Edua do Sil a Figuei edo
UMinho | 2024 Edua do Sil a Figuei edo Uma Re lexão à obsolescência no
con ex o educa i o de Design de P odu o
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui e u a, A e e Design
Uma Re lexão à obsolescência
no con ex o educa i o de
Design de P odu o
Dezemb o de 2024
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui e u a A e e Design
Edua do Sil a Figuei edo
Uma Re lexão à obsolescência no
con ex o educa i o de Design de
P odu o
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Design de P odu o e Se iços
O ien ação
P o esso a Dou o a Cecília Ca alho
P o esso Dou o Be na do P o idência
Dezemb o 2024
I
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da
Uni e sidade do Minho.
A ibuição do CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
II
AGRADECIMENTOS
É com p o undo ag ado que exp esso os meus since os ag adecimen os a odos aqueles que
con ibuí am pa a a ealização des e abalho de pesquisa e pa a a conclusão bem-sucedida da
minha ese de mes ado em Design de P odu o, in i ulada "Uma e lexão sob e Obsolescência no
con ex o educa i o em Design de P odu o".
Em p imei o luga , gos a ia de ag adece aos meus o ien ado es, Cecília Peixo o Ca alho e
Be na do P o idência, pela sua o ien ação diligen e, apoio inabalá el ao longo des e p ocesso. O
seu comp omisso e dedicação o am undamen ais pa a o sucesso da minha jo nada académica,
e não e ia sido possí el, se eles não me i essem apoiado, e ac edi ado em mim.
Gos a ia ambém de exp essa a minha g a idão aos docen es en e is ados, João Ma ins, Paulo
Bago d’U a, Ped o Sousa, e Lígia Lopes, po disponibiliza em o seu empo, pa ilha em a sua
expe ise con ibuindo com aliosos insigh s pa a a análise do ema des e abalho.
À minha amília, aos meus pais e i mãos que o am incansá eis, semp e me incen i a am e
apoia am em odas as ases da minha educação e ca ei a académica, exp esso o meu mais
since o sen imen o, o amo que é única pala a que me oco e pa a exp imi o alice ce que são,
e que me pe mi iu alcança es e ma co impo an e na minha ca ei a académica, p o issional e
obje i o pessoal.
Ag adeço ambém aos meus amigos e colegas, que pa ilha am as suas ideias comigo,
expe iências e apoio ao longo des e mes ado. Con ibuí am de o ma ines imá el pa a o
desen ol imen o des e abalho.
Po úl imo exp esso a minha since a g a idão a odas as on es de inspi ação que molda am minha
jo nada no campo do design e da sus en abilidade. Que es e abalho possa con ibui de o ma
signi ica i a pa a a consciencialização e ação em p ol de uma p á ica de design mais sus en á el
e esponsá el.
Ob igado a odos que o na am possí el a ealização des e abalho.
III
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o
que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Uni e sidade do Minho, ou ub o 2024
Edua do Sil a Figuei edo
Assina u a:
(assina u a digi al)
IV
RESUMO
O obje i o des a disse ação é e le i sob e a in eg ação do concei o de obsolescência p og amada
(OP) no ensino de design de p odu o, analisando a pe spe i a dos docen es. A me odologia
en ol eu uma análise bibliog á ica e en e is as a cinco p o esso es da á ea. A pesquisa e elou
que, embo a a OP enha inicialmen e sido concebida pa a impulsiona p odução e emp ego, o seu
impac o ambien al nega i o ago a exige um epensa das suas aplicações. Docen es e li e a u a
suge em a necessidade de es a égias de design que p olonguem a ida ú il dos p odu os,
in eg ando uma es é ica du á el e p omo endo elações emocionais en e consumido e obje o.
No en an o, a inclusão da OP nos cu ículos de design é is a como limi ada, e a in es igação
suge e a implemen ação de unidades cu icula es ocadas na sus en abilidade, e na du abilidade
dos p odu os. Conclui-se que en en a a OP na educação em design eque mudanças
pedagógicas, maio in e disciplina idade e polí icas que incen i em p á icas sus en á eis no se o .
Pala as-cha e: Obsolescência; Obsolescência P og amada; P odu os Desca á eis; Design de
P odu o; Sus en abilidade.
V
ABSTRACT
The objec i e o his disse a ion is o e lec on he in eg a ion o he concep o planned
obsolescence (OP) in eaching p oduc design, analyzing he pe spec i e o eache s. The
me hodology in ol ed a bibliog aphical analysis and in e iews wi h i e p o esso s in he a ea. The
esea ch e ealed ha , al hough OP was ini ially designed o boos p oduc ion and employmen ,
i s nega i e en i onmen al impac , now equi es a e hink o i s applica ions. Teache s and
li e a u e sugges he need o design s a egies, ha ex end he use ul li e o p oduc s, in eg a ing
du able aes he ics and p omo ing emo ional ela ionships be ween consume and objec . Howe e ,
he inclusion o OP in design cu icula is seen as limi ed, and esea ch sugges s he implemen a ion
o cu icula uni s ocused on sus ainabili y and p oduc du abili y. I is concluded ha ackling OP
in design educa ion equi es pedagogical changes, g ea e in e disciplina i y and policies ha
encou age sus ainable p ac ices in he sec o .
Keywo ds: Obsolescence; Planned Obsolescence; Disposable P oduc s; P oduc Design;
Sus ainabili y.
VI
ÍNDICE
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO
1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................10
1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO E DELIMITAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO......................................13
1.2. JUSTIFICAÇÃO DA RELEVÂNCIA DO ESTUDO.........................................................14
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA......................................................................................15
2.1. OBSOLESCÊNCIA...................................................................................................15
2.2. OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA E SUSTENTABILIDADE........................................18
2.3. FORMAÇÃO DE DESIGNERS...................................................................................22
2.4. DA QUESTÃO DE INVESTIGAÇÃO AOS OBJETIVOS, À METODOLOGIA.....................26
3. METODOLOGIA..............................................................................................................28
4. DISCUSSÃO....................................................................................................................32
4.1. RETROSPETIVA DOS PARTICIPANTES SOBRE A EDUCAÇÃO DO DESIGN
SUSTENTÁVEL – ESTUDANTES DE DESIGN E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL.....32
4.2. OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA NO CURRÍCULO – INICIATIVAS PARA RETARDAR A
OBSOLESCÊNCIA DOS PRODUTOS........................................................................38
4.3. PROJETOS AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEIS......................................................42
4.4. IMPACTOS DA OP NAS DIVERSAS DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE................48
4.5. PROPOSTAS DE DESENVOLVIMENTO DE CONSCIÊNCIA CRÍTICA SOBRE A
OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA...........................................................................59
4.6. RESPONSABILIDADE DA ACADEMIA SOBRE OS IMPACTOS NEGATIVOS DA OP......67
5. CONCLUSÃO..................................................................................................................76
6. APÊNDICES....................................................................................................................84
13
- O capí ulo 8, ap esen a ou as e e ências bibliog á icas que embo a não ci adas na disse ação,
se i am pa a o au o e uma melho comp eensão, e uma isão mais ampla sob e aquilo a que
se p opôs in es iga .
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E DELIMITAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO
Conside a-se undamen al ale a a sociedade em ge al e a comunidade académica em pa icula ,
com o obje i o de discu i soluções que isem a enua o cená io de c ise ambien al insus en á el
que i enciamos. “O lixo ( ambém chamado de esíduo) é conside ado um dos maio es p oblemas
ambien ais da nossa sociedade. A população e o consumo pe capi a c escem e, jun o com eles,
a quan idade de esíduos p oduzidos” (c is ina, 2018). O plano pa a c ia es e ale a, p opõe
a a és da in es igação despe a a a enção da comunidade académica da á ea do design,
abo dando o ema da obsolescência como uma p oblemá ica que p omo e uma cul u a de
desca e ao in és de uma p omoção de p odu os du á eis.
De modo a con ex ualiza mos a obsolescência como um p oblema é necessá io p imei o
comp eende que a mesma se a a de um ema complexo, que es á in eg ada num con ex o
socioeconómico, polí ico, e, es á dependen e dum me cado cons i uído pelas indús ias.
O economis a Sé gio La ouche, pionei o da eo ia do dec escimen o económico, de ende que, se
o p eço de cada p odu o e le isse o cus o eal dos ecu sos usados, da ene gia consumida e do
impac o indi e o dos anspo es, os p eços dos p odu os aumen a iam de in e a in a ezes.
Segundo o economis a, esse impac o se ia ainda mais signi ica i o se con abilizássemos o
e dadei o cus o do pe óleo, como sendo um ecu so não eno á el. La ouche (2020) suge e que
uma sociedade cen ada na acumulação ilimi ada, es á o çada a c esce , sus en ada na
publicidade, no c édi o e na obsolescência planeada dos p odu os. O mesmo, c ê que uma
al e na i a pa a ab anda a poluição ambien al, baseia-se no dec escimen o económico.
“O ní el de complexidade que os p odu os a ingi am, com componen es ele ónicos e subsis emas
in e dependen es que di icul am a cons ução de p odu os que uncionem de o ma es á el no
longo p azo” (Ribei o
e al
., 2021, p. 214).
Uma ca ac e ís ica cada ez mais p esen e nos p odu os, que é, a complexidade que es es
a ingi am ambém de ido á inco po ação de elemen os ecnológicos cons i ui ou a mo i ação da
in es igação, is o é, se a o ma como aplicamos a obsolescência p og amada nos obje os de e se
ein en ada.
14
A p esen e in es igação suge e que odas as es a égias que ad ém da discussão dos esul ados
não se apliquem a p odu os ecnológicos, is o que es es, de ido ao seu ápido desen ol imen o,
e ao ac o de cons an emen e su gi em no as aplicações, ais como
upda es
de sis emas
ope a i os, o nam os p odu os ecnológicos apidamen e obsole os. Ou seja, essa ca ac e ís ica
que na gene alidade os p odu os ecnológicos ap esen am, de um desen ol imen o acele ado que
os o na apidamen e ine icazes, é uma azão que conside amos álida pa a os coloca mos numa
ou a ca ego ia, e que limi a a aplicação des a es a égia de e a damen o da sua obsolescência.
“na á ea da ecnologia, Joy exp essou a sua p eocupação pelo ac o de es a es a possi elmen e
a mo e -se a um i mo demasiado ápido pa a que os humanos consigam aze um juízo
ap op iado da sua u ilização” (Ma golin, 2014, p. 26).
1.2 JUSTIFICAÇÃO DA RELEVÂNCIA DO ESTUDO
Num momen o em que nos encon amos numa di eção pa a um pano ama de poluição
i e e sí el, segundo dados es a ís icos da ONU, conside a-se ele an e e le i sob e como a
obsolescência cen ada no design de p odu o, e pa icula men e no con ex o da educação, pode
o e ece uma con ibuição adicional na edução do p oblema de poluição, p omo endo p odu os
mais du á eis.
É imp escindí el econhece que o es ilo de ida consumis a a ual já não é sus en á el, e que
possi elmen e e emos de o ea alia e in es iga , no sen ido de pe cebe se não es a á o
p oblema nos pila es c iados pela indús ia que o o igina am, como o c édi o, o ma ke ing, e a
obsolescência p og amada.
Pa indo de uma mo i ação pessoal, p e ende-se esga a pa a a á ea académica, um modelo de
ida mais sus en á el, de uma maio consciência ambien al, ques ionando a o ma como são
p oje ados os obje os, endo em conside ação não apenas a sua du abilidade, mas ambém o seu
impac o ambien al quando a ingem a ase de obsolescência.
Com es a ese enciona-se e le i sob e o alo que se dá à obsolescência nos cu sos de design
de p odu o, e se es a especulação pode á ins iga a que no os Designe s p oje em de o ma mais
comp ome ida, é ica e socialmen e, obje os mais sus en á eis, desde a ma é ia p ima, ao
p ocesso e á du abilidade.
Almeja-se que a in es igação ep esen e uma modes a con ibuição pa a um ema de g ande
ele ância, ao mesmo empo que busca amplia a consciência sob e a obsolescência.
15
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 OBSOLESCÊNCIA
Po obsolescência en ende-se, “qualidade de obsolescen e ou obsole o; qualidade do que es á a
cai em desuso, a o na -se an iquado” (In opédia, sem da a), ou o e mo u ilizado na á ea da
economia é ge almen e desc i o como a “condição do p odu o ou da ecnologia que pe de a sua
u ilidade em i ude do desen ol imen o de ou o mais mode no ou a ançado” (In opédia, sem
da a).
Assim como a elhice nos animais, a obsolescência é um enómeno na u al que o empo impõe
aos obje os, seja a a és do desgas e na u al do co po do obje o ou de es e já não cump i a unção
pa a o qual eio ao mundo. “A obsolescência é um p oblema que odos os p odu os ou sis emas
en en am num de e minado pon o do seu ciclo de ida, e o design do p odu o desempenha um
papel c ucial na sua minimização ou p omoção.” (au o , da a)
“No âmbi o écnico, a obsolescência é abo dada como uma consequência ine i á el da ápida
acele ação do a anço ecnológico e dos sis emas ele ónicos. À medida que no os disposi i os
ele ônicos apa ecem no me cado, os an igos e os p odu os que os compõem começam a se
subs i uidos” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 4).
1
Segundo P oske (2019), a obsolescência não é uma desc ição neu a de um de e minado es ado
na u al de um obje o, mas a um p ocesso em que algo é a i amen e desca ado ou conside ado
“desa ualizado”.
É necessá io comp eende mos que a elabo ação do e mo obsolescência, con ex ualizada no
design de p odu o e indus ial, oi c iada de o ma a pe cebe mos que odos os obje os, po
di e sas azões en en am uma ase em que se o nam obsole os, e, pa a que as indús ias melho
comp eendam esse p ocesso a im de c ia em sus en abilidade inancei a.
“A obsolescência é pensada como um p odu o da o ma como a sociedade é o ganizada, egulada
po es u u as econômicas, p odu i as e sociais” (Ribei o
e al
., 2021, p. 211).
1
T adução li e de: “Inglês” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 4) “Obsolescence can be seen as a phenomenon ha occu s in h ee a eas
o le els: echnological, psychological, and comme cial. Wi hin he echnical ealm, obsolescence is app oached as an ine i able consequence o
he apid accele a ion in echnological ad ancemen and elec onic sys ems. As new elec onic de ices appea on he ma ke , he old ones and
he p oduc s ha comp ise hem begin o be displaced”
16
Quando nos e e imos ao concei o de Obsolescência P og amada (OP) é ob iga o iamen e
necessá io ol a aos anos 20 do século passado e ci a mos Be na d London, que du an e a
g ande dep essão dos EUA em 1932 publicou um ensaio in i ulado, acaba com a Dep essão
a a és da Obsolescência P og amada. O que London nos p opunha é que a p odução de obje os
com um empo de ida mais limi ado, p opulsiona ia a manu a u a e ag icul u a, azendo com que
a indús ia de ce a o ma i esse abalho con ínuo. “Ins iga no comp ado o desejo de possui
algo um pouco mais no o, um pouco melho e um pouco mais ápido do que o necessá io.
(S e ens, 1952)” (Ga le & Pazmino, 2022, p. 2).
O Ca el Phoebus (Consó cio de indus iais) segundo Dan as (2010), é conside ado um dos
p imei os exemplos de obsolescência p og amada em escala indus ial, e no momen o em que a
expec a i a de ida das lâmpadas ha ia aumen ado, o ca el pe cebeu que consegui ia ob e mais
luc o se as lâmpadas ossem mais desca á eis. De e mina am en ão que a p io idade se ia
encu a a ida ú il da lâmpada, pa a ce ca de 1000 ho as, signi ica i amen e me ade do que as
que es a am a p oduzi .
Maximenco (2018) des aca que a im de aumen a a luc a i idade inancei a das emp esas
a ingidas pelos e ei os dele é ios de duas g andes gue as mundiais … “uma no a e a de desca e
e da obsolescência iniciou-se po meio da limi ação planeada da ida ú il dos p odu os.”
“O uso da exp essão obsolescência p og amada suge e que p o issionais p oje a am um obje o
de o ma delibe ada pa a que ele se o nasse obsole o, o que nem semp e co esponde à
ealidade, e o a o de p odu os se o na em obsole os não é p o a su icien e pa a a i ma que há
um planeamen o pa a al” (Ribei o
e al
., 2021, p. 214).
Po pa e da comunidade de design, exis em á ias possibilidades de de ini e ca ego iza a OP.
Vance Packa d, endo sido conside ado pionei o na a aliação dos iscos de um ápido c escimen o
do despe dício ge ado pelo desca e de bens de consumo, de ine-a no seu li o The Was e Make s
(1960), em ês ipos de obsolescência: de unção, de qualidade, e de desejabilidade. Na
“obsolescência” da unção classi ica a o p odu o que e a subs i uído po um no o modelo com
desempenho supe io . A obsolescência da qualidade e e e-se sob e udo à escolha do ma e ial,
em que o p odu o so e a a ias ou um desgas e p ema u o segundo o que se ia expec á el.
Segundo o au o , obsolescência de desejabilidade, segundo o au o embo a com odas as unções
17
p á icas e de es é ica em bom es ado, p o oca ia uma necessidade de subs i uição po ques ões
ligadas a endências de moda.
Papaneck (1985) desc e e a OP em qua o ipos: a ecnológica, ma e ial, a i icial, e es ilís ica que
co esponde à de desejabilidade desc i a po Packa d (1960). O’ Reilly (2018) dis ingue a boa
obsolescência da obsolescência pseudo uncional, ou seja, a má obsolescência que “…in oduz
mudanças cosmé icas que não melho am nem a u ilidade nem o desempenho”. Po ou o lado,
pa a o au o a boa obsolescência, “…en ol e “engenha ia de alo ” com o obje i o de u iliza o
mínimo de ma e ial possí el, p opo cionando ao mesmo empo uma ida ú il acei á el…”.
Há ainda quem u ilize o concei o de obsolescência pe cecionada, como no caso em que “a Gene al
Mo o s começa a usa no os es ilos e co es nos ca os pa a man e as endas, seguido da
publicação de um li o que aplica a o mesmo concei o à moda eminina” (CAEIRO, 2022).
Ou a di isão que auxilia na comp eensão sob e as o mas de obsolescência é en e absolu a e
ela i a. A obsolescência absolu a in e e e no desgas e ma e ial, impossibilidade de conse o e
pe da da uncionalidade de um p odu o, a o es que es ão di e amen e elacionados com os
ab ican es (Poppe e Longmuss, 2017). Já a obsolescência ela i a em conexão com aspec os
psicológicos, económicos e sociais (Poppe e Longmuss, 2017).” (Ribei o e al., 2021, p. 214).
Ainda uma ou a de inição de obsolescência absolu a e ela i a, é “nos” dada po Coope (2004)
ca ego izou a obsolescência em dois g upos: absolu a e ela i a. A obsolescência absolu a inclui
desgas e de ma e iais, causas écnicas ou al a de opções de epa o e escassez de peças
sob essalen es ou componen es. A obsolescência ela i a esul a de mudanças nas exigências do
consumido que p omo em a subs i uição de um p odu o uncional e é di idida em ês ca ego ias:
económica, ecnológica e psicológica. Em ge al, a obsolescência psicológica, ambém chamada
de obsolescência pe cebida, su ge quando p odu os uncionais são subs i uídos ou u ilizados po
menos empo do que pode iam se u ilizados.
Po exemplo, o mo imen o as ashion e a mudança de endências, p omo em que p odu os mais
an igos se o nem menos a a i os e desca ados pela obsolescência do es ilo… eduz os laços
emocionais que os consumido es êm com seus p odu os e po consequência o desejo po no os
p odu os.
Al e na i amen e Amoah (2017) iden i icou qua o ipos de obsolescência: (i) a in olun á ia, que
oco e independen emen e de o clien e ou o ab ican e que e em oca o p odu o [22]; (ii) a
18
olun á ia, quando o usuá io/ ab ican e pe mi e que a ecnologia se o ne obsole a; (iii) a
espe ada, quando as pa es in e essadas sabem que os se iços de apoio se ão descon inuados
ou se o na ão obsole os, e (i ) a inespe ada, quando as pa es in e essadas não sabem que os
se iços de apoio se ão descon inuados ou se o na ão obsole os.
Em 2019, P oske in oduz dois ipos adicionais de obsolescência: obsolescência acei e, que oco e
de ido à p essão de cus o, empo e es a égias de ma ke ing que le am os ab ican es a usa
ma e iais e componen es de baixa qualidade, e obsolescência ob iga ó ia, que oco e de ido a
egulamen ações.
Guil inan (2009) iden i icou dois mecanismos p imá ios de obsolescência: ísico e ecnológico. A
obsolescência ísica inclui p oje o pa a epa os limi ados, ida uncional limi ada e es é ica (Sie a-
Fon al o
e al
., 2023).
Segundo o mesmo au o , “as classi icações comuns de obsolescência incluem obsolescência
ecnológica, uncional, psicológica, econômica, planejada ou p og amada e DMSMS” (Sie a-
Fon al o
e al
., 2023, p. 4).
2
2.2 OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA E SUSTENTABILIDADE
Mui o se discu e o concei o de sus en abilidade, e hoje e i icamos que es á na u almen e inse ido,
e que pe ence não só ao ocabulá io de design, mas que é ans e sal a odas á eas. Apesa
disso, es e é um e mo que é u ilizado à mais de ês décadas no con ex o do design, e po isso,
conside a-se pe inen e desc e e de o ma sucin a, o que signi ica o concei o de desen ol imen o
sus en á el, e como oi in oduzido na á ea do design.
“O desen ol imen o sus en á el exp ime a elação en e c escimen o econômico, conse ação
ambien al e p eocupação social. A pa i da sensibilização da sociedade em azão do uso i acional
dos ecu sos na u ais e dos impac os ambien ais ge ados pela ação humana, o concei o de
c escimen o sus en á el se coloca como uma al e na i a, que p omo e a in e dependência en e
economia, meio ambien e e sociedade.” (
Desen ol imen o sus en á el
, sem da a).
2
T adução li e de: “inglês” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 4) “Despi e he eme gence o new ypes o obsolescence, he mos men ioned in
he li e a u e a e planned obsolescence, echnological, unc ional, psychological, economic obsolescence, and diminishing manu ac u ing sou ces
and ma e ial sho ages (DMSMS)”
19
Du an e as úl imas décadas, o design sus en á el e oluiu signi ica i amen e, com a A aliação do
Ciclo de Vida (Li e Cycle Assessmen (LCA)), des acando-se como uma e amen a cha e pa a
quan i ica impac os ambien ais e apoia o design ecológico. Nos anos 1990, su gi am mé odos
especí icos como a Roda Es a égica de Ecodesign e concei os como biomimé ica e design
egene a i o, que p ocu am não apenas minimiza impac os nega i os, mas es au a
ecossis emas. O li o lançado po Mc Donough em 2002, "C adle o C adle" ampliou essas ideias,
de endendo que o design de e maximiza impac os bené icos e in eg a sus en abilidade com
empa ia. Du an e a década de 2010, o design expandiu-se pa a á eas como es a égia emp esa ial
e polí ica pública, p omo endo ansições pa a p á icas sus en á eis. No os modelos, como Donu
Economics e a economia do dec escimen o, desa ia am a necessidade de c escimen o econômico
con ínuo e ques iona am a capacidade das economias ci cula es se dissocia em do c escimen o
do consumo de ma e iais. Na década de 2020, o oco ol ou-se pa a e amen as que p omo em
di e sidade e inclusão no design. Apesa das ince ezas sob e o u u o das e amen as
sus en á eis, é c ucial in eg a a sus en abilidade na educação e p á ica do design, pois as
escolhas de design êm impac os p o undos no ambien e e na sociedade.
É linea que pa a uma ha e uma con ibuição a a o da sus en abilidade ambien al, de emos
eduzi os nossos hábi os de consumo e p e e encialmen e u iliza p odu os que não desca emos
com an a le iandade, ou que os designe s os p oje em de o ma a p olonga a sua obsolescência
em elação aos que a ualmen e são p oduzidos.
“P oje a p odu os com uma ida ú il longa, é sem somb a de dú ida um desejo que mui os
designe s demons am ao c ia os seus p odu os. A ualmen e, essa endência pa ece mais
e iden e, de endo-se em g ande pa e à sensibilidade dos designe s pa a os p oblemas
ambien ais, mas ambém sociais, económicos e cul u ais” (Ma ins, 2015, p. 132).
A ques ão não passa apenas po e a da a obsolescência dos p odu os, mas ambém: o que lhes
aze quando es es se o nam de ac o obsole os?
Ci ando (Ma golin, 2014), o opos o de uma sociedade de escoamen o é aquilo a que chama ei
uma “sociedade-impasse”, em que os despe dícios desaguam em becos sem saída, não podendo
se eu ilizados (Ma golin, 2014, p. 37).
20
Iden i icam-se casos como no Gana em que os despe dícios ele ónicos são en iados pa a lá com
o a gumen o de que são obje os epa á eis e que ão e uma segunda ida, mas a e dade é que
“só ce ca de 20 po cen o é eap o ei ado, o es o é lixo” (
Obsolescência p og amada
, sem da a)
“…um designe pode decidi como eduzi as emissões, o consumo de ecu sos na u ais, os
esíduos ge ados ao longo do ciclo de ida de um p odu o e as ca ac e ís icas que le am à
obsolescência. Po an o, comp eende a obsolescência dos p odu os pode ajuda a man ê-los em
uso, eduzindo a necessidade de no as manu a u as e a ge ação de esíduos” (Sie a-Fon al o
e
al.
, 2023, p. 2).
3
É e dade que o que ge a sus en abilidade económica e emp ego são as emp esas, e não se
p e ende que assim não o seja, mas mani es a-se uma on ade social pa a uma mudança de
pa adigma. Pa a um desacele a p odu i o das emp esas, coisa que ninguém pa ece consegui
pe cebe como azê-lo, mas ao que pa ece es amos odos de aco do pa a que haja uma mudança
nesse sen ido. Pa a Baud illa d (1995, ci ado po Ma ins, 2015, p. 62), “O que hoje se p oduz
não se ab ica em unção do espe i o alo de uso ou da possí el du ação, mas an es em unção
da sua mo e…”
Uma coisa que embo a in angí el, é pe ce í el que não es amos numa e a em que p oduzimos de
aco do com as necessidades, e que es amos e éns do a ual sis ema p odu i o das emp esas, que
nós p óp ios c iámos. Como sus en a Kazazian (2005, p .40), “a e iciência da p odução, a
acele ação da eno ação da o e a e a obsolescência dos p odu os às ezes plani icada le am a
sociedade a uma co ida de consumo e desca e que pa ece não e im” (Ma ins, 2015, p. 68).
Cla amen e não exis e uma única solução pa a es e p oblema, e exis em á ias soluções
ap esen adas pela comunidade cien í ica pa a o ajuda a esol e , como o exemplo e e ido po
Sie a-Fon l o e al. (2023, p. 2) que á ios au o es êm en a izado é a impo ância da seleção de
ma e iais como e amen a de p omoção da sus en abilidade.
Ao longo da his ó ia do design êm indo a su gi concei os com me odologias p óp ias que
p ocu am auxilia es a p oblemá ica da sus en abilidade ambien al, ais como Eco design ou o
Design Ci cula .
3
T adução li e de: “inglês” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 2) “In ac , a designe can decide how o educe emissions, na u al esou ce
consump ion, was e gene a ed h oughou a p oduc li ecycle, and cha ac e is ics ha lead o obsolescence [4,13,16,17]. The e o e,
unde s anding p oduc obsolescence can help keep p oduc s in use, educing he need o new manu ac u ing and was e
gene a@on.”
21
“O ecodesign p opõe a in eg ação de aspec os ambien ais ao p ocesso de design de p odu o,
po ém, sem al e a sua uncionalidade, cus os, qualidade e es ições ao empo de ab icação (…)
não pode se en endido somen e como um mé odo especí ico ou conjun o de e amen as, mas
sim como uma manei a de analisa e epensa p ocessos” (Schioche , 2019, p. 7).
Já, “O design ci cula de p odu os en ol e dois aspe os p incipais: p oje a pa a a in eg idade do
p odu o pa a p e eni e e e e a obsolescência no ní el do p odu o e componen es, e p oje a
pa a a eciclagem pa a p e eni e e e e a obsolescência no ní el do ma e ial” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 2).
4
Um ou o concei o pe inen e nes e subcapí ulo, é o de Ma k Whi eley que em 1998 já e le ia
p eocupação com es ilo de ida e sis ema de p odução e consumo da sociedade mode na
denominado de “design alo izado”, e o desc e e como “aquele que possui uma comp eensão
c í ica dos alo es que undamen am o design, (…) dispos o a de ende ideais sociais e cul u ais
mais ele ados do que o consumismo a cu o p azo”. (Whi eley ci ado po Ma ins, 2015, p. 83).
“…comp a em segunda mão, comp a e modi ica , eu iliza e ecicla – já exis em. Ou as –
pa ilha , libe amo-nos da os en ação, i e com menos – p ecisamos de ecupe a pa a man e
uma sociedade sus en á el” (Papaneck, 1995, p.264).
Uma p opos a que conside amos impo an e des aca da e isão bibliog á ica é: “A Comissão
Eu opeia ado ou ecen emen e uma p opos a de Di e i a que in oduz um no o di ei o à epa ação,
aplicá el caso o de ei o do p odu o su ja ou se o ne apa en e o a da ga an ia… A p opos a
es abelece um conjun o de eg as que isam incen i a e o na mais ácil a epa ação de bens,
p omo endo um consumo mais sus en á el…” (Pin o, 2023). Po ém o au o iden i ica que, “…a
DECO en ende que al a ambição à p opos a e que o caminho não passa po impo a epa ação,
limi ando a escolha dos consumido es” (Pin o, 2023). Em F ança, oi c iado em 2023 um
p og ama de subsídios, “…com o obje i o de eduzi o despe dício e a poluição da indús ia êx il,
segundo epo agem da CNN… Isso pode ia incen i a exa amen e as pessoas que comp a am,
po exemplo, sapa os de uma ma ca que ab ica sapa os de boa qualidade ou, da mesma o ma,
oupas p on as de boa qualidade, a que e conse á-los em ez de se li a deles", disse Couilla d
em uma en e is a cole i a. (
F ança c ia p og ama nacional pa a ajuda no epa o de oupas e
calçados | Exame
, sem da a).
4
T adução li e de: “inglês” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 2) “Ci cula p oduc design in ol es wo key aspec s: designing o p oduc in eg i y
o p e en and e e se obsolescence a he p oduc and componen le el and designing o ecycling o p e en and e e se obsolescence a he
ma e ial le el”.
22
Ou a p opos a apon ada po João Ma ins na sua ese de dou o amen o sob e sus en abilidade,
apoiado no exemplo da bienal Expe imen a Design de 2009 que u ilizou o “Menos” como emá ica
pa a as exposições, suge e-nos pensa nes a ideia de “menos” pode se bom, pode se o
caminho, e coloca-nos as seguin es ques ões: “Como desen ol e p odu os e es a égias num
“menos posi i o” que não nos aça sen i pob es? É possí el ep og ama a cobiça? To na o
“menos” sedu o ? Como pode a ideia de “menos” o na -se um p incípio em ez de uma me a
es ição?” (Ma ins, 2015, p. 80).
Segundo a bienal “os no os a e ac os pa a o século XXI de e ão implica menos ecu sos,
sis emas de p odução menos complexos e o mas de dis ibuição mais simples.”, alegando que o
u u o nos pode p esen ea com “milhões de pessoas que e ão menos dinhei o, menos habi ação,
menos con o o, menos comida… Temos po an o que nos con en a com menos” (Ma ins, 2015,
p. 80).
C ê-se ealmen e se es e um dos p incípios que de e ege a nossa condu a enquan o designe s
e ambém enquan o consumido es, pa a em conjun o ha e um p og esso que eduza
subs ancialmen e o consumo, p o ogando a obsolescência dos p odu os e con ibuindo pa a a
sus en abilidade ambien al.
2.3 FORMAÇÃO DE DESIGNERS
Da e isão bibliog á ica não se iden i icou a emá ica da obsolescência no cu ículo dos cu sos de
design de P odu o, nem in o mação ele an e do papel des a á ea na o mação dos alunos.
Con udo, exis em alguns au o es que o ques ionam: “O g ande desa io é como esse designe pode
se p epa ado, cabendo ao ensino que ele seja in o mado das esponsabilidades e consiga ob e
os subsídios pa a que seja capaz de oma as melho es decisões” (Ga le & Pazmino, 2022).
No que diz espei o à educação dos u u os designe s, conside a-se undamen al ealça que o
docen e em um papel absolu amen e decisi o e uma unção de “in luence ” pe an e os alunos.
E, aqui coloca-se a pe gun a: “O que al a comp eende é se os educado es em Design consegui ão
pe cebe o pode que de êm enquan o agen es cole i os de mudança em p oje os eais e em
designe s o mados pa a os desen ol e ” (Ma golin, 2014, p. 97).
29
sus en a am a e isão bibliog á ica, des aca-se “A deep di e in o add essing obsolescence in
p oduc design: A e iew” da au o ia de Lesly Sie a-Fon al o, A u o Gonzalez-Qui oga, Jaime A.
Mesa, o a igo “Obsolescência de p odu o: Design e dinâmicas de Me cado” de Ped o Hen ique
Lopes Ribei o; Edson Ca pin e o Rezende; Juliana Rocha F anco, o a igo “Obsolescência
p og amada: uma compa ação en e a década de 1960 e a década de 2010” de Denise Dan as,
o a igo “Obsolescência p og amada: a alha in alí el do consumismo” de Ana Caei o, o a igo
sob e o colóquio in e nacional de Design “Uma Re lexão sob e o papel do Design e a É ica no
Consumo” de Yu i Sil ei a, o a igo de B ian O’Reilly, Ending he dep ession o planned
obsolescence, undado da “Ligh ing o EGG”, cujo o slogan da emp esa do Reino Unido é
“Comme cial ligh ing, buil o las ”. Fo am ambém consul ados o Si e das Nações Unidas e da
Deco.
Pa a a seleção dos a igos e eses de in es igação pa a a e isão bibliog á ica, eco eu-se aos
mo o es de busca Google schoola e da Scopus, em ambos es ingindo a pesquisa de documen os
em Po uguês e Inglês en e 2018-2024.
As pala as-cha e o am de inidas com o apoio de um pequeno mapa men al com ce ca de in e
pala as cha e e do qual se seleciona am seis. U ilizou-se o ope ado lógico and, pa a p ocu a
a igos com as pala as cha e selecionadas. Como c i é ios de exclusão de a igos, o am
u ilizadas pala as, ais como, moda, êx il, ecodesign, esíduos sólidos, economia ci cula ,
sus en abilidade e ambém emas de p odu os mui o pa icula es, como calçado po exemplo. Não
po não se conside a ele an e pa a o es udo em ques ão, mas com o in ui o de man e o oco
nos concei os de in e esse.
Como c i é ios de inclusão o am selecionados a igos com í ulos que con ém concei os de
ulne abilidade do consumido , é ica no consumo, ulne abilidade ambien al, e pala as como
design, du adou o, epa ação e essigni icação.
A pa i dos esul ados da e isão bibliog á ica, de iniu-se a ques ão de in es igação, e des a,
de i a am os obje i os ge ais e especí icos des a disse ação. Foi c iado um guião com pe gun as
supo adas pela e isão bibliog á ica, que p ocu assem de ac o se e elado as do ema que se
p e endia explo a .
Inicialmen e de um uni e so de sensi elmen e in e pe gun as ajus ou-se a c iação do guião pa a
se e pe gun as. Pa alelamen e ealizou-se uma seleção dos docen es a en e is a com base em
ês c i é ios. Que ossem docen es o mados em design de p odu o e que lecionassem unidades
30
cu icula es de p oje o em cu sos licencia u a e de mes ado de design de p odu o, assim e iam
um conhecimen o eó ico e p á ico de p ocessos p oje uais na á ea do design de p odu o. Que
possuíssem um
backg ound
de expe iência na indús ia e no me cado, assim dep eendia-se que
os en e is ados i essem uma pe spe i a mais ab angen e sob e a á ea, com uma isão eó ico-
p á ica académica e com conhecimen os de aplicação p oje ual em campo, ambém sob e um
olha inancei o e ins i ucional eal do me cado.
As en e is as o am ei as a docen es pe encen es a di e en es academias. As aculdades
escolhidas de e am -se a uma combinação en e as ca ac e ís icas que se p e endia que o docen e
i esse, aliadas a uma localização do no e e cen o do país de ido a ques ões de p oximidade
(pa a en e is a p e e encialmen e p esencial) e p azos de en ega.
Cinco, oi o núme o de en e is as escolhido pa a assegu a impa idade nos esul ados ob idos.
Os p o esso es en e is ados o am Daniel Viei a, docen e con idado da licencia u a de Design de
P odu os da Uni e sidade do Minho, o p o esso Ped o Sousa docen e de ca ei a do cu so de
Design de P odu o na Escola Supe io de Media A es e Design si uada em Vila do Conde e
pe encen e ao Ins i u o Poli écnico do Po o, João Ma ins docen e de ca ei a que leciona en e
ou as unidades cu icula es, p oje o nas licencia u as e mes ados de Design de P odu o e de
Ambien es na Escola Supe io de Tecnologias e Ges ão (ESTG) pe encen es ao Ins i u o Poli écnico
de Viana do Cas elo, Lígia Lopes docen e de ca ei a na Faculdade de Belas A es da Uni e sidade
do Po o (FBAUP), e Paulo Bago d’U a, docen e con idado que en e ou as unidades cu icula es
leciona P oje o na licencia u a de Design e P odu o no depa amen o de comunicação e design da
Uni e sidade de A ei o (UA).
Pa a a aplicação das en e is as oi necessá io c ia um Te mo de Consen imen o in o mado, que
gene icamen e isa a o icializa que as in o mações ali ecolhidas se iam u ilizadas apenas pa a
ins académicos, e que o en e is ado ga an ia o en io de uma cópia da disse ação inal ao
en e is ado. Com o guião de idamen e inalizado com a colabo ação da equipa de o ien ação,
con ac a am-se os en e is ados, e agenda am-se as en e is as p esencias em locais escolhidos
pelos en e is ados. A decisão de se em es as en e is as p esenciais, ecaiu no ac o de se
ac edi a que esse con ac o ísico pode ia esul a num ambien e de maio p oximidade e
con iança, e assim c ia uma empa ia en e o en e is ado e o en e is ado que anula ia
31
cons angimen os ou demasiadas o malidades, e esul a ia numa con e sa mais luida que
pudesse alcança e lexões mais p o undas associados ao ema.
O mé odo de ecolha dados pode se epa ido em ês e apas. Uma p imei a a e a oi cons i uída
numa análise dos dados ecolhidos, a a és de uma e isão bibliog á ica que oi ei a ao longo de
odo o p ocesso de in es igação. Uma segunda a e a de mé odo de ecolha de dados, u ilizou
como mé odo a implemen ação de uma en e is a es u u ada aos docen es selecionados.
Na sequência des a segunda a e a, u ilizou-se a aplicação Tu bosc ibe, pa a con e e os ichei os
áudio g a ados nas en e is as em ex o, das aplicações expe imen adas es a oi a que se
conside ou mais e icaz. Nes e pon o de si uação, passou-se á desc ição do a amen o de dados
ecolhidos nas en e is as. À medida que se azia a co eção dos áudios ansc i os, azia-se em
simul âneo um a amen o p elimina dos dados ob idos, pa a pos e io men e c ia ichei os PDF’s
de cada en e is a, que mais a de se iam adicionados à aplicação Zo e o ga an indo que as
ci ações no ichei o da disse ação se iam co e amen e aplicadas.
Ainda nes a ase ez-se uma análise dos con eúdos a pa i das ques ões colocadas no guião de
en e is as, c iando as seguin es ca ego ias de análise: e ospe i a dos pa icipan es sob e a
educação do design sus en á el; OP no cu ículo, inicia i as pa a e a da a OP; p oje os
ambien almen e sus en á eis; impac os da OP nas di e sas dimensões da sus en abilidade;
p opos as de desen ol imen o de consciência c i ica sob e a OP; esponsabilidades da academia
sob e os impac os nega i os da OP. Des as ca ego ias de análise de dados, desc imina am-se
subca ego ias que i e am como obje i o o ganiza po ópicos as in o mações den o de cada
ca ego ia. C iou-se uma codi icação de co es, em que cada co es a a elacionada com uma
ca ego ia, a im de aze essa sepa ação dos PDF’s ela i os a cada en e is a.
Po im oi elabo ada a discussão dos esul ados (en e is a e e isão bibliog á ica), con on adas
com a ques ão de pa ida, com a e isão bibliog á ica e com a análise de con eúdo esul an e das
en e is as. Do c uzamen o des es dados elabo a am-se as conclusões inais que esul a am em
p oposições e es a égias de implemen ação do concei o de obsolescência no plano cu icula , e
po sua ez, nas abo dagens p oje uais. Que sin e iza am o con ibu o do es udo a pa i das quais
se a icula am ecomendações pa a in es igações u u as.
32
4 DISCUSSÃO
É em p imei a ins ância undamen al elucida , que os esul ados do p esen e es udo são uma
amos a de apenas cinco en e is as. Que -se com is o dize , que as conclusões são passi eis de
se em e u adas po uma ou a in es igação no mesmo âmbi o. Além disso, idealmen e, e -se-ia
ambém ei o uma en e is a a uma amos a de es udan es, mas que, de ido a es ições de
empo, não oi possí el ealiza . Em apêndices (p. 91 e 92) encon a-se anexado o guião que oi
u ilizado pa a aze as en e is as, e uma abela onde podem se consul ados os cu ículos dos
docen es.
Pa indo dos esul ados ecolhidos em en e is a, nes e capí ulo, p ocu amos comp eende como
e a is o e lecionado o concei o de sus en abilidade ambien al no con ex o educa i o, quando os
en e is ados e am es udan es. Depois, p ocu amos aze um pa alelismo com o cená io a ual do
ensino, de modo a pe cebe mos quão di e en e e a a in eg ação do concei o de sus en abilidade
na época e a ualmen e. E po úl imo, es abelecemos um deba e de pe spe i as eó icas e p á icas
sob e a ele ância e abo dagens de ensino que, na pe spe i a dos docen es en e is ados,
pode iam con ibui pa a uma melho p epa ação dos u u os designe s.
4.1 RETROSPETIVA DOS PARTICIPANTES SOBRE A EDUCAÇÃO DO DESIGN SUSTENTÁVEL –
ESTUDANTES DE DESIGN E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Na gene alidade os docen es en e is ados ela am que não exis ia g ande p eocupação com a
sus en abilidade ambien al, e que o e mo sus en abilidade não e a ão badalado como hoje em
dia.
Ma ins (2024), eco da que: “…quando comecei a es uda es es emas na minha licencia u a, o
e mo ecodesign e a o e mo mais badalado. Es á amos odos p eocupados em que o design osse
ecológico… A de e minada al u a pe cebeu-se que, de ac o, o ecodesign não e a su icien e
enquan o es a égia. Passou-se a ala da sus en abilidade e eco eu-se a um concei o, já com
algumas décadas, de sus en abilidade, que é en a mos man e hoje ecu sos su icien es pa a que
as ge ações u u as con inuem a pode i e ão bem como nós i emos”.
Na opinião de Lopes (2024), a ques ão das ecnologias e dos no os ma e iais que es a am a
ganha des aque na época, e am de ac o o oco de a enção, e ainda não se ala a mui o de
33
sus en abilidade: “As pessoas ala am de sus en abilidade…” no en an o”…eu enho a ideia que
nós es á amos mais a en os à ecnologia, ao c escimen o da pa e ecnológica, não ha ia áb icas
de adi i os, não ha ia ex ação, is o e a udo no o e odas essas coisas que su giam inham mais
p o agonismo do que as p eocupações sob e sus en abilidade ambien al”.
Bago d’ U a (2024), eco da que na al u a em que ez o seu mes ado, “esse ensino do design,
inha mui o a e com uma pe spe i a i aliana da época, do design minimalis a, do design u o da
Bauhaus. Depois começou a ha e aqui alguma sujeição às ma cas” (Bago d’U a, p3).
O mesmo e e e ambém que, “a adequação dos p oje os académicos naquela al u a, e a ligada
ainda aos p incípios do bom design, do minimalismo. Ao im ao cabo, acaba am po se mui o
mais sus en á eis po que não aziam mais do que e a p eciso na al u a. O design não es a a ão
dependen e das ma cas e da co ida aos me cados, e da di e enciação”.
Conside a se in e essan e aze um pa ên esis, sob e a opinião de Bago d’ U a (2024), quando
des aca que o ac o de o design na al u a não es a ão sujei o às ma cas, nem ão dependen e
da co ida aos me cados. É impo an e ale a que a ualmen e essa p essão conco encial,
p omo e a c iação e o lançamen o cons an e de no os p odu os:
“A a uação indi idual de uma i ma ao não lança no os p odu os e se iços pode signi ica a pe da
de uma a ia de me cado pa a emp esas conco en es” (Ribei o
e al
., 2023 p. 215).
O a, segundo es a isão iden i ica-se uma g ande con a iedade ace ca das p eocupações sob e
sus en abilidade na al u a em que os pa icipan es e am es udan es, e as que exis em a ualmen e.
En ão, numa ase em que se começou a ala mais sob e sus en abilidade ambien al, su ge es a
incoe ência, e o design começa a ica mais e ém das ma cas e do me cado. Bago d’ U a (2024),
ela a que a a i idade do designe na época, e a mais independen e do que o me cado p e endia,
do que é a ualmen e:
- “(…) i e um bocado o p i ilégio de pe ence a essa o nada de designe s, que apanha am a
pa e ecnológica, a pa e do me cado QB, mas que ambém não es a a ão esc a izado pelo que
o me cado p e endia”.
Ago a, em elação à p eocupação ambien al po pa e dos alunos as opiniões di idem-se. Po
exemplo Viei a (2024), c ê que os alunos êm cada ez menos in e esse, e que num ano em que
lecionou uma eó ica sob e sus en abilidade, econheceu que apesa de os alunos pa ece em e
essas p eocupações depois não as p a ica am em p oje o. “…hoje em dia eu no o que o in e esse
34
dos alunos é cada ez meno , no p oje o não há essa p eocupação… os alunos es ão mais
p eocupados em acaba o cu so do que em aze um bom p oje o”.
Es a pa ece se uma pe spe i a de exceção, is o que odos os ou os docen es conside am que
hoje em dia essa p eocupação ambien al é ans e sal a oda a sociedade, independen emen e da
ge ação ou p o issão.
“Eu ac edi o que odos e ão in e esse em sus en abilidade, du abilidade dos p odu os (…) é
impossí el ugi desse ema, a é po que os alunos ambém es ão sensí eis a isso. Os alunos que
nos chegam es ão sensí eis a essas ques ões. Po an o, não é di ícil in eg a esse assun o em
á ias disciplinas e abalhá-lo” (Ma ins, 2024).
Sousa (2024), ac edi a que com o p oblema do aquecimen o global, “c ises e ins abilidade
conjun u al que i emos, cada ez mais os alunos es ão p eocupados com es as ques ões… cada
ez mais, po que se ão eles que ão es a cá pa a e as consequências. P o a elmen e
pe cebe am, que são eles que ão e que lida com a pa e pio des e aspe o consumis a” (Sousa,
2024).
O docen e, c ê que a ualmen e es as p eocupações es ão na u almen e in eg adas nos p oje os
p opos os pelas escolas: “Cada ez há mais p oje os na escola que êm den o desse âmbi o, que
e le em de alguma o ma, p eocupações com es as ques ões. Po isso, sim, acho que es as no as
ge ações es ão cada ez mais despe as pa a es es p oblemas elacionados com a obsolescência”
(Sousa, 2024).
Exis em ou os au o es que ambém cons a am que, “Designe s p o issionais e educado es de
design es ão len amen e a econhece que não é somen e “bom e ” sus en abilidade, mas que é
um equisi o no design” (Faludi
e al
., 2023, p. 1).
6
Embo a se econheça que o e mo sus en abilidade es eja hoje disseminado nos cu sos de design
e na sociedade em ge al, econhece-se ou os iscos: “…hoje em dia as pessoas es ão mais
sensibilizadas pa a isso, mas o assun o ambém é mais acilmen e banalizá el” (Bago d’ U a,
2024).
Já Vic o Ma golin (2014), des aca a que o e mo "Design" o nou-se ão a a i o que á ias
o ganizações, cujos obje i os e in enções de e iam se ques ionados ou ao menos deba idos, êm
ado ado o concei o. O au o menciona como exemplo, o Fó um Económico Mundial, ealizado
6
T adução li e: “Inglês” (Faludi
e al
., 2023, p. 1) “P o essional designe s and design educa o s a e slowly acknowledging ha sus ainabili y is
no longe a “nice o ha e” bu a equi emen in design.”
35
anualmen e em Da os, na Suíça, onde líde es polí icos, minis os das inanças, CEOs de g andes
emp esas e bilioná ios se eúnem. Esse ó um c iou o seu p óp io Conselho de Design e Ino ação,
e a Clin on Global Ini ia i e de 2012 e e como ema cen al o "Designing o Impac ".
“O p oblema de es as o ganizações ado a em es a égias de Design pa a abo da em p oblemas
sociais é es a em a c ia alsos modelos de Design a i is a…” (Ma golin, 2014, p. 94).
Faludi
e al
. (2023), e e em que, pa a que a indús ia in eg e o design sus en á el, a educação
em design de e in eg a a sus en abilidade em g ande escala: “Como a educação em design
consegue aze isso?”.
7
O g upo de abalho “O Fu u o da Educação em Design na á ea de sus en abilidade” ap esen ou
ecomendações elacionadas com es a ques ão: “Dada a g ande escala, complexidade e desa ios
dos p oblemas de sus en abilidade, an o a indús ia quan o a academia ainda es ão em p ocesso
de ap endizagem sob e como p oje a soluções pa a esses emas. Di e sas e amen as, mé odos
e abo dagens de design sus en á el êm se desen ol ido ao longo dos anos, e essa e olução es á
longe de e mina ” (Faludi
e al
., 2023, p. 1).
Bago d’ U a (2024) eco da que na época em que se licenciou na IADE (Ins i u o de A es Visuais,
Design e Ma ke ing), exis ia na u almen e uma p eocupação pa a o p oje o se sus en á el, is o é:
“… inha-se essa pe spe i a mais c í ica ao desenha , que não osse mais do que e a necessá io,
que não hou essem mais ma e iais do que e a necessá io, que não hou essem ope ações
p odu i as pa a lá daquelas que e am as necessá ias pa a o p oje o cump i a sua unção”.
O mesmo a i ma ainda que a ualmen e obse amos uma si uação an agónica nes a pe spe i a de
consegui mos um design sus en á el: “…hoje, mui as ezes, o p oblema ol a-se ao con á io.
Como é que se di icul a a p odução? Como é que exaspe o de e minadas ques ões mais
deco a i as… com ma e iais mais nob es, e c… que depois ão jus i ica se em conco en es das
coisas que já exis em. E o p oblema hoje é que há coisas a mais, e depois c iam uma maio
subs i uição”.
Pois bem es a ideia, anspo a-nos pa a um cená io con adi ó io. Numa a u a em que se
econhece que o e mo sus en abilidade é in ínseco ao p ocesso p oje ual, e, que se cen a na
c iação de ambien es e p odu os que solucionem as necessidades sociais, obse amos uma
p á ica que es imula uma sociedade consumis a. Embo a apenas enha sido e idenciado em uma
7
T adução li e: “Inglês” (Faludi e al., 2023, p. 1) “Because o he shee scale, di icul y and complexi y o sus ainabili y p oblems, indus y and
academia a e s ill lea ning how o design o i . Many sus ainable design ools, me hods, and mindse s ha e e ol ed o e he yea s—and e olu ion
will con inue”.
36
das en e is as, es e aspe o pa adoxal da in eg ação do concei o de sus en abilidade ambien al no
con ex o educa i o, conside amos que é impo an e des aca , e enco aja o deba e des a ques ão.
O ac o de cada ez mais u iliza mos o e mo sus en abilidade nos p oje os, nos p odu os e nas
es a égias de ma ke ing, não que ob iga o iamen e dize que es amos a se mais sus en á eis.
Po ou o lado, en ende-se que con inuamos a alimen a uma sociedade de maio desca e, maio
consumismo, e que possuímos cada ez mais coisas, que nos o nam e éns de uma maio
subs i uição ou conce o das mesmas.
P o a elmen e, ao in és de ulga iza mos o e mo sus en abilidade ambien al, de e íamos ado a
nas nossas idas pessoais, nos nossos abalhos e nas nossas escolas um es ilo de ida mais
minimalis a. “…a ques ão de i e mos com menos acho que é ambém um ema que de e se
abalhado” (Ma ins, 2024).
Dos dados ecolhidos, conside amos ele an e des aca que qua o dos cinco pa icipan es azem
e e ência à impo ância da coope ação en e o design e a engenha ia. Ma ins (2023) em
e ospe i a desc e e que quando ez o seu mes ado em Design Indus ial na FEUP (Faculdade
de Engenha ia da Uni e sidade do Po o) em colabo ação com a ESAD (Escola Supe io de A es
e Design), es e ipo de pa ce ia e a pouco usual nas licencia u as em design, ainda que osse
econhecida a impo ância da Engenha ia. “Foi impo an e po que nós i emos p o esso es de
engenha ia e p o esso es designe s. Os mes andos da á ea do Design inham aulas de
Engenha ia, e nós ínhamos colegas de Engenha ia que inham aulas de Design… depois ha ia
aulas comuns, disciplinas comuns. Foi in e essan e … i emos boas discussões en e o Design e
a Engenha ia” (Ma ins, 2024).
Lígia Lopes (2024), menciona que no mes ado de design indus ial e de p odu o onde é docen e,
ambém exis e, uma pa ce ia en e a FEUP e a FBAUP (Faculdade de Belas A es da Uni e sidade
do Po o). O abalho em equipa é semp e aquele que nos az an agens, e no caso des a pa ce ia,
“…is o az-nos alências mui o pa icula es… e mos acesso a pessoas da engenha ia, e mos as
indús ias, e e mos o nosso lado mais c ia i o, concep ual e explo a ó io das belas a es…” (Lopes,
2024).
Ainda Lopes (2024), e a a-nos uma expe iência dessa pa ce ia que os seus alunos i e am no
ano le i o de 2022/2023: “… es i emos a abalha com despe dícios de cascas de alho, e
p oduzimos um bioma e ial. Mas, depois i emos que medi quan o é que cus a, ele icidade,
ene gia, depois a cozedu a, o gas o de água no c escimen o do alho… há uma p opo ção que em
37
que es a alocada à casca, po an o, udo é con abilizado. E é p eciso con abiliza , quan o é que
se gas a ambém na ecupe ação. Isso é essencial pa a escla ece e pelo menos pa a o na cla o
o p eço do ciclo de ida”.
Es e exemplo ajuda a cla i ica a noção de quão undamen al é con inua com es a p og essão
in e disciplina pa a consegui mos um p odu o ealmen e sus en á el, no que diz espei o ao seu
ma e ial, ao seu p ocesso, e à sua obsolescência.
“essas indús ias mais pesadas e mais sis ema izadas, é ób io que em que e essa isão
engenhei ís ica… são p odu os que ao se em eplicados em massa êm consequências b u ais no
meio ambien e” (Bago d’ U a, 2024).
Em elação a es e aspe o da colabo ação in e disciplina , expomos ainda um p oje o da au o ia de
Daniel Viei a (2024), um a o de esg ima compos o po um êx il in eligen e, que em ez de e
apenas alguns senso es localizados no a o que espondiam ao oque, o p óp io a o, a a és desse
ecido in eligen e, econhecia o oque em qualque pa e. O p oje o dependia de um disposi i o
pa a “… en ia a in o mação pa a algum lado. Seja ele g ande ou pequeno, que dize , enho que
e alguém, um engenhei o pa a me ajuda a aze is o, pa a e qualidade” (Viei a, 2024). O
mesmo acaba po eco da que esse p oje o só se o na ia exequí el com o auxílio de ou os
p o issionais: “Na e dade, eu sen i al a de e uma pessoa, um p og amado e um engenhei o…
abalha em equipa… não da a pa a aze sozinho” (Viei a, 2023).
A a és dos ela os dos pa icipan es, supõe-se que, na al u a em que e am es udan es, ha ia
menos consciência e discussão sob e o ema, ao passo que hoje o cená io é bas an e di e en e.
A sus en abilidade em indo a o na -se um ema essencial e indissociá el do design a ual, ainda
que alguns docen es en e is ados econheçam que a sua aplicação p á ica ainda ap esen e
di e sos desa ios, alguns deles impos os pelas p essões do me cado e consumismo.
Po ou o lado, a ligação en e o design e ou as á eas, como a engenha ia, e ela-se cada ez
mais impo an e pa a c ia soluções que sejam ealmen e sus en á eis. P oje os que jun am a
pa e c ia i a com o lado mais écnico, p o am que o design sus en á el ai mui o além da simples
escolha de ma e iais ecológicos, mas, que exige uma e lexão sob e odo o ciclo de ida dos
p odu os. Deduz-se assim que o u u o do design sus en á el ai depende da capacidade das
escolas, em p opo ciona em um ensino mais ab angen e, que p epa e os designe s pa a en en a
os desa ios ambien ais.
38
4.2 OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA NO CURRÍCULO – INICIATIVAS PARA RETARDAR A
OBSOLESCÊNCIA DOS PRODUTOS
No que oca à in eg ação da Obsolescência P og amada no cu ículo de uma Licencia u a em
Design de P odu o, as opiniões dos en e is ados di e gem embo a a maio ia es eja con encida
que ela es á simplesmen e in eg ada no p ocesso p oje ual.
Ped o Sousa (2024) c ê que a ualmen e nos cu sos de Design de P odu o, exis em “cada ez mais
p oje os na escola den o desse âmbi o, que e le em de alguma o ma, p eocupações com es as
ques ões. C eio que as no as ge ações es ão cada ez mais despe as pa a p oblemas
elacionados com a obsolescência p og amada nos p odu os” (Sousa, 2024).
Ma ins (2024), conside a que “a ques ão da obsolescência es á na u almen e in eg ada na
discussão do desen ol imen o do p odu o. Ela ai su gindo na u almen e como ou os emas que
azem pa e do p oje o do p odu o” (Ma ins, 2024).
Ele c ê que na a ualidade, a gene alidades dos jo ens es á despe a pa a os p oblemas ambien ais
que os odeiam e a i ma que es a é uma ques ão incon o ná el:
- “… hoje é impossí el ugi desse ema. Eu ac edi o que odos e ão in e esse em sus en abilidade,
du abilidade dos p odu os. A é po que os alunos ambém es ão sensí eis a isso. Os alunos que
nos chegam es ão sensí eis a essas ques ões. Po an o, não é di ícil in eg a esse assun o em
á ias disciplinas e abalhá-lo”.
Nes seguimen o, do seu pon o de is a, a obsolescência dos p odu os es á ambém inse ida de
o ma o gânica no p ocesso p oje ual e não exis e a necessidade de des aca o concei o de
obsolescência p og amada, de ele á-lo a ou o pa ama : “…nós, quando es amos a abalha com
os alunos, já es amos a pensa o que aze depois do p odu o acaba , depois do seu ciclo de ida
ú il e mina . O que é que se az ao p odu o quando ele se o na obsole o. Pa a onde é que ai?
Vamos eu iliza algo? Vamos desmon á-lo e sepa a os componen es em e mos de ma e iais e
coloca nos ecopon os? Mas pa a essa sepa ação se e icaz, nós ambém emos que a desenha ,
emos que a p oje a ” (Ma ins, 2024).
Já Viei a (2024) ac edi a que “o concei o de obsolescência de e ia es a mais in eg ado no
cu ículo académico”. Pa a ele, “… a in eg ação do es udo da obsolescência dos obje os no
cu ículo académico de Design de P odu o é impo an e. E alo nisso po que os obje os são cada
45
De aco do com es a isão es a égica, de a a és do desenho, aze com que se e a de a
obsolescência dos obje os, Daniel Viei a des aca dois exemplos:
- Um a a és da compa ação en e duas ma cas de au omó eis, e ou o, um p oje o de sua au o ia:
“A Tesla no que diz espei o ao seu desenho demons a ealmen e uma p eocupação po ás dos
seus p odu os, em es ica a ida ambém daquele desenho… Mas se se en a no si e da Audi,
pe de-se a con a dos au omó eis que es ão lá. O in ui o da ma ca se á mesmo o meio ambien e?
É a ecei a, que -se semp e es a a aze e a des aze ” (Vie ia, 2024). Como segundo exemplo,
Viei a (2024) ela a “…um saco pa a a Bu el, em 2010 e ainda es á a se bas an e come cializado
em 2024. É de lã i gem, e embo a não enha sido pensado nesse sen ido é um ma e ial
sus en á el… mas em a e mui o mais com o desenho… e com o lado icónico” (Viei a, 2024).
Figu a 5Tesla model3
Figu a 6 Mala 0Kcal da ma ca Bu el
Viei a (2024) eco da ainda, obje os que desenhou pa a a indús ia que se o na am icónicos na
ma ca, nos quais a sua p eocupação ao desenha , oi semp e en a que o obje o du asse o
máximo possí el.
Ou o p oje o conside ado bem-sucedido con a as consequências ambien ais p o ocadas pela
obsolescência p og amada, oi-nos ela ado po João Ma ins. O p oje o é de sua au o ia e oi
desen ol ido no âmbi o da sua pós-g aduação em Design Indus ial que ez, em 1998, no Cen o
Po uguês de Design:
- “Foi impo an e po que desen ol i uma pale e plás ica que ainda hoje é p oduzida. E é uma
ma ca ambém, desenhei a pale e em 1998… é po que con inuam a ha e ca ac e ís icas álidas
46
naquele p odu o, que az com que a emp esa con inue a p oduzi … A ques ão da du abilidade
ambém me em acompanhando ao longo dos anos” (Ma ins, 2024).
No seguimen o da sua ca ei a académica, e do seu dou o amen o na á ea da sus en abilidade,
cujo í ulo da ese é “A du abilidade dos clássicos do design como ins umen o de apoio ao
p ocesso de conceção de p odu o: 10 p incípios pa a o p oje o” (2015), Ma ins (2024) c ê que,
“u ilizando es a ma iz de p incípios aplicados ao desenho desses p odu os… dão-lhes po encial
pa a du a em mais”.
No en an o de emos e a consciência de que, “um p odu o em isco de obsolescência uncional
eque es a égias di e en es de um p odu o com obsolescência psicológica. Po exemplo, os
componen es mecânicos das máquinas de la a não p ecisam se abo dados de uma pe spe i a
es é ica”(Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 5).
9
Ped o Sousa (2024), quando ques ionado sob e que exemplos bem-sucedidos no comba e às
consequências nega i as da obsolescência p og amada, nomeou apenas “um, com um g upo de
apazes na Suíça. Uma cen al que aspi a o oxigénio, que passa po uns il os que e i am CO2
da a mos e a, que depois ol am a u ilizá-lo. Po que o CO2 ambém é impo an e pa a a ixação
dos solos, pa a as plan as. Eles êm um p oje o eng açado. Mas são o único p oje o que eu
conheço de limpeza e de manu enção do ambien e” (Sousa, 2024).
Uma ou a es a égia, que Paulo Bago d’U a de ende pa a que se alo ize um p odu o e com is o
man ê-lo du an e mais empo, é a a és do alo que o p ocesso pode ac escen a ao obje o. Ele
ilus a es a ideia com um exemplo de Gae ano Pesce:
“Gae ano Pesce abalha a mui o o plás ico como um p odu o di ícil de ecicla , mas onde a
p odução e a ei a po injeções de plás icos alea ó ios, po an o, qualque cadei a ou mesa ou
ou a coisa qualque , po se alimen ada ou inje ada alea o iamen e, da a semp e p odu os
di e en es”, e “…ao comp a uma coisa assim, sei que mais ninguém em aquela cadei a, po an o
nunca ai des alo iza . É semp e o p ocesso que se calha puxa pa a o alo da peça” (Bago d’
U a, 2024).
9
T adução li e: “Inglês” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 5) “A p oduc a isk o unc ional obsolescence equi es di e en s a egies han one
wi h psychological obsolescence. Fo example, he mechanical componen s o washing machines do no need o be app oached om an aes he ic
pe spec i e”.
47
Após uma obse ação colocada po Daniel Viei a, que conside a que na gene alidade o calçado
du a pouco, “… é ei o pa a du a pouco. As solas podiam se mais esis en es, podiam se áceis
de subs i ui … coisa que acon ecia nos sapa os mais an igos. Hoje em dia não” (Viei a, 2024),
Lígia Lopes ê numa ma ca de que é consumido a, uma solução pa a es e p oblema pa icula :
- “Sou ã da Campe e já i alguns p odu os deles, nomeadamen e há algumas p eocupações… a
ideia é o og a a mos os nossos, podemos de ol e ais sapa os e en abiliza isso em e mos de
c édi o, e depois e o mulam o ma e ial. No undo, c eio que é uma o ma de c édi o, ou seja,
dizemos quan os sapa os que emos de ol e , o og a amo-los e con amos a sua his ó ia… es á, a
na a i a da pa e emocional… e quando eles me pe gun a em es a ques ão da na a i a, ou
p eenche a his ó ia” (Lopes, 2024).
Pa a inaliza demons ando que c ia um p odu o sus en á el depende de mui os a o es, como
o ma e ial, o desenho, o p ocesso e a indús ia, deixamos um úl imo exemplo que pode á cla i ica
a complexidade des a p oblemá ica:
- “A minha ese inha a e com a geome ia de um banco pa a a Fia , inspi ada no osso do
p e igoide da se pen e indiana, que em uma de e minada geome ia que esis e mui o à mo dida.
En ão aquela geome ia ei a num ma e ial di e en e podia se um ma e ial mais plás ico. Não i ia
poupa na química daquele ma e ial, mas em udo que e am os componen es no mais dos bancos
de au omó eis: e o, espumas, molas, en im… en abilizando mui o mais o espaço in e io do
au omó el, endo a es abilidade da c iança que ai a ás, esis indo mui o mais ao impac o, com
um ma e ial mui o ligei o, mas com uma geome ia p óp ia, consegui ia e p es ações mui o
melho es pa a aguen a impac os”.
“são coisas que depois são endidas, são de endidas po essas emp esas, são aplaudidas, mas
di íceis de po em p á ica po que os lobbies do me al e da indús ia au omó el são eno mes»
(Bago d’U a, 2024).
Cons a amos que a complexidade que es á po de ás do que se pode conside a um p oje o
sus en á el do pon o de is a ambien al é na e dade mui o di ícil de de e mina e con ola . No
en an o, salien amos ês es a égias que pa ecem con ibui pa a a sus en abilidade ambien al.
A p imei a es a égia a des aca é uma es é ica in empo al dos p oje os, um desenho que não siga
endências de me cado, e assim, não icando e ém de modas passagei as. A segunda ideia
48
suge ida é a de esga a pa a o p oje o o que ca ac e iza os clássicos do design, po que é que eles
du am an o, que ca ac e ís icas êm esses p odu os e como é que podemos in oduzi essas
ca ac e ís icas no p ocesso de design a ual das unidades cu icula es. O e cei o des aque é o
p ocesso de p odução se uma ia pa a ac escen a alo ao p odu o, e a a és desse alo
ac escido o consumido ica mais elu an e no momen o de o desca a .
Con udo, “Ainda há mui o po explo a no que espei a aos p odu os que nos são u eis de modo
sus en á el” (Ma golin, 2014, p. 74).
Es es exemplos de p oje os são elucida i os da consciência dos en e is ados sob e a u gência de
in eg a concei os de sus en abilidade nos p oje os c iados pelos designe s, passando po uma
o imização de ecu sos e es a égias que esul am dessa consciência sob e a obsolescência dos
p odu os, de o ma a p ese a o meio ambien e.
Independen emen e das inúme as a á eis e impedimen os no e eno, o designe em a missão
de c ia p odu os que espondam às necessidades do consumido , mas ambém conside a que
os ecu sos do plane a, sendo limi ados, de e ão não apenas sa is aze a sociedade a ual de
consumo, mas se i em ambém as u u as ge ações.
4.4 IMPACTOS DA OP NAS DIVERSAS DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE
É impo an e escla ece , que a OP em impac os nas á ias dimensões da sus en abilidade,
nomeadamen e na sus en abilidade económica, na sus en abilidade social e na sus en abilidade
ambien al. Realmen e, an o dos dados ecolhidos pela e isão bibliog á ica como pelos dados
ecolhidos das en e is as, não encon amos mui as in o mações que elacionem o concei o de
obsolescência com as á ias e en es da sus en abilidade. No en an o, encon a am-se algumas
ci ações que azem e e ência, à elação, en e design e os á ios ipos de sus en abilidade, e é
a a és des as que se p e endem aze conexões, que e idenciem os impac os da Obsolescência
P og amada (OP).
4.4.1 IMPACTOS DA OP NA SUSTENTABILIDADE ECONÓMICA
Como já oi mencionado a OP oi uma e amen a c iada p ecisamen e como uma solução
económica, pa a pô im à “G ande Dep essão” económica nos EUA. Que -se com is o dize que
49
é imp escindí el con ex ualiza a OP do pon o de is a da sus en abilidade económica, mesmo que
seja com uma b e e no a, is o que o es udo em ques ão seja na á ea do Design.
“Quando se ala em obsolescência, é p eciso pensa an o no p oje o dos p odu os que in luencia
di e amen e na du abilidade deles, quan o na o ma como a economia se o ganiza pa a a p odução
de bens” (Ribei o
e al.,
2021, p. 218).
Segundo Ma ins (2024) os clássicos de design de uma de e minada emp esa que êm essa
ca ac e ís ica de du abilidade, são um ou dois p odu os de uma gama de in e, in a, qua en a
ou cinquen a, e c. Ma ins ilus a es a ideia com a ca e ei a da Biale i, que e á comp ado há
sensi elmen e in e anos. “E eu penso assim… en ão, se o em odos os p odu os assim, a
emp esa não sob e i e ia inancei amen e com ce eza” (Ma ins, 2024).
De e-se en ende que o modelo económico igen e, i e da cons an e ab icação de no os
p odu os que po sua ez ge a pos os num me cado de abalho, consumo e compe i i idade das
emp esas no me cado, e es á udo in e ligado. “A a uação indi idual de uma i ma ao não lança
no os p odu os e se iços pode signi ica a pe da de uma a ia do me cado pa a as emp esas
conco en es” (Ribei o
e al
., 2023, p. 218).
Na o mação dos u u os designe s se á necessá io con on a e sensibiliza as p óp ias emp esas
sob e o excesso de p odução e os danos que elas podem es a a causa no pano ama que
a a essamos de sus en abilidade ambien al. Mas ambém é impo an e escla ecê-los, que eles
es a ão inse idos num me cado que necessi a de p oduzi cons an emen e no os p odu os pa a
que exis a essa sus en abilidade económica, como é ci ado no ópico da con ex ualização e
delimi ação da in es igação, no capí ulo da in odução.
Dois pa icipan es ela am que os alunos não es ão p op iamen e amilia izados com o que
signi ica ealmen e sus en abilidade económica. Lígia Lopes (2024), e e e que no início das suas
aulas, cos uma coloca um exe cício aos alunos, pa a escolhe em en e um a ês exemplos de
p oje os que conside em sus en á eis e jus i ica :
- “… eles êm com p oje os mui o pa icula es de designe s que c ia am as p óp ias emp esas
que êm uma cena mui o a a i a e que esba am na ques ão económica, po que não podemos
se sus en á eis se não consegui mos i e daquilo” (Lopes, 2024).
Ma ins (2024), ealça que a componen e social e a componen e económica são ambas
impo an es no concei o de sus en abilidade: “…hoje, sob e udo os alunos, quando ou em ala
de sus en abilidade pensam semp e que é sus en abilidade ambien al e não é só… Nós emos
50
essa esponsabilidade, po que se eu ou ala de sus en abilidade ambien al a uma emp esa, a
uma indús ia, ambém enho que ala da sus en abilidade económica. Nós azemos de udo pa a
in eg a concei os ecológicos nos nossos p odu os. A economia ambém é impo an e. Eu enho
que sob e i e enquan o emp esa” (Ma ins, 2024).
Conside a-se pe inen e con ex ualiza que o a o de p oje a de um designe es á in insecamen e
inco po ado num modelo económico, e de consumo, que mui os au o es conside am e
acassado.
“Alpe o i z é uma das inúme as pessoas a p oduzi in es igação ace ca da “No a Economia”,
cujas ideias a iam mui o – do e o mismo ao adicalismo – con e gindo, no en an o,
ela i amen e ao ac o do modelo igen e de capi alismo e acassado” (Ma golin, 2014, p. 93).
O economis a Sé gio La ouche undado da eo ia do dec escimen o económico, ac edi a que se
se pagasse o cus o eal de cada p odu o (dos ecu sos u ilizados, do consumo de ene gia, incluindo
o consumo indi e o do anspo e), is o é, se os anspo es pagassem o cus o eal do anspo e
conside ando que o pe óleo é um ecu so não eno á el, e pa a qual não há um subs i u o, os
cus os dos p odu os mul iplica am-se po in e ou in a ezes. (o an ás ico mundo da biologia,
2020). O economis a La ouche (2009, p.17), suge e que a sociedade de acumulação ilimi ada
es á condenada ao c escimen o, baseado na publicidade, no c édi o e na obsolescência acele ada
e p og amada dos p odu os, e de ende o dec escimen o económico como uma o ma de a a a
des uição do meio ambien e.
Os pa icipan es de aco do com es a isão, conside am que exis e de ac o a necessidade de uma
mudança, mas que es a, de e acon ece não só a um ní el económico, mas a um ní el global,
social e de polí icas.
“…não podem se mudanças de um p o issional. Tem que se uma mudança conjun a. Polí ica,
social, económica, ambien al. Tudo ao mesmo empo. Ago a, se calha a é os polí icos êm mais
esponsabilidade que nós ao aze em polí icas que, de alguma o ma, condicionam a subsis ência
ou a o eçam a du abilidade dos p odu os. E as emp esas, as indús ias, os se o es p odu i os
êm de es a ob igados a espei a essas polí icas, essas leis” (Ma ins, 2024, p. 12).
Pa a Sousa (2024), “a sociedade como um odo é que em que oma cada ez mais consciência
des as ques ões e se calha nou o modelo económico nou o modelo de o ganização de
sociedade” (Sousa, 2024, p. 5).
51
No os modelos económicos o am p opos os, como Donu Economics pa a uni delimi a as me as
ambien ais com as me as sociais dos obje i os de desen ol imen o sus en á el da ONU. “A
economia do dec escimen o ques ionou a ideia de que as emp esas e as economias de em
semp e c esce , e que as economias ci cula es possam alguma ez dissocia adequadamen e a
economia c escimen o do consumo de ma e iais” (Faludi
e al.
2023, p. 3)
10
.
T adicionalmen e, o c escimen o económico es á o emen e ligado ao aumen o do consumo de
ecu sos na u ais. Po an o, de modo a con ex ualiza , uma economia ci cula é um modelo
econômico que isa eduzi o despe dício, eu iliza ecu sos e p omo e a eciclagem pa a c ia
um ciclo sus en á el de p odução e consumo. A ideia cen al é minimiza a ex ação de no os
ecu sos e maximiza a eu ilização dos exis en es, eduzindo assim o impac o ambien al. A
ques ão é se as economias ci cula es podem, algum dia, ão ealmen e sepa a o c escimen o
econômico, da dependência de consumo de ecu sos ma e iais, o que é um dos g andes desa ios
pa a a sus en abilidade econômica e ambien al.
A ansição pa a um modelo económico, é uma ans o mação complexa e que es á dependen e
de di e sos a o es. De e se um p ocesso p og essi o, a é po que es a ansição inclui as
emp esas que p ecisam de con inua a abalha e a e luc os.
“… emos de da empo a que as indús ias, as emp esas consigam encon a es a égias pa a
compensa a e en ual pe da que aze menos p odu os ai aze ” (Ma ins, 2024).
A obsolescência p og amada usada adequadamen e é uma e amen a que pe mi e p og ama ,
p e e e an ecipa o empo de ida dos p odu os. O que é essencial pa a a o ganização duma
mic oeconomia numa pequena emp esa, e que po en u a p essupõe-se que esses dados sejam
ambém impo an es pa a uma economia de maio dimensão, como a de uma nação. Ac edi a-se
que o designe possa se esse agen e ans o mado , e que em sin onia com economis as e
polí icos possam aze pa e dum p ocesso de mudança pa a um modelo al e na i o ao modelo
económico a ual.
“Tal como os economis as são o mados pa a pensa a economia inancei a enquan o sis ema,
p ecisamos de pe i os que possam pensa a economia de despe dício de modo semelhan e. Os
10
T adução li e de: “inglês” (Faludi
e al.
p. 3) “Deg ow h economics ques ioned he idea ha companies and economies mus always g ow, and
ha ci cula economies can e e adequa ely decouple economic g ow h om ma e ial consump ion”.
52
designe s desempenham um papel essencial na passagem de uma economia insus en á el de
despe dício pa a uma economia sus en á el” (Ma golin, 2014, p. 41).
4.4.2 IMPACTOS DA OP NA SUTENTABILIDADE SOCIAL
Nes e pon o p e endemos apenas in es iga como a p ese ação do ambien e, a edução da
poluição e a sa is ação dos consumido es condicionam e, impac uam a sus en abilidade social.
Não é do âmbi o da in es igação demons a o que é sus en abilidade social, con udo ap op iamo-
nos do e mo, somen e pa a co elaciona a a ual sociedade de desca e e os impac os que ela
p o oca num ambien e sus en á el.
É impo an e en ende -se que o designe em um papel social undamen al, is o que ele desenha
pa a um público que es á inse ido numa cul u a, num e i ó io.
“As condições pa a c ia um p odu o es ão ge almen e inco po adas numa si uação, is o é, num
conjun o de ci cuns âncias sociais que eque em uma in e enção de Design ma e ial ou ima e ial”
(Ma golin, 2014, p. 55).
Esse desenho seja ele de um p odu o ou de um se iço ai in luencia o modo como o consumido
a ua sob e essa sociedade, no undo in luência odo o compo amen o dessa sociedade. Po
exemplo, se o p oduzido po um designe com maio es p eocupações sociais, es e p o a elmen e
ai e a mo i ação de desenha coisas que sa is açam as necessidades da classe média, um ou o
designe que não as enha, p o a elmen e desenha á pa a classes sociais mais al as que seguem
mais as endências de moda, que já imos que p o ocam um maio desca e e consequen emen e
esul am em mais despe dício pa a o ambien e.
“O u u o que en en amos implica p o undamen e os designe s, cujo abalho a a essa mui as
á eas. Eles são, de ac o, agen es com a capacidade de p oduzi o con ex o de p odu os e se iços
em que i emos” (Ma golin, 2014, p. 31).
Nes e subcapí ulo, encon am-se ainda menos e e ências de au o es e opiniões dos pa icipan es
em elação aos impac os que o design pode e , ou em, sob e sus en abilidade social. Mas
dep eende-se que haja uma conco dância en e qua o en e is ados sob e o ac o de o
consumismo, se mesmo uma azão que iabiliza e omen a a p á icas das indús ias, ao u iliza
53
de o ma pouco é ica a Obsolescência p og amada, supo ando-se na necessidade que o
consumido em de p o agoniza um papel social, de
s a us
, ligado a modas.
“Há uma g ande a ia da sociedade que a é p omo e e alimen a es a obsolescência… um ce o
público, es á semp e à espe a das no idades. E mesmo que as no idades não sejam signi ica i as”
(Ma ins, 2024).
O p oblema que aqui se põe é que, a indús ia u iliza ou os sub e úgios, como o ma ke ing, o
c édi o e al a de li e acia do consumido comum em design, que os azem esqui a das
esponsabilidades ambien ais, e p opiciam o consumo e a ilusão de pe ence a uma moda.
Viei a (2024) dá-nos disso um exemplo: “A Apple em a sua culpa no sen ido de c ia modas...
Quando comecei a usa a Apple, os componen es e am mais áceis de desmon a e i a … Se
pensa mos nas ba e ias dos elemó eis, que an igamen e se subs i uía com acilidade, hoje em
dia es ão ei os pa a se mais complicado (Viei a, 2024).
Também Bago d’U a (2024), menciona que “os ca os que êm um design com co es mais i as,
com po a-cha es mais b incalhões, são p oje ados pa a passa em de moda mui o ápido. Pa a
eu consegui amo iza o in es imen o naquelas coisas em di e en es sub e sões e em ex ensões
de gama de um p odu o que já es á pago, mas que ai c iando a u gência de moda” (Bago d’U a,
p. 7).
Ou o pa icipan e e e e que: “A necessidade dos consumido es, explo ada pelas ma cas,
ambém é um p oblema social mui o complexo” (Sousa,2024).
O au o Ma golin (2014), conside a que a missão do designe já oi mais simples do que é hoje
em dia, e a sua esponsabilidade mais ácil de de ini , e, sus en a es a opinião a i mando que,
“…podemos ex ai es a conclusão do g ande clássico do séc XIX, The G amma o O namen , de
Owen Jones: deco a ou da o ma a p odu os, oi no passado, a missão p incipal do designe .”
O au o suge e que essa missão, e a mui o cen ada num discu so de design limi ado á o ma
isual e á unção mecânica, e que o pano ama ambien al no passado não ca ecia da a enção que
ca ece a ualmen e. “John Ruskin e William Mo is exp essa am p eocupações elacionadas com
o abalho e com a qualidade dos p odu os, mas não demons a am p eocupação com o uso
des es, uso esse que, no inal do século XIX, ainda não ge a a as mesmas consequências sociais
que ge a no p esen e”
A ques ão, é que o consumido pa ece assumi dois papeis nes a p oblemá ica, po um lado de
í ima duma p á ica ilegí ima po pa e de indús ias, que u ilizam a OP a seu a o com es a égias
54
de ma ke ing, que explo am a sua al a de li e acia em design, e o manipulam c iando lhe desejo
e necessidade de comp a pa a pe ence a uma moda.
“Em elação à obsolescência po desejabilidade, no a-se que sua oco ência incide di e amen e
sob e a u ela dos consumido es con a as p á icas abusi as ao incen i a o consumo le iano,
u ilizando-se, mui as ezes, de sua igno ância pa a lhe conduzi a no as comp as. Também
conhecida como “obsolescência subje i a”, a obsolescência po desejabilidade dá ensejo ao
consumo compe i i o, omen ando a p essão social pa a se adqui i no os bens de consumo
ei e adamen e e no compasso deli an e do me cado capi alis a” (San os, 2017, p. 121).
Po ou o lado, o consumido ambém é esponsá el po p á ica das indús ias, po que ele p óp io
as alimen a, e deixa-se le a sem espí i o c i ico po esse consumismo desen eado, ade indo a
modas e deslumb ando-se pelo lado es é ico dos obje os, pe dendo a capacidade conscien e de
a alia a du abilidade es é ica, de ma e iais, e ou as no momen o de comp a de um p odu o.
Ma ins (2024) e e e que, “…uma das componen es da Obsolescência, é a Obsolescência social
ou es é ica. Ou seja, eu olho pa a o p odu o, ele es á a unciona à pe eição, es u u almen e
man ém-se in ac o, mas já não gos o dele.” (Ma ins, 2024, p. 8).
Ao discu i mos a ques ão de quais se ão os impac os da OP na sus en abilidade social, conside a-
se ele an e abo da , “os a o es in e nos que a e am um hábi o de consumo”, aqui, “podemos
inclui an o as expe iências pessoais quan o o pe il sociodemog á ico do consumido .” (
Hábi os
de Consumo
, 2022).
Como e po que ai o consumido comp a um ou ou o p odu o? Seja de manei a conscien e ou
inconscien e, no a o de comp a , es amos cons an emen e a se in luenciados po di e sos a o es
que e le em as nossas decisões, e que nos ajudam a o mula opiniões, cos umes, adições e
hábi os. “…a escolha do consumido não é pu amen e acional e não é de e minada.” (
Hábi os de
Consumo
, 2022).
Um exemplo dessa in luência, é nos desc i o pela pa icipan e Lopes (2024), que conside a que
em dois mil e in e e um hou e, “uma mudança de pa adigma com a pandemia, po que as
pessoas e am um ecu so. O que nos o nou ambém mais consumis as, po que de ac o esse
desbloqueio ez nos con ia mais num sis ema, de que ago a ealmen e qualque coisa nos em
pa a a casa” (Lopes, 2024).
61
- “… pa e mui o dessa consciência que o designe de e e , em pe cebe odo o ciclo de ida do
p odu o” (Ma ins, 2024).
Ped o Sousa (2024), c ê que essa consciência social es á a aumen a , e que, cada ez mais, as
pessoas se p eocupam com a o igem dos ma e iais, como é que esse ma e ial oi p ocessado, e
embo a, julgue que a g ande maio ia ainda não es á a en a, nem in e essada.
Re o ça ainda es a mensagem que p e ende ansmi i aos seus alunos:
- “A g ande ques ão é u como designe e es semp e a consciência do que es ás a desenha .
A e ac os que du em, que não acabem apidamen e como o que acon ece ge almen e com as
ecnologias… en o semp e ale a os alunos, pa a soluções e ques ões c ia i as que a o eçam a
du abilidade, que pe du em no empo, que não sejam coisas que u apidamen e e desca as
delas” (Sousa, 2024).
“And ea B anzi, po exemplo, que e a ambém uma pessoa no á el nes a á ea, ez um li o na
al u a mui o impo an e, que e a Pome iggi à Média Indús ia (Pome iggi alla media indús ia.
Design e seconda mode ni à), com as indús ias pequenas e não à escala in e nacional. E ele já
na al u a dizia que o u u o ha e ia de se de abalha a pequenas escalas” (Bago d’U a, 2024).
Es e exemplo o e ece-nos o que conside amos se uma abo dagem p omisso a pa a o
desen ol imen o de consciência c i ica sob e a OP num jo em designe , que ing essa no me cado
de abalho. Po an o, ealça-se es a consciência aos alunos e u u os designe s como caminho
pa a a p omoção uma obsolescência p og amada u ilizada de o ma é ica, a im de a o ece o
meio ambien e, se á p oje a pa a a pequena e média indús ias.
Ainda nes a linha de aciocínio emos um ou o exemplo, que az uma abo dagem de sucesso ao
comba e da obsolescência p ema u a dos obje os:
- “…exis em pequenos gabine es de design de mobiliá io que ambém são ma cena ias. E azem
peças limi adas. Ob iamen e que os alo es são mui o acima dos ou os, mas há uma
p eocupação maio nesse sen ido da du abilidade dos p odu os. Não ais dei á-lo o a passado um
ano, há esse ca inho pelo obje o” (Viei a, 2024).
Segundo a maio ia dos en e is ados uma o ma de p opo e desen ol e uma consciência c í ica
sob e a OP nos alunos de design, é in undi a ideia de uma es é ica mais in empo al nos p oje os.
P opo o p incípio de p oje a com o oco numa es é ica que seja ealmen e du á el, pode á se
um meio pa a os consciencializa sob e a ase em que os p odu os que eles enham a desenha
62
se o nam obsole os e, consequen emen e, com as epe cussões que esse a o de p oje a êm
sob e o ambien e.
Lopes (2024), e e e que se i e mos a p eocupação de um design in empo al, ao desenha mos,
pode á se um bom caminho pa a e a da a obsolescência dos p odu os. “Cla o que exis em as
endências… exis em p odu os como as ecnologias que ge am endências… as aplicações ão
icando desa ualizadas… mas em p odu o podemos desenha pa a um empo mais ala gado”
(Lopes, 2024).
Da mesma manei a Ma ins (2024), e e e essa p eocupação na sua a i idade labo al, “P ocu o
ambém nos p oje os que eu p oponho aos meus alunos de alguma o ma, que às ezes não é
cla a, … in eg a es a ideia de que os p oje os sejam du á eis. Que eu os desenhe hoje e que eles
amanhã não es ejam obsole os, po que êm uma excelen e es é ica, uma es é ica não ligada às
modas, u ilizam ma e iais du á eis, es u u as du á eis…” (Ma ins, 2024).
Viei a (2024) p opõe a ideia de um p odu o “es e icamen e sus en á el”: - “Se o obje o
es e icamen e o sus en á el, is o é, consiga es e icamen e pe du a , e a indús ia e …
capacidade de o ende , o obje o es á à enda du an e anos. Se a ma ca não em essa dimensão
cul u al, o obje o pode a é e um lado mais icónico, ou mais in empo al, e ele con inua a ende ,
mas a quan idade não é mesma”.
No en an o, na his ó ia do design p essupõe-se que não se enha dado a de ida impo ância, ás
dimensões da obsolescência psicológica ou es é ica, o que az com que o desa io de c ia uma
es é ica in empo al é ainda maio . “no campo do design de p odu os, is o em sido no malmen e
conside ado apenas em e mos de du abilidade ísica, e não de du abilidade psicológica. Nesse
sen ido, o desgas e do ma e ial é o p incipal a o de obsolescência. Du an e a ase de u ilização
de um p odu o, a sua es é ica pode enco aja ou desenco aja o desejo do consumido de subs i uí-
lo” (Sie a-Fon al o
e al.
, p. 5).
15
Es e ipo de obsolescência da desejabilidade designada po Vance Packa d é de al modo
signi ica i a no momen o em que se decide man e ou desca a um p odu o, que segundo o au o
Sie a-Fon al o (2023), “embo a com odas as unções p á icas e de es é ica em bom es ado, o
15
T adução li e:”Inglês” (Sie a-Fon al o
e al.
, p. 5) “Howe e , wi hin he ield o p oduc design, his has ypically been conside ed only in e ms
o physical du abili y, a he han psychological du abili y. In his sense, ma e ial wea is a p ima y d i e o obsolescence. Du ing a p oduc ’s use
s age, i s aes he ics can encou age o discou age a consume ’s desi e o eplace i ”.
63
ac o do p odu o e um desenho ligado a um es ilo, p o oca uma necessidade de subs i uição po
ques ões ligadas a endências de moda.”
16
PRÁTICAS INDUSTRIAIS E OP
C ê-se que o su gimen o da OP, deu início a um ciclo causa-e ei o, ou seja, as p á icas indus iais
são condicionadas po um me cado conco encial e es e me cado é condicionado po uma
sociedade de consumo. P essupõe-se que seja obse ada pelo designe , uma necessidade do
consumido e da sociedade, e que ele á di a , e desenha o que é p eciso ou não pa a o me cado.
Mas não unciona de o ma assim ão simples, as g andes ma cas com pode no me cado ambém
di am as eg as.
Pa a B ondoni (2018), os p odu os são a inal elabo ados a pa i de pesquisas de me cado
conduzidas na maio ia das ezes pelas i mas líde es, “e um cus o mui o ele ado em de e minado
componen e pode aze com que a i ma líde desca e aquele o necedo se aquela al e ação não
o adequada pa a a es a égia come cial da emp esa” (Ribei o
e al.,
2021, p. 219).
Também o consumido desempenha c i e iosamen e uma unção de in luenciado no que oca às
p á icas que as indús ias possam ado a .
Ma ins (2024) elemb a, que quando começámos a e elemó eis, a ba e ia subs i uía-se, “depois
chega a Apple a dize assim: - não, os consumido es não que em subs i ui ba e ias, eles que em
subs i ui o elemó el… daqui a seis meses ou um ano, eles que em um no o ele one, não que em
só oca a ba e ia. O que é que eles ize am? Nós podemos a é e um compu ado mais ino e
is o pode cabe num en elope A4. Mas pa a isso a ba e ia não pode se subs i uída, em que se
in eg ada… mas o consumido Apple é is o que que ” (Ma ins, 2024).
O con á io ambém acon ece. O me cado ambém é condicionado pelas indús ias e as suas
p á icas, condicionando po sua ez o papel do designe nas emp esas. Tan o o design como o
designe coabi am num me cado indus ial e es ão sujei os a á ios a o es que o canalizam pa a
uma sociedade consumis a e de desca e. “O design não es a a ão esc a izado pelo que o
me cado que ia, não es a a ão dependen e das ma cas, da co ida aos me cados e da
di e enciação” (Bago d’U a, 2024).
T ês dos cinco en e is ados pa ilham da opinião de ou os au o es, sob e o papel do Designe
pode ou não e , no comba e a uma obsolescência p og amada abusi a, é es ingido pela o ça
do me cado e das g andes indús ias.
16
T adução li e: “Inglês” (Sie a-Fon al o
e al.
, p. 5)
64
“Po mui o que o design enha uma es é ica que du a mui o mais que ou o ipo de p odu o, as
emp esas não êm esse obje i o, a não se po exemplo aquelas emp esas de mobiliá io, mais
icónicas, com obje os de alguns anos, de design mais conhecido… não es ás a imagina a Apple
a que e que um p odu o du e 10 anos? Ago a há p odu os que, de ac o, são ei os pa a du a
pouco” (Viei a, 2024).
Ma ins (2024) menciona que isi ou algumas emp esas no deco e da sua in es igação, e que
semp e que ala a na du abilidade dos p odu os, as pessoas, da am um passo a ás. Apesa de
se um a o impo an e, as emp esas êm de con inua a abalha :
- “…é necessá io, emos que pensa sob e isso, mas, po ou o lado, emos aqui a pa e indus ial
que i e do consumo” (Ma ins, 2024).
Quando nos e e imos a p á icas indus iais de emos e a noção que elas es ão in imamen e
dependen es de polí icas indus iais, leis que es ingem essas p á icas.
Viei a (2024), suge e que “a p incipal ba ei a, no undo, é a indús ia. Po exemplo, a Bu el, que
é um endedo de sacos, no undo que é um
bes -selle
… a p óp ia di e o a da ma ca es a a a
dize … gos a a que osse nesse egis o, que se izesse com empo, e osse um
bes -selle
… nessas
emp esas esul a. Emp esas maio es, como a Apple, ou a Samsung, ou a ZARA, não que em esses
obje os. Como é que o designe dá a ol a a isso? Não dá. Eu acho que só a ní el polí ico se
consegue al e a es e pa adigma. Se hou e uma in e enção polí ica, com o obje i o de ob iga
g andes emp esas a c ia p odu os mais du á eis”.
“Alguns a é eem isso como uma ques ão ambien al elacionada aos negócios po que esul a em
mais esíduos e subs i uições equen es” (…) “…uma suges ão é e leis que es abeleçam uma
ida ú il mínima pa a os p odu os pa a ga an i que du em mais” (Sie a-Fon al o
e al.,
2023, p.
9).
17
4.5.2 DILEMAS ÉTICOS E PROFISSIONAIS
Ine i a elmen e, ao longo da sua a i idade p oje ual, os designe s são con on ados com dilemas
é icos, os seus alo es humanos en am em con li o com a p á ica que lhes é exigida no seu local
de abalho.
17
T adução li e: “InglÊs” (Sie a-Fon al o
e al.,
2023, p. 9) “Some e en see i as a business- ela ed en i onmen al issue because i esul s in
mo e was e and equen eplacemen s”.
65
Sob e es a emá ica Ma ins (2024) e e e: “… se nós designe s sabemos que emos
esponsabilidade, que mui as ezes essa esponsabilidade é-nos impos a…, se ocê não az é
despedido, mas ambém se é despedido ai ocupa um luga ou o designe que ai acaba po
azê-lo, ocê pe deu o emp ego e o ou o ganha o emp ego” (Ma ins, p. 2024).
Ainda que as p á icas possam es a di e amen e condicionadas po leis e po polí icas, de emos
ansmi i a ideia aos es udan es, que enquan o p o issionais, a sua p á ica em implicações
ambien ais. De e po isso, se -lhes incu ida a esponsabilidade de se em agen es de mudança nas
suas p o issões. “É in e essan e ale a os alunos pa a es as ques ões, são eles que podem aze
a p essão pa a as emp esas se consegui em ans o ma . Mas, como disse, ambém há coisas
que só se conseguem no mundo polí ico” (Viei a, 2024).
Ma golin (2014) ques iona-nos: “Onde os polí icos alha am, pode ão os designe s i a
desempenha um papel ele an e? Pode ão es es con ibui e icien emen e pa a a missão de aze
do mundo um luga onde sejam hon ados os di ei os de odos, e onde oda a gen e pa ilhe uma
espécie de solida iedade cole i a e ac edi e que os p oblemas globais se ão en en ados com
e dadei a esis ência e capacidade?” (Ma golin, 2014, p. 78).
Mais adian e o au o esponde: “Tal ez não seja ealis a ac edi a que os designe s ão sal a o
mundo, mas az sen ido econhece que o Design - quando p a icado com consciência é ica - é
uma das e amen as mais pode osas que a humanidade possui” (Ma golin, 2014 p.78).
Reconhece-se que há uma g ande a iedade de azões que le am um designe a exe ce uma
p á ica labo al, que, seja con a os alo es é icos e mo ais indi iduais desse p o issional: - “…as
emp esas são ob igadas ambém a esponde ao me cado… e aí o designe cla amen e em que
“dança con o me oca a música” se quise desenha pa a algo.” (Bago d’U a, 2024).
4.5.3 OUTROS CONSTRNGIMENTOS
“A p á ica de cons an emen e subs i ui equipamen os, po ém, não é económica e ecologicamen e
sus en á el no longo p azo. Po mais que o me cado de usados abso a pa e dos p odu os
subs i uídos, o es ímulo ao consumismo pode e uma sé ie de consequências inancei as pa a os
indi íduos, mas ambém ge a desca es desnecessá ios. Uma p á ica que busca lida com esse
p oblema em alguns se o es é a p esença de p odu os modula es” (Ribei o
e al.,
2021, p. 219).
66
Já e i icamos que exis em cons angimen os de di e sas na u ezas como, indus iais, polí icos,
económicos, sociais, quan o ao desenho e ao ma e ial aplicado no p oje o, e é nos suge ido, o
design modula como solução no comba e da obsolescência p og amada (OP).
“… iz alguns p oje os no âmbi o da disse ação, que inham a e com o design modula . Também
já com es a ideia de du abilidade dos p odu os” (…) “ob endo um design modula , que dize , se
o disco ou se a ba e ia, se es aga , se a a ia , se acaba o ciclo de ida, eu posso subs i ui e
man e o es o” (Ma ins, 2024).
O design modula é ap esen ado como uma me odologia p oje ual po á ios au o es (como Ribei o
e al
., 2021), que indica ambém se uma al e na i a álida, pa a ajuda a a enua os e ei os
noci os que o uso inadequado da OP p o oca no meio ambien e. Também exis e quem disco de
des e ipo de es a égia como comba e à OP, pelo con á io, o design modula como es a égia
p omo e ainda mais a subs i uição de p odu os: “alguns pesquisado es ac edi am que a
modula idade acele a a in odução e subs i uição de p odu os no subsis ema modula e ao ní el
de p odu o. Como esul ado, o desca e e a a ualização cons an e dos módulos aumen am e
sob eca egam ainda mais o ambien e” (Sie a-Fon al o
e al.
, 2023, p. 8).
18
Quando ques ionado sob e que p á icas indús ias pe pe uam a OP, Vie a (2024) esponde, que
mui as ezes são os p óp ios ma e iais que du am cada ez menos, p oduzidos po ma cas que
es ão cien es desse ac o. Embo a a ní el académico e a ní el de p oje o, se de a incen i a os
alunos a c ia em p oje os a pensa na ase pos e io à ida ú il do p odu o, an o Viei a (2024)
como Ma ins (2024) e e e que exis em limi ações inancei as do me cado: e e e que exis em
limi ações inancei as do me cado: “As p incipais ba ei as que um u u o p o issional de design
pode á en en a no comba e à obsolescência p og amada… são da p óp ia indús ia, de quem
em esponsabilidade em p oduzi ” (Ma ins, p.12).
Já Lopes (2024), julga que os p incipais cons angimen os que um u u o designe encon a á no
comba e à OP, se ão p incipalmen e de e minados “… pelas polí icas emp esa iais… do pon o de
is a do design indus ial e de p odu o”.
Bago d’U a (2024), alega que ou a ba ei a são os p ocedimen os igo osos e po ezes
complexos pa a a ac edi ação dos cu sos e das ins i uições pela Agência de A aliação e
Ac edi ação do Ensino Supe io (A3EeS). Nes e sen ido, uma mudança no modo como a OP é
in eg ada nos cu sos, não pode se nou a ia a não se a a és da A3ES.
18
T adução li e: “Inglês” (Sie a-Fon al o
e al.
, 2023, p. 8) “some esea che s belie e ha modula i y accele a es he in oduc ion and
eplacemen o p oduc s a he modula subsys em and p oduc le els. As a esul , he disposal and cons an upg ading o modules inc ease he
en i onmen al bu den”.
67
"A missão da A3ES consis e em ga an i a qualidade do ensino supe io em Po ugal, a a és da
a aliação e ac edi ação das ins i uições de ensino supe io e dos seus ciclos de es udos, bem
como no desempenho das unções ine en es à inse ção de Po ugal no sis ema eu opeu de
ga an ia da qualidade do ensino supe io "(
A3ES – Gabine e da Qualidade
, sem da a).
A p opósi o da al a de conhecimen o e in e esse po pa e dos consumido es comuns sob e o
design, Lopes (2024) suge e-nos o e mo “igno ância p og amada”, como ou a ba ei a que
di icul a o abalho do designe :
“Exis em ou as... Quando as pessoas es ão a abalha a ou os ní eis de design, eu acho que é
mais ácil... A pegada de uma página web, quando es amos a ala UX design, não em g ande
impac o. Nos p odu os, eu acho que passa e passa á semp e pela al a de cu iosidade... acho que
o g ande obs áculo é a igno ância p og amada. A al a de cu iosidade se á semp e maio que o
obs áculo”.
Julgamos e icado mais e iden e que a OP es á in insecamen e ligada a con ex os indus iais,
polí icos e sociais e iden i icamos a p essão do me cado, as es ições inancei as e a al a de
li e acia em design como obs áculos impo an es, a um desen ol imen o sus en á el, que ga an a
a du abilidade dos p odu os e e o ce o papel ans o mado do designe . Nes e sen ido,
sublinhamos a impo ância de incen i a es é icas du adou a e p omo e o design modula , como
al e na i as capazes de minimiza os e ei os nega i os da OP, mesmo econhecendo os desa ios
e con o é sias que ais abo dagens ainda en en am.
4.6 RESPONSABILIDADE DA ACADEMIA SOBRE OS IMPACTOS NEGATIVOS DA OP
“Todos nós somos compos os, não só po componen es biológicos que são passados de ge ação
pa a ge ação, mas ambém de um conjun o de expe iências e i ências que nos p opo cionam
um epe ó io que é adqui ido ao longo de oda nossa ida… esse epe ó io é o que de e mina a
o ma como pensamos, agimos, nos elacionamos socialmen e e es abelecemos nossos hábi os
de consumo” (
Hábi os de Consumo
, 2022).
En endemos que exis e uma p é-educação, ou um p é-conhecimen o no que diz espei o à
o mação de um indi íduo. Desde c ianças que nos amos ap op iando de compo amen os
esul an es das nossas expe iências sociais. Compo amen os esses, que dependendo da á ea a
que nos es ejamos a e e i , ão o mulando o nosso ca á e indi idual. Que seja no caso das
68
elações humanas, ou no caso da elação en e humano-obje o, que é a que em in e esse em se
explo ada, c ê-se que es a é uma ap endizagem que em desde c iança, na o ma como se c ia
laços ou não com o obje o.
Po an o, a esponsabilidade que a escola em sob e a educação de um aluno, e a manei a como
o ai ensina a agi na sua p á ica de design, es á á pa ida condicionada po esse epo ó io,
deixando disponí el ao docen e apenas um espaço pa a que ele possa in e i , e onde ele pode
ansmi i de e minados alo es e conhecimen os ao aluno, e consciencializá-lo.
Lígia Lopes (2024), é a única dos cinco en e is ados, que az e e ência a es e aspe o em
especí ico, ao suge i que essas elações com os obje os, de em ealmen e, “passa pelo ensino
básico…E não é sob e o design, é sob e o obje o. É o espei o pelos obje os… O design em depois,
mais a de (…)” (Lopes, 2024).
A docen e e e e que em con ex o de wo kshops ou sessões de g upo ocal, que o ganiza, cos uma
ale a os alunos pa a o seguin e ac o:
“... eu digo mui as ezes aos es udan es que eles êm que pensa na manipulação, a é que pon o
é que nós es amos a manipula , que es amos semp e. Se nós damos a uma c iança uma olha de
papel agua ela, com uma g amagem de 300 g amas, ele não ai e a mesma eação com um
papel de 80 g amas de o ocópia. Po an o, o espei o que ele em po aquele obje o, que pe cebe
que em um de e minado alo , ai se di e en e” (Lopes, 2024).
Lopes (2024), a i ma ainda que a o ma como en egamos um obje o a uma pessoa, ambém ai
de e mina o espei o que ela ai e po esse obje o, e o alo que lhe ai a ibui :
“A o ma como nós en egámos uma coisa a uma pessoa… e lá es á essa manipulação, que
dize , is o é uma coisa pin ada e não é pa a es aga , não é? As pessoas sen em… e ecebem essa
mensagem. Se en egámos um elógio a uma pessoa, e a o ma como o en egámos es amos a
dize se é pa a e cuidado ou se não há de e cuidado. Ago a, se empu amos um elógio com a
pon a dos dedos po cima duma mesa, a pessoa, quando o ecebe não ai e o mesmo espei o
po isso” (Lopes, 2024).
Como a i ma Papanek (1971): “Não exis e uma alo ização com p odu os, e desca amos como
se não i esse alo , o design passa a se descuidado com a segu ança e a qualidade dos
obje os.”
19
19
T adução li e de: “inglês” (Papaneck, 1971, p. 87) “When we design and plan hings o be disca ded, we exe cise insu icien ca e in design, in
conside ing sa e y ac o s, o hinking abou wo ke ”.
69
Es amos de aco do com o au o quan o ao design e sido negligen e com essa al a de qualidade
nos p odu os, e, com base na e isão bibliog á ica, apa en emen e essa ca ência na alo ização
dos obje os oi ins igada pelo ma ke ing, e en e ou as, po uma necessidade que se c iou no
indi iduo de pe ence a uma moda, e que c ia elações mui o le ianas e passagei as en e os
consumido es e os obje os.
“O me cado es á como es á, po que o design ajudou a a iça o indi idualismo das pessoas e as
ma cas sob e i em à con a das us ações das pessoas e de pô as pessoas a aze em in eja às
ou as que não podem e aquilo... E o design es e e ao se iço disso du an e mui o empo.” (Bago
d’U a, 2024).
Conside a-se u gen e encon a es a égias pa a ajuda a esol e a longo p azo es a p oblemá ica.
Julga-se que a educação pode á se a e amen a que abalha á na o igem des e p oblema, e que
pode á auxilia a mudança des e pano ama, com um design mais cuidado, e esponsá el no
u u o.
“A educação, a polí ica, e as polí icas educacionais êm que abalha nes a ques ão da
sus en abilidade e do obje o em si, do a e ac o, das coisas que eles consomem na escola, o
espei o pelos ma e iais” (Lopes, 2024).
Ma ins (2024), e e e que o designe é pa e da o igem do p oblema, mas, ambém é quem pode
con ibui pa a esol ê-lo: “Po an o, nós somos pa e do p oblema, mas ambém somos pa e da
solução. E emos assis ido a inúme as inicia i as e, cada ez mais, p odu os ecológicos, ma e iais
ecológicos, es a égias pa a aumen a a du abilidade dos p odu os e ou as es a égias. De ac o,
hoje, odos os designe s alam sob e isso e es ão p eocupados com isso” (Ma ins, 2024).
Alguns docen es ad e em que uma es a égia que pode á susci a nos u u os designe s maio
in e esse sob e as consequências ambien ais, que a p á ica de design p o oca ao c ia p odu os
que se o nem p ecocemen e obsole os, é sensibilizá-los a a és de exemplos malsucedidos.
Po exemplo, Viei a (2024), en ende que: “Uma o ma de chega es aos alunos mais ápido, é
chocá-los. Se eu mos a imagens de sí ios com lixo indo de ou os sí ios, e explica , es e ma e ial
em da Eu opa e dos Es ados Unidos. Às ezes chocá-los, é c ia ali um sen imen o, e, sob e udo
nas pessoas mais no as, po que elas ge almen e de endem a causa”.
70
Bago d’U a (2024), conside a ambém que “mos a -lhes maus exemplos é uma o ma de
sensibiliza os alunos pa a ques ões elacionadas com a sus en abilidade dos p odu os”. Seja
a a és de bons ou maus exemplos, e i ica-se que é consensual en e os en e is ados, que só
a a és do conhecimen o é possí el alcança soluções sus en á eis, que p omo am um
comp omisso sé io pa a p olonga a ida ú il dos p odu os. “Pa a se mos ino ado es emos que
conhece …mo i a mos os alunos pa a a pesquisa, pa a a in es igação, po que quan o mais
conhecimen o eles i e em, e mais in o mação eles consegui em adqui i , melho consegui ão
abalha es as emá icas ou in eg a es as emá icas nos seus p oje os.” (Ma ins, 2024).
Lopes (2024), conside a que de ido à mudança dos sis emas de p odução que emos assis ido
nos úl imos anos, é impo an e ale a mos os alunos pa a ques ões elacionadas com as
consequências dessa mudança, nomeadamen e o ciclo de ida dos p odu os. “Os sis emas de
p odução muda am mui o nos úl imos anos. Isso que dize , que nós ambém emos a ob igação
de nos in o ma mos mais sob e o ciclo de ida do p odu o, sabe a o igem dos ma e iais,
pe cebe mos os p ocessos de ab ico, e isso, po exemplo, ao ní el dos bioma e iais em sido
mui o desen ol ido…”.
Ped o Sousa (2024), desc e e que a sua condu a, an o na sua p á ica p oje ual, como enquan o
p o esso , passa po concebe e enco aja a c iação de obje os du á eis: “…a minha abo dagem
é en a semp e aze p odu os, que não sejam apidamen e desca á eis, que eu não es eja
cansado de e … E se u i e es essa consciência, se incu i es isso na escola, acho que os alunos
ambém começam a pensa dessa o ma”.
Uma ou a es a égia que Viei a (2024) acha que se pode á u iliza no ensino, pa a omen a a
du abilidade dos p odu os e com isso e a da a sua obsolescência, se á a a és da ilus ação de
exemplos du adou os, como os clássicos do design, e de p odu os pouco du á eis e os e ei os que
eles êm no meio ambien e: - “O comba e em que se ei o numa ques ão mais social. Is o é,
mos a -lhes que exis em p odu os que pode iam du a mais e du a menos, e o que é que eles
c iam no ambien e. Tem que ha e uma sensibilização nes e sen ido. E depois é pe cebe , o lixo
que es á em de e minadas comunidades, que u ilidade pode e ”.
En ende-se que o ensino em ge al, em a unção de possibili a um ambien e aos alunos p openso
á libe dade de exp essão e de pensamen o, e, que lhes p opo cione um luga onde eles possam
77
Uma p opos a que conside amos impo an e des aca da e isão bibliog á ica é o p og ama c iado
pelo go e no F ancês pa a ajuda no epa o de oupas e calçados, es e exemplo demons a uma
p eocupação em con a ia a p á ica do uso de obje os desca á eis, des acando-se como um
exemplo de espe ança, e a ando um pouco da ideologia que a in es igação p ocu a p omo e .
Po ou o lado, dos dados das en e is as ei as a uma amos a de p o esso es que êm expe iência
p á ica e académica na á ea de p oje o em design de p odu o, esul a am uma a iedade de
p opos as, es a égias, inicia i as e me odologias que isam a c iação de p odu os mais du á eis,
e que, po an o, e a dem a sua OP.
P ocu ou-se auscul a sob e que alo a ibuem eles à obsolescência em con ex o educa i o, e
uma descobe a que se e elou, é que a maio ia dos en e is ados c ê que a OP es á inse ida de
o ma o gânica no p ocesso p oje ual e não exis e a necessidade de ele a o concei o a ou o
pa ama . No en an o, Sousa (2024) e Viei a (2024), a i mam que o concei o de ia se mais
di ulgado, e Viei a (2024), indica ainda que se ia in e essan e lança uma unidade cu icula
o ien ada nesse sen ido, pa icula men e ocada no concei o da OP. O obje i o p incipal da
pesquisa, que isa a pe cebe se o concei o da OP es a a de idamen e in eg ado no cu ículo dos
cu sos de design de p odu o icou aquém do que e a espe ado. E a espec á el a in es igação e
essa hipó ese con i mada, con udo essa hipó ese oi pa cialmen e sus en ada a a és da e isão
bibliog á ica, nomeadamen e pelos au o es, Vic o Ma golin (2014) e Sie a-Fon al o
e al
.(2023).
Na sua maio ia, os docen es ambém julgam, que os alunos já es ão sensibilizados com a
du abilidade dos p odu os e com ques ões de sus en abilidade, como po exemplo a p eocupação
de p oje a o p óp io ma e ial com oco nessa sus en abilidade. “(…) a ualmen e conseguimos
aze a cons ução de no os ma e iais, os compósi os. Aliás, é uma das á eas que eu acho que já
e a mui o eme gen e, mas que hoje em dia, eu ejo cada ez mais os alunos des e mes ado
in e essados em abalha no ma e ial, no desenho do ma e ial, no p oje o do ma e ial. E,
e en ualmen e es a a sua aplicabilidade em obje os idimensionais” (Lopes, 2024).
“(…) no campo do design de p odu os, is o em sido no malmen e conside ado apenas em e mos
de du abilidade ísica, e não de du abilidade psicológica. Nesse sen ido, o desgas e do ma e ial é
o p incipal a o de obsolescência. Du an e a ase de u ilização de um p odu o, a sua es é ica pode
78
enco aja ou desenco aja o desejo do consumido de subs i uí-lo.” (Sie a-Fon al o
e al
., 2023,
p. 5).
22
Uma abo dagem des acada po á ios en e is ados, é a de incu i a ideia de p omo e uma
es é ica du á el, um desenho in empo al, que não es eja ligado a modas, e ique e ém delas.
Uma abo dagem nes e sen ido, esul a á num maio pe íodo em que os u ilizado es gua da ão o
obje o, po que não su ge nele essa obsolescência da desejabilidade, nem a necessidade de o
desca a pela sua es é ica.
Uma ou a p opos a é a c iação de p odu os que apelem a uma elação de apego com o
consumido . Is o é, que enham ca ac e ís icas que explo em es a elação emocional en e o
p odu o e o u ilizado , e, dessa o ma que o consumido não o quei a desca a , incen i ando-o a
conse a , e conse a du an e mais empo o obje o. Aqui suge em-se ês o mas que p opiciam
esse apego pelo p odu o: o p ocesso, a c iação de obje os de alo sen imen al, e a c iação de
edições limi adas. A a és do p ocesso de ab ico, a a és po exemplo, da manualidade u ilizada
no ab ico de uma peça adicional de id o ei a pelos id acei os de A ei o, ou da écnica de um
ilig anis a ba e o io que esul a num obje o que é único, e que pe mi e ao u ilizado e algo que
mais ninguém em. Os chamados obje os de alo sen imen al, ou elíquias pessoais, que
ca egam signi icados pessoais e amilia es p o undos, pe du am pelo ac o de possuí em ce os
aspe os iden i á ios que a o ecem uma o e ligação emocional com o u ilizado , e, que esul am
uma ez mais numa en a i a de os man e po mui o empo, po ezes, eles passam de ge ação
em ge ação. Embo a, os obje os de design eme am pa a a p odução em sé ie, mas, po se um
obje o que es e e em desuso e a ualmen e é equen e e jo ens com ele, ci amos a í ulo de
exemplo o anel de sine e. La ado com um b asão, de um nome ou ou o símbolo, em ou os
empos uncionou como uma espécie de assina u a em ep esen ação de um indi iduo (um
mona ca ou al o uncioná io) ou de um cole i o (um país/nação) e e a u ilizado pa a sela e
au en ica ca as. Uma e cei a o ma é c ia edições limi adas de um p odu o, endência que em
indo a aumen a e a se bem en endida po pa e das ma cas, que i am p o ei o da
obsolescência psicológica de inida po á ios au o es, c iando a ideia ao consumido de es a na
posse de um obje o que de êm mais alo .
22
T adução li e: “Inglês” ((Sie a-Fon al o
e al
., 2023, p. 5) “Howe e , wi hin he ield o p oduc design, his has ypically been conside ed only
in e ms o physical du abili y, a he han psychological du abili y. In his sense, ma e ial wea is a p ima y d i e o obsolescence. Du ing a
p oduc ’s use s age, i s aes he ics can encou age o discou age a consume ’s desi e o eplace i .”
79
Figu a 7 Ja a - Museu do Vid o, Ma inha G ande, Museum o Glass
Figu a 8 Ja a - Exemplo de Anel de Sine e com B asão Real
De e e i ainda, o design modula como uma es a égia usualmen e aplicada, que auxilia a c iação
de p odu os mais sus en á eis, dado que pe mi e subs i ui pa es do obje o dani icadas, ou
obsole as e man ê-lo em uso.
Uma me odologia suge ida po Bago d’U a (2024), que conside amos que se ia in e essan e
desen ol e e expe imen a no comba e á OP, oi a de uma g elha de a e ição, que con on a ia
di e en es p opos as do obje o que es i éssemos a c ia disc iminadas po ca ego ias, pelo ipo de
desenho, du abilidade dos ma e iais, ques ões ecnológicas, de usabilidade e ques ões mais
sociais ou simbólicas po exemplo. Com a a aliação de odas as ca ego ias pode íamos iden i ica
a p obabilidade desse p oje o esul a num ipo de p odu o com um maio , ou meno empo de
ida ú il. Uma me odologia de alguma o ma semelhan e à an e io , que en endemos ele an e
salien a , é um modelo p oje ual mencionado po Viei a (2024), que á conduzindo os alunos pa a
uma solução c ia i a mais comp ome ida com a du abilidade do p odu o. “… es e modelo e ia
ale as, ad e indo se o ma e ial se ia o mais indicado em e mos de du abilidade...se o desenho
se ia o mais indicado em e mos de du abilidade”.
Re e en e à a i idade labo al de um u u o designe , os docen es salien am a impo ância da
consciencialização aos alunos pa a que a o eçam a du abilidade na c iação de obje os. Den o
des a consciencialização inden i icamos á ias o mas de o aze .
80
Em p imei o luga , incu i a ideia que o designe é pa e da o igem do p oblema, mas, ambém é
quem pode con ibui pa a esol ê-lo. Que es e comba e de e se conseguido com uma abo dagem
social, sensibilizá-los que odas as ações e decisões que omam ao p oje a , êm uma implicação
di e a num u u o melho , ou pio pa a odos, incluindo pa a as u u as ge ações.
Em segundo luga incu i -lhes a esponsabilidade de que se ão agen es com capacidades de
ans o mação pa a um cená io ambien al mais sus en á el. Que os designe s de em ambém
p essiona e con agia as indús ias e a sociedade. Que é impo an e ale a mos os alunos sob e
as consequências das al e ações nos úl imos anos dos sis emas de p odução inclusi e no ciclo de
ida dos p odu os e que se de em c ia ou ein en a e amen as como a OP, de modo a c ia
uma cul u a de menos desca e.
A e cei a o ma é ansmi i -lhes a ideia de que abalha na pequena ou média indús ia, po
exemplo numa ma cena ia, o e ece-lhes mais acilmen e a opo unidade de c ia em obje os que
ão pe du a , edições limi adas ou obje os de au o com um alo ac escido, ajudando a p omo e
os negócios e ma e iais locais e, e i ando os anspo es de me cado ias, con ibuindo assim, pa a
um ambien e mais sus en á el.
Iden i icamos em seguida os cons angimen os da li e aplicabilidade da OP que conside ámos
mais ele an es. A ques ão da p á ica de design se encon a inse ida e cada ez mais esc a izada
po um me cado indus ial, e ela um eno me impedimen o pa a o designe na c iação de
p odu os que espondam às á ias necessidades sociais, económicas e de sus en abilidade
ambien al. Dep eende-se que uma imposição que não pe mi e uma aplicação sus en á el da OP,
é o ac o de es a mos inse idos e condicionados po um modelo económico que es á e ém de um
c escimen o económico bas an e acele ado. E, o ac o de o empo pa a desen ol e um p odu o
se cada ez mais cu o, az com que os es es de du abilidade e in e ação en e subsis emas dos
p odu os seja adap ado a esse empo cada ez mais cu o, eduzindo a capacidade dos
p o issionais de design em p e e alhas a longo p azo. Esse empo cu o é ge almen e uma
necessidade impos a pelas emp esas, pa a es as ga an i em uma posição compe i i a no
me cado, e que se não o ize em, a iscam-se a pe de pa e dele.
Iden i icamos ambém que o consumido é um a o esponsá el nes a dinâmica. A sua
necessidade de se con o a a a és do a o de comp a, incen i a a que a indús ia con inue a
p oduzi e a lança con inuadamen e p odu os, alguns com al e ações pouco signi ica i as, mas,
81
que, po exemplo, pelo ac o de se em o úl imo modelo, eme em o consumido pa a uma ideia
de que es ão a man e um de e minado
s a us
. Ve i icamos que a ili e acia sob e os obje os que
o consumido em, é um a o que pe mi e às indús ias ado a em uma pos u a menos é ica,
explo ando a a és do ma ke ing o que chamamos de obsolescência social ou es é ica, aliciando
o consumido a comp a algo pelo p aze isual, que pode le a à subs i uição de obje os em
pe ei o uncionamen o.
Po úl imo, des acam-se as condicionan es polí icas, á ios pa icipan es indicam que só a a és
de polí icas, é que se á possí el muda o cená io educa i o. E, que só al e ando polí icas
emp esa iais, es ingindo a p odução, ou a ob iga o iedade de cump i de e minadas no mas é
que consegui emos alcança uma conjun u a de sus en abilidade. De alguma o ma p ocu ando
esponde a es e cons angimen o polí ico, indicamos uma possí el solução que pode ia se ú il
no p olongamen o da OP. Suge imos o desen ol imen o de uma p opos a que se i ia não pa a
aplica ao p ocesso p oje ual, mas pa a se aplicada aos p odu os depois de se em c iados, e aos
que já exis em no me cado. A ideia se ia a ibui uma classi icação de du abilidade dos obje os,
consoan e as ca ac e ís icas especi icas do ipo de obje o, ma e iais, ecnologia e c., idên ica à
classi icação ene gé ica dos ele odomés icos. A a és de uma legislação comuni á ia, ob iga em
as emp esas a coloca uma e ique a com uma escala numé ica de 1 a 5 po exemplo, que um
signi ica ia uma du abilidade p o á el de 2 anos, e a classi icação 5 signi ica ia uma du abilidade
p o á el de 10 anos.
Cons a ou-se a complexidade que é de e mina o que se pode en ende po um p oje o sus en á el.
Na e dade, e i ica-se que exis em mui as nuances e con a iedades no que se denomina p odu o
sus en á el. Mui as ezes os ma e iais podem se mais sus en á eis ambien almen e, mas, o
p ocesso de ans o mação desse ma e ial se mais p ejudicial pa a o ambien e. Um ou ou o pode
o na o obje o mais ca o, o que pode limi a a acessibilidade a esse p odu o. Is o eme e-nos pa a
a demanda do consumido , e que os consumido es p io izam mui as ezes o ac o de um p odu o
se mais ba a o do que p op iamen e ele se sus en á el, e is o acon ece, po que esse consumido
p ecisa de uma espos a económica a uma necessidade imedia a. Depois, e i icam-se ambém
condicionan es económicas que as emp esas en en am, is o que elas êm que esis i á
compe i i idade do me cado, e po isso, po ezes êm a necessidade de lança p odu os que não
enham o seu oco na sus en abilidade. Po úl imo, as egulamen ações a iam de aco do com o
sí io onde a emp esa es á alocada, e podem se mais pe missi as do pon o de is a de no mas
82
ambien ais num sí io do que nou o. E, pa a exempli ica mos essa complexidade do que é um
p odu o ou p oje o sus en á el, des aca-se o p oje o das meias de ciclismo da au o ia de Daniel
Viei a (2024), que das duas e sões p oduzidas, as que u iliza am um ma e ial mais p ejudicial
pa a o ambien e con inuam a du a , enquan o que a e são que oi p oduzida com um ma e ial
mais sus en á el, já i e am a necessidade de se subs i uídas.
A obsolescência p og amada é um o ganismo i o e a i o, que unciona incen i ada pelo ecido
das indús ias, condiciona o designe a a ua em con o midade, e é ambém alimen ada po uma
sociedade consumis a, que i e de aco do com um papel social que p e ende p o agoniza , e
ap op ia-se dos obje os, pa a c ia e man e esse
s a us
. A p esen e in es igação p ocu ou,
especula sob e como e com que e amen as se pode con on a es e cená io, p ocu ando
con ibui pa a a e lexão sob e a educação em design de p odu o, que auxilie a mi iga o p oblema
do consumismo e desca e que se em indo a acen ua , no qual se conside a u gen e in e i .
En ende-se que uma o ma de con ibui pa a a in eg ação da OP no cu ículo se á abalha
a a és de mudanças compo amen ais, mudanças essas que de em passa , “…não é só na
educação do design”, mas “...desde o ensino básico.” (Lopes, 2024). A elação que c iamos com
os obje os e os nossos hábi os de consumo são uma ap endizagem que adqui imos ao longo do
c escimen o, e que não cabe exclusi amen e à uni e sidade essa esponsabilidade. Po ém, as
uni e sidades de em incen i a os alunos a e le i sob e o impac o que a c iação de p odu os
em, o ien ando-os pa a uma p á ica de design que es imule a c iação de obje os du á eis, a a és
da aquisição de e amen as e compe ências, como comp eende as implicações é icas e
ambien ais das suas decisões.
Dep eende-se dos esul ados das en e is as, que é necessá io con inua a es ei a o diálogo en e
as uni e sidades e o mundo emp esa ial, e omen a uma colabo ação in e disciplina en ol endo
não apenas os designe s, mas ambém engenhei os, polí icos e ou os p o issionais que possam
con ibui pa a c ia p odu os que p omo am um ciclo de ida mais p olongado e um consumo
mais conscien e, a im de en en a os desa ios ambien ais.
Foi ambém suge ido que as p opos as que isam e a da a obsolescência dos p odu os,
pode iam se discu idas a a és de con enções e wo kshops, p o a elmen e a a és das já
exis en es associações de design, com p o esso es e p o issionais da á ea do design. Daí,
83
pode iam esul a no os insigh s, di e izes e inicia i as pa a pô em p á ica nas uni e sidades,
nas indús ias e num possí el mo imen o de sensibilização social.
Não é demais epe i , que as conclusões que ad ém da in es igação, são de i adas, de uma
combinação de e isão de bibliog a ia com dados ob idos a a és de uma en e is a a pequena
amos a de cinco docen es. Is o que dize que não podemos ga an i que es es esul ados não
possam se e u ados po uma ou a in es igação com a mesma emá ica. No en an o,
conside am-se esul ados idedignos de uma in es igação que em um eo mais amplo e subje i o
na á ea do design.
Conclui-se que es a in es igação ge ou esul ados de alguma o ma inespe ados, no sen ido em
que e elou uma sé ie de limi ações na a i idade dos docen es e das escolas, e cons angimen os
é icos e polí icos, económicos e sociais, que demons am a complexidade in ínseca à p á ica do
design sus en á el.
84
6 APÊNDICES
6.5 GUIÃO DA ENTREVISTA
1 Quais os p incipais momen os ou expe iências que des aca ia que in luencia am o seu
pe cu so académico e p o issional?
2 Olhando pa a os seus p imei os anos de o mação em design, que di e enças encon a no
g au de in e esse/p eocupação dos es udan es de design sob e a sus en abilidade
ambien al?
3 Como conside a a in eg ação do es udo da obsolescência dos obje os, no cu ículo
académico de design de p odu o?
3.1 Como p opo ia o desen ol imen o de uma consciência c í ica sob e as p á icas
indus iais que pe pe uam a obsolescência?
3.2 Que abo dagens p oje uais conside a ia mais adequadas pa a encon a soluções
ino ado as e sus en á eis?
4 Consegue da /explica -me exemplos de p oje os, que enham sido bem-sucedidos no
comba e às consequências ne as as da obsolescência p og amada?
4.1 Já ago a, quais conside a se em as p incipais ba ei as que um u u o designe
pode á en en a no comba e à OP?
5 E pa a e mina , quais conside a se em as p incipais esponsabilidades da
comunidade académica de design pa a a p omoção e comba e da obsolescência?
85
6.6 CURRICULOS DOS DOCENTES
86
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A3ES – Gabine e da Qualidade
. (sem da a). Ob ido 2 de ou ub o de 2024, de
h ps://qualidade.au onoma.p /index.php/a3es/
c is ina. (2018, maio 14). O lixo e seu impac o ambien al | AmbScience Engenha ia.
AmbScience
. h ps://ambscience.com/o-lixo-e-seu-impac o-ambien al/
Desen ol imen o sus en á el: O que é e impo ância
. (sem da a). Mundo Educação. Ob ido 27
de se emb o de 2024, de
h ps://mundoeducacao.uol.com.b /geog a ia/desen ol imen o-sus en a el.h m
Faludi, J., Aca oglu, L., Ga dien, P., Rapela, A., Sum e , D., & Coope , C. (2023). Sus ainabili y in
he Fu u e o Design Educa ion.
She Ji: The Jou nal o Design, Economics, and
Inno a ion
,
9
(2), 157–178. h ps://doi.o g/10.1016/j.sheji.2023.04.004
FBAUP - Sus en abilidade e Eco-Design
. (sem da a). Ob ido 30 de se emb o de 2024, de
h ps://siga a.up.p / baup/p /ucu _ge al. icha_uc_ iew?p _oco encia_id=350685
F ança c ia p og ama nacional pa a ajuda no epa o de oupas e calçados | Exame
. (sem da a).
Ob ido 23 de ou ub o de 2024, de h ps://exame.com/mundo/ anca-c ia-p og ama-
nacional-pa a-ajuda -no- epa o-de- oupas-e-calcados/
Hábi os de consumo: Como en ende o compo amen o dos consumido es
. (2022, agos o 4).
MindMine s Blog. h ps://mindmine s.com/blog/habi os-de-consumo-como-e-po -que-
en ende -o-compo amen o-dos-consumido es/
Ma golin, V. (2014).
Design e Risco de Mudança
(1a, 1–1). Ve so da His ó ia.
Ma ins, J. C. M. (2015).
A du abilidade dos clássicos do design como ins umen o de apoio ao
p ocesso de conceção de p odu o: 10 p incípios pa a o p oje o
[doc o alThesis,
Uni e sidade de A ei o]. h ps:// ia.ua.p /handle/10773/15950