Construção do Instrumento de Rastreio de Literacia Emergente Pré-Escolar e Ensino-Básico-SURDEZ – versão exploratória: um estudo realizado numa escola de referência para a educação bilíngue na Região Norte
Abstract
O desenvolvimento de competências de linguagem e literacia deve o mais precoce possível, com abordagens que tenham em conta as caraterísticas das crianças. No entanto, as crianças com perda auditiva enfrentam, frequentemente, dificuldades na compreensão da linguagem oral, no reconhecimento de sons, e na comunicação com o meio envolvente, o que restringe o desenvolvimento dessas competências. O presente estudo teve como finalidade aplicar o Rastreio de Literacia Emergente Pré-escolar – RaLEPE, aferido para português europeu, analisar os resultados da sua aplicação e proceder às adaptações necessárias, com base nas especificidades do bilinguismo que caracteriza o enquadramento educativo das crianças com surdez que frequentam o sistema público de ensino português. Esse processo recorreu a uma amostra constituída por nove crianças, que apresentavam diferentes graus de surdez, matriculadas num jardim de infância inserido num agrupamento de escolas de referência para a educação bilíngue localizado na região norte do país. A análise aos resultados permitiu constatar a dificuldade das crianças com surdez em revelarem competências em todos os domínios avaliados pela versão original do RaLEPE, sobretudo em questões relacionadas com a metalinguagem, o que motivou uma reflexão que culminou na manutenção de 12 itens, na adaptação de 19 itens e na criação de 34 novos itens, definidos com base numa análise às orientações que descrevem o processo de aquisição de competências linguísticas na primeira língua destas crianças, a Língua Gestual Portuguesa. Este processo resultou na criação de uma versão exploratória de um novo instrumento, o Rastreio de Literacia Emergente Pré-Escolar e Ensino Básico - SURDEZ – Versão exploratória (RaLEPEEB) que pretende garantir às crianças com surdez o acesso a um instrumento de rastreio que considere e respeite a culturalidade subjacente ao contexto linguístico a que pertencem e permita, ao longo do seu percurso educacional, que os profissionais de educação e de saúde possam implementar estratégias mais eficazes no âmbito da linguagem oral e literacia.