Uni e sidade
do
Minho
Escola de Economia e Ges ão
Liliana Daniela Machado de Almeida
Disc iminação de Géne o na A bi agem de
Fu ebol: Um con ibu o empí ico pa a a eali-
dade po uguesa
ou ub o
de
2024
UMinho|2024
Disc iminação de Géne o na A bi agem de Fu ebol: Um con ibu o empí ico pa a a
ealidade po uguesa
Liliana Daniela Machado de Almeida
i
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Liliana Daniela Machado de Almeida
Disc iminação de Géne o na A bi agem de Fu-
ebol: Um con ibu o empí ico pa a a ealidade
po uguesa
Disse ação
Mes ado em Ges ão de Recu sos Humanos
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Regina Ma ia De Oli ei a
Lei e
Ou ub o 2024
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e
di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições
não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM
da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Pa a a ealização des a disse ação con ei com o apoio e incen i o de á ias pessoas e
en idades, sem as quais e ia sido mui o mais di ícil a ingi o obje i o inal, o culmina des a
e apa.
À P o esso a Dou o a Regina Lei e, pela pe sis ência, apoio, mo i ação e comp eensão
e idenciados ao longo de odo es e pe cu so, assim como po odo o conhecimen o que pa -
ilhou comigo. A ela de o-lhe a conclusão des a e apa, pois semp e ac edi ou que se ia possí-
el.
Ao conselho de a bi agem da Fede ação Po uguesa de Fu ebol pela disponibilidade e
abe u a ao pe mi i que as á bi as de u ebol ossem en e is adas e em momen o algum
coloca qualque en a e ao meu abalho, mos ando-se semp e disponí el pa a colabo a
com es e es udo. A odos os conselhos de a bi agem que p on amen e esponde am a i ma-
i amen e ao pedido de au o ização pa a en e is a as á bi as a eles associadas.
A odas as á bi as en e is adas, pela p on idão e on ade em colabo a com es e es-
udo, po disponibiliza em pa e do seu empo pa a pa ilha em as suas expe iências e opini-
ões. A odas elas e a quem se dedica à causa da a bi agem eminina, dedico es e abalho,
pois apenas quem sen e de pe o es a ealidade, en ende o quan o necessi a de se apoiada.
Po úl imo, e mais impo an e, à minha amília, em especial aos meus pais, ao meu i mão
e ao meu ma ido, aos meus amigos e aos meus colegas de abalho po odo o apoio, sac i í-
cios e disponibilidade pa a me ajuda em, semp e.
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou
alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Mi-
nho.
Disc iminação de géne o na a bi agem de u ebol: um con ibu o empí ico pa a a ealidade
po uguesa
RESUMO
O es udo e a análise sob e a disc iminação de géne o êm assumido g ande ele ância
ao longo dos anos em á eas como di ei os humanos, jus iça social, desen ol imen o
económico, saúde e bem-es a , educação e pa icipação polí ica.
De o ma a p omo e a igualdade de opo unidades en e indi íduos do géne o
eminino e masculino no con ex o despo i o, mais especi icamen e na a bi agem de u ebol,
é undamen al uma análise con ínua e e icaz da si uação a ual, isando implemen a p á icas
que co ijam desigualdades en aizadas.
Es e es udo p ocu a e le i sob e a pe ceção das á bi as ela i amen e à emá ica da
disc iminação, iden i icando os p incipais desa ios e obs áculos que as mulhe es en en am
a ualmen e na a bi agem de u ebol em Po ugal. P e ende-se ainda pe cebe quais as
mo i ações das mulhe es pa a en e eda po es a ca ei a e as expec a i as que êm pa a o
u u o. A a és de uma in es igação quali a i a, a in o mação ecolhida e le e a
p edominância de discu sos pa adoxais sob e a emá ica da disc iminação de géne o. De
o ma ge al, e i ica-se que ainda exis em alguns a o es e compo amen os que p omo em
a disc iminação de géne o. Concomi an emen e, de aco do com os dados ob idos nas
en e is as, e i ica-se uma endência pa a maio abe u a de men alidades e acei ação das
mulhe es no u ebol, ambém mui o de ido às ins i uições que ge em o u ebol Po uguês.
O es udo pe mi e conclui que a disc iminação de géne o ainda es á p esen e no
“mundo” do u ebol em Po ugal, mas em cla o dec éscimo, sob e udo nos úl imos anos.
Pala as-cha e: Disc iminação de géne o; Fu ebol; A bi agem eminina em Po ugal
i
Gende disc imina ion in oo ball e e eeing: an empi ical con ibu ion o he po uguese
eali y
ABSTRACT
The s udy and analysis o gende disc imina ion ha e gained signi ican ele ance o e
he yea s in a eas such as human igh s, social jus ice, economic de elopmen , heal h and
well-being, educa ion, and poli ical pa icipa ion.
To p omo e equal oppo uni ies be ween males and emales in spo s, pa icula ly in
oo ball e e eeing, conduc ing a con inuous and p ac ical analysis o he cu en si ua ion is
essen ial, aiming o implemen p ac ices ha add ess en enched inequali ies.
This s udy seeks o e lec on women e e ees' pe cep ions ega ding he issue o
disc imina ion, iden i ying he main challenges and obs acles ha women cu en ly ace in
oo ball e e eeing in Po ugal. Addi ionally, i aims o unde s and he mo i a ions ha d i e
women o pu sue his ca ee and hei expec a ions o he u u e. Th ough quali a i e
esea ch, he in o ma ion ga he ed e lec s he p edominance o pa adoxical discou ses on
gende disc imina ion. O e all, i is e iden ha some ac o s and beha iou s s ill p omo e
gende disc imina ion. Simul aneously, acco ding o da a ob ained om in e iews, he e is a
endency owa d mo e open-mindedness and accep ance o women in oo ball, mainly due
o he e o s o he ins i u ions managing po uguese oo ball.
The s udy concludes ha gende disc imina ion emains p esen in he "wo ld" o
oo ball in Po ugal, al hough i has clea ly dec eased, especially in ecen yea s.
Keywo ds: Gende disc imina ion; Foo ball; Women’s Re e eeing in Po ugal
ii
ÍNDICE
ÍNDICE DE TABELAS ........................................................................................................... x
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 1
1.1 Jus i icação e Pe inência do Tema ...................................................................... 1
1.2 Obje i os e Ques ões de Pa ida .......................................................................... 2
1.3 Es u u a da Disse ação ...................................................................................... 3
2. REVISÃO DA LITERATURA ......................................................................................... 4
2.1 Géne o .................................................................................................................. 4
2.2 Disc iminação de Géne o ..................................................................................... 6
2.3 Despo o: Fu ebol ................................................................................................ 8
2.4 Disc iminação de Géne o no Despo o ................................................................ 9
2.5 A bi agem de Fu ebol ....................................................................................... 10
2.6 Mulhe es no Despo o e na A bi agem de Fu ebol .......................................... 14
3. METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO ........................................................................ 16
3.1 Posicionamen o Me odológico .......................................................................... 16
3.2 Es udo quali a i o com ecu so a en e is as semies u u adas ...................... 17
3.3 P ocedimen os na ecolha de dados .................................................................. 18
3.4 T a amen o e análise dos dados ........................................................................ 20
3.5 Ca ac e ização das Pa icipan es ....................................................................... 22
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ............................................................. 25
4.1 Mo i os que le am as mulhe es a ing essa em, con inua em e/ou abandona em
a ca ei a de á bi a de u ebol ............................................................................................ 27
4.2 Desa ios e obs áculos das mulhe es á bi as em Po ugal ................................ 32
4.2.1 Conciliação da ca ei a de á bi a com a ida pessoal e p o issional ......... 33
4.2.2 P og essão de ca ei a na a bi agem e alo ização do mé i o: compa ação
com os homens á bi os ................................................................................................... 36
4
2. REVISÃO DA LITERATURA
Na p esen e secção é ap esen ada a e isão da li e a u a exis en e ace ca do ema em
es udo, pa a uma melho comp eensão da emá ica, escla ecendo concei os e omando co-
nhecimen o das in es igações desen ol idas nes e âmbi o.
Pa a al, em p imei o luga se á e e uada a análise e de inição dos concei os de géne o
e disc iminação de géne o. Pos e io men e se á abo dado o concei o de despo o, sob e o
qual incide o es udo: o u ebol e a a bi agem de u ebol. Po im, se á e e uada uma análise
da li e a u a ela i a à disc iminação de géne o no despo o, na a bi agem de u ebol, e às
mulhe es no despo o e na a bi agem de u ebol, uma ez que es a disse ação em po base
as mulhe es á bi as e as suas pe ceções.
2.1 Géne o
A pe ceção da o ma como os homens e as mulhe es ob êm as ca a e ís icas especí icas
do seu géne o não é consensual, encon ando-se duas pe spe i as di e enciadas na li e a u a:
as pe spe i as essencialis as e as pe spe i as cons u i is as (Poma , 2006). Nas pe spe i as
essencialis as a no ma que di e encia o géne o é o c i é io biológico p essupondo-se que são
as di e enças biológicas en e homens e mulhe es que i ão de e mina as di e enças a ní el
psicológico e compo amen al. Es a co en e suge e que os compo amen os sociais são in-
luenciados di e amen e pelo sexo biológico com que se nasce, ou seja, as pessoas nascem
com uma “p ede e minação compo amen al, um compo amen o pad onizado da pa e de
cada um dos sexos biológicos exis en es (Vicen e, 2019, p. 130). Com a mesma cadeia de pen-
samen o, Deu sch (2007) a i ma que o géne o es á semp e em cons ução à luz das conceções
no ma i as sob e mulhe es e homens. Indicando ainda que o géne o não é aquilo que o se
humano é, mas sim aquilo que o se humano az. Sendo assim, uma ca ac e ização “simplis a”
do géne o, de o dem unicamen e biológica, que le a cons an emen e a que o se humano
jus i ique compo amen os indi iduais a ibuindo ca ac e ís icas di as “no mais” di e en es
pa a homens e mulhe es.
5
Po ou o lado, as pe spe i as cons u i is as de endem que “o géne o se e e e aos
papeis cons uídos socialmen e e aos compo amen os, a i idades e a ibu os que uma de-
e minada sociedade conside a adequados a homens ou a mulhe es (Ins i u o Po uguês de
Apoio e Desen ol imen o, 2012, p. 55).
No con ex o da União Eu opeia, no Glossá io de Te mos pa a a Igualdade de Géne o
(EIGE, 2017), pe cebe-se que o géne o é um concei o elacional, po isso, não se e e e apenas
a mulhe es ou a homens, mas sim às elações que oco em en e ambos e ao modo como
essas elações ão sendo socialmen e cons uídas. Como ins umen o de análise, eme e pa a
as di e enças sociais (po oposição às biológicas) en e mulhe es e homens, adicionalmen e
inculcadas pela socialização, mu á eis ao longo do empo e que ap esen am g andes a ia-
ções en e e in a cul u as. A a és do mesmo documen o, podemos ainda en ende que a
ep esen ação social do sexo biológico é de e minada pela ideia das a e as, unções e papéis
a ibuídos às mulhe es e aos homens na sociedade e na ida pública e p i ada. Cada ez mais
se econhece que o concei o de géne o de e ambém se conside ado no plano polí ico e
ins i ucional. As polí icas e as es u u as desempenham um papel p imo dial na modelização
das condições de ida e, po isso, ins i ucionalizam mui as ezes a manu enção e a p odução
da cons ução social de géne o.
Segundo Ribei o e Soa es (2013) o concei o de géne o oco e a pa i de cons uções
cul u ais, p oduzidas his o icamen e com p incípio nas ca ac e ís icas de na u eza biológica
dos co pos, em que “há uma mul iplicidade de cons uções do se masculino e do se emi-
nino, pois di e si icados modelos ideais, pad ões e imagens, de di e en es con ex os (classes,
aças, e nias, nacionalidade, eligião) con igu am o p ocesso de o mação do homem e da
mulhe .” (Ribei o & Soa es, 2013, p. 26)
Po ou o lado, numa e en e con adi ó ia, Sil a e Magalhães (2013) conside am o
géne o como uma cons ução cul u al, não exis indo uma única o ma de i e o “se emi-
nino” e o “se masculino”, exis em 73 pessoas que ap ende am a se de um de e minado jei o
e ap esen am ca ac e ís icas e alo es de de e minado g upo social, ca ac e ís icas essas que
podem se insigni ican es nou os g upos. Pa a es as au o as, ap endemos a i e o géne o e
a sexualidade na cul u a, (...).
No mesmo seguimen o de pensamen o pa a Lou o (2008), as mui as o mas de expe i-
men a p aze es e desejos, de da e de ecebe a e o, de ama e de se amada/o são ensaiadas
e ensinadas na cul u a, são di e en es de uma cul u a pa a ou a, de uma época ou de uma
6
ge ação pa a ou a. E hoje, mais do que nunca, essas o mas são múl iplas. As possibilidades
de i e os géne os e as sexualidades amplia am-se.
2.2 Disc iminação de Géne o
O a igo 23.º da Ca a dos Di ei os Fundamen ais da União Eu opeia (2016), es ipula que
"de e se ga an ida a igualdade en e homens e mulhe es em odos os domínios, incluindo
em ma é ia de emp ego, abalho e emune ação."
Segundo a Con enção In e nacional sob e a Eliminação de odas as Fo mas de Disc imi-
nação Racial (1965), em-se po disc iminação "qualque dis inção, exclusão, es ição ou p e-
e ência baseadas em aça, co , descendência ou o igem nacional ou é nica que em po obje-
i o ou e ei o anula ou es ingi o econhecimen o, gozo ou exe cício num mesmo plano, (
em igualdade de condição), de di ei os humanos e libe dades undamen ais no domínio polí-
ico económico, social, cul u al ou em qualque ou o domínio de ida pública”. A es a de ini-
ção, ac escen a-se a lis a de c i é ios p oibidos de disc iminação, que a en a pa a mani es a-
ções especí icas de disc iminação, ais como géne o, aça e e nia, eligião, o ien ação sexual,
de iciência e idade (F edman, 2011, p. 38).
Pa a Mes e (2015), o concei o de disc iminação em subjacen e uma conceção p o un-
damen e indi idualis a do se humano; isa comba e os es e eó ipos associados com de e -
minados g upos sociais (po exemplo, mino ias sexuais, mino ias é nicas, g upos e á ios).
To na-se undamen al menciona que exis e uma in ínseca elação en e os concei os
de igualdade e disc iminação, pois, a p imei a aduz um econhecimen o de uma mesma me-
dida de dignidade humana pa a odos os sujei os; “po seu u no, a disc iminação ao ealiza
uma dis inção de o ma injus a pa a uma elação de de e minados indi íduos e g upos, con-
side ando não apenas as di e enças mas ambém a ando-os de o ma in e io , seja po mo-
i o de eligião, aça, sexualidade ou géne o, passa a se um g ande obs áculo pa a que essa
dignidade seja alcançada.” (Balles e os Mo eno, 2015, p. 24).
Os es e eó ipos de géne o es ão na base das disc iminações em unção do sexo, que
impedem a igualdade en e mulhe es e homens, legi imando e pe pe uando modelos de dis-
c iminação es u u ais e his ó icos (Diá io da República, 2018).
7
Segundo o pon o núme o 1 do a igo II da Decla ação Uni e sal dos Di ei os Humanos,
odos os se es humanos podem in oca di ei os e libe dades, sem dis inção alguma, nomea-
damen e de aça, de co , de sexo, de língua, de eligião, de opinião polí ica ou ou a, de o igem
nacional ou social, de o una, de nascimen o ou de qualque ou a si uação (ONU, 2009). De
o ma semelhan e, a Cons i uição da República Po uguesa menciona que “ninguém pode se
p i ilegiado, bene iciado, p ejudicado, p i ado de qualque di ei o ou isen o de qualque de-
e em azão de ascendência, sexo, aça, língua, e i ó io de o igem, eligião, con icções po-
lí icas ou ideológicas, ins ução, si uação económica, condição social ou o ien ação sexual.”
(a . 13º, Cons i uição da República Po uguesa, 2005, p. 4).
As ques ões da disc iminação de géne o podem se explicadas a a és das di e enças
en e os homens e as mulhe es como um sis ema social onde os homens êm acesso p i ile-
giado às á ias á eas da sociedade, de endo mais pode que a mulhe e endo sup emacia
sob e udo (Vicen e, 2019). Segundo Jacin o e al. (2015), a ealidade das mulhe es ainda se
dis ancia do concei o de cidadania p esen e no ca álogo dos di ei os humanos.
Pa a Vicen e (2019), odas as pessoas são p ejudicadas com a exis ência de es e eó ipos,
homens e mulhe es, apesa de os es e eó ipos e em po base o pode e o p i ilégio, po-
dendo, ainda hoje, obse a -se que a pe cen agem de mulhe es que chegam a ca gos de de-
cisão ou ca gos polí icos é mui o in e io à pe cen agem de homens nos mesmos ca gos, ape-
sa de se sabe que há mais mulhe es com o ensino supe io do que homens. No Glossá io de
Te mos pa a a Igualdade de Géne o é mencionada a de inição de disc iminação con a as mu-
lhe es segundo a Con enção das Nações Unidas pa a a Eliminação de Todas as Fo mas de
Disc iminação Con a as Mulhe es (1979), em que no seu a .º1, pode le -se que a “disc imi-
nação con a as mulhe es é qualque dis inção, exclusão ou es ição baseada no sexo, que
enha como e ei o ou como obje i o comp ome e ou des ui o econhecimen o, o gozo ou
o exe cício pelas mulhe es, seja qual o o seu es ado ci il, com base na igualdade dos homens
e das mulhe es, dos di ei os humanos e das libe dades undamen ais nos domínios polí ico,
económico, social, cul u al e ci il ou em qualque ou o domínio.
Quando a “ca ego ia sexo” é a i ada, os es e eó ipos associados são ambém a i ados,
sendo os homens is os de o ma au omá ica, como sendo mais compe en es, sendo-lhes
a ibuídas algumas an agens (Deu sch, 2007). Segundo o mesmo au o , são as p óp ias pes-
soas que agem de aco do com a noção de que i ão se julgadas po aquilo que é supos o se
um compo amen o eminino ou masculino.
8
Segundo Va gas (2022) no seu es udo sob e os es e eó ipos de géne o, a dimensão do
“compo amen o” associado ao géne o es á elacionada com uma cul u a pa ia cal p o un-
damen e en aizada nas pessoas, que de ine compo amen os acei á eis ou inacei á eis pa a
um ou ou o sexo/géne o e que, e iden emen e, con ibui pa a o desen ol imen o de com-
po amen os es e eo ipados. O mesmo au o , no que conce ne à dimensão da “exp essão de
emoções e sen imen os” desc e e os es e eó ipos de géne o ela i amen e às mani es ações
emocionais e a e i as e idenciando um ele ado ní el de in e nalização dos es e eó ipos de
géne o.
2.3 Despo o: Fu ebol
A Ca a Eu opeia do Despo o (1992), no seu a .2º, de ine despo o como sendo “ odas
as o mas de a i idades ísicas que, a a és de uma pa icipação o ganizada ou não, êm po
obje i o a exp essão ou o melho amen o da condição ísica e psíquica, o desen ol imen o das
elações sociais ou a ob enção de esul ados na compe ição a odos os ní eis”. Nes a de ini-
ção, são econhecidas ês o mas di e en es de aze despo o: na p imei a o ma, o despo o
é is o com o p opósi o de melho a a “condição ísica e psíquica”, is o é, qualque exe cício
ísico que seja di ecionado pa a a melho ia dos índices ísicos e ambém psicológicos. Na se-
gunda, o despo o em como obje i o “o desen ol imen o das elações sociais”, is o é, qual-
que ipo de a i idade ísica p a icada com alguém, egendo-se po eg as, ou não, que auxilie
na componen e social da pessoa. Na e cei a e úl ima o ma de p á ica do despo o, es e em
como obje i o “a ob enção de esul ados na compe ição a odos os ní eis”, ou seja, a p á ica
do despo o em con ex o de jogo com eg as, no mas e com in ui o compe i i o.
Segundo a In e na ional Foo ball Associa ion Boa d (2023), o u ebol é o p incipal des-
po o no plane a. É jogado em odos os países e a mui os ní eis di e en es. As Leis do Jogo são
as mesmas pa a odo o u ebol pelo mundo odo, desde o Campeona o do Mundo da FIFA a é
ao jogo dispu ado po c ianças numa aldeia emo a, é uma o ça conside á el que de e á
con inua a se ap o ei ada pa a o bem do u ebol em oda a pa e. O u ebol em de e leis
que ga an am que o jogo é ‘co e o’, já que a base da beleza do ‘jogo boni o’ é uma ca a e ís-
ica i al pa a o ‘espí i o de jogo’. Os melho es jogos são aqueles em que o á bi o a amen e
é necessá io po que os jogado es jogam com espei o uns pelos ou os, pela equipa de a bi-
agem e pelas leis (The In e na ional Foo ball Associa ion Boa d, 2023).
9
Pa a a The In e na ional Foo ball Associa ion Boa d (2023), o u ebol em de se a a i o
e aze sa is ação aos jogado es, equipa de a bi agem, einado es, bem como aos espec a-
do es, adep os, adminis ado es, independen emen e da idade, aça, eligião, cul u a, o igem
é nica, géne o, o ien ação sexual, de iciência, que quei am aze pa e e di e i -se com o seu
en ol imen o no u ebol.
2.4 Disc iminação de Géne o no Despo o
Ao analisa a ques ão da igualdade de géne o no despo o, pe cebemos que o despo o
em sido, adicionalmen e, dominado pelos homens que em e mos de pa icipação nalgu-
mas modalidades como nos ó gãos de adminis ação e go e no (EIGE, 2017).
A ualmen e, é possí el encon a indi íduos de di e en es classes sociais, idade, e nia,
aça e géne o que jogam u ebol em odos os luga es da sociedade, em ambien es in o mais
e o mais, como no quin al de casa, nas uas, escolas, clubes e escolas de u ebol. Con udo,
apesa de hoje o u ebol se um dos maio es enómenos sociocul u ais, ale a pena des aca
que o seu início deu-se de o ma excluden e e longe de se uma p á ica democ á ica de li e
acesso a odos os ex a os sociais, pois, inicialmen e o u ebol “[...] es a a inculado a um
eco e especí ico de géne o, classe e aça: e a es i o aos homens icos e b ancos, pe en-
cen es às eli es b ancas. Aos pob es, neg os e mulhe es, a p á ica do u ebol não e a pe mi-
ida” (B och, 2021, p. 697).
Pa a B och (2021), o cená io eminino no despo o p ecisou e ainda p ecisa de lida com
mui os obs áculos. Os empos expe ienciados pelo u ebol masculino e eminino são mui o
dis in os, pois o desen ol imen o do u ebol com equipas o madas po homens, e e po
base alguns dos p i ilégios do géne o masculino, e não p ecisou de lida com a ep essão com
que as equipas emininas lidam.
Segundo a mesma au o a, o u ebol enquan o exp essão cul u al, mobiliza discu sos e
sabe es que his o icamen e colocam as mulhe es em si uação de desigualdade. O que se pe -
ceciona em elação às á bi as é que esses discu sos e p á icas man êm-se, e as iolências
con inuam a se p a icadas no uni e so u ebolís ico, ela i amen e a jogado as, á bi as, ei-
nado as, di igen es e apoian es, uma ez que os homens ac edi am que nes e despo o não
há luga pa a as mulhe es (B och, 2021).
10
Segundo Fede ico e al. (2023), mesmo sendo isí eis p og essos conside á eis, a igual-
dade de emune ação con inua a se um desa io impo an e no despo o eminino. Embo a
se enham egis ado algumas melho ias, os salá ios das mulhe es con inuam a se signi ica i-
amen e in e io es aos dos homens.
Se exis e alguma mudança em di eção à igualdade, a di isão de géne o ende a pe sis i
na p á ica despo i a ao longo do empo e os p ocessos de eminização ela i a (em despo os
no os e adicionalmen e masculinos) endem a não se sus en á eis ao longo do empo. No
conjun o das a i idades despo i as al amen e masculinizadas, obse a-se um maio núme o
de a i idades p a icadas maio i a iamen e po homens, incluindo dois dos despo os nacio-
nais mais seguidos e alo izados em Po ugal: Fu ebol e Ciclismo. (Cimb ini e al., 2019). E
enquan o modalidade com mais a le as ede ados, o u ebol ainda é is o como um despo o
maio i a iamen e masculino (PORDATA, 2020).
Segundo o Bole im Es a ís ico (2023), as emune ações médias, an o ao ní el da emu-
ne ação base, como dos ganhos, são semp e supe io es nos homens em odos os ní eis de
quali icação, em odos os ní eis de habili ação, pa a odos os g aus de an iguidade e em odos
os g andes g upos p o issionais.
Pode-se obse a que a jogado a mais bem paga do mundo, a no ueguesa Ada Hege -
be g, em um salá io, ap oximadamen e, 331 ezes in e io ao jogado mais bem pago do
mundo, Lionel Messi. Desde 2017, Ada dis anciou-se dos el ados, ejei ando, joga o Campe-
ona o do Mundo de 2019, como o ma de p o es o em elação às desigualdades do abalho
e emune ações en e jogado es e jogado as (GE, 2019).
2.5 A bi agem de Fu ebol
O á bi o de u ebol em como p incipal unção o de e de zela pela aplicação das Leis
do Jogo (In e na ional Foo ball Associa ion Boa d, 2023).
Pa a Righe o (2016), o á bi o de u ebol é aquele que possibili a o cump imen o dos
limi es do jogo o icial ou de o ma o denada, endo como elemen os o p óp io jogo (espaço,
empo, jogado es e ma e iais), o p ocedimen o dos obje i os do jogo (bola, golo) e o ad e -
sá io. Nesse sen ido, pa a a a i idade, são es abelecidas condu as espe adas e in a o as que
se ão punidas pelo á bi o de aco do com as eg as e a in e p e ação das leis de jogo.
11
Desde meados dos anos 1930, a In e na ional Foo ball Associa ion Boa d, no li o das
leis de jogo, es ipula que es as leis se di idem em 17, sendo elas:
01. O Te eno de Jogo;
02. A Bola;
03. Os Jogado es;
04. O Equipamen o dos Jogado es;
05. O Á bi o;
06. Os Ou os Elemen os da Equipa de A bi agem;
07. A Du ação do Jogo;
08. O Começo e Recomeço do Jogo;
09. A Bola em Jogo e Fo a do Jogo;
10. De e minação do Resul ado do Jogo;
11. Fo a de Jogo;
12. Fal as e Inco eções;
13. Pon apés Li es;
14. O Pon apé de Penál i;
15. O Lançamen o La e al;
16. O Pon apé de Baliza;
17. O Pon apé de Can o
As eg as do u ebol, con o me nos demons am Righe o (2016) e Righe o e Reis
(2017), o am modi icadas ao longo dos anos pa a co esponde às necessidades dos jogos.
Numa p imei a ase, a p esença do á bi o não es a a de e minada, sendo as decisões oma-
das pelos capi ães das p óp ias equipas. Po ol a do ano de 1868 com a in odução da lei do
o a de jogo, a a i idade necessi ou da p esença de um mediado que se encon a a o a do
e eno de jogo e com uma isão p i ilegiada pa a a i ma a legalidade ou ilegalidade de joga-
das du idosas, em que o á bi o só in e e ia na pa ida quando consul ado pelas equipas.
Ou a inse ção que ma ca a e olução da a bi agem, é o api o, que passou a se u ilizado po
ol a do ano de 1878, com a necessidade do aumen o da in e enção nos jogos.
A c escen e compe i i idade en e as equipas, assim como os momen os de ensão e
p o es o ela i amen e a lances do jogo, ize am com que a igu a do á bi o se o nasse in-
12
dispensá el, endo sido a sua en ada em campo au o izada pelo In e na ional Foo ball Asso-
cia ion Boa d a pa i de 1891 e o pode que em a ualmen e oi-lhe concedido em 1894, com
a c iação da eg a do penál i. Desde en ão, o á bi o o nou-se uma igu a impo an e, de al
modo que os jogos de u ebol o iciais (seja ao ní el p o issional ou amado ) não podem oco -
e sem ele (Sil a & Añes, 2008).
Ao á bi o é exigida uma boa condição ísica (Oli ei a e al., 2011) uma ez que decisões
ápidas, baseadas no julgamen o co e o do á bi o, e uma ação imedia a con ibui pa a o
desen ol imen o impa cial dos jogos (Oli ei a e al., 2011). Segundo Salgado (2024), Fon elas
Gomes, p esiden e do Conselho de a bi agem da Fede ação Po uguesa de Fu ebol, numa
en e is a dada ao Jo nal “A BOLA”, aos á bi os é exigida uma capacidade ísica quase com-
pa á el à de um jogado . O u ebol es á mais ápido, mais in enso, mais dispu ado e mais
compe i i o. E os á bi os êm de es a p epa ados.
Os á bi os êm uma ca ei a mui o p ecá ia, em que al como explica o P esiden e do
Conselho de A bi agem da Fede ação Po uguesa de Fu ebol, na mesma en e is a ao jo nal
“A Bola”, mui os á bi os acabam po op a po e negócios p óp ios de o ma a pode em
compa ibiliza a a bi agem com uma a i idade p o issional ou êm pa ões comp eensi os.
Em elação à emune ação, es a ambém não é cons an e, depende do jogo e da compe ição,
podendo oscila , consoan e os jogos que se az e ambém se são ou não jogos in e nacionais,
que êm um peso bas an e g ande nesses p o en os, mas um á bi o ganha, po no ma, po
mês, en e os cinco e os seis mil eu os b u os, já a emune ação mensal de uma á bi a en-
con a-se en e os no ecen os e os mil e quinhen os eu os. A is o ac esce que são pagos a
ecibo e de, como p es ado es de se iços o que le a a uma ca ga iscal ele ada, con o me
explica o p esiden e do conselho de a bi agem, na mesma en e is a.
Os escalões de á bi os(as) e á bi os(as) assis en es es ão di ididos em ca ego ias, con-
o me esumido nas abelas abaixo, ealizadas com base em in o mações ecolhidas no Regu-
lamen o da A bi agem (2024) e no si e da In e na ional Fede a ion o Associa ion Foo ball
(FIFA).
Tabela 1 - Quad o de á bi os(as) de u ebol po ca ego ias
13
Quad o de á bi os(as) de u ebol po ca ego ias
Homens
Mulhe es
Ca ego ias In e nacionais
Men Eli e
Women Eli
Men Fi s
Women Fi s
Men Second
Women Second
Ca ego ias Nacionais
Ca ego ia 1 (C1)
Ca ego ia Feminina 1 (CF1)
Ca ego ia 2 (C2)
Ca ego ia Feminina 2 (CF2)
Ca ego ia 3 (C3)
Ca ego ia Feminina 3 (CF3)
Ca ego ia 3 CORE (C3 CORE)
Ca ego ia 4 (C4)
Ca ego ia 4 CORE (C4 CORE)
Ca ego ias Dis i ais
Ca ego ia Feminina 4 (CF4)
Ca ego ia 5 (C5)
Ca ego ia Feminina 5 (CF5)
Ca ego ia 6 (C6)
Ca ego ia Feminina 6 (CF6)
Ca ego ia 7 (C7)
Ca ego ia Feminina 7 (CF7)
Es agiá io Ní el 1 (EC1)
Es agiá io Feminina Ní el 1 (EC1)
Tabela 2 - Quad o de á bi os(as) assis en es de u ebol po ca ego ias
Quad o de á bi os(as) Assis en es de u ebol po ca ego ias
Homens
Mulhe es
Ca ego ias In e nacionais
Men In e na ional Assis an Re e ee
Women In e na ional Assis an Re e ee
Ca ego ias Nacionais
A bi o Assis en e Ca ego ia 1 (AAC1)
Á bi a Assis en e Ca ego ia Feminina (AACF)
A bi o Assis en e Ca ego ia 2 (AAC2)
20
deco e das en e is as, as á ias pe gun as do guião e am semp e expos as, exce o nos ca-
sos em que a en e is ada abo dasse de e minadas emá icas de o ma espon ânea, en-
quan o es a a a esponde a uma pe gun a do guião. Ao mesmo empo, o am ambém ex-
plo ados no os pon os pela en e is ado a, semp e que se conside asse que ossem pe inen-
es. Assim sendo, e a semp e p opos a uma ques ão sob e de e minado assun o, e de seguida
a en e is ada explana a o seu pon o de is a, azendo com que a ques ão seguin e, colocada
pelo in es igado , dependesse da espos a que osse o necida pela en e is ada, ela i a-
men e à ques ão an e io .
O núme o de á bi as con ac adas pa a a ealização das en e is as oi mui o supe io
ao núme o das e e i amen e ealizadas, como mencionado an e io men e, pelo ac o de
algumas demons a em al a de empo e ou as pouco à on ade pa a ala sob e o ema,
chegando a menciona que pode iam se p ejudicadas, apesa de e em sido elucidadas do
o al anonima o das en e is as. Pa a além disso, de o ma a ga an i o meno
cons angimen o possí el e o consen imen o das en e is adas, as en e is as o am semp e
ealizadas indi idualmen e e no início de cada en e is a oi colocada a ques ão: “Conco das
em da es a en e is a, que a mesma seja g a ada e que a in o mação que dela su gi seja
a ada no meu es udo e pos e io men e seja publicada, semp e de o ma anónima, sem
nunca p onuncia o eu nome?”
As en e is as i e am uma du ação mínima ap oximada de 25 minu os e máxima de 1
ho a e 38 minu os, semp e com a g a ação de ídeo e oz, com a au o ização das
en e is adas, em que odas as en e is adas mos a am abe u a e pa a a g a ação das
en e is as.
Tendo em con a a e olução e consequen es al e ações do u ebol eminino e da
a bi agem eminina, sen iu-se a necessidade de con ac a no amen e algumas das
en e is adas, aquelas que pode iam e sido ab angidas em algumas das al e ações, como o
aumen o dos p émios de jogo ou po e em sido con idadas a dedica em-se a empo in eg al
à a bi agem. Es e no o con ac o oi e e uado du an e o mês de se emb o de 2024, de o ma
a coincidi com início da época 2024/2025, sendo apenas colocadas em especí ico as ques ões,
cuja opinião pode ia se di e en e de ido às al e ações oco idas, en e an o.
3.4 T a amen o e análise dos dados
21
Segundo Es e es (2006) a análise de con eúdo passa pela “(…) ealização de
in e e ências pelo in es igado , que po se ap esen a em com um undamen o explíci o
podem se ques ionadas po ou os, e podem se co obo adas ou con a iadas po ou os
p ocedimen os de ecolha e a amen o de dados, no quad o de uma mesma in es igação ou
de in es igações sucessi as.”
Pa a o mesmo au o , exis em di e en es o mas pa a a a os dados ob idos, endo em
con a que há á ias o mas de comp eende o obje o de in es igação e de o mula as
ques ões de pa ida, po que o conhecimen o p é io do obje o em es udo ap esen a ní eis
dis in os de conhecimen o, is o que cada in es igado é di e en e en e si. Des e modo,
independen emen e da análise cons uída, o que impo a é que a mesma seja sujei a a
p ocessos in e nos de alidação, que numa ase pos e io se sujei a à c í ica, se o o caso,
que seja ealizada uma con es ação dos esul ados ob idos, dado que a undamen ação dos
a gumen os e as decisões que o am omadas são explanados (Es e es, 2006).
Des e modo, p e ende-se que o in es igado ob enha um conjun o de dados de
na u eza, pa icula men e, desc i i a e que comp eenda, a a és dos dados ecolhidos, o
signi icado a ibuído pelos in e locu o es consoan e as suas expe iências e si uações (Bogdan
& Biklen, 1994).
Após a ealização e ansc ição das en e is as, e e uou-se o a amen o da in o mação
ecolhida a a és do mé odo da análise de con eúdo. Es a écnica de in es igação pe mi e
a a as in o mações e analisa es emunhos de ca á e mais p o undo e subje i o,
possibili ando assim a in e p e ação das en e is as e a p odução de conclusões mais
obje i as e sis emá icas (Qui y & Campenhoud , 1998; S emle , 2001)
Após a ealização das en e is as, es as o am ansc i as na sua ín eg a, en ando
semp e e o cuidado de não dis ancia mui o no empo a ealização da en e is a e a
ansc ição da mesma, de o ma a se consegui e i a o máximo p o ei o possí el da si uação
i ida aquando do momen o da en e is a (Cab al-Ca doso, 2015), sendo egis ado po
exemplo, hesi ações, pausas ou isos. Tudo is o, pa a que udo que o osse e balizado osse
ansc i o. A ansc ição das en e is as e es iu-se de eno me u ilidade pa a se p ocede à
análise dos dados ob idos.
Assim, após lei u a cuidada e igo osa das en e is as, e com o auxílio do so wa e QRS
NVi o, e e uou-se a o ganização dos elemen os e con eúdos em ca ego ias e subca ego ias
(Tabela 4) que aduzem os p incipais emas abo dados no guião de en e is a e ão ao
22
encon o dos obje i os de pa ida, endo sido ape eiçoadas à medida que a análise oi
p og edindo.
3.5 Ca ac e ização das Pa icipan es
As en e is as o am ealizadas a á bi as de no e dis i os (B aga, É o a, Vila Real,
Coimb a, Lisboa, Po o, Viana do Cas elo, A ei o e Região Au ónoma da Madei a), sendo as
en e is adas um o al de dezoi o á bi as. As idades das en e is adas es ão comp eendidas
en e os in e e os in a e qua o anos. Rela i amen e ao es ado ci il, ês das dezasseis
á bi as são casadas e as es an es são sol ei as. Apenas duas en e is adas e e i am e
ilhos. Ve i ica-se que as en e is adas êm en e qua o e quinze anos de ca ei a como
á bi as. Quan o ao ní el de escola idade, pode e i ica -se que cinco êm o 12º ano, seis
possuem licencia u a e se e êm mes ado.
Seguidamen e ap esen a-se a abela 3, onde é ap esen ada a ca ac e ização das
pa icipan es em es udo.
Tabela 3: Ca a e ização das pa icipan es em es udo
En e is ada
Dis i o
Idade
Es ado
Ci il
Nº de
Filhos
Anos de
expe iência
como á bi a
G au de
Escola idade
Du ação
da
En e is a
Á bi a 1
B aga
24
anos
Sol ei a
0
9 anos
Mes ado
01:31:55
Á bi a 2
B aga
26
anos
Sol ei a
0
11 anos
Licencia u a
01:24:27
Á bi a 3
É o a
29
anos
Sol ei a
0
10 anos
Mes ado
01:30:25
Á bi a 4
B aga
24
anos
Sol ei a
0
6 anos
Licencia u a
01:04:38
23
Á bi a 5
Vila Real
27
anos
Casada
0
9 anos
Mes ado
01:38:07
Á bi a 6
Coimb a
30
anos
Sol ei a
0
7 anos
12º ano
01:32:04
Á bi a 7
Lisboa
23
anos
Sol ei a
0
3 anos
Licencia u a
01:00:48
Á bi a 8
Po o
24
anos
Sol ei a
0
3 anos
Licencia u a
00:57:15
Á bi a 9
Viana do
Cas elo
31
anos
Casada
1
13 anos
Licencia u a
00:25:05
Á bi a 10
Coimb a
33
anos
Sol ei a
0
19 anos
Mes ado
01:37:52
Á bi a 11
B aga
34
anos
Sol ei a
0
10 anos
Mes ado
01:34:26
Á bi a 12
B aga
27
anos
Casada
1
11 anos
12º ano
00:52:16
Á bi a 13
Po o
30
anos
Sol ei a
0
12 anos
Mes ado
01:36:41
Á bi a 14
A ei o
20
anos
Sol ei a
0
3 anos
12º ano
00:53:27
Á bi a 15
Lisboa
23
anos
Sol ei a
0
1 ano
12º ano
01:24:15
Á bi a 16
Viana do
Cas elo
30
anos
Casada
0
12 anos
Mes ado
01:30:44
24
Á bi a 17
Madei a
22
anos
Sol ei a
0
2 anos
12º ano
01:14:05
Á bi a 18
Lisboa
24
anos
Sol ei a
0
7 anos
Licencia u a
01:16:35
25
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Nes e capí ulo encon a-se a análise e a discussão dos esul ados da in es igação eali-
zada, endo em con a as ês ques ões de pa ida. Es e es udo con ou com a pa icipação de
18 á bi as pe encen es aos di e en es quad os de seis associações dis i ais e da Fede ação
Po uguesa de Fu ebol. As ês g andes emá icas des a análise cen am-se i) nas mo i ações
das mulhe es pa a en e eda em pela a bi agem de u ebol, ii) na disc iminação de géne o e
as di e en es e en es em que pode se pe cecionada e iii) nas expec a i as u u as pa a a
a bi agem eminina de u ebol em Po ugal. Sendo uma disse ação ealizada no âmbi o do
mes ado em Ges ão de Recu sos Humanos, oi dada ambém ele ância a ques ões como a
ges ão de ca ei as das á bi as e a emune ação.
Começa-se po analisa os mo i os ap esen ados pelas en e is adas pa a ing essa em,
man e em ou abdica em da a bi agem de u ebol, de o ma a da espos a à seguin e pe -
gun a de pa ida: Quais são as p incipais mo i ações das á bi as de u ebol?
Logo em seguida, é dado en oque àquilo que es á na o igem da pe sis ência das desi-
gualdades de géne o na a bi agem em Po ugal. P e ende-se pe cebe quais os p incipais
desa ios e obs áculos que as á bi as pe cecionam, com o obje i o de esponde à segunda
ques ão de pa ida: O que es á na o igem (desa ios/obs áculos) da pe sis ência das desigual-
dades de géne o na a bi agem em Po ugal?
E, po im, obje i a-se comp eende quais são as p incipais expec a i as das á bi as
po uguesas em elação ao u u o no que espei a à a bi agem em Po ugal, pa a esponde
à ques ão: Quais as expec a i as em elação ao u u o da a bi agem no eminino?
Des e modo, e endo po base as ês ques ões de pa ida des a in es igação, os dados
ecolhidos nas dezoi o en e is as ealizadas o am o ganizados em ês ca ego ias e espe i-
as subca ego ias, al como ap esen ado seguidamen e na Tabela 3.
Tabela 4: Ca ego ias e Subca ego ias de Análise – G elha de Análise
26
I. Quais são as p incipais mo i ações das á bi as de u ebol?
4.1- Mo i os que le am as mulhe es a ing essa em, con inua em e/ou abandona em
a ca ei a de á bi a de u ebol
II. O que es á na o igem (desa ios/obs áculos) da pe sis ência das desigual-
dades de géne o na a bi agem em Po ugal?
4.2- Desa ios e obs áculos das mulhe es á bi as em Po ugal
4.2.1- Conciliação da ca ei a de á bi a com a ida pessoal e p o issional
4.2.2- P og essão de ca ei a na a bi agem: compa ação com os homens á bi os e
alo ização do mé i o
4.2.3- T a amen o dado às á bi as po pa e dos Jogado es / T einado es /Di igen es
dos clubes / Comunicação social
4.2.4- T a amen o dado às á bi as po pa e do Público (Homens s Mulhe es)
4.2.5- T a amen o dado às á bi as po pa e dos colegas á bi os (Homens e Mulhe-
es)
4.2.6- Assédio (mo al/sexual)
4.2.7- Remune ação
4.2.8- A ealidade geog á ica
27
III. Quais as expec a i as em elação ao u u o da a bi agem no eminino?
4.3 - E olução da a bi agem de u ebol em Po ugal
4.1 Mo i os que le am as mulhe es a ing essa em, con inua em e/ou abandona em
a ca ei a de á bi a de u ebol
A p imei a ca ego ia de análise isa pe cebe o que le a uma mulhe a en e eda po
uma ca ei a an as ezes associada aos homens e a um “mundo de homens” que é o u ebol.
Des e modo, as pa icipan es do es udo o am ques ionadas di e amen e sob e os mo i os
especí icos que as le a am a ing essa na a bi agem de u ebol.
Fo am po elas apon ados á ios mo i os associados à decisão de en e eda pela a bi-
agem, como o gos o pelo despo o, e em mui os casos o gos o especí ico po u ebol, uma
ez que a maio pa e das en e is adas já p a ica a despo o ou es a a ligada a ele, an es de
inicia a ca ei a de á bi a, al como explica Gubby e Ma in (2024), odas as pa icipan es
começa am como jogado as an es de se o na em á bi as com expe iência ele an e.
Os exce os que se seguem são ilus a i os da ligação p é ia das á bi as ao despo o.
“(…) es a a a i a o cu so de despo o e ambém já p a ica a ginás ica e oleibol, e
quando me ala am do cu so pa a á bi os de u ebol, não hesi ei (…)” (Á bi a 3)
Ou a pa icipan e elemb a a sua ealidade:
“Começamos logo desde pequeninos a joga u ebol, o meu pai e o meu i mão ambém
joga am u sal e eu ia e semp e os jogos deles, po que eu ado a a aquilo! En e an o
ainda en amos c ia uma equipa de u sal eminino (…) mas não hou e adesão. En ão,
quando ui pa a a uni e sidade pa a o cu so de despo o, pensei que já e a um bocado
a de pa a con inua a en a joga u sal ou u ebol e su giu a opo unidade de se á -
bi a de u ebol e pensei: é mesmo is o!” (Á bi a 5)
28
Po sua ez, a en e is ada abaixo, menciona especi icamen e o seu gos o pelo u ebol:
“(…) semp e gos ei mui o de u ebol e na al u a anda a no despo o escola e não ha-
iam mui as equipas emininas, ala a-se mui o pouco ou nem se ala a de u ebol e-
minino e eu, en ão, i a a bi agem como uma manei a de ica p óxima da modalidade
(…)” (Á bi a 16)
As pessoas com quem se lida no dia-a-dia ambém são um elemen o de g ande in luên-
cia em mui as á eas e a a bi agem não é exceção. Algumas das en e is adas ealçam a im-
po ância que alguns amilia es, amigos ou conhecidos, nuns casos homens nou os casos mu-
lhe es, i e am no início do seu pe cu so. No exce o abaixo, a en e is ada ala da in luência
de ou a á bi a, pa a inicia o seu pe cu so:
“(…) i e um bocado a in luência de uma á bi a que conhecia, amiga do meu i mão. Ela
insis ia mui o pa a eu expe imen a e oi a pa i daí que udo su giu. Pensei que não ia
gos a , mas ago a ado o is o e não que o deixa !” (Á bi a 4)
Ou a á bi a e idencia a in luência do seu pai:
“O meu pai e e mui a in luência na minha decisão, ele já inha sido á bi o e di igen e.
Eu semp e gos ei de joga e e u ebol, numa das ezes que ui e um jogo de u ebol
na minha e a, su giu a ideia de se á bi a (…)” (Á bi a 7)
Po ou o lado, á ios memb os da amília i e am in e e ência da decisão da en e is-
ada seguin e:
“En ão, a a bi agem su giu na minha ida a a és da minha amília, po que es ou inse-
ida numa amília de á bi os, o meu pai oi á bi o, o meu a ô oi á bi o e o meu io oi
á bi o (…) no malmen e aos domingos quando almoçá amos odos jun os e a semp e
ema de con e sa e oi algo que semp e susci ou a minha cu iosidade e quando inha
29
idade, aos 14 anos, ui i a o cu so de á bi a pa a pe cebe o que é que e a ealmen e
es e mundo.” (Á bi a 10)
No caso da á bi a abaixo, a in luência su giu po pa e de um amigo:
“(…) inha um amigo no secundá io que e a á bi o de u ebol, achei su p eenden e al-
guém i pa a á bi o de u ebol, e i e aquilo e passados já alguns anos, andei a pesqui-
sa pa a e quando começa am os cu sos e decidi i a o cu so de á bi a!” (Á bi a 11)
Tal como ou as á bi as mencionadas an e io men e, a seguin e en e is ada e e in-
luência de um amilia , nes e caso, o io:
“(…) inha um amilia , nes e caso o meu io, que e a á bi o de u ebol, ez pa e dos
quad os da ede ação e no ano que subiu à ede ação, incen i ou-me a i a o cu so de
á bi a e eu decidi expe imen a (…)” (Á bi a 16)
As ques ões mone á ias ambém êm mui a in luência sob e as omadas de decisão,
endo sido um mo i o apon ado po algumas das en e is adas pa a inicialmen e ing essa em
nes a ca ei a. Especi icamen e, o ac o de o cu so pa a á bi os se g a ui o e odos os jogos
se em pagos, is o é, assim que um á bi o e mina o cu so com uma du ação de ce ca de ês
meses e começa a aze jogos, es es são semp e emune ados, mesmo du an e a p imei a e a
segunda época, quando ainda são conside ados es agiá ios. O a o mone á io, aliado às ida-
des mui o jo ens com que no malmen e se inicia a ca ei a e a si uação em que os jo ens se
encon am nessa ase (ge almen e ainda es udam), az com que a a bi agem se o ne a a-
i a. Es es aspe os o am assim explicados pelas seguin es pa icipan es:
“A emune ação ambém con ibuiu pa a a isca na a bi agem, po que quando e a
jogado a e a só despesas, ainda es a a a es uda e algum dinhei o ex a da a mui o
jei o naquela al u a (…)” (Á bi a 11)
Ou a á bi a ambém explica que:
36
“(…) semp e que ejo que há possibilidade, alo com a minha en idade pa onal pa a que
me au o ize a ealiza jogos no ho á io labo al e mui as ezes en o compensa nou as
al u as, a ges ão não é ácil, mas ambém gos o de aze jogos e ac edi o que é impo -
an e demons a alguma disponibilidade na a bi agem, pa a que saibam que podem
con a comigo (…)” (Á bi a 11)
A en e is ada seguin e demons a que em on ade de aze mais jogos, o que nem
semp e é possí el:
“Gos a a de e mais empo pa a aze jogos du an e a semana, mas nem semp e con-
sigo pedi isso ao meu pa ão. Ele a é acha piada ao ac o de eu se á bi a, mas se lhe
peço á ias ezes pa a i aze jogos, sin o que ele não gos a, en ão en o e i a pedi -
lhe mui as ezes, en o aze uma ges ão en e o abalho e a a bi agem (…)” (Á bi a
12)
Po ou o lado, uma das á bi as englobadas no no o p og ama da Fede ação Po u-
guesa de Fu ebol, explica que:
“Ti e a so e de se con idada pa a aze pa e do g upo de seis á bi as escolhidas pa a
es a dedicadas à a bi agem quase a empo in ei o, o que me acili a mui o em e mos
de empo. Ago a consigo i pa a os jogos du an e a semana mais anquila, já não enho
que me p eocupa com o meu abalho. Não é udo ácil, mas nesse aspe o é mui o me-
lho ago a.” (Á bi a 5)
Apesa dos á ios es o ços da Fede ação Po uguesa de Fu ebol pa a p omo e a p o-
issionalização da a bi agem eminina e assim se mais ácil concilia a ca ei a de á bi a com
a ida pessoal, ainda são em núme o mui o eduzido as á bi as que conseguem aze da a -
bi agem uma ocupação p o issional.
4.2.2 P og essão de ca ei a na a bi agem e alo ização do mé i o: compa ação com
os homens á bi os
37
Quando se compa a a ca ei a de homens e mulhe es á bi as, a opinião das en e is a-
das oi mui o semelhan e: de o ma gene alizada, as en e is adas assumem que, a ualmen e,
a p og essão de ca ei a na a bi agem é mais céle e pa a as mulhe es do que pa a os homens,
o que pode se conside ado um “bene ício” que êm compa a i amen e ao géne o masculino.
Conside am que es a ainda é uma ealidade, uma ez que o núme o de mulhe es na a bi a-
gem ainda é mui o eduzido, pelo que se o na mais ácil ascende a pa ama es mais ele ados,
como consegui em subi aos quad os da Fede ação Po uguesa de Fu ebol ou mesmo se em
á bi as in e nacionais.
Apesa de o pe cu so das á bi as não se ácil, acaba po se acili ado pelo eduzido
núme o de á bi as exis en e em Po ugal, compa a i amen e ao núme o de homens á bi os.
Algumas das en e is adas endem ambém a a i ma que es a ealidade pode es a p es es
a al e a -se com o c escimen o do u ebol eminino em Po ugal e consequen e aumen o do
núme o de á bi as. As en e is adas endem a e es e c escimen o como posi i o, uma ez
que pode á ge a mais compe i i idade e esul a num aumen o da qualidade da a bi agem
eminina e maio exigência po pa e dos ó gãos que ge em a a bi agem.
“Bem… o ac o de se mos poucas, ao ní el de subi é mais ácil, sem dú ida, conseguimos
chega mais ápido onde que emos, po que não emos quase nenhuma conco ência. Os
homens p ecisam de lu a mais, mui o mais, pa a consegui chega aos mesmos pa a-
ma es nos quad os masculinos, que nós em pouco empo conseguimos nos quad os e-
mininos (…)” (Á bi a 17)
Da mesma o ma, ou a á bi a a i ma que:
“(…) o ac o de nós se mos menos pode aze -nos sen i -nos alo izadas (…) nes e mo-
men o, uma á bi a que en e pa a o quad o mais baixo do dis i al, se abalha e cum-
p i com os equisi os mínimos exigidos, consegue chega aos quad os da Fede ação
mui o mais ápido do que um homem. (…) Eu, po exemplo, sen i isso na minha associa-
ção. Sen i que consegui subi mui o mais ápido do que os meus colegas homens, no ano
em que subi à Fede ação, basicamen e nem i e conco ência, is o nos homens nunca
acon ecia, pelo menos na minha associação…” (Á bi a 18)
38
Exis em ambém á bi as que conseguem e ou os aspe os posi i os pa a as mulhe es
quando compa adas com os homens, como o ac o de a ualmen e o u ebol eminino es a a
desen ol e -se e c esce conside a elmen e, o que ge a, na opinião des as en e is adas, di-
e sas opo unidades pa a as mulhe es, que há alguns anos se iam impensá eis.
“Nes e momen o es amos a i e uma g ande opo unidade pa a as mulhe es, no sen-
ido do desen ol imen o da mulhe en a no mundo do homem, po que é es e o cami-
nho que a UEFA e a FIFA p e endem que se aça e po isso ab em-se po as e, po exem-
plo, as á bi as in e nacionais po uguesas pode em aze jogos de homens pode se
conside ada uma an agem em elação aos homens, no sen ido em que nós não i emos
que passa po um seminá io pa a se mos ap o adas pa a um quad o e qualque homem
em que passa po um seminá io pa a se ap o ado pa a esse quad o. No caso das mu-
lhe es, só po se mos in e nacionais omos inse idas nesse quad o, i emos que aze as
p o as pa a consegui es a a a ua , mas omos di e amen e inse idas nes e quad o.
Aliás, nós omos ao seminá io, mas a nossa in eg ação nesse quad o não dependia do
seminá io. Es a exceção oi abe a apenas pa a as á bi as in e nacionais, as es an es
êm que aze o mesmo caminho que os homens.” (Á bi a 10)
Ou a en e is ada menciona:
“A ualmen e as mulhe es es ão com mais opo unidades que os homens. Nes e mo-
men o, a Fede ação es á a da opo unidades gigan es pa a as mulhe es alcança em a
ca ego ia dos homens e api a o mesmo que os homens es ão a api a . Na minha opi-
nião, o conselho de a bi agem da Fede ação Po uguesa de Fu ebol que eplica exa-
amen e o que já acon ece nos ou os países (…)” (Á bi a 13)
No que espei a à alo ização do es o ço e mé i o, as opiniões das á bi as di e gem
en e as que êm a pe ceção de que o seu es o ço é alo izado e, po ou o lado, as que sen-
em que o seu es o ço não é ecompensado da melho o ma e endem, po ezes, a compa a
as suas ca ei as com as dos colegas homens. Ou seja, algumas á bi as en endem que a sua
expe iência e mé i o não são alo izados, que po alguns di igen es da a bi agem, que pelo
39
meio do u ebol, que po alguns colegas á bi os, compa a i amen e ao alo que é dado aos
á bi os homens em ci cuns âncias semelhan es.
Segundo Gubby e Ma in (2024) às ezes, as á bi as des acam que o seu oco ao a bi a
é demons a o seu conhecimen o e en endimen o do jogo, não sen em a necessidade de
demons a o quão bem as mulhe es podem a bi a , indicam ainda que a sua p eocupação é
ga an i que as decisões sejam co e as e não pensam na p essão do desempenho especí ico
em unção do géne o.
Pe cebe-se que exis em di e enças nas pe ceções da alo ização do es o ço em unção
dos ní eis em que as en e is adas es ão inse idas. As á bi as nos pa ama es mais ele ados
endem a assumi que o seu es o ço po ezes não é alo izado, mas não se compa am com
os homens, pois nes es pa ama es os quad os são compos os apenas po mulhe es. A endên-
cia nas espos as é de um sen imen o de des alo ização po pa e das en idades da a bi a-
gem, pelo público, e pelo meio do u ebol em si. Es as pe ceções deco em dos eedbacks que
ão ob endo, pela al a de apoio, ou a é pelo p es ígio que não lhes é dado.
“De odo que ainda não emos a mesma isibilidade e acei ação! Em Po ugal, as mu-
lhe es ainda não são is as com no malidade no mundo do u ebol. A é ou ala em
elação aos meus amilia es, eles dizem mui as ezes que o u ebol eminino nem é u e-
bol e que as jogado as nem co em, ou seja, eu sou á bi a e eles es ão a dize -me is o a
mim... Se na nossa amília há pessoas a dize em is o, imaginemos como seja quem não
conhece ninguém ligado ao u ebol eminino. Po an o, as mulhe es ainda não êm
g ande isibilidade e opo unidade. (…) As mulhe es êm que ba alha mui o pa a e em
as opo unidades que me ecem, an o á bi as como jogado as. Felizmen e já há alguns
países que já es ão a aze isso e es ão mui o mais e oluídos (…)” (Á bi a 5)
A á bi a abaixo demons a ambém que:
“(…) mui as ezes ou imos que só emos as no as que emos po que somos mulhe es,
mas não! É po que sabemos o que es amos a aze , es udamos e einamos pa a conse-
gui as no as que emos. E o mesmo em elação às no as que os obse ado es nos a i-
buem, se as conseguimos é po que izemos um bom jogo e me ecemos as no as que nos
dão, não é po se mos apa igas ou se mos as coi adinhas. (…) Nós emos que aze um
40
es o ço semp e maio po que es amos semp e a e que p o a que me ecemos es a
nos luga es que es amos e emos compe ência (…)” (Á bi a 11)
No mesmo seguimen o, ou a en e is ada explica:
“(…) digo is o com alguma is eza, mas não emos as mesmas opo unidades que os
homens e acho que di icilmen e alguma ez amos e … O ac o de os quad os de ho-
mens e mulhe es se em dis in os az com que exis am mui as di e enças. As condições
dadas aos homens não são as mesmas que são dadas às mulhe es, quando alo de con-
dições, e i o-me às condições de eino, de apoio psicológico, de saúde, … que as en i-
dades que egulam a a bi agem, ainda não nos dão da mesma manei a (…)” (Á bi a
16)
Na opinião de algumas en e is adas, a in eg ação dos á bi os homens e mulhe es em
início de ca ei a é di e en e no sen ido em que os homens êm, logo desde início, opo uni-
dades que as mulhe es não êm. Elas a i mam que com as mesmas p o as esc i as e ísicas e
ob endo os mesmos esul ados ou supe io es nesses elemen os a alia i os, são dadas mais
opo unidades aos homens do que às mulhe es:
“(…) Quando es i e na minha p imei a equipa, cons i uída só po mulhe es, sen ia que
ínhamos essencialmen e jogos de escalões in e io es, em compa ação com os colegas
com os mesmos anos de a bi agem.” (Á bi a 1)
Ou a á bi a explica que:
“A minha in eg ação oi di e en e da dos homens, eles semp e i e am mais opo unida-
des do que eu, como po exemplo, quando e a necessá io subs i ui um á bi o mais ex-
pe ien e con ida am os meus colegas homens, que inham i ado o cu so comigo (com
a mesma expe iência que eu) em ez de mim ou de ou as apa igas (…)” (Á bi a 8)
Da mesma o ma, a en e is ada abaixo eco da:
41
“Lemb o-me que quando comecei, a minha in eg ação oi mui o di e en e da dos meus
colegas apazes! ( isos) Enquan o eu inha 1 ou 2 jogos po mês, eles inham mui os
mais, mas eu p óp ia nem me impo a a po que ainda inha eceio de não es a p epa-
ada e na al u a não me impo ei (…)” (Á bi a 10)
4.2.3 T a amen o dado às á bi as po pa e dos Jogado es (as) / T einado es (as)
/Di igen es dos clubes / Comunicação social
Quando se ala em á bi os ou a bi agem de u ebol, o p imei o pensamen o eme e
equen emen e pa a a o ma como es es agen es são a ados, que pelos in e enien es
di e os do u ebol (jogado es, einado es, di igen es), que pelo público e comunicação so-
cial. Tal como e e ido po Balch e Sco (2007), os einado es, jogado es, adep os e meios de
comunicação azem com que os á bi os es ejam cons an emen e con on ados com c í icas.
Segundo P is e (2015), Black e Fielding-Lloyd (2019), os meios de comunicação social
con inuam a se i como canal pa a ansmi i mensagens su is de géne o que banalizam o
desempenho a lé ico das mulhe es, obje i icam os seus co pos e ep oduzem de inições biná-
ias es ei as de eminilidade. Is o a e a não só as mulhe es que jogam u ebol, mas ambém
aquelas que assumem ou os papeis, como di igen es, á bi as e einado as. Quando in es-
igamos essas no ícias, há e idências con incen es que con i mam a p esença de desigualda-
des de géne o p o undamen e en aizadas e du adou as no u ebol (Caudwell, 2011 ; Cla kson
e al., 2019).
No que conce ne ao a amen o po pa e dos jogado es, einado es e di igen es, a
opinião das á bi as é unânime: odas admi em que es es in e enien es en am e maio
cuidado com as mulhe es á bi as, compa a i amen e ao a amen o que é dado aos seus
colegas homens, pelo menos no início dos jogos, depois com o deco e do jogo o a amen o
ai-se ap oximando e o na-se mui o semelhan e, con o me explicam D u y e al. (2022) no
seu es udo, uma á bi a comen ou que os jogado es “podem ocasionalmen e g i a senho ”
ao apela pa a que ela ome uma decisão a seu a o , conside ando mais p eocupan e al ez,
a pe ceção gene alizada de que os homens e am a “no ma” na a bi agem e signi ica a que
as mulhe es inham poucas opo unidades e e am egula men e esquecidas em e mos das
con ibuições que podiam aze .
42
Neil e al. (2013) e D u y e al. (2022) econhecem o abuso so ido po á bi as de u ebol
em elação aos papeis adicionais de gêne o, como seu luga na cozinha desempenhando
unções de "dona de casa".
As en e is adas e e em que com o deco e do jogo, passam a exis i comen á ios
mui o nega i os ambém pa a as mulhe es á bi as, al como o azem com os á bi os do sexo
masculino. Is o sucede nos jogos masculinos, pois nos jogos emininos, as á bi as conside am
que o a amen o é mais iguali á io. Pa a as á bi as, es es in e enien es nos jogos emininos
endem a se mais cuidadosos com as pala as que u ilizam e a e um a amen o mais gen il
pa a com elas.
“(…) no campo, a ní el de jogado es, eles já são assim um bocadinho mais ponde ados
na o ma como êm ala connosco…” (Á bi a 4)
Ou a pa icipan e mani es a que:
“O a amen o não é igual ao dos homens, po mais que nós quei amos igualdade, não
é igual. Os jogado es espei am-nos mais! Den o de campo espei am mais sendo uma
á bi a do que um á bi o, mesmo os einado es, ambém espei am mais uma mulhe ,
pelo menos no a-se que en am azê-lo, mas o público não! O público é mais ag essi o
connosco do que com os á bi os homens (…)” (Á bi a 6)
A en e is ada abaixo ela a a ealidade nos jogos de u ebol eminino:
“Quando são jogos emininos, o a amen o é igual, não sin o qualque dis inção,
mesmo com os meus assis en es homens. No u ebol eminino, já oda a gen e es á ha-
bi uada a lida com homens e mulhe es, oda a gen e nos a a da mesma o ma.” (Á -
bi a 9)
A á bi a seguin e explica a sua expe iência nos seguin es e mos:
“(…) den o de campo nunca sen i mui a di iculdade, pelo con á io, sen i semp e que os
jogado es inham uma manei a di e en e (mais cuidada) de nos abo da , de nos a a ,
43
cla o que há semp e exceções, mas de uma o ma ge al, acei am bem as nossas deci-
sões. E nunca sen i que o ac o de se mulhe me impedisse de aze o meu abalho.”
(Á bi a 18)
Rela i amen e à comunicação social, a pe ceção é de que ainda não é algo mui o discu-
ido, po ou as pala as, as en e is adas indicam que como ainda não é mui o comum ala -
se da a bi agem eminina e discu i -se jogos do u ebol eminino, acabam po não se al os
de g ande esc u ínio e, nos poucos momen os em que se ala das mulhe es á bi as, é maio-
i a iamen e pa a ealça o abalho das á bi as ou pa a mos a as conquis as que se ão
conseguindo a ualmen e. Exemplo dis o é a ecen e no ícia do Jo nal Reco d de 13 de agos o
de 2023, em que uma á bi a ez his ó ia na a bi agem po uguesa ao o na -se na p imei a
mulhe a in eg a a equipa de a bi agem num jogo da 1.ª Liga.
“(…) al ez po o u ebol eminino em Po ugal ainda não e g ande media ismo, apesa
de que cada ez em mais, nós, á bi as, ainda passamos um pouco despe cebidas (…)
as únicas coisas que me eco do de ala em sob e á bi as nos jo nais ou nas ele isões,
oi po e em mulhe es em jogos de homens com alguma ele ância. No malmen e
ou e-se mais ala de á bi as es angei as.” (Á bi a 8)
Ou a á bi a des aca o a amen o a o á el dado pelos ó gãos de comunicação social:
“Acho que as á bi as e as jogado as ainda es ão numa ase de se em p o egidas pela
comunicação social, a é pelas ques ões de disc iminação, hoje em dia não é is o com
bons olhos disc imina uma mulhe , nes e caso. Quando alam é pa a ala coisas boas,
mas ac edi o que com o empo ai muda e a endência é ha e esc u ínio como exis e
a ualmen e com os á bi os do u ebol masculino (…)” (Á bi a 14)
4.2.4 T a amen o dado às á bi as po pa e do público (Homens s Mulhe es)
Nes e aspe o, mais uma ez, a pe ceção das en e is adas é unânime, quando a i mam
que o a amen o dado pelo público aos á bi os em ge al é mui o mau, “ an o os á bi os
44
quan o as á bi as econhecem a di iculdade de lida com o abuso dos espec ado es em com-
pa ação com os jogado es, que eles pa ecem incapazes de egula (De ís-De ís e al., 2021).
O que acaba po não cons i ui uma no idade pa a quem cos uma assis i a jogos de u ebol.
As en e is adas, assumem ambém que esse a amen o é, em mui os momen os, mais in-
sul uoso e ag essi o em jogos onde es ão á bi as a exe ce as suas unções. Comen á ios
sob e a [ al a de] capacidade isiológica ou psicológica ina a das mulhe es pa a a bi a u ebol
masculino de eli e são e u ados e, em úl ima análise, sexis as (Jones & Edwa ds, 2013). No
en an o, as a i mações e bais sob e a capacidade das á bi as de ido ao seu sexo ainda são
p e alen es e i enciadas po á bi as (Fo bes e al., 2015 ; Webb e al., 2021). Exis e a p eo-
cupação de que as mulhe es enham que abalha conside a elmen e mais do que os homens
pa a jus i ica o seu luga no jogo (D u y e al., 2022; G ubb e al., 2023). Es a isão é ainda
mais ilus ada po Reid e Dallai e (2020) que desc e em discu sos de géne o que ap esen am
as á bi as como "incompe en es", acas, inadequadas, desin o madas, inábeis e dóceis, em
con as e com os aços alo izados nos despo os associados à masculinidade, como o ça,
des eza ísica, con iança e asse i idade.
O maio ên ase das á bi as en e is adas ai, no en an o, pa a o a amen o que as
mulhe es do público nos jogos de u ebol lhes dão, que segundo De ís-De ís e al. (2021) am-
bém no seu es udo, oi demons ado que as espec ado as usam linguagem sexis a elacio-
nada aos papeis adicionais de géne o pa a p o a seu alo no domínio do u ebol, domi-
nado pelos homens. Po ezes insul os homo óbicos, bem como ameaças iolen as e sexuais
ambém são i enciados p edominan emen e po á bi as (D u y e al., 2022).
Pelas en e is as ealizadas, pe cebe-se que as mulhe es do público, p incipalmen e
nos jogos masculinos, que sejam de escalões jo ens ou adul os, dão equen emen e um a-
amen o comple amen e desap op iado às mulhe es á bi as.
“(…) nas bancadas ainda há mui a in e io ização ela i amen e às mulhe es den o do
campo, mas ac edi o que com o a ança do empo as coisas ambém ão melho ando.
(…) Mui as ezes nem são os homens a di igi -se a nós, são mais as mulhe es, elas insul-
am-nos. E is o acon ece de mulhe es pa a mulhe es nunca é um pon o posi i o, po que
de íamos se as p imei as a ajuda mo-nos umas às ou as! (…) Incomoda-me p incipal-
men e nos jogos de c ianças, quando uma mãe me diz pa a i pa a casa la a a loiça,
45
pa a i pa a casa a uma , que em casa é que é o nosso luga … Is o sim acaba po se
mui o mau exemplo.” (Á bi a 4)
Ou a á bi a ela a á ias exp essões de que já oi al o:
“(…) já não es á ão mau como quando comecei, po que acho que e a uma coisa no a
na minha zona, mas sim con inua, ( isos) e ainda ai demo a pa a acaba o machismo
po pa e das pessoas. (…) Ainda hoje con inuam a dize pa a i la a a loiça, pa a e
cuidado pa a e se quando chega a casa não enho os chinelos quen es po que en-
quan o u es ás aqui, o eu homem ambém pode es a com mulhe es em casa, a insi-
nua que o meu namo ado me es á a ai enquan o eu es ou no jogo. Também me dizem
mui as ezes que ao domingo de ia es a no shopping ou a pin a as unhas e não num
campo de u ebol, mas aquele comen á io que mais me ene a é o de en ia a bandei a
nou o sí io. En im… são mui os, ica ia aqui o dia odo!” (Á bi a 5)
A á bi a abaixo az e e ência a um dos comen á ios que mais a ma cou:
“(…) a ní el de público, espei am mais um á bi o do que uma á bi a. Dizem-me coisas
ho í eis, mas en o concen a -me no jogo e mui as passam-me ao lado. Mas ape cebo-
me que as mulhe es ainda são pio es, po inc í el que pa eça. São bem pio es! Lemb o-
me de um comen á io que me ma cou, logo no início quando im pa a a a bi agem, de
uma mãe de um jogado que me disse algo como: umas êm pa a aqui com cú, ou as
em com mamas! Na al u a não gos ei nada!” (Á bi a 6)
Ou a en e is ada dá a sua opinião sob e o a amen o a que es ão sujei as:
“No início, sin o que se en am con ola e a a -nos melho po se mos mulhe es, mas
se começa a descamba os nomes são mui o pio es, po exemplo, aos homens chamam
“palhaço”, a nós chamam “pu a”. Mas mesmo quando no início nos a am melho , de
o ma mais cuidada do que com os nossos colegas homens, não me sin o bem, po que
que ia que me a assem igual e não melho só po se mulhe , acabamos po nos sen i
logo condicionadas.” (Á bi a 15)
52
“Há uns anos, acon eceu-me uma si uação mui o cons angedo a, es a a num balneá io
que de den o eu não conseguia e pa a o a, mas que de o a se ia somb as pa a
den o. Na al u a, o público acedeu a essa zona po que pa a sai da bancada passa am
po lá e i a am o os minhas enquan o eu es a a a muda de oupa e a oma banho e
depois pa ilha am essas o os com ou as pessoas. Uma amiga mos ou-me po que sa-
bia que e a eu que es a a naquele jogo, mas como não da a pa a e a minha ca a, não
se conseguia e que e a eu e po que ambém p e e i não mexe naquilo, na al u a, p e-
e i não aze queixa (…)” (Á bi a 1)
Uma das pa icipan es explica como é di ícil lida com alguns compo amen os po pa e
dos colegas:
“(…) já sen i assédio po pa e de colegas á bi os e é mui o complicado, po que depois
es amos no mesmo meio, emos que nos c uza com eles nos einos e às ezes a é em
alguns jogos. (...) En iam-me mensagens que eu sei que são com ou as in enções e como
sei que ou e que es a com ele, às ezes sin o-me na ob igação de esponde . Às ezes
manda-me coisas mesmo inap op iadas! Depois penso, que na p óxima semana já o ou
e no cen o de einos e depois ai se ainda mais cons angedo . Po mui o que eu dê
mui o pa a ás nas mensagens, en ia semp e mais e mais mensagens e depois ico
mesmo cons angida e depois pa ece que não há ol a a da … ( oz angus iada) e p on o
pa ece que se o na um ciclo…” (Á bi a 4)
A en e is ada abaixo e e e uma si uação que a deixou mui o descon o á el:
“Há uns anos, um senho que inha idade pa a se meu pai, na al u a ele ainda e a á bi-
o (…) não sei como, mas esse homem conseguiu o meu núme o e mandou-me uma
mensagem a dize que eu e a mais boni a ao i o do que nas o os e não sei mais o quê…
na al u a i a mensagem e não conhecia o núme o, en ão espondi a dize que não sabia
como conseguiu o meu núme o, mas ag adecia que o apagasse. A pa i daí começou a
des a a -me, a chama -me a ogan e de me da, ens a mania… depois dis o, essa pes-
soa con inuou cons an emen e (mas digo- e, uma coisa que me ia medo) a manda -me
53
mensagens, semp e a manda mensagens e a ameaça -me que se que ia subi na a bi-
agem e ia que ala mais com ele. Quando i aquela mensagem passei-me ( oz de
ai a), ju o- e! Passei-me, iquei cega, que ia i à polícia, disse ao meu namo ado a à
minha amília. Mas depois aconselha am-me a bloquea o núme o dele e a bloqueá-lo
em odos os sí ios possí eis. Foi a única o ma de esol e o assun o!” (Á bi a 13)
4.2.7 Remune ação
A emune ação é conside ada um p oblema pa a odas as en e is adas dos quad os
supe io es, uma ez que nos pa ama es dis i ais não há dis inção en e homens e mulhe es.
É impo an e e e i que nos ní eis supe io es há di e enças en e os mon an es que os ho-
mens e mulhe es au e em, pelo ac o de a ua em em compe ições di e en es. Pa a Ke niski e
Ba bie i (2019) iden i ica am que a des alo ização eminina do u ebol ainda é uma ealidade
e que um dos mo i os pa a isso é po que o u ebol masculino mo imen a uma quan idade de
dinhei o mui o supe io do que o u ebol eminino.
As á bi as a uam ge almen e em compe ições emininas e os á bi os em compe ições
masculinas, pelo que as di e enças na emune ação não se p endem com o ac o de se em
á bi os homens ou mulhe es, mas sim pelo ac o de ha e uma sepa ação e dis inção en e
as compe ições do u ebol masculino e eminino.
Um dos p incipais mo i os pa a as di e enças sala iais dos á bi os que a uam nas com-
pe ições masculinas ou emininas pode es a elacionado com as di e enças que ainda se sen-
em, con o me desc e em D u y e al., (2022) o u ebol masculino e o eminino como "des-
po os undamen almen e di e en es" ou "dois jogos comple amen e di e en es". A jus i ica-
ção pa a essa di e ença es á elacionada com a sensação de que o jogo masculino e a mais
ápido e habilidoso e que o jogo eminino e a mais " espei oso".
Na opinião de algumas á bi as, es a di e ença sala ial ambém se e i ica, na sua maio-
ia, pela pe ceção que êm de que a di e ença emune a ó ia en e as compe ições masculinas
e emininas é demasiado ele ada. De o ma ge al, pa a as á bi as que a uam nos quad os da
Fede ação Po uguesa de Fu ebol, de e ha e dispa idade en e a emune ação dos á bi os
que a uam nas compe ições masculinas e as á bi as que a uam nas compe ições emininas,
mas não ão e idenciada.
54
“Na minha opinião, a emune ação pa a as á bi as, nes e caso, nas compe ições emi-
ninas, de ia aumen a ainda mais, p incipalmen e na Liga BPI, po que os es o ços o a
de campo que as á bi as azem são cada ez mais. (…) o alo de ia ap oxima -se mais,
não de e se pa a já, equipa ado ao u ebol masculino, no en an o não de e ia se ão
desni elado. (…)” (Á bi a 3)
Na mesma linha, ou a á bi a a gumen a:
“Acho no mal nes a ase os homens ecebe em mais do que nós, po que o u ebol emi-
nino ainda em que e olui mui o e o ní el de exigência pa a os homens em ca ego ias
semelhan es ainda é supe io , mas essa di e ença não de ia se ão g ande, apesa do
aumen o no p émio de jogo que i emos es e ano, ainda es amos mui o longe das com-
pe ições masculinas de opo. Mas ambém ac edi o que quando o u ebol eminino i e
ainda mais isibilidade, os alo es de e ão se mais semelhan es.” (Á bi a 8)
A en e is ada que se segue pa ilha da mesma ideia:
“(…) eu comp eendo que o me cado do u ebol masculino dá mui o dinhei o, dá milhões,
ou seja, os á bi os êm que se emune ados como al, mas es amos a ala de uma
di e ença gigan e e que não de ia se ão g ande, di e en e sim, mas nunca ão g ande.”
(Á bi a 13)
Ou a en e is ada e o ça as opiniões an e io es:
“(…) a p incipal di e ença é a ní el mone á io, há uma disc epância eno me en e o opo
da ca ego ia masculina a ní el nacional e o opo da ca ego ia eminina. A di e ença no
alo do p émio é absu do! Faz sen ido ha e di e ença, mas não de ia se ão g ande,
po que na minha opinião o opo do u ebol eminino ainda não es á no ní el que es á o
u ebol masculino, mas es á a ap oxima -se aos poucos, a é em e mos de media ismo.
Os á bi os que a uam no opo do masculino ainda êm mais abalho e p essão do que
as mulhe es de opo, po isso az sen ido que ecebam mais po isso, mas não uma di e-
ença ão g ande (…)” (Á bi a 16)
55
No exce o seguin e, a á bi a explica os mo i os pa a a di e ença não de e se ão
g ande:
“(…) acho bem que exis a di e ença no alo que é pago aos homens pa a as mulhe es,
mas ago a começa a ha e mais compe i i idade nas compe ições emininas, há mais
isibilidade, com a inse ção do VAR, com a exigência que é impos a às á bi as, e udo
mais… po isso, a emune ação de ia aumen a ainda mais na p imei a liga eminina, e
se a p imei a liga c esce, as ou as êm que acompanha esse c escimen o! (…) O u ebol
es á a c esce mui o e a nossa emune ação não es á a acompanha esse c escimen o!
É algo que já emos ba alhado, amos aos poucos...” (Á bi a 18)
4.2.8 A Realidade Geog á ica
Tal como B on enb enne (1996) assegu a, as a i udes dependem das ca ac e ís icas do
ambien e, das ca ac e ís icas das pessoas que pa icipam desse ambien e e das ca ac e ís icas
de pe sonalidade, de endo-se ambém conside a que exis em de e minadas expec a i as de
condu a de um papel que es ão associadas ao pode que a sociedade o nece a esse papel.
No início des e es udo ambém se en endeu que a á ea geog á ica de onde cada á bi a
é o iunda (mais a no e, mais a sul, mais li o al ou in e io do país) pudesse e alguma in lu-
ência na sua pe ceção em elação à disc iminação de géne o. Toda ia, com a ealização das
en e is as, pe cebeu-se que não é a localização geog á ica que coloca mais ou menos desa-
ios às á bi as, is o que aqueles pa ecem es a sob e udo elacionados com as pessoas que
es ão à en e de cada associação, de cada clube, de cada ins i uição ligada ao u ebol.
A localização geog á ica pode e apenas alguma in e e ência na medida em exis em
menos á bi as a a ua em de e minada zona do país, o que az com que o público não es eja
ão habi uado a e mulhe es á bi as. Segundo os es emunhos das en e is adas, es a ques-
ão só pode e alguma (pouca) in luência no público, po que em e mos de apoio nas suas
ca ei as ou acei ação do seu abalho em campo, odas a i mam não ha e in luência da zona
geog á ica.
56
“Sin o semp e que ico pa a ás, endo as mesmas no as que os homens. Temos isso na
nossa associação cla amen e, enho colegas em ca ego ias abaixo que começam logo a
api a senio es e eu não posso api a e es ou numa ca ego ia do nacional, em que aço
as mesmas p o as ísicas que alguns deles. Essa possibilidade só nos é dada se p es a -
mos as p o as de maio esis ência, po an o as p o as das ca ego ias mais al as dos
á bi os aqui no dis i o, enho a pe ei a noção que as minhas colegas de ou os dis i os
não sen em es a di iculdade, pois nas associações delas, é-lhes pe mi ido api a jogos
masculinos do dis i al, mesmo depois de subi aos quad os da Fede ação” (Á bi a 2)
A á bi a seguin e demons a uma ealidade mui o di e en e da an e io :
(…) na minha associação somos mui o poucas mulhe es, en ão no início, as pessoas (pú-
blico) não es a am habi uadas a e apa igas a se em á bi as, como omos quase as
p imei as, eles não es a am habi uados. (…) eu não me posso queixa de al a de apoio
dos meus colegas, nem da minha associação, es ão semp e p eocupados comigo pa a
me en a em ajuda . (…) A minha associação nunca me deixou de lado, semp e que há
jogos impo an es, eu iz! Semp e sen i que me iam da mesma manei a que eem os
homens. Ainda hoje, quando não enho jogo da ede ação, es ou semp e ou quase sem-
p e nomeada pa a aze jogos de hon a na minha associação.” (Á bi a 5)
Ou a en e is ada ela a uma expe iência semelhan e à an e io :
“Na minha associação semp e me de am as mesmas opo unidades que de am aos ho-
mens, nunca sen i que hou esse di e ença. Somos odos a ados igual! Acho que isso
depende mui o dos di igen es, po que sei po algumas colegas, que nas associações de-
las, não é bem assim, não êm a nossa so e, quem es á à en e não lhes dá as mesmas
opo unidades que nos dão aqui, po exemplo, jogos de senio es e depois cla o que isso
ambém az com que nós consigamos e mais expe iência.” (Á bi a 9)
4.3 E olução da A bi agem de Fu ebol em Po ugal
57
Pa a esponde à úl ima ques ão de in es igação (Quais as expec a i as em elação ao
u u o da a bi agem no eminino?), oi essencial ques iona as en e is adas sob e como ima-
ginam a a bi agem no u u o, o que é que elas ac edi am que á acon ece .
As espos as a es a ques ão, mais uma ez, o am conco dan es po pa e de odas as
á bi as en e is adas, uma ez que odas elas êm a pe ceção de que nos úl imos anos o
u ebol eminino c esceu como nunca an es acon eceu em Po ugal e, po consequência, a
a bi agem eminina ambém c esce e e olui. Como já e e ido an e io men e, es e c esci-
men o no u ebol e na a bi agem acaba po anda a pa . Quando ques ionadas em elação
ao u u o, odas são pe en ó ias em a i ma que o caminho ainda é longo, mas que se á ce -
amen e um u u o isonho, com mui o c escimen o e p incipalmen e mui as opo unidades
pa a as á bi as po uguesas. Os exce os abaixo ilus am essa isão posi i a sob e o u u o da
a bi agem.
“(…) Acho que ainda emos um longo caminho pela en e, ainda emos que lu a mui o
pelos nossos di ei os e sob e udo mos a que emos as mesmas capacidades que os
homens. Mas a endência é melho a . O in es imen o no u ebol eminino é cada ez
maio , o que me le a a c e que se á cada ez melho .” (Á bi a 8)
No exce o que se segue, a en e is ada az uma ap eciação desde o início do seu pe -
cu so a é àquilo que pode á se o u u o:
“Tem sido uma e olução mui o p og essi a, po que quando eu en ei as coisas e am
mui o di e en es. (…) Desde há uns anos, em sido um c escimen o eno me! (…) Ac edi o
num u u o bom pa a a a bi agem eminina, com mais opo unidades pa a as mulhe es
no u ebol masculino, com emune ações mais semelhan es, com mui as coisas boas
pa a nós, mulhe es. (…)” (Á bi a 10)
A á bi a que se segue elaciona o c escimen o do u ebol eminino com o c escimen o
da a bi agem eminina:
“Com o c escimen o do u ebol eminino, com alguns exemplos de á bi as es angei as
a a ua nas compe ições dos homens e com o abalho de algumas á bi as po uguesas
58
em ab i caminho, as coisas êm melho ado mui o, po isso o u u o só pode i a se
melho . As men alidades das pessoas no ge al ambém mudam e cada ez nos acei am
mais. Tenho a ce eza que as coisas ão melho a mui o e ão su gi mui as opo unida-
des pa a as mulhe es. (…)” (Á bi a 14)
Segue-se ou o exce o que e idencia um pensamen o semelhan e aos an e io es, ela-
i amen e ao u u o:
“As coisas já êm e oluído, ac edi o que os nossos di igen es, colegas á bi os e mesmo
o público já eem que emos ei o um bom abalho e que somos capazes, coisas que
acon eciam há seis ou se e anos a ás, de du ida em das nossas capacidades, p o a el-
men e hoje não acon ecem, po que ago a e uma mulhe á bi a já é algo mais no mal
e o ac o de ha e jogos emininos a passa na ele isão ambém in luencia po que as
pessoas habi uam-se. (…) Is o es á a começa a c esce , a nossa seleção ambém impul-
sionou mui o isso e o ac o de a nossa ealidade c esce pode aze com que a compe i-
i idade enha a aumen a e as opo unidades ambém. Espe o que daqui a mui os anos
consigamos iguala a ealidade dos homens. ( isos)” (Á bi a 18)
59
5. CONCLUSÃO
Com o supo e da análise e in e p e ação dos esul ados, pe cebe-se que, como em mui-
as ou as á eas, há opiniões dis in as pa a de e minados emas e mais semelhan es pa a ou-
os. P imei amen e, pe cebemos que os mo i os subjacen es à decisão pa a en e eda pela
ca ei a de á bi a podem se á ios, mas os que se des acam são: a in luência de amilia es,
amigos e conhecidos, uma ez que incu em esse gos o ou pelo menos despe am a cu iosi-
dade pela a bi agem. Ou o mo i o mui o apon ado pa a o ing esso po es a ca ei a é o
gos o pelo despo o, em pa icula pelo u ebol. Com equência, a al a de opo unidade pa a
joga u ebol, que seja po não exis i em mui as equipas emininas ou po simplesmen e já
não aze sen ido pa a elas joga em, az com que ejam na a bi agem um meio pa a se man-
e em ligadas ao despo o que gos am. O es udo e ela ainda que um dos p incipais mo i os
pa a as mulhe es en e eda em pela a bi agem p ende-se com ques ões inancei as. O ac o
de o cu so se g a ui o e começa -se logo a ecebe algum dinhei o nos p imei os jogos ajuda
a que op em po es e pe cu so e mui as ezes (p incipalmen e no início de ca ei a), az com
que se man enham na a bi agem.
A maio pa e das á bi as a i ma que a a bi agem su giu comple amen e po acaso nas
suas idas e que odos os mo i os an e io men e mencionados podem e in luenciado na
decisão an o de ing essa no cu so pa a á bi os, como depois pa a se man e em na a bi a-
gem.
Ao longo da ca ei a, as á bi as e e em sen i alguns obs áculos, ha endo pe ceções
di e en es ela i amen e a es es. En e os p incipais obs áculos apon ados con am-se as ques-
ões elacionadas com a conciliação da ca ei a de á bi a com a ida pessoal e p o issional,
uma ez que êm que concilia a sua p o issão com um al o ní el de endimen o na a bi a-
gem. Associado a es a exigência, ac esce ainda o ac o de algumas en e is adas que e em
se mães e es a em p esen es na ida dos seus ilhos e da sua amília. O que, na opinião de
mui as en e is adas, o na a ca ei a de uma á bi a mui o di ícil.
Ou o g ande obs áculo, que algumas á bi as a i mam ainda sen i , são as di e enças
que ainda pe sis em no que espei a à alo ização do es o ço e do mé i o, quando compa a-
das com os homens, p incipalmen e no início da ca ei a. Mui as a i mam que sen i am/sen-
60
em que mui os colegas p e e em aze equipas com homens po que con iam mais no aba-
lho de colegas homens, o que, no início, az oda a di e ença na sua in eg ação e nas opo u-
nidades que ão su gindo.
Pa a as á bi as, os maio es desa ios que encon am ao ní el da disc iminação de géne o
são o a amen o in e io dado p incipalmen e po pa e do público e de alguns colegas á bi-
os e a ques ão das di e enças na emune ação.
Quan o ao a amen o dado pelo público, um aspe o sublinhado p ende-se com as mu-
lhe es que es ão no público, is o que odas as á bi as a i mam que os comen á ios dos ho-
mens são maus, mas os que êm das mulhe es são pio es e incomodam mais, p ecisamen e
po se em e e uados po ou as mulhe es. A a és das en e is as consegue pe cebe -se
mui o cla amen e a mágoa das en e is adas, pela o ma como es as exp essam de e mina-
dos insul os e exp essões p o e idas po mulhe es do público. Rela i amen e ao a amen o
dado po alguns colegas, embo a sejam a os os casos ela ados, e i ica-se que, quando acon-
ecem, deixam as á bi as em si uações cons angedo as, de ido à pe da de au o idade pe-
an e os jogado es, equipas écnicas e público, o que cons i ui um desa io a se comba ido
pa a odas as que, em algum momen o, já sen i am es e a amen o po pa e de colegas
homens.
Rela i amen e às di e enças na emune ação, é no ó ia uma plena acei ação de uma
ce a di e ença de alo es, po pa e de odas as á bi as, po di e sos a o es, como a maio
exposição mediá ica e a di e ença nos in es imen os inancei os, mas cla amen e não en en-
dem uma di e ença ão díspa no que conce ne aos alo es au e idos nas compe ições emi-
ninas ela i amen e às compe ições masculinas. Es e aspe o o na-se um desa io pa a as á -
bi as, na medida em que assumem se uma lu a di ícil, endo em con a as ealidades ainda
ão dis in as en e o u ebol eminino e o u ebol masculino.
Pa a inaliza es e es udo, en endeu-se ele an e analisa as expec a i as das á bi as
ela i amen e à e olução u u a da a bi agem de u ebol no eminino e en ende-se acil-
men e que odas as á bi as êm a pe ceção de que a a bi agem eminina acompanha semp e
o u ebol eminino, e como al, o c escimen o nos úl imos anos em sido e iden e e pe spe-
i a-se que esse c escimen o acele e ainda mais. Assim, é cla o um sen imen o o imis a de
espe ança na a bi agem eminina, que se aduz no seu c escimen o, e olução, num maio
in es imen o e num aumen o de compe i i idade, o que po sua ez, espe a-se, que ambém
a á mais qualidade à a bi agem.
61
Uma das p incipais limi ações sen idas ao longo des e es udo de eu-se ao con ac o com
as á bi as, pois nem odas se mos a am disponí eis, que pela escassa disponibilidade de
empo, que pela elu ância pa a ala sob e a a bi agem e a disc iminação de géne o que
pode ia es a associada à mesma. Ou a limi ação sen ida oi a di iculdade no acesso a in o -
mação especí ica sob e a a bi agem em Po ugal, como a di isão das ca ego ias de á bi os,
pois es a in o mação encon a-se disponí el apenas a a és da legislação pa a p omoção e
desp omoção dos á bi os, pelo que oi necessá io en a encon a odas as ca ego ias de
á bi os exis en es pa a as ag upa .
O p esen e es udo p ocu ou con ibui pa a o conhecimen o exis en e sob e a a bi a-
gem eminina em Po ugal, p opo cionando aos agen es da a bi agem e às p óp ias á bi as
uma isão do es ado a ual da a bi agem em Po ugal. A pa i das opiniões e pe ceções das
p incipais agen es da a bi agem em Po ugal, que são as á bi as, é possí el, aos di igen es
despo i os, se assim o en ende em, oma decisões u u as mais in o madas ao ní el da o -
mação, do apoio especí ico às á bi as e das in e enções necessá ias pa a edução da disc i-
minação e do p econcei o. Ou seja, uma a uação mais enquad ada na ealidade a ual da a bi-
agem eminina po uguesa.
No que conce ne ao impac o social des e abalho, ac edi a-se que o mesmo chama à
a enção pa a a impo ância da p esença eminina em papéis de au o idade no despo o, po-
dendo in luencia mudanças sociais, como a p omoção de uma no a isão e a inspi ação de
u u as ge ações no despo o. Além da maio isibilidade, o es udo pode á con ibui
pa a uma maio alo ização e espei o pelo papel das á bi as, an o en e a le as quan o en-
e o público, incen i ando uma cul u a de espei o e igualdade em ambien es compe i i os.
Ao ecolhe e analisa dados sob e as ba ei as, desa ios e a anços en en ados pelas mulhe-
es num despo o his o icamen e dominado po homens, ampliando o conhecimen o sob e a
desigualdade de géne o, o es udo pode á es imula a o mulação de polí icas pa a p omo e
uma maio igualdade no despo o.
Ao ní el académico, es e abalho de in es igação pode á inspi a ou os es udos em
á eas semelhan es, como o papel das mulhe es nou as unções no despo o (como einado-
as, ges o as despo i as, e c.) e o impac o da sua pa icipação na pe ceção pública e no de-
sen ol imen o de p á icas inclusi as.
Es e es udo pode á ambém se u ilizado nou os abalhos académicos u u os, po-
dendo se mais ap o undado, sob e udo ao ní el da legislação em igo no que conce ne à
68
Jones, C., & Edwa ds, L. (2013). A mulhe de p e o: Expondo c enças sexis as sob e á bi as no
u ebol masculino de eli e. Espo e, É ica e Filoso ia ,7(2), 202–216. Consul ado em
11/08/2024, disponí el em h ps://doi.o g/10.1080/17511321.2013.777771
Jo nal i (2024). Fu ebol. FPF que melho es condições de abalho pa a mulhe es á bi as.
Consul ado em 11/06/2024, disponí el em h ps://ionline.sapo.p /2024/01/23/ u e-
bol- p -que -melho es-condicoes-de- abalho-pa a-mulhe -a bi as/
Jo nal Reco d de 13 de agos o de 2023. Á bi a And eia Sousa az his ó ia no u ebol po u-
guês. Consul ado em 10/09/2024, disponí el em h ps://www. eco d.p / u ebol/a bi-
agem/de alhe/a bi a-and eia-sousa- az-his o ia-no- u ebol-po ugues
Ke niski, M. & Ba bie i, A. (2019). O Fu ebol depois da louça la ada: Re lexões sob e o eco-
nhecimen o social do u ebol eminino no B asil. Re is a Ciência é minha p aia. Con-
sul ado em 30/08/2024, disponí el em h ps:// e is as.i p .edu.b /in-
dex.php/cemp/a icle/ iew/506/1299
Kim, M., & Hong, H. (2016). Um ca ão e melho pa a as mulhe es: á bi as condenadas ao
os acismo no u ebol sul-co eano. Asian Jou nal o Women's S udies ,22(2), 114–130.
Consul ado em 10/08/2024, disponí el em
h ps://doi.o g/10.1080/12259276.2016.1168156
Li o das Leis de Jogo 2024/25. (2024). In e na ional Foo ball Associa ion Boa d. Consul ado
em 11/06/2024, disponí el em h ps://www. p .p /p /Ins i ucional/A bi agem/Re-
g as-e- egis o-de-in e esses
Lou o, G. L. (2008). Géne o e Sexualidade, Pedagogias Con empo âneas. Re is a P oposições,
. 19, n. 2 (56), maio/ago. 2008 (pág 22 e 23).
Lune a, A. & Gue a, R. (2023). Me odologia da Pesquisa Académica e Cien í ica. REVISTA
OWL (OWL Jou nal). Consul ado em 16/08/2024, disponí el em h ps://zenodo.o g/ e-
co ds/8240361
69
Mes e, B. (2015). Sob e o concei o de disc iminação – uma pe spe i a con ex ual e compa-
ada. Uni e sidade Ca ólica Po uguesa, 382
Neil, R., Bays on, P., Han on, S., & Wilson, K. (2013). A in luência do es esse e das emoções
na omada de decisões dos á bi os de u ebol de associação'. Spo and Exe cise
Psychology Re iew ,9(2), 22–41. Consul ado em 05/06/2024, disponí el em
h ps://doi.o g/10.53841/bpssep .2013.9.2.22
Oli ei a, M. C., O be elli, R., & Ne o, T. L. B. (2011). Call Accu acy and Dis ance om he Play:
A S udy wi h B azilian Socce Re e ees.
ONU. (2009). Decla ação Uni e sal dos Di ei os Humanos. Consul ado em 11/06/2024, dispo-
ní el em h ps://nacoesunidas.o g/wpcon en /uploads/2018/10/DUDH.pd
P is e , G. (2015). Assessing he sociology o spo : On women and oo ball. In . Re . Sociol.
Espo e 50, 563–569. doi: 10.1177/1012690214566646
Pe nas, G., Fe nandes, M. V., & Gue ei o, M. (2008). Guião pa a a Implemen ação de Planos
de Igualdade nas Emp esas. Comissão pa a a Cidadania e Igualdade de Géne o. Lisboa.
Poma , C. (2006). O Géne o na Educação Física. Pe ceções de alunos e alunas do 1º e 2º ciclo
do ensino básico. (Dou o amen o), Uni e sidade de É o a, É o a.
Po ugal Foo ball Obse a o y, da Fede ação Po uguesa de Fu ebol. Consul ado em
16/08/2024, disponí el em h ps://indd.adobe.com/ iew/ab00d1ae-10d8-4bce-
a2db-a5b 81d5c6 b
PORDATA (2020). Consul ado em 10/09/2024, disponí el em h ps://p od2.po -
da a.p /?_gl=1*p d o9*_ga*MTgzDYzNzg1Mi4xNzMwMjQ3OTY1*_ga_HL9EXBCVBZ*
MTczMDI0Nzk2NC4xLjEuMTczMDI0ODAxMy4xMi4wLjA.
70
P og ama do XXIV go e no (2024). Consul ado em 05/10/2024, disponí el em
h ps://www.po ugal.go .p /gc24/p og ama-do-xxi -go e no-pd .aspx
Qui y, R. & Campenhoud , L. (1998), Manual de In es igação em Ciências Sociais, G adi a Pu-
blicações, Lisboa;
Regulamen o de a bi agem de 2024/2025. Consul ado em 05/06/2024, disponí el em
h ps://www.ligapo ugal.p /p /paginas/con eudos/es a u os-e- egulamen os/
Reid, K., & Dallai e, C. (2020). 'Gos a ia de pensa que sou uma boa á bi a': Discu sos de ha-
bilidade e a subje i idade da á bi a de u ebol em On á io (Canadá). Fu ebol e Socie-
dade ,21(7), 762–777. Consul ado em 10/09/2024, disponí el em
h ps://doi.o g/10.1080/14660970.2020.1742705
Ribei o, P. R. C. & Soa es, G. (2013). As iden idades de gêne o. In: Ribei o, P. R. C. QUADRADO,
R. (O g.). Co pos, Gêne os e Sexualidades: ques ões possí eis pa a o cu ículo escola .
3. ed. Rio G ande: Edi o a da FURG.
Righe o, C. (2016). Á bi os: ilões e/ou mediado es do espe áculo? 2016. 191 . O ien ado a:
Heloísa Helena Baldy dos Reis. Disse ação (Mes ado em Educação Física) – Uni e si-
dade Es adual de Campinas, Faculdade de Educação Física, Campinas.
Righe o, C. & Reis, H. H. B. (2017). Os á bi os de u ebol e a mídia espo i a: a in e p e ação
de á bi os paulis as sob e os comen á ios da mídia ace ca do abalho da equipe de
a bi agem. Mo imen o, . 23, n. 1, p. 281-294.
Salgado, J. M. (2024). ENTREVISTA A BOLA «Um á bi o ganha, po no ma, en e os 5 mil e os
6 mil eu os b u os po mês». Jo nal a Bola. Consul ado em 20/10/2024, disponí el em
h ps://www.abola.p / u ebol/no icias/um-a bi o-ganha-po -no ma-en e-os-5-mil-
e-os-6-mil-eu os-b u os-po -mes-2024061922164053867
Sell iz, C. & Jahoda, M. (1965). Fo ma o: Li o. Idioma: Po uguês. Publicado em: He de ; USP.
71
Sil a, A. I. & Añes, C. R. R. (2008). O á bi o de u ebol - uma abo dagem his ó ico-c í ica. A -
icle in Re is a da Educação Física/UEM. Consul ado em 16/08/2024, disponí el em
h ps://www. esea chga e.ne /publica ion/277234542_O_ARBITRO_DE_FUTEBOL_-
_UMA_ABORDAGEM_HISTORICO-CRITICA
Sil a, F. F. & Magalhães, J. C. (2013) Descoladas, di e idas, a e idas e di e en es: discu indo
ep esen ações de géne o. In: Co pos, Géne os e Sexualidades: ques ões possí eis
pa a o cu ículo escolas. O ganizado po : RIBEIRO, P. R. C. e QUADRADO, R. P.; 3ª edi-
ção. Rio G ande: Edi o a da FURG, p. 30 – 34.
S emle , S. (2001). An o e iew o con en analysis. P ac ical Assessmen , Resea ch & E alua-
ion, 7(17). Consul ado em 05/06/2024, disponí el em h ps://openpublishing.li-
b a y.umass.edu/pa e/a icle/1376/galley/1327/ iew/ (Acedido a 16 de agos o de
2024).
S impson, J. (2020). Descub a como ajudamos a aumen a o núme o de á bi as em 72 po
cen o desde 2016. The FA. Consul ado em 16/06/2024, disponí el em
h ps://www. he a.com/news/2020/jun/03/gameplan- o -g ow h- e e eeing-030620
Va gas, M. S. C. (2022). Gende S e eo ypes. A S udy in Adolescen s. Cuba: Facul ad de Cien-
cias de la Educación Uni e sidad de Las Tunas
Vicen e, Lúcia. (2019). Feminismo de A Se . Lisboa, Po ugal: Penguim Random House.
Wall, K., Cunha, V., A alaia, S., Rod igues, L., Co eia, R., Co eia, S. V., & Rosa, R. (2016). Li o
B anco: Homens e Igualdade de Géne o em Po ugal. Lisboa: Comissão pa a a Igual-
dade no T abalho e no Emp ego.
Webb, T., Go czynski, P., O adeh-Moghada, S., & G ubb, L. (2021). Expe iência e cons ução
de saúde men al en e á bi as de u ebol emininas inglesas. The Spo s Psychologis
72
,35(1), 1–10. . Consul ado em 16/08/2024, disponí el em
h ps://doi.o g/10.1123/ sp.2020-0086
73
APÊNDICES
Apêndice 1 - Guião da en e is a
Nome:
Idade:
Es ado Ci il:
Fo mação Académica:
Ca ego ia:
Região do País (Dis i o):
• As á bi as de u ebol sen em-se disc iminadas?
• Quais são os p incipais mo i os de disc iminação de géne o na a bi agem de u ebol
em Po ugal?
• A que se de e a pe sis ência das desigualdades de géne o na a bi agem, al como
documen ado na li e a u a?
• Quais são os p incipais desa ios e obs áculos que as á bi as en en am?
• O que em indo/pode se ei o no sen ido de al e a al si uação?
Pa e 1: Ques ões ge ais sob e o pe cu so da en e is ada (início, mo i os, desa ios)
1- Gos a ia que me alasse(s) sob e como su giu a a bi agem na ua ida. Ou seja, a
ideia/in enção de se á bi a de u ebol.
2- Já p a ica as algum despo o an es de se á bi a? Se sim, qual?
3- O que é que con ibuiu pa a a decisão de se á bi a? (Deixa que as en e is adas
disco am sob e as suas azões. Se e en ualmen e não oca em alguns aspe os essenciais, en-
ão in oduzi ques ões mais especí icas, como):
3.1. Já conhecias alguém ligado à a bi agem, nomeadamen e alguma mulhe á bi a?
Que in luência é que e e no eu pe cu so?
4- Pode(s) ala -me sob e como oi o início do pe cu so na a bi agem e os g andes de-
sa ios e obs áculos encon ados? Podes da exemplos?
4.1. Como esol es e aquelas si uações?
74
Pa e 2: Ques ões de disc iminação de géne o/Desa ios e obs áculos
5- Du an e a ca ei a, que si uações/momen os são/podem se pa icula men e desa i-
an es ou coloca cons angimen os pelo ac o de se (es) mulhe ? (Se elas não se lemb a em,
da exemplos como a cons i uição de equipa, núme o de jogos, nomeação pa a jogos com
mais qualidade).
5.1. Em que medida a ua in eg ação oi di e en e da dos colegas homens?
6- Como é que as mulhe es á bi as são a adas po pa e dos á ios in e enien es no
u ebol (jogado es (as), einado es, di igen es, público...). Em que é que o modo como são
a adas se dis ingue do a amen o dado aos homens á bi os?
6.1. E no eu caso em pa icula ? Como sen es que és a ada? ( epe i os in e enien-
es).
7- Qual a ua pe ceção ela i amen e à alo ização da expe iência/mé i o como á bi a
compa a i amen e à expe iência de um homem? Que di e enças podem se apon adas ou
como se exp essam essas di e enças?
8- Em que medida as mulhe es á bi as pode ão, em de e minados momen os, sen i -
se in e io es aos homens? Pode(s) conc e iza , exempli ica ?
8.1. E no eu caso conc e o?
9- Em que medida as mulhe es á bi as podem se bene iciadas em elação aos homens?
Pode(s) conc e iza , exempli ica ?
9.1. E no eu caso conc e o?
10- Em algum momen o sen is e disc iminação da pa e de algum colega eu á bi o?
Explica em que ci cuns âncias. E como eagis e?
11- O que achas da a ual legislação/ egulamen os em igo na a bi agem e como é que
es a p omo e a igualdade de géne o?
12- (Ques ão apenas pa a á bi as de ca ego ia nacional e in e nacional) O que pensas
sob e a emune ação dos/das á bi os/as no que conce ne aos jogos emininos e masculinos?
13- Tens conhecimen o de si uações de assédio na a bi agem po pa e de colegas com
mais expe iência na a bi agem ou di igen es? Se sim, podes explica o que acon eceu?
13.1. E no eu caso, alguma ez os e desse ipo de comen á ios e compo amen os as-
sediado es? Se sim, em que ci cuns âncias e qual a ua eação?
75
14. Na ua opinião, o que mudou ao longo do empo na a bi agem no que diz espei o
às ques ões de géne o?
Pa e 3: O u u o na a bi agem eminina e suges ões de mudança
15- Como imaginas o u u o pa a as mulhe es na a bi agem?
16- Se i esses a opo unidade de al e a algum aspe o na a bi agem o que al e a as?
Po exemplo, egulamen os das en idades esponsá eis, legislação go e namen al, emune-
ação? No caso especí ico do géne o, que suges ões a ias pa a p omo e a igualdade en e
homens e mulhe es?
Apêndice 2 - Email En iado ao Conselho de A bi agem da Fede ação Po uguesa de
Fu ebol
Liliana Almeida <[email p o ec ed]>
quin a, 04/05/2023, 22:11
pa a A bi agem, Fon elas, Ana
Boa a de,
Es ou nes e momen o, a desen ol e a minha disse ação pa a conclusão do Mes ado
em Ges ão de Recu sos Humanos, cujo ema é "A Desigualdade de Géne o na A bi agem de
Fu ebol: Um con ibu o empí ico pa a a ealidade po uguesa". A minha escolha ecaiu sob e
es e ema pelo ac o de exis i em ão poucos es udos académicos sob e a a bi agem e ainda
em meno núme o sob e a a bi agem eminina. O obje i o passa sob e udo po pe cebe
quais as di iculdades sen idas pelas á bi as e mos a que a a bi agem é mui o mais do que
aquilo que oda a gen e ê em campo, man endo semp e uma isão posi i a da classe.
A minha amos a pa a o es udo i á basea -se em en e is as a ce ca de 30 á bi as. (8
á bi as in e nacionais - á bi as e á bi as assis en es; 7 a 10 á bi as das ca ego ias CF1 e
CF2; e 10 a 12 á bi as de ca ego ias dis i ais). Nes e sen ido, enho po es e meio, solici a
76
a ossa au o ização pa a en e is a á ias colegas á bi as das ca ego ias espei an es à Fe-
de ação Po uguesa de Fu ebol.
Se p ecisa em de mais in o mações da minha pa e, encon o-me ao osso in ei o dis-
po .
Fico a agua da a ossa espos a céle e.
Cump imen os.
Liliana Almeida
Apêndice 3 - Email com espos a a i ma i a do Conselho de A bi agem da Fede ação
Po uguesa de Fu ebol
Fon elas Gomes <[email p o ec ed]>
quin a, 10/05/2023, 19:06
pa a mim, A bi agem, Ana
Boa a de,
Au o izada.
José Fon elas Gomes