scieee Science in your language
[pt] (orig)

Canal de crédito da Política Monetária: crédito às empresas e às famílias

Author: Costa, João Pedro Taveira
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/f9ba3248-e66d-4ac1-836d-13cba2569c98/download
Canal de C édi o da Polí ica Mone á ia: C édi o às
Emp esas e às Famílias
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
João Ped o Ta ei a Cos a
Canal de C édi o da Polí ica Mone á ia:
C édi o às Emp esas e às Famílias
Janei o 2025
João Ta ei a
UMinho l 2025
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
João Ped o Ta ei a Cos a
Canal de C édi o da Polí ica Mone á ia:
C édi o às Emp esas e às Famílias
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Economia Mone á ia, Bancá ia e Financei a
T abalho ealizado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a E melinda Lopes
Janei o 2025
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas
as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos. Assim, a p esen e disse ação pode se u ilizada nos e mos p e is os na licença
abaixo indicada. Caso o u ilizados necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho
em condições não p e is as na licença indicada, de e á con ac a o espe i o au o , a a és do
Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
Ag adecimen os
Que o ag adece em p imei o à minha o ien ado a, a P o esso a E melinda Lopes, desde
o p imei o dia em que lhe coloquei os á ios emas que inha em men e a é à conclusão des e
es udo. As suges ões pa ilhadas e a disponibilidade que semp e e e pa a euni mos nes e
p ocesso longo, com algumas mudanças na minha ida pessoal e p o issional, o am
undamen ais pa a a ealização da disse ação.
Ag adece à minha amília, em especial os meus pais, à minha i mã, à minha namo ada
que semp e me apoia am du an e es e pe íodo de es udo.
Po úl imo, mas ambém ele an e aos meus amigos que nos momen os de mais s ess
me ajuda am de uma o ma posi i a pa a a conclusão do Mes ado.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e agido com in eg idade na ealização des e es udo académico e con i mo que
em momen o algum eco i à p á ica, ilegal, de plágio nem à alsi icação de in o mações
ou de esul ados em odo o abalho conducen e à sua ealização. Assim decla o que
conheço e espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Resumo
A dinâmica económica em exigido maio inanciamen o aos agen es económicos
emp esas, amílias e Es ado. Às emp esas pa a o in es imen o e pa a ap o ei amen o do me cado
in e no eu opeu. Às amílias pa a o c édi o ao consumo e habi ação, e ao Es ado, pa icula men e
às economias da zona eu o pa a inanciamen o dos desequilíb ios o çamen ais dada a
cen alidade da polí ica mone á ia pelo BCE.
As amílias o na am-se o agen e económico mais endi idado em di e sas economias
desen ol idas, apesa de di e en es Es ados egis a em um ácio de dí ida pública supe io a 100%
do PIB, como é o caso da I ália, G écia e Bélgica.
Nes e es udo são ap esen ados ês modelos, um pa a análise das emp esas e dois pa a análise
das amílias na economia po uguesa, num pe íodo de 21 anos, de 2003 a 2023, se em u ilizados
dados semes ais pa a um maio ap o undamen o de análise. Em elação ao modelo das emp esas
oi possí el conclui que os c édi os às ins i uições não inancei as aumen am, mesmo quando a
axa de ju o aumen a. Nas es an es a iá eis do modelo há uma elação nega i a en e a a iá el
dependen e (c édi o às emp esas) e a axa de ju o de dí ida pública e a in lação.
No modelo das amílias de ealça que a axa de ju o da dí ida pública impac a posi i amen e os
c édi os às amílias, mas a axa da poupança ap esen a uma elação in e sa com a a iá el
dependen e. Os ês modelos são es a is icamen e signi ica i os.
Conclui-se que a polí ica mone á ia do BCE a a és do canal de c édi o e e impac o nos dois
agen es económicos, con udo apenas nega i o nas amílias.
Pala as-cha e: c édi o, polí ica mone á ia, emp esas, amílias
i
Abs ac
The economic dynamics ha e equi ed g ea e inancing om economic agen s:
companies, amilies o he go e nmen . Fo companies, his is di ec ed owa ds in es men and
le e aging he Eu opean in e nal ma ke . Fo amilies, i is o consume and housing c edi , and
o he go e nmen , pa icula ly o economies in he eu o zone, i is o inancing budge a y
imbalances, gi en he cen ali y o mone a y policy by he ECB.
Families ha e become he mos indeb ed economic agen in a ious de eloped economies,
despi e di e en s a es eco ding a public deb a io exceeding 100% o PIB, as is he case o I aly,
G eece and Belgium.
This s udy p esen s h ee models: one o analyzing companies and wo o analyzing
amilies in he Po uguese economy o e a 21-yea pe iod, om 2003 o 2023, using semiannual
da a o a deepe analysis. In he company model, i was concluded ha c edi o non- inancial
ins i u ions inc eases e en when he in e es a e ises. Fo he emaining a iables in he model,
he e is a nega i e ela ion be ween he dependen a iable (c edi o companies) and bo h he
public deb in e es a e and in la ion. In he amily model, i is no ewo hy ha he public deb
in e es a e posi i ely impac s household c edi , while he sa ings a e shows an in e se ela ion
wi h he dependen a iable. All h ee models a e s a is ically signi ican .
I is concluded ha ECB´s mone a y policy, h ough he c edi channel, had an impac on
bo h economic agen s only nega i e on amilies.
Keywo ds: c edi , mone a y policy, companies, amilies
ii
Índice
1.
In odução ..................................................................................................... 14
2. Re isão de Li e a u a ........................................................................................ 16
2.1 Polí ica mone á ia e o canal de c édi o ....................................................... 16
2.2 C édi o às emp esas e amílias ................................................................... 19
2.2.1 C édi o às emp esas e sua ele ância no c escimen o económico .......................... 20
2.2.2 C édi o às amílias e a sua ele ância no bem-es a social ..................................... 22
3. Os mecanismos de ansmissão da polí ica mone á ia ....................................... 25
3.1 Canal da axa de ju o .................................................................................. 29
3.2 Canal do p eço dos a i os ........................................................................... 30
3.4 Canal de c édi o ......................................................................................... 33
3.4.1 Canal dos emp és imos bancá ios ......................................................................... 34
3.4.2 Canal do balanço .................................................................................................. 35
4. Me odologia ..................................................................................................... 36
4.1 Obje i os do es udo ..................................................................................... 36
4.2 Va iá el dependen e e a iá eis independen es ........................................... 36
4.3 Ap esen ação dos modelos economé icos .................................................. 37
4.3.1. Modelo economé ico do c édi o às emp esas ...................................................... 37
4.3.2 Modelos economé icos do c édi o às amílias ....................................................... 37
5 E olução das a iá eis dos modelos ................................................................... 38
5.1 Modelo emp esas ........................................................................................ 38
5.1.1 Taxas de ju o do c édi o às emp esas .................................................................... 38
5.1.2 Taxas de ju o e c édi o às emp esas: 2003-2023 ..................................... 39
5.2.1 Taxas de ju o do c édi o ao consumo ..................................................................... 40
5.2.2 Eu ibo e axa de ju o do c édi o às amílias ........................................................... 41
5.2.3 Taxas de ju o e c édi o às amílias ......................................................................... 43
14
1. In odução
Es e es udo in i ulado o “Canal de C édi o da Polí ica Mone á ia: C édi o às Emp esas e às
Famílias” inse e-se no Mes ado de Economia Mone á ia, Bancá ia e Financei a. Tem como
obje i o es uda a ele ância do canal de c édi o do mecanismo de ansmissão da polí ica
mone á ia e o seu impac o no c édi o às emp esas e às amílias em Po ugal.
A concessão de c édi o e e um aumen o g adual nas úl imas décadas dada a ambém a
acilidade em adqui i c édi o. Es a o ma de ob e liquidez com o obje i o de sa is aze as
necessidades de in es imen o, de consumo e de inanciamen o à habi ação, é p omo ida pelo
canal de c édi o, um dos canais da ansmissão da Polí ica Mone á ia do Banco Cen al Eu opeu,
de o ma a a ingi a es abilidade de p eços e o c escimen o económico. O c édi o às emp esas e
às amílias é essencial pa a o uncionamen o da economia, po ém es ão o emen e sensí eis às
al e ações da polí ica mone á ia do BCE, mais especi icamen e às al e ações nas axas de ju o.
Consoan e a medida aplicada pelo Banco Cen al, es i i a ou expansionis a, as emp esas e as
amílias são a e adas di e amen e a a és da al e ação do cus o de inanciamen o e do alo das
espe i as p es ações de amo ização.
A opo unidade do es udo des e ema esul a da impo ância que o c édi o em no
inanciamen o dos di e en es agen es económicos: emp esas, amílias e Es ado. A p incipal on e
de inanciamen o das emp esas e das amílias são as ins i uições bancá ias a a és do c édi o.
Com a p essão nas axas de ju o, o c édi o o na-se menos acessí el pa a os agen es económicos
pa icula men e no c édi o ao consumo e habi ação das amílias, sendo mais signi ica i o o seu
impac o em con ex o de c ise habi acional.
Ao longo des e abalho ão se abo dados á ios concei os di e amen e ligados à Polí ica
Mone á ia e aos di e en es c édi os concedidos, às emp esas pela sua ele ância pa a o
c escimen o económico e às amílias pela p omoção do bem-es a social, nomeadamen e a a és
da aquisição de habi ação. Adicionalmen e, ão se es udados os mecanismos de ansmissão da
polí ica mone á ia, com especial des aque pa a o canal de c édi o, de modo a explica o obje i o
p incipal da es abilidade de p eços. O p incipal obje i o da in es igação é analisa o impac o da
dinâmica económica e do canal de c édi o da polí ica mone á ia. Nes e sen ido, são ap esen ados

15
os modelos economé icos onde são iden i icadas as a iá eis dependen es e as a iá eis
independen es de cada modelo aplicados a es e es udo en e 2003 e 2023.
Dos esul ados ob idos após ealizados á ios es es ais como es e B esuch-God ey,
Rese , Du bin Wa son en e ou os, conclui-se que a polí ica mone á ia do BCE a a és do canal
de c édi o e e impac o posi i o no agen e económico emp esas, que se aduz numa capacidade
explica i a signi ica i a des e modelo. Conclui-se, que o aumen o das axas de ju o não eduzem a
p ocu a de c édi o po pa e das emp esas e que a inclusão de uma no a a iá el, a axa de
poupança das amílias, aumen ou signi ica i amen e a capacidade explica i a do modelo amílias
B.
16
2. Re isão de Li e a u a
Es e es udo abo da os c édi os concedidos às emp esas e amílias po uguesas ao longo
de 20 anos, sendo impo an e pe cebe no que consis e a concessão dos c édi os e a impo ância
que a polí ica mone á ia do Banco Cen al Eu opeu em nessa espe i a concessão. O canal de
c édi o é um dos á ios mecanismos de ansmissão da polí ica mone á ia e undamen al no
uncionamen o da economia. Es e canal em in luência di e a no consumo, no in es imen o, no
c escimen o económico e na es abilidade inancei a. Impo a ap o unda os c édi os às ins i uições
não inancei as e às amílias, e abo da as consequências que a polí ica mone á ia e o canal de
c édi o êm na ida das pessoas, a a és do c édi o à habi ação, ao consumo e às emp esas.
Exis e compe i i idade no c édi o en e os agen es económicos que p ocu am condições a a i as,
axas de ju o baixas e espe i as comissões, pa a um maio ecu so ao c édi o de o ma a
aumen a o in es imen o e c esce em no con ex o de me cado in e no eu opeu, não só as
emp esas, mas ambém as ins i uições inancei as com a c iação de moeda.
2.1 Polí ica mone á ia e o canal de c édi o
Com o obje i o de es uda o impac o do canal de c édi o como ins umen o de ansmissão
da Polí ica Mone á ia no c édi o às emp esas e no c édi o às amílias, é impo an e pe cebe
p imei amen e o concei o da Polí ica Mone á ia aplicada pelo Banco Cen al Eu opeu e os seus
mecanismos de ansmissão u ilizados. A polí ica mone á ia consis e nas decisões que o Banco
Cen al oma, no exe cício do seu manda o, pa a in luencia o cus o do bem moeda ( axa de ju o)
e a quan idade de dinhei o que exis e na economia segundo o Banco de Po ugal (2024). Os
Bancos Cen ais u ilizam a polí ica mone á ia pa a ge i o o necimen o de dinhei o na economia
de um país. “Com a polí ica mone á ia, um banco cen al aumen a ou diminui a quan idade de
moeda e c édi o em ci culação, num es o ço con ínuo pa a man e a in lação, o c escimen o e o
emp ego sob con olo” (Cu y, 2023).
O p incipal obje i o do BCE é man e a es abilidade de p eços na á ea do eu o, de inindo
assim a axa de in lação de 2% no médio p azo, pa a omen a o c escimen o económico, a
es abilidade inancei a e o emp ego. A ansmissão da polí ica mone á ia oco e a a és de
di e en es canais, a e ando di e en es me cados, a iá eis com impac o na dinâmica económica e
p eços. De e e i como p incipais canais de ansmissão as axas de ju o o iciais, axas de câmbio,
canal dos p eços dos a i os e canal de c édi o que são u ilizados po pa e do Banco Cen al pa a
17
a ingi os seus obje i os. De aco do com Cab al e al. (2022), o Banco Cen al eco e aos
ins umen os de polí ica mone á ia pa a en a in luencia os gas os das amílias e o in es imen o
das emp esas e, po sua ez, os p eços dos bens e se iços. Assim, numa p imei a ase, as
decisões de polí ica, omadas com base na espe i a es a égia da polí ica mone á ia, in luenciam
di e amen e as expec a i as dos agen es económicos. Ob iamen e que a aplicação da polí ica
eque especial a enção po pa e do Banco Cen al pois segundo Mishkin (1995) a polí ica
mone á ia é um mecanismo o e e com o e in luência que po ezes pode e consequências
inespe adas ou indesejadas pa a as di e en es economias. Pa a se em bem-sucedidas na
condução da polí ica mone á ia, as au o idades mone á ias de em e uma a aliação p ecisa do
momen o e do e ei o das suas polí icas na economia, exigindo assim uma comp eensão dos
mecanismos a a és dos quais a polí ica mone á ia a e a a economia.
O p incipal ins umen o u ilizado pelo Banco Cen al pa a aplicação da polí ica mone á ia é o
canal das axas de ju o, mais conc e amen e as key in e es a es: axa de ju o das ope ações
p incipais de e inanciamen o, acilidades de depósi o e acilidades de emp és imo ma ginal. As
al e ações nas axas de ju o a a és da aplicação da polí ica mone á ia do Banco Cen al êm
in luência di e a nos agen es económicos, a e ando assim os p eços dos bens e se iços. A axa
de ju o é a a iá el cha e no mecanismo de ansmissão da polí ica mone á ia al como cons a ou
Taylo (1995) de o ma a a ingi o obje i o de es abilidade de p eços e ob e in lação de 2% a
médio p azo. Micose (2015) e e e que o p imei o pila da es a égia da polí ica mone á ia é
de e mina a axa de ju o ap op iada pa a alcança a es abilidade de p eços. Is o signi ica uma
axa de in lação que, a médio p azo, de e pe manece p óxima dos 2%. “A es abilidade de p eços
c ia condições pa a um c escimen o económico mais es á el e um sis ema inancei o mais
es á el” (Eu opean Cen al Bank, 2025). À medida que o Banco Cen al ai cump indo os seus
obje i os demons a ao me cado, emp esas e amílias, con iança pa a o consumo e in es imen o.
Co obo a com es e aciocínio, Mishkin, (2001) ao a i ma que, “mudanças na axa de câmbio
podem e um g ande impac o na in lação, pa icula men e em economias pequenas e abe as”
(p.10), a e ando assim a aplicação da polí ica mone á ia do Banco Cen al. Pa a o au o , o
ins umen o que em ganho cada ez mais impo ância na aplicação da polí ica mone á ia é o
canal dos p eços dos a i os, es e e e e-se ao impac o que a aplicação da polí ica mone á ia em
sob e os p eços dos a i os inancei os, como po exemplo as ações ou í ulos de emp esas. Es e
ins umen o em uma elação ele an e al como o canal das axas de ju o como a i ma Mishkin
(2001), ao e e i que os p eços dos a i os, e não apenas as axas de ju o, são elemen os
18
impo an es do mecanismo de ansmissão da polí ica mone á ia. Assim, a a és des e a gumen o,
é possí el cons a a que exis e uma base que jus i ica o aumen o da ele ância po pa e das
au o idades mone á ias no acompanhamen o dos p eços dos a i os como ins umen o do
mecanismo de ansmissão da polí ica mone á ia.
O canal de ansmissão pa a a aplicação da polí ica mone á ia em es udo ao longo da
disse ação é o canal de c édi o. Impo a analisa a sua ele ância no c édi o às emp esas e às
amílias, pa a consumo e aquisição de habi ação. Uma e en e ela i amen e ecen e da li e a u a
des aca o papel especial dos bancos no mecanismo de ansmissão a a és do chamado canal de
c édi o da polí ica mone á ia. De aco do com es e mecanismo, a polí ica mone á ia a e a a
economia eal não apenas a a és do impac o das axas de ju o na p ocu a ag egada, mas ambém
po meio de mudanças na o e a de emp és imos bancá ios al como a i mam Fa inha e Robalo
Ma ques (2003). O canal de
c édi o bancá io
e o
canal do balanço
são os p incipais ins umen os
do canal de c édi o na ansmissão da polí ica mone á ia. Po ém, segundo Sá (2016), es e
ins umen o di ide-se em ês canais sendo ac escen ado o canal do
capi al bancá io
. Des e modo,
su gem ês canais básicos de ansmissão da polí ica mone á ia: o canal dos emp és imos
bancá ios, do balanço e do capi al bancá io, mas a análise eó ica ai ecai apenas nos dois
p imei os canais. Assim, o ins umen o em es udo ai pe mi i es uda a impo ância do canal de
c édi o e o papel dos di e en es canais ao dispo do Banco Cen al pa a a aplicação da polí ica
mone á ia.
Impo a egis a que, a p opósi o des e es udo, se ão abo dados os c édi os o necidos às
emp esas e às amílias, especi icamen e ao consumo e à habi ação.
Uma a iá el p esen e na aplicação do modelo e impo an e no impac o que o canal de
c édi o na ansmissão da polí ica mone á ia é a axa de ju o de longo p azo na dí ida pública.
Es a axa ca ac e iza-se po se a axa de ju o que é aplicada aos í ulos de dí ida pública com
ma u idade a longo p azo (10 anos) ep esen ando assim um cus o pa a o Es ado quando emi e
í ulos de dí ida pública, sendo uma o ma de inanciamen o impo an íssima dos á ios go e nos
da Zona Eu o.
Keynes a gumen ou que o Banco Cen al pode in luencia as axas de ju o a longo p azo
dos í ulos dos go e nos, po meio do es abelecimen o da aplicação da polí ica mone á ia. É
p essupos o que a aplicação dessa polí ica do Banco Cen al de e mina as axas de ju o de cu o
p azo, que po sua ez in luencia a axa de ju o de longo p azo, a e ando as expec a i as dos
in es ido es e as p e isões po pa e das ins i uições inancei as e não inancei as. Ak am (2021)
19
con i ma a isão de Keynes sob e a dinâmica das axas de ju o dos í ulos dos go e nos, que
concen a a sua análise dos me cados inancei os e as ins i uições inancei as, expec a i as dos
in es ido es, a ince eza on ológica, p e e ência po liquidez e a eo ia ge al das axas de ju o.
2.2 C édi o às emp esas e amílias
P imei amen e ão se abo dados os c édi os concedidos às ins i uições não inancei as,
sendo que uma das p incipais on es de inanciamen o des as emp esas é o c édi o bancá io como
e e em Ba bosa e Pinho (2016) dado que uma pa e mui o signi ica i a das emp esas não em
acesso aos me cados de dí ida em á ios países. Um ou o es udo explo a es e ipo de
inanciamen o, bem como as elações emp esa-banco. “Es a li e a u a é bas an e ex ensa e
suge e, po exemplo, que os elacionamen os bancá ios em impac o na capacidade de as
emp esas ob e em inanciamen o ex e no” (Ba bosa & Pinho, 2016, p 5). Ou o c édi o que em
ganho ele ância den o do c édi o bancá io é o c édi o come cial que, segundo os mesmos
au o es, é amplamen e u ilizado pelas emp esas, cons i uindo uma on e de inanciamen o
impo an e pa a á ias emp esas. Nes e caso, o c édi o come cial con ibui pa a a edução dos
cus os de ansação, disc iminação de p eços, ga an ia de qualidade dos p odu os e ainda pa a
o alece in e ações mais longas e es á eis en e o necedo es e clien es.
No caso do c édi o concedido às amílias é abo dado o c édi o ao consumo e à habi ação.
As amílias es ão o emen e dependen es das ins i uições inancei as pa a ealiza em con a os
de o ma a o ganiza as suas idas, como po exemplo, comp a uma casa, ou simplesmen e o
c édi o ao consumo pa a sa is aze . Cos a (2023) a i ma que as desigualdades de acesso à
habi ação es ão no cen o dos desa ios que as sociedades a uais en en am pa a alcança a
inclusão social, a cidadania plena e a ida saudá el, na medida em que o incump imen o do di ei o
a uma habi ação inadequada comp ome e ambém a ealização de ou os di ei os humanos
undamen ais. Exis em medidas como a edução do IVA pa a 0% em bens alimen a es
undamen ais, apoio mensal de um de e minado mon an e às amílias mais ulne á eis. Godinho
(2024) e e iu alguns apoios às amílias po uguesas no ano de 2024 p esen es no O çamen o do
Es ado, iden i icando-o como o “maio aumen o de semp e no apoio às amílias”.
Em elação ao c édi o ao consumo das amílias, es e consis e no c édi o aos consumido es
e des ina-se à comp a de ou o ipo de bens e se iços, como au omó eis, ele odomés icos ou
se iços de educação como de ine Banco de Po ugal (2025). O c escimen o acen uado das axas
de endi idamen o das amílias que se e i icou na maio ia dos países da Eu opa e nos Es ados

20
Unidos nas úl imas décadas, pe mi e conclui que o c édi o ao consumo se expandiu a odas as
classes sociais, deixando de se apenas concedido às classes a o ecidas, ou de se is o como
um sinal de pob eza (Mo ei a, 2011).
Já sob e o concei o de c édi o à habi ação como e e e o Banco de Po ugal (2025) es e
ca ac e iza-se como um dos comp omissos inancei os mais impo an es na ida das pessoas, po
se a a da aquisição de uma habi ação en ol e di e amen e alo es ele ados e, no malmen e, a
du ação do con a o ambém se p olonga du an e mui os anos, podendo ainda se amo izado
semp e que os i ula es en ende em. O c édi o à habi ação es á di e amen e in luenciado pela
aplicação da polí ica mone á ia po pa e do Banco Cen al. Sendo ele o manipulado das axas de
ju o de modo a a ingi o obje i o da es abilidade de p eços, en ão qualque a iação da axa de
ju o e a iação da Eu ibo , ai in luencia di e amen e o c édi o à habi ação, o in es imen o e
espe i o me cado de habi ação, bem como o se o da cons ução. Em Po ugal e nou os países
hou e um aumen o do in es imen o no se o de habi ação com inalidade de a endamen o ou
pa a enda. A c ise a ual combina o con inuado aumen o dos p eços no a endamen o e comp a,
ecen emen e ag a ado pela c ise in lacioná ia, com o aumen o das axas de ju o do c édi o à
habi ação, como conclui Cos a (2023).Como é possí el e em BPs a (2024), esul ado de
no emb o de 2024, o endi idamen o dos pa icula es e e um aumen o de 0,6 mil milhões de
eu os jus i icado na sua maio pa e pelo c édi o à habi ação com as ins i uições bancá ias. Em
sen ido con á io, e i icou-se uma diminuição das emp esas p i adas de 0,3 mil milhões de eu os.
2.2.1 C édi o às emp esas e sua ele ância no c escimen o económico
Pa a Ba bosa e Pinho (2016), o inanciamen o é c ucial pa a as emp esas in es i em e
expandi em, mas ambém pa a ealiza em a sua a i idade no cu o p azo. Pa a es es au o es,
uma pa e das emp esas inanciam-se essencialmen e em undos in e nos, enquan o a ou a pa e
eco e a ecu sos ex e io es como po exemplo a banca.
Na mesma linha de pensamen o, Cas o e San os (2010) en a izam no que diz espei o
às emp esas, que os emp és imos são no malmen e con aídos pa a inancia despesas de
in es imen o. Pa a os au o es, um c escimen o económico obus o, com e lexos ao ní el dos
esul ados co en es, pe mi e supo a maio es ní eis de endi idamen o e consequen emen e
inancia o in es imen o a a és do ecu so ao c édi o. Assim as emp esas ep esen am um
“pulmão” pa a a a i idade económica de qualque país e o seu c escimen o depende semp e da
sua p odu i idade, das endas e da ges ão económica e inancei a de cada uma. Con udo, a
21
espos a a aumen os e co es das axas de ju o é assimé ica en e os agen es económicos, mas,
González-Aguado e Sua ez (2015) en a izam a impo ância des a assime ia en e as emp esas,
e e indo que a assime ia do impac o é he e ogeneamen e dis ibuída en e as emp esas.
Ins i uições com um c escimen o es á el p opiciam-se a eduzi possí eis dí idas pe an e as
ins i uições bancá ias. De ealça que exis em ipos de dí idas com ca ac e ís icas di e en es
consoan e a exigência da emp esa. Po exemplo, cada ipo de dí ida em di e en es mecanismos
de uncionamen o de me cado, di e en es exigências de in o mação ou mesmo di e en es egimes
de amo ização (Ba bosa & Pinho, 2016).
Além do c édi o bancá io, que é mais u ilizado pa a as emp esas se inancia em, exis e o
c édi o come cial de inido como um inanciamen o subs i u o ou como um inanciamen o
complemen a ao c édi o bancá io pois há a hipó ese de os o necedo es e em an agem
compa a i a na aquisição de in o mação, na análise da a i idade das emp esas, e na
moni o ização das suas ações. Assim, ace à maio capacidade dos o necedo es em di e encia
a es abilidade inancei a das emp esas, o ac o das emp esas e em c édi o come cial pode
sinaliza a qualidade de c édi o das emp esas pa a ou os c edo es. No en an o, o acesso a o mas
al e na i as de inanciamen o não es á ao alcance de odo o ipo de emp esas, pelo que um a o
p eponde an e é o ipo de es u u a emp esa ial e a g andeza que es á êm no me cado,
nomeadamen e a dimensão média das emp esas como jus i ica Pacheco (2006).
O cus o dos emp és imos jun o aos bancos começou a aumen a no início de 2022, após o
BCE inicia a edução da sua pos u a al amen e acomoda ícia na polí ica mone á ia em dezemb o
de 2021. Pa a Lane (2023), “O aumen o nos cus os de emp és imos acele ou signi ica i amen e
após o p imei o aumen o das axas-cha e do BCE em julho de 2022.” O au o es abelece a ligação
di e a en e a di iculdade do inanciamen o das emp esas nas ins i uições bancá ias com a
ansmissão da polí ica mone á ia dos Bancos Cen ais, quando e e e que “as axas de ju o mais
ele adas pa a as emp esas são esul ado do ape o da sua polí ica mone á ia, e um passo
necessá io na ansmissão pa a as condições de inanciamen o das emp esas.”
22
2.2.2 C édi o às amílias e a sua ele ância no bem-es a social
Pa a as amílias, o c édi o é uma o ma de adqui i o dinhei o necessá io pa a sa is aze
necessidades, que o seu endimen o, ob ido a a és do a o abalho que podem se pa a inancia
o consumo ou pa a aquisição de habi ação. As amílias po uguesas, na sua maio ia, são
ca ac e izadas po es a em semp e dependen es das ins i uições bancá ias e, conc e amen e dos
c édi os bancá ios pa a adqui i em bens de consumo.
Cas o e San os (2010) a i mam que os emp és imos bancá ios êm como obje i o
inancia despesas de consumo, op ando po essa possibilidade ao in és de as amílias u iliza em
endimen o co en e ou as suas poupanças. Todos os agen es económicos es ão o emen e
dependen es das decisões aplicadas pelo Banco Cen al aquando da aplicação da polí ica
mone á ia, e em especí ico, do ins umen o de ansmissão das axas de ju o. Os e ei os di e os
de al e ações das axas de ju o sob e o consumo se ão an o maio es quan o maio o a ligação
en e as axas de e e ência e as axas p a icadas no c édi o à habi ação, e maio es o em as
es ições ao c édi o. Rela i amen e aos e ei os indi e os, as al e ações nas axas de ju o e ão um
impac o sob e a p ocu a e o e a de habi ação e, po an o, i ão conduzi a uma al e ação nos
p eços da habi ação e na iqueza a ela associada como a i ma Pacheco (2006). Di o is o,
conside a-se que os p eços de habi ação a e am o consumo p i ado, o que le a a uma elação de
causa-e ei o en e o me cado imobiliá io e os gas os das amílias. Um aumen o na iqueza de
habi ação in luencia á a iqueza espe ada das amílias, le ando a que o consumo e os p eços dos
a i os imobiliá ios sigam o mesmo compo amen o al como comp o a Cos a (2020).
C édi o ao consumo
A necessidade de ap esen a uma imagem e um es ilo de ida no ó io de o ma a se
acei e pela sociedade e demons a e qualidade de ida le ou a um g ande c escimen o da
p ocu a de c édi o ao consumo, uma ez que o c édi o eio pe mi i que as pessoas izessem um
ajus e do seu endimen o às suas despesas, inanciando-lhes a aquisição p odu os e se iços como
a gumen a Mo ei a (2011). Assim, pa a es a au o a, o c édi o ao consumo é impo an e po que
em um papel cen al na de e minação do pode de comp a das amílias, es ando di e amen e
ligado ao seu bem-es a social. O emp és imo a pa icula es pa a consumo é um dos ipos de
c édi o mais ácil e mais ápido que pode se usado pelas amílias, em especial em momen os de
c ise. Es e c édi o pa a o consumo das amílias consis e num c édi o aos consumido es e des ina-
23
se ao inanciamen o pa a a comp a de bens e se iços, como au omó eis, ele odomés icos ou
se iços de educação e saúde (Banco de Po ugal, 2025). O c édi o ao consumo em Po ugal em
ido um c escimen o mui o signi ica i o desde a década de 90 segundo Jesus (2008) de ido a
a o es como as descidas das axas de ju o e a libe alização do sis ema inancei o po uguês.
Cas o e San os (2010) concluem que o c édi o ao consumo pa a bens du adou os em aumen ado
signi ica i amen e ao longo nos úl imos anos.
Du kin e al. (2014) co obo am com es e aciocínio, pois segundo eles, o c édi o ao
consumo pe mi e adqui i bens du adou os, u ilizando os salá ios u u os em ez de es ingi o
uso da liquidez que possuem no momen o, u ilizando-a apensas pa a as necessidades imedia as.
Pa a Mo ei a (2011) oi a pa i da década de no en a que o c édi o ao consumo e e um ele ado
c escimen o, jus i icado pelo p ocesso de des egulamen ação e na libe alização do sis ema
bancá io nacional, pela descida das axas de ju o e da axa de in lação. Es e conjun o de a o es
e le iu-se posi i amen e na o e a de c édi o, c iando as condições pa a o apa ecimen o de no os
p odu os conduzindo a uma maio acilidade no acesso ao c édi o.
C édi o à habi ação
Em Po ugal, al como nou os países, a desigualdade no acesso à habi ação em indo a
aumen a nos úl imos anos. Pa a es e cená io con ibuiu a dinâmica do se o a a és da u ilização
da habi ação como in es imen o inancei o, ou seja, como o ma de ob enção de en abilidade
a a és do a endamen o ou enda. A c ise a ual combina o con inuado aumen o dos p eços no
a endamen o ag a ado pela c ise in lacioná ia, com a subida das axas de ju o do c édi o à
habi ação como a i ma Cos a (2023). Po ém, o aumen o da li e a u a sob e o ema da habi ação
não é ecen e. Segundo Claessens e Fund (2011), es e aumen o oi no ó io após a c ise inancei a
global de 2008 quando mui os países ap o ei a am de pe íodos de expansão de c édi o e do
me cado imobiliá io em c escimen o en e 2003-2007, à medida que a economia global ia
egis ando o seu melho desempenho das úl imas qua o décadas. No en an o, esses pe íodos
ambém e mina am com á ias pe u bações nas ins i uições bancá ias de ido ao incump imen o
do pagamen o dos c édi os concedidos e colapsos nos p eços dos a i os (a i os imobiliá ios com
maio des aque), esul ando assim numa p o unda c ise inancei a desde a c ise da G ande
Dep essão de 1929.
San os e Doná io (2017) a i mam sob e a impo ância da c ise inancei a de 2007-2008 e
a ecessão que lhe sucedeu e ealçam o mau uncionamen o do se o bancá io e a capacidade de
30
Es e canal es á di e amen e elacionado com ou as a iá eis mac oeconómicas e impo an es
na isão Keynesiana. Segundo Mishkin (1995), “a axa de ju o em sido a cha e do mecanismo
de ansmissão no modelo básico Keynesiano” (p.2), pois Keynes conside a que as axas de ju o
são um de e minan e impo an e na p ocu a eal de moeda. San os e Doná io (2017) ambém
con i mam, que a axa de ju o é o cus o de e o dinhei o disponí el. Assim signi ica que uma axa
de ju o mais ele ada implica um cus o mais ele ado e uma edução da p ocu a pela liquidez o
que demons a uma elação nega i a en e a axa de ju o e o dinhei o.
Ou o a iá el impo an e a des aca são as expec a i as das axas de ju o u u as e que
podem a e a as decisões dos agen es económicos. A aplicação da polí ica mone á ia e o
aumen o/ edução das axas de ju o podem c ia p e isões em elação a axas de ju o u u as,
podendo al e a a iá eis como o consumo, a poupança e o in es imen o. As expec a i as de
u u as al e ações das axas de ju o o iciais a e am as axas de ju o a médio e longo p azo. Em
pa icula , as axas de ju o de ju o a longo p azo dependem, em pa e, das expec a i as do
me cado em elação ao u u o cu so das axas de ju o a cu o p azo.
3.2 Canal do p eço dos a i os
O canal de p eço dos a i os consis e nas al e ações dos p eços dos a i os inancei os
a a és da aplicação da polí ica mone á ia po pa e do Banco Cen al. Os p eços dos a i os e as
axas de ju o, são elemen os impo an es no mecanismo de ansmissão mone á io. “Isso jus i ica
o mo i o pelo qual as au o idades mone á ias p es am mui a a enção a esses e ou os p eços de
a i os na condução da polí ica mone á ia” (Mishkin, 2001, p.17). O canal dos p eços dos a i os
em ganho cada ez mais ele ância no con ex o da polí ica mone á ia, es e es á di e amen e
elacionado com o obje i o de es abilidade de p eços de inido pelo Banco Cen al. “Uma
abo dagem simples que p ocu a e em con a os mo imen os dos p eços dos a i os na polí ica
mone á ia consis e em inclui os p eços dos a i os di e amen e no índice de p eços que cons i ui
o obje i o do Banco Cen al” (Sousa e al.,2007, p.3). Assim, pa a es es au o es, o Banco Cen al
a ingia dois obje i os num abo dagem só, cump i o obje i o de es abilidade de p eços e não ha e
ola ilidades nos p eços dos a i os. A aplicação da polí ica mone á ia ai a e a di e amen e os
p eços dos a i os inancei os e in luencia a decisão dos agen es económicos. Es es ob êm a sua
iqueza a a és do a o abalho ou a a és de he anças de amilia es de modo a en abiliza o
dinhei o em como opções deposi a no banco a axas eduzidas ou en ão in es i-lo p ocu ando
uma en abilidade maio . No caso de in es imen o há á ias á eas onde p ocu a e o no semp e

31
com isco associado, é o caso do me cado de habi ação, o me cado de ações, o me cado de í ulos
de dí ida pública, o me cado de ading, en e ou os, es ando semp e associado a algum isco.
Nes e ins umen o do mecanismo de ansmissão da polí ica mone á ia e ao menciona o
in es imen o ealizado pelos agen es económicos abo da-se uma a iá el undamen al, a iqueza,
sendo assim impo an e abo da o Q de Tobin. Es e indicado o nece uma jus i icação pela qual
a polí ica mone á ia pode a e a a economia a a és dos seus e ei os sob e a alo ização dos í ulos
como sus en a Pacheco, (2006). Assim o Q de Tobin calcula-se a a és da seguin e equação:
Q"de"Tobin =""Valo "de"me cado"da"emp esa
Cus o"de"subs i uição"do"capi al
A a és da equação an e io , o cálculo do q de Tobin es á elacionado com o alo que a emp esa
em no me cado e o cus o que ela em em subs i ui o capi al, o cus o ma ginal do capi al.
Median e o cálculo do q de Tobin a emp esa oma as decisões de in es imen o. Quando o q é
ele ado, as despesas de in es imen o i ão aumen a , pois a emp esa em a possibilidade de
adqui i uma g ande quan idade de no os bens de in es imen o, eco endo apenas a uma
pequena emissão de ações. “Po ou o lado, quando o q é eduzido, a emp esa não i á adqui i
no os bens de in es imen o, uma ez que o alo de me cado da emp esa é baixo ela i amen e
ao cus o de capi al” (Pacheco, 2006, p.18).
É ce o dize que a aplicação da polí ica mone á ia a e a di e amen e as decisões de
in es imen o das emp esas de ido à al e ação dos p eços dos í ulos. Po exemplo, a aplicação
de uma polí ica mone á ia expansionis a aumen ando assim a o e a de moeda, o que p o oca
uma edução das axas de ju o, e um aumen o nos p eços dos í ulos. Em consequência o
in es imen o po pa e das emp esas i ia aumen a al como a p odução, e o cus o do capi al i ia
diminui p o ocando assim uma al e ação no q de Tobin.
Pacheco (2006), en a iza ambém o e ei o iqueza das amílias sob e o consumo, consis em
nas escolhas que os agen es económicos azem mo i ados po al e ações no seu pa imónio. Pa a
es e au o , o e ei o da iqueza es á subjacen e à iqueza acumulada pelo a o abalho ou a o de
in es imen o ealizado pelo agen e económico. Ao longo da ida, o agen e económico pode
aumen a o seu pa imónio pela alo ização dos a i os que possui, al como a habi ação, í ulos
ou ações. Des e modo, e i ica-se a exis ência de uma elação en e a polí ica mone á ia e o e ei o
que em na iqueza das amílias e no capi al das emp esas, a e ando assim a p odução, o
in es imen o bem como o consumo, a poupança dos agen es económicos.
32
3.3 Canal das axas de câmbio
As economias não possuem capacidade pa a p oduzi em os bens e os se iços de que
necessi am, o que implica o ecu so ao comé cio ex e no. No en an o, os países mais
desen ol idos p e e em p ocu a bens e se iços mais ba a os e melho es no comé cio ex e io ,
eco endo assim às impo ações. Es e ac o, implica eco e a ou o ins umen o do mecanismo
de ansmissão da polí ica mone á ia, o canal das axas de câmbio, que pa a o economis a Mishkin
(2001) ecebe uma a enção ele an e nas discussões sob e a polí ica mone á ia, e em um papel
impo an e no mecanismo de ansmissão mone á io es ando ambém inse ido no canal dos
p eços dos a i os que oi abo dado no capí ulo an e io .
A axa de câmbio consis e no p eço ela i o en e a moeda domés ica e a moeda es angei a.
É de eno me ele ância dis ingui os concei os de axa de câmbio eal e a axa de câmbio nominal
al como comp o a Taylo (1995). De ido ao ajus e len o dos salá ios e dos p eços dos bens, um
aumen o na axa de câmbio nominal ge almen e esul a num aumen o na axa de câmbio eal a
cu o p azo. No en an o, a longo p azo, a axa de câmbio eal i á con e gi pa a o seu alo de
equilíb io à medida que os p eços e/ou as axas de câmbio nominais se ajus am.
Exis em dois ipos de axas de câmbio: axas de câmbio lexí eis e axas de câmbio ixas.
Na u almen e que es e canal não ope a se o país unciona com câmbios ixos. Po ou o lado,
quando mais abe a o a economia, maio se á a sua magni ude como é possí el obse a no
es udo de Pacheco (2006). Mishkin (2001) e e e que os Bancos Cen ais demons am cla amen e
p eocupação com o alo da moeda domés ica. De ac o, mudanças na axa de câmbio podem e
um impac o signi ica i o na in lação, especialmen e em economias pequenas e abe as. Es e canal
das axas de câmbio depende di e amen e do canal da axa de ju o, das axas de ju o domés icas
e ex e nas, e das expec a i as de in lação. Pois, a aplicação da polí ica mone á ia ia al e ação das
axas de ju o a e a a p ocu a po moeda e consequen emen e o seu alo eal. No en an o,
pe manecendo udo o es o cons an e, o mecanismo de ansmissão desen ol e-se da axa de ju o
pa a a axa de câmbio a a és da condição da “pa idade não cobe a das axas de ju o” (unco e ed
in e es a e pa i y), ou seja, a condição que elaciona os di e enciais de axa ju o com as al e ações
espe adas na axa de câmbio como e e e Pacheco (2006). O Banco Cen al pode aplica ou uma
polí ica mone á ia expansionis a ou uma polí ica mone á ia es i i a de modo a a ingi a
es abilidade de p eços e o c escimen o económico, po ém qualque delas ai a e a as axas de
câmbio podendo le a a uma ap eciação ou dep eciação da moeda domés ica.
33
No caso de uma polí ica mone á ia expansionis a a a és do ins umen o da axa de ju o,
le a á a uma edução da axa de ju o domés ica em elação à axa de ju o ex e na, p o ocando
uma dep eciação da moeda domés ica. Assim os bens domés icos icam mais ba a os em
compa ação com os bens es angei os, aumen ando po im as expo ações e o p odu o in e no
do país. Em sen ido con á io, caso o Banco Cen al ado e uma polí ica mone á ia es i i a de
modo a comba e a in lação, a axa de ju o domés ica aumen a á em elação à axa de ju o ex e na,
po consequência a ap eciação da moeda domés ica ela i amen e à moeda es angei a, os bens
nacionais icam mais ca os em compa ação com os bens es angei os, diminuindo assim as
expo ações e o p odu o in e no do país.
Concluindo, es e ins umen o é de eno me impo ância pa a o Banco Cen al quando aplicada
a polí ica mone á ia. O e ei o é eal na economia onde a iá eis mac oeconómicas como
expo ações, in es imen o e p odu o in e no b u o es ão sujei as a a iações em consequência de
uma mudança das axas de ju o e das axas de câmbio, p o ando assim, a co elação exis en e
en e es es dois ins umen os de ansmissão da polí ica mone á ia.
3.4 Canal de c édi o
Na isão adicional do uncionamen o a polí ica mone á ia, as al e ações nes a polí ica a e am
a economia eal po meio do canal da axa de ju o. De com aco do com es a pe spe i a, os
esponsá eis pela polí ica de inem as axas de ju o de cu o p azo pa a in luencia o cus o de
capi al, a qual impac a nos in es imen os emp esa iais e na p ocu a po bens du adou os. Pa a
Black Richa d J. (2007), comp eende o e ei o da polí ica mone á ia nos emp és imos bancá ios
é impo an e pa a en ende o mecanismo de ansmissão da polí ica mone á ia. A um ní el eó ico,
os canais da axa de ju o e do p eço dos a i os p essupõem que os agen es na economia se
compo am de um modo mecanicis a, alhando no a amen o da ques ão de como o se o
inancei o, e em pa icula as ins i uições bancá ias, eagem ao impulso da polí ica mone á ia. A
insa is ação com as eo ias con encionais pa a a explicação do mecanismo de ansmissão
mone á ia, conduziu a uma no a isão amplamen e desen ol ida nos inais do século passado,
que salien a as impe eições p esen es nos me cados inancei os (Pacheco, 2006). Assim, impo a
e em a enção o canal de c édi o que segundo F. Mishkin (1996) em ecebido mui a a enção na
pesquisa du an e os úl imos anos. Fa inha e Ma ques (2003) ambém des aca am a impo ância
des e canal e e indo que a in es igação mais ecen e em indo a analisa o papel dos bancos na
ansmissão da polí ica mone á ia.
34
Bancos Cen ais aplicam a polí ica mone á ia po meio do c édi o bancá io e demons am a
impo ância dos bancos no sis ema inancei o, dada a sua capacidade nas ques ões da in o mação
assimé ica exis en e no me cado de c édi o segundo S igli z e Weiss (1981).
Nes e canal os p incipais p oblemas es ão p esen es en e c edo es e de edo es, a in o mação
assimé ica que há en e os agen es económicos e o isco mo al exis en e na ealização dos
c édi os bancá ios. Assim como esul ado dos p oblemas de in o mação, e i icação e aplicação
dos con a os inancei os, su gem dois canais básicos de ansmissão mone á ia: o canal dos
“emp és imos bancá ios” (banking lending channel) e o canal do “balanço” (balance-shee
channel). No mesmo sen ido, Black Richa d J. (2007) e e e que den o do canal de c édi o
exis em dois canais pelos quais as ope ações inancei as na aplicação da polí ica mone á ia podem
ope a : o canal do emp és imo bancá io e o canal do balanço pa imonial. Es es au o es
conside am que é impo an e ha e uma dis inção en e os dois canais, po que o e ei o da polí ica
mone á ia na disponibilidade de c édi o pode se di e en e pa a alguns de edo es.
3.4.1 Canal dos emp és imos bancá ios
Reme endo pa a a de inição do canal de c édi o, o canal dos emp és imos bancá ios
cen a-se no impac o das decisões de polí ica mone á ia sob e o balanço dos bancos e a o e a de
c édi o. A isão “ adicional” assen a nos e ei os de polí ica induzidos po ia das quan idades e
no concei o do mul iplicado mone á io (Sousa e al. 2007). O canal dos emp és imos bancá ios
concen a-se mais es ei amen e no possí el e ei o das decisões da polí ica mone á ia na o e a de
emp és imos po ins i uições deposi á ias (Be nanke & Ge le , 1995). Assim, es e canal dos
emp és imos bancá ios p e ê que os bancos eduzam os seus emp és imos quando a polí ica
mone á ia é ape ada. O p ocesso começa com uma con ação mone á ia que esgo a as ese as
do sis ema bancá io e assim deixa os bancos com menos undos pa a emp es a al como
con i ma am Be nanke e Blinde (1988). Já Mishkin (1996), a gumen a que o canal dos
emp és imos bancá ios se baseia no papel especial que os bancos em em esol e os p oblemas
de in o mação assimé ica no me cado de c édi o. De ac escen a que o papel dos bancos na
c iação de moeda é an o maio quan o maio es o em as suas ese as bem como o ní el de
depósi os bancá ios, po enciando des a o ma o seu ní el de emp és imos às emp esas pa a
inancia os in es imen os, e às amílias pa a inancia o consumo e a aquisição de habi ação. Es e
aumen o de ese as e do ní el de emp és imos aduz-se numa polí ica mone á ia expansionis a.
35
3.4.2 Canal do balanço
Já o segundo canal, o canal do balanço, segundo Be nanke e Ge le , (1995) en a iza o
impac o po encial das mudanças na polí ica mone á ia nos balanços e demons ações de
esul ados dos de edo es, luxo de caixa e a i os. Pa a o
Commi ee on Banking Supe ision
(2011)
o canal ap esen a-se em duas ideias básicas, a p imei a é que a in o mação assimé ica dá o igem
a uma di e ença en e o cus o de inanciamen o in e no e o de undos ex e nos. Esse p émio de
inanciamen o ex e no compensa os c edo es pela melho in o mação dos de edo es sob e a
qualidade e en abilidade de p oje os de in es imen o. A segunda ideia básica é que essa di e ença
en e o cus o de undos in e nos e ex e nos es á in e samen e elacionada à iqueza líquida que o
de edo pode o e ece como ga an ia. A aplicação da polí ica mone á ia al e a di e amen e a
es abilidade económica e inancei a dos di e sos agen es. Pa a Sousa e al. (2007) a ins abilidade
inancei a pode in luencia a capacidade do canal de c édi o da polí ica mone á ia, aumen ando
signi ica i amen e o p émio de inanciamen o ex e no, an o dos in e mediá ios inancei os como
do se o inancei o. Assim, quando se a a de uma polí ica es i i a, o aumen o das axas de ju o
conduz a uma diminuição nos p eços dos a i os e consequen emen e o alo das ga an ias.
Associado a es e canal es á ambém o p émio de inanciamen o ex e no, mas segundo Papadamou
e al. (2014) o canal do balanço pa imonial, ul apassa o papel da axa de p émio de
inanciamen o ex e no p o enien e de choques de in o mação, dependendo da posição inancei a
dos de edo es. Hall (2001) e e e que o canal do balanço pa imonial ope a ealizando al e ações
nos cus os de banco e na axa de p émio de inanciamen o ex e no consoan es posições em que
os de edo es se encon am inancei amen e.
Concluindo, segundo o
Commi ee on Banking Supe ision
(2011), o canal de c édi o no
sen ido amplo (canal do balanço) diz nos que ha e á um impac o maio naqueles agen es pa a os
quais o cus o dos undos é mais sensí el ao cola e al o e ecido, enquan o a abo dagem de
emp és imos bancá ios p e ê um impac o maio em agen es que são mais dependen es de
emp és imos bancá ios. Caso das amílias e da maio ia das ins i uições não inancei as, que
dependem o emen e dos emp és imos bancá ios pa a sa is aze em as suas necessidades como
no c édi o ao consumo, no c édi o à habi ação e no inanciamen o das emp esas.

36
4. Me odologia
4.1 Obje i os do es udo
O obje i o des e es udo é ealça a impo ância do canal de c édi o na ansmissão da
polí ica mone á ia a a és do c édi o às emp esas e às amílias. Assim, o in ui o da in es igação
passa po es uda o impac o que algumas a iá eis como as axas de ju o, a axa de ju o da dí ida
pública, a in lação e a axa de poupança das amílias in luencia os c édi os bancá ios pa a as
emp esas e pa a as amílias. A a és des a análise u ilizando os modelos economé icos, impo a
pe cebe qual dos agen es económicos, as emp esas ou as amílias, oi mais a e ado com a
aplicação da polí ica mone á ia a a és do canal de c édi o.
4.2 Va iá el dependen e e a iá eis independen es
As a iá eis a explica são o c édi o às emp esas e às amílias. A base de dados é do
Banco de Po ugal.
O es udo con ém ês modelos economé icos, e oi op ado pela escolha de a iá eis
comuns a ambos os modelos e ac escen ada uma a iá el no modelo das amílias B de o ma a
ap o unda mais o c édi o às amílias. Todos os dados o am ans e idos pela da abase do Banco
de Po ugal.
O pe íodo empo al em análise é de 20 anos, a pa i do ano de 2003 a é ao inal de 2023,
ex aindo os dados mais a ualizados a é essa da a. Assim, nes e pe íodo empo al incluem-se a
c ise económico- inancei a, a c ise das dí idas sobe anas e a c ise pandémica Co id-19, que
c ia am ins abilidade económica mundial.
Como já oi e e ido, a aliou-se o impac o dos c édi os bancá ios ao longo da ansmissão
da polí ica mone á ia pa a as emp esas e as amílias. Assim, o am analisados ês modelos,
p imei amen e um que se oca no impac o des e ins umen o no c édi o às emp esas e,
pos e io men e, os dois es an es modelos cen am-se no agen e económico amílias.
Em elação às a iá eis escolhidas pa a os dois modelos o am iden i icadas como
a iá eis dependen es, ou a explica , os c édi os às emp esas e os c édi os às amílias. As a iá eis
independen es, ou explica i as, são u ilizadas pa a analisa o compo amen o das duas a iá eis
dependen es, pe mi indo assim pe cebe o seu impac o em cada modelo. Fo am de inidas
a iá eis comuns a dois modelos, e uma a iá el adicional no modelo das amílias B.
37
4.3 Ap esen ação dos modelos economé icos
4.3.1. Modelo economé ico do c édi o às emp esas
Ap esen ação do modelo:
C edemp = Txemp + Txdi pub + In
C edemp = ß0 + ß1Txemp + ß2 Txdi pub + ß3 In +
Ɛ
Tabela 1
: Ap esen ação das a iá eis do modelo das emp esas
Va iá eis do modelo
Desc ição
Es udos empí icos
C edemp
C édi o às emp esas
Va iá el dependen e
Cas o e San os (2010)
Txemp
Taxa de ju o no c édi o às
emp esas
a iá el independen e
English e al. (2024)
Fa ia-e-Cas o e Jo dan-Wood,
(2022)
Txdi pub
Taxa de ju o de dí ida pública
a iá el independen e
Engen e Hubba d, (2004)
Ad ian e al., (2024)
In
In lação
Va iá el independen e
G oen, (2004)
No a: Elabo ação p óp ia
4.3.2 Modelos economé icos do c édi o às amílias
Ap esen ação do modelo A:
C ed amA = ß0 + ß1Tx am + ß2 Txdi pub + ß3 In +
Ɛ
Ap esen ação do modelo B:
C ed amB: ß0 + ß1Tx am + ß2 Txdi pub + ß3 In + ß4Txs am +
Ɛ
Tabela 2
: Ap esen ação das a iá eis do modelo das amílias
Va iá eis do modelo
Desc ição
Es udos empí icos
C ed am
C édi o às amílias Va iá el
dependen e
Cas o e San os (2010)
Tx am
Taxa de ju o no c édi o às
amílias
Va iá el independen e
Flodén e al. (2021)
Fa ia-e-Cas o e Jo dan-Wood
(2022)
Txdi pub
Taxa de ju o de dí ida pública
Va iá el independen e
E. M. Engen e Hubba d (2004)
Ad ian e al. (2024)
In
In lação
Va iá el independen e
G oen, (2004)
Txs am
Taxa da poupança das
amílias
Va iá el Independen e
(Glick e J. Lansing (2011)
Bouis (2021)
No a: Elabo ação p óp ia
38
5 E olução das a iá eis dos modelos
5.1 Modelo emp esas
5.1.1 Taxas de ju o do c édi o às emp esas
G á ico 1
:
Taxas de ju o do c édi o às emp esas: 2003-2023
No a: Elabo ação p óp ia. Fon e: Banco de Po ugal
Depois de ap esen ado os modelos economé icos, segue-se uma análise das a iá eis
dependen es, en a izando a sua elação com a axa de ju o concedida às emp esas e às amílias.
No p imei o g á ico analisou-se a e olução da axa de ju o do c édi o às emp esas em
Po ugal no pe íodo empo al de inido, en e 2003 e 2023. No p imei o ano no a-se uma ligei a
descida da a iá el passando dos 5,04% pa a os 4,86%. Po ém, nos anos pos e io es a é ao ano
de 2008, egis ou-se um c escimen o signi ica i o, a ingindo assim a axa de ju o mais ele ada no
pe íodo em análise, p óxima dos 7% (6,68%). É jus i icada pela c ise económica e inancei a i ida
no mundo, as axas de ju o no c édi o às emp esas a caí em a pique a é ao ano de 2010, que
egis ou uma axa de 4,6%. Pos e io men e, egis ou no amen e uma subida, chegou aos 6,16%,
no ano de 2012. A pa i desse ano a endência oi de um dec éscimo cons an e a é 2020,
egis ando a axa de ju o do c édi o mais eduzida, 2%. Nos anos de 2021 e 2022 egis ou-se um
ligei o c escimen o endo chegado aos 2,70%, no inal do pe íodo empo al analisado.
0
1
2
3
4
5
6
7
8
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
39
5.1.2 Taxas de ju o e c édi o às emp esas: 2003-2023
No a: Elabo ação p óp ia. Fon e: Banco de Po ugal
A a és do g á ico 2 é possí el obse a en e 2003 e 2023, a e olução dos c édi os
concedidos às emp esas po uguesas e as espe i as axas de ju o dos c édi os às emp esas. A
in o mação é semes al al como i á se a análise economé ica no modelo ap esen ado, e em
como obje i o pe cebe se a axa de ju o nos c édi os às emp esas e e in luência di e a com a
e olução dos emp és imos concedidos às en idades não inancei as em Po ugal. Como é possí el
obse a no g á ico 2, a axa de ju o no c édi o às emp esas desceu ligei amen e nos p imei os
dois anos de análise, enquan o os c édi os concedidos às emp esas po uguesas aumen a am de
uma o ma signi ica i a num cu o pe íodo, passando dos 27 mil milhões de eu os no início de
2003, pa a alo es acima dos 32 mil milhões. Nos anos seguin es, a axa de ju o egis ou um o e
aumen o, a ingindo a sua axa máxima no pe íodo empo al obse ado, axa essa a onda os 7%.
Os c édi os às emp esas o am aumen ando e diminuindo g adualmen e, sendo assim egis adas
á ias lu uações dos emp és imos às en idades não inancei as. A pa i de 2008, ano ma cado
pelo início da c ise inancei a global, começou-se a sen i a edução dos emp és imos concedidos
às emp esas po uguesas. Desde en ão os c édi os caí am a pique passando de alo es a onda
os 30 mil milhões de eu os pa a alo es abaixo dos 15 mil milhões de eu os, Uma descida de
0,00
1,00
2,00
3,00
4,00
5,00
6,00
7,00
8,00
0
5000
10000
15000
20000
25000
30000
35000
40000
1_2003
1_2004
1_2005
1_2006
1_2007
1_2008
1_2009
1_2010
1_2011
1_2012
1_2013
1_2014
1_2015
1_2016
1_2017
1_2018
1_2019
1_2020
1_2021
1_2022
1_2023
Taxa de ju o
C édi o às emp esas
C édi o às Emp esas Taxa_de_ju o_c édi o_emp esas
%
G á ico 2: Taxas de ju o e c édi o às emp esas: 2003-2023
46
Flodén e al. (2021) analisa am o e ei o da polí ica mone á ia nos gas os das amílias
suecas quando as amílias es ão endi idadas e as axas de ju o sob e emp és imos penden es
es ão inculadas às axas de ju o de cu o p azo. Es es au o es, po ém, es uda am os gas os das
amílias, po exemplo o c édi o hipo ecá io en e ou os, com a polí ica mone á ia usando a iá eis
di e en es, mas com o impac o da axa de ju o semp e p esen e.
English e al. (2024) e o ça am a impo ância que a polí ica mone á ia e e no comba e
à in lação no pe íodo após a c ise pandémica mundial. Cada ez que se e i ica um aumen o das
axas de ju o, há um consequen e aumen o de s ess inancei o pa a as amílias, emp esas e
ins i uições inancei as, le ando a endi idamen o das amílias e a aumen o do núme o de alências
de mui as emp esas (English e al. 2024). Nes a análise, es es au o es abo da am a polí ica
mone á ia, duas a iá eis de o ma di e a como a axa de ju o e a in lação, e de o ma indi e a os
c édi os concedidos aos agen es económicos p esen es no es udo.
Nos modelos ap esen ados na me odologia des e abalho, uma ou a a iá el ambém
impo an e ac escen ada é a axa de ju o de dí ida pública. Engen e Hubba d (2004) analisa am
a elação das axas de ju o da dí ida pública com as axas de ju o eais. Concluí am que o aumen o
da dí ida pública le a a um aumen o da axa de ju o eal e, indi e amen e a e a a es abilidade
económica de de e minada economia com al os ní eis de dí ida. Nes e caso os go e nos êm
menos capacidade de o nece apoios a bancos em di iculdades e, se o ize em, os cus os dos
emp és imos sobe anos podem aumen a ainda mais. Taxas de ju o mais al as, ní el mais al os
de dí idas sobe ana e uma pa cela maio dessa dí ida no balanço do se o bancá io o nam o
se o inancei o mais ulne á el (Ad ian e al. 2024).
A ansmissão da polí ica mone á ia po pa e do Banco Cen al a e a a dinâmica
económica de de e minado país, consoan e a dí ida pública de cada economia. Assim, as polí icas
o çamen ais e iscais em de i de encon o à polí ica mone á ia aplicada pa a ha e c escimen o
e es abilidade económica. Ad ian e al. (2024) concluem que num con ex o de espaço iscal
limi ado, po causa da dí ida ele ada, as p essões sob e as au o idades mone á ias pa a ole a
des ios da es abilidade de p eços de o ma a apoia as inanças públicas ou sis ema inancei o,
podem aumen a . Isso pode se especialmen e ele an e em países com ele ada dí ida pública.
Se isso acon ecesse com países sis ema icamen e impo an es, a ola ilidade do me cado
inancei o ambém pode ia aumen a , acele ando o cus o de inanciamen o pa a as emp esas e
amílias globalmen e.

47
As p eocupações com a dí ida que a e am as axas de ju o de e e ência pode, po sua ez,
dis o ce os p eços dos a i os e p ejudica o uncionamen o do me cado.
Quan o à a iá el in lação, es á semp e p esen e em qualque es udo de o ma di e a ou
indi e a, e é uma das a iá eis que em mais in luencia na o e a de c édi o. Recen emen e como
é possí el obse a no Cen al Bank (2020) a in lação p óxima dos 2% e a es abilidade de p eços
é o obje i o p imo dial do BCE, é uma a iá el com elação in e sa com as axas de ju o e com
consequências di e as no inanciamen o das emp esas e amílias. Con udo nes e es udo, no
modelo amílias A e B, o impac o no c édi o é nega i o o que implica uma elação in e sa.
Adicionalmen e ambém oi ac escen ada num dos modelos economé icos a analisa
(modelo das amílias B) a axa da poupança das amílias. Em e mos eó icos es a a iá el
demons a e uma elação nega i a com a p ocu a po c édi o das amílias. Bouis (2021) conclui
que a edução do endi idamen o das amílias não aumen a as axas de poupança ou eduz o
c escimen o o c escimen o do consumo, ao con á io do que é a gumen ado po ou os au o es.
Embo a o declínio associado a axas de poupança supe io es ou a um meno c escimen o do
consumo em alguns países, essa elação e le e uma con ação no c édi o ao consumido , que
ep esen a uma pequena pa e da dí ida o al das amílias. Con udo, uma diminuição na elação
dí ida- enda hipo ecá ia nunca es á associada a axas de poupança mais al as ou a meno
c escimen o do consumo como e e e Bouis (2021). Isso suge e que uma polí ica con endo dí ida
amilia po meio das hipo ecas mais baixas não se ia necessa iamen e p ejudicial pa a o
consumo. No en an o, Glick e J. Lansing (2011) concluem pela exis ência de uma elação
nega i a en e os c édi os concedidos às amílias e axa da poupança das amílias.
6.2 Tes es ealizados: Du bin-Wa son, B eusch-God ey, en e ou os
Nes e pon o se ão ap esen ados os p incipais Tes es u ilizados na análise da pe o mance dos
modelos economé icos elabo ados nes e es udo: Shapi o-Wilk, Du bin-Wa son, B eusch-God ey,
Rese , B eusch-Pagan, Ja que-Be a e Mul icolinea idade.
48
Tes es de Validação/ Diagnós ico: melho es imado linea e cên ico
A ealização dos es es de alidação ou de diagnós ico são os indicados pa a cump i um
dos p incipais obje i os dos dois modelos p esen es que é p ocu a pelos melho es es imado es
linea es e cên icos. Es es es es são impo an es pa a a ingi esse obje i o e consegui os
esul ados p e is os na ealização do es udo. Den o des es es es de alidação/ diagnós ico es ão
p esen es o es e de no malidade, o es e de he e oscedas icidade, o es e de au oco elação, o
es e de es abilidade, o es e de co elação se ial, o es e RESET (a especi icação e ada) e a
no malidade dos esíduos.
Tes e Shapi o-Wilk
O es e Shapi o-Wilk consis e num es e es a ís ico ealizado com o in ui o de e i ica
a no malidade da dis ibuição de dados de um modelo de eg essão linea . Es e es a a alia a
hipó ese nula de que os dados seguem uma dis ibuição no mal. É calculada a es a ís ica W e o
espe i o p- alue. A ealização do es e Shapi o-Wilk é undamen al na a aliação das in e p e ações
dos esul ados do modelo em análise.
Tes e Du bin-Wa son
O es e Du bin-Wa son, o es e de au oco elação, consis e num es e que a alia a
exis ência de co elação se ial nos esíduos do modelo de eg essão linea . Caso não se e i ique
a p esença de au oco elação en ão acei a-se a hipó ese nula (H0). Em sen ido con á io e não
exis indo au oco eção, o que signi ica que o modelo pode es a mal especi icado ou que o modelo
não cap u ou co e amen e o conjun o comple o dos dados acei ando assim a hipó ese nula.
Tes e B eusch-God ey
Es e es e é usado pa a e i ica a exis ência de au oco elação se ial nos esíduos do
modelo. Há au oco elação quando os esíduos (e os) do modelo de eg essão não são
independen es en e si.
Assim, os dois es es ap esen ados an e io men e êm o mesmo obje i o quando ealizados,
po ém, são ú eis em modelos de o dens di e en es. Tan o o es e do Du bin-Wa son como o es e
B eusch-God ey são u ilizados pa a de e a a p esença de au oco elação nos esíduos no modelo
em ques ão. O p imei o es e é ei o pa a de e a au oco elação de p imei a o dem nos esíduos
49
dos modelos de eg essão enquan o o segundo es e, B eusch-God ey, é u ilizado pa a de e a
au oco elação de qualque o dem.
Tes e Rese : Tes e à o ma uncional
O es e à o ma uncional ca ac e iza-se po se um es e es a ís ico que e i ica se o
modelo de eg essão em análise no es udo é indicado pa a a alia a elação exis en e en e as
a iá eis dependen es e independen es do modelo. Assim ai es a se as combinações não
linea es dos alo es ajus ados podem desc e e as a iá eis explica i as. Na e i icação de algum
e o depois de ealizado o es e RESET en ão exis e a p obabilidade de a e a a e acidade das
conclusões a e i a do modelo.
Tes e B eusch-Pagan
O es e de B eusch-Pagan é u ilizado pa a e i ica a exis ência de he e oscedas icidade
nos esíduos no modelo de eg essão linea . Como já oi abo dado, se o modelo ap esen a
homoscedas icidade en ão os es imado es são e icien es. Caso con á io se o modelo ap esen a
he e oscedas icidade en ão os es imado es o nam-se ine icien es não cump indo assim uma das
condições p esen es nos OLS da eg essão linea . Pa a e i ica se odos os esíduos con êm uma
a iação cons an e é necessá ia en ão a ealização do es e de B eusch-Pagan.
Tes e Ja que-Be a
O es e Ja que-Be a consis e num es e es a ís ico e o obje i o é a alia a no malidade dos
esíduos do modelo em es udo, e i icando se a sé ie de dados em análise segue uma dis ibuição
no mal. Assim que ealizado o es e e e i icando se que a amos a dos dados não segue uma
dis ibuição no mal, en ão de e-se ealiza uma análise mais p ecisa do modelo.
A p incipal jus i icação pa a a ealização des e es e é pa a e i ica a no malidade dos
e os do modelo pois não ha endo essa no malidade, podem exis i p oblemas nas es a ís icas
das es ima i as do coe icien e. Assim as hipó eses p esen es nes e es e são as seguin es
ap esen adas:
Tes e de Mul icolinea idade: Índice de In lação da Va iância
O es e de Mul icolinea idade ou ambém denominado como es e VIF ( a iance in la ion ac o )
é ealizado com o obje i o de e i ica a mul icolinea idade exis en e no modelo. A a és da
ealização do es e VIF é possí el iden i ica a exis ência de mul icolinea idade en e as a iá eis
50
independen es do modelo em ques ão medindo quan o a a iância de um de e minado es imado
do modelo é in lacionado de ido à elação de colinea idade com as es an es a iá eis do modelo.
A in e p e ação dos esul ados na ealização do es e VIF con ém uma ma gem en e o núme o
1 e alo es supe io es a 10. Quando o VIF é igual a 1 pode-se a i ma que não há colinea idade
o e en e a a iá el dependen e e as a iá eis independen es. Quando o alo do es e de
mul icolinea idade se encon a en e o 1 e o 5 con i ma-se a exis ência de alguma
mul icolinea idade en e as a iá eis. Já se o esul ado do es e VIF o supe io en ão con i ma-se
uma co elação o e e exis ência de mul icolinea idade no modelo em es udo. Após os esul ados
ob idos no es e VIF e i am-se as conclusões em elação à mul icolinea idade do modelo e caso
se e i ique exis ência de o e mul icolinea idade en ão é undamen al co igi ajus ando po
exemplo o pe íodo empo al das a iá eis, de o ma a ap imo a a alidade do modelo em es udo.
7 Análise e discussão de esul ados
7.1 Resul ados do modelo economé ico das emp esas
Tabela 3: Resul ados Modelo Emp esas
Coe icien es
Es ima e
- alue
P (> ( )
In e cep
6300,4
2,467
0,0183*
Txemp
4264,2
5,323
4,83e-06***
Txdi pub
-557,1
-1,237
0,2236
In
-726,7
-1,900
0,0651
(***- signi ica i o a 99%; **- signi ica i o a 95%; * signi ica i o a 90%)
Mul iple R-squa ed = 0,5437
Adjus ed R-squa ed = 0,5077
F-s a is ic = 15,09
p- alue = 1,259e-06
N= 42
51
7.1.1 In e p e ação dos coe icien es
No g á ico acima é possí el obse a os esul ados e e en es ao modelo das emp esas
podendo e i a algumas conclusões em elação à in luência das a iá eis independen es na
a iá el dependen e: c édi os concedidos às emp esas po uguesas. Quando odas as a iá eis
independen es são ze o, o alo médio dos c édi os concedidos é de 6300,4 milhões de eu os.
Como oi analisado ao longo do es udo, uma das p incipais a iá eis na concessão de c édi os às
emp esas é a p óp ia axa de ju o. Reco endo ao g á ico é no ó ia a impo ância des a a iá el no
modelo, quando há o aumen o de uma unidade na axa de ju o do c édi o às emp esas há um
aumen o de 4264,2 unidades no c édi os às emp esas. Con udo as es an es a iá eis p esen es
no modelo aduzem uma elação nega i a com a a iá el dependen e. Quando aumen a uma
unidade da axa de ju o de dí ida pública, os c édi os às emp esas em uma descida de 557,1
milhões de eu os. Em elação à axa de in lação, a a iá el dependen e diminui 726,7 unidades
de medida, aquando de um aumen o de uma unidade na axa de in lação. Numa p imei a análise,
obse a-se que apenas a a iá el independen e, a axa de ju o é es a is icamen e signi ica i a que
impac a posi i amen e a a iá el dependen e, e a in lação é signi ica i a a quase 0,95%.
Conclui-se, que é posi i o e o e o impac o da axa de ju o no inanciamen o das
emp esas, mas a in lação e a dí ida pública impac am nega i amen e no c édi o ( inanciamen o)
às emp esas, embo a não sendo es a is icamen e signi ica i o.
7.1.2 In e p e ação dos esíduos pad onizados: modelo emp esas
Em elação aos esíduos pad onizados ob e e-se um R2 (Mul iple R-squa ed) de 0,5437 o
que indica que 54,37% da a iação da a iá el dependen e, os c édi os concedidos às emp esas,
é explicada pelo modelo. Is o signi ica que as ês a iá eis independen es do modelo impac am
acima de 50% a a iação da a iá el a explica . O esul ado do R2 ajus ado (Adjus ed R-squa ed)
oi de 0,5078 sendo mínima a di e ença en e os dois R2 e indicando que o modelo es á
su icien emen e bem ajus ado.
A es a ís ica F que ob ida na lei u a do modelo de eg essão das emp esas oi de 15,1
ap oximadamen e, alo ele ado e que aduz que o modelo é globalmen e signi ica i o. O in ui o
de ob e a F-s a is ic é de es a que as a iá eis independen es não explicam signi ica i amen e a
a iá el independen e. O p- alue con i ma ambém que o modelo é globalmen e signi ica i o pois
o alo esul an e da lei u a oi in e io a 0,05 e o çando a ideia que as a iá eis independen es
des e modelo explicam a a iá el dependen e de uma o ma signi ica i a. De seguida ão se

52
ealizados á ios es es pa a e i ica a no malidade dos esíduos, a p esença de au oco elação
dos esíduos e a exis ência ou não de he e oscedas icidade no modelo em análise
7.2 Análise dos esul ados dos Tes es economé icos: modelo emp esas
7.2.1 No malidade dos esíduos- Shapi o-Wilk no mali y Tes
W = 0,95523
p- alue = 0,09955
No modelo economé ico das emp esas a es a ís ica de es e Shapi o-Wilk es , a
e i icação da No malidade dos esíduos, oi de 0,95523 enquan o o p- alue oi de 0,09955. Es es
alo es indicam que os esíduos do modelo das emp esas seguem uma dis ibuição no mal.
Aplicando o es e de Shapi o-Wilk pa a a e i icação da no malidade dos esíduos cons a a-se que
os mesmos cump em a eg a da no malidade com o ní el de signi icância supe io a 95% (p <
0,09955).
7.2.2 Tes e Ja que Be a
Es a ís ica X2 = 5,0421
d = 2
p- alue = 0,08037
O es e Ja que Be a é u ilizado pa a a e i icação da no malidade dos esíduos do modelo
de eg essão em análise. Ao ealiza o es e Ja que Be a, a alia-se a no malidade com base em
assime ia e na cu ose dos esíduos. Em esul ado des e es e, com d =2, ob e e-se a es a ís ica
X2 com um alo de 5,0421, e um p- alue de 0,08. A hipó ese nula p esen e nes e es e é que os
esíduos seguem uma dis ibuição no mal. A a és dos esul ados ob idos, não há e idências
es a ís icas que conside em que os esíduos do modelo não seguem uma dis ibuição no mal, logo
os esíduos do modelo das emp esas es ão no malmen e dis ibuídos.
53
7.2.3 Tes e Du bin-Wa son
Au oco elação (lag1) = 0,6359282
Es a ís ica D-W= 0,4769754
p- alue= 0
Pa a es a a p esença de au oco elação se ial de p imei a o dem nos esíduos no modelo
de eg essão das emp esas oi ealizado o es e Du bin-Wa son. O alo ob ido de au oco elação
de lag 1 oi de ap oximadamen e 0,64 enquan o a es a ís ica D-W oi p óxima de 0,48. Tendo sido
ob ida es a ís ica D-W de 0,48 e au oco elação de lag1 igual a 0,64 en ão há a possibilidade de
os esíduos do modelo es a em co elacionados. Con i ma-se a p esença de au oco elação
posi i a signi ica i a nos esíduos do modelo em análise.
7.2.4 Tes e B eusch-God ey
Es a ís ica LM = 18,514
d = 1
p- alue = 1,686e-05
O es e B eusch-God ey al como já mencionado é analisado pa a e i ica se há
au oco elação se ial dos esíduos de um de e minado modelo de eg essão. No modelo em
es udo, ob e e se uma es a ís ica LM de 18,514. A es a ís ica Lag ange Mul iplie compa a-se com
uma dis ibuição qui-quad ado com g aus de libe dade, igual ao nº de des asagens incluídas no
modelo especí ico, nes e em especí ico d = 1. O alo ob ido é ele ado indicando uma al a
p obabilidade de au oco eção dos esíduos. O p- alue esul an e do es e B eusch-god ey oi de
1,686e-05, alo mui o eduzido que e o ça a e idência es a ís ica de ejei a a hipó ese nula, logo
a e i icação da não p esença de au oco elação. Assim conclui-se que há e idência es a ís ica
que conclua que há au oco elação de p imei a o dem nos esíduos do modelo de eg essão das
emp esas.
7.2.5 Tes e RESET
Es a ís ica RESET = 0,035717
d 1 = 1
d 2 = 37
p- alue = 0,8511
54
O es e Ramsey ou ambém conhecido como es e RESET é ealizado pa a e i ica se o
modelo de eg essão linea es á co e amen e especi icado, caso es eja co e amen e especi icado
en ão não se ejei a a hipó ese nula, em caso con á io ejei a-se a H0 e con i ma-se que o modelo
es á especi icado inco e amen e. A es a ís ica RESET ob ida oi ap oximadamen e de 0,036 e o
p- alue de 0,85 en ão con i ma-se que o modelo de eg essão das emp esas es á co e amen e
especi icado.
7.2.6 Tes e B eusch-Pagan
Es a ís ica BP = 9,1566
d = 3
p- alue = 0,02728
A a és da ealização do es e B eusch-Pagan oi ob ida a es a ís ica BP de 9,1566 e um
p- alue de 0,02728 com ês g aus de libe dade (d =3). O alo do p- alue indica a p esença de
he e oscedas icidade signi ica i a, a a iância dos e os não é cons an e ao longo das obse ações.
Ve i icando-se p esença de he e oscedas icidade nos esíduos do modelo das emp esas, en ão é
iolada uma das eg as undamen ais da eg essão linea a e ando assim a e iciência das
es ima i as dos coe icien es.
7.2.7 Tes e VIF: ausência de mul icolinea idade
VIF ( xemp) = 2,360787
VIF ( xpb) = 2,327978
VIF (ii) = 1,052288
O es e da Mul icolinea idade ou es e VIF é ealizado quando há no mínimo duas a iá eis
independen es num modelo de eg essão que es ão co elacionadas en e si. A mul icolinea idade
e i ica-se quando há co elação signi ica i a en e as a iá eis explica i as. No modelo em análise
es ão p esen es ês a iá eis que se encon am co elacionadas en e elas. No es e VIF quando
esul am alo es in e io es a 5 en ão con i ma-se a mul icolinea idade das a iá eis é pouco
signi ica i a. os alo es esul an es do es e VIF no modelo das emp esas o am in e io es a 5 o
que indica a ausência de mul icolinea idade p eocupan e en e as a iá eis independen es do
modelo. O maio VIF ob ido oi na a iá el axa de ju o no c édi o às emp esas (2,360787) mas
ainda a as ado do limi e acei á el. Pode-se assim conclui a ausência de mu icolinea idade
signi ica i a no modelo dos c édi os concedidos às emp esas.
55
7.3 Resul ados do modelo economé ico amílias
Tabela 4: Resul ados Modelo Famílias A
Coe icien es
Es ima e
alue
P (> ( )
In e cep
760718
13,740
2,55e-16***
Tx am
-24593
-1,662
0,10481
Txdi pub
22604
2,967
0,00517**
In
-4183
-0,664
0,51082
Mul iple R-squa ed = 0,2019
Adjus ed R-squa ed = 0,1389
F-s a is ic = 3,204
P- alue = 0,03387
N= 42
Tabela 5: Resul ados Modelo Famílias B
Coe icien es
Es ima e
alue
P (> ( )
In e cep
870548
12,762
4,03e-15***
Tx am
-27094
-1,946
0,0593
Txdi pub
25117
3,480
0,0013**
In
-8375
-1,362
0,1814
S am -11981 -2,484 0,0176*
(***- signi ica i o a 99%; **- signi ica i o a 95%; * signi ica i o a 90%)
Mul iple R-squa ed = 0,316
Adjus ed R-squa ed = 0,242
F-s a is ic = 4,273
P- alue = 0,006085
N =42
62
As ou as duas a iá eis p esen es no modelo ap esen a am alo es de 1,21 pa a a in lação e
1,09 pa a a axa da poupança das amílias.
Di o is o, é possí el conclui que an o um como ou o modelo ap esen am uma ausência
de mul icolinea idade signi ica i a, com alo es mui o eduzidos. Comp o a-se en ão que as
a iá eis independen es em ó ima independência en e elas.
7.5 Análise compa a i a dos esul ados dos modelos economé icos
Tabela 6:
Compa ação dos esul ados dos es es dos ês modelos
Modelo Emp
Mod Fam A
Mod Fam B
Shapi o-Wilk
W= 0,95523
p- alue = 0,09955
W= 0,8873
p- alue = 0,0006131
W= 0,95134
p- alue = 0,07213
Du bin-Wa son
D-W= 0,4769754
Au oco elação=0,6359282
D-W= 0,1195981
Au oco elação=0,8747359
D-W= 0,4308902
Au oco elação=0,7441878
B eusch-God ey
Es a ís ica LM= 18,514
p- alue= 1,686e-05
Es a ís LM= 36,354
p- alue= 1,646e-09
Es a ís ica LM= 28,264
p- alue= 1,058e-07
Rese
Es a ís ica Rese =0,035717
p- alue= 0,8511
Es a ís ica Rese = 0,38536
p- alue= 0,5386
Es a ís ica Rese = 2,461
p- alue= 0,1255
B eusch-Pagan
Es a ís ica BP = 9,1566
p- alue= 0,02728
Es a ís ica BP = 7,3457
p- alue= 0,06166
Es a ís ica BP = 10,76
p- alue= 0,0294
Fon e: Rs udio e elabo ação p óp ia
A a és dos dados p esen es na abela 6 p e ende-se ealiza uma compa ação dos
esul ados ob idos nos es es economé icos en e os ês modelos p esen es no abalho. Em
elação ao p imei o es e ap esen ado em que é es ada a no malidade dos esíduos, o modelo
das emp esas e das amílias B ap esen am um p- alue > 0,05 ao con á io do modelo das amílias
A. Logo os esíduos do modelo das amílias A não seguem uma dis ibuição no mal ao con á io
dos esíduos dos ou os dois modelos. Nos es es Du bin-Wa son e B eusch-God ey, onde é
es ado a exis ência de au oco elação, é e i icado o e au oco elação nos esíduos em odos os
modelos. Tan o a es a ís ica D-W em ambos é in e io 1 al como os p- alues ob idos no es e
B eusch-God ey são ex emamen e baixos, o que le a a ejei a a hipó ese nula de ausência
au oco elação posi i a nos modelos. No es e RESET o am ob idos p- alues supe io es a 0,05 o
que e idencia uma boa especi icação de cada modelo. No que diz espei o ao es e B eusch-Pagan

63
o p- alue do modelo do c édi o às emp esas é in e io a 0,05, logo e i ica-se a exis ência de
he e oscedas icidade. Já no modelo do amílias A, ob e e-se um p- alue supe io 0,05, não se
ejei ando a hipó ese nula de homoscedas icidade, ao in és do modelo das amílias B que
ap esen a um p- alue in e io a 0,05.
A a és da abela 8 é pe ce í el que quan o à no malidade apenas os modelos das
emp esas e das amílias B seguem uma dis ibuição no mal. Já em elação à au oco elação,
odos os modelos ap esen am au oco eção nos esíduos, sendo a mais o e no modelo das
amílias A. Pelo es e Rese nenhum dos modelos es á mal especi icado. Sob e a p esença de
homoscedas icidade, apenas exis e no modelo das amílias A. Nos modelos das emp esas e
modelo amílias B e i ica-se a p esença de he e oscedas icidade.
Tabela 7
: Compa ação dos alo es es imados dos ês modelos
Modelo Emp
Mod Fam A
Mod Fam B
In e cep
Es ima e= 6299,4
(0,0183*)
Es ima e= 760718
(2,55e-16***)
Es ima e= 870548
(4,03e-15***)
TxEmp/
TxFam
Es ima e= 4264,7
(4,81e-06***)
Es ima e= -24593
(0,10481)
Es ima e= -27094
(0,0593)
Txdi pub
Es ima e= -557,4
(0,2234)
Es ima e= 22604
(0,00517**)
Es ima e= 25117
(0,0013**)
In
Es ima e= -726,7
(0,0650)
Es ima e= -4183
(0,5108)
Es ima e= -8375
(0,1814)
Txs am
Es ima e= -11981
(0,0175*)
Fon e: Rs udio e elabo ação p óp ia
A abela 7 pe mi e aze uma análise compa a i a do impac o das a iá eis explica i as
nas a iá eis dependen es. É possí el obse a os alo es es imados e os p- alues associados a
cada a iá el. O alo do in e cep o é es a is icamen e signi ica i o no modelo das emp esas (90%)
enquan o no modelo amílias (A e B) é es a is icamen e signi ica i o a 99%. Em elação ao modelo
das emp esas, a axa de ju o do c édi o às emp esas ap esen a uma elação posi i a com a a iá el
dependen e, ao con á io do que se e i ica nos modelos das amílias. Po an o, mesmo com
aumen os da axa de ju o, os c édi os às emp esas aumen a iam, con a iando a li e a u a. No
modelos das amílias A e B, exis e elação in e sa en e os c édi os e axa de ju os do c édi o às
64
amílias. Po ém, a a iá el não é es a is icamen e signi ica i a, no modelo A e B. No modelo
emp esas, a axa de ju o é es a is icamen e mui o signi ica i a (99%).
A a iá el axa de ju o da dí ida pública impac a nega i amen e com o c édi o às
emp esas, mas impac a o e e posi i amen e no modelo amílias A e B. Nes es dois modelos, es a
a iá el explica i a é es a is icamen e signi ica i a, po an o e i ica-se um aumen o dos c édi os
às amílias quando a axa de ju o da dí ida pública ambém aumen a.
A in lação ap esen a uma elação nega i a nos ês modelos, is o é semp e que se e i ica
um aumen o da in lação, os c édi os concedidos aos dois agen es económicos (emp esas e
amílias) diminuem. Con udo a a iá el in lação não é es a is icamen e signi ica i a em nenhum
dos modelos.
Po im, a a iá el axa da poupança das amílias es á p esen e apenas no modelo B das
amílias, mas é es a is icamen e signi ica i a a 90%. De ac o, aumen o de p eços canaliza mais
endimen o pa a consumo e logo, menos pa a poupança, o que agiliza a capacidade de
inanciamen o (c édi o) das amílias.
Pode-se conclui que o modelo das emp esas é um modelo obus o, o modelo das amílias
icou a ganha mais capacidade explica i a com a in odução de uma no a a iá el no modelo.
Tabela 8:
Compa ação dos esíduos pad onizados
Mod Emp ModFamA
ModFamB
R2
R2 ajus ado
F-s a is ic
P- alue
0,5437 0,2019
0,5077 0,1389
4,273 3,204
0,006085 0,03387
0,3716
0,242
5,09
1,259e-06
Fon e: Rs udio e elabo ação p óp ia
Na abela 8 es ão ap esen ados os esíduos pad onizados dos modelos es udados ao
longo do abalho de o ma a compa a as mé icas que esul a am na lei u a dos modelos
economé icos. No modelo das emp esas, o R2 é supe io an o ao R2 do modelo das amílias A
como ao R2 do modelo das amílias B. Ce ca de 54,37% do modelo das emp esas é explicado
pelas a iá eis independen es, pe cen agem ela i amen e al a. Os ou os dois modelos
ap esen am pe cen agens mais eduzidas. O modelo das amílias A ap esen a uma pe cen agem
de apenas 20,19% enquan o o modelo das amílias B 37,16%. É possí el obse a que com a
65
inclusão de uma no a a iá el no modelo das amílias, a axa da poupança das amílias, o R2
aumen ou, logo as qua o a iá eis explica i as explicam uma maio pa e da a iação dos c édi os
às amílias que apenas as ês a iá eis independen es já p esen es no modelo. Mesmo com o
ajus amen o dos R2, o modelo das emp esas ap esen a uma pe cen agem mais ele ada que os
es an es modelos. Em elação às es a ís icas F, no modelo das amílias B oi a mais ele ada em
compa ação com os ou os modelos, 5,09. Po ém, ambém o am ele adas, 4,273 pa a o modelo
das emp esas e 3,204 pa a o modelo das amílias A. Em odos os modelos a es a ís ica F que se
ob e e indica uma elação o e en e a a iá el explica i a e as a iá eis independen es.
No que oca aos p- alues dos modelos, ambos o am in e io es a 0,05 e assim indicando
que são es a is icamen e signi ica i os. No modelo das emp esas, o p- alue que esul ou oi de
0,006085 ( alo in e io ao p- alue do modelo das amílias A), que esul ou em 0,03387 supe io
ao modelo das amílias B de 1,259e-06.
Conclui-se que dos ês modelos, o modelo das emp esas é o que ap esen a melho
capacidade explica i a. O modelo das amílias A é aquele que as a iá eis independen es em uma
meno capacidade de explica a a iá el dependen e, mas con inua a se signi ica i o. Po im o
modelo das amílias B, al amen e signi ica i o com um R2 mais ele ado que o modelo A, mas
in e io ao do modelo das emp esas, com um p- alue ex emamen e signi ica i o, consegue se
mais obus o do que o modelo A. Is o é explicado pela in odução da no a a iá el no modelo B
conseguindo aumen a a capacidade explica i a do modelo das amílias.
66
8 Conclusão, limi ações e suges ões pa a abalhos u u os
8.1 Conclusão
Es e es udo incidiu na análise dos c édi os concedidos às emp esas e amílias
po uguesas. Um dos p incipais obje i os des a disse ação oi pe cebe a e olução do c édi o
du an e a aplicação das polí icas expansionis as ou es i i as po pa e do Banco Cen al, que às
emp esas que às amílias em Po ugal. Com a e isão de li e a u a oi possí el pe cebe que o
ins umen o mais usado pa a a ingi os obje i os de es abilidade de p eços é a axa de ju o, po ém
exis em ou os como o canal de c édi o, o p eço dos a i os e a axa de câmbio. Todos es es
ins umen os o am abo dados na pa e eó ica, con udo empi icamen e a análise oi cen ada no
canal de c édi o às emp esas, bem como às amílias. Os c édi os às emp esas e a sua ele ância
pa a o c escimen o económico, bem como os c édi os às amílias e a sua impo ância pa a o bem-
es a o am emas ambém analisados na disse ação.
Es a análise oi ealizada com dados p esen es no Banco de Po ugal no pe íodo en e
2003 e 2023, com base no p og ama Rs udio sendo a análise de dados semes al. A a és dos
esul ados ob idos, oi possí el conclui que em elação ao modelo emp esas, a axa de ju o no
c édi o em impac o posi i o nos c édi os às emp esas po uguesas, o mesmo não se e i ica no
modelo do c édi o às amílias. Nos dois modelos do c édi o às amílias (A e B), a axa de ju o
ap esen a uma elação nega i a com a a iá el dependen e. Is o é, as amílias são mais sensí eis
ao cus o do c édi o ( axa de ju o) do que as emp esas. De ac o, as emp esas p ocu am e o no
dos in es imen os, o mesmo não acon ecendo com o c édi o às amílias que não êm e o no
di e o. Em sen ido con á io a axa de ju o de dí ida pública impac a nega i amen e o c édi o às
emp esas e posi i amen e no c édi o às amílias. Des a o ma a análise mos a que as amílias
são sensí eis ao endi idamen o do Es ado, ag a ando ambém a sua necessidade de c édi o. Dado
as maio es di iculdades impos as ao endimen o disponí el das amílias pela axação necessá ia
do pagamen o dos ju os da dí ida pública e da amo ização da dí ida. Assim, e emos menos
in es imen o das emp esas, pois meno ecu so ao c édi o e mais necessidade de c édi o ao
consumo/habi ação po pa e das amílias. No caso das emp esas o impac o nega i o dos ju os
da dí ida pública no c édi o às emp esas jus i ica-se pela p essão do endi idamen o público na
abso ção de liquidez do me cado o que implica ag a amen o da axa de ju o do c édi o às
emp esas.
Em elação à a iá el in lação, es a ap esen a uma elação nega i a com as duas a iá eis
dependen es nos dois modelos (emp esas e amílias). Is o é, de ac o, a in lação é
67
deses abilizado a pa a a a i idade económica (sendo o p incipal obje i o do BCE con ola a
in lação), que pa a a p odução (emp esas) que pa a o consumo ( amílias).
Po úl imo, no modelo amílias B, onde oi adicionada uma no a a iá el, “ axa de
poupança das amílias”, a capacidade explica i a do modelo amílias aumen ou signi ica i amen e,
con udo o seu impac o é nega i o no c édi o às amílias. Is o jus i ica-se pela endência de o
aumen o da poupança das amílias pe mi i meno necessidade de c édi o.
Adicionalmen e, conclui-se que em elação às emp esas, mesmo com o aumen o das
axas de ju o, os c édi os não diminuí am ( elação di e a), ao con á io do que acon eceu com as
amílias ( elação in e sa). A jus i icação pode es a na di iculdade da população po uguesa em
poupa pa a adqui i com ecu sos p óp ios a habi ação.
Concluindo, a abe u a da economia a ou os me cados, nomeadamen e a in eg ação
económica e mone á ia eu opeia onde Po ugal es á inse ido, aumen ou a dinâmica de cada um
dos agen es económicos, emp esas, amílias e Es ado. As emp esas em al e na i as de
inanciamen o ao c édi o bancá io como o me cado de capi ais. As amílias endi ida am-se
signi ica i amen e no c édi o ao consumo e no c édi o à habi ação e o Es ado acele ou ambém a
dí ida pública e le indo se no aumen o da axa de ju o da dí ida pública. O o e endi idamen o
das amílias e do Es ado p essionam a abso ção da liquidez, escasseando a sua disponibilidade
pa a as emp esas e o çando o aumen o da axa de ju o.

68
8.2 Limi ações
Os es udos sob e es a emá ica do c édi o às emp esas e às amílias em sido ei os
es udando cada um dos agen es económicos sepa adamen e. Es e es udo analisa o c édi o aos
dois agen es económicos, emp esas e amílias, no en an o não inclui di e amen e as necessidades
de inanciamen o do Es ado, não obs an e inclui a axa de ju o de dí ida pública dos modelos
como a iá el explica i a.
De e e i ambém, que apesa do canal de c édi o se um impo an e mecanismo de
ansmissão da polí ica mone á ia dada a sua in e dependência com a axa de ju o, ou os canais
ambém ele an es como é o caso do p eço dos a i os e da axa de câmbio não o am aqui
incluídos na análise empí ica apesa de se em abo dados na análise eó ica.
8.3 Suges ões pa a abalhos u u os
Em elação a abalhos u u os, suge e-se a di isão da amos a o ma a pode analisa a
concessão de c édi o an es e após a c ise de 2008, necessa iamen e com in o mação mais
desag egada (mensal). Adicionalmen e analisa o impac o da c ise pandémica, al u a em que as
axas de ju o chega am a es a nega i as, e os e ei os da polí ica mone á ia na concessão de
c édi o.
Conside ando que es e es udo oi ei o apenas sob e a economia po uguesa, se ia
in e essan e ambém ap o unda análise incluindo ou as economias, nomeadamen e da zona
eu o o que pe mi i ia uma análise compa a i a dos impac os da polí ica mone á ia do BCE em
di e en es economias, não só pelo seu con ole da a iá el in lação, mas ambém pelo uso da axa
de ju o como ins umen o da polí ica mone á ia.
Finalmen e, e o ça a eno me impo ância do canal de c édi o como ins umen o do
mecanismo de ansmissão da polí ica mone á ia, não só na ida das emp esas, mas ambém das
amílias c escen emen e endi idadas, e não menos ele an e do Es ado.
69
9. Re e ências Bibliog á icas
Ad ian, T., Gaspa , V., & Gou inchas, P.-O. (2024b, Ma ch 28).
The Fiscal and Financial Risks
o a High-Deb , Slow-G ow h Wo ld
. Highe Long-Te m Real In e es Ra es, Lowe
G ow h, and Highe Deb Will Pu P essu e on Medium-Te m Fiscal T ends and Financial
S abili y. h ps://www.im .o g/en/Blogs/A icles/2024/03/28/ he- iscal-and-
inancial- isks-o -a-high-deb -slow-g ow h-wo ld
Ak am, T. (2021). A No e Conce ning he Dynamics o Go e nmen Bond Yields.
Ame ican
Economis
,
66
(2), 323–339.
h ps://doi.o g/10.1177/0569434520988275
Al a illa Ca lo, Lemke Wol gang, Linze Tobias, Tapking Jens, & Landesbe ge Julian on.
(2021, Janua y).
Assessing he e icacy, e iciency and po en ial side e ec s o he
ECB’s mone a y policy ins umen s since 2014
.
h ps://www.ecb.eu opa.eu/pub/pd /scpops/ecb.op278~a1ca90a789.p .pd ? 7eb7
e959d0a797ec11cc20220315a09
Banco de Po ugal. (2024).
Banco de Po ugal
. 2024.
h ps://www.bpo ugal.p /page/o-que-e-e-pa a-que-se e-poli ica-mone a ia
Banco de Po ugal. (2025).
O que é e ipos de c édi o | Po al do Clien e Banca io
.
h ps://clien ebanca io.bpo ugal.p /p -p /o-que-e-e- ipos-de-c edi o
Ba bosa, L., & Pinho, P. (2016). Es u u a de inanciamen o das emp esas.
Re is a de
Es udos Económicos
,
2
(1), 1–29. h ps://www.bpo ugal.p
Bouis, R. (2021, Oc obe 29).
Household Dele e aging and Sa ing Ra es: A C oss-Coun y
Analysis
. Household Dele e aging and Sa ing Ra es: A C oss-Coun y Analysis.
h ps://www.im .o g/en/Publica ions/WP/Issues/2021/10/29/Household-
Dele e aging-and-Sa ing-Ra es-A-C oss-Coun y-Analysis-501344
BPs a . (2024, No embe ).
Endi idamen o do se o não inancei o: no a de in o mação
es a ís ica de no emb o de 2024 | BPs a
.
h ps://bps a .bpo ugal.p /con eudos/no icias/2367
Cab al, I. da C., Ribei o, P. P., & Nicolau, J. (2022). Changes in in la ion compensa ion and
oil p ices: sho - e m and long- e m dynamics.
Empi ical Economics
,
62
(2), 581–603.
h ps://link.sp inge .com/a icle/10.1007/s00181-021-02032-4
Cas o, G., & San os, C. (2010). De e minan e das axas de ju o e de c édi o bancá io.
Banco
de Po ugal, Bole im Económico
, P i ame a, 69-91.
h ps://www.bpo ugal.p /si es/de aul / iles/anexos/pape s/ab201002_p.pd
Cen al Bank, E. (2020).
Rela ó io Anual do BCE de 2020
. h ps://doi.o g/10.2866/759692
Commi ee on Banking Supe ision, B. (2011).
Basel Commi ee on Banking Supe ision The
ansmission channels be ween he inancial and eal sec o s: a c i ical su ey o he
li e a u e
.
Cos a, M. (2023, Ap il 11).
Cen o de Es udos sociais
. Co eio Da Manhã.
h ps://no icias.uc.p /a igos/cen o-de-es udos-sociais-da-uni e sidade-de-coimb a-
deba e-c ise-da-habi acao/
Cu y, B. (2023, Ap il 12).
Wha Is Mone a y Policy? How Does I Wo k? – Fo bes Ad iso
.
h ps://www. o bes.com/ad iso /in es ing/mone a y-policy/
Du kin, T. A., Elliehausen, G., & Zywicki, T. J. (2014).
CONSUMER CREDIT AND THE
AMERICAN ECONOMY: AN OVERVIEW Boa d o Go e no s o Fede al Rese e Sys em
70
Boa d o Go e no s o Fede al Rese e Sys em CONSUMER CREDIT AND THE
AMERICAN ECONOMY: AN OVERVIEW
.
Engen, E. M., & Hubba d, R. G. (2004). Fede al Go e nmen Deb and In e es Ra es.
H ps://Doi.O g/10.1086/Ma.19.3585331
,
19
, 83–138.
h ps://doi.o g/10.1086/MA.19.3585331
English, B., Fo bes, K., & Ubide, Á. (2024, Feb ua y 13).
Mone a y Policy Responses o he
Pos -Pandemic In la ion | CEPR
. Mone a y Policy Responses o he Pos -Pandemic
In la ion. h ps://cep .o g/publica ions/books-and- epo s/mone a y-policy- esponses-
pos -pandemic-in la ion
Eu opean Cen al Bank. (2014).
Rela ó io Anual
.
Eu opean Cen al Bank. (2021).
Os nossos ins umen os de polí ica mone á ia e o eexame
da es a égia
. h ps://www.ecb.eu opa.eu/home/sea ch/ e iew/h ml/mone a y-
policy-ins umen s.p .h mlEu opean Cen al Bank. (2025).
Two pe cen in la ion a ge
.
h ps://www.ecb.eu opa.eu/mopo/s a egy/p ices ab/h ml/index.en.h ml
Fa ia-e-Cas o, M., & Jo dan-Wood, S. (2022, Augus 16).
How Changing In e es Ra es A ec
Va iable-Ra e Loans o U.S. Fi ms
. h ps://www.s louis ed.o g/on- he-
economy/2022/aug/changing-in e es - a es-a ec - a iable- a e-loans- i ms
Fa inha, L., & Robalo Ma ques, C. (2003). The bank-lending channel o mone a y policy:
Iden i ica ion and es ima ion using Po uguese mic o bank da a.
Mone a y Policy
T ansmission in he Eu o A ea: A S udy by he Eu osys em Mone a y T ansmission
Ne wo k
, 359–371.
h ps://doi.o g/10.1017/CBO9780511492372.026
Flodén, M., Kils öm, M., Sigu dsson, J., Ves man, R., Aucle , A., B oe , T., Campbell, J. Y.,
Cocco, J., Domeij, D., Fol yn, R., F ed iksson, P., G eenwald, D., Ka asho a, K.,
Malmbe g, H., Mid igan, V., Mi man, K., Nakamu a, E., Olsson, J., Schla mann, K., …
E ik¨obe g, E. (2021). Household Deb and Mone a y Policy: Re ealing he Cash-Flow
Channel.
The Economic Jou nal
,
131
(636), 1742–1771.
h ps://doi.o g/10.1093/EJ/UEAA135
Glick, R., & J.Lansing, K. (2011, Janua y 10).
Consume s and he Economy, Pa I:
Household C edi and Pe sonal Sa ing - San F ancisco Fed
. Consume s and he
Economy, Pa I: Household C edi and Pe sonal Sa ing.
h ps://www. bs .o g/ esea ch-and-insigh s/publica ions/economic-
le e /2011/01/consume s-economy-household-c edi -pe sonal-sa ing/
Godinho, A. M. (2024, Oc obe 11).
OE2024. O “maio aumen o de semp e no apoio às
amílias” - XXIII Go e no - República Po uguesa
.
h ps://www.po ugal.go .p /p /gc23/comunicacao/no icia?i=oe2024-o-maio -
aumen o-de-semp e-no-apoio-as- amilias
González-Aguado, C., & Sua ez, J. (2015). In e es Ra es and C edi Risk.
Jou nal o Money,
C edi and Banking
,
47
(2–3), 445–480.
h ps://onlinelib a y.wiley.com/doi/10.1111/jmcb.12182
G oen, J. J. J. (2004). Co po a e c edi , s ock p ice in la ion and economic luc ua ions.
Applied Economics
,
36
(18), 1995–2006.
h ps://doi.o g/10.1080/0003684042000258251/ASSET/1C4475B5-09D3-
46CD-BCE2-
B566FF67E8DC/ASSETS/IMAGES/RAEC_A_10056617_O_MATH006.GIF
71
Hall, S. (2001). C edi channel e ec s in he mone a y ansmission mechanism.
Bank o
England Qua e ly Bulle in
,
Win e
, 442–448.
HM T easu y Resou ce Accoun s 2003-04
. (n.d.).
Lane, P. (2023, Ap il 19).
Mone a y policy igh ening and he inancing o i ms
.
h ps://www.ecb.eu opa.eu/p ess/key/da e/2023/h ml/ecb.sp230419~09 e9b329
5.en.h ml
Ma ques, L. B., & Gelos, G. (2021, Ma ch 3).
O que dizem os dados sob e as polí icas de
axas de ju os nega i as
. h ps://www.im .o g/p /Blogs/A icles/2021/03/03/blog-
he-e idence-is-in-on-nega i e-in e es - a e-policies
Meh o a, N. R., & Se geye , D. (2021). Deb sus ainabili y in a low in e es a e wo ld.
Jou nal
o Mone a y Economics
,
124
, S1–S18.
h ps://www.sciencedi ec .com/science/a icle/abs/pii/S0304393221000945? ia%
3Dihub
Micose, S. (2015, May 22).
The Mone a y Policy o he Eu opean Cen al Bank (2002-2015)
by S e ano Micossi
:: SSRN
.
h ps://pape s.ss n.com/sol3/pape s.c m?abs ac _id=2613352
Mishkin, F. S. (1995). Symposium on he Mone a y T ansmission Mechanism.
Jou nal o
Economic Pe spec i es
,
9
(4), 3–10. h ps://doi.o g/10.1257/jep.9.4.3
Mishkin, F. S. (2001).
THE TRANSMISSION MECHANISM AND THE ROLE OF ASSET PRICES
IN MONETARY POLIC
.
Decembe
.
Mo ei a, F. R. (2011). O consumo e o c édi o na sociedade con empo ânea.
Ges ão e
Desen ol imen o
,
19
(19), 91–114.
h ps://doi.o g/10.7559/ges aoedesen ol imen o.2011.138
Quais são e pa a que se em os ou os ins umen os do BCE? | Banco de Po ugal
. (2024).
h ps://www.bpo ugal.p /page/que-ins umen os-u iliza-o-bce-pa a-alem-das- axas-de-
ju o
Sá, M. (2016).
Ma iana Ludo ina Lemos de Sá Mecanismos de T ansmissão da Polí ica
Mone á ia: compa ação en e países desen ol idos e eme gen es
. 116.
San os, R. B. dos, & Doná io, A. (2017).
Modelo Is-Lm
. 1–34.
Sousa, J., Soa es, C., & Ma ques Gamei o, I. (2007a). Polí ica Mone á ia E Es abilidade
Financei a : Um Deba e Em Abe o *.
Banco de Po ugal
. h ps://www.bpo ugal.p /p -
PT/BdP Publicaes de In es igao/AB201100_p.pd
Taxas de ju o o iciais e de e e ência | Banco de Po ugal
. (2024). 2024.
h ps://www.bpo ugal.p /page/ axas-de-ju o-o iciais-e-de- e e encia?mlid=1046
Taylo , J. B. (1995). The Mone a y T ansmission Mechanism: An Empi ical F amewo k.
Jou nal o Economic Pe spec i es
,
9
(4), 11–26. h ps://doi.o g/10.1257/jep.9.4.11
T ansmission mechanism o mone a y policy
. (2024). T ansmission Mechanism.
h ps://www.ecb.eu opa.eu/mopo/in o/ ansmission/h ml/index.en.h ml
78
Anexos 3:P in s Lei u a R Modelo Famílias B

79
80
81