Luísa Ma ia dos San os Ca alho
Educação pa a a ecoé ica: das conceções
às necessidades o ma i as de p o esso es
de Biologia e Geologia
dezemb o de 2024
Educação pa a a ecoé ica: das conceções às necessidades
o ma i as de p o esso es de Biologia e Geologia
Luísa Ma ia dos San os Ca alho
UMinho|2024
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Es e abalho é inanciado po undos nacionais e pelo Fundo Social
Eu opeu (FSE) a a és da FCT - Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia,
I. P., no âmbi o do p oje o 2020.05302.BD, com o iden i icado DOI
10.54499/2020.05302.BD.
Luísa Ma ia dos San os Ca alho
Educação pa a a ecoé ica: das conceções
às necessidades o ma i as de p o esso es
de Biologia e Geologia
dezemb o de 2024
Tese de Dou o amen o
Dou o amen o em Ciências da Educação
Especialidade de Educação em Ciências
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o Luís Dou ado
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-Compa ilhaIgual
CC BY-NC-SA
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Exp esso a minha g a idão a odos aqueles que, de alguma o ma, pe mi i am que es a in es igação se
conc e izasse.
Ao Dou o Luís Dou ado, pelos ensinamen os e dedicação na o ien ação des a ese, pela mani es ação
de incondicional apoio e disponibilidade, pelo companhei ismo nos momen os bons e nos menos bons,
ao longo des e longo pe cu so, que me pe mi i am c esce e con ibuí am ce amen e pa a a melho ia
da qualidade da p esen e in es igação.
À P o esso a Dou o a Lau inda Lei e, po me ajuda semp e que p ecisei, po odos os ensinamen os
an es e du an e a ealização des a ese, pelo igo , a enção ao de alhe e inspi ação pa a se semp e
melho p o issional, capacidades que p ocu ei ap ende e que o am essenciais pa a o desen ol imen o
da mesma.
À P o esso a Ma ia José Va andas, pela disponibilidade e pela gene osidade na pa ilha de
conhecimen os no âmbi o da é ica ambien al, que mui o con ibuí am pa a a qualidade des a ese.
À Dou o a So ia Mo gado, pela amizade, pelos conselhos e pelas lei u as a en as, que mui o con ibuí am
an o pa a a mo i ação pa a ealiza a mesma, como pa a a sua qualidade.
Ao Paulo, pelo cons an e in e esse e impo ância a ibuídos à emá ica des a ese, e pelo pensamen o
lógico na discussão de ideias nas con e sas in e miná eis sob e o assun o da mesma.
Ao meu ilho, à minha mãe e ao meu i mão, pelo apoio, pela paciência e pelo ca inho.
Aos di e o es das escolas e aos p o esso es que acei a am colabo a nes a in es igação, pe mi indo a
ob enção dos dados necessá ios pa a a ealização da mesma.
Aos especialis as e p o esso es que pa icipa am na alidação de ins umen os, pela sua con ibuição
pa a melho a a qualidade dos mesmos.
À Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, po e apoiado es a in es igação, no âmbi o da Bolsa de
Dou o amen o com a e e ência 2020.05302.BD, na qual a mesma se in eg a.
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
EDUCAÇÃO PARA A ECOÉTICA: DAS CONCEÇÕES ÀS NECESSIDADES FORMATIVAS DE
PROFESSORES DE BIOLOGIA E GEOLOGIA
Resumo
A ecoé ica es uda a elação mo al dos se es humanos com o ambien e e co esponde a uma
e lexão acional sob e qual de e se essa elação. A educação pa a a ecoé ica p essupõe uma e lexão
sob e como i e , como aze escolhas ambien ais e como pensa nas consequências das a i idades
humanas. P o esso es que educam pa a a ecoé ica êm a possibilidade de o ma cidadãos e lexi os,
c í icos e dinâmicos, que se sin am pa e in eg an e do ambien e e que sejam capazes de a alia
a gumen os sob e a melho o ma de agi em elação ao mesmo. Pa a p omo e es a e lexão, os
p o esso es de em es a ap os a leciona assun os elacionados com ecoé ica nas suas disciplinas,
necessi ando de e , pa a isso, uma o mação adequada nes e domínio. Des e modo, conside ou-se
pe inen e in es iga se os p o esso es de Biologia e Geologia, que lecionam no 3.º ciclo do ensino básico
e no ensino secundá io, es ão, ou não, p edispos os e p epa ados pa a leciona assun os elacionados
com ecoé ica. Pa a esse e ei o, oi ealizado um es udo com p o esso es de Biologia e Geologia, em
exe cício de unções, a leciona em Escolas/Ag upamen os de Escolas públicos de Po ugal con inen al.
Pa a ecolhe os dados, oi elabo ado um ques ioná io, des inado ao público-al o mencionado, ao qual
esponde am 293 p o esso es. Com o in ui o de ap o unda os esul ados ob idos com a aplicação do
e e ido ques ioná io, o am ealizadas, ambém, en e is as a 10 p o esso es com as mesmas
ca a e ís icas. Os esul ados ob idos suge em que, embo a es es p o esso es, na gene alidade, pa eçam
conside a como ele an es á ios p oblemas ambien ais a uais, a sua maio ia em um conhecimen o
pouco ap o undado sob e o concei o de ecoé ica. Além disso, ainda que a maio ia dos p o esso es
conside e que abo da p oblemas ambien ais em pe spe i a é ica nas aulas, admi em, de modo ge al,
que a ecoé ica é pouco en a izada nos cu sos de o mação inicial e con ínua de p o esso es de Biologia
e Geologia. Conside am, ainda, que os alunos e minam os es udos com o mação insu icien e pa a o
exe cício de uma cidadania ambien almen e esponsá el, suge indo al e ações ao ní el dos documen os
cu icula es e da o mação inicial e con ínua de p o esso es pa a colma a es a lacuna e e o ça a
inclusão des es assun os. Es es esul ados podem con ibui pa a a melho ia da o mação de p o esso es
de Biologia e Geologia, em assun os elacionados com ecoé ica, pa a que es es possam, de o ma
indi e a, da o seu con ibu o pa a a esolução dos p oblemas ambien ais.
Pala as-Cha e: conceções sob e ecoé ica; necessidades o ma i as em ecoé ica; opiniões sob e
educação pa a a ecoé ica; p o esso es de Biologia e Geologia; ep esen ações de
p á icas no ensino de ecoé ica.
i
EDUCATION FOR ECOETHICS: FROM CONCEPTIONS TO THE TRAINING NEEDS OF BIOLOGY AND
GEOLOGY TEACHERS
Abs ac
Ecoe hics s udies he mo al ela ionship be ween human beings and he en i onmen and is a a ional
e lec ion on wha his ela ionship should be. Educa ion o ecoe hics p esupposes e lec ion on how o
li e, how o make en i onmen al choices and how o hink abou he consequences o human ac i i ies.
Teache s who educa e o ecoe hics ha e he oppo uni y o ain e lec i e, c i ical and dynamic ci izens
who eel an in eg al pa o he en i onmen and who a e able o e alua e a gumen s abou he bes way
o ac in ela ion o i . In o de o p omo e his e lec ion, eache s mus be able o add ess issues ela ed
o ecoe hics in hei subjec s, and o his hey mus ha e adequa e aining in his ield. The e o e, i was
conside ed pe inen o in es iga e whe he o no Biology and Geology eache s who each in he 3 d
cycle o basic educa ion and seconda y educa ion a e p edisposed and p epa ed o each subjec s ela ed
o ecoe hics. To his end, a s udy was conduc ed wi h Biology and Geology in-se ice eache s, eaching
in public schools/school g oups in mainland Po ugal. To collec he da a, a ques ionnai e was d awn up
o he a o emen ioned a ge audience, o which 293 eache s esponded. In o de o deepen he esul s
ob ained om he ques ionnai e, in e iews we e also ca ied ou wi h 10 eache s wi h he same
cha ac e is ics as he p e ious ones. The esul s ob ained sugges ha al hough hese eache s gene ally
seem o assign impo ance o se e al cu en en i onmen al p oblems, mos o hem ha e li le in-dep h
knowledge o he concep o ecoe hics. Fu he mo e, al hough mos o he eache s conside ha hey
app oach en i onmen al p oblems om an e hical pe spec i e in hei classes, hey gene ally admi ha
ecoe hics is no su icien ly emphasised in he ini ial and ongoing aining cou ses o Biology and Geology
eache s. They also belie e ha s uden s inish hei s udies wi h insu icien aining o exe cise
en i onmen ally esponsible ci izenship, sugges ing changes o cu icula documen s and changes o
ini ial and ongoing eache aining o ill his gap and s eng hen he inclusion o hese subjec s. These
esul s could con ibu e o imp o ing he aining o Biology and Geology eache s in subjec s ela ed o
ecoe hics, so ha hey can indi ec ly con ibu e o sol ing en i onmen al p oblems.
Keywo ds: Biology and Geology eache s; concep ions o ecoe hics; opinions on educa ion o ecoe hics;
ep esen a ions o p ac ices in eaching ecoe hics; aining needs in ecoe hics.
ii
ÍNDICE
Pág.
Di ei os de au o e condições de u ilização do abalho po e cei os ….……………………….……
ii
Ag adecimen os ……………………………………………………………………………………………...……..
iii
Decla ação de in eg idade ……………………………………………………………………………………….
i
Resumo ………………………………………………………………………………………………………………..
Abs ac ………………………………………………………………………………………………………………..
i
Índice …………………………………………………………………………………………………………………..
ii
Lis a de abelas ……………………………………………………………………………………………………..
x
Lis a de ab e ia u as ………………………………………………………………………………………………
xiii
CAPÍTULO I - CONTEXTUALIZAÇÃO E APRESENTAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO
1.1. In odução ……..………………………………………………………………………………………………
1
1.2. Con ex ualização da in es igação ………………………………………………………………………..
1
1.2.1. Relação do se humano com o ambien e …………………………………………………….
1
1.2.2. A educação em ciências e a educação pa a a ecoé ica ………………………………….
6
1.2.3. O p o esso de ciências e a educação pa a a ecoé ica …………………………………..
11
1.3. Obje i os de in es igação …………………………………………………………………………………..
15
1.4. Impo ância da in es igação ………………………………………………………………………………
16
1.5. Es u u a ge al da ese ……………………………………………………………………………………..
17
CAPÍTULO II - REVISÃO DE LITERATURA
2.1. In odução ………………………………………………………………………………………………………
20
2.2. Ecoé ica …………………………………………………………………………………………………………
20
1
CAPÍTULO I
CONTEXTUALIZAÇÃO E APRESENTAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO
1.1. In odução
O p imei o capí ulo em como obje i o con ex ualiza e ap esen a a in es igação desen ol ida.
Encon a-se di idido em cinco subcapí ulos. Após a p esen e in odução (1.1.), é ei a a con ex ualização
ge al da in es igação (1.2.). De seguida, ap esen a-se o obje i o ge al da p esen e in es igação e os
obje i os especí icos a ele associados e que o ien am a in es igação (1.3.). No pon o seguin e é abo dada
a ele ância da in es igação desen ol ida (1.4.), desc e endo-se, depois, a es u u a ge al da ese (1.5.),
onde se ap esen a, de o ma esumida, o assun o a ado em cada um dos cinco capí ulos que a
cons i uem.
1.2. Con ex ualização da in es igação
A con ex ualização da in es igação incide em ês ópicos conside ados ele an es pa a
undamen a a pe inência da mesma. Assim, começa-se po abo da a elação do se humano com o
ambien e (1.2.1.). De seguida, oca-se a educação em ciências e a educação pa a a ecoé ica (1.2.2.),
no sen ido de explici a como es as duas á eas podem da o seu con ibu o pa a a esolução de
p oblemas ambien ais. Po im, abo da-se o papel do p o esso de ciências na educação pa a a ecoé ica
(1.2.3.), discu indo-se a impo ância do seu papel pa a a o mação dos alunos nes e âmbi o, enquan o
cidadãos a i os e conscien es ambien almen e.
1.2.1.
Relação do se humano com o ambien e
A elação en e o Homem e o ambien e em sido ma cada po um p og essi o a as amen o,
mo i ado pelo p óp io se humano, numa pe spe i a cada ez mais cen ada em si p óp io, de aco do
com os seus in e esses, e cul i ando uma supe io idade ela i amen e ao ambien e (Ne es & So omenho-
Ma ques, 2017). O equilíb io ambien al em sido, assim, cons an emen e a e ado (Ka akaya & Yılmaz,
2
2017; U ey e al., 2009) po ações an opocên icas (McShane, 2009; Mnassa , 2015; Omoogun e al.,
2016). Alguns ma cos como a e olução cien í ica, o desen ol imen o de uma sociedade o ien ada pa a
a indús ia e, mais ecen emen e e de maio impac o, a sob epopulação, na sequência da duplicação da
população após a Segunda Gue a Mundial, co espondem a ações que es ão na o igem de p oblemas
ambien ais (Ga dine & Thompson, 2017), que con inuam a ualmen e a ag a a -se, como as mudanças
climá icas e o uso excessi o de ecu sos na u ais (consequen es do uso de combus í eis ósseis e do
uso inadequado de água e comida) (Cai ns, 2012; Sandle , 2018). Como esul ado, o plane a em sido
ma cado pela deg adação da qualidade do a , pela emissão de gases e ei o de es u a, pela diminuição
da biodi e sidade e des uição de
habi a s
, en e an os ou os danos (Coch ane, 2006; Ka a aş, 2014;
Yalmancı & Gözüm, 2019).
No sen ido de con a ia es e pano ama, nas úl imas décadas, êm sido ei os es o ços pa a ale a
pa a es es p oblemas ambien ais e pa a os seus impac os (Sandle , 2018). Es e econhecimen o da
exis ência de p oblemas ambien ais globais conduz ao despe a de uma consciência ambien al, com
is a à ( e)in eg ação do Homem na na u eza (Ne es & So omenho-Ma ques, 2017), dado que cada se
humano é pa e in eg an e de um luga na u al (Boylan, 2014). Assim, numa en a i a de esolução de
p oblemas ambien ais, su ge a necessidade de ealização de ações em de esa do ambien e e da
biodi e sidade (Sandle , 2018). Nes e sen ido, a ní el mundial, é possí el assinala alguns ma cos de
g ande impo ância em e mos ambien ais, a que seguidamen e se a á e e ência. A Con e ência de
Es ocolmo, em 1972, a p imei a g ande eunião de Che es de Es ado o ganizada pelas Nações Unidas
(ONU) pa a a a das ques ões elacionadas com a deg adação do ambien e, numa en a i a de melho a
a elação do se humano com o mesmo, p ocu ando man e o equilíb io en e o desen ol imen o
económico e a edução da deg adação ambien al. A Con e ência de Tbilisi (p imei a Con e ência
In e go e namen al sob e Educação Ambien al), em 1977, onde se es abelece am as bases da educação
ambien al a ní el global, sendo um ma co pa a o desen ol imen o de polí icas e p á icas na á ea,
p omo endo a educação ambien al como um aspe o c í ico da o mação educacional em odos os ní eis.
Fo am de inidos obje i os ela i amen e à p omoção da consciencialização sob e ques ões ambien ais,
ao desen ol imen o de conhecimen os e habilidades pa a abo da desa ios ecológicos, e ao incen i o de
desen ol imen o de alo es e a i udes que sus en em ações esponsá eis em p ol do ambien e.
Mais a de, a Cimei a do Rio, em 1992, oi pa icula men e impo an e, dado que oi ado ada a
Con enção-Quad o das Nações Unidas sob e as Al e ações Climá icas [Uni ed Na ions F amewo k
Con en ion on Clima e Change, UNFCCC] (Uni ed Na ions, 1992), com o obje i o de es abiliza as
concen ações de gases com e ei o de es u a na a mos e a, endo a adesão de um g ande núme o de
3
países. Também o su gimen o das Con e ências das Pa es (COP), ealizadas anualmen e, e cuja
p imei a edição e e luga em 1995, oi um impo an e ma co, pois e e e em como p incipais obje i os
comba e as al e ações climá icas. No âmbi o da COP3, em 1997, o P o ocolo de Quio o, o p imei o
a ado ju ídico in e nacional, p e endia explici amen e limi a as emissões quan i icadas de gases com
e ei o de es u a dos países desen ol idos. A Cimei a de Joanesbu go, em 2002, ma ca a in enção dos
líde es de Es ado e Go e no de a alia as me as globais an es de inidas pa a a p ese ação ambien al e
o desen ol imen o dos Es ados, con emplando, pa a além da p ese ação ambien al, a e adicação da
ome, o acesso à saúde, saneamen o e água po á el, bem como à educação.
Da COP21, em 2015, esul ou o Aco do de Pa is, um a ado in e nacional ju idicamen e
incula i o sob e as al e ações climá icas, p oblema ambien al de g ande des aque, ap esen ando-se
como um ma co no p ocesso mul ila e al sob e as al e ações climá icas po que, pela p imei a ez, um
aco do incula i o eúne odas as nações pa a comba e as al e ações climá icas e adap a -se aos seus
e ei os (Uni ed Na ions, 2015). Nas mais ecen es Con e ências das Pa es (COP26, COP27 e COP28),
o am, na p imei a (COP26), deba idas impo an es ques ões sob e o ambien e e as al e ações
climá icas, econhecendo as a uais c ises globais e a necessidade de p o ege , conse a e es au a a
na u eza e os ecossis emas (Moosmann e al., 2021), bem como, na segunda (COP27), a g a idade da
eme gência climá ica que o plane a en en a, p omo endo medidas que pe mi am a e iciência ene gé ica
e ecnologias amigas do ambien e (Moosmann e al., 2022). A e cei a (COP28) oi pa icula men e
impo an e, dado que ma cou a conclusão do p imei o balanço global dos es o ços do mundo pa a
en en a as al e ações climá icas no âmbi o do Aco do de Pa is (COP21), concluindo que os p og essos
ei os a é ao momen o não e am su icien es em odos os domínios da ação climá ica, desde a edução
das emissões de gases com e ei o de es u a a é ao e o ço da esiliência às al e ações climá icas,
passando pelo apoio inancei o e ecnológico às nações ulne á eis (Healy e al., 2023). En e ou as
medidas, os ep esen an es dos países en ol idos comp ome e am-se a acele a a ação em odos os
domínios a é 2030, incluindo a ansição dos combus í eis ósseis pa a ene gias eno á eis (Healy e al.,
2023).
Ou o ma co impo an e, mais ecen e, pa a esolução de p oblemas ambien ais globais, oi a
conc e ização do Aco do Ve de Eu opeu, em 2019, uma es a égia pa a que a UE se o ne o p imei o
con inen e com impac o neu o no clima a é 2050 e dissocie o c escimen o económico da u ilização dos
ecu sos na u ais, bem como aumen e a sensibilização pa a inicia i as de educação e o mação
ambien al e educação pa a o desen ol imen o sus en á el (Eu opean Union, 2022). Es e aco do az pa e
da es a égia da Comissão Eu opeia pa a aplica a Agenda 2030 das Nações Unidas e os Obje i os de
4
Desen ol imen o Sus en á el (ODS). Es es úl imos (ODS), decididos pelos Che es de Es ado e de Go e no
e Al os Rep esen an es, na Assembleia Ge al A/RES/70/1, de 25 de se emb o de 2015 – “T ans o ma
o nosso mundo: a Agenda 2030 pa a o Desen ol imen o Sus en á el”, são conside ados um conjun o
de obje i os e me as uni e sais e ans o mado as pa a alcança um u u o melho pa a odos, assumidos
po 193 países. Fo am c iados como um apelo à ação, en ol endo odos os países, pa a p omo e a
p ospe idade e a p o eção da Te a. Es es obje i os p e endem a e adicação da pob eza, que de e se
acompanhada de es a égias que p omo am, pa a além do c escimen o económico, uma sé ie de
necessidades sociais, como a saúde e a educação, enquan o se comba em as al e ações climá icas e se
azem es o ços com is a à p ese ação dos ecossis emas e à p o eção do ambien e em ge al (Ins i u o
Ma quês de Valle Flô , 2020).
A ní el nacional, embo a o ambien alismo, em Po ugal, emon e aos anos 50, a sua exp essão
nas polí icas go e namen ais só ganhou maio ampli ude na década de 70, p o enien e de p essões
ex e nas, no quad o da União Eu opeia (UE), e não u o de uma população exigen e nes e sen ido
(Almeida, 2007; Teixei a, 2012). A ealidade po uguesa após a Segunda Gue a Mundial e a di e en e
das es an es ealidades eu opeias, na medida em que, ma cada pelo Regime do Es ado No o, exis iam
p eocupações que se sob epunham ao ambien alismo, nomeadamen e o baixo ní el de escola idade da
população e anal abe ismo, no ge al, e o desemp ego e a pob eza, que e am conside ados p oblemas
p io i á ios (Almeida, 2007). Ainda assim, Po ugal em es ado semp e p esen e nes es ma cos,
p ocu ando con ibui pa a a esolução des es p oblemas.
Apesa de odos es es es o ços e medidas, ao longo do empo, g ande pa e dos p oblemas
ambien ais pe sis e. Como espos a à c ise ambien al, uma das á eas de in e enção nes a necessá ia
mudança de pa adigma é, p ecisamen e, a educação, enquan o e amen a essencial pa a p omo e
uma consciência ecológica e ambien al, pa indo dos alunos, que, u u amen e, se ão os cidadãos
in e enien es e deciso es. Com o p opósi o de sensibiliza pa a os p oblemas ambien ais que se aziam
sen i , su ge, em 1947, a educação ambien al (Fang e al., 2023; In e na ional Union o Conse a ion
o Na u e, 1970). Es a pode se de inida como um p ocesso que p oduz uma cidadania conhecedo a do
ambien e bio ísico e dos p oblemas que lhe es ão associados, conscien e da o ma como pode ajuda a
esol e esses p oblemas e mo i ada pa a abalha pa a a sua solução (Fang e al., 2023; In e na ional
Union o Conse a ion o Na u e, 1970). Assim, os obje i os da educação ambien al passam po o ma
cidadãos que enham um conhecimen o p á ico dos sis emas ambien ais, que se p eocupem com os
p oblemas ambien ais e que enham a capacidade de esol e e pa icipa a i amen e na implemen ação
de soluções pa a os mesmos (Fang e al., 2023). Pa a a conc e ização des es obje i os, é ine i á el o
5
ecu so a uma é ica, que con ibui pa a a e lexão e o mulação de a gumen os a a o e con a posições
mo ais e pa a a capacidade de aze julgamen os com e e ência à a aliação de azões (F anck & Osbeck,
2017), indispensá eis pa a oma decisões em si uações conc e as (Sandle , 2018). Nes e sen ido, na
Con e ência de Tbilisi (1977), mencionada an es, indica-se, p ecisamen e, que uma das me as a a ingi
é o ien a o desen ol imen o da consciência sob e como as ações indi iduais e cole i as podem
in luencia a elação en e a qualidade de ida e a qualidade do ambien e e como essas ações esul am
em ques ões ambien ais, que de em se esol idas a a és da in es igação, a aliação, cla i icação de
alo es, omada de decisões e, inalmen e, ação de cidadania (Fang e al., 2023). Pa a que isso seja
possí el, é impo an e ala ga o domínio adicional da é ica, a ibuindo mais ele ância ao seu lado
ambien al (Ne es & So omenho-Ma ques, 2017; Sandle 2018).
Ao longo do úl imo meio século, após o econhecimen o da c ise ambien al global, a ex ensão da
é ica adicional ao ambien e – é ica ambien al – o nou-se pa e da educação cí ica em odo o mundo,
apoiada pelas au o idades e legislação ambien al ( en Ha e & Ne es, 2021). Es a elação é ica do se
humano com o ambien e, que p ocu a e le i pa a, depois, delinea as ob igações mo ais ace a
p eocupações ambien ais (Coch ane, 2006), de ine a é ica ambien al, ambém designada po ecoé ica
(Dall´Agnoll, 2007; Eh lich, 2009; F ench, 2008; Ga cía Gómez Hé as & Rome o Muñoz, 2019; Kwon,
2005; Voino , 2020). A ecoé ica, de inida, de modo ge al, como a e lexão acional sob e qual de e se
a in e ação dos agen es mo ais com os con eúdos não humanos do mundo na u al (Fa ia, 2020; Ilhan,
2013), p essupõe que haja e lexão sob e o signi icado é ico das en idades não i as, i as sem
consciência, i as com consciência, humanas e não humanas, e cole i as, como as espécies e os
ecossis emas (Sandle , 2018). Es a complexidade aduz-se em di e en es pe spe i as de ecoé ica,
guiadas po di e en es alo es, p incípios e undamen os, e o necem di e en es isões na comp eensão
das causas p o undas da c ise ambien al, embo a enham um obje i o comum, o de sal a o plane a dos
p oblemas ambien ais que o assolam e p ese a a ida e qualidade de ida na Te a. Em algumas
dessas pe spe i as, assume-se uma pe ceção do ambien e como pa cei o mo al e de igualdade de
di ei os aos do se humano (A é alo, 2014; Lencas e, 2006; Nasibulina, 2015) e ab ange-se, num
aspe o mais p á ico, a i udes e compo amen os conside ados impo an es pelo Homem quando oma
decisões ace ca do ambien e e dos a o es que o in luenciam (Ka aca, 2007; Ka akaya & Yılmaz, 2017).
Ainda assim, apesa de não se um conhecimen o no o, o lado ambien al da é ica encon a-se
subdesen ol ido, pe sis indo ques ões ela i as ao alo da na u eza (Sandle , 2018), na medida em que
é conside ada secundá ia compa a i amen e com a é ica in e pessoal (Ne es & So omenho-Ma ques,
2017). Pesem embo a os es o ços que êm sido ei os, há décadas, pa a a esolução da c ise ecológica,
6
es a pa ece não es a pa a b e e, pelo que al ez haja uma necessidade de epensa o papel do se
humano no ambien e, sendo impe a i o que es e melho e as suas decisões
sob e
e in e ações
com
o
ambien e (Sandle , 2018). Nes e sen ido, (uma educação pa a) a ecoé ica pode o nece e amen as
aliosas na passagem da e lexão mo al pa a ações e polí icas e icazes a a o do ambien e (Ga dine &
Thompson, 2017), dado que as ques ões ambien ais não são apenas desa ios cien í icos ou ecnológicos,
mas ambém dilemas é icos e ilosó icos. Pa ece se necessá io ado a uma abo dagem mais é ica e
ilosó ica pa a lida com p oblemas ambien ais a uais, como as mudanças climá icas, a ex inção de
espécies ou a poluição, na busca de um equilíb io en e o desen ol imen o humano e a p ese ação
ambien al.
1.2.2.
A educação em ciências e a educação pa a a ecoé ica
A educação em ciências é um impo an e domínio da p á ica, sendo a ciência (e as disciplinas
cien í icas indi iduais) ensinada e ap endida a á ios ní eis em odo o mundo, an o o malmen e –
nomeadamen e, nas escolas –, como a a és de abo dagens mais in o mais, como as que êm luga em
museus de ciência, po exemplo (Tabe & Akpan, 2017). Enquan o domínio de in es igação, p eocupa-
se com o desen ol imen o de conhecimen os sob e a ap endizagem das ciências e o ensino das ciências
que ajudem a comp eende melho os enómenos (Tabe & Akpan, 2017). Tem um papel igualmen e
impo an e no desen ol imen o da comp eensão dos concei os que sus en am as ques ões ambien ais,
le ando, po encialmen e, a um compo amen o a a o do ambien e (Ga ech e al., 2022; Li ledyke,
2008), mais conc e amen e na:
− Resolução de p oblemas ambien ais, dado que os seus p opósi os passam po p omo e , nos
alunos, a cu iosidade sob e o mundo e sob e as ciências (Ha len, 2010; Hodson, 2011);
− Comp eensão de enómenos na u ais (Ha len, 2010; Hodson, 2011);
− P omoção de condições pa a que cada indi íduo ome decisões in o madas, que se e le em em
ações ap op iadas, que a e am o seu p óp io bem-es a e o bem-es a da sociedade e do ambien e
que os odeia (Ha len, 2010; Hodson, 2011);
− Aquisição e desen ol imen o da capacidade e do comp omisso pa a oma medidas ap op iadas,
esponsá eis e e icazes em ques ões elacionadas com o ambien e e p eocupação é ico-mo al
(Hodson, 2011);
7
− Abo dagem de ques ões a uais e ele an es que e idenciem a elação en e as ciências e o
ambien e, acili ando a comp eensão do mundo e con ibuindo pa a o seu bem-es a (Albe s,
2022).
A educação em ciências le an a, en e ou as, ques ões sob e como se de e agi no mundo, que são
ques ões do o o axiológico, elacionadas com a ua de modo in o mado pelos alo es desen ol idos (Tabe
& Akpan, 2017) que indicam sob e o que es á ce o e e ado e o que é bom e mau, com o p opósi o de
a ingi a elicidade e bem-es a , an o da humanidade, em pa icula , como da Te a, em ge al. Pa ece, po
isso, e iden e a necessidade de alinha as o ien ações e
p axis
da educação em ciências com a é ica
ambien al, conside ando con ex os e ealidades sociais, ecnológicas, cul u ais, é icas e polí icas, de o ma
a desen ol e uma cidadania capaz de oma decisões in o madas e esponsá eis (Ped e i, 2014). Pa a o
aze , é necessá io ques iona : o papel do se humano no plane a, as ações do se humano no ambien e
que o odeia, o que se de e aze ela i amen e a algo ou a alguma si uação que le an a ques ões e
p eocupações sob e a mo alidade (o que é ce o ou e ado aze ) e a é ica (as azões e jus i icações pa a
julga essas coisas como ce as ou e adas) (Hodson, 2011; Smi h, 2018).
Na educação em ciências, a é ica pode con ibui pa a do a os alunos de conhecimen o é ico,
aumen a a sua sensibilidade é ica pa a econhece as elações en e in e esses, di ei os, de e es e
ob igações (Hodson, 2011), na sua elação com o ambien e. Pode con ibui , ambém, pa a melho a o seu
julgamen o é ico, no sen ido de aumen a a p obabilidade de os alunos oma em decisões e icamen e
de ensá eis, e pode le a a compo amen os e ações e icamen e adequadas sob e ques ões ambien ais,
po exemplo (Hodson, 2011). Is o é pa icula men e ele an e, dado que não é possí el encon a uma
ques ão ambien al que não le an e ques ões básicas de alo (DesJa dins, 2013). De igual modo, a análise
é ica e ilosó ica de e ei a com base na ciência, ecnologia e ou as disciplinas ele an es, pois, po si só,
não é su icien e pa a a esolução dos p oblemas ambien ais (DesJa dins, 2013).
Apesa disso, a omada de decisões é icas pe an e es es desa ios é, a ualmen e, c ucial, podendo
se impo an e pa a encon a soluções pa a a c ise ambien al (T ae , 2019). Akpan (2017) p ocu ou
ecolhe a opinião de alguns especialis as sob e o u u o da educação em ciências e a e iguou-se que: a
capacidade de oma decisões e de aze escolhas mo ais se á la gamen e in luenciada pela na u eza e
pelo ipo de educação em ciências – educação a a és da ciência ou ciência a a és da educação; há
um econhecimen o c escen e da impo ância da educação em ciências em e mos do seu papel no
apoio à iabilidade de democ acias que enham a aze escolhas sensa as num mundo que en en a
po enciais c ises, incluindo as ambien ais; a educação em ciências p ocu a á ga an i a sus en abilidade
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do ambien e, uma ez que as pessoas es a ão cada ez mais conscien es das suas esponsabilidades
pa a com as ge ações u u as. Pa a al, des aca-se uma necessidade de mudança no ensino das ciências
a ual, e em odas as á eas e ní eis de ensino, p olongando-se ao longo da ida, no sen ido de p epa a
os alunos pa a oma em decisões in o madas e pa a emp eende em ações indi iduais e cole i as na
ansição pa a um u u o sus en á el pa a odos (Chabay, 2015).
Pa a uma mudança ão p o unda, a consciência ambien al do se humano p ecisa de se , de ac o,
al e ada pa a que se p omo am compo amen os e a i udes a a o do ambien e (Czapla & Be liń ska,
2011; Keleş e al., 2017). Tal pode se ei o a a és da ecoé ica, que p ocu a o undamen o eó ico e
coe en e dos alo es que egem a elação do se humano com o ambien e ( en Ha e & Ne es, 2021).
Embo a mui os especialis as enham esc i o sob e is o ao longo da His ó ia, a ecoé ica desen ol eu-se
mais a pa i dos anos 60/70 (A ield, 2018; Coch ane 2006; Va andas, 2004; Vaz & Del ino, 2010),
de ido, essencialmen e, ao aumen o de consciência, na década an e io , dos e ei os, no ambien e,
deco en es do a anço ecnológico, da indús ia, da expansão económica e do aumen o da população
mundial (A ield, 2018; Coch ane 2006). O papel undamen al da educação, nes a al e ação de
consciência ambien al, pode con ibui pa a a i udes e compo amen os do Homem a a o do ambien e
(Nasibulina, 2015; Ka a aş, 2014). Uma a i ude ques ionado a da adequação dos p óp ios
compo amen os em elação ao ambien e, necessá ia pa a a esolução de p oblemas ambien ais, az
pa e da dimensão é ica ambien al da educação (Ceyhan & Sahin, 2018).
Educa pa a a ecoé ica abo da ques ões sob e como i e , como aze escolhas ambien ais e como
pensa sob e as consequências das a i idades humanas no ambien e, isando, po isso, p omo e a
consciencialização é ica e ambien al (Gay o d, 2002). De igual modo, p omo e o desen ol imen o de
alo es e a i udes, de compe ências e compo amen os, e mo i a uma e e i a omada de decisão po
pa e da população (Ka a aş, 2014; Poole e al., 2013; Tu a, 2015) em elação ao ambien e. A educação
pa a a ecoé ica em ní eis de escola idade em que a consciência mo al, os alo es e as c enças dos
alunos ganham o ma pode p omo e a o mação de indi íduos esponsá eis e a i os, que se eem como
pa e in eg an e do ambien e (Ceyhan & Sahin, 2018; Yalmancı & Gözüm, 2019).
Reconhecendo a necessidade de que os alunos se en ol am com o mundo na u al, pa a
comp eende a sua agilidade, complexidade e alo , e pa a que possam exe ce uma cidadania
in e en i a e esponsá el na a ualidade e no u u o, o p oje o Educação 2030, da O ganização pa a a
Coope ação e Desen ol imen o Económico [OCDE] (O ganisa ion o Economic Co-ope a ion and
De elopmen , 2018), iden i icou ês ou as ca ego ias de compe ências, as “Compe ências
9
T ans o mado as”, a ac escen a às compe ências-cha e da OCDE já exis en es: c iação de no os
alo es; concilia ensões e dilemas; assumi esponsabilidades. As duas úl imas assumem especial
impo ância pa a es e con ex o, dado que, ela i amen e a ‘concilia ensões e dilemas’, se enal ece a
necessidade de que os alunos adqui am a capacidade de explo a ques ões dilemá icas, pensando de
o ma mais in eg ada e econhecendo as in e conexões dos p oblemas; e, ela i amen e a ‘assumi
esponsabilidades’, se apela à esponsabilidade mo al, à capacidade de e lexão e ques ionamen o sob e
si p óp io e sob e as suas ações, p ocu ando agi e icamen e (O ganisa ion o Economic Co-ope a ion
and De elopmen , 2018). Po es as azões, a escola pode á e um papel essencial nes a mudança de
consciência e pa adigma ambien al. Essa mudança pode á e início nos documen os cu icula es,
undamen ais pa a o p ocesso de ensino e ap endizagem dos alunos, e é necessá io que es es con inuem
a e olui , acompanhando os desa ios ambien ais que ão su gindo, que exigem uma ação e adap ação
u gen es (O ganisa ion o Economic Co-ope a ion and De elopmen , 2018).
Os documen os cu icula es assumem mui a ele ância na p á ica le i a dos p o esso es, já que
acompanham e egulam a sua ação ao longo da sua ca ei a p o issional, in o mando as me odologias
de ensino a ado a (Alsubaie, 2016; O ns ein & Hunkins, 2018). Possuem, po isso, mui o impac o no
que os alunos ap endem, bem como mos am o es ado a ual do ensino des es con eúdos em
de e minado local. É impo an e e e i que, em Po ugal, oco e, a ualmen e, uma e o mulação dos
documen os cu icula es, mui os dos quais o am e ogados em 2021, não endo sido subs i uídos a é
ao momen o po equi alen es. Es e ac o pode e implicações nas p á icas pedagógicas dos p o esso es
e, consequen emen e, no p ocesso de ap endizagem po pa e dos alunos. Os p o esso es endem a
cen a -se no cump imen o dos obje i os dos documen os cu icula es especí icos da disciplina que
lecionam (Hadjichambis e al., 2020), o que pode condiciona a abo dagem de assun os elacionados
com ecoé ica, se es es não ize em o malmen e pa e desses documen os.
De aco do com o mais ecen e ela ó io Eu ydice (2024), que se baseou na in o mação
ap esen ada no Pe il do Aluno à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (Di eção-Ge al da Educação, 2017),
p e ê-se que os alunos sejam capazes de comp eende os equilíb ios e as agilidades do mundo na u al,
ado ando compo amen os que espondam aos g andes desa ios globais do ambien e, mani es ando
consciência e esponsabilidade ambien al e social, e abalhando colabo a i amen e pa a o bem comum,
com is a à cons ução de um u u o sus en á el. P econiza-se, ambém, com base no Re e encial de
Educação pa a o Desen ol imen o (Di eção-Ge al da Educação, 2016), que cada aluno alo ize a
di e sidade no que espei a à na u eza, aos ecossis emas e aos modos de ida humana, analise os
p oblemas a uais do mundo a pa i de di e en es pe spe i as cul u ais e econheça que di e en es
10
cul u as e isões do mundo supõem di e en es o mas de comp eende o desen ol imen o (Eu ydice,
2024). As noções de ‘p e enção’ ou de ‘ação p e en i a’ su gem nas Ap endizagens Essenciais de
Biologia, 12.º ano (Di eção-Ge al da Educação, 2018b), eme endo pa a que cada aluno de e ealiza
in e enções de cidadania esponsá el, que sejam exequí eis e undamen adas, des inadas a p e eni ,
minimiza e/ou emedia o p oblema em es udo e a p omo e a u ilização sus en á el dos ecu sos
na u ais (Eu ydice, 2024).
Apesa de Po ugal se um dos países que a ibui des aque a assun os elacionados com ques ões
ambien ais no sis ema educa i o, de o ma ans e sal (Eu ydice, 2024), em e mos cu icula es, as
indicações dadas pelo Minis é io da Educação po uguês são pouco cla as e pouco explíci as quan o à
inclusão de ques ões elacionadas com a ecoé ica, ou mesmo inexis en es nas di e izes de algumas
disciplinas (Ca alho & Dou ado, 2024; Pa ei a, 2003). Es es emas apa ecem sob e udo no âmbi o da
Es a égia Nacional de Educação pa a a Cidadania (ENEC), que inclui alguns documen os o ien ado es,
complemen a es, da p á ica docen e. A ENEC é conside ada ans e sal a odos os anos de escola idade
e á eas disciplina es, signi icando que não exis e uma á ea disciplina especí ica com empo e espaço
o icial (no cu ículo) pa a abo da es as ques ões. É em dois dos documen os que in eg am a ENEC (o
Re e encial de Educação Ambien al pa a a Sus en abilidade e o Re e encial de Educação pa a o
Desen ol imen o) que su gem e e ências à ecoé ica e à sua necessidade pa a a esolução da c ise
ambien al a ual (Ca alho & Dou ado, 2024).
Em suma, is o pode signi ica que a abo dagem de assun os elacionados com ecoé ica, em
con ex o sala de aula, pode á depende em g ande pa e da sensibilidade do p o esso ela i amen e ao
ema, in eg ando-o mesmo quando não há um oco cu icula explíci o (Bake , 2019). Uma mudança de
pa adigma, a a és da inclusão da ecoé ica nas escolas, pode e início nos documen os cu icula es,
dado que são elemen os undamen ais e con ibuem pa a o desen ol imen o de es a égias e mé odos
po pa e dos p o esso es, pa a leciona em as suas aulas. Alguns au o es suge em, po um lado, uma
abo dagem cu icula de dilemas é icos de ques ões ambien ais, ajudando na omada de decisões e
ações numa sociedade mode na complexa como a a ual (Kim & Ro h, 2008); po ou o, uma mudança
que se mapeia nas mudanças na ciência
pe se
– de educionis a, con e gen e e limi ada pelas di isões
disciplina es do passado, pa a expansi a, colabo a i a e ansdisciplina (Chabay, 2015), de o ma a
esponde aos dilemas ambien ais do século XXI.
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essenciais pa a o ensino de ques ões ambien ais, uma ez que cob em emas di e amen e elacionados
com o ambien e, os ecossis emas, a biodi e sidade e as elações en e se es humanos e ambien e. Is o
signi ica que ques ões ambien ais são na u almen e abo dadas nesses con eúdos, o que o na es as
disciplinas adequadas pa a inclui assun os elacionados com ecoé ica. Os ní eis de ensino ab angidos
po es a in es igação (3.º ciclo do ensino básico e ensino secundá io) são conside ados c í icos, dado
que os alunos es ão a desen ol e a capacidade de pensamen o c í ico e es ão mais p epa ados pa a
discu i ques ões é icas e sociais complexas.
Em Po ugal, an o quan o oi possí el apu a , não exis em es udos no âmbi o do da p esen e
in es igação e a ní el in e nacional ambém não o am encon ados es udos que se cen em nos obje i os
especí icos a que se di eciona. Es a in o mação sus en a a sua ele ância cien í ica e social, pois
o nece á in o mações sob e conceções, ep esen ações das p á icas, necessidades o ma i as e
opiniões de p o esso es de Biologia e Geologia ace ca de assun os elacionados com a ecoé ica e com a
sua abo dagem.
As in o mações ob idas com a consecução des a in es igação e ão ele ância pa a o mado es
de p o esso es de Biologia e Geologia e pa a ins i uições de o mação, dado que possibili am a melho ia
e/ou a c iação de cu sos pa a o mação inicial e con ínua de p o esso es. Des e modo, os p o esso es
podem o na -se mais capazes de, indi e amen e, con ibuí em pa a um u u o ambien almen e mais
sus en á el, não só a a és da sua p óp ia capaci ação e consciencialização ambien al, mas ambém
pela sensibilização que pode ão p omo e jun o dos seus alunos. Os esul ados des a in es igação
pode ão da , ambém, um con ibu o indi e o (dado que não az pa e dos seus obje i os) pa a a
( e)de inição dos documen os cu ícula es, já que os esponsá eis pela sua elabo ação podem e es es
assun os como necessá ios de inclui nos documen os cu icula es.
1.5. Es u u a ge al da ese
Es e abalho de in es igação encon a-se di idido em cinco capí ulos.
O p imei o capí ulo em como in ui o con ex ualiza e ap esen a a in es igação ealizada e di ide-
se em cinco pa es: pa a além da pa e in odu ó ia (1.1.), que dá a conhece a o ma como o capí ulo
se encon a o ganizado, abo da a con ex ualização da in es igação (1.2.), as ques ões de in es igação
de inidas (1.3.), a impo ância da in es igação (1.4.) e a es u u a ge al da ese (1.5.).
18
O segundo capí ulo ap esen a a e isão da li e a u a sob e os assun os elacionados com o ema
da in es igação, de modo a ealiza a undamen ação eó ica e empí ica. Assim, à in odução (2.1.)
seguem-se seis subcapí ulos que abo dam, espe i amen e, a ecoé ica (2.2.), a ecoé ica an opocên ica
(2.3.), a ecoé ica não-an opocên ica (2.4.), a educação pa a a ecoé ica na educação em ciências (2.5.),
as conceções de p o esso es sob e ecoé ica e suas pe spe i as sob e p oblemas ambien ais (2.6.), as
ep esen ações de p á icas de p o esso es sob e ecoé ica (2.7.) e, po úl imo, as necessidades o ma i as
e opiniões de p o esso es sob e a o mação dos alunos e a lecionação de assun os elacionados com
ecoé ica (2.8.).
O e cei o capí ulo, que em como p opósi o aze a ap esen ação e a undamen ação da
me odologia u ilizada na in es igação, encon a-se di idido em seis subcapí ulos. Assim, após a b e e
in odução (3.1.), é ei a uma desc ição sucin a do es udo ealizado, que esume os p ocedimen os
ado ados na in es igação (3.2.). Em seguida, ca a e iza-se a população e a amos a (3.3.) e ap esen a-
se a seleção e a jus i icação das écnicas de ecolha de dados, bem como os p ocedimen os elacionados
com a elabo ação e alidação dos ins umen os u ilizados nessa ecolha (3.4.). Po im, desc e em-se
as condições em que o am ecolhidos os dados (3.5.) e ap esen am-se e undamen am-se os
p ocedimen os ado ados no seu a amen o (3.6.).
O qua o capí ulo des ina-se a ap esen a e discu i os esul ados ob idos ela i amen e aos
obje i os de in es igação o mulados. Tal como os capí ulos an e io es, es e em início, igualmen e, po
uma b e e in odução (4.1.), p ocedendo-se, de seguida, à ap esen ação dos esul ados ob idos e à sua
discussão, com base na li e a u a e is a, o ganizando-se em mais cinco subcapí ulos: Conceções de
p o esso es de Biologia e Geologia sob e o concei o de ecoé ica (4.2.); Pe spe i as de p o esso es de
Biologia e Geologia sob e p oblemas ambien ais (4.3.); Rep esen ações de p á icas de p o esso es de
Biologia e Geologia ela i as à lecionação de assun os elacionados com ecoé ica (4.4.); Necessidades
o ma i as de p o esso es de Biologia e Geologia sob e assun os elacionados com ecoé ica (4.5.);
Opiniões de p o esso es de Biologia e Geologia sob e as necessidades o ma i as dos alunos em assun os
elacionados com ecoé ica e sob e o ensino de assun os elacionados com ecoé ica (4.6.), que se
subdi ide em Opiniões de p o esso es de Biologia e Geologia sob e as necessidades o ma i as dos
alunos em assun os elacionados com ecoé ica (4.6.1.) e Opiniões de p o esso es de Biologia e Geologia
sob e o ensino de assun os elacionados com ecoé ica (4.6.2.).
No quin o capí ulo, após b e e in odução (5.1.), são ap esen adas as conclusões da in es igação,
deco en es dos esul ados ob idos (5.2.) e em es ei a associação com os obje i os o mulados. Des e
19
capí ulo cons am, ainda, as limi ações ine en es à in es igação ealizada (5.3.), as implicações que os
seus esul ados pode ão e na educação em ciências (5.4.) e algumas suges ões pa a u u as
in es igações (5.5), elacionadas com a emá ica abo dada.
Após es es cinco capí ulos, lis am-se, po o dem al abé ica, as e e ências bibliog á icas
consul adas, seguindo as no mas APA (7.ª edição), e ap esen am-se os anexos que o am conside ados
ele an es pa a uma melho comp eensão da in es igação ela ada.
20
CAPÍTULO II
REVISÃO DE LITERATURA
2.1. In odução
Nes e capí ulo e e ua-se uma e isão da li e a u a ele an e na á ea em es udo, com o in ui o de
es abelece uma undamen ação eó ica e empí ica pa a a in es igação ealizada. Encon a-se di idido
em se e subcapí ulos. Des e modo, depois des a in odução (2.1.), que ap esen a uma b e e sín ese da
es u u a do capí ulo, p ocede-se a uma e isão de li e a u a sob e concei os elacionados com os
aspe os é icos do ambien e, mais conc e amen e, a ecoé ica (2.2.), passando-se, depois, pa a a ecoé ica
an opocên ica (2.3.) e a ecoé ica não an opocên ica (2.4.). No quin o subcapí ulo (2.5.) abo da-se a
educação pa a a ecoé ica na educação em ciências, seguindo-se uma e isão de li e a u a sob e as
conceções de p o esso es sob e ecoé ica e suas pe spe i as sob e p oblemas ambien ais (2.6.) e sob e
as ep esen ações de p á icas de p o esso es sob e ecoé ica (2.7.). Po im, no úl imo subcapí ulo, é ei a
uma e isão de li e a u a ocando as necessidades o ma i as e opiniões de p o esso es sob e a o mação
dos alunos e a lecionação de assun os elacionados com ecoé ica (2.8.).
2.2. Ecoé ica
A ecoé ica, ou é ica ambien al, elaciona-se com concei os que se mos am necessá ios de ini
pa a comp eensão do seu p óp io concei o, alguns em p imei a ins ância, como é ica e ambien e, ou os
passí eis de se explo ados pos e io men e, como acon ece á ao longo do ex o.
A pala a é ica em o igem e imológica em dois e mos g egos,
é hos
– cos ume, uso, hábi o,
manei a de p ocede – e
ê hos
– mo ada, localização, manei a de se , ca á e (Ba neck e al., 2021;
Cab al, 2000). Dado que
ê hos
e á de i ado de
é hos
, o e mo ‘é ica’ ecolhe a dupla signi icação
suge ida po ambos os e mos (Cab al, 2000), sublinhando a inculação ao sujei o que o e mo
ê hos
implica. É isso que se e i ica a pa i de
mos
– cos ume –, que Cíce o (44 AC) aduziu pa a o la im
como
mo es
, daí de i ando o concei o mode no de mo al (Ba neck e al., 2021; Cab al, 2000). Mais
a de, Kan , em 1788, ca a e izou a é ica usando a ques ão ‘O que de o aze ?’ (Ba neck e al., 2021).
21
Apesa de mui as ezes se usa em os e mos é ica e mo al como sinónimos (Cab al, 2000; Rich, 2011),
es es são concei os dis in os (Gudynas, 2014), na medida em que a mo al se e e e a um conjun o de
eg as, alo es e no mas que supos amen e de e minam as ações das pessoas (Ba neck e al., 2021),
enquan o a é ica se e e e à eo ia da mo alidade, p eocupando-se mais com elucida e jus i ica
acionalmen e a ealidade mo al sob os seus di e sos aspe os (Cab al, 2000). Po ou as pala as, a
mo al indica às pessoas como de em agi (é p esc i i a e no ma i a), enquan o a é ica jus i ica a azão
pela qual de em segui eg as mo ais quando agem (é desc i i a e em na u eza undacional), podendo
dize -se que a é ica undamen a a mo al ( en Ha e & Ne es, 2021).
A é ica é um p ocesso a i o, não uma condição es á ica, po isso, alguns especialis as em é ica
usam a exp essão ‘ aze é ica’ (Rich, 2011). Pa a aze é ica é necessá io jus i ica as posições e/ou
c enças a a és de a gumen os lógicos e eo icamen e undamen ados, exigindo-se um equilíb io en e
emoção e azão (Rich, 2011). Em con as e, a mo al e e e-se a c enças especí icas, compo amen os e
modos de se , de i ados da p á ica da é ica, e é um e mo usado pa a aludi a ações que podem,
no malmen e, se julgadas como mo ais, imo ais ou amo ais (Rich, 2001). Um ala gamen o da es e a
da mo alidade ao ambien e, nomeadamen e, cons i ui um desa io ao p essupos o adicional da é ica de
que apenas os se es humanos me ecem conside ação mo al (Smi h, 2018), pela sua capacidade de
aciocina , de au onomia e de consciência, con e indo-lhes um es a u o di e en e dos es an es se es
(Ca alho, 2014). Con udo, an es de p ossegui , impo a comp eende o concei o de ambien e.
Ambien e e e e-se ao espaço em que os se es humanos podem pe ceciona o que os odeia (Fang
e al., 2023). Esse ambien e é pensado ou ep esen ado pela men e humana, ou seja, é uma ealidade
ap eendida, aquilo de que o se humano es á conscien e a a és da pe ceção (Ribei o & Ca assan,
2013), o que dá a en ende que o concei o de ambien e signi ica coisas di e en es pa a pessoas
di e en es, pois cada pessoa em a sua p óp ia comp eensão do seu ambien e, que se baseia nos
elemen os espaciais e empo ais que expe imen ou (Fang e al., 2023). Mais es i amen e, pa a os
sis emas biológicos e/ou ecológicos, o ambien e e e e-se à luz sola , ao clima, ao solo, à hid ologia e a
ou os ecossis emas em que á ios se es i os coexis em e coabi am (Fang e al., 2023). Do pon o de
is a da p o eção ambien al, o ambien e e e e-se à e a da qual os se es humanos dependem (Fang e
al., 2023). A ualmen e, e mais do que nunca, os se es humanos sen em p eocupações ambien ais em
ní eis sem p eceden es, em odo o mundo, com a qualidade do ambien e a de e io a -se e com
pe spe i as pa a pio a (Almeida, 2015). Mui as dessas p eocupações são causadas po deso dens
económicas, pela má u ilização da ecnologia, po decisões inadequadas na ges ão de polí icas
elacionadas com a u ilização de ene gia, de água, de ese as de hid oca bone os e mine ais, bem como
22
pela inadequada elação com a bios e a, de modo ge al (A é alo, 2014), e esul a am numa c ise
ecológica. A g a idade dessa c ise e elou-se um a gumen o, po si só, a o á el à necessidade de
p o ege os ecossis emas (Ca alho, 2014) e, na sequência da consciência dessa u gência, su giu a é ica
ambien al, ou ecoé ica (Dall’Agnol, 2007; Eh lich, 2009; F ench, 2008; Ga cía Gómez Hé as & Rome o
Muñoz, 2019; Kwon, 2005; Voino , 2020), de inida, de modo ge al, como a e lexão acional sob e qual
de e se a in e ação dos agen es mo ais com os con eúdos não humanos do mundo na u al (Fa ia, 2020;
Ilhan, 2013), endo, como al, como oco de p eocupação a elação mo al en e os se es humanos e a
na u eza ( en Ha e & Ne es, 2021).
Pese embo a o econhecimen o da ulne abilidade do ambien e já no século XIX, com a publicação
de
Man and Na u e
, de Geo ge Pe kins Ma sh (1864), um dos p imei os a a gumen a que o uso
i esponsá el dos ecu sos na u ais con ibuía pa a a deg adação dos ecossis emas, e idenciando a
necessidade de uma ges ão sus en á el dos ecu sos pa a e i a danos i e e sí eis ao plane a, oi
apenas a pa i da segunda me ade do século XX que es a ques ão ecebeu a de ida a enção (Ca alho,
2014), em g ande pa e de ido a ob as pionei as como
A Sand Coun y Almanac
(1949), de A. Leopold
(A ield, 2018),
Silen Sp ing
(1962), de R. Ca son,
The His o ical Roo s o Ou Ecologic C isis
(1967),
de L. Whi e, e
The T agedy o he Commons
(1968), de G. Ha din (A ield, 2018; S a on e al., 2015;
Va andas, 2021; Vaz & Bina, 2022; Vaz & Del ino, 2010). De e mina o momen o p eciso do início de
uma no a á ea do conhecimen o é semp e discu í el, mas pode a i ma -se que an o a polí ica ambien al
quan o a é ica ambien al su gi am no im da década de 60 / início da década de 70 do século passado
(Bake e al., 2019; Va andas, 2004; Vaz & Del ino, 2010).
A adoção de uma pos u a é ica cen ada no ambien e inco po a juízos de alo (Gola, 2017; Keles
& Oze , 2016) sob e a condu a humana em elação ao ambien e. Resul a, além disso, numa eo ia e
p á ica sob e a p eocupação com alo es e de e es pa a com o ambien e (Heck, 2005; Ka a as, 2014;
Rols on, 2003), a aliando o signi icado é ico de en idades i as indi iduais, com ou sem consciência, de
en idades não i as e de en idades cole i as, como espécies e ecossis emas (Sandle , 2018; en Ha e &
Ne es, 2021).
Ao longo do empo, su gi am á ias en a i as de espos a, a a és de eo ias e a gumen os
desen ol idos, ace ca de qual se ia a o ma mais adequada de in e ação dos agen es mo ais com os
con eúdos não humanos do mundo na u al, en ando esponde ao que é ce o e e ado, bom e mau,
em elação ao ambien e. Como al, ap esen am-se, de seguida, alguns abalhos de au o es que
p opuse am di e en es pe spe i as eó icas:
23
− Aldo Leopold, em
A Sand Coun y Almanac
(1949), de ende uma isão do Homem como
memb o e cidadão da Te a, do ado de consciência ecológica e mo al, que o le a á a agi com
amo e espei o pela Te a, a a és de sen imen os consumados no seu mandamen o é ico:
algo é co e o quando ende a p ese a a in eg idade, a es abilidade e a beleza da comunidade
bió ica, sendo e ado quando ende pa a o con á io;
− Rachel Ca son, em
Silen Sp ing
(1962), des aca as implicações é icas das a i idades humanas
no ambien e, quando denuncia as implicações do uso do pes icida DDT, sublinhando a
in e ligação de odos os se es i os e a consequen e necessidade de uma ges ão esponsá el
da comunidade bió ica;
− Lynn Whi e, em
The His o ical Roo s o Ou Ecologic C isis
(1967), a gumen a que a c ise
ecológica mode na em aízes na isão c is ã do mundo, que coloca o Homem como supe io
à na u eza, legi imando sua explo ação. Suge e que a e olução cien í ica e ecnológica
in ensi icou essa elação, p opondo uma mudança p o unda de men alidade: um no o
pa adigma é ico que espei e mais a na u eza, como o de São F ancisco de Assis, que ia os
se es i os como iguais;
− Ga e Ha din, em
The T agedy o he Commons
(1968), e le e p eocupações com o con li o
en e in e esse indi idual e os bens comuns ( ecu sos na u ais). Ale a pa a o p oblema mo al
e é ico de como a libe dade i es i a pa a explo a ecu sos na u ais ine i a elmen e le a à sua
des uição, pois cada indi íduo dá p io idade ao seu ganho pessoal sob e a p ese ação
cole i a;
− Ch is ophe S one, em
Should T ees Ha e S anding?Towa d Legal Righ s o Na u al Objec s
(1972), de ende a ex ensão dos di ei os legais a en idades não humanas (á o es, ios, e c.),
p opondo a sua legi imidade pa a se em ep esen adas e de endidas em ibunal po
ins i uições que as ep esen em;
− Richa d Rou ley, em
Is The e a Need o a New, an En i onmen al, E hic?
(1973), con ida a
imagina um cená io em que o úl imo se humano na Te a des ói odos os ecu sos na u ais
e o mas de ida. A gumen a que, mesmo não ha endo mais pessoas pa a so e em as
consequências dessa des uição, a maio ia delas conside a ia es e a o mo almen e e ado.
De ende uma é ica ambien al que econheça o alo in ínseco da na u eza e dos se es i os,
independen emen e do seu alo u ili á io pa a os se es humanos;
24
− A ne Næss, em
The Shallow and he Deep, Long-Range Ecology Mo emen
(1973), ap esen a
os p incípios da Ecologia P o unda, que pos ula uma comp eensão mais p o unda e holís ica
da in e conexão e do alo de odos os se es i os e ecossis emas. Es e pon o de is a ê o se
humano como pa e de um sis ema ecológico maio que em alo em si mesmo;
− Pe e Singe , em
Animal Libe a ion: The De ini i e Classic o he Animal Mo emen
(1975),
p opõe uma é ica baseada na senciência (capacidade de os se es sen i em sensações e
sen imen os de o ma conscien e). A gumen a que o so imen o dos animais de e se le ado
ão a sé io quan o o so imen o humano e que a explo ação de animais pa a ins alimen a es,
expe imen ais e ou os é mo almen e injus i icá el, e, po isso, p omo e uma alimen ação
ege a iana e o im da u ilização de animais nes as p á icas;
− Tom Regan, em
The Case o Animal Righ s
(1983), de ende uma pe spe i a dos di ei os dos
animais, com igualdade mo al pa a odos, e, po conseguin e, a abolição da u ilização e
explo ação animal, a gumen ando que os animais de em e o di ei o de se a ados com
espei o e não se u ilizados como ecu sos pa a consumo humano, expe imen ação ou
en e enimen o;
− Paul Taylo , em
Respec o Na u e: A Theo y o En i onmen al E hic
(1986), suge e uma
abo dagem biocên ica da é ica, de endendo o alo ine en e a cada se i o e, po an o, a
conside ação mo al de odos eles, do mais simples ao mais complexo;
− Holmes Rols on III, em
En i onmen al E hics: Du ies o and Values in he Na u al Wo ld
(1988),
sus en a uma eo ia que econhece o alo in ínseco da na u eza e, po conseguin e, de ende
a p ese ação e a conse ação do mundo na u al. Ac edi a que a conse ação da
biodi e sidade e o espei o pela in eg idade ecológica são ob igações é icas undamen ais pa a
a humanidade;
− J. Bai d Callico , em
Beyond he Land E hic: Mo e Essays in En i onmen al Philosophy
(1999),
inspi ado em Leopold (1949), de ende o ala gamen o da comunidade mo al a en idades
bió icas e abió icas, dada a es u u ação in e dependen e e elacional da ida plane á ia. Ale a
pa a os desa ios colocados pela globalização e pa a a necessidade de uma pe spe i a cen ada
numa cidadania plane á ia em simbiose com a Te a;
− B yan G. No on, em
Sus ainabili y: A Philosophy o Adap i e Ecosys em Managemen
(2005),
p opõe uma é ica ambien al com uma pe spe i a uni icado a, em que as polí icas que se em
os in e esses da espécie humana conside ada como um odo, e a longo p azo, se i ão
25
igualmen e os in e esses da na u eza, e ice- e sa. É uma pe spe i a que explo a as ob igações
e esponsabilidades mo ais dos indi íduos, sociedades e ins i uições em elação ao ambien e,
ad ogando a p o eção, p ese ação e u ilização sus en á el dos ecu sos na u ais e dos
ecossis emas;
− Cla e Palme , em
Animal E hics in Con ex
(2010), p opõe uma abo dagem con ex ual pa a a
é ica animal, a gumen ando que as ob igações mo ais pa a com os animais a iam de aco do
com a elação que se em com eles. Suge e que o Homem em mais de e es é icos pa a com
os animais domes icados ou sob sua esponsabilidade di e a, enquan o as ob igações pa a
com animais sel agens podem se di e en es;
− S ephen M. Ga dine , em
Pe ec Mo al S o m: The E hical T agedy o Clima e Change
(2011),
e le e sob e a eme gência climá ica, sus en ando que as al e ações climá icas ep esen am
um desa io mo al único de ido à sua na u eza global, in e ge acional, e pela di iculdade em
aplica as eo ias mo ais con encionais pa a lida com a complexidade do p oblema climá ico;
− Ma c Beko , em
Igno ing Na u e no Mo e: The Case o Compassiona e Conse a ion
(2013),
de ende o a amen o de odos os animais sel agens com espei o, jus iça e compaixão,
econhecendo que oda a ida sel agem em alo in ínseco, seguindo os p incípios de não
causa danos, inclusão e coexis ência pací ica;
− Paul B. Thompson, em
F om Field o Fo k: Food E hics o E e yone
(2015), abo da dimensões
é icas do sis ema alimen a , nomeadamen e a segu ança alimen a , o bem-es a animal e a
ques ão con o e sa dos o ganismos gene icamen e modi icados (OGM). Salien a, ambém,
que as escolhas dos consumido es, p odu o es e deciso es polí icos podem molda um sis ema
alimen a mais é ico e sus en á el;
− Michael Mann e Tom Toles, em
The Madhouse E ec
(2016), e le em sob e a elu ância
humana em en en a a c ise climá ica, expondo uma negação da mesma sob a o ma de
hipoc isia p o unda no ce ne da capacidade de decisão mo al do se humano, mui as ezes,
po mo i ações inancei as. Realçam, ainda, o impac o que essa negação em no discu so
público e nas exp essões de comp omisso ambien al, que mui as ezes não se alinham com
as ações necessá ias pa a conc e iza os alo es que englobam.
Es es são apenas alguns dos mui os au o es que con ibuí am, com as suas pe spe i as eó icas,
pa a es a á ea de conhecimen o em expansão, com múl iplos assun os que ão dos mais adicionais
26
aos eme gen es, como as al e ações climá icas, que p e endem da espos a à c ise ambien al que se
az sen i desde o século passado.
Pa e des a di e sidade de pe spe i as pode se o ganizada como ap esen ado na Tabela 1, dado
que es as se incluem num dos sis emas de alo es de inidos, cuja inalidade é comum, a de sal a o
plane a e a ida e qualidade de ida na Te a (Ca alho, 2014): ecoé ica an opocên ica e ecoé ica não-
an opocên ica (Quinn e al., 2016). No p imei o sis ema de alo es, ecoé ica an opocên ica, con e e-
se alo in ínseco apenas aos se es humanos, enquan o no segundo, ecoé ica não-an opocên ica, se
con e e alo in ínseco a di e sas en idades não-humanas (Quinn e al., 2016). A es e p opósi o, o alo
in ínseco é desc i o, equen emen e, como o alo que algo (pessoa, en idade, expe iência, um a o,
na u eza) em ‘em si mesmo’ ou ‘po di ei o p óp io’ (Biedenbach & Jacobsson, 2016), sendo
ine en emen e bom e endo um im em si mesmo (I abo & Onwudinjo, 2022). Consequen emen e, o
alo in ínseco não de i a
de
ou es á elacionado
com
o cump imen o de de e minados c i é ios ou
concei os, pois é uni e sal, su ge da essência e o alidade in eg al de odos os a ibu os desse ‘algo’
(Biedenbach & Jacobsson, 2016).
Tabela 1. Pe spe i as Enquad adas na Ecoé ica An opocên ica e na Ecoé ica Não-An opocên ica
Ecoé ica an opocên ica
Ecoé ica não-an opocên ica
É ica da esponsabilidade
ambien al
Ecoé ica c is ã
(
S ewa dship
)
Ecocên ica
Não-ecocên ica
É ica da Te a
É ica biocên ica
Finalidade
Sal a o Plane a; P ese a a ida e a qualidade de ida na Te a
Resumidamen e, pois se ão abo dadas em maio de alhe nos p óximos subcapí ulos, na ecoé ica
an opocên ica o se humano é a única en idade que possui alo in ínseco que jus i ica conside ação
mo al nas suas in e ações com ou os se es, mas si uadas num de e minado con ex o ecológico em que
as es an es en idades de em se p ese adas, já que a sua p ese ação sa is az os in e esses humanos
(Fa ia, 2020). Na ecoé ica não-an opocên ica, o alo in ínseco que jus i ica conside ação mo al pode
se a ibuído a di e en es en idades, como, po exemplo, aos se es sencien es (é ica animal), aos se es
i os, sem dis inção (é ica biocên ica), aos ecossis emas (é ica ecocên ica) (Ca alho, 2014; Va andas,
2004; Vaz & Del ino, 2010).
Na impossibilidade de abo da com a p o undidade necessá ia odas as pe spe i as eó icas de
ecoé ica, na p esen e ese, op ou-se po abo da , na ecoé ica an opocên ica, a é ica da esponsabilidade
33
e cul u al do século XVIII que desen ol eu di e en es eo ias que de endiam a unidade da na u eza e
pe cebiam o uni e so como uma unidade uni icada e in e conec ada ( en Ha e & Ne es, 2021). Isso
le ou ao su gimen o da ecologia, que de i a da pala a g ega
oikos
(casa ou luga onde se i e) e
logos
(es udo ou conhecimen o), de inindo-se como o es udo dos o ganismos, de g upos de o ganismos e/ou
das suas in e - elações no seu
habi a
com o seu ambien e, endo-se a ecologia o nado a base cien í ica
da é ica ambien al (Odum, 2004; en Ha e & Ne es, 2021).
Na pe spe i a é ica ecocên ica, o se humano é apenas uma en e as á ias en idades que
cons i uem o plane a (Pa ei a, 2007), econhecendo-se que a ida não humana ambém em alo
in ínseco (Smi h, 2018) e conside ando que a dinâmica espon ânea da na u eza de e se econhecida
como uma eg a uni e sal à qual os se es humanos de em obedece ( en Ha e & Ne es, 2021). A
na u eza como um odo é conside ada um modelo pa a a ação humana mo al e, embo a o mas de ida
indi iduais possam se sac i icadas pa a p ese a a in eg idade dos ecossis emas, os in e esses
humanos de em es a subo dinados à p o eção da ida e à sus en abilidade dos ecossis emas em nome
do ‘ odo’ ecológico ( en Ha e & Ne es, 2021).
Nes a pe spe i a, des aca-se a é ica da Te a, o mulada pelo biólogo e conse acionis a da ida
sel agem Aldo Leopold, com a sua publicação
A Sand Coun y Almanac
(1949), que se o nou, al ez, a
decla ação mais in luen e, pelo menos nos Es ados Unidos da Amé ica, da é ica ecocên ica, a i mação
apoiada pos e io men e po J. Bai d Callico (Cu y, 2011). Leopold (1949) assumiu que os o ganismos
in e agem uns com os ou os e com o ambien e, em comunidades e ecossis emas, e, como al p opôs
uma é ica das o alidades, is o é, uma é ica da Te a (Va andas, 2004). Nes a sua p opos a, o au o exige
que se deixe de a a a Te a como um me o obje o ou ecu so, sendo conside ada uma on e de ene gia,
que lui a a és de um ci cui o de solos, plan as e animais (Coch ane, 2006). P eocupado com as
in e enções do Homem, iolen as e des u i as, e a im de p ese a as “ elações” da Te a, a gumen a
que o se humano de e a ança em di eção a uma ‘é ica da Te a’, concedendo assim uma posição
mo al à p óp ia comunidade da Te a, e não apenas aos seus memb os indi iduais (Coch ane, 2006). A
é ica da Te a ejei a, po an o, a noção de indi idualismo, p opondo uma isão holís ica da é ica,
cen ada na unidade es u u al e es u u an e do Todo (Va andas 2004), sendo Aldo Leopold conside ado
uma das p incipais in luências pa a os que p opõem uma é ica holís ica (Coch ane, 2006). A ese cen al
do holismo consis e na asse ção de que o ‘ odo’ é mais do que a soma das pa es, signi icando que há
ce as p op iedades e qualidades que eme gem ao ní el do cole i o que não es ão simplesmen e ads i as
a um ag egado de elemen os indi iduais cons i uin es (Nelson, 2004).
34
O abalho de Leopold (1949) culmina na sua amosa injunção é ica: “Algo é co e o quando ende
a p ese a a in eg idade, a es abilidade e a beleza da comunidade bió ica. É e ado quando ende pa a
o con á io” ( aduzido de Leopold, 1949, pp. 224-225). Nes a ase, Leopold especi ica o que é bom ou
mau e ce o ou e ado (Cu y, 2011). De no a que a ‘comunidade bió ica’ é po encialmen e enganado a
nes e caso, dado que não se limi a, como na é ica biocên ica, que se á abo dada seguidamen e, à bio a
ou aos o ganismos, mas ala ga os limi es da comunidade pa a inclui solos, águas, plan as e animais,
ou, cole i amen e, a Te a (Cu y, 2011). A in enção de Leopold com a é ica da Te a é, po an o, sal a
a Te a, ajudando-a a sob e i e ao impac o do Homem mecanizado, in enção que ad inha da c ise
ambien al (Va andas, 2004). P opõe como solução pa a a c ise ama a e a, a á-la com espei o, sendo
impe a i o que o se humano se eja como memb o e cidadão po in ei o da Te a (Cu y, 2011;
Va andas, 2004). Como em odas as é icas, ambém ela i amen e a es a pe spe i a há posicionamen os
menos a o á eis, nomeadamen e o ac o de os in e esses indi iduais pode em se inde idamen e
anulados no in e esse do ‘ odo’ (cole i o) (Cu y, 2011).
No âmbi o da é ica não-ecocên ica, des aca-se a é ica biocên ica. A pala a ‘biocen ismo’ de i a
e imologicamen e de duas pala as g egas,
bios
( ida) e
ken on
(cen o), e e e e-se a pe spe i as
cen adas em odas as o mas de ida, independen emen e das suas ca a e ís icas pa icula es, como a
senciência ou capacidade de expe imen a sensações (Quinn e al., 2016; en Ha e & Ne es, 2021). A
é ica biocên ica liga-se, po an o, à eo ia da mo alidade, que elucida e jus i ica acionalmen e a
ealidade mo al sob os seus di e sos aspe os, colocando a ida no cen o do pensamen o é ico.
A é ica biocên ica conside a a ida como um bem em si, ou seja, o bem sup emo, a ibuindo
alo in ínseco a odas as mani es ações da ida, conside adas indi idualmen e e não no seu cole i o, e
inclui a ob igação de não igno a es e a ibu o quando as ações humanas in e e em com ou as o mas
de ida (Rosa, 2004; Taback & Ramanan, 2014; en Ha e & Ne es, 2021). Na e dade, a é ica
biocên ica e a an opocên ica pa ilham uma ca a e ís ica, o apego ao alo dos indi íduos – no p imei o
caso, o dos humanos; no segundo, o dos se es i os (Rosa, 2004). A é ica biocên ica acaba po se
mais ampla do que a an opocên ica, na medida em que es ende o alo mo al a odas as o mas de
ida, mas mais limi ada do que a ecocên ica, dado que es a ambém a ibui alo mo al aos
ecossis emas, o que não acon ece na biocên ica ( en Ha e & Ne es, 2021).
A alo ização da ida em odas as suas mani es ações não é uma no idade con empo ânea, já
que a iloso ia g ega an iga exp essa uma p o unda ha monia en e o Homem e a na u eza e a adição
judaico-c is ã econhece que a ida é c iação de Deus, endo sido essa ha monia a e ada pela ascensão
35
da ciência mode na e expe imen al, que acabou po p opo ciona um dis anciamen o en e eles ( en
Ha e & Ne es, 2021). Apesa dessa an iga alo ização da ida, au o es como Albe Schwei ze , que
de endeu que a posição de cada se i o é ão me ecedo a de espei o como a de qualque ou o,
Kenne h Goodpas e e Robin A ield, que pa ilha am a alo ização da ida mas que se a as a am do
iguali a ismo de Schwei ze , são conside ados pionei os biocên icos (Rosa, 2004). Con udo, oi com
Paul Taylo , em
Respec o Na u e
(1986), que es a é ica assumiu uma posição exp essa e
ma cadamen e cen ada nos se es i os, em ge al, enquan o indi íduos e que ganhou a sua designação
co en e, mais p ecisa e a ual (Rosa, 2004). Segundo es e au o , odos os se es i os possuem alo
in ínseco e a senciência, a au oconsciência ou o in e esse conscien e não são necessá ios pa a a
conside ação mo al (Cu y, 2011). Nes a pe spe i a, a i ma uma espécie de iguali a ismo en e os se es
i os, i.e., cada um é necessá io pa a o ecossis ema, po isso, cada um em o mesmo alo pa a
con inua a exis i de manei a ela i amen e i es i a (Boylan, 2013), signi icando que a ida em um
alo em si mesma, que não depende da sua u ilidade pa a ins humanos, p ecisando, como al, de se
espei ada e p o egida (Taback & Ramanan, 2014; en Ha e & Ne es, 2021).
Exis em qua o aspe os elacionados com es a é ica que são undamen ais (Cu y, 2011; en Ha e
& Ne es, 2021): i) os se es humanos são memb os da comunidade da ida no mesmo sen ido e nos
mesmos e mos que os ou os se es i os; ii) essa comunidade consis e num sis ema de
in e dependência que inclui não apenas condições ísicas, mas ambém elações com ou os memb os;
iii) cada um desses o ganismos em um bem ou bem-es a p óp io que segue uma pe spe i a eleológica
(obje i o ou im, do g ego
elos
), ou seja, cada se i o é um indi íduo único que busca o seu p óp io
bem de uma manei a única, de endo se p o egido como um se único; i ) o se humano não é
ine en emen e supe io aos ou os o ganismos. A pa i des es aspe os, Taylo , no seu iguali a ismo
biológico, in e e que o espei o de e se concedido a odos os se es i os da mesma o ma,
incondicionalmen e, e que o lo escimen o de cada um deles ep esen a algo bom, sendo um di ei o e
um de e (Cu y, 2011).
Pa ilhando dessa con icção do alo incondicional da ida que iden i ica a é ica biocên ica,
di e en es pe spe i as se desen ol e am, desde o iguali a ismo biológico (Paul Taylo ) a é ou as que
conside am a possibilidade de es abelece g aus em alo es in ínsecos ( en Ha e & Ne es, 2021).
No caso da é ica biocên ica iguali á ia, os p incipais dilemas e di iculdades são, a í ulo de
exemplo, o ac o de um indi íduo de uma espécie em ias de ex inção e exa amen e o mesmo alo
que um indi íduo de uma espécie que não es eja nessas condições e, além disso, ambém não pode
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abo da uma comunidade ecológica in eg ada, pois os indi íduos sob epõem-se semp e aos in e esses
dos ecossis emas, po que es es úl imos não são mo almen e conside á eis, nes e âmbi o (Cu y, 2011).
As in o mações ap esen adas sob e es as pe spe i as (é ica da Te a e é ica biocên ica),
pe mi i am c ia a Tabela 3, que expõe uma sín ese dos p incípios, alo es e impe a i os é icos que as
egem. Des e modo, de aco do com a Tabela 3, a é ica da Te a guia-se pelos p incípios de elação e
in e dependência, de ação subo dinada ao ‘ odo’ e do alo in ínseco da na u eza/do ‘ odo’. O ien a-se
pelos alo es de pe ença à comunidade, espei o, amo e ha monia e pelo impe a i o é ico de de e de
p ese a a in eg idade, o equilíb io e a beleza da comunidade bió ica. Po ou o lado, a é ica biocên ica
ege-se pelo p incípio do alo ine en e à ida em odas as suas o mas o gânicas singula es e da ação
de não in e e ência na ida dos se es o gânicos. Os alo es que a o ien am são a in e ligação, a empa ia,
a compaixão e a não male icência, egendo-se pelo impe a i o é ico do de e de econhece e p o ege
o alo in ínseco de odos os se es i os.
Tabela 3. P incípios, Valo es e Impe a i os É icos das Pe spe i as Enquad adas na Ecoé ica Não-An opocên ica
Ecocên ica
Não-ecocên ica
É ica da Te a
É ica biocên ica
P incípio
Relação e in e dependência; Ação subo dinada ao ‘ odo’; O
alo in ínseco da na u eza/do ‘ odo’
Valo ine en e à ida em odas as suas o mas o gânicas
singula es; A ação de não in e e ência na ida dos se es
o gânicos
Valo es
Pe ença à comunidade, espei o, amo , ha monia
In e ligação, empa ia, compaixão, não male icência
Impe a i o é ico
De e de p ese a a in eg idade, o equilíb io e a beleza da
comunidade bió ica
De e de econhece e p o ege o alo in ínseco de odos
os se es i os
De uma o ma ge al, como qualque ou a á ea do conhecimen o, a ecoé ica ambém em os seus
c í icos, nomeadamen e na elação en e eo ia e p á ica, su gindo algumas p eocupações. Um dos
a gumen os é o de que se em concen ado demais nos não-humanos, podendo p omo e uma ce a
misan opia (Hou dequin, 2024). Ou o a gumen o é o ca á e pouco p á ico dos deba es sob e o que
possui alo in ínseco, de endendo-se que o oco de e es a na cons ução de consenso ao ní el da
polí ica e da ges ão, ac edi ando-se se possí el p og edi no domínio das p á icas ambien ais sem decidi
se, po exemplo, de e minada en idade possui alo in ínseco ou não (Hou dequin, 2024). Con udo, é
necessá io conside a que a ecoé ica não a a apenas ques ões polí icas (Hou dequin, 2024). Deba e-
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se, ambém, o a gumen o não consensual ace ca do alo da na u eza (Sandle , 2018) e da sua
conside ação mo al ( en Ha e & Ne es 2021), ha endo c í icos que de endem que, embo a haja uma
ob igação mo al de p o ege e p ese a an o o ambien e como as suas en idades, es es não de em
ecebe conside ação mo al, pois isso signi ica pe ence a uma comunidade mo al na qual os indi íduos
se compo am mo almen e, algo que, po exemplo, os animais e o ambien e não podem aze ( en Ha e
& Ne es 2021). Pos o is o, o desa io da ecoé ica consis ia em ala ga o domínio da é ica às pessoas do
u u o e a odos os se es i os, ecossis emas e na u eza como um odo (Vaz & Bina, 2022), como is o
ao longo des e ex o. Mais ecen emen e, em indo a concen a -se em ou os emas, como a é ica das
al e ações climá icas (Vaz & Bina, 2022; Willis on, 2019). Is o po que, ainda que ques ões como a pe da
de biodi e sidade, a ecupe ação e o consumo sus en á el es ejam no ada de mui os especialis as a é
mui o ecen emen e, são, a ualmen e, os assun os climá icos que êm dominado o pensamen o é ico
ambien al (Vaz & Bina, 2022). Mui as ques ões se le an am quando ques ões é icas, como es a, su gem,
e o obje i o de uma é ica ambien al não é necessa iamen e acili á-las, mas p opo ciona uma e lexão
em o no das mesmas (Lee, 2022).
2.5. Educação pa a a ecoé ica na educação em ciências
A educação em ciências, enquan o domínio de in es igação, p eocupa-se em desen ol e
conhecimen os ela i os ao ensino e ap endizagem das ciências, no sen ido de ajuda a comp eende
enómenos sob e a o es que mo i am a ap endizagem dos alunos, sob e es a égias de ensino mais ou
menos adequadas a de e minados con eúdos, sob e como as es a égias de ensino in luenciam o
desen ol imen o da comp eensão dos concei os cien í icos po pa e dos alunos, en e mui as ou as
ques ões (Tabe , 2017). É nes e âmbi o que se inclui a p esen e ese, com a p e ensão de con ibui
com conhecimen o cien í ico pa a a educação em ciências, a a és de uma in es igação que pe mi e
a e igua se os p o esso es de Biologia e Geologia po ugueses es ão p edispos os e p epa ados pa a
ensina assun os elacionados com ecoé ica. Es e oi conside ado um assun o pa icula men e pe inen e
dado que o século XXI pa ece ul apassa os séculos an e io es na magni ude das al e ações ecológicas
que ameaçam o u u o de odos os se es, com consequências de as ado as pa a os ecossis emas e
pe das sem p eceden es na biodi e sidade (Almeida, 2015; In e go e nmen al Science-Policy Pla o m
on Biodi e si y and Ecosys em Se ices, 2019), e dado que não é possí el encon a uma ques ão
ambien al que não le an e ques ões básicas de alo (DesJa dins, 2013).
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Quando se a a de decidi e agi num con ex o de na u eza, o se humano nem semp e em
omado as melho es decisões, e idenciando a necessidade de mais conhecimen os é icos pa a as suas
omadas de decisão ela i as ao ambien e (Sandle , 2018). É nes e con ex o de c ise que su ge a
ecoé ica, deco en e de uma consciência da exis ência de p oblemas ambien ais que a e am o mundo
na u al (A ield, 2018) e a segu ança exis encial de modo ge al, ou seja, udo o que põe em pe igo o
ambien e põe em pe igo a condição humana (Lee & Hales, 2022). A globalização, a c ise do eu o, os
con li os in e cul u ais e mili a es, o e o ismo, a digi alização, as mudanças demog á icas, en e ou os
(Eka d , 2020; Humaida, 2019), são a o es causado es de deso dens económicas, de decisões
inadequadas na ges ão de polí icas elacionadas com a u ilização de ene gia, de água, de ese as de
hid oca bone os e mine ais, e da desajus ada elação com a bios e a, de um modo ge al (A é alo, 2014;
Co on, 2014). Is o o na-se um p oblema, dado que o plane a Te a é isicamen e ini o e os se es
humanos, em pa icula , são se es biológicos que não podem exis i sem ecossis emas equilib ados,
solos é eis, água po á el e um clima global adequado (Eka d , 2020). De aco do com o mais ecen e
ela ó io do Wo ld Economic Fo um (2024), cujo obje i o é o de analisa e comunica os p incipais iscos
globais que podem impac a economias e sociedades, bem como auxilia os omado es de decisão a
comp eende e equilib a an o as c ises imedia as quan o as p io idades de longo p azo, são cinco os
p incipais p oblemas ambien ais que a e am o plane a, num p azo a 10 anos ( abela 4).
Tabela 4. Riscos Ambien ais Globais a 10 Anos e sua Ca a e ização*
P oblema ambien al
Ca a e ização
E en os climá icos
ex emos
Pe das ( idas, danos nos ecossis emas, des uição de bens) de ido a enómenos
me eo ológicos ex emos, nomeadamen e enómenos e es es (ex.: incêndios lo es ais),
aquá icos (ex.: inundações), a mos é icos e elacionados com a empe a u a (ex.: ondas de
calo ), incluindo os que são exace bados pelas al e ações climá icas
Pe da de biodi e sidade e
colapso de ecossis emas
Des uição do capi al na u al esul an e da ex inção ou edução de espécies, ab angendo os
ecossis emas e es es e ma inhos, com consequências g a es pa a o ambien e, a
humanidade e a a i idade económica
Mudanças c í icas nos
sis emas da Te a
Al e ações a longo p azo, i e e sí eis e au ope pe uan es, em sis emas da Te a,
esul an es da ul apassagem de um limia c í ico, com impac os no plane a e/ou no bem-
es a humano. Inclui: subida do ní el do ma de ido ao colapso das camadas de gelo,
libe ação de ca bono de ido ao degelo do
pe ma os
, pe u bação das co en es oceânicas
ou a mos é icas
Escassez de ecu sos
na u ais
Escassez de ecu sos (ex.: alimen os e água) pa a uso humano, indus ial ou dos
ecossis emas, esul an e da sob e-explo ação humana e da má ges ão de ecu sos na u ais,
bem como das al e ações climá icas (incluindo seca e dese i icação)
Poluição
In odução de ma e iais noci os no a , na água e no solo deco en es da a i idade humana,
nomeadamen e a i idades e aciden es domés icos e indus iais, de ames de pe óleo,
con aminação adioa i a, esul ando em impac os e pe das ( idas humanas, p ejuízos
inancei os e/ou danos nos ecossis emas)
* Adap ado de Wo ld Economic Fo um (2024).
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Na Tabela 4, e idenciam-se os e e idos p oblemas ambien ais, po o dem de classi icação de
isco, acompanhados de uma b e e ca a e ização. No e-se que odos os p oblemas ambien ais, com
exceção da poluição, se encon am nos p imei os luga es des a classi icação, que inclui iscos de ou as
na u ezas que não a ambien al, o que e ela a u gência de in e enção nes e âmbi o (Wo ld Economic
Fo um, 2024).
A c ise climá ica pa ece se o p oblema a ual mais ab angen e ( e Tabela 4) e o maio desa io
dos empos a uais (Eka d , 2020; Lee & Hales, 2022), que não só pe u ba o ambien e, de modo ge al,
como ambém a e a di e sos mundos da cul u a humana, da eligião, do go e no, da economia, da
polí ica, cada um deles en elaçado com as ecologias de que dependem os seus “inquilinos”, humanos
e não humanos, icos e pob es, com di ei os e sem di ei os (Eka d , 2020; Lee & Hales, 2022). Es e é,
con udo, um p oblema ambien al complexo, onde não é ácil a ibui esponsabilidades, pa a além de
se um p oblema cuja esolução é acilmen e adiada, em a o de eme gências sen idas como mais
imedia as: insegu ança alimen a , iolência, á ico de se es humanos, c ise dos opiáceos, poluição,
e o ismo, su os i ais (Lee & Hales, 2022).
Todas es as p eocupações globais a uais con idam a uma e lexão sob e:
− A que qualidades, ca a e ís icas ou capacidades se de e da p io idade nas en idades não
humanas e/ou nos ecossis emas, de modo que os juízos de ele ância mo al conduzam a
ações, polí icas e p og amas cujos impac os sejam ambien almen e sus en á eis? (Lee & Hales,
2022);
− Como decidi quem e/ou quais de em se os bene iciá ios do ex ensionismo mo al, e po quê?
(Lee & Hales, 2022; Bassham, 2021);
− Se á que a iloso ia e/ou a é ica é hoje impo an e pa a es es p oblemas conc e os? (Bassham,
2021).
Vá ios ilóso os e/ou especialis as, como is o em subcapí ulos an e io es (2.2., 2.3. e 2.4.),
p ocu a am, ao longo do empo, esponde a es as ques ões e de ende de o ma sólida as suas eses e
espe i os bene iciá ios. No en an o, a ciência ab iu po as pa a uma comp eensão mais p o unda ace ca
da elação do se humano com os se es não humanos, do alo ecológico da biodi e sidade ou dos
impac os das indús ias (Lee & Hales, 2022). Es as po as abe as le an am no as ques ões sob e se as
eo ias conhecidas são adequadas à luz dos ac os ecen emen e descobe os e/ou se a ap eciação dos
ac os de e le a o Homem a epensá-las e a e ê-las (Lee & Hales, 2022). É es e ques ionamen o que
a ecoé ica pode á ag ega ao que a educação em ciências já p opo ciona, enquan o domínio de p á ica,
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com a ciência (e as disciplinas cien í icas indi iduais) a se ensinada e ap endida em odo o mundo
(Tabe , 2017). No con ex o mais especí ico do ensino de disciplinas como Biologia e Geologia, na
ap endizagem de assun os elacionados com ques ões ambien ais a ecoé ica p opo ciona uma e lexão
sob e qual de e se a elação do se humano com o ambien e e as implicações mo ais das ações
humanas ela i amen e ao ambien e e à sus en abilidade, ajudando na comp eensão de que as ciências
na u ais não es ão dissociadas de alo es e de escolhas mo ais.
Con udo, o que se e i ica, ainda, é uma di iculdade gene alizada, po pa e dos alunos, em
elaciona a ciência que ap endem com as suas idas e a sociedade e em e que a ciência es á na
na u eza à sua ol a, sendo amplamen e aplicá el em di e en es aspe os do seu quo idiano,
conside ando, equen emen e, os concei os que ap endem como abs a os e i ele an es (Kwok, 2018).
Is o pode de e -se ao ac o de, ambém equen emen e, se ende a c ia ambien es, nas escolas, onde
os alunos es ão isolados da na u eza, não os p epa ando, des e modo, pa a os desa ios que se a izinham
(Ga ech e al., 2022; Junges, 2016). En a iza-se, como al, a necessidade de uma educação em ciências
que enha em con a o a ual con ex o das c escen es ameaças ambien ais, pa a esponde , p ecisamen e,
a essa c ise ecológica, de endendo-se que a educação de e p omo e a o mação de um pensamen o
ecológico undamen ado nas ciências (Gilmanshina e al., 2018). Uma p opos a pa a al pode á se a
inclusão da ecoé ica na educação em ciências. Pa a uma comp eensão do es ado a ual das condições
ambien ais do plane a, undamen al pa a a o mulação de uma bússola mo al pessoal, de uma polí ica
social e económica jus a e, em úl ima análise, de um consenso global sob e a sus en abilidade u u a da
Te a (Lee & Hales, 2022). De ende-se, nes a ese, essa combinação, pois se ia e á ico pensa , po
ou o lado, que uma eo ia é ica abs a a pode esol e con o é sias ambien ais, já que a análise é ica
ei a no abs a o, sem ecu so à ciência, de modo ge al, e à ecnologia, biologia, ísica, química, ecologia,
e c., de modo pa icula , não é su icien e pa a a esolução dos p oblemas ambien ais (DesJa dins, 2013;
Ga dine & Thompson, 2017). Assim, combina a educação em ciências com a educação em ecoé ica
pode con ibui pa a:
− Cons ui conhecimen o conce ual (Bake e al., 2019), p opo cionando conhecimen o
undamen al pa a a comp eensão dos p ocessos ecológicos e das in e conexões en e os se es
humanos e o ambien e (Ha len, 2015), po encialmen e conducen es a sensibilidade é ica e
compo amen os a a o do ambien e (Li ledyke, 2008), passando os sujei os a possui an o
o conhecimen o cien í ico como a comp eensão é ica pa a abo da esses desa ios (Sha ma,
2020);
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− Desen ol e a i udes, alo es e c enças (Bake e al., 2019), a o ecendo uma consciência
ambien al, ajudando na comp eensão e na omada de consciência ace ca dos a uais desa ios
ambien ais e dos seus impac os (Bake e al., 2019; Ha len, 2010; Kim & Ro h, 2008; Wals e
al., 2014) e consolidando alo es é icos e a i udes, endo como base as á ias pe spe i as de
ecoé ica na a aliação das conside ações mo ais, a a és da e lexão sob e sis emas de alo es
e ob igações mo ais pa a com o ambien e (Bake e al., 2019; Ha len, 2010; Kim & Ro h,
2008; Wals e al., 2014);
− Cons ui conhecimen o p ocessual e desen ol e habilidades e capacidades (Bake e al.,
2019), mo i ando a c iação de a gumen os cien í icos pa a jus i ica ações que põem em pe igo
os ecu sos na u ais e ajuda a despe a uma consciência pa a os desa ios é icos que podem
undamen a e impulsiona impe a i os mo ais (Junges, 2016);
− Desen ol e uma in e enção educa i a (Bake e al., 2019), que, passando da e lexão mo al
à ação e c iando polí icas e icazes a a o do ambien e (Ga dine & Thompson, 2017), pe mi a
uma omada de decisões in o mada, conscien e, e icamen e ponde ada, deco en e de
aciocínio é ico e cien í ico sob e as si uações e in e ações humanas com o ambien e (Bake
e al., 2019), e que p omo a uma abo dagem in e disciplina , pa a acili a a comp eensão dos
a uais desa ios ambien ais, mo i ando um pensamen o c í ico com base em p incípios é icos
que se aduzem, depois, em p á icas de aco do com uma sus en abilidade ambien al (Bake
e al., 2019; Ha len, 2010; Kim & Ro h, 2008; Wals e al., 2014).
Seja qual o o p oblema ambien al, qualque e lexão sé ia de esponsabilidade mo al e á de e
em con a as suas causas e implicações, e isso começa po ou i o que as ciências êm a dize sob e o
assun o, sob e o plane a e a ida, de modo ge al (Lee & Hales, 2022). Não é possí el escapa à omada
de decisões, mas é possí el, indi idual e cole i amen e, oma melho es decisões, conjugando o que a
ciência o nece com a bússola mo al ce a, pa a uma conside ação bem in o mada dos ac os (Lee &
Hales, 2022).
Essa omada de decisões é icas, é, po isso, ele an e pa a soluciona a c ise ambien al, de aco do
com o conhecimen o de cada um, que o ma a sua p óp ia ealidade (T ae , 2019), e é a es e
‘conhecimen o de cada um’ que pa ece se necessá io da a enção. Isso pode acon ece a a és do
p ocesso educa i o nas escolas, que se em mos ado undamen al na con ibuição pa a mudanças
compo amen ais nos cidadãos, nomeadamen e na p omoção de uma cidadania a i a e ambien almen e
esponsá el (Eh lich, 2009; Hadjichambis e al., 2020), desempenhando um papel mui o impo an e na
42
ha monização é ica das ações humanas em elação ao ambien e na u al (Junges, 2016). A consciência
da complexidade e da mul idimensionalidade da Te a como um odo exige no as o mas de e lexão,
pensamen o c í ico, en ol imen o a i o e democ á ico (Reis & Hadjichambis, 2024), análise é ica,
habilidades lógicas e capacidade de esolução de p oblemas pa a a enua compo amen os humanos
que comp ome em o equilíb io do plane a (Holb ook, 2010; Junges, 2016; Mo ei a e al., 2020).
P ecisamen e, um sen imen o de c ise pode e sido su icien e pa a di eciona o oco pa a a educação
(Vega-Ma co e, & Va ela-Losada, 2016), aumen ando a ele ância da é ica ambien al na consciência
pública e le ando a que as ques ões é icas açam pa e da agenda educa i a em mui os países,
nomeadamen e a a és da sua inclusão o mal nos cu ículos nacionais ou a a és da abo dagem pelos
p o esso es nas suas aulas, mesmo que não aça pa e, explici amen e, dos documen os cu icula es
(Bake e al., 2019).
Os documen os cu icula es são conside ados os documen os de e e ência dos p o esso es
quando lecionam as suas aulas a é ao inal da sua ca ei a docen e, sendo en endidos como um conjun o
de documen os elacionados en e si e elabo ados pa a os p o esso es (p og amas, me as de
ap endizagem, o ien ações cu icula es, e c.) (Hadjichambis e al., 2020) e que de em o nece
in o mações sob e os esul ados de ap endizagem disciplina es e ansdisciplina es, con eúdos a abo da
em cada disciplina, bem como me odologias e/ou es a égias de ensino a ado a (Alsubaie, 2016;
O ns ein & Hunkins, 2018). Dada a na u eza des es documen os, se de e minados con eúdos e/ou
emas não es i e em incluídos nos mesmos, exis e uma o e p obabilidade de não se em abo dados
pelos p o esso es nas suas aulas (Hadjichambis e al., 2020). Po ou o lado, ambém se pode dize que,
mesmo quando p esen es nos documen os cu icula es, os p o esso es nem semp e os abo dam, al
como concluem Ga ech e al. (2022). Nes e es udo (Ga ech e al., 2022), os p o esso es en e is ados
es a am cien es da inclusão de ques ões é icas no cu ículo, con udo, da am-lhes, ge almen e, menos
ên ase do que às ciências undamen ais. Is o signi ica que, mui as ezes, a abo dagem des es
con eúdos/ emas pode depende da sensibilidade do p o esso pa a os mesmos. Ainda assim, os
p o esso es endem a cen a -se no cump imen o dos obje i os dos p og amas especí icos da disciplina
que lecionam (Hadjichambis e al., 2020), o que pode condiciona a abo dagem de ques ões de ecoé ica
se es as não ize em o malmen e pa e desses documen os.
De um modo ge al, apesa de e em sido ei os es o ços no sen ido de inclui es as emá icas nas
o ien ações da p á ica pedagógica (Hadjichambis e al., 2020), um ela ó io eu opeu (Eu ydice, 2023)
mos a que as ques ões elacionadas com a ciência e com a é ica não são abo dadas com mui a
equência du an e os p imei os oi o anos de escola idade e são mais a as no 1.º ciclo do ensino básico
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inqui idos conside am que os se es humanos são o p incipal a o causado das al e ações climá icas,
a a és da poluição a mos é ica e da des uição da camada de ozono, e ap esen am dú idas de que a
educação possa muda os compo amen os humanos ace ao enómeno climá ico global.
Em Yu as e Sülün (2010), u u os p o esso es de ciências e e em a diminuição da
biodi e sidade, o aquecimen o global e a diminuição da camada de ozono como p incipais p oblemas
ambien ais. Os p oblemas ambien ais ela i os a escassez de ecu sos na u ais, poluição e deg adação
dos ecossis emas são mencionados po p o esso es de ciências no es udo de Campbell e al. (2010).
Em Kasanda e al. (2014), os u u os p o esso es de ciências indicam a u banização, a
des lo es ação, a des uição da camada de ozono, o lixo, o aquecimen o global, o c escimen o
populacional e a dese i icação como p incipais p oblemas ambien ais.
Já no es udo de Sadik e Sadik (2014), u u os p o esso es de ciências sociais e de ciências e
ecnologias mencionam como p incipais p oblemas ambien ais a escassez de ecu sos na u ais, a
diminuição da biodi e sidade, a u banização e a des lo es ação. Po ou o lado, não se deu impo ância
a e osão e chu a ácida.
No es udo de Oza a Yucel e Ozkan (2016), os u u os p o esso es de ciências indicam como
p incipais p oblemas ambien ais a poluição do a , da água, do solo e sono a, a u banização inconscien e
e o aquecimen o global, e iden i icam como p incipais causas pa a esses p oblemas os esíduos/lixo, os
esíduos indus iais, o uído, gases (po exemplo,
sp ay
, pe ume, C2O, me ano), eículos a
mo o /exaus ão, á ego, ca ás o es na u ais (po exemplo, deslizamen o de e as, inundações, ulcão)
e incêndios. Como p incipais e ei os dos p oblemas ambien ais, es es u u os p o esso es iden i icam a
ex inção de espécies, a al a de água/seca e a pe da de biodi e sidade. Os au o es concluem que os
u u os p o esso es não êm uma pe ceção dos p oblemas ambien ais adequada, êm uma baixa
pe ceção dos e ei os desses p oblemas e concen a am-se mais nos e ei os dos p oblemas ambien ais
sob e os se es humanos do que sob e os ou os se es i os, indicando que êm uma abo dagem
ambien al o ien ada pa a as pessoas.
Em Be be (2021), a escassez de ecu sos na u ais, a poluição (a , água, solo), a des uição da
camada de ozono e o lixo são os p incipais p oblemas mencionados pelos u u os p o esso es de
ciências. Mencionam, ambém, que os p oblemas ambien ais se de em: à p odução (ex.:
indus ialização, ag icul u a in ensi a); ao consumo (ex.: combus í eis ósseis, c escimen o
populacional); an o à p odução como ao consumo (ex.: desen ol imen o ecnológico, aquecimen o
global); e a azões na u ais (incêndios, cheias). Como soluções pa a a esolução des es p oblemas,
50
p opõem aumen a a consciencialização ela i amen e aos mesmos, explica com expe iências, c ia
clubes ambien ais, ins ala o nei as com senso es, o ganiza saídas de campo/ écnicas e o ganiza
a i idades de plan ação.
Has ü k (2021), no seu es udo com u u os p o esso es de ciências, mos a que alguns inqui idos
e ela am um ní el médio de sensibilização pa a a poluição do a , da água e do solo e pa a o equilíb io
ecológico, a i mando que nem semp e êm cuidados na u ilização de água nem azem eciclagem
equen emen e, po exemplo.
Be iz e Ki as (2022) cons a am que os u u os p o esso es de ciências conside am, nas espos as
ao ques ioná io, que os p incipais p oblemas ambien ais são a adiação, os esíduos de áb ica e os
esíduos químicos, des acando, em con ex o de en e is a, a poluição a mos é ica. São is os como os
de mais al o isco dado que a e am di e amen e a ida humana.
No es udo de Na alia e al. (2023), com p o esso es de á ias á eas, es es conside am que os ês
p incipais p oblemas ambien ais são a sob epopulação, as al e ações climá icas e o conges ionamen o
do á ego. Po ou o lado, pensam que os bu acos na camada de ozono e os esíduos adioa i os não
são p oblemas de odo. Nes e es udo, os p o esso es conside am, ainda, que as al e ações climá icas
são esponsá eis pelo aumen o da empe a u a e po di iculdades no se o económico na p odução de
alimen os.
Yli-Panula e al. (2023), no seu abalho com alunos uni e si á ios dos cu sos de Biologia e
Geog a ia, Ma emá ica, Língua e Li e a u a Finlandesas, Línguas Não Finlandesas e Humanidades,
e i ica am que es es indica am como p incipais p oblemas ambien ais a eliminação de esíduos, a
qualidade do a , p oblemas nos ecossis emas, p oblemas elacionados com o consumo e p odução,
al e ações climá icas, sob epopulação e ca ás o es na u ais. Menciona am as al e ações climá icas com
mui o mais equência do que ou os p oblemas ambien ais. Po ou o lado, a des uição da camada de
ozono oi mencionada apenas uma ez.
No caso conc e o de Po ugal, um dos dilemas ambien ais mais deba idos em anos ecen es é a
explo ação do lí io, na zona de Ba oso-Al ão, que ab ange os municípios de Mon aleg e, Bo icas, Ribei a
de Pena, Vila Pouca de Aguia e Cabecei as de Bas o (Ribei o e al., 2021). Os desa ios da ansição
ene gé ica en en ados pela ci ilização mode na, nomeadamen e a mudança global pa a uma ene gia
mais limpa e pa a a mobilidade elé ica, aumen a am signi ica i amen e a p ocu a de me ais c í icos
como o lí io (Bala am e al., 2024; K ishnan & Gopan, 2024). Es e não é, con udo, um assun o
consensual (Leal-Gomes, 2018; Lima, 2020; Mo gado, 2020). Po um lado, em aspe os a o á eis,
51
como a ge ação de emp egos e o desen ol imen o da economia; po ou o, aspe os des a o á eis, como
os possí eis impac os ambien ais p o ocados pelas explo ações a céu abe o e a é mesmo a du idosa
endibilidade da explo ação (Mo gado e al., 2020). Não se conhecem es udos que indiquem a opinião
de p o esso es de ciências po ugueses sob e es a ma é ia, mas o es udo de Ribei o e al. (2021) o nece
in o mações sob e o posicionamen o de duas das populações locais, Bo icas e Ribei a de Pena, ace à
possí el explo ação de depósi os de lí io na egião Ba oso-Al ão. Pa a le a a cabo o es udo, oi aplicado
um ques ioná io a habi an es das duas egiões. Os p incipais esul ados do es udo mos am que a
maio ia dos inqui idos conside a que a explo ação des e ecu so geológico é essencial pa a sus en a os
a uais pad ões de ida da sociedade, mas ambém conside a que a explo ação de e se eduzida,
op ando po no os compo amen os de ida, como, po exemplo, eduzi , eu iliza e ecicla p odu os
com miné io na sua cons i uição. A maio ia dos inqui idos mos ou-se a a o de compo amen os p ó-
ambien ais (ex.: u ilização de ca o elé icos e diminuição da u ilização de combus í eis ósseis),
pe cebendo-se que esses compo amen os são ado ados p incipalmen e po indi íduos com maio es
quali icações educacionais, o que, segundo os au o es, pode de e -se a uma maio consciencialização
desen ol ida du an e o seu p ocesso educa i o que pode e abo dado ques ões ambien ais. Po ém, o
es udo mos a, ainda, que há um signi ica i o desconhecimen o sob e a explo ação e ap o ei amen o
dos ecu sos geológicos em Bo icas, deco en e, possi elmen e, da a ançada idade da população e do
seu baixo ní el de escola idade, o que le a os au o es a p opo a inclusão des es emas nos cu ículos
po ugueses (Ribei o e al., 2021; Vasconcelos e al., 2018) como o ma de sensibiliza pa a a emá ica.
2.7. Rep esen ações de p á icas de p o esso es sob e ecoé ica
Nes e subcapí ulo ap esen a-se uma e isão de li e a u a sob e as ep esen ações de p á icas de
p o esso es de ciências ace ca da lecionação de assun os elacionados com ecoé ica.
As ep esen ações de p o esso es sob e as suas p á icas são conside adas o que os p o esso es
dizem que ensinam, como dizem que o azem e que ecu sos usam nas suas aulas pa a o aze . Não se
conhecem es udos cen ados no âmbi o das ep esen ações de p á icas de p o esso es de Biologia e
Geologia ela i amen e ao ensino de assun os elacionados com a ecoé ica. Con udo, encon a am-se
alguns es udos que podem o nece in o mações impo an es ace ca das ep esen ações de p á icas de
p o esso es e u u os p o esso es no ensino de emas do âmbi o ambien al, de modo ge al, e, com meno
equência, do âmbi o da é ica ambien al e da é ica nas ciências. Esses es udos o necem in o mações
52
que incidem em aspe os elacionados com es a égias de ensino/me odologias (Almeida, 2015; Bø sen
e al., 2021; Eu ydice, 2024; Ga ech e al., 2022; Gay o d, 2002; Huoponen, 2023; Ka im e al., 2022;
Ko & Lee, 2003; Mo ei a, 2019; Oli ei a e al., 2007; Pullu & Pullu, 2021; Rahmawa i e al., 2022; Taylo
& Taylo , 2012; Tuncay-Yüksel e al., 2023; Uni ed Na ions Educa ional, Scien i ic and Cul u al
O ganiza ion [UNESCO], 2021; U bánska e al., 2022), ecu sos didá icos (Almeida, 2015; Campbell e
al., 2010; Ka im e al., 2022; Oli ei a e al., 2007; Pullu & Pullu, 2021; U bánska e al., 2022) e emas
(Almeida & Vasconcelos, 2013; Oli ei a e al., 2007).
Nos es udos mencionados an e io men e, pa a o cump imen os dos obje i os p opos os, o am
ealizadas en e is as (Almeida, 2015; Almeida & Vasconcelos, 2013; Ga ech e al., 2022; Gay o d,
2002; Huoponen, 2023; Ka im e al., 2022; Ko & Lee, 2003; Mo ei a, 2019; Oli ei a e al. 2007; Pullu
& Pullu, 2021; Rahmawa i e al., 2022; Taylo & Taylo , 2012; UNESCO, 2021), eco eu-se à obse ação
de aulas (Rahmawa i e al., 2022), ez-se análise de documen os (Eu ydice, 2024), análise de ex os
esul an es de wo kshops (Bø sen e al., 2021), e o am aplicados ques ioná ios (Campbell e al., 2010;
Ko & Lee, 2003; Pullu & Pullu, 2021; Tuncay-Yüksel e al., 2023; UNESCO, 2021; U bánska e al.,
2022).
No es udo de Gay o d (2002), ealizado com p o esso es de ciências,
oleplays
, análise de es udos
de casos, deba es e esc i a de his ó ias baseadas em ques ões ambien ais eais e da a ualidade
conside am-se as es a égias mais adequadas pa a abo da es es emas.
Ko e Lee (2003) e i icam, no seu es udo com p o esso es de ciências, que a maio ia deles ende
a u iliza mé odos adicionais, como pales as e discussões in o mais, pa a ensina educação ambien al.
Visi as de campo e campanhas de eciclagem são menos u ilizadas, embo a desejadas po mui os
p o esso es.
Oli ei a e al. (2007), no seu es udo com p o esso es de ciências, mos am que abalhos de g upo
e ealização de en e is as são adequados pa a o ensino de emas ambien ais. Os esul ados des e
es udo indicam, ambém, que exposição o al, a i idades papel e lápis, saídas de campo, saídas de campo
com ep esen ação/in e p e ação de his ó ia, gincanas, e en os comemo a i os, campanhas e ou as
a i idades associadas (ex.: abalhos com ma e iais eciclados), bem como pa icipação em con e ências,
o am as es a égias ado adas pa a o ensino des es emas. De aco do com os au o es, os emas mais
abalhados nes e âmbi o o am os elacionados com lixo, de modo ge al. Rela i amen e a ecu sos
didá icos, o am mencionados ma e iais de ilmagens e o manual escola .
53
Nos es udos de Almeida e Vasconcelos (2013), com p o esso es de Biologia e Geologia e de
Geog a ia, e de Campbell e al. (2010), com p o esso es de ciências, os ecu sos mencionados pa a o
ensino des es emas nas salas de aula o am os mul imédia (Campbell e al., 2010) e os emas
abo dados oca am-se mais na polí ica dos 3Rs e no uso sus en á el de ecu sos (Almeida & Vasconcelos,
2013).
Um ela ó io da UNESCO (2021), ealizado com indi íduos a ní el mundial, incluindo p o esso es
de á ias á eas, concluiu que o ensino baseado na na u eza, a ap endizagem baseada no local, p oje os
de ação em assun os ambien ais, eco-escolas e clubes ambien ais o am, ambém, as es a égias
u ilizadas em sala de aula pa a ensino des es emas.
No es udo de Ga ech e al. (2022), ambém com p o esso es de ciências, es es menciona am a
al a de ma e ial didá ico adequado, no que espei a à p epa ação das suas aulas elacionadas com a
é ica, endo o ma e ial exis en e sido desc i o como mundano e pad onizado. Como consequência, es es
p o esso es queixa am-se de pe de empo a p ocu a ou a desenha ma e ial pa a es as aulas.
Ka im e al. (2022) cons a am que p o esso es de ciências u ilizam a ap endizagem baseada em
p oje os (PBL), as a i idades ex acu icula es, a na ação de his ó ias, ídeos, p oje os de g upo (po
exemplo, e ilmes) e a i idades p á icas, como saídas de campo, pa a o ensino de emas ambien ais,
nomeadamen e o da c ise climá ica. Os manuais escola es con inua am a se o meio mais impo an e
pa a adqui i conhecimen os, an o pa a os p o esso es como pa a os alunos, e alguns p o esso es
eco em a edes sociais (Tik Tok, Facebook) pa a cap a o in e esse dos alunos.
U bánska e al. (2022) e i icam, no seu es udo com p o esso es de Geog a ia, que a exposição
o al é uma es a égia ado ada no ensino de ques ões ambien ais, enquan o os jogos didá icos não são
u ilizados ou são-no a amen e. Em e mos de ecu sos didá icos, os ecu sos mencionados pa a o ensino
des es emas nas salas de aula são, ambém, os mul imédia.
No es udo de Huoponen (2023), com p o esso es de Biologia, de Geog a ia e de Inglês, suge e-se
que a ap endizagem baseada em p oje os é uma es a égia adequada pa a o ensino de emas
ambien ais.
Tuncay-Yüksel e al. (2023), no seu es udo com u u os p o esso es de ciências, indicam o ecu so
a dilemas de é ica ambien al como uma das es a égias ado adas pa a o ensino de assun os elacionados
com ecoé ica. Os esul ados des e es udo mos a am que o con ex o do dilema in luencia
signi ica i amen e as espos as dos pa icipan es, com o aciocínio ecocên ico a p edomina em cená ios
elacionados à p ese ação da na u eza, enquan o o aciocínio an opocên ico é mais o e em cená ios
54
que en ol em o bem-es a humano. Os au o es pa ecem e idencia que combina o ensino de dilemas
mo ais com expe iências baseadas no con ex o local (como in e ações com a comunidade) pode
aumen a a ele ância dos emas ambien ais e melho a a comp eensão dos alunos sob e os p oblemas
ambien ais.
No es udo de Almeida (2015), o mado es de p o esso es de á ias á eas (Biologia, Educação
Ambien al, Ma emá ica, e c.) indicam, ambém, que a exposição o al oi u ilizada em sala de aula pa a
ensino des es emas. Em e mos de ecu sos didá icos, menciona-se ma e ial de ilmagens e o manual
escola . Foi, con udo, e e ido que, embo a os assun os ambien ais ossem bas an e abo dados
o almen e, não e am colocados ealmen e em p á ica.
O es udo de Mo ei a (2019), di igido a alunos do ensino p imá io, mos a que es es êm a pe ceção
de que não o am ei as quaisque a i idades na escola que se elacionem com a na u eza e o ambien e.
Apesa de es e es udo não se com p o esso es de ciências, op ou-se po incluí-lo po abo da a emá ica
da é ica ambien al e aze in o mação indi e a sob e as p á icas dos p o esso es.
Bø sen e al. (2021), no seu es udo, e idenciam que alunos de ciências e engenha ia indicam que
ap endizagem a i a, ap endizagem baseada em p oblemas (ABP), análise de es udos de casos,
oleplays
e deba es são es a égias adequadas pa a o ensino de emas ambien ais.
No es udo de Pullu e Pullu (2021), com alunos do ensino supe io (P og ama de Desen ol imen o
In an il do Ensino Médio Vocacional), suge e-se que a ealização de en e is as é uma es a égia
adequada pa a o ensino de emas ambien ais. A d ama ização e o uso de ma ione as pa a con o de
his ó ias, as saídas de campo, as saídas de campo com ep esen ação/in e p e ação de his ó ia e a
conceção de ca azes o am as es a égias ado adas pa a o ensino des es emas, e os ecu sos
mencionados pa a al o am os mul imédia. Os au o es do es udo concluí am que as a i idades ealizadas
a e a am posi i amen e as a i udes e compo amen os dos alunos em elação aos p oblemas ambien ais,
endo os alunos salien ado que se di e i am e se en usiasma am com a ealização das mesmas. Os
alunos exp essa am, ainda, que as a i idades conduzi am a abalho in o ma i o, coope a i o e de
in es igação, e o ça am o seu sen ido de pa ilha, a sua consciência, desen ol imen o de di e en es
pon os de is a e capacidades de pensamen o c í ico, como o ques ionamen o sob e os seus p óp ios
compo amen os, e e indo que o seu amo pela na u eza aumen ou.
Rahmawa i e al. (2022), no seu es udo com alunos do ensino secundá io, e Taylo e Taylo (2012),
no seu es udo com dois p o esso es, um de Biologia e um de ciências, mos am que a es a égia u ilizada
pa a o ensino des es emas ocou as his ó ias com dilemas é icos. Rahmawa i e al. (2022) concluí am
55
que es a es a égia en ol eu com sucesso os alunos na e lexão de alo es, no pensamen o social c í ico
e na omada de decisões em colabo ação pa a concebe soluções de sus en abilidade p omisso as pa a
dilemas é icos que a e am os seus ambien es locais. Taylo e Taylo (2012), po seu u no, concluem
que a u ilização da es a égia oi bem sucedida, pois pe mi iu que os alunos se en ol essem
p o undamen e na esolução de dilemas é icos ligados ao seu cu ículo de ciências. Con udo, es es
au o es (Taylo & Taylo , 2012) indicam que, pa a que se dê o en ol imen o dos alunos nes e ipo de
es a égia, es es de em a ibui um signi icado pessoal ao dilema da his ó ia, que de e se p óximo do
seu con ex o, e o om e a emoção com que o p o esso na a a his ó ia podem, ambém, e peso nesse
en ol imen o. No am, ainda, que os alunos que equen emen e ap esen a am p oblemas de
compo amen o es a am en e os mais en ol idos na aula em que oi ado ada es a es a égia. Em e mos
de ecu sos didá icos, o am mencionados, nes e es udo, as ap esen ações em
Powe Poin
.
No ela ó io Eu ydice (2024), e e e-se que, em Po ugal, o ensino po p oje os pode se uma das
o mas u ilizadas pa a a abo dagem de ques ões ambien ais e de sus en abilidade, mobilizando
di e en es componen es cu icula es e disciplinas com o obje i o de p omo e o desen ol imen o e o
consumo sus en á eis, ajudando os alunos a comp eende os p oblemas e in o mando-os sob e as
ques ões que a e am as sociedades e os subsis emas da Te a.
Pa a abo da assun os elacionados com a é ica ambien al em con ex o de sala de aula, alguns
au o es ecomendam:
− Coope ação a gumen a i a, uma espécie de deba e que p opõe a comp eensão de pon os de
is a di e gen es, demons ando espei o pela comunidade delibe a i a e ajudando a man e
elações coope a i as e p odu i as, o alecendo, assim, a esolução de p oblemas e o
en endimen o mú uo den o de um g upo (Shapi o & Takacs, 2006);
− Abo dagem de ques ões con o e sas em p oje os ambien ais (Almeida & Vasconcelos, 2013)
e de é ica ambien al (Bake e al., 2019) nas escolas como uma o ma p á ica de in oduzi
di e en es pe spe i as sob e a elação en e o se humano e a na u eza (Almeida &
Vasconcelos, 2013);
− A i idades de campo (Bake e al., 2019; Ca a o, 2006; Webe , 2009) e possibilidade de
pa icipação em ó uns, simpósios (Bake e al., 2019; Yuksel, 2021), cong essos (Yuksel,
2021), ou de le a em o ado es locais pa a ala em sob e ques ões ambien ais aos alunos, bem
como abalho de g upo (Ca a o, 2006);
56
− In e disciplina idade, que pe mi i á aos alunos in eg a em e aplica em os conhecimen os e
compe ências que adqui i am ao longo dos seus es udos nas á ias disciplinas pa a abo da
de e minado p oblema ambien al, ap endendo a coope a , a lide a deba es, a negocia pa a
chega a consenso e a chega a uma conclusão maio i á ia quando não é possí el chega a um
consenso (Schae e , 2006);
− Abo dagem de esolução de p oblemas (Mason, 2006; Webe , 2009) di ecionada pa a dilemas
é icos (
p oblem-and-dilemma app oach
), conside ada a o ma mais adequada pa a esponde
às necessidades dos não especialis as, i.e., de alunos que, à pa ida, não êm o mação
ap o undada em iloso ia, como o caso dos u u os p o esso es de ciências e á eas simila es
(Mason, 2006); a u ilização de deba es é icos nas aulas de ciências (Bake e al., 2019).
Ou os au o es ac edi am que es a égias baseadas na esolução de p oblemas sociais e
ambien ais, de ca á e local e global, a o ecem o desen ol imen o de conhecimen os, a i udes e
in enções de compo amen o pa a o do ambien e e da sus en abilidade, po pa e dos u u os
p o esso es (Vega-Ma co e, & Va ela-Losada, 2016). Também o
oleplay
(Gay o d, 2002; Smi h, 2015,
Webe , 2009) e a u ilização de d ama izações, es a úl ima mais ponde ada, mais o mal e que eque
mais p epa ação (Smi h, 2015), podem, ambém, p opo ciona con ex o pa a p ocessos complexos de
omada de decisões que en ol am é ica e ques ões ambien ais (Ødegaa d, 2023). Moo hy e Akwen
(2020) c eem que a in eg ação da educação baseada em alo es ajuda á a esol e os p oblemas
ambien ais, dado que es a me odologia implica o mas es a égicas de pensa a educação que
p opo cionam nos alunos o acolhimen o de alo es que os o ien am na in e ação com o seu ambien e.
Ou a possibilidade pa a o ensino des es emas pode á se a educação baseada no local (
Place-
based Educa ion
) (Beames e al., 2009; Hadjichambis e al., 2020; On ong & Le G ange, 2014; Yemini
e al., 2023; ), um e mo gené ico pa a p á icas pedagógicas que dão p io idade à ap endizagem
expe iencial, comuni á ia e con ex ual/ecológica pa a cul i a uma maio ligação aos con ex os, cul u as
e ambien es locais (Yemini e al., 2023). Es a me odologia p ocu a en ol e os alunos a i amen e na
explo ação dos enómenos ambien ais locais, podendo se i como concei o subjacen e a uma econexão
e a uma o ien ação posi i a em elação à na u eza, ao ambien e, à Te a e ao Eu do aluno (On ong & Le
G ange, 2014).
Po im, Hou dequin (2024) p opõe, pa a o ensino de emas do âmbi o da é ica ambien al, o
mé odo do equilíb io e lexi o, que se baseia em in uições sob e casos ou ci cuns âncias pa icula es
(ex.: é e ado ma a animais po di e são), bem como em p incípios eó icos (ex.: o so imen o dos
57
animais é uma coisa má), pa a explo a e desen ol e pon os de is a é icos coe en es. Es a e lexão
é ica pode pe mi i aos indi íduos e aos g upos escla ece os seus comp omissos é icos e comp eende
melho o seu undamen o, desen ol e uma maio consciência de uma sé ie de pon os de is a é icos,
conside a e a alia di e en es eo ias e posições é icas e si ua os pon os de is a é icos em elação a
isões mais amplas do mundo e em elação a di e sos en endimen os das elações dos se es humanos
en e si e com o mundo em ge al.
2.8. Necessidades o ma i as e opiniões de p o esso es sob e a o mação dos alunos e a lecionação de
assun os elacionados com ecoé ica
Nes e subcapí ulo se á ei a uma e isão de li e a u a sob e as necessidades o ma i as de
p o esso es de ciências em ecoé ica ou é ica ambien al, bem como sob e as opiniões ela i as a
necessidades o ma i as dos alunos em ecoé ica e sob e a lecionação de assun os elacionados.
Apesa de não e em sido encon ados es udos que se cen em especi icamen e em necessidades
o ma i as de p o esso es de Biologia e Geologia em ecoé ica, o am encon ados alguns es udos que
podem se ele an es no o necimen o de in o mações ace ca de e en uais necessidades de o mação
de p o esso es e u u os p o esso es em assun os elacionados com ques ões ambien ais e com é ica
ambien al e é ica nas ciências. Esses es udos cen a am-se em de e mina os ní eis de sensibilização
de p o esso es e u u os p o esso es pa a a é ica ambien al (Ka akaya & Yilmaz, 2017; Sison, 2018) e
pa a ques ões de ecnologia e de ambien e (Ceyhan & Sahin, 2018), aze uma análise de a igos
in e nacionais sob e a implemen ação da educação é ica ambien al (Olawumi & Ma uso, 2023),
de e mina a consciência é ica ambien al e a i udes ambien ais sus en á eis de u u os p o esso es
(Akaydin & Eşme, 2024), a e igua que abo dagens êm os u u os p o esso es de di e en es p og amas
de o mação de p o esso es ela i amen e à é ica ambien al (Saka e al., 2009) e analisa os elemen os
cons i u i os da ap endizagem pa a a sus en abilidade nas escolas eu opeias (Eu ydice, 2024). Es udos
já analisados no subcapí ulo an e io (Alpak Tunç & Yenice, 2017; Ga ech e al., 2022; Oli ei a e al.,
2007; Pa ei a, 2003; Pe ei a, 2009; Su meli & Saka, 2013; UNESCO, 2021; Yumuşak e al., 2016)
possuem, ambém, in o mações que podem se ele an es pa a o conhecimen o de e en uais
necessidades o ma i as de p o esso es e u u os p o esso es.
Nos es udos mencionados an e io men e, pa a o cump imen o dos seus p opósi os, o am
analisados documen os (Eu ydice, 2024; Olawumi & Ma uso, 2023), e aplicadas en e is as (Ga ech
58
e al., 2022; Gay o d, 2002; Oli ei a e al., 2007; UNESCO, 2021) e ques ioná ios (Akaydin & Eşme,
2024; Alpak Tunç & Yenice, 2017; Ceyhan & Sahin, 2018; Ka akaya & Yilmaz, 2017; Pa ei a, 2003;
Pe ei a, 2009; Saka e al., 2009; Sison, 2018; Su meli & Saka, 2013; UNESCO, 2021; Yumuşak e al.,
2016).
Em Gay o d (2002), p o esso es de ciências conside am que a abo dagem de ques ões
con o e sas, como o são mui as ques ões de é ica ambien al, é pedagogicamen e p oblemá ica, po que
a au o idade do p o esso como especialis a na ma é ia é equen emen e pos a em causa, e que é
necessá io abo da es es ópicos de uma o ma me odológica di e en e e mais e icaz.
Pa ei a (2003), no seu es udo com p o esso es de odas as disciplinas, do 2.º e 3.º ciclos, conclui
que a apa en e al a de o mação em é ica ambien al pode explica a al a de e lexão des es p o esso es
sob e p oblemas ambien ais. A au o a p opõe a sensibilização dos p o esso es pa a o aspe o é ico do
ensino de ques ões ambien ais, dado que es e pode não e sido incluído na sua o mação inicial ou
con ínua.
No es udo de Oli ei a e al. (2007), os p o esso es de ciências conside am a sua o mação em
é ica ambien al insu icien e pa a pode em p omo e a ( e)cons ução de conhecimen os e alo es
ambien ais nos seus alunos. Como al, suge e-se a sensibilização des es p o esso es pa a o aspe o é ico
do ensino de ques ões ambien ais, pa a p omo e encon os do se humano com o ambien e.
O es udo de Alpak Tunç e Yenice (2017), com p o esso es de ciências, p opõe a inclusão da é ica
ambien al nos p og amas de o mação de p o esso es, dado que al a um ensino o ien ado pa a a é ica
na educação ambien al, is o é, sob e as azões da p o eção do ambien e, deco en e de di e en es ins
das abo dagens é icas de cada pessoa (ex.: uma pessoa pode p o ege o ambien e pa a o na a na u eza
ú il pa a si e pa a as p óximas ge ações, enquan o ou a pode p o egê-la com base no p essupos o de
que cada se i o em o di ei o de sob e i e ).
Ka akaya e Yilmaz (2017), no seu es udo com p o esso es de ciências e de Biologia, cons a am
que o ní el de habili ações académicas em in luência na sensibilização dos p o esso es pa a a é ica
ambien al. Assim, p o esso es com habili ações supe io es possuem maio sensibilização pa a a é ica
ambien al, o que le a, ambém, a um aumen o no ní el de consciência de é ica ambien al. Sison (2018)
ambém e i ica que u u os p o esso es de ciências com habili ações académicas supe io es possuem
maio sensibilização pa a a é ica ambien al. Nes e es udo (Sison, 2018), é indicado, ainda, que, após a
sua o mação inicial e ao longo da sua ca ei a docen e, os p o esso es não possuem o mação su icien e
ela i amen e a ques ões ambien ais. O es udo de Ka akaya e Yilmaz (2017) cons a ou, ambém, que
65
CAPÍTULO III
METODOLOGIA USADA NA INVESTIGAÇÃO
3.1. In odução
Nes e capí ulo ap esen a-se e undamen a-se a me odologia u ilizada no es udo ealizado pa a
esponde às ques ões especí icas da in es igação e, depois, à ques ão ge al. O capí ulo encon a-se
di idido em seis subcapí ulos, iniciando com es a b e e in odução (3.1.) e seguindo-se uma desc ição
sucin a do es udo ealizado, que esume os p ocedimen os ado ados na in es igação (3.2.). Depois,
ca a e iza-se a população e a amos a (3.3.) e ap esen a-se a seleção e a jus i icação das écnicas de
ecolha de dados, bem como os p ocedimen os elacionados com a elabo ação e alidação dos
ins umen os u ilizados nessa ecolha (3.4.). Po im, desc e em-se as condições em que o am
ecolhidos os dados (3.5.) e ap esen am-se e undamen am-se os p ocedimen os ado ados no seu
a amen o (3.6.).
3.2. Desc ição do es udo
O desenho des a in es igação, al como suge e a li e a u a, oi de inido de aco do com ques ões
os obje i os de in es igação, o ge al e os especí icos. O desenho de in es igação e e e-se a um plano
ge al es u u ado que desc e e os p ocedimen os u ilizados pa a desen ol e a in es igação, incluindo a
seleção dos esponden es e da me odologia u ilizada na ecolha de dados, no sen ido de da as espos as
adequadas aos p oblemas cien í icos colocados (McMillan & Schumache , 2014).
De aco do com o obje i o cen al des a in es igação - A e igua em que medida os p o esso es de
Biologia e Geologia, que lecionam no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundá io, es ão, ou não,
p edispos os e p epa ados pa a leciona sob e assun os elacionados com ecoé ica - op ou-se po ealiza
uma in es igação não expe imen al, do ipo sondagem, na medida em que o am selecionadas odas as
Escolas/Ag upamen os de Escolas (E/AE) públicas que inham 3.º ciclo e secundá io, mas, em cada
uma, apenas o am con idados seis p o esso es de Biologia e Geologia, que se encon a am em exe cício
de unções em Po ugal con inen al, o que se enquad a na desc ição des e ipo de in es igação, na qual
66
o in es igado seleciona uma amos a de indi íduos e aplica um inqué i o pa a ecolhe dados, com o
in ui o de desc e e a i udes, c enças, opiniões e ou os ipos de in o mação, de o ma que a in o mação
sob e um g ande núme o de pessoas (a população) possa se in e ida a pa i das espos as ob idas de
um g upo mais pequeno de sujei os (a amos a) (MacMillan & Shumake , 2014).
Na in es igação não expe imen al não há manipulação nem con olo de a iá eis (MacMillan &
Shumake , 2014), pelo que, nes e caso, não hou e qualque in e enção jun o des es g upos, endo a
ação sido limi ada à ecolha dos dados.
Pa a co esponde aos obje i os especí icos da in es igação e ecolhe os dados necessá ios pa a
da espos a a es e es udo, p ocedeu-se à elabo ação de um ques ioná io. Como já e e ido, o am
con idados a pa icipa no es udo seis p o esso es de Biologia e Geologia de cada E/AE pública/o de
Po ugal con inen al selecionada/o, a leciona Biologia e Geologia no 3.º ciclo do ensino básico e no
ensino secundá io. Os ques ioná ios que se ap esen a am adequadamen e espondidos in eg a am a
amos a (Gall e al., 2007), que é cons i uída po 293 p o esso es de Biologia e Geologia.
O a amen o de dados des e es udo en ol eu o cálculo da equência absolu a e ela i a, po
al e na i a de espos a, no caso das ques ões de espos a echada, conside ando as al e na i as de
espos a como ca ego ias de análise e a análise do con eúdo (com is a à quan i icação) das espos as
no caso das ques ões de espos a abe a e dos pedidos de jus i icação às ques ões de espos a echada,
com base em conjun os de ca ego ias de inidos
a pos e io i
, pa a cada uma das ques ões.
Dado ha e alguma complexidade e no idade no assun o abo dado, eco eu-se, ambém, à
aplicação de um inqué i o po en e is a, que se baseou nas espos as ob idas com o ques ioná io, pa a
ob enção de maio segu ança e cla i icação na análise e in e p e ação das mesmas. As en e is as
ajudam a cla i ica e ap o unda os dados ob idos a a és do ques ioná io, ou seja, ajudam a
comp eende esses dados (C eswell & C eswell, 2023; Fe gusson e al., 2019).
No sen ido de ecolhe os dados necessá ios, p ocedeu-se à elabo ação de um guião de en e is a,
que oi aplicado a 10 p o esso es de Biologia e Geologia que leciona am no 3.º ciclo do ensino básico e
no ensino secundá io, em E/AE públicas/os, que se mos a am disponí eis pa a se em en e is ados. O
a amen o de dados, nes e caso, en ol eu uma análise do con eúdo das espos as, com ca ego ias
de inidas
a pos e io i
.
67
3.3. Seleção e ca a e ização da população e da amos a
Conside a-se a população um g upo de indi íduos ou e en os, que se adequam a um dado c i é io,
do qual é e i ada uma amos a e pa a o qual os esul ados podem se gene alizados (McMillan &
Schumache , 2014). A população, nes e ipo de es udos, é delimi ada an es da ecolha dos dados e,
quando ap esen a uma g ande dimensão, e como é ecomendado em casos des e ipo (Gall e al., 2007;
McMillan & Schumache , 2014), eco e-se a uma amos a ep esen a i a e abalha-se com essa
amos a, gene alizando, depois, os dados à espe i a população. Assim, a amos a e e e-se ao conjun o
de indi íduos a pa i dos quais são ecolhidos os dados, sendo equen emen e ep esen a i a de uma
população especí ica (McMillan & Schumache , 2014). Con udo, nem semp e os elemen os da
população-al o es ão de idamen e iden i icados, pelo que o in es igado apenas em acesso a uma pa e
desses elemen os, designada de população acessí el, que obedece aos c i é ios ele an es, mas cuja
elação com a população inacessí el em ou os c i é ios se desconhece, o que pode coloca alguns
p oblemas em e mos de ep esen a i idade ace à população-al o (McMillan & Schumache , 2014).
Nes e es udo, a população é cons i uída pelos p o esso es de Biologia e Geologia, do 3º ciclo do
ensino básico e do ensino secundá io (do 7.º ao 12.º ano de escola idade), que se encon a am a exe ce
unções em E/AE públicas/os de Po ugal con inen al. A opção po escolas públicas de Po ugal
con inen al p endeu-se, undamen almen e, com o ac o de as egiões au ónomas da Madei a e dos
Aço es e em alguma au onomia em e mos de polí ica educa i a, podendo ap esen a a iações no
cu ículo, o que o na ia necessá io e em con a essas especi icidades, bem como exigi ia uma análise
di e enciada po egião, o nando o es udo mais complexo.
Dado o ele ado núme o de p o esso es po ugueses des a disciplina exis en e no con inen e e as
exigências das ques ões de in es igação des e es udo, só se abalhou com uma pa e des a população.
De aco do com o ela ó io sob e o pe il dos p o esso es em Po ugal (Di eção-Ge al de Es a ís icas da
Educação e Ciência, 2022), exis iam 5.611 p o esso es de Biologia e Geologia em a i idade no ano le i o
de 2021/2022 nas E/AE públicas/os de Po ugal con inen al. No
si e
do Ins i u o de Ges ão Financei a
da Educação, I.P. (Ins i u o de Ges ão Financei a da Educação [IGeFE], 2021), uma pesquisa po “Rede
Escola ” pe mi iu iden i ica 506 E/AE que obedeciam aos c i é ios p e endidos, is o é, que incluíam a
lecionação de Biologia e Geologia no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundá io. A necessidade
de exis i em, em cada E/AE, os dois ní eis de ensino mencionados an es ob igou a que a seleção das/os
E/AE se izesse en e as/os de maio dimensão, ou seja, os ag upamen os de escolas cuja sede se
encon a a numa escola secundá ia, os ag upamen os de escolas cuja sede se encon a a numa escola
68
básica e secundá ia e as escolas secundá ias com 3.º ciclo (escolas não ag upadas). Es a opção ez com
que escolas não ag upadas de meno dimensão e os ag upamen os de escolas de meno dimensão
(ag upamen os de escolas com sede em escola básica) ossem excluídas/os po não euni em as
ca a e ís icas desejadas.
Como as/os E/AE es a am dispe sas/os pelo e i ó io con inen al, o con i e pa a pa icipa em
no es udo oi ealizado, pela in es igado a, ia
e-mail
. Foi en iado con i e a seis p o esso es de Biologia
e Geologia po E/AE, pa a pa icipação no es udo, a a és dos/as Di e o es/as, o que pe ez um o al de
3.036 p o esso es de Biologia e Geologia con idados. Acei a am pa icipa olun a iamen e no es udo
301 p o esso es de Biologia e Geologia, o que signi ica que apenas ce ca de 10% (9,9%) dos con idados
esponde am ao ques ioná io. Con udo, as espos as ao ques ioná io de oi o p o esso es, dos 301 que
pa icipa am no es udo, não o am conside adas, algumas po al a de espos a às ques ões de espos a
cu a ou li e e ou as po que os esponden es indica am não se p o esso es das disciplinas de Biologia
e Geologia. Des e modo, pa icipa am e e i amen e no es udo 293 p o esso es.
No con i e pa a pa icipação no es udo, oi solici ado aos/às Di e o es/as que selecionassem e
con idassem p o esso es de Biologia e Geologia com di e sidade de ca a e ís icas, an o quan o possí el,
nomeadamen e quan o ao ní el de ensino lecionado p edominan emen e, à idade, ao empo de se iço
e às habili ações p o issionais, a im de que pe mi isse ob e uma amos a o mais he e ogénea possí el
e que se ap oximasse da população de que oi e i ada. Nesse sen ido, solici ou-se aos/às Di e o es/as
de cada E/AE que selecionassem ês p o esso es de Biologia e Geologia a leciona p edominan emen e
no 3.º ciclo do ensino básico e ês a leciona p edominan emen e no ensino secundá io, com idades,
empos de se iço e habili ações p o issionais di e en es. Se, em alguma/algum E/AE, o núme o de
p o esso es osse in e io ao solici ado (seis p o esso es po E/AE), pediu-se-lhes que solici assem a
colabo ação do núme o de p o esso es disponí eis, independen emen e das ca a e ís icas desejadas.
Quan o à ca a e ização da amos a ob ida, o am calculadas as equências absolu as e ela i as
de aco do com as espos as dadas pelos pa icipan es às p incipais ques ões que examina am as suas
ca a e ís icas sociodemog á icas (Tabela 5), na dimensão e e en e aos dados pessoais e p o issionais
do ques ioná io, nomeadamen e: géne o, idade, habili ações p o issionais, empo de se iço, si uação
con a ual e ní el de ensino lecionado p edominan emen e nos úl imos ês anos. Analisando a Tabela
5, e i ica-se que a amos a é compos a po inqui idos: maio i a iamen e (ce ca de 80%), do sexo
eminino; de classes e á ias mais ele adas, com 51 ou mais anos (59%); maio i a iamen e (ce ca de
87%), com habili ações ao ní el da licencia u a; com empos de se iço ele ados, de 26 ou mais anos
69
(59,7%); maio i a iamen e, do quad o de escola (75,4%); que mencionam leciona p edominan emen e
no 3.º ciclo do ensino básico (ce ca de 49% de p o esso es) e que mencionam leciona
p edominan emen e no ensino secundá io (ce ca de 51% de p o esso es).
Tabela 5. Ca a e ís icas Sociodemog á icas da Amos a (Ques ioná io)
(N=293)
Ca ego ias
Subca ego ias
%
Géne o
Feminino
235
80,2
Masculino
57
19,5
P e i o não esponde
1
0,3
Idade
40 anos ou menos
13
4,5
41 - 50 anos
107
36,5
51 ou mais anos
173
59,0
Habili ações p o issionais
Lic. em Ensino/Ramo Educacional (P é-Bolonha)
256
87,3
Mes ado em Ensino (Pós-Bolonha)
11
3,8
P o issionalização em se iço ou equi alen e
26
8,9
Tempo de se iço
15 anos ou menos
39
13,3
16 - 25 anos
79
27,0
26 anos ou mais
175
59,7
Si uação con a ual
Quad o de escola
221
75,4
Quad o de zona pedagógica
17
5,8
Con a ado
54
18,5
Não esponde
1
0,3
Ní el de ensino lecionado
p edominan emen e nos úl imos 3
anos
3.º Ciclo do Ensino Básico
142
48,5
Ensino Secundá io
151
51,5
Pa a além des as ca a e ís icas p incipais (Tabela 5), oi possí el, ambém, a e igua que: a
maio ia dos inqui idos (63,1%) não equen ou nenhuma o mação académica complemen a pa a além
da sua o mação inicial; os inqui idos ep esen am odos os dis i os de Po ugal, sendo as cidades mais
ep esen adas Po o (18,1%), Lisboa (14,3%) e B aga (13,3%); equen emen e, os inqui idos possuem
acumulação de unções de ges ão, nomeadamen e Di eção de Tu ma (66,6%).
No sen ido de se ap o unda , po ecu so à en e is a, a comp eensão dos dados ob idos com a
aplicação do ques ioná io, ambém oi necessá ia uma amos a, cons i uída po p o esso es de Biologia
e Geologia a leciona no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundá io, no ano le i o 2022/2023,
em E/AE públicas/os com as ca a e ís icas mencionadas.
70
No que diz espei o ao núme o de p o esso es a en e is a , es e depende do(s) obje i o(s) do
es udo, de endo-se p i ilegia a qualidade e não a quan idade de en e is as ealizadas (Bolde s on,
2012). A amos a com que se abalhou oi o mada po 10 p o esso es de Biologia e Geologia que se
mos a am disponí eis pa a se em en e is ados. Não se en e is a am mais p o esso es, além des es,
po que se oi no ando que os dados ecolhidos não se ap esen a am mui o di e en es dos an e io es,
bem como se e e em a enção o empo disponí el pa a dedica às en e is as sem comp ome e o
é mino das es an es ases do es udo. Também nes e caso se p ocu ou, como nos ques ioná ios, man e
o c i é io de di e si icação das ca a e ís icas dos esponden es, nomeadamen e no que conce ne a idade,
habili ações p o issionais, empo de se iço e ní el de ensino lecionado p edominan emen e, o que se
aduz numa maio iqueza in o ma i a. Todos os p o esso es con idados acei a am pa icipa na
in es igação, com exceção de um, o qual oi subs i uído po ou o p o esso con idado com ca a e ís icas
semelhan es.
Analisando os dados da Tabela 6, e i ica-se que a amos a de p o esso es en e is ados é
compos a po cinco p o esso es e cinco p o esso as, endo a sua maio ia 51 ou mais anos (60%).
Com exceção de dois p o esso es, que equen a am a licencia u a em Biologia-Geologia pós-
Bolonha e o mes ado em ensino da disciplina ambém pós-Bolonha, os es an es (80%) equen a am a
licencia u a em Ensino de Biologia e Geologia p é-Bolonha.
Quan o ao empo de se iço, 60% possuem 26 anos ou mais de empo de se iço e, como al,
quase odos os p o esso es en e is ados pe enciam ao Quad o de Escola / de Ag upamen o (70%).
Apesa da endência de ele ado empo de se iço, de modo ge al, e i icou-se que 50% dos p o esso es
en e is ados abalha am há 10 anos ou menos na escola onde se encon a am a leciona no momen o
da en e is a. Pa a além des as ca a e ís icas p incipais (Tabela 6), oi possí el, ambém, a e igua que:
dos 10 p o esso es, seis equen a am pós-g aduações em di e sas á eas, nomeadamen e em Ciências
do Ambien e, Tecnologia Educa i a, Educação, Gené ica, e Supe isão no Ensino das Ciências.
As duas amos as aqui ap esen adas ( abelas 5 e 6) e idenciam ca a e ís icas semelhan es em
alguns aspe os, en e eles: as idades a ançadas; o empo de se iço dos p o esso es – de modo ge al,
ele ado; e os ní eis de lecionação p edominan es nos úl imos ês anos.
71
Tabela 6. Ca a e ís icas Sociodemog á icas da Amos a (En e is a)
(N=10)
Ca ego ias
Subca ego ias
%
Géne o
Feminino
5
50
Masculino
5
50
Idade
40 anos ou menos
2
20
41 - 50 anos
2
20
51 ou mais anos
6
60
Habili ações p o issionais
Lic. em Ensino/Ramo Educacional (P é-Bolonha)
8
80
Mes ado em Ensino (Pós-Bolonha)
2
20
P o issionalização em se iço ou equi alen e
0
0
Pós-G aduação (á ea ex a-ensino)
6
60
Tempo de se iço
15 anos ou menos
2
20
16 - 25 anos
2
20
26 anos ou mais
6
60
Si uação con a ual
Quad o de escola
7
70
Quad o de zona pedagógica
1
10
Con a ado
2
20
Tempo lecionação escola a ual
10 anos ou menos
5
50
11 - 20 anos
2
20
21 - 30 anos
2
20
31 anos ou mais
1
10
Ní el de ensino lecionado p edominan emen e
nos úl imos 3 anos
3.º Ciclo do Ensino Básico
6
60
Ensino Secundá io
4
40
3.4. Técnicas e ins umen os de ecolha de dados
Nas in es igações ealizadas na á ea de educação em ciências, as écnicas de ecolha de dados
mais u ilizadas são a análise de documen os, a obse ação e o inqué i o, po en e is a ou po
ques ioná io (Cohen e al., 2018; Gall e al., 2007; McMillan & Schumache , 2014). A endendo aos
obje i os do p esen e es udo, desc i os no capí ulo I, pe cebeu-se que a obse ação – uma o ma de o
in es igado e e ou i o que es á a acon ece na u almen e no local de in es igação e que en ol e a
ecolha de dados, di e a ou indi e a, sob e acon ecimen os e/ou compo amen os dos pa icipan es pelo
p óp io in es igado – e a análise documen al – que en ol e a ecolha de dados a a és da análise de
in o mações cons an es de documen os esc i os (Cohen e al., 2018; McMillan & Schumache , 2014) –
não se iam os ins umen os de ecolha de dados mais adequados.
72
Po ou o lado, u iliza-se a écnica de inqué i o quando se p ocu a ap o unda o conhecimen o
ace ca, po exemplo, das conceções, opiniões, c enças, ideias e alo es de uma dada população
(McMillan & Schumache , 2014). Segundo McMillan e Schumache (2014), a écnica de inqué i o é a
mais u ilizada pa a ob e in o mações jun o dos esponden es, a a és de ques ões que são colocadas
ao inqui ido e às quais ele esponde. Assim, as écnicas de inqué i o po ques ioná io – que en ol e a
ecolha de dados sob e in o mações biog á icas, conhecimen os, opiniões, c enças, a a és da colocação
de ques ões, po esc i o, aos pa icipan es – e po en e is a – que en ol e a ecolha de dados a a és
da colocação de ques ões, o almen e, eg a ge al, a um pa icipan e (Cohen e al., 2018; McMillan &
Schumache , 2014) – adequam-se pa a da espos a aos obje i os o mulados no capí ulo I. O ecu so
ao inqué i o po ques ioná io: pe mi e conside a a dispe são geog á ica dos elemen os da amos a;
pe mi e que os pa icipan es espondam calmamen e, no momen o mais con enien e, às ques ões
colocadas; é ela i amen e económico; em as mesmas pe gun as pa a odos os pa icipan es; pe mi e
que seja aplicado a mui os pa icipan es em simul âneo; e pode ga an i o anonima o (Fe gusson e al.,
2019; McMillan & Schumache , 2014). Con udo, ambém o am idas em con a as limi ações da
aplicação de ques ioná ios, nomeadamen e: o ac o de os pa icipan es pode em esponde pa cialmen e
ao ques ioná io e/ou não esponde às ques ões p incipais e/ou da espos as supe iciais e/ou
incomple as; o ac o de não exis i a ga an ia de que a maio ia esponda ao ques ioná io; o ac o de
pode em esponde de aco do com o que pensam se a desejabilidade social; o ac o de a mesma
ques ão pode se in e p e ada de di e en es modos po di e en es pa icipan es (Fe gusson e al., 2019;
McMillan & Schumache , 2014).
O ecu so ao inqué i o po en e is a pe mi e ul apassa algumas limi ações do ques ioná io, dado
que, du an e a en e is a, o in es igado pode pedi ao en e is ado pa a comple a a sua espos a ou
pa a explica melho as ideias que ap esen a, endo ainda a possibilidade de epe i ou escla ece as
suas ques ões, o mulando-as de modo di e en e semp e que necessá io (Fe gusson e al., 2019), bem
como de al e a o guião, que pode se lexí el (Bolde s on, 2012), como acon ece, po exemplo, nas
en e is as semies u u adas. Con udo, ambém as en e is as ap esen am des an agens,
nomeadamen e o seu po encial de subje i idade, o seu cus o mais ele ado e a sua na u eza demo ada,
o que no malmen e esul a numa amos agem de menos pessoas do que aquela que pode ia se ob ida
com um ques ioná io; a al a de anonima o – ainda que a con idencialidade seja sublinhada – pode,
igualmen e, e in luência na exp essão de sen imen os e no à- on ade do en e is ado (McMillan &
Schumache , 2014).
Numa ase inicial, pa a elabo a o ins umen o de ecolha de dados, nes e caso, o ques ioná io,
73
e e-se em a enção os obje i os de in es igação de inidos no capí ulo I, a e isão de li e a u a e e uada
no capí ulo II e as suges ões pa a desen ol imen o de ins umen os de ecolha de dados e e idas po
di e sos au o es (Gall e al., 2007; McMillan & Schumache , 2014) da á ea da me odologia de
in es igação em educação em ciências. A endendo a que, com es e es udo, se p e endia a e igua em
que medida os p o esso es de Biologia e Geologia que leciona am no 3.º ciclo do ensino básico e no
ensino secundá io es a am p edispos os e p epa ados pa a leciona assun os elacionados com ecoé ica,
e a necessá io ecolhe in o mações sob e: as conceções que os p o esso es de Biologia e Geologia êm
ace ca do concei o de ecoé ica; as ep esen ações de p á icas de p o esso es de Biologia e Geologia na
lecionação de assun os elacionados com ecoé ica; as necessidades de o mação sen idas po
p o esso es de Biologia e Geologia sob e assun os elacionados com ecoé ica; as opiniões de p o esso es
de Biologia e Geologia sob e a lecionação de assun os elacionados com ecoé ica. Tais aspe os
(dimensões) o am de inidos com base na e isão da li e a u a, ealizada no capí ulo II. Depois de
iden i icadas as dimensões, começou-se po o mula , pa a cada uma delas, os obje i os de in es igação
a alcança , ela i amen e aos quais se ia necessá io ecolhe in o mação, de modo a ob e espos as.
De seguida, pesquisa am-se es udos cen ados nes as dimensões e obje i os a im de a e igua se
ha e ia, ou não, ins umen os de ecolha de dados que pudessem se u ilizados e/ou adap ados. Nessa
pesquisa, não se encon ou nenhum ins umen o de ecolha de dados, na li e a u a e is a, nem o am
encon ados es udos que pe mi issem in e i ques ões que pudessem se u ilizadas no es udo em causa
nes a ese. Des e modo, a endendo aos obje i os especí icos o mulados pa a o ques ioná io (Tabela 7),
elabo ou-se uma p imei a e são des e, no sen ido de ob e os dados necessá ios pa a esponde aos
obje i os de in es igação o mulados no capí ulo I. As dimensões incluídas p ocu a am esponde aos
obje i os (ge al e especí icos) e são as seguin es: dados pessoais e p o issionais de p o esso es;
conceções de p o esso es sob e ecoé ica; pe spe i as de p o esso es sob e p oblemas ambien ais;
ep esen ações de p á icas le i as de p o esso es elacionadas com a educação pa a a ecoé ica;
necessidades o ma i as de p o esso es em ecoé ica; opiniões de p o esso es sob e as necessidades
o ma i as dos alunos em ecoé ica; opiniões de p o esso es sob e a lecionação de assun os elacionados
com ecoé ica.
Tabela 7. Dimensões, Obje i os e Respe i a Iden i icação das Ques ões que In eg am o Ques ioná io
Dimensões
Obje i os das ques ões
Ques ões
Dados pessoais e
p o issionais de
p o esso es
A e igua o sexo
1
A e igua a idade
2
A e igua as habili ações p o issionais
3
74
A e igua as o mações académicas complemen a es
4
A e igua o empo de se iço
5
A e igua a si uação con a ual
6
A e igua o concelho de esidência
7
A e igua o ní el de ensino lecionado p edominan emen e
8
A e igua as unções de ges ão exe cidas
9
Conceções de p o esso es
sob e ecoé ica
A e igua conceções ace ca do concei o de ecoé ica
10
Pe spe i as de
p o esso es sob e
p oblemas ambien ais
A e igua o g au de ele ância que a ibuem a p oblemas ambien ais
11
A e igua o posicionamen o ela i amen e à explo ação de lí io
12.1
A e igua as azões que le a am a esse posicionamen o ela i amen e à
explo ação de lí io
12.1.1
Rep esen ações de
p á icas le i as de
p o esso es elacionadas
com a o mação dos
alunos em ecoé ica
A e igua se abo dam ques ões ambien ais numa pe spe i a de ecoé ica nas
aulas
13
A e igua as azões que le a am a e e i que abo dam, ou não, ques ões
ambien ais numa pe spe i a de ecoé ica
13.1
A e igua p oblemas ambien ais abo dados numa pe spe i a de ecoé ica cuja
abo dagem oi conside ada bem-sucedida
13.2
A e igua como ize am as abo dagens de p oblemas ambien ais numa
pe spe i a de ecoé ica
13.2.1
A e igua os ecu sos didá icos u ilizados nas abo dagens de p oblemas
ambien ais numa pe spe i a de ecoé ica
13.2.2
A e igua as pe ceções ace ca das eações dos alunos ao modo como se
abo da am os p oblemas ambien ais numa pe spe i a de ecoé ica
13.2.3
Indaga sob e as azões que le a am a indica de e minadas eações dos
alunos às abo dagens de p oblemas ambien ais numa pe spe i a de ecoé ica
13.2.3.1
Necessidades o ma i as
de p o esso es em
ecoé ica
A e igua se o am abo dados assun os elacionados com ecoé ica na
o mação inicial
14
A e igua que assun os elacionados com ecoé ica o am abo dados na
o mação inicial
14.1
A e igua como o am abo dados os assun os elacionados com ecoé ica na
o mação inicial
14.2
A e igua opiniões quan o à abo dagem da ecoé ica na o mação inicial de
p o esso es de Biologia e Geologia
15
A e igua as azões que le a am a indica que a ecoé ica de e se abo dada,
ou não, nos cu sos de o mação inicial de p o esso es de Biologia e Geologia
15.1
A e igua a equência em ações de o mação no âmbi o da ecoé ica
16
A e igua os nomes das ações de o mação equen adas no âmbi o da
ecoé ica
16.1
A e igua mo i os pelos quais ize am ações de o mação no âmbi o da
ecoé ica
16.2
Opiniões de p o esso es
sob e as necessidades
o ma i as dos alunos em
ecoé ica
A e igua o g au de ele ância a ibuído a di e en es á eas de o mação pa a
alunos que e minam o ensino básico e o ensino secundá io
17
A e igua as opiniões ace ca das á eas de o mação que os alunos
e e i amen e possuem quando e minam o ní el de ensino que os p o esso es
êm lecionado p edominan emen e
18
A e igua as opiniões ace ca da adequação da o mação dos alunos em
ecoé ica pa a o exe cício de uma cidadania ambien almen e esponsá el
18.1
A e igua as azões que le a am a indica que os seus alunos êm, ou não,
o mação adequada em ecoé ica pa a o exe cício de uma cidadania
ambien almen e esponsá el
18.1.1
Opiniões de p o esso es
sob e a lecionação de
A e igua o g au de conco dância que a ibuem aos conhecimen os
necessá ios pa a p omo e a educação pa a a ecoé ica
19
81
3.6. T a amen o e análise de dados
O a amen o dos dados ob idos oi conc e izado endo em conside ação os obje i os de
in es igação de inidos no capí ulo I. A análise dos dados ecolhidos a a és do ques ioná io oi e e uada
em dois momen os. Num p imei o momen o, ealizou-se uma análise quan i a i a das espos as dos
p o esso es às ques ões de espos a echada. Assim, nas e e idas ques ões, as opções de espos a
o am omadas como ca ego ias e calcula am-se as equências absolu as e as equências ela i as de
espos a po ca ego ia. Num segundo momen o, e e uou-se uma análise do con eúdo das espos as às
ques ões de espos a abe a e aos pedidos de jus i icação em ques ões de espos a echada, incluídos
no ques ioná io. Assim, e al como suge e a li e a u a, oi ealizada uma lei u a lu uan e do con eúdo
das espos as às ques ões de espos a abe a e aos pedidos de jus i icação às ques ões de espos a
echada, a im de en osa e iden i ica os assun os e e idos pelos esponden es nas suas espos as.
De seguida, c iou-se um conjun o de ca ego ias de espos a pa a cada ques ão/explicação, endo
essas ca ego ias su gido
a pos e io i
das espos as dos esponden es. Não exis em eg as p é-
es abelecidas pa a a de inição de unidades de con eúdo – podendo se uma pala a, uma ase, um
ema/assun o – nem de ca ego ias, is o é, ag upamen os de unidades de con eúdo, uma ez que cada
análise do con eúdo é dis in a de odas as ou as. Te minada a e apa de c iação de ca ego ias de
espos a, aplicou-se cada conjun o de ca ego ias às espe i as espos as a analisa , a im de as
classi ica . Nes a ase, o am ainda ei os ajus es em alguns conjun os de ca ego ias, no sen ido de o ná-
las mais obje i as e/ou adequadas aos dados. Po se em mui os, os conjun os de ca ego ias, de inidos
a pos e io i
, não se ão aqui ap esen ados, o que se á ei o no qua o capí ulo, à medida que os esul ados
o em sendo expos os.
Depois de e e uada a ca ego ização das espos as, o am e e uados cálculos de equências
absolu as e de equências ela i as, de modo a iden i ica a p e alência ela i a das di e en es ca ego ias
de espos a. No qua o capí ulo, semp e que se conside ou ele an e pa a undamen a a análise e a
discussão dos esul ados, no caso das espos as a ques ões de espos a abe a e dos pedidos de
jus i icação de espos as a ques ões de espos a echada, o am ap esen ados exemplos de espos as de
p o esso es, com indicação do espe i o código do p o esso . Nos casos em que as ca ego ias su gem
em ele ado núme o, apenas se ap esen am exemplos de espos as de p o esso es pa a as mais
ep esen a i as. A í ulo de exemplo, seguindo o ien ação de McMillan e Schumache (2014), u iliza am-
se códigos compos os pela le a P (P o esso ) e um alga ismo (de 1 a 293), co esponden e ao núme o
de o dem do p o esso que espondeu ao ques ioná io, a iando, assim, os códigos de P1 a P293. O
82
ecu so a códigos em como obje i o p ese a o anonima o dos p o esso es inqui idos, man endo
con idenciais as in o mações pessoais o necidas pelos pa icipan es no es udo (McMillan &
Schumache , 2014).
Reco eu-se, ambém, à análise dos dados a a és de es a ís ica in e encial, u ilizando-se o
so wa e
SPSS-24.0 (S a is ical Package o he Social Sciences). Pa a conc e ização da análise
in e encial, e endo em conside ação o cump imen o dos c i é ios necessá ios pa a a ealização de es es
pa amé icos, ez-se o es e da no malidade de Kolmogo o Smi no , cuja Hipó ese Nula (H0) é que os
dados es ão no malmen e dis ibuídos, endo o esul ado do
p- alue
sido (p< 0,05) pa a as a iá eis em
es udo, ejei ando-se a Hipó ese Nula (H0). Como al, assume-se que a amos a não segue uma
dis ibuição no mal e, nesse sen ido, o am u ilizados es es não-pa amé icos.
Pa a co elaciona a aixa e á ia, as habili ações p o issionais, o empo de se iço e as a iá eis
em es udo, oi u ilizado o coe icien e de co elação de Spea man, que é uma medida de associação não
pa amé ica en e duas a iá eis, pelo menos, o dinais. Es e coe icien e é ob ido a a és da subs i uição
dos alo es das obse ações pelas espe i as o dens. As medidas de associação quan i icam a
in ensidade e a di eção da associação en e duas a iá eis (Ma ôco, 2014).
Pa a compa a o g au de ele ância e o g au de conco dância das ques ões em es udo em unção
do ní el de ensino lecionado p edominan emen e, oi aplicado o es e de Mann-Whi ney, que é o es e
não-pa amé ico adequado pa a compa a as unções de dis ibuição de uma a iá el, pelo menos,
o dinal medida em duas amos as independen es (Ma ôco, 2014).
Pa a e i ica a associação en e o ní el de ensino lecionado p edominan emen e e as ques ões
‘O ensino das Ciências Na u ais/Biologia e Geologia em con ibuído, an o quan o podia, pa a a
o mação dos alunos em Ecoé ica?’, ‘A o mação que pensa que os seus alunos e e i amen e possuem,
quando e minam o ní el de ensino que em lecionado, é su icien e pa a o exe cício de uma cidadania
ambien almen e esponsá el?’, ‘Cos uma abo da , nas suas aulas, p oblemas ambien ais numa
pe spe i a de Ecoé ica?’, ‘Ace ca da explo ação de lí io em Po ugal. Com que opinião conco da?’, oi
aplicado o es e do Qui-Quad ado (x2), que se e pa a es a se duas ou mais populações (ou g upos)
independen es di e em ela i amen e a uma de e minada ca a e ís ica (Ma ôco, 2014).
Po im, pa a e i ica a associação en e a aixa e á ia, as habili ações académicas, o empo de
se iço e as ques ões ‘O ensino das Ciências Na u ais/Biologia e Geologia em con ibuído, an o quan o
podia, pa a a o mação dos alunos em Ecoé ica?’ e ‘A o mação que pensa que os seus alunos
e e i amen e possuem, quando e minam o ní el de ensino que em lecionado, é su icien e pa a o
83
exe cício de uma cidadania ambien almen e esponsá el?’, oi igualmen e aplicado o es e do Qui-
Quad ado (x2).
No capí ulo IV, os esul ados ob idos se ão, maio i a iamen e, ap esen ados em abelas com
equências absolu as e equências ela i as, e, no caso dos esul ados ob idos com ecu so ao
so wa e
SPSS, apenas se ap esen a ão os esul ados es a is icamen e signi ica i os. As ‘não espos as’ que
su gem nas abelas ap esen adas no capí ulo IV e e em-se a espos as em b anco e a espos as que se
des iam do solici ado.
No caso das en e is as, seguiu-se um p ocesso semelhan e ao desc i o acima pa a as espos as
a ques ões de espos a abe a. P imei amen e, e após a ealização de cada en e is a, e e uou-se a sua
ansc ição li e al (exempli ica-se, nos anexos, uma das ansc ições – Anexo 6), pa a, pos e io men e,
se p ocede à análise do con eúdo das espos as dos en e is ados, de modo a iden i ica os aspe os
ocados nas mesmas. Foi e e uada, numa p imei a ins ância, uma lei u a lu uan e das espos as, e
o am de inidas ca ego ias
a pos e io i
,
com base nas mesmas (K ippendo , 2018). As espos as a cada
ques ão da en e is a o am analisadas em es ei a a iculação com os esul ados da análise das
espos as à ques ão co esponden e do ques ioná io, pois os dados das en e is as complemen a am e
ajuda am a in e p e a os dados ob idos com o ques ioná io.
Semp e que se conside ou ele an e pa a undamen a a análise e a discussão dos esul ados, e
al como se e e iu ela i amen e aos dados deco en es do ques ioná io, o am ap esen ados exemplos
de espos as de p o esso es, com a espe i a indicação do código do en e is ado. A í ulo de exemplo,
seguindo a ecomendação de McMillan e Schumache (2014), u iliza am-se códigos compos os pelas
le as PE (P o esso En e is ado) e um alga ismo (de 1 a 10), co esponden e ao núme o de o dem do
p o esso en e is ado, a iando, pois, os códigos de PE1 a PE10.
84
CAPÍTULO IV
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.1. In odução
Es e capí ulo em como obje i o ap esen a e discu i os esul ados ob idos na in es igação
ealizada. Pa a além des a in odução (4.1.), em mais cinco subcapí ulos, de inidos com base nas
dimensões do ques ioná io. Assim, começa-se po ap esen a e discu i as conceções de p o esso es de
Biologia e Geologia sob e o concei o de ecoé ica (4.2.), seguindo-se as suas pe spe i as sob e p oblemas
ambien ais (4.3.). De seguida, passa-se à ap esen ação e discussão das ep esen ações de p á icas de
p o esso es de Biologia e Geologia ela i as à lecionação de assun os elacionados com ecoé ica (4.4.) e
às suas necessidades o ma i as sob e o ema em causa (4.5.). Po im, ap esen a-se e discu e-se as
opiniões des es p o esso es (4.6.) sob e as necessidades o ma i as dos alunos em assun os
elacionados com ecoé ica (4.6.1.), bem como sob e o ensino de assun os elacionados com ecoé ica
(4.6.2.).
4.2. Conceções de p o esso es de Biologia e Geologia sob e o concei o de ecoé ica
Os dados ap esen ados e analisados nes e subcapí ulo o am ecolhidos jun o de p o esso es de
Biologia e Geologia, que leciona am no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundá io, a a és da
aplicação de um ques ioná io, como oi e e ido no capí ulo III. A alguns p o esso es oi solici ado,
pos e io men e, em si uação de en e is a, que in e p e assem e/ou complemen assem in o mações
ecolhidas a a és do ques ioná io.
Pa a analisa as conceções pe ilhadas pelos p o esso es de Biologia e Geologia, oi-lhes pedido que
escla ecessem como explica iam aos alunos o que é a ecoé ica (Q10). De aco do com os dados da
Tabela 9, e i ica-se que a maio ia dos p o esso es de iniu ecoé ica, de o ma pouco ap o undada, como
ques ões é icas aplicadas ao ambien e (66,2%). Em meno es pe cen agens, associa am o concei o à
p ese ação da ida e da qualidade de ida na Te a (8,9%), aos di ei os dos se es i os a e um ambien e
saudá el (5,8%), à consciência da não sepa ação Homem-na u eza e da in e - elação bió ica-abió ica
(4,8%), e, po im, ao econhecimen o de alo mo al a ou as en idades além do se humano (0,3%).
85
Tabela 9. Conceções Sob e o Concei o de Ecoé ica
(N=293)
A ecoé ica e e e-se a…
%
Ques ões é icas aplicadas ao ambien e
194
66,2
P ese ação da ida e da qualidade de ida na Te a
26
8,9
Di ei os dos se es i os a e um ambien e limpo
17
5,8
Consciência da não sepa ação Homem-na u eza e da in e - elação bió ica-abió ica
14
4,8
Reconhecimen o de alo mo al de ou as en idades além do se humano
1
0,3
Não esponde
64
21,8
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia
Ap esen am-se, de seguida, alguns exemplos de espos as incluídas na ca ego ia ‘Ques ões é icas
aplicadas ao ambien e’:
“A ecoé ica é a esponsabilidade que cada se humano em com o ambien e/na u eza.” (P21)
“Conjun o de alo es/a i udes que o Homem de e espei a no con ac o com a na u eza.” (P33)
Rela i amen e à ca ego ia em que os p o esso es se e e em ao concei o de ecoé ica como a
p ese ação da ida e da qualidade de ida na Te a, mos am-se alguns exemplos de espos as:
“Conside a que a conse ação da ida humana es á in insecamen e ligada à conse ação da ida
de odos os se es.” (P48)
“A ua con o me as nossas necessidades pa a uma ida com qualidade, mas sem des ui os
ecu sos impedindo o acesso a esses das ge ações seguin es e espei ando os ou os se es i os
e a unção des es nos ecossis emas.” (P145)
Exempli ica-se, ago a, a ca ego ia em que os p o esso es se epo am ao concei o de ecoé ica
como um di ei o dos se es i os a e em um ambien e limpo:
“Todos os se es i os êm di ei o, no p esen e e no u u o, ao meio ambien e limpo e sus en á el.”
(P130)
86
“A ecoé ica inco po a uma dimensão no a ace à é ica adicional, de na u eza in empo al, que
legi ima o di ei o de odos os se es, no p esen e e no u u o, ao meio ambien e limpo,
ha monioso e sus en á el.” (P243)
Quan o à ca ego ia em que os p o esso es conside am que a ecoé ica se e e e a uma consciência
da não sepa ação Homem-na u eza e da in e - elação bió ica-abió ica, ap esen am-se os seguin es
exemplos:
“Simpli icando o concei o, é oma consciência das necessidades do plane a, comp eendendo-as
como necessidades do Homem, que suplan a[m] países, sendo globais.” (P3)
“A na u eza unciona num equilíb io dinâmico (en e odos os sis emas i os e não i os) e essa
dinâmica de e se espei ada e, den o dos possí eis, p ese ada endo em con a os di e en es
con ex os e odos os subsis emas.” (P24)
Po im, a ca ego ia em que a ecoé ica é associada a um econhecimen o de alo mo al de ou as
en idades pa a além do se humano, o que é mencionado po apenas um p o esso (Tabela 9), que,
quando p ocu a de ini es e concei o, e e e que, de aco do com o mesmo, odos os se es são iguais,
pelo que o se humano não pode agi de o ma p eda ó ia ela i amen e aos ou os se es e de e deixa
de e domínio sob e a na u eza, ol ando a se pa e dela.
Os esul ados ob idos nes a pa e do es udo es ão em conco dância com as conclusões do es udo
de Ça ak e Kahyaoğlu (2019), que indicam que os u u os p o esso es possuem um conhecimen o
supe icial associado ao concei o de é ica ambien al. Con udo, no es udo de Temel (2019), os u u os
p o esso es de inem, maio i a iamen e, ecoé ica como a explo ação das elações mo ais en e os se es
humanos e a na u eza, ao con á io dos esul ados ob idos nes e es udo, onde só um p o esso
econhece o alo mo al de ou as en idades pa a além do se humano.
No es udo de Ça ak e Kahyaoğlu (2019), uma das pala as associadas ao concei o de é ica
ambien al oi a pala a ‘limpeza’, que pode á elaciona -se com as de inições dadas pelos p o esso es
que conside am que o concei o de ecoé ica se e e e aos di ei os dos se es i os a e em um ambien e
limpo. A ques ão dos di ei os em elação ao ambien e é pa ilhada po ou os au o es, embo a mais
elacionada com os di ei os humanos, ais como: o di ei o a um ambien e saudá el é essencial pa a
p o ege a saúde e o bem-es a humanos (Boyd, 2010, 2012); a esolução dos p oblemas ambien ais
87
exige o econhecimen o dos di ei os das ge ações u u as a um plane a habi á el (Willis on, 2018). Es a
ques ão dos di ei os su ge, inclusi amen e, na legislação po uguesa, mais conc e amen e no n.º 1 do
a .º 5.º da Lei n.º 19/2014, de 14 de ab il, e e en e às bases da polí ica de ambien e, que diz: “Todos
êm di ei o ao ambien e e à qualidade de ida, nos e mos cons i ucional e in e nacionalmen e
es abelecidos”.
As espos as pouco ap o undadas, de modo ge al, e a ele ada pe cen agem de p o esso es que
não esponde am (Tabela 9) podem suge i que os p o esso es de Biologia e Geologia po ugueses não
es ão mui o amilia izados com o concei o, o que di icul a a sua explo ação em con ex o escola . Es a é
uma in o mação impo an e, dada a ele ância que as conceções sob e ques ões ambien ais êm, que
pa a a adoção de a i udes, que pa a desen ol e compo amen os adequados em elação ao ambien e
(Pe ei a, 2009).
Pa a ap o unda os esul ados ob idos ela i amen e ao concei o de ecoé ica, as en e is as aos
10 p o esso es de Biologia e Geologia oca am, nes e caso, a sua amilia idade com a ecoé ica (E-Q5).
Me ade des es p o esso es pa ece es a amilia izada com es e concei o, qua o menciona am não es a
amilia izados e um disse não e a ce eza. De seguida, oi pedido aos p o esso es que disse am es a
amilia izados que indicassem como de ini iam ecoé ica, e aos que disse am não es a amilia izados ou
que não inham a ce eza que indicassem o que imagina am que se ia.
No que conce ne ao g upo de p o esso es que disse es a amilia izado com o concei o, qua o
dos cinco p o esso es en e is ados e e em-se à ecoé ica como ques ões é icas aplicadas ao ambien e:
“No malmen e nós associamos a é ica ambien al ao espei o pela na u eza.” (PE1)
“É um conjun o de p ocedimen os que de emos e no campo é ico, elacionados com a
p ese ação do meio ambien e, espei o e p ese ação do meio ambien e.” (PE3)
O ou o p o esso que indicou es a amilia izado com o concei o ap esen a a ecoé ica como a
e lexão e o ques ionamen o sob e as ações do se humano na na u eza.
Já ela i amen e aos qua o p o esso es que indica am não es a amilia izados com o concei o de
ecoé ica, com exceção de um p o esso que disse que não sabia o signi icado do concei o, os es an es
imagina am que eme esse a ques ões é icas aplicadas ao ambien e (um p o esso ), e lexão e
ques ionamen o sob e as ações do se humano na na u eza (um p o esso ), consciencialização pa a
88
p oblemas ambien ais (um p o esso ). Po im, o p o esso que disse não e a ce eza de já e ou ido
ala no concei o de ecoé ica e e iu-se ao mesmo como ques ões é icas aplicadas ao ambien e.
Ve i icou-se que, à semelhança do que oi cons a ado nos esul ados ob idos com a aplicação do
ques ioná io ( e Tabela 9), a espos a p edominan e en e os p o esso es en e is ados, ela i amen e
ao concei o de ecoé ica, liga-se a ques ões é icas aplicadas ao ambien e, pa ecendo e ela , uma ez
mais, um conhecimen o supe icial sob e o concei o.
Pos e io men e, e ainda no que conce ne às espos as dos p o esso es à ques ão sob e o concei o
de ecoé ica (Q10 do ques ioná io), en ou-se pe cebe em que sis ema de alo es de ecoé ica os
p o esso es se posiciona am.
Na maio pa e das espos as (58,4%), isso não oi possí el, dado que não ha ia in o mação
su icien e que pe mi isse aze essa análise (Tabela 10). Nas es an es espos as, oi possí el pe cebe
que quase 34% dos p o esso es se posiciona am na ecoé ica an opocên ica (33,8%) e os es an es
(7,8%) na ecoé ica não an opocên ica.
Tabela 10. Posicionamen o em Sis ema de Valo es de Ecoé ica
(N=293)
Sis ema de alo es
%
An opocên ica
99
33,8
Não an opocên ica
23
7,8
In o mação insu icien e
171
58,4
Ap esen am-se, em seguida, exemplos de espos as que se enquad am na ecoé ica
an opocên ica, sendo e idenciadas as esponsabilidades do se humano na p ese ação e u ilização
sus en á el de ecu sos na u ais e pe an e as ge ações u u as:
“É uma u ilização dos ecu sos acional, sem coloca em causa o u u o das ge ações indou as,
bem como as necessidades de odos e odas na a ualidade.” (P9)
“To na-se necessá ia uma no a é ica: uma é ica o ien ada pa a o u u o, pa a a sus en abilidade
[…]; es ando a Na u eza à me cê do Homem e passí el de se al e ada adicalmen e, es e passa
a man e com ela uma elação ambém de g ande esponsabilidade.” (P19)
89
Exempli icam-se, ambém, espos as que se enquad am na ecoé ica não an opocên ica:
“A ecoé ica é o espei o pela Na u eza/Bios e a, da qual azemos pa e conjun amen e com odos
os se es i os, de cujo equilíb io e p ese ação odos dependemos i almen e.” (P74)
“De emos espei a a na u eza al como ela é, espei a o i mo da na u eza, p incipalmen e o
i mo da sua eno ação, ajudando de o ma posi i a, nessa eno ação. O Homem não de e
comp ome e o equilíb io dos ecossis emas.” (P78)
“Respei a a na u eza, pois nós somos apenas um dos elemen os que a cons i uem.” (P286)
Os esul ados ap esen ados na Tabela 10 ão ao encon o de pa e dos esul ados ob idos no
es udo de Almeida (2007), no qual os p o esso es se iden i icam mais com a ecoé ica an opocên ica,
mos ando empa ia com o modelo da sociedade de consumo e des acando o lado posi i o associado à
ecnologia. Es e au o des aca, ambém, que os p o esso es ansmi em equen emen e uma pe spe i a
an opocên ica da elação se humano-na u eza aos seus alunos, ainda que de modo inconscien e
(Almeida, 2007). Também nou o es udo (Alpak Tunç & Yenice, 2017), os au o es concluem que, embo a
os p o esso es enham a i udes e abo dagens posi i as em elação às soluções pa a os p oblemas
ambien ais, as suas pe ceções sob e o ambien e são maio i a iamen e cen adas no se humano. Ainda
num ou o es udo (Pe ei a, 2009), e e e-se que os p o esso es e u u os p o esso es que se iden i icam
mais com es a pe spe i a endem a sen i -se menos esponsá eis pelos p oblemas ambien ais. E no
es udo de Oza a Yucel e Ozkan (2016) os au o es concluem que os u u os p o esso es se concen am
mais nos e ei os dos p oblemas ambien ais sob e os se es humanos do que sob e os ou os se es i os,
indicando que êm uma abo dagem ambien al o ien ada pa a as pessoas, al como se e i ica com os
p o esso es que pa icipa am no p esen e es udo.
Ainda assim, a maio ia dos es udos encon ados na e isão de li e a u a con a ia os esul ados
ob idos no p esen e es udo, pois mos a que os pa icipan es endem a iden i ica -se sob e udo com a
ecoé ica não an opocên ica, mais conc e amen e com a é ica ecocên ica (Almeida & Vasconcelos,
2013; Alpak Tunç & Yenice, 2017; Pa ei a, 2003; Pe ei a, 2009; Su meli & Saka, 2013; Yumuşak e
al., 2016) e biocên ica (Almeida & Vasconcelos, 2013; Su meli & Saka, 2013), no que e e e à elação
en e o se humano e a na u eza, o que não se e i ica nes e es udo (Tabela 10). Pe ei a (2009) cons a a,
ainda, no seu es udo, que p o esso es e u u os p o esso es da á ea da Biologia se ap oximam mais de
uma conceção ecocên ica do que os de ou as á eas (no caso, ensino p imá io e Língua Po uguesa).
90
No sen ido de ap o unda es es úl imos esul ados, oi colocada aos p o esso es uma ques ão
elacionada com o assun o, em con ex o de en e is a. Nes e con ex o, e pa a se possí el p ossegui
com a en e is a de o ma adequada, oi ap esen ada aos p o esso es en e is ados que indica am não
es a amilia izados com o concei o de ecoé ica ou que não inham a ce eza uma de inição des e
concei o, a qual se ansc e e: “Pa a da mos seguimen o à p esen e en e is a, amos assumi que a
ecoé ica diz espei o à e lexão sob e como o se humano se elaciona com o ambien e na u al, endo
p esen e que es e é cons i uído po elemen os i os e não i os. De ende que essa elação de e se de
espei o e mo almen e conside ada”.
Des e modo, es e g upo de p o esso es en e is ados pôde basea -se nes a de inição pa a
esponde às ques ões seguin es, não comp ome endo as suas espos as. O mesmo não pôde acon ece
na aplicação do ques ioná io, uma ez que oi
online
, ha endo a possibilidade de os p o esso es pode em
ol a a ás e ado a a de inição do concei o de ecoé ica aí desc i a, o que in luencia ia as suas espos as
nas seguin es pa es do ques ioná io.
A ques ão colocada p e endia ecolhe as opiniões dos p o esso es en e is ados ela i amen e à
p edominância da ideia de que a p ese ação da na u eza é um meio pa a assegu a a p ese ação do
se humano (E-Q6). Foi-lhes solici ado que jus i icassem as suas espos as. Com exceção de um
p o esso que não soube da uma explicação, os es an es p o esso es conside a am que:
− A p ese ação da na u eza é condição necessá ia pa a a pe manência da espécie humana no
plane a (se e p o esso es):
“Se a na u eza é o meio pa a ob e mos udo aquilo que pe mi e a sob e i ência do se humano,
po um lado, em a sua lógica. E, in elizmen e, só epensamos no ambien e quando descob imos
que algo nos pode al a . Po an o, se aquilo que a na u eza nos dá es á a acaba […], en ão
sim, icamos ansiosos e pensamos, de ac o, nas nossas ações. Po an o, sem dú ida que a
p eocupação com o ambien e de e-se cla amen e com a p eocupação com o Homem, com a
sob e i ência dele. Sem dú ida.” (PE2)
“Conco do in ei amen e. Po que somos in ei amen e dependen es da na u eza, não é? Não
conseguimos i e sem a na u eza. Bas a pensa logo na ene gia, [de] que nós p ecisamos an o,
que em necessa iamen e da na u eza, das plan as, dos animais. Sendo sis emas abe os, nós
p ecisamos in ei amen e dessa na u eza, não há como i e mos sem ela. […]. Se nós
desapa ece mos, o es o sob e i e de ce eza, nós é que não sob e i emos sem o es o.” (PE10)
97
Tabela 13. Posicionamen o Rela i amen e à Explo ação de Lí io em Po ugal
(N=293)
Opções
%
A - A explo ação de lí io e á impo ância es a égica pa a Po ugal e pa a a Eu opa
55
18,8
B - A explo ação de lí io a á impac os nega i os pa a a qualidade do ambien e
153
52,2
C - A explo ação de lí io e á impac os nega i os ao ní el da paisagem na u al e do u ismo
44
15,0
D - Necessidade de mais in o mação pa a o ma uma opinião
41
14,0
Quan o às azões in ocadas pelos p o esso es pa a o seu posicionamen o, os que conco da am
com a opção A - “A explo ação de lí io e á impo ância es a égica pa a Po ugal e pa a a Eu opa” (n=55)
(Tabela 14) menciona am como p incipais azões o ac o de es a a i idade possibili a : o aumen o do
consumo de ene gias eno á eis (29,1%), um melho desempenho económico de Po ugal (29,1%), a
edução da u ilização de combus í eis ósseis (16,4%) e a alo ização de zonas esquecidas de Po ugal
(5,5%).
Tabela 14. Razões pa a Posicionamen o na Opção A (“A Explo ação de Lí io Te á Impo ância Es a égica Pa a Po ugal e
Pa a a Eu opa”)
(N=55)
Razão
%
Aumen a a u ilização de ene gias eno á eis
16
29,1
Melho a o desempenho económico de Po ugal
16
29,1
Reduz a u ilização de combus í eis ósseis
9
16,4
Valo iza as zonas esquecidas de Po ugal
3
5,5
Não esponde
14
25,5
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia.
Ap esen am-se dois exemplos de espos as que se enquad am na ca ego ia ‘Aumen a a u ilização
de ene gias eno á eis’:
“Como a mobilidade ai se elé ica, se á mui o impo an e Po ugal e explo ações de lí io.” (P39)
“Pa a apos a na ansição ene gé ica se á necessá io explo a , esponsa elmen e, e apos a na
cadeia/ ilei a do lí io, que se pode o na uma mais- alia pa a um país como Po ugal.” (P98)
Rela i amen e à ca ego ia que e e e que a explo ação de lí io melho a o desempenho económico
de Po ugal, ejam-se os seguin es exemplos:
98
“Po que o país em ecu sos na u ais que de e ap o ei a pa a ans o ma , di e si ica as on es
de endimen o. Con inuamos pob es e mui o i ados apenas pa a o u ismo. Na minha opinião,
há ecu sos na u ais que de em se explo ados, com o de ido cuidado e p o eção do ambien e,
mas em coexis ência.” (P196)
“O lí io pode á se , es a egicamen e, uma e dadei a iqueza que, de idamen e bem explo ada,
a á ao nosso país maio no o iedade e, quem sabe, se um p odu o inal que alo ize o nosso
PIB.” (P200)
As es an es azões iden i icadas cen am-se na necessidade de edução de u ilização de
combus í eis ósseis e nos aspe os posi i os, como o u ismo e no os pos os de abalho, que a
explo ação de lí io pode aze pa a as zonas in e io es do país, conside adas, de modo ge al, pelos
p o esso es como mais esquecidas.
Dos inqui idos que conco da am com a opção B - “A explo ação de lí io a á impac os nega i os
pa a a qualidade do ambien e” (n=153), 41 não de am espos a, e os es an es (n=112) indica am como
p incipal azão os danos pa a o ambien e. Desses 112 p o esso es, alguns não especi ica am os danos
(n=34) e ou os (n=78) especi ica am.
Cen ando no g upo de p o esso es que especi icou os danos pa a o ambien e (n=78), deco en es
da explo ação de lí io, de aco do com a Tabela 15, mais de me ade e e iu o impac o nega i o da
explo ação do lí io no ecossis ema, a e ando odos os seus componen es (52,6%). Os es an es di idi am-
se en e o impac o nega i o na componen e bió ica (23,1%) e o impac o nega i o na componen e abió ica
(19,2%).
Tabela 15. Razões pa a Posicionamen o na Opção B
(“A Explo ação de Lí io T a á Impac os Nega i os Pa a a Qualidade do Ambien e”)
(N=78)
Razão
%
Impac o nega i o em odo o ecossis ema
41
52,6
Impac o nega i o na componen e bió ica
18
23,1
Impac o nega i o na componen e abió ica
15
19,2
Não esponde
4
5,1
99
Seguem-se dois exemplos de espos as que se enquad am nas azões expos as pelos p o esso es,
nomeadamen e no que espei a ao impac o nega i o no ecossis ema:
“Na medida em que oco e a des uição dos ecossis emas e dos alo es na u ais, que a a és da
des uição di e a de
habi a s
, que a a és do p ocedimen o/p ocessos de ex ação, a amen o
e anspo e do miné io.” (P83)
“A explo ação do lí io e á impac o nega i o e i ecupe á el na qualidade do ambien e,
p incipalmen e pela […] des uição dos ecossis emas en ol idos.” (P156)
Rela i amen e à ca ego ia ‘Impac o nega i o na componen e bió ica’, ap esen am-se os seguin es
exemplos de jus i icações:
“A adoção da es a égia de explo ação de lí io in iabiliza a econs i uição das lo es as nas á eas
ab angidas.” (P35)
“A opção assinalada é a única que ealmen e impo a se que emos p ese a o ambien e,
pe pe uando a exis ência de alguns se es i os que i em na zona da e e ida explo ação e a
saúde de odos os se es i os, incluindo os humanos.” (P239)
Po im, a ca ego ia ‘Impac o nega i o na componen e abió ica’ é exempli icada com as seguin es
espos as:
“A explo ação do lí io, al como na maio ia das explo ações minei as, ap esen a eno mes p ejuízos
pa a o ambien e, an o a ní el paisagís ico, como a ní el da poluição das águas dos aquí e os
en ol en es, po exemplo.” (P67)
“Causa á poluição (solo, água p incipalmen e), al e ação da paisagem e na ocupação do solo,
delapidação de ecu sos geológicos.” (P286)
Quan o às azões dadas pelos p o esso es que conco da am com a opção C - “A explo ação de
lí io e á impac os nega i os ao ní el da paisagem na u al e do u ismo” (Tabela 16), cen a am-se no
impac o nega i o que al a i idade e á na paisagem na u al (54,5%), nos ecossis emas e ecu sos
na u ais (43,2%) e nas a i idades económicas (27,3%), nomeadamen e no u ismo na zona onde se
ealiza ia a explo ação.
100
Tabela 16. Razões pa a Posicionamen o na Opção C
(“A Explo ação de Lí io Te á Impac os Nega i os ao Ní el da Paisagem Na u al e do Tu ismo”)
(N=44)
Razão
%
Impac o nega i o na paisagem na u al
24
54,5
Impac o nega i o nos ecossis emas e ecu sos na u ais
19
43,2
Impac o nega i o nas a i idades económicas
12
27,3
Não esponde
18
40,9
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia
Es as duas espos as enquad am-se nas azões sus en adas pelos p o esso es, nomeadamen e o
impac o na paisagem na u al:
“Al e ação e desca a e ização da mo ologia.” (P44)
“I ão su gi ped ei as a céu abe o.” (191)
No que se e e e à ca ego ia ‘Impac o nega i o nos ecossis emas e ecu sos na u ais’, ap esen am-
se os exemplos de espos a seguin es:
“Po que, de ac o, é um ecu so na u al que e á uma impo ância es a égica pa a Po ugal e
pa a a Eu opa, mas a sua explo ação ai implica des lo es ação e odos os pe igos daí ine en es
a es a, en e os quais poluição da água, do a , e osão do solo e ambém ao ní el do u ismo.”
(P133)
“Além da poluição do a , sono a, química, da água e do solo, há ainda a poluição es é ica.” (P249)
A ca ego ia ela i a ao impac o nas a i idades económicas é assim exempli icada:
“A explo ação de lí io em consequências nega i as a ní el da qualidade do meio ambien e,
incluindo aspe os isuais que diminuem o in e esse u ís ico.” (P70)
“Po que penso que a explo ação de lí io não e á g andes impac os nega i os pa a a qualidade do
ambien e, mas a paisagem na u al ica á comple amen e des uída, a e ando o u ismo.” (P280)
Os p o esso es que a i ma am sen i a necessidade de mais in o mação pa a o ma uma opinião
ace ca da explo ação de lí io em Po ugal e e i am que e a necessá io eco e a especialis as pa a le a
101
a cabo a decisão de explo ação e a explo ação em si, de manei a a minimiza os impac os nega i os.
Pa ecem, po isso, suge i que não êm o mação nem in o mação su icien e pa a se posiciona em.
No que espei a a es es esul ados, pode conclui -se que a maio pa e dos p o esso es
pa icipan es se posiciona am na opção mais cen ada no ambien e, numa pe spe i a de p ese ação da
na u eza ( e Tabela 13). Tal esul ado assemelha-se aos ob idos no es udo de Tuncay-Yüksel e al.
(2023), que mos a am que o con ex o de um dilema in luencia signi ica i amen e as espos as dos
pa icipan es, com o aciocínio ecocên ico a p edomina em cená ios dilemá icos elacionados com a
p ese ação da na u eza, enquan o o aciocínio an opocên ico e a p edominan e em cená ios que
en ol essem o bem-es a humano (Tuncay-Yüksel e al., 2023). Po ou o lado, no es udo de Ribei o e
al. (2021), con a iamen e à opinião dos p o esso es que esponde am ao ques ioná io, a maio ia dos
inqui idos conside a que a explo ação des e ecu so geológico é essencial pa a sus en a os a uais
pad ões de ida da sociedade. Con udo, ambém conside a que a explo ação de e se eduzida, op ando
po no os compo amen os de ida – po exemplo, eduzi , eu iliza e ecicla p odu os com miné io na
sua cons i uição (Ribei o e al., 2021). O es udo mos a, ainda, um desconhecimen o, po pa e dos
inqui idos, ace ca da explo ação e ap o ei amen o dos ecu sos geológicos em Bo icas, deco en e,
possi elmen e, da a ançada idade da população e do seu baixo ní el de escola idade. Nos esul ados
ob idos com o ques ioná io em elação a es a ques ão, ap esen ados na Tabela 13, cons a a-se a
exis ência de pe cen agens ela i amen e ele adas de ‘não espos as’, o que, jun ando ao g upo de
p o esso es que mencionou p ecisa de mais in o mação sob e o assun o pa a se posiciona , pode á
signi ica , à semelhança dos esul ados ob idos no es udo de Ribei o e al. (2021), algum
desconhecimen o po pa e de alguns p o esso es que pa icipa am nes a in es igação.
No sen ido de ap o unda es es esul ados ob idos com o ques ioná io, em con ex o de en e is a,
oi pedido ao g upo de p o esso es en e is ados (10) que se posicionassem ela i amen e à a i idade de
explo ação de lí io no no des e de Po ugal, solici ando-lhes que jus i icassem as suas espos as (E-Q9).
Cinco p o esso es mani es a am-se con a a conc e ização des a a i idade, ês não se
consegui am posiciona e dois posiciona am-se a a o , mas com essal as. Algumas das azões
apon adas pelos p o esso es en e is ados pa a o posicionamen o con a cen a am-se na:
− Viabilidade da explo ação ( ês p o esso es):
102
“Eu, de um modo ge al, sou con a. Aquilo que ui ou indo […] é que, de ac o, não há,
p o a elmen e, quan idade su icien e pa a se explo á el […]. Po an o, a é que pon o é que ale
a pena es a mos a a isca uma coisa dessas? […]. Acho que, se há coisa que nós ainda emos,
em Po ugal, e que de emos alo iza é a ques ão do nosso pa imónio na u al, paisagís ico…
que já oi mui o delapidado de á ias si uações: ob as mal conseguidas, planeamen o u bano
mise á el, e po aí o a. Po an o, acho que es á na al u a de, an es de aze mos as coisas,
ea alia mos.” (PE7)
− P eocupação com o des ino dos esíduos que esul am da explo ação (dois p o esso es):
“Sou con a, po causa dos esíduos dessa explo ação. O que é que depois azem?… É como as
ba e ias de lí io: o que lhes azem quando as des oem? […]. É mais po aí, po essa
consciencialização que eu omei.” (PE8)
A azão ap esen ada pelos p o esso es que não se consegui am posiciona ocou as an agens e
des an agens da explo ação ( ês p o esso es):
“Nem con a nem a a o . Tens aspe os posi i os e ens aspe os nega i os. Po exemplo, […] em
a pa e económica… naquelas zonas, ob iamen e que, a ní el de es au an es, ca és,
supe me cados, a ní el de habi ações […], aquelas populações i ão bene icia . Depois ens a
pa e nega i a, a poluição, não é? A mos é ica, dos solos, a poluição das águas, a poluição
isual.” (PE4)
Já a azão apon ada pa a o posicionamen o a a o , cen ou-se no sac i ício necessá io pelo e ei o
posi i o que es a explo ação pode á e no dia a dia das pessoas (dois p o esso es):
“Eu não sou undamen alis a, amos lá e , eu acho que nós emos de e bom senso e se calha
é p eciso sac i ica algumas coisas em nome de um bem maio . Se p o a em, po A + B, que a
explo ação do lí io nos pe mi e ele i ica a sociedade, a a és das ba e ias, ele i ica os
anspo es, ele i ica as indús ias, eu enho de ole a uma explo ação ag essi a, que é
necessa iamen e ag essi a. Uma explo ação a céu abe o com consequências ambien ais
cla amen e nega i as, po mui o que digam os in es ido es e os polí icos, cla amen e nega i as,
oda ia mui o localizadas, apesa de udo. Po an o, se a p odução de lí io […] o bené ica e
ouxe e o no pa a o país, em e mos da diminuição dos cus os das ba e ias e da maio
103
acilidade da ele i icação dos anspo es e das indús ias, eu es ou de aco do com essa
explo ação.” (PE9)
Foi colocada uma úl ima ques ão, nes e âmbi o, aos p o esso es en e is ados, ela i a a se, na
sua opinião, a explo ação do lí io con igu a a, ou não, um p oblema do âmbi o da ecoé ica (EQ-9).
No e p o esso es disse am que sim e um p o esso e e iu que não sabia. Foi-lhes, depois, pedido
que jus i icassem as suas espos as. As azões pa a e em conside ado que es e con igu a a um
p oblema do âmbi o da ecoé ica o am pouco ap o undadas, sendo mencionados os ac os de se aduzi
em:
− Aspe os nega i os pa a o ambien e em ge al (qua o p o esso es):
“É assim: na de inição que des e de ecoé ica, ob iamen e que con igu a, não é? Se que emos
p omo e um desen ol imen o sus en á el, alamos da pe da de biodi e sidade, da poluição.”
(PE4)
− Aspe os nega i os pa a as pessoas e a sua saúde ( ês p o esso es):
“Sim, a pa i do momen o em que pode pô em isco a saúde das populações, a ques ão
ambien al, e c., sim, eu acho que sim, udo aquilo que, acho eu, ponha isso em ques ão, pa a
mim é uma ques ão de é ica ambém.” (PE7)
− Ques ões de e lexão e de ponde ação mo al e é ica (dois p o esso es):
“Sim, pode á se , po que, nes e caso, ou i a base da população, que é con a, e ou i a base da
geologia, que é a a o ... e ponde a , aqui, não é?, mo almen e e e icamen e, qual é que, a inal,
em maio peso.” (PE2)
Es as espos as, de modo ge al, suge em que a componen e é ica dos p oblemas ambien ais não
pa ece se mui o explo ada pelos p o esso es, o que e ela a necessidade de ap o undamen o do
assun o, pa a melho a essa pe ceção e p omo e ações e e i as. Pa ece, ambém, ha e necessidade
de inclui uma isão é ica e in eg ada da c ise ambien al global na o mação e p á ica dos p o esso es
de ciências, no sen ido de ga an i aos seus alunos uma educação mais e icaz sob e a emá ica.
104
4.4. Rep esen ações de p á icas de p o esso es de Biologia e Geologia ela i as à lecionação de assun os
elacionados com ecoé ica
Pa a a e igua as ep esen ações de p á icas dos p o esso es na abo dagem de assun os
elacionados com ecoé ica, oi colocada uma p imei a ques ão (Q13), no ques ioná io, sob e se os
p o esso es abo dam p oblemas ambien ais numa pe spe i a de ecoé ica nas suas aulas.
De aco do com a Tabela 17, e i ica-se que a maio ia dos p o esso es espondeu a i ma i amen e
(87,7%) à ques ão e e que apenas 12,3% esponde am nega i amen e.
Tabela 17. Abo dagem de P oblemas Ambien ais Numa Pe spe i a de Ecoé ica, em Con ex o de Aula
(N=293)
Abo da p oblemas ambien ais em pe spe i a de ecoé ica
%
Sim
257
87,7
Não
36
12,3
Foi-lhes, depois, solici ado que explicassem po que cos umam, ou não, abo da p oblemas
ambien ais em pe spe i a é ica nas suas aulas (Q13.1). Pela análise da Tabela 18, cons a a-se que as
azões dos 257 p o esso es que a i ma am azê-lo se cen am no aluno e na o ganização cu icula .
Rela i amen e às azões cen adas no aluno, os p o esso es indica am que abo da am p oblemas
ambien ais em pe spe i a de ecoé ica p incipalmen e pa a acul a o mação aos alunos sob e o ema
(61,1%), mas ambém pa a p omo e o pensamen o c í ico (10,5%) e pa a p omo e mudanças de
hábi os nos alunos (5,1%). Quan o às azões cen adas na o ganização cu icula , os p o esso es
indica am que a abo dagem az pa e dos documen os cu icula es (23,7%), mas ambém que é um
de e do p o esso de ciências (9,7%).
Tabela 18. Razões Pa a a Abo dagem de P oblemas Ambien ais em Pe spe i a de Ecoé ica
(N=257)
Aspe o ocado
Razão
%
Aluno
(n=185)
Fo ma os alunos sob e o ema
157
61,1
P omo e o pensamen o c í ico
27
10,5
P omo e mudanças de hábi os
13
5,1
O ganização cu icula
(n=86)
Faz pa e dos documen os cu icula es
61
23,7
É um de e do p o esso de ciências
25
9,7
Não esponde
42
16,3
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia e/ou subca ego ia.
105
Ainda no que conce ne às azões cen adas no aluno, a p incipal azão mencionada, acul a
o mação aos alunos sob e o ema, é exempli icada nas seguin es espos as:
“Es as abo dagens são de ex ema impo ância na o mação de u u os adul os e,
consequen emen e, na cons ução de uma sociedade mais conscien e e com a i udes e hábi os
de consumo e p o eção do ambien e que o nem possí el o desen ol imen o sus en á el.” (P64)
“É impo an e que os alunos en endam que o se humano é apenas mais um se i o, que
depende dos demais pa a a sua sob e i ência. Logo, e odo o espei o com os se es i os e
com o plane a. […]. Como al, cada cidadão de e es a in o mado e se capaz de in e i e exigi
melho es p á icas.” (P244)
As es an es ca ego ias que se cen am no aluno incluem espos as que p econizam,
essencialmen e, a necessidade de p omo e nos alunos o pensamen o c í ico e a mudança de hábi os,
pa a adequação à c ise ambien al a ual.
Quan o às azões enquad adas na o ganização cu icula , a p incipal azão mencionada – Faz
pa e dos documen os cu icula es – eúne os seguin es exemplos:
“Fazem pa e da disciplina que leciono, Biologia e Geologia e Ciências Na u ais, e dos domínios
da Cidadania e Desen ol imen o.” (P270)
“Faz pa e do p og ama, na explo ação sus en á el dos ecu sos na u ais.” (P289)
A ou a ca ego ia cen ada na o ganização cu icula inclui espos as em que, de um modo ge al,
os p o esso es conside am se seu de e aze essa abo dagem aos p oblemas ambien ais em pe spe i a
ecoé ica enquan o p o esso es e cidadãos.
Rela i amen e ao g upo de p o esso es que espondeu de o ma nega i a à ques ão da abo dagem
de p oblemas ambien ais em pe spe i a ecoé ica nas suas aulas (n=36) (Q13.1), e i ica-se, na Tabela
19, que as p incipais azões ap esen adas se si uam no âmbi o da o ganização cu icula , di idindo-se
en e o ac o de conside a em que essa abo dagem não az pa e do que é p econizado nos documen os
cu icula es (41,7%) e conside a em que não êm empo pa a aze essa abo dagem (13,9%), de ido,
essencialmen e, à ex ensão dos cu ículos e ao oco na p epa ação pa a os exames nacionais.
Ou as azões cen am-se no p o esso , mais conc e amen e: a al a de o mação pa a aze em
106
essa abo dagem em con ex o de sala de aula (22,2%) e o ac o de e e i em que não êm lecionado
assun os elacionados, onde possam aze essa abo dagem (2,8%).
Po im, um p o esso ap esen a uma azão cen ada no aluno, elacionada com a baixa
ma u idade dos alunos (2,8%), o que, de ce o modo, esul a á na não abo dagem aos p oblemas
ambien ais em pe spe i a ecoé ica.
Tabela 19. Razões Pa a a Não Abo dagem de P oblemas Ambien ais em Pe spe i a de Ecoé ica
(N=36)
Aspe o ocado
Razão
%
O ganização cu icula
(n=18)
Não az pa e dos documen os cu icula es
15
41,7
Fal a de empo
5
13,9
P o esso
(n=9)
Fo mação insu icien e
8
22,2
Não lecionação de assun os elacionados
1
2,8
Aluno
Ima u idade dos alunos
1
2,8
Não esponde
8
22,3
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia e/ou subca ego ia
Ainda no que conce ne às azões cen adas na o ganização cu icula , a p incipal azão
mencionada – Não az pa e dos documen os cu icula es - , é exempli icada com as seguin es espos as:
“Sin o que é mui o impo an e, mas não lhe dou a impo ância de ida, pois não exis e cla amen e
uma o ien ação, ao ní el das Ap endizagens Essenciais, nesse sen ido.” (P152)
“Po que não in eg a o cu ículo.” (P226)
A ou a ca ego ia que abo da a o ganização cu icula inclui espos as que ealçam,
essencialmen e, a al a de empo sen ida pelos p o esso es, deco en e do que eles conside am se um
cu ículo da disciplina ex enso e ígido, bem como do oco nos exames nacionais, que não pe mi e mui a
libe dade na abo dagem des es assun os em pe spe i a ecoé ica.
Das azões que se cen am no p o esso , a p incipal mencionada é a o mação insu icien e,
exempli icando-se com as seguin es espos as:
“Não sei azê-lo.” (P35)
“Fal a de o mação no assun o.” (P44)
113
“Con ac o di e o, po g upos e zonas, com 5, 6 á o es, com iden i icação e conhecimen o das
p incipais ca ac e ís icas de cada uma, bem como [d]os iscos de conse ação que cada espécie
ap esen a no plane a.” (P116)
Na ca ego ia ‘Exposição o al sob e a emá ica’, ap esen am-se os seguin es exemplos:
“Explicando as consequências da p esença de mic oplás icos nos ecossis emas na u ais e a
impo ância da p á ica da eciclagem, pensando em si e nos ou os.” (P131)
“Fiz uma ap esen ação inicial sob e o p oblema e ap esen ei ac os a uais que pe mi em pe cebe
que exis e ealmen e aquecimen o global e al e ações climá icas.” (P174)
E ela i amen e a ‘T abalho de pesquisa’:
“Pa indo do isionamen o de um ídeo de mo i ação sob e a “Biodi e sidade em Po ugal” e
pos e io análise de in og á icos sob e algumas “Á eas p o egidas”, em g upos, pa i am pa a a
pesquisa de algumas espécies em ias de ex inção em Po ugal, sua dis ibuição, causas da
edução das populações e p opos as de o mas de e e e a si uação. Os abalhos elabo ados
pelos alunos o am ap esen ados aos es an es elemen os da u ma, sendo o pon o de pa ida
pa a uma e lexão conjun a.” (P260)
“Realização de abalhos de pesquisa com pos e io deba e.” (P289)
Já no que oca às espos as enquad adas em ações de sensibilização, os exemplos são:
“Foi colocado um p oblema, disponibilizada in o mação, e os alunos elabo a am ca azes pa a
di ulgação jun o da comunidade escola .” (P48)
“A i idade de limpeza de uma p aia ‘Em nome dos oceanos’, com pa icipação de alunos,
p o esso es e assis en es ope acionais.” (P104)
Po im, na ca ego ia ‘Explo ação de documen os ex uais’, mos am-se os seguin es exemplos:
“U ilizando uma no ícia di ulgada no jo nal enquad ada nas emá icas p og amá icas do 8.º ano,
as quais se e e em à sus en abilidade e p ese ação do plane a.” (P145)
“Análise de documen os: Po da a, Censos.” (P149)
114
As es an es ca ego ias, que se e e em a es a égias ela i amen e menos u ilizadas pelos
p o esso es, incluem exemplos de espos as que mencionam: abalho de g upo; abalho de p oje o,
que en ol e, em alguns casos, in e disciplina idade; momen os e lexi os sob e os assun os abo dados;
a i idades de papel e lápis; es udo de casos;
b ains o ming
; jogos, como
peddy-pape s
e jogos em
aplicações;
oleplay
; e ensino po descobe a.
Os esul ados ob idos no p esen e es udo es ão em conco dância com os ob idos em alguns
es udos que indicam que os deba es (Ko &Lee, 2003) e a exposição o al (Almeida, 2015; Oli ei a e al.,
2007; U bánska e al., 2022) são das es a égias mais u ilizadas pa a o ensino de emas ambien ais,
enquan o os jogos didá icos não são usados ou a amen e o são (U bánska e al., 2022). A explo ação
de ecu sos mul imédia oi a segunda es a égia mais mencionada e pa ece se uma das ecomendadas
pa a o ensino da é ica ambien al, nomeadamen e a isualização de ilmes/ ídeos e espe i a análise
c í ica (Bake e al., 2019). Também abalho p á ico, como saídas de campo (Oli ei a e al., 2007; Pullu
& Pullu, 2021; UNESCO, 2021), abalhos de pesquisa (Bake e al., 2019; Gay o d, 2002) e ações de
sensibilização, como campanhas (Oli ei a e al., 2007; Pullu & Pullu, 2021), que o am es a égias
ado adas pa a o ensino des es emas nos es udos mencionados, es ão en e as mais e e idas nos
esul ados ap esen ados na Tabela 21. Os deba es, conside ados po alguns au o es (Bø sen e al.,
2021; Gay o d, 2002) como uma das es a égias mais adequadas pa a abo da es es emas, o am a
es a égia mais mencionada pelos p o esso es nes e es udo pa a a abo dagem de p oblemas ambien ais
em pe spe i a de ecoé ica.
Pelo con á io, es a égias como
oleplay
, es udo de casos (Bake e al., 2019; Bø sen e al., 2021;
Gay o d, 2002), abalho de g upo (Oli ei a e al., 2007), abalho de p oje o (Huoponen, 2023; UNESCO,
2021) e e lexões (Bake e al., 2019), conside adas, nou os es udos,adequadas pa a o ensino de emas
ambien ais, não o am as mais mencionadas nos esul ados ob idos no p esen e es udo. Ve i icou-se,
ambém, que não hou e e e ência à ap endizagem baseada em p oblemas (ABP) (Bø sen e al., 2021)
nem a dilemas de é ica ambien al (Rahmawa i e al., 2022; Taylo & Taylo , 2012; Tuncay-Yüksel e al.,
2023). De e e i , ainda, que, de aco do com o mais ecen e ela ó io Eu ydice (2024), em Po ugal, o
ensino po p oje os pode se uma das o mas de ensina es es assun os, mobilizando di e en es
componen es cu icula es e disciplinas com o obje i o de p omo e o desen ol imen o e o consumo
sus en á eis, ajudando os alunos a comp eende os p oblemas e in o mando-os sob e as ques ões que
a e am as sociedades e os subsis emas da Te a. Con udo, es a es a égia não oi uma das mais
mencionadas pelos p o esso es que pa icipa am nes e es udo.
115
Po im, salien a que, nou os es udos, oi mencionado que, embo a os assun os ambien ais
ossem bas an e abo dados o almen e, não e am colocados ealmen e em p á ica (Almeida, 2015), e
que não o am ei as e e ências a qualque a i idade elacionda com o ambien e (Mo ei a, 2019), o que
não se e le e nas espos as dadas pelos p o esso es no p esen e es udo.
Seguidamen e, p ocu ou-se pe cebe que ecu sos didá icos os p o esso es (n=257) u iliza am na
abo dagem aos p oblemas ambien ais em pe spe i a de ecoé ica (Q13.2.2).
Ve i icou-se, pela análise da Tabela 22, que menciona am, maio i a iamen e, ecu sos mul imédia
(77%) (onde se incluem ídeos, imagens, o og a ias, ap esen ações em
Powe Poin
, en e ou os da
mesma na u eza), ex os de na u eza di e sa (26,5%) (como a igos cien í icos, ex os ela i os à análise
de es udos de caso, no ícias de jo nais e e is as) e pla a o mas
online
e aplicações (21,4%).
Com meno es pe cen agens, su gem o ecu so ao labo a ó io, campo, museus e cen os de
ciência (14%), ao manual escola (9,7%), aos guiões didá icos (7,4%) e a jogos e ou as dinâmicas (2,3%).
Tabela 22. Recu sos Didá icos U ilizados na Abo dagem ao P oblema Ambien al em Pe spe i a de Ecoé ica
(N=257)
Recu sos didá icos
%
Mul imédia
198
77,0
Tex os
68
26,5
Pla a o mas
online
e aplicações
55
21,4
Labo a ó io, campo, museus e cen os de ciência
36
14,0
Manual escola
25
9,7
Guiões didá icos
19
7,4
Jogos didá icos
6
2,3
Não esponde
23
8,9
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia.
A í ulo de exemplo, ap esen am-se as seguin es espos as ela i as ao ecu so didá ico mais
u ilizado – mul imédia:
“Vídeos sob e a emá ica (o c escimen o da Za a, po exemplo).” (P245)
“‘O lado neg o das ene gias e des’ – documen á io.” (P205)
116
No que espei a à ca ego ia dos ex os dão-se os seguin es exemplos:
“No ícia de um jo nal local,
Powe Poin
.” (P14)
“Explo ação de ex os de ca ác e cien í ico e deba e com os a gumen os a a o e con a.” (P195)
Já sob e as pla a o mas
online
e aplicações, ap esen am-se os seguin es exemplos:
“Saída de campo com a aplicação iNa u alis e egis o na pla a o ma ‘In aso as de Po ugal’.”
(P94)
“Imagens, ídeos, PPT´s, Kahoo 's, Edupuzzle, e c.” (P238)
As es an es ca ego ias incluem espos as que azem e e ência a espaços e ma e iais de
labo a ó io, de campo, de museus e cen os de ciência, bem como à u ilização do manual escola , de
guiões didá icos, como ichas o ien ado as e ichas de abalho, e ainda à ealização de jogos e dinâmicas
pa a abo dagem de p oblemas ambien ais em pe spe i a de ecoé ica.
Es es esul ados es ão em conco dância com os ob idos po alguns au o es, que salien am que os
ecu sos mais mencionados, nos seus es udos, pa a o ensino des es emas, nas salas de aula, o am os
ecu sos mul imédia (Campbell e al., 2010; Pullu & Pullu, 2021; Taylo & Taylo , 2012; U bánska e al.,
2022). Pelo con á io, nos es udos de Almeida (2015) e Oli ei a e al. (2007) obse a-se que um dos
ecu sos mais u ilizados é o manual escola , o que não se e i ica nos esul ados do p esen e es udo.
Pa a ap o unda es es esul ados, oi, ambém, solici ado aos p o esso es en e is ados que
indicassem como abo da am os p oblemas ambien ais na pe spe i a é ica, iden i icando es a égias e
ecu sos (E-Q10). Nas espos as ob idas, oi possí el a e i que, ela i amen e a es a égias, alguns
p o esso es indica am mais do que uma:
− Deba e (qua o p o esso es):
“pequenos ídeos, mas semp e endo um deba e associado […], pa a que os alunos possam
de ende os seus pon os de is a, possam coloca as suas ques ões.” (PE9)
117
− Explo ação de ecu sos mul imédia ( ês p o esso es):
“É assim, nós usamos mui o os ídeos, emos pla a o mas, en im, educa i as, como a Escola
Vi ual ou a Aula Digi al, e, nes e momen o, essas pla a o mas o am mui o impulsionadas pela
pandemia no sen ido de e o ça esse ipo de ecu sos. […] uso bas an e os ídeos, não só os
das edi o as, mas ambém os do You ube.” (PE9)
− T abalho p á ico ( ês p o esso es):
“Pe iodicamen e, aço com eles uma aula de campo. Tem um io, anda-se um bocadinho […], e
en ão, nessa aula, eles le am uma icha […] onde azem algumas a i idades, uma delas obse a
as espécies exó icas, in aso as, que emos lá no io […], é mais p á ico. Ficam ale ados pa a o
de em e não de em aze […], ambém azem a análise da água do io, ecolhem água […],
medem os pa âme os… a empe a u a da água do io, compa am a empe a u a da água do
io com a água do solo”. (PE5)
Fo am, ambém, mencionadas as es a égias abalho de g upo (um p o esso ), exposição o al
sob e a emá ica (um p o esso ), explo ação de documen os ex uais (um p o esso ) e ações de
sensibilização (um p o esso ).
As es a égias mais indicadas po es e g upo de p o esso es en e is ados (deba e, explo ação de
ecu sos mul imédia e abalho p á ico) o am, p ecisamen e, as mais e e idas pelo g upo de p o esso es
que espondeu ao ques ioná io na p imei a ase do es udo.
Rela i amen e aos ecu sos que o am iden i icados pelo g upo de p o esso es en e is ados pa a
a abo dagem de p oblemas ambien ais em pe spe i a é ica, e i icou-se, ambém, que alguns indica am
mais do que um ecu so, a i mando u iliza sob e udo os ecu sos mul imédia (se e p o esso es) e os
ecu sos associados ao labo a ó io e ao campo ( ês p o esso es). Em meno equência, mencionam as
pla a o mas
online
(dois p o esso es), os a igos cien í icos (um p o esso ) e as ichas de abalho (um
p o esso ). O ecu so que mais e e i am ( ecu sos mul imédia) oi, ambém, o mais indicado pelos
p o esso es que esponde am ao ques ioná io.
Todos os p o esso es en e is ados conside a am bem-sucedida a abo dagem que ize am ao
p oblema ambien al em pe spe i a é ica. De um modo ge al, a ibuem es e sucesso à eação que
118
obse am nos alunos, a ní el compo amen al, com mais a i udes a a o do ambien e, e ao ní el da sua
sensibilidade, in e esse e cu iosidade, demons ando-se mais sensí eis e mo i ados pa a o ema, bem
como mais ques ionado es. Um dos p o esso es essal ou a impo ância de que os p oblemas
ap esen ados açam pa e da ealidade dos alunos, pa a que a abo dagem enha signi icado pa a eles,
e ou o p o esso des acou a ele ância das a i idades p á icas. Es a opinião é pa ilhada po ou os
au o es, que indicam as a i idades de campo (Bake e al., 2019; Ca a o, 2006; Webe , 2009) como
adequadas pa a o ensino des es emas. Nou os es udos, ealça-se como aspe o menos posi i o na
abo dagem de emas de o o ambien al a al a da componen e p á ica (Almeida, 2015), o que e o ça a
impo ância a ibuída às a i idades p á icas e a al a de e e ência a a i idades que se elacionem com o
ambien e no p ocesso de ensino e ap endizagem dos alunos (Mo ei a, 2019).
Foi, depois, colocada uma ques ão aos p o esso es sob e como sen i am que os seus alunos
eagi am à abo dagem do p oblema ambien al em pe spe i a de ecoé ica (Q13.2.3), quando o ize am.
De aco do com os dados da Tabela 23, os p o esso es e ela am que, maio i a iamen e, os seus
alunos eagi am à abo dagem com p eocupação (77,8%), a enção (73,5%), cu iosidade (70%), e, em
meno es pe cen agens, espan o (28,4%), is eza (18,3%) e ou as eações (10,5%), como indi e ença,
desp ezo, mo i ação, en usiasmo, aleg ia e in e esse.
Tabela 23. Pe ceção Sob e as Reações dos Alunos ao Modo Como o P oblema Ambien al oi Abo dado
(N=257)
Reações
F
%
P eocupação
200
77,8
A enção
189
73,5
Cu iosidade
180
70,0
Espan o
73
28,4
T is eza
47
18,3
Ou as eações
27
10,5
Não esponde
26
10,1
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia.
No sen ido de pe cebe po que mo i o os p o esso es sen iam que os seus alunos inham aquelas
eações à abo dagem de p oblemas ambien ais numa pe spe i a de ecoé ica, oi-lhes pedido que
jus i icassem a espos a dada à ques ão an e io (Q13.2.3.1). Uma ez que as espos as o am, de um
modo ge al, b e es e pouco ap o undadas, ez-se uma análise das ideias p incipais ela i as às azões
119
indicadas pelos p o esso es. Des e modo, conseguiu-se pe cebe que, ela i amen e às eações
p edominan es (p eocupação, a enção, cu iosidade), os p o esso es a ibuem-nas, sob e udo, a uma
omada de consciência, po pa e dos alunos, ace ca das condições ambien ais a uais, ao impac o
pessoal que de e minado p oblema pode e pa a o aluno e ao ac o de conside a em que os alunos
des as aixas e á ias já são na u almen e mais sensí eis a es es assun os, pelo que assumem aquelas
eações. Po im, as azões dos p o esso es que mencionam ou as eações cen am-se, no caso das
eações de indi e ença e desp ezo, na al a de sensibilidade e mo i ação dos alunos pa a es es emas,
gene icamen e, e, no caso das eações de mo i ação, en usiasmo, aleg ia e in e esse, cen am-se no
seu en ol imen o e implicação na a i idade e/ou ema em ques ão.
O es udo de Pullu e Pullu (2021) mos a que as a i idades do o o ambien al ealizadas a e a am
posi i amen e as a i udes e compo amen os dos alunos em elação aos p oblemas ambien ais e que os
alunos se di e i am e en usiasma am com a sua ealização. Já nos esul ados da p esen e in es igação,
e i icou-se que a abo dagem de p oblemas ambien ais em pe spe i a de ecoé ica pa ece e um e ei o
mui o di e en e nos alunos, de aco do com o que os p o esso es exp essam nas suas espos as, uma
ez que sen iam que os seus alunos se mos a am mais p eocupados, a en os e cu iosos do que
p op iamen e en usiasmados. Po ou o lado, no es udo de Huoponen (2023) é e e ido que alguns
alunos sen iam apa ia, us ação ou impo ência com a al a de possibilidades pa a agi ambien almen e,
o que pode jus i ica algumas das eações pe cecionadas pelos p o esso es que pa icipa am no p esen e
es udo, apesa de es e mo i o não e sido mencionado explici amen e.
Ainda no es udo de Pullu e Pullu (2021), são e o çados os aspe os posi i os que a abo dagem de
emas ambien ais pode aze aos alunos, nomeadamen e a consciencialização, o desen ol imen o de
pensamen o c í ico e ques ionamen o e um aumen o de empa ia pa a com a na u eza.
Pa a ap o unda es es esul ados, oi colocada uma ques ão, em con ex o de en e is a, que
p e endia ecolhe a opinião dos p o esso es en e is ados sob e o ac o de a maio pa e dos p o esso es
que esponde am ao ques ioná io e a i mado que, quando con on ados com p oblemas ambien ais
em pe spe i a de ecoé ica, os seus alunos eagiam com p eocupação, a enção e cu iosidade (E-Q12).
Um dos p o esso es não encon ou jus i icação pa a a p edominância daquelas eações nos alunos, mas
ou os indica am mais do que uma azão. As p incipais jus i icações ap esen adas cen am-se:
− No impac o pessoal que o p oblema ambien al em pa a o aluno ( ês p o esso es):
120
“Po que lhes oca. Po que põe em causa a sob e i ência deles, põe em causa o meio deles e
isso, sim…” (PE2)
− No desconhecimen o das condições ambien ais a uais ( ês p o esso es):
“As c ianças são cu iosas e, semp e que nós conseguimos explica algo […], isso em
epe cussão. Eu, às ezes, a é lhes digo coisas assim um bocado es ondosas, e eles icam ão
pe u bados que eu penso: se calha nunca ninguém lhes disse is o… […], con inha que nós
conseguíssemos se mais e e i os nessa missão de os ensina e de os p epa a .” (PE6)
− Na na u al sensibilidade e cu iosidade dos alunos pa a es es assun os ( ês p o esso es):
“Nós emos, po exemplo, a ácil adesão que os miúdos êm a es as g e es pelo clima. Po an o,
é no mal que eles ap esen em es e ipo de eações.” (PE3)
Os es an es p o esso es mencionam o ac o de conside a em que a abo dagem do p o esso e a
es a égia ado ada êm in luência nes as eações (dois p o esso es) e que es es assun os e a sua
dimensão, po si só, p opiciam ais sen imen os (um p o esso ).
Os 10 p o esso es en e is ados o am ambém ques ionados sob e como sen em que os seus
alunos eagem quando eles abo dam p oblemas ambien ais em pe spe i a é ica (E-Q12). Com exceção
de ês p o esso es, que de am espos as di e en es, odos os ou os (se e) disse am que os seus alunos
eagiam da mesma o ma: com p eocupação, a enção e cu iosidade. Os ês p o esso es que de am
ou as espos as menciona am que: mui as ezes, é di ícil pe cebe as eações dos seus alunos po
conside á-los pouco in e essados nas aulas, de modo ge al (um p o esso ); a e icácia na abo dagem
depende in ei amen e do p o esso , mais conc e amen e da emoção que passa ao abo da de e minado
assun o (um p o esso ); pa a chega aos alunos e pa a que eles enham es as eações, o p o esso em
de oca assun os que os oquem pessoalmen e, pa a que a ap endizagem seja e icaz (um p o esso ). A
es e p opósi o, Tuncay-Yüksel e al. (2023) e e em que, na abo dagem de um dilema é ico ambien al, o
con ex o do dilema in luencia signi ica i amen e as espos as dos pa icipan es, e que, se lhes o amilia ,
pode o na -se mais signi ica i o pa a eles e aze com que es ejam mais ece i os ao mesmo. Também
Taylo e Taylo (2012) ecomendam que, pa a que os alunos a ibuam um signi icado pessoal ao dilema
da his ó ia, es e seja p óximo do seu con ex o.
121
4.5. Necessidades o ma i as de p o esso es de Biologia e Geologia sob e assun os elacionados com
ecoé ica
Pa a a ingi o obje i o p opos o nes a pa e do es udo, oi pedido aos p o esso es que
espondessem a uma ques ão sob e se, na sua Fo mação Inicial de P o esso es (FIP), o am abo dados
assun os elacionados com ecoé ica (Q14).
De aco do com a Tabela 24, a maio ia dos p o esso es (50,1%) a i mou que ais assun os não
o am abo dados na sua FIP, enquan o 22,9% indica am que isso se e i icou e 27,0% disse am não e
a ce eza. Nes e úl imo caso, a jus i icação pode á liga -se à a ançada idade de mui os dos p o esso es,
cuja o mação inicial já deco eu há mui os anos (ce ca de 20 anos, pelo menos, a julga pelo a ançado
empo de se iço dos p o esso es).
Tabela 24. Abo dagem de Assun os Relacionados com Ecoé ica na FIP de Biologia e Geologia
(N=293)
Fo am abo dados assun os elacionados com ecoé ica na FIP
F
%
Sim
67
22,9
Não
147
50,1
Não enho a ce eza
79
27,0
Es es esul ados con a iam os de Akaydin e Eşme (2024), que mos am que mais de me ade dos
pa icipan es do seu es udo, en e os quais u u os p o esso es de ciências, e e o mação nas á eas do
ambien e e da é ica na sua FIP. Con udo, es ão em conco dância com ou os es udos que e elam que
os p o esso es de ciências, de um modo ge al, possuem, na sua FIP, pouca o mação em é ica (Ceyhan
& Sahin, 2018; Ga ech e al., 2022; Olawumi & Ma uso, 2023) e em ques ões ambien ais (UNESCO,
2021; Yumuşak e al., 2016). Uma apa en e al a de o mação em ecoé ica pode explica a ausência de
e lexão sob e p oblemas ambien ais, po pa e dos p o esso es de ciências, analisada no es udo de
Pa ei a (2003), bem como o escasso ecu so a e lexões (Tabela 21, do subcapí ulo an e io ), po pa e
des e g upo de p o esso es, quando ensina assun os elacionados com ecoé ica.
No sen ido de ap o unda es es esul ados, ao g upo de p o esso es en e is ados oi solici ada
opinião sob e os esul ados ob idos com o ques ioná io (Tabela 24), p ocu ando explo a po que
mo i o(s) apenas menos de um qua o dos p o esso es a i mou que o am abo dados assun os
elacionados com ecoé ica na sua FIP (Q13). Seis dos 10 p o esso es mos a am-se su p eendidos com
es e esul ado e qua o não se mos a am su p eendidos. Do g upo de (seis) p o esso es que se mos ou
122
su p eendido, ês ap esen a am como p incipal azão pa a es e esul ado a es agnação dos cu sos de
FIP:
“Pensei que nos empos a uais es a si uação i esse melho ado um bocadinho […]. As coisas na
uni e sidade endem a cus a a muda , mas espe a ia mais, nes a al u a.” (PE1)
Dois p o esso es apon am como mo i o uma possí el al e ação nos cu sos de FIP, dado que, na
sua FIP, há mui os anos, i e am o mação nessa á ea, e um p o esso e e e o pouco en endimen o dos
seus colegas de p o issão sob e o assun o, que os az acha que não i e am o mação na á ea quando,
na ealidade, ele pensa que p o a elmen e i e am.
O g upo de p o esso es que não se mos ou su p eendido (qua o) jus i ica-o compa ando a sua
FIP à FIP a ual, e e indo que são assun os que não e am abo dados e aos quais não e a dada a de ida
impo ância, e conside ando que o mesmo ainda acon ece na a ualidade.
Rela i amen e aos p o esso es que esponde am ao ques ioná io e que menciona am e abo dado
assun os elacionados com ecoé ica na sua FIP (n=67), oi-lhes solici ado que indicassem que assun os
elacionados com ecoé ica o am esses (Q14.1). As espos as o am mui o di e sas, sendo que alguns
p o esso es menciona am apenas o âmbi o dos assun os e ou os o am mais especí icos, iden i icando
o assun o abo dado.
Quan o ao âmbi o dos assun os, oi possí el apu a que a maio ia (86,6%) e e iu o da ecologia e
ambien e (Tabela 25), e depois, em meno es pe cen agens, assun os do âmbi o da geologia (20,9%), da
biologia (10,4%), da iloso ia e é ica (3,0%) e da ecoeconomia (1,5%).
Tabela 25. Âmbi o dos Assun os Relacionados com Ecoé ica Abo dados na FIP de Biologia e Geologia
(N=67)
Âmbi o
F
%
Ecologia e ambien e
58
86,6
Geologia
14
20,9
Biologia
7
10,4
Filoso ia e é ica
2
3,0
Ecoeconomia
1
1,5
Não esponde
14
20,9
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia.
129
Tabela 28. Opinião Sob e a Inclusão da Abo dagem de Assun os Relacionados com Ecoé ica na FIP de Biologia e Geologia
(N=293)
Inclusão da ecoé ica na FIP
%
Sim
286
97,6
Não
7
2,4
Quando ins ados a jus i ica em o seu posicionamen o ela i o à ques ão an e io (Q15.1), e
con o me se e i ica na Tabela 29, os p o esso es que menciona am que a ecoé ica de ia se abo dada
na FIP de Biologia e Geologia di idi am-se en e conside a em que a o mação em ecoé ica: em um
papel na capaci ação do p o esso pa a abo dagens mais adequadas (37,8%); p omo e conhecimen o
em assun os de ecoé ica impo an es pa a ajuda a melho a o es ado do plane a (37,4%); mo i a o
p o esso no seu papel de po encial agen e de mudança (14,3%).
Tabela 29. Razões da Conco dância com a Abo dagem de Assun os Relacionados com Ecoé ica na FIP de Biologia e
Geologia
(N=286)
Razão
%
Capaci a pa a abo dagens mais adequadas
108
37,8
P omo e conhecimen o em ecoé ica pa a melho a o es ado do plane a
107
37,4
Mo i a o p o esso no seu papel de po encial agen e de mudança
41
14,3
Não esponde
55
19,2
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia.
Os seguin es exemplos de espos as enquad am-se na ca ego ia e e en e à capaci ação do
p o esso pa a abo dagens mais adequadas:
“É um ema c ucial pa a o cu ículo das u u as ge ações, sendo, po an o, undamen al que os
docen es es ejam bem p epa ados pa a acompanha e apoia os alunos no desen ol imen o
des as compe ências.” (P19)
“Acaba po se uma o ma de consciencializa os u u os docen es pa a es a p oblemá ica e de os
do a de e amen as pedagógicas pa a a explo ação undamen ada da emá ica.” (P20)
Rela i amen e à ca ego ia que sus en a que a abo dagem p omo e o conhecimen o em assun os
de ecoé ica que ajudam a melho a o es ado do plane a, ap esen am-se os seguin es exemplos de
espos as:
130
“Um assun o que a ualmen e é especialmen e p emen e pa a c ia consciência ambien al apu ada
nos p o esso es e alunos.” (P16)
“Todos nós somos esponsá eis pelo equilíb io ecológico do qual depende a con inuidade da ida
na Te a, al como a conhecemos. Se não exis i uma a uação conjun a nesse sen ido,
di icilmen e a Te a pode á con inua a man e as condições necessá ias pa a a exis ência de
ida.” (P43)
As espos as no âmbi o da ca ego ia ‘Mo i a o p o esso no seu papel de po encial agen e de
mudança’ azem e e ência à impo ância do papel do p o esso na mo i ação de a i udes e
compo amen os, po pa e dos seus alunos, a a o do ambien e.
No que diz espei o às jus i icações ap esen adas pelos se e p o esso es que disse am que a
ecoé ica não de ia se abo dada na FIP de Biologia e Geologia (Tabela 28), ês menciona am o ac o de
conside a em que a ecoé ica az pa e da cul u a ge al de qualque p o esso , ou os ês jus i ica am
que a ecoé ica não de e se a ada sepa adamen e, en endendo que é um ema que ab ange odo o
cu ículo das ciências, e, po im, um p o esso sus en ou que a ecoé ica de e apenas se abo dada na
Fo mação Con ínua de P o esso es (FCP).
No sen ido de explo a melho es e assun o, oi colocada uma ques ão ao g upo de p o esso es
en e is ados ela i a à sua opinião sob e se es es assun os de e iam se abo dados em con ex o de FIP
de Biologia e Geologia e po que mo i o(s) (E-Q13).
À semelhança dos esul ados ob idos com o ques ioná io, ap esen ados na Tabela 28, em que a
maio ia conside a que sim, no caso dos p o esso es en e is ados odos são dessa opinião. Como azões,
os p o esso es en e is ados e e em que é impo an e a abo dagem des es assun os em con ex o de FIP
pa a capaci ação do p o esso pa a abo dagens mais adequadas (se e p o esso es) e pa a melho a o
es ado do plane a ( ês p o esso es), numa en a i a de muda o pa adigma ambien al a ual, p ocu ando
aumen a a consciencialização ambien al e a sensibilidade cole i a.
Pa a ap o unda es es esul ados, solici ou-se aos p o esso es en e is ados que opinassem sob e
como es es assun os de e iam se abo dados em con ex o de FIP (E-Q13). Quan o à sua inclusão em
alguma disciplina e/ou unidade cu icula , com exceção de ês p o esso es en e is ados que e e i am
não sabe como os inclui na FIP de Biologia e Geologia, mesmo a ibuindo-lhes impo ância, pa e dos
131
es an es ac edi a que es es assun os de em se incluídos em odas as disciplinas e/ou unidades
cu icula es da FIP de Biologia e Geologia e de ou os cu sos, po se um ema ans e sal e ele an e
(qua o p o esso es):
“São undamen ais, sim, po que… não é só p o esso es, eu acho que a qui e os, engenhei os,
odos êm de es a , po que, quem az as máquinas êm de pensa que elas êm de se mais
e icien es, menos poluen es, e c. Ou seja, a a qui e u a que -se cada ez mais i ada pa a o
ambien e, os edi ícios, lá es á, ambém mais e icien es ene ge icamen e, […] que incluam
plan as, po exemplo […]. Acho que não é uma coisa de p o esso es, é uma coisa que de ia se
incluída, cla amen e, em odos. A é nos hospi ais, a ques ão dos esíduos hospi ala es. Eu acho
que em odas as á eas de ia se incluída.”(PE7)
Os ou os p o esso es en e is ados di idem-se en e a inclusão des es assun os em disciplinas
e/ou unidades cu icula es de me odologias de ensino (um p o esso ), de biologia e de geologia (um
p o esso ), de ecologia ou, en ão, numa disciplina e/ou unidade cu icula especí ica de ecoé ica, a c ia
(um p o esso ).
Em e mos de es a égias a u iliza no ensino de assun os elacionados com ecoé ica em con ex o
de FIP de Biologia e Geologia, pa e dos p o esso es en e is ados ac edi am que a abo dagem de e se
p á ica e mo i a a e lexão ( ês p o esso es):
“Acho que, nesse sen ido, dos alo es holís icos, ou seja, a p omoção de um e i o, de um… de
um con ac o mais p óximo com […] a ealidade ambien al, mesmo em elação, po exemplo, às
ques ões da explo ação de ecu sos. Acho que somos mui o pouco… acho que, an o a
licencia u a como o mes ado, p epa am-nos mui o pouco nesse sen ido. Temos uma disciplina
de p ospeção e de ecu sos… Se calha , al ez, ui eu, não gos ei […], e en ão acho que não me
icou mui o. Ou en ão icou mui o eó ico, não icou mais na pa e da e lexão, ou seja, mui o os
concei os, e ambém acho que p ecisá amos mais na pa e da ecoé ica, sem dú ida, es amos
mui o aquém disso […]. No meu empo, acho que nos al a um pouco isso, se mos c í icos, não
é amos c í icos, e a udo mui o axa i o.” (PE2)
Pa a além disso, um p o esso conside a que é necessá io elabo a uma ca a de p incípios mo ais
e compo amen ais que as pessoas enham como e e ência quando lidam com o ambien e, e ou o
e e e que a me odologia baseada em p oje os pode á se a mais e icaz pa a o ensino des es emas.
132
Também nou os es udos se ac edi a que a ap endizagem baseada em p oje os (Eu ydice, 2024;
Huoponen, 2023) e a abo dagem de ques ões con o e sas em p oje os ambien ais (Almeida &
Vasconcelos, 2013) e de é ica ambien al (Bake e al., 2019), nas escolas, são adequadas pa a abo da
es es assun os e conside adas o mas de in oduzi di e en es pe spe i as ace ca da elação en e o se
humano e a na u eza (Almeida & Vasconcelos, 2013).
No que diz espei o aos dois p o esso es en e is ados que menciona am não se eco da de, na
sua FIP, e em sido abo dados assun os elacionados com ecoé ica, oi-lhes pedido que mani es assem
a sua opinião sob e se de e iam e sido abo dados em con ex o de FIP e que jus i icassem as suas
espos as e o necessem mais in o mações, nomeadamen e em que ano(s), em que disciplina(s) e de
que modo (E-Q13). Os dois p o esso es conco da am que es es assun os de e iam e sido abo dados
em con ex o de FIP e que de e iam se incluídos em odas as á eas da FIP de Biologia e Geologia, pelo
seu ca iz ans e sal. Ac edi am, ainda, que uma abo dagem mais p á ica, com ecu so a a i idades de
campo e com algum apoio mul imédia, se necessá io, se ia mais e icaz nes e âmbi o.
A inclusão de assun os elacionados com ecoé ica de o ma ans e sal, opinião pa ilhada po
alguns p o esso es en e is ados, es á em linha com a de Schae e (2006), que conside a ele an e o
ensino da emá ica de o ma in e disciplina , pa a que os alunos in eg em e apliquem conhecimen os e
compe ências adqui idas em á ias disciplinas na abo dagem de de e minado p oblema ambien al,
ap endendo a coope a , a lide a deba es, a negocia pa a alcança consenso ou a chega a uma
conclusão maio i á ia quando não é possí el chega a um consenso.
No âmbi o da Fo mação Con ínua de P o esso es (FCP) de Biologia e Geologia em assun os
elacionados com ecoé ica, oi solici ado aos p o esso es que esponde am ao ques ioná io que
indicassem se, nos úl imos ês anos, inham ei o alguma ação de o mação con ínua de p o esso es
em assun os elacionados com ecoé ica (Q16). De aco do com a Tabela 30, cons a a-se que quase 91%
dos p o esso es esponde am nega i amen e e apenas 9,2% disse am e equen ado ações de o mação
con ínua nessa á ea, nos úl imos ês anos.
Tabela 30. F equência de Ações de FCP, nos Úl imos T ês Anos, em Assun os Relacionados com Ecoé ica
(N=293)
F equência
%
Sim
27
9,2
Não
266
90,8
133
Es a cons a ação é conco dan e com as de ou os es udos onde se e e e que os p o esso es de
ciências não possuem o mação su icien e no âmbi o de ques ões ambien ais (Sison, 2018; UNESCO,
2021) e é icas (Olawumi & Ma uso, 2023) ao longo da sua ca ei a docen e.
Seguidamen e, solici ou-se aos p o esso es que indica am e ealizado FCP em assun os
elacionados com ecoé ica que especi icassem qual/quais a(s) ação(ações) de FCP equen ada(s)
(Q16.1). Ve i icou-se que a ação mais mencionada oi no âmbi o da educação ambien al pa a a
sus en abilidade. E e i icou-se, ambém, que, dos 27 p o esso es que menciona am e ei o FCP em
assun os elacionados com a ecoé ica, apenas um e e iu especi icamen e a é ica ambien al como um
dos emas abo dados na o mação, o nando-se di ícil pe cebe se os es an es 26 ealiza am
e e i amen e alguma o mação con ínua em que enham sido incluídos assun os elacionados com a
ecoé ica. De igual modo, não oi possí el pe cebe , na espos a daquele p o esso , que con eúdos e/ou
assun os o am desen ol idos, nem de que o ma oi abo dado o ema da é ica ambien al na ação de
o mação con ínua que e á equen ado.
Os p o esso es o am, depois, ques ionados sob e as mo i ações que os le a am a aze ações de
o mação con ínua em assun os elacionados com ecoé ica (Q16.2). Na Tabela 31, é possí el e i ica
que odos os p o esso es e e em ê-lo ei o po uma ques ão de in e esse pela emá ica (100,0%), pouco
mais de um qua o pela necessidade de o mação na á ea (25,9%) e 22,2% pela necessidade de c édi os.
De salien a que es e úl imo co esponde, no malmen e, a um dos p incipais mo i os pelos quais
os p o esso es mais p ocu am ações de o mação con ínua, dado que, em Po ugal, é um dos equisi os
necessá ios pa a a p og essão na ca ei a docen e.
Tabela 31. Razões Pelas Quais os P o esso es Fize am FCP de Biologia e Geologia em Assun os Relacionados com Ecoé ica
(N=27)
Razão
%
Necessidade de c édi os
6
22,2
Necessidade de o mação na á ea
7
25,9
In e esse pela emá ica
27
100,0
*A espos a de um p o esso pode se classi icada em mais do que uma ca ego ia.
No in ui o de ap o unda es es esul ados, os p o esso es en e is ados o am ambém
ques ionados sob e se alguma ez equen a am ações de FCP em assun os elacionados com ecoé ica
(E-Q15). Seis p o esso es disse am que não e qua o disse am que sim. Aos qua o que esponde am
134
a i ma i amen e, oi-lhes pedido que o necessem mais in o mações sob e as ações de FCP que
equen a am, nomeadamen e quan o aos assun os a ados e à o ma como o am abo dados (E-Q15).
Apenas dois p o esso es acul a am in o mações adicionais. Os ou os dois e e i am não se lemb a do
nome das ações nem de ou os de alhes sob e as mesmas, mencionando que já inham oco ido há
mui o empo.
Um dos assun os mencionados oi comum aos dois p o esso es en e is ados que de am
in o mações mais de alhadas sob e a FCP ealizada, com ligação à ecoé ica, e p ende-se com os
impac os das espécies in aso as; ou o assun o e e ido po um desses p o esso es oi a p o eção das
dunas de Esposende:
“An es de i a o mes ado, equen ei em… inha a e com isso, al ez, sim, sim, equen ei uma.
[…]. Olhe alámos das dunas, da p o eção das dunas, da impo ância da p o eção do co dão
duna de Esposende. Depois, as espécies, a ámos da ques ão de espécies in aso as.” (PE5)
“Sim, já pa icipei. Sim, sim, já. […]. Te e a e com a pa e da… da biologia, maio i a iamen e da
bo ânica, com as espécies in aso as na zona de… na al u a oi… Caminha. E a a Associação
Po uguesa de Biólogos, penso que es a a... que se iam eles, já não enho bem p esen e, mas
inha a e com espécies in aso as, sim. […]. Essencialmen e, a des uição dos
habi a s
, aspe o
é ico, que depois se e le e na ida das populações locais. Essencialmen e, isso.”(PE10)
Quan o a es a égias u ilizadas nessas FCP, nas duas espos as oi mencionada a a i idade de
campo e numa delas o abalho de g upo e a equência de pales as:
“Foi ambém uma aula, oi udo, p on o… cu iosamen e, uma pa e oi den o da sala de aula,
ou a pa e oi de campo, não é? […]. E o que eu me lemb o é a do campo, não me eco do do
que oi alado [ isos] […], nós izemos uma aula de campo, izemos um pe cu so… es i emos a
aze alguns exemplos, não é? Do que é que se de ia e não de ia aze .” (PE5)
“Foi essencialmen e po pales as e comunicações. […]. Fazíamos alguns abalhos em g upo, já
não me lemb o exa amen e o quê. Ah, e i emos uma saída de campo, ambém […], oi um im
de semana in ensi o.” (PE10)
Os mo i os pelos quais es es dois p o esso es ize am as ações de FCP em assun os elacionados
com ecoé ica o am, con o me indica am, a p ocu a pela di e si icação de o mação (um p o esso ) e o
in e esse pelo ema e necessidade de c édi os pa a e ei os de p og essão de ca ei a (um p o esso ):
135
“Escolhi es a po que me in e essei sob e o ema, mas, ambém, na al u a es a a a p ecisa de
c édi os. Nós emos de e c édi os pa a a ança na ca ei a, não é? Pa a p og edi .” (PE5)
No g upo de p o esso es en e is ados que a i mou nunca e equen ado ações de FCP em
assun os elacionados com ecoé ica (n=6), um p o esso não encon ou jus i icação pa a não o e ei o
e os es an es menciona am a inexis ência de o mações con ínuas no âmbi o des es assun os (qua o
p o esso es) e a eduzida disponibilidade pa a o aze (um p o esso ).
Seguidamen e, os p o esso es en e is ados o am ques ionados sob e a impo ância de os
p o esso es de Biologia e Geologia equen a em ações de FCP em assun os elacionados com ecoé ica,
sendo-lhes solici ado que jus i icassem as suas espos as (E-Q15.1). Todos econhece am a impo ância
dessa o mação, undamen ando-a na necessidade de no as e a ualizadas me odologias e ecu sos pa a
o e ei o (seis p o esso es) e na necessidade de mais conhecimen o ace ca do assun o (qua o
p o esso es).
A espei o da mo i ação dos p o esso es que pa icipa am no p esen e es udo pa a a inclusão de
assun os elacionados com ecoé ica an o em con ex o de FIP como em con ex o de FCP, e oma-se o
es udo de Almeida (2015), po exemplo, em que um dos o mado es dos p o esso es obse ou que a
mo i ação deles pa a ensina emas elacionados com ambien e dependia, p ecisamen e, da qualidade
da o mação que ecebe am du an e o seu pe cu so o ma i o. Is o le a a que alguns au o es sugi am
que os p o esso es de em se sensibilizados pa a o aspe o é ico do ensino de ques ões ambien ais,
dado que al pode não e sido incluído na sua o mação (inicial ou con ínua), indicando a e en ual
necessidade de mais conhecimen o: pa a que es ejam capaci ados pa a ensina sob e é ica ambien al
na sala de aula (Olawumi & Ma uso, 2023; Oli ei a e al., 2007; Pa ei a, 2003) e pa a que possam
pa icipa em discussões e e i as sob e ques ões é icas (Ceyhan & Sahin, 2018), no con ex o de
umamudança social ine i á el (Pa ei a, 2003).
O g upo de p o esso es en e is ados oi, depois, ques ionado sob e po que mo i o(s), na sua
opinião, menos de 10% dos p o esso es que esponde am ao ques ioná io menciona am e equen ado
ações de FCP em assun os elacionados com a ecoé ica (E-Q16). Cinco p o esso es jus i ica am es e
esul ado com a inexis ência de o mação con ínua no âmbi o da ecoé ica; ês menciona am a pouca
disponibilidade dos p o esso es, de um modo ge al, pa a a ealização de o mação con ínua, po mo i os
á ios ( al a de empo, in e esses de o mação nou os emas); um p o esso ac edi a que, enquan o es e
136
ema não cons a dos documen os cu icula es, não ha e á o e a o ma i a elacionada com o mesmo;
e ou o pensa que pode e sido uma má pe ceção dos p o esso es que esponde am nega i amen e a
es a ques ão do ques ioná io, pois c ê que a componen e é ica em de es a semp e p esen e em odos
os assun os do âmbi o da Biologia e Geologia.
No sen ido de con a ia es a endência e aumen a a pe cen agem de p o esso es com o mação
em ecoé ica, solici ou-se, seguidamen e, ao g upo de p o esso es en e is ados que ap esen assem
possí eis soluções/suges ões (E-Q16). Assim, com exceção de dois p o esso es que menciona am não
sabe qual se ia a melho solução pa a que hou esse al e ações nesse aspe o, os es an es indica am
que se ia p eciso:
− Disponibiliza mais FCP sob e o ema (cinco p o esso es):
“Disponibiliza mais o mação con ínua [...], e en ualmen e que es a o mação con ínua seja de
ácil acesso, ligada aos cen os de o mação.” (PE3)
− Reduzi a ca ga bu oc á ica dos p o esso es (um p o esso ):
“E a aumen a o núme o de o mações, mas ambém se ia eduzi a ca ga bu oc á ica que os
p o esso es êm, po que a bu oc acia não é o abalho só que se em aqui, não é? Eu enho
cinco u mas […] e chega-se ao im e eu não enho empo, não é? Mesmo que eu quei a… […].
Todo o empo que eu enho li e é pa a co igi es es, p epa a ela ó ios, e é is o. É eduzi a
ca ga bu oc á ica que a escola em […], pa a que as pessoas se dediquem mais ao ensino e a
o ma em-se.” (PE5)
Dos es an es p o esso es en e is ados (dois), um e e iu que se ia necessá io melho a as
condições da ca ei a docen e, pa a que os p o esso es se sin am mais elizes, o que, em seu en ende ,
e á epe cussão no p ocesso de ensino e ap endizagem dos alunos, e o ou o que se ia necessá io
inclui es a emá ica no cu ículo o icial da disciplina de Ciências Na u ais e Biologia e Geologia, pa a que
os p o esso es e e i amen e abo dem es e ema nas aulas.
Pa a conclui es a pa e da en e is a, oi colocada uma ques ão a es e g upo de p o esso es sob e
se se alguma ez oma am a inicia i a de aze lei u as sob e ecoé ica (E-Q17). Seis p o esso es e e i am
que sim e qua o e e i am que não. Os que esponde am a i ma i amen e indica am como p incipais
137
mo i ações pa a o aze a necessidade de le sob e es es assun os pa a aplica em em con ex o sala de
aula (qua o p o esso es), pa a ap o unda conhecimen o pa a e ei os pessoais (um p o esso ) e pa a a
elabo ação de manuais escola es (um p o esso ). Rela i amen e ao g upo de p o esso es en e is ados
que espondeu nega i amen e, com exceção de um, que e e iu não ha e nenhum mo i o especí ico
pelo qual não o az, os es an es menciona am, como jus i icações pa a não o aze em, que p ocu am
mais lei u as nou os emas (dois p o esso es) e que não êm empo/disponibilidade pa a al (um
p o esso ).
Pos e io men e, oi solici ado aos p o esso es que indica am e ido a inicia i a de aze lei u as
sob e ecoé ica que o necessem mais in o mações sob e o que le am (E-Q17). Ve i icou-se que as lei u as
se cen a am: nos manuais escola es (dois p o esso es), ecu so e e ido ambém nou os es udos
(Almeida, 2015; Oli ei a e al., 2007) como sendo u ilizado pelo p o esso pa a ensina sob e emas
ambien ais; em a igos disponibilizados
online
sob e p oblemá icas ambien ais (dois p o esso es); e em
li os (dois p o esso es).
Os emas mais p ocu ados pelos p o esso es o am: o aquecimen o global ( ês p o esso es); a
al a de água (um p o esso ); a explo ação de lí io (um p o esso ); e a u ilização de ene gia nuclea (um
p o esso ). Os li os que os dois p o esso es en e is ados menciona am e lido a es e espei o o am
Homo Deus
e
A Nossa Casa Es á a A de
. O p imei o, de Yu al Noah Ha a i, explo a os p oje os, sonhos
e pesadelos que da ão o ma ao século XXI (desde o ence a mo e à ida a i icial) e o segundo, de
G e a Thunbe g, abo da o comba e às al e ações climá icas.
Alguns es udos e elam que a o mação em é ica e ambien e aumen a a consciência é ica
ambien al dos u u os p o esso es (Akaydin & Eşme, 2024; Ka akaya & Yilmaz, 2017), mo i ando, de
igual modo, a i udes a a o de um ambien e sus en á el (Yumuşak e al., 2016), o que pa ece
demons a a impo ância da o mação nes e âmbi o. Ou os es udos mos am, ambém, que os
p o esso es que mais con ac am com o mação nes es assun os e idenciam menos a i udes
an opocên icas (Pe ei a, 2009), ap esen am maio endência pa a p eocupações mais ecocên icas na
elação se humano-ambien e e meno apa ia ambien al (Saka e al., 2009).Nou o es udo suge e-se a
inclusão da é ica ambien al nos p og amas de o mação de p o esso es (Su meli & Saka, 2013), dado
que al a um ensino o ien ado pa a a é ica na abo dagem de ques ões ambien ais, mais conc e amen e
e lexões sob e as azões da p o eção do ambien e, que deco em de di e en es abo dagens é icas e que
podem se ado adas po cada pessoa (Alpak Tunç & Yenice, 2017).
138
4.6. Opiniões de p o esso es de Biologia e Geologia sob e as necessidades o ma i as dos alunos em
assun os elacionados com ecoé ica e sob e o ensino de assun os elacionados com ecoé ica
Pa a melho es u u ação des e subcapí ulo, ap esen am-se os dados e e en es a opiniões de
p o esso es de Biologia e Geologia sob e as necessidades o ma i as dos alunos em assun os
elacionados com ecoé ica em 4.6.1., e os dados sob e opiniões de p o esso es de Biologia e Geologia
ace ca do ensino de assun os elacionados com ecoé ica em 4.6.2.
4.6.1.
Opiniões de p o esso es de Biologia e Geologia sob e as necessidades o ma i as dos alunos em
assun os elacionados com ecoé ica
Pa a a e igua as opiniões dos p o esso es de Biologia e Geologia sob e as necessidades
o ma i as dos alunos em assun os elacionados com ecoé ica, começou-se po coloca ao g upo de
p o esso es inqui idos uma ques ão ace ca da ele ância que, na sua opinião, di e en es á eas do
conhecimen o êm pa a a o mação de um aluno que e mina o ensino básico e pa a a o mação de um
aluno que e mina o ensino secundá io (Q17).
De aco do com os dados disponibilizados na Tabela 32, é possí el pe cebe que, pa a um aluno
que e mina o ensino básico, a maio pa e dos p o esso es indicou como excecionalmen e ele an es as
á eas da sus en abilidade ambien al (64,8%) e da educação ambien al (58,4%) e como mui o ele an e
a á ea do uncionamen o dos ecossis emas (50,5%).
Tabela 32. Rele ância A ibuída a Di e en es Á eas do Conhecimen o Pa a a Fo mação de um Aluno que Te mina o Ensino
Básico (EB)
(N=293)
Á eas
Nada/Pouco
ele an e
Mode adamen e
ele an e
Mui o ele an e
Excecionalmen e
ele an e
%
%
%
%
Educação ambien al
0
0,0
12
4,1
110
37,5
171
58,4
É ica
5
1,7
33
11,3
135
46,1
120
41,0
É ica ambien al
4
1,4
26
8,9
137
46,8
126
43,0
Funcionamen o dos ecossis emas
1
0,3
32
10,9
148
50,5
112
38,2
Sus en abilidade ambien al
0
0,0
12
4,1
91
31,1
190
64,8
Já pa a um aluno que e mina o ensino secundá io, e segundo os dados da Tabela 33, a maio
pa e dos p o esso es conside ou excecionalmen e ele an es as á eas da sus en abilidade ambien al
(66,6%), da educação ambien al (58,7%), da é ica (56,7%) e da é ica ambien al (55,6%). Ve i ica-se, como
241
In odução
A ecoé ica p omo e uma e lexão sob e qual de e se a elação do se humano com o ambien e e
as implicações mo ais das ações humanas ela i amen e ao ambien e e à sus en abilidade (Fa ia, 2020),
e, na ap endizagem de assun os elacionados com ques ões ambien ais, ajuda na comp eensão de que
as ciências na u ais não es ão dissociadas de alo es e de escolhas mo ais (Ga ech e al., 2023).
Ap ende as compe ências de pensamen o é ico e de omada de decisões, jun o com uma
comp eensão das ciências, ela i as a ques ões ambien ais conc e as e eais, pode p epa a os alunos
pa a os desa ios da ida mode na, o nando-os mais en ol idos nes as ques ões e le ando os alunos a
in e oga em-se sob e a o ma como os se es humanos se elacionam com o ambien e (Ga ech e al.,
2023), e azem pa e de uma educação pa a a ecoé ica na educação em ciências. Tal exige no as o mas
de e lexão, pensamen o c í ico, análise é ica, habilidades lógicas e capacidade de esolução de
p oblemas pa a a enua compo amen os humanos que comp ome em o equilíb io do plane a (Mo ei a,
Al es & Mendonça, 2020). Pa a p omo e ais compe ências, as abo dagens de ensino mais adicionais
pa ecem não se as mais adequadas, ao passo que a Ap endizagem Baseada na Resolução de P oblemas
(ABRP) pa ece se uma das abo dagens adequadas pa a azê-lo (Demi el & Dağya , 2016).
A ABRP, uma me odologia a i a, cen ada no aluno, e em que o p o esso assume um papel de
o ien ado do p ocesso de ap endizagem dos alunos e a es es é dada maio libe dade e au onomia,
p omo e a ap endizagem sob e um assun o a a és da expe iência de esolução de p oblemas, que
podem se esol idos de mui as o mas di e en es e que podem e mais do que uma solução (Shanka ,
2022).
Es a me odologia é no malmen e compos a po qua o ases (Lei e & A onso, 2001): a ase 1, na
qual o p o esso de e iden i ica os con eúdos que p e ende abo da e, de seguida, seleciona ou elabo a
um con ex o ou cená io p oblemá ico que pe mi a o le an amen o de ques ões ou p oblemas que
conduzi ão à ap endizagem desses mesmos con eúdos; a ase 2, na qual o p o esso de e con on a os
alunos com o con ex o ou cená io p oblemá ico e es es de e ão p ocede à o mulação de ques ões ou
p oblemas, que de em se discu idos en e alunos e p o esso , de modo a analisa -se a sua pe inência,
pa a, depois, lhes se dada espos a; a ase 3, na qual os alunos p ocedem pa a a esolução dos
p oblemas, onde de em abalha pa a p ocu a soluções pa a esses p oblemas (se exis i em), a a és
de pesquisa em di e en es on es de in o mação, que o p o esso p ocu a á assegu a que eúnam
condições mínimas necessá ias pa a o e ei o. Os alunos de em plani ica e implemen a es a égias pa a
242
esol e odos os p oblemas iden i icados; a ase 4, na qual os alunos e o p o esso de em e le i sob e
e a alia as soluções encon adas pa a os p oblemas, seguindo-se e en uais e o mulações das mesmas,
se necessá io, pa a, depois, e e ua em uma sín ese inal de odo o p ocesso e uma a aliação dos
di e en es ipos de conhecimen os ob idos e/ou desen ol idos (conce uais, p ocedimen ais, a i udinais).
O desen ol imen o da capacidade de esolução de p oblemas p omo e o desen ol imen o de
pensamen o c í ico e capacidades e lexi as, o pensamen o c ia i o, o pensamen o lógico, bem como a
capacidade de oma decisões (Shanka , 2020). Is o pe mi i á aos alunos esponde a desa ios u u os,
de o ma c ia i a e e lexi a, adap ando-se às exigências que lhes pode ão su gi ao longo da ida.
Apesa das exigências de pô em p á ica a ABRP, pela mudança de papéis dos p o esso es que
os pode deixa insegu os quan o à ap endizagem po pa e dos alunos (Mo gado, 2016), es a é
conside ada uma das abo dagens adequadas pa a explo a assun os elacionados com ecoé ica, dado
que se baseia em si uações do quo idiano, eais (Shanka , 2022; Lamb os, 2004), onde se enquad am
p oblemas ambien ais, como mudanças climá icas, ges ão de esíduos ou conse ação da
biodi e sidade, que en ol em semp e ques ões é icas. Con ibui, como al, pa a que os alunos
desen ol am uma comp eensão mais p o unda do con eúdo e das compe ências necessá ias pa a a sua
ida (Shanka , 2022), aplicando esses conhecimen os a cená ios da ida eal, e sendo capazes de da
espos a a p oblemas eais e elacionados com ques ões de ambien e e sus en abilidade (Fe gusson,
2022), exigências de uma sociedade global no século XXI.
243
P opos a de ação de o mação con ínua pa a p o esso es de Biologia e Geologia
O cu so de o mação con ínua des inado a p o esso es de Biologia e Geologia, e á a du ação de
25 ho as, se á c edi ado pelo Conselho Cien í ico-Pedagógico da Fo mação Con ínua (CCPFC) e e á um
egime de uncionamen o p esencial.
Designação do cu so: Educação pa a a ecoé ica a a és da Ap endizagem Baseada na Resolução de
P oblemas (ABRP).
Obje i o: O obje i o des e cu so é p omo e ap endizagens no âmbi o de assun os elacionados com
ecoé ica com ecu so à ABRP, que supo e as ações dos p o esso es quan o à sua plani icação,
moni o ização e a aliação das ap endizagens.
Obje i os de ap endizagem:
- Explo a a educação pa a a ecoé ica com ecu so à ABRP.
- Plani ica uma sequência de ensino de um assun o elacionado com ecoé ica eco endo à ABRP.
Con eúdos do cu so:
1. Educação pa a a ecoé ica na educação em ciências.
2. Fundamen os, ca a e ís icas e o ganização da ABRP.
3. Educação pa a a ecoé ica a a és da ABRP.
4. Plani icação de p opos a de ABRP cen ada em assun os elacionados com ecoé ica.
Me odologias de ensino: Numa p imei a ase, ab angem-se os con eúdos 1, 2 e 3, e p e ê-se que os
o mandos ap endam sob e a educação pa a a ecoé ica na educação em ciências, sob e a me odologia
ABRP, e sob e a educação pa a a ecoé ica com ecu so a ABRP. Numa segunda ase, que ab ange o
con eúdo 4, p e ê-se que os o mandos u ilizem os conhecimen os ap endidos em 1, 2 e 3, pa a ealiza
a i idades de aplicação desses conhecimen os aos seus con ex os p o issionais. A me odologia de
o mação u iliza á a ABRP como o ma de abo da os di e en es assun os elacionados com ecoé ica.
A aliação das ap endizagens do cu so: A a aliação das ap endizagens do cu so inclui a elabo ação de
244
uma p opos a de plani icação de uma si uação de ABRP em assun os elacionados com ecoé ica,
cen ada em emas escolhidos pelos o mandos, e que com eles se á discu ida numas das sessões.
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245
Exemplo de p opos a de cená io a usa em si uação de o mação
Na egião de Ba oso-Al ão, iden i ica am-se ese as de lí io, um ecu so na u al es a égico pa a
a ansição ene gé ica global, nomeadamen e, o maio uso de eículos elé icos.
Com o aumen o da p ocu a po ecu sos eno á eis, o go e no po uguês, em pa ce ia com
emp esas mul inacionais, iniciou planos pa a explo a essas ese as, p ome endo um impulso
económico pa a o país.
Nas p oximidades desse local, ca a e izado po uma paisagem na u al en ol en e compos a po
auna e lo a icas e di e si icadas, um biólogo ale a pa a a exis ência de uma espécie a a de plan as,
naquele local especí ico. Ale a, ambém, pa a a exis ência de uma espécie de mo cegos, classi icada,
em Po ugal, como c i icamen e em pe igo, que u iliza a ecolocalização pa a de e a obs áculos e p esas
com g ande p ecisão e comunica en e si, condições essenciais à sua sob e i ência.
Um geólogo, sabendo da si uação, ez chega à comunicação social que em dú idas sob e a
iabilidade da explo ação da ese a de lí io naquele local.
Os habi an es locais mos am-se indecisos. Alguns conside am que a conc e ização des a
explo ação se á an ajosa pa a a zona onde i em, ou os mos am dú idas e eceios sob e as
consequências e não sabem qual a melho opção.
Po seu u no, os come cian es ica am mui o con en es com a possibilidade de se a ança com
a explo ação naquela zona, mas os ges o es de unidades ho elei as, de alojamen os locais e os Guias da
Na u eza acham que se ão p ejudicados.