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Nkisi Soccer Dual Game e a conquista do império

Author: Sarmento, João Carlos Vicente
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/e7ea42fa-82da-41cf-8a4c-4704dd19f9b1/download
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Figu a 1. G i o de Libe dade. Não amos esquece o Tempo
que passou (Lí io de Mo ais, 2023)
Figu a 2. Nkisi Socce Dual Game (Hilai e Blue Huyangiko,
2019)
Figu a 3. An ocean be ween us, (Mónica de Mi anda, 2013); Ho el Globo (Mónica de Mi anda, 2016) e Casa Po uguesa
(Mónica de Mi anda, 2020)
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NKISI SOCCER DUAL GAME E A
CONQUISTA DO IMPÉRIO
Po es es dias, a ob a que nos saúda no á io do Museu Nacional de E nologia em Lisboa, logo no R/C, é uma escul u a
em má mo e b anco, de 2023, do pin o , escul o , ensaís a e in es igado moçambicano Lí io de Mo ais (1945-).
In i ulada
G i o de Libe dade. Não amos esquece o Tempo que passou
( í ulo com inspi ação numa das mais amosas
canções e olucioná ias de Moçambique), es a ob a dá o mo e pa a a exposição que amos encon a no 1º piso
(Fig.1). C iado em 1965, o en ão Museu de E nologia do Ul ama , e hoje Museu Nacional de E nologia, esul ou em
mui o da a i idade do an opólogo Jo ge Dias e da sua equipa de colabo ado es, mais conc e amen e de uma
campanha a Moçambique, desen ol ida no seio da Missão de Es udos das Mino ias É nicas do Ul ama (1958-1961).
Sal ando a exposição pe manen e
O Museu, mui as coisas
, subi apidamen e as escadas em di eção à exposição
empo á ia
Descons ui o Colonialismo, Descoloniza o Imaginá io. O Colonialismo em Á ica: Mi os e Realidades
.
O ganizada pelo Cen o de Es udos Sob e Á ica e Desen ol imen o (CESA/ISEG-Uni e sidade de Lisboa) e pelo Museu
Nacional de E nologia, a exposição é comissa iada pela his o iado a Isabel Cas o Hen iques, e ealiza-se no âmbi o
das comemo ações dos 50 anos do 25 de Ab il.
O cen o da exposição (e do Museu Nacional de E nologia) é a escul u a
Nkisi Socce Dual Game
(2019), do a is a
congolês Hilai e Blue Huyangiko. Es a ob a de a e combina elemen os da cul u a ances al congolesa (Nkisi enquan o
sag ado ou di ino) com e e enciais da cul u a popula con empo ânea a o-global. Reap op ia-se de símbolos,
conce a hib idez, deses abiliza iden idade. Com uma bola de u ebol e es ida de eclas de compu ado po cabeça,
com um co po de madei a cheio de p egos (em que ge almen e cada um signi ica um con li o, uma dispu a, um
di ó cio, e c.), e um api o de á bi o azul com insc ição das Nações Unidas, a escul u a em a seu lado, na base, a
cabeça que já não é (Fig.2). Há um ex o explica i o da peça e, depois da escul u a de Lí io de Mo ais, é eliz es a
escolha pa a o cen o do mundo.
Pa indo des e núcleo, a exposição desen ol e-se em se e eixos (ou seis mi os e uma p omessa), que compõem os
á ios pe cu sos dos mi os undado es do impé io. Es es pe cu sos, odos i adiando da ob a de Huyangiko,
cons oem-se com peças do ace o do Museu Nacional de E nologia e com ma e iais g á icos, que p e endem
con ibui pa a a descons ução de imaginá ios do colonialismo po uguês: “I – Es amos em Á ica há 500 anos”; “II –
Missão Ci ilizado a e P og esso”; “III – Vocação Colonial e Missão His ó ica”; “IV – Os Ou os (Sel agens) e Nós
(Ci ilizados)”; “V – A Á ica Po uguesa”; “VI – A G andeza da Nação e a Lu a A mada”; e “VII – Descolonização,
Independências e Legados do Colonialismo”. A abo dagem des es emas nes e museu em conc e o é impo an e, mas
a na egação a a és des es eixos, a na egação ísica, é di ícil, po ezes con usa. Po um lado, o espaço e ela-se
cla amen e exíguo pa a a quan idade dos ma e iais expos os e pa a a dimensão dos ma e iais g á icos. Po ou o lado,
ques iono-me se os isi an es (e a di e sidade aqui é mui o g ande), po mui o in e essados que es ejam nes es
assun os, leem es a quan idade de ex o, a en am aos ilmes p oje ados nas pa edes, e se de êm no ace o expos o
em i ines. Ainda assim, sem g andes no idades pa a os mais in o mados, há c i é io nos ma e iais g á icos
escolhidos, equilíb io e qualidade nas análises ex uais, e é com p aze que se pe co e a en a i a de deses abilização
dos mi os undado es da nação.
Mas nes es pe cu sos, encon o dois p oblemas maio es. Po um lado, a a iculação des es pe cu sos de
descolonização com as peças museológicas ica po aze , e mui as des as, sem con ex ualização su icien e, con inuam
a se obje os exó icos, belos, de consumo. Se
Nkisi Socce Dual Game
é explicada, bem como, num dos ex emos da
exposição, a cane a com que E nes o Melo An unes assinou o aco do do Al o , no Alga e, em 1975, en e o go e no
po uguês e o MPLA, o FNLA e a UNITA, as ou as peças acompanham/embelezam silenciosamen e os á ios
pe cu sos. Reg esso b e emen e a uma análise da exposição pe manen e
O Museu, mui as coisas
, e ejo aços
comuns. A exposição pe manen e é es á ica, não es imulando qualque ipo de pensamen o c í ico ou diálogos com
passados ou u u os, es ando os obje os anco ados na sua p óp ia es é ica (Sa men o & Moisés, 2020). Con inuam lá,
ixos, silenciosos, e sem agência, e é p eciso aco dá-los.
Po ou o lado, o úl imo ema – “VII – Descolonização, Independências e Legados do Colonialismo” – me ecia um
a amen o mais ala gado. É aqui, julgo eu, que es á o ce ne da ques ão e na qual de e ia es a o ulc o da exposição,
al como as escul u as
G i o de Libe dade
e
Nkisi Socce Dual Game
inham p ome ido. Tendo po sub emas o p ocesso
de descolonização, os mo imen os de libe ação nacional, as no as independências e os “ e o nados”, discu e-se
pouco a p e alência da negação do acismo em Po ugal. Es e inal da exposição oca em á ios emas
con empo âneos cha e, como os bai os pe i é icos das á eas me opoli anas, a disc iminação social e acial, a
ausência de espaços públicos de memó ia que comba am os silêncios do pós-colonialismo po uguês. Mencionam-se e
mos am-se b e emen e á ios p oje os in e essan es, dos quais des aco aqui apenas alguns, po al a de espaço. O
p imei o é a ins alação o og á ica que o a is a Angolano Kiluanji Kia Henda ez em 2006, c iando um mo imen o de
a icanos no Pad ão dos Descob imen os dissonan e dos he óis de ped a que lá es ão, suge indo a chegada à
me ópole, e não a pa ida, de um conjun o di e so de a qui os, memó ias e expe iências. O segundo, do mesmo
au o , é uma imagem do p oje o
Plan ação: Pesadelo e P ospe idade
. Es e memo ial de homenagem às pessoas
esc a izadas, cons i uído po cen enas de canas-de-açúca em alumínio, esul a de uma p opos a encedo a ei a pela
Djass, Associação de A odescenden es, no âmbi o do O çamen o Pa icipa i o de Lisboa em 2017. Sin oma icamen e,
passados ce ca de se e anos, ainda hoje se discu e pelos co edo es da bu oc acia o luga do memo ial bem como os
pa ece es necessá ios pa a a sua ins alação.
A exposição inclui ainda pa e de dois abalhos o og á icos da a is a isual luso angolana Mónica de Mi anda (
An
ocean be ween us
, 2013 e
Ho el Globo
, 2016), complemen ados com uma escul u a de madei a da mesma au o a (
Casa
Po uguesa,
2020). É um ema e com pouco enquad amen o e algo ap essado nes e inal de exposição. O abalho
o og á ico
Ho el Globo
, po exemplo, oca-se num edi ício de Luanda, eme endo-nos pa a a a qui e u a mode nis a
no ul ama , pa a as memó ias coloniais e o seu en ec uza com o p esen e. Explo a a ap op iação do edi ício e ec ia
iccionalmen e agmen os das i ências con empo âneas dos no os hóspedes, na sua esis ência à especulação
imobiliá ia e inancei a em Luanda. Já o abalho
An ocean be ween us
, que é ambém um ilme, é uma explo ação
emocional de uma en idade que sepa a Po ugal das suas an igas colónias, um espaço limina que esconde séculos de
e o e de que engoliu an as idas a icanas pa a o anonima o. As maque es de
Casa Po uguesa
su gem quase como
deco a i as, e não se pe cebe que o am execu adas pos e io men e a um abalho de documen ação o og á ica e de
uma peça de ídeo (2016, 4’3’’), que p e endeu ques iona o di ei o à habi ação, o di ei o a cons ui e i e numa casa.
As coleções dos museus e as exposições, são um pon o de pa ida impo an e pa a a discussão sob e no as o mas de
p odução de conhecimen o global (Mulle & Langill, 2021), e sob e o p ocesso de econhece os desequilíb ios
his ó icos de pode que con inuam a e impac o hoje em dia. Mas e a p eciso mais espaço, in e p e ação,
apon ado es, pa a que um público mais as o, menos especializado, pudesse in e agi com es es ma e iais, que
segu amen e compo iam um oi a o eixo, podendo assim cump i o obje i o de
Descons ui o Colonialismo,
Descoloniza o Imaginá io
.
Tex o e imagens:
João Sa men o
(CECS/Uni e sidade do Minho), dezemb o de 2024
Publicado a 16 de janei o de 2025
Re e ências
Mulle , L., & Langill, C. S. (Eds.). (2021).
Cu a ing li ely objec s: exhibi ions beyond disciplines
. Lond es: Rou ledge.
Sa men o, J., & Ma ins, M. de L. (2020). À p ocu a de Moçambique no Museu Nacional de E nologia, Po ugal.
Re is a
Lusó ona de Es udos Cul u ais, 7
(2), 15-32.
h ps://doi.o g/10.21814/ lec.3132
.
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Map
Sa elli e
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