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Caminho para a inclusão: combatendo a islamofobia com design de serviços

Author: Martínez Espinosa, Alonso
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/92e5aba6-bd07-41f0-a048-816dec06b095/download
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui ec u a, A e e Design
Alonso Ma ínez Espinosa
Julho de 2025
UMinho I Alonso Ma ínez Espinosa Espinosa Caminho pa a a inclusão:
Comba endo a Islamo obia com Design de Se iços
Caminho pa a a inclusão:
Comba endo a Islamo obia
com Design de Se iços
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Design de P odu o e Se iços
T abalho e e uado sob a o ien ação de:
P o esso a Dou o a Paula T iguei os
P o esso Dou o Fab izio Boscaglia
Julho de 2025
Alonso Ma ínez Espinosa
Caminho pa a a inclusão:
Comba endo a Islamo obia
com Design de Se iços
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Design de P odu o e Se iços
T abalho e e uado sob a o ien ação de:
P o esso a Dou o a Paula T iguei os
P o esso Dou o Fab izio Boscaglia
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui ec u a, A e e Design
A
Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 3
Decla ação a inclui na Tese de Dou o amen o (ou equi alen e) ou no abalho de Mes ado
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas p á icas
in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no
licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-Compa ilhaIgual CC BY-SA
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-sa/4.0/
Alonso Ma ínez Espinosa
B
AGRADECIMENTOS
Que o ag adece aos meus ma a ilhosos pais e à minha amília, que
semp e me apoia am na c iação de uma ca ei a, apesa das
di iculdades que su gem ao i e no es angei o e e udo di e en e
odos os dias.
Que o ag adece aos meus amigos no Egi o, especialmen e a Leena
Andeel, que me ensina am a não e medo do Islão como uma p á ica
es au ado a en e o design de moda, a iden idade e a espi i ualidade
como es ilo de ida. Que o que es e con li o a mado no Médio O ien e
acabe po que não há jus iça na Islamo obia.
Deside o esp ime e la mia since a g a i udine e il mio p o ondo
app ezzamen o al mio s ao dina io men o e, guida e iloso o o inese,
il p o esso Fab izio Boscaglia, di cui ammi o p o ondamen e il la o o
e l'impegno in elle uale. Un ing aziamen o speciale e un since o
app ezzamen o anno anche a F ancesco, mio collega del mas e e
del p oge o IDEGUI: il suo suppo o mo ale e la sua amicizia sono
s a i pe me on e di g ande ispi azione e mi hanno mo i a o a
di en a e un designe miglio e.
Que o ag adece a P o esso a Ma ia Paula T iguei os, a P o esso a
Alison Bu ows, ao P o esso Be na do e à P o esso a Cecília Ca alho
po não e em desis ido de que eu concluísse o meu mes ado.
Que o ambém ag adece aos Islamó obos de ex ema-di ei a po que
as suas mensagens de ódio nunca chega am à minha amília e
amigos, po que o amo , a paz e a ole ância são mais impo an es do
que qualque ganho ma e ial supe icia

C
D
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e ac uado com in eg adade na elabo ação do p esen e abalho académica e con i mo que não
eco i á p ac ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mas decla o que conheço e que espei o o código de Conduc a É ica da Uni e sidade do Minho.
Alonso Ma ínez Espinosa
I
RESUMO
A Islamo obia em ambien es educa i os é um p oblema que não em sido abo dado na es e a académica do
Design de se iços. P ega uma lacuna na polí ica educa i a que p omo a a coesão social e comba a o bullying
despe ou in e esse em Po ugal nos úl imos anos de ido a uma onda de imig ação que se in ensi icou-se em
2014-2015 após a Gue a Ci il Sí ia, jun amen e com o apoio ju ídico à mig ação de e ugiados do Gabine e
de Mig ação do município de Guima ães desde 2015 a é ao ano passado em Guima ães, Po ugal. O a aque
dos mili an es do Hamas, no 7 de Ou ub o, na on ei a de Is ael com a Faixa de Gaza, desencadeou uma onda
de ódio e a aques de na u eza acial, iden i á ia e eligiosa, conhecidos na sociologia c í ica da disc iminação
como "
Islamo obia
". O obje i o des e es udo é p eenche es a lacuna legal/compo amen al nas o ien ações e
di e izes sob e como abo da a islamo obia na educação. A me odologia u iliza o es udo de caso ex pos ac o
“
Islamo obia no Design Pa icipa i o
” como e e ência pa a p omo e a cidadania e polí icas inclusi as nas
escolas de Guima ães, pa a e i a a aques pe cecionados como Islamó obos. O Design de Se iços, nos nossos
sis emas c í icos de design e isualização, pode c ia dinâmicas pa a os jo ens que os podem ale a pa a os
pe igos da ansiedade in e g upal p o ocada po p econcei os e pela in isibilidade ins i ucional de í imas
silenciadas po signi icados ambíguos e concei os pouco es udados pa a os di ei os ci is e pa a os desa ios da
cidadania nos desa ios a uais do Po ugal mode no.
O bullying é uma consequência cola e al nas escolas de ido à al a de uma polí ica inclusi a e pedagógica que
a ue nes a á ea especí ica. Os obje i os do Design de Se iços e o design de sis emas c í icos podem c ia
dinâmicas pa a os jo ens que os ale em pa a os iscos da ansiedade in e g upal causada pelo p econcei o,
pela in isibilidade ins i ucional e pelos en iesamen os da islamo obia. O Design de Se iço es á planeado pa a
o nece essa isibilidade pa a es e p oje o e ecomendações polí icas.
Pala as-cha e: Islamo obia, Bullying, Design de Se iços, Design Pa icipa i o, Co-Design, ansiedade
in e g upal e ans o mação escola .
II
Abs ac
Islamophobia in educa ional en i onmen s is a p oblem ha hasn´ been add essed in he academic sphe e o
Se ice design. P eaching a gap in educa ional policy ha p omo es social cohesion and ackles bullying has
awakened in e es in Po ugal in ecen yea s due o a wa e o immig a ion ha in ensi ied in 2014-2015 a e
he Sy ian Ci il Wa , oge he wi h legal suppo o e ugee mig a ion om he Mig a ion O ice in Guima ães
municipali y since 2015 o las yea in Guima ães, Po ugal. The a ack by Hamas mili an s on Oc obe 7 in
Is ael and he Gaza s ip has unleashed a wa e o ha e and a acks o a acial, iden i y and eligious na u e,
known in c i ical sociology o disc imina ion as "
Islamophobia
." The objec i e o his s udy is o ill his
legal/beha io al gap in he di ec ions and guidelines on how o add ess Islamophobia in educa ion. The
me hodology uses he ex pos ac o case s udy “
Islamophobia in Pa icipa o y Design
” as a e e ence o p omo e
inclusi e ci izenship and policies in Guima ães schools, o a oid a acks pe cei ed as Islamophobic. Se ice
Design in ou c i ical sys ems o design and isualiza ion, can c ea e dynamics o young people ha can ale
hem o he dange s o in e g oup anxie y caused by biases and by he ins i u ional in isibili y o silenced ic ims
by ambiguous meanings and unde s udied concep s o ci il igh s and o ci izenship challenges in oday´s
challenges in mode n-day Po ugal.
Bullying is a colla e al consequence in schools due o he lack o an inclusi e and pedagogical policy ha ac s
in ha speci ic a ea. The Se ice Design aims, and he c i ical sys ems design can c ea e dynamics o young
people ha ale hem o he isks o in e g oup anxie y caused by p ejudice and ins i u ional in isibili y and
biases o Islamophobia. Se ice Design is planned o p o ide his isibili y o his p ojec and policy
ecoomenda ions.
Keywo ds: Islamophobia, Bullying, Se ice Design, Pa icipa o y Design, Co-design, in e g oup anxie y and
school ans o ma ion
IX
o Su ismo- Co en e mís ica do Islão, nascida no século XIII; opõe-se à o odoxia muçulmana, acen uando a
impo ância da eligião in e io , sendo a comunhão com a ap esen ação ei a a a és da dança e do can o: os
p incipais ep esen an es do su ismo são
al-Halladj
(858-922) e
al-Ghazali
(1058-1111).
T
o Te o ismo- In imidação ei a pelo uso da iolência buscando amed on a um po o ou go e no, no malmen e,
baseando-se em ques ões ideológicas ou polí icas.
o T anspe sonalismo-- ep esen a uma u u a com o indi idualismo mode no e uma abe u a pa a o mas mais
in eg a i as e é icas de pensa a jus iça — incluindo espi i ualidade, meio ambien e, cole i os e sabe es
ances ais. T a a-se de um mo imen o in e disciplina e eme gen e, com aízes na iloso ia, psicologia, ecologia
e ciências sociais.

X
Índice
1.0
In odução
1.1.1
Mo i ação de desen ol imen o pessoal
...3
1.1.2
Fundamen o Teó ico
...4
1.2
Desenho da In es igação
...6
1.2.1
Obje i os
...6
1.2.2
Conside ações me odológicas
...6
1.2.3
Es u u as da disse ação
...9
2.0
Re isão de li e a u a
...10
2.1
Es udos Islâmicos: a Islamo obia e o início da sua mani es ação
...10
2.1.1
A elação do bem-es a psicológico e a eligiosidade no Islão
...10
2.1.2
De inição da Islamo obia segundo Sayyid
...12
2.1.3
Islamo obia ins i ucional e suas na a i as con o e sas na mídia a ual
...17
2.2
Educação: o signi icado de Bullying e Bias Based Bullying
...24
2.2.1
Que ipo de condições da educação c iam c ianças ag essi as?
...26
2.2.2
Ca ac e ís icas do Bully/Ag esso
...32
2.2.3
Ca ac e ís icas das í imas
...34
2.2.4
Ca ac e ís icas dos espec ado es
...36
2.2.5
Bullying e Bias Based Bullying um p oblema de saúde ísica e men al
...37
2.3
Psicología social: o modelo ecológico de desen ol imen o de U ie B o enb enne
...43
2.3.1
Teo ía baseada na ecologia do desen ol imen o e nos laços sociais
...44
2.3.2
Os ní eis do modelo ecológico
...45
2.4
Se ice Design: o papel do Se ice design e do co-design na capacidade de espos a e p e enção escola
...47
2.4.1
Di e enças do escopo do Se ice Design e sys emic design como espos a a p oblemas complexos
...50
2.4.2
Co-Design com in e ações elacionais
...56
2.4.3
U ilizando o Design de Se iços como e amen a pa a isualiza as dinâmicas e os abusos de pode
...64
3.0
Me odología
...72
3.1
Abo dagem da pesquisa e jus i icação me odológica
...72
3.1.1
Me odología mix a: In e enção na educação e ecolha de dados quali a i os e quan i a i os
...75
3.2
Caso de es udo: Islamo obia no Design Pa icipa i o
...82
3.2.1
P imei a dimensão
...85
3.2.2
Segunda dimensão
...89
3.3
In e esse me odológico do p é-análise enomenológica e c i é ios COREQ aplicados: expe iências de
Islamo obia no Design Pa icipa i o
...99
3.4
Conside ações é icas
...106
4.0
Análise e discussão de dados
...110
4.1
Pe cepções sob e a Islamo obia e o bullying no ambien e escola
...111
4.2
O Se ice Design como e amen a pa a Inclusão escola
...118
4.3
O con ibu o do modelo ecológico do desen ol imen o de U ie B o enb enne
...123
5.0
Conside ações Finais
...126
5.1
Conclusões do es udo
...128
5.2
Recomendações pa a as polí icas educa i as
...130
5.3
Suges ões pa a in es igação sob e a in e secção en e o bullying e a Islamo obia
...131
5.4
Suges ões pa a designe s de se iços in e essados em ans o ma a educação
...131
6.0
Re e ências bibliog á icas
...132
7.0
Anexos
...138
1
Lis a de imagens e g á icos isuais
1. Imagem 1.0- Exce o do capí ulo do li o Religião e Lei no Alco ão (1986) ..................................................17
2. Imagem 2.0 - A e ac os e li os sob e a his ó ia do con ac o in e g upal na Pales ina na coleção de Biblio eca
Nacional de Po ugal. Lisboa, Al ade.
....................................................................................................................................................................22
3. Imagem 3.0 - A e ac os e li os sob e a his ó ia do con ac o in e g upal nas comunidades muçulmanas em
Moçambique coleção de Biblio eca Nacional de Po ugal. Lisboa, Al ade.......................................................22
4. Imagem 4.0 - Dialogic Gigamapping (2018) de Pe e Jones usado como disposi i o de pon e......................51
5. G á ico 1.0- Diag ama sob e o p econcei o an i-semi a e an i-islâmico adap ado do Comi a o Passa o
P esen e, Tu im, I ália...................................................................................................................................26
6. G á ico 2.0- Modelo de p á icas de socialização pa alela p opos o po Schwa z, Ba on-Hen y e P uzinsky
(1985) .........................................................................................................................................................30
7. G á ico 3.0- Diag ama sob e a cul u a do Bullying no sen ido mais amplo de Ma ie-Na halie Beaudoin (2006)
....................................................................................................................................................................31
8. G á ico 4.0- Modelo Biossocial de Es a i icação de Massey (2004) ............................................................39
9. G á ico 5.0- Modelo de espos a ao s ess c ónico de McEwen (1998) na ca ga alos á ica...........................40
10. G á ico 6.0- O Modelo Ecológico-Funcional de Ag essão adap ado de Pa ke (1982) e Gómez (1999)
....................................................................................................................................................................45
11. G á ico 7.0- A Pi âmide de In es igação em Design T ans o ma i o de Raymond P. Fisk (2019) pa a a c ise
global dos e ugiados chamado ao apela à ação............................................................................................49
12. G á ico 8.0- O p ocesso mul iní el de modelação de ecossis emas de se iços em Design de Se iços de
Josina Vink (2022) .......................................................................................................................................56
13. G á ico 9.0- O modelo de pa icipação baseado em W igh e Bus aman e Dua e (2018) ...........................61
14. G á ico 10.0- A c iação de modelos e wi e ames que o am c iados num design pa icipa i o em Müns e ,
na Alemanha..............................................................................................................................................61
15. G á ico 11.0- Fe amen as auxilia es de Agui e Ulloa em Co-Design nas elações em men e (2017)
..................................................................................................................................................................63
2
16. G á ico 12.0- Fluxo de elacionamen o de ní el de se iço de Agui e Ulloa (2017)
....................................................................................................................................................................63
17. G á ico 13.0- Modelo ecológico de B on enb enne adap ado às necessidades do indi íduo po Josina Vink
(2023) .........................................................................................................................................................66
18. G á ico 14.0 - O p ocesso analí ico da Te apia Mul issis émica de Henggele (2012)
.......................................
19. G á ico 15.0- Pensamen o isual com pos -i s e di e en es á eas mul iní el po Josina Vink (2022) com os
abusos de pode ...........................................................................................................................................67
20. G á ico 16.0- A Á o e de Codi icação Mis e iosa de Al esson e Kä eman (2007)
....................................................................................................................................................................71
21. G á ico 17.0- Encon o de Ha iz pa a o Sala no Cas elo de Guima ães numa cong egação de o ação
islâmica........................................................................................................................................................80
22. G á ico 18.0- Diag ama adap ado de um se iço de ocus g oup de Da id Lundie (2015) ..........................90
23. G á ico 19.0 – Esquema isual de conside ações é icas sob e os desa ios da in es igação
..................................................................................................................................................................107
24. G á ico 20.0- Pape c a ing com os p econcei os sob e a Islamo obia
.................................................................................................................................................................111
25. G á ico 21.0- 6 imagens como queb a-gelo dos maio es p econcei os que se em sob e o
Islão...........................................................................................................................................................115
26. G á ico 22.0- Ap esen ação isual de ca oons anónimos sob e as ga an ias de edis ibuição de pode em
en e is as con ex uais...............................................................................................................................118
27. G á ico 23.0- Mapeamen o de sis emas de so wa e Kumu da islamo obia no Design
pa icipa i o................................................................................................................................................122
28. G á ico 24.0- Adap ação de B on enb enne e Vink (2023) no mapeamen o de sis emas sob e Bullying....124
3
1.0 INTRODUÇÃO
1.1.1 Mo i ação e desen ol imen o pessoal
Mo i a-me a esc e e , planea e p oje a o uso de design com base em causas sociais jus as e solidá ias. A
minha o mação em Design Têx il no México desde o começo ensinou-me que exis e uma g ande necessidade
de apoia causas sociais ou g upos ulne á eis ou ma ginalizados. In elizmen e, a p óp ia academia no in e io
do México ensinou-me que exis e uma g ande necessidade no in e io do México de não se in e essa (e de não
a ua ) a longo p azo po desen ol e p oje os com ibos indígenas como aquelas com quem abalhei com os
Hnahñü, Tepehua, O omí1 e ou as cul u as no cen o da Cidade do México. O bullying e o p econcei o con a
g upos es igma izados são enómenos mui o comuns no México, apesa de se em uma componen e cha e,
cul u al e his o icamen e, na undação do país e das pessoas que usa am o Design pa a se des aca em. O
design êx il, design hinking e o abalho comuni á io ensina am-me que os se iços podem se concebidos
não só com uma base exis encial e económica, mas ambém com base na ep esen ação social pa a nes es
g upos. Exis e um osso en e as uni e sidades ecnológicas e o design sis émico do México em elação ao
ma ke ing e às in luências es angei as que bene iciam da hospi alidade do México inclusi e de nes es po os
de manei a u ís ica e his ó ica há mui os anos espei o a sua ep esen ação em comp a e enda de p odu os
ex êis.
As agas de imig ação económica não só pa a o México, mas ambém pa a Po ugal, indas de á ios países,
deixa am-me chocado ao sabe se o sis ema educa i o aqui em Guima ães nem seque econhece ealmen e
a exis ência dos imig an es que ecebe2. Pe cebi que um p oblema semelhan e oco e no México, onde a
al e idade do ou o ad ém de um con ex o de mig ação e de e ugiados em casos de pob eza e de pessoas que
es igma izam o "
ou o
". Po ugal não é exceção à eg a, e no o que a onda de imig ação de países do No e de
Á ica, Médio O ien e e Sul da Ásia es á a causa descon o o en e a população de acolhimen o po uguesa.
A a és de um pequeno p oje o que iz no S i Lanka e na Índia em 2022 no se o êx il, omei consciência dos
mesmos p oblemas que exis em na dinâmica in e g upal en e es udan es e designe s. Es e p oblema é
chamado de Islamo obia, "
o medo i acional
" dos muçulmanos ou das pessoas que isi elmen e pa ecem
muçulmanas. Es e ódio i acional pelos ou os le ou-me a in es iga e a pe gun a a Leena, Ahmad, Ammal e
Fa ah, meus colegas no p ojec o do S i Lanka em 2022, o que signi ica o Islão e o que ealmen e p o essa,
1 As cul u as indígenas do cen o do México, equen emen e en ol idas em p oje os de ajuda comuni á ia local, pe encem a g upos
equen emen e es igma izados pelo uso de oupas não come ciais e es e eo ipados po designe s e consumido es em unção de
pe ence em a classes sociais mais baixas. In elizmen e, depa amo-nos com uma acen uada al a de acesso a se iços essenciais e
de design em elação a e amen as de ep esen ação de iden idade.
2 T azendo de ol a o p oblema da es igma ização baseada na pe cepção económica.
4
pa a que eu pudesse a enua es e medo. A iloso ia e a epis emologia são i ais quando se abalha em
comunidades em p ojec os de iden idade po que, po ezes, a p óp ia "
eligião
" e "
ala sob e eligiões
"
pa ecem sepa a -nos mais do que uni -nos quando discu imos medos e ques ões sociais c í icas deco en es
de con ex os de gue a ou de associação a um cul o eso é ico.
Cabe ao Design de Se iços, ao Design Têx il, ao design de se iços e à o mulação de polí icas inclusi as
man e em-se neu os, mas o p econcei o cul u al he dado da his ó ia de Po ugal an es do secula ismo o na
mui o di ícil c ia uma polí ica, p odu o ou se iço que exija jus iça pa a aqueles que são ma ginalizados pela
Islamo obia. Não conside o o bullying jus o, nem é jus o silencia o abuso de pode no ma ke ing de Se iços
que a inge ao Se ice Design. T abalhei em inúme os p oje os independen es com esul ados de p odu os e
se iços mais genuínos do que cai na a madilha da opinião pública e ma ke ing noci o a pessoas
ma ginalizadas sem apoio.
É aqui que eside a iqueza do Design e do Design de Se iços. Ao c ia luxog amas, ichas écnicas, desenhos,
p o ó ipos êx eis, es uá io e ma ke ing independen e, é possí el ul apassa os p econcei os sob e as
comunidades ulne á eis, incluindo as que se encon am den o das comunidades e países de maio ia
islâmicas. Leena Andeel, do Egip o, ensinou-me que o Islão não é uma ameaça ao design êx il, nem à o ma
como o emos. Assim, ao e es a injus iça a se ep oduzida no discu so de ódio em Po ugal, a minha p óp ia
in uição e expe iência ensina am-me que o que é p eciso aze é implemen a alguma medida de
desmis i icação do Islão e das nossas expec a i as na ida diá ia e na educação.
1.1.2 Fundamen o eó ico
A p ojeção de um Design de Se iço que e i ique a Islamo obia e que condene o Bullying como um a o i acional
pa ece se mais um enómeno mo al e ju ídico do que um se iço ab icado pelo me cado de Se iços nas
emp esas, melho que dize que odo se encon a bem num con ex o de in e mediá io de ma ke ing da
anglomanía (manipula e mos disc imina ó ios ou bo a na a i as usando a linguagem inglesa).
Es a p emissa é mais comum no ma ke ing de se iços do que se pensa:
"Pa a as mino ias aciais e é nicas nos Es ados Unidos, a necessidade de lida com in e ações po encialmen e
disc imina ó ias é is a como um aspe o quase ine i á el das ansações come ciais quo idianas"
(Walsh, 2009, p. 144). Sob e os consumido es des a o ecidos expe ienciam disc iminação no me cado de
se iços ao clien e.
Reo ganizámos es e se iço alido pelos p econcei os é nico- aciais, incluindo os eligiosos, pode íamos
e o ma es a exclusão e c ia es a inclusão se os ein oduzissemos em espaços educa i os. Cabe ao
in es igado de Design de Se iço que os di e en es s akeholde s enham de di e en es á eas académicas

5
po que a Islamo obia em ma é ia de li e a u a undamen ada eo icamen e se aplica mais em ciências sociais
aplicadas como o Runnymede T us (1999) o p imei o ela ó io p i ilegiado da Uni e sidade de Sussex no sul
da Ingla e a onde icou explíci o que se az espei o ao acismo es u u al, dinâmico e p á ico posi i o no meio
da educação e da desigualdade económica em elação ao acesso aos se iços públicos. Is o é um obje i o
ela i amen e no o pa a as en idades de di ei os humanos e Nações Unidas, o pode desman ela
es u u almen e leis, polí icas e p á icas exclusi as, mais bem ela adas em ela ó ios mul ila e ais de
coope ação in e nacional an e di ei os humanos:
"Baseando-se em essencializações impe ialis as há mui o en aizadas dos muçulmanos como "ou os" cul u ais, leis,
polí icas e p á icas ambém pe pe ua am es e eó ipos e opos p ejudiciais que e a am os muçulmanos, as suas c enças
e cul u a como uma ameaça"
Conselho de Di ei os Humanos das Nações Unidas, 2021, p. 2
Há 22 anos, desde que o Runnymede T us se o nou público no sul de Ingla e a, assumiu o objec i o de
p omo e a paz simila as di e izes das Nações Unidas. As disc epâncias polí icas e con li os de in e esses
deixam com pouco em que abalham na esolução de con li os a mados e na inclusão de polí icas de jus iça
es au a i a, is o deixa mui o pouco com que abalham na busca po soluções pa a as populações que
pode iam so e da Islamo obia pe mi ida. A assis ência écnica nos se iços públicos já exis en e deu-me um
indício pa a mim, como in es igado em es udo de e ugiados e mig an es, ambém se um obje i o das Nações
Unidas: "
se a pob eza é a causa p incipal dos luxos de e ugiados, ocê pode encon a algumas soluções na
assis ência écnica
(Di ei os Humanos e Re ugiados, 2002, p. 26).
Fundamen a eo icamen e como se pode abalha em ecossis emas de se iços que nos pe mi em ali ia
es as us ações compe em, mas em o ganizações de di ei os humanos e na In es igação ans o ma i a de
se iços de Raymond P. Fisk (2019) e em a anjos ins i ucionais com Josina Vink (2023). Podemos edesenha
a assis ência écnica que exis e nas escolas, a e nas e nos espaços educa i os e ale a e comunica po que
é que a Islamo obia é p ejudicial pa a não só a saúde da í ima, mas ambém pa a odos de ido à sua endência
disc imina ó ia que se mul iplica em á ios sis emas. O design de ecossis emas de se iços ou em pala as
maio es o Design Sis émico pode a aca es e p oblema pe e so, c iando uma no a co-c iação de alo no
ensino, pensamen o e al e nância de decisões em espaços educa i os pa a c ianças. Es a disse ação é um
p o ó ipo de um longo caminho que isa c ia a anjos ins i ucionais pa a comba e o p econcei o e o bullying
como e ei o cola e al.
6
1.2 Desenho da In es igação
1.2.1 Obje i os
1. C ia conhecimen o eó ico e p á ico su icien e da e isão da li e a u a, do analisé mix o pa a
ecomendações de polí icas educa i as e no os se iços pa a um desen ol e num u u o nos espaços
educa i os. Modela in e p e a i amen e nes a in o mação pa a um encaixe con ex ual em Guima ães.
2. In es iga a in e secção en e o Bullying e a islamo obia pa a encon a signi icados subje i os abo da
o enómeno como uma cons ução social.
3. Suge i a ou os designe s e in es igado es como na ega ou como chega me odologicamen e, ou
como pos ula se a Islamo obia exis e de ido a alhas es a égicas no abalho de campo.
1.2.2 Conside ações me odológicas
Como es e é um ema pouco abo dado no meio académico em Design de Se iços, decidi ado a uma
abo dagem in e disciplina em qua o á eas académicas an es de passa pa a a me odologia e abalho de
campo. A e isão da li e a u a en ol e es udos islâmicos, ciências da educação com especialização em bullying,
psicologia social e design de se iços. A Re isão da Li e a u a ado a uma abo dagem in e disciplina de
sensibilização an es de abo da o es udo de caso ex pos ac o em Guima ães. A ques ão de in es igação se á
se o Design Pa icipa i o pode comba e a islamo obia, o que desencadeou a p ocu a eó ica na c iação de um
plano de es udo. Es e es udo de caso ex pos ac o oi uma pesquisa in insecamen e explo a ó ia com uma
abo dagem quan i a i a mis a u ilizando escalas Like pa a medi a i udes e p econcei os, e uma abo dagem
quali a i a pa a ob e signi icado com pe gun as abe as em en e is as con ex uais. De seguida, oi ealizada
uma análise de dados que o mou um modelo in e p e a i o de ajus amen o con ex ual pa a aquele es udo de
caso. O mé odo COREQ e a análise enomenológica o am u ilizados pa a disseca o es udo de caso, ge a
no as al e na i as e execu a p o ó ipos de colabo ado es e se iços. Po im, após a análise dos dados do
COREQ e da enomenologia de Husse l (suspensão do julgamen o), e o necemos mais bases pa a a
p o o ipagem de um se iço, ainda que eó ica, e, inalmen e, nas conclusões, ecomendações pa a u u as
polí icas e se iços educa i os.
7
Desenho de In es igação
Es udo P elimina (Ex-Pos Fac o): Islamo obia no Design Pa icipa i o
(E apas 1 a 9)
1. Fo mulação da ques ão de in es igação
2.º Plano do p oje o
3. Desen ol imen o do p oje o pa icipa i o
4. P epa ação me odológica
5. Recolha de dados
6. Análise p elimina de dados
7. Pa ilha /de ol e aos pa icipan es
8. Re lexão c í ica e alidação do es udo
9. Diagnós ico i e a i o e desc ição em cons ução
10. Adequação con ex ual e jus i icação pa a eabe u a do es udo
• E olução do con ex o educa i o e polí ico
• Inclusão de no as len es eó icas
• In odução ao Modelo In e p e a i o do Ensaio Con ex ual
• In eg ação com COREQ e análise enomenológica
Pa e II – Reabe u a eó ica e ein e p e ação c í ica
A disse ação a segui começa a pa i de aqui (E apas 10 a 14)
11. Re isão bibliog á ica ala gada
• Es udos Islâmicos
• Ciências da Educação (Bullying)
• Psicologia sociológica do compo amen o
• Design de Se iços e Di ei os Humanos
• Ou a li e a u a ele an e (po exemplo di ei os humanos e eligião compa ada).
12. Aplicação do modelo in e p e a i o con ex ual
• Adap a a abo dagem à no a ealidade educa i a
• A iculação en e dados i idos e in e p e ação c í ica
13. Re isão do es udo de caso ex pos ac o
• Análise dimensional, no a análise de dados baseada na enomenologia
• In eg ação do conhecimen o da eo ia e da p á ica social.
Ano 2024
Ano 2025
8
14. Análise com COREQ e conclusões enomenológicas
• Validação me odológica
• Coe ência in e p e a i a dos es emunhos
15. Conside ações inais-
Recomendações pa a polí icas e se iços u u os
• P opos as de melho ia em con ex o escola
• O ien ações baseadas no design de se iços pa a pesquisas u u as
Ano 2025
15
O ní el mais ele ado da Islamo obia baseia-se no es ado, den o da lacuna legal da aplicação da lei. Uma
igilância sec e a sis émica paga pelo es ado ou uma polícia sec e a que aça pe is de muçulmanos a pa i
de uma decisão de cima pa a baixo em sido um ema amplamen e discu ido nos es ados, os países e na
coope ação in e nacional. É de no a aqui que as na a i as dis o cidas do Islão ambém podem se con undidas
com e o ismo, uma pala a e concei o que não se ão desen ol idos nes e es udo, mas que ambém
con undem os lei o es desin o mados sob e o assun o de e-se a a mais de um con li o e nocên ico, com ins
polí icos e ideológicos, mas do que eligiosos, como no caso das pesquisas quali a i as sob e os aco dos da
paz do con li o e nosec á io da I landa do No e na década dos anos oi en a (1980):
“A análise des as en e is as com Ex pa amili a es a a és do IPA pe mi iu-lhes iden i ica a “complexa in e ação de
a o es ex e nos e in e nos en ol idos em auxilia ou di icul a o desligamen o de g upos pa amili a es a mados”,
jun amen e com o seu comp omisso de cons ui um u u o pací ico pa a a I landa do No e.” (Mo ison, 2020, p.11)
T adução li e do inglês exce o de Analyzing In e iews wi h Te o is s.
Quando exis e uma pe ceção de ameaça den o da igilância e no-sec á ia e e no-ideológica do ou o g upo,
no malmen e esse g upo é a ado de o ma menos a o á el que o ou o. No caso da Islamo obia, a polícia
es adual pode es ingi a exp essão do islamismo, po exemplo: limi ando a cons ução de mesqui as e
egulando o es uá io eminino (hijab, bu qa po exemplo). O que az com que es e ipo de a i idades pa eçam
Islamo óbicas é a medida em que o es ado impõe enca gos ex a a sec o es da população que são
p edominan emen e muçulmanos (S. Sayyid, 2014 p.16).
Sayyid des aca ainda as di e enças en e an issemi ismo, acismo e Islamo obia, pois odas es as
ca ac e ís icas são semelhan es e his o icamen e êm sido a adas como enómenos que desumanizam e
sepa am o ou o. A ca ego ia de acismo (como uma ca ego ia dis in a de aça) su giu pela p imei a ez na
década de 1930 pa a desc e e a expe iência p imá ia da he ança judaica na Eu opa du an e a ocupação nazi.
As Leis de Nu embe g, (S. Sayyid, 2014 p.14) p á icas legais e ex alegais são mui o semelhan es ao que
acon ecia no es o do mundo, onde os es ados e adminis ado es eu opeus egula am a condu a de g upos
não eu opeus. O acismo como o ma de o mação polí ica é ine en e às emp esas coloniais eu opeias:
b i ânicas, espanholas, ancesas, po uguesas, holandesas, ussas, belgas ou ame icanas (S. Sayyid, 2014
p.17). O concei o de aça é en endido como um enómeno biológico (is o explica o es o ço ei o pelos biólogos
e ou os cien is as pa a nega que a ca ego ia de aça enha qualque base na ciência). Embo a ou os au o es
Ou as o mas de
Islamo obia
In ensi icação da igilância das populações muçulmanas com ecu so a ecnologia, agen es
p o ocado es e in o mado es pagos.

16
como S e gios Ko inis e Ma ha C enshaw conco dem que os se es humanos, al como os muçulmanos, não
são apenas "
uma aça"
, mas ambém uma con e gência de é, plu alismo discu si o e pe ença é nica. Ko inis,
num ela ó io da União Eu opeia sob e leis an i-disc iminação e in e seccionalidade desc e e os g upos
mino i á ios muçulmanos na G écia como compos os po e no-iden i á ios cuja composição e le e in e ações
de longa da a en e di e sas adições linguís icas e cul u ais. Exis e uma di e ença na G écia en e os g upos
muçulmanos de o igem Tu ca, ciganos e Pomaks de o igem esla a na T ácia Ociden al, uma egião
adminis a i a en e a Macedónia do No e, a G écia, a Bulgá ia e Tü kiye (Ko inis, 2011 p.127). O p ocesso de
o mação de uma "
aça
" não depende da biologia, mas sim de uma cons ução de "
aças
" que são iden idades
colec i as p oduzidas po p ocessos sociais. Ko inis e Sayyid azem exemplos de como, quando não há
alocação de di ei os, como oi o caso das mulhe es Pomak na G écia, as p á icas disc imina ó ias de
"de-
islamização"
con e em ou expulsam es es g upos pa a uma ma ginalização social que demo a mui os anos
pa a o Es ado e a sociedade ci il esol e em, apesa dos p incípios uni e sais de jus iça e di ei os undamen ais
que de e iam p o ege es as mino ias no caso da mino ia Pomak na G écia:
... ( alando de ma ginalização) "exis e po ês azões: como memb o de uma mino ia muçulmana, como mulhe es e,
inalmen e, como muçulmanas e mulhe es.
The S a us o Muslim Mino i y Women in G eece: Second Class Eu opean Ci izens? (Ko inis, 2011p.131)
Sayyid ai ainda mais longe e menciona momen os his ó icos mais d amá icos de en a i a de
"apaga "
a
islamização de um g upo mino i á io muçulmano:
1. P imei a ins ância- G anada 1492. Mui os mona cas ibé icos con e e am os muçulmanos ao
ca olicismo, com o e in luência da Inquisição, e algumas p á icas mais ca ac e ís icas do Islão
o am apagadas, como come ca ne de po co. Os aços da a qui e u a islâmica pe manece am em
Espanha e em Po ugal, com g ande in luência á abe na língua.
2. Segunda ins ância: Re e e-se ao p ocesso de de-islamização en e odos os esc a os nas
plan ações ansa lân icas. Segundo Syl iane Diou , ac edi a-se que al ez um e ço a me ade de
odos os a icanos esc a izados azidos de Á ica pa a a Amé ica e am muçulmanos.
3. Te cei a ins ância: Foi ei o pelas au o idades comunis as com á ios g aus de exílio. Em alguns
países, como a Albânia, a secula ização le ou à c iação de uma imagem na população de que a
iden idade e a consciência de se muçulmano são de alguém pe dido ou ma ginalizado.
Pa a as Nações Unidas, o concei o de Islamo obia enquan o al pa ece signi ica a p o eção o ali á ia das
ambições polí icas e das p á icas ne as as que des alo izam os di ei os humanos. Pa a ul apassa es as
p á icas, p ecisamos de legi ima os desa ios e as c í icas daqueles que não es ão a abo da o p oblema (Uni ed
Na ions Human Righ s Council, 2021 p.20). Ou as pessoas suge em de inições que uncionam não apenas
como a islamo obia, mas que olham pa a o al o de quem es á a se a acado, não no Islão como é, mas nos
17
muçulmanos como pessoas. Sayyid conco da ainda que exis e uma lacuna na axonomia concep ual que
en ol e a ejeição da classi icação ígida de ideias como:
"Exis e uma lacuna en e es a axonomia e á ias
expe iências que podem se desc i as como Islamo obia"
(S. Sayyid, 2014 p.20). As Nações Unidas, com o seu
ela o especial, en a izam as mani es ações e os impac os nos di ei os humanos, o di ei o à libe dade de
eligião e de c ença pa a ins de educação pública pa a moni o iza e esponde ao enómeno (Uni ed Na ions
Human Righ s Council, 2021 p.20). As o mas cumula i as da Islamo obia em es udos empí icos são as que
in e essam à moni o ização do enómeno.
2.1.3 Islamo obia ins i ucional e suas na a i as con o e sas na mídia
a ual
Po ugal não é um caso excecional no enómeno da Islamo obia. No úl imo subcapí ulo imos que a Islamo obia
não em uma pe suasão undamen alis a, em nuances. O es udo o mal da Islamo obia pode ambém a a
da descons ução das na a i as con o e sas disseminadas pelos media a uais. Em 2024, a Islamo obia pode
ambém o na -se o ina nas edes sociais, como no caso de Mohammad Rashidujjaman Ri a , que com a sua
equipa de 32 pa icipan es pa icipou num en ol imen o comuni á io con a con eúdos Islamó obos e
p ejudiciais na pla a o ma X (an igo Twi e )7 (Mohammad Rashidujjaman Ri a e al., 2024). Na a i as noci as
que desumanizam o "
ou o
" e nos mos am o quão pouco conhecimen o exis e en e a eligião islâmica e o
que acon ece quando os p econcei os são exp essos nas edes sociais. Em Po ugal, os es udos sob e a
Islamo obia êm um ca ác e mais his ó ico, cien í ico social e a é polí ico do que es i amen e pa icipa i os ou
baseados num se iço de epa ação his ó ica, po exemplo. A ecolha de dados, a in es igação his ó ica e as
en e is as e ela am a Islamo obia em Po ugal como um obje o de es udo que ap esen a uma inde e minação
concep ual que oscila en e o legado colonial, a lógica dos egimes au o i á ios e a ep odução sis émica das
es u u as his ó icas. Po isso, é melho começa do início. Po ugal pa ilha o mesmo legado his ó ico com
Espanha, com o Reino do Al-Andalus e a econquis a, mas as consequências dos países são mui o di e en es
(Allie i, 2010 p.263). Há ce as no mas sociais e deba es que a he ança á abe in luência a é aos dias de hoje.
Os p ecei os e os 5 pila es do Islão a ual em elação à modés ia no es uá io eminino são algo que oi abo dado
po João Sil a de Sousa no seu li o Religião e Di ei o no Co ão em 1986 num capí ulo sob e a condição da
mulhe :
7 Aqui, a Islamo obia é classi icada como a quin a ca ego ia de disseminação de men i as e discu so de ódio nas edes sociais, algo
que se o nou uma o ma comum de exclusão ideológica de um g upo em de imen o de ou o.
18
Imagem 1.0- Pa e do capí ulo do li o
g
)
Da Condição da mulhe
(1986) do
Religião e Di ei o no Alco ão
.
“
G andes exigências e am es as que pe sis i am pela Idade Média e a é aos nossos empos. Na Península
Ibé ica, no nosso Alen ejo e Alga e e, em aldeias da Andaluzia, ainda hoje as mulhe es de mais idade
apa ecem a amen e nas Ruas, a não se embiocadas de al modo que é dí icil ou a é impossí el di isi -lhes
os os os e econhecê-las. Emb ulham-se num lenço p e o, apam o cabelo e a es a, deixam apenas os
olhos isí eis e c uzam o pano na boca, o qual ai cai a é ao pescoço ou mesmo ní el dos seios.”
D) A condição da mulhe (Sil a de Sousa, 1986 p.143)
Es e capí ulo sob e a condição da mulhe ala eologicamen e, no ma i amen e e com au o idade sob e como
uma mulhe muçulmana de e agi pe an e o Co ão, algumas das eg as ão adequadas e his o icamen e
co e as como:
...“2.- Não desposa eis mulhe es poli eís as, enquan o elas não acei a em a unicidade de Deus! <<Umas
esc a a c en e ale mais que uma mulhe (li e) poli eís a, mesmo que es a e ag ade mais >>. Não pode á
o homem da em casamen o suas ilhas aos que não c êem! << Um esc a o c en e é melho que um
homem (li e) poli eís a, mesmo que es e os ag ade mais >> (278).”
No e ad e ências do Co ão ace ca do casamen o (Sil a de Sousa, 1986 p.141 e 142)
O a, os es udos mode nos de Ma a A aújo en a izam ambém a sua análise das na a i as islamo óbicas
dominan es sob e "
os muçulmanos são mais sexis as do que os ociden ais
". Aqui, en am em con li o o
19
e sículo 2:221 e o e sículo 33:35 do Alco ão, onde exis e igualdade espi i ual e mo al en e homens e
mulhe es (
El Co án (T aducción del a abé)
, 2013). No seu li o
“Pe enças echadas em espaços abe os
”
(2007), Ma ia Ab anches ala sob e es a égias de econs ução iden i á ia, um campo de discussão sob e o
comp omisso e a queb a social en e g upos muçulmanos da Guiné-Bissau, Índia e Moçambique em Lisboa.
Ago a é impossí el pa a mim en a queb a odas as na a i as e adas que exis em no Islão já que esse
abalho sis emá ico (que o Es ado e a União Eu opeia de e iam aze ) oi c i icado po Ma a A aújo e Enos
Bay akli no Rela ó io Eu opeu sob e a Islamo obia em 2016. Há ambém uma in e secção disc imina ó ia de
géne o nos enómenos mig a ó ios nas populações muçulmanas:
“
Nes e con ex o, as mulhe es mig an es não (são) conside adas como sujei os au ónomos, ou como
susci ando p oblemas especí icos de In eg ação”.
Te esa Ta a es, 1998 no Pe enças echadas em espaços abe os (Ab anches, 2007 p.34).
A islamo obia sis emá ica no con ex o po uguês pode se analisada a pa i de dois momen os his ó icos
undamen ais: a expulsão dos á abes da Península Ibé ica e a conquis a colonial da Guiné-Bissau. No p imei o
caso Po ugal oi, conquis ado pelos á abes du an e mais de 5 séculos, desde 711 d.C. a é à chegada de A onso
Hen iques em 1139 e à expulsão dos á abes de Fa o, no Alga e, no sul de Po ugal, al u a em que o país se
consolidou. Mas delimi ando o es udo com Allie i (2010), A aujo (2019) e Abdoolka im Vakil (2004) na his ó ia
ecen e de Po ugal, o in e esse sis emá ico iniciou-se nas eligiões ex a-eu opeias com documen ação e
a qui os his ó icos no inal do século XIX8. Os úl imos anos do colonialismo moná quico em 1890, com Se pa
Pimen el como p imei o-minis o de Po ugal (uma campanha que du ou no e meses), en en a am uma c ise
no es angei o com as a uais Guiné-Bissau e Moçambique, com uma longa expansão de ou as o ças eu opeias
em Á ica, como os anceses e os b i ânicos. Os egis os dos muçulmanos na Guiné, nessa al u a, e am
discu sos esc i os islamó obos, en a izando a necessidade de e oma o con olo polí ico em Po ugal sem
pensa na é ica mode na do ou o:
...“ p imei o e am ao menos c is ãos, “os muçulmanos” conclui “apa eciam
sob e udo na Guiné é em Moçambique—como o inimigo absolu o”
(Vakil, 2004 p.22). Algo cu ioso su giu com
a iangulação de dados com o a igo de Jo di Mo e as: Po ugal uma exceção que con i ma a eg a? (2010),
Ma ia Ab anches (2007) e Ma ha A aújo com as con a-na a i as à islamo obia (2019) sob e a Guiné-Bissau
e a sua iden idade muçulmana em sido ques ionada po odos po e um his o ial de se um po o com uma
meno dimensão social de ido à disc iminação. Os po os Mandinga e Fula, que o am o ulados de "
mou os
"
segundo as aduções de René Pólissie nos seus es udos e nog á icos na década de 1980 e es udos ecen es
de a é 2019 , concluí am que exis e uma ensão que não oi esol ida a é hoje:
8 Di e sas missões ao es angei o, nomeadamen e às an igas colónias, o am p omo idas ao longo da Mona quia, da P imei a
República e do Es ado No o com ins an opológicos e de “paci icação”. Es as ações isa am ecolhe in o mação sob e os g upos
colonizados, equen emen e is os como uma ameaça à in eg idade e iden idade nacional po uguesa.
20
“Po exemplo, na cul u a Mandinga (na Guiné-Bissau) — exis em di e en es g upos é nicos —, a sua p oximidade
com a lu a de libe ação nacional, alimen ou o ac o de se em, en e os muçulmanos, os g upos mais
disc iminados den o do discu so (colonial); mesmo na o ma como o es ado colonial conside a a as pessoas
ligadas à libe ação nacional, po exemplo, a noção de " e o ismo" que e a aplicada na época, a es as
comunidades.”
(A i is a polí ico an i acis a; mo imen o neg o).
Exce o de Coun e ing Islamophobia in Po ugal, (A aújo e al., 2019, p.198)
Po o dem c onológica, Vakil (2004) des aca os agen es ul ama inos po ugueses: 1890 - An ónio Enes como
Comissá io Régio em Moçambique, 1960 - José Júlio Gonçal es dos es udos an opológicos e 1965 - Sil a
Cunha como minis o do Ul ama du an e um pe íodo de campanhas coloniais e ep essões que du ou 84
anos. Tomando como pon o de pa ida o úl imo manda o b i ânico de 1890, nas campanhas coloniais na Á ica
do Sul e em Moçambique, onde An ónio Enes p ocu ou consolida o domínio colonial po uguês, p oje os como
a “Reconquis a” de am o igem a o ganismos como a PVDE (Polícia de Vigilância e De esa do Es ado) e a DGS
(Di eção-Ge al de Segu ança), que se expandi am desde en ão a é à queda do Es ado No o com An ónio Salaza
e os seus sucesso es. O plu alismo eligioso, o empi ismo obse acional undamen ado e a enomenologia
social que que ia ap ende sob e as populações muçulmanas nos e i ó ios de ul ama não muda am mui o
a dimensão social dos po os. Sil a Rego demons ou e a i udes mais é icas pa a a sua época nos anos de
1940 a 1960 onde se e i icou um a anço no diálogo in e - eligioso pa a minimiza as ensões e na p ocu a
heu ís ica de uma e dade his ó ica:
“A es a égia es a undada numa lei u a ideológica do Islão, endo como c i é io o in e esse nacional
e i o ialmen e concebido, isa au onomiza os muçulmanos da p o íncia “nacionalizando-os, sepa ando os
“bons muçulmanos”. E es e desígnio que p eside aos es o ços de legi ima o p incípio da adução po uguesa
dos ex os da adição islâmica e dos se mões nas mesqui as”.
Pensa o Islão: Ques ões coloniais, in e ogações pós-coloniais (Vakil, 2004 p.30)
O décimo p econcei o de Ma ha A aújo sob e o Islão “
não pe mi i a ciência mode na
” ad ém de um p oje o
uncado pela abe u a da Ig eja Ca ólica na época colonial da Guiné-Bissau como um p oblema de assimilação
que não chegou a Po ugal con inen al no seu discu so de des alo ização da au onomia:
“... Na discussão do Islão e, quando do espaço as ozes muçulmanas, ende, em pa e po azões que e le em as
debilidades sociológicas da p opiá comunidade muçulmana”.
Pensa o Islão: Ques ões coloniais, in e ogações pós-coloniais (Vakil, 2004 p.33)
Es as na a i as e con a-na a i as molda am a his ó ia da Á ica Lusó ona como uma cons ução his ó ica e
polí ica e como um e ei o cola e al na en a i a de assimila os po os indígenas na mídia e publicidade ambém

21
em Po ugal. Os empos muda am pa a o Guineense Amílca Cab al e o seu pa ido polí ico PIAG (pa ido
a icano pa a a Independência de Guine e Cabo Ve de). Os di ei os humanos, a independência e a libe dade
le a am a uma gue a pelos di ei os e independência que começou de 23 de janei o de 1963 a é 24 de
Se emb o de 1973 com uma p oclamação unila e al de independência. A sua independência oi econhecida
pelo subsequen e go e no po uguês do Es ado No o a 17 de se emb o de 1974 e a segui o país o nou-se
memb o o icial das Nações Unidas nesse ano. O di ei o ao a amen o médico, o di ei o à educação e o
desen ol imen o da cul u a nacional o am os pedidos mais impo an es que Cab al pediu pa a sal a as
condições e ma ginalização da pob eza que inha aquela época. Em Po ugal em con as e, a de e io ação da
economia a ní el mac o e um declínio do in e esse em man e as colónias ul ama inas po uguesas como suas
p óp ias c ia am descon en amen o social:
“
Ele dá ao homem colonizado menos impo ância que aos p ópios obje os, pois que es es êm um ce o alo
e cus am ca o pa a os subs i ui , ao passo que pa a o colonizado , o abalho e a ida do colonizado não
cus am nada e são imedia amen e subs i uídos, caso alhem. Assim, a colonização p e ensamen e
"ci ilizado a", da qual a a ian e po uguesa é uma das mais e óg adas, é de ac o um dos egimes mais
bá ba os e imo ais que a humanidade conheceu.”
Exce o de: 4.- A desumanidade do egime colonial,
Pa ido a icano pa a a Independência de Guiné e Cabo Ve de (PAIG, 1974, p.120)
A desumanização e uma alha sis émica do mul ila e alismo, não só económico, mas ambém coope a i o e de
segu ança, empob ece am e sepa a am a Guiné-Bissau e Cabo Ve de, endo ha ido missões das Nações
Unidas em anos pos e io es. Imedia amen e após a independência, as Nações Unidas o am enca egues de
o nece alimen os, o ma pessoal quali icado, comp a equipamen o ag ícola e ajus a o o çamen o às
inanças e às moedas in e nacionais (Ko s ed & Ta p, 1999 p.6).
Vol ando ao Po ugal pós-1974, duas leis ma ca am uma abe u a à libe dade eligiosa e de c ença: O a igo
41.º da Cons i uição da República Po uguesa e a é 2001 com a Lei da libe dade eligiosa (Lei n.º 16/2001,
de 22 de Junho). A his ó ia de Po ugal con empo âneo em oscilado en e na a i as de esis ência e de
abe u a plu i acial e plu i eligiosa, mas den o da Mesqui a da Comunidade Islâmica de Lisboa já se e i ica a
uma adoção de uma causa e cei o-mundis a e de uma esque da libe al que se solida iza ia com a causa
pales iniana (Vakil, 2004 p.23). A Islamo obia dos media e as c enças popula es es ão ligadas à abe u a de
mo imen os mig a ó ios des as comunidades na i as da Guiné-Bissau, Moçambique e 10.000 Ismaeli as de
o igem Guja a i da Índia nas décadas de se en a e oi en a. Vali Suleyman Mamede é desde en ão o esponsá el
po en a "
desmis i ica
" os p ecei os do Islão e o que "
incomoda
" a eligião islâmica na Mesqui a Cen al de
22
Lisboa. O pe il des a comunidade es ima-se que 50% a 70% dos muçulmanos em Po ugal são esiden es
po ugueses, sob e udo os que ie am na p imei a aga de imig ação com os ilhos (Allie i, 2010 p.265).
Imagem 2.0 e 3.0- Exposição de documen ação, a e ac os e li os sob e a his ó ia do con ac o en e Po ugal
ul ama ino em Moçambique e a causa pales iniana em Lisboa em 1978 pelo paquis anês Vali Suleyman Mamede.
Cu ado Fab izio Boscaglia, (2024)
Publicações Islâmicas em Po ugal.
Biblio eca Nacional de Po ugal. Lisboa, Al ade.
A minha ge ação não c esceu com es a his ó ia em pa icula no México, nem na Amé ica La ina. O que
ealmen e ma cou uma mudança de pa adigma e a minha pe ceção de ameaça na con empo aneidade espei o
ao Islão oi a al e ação do oco das no ícias ao mundo islâmico após o a aque às To es Gémeas a 11 de
Se emb o de 2001. Ab anches (2007) e Vakil (2004) alam ambém da mudança de pa adigma que isso
ma cou nos jo nais e nas endas do Co ão nas edi o as mais impo an es de Po ugal:
“A p opos o dos a en ados e o is as do 11 de Se emb o a e is a do Jo nal Exp esso publicada no 27 do
mês seguin e dedica-se quase in ei amen e ao Islão, e ou os jo nais e e is as p ocu am explica a his ó ia
da eligião islâmica assim como começam a e e i -se à sua p esença em Po ugal, embo a nes e con ex o,
ao páis seja a ibuída a imagem de “oásis de ole ância””. (Câma a, e is a Única, 22/11/2003 :90)
Exce o li o: Pe enças echadas em espaços abe os: Es a égias de ( e)Cons ução Iden i á ia de
Mulhe es Muçulmanas em Po ugal (Ab anches, 2007 p.47)
O pon o cen al da islamo obia em Po ugal é, se le mos a his ó ia ecen e, é onde as polí icas educa i as
de e iam e implemen ado uma in eg ação do cu ículo educa i o plu icul u al/ eligioso na agenda não só dos
jo ens de o igem mig an e, mas de odos, como um di ei o humano. As na a i as islamo óbicas ins i ucionais
abo dadas po Ma ha A aújo são um desa io sis émico que pode se en en ado com boas p á icas, como o
23
desen ol imen o de compe ências pionei as pa a o diálogo in e cul u al (A aújo e al., 2019 p.195) e o comba e
à agmen ação do á abe esc i o no Co ão, mais especi icamen e do á abe clássico, que é impene á el an o
pa a alan es de ou as línguas (ce ca de 80% de odos os muçulmanos no mundo) como pa a os alan es de
á abe coloquial (Vakil, 2004 p.40).
Pa a delimi a o es udo e pode pensa em soluções pa a c ia consciência con a a Islamo obia, eis as 10
na a i as mais impo an es que exal am a islamo obia em 2019 do es udo sociológico
Coun e ing Islamophobia
in Po ugal 9
de Ma ha A aujo em anos ecen es (A aújo e al., 2019 p.187-196):
1.
“
O Islão de ende a iolência, os muçulmanos são p opensos à iolência”.
2.
“
Os muçulmanos são mais sexis as que os ociden ais”
3.
“
O Islão não se baseia na democ acia ou no Es ado de di ei o, mas sim na au oc acia ou na eoc acia”
4.
“
Os muçulmanos são in ole an es”
5.
“
Os muçulmanos são inassimilá eis”
6.
“
O Islão é uma eligião p oséli a, que isa “in adi o nosso e i ó io” e assumi “o nosso modo de
ida”
7.
“
O Islão não pe mi e a libe dade de exp essão”
8.
“
O Islão é in ole an e com os homossexuais”
9.
“
Os muçulmanos usam inanciamen o público pa a p omo e o undamen alismo islâmico”
10.
“
O Islão não pe mi e a ciência mode na; os muçulmanos não se guiam po uma omada de decisão
acional”
Como se pode cons a a , o campo de opo unidade em Po ugal pa a comba e a Islamo obia é a epa ação
his ó ica e o mul ila e alismo pací ico. Em 2007, a Comissão Eu opeia ealizou uma con e ência dos
Pa lamen os Eu opeu e Pan-A icano, onde Louis Michel en a izou a impo ância da colabo ação baseada na
igualdade e no espei o mú uo. Vakil c i ica uma isão essencialis a ac í ica do islamismo, uma ez que o
islamismo é uma iden idade e uma ci ação "
sag ada"
de ex os, que não impede uma disc iminação sis émica
ou não molda o su gimen o de uma iden idade de um islamismo eu opeu com mani es ações de e o ma,
in eg ação e mode nização (Vakil, 2004 p.33). Louis Michel sabe que a agilidade da segu ança, não se de e
apenas a: "
eles ou ao e o ismo islâmico, à p oli e ação nuclea e ao á ico ilegal em Es ados (a icanos
poli icamen e ágeis
)" (Michel, 2007 p.11), mas como uma ameaça à paz e à es abilidade. Em Canadá, a
educado a Raha Zaidi, al como Ma ha A aújo, de ende a c iação de pensamen o c í ico sob e a di e sidade
e a di e ença nas salas de aula. Como podem os p o esso es e os educado es c ia en endimen os e po que é
que es as obias sociais exis em se não muda mos as nossas a i udes e p á icas em ez de...
“ e o ça mos um
9 Es as na a i as polémicas do es udo Ma ha A aujo o am escolhidas pa a es e es udo pela sua na u eza in e disciplina e pela
sua capacidade de con i ma que os es e eó ipos sob e o Islão ainda não o am esol idos ou econhecidos pelo Es ado. Não cabe
apenas ao Design de Se iços, mas ambém à epa ação his ó ica das escolas econhece po que exis e a islamo obia.
24
discu so desumanizado ão nega i o pa a o mundo á abe e muçulmano?”
(Zaidi, 2019 p.6). Usa a educação
como pla a o ma é uma e amen a pode osa pa a p o oca e ques iona as no mas sociais pa a i e em
ha monia. Eis o início de um no o mul ila e alismo em p o ó ipo de um desenho de se iços pa a a educação
2.2 Educação: o signi icado de Bullying e Bias Based Bullying.
Cabe à educação ensina , in eg a , p epa a e a ende os indi íduos, independen emen e do con ex o social
de onde p o êm. Segundo Viegas Ta a es (1998) exis em 2 aspe os undamen ais que a educação de e abo da
pa a p epa a o indi íduo pa a a sua missão na sociedade. O p imei o mé odo é a expe iência in eg al do
indi íduo na ida social quo idiana e nos elacionamen os (Viegas Ta a es, 1998, p.34). O segundo aspe o é a
p epa ação e o eino écnico e in elec ual do indi íduo pa a se um a o p odu i o na sociedade (Viegas
Ta a es, 1998, p.35). Cla o que, como imos nos ensaios de Sayyid, no qua o palco da Islamo obia (ou quais
os a os que podem se conside ados islamo óbicos), o bullying pode se desc i o como um a o islamo óbico
que oco e em ambien es ins i ucionais (S. Sayyid, 2014, p.15). O a amen o ad e so é um des io social como
o bullying, que é um enómeno que oco e, segundo Sayyid, quando não exis e legislação ou uma cul u a
obus a de an idisc iminação, omada de decisões que incluam a população muçulmana e sejam omadas as
medidas necessá ias sob e o assun o (S. Sayyid, 2014 p.16). Pa a Du kheim (1984) e Viegas Ta a es (1998),
a simples ansmissão de conhecimen os condicionada pela ins ução é insu icien e pa a a Educação, pois a
educação isa desen ol e o indi íduo in elec ual, mo al e isicamen e (Viegas Ta a es, 1998, p.35). A educação
é is a po Du kheim como um agen e de socialização p omo o de alo es cole i os onde não pode ha e
es anhos numa escola;
"a amília, o g upo, o bai o, a á ea geog á ica e cul u al da escola."
A cul u a de uma
escola em aízes in ínsecas de aco do com a o ma de ci ilização onde é habi ada, o ipo de sociedade, a
cons i uição do g upo e o seu papel social (Viegas Ta a es, 1998 p.36).
A pala a Bullying em o igem na Escandiná ia pa a se e e i ao assédio ou ao p oblema de assedia uma
í ima, denominado
"mobbing"
. A aiz o iginal da pala a inglesa
"mob"
implica que se a a de um g upo
ge almen e g ande e anónimo de pessoas que p a icam assédio. Dan Olweus oi o pionei o do p imei o es udo
o mal sob e o bullying na No uega, em 1978, e de ine o Bullying como:
"Quando um aluno es á a se in imidado ou i imizado quando é expos o, epe idamen e e ao
longo do empo, a ações nega i as de um ou mais alunos"
Bullying a School (Olweus, 1993)
31
A combinação en e os compo amen os indi iduais e as condições do ambien e pode acili a ou inibi a sua
mani es ação. Es a in e ação con ibui, ao longo do empo, pa a a o mação de sis emas es á eis de espos a
mo i acional (sis ema/mo i o)14 . Pa e son (1982) e Gómez (1999) des acam o papel da impulsi idade,
sublinhando que es as c ianças endem a p ocu a a sa is ação imedia a dos seus desejos pelo ambien e que
as odeia, des alo izando e en uais punições. A di iculdade em ole a a asos na ecompensa e em adia a
g a i icação é ou a ca ac e ís ica comum nas c ianças com compo amen os ag essi os (Es eban Gómez e al.,
1999, p. 86). Es es a o es são conside ados a o es biológicos, he edi á ios e ecológicos pela in e ação pais-
ilhos nos p imei os anos de ida.
Ma ie-Na halie Beaudoin e Mau een Taylo (2006) conside am um incen i o in olun á io ao des espei o pela
cul u a escola num sen ido mais amplo, econhecendo ambém que a cul u a escola que op ime, não
econhece e não supe isiona a c iança pode ag a a o Bullying. As no as escola es o nam-se um obje i o e
não uma medida de ap endizagem mais p o unda e de maio qualidade. Da mesma o ma, a medida
quan i icá el, isí el e p oba ó ia de um exame o nou-se mais impo an e do que as in e ações mais p o undas,
descobe as ou in isí eis (Beaudoin & Mau een, 2006 p.35). C ia um cu ículo educa i o demasiado one oso
que esgo a as c ianças az com que mui os p o esso es iquem exaus os nes a a madilha do sis ema, e acabam
po ensina o cu ículo ob iga ó io con a a sua on ade e ado a a i udes que aumen am a p obabilidade de
ma ginalização, sepa ação e desunião dos alunos (Beaudoin & Mau een, 2006 p.36).
Acumula desânimo não pode aze pa e da cul u a escola , pois as a i udes dos p o esso es con ibuem pa a
o na os alunos mais op imidos, pa a ás e exaus os pe an e os ma e iais abso idos.
Po im, a a aliação: uma a aliação sem ameaças ou uma a aliação como único mé odo inques ioná el? É
a o ala de a aliação ou da suges ões; na e dade, es a p opo ciona melho ias, mas pode se p ejudicado
pelo s ess cons an e que eduz o desempenho (Beaudoin & Mau een, 2006 p.36). Pa a e i a is o, de emos
concen a -nos mais na expe iência do p ocesso, no seu signi icado e na sua equência. Além disso, e
au oconsciência de que a a aliação é apenas um e a o daquele momen o de uma pe o mance si uada
naquele de e minado con ex o, empo e ipo de elação p o esso /aluno (Beaudoin & Mau een, 2006 p.37).
14 Na p imei a in ância: Sis ema/mo i o é o conjun o de esquemas de espos a emocional e compo amen al que se o ganizam a
pa i da expe iência de e o ço ou us ação num de e minado con ex o.

32
G á ico 3.0- Es a imagem são as p essões cul u ais e sis émicas que a p óp ia cul u a em em elação a a o es
in olun á ios que c iam o bullying.
2.2.2 Ca ac e ís icas do Bully/Ag esso
Coloca os ou os em desaco do e p ocu a incessan emen e dominá-los é e ado. Exis e uma al a de empa ia
po uma condição p eexis en e do aluno ag esso . No caso da Islamo obia nas escolas, a a-se de um aumen o
do medo de ido a acon ecimen os não esol idos no Médio O ien e, com um aumen o da disc iminação e da
ejeição social. O bullying e o assédio na escola baseiam-se no nome da pessoa, na e nia, na p o iciência na
língua do país an i ião e na escolha de usa oupas cul u ais e eligiosas (Abu Khala e al., 2022, p.212).
Segundo Olweus (1993) e Ca alhosa (2010) exis em os ag esso es a i os, que no malizam a ag essão e
no malmen e êm um g upo de 2 ou 3 pessoas que obse am o que azem, e os ag esso es passi os, que
seguem o ag esso p incipal como um g upo mis o de alunos insegu os e ansiosos (Olweus, 1973 e 1978). A
li e a u a académica ap esen a uma maio p e alência de es udos ocados nos ag esso es do sexo masculino
33
em compa ação com as mulhe es, des acando equen emen e o papel da o ça ísica e da mo i ação pa a a
dominância como a iá eis-cha e. Es a abo dagem ende a p io iza a o es associados ao pode e à iolência
ísica, em ez de eduzi o pe il psicológico do ag esso a diagnós icos de ansiedade ou dep essão (Ca alhosa,
2010). Exis em es udos mais ecen es sob e a p e alência de doenças men ais segundo Ca alhosa (2010)
onde os ag esso es podem sen i -se mais dep imidos, in elizes e em isco de come e suicídio (Kal iala, Heino,
1999 e Ca alhosa, 2010). Olweus não os ê como ansiosos ou insegu os, ê o ag esso como uma pessoa
em busca de pode . No seu li o
Bullying in Schools,
desc e e ês ca ac e ís icas do um ag esso (1) em
p imei o luga , a necessidade de pode e domínio, a necessidade de gos a de es a "
no con olo
" e a
necessidade de subjuga os ou os. De aco do com a o es amilia es p eexis en es, como o es udo de Gómez
e Egido (1999), em segundo luga (2) os e ei os da disciplina amilia no compo amen o in an il, a
pe missi idade dos pais e a impo ância de se esponsá el e as pe spe i as dos iscos de nes a pe missi idade
ge am bullying (Es eban Gómez e al., 1999). Es a pe missi idade ez com que es as c ianças desen ol essem
um ce o g au de hos ilidade em elação ao meio ambien e; es es sen imen os e impulsos c iam in elicidade e
in ligem so imen o e mágoa a ou os indi íduos15. O bullying é ambém u ilizado em (3) e cei o luga como um
ganho ins umen al com um ganho ma e ial, como da dinhei o, ciga os, ce eja e ou os obje os de alo às
í imas. Os ag esso es são mais p opensos do que os ou os a se en ol e em em delinquência e iolência e,
mais a de, a e olui pa a compo amen os c iminosos. Ainda não exis em es udos que meçam a co elação
en e o bullying nas escolas e os c imes con a as populações muçulmanas. Hou e um caso na Aus ália, num
subú bio de Vic o ia, de uma amília que so eu islamo obia numa escola p imá ia, onde o con li o de iden idade
se espalhou pa a o bai o, onde uma amília muçulmana que inha ilhos na Escola P imá ia S a lowe oi
isicamen e deslocada po uma amília anglo-aus aliana que cos uma a in adi e des ui a sua casa à noi e16
(Keddie e al., 2019).
O bullying p a icado po ag esso es e amílias é is o como um compo amen o an i-social, queb ando as
eg as (compo amen o deso ien ado) como pad ão de compo amen o (Olweus, 1993). En e as c ianças, a
o ça ísica desempenha um papel impo an e no bullying. Como já e e imos an es, as í imas êm um a o
secundá io: não êm a mesma o ça ísica. A popula idade em maio p obabilidade de diminui se hou e
bullying con a uma c iança que não em essa o ça ísica (Olweus, 1993). A moni o ização inadequada du an e
15 Basicamen e não impo limi es do que é um compo amen o acei á el pe an e ao ambien e.
16 Em S a lowe P ima y (Vic o ia, Aus ália), uma amília muçulmana com ilhos ma iculados oi al o de islamo obia po izinhos
anglo-aus alianos. Segundo Keddie e al. (2019), esses izinhos “
in adiam e des uíam a sua casa du an e a noi e
”, num pad ão de
in imidação que acabou po o ça a amília a abandona a comunidade escola . As c ianças de ambos os g upos equen a am a
mesma escola p imá ia, e o con li o, alimen ado po ensões eligiosas e é nicas, ansbo dou do ambien e escola . As au o as ale am
que a adicional posição neu a da escola — ecusando qualque discussão eligiosa — pode e con ibuído pa a a in isibilidade
des es episódios, impedindo ações p e en i as e icazes
34
o ec eio e a esolução de con li os em casa ag a a am o bullying. No caso da islamo obia, o bullying baseia-se
no nome, e nia, es uá io cul u al e eligioso como um a o p ejudicial que "
em de ebaixa
" a iden idade e
não se is o como "
isi elmen e muçulmano
" (Abu Khala e al., 2022).
2.2.3 Ca ac e ís icas das í imas
A apa ia, a no malização de eg as que ole am o bullying, a desmo alização social e a ag essi idade i e am
um impac o nega i o na í ima de bullying. O aluno apon ado po algo ou alguém que é sis ema icamen e obje o
de in o únio, com igidez au o i á ia e uma equipa que que apaga a iden idade mino i á ia da maio ia. No
caso da islamo obia, a incompa ibilidade da iden idade muçulmana com as eg as ígidas de uma imagem
secula az com que es es es udan es endam a sen i que p ecisam de eduzi a sua iden idade, po exemplo,
não usando a sua língua na i a ou es indo oupas cul u ais como com es udan es uni e si á ios, emendo que
a sua iden idade eligiosa possa a e a o is o de es udan e no caso de alunos uni e si á ios. (Abu Khala e al.,
2022). A i imização po bullying no caso da islamo obia é a al a de comp eensão do islamismo como uma
p á ica eligiosa e as di e enças cul u ais den o da comunidade muçulmana como uma comunidade di e sa
c iam ensões e p á icas p ejudiciais de hos ilidade que impedem os p o esso es de c ia um ambien e escola
posi i o e inclusi o (Abu Khala e al., 2022).
Tecnicamen e, não há nenhuma boa azão pa a p ejudica qualque aluno po que o bullying pe pe a
sis ema icamen e ag essões e compo amen os an issociais que podem a é di idi as í imas em passi as ou
ag essi as (Ca alhosa, 2010). A i imização o na os alunos mais ansiosos e insegu os em ge al (Olweus,
1993). A exclusão social e os a aques e bais deco en es de ques ões é nicas e aciais êm ambém uma
na u eza sociopolí ica. Exempli icados po au o es como Abu Khala (2022) com documen ação de en e is as
quali a i as a dez es udan es á abes ame icanos do ensino secundá io, abo dam nessas ques ões em
p o undidade17. O p econcei o dis o cido nos a aques às í imas le a a uma baixa au oes ima e a uma imagem
nega i a das mesmas nes e ipo de si uações emba açosas. A i imização az com que os alunos se ejam
como alhados, como es úpidos, en e gonhados e pouco a aen es (Olweus, 1993). As í imas são o esul ado
da al a de apoio social, ge ando abandono e solidão nas escolas. No caso das c ianças, as consequências do
bullying ambém êm impac o na saúde ísica e na o ça da c iança, pois ac edi a-se que impac a a cabeça com
do es de cabeça, do es abdominais mais do que as ou as c ianças, em di iculdade em do mi e po ezes
molham a cama no es udo de Susana Ca alhosa (2010). A saúde men al, os sin omas psicossomá icos, os
17 Nadin Abu Khala (2022), in es igado a na Uni e sidade da Ca olina do No e, documen a de o ma sis emá ica casos de
islamo obia e bullying em con ex os educa i os nos Es ados Unidos, analisando os e ei os aumá icos des as expe iências na saúde
men al e no desen ol imen o da ala em c ianças muçulmanas ou pe cebidas como al.
35
p oblemas emocionais e os compo amen os de isco es ão em causa se o bullying aumen a nos es udos de
Kei h A. King (1996) e Ca alhosa (2010) nos es udos de p e enção do suicídio em jo ens. As í imas êm
ambém maio di iculdade em aze amigos e êm menos amigos po que so em com a ejeição dos colegas,
sen indo-se sozinhas (Ca alhosa, 2010, p.23). De ac o, Whi ney e Smi h (1993) ac edi am que quan o mais
empo as í imas passam sozinhas, maio é a p obabilidade de se em í imas de bullying. O sen imen o de não
que e i à escola le a-os a ac edi a que a escola é um local desag adá el e, como consequência, so em de
no as baixas. É ób io que a epe ição sis emá ica de bullying po pa e dos colegas aumen a a ansiedade e a
insegu ança, uma ez que es a insegu ança em si c ia um abu sob e a pa ilha do que acon eceu. Ac edi a-se
ambém que me ade das í imas de bullying se cala, não con a o que acon eceu (Melle , 1990 e Ca alhosa
2010) e pensa que os p o esso es e os adul os não es ão in e essados e quando es ão p esen es dão maus
conselhos (Ca a alhosa, 2010, p. 24). A imu abilidade das eg as e o adul ismo não conseguem o na o
p oblema isí el e comp eensí el pa a en a esol ê-lo. As más p á icas sem comp omisso eal são conhecidas
como adul ismo, segundo Beaudoin e Mau een (2006). Es as in enções po pa e dos p o esso es podem,
in olun a iamen e, e ela p á icas des espei osas pa a com as c ianças, o que pode p oduzi e ei os nega i os.
O adul ismo segundo Beaudoin é uma desquali icação e al a de conside ação aos meno es de idade que di e e
mui o da esponsabilidade que os adul os êm de p o ege e apoia o desen ol imen o das c ianças e dos
adolescen es. O bullying passou a se um sen imen o de culpa, um a do e um peso que az es ições: as
í imas segundo Olweus (1993) endem a pe ence a amílias que se ca ac e izam po e em uma c iação de
eg as com es ição e p o eção excessi a po pa e dos pais. Is o, somado à supe p o eção dos p o esso es,
suge e azoa elmen e que as endências supe p o e o as são an o a causa como a consequência do bullying
(Olweus, 1993 p.33). Exis e ambém o g upo de í imas p o ocan es que se ca ac e izam po e em p oblemas
duplos ou mul imo bilidade de ido a an os p oblemas de ansiedade e ag essão ea i a. Es es alunos êm
di iculdade de concen ação e compo am-se de o ma que causam i i ação e ensão ao seu edo . Não é
comum que o seu compo amen o seja ca ac e is icamen e hipe a i o. Também não é comum que es e
compo amen o p o oque ou os alunos na sala de aula. Segundo Ca alhosa, es e pad ão de compo amen o
emocional des egulado pode se o esul ado da exposição à iolência e ao abuso em casa (Ca alhosa, 2010
p.25) . As amílias de í imas de sob eca ga psicossocial emocional óxica endem, ge almen e, a e as amílias
com comunicação aca e a e o posi i o pouco ou quase nulo.
36
2.2.4 Ca ac e ís icas dos espec ado es
Também há espec ado es du an e o enómeno do bullying. Ac edi a-se que alguns espec ado es êm,
supos amen e, uma maio in eligência emocional do que ou os po u iliza em es a égias e meios não iolen os
pa a e i a magoa os ou os (Ca alhosa, 2010 p.26 e p.27). Tan o Ca alhosa (2010) como Gianlucca Gini
(2008) suge em que as compe ências sociais dos espec ado es são impo an es ––pa a in luencia o
compo amen o de in imidação e i imização. Fa o es sociais como a adesão às no mas sociais do g upo, a
homo ilia18 e a iden idade social podem con ibui pa a o con li o in e g upal. O duplo oco no ag esso e na
í ima pode se mais bem comp eendido se ou as a iá eis es i e em p esen es no con ex o imedia o quando
o bullying es á a oco e : o con ágio social, a di usão de esponsabilidades, as expec a i as dos amigos e ou os
mecanismos de g upo explicam a pe sis ência do bullying (Gini e al., 2008 p.618).
Um espec ado pode aze ês coisas sob e um episódio de bullying: (1) de ende a í ima, (2) não aze nada
enquan o esses espec ado es são o ulados como "
seguido es
" ou (3) ajuda ou e o ça os ag esso es. T aços
de pe sonalidade como a cognição social (in e p e ação das in enções dos ou os), o aciocínio mo al, a empa ia
e a au oe icácia colocam em jogo o papel do espec ado , que pode a é c ia um sen ido de iden idade social
que p esc e e aos "
compo amen os ap op iados
” (Gini e al., 2008 p.619). C ia e implemen a no mas
disc imina ó ias em mui o a e com a implemen ação ou não de bullying po pa e do g upo en e os seus
memb os. Exis em duas eo ias na psicologia que gos am de
"culpa a í ima
" pelas suas ações, o que e o ça
as pe ceções e a i udes em elação ao bullying e à i imização en e os espec ado es. O cí culo icioso de
humilha os ou os e da des alo ização mo al que jus i ica es es maus- a os oi abalhado eo icamen e po
Mel in Le ne com a
Teo ia do Mundo Jus o
(1980) e Be na d Weine com a
Teo ia da a ibuição
(1986). Na
eo ia do Mundo Jus o, mui as pessoas endem a ac edi a que a o una e a so e dos ou os dependem das
suas ações e do seu ca á e ; e es a c ença de que culpabiliza a í ima lhes dá segu ança e "
isen a
" o
so imen o dos menos a o unados (Gini e al., 2008 p.620). A Teo ia da A ibuição de Weine cen a-se em
a ibuições casuais do que es á a acon ece como causas in e nas e ex e nas de bullying, es abilidade e
ins abilidade mensu á eis ao longo do empo e con olo da si uação (es as pessoas es a ão ou não no
con olo?). C ia in e enções pa a o espec ado que ajudem a consciencializa pa a a impo ância de ajuda a
í ima e desman ela o compo amen o cúmplice ques ionando es e ipo de compo amen o é cha e pa a
comba e o bullying. Cla o que a in e enção no bullying aqui em ês abo dagens di e en es: Beaudoin (2006)
o e ece uma abo dagem indi idual e amilia baseada no bullying como uma mal o mação de iden idade com
a possibili ação da iden idade p e e ida (não o ula a iden idade ag essi a do ag esso ) com e apia na a i a.
18 A endência das c ianças e dos jo ens pa a se associa em com ou as pessoas que lhes são semelhan es — em e mos de
in e esses, alo es, o igem é nica, eligião ou compo amen os.

37
Gianluca Gini (2008) cen a-se na in es igação das in e ações sociais mais so is icadas em g upos de amigos
e alunos em ge al, sendo mui o mais p oeminen e na sua in es igação em psicologia social quali a i a, pois
p ecisamos de desa ia as c enças amplas que man êm es a i imização e desen ol e uma cul u a de apoio
sem a ajuda do p o esso (Gini e al., 2008 p.635). Ca alhosa (2010) oca o po encial do g upo que pode
p e eni o bullying numa psicologia comuni á ia, c iando compe ências pessoais e sociais pa a pode agi de
o ma a não ole a o bullying e denuncia as si uações que conhece (Ca alhosa, 2010 p.27).
Os educado es ambém pa icipam no bullying como es emunhas e como uma in e ação i al na ligação en e
o aluno e o educado como p omo o do ensino. O p oblema sis émico, as p essões do g upo azem com que
os educado es acabem po ica p esos num p oblema; um pad ão inú il de in e ação em que as mesmas
ações são epe idas, azendo com que nos sin amos mais us ados nos blocos con ex uais do Bullying. Tal
como Gianluca Gini, Ma ie Na halie Beaudoin ac edi a que, pa a acaba com o bullying com sucesso, os
educado es de em ab i a men e, man e -se cu iosos e a en os a es es acon ecimen os (Beaudoin & Mau een,
2006). C ia uma ligação compassi a com o aluno, ex e io iza os p oblemas e explica cla amen e as suas
expe iências pessoais, aze com que os alunos se sin am con o á eis e u iliza uma linguagem mú ua li e de
adul ismo pode muda as pe spe i as dos alunos sob e o bullying. A au o e lexão e a sensação de segu ança
den o da p óp ia expe iência do educado e do aluno não su gem de no mas ju ídicas p é-esc i as su gem da
in o malidade, nes a in o malidade o nece um passo em di eção à comp eensão. Os educado es ambém
lu am con a es e bullying po que c ia um cí culo icioso que des ói o ensino e o abalho. O educado e á de
se libe a do a mamen o de um sis ema que mui as ezes o impede de aze o que conside a mais adequado
(Beaudoin & Mau een, 2006, p.83). Incen i a os alunos a exp essa em-se, a oma em inicia i a e a alo iza em
as suas conquis as académicas é uma boa p á ica que os p o esso es podem ado a sem comba e o bullying.
2.2.5 Bullying e Bias Based Bullying um p oblema de saúde
ísica e men al
Exis em es udos ecen es que di e enciam o bullying homogéneo e homo ílico do bullying baseado no
p econcei o e na disc iminação é nico- eligiosa, como o bullying baseado no p econcei o. Ma ia Wal on (2017)
conside a o bullying p econcei uoso como ameaças ísicas, e bais, sociais e cibe ssociais con a um g upo
mino i á io com p econcei o em elação à sua aça, e nia, c ença eligiosa, géne o ou o ien ação sexual ace
ao abuso sis emá ico e desequilíb io de pode é um bullying sem jus iça (Ma ia Wal on, 2017 p.492). Os alunos
e as c ianças que so em bullying incessan e com o aumen o dos p oblemas de ex e nalização es ão
amplamen e associados a um desempenho académico mais baixo. Como imos nos subcapí ulos an e io es, a
adesão às no mas do g upo e a di usão de esponsabilidades são sus en adas po uma es u u a social
38
ins i ucional que o na in isí eis as expe iências dos alunos mais i imizados. A OSCE e o Conselho da Eu opa
(2011) econhecem que exis e um sen imen o de isolamen o, medo, sen imen os nega i os e ou as eações a
nes a disc iminação (OSCE O ice o Democ a ic Ins i u ions and Human Righ s (ODIHR), 2011 p.20). Es udos
biossociais ecen es de au o es como Vickie Mays (2007) e Douglas (2004) conco dam que o bullying baseado
em p econcei o como disc iminação c ônica em e ei os mensu á eis na isiologia do co po. A dispa idade acial
no sis ema de saúde dos Es ados Unidos deco e de di isões e seg egações sociais e his ó icas, le ando a um
in e esse ela i amen e no o en e cien is as sociais e biólogos em es uda a co elação en e disc iminação
acial, pob eza, iolência e seg egação esidencial com a mo alidade em suas populações. Em 1990, com a
publicação de "
Excesso de mo alidade no Ha lem
" no New England Jou nal o Medicine po McCo d e F eeman
H.P., eles concluí am que um homem a o-ame icano no Ha lem inha menos p obabilidade de i e a é os 65
anos de idade do que um homem de meia-idade em Bangladesh, um país com mui o menos ecu sos
econômicos e ecnológicos (Mays e al., 2007 p.202). De aco do com es e e es udos subsequen es, as
des an agens na saúde ame icana o am expos as de aco do com um isco consis en e de mo e p ema u a
po uma sé ie de doenças e dis ú bios isiológicos. Vicki Mays (2007) começa dizendo que diabe es, doenças
ca dio ascula es, hipe ensão e obesidade a e am desp opo cionalmen e os a o-ame icanos em compa ação
com seus pa es b ancos. Di e en es pesquisas, dados e ela ó ios de au odiagnós icos mos am que os a o-
ame icanos êm a maio axa de hipe ensão, diabe es e pa ada ca díaca (Mays e al., 2007 p.203).
As elações in e pessoais na escola colocam-nos em des an agem quando há disc iminação acial, mas Mays
(2007) de e mina que a c onicidade dos e ei os noci os da disc iminação, an o eais quan o pe cebidos, ge am
um p ocesso de espos as isiológicas (p essão al a, equência ca díaca, p odução de eações bioquímicas e
hipe igilância) que podem esul a em doenças e mo alidade. T a amen o injus o, des an agem social po
bullying e ou os a o es in e pessoais, como es esse social, neu o icismo, oco ência de e en os da ida e
ensões de papéis, aumen am a p essão da sangue.
Mays (2007) não en a em de alhes sob e o que pode acon ece a segui , pois ambém há es udos que
elacionam esse es esse ao abuso de abaco e ao consumo de álcool como pa e do acismo in e nalizado.
Tan o Vickie Mays (2007) quan o Douglas Massey (2004) i e am que busca no as me odologias, pois a
disc iminação acial ambém es á elacionada à seg egação esidencial, à concen ação de pob eza, à iolência
e ao es esse psicológico dos bai os onde i em. Especialis as em saúde, cognição social, epidemiologia,
biologia, neu ociência e psicologia clínica p ecisam se concen a na pessoa i imizada. Po exemplo, há uma
imagem ce eb al que mos a como o p ocesso cogni i o de exclusão social é obse ado.
39
Os dois au o es ap ende am como medi biologicamen e, po meio da ca ga alos á ica, as elações so is icadas
en e o cé eb o, o sis ema imunológico, o sis ema ne oso cen al e o eixo hipo álamo-hipó ise, bem como
como um ambien e hos il pode "
a e a
" os indi íduos a e ados e causa p oblemas de saúde.
Douglas Massey conec a es u u as sociais de seg egação esidencial com al as ca gas alos á icas (de ido ao
con inamen o in olun á io em á eas de pob eza e iolência concen ada), ca ga essa que causa danos cola e ais
em qua o domínios isiológicos a e ados pelo es esse c ônico (Mays e al., 2007 p.15):
Es es são os qua o domínios isiológicos a e ados pela ca ga alós a ica:
1.
Na Ca diologia/Endoc inologia:
A.
Hipe ensão a e ial c ônica
B.
Al o isco de doença ca díaca co oná ia.
C.
T ombose e a e oscle ose acele adas.
D.
Diabe es ipo 2 e obesidade abdominal.
2. Na Imunologia/Reuma ologia:
A.
Aumen o sus en ado da in lamação sis êmica.
B.
Asma elacionada a a o es psicossociais.
C.
Maio p e alência de escle ose múl ipla.
D.
A i e euma oide e ou as doenças au oimunes.
3.- Na Neu ologia / Neu opsicologia no sis ema ne oso cen al e cogni i o.
A.
A o ia hipocampal e comp ome imen o da memó ia.
B.
Inibição da plas icidade sináp ica.
C.
Remodelação dend í ica ad e sa.
D.
Sup essão da neu ogênese.
4.- Psiquia ia e psicologia clínica.
A.
T ans o nos de ansiedade gene alizada.
B.
Dep essão g a e com sin omas somá icos.
C.
Dis ú bios do sono e adiga c ônica.
D.
Hipe igilância e aumen o da ea i idade emocional
que não exigem que se eco a a eo ias gené icas essencialis as, que azem pouco sen ido quando aplicadas à ca ego ia
socialmen e cons uída da aça.
40
G á ico 4.0- O modelo biossocial de es a i icação acial p opos o po Douglas S. Massey desmon a a ideia de que as di e enças
en e g upos aciais êm o igens gené icas. Com base em dados longi udinais e mul iní eis, o au o elaciona as desigualdades aciais
com os e ei os cumula i os do s ess c ónico causado pela disc iminação, medido a a és da ca ga alos á ica. Es e modelo o e ece
uma explicação plausí el e obje i a pa a as dispa idades aciais nos indicado es de saúde, cogni i os e de mo alidade.
A es a i icação social, que c ia espaços sociais insegu os como o ma de seg egação social e acial, man ém
uma disc iminação sis émica (Mays e al., 2007 p.206). Exis em e ei os in e ge acionais na aca acei ação de
uma iden idade mig an e ou de uma iden idade cons an emen e i imizada. O ambien e des as c ianças a e a
ainda mais a sua saúde ísica e men al se p o ie em de amílias ca ac e izadas po con li os, baixos ní eis de
a e o e cuidado, ní eis des egulados de co isol e aumen o da ea i idade ca dio ascula e do sis ema ne oso
simpá ico pe an e desa ios diá ios s essan es (Mays e al., 2007 p.208). Pa a melho comp eende como es as
amílias na egam, exis e o concei o de alos ase, que se e e e à endência dos o ganismos pa a pe pe ua a
sua sob e i ência e man e a sua es abilidade a a és de al e ações co po ais em espos a ao meio ambien e.
Quando alguém se ape cebe de uma ameaça ex e na, o cé eb o a i a a unção do hipo álamo, que a i a a
espos a alos á ica, que é uma in e ação en e o cé eb o, o sis ema endóc ino e o sis ema imuni á io (Massey,
2004 p.13). Ao ape cebe -se de uma ameaça, o hipo álamo en ia imedia amen e um sinal às glândulas
sup a enais pa a libe a ad enalina. O luxo des a ho mona na co en e sanguínea acele a a equência
ca díaca, con ai os asos sanguíneos da pele, aumen a o luxo sanguíneo pa a os ó gãos in e nos, dila a os
b ônquios, desencadeia a libe ação de ib ogénio no sis ema ci cula ó io (pa a p omo e a ci culação), libe a
glicose e ácidos go dos na co en e sanguínea a pa i das go du as a mazenadas (pa a o nece uma on e
imedia a de ene gia) e sinaliza ao cé eb o pa a p oduzi endo inas pa a ali ia a do .
47
2.4 Se ice Design: O papel do Se ice Design e do Co-Design na
capacidade de espos a e p e enção escola .
T ans o ma ou in oduzi um se iço pode se di ícil quando sabemos que há igidez e au o i a ismo en ol idos;
pode se ejei ado se não es i e em con o midade com as es u u as sociais exis en es; es e se iço pode
desa ia as c enças e alo es exis en es den o do sis ema social de uma o ma que modi ica o desejo do
concei o p oje ado (Vink & Koskela-Huo a i, 2021 p.29). A na u eza e as ca ac e ís icas das es u u as sociais
são i ais pa a in o ma p ocessos p á icos pa a abalha com complexidade ma e ial no design de se iços. A
eo ia ins i ucional de Fische (1994) ambém con i ma que exis e uma mudança ins i ucional onde es a é
implemen ada; a modi icação co esponde, na u almen e, não só à pe u bação, mas ambém à ansg essão
(Fische , 1994 p.143). Em p imei o luga , a eo ia do design de se iços não nos az pe cebe que i emos
num mundo eple o de se iços. As economias das nações mais a ançadas são dominadas pelos se iços,
sendo que mais de 70% do seu p odu o in e no b u o é ge ado pelos se iços (Nas & Fisk, 2019 p.688). Os
se iços demons am uma linha e uma capacidade in angí el pa a a qualidade de ida dos consumido es e
pa a o bem-es a social ge al. Os se iços êm sido c i icados po negligencia em g upos necessi ados ou
implemen a polí icas disc imina ó ias de segmen ação e ocalização que des alo izam ou comp ome em o
bem-es a dos sujei os sociais. O ma ke ing o ien ado pa a o design de se iços concen a-se no malmen e
apenas em mé icas como a sa is ação do clien e, a lealdade e a p odu i idade (Nas & Fisk, 2019 p.688). O
Design de Se iço T ans o mado (
T ans o ma i e Se ice Resea ch ou TSR
) conside a os impac os sociais,
cole i os e indi iduais do se iço. Pa a muda es e pa adigma, p ecisamos de pe cebe que a humanidade es á
inse ida e odeada de sis emas de se iços. A In es igação de Se iços T ans o ma i os p eocupa-se com
qualque ipo ou ní el de in e ação en e á ios se iços e en idades consumido as (Nas & Fisk, 2019 p.689).
A capacidade de espos a e p e enção a escola de e se coc iada e p ocessada numa pe spec i a que
econheça a in es igação c í ica jun amen e com es e alo en e múl iplas pessoas guiadas po es u u as
sociais ins i ucionalizadas (Vink & Koskela-Huo a i, 2021 p.30). Como imos nos capí ulos an e io es, são a
agi ação social, as no mas sociais noci as e óxicas e a saúde comp ome ida que o nam o bullying baseado
no p econcei o ão p ejudicial. A Islamo obia es á p o undamen e en aizada nas desigualdades exis en es nas
cul u as e o ganizações sociais, onde as escolas e as uni e sidades êm di iculdade em egis a e es a (Abu
Khala e al., 2022 p.207). Raymond P. Fisk (2019) econhece que exis e uma p o unda necessidade de
concen a a In es igação de Se iços T ans o ma i os (TSR) na inclusão da ideia de
"ali ia o so imen o
" na
de inição da sua axonomia concep ual (Nas & Fisk, 2019 p.689). Fisk (2019) az a sua ideia de c iação de
equidade num se iço pa a a c ise dos e ugiados, pois o acesso inadequado a se iços humanos básicos

48
(alimen ação, água e ab igo), o acesso p ecá io à educação, se iços de saúde, se iços ju ídicos, á ico de
e ugiados pa a esc a a u a ou p os i uição, abuso in an il, abalho in an il, emp ego e habi ação insegu os,
disc iminação e desigualdade na expe iência de se iço, in eg ação de icien e em no os sis emas de se iço e
disc iminação na p es ação de se iços são odos emas que necessi am u gen emen e de In es igação de
Se iço T ans o mado .
A capacidade de espos a de uma escola é silenciada quando não sensibilizamos pa a a impo ância de ajuda ,
de ido à in isibilidade de seque ala en e os alunos ou à al a de o mação en e os p o esso es pa a
comp eende o que es á a acon ece . O design de se iços exis e pa a um p opósi o maio : melho a a
expe iência humana, esol e p oblemas di íceis e, inalmen e, c ia se iços que enham impac o no público
(Nas & Fisk, 2019 p.691). Aqui o desa io é, con udo, qual é o se iço (incluindo bens angí eis e se iços
in angí eis) podem se concebidos e a o ma como es es p oje os ajudam os e ugiados a ganha alo é uma
chamada a acção subes imada na li e a u a da academia de design. Is o ambém em a e com a eo ia
ins i ucional de Vink (2021) na sua in es igação, onde ambém exis em implicações signi ica i as com as
pessoas que abalham com es u u as sociais24 (seja den o ou o a de uma ins i uição), aqui acon ece o
seguin e; (1) es as es u u as são in isí eis pa a as pessoas que in e io iza am compo amen os (2) a na u eza
dual que signi ica que a p esença do abalho num se iço com uma es u u a social é angí el e in angí el nos
aspe os do se iço e (3) exis em á ios pila es ins i ucionais e, po an o, um se iço assume mui as o mas de
se mani es a (Vink & Koskela-Huo a i, 2021 p.31).
Uma abo dagem comum pa a p oje a com sis emas mis os e p á icos são os wo kshops de coc iação, po que
êm á ios mé odos compa ilhados pa a c ia e ino a se iços e soluções conjun as (Jones & Kijima, 2018
p.14). Um dos pila es do Design Thinking é a ideia de que o design de se iços pode i desde o design pa a a é
ao design com os u ilizado es pa a melho a a expe iência humana de ambas as pa es ( o necedo es e
u ilizado es) (Nas & Fisk, 2019 p.691). A me odologia de Raymond P. Fisk e Linda Nas (2019) des aca-se po
coloca no cen o a c ise global dos e ugiados e os seus e ei os cola e ais nas suas necessidades em se iços
ou es u u as de se iços exis en es, eco endo à in es igação ansdisciplina e à in es igação sob e design
de se iços g a icamen e o mada de diag ama em qua o iângulos que apon am pa a um apelo à ação. Aqui,
Vink (2021) e Fisk (2019) di e gem po que a T ans o ma i e Se ice Resea ch u iliza uma abo dagem linea
às necessidades de expe iência do u ilizado , como a abo dagem e o ki de e amen as Double Diamond (HCD
Toolki ), com ên ase na audição, c iação e en ega de se iços e Josina Vink oca mais na e o mulação das
24 A T ans o ma i e Se ice Resea ch (TSR) adicional oca-se na melho ia do bem-es a indi idual a a és da expe iência di e a do
u ilizado com o se iço. Já Vink & Koskela-Huo a i (2021) p opõem ans o ma os sis emas e es u u as sociais que sus en am o
se iço, mudando no mas, signi icados e elações ins i ucionais que pe pe uam a exclusão.
49
es u u as sociais e mudanças ins i ucionais. Fisk ecomenda con inua o ciclo de ida que p ocu a a ende e
ali ia as necessidades dos e ugiados e an i iões em di e en es empos, espaços e con ex os (Nas & Fisk,
2019 p.692).
G á ico 7.0- Fisk c i ica os se iços imp o isados de
"p imei os soco os
" du an e o luxo de e ugiados pa a o Líbano em 2016,
com um c escimen o acen uado de doenças como doenças ansmi idas pela água, sa ampo e ube culose, além da aca espos a
da União Eu opeia em e mos de p o eção ci il e ajuda humani á ia, pois a abo dagem e a insus en á el pa a uma c ise ão g ande.
É necessá io um sis ema de eme gência mais sis emá ico e e icaz, onde o se iço de in es igação ans o mado a possa ajuda .
50
2.4.1 Di e enças do escopo do Se ice Design e Sys emic Design como
espos a a p oblemas complexos.
Uma elação pedagógica uncional en e p o esso e aluno pa a c ia laços e queb a o cí culo icioso do bullying
apa en emen e nem semp e unciona como solução quando o p oblema em uma complexidade mul iní el que
en ol e a é a ousadia da ques ão de emig a e ma icula -se numa escola di e en e do local de o igem. Sabemos
que o acesso p ecá io à educação, a disc iminação, a desigualdade e a injus iça na expe iência do se iço são
alguns sin omas que são abso idos pela ag essão que alimen a o bullying. Os laços sociais agilizados pelo
bullying p oduzem uma iden idade ma cada po ag essi idade em elação aos ou os e, simul aneamen e, uma
iden idade ins á el, não plenamen e econhecida, mui as ezes condicionada pela expe iência mig a ó ia ou
po uma gue a ideológica que impõe um duplo compo amen o — seja islâmico ou “
o ien alizado
”, como
e e ido po Edwa d Said. Ten a in e i e consciencializa pa a o ac o de que o bullying em epe cussões
nega i as, sejam elas ísicas ou men ais, não só pa a a í ima, mas ambém pa a o p óp io sis ema cúmplice,
que se ecusa a econhecê-lo, des ói espaços segu os e queb a eg as ins i ucionais que pode iam se i e
c ia um bem-es a da comunidade.
Temos aqui um
“Wicked p oblem
” ou um p oblema pe e so como e e em Pe e Jones e Kijima (2018), um
p oblema que não é simples onde oda a in o mação necessá ia pa a a sua solução não pode se o mulada
exaus i amen e, mas um p oblema complexo que é ge almen e ap esen ado de o ma ambígua e incomple a
(Jones e Kijima, 2018, p. 121). A complexidade de como e onde exis e um p oblema mul i ace ado com á ias
camadas e in e ligações disseminadas é abo dado num sis ema dinâmico é conhecida como Pensamen o
Sis émico (Sys ems Thinkings). O design de se iços é econhecido como um p ocesso linea que se concen a
em isola o p oblema do sis ema de se iço em ez de abalha com a complexidade do sis ema como um
odo (Vink e al., 2021). O âmbi o des e p oje o é cla amen e oca , in e agi , pensa e c ia um se iço que
desmis i ique a iolência da Islamo obia e comba a o bullying de o ma mais ampla. No en an o, a abo dagem
de e se cla a, assim como a isão e o âmbi o do p ojec o pa a a população seleccionada. Os p oblemas
pe e sos de Jones (2018) êm limi es ince os, são ambíguos de o ma incomple a e, de aco do com Jones e
Ri el e Webbe (2018), os p oblemas pe e sos "
nunca são esol idos
"; na melho das hipó eses, nes es
p oblemas pe e sos são esol idos epe idamen e uma e ou a ez (Jones e Kijima, 2018, p. 128).
O bullying e a sua mani es ação na sala de aula são únicos e podem não se um pad ão de compo amen o;
pode se um caso isolado que não de ine a pessoa, mas como imos an e io men e, exis em p o ocolos pa a
supe isiona e moni o iza nes es compo amen os pe e sos. Embo a possamos c i ica o modelo ecológico
de B o enb enne , e a sua abo dagem mul issis émica pa a esponde e ap ende sob e a o igem da ag essão
51
e como oi ap endida pa a lida com o bullying. Ch is ensen (2016) pode ia e expandido o concei o de
esiliência pa a con a ia a op essão e as in e dependências sis émicas que nos impedem de exigi um
compo amen o pací ico sem in imidação. Ha e á designe s de se iços que apenas isolam o concei o de
esiliência, pois a esiliência ajuda-nos a comp eende melho a capacidade de uma pessoa indi idual
(Ch is ensen, 2016 p.25). Exis em dilemas é icos no design de se iços que incluem a on ologia e a é ica po
de ás da in enção de in e i e ajuda . O design de se iços pode acili a p ocessos de ap endizagem ápida,
e le i sob e p á icas e lexi as e comp eende a expe iência dos u ilizado es com o se iço pa a i e a
e icazmen e, ge ando empa ia e ino ação no se iço ou o ganização que eque uma e o ma pa a o usuá io e
a ins i uição. A ciência da in e conec i idade, jun amen e com os "
ciclos de eedback cibe né ico
" (cybe bullying
numa manei a de expe iência nega i a aos usuá ios, po exemplo), o Design O ien ado a Sis emas (
O ien ed
Sys em Thinking
) e o Pensamen o Sis émico C í ico (
C i ical Sys ems Thinking
) são odos es udados po Pe e
Jones e pos e io men e a qui e ados como uma es u u a eó ica e me odológica pa a o design sis émico de
soluções em campos ecnológicos, biológicos e sociocul u ais.
Imagem 4.0- Além disso, o p ocesso de Gigamapping combina o desen ol imen o li e de discussões com a
documen ação. Mui o pouco se pe de quando bem ei o. No sub-capi ulo “
O Gigamap como disposi i o de
pon e.”
(Jones & Kijima, 2018 p.259)
52
A Teo ia da Con e sação (Con e sa ion Theo y) é es a endência pa a no os signi icados aonde a in e enção
do Design de Sis ema pa icipa i o az que os signi icados da coc iação não sejam ans e idos en e os
pa icipan es, mas sim que os pa icipan es cons uam a sua p óp ia comp eensão de si mesmos e dos ou os,
um p ocesso ecu si o que pode ge a no as con e sas pa a esol e um p oblema pe e so como o Bullying
(Jones e Kijima, 2018, p. 125). Ao ex e io iza as suas ideias, os a o es den o e o a do p oje o podem media
com os desenhos (modela men almen e e cons ui uma expe iência) mais do que p e endiam ou
comp eendiam o iginalmen e, ge ando no as possibilidades de p opos as ou iden i icando ou os aspe os da
si uação que de em se idos em con a (Jones e Kijima, 2018, p. 126).
Cada
Wicked p ob
lem é essencialmen e único (Jones e Kijima, 2018 p.123). As consequências des es
p oblemas complexos desen ol em-se ao longo de longos pe íodos, nos quais o designe e á de pensa
c i icamen e, uma ez que o Design Sis émico abo da as ques ões mais especí icas e pode co e o isco de
a a os sin omas dos p oblemas complexos em ez das causas. A p incipal c í ica ao Design Sis émico eside
nas limi ações impos as po a o es ex e nos ao p oblema e no ecu so a um cálculo consequencialis a, em
que a decisão mo almen e co e a é de e minada pela compa ação en e al e na i as com base nos esul ados
que es as pode ão p e isi elmen e ge a . O u ili a ismo comum maximiza a sa is ação e a u ilidade pa a o
maio núme o de pessoas. Mas is o ge a um dilema é ico em que a comp eensão do design sis émico pode
in o ma a ciência ao in e e a habi ual hie a quia en e as au o idades cien í icas e as au o idades mo ais e
sociais (Jones e Kijima, 2018, p. 130).
A di e ença en e o design de se iços e o design sis émico como espos a a um p oblema complexo e
mul i a o ial como o bullying es á na abo dagem, no âmbi o de ação en e as pa es in e essadas, nos blocos
de cons ução concep uais que ge am mudanças25, pe meiam a e lexi idade e seguem a lógica de se iço
dominan e. A o ma como um design de se iço é cons uído e expandido es á en aizada no p opósi o (po quê?),
nos ma e iais (qual é o se iço?), nos p ocessos (como?) e nos a o es (quem?). Es a ex ensão g adual ampli ica
o oco, o alo e a coc iação dos desejos e necessidades das pa es in e essadas (Vink e al., 2021, p. 169).
Josina Vink é conhecida pelo seu abalho de design de se iços na ans o mação o ganizacional em se o es
que ão além do pano ama a ís ico, da cibe né ica ou apenas da eo ia do design concep ual. Pa a Vink, o
p opósi o do design de se iços é c ia condições de alo em uso, e não de o ma diádica e unila e al, onde o
se iço é p oje ado e o e ecido di e amen e. Os p oblemas no con olo dos a o es que in luenciam o alo da
coc iação são um p opósi o undamen al pa a alinha e e o ça o eedback posi i o e a ep odução de um
se iço. Os ma e iais de se iço, os ma e iais com os quais um designe pode abalha como pon os de
con ac o en e os p es ado es de se iços e os clien es, são impo an es (Vink e al., 2021, p. 170).
25 E aonde ge am mudanças.

53
T anscendendo o angí el e abo dando a ques ão dos ma e iais num sen ido mais abs a o, Lucy Kimbell26 e
Vink (2021) e o çam es a dualidade e in e ligação onde um se iço pode se concebido como social e ma e ial.
Cha les N. Da ah (2015) e Vink (2021) a i mam que as p á icas em a o de um se iço nas ins i uções com
os seus a anjos de inidos, es ilo de ida, in e ação ecnológica do u ilizado e edes de con ac o são ma e iais
pa a o design de se iços.
Audi a e mapea os p ocessos de Design de Se iços ambém signi ica man e um olho nas pis as deixadas
po uma expe iência posi i a do u ilizado . Is o en ol e p ocessos que incluem pis as uncionais, pis as
mecânicas, pis as humanas, design de sensação (senso y design 27 ) e c iação de in e ações com os
colabo ado es e ou os clien es. Es es p ocessos ambém podem se alongados pa a supo a a expe iência em
á ios ní eis de sis emas de se iço (Vink e al., 2021, p. 170). Os p ocessos de design de se iços são uma
p á ica e lexi a g adual que en ol e uma e olução dos elemen os isí eis e in isí eis de um sis ema. No
seguimen o des a a i mação, es a pe spe i a le ou a um desen ol imen o na abo dagem do design de se iços
pa a en iquece o alo de e minado do clien e. Os a o es e pa es in e essadas do Design de Se iços de em
se in luenciados po odos os ges o es e adminis ado es dos di e en es depa amen os, com uma con ibuição
di e a dos u ilizado es e consumido es dos se iços. Os clien es e a equipa de a endimen o nos bas ido es
de em se incluídos no p ocesso de design do se iço pa a melho se adequa em às suas necessidades e
expec a i as. A lógica de dominância dos Se iços es ende-se desde meados do século XIX com os a gumen os
de F ede ick Bas ia 28 (1860) onde es e ac edi a que os se iços são ocados po mais se iços como lei
económica, embo a pa eça i ial e comum, a oca de se iços é o "
início, meio e im de uma ciência
económica
" (Hun , 2020). O se iço é a base undamen al da oca e a oca indi e a ma ca a base undamen al
dos mo imen os sociais e económicos, nes a a i mação mos a-nos a lógica de como o domínio de um se iço
es á o a do con olo de qualque um dos in e enien es no se iço. O Design de Ecossis emas de Se iços
acili a o su gimen o de o mas desejadas de coc iação de alo e en ol e melho os u ilizado es inais, com
uma maio comp eensão dos es o ços das pa es in e essadas pa a in luencia in encionalmen e as mudanças
a longo p azo. O design de um ecossis ema de se iços em idealmen e a in enção de di eciona ações ou
obje i os, como as coisas de em se ou a c iação de um sis ema desejado (Vink e al., 2021 p.173).
26 Lucy Kimbell de ende que o Se ice Design pode ajuda a c ia polí icas públicas ao aze abo dagens cen adas nas pessoas,
expe imen ação p á ica e colabo ação en e cidadãos e ins i uições. Pa a ela, as polí icas são ambém p á icas i idas a a és de
se iços, e o design pode ajuda a ans o má-las de o ma mais inclusi a e e icaz.
27 Segundo Vink e al. (2021), o
senso y design
e e e-se à o ma como os se iços são expe ienciados senso ialmen e pelos
u ilizado es e p o issionais, inco po ando elemen os á eis, isuais, audi i os e espaciais que moldam as p á icas de se iço. Es e
en oque des aca a impo ância dos ambien es e ma e iais no design de se iços, indo além da uncionalidade pa a en ol e os
sen idos e in luencia compo amen os e in e ações.
28 Bas ia (1850), em Ha monies Économiques, de ende que oda a iqueza esul a da oca olun á ia de se iços, mesmo quando
se exp essa a a és de bens, pois “
os bens são apenas se iços ma e ializados
”.
54
Concep ualização do Design de Se iço
Tipo de
c iação do
Se iço
Design de Se iço
(Se ice Design)
Design pa a o
Se iço (Design o
Se ice)
Design de
Ecosis ema de
Se iço (Se ice
Ecosys em design)
Sys emic Design
P opósi o
Desen ol e no as
o e as de se iço
C ia condições pa a
o alo de uso
Facili a o su gimen o
de o mas desejadas
de co-c iação de alo
En en a p oblemas
complexos em sis emas
socio écnicos; p omo e
uma mudança sis êmica
e co-e olução
Ma e ial de
Design
Pon os de con ac o
e in e aces
Con igu ações
socioma e iais
A anjos ins i ucionais e
suas mani es ações
ísicas
Relações sis êmicas,
in e dependências,
es u u as sociais, luxos
in o macionais e mapas
de sis emas.
P ocessos
Fase no
desen ol imen o de
um no o se iço
P ocessos con ínuos
incluíndo o design em
uso ( alue in use).
Ciclo de
e oalimen ação
inco po a ndo a
e lexi idade e
e o mas.
Co-Design, modelagem
sis êmica, design
es a égico, análise
causal e mapeamen o de
edes.
En ol imen o
de A o es
Abo dagem lide ada
po especialis as
(ges o es e
designe s).
Co-c iação com
uncioná ios e
u ilizado es do
se iço.
Co-design cole i o po
odos os a o es.
S akeholde s di e sos
com papéis a i os no
diagnós ico e nas
soluções sis êmicas.
A na u eza de um ecossis ema de se iços em um ca ác e quali a i o onde a na u eza enomenológica
eme gen e das o mas desejadas de coc iação nunca são o almen e con olá eis ou p e isí eis. Embo a a
ma e ialidade ísica e o espaço designado desempenhem um papel impo an e no design de ecossis emas de
se iços, são os a anjos ins i ucionais — mui as ezes in isí eis, mas insepa á eis — que acili am ou limi am
a coc iação de alo .
Se os a o es pa icipam no design, nes es a o es êm a expe iência e o mação na á ea ou eles não conseguem
ep oduzi in encionalmen e a ep odução ins i ucional apenas a a és de um ciclo de eedback de e lexi idade
e das e o mas do que inco po a a mudança. A cons elação de a o es cole i os é moldada po dinâmicas
elacionais que eme gem das in e ações si uadas den o e o a dos con ex os de con li o, bem como pelo seu
g au de alinhamen o com os p ocessos de design em cu so.
Maio alinhamen o a lógica dominan e do se iço (S-D Logic)
Blocos de cons ução concep uais do Design
55
Se bem desenhados, esses p ocessos c iam ciclos de oca de alo com e lexi idade, ou seja, consciência
das limi ações e opo unidades das es u u as sociais (Vink & Koskela, 2022, p.373). A e o ma esul a do
design de se iços que es abelece e modi ica no mas ins i ucionais pela sua ep odução. A ep odução unciona
como eedback pa a in e essados não en ol idos no design. O p ocesso e olui do mic o ao meso e, com mais
ozes en ol idas, a inge o ní el mac o.
Podemos conclui que o design de se iços e o design sis émico são condicionados pelo g au de oco do p oje o
e pela magni ude da espos a a p oblemas complexos. Os pila es é icos e a ges ão es a égica das in e ligações
dos a o es alinhados com o desenho do se iço e dos a o es não alinhados ao p ocesso ge am a i os, que
além são ciclos i e a i os que podem expandi ou não o se iço e, po conseguin e, o obje i o da coc iação.
Fo nece um se iço adap ado às necessidades das pa es in e essadas implica al e a a acessibilidade da
o ganização e da ins i uição e, assim, e adica um p oblema pe e so como o bullying e a islamo obia.
In e ações en e
um p ocesso de
design ocal
Alinhamen o/Alignmen
Con li o/ Con lic
Design
Colabo ação - um ciclo de
e oalimen ação posi i a que
esul a de acções in encionais que
podem ampli ica o p ocesso de
design.
Compe ição- um ciclo de
e oalimen ação nega i a que
esul a de acções in encionais
que podem di icul a o p oceso de
design.
Não Design
Re o ço- um ciclo de
e oalimen ação posi i a que
esul a de ações ep odu i as que
podem melho a o p ocesso de
design ocal.
Resis ência- um ciclo de
e oalimen ação nega i a que
esul a de ações ep odu i as que
podem impedi o p ocesso de
design ocal.
Ciclos de e oalimen ação en e um p ocesso de design ocal e ou os
p ocessos de ocus g oup
Tipos de
p ocessos de
in e ação
56
G á ico 8.0- O g upo de oco de Design de Se iço c ia um g upo de oco oscilan e que al e na a ensão en e elações
colabo a i as ou con li o en e os a o es do design, o que pode aumen a o ní el de e lexi idade e e o ma no espaço
onde o se iço oco e em
Jou nal o Se ice Resea ch
(Vink & Koskela, 2022 p.177).
2.4.2 Co-Design com as in e ações elacionais públicas em men e.
Os modelos de go e nação das ins i uições públicas azem-nos e le i sob e a o ma como os seus se iços
são ge idos e se esses se iços são concebidos pa a acili a a cop odução de um oco es a égico de cima pa a
baixo ou pa a p oduzi se iços com pessoas (Agui e-Ulloa & Paulsen, 2017 p.1). O obje i o de concebe
sis emas que cons uam elações e ligações, omen ando o abalho a i o en e a população-al o e p omo endo
a melho ia con ínua en e designe s, jun amen e com o apoio ins i ucional, é da esponsabilidade do Design
Pa icipa i o, da In es igação Pa icipa i a (
HCI Human Compu e In e ac ion
) e do Co-Design como concei os
de co-expe imen ação e i e ação de p ocessos que conduzem a soluções conjun as. O design pa icipa i o é
no malmen e u ilizado nas In e ações Humano-Compu ado (IHC) pa a desen ol e sis emas de se iço em
ambien es de abalho digi ais29 , mas pos e io men e, nos úl imos anos, pode se u ilizado com sucesso nou os
cená ios com ou as populações selecionadas como os e ugiados, segundo Ana Ma ia Bus aman e Dua e
(2018), pa a p oje a em conjun o ecnologias cidadãs que ans o mem as suas p eocupações e p oblemas
29 !O Pa icipa o y Design su giu nos anos 1970 na Escandiná ia como uma p á ica de inclusão democ á ica no design de sis emas
de abalho, p ecedendo a o malização da HCI nos anos 1980, a qual i ia a inco po a g adualmen e abo dagens pa icipa i as
(Bus aman e Dua e e al., 2018).!
63
pensamen o cons u i is a. As e amen as mul issenso iais do Co-design ampli icadas. Du an e o wo kshop, o
empo de delibe ação pe mi e a especulação, pe mi indo aos designe s eo ien a a sua o ma de pensa ,
empenhados em adap a e ecebe os pa icipan es. No inal da discussão, Agui e Ulloa concluiu que es a
o ma de co-design c ia e lexão sob e a acção34, um ambien e de au o idade pa a c iação e um espaço de
ino ação pública (Agui e-Ulloa & Paulsen, 2017 p.11).
G á ico 11.0 e 12.0- Os o ma os ma e iais e isuais podem apoia um diálogo c ia i o, en iquecendo assim as
nossas o mas senso iais e cons u i is as de ap endizagem. A abe u a do o ma o e as eg as lexí eis le a am os g upos
a u iliza os ki s de á ias o mas di e en es. Alguns g upos euni am-nos uns sob e os ou os pa a comp eende como
os ní eis de se iço e sis émicos se elacionam. Ou o g upo uniu as duas pe spe i as num ki de e amen as com
a ames e ios de co es di e en es.
34 A axonomia elacional pa ilhada pode se u ilizada pa a co-p oje a no os se iços públicos elacionais. Ao cons ui his ó ias, os
pa icipan es pude am e le i sob e a ação e da sen ido aos seus cená ios de mapeamen o de ma e iais. (Agui e-Ulloa & Paulsen,
2017, p. 10)

64
2.4.3 U ilizando o Design de Se iços como e amen a pa a isualiza
as dinâmicas e os abusos de pode
O design de se iços en en a o maio desa io de se man e objec i o, me ódico e neu o ao en a mapea os
ac o es e as no mas in isí eis que pe pe uam a exclusão e o abuso de pode . Vink (2023) apon á ios desa ios
pa a abo da e desen ol e a e lexi idade sob e o pode nos designe s de se iços, como o econhecimen o
a dio e a di iculdade de ul apassa pe ceções pessoais (Hay e al., 2023 p.2). Pa a se pode c ia uma
in e enção ecológica e icaz pa a comba e o bullying e a Islamo obia, é necessá io comp eende a sua
pe spec i a con ex ual pa a sabe o que impede o ac o de assumi o con olo e melho a a sua qualidade de
ida. De aco do com B o enb enne , a ecologia do desen ol imen o humano consis e no es udo cien í ico da
adap ação g adual e ecíp oca, ao longo de oda a ida, en e o indi íduo em p ocesso de desen ol imen o e
os ambien es imedia os e dinâmicos nos quais es á inse ido. Como es e p ocesso ambém a e a as elações
que oco em den o e o a des es ambien es imedia os, bem como os con ex os sociais mais amplos, an o
o mais como in o mais (B o enb enne , 1977 p.514). Acei a as disc epâncias en e a eo ia e a p á ica em
di e en es amos da psicologia e as in e dependências dos impac os do u ilizado no seu ambien e c ia
expec a i as e "
um mis é io
" na in es igação sob e a a enção inadequada à dinâmica de pode na p á ica do
Design de Se iços ao longo de um de e minado pe íodo (Hay e al., 2023 p.6). A e apia mul issis émica (MST)
de Sco W. Henggele desmis i ica o a amen o e a o ma de abo da a ecip ocidade do compo amen o
an issocial undamen ado na amília como um elemen o-cha e pa a uma mudança e icaz de compo amen o
(Henggele , 2012).
De e exis i um pon o de pa ida pa a o Design de Se iços pa a iden i ica pon os de con ac o sis émicos e
mapeamen os de pa es in e essadas pa a que possamos in e i na de inição do p oblema. Os con li os e as
dinâmicas de pode esul am equen emen e de p ocessos de ca ego ização associados a lacunas de
conhecimen o, e le indo-se em limi ações das p á icas educa i as, numa cidadania ainda pouco inclusi a e em
se iços públicos que en en am di iculdades na espos a a si uações de bullying. Pa a Go don Allpo , o
p econcei o su ge de um p ocesso na u al de an ecipação, em que o se humano eage a sinais pe cebidos
com base em expe iências an e io es, mesmo sem e con olo o al sob e a si uação.
Pa a W-Allpo , o p econcei o ad ém de um desen ol imen o i al ecológico onde a nossa expe iência ag upa
concei os, ca ego ias e p ocessos em ques ão que dominam oda a nossa ida men al. Um milhão de e en os
acon ecem odos os dias; não é possí el ge i an os, e se pensa mos em odos, ca ego izamo-los (W. Allpo ,
1954 p.20).
65
Vink (2023) e Henggele (2012) suge em que o pon o de pa ida consis e em iden i ica a ação ou inação
ado ada dian e de um p oblema, bem como comp eende qual lógica de ação pode ep esen a uma solução
uncional pa a o indi íduo con o me o con ex o em que es á inse ido. A in e dependência e a adap ação podem
c ia no mas sociais que ep esen am p oblemas ou esis ências subje i as pa a o espec ado , impedindo-nos
de agi em segu ança e de o ganiza e esol e as nossas a e as diá ias, não só na escola ou no abalho, mas
ambém nou os sis emas, como o la , a amília, e no mac ossis ema, a comunidade ge al. Uma a e a
e apêu ica impo an e pa a Henggele (2012) é a de inição de p oblemas, o es abelecimen o de obje i os e a
implemen ação des as in e enções pa a a ingi os obje i os a ní el mesossis émico (seja indi idual,
in e pessoal, pa es, g upo, amília e ambien es amilia es num con ex o imedia o). Um compo amen o social
pe an e ao bullying em pon os o es e pon os acos. Henggele p opõe esc e e as dinâmicas posi i as e
nega i as que o aluno em com a escu a e lexi a, a empa ia, a ge ação de expec a i as, a ees u u ação (de
eg as), p opo cionando au en icidade, lexibilidade e comunicação posi i a. A e lexi idade e a agência em
mo imen o su gem da descobe a do ajus amen o e da mul iplicação do mesmo em di e en es sis emas,
mapeando as di e enças.
P incípios de a amen o do MST Mu i-sys emic he apy (Exce o de Henggele , 2012, página 4)
Núme o
P íncipio
Explicação esumida
1.-
Encon a o “
ajus e
”
• A a aliação de e comp eende como os p oblemas se elacionam
com os con ex os sis émicos dos jo ens e se “
azem sen ido
”
den o da sua ecologia social.
2.-
En oque posi i o e cen ado nas o ças ou
o alezas do u en e
• As in e enções de em oca -se nos pon os o es sis émicos como
ala ancas pa a mudanças posi i as.
3.-
Aumen a a esponsabilidade
• As ações de em p omo e compo amen os esponsá eis e eduzi
condu as i esponsá eis en e os memb os da amília.
4.-
In e enções cen adas no p esen e, o ien adas
pa a a ação e bem de inidas
• As ações de em oca -se no p esen e, com obje i os cla os e
esolução de p oblemas especí icos.
5.-
Iden i ica sequências
• As in e enções de em mapea pad ões de compo amen o
den o e en e os sis emas que alimen am os p oblemas.
6.-
In e enções e olu i amen e adequadas
• As abo dagens de em adap a -se às necessidades de
desen ol imen o dos jo ens ao longo do empo.
7.-
Es o ço con ínuo
• É necessá io en ol imen o diá io ou semanal po pa e da amília
pa a man e o comp omisso com o a amen o.
8.-
A aliação e esponsabilidade
• A e icácia da in e enção de e se moni o izada de o ma con ínua,
esponsabilizando os en ol idos po supe a ba ei as ao sucesso.
9.-
Gene alização
• Gene alização
O obje i o é p omo e a manu enção do p og esso e apêu ico a
longo p azo em di e en es con ex os amilia es.
Josina Vink aplica o modelo ecológico pa a ealiza uma análise ap o undada do seu con ex o enquan o designe
de se iços, segmen ando-o em cinco domínios con ex uais dis in os que a en ol em indi idualmen e. O
en endimen o das expec a i as, iden idades sociais, me cado p o issional, o ganização do abalho,
66
ep esen ação demog á ica e undamen ação eó ica do design, conside ando as in e dependências en e
indi íduo e sociedade, oi ampliado com o obje i o de p opo ciona uma isão mais sis êmica e holís ica dos
desa ios e dinâmicas de pode en en ados po designe s de se iços ao busca supe a essas ques ões.
G á ico 13.0 - O p ocesso de e le i , pensa , esc e e e eesc e e es á ligado a um in en á io pe sonalizado
de domínios da lógica de design dominan e e do p opósi o do Design de Se iços. Analisa mais p o undamen e
e comp eende os ac o es con ex uais ealça a complexidade de algo que em sido discu ido de o ma bas an e
simples no design de se iços e ambém ealça de manei a mais sis émica o amâgo das p oblemá icas que
desc e e Josina Vink.
Os p incípios de in e enção sis émica de Henggele em psicologia e inam os a o es de cada domínio,
en ando se conc e os e desc i i os ao mesmo empo (Hay e al., 2023 p.14). Os dados quali a i os
au o e lexi os de Vink podem se aplicados pa a mul iplica es a égias de inidas con a um "
compo amen o
de e e ência
". A e icácia de uma in e enção é con inuamen e moni o izada a pa i de múl iplas pe spe i as.
Quando as in e enções se e elam ine icazes, os acili ado es iden i icados são econcei ualizados e são ei as
modi icações ap op iadas a é que uma es a égia e icaz seja alcançada (Henggele , 2012 p.5).
67
Pa a mapea isualmen e, como um a e ac o e imagem ou como uma es a égia de ges ão e ação pa a um
gabine e de design, o que Josina Vink az é o seguin e (Hay e al., 2023 p.14):
(1) Iden i ique a e lexão em papel, pos -i s ou esc i a a cane a.
(2) Classi ica nos 5 ou 6 sis emas ecológicos onde es a concep ualização de ajus amen o se inse e.
(3) Analisa se es a concep ualização de ajus amen o az sen ido coe en e den o des e sis ema
(4) Liga os a o es que impulsionam ou impedem esse ajus amen o
(5) Iden i ica possí eis ciclos de eedback de adap ação sis émica.
O desen ol imen o in e seccional, as elações in e dependen es e os ciclos de eedback ob igam os designe s
de se iços a agi numa pe spe i a ecológica, posicionando-os como agen es de ans o mação den o do
mac ossis ema, capazes de ca alisa (mesmo que simbolicamen e) p ocessos de mudança a a és de
in e enções sensí eis ao con ex o e às iden idades en ol idas. Aqui ica mais bem explicado na imagem
seguin e como pode começa qualque u ilizado que quei a pa icipa nes e exe cício. Henggele na Te apia
Mul i-sis émica35 (2012) suge e começa po pensa nos pon os o es, nos pon os o es de um pon o de is a
o imis a da sua amília e na ecologia do jo em/u en e no deco e da a aliação e possí el a amen o
(Henggele , 2012 p.4).
35 A Te apia Mul issis émica (MST), embo a ainda não aplicada em Po ugal, pode ia se ú il na p e enção do bullying e da Islamo obia,
po en ol e não só a escola, mas ambém a amília e a comunidade. Ao con á io do modelo de Olweus (1993), que oca sob e udo
o ambien e escola , a MST a ua em á ios con ex os ao mesmo empo, pe mi indo espos as mais comple as e pe sonalizadas. Es a
abo dagem já mos ou bons esul ados nou os países e pode ia se adap ada ao sis ema educa i o po uguês (Henggele , 2012).
68
G á ico 14.0 - Nes e é o p ocesso analí ico do Mul i-Sys emic The apy. Um compo amen o de de i ação é: uma
ag essão ísica, e bal ou i ual en e pa es. O isolamen o e a exclusão social sem sensibilidade ou com sensibilidade
cul u al podem se compo amen os de i ados onde a amília deseja ia esul ados e me as pa a se "
ajus a
". Ten a
desen ol e , implemen a e a alia uma in e enção exigi á um es o ço colabo a i o do e apeu a, o aluno e a amília.
T adução li e do inglês do
Mul isys emic The apy: Clinical Founda ions and Resea ch Ou comes
(Henggele , 2012 p.5).
U iliza emos ambém o exemplo de Josina Vink sob e as expec a i as sociais e a iden idade do Design de
Se iços em 5 sis emas. Pa a o seu exe cício de eedback, a na a i a em que se baseou oi "
a comunidade de
design de se iços, com a sua cul u a e na a i a, em com ce as expec a i as sociais
" (Hay e al., 2023 p.14).
Vamos compa a e exempli ica is o com as expec a i as sociais e a iden idade escola dos alunos muçulmanos
de Abu Khala (2022) pa a con ex ualiza es es ac o es e a sua e lexi idade.
Dóminio
Desc ição
Cinco sis emas
da eo ia dos
sis emas
ecológicos de
B o enb enne
Fa o es con ex uais p opos os
Li e a u a
in o mando a
in e p e ação

69
Mic osis ema
• Con on a o p óp io pode
(enquan o p a ican es do Se ice
Design) é descon o á el, pois
opõe-se à na a i a do Se ice
Designe .
(Faya d e al.,
2017; Goodwill e
al., 2021; Kimbell,
2011; Sangio gi,
2011; We e -
Edman, 2014)
Expec a i as
sociais e
iden idade do
Se ice
Designe .
1.-A cul u a
in e na e a
na a i a da
comunidade do
Se ice Design
são
acompanhadas
de
de e minadas
expec a i as
sociais.
Mesosis ema
• Um p essupos o subjacen e nos
p ojec os é que as desigualdades
de pode são a adas quando as
pessoas são con idadas pa a o
p ocesso
• Os p ojec os/agências de Se ice
Design p ome em se inclusi os
1.- How Nascen
Occupa ions
Cons uc a
Manda e: The Case
o Se ice
Designe s’ E hos
2.- Designing o
Se ice as One Way
o Designing
Se ices.
3.- T ans o ma i e
Se ices and
T ans o ma ion
Design.
4.- Design o
se ice: A
amewo k o
a icula ing
designe s’
con ibu ion as
in e p e e o use s’
expe ience.
Exosis ema
• A comunidade SD em uma
iden idade de al uísmo (design
pa a um mundo melho )
• O Se ice Design p ome e se
cen ado no u ilizado , incluindo
os u ilizado es no p ocesso de
design
• Discu so in e no (e ex e no)
sob e o pode do Se ice Design.
Mac osis ema
• C ença cul u al de que a
democ acia é jus a
• P essupos o subjacen e de que
pa icipação é igual a capaci ação
Os alunos
muçulmanos
êm
expec a i as
sociais e uma
iden idade
hi enada na
escola.
2.-A
comunidade
es udan il
mig an e
es abelecida
nos di e en es
ní eis escola es
p é-
uni e si á ios
em di iculdades
de iden idades
dis in as com a
escola e o país
ece o .
Mic osis ema
• Comen á ios ou b omas dos colegas
sob e di e enças cul u ais despec i as
e c uéis.
• Dilemas mo ais diá ios en e alo es
con li uan es de casa pa a a escola,
com a necessidade de "
apaga
"
isi elmen e o uso do éu islâmico ou
hijab pa a não se is a como uma
muçulmana que chama a a enção.
(Abu Khala e al.,
2022 e Balkaya e al.,
2019)
1.- The Impac o
Islamophobia on
Muslim S uden s: A
sys ema ic Re iew o
he Li e a u e
2.- The Media ing Role
o Mul iple G oup
Iden i ies in he
Rela ions be ween
Religious
Disc imina ion and
Muslim‐Ame ican
Adolescen s’
Adjus men
Mesosis ema
• Ausência de e en os escola es
que p omo am a di e sidade
eligiosa e cul u al.
• Pe ceção da escola como
ambien e de co eção da cul u a
amilia , e o çando a ideia de
“
assimilação o çada
”.
70
Exosis ema
• Os se iços comuni á ios e as
polí icas labo ais são inacessí eis
às amílias mig an es.
Mac osis ema
• Discu so público e imagens
islamo óbicas no malizadas na
midia.
Tan o Abu Khala (2022) como Hay e Vink (2023) se sen em descon o á eis em con on a e opo -se às
expec a i as sociais que de em se ado adas pelos di e en es sis emas de pode . Pa a Khala , há uma espécie
de pe da de iden idade que é ex apolada com negligência mul iplicada, apa en emen e uma pegada de decisão
de cima pa a baixo. O discu so público e as imagens islamo óbicas nas no ícias c iam impac os no
mac ossis ema, que depois se espalham e con aem nos exo, meso e mic ossis emas com di e en es ní eis de
ag essão. Pa ece que as mic o-ag essões de au o-silêncio eligioso, isolamen o social e negação de iden idade
es ão a mul iplica -se em di e en es sis emas e, com elas, na p es ação de se iços. Linda Nas e Raymond P.
Fisk (2019) ac edi am que a humanidade es á inse ida e odeada de sis emas de se iços36. O que a e a um
g upo a e a á, em úl ima análise, os ou os de ido à na u eza conec ada dos sis emas de se iços (Nas & Fisk,
2019 p.685). Hay e Vink (2023) eem e delimi am que exis em a o es con ex uais sob e os quais o u ilizado
não pode agi , es es pe manecem ine es. Embo a es a pe spe i a ajude a emo e a culpa pelo isolamen o
enquan o designe de se iço ao ní el indi idual, o exe cício inspi ado em B o enb enne en ende que as
p á icas i esponsá eis exigi ão ação cole i a pa a con on a dinâmicas de pode desiguais (Hay e al., 2023
p.17). Josina Vink e Audun Fo mo Hay econhecem que o sis ema das eo ias ecológicas é an opocên ico37,
não conseguindo inclui a o ma como os humanos in e agem e se elacionam com a na u eza e com ou as
espécies. Po im, é impo an e ealça que as di e en es camadas des e modelo são sepa ações analí icas,
não necessa iamen e empi icamen e dis in as; po exemplo, a cul u a pode se is a como um conjun o de
ac o es no mac ossis ema, mas ambém como p á icas e compo amen os no mic ossis ema (Hay e al., 2023
p.19).
36 Ci ação di e a: Ali ia o so imen o dos e ugiados é undamen almen e impo an e, mas, enquan o in es igado es, de emos
ambém es o ça -nos po melho a a nossa in es igação, conhecimen o e p á ica em se iços, ap endendo com e jun o dos e ugiados.
Po im, os in es igado es em se iços ans o ma i os de em aplica as lições ap endidas ao abalha na c ise global de e ugiados
a mui as ou as á eas p oblemá icas u gen es dos sis emas de se iços humanos, como os di ei os das mulhe es, das c ianças e das
mino ias. (Nas & Fisk, 2019, p. 695).
37 Di e sos au o es êm c i icado a Teo ia dos Sis emas Ecológicos de B on enb enne (1977) pelo seu ca á e an opocên ico, ou
seja, po cen a exclusi amen e o desen ol imen o humano nas elações sociais e ins i ucionais, igno ando as in e ações com a
na u eza e ou as o mas de ida. Ellio e Da is (2018), po exemplo, de endem uma ecologia elacional mais ab angen e, que
71
G á ico 15.0- G a icamen e, Josina Vink e Audun Fo mo Hay êem o abalho de B o enb enne sob e a eo ia
dos sis emas ecológicos como uma o ma de exp essa os sis emas isualmen e. Cabe ao designe de se iços
ado a es e g á ico isual pa a e ela elações concep uais complexas.
econheça o papel do mundo na u al no desen ol imen o humano, sob e udo na in ância. Es a c í ica p opõe um a as amen o da
isão exclusi amen e humano-cen ada, in eg ando dimensões ambien ais, senso iais e ma e iais nos con ex os de desen ol imen o.
72
3.0 Me odología
3.1 Abo dagem da Pesquisa e jus i icação me odológica
A na u eza in e disciplina des a in es igação, aliada à complexidade dos casos analisados e ao en ol imen o
di e o do in es igado , exige uma abo dagem me odológica sensí el e especí ica. A ecolha e análise de dados,
ao a a emas como a islamo obia enquan o alha es u u al no cuidado e na p o eção da comunidade escola ,
pode susci a descon o o ou exaus ão, especialmen e em lei o es menos amilia izados com ques ões
delicadas de exclusão e iolência, al como apon ado nos es udos de Susana Ca alhosa 38 . Como in es igado ,
ambém iquei chocado ao e es a pe da de con iança pública e de legi imidade de um se iço público como
as escolas, po que isso deixa mais pe gun as do que espos as sob e o papel ans o mado e social que de em
desempenha na sociedade.
Os es udos islâmicos pe mi i am-nos e a elação en e o que é uma eligião, uma c ença e o pensamen o
con o e so que ca ego iza o “
Islão como uma aça
”39 , segundo os islamó obos mais ag essi os e
p econcei uosos. A educação, po ezes com as suas alhas es u u ais e g upos sociais onde o cu ículo
académico e a imagem supe am a ciência e a a e de educa , nes a “
al disc iminação”
não acon ece, apesa
da his ó ia con empo ânea e de uma ein e p e ação pós-colonial das dinâmicas de chegada e in eg ação dos
mig an es. A e nodoxia e e e-se à o ma como as pessoas se pe cebem, se imaginam e a iculam a elação
en e sua e nia e é; sendo uma "
ep esen ação da comunidade nacional imaginada
" que pode ge a ensões
na dinâmica de "
nós e sus eles
" (Vyachesla & Elena, 2012 p.641). O di ei o ao pesa es á p esen e na lei da
libe dade eligiosa de 2001, exis em e o mas e melho ias a aze na sua aplicação, odo o con ex o polí ico
pode se desmasca ado nou o abalho de in es igação, uma ez que A aujó (2019) explicou leis que pa ecem
ambíguas ou i ele an es na sua e icácia con a p á icas disc imina ó ias como a Islamo obia (A aújo e al.,
2019). A psicologia social p ocu a mapea e disseca cien i icamen e onde o compo amen o p ejudicial oi
ap endido, em que ambien es sociais se pode (ou não) desen ol e e no mac ossis ema que en ol e uma
no ma ou c ença de uma comunidade e sua psicologia social que pode exage a e ampli ica a Islamo obia.
Hong e Espelage (2012) esc e em ainda que exis em casos de pais nos Es ados Unidos com c enças eligiosas
conse ado as que podem implemen a cas igos ísicos com mais equência do que aqueles no con ex o
38A p oblemá ica a longo p azo: os bullies na escola êm maio p obabilidade do que os ou os de se en ol e em na deliquência e
na iolência escalando no compo amen o c iminoso, mais a de (Ca alhosa, 2010 p.21).
39 Sayyid (2014) obse a que os muçulmanos não cons i uem uma “
aça
” e que a iden idade muçulmana não é uma ca ac e ís ica
biológica imu á el. Nesse sen ido, a islamo obia di e e de ou as o mas clássicas de disc iminação, como o acismo, o an i-semi ismo,
o sexismo ou a homo obia, pois assen a numa iden idade cul u al e eligiosa, e não numa condição conside ada na u al ou essencial
(Sayyid, 2014, p. 17).
79
2001
Di ei os
Humanos/Di ei o
In e nacional
Pá icia Jé onimo/
Os
Di ei os do Homen á
escala das ci ilizações
Exis e uma o ça indi idualis a
na sociedade;
“é mui o pouco
solidá ia”
(Jé onimo, 2001
p.210)
nos di ei os
conside ados
"ociden ais"
con a o anspe sonalismo do
di ei o islâmico do p op ie á io
de e o di ei o de eza na sua
loja.
Exis e uma lacuna legal em
Guima ães pa a a comunidade
mig an e e nenhum acesso jus o
pa a os mig an es.
Com di ei os legais e penais
Jé onimo olha à iolação
indi e a ou simbólica da
libe dade eligiosa e da
libe dade de pensamen o.
Se a escola ou ins i uição conhece o
ag esso , não pode se neu a; de e exis i
um mecanismo legal de denúncia.
2014
Sociologia/Polí ica
Social e Es udos
Pós-Coloniais
C í icos
Salman Sayyid/
A
Measu e o
Islamophobia
Que ambien e social e cul u al
especí ico de ine a o ma como
o Islão é p a icado po uma
população mino i á ia? A pa i
do segundo palco o ní el, como
a islamo obia pode escala pa a
ou o ní el.
Sayyid c i ica du amen e o
pensamen o pós-colonialis a e a
alha do sis ema educa i o em
sepa a o que é pe cebido como
aça e eligião da iden idade é nica.
C ise de iden idade pós-colonial.
Ab a uma con e sa abe a
sob e polí icas públicas.
Desenha uma his ó ia que não só
comp eenda a islamo obia, mas ambém
analise a linguagem islamo óbica do
ag esso . Ap o unda signi icados subje i os.
2019
Ma ke ing de
Se iços/Ges ão
de Se iços
Linda Nas e
Raymond P. Fisk/
The global e ugee
c isis: how can
ans o ma i e se ice
esea che s help?
As necessidades dos mig an es
do Bangladesh e os seus
desa ios com os se iços
públicos e os se iços de
eme gência exigem ecu sos
que p opo cionem uma melho
in eg ação ou ajus amen o.
Os se iços públicos de eme gência
e in eg ação não são su icien es
pa a abo da a c ise da imig ação e
dos e ugiados no seu
u ilizado /p es ado de se iços e
in e ace com o u ilizado .
C ie um se iço di e o
ans o mado com odos os
a o es en ol idos que possam
se al os do a aque.
T ans o ma um se iço implica sepa a -se
do ma ke ing di e o e do luc o das emp esas
p i adas ( e o ma o p óp io ma ke ing que
op ime ou silencia g upos).

80
Veja aqui odas as a iá eis cole adas ao longo do empo e como in luenciam ou limi am o desen ol imen o de
uma á ea acadêmica sólida. A abela de compa ação ap esen a pon os ele an es sob e o Design de Se iço.
Recomenda-se conside a abo dagens além do ma ke ing di e o e do e o no inancei o imedia o ao
desen ol e , c ia e ans o ma um se iço. Nas e Fisk (2019) mencionam a c iação do T ans o ma i e Se ice
Collabo a i e (TSC) como uma inicia i a ansdisciplina colabo a i a que “ali ia o so imen o e melho a o bem-
es a humano dos indi íduos po meio das amílias, cidades e sociedade” (Nas & Fisk, 2019, p.689). Es e
apelo à ação incen i a o in es igado a e um mé odo múl iplo na ecolha de dados, mas exis e um desequilíb io
de pode e semân icas di e en es no que é o bem-es a e o descon o o. Is o le ou-me a uma á o e na pesquisa
com oco no mis é io in e subje i o do que causou medo no ag esso de come e um a o de andalismo. Se
não exis e esse medo (a obia esc e e-se em islamo obia), que insensibilidade cul u al, apa ia ou in luência em
o meio ambien e pa a que a islamo obia exis a.
81
G á ico 16.0- A á o e de decisão pa a a in es igação ocada no mis é io oi a o ma como conduzi a minha
in es igação com o desconhecido; de onde eio es a ag essão à comunidade islâmica? Que sis ema, ambien e
ou silêncio ha ia pa a o ans o ma num mis é io?
Concluo que uma análise mul iní el da ecolha de dados quali a i os, incluindo en e is as em p o undidade
com os di ec amen e a ec ados, as amílias e o seu desen ol imen o ecológico (con ex o social, habi ação,
acesso a se iços), o nece uma isão holís ica da in es igação. A obse ação pa icipan e nas escolas e com
supos as "
í imas
" (pessoas que o am p ejudicadas) com conside ações é icas é ambém e icaz na ecolha de
dados. Pa a e i a up u as in e p e a i as que a ec am apenas a iloso ia e as eo ias sociais, egis a quan os
a aques, qual a na u eza e como a islamo obia (ou ódio especí ico) oi pe cepcionada se á mais ú il no con ex o
imedia o do a aque.
82
3.2 Caso de Es udo: Islamo obia no Design Pa icipa i o
O bomba deamen o de p ecisamen e odas es as á eas in e disciplina es jun as; a psicologia social, o
desen ol imen o ecológico humano, os di ei os humanos, as ciências da educação, a sociologia e os se iços
ap esen am-nos ince eza e um mis é io num cole i o hoje quando exis e um con ex o de mig ação de ido à
gue a com o objec i o de pe seguição polí ica e eligiosa que ambém a e a a Po ugal. O con ex o de 2023 e
2024 oi pe u bado e mul iplicado pela deslocação humana de ido a duas g andes gue as: a in asão ussa
da Uc ânia (2022) e a gue a de Is ael con a o Hamas, iniciada a 7 de Ou ub o (2023). A agilidade na
capacidade de espos a ins i ucional e polí ica na Eu opa Ociden al, nos Es ados Unidos e nas Assembleias
Ge ais das Nações Unidas em con ibuído pa a um es ado de anomia, ma cado po descon en amen o social,
mediá ico e compo amen al, an o en e g upos maio i á ios como mino i á ios, incluindo em Po ugal. Es a
anomia ins i ucional mani es a-se na di iculdade em lida com ques ões de géne o, ejeição simbólica,
essen imen o e ensões la en es en e se o es das sociedades ociden ais — mui as ezes sem his ó ico di e o
de disc iminação explíci a — e g upos mino i á ios p o enien es de con ex os mig a ó ios, em pa icula de
o igem islâmica. Es e dé ice no ma i o ou dis uncional de es u u as sociais ou polí icas ao es uda o design de
se iços le an a a ques ão de in es igação: Pode o design pa icipa i o ajuda -nos a comba e a Islamo obia?
O con ex o social des e es udo de caso euniu duas á eas de es udo que à p imei a is a podem pa ece não
elacionadas: o design de se iços com ên ase pa icipa i a melho ada e as ciências da eligião na comp eensão
de p á icas, c enças e signi icados dos pa icipan es e espec ado es. O iés eu ocên ico p edominan e nas
ciências sociais adicionais in luenciou di e amen e o dis anciamen o e os con li os acadêmicos ace ca da
o ien ação dos se iços de e nog a ia, di icul ando sua in eg ação nas ciências humanas. O deba e começou
com um p o esso de ciências sociais a dize -me, enquan o in es igado , pa a le di ec amen e o que Ma cel
Mauss (1972), a ô da e nog a ia, inha pa a dize sob e as sociedades ex aeu opeias e esquece a
ma e ialidade daquele ascínio ins an âneo pela c iação de um p odu o ou pela aquisição de um design de
se iço digi al no o no mes ado47. Um enómeno eligioso nos empos ac uais em sido negado ou censu ado
no meio académico, mas não na sociologia e e nog a ia adicionais:
"o e o undamen al da sociologia
47 No con ex o do mes ado em Design de P odu os e Se iços, e i icou-se uma p edominância da abo dagem cen ada na
expe iência do u ilizado (UX), com o e oco na conceção de se iços digi ais. No en an o, essa o ien ação e elou-se limi ada pa a
a a ques ões elacionadas com populações ma ginalizadas, o que exigiu a consul a de li e a u a complemen a nas á eas das
ciências sociais e dos di ei os humanos, a im de sus en a uma abo dagem me odológica mais c í ica e inclusi a.
83
men alis a consis e e ec i amen e em esquece que na ida colec i a há coisas, há c iações ma e iais única e
exclusi amen e
“(Mauss, 1972 p.217).
Uma in e enção num sis ema de se iços públicos que ga an e documen ação, impos os, educação e,
inalmen e, cidadania oi pos a em causa po uma dis unção en iesada aos olhos das es u u as sociais.
Ac edi a-se que os se iços públicos de em e con olo, um pode au o i á io uncional e equi a i o de pad ões
colec i os sob e como agi em casos como a Islamo obia, mas iquei su p eendido po e que não exis em
p o ocolos isí eis pa a odos. Pa a o design de se iços e Mauss (1972) a ma e ialidade das es u u as sociais
que pa ilham ipi icações que delimi am o compo amen o ap op iado pa a g upos de pessoas que o
in e io iza am. Um enómeno legal, mo al e men al de compo amen o mo i ado pela ejeição de uma
expe iência eligiosa i ia em úl imo luga , segundo Mauss, mas ainda sabemos que uma pessoa no se iço
público do sec o da educação em uma men alidade, um campo de ida e de saúde men al que não pode se
classi icado como semp e neu o e jus o po que: "
ela i amen e, uma men alidade nunca é "pu a", mas, em
úl ima análise, en a semp e sepa a a alma do co po o mais possí el “
(Mauss, 1972 p.217).
Há uma elação en e o Design de Se iços e as ciências da eligião na análise c í ica do s a us quo e na
abo dagem de expe iências nega i as em se iços que podem se modi icadas em bene ício do cole i o. Um
con li o a mado ex e no in luenciou pe cepções sob e o uncionamen o dos se iços públicos. A an opologia e
os es udos de Mauss basea am-se em noções sob e as mo i ações das sociedades ex a-eu opeias,
equen emen e associando-as mais à eligião do que à ciência, enquan o conside a am a educação eu opeia
como neu a; "
É assim que os memb os das sociedades ex a-eu opeias se p ocu am a si p óp ios
" (Mauss,
1972 p.218). A expe iência de usuá ios de países de maio ia muçulmana é a e ada pela islamo obia, uma
o ma de disc iminação que ge a desa ios em se iços públicos como a educação. Es e es udo de caso isa
ale a a comunidade acadêmica e di ulga pala as-cha e do p ocesso de Design Pa icipa i o ealizado en e
ma ço e junho de 2024. Pala as-cha e como islamo obia, medo, in ole ância, pe ceção e psicologia da eligião
de em se conside adas num se iço que de enda a dignidade humana. O ques ionamen o de hegemonias com
um imaginá io implíci o oi explici ado em di e en es signi icados em ês páginas di e en es dos ques ioná ios,
um ecu so i all ecomendado po ou os p o esso es de sala de aula sob e design inclusi o. O pensamen o
isual como um queb a-gelo dinâmico pode ge a su p esas, c ia signi icado, pe cebe al e na i as e ede ini
o que es á e ado com um se iço educa i o quando nos di igimos a alguém com p econcei os po causa de
um imagina io con o e so sob e o Islão. Exis iam múl iplos signi icados no es udo de caso pa a além da
84
islamo obia enquan o concei o e expe iência subje i a48: xeno obia, eo obia, misoginia e sexismo (pe cebido
como bullying ou) den o da in e ação com bullying.
O Design Pa icipa i o e elou as necessidades dos in o man es p i ilegiados e obse ações sob e a ansiedade
in e g upal. Como in es igado , econheci a dis ância en e mim e os pa icipan es, bem como a di e ença en e
eo ia e p á ica na elabo ação de en e is as e ques ioná ios. Segundo Foddy (2002, p.126), é sabido que
en e is ados podem o nece espos as endenciosas ou ecusa -se a esponde , mas es e p oblema pode se
supe ado. As implicações do Design Pa icipa i o de em se undamen adas po uma sólida expe iência em
lida com os po meno es das humanidades e as pessoas. A p óp ia na u eza das pe gun as, o que pode se
mos ado, o que pode se silenciado ou o que não pode se mos ado como um elemen o que anspo a
alguma o ma de ameaça, in luencia a sua on ade de esponde de uma de e minada o ma ou de não
esponde (Foddy, 2002 p.126).
As implicações aqui ie am de múl iplas espos as ansdisciplina es ao con ex o ecológico dos in o man es
p i ilegiados. Du an e a aplicação do ques ioná io de islamo obia o am iden i icadas eações que e idencia am
a p esença de um ambien e pe cibido como ameaçado po alguns pa icipan es. Em ce os casos, a me a
exis ência do ins umen o de ecolha de dados, ou mesmo a ausência ísica do in es igado no e eno, ge ou
compo amen os ese ados, espos as pouco elabo adas ou e asão do ema. Is o pa ece e in luenciado a
on ade dos en e is ados em exp essa opiniões ou expe iências elacionadas com a eligião, especialmen e
quando es as não inham sido an e io men e exp essas em espaços públicos. Obse ou-se que algumas
pessoas op a am po não abo da o ema do Islão ou minimiza am as suas espos as, possi elmen e po eceio
de consequências sociais, p o issionais ou pessoais. O p ocesso de in es igação, po an o, não pe mi iu apenas
a ecolha de dados, mas ambém dinâmicas de au o egulação discu si a ... “
O que posso ou não dize ?
Es e
enómeno suge e a exis ência de e e ências cul u ais pa ilhadas que in luenciam a exp essão abe a sob e as
ques ões eligiosas, ge ando ensões que de em se conside adas na análise dos esul ados. Tudo is o
acon eceu à ma gem de pessoas que sabiam e sabem o quão p ejudicial pode se um a aque pe cebido como
islamó obo.
Pa a escla ece ainda mais as implicações de como o e ei o dis up i o de ques ões como a islamo obia é
abo dado no abalho de campo:
48 En e is a Con ex ual V: Respondeu que o a amen o de géne o de uma amília muçulmana, um i mão mais elho da a à i mã um
a amen o de géne o sexis a des a o á el que despe a a "
Islamo obia
" ou uma su p esa em elação ao desen ol imen o dos alunos
po ugueses, à igualdade de géne o, à educação, ao ensino de línguas es angei as e ao espei o pela di e ença.

85
Implicações me odológicas da “
Islamo obia no Design pa icipa i o”
Implicação
Obse ação de campo
Bibliog a ia adicional
1.- De e se omado especial
cuidado quan o à dis o ção dos
dados ecolhidos.
• Hou e abs enções e nenhuma
o ação ou inclinação pa a
mo i ações p econcei uosas e
"
eligiosas
” e mo i ado po
“
ameaças
" en e os
pa icipan es.
• William Foddy (2002) sabe como
abo da emas sensí eis em
ques ioná ios es u u ados e
en e is as pa a inqué i os, incluindo
a alência inancei a e a emb iaguez.
(Foddy, 2002 p.126)
2.- De e exis i um ambien e
sensí el
• T ês pa icipan es ala am
sob e a c iação de um espaço
segu o e a c iação de
condições de espei o.
• Busca-se de ini igo osamen e como
p og ama um espaço na
acionalidade, elacionando espaço,
a i idades e indi íduo, desde que
essa concepção de espaço seja
plenamen e comp eendida como
desejada. Consul e Gus a e N.
Fische (1994) pa a mais
e e ências.
3.- Exis e um impac o no
ins umen o de ecolha de dados
(ques ioná ios, en e is as e
imagens como ecu sos isuais).
• Ha e á e ei os que ge a ão
su p esa ao pensa numa
ca ego ização na islamo obia
no espec ado .
• Comp eende o indi íduo e o que
especi icamen e o deixa
descon o á el na sua eação. Leia o
es udo de (Lundie & Con oy, 2015)
se hou e disposição mo al ou
su p esa, o seu es udo no Reino
Unido o ien a o lei o .
4.- Há no mas cul u ais implíci as
na in e ação.
• Pa e do abalho é emo e a
p essão social in isí el que
pode a ligi o en e is ado,
semelhan e às in e enções
an ibullying.
• Tome no a de Beaudoin Ma ie-
Na halie e Mau een Taylo (2006)
sob e como u iliza a e apia
na a i a indi idual pa a ex e naliza
se o bullying oco eu.
3.2.1 P imei a dimensão
1. Exis e uma dis inção en e a o ma como a li e a u a sob e o design de se iços abo da a dimensão
emocional em con ex os ge ais e a o ma como as emoções se mani es am quando o design de
se iços é aplicado em con ex os poli icamen e sensí eis, como o comba e à islamo obia.
Hou e uma ques ão emocional na análise des e es udo de caso ex pos ac o, como nes as emoções nega i as
di ecionam e edi ecionam o en iesamen o da expe iência do u ilizado , do clien e, da in e ace e udo o que
comp ome e o Se iço. A p imei a dimensão que que o coloca aqui nes a análise de es udo de caso é a
negligência do cuidado. Na pe spe i a do Design emocional escandina o, a negligência emocional é comba ida
pela melho ia da expe iência do u ilizado pa a ca alisa uma ans o mação do sis ema de se iço; um se iço
ígido e monolí ico pode nega as expe iências emocionais dos in e enien es nas in es igações. O es udo de
caso ex pos ac o e elou ainda na en e is a do Con ex ual V como solução pa a um se iço in e g upal
(es udan es muçulmanos e não c en es) o "
de e de e condições de bem-es a e espaço pa a exp essão e
86
assis ência igual pa a odos
" (Ma ínez Espinosa, 2024, p.22). Aqui, az uma alusão ao espaço ins i ucional da
escola como um ambien e que de e e espei o, equidade e incen i a a exp essão, pa a depois e um diálogo
sé io sob e como a Islamo obia az o aluno sen i -se nesse ambien e. O in es igado , designe ou educado
in e essado em não descu a um g upo mul icul u al de alunos pode ia pensa na o ma como es as emoções
azem o u ilizado agi , dado que o indi íduo es á de alguma o ma o almen e en ol ido, ime so num uni e so
ou onde é a ado da mesma o ma que odos os ou os que es ão com ele, sendo es e a amen o objec o de
uma o ganização e con olo que obedece, em eo ia, a um p og ama acional conjun o (Fische , 1994 p.138).
Pa a comp eende o p oblema, é i al pensa em dados quali a i os ambém em emoções, uma ez que, den o
da cons ução eó ica e p á ica, a e isão psicológica do que az um aluno muçulmano sen i -se excluído de e
possibili a a a aliação me odológica das p incipais cons uções empí icas ele an es pa a a in e p e ação dos
dados a ecolhe (Dos San os, 2018 p.97). O ambien e e as a i udes são undamen ais nes e ipo de p oje os
e se iços a longo p azo, pois o acompanhamen o dos pa icipan es despe a emoções. Fo es desa ios que,
se ul apassados em conjun o, le a iam ao desejado bem-es a do espaço. E i e julgamen os egocên icos que
subes imem os a o es en ol idos. colocando em isco o Design de Se iços, pois es e comp ome e a p óp ia
p omessa do Design de Se iços como uma abo dagem colabo a i a, de baixo pa a cima e cen ada no se
humano (Hay e al., 2023 p.26). Pa a comp eende o po quê da na u eza in e disciplina des a disse ação,
exis e uma explicação cla a e simples: exis e uma lacuna c í ica na li e a u a sob e a o ma como o Design de
Se iços a ua e ope a. O que se i e dia iamen e em Guima ães enquan o cidadão ou u ilizado público não
es á dissociado das in e acções com ou as cidades e ou os sis emas. No caso das 50 amílias muçulmanas
de Guima ães, es as amílias êm ligações e con ac os nos seus países de o igem. O enómeno da islamo obia
não é comum de ido ao núme o eduzido e modes o de pessoas que alam e p a icam abe amen e o Islão. O
enómeno da islamo obia nos espaços públicos e nas escolas demons a um osso en e a cul u a escola e a
di e sidade eligiosa dos esiden es e dos seus locais de o igem. As "
emoções49 negligenciadas
" na li e a u a
de Design de Se iços se em os in e esses do ma ke ing de se iços — ins alações de a e em se iços públicos
e UX/Expe iência do U ilizado em g andes emp esas ansnacionais. Onde es á a "
communi y managemen 50
"
ou abalho comuni á io? Onde es á a solida iedade nos di ei os humanos no acesso iguali á io e jus o pa a
odos na educação? Não há nenhuma. Pelo con á io, o Design de Se iços pa ece que e exace ba os
in e esses das emp esas sob e os p óp ios u ilizado es, ob igando-os a comp a e a agi mais. As o ien ações,
as expe iências i idas na iloso ia, a epis emologia do Sul, a al e idade e a ma ginalização do ou o, eu como
49 Re i o-me ao mecanismo de denúncia e in e upção de se iço pa a os u ilizado es da escola, incluindo uncioná ios e alunos, que
pa icipa am no Islamo obia no Design Pa icipa i o, azendo as suas expe iências pessoais sob e o que signi ica negligência
emocional ace ao secula ismo.
50 A Islamo obia e a in imidação en e colegas são p oblemas comuns no abalho em si uações de a i udes an i-sociais in e g upais
e comuni á ias. O Design de Se iços não pode es a mui o dis an e das necessidades in ínsecas de coexis ência e coesão social.
87
in es igado ambém eu não sabia que exis ia exclusão po pe seguição eligiosa? Is o di icul a o agi e e uma
in eg ação de expec a i as comuns de in e cul u alidade.
É necessá io ha e mais li e a u a sob e como abalha com a in e seccionalidade quando se abo da as
pessoas. Não pode ha e sepa ação en e as á eas em que o Design de Se iços pode ope a se não hou e
uma comp eensão di igida aos di ei os humanos e, po an o, à negligência emocional dos es udan es
muçulmanos. Tudo se enquad a no se o da educação. A p og amação indi idual esponsá el po ep oduzi
p á icas sociais saudá eis na con i ência pode se ap endida du an e o con ac o in e g upal. Cla o que a ideia
do “Islamo obia
no Design Pa icipa i o"
é cap a os medos an ecipadamen e, discu i-los, o ná-los isí eis e
descons uí-los pa a ap ende a lida com eles. A a ual sis ema ização e digi alização na ges ão educa i a ace
à disc iminação ambém sepa a g upos, se não exis e um mecanismo de denúncia ou se os p óp ios
p o esso es pe mi i em que es e ódio só dido que desumaniza os ou os is o az que se p opague online. Nas
minhas no as e nog á icas, lemb o-me de que que ia en a numa Mesqui a em B aga, en e a Rua de São
Ge aldo e a Rua do Alcalde, no cen o de B aga. Um g ande e o. O esponsá el po ecebe os iéis da
nacionalidade de onde o am, con ou-me que a sua Mesqui a já inha sido abo dada po ou os in es igado es
e jo nalis as (pelo que pude pe cebe pelos os os das pessoas p esen es) com p á icas nega i as pa a
dissemina a in ole ância à sua Mesqui a. Há negligência emocional com os alunos muçulmanos na o ma
como são abo dados e po que são abo dados: edes sociais injus as. Não esc e i mais sob e momen os
e nog á icos em B aga po espei o.
Na seguin e página omemos ago a es as emoções negligenciadas pelos p econcei os que a OSCE e Conselho
da Eu opa (2011) em sob e o Islão quando es e é abo dado na educação:
88
P omessa e ealidade na p á ica do Se iço
Seis es e eó ipos
eco en es no discu so
público sob e os
muçulmanos
Emoção cen al
in e ida pelo
in es igado
OSCE e Conselho da Eu opa,
Ad essing Islamophobia h ough educa ion
(2011)
Gian anco Walsh,
Jou nal o Ma ke ing Managemen
(Walsh, 2009)
1.-
“São odos iguais
”
F us ação
• Os muçulmanos são is os como
sendo odos iguais uns aos ou os,
independen emen e da sua
nacionalidade, classe social e
pe spec i a polí ica, e
independen emen e de se em
obse ado es nas suas c enças e
p á icas.
• Os clien es des a o ecidos que
so em disc iminação no
me cado ica ão us ados e
insa is ei os e le a ão os seus
negócios pa a ou as
emp esas de se iços.
2.- “
São udos mo i ados
pela eligião
”
Ansiedade
• Pensa-se que a coisa mais
impo an e sob e os muçulmanos,
em odas as ci cuns âncias, é a sua
é eligiosa.
• Como os colabo ado es
sa is ei os es ão in e essados
no bem-es a da emp esa,
es a ão ansiosos po e i a
compo amen os que possam
esul a em consequências
nega i as pa a a emp esa
(Walsh, 2009 p.149).
3.- “
To almen e ou o
”
Não
pe encimen o
• Os muçulmanos são is os como
o almen e “
ou os
” – eles são is os
como endo poucos ou nenhum
in e esse, necessidade ou alo em
comum com pessoas que não êm
o igem muçulmana.
• Quan o maio o o ní el de
s ess no abalho dos
uncioná ios de se iço, maio
se á a p obabilidade de
disc iminação e a pe ceção de
disc iminação po pa e dos
clien es.
4.- “
Cul u almen e e
mo almen e in e io
”
Humilhação
• Os muçulmanos são is os como
cul u al e mo almen e in e io es e
p opensos a se em i acionais e
iolen os, in ole an es no a amen o
que dispensam às mulhe es,
desdenhosos em elação a isões de
mundo di e en es das suas e hos is e
essen idos em elação ao
"
Ociden e
" sem uma boa azão.
• Resul ado da “
economia
cogni i a
” que pe mi e ao
indi íduo “ eduzi a
di e sidade de objec os e
e en os que de em se
a ados de o ma única po
um o ganismo de capacidades
limi adas” (Walsh, 2009
p.148).
5.-
“(Eles são) Uma
Ameaça”
Medo
• Como consequência das cinco
pe cepções an e io es a i ma-se que
não há possibilidade de pa ce ia
ac i a en e muçulmanos e pessoas
de di e en es o igens eligiosas ou
cul u ais, abalhando como iguais em
a e as que eque em diálogo e
negociação pacien e.
• Fal a de di e izes e guião de
um se iço.
6.- “
A Coope ação é
impossí el”
Desânimo
• Como consequência das cinco
pe cepções an e io es a i ma-se que
não há possibilidade de pa ce ia
ac i a en e muçulmanos e pessoas
de di e en es o igens eligiosas ou
cul u ais, abalhando como iguais em
a e as que eque em diálogo e
negociação pacien e.
• Um mau ou nulo guião e
di e iz sob e o se iço. Os
guiões de se iço êm como
obje i o aumen a a qualidade
do se iço p es ado (Walsh,
2009 p.149).
95
G á ico 18.0- Da id Lundie e e sucesso ao a qui e a o design de se iços a a és de uma len e pedagógica inclusi a nas suas ex ensas e nog a ias. A dis ibuição
de a e as e de e es po 5 e nóg a os em 24 escolas deu ao es udo um esul ado mais holís ico.

96
O que acon ece na imagem, Da id Lundie (2015) econhece que a in e cul u alidade no Reino Unido o na
insus en á eis os alo es “
adicionais
” do secula ismo, o ensino do c is ianismo e a alusão a “
ou as eligiões
”
no cu ículo de ensino b i ânico. Aqui, o despe a cí ico e ilosó ico p omo ido no "Es udo do Respei o"
p eenche a lacuna cu icula de in ole ância de ido a alhas es u u ais na abo dagem da eligião como o ma
de espaço in e ou mul icul u al. Ao con á io da eo ia da anomia de Du kheim, Da id Lundie (2015) de ine
uma c ise limina 57 como o es ado ambíguo de eg as de ido a no as ozes de es udan es b i ânicos. Os
p o esso es es ão a pe de o con olo do que se chama "
alo es secula es e cien í icos
" po que já não há
consenso sob e os alo es-cha e nem meios pa a chega a aco do sob e os mesmos (Lundie & Con oy, 2015
p.277). Embo a Lundie (2015) não abo de a pala a "
Islamo obia
" explici amen e nos seus es udos, c i ica o
modelo secula b i ânico como neu o, o encon o com o "
ou o
" e a epis emologia do ensino eligioso, onde o
seu ensino deixou ques ões impo an es sob e a base epis émica do es udo da eligião (Lundie & Con oy, 2015
p.277). A me odologia aqui o am es udos e nog á icos exaus i os ocados na con igu ação das c enças e
in enções de p o esso es e alunos (Lundie & Con oy, 2015 p.277). Como in es igado , incluí es e es udo como
pa e da solução pa a a “
Islamo obia no Design Pa icipa i o”
po que consegue da maio ampli ude à escala
de pa icipação de A ns ein (1969), desde o ní el 4 de uma e apa de consul a a é ao con olo do cidadão. O
que exis e aqui é a c iação de uma e lexi idade conjun a a a és do núme o de p ocessos i e a i os em
di e en es escolas58 (24 escolas me opoli anas e escolas do in e io de Reino Unido ao longo de um pe íodo de
dois anos com 5 in es igado es e nog á icos). O desen ol imen o espi i ual cí ico e ilosó ico en a na ensão
de ques ões incómodas e desa ian es, onde há ap endizagem sob e o ou o. A me odologia aqui em um oco
especí ico na comp eensão de ou as eligiões (não apenas o Islão) a a és da análise de dados ecolhidos
a a és da obse ação em sala de aula, g upos de oco, análise de dados encon ados (li os de exe cícios e
planos de aula), exposições mu ais e ma e ialidade em sala de aula (Lundie & Con oy, 2015 p.280). Com is o,
podemos emapea sucin amen e com a escala de pa icipação de A ns ein como podemos isualiza as
p opos as dos p o esso es de Se ice Design no Mes ado de design de p odu os e Se iços em Guima ães,
compa ando-os com o es udo de Lundie e Con oy (2015) como o ma de p é- isualiza e da uma di eção
es a égica sob e como podemos comba e a Islamo obia com o Design Pa icipa i o no abalho de campo:
57 No Es udo de Respei o (2015) há uma ci ação a Vic o Tu ne , na con inuidade a A nold an Gennep, aonde se desen ol e o
concei o de limina idade como uma ase de ansição en e dois es ados sociais de inidos (ex.: in ância → idade adul a). Aquí não há
eg as ixas sob e como se pode desen ol e o pensamen o c í ico no ensino cí ico de um g upo sob e ou o.
58 Exemplo de es udo sob e a In o elação no Es udo do Respei o de Lundie (2015): denominado "
Pedagogia da Tole ância
", es e
oco é ep oduzido, po exemplo, numa aula do 10º ano (13–14 anos) sob e o Islão numa escola Ca ólica na I landa do No e,
alando sob e ap ende sob e o Islão em ez de es e eo ipa os ou os (Lundie & Con oy, 2015 p.288).
97
Ní eis da escada de
pa icipação de
A ns ein
(1969)
Recomendações no ma i as ou p esc i i as sob e a
“Islamo obia no Design pa icipa i o” (2024)
po
p o esso es de Se ice Design e nou as a éas no
abalho do campo.
"
Es udo do Respei o
" (2015) da me odologia
e nog á ica de Da id Lundie e James Con oy.
1. - Manipulação
1. Es a decisão não oi ecomendada.
1. Es a decisão não oi ecomendada.
2. - Te apia
2. Es a decisão não oi ecomendada.
2. Es a decisão não oi ecomendada.
3. - In o mação
3. Foi ecomendado um anzine que desc e ia a
"
minha in o mação
" como um p oblema que
a e a a duas comunidades, p oje ado como se
osse ana ismo en e c ianças.
3. Es a decisão não oi ecomendada.
4. - Consul a
4. Um ki de e amen as pa a p o esso es
po ugueses e alunos p é-uni e si á ios
acede em a in o mação a ualizada pa a
consul a e abo da a Islamo obia na sala de
aula.
4.
Pa a p o oca
: consul e g upos de
jo ens pa a aze pe gun as epis émicas
desa ian es sob e ou as eligiões.
5. - Apaziguamen o
5. Como in es igado , pode ia ajuda e pensa
isualmen e sob e a "
assis ência écnica
" do
gabine e de apoio ao mig an e como exemplo
de um se iço de modelo.
5. Es a decisão não oi ecomendada.
6.-Associação/
Colabo ação
6. A c iação de um e en o gas onómico
in e cul u al com comida e música pa a
c ianças59, pa a "
ali ia ensões
",
independen emen e de ha e ou não
Islamo obia, e onde possa oco e uma
coexis ência in e g upal saudá el.
6.
A desen ol e
: um en endimen o
colabo a i o que pe mi a compa a
adições e eligiões de o ma saudá el
num cu ículo inclusi o ( ilosó ica e
cí ica).
7. - Delegação de
pode
7. Es a decisão não oi ecomendada.
7.
Con ibui e aze :
elabo a p opos as
pa a con ibuições impo an es daquele
g upo eligioso pa a ou as á eas
académicas (decisões pessoais, se o
da saúde, económica ou social) como
pa e do cu ículo inclusi o de Lundie
(2015).
8. - Con olo cidadão
8. Uma p o esso a alou sob e não se esquece de
e oma os p ocessos in e a i os com pelo
menos um dos s akeholde s, da con inuidade
ao co-design e da aos alunos a de e minação
de e i a se em í imas e e endo-se a um
con ole cidadão seja pelo menos uma pa e
in e essada.
8.
O e ece
: A opo unidade pa a os alunos
de Da id Lundie e le i em e se
desen ol e em espi i ualmen e,
exp essando au onomamen e a sua
comp eensão dos ou os.
59 Eis uma p opos a pa a um se iço que aludia ao seu uncionamen o pa a as c ianças de hoje em ambien es in e g upais.
Embo a não seja design de se iço, os p óp ios p o esso es e a ges ão podem a qui e a um se iço sem lhe chama
necessa iamen e "
Se ice Design
". Aqui, é melho chama -lhe pedagogia inclusi a.
98
As ecomendações no ma i as pa ecem o ça -nos a negocia as c enças e es ilos de ida dos ou os,
p omo endo uma "
ole ância
" negociada onde a pa icipação simbólica e a não pa icipação e ec i a ou o al
dos memb os do co po docen e de Se ice Design nos dá a opo unidade de code e mina a e lexão pessoal e
o desen ol imen o espi i ual p o undo sob e o signi icado da eligião pa a os ou os. Um design de se iço que
ga an a a libe dade de c ença ou de exp essão anda de mãos dadas com o g au de pa icipação do p o esso
na omada de decisões. A e nog a ia exaus i a de Lundie (2015) ensina-nos a ei e a p ocessos de Design de
Se iços com uma abo dagem e lexi a aos alunos e, po an o, ansg essi a ao ques iona o Islão e, po
conseguin e, a Islamo obia. Comp eende o signi icado da eligião pa a os ou os como pa e de um cu ículo
inclusi o desmis i ica a islamo obia e, assim, comba e o bullying.
Pos ulado Teó ico II: O Design Pa icipa i o só e á um esul ado eal no comba e a um p oblema epis émico
e compo amen al da Islamo obia ou ou os p oblemas da ansiedade in e -g upal se passa mos da pa icipação
simbólica pa a a uma plena, a pa i de um diagnós ico e nog á ico p o undo da dinâmica p o esso -aluno.
99
3.3 In e esse me odológico do p é-análise enomenológica e c i é ios
COREQ aplicados: expe iências de Islamo obia no Design Pa icipa i o
Um p oblema epis émico que silencia as ozes de uma população mig an e e o compo amen o p ejudicial que
o e o ça é di ícil de comp eende , mui o menos de o i encia , se não hou e mui a li e a u a ou con ac o
in e g upal com o g upo ou população es udada. Embo a 50 amílias possa pa ece um núme o eduzido, es e
silêncio de "
nós
" e sus "
eles
" es á implíci o no andalismo da loja de Ha iz, no g a i i do espaço da Rua Albe o
Sampaio, no cen o de Guima ães. O simbolismo aqui su giu-me enquan o in es igado a caminha em di ecção
à P aça do Tou al quando me ape cebi que no comé cio de Guima ães e ambém na pe i e ia da opinião
pública, exis ia um discu so de a e são aos "
os
muçulmanos
". A expe iência oi desag adá el po que
ep esen a a apenas uma comunidade imig an e en e as mui as de Guima ães (mais de 50 países na escola
F ancisco Holanda). Tudo is o c iou em mim um p econcei o que me le a a ques iona se a educação em
Po ugal é ealmen e laica po que as mo i ações do ag esso não são escla ecidas. A população escolhida
o am 50 amílias muçulmanas, seus conhecidos, alunos, p o esso es e adminis ado es o am o oco da minha
busca pa a con ex ualiza o es udo. O aspe o mais impo an e do es udo é o na isí el es a ag essão e ou os
p econcei os nos discu sos de mic oag essões pa a pe cebe quais as c enças nega i as que alimen am a
Islamo obia.
Pa a jus i ica a me odologia enomenológica, o que é necessá io, segundo M. Mo se (2007), é a eo ia que
eme ge da análise e lexi a dos dados ( ex o na a i o). Podemos desen ol e o acompanhamen o e a in e ação
dos se iço-humano se soube mos como conec a a expe iência humana ep esen ada no ex o com emas,
me a- emas ou me á o as onde a compaixão e a au ocompaixão es ão conec adas a oda a condição humana
(M. Mo ese, 2007, p.129). A enomenologia de Husse l pode en ol e a imaginação, a memó ia ou casos eais.
Ap oxima-se da ideia de lógica baseada na conside ação cuidadosa de exemplos ep esen a i os. Husse l
u ilizou o e mo g ego
epojé
pa a edução enomenológica. Es a edução p epa a-nos pa a o exame essencial
do que é indubi a elmen e dado an es de su gi em as nossas c enças in e p e a i as. Com a edução, somos
le ados às o igens dos enómenos; es as o igens es ão pe didas, p esas no nosso pensamen o diá io (M.
Mo ese, 2007 p.143). A edução en ol e duas e apas: (1) a p imei a e apa, a edução eidé ica, é a edução
dos ac os pa icula es a essências ge ais. A (2) segunda e apa, a edução enomenológica ou anscenden al,
libe a os enómenos de odos os elemen os anscenden ais. Es a ase pe mi e que o enómeno apa eça
di ec amen e, em ez de se is o (e dis o cido) a a és dos nossos p econcei os po que suspendemos
empo a iamen e o pon o de is a na u al (M. Mo ese, 2007 p.144). As compilações do enómeno da
islamo obia azem-me lemb a a me odologia de Beaudoin e Mau een (2006) onde a compilação de
100
expe iências i idas de Bullying nos guia pa a que possamos depois ap ende a acede ao mesmo. Conselhos
como ado a uma a i ude espei osa e cu iosa, ex e io iza p oblemas, ajuda os alunos a exp essa em-se e a
eagi emocionalmen e e a e pe spe i as o a do mundo "
adul o
" ajudam-nos a acede às expe iências dos
jo ens e, assim, a comba e o bullying (Beaudoin & Mau een, 2006, p.79).
Fo am u ilizados os c i é ios COREQ pa a os ela ó ios o mais lis ados pa a en e is as con ex uais em
p o undidade e g upos de oco, o mé odo mais comum pa a a ecolha de dados na in es igação quali a i a em
saúde (Tong e al., 2007, p.349).

101
Tabela 1. Lis a de e i icação de 32 i ens do Consolida ed C i e ia o Repo ing Quali a i e S udies (COREQ):
Domínio 1: Equipa de in es igação e e lexi idade
Núme o
Domínio
Ques ões/desc ição do guia
Respos a à
Islamo obia no Design pa icipa i o
1.-
Ca ac e ís icas pessoais
• Que au o (es) conduziu a en e is a ou o g upo de oco?
Alonso Ma ínez oi apenas uma pessoa.
2.-
Ca ac e ís icas pessoais
• Quais e am as c edenciais do in es igado ?
Mes ando em design de p odu os e se iços no depa amen o de
A qui e u a e Design da Uni e sidade do Minho.
3.-
Ca ac e ís icas pessoais
• Qual e a a sua ocupação à da a do es udo?
Único aluno o mado e com expe iência em Design Têx il no México.
4.-
Ca ac e ís icas pessoais
• O in es igado e a homem ou mulhe ?
Homem
5.-
Ca ac e ís icas pessoais
• Que expe iência ou o mação inha o in es igado ?
Quase nenhuma expe iência em in es igação de acção na c iação de
en e is as e desen ol imen o de se iços.
6.-
Relacionamen o com os pa icipan es
• É es abelecido um elacionamen o an es de inicia o
es udo?
Se com o p imei o g upo hou e um es e de companhei ismo na
escala de mediação de a i udes ace à islamo obia (8 pessoas da
u ma de mes ado e uma p o esso a).
Com o segundo g upo de in o man es p i ilegiados, e i icou-se um
elacionamen o com cinco pa icipan es an es da en e is a
p ecisamen e po se a a de um ema sensí el no que espei a ao
compo amen o in e g upal na con i ência o mal e in o mal na
educação. Apenas conheci uma pa icipan e que abalha na á ea da
educação em campo na di ecção no dia da en e is a e nunca mais
con ac ámos.
7.-
Relacionamen o com os pa icipan es
• O que sabiam os pa icipan es sob e o in es igado ? Po
exemplo, os seus obje i os pessoais e azões pa a
conduzi a in es igação?
Há um p oblema sé io a abo da na e o mulação de um se iço sob e
islamo obia, e de e ha e uma maio sensibilidade cul u al pa ilhada.
Eles sabiam das minhas in enções.
8.-
Relacionamen o com os pa icipan es
• Que ca ac e ís icas o am ela adas sob e o
en e is ado / acili ado ? Po exemplo, p econcei os,
suposições, azões e in e esses no ema de in es igação.
Fo am ela ados mo i os e in e esses pa a abo da o ema da
in es igação; há uma nuance g a e na pala a Islamo obia que
p essupõe já um a o de exclusão em elação a um g upo que
sabíamos que inha de se abo dado.
102
Domínio 2: Desenho do es udo
Núme o
Domínio
Ques ões/desc ição do guia
Respos a à
Islamo obia no Design pa icipa i o
9.-
Enquad amen o eó ico
• Que o ien ação me odológica oi p opos a como base pa a o
es udo? Po exemplo, a eo ia undamen ada.
A obse ação e nog á ica e a cau ela com os p econcei os cul u ais,
as o ien ações da
OSCE/UNESCO
e do Conselho da Eu opa (2011)
sob e a disc iminação e Islamo obia nos espaços educa i os, Mauss
(1972) e William Commen (2004) sob e os es udos c í icos como
e e ência ao ní el de en ol imen o da pa icipação dos cidadãos.
Psicologia da eligião, sociologia da mig ação, design pa icipa i o
como o ma de co-in es igação com impac o social.
10.-
Seleção de pa icipan es
• Amos agem. Como o am selecionados os pa icipan es? Po
exemplo, amos agem in encional, amos agem de
con eniência, amos agem consecu i a, amos agem bola de
ne e.
T a ou-se de uma amos agem p oposi ada, cinco pessoas
denominadas de in o man es p i ilegiados po e em o maio con ac o
in e g upal en e muçulmanos e não muçulmanos. Os ou os 8 o am
uma amos agem consecu i a pa a encon a espec ado es que,
como in es igado es, "não sabe iam nada" sob e o uncionamen o da
islamo obia.
11.-
Seleção de pa icipan es
• Como o am con ac ados os pa icipan es? Po exemplo,
pessoalmen e, po ele one, po co eio, po e-mail.
A a és do Wha sApp, e-mail e ambém du an e as isi as ao local de
abalho e con ac o in e pessoal na Uni e sidade.
12.-
Seleção de pa icipan es
• Quan os pa icipan es ha ia no es udo?
8 pessoas num es udo a p io i, 5 pessoas em abalho de campo 13
pessoas.
13.-
Seleção de pa icipan es
• Quan as pessoas se ecusa am a pa icipa ou desis i am do
cu so? Quais o am os mo i os?
Hou e apenas abs enções e uma pessoa não o ou na escala de Like
no p imei o inqué i o com oi o pessoas. As azões são desconhecidas.
14.-
De inição
• Onde o am ecolhidos os dados?
Os dados o am ecolhidos p imei amen e numa p é-sessão em
escala Like (e uma secção ex a de abs enção) an es de inicia a sala
de aula de design inclusi o.
Em segundo luga , oi con ac ada uma amília do Sudão e ugiada em
Guima ães, mãe de duas c ianças e ugiadas que equen am o
ja dim de in ância/escola p imá ia em Guima ães. Con ac ei um
conhecido que já es e e desemp egado em Guima ães, no
A eganis ão, conhecido po equen a Guima ães.
103
Te cei o, o p op ie á io da loja Al-Medina oi en e is ado á ias ezes,
mas de ido a iagens com o necedo es e a ques ões in e nas da
comunidade, oi o penúl imo en e is ado em e mos de empo.
Em qua o luga , o di e o da Escola F ancisco Holanda oi
en e is ado du an e a sua supe isão conjun a na escola Egaz Moniz.
T a ou-se de uma en e is a em sala de euniões p i ada de ido à
sensibilidade do assun o.
Quin o, um educado anónimo da biblio eca da Uni e sidade do
Minho, acei ou se en e is ado, alando ambém em "melho a " as
condições de ensino e os cu ículos inclusi os no es udo.
Sex o, o p op ie á io da loja Al-Medina en iou-me a en e is a po
ele one a a és de e cei os e, du an e uma isi a pessoal, ecebi
ou a en e is a digi alizada online.
15.-
De inição
• Es a a mais alguém p esen e pa a além dos pa icipan es e
in es igado es?
Em p imei o luga , nos es udos a p io i, 4 p o esso es inham
conhecimen o sob e a ecolha de dados com in e enção no
espec ado . Em segundo luga , apenas o i mão na en e is a
con ex ual do A eganis ão sabia do p ocesso. Em e cei o luga , o
ma ido inha de sabe sob e o consen imen o in o mado e o con eúdo
das pe gun as sob e a p e enção da disc iminação nas escolas.
Qua o, o di e o da Egaz Moniz não que ia que ninguém in e iesse
na en e is a. Quin o, o educado que es udou na biblio eca de
Azú em da Uni e sidade do Minho ambém não encon ou
in e e ências, mas e i icou-se uma a iabilidade con ex ual
signi ica i a.
16.-
De inição
• Quais as ca ac e ís icas impo an es da amos a? po exemplo
dados demog á icos, da a
Guima ães pe ence à sub- egião do A e, na p o íncia do Minho, com
uma população de 156.830 habi an es e 48 eguesias. Todos os
pa icipan es do es udo incluem a iá eis e á ias de 22 ou mais de 55
anos, esidem na zona de Guima ães ou equen am Guima ães pa a
abalho ou es udo, êm um ní el de o mação uni e si á ia ou
expe iência no mundo do abalho e ocupações di e sas, sendo os
ês imig an es en e is ados p o enien es de países como o
A eganis ão, Bangladesh e Sudão. Apenas 3 inham iliação eligiosa
no Islão. O oco es a a nas pe ceções do espec ado sob e a
in eg ação ou exclusão ace à p oximidade cul u al.
104
Os c i é ios pa a decidi como agi na análise do isualizado incluem:
(1) a equência de exposição a pessoas muçulmanas
(nenhuma, ocasional ou habi ual).
(2) o ipo de elação es abelecida (di e a, indi e a ou
inexis en e).
(3) O ipo de elação es abelecida: di e a, indi e a ou
inexis en e.
(4) Compo amen o obse ado em si uações de disc iminação
ou bullying.
17.-
Recolha de dados
• Os au o es o nece am ques ões, suges ões e guias? Foi
es ado em pilo o?
Guidelines e guias baseados no
OSCE
(
O ice o Democ a ic
Ins i u ions and Human Righ s
, 2011) e na
In e ac ion Design
Founda ion (
2016) O que são en e is as con ex uais? Ques ões
abe as pa a eedback e apoio isual pa a mapea os en iesamen os.
Hou e es es pilo o.
18.-
Recolha de dados
• Fo am ealizadas en e is as epe idas? Se sim, quan os?
Apenas du an e isi as casuais ou euniões in o mais consegui ala
com os en e is ados. Não ha ia uma ma cação ou agendamen o
num sí io ixo.
19.-
Recolha de dados
• A pesquisa u ilizou g a ação áudio ou isual pa a ecolhe os
dados?
Uma g a ação de 39:20 minu os sob e o Islão e a comunidade
muçulmana em Guima ães.
20.-
Recolha de dados
• Fo am omadas no as de campo du an e e/ou após a
en e is a ou g upo de oco?
Se du an e as en e is as e en e as escalas de Like hou e um
espaço en e linhas pa a que o pa icipan e pudesse p eenche
e en uais lacunas.
21.-
Recolha de dados
• Qual oi a du ação das en e is as ou do g upo de oco?
As en e is as i e am uma du ação de 40 minu os a uma ho a
po que p opo ciona am uma saída emocional pa a a expe iência
i ida em locais onde es e ipo de bullying no malmen e oco e.
22.-
Recolha de dados
• A sa u ação de dados oi discu ida?
Hou e uma sa u ação eó ica e de dados após o econec a com as
pessoas e hou e um alí io emocional.
23.-
Recolha de dados
• As ansc ições o am de ol idas aos pa icipan es pa a
comen á ios e/ou co eção?
As ansc ições o am de ol idas aos pa icipan es pa a comen á ios
e/ou co eções? Se em alguns casos o em en iados (mo ada da
escola).
111
G á ico 20.0- Es e pape c a ing e a uma o ma a caica e simples de passa o p oje o pa a o papel e
ma e ializá-lo pa a que pudesse se ep oduzido. Desenhei-o inconscien emen e, a aliando e ea aliando as
o ien ações do Conselho da Eu opa.

112
Na seguin e isualização g á ica dos o os so endo em con a apenas a soma o al dos o os emos os seguin es
esul ados:
Podemos analisa es es dados a pa i de um in e alo de pe cen agens, nes e caso de 88% a 44% (disco dando
o almen e em odas as ca ego ias), o ganizando-os em endências nes a pequena amos a, onde se des acam
as zonas de con o o social e as zonas de ensão ou ambiguidade mo al nas pe cepções dos pa icipan es.
Podemos disseca es es es udos a p io i em ca ego ias especí icas de p econcei os, o que signi ica a c iação
de um se iço de in es igação sociológica.
Aquí encon a-se a In e p e ação especí ica de cada p e-concei o no es udo a p io i:
113
Nes e p imei o g upo, que se cen a no público em ge al, com quase nenhum con ac o in e g upal com os
alunos muçulmanos, podemos cons a a que a ambi alência das pe cepções islamo óbicas es á mais en aizada
Os seis maio es
p econcei os do Islão
segundo o Conselho da
Eu opa (2011)
Resumo das espos as
In e p e ação sociológica
"São odos iguais"
• 63% disco dam o almen e,
13% conco dam
• Hou e uma ejeição signi ica i a (65-50%) onde se
econhece a di e sidade é nica e eligiosa pa a a
humanização do co po discen e e docen e o iundo
de di e en es países.
“Todos eles são
mo i ados pela
eligião”
• 50% disco dam o almen e,
25% disco dam, 13%
conco dam
• Hou e uma ejeição média ou uma isão mais
complexa e não educionis a se exis i em
mo i ações eligiosas.
“To almen e ou o”
• 88% alham comple amen e
• Hou e um ele ado ní el de ejeição des as ideias
islamo óbicas explíci as. Is o demons a o
consenso mo al posi i o de que não exis e al
al e idade adical.
“Cul u al e
mo almen e in e io ”
• 88% disco dam o almen e e
13% conco dam
• Hou e ambém uma espos a com ele ada
ejeição ao e nocen ismo.
“Os muçulmanos são
uma ameaça”
• 44% disco dam o almen e,
33% são neu os e 22%
conco dam.
• Uma di isão pe cep í el é aqui demons ada.
Exis e uma mino ia signi ica i a com sen imen os
ambi alen es ou hos is. Há aqui uma á ea de
ambiguidade.
“A coope ação é
impossí el”
• 75% disco dam o almen e,
13% são neu os; 13%
conco dam.
• O imismo ge al sob e a possibilidade de
coexis ência, mas esis ência de um g upo
mino i á io.
114
em "
Todos são mo i ados pela eligião
" e "
Os muçulmanos são uma ameaça
". O que aqui acon ece pode se
in e p e ado po sen imen os di usos pa a descob i se exis e uma ideologia ma cada po suspei as. As
suspei as e p econcei os sob e a di e enciação en e mo i ação/ eligião e ameaça o am um denominado
comum pa a quase odos os en e is ados. No g upo de in o man es p i ilegiados, ha ia imagens que mos ei
num cade no com o os com esses mesmos p econcei os escolhidas po mim enquan o in es igado . Em b e e
e emos a di e ença com o segundo g upo com os 5 in o man es p i ilegiados, que oi a di e ença na análise
dos dados.
115
Aqui, os 30 o os dos cinco in o man es p i ilegiados demons am ambém uma ele ada ejeição das pe ceções
islamo óbicas dos seis p econcei os ap esen ados pelo Conselho da Eu opa (2011). 67% dos o os o am
"
disco do o almen e
" das a i mações que ap esen ei enquan o in es igado . Os di e en es signi icados
semân icos de " odos a se em iguais" e " odos a se em mo i ados pela eligião" chega am a é mim como
in es igado a a és de comen á ios pessoais o a da ecolha de dados, onde se odos iguais e se mo i ado
pela eligião em do sen ido de comunidade que su ge ao exibi o gulhosamen e o Islão como uma c ença e
pa e da ida diá ia. Eis um exemplo de como "
se odos iguais
" assumiu um signi icado semân ico di e en e
ao e e i -se a odos os se es de um conjun o de eligiões ab aâmicas:
“Em odas as sociedades exis em bons e maus ambém nas eligiões, exis e a ex ema-di ei a em qualque eligião
ou mesmo nos polí icos. O Islão é uma eligião de paz e é comple amen e con a a iolência e é como odas as
eligiões uni icadas da mesma on e de Deus.”
Exce o das en e is as con ex uais:
P incipais p eocupações e ou os comen á ios,
En e is a Con ex ual I
,
(Ma ínez Espinosa, 2024 p.22)
Aqui, a di e ença me odológica di e gen e que "
p epa ou
" ou "
queb ou o gelo
" des e ópico emocionalmen e
ca egado o am as seis imagens queb a-gelo que eu colei. Es e apoio auxilia ambém in luenciou os
pa icipan es62, os in o man es p i ilegiados, a chega em ealmen e ao undo daquilo que os incomoda ou mais
os incomoda nesses p econcei os.
62 Is o deu uma sensação de su p esa aos in o man es p i ilegiados ao escolhe em o p econcei o que mais os incomoda a ou que
sen iam já e ou ido an es.
116
G á ico 21.0- Es as imagens ajuda am a queb a o gelo en e os in o mado es p i ilegiados e, com isso,
consegui pe cebe melho o que ealmen e me es a a a incomoda .

117
Aquí encon a-se a In e p e ação especí ica de cada p e-concei o nas espos as dos 5 in o man es
p i ilegiados:
As di e enças na islamo obia e no bullying pe cebido no ambien e escola são signi ica i as em e mos de
pe ceções, do que signi ica "
se odos iguai
s" e das mo i ações po de ás do desempenho ou compo amen o
académico. Se es e é mo i ado pela eligião ou não, é uma ques ão de es e a p i ada, onde os in o man es
p i ilegiados pode ão e le i sob e o que ealmen e mo i a os alunos a equen a a escola63. O segundo g upo
é unânime em e u a a ideia polémica de que exis em cul u as e enómenos mo ais supe io es a ou os, onde
apenas um g upo ep esen a uma ameaça e onde a coope ação é impossí el.
63 Duas en e is ados ala am sob e a disc iminação de géne o e a condição do espaço educa i o onde as apa igas que usam o éu
islâmico de em se li es de u iliza -o a pa i dos oi o anos. O pensamen o islamó obo pode ambém su gi a pa i da pube dade,
segundo as adições islâmicas nas amílias do Bangladesh e do A eganis ão em Guima ães.
118
Os seis maio es
p econcei os do Islão
segundo o Conselho da
Eu opa (2011)
Resumo das espos as
In e p e ação sociológica
1.
"São odos iguais"
• 40% o almen e em
desaco do, 40% de aco do,
20% sem o o
• Quando nos e e imos a alguém como " odos são
iguais" na segunda onda, os signi icados
semân icos de “ odos são iguais" oi mencionado
pelos en e is ados como um sen ido de
comunidade que ad ém da pe ença à eligião
islâmica.
2.
“Todos eles são
mo i ados pela
eligião”
• 60% não se encon a de
aco do, 20% o almen e em
desaco do e 20% sem o o
• Aqui, a disco dância não oi ão acen uada
de ido ao conhecimen o de que, al como
acon ece com as mino ias eligiosas, pode ia
ha e ep esálias.
3.
“To almen e ou o”
• 60% disco dam o almen e e
40% disco dam
• É unânime que a al e idade não exis e em
di e en es signi icados semân icos.
4.
“Cul u al e
mo almen e
in e io ”
• 100% em o almen e em
desaco do
• Não exis e e nodoxia nem c ença de que exis am
cul u as in e io es às ou as.
5.
“Os muçulmanos
são uma ameaça”
• 80% em o almen e em
desaco do e 20% em
desaco do
• Não exis em pe ceções de ameaça in e g upal
de ido ao con ac o in e g upal exis en e. Faz
pa e do quo idiano.
6.
“A coope ação é
impossí el”
• 100% em o al desaco do
• É possí el coope a en e g upos e aze a
di e ença.
4.2 O Se ice Design como e amen a pa a a inclusão escola .
As ques ões le an adas po Dos San os (2018) ela i amen e à análise de dados de um es udo de caso são
começa pelos dados (Dos San os, 2018 p.104) .As pequenas ques ões que su gi am nas en e is as
con ex uais e as e idências nas espos as não causa am g ande descon o o ou pe u bação ao conside a uma
solução de Design de Se iço. Po ezes, algumas pe gun as êm um ce o ipo de e ei o nas pessoas. Pa a
Foddy (2002), o melho é que, enquan o in es igado es, “
gos a íamos de sabe a sua opinião sob e algumas
das ques ões des a en e is a
” Ao menciona g upos de ques ões, po a o , “
diga-me o que pensa sob e elas
e qual a ques ão que causa algum descon o o
” (Foddy, 2002 p.128). As pe gun as abe as deixa am os cinco
inqui idos, os in o mado es, en e a espada e a pa ede, po que es e mé odo le a os inqui idos a o nece
in o mações p ecisas (Foddy, 2002, p.128).
A ma iz de ca ego ias e abelas p eenchidas com es a in o mação quali a i a oi pensada em 8 ca ego ias: (1)
más expe iências ou expe iências uins quando se ala sob e o Islão na escola, (2) po enciais p oblemas e
desa ios que o ensino do Islão ap esen a, (3) capacidade de espos a à disc iminação especí ica con a os
alunos muçulmanos, (4) de e ha e ou não melho p e enção e p o eção con a a islamo obia, (5) e lexi idade
119
e a i idades que p omo am o pensamen o c í ico ace à islamo obia, (6) c iação de um p odu o ou se iço pa a
a escola e (7),(8) p incipais p eocupações e ou os comen á ios.
É cla o que o mapeamen o das a i udes islamo óbicas é um desa io, que exige uma e isão c í ica a a és de
p ocessos de sensibilização e educação in e cul u al não poli izada. Ten a ca ego iza os p econcei os em
dinâmicas de ação ou expe iências i idas des ia-se do momen o no empo especí ico em que os dados o am
ecolhidos. Embo a não exis a uma o dem c onológica explíci a de ido ao anonima o e à iden idade dos
in o man es p i ilegiados, o anonima o dos en e is ados pode se mapeado ou pensado com o Pensamen o
Visual:
G á ico 22.0- Aqui, a consul a e o apaziguamen o dos pa icipan es são isualizados na ga an ia da
edis ibuição do pode . O pensamen o isual pode ajuda a c ia uma ma e ialização simbólica das na a i as
excluídas. Cla o que is o não p omo e a e lexi idade se a empa ia não o p omo ida nas escolas como pa e
da p á ica pedagógica inclusi a. Que dize , es e modelo isual pode não chega aos alunos se não hou e mais
e nog a ia isual do que ep esen a o co po es udan i.
Aqui eme gem as 5 ca ego ias emá icas mais impo an es das en e is as con ex uais.
120
Ca ego ia emá ica
Exce o da en e is a
Ligação com Se ice Design
1. In eg ação da di e sidade
eligiosa no con ex o escola :
Você já e e uma expe iência
uim ao ala sob e o Islã em
ambien es educacionais ou na
educação em ge al?
•
Sim, e oi uma expe iência oi sob e
una dinâmica de a amen o do
géne o (uma amilía muçulmana na
escola ), ou seja socialmen e a a -
os aos miudos como cidadãos de
segunda cadeia, En e is a
Con exual VI
(Ma ínez Espinosa,
2024, p.20)
C iação de wo kshops pa icipa i os
sob e igualdade de géne o en e
es udan es muçulmanos e de
ou as eligiões, com co-design
pa a o empode amen o.
2. Ges ão Ins i ucional de
Con li os de Disc iminação
Religiosa:
Que p oblemas ou desa ios
po enciais ocê acha que o ensino
sob e o Islã nas escolas em?
•
O maio desa ío é decons ui os
es e eo ipos nega i os, explica a
iqueza do Islão e encon a
exemplos posi i os que subs i uam
as imagens nega i as. En e is a
Con ex ual V
(Ma ínez Espinosa,
2024 p.20)
Assim, a expe iência de uma
cul u a de g upo di e en e é o
p incipal acili ado da e lexi idade
cul u al. Nas nossas e idências
empí icas, os mé odos exempla es
de design de se iços pa a ca alisa
a e lexi idade cul u al incluem a
e nog a ia, day o li e , e os cul u al
p obes nos p oje os de se iços.
(Vink & Koskela, 2022p.379)
3. P á icas cu icula es pa a a
inclusão e p o eção da c iança
Qual ocê acha que de e ia se a
espos a nas escolas con a a
disc iminação, a iolência e es e
ipo de inciden es elacionados com
es udan es muçulmanos?
•
Na minha opinião, se alguma coisa
acon ece na escola con a os
es udan es muçulmanos, a escola
p ecisa explica -lhes que odas as
pessoas êm o di ei o de p a ica a
sua eligião.
En e is a Con ex ual III
(Ma ínez
Espinosa, 2024 p.20 )
Como Pa icia Je ónimo c iou um
design de se iço pa a o di ei o da
amília, "a c ença e o cep icismo
que o ca ac e izam hoje é que se
a a de um di ei o que é apenas
eo icamen e secula , apenas
eo icamen e pu o". (Jé onimo,
2001 p.195)
4. P omoção de compe ências
e lexi as.
Que a i idades as escolas p ecisam e
pa a p omo e a e lexi idade e o
pensamen o c í ico sob e o ensino do
Islã e de qualque eligião hoje?
•
A escola de e ia e li os de odas
as eligiões na biblio eca pa a os
alunos que desejam ap ende sob e
ou as eligiões e de e ia e salas
ex as pa a o a como um
es udan e muçulmano gos a ia de
o a ao mesmo empo.
En e is a
Con ex ual III (Ma ínez Espinosa,
2024 p.21)
C ie um modelo de se iço dos
manuais escola es de educação
eligiosa/é ica ou cí ica ou dos
a igos sob e a p ese ação cul u al
da escola pa a ajuda as amílias a
comp eende o que é impo an e
pa a elas em elação à
mul icul u alidade.
5. P opos as uncionais pa a os
se iços escola es e mediação
cul u al.
Qual se ia uma solução como
p odu o ou se iço en e a
comunidade
muçulmana/es udan es
muçulmanos em escolas públicas
ou p i adas?
•
Ha e in e locu o es en e as
comunidades. Ten a gos a pela
música, desen ol e e en os
cul u ais, mul icul u ais e
in e cul u ais.
En e is a Con ex ual
IV
(Ma ínez Espinosa, 2024 p.22)
C ie um design de se iço
mul icul u al com menus
elabo ados em conjun o ou música
ao i o pa a explo a e conec a -se
com ou as cul u as.
As p á icas de pedagogia inclusi a num espaço educa i o pa a o Design de Se iços passam pela ge ação de
polí icas inclusi as em conjun o com o Design pa a Se iços, u ilizando as ins alações e os ma e iais que a
escola já possui pa a as implemen a . A in eg ação da di e sidade eligiosa num cu ículo p é-uni e si á io pode
se abo dada em wo kshops sob e igualdade de géne o não só na comunidade po uguesa, mas ambém nas
di e sas comunidades muçulmanas. Exis em á ias pales as e con e ências TED sob e a impo ância do Islão
127
subje i os podem se mapeados e iden i icados melho pelos es udos ocados no Bullying. O bullying como
concei o uni e sal é mais a aen e pa a o Design de Se iços do que a Islamo obia de ido à al a de
conhecimen o e pensamen o c í ico nou as á eas. O excessi o mé odo cien í ico laico pode ambém silencia
os pos ulados eó icos de di e en es sociólogos e e nóg a os po que o p oblema de acei ação epis émica de
imig ação de di e en es países chegou a Po ugal há ela i amen e pouco empo, azão pela qual ambém não
se e le e no meio académico e, po ém, na opinião pública e polí ica do mundo do design no Islão. A maio
limi ação do meu es udo é o peso polí ico e o p econcei o em que e abalha com g upos ulne á eis po que,
pa a di e en es g upos, ambém exis e disc iminação en e muçulmanos com base no es a u o económico. Os
con ex os de gue a e as na a i as mediá icas con o e sas ac escen am peso e pode à esc i a c í ica sob e
a Islamo obia como um p oblema sis émico, o que o na a si uação mais descon o á el pa a quem sabe que
algo pode se ei o pa a a mi iga . Realiza um es udo sob e a islamo obia pode ambém se abalha com
ensões não esol idas.

128
5.1 Conclusões do es udo
Uma p esc ição polí ica que abo de os danos mo ais mul iní el, a di amação e, em casos mais ex emos, os
a aques ísicos a pessoas e bens conside ados aliados ao Islão pa ece a opção mais jus a. De e ha e abe u a
à omada de decisões hie a quizadas, desde o go e no po uguês às escolas mais pob es e aos espaços
ma ginalizados de odo o país. As polí icas educa i as que isam o comba e p o undo da Islamo obia e o
es abelecimen o de p o ocolos con a o bullying cons i uem um pon o de pa ida essencial ace a um es ado
anómico e insegu o, que limi a as possibilidades de in e enção an o ideológica como es a égica. Nes e
con ex o, o design de se iços es á no cen o des e es udo como e amen a de ans o mação es u u al. A
e icácia das soluções pa a a Islamo obia depende em g ande pa e do g au de pa icipação mul iní el no seu
diagnós ico, adap ação e implemen ação.
Como in es igado , posso a i ma e conclui que o design de se iços pode isualiza es a egicamen e onde
há e pode ha e alhas es u u ais em elação ao bullying que exis e nas escolas, especi icamen e con a alunos
muçulmanos, mas a Islamo obia en e alunos imig an es ou muçulmanos isí eis é um sin oma de um
p oblema mais p o undo em elação à psicologia social, comuni á ia e compo amen al do espec ado e da
ins i uição que pe mi e aos ag esso es escapa impunes das suas ações. Es a é a agilidade ecológica ou
ecossis émica que exis e na iolência de um aluno pa a ou o ou de um p o esso pa a um aluno. O caso de
andalismo da loja de ca ne Halal do Ha iz, o a amen o negligen e de es udan es isi elmen e muçulmanos
no Bangladesh, a al a de in o mação in e cul u al en e países e a al a de um espaço ísico alam mais de uma
Islamo obia comuni á ia e de in isibilidade social nas polí icas educa i as do que os casos isolados de a aques
a es udan es "
isi elmen e muçulmanos
” é abalha em ensões não esol idas que az a di e ença no design
de se iços: p ocu ando comp eende de o ma é ica, in o mal e humana as eais necessidades das pa es
in e essadas (nes e caso, as amílias de e ugiados e es udan es muçulmanos) não só em elação à islamo obia
no seu signi icado semân ico subje i o e in e pessoal, mas ambém ao concei o de bullying como um concei o
uni e sal. A azão pela qual nes a disse ação exis em 13 subcapí ulos de mais de 3 á eas in e disciplina es
an es de se chega ao Design de Se iço é cla a; não exis e uma solução única e ácil pa a lida com a
Islamo obia nas escolas sem abalho em equipa e meios pa a en e is a e coc ia soluções e icazes em empo
eal.
Tal ez o que es amos a e como público e eu como in es igado seja uma no a o ma de bullying
inspi ada no o ien alismo de décadas e ge ações an e io es. Encon ei a pala a “
e nodoxia
“no es udo
de Vyachesla e Elena (2012) no semes e seguin e a "
Islamo obia no Design Pa icipa i o (2024)
",
enquan o en a a encon a os e mos ce os pa a odos os comen á ios i acionais e "
jus i icações
"
sob e o po quê de "
o Islão se uma eligião ou dou ina in e io às ou as
". Como in es igado , i e de
129
me dis ancia daquelas na a i as con o e sas que e idenciam cla amen e a ep odução de discu sos
hegemónicos sob e a "
ciência
" ou o "
bem comum
", o "
bem-es a pessoal
" ou, nos pio es casos, a
"
saúde men al
"65 . Te um co po es udan il igualmen e cúmplice na ep odução des es discu sos
con o e sos implica ambém não só uma lacuna, alha ou apa ia no pensamen o c í ico, mas ambém
uma alha nos cu ículos educa i os que de e iam inclui o Islão. Há ambém uma apa ia ma can e e
um desejo de con o na as medidas an ibullying. Como in es igado , conco do com os es udos de Dan
Olweus (1993) onde os pais ou u o es legais não podem da demasiada libe dade ou au onomia a
uma c iança se es agam a con iança ins i ucional com demons ações de bullying con a mino ias. Ao
c ia es e es udo, não es ou a suge i que não de a ha e medidas en e e pa a os alunos muçulmanos
em casos de bullying ecíp oco, mas não há desculpa pa a desumaniza um g upo em a o de ou o,
como p opos o po Vyachesla e Elena (2012) no seu es udo de e nodoxia compa ando a Ig eja
O odoxa Russa com ou as c enças e eligiões.
A e nodoxia, enquan o iloso ia ou enquan o es ilo de ida, ca ego iza e ende a en ol e , com discu sos
educionis as, udo o que é complexo ou udo o que en ol e pensamen o c í ico sob e o que é "
a zona cen al
"
das adições, símbolos, alo es e c enças do Islão em elação à eligião de acolhimen o ou maio i á ia e à
p óp ia c ença. Como não há conhecimen o básico ou desa ian e na epis emologia do signi icado do Islão de
um aluno pa a ou o, o pensamen o do in ole an e ou ag esso não consegue o ganiza eologicamen e qual a
c ença melho que a ou a e en ão despe a s ess c ónico no aluno no pensamen o que pode despe a a
"
Islamo obia
". Rees u u a ca ego ias, p econcei os, usos e cos umes de um po o e nação em de imen o de
ou o não é a e a ácil, nem mesmo pa a a p óp ia academia, pois o Islão é ambém uma eligião pa icula is a
(e não monolí ica como se ac edi a) como p opõe o Runnymede T us (1999). É aqui que eside a complexidade
do design de se iços em o na isí el a iqueza do Islão como algo posi i o na his ó ia esquecida de Po ugal,
sem descu a as pa es in e essadas que p ecisam de se ali iadas das ensões que su gem ao se em
disc iminadas e elegadas pa a segundo plano po se em "
isi elmen e muçulmanas
". Concluo que desa ia o
pensamen o e nodóxico não só a a és do design de se iços, mas ambém a a és de li e a u a e
documen ação icas em his ó ia eal sob e a con ibuição do Islão pa a Po ugal pode ajuda os alunos a
encon a paz no seu pensamen o. O design de se iços é a desculpa pa a con inua os es udos pa a melho
isualiza uma escola mais jus a e um mundo mais jus o.
65 Es a ejeição, mais do que écnica, e ela um azio é ico na o ma como alguns designe s de se iços decidem onde ac ua no
e eno: a di iculdade de abo da injus iças p o undas sem as eduzi a "
p oblemas de se iço
". O papel do in es igado , nes e caso,
não é o de con o a os sis emas, mas sim o de os ilumina c i icamen e, e es a opção, ainda que soli á ia, é essencial pa a ans o ma
o design e as p á icas educa i as. O silêncio ins i ucional ala mais nega i amen e da ins i uição do que da qualidade de ida dos seus
alunos.
130
5.2 Recomendações pa a as polí icas educa i as
As polí icas escola es não de em oca -se na eligião, mas sim nos a aques, no bullying e na exclusão de g upos
que não sabemos se o am ou não mo i ados pela eligião. As polí icas escola es de em decla a explici amen e
a libe dade de c ença e de eligião não como um a do social e emocional, mas como um di ei o humano. Uma
polí ica e icaz con a o bullying de e oca -se nas necessidades e nos ajus es compo amen ais baseados em
e idências iá eis e e dadei as. O modelo de go e nação educa i a de e se coc iado com impo an es
in e enien es da sociedade ci il no sen ido de uma polí ica jus a pa a odos. Inclui o Islão de o ma na u al e
inclusi a no cu ículo de sociologia, iloso ia e his ó ia como um con ibu o ico que moldou Po ugal du an e
500 anos, quando o país e a habi ado pelas ibos do No e de Á ica “
os mou os
” com uda a epa ação
his ó ica e le ada com uma e o mulação de conhecimen o a ualizada é uma boa p á ica inclusi a a longo p azo
nos cu iculums escola es. Inclui a i idades que p omo am a di e sidade conjun a com e lexi idade nas
elações in e g upais de e se uma polí ica na o mação de p o esso es, uncioná ios e assis en es sociais. As
polí icas educa i as de em ambém se esponsi as e moni o izadas nos pa ques in an is e o a deles, com
a enção aos compo amen os p ejudiciais que podem e olui pa a bullying sis émico.
As polí icas educa i as de em ajuda a es au a os di ei os humanos dos alunos e a coloca as suas
necessidades no cen o da agenda. Uma escola oco no ensino dos es udos sociais e ciências polí icas em
escolas ma ginalizadas ou economicamen e ma ginalizadas é uma á ea de opo unidade não só pa a o Design
de Se iços, mas ambém pa a p o esso es e amílias que se sen em não ep esen ados po uma cul u a óxica,
como o bullying e a islamo obia.
5.3 Suges ões pa a in es igação sob e a in e secção en e bullying e
Islamo obia
Concluo que o concei o de e nodoxia, a c ença de que exis em sociedades e cul u as supe io es às ou as, é
um concei o pe igoso se se encon a no imaginá io colec i o de um co po docen e que pe mi e e ep oduz
discu sos con o e sos sob e a Islamo obia. A eo ia da anomia de Du kenheim pa ece se a eo ia mais
ap op iada pa a o que se passa ago a em Po ugal com o aumen o dos a aques de ódio con a imig an es
muçulmanos em bai os seg egados. A pe da de alo es, obje i os e missão nas escolas c ia uma es anha
in e seção no compo amen o dos alunos po que não abo da o bullying e, sem sensibilidade cul u al, a
Islamo obia. Es a in e secção ou p oblema pe e so pode se mapeado a a és do Design de Se iços, mas
abalhando em mul issis emas complexos, onde as a iá eis se ão um desa io pa a o in es igado e as pa es
131
in e essadas, pa a consegui pad oniza compo amen os e locais onde o bullying e a Islamo obia podem se
encon ados. Exis e uma incógni a em o no da in ole ância e da ag essão do abuso de pode islamo óbico, ou
seja, que ipo de pessoa pode se conside ada islamo óbica não oi explo ado no meio académico. Como
in es igado , não sei se há p o esso es ou alunos que sejam abe amen e islamó obos, a não se que eles
p óp ios o digam, ou que haja um a aque d amá ico con a a população; é isso que o o na ão o e en o
pe u bado . As publicações independen es sob e islamo obia, como os es udos c í icos e sociais, de em se
enco ajadas pa a melho a comp eende e pe cebe as endências na sociedade a ual. A in e secção en e a
Islamo obia e o bullying den o da escola e o a dela com as amílias pode o na -se um enómeno legal quando
se lida com g andes populações. Es a in e secção en e Islamo obia e bullying es á in imamen e ligada ao
conhecimen o, à o mação e à expe iência pessoal numa pe spec i a ins i ucional e educa i a, o que anda de
mãos dadas com o ní el de pa icipação não só da adminis ação e dos p o esso es, mas ambém dos p óp ios
alunos que desap ende am es a in ole ância. C ia signi icados do Islão, an o posi i os como nega i os, sem
adul ismo en e os es udan es é a polí ica e o mo imen o onde o Design de Se iços de e a ua . O Design de
Se iços não de e es a di o ciado de con ex os dis in os, não só cul u ais, mas ambém económicos e
his ó icos, pa a pode muda ou c ia e lexi idade na á ea de a uação de uma escola. A in es igação sob e o
bullying e a islamo obia em o igem numa adição his ó ica e polí ica que anscende os ac uais a aques
poli izados nos meios de comunicação de massa. São necessá ias mais pesquisas sob e como c ia iloso ias
neo undamen alis as que comba am a islamo obia em es udan es esilien es.
5.4 Suges ões pa a designe s de se iços in e essados em ans o ma
a educação
Há uma se iedade em abo da a ques ão da educação com e em g upos ulne á eis, como os imig an es e
e ugiados de eligião muçulmana em Po ugal. Sugi o que a abo dagem i iólica e ca egada de emoção aos
ag esso es não esol e o p oblema; pelo con á io, p ejudica a in es igação po que des ói a coesão social de
uma escola. Exis em ou os p oblemas g a es elacionados com o bullying nas escolas pa a além da
islamo obia. Conclui que a islamo obia exis e em ambien es educacionais de ido à a o ia es a égica que exis e
no ma ke ing de se iços que in luenciam a escola e aos es udan es sendo edes sociais o maio exemplo de
exclusão epis émica. Concluo que o ma ke ing de se iços de e ia se mais es udado no meio académico como
ca alisado de mudança pa a muda nesses p econcei os, po que a Islamo obia ins i ucional alimen a-se des e
silêncio. Es e documen o o nece o ien ações e conselhos su icien es pa a o comba e em conjun o com o
ensino supe io .
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