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Tempo de ecrã, desenvolvimento emocional e parentalidade

Author: Faria, Ana Raquel Ferreira
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/3ac157b6-26c3-4560-841b-9919810b915e/download
Ana Raquel Fe ei a Fa ia
Tempo de Ec ã, Desen ol imen o
Emocional e Pa en alidade
dezemb o de 2024
Tempo de Ec ã, Desen ol imen o Emocional e Pa en alidade
Ana Raquel Fe ei a Fa ia
UMinho|2024
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Ana Raquel Fe ei a Fa ia
Tempo de Ec ã, Desen ol imen o
Emocional e Pa en alidade
dezemb o de 2024
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Es udos da C iança
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Ru e San os
e da
P o esso a Dou o a Edua da Sousa-Sá
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições
não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó io da
Uni e sidade do Minho.
Licença concebida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Um caminho pe co ido nunca é um caminho soli á io. Além da nossa p esença emos semp e
alguém que nos ajuda, que nos ampa a, que nos cump imen a ou elici a e alguém que nos enco aja
a não desis i O caminho po mim açado ao longo da p esen e disse ação oi a p o a disso Não
pode ei deixa de menciona e de ag adece a odas as pessoas que o na am possí el a ealização
do p esen e abalho, nomeadamen e:
À minha O ien ado a P o esso a Dou o a Ru e San os que com a sua o ma i e e en e nos
acolheu e nos o ien ou pa a um caminho de c escimen o, de conhecimen o e de companhei ismo;
À minha O ien ado a P o esso a Dou o a Edua da Sá que com a sua i meza me p opo cionou
um signi ica i o en iquecimen o na minha esc i a;
À P o esso a Dou o a Gab iela Fe ei a que com a sua doçu a e dedicação nos inspi ou e nos
acompanhou desde o início;
Às minhas que idas colegas de Mes ado, Ca a ina Ra a a e Joana Passos que ize am pa e
desde o início des e pe cu so e o am undamen ais pa a a sua conclusão;
À minha Família e Amigos que es i e am semp e p esen es nes a aje ó ia, ajudando-me e
incen i ando-me;
A odos os pa icipan es dos dois g upos ocais que ajuda am a en iquece odo es e abalho;
A odos o meu mui o ob igada!

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo
que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do
Minho.
Tempo de ec ã, desen ol imen o emocional e pa en alidade
RESUMO
Na adolescência, as compe ências sócioemocionais ocupam um luga de des aque, no qual
são conhecidas como um conjun o de alo es, capacidades e compo amen os que pe mi em lida
com as p óp ias emoções, com as emoções do ou o e com o con ex o em que es ão inse idos. Uma
pa en alidade posi i a/conscien e que p omo a a diminuição do empo de u ilização de ec ã e, em
simul âneo omen e as elações in e pessoais é essencial pa a o desen ol imen o de compe ências
sociais, p ossociais e emocionais ajus adas dos adolescen es. Es a disse ação de mes ado es á
inse ida num p oje o de in es igação de Knowledge T ansla ion (KT), in i ulado, MOVE24:
“Dissemina ion, Moni o ing and Su eillance o he Po uguese 24- Hou Mo emen Guidelines:
making he whole day ma e ” e inanciado pela Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (PTDC/SAU-
DES/0166/2021). O p esen e abalho e e como obje i o cons ui um conjun o de a i idades pa a
amílias com adolescen es, eco endo à pa en alidade posi i a, a im de p omo e a exp essão e a
egulação emocional, eduzindo, em simul âneo o empo de u ilização de ec ã. Com uma abo dagem
quali a i a, p ocedeu-se à ealização de dois g upos ocais com pais e espe i os ilhos na idade
adolescen e com idades comp eendidas en e os 12 e os 15 anos. O p imei o g upo oi cons i uído
po ês pa es (3 adul os e 3 adolescen es), enquan o o segundo g upo con ou com seis pa es (6
adul os e 6 adolescen es). A cons i uição dos g upos e e em is a es a e a alia as a i idades
p opos as culminando na coc iação de uma a i idade po cada pa . Após a ansc ição e análise dos
dados ecolhidos, concluiu-se que a ealização de a i idades em amília é c ucial pa a p omo e a
coesão amilia . Além do mais, cons a ou-se que as a i idades p opos as pode ão con ibui pa a a
edução do empo em que os adolescen es pe manece iam à en e de um ec ã, seja de elemó el,
able ou ele isão como, ambém, p omo e o seu desen ol imen o socio emocional.
Pala a-Cha e: adolescência, desen ol imen o sócio emocional, pa en alidade, empo de ec ã
i
Sc een Time, Emo ional De elopmen and Pa en ing
ABSTRACT
Socio-emo ional compe ences occupy a p ominen place in adolescence, whe e hey a e known as a se
o alues, skills and beha iou s ha enable hem o deal wi h hei own emo ions, he emo ions o
o he s and he con ex in which hey a e inse ed. Posi i e/conscious pa en ing ha p omo es less
sc een ime and, a he same ime, os e s in e pe sonal ela ionships is essen ial o he de elopmen
o adolescen s adjus ed social, p osocial and emo ional compe ences. This mas e 's hesis is pa o a
Knowledge T ansla ion (KT) esea ch p ojec en i led MOVE24: ‘
Dissemina ion, Moni o ing and
Su eillance o he Po uguese 24-Hou Mo emen Guidelines: making he whole day ma e
’ and
unded by he Founda ion o Science and Technology (PTDC/SAU-DES/0166/2021). The aim o his
s udy was o de elop a se o ac i i ies o amilies wi h eenage s, using posi i e pa en ing o p omo e
exp ession and emo ional egula ion, while educing sc een ime. Using a quali a i e app oach, wo
ocus g oups we e held wi h pa en s and hei eenage child en aged be ween 12 and 15. The i s
g oup consis ed o h ee pai s (3 adul s and 3 eenage s), while he second g oup had six pai s (6
adul s and 6 eenage s). The g oups we e se up o es and e alua e he p oposed ac i i ies,
culmina ing in he co-c ea ion o an ac i i y by each pai . A e ansc ibing and analyzing he da a
collec ed, i was concluded ha ca ying ou amily ac i i ies is c ucial o p omo ing amily cohesion. In
addi ion, i was ound ha he p oposed ac i i ies could help educe he ime eenage s spend in on
o a sc een, be i a mobile phone, able o ele ision, as well as p omo ing hei socio-emo ional
de elopmen .
Keywo ds: adolescence, socioemo ional de elopmen , pa en ing, sc een ime
ii
Índice Ge al
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS .........II
AGRADECIMENTOS .......................................................................................................... III
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ....................................................................................... IV
RESUMO ............................................................................................................................ V
ABSTRACT ........................................................................................................................ VI
Índice Ge al ................................................................................................................................... ii
Índice de Quad os .......................................................................................................................... ix
1. In odução ......................................................................................................... 1
2. Re isão da Li e a u a ......................................................................................... 3
3. Enquad amen o Me odológico ......................................................................... 17
3.1 Obje i os ......................................................................................................................... 17
3.1.1 Obje i o Ge al ........................................................................................................... 17
3.1.2 Obje i os Especí icos ................................................................................................ 17
3.2 Me odologia .................................................................................................................... 17
3.2.1 Ques ão de in es igação ...........................................................................................18
3.2.2 Mé odo ....................................................................................................................18
3.2.3 Fases de implemen ação do g upo ocal .......................................................... 19
3.2.4 Papel do dinamizado /pesquisado /mediado .......................................................... 21
3.2.5 Limi ações e Van agens do g upo ocal .................................................................... 22
3.3 É ica .......................................................................................................................... 22
3.4 Con ex o de in es igação ................................................................................................ 23
3.4.1 Pa icipan es ........................................................................................................... 23
3.4.2 P ocedimen o .......................................................................................................... 24
3.4.3 Análise de Con eúdo ............................................................................................... 25
4. Resul ados ....................................................................................................... 28
5. Discussão dos Resul ados ................................................................................ 33
6. Conclusão ........................................................................................................ 37
7. Re e ências bibliog á ica ................................................................................. 39
8. Anexos ............................................................................................................. 52
ANEXO 1- PARECER DA COMISSÃO DE ÉTICA PARA A INVESTIGAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS-(CEICSH) ..... 53
5
Aliado a es as al e ações biológicas e psicossociais, os adolescen es passam po um pe íodo
de eo ganização social, le ando a al e ações de con ex os sociais. A in luência dos pa es ende a se
conside ada mais signi ica i a do que a dos memb os da amília, sendo que essa in luência é
pa icula men e in ensa du an e a adolescência em compa ação com a idade adul a. Essa dinâmica
oco e po que, du an e a adolescência, os indi íduos es ão em um p ocesso de o mação da iden idade
e à p ocu a pela acei ação social, o que o na as opiniões e compo amen os dos colegas
especialmen e impac an es (S einbe g & Monahan, 2007). A adolescência a igu a-se, ainda, como uma
ase de i ência de si uações no as, com uma maio au onomia, maio capacidade de expe imen ação
e uma necessidade de acei ação num de e minado g upo de pa es, o iginando a uma diminuição do
empo de supe isão que con ibui á pa a que o adolescen e expe iencie a omada de decisão (Eccles
& Roese , 2011).
A ansição pa a um cená io social amplo que oge do cená io de núcleo amilia , pode
despe a p ocessos no os que o pode ão le a à exposição de iscos desnecessá ios (Cos a & Melo,
2018). De ac o, o adolescen e ende a p ocu a a ap o ação dos pa es, assumindo de e minados
compo amen os de isco, de o ma a demons a ou a acili a a sua união com ou as pessoas. Nes a
e apa há um en aquecimen o da supe isão pa en al o que pode desemboca em compo amen os de
isco, compo amen os es es, que em pe íodos an e io es e ão sido a as ados pelas igu as pa en ais
(Smi h e al., 2013). Es es compo amen os de isco ad êm do aumen o do s ess, da al a de
au oes ima, da al a de capacidade de cons ui elações a e i as e es ilos de ida menos saudá eis,
que po sua ez, ão desencadea a necessidade de um sen ido de pe ença, mesmo que esse meio
seja p ejudicial na cons ução e desen ol imen o do seu eu (Fonseca, 2012).
O início da adolescência é acilmen e obse á el de ido às al e ações conside á eis ao ní el
ísico p oduzidas pela pube dade, ans o mações subs anciais do co po do jo em, que adqui e as
unções e os a ibu os do co po de um adul o. Os adolescen es êm que se adap a à imagem de si
p óp io, à chegada dos desejos sexuais e, de seguida, à descobe a de uma possí el compe ição com
os adul os, an o no que diz espei o à sedução como no en en amen o de desa ios. Es e p ocesso é
ca ac e ís ico da adolescência, onde os jo ens começam a a i ma a sua iden idade e a es a os
limi es das elações com os adul os, c iando no as dinâmicas de in e ação e desa iando as no mas
es abelecidas (Calliga is, 2001). A ní el cogni i o e i ica-se uma melho ia do uncionamen o cogni i o
e sócio emocional, sendo no ó io ao ní el do uncionamen o execu i o, nomeadamen e, na omada de
decisão, inibição e memó ia de abalho (Pa on & Vine , 2007). Es as al e ações es ão associadas à
a ação dos adolescen es po no as expe iências, ascínio po algo no o, são au ên icos explo ado es,

6
ajudando a o alece as suas omadas de decisões (Rome e al., 2017).
O p ocessamen o de in o mação na adolescência con inua a aumen a , mesmo que possa
man e -se ima u o em alguns aspe os, mui os adolescen es são capazes de aciocina em e mos
abs a os e de emi i julgamen os mo ais so is icados, além de pode planea o u u o de modo mais
ealis a (Calliga is, 2001). As á eas ce eb ais associadas ao con ole cogni i o amadu ecem
g adualmen e ao longo da adolescência e com um pe cu so consis en e, mas as á eas associadas às
emoções não são pau adas pelos mesmos pa âme os (Rome e al., 2017). As emoções são e es ão
especialmen e sensí eis no início da pube dade, podendo mesmo se e e ido que assen am numa
di e sidade de espécies de emoções. As emoções oco em simul aneamen e com as al e ações
ho monais, sociais e cogni i as e ainda com um aumen o da a i idade em á eas ce eb ais associadas à
emoção e à ecompensa, que podem esul a numa di ícil ges ão emocional (Jansen & Kie e , 2020).
As emoções su gem num adolescen e, sem um p é-a iso, sem um mo i o ou a é sem uma
legenda associada, pa a que possam se deci adas e comp eendidas num odo. Emoções,
sen imen os e a e os são acon ecimen os que oco em no dia a dia de odos os se es humanos, mas
que na adolescência êm um peso mui o maio e mais di ícil de ge i , do que na idade adul a (Mine a
& Nób ega, 2021). Em p imei o luga , as emoções eme gem quando um indi íduo econhece uma
si uação como ele an e pa a os seus obje i os. Em segundo luga , as emoções são enómenos
mul i ace ados que ab angem odo o co po e odos os domínios da expe iência subje i a (G oss &
Thompson, 2007). Um aspe o mui o subje i o da emoção passa po aquilo que en endemos sob e a
mesma, sendo que dia iamen e azemos uma ligação da emoção àquilo que sen imos (G oss &
Thompson, 2007), enquad ando a emoção como uma exp essão que oco e na u almen e ace a
algum acon ecimen o e de uma o ma ina a. As emoções p imá ias (medo, ai a, is eza, aleg ia, a e o
e epulsa) ão-se moldando e ape eiçoando ao longo do pe cu so na u al da ida, sendo uma base
pa a as emoções secundá ias como a e gonha, a culpa e o desp ezo, es ando es as emoções mui o
incadas na adolescência (Damasio, 2017).
As emoções enquan o es ados men ais, posi i os ou nega i os, conscien es ou inconscien es,
êm assim um impac o mui o ele an e nas unções cogni i as e execu i as da ap endizagem. As
emoções podem al e a si uações, expe iências mais complexas em acon ecimen os ag adá eis e de
in e esse, ou em algo con á io, de es á el e abo ecido (Fonseca, 2016). A emoção que emos pe an e
um acon ecimen o não o ça a o ma como amos esponde ao mesmo, con udo, aumen a sim a
p obabilidade de o aze mos. Quando sen imos medo podemos começa a ugi da si uação ou não.
Quando sen imos ai a podemos a aca , mas conseguimos mode a . Quando nos sen imos di e idos
7
podemos i , mas nem semp e isso acon ece. A o ma como egulamos as emoções é ex emamen e
impo an e, conside ando que o nosso bem-es a es á in e ligado às nossas emoções (G oss, 2002). As
emoções podem se in e ompidas e subme idas a con ole a a és da ação da p óp ia pessoa
(au o egulação) ou pela in e enção de ou os (Macedo & Spe b, 2013).
O desen ol imen o da egulação emocional é in luenciado po di e sos a o es, o
empe amen o in an il, a neu o isiologia e ainda o desen ol imen o cogni i o que le a ao desempenho
de impo an es papéis (Eisenbe g & Mo is, 2002). As emoções são o p ocesso das elações sociais
que as c ianças i enciam, po ém, a e idência mos a que o con ex o amilia em um g ande impac o
no desen ol imen o social e emocional das c ianças e jo ens (Mo is e al., 2007). O con ex o amilia
não só em impac o no desen ol imen o das elações, mas ambém na sua egulação. Nes e sen ido
podemos desc e e ês dimensões sob e as quais a egulação emocional é cons uída ace ao con ex o
amilia (i) é a a és da obse ação e da modelagem que a c iança ap ende e econhece as emoções,
pela e e ência social que os pais ep esen am ou ou as igu as pa en ais de e e ência, a a és de
“con ágio” emocional; (ii) a a és das p á icas e compo amen os elacionadas às emoções, como os
pais eagem às emoções e as ansmi em aos ilhos; (iii) o clima emocional da amília, is o é, a
qualidade do elacionamen o, a a és do apego/es ilo pa en al, elação conjugal e exp essi idade
(Mo is e al., 2007). O con ole das emoções a e a a socialização e a o ma como os pais in e agem
com os seus ilhos adolescen es, assim como com os es an es memb os da amília. Ao egula
emoções como a ai a, a is eza, o medo e o a e o posi i o, melho a-se o ajus amen o emocional em
espos a aos di e en es acon ecimen os, impac ando a in e nalização, a ex e nalização e as
compe ências sociais (Eisenbe g e al., 2003).
O p ocesso de egulação emocional con empla compo amen os, habilidades e es a égias,
sendo es es conscien es ou inconscien es, au omá icos ou con olados po es o ço e ajudam na
modulação, inibição ou inci amen o à expe iência e exp essão emocional (G oss & Thompson, 2007). A
egulação emocional pode se egulada a a és de cinco pon os ge ado es de emoções: (i) a seleção da
si uação, (ii) a al e ação da si uação, (iii) acionamen o da a enção, (i ) mudança de cognições e ( )
modulação de espos as (G oss, 1998). Es a base emocional é undamen al pa a que o adolescen e
alcance um equilíb io pe mi indo-lhe oma consciência e comp eende as suas p óp ias expe iências
emocionais, assim como as dos ou os. Além disso, acili a a egulação das emoções em elação a si
mesmo, aos ou os e ao con ex o em que es á inse ido (Gala neau e al., 2022).
O desen ol imen o sócio emocional pode ab ange ês componen es mui o impo an es pa a o
seu o al equilíb io: (i) as emoções o ien adas pa a os ou os, as (ii) emoções o ien adas pa a si e a (iii)
8
capacidade de egula as suas p óp ias emoções. Es as ês componen es são de ex ema impo ância
e ajudam a de ini a pe sonalidade do adolescen e (Gala neau e al., 2022). Nes e sen ido, de emos e
uma imagem mais ab angen e do desen ol imen o sócio emocional, comp eende de que o ma ele
su ge e econhece a sua p og essão ao longo da in ância e da adolescência, pe cebendo que udo o
que nos en ol e, nos in luência e nos molda, posi i a ou nega i amen e (Jansen & Kie e , 2020), uma
ez que a egulação emocional cons i ui uma base impo an e pa a o su gimen o de ans o nos
a e i os e compo amen ais du an e a adolescência (Cole e Hall, 2008). En e os a o es que podem
molda a egulação emocional nas c ianças, des aca-se a o ma como a aliam e en en am os seus
p oblemas. Aqueles que conseguem enca a si uações s essan es ou desa ios da ida como
opo unidades de ap endizagem e supe ação e que lidam a i amen e com esses con ex os, são mais
p opensos a aplica essas es a égias em si uações emocionalmen e desa iado as, aumen ando assim
a sua capacidade de egula e icazmen e as emoções (Zalewski e al., 2011).
Após a iden i icação das emoções p imá ias é impe ioso lança um olha mais ala gado sob e a
ap endizagem sócio emocional que oco e na adolescência. A ap endizagem sócioemocional enquad a-
se num modelo educacional de e o ço da melho ia das compe ências sócio emocionais do
adolescen e. A sua implemen ação de e á se ealizada a longo-p azo, uma ez que aba ca á ias
dimensões, nomeadamen e, a escola, a amília e a comunidade (Kim e al., 2022).
A ap endizagem social e emocional ap esen a-se como um p ocesso a a és da qual o
adolescen e alcança compe ências e icazes de conhecimen o, a i udes e habilidades que lhes ão
pe mi i a comp eensão e ges ão das emoções, p oje a e conc e iza obje i os posi i os, expe iencia e
demons a empa ia pelo ou o, desen ol e e p ese a elacionamen os e assegu a que as decisões
que omam são conscien es (Cos a & Fa ia, 2014; Shek e al., 2019). Ac esce, que po encie o uso de
á ias compe ências cogni i as e in e pessoais, acili ando a ealização de obje i os ele an es de
manei a é ica, an o no con ex o social como no que diz espei o ao desen ol imen o pessoal (Zins e
al., 2007). Ademais, nes e p ocesso de ap endizagem social e emocional o adolescen e começa a
mani es a uma pos u a de p eocupação pelo ou o, a oma boas decisões, a compo a -se de o ma
é ica e esponsá el, desen ol endo elacionamen os posi i os e e i ando compo amen os nega i os
(Elias, 1997).
As p incipais dimensões a p omo e na ap endizagem sócio emocional en ol em cinco
componen es indi iduais: (i) a au oconsciência (capacidade de iden i ica pensamen os, emoções,
sen imen os, pon os o es ou limi ações semp e de uma o ma impa cial); (ii) a au oges ão
(capacidade do con olo de impulso, ges ão s ess, capacidade de au odisciplina, au o-mo i ação,
9
es abelecimen o de obje i os e a capacidade o ganizacional); (iii) a consciência social (comp eensão e
espei o pelo ou o (empa ia), an o pela sua cul u a, o igem ou cos umes, com um olha conscien e
sob e a di e sidade cul u al e social que nos ab ange); (i ) habilidades de elacionamen o (cons ução
de elacionamen os saudá eis e posi i os com os ou os, que se ão supo es socias pa a o abalho,
laze e pa a a ida em ge al, e ( ) a omada de decisão esponsá el (iden i icação e esolução de
p oblemas, análise das si uações e a aliação e le ida sob e a esponsabilidade é ica)(CASEL, 2017;
Shek e al., 2019).
Um melho ajus amen o en e es as cinco componen es, pe mi e ao adolescen e e uma
melho adap ação ace aos con ex os académicos, sociais, de cidadania e de saúde em que se
encon a inse ido. Is o pode se a ibuído, em pa e, às compe ências ap eendidas e aplicadas,
p opo cionando assim espos as e icazes pe an e si uações mais complexas (CASEL, 2017; Elias,
1997).
Quando a ap endizagem social e emocional oco e na sua pleni ude cons a a-se que os
adolescen es se o nam mais in o mados, mais esponsá eis, mais empá icos e mais p odu i os, o
que, po sua ez, esul a numa pa icipação mais a i a na sociedade e na cidadania (Zins e al., 2007).
Ve i ica-se, ambém, que quan o maio o a compe ência e a capacidade de econhece e ge i
emoções e elações sociais, mais acilmen e se consegue alcança sucesso no local de abalho e uma
lide ança mais e icaz (Elias, 1997).
Com a en ada na ase da adolescência, o luga da pa en alidade, que se mos ou p io i á io
a é en ão, passa a ocupa um luga secundá io, ans o mando-se em algo e olucioná io e desa iado ,
que pa a os pais que pa a os adolescen es. O concei o de pa en alidade de ine-se como um conjun o
de unções e a i idades desen ol idas po um cuidado po o ma a a ingi um desen ol imen o
saudá el e pleno da c iança a seu ca go (D. Soa es & Almeida, 2011). Mui as das c ianças ap endem
com os pais ou cuidado es, a a és do p ocesso de modelagem. Com as suas ações, a i udes e
compo amen os os pais/cuidado es in luenciam os compo amen os, pensamen os e ações dos seus
ilhos (Sme ana e al., 2006).
Há uma ên ase c escen e no papel das pe ceções e comp eensões an o no papel dos pais
como no dos ilhos, sob e as disposições e in enções de cada um, de e minan es na o ma como se
in luenciam mu uamen e. Os pais exe cem um impac o signi ica i o nas ca ac e ís icas que os
adolescen es desen ol em e nos possí eis caminhos que as suas idas podem segui (Maccoby,
2000). Desempenham, assim, um papel c ucial ao p opo ciona aos ilhos um ambien e posi i o,
undamen al pa a assegu a um desen ol imen o saudá el e um es ilo de ida equilib ado (Ruiz-
10
Zaldiba e al., 2018).
A pa en alidade conscien e a igu a-se como sendo uma pe spe i a pa en al baseada na
“
consciência momen o-a-momen o
”, alice çada na comp eensão, a enção e compaixão pelo ilho (a),
mas ambém po si mesmo, pe mi indo, dessa o ma, que os pais ao in és de eagi em no imedia o,
e li am e ( e)di ecionem a sua abo dagem pa a as e dadei as necessidades da c iança ou do
adolescen e (Bögels & Res i o, 2014). A pa en alidade conscien e e e e-se ao p ocesso de cul i a uma
consciência e a enção in encionais de o ma não ea i a e sem julgamen os em elação à c iança, em
cada momen o p esen e. A in es igação suge e que a p á ica da a enção plena na pa en alidade pode
in luencia an o os a o es pa en ais como os esul ados psicológicos dos pais, assim como os
esul ados emocionais e compo amen ais das c ianças e os elacionamen os amilia es (Sho ey & Ng,
2021).
Ao longo das úl imas décadas oi-se dando cada ez mais impo ância à amília econhecendo-a
como um elemen o ulc al e essencial na sociedade pa a a p omoção do desen ol imen o ísico, social,
emocional e académico das c ianças (Jansen & Kie e , 2020). Um dos g andes obje i os de um pai ou
mãe é o pleno e saudá el desen ol imen o sócio emocional das c ianças, pa a que se o nem adul os
capazes, esilien es e saudá eis, ísica, social e emocionalmen e (Sande s, 2008). Cada ez mais se
a igu a necessá io p ocu a a coope ação e colabo ação dos adolescen es, ao in és de exe ce a
pa en alidade com au o i a ismo, incu indo o medo e o eceio, o iginando, des a o ma, consequências
ne as as no desen ol imen o sócio emocional das c ianças e u u os adul os (C uz, 2020). Os pais
de em ap op ia -se de compe ências cons u i as e a i udes posi i as pa a ajuda , apoia e a i ma o
desen ol imen o da c iança (Lopes e al., 2010).
Na es ei a da eo ia da inculação, os pais ou cuidado es são os que p opo cionam as
p imei as expe iências em e mos de p o eção e segu ança, undamen ais pa a o desen ol imen o
sócio emocional dos ilhos e pa a a c iação de elações de p oximidade ao longo da ida. Na
adolescência, os amigos e os pa es o nam-se um en ol en e p imá io de desen ol imen o,
es abelecendo laços de qualidade com os pa es , p opo cionando um bom ajus amen o psicológico
(Delgado e al., 2022). Na pe spe i a da
sup a
e e ida eo ia, a qualidade da elação en e os pais e os
adolescen es adqui e um papel undamen al na o ma como os adolescen es se pe cebem a si e aos
ou os con ibuindo pa a o desen ol imen o da au oes ima e das elações que es abelecem com os
pa es (Rocha e al., 2011). Uma inculação segu a é uma ala anca pa a uma boa au oes ima
(Ka una a hne, 2023) in luenciando as elações pessoais, uma ez que a au oes ima assen a na
cons ução do au o-julgamen o e na compa ação a o á el com os ou os, independen emen e da

11
o ma como os ou os nos eem (O h e al., 2018).
As es u u as amilia es ealmen e passa am po mudanças signi ica i as nas úl imas qua o
décadas, in luenciadas po uma a iedade de a o es, incluindo legislação, a anços ecnológicos e
di e en es o mas de equen a a sociedade (Im ie & Golombok, 2020). Baum ind (1966) um pionei o
na in es igação sob e es ilos pa en ais, de inindo ês es ilos pa en ais, apon ando as di e enças nos
compo amen os pa en ais no mais. O es ilo pa en al au o i á io assen a numa elação com uma
comunicação escassa e não es imulada, pouca mani es ação de a e os, no qual os pais en am molda ,
con ola e a alia o compo amen o dos ilhos median e um conjun o de pad ões (Kuppens &
Ceulemans, 2019); o es ilo pa en al pe missi o, sendo o opos o ao es ilo pa en al au o i á io, que se
mani es a como uma ausência de no mas, pela pe missibilidade, pela ole ância da a i ude ansmi e
uma a i ude a e i a, comunicação posi i a e e i ando a i udes de con olo po pa e da igu a pa en al
(Baum ind, 1991; Kuppens & Ceulemans, 2019) e o es ilo pa en al au o i a i o que se mani es a num
ambien e a e i o e numa comunicação posi i a, onde os pais es abelecem limi es e no mas de
compo amen o. Os pais espei am a indi idualidade e os in e esses dos ilhos, p omo endo e
e o çando os compo amen os posi i os (Baum ind, 1991). Baseado no abalho Maccoby e Ma ins
(1983), Baum ind ap esen a um qua o es ilo, o es ilo pa en al negligen e assen e na ausência de
supe isão dos compo amen os dos ilhos e na ausência do supo e necessá io ao desen ol imen o
sadio dos mesmos (Baum ind, 1991; Kuppens & Ceulemans, 2019).
Um es ilo pa en al au o i a i o es á consis en emen e associado a esul ados posi i os no
desen ol imen o dos adolescen es incluindo compe ências psicossociais, e e indo-se a í ulo de
exemplo a au ocon iança e o o imismo, além de um desempenho académico supe io . Es e es ilo
pa en al p omo e alo es posi i os que a o ecem a ma u ação, a esiliência e a compe ência social.
Em con as e, os es ilos pa en ais au o i á io e pe missi o es ão associados a um desen ol imen o
mais nega i o, mani es ando-se em compo amen os como ag essão e despe sonalização. Po sua ez,
o es ilo pa en al negligen e esul a em consequências des a o á eis pa a os adolescen es, como a al a
de au o egulação e esponsabilidade social, baixa au ossu iciência, compe ência social limi ada e um
desempenho académico insa is a ó io (Baum ind, 1991; Hoe e e al., 2008; Kuppens & Ceulemans,
2019; Lambo n e al., 1991; S einbe g e al., 1994).
Se po um lado sabemos que a in ância se encon a associada ao pe íodo em que se con igu a o
es ilo elacional a e i o, na adolescência consolidam-se aspe os compo amen ais dos es ilos de ida,
sendo que es es es ilos de ida con inua ão na idade adul a, quando são assumidos de o ma
au ónoma. Nes e sen ido, é no seio amilia que o adolescen e se con igu a, c ia o pensamen o o mal
12
e se ap op ia de um es ilo de ida p óp io (Alonso-S uyck, 2020). As elações in e pessoais que os
adolescen es ão es abelecendo são es ímulos sócio emocionais po na u eza sendo es es con ac os de
ex ema impo ância ace a expe iencia em di e en es emoções e o mas de uncionamen o social. Os
con ex os sociais pe mi em que seja possí el desen ol e compe ências sociais, p ossociais e
emocionais (C uz, 2020). Uma pa en alidade a en a e esponsi a pode in luencia posi i amen e o
adolescen e, p omo endo a sua au onomia e o seu desen ol imen o cogni i o (Neel e al., 2018). Ao
ní el do desen ol imen o sócio emocional, es a ajuda o adolescen e a adap a -se ao seu con ex o,
sendo um alice ce impo an e na c iação da sua egulação emocional, au oes ima e empa ia (Mo a &
Romani, 2019).
A qualidade da pa en alidade ecebida pelas c ianças exe ce uma in luência signi ica i a no seu
desen ol imen o, bem-es a e nas opo unidades de ida que e ão. En e odas as in luências
po encialmen e modi icá eis que podem se abo dadas a a és de in e enções p e en i as, nenhuma
se e ela ão c ucial quan o a qualidade da pa en alidade i enciada pelas c ianças (Sande s, 2012). A
elação en e adolescen e e amília po ezes é pau ada po inúme os con li os sendo que os es ilos
pa en ais êm um ca ác e mui o impo an e na esolução dos mesmos. A in e ação exis en e en e
ambos ai de ini , em pa e, odo es e p ocesso; no en an o a esolução do con li o não cabe
in ei amen e aos pais, mas sim é a e a dos ilhos ou i em as azões dos pais após os a gumen os
ap esen ados ace a algum assun o (Alonso-S uyck, 2020).
O mundo i ual chegou de uma o ma ápida ao mundo das c ianças. É no ó io um aumen o
signi ica i o na u ilização de ec ãs, mui as ezes usada pa a en e e c ianças e adolescen es, sendo
subs i uída pelas in e ações socias e momen os de con í ios en es as amílias (Tana & Amâncio,
2023).
Os p imei os anos de ida são undamen ais no desen ol imen o da c iança, mais
especi icamen e na p imei a in ância, ace ao desen ol imen o men al e ce eb al (Piage , 2000). As
c ianças de em se en ol idas po in e ações senso iais, nomeadamen e o oque, chei o, emoções e
ep esen ações simbólicas, que oco em a a és da b incadei a, sozinhas ou en e pa es. Des a o ma,
consegue-se p omo e um maio e mais comple o desen ol imen o da c iança, sendo que essas
expe iências ão molda o adul o u u o (San os e al., 2022). A ida de uma c iança é in ei amen e
ol ada pa a si uações lúdicas, anseiam b incadei as li es, das quais azem da sua imaginação um
mundo eal. O a o de joga e b inca p opo ciona uma ap endizagem mais e e i a, consis en e e
en ol en e (Ka anauskas & R.S Nascimen o, 2020).
Nos nossos dias, o adolescen e dedica uma pa e conside á el da sua ida diá ia à u ilização
13
dos ec ãs digi ais e exis em p eocupações c escen es de que o uso da ecnologia digi al, especialmen e
das edes sociais, possa es a a p ejudica o seu desen ol imen o social e emocional (Odge s e al.,
2020). Com es e acen uado modo de u ilização de e amen as digi ais, sem um con ole de empo de
u ilização e de con eúdos isualizados, e i ica-se uma ele ada ina i idade ísica e male ícios
conside á eis nos adolescen es, a e ando campos impo an es no desen ol imen o, nomeadamen e o
sócio emocional (Tana & Amâncio, 2023).
A ecnologia disponí el, nomeadamen e a ele isão, o elemó el, able ou compu ado , assim
como as edes sociais, são no o iamen e uma o ça dominan e nas idas das c ianças e dos
adolescen es (COUNCIL ON COMMUNICATIONS AND MEDIA e al., 2013). Es es disposi i os se em
como o ma de en e e c ianças e adolescen es e as suas in e ações sociais e momen os de con í io
ão impo an es pa a o desen ol imen o das c ianças e dos adolescen es são subs i uídas pelo mundo
i ual (Tana & Amâncio, 2023). Po sua ez, a é p ejudica a i idades como o b inca , o jogo, e
segundo Piage (1990), é a a és do jogo que a c iança assimila quase po comple o, sem nenhuma
en a i a de adap ação, a sua ealidade ex e na. O jogo in an il é di idido em ês ipos de jogo: jogo de
exe cício, simbólico e com eg as que ão in luencia e cons i ui o desen ol imen o in an il, sendo que
a a és dele as c ianças assimilam e ans o mam a ealidade (Piage , 1990). Papel impo an e e de
ex ema ele ância pa a es abelece uma o ina e supe isão no uso das no as ecnologias, é o papel
do cuidado pa en al. Es e de e pau a a sua in e enção com e amen as pa a diminui o empo de
ina i idade ísica, p omo e uma o ina saudá el de es ilo de ida, não somen e pa a o bem es a ísico,
como ambém pa a a sua pleni ude men al e p opo ciona in e ações de laze com ou as pessoas
(Tana & Amâncio, 2023).
O con ac o excessi o com a ecnologia a e a nega i amen e o desen ol imen o ce eb al,
podendo aumen a o isco de dis ú bios cogni i os, compo amen ais e emocionais em adolescen es
(Neophy ou e al., 2021) di icul ando a o mação de uma sólida esiliência psico isiológica (Lissak,
2018).
As ápidas ino ações ecnológicas possibili am a condensação de uma a iedade c escen e de
expe iências e es ímulos em i mos acele ados acessí eis a qualque ho a e em qualque luga a a és
de disposi i os mó eis. Consequen emen e, isso em le ado os adolescen es a um uso excessi o do
empo em que passam em en e aos ec ãs, supe ando o limi e ecomendado de 2 ho as po dia
(Hende son e al., 2016).
Um aumen o do empo de u ilização do ec ã po pa e dos adolescen es es á elacionado com
a diminuição da sua au oes ima, o aumen o da incidência e g a idade de p oblemas de saúde men al e
14
ícios, bem como uma ap endizagem e aquisição de conhecimen os mais len os. Além disso, há um
isco ele ado de declínio cogni i o p ema u o associado a esse compo amen o (Neophy ou e al.,
2021).
Dú idas não es am de que a ecnologia digi al o nece um elo de ligação ao meio social.
Con udo, quando o uso dos ec ãs pelo adolescen e se o na excessi o, al compo amen o pode ge a
consequências ne as as a cu o p azo, con o me já sup a
e e ido. Assim, o na-se impe ioso p omo e
hábi os digi ais saudá eis e semp e com uma u ilização posi i a pa a e i a os e ei os noci os do empo
excessi o de u ilização dos ec ãs (Pandya & Lodha, 2021).
Nes e con ex o, o conhecimen o ace ca das ques ões da pa en alidade e da sua in luência no
desen ol imen o sócio emocional do adolescen e de e se pos o em p á ica. De ac o, o na-se
undamen al es a e alida o conhecimen o já es udado, ga an indo que os esul ados sejam
ele an es pa a as necessidades dos adolescen es e das suas amílias podendo se aplicados de o ma
p á ica e signi ica i a. Em suma, a a-se de coloca em p á ica o conhecimen o ad indo da
in es igação cien í ica.
A
knowledge ansla ion
ou adução do conhecimen o, um campo cien í ico ela i amen e
ecen e, pode se en endido como a ans e ência de conhecimen o, in e câmbio de conhecimen o,
u ilização dos esul ados da in es igação cien í ica, implemen ação, di usão e disseminação do
conhecimen o. É a ciência de ans o ma o conhecimen o em ação, a a és de p ocessos de c iação e
aplicação desse conhecimen o com o seu público-al o (G aham e al., 2006). A sua u ilização ajuda no
desen ol imen o de decisões baseadas em e idencias, de inindo-se como um mé odo que p e ende
colma a as lacunas en e o conhecimen o e a ação (Esmail e al., 2021; Jull e al., 2017; S aus e al.,
2009).
Na pe spe i a de Wensing & G ol, os p og amas de in es igação coo denados e de longa du ação
são essenciais, pa a que ga an am a p esença dos in es igado es de á ias á eas cien í icas no e eno,
a im de ha e uma acumulação e ans e ência de conhecimen o (Wensing & G ol, 2019).
A adução do conhecimen o oco e num sis ema complexo de in e ações en e in es igado es e
in e enien es exigindo uma comp eensão dos seus mecanismos, mé odos e medidas, bem como dos
a o es que in luenciam an o a ní el indi idual como con ex ual, além da in e ação en e esses dois
ní eis. A adução de conhecimen o pode se esumida nos seguin es aspe os: (i) ab ange odos os
passos desde a c iação de no o conhecimen o a é à sua aplicação; (ii) eque uma comunicação
mul idi ecional; (iii) é um p ocesso in e a i o; (i ) en ol e colabo ação con ínua en e di e en es pa es;
( ) inclui di e sas a i idades; ( i) não se a a de um p ocesso linea ; ( ii) en ol e di e en es g upos de
21
que o ema não seja abo dado p ecocemen e em con e sas in o mais e no decu so da sessão de e á
se pe spicaz na sua condução e i ando, des a o ma, o seu a e ecimen o. É ao mode ado que cabe a
p imei a pala a, de endo ap esen a os dois memb os da equipa po o ma a não causa
cons angimen o (Le olino & Pelicioni, 2001).
(iii) A ase de análise dos dados exige do in es igado um p ocedimen o igo oso e me ódico
po o ma a consegui o máximo de in o mação (Galego & Gomes, 2005). A análise de e se ealizada
pelos seguin es pa âme os: o mode ado de e pa icipa da análise dos dados; de e á se elabo ado
um plano desc i i o das in e enções; de e á se ex aída oda a in o mação ele an e ao ema e
de e ão se cap adas as p incipais ideias que conduzam à elabo ação das conclusões e po im, de e á
se elabo ado um ela ó io com os esul ados ecolhidos (Galego & Gomes, 2005).
3.2.4 Papel do mode ado /dinamizado /pesquisado /mediado
O mode ado é um agen e acili ado do g upo capaz de p omo e o deba e (Galego & Gomes,
2005), c iado de um ambien e elaxado e adequado pa a que di e en es pe ceções e pon os de is a
sejam deba idos, sem p essões, p omo endo a oca de expe iências e pe spe i as, ao mesmo empo
que abo da os ópicos de in e esse do es udo (Le olino & Pelicioni, 2001). O mode ado não de e
o nece demasiada in o mação aos pa icipan es, de modo a que consigam deba e , e le i em
conjun o (Gomes, 2009). De e á e uma in e ação a i a com odos os pa icipan es, p opo cionando
um clima a o á el à exposição de ideias, sem a sob eposição uns dos ou os (Galego & Gomes, 2005).
O mode ado ao longo das sessões ende a exe ce á ios papeis na medida em que solici a
escla ecimen os sob e pon os especí icos, conduz o g upo pa a o p óximo ópico quando o an e io se
ex ingue, es imula os mais en e gonhados e con ola os mais alado es e, quando o assim en ende , dá
po inalizada a sessão (Le olino & Pelicioni, 2001). De e á mos a lexibilidade aquando da
ap esen ação das dú idas e dos ques ionamen os po pa e dos pa icipan es do g upo e de e á
p omo e a pa ilha de ideias e sen imen os po pa e dos mesmos (Gui, 2003), semp e no eado pela
p eocupação em man e o in e esse e a mo i ação do g upo, não pe mi indo que uma única pessoa
ale em nome do g upo (Sch öede & Kle in, 2009). Cabe ao mesmo descodi ica , in e p e a e analisa
os dados que esul am das sessões, com o p i ilégio de e um con ac o di e o sob e as exp essões
aciais, ges os, om de oz, o con ex o do discu so (Galego & Gomes, 2005) e de e e i a i a
conclusões p ecipi adas a pa i das opiniões dos pa icipan es (Sch öede & Kle in, 2009).

22
3.2.5 Limi ações e Van agens do g upo ocal
Todas as écnicas ou mé odos que se u ilizem em qualque p oje o ap esen am an agens e
des an agens, o g upo ocal ap esen a como an agem a opo unidade de obse a uma quan idade
maio de in e ações en e os pa icipan es sob e um ópico, num cu o espaço de empo, podendo o
mode ado di eciona e ocaliza o ema da pesquisa (Gui, 2003). A maio des an agem des e mé odo
assen a na di iculdade da u ilização dos dados pa a esul ados mais conc e o (Gio inazzo, 2001).
Su ge a dú ida em sabe se as in e ações que esul am em g upo co espondem aos compo amen os
que cada um em indi idualmen e, na medida em que a p esença de ou as pessoas pode a e a e
in luencia o que dizem e como o dizem (Gio inazzo, 2001; Gui, 2003).
O g upo ocal ge a al e ações posi i as nas pessoas incluídas na in es igação, nomeadamen e,
ac edi a-se que oco e uma ans o mação ao ní el cogni i o, a a és das elações que es abelecem no
deco e da ope acionalização da écnica, sendo que pe an e o deba e e e lexão em g upo as pessoas
au odescob em-se e emancipam-se (Galego & Gomes, 2005). Os g upos ocais são e icien es, na
medida em que ge am dados undamen ais que são ansc i os p o enien es das discussões do g upo,
ac escido das ano ações exis en es, das obse ações e das e lexões do mode ado . Oco em
in e essan es insigh s in e p e a i os, quando é possí el cap a a iqueza e a p o undidade das
exp essões do g upo, pe mi indo o acesso a o mas de in e ação social que p oduzem memo ias,
posições, ideologias, p á icas en e g upos de indi íduos (Sch öede & Kle in, 2009).
A di iculdade em euni as pessoas que pa icipam na sessão, a a enção do mode ado , se em
aplicadas o a do con ex o na u al (Sch öede & Kle in, 2009) e o nece em menos de alhes sob e as
opiniões dos pa icipan es são des an agens (Gui, 2003), mas apesa des as, a aplicação do g upo
ocal possibili a a ecolha de dados in e essan es, o iginando hipó eses, cons uções u u as e bases
pa a no as in es igações (Gio inazzo, 2001).
3.3 É ica
Toda a cons ução de um p oje o de in es igação nas ciências sociais que englobe a
pa icipação de c ianças ou adolescen es exige a conside ação de alguns aspe os é icos e
me odológicos (Soa es e al., 2005). Es es aspe os p endem-se aos di e en es in e enien es e a odo o
p ocedimen o da in es igação (Galego & Gomes, 2005). Aquando a pa icipação de c ianças e
adolescen e de e ão se semp e p ese adas a sua p i acidade, as suas ações e as suas opiniões
es abelecendo-se uma elação de con iança e espei o, man endo po base o anonima o e a
23
con idencialidade (Fe nandes, 2016). Es a in es igação ag ega em si adolescen es e os seus espe i os
pais/ igu as pa en ais de e e ência, endo sido alo izado a sua on ade em pa icipa nes e es udo.
Nes e sen ido oi o necido aos pa icipan es um documen o de consen imen o in o mado pa a a
pa icipação no p esen e es udo. Na elabo ação do e e ido documen o oi u ilizada uma linguagem
simples, di e a e adequada à aixa e á ia dos adolescen es (Pi es & San os, 2019)(Apêndice 4 e 5).
Todos os p oje os de e ão con e consen imen os in o mados, negociados pe manen emen e, sendo
que cada um dos pa icipan es em um consen imen o único (Fe nandes, 2016).
Es a in es igação seguiu odos os p ocedimen os é icos necessá ios p e is os na lei e nos
di e sos egulamen os sob e in es igação em se es humanos, nomeadamen e, a submissão des e
p oje o de mes ado à ap o ação da comissão de é ica pa a a in es igação em ciências socias e
humanas (CEICSH) da UMINHO (Re . 012/2024), an es da ealização dos g upos ocais, cujo pa ece
oi a o á el (Anexo 1). A ealização dos g upos ocais oco eu apenas após a ob enção desse pa ece
é ico. Todos os in e enien es o am in o mados sob e os obje i os do es udo e o am ecolhidos
consen imen os in o mados esc i os, de idamen e assinados pelos adolescen es e pelos seus pais ou
igu as pa en ais de e e ência. Nes e p ocesso oi assegu ada a con idencialidade dos dados e a sua
u ilização exclusi a pa a ins cien í icos. Além disso, oi escla ecido a odos os pa icipan es que
pode iam desis i da pa icipação a qualque momen o du an e o es udo (Apêndice 4 e 5). Em elação
aos dados pessoais dos pa icipan es ecolhidos no âmbi o des e p oje o, es es se ão p ese ados e
gua dados a é à publicação inal, não excedendo o p azo de cinco anos. Após esse pe íodo, odos os
dados se ão des uídos (no caso de egis os em papel) ou eliminados (no caso de egis os de áudio e
em bases de dados). Es e p ocedimen o isa ga an i a p o eção da p i acidade dos pa icipan es e a
con o midade com as no ma i as é icas em igo .
3.4 Con ex o de in es igação
3.4.1 Pa icipan es
Os pa icipan es cons i uí am uma amos a de con eniência, ec u ada po me odologia
snowball
den o da ede de con ac os dos in es igado es do p oje o. Realiza am-se dois g upos ocais,
um com seis elemen os ( ês adolescen es e ês adul os) e o segundo g upo com 12 elemen os (seis
adolescen es e seis adul os). Os pa icipan es adolescen es inham idades comp eendidas en e os 12
e os 15 anos.
Nos g upos ocais o am ap esen adas aos pa icipan es ês a i idades que p omo em as
24
elações en e pais e ilhos, eco endo a pa en alidade conscien e, que p opo cione a exp essão e a
egulação emocional, eduzindo o empo u ilizado de ec ãs (Apêndice 6).
3.4.2 P ocedimen o
Es e es udo aca e a em si uma ecolha de dados (Gio inazzo, 2001), nesse sen ido o am
con idados, no o al, no e pa es pa a pa icipa em em dois g upos ocais, sendo que um g upo ocal
oi cons i uído po ês pa es e o segundo g upo inha seis pa es de pa icipan es O con i e seguiu em
o ma de
email
pa a o esponsá el pa en al de cada adolescen e. Pa a a ealização do g upo ocal oi
elabo ado em guião (Apêndice 1) com ques ões abe as, não so endo al e ações nos g upos ocais. Os
g upos ocais i e am a du ação de duas ho as, o am g a ados em áudios, ansc i os
Ve ba im
e
anonimizados, po o ma a p ese a o anonima o dos pa icipan es e a con idencialidade dos dados
ecolhidos.
Os g upos ocais inicia am com a lei u a e assina u a, po pa e dos adolescen es e dos pais,
os consen imen os in o mados, sendo que no deco e do mesmo, pode iam desis i sem se em
penalizados (Apêndice 4 e 5). Disponibilizou-se ia e-mail um ques ioná io sociodemog á ico no
Google
Fo ms
endo sido solici ada a espos a a odos os pa icipan es (Apêndice 2 e 3). Dando con inuidade
ao g upo ocal e com uma b e e ap esen ação da in es igado a e de odos os in e enien es da
in es igação, odos os pa icipan es o am con idados a ealiza uma a i idade de queb a-gelo,
o nando-se modelo de a i idade a ealiza em amília.
Após es a a i idade oi o necido ao g upo in o mações sob e o con eúdo e os obje i os do
g upo ocal endo sida ealçada a impo ância de se exp essa em li emen e e sem o eceio de es a em
a se em julgados ou a aliados. O guião do g upo ocal e a cons i uído po : (i) pe gun as abe as,
ob endo uma espos a ápida; (ii) ques ões in odu ó ias, que pe mi em in oduzi o ópico ge al da
discussão e o necem aos pa icipan es a possibilidade de e le i ace ca de expe iências an e io es e
(iii) ques ões de ansição que mo em a con e sação pa a a ealização de (i ) ques ões-cha e que são
a base da in es igação e que eque em maio a enção e análise, ou seja, a a aliação das a i idades
c iadas e ap esen adas ao g upo.
As a i idades p opos as, designadas “
À Descobe a da Emoção
”, “
T oca de Sapa os
” e “
Mãos
em Espelho
”, isam omen a a comunicação e a empa ia en e adolescen es e os seus pais ou igu as
pa en ais de e ência.
Na a i idade “
À Descobe a da Emoção
”, os adolescen es, acompanhados de um dos pais, êm
a opo unidade de explo a uma sopa de le as que con ém uma sé ie de pala as elacionadas com a
25
amília e as emoções. Es as pala as, quando descobe as, o mam uma ase que se e de base pa a
uma pe gun a que ambos podem aze um ao ou o, incen i ando assim o diálogo e a pa ilha de
sen imen os.
A a i idade “
T oca de Sapa os
” p opõe uma dinâmica simbólica onde os adolescen es calçam
os sapa os dos pais e ice- e sa. Pa a e o ça es a ligação, os pa icipan es de em uni a pe na
esque da do adolescen e à pe na di ei a do adul o com a ajuda de uma i a, pe mi indo que caminhem
lado a lado. Es e exe cício isa c ia um espaço p opício pa a con e sas, u ilizando suges ões de
pe gun as o necidas.
Po im, a a i idade “
Mãos em Espelho
” en ol e o uso de olhas e cane as, onde cada
pa icipan e de e desenha a sua mão e insc e e o seu nome po baixo. Após a oca de olhas, os
adolescen es ecebem a mão dos pais e ice- e sa. Cada um é desa iado a esc e e cinco
ca ac e ís icas posi i as sob e a pessoa a quem pe ence a olha p omo endo a alo ização e a e lexão
sob e as qualidades do ou o. No inal, as olhas são no amen e ocadas e são enco ajados pa a
ques iona em as ca ac e ís icas ap esen adas, omen ando, assim, um diálogo en iquecedo .
Essas a i idades isam não apenas o alece os laços amilia es, mas ambém p omo e a
comp eensão mú ua e o econhecimen o das emoções. As ês dinâmicas o am a aliadas e deba idas
po odos os pa icipan es. Pa a ence a a discussão e esumi os p incipais pon os abo dados du an e
a eunião o am ap esen adas algumas ques ões inais e de sín ese, culminando numa pe gun a inal
que se iu pa a echa o g upo ocal (Gio inazzo, 2001). Es e p ocesso acili ou a consolidação das
ap endizagens e e lexões dos pa icipan es, p omo endo uma comp eensão mais p o unda dos emas
discu idos e en a izando a impo ância da comunicação e da empa ia nas elações amilia es. Em
cump imen o de um dos nossos obje i os e com a inalidade de omen a a elação en e pais e
adolescen es, os pa icipan es o am con idados a coc ia uma a i idade que osse ealizá el em
amília e que abo dasse a dimensão emocional de cada memb o. Após a elabo ação da a i idade, cada
g upo ap esen ou as suas p opos as ao conjun o de pa icipan es, concluindo-se, assim o ciclo do
g upo ocal (Apêndice 9). Es a expe iência não só pe mi iu a exp essão c ia i a, como ambém
p omo eu a pa ilha de ideias e a e lexão sob e as emoções no con ex o amilia .
3.4.3 Análise de Con eúdo
A análise de dados quali a i os isa es abelece a comp eensão sob e o âmbi o in es igado a
pa i das pe ceções indi iduais, ou seja, os esul ados inais p oceden es do p ocesso analí ico e de
in e p e ação o mam-se a pa i da mul iplicidade e di e sidade que o indi íduo exp essa na sua
26
singula idade (Valle & Fe ei a, 2024). A análise de con eúdo é uma écnica de in es igação quali a i a
que isa analisa as comunicações, aquilo que oi di o na en e is a ou obse á el pelo pesquisado
(Sil a & Fossá, 2015), de endo es a análise se ealizada de o ma coe en e, com um olha e lexi o e
comp eensí el sob e os sen idos mani es ados pelos pa icipan es. Es a écnica em-se ap esen ado
como um dos mé odos mais u ilizados nos es udos da educação (Valle & Fe ei a, 2024). Es a análise
de e classi ica os elemen os com base em ca ego ias ou emas, jun ando o que exis e em comum
en e eles, po o ma a consegui um melho esul ado. Pa a uma melho ca ego ização o in es igado
de e á segui um conjun o de ases, nomeadamen e, (i) a p é análise, (ii) a explo ação do ma e ial e
(iii) a in e ência e in e p e ação (Ba din, 2011).
A p imei a ase, p é-análise, é desen ol ida po o ma a sis ema iza as ideias iniciais,
es abelecendo indicado es pa a as in e p e ações ecolhidas, comp eendendo uma lei u a ge al de odo
o ma e ial elei o pa a a análise (Sil a & Fossá, 2015). Segundo Ba din (2011), a p é-análise segue
de e minadas eg as:
a) Reg a da exaus i idade, inco po ando odos os elemen os, não deixando nenhum
elemen o o a da pesquisa.
b) Reg a da ep esen a i idade, se a amos a o ep esen a i a, pode se possí el
gene aliza os esul ados.
c) Reg a da homogeneidade, os documen os de em se homogéneos.
d) Reg a da pe inência, sendo que oda a documen ação u ilizada co esponde aos
obje i os de inidos.
Dando po e minada a p imei a ase, segue-se a segunda ase, denominada explo ação do
ma e ial. Nes a ase p e ende-se cons ui ope ações de codi icação sob e os enunciados dos
pa icipan es, eco ando-os em unidades de egis o, p ocu ando-os de ini , ag upando-os po emas
co ela os dando o igem a ca ego ias iniciais. Nas ca ego ias inicias cons i uímos os domínios,
pe mi indo a cons ução de in e ências e conclusões (Sil a & Fossá, 2015).
Na e cei a ase o pesquisado de e p ocede ao a amen o dos esul ados, azendo a sua
in e ência e in e p e ação, a a és da cap ação dos con eúdos ex aídos e ecolhidos. O p ocesso
in e p e a i o pode se en endido como o ins an e em que o pesquisado dá sen ido e signi icado às
mani es ações encon adas e es abelece ligação com a eo ia (Valle & Fe ei a, 2024). A análise
compa a i a consis e em ag upa as di e sas ca ego ias exis en es em cada análise, salien ando os
aspe os semelhan es e os di e en es em cada ca ego ia (Sil a & Fossá, 2015).

27
Todo es e p ocesso oi seguido no p esen e es udo, p ocedeu-se à análise das ansc ições dos
g upos ocais, seguindo a mesma o dem de ealização, eco endo-se à écnica de análise de con eúdo
emá ica (Ba din, 2011). Ado ou-se um p ocesso indu i o de codi icação das unidades de egis o em
ca ego ias e es as, po sua ez, o am ag upadas em domínios de o dem supe io de aco do com o
guião do g upo ocal. Foi con idado um juiz ex e no pa a ealiza o p ocesso de codi icação de o ma
independen e, o qual oi pos e io men e compa ado e deba ido com a codi icação independen e
p e iamen e e e uada pelo in es igado (Apêndice 8).
28
4. Resul ados
Nes e es udo, dois g upos ocais ealizados i e am uma du ação média de cen o e in e
minu os, en ol endo a pa icipação de adolescen es com idades en e os 12 e os 15 anos de idade,
jun amen e com os espe i os pais ou igu as pa en ais de e e ência. Es a abo dagem pe mi iu
explo a de o ma ap o undada as dinâmicas amilia es e as pe ceções sob e a adolescência,
p omo endo um diálogo en iquecedo en e ge ações. No que diz espei o aos adolescen es, o am
incluídos 9 pa icipan es: qua o com 12 anos (44,4%), ês com 13 anos (33,3%), um com 14 anos
(11,1%) e um com 15 anos (11,1%). A média das idades dos adolescen es é de 12,7 anos. Em e mos
de sexo, ês pa icipan es e am do sexo masculino (33,3%) e seis do sexo eminino (66,7%). Quan o ao
ní el de escola idade, dois equen am o 6º ano (22,2%), dois equen am o 7º ano (22,2%), qua o
equen am o 8º ano (44,4%) e um equen a o 9º ano (11,1%).
Os adul os que pa icipa am nos g upos ocais o am cons i uídos po dois homens (22,2%) e
se e mulhe es (77,8%), com idades comp eendidas en e os 35 e os 50 anos, ap esen ando uma
média de 43 anos. Rela i amen e ao ní el de escola idade, um pa icipan e concluiu o 9º ano (11,1%),
qua o inaliza am o 12º ano (44,4%), ês possuem licencia u a (33,3%) e um de ém um mes ado
(11,1%). Todos os adul os es ão a ualmen e no a i o e exe cem p o issões dis in as.
Em elação ao es ado ci il, seis pa icipan es são casados (66,7%), dois são sol ei os (22,2%) e
um é di o ciado (11,1%). No que espei a à iliação, dois pa icipan es êm um ilho (22,2%), seis êm
dois ilhos (66,6%) e um em ês ilhos (11,1%).
Após a ealização dos g upos ocais e da análise das espe i as ansc ições, os dados o am
ca ego izados em qua o domínios, nomeadamen e I. Sa is ação, II. Con eúdo, III. Exequibilidade e a IV.
Suges ões de al e ações, endo em con a cada uma das a i idades pa ilhadas (“
À Descobe a da
Emoção
”; “
T oca de Sapa os
”; “
Mãos em Espelho
”) (Ba din, 2011).
Domínio
Ca ego ia inicial
Concei o no eado
I. Sa is ação
Gos ei
E idencia a sa is ação pe an e
as a i idades ap esen adas e
iam-se a ealiza as mesmas.
Não Gos ei
E idencia que não gos a am
das a i idades ap esen adas
29
nem a ealiza am.
I. Con eúdo
Comp eensão e cla eza das
ins uções
Salien a se os pa icipan es
pe cebe am as ins uções
con idas nas a i idades, se
es as são cla as e
comp eensi as quan o à o ma
como es ão esc i as (g amá ica,
pon uação, e mos u ilizados),
se es ão adap as à aixa e á ia.
Adequada aos obje i os
E idencia a necessidade de
comp eende se as a i idades
p opos as colidem com os
obje i os de inidos p e iamen e
pa a cada a i idade.
II. Exequibilidade
Local
E idencia a pe ceção dos
pa icipan es ace ca do espaço
necessá io pa a a ealização da
a i idade.
Fo ma
E idencia a pe ceção dos
pa icipan es ace ca do ní el de
complexidade ap esen adas nas
a i idades.
Usabilidade
E idencia a pe ceção dos
pa icipan es ace ca da
iabilidade de ealização das
a i idades.
III. Suges ões de
al e ações
P opos as de al e ações
Cons i ui um conjun o de
p opos as de al e ações
conc e as ace às a i idades
ap esen adas, de o ma a
30
se em mais adequadas aos
seus es ilos de ida e
necessidades.
Quad o 1- Domínios e Ca ego ias 1
Domínio I - Sa is ação
No domínio sa is ação o am c iadas duas ca ego ias iniciais “gos ei” e “não gos ei”. A aliando
os comen á ios que su gi am nos dois g upos ocais as a i idades ap esen adas o am do ag ado da
maio pa e dos pa icipan es. Na a i idade “
À Descobe a da Emoção
” deno ou-se que gos a am da
mesma pe an e as seguin es a i mações: “Fazia em conjun o (…)”, “Ca i a ( odos)”. Sendo que ês
adolescen es i e am as seguin es a i mações: “(…) não é algo simples (…)”, “Sopa de le as não é
mui o in e a i o, ela diz: olha ens aqui, ou ali… e p on o. (…)”, “Não, es e ipo de jogo não, (…)”, em
que se deno a que não gos a am da a i idade.
Na segunda a i idade “
T oca de sapa os
” deno ou-se que gos a am pe an e as seguin es
a i mações: “Es e ipo de con e sas acho que são undamen ais (…)”, “…a i idade é mui o in e essan e
(…) “, “(…) Mas gos ei (…) “. Um dos pais e e iu “Eu jamais anda a bem ao lado de alguém (…)”
sendo que não gos ou.
Na e cei a a i idade “
Mãos em Espelho
” os pa icipan es não e e em especi icamen e se
gos am ou não gos am da a i idade.
Domínio II - Con eúdo
No domínio do “Con eúdo” o am c iadas duas ca ego ias iniciais, sendo elas, “ins uções
cla as/comp eensão” e “adequação aos obje i os”, po o ma a se pe cebe se os pa icipan es
comp eendem aquilo que es á a se pedido. Na a i idade “À
Descobe a da Emoção
” os pa icipan es
e e em que a a i idade” es á pe ce í el”, ques ionando “É pa a aze ? “, “Temos que encon a uma
ase?”. Rela i amen e à comp eensão e cla eza um dos adolescen es e balizou “Se uma pessoa
es i e a en a a le , dá pa a en ende . Eu é que não es a a a en a”.
Rela i amen e à segunda a i idade “
T oca de Sapa os
”, na ca ego ia inicial e e en e à cla eza
das ins uções os pa icipan es a i mam “Es á pe ce í el”, “As pe gun as es ão bem, são ó imas”, “Que
nos ob igam a e a mesma passada. Sim, Ob igam-nos a ajus a um ao ou o”. Um pa icipan e e e iu
o seguin e “Eu não li isso udo, mas es á um bocadinho con uso” ace a comp eensão e cla eza da
a i idade. Na ca ego ia inicial adequação aos obje i os os pa icipan es e e i am “(…) pe mi e-nos e
37
6. Conclusão
Com a ealização do p esen e es udo concluiu-se que a adolescência é um pe íodo c ucial de
desen ol imen o que exige uma a enção cuidadosa po pa e dos pais ou igu as pa en ais de
e e ência especialmen e no que diz espei o à ges ão do empo de u ilização de ec ãs. A adolescência
é um pe íodo de ansição ulc al na ida de uma c iança, ca ac e izado po mudanças signi ica i as a
ní el ísico, emocional e social. Nes a ase os adolescen es p ocu am mais au onomia, es abelece a
sua iden idade, explo a no as expe iências e desen ol e compe ências sociais. Po sua ez, a
pa en alidade desempenha um papel i al na p omoção do desen ol imen o ísico, cogni i o e sócio
emocional equilib ado do adolescen e. A p omoção de in e ações amilia es signi ica i as pode ajuda a
ab anda os e ei os nega i os do uso excessi o de disposi i os digi ais, a o ecendo ínculos mais o es
e saudá eis, assim como de um ambien e p opício pa a um desen ol imen o sócio emocional.
Uma pa en alidade conscien e e a i a implica não apenas limi a o empo de u ilização de
ec ãs, mas, ambém, guia os ilhos na u ilização saudá el da ecnologia. Os pais desempenham um
papel undamen al em modela compo amen os, p omo endo um uso equilib ado que a o eça an o o
en e enimen o quan o o desen ol imen o de habilidades sociais e emocionais.
Nesse sen ido, as a i idades p opos as o am alo izadas como uma o ma de ameniza o
a as amen o que mui as ezes oco e en e pais e adolescen es du an e es a ase de desen ol imen o.
Es as a i idades isam p omo e a in e ação, o diálogo e a cons ução de laços a e i os, essenciais
pa a man e uma elação saudá el e p óxima en e os memb os da amília. Ao ealiza em a i idades
em conjun o p omo e-se a in e ação e o en endimen o mú uo, e o çando laços emocionais en e pais
e ilhos.
Obse ou-se uma ce a di iculdade e cons angimen o po pa e dos adolescen es na pa ilha
de aspe os emocionais p opos os nas a i idades. Essa esis ência pode á se a ibuída a di e sos
a o es, como a busca po au onomia, a p eocupação com a acei ação social e o eceio de
ulne abilidade. Es es cons angimen os indicam a necessidade de abo dagens mais sensí eis e
adap adas que incen i em o adolescen e ao diálogo, p omo endo um ambien e segu o onde os
adolescen es se sin am à on ade pa a pa ilha as suas expe iências e sen imen os.
A pa en alidade du an e a adolescência de e se adap a i a, p omo endo um ambien e de
apoio e comp eensão. Pais que ado am um es ilo de pa en alidade au o i a i a, que combina exigência
com apoio emocional, endem a acili a um desen ol imen o saudá el nos seus ilhos. Es e es ilo
pa en al omen a a au onomia e a au oe icácia, ca ac e ís icas essenciais pa a o sucesso na ida
adul a. Assim, é undamen al que os pais se o nem conscien es da in luência que a sua abo dagem

38
pode e , omen ando um equilíb io en e a u ilização da ecnologia e a cons ução de elações
in e pessoais saudá eis, de modo a p epa a os jo ens pa a en en a em os desa ios do mundo
con empo âneo.
A o ma como os pais moni o izam o empo de u ilização de ec ãs, assim como a na u eza da
elação que es abelecem com os adolescen es pode in luencia de o ma signi ica i a o
desen ol imen o das compe ências sociais, emocionais e cogni i as dos mesmos. Um en ol imen o
a i o e conscien e po pa e dos pais pode p omo e uma u ilização equilib ada da ecnologia,
con ibuindo pa a um c escimen o saudá el e uma melho adap ação social.
Ve i icou-se que os pa icipan es não ap esen a am di iculdades socioeconómicas e, na sua
maio ia, possuíam um ele ado ní el de escola idade. Nessa sequência, a igu a-se impo an e que em
u u as in es igações que en ol am amílias de adolescen es sejam incluídos pa icipan es com ní eis
socioeconómicos e académicos mais baixos. Es a abo dagem pe mi i á comp eende e analisa as
di e enças nas dinâmicas amilia es, nas p á icas pa en ais e no impac o do uso de ecnologia nas
compe ências socio emocionais dos adolescen es, con ibuindo pa a uma isão mais ab angen e e
inclusi a do ema. Se ia, ambém, en iquecedo , ealiza um núme o maio de g upos ocais a im de
se possí el ob e mais con ibu os de melho ia pa a as a i idades p opos as e coc iadas.
39
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53
Anexo 1- Pa ece da Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e
Humanas-(CEICSH)

54
55
56
57
58

59
9. Apêndices
60
Apêndice 1 - Guião do G upo Focal
61
62
69

70
Apêndice 5 – Consen imen o In o mado do Adolescen e
71
72
Apêndice 6 – P opos as de A i idades Ap esen adas
73
74

75
Apêndice 7 – P opos a de A i idades Al e adas
76
77
78
Apêndice 8 – Tabela dos Domínios
Domínios
Ca ego ias
Unidades de Signi icação
Sa is ação
Gos a am
Fazia em conjun o… G1P A1
Ca i a ( odos) G1A_A1
Es e ipo de con e sas acho que são
undamen ais.G1P_A2
…a i idade é mui o in e essan e (…) G1A A2
(…) Mas gos ei (…) G9P A2
Não gos a am
(…) não é algo simples (…) G1P_A1
Sopa de le as não é mui o in e a i o, ela diz: “olha
ens aqui, ou ali…” e p on o. G6A A1
Não, es e ipo de jogo não,(…)G6P_A1
Eu jamais anda a bem ao lado de alguém (…) G5P
A2
Con eúdo
Ins uções cla as/
Comp eensão
Es á pe ce í el. G2A A1
Es á pe ce í el. G1A A1
Que nos ob igam a e a mesma passada.
85
Apêndice 9 – A i idades Coc iadas no G upo Focal

86
87
88
89
90

91
92