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Influência da cultura organizacional na gestão da comunicação de risco

Author: Afonso, Andreia Sofia Pereira
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/81a9aa35-12e1-4ad1-b9d0-bf1f76aad79f/download
And eia So ia Pe ei a A onso
In luência da Cul u a O ganizacional na
Ges ão da Comunicação de Risco
e e ei o de 2025
In luência da Cul u a O ganizacional na Ges ão da Comunicação de Risco
And eia So ia Pe ei a A onso
UMinho|2025
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
And eia So ia Pe ei a A onso
In luência da Cul u a O ganizacional na
Ges ão da Comunicação de Risco
e e ei o de 2025
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Ges ão de Unidades de Saúde
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o José An ónio Almeida C ispim
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Ao P o esso Dou o José C ispim,
Pela sua e e na paciência no p ocesso de o ien ação pa a a elabo ação des e es udo.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
In luência da Cul u a O ganizacional na Ges ão da Comunicação de Risco
RESUMO
Es e es udo em po obje i o ap o unda o concei o de Risco na á ea da saúde, numa e en e
mais simplis a e di e a. O p ocesso de Comunicação do Risco é ealizado dia iamen e nas o ganizações
de saúde, no deco e da ansmissão de in o mação pelos á ios elemen os da equipa mul idisciplina
en e si (a ní el in e no), e na ansmissão do Risco, em o ma po encial ou eal, ao u en e/pacien e.
Foi ealizada uma inqui ição a uma amos a de En e mei os po ugueses sob e como o Risco é
pe cecionado pelos mesmos, sob e como a pe ceção que es es ap esen am quando ou os elemen os
da equipa mul idisciplina e os u en es/pacien es lidam com o Risco, bem como a o es que di icul am
o p ocesso de Comunicação de Risco a ní el in e disciplina , a ní el o ganizacional e com o
u en e/pacien e. Os dados ecolhidos não pe mi i am a iden i icação do ipo de cul u a p edominan e
na o ganização de saúde, a a és da u ilização da Teo ia do Modelo de Valo es Conco en es, de
Came on e Quinn (2006). No en an o, o am iden i icados “Rasgos de Cul u a” na O ganização em
análise. Realizadas linhas o ien ado as pa a auxílio na o imização do p ocesso de Comunicação de
Risco. A abela ECOA iden i ica odos os passos essenciais pa a o p ocesso de Comunicação de Risco
de o ma e e i a, a se ealizada em O ganizações de Saúde pelos seus colabo ado es.
Pala as-cha e: Comunicação de Risco; Cul u a O ganizacional; Linhas O ien ado as de
Comunicação de Risco; Pe ceção de Risco; Risco.
i
In luência da Cul u a O ganizacional na Ges ão da Comunicação de Risco
ABSTRACT
This s udy aims o deepen he concep o Risk in he heal h a ea, in a mo e simplis ic and di ec
way. The Risk Communica ion p ocess is ca ied ou daily in heal hca e o ganiza ions, du ing he
ansmission o in o ma ion by he a ious elemen s o he mul idisciplina y eam o each o he
(in e nally), and in he ansmission o Risk, in po en ial o eal o m, o he pa ien . A su ey was
ca ied ou wi h a sample o Po uguese Nu ses abou how Risk is pe cei ed by hem, he pe cep ion
hey p esen when o he membe s o he mul idisciplina y eam and pa ien s deal wi h Risk, as well as
ac o s ha hinde he Communica ion p ocess o Risk a an in e disciplina y le el, a an o ganiza ional
le el and wi h he pa ien . The collec ed da a didn’ allow he iden i ica ion o he ype o cul u e
p edominan in he heal h o ganiza ion, acco ding o he Compe ing Values Model Theo y, by Came on
and Quinn (2006). Howe e , “Cul u al T ai s” we e iden i ied in he O ganiza ion unde analysis.
De eloped a cha o help op imize he Risk Communica ion p ocess. The ECOA able iden i ies all he
essen ial s eps o he e ec i e Risk Communica ion p ocess, o be ca ied ou in Heal hca e
O ganiza ions by hei employees.
Keywo ds: O ganiza ional Cul u e; Risk Communica ion Guidelines; Risk Communica ion; Risk
Pe cep ion; Risk.
ii
ÍNDICE
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ........................ ii
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................................ iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ......................................................................................................... i
In luência da Cul u a O ganizacional na Ges ão da Comunicação de Risco ...........................................
RESUMO .............................................................................................................................................
ABSTRACT ......................................................................................................................................... i
ÍNDICE .............................................................................................................................................. ii
LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................................. ix
LISTA DE TABELAS .............................................................................................................................. x
ÍNDICE DE SIGLAS ............................................................................................................................ xii
DEDICATÓRIA.................................................................................................................................... xi
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 1
1. CULTURA ORGANIZACIONAL .......................................................................................................... 4
1.1. Cul u a ................................................................................................................................... 4
1.2. Cul u a O ganizacional ............................................................................................................ 6
1.3. Teo ia do Modelo de Valo es Conco en es .............................................................................. 7
2. COMUNICAÇÃO DE RISCO ............................................................................................................. 9
2.1. Comunicação ......................................................................................................................... 9
2.2. Comunicação O ganizacional ................................................................................................ 10
2.3. Risco .................................................................................................................................... 12
2.4. Pe ceção de Risco ................................................................................................................ 13
2.5. Comunicação de Risco ......................................................................................................... 15
2.6. Modelo - Base do es udo....................................................................................................... 18
3. METODOLOGIA ............................................................................................................................ 22
3.1. Desenho de In es igação ...................................................................................................... 23
3.2. Recolha de Dados................................................................................................................. 25
3.3. População e Amos as .......................................................................................................... 33
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................................ 37
4.1. Obse ação Di e a e Indi e a do Pa icipan e ......................................................................... 37
4.2. Cul u a O ganizacional .......................................................................................................... 39
xi
DEDICATÓRIA
Aos a ós Julie a e No be o,
Po me ensina em que os sonhos, al como as semen es, necessi am de empo e dedicação
pa a da u os.

1
INTRODUÇÃO
O concei o de Comunicação de Risco é, a ualmen e, u ilizado em inúme as á eas. A ní el da á ea da
saúde, es á equen emen e associado na ansmissão de in o mação de saúde p e en i a ou em
si uações de ca ás o es, di ecionada pa a oda a população ou g upos populacionais de uma
de e minada egião. No en an o, o Risco es á p esen e dia iamen e nas nossas idas de o ma
indi idual, em o ma po encial ou eal. A o ma como é pe cecionado o Risco é dis in a en e os á ios
elemen os das equipas de saúde, bem como en e os p o issionais de saúde e os U en es/Pacien es. A
Pe ceção de Risco é singula pa a cada indi íduo, e pode se in luenciada po inúme os a o es, como
alo es cul u ais e sociais, idade, sexo, expe iências p é ias, ní el de li e acia e ní el de li e acia em
saúde.
O p ocesso de Comunicação ealizado pelas equipas mul idisciplina es no seio das O ganizações de
Saúde é essencial pa a a p es ação de cuidados de saúde. A capacidade de es abelece um p ocesso
de Comunicação de Risco e icien e a ní el in e no na O ganização p opicia um ambien e o ganizacional
ideal pa a os seus colabo ado es p es a em cuidados de excelência.
A qualidade dos cuidados p es ados ao U en e/Pacien e e os seus esul ados de saúde dependem
di e amen e de um p ocesso de Comunicação de Risco e icaz, o qual é essencial na mudança de
compo amen os quando há um Risco po encial, ou no p ocesso de omada de decisão in o mada e
escla ecida pa a a ealização de a amen os/p es ação de cuidados de saúde na p esença do Risco.
Em odas as o ganizações exis e uma es u u a e uma Cul u a únicas. A Cul u a O ganizacional é
sedimen ada em alo es, c enças e obje i os, e é, de aco do com di e sos au o es, c iada ao longo do
empo, a a és da o ma de ges ão da mesma e das expe iências i enciadas pelos seus colabo ado es.
A au o a do p esen e es udo i encia equen emen e, enquan o colabo ado a de uma O ganização de
Saúde, ci cuns âncias em que o p ocesso de Comunicação do Risco é ine icaz. Po al, o am elabo adas
abelas em que são desc i as si uações eais onde o am iden i icadas lacunas e/ou alhas na
ansmissão do Risco, bem como a o ma como es as impac a am o p ocesso de omada de decisão no
pacien e e na ges ão das dinâmicas de abalhos das equipas in e disciplina es – Obse ação Di e a e
Indi e a do Pa icipan e. Nes a secção, o am abo dadas si uações em que oi e e uada a ealização de
ensinos aos pacien es que ealiza am ansplan e enal ace ca da necessidade de oma os
medicamen os imunossup esso es pa a o es o da sua ida e a necessidade de compa ece a odas as
consul as médicas; ealizados ensinos sob e hábi os de higiene mais igo osos nos p imei os meses após
o ansplan e, nomeadamen e não oma banhos de ime são (banhei as, piscinas, io e ma ). Os baixos
2
ní eis de li e acia, a lacuna na iden i icação de um po encial Risco e a des alo ização/negação em
elação à p esença do Risco induzi am os pacien es a e e ua omadas de decisão que le a am a um
impac o nega i o na sua saúde e na sua ida (pe da da unção enal na p imei a si uação ela ada e uma
in eção enal na segunda si uação). Em elação aos p ocessos comunicacionais en e os á ios
elemen os que cons i uem as equipas mul idisciplina es, é equen e o Risco es a p esen e, podendo o
mesmo não se iden i icado e/ou se des alo izado. A í ulo de exemplo, é equen e i ao Bloco
Ope a ó io (BO) busca os pacien es in e nados e que o am sujei os a in e enções ci ú gicas, após
con ac o ele ónico do BO. To na-se eco en e a necessidade de espe a bas an e empo pelo pacien e na
en ada do BO, dado que o mesmo não se encon a p on o pa a se encaminhado pa a o se iço de
o igem (secundá io a inúme os a o es). Es as dinâmicas p o ocam a asos na ges ão da p es ação de
cuidados de odos os ou os pacien es a ibuídos ao En e mei o. Fo am iden i icadas dois g andes
en a es, os quais são a p esença de lacuna na ges ão o ganizacional ace ao isco e di iculdade no
p ocesso de pa ilha de associações associadas ao Risco.
Tendo em conside ação os concei os, as p emissas e as expe iências i enciadas pela in es igado a
no deco e da sua p á ica clínica an e io men e e e idas, oi delineada a seguin e Ques ão de
In es igação do p esen e es udo:
De que o ma a Cul u a O ganizacional in luencia a Comunicação de
Risco dos En e mei os a ní el in e no e ex e no?
Na sequência da Ques ão de In es igação, oi de inido o Obje i o Ge al:
Conhece a pe ceção dos
En e mei os sob e a in luência da Cul u a O ganizacional na Comunicação de Risco.
Nes e sen ido, o am enume ados os seguin es obje i os especí icos:
● Iden i ica a ca a e ização sociodemog á ica dos p o issionais de saúde;
● Conhece o ipo de Cul u a O ganizacional p esen e na ULS de Ma osinhos;
● Comp eende a pe ceção que os En e mei os êm sob e Comunicação no con ex o
o ganizacional;
● Conhece a pe ceção dos En e mei os ace ca do concei o de Comunicação de Risco;
● Conhece a pe ceção da Comunicação de Risco e e uada en e p o issionais de saúde (equipas
mul idisciplina es) e en e os En e mei os e o U en e/Pacien e;
● Iden i ica possí eis lacunas e/ou e os de Comunicação na O ganização;
● Elabo a linhas o ien ado as pa a Ges o es na á ea da saúde ace ca de Comunicação de Risco
3
e e i a.
Foi ealizado um mapa concei ual, endo com base a e isão de li e a u a e e uada, em que o am
esquema izados os p ocessos que in luenciam a ansmissão do Risco a ní el o ganizacional. Na
sequência do diag ama elabo ado, conseguiu-se c ia um io condu o pa a a e olução do es udo a ní el
es a égico, endo em conside ação o Obje i o Ge al e os Obje i os Especí icos p opos os.
Es e es udo di ecionou-se pa a uma abo dagem me odológica quan i a i a, a a és da qual oi
e e uada a ecolha de dados a a és da aplicação de um Inqué i o. A ní el da população, oi
selecionada uma classe p o issional de o ma in encional – En e mei os que p es am cuidados di e os
ao U en e/Pacien e numa ULS da egião No e de Po ugal, sendo que o g upo amos al oi selecionado
de o ma alea ó ia.
Após a análise dos esul ados ob idos, sen iu-se a necessidade de elabo a uma abela em que
ap esen a uma sín ese de linhas o ien ado as pa a a o imização do p ocesso de Comunicação de Risco,
di ecionado pa a En e mei os que exe cem unções de Ges ão, endo em conside ação que são es es
p o issionais que êm como unção o es abelecimen o de no mas e c i é ios de a uação nos
Se iços/Unidades de Saúde. Es as linhas o ien ado as – ECOA, apesa de es a em di ecionadas pa a
p o issionais que abalham na Ges ão de Unidades de Saúde, podem se u ilizadas po odos os
p o issionais de saúde que p e endam o imiza a Comunicação de Risco In a disciplina e/ou a
Comunicação de Risco com o U en e/Pacien e.
4
1. CULTURA ORGANIZACIONAL
1.1. Cul u a
O concei o de Cul u a baseia-se, de aco do com Lima e al (2011), no desen ol imen o de in e -
elações nos memb os de uma equipa ou g upo de indi íduos e na capacidade que os mesmos
ap esen am pa a se adap a no meio onde se encon am inse idos. Es es e idenciam a ideia de que a
cul u a pode molda a iden idade dos indi íduos e da equipa que colabo am com a o ganização.
Ho s ede (1991) iden i icou o concei o de Cul u a e e e iu que es e pode se aplicado de duas
o mas: “cul u a no sen ido es i o” e cul u a sob o pon o de is a da An opologia Social (sob o pon o de
is a da P og amação Men al). O au o desc e eu o concei o de Cul u a de aco do com a linguagem
ociden al, sendo es e “equi alen e a “ci ilização” ou “ e inamen o da men e” e designa mui as ezes o
esul ado desse e inamen o, como sejam “a educação, a a e e a li e a u a” (Ho s ede, 1991, p. 19). Na
An opologia Social, o concei o de Cul u a aba ca pad ões de pensamen o, compo amen os e
sen imen os dos indi íduos. O au o e e e que es ão incluídos “não apenas as a i idades consag adas a
e ina a men e”, mas são ambém incluídas “ odas as a i idades simples e o diná ias da ida:
cump imen a , come , mos a ou esconde emoções, man e uma ce a dis ância ísica dos ou os,
aze amo ou man e a higiene do co po” (Ho s ede, 1991, p. 19).
A Cul u a sob o pon o de is a An opológico é, de aco do com Ho s ede (1991), semp e um
e en o cole i o, dado que é pa ilhada po pessoas que i em no mesmo meio social onde es a é
adqui ida. O au o e idencia que a Cul u a não é he dada, a a és do pa imónio gené ico, mas sim
adqui ida ao longo do empo, no con ac o com o ambien e social que os odeia.
Ho s ede (1991) e idencia que as di e enças cul u ais se mani es am de á ias o mas. O au o
iden i ica qua o e mos que englobam o almen e o concei o de Cul u a. São eles os
símbolos, he óis,
i uais e alo es.
Os
símbolos
são, de aco do com o au o , “pala as, ges os, igu as ou obje os que anspo am
um signi icado pa icula que é apenas econhecido pelos que pa ilham a cul u a” (Ho s ede (1991, p.
22). Es ão incluídas nes a ca ego ia a linguagem e o calão, o ma de se es i e ap esen a
(ca ac e ís icas ísicas), símbolos, bandei as e símbolos de es a u o. O au o e e e que os símbolos não
são pe manen es, is o é, es ão cons an emen e a su gi no os símbolos e a desapa ece os mais an igos;
es es são ambém passí eis de se copiados po ou os g upos cul u ais.
O segundo e mo iden i icado, os
he óis
são “pessoas, i as ou alecidas, eais ou imaginá ias,
5
que possuem ca ac e ís icas al amen e alo izadas numa de e minada cul u a e que po isso se em
de modelos de compo amen o” Ho s ede (1991, p. 22). O au o e e e que podem se igu as de
desenhos animados, bandas desenhadas, e que possam es a associados a de e minados países.
O e cei o e mo são os
i uais
, em que Ho s ede (1991) os iden i ica como sendo “a i idades
cole i as, ecnicamen e supé luas, pa a a ingi ins desejados, mas conside ados como essenciais
numa de e minada cul u a” (Ho s ede, 1991, p.23). Ho s ede iden i ica o mas de cump imen a ou de
di undi e e ência ao p óximo, bem como a ealização de ce imónias de ca iz social ou eligioso.
Po im, o qua o e mo iden i icado po Ho s ede (1991) são os
alo es
. O au o de ine um alo
“como a endência pa a se p e e i um ce o es ado de coisas ace a ou o”. Es e iden i ica que alo é
um “sen imen o o ien ado”, sendo que exis em dois lados: o posi i o e o nega i o (Ho s ede, 1991, p.
23). Os alo es são ap eendidos pelo se humano mui o p ecocemen e, sendo os mesmos expos os de
o ma inconscien e pelo mesmo.
A Figu a 1 demons a a ep esen ação g á ica dos di e en es ní eis de mani es ação de uma
Cul u a, de inido po Ho s ede em 1991. De aco do com o au o , a ap esen ação dos qua o concei os
podem se compa adas com as á ias camadas de uma cebola, em que os símbolos se ap esen am na
pa e ex e na, seguidos pelos he óis, i uais, e po im, no cen o, os alo es. Es a ep esen ação
iden i ica os alo es como sendo o e mo mais p o undo que se associa à iden i icação da cul u a
p esen e.
Figu a 1 Di e en es ní eis de mani es ação de uma cul u a, de Ho s ede (1991)

6
1.2. Cul u a O ganizacional
De aco do com Şomăcescu e al (2016), odas as o ganizações êm um “conjun o de elemen os
cul u ais al como linguagens, adições, símbolos, p á icas, ac os his ó icos e sociais que o na essa
o ganização única” (Şomăcescu e al, 2016, p. 91). A Cul u a O ganizacional sus en a-se em o ças
que se desen ol em e são sedimen adas den o da ins i uição, como a missão, os alo es e a isão do
undado e dos adminis ado es da mesma. Es a e le e aspe os da dinâmica o ganizacional que não
são imedia amen e pe ce í eis, mas em um eno me impac o na ida dos colabo ado es e na qualidade
de uncionamen o da o ganização (Kwan es, 2015).
Begnami e al (2013) de inem o concei o de O ganização como sendo “um sis ema coope a i o
acional, de adesão e coope ação dos uncioná ios em odas as ins âncias den o de uma o ganização
dependem da cla eza em que são comunicados os alo es, p incípios, no mas e obje i os inclusos na
cul u a e clima o ganizacional” (Begnami e al, 2013, p. 42).
Os elemen os cons i uin es da Cul u a podem in e e i de o ma signi ica i a na o ma como os
indi íduos se inculam à ins i uição, dado que a assimilação e a disposição do conjun o de alo es,
c enças, p incípios e condu as é essencial pa a que es es se comp ome am de uma o ma
sis ema izada com a o ganização onde se encon am inse idos (Unga i e al, 2020).
A Cul u a O ganizacional e olui ao longo do empo, sendo a mesma in luenciada po inúme as
a iá eis ambien ais e/ou cul u ais (Lima e al, 2011). A mesma é passí el de se compa ilhada e é
e e i ada pelo compo amen o da o ganização, dos alo es da mesma e das elações es abelecidas em
edes o ganizadas, sendo que, consequen emen e, o mam a alusão aos compo amen os sociais,
sendo assim possí el an ecipa o ipo de desempenho dos indi íduos inse idos nas equipas de abalho
em que es ão inse idos (Begnami e al, 2013).
Şomăcescu e al (2016) salien am que há uma elação de ele o en e a Cul u a O ganizacional
e a pe o mance o ganizacional, sendo que o p ocesso comunicacional é conside ado um ca alisado
do p ocesso. Es es ac escen am que se pode en a pe cebe a es u u a da o ganização e as suas
dinâmicas, se se i e em conside ação a análise da sua cul u a única e como essa cul u a é
in luenciada e in luencia, consequen emen e, a comunicação da o ganização (Şomăcescu e al, 2016).
Fonseca e al (2018) e idenciam que em sido comp o ada a impo ância da ges ão da cul u a
o ganizacional das ins i uições de saúde. Es es e e em que “as di e en es á eas e p o issionais de
saúde êm sido in luenciados pela cul u a da o ganização”, sendo o p incipal desa io “e idencia
7
aspe os que possam con ibui a o a elmen e pa a as mudanças e melho ias nos esul ados, na
saúde do abalhado , en e ou os a o es ine en es ao p ocesso de abalho e sua ges ão” (Fonseca e
al, 2018, p. 320).
1.3. Teo ia do Modelo de Valo es Conco en es
De aco do com Came on e Quinn (2006), a Cul u a “de ine os alo es undamen ais, p emissas,
in e p e ações e abo dagens que ca ac e izam uma o ganização”. Os au o es e e em que ou as
ca a e ís icas o ganizacionais “pode ão ambém e le i os qua o ipos de cul u a” (Came on e Quinn,
2006, p. 31).
A eo ia da Es u u a dos Valo es Conco en es é ex emamen e pe inen e e impo an e na
“iden i icação das abo dagens p incipais do design o ganizacional, es ádios de desen ol imen o do
ciclo de ida da o ganização, qualidade o ganizacional, eo ias de e e i idade, papéis de lide ança e
papéis dos ges o es de ecu sos humanos, bem como habilidades de ges ão” (Came on e Quinn,
2006, p. 31). Es a eo ia oi e idenciada como endo uma conco dância ele ada na o ma como
o ganiza os alo es e p emissas que se encon am p esen es, a o ma como os colabo ado es da
o ganização pensam, bem como a o ma como as in o mações são p ocessadas a ní el o ganizacional.
A eo ia desc i a é baseada em duas dimensões. A p imei a dimensão des aca os c i é ios
“ lexibilidade, disc ição e dinamismo”, ou, po oposição a es es, os c i é ios “es abilidade, o dem e
con olo” (Came on e Quinn, 2006, p. 34). A segunda dimensão di eciona-se pa a a a aliação de
c i é ios como “o ien ação in e na, in eg ação e unidade”, ou, de o ma opos a, di eciona-se pa a a
“o ien ação ex e na, di e enciação e i alidade” (Came on e Quinn, 2006, p. 34).
Es as duas dimensões, quando esquema izadas, icam dis ibuídas em qua o quad an es, os
quais se dis inguem pelas p incipais ca a e ís icas o ganizacionais. Cada quad an e ep esen a um
ag egado de indicado es que de e minam a e icácia o ganizacional. Os qua o quad an es ão “de ini
os alo es undamen ais a a és dos quais os julgamen os ace ca das o ganizações são ei os”
(Came on e Quinn, 2006, p. 35). Es es são ap esen ados como sendo os qua o g andes ipos de
cul u a o ganizacional – Clã, Adhoc acia, de Me cado e Hie á quica.
8
Figu a 2 Adap ação do Modelo de Valo es Conco en es, de Came on e Quinn (2006).
A cul u a de Clã é iden i icada po ap esen a um espaço de abalho amigá el, em que os
colabo ado es são conside ados como amília. A cul u a de Adhoc acia é ca ac e izada po ap esen a
um p ocesso o ganizacional emp eendedo , c ia i o e dinâmico. A cul u a de Me cado es á di ecionada
pa a um ambien e o ganizacional pensado pa a a ob enção de me as e/ou esul ados, a a és da
implemen ação de obje i os e ações compe i i as. Po im, a cul u a Hie á quica es á baseada em e
uma o ganização es u u ada e o mal, em que se p i ilegia a ealização de a e as a a és de
p ocedimen os p é-es abelecidos.
9
2. COMUNICAÇÃO DE RISCO
2.1. Comunicação
A capacidade de comunica é ine en e aos se es humanos, sendo es a ealizada a a és da
comunicação in e pessoal en e os indi íduos. O Homem é um se social e sen e necessidade de
es abelece elações na comunidade em que es á inse ido. Ao longo dos milha es de anos, a e olução
do se humano dis anciou-o cada ez mais das espécies de animais. O aumen o de amanho do
cé eb o humano p opiciou-lhe a capacidade de aciocínio mais complexo e a capacidade de
ansmissão de concei os, pensamen os e emoções a a és da linguagem. A linguagem e bal e não
e bal desen ol ida pe mi e-lhe ealiza o p ocesso de Comunicação.
Não é consensual en e os in es igado es a de inição do concei o de Comunicação, bem como a
o ma em que es a se p ocessa (Hampel, 2006). Es e oi in e p e ado no passado de uma o ma
simples como sendo uma a i idade complexa em que oco e ans e ência de in o mação ou
mensagem en e um emisso e um ece o . De aco do com Hampel (2006), as ciências sociais
e idenciam que a comp eensão do p ocesso de comunicação é mais complexa do que a in e p e ação
simples de ansmissão de uma in o mação do emisso pa a o ece o . Es e es á sujei o a inúme as
in e e ências que ão p ejudica o p ocesso de ansmissão de in o mação. O emisso en ia assim
“sinais e símbolos que êm signi icados e são de inidos den o de um de e minado con ex o cul u al e
não podem p e ende se os mesmos em ou os con ex os sociais”. O ece o não “pe cebe apenas a
in o mação, mas econs ói a i amen e o signi icado” (Hampel, 2006, p. 6). O au o ac escen a que
um p ocesso de Comunicação e icaz de e ab ange a aplicação de um conjun o de sinais, símbolos,
expe iências e alo es mo ais comuns, os quais le am a uma conco dância en e os in e enien es.
A seleção do con eúdo e da o ma como a in o mação é ansmi ida é essencial. De aco do com
Rego (2022), as mensagens “ ep esen am a sei a da ida comunicacional” (Rego, 2022, p. 154), as
quais são a base de odo o p ocesso de comunicação.
A globalidade da in o mação que o emisso p e ende ansmi i en ia “sinais” ao ece o , o qual
ai a ibui um de e minado signi icado. Os signi icados que o emisso e o ece o a ibuem “à mesma
mensagem podem se comple amen e dis in as” (Rego, 2022, p. 158). Es e e idencia que o p ocesso
de comunicação não passa po uma ans e ência di e a do signi icado da mensagem de um indi íduo
16
(Lou enço e al, 2012, p. 3).
De aco do com Roh mann (2000), Comunicação de Risco é de inida como sendo um p ocesso
social, no qual oco e a ansmissão de in o mação de po enciais pe igos pa a o se humano, le ando
consequen emen e aos mesmos a se em in luenciados a mudanças de compo amen o e na omada
de decisão escla ecida ace ca da exis ência de iscos. O au o ac escen a que, no deco e do p ocesso
de CR, encon am-se en ol idas a in o mação (mensagem a se ansmi ida), a comunicação
p op iamen e di a, o p ocesso de educação e a ges ão de a e as que inco em no p ocesso da mesma.
Glik (2007) ci a á ios au o es quando e idencia que a CR é um concei o que é aplicado, não
apenas em si uações de c ise/eme gência, mas ambém se aplica na p omoção e comunicação em
saúde. A in e enção ealizada nos compo amen os de indi íduos e de g upos populacionais (de isco
ou saudá eis), a a és da implemen ação de p og amas, p á icas e polí icas pelos p o issionais de
saúde, êm como in ui o melho a o es ado de saúde e edução de dispa idades na saúde dos
mesmos.
Uma Comunicação de Risco e icaz de e-se aduzi na pa ilha “de in o mações que melho em a
pe ceção e comp eensão do isco e que pe mi e uma decisão compa ilhada” (Ahmed e al, 2012, p.
1). Os au o es ac escen am que se es a o e e uada de uma o ma e icaz, pode le a a um
desencadea de mudanças na o ma de pensa e nas c enças p é-exis en es, le ando assim a
mudanças de compo amen o do pacien e.
Segundo a linha de pensamen o de Balong-Way e al (2020), é impo an e es abelece que a
comunicação mul idi ecional do isco é passí el de se colocada em causa a a és da sua e iciência,
das ques ões é icas e da acei abilidade pe an e o ece o em ques ão (indi íduo ou população). Os
au o es salien am que a alidade dos a gumen os pode se acei e em de e minados con ex os, e, po
ou o lado, se colocada em causa nou os.
A ansmissão de in o mação ao pacien e sob e o seu es ado clínico de e se ealizada de o ma
cla a e legí el, endo em conside ação a capacidade de es e assimila a mesma (Ahmed e al, 2012;
Mo gado e al, 2020; Laigh , 2022). Os p o issionais de saúde de em cons ui uma elação com o
u en e baseada na con iança, em que é pe mi ido ao úl imo a exposição de dú idas, p eocupações e
emoções secundá ias à in o mação ansmi ida (Mo gado e al, 2020). Es es de em acei a a decisão
que o pacien e oma em elação ao Risco ap esen ado, mesmo que es a não se aduza na edução do
mesmo (Ahmed e al, 2012).
De aco do com a WHO (2015), a ansmissão de in o mação de Risco de e e como base os
qua o p essupos os, os quais são Valo es, Con iança, C edibilidade e Empa ia. De o ma a cons ui

17
uma elação de con iança e ansmi i c edibilidade p o issional pa a os u en es/clien es inse idos
numa sociedade cada ez mais in o mada e exigen e, a ins i uição de saúde necessi a ado a uma
pos u a de abe u a e anspa ência (Lou enço, 2012).
A ansmissão de in o mação de Risco pode se ealizada pelos p o issionais de saúde de uma
o ma mais gene alizada e ab angen e, ou, pelo con á io, a in o mação pode se di ecionada pa a o
indi íduo em ques ão. De aco do com Ahmed e al (2012), o uso da Comunicação de Risco
pe sonalizada ao u en e/doen e acili a a omada de decisão na esolução do e en o ou po encial
oco ência de e en o. Os au o es ac escen am que, quando o Risco es á p esen e, mas que as suas
consequências não es ão bem cla as ou de inidas (pelas á ias possibilidades de des echo ou quando a
base da e idência não é cla a), a o ma como es e é ansmi ido ai depende dos alo es do
p o issional de saúde e das ca a e ís icas e alo es pessoais do pacien e, de o ma a espei a a sua
indi idualidade e necessidades únicas.
Fo nece in o mações ace ca do Risco pe mi e que os pacien es omem decisões conscien es e
in o madas (Lloyd e al, 2021). A omada de decisão ealizada pelo u en e e pelo p o issional de saúde
ai colocá-la no “cen o da ação e da esponsabilidade pelo plano de cuidados que o decidido
conjun amen e”, o que con ibui di e amen e pa a uma melho ia nos esul ados e apêu icos e na
sa is ação dos in e enien es (Mo gado e al, 2020, p. 16).
Nunes (2020) e idencia que “a CR é mui o mais complexa do que o simples e lexo, pelo que o
p o issional de e e p esen e que es á a ge a um a o de ala com unção e e encial ( ans e i
in o mação) e pe o ma i a ( aze coisas, nes e caso, p o oca emoções)” (Nunes, 2020, p. 13). O
au o indica que comunica o Risco é uma o ma de ansmi i conhecimen o, p o ocando emoção no
ece o da mensagem, que, consequen emen e, le a a que o u en e/pacien e seja induzido à escolha e
à ação. A o ma como o p o issional de saúde se compo a nes e p ocesso, pa a além de condiciona
“a pe ceção do isco, o que é de e minan e pa a as escolhas, ambém p o ocam emoções que
mo i am ou desmo i am o pacien e em elação a assumi os compo amen os desejados” (Nunes,
2020, p. 13).
De aco do com Cooke (2016), a comunicação ine icaz em equipas de saúde é uma das
p incipais causas de um aumen o signi ica i o da oco ência de e os na p es ação de cuidados de
saúde. Massa oli e al (2021) e idenciam que a comunicação pode se “subje i a e mal ealizada pelos
p o issionais p opiciando o des echo de g a es inciden es e lacunas in olun á ias na comunicação
in e pessoal” (Massa oli e al, 2021, p. 2).
É essencial pa a os p o issionais de saúde e odo o seio da ges ão o ganizacional que
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A i ude/Compo amen o do se humano no deco e do seu elacionamen o in e pessoal, ealizada em
ci cuns âncias especí icas e no deco e de um pe íodo especí ico, em que a ince eza es á p esen e
quan o às consequências, an o a ní el empo al como a sua se e idade.
comp eendam a dinâmica de odo o p ocesso de CR. A e icácia da ansmissão da CR e a sa is ação
dos indi íduos que ap esen am p opensão ao Risco ão depende de a capacidade dos p o issionais
ansmi i em o mesmo de o ma e icien e (Palencha , 2002).
Pe an e as inúme as de inições encon adas na li e a u a, bem como aquelas que es ão
desc i as an e io men e, e endo em conside ação a emá ica do p esen e es udo, assumo a de inição
de Risco:
2.6. Modelo - Base do es udo
Após a ealização da de inição do concei o de Risco, oi elabo ado um esquema em que
exempli ica a in e ação do p ocesso comunicacional a ní el o ganizacional quando es e su ge/es á
p esen e, le ando assim a e idencia a impo ância da Comunicação de Risco na Ges ão
O ganizacional. O diag ama abaixo ap esen a, de o ma sucin a, os concei os abo dados an e io men e
e a o ma como os mesmos se elacionam e in e agem pe an e a p esença de Risco.
Figu a 3 Diag ama dos p ocessos que in luenciam a ansmissão do Risco a ní el o ganizacional (au o ia p óp ia)
19
Todas as ins i uições/emp esas possuem uma cul u a o ganizacional, a qual é c iada e
desen ol ida ao longo do empo. Es a é consolidada a a és dos alo es, símbolos, i uais e a é he óis,
os quais ão in luencia as p á icas o ganizacionais no seu dia-a-dia. Quando su ge o Risco na
O ganização, seja em o ma po encial ou eal, de e ha e um p ocesso de Comunicação
O ganizacional ou Comunicação In e na dinâmico, com o in ui o de da espos a e icien e ace ao
Risco. A Comunicação In e na em como obje i o a ansmissão de oda a in o mação pe inen e a ní el
o ganizacional, que a ní el ho izon al, que a ní el e ical, independen emen e da dimensão da
ins i uição.
De aco do com Po ell, Gil, Losilla e Vi es (2014), os p o issionais que abalham na á ea da
saúde “es ão expos os a iscos biológicos, químicos, e gonómicos, o ganizacionais e psicossociais”
(Po ell, Gil, Losilla e Vi es, 2014, p. 1). Seguindo a linha de pensamen o dos au o es, as o ganizações
de saúde ap esen am ca a e ís icas únicas, sendo que a o igem do Risco pode ad i de inúme as
on es, sendo que em algumas si uações “os pacien es são po ado es de iscos”, e nou as
ci cuns âncias, “o pe igo que os p o issionais de saúde en en am ambém ameaçam os pacien es e
clien es de quem cuidam” (Po ell, Gil, Losilla e Vi es, 2014, p. 2). A Cul u a O ganizacional pode
in luencia de o ma como os seus colabo ado es pe cecionam o Risco no deco e do seu
desempenho na mesma.
A pe ceção que cada indi íduo possui pe an e o Risco é única, sendo que a mesma é
in luenciada po expe iências pessoais e p o issionais. A a aliação ou juízo ealizado pe an e ameaças
ou pe igos a que os colabo ado es o ganizacionais possam es a expos os não é simila en e odos.
Segundo Tangsgaa d (2021), exis e um econhecimen o pelos p o issionais de saúde de que “os iscos
são uma condição ine i á el do seu abalho”, no en an o, “a a aliação de si uações de isco e como
eles de em se a ados di e em” (Tangsgaa d, 2021, pp. 37-38), dependendo dos ní eis de con iança
ansmi idos pela cul u a p esen e nas o ganizações. A ní el o ganizacional, a o ma como es a es á
es a i icada, as suas ca a e ís icas o ganizacionais e odas as expe iências passadas ajudam a
sedimen a a o ma de a uação dos seus colabo ado es pe an e o Risco. Todos os símbolos, he óis,
i uais, alo es e p á icas inse idos na Cul u a O ganizacional in luenciam di e amen e a o ma como o
Risco é pe cecionado pelos p o issionais que colabo am com a o ganização. Uma boa adap ação do
p o issional na Cul u a de uma ins i uição com os alo es, missão, isão bem de inidos, em que as
p á icas se encon am bem sedimen adas e/ou p o ocoladas, le a ao colabo ado a que se “acul u e”
mais acilmen e na O ganização, le ando a que, quando su gi o Risco, es e seja iden i icado, eliminado
e/ou mi igado de o ma e icaz.
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Quando a Comunicação In e na da O ganização não exis e ou é ine icien e, os colabo ado es dos
á ios depa amen os podem não ob e a in o mação do Risco (po encial ou eal), ob e a in o mação
de Risco a diamen e, ou a é ob e in o mação i ealis a, obsole a ou a é e ada sob e o Risco. Após a
iden i icação do Risco, seja na sua o ma po encial ou eal, es e de e se ansmi ido pa a odos os
depa amen os necessá ios, com o in ui o da in e enção pa a a p e enção do mesmo (no Risco
po encial), ou na in e enção pa a a sua mi igação e/ou e adicação (na p esença de Risco).
Es abelece um p ocesso de Comunicação de Risco e icien e no seio das o ganizações o na-se assim
essencial pa a acili a a iden i icação, ansmissão, ges ão e mi igação do Risco no dia-a-dia dos seus
colabo ado es, o que le a, consequen emen e, a uma melho ia da p es ação de se iços pelos mesmos
e a um ambien e de abalho mais segu o.
A Cul u a O ganizacional pode necessi a ajus a as suas p á icas, alo es e i uais, de o ma a
colma a as necessidades da mesma pe an e a p esença do Risco. A í ulo de exemplo, odas as
o ganizações de saúde o am impelidas a e e ua p o undas al e ações o ganizacionais na al u a da
pandemia de COVID-19, de o ma a da espos a ao Risco p esen e. Inúme as p á icas, i uais e alo es
o am al e ados e adap ados nas unidades de saúde, de o ma a p es a cuidados aos doen es
in e ados com SARS-CoV, man endo a segu ança dos p o issionais de saúde e p e enção da
p opagação do í us. Na O ganização de Saúde onde a in es igado a exe ce unções, su gi am no os
símbolos e he óis, os quais o am ansmi idos/pa ilhados a ní el nacional. O plano de acinação pa a
o SARS-CoV iniciou-se no Cen o Hospi ala São João, em que o Di e o Clínico do Se iço de
In eciosas, o P o esso Sa men o, oi a p imei a pessoa a se acinada a ní el nacional. Es e médico
o nou-se um “he ói” na ins i uição, dando o exemplo no p ocesso de acinação a ní el nacional, dado
que oi ansmi ido em di e o pelos canais ele isi os. A ní el de símbolos, oi ealizado um mu al numa
pa ede ex e io do Hospi al São João pelo a is a Vhils, em que es ão á ias aces de colabo ado es da
o ganização, com o in ui o de homenagea o es o ço dos p o issionais de saúde no pe íodo da
pandemia. Es e mu al ep esen a, na sua essência, a esiliência dos colabo ado es no olha des es,
num pe íodo de ince eza e medo pe an e o Risco p esen e.
A ní el das o ganizações de saúde, o Risco pode su gi de inúme as o mas. Os p o issionais de
saúde lidam dia iamen e com o Risco, seja em o ma o po encial, seja ele eal. A Pe ceção do Risco
dos p o issionais que p es am cuidados de saúde ai-se desen ol endo ao longo dos anos, sendo que a
mesma é mais “apu ada” em compa ação com a es an e população. Pa a além da o mação de base
dos seus cu sos, as expe iências i enciadas no seu local de abalho com inúme as si uações de
Risco, sejam elas a ní el in e no (Comunicação In e disciplina ), como a ní el ex e no
21
(u en es/pacien es; comunicação com ou as en idades) le am a uma capacidade de pe ceciona o
Risco de o ma mui o mais cla a. É c iada uma “bagagem” que sus en a a Cul u a O ganizacional da
O ganização ou do Depa amen o da O ganização, a a és da e enção de alo es o ganizacionais dos
seus colabo ado es, i uais e p á icas, e endo em conside ação expe iências de uncioná ios da
ins i uição que de am o exemplo em alguma á ea (símbolos e he óis). Dada a possibilidade de que a
expe iência o ganizacional e a expe iência dos seus colabo ado es de e in luencia a dinâmica da
Comunicação O ganizacional, po conseguin e, podemos supo que a mesma pode á in luencia a
o ma como o Risco é pe cecionado e como a Comunicação de Risco é ealizada no seio
o ganizacional.

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3. METODOLOGIA
Me odologia é de inida po Cou inho (2013) como um sen ido um concei o mais as o do que o
concei o de mé odo, dado que es e “ques iona o que es á po ás, os undamen os dos mé odos, as
iloso ias que lhe são subjacen es”, e que ão in lui semp e “sob e as escolhas que az o in es igado ”
(Cou inho, 2013, p. 25).
De aco do com C eswell (2010), as ques ões de in es igação abo dadas “pelos pesquisado es
das ciências sociais e da saúde são complexos, e o uso de abo dagens quali a i as ou quan i a i as em
si é inadequado pa a lida com essa complexidade” (C eswell, 2010, p. 238).
O p esen e es udo ap esen a uma abo dagem quan i a i a, sendo que a in es igado a p e ende,
de aco do com Cou inho (2010), “assumi uma a i ude cien í ica, dis anciada e neu a”, com o in ui o
de os dados ecolhidos possam da espos a às “solici ações do p óp io in es igado ” de uma o ma
mais obje i a (Cou inho, 2010, p. 27).
No p ocesso de elabo ação des e es udo, oi de inida a ques ão de in es igação:
De que o ma a
Cul u a O ganizacional in luencia a Comunicação de Risco dos En e mei os a ní el in e no e ex e no?
Pe an e a ques ão de in es igação elabo ada, o nou-se essencial de ini o obje i o ge al do es udo:
Conhece a pe ceção dos En e mei os sob e a in luência da Cul u a O ganizacional na Comunicação de
Risco.
Na sequência do obje i o ge al, o am delineados os seguin es obje i os especí icos:
 Iden i ica a ca a e ização sociodemog á ica dos En e mei os;
 Conhece o ipo de Cul u a O ganizacional p esen e na ULS da Região No e de Po ugal;
 Comp eende a pe ceção que os En e mei os êm sob e comunicação no con ex o
o ganizacional;
 Conhece a pe ceção dos En e mei os ace ca do concei o de Comunicação de Risco;
 Conhece a pe ceção da Comunicação de Risco e e uada en e p o issionais de saúde
(equipas mul idisciplina es) e en e os En e mei os e o U en e/Pacien e;
 Iden i ica possí eis lacunas e/ou e os de Comunicação na O ganização;
 Elabo a linhas o ien ado as pa a En e mei os Ges o es ace ca de Comunicação de Risco
e e i a.
Com o in ui o de da espos a à ques ão de in es igação e aos obje i os p opos os, se á ei a
uma abo dagem me odológica quan i a i a, a a és da aplicação de ques ioná ios.
23
3.1. Desenho de In es igação
Após a de inição da emá ica de in e esse pa a in es igação, oi essencial ealiza uma plani icação das
e apas essenciais no desen ol imen o do p esen e es udo. A abo dagem do p ocesso de in es igação oi di idida
em duas ases. Es as es ão iden i icadas na igu a abaixo:
Figu a 4 Diag ama das ases que cons i uem o es udo com o ema In luência da Cul u a O ganizacional na Ges ão da
Comunicação de Risco
Na p imei a e apa, a Re isão da Li e a u a, oi ealizada uma pesquisa ab angen e dos concei os
de Cul u a O ganizacional e Comunicação de Risco. Associado ao concei o de Cul u a O ganizacional,
desen olou-se a necessidade de es ende o p ocesso de pesquisa pa a o concei o de Cul u a. To nou-se
essencial pe ceciona a noção do que é a Cul u a na sua essência, pa a pos e io men e a pode
ca ac e iza a ní el o ganizacional. Fo am ealizadas pesquisas nas bases de dados PubMed, Google
Académico, EBSCO hos , CINAHL Comple e, u ilizando as pala as MeSH “O ganiza ional Cul u e”,
com o in ui o de o mula a ase Booleana “O ganiza ional Cul u e
and
Heal hca e”, de o ma a ob e
uma seleção de a igos edigidos em po uguês, inglês e espanhol. Pa alelamen e, oi ealizada uma
in es igação cinzen a da li e a u a, a a és da pesquisa de a igos que se encon a am nas e e ências
bibliog á icas dos a igos selecionados nas pesquisas iniciais. Es e p ocesso ajudou a de ini a e olução
24
des e es udo, bem como o en iquecimen o da comp eensão dos concei os de Cul u a e Cul u a
O ganizacional.
O segundo concei o em análise, sendo es e o mais in e essan e do pon o de is a de
in es igação, é a Comunicação de Risco. A ní el nacional, é um ema que não é ulga men e abo dado,
sendo que as e e ências bibliog á icas de li e a u a po uguesa são escassas. Es e oi abo dado po
um docen e do p esen e Mes ado (MGUS) numa aula da cadei a de Comunicação em Saúde. Após
uma b e e pesquisa ace ca do ema, e i icou-se uma á ea de es udo mais complexa. Po al ac o,
sen iu-se a necessidade de ala ga a ex ensão do es udo des a emá ica, di idindo inicialmen e os
concei os. Foi analisado o concei o de Comunicação no seu âmago, seguindo-se pa a o p ocesso
comunicacional a ní el das O ganizações. Pe an e a segunda pa e do concei o inicial, o Risco, oi
ealizada uma análise do concei o a ní el ge al e do concei o associado à á ea da saúde. Pe an e es a
ecolha de in o mação essencial pa a ap o unda o conhecimen o do concei o, oi necessá io pesquisa
ambém o concei o de Pe ceção de Risco, em especial associado ao se o da saúde. Pos e io men e,
após a in e io ização dos concei os base, oi ealizada uma pesquisa com a conjunção dos dois
concei os di ecionados pa a a á ea assis encial da saúde – Comunicação de Risco. Da mesma o ma
que o concei o de Cul u a O ganizacional, o am ambém ealizadas pesquisas nas bases de dados
PubMed, Google Académico, EBSCO hos , CINAHL Comple e, u ilizando as pala as MeSH “Risk”,
“Risk Pe cep ion” e “Risk Communica ion”, com o in ui o de o mula as ases Booleanas “Risk
and
Heal hca e”, “Risk Pe cep ion
and
Risk Communica ion” e “Risk Communica ion
and
Heal hca e”, de
o ma a ob e uma seleção de a igos associados ao ema. Pa alelamen e, oi ealizada uma
in es igação cinzen a da li e a u a, a a és da pesquisa de a igos que se encon a am nas e e ências
bibliog á icas dos a igos selecionados nas pesquisas iniciais. Fo am selecionados a igos de au o es
que di eciona am o concei o de Comunicação de Risco pa a a á ea assis encial, p i ilegiando a
comunicação en e p o issionais de saúde na sua p á ica diá ia e a comunicação de p o issionais de
saúde com o u en e/pacien e.
Na segunda e apa oi ealizada a consul a ace ca da emá ica em es udo em g upos de
p o issionais de saúde, nomeadamen e p o issionais que exe cem unções de En e magem na ULS da
egião No e de Po ugal selecionada. A o ma de seleção dos elemen os da amos a pe encen es ao
g upo de p o issionais de saúde – En e mei os - oi ealizada de o ma alea ó ia. No en an o, a selecção
do G upo P o issional especí ico, em de imen o de uma ep esen a i idade da o alidade da população
que exe ce unções na ULS selecionada, pa a a análise da in luência das a iá eis do es udo –
25
En e mei os – oi in encional. A seleção não alea ó ia do g upo p o issional em ques ão p ende-se
essencialmen e pela cons an e necessidade de comunica o Risco na sua p á ica p o issional na
O ganização onde exe cem unções.
Dado que a in es igado a exe ce a mesma p o issão que o g upo de p o issionais de saúde
inqui idos – En e magem, oi conside ada pela mesma a ealização de uma e lexão ace ca de
expe iências a ní el p o issional na o ganização onde a mesma exe ce unções. Após uma ponde ada
e lexão, oi de inida a ealização de uma abela si uações em que a Comunicação de Risco não oi
e icaz na ins i uição onde a in es igado a exe ce unções – Obse ação Di e a e Indi e a do
Pa icipan e.
3.2. Recolha de Dados
Dando seguimen o ao es udo da emá ica selecionada, oi de inido que o mesmo segui á a
me odologia quan i a i a pa a a análise de dados. Po al, oi elabo ado um Inqué i o, ealizado na
pla a o ma
GoogleFo ms
, o qual se ap esen a di idido em seções bem de inidas. Foi aplicado o
Inqué i o inicial a um g upo de indi íduos com a p o issão de En e magem, e que exe cem unções na
ULS selecionada, localizada na egião No e de Po ugal. Es e oi cons uído e di idido em 6 secções,
em a p imei a secção ap esen a o ema do es udo e o obje i o ge al do mesmo, ap esen a a
in o mação ace ca do consen imen o in o mado e da con idencialidade dos dados ob idos, da
in es igado a, do P o esso que es á a o ien a o mesmo, do Cu so e da Uni e sidade onde a
in es igado a es á a ealiza a o mação.
A segunda seção es á di ecionada pa a a a aliação do ipo de Cul u a O ganizacional que
p edomina na o ganização. Com o in ui o de iden i ica a ipologia da cul u a o ganizacional
p edominan e na ins i uição em es udo, oi u ilizado ques ioná io elabo ado po Came on e Quinn
(2006), in i ulado de O ganiza ional Cul u e Assessmen Ins umen - Escala OCAI. Es a escala oi
desen ol ida pelos au o es endo como base a Teo ia dos Valo es Con as an es. A mesma é
subdi idida em seis ópicos, nos quais são desc i as qua o a i mações associadas aos qua o ipos de
Cul u a O ganizacional as quais pe mi em a alia ca ac e ís icas cul u ais p esen es nas o ganizações
(
Ca a e ís icas Dominan es, Lide ança O ganizacional, Ges ão dos Colabo ado es, Coesão
O ganizacional, Ên ase Es a égico e C i é io de Sucesso)
, de aco do com a Teo ia do Modelo de
Valo es Conco en es, de Came on e Quinn (2006). O p ocesso de espos a des a escala oi
p econizado pelos au o es pa a a ibui pon uação a cada uma das dimensões cul u ais, numa escala
de a é 100 pon os. Po ém, es es ambém conside a am álido a u ilização de uma escala de Like de
32
As ques ões selecionadas pa a a Pa e II des a secção são de escolha múl ipla, sendo que odas
ap esen am a opção “ou os”, seguida de uma alínea a ques iona ou as opções possí eis pa a
jus i ica o que é ques ionado. As ques ões ap esen am-se disc iminadas a segui :
 Como consegue pe ceciona a possibilidade de es a pe an e a p esença de Risco?
 Iden i ique as lacunas que possam exis i na O ganização onde exe ce
unções, associadas à possibilidade da p esença de Risco e no p ocesso
de Comunicação de Risco.
 Iden i ique os obs áculos com que se depa a no seu exe cício p o issional
quando ansmi e Comunicação de Risco ao u en e/pacien e.
A abela a segui indica os au o es e espe i os a igos, a a és dos quais a in es igado a se
baseou pa a a elabo ação da úl ima secção do Inqué i o (Risco, Pe ceção de Risco e Comunicação de
Risco).
Tabela 1 Bibliog a ia pa a undamen ação das ques ões ace ca da Comunicação de Risco no Ques ioná io.
Au o (es)
Ano
Re e ência Bibliog á ica
Pe inência do a igo
Conceição, L. A.;
Ma cellos, L. N. & Rached,
C. D. A.
2019
Comunicação O ganizacional: Com
Ên ase na Equipe de Saúde
Iden i icação de ipologias de comunicação
em saúde e desa ios da equipa
mul idisciplina no desen ola do seu
desempenho
Ha is, E. P., MacDonald,
D. B., Boland, L., Boe , S.,
Lalu, M. M. & McIsaac, D.
I.
2019
Pe sonalized pe iope a i e
medicine: a scoping e iew o
pe sonalized assessmen and
communica ion o isk be o e
su ge y
Scoping Re iew di ecionada pa a a
a aliação pe sonalizada do pacien e e a
ansmissão da Comunicação de Risco
Council o Canadian
Academies
2015
Heal h P oduc Risk
Communica ion: Is he Message
Ge ing Th ough?
Pon os essenciais no p ocesso de
combina pe gun as e me odologia de
a aliação do p ocesso de Comunicação de
Risco
Zimuknd-Fishe , B. J.
2013
The igh ool is wha hey need,
no wha we ha e: a axonomy o
app op ia e le els o p ecision in
pa ien isk communica ion
A ansmissão da Comunicação de Risco
de e se adap ada às necessidades
singula es de cada pacien e e do eo da
mensagem ansmi ida
Roh mann, B.
2000
A socio-psychological model o
analyzing isk communica ion
p ocesses
Ap esen ação de um modelo amplo sob e
o p ocesso de Comunicação de Risco;
Iden i icação de ba ei as associadas à
ansmissão da Comunicação de Risco
Rowan, K. E.
1994
Why Rules o Risk Communica ion
Iden i icação de limi ações e/ou

33
Au o (es)
Ano
Re e ência Bibliog á ica
Pe inência do a igo
A e No enough: A P oblem-Sol ing
App oach o Risk Communica ion
obs áculos no p ocesso de Comunicação
de Risco e ec i o
3.3. População e Amos as
A população al o que se p e ende in es iga é a população de p o issionais de saúde -
En e mei os – com inculação a uma Unidade Local de Saúde, si uada na egião No e de Po ugal, e
que exe cem unções na á ea assis encial (Cuidados de Saúde P imá ios e Cuidados de Saúde
Hospi ala es). Foi e e uada ecolha de dados em dois momen os dis in os, o que se epe cu iu na
exis ência de dados de dois g upos amos ais da população em es udo.
A p imei a ecolha de dados deco eu no pe íodo de 6 de ma ço de 2024 a 4 de ab il de 2024,
a a és de uma seleção alea ó ia de en e mei os a exe ce unções de p es ação de cuidados de saúde
di e os aos pacien es/u en es da ULS da egião No e de Po ugal.
Figu a 5 Seleção dos i ens do diag ama dos p ocessos que in luenciam a ansmissão do Risco a ní el o ganizacional na
p imei a ecolha de dados
Es a ecolha de dados oi ealizada de o ma di e a, sendo que o ques ioná io o mulado oi
en iado di e amen e pa a o e-mail pessoal dos mesmos. A p imei a colhei a de dados e e como
obje i o a ecolha de in o mação ace ca da pe ceção dos En e mei os sob e a ipologia de Cul u a
O ganizacional p edominan e e/ou e idências de asgos de Cul u a na o ganização, bem como a o ma
como a Comunicação é ealizada no seio des a, an o a ní el in e no (Comunicação In adisciplina )
como ex e no (Comunicação do En e mei o com o U en e/Pacien e).
O alo o al da amos a ecolhida nes a me odologia n=22, sendo 6 elemen os do sexo
34
masculino e 15 do sexo eminino. Um indi íduo não espondeu a es e i em. O alo médio de idades
dos p o issionais des a amos a é de 43,82 anos, endo o elemen o mais no o 30 anos e o mais elho
57 anos. De oda a amos a, à exceção de 1 elemen o, que exe ce unções na ins i uição na alência
de cuidados de saúde p imá ios, odos os elemen os exe cem unções de p es ação de cuidados de
saúde em ambien e hospi ala (cuidados de saúde secundá ios). A ní el da expe iência p o issional,
odos os elemen os da amos a êm seis ou mais anos de exe cício de p o issão. A moda da aixa de
expe iência p o issional é 26-30 anos de p o issão. Rela i amen e às habili ações li e á ias, odos os
elemen os da população amos al êm o g au académico de Licencia u a. Ac escido à Licencia u a, 5
elemen os possuem uma Pós-G aduação, 4 elemen os êm o g au de Mes e e 10 elemen os êm uma
Especialidade em En e magem. A ní el de o mação di ecionada pa a a Comunicação, apenas 2
elemen os e e i am e ealizado cu sos nessa á ea.
A segunda ecolha de dados oi ealizada a a és da ins i uição da população em es udo – ULS da
egião No e de Po ugal. O pe íodo da ecolha de dados oi en e 28 de maio de 2024 e o dia 28 de
junho de 2024, endo conseguido uma amos a de 12 elemen os.
Figu a 6 Seleção dos i ens do diag ama dos p ocessos que in luenciam a ansmissão do Risco a ní el o ganizacional na
segunda ecolha de dados
Pa a a segunda ase da ecolha de dados, oi ealizado um pedido de au o ização à Di eção
Execu i a da ULS e à Comissão de É ica da mesma, com o in ui o de o Inqué i o se dis ibuído pelo
email o icial da ins i uição de cada En e mei o. A aplicação do Inqué i o nes a segunda ase e e como
obje i o, pa a além da ecolha de dados associada à pe ceção dos En e mei os ace ca da Cul u a
O ganizacional e Comunicação O ganizacional, mas, e e ua uma ecolha de dados sob e as pe ceções
dos En e mei os ace ca dos concei os Risco, Pe ceção de Risco e Comunicação de Risco na sua
35
p á ica do dia-a-dia no seio da o ganização onde exe cem unções.
Do o al da amos a, 4 p o issionais de En e magem são do sexo masculino e 8 do sexo
eminino. A média de idades des a amos a é supe io à média de idades do g upo amos al 1, sendo o
alo 46,42 anos. A ní el da di eção assis encial da p es ação de cuidados ao u en e/pacien e, se e
elemen os exe cem unções em cuidados de saúde p imá ios e 5 exe cem unções em meio hospi ala
(cuidados de saúde secundá ios). A segunda amos a é mais homogénea a ní el de anos de
expe iência p o issional, sendo que odos os elemen os da mesma êm pelo menos 16 anos de
p o issão. Quan o às habili ações li e á ias, a o alidade do g upo amos al possui Licencia u a (n= 12).
Pa a além do g au académico de Licencia u a, 1 elemen o da amos a possui Pós-G aduação, 3
elemen os possuem uma Especialidade em En e magem, 4 elemen os êm o g au de Mes e e 1
elemen o possui Dou o amen o. Todos os elemen os des a amos a e e i am que não ealiza am
o mação di ecionada pa a a Comunicação.
Tabela 2 Ca a e ização dos g upos amos ais 1 e 2 da população em es udo.
Va iá eis
Amos a 1 (n = 22)
Amos a 2 (n = 12)
Sexo
Masculino
Feminino
Não espondeu
6
15
1
4
8
Idade (anos)
Valo in e io
Valo supe io
Média
30
57
43,818
40
58
46,416
Classe P o issional
En e mei o(a)
22
12
Expe iência P o issional (anos)
0 - 5
6 - 10
11 - 15
16 - 20
21 - 25
26 - 30
31 +
0
3
4
3
4
6
2
0
0
0
4
4
1
3
Habili ações Li e á ias
Bacha ela o
Licencia u a
Pós-G aduação
Especialidade
Mes ado
0
22
5
10
0
12
1
3
36
Va iá eis
Amos a 1 (n = 22)
Amos a 2 (n = 12)
Dou o amen o
4
0
4
1
Fo mação em Comunicação
Sim
Não
2
20
0
12
37
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. Obse ação Di e a e Indi e a do Pa icipan e
Tendo em conside ação que a in es igado a possui a mesma p o issão que o g upo de
p o issionais de saúde inqui idos nas 2 amos as, a mesma ealizou uma Obse ação Di e a e Indi e a
ace ca de ci cuns âncias que oco e am no deco e da sua a i idade p o issional em que su gi am
obs áculos e/ou lacunas no p ocesso de ansmissão da Comunicação de Risco e e i a. O pe íodo
empo al em que es e p ocesso oi ealizado deco eu en e 1 de no emb o de 2023 a 30 de julho de
2024. Abaixo encon am-se duas abelas, nas quais disc iminam dois ipos de “ad e sidades” no
p ocesso de Comunicação de Risco, oco idos em si uações dis in as: Comunicação In e disciplina e
Comunicação do En e mei o com o U en e/Pacien e, sendo que a p imei a desc e e a Obse ação
Di e a do Pa icipan e e a segunda desc e e a Obse ação Indi e a do Pa icipan e. A Obse ação
Di e a do Pa icipan e eme e pa a expe iências i enciadas pela in es igado a no seu local de abalho,
enquan o na Obse ação Indi e a do Pa icipan e são abo dadas si uações em que as si uações o am
i enciadas po ou os elemen os da equipa, e que o am epo ados com o in ui o de mi iga o Risco já
p esen e e/ou p e eni o Risco na sua o ma po encial. De e e i que é equen e a oco ência de
si uações em que o p ocesso de Comunicação de Risco a ní el in e disciplina e no p ocesso de
Comunicação de Risco en e En e mei o e u en e/pacien e. No pe íodo de obse ação não o am
egis adas e enume adas de o ma exaus i a, endo em conside ação que a iden i icação e egis o de
algumas das si uações em que o Risco se ap esen ou nas o mas po encial e/ou eal podem e
implicações é icas, deon ológicas e/ou mo ais.

38
Tabela 3 Desc ição das ci cuns âncias em que a Comunicação de Risco não oi e icaz - Obse ação Di e a do Pa icipan e.
Ci cuns ância do
dia-a-dia
Desc ição
Conexão com a
Cul u a
O ganizacional
Conexão com a
Comunicação de Risco
Comunicação
In e disciplina
Pacien e Insu icien e Renal deu
en ada no SU após queda. Rela ado
nas no as clínicas que es e “ a ia
sessão de Hemodiálise” no dia
seguin e na clínica onde es a a
alocado em egime de ambula ó io.
Pacien e en iado no dia seguin e pela
equipa de En e magem do SU pa a a
sala de HD pa a ealiza a amen o.
Ne ologis a não inha conhecimen o
do pacien e. O mesmo não inha
c i é ios pa a ealiza sessão de
Hemodiálise de u gência.
Necessidade de con ac a a equipa
de En e magem do SU pa a
escla ece a si uação.
Di iculdade na ges ão da
ansmissão de
in o mação de Risco
en e se iços
independen es da
O ganização
Di iculdade no p ocesso de
pa ilha de in o mações
associadas ao Risco
Comunicação
In e disciplina
É comum ecebe chamada
ele ónica do Bloco Ope a ó io a
indica que a ci u gia do pacien e oi
inalizada e que o pacien e pode
eg essa ao se iço de o igem.
Po ém, é equen e que, quando a
equipa de en e magem do se iço de
o igem se di ige ao BO, enha de
agua da pelo doen e. Es a si uação
ge a a asos na ges ão da p es ação
de cuidados de odos os ou os
pacien es a ibuídos ao En e mei o.
Lacuna na ges ão
o ganizacional ace ao
Risco
Di iculdade no p ocesso de
pa ilha de in o mações
associadas ao Risco
Comunicação
En e mei o-
U en e/Pacien e
Realizados ensinos ao pacien e
sujei o a ansplan e enal que nos
p imei os meses não pode oma
banhos de ime são.
Duas semanas após a al a clínica,
pacien e dá en ada no se iço com
diagnós ico de Pielone i e. Pacien e
e e iu que deu “me gulhos no io”
(sic).
Baixo ní el de li e acia em
saúde;
Lacuna na iden i icação de um
po encial Risco;
Des alo ização da g a idade do
Risco p esen e
Comunicação
En e mei o-
U en e/Pacien e
Realizados ensinos ao pacien e
sujei o a ansplan e enal ace ca da
necessidade de oma a e apêu ica
imunossup esso a de aco do com a
p esc ição médica e compa ece a
odas as consul as agendadas.
Pacien e deu en ada no se iço pa a
inicia P og ama Regula de
Hemodiálise, após ejeição de
aloenxe o enal, secundá ia a
incump imen o e apêu ico.
Baixo ní el de li e acia em
saúde;
Negação em elação à p esença
do Risco;
Des alo ização da g a idade do
Risco p esen e.
39
Tabela 4 Desc ição das ci cuns âncias em que a Comunicação de Risco não oi e icaz - Obse ação Indi e a do Pa icipan e.
Ci cuns ância do
dia-a-dia
Desc ição
Conexão com a
Cul u a
O ganizacional
Conexão com a
Comunicação de Risco
Comunicação
In e disciplina
T ansmi ido na passagem de u no
que um pacien e não ealizou exame
po que se iço de o igem não
ansmi iu que pacien e se
encon a a em isolamen o de
con ac o com uma in eção hospi ala .
Di iculdade na ges ão da
ansmissão de
in o mação de Risco
en e se iços
independen es da
O ganização
Di iculdade no p ocesso de
pa ilha de in o mações
associadas ao Risco
Comunicação
In e disciplina
T ansmi ido na passagem de u no
que doen e não ealizou exame,
po que não oi ansmi ido à equipa
de En e magem a necessidade de o
pacien e aze uma pausa alimen a
de 6 ho as pa a ealização do
mesmo.
Di iculdade na ges ão da
ansmissão de
in o mação de Risco
en e se iços
independen es da
O ganização
Di iculdade no p ocesso de
pa ilha de in o mações
associadas ao Risco
Comunicação
En e mei o-
U en e/Pacien e
T ansmi ido na passagem de u no
que o pacien e omou indu o de
sono p esc i o pela equipa médica no
in e namen o e que o mesmo
não analisou/ques ionou ace ca da
e apêu ica que es á a oma no
in e namen o e ez uma
sob edosagem de indu o de sono,
omando os seus medicamen os do
domicílio.
Baixo ní el de li e acia em
saúde;
Lacuna na iden i icação de um
po encial Risco;
Comunicação
En e mei o-
U en e/Pacien e
T ansmi ido na passagem de u no
que o pacien e emo eu penso
oclusi o de Ca e e Venoso Cen al
pa a ealização de Hemodiálise e que
oi ale ado pa a os iscos
deco en es da manu enção desse
compo amen o. Pe an e a
in o mação ansmi ida, o pacien e
des alo izou a si uação,
demons ando não que e al e a
compo amen o.
Baixo ní el de li e acia em
saúde;
Negação em elação à p esença
do Risco;
Des alo ização da g a idade do
Risco p esen e.
4.2. Cul u a O ganizacional
Nes e subcapí ulo ap esen am-se os esul ados dos dados ecolhidos elacionados com a
ipologia da Cul u a O ganizacional p edominan e. Na abela seguin e ap esen a-se o soma ó io das
médias de odas as secções da Escala OCAI, em que es ão iden i icados os seis a ibu os cul u ais que
ajudam a iden i ica o ipo de Cul u a p edominan e na o ganização. A cul u a o ganizacional de uma
o ganização p ecisa “ e alguma compa ibilidade com as exigências dos seus ambien es” (Came on e
40
Quinn, 2006, p. 71). Es a de e á es a alinhada de aco do com a sua missão, alo es e isão da
o ganização. Os au o es an e io men e e e idos indicam que uma ipologia Cul u al se ai adequa à
o ganização espei ando os alo es o ganizacionais.
De aco do com a Teo ia dos Valo es Con as an es, odos os ipos de Cul u a iden i icados
de em es a p esen es, de o ma a c ia um equilíb io en e as mesmas. Seguindo a linha de
pensamen o dos au o es, a o ganização pode ap esen a dis uncionalidade no seu uncionamen o se a
mesma se oca exclusi amen e numa ipologia de cul u a.
Na abela seguin e, ap esen am-se os esul ados da média, mediana e des io-pad ão associados
às espos as dos p o issionais de En e magem inqui idos ace ca da secção de Cul u a O ganizacional.
Tabela 5 Média e Des io Pad ão dos 4 ipos de Cul u a da Escala OCAI
To al Escala OCAI
N
Média
DP
Cul u a de Clã
34
4,69
1,27
Cul u a Adhoc á ica
34
4,64
1,12
Cul u a de Me cado
34
4,76
1,16
Cul u a Hie á quica
34
5,03
1,01
No a:
Escala
de
Like
de
1
a
7
alo es
Pe an e os esul ados dos alo es médios do soma ó io da Escala OCAI, consegue-se e idencia
que es es não são signi ica i os pa a iden i ica a ipologia de Cul u a dominan e na o ganização em
es udo e que exis e pouca a iabilidade nas espos as, o que nos pode le a a dep eende que odos os
inqui idos sen em a Cul u a O ganizacional de o ma simila .
Tendo sido u ilizada uma Escala de Licke de 1 a 7 no Inqué i o, os esul ados médios ob idos
das espos as dos inqui idos a iam en e 4,64 e 5,03, pelo que podemos a i ma que, pe an e es es
esul ados, não conseguimos in e i que a o ganização de saúde possua uma ipologia cul u al que
sob essai. Os alo es médios es ão em o no de 5, que deno a espaço pa a melho ias na sedimen ação
da Cul u a O ganizacional da ins i uição de saúde em análise. Mo ais e G aça (2013) a i mam que “as
o ganizações de saúde coexis em em um
con inuum
, onde o ambien e (in e no e ex e no) e o empo
são a o es-cha e que de e minam a es a égia a se ado ada”. Os au o es ac escen am que as
o ganizações de saúde necessi am de ap esen a uma g ande “plas icidade e lexibilidade
o ganizacional” (Mo ais e G aça, 2013, p. 129). Associado a es es esul ados, podemos ambém
deduzi que não exis e mui o comp ome imen o dos En e mei os pe an e a o ganização de saúde onde
41
exe cem unções.
O ac o de odos os ipos de Cul u a es a em p esen es nos esul ados da Escala OCAI do g upo
de En e mei os na ULS em es udo co obo a a linha de pensamen o dos au o es do Modelo de Valo es
Con as an es, Came on e Quinn (2006), em que e idenciam a necessidade de es a em os qua o ipos
de Cul u a p esen e nas o ganizações, sendo que a p esença dos qua o ipos de Cul u a p opo ciona à
O ganização um es ado de equilíb io. A pa i da p emissa de Came on e Quinn (2006) em que
e e em que a Cul u a “de ine os alo es undamen ais, suposições, in e p e ações e abo dagens que
ca a e izam uma o ganização”, os au o es in luem que se pode “espe a que ou as ca a e ís icas das
o ganizações” possam e le i “os qua o ipos de cul u a” iden i icados no Modelo de Valo es
Conco en es (Came on e Quinn, 2006, p. 31). As a i mações dos au o es assumem, po an o, que os
qua o ipos de Cul u a O ganizacional podem coexis i na mesma O ganização.
Apesa de as espos as dos En e mei os inqui idos não deno a em uma ipologia de Cul u a
p edominan e, de aco do com Lou enço, Ca doso, Ma os e Noda i (2017) e as au o as C uz e Fe ei a
(2015), as o ganizações de saúde po uguesas ainda possuem uma elação ígida nas elações com os
seus colabo ado es, sendo que as mesmas ainda são mui o con oladas, es u u adas e o mais.
Tendo em conside ação que as o ganizações de saúde se di ecionam pa a a p es ação de
se iços de saúde, os au o es Lou enço, Ca doso, Ma os e Noda i (2017) e idenciam que es as se
o ien am pa a o ambien e ex e no, ha endo con ac o di e o com o clien e. Baseando-se no MVC de
Came on e Quinn (2006), os au o es salien am que “os clien es são exigen es na escolha e
in e essados no alo ”, sendo que o g ande obje i o de ges ão da o ganização a condução da mesma
pa a a p odu i idade, esul ados e luc os” (Lou enço e al, 2017, p. 131).
4.2.1. Cul u a O ganizacional – Análise Especí ica
Dado que os alo es médios o ais dos seis ópicos que cons i uem a Escala OCAI não nos aduz
in o mação ele an e e de des aque, conside ou-se a análise de cada uma das subdi isões de o ma
indi idual. Pa a al, oi elabo ado um Diag ama da Cul u a O ganizacional, na espe ança de que a
análise do mesmo possa p opo ciona in o mação ele an e associada à Cul u a O ganizacional da
o ganização em es udo.
48
quan i icam a equência das si uações expos as nas a i mações desen ol idas. Pa a al, o núme o 1
co esponde a “Nunca”, o núme o 2 co esponde a “Ra amen e”, o núme o 3 indica a opção “Às
ezes”, o alo 4 e e e-se à equência “Mui as ezes”, e o alo 5 co esponde à opção “Semp e”.
Tabela 14 Média, Mediana e Des io Pad ão das ques ões di ecionadas à Comunicação In e disciplina (n=34)
Ques ões
P opo ções
Média
Mediana
DP
1 – Ob enho elemen os que me pe mi em
comp eende o impac o das minhas ações
e o modo como es ão a se ecebidas e
in e p e adas pelos ou os.
3,5
4
1,01
2 – Re ejo cuidadosamen e e de o ma
de alhada oda a in o mação que ansmi o
aos memb os da equipa.
4
4
0,87
3 – Facul o aos memb os da equipa
indicações de como es ão ou não es ão a
se bem-sucedidos na ealização dos
cuidados.
3,54
4
1,14
4 – In o mo a equipa ce ca das minhas
pe ceções, pensamen os e necessidades
3,54
4
1,01
5 – Sou cla o e conciso na pa ilha de
mensagens jun o da equipa de saúde.
4,136
4
0,56
6 – P opo ciono in o mação ele an e pa a
o ien ação dos memb os da equipa.
4,36
4
0,49
7 – T ansmi o aos ou os elemen os da
equipa a in o mação ele an e que os
u en es me ansmi em.
4,3
4
0,646
8 – E e uo egis os cla os e adequados
(esc i os e ele ónicos) das euniões.
4,04
4
1,04

49
Ques ões
P opo ções
Média
Mediana
DP
9 – Re e encio pessoas/ins i uições pa a
ajuda a esol e p oblemas.
3,54
4
1,18
No a: Escala de Like de 1 a 5 alo es
As espos as nes a dimensão (Tabela 14) con inuam a se posi i as, mas 2 i ens chamam a
a enção, elacionados com o ac o de
“in o ma a equipa das minhas pe ceções”
e da
“minha
a aliação quan o ao desempenho dos colegas”.
A análise des as duas ques ões demons a que os
elemen os inqui idos não ap esen am uma pe ceção homogénea e que a Comunicação In e na pode á
não se e icien e. Liu e al (2018) e idenciam que a di iculdade em e e ua uma comunicação e icaz
den o da o ganização pode ge a p oblemas in e nos, le ando ao aumen o de isco pa a os
colabo ado es e ine iciência na p es ação de cuidados ao pacien e. Es as alhas ou ba ei as ão,
consequen emen e, in luencia a segu ança na o ganização, an o a ní el in e no como ex e no.
Todos os elemen os que cons i uem a equipa mul idisciplina de em es a despe os e
incen i ados pa a comunica o Risco nas o mas po encial ou eal, com o in ui o de e e ua uma ges ão
de iscos in e nos sis ema izados com o in ui o de a enuação do mesmo (Lemon e VanDyke, 2021).
P o issionais que ap esen am capacidade de comunica o Risco de o ma e icaz ap esen am maio
capacidade de iden i ica e salien a compo amen os de Risco no seio da sua equipa (Vecchio-Sadus,
2007). Pe an e as espos as aos i ens que se des acam nas espos as dos En e mei os inqui idos, há
uma sin onia de pensamen o da in es igado a com as au o as House e Ha ens (2017), em que
indicam que os compo amen os são in luenciados pelas pe ceções dos p o issionais de saúde. Pa a
al, o na-se necessá io epensa na o ma como o Risco de e se expos o e ge ido no seio das equipas
mul idisciplina es (como, quando e de que o ma pode su gi ), dada a complexidade e a cons an e
necessidade de mudança de a uação das o ganizações de saúde (Lee e al, 2018).
50
Tabela 15 Diag ama da Comunicação In e disciplina
1 - Ob enho elemen os que me
pe mi em comp eende o impac o
das minhas ações e o modo como
es ão a se ecebidas e
in e p e adas pelos ou os.
2 - Re ejo
cuidadosamen e e de
o ma de alhada oda a
in o mação que
ansmi o aos memb os
da equipa.
3 - Facul o aos memb os da
equipa indicações de como
es ão ou não es ão a se
bem-sucedidos na ealização
dos cuidados.
4 - In o mo a
equipa ce ca das
minhas
pe ceções,
pensamen os e
necessidades
5 - Sou cla o e
conciso na
pa ilha de
mensagens
jun o da equipa
de saúde.
6 - P opo ciono
in o mação
ele an e pa a
o ien ação dos
memb os da
equipa.
7 - T ansmi o aos
ou os elemen os da
equipa a in o mação
ele an e que os
u en es me
ansmi em.
8 - E e uo
egis os cla os e
adequados
(esc i os e
ele ónicos) das
euniões.
9 - Re e encio
pessoas/ins i uições
pa a ajuda a esol e
p oblemas.
3
4
3
2
3
4
3
4
4
3
4
5
4
4
5
5
5
4
5
4
5
5
5
5
5
4
3
4
4
4
3
4
4
5
5
3
4
4
4
4
4
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5
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3
4
4
4
4
4
4
4
4
3
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3
3
4
4
4
4
1
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
3
3
4
4
4
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4
3
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2
3
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4
2
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5
5
5
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4
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5
5
5
5
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4
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1
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2
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4
3
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1
1
1
4
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3
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4
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4
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5
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4
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4
4
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4
4
4
5
4
5
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2
3
3
4
5
5
5
3
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4
4
4
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4
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3
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3
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4
5
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3
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2
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4
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3
3
3
3
3
3
4
4
4
3
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4
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5
5
5
4
5
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4
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5
5
3
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4
4
4
4
4
4
4
4
5
4
4
5
5
5
3
4
2
1
3
4
4
4
5
4
5
No a:
Escala
de
Like
de
1
a
5
alo es
Analisando o Diag ama de Co das espos as dos En e mei os na secção da Comunicação
In e disciplina , as espos as deno am maio a iabilidade e salien am cla amen e 3 i ens a necessi a
de se melho ados, nomeadamen e os elacionados com a
“necessidade de ob e eedback das
minhas ações”,
de
“ ansmi i as minhas pe ceções”
e de
“pode p onuncia -me sob e a qualidade
do abalho ealizado po ou os”
(Tabela 15). As a i mações que se des acam po ap esen a alo es
posi i os nes a secção, de aco do com o Diag ama de Co (Tabela 15), são ês: As a i mações núme o
6, em que indica “P opo ciono in o mação ele an e pa a o ien ação dos memb os da equipa”, a
a i mação núme o 7, em que es á desc i o “T ansmi o aos ou os elemen os da equipa a in o mação
ele an e que os u en es me ansmi em” e a a i mação núme o 8, a qual e e e “E e uo egis os cla os
e adequados (esc i os e ele ónicos) das euniões”. Todas as a i mações ap esen am um pad ão de
espos as com colo ação p edominan emen e e de no Diag ama.
Apesa de a maio ia dos dados ecolhidos ap esen a em esul ados posi i os, e i icou-se que
ainda exis em debilidades no p ocesso de Comunicação In e na a ní el das equipas mul idisciplina es.
A iden i icação dos mesmos pode pe mi i à o ganização ge i e desen ol e p ocessos in e nos, com o
in ui o de melho a a Comunicação O ganizacional a ní el in e no.
51
4.4. Comunicação do En e mei o com o U en e/Pacien e
A qua a secção do Ques ioná io é dedicada à colhei a de in o mação ace ca do p ocesso de
comunicação en e p o issionais de saúde (En e mei os) e U en es/Pacien es, a a és da u ilização de
12 dos 23 i ens que cons i uem a
Minho Communica ion Assessmen Scale
(2020). Es a escala de
a aliação de Comunicação é compos a po cinco dimensões:
Es u u a, Modo de Ques iona ,
Compo amen o e Pos u a, Cla eza de In o mação e a dimensão Emociona
l. Foi u ilizada uma
escala de Licke de 5 pon os, e, de aco do com os au o es, os alo es ob idos iden i icam o ní el de
conco dância das si uações expos as nas a i mações desen ol idas. Pa a al, o núme o 1 co esponde
a “Disco do To almen e”, o núme o 2 co esponde a “Disco do”, o núme o 3 indica a opção “Neu o”,
o alo 4 e e e-se à equência “Conco do”, e o alo 5 co esponde à opção “Conco do To almen e”
Tabela 16 Média, Mediana e Des io Pad ão das ques ões di ecionadas à Comunicação do En e mei o com o
U en e/Pacien e (n=34)
Ques ões
P opo ções
Média
Mediana
DP
1 – Respei o o empo de espos a do
u en e/pacien e
4,318
4
0,56
2 – U ilizo es a égias adequadas pa a
escla ece a in o mação pelo
u en e/pacien e
4,54
5
0,509
3 – Explo o e aço uma ges ão adequada
das emoções do u en e/pacien e
4,09
4
0,526
4 – C io uma elação empá ica com o
u en e/pacien e
4,59
5
0,59
5 – Explo o as c enças do u en e/pacien e e
espondo às suas p eocupações
4,36
4
0,657
6 – Man enho con ac o isual ap op iado
4,63
5
0,49
52
Ques ões
P opo ções
Média
Mediana
DP
7 – Uso linguagem cla a e i ando e mos
écnicos
4,63
5
0,49
8 – Demons o espei o pelo u en e/pacien e
4,95
5
0,21
9 – E i o julgamen os ou juízos de alo
4,5
4,5
0,509
10 – Uso om, olume e elocidade de ala
ap op iados
4,54
5
0,509
11 – U ilizo es a égias ap op iadas pa a
e i ica se o u en e/pacien e en endeu a
in o mação
4,4
4
0,50
12 – Man enho uma espos a emocional
adequada
4,04
4
0,50
No a: Escala de Like de 1 a 5 alo es
Na secção do Ques ioná io di ecionado pa a a Comunicação en e En e mei o- U en e/pacien e,
as espos as deno am uma mui o boa “au oa aliação” no p ocesso comunicacional com os
U en es/pacien es (Tabela 16), em que a média das 12 ques ões é de 4,44. De aco do com o es udo
de Ta`an, Allama e Williams (2024), ní eis de capacidade de comunicação ele ada es ão di e amen e
elacionados com a capacidade de p edize a qualidade de p es ação de cuidados de saúde p es ados
po En e mei os(as). Tendo em conside ação o es udo an e io men e e e ido, os esul ados ob idos
nos dados ecolhidos no es udo em cu so pode ão se indica i os de que os p o issionais inqui idos
êm uma pe ceção de que p es am cuidados ao u en e/pacien e com qualidade.
No en an o, os esul ados ob idos podem es a sujei os a um iés de in o mação po pa e dos
inqui idos. Tendo em men e que a Escala de Like usada é de 1 a 5 alo es, es as ques ões
encon am-se bem pon uadas. De aco do com Al hubai i (2016), os dados ecolhidos sob e as
pe spe i as, pon os de is a ou opiniões sob e a sua pessoa e/ou compo amen os do mesmo podem
se a e ados po uma endência pa a ob e espos as coinciden es com a desejabilidade ou ap o ação
53
social –
Viés de Au o ela o ou Sel -Repo ing Bias
.
Po al, o na-se necessá io e em especial conside ação a análise dos esul ados de duas
ques ões da abela núme o 16, as quais inqui em sob e “C io uma elação empá ica com o
u en e/pacien e” (ques ão 4) e “Explo o as c enças do u en e/pacien e e espondo às suas
p eocupações” (ques ão 5), sendo que os alo es médios dos esul ados ob idos são 4,59 e 4,36,
espe i amen e. Os dados ecolhidos no p esen e es udo não pe mi em uma con i mação de que os
dados ob idos das ques ões 4 e 5 são idedignos, em de imen o da suges ão de um possí el iés de
desejabilidade social.
Tabela 17 Diag ama da Comunicação do En e mei o com o U en e/Pacien e
1 - Respei o o
empo de
espos a do
u en e/pacien e.
2 - U ilizo es a égias
adequadas pa a
escla ece a
in o mação o necida
pelo u en e/pacien e.
3 - Explo o e
aço uma ges ão
adequada das
emoções do
u en e/pacien e.
4 - C io uma
elação
empá ica com o
u en e/pacien e.
5 - Explo o as
c enças do
u en e/pacien e
e espondo às
suas
p eocupações.
6 -
Man enho
con ac o
isual
ap op iado.
7 - Uso
linguagem
cla a
e i ando
e mos
écnicos.
8 - Demons o
espei o pelo
u en e/pacien e.
9 - E i o
julgamen os
ou juízos de
alo .
10 - Uso
om, olume
e elocidade
de ala
ap op iados.
11 - U ilizo
es a égias
ap op iadas pa a
e i ica se o
u en e/pacien e
en endeu a
in o mação.
12 -
Man enho
uma
espos a
emocional
adequada.
3
4
3
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4
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4
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4
No a: Escala de Like de 1 a 5 alo es
Na análise do Diag ama ela i o à secção da Comunicação do En e mei o com o
U en e/Pacien e (Tabela 17), consegue-se acilmen e de ini que os En e mei os pe cecionam e uma
excelen e comunicação com o U en e/Pacien e. Os dados ecolhidos e idenciam cla amen e que o
p ocesso Comunicacional no desen ola da sua a i idade p o issional é e icaz no que espei a à
in e ação com o U en e/Pacien e. No es udo de Ta`an, Allama e Williams (2024), os au o es en a izam
que a ealização de um p ocesso de Comunicação de Risco e icien e é essencial pa a a ecolha de
dados e sin omas, possí eis dú idas e o su gi de p oblemas ao pacien e e seus amilia es. Os au o es
indicam que a capacidade de acede a es as in o mações acili a a comp eensão das necessidades do
pacien e, bem como a ges ão da adesão do mesmo à ealização de exames e a amen os necessá ios

54
(Ta`an, Allama e Williams, 2024). Segundo o a igo de B ooks, Manias e Bloome (2018), a não
pe sonalização da o ma de comunica a cada u en e/pacien e e o não espei a os seus alo es pode
ge a um impac o nega i o na qualidade dos cuidados de saúde p es ados. Hashim (2017) e e e que é
de ex ema impo ância desen ol e um p ocesso comunicacional cen ado no u en e/pacien e, em
que oco e uma explo ação e comp eensão da expe iência do pacien e ela i amen e ao seu pe íodo de
doença, espei ando semp e as suas c enças e possibilidades associadas à doença. Já Salim, Roslan,
Hod, Zaka ia e Adam (2023) indicam que á ios es udos ealizados salien am que a ealização de
o mação dos p o issionais de saúde sob e compe ências de comunicação, nomeadamen e a escu a
a i a, in luenciam posi i amen e o p ocesso de Comunicação de Risco com o u en e/pacien e.
Figu a 8 Modelo-Base em es udo com a iden i icação de lacunas iden i icadas na Cul u a O ganizacional e Comunicação
O ganizacional
Pe an e as conclusões que se consegui am ob e a pa i dos dados ecolhidos, conseguimos
iden i ica lacunas que se podem e ela impo an es e com necessidade de melho ia (Figu a 7). As
espos as ob idas a a és dos En e mei os que esponde am ao Inqué i o são cla amen e indica i as de
que, segundo a sua pe ceção, não exis em lacunas no p ocesso de Comunicação en e En e mei o e
U en e/Pacien e. No en an o, no p ocesso de Comunicação In e disciplina o am iden i icadas lacunas
que são conside adas ele an es, sendo que as mesmas es a ão a in luencia nega i amen e a
Comunicação In e na da O ganização em es udo. São elas a di iculdade em consegui ansmi i aos
es an es elemen os a a aliação do seu desempenho, o impac o das ações do indi íduo no seio da
equipa, a o ma como as ações es ão a se ecebidas e in e p e adas pela equipa, bem como a
55
di iculdade que o indi íduo em em ansmi i à equipa as suas pe ceções.
Tendo em conside ação o Modelo-Base elabo ado, em que es á iden i icada uma se a no balão
da Cul u a O ganizacional di ecionada pa a o balão da Comunicação O ganizacional, dep eende-se que
as lacunas iden i icadas na secção da Cul u a O ganizacional in luenciam di e amen e a Comunicação
O ganizacional. As baixas obje i idade e ino ação, o baixo emp eendedo ismo e a baixa ape ência pa a
no as expe iências a ní el o ganizacional ão in luencia di e amen e os p ocessos comunicacionais
ealizados no seio da o ganização.
As lacunas iden i icadas e elam, na opinião da in es igado a, uma Comunicação In e na
obsole a, sem espaço pa a a ino ação a ní el comunicacional e na ges ão do Risco no seio da equipa
mul idisciplina . Conside a-se essencial a ea aliação da Comunicação O ganizacional, em especial a
Comunicação In e disciplina , e ealiza uma in e enção/ o mação pa a odos os elemen os da equipa
in e disciplina , com o in ui o de o imiza os p ocessos comunicacionais a ní el in e no.
4.5. Comunicação de Risco
Em elação aos concei os Risco, Comunicação de Risco e Pe ceção de Risco, o g upo de
En e mei os inqui idos no segundo espaço empo al espondeu às ques ões elabo adas, as quais o am
subdi ididas em duas secções. A p imei a secção ap esen a 11 ques ões di e as, em o ma o de
a i mação, em que oi u ilizada uma Escala de Licke com a ampli ude de medição de 1 a 5, em que o
1 signi ica “
Disco do To almen e”
e o 5 signi ica “
Conco do To almen e”.
Es as ques ões êm o
in ui o de indaga os p o issionais de saúde ace ca das suas pe ceções sob e o Risco, a Comunicação
de Risco ealizada a ní el mul idisciplina e com o U en e/Pacien e, bem como pe cebe como a
Ges ão do Risco é pe cecionada pelos mesmos a ní el o ganizacional.
Tabela 18 Média, Mediana e Des io Pad ão das ques ões di ecionadas à Comunicação de Risco
Ques ões
P opo ções
Média
Mediana
DP
1 – No desen ola do desempenho de
unções pode oco e o Risco
4,58
5
0,51
2 – Tenho acilidade em pe ceciona
si uações em que o Risco pode oco e
4,16
4
0,39
56
Ques ões
P opo ções
Média
Mediana
DP
3 – Tenho acilidade em pe ceciona
si uações em que o Risco oco eu
4,25
4
0,45
4 – A Pe ceção de Risco é assimilada de
o ma semelhan e pa a odos os
indi íduos da equipa mul idisciplina
2,66
3
0,88
5 – A Pe ceção de Risco é assimilada de
o ma semelhan e pa a p o issionais de
saúde e pa a u en es/pacien es
2
2
0,6
6 – U ilizo es a égias adequadas pa a
comunica o Risco jun o da equipa
mul idisciplina
4
4
0,43
7 – U ilizo es a égias adequadas e
adap adas ao u en e/pacien e pa a lhe
comunica o Risco
3,91
4
0,66
8 – A O ganização onde exe ço unções
em planos es a égicos de inidos e
implemen ados associados à emá ica de
Risco
4,41
4,5
0,67
9 – Os planos es a égicos da
O ganização associados ao Risco são
cla os e áceis de implemen a
3,66
4
0,88
10 – Exis e um bom plano de
Comunicação In e na associado ao Risco
e ao p ocesso de Comunicação de Risco
4,08
4
0,66
11 – Es ão, a ualmen e, p esen es
lacunas que limi am a Comunicação de
Risco na O ganização onde exe ço
unções
3
3
0,85
No a: Escala de Like de 1 a 5 alo es
57
Apesa de alguma a iabilidade das espos as é possí el iden i ica 3 i ens com baixa pon uação
na escala de Licke elacionados com a Pe ceção de Risco (Tabela 18). A baixa co ação da ques ão
núme o 4 e idencia que a Pe ceção de Risco é sen ida de o ma dis in a po odos os elemen os da
equipa mul idisciplina . Es a e idência ap esen a o al conco dância com os au o es House e Ha ens
(2017), os quais cons a am que a pe ceção das equipas mul idisciplina es de saúde a iam, a qual
in luencia di e amen e a comunicação en e es es e a qualidade de cuidados de saúde p es ados.
A ques ão núme o 5, em que é pedido aos En e mei os inqui idos pa a esponde à pe ceção
sen ida pelos mesmos ace ca da capacidade de assimilação da Pe ceção de Risco en e
u en es/pacien es e p o issionais de saúde, es es e idencia am cla amen e a disc epância en e os
dois g upos. As espos as dos En e mei os inqui idos es ão em con o midade com o a igo de O`Toole,
Al a ado-Li le e Led o d (2019), em que e e e que a pe ceção dos p o issionais de saúde é
comple amen e díspa da pe ceção dos pacien es em elação ao Risco.
Pe an e a a i mação núme o 11, em que é e idenciada a possibilidade de exis i em lacunas na
o ganização em es udo que possam limi a a Comunicação de Risco, os elemen os que esponde am
não ap esen a am um ní el signi ica i o de conco dância (Média de 3). Dado que, ao longo do
desen ol imen o do es udo, semp e exis iu a di iculdade da comp eensão dos concei os en ol idos no
mesmo pelos p o issionais de saúde com os quais a in es igado a in e agiu e abo dou a emá ica em
análise, ica a dú ida se es e ac o pode á se indica i o que os En e mei os inqui idos enham e e uado
a associação do Concei o Risco p esen e nas ques ões do Inqué i o com a implemen ação do Plano
Nacional pa a a Segu ança dos Doen es (PNSD) 2021-2026 pela Di eção Ge al de Saúde em odas as
unidades de Saúde. O PNSD 2021-2026 oi elabo ado endo como base a c iação de cinco pila es
undamen ais pa a sis ema ização e supo e de ca o ze obje i os es a égicos, endo em conside ação o
conhecimen o a ual sob e a segu ança do doen e. O segundo Pila do PNSD 2021-2026 em como
p opósi o a c iação de condições nas ins i uições de saúde “que pe mi am ga an i uma cul u a
cen ada na segu ança” (Diá io da República, 2021, p. 99).
A média das espos as à ques ão “U ilizo es a égias adequadas e adap adas ao u en e/pacien e
pa a lhe comunica o Risco” ambém pode se conside ada abaixo dos alo es ideais. A jus i icação
des e esul ado pode á se ag egada à ques ão que se encon a in eg ada na secção dos dados
sociodemog á icos, a qual ques iona se os En e mei os possuem o mação especí ica na á ea da
Comunicação. E idenciou-se que os En e mei os inqui idos, na sua maio ia, não possuem o mação
especí ica em Comunicação, a qual lhes pode ia o nece e amen as pa a melho a a p es ação de
cuidados de saúde ao U en e/Pacien e. Dos 34 en e mei os inqui idos ( o alidade das duas amos as),
64
condicionada. As lacunas exis en es na Cul u a da O ganização in luenciam os p ocessos
comunicacionais a ní el in e no e a o ma como os seus colabo ado es pe cecionam o Risco, le ando a
que, quando su ge o Risco (em o ma o eal ou po encial), os elemen os ap esen em di iculdade na
de eção a empada, na ansmissão do mesmo aos elemen os das equipas mul idisciplina es e na
ges ão do mesmo de o ma e icaz.
Os dados ecolhidos pa a as abelas da Obse ação Di e a e Indi e a do Pa icipan e e idenciam
ambém lacunas a ní el da Comunicação In e disciplina , bem como no p ocesso de Comunicação de
Risco com o U en e/Pacien e. A ní el da Comunicação In e na, oi cla amen e e idenciada a di iculdade
no p ocesso de pa ilha de in o mações associadas ao Risco, o que se aduz num p ocesso
comunicacional ine icaz a ní el o ganizacional. Pe an e a ansmissão de in o mação de Risco ao
U en e/pacien e, o am e idenciados inúme os obs áculos que os En e mei os se depa am quando o
isco lhes é comunicado, sendo os p incipais o baixo ní el de li e acia em saúde, lacuna na
iden i icação de um po encial Risco, des alo ização pe an e a g a idade do isco p esen e e/ou
negação em elação à p esença do Risco.
A es u u ação de uma cul u a de segu ança nas Unidades de Saúde é in luenciada po
inúme os a o es, in e nos e ex e nos, os quais os p o issionais de saúde êm de lida dia iamen e no
deco e da sua a i idade p o issional. A qualidade da p es ação de cuidados de saúde depende
as amen e de um p ocesso comunicacional e icaz. A ní el o ganizacional, é necessá io in es i em
p og amas de o mação in e na de odos os p o issionais, em especial as equipas de p o issionais de
saúde, sendo es es os que con ac am du an e mais empo com o pacien e/u en e.
É essencial epensa a impo ância da o mação dos En e mei os ace ca do Risco e a
Comunicação do Risco, com o in ui o de que os mesmos es ejam despe os pa a quando, onde e po que
possa su gi o Risco. En e mei os com o mação em Comunicação, em especial Comunicação de Risco
di ecionada pa a a á ea da saúde, possuem e amen as que lhes pe mi em delinea es a égias mais
coe en es e e icazes quando lidam com o Risco, em o ma po encial ou eal.
O p ocesso de ecolha de dados oi, no mínimo, desa ian e. Em p imei o luga , a in es igado a
não exe ce unções na ins i uição inqui ida. Em segundo luga , a ecolha de dados de duas amos as,
endo como obje i o p incipal da p imei a amos a a ecolha de dados sob e Cul u a O ganizacional e
Comunicação O ganizacional. Pa a a segunda amos a, pa a além da ecolha de dados sob e Cul u a
O ganizacional e Comunicação O ganizacional, oi ac escen ado ao Inqué i o uma secção sob e
Comunicação de Risco. O in e esse e a adesão ao p eenchimen o do Inqué i o oi baixo. Os esul ados
des e es udo pode ão não se ep esen a i os das pe ceções da população em análise ace ca da Cul u a

65
O ganizacional e Comunicação O ganizacional, bem como as pe ceções ace ca da Comunicação de
Risco, dado que a amos a de En e mei os inqui idos é mui o eduzida.
No en an o, a p incipal conclusão do es udo es á em consonância com es udos ealizados
an e io men e. Lemon e VanDyke (2021) e idenciam que os es udos ealizados suge e que
“as es u u as, cul u as e no mas o ganizacionais de em con ida e
e o ça a comunicação e a colabo ação em o no da segu ança e mi igação de
iscos e compo amen os pa a e i a mani es ações de isco, o nando as
es u u as o ganizacionais e cul u ais no mas ele an es pa a medidas de
mi igação e p o ocolos de comunicação” Lemon e VanDyke, 2021, p.6).
De aco do com o es udo de Ta`an, Allama e Williams (2024), o p ocesso de melho ia da cul u a
o ganizacional das unidades de saúde de em passa “pela melho ia da es u u a de saúde em odas as
dimensões que incluem a sa is ação do pacien e, a p omoção da saúde, a p e enção de complicações,
o bem-es a e o au ocuidado, a eadap ação uncional, a o ganização dos cuidados de En e magem, a
esponsabilidade e o igo ” (Ta`an, Allama & Williams, 2024, p. 5). Todas as á eas de melho ia
iden i icadas pelo es udo an e io pode ão se ap o ei adas pa a a ealização de uma análise pelos
p o issionais que possuem compe ências/ca gos de ges ão/coo denação na ULS em es udo, com o
in ui o de iden i ica e abalha agilidades cul u ais e dinâmicas ine icazes p esen es na mesma.
66
5. LINHAS ORIENTADORAS PARA OTIMIZAÇÃO DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO DE
RISCO
5.1. Comunicação de Risco – O ien ações p o enien es da Li e a u a
Na sequência do es udo ealizado ace ca do p ocesso de ansmissão da Comunicação de Risco,
oi e i icado na bibliog a ia analisada que a p esença de lacunas/ alhas no p ocesso de Comunicação
de Risco podem le a à oco ência de e os no desen ola da a i idade p o issional dos En e mei os e,
consequen emen e, su gi em consequências nega i as pa a o u en e/pacien e.
Seguindo a linha de pensamen o de Run u, No ieas a i e Handayani (2019), exis em cinco
a ibu os da cul u a o ganizacional que in luenciam de o ma posi i a a coo denação de cuidados po
p o issionais que desen ol em unções de ges ão em saúde. Os a ibu os passam pela o ma como o
elacionamen o e comunicação da equipa de saúde, o abalho em equipa, a o ma como são ge idos
os con li os, a au o idade e au onomia do p o issional ges o e a exis ência de c i é ios de sucesso
(Run u, No ieas a i e Handayani, 2019). De aco do com os au o es, a e iciência da coo denação de
cuidados de saúde é “in luenciado pela acilidade de acesso à in o mação, pela con inuidade da
in o mação, incluindo a di ulgação de in o mação pa a e i a a epe ição de p ocedimen os”, bem
como pela c iação de “um sis ema de apoio aos p es ado es de se iços pa a acede a egis os”
essenciais pa a a p es ação de cuidados de saúde de qualidade (Run u, No ieas a i e Handayani,
2019, p. 786).
Lopes (2010) a i ma que “só em pa e a ges ão pode con ola a cul u a, de endo sob e udo
espei a a sua dinâmica in ínseca, pa a a pode ge i ” (Lopes, 2010, p. 13). Os p o issionais de
saúde que exe cem unções de ges ão são conside ados um dos g andes exemplos de p o issionais
que modelam a cul u a na sua o ganização (Wa ick, 2017). Tendo em conside ação as p emissas
an e io es e que a e iciência do p ocesso de Comunicação de Risco é uma “combinação complexa de
sis emas que dependem da delibe ação pa a cul i a o endimen o e p oduzi esul ados bem-
sucedidos (Lemon e VanDyke, 20211, p. 11), sen iu-se a necessidade de c ia linhas o ien ado as pa a
o imização da Comunicação de Risco, com o in ui o de auxilia o En e mei o com unções de Ges ão no
seu desempenho p o issional.
To nou-se necessá io a ealização de uma e isão de li e a u a, de o ma a sus en a a
elabo ação das linhas o ien ado as. Na abela seguin e ap esen am-se di e sos au o es que publica am
67
a igos com es a égias/planos di ecionados pa a a Comunicação de Risco e icaz, an o a ní el de
equipas mul idisciplina es, como en e p o issionais de saúde com o U en e/Pacien e:
Tabela 23 Re e ências bibliog á icas com es a égias/planos di ecionados pa a a Comunicação de Risco e icaz
Au o
Ano
Guidelines/Plano
P incípios
John Paling
2003
Es a égias pa a ajuda os pacien es
a comp eende os iscos.
 A o ma como os p o issionais de saúde
comunicam o isco pode in luencia a
pe ceção de Risco do pacien e
 Usa in o mação isual e núme os
absolu os
 In o ma as p obabilidades de esul ados
posi i os e nega i os associadas ao
Risco
 Man e discu so consis en e
DGS
2020
P incípios básicos da Comunicação
de Risco em con ex o de c ise.
 Reconhece a ince eza
 Demons a disponibilidade pa a
esponde ques ões
 Demons a empa ia
 Comunique de o ma simples
 Seja espei ado
Rich e , Jansen,
Bongae s, Damman,
Rademake s & Van
de Weijden
2023
Es a égias de Comunicação do
Risco.
 Con ex ualiza o Risco
 Abo da o enquad amen o posi i o e
nega i o
 E i a apenas a desc ição e bal do lado
posi i o e nega i o do Risco
 Usa um denominado consis en e pa a
equências
 Usa in o mação isual pa a ansmi i o
Risco
Zikmund-Fishe
2012
O imização da ansmissão da
Comunicação de Risco pa a uma
melho comp eensão da in o mação
pelo U en e/Pacien e.
 Consciencializa da possibilidade de Risco
 Mo i a pa a o U en e/Pacien e muda o
Risco
 Fo nece in o mação compa a i a do Risco
p esen e com ou os
 Fo nece es ima i as do Risco an es e
após algum ipo de in e enção
Da id Laigh
2022
Comunicação de Risco no p ocesso
da omada de decisão
compa ilhada.
 E i a desc ições coloquiais de Risco,
como
a o
e
comum
 Usa linguagem consis en e e anca
 Ajus a o empo de ansmissão da
Comunicação do Risco de aco do com
a capacidade de assimilação do
U en e/Pacien e
 Con i ma se o U en e/Pacien e assimilou
a in o mação associada ao Risco
ansmi ida
Fage lin, Zikmund-
Fishe , Ubel
2001
Recomendações pa a comunicação
de Risco ao U en e/Pacien e.
 Usa linguagem simples pa a o na os
ma e iais esc i os mais comp eensí eis
68
Au o
Ano
Guidelines/Plano
P incípios
 Usa um o ma o de in o mação sob e
como a in e enção/ a amen o pode
al e a o Risco p eexis en e
 Te em conside ação que a Pe ceção de
Risco do U en e/Pacien e pode se
a e ada pela o dem em que são
ansmi idos os iscos e os bene ícios
das in e enções/ a amen os
 Conside a o uso de abelas dos iscos e
bene ícios na ap esen ação das á ias
opções de a amen o ao
U en e/Pacien e
 Chama a a enção do U en e/Pacien e
sob e o pe íodo em que o Risco oco e
ou pode á oco e
Pe a Kämä äinen,
Leena Mikkola, Anu
Nu meksela, Mea
W igh , Ta ja K is
2024
Classi icação de compe ência de
en e mei os ges o es di ecionada
pa a a comunicação in e pessoal.
 Compe ência de mensagem (p odução,
in e p e ação e ecepção/ e ibuição)
 Compe ência elacional
 Compe ência na ealização de a e as
Panicka , R., Aziz, Z.,
Teo, C. H.,
Kama ulzaman, A.
2024
Iden i icação de es a égias
p io i á ias pa a melho a a
comunicação de iscos associados à
ges ão medicamen osa po
p o issionais de saúde.
 Melho a o ma o e con eúdo
 Melho a o uso de ecnologia
 Aumen a a colabo ação
 T aduzi e in eg a a in o mação de
segu ança pa a a p á ica
 Implemen a p og amas educacionais
 A alia a e e i idade
Chien, L. J., Slade,
D., Dahm, M. R.,
B ady, B., Robe s,
E., Goncha o , L.,
Taylo , J., Eggins, S.,
& Tho n on, A.
2022
Passagens de u no segu as e
e icazes a a és da implemen ação
de um o ma o p o ocolado pa a o
uso de e amen as de passagem de
u no es u u adas e
es anda dizadas.
 Ap esen a o pacien e aos elemen os da
equipa de en e magem do u no a
segui e ap esen a os elemen os da
equipa ao pacien e;
 Comunica cla amen e as necessidades
clínicas do pacien e;
 Facili a a comunicação ace ca de
mudanças da condição clínica do
pacien e, mudanças na ges ão des as e
p eocupações do mesmo associadas a
es a ansição;
 Ques iona o pacien e ace ca de possí eis
dú idas;
 Facili a o p ocesso comunicacional en e
a equipa de saúde e o pacien e,
ela i amen e à con i mação e
escla ecimen o de in o mações;
 Consul a g á icos, planos de cuidados ou
e amen as ele an es à p es ação de
cuidados ao pacien e jun o do mesmo.
Lambe , V., keogh,
D.
2014
Fe amen as pa a melho a a
li e acia em saúde na p á ica
 Melho a a comunicação e bal com o
pacien e
 Melho a a comunicação esc i a
 Melho a a au oges ão e o
empode amen o do pacien e
69
Au o
Ano
Guidelines/Plano
P incípios
 Melho a os sis emas de supo e ao
pacien e e amília
Zipkin, D. A.,
Umscheid, C. A.,
Kea ing, N. L., Allen,
E., Aung, K., Bey h,
R., Kaa z, S., Mann,
D. M., Sussman, J.
B., Ko ens ein, D.,
Scha d , C., Nagi,
A., Sloane, R. &
Felds ein, D. A.
2014
Abo dagens ecomendadas pa a
comunicação de iscos no sen ido
de melho a a comp eensão e a
sa is ação do pacien e, bem como
ajuda na omada de decisão na
ealização de in e enções
associadas ao Risco.
 Exp essa p obabilidades associadas ao
Risco como axas de e en os ou
equências na u ais;
 Exp essa bene ícios e iscos em e mos
absolu os;
 U iliza o apoio de g á icos ou abelas pa a
ansmi i Riscos numé icos;
 Explica o Risco do pacien e u ilizando
compa ação com o Risco de ou os
e en os;
 U iliza apenas os desc i o es quali a i os
associados ao Risco
Join Commission
In e na ional
2018
Soluções pa a melho a a
comunicação com o pacien e.
 Melho a a comunicação na passagem de
u no en e equipas de saúde;
 Da al a aos pacien es de o ma e icaz;
 Adap a a linguagem de aco do com as
capacidades de li e acia do pacien e;
 Supe a ba ei as cul u ais;
 A ende às necessidades do pacien e
elacionadas com a sua idade;
 Comunica pedidos médicos p ecisos e
esul ados de es es.
F ei ag, M., Ca oll,
V. S.
2011
Implemen ação de uma abo dagem
pad onizada pa a a comunicação de
passagens de u no.
 Pe mi e a comunicação in e a i a en e o
emisso e o ece o , pe mi indo a
elabo ação de ques ões pa a
escla ecimen o e complemen ação da
in o mação ansmi ida;
 T ansmi e a in o mação elacionada com o
cuidado, a amen o, se iços e
al e ações clínicas do pacien e;
 Capacidade de e i icação da in o mação
ansmi ida associada ao pacien e;
 Possibilidade de o p o issional de saúde
que es á a ecebe a mensagem e e
dados his ó icos do pacien e,
 Con olo da limi ação de in e upção
du an e o p ocesso de ansmissão da
in o mação na passagem de u no;
Ande son, B.
2019
Desa ios da comunicação e e i a
 A impo ância do om de oz e a o ma
como são u ilizadas as pala as pa a
ansmi i a in o mação,
 A impo ância da u ilização da audição;
 A impo ância de ou i o pacien e;
 A impo ância do p ocesso de análise da
pe ceção, in e p e ação e comp eensão

70
Au o
Ano
Guidelines/Plano
P incípios
do pacien e pe an e a mensagem
ansmi ida;
 T ansmi i a in o mação ao pacien e de
o ma cla a e escla ecida, endo em
conside ação o espei o e dignidade do
mesmo.
De aco do com Run u, No ieas a i e Handayani (2019), as elações in e p o issionais ão auxilia
na ges ão da ansmissão de comunicação e e i a na equipa mul idisciplina , o que ai bene icia a
qualidade de cuidados p es ados ao u en e/pacien e. Os au o es e idenciam que a “na u eza
coope a i a e asse i a pode se i de alo cul u al pa a que possa a ua como cola na coo denação
de uma equipa de a endimen o mul idisciplina ” (Run u, No ieas a i e Handayani, 2019, p. 799).
Segundo Lemon e VanDyke (2021), o p ocesso de Comunicação de Risco em “dupla
impo ância an o com o público ex e no quan o com o in e no”, sendo que a al a de um planeamen o
e implemen ação de es a égias adequadas ace ao Risco no seio da o ganização de saúde pode se
uma “opo unidade pe dida” ou mesmo uma “ on e de p oblemas u u os”, an o a ní el da ges ão de
equipas de saúde como a ní el da ges ão do Risco a ní el o ganizacional (Lemon e VanDyke, 2021, p.
8). Os au o es an e io men e e e idos e idenciam que as o ganizações de saúde se ocam em
“p o ocolos p ocessuais”, e que os p o issionais que exe cem unções labo ais na mesma “sigam as
o ien ações de ges ão e da cul u a das p á icas no local de abalho”, com a assunção de que “o local
de abalho é segu o e que o isco é ge ido e comunicado pa a alcança a segu ança dos públicos
in e nos e ex e nos” (Lemon e VanDyke, 2021, p. 4). A comunicação dos p o issionais de saúde com
unções de ges ão é essencial, dado que a qualidade/e e i idade da mesma ai pe mi i uma melho
elação com os colabo ado es da o ganização, mo i ando-os pa a i de encon o à missão, isão e
alo es da mesma (Gochhaya e al, 2017).
5.2. Relação en e os esul ados ob idos e a Li e a u a
Segundo o Diá io da República (2019), o Se iço Nacional de Saúde em que “se cons i ui como
uma en idade dinâmica, p oa i a e com capacidade de esponde de o ma e icien e e sus en á el às
necessidades de saúde esul an es da e olução demog á ica e epidemiológica” (DR, 2019, p. 2626).
Seguindo a linha de pensamen o do Regulamen o an e io men e e e ido, de e-se e em conside ação
a necessidade de os se iços se adap a em às necessidades de p es ação de cuidados à população,
“p ese ando os in e esses e di ei os daqueles que eco em ao SNS, mas ambém dos seus
71
abalhado es” (DR, 2019, p. 2626).
O p o issional de saúde que assume ca gos de ges ão em como unção a coo denação da sua
unidade o ganizacional, a a és da p omoção de es a égias que aumen em a e icácia e manu enção
do i mo de abalho da sua equipa (Run u, No ieas a i e Handayani, 2019).
Em Po ugal, o En e mei o Ges o em inúme as unções, as quais são cumula i as com as
unções ine en es às de En e mei o Gene alis a e En e mei o Especialis a. O Diá io da República
especi ica e enume a a ab angência das suas esponsabilidades p o issionais, sendo que o mesmo em
de desempenha unções de “planeamen o, o ganização, di eção e a aliação dos cuidados de
en e magem, u ilizando um modelo acili ado do desen ol imen o o ganizacional e p omo o da
qualidade e da segu ança” (DR, 2019, p. 2628). Tendo em conside ação o A igo 10º-B do Dec e o-Lei
nº 71/2019, de 27 de maio, em que abo da o
Con eúdo uncional do en e mei o ges o
, o am
iden i icadas ês alíneas ele an es pa a se em abo dadas nes e es udo:
c) “C ia as condições pa a um abalho coope a i o e de e e i a
a iculação da equipa mul ip o issional e um ambien e de abalho saudá el na
unidade ou se iço, sal agua dando a dignidade e au onomia de exe cício
p o issional e p omo endo o desen ol imen o pessoal e p o issional dos
en e mei os:
)
P omo e uma cul u a de segu ança na p es ação de cuidados de
saúde, ge indo os iscos na sua unidade ou se iço, in eg ando g upos de abalho
e comissões nes a á ea;
g)
P omo e a di ulgação de in o mação ele an e pa a o exe cício
p o issional de en e magem na unidade ou se iço” (DR, 2019, p. 2628).
5.3. Linhas O ien ado as do p ocesso de Comunicação de Risco - ECOA
Na inalização des e es udo, sen iu-se a necessidade de c ia linhas de o ien ação pa a um
p ocesso de Comunicação de Risco e icaz, endo em conside ação as unções do En e mei o Ges o
em Unidades/O ganizações de Saúde a ní el nacional, an e io men e e e idas. Es as o am planeadas,
endo em conside ação de que o En e mei o Ges o de e ealiza uma comunicação es u u ada e
concisa e adap ada de aco do com a si uação e seus in e enien es (Vecchio-Sadus, 2007).
Na abela abaixo ap esen am-se sin e izadas algumas es a égias/linhas o ien ado as
iden i icadas como sendo conside adas essenciais no p ocesso comunicacional que o En e mei o Ges o
72
possa ealiza no exe cício das suas unções.
Tabela 24 Linhas o ien ado as pa a o imização do p ocesso de Comunicação de Risco - ECOA
E apas da
Comunicação de Risco
Es a égias / Linhas O ien ado as
E - En io da Mensagem
de Risco
 Tipo de mensagem de Risco
 Pa a quem ai se ansmi ida a mensagem de Risco (equipa
mul idisciplina ou u en es/pacien es; In a o ganizacional ou ex a
o ganizacional)
 Como ai se ansmi ido o Risco - con ex ualização, ipo de linguagem e
consis ência no discu so
 Vias de ansmissão da mensagem de Risco - comunicação di e a ou
indi e a; o mal ou in o mal
 Qual o con ex o em que ai se ansmi ido o Risco
C - Colabo ação
 Fo mal e sus in o mal
 Comunicação In e na e sus Comunicação Ex e na
 Comunicação In a disciplina e sus Comunicação Mul idisciplina
O - Obse ação



 Respos a / Reação à ansmissão
do Risco;
 U en es/Pacien es
 P o issionais da O ganização
(equipas in e disciplina es,
mul idisciplina es e ou os)
 Ou as En idades / O ganizações
 Respos a e bal
 Respos a não e bal
 Respos a a a és de documen os
o mais (ca a, e-mail, co eio
in e no da O ganização)
A - A aliação
 A aliação da espos a ob ida
 A aliação da comp eensão da mensagem de Risco ansmi ida ao
des ina á io
 A aliação da pe ceção do des ina á io ace ca do ipo de Risco ansmi ido
(po encial ou já p esen e)
 A aliação da comp eensão do des ina á io ace ca do ipo de in e enções
que podem se ealizadas pe an e o Risco ansmi ido
 A aliação da necessidade de e o ça a ansmissão de in o mação
associada ao Risco
 Assegu a que a omada de decisão pe an e o Risco ansmi ido é coe en e
e escla ecida
Fon e: Au o ia p óp ia
73
CONCLUSÃO
A emá ica Comunicação de Risco, lecionada na Cadei a de Comunicação em Saúde no
Mes ado de Ges ão de Unidades de Saúde, oi o io condu o que impulsionou a elabo ação des e
es udo. O es udo pe mi iu aze uma ligação en e a Cul u a O ganizacional e Comunicação
O ganizacional com os concei os Risco, Comunicação de Risco, Pe ceção de Risco, an o a ní el eó ico
( e isão de li e a u a), como a ní el das pe ceções dos En e mei os ace ca das emá icas (análise de
dados ecolhidos). Apesa de não e sido ealizada uma iden i icação de Cul u a O ganizacional
p edominan e na o ganização de saúde em es udo, os dados ecolhidos e idencia am debilidades
o ganizacionais a ní el da Cul u a O ganizacional e da Comunicação O ganizacional, em especí ico na
Comunicação In a disciplina , o que le ou à iden i icação de lacunas no p ocesso de Comunicação de
Risco a ní el o ganizacional. Ve i icou-se ambém que odas as lacunas/debilidades exis en es a ní el
da Cul u a O ganizacional in luenciam nega i amen e a Comunicação In e na, o que le a es e úl imo a
in luencia nega i amen e a Pe ceção de Risco dos seus colabo ado es, bem como uma in luência
nega i a no p ocesso de Comunicação de Risco, o que le a a uma epe cussão noci a em cadeia. De
aco do com a bibliog a ia exis en e na á ea, es es dé ici s podem in luencia signi ica i amen e a
qualidade das elações p o issionais, o bem-es a dos colabo ado es e a sua p odu i idade. Di e sos
au o es mencionam os bene ícios das o ganizações, em especial as o ganizações de saúde, in es i em
em o mação em Comunicação, com o in ui o de o imiza os p ocessos comunicacionais do dia-a-dia
dos seus colabo ado es e, consequen emen e, aumen a a p odu i idade e po encia a qualidade dos
se iços p es ados.
No deco e do p ocesso de sedimen ação de concei os na secção da Re isão de Li e a u a,
su giu a necessidade de c ia um cons u o eó ico, o Diag ama dos p ocessos que in luenciam a
ansmissão do Risco a ní el o ganizacional. A a és des e oi ealizada uma in e ligação dos concei os
em es udo, sendo o mesmo u ilizado pos e io men e na discussão de esul ados ob idos.
Tendo em conside ação os esul ados ob idos, sen iu-se a necessidade de elabo a uma abela
com Linhas O ien ado as do p ocesso comunicacional e icaz di ecionado pa a as equipas
mul idisciplina es de saúde – Linhas O ien ado as ECOA. Es as Linhas O ien ado as englobam odo o
p ocesso de comunicação do Risco, passando pelo
En io da mensagem de Risco
, a
Colabo ação
, a
Obse ação
e a
A aliação
de odo o p ocesso comunicacional dos p o issionais de saúde com os
in e enien es.
No p ocesso de ealização des e es udo a in es igado a depa ou-se com á ios desa ios,
80
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87
ANEXOS
Anexo 1- Inqué i o de a aliação– In luência da Cul u a O ganizacional na Ges ão da
Comunicação de Risco
88
89
96

97
98
99
100
101

102
103
104
105
112
Anexo 3 – Pa ece da Comissão de É ica da O ganização em es udo

113
114
115
Anexo 4 – Pa ece da Comissão Local de P o eção e Segu ança da In o mação
116
117

118
119