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Relações de namoro entre adolescentes em casas de acolhimento de crianças e jovens: desafios e oportunidades

Author: Santos, Alice Sevivas
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/da18464f-ce5c-41c3-8708-a5b60b279e8a/download
Alice Se i as San os
Relações de Namo o en e Adolescen es
em Casas de Acolhimen o de C ianças e
Jo ens: Desa ios e Opo unidades
ma ço de 2025
Relações de Namo o en e Adolescen es em Casas de Acolhimen o de C ianças e Jo ens: Desa ios e Opo unidades
Alice Se i as San os
UMinho|2025
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
Alice Se i as San os
Relações de Namo o en e Adolescen es
em Casas de Acolhimen o de C ianças e
Jo ens: Desa ios e Opo unidades
ma ço de 2025
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Es udos da C iança
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Zélia Fe ei a Caçado Anas ácio
Uni e sidade do Minho
Ins i u o de Educação
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e
boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as
no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-Compa ilhaIgual
CC BY-NC-SA
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/
iii
Ag adecimen os
Es e p oje o assinala o im de um pe cu so exigen e, mas en iquecedo , que só oi possí el g aças
ao apoio de á ias pessoas e ins i uições.
À minha o ien ado a, P o esso a Dou o a Zélia Anas ácio, deixo um ag adecimen o especial pela
dedicação, pelos conselhos aliosos e pelo acompanhamen o que o am de e minan es pa a a
conc e ização des e abalho. À Uni e sidade do Minho e, em pa icula , ao Cen o de In es igação em
Es udos da C iança (Ins i u o de Educação), ag adeço o acolhimen o e as condições disponibilizadas,
que o am undamen ais pa a o desen ol imen o des e p oje o.
À minha amília, que o exp essa um p o undo ag adecimen o pelo in e esse cons an e, pela
con iança que semp e deposi a am em mim e nas minhas capacidades, pela paciência nos momen os
em que i e de me ausen a das esponsabilidades amilia es pa a me dedica a es e abalho. O osso
apoio incondicional oi, sem dú ida, um pila essencial ao longo des e pe cu so.
Às minhas amigas, o meu since o ob igado po me aze em sen i acompanhada em odas as
ases des e desa io. Um ag adecimen o especial à Cláudia, pela sua amizade e ene gia posi i a, que
an as ezes ouxe le eza e mo i ação aos dias mais di íceis.
Aos jo ens que pa icipa am nes e es udo, o meu econhecimen o mais p o undo. A ossa
disponibilidade, en usiasmo e abe u a o am a essência que deu ida e sen ido a es e abalho.
Um ag adecimen o mui o especial aos jo ens de quem i e o p i ilégio de se educado a. Es ou
p o undamen e g a a po udo o que me ensina am, pelas expe iências que pa ilhamos e po e em
o nado es e pe cu so ainda mais signi ica i o e especial.
Às equipas educa i as e a odos os p o issionais en ol idos, ag adeço p o undamen e a
colabo ação gene osa. Um especial ob igado ao D . Edson, pela sua dedicação, humanidade e
disponibilidade, que o am de e minan es pa a o sucesso des e p oje o.
Não pode ia deixa de ag adece a odas as pessoas que c uza am o meu caminho du an e es e
pe cu so. Cada uma, à sua manei a, deixou uma ma ca impo an e nes a e apa da minha ida.
Po im, econheço o es o ço e a esiliência que dediquei a es e pe cu so. Es e abalho não
ep esen a apenas uma e apa do meu pe cu so académico, mas ambém um comp omisso com uma
á ea que me oca p o undamen e e na qual espe o con inua a con ibui no u u o.
A odos os que, de o ma di e a ou indi e a, o na am es e p oje o possí el, o meu mais since o
e sen ido ob igada.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou
esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Relações de Namo o en e Adolescen es em Casas de Acolhimen o de C ianças e Jo ens: Desa ios e
Opo unidades
Resumo
Es a disse ação e e como obje i o desen ol e es a égias educa i as e polí icas pa a a
comp eensão e egulamen ação das elações de namo o en e jo ens em Acolhimen o Residencial (AR),
analisando os desa ios e po encialidades dessas in e ações.
A in es igação consis iu num es udo do ipo obse acional, analí ico e ans e sal, que seguiu
uma me odologia mis a de análise de dados, ecolhidos a a és da aplicação de um ques ioná io mis o,
p eenchido de o ma on-line u ilizando o
Google o ms
. A amos a incluiu 109 jo ens com idades
comp eendidas en e os 12 e os 18 anos ou mais, esiden es em casas de acolhimen o dos dis i os de
B aga e Viana do Cas elo. O ques ioná io in eg ou uma componen e de ca ac e ização sociodemog á ica,
com a iá eis independen es, e escalas econhecidas e alidadas, ais como a Escala de Au oes ima de
Rosenbe g (1965) e a Escala de In eligência Emocional de Wong e Law (2002), bem como uma ques ão
echada des inada a a alia a iolência nas elações de namo o, sendo es as a iá eis dependen es.
Incluí am-se ainda ques ões abe as sob e as conceções dos jo ens ace ca do namo o em con ex o de
acolhimen o.
O es udo oi desen ol ido em con o midade com os c i é ios é icos, endo sido o p oje o ap o ado
pela Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade do Minho.
A análise dos dados ecolhidos oi ei a no p og ama SPSS, endo sido ealizada análise es a ís ica
dos dados de ques ões echadas e análise de con eúdo das espos as às ques ões abe as.
Os esul ados indica am uma au oes ima globalmen e posi i a, mas com algumas agilidades,
sob e udo em sen imen os de incompe ência. No domínio da in eligência emocional, e i ica am-se
compe ências adequadas, mas di iculdades no con olo emocional em si uações de s ess. No que
espei a à iolência no namo o, des aca am-se compo amen os de con olo, ciúmes e p essão pa a
jus i ica ações. Em elação aos namo os em con ex o de AR, os desa ios mais apon ados o am a o es
elacionais, suge indo-se a "acei ação e no malização" des es. Nos emas a abo da em p og amas de
Educação Sexual, des aca am-se comp omissos, noção de sexualidade e espei o pela di e sidade.
Conclui-se que é essencial implemen a p og amas de educação sexual adap ados ao AR e
capaci a os p o issionais pa a lida com es a ealidade.
Pala as-cha e: Acolhimen o esidencial, Adolescência, Desen ol imen o socio emocional,
Educação sexual, Relações de namo o.
i
Roman ic Rela ionships Among Adolescen s in Residen ial Ca e o Child en and You h: Challenges and
Oppo uni ies
Abs ac
This disse a ion aimed o de elop educa ional s a egies and policies o unde s anding and
egula ing oman ic ela ionships among young people in Residen ial Ca e (RC), analyzing he challenges
and po en ial o hese in e ac ions.
The esea ch was an obse a ional, analy ical, and c oss-sec ional s udy, ollowing a mixed-
me hod app oach. Da a we e collec ed h ough an online mixed ques ionnai e using Google Fo ms. The
sample consis ed o 109 young people, aged be ween 12 and 18 o olde , li ing in esiden ial ca e
acili ies in he dis ic s o B aga and Viana do Cas elo. The ques ionnai e included a sociodemog aphic
cha ac e iza ion, independen a iables, and alida ed scales, such as he Rosenbe g Sel -Es eem Scale
(1965) and he Wong and Law Emo ional In elligence Scale (2002). I also included a closed ques ion on
da ing iolence and open-ended ques ions abou he pa icipan s' pe cep ions o oman ic ela ionships
in esiden ial ca e.
The s udy complied wi h e hical guidelines and was app o ed by he E hics Commi ee o
Resea ch in Social Sciences and Humani ies o he Uni e si y o Minho.
Da a analysis was pe o med using SPSS, wi h s a is ical analysis o closed ques ions and con en
analysis o open-ended esponses.
The esul s showed gene ally posi i e sel -es eem, despi e some agili ies, pa icula ly ega ding
eelings o incompe ence. In e ms o emo ional in elligence, pa icipan s displayed adequa e
compe encies bu aced di icul ies in egula ing emo ions, especially unde s ess. Rega ding da ing
iolence, beha io s such as con ol, jealousy, and p essu e o jus i y ac ions we e highligh ed. In he
con ex o oman ic ela ionships in RC, he main challenges iden i ied we e ela ional ac o s, wi h a
sugges ion o g ea e "accep ance and no maliza ion" o hese ela ionships. The mos men ioned opics
o sexual educa ion p og ams included commi men s, unde s anding o sexuali y, and espec o
di e si y.
I is concluded ha implemen ing sexual educa ion p og ams ailo ed o he eali ies o RC and
aining p o essionals o add ess his issue is c ucial.
Keywo ds: Adolescence, Residen ial ca e, Roman ic ela ionships, Sexual educa ion, Socio-
emo ional de elopmen .
ii
Lis a de Ab e ia u as
AR – Acolhimen o Residencial
CEICSH – Comissão de É ica pa a a In es igação nas Ciências Sociais e Humanas
CJENAS – C iança e Jo em Es angei o Não Acompanhado
CPCJ – Comissão de P o eção de C ianças e Jo ens
DGE – Di eção-Ge al da Educação
DST – Doenças Sexualmen e T ansmissí eis
EIS – Educação In eg al em Sexualidade
IST – In eções Sexualmen e T ansmissí eis
LPCJP – Lei de P omoção e P o eção de C ianças e Jo ens em Pe igo
MMR – Mixed Me hods Resea ch
OMS – O ganização Mundial da Saúde
SSR – Saúde Sexual e Rep odu i a
UNESCO – O ganização das Nações Unidas pa a a Educação, a Ciência e a Cul u a
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“O amo e a a ação sexual, enquan o emoções humanas, são
uni e salmen e in empo ais”
- La inas, 2023, p. 24

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Capí ulo 1 - De inição do p oblema em es udo
1.1. Escolha do ema e ques ão de in es igação
O ema des a in es igação su giu a pa i da obse ação dos múl iplos desa ios que os jo ens
em casas de acolhimen o en en am no que diz espei o ao namo o, a e o e sexualidade. Enquan o
educado a numa casa de acolhimen o, es emunhei g andes di iculdades po pa e dos jo ens na
cons ução da sua iden idade e, consequen emen e, na ges ão das suas elações a e i as e na
comp eensão da p óp ia sexualidade e do que ela signi ica.
Além disso, enquan o equipa, en en á amos di iculdades em lida com as ques ões elacionadas
com o namo o quando oco e nes e con ex o, desde a de inição de limi es a é à o ien ação dos jo ens
no sen ido de cons uí em elações saudá eis en e si. Es a emá ica despe ou em mim um g ande
in e esse e e o çou a necessidade de ap o unda o meu conhecimen o nes a á ea, le an ando a p esen e
ques ão de in es igação, pe mi indo iden i ica não só es a égias que capaci em os jo ens pa a oma
decisões conscien es e in o madas, mas ambém es a égias que apoiem os p o issionais na ges ão
des as si uações de o ma educa i a e inclusi a.
Assim, a p incipal ques ão de in es igação oi a seguin e:
- De que o ma as elações de namo o en e jo ens que i em no mesmo con ex o de acolhimen o
esidencial são acei es, comp eendidas e o ien adas numa pe spe i a de sexualidade saudá el?
1.2. Obje i os de In es igação
O obje i o ge al des a in es igação é desen ol e es a égias educa i as e polí icas de
comp eensão, acei ação e egulamen ação das elações de namo o en e jo ens que i em no mesmo
con ex o de Acolhimen o Residencial (AR). Pa a a ingi o obje i o ge al, iden i iquei alguns obje i os
especí icos:
1. Iden i ica ca ac e ís icas das elações de namo o dos jo ens a i e em con ex o de
acolhimen o esidencial;
2. Iden i ica po encialidades e cons angimen os do namo o en e jo ens a i e em no
mesmo cen o de acolhimen o esidencial;
3. Analisa c i icamen e, possibilidades de essigni icação do namo o no con ex o de
acolhimen o esidencial;
4. P omo e ações de educação pa a a sexualidade ab angen e e saudá el em con ex o de
acolhimen o esidencial.
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1.3. Impo ância e jus i icação do es udo
Os jo ens em acolhimen o en en am desa ios únicos, que ad êm das suas his ó ias de ida
ma cadas po ulne abilidade, auma e ins abilidade. A o ma como as elações de namo o são i idas
e pe cecionadas nes es con ex os pode o e ece con ibu os aliosos pa a a c iação de p á icas e polí icas
mais ajus adas às suas ealidades. No en an o, em Po ugal, e i ica-se uma lacuna signi ica i a de
o ien ações especí icas pa a abo da es as ques ões em casas de acolhimen o, sendo a sexualidade
equen emen e negligenciada ou des alo izada, apesa de se uma p eocupação eal pa a os jo ens.
A acei ação das elações de namo o em con ex o de acolhimen o a ia consoan e a ins i uição e
as pe spe i as dos p o issionais que lá abalham. Mui os demons am eceios quan o ao impac o des as
elações no ambien e ins i ucional, emendo po enciais con li os ou deses abilizações. Po ou o lado, há
ins i uições que enca am es as elações como uma opo unidade educa i a, no malizando-as den o de
de e minados limi es e u ilizando-as como pon o de pa ida pa a p omo e compe ências sociais e
emocionais nos jo ens.
Segundo Anas ácio (2019), o desa io de o e ece uma educação sexual adequada nes e con ex o
é ainda maio , pois di e e subs ancialmen e da ealizada em ambien e escola , dado que as casas de
acolhimen o ca ecem de o ien ações o mais especí icas. Pa a esponde a es as necessidades, é
undamen al que os p o issionais es ejam p epa ados pa a abo da ques ões elacionadas com a
sexualidade e as elações in e pessoais de o ma educa i a e inclusi a. Tal inclui emas como o espei o,
os di ei os sexuais e ep odu i os, a iden idade de géne o e a p e enção de compo amen os de isco,
al como p e is o no Re e encial de Educação pa a a Saúde (Ca alho, e al., 2017).
Es a in es igação p opõe explo a as dinâmicas das elações de namo o quando oco em em
con ex o de acolhimen o e ap esen a ecomendações pa a melho a as p á icas ins i ucionais nes a
á ea, enca ando o namo o como pa e in eg an e do desen ol imen o de odos os jo ens. Tal como
a i ma Ma ins (2024):
O desen ol imen o da sexualidade acon ece du an e odo o ciclo i al do indi íduo e oco e de
o ma di e en e de pessoa pa a pessoa, es ando dependen e de uma mul iplicidade de a o es
como ca ac e ís icas gené icas, in e ações ambien ais e, condições sociocul u ais. O
desen ol imen o oco e du an e os di e en es es ágios isiológicos: in ância, adolescência, idade
adul a e e cei a idade (p. 2)
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1.4. Resul ados espe ados e p e isão de iscos, descon o os e bene ícios pa a a in es igação
Os po enciais bene ícios pa a os pa icipan es incluem a possibilidade de con ibui mos pa a o
desen ol imen o de es a égias e polí icas que p omo am a comp eensão, a acei ação e a
egulamen ação das elações amo osas, como um di ei o a se ga an ido a odos os jo ens a i e em
acolhimen o esidencial.
A pa icipação dos jo ens na in es igação pe mi iu conside a as suas opiniões e expe iências,
con ibuindo pa a iden i ica a o es que podem in luencia u u as polí icas e in e enções. Além disso,
ao ecolhe dados de odos os jo ens, o nou-se possí el ob e uma isão ab angen e, incluindo as
pe spe i as daqueles que op am po não es abelece elações de namo o ou que ela am descon o o
pe an e ais acon ecimen os.
Não se p e iam iscos ou descon o os signi ica i os associados à pa icipação na in es igação.
Con udo, caso algum jo em se sen isse descon o á el du an e a ecolha de dados, pode ia in e ompe
a sua pa icipação imedia amen e e se ia encaminhado pa a apoio especializado. No en an o, is o nunca
se e elou necessá io.
Pa a minimiza qualque e en ualidade, se iam disponibilizadas in o mações cla as e de alhadas
sob e o p oje o, assegu ando a con idencialidade, o anonima o e a olun a iedade da pa icipação an es
do início da ecolha de dados. Adicionalmen e, o am seguidos odos os p o ocolos é icos em
in es igação, com ap o ação p é ia da Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e
Humanas (CEICSH), ga an indo assim a p o eção e o espei o pelos pa icipan es em odas as ases do
es udo.
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Capí ulo 2 – Enquad amen o eó ico
2.1. O Acolhimen o Residencial e o seu impac o nas C ianças e Jo ens
A in e enção des inada a p o ege c ianças e jo ens em si uação de pe igo em Po ugal,
con o me delineado nos a igos 1.º e 2.º da Lei de P o eção de C ianças e Jo ens em Pe igo (LPCJP)
(Lei n.º 147/99) (Po ugal, 1999), isa p omo e os di ei os e sal agua da o bem-es a e
desen ol imen o in eg al des es indi íduos. Es a legislação es abelece o egime ju ídico da in e enção
social do Es ado e da Comunidade na P omoção e P o eção dos di ei os indi iduais, sociais, económicos
e cul u ais da c iança e do jo em (Ramião, 2017, ci ado po Rod igues, 2019). Na base dos p incípios
o ien ado es des a in e enção es á a p io ização do In e esse Supe io da C iança, como p e is o na
Con enção sob e os Di ei os da C iança (ONU, 1989; UNICEF, 2019), alinhado com os seus di ei os
undamen ais. Sublinha-se, igualmen e, a impo ância das elações psicológicas p o undas que moldam
o seu desen ol imen o, a o ecendo, semp e que possí el, medidas no seu ambien e na u al de ida e
a possibilidade de ( e)in eg ação amilia (Rod igues, 2019).
Ped o Vaz San os, no seu li o, salien a:
O p incípio o ien ado da aplicação da LPCJP de ende a p e alência da amília, p incípio que se
encon a acolhido na alínea h) do A igo 4.º, de e minando uma subsidia iedade das medidas
em meio na u al de ida em de imen o das medidas de colocação. Nes e sen ido, não bas a a
e i icação de uma si uação de pe igo pa a oco e a e i ada da c iança ou do adolescen e do
seu meio na u al de ida. É necessá io e i ica -se que a in e enção em meio na u al de ida
com is a à emoção da si uação de pe igo não se mos a adequada ou se e ela ine icaz. Só
cons a ada a us ação des e obje i o é que se coloca a hipó ese das medidas de colocação.
(Vaz San os, 2023, p. 4)
A implemen ação das medidas de P omoção e P o eção pode se ealizada po En idades com
Compe ência em Ma é ia de In ância e Ju en ude (ECMIJ), pelas Comissões de P o eção de C ianças e
Jo ens (CPCJ) ou pelos T ibunais.
En e as á ias medidas de P omoção e P o eção es ipuladas no a igo 35.º da LPCJP, des acam-
se as medidas de colocação, que incluem o Acolhimen o Familia (AF) que consis e:
Na a ibuição da con iança da c iança ou do jo em a uma pessoa singula ou a uma amília,
habili adas pa a o e ei o, p opo cionando a sua in eg ação em meio amilia e a p es ação de
8
cuidados adequados às suas necessidades e bem-es a e a educação necessá ia ao seu
desen ol imen o in eg al. (a . 46.º n.º 1 da LPCJP)
O Acolhimen o Residencial (AR) é uma medida de ca ác e empo á io, conside ada uma opção
de úl imo ecu so, aplicada quando não exis em condições e e i as na amília biológica, nuclea ou
ala gada pa a ga an i a segu ança da c iança ou jo em, e isa a sua in eg ação numa “en idade que
disponha de ins alações, equipamen o de acolhimen o e ecu sos humanos pe manen es, de idamen e
dimensionados e habili ados, que lhes ga an am os cuidados adequados” (a . 49.º nº 1 da LPCJP).
De aco do com o Rela ó io CASA de 2023 (Depa amen o de Desen ol imen o Social / Unidade
de In ância e Ju en ude, 2024), a 1 de no emb o, encon a am-se em si uação de acolhimen o 6.446
c ianças e jo ens, es ando a maio ia (83,9%) em casas de acolhimen o, 1,4% em casas de acolhimen o
especializado, 0,6% em casas especializadas pa a C iança e Jo em Es angei o Não Acompanhado
(CJENA), 3,1% em apa amen os de au onomização, 4,1% em acolhimen o amilia e 6,9% nou as
espos as de acolhimen o, como colégios de ensino especial ou comunidades e apêu icas. Regis ou-se
um aumen o signi ica i o de c ianças e jo ens em apa amen os de au onomização (22%) e em amílias
de acolhimen o (16%) ace a 2022. Numa análise compa a i a com o ano de 2022, cons a a-se em 2023
um c escimen o signi ica i o das medidas de p omoção e p o eção em meio na u al de ida, com um
aumen o global de 18,8%. Es e c escimen o de e-se, sob e udo, às medidas de apoio jun o dos pais
(16,2%) e de apoio jun o de ou o amilia (2,6%).
Em e mos ge ais, de 2022 pa a 2023, egis ou-se uma diminuição na p opo ção das medidas
de colocação em elação ao o al. Enquan o em 2022 es as medidas ep esen a am 13,8% do o al e as
es an es 86,2% co espondiam ao meio na u al de ida, em 2023 as medidas de colocação diminuí am
pa a 12%, aumen ando assim pa a 88% as aplicadas no meio na u al de ida. Man ém-se a endência
dos anos an e io es, com a maio ia das c ianças e jo ens em acolhimen o a se compos a po jo ens
com mais de 15 anos, ep esen ando 51% do o al. Po ou o lado, embo a ainda cons i uam apenas
25% do o al, as c ianças a é aos 9 anos egis a am um aumen o de ce ca de 7% no sis ema de
acolhimen o.
Con inuando a endência dos anos an e io es, os p oblemas de compo amen o são a
ca ac e ís ica mais comum en e as c ianças e jo ens acolhidos, ep esen ando quase 25% dos casos.
Seguem-se a de iciência men al (9,2%) e a doença men al (6%). Des aca-se ainda um aumen o de 25%
no diagnós ico de p oblemas de saúde men al em compa ação com o pe íodo an e io . A maio pa e
dos acolhimen os esul a de negligência, que ep esen a 75% dos casos, seguida de maus- a os

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psicológicos (16,5%), como iolência domés ica e abuso de au o idade (Depa amen o de
Desen ol imen o Social / Unidade de In ância e Ju en ude, 2024).
Pe an e es es dados, é undamen al comp eende os desa ios que es as c ianças e jo ens
en en am, especialmen e no que se e e e ao impac o da ins i ucionalização, que pode ag a a as
consequências das si uações de negligência e de ou os ipos de maus- a os no seu desen ol imen o
emocional e psicossocial. As consequências do acolhimen o esidencial são amplamen e discu idas na
li e a u a, com di e sas pe spe i as sob e como es e p ocesso pode, mui as ezes, con ibui pa a a
pe pe uação de aumas, em ez de ajuda a supe á-los.
As consequências do AR em c ianças e jo ens são amplamen e deba idas na li e a u a e exis em
di e gências no que conce ne a es a emá ica. Há quem de enda que “a ins i ucionalização pode
cons i ui -se, mui as ezes, a melho saída pa a algumas c ianças e jo ens que i em em si uação
amilia caó ica e ad e sa” (San os, 2014, p. 17). Na sua pe spe i a, Dell Vale e Zu i a (1996, ci ado po
Sil a, 2021) enume am á ias an agens do AR em compa ação com ou as medidas. Des acam a
capacidade de o nece di e sos se iços pa a a a p oblemas especí icos; a acilidade de con ac o com
a amília biológica, quando pe mi ido pelo ibunal, ao con á io do que oco e nas amílias de
acolhimen o; as casas de acolhimen o, es u u adas com eg as e limi es, são c uciais pa a as c ianças
e jo ens que êm de con ex os sem o ina e ambien e deso ganizado; e a expe iência de i e em g upo
pode se bené ica pa a os adolescen es ao acili a a cons ução de elações com di e en es adul os e
pa es.
Po ou o lado, Ca alho (2002, ci ado po San os, 2010), essal a ques ões nega i as
associadas ao AR, en a izando o a endimen o impessoal e pad onizado, com endência pa a uma meno
exp essão da indi idualidade e singula idade de cada sujei o (Ben o, 2010, ci ado po Ca alho e al.,
2016, p. 341), a ele ada p opo ção de c ianças po cuidado , a al a de a i idades planeadas e a
agilidade das edes de apoio social e a e i o, con ibuindo pa a expe iências deses u u adas,
aumen ando a p obabilidade de desen ol e em aje ó ias de ida ma cadas po des io, ma ginalização
e exclusão social, quando compa ados com indi íduos que não passa am pelo AR. Na mesma linha de
pensamen o, Albe o (2002, ci . po San os, 2010) a i ma que:
(…) pelas ca ac e ís icas ine en es a qualque ins i ucionalização, as consequências des a são
nega i as em di e sos domínios e compo a iscos obje i os e eais no desen ol imen o das
c ianças e jo ens acolhidas: a i ência subje i a de a as amen o e abandono das c ianças
ela i amen e à amília, a des alo ização da au oes ima, a egulamen ação excessi a da ida
10
quo idiana, que pode se in aso a da p óp ia indi idualidade, a in luência que a ida em g upo
pode exe ce na o ganização da in imidade, o impac o que a o ganização ins i ucional e a
pe manência p olongada pode exe ce ao ní el da cons ução da au onomia pessoal e do p oje o
de ida, o bloqueio na cons ução de ínculos e exp essão de a e os. (p. 30)
Pa a pode mos comp eende o impac o que a ins i ucionalização pode e na ida des as
c ianças e jo ens, é imp escindí el conside a mos ambém as suas expe iências e i ências passadas.
Mui as ezes, es as c ianças e jo ens azem consigo his ó icos amilia es ma cados pelo abandono,
ejeição, negligência e i imização (San os e al., 2010). A exposição a e en os aumá icos pode
con ibui pa a o desen ol imen o de compo amen os an issociais, o nando-os susce í eis ao
desen ol imen o de inculações a e i as insegu as, compe ências socioemocionais p ecá ias e sin omas
como ansiedade, dep essão e isolamen o (S ou e, 2005), assim como pa a o desen ol imen o de
dis ú bios emocionais e compo amen ais (Hukkanen e al., 1999). Além disso, a ca ência a e i a e
di iculdades em es abelece limi es (Vec o e & Ca alho, 2008) são ca ac e ís icas comuns en e es es
jo ens, o que p omo e o desen ol imen o de emoções como ai a, is eza e angús ia, podendo e
epe cussões nega i as nas in e ações que es abelecem com os ou os (Ca alho e al., 2016).
2.2. A impo ância da inculação nas elações in e pessoais desde a in ância a é à idade adul a
Segundo Vaz (2023), os bebés nascem com uma p edisposição ina a pa a es abelece elações
sociais e ínculos a e i os. Quando ecebem cuidados de o ma sensí el e esponsi a, p e e encialmen e
de um dos cuidado es, é possí el obse a , a pa i dos 18 meses, o desen ol imen o de um pad ão
o ganizado de inculação. O au o e e e que es e p ocesso en ol e a c iação de um esquema men al
que se aduz em compo amen os o ganizados, os quais, po sua ez, ge am uma espos a egula em
si uações de s ess.
Es a conceção é sus en ada pela eo ia da inculação de John Bowlby (1969) e consequen es
linhas de in es igação (Ainswo h e al., 1978), que de endem que “os se es humanos es ão
biologicamen e p edispos os a p ocu a em cuidado em de e minadas si uações, pa icula men e em
si uações de ameaça, insegu ança, pe u bação ou necessidade” (Sousa, 2013, p.47). Sendo assim, a
o mação do ínculo e do apego, nos p imei os anos de ida, cons i uem expe iências de e minan es
(Ca alcan e, Magalhães & Pon es, 2007), onde se p ima a egulação emocional.
De aco do com essa pe spe i a, quando uma c iança em pais a e i os e c esce num ambien e
ca ac e izado po amo e a e o, ende a desen ol e sensações de bem-es a , segu ança e au ocon iança.
No en an o, quando uma c iança é a as ada do ambien e amilia ou c esce em si uações ad e sas, é
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p o á el que desen ol a sen imen os de insegu ança e ansiedade. Es as expe iências podem e um
impac o nega i o no seu desen ol imen o, p ejudicando as suas elações in e pessoais, an o no
p esen e como ao longo da sua ida u u a (Caiei o & Viei a, 2013; Alexand e & Viei a, 2004).
A p i ação de cuidados pa en ais na in ância p ejudica o desen ol imen o saudá el do indi iduo,
o que se i á e le i nas ligações a e i as que es e es abelece ao longo da sua ida. Is o demons a que
os ínculos emocionais não se limi am apenas à in ância, exis e uma con inuidade des es desde a
in ância a é à idade adul a, o que signi ica que, à semelhança da elação en e cuidado e bebé, os
adul os ambém deposi am con iança nos seus pa cei os ín imos pa a sa is aze em as suas
necessidades emocionais. Tal como é possí el conclui no es udo de Gibing e Whi ing (2022, ci ado po
La inas, 2023):
Da mesma o ma que as c ianças desen ol em ep esen ações men ais sob e os seus
cuidado es e ínculos a e i os a pa i das expe iências elacionais, o mesmo ambém acon ece
com e en e os pa cei os ín imos. Ou seja, à semelhança da elação cuidado -bebé, os adul os
ambém con iam nos seus pa cei os ín imos pa a se sen i em segu os e sa is ei os com as suas
necessidades emocionais. (p. 13)
Assim, es ilos de inculação desen ol idos na in ância e le em-se nas elações amo osas
es abelecidas na adolescência e idade adul a, sendo possí el conclui que indi íduos que “ap esen am
uma inculação segu a endem a expe imen a elações ín imas de maio qualidade, ní eis de sa is ação
supe io es e emp ega es a égias mais e icazes na ges ão de con li os e comunicação” (La inas, 2023,
p. 13). Na mesma linha de pensamen o, Rygaa d (ci ado po Lemos, 2017) ale a que:
(…) c ianças auma izadas, abandonadas ou que não podem con a com cuidados a e i os e
p o e i os pode ão desen ol e o ans o no de apego ea i o de ido às múl iplas si uações de
negligência a que são expos as epe idamen e. Assim, quando se pensa na c iança em si uação
de acolhimen o, há de se supo que em algum momen o hou e uma queb a no ínculo, em
especial com a mãe, quem é o p imei o obje o de amo do in an e. (p. 2)
No esquema ap esen ado a segui na igu a 1 (Ama al Almeida, 2023), podemos obse a os
qua o pad ões p incipais de inculação e a sua co elação com a o ma como os indi íduos se
elacionam com os ou os e consigo p óp ios. O esquema ilus a como cada pad ão de inculação pode
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in luencia a manei a como os indi íduos se elacionam com os ou os e consigo mesmos, des acando
a impo ância de uma inculação segu a.
Figu a 1
Pad ões de inculação
Fon e:
Ama al Almeida (2023)
É essencial p opo ciona à c iança, desde cedo, uma base segu a que lhe pe mi a explo a o
mundo à sua ol a, p omo endo um equilíb io saudá el en e a sua au onomia e as elações in e pessoais
(Sil a, 2017).
Tal como e e e San os (2014):
(…) dependendo do pad ão de inculação desen ol ido a c iança ai cons uindo a i amen e, no
con ex o das in e ações, ep esen ações inconscien es, gene alizadas e endencionalmen e
es á eis sob e o sel , os ou os e o mundo. Denominadas de modelos in e nos dinâmicos, se em
como guias na in e p e ação dos acon ecimen os, condicionando expe a i as e u u as
in e ações. (p.12)
19
a decisões mal in o madas, baseadas em expe iências pessoais e c enças, em ez de em in o mações
co e as e undamen adas.
Ha mon-Da ow e al. (2020) en a izam a impo ância de es abelece um modelo de
comunicação e icaz en e cuidado es e jo ens acolhidos. Des acam a necessidade de p omo e
discussões e deba es, sob e os alo es a ibuídos ao sexo e à sexualidade, como meio de p omo e a
pa ilha de in o mações e a educação sexual desses jo ens, de o ma a do á-los de conhecimen os e
es a égias que os auxiliem na modelagem dos seus compo amen os. Es e p ocesso de e inicia -se, e
al como de endido po Anas ácio (2019), com o mação especí ica em educação sexual di igida aos
p o issionais das ins i uições, ocada numa in e enção a ní el indi idual de aco do com as ca ac e ís icas
e necessidades de cada jo em. É p eciso no maliza , ou i e conside a as pe spe i as dos jo ens em
elação a es e assun o, pe mi indo o desen ol imen o de polí icas e p á icas mais sensí eis e e icazes,
não só a cu o, mas ambém a longo p azo.
De aco do com a Anas ácio (2019), a educação pa a a sexualidade nas casas de acolhimen o
de e segui uma “pe spe i a desen ol imen is a, além de a ua ambém de modo p e en i o” (p. 123).
No âmbi o p e en i o, po exemplo, a p imei a medida ado ada jun o da população eminina é,
equen emen e, a consul a de planeamen o amilia pa a adminis ação de mé odos con ace i os (como
a pílula, o implan e ou o DIU). Con udo, como e e e Anas ácio (2019):
A p e enção em de incidi ambém na p e enção das in eções sexualmen e ansmissí eis, bem
como no desen ol imen o de capacidades de p e isão de isco e de consequências das decisões
omadas. E es e é um p ocesso mais educa i o do que médico, exigindo um abalho com
con inuidade, assegu ando um ambien e de con iança e de in e ação posi i a en e acolhidos e
cuidado es. (p. 123)
2.3. Relações ín imas e/ou de namo o e iolência no con ex o de in imidade
As elações amo osas desempenham um papel undamen al na ida de mui os adolescen es,
o e ecendo-lhes opo unidades aliosas pa a ap ende no as o mas de comunicação e in e ação com
os ou os. Es as expe iências ajudam a es abelece pad ões compo amen ais que podem se moldados
po di e sos a o es (Fo enza e al., 2018, ci ado po Rod igues, 2020). A o ma como os adolescen es
i enciam, exp essam e pe cebem o amo é in luenciada po um conjun o de a o es con ex uais, como
o ambien e amilia , os meios de comunicação, os g upos sociais e o con eúdo audio isual a que es ão
expos os (Cha es, 2010, ci ado po La inas, 2023).

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A de inição de amo em e oluído ao longo do empo, e le indo as mudanças demog á icas e os
in e esses indi iduais de cada época. Nos úl imos dois séculos, os jo ens êm alo izado cada ez mais
a libe dade indi idual, o p esen e, a no idade e a capacidade de escolha, enca ando equen emen e os
comp omissos du adou os como o mas de ap isionamen o (Cha es, 2010, ci ado po La inas, 2023).
A ualmen e, os jo ens u ilizam uma a iedade de e mos pa a desc e e os seus elacionamen os
ín imos, como "amigos colo idos", "cu es", "amigos com bene ícios" ou " ican es", que ep esen am
di e en es ní eis de en ol imen o e in imidade. Um es udo ealizado po Mo ei a e colegas (2021, ci ado
po La inas, 2023), com adolescen es po ugueses, con i ma es a endência demons ando que os
jo ens conseguem dis ingui cla amen e o namo o, en endido como uma elação mais es á el, de ou os
ipos de elacionamen os casuais.
A ap oximação ao sexo opos o e a ma u ação do sis ema sexual conduzem ao su gimen o das
p imei as elações amo osas e expe iências sexuais. A sexualidade ab ange á ias dimensões —
biológica, elacional, é ica, sociocul u al e psicológica. As emoções associadas ao amo es imulam a
p ocu a pela sa is ação ísica do desejo sexual, e é nesse con ex o que mui os jo ens iniciam a sua ida
sexual, equen emen e mais cedo do que o espe ado. De aco do com o Global Sex Su ey (2005), em
Po ugal, a idade média de início da a i idade sexual si ua a-se nos 16,9 anos, o que coincide com a
e apa inal da adolescência (Anas ácio, 2010).
Aos 16 anos, ce ca de 60% dos adolescen es ela am es a en ol idos num elacionamen o
omân ico. Além disso, no inal do ensino secundá io, en e 70% e 90% dos jo ens a i mam já e ido
algum ipo de elação amo osa (Zedake , Fanshe & Goodson, 2024). Es es elacionamen os
desempenham um papel signi ica i o nas aje ó ias pessoais dos adolescen es, in luenciando o seu
desen ol imen o emocional, social e compo amen al. Podem a e a não só o uncionamen o do jo em,
mas ambém o desen ol imen o da sua independência e os compo amen os sexuais (Adams e al.,
2001; Gio dano e al., 2006). Con udo, quando es as elações não são saudá eis, podem e um impac o
mui o nega i o nas suas idas.
McCa hy e Casey (2008, ci ados po Zedake , Fanshe , & Goodson, 2024) des acam que
adolescen es com ínculos a e i os sólidos endem a demons a menos compo amen os delinquen es.
Em con as e, aqueles com laços mais ágeis não ap esen am, ge almen e, uma edução signi ica i a
da delinquência, o que pode es a elacionado com ca ac e ís icas indi iduais, como a impulsi idade.
Relacionamen os omân icos de qualidade, com en ol imen o emocional signi ica i o, podem, assim, e
um impac o mais posi i o, na edução da delinquência, do que elações com o g upo de pa es, pois,
21
nes a ase, os ínculos a e i os ganham uma impo ância c escen e (Zedake , Fanshe & Goodson,
2024).
Es a e apa, ma cada pelos p imei os elacionamen os a e i o-sexuais, ambém ep esen a um
pe íodo de isco pa a o su gimen o de episódios de iolência no seio das elações de in imidade que
podem es ende -se a é à idade adul a. Nem semp e es as elações são saudá eis, o que exige uma
a enção especial da sociedade. Es udos sob e i imização e pe pe ação de iolência no namo o suge em
que as mulhe es são, mui as ezes, au o as de iolência ísica, e bal e emocional (Abilei a e al., 2019;
Bo ges e al., 2020, ci ados po La inas, 2023). Po ou o lado, ou os es udos apon am os homens
como mais p opensos a pe pe a em iolência ísica e sexual, um enómeno equen emen e elacionado
com ques ões cul u ais e de géne o (Rey-Anacona, 2017, ci ado po La inas, 2023).
Um es udo ealizado em Po ugal, po Ne es e al. (2020, ci ado po La inas, 2023) e ela que
an o apazes como apa igas são í imas de iolência em con ex os de namo o e elações ín imas.
Con udo, os apazes são mais equen emen e apon ados como pe pe ado es, especialmen e em casos
de iolência sexual, compo amen os ameaçado es e iolência ísica. Es a ealidade suge e uma ce a
legi imação e ole ância, po pa e das apa igas, ace a compo amen os abusi os (Fe nandes e al.,
2018, ci ado po La inas, 2023).
No que diz espei o às elações ocasionais, Machado e Ven u a (2012) concluí am que, embo a
não exis am di e enças signi ica i as en e os sexos na iolência pe pe ada, a iolência sexual e
emocional é mais comum en e apazes, enquan o es es são ambém os que mais so em iolência
ísica. Es udos indicam ainda que o con olo e a iolência psicológica são as o mas mais p e alen es de
abuso em elações de namo o (La inas, 2023).
La inas (2023) iden i ica á ias ca ac e ís icas que con ibuem pa a a manu enção da
i imização em elações ín imas. No que conce ne aos a o es indi iduais, Mo ei a e colegas (2021)
cons a a am que os apazes mui as ezes jus i icam a pe manência em elacionamen os ín imos não
saudá eis de ido ao eceio da solidão, associado à baixa au oes ima e à obsessão (ci . po La inas,
2023). No caso das apa igas, oi possí el des aca como p incipal a o de ulne abilidade a p essão de
g upo, a insegu ança, a espe ança de muda o pa cei o e a c ença de que "o amo é cego", jus i icando
o con olo do companhei o como sinal de a e o (mani es ações de amo ou c ises de ciúmes) e não se
iden i icando como í imas. Além disso, oi possí el iden i ica que di e en es dimensões de inculação
insegu a, que e i an e que ansiosa, se associam a di e en es o mas de compo amen os e expe iências
nas elações ín imas. Adolescen es com inculação e i an e são mais susce í eis à cibe iolência e
22
s alking
, enquan o aqueles com inculação ansiosa, ma cados pelo medo do abandono, en en am um
isco ac escido de iolência po pa e do pa cei o.
A di e ença de idade en e pa cei os ambém aumen a a p obabilidade de i imização,
especialmen e quando o ag esso é signi ica i amen e mais elho (Ko kmaz & Ö e lien, 2019, ci ado po
La inas, 2023). No es udo de Ko kmaz e Ö e lien (2019, ci ado po La inas, 2023)
os pa icipan es (17-23 anos) e e i am e sido í imas de a os iolen os na sua p imei a elação
e que o ag esso e a mais elho, sendo que o a o “idade do ag esso ” ambém pode es a
associado à i imização de VRI (Violência nas Relações de In imidade). (p. 14)
E, ainda, “adolescen es mais no os e/ou com meno conhecimen o pe pe am e so em mais
de VRI, a ando-se de um a o de isco pa a a i imização e pe pe ação de VRI a uais e u u as.” (p.14)
Finalmen e, é essencial conside a o impac o dos a o es sociais, como o ambien e amilia e a
ede de apoio. Jo ens sem supo e amilia ou social adequado es ão mais ulne á eis à i imização. O
isolamen o, a solidão e a al a de apoio social são ambém elemen os que podem con ibui pa a a
pe manência numa elação abusi a. Es as conclusões co obo am es udos an e io es, como o de Mo ei a
e colegas (2021, ci ado po La inas, 2023). A pe sis ência de uma cul u a que no maliza a iolência
ambém con ibui pa a que compo amen os abusi os sejam minimizados ou acei es, especialmen e
en e apazes, que endem a legi ima a iolência como exp essão de masculinidade (Ven u a e al.,
2013). Adicionalmen e, o es udo de La inas (2023) e e e que, de ido a ques ões sociocul u ais e
es e eó ipos de géne o,
Os apazes mos am-se mais pe missi os ela i amen e a condu as iolen as, se calha , no
sen ido de mos a o que é se masculino e po isso in eg am a o ça ísica e con li os e bais
nas suas elações, legi imando o pode e o con olo sob e o ou o. (p. 11)
No es udo de Rod igues (2020)
Apesa dos adolescen es que i em em acolhimen o esidencial e em algumas i ências ou
o inas semelhan es a qualque ou o adolescen e que i a com a sua amília, podem e i ica -
se algumas di e enças que le am es e g upo a se mais ulne á el ace aos adolescen es em
amílias adicionais. Is o de e-se à deses u u ação amilia , à baixa au oes ima e à exposição à
23
iolência ( ísica, sexual e psicológica), o que os pode le a a cons i ui um g upo de isco no que
espei a aos conhecimen os e a i udes sob e sexualidade (p.2).
Es as ci cuns âncias o nam-nos pa icula men e ulne á eis a ado a c enças e a i udes sob e
a sexualidade que podem in luencia nega i amen e as suas elações amo osas.
2.4. Desa ios na Saúde Sexual e Relacional de Jo ens em Casas de Acolhimen o
Os jo ens que esidem em casas de acolhimen o o mam um g upo mui o he e ogéneo,
ap esen ando ealidades de ida dis in as. An es de ing essa em nessas ins i uições, a maio ia des es
adolescen es en en ou di e sas o mas de i imização, di e a ou indi e a. Como a i ma Rod igues
(2020):
Du an e a adolescência es es jo ens desen ol em compe ências que lhes pe mi em es abelece
elações omân icas, mas, quando não há um adul o signi ica i o com quem es es jo ens
es abeleçam uma elação saudá el e de in imidade, que possam enca a como modelo nos seus
elacionamen os u u os, as suas elações amo osas podem co e o isco de se o na em
dis uncionais (p. 3).
Assim, a ulne abilidade dos jo ens em acolhimen o no âmbi o da sexualidade de e-se, em
g ande pa e, ao seu con ex o de ida ma cado po expe iências em múl iplos ambien es, ínculos
insegu os com cuidado es e con ac o eduzido com as suas amílias. Es a si uação pode le á-los a
p ocu a a e o de o ma inadequada (Hyde, e al., 2017). Como menciona Sá (2008, p. 7), “as elações
que podem se mais p oblemá icas são as amo osas, po que são adolescen es mui o ca en es que se
en egam mui o acilmen e.”
É comum que es es jo ens ela em expe iências de auma ou abuso sexual, enham ecebido
cuidados inconsis en es, ígidos ou indisponí eis. P o enien es de amílias sujei as a múl iplos a o es de
s ess, es es adolescen es equen emen e ca ecem de a o es de p o eção, como elações amilia es
posi i as (Fe nández Ga cía, 2023). As ca ac e ís icas demog á icas ambém podem in luencia o seu
desen ol imen o saudá el. Po exemplo, pe ence a uma mino ia sexual pode es a associado a a i udes
mais libe ais em elação à sexualidade. Es a al a de es u u a na ede de apoio comp ome e as suas
elações in e pessoais e o bem-es a emocional e social.
24
Nesse sen ido, A eaga e Del Valle (2003) concluí am que uma ede de apoio social sólida é
essencial pa a ajuda os jo ens a en en a as ad e sidades que i em e i encia am. Além disso, a
insa is ação com o apoio amilia e social pode ainda aumen a os sin omas dep essi os nos
adolescen es). Embo a os jo ens em acolhimen o possuam edes sociais nume icamen e maio es
(incluindo educado es, colegas e amília), a qualidade desse apoio é in e io quando compa ada com
jo ens que i em em con ex os amilia es con encionais.
Es e conjun o de a o es agiliza a saúde sexual des es jo ens, exigindo es a égias especí icas
de in e enção que os ajudem a descons ui ideias p é-concebidas que es es endem a no maliza de ido
ao seu con ex o de ida. Impo a, con udo, no a que as ideias e in e esses des es adolescen es em
elação à sexualidade não di e em signi ica i amen e dos jo ens em ambien es amilia es. Apesa de
se em a as ados das suas amílias, es es jo ens sonham em e uma amília e desejam en ende mais
sob e o concei o e planeamen o amilia (Anas ácio, 2021). “Esses esul ados e le em uma necessidade
básica de odos os se es humanos, que é i e em uma amília com cuidado, a e o e amo ” (p. 456). No
mesmo es udo, e apesa do a as amen o com a amília, oi possí el conclui que os jo ens
ins i ucionalizados, conside am as mães em e cei o luga como as mais esponsá eis pela sua educação
sexual, ocupando o médico e a en e mei a os dois p imei os luga es; quan o às on es de in o mação
sob e sexualidade, apon am equen emen e a in e ne , os amigos e a mãe e apon am como uma das
suas p incipais p eocupações a al a de opo unidades pa a con e sa ace ca dos seus elacionamen os
ín imos, p á icas sexuais segu as e as suas necessidades.
A saúde emocional e as compe ências socioemocionais des es jo ens são igualmen e c uciais.
De aco do com o es udo de Anas ácio colegas (2017), ap esen ado na 6ª Con e ência ENSEC, a
au oes ima média des es jo ens é ligei amen e baixa (27,87), sendo in e io en e apa igas. A
asse i idade ap esen a alo es médios (24,52) e é ligei amen e supe io nas apa igas, enquan o a
esiliência é ambém mode ada (26,40), mas mais baixa en e apa igas do que nos apazes. A
asse i idade es á posi i amen e co elacionada com a au oes ima e a esiliência. Es es esul ados
suge em que, apesa das di iculdades que en en am, es es jo ens ap esen am uma sa is ação azoá el
e compe ências socioemocionais adequadas.
No que espei a à iolência nas elações de namo o, Fonseca (2015) a i ma que os adolescen es
em ins i uições de acolhimen o não di e em mui o dos que i em em amílias con encionais. Ambos os
g upos u ilizam o mas saudá eis de esol e con li os, admi indo, con udo, se em í imas e
pe pe ado es de iolência e bal. No en an o, os jo ens ins i ucionalizados ap esen am maio p opensão

25
pa a o uso de iolência ísica, exis indo uma co elação en e o empo de acolhimen o e a p opensão à
iolência ísica nos seus elacionamen os.
Rod igues (2020) obse ou que, apesa de alo iza em a comunicação, o comp omisso e a
hones idade, mui os des es jo ens ela am di iculdades em man e elações saudá eis de ido à al a de
asse i idade e ao eceio de con li os, e
quando alam das suas p óp ias expe iências, acabam po e ela al a de asse i idade ace às
suas idealizações, uma ez que demons am mui as di iculdades em comunica e em man e
uma elação hones a, ela ando que e i am o con li o pa a não causa si uações ag essi as
den o da sua elação (p.3).
Es udos como o de Long e colegas (2017, ci ado po Rod igues, 2020) e elam que os jo ens
em acolhimen o que se en ol em em elacionamen os amo osos equen emen e en en am
compo amen os iolen os po pa e dos seus pa cei os. Não obs an e, a inculação nas elações
omân icas pode desempenha um papel decisi o na p e enção da iolência.
Quando numa elação há uma mudança dos pad ões de in e ação dos sujei os, al e ando os
seus modelos de inculação baseados na iolência a que o am expos os em c ianças (Godbou e al.,
2014) e es abelecendo uma elação saudá el, pode ha e mudanças signi ica i as na sa is ação da
elação, sendo es a guiada po modelos sem iolência. Is o demons a que a inculação nas elações
omân icas pode se decisi a na p e enção e no a amen o da iolência des es jo ens p e iamen e
expos os a condições de ida ad e sas (Rod igues, 2020).
É undamen al que as ins i uições de acolhimen o p omo am uma educação sexual ab angen e,
desmis i icando a sexualidade e abo dando-a de o ma posi i a e a e i a e con apondo abo dagens
simplis as e inadequadas, que não cap u am a iqueza e a di e sidade da expe iência sexual humana.
Um exemplo disso, é a homossociabilidade, que acili a p á icas sexuais com ca ac e ís icas
homossexuais nas ins i uições de acolhimen o, e le indo a necessidade de uma isão mais inclusi a e
in o mada da sexualidade (Lino, 2009, p. 7). Inclusi e, num caso ap esen ado no es udo de Lino (2009),
oi possí el conclui que é hábi o a mas u bação du an e a noi e en e jo ens e que es a ques ão pode
aduzi uma o ma ima u a de enca a a he e ossexualidade.
A pube dade e o despe a da sexualidade em ambien e de acolhimen o podem oco e de o ma
p ecoce, sendo mui as ezes associadas a expe iências ag essi as e desp o idas de a e o. A p ecocidade
da ida sexual pode se um indicado de p oblemas emocionais, como dep essão, ansiedade e baixa
au oes ima. Es udos conduzidos po Sp iggs e Halpe n (2008) e Dawson e colegas (2008) e idencia am
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uma ligação en e sin omas dep essi os e o início p ecoce das elações sexuais, especialmen e en e
aqueles que en en a am ad e sidades du an e a in ância. As elações sexuais p ecoces podem se i
como uma o ma de lida com p oblemas emocionais, p ocu ando con o o e a e o.
Rod igues (2020), cons a ou que o início p ecoce da a i idade sexual en e jo ens que esidem
em con ex o de acolhimen o, es á associado a uma maio p obabilidade de g a idez an es dos 19 anos
e de uma segunda g a idez logo após o nascimen o do p imei o ilho, compa a i amen e aos jo ens que
i em em ambien es amilia es no mais. Uma p opo ção signi ica i a de apazes esiden es em
ins i uições de acolhimen o já eng a idou alguém aos 21 anos. Embo a a maio ia não deseje e ilhos,
conside a es a si uação ine i á el. Assim, es es jo ens exibem ní eis ele ados de compo amen os de
isco, como g a idez p ecoce, doenças sexualmen e ansmissí eis (DST) e al a de uso de mé odos
con ace i os (Rod igues, 2020)
Apesa de o es udo de Oman e colegas (2018, ci ado po Rod igues, 2020, p. 9) e concluído
que mui os jo ens comp eendem a impo ância do uso do p ese a i o pa a e i a a g a idez, poucos o
azem pa a p e eni DST. Esses compo amen os podem a é mesmo inclui o en ol imen o em "sexo
ansacional", o que pode se a ibuído à exposição p é ia dos jo ens a condições ad e sas, esul ando
em ima u idade e al a de conhecimen o sob e sexualidade.
Ga cia e colegas (2021) suge em que compo amen os sexualizados, quando u ilizados como
mecanismos de de esa de o ma inadequada podem indica a al a de egulação emocional e an ecipa
ou os compo amen os p oblemá icos (como delinquência ju enil), mas ambém podem es a po ás
de um abuso sexual.
Assim, é ex emamen e impo an e nes es con ex os desmi i ica a sexualidade e mos a que
ela pode se i ida de manei a posi i a, com ca inho e a e o, em ez de se is a como algo azio ou
me amen e compensa ó io.
A c iação de ínculos signi ica i os com a equipa educa i a é essencial e de e se o “pila
undamen al pa a ga an i a ope acionalização de boas p á icas em odo o p ocesso educa i o e no
desen ol imen o das c ianças e jo ens, uma ez que os adul os cuidado es se ap esen am como
modelos elacionais de qualidade” (Ma ques & Tomé, 2018, p.18).
2.5. Capaci ação das c ianças e jo ens acolhidas e uma abo dagem baseada no desen ol imen o de
compe ências
Num es udo conduzido po Anas ácio (2016), que analisou a au oes ima, asse i idade e
esiliência de adolescen es ins i ucionalizados na egião no e de Po ugal, oi possí el conclui que es es
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jo ens ap esen am ní eis médios nes as ês dimensões, o que con a ia as expec a i as iniciais. A
pesquisa e elou que a au oes ima é um cons u o in e no, não sendo signi ica i amen e in luenciada po
a o es como o ní el de escola idade ou o empo de ins i ucionalização. Foi ambém obse ado que os
adolescen es mais jo ens endem a ap esen a uma au oes ima mais baixa, enquan o as apa igas
demons a am meno asse i idade ao exp essa as suas ideias, especialmen e em si uações ad e sas.
Além disso, a esiliência mos ou es a ligada a aços de pe sonalidade. O es udo suge e que a
au oes ima, a asse i idade e a esiliência se desen ol em de o ma in e ligada, o que indica que
in e enções nas casas de acolhimen o podem se bené icas pa a o alece es as compe ências.
A pa icipação a i a das c ianças e jo ens em con ex o de acolhimen o é undamen al pa a
ga an i o espei o pelos seus di ei os e p omo e o seu bem-es a , como de endem Ma ques e Tomé
(2018). Es a pa icipação ai mui o além da me a p esença ísica; en ol e o desen ol imen o indi idual,
as opo unidades educacionais e o bem-es a ge al das c ianças e jo ens.
Todas as c ianças que se encon am e man êm em acolhimen o esidencial êm os mesmos
di ei os que as c ianças que es ão in eg adas nas suas amílias. A pa icipação das c ianças e
dos jo ens na ida das casas de acolhimen o cons i uiu a base de sus en ação do abalho
educa i o. Pa a além de um di ei o, con ibui pa a o desen ol imen o e bem-es a da C iança e
Jo em (Ma ques & Tomé, 2018, p. 13).
Rod igues (2019) e o ça a impo ância da pa icipação a i a das c ianças e jo ens em
acolhimen o esidencial, des acando que es a ga an e a sal agua da dos seus di ei os. Quando ou idos
e en ol idos nas decisões que a e am as suas idas, es es jo ens êm a opo unidade de exp essa as
suas opiniões e con ibui a i amen e pa a o ambien e em que i em e pa a o seu p oje o de ida. Es e
en ol imen o p omo e a sua au onomia e aumen a a sa is ação com o acolhimen o. Gomes (2010, ci ado
po Ma ques & Tomé, 2018) ambém sublinha a ele ância de pe mi i que es es jo ens desen ol am
compe ências e pa icipem a i amen e na ida das ins i uições, enco ajando-os a o e ece suges ões e
ideias.
É essencial econhece e espei a os di ei os das c ianças e jo ens em con ex o de acolhimen o,
especialmen e no que se e e e à sua pa icipação a i a (Rod igues, 2019). Es e econhecimen o não só
acili a a comp eensão das suas necessidades e ca ac e ís icas indi iduais, como ambém melho a a
qualidade do acolhimen o e undamen a o abalho educa i o. Pai a (2012) des aca a impo ância de e
es as c ianças como sujei os de di ei os, compe en es e com oz nas decisões que impac am as suas
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idas. As consequências da ins i ucionalização não se limi am ao pe íodo de acolhimen o, podendo
mani es a -se an es da ins i ucionalização e p olonga -se após a saída da ins i uição (p. 3).
Vaz San os (2023) ap esen a um modelo de aquisição p og essi a de compe ências des inado a
se aplicado em con ex o de acolhimen o esidencial. Es e modelo em como obje i o p omo e
p e isibilidade, capaci ação e in encionalidade educa i a, o necendo aos jo ens as e amen as
essenciais pa a o seu desen ol imen o. De aco do com o au o , a a-se de um p ocesso es u u ado e
g adual, que p essupõe que a ap endizagem não oco e de o ma imedia a, mas sim a a és de uma
p og essão o ganizada, onde as compe ências são adqui idas e consolidadas ao longo do empo.
O pe cu so de desen ol imen o passa po á ias e apas, começando com a iden i icação das
necessidades especí icas de cada indi íduo. Numa ase inicial, é necessá io um acompanhamen o mais
p óximo e es u u ado, com a de inição de o ien ações cla as e o o necimen o de apoio na execução das
a e as. À medida que o empo a ança, o indi íduo ai adqui indo maio con iança e au onomia,
desen ol endo a capacidade de esol e p oblemas e oma decisões po si p óp io.
Es e modelo e ela-se pa icula men e pe inen e em con ex os educa i os, onde é c ucial ajus a
o acompanhamen o ao i mo e às ca ac e ís icas de cada c iança ou jo em. A p og essão de e se
adap ada às compe ências e agilidades de cada um, assegu ando que a ap endizagem seja e icaz e
sus en á el. Além disso, o modelo eque lexibilidade pa a pe mi i ajus es con ínuos, de modo a
esponde a necessidades que possam su gi ao longo do p ocesso e a omen a um c escimen o
cons an e.
No que diz espei o aos elacionamen os amo osos den o das casas de acolhimen o, es e
modelo assume uma especial ele ância. A i ência des es elacionamen os exige uma ap endizagem
g adual, onde os jo ens desen ol am, ao longo do empo, compe ências essenciais como a
comunicação, o espei o mú uo, a ges ão de emoções e a esolução de con li os, compe ências
essenciais pa a o es abelecimen o de elacionamen os saudá eis e equilib ados.
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Os dados ecolhidos ica am egis ados em ichei o no o ma o Excel, endo sido depois
ans e idos pa a o p og ama de análise es a ís ica IBM SPSS ( e são 28.0), icando exclusi amen e na
posse das in es igado as en ol idas no es udo. Pa a sal agua da a p i acidade dos pa icipan es,
nenhuma iden i icação oi associada aos esponden es. Os dados pe manece ão a mazenados em
segu ança du an e um pe íodo de cinco anos, con o me p e is o.
A análise de dados seguiu uma me odologia mis a, dada a na u eza do ques ioná io. Assim, pa a
os dados ob idos pelas ques ões echadas p ocedeu-se a análise es a ís ica desc i i a, enquan o pa a os
dados esul an es das ques ões abe as se p ocedeu a análise de con eúdo, seguindo os p essupos os
eó icos de Ba din (2015). Em ambas as abo dagens u ilizou-se o mesmo so wa e – SPSS. Nas ques ões
abe as ez-se a análise de con eúdo com ca ego ização
a pos e io i
, c iando-se colunas/ a iá eis
adicionais na base de dados com as espe i as ca ego ias e subca ego ias que eme gi am. As ca ego ias
o am codi icadas com alga ismos e as suas equências o am ambém quan i icadas.
3.4. Conside ações é icas
A condução da in es igação oi pau ada po um esc upuloso espei o pelas conside ações é icas,
ga an indo a qualidade do abalho ealizado. Desde o início, oi p io i á io p o ege os di ei os
undamen ais dos pa icipan es e p omo e um elacionamen o baseado na empa ia e no espei o mú uo.
A con idencialidade e a p i acidade dos dados pessoais o am igo osamen e assegu adas, em
con o midade com o a igo 26.º, n.º 2, da Cons i uição da República Po uguesa e com a Lei de P o eção
de Dados Pessoais (Lei n.º 58/2019, de 8 de agos o).
An es de inicia a ecolha de dados, oi necessá io ob e au o izações po esc i o, de idamen e
p eenchidas e documen adas, pa a a ealização do abalho de campo. Após es abelece con ac o com
a di eção das casas de acolhimen o selecionadas, expliquei de alhadamen e a na u eza da in es igação,
incluindo os obje i os, ele ância, mé odos aplicados, a du ação espe ada do p eenchimen o do
ques ioná io (ce ca de 20 minu os) e o ipo de in o mações a se em ecolhidas. Apenas após es a
ap esen ação e a espe i a ap o ação, oi possí el ob e a au o ização necessá ia pa a a ança com o
es udo. Pos e io men e, o/a di e o /a écnico/a de cada casa assinou um consen imen o in o mado, na
qualidade de ep esen an e legal dos jo ens acolhidos.
An es da aplicação do ques ioná io, os jo ens assina am um assen imen o, onde o am explicados,
de o ma cla a e acessí el, odos os de alhes do es udo. En a izou-se a impo ância da sua colabo ação,
e o çando que a pa icipação e a o almen e olun á ia e que pode iam op a po não pa icipa sem
qualque consequência. Além disso, o adul o que acompanhou cada jo em du an e o p eenchimen o

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(seja educado /a, écnico/a ou eu, enquan o in es igado a) assinou um e mo de consen imen o
in o mado, comp ome endo-se a espei a a con idencialidade dos pa icipan es.
A p i acidade dos pa icipan es oi p o egida du an e odo o p ocesso, ga an indo que odas as
in o mações pessoais sejam a adas de o ma con idencial, pois nem o e-mail do esponden e ica á
egis ado. Apenas as in es igado as di e amen e en ol idas i e am acesso aos egis os ob idos. Os
pa icipan es nunca o am iden i icados, como p e is o nas no mas é icas e na legislação nacional. Em
qualque di ulgação do(s) p ocesso(s) do abalho e do(s) seu(s) esul ado(s), nenhuns nomes dos(as)
pa icipan es se ão e e idos.
Em odos os documen os do es udo, oi incluída a seguin e ase
:
"Caso p e enda no i ica algum
aspe o ela i o à p o eção dos seus dados, de e á azê-lo, po esc i o, di igindo no i icação ao
Enca egado de P o eção de Dados da Uni e sidade do Minho ([email p o ec ed])",
e idenciando o comp omisso é ico de p o ege os dados e a p i acidade de odos os en ol idos.
Adicionalmen e, o p oje o só a ançou após a ob enção de pa ece a o á el da Comissão de
É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade do Minho (P ocesso n. CEICSH
067/2024), assegu ando o cump imen o das exigências é icas aplicá eis.
Po im, deixo como e lexão es e exce o de Some ille (2006), ci ado po Fe nandes (2016,
p.775):
Fala de é ica na pesquisa com c ianças não implica apenas e cuidados na o ma como se
plani ica essa pesquisa, na o ma como es amos e analisamos a ida dessas c ianças, mas
implica, sob e udo, a ende aos modos como desencadeamos p ocessos dialógicos e
ponde ados, de o ma que se possa espei á-las on ologicamen e em sua al e idade, pois
somen e desse modo é possí el assegu a que nos p ocessos de pesquisa co cons uídos en e
o pesquisado e as c ianças assegu emos que 'não é su icien e que um esul ado seja e icamen e
acei á el ou desejá el; os meios pa a o a ingi de em, ambém, se é icos.
37
Capí ulo 4- Ap esen ação dos esul ados
4.1. Ca ac e ização Sociodemog á ica e Con ex ual
Num momen o inicial, odos os pa icipan es (N=109) indica am "Sim" na pe gun a: "P eencho
es e ques ioná io de li e on ade, sabendo que o anonima o es á o almen e ga an ido". Es a espos a
e a indispensá el pa a a ança no p eenchimen o, assegu ando que a pa icipação oi ealizada de o ma
conscien e e in o mada.
En e os di e sos aspe os a aliados, analisou-se a necessidade de apoio ou ajuda du an e o
p eenchimen o. Dos 107 jo ens que esponde am a es a ques ão, 54 a i ma am sen i necessidade de
apoio ou ajuda, enquan o 53 indica am não e sido necessá io. Adicionalmen e, dois pa icipan es
op a am po não esponde .
Rela i amen e à idade dos pa icipan es, obse ou-se que a maio pa e da amos a pe encia à
aixa e á ia en e os 16-17 anos, com 43 pa icipan es. Segui am-se dos pa icipan es com 18 ou mais
anos, ep esen ando 31 pa icipan es, e a aixa de 14-15 anos, com 24 pa icipan es. Po úl imo, a aixa
e á ia de 12-13 anos incluiu 11 pa icipan es.
No que conce ne ao ní el de escola idade, e i icou-se que a maio ia pe encia ao 10.º ano, com
29 pa icipan es, seguido pelo 12.º ano, ep esen ado po 20 pa icipan es e pelo 9.º ano, com 16
pa icipan es. O 11.º ano incluiu 14 pa icipan es e o Ensino Supe io con ou com 11. O 5.º ano (N=1),
6.º ano (N=4), 7.º ano (N=6) e 8.º ano (N=8), i e am uma meno ep esen a i idade na amos a.
Rela i amen e à dis ibuição po sexo, obse ou-se uma ligei a p edominância de pa icipan es
do sexo eminino com 63 pa icipan es, enquan o 44 pa icipan es e am do sexo masculino. Apenas 2
pa icipan es op a am po não e ela o seu sexo.
Quan o à iden idade de géne o, g ande pa e dos pa icipan es iden i icou-se como
mulhe / apa iga, o alizando 60 indi íduos. Segui am-se 46 pa icipan es que se iden i ica am como
homem/ apaz. Apenas 1 pa icipan e se iden i icou como ansgéne o e 2 pa icipan es op a am po não
se p onuncia em elação a es a ques ão.
Rela i amen e à o ien ação sexual, a maio ia iden i icou-se como he e ossexual, ep esen ando
74 pa icipan es. Segui am-se 15 pa icipan es que se iden i ica am como bissexuais e 6 que se
iden i ica am como lésbicas. Além disso, 11 pa icipan es op a am po não e ela a sua o ien ação
sexual. Exis i am ainda 3 espos as omi idas.
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4.1.1. Idade, ano de escola idade, sexo e o ien ação sexual
Num momen o inicial, odos os pa icipan es (N=109) indica am "Sim" na pe gun a: "P eencho
es e ques ioná io de li e on ade, sabendo que o anonima o es á o almen e ga an ido". Es a espos a
e a indispensá el pa a a ança no p eenchimen o, assegu ando que a pa icipação oi ealizada de o ma
conscien e e in o mada.
En e os di e sos aspe os a aliados, analisou-se a necessidade de apoio ou ajuda du an e o
p eenchimen o. Dos 107 jo ens que esponde am a es a ques ão, 54 a i ma am sen i necessidade de
apoio ou ajuda, enquan o 53 indica am não e sido necessá io. Adicionalmen e, dois pa icipan es
op a am po não esponde .
Rela i amen e à idade dos pa icipan es, obse ou-se que a maio pa e da amos a pe ence à
aixa e á ia en e os 16-17 anos, com 43 pa icipan es. Seguidamen e dos pa icipan es com 18 ou mais
anos, ep esen ando 31 pa icipan es, e a aixa de 14-15 anos, com 24 pa icipan es. Po úl imo, a aixa
e á ia de 12-13 anos inclui 11 pa icipan es.
No que conce ne ao ní el de escola idade, e i icou-se que a maio ia pe ence ao 10.º ano, com
29 pa icipan es, seguido pelo 12.º ano, ep esen ado po 20 pa icipan es e pelo 9.º ano, com 16
pa icipan es. O 11.º ano inclui 14 pa icipan es e o Ensino Supe io con a com 11. O 5.º ano (N=1), 6.º
ano (N=4), 7.º ano (N=6) e 8.º ano (N=8), i e am uma meno ep esen a i idade na amos a.
Rela i amen e à dis ibuição po sexo, obse a-se uma ligei a p edominância de pa icipan es do
sexo eminino com 63 pa icipan es, enquan o 44 pa icipan es são do sexo masculino. Apenas 2
pa icipan es op a am po não e ela o seu sexo.
Quan o à iden idade de géne o, g ande pa e dos pa icipan es iden i icou-se como
mulhe / apa iga, o alizando 60 indi íduos. Seguem-se 46 pa icipan es que se iden i ica am como
homem/ apaz. Apenas 1 pa icipan e se iden i icou como ansgéne o e 2 pa icipan es op a am po não
se p onuncia em elação a es a ques ão.
Rela i amen e à o ien ação sexual, a maio ia iden i icou-se como he e ossexual, ep esen ando
74 pa icipan es. Seguem-se 15 pa icipan es que se iden i ica am como bissexuais e 6 que se
iden i ica am como lésbicas. Além disso, 11 pa icipan es op a am po não e ela a sua o ien ação
sexual. Exis em ainda 3 espos as omi idas.
4.1.2. Mo i o, empo, modalidade e ipo de acolhimen o
Os
mo i os
que le a am ao acolhimen o dos jo ens o am explo ados a a és de uma ques ão
abe a, cujas espos as o am pos e io men e ca ego izadas como p econiza a análise de con eúdo.
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Des a o ma, o am c iadas ca ego ias e subca ego ias (Quad o 2) e ap esen adas algumas espos as
dadas pelos jo ens, que e le em a escolha des a ca ego ização.
As espos as analisadas iden i ica am di e en es mo i os pa a o acolhimen o dos jo ens, sendo
a ca ego ia mais mencionada p oblemas amilia es, ep esen ando 50,5% das espos as (n=55), que
ab ange si uações como iolência domés ica (n=13), di iculdades económicas (n=13), negligência (n=2)
e a combinação de iolência domés ica e di iculdades económicas (n=2), abuso sexual (n=1) e al a de
supe isão (n=1). Es as si uações e elam um con ex o de deses u u ação amilia que impac ou
signi ica i amen e os jo ens. Adicionalmen e, os es an es jo ens (n=23) e e i am ou menciona am de
o ma mais ge al os e mos "p oblemas amilia es" ou "condições de amília", sem especi ica em
de alhes adicionais.
Em segundo plano, encon am-se os p oblemas escola es (n=5), en ol endo absen ismo escola
(n=2) e aco desempenho académico (n=1). Além disso, 6 casos combina am p oblemas amilia es e
escola es (n=6), des acando a in e ligação en e con li os amilia es e escola es.
Ou os mo i os incluem a incapacidade ou mo e dos cuidado es (n=4), causada po doenças
men ais (n=1), mo e (n=1) ou doença ísica dos esponsá eis (n=2). O compo amen o do jo em (n=10)
ambém oi iden i icado como um dos mo i os do acolhimen o, com si uações elacionadas com uga e
ausência p olongada de casa (n=2), delinquência (n=1), consumo de subs âncias ilíci as associado à
uga (n=1) e combinação de consumos com absen ismo escola (n=1).
Ou os casos especí icos incluem p oblemas de saúde men al do jo em (n=1), á ico de se es
humanos (n=4) e casamen o o çado (n=1). Po im, em 23 casos, os jo ens op a am po não e ela os
mo i os do acolhimen o, Es e esul ado de e-se, em g ande pa e, ao ac o de uma das ins i uições
pa icipan es no es udo e e e ido não acha adequado ques iona os jo ens sob e o mo i o do
acolhimen o. Assim, oi o ien ado que, aquando da aplicação do ques ioná io nessa ins i uição, os jo ens
colocassem um pon o ou indicassem "P e i o não dize ".
A di e sidade dos mo i os ap esen ados e le e a di e sidade de a o es de isco que a e am os
jo ens em con ex os amilia es e sociais que le am à ins i ucionalização, equen emen e a a essadas
po dinâmicas de ulne abilidade mul i a o ial.
40
Quad o 2
Ca ego ias e sub-ca ego ias do mo i o de acolhimen o
Ca ego ia
Subca ego ia | Respos as dos jo ens
1. P oblemas amilia es (n=55)
- “Es i e nes a casa de acolhimen o duas ezes. Da
p imei a ez ui e i ada quando inha 7 anos de
idade, po que a minha mãe é doen e men al e o meu
pai es a a p eso, sendo não inha um supo e amilia
mais adequado. Da segunda ez, inha 15 anos e ui
eu quem p ocu ou ajuda pa a ol a pa a a casa de
acolhimen o, o mo i o da decisão oi a ag essi idade
do meu pai e iolência psicológica e ísica que
p a ica a sob e mim.”
- “Eu e a minha mãe não nos en endíamos bem.”
- “P oblemas amilia es.”
- “Desen endimen o en e os pais.”
- “Compo amen os desadequados e con li os
amilia es.”
1.1. Violência domés ica (n=13)
- “Po que eu es a a casada e esse menino me ba ia,
eu ugi e me puse am aqui. A minha amília inha
medo que esse apaz me encon a á.”
- “Violência po pa e da mãe”
- “Po que a minha amília discu ia e às ezes
anda am á po ada.”
1.2. Di iculdades económicas (n=13)
- “Más condições inancei as.”
- “Fal a de condições inancei as dos meus pais.”
- “Eu im pa a aqui po causa das más condições de
ida, higiene… e c.”
1.3. Negligência (n=2)
- “Negligência pa en al.”
1.4. Violência domés ica e di iculdades económicas
(n=2)
- “Más condições de ida e iolência domés ica
pa en al.”
- “Fal a de es abilidade inancei a em casa e
ag essão.”
1.5. Abuso sexual (n=1)
- “Po causa do meu pai e abusado de mim.”
1.6. Fal a de supe isão (n=1)
- “Ma u ilização da In e ne /Telemó el e ou os
a o es.”
2. P oblemas escola es (n=5)
- “Não ia p a aulas.”
- “P oblemas escola es”
2.1. Absen ismo escola (n=2)
- “Fal a de assiduidade à escola.”
- “Absen ismo escola .”
2.2. F aco desempenho escola (n=1)
- “Fal a de acompanhamen o nos es udos.”
3. P oblemas amilia es e escola es (n=6)
- “Con li os pa en ais e al a de assiduidade na escola.”
- “Po causa da escola e as condições em casa.”
- “Pelas condições de casa e pelas minhas i mãs
al a em a escola.”
4. Incapacidade/mo e dos cuidado es (n=4)
4.1. Incapacidade men al do cuidado (n=1)
- “A minha p ogeni o a possui doenças men ais que a
incapaci am.”
4.2. Mo e do cuidado (n=1)
- “mo e da minha ia.”

41
4.3. Doença da mãe (n=2)
- “Mãe com doenças.”
- “A minha mãe es a a doen e e eu inha a
necessidade de se adolescen e po que azia as
a e as amilia es.”
5. Compo amen o do jo em (n=10)
- “Mau compo amen o.”
- “Po mau compo amen o.”
- “Mau compo amen o e mau uso de eg as.”
5.1. Passa mui o empo o a de casa/Fuga (n=2)
- “Ta mui o empo o a de casa”
- “Eu im pa a es a casa de acolhimen o po e
andado com pessoas que eu pensa a que e a uma
boa companhia e po e saído de casa ainda sendo
meno .”
5.2. Delinquência (n=1)
- “Fu o quali icado.”
5.3. Fuga e consumos (n=1)
- “Po que ugi de casa e consumo de d ogas e mui o
álcool.”
5.4. Consumos e absen ismo escola (n=1)
- “Consumos, al as na escola.”
6. P oblemas men ais do jo em (n=1)
- “P oblemas de saúde men ais, não es a a bem im
aqui pa a me ajuda em.”
7. T á ico de se es humanos (n=4)
- “Ví ima de á ico de se es humanos.”
- “Como p o eção após a ico de meno es”
8. Casamen o o çado (n=1)
- “Pelo meu pai que e que eu case com um menino”
9. P e i o não dize (n=23)
Rela i amen e ao
empo de acolhimen o
e de aco do com os dados ap esen ados na Figu a 2,
quase me ade dos jo ens (n=49) encon a a-se na casa de acolhimen o há mais de dois anos. Segui am-
se 28 jo ens que indica am um pe íodo de acolhimen o en e 1 e 2 anos. Um núme o meno de jo ens
es a a acolhido po pe íodos mais cu os: 17 jo ens e e i am uma es adia in e io a 6 meses e 15 jo ens
indica am um empo de acolhimen o en e 6 meses e 1 ano.
42
Figu a 2
Tempo de acolhimen o
No que espei a ao
ipo de pe manência
na casa de acolhimen o, os esul ados mos am que
44% dos pa icipan es (n=48) pe maneciam na casa de acolhimen o du an e a semana e eg essa am à
casa da amília ao im de semana e é ias, sendo es a a si uação mais comum. Em seguida, 42,2%
(n=46) es a am na casa de o ma pe manen e, incluindo odos os dias da semana e ins de semana.
Apenas 10,1% (n=11) indica am pe manece quase semp e na casa, eg essando à amília apenas
pon ualmen e e nas é ias com au o ização.
Ou as si uações são mui o menos equen es, como a pe manência na casa de acolhimen o
exclusi amen e aos ins de semana e é ias enquan o es udam du an e a semana na uni e sidade (n=3)
ou casos pon uais, como es a na casa apenas às e ças e qua as à a de (n=1).
Es es esul ados mos am que a maio ia dos pa icipan es man ém algum con ac o egula com
a amília, especialmen e ao im de semana e é ias, enquan o uma p opo ção signi ica i a eside na casa
de acolhimen o de o ma con ínua, des acando di e en es g aus de in eg ação na dinâmica amilia .
No que se e e e à
modalidade das casas de acolhimen o
onde os pa icipan es esidiam,
obse ou-se que a maio ia (n=76) dos jo ens es a a inse ida em casas de acolhimen o de modalidade
mis a. Casas exclusi amen e emininas (n=17) e exclusi amen e masculinas (n=16) ep esen am 15,6%
e 14,7% da amos a, espe i amen e.
Menos de 6 meses
15%
De 6 meses a 1 ano
14%
De 1 a 2 anos
26%
Mais de 2 anos
45%
Menos de 6 meses De 6 meses a 1 ano De 1 a 2 anos Mais de 2 anos
43
4.2. Au oes ima e emoções
4.2.1. Análise da au oes ima e da consis ência in e na da Escala de Au oes ima de Rosenbe g (1965)
A au oes ima é um elemen o essencial pa a o bem-es a emocional, especialmen e em con ex os
de ulne abilidade. Nes e sen ido, a Escala de Au oes ima de Rosenbe g (1965) oi u ilizada como
ins umen o de a aliação, pe mi indo explo a pe ceções indi iduais sob e au o alo ização e
au ocon iança. Es a e amen a p opo ciona uma análise mais de alhada dos di e en es aspe os que
in luenciam a au oes ima, o e ecendo uma base sólida pa a comp eende as expe iências dos
pa icipan es, como e emos de seguida na Figu a 3.
Os esul ados e idenciam que a maio ia dos pa icipan es ap esen a uma au oes ima posi i a,
ainda que alguns i ens e elem agilidades. A maio ia dos pa icipan es a i mou es a sa is ei o/a consigo
mesmo/a ("No ge al, es ou sa is ei o/a comigo mesmo/a", n=99), di idindo-se en e "Conco do" (n=59)
e "Conco do o almen e" (n=40), com apenas 10 pa icipan es a exp essa em algum ní el de insa is ação
("Disco do" n=8; "Disco do o almen e" n=2).
Rela i amen e ao econhecimen o de qualidades pessoais ("Sin o que enho um bom núme o de
qualidades"), 96 indi íduos indica am conco dância (n=63 "Conco do" e n=33 "Conco do o almen e"),
enquan o apenas 13 disco da am em algum g au ("Disco do" n=11; "Disco do o almen e" n=2).
No que diz espei o à con iança nas suas capacidades ("Es ou ap o/a pa a aze coisas ão bem
como a maio ia das ou as pessoas"), 94 pa icipan es conco da am (n=54) ou conco da am o almen e
(n=40) com a a i mação de que es ão ap os pa a ealiza a e as ão bem como ou as pessoas,
con as ando com 15 espos as disco dan es ("Disco do" n=12; "Disco do o almen e" n=3).
A alo ização pessoal oi econhecida po 91 pa icipan es ("Sin o que sou uma pessoa com
alo , pelo menos num plano de igualdade com os ou os"), dos quais 65 conco da am e 26
conco da am o almen e. Apenas 18 exp essa am algum ní el de disco dância.
Mui os pa icipan es iden i ica am a necessidade de melho a o espei o po si mesmos (n=72),
enquan o ou os ejei a am es a ideia (n=37). Po ou o lado, os i ens associados a pe ceções mais
nega i as, como sen imen os de inu ilidade, ap esen a am di isões mais equilib adas. Em elação à
ques ão “Po ezes sin o-me inú il” 59 pa icipan es ejei a am es a ideia ("Disco do" n=38; "Disco do
o almen e" n=21), mas 50 exp essa am conco dância ("Conco do" n=38; "Conco do o almen e"
n=12). De o ma semelhan e, a ques ão “Em e mos ge ais, es ou inclinado/a a sen i que sou um
alhado/a” oi ejei ada po 76 pa icipan es ("Disco do" n=49; "Disco do o almen e" n=27), embo a 33
enham mani es ado alguma conco dância ("Conco do" n=24; "Conco do o almen e" n=9).
44
Po im, o i em sob e a i udes ge ais posi i as ("Tomo uma a i ude posi i a pe an e mim
mesmo/a") e elou uma pe ceção a o á el, com 95 pa icipan es a ela a em conco dância (n=71
"Conco do" e n=24 "Conco do o almen e") e apenas 14 a disco da em em algum g au ("Disco do"
n=13; "Disco do o almen e" n=1).
Figu a 3
Resul ados pa a os i ens da au oes ima segundo a Escala de Rosenbe g (1965)
Assim, é possí el a i ma , que os esul ados e idenciam uma au oes ima p edominan emen e
posi i a en e os pa icipan es, com a maio ia a mani es a a i udes posi i as pe an e si mesmos/as.
Con udo, o am iden i icadas em i ens especí icos algumas agilidades emocionais, o que sublinha a
necessidade de explo a es a égias pa a e o ça a con iança em si mesmos e a alo ização pessoal em
ce os casos.
A escala de au oes ima ap esen ou uma boa consis ência in e na pa a es a amos a, com um
alo de Al a de C onbach de 0,83. A média de au oes ima da amos a oi de 28.72 (4.92), o que se
e ela posi i o. Con udo, as apa igas egis a am um alo médio (28.11) ligei amen e in e io ao dos
apazes (29.68). O es T de S uden dá um alo p óximo do ní el de signi icância (p=0.054), pelo que
es a di e ença ende a se signi ica i a e me ece se conside ada.
010 20 30 40 50 60 70 80
No ge al, es ou sa is ei o/a comigo mesmo/a
Po ezes penso que não sou nada bom/a
Sin o que enho um bom núme o de qualidades
Es ou ap o/a pa a aze coisas ão bem como a maio ia das ou as
pessoas
Sin o que não enho mui o de que me o gulha
Po ezes sin o-me inú il
Sin o que sou uma pessoa com alo , pelo menos num plano de
igualdade com os ou os
Gos a a de e mais espei o po mim mesmo/a
Em e mos ge ais, es ou inclinado/a a sen i que sou um/a alhado/a
Tomo uma a i ude posi i a pe an e mim mesmo/a
Disco do To almen e Disco do Conco do To almen e Conco do
51
Quan o à
idicula ização na p esença de amigos
, 72 pa icipan es menciona am nunca e sido
al o desse compo amen o, 7 a i ma am que al oco e a amen e, 4 indica am que acon ece algumas
ezes, e 3 ela a am que oco e an o equen emen e como semp e. Ou os 9 conside a am a ques ão
não aplicá el.
No que oca a
ameaças de ag essão
, a maio ia dos pa icipan es (n=75) a i mou nunca e
i enciado al si uação. Con udo, 8 indica am que isso oco e a amen e, 6 menciona am que acon eceu
algumas ezes, e 3 decla a am que acon ece equen emen e. Pa a 6 pa icipan es, es a ques ão não
e a aplicá el.
Rela i amen e às
ag essões ísicas
, 78 pa icipan es e e i am nunca e expe ienciado al
si uação, enquan o 5 menciona am que isso oco eu a amen e, 6 indica am que acon eceu algumas
ezes, e 2 e e i am que acon ece semp e. Ou os 7 pa icipan es conside a am es a ques ão não
aplicá el.
No que espei a à
p essão do/a pa cei o/a pa a e elações sexuais
, 72 pa icipan es
decla a am nunca e passado po al si uação, 7 e e i am que isso oco e a amen e, 4 indica am que
acon ece algumas ezes, 3 menciona am que oco e equen emen e e 4 a i ma am que é eco en e.
Pa a 8 pa icipan es, es a ques ão não e a aplicá el.
Sob e o
eceio de ecusa elações sexuais
, 71 pa icipan es a i ma am nunca sen i esse medo,
8 e e i am que al oco e a amen e, 5 menciona am que acon ece algumas ezes, 4 indica am que
isso oco e equen emen e, e 3 a i ma am que é cons an e. Ou os 7 pa icipan es conside a am es a
ques ão não aplicá el.
Rela i amen e à
con i ência social p ejudicada po ciúmes ou comen á ios do/a pa cei o/a
, 63
pa icipan es a i ma am nunca e expe ienciado al si uação, 10 e e i am que oco e a amen e, 8
menciona am que acon ece algumas ezes, 3 decla a am que acon ece equen emen e, e ou os 3
indica am que al é cons an e. Pa a 10 pa icipan es, es a ques ão não e a aplicá el.
Sob e a necessidade de
jus i ica odas as ações ao/à pa cei o/a
, 56 pa icipan es decla a am
nunca e sen ido essa imposição, 16 a i ma am que isso oco e a amen e, 10 indica am que acon ece
algumas ezes, 4 e e i am que acon ece equen emen e, e 6 ela a am que é algo cons an e. Pa a 6
pa icipan es, a ques ão não se aplica a.
Rela i amen e à in e e ência na
escolha de es uá io po pa e do/a pa cei o/a
, 73 pa icipan es
a i ma am nunca e expe ienciado esse compo amen o, enquan o 11 menciona am que isso oco e
a amen e, 4 indica am que acon ece algumas ezes, e 3 e e i am que é cons an e. Ou os 7
pa icipan es conside a am es a ques ão não aplicá el.

52
Po úl imo, no que diz espei o à necessidade de
igia os disposi i os do/a pa cei o/a
, 64
pa icipan es indica am nunca e sen ido al necessidade, enquan o 16 a i ma am que isso oco e
a amen e, 6 menciona am que acon ece algumas ezes, 2 e e i am que oco e equen emen e, e 4
decla a am que é algo cons an e. Pa a 6 pa icipan es, es a ques ão não e a aplicá el.
Figu a 5
Resul ados da a aliação da Violência no Namo o
Es e conjun o de dados e le e uma di e sidade de expe iências nas elações dos jo ens
pa icipan es, a iando en e si uações sem sinais de con olo ou iolência e ou as em que
compo amen os abusi os são mais eco en es e p eocupan es.
Pa a a a aliação da iolência no namo o, a escala que cons uímos e elou um alo de Al a de
C onbach de 0.96, o que nos mos a uma boa con iabilidade. Apesa de se e e i icado uma g ande
maio ia de elacionamen os sem iolência, as apa igas deno am maio equência de si uações de eceio
do compo amen o do/a namo ado/a, de se em idicula izadas pelos/as mesmos/as, de ameaças de
ag essão ísica, p essão pa a e elações sexuais e ciúmes. No en an o, as di e enças en e os sexos
não o am signi ica i as.
020 40 60 80 100
Tens eceio do compo amen o do eu/ ua namo ado/a
Tens medo da eação dele/a quando não pa ilham a mesma opinião
O eu/ ua namo ado/a equen emen e desconside a os eus…
O eu/ ua namo ado/a idicula iza equen emen e o que lhe dizes
O eu/ ua namo ado/a p ocu a idicula iza - e ou aze - e sen i mal…
O eu/ ua namo ado/a já ameaçou ag edi - e
Ele/a já e ba eu, deu um pon apé, empu ou ou e a i ou com…
Já e sen is e p essionado/a a e elações sexuais pelo/a eu/ ua…
Não podes es a com as/os uas/ eus amigas/os ou com a ua…
Tens medo de dize “não” quando não que es e elações sexuais
Sen es- e o çada/o a jus i ica udo o que azes
Ele/a es á cons an emen e a ameaça acaba com o osso…
Semp e que que es sai ens de pedi au o ização à/ao ua/ eu…
O/a eu/ ua namo ado/a cos uma igia o eu elemó el, edes…
Sen es necessidade de igia o elemó el, edes sociais e mails do/a…
O/A eu/ ua namo ado/a cos uma in e e i na oupa que gos as de…
Não se aplica Semp e Mui as ezes Algumas ezes Ra amen e Nunca
53
4.4. Relações de namo o em con ex o de Acolhimen o Residencial
4.4.1. Desa ios e opo unidades nas elações de namo o em con ex o de acolhimen o
As elações a e i as e de namo o en e jo ens em casas de acolhimen o não cons i uem uma
expe iência gene alizada, mas ep esen am uma ealidade i ida po alguns, con o me demons ado nos
esul ados ob idos. En e os 109 pa icipan es no es udo, 41 ela a am e expe ienciado uma elação
a e i a e/ou de namo o no con ex o da casa de acolhimen o onde esidem, enquan o 68 indica am não
e ido qualque en ol imen o amo oso nesse ambien e.
No que espei a à expe iência dos jo ens ela i amen e ao namo o em casas de acolhimen o,
o am iden i icadas di e sas ca ego ias e subca ego ias que pe mi em o ganiza an o os desa ios como
os aspe os posi i os des as expe iências. Es as dimensões es ão de idamen e ep esen adas no Quad o
4, acili ando uma comp eensão mais ap o undada das i ências ela adas.
Quad o 4
Ca ego ias e subca ego ias sob e as expe iências de namo o na casa de acolhimen o
Ca ego ia
Subca ego ia | Respos as dos jo ens
1. Fa o es
elacionais
(n=11)
1.1) Ciúmes (n=3)
- “Maio desa io: comba e os seus ciúmes, aspe o posi i o: e a bom na cama.”
- “Ele inha ciúmes de udo, ipo eu não gos a a.”
- “Nunca da a ce o po que ele inha ciúmes.”
1.2) Apoio, supo e emocional e companhei ismo (n=1)
- “Os aspe os posi i os é que semp e posso es a com ele independen emen e
da ho a. o bom é que emos semp e a ajuda um do ou o caso p ecise de algo.
podemos semp e es a ligados sem qualque impedimen o.”
1.3) Expe iência posi i a sob e a elação es abelecida (n=4)
- “Um elacionamen o espei oso, ecíp oco, ca inhoso. ela i amen e aos
desa ios, conside o nenhum.”
- “Embo a não conside e is o um elacionamen o a e i o, já i e um "caso" com
uma pessoa da ins i uição. Sen imos uma pequena a ação um pelo ou o o
que nos le ou a e algo mui o embo a esse algo não i esse chegado a um
elacionamen o. De qualque o ma o nosso maio eceio no início e a que po
54
se mos da mesma casa de acolhimen o as coisas en e nós pode iam ou não
da em algo uma ez que emos uma equipa écnica e educa i a com quem
de emos ambém in o ma sob e as coisas que es amos a i encia no
momen o. Foi um pequeno elacionamen o saudá el onde ambos ínhamos
espei o e con iança um pelo ou o pa a que aquilo desse ce o. Não decidimos
a ança pa a algo mais ( elacionamen o a e i o) po que ambos con e samos e
pe cebemos que ainda não e a a ho a ce a a é po que ínhamos obje i os
di e en es pa a as nossas idas.”
- “Eu namo o com um apaz que e a daqui da casa, mas ele saiu po que oi
pa a uma casa de au onomia daqui da ins i uição e a é ago a es a a co e bem
e já izemos 2 anos.”
1.4) Ap endizagem e c escimen o pessoal (n=3)
- “Foi simplesmen e a melho coisa que acon eceu. ela me ajudou a se melho
a cada dia, me ensinou o que é o e dadei o amo , me ez enxe ga a ida com
ou os olhos, ou melho , a ida ao lado de quem ocê escolhe pa a i e a sua
ida. con udo, cla o que i emos desa ios, mas nada que osse impossí el de
e e e . no início i emos de esconde um pouco a é ce o pon o. mas
assumimos e deu udo ce o. é só espei a e e consenso.”
- “A e dade oi mui o cu o mas acho que ap endi mui as coisas que ou
p ocu a não ol a a acon ece num p óximo elacionamen o.”
2. Fa o es
ins i ucionais
(n=9)
2.1) Disc iminação po pa e da equipa educa i a (n=1)
- “Mui a homo obia, não me deixa am es a com ela, oca am os ho á ios de
udo pa a nós não nos encon a mos em nenhum momen o (a é, mesmo pa a
i buscá-la a escola), não podia nem ê-la mesmo de longe. Simplesmen e
con ac o 0, semp e me diziam que ela não gos a a de mim e oi um dos
mo i os pelo qual acabamos. Olha, al a a a escola pa a es a com ela ou ugia
daqui pa a es a com ela. Quando me au o iza am a es a com ela ínhamos 5
minu os, numa sala, sen ada na mesa, não podíamos encos a uma na ou a,
as mãos semp e isí eis, depois au o iza am que es i éssemos no so á, mas
não podíamos encos a uns nos ou os.”
2.2) P essões ex e nas pa a o é mino do elacionamen o (n=1)
- “Não oi mui o acei e, mas ag adeço a p essão que me aziam, po que e a um
p é-adolescen e que es a a a expe imen a ou o ipo de sensações e não inha
ma u idade pa a es a numa elação.”
55
2.3) Di ícil adap ação (n=1)
- “Foi di ícil a minha adap ação com a ela no começo.”
2.4) Resis ência po pa e da equipa educa i a (n=6)
- “Conseguíamos e odos os dias mais n podíamos es a jun os.”
- “Foi um pouco es anha pois mal es á amos jun os pa a não da mui o nas
is as pios aqui é p oibido namo a en e nós.”
- “Os maio es desa ios é que nos n podemos namo a nem podemos e saídas
jun as.”
- “Sen ia me eliz, maio es desa ios oi esconde das minhas écnicas.”
- “O maio desa io oi acei a o nosso namo o e o aspe o posi i o oi ac edi a
que alia a pena.”
- “O maio desa io oi lida com as écnicas em ce os aspe os. Foi uma
expe iência no a.”
3. Fa o es
elacionais e
ins i ucionais
(n=7)
3.1) FR: Maio p oximidade e con i ência FI: Resis ência po pa e da equipa educa i a
(n=3)
- “O maio desa io de assumi o elacionamen o oi e que con ola a eação
da equipa educa i a e das écnicas, aze e que is o pode acon ece de o ma
li e e que é uma coisa no mal en e pessoas. O aspe o posi i o é que omos
de ce a o ma acei es e i emos opo unidade de es a jun os e se is os como
pessoas li es. Como elacionamen o emos opo unidade de es a jun os e
podemos es a a on ade de o ma espei osa e podemos es a a i e de o ma
anquila.”
- “O maio desa io den o de um namo o sob e a mesma ins i uição oi as eg as
impos as, ou seja, não podíamos demons a o a e o que ínhamos, semp e
que osse pa a sai não ínhamos mui os luga es pa a i , mas, en e an o,
ambém ha iam pon os posi i os ais como a ap oximação, o sabe mos como
aquele pessoa se compo a e e c.”
- “Aspe os posi i os- podíamos es a jun as odos os dias, desa ios-
consegui mos es a jun as mesmo as pessoas á nossa ol a en assem nos
sepa a .”
3.2) FR: P oblemas no elacionamen o FI: Con olo do pa cei o/a (n=1)
- “Maio es desa ios dessa elação: saídas e compo amen os que eu não
ap ecia a no meu namo ado. Aspe os posi i os: es a mos den o da mesma
casa e acaba a semp e po sabe o que ele azia de bom ou de mal.”
3.3) FR: Apoio e companhei ismo FI: P econcei o po pa e da equipa educa i a (n=1)
56
- “Os maio es desa ios oi o a o das écnicas da casa e em p econcei o e
p ocu a em semp e um mo i o pa a nos a as a , os aspe os bons é pode es a
mais pe o e pode cuida uma da ou a e semp e que alguma de nós p ecisa
de ajuda com algum abalho nós es amos lá.”
3.4) FR: P oblemas na ges ão do elacionamen o FI: Maio p oximidade e con i ência
(n=2)
- “Maio es desa ios dessa elação: saídas e compo amen os que eu não
ap ecia a no meu namo ado. Aspe os posi i os: es a mos den o da mesma
casa e acaba a semp e po sabe o que ele azia de bom ou de mal.”
- “Um dos desa ios no elacionamen o oi de ini i amen e a al a de
comunicação, an o ele como eu ínhamos bas an es di iculdades com a
comunicação. O aspe o mais posi i o oi de ini i amen e o ac o de nos
pode mos e odos os dias e passa mos o empo odo jun os.”
4) Expe iência
nega i a ou
indi e en e
(n=7)
4.1) Expe iência nega i a (n=5)
- “Sim, mas e um Sim c u, po que ape cebi-me que e uma elação den o de
uma casa de acolhimen o não é mui o boa. Ge a mui os p oblemas e odos se
que em me e nesses p oblemas. Eu p óp io cansei me de es a com essa
pessoa pq es á amos semp e no mesmo si io a oda a ho a, semp e jun os e
ape cebi me que não é esse ipo de elacionamen o que que ia.
Relacionamen os mudam pessoas, p incipalmen e em casas de acolhimen o.”
- “Ho í el.”
- “Péssima.”
- “Não ou e nenhum só ou e pon o nega i os.”
- “Relacionamen o en e dois jo ens que não inham ma u idade nem cabeça
su icien e pa a ge i e e uma elação, onde um se empenhou mui o mais que
o ou o, oi bom nos bons momen os acabou pelos mo i os e ados, desse
elacionamen o só i ei o ça e ap endizado mas sim de ce a o ma o nou-me
uma pessoa mais descon iada.”
4.2) Indi e ença (n=1)
- “Se se de em bem os dois, pode se ixe mas pelos is os é semp e melho
a anja pessoas de o a.”
4.3) Relacionamen o pouco signi ica i o (n=1)
- “Fica só po ica mesmo nada de especial.”

57
4.4.2. Reg as de namo o em casas de acolhimen o: pe spe i as dos jo ens e p opos as de melho ia e
desa ios
Foi explo ada a o ma como os jo ens pe ceciona am as no mas a uais sob e elações de
namo o em casas de acolhimen o, onde oi possí el obse a que 17 pa icipan es conco da am
o almen e, conside ando as eg as jus as e e icazes, 24 a i ma am conco da que es as e am
adequadas, enquan o um núme o signi ica i o (n=37), e e iu desconhece as no mas exis en es. Po
ou o lado, 20 disco da am e de ende am que es as p ecisa am de melho ias, enquan o 11
conside a am-nas comple amen e desadequadas.
No que oca à o ma como as elações de namo o são a adas na casa de acolhimen o, apenas
17 jo ens e e i am que es as são acei es e apoiadas. 29 pa icipan es, a i ma am que os
elacionamen os de namo o são ole ados, mas não incen i ados. Ou os 20 indica am que as elações
não são acei es e são desenco ajadas. Adicionalmen e, 18 de ende am que a o ma como as elações
de namo o e am a adas dependia da si uação em especí ico, enquan o 24 não inham ce eza ou
desconheciam como as elações e am abo dadas na casa de acolhimen o onde esidiam.
As p opos as de melho ia das no mas sob e o namo o em casas de acolhimen o o am
ag upadas em 7 ca ego ias, com base nas espos as dos jo ens, al como desc i o no Quad o 5.
Quad o 5
Ca ego ias - Melho ias das no mas sob e o namo o em casas de acolhimen o
Ca ego ia
Respos as dos jo ens
1. Reg as mais libe ais e
iguali á ias (n=5)
- “Que odos pudéssemos e igualdade, um momen o a sós (po exemplo:
nas saídas). se o minha amiga, podemos es a jun as nas saídas, mas
se descon ia em que emos um elacionamen o não.”
- “Impo eg as iguais pa a odos os casais.”
- “Menos bocas, mais libe dade”
- “Es a mais ezes com a pessoa.”
- "Menos bocas, e mais libe dade."
2. P i acidade e espaço (n=2)
- “Dependendo da idade de iam e mais a sua p i acidade e não se em ão
p essionados.”
- “De ia se is a dou a o ma na pa e sexual pois é mui o limi ada pois
não há exis ência de uma ida sexual den o des a casa só mesmo o a
quando jun os decidimos que que emos que acon eça.”
3. Acei ação e no malização
(n=9)
- “Acho que de iam con ia mais um pouco em nós pois nós i emos 24h
sob 24h jun os en ão acho no mal”
58
- “Nesse aspe o de e iam se mais comp eensí eis a é po que não emos
nenhum g au pa en al e não escolhemos po quem nos apaixonamos.”
- “Acho que não de e ha e ba ei as no sen ido de pode ha e elações
den o des e ipo de casas. A minha e lexão é que se en em po na
cabeça de um jo em que se apaixone o que é ine i á el pois não podemos
con ola o que o co po sen e. O 25 de ab il oi já há 50 anos e se ainda
não a ançámos nes a ques ão alguma coisa es á mal.”
- "Eu acho que a gen e podíamos"
- “Po pa e das educado as eu gos a a q hou esse uma melho ia de nos
acei a em.”
- "se em mais men e abe as."
- “Se menos se e as em elação a es e ema.”
- "De e iam acei a mais os elacionamen os en e as meninas|nos."
- "Acei a as opiniões e decisões."
4. Limi es e espei o (n=3)
- “Ha e espei o pelas pessoas que os odeiam.”
- “Acho que se exis e uma elação en e duas pessoas na casa é po que
essas pessoas sen i am que de e iam a ança com isso. Acho que a
ins i uição em que esido já melho ou mui o nesse sen ido, con udo, po
ezes a equipa écnica e educa i a de e ia se mais a enciosa na manei a
como ala e como in e p e a os acon ecimen os. De qualque o ma acho
que é um caso que de e se le ado com eg as pa a que as coisas iquem
es abilizadas, não a e ando no compo amen o ou no bem-es a dos ou os
esiden es da ins i uição.”
- “Não sei ipo deixa namo a , mas não deixa anda aos beijos a en e de
d a gen e…”
5. P oibição de
elacionamen os (n=1)
- “Acho que po se uma casa de acolhimen o não de ia de namo a a é
po que es ão a demos a as c ianças”
6. Impac o psicológico
nega i o nos jo ens (n=2)
- “Eu ac edi o que namo a den o de uma casa de acolhimen o pode e
e ei os nega i os na saúde men al e no compo amen o dos jo ens
en ol idos. A al a de p i acidade, a p essão social e a possí el exposição
a compo amen os inadequados ou a é abusi os podem a e a
nega i amen e o bem-es a psicológico dos jo ens. Além disso, o ambien e
de uma casa de acolhimen o pode não se o ideal pa a o desen ol imen o
saudá el de uma elação omân ica, já que pode al a es u u a e supo e
pa a os jo ens lida em com os desa ios e complicações ine en es a
qualque elacionamen o.”
- “São desadequadas po que emos mui os casos de c ianças/jo ens com
aumas abusos sexuais e essas mesmas c ianças/jo ens es a em a e
casais jun os "aga adinhos" pode despe a um medo. Em alguns casos
pode ha e c ianças/jo ens cu iosos que em ealiza no sigilo p á icas
sexuais.”
7. Sem opinião | Respos a
ambígua (n=7)
- “Ac escen a apa igas à casa. Não conco do com a elação en e
homens.”
59
Rela i amen e à abe u a e apoio da equipa educa i a pa a ala sob e elacionamen os de
namo o em casas de acolhimen o, obse ou-se que, de um o al de 109 pa icipan es, 45 a i ma am que
a equipa educa i a demons a abe u a pa a discu i es e ema. Es e g upo ep esen a a maio pa e das
espos as, e elando uma isão posi i a em elação ao supo e o e ecido.
Po ou o lado, 44 pa icipan es menciona am que não sen em abe u a po pa e da equipa
educa i a pa a a a des e assun o, e idenciando a necessidade de melho ias nes e aspe o. Um núme o
mais eduzido, 4 pa icipan es, indica am que, po ezes ou pa cialmen e, encon am algum ní el de
apoio ou abe u a pa a abo da ques ões sob e elacionamen os a e i os. Adicionalmen e, 2 pa icipan es
ela a am que nunca sen i am necessidade de ala sob e o ema, enquan o 10 p e e i am não esponde
à ques ão. Po im, 3 pa icipan es a i ma am que nunca alam com ninguém sob e elacionamen os.
Quad o 6
Pe ceções dos jo ens sob e a abo dagem do ema “ elações de namo o” com a equipa educa i a
Ca ego ias
Respos a do jo em
Jo ens que sen em apoio e abe u a
pa a ala sob e o ema “ elações de
namo o” com a equipa educa i a
(n=45)
- “Sim, a minha educado a de e e ência.”
- “Sim, dependendo da elação que i e com a pessoa e o a on ade.
Po exemplo quando es a a is e com algo e alei com uma
educado a e ela disse-me que eu não conseguia es a sozinha e que
não p ecisa a da alidação de um homem pa a nada.”
- “Sim. É um assun o no mal.”
- “Sim. Cos umo ala ... pedi ajuda. No malmen e com o X, sin o-me
mui o à on ade pa a ala sob e es as coisas.”
- “Sin o que quando p eciso es á alguém disponí el.”
- “Sim, alo bas an es ezes com a minha educado a de e e ência.”
- “P e i o ala com uma uncioná ia pois como elas lidam 24/7
connosco acho que pe cebem mais as minhas necessidades e
sen imen os.”
- “Sim, mas não es ão p epa adas.”
- “Sim semp e que possí el pe gun a am-me como es a a a co e , se
deco ia bem e da am concelhos seja mo i acional ou mesmo de
ajuda pa a ce as si uações de descon o o.”
- “Sim, cos umo ala mui o com as educado as e com a ges o a de
caso.”
- “Sim, desde a minha écnica à equipa de educado es.”
- “É assim quando eu comecei a namo a com o menino daqui ao
p imei o e ia eceio e con a po que inha medo se iam acei a ou
60
não, mas a é acei a am bem eu semp e inha a minha écnica pa a
ala sob e udo.”
- “Eu sen ia só inha um pouco de eceio as ezes.”
Jo ens que não se sen em
enco ajados pa a ala sob e o ema
“ elações de namo o” com a equipa
educa i a (n=44)
- “Não cos umo ala com a equipa sob e es es assun os”
- “Não cos umo ala com ninguém. Já pedi capace es, mas de am-me
o a da alidade.”
- “Não, pois acei am, mas não es ão p epa adas su icien e p a ala
ace ca disso.”
- “Nunca oi abo dado es e ema.”
- “Nunca alei com nenhuma dou o a sob e elacionamen os.”
- “Não enho mui a con iança.”
- “Ti e apenas um elacionamen o e po se den o da ins i uição não
me sen ia mui o bem em compa ilha isso com a equipa educa i a
e com a equipa écnica, po algum eceio mui o embo a as mesmas
nunca me i essem di o nada ace ca desse ema.”
- “Não ha ia ninguém pa a con e sa nesse ema.”
- “Nunca i e essa necessidade, po ém c eio que se hipo e icamen e
sen isse não i ia pode azê-lo sem que espe asse consequências.”
- “Não gos o mui o sob e ala da minha ida pessoal sem se pa a a
minha amília e psicóloga.”
- “Nunca i e um elacionamen o den o da ins i uição, mas acho que
não con a ia po que esse assun o e mui o mal is o.”
Jo ens que às ezes alam com a
equipa educa i a sob e o ema
“ elações de namo o” (n=4)
- “Eu dizia à minha dou o a, se podia e assim. Não cos umo con e sa ,
só quando es ou com alguém aqui no colégio se não nem oco no
assun o.”
- “Em ge al sin o-me à on ade pa a ala sob e elacionamen os com
alguém da equipa da casa mas quando a pessoa en ol ida é alguém
de den o da casa não me sin o à on ade pois sei que a equipa i á
en a a as a -me da pessoa e igia -nos odo o empo.”
- “Às ezes, pois, não me sin o mui o con o á el.”
Jo ens que nunca alam com
ninguém sob e o assun o (n=3)
- “Não alo com ninguém sob e isso.”
- “Nunca alo sob e es e assun o.”
- “Eu nunca alo disso com ninguém. Quando p eciso de p ese a i os
peço ao educado .”
Jo ens que nunca p ecisa am de
ala sob e o assun o (n=2)
- “Nunca me acon eceu.”
- “Acho que nunca p ecisei ala dos namo os.”
Fo am analisadas ambém as pe ceções dos pa icipan es ela i amen e à o ma como os
adul os alo izam ou des alo izam os seus sen imen os, especialmen e em con ex o de elações a e i as
ou amo osas. Dos 109 pa icipan es, 16 menciona am sen i que os adul os des alo izam os seus
sen imen os, o que indica a exis ência de uma pe ceção nega i a, embo a mino i á ia.
67
Figu a 8
Mo i ações pa a o início da a i idade sexual
A análise dos
sen imen os i enciados nas elações sexuais
pe mi iu iden i ica di e en es
expe iências emocionais ela adas pelos jo ens. A Figu a 9 ilus a a equência com que sen imen os
como p aze , amo , so imen o, humilhação, en e ou os, du an e as suas elações sexuais, o am
epo ados.
O sen imen o de “P aze ” e elou-se p edominan e, com 27 jo ens a indica em “Mui as ezes”
e 26 a epo a em “Semp e”. De o ma semelhan e, o “Amo ” ambém oi amplamen e des acado, com
28 jo ens a indica em “Semp e” e 25 a e e i em “Mui as ezes”. Es es dados apon am pa a
expe iências posi i as associadas às elações sexuais pa a uma pa e signi ica i a dos pa icipan es.
Po ou o lado, sen imen os nega i os, como “Humilhação”, “Fal a de espei o” e “Violência”,
o am amplamen e ejei ados pelos jo ens, com 40 a 55 pa icipan es a indica em “Nunca”. O
“So imen o” oi igualmen e a o, com apenas 7 jo ens a menciona em que o sen i am “Mui as ezes”.
Es es esul ados e le em, em ge al, uma pe ceção posi i a sob e as expe iências dos jo ens em e mos
emocionais.
0
10
20
30
40
50
60
N (F equência)
Mo i ações
To almen e Falso FALSO Ve dade To almen e Ve dade

68
Ainda assim, é impo an e des aca que sen imen os como “Ca inho” o am mui o alo izados,
com 34 jo ens a indica em “Semp e”, enquan o emoções mais complexas, como “Desca ga de ensão
e alí io”, o am epo adas po 26 jo ens como oco endo “Mui as ezes”.
Figu a 9
Sen imen os i enciados nas suas elações sexuais
Po im, oi ambém analisado o
núme o de pa cei os sexuais
dos pa icipan es, que e ela uma
ampla di e sidade de expe iências en e es es jo ens. En e os 80 esponden es álidos, 17 indica am
nunca e ido pa cei os sexuais, enquan o 22 e e i am e ido apenas um pa cei o, o que cons i ui o
g upo mais ep esen a i o. Ou os 21 jo ens epo a am e ido en e dois e qua o pa cei os, e 20
indica am já e ido mais de qua o.
Adicionalmen e, 29 pa icipan es não esponde am ou não se iden i ica am com a ques ão, o
que pode es a associado a mo i os pessoais, como elu ância em pa ilha in o mações, ou à ausência
de expe iências nes a á ea.
4.5.3. U ilização de mé odos con ace i os e ou as p á icas
Após a análise dos dados ecolhidos ela i amen e à u ilização de mé odos con ace i os, oi
possí el iden i ica o seguin e.
0
10
20
30
40
50
60
70
N (F equência)
Sen imen os i enciados
Nunca Ra amen e Mui as ezes Semp e
69
A maio ia dos jo ens (n=63) a i mou já e u ilizado algum mé odo con ace i o, enquan o 21
pa icipan es indica am nunca e u ilizado nenhum. En e os mé odos mais equen emen e
mencionados, o p ese a i o des acou-se como o mais u ilizado (n=29), seguido pela pílula (n=13) e a
combinação de p ese a i o e pílula (n=12). Ou os mé odos (n=7), como o implan e con ace i o
(Implanon), DIU e anel aginal o am e e idos com meno equência.
Rela i amen e à u ilização da pílula do dia seguin e, 12 jo ens indica am já e eco ido a es e
mé odo. Po ou o lado, a maio ia (n=68) e e iu nunca e necessi ado de o u iliza . Os mo i os incluí am,
p incipalmen e, a ausência de uso de qualque mé odo con ace i o du an e a elação sexual (n=13), o
esquecimen o da oma da pílula (n=4) e o ompimen o do p ese a i o (n=1).
4.6. Re lexões e opiniões inais sob e elacionamen os de namo o em casas de acolhimen o
A úl ima ques ão abe a do ques ioná io (“Se quise es pa ilha alguma in o mação adicional
sob e a ua expe iência ou pe spe i as elacionadas com o namo o na casa de acolhimen o, podes azê-
lo aqui a segui .”) e e como obje i o c ia um espaço de exp essão li e, pe mi indo que os jo ens
compa ilhassem os seus pensamen os e sen imen os sob e o ema. Apesa de opcional, es a ques ão
e elou uma di e sidade de pe spe i as, que e le em expe iências indi iduais, opiniões sob e eg as e
limi ações, bem como suges ões pa a melho a a abo dagem des e ema nas casas de acolhimen o.
Pa a melho comp eensão dos dados ob idos, as espos as o am o ganizadas em ês ca ego ias
p incipais: Expe iências Nega i as, Suges ões de Melho ias e Indi e ença ou Neu alidade. Pa a
en iquece a análise das espos as abe as, o am a ibuídas subca ego ias, que se ão ap esen ados no
Quad o 7.
Quad o 7
Ca ego ias e subca ego ias – Re lexões e opiniões inais
Ca ego ia
Subca ego ias
Respos as do jo em
1. Expe iências
nega i as – Reúne
espos as que
e le em
expe iências ou
pe ceções
nega i as, como
di iculdades em
es abelece
1.1. Con li os
elacionais
1.1. “Na minha unidade hou e um casal, sen ia me
con o á el com isso, mas às ezes acha a desnecessá ias
algumas coisas como po exemplo, cenas de oxicidade (em
que a apa iga es a a a ala com alguém e quando eio pa a
es a com ela iu as mensagens e começou a pe gun a
quem e a e o po quê de es a a ala com essa pessoa).”
1.1. “Po exemplo o namo o de e se uma coisa ixa. Não
es a semp e a acaba e a ol a como i aqui.”
70
elações,
disc iminação ou
p oblemas com as
eg as impos as.
1.2. Fal a de apoio
pela Equipa
Educa i a
1.3. Pe ceção de
p oibição de
namo os
1.4. Homo obia
1.5. Disco dância
com as elações de
namo o em casas
de acolhimen o
1.2. “Na casa de acolhimen o, já sen i a ação po alguém e
i e ou os desejos, mas consegui con ola as minhas
emoções e não cede . Eu sabia que isso pode ia a e a a
minha saúde men al, emocional e a é mesmo o meu
compo amen o. Embo a eu gos a ia de e namo ado com
alguém, espei ei as eg as da casa, as p oibições de con a o
e as bocas que ecebia po es a com essa pessoa e a acei ei
a limi ação a uma amizade. Po con a dessas ci cuns âncias,
acabei po desis i de me elaciona oman icamen e mesmo
que sen isse a ação ísica ou amo osa.”
1.2. Po mim, eles podem namo a . A ida não é minha. Eu
não sin o necessidade de namo a aqui den o. Imagina,
que o namo a , ai anda gen e aqui den o a ás de mim e
não me ou sen i à on ade.”
1.3. “Nunca que ia e uma elação aqui, depois e a só
asnei a. Quando cheguei aqui, disse am que não podia e
elacionamen os.”
1.3. “Quando en ei pa a casa de acolhimen o acha a que
não podia namo a ”
1.4. “Po mim an o az, desde que não seja apaz com
apaz.”
1.4. “Não acei am quando o ac o é de se mulhe com
mulhe exemplo da minha i mã.”
1.4. “Acho que os elacionamen os nas casas de
acolhimen o de em se apoiados, exce o se o em “gays,
lésbicas.”
1.4. “Acho que se o mis o sim.”
1.4. “Since amen e acho que mesmo não es ando num
elacionamen o cá den o nem que endo es a acho que o
elacionamen o pode ha e , desde que o casal enha espei o
com os que o odeiam. Como uma pessoa de o a ejo que
o a amen o em elação aos casais, po ezes é di e en e,
como em elação homossexual acho que são mais exigen es
com eles, do que com os es an es.”
1.5. “Po um lado, não acho assim mui o bom po causa das
c ianças mais pequenas não acho mui o adequado a nós.”
2. Suges ões de
melho ia –
Respos as que
suge em mudanças
no
acompanhamen o,
comunicação ou na
o ma como as
2.1. No malização e
comp eensão do
namo o
2.1. “os educado es de iam acei a pois não são eles na
elação,
mais p i acidade
menos indi e as da pa e dos educado es.”
2.1. “Em elação às elações de namo o,
Quando um jo em deseja uma elação a melho opção é
semp e apoia pois quando se p oíbe o jo em semp e o ai
aze com o sem apoio.”
71
elações são
ge idas den o das
casas de
acolhimen o.
2.2. Reg as e limi es
2.3. Respei o
2.1. “Eu acho que é no mal exis i em elacionamen os
den o de casas de acolhimen o, sendo que, exis a
esponsabilidade en e os dois e que ambos enham noção
daquilo que podem e o que não podem aze (ex.: elações
sexuais)”
2.1. “A minha pe spe i a é que os elacionamen os den o
das casas de acolhimen o de em se is os como si uações
no mais, apoiadas e se um elacionamen o li e. Ha e
p oibição des as coisas o nas as si uações mais di íceis de
con ola , ajuda o na udo mais ácil. Pois i e jun o de
uma pessoa que e cause in e esse e desejo não é uma coisa
de odo ácil.”
2.1. “Não incen i ados, mas apoiados quando oco e.”
2.1. “Não sou con a o elacionamen o den o de casa de
acolhimen o, mas em de se acompanhadas po
p o issionais. Não há mui a con iança ( espei o de ez
enquando) en e os jo ens e equipas écnicas/educa i as.”
2.2. “As elações de namo o em casas de acolhimen o,
de em se acei es semp e e quando seja uma elação de
espei o e esponsabilidade, ou seja, uma elação con olada
que es ejam in o madas dos pe igos e dos iscos e não
a e em a a mos e a da casa.”
2.2. “De em se acei es as elações de namo o nas casas de
acolhimen o, mas com limi es (ex. elações sexuais).”
2.2. “As elações em cen os de acolhimen o, de em se
pe mi idas e espei adas, mas com os seus limi es (po
exemplo, pessoas da mesma casa de acolhimen o es a em
em um luga mais abe o pa a es a em mais isí eis e não
exis i elações sexuais).”
2.2. “Comp eendo o ac o de não se mui o acei e, pois
somos quase uma amília en ão acaba po se es anho. Mas
numa casa mis a ai semp e exis i algum caso po que
somos se es humanos e sen imos a ação po ou as
pessoas. Ago a acho necessá io exis i limi es pa a que não
exis am elações sexuais aqui den o e e i a possí eis
g a idezes po aciden e ou po al a de in o mação.”
2.2. “Eu acho que se de e pode namo a cá den o, mas
com espei o, sem abusos (po exemplo, não me e mãos,
não e con ac os sexuais).”
2.3. “Se eu gos asse de uma apa iga den o de uma casa
de acolhimen o e ela gos a de mim, en ão (os educado es)
de e iam deixa namo a um com o ou o, mas com ce as
eg as e limi es pois há mais c ianças e jo ens a mo a
den o da mesma casa. Quando alo em limi es, alo de pa i
pa a a a i idade sexual. Suges ão: uma ez po semana, os
educado es ou pessoas que mandam deixa em i a casa um
72
do ou o, dependendo da ma u idade e esponsabilidade dos
jo ens com ou sem supe isão.”
2.3. “bem, como nos es amos só numa casa do sexo
masculino, os educado es não iam c i ica … iam apoia .
Ob iamen e, i iam p e eni que acon ecessem algumas
coisas (a ní el sexual), mas sob e udo espei o.”
2.3. “Relacionamen os numa casa de acolhimen o de e iam
unciona como elacionamen os na Rua, po exemplo um
apaz e uma apa iga que enham um elacionamen o de em
de e o espei o mínimo pelas pessoas a sua ol a e não e
ce os compo amen os em ce os ambien es pois exis i a
semp e empo e espaço pa a que esses compo amen os
não sejam is os pelo es o do mundo, assim como numa
casa de acolhimen o onde exis em mais c ianças que
ambém es ão a c esce e a i encia no as expe iências não
se em a e adas pelas escolhas e o ien ações sexuais de
qualque ou o alguém.”
2.3. “De em se acei as e se espei adas odos os indi íduos
en ol idos.”
3. Indi e ença ou
neu alidade –
Inclui espos as de
jo ens que não
ap esen a am uma
opinião de inida ou
que conside am o
ema sem g ande
impac o pessoal.
“Não enho uma opinião o mada sob e o assun o.”
“É no mal.”
“É es anho.”

73
Capí ulo 5
Discussão
Os esul ados des a disse ação o e ecem uma comp eensão das dinâmicas das elações de
namo o en e jo ens a esidi em acolhimen o esidencial, espondendo aos obje i os de inidos.
Es e es udo e e como p incipal obje i o desen ol e es a égias educa i as e polí icas de
comp eensão, acei ação e egulamen ação das elações de namo o en e jo ens que i em no mesmo
con ex o de Acolhimen o Residencial (AR), a a és da comp eensão das suas pe ceções e expe iências
indi iduais. De seguida, i ei p ocede à discussão dos esul ados ob idos. Vejamos.
Rela i amen e às a iá eis sociodemog á icas, a amos a e elou-se compos a maio i a iamen e
po adolescen es en e os 16 e os 17 anos, com uma p opo ção signi ica i a de jo ens de 18 anos ou
mais. Es e p olongamen o da pe manência no acolhimen o após a ingi em a maio idade é
equen emen e associado à ausência de soluções adequadas pa a apoia a ansição pa a a ida adul a.
A p io i
, es a cons a ação en a em con li o com o ca á e empo á io de inido pela Lei de P o eção de
C ianças e Jo ens em Pe igo (Lei n.º 147/99), indicando que o sis ema necessi a de e isões nes e
campo. Es a si uação, é ambém uma di iculdade apon ada pelo Rela ó io CASA 2023 (Depa amen o
de Desen ol imen o Social / Unidade de In ância e Ju en ude, 2024) como sendo uma das p incipais
lacunas do sis ema, e o çando a u gência da c iação de medidas mais céle es, não só du an e a
meno idade, mas ambém medidas que ga an am a con inuidade de supo e após a saída do jo em do
sis ema de acolhimen o. Es e a aso, pode á es a elacionado com a al a de polí icas públicas in eg adas
que o e eçam um supo e a es es indi íduos em á eas como habi ação, emp ego e educação, o que
condiciona nega i amen e a ansição pa a a ida adul a des es jo ens. Po ou o lado, pode de e -se
ambém às di iculdades de au onomia de alguns jo ens de ido a condições de saúde e limi ações
p óp ias.
Em elação ao sexo, obse a-se uma ligei a p edominância de jo ens do sexo eminino.
Rela i amen e à iden idade de géne o, a maio ia dos pa icipan es iden i ica-se como mulhe / apa iga,
seguida po aqueles que se iden i icam como homem/ apaz, com apenas um caso em que o pa icipan e
se iden i ica como ansgéne o. No que espei a à o ien ação sexual, a maio ia dos jo ens iden i ica-se
como he e ossexual, ha endo ambém uma ep esen ação signi ica i a de jo ens que se iden i icam
como bissexuais e lésbicas.
Os es emunhos dos jo ens e idenciam a g a idade das si uações en en adas que le a am à
sua ins i ucionalização, como iolência ísica e psicológica, abuso sexual e negligência pa en al. Um
74
exemplo no á el oi a na a i a de um(a) jo em que mencionou e p ocu ado o acolhimen o pela segunda
ez de ido à ag essi idade e iolência do pai (“Es i e nes a casa de acolhimen o duas ezes. Da p imei a
ez ui e i ada quando inha 7 anos de idade, po que a minha mãe é doen e men al e o meu pai es a a
p eso, sendo não inha um supo e amilia mais adequado. Da segunda ez, inha 15 anos e ui eu
quem p ocu ou ajuda pa a ol a pa a a casa de acolhimen o, o mo i o da decisão oi a ag essi idade do
meu pai e iolência psicológica e ísica que p a ica a sob e mim.”). Es e con ex o deses u u ado e
ins á el du an e a in ância pode in luencia a au oes ima, a in eligência emocional (e espe i a
compe ência) e as elações in e pessoais que es es jo ens ão desen ol endo ao longo da ida.
Rela i amen e ao empo de acolhimen o oi pe ce í el que quase me ade dos jo ens des a
amos a pe manecem acolhidos nas casas de acolhimen o há mais de dois anos, o que não ai ao
encon o do que es á de inido pela Lei de P o eção de C ianças e Jo ens em Pe igo (Lei n.º 147/99,
1999), que se e e e ao acolhimen o esidencial como uma medida empo á ia e excecional. A ipologia
de pe manência na casa de acolhimen o mais equen e é aquela em que os pa icipan es man êm algum
con ac o amilia aos ins de semana ou é ias.
Em elação à modalidade da casa de acolhimen o onde os pa icipan es esidiam, as casas
mis as o am as p edominan es, sendo meno es os núme os de casas exclusi amen e emininas ou
masculinas, o que e le e a a ual endência inclusi a quan o ao géne o (e ou os a o es indi iduais)
des as ins i uições, como p e is o no a igo 5.º da Po a ia 450/2023 que es abelece o egime de
o ganização e uncionamen o das casas de acolhimen o (Po ugal, 2023).
Os esul ados da Escala de Au oes ima de Rosenbe g (1965), indica am uma endência ge al de
au oes ima posi i a dos pa icipan es (com a maio ia a exp essa sa is ação consigo mesmos e a
econhece as suas qualidades pessoais), como já em indo a se obse ado nes e con ex o (Anas ácio,
2016). Con udo, o am iden i icadas algumas agilidades em i ens elacionados com sen imen os de
inu ilidade. Es es esul ados e o çam a impo ância de in e enções psicoeduca i as que alo izem a
indi idualidade e p omo am o bem-es a emocional dos jo ens acolhidos.
Os esul ados da Escala de Wong e Law (2002), e ela am compe ências posi i as na maio ia
dos pa icipan es, mas ambém des aca am algumas di iculdades em de e minadas dimensões como
uso das emoções elacionado com a au o mo i ação, pe ceção das emoções dos ou os aduzindo
empa ia e egulação ou con olo emocional, sendo es a úl ima a que e elou maio es di iculdades. Es as
compe ências são c uciais pa a a ges ão de con li os e pa a a manu enção de elações saudá eis, sendo
essencial e o çá-las a a és de p og amas especí icos que pe mi am aos jo ens lida com os desa ios
emocionais que mui as ezes en en am. Além disso, os esul ados mos am que jo ens com maio es
75
ní eis de in eligência emocional endem a epo a elações in e pessoais mais sa is a ó ias, an o com
pa es como com igu as de au o idade. Adicionalmen e, a in eligência emocional pode a ua como um
a o p o e o con a expe iências ad e sas an e io es. No que espei a ao ins umen o, es a escala
e elou-se adequada a es a população, pelo que a conside amos uma e amen a álida pa a a alia
es as compe ências, mesmo em u u as in es igações que impliquem in e enções educa i as com is a
ao seu desen ol imen o.
As elações de namo o o am o oco da in es igação. Assim sendo, oi possí el conclui ,
ela i amen e às pe ceções dos jo ens sob e elações de namo o, que es es e elam uma comp eensão
madu a e es u u ada sob e os alo es que de em cons i ui um elacionamen o de namo o e/ou a e i o.
Os pa icipan es des aca am, alo es como espei o, con iança, comunicação e ecip ocidade,
e idenciando que, apesa das ad e sidades expe ienciadas ao longo das suas idas, possuem uma isão
cla a sob e os pila es que uma elação amo osa de e e .
Rela i amen e aos compo amen os associados à iolência no namo o, os dados e le em uma
di e sidade de expe iências, cons a ando-se a exis ência de alguns egis os p eocupan es de
compo amen os que incluem idicula ização, ameaças e, em meno escala, ag essões ísicas. Es es
indicado es suge em que, embo a mui os jo ens desen ol am elações baseadas em alo es ci ados
an e io men e, compo amen os associados à iolência no namo o ambém es ão p esen es nas suas
elações amo osas.
É impo an e des aca que, embo a o eceio de disco da do pa cei o/a ou de ecusa elações
sexuais enha sido mencionado po uma mino ia dos pa icipan es, es e dado não de e se des alo izado.
Es es compo amen os, jun amen e com o con olo da oupa do pa cei o/a ou a necessidade de jus i ica
ações pessoais, e le em pad ões de con olo emocional que podem se indica i os de elações abusi as.
Uma in es igação conduzida pelo
Cen e s o Disease Con ol and P e en ion
, (2017) sublinha
que es es compo amen os es ão equen emen e associados a o mas de iolência no namo o. Es es
pad ões de con olo podem su gi em con ex os de elações onde um dos pa cei os p ocu a exe ce
pode sob e o ou o, comp ome endo a sua au onomia e bem-es a emocional. No mesmo sen ido, um
es udo publicado na pla a o ma You h.go ela i amen e à p e alência da iolência no namo o en e
adolescen es, concluiu que as pe cen agens de abuso emocional e/ou psicológico en e jo ens são
conside a elmen e mais ele adas do que as de iolência ísica. Tais dados, co obo am os esul ados da
p esen e in es igação.
76
É nes e sen ido que é c ucial econhece e abo da es es compo amen os, mesmo que
epo ados po uma mino ia, pois es es podem e olui pa a o mas mais se e as de abuso e e
consequências ne as as pa a a saúde men al e ísica dos jo ens en ol idos.
Rela i amen e às elações de namo o e/ou a e i as quando oco em em con ex o de acolhimen o
esidencial, oi possí el conclui que dos 109 pa icipan es, 41 já se en ol eu numa elação des e géne o
na casa de acolhimen o onde eside. Es as elações o am in luenciadas po á ios a o es. No âmbi o
dos a o es elacionais, os jo ens des aca am aspe os posi i os como apoio emocional, c escimen o
pessoal e companhei ismo, mas ambém desa ios como ciúmes e con li os. A con i ência diá ia oi is a
como uma opo unidade de p oximidade, mas ambém como on e de sa u ação. Quan o aos a o es
ins i ucionais, as es ições e a disc iminação po pa e das equipas educa i as, especialmen e em casos
LGBTQIA+, o am desa ios signi ica i os; nas in e ações en e a o es elacionais e ins i ucionais,
su gi am ensões ligadas à ges ão das elações num con ex o de eg as es i i as, mas alguns jo ens
des aca am esiliência e ap endizagem. Po im, expe iências nega i as ou indi e en es o am associadas
à al a de ma u idade, con li os pela con i ência diá ia e in e e ências ex e nas.
Os esul ados e elam pe ceções a iadas sob e as no mas de namo o em casas de
acolhimen o. Enquan o mui os pa icipan es conside am as eg as jus as e adequadas, uma pa e
signi ica i a desconhece as no mas, e mui os ou os disco dam com as mesmas ou conside am-nas
desajus adas. É essencial que es as no mas sejam e is as com a pa icipação a i a dos jo ens,
p omo endo um diálogo abe o e inclusi o que conside e as suas necessidades e ealidades, pois apesa
de i e em em egime de acolhimen o ins i ucional, são adolescen es com o mesmo pad ão de
desen ol imen o ísico, emocional e a e i o que os que i em em con ex os amilia es.
Rela i amen e à o ma como as elações de namo o são enca adas pela ins i uição, poucos
jo ens a i ma am que es as são acei es, enquan o a maio ia as ê como ole adas ou desenco ajadas.
Es e esul ado, suge e que a abo dagem das casas de acolhimen o ela i amen e ao ema a ado, ende
a se conse ado a ou es i i a. A ole ância ou o desenco ajamen o mencionado pela maio ia dos
jo ens, suge e que as ins i uições lidam com es as elações de o ma mui o cau elosa ou a é mesmo
e i a i a, possi elmen e po eceio de con li os ou de ido à al a de es a égias cla as pa a lida com o
ema, o que oi possí el conclui ambém a a és de algumas espos as dadas pelos pa icipan es no
ques ioná io (“Nunca que ia e uma elação aqui, depois e a só asnei a. Quando cheguei aqui, disse am
que não podia e elacionamen os.”; “Quando en ei pa a casa de acolhimen o acha a que não podia
namo a ”).
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89
Apêndices
Apêndice I
Ques ioná io (Google Fo ms)
Relações de Namo o: Vozes dos Jo ens em Casas de Acolhimen o
Es e ques ioná io isa comp eende as uas expe iências e pe ceções sob e elações a e i as e
de namo o du an e a ua es adia nes a casa. As uas espos as são c uciais pa a o desen ol imen o
des e es udo, e ga an imos o al con idencialidade e anonima o. Não exis em espos as "ce as" ou
"e adas" - alo izamos apenas a ua opinião since a. Podes op a po p eenche o ques ioná io sozinho
ou com ajuda. Sen e- e à on ade pa a pa ilha as uas expe iências de o ma since a, sabendo que as
in o mações se ão a adas com o máximo cuidado e o al con idencialidade.
In o ma-se ainda que o es udo oi ap o ado pela Comissão de É ica pa a a In es igação nas
Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade do Minho.
Caso p e enda no i ica algum aspe o ela i o à p o eção dos seus dados, de e á azê-lo, po
esc i o, di igindo no i icação ao Enca egado de P o eção de Dados da Uni e sidade do Minho
([email p o ec ed])
A ua pa icipação é undamen al!
*Indica uma pe gun a ob iga ó ia
1. P eencho es e ques ioná io de li e on ade, sabendo que o anonima o es á o almen e ga an ido. *
90
[ ] Sim
[ ] Não
1.1. P eencho es e ques ioná io: *
[ ] Sozinho/a
[ ] Com a ajuda do meu educado de e e ência
[ ] Com a ajuda de ou o educado
[ ] Com um écnico da casa de acolhimen o
[ ] Ou o
2. Dados sociodemog á icos
(Pa a e conhece um pouco melho , gos a íamos que espondesses a algumas pe gun as de
ca ac e ização…)
2.1. Idade *
[ ] 12-13 anos
[ ] 14-15 anos
[ ] 16-17anos
[ ] 18 ou + anos
2.2. Ano de escola idade / Ní el de Ensino *
[ ] 5.º Ano
[ ] 6.º Ano
[ ] 7.º Ano
[ ] 8.º Ano
[ ] 9.º Ano
[ ] 10.º Ano
[ ] 11.º Ano
[ ] 12.º Ano
[ ] Ensino Supe io
91
2.3. Sexo, Géne o e O ien ação sexual *
2.3.1. Quan o ao sexo pe ences ao:
[ ] Masculino
[ ] Feminino
[ ] In e sexo
[ ] P e i o não dize
2.3.2. Quan o ao géne o conside as- e: *
[ ] Homem/Rapaz
[ ] Mulhe /Rapa iga
[ ] Não biná io/Não me iden i ico com nenhuns desses
[ ] T ansgéne o
[ ] P e i o não dize
2.3.3. Em elação a o ien ação sexual, conside as- e: *
[ ] He e ossexual
[ ] Homossexual
[ ] Bissexual
[ ] Gay
[ ] Lésbica
[ ] P e i o não dize
[ ] Ou a
2.4. Pensando na casa ou ins i uição em que es ás acolhida/o, esponde: *
2.4.1. Há quan o empo esides nes a casa de acolhimen o?
[ ] Menos de 6 meses
[ ] De 6 meses a 1 ano
[ ] De 1 a 2 anos
[ ] Mais de 2 anos
92
2.4.2. Indica o mo i o pelo qual ies e pa a es a casa: *
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
2.4.3. A casa onde es ás acolhida/o é de ipo: *
[ ] Feminina
[ ] Masculina
[ ] Mis a
2.4.4. Quan o à ua pe manência nes a casa, assinala a opção mais adequada ao eu caso: *
[ ] Es ás cá semp e, odos os dias de semana e im de semana
[ ] Es ás cá só du an e a semana e ais a casa da ua amília no im de semana
[ ] Es ás cá quase semp e, só ais a casa da ua amília nas é ias
[ ] Ou o
3. Emoções, A e os e Relacionamen o
3.1. Pa a cada i em seguin e assinala o ní el de conco dância que melho ep esen a como e sen es
con igo mesmo: *
(Conco do, Conco do o almen e, Disco do, Disco do o almen e)
• No ge al, es ou sa is ei o/a comigo mesmo/a
• Po ezes penso que não sou nada bom/a
• Sin o que enho um bom núme o de qualidades
• Es ou ap o/a pa a aze coisas ão bem como a maio ia das ou as pessoas
• Sin o que não enho mui o de que me o gulha
• Po ezes sin o-me inú il
• Sin o que sou uma pessoa com alo , pelo menos num plano de igualdade com os ou os
• Gos a a de e mais espei o po mim mesmo/a
• Em e mos ge ais, es ou inclinado/a a sen i que sou um/a alhado/a
• Tomo uma a i ude posi i a pe an e mim mesmo/a
99
5.2. Nas uas elações sexuais, sen es- e con o á el pa a exp essa as uas p e e ências e limi es a com
quem e elacionas?
[ ] Sim
[ ] Não
[ ] Va ia dependendo da si uação
6. Opinião Final
Pa a que nada ique po dize , esponde a es as úl imas ques ões. E, acima de udo, Mui o
Ob igada pela ua pa icipação!
6.1. Du an e o p eenchimen o des e ques ioná io, sen is e necessidade de apoio ou ajuda?
[ ] Sim
[ ] Não
6.2. Se quise es pa ilha alguma in o mação adicional sob e a ua expe iência ou pe spe i as
elacionadas com o namo o na casa de acolhimen o podes azê-lo aqui a segui .
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

100
Apêndice II
ASSENTIMENTO INFORMADO PARA JOVENS
Pa a a egulação é ica do abalho de campo desen ol ido no âmbi o do meu p oje o de
in es igação de Mes ado, que implica a aplicação de ques ioná ios com du ação ap oximada de 20
minu os a jo ens, independen emen e do géne o e do sexo, com idades en e os 12 e os 18 anos a
esidi em casas de acolhimen o, e pa a sal agua da dos sujei os neles en ol idos, es e assen imen o
in o mado ap esen a-se como um documen o essencial e isa o maliza a sua acei ação de pa icipação
nes e es udo.
Após a lei u a des e e mo e o escla ecimen o de qualque ques ão sob e o abalho em cu so,
a assina u a no inal des e documen o ep esen a a sua acei ação de pa icipação no mesmo.
1. In o mações sob e o p oje o
O p oje o com o ema "
Relações de namo o en e Adolescen es em Cen os de Acolhimen o de
C ianças e Jo ens: Desa ios e Opo unidades
" em como obje i o p incipal in es iga o impac o das
elações de namo o en e jo ens que pa ilham o mesmo ambien e de acolhimen o esidencial. Visa
ambém desen ol e es a égias educa i as e polí icas que p omo am a comp eensão, a acei ação e a
egulamen ação das elações de namo o en e jo ens que i em no mesmo con ex o de acolhimen o
esidencial, econhecendo es e di ei o como pa e in eg an e da sua expe iência.
2. Riscos e Descon o os
Não se p e eem iscos e/ou descon o os pessoais associados à pa icipação na in es igação.
Con udo, se algum pa icipan e se sen i descon o á el du an e a ecolha de dados pode á de imedia o
suspende a mesma e se á encaminhado pa a apoio adequado e especializado, con o me as suas
mani es ações.
3. Au onomia e Volun a iedade
O/A pa icipan e em o di ei o de se espei ado/a e se -lhe-ão o necidos o empo e o espaço
necessá ios pa a oma as suas p óp ias decisões. Também e á o di ei o de não pa icipa ou de se
e i a do abalho, a qualque momen o, sem qualque p ejuízo.
4. Con idencialidade e P i acidade
As in o mações ecolhidas se ão unicamen e pa a uso nes e abalho e pa a a di ulgação dos
seus esul ados em publicações cien í icas. Comp ome o-me a nunca iden i ica os(as) pa icipan es,
como p e is o nas no mas é icas da Uni e sidade do Minho e na legislação nacional. Em qualque
101
di ulgação do(s) p ocesso(s) do abalho e do(s) seu(s) esul ado(s), os nomes dos(as) pa icipan es
nunca se ão e elados, podendo se subs i uídos po nomes ic ícios.
Caso p e enda no i ica algum aspe o ela i o à p o eção dos seus dados, de e á azê-lo, po
esc i o, di igindo no i icação ao Enca egado de P o eção de Dados da Uni e sidade do Minho
([email p o ec ed]).
5. Acesso aos Resul ados
Des e es udo i á se p oduzido um ela ó io / disse ação de mes ado que ica á disponí el pa a
se consul ado no
eposi o ium
da Uni e sidade do Minho, con o me as no mas que o egulamen am.
6. Acompanhamen o e iden i icação das in es igado as
O abalho se á desen ol ido pela Mes anda Alice Se i as San os sob o ien ação da P o esso a
Dou o a Zélia Anas ácio, que pode ão se con ac adas em caso de qualque dú ida ou ci cuns ância,
a a és dos seguin es e-mails: [email p o ec ed] e/ou [email p o ec ed]
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
Consen imen o Assinado do/a Jo em Pa icipan e
Eu,
___________________________________________________________________________
__________________________ [Nome do Jo em], decla o que ui de idamen e in o mado(a) e
acei o colabo a nes a in es igação.
Sei que a minha pa icipação nes e es udo é comple amen e olun á ia e en endo que posso
op a po não pa icipa ou e i a -me a qualque momen o, sem penalizações ou consequências.
Comp eendo que odas as in o mações que o nece se ão man idas es i amen e con idenciais.
Isso signi ica que as minhas espos as e quaisque ou as in o mações o necidas du an e o es udo se ão
u ilizadas apenas pa a ins de in es igação e nunca se ão pa ilhadas com e cei os, exce o em casos
em que a minha segu ança e bem-es a possam es a em isco.
Sei que a pessoa que me es á a auxilia no p eenchimen o do ques ioná io (educado /a,
in es igado a, écnico/a…) es á aqui apenas pa a me auxilia nas dú idas que me possam su gi , que
não p ecisa e as minhas espos as desde que eu enha au onomia pa a o p eenchimen o do
ques ioná io e que é ob igado/a a man e o al con idencialidade sob e o momen o de p eenchimen o e
sob e odas as in o mações o necidas.
102
Assina u a do pa icipan e:
_________________________________________________________________
Da a: _______ de __________________de 2024
103
Apêndice III
CONSENTIMENTO INFORMADO
Eu, _____________________________________________________ (nome do
Di e o /Di e o a Técnica), na qualidade de Di e o /a Técnico/a da casa de acolhimen o
____________________________________________________________ (nome da
ins i uição), decla o que ui de idamen e in o mado(a) sob e a in es igação in i ulada
“Relações de
Namo o en e Adolescen es em Cen os de Acolhimen o de C ianças e Jo ens: Desa ios e
Opo unidades”
, a se ealizada po Alice Se i as San os, mes anda da Uni e sidade do Minho, sob a
o ien ação da P o esso a Dou o a Zélia Anas ácio. Como ep esen an e legal dos jo ens acolhidos nes a
ins i uição, au o izo a pa icipação dos mesmos no p esen e es udo.
Caso p e enda no i ica algum aspe o ela i o à p o eção dos dados, de e á azê-lo, po esc i o,
di igindo no i icação ao Enca egado de P o eção de Dados da Uni e sidade do Minho
([email p o ec ed])
Assina u a:
_______________________________________________________________
Da a: _______ de __________________ de 2024
In o mações de con ac o:
Con ac o ele ónico: 939 404 581
E-mail: [email p o ec ed]; [email p o ec ed]
104
Apêndice IV
PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE INVESTIGAÇÃO
Exmo/a. S . Di e o /a,
Eu, Alice Se i as San os, mes anda no 2º ano do Cu so de Mes ado de Es udos da C iança, na
Uni e sidade do Minho, e sob a o ien ação da P o esso a Dou o a Zélia Anas ácio, es ou a ualmen e em
ase de desen ol imen o da minha disse ação de mes ado in i ulada “Relações de Namo o en e
Adolescen es em Cen os de Acolhimen o de C ianças e Jo ens: Desa ios e Opo unidades”. A minha
in es igação em como obje i o ge al desen ol e es a égias e polí icas que p omo am a comp eensão,
acei ação e egulamen ação das elações amo osas, pa indo da iden i icação das conceções dos/as
jo ens.
Assim, enho po es e meio solici a a colabo ação da ins i uição que di ige, no sen ido de ealiza
a ecolha de dados pa a a in es igação. Comp ome o-me a segui odas as polí icas, egulamen os e
di e izes da ins i uição. Também es ou dispos a a assina qualque documen ação necessá ia pa a
ga an i a con o midade com as no mas é icas e legais que egem a in es igação, ac escen ando ainda
sob comp omisso de hon a que o uncionamen o da ins i uição nunca se á pos o em causa nem a
iden i icação da mesma se á e elada. Ac esce ainda que o p oje o só a ança depois de ob ido pa ece
a o á el da Comissão de É ica pa a a In es igação em Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade do
Minho.
A ecolha de dados, pa a a qual enho solici a a ossa au o ização, consis e unicamen e na
aplicação de ques ioná ios aos jo ens da casa de acolhimen o, com idades comp eendidas en e os 12
e os 18 ou mais anos, independen emen e do géne o ou sexo, os quais e ão a opção de p eenchê-los
indi idualmen e ou com auxílio. Os pa icipan es assina ão um e mo de consen imen o ou assen imen o,
a a és do qual se ão in o mados sob e odos os aspe os ele an es da in es igação, ga an indo-se assim
que comp eendam os obje i os, p ocedimen os, iscos e bene ícios en ol idos e que omem uma decisão
conscien e e au ónoma.
Em anexo (pa a a ossa ap eciação), en io os consen imen os e assen imen o (assinado pelo
meno ) e o ques ioná io a aplica . Es ou à disposição pa a discu i mais de alhadamen e o meu p oje o
de in es igação, os seus obje i os e esponde a qualque dú ida ou p eocupação que a di eção da
ins i uição possa e em elação à ealização do es udo.

105
Ag adeço an ecipadamen e pela a enção à minha solici ação e agua do ansiosamen e a
opo unidade de discu i es e assun o em maio de alhe.
A enciosamen e,
Alice Se i as San os
Da a: _______ de __________________de 2024
In o mações de con ac o:
Con ac o ele ónico: 939 404 581;
E-mail: [email p o ec ed]; [email p o ec ed]
106
Apêndice V
CONSENTIMENTO INFORMADO PARA QUEM ACOMPANHA O JOVEM NO PREENCHIMENTO DO
QUESTIONÁRIO
Pa a a egulação é ica do abalho de campo desen ol ido no âmbi o do meu p oje o de
in es igação de Mes ado, que implica a aplicação de ques ioná ios com du ação ap oximada de 20
minu os a jo ens, independen emen e do géne o e do sexo, com idades en e os 12 e os 18 anos a
esidi em casas de acolhimen o, e pa a sal agua da dos sujei os neles en ol idos, es e consen imen o
in o mado ap esen a-se como um documen o essencial e isa o maliza a sua acei ação e comp eensão
da sua pa icipação nes e es udo.
Após a lei u a des e e mo e o escla ecimen o de qualque ques ão sob e o abalho em cu so,
a assina u a no inal des e documen o ep esen a a sua acei ação de pa icipação no mesmo.
1. In o mações sob e o p oje o
O p oje o com o ema "Relações de Namo o en e Adolescen es em Cen os de Acolhimen o de
C ianças e Jo ens: Desa ios e Opo unidades" em como obje i o p incipal in es iga o impac o das
elações de namo o en e jo ens que pa ilham o mesmo ambien e de acolhimen o esidencial. Visa
ambém desen ol e es a égias educa i as e polí icas que p omo am a comp eensão, a acei ação e a
egulamen ação das elações de namo o en e jo ens que i em no mesmo con ex o de acolhimen o
esidencial, econhecendo es e di ei o como pa e in eg an e da sua i ência.
2. Riscos e Descon o os
Não se p e eem iscos e/ou descon o os pessoais associados à pa icipação na in es igação.
Con udo, se algum pa icipan e se sen i descon o á el du an e a ecolha de dados pode á de imedia o
suspende a mesma e se á encaminhado pa a apoio adequado e especializado, con o me as suas
mani es ações.
3. Au onomia e Volun a iedade
O/A pa icipan e em o di ei o de se espei ado/a e se -lhe-ão o necidos o empo e o espaço
necessá ios pa a oma as suas p óp ias decisões. Também e á o di ei o de não pa icipa ou de se
e i a do abalho, a qualque momen o, sem qualque p ejuízo.
107
4. Con idencialidade e P i acidade
As in o mações ecolhidas se ão unicamen e pa a uso nes e abalho e pa a a di ulgação dos
seus esul ados em publicações cien í icas. Comp ome o-me a nunca iden i ica os(as) pa icipan es,
como p e is o nas no mas é icas da Uni e sidade do Minho e na legislação nacional. Em qualque
di ulgação do(s) p ocesso(s) do abalho e do(s) seu(s) esul ado(s), os nomes dos(as) pa icipan es
nunca se ão e elados, podendo se subs i uídos po nomes ic ícios.
Caso p e enda no i ica algum aspe o ela i o à p o eção dos dados, de e á azê-lo, po esc i o, di igindo
no i icação ao Enca egado de P o eção de Dados da Uni e sidade do Minho: p o e[email p o ec ed]
5. Acesso aos Resul ados
Des e es udo i á se p oduzido um ela ó io / disse ação de mes ado que ica á disponí el pa a
se consul ado no eposi o ium da Uni e sidade do Minho, con o me as no mas que o egulamen am.
6. Acompanhamen o e iden i icação das in es igado as
O abalho se á desen ol ido pela Mes anda Alice Se i as San os sob o ien ação da P o esso a
Dou o a Zélia Anas ácio, que pode ão se con ac adas em caso de qualque dú ida ou ci cuns ância,
a a és dos seguin es e-mails: [email p o ec ed]; [email p o ec ed]
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Eu, ____________________________________________________________ [Nome],
acei o pa icipa no es udo in i ulado "Relações de namo o en e Adolescen es em Cen os de
Acolhimen o de C ianças e Jo ens: Desa ios e Opo unidades" , conduzido pela mes anda Alice Se i as
San os, no âmbi o do 2º ano do cu so de Mes ado em Es udos da C iança da Uni e sidade do Minho
sob a o ien ação da P o esso a Dou o a Zélia Anas ácio. Comp ome o-me a assegu a o al
con idencialidade sob e odas as in o mações o necidas pelo/a jo em du an e o es udo. Reconheço a
sensibilidade e o ca á e con idencial des as in o mações, comp ome endo-me a nunca as pa ilha com
e cei os, exce o em si uações que possam comp ome e a sua segu ança e bem-es a . Adicionalmen e,
econheço que o meu papel é exclusi amen e auxilia o jo em em caso de dú idas que lhe possam su gi
du an e o p eenchimen o do ques ioná io, não p eciso e as espos as desde que o/a jo em enha
au onomia pa a o p eenchimen o do ques ioná io e que sou ob igado/a a man e o al con idencialidade
sob e o momen o de p eenchimen o e sob e odas as in o mações que me o em o necidas.
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