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Interesses e preocupações de crianças e jovens: Os seus mundos nas suas próprias palavras

Author: Pereira, Sara; Brandão, Daniel; Mourão, Marisa
Year: 2025
DOI: 10.7458/SPP202510839710
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/bbc515bd-7789-4d5d-ad00-32fb4685768d/download
INTERESSES E PREOCUPAÇÕES DE CRIANÇAS E JOVENS
Os seus mundos nas suas p óp ias pala as
Sa a Pe ei a
Uni e sidade do Minho, Ins i u o de Ciências Sociais, Cen o de Es udos de Comunicação e
Sociedade, B aga, Po ugal
Daniel B andão
Uni e sidade do Minho, Ins i u o de Ciências Sociais, Cen o de Es udos de Comunicação e
Sociedade, B aga, Po ugal
Ma isa Mou ão
Uni e sidade do Minho, Ins i u o de Ciências Sociais, Cen o de Es udos de Comunicação e
Sociedade, B aga, Po ugal
Resumo As c ianças e os jo ens são on es p i ilegiadas e compe en es pa a da a conhece as suas isões
sob e o mundo. Escu á-las é undamen al pa a c ia e expandi conhecimen o sob e os seus mundos sociais
e cul u ais e o seu bem-es a . Pa indo des e p essupos o, es e a igo isa conhece os in e esses e
p eocupações de uma amos a de 1131 es udan es a equen a o 6.º, o 9.º e o 12.º anos. Os dados o am
ecolhidos a a és da aplicação de um ques ioná io em 26 ag upamen os de escolas de Po ugal con inen al.
Os esul ados mos am que as c ianças e os jo ens da amos a a ibuem uma impo ância signi ica i a aos
media, con e indo-lhes um luga de des aque nas suas idas. Os media são apon ados como mo i o de
in e esse e de aleg ia, mas não são uma on e de p eocupação. A saúde su ge como um dos assun os que
mais os p eocupa, assumindo a ince eza ace ao u u o uma p eocupação pa a os mais elhos. A polí ica é
um assun o que ge a pouco in e esse e p eocupação.
Pala as-cha e: c ianças, jo ens, media, in e esses, p eocupações, bem-es a .
Child en and young people’s in e es s and conce ns: hei wo lds in hei own wo ds
Abs ac Child en and young people a e p i ileged and compe en sou ces o making hei isions o he wo ld
known. Lis ening o hem is undamen al o c ea ing and expanding knowledge abou hei social and cul u al
wo lds and hei well-being. Based on his assump ion, his a icle aims o ind ou abou he in e es s and
conce ns o a sample o 1131 s uden s a ending 6 h, 9 h and 12 h g ade. The da a was collec ed by applying a
ques ionnai e in 26 school g oups in mainland Po ugal. The esul s show ha he young people in he sample
a ibu e signi ican impo ance o he media, gi ing hem a p ominen place in hei li es. The media is
men ioned as a sou ce o in e es and joy, bu no as an objec o conce n. Heal h eme ges as one o he issues ha
wo ies hem mos , while unce ain y abou he u u e is a conce n o olde ones. Poli ics is a subjec ha is o
li le in e es o conce n o hem.
Keywo ds: child en, young people, media, in e es s, conce ns, well-being.
In é ê s e p éoccupa ions des en an s e des jeunes: leu monde dans leu s p op es mo s
Résumé Les en an s e les jeunes son des sou ces p i ilégiées e compé en es pou ai e connaî e leu
ision du monde. Les écou e es ondamen al pou c ée e dé eloppe des connaissances su leu uni e s
social e cul u el e su leu bien-ê e. Pa an de ce e hypo hèse, ce a icle ise à décou i les in é ê s e
les p éoccupa ions d’un échan illon de 1131 élè es de 7ème,4
ème e 1è e e année. Les données on é é collec ées
pa l’applica ion d’un ques ionnai e dans 26 g oupemen s scolai es du Po ugal con inen al. Les ésul a s
mon en que les jeunes de l’échan illon acco den une impo ance signi ica i e aux médias, leu donnan
une place p épondé an e dans leu ie. Les médias son pe çus comme une sou ce d’in é ê e de joie, mais
pas comme un obje de p éoccupa ion. La san é appa aî comme l’un des suje s qui les p éoccupen le plus,
SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 108, 2025, pp.1-21, e202510839710, DOI: 10.7458/SPP202510839710
andis que l’ince i ude quan à l’a eni p éoccupe les élè es plus âgées. La poli ique es un suje qui les
in é esse e conce ne peu.
Mo s-clés: en an s, jeunes, médias, in é ê s, p éoccupa ions, bien-ê e.
In e eses y p eocupaciones de los niños y jó enes: sus mundos en sus p opias palab as
Resumen Los niños y los jó enes son uen es p i ilegiadas y compe en es pa a da a conoce sus isiones del
mundo. Escucha los es undamen al pa a c ea y amplia el conocimien o sob e su mundo social y cul u al y su
bienes a . Pa iendo de es e supues o, es e a ículo p e ende conoce los in e eses y p eocupaciones de una
mues a de 1131 alumnos de 6.º, 9.º y 12.º cu so. Los da os se ecogie on median e la aplicación de un
cues iona io en 26 ag upaciones escola es de Po ugal con inen al. Los esul ados mues an que los niños y los
jó enes de la mues a a ibuyen una impo ancia signi ica i a a los medios de comunicación, o o gándoles un
luga des acado en sus idas. Los medios de comunicación se conside an una uen e de in e és y aleg ía, pe o no
una uen e de p eocupación. La salud apa ece como uno de los emas que más les p eocupa, y la ince idumb e
sob e el u u o p eocupa a los alumnos mayo es. La polí ica es un ema que les in e esa y les p eocupa poco.
Palab as-cla e: niños, jó enes, medios de comunicación, in e eses, p eocupaciones, bienes a .
No a in odu ó ia: as c ianças e os jo ens como on es p i ilegiadas
de in o mação
As cul u as in an is, apesa de se em e lexo da cul u a da sociedade em ge al e de
sedesen ol e emnasocialização comosadul os,ap esen amespeci icidadesp ó-
p ias(Sa men o,2004).Asc iançassão is ascomosujei osa i os nap oduçãodas
suas p óp ias cul u as e não como ece áculos passi os das cul u as dos adul os
(Sa men o,2007).Elascons oemsigni icadosp óp iossob eocon ex oemquees-
ão inse idas, êm capacidade de p odução simbólica e de cons i uição das suas e-
p esen ações e c enças (Sa men o e Pin o, 1997). São, po isso, on es p i ilegiadas
pa ao conhecimen odosseusmundos.Nessesen ido,maisdoque econhece que
assuas isõeseopiniõesde emconside adas,impo a econhece que êmessedi-
ei o, ou seja, êm o di ei o de exp essa e de pa ilha as suas isões sob e o mun-
do.Escu a assuas ozesé,po an o, essencial pa a ( e)conhece osseusmundose
pa a conc e iza os seus di ei os.
A ap o ação da Con enção sob e os Di ei os da C iança, em 1989, ma cou
uma i agemna o madeolha pa aoes a u odasc ianças.Como e e eAlmeida,
“inaugu aumano a ep esen ação da c iança econsag aop incípiodo seu ‘supe-
io in e esse’” (2016: 20-21), dando isibilidade e impo ância à ideia de c ian-
ça-cidadão (Pe ei a, 2000). Assis e-se a uma “ap esen ação pública de uma c iança
pa icipa i a,umac iança-sujei oqueseimpõe,ago a,comoin e locu o a i odos
seus educado es adul os” (Almeida, 2016: 21).
Às c ianças são a ibuídas di e en es ca ego ias de di ei os, nomeadamen e,
o di ei o à pa icipação (Comi é Po uguês pa a a UNICEF, 2019), aplicá el hoje
ambém aos ambien es digi ais (Commi ee on he Righ s o he Child, 2021). Des-
aca-se,naquelaca ego ia,odi ei oaexp essa asuaopiniãoequees aseja idaem
conside ação nos assun os que as a e am (a igo 12.º).
2Sa a Pe ei a, Daniel B andão e Ma isa Mou ão
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Aa ibuição de di ei os pa ece, con udo, não se su icien e. Apa i dos e-
sul ados de um inqué i o espondido po 11834 c ianças e jo ens, no quad o da
inicia i a “Tenho Vo o na Ma é ia” da UNICEF Po ugal, essa ideia é cla a: “as
c ianças êm di ei o a exp essa os seus in e esses e p eocupações e de es es se-
em idos em conside ação pelos adul os, mas 70% con inua a a i ma que não
em essa opo unidade” (UNICEF Po ugal, 2023: 3). Mesmo no quad o de uma
cul u apa icipa i a, “com ba ei as ela i amen ebaixas pa a a exp essão a ís-
ica e o en ol imen o cí ico” (Jenkins, 2009: 5), possibili a-se, mas não se assegu-
a,queas ozessejamp o e idas,escu adas, ep oduzidasepa ilhadas(Pe ei a,
B andão e Pin o, 2021).
Enca ando as c ianças como se es no p esen e e não adul os em cons ução
(Lee, 2001; Pe ei a, 2013), como p o agonis as e a o es sociais compe en es e com
di ei os, em linha com o que a sociologia da in ância em p ocu ado econhece ,
es ea igoanalisaaspe spe i asde1131c iançasejo enscomidadescomp eendi-
das en e os 11 e os 19 anos, a equen a os 6.º, 9.º e 12.º anos, sob e os seus in e es-
ses e p eocupações, as suas aleg ias e is ezas.
P e ende-se,comes esdados,expandi oconhecimen osob eosmundosdas
c ianças e dos jo ens, ligando-os com o seu bem-es a , assim como con ibui pa a
a omada de decisão e a conc e ização dos di ei os dos mais jo ens.
A oz das c ianças e dos jo ens e o seu bem-es a
Oconcei ode“bem-es a ”éumcons uc onãoconsensualecon es ado,cujasde i-
niçõessão equen emen e desc i i as(WoodeSelwyn, 2017). Deaco docom Rees
e al. (2010: 8), “não exis e uma de inição consensual do e mo ‘bem-es a ’, no
en an o, é ge almen e de inido como um concei o ab angen e ela i o à qualidade
de ida das pessoas”. Shah e Ma ks (2004: 2) de inem-no da seguin e o ma:
“o bem-es a é mais do que apenas elicidade. Pa a além de se sen i sa is ei o e e-
liz, o bem-es a signi ica desen ol e -se como pessoa, sen i -se ealizado e da um
con ibu o pa a a comunidade”. Ainda segundo os au o es, o bem-es a é in luen-
ciadopelospais (pelagené ica amilia ); pelasci cuns ânciasda ida(salá io,local
onde se i e e ou os a o es ex e nos, como o clima); bem como pelas a i idades
quo idianas (amizade, en ol imen o com a comunidade, despo o e empo li e)
(Shah e Ma ks, 2004).
As abo dagens que p opõem a medição do bem-es a assen am em dois i-
pos de dados: (1) medidas ac uais obje i as (como os esul ados escola es) e
(2) bem-es a subje i o (Wood e Selwyn, 2017). Nes e campo, é ainda comum a
dis inção en e bem-es a subje i o e psicológico, incluindo es e úl imo o sen ido
de p opósi o ou signi icado e c escimen o pessoal (Rees e al., 2010).
O bem-es a subje i o “ e e e-se à o ma como as pessoas a aliam a sua ida,
an oemge alcomoemdomíniosespecí icos( amília,amigos, emposli es,e c.)”
(Na a o e al., 2017: 176). De aco do com Rod íguez-Pose e al. (2024: 312), “julga-
men os indi iduais e subje i os sob e a sa is ação com a ida e eações emocionais
(posi i asenega i as)aosacon ecimen osda ida”de inemobem-es a subje i o.
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Tal como e e em Na a o e al. (2017: 176), “hoje, exis e um consenso de que
não é possí el de e mina o bem-es a subje i o das c ianças e dos adolescen es
sem lhes pe gun a sob e isso di e amen e”. A sua ca ac e ização implica en ão
uma au oa aliação (Diene , 1994; Rod íguez-Pose e al., 2024), nes e caso, da
c iança:
éa a aliaçãoda sa is ação com a ida eda elicidadepelas p óp iasc ianças. Foide i-
ado do e mo gené ico “bem-es a in an il” e oi ecen emen e abo dado po á ios
académicos como um indicado posi i o do es a u o das c ianças (Lippman e al.,
2011).Em compa ação comos quad osan e io essob e o bem-es a das c ianças,que
se cen a am na sob e i ência, nas necessidades básicas e na iden i icação de a o es
de isco nega i os,a in es igação ecen edes acou aimpo ância deen a iza os a o-
es posi i os e as a aliações subje i as da qualidade de ida global das c ianças, em
ez de se basea em a aliações de inidas pelos adul os (Casas, 2011). (Pa k, Jung e
Han, 2023: 16802)
Fala de bem-es a subje i o das c ianças é ala das suas p óp ias pe ceções sob e
as suas idas e o seu bem-es a (And esen, B adshaw e Koshe , 2019). Os es udos
nes e domínio conside am di e en es dimensões: amília, amigos, bens, ida esco-
la e,mais ecen emen e,ose ei osdas ecnologias,en eou os(Gündogan,2022).
Come ei o,são á iosos a o escomimpac onobem-es a subje i odasc ian-
ças, que ão desde uma ede de apoio ( amilia , de amigos, escola e comunidade), às
condições de ida, idade, géne o e ambien e cul u al especí ico (Rod íguez-Pose
e al.,2024).Talcomonocasodosadul os,as elaçõesin e pessoaissãoumimpo an-
e a o pa a obem-es a subje i o dasc iançaseadolescen es, nãosepodendo igno-
a as elações es abelecidas a a és das ecnologias audio isuais (Casas, 2011).
Aliás, já em 2011, Casas e e ia que es as e iam, possi elmen e, um papel mais im-
po an e nas cul u as in an is e ju enis do que nas cul u as dos adul os.
Quando se p ocu a conhece a pe ceção que os mais jo ens êm do seu p óp io
bem-es a e o que o in luencia, pe cebe-se que a amília e os amigos são, de ac o, ele-
men osessenciais(Na a oe al., 2017).Repo amo-nosaqui a umes udoem o no da
ealidade espanhola, com pa icipan es en e os 10 e os 15 anos (Na a o e al., 2017).
Na de inição e nos a o es que con ibuem pa a o bem-es a subje i o encon am-se,
em odas as idades, as elações amilia es e com os amigos e a saúde. No que diz es-
pei o aos a o es que eduzem o bem-es a subje i o, ambém apa ecem, em odas as
idades,as elaçõescoma amíliaeosamigos.Aqui,su gemaindaosaspe os elaciona-
doscoma escola.Vi e si uaçõesnega i ascoma amília(doença,mo e, discus-
sões ou di ó cio) ou com os amigos (discussões, mal-en endidos, c í icas,
insul os, os amigos não es a em ao seu lado quando p ecisam ou e em uma in-
luêncianega i a)a e a-osnega i amen e.Naescola,a e anega i amen eoseu
bem-es a “(i) e másno as;(ii)es uda mui oenãose ap o ado;(iii)ap essão
dos pais pa a es uda em; e (i ) e mui os exames e abalhos de casa” (Na a o
e al.,2017:181).Conside ando ambémou os a o esqueosa e amposi i aou
nega i amen e, apesa de não se em comuns a odas as aixas e á ias, são men-
cionados: sen i -se bem consigo mesmo, aspi ações/obje i os pessoais, joga e
4Sa a Pe ei a, Daniel B andão e Ma isa Mou ão
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di e i -se com as ecnologias, elações in e pessoais no ge al e necessidades bási-
cas (como comida, bebida e uma casa).
Embo a nes e a igo não es eja em causa a a aliação do bem-es a subje i o
das c ianças e dos jo ens, conside amos que analisa os assun os que ge am p eo-
cupação ou in e esse, bem como is eza ou aleg ia, nos pode da pis as impo an-
espa aen ende asua(in)sa is açãocomassuas idas eoseubem-es a subje i o.
É a pa i des a ideia que o mulamos a ques ão de in es igação que o ien a es e
abalho: “que in e esses e que p eocupações exp essam c ianças e jo ens en e os
11 e os 19 anos?” Na secção seguin e desc e emos os mé odos que o ien a am es a
pa e do es udo.
Mé odos
Reconhecendo a necessidade e a impo ância de ou i as c ianças e os jo ens pa a
conhece os seus mundos e os assun os que lhes dizem espei o, enca ando-as
como se es sociais compe en es e cidadãos com di ei os, es e a igo em po base
uma amos a cons i uída po 1131 c ianças e jo ens com idades en e os 11 e os 19
anos de idade, a equen a o 6.º, o 9.º e o 12.º anos em escolas públicas nacionais.
Pa indo da ques ão “que in e esses e que p eocupações exp essam c ianças e jo-
ens en e os 11 e os 19 anos?”, p e ende-se conhece e analisa o que, no mundo
a ual, p eocupa e in e essa as c ianças e os jo ens da amos a.
Es ees udo,que in eg aop oje o dein es igação“bYou: Es udo das i ências e
exp essões de c ianças e jo ens sob e os media”, inanciado pela FCT, em po base da-
dos p o enien es de um ques ioná io digi al aplicado a ní el nacional. Pa a a sua
aplicação oi solici ada au o ização à Di eção-Ge al da Educação e às di eções dos
ag upamen os de escolas. Foi ambém solici ado consen imen o aos p óp ios pa -
icipan es e aos seus enca egados de educação, a a és do p eenchimen o de um
consen imen o in o mado disponibilizado e en iado p e iamen e.
Seguindo uma écnica de amos agem não p obabilís ica, o ques ioná io oi
dis ibuído po alunos de 26 ag upamen os de escolas de 23 unidades e i o iais
de Po ugal con inen al. Os c i é ios de seleção i e am em conside ação as NUTS
III,1 endo-secon empladomais êsag upamen os:umdacidadedeB aga,po se
o local onde se desen ol e o es udo; ou o da á ea me opoli ana do Po o e ou o
da á ea me opoli ana de Lisboa.
O ques ioná io, aplicado no p imei o semes e de 2022, o alizou uma
amos a de 1131 c ianças e jo ens dos 11 aos 19 anos,2de 78 u mas (26 do 6.º, 26
do 9.º, 26 do 12.º). Aca ac e ização da amos a é ap esen ada no quad o 13eno
quad o 2.
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1
2
Conside ou-se a nomencla u a das unidades e i o iais pa a ins es a ís icos igen e à da a de
execução do es udo.
Nos ques ioná ios, apenas 1,7% da amos a em 19 anos. A dis ibuição das idades é a seguin e:
11 anos 20,9%; 12 anos 9,9%; 13 anos 1,1%; 14 anos 21,8%; 15 anos 8,8%; 16 anos 2,0%; 17 anos
23,1%; 18 anos 10,8%; 19 anos 1,7%.
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A análise es a ís ica dos ques ioná ios oi ealizada eco endo ao so wa e
IBM SPSS S a is ics. A codi icação das pe gun as abe as ( ela i as aos assun os
que p o ocam mais is eza e aos que p o ocam mais aleg ia) oi ealizada após a
lei u a de odas as espos as dadas pelos inqui idos e o iginou a c iação de ca ego-
ias. Es as, depois de subme idas a um p ocesso de alidação in e na in e pa es, o-
am a adas e analisadas com ecu so ao SPSS.
Semp e que se e ele opo uno, e como o ma de ap o unda a in o mação ob i-
da, es es dados são con on ados/complemen ados com os esul ados de 59 g upos de
oco ealizados com uma subamos a de pa icipan es que p eenche am o ques-
ioná io. Os g upos ocais o am ealizados em oi o ag upamen os de escolas de Po -
ugal con inen al, en ol endo 390 alunos: 127 do 6.º ano, 136 do 9.º ano e 127 do
12.º ano. Des es, 206 são apa igas e 184 são apazes.
Resul ados
Nos seus empos li es, as c ianças e os jo ens ap eciam sob e udo ealiza a i idades
que en ol em os media, nas quais se incluem ou i música, e sé ies, ilmes, docu-
men á ios, i ao cinema, joga ideojogos, e c. (44,2% das espos as), bem como a i i-
dades despo i as, de passeio e a li e (35,7%). No 6.º ano, es e úl imo ipo de
a i idades em mais exp essão do que aquelas ealizadas com os media, eduzindo-se
6Sa a Pe ei a, Daniel B andão e Ma isa Mou ão
Ano Rapa iga Rapaz P e i o não dize To al
6.º ano 185 160 12 357
9.º ano 180 182 14 376
12.º ano 259 131 08 398
To al 624 473 34 11310
Quad o 1 Ca a e ização da amos a po ano de escola idade e sexo
Ano Média Mediana Des io--pad ão Mínimo Máximo
6.º ano 11,4 11 0,6 11 14
9.º ano 14,4 14 0,7 13 18
12.º ano 17,4 17 0,6 17 19
To al 14,5 14 2,5 11 19
Quad o 2 Ca a e ização da idade po ano de escola idade
3A opção “p e i o não dize ” ela i amen e ao sexo não oi con emplada nos c uzamen os de a-
iá eis já que apenas oi selecionada po 3,0% da amos a, o nando o es e não iá el. Po es e
mo i o, ambém não é conside ada na ap esen ação de esul ados.
SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 108, 2025, pp.1-21, e202510839710, DOI: 10.7458/SPP202510839710
INTERESSES E PREOCUPAÇÕES DE CRIANÇAS E JOVENS 7
6.º ano 9.º ano 12.º ano To al
A i idades com os media 39,4 45,8 46,7 44,2
A i idades cul u ais e a ís icas 13,4 13,1 10,8 12,4
A i idades de o ina diá ia 02,6 03,5 00,8 2,2
A i idades despo i as, de passeio e a li e 43,1 35,4 29,4 35,7
A i idades escola es e ex aescola es 01,1 00,8 00,8 00,9
Con i e com amília, amigos, colegas e namo ado 07,1 13,7 18,6 13,4
Jogos e ou as a i idades lúdicas 05,7 01,6 01,5 02,9
Ou o 02,0 01,1 01,5 01,5
No a: Pe gun a de espos a múl ipla (% dos casos álidos; n = 1121).
es e in e esse à medida que o ano de escola idade a ança. Po oposição, a p e e ência
po a i idades com os media ende a c esce com o ano de escola idade (logo, a idade).
Con i e com a amília, os amigos e os colegas su ge em e cei o luga , mas com uma
pe cen agem bem mais eduzida (13,4%). A p e e ência po es a con i ência aumen a
nos anos de escola idade mais a ançados. Já o in e esse po a i idades cul u ais e a -
ís icas eduz-se en e os mais elhos. As a i idades escola es e ex aescola es su gem
mencionadas como p e e idas po um g upo mui o esidual de inqui idos (0,9%).
O quad o 3 ap esen a es es dados.
Rela i amen e às di e enças en e apazes e apa igas, se á de des aca , en e
os apazes, a maio exp essão das a i idades despo i as, de passeio e a li e (48,7%
dos apazes e 26,7% das apa igas) ace às a i idades com os media (39,1% dos apa-
zes e 47,3% das apa igas). As p e e ências dos apazes es ão mais concen adas nas
a i idades com os media e a i idades despo i as, de passeio e a li e, ha endo uma
maio dispe são das p e e ências das apa igas en e as es an es opções.
En e os assun os de que mais alam com os amigos, os media e os amigos
es ão em des aque, com uma dispe são pouco signi ica i a das espos as. A pa i
da média das espos as (numa escala de1a5pon os) ( e quad o 4), pe cebe-se que
depois de con e sas sob e dois agen es de e minan es no con ex o das suas idas
— os pa es (4,15) e a escola (3,94) — seguem-se os media, p imei o numa dimensão
que podemos en ende como mais associada ao en e enimen o (sé ies - 3,78), mas
ambém numa ou a o ma i a/in o ma i a (po exemplo, no ícias/assun os da
a ualidade - 3,58). As con e sas sob e a amília (3,52) su gem depois das sé ies
(3,78), ecnologia e media (in e ne , edes sociais, ele isão, ádio, jo nais, e c. -
3,77), ilmes (3,72), música (3,58) e no ícias/assun os da a ualidade (3,58). No caso
dos apazes, o luga dos media é ainda mais exp essi o: os ideojogos (4,00), o des-
po o (3,74) e a ecnologia e media (3,73) su gem como como emá icas ligei amen e
mais equen es nas suas con e sas do que a escola (3,68).
Os dis in os media não ecebem o mesmo ní el de in e esse nas con e sas. Em
pólos opos os encon am-se as sé ies (3,78), abo dadas com maio equência, e as
Quad o 3 A i idades que as c ianças e os jo ens da amos a mais gos am de aze nos empos li es, po
ano de escola idade (em %)
SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 108, 2025, pp.1-21, e202510839710, DOI: 10.7458/SPP202510839710
eleno elas, com meno (2,04), sendo de no a um maio in e esse das apa igas
(2,33) po es e úl imo ipo de con eúdo do que dos apazes (1,70).
As no ícias acolhem algum in e esse nos alunos do 12.º ano, ocupando o e -
cei oluga dosassun osmais aladoscomosamigos(3,97).Omesmoacon ececom
a polí ica, embo a de o ma menos exp essi a (2,90).
Os dados ecolhidos no âmbi o dos g upos de oco e o çam a impo ância
dos media, mas ambém das a i idades despo i as e a ís icas. Os media são co-
men adossob e udonuma isão posi i a,sendo po ezesap esen adoscomo um
modode ul apassa oudee asãodep oblemas, oque nãosigni ica queigno ema
exis ência de dimensões nega i as.
En e as a i idades despo i as e a ís icas, su gem mais equen emen e as
despo i as, com g ande a iedade. Es as ambém são algumas ezes ap esen a-
das como um modo de ul apassa ou de ugi de p oblemas e de alcança o
bem-es a .
O ema da gue a assume pa icula des aque nos esul ados dos g upos de
oco, sendo de no a que es es o am ealizados pouco empo depois do início da
gue a na Uc ânia (24 de e e ei o de 2022).
8Sa a Pe ei a, Daniel B andão e Ma isa Mou ão
6.º ano 9.º ano 12.º ano To al da amos a Valo -p
N M DP N M DP N M DP N M DP
Amigos 357 4,18 1,00 376 4,13 0,89 398 4,13 0,86 1131 4,15 0,92 0,133
Escola 357 3,84 1,13 376 3,86 1,00 398 4,10 0,86 1131 3,94 1,00 0,003
Sé ies 357 3,73 1,05 376 3,80 1,08 398 3,81 0,95 1131 3,78 1,02 0,460
Tecnologia e meios de
comunicação 357 3,79 1,09 376 3,79 1,03 398 3,72 0,95 1131 3,77 1,02 0,182
Filmes 357 3,71 1,03 376 3,72 1,06 398 3,72 0,94 1131 3,72 1,01 0,952
Música 357 3,35 1,17 376 3,6 1,02 398 3,76 0,97 1131 3,58 1,06 0,000
No ícias/ assun os da
a ualidade 357 3,23 1,18 376 3,5 1,11 398 3,97 0,86 1131 3,58 1,09 0,000
Família 357 3,54 1,19 376 3,46 1,07 398 3,55 1,00 1131 3,52 1,09 0,310
Celeb idades/
in luenciado es digi ais 357 3,62 1,22 376 3,51 1,11 398 3,28 1,08 1131 3,46 1,14 0,000
Despo o 357 3,45 1,14 376 3,44 1,09 398 3,29 1,16 1131 3,39 1,13 0,092
Namo ados/ namo adas 357 3,06 1,36 376 3,48 1,22 398 3,51 1,06 1131 3,36 1,23 0,000
Viagens 357 2,91 1,11 376 3,1 1,08 398 3,58 1,02 1131 3,21 1,10 0,000
Saúde 357 3,22 1,25 376 3,04 1,05 398 3,32 0,98 1131 3,20 1,10 0,001
Apa ência ísica/ beleza 357 2,90 1,3 376 3,31 1,15 398 3,37 1,05 1131 3,20 1,18 0,000
Videojogos 357 3,50 1,32 376 3,31 1,36 398 2,60 1,32 1131 3,12 1,39 0,000
Sexualidade 357 2,33 1,21 376 3,12 1,24 398 3,40 1,02 1131 2,97 1,24 0,000
Moda 357 2,66 1,35 376 2,90 1,32 398 3,09 1,21 1131 2,89 1,30 0,000
Gas onomia/ alimen ação 357 2,72 1,26 376 2,78 1,13 398 3,00 1,09 1131 2,84 1,16 0,001
Ques ões ambien ais 357 2,88 1,06 376 2,62 1,01 398 2,93 0,95 1131 2,81 1,01 0,000
A es e espe áculos 357 2,64 1,19 376 2,47 1,10 398 2,58 1,03 1131 2,56 1,11 0,073
Polí ica 357 1,91 1,05 376 2,15 1,06 398 2,90 1,08 1131 2,34 1,15 0,000
Religião 357 2,20 1,19 376 2,09 1,02 398 2,22 0,95 1131 2,17 1,05 0,066
Teleno elas 357 2,08 1,19 376 1,98 1,16 398 2,07 1,14 1131 2,04 1,16 0,248
No a. N = núme o álido de casos; M = média; DP = des io pad ão; escala de Like : 1 = nuncaa5=semp e;
esul ados de aco do com o es e não pa amé ico de K uskal-Wallis a 95% de con iança com a co eção de
Bon e oni (os alo es es a is icamen e signi ica i os es ão assinalados a neg i o).
Quad o 4 Assun os de que as c ianças e os jo ens alam com os amigos, po ano de escola idade
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Reg essando no amen e aos ques ioná ios, os esul ados e idenciam a saú-
de como o assun o que mais p eocupa (4,54), ge ando um g au de p eocupação li-
gei amen e supe io nos alunos do 6.º ano (quad o 5). Es e esul ado es a á
elacionadocomapandemiadeCo id-19aindaase i idanomomen odeaplica-
çãodosques ioná ios.Osg uposde oco, ealizadosjánumpe íododedescon ina-
men o, con i ma am es a pe ceção. Os pa icipan es ala am do eceio pela sua
saúde e dos seus amilia es, em pa icula dos seus a ós. Mas ala am ambém
mui o da sua saúde men al, mos ando-se p eocupados po não se um assun o
mui o deba ido nem alo izado.
Ainda nos p imei os luga es, há uma p eocupação com o u u o p o issional
(4,48), acismo (4,29), c ime e iolência (4,28) e di ei os humanos (4,23). En e os
cincoassun osmaisexp essi os,no casodas apa igas,es ãoa saúde(4,59), o u u-
o p o issional (4,58), dep essão e ansiedade (4,51), o acismo (4,51) e c ime e io-
lência (4,49). No caso dos apazes, su gem nas p imei as cinco posições a saúde
(4,48),o u u op o issional(4,37),oc imeea iolência(4,02),odesemp ego(4,00)e
o acismo (4,00). Como se pode e i ica , a saúde e o u u o p o issional são
INTERESSES E PREOCUPAÇÕES DE CRIANÇAS E JOVENS 9
6.º ano 9.º ano 12.º ano To al Valo -p
N M DP N M DP N M DP N M DP
Saúde 357 4,71 0,70 376 4,44 0,83 398 4,48 0,78 1131 4,54 0,78 0,000
Fu u o p o issional 357 4,38 0,92 376 4,44 0,82 398 4,61 0,71 1131 4,48 0,82 0,001
Racismo 357 4,32 0,85 376 4,20 0,94 398 4,33 0,79 1131 4,29 0,86 0,149
C ime e iolência 357 4,41 0,86 376 4,16 0,93 398 4,29 0,82 1131 4,28 0,87 0,000
Di ei os humanos 357 4,24 0,89 376 4,10 0,89 398 4,36 0,81 1131 4,23 0,87 0,000
Libe dade de exp essão 357 4,23 1,02 376 4,09 1,01 398 4,30 0,92 1131 4,21 0,99 0,008
Pob eza 357 4,39 0,87 376 3,98 1,04 398 4,24 0,88 1131 4,20 0,95 0,000
Desemp ego 357 4,16 1,01 376 4,04 1,01 398 4,35 0,82 1131 4,18 0,96 0,000
Dep essão/ ansiedade 357 4,17 1,10 376 3,98 1,15 398 4,35 0,90 1131 4,17 1,06 0,000
Gue a 357 4,21 1,03 376 4,00 1,07 398 4,25 0,90 1131 4,15 1,01 0,002
Desigualdades sociais 357 4,20 0,97 376 3,99 0,99 398 4,24 0,86 1131 4,14 0,94 0,001
Ques ões ambien ais/
al e ações climá icas 357 4,21 0,99 376 3,88 0,96 398 4,12 0,88 1131 4,07 0,95 0,000
Solidão/ isolamen o
social 357 4,18 0,98 376 3,85 1,12 398 4,02 1,01 1131 4,01 1,05 0,000
Cybe bullying 357 4,28 0,94 376 3,85 1,09 398 3,87 0,99 1131 3,99 1,03 0,000
Escola 357 4,15 0,99 376 3,70 1,11 398 3,95 1,04 1131 3,93 1,06 0,000
Fal a de acei ação po
pa e de amigos 357 4,26 1,07 376 3,81 1,24 398 3,65 1,29 1131 3,90 1,23 0,000
D ogas 357 4,16 1,21 376 3,70 1,21 398 3,30 1,24 1131 3,70 1,27 0,000
Discu sos de ódio online 357 3,77 1,10 376 3,48 1,18 398 3,74 1,05 1131 3,66 1,12 0,001
Desin o mação/ no ícias
alsas 357 3,57 1,09 376 3,20 1,05 398 3,52 0,98 1131 3,43 1,05 0,000
Con li os polí icos, sociais
ou eligiosos 357 3,22 1,18 376 3,27 1,10 398 3,67 1,01 1131 3,40 1,11 0,000
Álcool 357 3,90 1,23 376 3,30 1,20 398 2,91 1,21 1131 3,35 1,28 0,000
Polí ica 357 2,69 1,21 376 2,80 1,19 398 3,43 1,08 1131 2,99 1,20 0,000
No a. N = núme o álido de casos; M = média; DP = des io pad ão; escala de Like : 1 = não me p eocupa nada
a 5 = p eocupa-me mui íssimo; esul ados de aco do com o es e não pa amé ico de K uskal-Wallis a 95% de
con iança com a co eção de Bon e oni (os alo es es a is icamen e signi ica i os es ão assinalados a neg i o).
Quad o 5 Assun os que p eocupam as c ianças e os jo ens da amos a, po ano de escola idade
SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 108, 2025, pp.1-21, e202510839710, DOI: 10.7458/SPP202510839710
bem como o desgas e ísico e psicológico que sen em. A es e espei o, são no ó ias
algumas alas, pelo ní el de e lexão que deno am, nomeadamen e es a de uma
aluna de 12 anos, do 6.º ano de escola idade: “os p o esso es p eocupam-se mais
com as no as do que com a saúde dos alunos”. Ou es a de um aluno de 15 anos, do
9.ºano:“aquinaescolanóssomosquase is oscomonúme os,po quenãopensam
emnóscomocadapessoa quenós somos”.Ouainda es a,de umaalunade 18anos,
do 12.º ano: “a saúde men al de ia se discu ida mais na escola. Os p o esso es de-
iam e maisconside açãopelo ac odeocon ex oda escolapode pe u ba -nos.
Eu enho mui o s esse com a escola”. A saúde men al, que os jo ens conside am
que é colocada em isco pelo s esse causado pela ins i uição escola , su ge como
uma das suas p eocupações mais cons an es, associada à dep essão e à ansiedade
que mui os dizem i e .
Como oco de p eocupações, su gem assun os que ma cam a a ualidade e
a agenda mediá ica à da a da ealização do es udo, nomeadamen e a saúde ( e-
lacionado com a pandemia Co id-19) e a gue a (na Uc ânia). Cu iosamen e,
conside ando que, “nos úl imos anos, o mo imen o ju enil pa a as al e ações
climá icas ganhou um des aque ex ao diná io a a és de g e es e mani es a-
ções escola es e de uma o e p esença online” (Ca alho, Russill e Doyle, 2021:
9), as ques ões climá icas não apa ece am com pa icula des aque. Com e ei o,
du an e os g upos de oco, ape cebemo-nos que alguns dos pa icipan es não
sabiam quem e a a a i is a pelo clima G e a Thunbe g nem es a am a pa da
g e eclimá icadoses udan es.Nãopodemos,aindaassim,igno a aquelesque
es a am in o mados a es e p opósi o e, po an o, a ende à di e sidade den o
dos g upos. Como nos eco dam Rebelo e al. (2023: 21), num ou o es udo cen-
ado no público ju enil,
embo a as ques ões climá icas sejam alo izadas e is as como ele an es pa a as i-
das dos jo ens, nem odos as conside am p io i á ias. Po exemplo, os jo ens di e a-
men e a e ados po ba ei as es u u ais como a pob eza ou a disc iminação social
conside am ou as lu as sociais e polí icas mais u gen es.
Pa a o o al da amos a, a polí ica é o assun o que menos os p eocupa, aumen ando
ligei amen e a p eocupação no 12.º ano, momen o em que o seu di ei o ao o o co-
meça a es a p esen e. Es e úl imo luga não se á p op iamen e su p eenden e, con-
side ando que se em indo a aludi a um maio dé ice na cul u a cí ica associado
aos mais jo ens, colocando-se, umas ezes, a ónica na sua apa ia, ou as, no en e i-
men omediá ico ena cul u ado consumoe, ou asainda, noa as amen o dospolí i-
cos das ques ões que p eocupam os jo ens e da comunicação com eles (Banaji e
Buckingham, 2013). Em ge al, são os es udan es mais elhos que, mesmo não endo
in e esse po polí ica, êm consciência da sua impo ância e se mos am p eocupa-
dos com o seu p óp io desin e esse. Es es jo ens pa ecem sen i pouca mo i ação
pa a se em cidadãos poli icamen e in o mados e pa icipan es a i os na es e a polí-
ica.A endendoaes esdadosepa a aseandoBuckingham(2000:98), icaaques ão:
“há mo i os signi ica i os pa a p eocupação quan o ao u u o da democ acia”? Ou-
a ques ão que es es dados ambém nos le an am, na linha de conclusão de
16 Sa a Pe ei a, Daniel B andão e Ma isa Mou ão
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Buckingham(2000:98), é se“dealguma o ma, a al ade in e esse pelapolí icapa e-
ce se en endida como pa e da condição de se c iança”.
Um aspe o in e essan e a egis a é o ac o de os jo ens não mos a em in e es-
se pela polí ica, mas se mos a em p eocupados com a ince eza quan o ao u u o.
Es a p eocupação, na u almen e, en ol e ques ões de na u eza polí ica, e elando
ambém um ce o pensamen o polí ico po pa e dos jo ens. A es e espei o, ale a
pena segui a p opos a de Buckingham (2000: 207), quando e e e que “ao analisa -
mos o desen ol imen o da comp eensão polí ica, emos de ado a uma de inição
mais ampla de polí ica, que econheça as dimensões po encialmen e polí icas da
ida ‘pessoal’ e da expe iência quo idiana”. Ci ando de no o o au o ,
osjo ensdesen ol empolí icaa a ésdassuasexpe iências quo idianasna ida ami-
lia , na escola, no bai o e no g upo de pa es […]. O “lado pessoal” não é au oma ica-
men e “polí ico”: só se o na polí ico em i ude das o mas como es á ligado às
p eocupações e expe iências de ou os g upos sociais. (Buckingham, 2000: 219-220)
Nes e sen ido, ale a pena e oma as alas dos jo ens, an e io men e ci adas, em
quede endiamque a polí ica de iase abo dada e deba idanaescola. E e i amen-
e, es e é um con ex o p i ilegiado pa a abalha es a ma é ia, começando po
ala ga a aceção de polí ica e en ende que as decisões que são omadas a ní el da
escola, da amília e do município são de na u eza polí ica, e que pa icipa delas
signi ica en ol e -se poli icamen e.
Po úl imo, ale a pena ealça que a ap eensão, sob e udo dos jo ens mais
elhos,quan oao u u o,nomeadamen eaní elp o issional,apa eceligadaap o-
blemas de saúde men al, conside ada, como já mencionado, como uma das suas
p eocupações.
Os dados aqui ap esen ados pe mi em-nos conhece os in e esses e as p eo-
cupações dos pa icipan es no es udo, expandindo o nosso conhecimen o sob e os
mundos sociais e cul u ais das c ianças e dos jo ens, a pa i das suas pe spe i as.
Mui o embo a não osse obje i o do es udo medi o bem-es a subje i o das c ian-
çasedosjo ens,os dados ela i osaos seusin e essese àssuas p eocupações,bem
como aos assun os que lhes p o ocam is eza e aleg ia, o necem-nos e idências
sob easa is açãonassuas idas endopo baseumconjun odeassun osedea i i-
dades.Pe mi em-nos ambémcon i ma ap emissade Becche i, Pelloni eRosse i
(2008) ela i a à impo ância de “bens elacionais” 4pa a a elicidade.
Os esul ados não esgo am os olha es sob e os seus p óp ios mundos, sob e-
udoconside andoahe e ogeneidadee á iaesocioeconómica.En endemos,ainda
assim, que con ibuem pa a a cons ução de conhecimen o sob e as suas cul u as,
emge al,eoseubem-es a ,empa icula ,podendosubsidia a omadadedecisões
eaconc e izaçãodosdi ei osdasc ianças.Umadasp incipaisconclusõesdes ees-
udo é a impo ância de escu a a i amen e as c ianças, ou i-las sob e os seus
INTERESSES E PREOCUPAÇÕES DE CRIANÇAS E JOVENS 17
4De aco do com os au o es, os bens elacionais incluem o companhei ismo, o apoio a e i o, a
ap o ação social, a solida iedade, o sen imen o de pe ença e de i e a sua his ó ia, o desejo de
se amado ou econhecido pelos ou os, e c. (Becche i, Pelloni e Rosse i, 2008: 346).
SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 108, 2025, pp.1-21, e202510839710, DOI: 10.7458/SPP202510839710
in e esses e p eocupações. Num a igo de opinião publicado no jo nal Público em
2022, a ealizado a Te esa Villa e de da a con a da sua expe iência de seleção de
uma apa iga de 10/11 anos do in e io do país pa a en a no seu no o ilme. Do
con ac o com ce ca de 500 apa igas e do que iu nos ídeos que pediu a ce ca de
200 (em que lhes pediu pa a dize o que é que as azia mais elizes e o que é que as
p eocupa amaisno u u o),a ealizado a eceualgumas e lexõesmui ope inen-
es, das quais des acamos es a: “ emos que as deixa ala [às c ianças] do que as
p eocupa. Não me pa ece que seja acul a i o, nem me pa ece que seja uma coisa
que possa espe a . Não lhes podemos a ibui angús ias e p eocupações que elas
al ez nem enham, êm de se elas a dize -nos o que as p eocupa” (Villa e de,
2022: 17).
Financiamen o
Es e abalho é pa e do p oje o “bYou: Es udo das i ências e exp essões de c ianças e
jo ens sob e os media”, inanciado po undos nacionais a a és da FCT — Funda-
ção pa a a CiênciaeaTecnologia, I.P. (PTDC/COM-OUT/3004/2020), em cu so no
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Sa a Pe ei a. P o esso a associada com ag egação do Depa amen o de Ciências da
Comunicação e in es igado a do Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade
da Uni e sidade do Minho, Po ugal.
E-mail: [email p o ec ed]
ORCID: h ps://o cid.o g/0000-0002-9978-3847
20 Sa a Pe ei a, Daniel B andão e Ma isa Mou ão
Con ibuições pa a o a igo: conce ualização, cu ado ia dos dados, análise o mal,
aquisição de inanciamen o, in es igação, me odologia, adminis ação do p oje o,
supe isão, alidação, edação do o iginal, e isão e edição.
SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 108, 2025, pp.1-21, e202510839710, DOI: 10.7458/SPP202510839710
Daniel B andão. P o esso auxilia do Depa amen o de Ciências da Comunicação
e in es igado do Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade da
Uni e sidade do Minho, Po ugal.
E-mail: [email p o ec ed]
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Ma isa Mou ão. Dou o anda em Ciências da Comunicação na Uni e sidade do
Minho e assis en e con idada na Uni e sidade de T ás-os-Mon es e Al o Dou o,
Po ugal.
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e isão e edição
Receção: 28/12/2024 Ap o ação: 14/04/2025
INTERESSES E PREOCUPAÇÕES DE CRIANÇAS E JOVENS 21
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