Dinâmicas territoriais e poderes na região de Braga entre a Antiguidade Tardia e a Idade Moderna
Abstract
O trabalho que se apresenta pretendeu definir as linhas gerais do povoamento na região de Braga entre a Antiguidade Tardia e a Idade Moderna, com recurso à análise dos dados arqueológicos, documentais e paleoambientais disponíveis, de acordo com os pressupostos teórico-metodológicos da Arqueologia da Paisagem e da Arquitetura. O final do Império Romano do Ocidente, teve repercussões na região bracarense, à semelhança de outras regiões do Império, designadamente ao nível da propriedade fundiária e das dinâmicas inerentes à coexistência das populações galaico-romanas e de elementos germânicos. Estes povoadores provenientes de outras regiões passaram a marcar presença na região, organizados politicamente sob a égide do Reino Suevo e posteriormente incorporados no Reino Visigodo. A principal evidência desta coexistência, ao nível do povoamento, foi a manutenção de núcleos de povoamento de origem romana tardia, com outros elementos ocupados previamente. Não conseguimos, com clareza, estabelecer uma relação de continuidade para estes locais. Os dados que atualmente dispomos da ocupação muçulmana na Península Ibérica, levam à conclusão de que terá provocado uma desestruturação e diminuição da população que, paulatinamente, se foi reorganizando em torno de locais fortificados de tipologias diversas, iniciando a ocupação plena das áreas de vale, à medida que as condições de segurança e condições climatéricas foram propiciando um aumento exponencial da população. Este povoamento, que se parece estabelecer entre finais do século XI e inícios do século XII, é o que vai definir, em traços gerais, toda a estrutura do povoamento medieval, sendo assinaláveis apenas algumas supressões de paróquias, reorganização/diminuição dos conjuntos monásticos e algumas alterações de pertença a circunscrições territoriais, essencialmente nas zonas limítrofes da região em estudo. O modelo de povoamento medieval vai continuar, durante a Idade Moderna, reduzindo-se substancialmente, a partir do século XV, os conjuntos monásticos efetivamente ocupados, pese embora se mantenham as circunscrições territoriais de época anterior. Em traços gerais, a evolução da paisagem e do povoamento bracarense não pode ser dissociada do surgimento e afirmação da arquidiocese de Braga e dos seus arcebispos, enquanto principais detentores do poder e proprietários fundiários da região, e da longa dinâmica de afirmação e consolidação durante a Idade Média e Moderna, que resultou na quase inexistência de entidades concorrentes, sendo a exceção mais relevante, o couto de Tibães.