Inteligência Artificial Generativa e (re)configuração do conhecimento científico: Entre o potencial tecnológico e a literacia crítica
Abstract
[Excerto] Nos últimos dois anos, os avanços e a popularização da Inteligência Artificial (IA), em particular da IA generativa, têm reconfigurado de forma rápida e disruptiva o ecossistema da produção e circulação do conhecimento científico. Se nas últimas décadas assistimos a uma progressiva sofisticação das ferramentas de apoio à investigação, facilitando tarefas como a pesquisa, organização e divulgação da informação, o que hoje está em causa vai muito além de uma melhoria técnica incremental. Estamos perante uma mudança estrutural na forma como se concebe, se acede e se valida o conhecimento. Esta transformação é particularmente relevante para o campo da Educação, onde a reflexão sobre os processos de construção do saber, a mediação pedagógica e a autoria têm centralidade epistemológica e ética. A IA generativa não pode, por conseguinte, ser encarada apenas como mais um recurso tecnológico a ser instrumentalizado; ela impõe-se como um agente transformador que interpela e, no limite, desestabiliza, os modos tradicionais de produção científica. [...]