades, é essencial que a uni e sidade implemen e polí icas de apoio
di ecionadas a g upos especí icos, amplie a o e a de supo e psicológico e e o ce es a égias
ins i ucionais que conside em as múl iplas camadas de expe iência dos es udan es.
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Capí ulo V - Conclusão
Os esul ados des a in es igação des acam a complexidade dos a o es que in luenciam a
saúde men al dos es udan es uni e si á ios. Pa a além disso o es udo o nece e idências obus as
de que odos os obje i os o am abo dados na in es igação. A me odologia u ilizada pe mi iu uma
comp eensão de alhada dos desa ios e es a égias dos es udan es, bem como das possí eis
melho ias pa a o ambien e uni e si á io. Se, po um lado, o ensino supe io p opo ciona um
ambien e en iquecedo e de c escimen o pessoal, po ou o, ap esen a desa ios que podem
comp ome e o bem-es a psicológico dos alunos. A in es igação ealizada e idenciou que es e
equilíb io en e opo unidades e desa ios é p o undamen e in luenciado po a o es sociais,
económicos e cul u ais. A ansição pa a o ensino supe io implica não apenas um no o modelo
de ap endizagem, mas ambém uma adap ação a uma ealidade académica e social que pode se
exigen e e deses abilizado a.
En e os p incipais a o es de isco iden i icados encon am-se a p essão académica, as
di iculdades inancei as, o a as amen o do ambien e amilia e a compe i i idade excessi a, que
podem in ensi ica sin omas de ansiedade, dep essão e bu nou . Além disso, a insu iciência de
edes de apoio e a al a de in eg ação no meio uni e si á io su gem como elemen os que ag a am
a ulne abilidade psicológica dos es udan es. Po ou o lado, a o es p o e o es, como o supo e
amilia e ins i ucional, a exis ência de espaços de con í io e o acesso a se iços de apoio
psicológico, demons a am e um papel de e minan e na p omoção do bem-es a men al.
Do pon o de is a sociológico, é c ucial comp eende que a saúde men al dos es udan es não
se es inge a uma dimensão indi idual, mas é moldada pelas es u u as sociais e ins i ucionais
que egulam a expe iência uni e si á ia. Assim, a implemen ação de medidas ins i ucionais que
o aleçam edes de apoio, p omo am espaços de in eg ação e melho em a comunicação sob e
ecu sos disponí eis pode se um passo undamen al pa a c ia um ambien e académico mais
saudá el e inclusi o. Suges ões de melho ias nas polí icas e p á icas ins i ucionais, como a
ampliação dos se iços de apoio psicológico, a alo ização dos docen es e a c iação de es a égias
pa a melho a a in eg ação dos es udan es. Além disso uma maio di ulgação dos se iços
disponí eis, o alecimen o de u o ias e incen i o à pa icipação es udan il em inicia i as de apoio
mú uo ap esen a-se como ex emamen e necessá ia.