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Dinâmicas territoriais e poderes na região de Braga entre a Antiguidade Tardia e a Idade Moderna

Andrade, Francisco José Silva de

Abstract

O trabalho que se apresenta pretendeu definir as linhas gerais do povoamento na região de Braga entre a Antiguidade Tardia e a Idade Moderna, com recurso à análise dos dados arqueológicos, documentais e paleoambientais disponíveis, de acordo com os pressupostos teórico-metodológicos da Arqueologia da Paisagem e da Arquitetura. O final do Império Romano do Ocidente, teve repercussões na região bracarense, à semelhança de outras regiões do Império, designadamente ao nível da propriedade fundiária e das dinâmicas inerentes à coexistência das populações galaico-romanas e de elementos germânicos. Estes povoadores provenientes de outras regiões passaram a marcar presença na região, organizados politicamente sob a égide do Reino Suevo e posteriormente incorporados no Reino Visigodo. A principal evidência desta coexistência, ao nível do povoamento, foi a manutenção de núcleos de povoamento de origem romana tardia, com outros elementos ocupados previamente. Não conseguimos, com clareza, estabelecer uma relação de continuidade para estes locais. Os dados que atualmente dispomos da ocupação muçulmana na Península Ibérica, levam à conclusão de que terá provocado uma desestruturação e diminuição da população que, paulatinamente, se foi reorganizando em torno de locais fortificados de tipologias diversas, iniciando a ocupação plena das áreas de vale, à medida que as condições de segurança e condições climatéricas foram propiciando um aumento exponencial da população. Este povoamento, que se parece estabelecer entre finais do século XI e inícios do século XII, é o que vai definir, em traços gerais, toda a estrutura do povoamento medieval, sendo assinaláveis apenas algumas supressões de paróquias, reorganização/diminuição dos conjuntos monásticos e algumas alterações de pertença a circunscrições territoriais, essencialmente nas zonas limítrofes da região em estudo. O modelo de povoamento medieval vai continuar, durante a Idade Moderna, reduzindo-se substancialmente, a partir do século XV, os conjuntos monásticos efetivamente ocupados, pese embora se mantenham as circunscrições territoriais de época anterior. Em traços gerais, a evolução da paisagem e do povoamento bracarense não pode ser dissociada do surgimento e afirmação da arquidiocese de Braga e dos seus arcebispos, enquanto principais detentores do poder e proprietários fundiários da região, e da longa dinâmica de afirmação e consolidação durante a Idade Média e Moderna, que resultou na quase inexistência de entidades concorrentes, sendo a exceção mais relevante, o couto de Tibães.

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II II DIREIT OS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DE TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terc eiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexo s. Assim, o presen te trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo in dicada. C aso o utilizador necess ite de permiss ão para poder fazer um u so do traba lho em condiçõ es não previstas no licenciamento indicado , deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utiliz adores deste trabalh o Atribuição-Nã oComercial -SemDe rivações CC BY- NC - ND https://creativecom mons.org/lic enses/by- nc -nd/4.0/ III Agradecimentos Este trabalho de investigação, para além de uma dose considerável de dedicação também contou com o apoio de dive rsas pessoas e instituições que , direta ou indiretament e, contribuíram para a s ua concretização. Em primeiro lu gar gostaria de ag radecer à professora Manuela Martins pela orientação at enta e pelos esclarecimentos diligentes. Efetivamente, a atenção que s empre me foi dispen sada, desde que nos conhecemos, foi fundamental para o meu percu rso na investiga ção . Também estou grato à Doutora Rebeca Blanco Rotea, que desde que foi con vidada a acompanhar- nos n este desafio, demon strou uma m ilitância inc ansável. Por vezes, n os momen tos mais inesperados, surgem pessoas que se m ostram provi denciais para o pr osseguimento dos desafios a que nos propomos . O reconhecimento à equipa de orientação terá que contar com o incontornável agradecimento à profess ora Maria do Carmo Ribeiro. De facto , a amabilidade com que aceitou auxiliar neste desafio, foi fundamental para o prosseguimento dos trabalhos. Devo -lhe o agradecimento pelo apoio aca démico e institucional, pelas condições que pr oporc ionou, enquanto orientadora e dirig ent e da Unidade d e Arqueologia da Universidade do Minho. É nessa instituição que eu tenh o vindo a desenvolver a minha atividade profissional, desde que me licenciei, no longínqu o ano de 2003. Gostaria ainda de ag radecer à Sílvia Maciel, pelo apoio desinteressado e pelo forneciment o de parte da base cartográfica que usámos. Gostaria ainda de agradecer ao João Fonte, pelas sugestões de cartografia e pela partilha de parte dos seus con heciment os em SIGs. O reconhecimento aos intervenientes na pros secução d o meu pe rcurso de investigação doutoral, não ficaria completo, sem que mencionasse o papel que os meus colegas e dirigent es da UAUM, atuais e passados, tive ram no processo de de senvolvimento profissional que de sembocou na con clusão desta tese. Neste sentido, recordo Francisco Sa nde Lemos, Luís Fontes, Alfredo Barbosa, Alexan drina Alves, Ana Roriz, A ndré Machado, Belisa Pereira, Bruno O sório, C ândido Semelhe, Clara Rodrigues, Cristina Braga, Cristina Gu imarães, David Mendes, Diego Ma chado, Eurico Machad o, Fer nanda Magalhães, Filipe Queijo, Guilhermina B onjardim, Hélder Lemos, Jorge Ribeiro, José Abraão Pires, Julian a Silva, Lara Alves, Letícia Ruela, Luís C outinho, Luís Ma rado Moreira, Luís Silva, Mafalda Alves, Mário Piment a, Ma urício Guerreiro, Miguel Carneiro, Natália Botica, Paulo Bernardes, Pedro Silva, Pedro Xavi er, Raquel Sambade, Ricardo Silva, Rogério Eustáqu io, Sofia Catalão, Sofia Figueiredo, Sofia Silvéri o. Perdoem -me os que n ão são mencionados, mas a jornada já vai longa e foram muitas as pes soas com que me cruzei. IV Seguramente que do rol elencad o, algumas das pessoas t erão mais ou menos con sciência do papel que desempenharam, mas, apesar de a participação no meu percurso ter sido dif erenciada , a partilha de experiências foi enriquecedora. À Fernanda Magalhães gostaria de agradecer a oportunidade de participar em algumas das intervenções mais recentes em Braga, que foram bastante úteis para um acompanhamento atualizado das principais novidades arqueológicas na cidade. Gostaria ainda de lembrar a memória de Júlia A ndrad e, minh a colega de curso, e Vladimiro Pires, companheiro de lo n gas j ornad as de trabalho e aventuras várias, que infeli zmente não tiveram oportunidade de presenciar a conclusão deste trabalho de investigação. Mas não só de apoio pessoal e partilhas de experiências se fez este t rabalho, o apoio inst itucional e financeiro qu e a Fundação para a Ciência e Tecnolog ia, foi fundamental n um primeiro momen to da investigação que agora se apresenta. À Universidade do Minho e mais especificamente ao Lab2PT , devo o agradecimento pelo acolhimento que me fo i concedido. Go staria de agradecer à Carla Xavier e à professora A lexandra Esteves pela diligência com que procederam à minha associação ao centro de investigação como aluno de doutoramento, que me permitiu beneficiar do apoio na particip ação de eventos cient íficos. Agradeço ainda aos docentes do Institut o de Ciências Sociai s da Universidade do Min ho, de quem tive a oportunidade de ser discente, pelo seu contributo na m inha formação. Gostaria especialmente de agradecer à professora Hele na Carvalho e Francis co Mendes, pelas palavras providenc iais de ânimo, incentivo e simpatia, não só n o âmbito desta jornada. Por vezes as palavras cert as, na hora ce rta, fazem toda a diferença, especialm ent e se fizerem sentido por parte q ue quem as ouve. Ao professor José Meireles e profe ssora Ana Betten co urt agradeço as simpáticas palavras que me foram dirigidas em momentos importantes do meu percurs o. Sendo estas palavras escritas durant e as comemorações do surgim ento do curso de arqueologia da Universidade do Min ho, gostaria de agradecer aos meus colegas de curso, pela experiência de t ermos iniciado esta jornada em conjunto. Seg uramente que parte das vivências que tivemos foram importantes e indeléveis nas nossas memórias e na nossa história de vida. De facto, o noss o ponto de chegada é o corolário de to dos os acontecimentos qu e vivenciamos e das pessoas com quem n os cruzamos, como tal toda s as experiências são enriquecedoras. Deste modo, o papel dos n ossos amigos, revela-se de especial importân cia em t odos os aspetos da nossa vida. A lguns deles já foram mencionadas nas linh as an teriores, pa rte deles, têm uma dimensão demasiadamente V importante na minha vida para se circ unscreverem a umas meras menções n umas linh as de agradecimento de uma tese académica. Gostaria ainda de agradecer ao senhor Cónego Hermen egildo Faria, pelo acolhimento e amizade com que me recebe u sempre n a igreja de S. Francisco e mausoléu/capela de S. Frutuoso e em S. Ma rtinho de Dume, ao Dr. Francisco Silva, presidente da U.F. de Real, Dume e Semelhe , exem plar a todos os níveis, ao Sr. Romeu Gomes, do executivo da União de freguesias, que tem sido inc ansável, em todas as visitas a Dume e em respon der às solicitações que lhe tenho feito . Ao senhor Man uel, ao senhor Bernardino e a t odas as pessoas que de alguma forma cont ribuem para a preservação e valorização do nosso património, o meu muito obrigado. Por último, mas sempre em pr imeiro lugar, à minha família, à de san gue, e à que não sendo, passou a ter esse estatuto, aos meu s pais, Eugénio e Elvira e à minha irmã Má rcia. À Sandra por tudo o que tem feito e por me t er ajudado e incentivado a ultrapassar vários desafios, nem todos académicos, pela atenção que me dedica e p elo cuidado e paciência demonstrada n a caminhada que optamos por trilha r estes últimos dezoito anos. VI DECLARAÇÃO DE INTEGRID ADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração da pr esente tese. Confirmo que em todo o trabalho conducente à sua elaboração não recorri à prática de plágio ou a qualquer form a de falsificação de resultados. Mais declaro que t omei conhecimento integral do Código de Conduta Ética da Univers idade do Minho. Universidade do Minho:_____, de_________de____ Nome completo: Francisco José Silva de Andrade Assinatura:____________________________ Assinado por: FRANCISCO JOSÉ SILVA DE ANDRADE Num. de Identificação: 11977802 Data: 2025.01.16 21:50:11+00'00' À minha leitora de sempre ÍNDICES XIV 4.57. Sítio 5 7 Cones; Gondi zalves; Braga ...................................................................................... 143 4.58. Sítio 5 8 Assento; Gon dizalves; Braga .................................................................................... 144 4.59. Sítio 5 9 Igreja velha; Gualtar; Braga ..................................................................................... 145 4.60. Sítio 6 0 Igreja velha; Guisande; Brag a ................................................................ .................. 147 4.61. Sítio 6 1 Igreja velha; Lamaçães; Brag a ................................................................................. 148 4.62. Sítio 6 2 Lamas/Cruze iro; Lamas; Braga ............................................................................... 149 4.63. Sítio 6 3 Assento/Igrej a velha; Lomar; B raga ......................................................................... 150 4.64. Sítio 6 4 Devesa; Mere l im (S. Paio ); Braga ................................ ............................................. 153 4.65. Sítio 6 5 Ponte de Prado ; Mere lim (S. Pa io); Braga ................................................................ . 154 4.66. Sítio 6 6 S. Pedro de M erelim; Mereli m (S. Pedro); Braga ................................ ....................... 155 4.67. Sítio 6 7 Pateira; Merel im (S. Pedro); Braga ........................................................................... 156 4.68. Sítio 6 8 Mire; Mire de Tibães; Braga .................................................................................... 157 4.69. Sítio 6 9 S. Martinho de Tibã e s; Mire de T i bães; Brag a ........................................................... 158 4.70. Sítio 7 0 Morreira; Mor reira; Braga ........................................................................................ 162 4.71. Sítio 7 1 Assento; Nava rra; Braga ......................................................................................... 163 4.72. Sítio 7 2 Nogueira; Na varra; Braga ........................................................................................ 164 4.73. Sítio 7 3 Nogueira; No gue ira; B raga ...................................................................................... 165 4.74. Sítio 7 4 Dadim; Nogueiró; Brag a .......................................................................................... 166 4.75. Sítio 7 5 Nogueiró; Nogueiró; Braga ...................................................................................... 167 4.76. Sítio 7 6 Monte da Conso lação; Nogueiró; Braga .................................................................... 168 4.77. Sítio 7 7 S. Pedro da O l iveira; Ol iveira (S. Ped ro); Braga ......................................................... 169 4.78. Sítio 7 8 Padim da Gra ç a; Padim da Gra ça; Braga ................................ .................................. 170 4.79. Sítio 7 9 Assento; Palmeira; B raga ........................................................................................ 1 71 4.80. Sítio 8 0 Pitancinhos; Pa lmeira; Braga ................................ ................................................... 173 4.81. Sítio 8 1 Santo Estevão/ Póvoa; Palmeira; Braga .................................................................... 174 4.82. Sítio 8 2 Santo Estevão Velho/ Pardelhas; Pa l meira; Braga ...................................................... 1 75 4.83. Sítio 8 3 Assento; Pano ias; Braga ......................................................................................... 177 ÍNDICES XV 4.84. Sítio 8 4 Parada de Tib ães; Parada de Tibães; Braga .............................................................. 178 4.85. Sítio 8 5 Passal; Pa ssos (S. Julião); Braga ............................................................................. 179 4.86. Sítio 8 6 Serra; Passos ( S. Julião); B raga ................................................................ ............... 180 4.87. Sítio 8 7 Codeçosa; Pedra lva; Braga ...................................................................................... 181 4.88. Sítio 8 8 Igreja velha/ Sout o; Ce leirós; Brag a .......................................................................... 182 4.89. Sítio 8 9 Torre; Penso (Sa nto Estevão); B raga ........................................................................ 183 4.90. Sítio 9 0 Carcavelos; Penso (S. Vi cente); Braga ...................................................................... 184 4.91. Sítio 9 1 Pousada ; Pousada ; Braga ....................................................................................... 185 4.92. Sítio 9 2 Ponte do Porto ; Pousada; Braga .............................................................................. 186 4.93. Sítio 9 3 S. Tiago de P riscos; Priscos; Braga ................................................................ .......... 187 4.94. Sítio 9 4 S. Tomé/Moi menta; Priscos; Braga ......................................................................... 188 4.95. Sítio 9 5 S. Frutuoso de Mo ntélios; Real; Brag a ...................................................................... 189 4.96. Sítio 9 6 S. Jerónimo; Re al; Braga ................................ ......................................................... 192 4.97. Sítio 9 7 Ruílhe; Ruílhe ; Braga .............................................................................................. 193 4.98. Sítio 9 8 Castelhão; Sa nt a Lucré cia de Alg eriz; Braga ............................................................. 194 4.99. Sítio 9 9 Santa Lucré cia de Algeriz; Sant a Lucrécia d e Algeriz; B raga ....................................... 1 95 4.100 . Sítio 100 S. João de Sem elhe; Sem elhe; Braga .................................................................. 196 4.101 . Sítio 101 Santa Leocádia; Se melhe; Brag a ......................................................................... 197 4.102 . Sítio 102 Santarão; Semelhe; B raga .................................................................................. 198 4.103 . Sítio 103 Caldas; Sequeira; Brag a ..................................................................................... 2 00 4.104 . Sítio 104 Sequeira; Sequeira; Brag a ................................................................ .................. 202 4.105 . Sítio 105 Sampaio; Seque ira; Braga .................................................................................. 203 4.106 . Sítio 106 S. Saturnino; Sequ e ira; Braga ............................................................................. 204 4.107 . Sítio 107 Sobreposta; So bre posta; Braga ........................................................................... 2 05 4.108 . Sítio 108 S. Tomé da Lageos a; Sobrepos t a; Braga .............................................................. 207 4.109 . Sítio 109 Assento; Tadim; Braga ....................................................................................... 208 4.110 . Sítio 110 Penedo dos Mo u ros; Tadim; Brag a ...................................................................... 209 ÍNDICES XVI 4.111 . Sítio 111 S. Bento; Tadim; Brag a ...................................................................................... 211 4.112 . Sítio 112 Tebosa; Tebosa ; Braga ................................ ....................................................... 212 4.113 . Sítio 113 Tenões; Tenões; Braga ....................................................................................... 213 4.114 . Sítio 114 Deveza; Trandeiras; Brag a .................................................................................. 215 4.115 . Sítio 115 Assento; Vilaça; Brag a ........................................................................................ 216 4.116 . Sítio 116 Vimieiro; Vimi eiro; Braga ................................ .................................................... 217 4.117 . Sítio 117 Arnoso; Arnoso (Sa nta Maria); Vila Nov a de Famalicão .......................................... 219 4.118 . Sítio 118 Jesufrei; Jesufrei; Vi l a Nova de Fa malicão ............................................................ 220 4.119 . Sítio 119 Sezures; Sezures; Vila Nova de Famalicã o ........................................................... 221 Parte III - A paisa gem entre a Antigui dade Tardia e a Idade M oderna: princ ipais vetores de organização ........................................................................................................................................ 222 1. O povoamento na Antiguidade Tardia na re gião brac arense .............................................. 223 1.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 223 1.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 223 1.1.1.1 . A c idade de Bracar a ................................ ................................................................... 224 1.1.1.2 . As villae ................................................................................................................... 227 1.1.1.3 . As vias ..................................................................................................................... 239 1.1.1.4 . Os mosteiros ................................................................ ........................................... 242 1.1.1.5 . As basílicas su burbanas ......................................................................................... 259 1.1.1.6 . As necrópoles ................................................................ .......................................... 262 1.1.1.7 . Os vestígios tardo ant igos nos povoados castrejos .............................................. 273 1.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 2 77 1.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 277 1.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidade: a organização dos sítios ...................................... 299 1.1.2.3 . A hierarquia do povoa mento .................................................................................. 303 2. O povoamento na Alta Idade Média na re gião bracaren se .................................................. 308 2.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 308 ÍNDICES XVII 2.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 308 2.1.1.1 . A cidade de Braga ................................................................................................ .. 309 2.1.1.2 . Os conjuntos monás ticos ....................................................................................... 311 2.1.1.3 . As vias terrestr es .................................................................................................... 320 2.1.1.4 . As paróquias ........................................................................................................... 320 2.1.1.5 . As necrópoles ................................................................ .......................................... 327 2.1.1.6 . As estruturas defens ivas ................................................................ ........................ 329 2.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 3 32 2.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 332 2.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidade: a organização dos sítios ...................................... 363 2.1.2.3 . A hierarquia do povoa mento .................................................................................. 367 3. O povoamento na Baixa Idade Média na re gião bracaren se ............................................... 375 3.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 375 3.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 375 3.1.1.1 . A cidade de Braga ................................................................................................ .. 377 3.1.1.2 . Os conjuntos monás ticos ....................................................................................... 382 3.1.1.3 . As vias terrestr es .................................................................................................... 401 3.1.1.4 . As paróquias ........................................................................................................... 404 3.1.1.5 . As necrópoles ................................................................ .......................................... 415 3.1.1.6 . As estruturas defens ivas ................................................................ ........................ 416 3.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 4 18 3.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 418 3.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidades ................................................................ ............... 437 3.1.2.3 . A organização dos s ítios: condicionantes e vetor es de articulação .................... 4 40 4. O povoamento na I dade Moderna na re gião bra carense ..................................................... 447 4.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 447 4.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 447 ÍNDICES XVIII 4.1.1.1 . A cidade de Braga ................................................................................................ .. 449 4.1.1.2 . Os conjuntos monás tico-conv entuais ................................................................ .... 454 4.1.1.3 . As vias terrestr es .................................................................................................... 488 4.1.1.4 . As paróquias ........................................................................................................... 491 4.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 5 10 4.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 510 4.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidades ................................................................ ............... 529 4.1.2.3 . A organização dos s ítios: condicionantes e vetor es de articulação .................... 5 32 Parte IV - Concl usões ......................................................................................................................... 537 1.1. O povoa m ento na Antiguidade Tardia: tra nsformaçõ es e tendências ........................ 538 1.1.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 38 1.1.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 42 1.2. O povoa m ento na Alta Ida de Média: transforma ções e tendências ............................ 5 46 1.2.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 47 1.2.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 50 1.3. O povoa m ento na Baixa Idade Média: transfor mações e te ndências ......................... 555 1.3.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 55 1.3.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 56 1.4. O povoa m ento na I dade Moderna: tr ansformações e ten dências ............................... 560 1.4.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 60 1.4.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 62 1.5. Considera ç ões finais ...................................................................................................... 565 Referências Bibliográfi c as ................................................................ ................................................. 572 Apêndices ............................................................................................................................................ 599 Mapa geral de s ítios ....................................................................................................................... 600 Lista geral de sítios e re ferências ................................................................................................ . 6 02 Lista de análises a sítios da Antiguida de Tardia .......................................................................... 616 ÍNDICES XIX Lista de análises a sítios da Alta Idade Média .............................................................................. 6 19 Lista de análises a sítios referenciados em censual entre Lima e Ave (finais d o século XI) ..... 622 Lista de análises a sítios associáv eis à Baixa Idade Média ......................................................... 627 Lista de análises a sítios referenciados nas Inq uirições de 1220 .............................................. 630 Lista de análises a sítios referenciados nas Inq uirições de 1288 .............................................. 635 Lista de análises a sítios associáv eis à Idade Moderna ............................................................... 640 Lista de análises a sítios referenciados no “Nu m era mento” do século XVI ............................... 644 Lista de análises a sítios referenciados nas Memóri as Paroquiais de 1758 ............................. 648 Planta Geral de r uínas identificadas no c onvento de S. Fran cisco de R eal ............................... 652 Lista de ações d e convento de S. Fran cisco/Mausoléu de S. Frut uoso ...................................... 654 Lista de fases de convento de S. Franc isco/Mausolé u de S. Frutuos o ................................ ....... 657 Diagrama estrat igráfico simplificado do c onvento de S. Francisc o e Mausoléu de S. Frutuoso ......................................................................................................................................................... 659 ÍNDICES XX Índice de figuras Figura 1 - Ca mpos da tabela do Sistema de Info rmação Ge ográfica. ©Francisco Andrad e .............................. 27 Figura 2 - Modelo esq uemá tico das disti ntas escalas de a nálise, aplicada s ao mosteiro de Tibã es. ©Francisco Andrade .......................................................................................................................................................... 32 Figura 3 - Modelo esq uemá tico de organiza ção de povoamento ( l imite ova l maior, circu nscrição d e primeira ordem, limit e oval mais pequeno, cir cunscrição de s egunda ordem, círculos preenchidos maiores, n úcleos de povoamento mais i mp ortan t es, cír culos pree nchidos me nores, núcleos de povoa mento m enos im portantes). ©Francisco Andrade ....................................................................................................................................... 32 Figura 4 - Loca l ização de Bra ga na península Ibéri ca (Elabo rado a partir do google maps, consultado em 20 de setembro de 2022 , às 17h01m). ..................................................................................................................... 34 Figura 5 - Hipsom etria da região de Braga e relação com r ede hidrográfica (alti tude em me tros). ©Fran ci sco Andrade (composi ç ão car t ográfica) .................................................................................................................. 35 Figura 6 - Ma pa de decliv e s da região de Braga . ©Francis co Andrade (com posição carto gráfica) .................... 36 Figura 7 - Ma pa de Braga com análise de Í ndic e de Posição Topo gráfica. ©Fra ncisco An drade (composição cartográfica) .................................................................................................................................................... 37 Figura 8 - Ca rta Geológica 5 D, com concelho de Brag a assinalado (Albuquerq u e et a l., 2000 ). ...................... 38 Figura 9 - Escoam ento total de águas me nsal (média). © Francisco Andrad e (composi ção cartográfica) .......... 40 Figura 10 - M apa aprese ntando o rientação de ex posição s olar em Braga. ©Francisco Andrade (composição cartográfica) .................................................................................................................................................... 41 Figura 11 - Uso do so lo (Corine Land Co ver). ©Fran c isco A ndrade (composição cartográ fica) ........................ 42 Figura 12 - Imag em evide nc iando a Europa (google Ma ps), representando o efeito "Gron e lândia aci ma", no clima europ eu (adaptado de Faga n, 2020, p. 52 ). ©Francisco Andrad e ........................................................... 47 Figura 13 - Dist intos cou tos de Braga refer enciados na do cumentação m e dieval, seg undo Fontes e A ndrade (2018 , p. 62) ©Francisco And rade .................................................................................................................. 52 Figura 14 - Sí t ios asso ciáveis à Antigu idade Tard ia. ©Francisco And rade ..................................................... 223 Figura 15 - B raga na Antigu idade Tardia, ev idenciando a muralha (s e gundo M artins et al., 2017a). ............. 226 Figura 16 - Estr u turas tardo antigas do teatro (seg u ndo Ma rtins et al., 2017b , p. 244). ................................ 226 Figura 17 - Pro posta de vil l ae para a região de Braga. © Francisco Andrad e ................................................. 231 Figura 18 - Ruí nas arqueológ icas de Dume ( pars urbana nas proxi midades da igreja e capela da N ª Srª do Rosário e balnea , próx i mo do c emitério). ©U A UM/Fran cisco Andrade ........................................................... 232 Figura 19 - Estr u tura baln e ar iden tificada e m Dume f undada nos séculos II I -IV (segundo Andrade, 2015, adaptado de Fon t es, 1994 ). .......................................................................................................................... 233 ÍNDICES XXI Figura 20 - Sala tr i lobada m ais antiga de Dume e enquadr amento com alg umas das divisões tri lobadas q u e se conhecem em contex to de villa e ou grandes palá ci os roman os (adaptado parcialm e nte de Hidalgo, 2014, p. 234). ................................................................................................ ............................................................ 234 Figura 21 - Pro posta de f undus para a vi ll a de Du me (seg undo Andrade, 20 15). ©F rancisco Andrade ......... 235 Figura 22 - C apitel de S. Paio de Mere l im, sé culos V-VII (segundo Fontes e t al., 2009, v ol. II, p . 60). ©Ma nuel Pitães ........................................................................................................................................................... 237 Figura 23 Ca piteis provenientes d e Semelhe e Ti bã es (segundo Fontes et al., 2009, vo l . II, pp. 1 8, 20, 2 1, 52, 62 e 65). ©Manuel Pitã es ....................................................................................................................... 237 Figura 24 - M arco de prop riedade ident ificado em Es porões (segundo Fon t es et a l., 2009 , vol. I, p. 89). ©Manuel Pitães ............................................................................................................................................ 239 Figura 25 - Prin c ipais vias ro manas identificadas na r egião de Braga. ©Fran ci sco And rade (base de Helena Carvalho, 20 08) ................................ ............................................................................................................ 240 Figura 26 - C ompartimen tação de pis c ina (segundo Andra de, 2015, p. 75). ................................................ 243 Figura 27 - Perf il com local d e recolha de amostra 2. © Arquivo UAUM/ Francis co Andrade .......................... 244 Figura 28 Lo c alização de recolha d e amostra 3. ©A rquiv o UAUM /Francisco A ndrade .............................. 245 Figura 29 - Planta g eral de ruínas d e basílica de Dume. © Arquivo UAUM /Franc i sco And rade ..................... 246 Figura 30 - So leira de pared e de basílica, so breposta a elementos a l mofada dos. ©Arquiv o UAUM /Fra ncisco Andrade ........................................................................................................................................................ 247 Figura 31 - C orte de zona d e A55/ A71, com sequ ência co nstrutiva. ©Arqu ivo UAUM/ Francis co Andrade .... 247 Figura 32 - Fas e de escavaç ão de interior de igreja (1 989), com zona d e pavimen t o de c ape la -mor v i sível ao fundo. ©Arq uivo UAUM/L u ís Fontes. ............................................................................................................. 248 Figura 33 - El e mentos arqu i tetónicos a ssociáve is aos sécul os V - VII, provenien tes da igreja de Dume. ( capiteis segundo Fontes e t al., 20 09, vol II, pp, 50, 53-54). ©Manuel Pitães .............................................................. 249 Figura 34 - Po ssível área de ruí nas, com base nos da dos c onhecidos até ao mo mento. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 249 Figura 35 - Degra us de acesso a abside sul. ©Arquivo UA UM/Luís Fon tes .................................................. 250 Figura 36 - Asp e to de mauso léu de S. Frutuoso e muro qu e poderá t er perten cido a most eiro. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 251 Figura 37 - Le itura inter pretada do alçado este do mausolé u de S. Fru tuoso, com indicaç ão do século associado a cada fa se identifica da. ©Arquivo UAUM/ Franc isco Andrad e/Paulo Bernardes ............................. 252 Figura 38 - Le itura inter pretada do alçado sul do mausol éu de S. Fru tuoso, com indi c açã o do século asso ciado a cada fa se identificada © Arqui vo UAUM/Fran c isco Andrad e/Paulo Bernardes .............................................. 253 Figura 39 - Fotog rafia de alç ado norte de braço es te de ma usoléu, sondag e m 4. ©Arqu ivo UAUM/Francis c o Andrade ........................................................................................................................................................ 254 ÍNDICES XXII Figura 40 - Fotog rafia de alç ado este de alicerc e de braço este de ma usoléu, sondagem 3. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 255 Figura 41 - Le itura inter pretada de alç ado es t e de alice rce de braço este d e mausoléu. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 256 Figura 42 - Fotog rafia de alç ado sul de alicerce de braço oeste de ma usoléu. ©Arquivo UA UM/F rancisco Andrade ........................................................................................................................................................ 257 Figura 43 - Le itura inter pretada de alç ado nor t e de alice rce de braço este d e mauso l éu. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 257 Figura 44 - Fotog rafia de alç ado oeste de braço sul d e mauso l éu. ©Arq uivo UAUM/Fra ncisco Andrade ....... 258 Figura 45 - Le itura inter pretada de alç ado oest e de ali cerce de braço su l de mausoléu. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 258 Figura 46 - Topogra fia cristã ant iga de B raga e áreas sub urbanas (segundo And rade e Fontes (202 0)). ....... 259 Figura 47 - C apitel da col e ção do Museu Pio XI I , associado a Maximinos, (Fontes e t. al., 20 09, vo l II., p. 58). ©Manuel Pitães ............................................................................................................................................ 260 Figura 48 - Ne crópoles com vestíg i os ass ociáveis à Antigu idade Tardia, associada s a núc leos de povo amento suburbanos e r urais. ©Fran cisco Andrad e ..................................................................................................... 262 Figura 49 - Fas e VIII do n úcleo do s CTT (elementos laterí cios de sepul t uras a lara nj a), segundo Braga (2018, vol. II, fig. 31). ©Cris tina Braga. .................................................................................................................... 263 Figura 50 - Fas e IX do núc leo do s CTT (elementos la t erícios d e sepulturas a laranja), seg undo Braga (2 018, vol. II, fig. 32). ©Cris tina Braga ..................................................................................................................... 264 Figura 51 - Fas e X do núcl eo do s CTT (elementos laterí cios de se p ulturas a laranja), segu ndo Braga (201 8, vol. II, fig. 33). ©Cris tina Braga ........................................................................................................................... 264 Figura 52 - Nú cleo da cango sta da Palha (elem entos laterícios d e sepul t uras a lara nja), s egundo Braga (2 018, vol. II, fig. 6). ©Cr istina Braga ....................................................................................................................... 265 Figura 53 - Nú cleo da Nª Srª a Branca (elementos lat e rício s de sepultu ras a laranja), seg undo Braga (201 8, vol. II, fig. 34). ©Cris tina Braga ..................................................................................................................... 266 Figura 54 - Ep ígrafe de S. Vi c ente, segu ndo Andrade (2015 , p. 59). ©Fran cisco Andrad e ............................ 267 Figura 55 - Se p ulturas id entificadas no tún e l de Ma ximinos, (elementos la t erícios d e sepul turas a laranja), associáveis aos s é culos III-IV. Segundo Braga (20 18, vol. II, fig. 51). ©Cristina Brag a .................................... 268 Figura 56 - Fotog rafia do con ju nto de s epulturas identificad as em 1992. ©Arquivo UAUM /Luí s Fontes. ....... 269 Figura 57 - Nú cleo de s e pult uras identificada s em 199 2 e sepultura iden tificada em 2013 . ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 270 Figura 58 - Des enh o d e alçado este de sepult ura UE 24 46, da nec rópole de Dum e e loc al de recolha d e amostra 1. ©Arqu ivo UAUM/ Francis co Andrade ............................................................................................ 270 Figura 59 - Fotog rafia de s epultura UE 24 46. ©Arquivo UAUM/ Francisco Andrad e ................................ ...... 271 ÍNDICES XXIII Figura 60 - Se p ultura U E 2481 /248 2, da necrópole de Dume (e lementos la te rícios a l ara nja), localizada na zona mais a sul e posição relativamente a ed ifícios de villa/ mosteiro. ©Arquivo U AUM/Francis c o Andrad e .... 272 Figura 61 - Se p ulturas id entificadas em Du me [40], a ssociá veis aos séculos II I -IV (elementos later ícios a laranja). ©Arquivo UAUM/Miguel Carne i ro/Fran cisco Andra de. ..................................................................... 273 Figura 62 - Po voados fortificados d a Idade do Ferro que apresen t am indí cios de ocu pação da A ntiguidade Tardia. ©Francisco A ndrade .......................................................................................................................... 274 Figura 63 - Planta da acrópo le de San ta Marta das Cortiças, (s e gundo Russ e l Cortez, e xtraído de Barroca, Arezes e Morais, 2 018, p. 13 2). ................................................................ .................................................... 275 Figura 64 - Planta com as estruturas identificada s na Falp erra, segundo R eal (2001) (estruturas das intervenções d e Russel Cor te z e Rigaud de Sousa). ........................................................................................ 276 Figura 65 - Imag em aérea d os vestígios arqueológicos d e Recópolis, com imagem aérea que evide ncia o complexo pala t ino na zo na superior (figura com da dos do google maps composta em QGIS p or Franc i sco Andrade). ...................................................................................................................................................... 276 Figura 66 - Sít ios da Antig u ida de Tardia, sobre postos a ma p a com Índi c e de Posi ção Topográfica. ©Fran cisco Andrade ........................................................................................................................................................ 278 Figura 67 - Gráf ico com Í ndices de Po siç ão Topográf ica dos s ítios da Antig uidade Tardia. ©Francisco Andrad e ..................................................................................................................................................................... 278 Figura 68 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostos a mapa com Índice de Posição Topográ fica. ©Francis co Andrade ........................................................................................................................................................ 279 Figura 69 - Gráf ico com Í ndice de Po sição Topográfi c a da vil lae tardoa ntigas. ©Franc i sco Andrade .............. 279 Figura 70 - Sí t ios da Antig ui da de Tardia, sobre postos a ma p a com valor e s de d eclive. ©F rancisco Andrad e . 280 Figura 71 - Gráf ico com de c lives d e sítios da An t iguidad e Tardia. ©Francis co Andrade ................................ 282 Figura 72 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostas a mapa de d eclives. ©Francis co Andrade .................. 283 Figura 73 - Gráf ico com de c lives d as vill a e tardoantigas. © Francisco Andrade ............................................. 284 Figura 74 - Sí t ios da Antig ui da de Tardia, sobre postos a ma p a com exposição solar. © Francisco Andrad e .... 285 Figura 75 - Gráf ico com e xposição so lar de sítios da A nt iguida de T ardia. © Francisco Andrade ..................... 287 Figura 76 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostas a mapa com exposição solar. ©Fra nci sco Andrade .... 288 Figura 77 - Gráf ico com e xposição so lar de villae da Antigui dade Tardia. ©Francisco Andrade ..................... 289 Figura 78 - Sí t ios da Antig ui da de Tardia, sobre postos a ma p a com escoamen to total men sal de águas (mm). ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 290 Figura 79 - Gráf ico com es c oamento total mensal de águas e corr elação com sí ti os da An t iguidade Tard ia. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 291 Figura 80 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostas a mapa com escoamento total d e águas mensal (mm). ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 291 ÍNDICES XXX Figura 194 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 288, s obrepostos a mapa com orientação de exposição solar. ©Francis co Andrade ............................................................................................................................ 434 Figura 195 - Gráfico com ex p osição solar de s ítios referenciados nas Inqu irições de 128 8. ©Francisco A ndrade ..................................................................................................................................................................... 435 Figura 196 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 288, s obrepostos a mapa com escoamento t otal me nsal. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 436 Figura 197 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as de sítios referenciados na s Inquirições de 12 88. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 436 Figura 198 - Sítios asso c iáveis à B aixa Idade M édia e relaç ão com red e viária e hipsom etria. ©Francisco Andrade ........................................................................................................................................................ 437 Figura 199 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 220 e relação c om red e viári a e hipso metria. ©Fran c isco Andrade ........................................................................................................................................................ 439 Figura 200 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 288 e relação c om red e viári a e hipso metria. ©Fran c isco Andrade ........................................................................................................................................................ 439 Figura 201 - Triangulação d os sítios referenciado s nas Inquirições d e 1220, ilus t rativa da malha de povoamento b aixo medieval. ©Francisco Andrad e ......................................................................................... 440 Figura 202 - Triangulação d os sítios referenciado s nas Inquirições d e 1288, ilus t rativa da malha de povoamento b aixo medieval. ©Francisco Andrad e ......................................................................................... 441 Figura 203 - Proposta de hierarq uia de sítios na Bai xa Idade Média. ©Fran ci sco Andrade ........................... 442 Figura 204 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s nas Inquiriçõ es de 1220. ©F rancisco Andrad e . 443 Figura 205 - Circunscri ções territor i ais refer e nciadas na s Inquirições d e 1220. ©Francis co Andrade ........... 444 Figura 206 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s nas Inquiriçõ es de 1288. ©F rancisco Andrad e . 445 Figura 207 - Circunscri ções territor i ais refer e nciadas na s Inquirições d e 1288. ©Francis co Andrade ........... 446 Figura 208 - Sítios que poderão ser associáveis à Idad e Moderna. ©Franc i sco Andrad e .............................. 447 Figura 209 - Referências do cumentais iden t ificadas no “Numeramento” do sé culo XVI. ©F rancis c o Andrad e ..................................................................................................................................................................... 448 Figura 210 - Referências do cumentais iden t ificadas na s Memórias Paroq u iais d e 1758. ©Fran c isco Andrad e ..................................................................................................................................................................... 449 Figura 211 - Mapa de Georg Braun 1594, segundo M artins, Mar e Ribeiro (20 21). ©ADB ........................... 450 Figura 212 - Casa da Câmara segundo “Mappa da s ruas d e Braga” (Bandei ra, 2000 , p. 43). ..................... 451 Figura 213 - Capela da Nª Srª da Co nceição (à direi t a). ©Francisco A ndrade .............................................. 452 Figura 214 – “Mappa de Br aga Primas”, de 1756, segu ndo Martins, Mar e Ribe iro (2021). ©Biblioteca Nacional da Aj uda ......................................................................................................................................... 453 Figura 215 - Conventos e mosteiros da Ida de Moderna que fo ram identificado s na regiã o de estudo. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 455 ÍNDICES XXXI Figura 216 - Planta esque mática do mosteiro d e Tibães n o século XVI, segundo Fon te s (2 005). ©Luís Fontes/Clara Rodr igues ................................................................................................................................ . 456 Figura 217 - Porta dos carros q ui nhentis t a do mos teiro de Tibães. ©Fran cisco Andrade .............................. 456 Figura 218 - Elementos arq uitetónicos d o século XVI, ass ociáveis ao most eiro de Tibã es (nas fotogra fias em que aparecem do is elem entos de vão, os do séc ulo XVI, sã o de menores d imensões). ©Fr ancisco Andrad e ... 457 Figura 219 - Cerca do most eiro de Tibães no sécu lo XVI, a dapt ado de Fontes (2 005). ©Francisco Andrad e 459 Figura 220 - Freguesia d e S. M artinho de Tibães no século XVI, segundo leitura d a descri ção docum ental em Fontes (2005, p p . 175-1 76) e localização de mar c os extraíd a de Peixoto (2 014, pp. 49-50). ©Francisco Andrade. ....................................................................................................................................................... 460 Figura 221 - Couto de Tibã es no séc ulo XVI, segundo leitur a da descrição docum e ntal e localização de marc os em Peixoto (201 4, pp. 11 6-138). ©Francisco A ndrade .................................................................................. 461 Figura 222 - Aspeto do mos teiro de Tibães. ©Francisco Andrade ................................................................ 464 Figura 223 - Plantas do mos te iro de T i bães no sé c ulo XVII I, segundo Fon tes (2005 , p. 156). ...................... 465 Figura 224 - Cerca do most eiro de Tibães no sécu lo XVIII, de acordo com os dados d i sponíve i s até ao momento. Ada p tado de Fontes ( 2005 ). ©Francisco Andrade . ........................................................................ 466 Figura 225 - Fotos de mar cos d elimitadores da freguesia d e Ti bã es, que també m são coincidentes c om lim ites do couto. © Francisco Andrade ...................................................................................................................... 467 Figura 226 - Couto de Tibã es no séc ulo XVIII, de a c ordo c om os dados recolhidos e m Fontes (20 05) e Pe ixoto 2014 , pp. 116-138 ). ©Francisco Andrade ..................................................................................................... 468 Figura 227 - Conjunto de r uínas identif ic adas na z ona da antiga adega do convento de S. Franc isco de Real. ©Arquivo UA UM/Francisco Andrade ................................................................................................ ............. 469 Figura 228 - Desenho das e struturas identificada s na anti ga adega e no com p artim ento, denominado de escada regral do c onv ento de S. Francisco d e Real. © Arquivo UAUM/Fra ncisco Andrade ............................... 470 Figura 229 - Fotografia de estruturas identificada s na envolvente do ma u soléu de S. Frutuoso ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 471 Figura 230 - Alçado inter p retado de e struturas na e nvolvente do ma usoléu de S. Frut uoso. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 471 Figura 231 - Alçado norte do convento de S. Fran cisco (C_Al_00 1), com e vidência a vermelho do s alicerces e parte do sistema h idráulico do século XV III. ©Arquivo UA UM/Francisco And rade ........................................... 472 Figura 232 - Alçado este do convento de S. Francisco (C_Al_00 2), com evidência a ver me lho das estr uturas do século XVIII. © Arqui vo U AUM/ Francisco Andrad e ................................................................ .......................... 473 Figura 233 - Gravura que ap re senta o alçado sul do C onvento de S. Fr ancis co (s/d) Segundo M oura Coutinho (1979 ). ................................ ......................................................................................................................... 474 Figura 234 - Alçado sul do convento d e S. Franc isco (C_Al _003), com evidência a ver melho das estruturas do século XVIII. © Arqui vo U AUM/ Francisco Andrad e ................................................................ .......................... 474 ÍNDICES XXXII Figura 235 - Muro da ala sul do claustro do convento de S. Francisco (C_A l _005), com evidência a ver melho das estruturas do século XVII I. ©Arquivo UAUM/ Francis c o Andrad e ............................................................... 475 Figura 236 - Muro este do c laustro do convento d e S. Francisco (C_A l_006), com evidência a verme lho das estruturas do século XVI II. ©Arq uivo UAUM/Fran ci sco Andrade ..................................................................... 476 Figura 237 - Fachada da igr e ja de S. Fran c isco de R eal (século XVII I). ©Francisco A ndrade ........................ 477 Figura 238 - Aspeto de conf essionário do sécu lo XVIII. ©A rquivo UAUM/ Francis co Andrade ........................ 477 Figura 239 - Aspeto de p i nturas de nicho na en t rada de convento (esque rda) e negat i vo de escadar i a de torre sineira (direi ta). ©Arquivo UAUM /Francisco A ndrade ..................................................................................... 478 Figura 240 - Proposta de limites da ce rca do conv ento de S. Francisco no século XVI II, so breposto a fotograf i a aérea (RAF47_1 38_5012) (limites de c erca a ve rmelho) ©IGEOE/Fra ncisco Andrade ................................... 478 Figura 241 - Portal manue lino da igreja, do conv e nto de V i lar de Frades. ©Francisco A ndrade .................... 479 Figura 242 - Área aproximad a do domínio de Vilar d e Frades. Ada ptado de R e belo e Per e ira (2015 ) ©Francis co Andrade ........................................................................................................................................................ 480 Figura 243 - Planta com es t ruturas do convento do s Remédios identificada s na intervenção de 2012. ©Arquivo UAUM/Mário Pi menta/Fra ncisco Andrade ..................................................................................................... 482 Figura 244 - Fotografias de seleção de elementos a rquitet ónicos e epigráf icos prove ni entes do conven to dos Remédios, ide ntificadas na intervenção de 201 2, asso c iáveis ao s séculos XVII-XVIII. ©Arquivo UAUM/Má rio Pimenta ........................................................................................................................................................ 482 Figura 245 - Fotografia do convento do Pó pulo (igreja con stitui ainda u m local de culto e espaço c onventua l, sendo ocupado at ualme nte pe la Câmara Muni cipal). ©Fran cisco Andrade ..................................................... 484 Figura 246 - Localização do c onvento do Pópulo e r elação com Po u sada e S e melhe. © Francisco Andrad e .. 484 Figura 247 - Localização do seminário de S. Pedro e S. Paulo (a ntigo colégio d os Jesuíta s) ©Francisco Andrade ........................................................................................................................................................ 487 Figura 248 - Pormenores de c olégio de S. Pa ulo nos mapas d e Georg Braun d e 1594 (esquerda) e “Mappa de Braga Primas” de 17 56 (direita). ©ADB e Biblio t eca da Aj u d a ....................................................................... 488 Figura 249 - Fotografia de ponte de Prado. ©Fra ncisco An drade ................................................................ . 489 Figura 250 - Pormenor de m apa de Rizzi-Zannoni (c.1780 ). ©BNP ............................................................. 491 Figura 251 - Núcleo paroq uial de Ada ú fe. ©Fran ci sco And rade ................................................................... 495 Figura 252 - Igreja paroquia l de S. Victor. ©F rancisco Andr ade ................................................................... 497 Figura 253 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa com Índ ice de Posição Topográfica. © Francisco Andrade .................................................................................................................. 512 Figura 254 - Gráfico com Ín dic es de Po sição Topográ fic a dos sítios ass ociáveis à Ida de Mo derna. ©Francisco Andrade ........................................................................................................................................................ 512 Figura 255 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa d e declives. ©F rancis c o Andrade ........................................................................................................................................................ 513 ÍNDICES XXXIII Figura 256 - Gráfico com de cl ives do s sítios a ssociáveis à Ida de Moderna. ©Francisco Andrade ................. 514 Figura 257 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa com ex p osição solar. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 515 Figura 258 - Gráfico com ex p osição solar do s sítios a ssociá veis à Idade Moder na. ©Francisco Andrade ...... 516 Figura 259 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa com escoa mento tota l de águas mensal d e águas (m m). ©Francisco Andrad e ................................ ...................................................... 517 Figura 260 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as dos sítios associáveis à Ida de Moderna. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 517 Figura 261 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com Índ ices de Posição Topográf ica. ©Fran cisco Andrade ................................................................................................ ..... 519 Figura 262 - Gráfico com Ín dic es de Po sição Topográ fic a dos sítios refere nciados no “Numerame nt o” do século XVI. ©Fra ncis co Andrade .................................................................................................................... 519 Figura 263 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com va l ores d e declive. ©Fran cisco And rade ......................................................................................................................... 520 Figura 264 - Gráfico com de cl ives do s sítios refer enciados no “Numeramento” do sé culo XVI. ©Fra ncisco Andrade ........................................................................................................................................................ 520 Figura 265 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com va l ores d e exposição solar. ©F rancisco Andrade ............................................................................................................ 521 Figura 266 - Gráfico com ex p osição solar do s sítios refer enciados no “ Numeramento” d o século XVI. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 522 Figura 267 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com es coamento total de águas m ensal de águas ( mm). ©Francisco Andrade .......................................................................... 523 Figura 268 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as dos sítios referenciados no “Numeramento” do século XVI. ©Fra ncis co Andrade .................................................................................................................... 523 Figura 269 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com Índices de Posição Topográf ica. ©Fran cisco Andrade ................................................................................................ ..... 524 Figura 270 - Gráfico com Ín dic e de Posi ç ão Topográf i ca de sít ios referenciado s nas Me mórias Paroq uiais de 1758 . ©Francisco Andrad e ........................................................................................................................... 525 Figura 271 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com valo res de declive. ©Fran cisco And rade ......................................................................................................................... 526 Figura 272 - Gráfico com de cl ives de s ítios referenciados n as Memórias Paroquiais d e 1758. ©Francisco Andrade ........................................................................................................................................................ 526 Figura 273 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com valo res de exposição solar. ©F rancisco Andrade ............................................................................................................ 527 ÍNDICES XXXIV Figura 274 - Gráfico com ex p osição solar de s ítios referenciados nas M e mórias P aroquiais de 175 8. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 528 Figura 275 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com valo res escoamento total mensa l de águas (mm). ©Franc isco Andra de ..................................................................... 528 Figura 276 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as de sítios referenciados na s Memórias Paroquiais de 1758. ©Franc isco Andrade ...................................................................................................................... 529 Figura 277 - Sítios asso c iáveis à Ida de Moderna e r e lação com rede viár ia e hipso metria. ©Fran c isco Andrad e ..................................................................................................................................................................... 530 Figura 278 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI e relação com red e viária e hipsometria. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 531 Figura 279 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58 e rel a ção com rede viári a e hi psometria. ©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 531 Figura 280 - Triangulação d os sítios referenciado s no “Numeramento” do sé c ulo XV I, ilustrativa da ma lha de povoamento mod e rno. ©Fra ncisco Andrade ................................ .................................................................. 532 Figura 281 - Triangulação d os sítios presentes nas M emór i as Paroq u iais de 1758 , ilustrativa da malha de povoamento do século XVIII. ©Fran c isco Andrad e ......................................................................................... 533 Figura 282 - Proposta de hierarq uia de sítios na I dade Mod erna. ©Francisco Andrade ................................ 535 Figura 283 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s no “Numerame nt o” do s éculo XVI. ©Francis c o Andrade ........................................................................................................................................................ 535 Figura 284 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s nas Memórias Paroq ui a is de 17 58. ©Francisco Andrade ........................................................................................................................................................ 536 ÍNDICES XXXV Índice de tabelas Tabela 1 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Vilar de Frades, nas I nquirições de 1220. ....................................................................................................................................................... 385 Tabela 2 - Tab ela com as pr i ncipais ref e rências d e propried ades do mosteiro de Ada ú fe, na s Inquirições de 1220. ................................................................ ........................................................................................... 387 Tabela 3 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Lomar, nas Inquirições de 1220. ................................................................ ........................................................................................... 389 Tabela 4 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Tibães, nas Inquirições de 1220. ................................................................ ........................................................................................... 399 Tabela 5 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Vimieiro , nas Inquirições de 1220. ................................................................ ........................................................................................... 401 LISTA DE SIGL AS E ABREV I ATURAS XXXVI Lista de siglas e abreviaturas AEspA - Archivo Español de Arqueología AD – Anno dom ini ADB – Arquivo Distrital de Braga AIM – Alta Idade Média AM - Amostra ANTT – Arquivo Nacional Torre do Tombo aprox. - aproximadamente AT – Antiguidade Tardia BIM – Baixa Idade Média BNP – Biblioteca Nacional de Portugal BP – Before Present BRA - Braga CAOP – Cartografia Administrativa Oficial de Portugal cal. – calibrado C_Al . – Convento_Alçado cap. - capítulo col. – coleção CSIC – Consejo Superior de Investigaciones Científicas CSFR – Convento de S. Francisco de Real CTT – Correios de Portugal (Correios , telégrafos e telefones) D. - Dom DGEMN – Direção Geral d e Edifícios e Monumentos Nacionais doc.; docs. – documento; documentos E - este et al. – et alii FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia Fig. – Figura fl.; fls . – fólio; fólios LISTA DE SIGL AS E ABREV I ATURAS XXXVII GATMAA – Grupo de Arqueologia Tardoant igua y Mediev al, Arqueologia de la Arquitectura GACMB – Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga GIS – Sistema de Informação Geográfica ( Geografic Information System ) ha - hectares ICArEHB – Interdisciplinary Center for Archaeology and the Evolution of Huma n B ehavior IGEOE – Instituto Geográfico do Exército IM – Idade Moderna INCIPIT – Instituto de C iencias del P at rimonio INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária Inq. - Inquirições Km – quilómetro Lab2PT - Laboratório de Paisagens, Património e Território LF; L. F. – Liber Fidei Lit. - lítico m – metro mm - milímetro most. – mosteiro MPXII – Museu Pio XII N - norte nº - número Nª S rª – Nossa Senhora O – oeste OSL – Optically Stimulated Lu minescence p. – página pp. - páginas PMH.D.C . – Portugaliae Mon umenta Histórica, Dipl om ata et Chartae PMH.Inq. - Portugaliae Monumenta Histórica, Inquiditiones QGIS – Quantum Gis RAF – Royal Air Force S - sul S. – São s/d – sem data LISTA DE SIGL AS E ABREV I ATURAS XXXVIII Séc. – século SMD – São Martinho de Dume Sta. – Santa Sto. - Santo Supl. – suplemento TPI – Índice de Posição Topográfica ( Topographic Position Index ) UAUM – Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho UE – Unidade Estratigráfica U.F. – União de freguesias UMinho – Universidade do Minho UPV – Universidad d el Pa ís V asco v. - vers o vol. - volume DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANTIGUIDA DE TARDIA E A IDADE MODERNA 1 Introdução A evolu ção da pais ag em de uma região, se estudada sob uma pe rspetiva arqueológica, não pode s er dissociada dos diversos tra balhos arqueológicos que aí foram levados a cabo. Dest e modo e, dado que a região bracarense t em sido uma das áreas em que tem incidid o uma parte considerável da nossa atividade de arqueólogo e onde está sedeada a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minh o, instituição em que nos e nquadramos profissionalment e, consideramos que r eunia as condições necessárias para o desenvolvimento da atividade de investigação a que nos propusemos. A amplitude espacial e temporal da nossa investigação foi -se adaptan do à que inicialment e se tinha delineado no primeiro projeto de dout oramento que apresentámos, den ominado “Dinâmicas territoriais e poderes entre a Antiguidade Tardia e a Alta Idade média no NO de Portu g al”, consoante os pressupostos e con dições p ara a sua elaboração se for am alterando. Não obstante, apesar de se tratar de um trabalho de investigação elaborado n um contexto bem definido e balizado no tempo, fruto dos constrangimentos do cale ndário académico, seguramente beneficiou de um con hecimento que se foi acumulando ao longo de divers os an os de trabalho numa inst ituição universitária que, não raramente, assumiu posições inovadoras n o âmbito de diversas áreas científicas. Foi neste contexto de partilha de conhecimentos vários , que se começou a desenhar um projeto científico, que agregou diversos saberes e metodologias de investigação , e buscou o traçar de um caminho próprio, mas alicerçado n um enqu adramento epistemológico b em definid o. D este modo, não é possível dissociar do conhecimento da área em estudo, as diversas campan has de trabalhos arqueológicos em que tivemos oportunidade de participar e codirigir em Dume, em Tibães ou no convento de S. Francisco e na cidade de Bra ga, em intervenções que abarcam a tot alidade do espectro temporal em estudo. Delineado o objeto de estudo e selecionado s os instrum entos m etodológicos para a sua abordag em, tornava-se necessária a definição dos dados a ser tratad os e da forma com o seriam apresentados. Neste sentido, porque a região braca rense tem vindo a ser estudada nas últimas déc adas, por inúmeros autores, apesar de terem u ma abordagem distinta da nossa, foi po ssível dispor d e um excelent e pont o de partida para o trabalho que desenvolvemos, designadamente ao nível dos inventários arqueológicos, que foram sendo elaborados. Apesar da existência de diversos invent ários arqueológicos que abarcam a área de estudo, opt ámos por incluir n este trabalho um invent ário com o detalh e e caract erísticas descrit ivas que u sualmente acompanham os t rabalhos aca démicos da área de arqueologia, que habit ualmente abarcam uma área PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 8 2. Problemática e objetivos O presente estudo visa a compreensão da paisagem e das estruturas de povoament o no território bracarense, no período com preendido ent re a Ant iguidade Tardia e a I dade Mod erna, com um foco primordial nos dom ínios monásticos. Ent ende-se por território bracarense a área aproximada do atual concelho de Braga. Por sua vez, o conceito de paisagem, que sustenta o nosso trabalho é devedor do conceito explanado por Felipe Criado Boado (1993 , p.32), que def ine paisagem h ierarquiz ada como u ma das formas da paisagem d omesticada, que rep roduz a instauração de determina das relações sociai s e produtivas. Neste caso, a paisagem do território em análise, compreende as distintas delimitações que foram efetuadas ao longo dos tempos, bem como as ent idades, forças e poder es con vergentes e/ ou conflituantes, cujas dinâmicas permitiram o desenvolvimento territorial, que tive ram como pont o de chegada, o atual concelho bracarense. Reconhecemos os relevantes contributos que a arqueolog ia t em vindo a fornecer para o estudo da paisagem e do povoamen to , n o âm bito de uma abordagem que segue os pressupostos da Arqueologia da Paisagem, que se tem vindo a afirmar na investigação das últimas décadas (Martins, 1988; Criado Boado, 1999; Hamerow, 2 002; Ch ristie, 2004; Carva lho, 2008; Tent e, 2010; Blan co Rotea, 2015; Sánchez Pardo e Shapland, 2015; Blan co Rot ea, 2017; Martins e Carvalho , 2016; Sánch ez Pardo, Marron e Tiplic, 2020). Esses cont ributos possibilitaram um acréscimo con siderável do conhecimento sobre as pai sagens an tigas, permitindo igualment e a valorização da s entidades pat rimoniais que as compõem, diversificando a s perspetivas teóricas e met odológicas de an álise (Criado Boado, 1999; Cowley et al. , 2010; C hruchley e Crow, 2010; Mayoral Herrera e Celestino Pérez, 2011; Blan co Rotea, 2015; Brugers et al. , 2016 ). Assim, con siderou-se per tinente o en quadramento dessas perspetivas n a narrativa histórica para a região considerada, na lon ga duração, circunscrevendo -se, para já, as abordagens dessa nat ureza à área urbana bracarense (Ribeiro, 2008), ou a unidades de povoamento na sua periferia (Fontes, 2018). Pela riqueza das suas fontes document ais e pela relevância dos da dos arqueológicos obt idos nas últimas quatro décadas, a região braca rense oferece -se como es paço privilegiado para o estudo e compreensão da evolução da paisagem entre a A ntigu idade Tardia e a Idade Moderna. Para o vasto período cronológico que p retendemos estudar, está ainda por aferir, com detalhe, o impact o das principais dinâmicas de poder nas estruturas sociais e de povoamento, de acordo com os pressupostos da Arqueologia da Paisagem, bem como os processos construtivos, de acordo com as análises efetuadas mediante os pressupos tos da A rqueologia da Arquitetura. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 9 Assim sendo, e ten do em consideração o território em estudo e os dados recolhidos nos diversos trabalhos já referidos, a no ssa investigação teve como ponto de part ida o conh ecimento dos poderes subjacentes nas sociedades que ocuparam o espaç o bracarense e a avaliaçã o do seu papel nas alterações da paisagem entre a Ant i guidade Tardia e a Ida de Modern a, procurando -se responder às seguintes questões de inve stiga ção: i) quais os principais poderes con flituantes, qual o balaço de poderes e de qu e forma se foram alteran do ao longo dos t empos ?; ii) q uais as principais ruturas e permanências que se identificam no povoamento nos distintos períodos históricos; quais os principais agent es e promotores do povoamento e em que condições ?; iii) quais os principais constrangimentos e condicionantes físicas, políticas e sociais a determinados tipos de povoamento ?; iv) de que forma se hierarquizou o povoament o n as distint as épocas ?; v) qual foi o papel das com unidades monástica s no povoamento na região bracarense e quais o s principais entraves e con dições favoráveis para a sua implantação e o seu enquadramento na hierarquia de povoamento identificada; vi) quais os distintos modelos organizativos do povoament o, nos diver sos períodos históricos na região de Braga. PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 10 3. Enquadram ento teórico e m etodo l ógico 3.1. Arqueologia da Paisagem: origem, desenvolvimento e perspetivas atuais O conceito de paisagem é ambíguo, polissémico e frequentemente imprecis o. Esta imprecisão pode, em parte, ser explicada pelo diferente significado que o termo apresenta, con soante a líng ua e o context o em que é utiliz ado (Orejas, 1991, pp. 193). Almudena Orejas (1991, p p. 192-195), apresent a, a título exem plificativo, as di ferenças de sentido do conceito, t al como usado em Espanh a, pelo m enos desde o século XVI II, essencialmente n o âmbito da representação artística, distint o do equivalente francês, com significado mais amplo, não se restringindo à s ua acess ão pictórica, mas à repres entação de um território, recorrendo a aspetos sensoriais. Para além deste primeiro conceito de paisagem, ass ociado à cont emplação visual e de cariz predominantemente artístico, ciências como a geologia, ou a g eografia física, passaram a incorporar o conceito co m o objeto de estudo (Orejas, 1991, p. 195). Estas abo rdagen s de finais do século XIX, t iveram como principais protag onistas geógrafos como Ratzel (1844- 1904), Hettner (1859-1941) e Vidal de La Blanche (1845-1918) e fo caram -se na interação do ser humano com o meio ambient e, abrindo o caminho para a s primeir as escolas de Geografia Regional. Estes trabalho s influen ciaram duas correntes independentes, que tiveram um considerável impacto em posteriores es t udos de Arqueologia da Paisagem. Falamos da Escola dos Annales e da Geografia C ultural, no âmbito da qual se destaca o trabalho de Carl Sauer (1889-1 975). A Escola dos Annales teve uma grande influência no aparato metodológico de an álise proposto por Vidal de La Blanche (1845-1918), estando a abordagem deste autor na origem das análises re gionais da paisagem, que devem inte grar to dos os asp etos qu e caracterizam uma região, como o clima, a veget ação, o relevo e atividade humana em todas as suas vertentes. Assim, uma paisag em específica deverá incluir o resultado da integração de todos aqueles elementos (Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boado, 2014, pp. 4379-4388). O reconhecimento da i mportância de relação h omem/ meio, complementada por ideias procedentes da sociologia, proporciono u a visão h istórica do con ceito de paisagem, ainda que associada a uma história predomina ntemente agrária, estando bem refletida n o estudo de cadastr os an tigos do período romano e medieval, uma t radição de investigação baseada n o reconhecimento e documentaçã o de estruturas antigas ainda visíveis, recorrendo a um uso int ensivo de fontes de informação com o fotografia aérea, complementadas por document ação cadastral (Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boad o, 2014, pp. 4379-4388). Est as abordag ens desenvolveram -se sobretudo em Itália e França, até à II Guerra Mundial. A partir de então regista -se uma maior dive rsificação e renovação de l inh as de investigação, DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 11 que passam a aba rcar a prot o -história e o período medieval, t endo como principais palcos, os países nórdicos, a Alem anha, os Países Baixos e o Reino Unid o. Paulatinamente, ampliam-se tam bém os meios de regis to e as fontes de informação, registando-se, para além do uso da cartografia, o uso da fot ografia aérea e o recurso aos resu ltados das análises palinológicas, carpológica s, an tracológicas e arqueozoológicas, bem como o reconhecimento sistemático do terreno (Orejas, 1991 , pp. 197 -198). O desenvolvi mento da Geog rafia Cultural, em Ingla terra e nos Esta dos U nidos da A mérica, pe rmitiu o aparecimento das primeiras pr opostas s obre a relevância da dime n são es pacial relativamente ao registo arqueológico. Assim, na década de 1950, regista -se o ap arecimento das técnicas do que se convencionou denominar de Field Archaeology , cujo objetivo era a análise dos indícios ident ificáveis no território, recorrendo a todos os mei os de documentação e técnicas disponíveis, aument ando o interesse pelo estudo do território, emergindo a noçã o da paisagem como um palimpsesto (Orejas, 1 991, p. 199). Estavam reunidas as condições para a emergência, nos finais dos an os 60 e principalment e nos anos 70 do século XX, de uma alternat iva ao paradigma histórico-cultural, associada ao a parecimento da Nova Arqueologia, alicerçada nas técnicas da Field A rchaeology e na também denominada Nova Geografia, inspirada no positivismo da Escola de V iena. Este movimento ocorreu em simultâneo n o Reino Unido, com D. Clarke (1968) e n os EUA, com Lewis Binford (1931-20 11), on de esteve mais diretamen te relacionado com os avanços ocorri dos na ant ropologia e com a influência dos trabalhos de Carl Hempel (1966) sobre a construção do conhecimento científi co. Para além do Positivismo Lógico, a Nova Arqueologia foi influenciada pelo N eo -evolucionismo e pela Teoria Geral dos Sistemas, desenvolvida por Ludwig von Bertalanffy entre os an os 50 e 60 do século XX ( Bertalanffy, 2008; García San juán, 2005, pp. 116-117). É no âmbito da denominada Nov a Arqueologia, com um foco bastante grande na metodologia , como forma de aced er a socieda des passadas (Thomas, 20 00, p. 1) , que se abre definitivam ente a porta à incorporação de diversos métodos e t écnicas desenvolvidas noutras disciplinas, com destaque para a geografia e a antropologia. Na verdade, a nova abordagem enquadrada pelos pressupostos processualistas propunha uma i nterpretação quanto ao modo como as sociedades se relacionam com os territórios, sendo estes entendidos c omo um con junto de recursos à disposição das com unidades, uma visão que está na base do funcionalismo económ ico. Por sua ve z, a cultura foi con cetualizada como uma adaptação extra somática ao meio, o que justificou uma interpretação sistémica da s mudanças culturais, resultantes de processos ad aptativos, det erminados por desequilíbrios en tre os recursos disponíveis e a sua explora ção, tendo o funcionalismo introduzido uma analogia entre a vida orgânica e a vida social, estabelecendo-se u ma relação entre qualquer aspeto da vida passada e a su a contribuição PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 12 para o funcionamento da mesma (Hodder, 2000, p. 33). Os estudos que foram surgindo neste âm bito, enquadraram-se n o que se convencionou de nom inar por Arqueologia Esp acial, de pendor processualista e funcionalista, que potenci ou o desenvolvimento dos e studos ambient ais no Reino Unido (Criado Boado, 1999, pp. 4-5). A Arqueologia Espacial consolidou os seus pre ssupostos em meados dos an os 70 (Hodder e O rton, 1976; Clarke, 1 977), ten do com o principal foco o us o da estatística e de m odelos matemáticos. Embora a Arqueologia Espacial pretenda abordar a tot alidade da presen ça humana no território, os sítios desempenham um papel fulcral nas análises que são realizadas, aplicadas em t rê s principais escalas: micro, semi-micro e macro (García Sanjuán, 2005, p. 128). A análise micro, desenvolvida n o âmbito desta corrente de investigação, t em como objetivo a determinação da dimen são espacial de vestígios circunscritos a estruturas individuais, constituindo essencialmente um diagnóstico funcional, de acordo com a abordagem empírica referida por F. Criado Boado (1999, pp. 4-5), acima mencionada. A escala semi-micro desenvolve-se ao nível do sítio individu almente, valorizando os espaços de atividade g rupal e coletiva. A escala macro, neste âmbito, explora as relações dos sítios entre si e com o meio ambiente. Tratando-se de uma escala region al de análise, tem como principal ênfase a estratégia de ocupação e exploração económica da natureza, as sim como a territori alidade teórica que reflet e os relacionamentos intergrupais, que se consubstanciam em possíveis relações de desigualdade, con flitualidade, cooperação, com unicações ou, por exem plo, de com ércio (García Sanjuán, 2005, p. 128). Embora não sendo exclusiva, a escala macro constituiu o cerne da abordagem das paisagens. O quadro de renovação epistemológica e metodológica que caracterizou a Nova Arqueologia foi favorável ao desenvolviment o da metodologia de análise de Capt ação de Recursos, cujo principal propósito era a interação dinâmica das comunidades com determinados n ichos ecológicos. Esta metodologia assenta em três princípios f undamentais: a relação proporcional entre a dis t ância e o gasto de energia na obtenção de recursos; o princípio da racionalidade económica e a distinção da importância relativa entre determinados tipos de recursos (García Sanjuán, 2005, p. 131). As correntes marxistas também influenciaram a teoria arqueológica , que incorporou a lógica da dialética e a t eoria e praxis do desenvolvimento social (Mcg uire, 2002, p. 56). O marxismo tem como foco um tipo de t eoria geral, con jugando ideias que, apesar de reconh ecerem a existência de exceções e idios sincrasias regionais, procura identificar princíp ios univers ais , que regulament am a mudança social (Iacono, 2 013, p. 2 ). Todav ia, o seu desenvolviment o e afir mação na prática arqueológica n ão conheceu uma grande ou uniforme dif usão nos distintos paí ses, es tando muitas vezes condicionada pelas realidades e contingências políticas de cad a um. Des t e modo, é compreensível que, no âmbito d a URSS , DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 13 durante a vigência do regime com unista, tenha constituído a base teórica exclusiva da prática arqueológica. Podemos reconhecer em algumas da problemáticas tratadas nos anos 70, na University College of London , no âmbito do Marxismo Estrutural, um dos principais contributos . E sta corrente será de alguma forma tributária da figura de Vere Gor don Childe (1892 -1957) e da sua relevant e contribuição enquanto docente desta in stituição. É ainda de ress alvar o papel importante do Marxismo Crítico , desenvolvido na Am erican A ssociation of Archaeology (T homas, 200 0, p. 199). Em Espanh a, surgiu após o fim do regime de Franco, t endo -se propagad o na América Latina como reação à Nova Arqueologia, refletindo o ambiente sociopolítico vivido nessa região (Mcguire, 2002). Esta corrent e epistemológica permaneceu li gada a de t erminadas insti t uições e grupos de investigadores, situação explicada pela forte componente política da te oria marxista, não sendo possível perspetivar uma A rqueologia Marxista, separada do marxismo como um to do (Mcguire, 2002, p. 4). A sua aplicação nos estudos da paisagem decorre dos seus pressu post os, pe rmitindo perspe tivar a relação de interação entre as comunidades e o meio en volvente, enquadrada por conceitos operativos como meios, relações e modos de produção, que explicam as dinâmicas sociais, em termos de relações hegem ónicas en tre grupos e classes, at ravés da apreciação ent re os “m eios de int eração” e as “relações de int eração” (I acono, 2021, p. 91). A relação com o espaço é con siderada mediante uma relação em rede, que possibilita as tr ansaç ões entre outros modos de produção e que pot encia o nível de acumulação de capit al e a quan tidade de recursos disponíveis. Este sistema concetual em rede é formad o por nós interligados entre si, sendo possível estimar o seu grau de centralidade pela contag em absoluta de arestas que ligam um n ó aos outros (Iacono, 2021, pp. 95- 96). Nos finais da década de s etenta, n a área de influência da geografia francesa, surgiram diversas teses ecologistas, qu e tiveram como principal dinamizador G. Bertrand (1975) , sendo es ta abordagem conhecida por E colog ia Hi stórica. B ertrand propôs uma adequação e reflexão do us o de diversos termos e a sua adequação com o objeto de estudo, t endo considerado que o t ermo paisagem não deveria ser utilizado a nível científico, dev ido à su a ambiguidade, en tendendo mais adequada a utilização do conceito de g eossis tema, para descrever uma estrutura espacial, com um funcion amento geográfico autónomo em que se relacionam o sistema abiótico, o biológico e o antrópico. Os es tudos da paisagem direcionados para a Eco logia Histórica pretenderam evitar os excessos de formalismo e as análises g eométricas do espaço, pas sando a ser baseados na dialética entre a sociedade e a natur eza, defenden do u m determinismo ecológico rela tivo, na medida em que as etapas de boqueio em que o meio é det erminante, potenciam novos marcos tecnológ icos, que permitem que haja evolução e a su peração da situação prévia. PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 14 A alteração paradigm ática q ue conduz à afirmaçã o da Arqueologia da Paisagem terá que ser v ista no âmbito da crítica ao positivismo, qu e constituía a base do pensamento subjacente às correntes anteriormente descritas, surgindo n o cont exto de posições mais s ubjetivas com ba se n os f undamentos da Fenom enologia, devida aos trabalhos de E. Husserl (1859 - 1938), que p retendia aceder às experiências e aos conteúdos da consciência através da intuição (Criado Boado, 2012, p. 140). Husserl defendeu a subjetividade teór ica das ciências empíri cas, substituindo a certez a positivista, pela probabilidade ou possibili dade int electualiz ad a acerca de determinado fenómeno empírico. A incorporação no pe nsamento arqueológico de algun s pressupostos teóricos, que permitiram uma alternativa ao positivismo contou, entre outros, com o contributo de Ian Hodder (1982), no âm bito da denominada Arqueologia Contextual, em que se enfatiza a prática interpretativa. O início da adaptação dos conceito s fenomenológicos nos estudos da Arqueologia da Paisagem ocorre com os trabalhos de Christopher Tilley (1965 - ), designad amente com a publicação do seu trabalho “ A phemomenology of Landscape ” (1 994). A partir deste momento perceciona -se uma mudança no uso do conceito de paisagem, argumentando-se que, ao invés de ser considerada como parte de um ambiente externo, anterior e independente dos humanos, deverá ser ent endida como uma con strução soc ial e cultural moldada, ordenada e apropriada em termos materiais e con ceptuais. A contestação ao paradigma positivista n a arqueologia data dos anos 90 do século XX, enquanto na geografia se iniciou três décadas antes, com os trabalhos de Lyn ch (Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boado, 2014, pp. 4379 -4388). O p ensamento fenomen ológico abriu novas possibilidades para os estudos arqueológicos, permitindo um alargamento dos objetos de estudo e a diversificação e ampliação de conclusões. Contudo, a adaptação de uma postura subjetiva e a necessidade de limitar os excessos interpretativos resultantes de uma aplicação pouco criteriosa da subjetividade, com o foi referido por F. Criado Boado (2012, p. 146), induze m a necessidade de criação de u ma subjetividade que t ivesse “consciência de si”, capaz de examinar outras distintas subjetividades . A adoçã o do paradigma epistemológico foi alvo de críticas, desde basta nte cedo, destaca ndo - se , a título de exemplo, as que foram endereçadas por A. F le ming (1999; 2006), an alisadas posteriormente por J. Barret e I. Ko (2009). Algumas das crít icas que foram feitas na aplicação da fenomenologia à arqueologia relacionam-se com o facto dos estud os realizados se t erem limitando ao uso da nomenclatura, evita ndo os aspetos técnicos da corrente filosófica. A s cr íticas de Fleming (1999, 2006) referem também a ausência de con senso metodológico, o que determina a impossibi lidade de verificação das propostas interpretativas decorrentes da aplicação destes estudos (Ba rret e Ko, 2009, pp. 276-277). A aborda gem fenomenológica de T illey ( 20 05) e de Cumming s e Whitle (2004) parte do princípio de que DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 15 o registo arqueológico só pode ser com preendido por mediação humana, dependendo o seu significado da inter-relação entre as materialidades e o ser humano, sendo o corpo o veículo através do qual esse envolvimento ocorre. Seria através do envolvimento do s eu corpo que o arqueólogo poderia aceder a um estar no mundo passado e a descodificar o significado do registo arqueológico. A abordagem de Tilley (1994, p. 12), acerca da forma como seria estar o estar - no -mundo at ravés de u m distanciamento do mesmo e consequente criação de um distanciamento no espaço, foi alvo de críticas por part e de Barret e Ko (2009, pp. 2 76-277) que consideram que poderá haver alguma con tradição ent re a visão de Tilley (1994) do sujeito consciente e objetificante e a fenomenologia Heideggeriana. Felipe Cr iado Boado discutiu algumas das questões s uscitadas pela adoção da f enomenologia na teoria e prática arqueológica que definiu uma primeira agen da da arqueologia pós -processual qu e se denominou de Arqueologia Contextual. A superação do subjetivismo da fenomenologia a través da hermenêutica conduziu à Arqueologia Interpretativa, cuja preocu pação fundament al seria a busca de um horizonte de interpretação e inteligibilidade que não estivesse exclusivamente mediado pelo sujeito (Criado Boado, 2012, p. 15 7). Os t rabalhos de Merleau-P ointy (1984, p. 369 ) propõem a t ransformação da fenomenologia de Huss erl, que procurava com preender o homem e o mu ndo a partir da sua fa cticidade, como foi referido por Husserl, defendendo a n ecessidade de operar t rês mudanças fundamentais: a mudança da noção de mundo, que s ubstitui o ser como origem e fundame n to da realidade, a reivindic ação do suje ito como horizonte de inteligibilidade sobre a existência e situar a significação no mundo e não na consciência do sujeito (Criado Boado, 2012, p. 157). A relativização do sujeito na prát ica hermenêutica também é defendida pela Escola de Frankfurt e por Hans-Georg Gadamer (1900-20 02), deven do-se a este último, a con tribuição para conferir à hermenêutica o valor de método e prática. O autor aprofunda o círc ulo hermen êutico, como método interpretativo, sintetizando um procedimento que con siste em ant ecipar uma explicação sobre o fenómeno considerado por meio da experiência pré -cient ífica para, posteriormente, corrigir e calibrar a explicação formulada. Assina le -se a importân cia de reconhecer a dis tância no tempo como uma possibilidade positiva e produtiva para o conhecimento, não constituindo um abismo incontornável, refletindo a continuidade do s costumes e tradição, à luz da qual as práticas passad as se nos apres en tam (Johnsen e Olsen, 2000, p. 111). Os trabalh os de Paul Ricoeur (1913 -2005) tiveram igualmente uma con sider ável influência na apropriação da h ermenêutica pela disciplina arqueológ ica. Ricoeur (1981) m antém a an álise estrutural como con dição prévia n o processo de interpretação e introduz um desloc amento do sentido, PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 16 concretizando-se esta met odologia num procedimento que considera o texto em si e a análise dos seus elementos e organização interna, tenta ndo explicar um sentido e definir uma estrutura. Posteriorment e, defende que a compreensão do m undo projetado no text o representa a ação h u mana (Criado Boado, 2012, p. 160). Refira-se ainda a reflexão de T im Ingold (2000, pp. 510-530) acerca da articulação ent re os conceitos de temporalidade e paisagem, pautada por uma perspetiva int egrada, balizada pela Antropologia C ultural e Social, An tropologia Biológica e conh eci mento arqueológico. Neste sent ido, é fulcral o con ceito de “ dwelling ”, mediante o qual, a pais ag em é constituída por um registo duradouro das vivências das diversas gerações que desenvolve ram as suas at ividades e re lações num a determinada ou det erminadas áreas e co ntribuíram individu alment e, para uma amálgama de vestígios que constituem o t odo. Tanto para as populações que v ivenciaram determinados locais, como para os arqueó logos, a paisagem conta uma história ou um conjunto de histórias, estando a sua perceção diretamente relacionada com o conceito de recordação, não como i magem interior do indivíduo , mas a pe rceção de um ambiente envolvente, pleno de significados do passado (Ingold, 2000, pp. 5 10- 511). No contexto das arqueologias pós-processuais verifica-se a tent ativa de restabelecimento de uma visão mais objetiva da int erpretação, defendida por Ian Hodder ( 1991), que se distan cia das posições subjetivistas do pós-processualis mo, que ele próprio aju dou a implantar. Esta alteração de postura leva - o a defender o uso do m étodo h ermenêutico que , na sua opinião, deveria obedecer a um conjunto de princípios q ue formalizam um verdadeiro protocolo: utilização do círculo hermenêutico; autonomia do objeto; noção de t otalidade; apropriação da alt eridade do passado e transladação para o presente; controlo da subjetividade pela harmon ização dos dados; diferenciação objetiva e independente do passado e comparação de diversas hipóteses e ajuste ao t ema; entendimento pa rcial do pas sado, segundo o critério de coe rência das relações ent re par te e con junto e utilização crítica de uma retórica dirigida a um determinado público. Segundo F. Criado Boado (2012, p. 177), a reconceptualização da int erpretação conduz -nos à base teórica da sua prática e este facto endereça-nos ao estruturalismo. Assim, a base teórica da A rqueologia Interpretativa acabará por recorrer à A ntropologia Estrutural de Claude L évi-Strauss (1973; 1979), conhecendo os trabal hos realizados no âmbito da Arqueologia P ré -histórica a influên cia de outros autores, designadamente de P. Clastres (1 974; 1979; 1 981), Giddens (1984; 1 993; 1997), Sah lins (1988), Ingold, (1980; 1986; 1990). Na verdade, o estr uturalismo oferece um método de con trastação de hipóteses distinto do método hipotético -dedutivo, mas também do hermenêutico, baseando -se na compatibilidade estrutural entre códig os, constituindo uma terceira via entre o objetivi smo e o subjetivismo do pensamento moderno. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 17 A part ir dos an os 90 do século XX , F. Criado Boad o (1993; 1 999; 2 012) elaborou sobre os dive rsos pressupostos t eóricos da Arqueologia da Paisagem, que tem vindo a desenvolver e a aplicar ao longo dos anos. Assim, o autor considera ser possível superar o modelo dualista de Lévi - Strauss (pensamento selvagem/pensamento domesticado), sugerindo uma cadeia de formas de pensament o que abarcaria racionalidades de diversas dimensões (caçadora, selvagem, doméstica, domesticada, hierarquiz ada) (Criado Boado, 2012, p. 304). Por sua vez, na abordagem ao espaço que enquadra as con siderações que elabora sobre as possibilidades e limites da Arqueologia da Paisagem, o autor defende uma aproximação aos trabalhos desenvolvidos po r Mich el Foucault (1978; 1980a; 1980b, 1984; 1989), no âmbito da emergência dos novos sistemas de saber, c om o en volvimento de det erminadas tecnologias políticas e produções específicas, até à cr iação de e spaços sociais determinados. Neste context o , interessam também as reflexões de Foucault relativas a o poder e à construção do espaço, estabelecendo ainda que os espaços domésticos surgem como recurso de uma n ova tecnolog ia de poder, inseparável do novo conceito de homem (F oucault, 1984; 1989). As ideias de Foucault tiveram um impacto considerável na construção de alguns conceito s chave propostos por Criado Boado no âmbito da Arqueologia da Paisagem, des ignadamente, qu an to à consideração do espaço c omo parte essencial do p rocesso social de con strução da realidade, ou à consideração de que o próprio espaço tam bém é uma construção social e uma categoria com um determinado sistema saber -poder de uma cultura (Criado Boado, 1993, pp. 11 - 12). Efetivament e, o conceito plural e c rítico de paisagem, conver ge para o seu ent endimento como um produto específico que us a uma det erminada realidade fís ica, para criar uma n ova realidade, um espaço social, através da aplicação de uma ordem imaginada , constitutiva de um espaço simbólico, percebido e pensado (Criado Boado e Parcero Oubiña , 1997, p. 5; Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boado , 201 4, pp. 4379-43 88). Este conceito de paisagem, que teve com o principal dinam izador Felipe Criado Boado (1993; 1 999), teve seguimento nos trabalh os de C ésar Parcero O ubi ña (2021), n o des envolvimento e aplicação de novas técnicas ou n os t rabalhos de Rebeca Blanco Rotea, na sua aplicação e análise de uma forma integrada com a Arqueologia da Arquitetura para pe ríodos históricos e temáticas até ent ão praticamente inéditas neste tipo de estudos (Blanco Rotea, 2015; Blanco Rotea, 2017). A paisagem percecionada como m aterialização de um conceito, como resultado de um processo e como recurso do passado no presente, tem vindo a ser objeto de discussão continuada (Blanco Rotea, 2015, Blanco Rotea, 201 7). En quanto materialização de um conceito, a pais agem surge com o resultado de uma represent ação men tal de uma det erminada “realidade”. Já como resultado de um processo, a paisagem oferece-se como expressão de um processo cumulativo das realidades que a pre cederam e PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 24 nossa investiga ção tira também part ido dos en qua dramentos metodológicos da Arqueologia da Arquitetura, adapt ando os pressupostos que foram desenvolvidos sobre e sta área por Rebeca Blanco Rotea (2017). Este trabalh o constitui- se, assumidamente, com o uma abordag em da paisagem da região de B raga que se en quadra na corren te da arqueologia pós -processual denomina da de Arqueologia I nterpretativa, que Felipe Criado Boado (2012, p. 200), considerou poder realizar uma m aior conciliação entre o rigor do positivismo processualista e a subjetividade que consideramos ser inalienável da análise arqueológica, uma perspetiva que também consideramos ter s ido seguida por Rebeca Blanco Rotea (20 15; 2017), na sua abordagem às paisagens fortificadas da bacia do rio Minho. A perspetiva adot ada press upõe a apl icação de um a m etodologia que pode dese nvolver-se de duas formas distintas. O procedimento mais comum e mais rigoroso con siste em part ir da análise formal para observar possíveis regularidades, enunciar uma h ipótese int erpretativa e contrastar a sua validade, utilizando-se depois modelos interpretativos para perce ber o seu sentido (Criado B oado, 2012, p. 209). Para além desta forma de análise, F . Criado B oado refere também a possibilidade de trabalh ar no sent ido inverso “ mediante um deter mina do mo delo teórico - interpretativo” que permite “enunciar uma hipótese” que possibili ta avaliar se “a análise formal é pertinente e se acomoda regularidades empíricas ou não”. Na abordagem que preten demos efetuar, pese embora os pressupostos de partida decorrentes dos trabalhos de investigação que já foram efetuados para a área e épocas de estudo, procuraremos seguir a primeira proposta met odológica enunciada , de aco rdo com os pressupostos q ue descrevemos no decorrer do presente capítulo. Dado que o trabalho pretende efetuar um a aproximação à paisagem que integrará o estudo das arquiteturas monástica s de Braga, a abordagem contemplará a int egração das ferramentas metodológicas da Arqueologia da Arquitetura, nos moldes que também descrevemos. A primeira aproximação aos dados arqueológicos pressupôs a recolh a exaustiva da informação relativa a t odos os sítios arqueológicos identificados na área de trabalho , que se enquadram no âmbito cronológico do noss o estudo, tendo consistido o primeiro passo na recolha da bibliografia temática mais relevante, designadamente, os trabalh os de investigação que contemplavam inventários temát icos. Para o período romano, destacamos o inventário da tese de doutoram ento de Manuela Martins, que constituiu um dos traba lhos pioneiros da abordag em à paisagem , que dispomo s para a n ossa região (Martins, 1990; 1 995). Esse inventário foi posteriormente ampliado, pelos trabalhos de Luís Fontes (199 3) e de Helena Carvalho (2008), este último cobrindo uma área mais am pla. Para o período suevo -visigótico utilizámos os inventários el aborados por Jorge López Q uiroga (2004) e An dreia A rezes ( 2010; 201 4 ). Para a Idade Média recorremos ao inventário presente na publicação da tese de dou torament o de Avelin o DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 25 Jesus da Costa (Costa, 1997; 2000) e as referências q ue foi possível extrair do doutoramen to de José Marques (1988), Luís Carlos Amaral (2007) e André Marques (2014). Para além dos invent ários temáticos que se afiguram de especial relevância para os sítios da Antiguidade Tardia e da Alta Id ade Média, também se re colheram referências de fontes escritas publicadas. As principais fo ntes usadas para o período m edieval, fora m o c en sual “dito” de D. Pedro, publicado por A velino Costa e as Inquirições de 1 220 ( PMH. I nq. 1888) e de 1288 ( Pizarro, 2012). Para o período m oderno utilizaram- se os dados do “Numeramen to” de 1527 (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -273) e as Memórias Paroquiais de 1758 (Capela, 2003). Os dados recolhidos e analis ados foram inseridos num Sistema de Informação Geográfica (SIG) especialmente desenvolvido para o efeito, recorren do -se ao programa Quantum Gis para a sua implementação. Os campos das tabelas de dados do SIG tiveram por base o sistema que desenvolvemos para o trabalho de mestrado, em 2015, devidament e adapt ados para os objetivos da investigação que aqui apresentamos (Andrade, 2015; Botica, Andrade e Fontes , 2016). A tabela principal, que constituiu o cerne do SIG, con templou os seguint es campos: I d, C odsitio, Topónimo, X, Y, Z, AT, AIM, BIM, I MOD, Par Suevo, Censual XI, Terra XI, Inq 1220, Julg 1220, In q 1288, J ulg 1288, H onras 1288, Nome_ Honras 1288, N um XVI, Termo XVI, MP 1758, Termo X VIII Tipologia 1, Tipologia 2, Tipologia 3, freguesia CAOP 2011 e concelho. O ID é composto por numer açã o sequencial de 1 a n. T rat a -se de uma numeração automática que é atribuída pelo QGIS, constituindo uma referência única e irrepetível, atribuída sempre que se procede à entrada de um novo elemento com representação geográfica. A tabela codsitio contempla a inserção manual de numeração de 1 a n . A referenciação foi efetuada de acordo com os n omes das fr eguesias existentes em 2011, organ izadas por ordem alfabét ica, de acordo com a CAOP 1 . Esta opção foi tomada pelo facto de, à data da elaboração desta tese, estar em curso uma reorganização autárquica, que t em vindo a cont empl ar a desagregação de div ersas freguesias, voltan do à situação que pr ecedeu a reorganização de 2013. A este facto acresce a facilitação do estabeleciment o da correlação entre os sítios, nas distintas épocas. O nome de sítio, foi introduzido de acordo com o topónimo con hecido mais próximo, à semelhan ça do que foi feito em diver sos inventários arqueológicos ( Martins, 199 0; Fontes, 1993; Carvalho, 2008). A estes campos foram acrescentados outros três, para inserção as coordenadas X, Y e Z. O sistema de georreferenciação utilizado foi o ETRS89TM06. També m se incluíram três cam pos , de acordo com os descritores AT (Ant iguidade Tardia), AIM (Alta Idade Média), BIM (Baixa I dade Média), IM (Idade 1 https://www. dgterritorio. gov.pt/carto g rafia/ca rtografia-tematica/ca op (consult ado em 21- 12 -2022, às 07 h53 m). PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 26 Moderna), que foram preench idos com informação binária (1/0) e que permitirão a seleção dos sítios que cont emplam ocupação conhecida de cada período. Também se incluiu um campo de texto para cada uma das referências documentais acim a descritas, de modo a p ermitir efetuar uma correlação entre os dados document ais, à semelhança do que realizámos na n ossa di ssertação de m estrado (Andrade, 2015). No campo Censual XI, cada entrada correspondente a um sítio foi preenchida com os nomes, segundo a grafia identificada n a referência documental em questão, de cada local que foi possível identificar e georreferenciar. No campo Terra XI, foi inserido o n ome da circun scrição territorial correspondente à Terra que está associada a cada paróquia, de acordo com o que se encontra referido em Costa (2000). O cam po Inq 1220 foi pree nchido de acordo com os dados que se extraíram da análise das I nquirições de 1220, segundo os mesmos pressu po stos com qu e se inser iram os dados recolh idos em Costa (2 000). Também aqui se procedeu à associação entre os dados georreferenciados recolh idos e a circunscrição territorial a que estavam adstritas. No caso dos ca mpos Inq. 128 8 e J ulg. 1288, procedeu-se ao preenchimento dos dados recolhidos n as In quirições Gerais de 1288 (Pizarr o, 201 2), de forma semelhante ao já referido para os document os anteriormente mencionados. Dado que este documen to apresenta alg umas variantes para os mesmos topón imos, u sou-se a grafia que se considerou ser a m ais aproximada, relativamente àquela que a precedeu e co m a que a sucedeu, tendo em consideração que algumas das variações, dentro do próprio documento, poderão constituir inconformidades da cópia. Os dados recolhidos no “Numeramento” do século XVI f oram alvo de tratamento idê n tico aos u sados para os dos documentos ref erenciados anteriormente. No campo Num XVI, efetuou -se o preench imento de acordo com os dados re colhidos em (F reire e Pessanha, 19 05) e com a grafia aí presente. No campo Termo XVI, efetuou-s e o seu preenchimento em consonância com os termos a que cada entidade estaria adstrita. No cam po MP 1758, preencheu-se o cam po de cada entidade georrefer enciada de acordo com a análise document al das Mem órias Paroquiais de 1758 (Capela, 2003) , seguindo o mesmo método aplicado às anteriores referências documen tais. No campo Termo XVIII, inseriram -se os dados recolhidos na referida publicação, relativos ao termo a que cada paróquia es taria associada. A tabela tam bém inclui os campos Tip ologia1, Tipologia2, Tipologia3 , que foram pre enchidos segundo as tipologias que se poderiam associar a cada sítio, tendo em consideração os inventários usados. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 27 Figura 1 - Campos da tabe l a do Sistema de I nformação G eográfica. ©Francisco Andrad e Como estabelecemos no plano de t rabalhos que precedeu a tese qu e s e apre senta, considera-se que os trabalhos de aborda gem à paisagem, contemplam uma análise aos meios de implan tação das unidades de povoamento, tal como foi proposto por Felip e Criado Boado (1999, p.18), pelo que o conhecimento prévio do meio, deverá ter em consideração um conjunto de análises , que procuram os realizar no presente t rabalho : i) Análise formal ou morfológ ica do espaço físico , q ue se concret izou na produção de um mapa morfológico, em que se individualizaram os distint os tipos de relevos, como proposto por Rebeca Blanco Rot ea (2015, p. 179), e m linha com o estabelecido por Baker (1985), de descrição sem atribuição de sentido estranho a si mesmo; ii) Análise fisiográfica, que permitiu à identificação das unidades constitutivas e o mapeament o de classes f isiográficas (Criado Boado, 1999, p. 18). Blanco Rotea (2015, pp. 180-181), consider ou pertinente a análise das cumeadas e delimitação das principais unidades delimitadas pelas m esmas.”. De acordo com análise feita por Nuno Loureiro (2016), a análise fisiográfica em Qg is deverá t er em consideração os declives e a exposição solar das encostas, calculadas a partir de u m modelo digital do terreno , tarefa que também realizamos no âmbito da pres ente investigação; i ii) An álise de terreno e análise t opográfica, q ue t eve em con sideração a elaboração de mapas de pen dentes, de solos, de classes agrológicas, de us os e apr oveitamentos efetivos PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 28 ou potenciais e modelos dig itais do terreno (Criado Boado , 1999, p. 18); iv) Análi se das con dições de trânsito, que permitiu a identificação das vias na turais condicionadas pelo rel evo, em conjugação com a observação das características das li nhas de água e as linhas de cumeada, em concordância com o qu e foi defendido por Rebeca Blanco Rot ea (2015 , p. 182). O estudo desenvolvido contemplou as análises descritas, nos moldes em que sã o apresentadas no capítulo I I.1. Esta primeira an álise da configuração geográfica da área de estudo, que constitui o ponto de partida para uma aproximação à paisagem bracarense, foi cruzada com os dados arqueológicos, de modo a ser efet uado um tr atamento integrador de todos os dados. Deste modo, após o conhecimen to aprofundado do substrato físico e n atural da área que foi objeto de estudo, fo i possível realizar as seguintes tarefas: i) Análise do terreno e topografia, que permitiu cruzar os diferentes tipos de sítios com as caract erísticas do terreno em que se implant am, permitindo o cruzamento dos sítios dos diversos períodos históricos com os tipos de implantação analisados; ii) An álise das condições de t rânsito, que permitiu cruzar os principais corredores de circulação natural e compreender o m odo com o foram aproveitados e condicionaram ou poten ciaram a implantação dos sítios ou as dinâmicas de povoam ento, ao longo do tempo; iii) Análise de visibilidades, qu e per mitiu indagar a relação dos tipos de sítios com as condições de visibilidade e intervisibilidade, calculada s estas últimas por análise acumulada das primeiras (Blanco Rotea, 2 015, p. 188), registando -se em que medida a ap ropri ação e apreensão de determinado espaço terá condicionado a implantação dos s ítios e a correlação de determinados acontecimentos históricos coevos da sua ocupação. No caso da s villae analisadas, este tipo de observação foi particularmen te relevant e na definição do cont rolo que poderia ser estabelecido sobre a área de influência. No caso das fortificações, esta análise foi tam bém relevante, n a medida em que permitiu con statar qual o território con trolado por cada fortificação; iv) Análise do uso e aproveita mento potencial dos solos, que foi cruzada com os dados paleoambientais dis poníveis par a a área de estudo, o que permitiu u ma aproxima ção às condições de implantação dos sítios. Tendo por base as análises referidas, foi possível avançar para observações mais complexas, relativamente à h ierarquia dos sítios e aos modelos de ocupação característic os de cada período cronológico, que contemplou as seguintes tarefas : i) Definição de rede de lugares significativos que permitiu estabelecer pontos básicos de orga nização do espaço circundante, defi nidos por características específicas como visibilida de ou part iculares condições de trân sito, conforme foi definido por Felipe Cr iado B oado (1999, p. 18); i i) Recon stituição da hierarquia de lugares, realizada com base na acessibili dade ou permeabilidade diferencial dos sítios n o contexto do povoam ento de cad a período e territórios distintos, bem como a área de infl uência (Criado Boad o, 1999, p. 19); iii) Definição de modelos DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 29 teóricos de ocupação, que teve em consideração a análise e o conhecimento da organização do território, permi ti ndo a apreensão das estruturas conceptuais subjacentes às soluçõe s de organização e ordenamento da paisagem , para os v ariados períodos históricos. Efetuaram-se estudos a diferentes escalas, de acordo com os objetivos específicos de investigação. Assim, as pesquisas da ev olução mais g eral do povoament o e a análise do meio de implantação e características da área em estudo, foram real izadas numa escala macro, procurando -se traçar uma perspetiva geral do povoamento, evidenciando as pri n cipais características do mesmo, condições de implantação, definindo -se as principais permanên cias e alterações ao longo do tempo, a hierarqui a de lugares, as principai s r edes de locais significativos ou a an álise acumulada de visibili dades. Esta escala de an álise, como foi referido por Mañan a B orrazás, Rebeca Blanco Rotea e Xurxo Ayán Vila (2002, p. 16), corresponde a um “ between sites system “, sis t ema utilizado ao nível da teoria espacial económica, que at ua segundo o pressuposto de que a atividade humana se desenrola segundo os princípios da maximização de recursos , minimização dos custos e lei do mínimo esforço, sistematizados pela Nova Arqueologia pr ocessual e funciona lista. Dado que nos posicionamos num quadro teórico e metodológico distinto, para além do pot encial acesso aos recursos demonstrado pela organização de povoamento, procuraremos evidenciar as condicionantes ideológicas e conceptuais que poderão ser int erpretáveis pela organização territorial de cada período abordado. A aproxima ção aos principais sítios e conjuntos monásticos ident ificados na área de estudo foi efetuada a uma escala semi -micro, com o objetivo d e compreender as formas de organ ização int erna deste tipo de sítios e a sua relação com a en volvente próxima. Os trabalhos desen volvidos a esta escala permitiram saber como é q ue seria efetuado o “con trolo” das variadas partes con stitutivas do mosteiro, designadamente quanto à sua adequação à forma de rele vo, ou à correlação das variadas partes constitutivas do sítio com as principais vias de trânsito region ais. De fact o, a a nálise a esta escala pressupõe encarar um sítio arqueológico com o um local em que se desenvolve um con junto de atividades humanas, pelo que a dispo sição e localização das diversas estruturas que o compõem , refletem uma determinada organização funcional do espaço. Por isso, a sua organização espacial reflete os pressupostos mentais e culturais subjacent es à sua con strução e utilização, sendo possível e enquadrá - los nos princípios regulament ares das ordens em que s e in tegravam . Mediante os pressupostos que norteiam o estudo integrado de todos os aspetos constitutivos da paisagem, em concordância com o que foi defendido por Rebeca Blanco Rotea (201 5, p. 29), a arquitetura e a paisagem representam dois con ceitos intima mente relacionados, estando esta relação entre ambos m aterializada pela tripla aceção comum defendida pela autora. De facto, as paisagens PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 30 construídas e humanizadas são con stituídas po r arquiteturas de di versas tipologias e formas e o meio físico onde s e implantam con stitui elemento fundamental e “ matéria-prima ” para a abstração arquitetónica, que se consubstanciou na h umanização do espaço. Na verdade, a p aisagem influencia o ser humano sendo o m esmo parte ativa na sua construção, refletindo as for mas arquitet ónicas , a perceção social da paisagem que a abstração subjacente à constituição de det erminados elementos pressupõe, t al como acontece com outros exemplos de cultura mat erial. Assim sendo, a análise das formas arquitetón icas e da sua evolução, enquant o element os integradores e defi nidores da paisagem, carece de uma m etodologia de análise, t endo sido adotado o aparato metodológico que foi d efinido no âmbito da Arqueologia da Arqu itetura. Os pressupostos subjacentes à metodologia ad otada , têm com o base os precei tos metodológicos inicialmente propostos por Doglioni, (1988, 1997), Bro giolo (1995), Caballero Zoreda (1996), Manoni e Parenti (1996), Azkarat e G arai-Olaun e García Cam ino (1998). Este aparato metodológico inc orporou, sempre q ue po ssível, proc edimentos de açã o que co nt emplam a análise espaci al das estruturas, a análise estratigráfica vertical e horizontal e a análise da perceção e cronotipologia (Mañan a Borrazás, Blanco Rot ea e Ayán Vila, 20 02; Ribeiro, 2008). A adoção e aplicação deste protocolo visou a descrição formal dos distintos con juntos arquitetónicos estudados n o âmbito do pres ente t rabalho, visando a ide n tificação da forma genérica de partida. A análise realizada teve em con sideração fatores organ izativos t ais como: modos e princípios de orga nização e relação espacial. A avaliação das relações espaciais utili za conceitos operativos com o interioridade/exterioridade, con exão, contiguidade e vinculação. Por sua vez, a organização espacial opera com os seguintes conceitos: centralização (determinação de espaço central e domi n ante), linearidade (espaços dir etament e relacio nados entre si), organização axial (organiz açã o em torno de um eixo), organização radial (espaço cent ral dom inante e desenvolvimento radial em t orno do m esmo), agrupamento (constituição de espaços que repartem relações de proximidade e f unções semelhant es), organização em trama (organização no âmbito de u ma trama contínua e regular) . Este tipo de an álise foi efetuado ten do como base os regist os plan imétricos dos principais sítios intervencionados da área de estudo. Também foram in dagadas as relações de es pacialidade, de modo a es tabelecer, na macro escala, os distintos tipos de relações entre sítios. A an álise estratigráfica, ou leitura de paramen tos, corresponde à metodologia mais com ummente associada aos estudos de Arqueologia da Arquitetura, sendo um método d esenvolvi do a part ir da leitura estratigráfica, desenvolvida por Edward Harris (1979) , aplicado às construções históricas (Caballero Zoreda, 1995). Esta análise pressupôs a obtenção de um suporte gráfico rigoroso de registo dos alçados DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 31 dos edifícios. No caso do conven to de S. Francisco, a leitura foi efetuada sobre ortofotos gerados em Metashape, no âmbito de trabalhos de levantamento , efetuados com recurso a um drone e posteriormente tratados no programa Quantum Gis. No caso da análise do sítio arqueológico de Dume , foi utilizada a planimetria vetorial elaborada n o âmbito dos recentes trabalhos de musealização. No mosteiro de Tibães benefici ou-se dos levantament os e estudos que já tinh am sido efetuados (Fontes, 2005). Na medida em que este t rabalho visou articular dados de diversas intervenções arqueológicas com registos distintos, realizados em moment os também muito diferentes, opt ou-se por efetuar uma análise ao nível das atividades con strutivas. Dada a discrepân cia de dados, pareceu -no s a melhor fo rma de estabelecer uma análise de con junto. As revisões tipológicas ou cronológ icas de alguns dos sítios arqueológicos an alisados, foram efetuadas at ravés de uma análise comparativa cron o -tipológica, suportada, sempre que po ssível, por datações absolutas, tal como acont eceu em Dume [ 40] e S. Frutuos o [95]. A an álise de pe rceção, preconizada em Maña na Borr azás, Blan co Rotea e Ayán Vila (2002, p. 3 9), foi subdividi da em quatro tipos de análises distintas: análise Gamm a, an álise de circulação, an álise de visibilidade e análise de visualiz ação. Este protocolo analítico, pese embora po ssa enquadrar-se na análise semi-micro, ant eriormente descrita, t ambém poderá ser aplicad o a o n ível da estrutura propriamente dita. No âmbito destes dois níveis e c om o int uito de definir a forma de vivenciar e percecionar os con juntos monásticos, considerou-se r elevante esclarecer, sempre que possível, os limites dos espaços con struídos, an alisando-se as formas conhecidas de permeabili da de e de acesso, tent ando- se percecionar, sempre qu e os dados o permitiram, de que forma as relações sociais foram vive nciadas em determina dos espaços. Este tipo de análise foi bem definido ao nível da análise Gamma defendida por Hiller e Han son (1984). Também procurámos an alis ar a influência que determinados sent idos de circulação tiver am na organização do es paço e de qu e forma ess a lógica funcionou e se foi alt erando ao longo dos tempos. A informa ção mais detalh ada dos sítios apenas foi po ssível para os locais em qu e se dispunh a de informação que con siderámos suficient e, t endo -se procurado identificar similitudes com áreas que, apesar não terem o mesmo tipo de dados, aparentavam dispor de condições análog as. PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA 32 Figura 2 - Modelo esquemático das distintas escalas de análi se, aplicadas ao mosteiro de Tibães. ©Francisco Andrade Figura 3 - Modelo esquemático de organização de povoamento (limite oval maior, circunscrição de primeira ordem, limite oval mais pequeno, circunscrição de segunda ordem , círculos p reench idos maiores, núcleos de povoamento mais impor tantes, círculos preenchidos menores, núcleos de povoame nto menos important es ). ©Francisco Andrade Parte II - Os dad os e a sua análise PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 40 Figura 9 - Escoam ento total de águas me nsal (média). ©F ranci sco Andrade (com p osi ção cartográfica) Ao nível da exposição sol ar, verifica -se que os p rincipais terrenos com maior exposição , estão subdividi dos em dois grandes g rupos. O primeiro localiza-se a sul de Dume, até à zona de Real e a nor t e de S. Frutuoso, até à zona da C onfeiteira e Cabanas. O segundo situa -se nos terr enos que vão desde a Lameira, passando por Felgueiras, Lamas, Trave ssas, En treportas e Carvalheira. Na área cent ral, entre ambas, ident ifica-se a pequ ena el evação em que se localiza o atual centro da fregues ia de Dume, na su a zona tradicionalmente mais urbanizada, a n orte do sítio arqueológico de Dume. Os terrenos mais a leste, nas zonas abarcadas pela s freguesias de Adaúfe, Santa Lucrécia de A lgeriz, Crespos e Pousada apresentam uma exposição maioritariamente a oeste e nordeste, cruzados em diversas zonas , por faixas com uma exposição a sudeste. Cont ígua a esta região, na área mais a sul, o vale do Este, na zon a leste da cidade de B raga, Gualtar, Bela Vista, até ao limite do concelho , apresenta uma exposição solar a sul e sudeste. Trata -se provavel mente de uma das áreas com maior exposição solar contínua a su l/sudeste, em Braga. Ou t ras regiões com boa exposição s olar a s ul, são a zona de Sobrepost a e Pedralva, parte de Lamaçães, de Nogueira e Morreira e algumas porções da veiga do Penso e Lomar. Um g rande corredor entre Pousa, Cabreiros, Sequeira, Aveleda e Cel eirós, apresenta uma exposição solar a sul e sudeste. Uma das g randes áreas que apresenta uma exposição solar t endencialmente a sul, é a região de Bastuço, Cunha, Tadim e norte de Arentim e Ruílhe, Priscos e parte de Vimieiro. Refira-se ainda Tebosa, norte de DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 41 Oliveira (S. Pedro) e Guisa nde, que apresentam algumas áreas com exposição solar com a m esm a orientação que foi descrita nos parágrafos anteriores. Uma g rande área limitada a sul pelos montes da Graça, de S. Filipe e das Caldas, apres enta uma exposição essencialmente a nordeste e a oeste, que s e estende até à região de Panoias e de Merelim (S. Pedro), interrompida por uma faixa exposta a sul/sudeste na região de Merelim S. Pedro e retomando a exposição a n ordeste e oeste de Merelim S. Pedro. Outras áreas que apresentam u ma e x posição a oeste e nordeste, são as regiões aba rcadas pe los principais promontórios que limitam a região a sul e sudeste, ent re o monte de S. Mamede e de Santa Marta, Sameiro, prolongando-se a norte para Est e S. Pedro e para oeste até Fraião e Picoto. Figura 10 - Mapa apresen tando orientação de exposição solar em Braga. ©Francisco A ndrad e (composi ção cartográfica) O uso do solo na região de Braga, na atualidade, é car act erizado pelo cres cimen to da malha urbana, propagando-se o t ecido urbano contínuo para uma área que abarca toda s as freguesias do cent ro histórico de Braga e parte de Real, Dume, Brag a S. Vicente, Braga S. Victor, S. José de S. Lázaro e S. João do Souto, Nogueira, Lomar e Maximinos. Esta área urbana contínua apresenta nas suas regiões periféri cas diversos espaços dedicados à indústria, com ércio e equipamentos gerais, os den ominados parques industriais. No int erior do tecido urbano contínuo, a única exceção de esp aços verdes é a área abarcada pelo parque do Picoto. No limite da área urbana contínua também se localiz am áreas de lazer PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 42 e desportivas, que têm os dois estádios da cidade, como principal equipament o, dispondo -se uma a norte e a outra a sul. Figura 11 - Uso do solo (Corine Land Co ver). ©Fran cisco A ndrade (composi ção cartográfica) Partindo do núcleo urbano contínuo prolongam -se, praticamente em tod as as direções, diversas faixas de tecido urbano descon tínuo, ladeando o trajet o das principais vias de comunicação, marcadas pelos pontos cardeais e colaterais. Mais a sul, sudoeste e sud este do concelho, localizam -s e diversas manchas de florestas m istas, alg umas delas ardidas, estando na região mais a oeste do concelho, confinadas a uma área de consideráveis dimensões, circundante ao mosteiro de Tibães . O território mais a norte é ocupado por uma ampla área de cultur as t emporárias, a ssociada a culturas permanentes, profusamente pon tuadas por pequenas áreas de florestas mistas. A n orte , destaca-se ainda a pres ença de áreas de vinha, emb ora de dimensões relativament e reduzidas. Refira-se ainda nest a área, a norte e leste, a pr esença de alg umas zonas de extração de inertes, algumas delas já desativadas. Mais a s ul, alternan do com as florestas mistas e área s urbanas de scontinuas, t ambém se ident ificam áreas de culturas temporárias e/ou pastagens associadas a culturas permanentes. Em diversas regiões do concelho, nas suas parcelas não urbanizadas, ident ificam-se diversas zonas que alt ernam agricultura co m áreas nat urais e semi -na turais. A sul e leste do concelho, identificam -se DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 43 florestas abertas, cortes e n ovas plantaçõ es. Na zona leste, principalmente, localizam -se algumas florestas resinosas 5 . 5 https://da dos.gov.pt/pt /datas ets/corine-land-co ver-2012 (consultado em 29- 11 -20 23 às 13h38m ) . PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 44 2. Paleoecologia e alteraçõ e s climáticas en tre a Antiguidade Ta rdia e a Idade Moderna Uma abordagem a qualquer temá tica do passado, d everá ter em consideração o distanciamen to temporal relativamente ao objeto de estudo, podendo constituir um constrangimento para uma avaliação e interpretação de determin ado fenóm eno, que possa ser identificável. No caso do estudo da evolução paisagística de uma determinada região, deveremos estar con scientes de que a antropização de uma determinada paisagem poderá ter sido efetuada mediante condições ambientais distintas das que atualmente se verificam, muitas d elas até decorrentes da própria açã o humana, sendo também, n este caso, a relação bidirecional. A aproximação a essa realidade, pese em bora os inevitá veis condicionalismos, poderá ser es tabelecida através de dados relativos às alterações ambient ais e climatológicas, que podem auxiliar a interpretação da construção e evolução paisagística. Uma aproxim ação ao clima de determinada região, poderá ser conseguida pelo cruzamento de distintos t ipos de dados. A complexidade dessa abordag em pode ser perceb id a pelo estudo de Mc c kor mick et al. (20 12) ac erca das principais alterações climáticas que se verificaram durante o período romano e Alta Idade Média, na Europa Ocidental. Para o efeito , foram usadas as font es t extuais, os núcleos de gelo da Gronelân dia, os registos de radiocarbon o que documentam a atividade solar, os registos de espeleotemas, f orm ados at ravés dos depósitos de minerais nas cavernas, decorrent es na infiltração de água nas rochas e a evolu ção dos glaciares alpinos, cuja análise é poten ciada pelas novas datas dendrocron ológicas, a recon strução anual da precipitação em junh o , n o n oroeste de França, especialmente refletido no crescimento dos carvalhos, os sinais polínicos no planalto Eifel, a precip itação do levante e as mudanças no nível do Mar Negro, a precipitação da Ásia central e os dados decorrentes da análise dos isótopos estáveis de oxigénio no lago Van. O trabalh o referido fornece -nos indicadores gerais acerca das alt erações climáticas da Eu ropa Oci dental, que deverão ser complemen tados com a análise de dados mais e specíficos de regiões concretas , mais próximas da nos sa área de estudo e incidentes sobre a cronologia que pretendemos abordar. O período que se preten de estudar, inicia -se n o int ervalo temporal que se convencionou denominar de Ant i guidade Tardia, que se expan de aproximadamente dos finais do século I II/inícios do I V até ao século V III e que adapt a os pressupostos t eorizados inicial mente por Peter B rown (1978). Na segunda metade do s éculo III ter- se -á ve rificado um arre fecimento a qu e acres ce alguma instabilidade ao n ível da precipitação, ten do-se registado uma int ensif icação da atividade vulcânica, na origem de episódios de rápida m udança climática (Mccormick et al ., 2012, p p. 185- 186). Todavia, no século IV, parece t er ocorrido uma recuperação das con dições climáticas, com um aument o da t emperatura, que DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 45 proporcionou condições de estabilidade am biental e económ ica, pelo menos na parte ocidental do Império Romano (Mccormick et al ., 2012, p. 186 ). Os dados disponibilizados por Mccormick et al . (2012, pp. 191-195), ind icam que o século V registou uma evolução com alternância de temperaturas mais frias na primeira metade do sécu lo e uma tendên cia de aquecimento na segu nda metade. A instabilidade re gistada poderá ter tido como fator pote nciador , a intensa atividade vulcânica, similar à registada n o século I II, com uma ten dência de seca em variadas regiões. As fontes escritas r elativas ao século V indiciam que o velament o da radiação solar terá cau sado um arrefecimento da t emperatura e uma diminuição da produtividade das colhei tas, que é con dizente com a atividade vulcânica registada nos g laciares (Mccormick et al ., 2012, p. 195). No início do século VI parece ter havido um ligeiro aument o da temperatura, seguido de um arrefecimen to, pouco antes da metade da centúria, como document a o aumento exponencial do tam anho dos glaciares alpinos. A estas condições, acrescem sev eras cheias referidas pe las fontes documentais e corroboradas pe la an álise dos anéis das árvores no n oroeste de França (Mccormick et al ., 2012, pp. 19 5-196). A part ir do século VII , verifica-se uma acalmia das con dições climát icas estando documentada uma m udança para temperaturas mais amen as e uma precipitação mais equilibr ada , aproximadam ente ent re os anos 650 e 750, tendo-se document ado um novo arrefecimento no final do século VIII. Na gen eralidade , parecem estar estabelecidas as condições para uma recuperação en tre finais do século VII e o VIII (Mccormick et al ., 2012, p. 200). Para a região em estudo, em princípio, estaríamos en qu adrados n a tendência geral que se parece ter verificado na porção ocidental do Impéri o Romano, dispondo de condições mais amenas, dada a posição geográfica relativamente a algumas áreas de recolha de da dos. Pese embora a ausência de um manancial de informação suficientemente detalhado, d ispomos de alguns da dos próximos, que poder ão providenciar algum conh ecimento complementar e que poderão auxiliar a aproximação que preten demos efetuar. Após o ano 800, de acordo com os dados disponíveis em Dias (2016, pp. 72 -73) e Basto s (20 21, pp. 102 -103), ter- se -á verificado uma t endência geral de aumento das temperaturas médias, iniciando -se o período quente m edieval (pequeno ótimo climático, cujo pico de t emperaturas médias se terá situado num período posterior ao ano 1000 ). As oscilações climáticas terão sido igualmente reduzidas, relativamente ao perí odo precedente, com oscilações que acompan ham , na mesma m edida, a t endência geral das temperaturas, no âmbito do ótimo climát ico medieval ( Dias, 2016, pp. 51 -52). Segundo os dados estudados por Brian Fagan (2020, p. 41), no período quente medieval, verificava - se a existên cia de um clima quente e estável que se iniciaria em junho e se prolongaria por julho e PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 46 agosto, proporcionando abundantes colheitas e a existência de propriedades de reduzi da s dimensões, conforme se documenta nalgumas iluminuras francesas. Esta fragmen tação da proprie dade parece ocorrer na paisagem rural da região do Entre-Douro-e-Minho, dominada pelo minifúndio, só possível devido à existência de índi ces de produtividade mais elevados do que n outras regiões do país, com temperaturas mais extremas e índices de pluviosidade mais reduzidos. Neste período da Ida de Mé dia, as t emperaturas médias localizavam -se entre zero vírgula sete e um grau, acima das temperaturas caract erísticas do século XX, não havendo geada s em maio, o que permitiu a subsistência de culturas menos resistentes ao frio. Este período de estabilidade climática t erá durado pelo menos quinhent os anos, balizando-se aproximadam ente entre os séculos IX e XI II, com uma m aior prevalência a partir do ano 1000, havendo, contudo, alguns an os excecionalmente fr ios, como terá sido o caso de 1258, um episódio climático causado , muito provavelmente, por uma g rande erupção vulcânica (Fagan, 202 0, p. 41), à semelhança do que já havia ocorrido anteriormente, durante as crises climáticas que precederam o ano 800, em que a intensa atividade vulcânica parece t er estado na orige m de períodos de arrefecimento abrupto do clima. O clima europeu, fruto de diversas interações at mosféricas complexas, pa rece ter so frido consideráveis alt erações a partir do século XI V, com alta instabilidade climática e con siderável baixa da temperatura (Fagan, 2020, pp. 48-53). Efetivamente, devido aos efeitos cl imatéricos do fenómeno que é denominado “Gronelândia acima”, o clima europeu padeceu de um inverno seco e excecionalmente frio , logo no início do an o 1309/1310. Foram também document ados elevados índices de pluviosidade (Fagan, 2020, pp. 54 -67) e uma sucessão de invernos frios, que se prolon gou em diversos an os. Os fenómenos climáticos descritos, marcam o início do fenóm eno que se costu ma convencionar por “pequena idade do gelo”. Ma s, ao contrário do qu e o nome possa indicar, este p eríodo, não foi m arcado por uma continuada descida das temperaturas, tendo - se verificado uma g rande o scilação e volatilidade climatérica, que podia alternar en tre os invernos muito frios, verões muito quentes, an os de seca, alternados com anos de chuva t orrencial, bem com o anos de maior ab undância, inverno s amen os e verões quentes (Fagan, 2020, pp. 76- 77). À grande instabilidade climática que caracterizou o século XIV aliaram -se an os de grande instabilidade política e inúmeras epidemias , que conheceram alguma calm aria em m eados do século XV, que se prolongou até ao século XVI (Fagan , 2020, pp. 115- 116). Duran te o século XVI, parece ter voltado um aumento do frio n a Europa, registando -se um aumen to dos g laciares alpinos, tendo a segunda metade do século sido bastant e fria e tempestuosa. A de gradação das con dições climáticas, t erá sido generalizada, estando registado um aument o considerável das tempestades (cerca de 85%), DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 47 principalmente durant e os invernos mais frios ( Fagan, 2020, p . 122). O século XV II também terá sido, na generalidade, tendencialmente frio e instável, facto a que seguramente não será alh eio um novo ciclo de int ensa atividade vulcânica, estan do documentados quatro grandes episódios eruptivos durant e o século (1 641-1643; 1 669-1669; 1675 e 1698-1699). O período entre 1680 e 1730, será o mais frio da “pequena idade do gelo” e o ano de 1725, o mais frio de que há registo (Fagan, 2020, p p. 138-173). Na década de trint a do século XV III, parece t erem estado reunidas as condiç ões climatéricas que permitiram a ocorrência de invernos am enos e h úmidos e verões frescos e secos. Todavia, no final da década e início da seguinte, houve eventos de frio abrupto que terão causado danos consideráveis à produção agrícola e episódios de fome n a Europa (Fagan, 2020, pp. 174 e 193). A s condições climatéricas desfavoráveis terão continuado até meados do século XVI II, terminus do período que pretendemos estudar. Figura 12 - Imag em eviden ciando a E uropa (go ogle Maps), re presenta ndo o efeito "Gronel ândia acima", no clima europeu (ada p tado de Fagan, 2020 , p. 52) . ©Francisco And rade Para além das con dições climatéricas gerais, sistematizadas para a Europa, disp omos de estudos palinológicos e paleoecológicos de caráct er region al, refer entes ao t erritório do noroeste da Península Ibérica, que permitem um conhecimento da evolução do clima e da cobertura vegetal de uma região mais próxima. PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 48 Na impossibilidade de trabalhar com amostras especificas de locais pertencen tes à área de estudo, pretendemos uma aproximação mediada por resultados de diversos locais, relativamente próximos. Assim, é importante o estudo que foi efetuado por Pablo Ramil Rego et al. (2015) , acerca da paisagem e ação humana n o noroeste de Portugal, onde se apr esentam da dos que podem ser cruzados com os disponíveis para a Europa Ocidental, que permitem int erpretar algumas ten dências paleoecológicas da região em análise. No en tanto, desconhecemos em que medida o clima da região em estudo seguiu as tendências europeias mais gerais, que foram ant eriormente apresentadas. Os dados apresentados por Sán chez Pardo e García Quintela (2020, p. 1 84) para a Galiza, indiciam a existên cia de um a intensa desfl orestação, coincidente com a estabilidade do Impé rio Roman o, seguido de uma reflorestação nos séculos IV -V e uma redução abrupta no século VI , que não conheceu mais recuperação, pelo menos na região g alega. Os dados apresentados por Olmo Enciso, C astro Priego e Diarte B lasco ( 2018, pp. 5 -7), refletem, para a zona de Recópolis uma am pla de sflorestação en tre os séculos V e VIII representativa de uma intensa atividade humana. No final da ocupação romana e , essencialmente, na Alta Idade Média parece ter -s e verificado uma recuperação da área de bosqu e, n o n oroeste peninsular. A partir de 980 B P (aprox. 1035 d.C.) parece identificar-se uma fas e de d et rimento do pólen arbóreo, coin cidindo com o increme n to das percentagens de Ericaceae , Poaceae e Olea (Ramil Rego et al ., 2015, pp. 71- 72), que denotam uma diminuição da área de floresta, condizente com a desflorestaç ão de uma parte consider ável do terri tório. Essa desflores tação regist ou --se n as zona s de m ontanha (Ferreir a , Plunket e Font es, 2020, p. 8), tendo -se verificado uma recuperação do bosque no século XII. Na zona da foz do Cávado, h ouve um g rand e crescimento do pinheiro no final do período romano e d urante o período suevo. À medida que a cultura de pinheiro foi crescendo, houve um decréscimo da área de sobro e um aumento da área de cerealia , a partir do período romano tardio (Granja et al ., 2022, p . 48). A pa rtir de finais do século X e inícios do século XI (858-901BP/ 992-1049 d.C.) regista-se um decrés cimo da presença de pinh eiro (Granja et al ., 2022, p. 48). A conjugação das leituras dos dados apresentados para as diferentes regiões parece indiciar que a permanência de áreas desflores tadas durante os séculos VIII e X se afigura mais evidente n a regiã o setentrional do noroeste peninsular, sendo mais claro e ste fenómeno, pe lo menos na região mais litoral , da área mais próxima do Douro, a partir de finais do século X. A partir do século XII I, verificou- se uma gran de re dução da área flore stal n as regiões mais montanhosas do t erritório português, o que denota u ma possível necessidade de terrenos para pastagens e área agricultável. No século XI V, ambas as regiões estudadas por Ferreira, Pl unket e Fontes (2 020, p. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 49 8), parecem ter conh ecido um aumen to da área florestal e uma redução da área arável. Já no século XVI, ter- se -á verificado um a umento da desmatação, ten do existido um acréscimo das espécies herbáceas e uma redução das espécies arbustivas ( Ferreira, Plunk et e Fontes , 2020, p. 8), situação que está bem rep re sentada na serra de Arga, mais próxima ao mar, onde se regista uma fort e redução arbórea e aumento de espécies herbáceas (Góme z Orellana et al ., 2010, p. 58). Dados relativos ao século XVII, documentam que a zona da la m eira de Fiães, con heceu um incremento da área florestal de pinheiro, o que é co mpreensível se considerarmos o ant erior quadro legislativo que fomen tou o crescimento da plantação de espécies arbóre as, de modo a suprir as necessidades da ind ústria naval (Ferreira, Plunket e Fontes, 2020, p. 9 ). Na área em estudo, apesar de não t ermos análises disponíveis, as condições do ter reno levam a considerar q ue este processo de reflorestação não terá sido muito impact ante. PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 56 4. Catálogo de sí tios A organização do catálogo procurou ter em con sideração os diversos tipos de dados arqueológicos e documentais disponíveis, conhecidos para a área de estudo, que serviram de base para o Sistema de Informação Geográfica desenvolvi do e implementado e que perm itiu o desenvolvimento de cartografias e an álises que foram apresen tadas ao longo do texto e orga nizado m ediante os variados critérios q ue foram explanados na descrição da metodologia, que ser viu de base à investigação que des envolvemos. A apresentação dos dados t eve por base a organ ização g eográfica, que se just ifica pela ampla ocupação cronológica dos sítios dispondo, por vezes, de dis tintas tipologias nos diversos períodos históricos. Seguimos as considerações de Martins (1990, p. 63), acerca da pertinên cia da apresentação dos dados, tendo em consideração este critério. Apesar da adaptação da organização do SIG que desenvolvemos, o catálog o procurou qu e a consulta fosse fácil e que a orga nização evidenciasse os dois t ipos primordiais de dados que foram utilizados: os dados arqueológicos e os dados documentais. Na medida em que a consulta dos dados presentes no cat álogo deve ser articulada com a diversa cartografia e a tabela síntese apresentada em apêndice, o elemento primordial de identificação de cada sítio foi a numeração sequencial, que teve em consideração o posicionamento geográfico ordenado por freguesia (pré reorganização de 2013), seguido do to pónimo mais próximo e fre guesia em que está localizado. Optou-se por uma apresentação mais simplista, porque consideramos que deveria constar do índice geral da tese, de modo a estar mais acessível para con sulta. A sistemat ização dos dados, pela sua nat ureza, foi levada a c abo tendo em co nsideração que poderia ser pertin ente a apresentação geral das diferentes épocas , ag rupada pela sua n atureza, tendo h avido a preocupação de harm onização dos mesmos , para os diversos sítios , de modo que h ouvesse uma simplificação de alg uns dos dados relativos aos sítios, apresentad os de forma mais exa ustiva na parte III. Assim sendo, os t rês primeiros itens apresentados f oram a identificação do sítio (número de sítio, topónimo e freguesia), seguida dos dados arqueológicos e dados documentais . É nestes três pon tos que consta a maioria da informação relativa a cad a u ma das entidades consideradas, sistematizando as recolhas que efetuámos n o âmbito da presente investigação e serviram de ponto de partida para a aproximação que efetuámos da evolução da paisagem bracarense entre a Antiguidade Tardia e a Idade Moderna. Apesar de a organização geográfica ter sido a que selecion ámos para este cat álogo, opt ámos por incluir um ponto relativo à cronologia , em que se procurou apresentar de forma sintética, a conjugação das distintas tipologias conhecidas para cada sítio, com os divers os períodos históricos. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 57 Dado qu e a g eneralidade dos sítios já foi incluída em diversos inventários arqueológicos e publicação de font es documentais, que n os serviram de base, inclu ímos na descrição de cada sítio bibliografia selecionada acerca dos mesmos, de modo que possa ser possível a consulta das diversas fontes. Para além da apresentação sintética das refe rências no final, foi feita men ção da base bibliográfica, em corpo de texto, sempre que os dados foram extraídos de publicações. PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 58 4 .1 . Sítio 1 Outeiro; Adães; Barcelos 4.1.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, n os inventários arqueológicos que servira m de base para o nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalm ente. Admitimos a h ipótese de p oder haver um templo a ssociável à Idade Moderna, na origem do núcleo paroquial. Não são conhecidos indícios de materiais e achados isolados p róximos. Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade. 4.1.2. Dados documentais A paróquia de Adães [1] e ra denominada de “ Sancto Petro de Adanes ”, no censual datado dos fi nais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 90). Não se conh ecem referências a esta paróquia em 1220. A paróquia de S. Pedro de Adães [1], apenas vem m encionada nas I nquirições de 1288, como “ Sancti Petri de A daes ” (Pizarro, 2 012, p. 50 0). Costa (2000, p. 90), invent aria diversas referências ao local durante os séculos XIII e XIV. A paróquia de S. Pedro de Adães [1] é r eferenciada no século XVI como “ Sam Pedro dAdaes ” . Em 1758 a paróq uia é denom inada como “ São Pedro de A ddains ” (Capela, 2003, p. 6 6). Também é referido que a paróqu ia estaria incorporada no termo de Barcelos. Part e do conjunto paroqu ial, poderá contemplar elementos que poss am ser associáveis à época m oderna. 4.1.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.1.4. Bibliografia selecionada Freire e P essanha, 1905, pp. 241-273; Costa, 2000, p. 90; Capela, 2003 , p. 66; Pizarro, 2012, p. 500 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 59 4 .2. Sítio 2 Assento; Airó; Barcelos 4.2.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente. Admitimos a h ipótese de p oder haver um templo a ssociável à Idade Moderna, na origem do núcleo paroquial. Desconhecidos indícios de materiais e achados is olados próximos. Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade. 4.2.2. Dados documentais A paróquia de Airó [2] era denominada de “ Sancto Georgi de Laure do, ” no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 89). Desconhecidas referências a esta paróquia em 1220. A paróquia de S. Jorge de Adães [2], foi referenciada nas Inquirições de 1288, como “ Sancti Georgi ” (Pizarro, 2012, p. 500). S. Jorge de Airó [2], “ Sam Jorge e Sam Ma rtinho de Eyroo ”, pertence ao couto da Várzea, no século XVI (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273). A paróquia que é menciona da como “ Sam Jorge de Airó” , segundo a grafia das Memórias Paroquiais, também é referenciada como sendo parte do t ermo de Barcelos no século XVIII (Capela, 2003, p. 68). Nesta paróquia, t al com o a an terior, os rendiment os também são do convento de Vilar de Frades [4], sendo os seus párocos “da apresentação do respetivo reitor”. É ainda feita referência ao fact o de a capela de S . Martinho de Airó , ter constituído paróquia anteriormente. Efetivamente, o inventário que elabor ámos no âm bito do presente t rabalho de investigação, contempla a paróquia de S. Martin ho de Airó [3], para o período medieval. A não identificação da referência para este perí odo é condizente com fusão das duas paróquias. Também se considerou a existência de alguns elementos qu e poderão ser associáveis à Idade Moderna. 4.2.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.2.4. Bibliografia selecionada Freire e Pess anha, 1905, p p. 241-273; Costa, 2000, p.89; Capela, 2003, p. 68; Pizarro, 2012, p. 500 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 60 4.3. Sítio 3 Cepães; Airó; Barcelos 4.3.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente. Desconhecemos indícios de materiais e achados isolados próximos. O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.3.2. Dados documentais Na atual paróquia de Airó [3] identifica - se a referência a “ Sancto Martinio de Capian es ”, no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 90). Não nos foi possível reco lher dados acerca da pa róquia em 1220. A freguesia apresenta -se referenciada em 1288, como “ Sancti Martini de Aireeo ” (Pi zarro, 2012, p. 502). É desconhecida referência a esta paróquia dur ante o século XVI e durante o século XVIII. 4.3.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um n úcleo paroquial. 4.3.4. Bibliografia selecionada Costa, 2000, p. 90; Pizarro, 2012, p. 502 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 61 4.4. Sítio 4 S. Salvador de V ilar de Frades ; Areias de Vilar; Barcelos 4.4.1. Dados arqueológicos Os dados arqueo lógicos deste local são provenientes das es cavações arq ueológicas qu e se real izaram ao longo de diversos anos no local (Fontes, Moreira e Duarte, 2016; Erasun Cortés e Faure, 2 020, pp. 57 -73). O trabalho de dout oramento de António Pereira (2020) tam bém forneceu importantes dados do convento, designadamente ao nível do seu espaço construído. Algun s dos elemen tos inven tariados em Fontes e Pereira (2009) também poderão ser associados ao conven to. O mosteiro da Baixa Idade Média O convento de S. Sa lvador de Vilar de Frades [4], foi alvo de diversas campan has de escavações arqueológicas, cu jos resultados foram publicados em diversos trabalh os, sendo de destacar (Font es, Moreira e Duarte, 20 16) e (Erasun Cortés e Faure, 20 20, pp. 5 7-73). Também foi es tudado por António Pereira, no âmbito da sua tese de doutoram ento, tendo sido an alisado com recurso a metodolog ias da Arqueologia da A rquitetura e da História da Con strução (Pereira, 2020). As interven ções per mitiram a identificação de diversos el ement os que poderão corres ponder ao edifício da Baix a Idade Média (Fontes, Moreira e Duarte, 2016), para além dos que ainda subsis t em no conjunto edificado, como é o caso do pórtico e da janela que se encontra incorporada na zona sul. A int ervenção arqueológica permitiu a identificação de diversos m ateriais cerâmicos t ardo medievais em diversos con textos (Fontes, Moreira e D uarte, 20 16). C osta ( 2000, p. 90) r efere que a doação do mosteiro terá acontecido em 110 4. O m osteiro de S. Salvador de Vilar de Frades [4] tem associados a si elementos de feição româ nica, um dos quais está depositado no Museu Pio XII (Fontes e Per eira, 2009, vol. II, p. 17). O convento da Idade Moderna O convento, na Idade Moderna, foi estudado por António Pereira (2020), ten do igualmente sido fundamentais para o conhecimento que temos do espaço, os resultados das intervenções que fo ram efetuadas no local entre 19 95 e 2012, sendo os pr incipais resultados apresentados em Fontes, Moreira e Duarte (2016) e em Eras un Cortés e Faure (2020, pp. 57-73). O espaço convent ual terá, após ser reduzido a igreja secular, no início do século XV , sido entregue aos cónegos seculares de S. João evan gelista, também conhecidos como Lóios (Erasun Cortés e Faure, 2020, p. 59). A ocupação do espaço, num pr imeiro momento, t erá consistido n uma ocupação do e x tinto mosteiro, sendo o claustro utilizado para acomodações dos anima is e a igreja como adega e celeiro (Pereira e Ribeiro, 2 020, p . 42). O convento, ter á conhecido uma revitalização, sendo referido que a partir da segunda metade do século XV, já se dispõe de registos cont ínuos da ati vidade con ventual PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 62 (Pereira, 2020, p. 140). Em m eados do século XVI, de modo a regularizar o espaço, inicia -se a construção do claustro. Nos finais do século XVI, reformula -se a ala este do espaço convent ual (Erasun Corté s e Faure, 2020, p. 63). No século XVII , documentam -se igualmente diversas remodelações do conv ento, tendo sido reconstruídas paredes, constroem -se abóbadas de n ervuras e edificaram-se capel as lat erais (Pereira, 2020, p. 3 93; Pereira e Ribeiro, 2020, p. 45). No séc ulo XVIII, prolo nga-se o braço norte do t ransep to, sendo abertas portas e entaipadas janelas. 4.4.2. Dados documentais O mosteiro de Vilar de Frades [4] é referenciado com o “ Illo monasterio de Vilar ”, no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 91). As Inquirições de 1220 (PMH. Inq., 1888 ) permitem uma inventariação das propr iedades que estariam n a posse de Vilar de Frades, sendo possível perspetivar um património fundiário qu e tem a sua principal área na Terra de Penafiel de Bastuço e n a Terra de Far ia, que seriam as circunscrições administrativas que mais próximas estariam do conjunto monástico. As Inquirições de 12 88 (Pizarro, 2012, p. 490), fornecem da dos diretos ac erca do conjunto monástico. É referido expli citamente que V ilar de F rades “ he delimitado per pa drões e q ue nenh u m fidalgo n om ha hi hon ra nem casa de morada nem pe rde hi ho mesteyro nada do seu directo ”. Estam os, portanto, perante um domínio que possuiria em 1288 um couto bem delimitado não esta ndo documentadas usurp ações de grande monta, no referido período. No denominado “Numeram en to” do sécu lo XVI, para al ém da referência ao convento e à sua pertença ao Julgado de Penafiel de Bastuço, apenas é feita re ferência à freguesia “ Sam J oham de A reas ” [6] (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273). A Memória Paroquial de Vilar de Frades [4], para além da s interessantes informações acerca do conjunto monástico, apresenta também dados das paróquias de Sancta Ma ria Magdalena [5] e de S. João de Areas [6] (Capela, 2003, pp. 76-7 7). A análise da descrição das duas paróquias permite constatar que ambas eram de dimen são basta nte reduzida, possuindo S. João [6], n ove lugares e Santa Maria Madalena, quatro lugares , tendo possuído em t empos an teriores à Memó ria Paroquial dezoito e quatro moradores, respetivamente. No século XV III as paróquias eram compostas por novent a e quatro fogos e t rinta e dois fogos, respetivamente. Os locais ain da apresentam alguns vestígios construtivos associados à Idade Moderna. 4.4.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média e da Baixa Idade Média associada a um mosteiro. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 63 Ocupação da Idade Moderna associada a um conven to. 4.4.4. Bibliografia selecionada PMH. Inq., 1888; F reire e P essanha, 190 5, pp. 241-273; Costa, 20 00, p. 91 ; Capela, 2003, pp. 76-77; Pizarro, 2012, p. 49 0; Fon tes e Pere ira, 2009 , vol. II , p. 17 ; Font es, More ira e Duarte, 2016; Erasun Cortés e Faure, 2020 , pp. 53 -76; Pereira, 2020 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 64 4.5. Sítio 5 Madalena; Areias de Vilar; Barcelos 4.5.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou indícios de edificado que possam remont ar aos períodos mais an tigos referenciados document almente ou de materiais e achados isolados próximos. O local encontra -se plenamente enquadrado com o casario que lhe está mais próximo, sendo relativamente be m ser vido de vias de comunicaçã o, o qu e permite às pop ulações qu e aí vivem experienciarem parte do seu quotidiano social e religioso. 4.5.2. Dados documentais Na freguesia de Areias de Vilar, no lugar de Madalena [5] identifica-se a referência à paróquia de “ Sancta Maria de Sinagog a ”, n o cen sual datado dos fin ais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 90). Desconhecidos dados acerca da paróquia em 1220 , em 1288 e no século XVI. A paróquia é mencionada no século XVI II, como paróquia de “ Santa Maria Madalen a ” (Capela, 2 003, p. 77). 4.1.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média e Idade Moderna associada a um núcleo paroquial. 4.5.3. Bibliografia selecionada Costa, 2000, p. 90; Capela, 2003, p. 77 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 65 4.6. Sítio 6 S. João; Areias de Vilar; Barcelos 4.6.1. Dados arqueológicos Os dados arqueológicos de dispomos para o local são essencialmente provenientes dos invent ário s do Museu Pio XII (Fontes e Pereir a, 2009 , vol. I , pp. 71- 73 ). Desconhecidas ruínas de estruturas associáveis ao local, ou in dícios de edificado que possam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documen talmente. A dmitimos a hipótese de poder h aver um templo associável à Idade Moderna, na origem do núcleo paroquial. Uma parte considerável dos elemen tos arquitetónicos referenciados no sítio [4] for am originalmente associáveis às proximidades da capela de S. João [6]. Dadas as características dos elementos e o edificado con hecido, assu mimos qu e fará mais sentido a s ua a ssociação ao conjunto m onástico medieval. Fica, contudo, a nota da sua associação a esta proveniência. O local encontra -se plenamente enquadrado com o casario que lhe está mais próximo, sendo relativamente be m ser vido de vias de comunicaçã o, o qu e permite às pop ulações qu e aí vivem experienciarem parte do seu quotidiano social e religioso. 4.6.2. Dados documentais Na freguesia de Areias de Vilar, no lugar de S. João [6] identifica- se a referência à paróquia de “ Sancto Johani de Arenas ”, no censual datad o dos finais do s éculo XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 90). S. João de A reias [6], apen as aparece referenciada nas I nquirições de 1220 (PM H. Inq., 1888, pp. 16, 87, 175, 218). A. Costa (2000, p. 90) para além desta, elenca outras referências documentais associadas aos séculos XIII-XIV . No denominado “Numeramento” do século XVI , para além da referência a “ Sam Joh am de A reas ” refere-se ao convento e à sua pertença ao Ju lgado de Penafiel de Bastuço [6] (Freire e Pe ssanha, 1905 , pp. 241-273). A paróquia é mencionada no século XVIII , com o paróquia de “ S. João de Areias ” (Capela, 2003, p. 76). 4.6.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.6.4. Bibliografia selecionada PMH. I nq., 1888, pp. 1 6, 87, 1 75, 218; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 90; Capela, 2003, p. 76; Fontes e Pereira, 2009, vol. I, pp. 71- 73 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 72 4.12. Sítio 12 Moure; Moure; Barcelos 4.12.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigo s referenciados document almente. Admitimos a h ipótese de p oder haver um templo a ssociável à Idade Moderna, na origem do núcleo paroquial. Também desconhecemos indícios de materiais e achados isolados próximos. Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade. 4.12.2. Dados documentais A paróquia de Moure [12] era denominada de “ Sancta Maria de Mauri ”, no censual dat ado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 89). Santa Ma ria de Moure (12), encontra - se referenciada nas Inquirições de 1220 co mo “ Sancta Maria de Moure do Couto da Varzea ” sendo, como o n ome indica pertencente ao couto men cionado (PMH. Inq., 1888, pp. 33, 113, 1 87, 233). Nas Inquirições d e 1288 é den ominada “ Sancte Marie de Mouri ”, sendo pertencente ao couto da Várzea (Pizarro, 2012 , p. 496). A freguesia é referenciada no século XVI com o Moure, mas já pertencente a Penafiel de Bastuço (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241- 273). Em Santa Ma ria de Moure [12], refere- se apenas a associação ao “ districto de Pennafiel ” (Penafiel de Bastuço), que perten cia ao termo da villa de Barcelos e q ue tinha cinquenta e sete fogos e cent o e sessenta pess oas, sendo o pároco apresentado pelo reitor de Vilar de Frades (Capela, 2003, p. 130). 4.12.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.12.4. Bibliografia selecionada PMH. In q., 1888, pp. 33, 113, 18 7, 233; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, pp. 68- 106; Capela, 2003, p. 89; Pizarro, 2012, p. 496 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 73 4.13. Sítio 13 Capela/Cruzinha; Pousa; Barcelos 4.13.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente. Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos. O local encontra-se plenamente enquadrado com o casario que lhe está mais adjacente, sendo relativamente be m ser vido de vias de comunicaçã o, o qu e permite às pop ulações qu e aí vivem experienciarem parte do seu quotidiano social e religioso. 4.13.2. Dados documentais Na freguesia de Pousa, no lugar de Capela; Cruzinha [13] identifica -se a referência à paróquia de “ Sancto Sa lvator de Reguela ”, no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 93). S. Salvador da Reguela [13] é referenciada como “ Sancto Salvatore de Reguela ” em 1220 e é pertencente ao couto da Vár zea (PMH. Inq., 1888, pp . 18, 85, 17 4, 217). A paróquia é mencionada com “ Sancti Salvat oris de Regeela ” em 1288, continuando a ser referida a sua presença ao couto da Várzea (Pizarro, 2012, p. 475). No “Numeramento” do século XVI, também temos referências à fregues ia da “ Reguella ” [13] (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273). Desconhecemos dados acerca desta paróquia no século XVIII . 4.13.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.13.4. Bibliografia selecionada PMH. I nq., 1888, pp. 1 8, 85, 1 74, 217; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 93; Pizarro, 2012, p. 475 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 74 4.14. Sítio 14 Pousa; Pousa; Barcelos 4.14.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos invent ários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalmente. Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados. O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.14.2. Dados documentais A paróquia de Pousa [14] era denominada de “ Sanct a Cristina de Ulgoso ”, no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 92). Santa Cristina da Pousa [ 14], era denomina da nas Inquirições de 1220, de “ San cta Christina de Ulgoso ” e pertencente à Terra de Bastuço (PMH. Inq., 1888, pp. 15, 87, 174, 218). Em 1288 denom inava- se “ Sancte Christine de Ulgoso ” e pertencia ao Julgado de Bastuço (Pizarro, 2012, p. 476). Não conseguimos identificar u ma referência a Pousa, no século XVI . Na freguesia da Pousa [14], as informações fornecidas ao in quérito de 1758, são detalh adas, sendo referido que p ertencia ao termo de Barcelos e ti n ha cerca de cento e dez fog os e trez entas e quarenta e sete pessoa s. Os lugares que são elencados com o sendo pertencentes a esta igreja são: “ Seara, Penedo, Deveza, Outeiro, Fontellas, Pont ido, Espoldras, Decar tes, Brunhais, Emproa, Aldeia, Pouza, Barre iro, Dobrigo, Rego, Peroalgozo, Paimouro, Pas so, Fontão .”, ocupan do a paróquia uma zona central no território co mo parece acontecer em diversas outras paróquias (Capela, 2003, p. 132). Apesar de ser pertencente ao termo de B arcelos , o seu pároco é apr esentado pelo abade de Padi m da Gr aça q ue, como vimos ant eriormente n a descrição do couto de T ibães, f az part e int egr ante do seu domínio. Outro aspeto interessante que podemos con statar pela leitura da descrição desta freguesia, é o facto de que, face à sua situação entre dois domínios monástico -conventuais, como é o caso dos domínios de Tibães e de Vilar de Frades, a exploração dos recursos hídricos e piscatórios estar con dicionada (Capela, 2003, p. 132). 4.14.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 75 4.14.3. Bibliografia selecionada PMH. Inq., 1888, pp. 15, 87, 174, 218; Costa, 2000, p. 92; Capela, 2003, p. 132; Pizarro, 2012, p. 476 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 76 4.15. Sítio 15 Sequeade; Sequeade; Barcelos 4.15.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente. Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos. O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.15.2. Dados documentais A paróquia de Sequeade [15] era denomina da de “ Sancto Jacobi de Ciquiavi ”, no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 89). S. Tiago de Sequiade [15], era referenciado como igreja de “ Sancto Jaco bo de Ciquiadi ” em 1220 e pertencente à Terra de Faria (PMH. Inq., 1888, p p. 3 1, 111, 186, 232). A paró quia era denom inada “ Sancto Jacobi de C iquiadi ” em 1288 e pertencen te ao Jugado de Faria (Pizarro, 2012, p. 5 07). Não conseguimos extrair referência de Sequeade [1 5] no século XVI. A freguesia de Sequeade [15], n o século XVIII , também era parte do termo de Barcelos, sendo referido que a igreja paroquial estar ia localizada junto ao monte Airó, que com o já vimos an teriormente, é um dos maiores referentes da topografia desta zona . Os lu gares que são considerados com fazendo parte desta paróquia são: “ Aido …, Viso , Fontedonna , Sequia de Fontainha , Lugar de Baixo , … Alvite , … Talhos , … Moinhos , Sam Pedro de Sá … Furguel ”. É referido ain da que a igreja não tem beneficiados de espécie alguma, sejam eclesiásticos ou seculares (Capela, 2003, p. 140) 4.15.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.15.4. Bibliografia selecionada PMH. Inq., 1888, pp. 31, 111, 186, 232; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, p. 89; Capela, 2003, p. 140; Pizarro, 2012, p. 507 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 77 4.16. Sítio 16 S. Pedro/Sá; Sequeade; Barcelos 4.16.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, nem em visita ao local. Desconhecemos ruínas de estruturas associáveis ao local, ou indícios de edifi cado que possam remontar aos pe ríodos mais antigos referenciados documentalmente. T ambém desconhecemos indícios de materiais e achados isolados que lhe poss am ser associáveis. O sítio encon tra-se bastante descaracterizado, contudo pensamos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.16.2. Dados documentais Na freguesia de Sequeade, n o lugar de S. Pedro; Sá [16] ident ifica-se a referência à paróquia de “ Sancto Petro de Saa ”, no censual datad o dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Cos ta, 2000, p. 88). A paróquia encontra - se referenciada como “ Sancti Petri de Saa ” em 1220 e perten cente à Terra de Faria (PMH. Inq., 1888, pp. 32 , 111, 186, 232). É denominada “ Santi Petri de Saa ” em 1288 e pertencia ao Julgado de Faria (Pizarro, 2012 , p. 516). Não identificámos referência para a freguesia no sécu lo XVI , e n as Memórias Paroquiais de 1 758. 4.16.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um n úcleo paroquial. 4.16.4. Bibliografia selecionada PMH. Inq., 1888, pp. 32, 111, 186, 237; Costa, 2000 , p. 88; Pizarro, 2012, p. 516 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 78 4.17. Sítio 17 Fontela; Adaúfe; Braga 4.17.1. Dados arqueológicos Os dados arqueológicos que temos disponíveis para o local são essencialmente provenientes do Inventário Arqueológico de Braga (Fontes, 1993, pp . 31 -88). O sítio de Font ela [17], encont ra -se referenciado em Fontes (199 3, p. 35), como sendo associável também a vestíg ios do per íodo medieval, não nos ten do, todavia, sido poss í vel a sua a ssociação a qualquer estrutura concr eta que possa indiciar a tipologia específica do local. No inventário arqueológico (Fontes, 1993, p. 35), re fere o aparecimento de tijolos , tégula e cerâmica utilitária, enquadradas no período romano e Idade Média. Dada a impossibilidade de enquadramento claro, com outro tipo de referências, optam os por assina l ar a pot encial ocupação do local em todo o período medieval, embora com um grau de certeza i nferior ao dos outros sítios referen ciados na freguesia de Adaúfe. O sítio encon tra-se implantado em terrenos de vale, em zona tradicionalmente agrícola, no amplo vale entre a cidade de Braga e o rio Cávado. Pensamos não poder ser estabelecida qualquer relação direta entre os materiais e um núcleo populacional espe cífico de grande relevo. 4.17.2. Dados documentais Não n os foi possível associar com clareza dados documentais específicos para o assentamento que poderá ter existido no local. 4.17.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média associada a um habitat . 4.17.4. Bibliografia selecionada Fontes, 1993, p. 35 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 79 4.18. Sítio 18 Adaúfe/Quint a da Renda; Adaúfe; Brag a 4.18.1. Dados arqueológicos Os dados arqueológicos que dispomos para o local s ão provenientes dos div ersos invent ários temáticos que selecionamos no n osso estudo e aná lise dos m esmos e do edifi cado, analisado em deslocação ao local. O conjunto paroquial de Ada úfe [18], é essencialmente con stituído pelo templo do século XVIII e edificações an exas. Também se destacam os ed ifícios da quinta da Renda que devem ser coetân eas cronologicamente. Pese embora n ão se identifiquem v estígios arque o lógicos m ais antigos in sito , pela ausência de escavações, pensamos que entre as duas edificações que acima mencionamos, poderiam estar localizadas as principais áreas con struídas das diversas unidades de pov oamento que temos documentadas para esta zona da paróquia. Nos terrenos próximos à igreja de Adaúfe [18], foram identificados elementos arquitetónicos, designadamente fus tes de colunas e material laterício e u ma inscrição vot iva ( Martins, 199 0, pp. 80 - 81; Fontes, 1993, pp. 35-3 6; Carvalho, 2008, p. 2 72; Fontes e Pereira, 2009, vol. I , pp. 51 - 52 ; Carvalho, 2019, p. 45). Ape sar de não estarem associados ele mentos que possam, com segurança, relacionar este sítio à época em an álise e tipologia em questão, as características de imp lantação do local, a disponibilidade de terrenos para a exploração ag rícola, a correlação entre vestígios do período precedente e sucedâneo, no local, levam-nos a assumir a ocupação no período em estudo. As evidências da existência de um m osteiro n este local, de cronologias mais recuadas, são consideravelmente segur as, dadas as diversas re ferências documentais co nh ecidas e os div ersos elementos arquitetónicos que s e conhecem para este local. O sítio abarca, tal como os t opónimos associados indiciam, o atual n úcleo paroquial de Adaúfe e a quinta da Ren da. O sítio, no início do principal núcleo h abitacional da freguesia encont ra -se em área que incorpora terrenos ag rícolas e zona con struída. Parte dos mesmos, porque se encontram em propriedade privada, não são de fácil acesso, o que dificultou trabalhos mais detalhados de prospeção. 4.18.2. Dados documentais O mosteiro de Adaúfe [ 18] é ref erenciado como “ S. Salvator Adaulfi; Illo monasterio ”, n o censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 98). A análise da s In quirições d e 1220 (PMH. Inq., 1888), permite constat ar que o mosteiro apresenta um con siderável pat rimónio fundiário com e special incidência na região leste de B raga, na zona mais próxima da localização do espaço con struído. Uma das caracte rísticas not órias da an álise dos bens incorporados no patrimón i o fundiário do convent o, é uma certa prevalência para a dis persão de PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 80 propriedade e uma tendência para localização em regiões mais aciden tadas, n as T erras a les te do couto de Brag a, design adamente no termo de Vieira, Lanhoso, Julgado de Travaços, Terra de Montelongo e Julgado de Bouro. As Inquirições de 1288 (P izarro, 20 12, pp. 4 47-460), apresentam referê ncias diretas ao mosteiro de Adaúfe n omeadamente a ref erência a det erminados l ocais de San ta Maria de Adaúfe, Sa nto André e Santa Lucrécia de A lgeriz. Nas paroquias de Santa Maria de Ada úfe [18] e Santo André do Vale [29], à exceção das h onras “ que chamam da Mota e a casa que cham am o Paaço da Fonte que he d o Arcediagoo he provado que as virom honradas de que se acordam as testemunhas e d’ouvida de longo tenpo e dizem as t estemunhas que t rajem por honra com estas quintaas Aldeiãaes e Moinhos e Pinheirio ”, as re stantes terras são do mosteiro de Adaúfe. A análise à descrição desta paróqu ia também permite a constatação que o lugar da Ribeira [19], e staria, n este momento, indevidamente honrado, sendo orden ado que cessasse a usurpação detetada. Em Santa Lucré cia de Algeriz [99] é referido que os lugares de nome “ Fromam e Souto e Roemir ”, que t inham sido de “ filhos d’ Algo ”, foram doados ao mosteiro de Adaúfe [18] . Em Adaúfe [18], apes ar da extinção do conjunto monástico no sécu lo anterior, no século XVI ainda é referenciado como “ mosteiro de Adaoufe ”( Freir e e Pessanh a, 1905, pp . 241-273). No século XV III, já só é referenciado como paróquia, sendo referido que “ Não há na freguesia conventos, nem h ospital, nem caza da mizericordia ” (Capela, 2 003, p. 161). É ainda feita refe rência aos lugares que são constituintes da freguesia: “ Pegada, Romil, Eira Velha, S. João, Oiteiro, Real, Mota, Oiteiral, Font ella, Linhares, Pinheirinho, Bica, Moinhos, Valle, S. An dré, Preza, Ribeira de Baixo, Oitieirinhos, Ribeira de Cima, Pinheiro, Barreiro, Redon do, Freire, Estrada, Ferreiros, Cajam, Pene lla, Valverde, Quintam, A ldeia, Ferradães, Corrego, Mont ezinhos, A velar, Souto, Sedo feita, Caza Nova, e o sobredito lugar da Com enda ”. O lugar da C omenda corresponde ao l ugar da s ede paroquia l, sendo possível, ain da nos dias de hoje vi sualizar um int eressante conjunto dos séculos XVII -XVIII. A análise aos lugares da freguesia acima enumerados, permite ain da constat ar a afinid ad e topon ímica de alguns, com paróquias mencionadas na Idade Média, sendo not ória a sua fusão com a paróquia de Santa Maria de Adaúfe [18] . 4.18.3. Cronologia Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma villa . Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um m osteiro. Ocupação da Idade Moderna associada a um núcleo paroquial. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 81 4.18.4. Bibliografia selecionada PMH. Inq., 1888; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -2 73; Ma rtins, 1990, pp. 80 -81; Fontes, 1993, pp. 35 -36; Costa, 2000, p. 98; Capela, 2003, p. 161; Carv alho, 2 008, II, p. 26; Fontes e Pereira, 2009 , vol. I, pp. 51- 52 ; Pizarro, 2012, pp. 447- 460, Carvalho, 2019, p. 45 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 88 4.23. Sítio 23 Igreja velha; Arentim; Braga 4.23.1. Dados arqueológicos Os dados arqueológicos q ue temos disponíveis para o local são essencialmente provenientes do Inventário Arqueológico de Braga (Fontes, 1993, pp. 31-88), de estudos histórico -artísticos de alguns elementos arquitetónicos (Real, 2006, pp. 133 -170) e de visita que efetuamo s ao local, em que analisamos detalhadamente o sítio arqu eológico. Pese embora as referências efetuadas por Fontes (1993, p. 38), de q ue os diversos e lementos arquitetónicos sej am indiciadores de existência de estruturas qu e se desenvolviam nos terrenos próximos à antiga igreja paroquial, não nos foi possível na visita a o local identificar alterações à t opografia do local, alterações na topografia dos terrenos que nos permitisse t er uma ideia da morfologia das mesmas e da sua disposição e área abrangida. Contudo, concordamos que os indícios da sua existência são ba stante elevados. O mosteiro de Arentim [2 3], parece estar associad o a element os arquitetónicos pré -româ nicos estudados por M. Real (2006, pp. 31-8 8), sendo de destacar os m odilhões de rolos, que parecem ter influências de origem g alaico-asturiana. No local da antiga igreja de on de são pr ovenient es os elemen tos de m aterial de construção, parece haver ind ícios da presença de algum tipo de assentamento anterior, sem que sej a possível, com clareza, estabelecer qualquer tipo de enquadrament o ti pológico. Os fragm entos foram identificados numa zona de pendente bastante suave, que tivemos a oportunidade de visitar, que atualmente é agricultada . Tal como em outros locais, a inexistência de intervenções arqueológicas , dificulta a int erpretação dos dados, não s endo possível a corre lação com os vestígios an teriores e a obtenção de dados mais concretos da adaptaçã o do local a m osteiro, ou ain da, o contexto mais específico da sua fundação, designadament e os contornos subjacentes à escolha do local que, muito provavelmente, foi ocupado anteriormente. O local encon tra-se implantado n uma zona de verten te suave, muito próxima dos terrenos mais de vale, com elevado potencial agrícola. Estes são facilmente acessíveis a part ir deste local, embora lhes sejam ligeiramente sobranceiros , propiciando um fácil con trolo dos mesmos. Sem um conhecimento mais detalhado das estruturas e o seu claro enquadrament o tipológico, não é fácil uma análise mais detalhada da envolvente. 4.23.2. Dados documentais A paróquia de Arentim [23] era denominada de “ Arinthin ”, no censual datado dos f inais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 81). DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 89 Não nos foi possível recolher dados acerca da paróquia em 1220 e em 1288. Contudo, a análise do documento de 1288, da paróquia de Sant a Maria de Arnoso (117) , pe rmite identificar uma referência indireta, como se verif ica na menção à “ honraa que fo y d e Ramiro Paez e he ora de Fernam de Sandy ”, onde é referido q ue em det erminado momento, o term o passaria “ ende a Pedra liaçeira que esta contra Arentim ” (Pizarro, 2012, p . 97). A análise efetuada por A velino Costa (2 000, pp. 81 -82), permite constatar que nas inquirições de 1258 há a referência à “ collatione Sancti Salvatoris de Arintim ”. A freguesia de Arentim [23] é denominada “ Aremtim ” no século XVI , sendo referido que tinha couto próprio (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273). No século XVIII é referido como sendo couto da arqu idiocese primaz de B raga. A resposta ao questionário revela ainda que n o século XVIII seria con sti tuída por duzentas e trint a pes soas, sendo ain da referido que é constituído pelos lugares de “ Gondomar … Estrada … Pessel ar … Ponte … Crastto , … Cantareira … Costa … Samossa … Soutto … Rial … Assento …” (Capela, 2003 , p. 165). No lugar da Igreja Velha [23], apesar de, no s éculo XX se ter construído uma n ova igreja paroquial, ainda se ident ifica a antiga igreja paroquial, cujo edifício se apresenta como sendo associável à Idade Moderna. O rio Este e o monte de Santo André, parecem ser os principais re ferentes geográficos do couto, pese embora não pareçam ter g rande importância, a nível económico, à luz do que é descri t o nos diversos pontos abordados na freguesia (Capela, 2003, p. 166) . 4.23.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média associada a um mosteiro. Ocupação da Baixa Idade Média e Idade Moderna associada a um núcleo paroquial. 4.23.4. Bibliografia selecionada Freire e Pessanh a, 19 05, pp. 241-273; Fontes, 1993, p. 38; Cost a, 20 00, p. 8 1; Capela, 2 003, p. 166; Real, 2006, pp. 133-170; Pizarro, 2012, p. 97 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 90 4.24. Sítio 24 Aveleda; Aveleda; Braga 4.24.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente. Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos. O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.24.2. Dados documentais A paróquia de Aveleda [24] era denom inada de “ Sancta Maria de Avelaneda ”, n o ce nsual dat ado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 83 ). Também é referenciada nas Inquirições de 1220 (“ Sancta Ma ria de A velaeda ”) (PMH. In q., 1888, pp. 15, 86, 174, 216) e nas Inquirições de 1288 como “ Sancte Marie d'Aveleda ” (Pi zarro, 2 012, pp. 494 -495). No século XVI ident ificou- se a referência da freguesi a como “Sancte Ma rie d’Aveleda” (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273). A paróquia da Aveleda [24], tam bém t em como principal fon te de informa ção para este período, as Memórias Paroquiais q ue e stão a ser alvo de análise. A arquitetura da igreja paroqu ial remete -nos para períodos mais recentes. A freguesia, perten ça do couto de Vimieiro, como já constatamos em períodos anteriores, tinha n o século XVIII oitenta vizinhos e era con stituída pelos lugares de “ Louredo, Passos, Gaiam, Avelleda, Antoinha, Gondufe, Lage, Larangeira, Noval, Marzagam, Torre, Igreja e Mo nte ” (Capela, 2003, p. 1 6 7). Não é feita referência a qualqu er outro tipo de aspeto de i nteresse ou de destaque nest a freguesia. 4.24.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.24.4. Bibliografia selecionada PMH. I nq., 1888, pp. 1 5, 86, 1 74, 216; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 83; Capela, 2003, p. 167; Pi zarro, 2012, pp. 494-495 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 91 4.25. Sítio 25 Maximinos; Braga (Ma ximinos); Braga 4.25.1. Dados arqueológicos Os da dos arqueológicos, que dispomos do local, para além de serem essencialmente provenient es dos diversos invent ários t emáticos que utiliz amos, foram compilados na tese de dout oramento de Cristina Braga (201 8). Na rua do Caires, n as prox imidades da igreja de S. P edro de Max iminos [25], foram identificadas diversas sepulturas, escav adas pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (Martins e Delgado, 1989-1990, pp. 41- 186 ; Fontes, 1993, p.57). A sua igreja paroquial ainda conserva vestígios q ue podem ser assoc iáveis à Ida de Moderna. Apesar de hoje já estar perfeitamente integrada na malha urbana da cida de de Braga, no perí odo em análise, a freguesia, localizada em zona extramuros, ainda constitu ía um arrabalde da cidade de Braga [34]. A coleção do Museu Pio XI I, cont ém um capitel (nº199), associável aos séculos V -VII que poderá ser associável ao referido templo (Fontes et. al ., 2009, vol. II, p. 58 ). O local encontra -se atualme nte em plena cidade de Braga, n uma zona bastante urbanizada. O local, bastante próximo de zona s da cidade que lhe estão sobranceiras constituem o início do suave declive que desce da cidade at é ao vale do Cávado. Dada a densa urb an ização que rodeia o local de culto, não é possível perspetivar em visita ao local, os traços gerais da relação do núcleo paroquial com a envolvente próxima. 4.25.2. Dados documentais A paróquia de Braga ( Maxim inos) [25] era denominada de “ Sancto Petro de Mex ominos ”, n o censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 104). S. Pedro de Maximinos [25], estava referenciada em 1220 como “ Sancto Petro de Meiximinis ” e pertencia ao couto de B rag a (PMH. I nq., 1888, p p. 69, 162, 206, 258). Em 1288 a paróquia estava referenciada como “ Sam Pedro de Meixeminos ” e pertencia ao Julgado e couto de Brag a (Pizarro, 2012, p. 431). No séc ulo XVI a f reguesia e ra denominada de “ Sam Pedro de Meixeminos ” e pertencen te ao termo de Braga ( Freire e Pessanha, 1 905, pp. 241- 273). A descrição que é efetuada nas Mem órias Paroquiai s permite constatar a existência de trezentos e onze fogos, oitocen tas e vinte e duas pessoas casadas e setenta e cinco menores. É estabelecida distinç ão entre moradores das ruas e das aldeias, o que é ilustrativo do início da expansão da cidade extramuros designadam ente através do crescimento nesta zona das ruas “ dos A rrabaldes …rua da Q uingosta de Sam Sebastião …rua Direita da Cruz de Pedra … rua do Beco ”. Os lugares rurais que são enumerados nesta zona, são “ Abram de Sima e Abram de Baix o, PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 92 Monte de Penas, Areal, Souto Cham, Cones, Naia, Assento, Laranjeira, Penedo, Per eiras, Ortas, Talhos, Quingosta dos Cornos ” (Capela, 2003, p. 186). 4.25.3. Cronologia Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma necrópole , eventualment e ass ociada a uma basílica martirial . Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.25.4. Bibliografia selecionada PMH. I nq., 1888, pp. 69, 162, 2 06, 258; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -27 3; Martin s e Delgado, 1989 -1990, pp . 41-186; Fontes, 1993, p. 5 7; Cos ta, 2000 , p. 104; Capel a, 2 003, p. 186; Fontes et al ., 2009 , vol. II , p. 58 ; Pizarro, 2012, p. 431; Braga, 2018 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 93 4.26. Sítio 26 S. Gregório; Braga (Ma ximinos); Braga 4.26.1. Dados arqueológicos A referência que é feita por Luís Font es (1993, pp. 54 -55), menciona a existência de alg uns taludes no monte que poderiam corresponder a eventuais estrut uras, sem esclarecer que se t rata de estruturas de eventual fortificação. Em deslocação que efetuamos ao local, pese embora não nos tenha sido possível permanecer n o local por muito t empo, não nos foi possível confirmar a existência dos referidos taludes. Mantivemos, contudo, a referê ncia ao sítio, sem ser possível uma caract erização mais detalh ada. É feita referência a cerâm ica utilitária, tijolo e tégula, sendo alguma dela enquadrável na Idade Média. Face à inexistência de informações mais detalhadas assu mimos qu e pos sa ter t ido algum significado no âmbito da periferia de Braga medieval. O local, localizado na pe riferia imediat a da cidade de Braga apresenta -se cad a vez mais sujeito a pressões urbanísticas na s ua área circundante, o qu e condiciona a leitura, in sito da relação com a envolvente próxima. Contudo, o facto de se encont rar numa elevação, leva-nos a co nsiderar que permitia um controlo relativo, dos terrenos que se desenvolvem na periferia imediata. 4.26.2. Dados documentais As refe rências documen tais qu e nos foi possível recolher para o local, s ão provenientes das Memórias Paroquiais de 1758, na descrição da paróquia em que está inserido (Capela, 2003, pp. 161-211). O monte de S. Gregório [26] em con junto com o monte da s Caldas [103], é referido com o um dos principais acidentes geográficos da freguesia de G ondizalves [58]. 4.26.3. Cronologia Ocupação da Baixa Idade Média e Idade Moderna associada a um habitat . 4.26.4. Bibliografia selecionada Fontes, 1993, pp. 54-55; Capela, 2003, pp. 161-211 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 94 4.27. Sítio 27 S. José de S. Lázaro; Brag a (S. José de S. Lázaro); Braga 4.27.1. Dados arqueológicos Os dados que dispomos acerca deste sítio, são essencialmente provenientes dos resultados das diversas intervenções arqueológica s realizadas nesta zona, compilados por Braga (2018) e ainda apresentados em Andrade e Fontes (2020 pp. 293-3 14), que trat am de forma sucinta diversos estudos realizados pelos autores acerca da periferia da cidade de Braga na Antiguidade Tardia. A n ecrópole identificada no quarteirão do ant igo edifício dos CTT, muito próximo da cidade, ocupava praticamente todo o quarteir ão, tendo sido identificadas três fases que se enquadram na Antiguidade Tardia. Assumimos q ue, dos di versos elementos arquitetón icos que foram identificados nesta zona, alguns possam ser associáve is a uma basílica que existiria n es t a zona (Fontes et al ., 2009, vol. II, pp. 33- 34 ). A localização e a sua posição relativa a uma da s n ecrópoles melhor conhecidas de Braga, com uma intensa ocupação deste per íodo levam -nos a concluir que a possibilidade da localização de um edifício deste tipo seria bastante provável. Na zona mais a sul da via, on de se localizaria o edifício de culto situar- se -ia uma área de fabricação artesanal, que poderia estar associado ao edifício de culto e teria constituído um núcleo suburbano tardo antigo. Pese embora a hipotét ica origem associada a uma necrópole, tal como já abordamos em Andrade e Fontes (2020, pp. 293 -314), o n úcleo primitivo que se desenvolveu e que está arqueologicamente documentado, assumimos a hipótese de se tratar de um local de culto associado um n úcleo populacional tardo antigo. Não possuímos dados similares c om o mesmo nível de probabilidade, associados às restan tes basílicas cemit eri ais suburbanas que t erão exist ido n a periferia de Braga [34]. A paróquia de S. José de S. Lázaro [27], localizada na periferi a imediat a da cidade de Braga, no século XVIII , tem hoje em dia um templo de feição contemporânea, completamente integrado n a malha urbana da cidade. Contudo, a igreja que a pr ecedeu localizada muito próxima à at u al, foi demolida já no século XX, fruto da reordenação urbanística que a cida de conheceu nessa zona, haven do ainda registos fotográficos da mesma, confirmando -se quer a localização, quer as suas características gerais. As diversas intervenções arqueológicas q ue se realizaram no local, pro videnciaram bastant es fragmentos de cerâmica associados ao espólio exumado das distintas sepulturas das diversas fases da necrópole. Alguns dos enterramen tos mais recent es, enquadráveis n o nosso período em estudo, estão associados a cerâmica cinzenta tardia, como refere Braga (2018), o que permite admitir a ocupação da necrópole, pelo menos até ao denominado período su evo-visigótico. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 95 O local apresenta-se bastante próximo da cidade amuralhada, designadam ente da cidade roma na. Pese embora a densa urba nização que o local aprese nta, é percetível que, at ravés de uma primeira análise empírica às con dições de implantaçã o do local, o sítio arqueológico se encont ra implantado numa zona de pendente suave, favorável ao des envolvimento de um núcleo populacional. 4.27.2. Dados documentais As referências doc umentais que nos foi possível recolher para o local, são provenientes essencialmente das Memórias Paroquiais de 1758, n a descrição da paróquia em que está inserido. A paróquia, de criação recente, foi constituída por desmembramento da par óquia de S. Victor (Capela, 2003, p. 193). A paroquia abarcava uma parte considerável dos ar rabaldes da ci dade de Brag a, a sul, possuindo mil duzentos e t rint a vizinhos e duas mil setecentas e doze“ pessoas de sacramen to ”, sendo as principais r uas que a con stituem: “ a rua das Ag oas, parte da rua dos Pellames, rua dos Granginhos, rua de Trás Sam Marcos, parte do Campo da Sancta Ann a, parte da rua de Sa m Gonçalo, parte da rua de San cto André do Quint ei ro, parte da rua dos Chãons de Sima, parte da rua Nova do Vico, Paúlo de Nossa Sen hora Branca, rua do Paimanta ” (Capela, 2003 , p. 191). Nesta freguesia também é feita a distinção entre ruas e aldeias , o que é, tal como na freguesia de Maximinos [2 5] ilustrativo da sua característica de freguesia su burbana. As alde ias mencionadas são: “ Gordeita, Escou ra, Deveza, Gallos, Latas, Ribeira, Sa rdoal, Lages, Sant o Adrião, Quingosta da Palla, Quing osta de Nossa Senhora Bran ca, Portas, Fujacal. ” 4.27.3. Cronologia Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma necr ópole, eventualment e associada a uma basílica e habitat . Ocupação da Idade Moderna associada a um núcleo paroquial. 4.27.4. Bibliografia selecionada Capela, 20 03, pp. 191-192; Fontes et al , 2009, vol. II, pp. 33- 34 ; Braga, 2018; Andrade e Font es, 2020, pp. 293- 314 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 96 4.28. Sítio 28 . S. Vicente; Brag a (S. Vicente); Braga 4.28.1. Dados arqueológicos Os dados arqueológicos que dispomos são essencialmente provenientes de Costa (1997, p. 1 01) e Fontes (1993, p. 72) , po steriormente tratados por Andrade (2015) ou Andrade e F on tes (2020, pp. 2 93 - 314). Na zona de S. Vicent e [28], está document ada a identificação de uma inscrição funerária datável do século VII , segundo Avelino C osta (1997, p. 101). Se gundo o autor, a tradução da inscrição seria a seguinte: “No dia 1 de maio da Era 656 (= ano 618), no dia de segunda -feira, Remisnu era aqui descansou em paz. Amén.” A inscrição amplamente es tudada e difundida por diversos autores é considerada com o sendo, até ao momento, o mais ant igo testemunho de designação dos dias da semana segundo o modelo cristão. O local en contra-se localizado nas proximidades da via roman a XV III do itinerário de Antonino (Carvalho, 2008). O desenvolvimento urbanístico em torno do local impede uma com pleta perceção da sua re lação com a topografia. Uma análise do relevo, d eixa ant ev er uma maior vi sibilidade para a zona norte, não sendo, contudo, percetíveis os seus cont ornos detalhados. A identificação de elementos associáveis a uma necrópole t ardo antiga e a relação com a viação romana, leva-nos a con siderar qu e a pos sibilidade de existência de uma basílica ce miterial suburbana é bastante elevada, não n os tendo sido possível con hecer qua lqu er outro tipo de est ruturas as sociáveis à Antiguidade Tardia. Consid eramos, cont udo, plausível a existência das mesmas e a sua inserção no âmbito do fen ómeno de des envolvimento dos subúrbios tardo an tigos. A ligeira diferença com que pontualmente ind icamos ou disting uimos esta e restantes necrópoles similares do sítio de S. Lázaro [27] está diretamente relacionada com a existência arqueologicamente comprovada de ruínas de nat urez a distinta das necrópoles. 4.28.2. Dados documentais As referências doc umentais que nos foi possível recolher para o local, são provenientes essencialmente das Memórias Paroqu iais de 1758, na descrição da paróquia em que está inserido. A paróquia de S. Vicent e [28], de cr iação recente, ainda estava int egrada, na altura da s Memórias Paroquiais, na paróquia de S. Victor (Capela, 2003, p. 193). 4.28.3. Cronologia Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma necrópole, eventualmente associada a uma basílica. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 97 Ocupação da Idade Moderna associada a um n úcleo populacional que ain da n ão con stituía uma circunscrição autónoma. 4.28.4. Bibliografia selecionada Fontes, 1 993, pp. 3 1-88; Costa, 1997, p. 101; Capela, 2 003, p. 1 93; Andrade, 2015, p. 59 ; Andrade e Fontes, 2020, pp. 293- 31 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 104 4.33.4. Bibliografia selecionada PMH. Inq., 1888, pp. 70, 163, 206, 259; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, p. 99; Capela, 2003, p. 193; Pizarro, 2012, p. 456 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 105 4.34. Sítio 34 Braga; Brag a (Sé); Braga 4.34.1. Dados arqueológicos A cidade de Braga [34] é o s ítio qu e se encon tra mais pr ofusamente documentado, para toda a região em estudo. Todos os inven tários con sultados se lhe refe rem diretamente ou indiretamente. O manan cial de dados qu e dispomos da mesma foi profusamente trat ado por diversos autores, beneficiando de cerca de meio século de in tervenções arqu eológicas no espaço urbano. O conhecime nto qu e temos acerca da cidade de Braga [34] , na Antiguidade Tardia, tem beneficiado da s inúmeras int ervenções arqueológicas que se têm realizado na cidade. Os trabalh os têm sido alvo de inúmeras publicações, das quais destacamos, a título de exemplo, algumas sínteses t emáticas e setoriais, (Lemos et al., 2002, pp. 609- 624; Carvalho, 2008 ; Ribei ro, 2 008; Font es et al. , 2 010b, pp. 255-262; Martins et al ., 2016, pp. 35-52; Fontes e An drade, 20 18, pp. 5 1- 67; Ma rtins et al., 2017a, pp . 235-239; Martins et al ., 20 17b, pp. 2 41- 246; A ndrade e Fontes, 2020, pp. 206 -222). Um dos aspetos mais impact antes na morfologia urbana neste período foi, sem dúvida, a con strução da grande muralha, que limitava uma área urbana, tendencialmente circular. A muralha, de imponentes dimensões, apresenta uma largura muito próxima dos seis metros, ( Lemos et al ., 2002, p. 622 ) e foi escavada em variados locais, tendo sido pos sível em alguns dele s, a identificação de torreões s emicircu lares que apresentam um diâmetro de cerca de cinco metros. Foi possível con statar que a muralha apresenta características similares às congéneres do noroeste peninsular, designadamente ao nível da solução construtiva que incorpora torreões, como foi acima referido. Refira-se ainda que a muralha reaproveitou alguns elementos arquitetónicos, estando documentada arqueologicamente a sobreposição de algumas das estruturas de f ases mais ant igas da cidade (Lemos et al., 2002, p. 621). Ao nível da organização dos quarteirões, propriam ente ditos, um dos aspetos impo rtant es a ass ina lar é o fact o de o traçado ortogonal da cidade se t er mant ido numa considerável área intramuros (Martin s et al ., 2017a, p. 2 36). Um outro aspeto que ress alt a acerca das alterações que se ver ificaram no tecido urbano de Bracara , na Antiguidade Tardia, foi a readapt ação de edifícios, a sua desarticulação e ocupação dos espaços públicos com estruturas de us o privad o, estando até ao momento, pelo menos três estruturas em fase de escavação (Martins et al ., 2017b, pp. 241-242). A cidade de Braga na Alta Idade Média Os dados arqueológicos que se conhecem da cidad e de Braga [34], para e ste período, fo ram fornecidos por diversas int ervenções que fo ram sendo efetuadas nos mais de quar enta anos de projeto de Arqueologia Urbana que foi levado a cabo na cidade de Braga, tendo sido alvo de diver sas p ublicações e presentes em algumas sí nteses como por exemplo em Font es et al. (2010 b) Ribeiro (2008), Fontes e PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 106 Andrade (2018) e Andrade e Fontes (2020). O principa l elemento e cara cterística que, à luz dos dados atuais, parece sobressair do urbanismo da cidade é a redução con siderável da área urbana para o seu quadrante n ordeste, reaproveitando parte das estruturas defensivas do período roman o tardio (Ribeiro, 2008, p. 317). Este fenómen o, à luz do que foi defendido por Ribeiro (2008, p. 3 11), para além desta redução de perímetro urbano e das modificações de pormenor q ue a cidade foi sofrendo, é d ifícil de precisar com rigor, parecendo haver uma t endência para a desarticulação de alguns eixos de circulação e alteração do tipo de edificado. A tendência identificada qu e poderá ter tido o seu início n o momento imediatamente anterior, terá reflexo nesta fase. Um outro aspeto importan te a ret er, para este período, é o facto de que a sede episcopal, qu e se localizava numa posição completamente excêntrica no momento anterior, passa, com a reorganização da cidade a nordeste, a ocu par uma posição central no t ecido urban o, tendo sido iden tificados vestígios que poderão ser enquadrados nesta fase (Gaspar, 1985, pp. 4 40 -441). A catedral torn a-se claramente a nova referência do t ecido urbano (Ribeiro, 2008, p. 319; Fontes e Andrade, 2018, p. 55), sendo o principal element o norteador e organ izador do espaço. Não obstan te, apesar de ao nível da arquitetura e da organização i nterna, alguns dos dados não serem de fácil interpretação, n a cidade de Braga, parecem existir objetos cerâmicos n o registo arqueológico, com principal incidência n o quadrante nordeste, que corrobora r am a circunscrição da ocu pação n a zona , não sendo contudo claro se, e em que momentos essa ocupação terá sido intermitente (Fontes e Andrade, 2018). A área da cidade ter- se - á restringido a menos de quinze hectares , que constituirá o pont o de partida para os desenvolvimentos que a cidade conhecerá momentos posteriores. A cidade de Braga na Baixa Idade Média A cidade de Braga [34], na Baixa Idade Média conheceu importan tes alterações da sua fisionomia, relativamente aos m omentos precedent es. A cidade neste período foi alvo de v ários estudos q ue se debruçaram sobre a m orfologia urbana e a relação da cidade com a sua envolvent e (Ribeiro, 2008; Fontes e Andrade, 2018; Ribeiro et al ., 2018), que pr ocuraram a articulação dos dados arqueológicos com os dados documentais. Os dados que dispomos at é ao mom ento permitem uma aproximação relativamente detalhada do t ecido urbano, sendo os principais dados re speitantes ao período mais tardio da Idade Média. À luz do que con hecemos, a cidade con heceu a c onstrução de uma n ova muralha, que terá reaproveitado na sua zona sul, o t raçado da ce rca qu e terá sido con struída na Alta I dade Média e na sua zona norte terá incorporado a área extramuros, a norte da Catedral . DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 107 O sistema defensivo era complementad o a nordeste por um castelo de que apen as resta a sua t orre de menagem, que se define at ualmente como o pri ncipal elemento qu e resta da es trutura defensiva. Os restantes elementos do castelo foram demolidos no início do século XX, restando apenas alguns que se encontram incorporados no casario que se lhe adosso u em períodos po steriores. A cerca era ponteada por torreões de forma tendencialmente quadrangular. Mário Barroca (2003b, p. 1 18), inc lui o castelo de Braga, com o sendo um dos poucos exem plares de castelo gótico que não estão localizados na zona de fronteira. Nos t rabalhos que recent emente se realizaram no edifício nº1 da praça da República (F ontes, 2021 , p. 58) identificou-se parte do parament o medieval, que ainda não tinha adquirido a configuração circular que passou a ter em períodos posteriores. Um outro aspeto que é not ório na nova organização da cidad e de Braga , neste p eríodo, é o facto de que a cat edral reforçou a sua centralidade no tecido urbano. O edifício t ambém conheceu importantes beneficiações que serão dat áveis do século XI I, tendo -se prolongado as obras, muito provavelmente até finais do século (Font es, Le mos e Cruz, 1997-1998, p. 146). No século XI V, a cat edral terá igualmente conhecido importantes beneficiações, estando documentada a construção de edifícios anexos, como a capela da Nª Srª do Livramento, a capela e torre da Nª Srª da Glória e a construção de um novo claustro. Estas obras sobrepõem finalmen te os edifícios da catedral à muralha romana, que limitava a cidade nesta zona (Fontes, Lemos e Cruz , 1997-1998, p. 146). O t raçado urbano da cidade t ambém tem sido alvo de estudos que ten tam o cru zamento entre os dados arqueológicos e os dados documentais sendo de destacar os trabalhos de Ribeiro et al ., (2018 ) e Ribeiro (2019). Pese embor a a continuação da ocupação de um espaço reduzido entre os séculos XI e XIII, a partir do século XIII dá -se a já mencion ada expansão para a área a n orte. O plano urbano, como refere Ribe iro (2019, p. 189), refletiria c om clareza dois percursos u rbanos diferenciados, correspondentes à área cuja ocupação remont aria ao perí odo roma no e a área que tinha sido englobada na expansão mais recente da urbe. Na primeira área, apesar d as alterações morfológicas que se fazem sentir, parece verificar -se uma tendência para a regularidade do traçad o. Esta área da cidade, como é referido em Ribeiro (2019, p. 189) é defi nida, no sentido n orte-sul pela rua Verde, ru a da Triparia, rua D . Gualdim Pais e a rua da Erva e, no sentido este-oeste, pel a rua da Travessa, o antigo bairro medieval das Travessas. Como também é referido por Ribeiro (2019, p. 189), ape sar da mat riz romana, os arruamentos são mais irregulares. Numa an álise ao traçado da zona da cidad e que não se sobrepõe relativamente à cidade romana, parece PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 108 evidente um acréscimo da sinuosidade dos t raçados, sen do a malha urbana menos den sa e a existência de amplos espaços abertos, especialmente evidente na s ua zona mais a norte. A cidade de Braga na Idade Moderna Os dados que dispomos da cidade de Braga M oderna são, es sencialmente, provenient es dos trabalhos de José Marques (1988), Miguel Bandeira (1993, 20 00), Maria do C armo Ribeiro (2008), Gustavo Portocarrero (2010) e Eduardo Pires de Oliveira (2011). A morfologia da cidade do século XV I, conheceu uma considerável alt eração (Portocarrero, 2010, p. 27). É neste momento que a cidade começa a desenvolver-se verdadeirament e para a área extramuros, iniciando-se o processo de o cupação paulatina dos arrabaldes. T al com o foi re ferido por Mig uel Bandeira (1993, p. 149), este dese nvolvimento extramuros é norteado por um conjunto de espaços abertos, interligados, que norteiam as vivências e o desenvolviment o urbanístico, a que o autor den omina de “a nel de campos”. A s principais praças que con stituíam o circuito de circu lação extramuros eram o campo da Vinha (atual praça Conde de Agrolongo), o campo das Hortas, o campo/terreiro de S. Sebastião, o cam po de S. Tiago, o campo dos Remédios ( atual largo C arlos Amarante), o campo de Santa Ana ( atual Ave n ida Central) (Bandeira, 1993, p. 149 ; 2000, p. 38). O mapa de Georg Braun , a representação icon ográfica detalhad a, m ais ant iga, que se conh ece da urbe bracarense, para a Idade Moderna, evidencia claramente o anel de circulação e conjunto de terreiros que ordenaram o crescimento da cidade extramuros no dealbar da Idade Mo derna. Nesta representação iconográfica da cidade, sobress ai a ampla área a norte da muralha que configura o ca mpo da Vinha e o campo de Santa Ana, onde é visível o con junto de miliários romanos que circund am a pequena capela localizada também num amplo espaço, que se fecha e torna mais exíguo na zona da Nª Srª a Bran ca. Ao nível da estrutura da cidade intramuros, a abertura da rua Nova (atual rua D. Diogo de Sousa), prolongava o alinh amento da rua do Souto, ligan do -a à porta Nova, aberta em 1512 (Ban deira, 2000, pp. 32-33), dotando a cidad e de u m eixo principal que permit ia facilmente o atravessamento tra nsversal do recinto amuralhado. Miguel Ban deira (2000 , p. 34) também refere que a sua abertura se procedeu, no âmbito de um processo mais amplo que contemplava a abertura de duas pequenas praças na sua vertente sul (atuais praças D. João Peculiar e praça Nova). Também está documentada a abert ura da atual rua do Cabido, procedeu-se à retificação do traçado da atual rua Frei Caetano Brandão e à abertura retilínea da atual rua de S. João. Para além do reordenamento e abertura de eixos que capacitam e potenciam a circulação na cidade intramuros e ext ramuros, n o início da I dade Moderna, essencialmente por açã o de D. Diogo de Sousa, DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 109 também se verifica a dot açã o de diversos eq uipamentos coletivos e infraestruturas d e apoio às atividades económicas e sociais (Bandeira, 20 00, p. 41). A cidade do século XVIII, é conhecida de uma forma muito mais detalhada do que do século XVI . Para este período, as fon tes iconográficas são mais abundan tes, para além do “ Mappa de Braga Primas” de 1756, o denominado Mapa das Ruas de Braga (1764), fornece uma descrição detalhada das ruas da urbe que permite conhecer as caract erísticas de quase todos os fogos existentes à época. Uma análise ao referido mapa, permite uma con statação imediata de que a expan são urban ística extramuros, aparenta um maior desenvolvimento, propagando -se a área con struída ao lon go das vias, por uma área muito mais extensa. Segundo Miguel Ban deira (1993, p. 152), este desenvolvimento “t entacular”, pr oporciona à urbe bracarense, que mantém o seu núcleo primitivo de origem m edieval, acrescido dos arrabaldes, que são incorporados, um aspeto que recorda um aracn ídeo. Tal como o a utor refer e, e é evident e no “ Mappa de Braga Primas” , de 1756, uma das características da cidad e extramuros n este pe ríodo é a convivência entre as habitaçõ es e os campos que a s circundam . Outra característica evidente é o facto de, n este momento a muralha já s e encontrar pr aticament e abso rvida, na totalidade, pelo casario que s e adossou à mesma, pese embora o fact o de, morfologicamente, ain da possuir uma configuração semelhante. Também é possível con statar que, n a região extramuros, para além do desenvolvimento tentacular ao longo das vias, é identificável, a n ordeste do núcleo murado, o s urgimento duma zona em que é percetível um urbanismo de maior complexidade e n o qual é pe rcetível uma orga nização do espaço, que demonstra um planeamento subjacente, na área denominada de Campo Novo. Os element os da Brag a barroca, ainda hoje cons t ituem os principais referent es do centro histórico d a cidade. A gen eralidade das igrejas do centro h istórico, são associáveis a esse perí odo, destacando -se o importante conjunto arquitetón ico do largo Carlos A marante, constituído pelo hospital de S. Ma rcos e pela igrej a de Santa Cruz. A estes dois importantes referentes urbanísticos, associava -se o con vento dos Remédios, entretanto demolido no início do século XX. Todos os espaços ext ramuros, que foram referen ciados aquando da descrição do desenvolvimento urbanístico do século XVI, foram embelezados com edifícios datáveis dos séculos XVII e XVIII, refira -se a título de exemplo, o campo das Hortas, a Avenida Ce ntral (an tigo campo de Sa nta Ana) e o largo de Santiago. A cidade neste período embeleza -se e m on umentaliza-se. A s áreas ext ramuros, com eçam a configurar, paulatinamente, novas centralidades que s e consolidam nos períodos vindouros. A m aterialidade na cidade exumada das diversas escavações arqueológicas na cidade de B raga [34] é muitíssimo abundante, sendo muitas as pu blicações que lhes es tão associadas, quer pela diversidade PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 110 tipológica e am plitude cron ológica das mesma s. A grande síntese que dispomos para a cerâmica associada à cidade roman a é referente à cidade Alto -Imperial (Morais, 2004). Para o início do período em estudo, os trabalhos mais recentes que fo ram elaborados, t ributam -se a Martínez Peñin e Martin s (2016, pp. 53-67), estando em curso investiga ções de doutoramen to que visam aprofundar este trabalh o, levadas a cabo por Diego Ma chado e ain da visando o período m oderno, por Lara Fernandes. Quando terminados, será possível a contextualização das materialidades cerâmicas de todo o período em estudo. 4.34.2. Dados documentais O local encontra -se referenciado direta ou indiretamente n as principais fontes documen tais que foram utilizadas no presente estudo. As referências a Brag a, no c en sual de finais do século XI, são feitas, no sentido de as sociar as diversas entidades ao seu domínio, t al com o n as Inquirições de 1220, de 1288 e no “Numeramento” do século XVI. A cidade de Brag a [34] do século XVIII, foi considerada como uma e nt idade t erritorial e analisada e m conjunto, de modo que se possa estabelecer uma análise comparativa com os períodos ant eriores. Contudo, nas Memórias Paroquiais de 1758, é referido que a zona int ramuros da cidad e é con stituída por três freguesias ( “ Sé Prim az de Braga , S. João do Sou to e Cividade”) (Capela, 2003, pp. 161 -211). A freguesia da Sé, que tam bém abarca um a parte da área fora da cerca medieval, t inha n este período duas mil oitocen tas e uma pessoas e era con stituída, como é referido n as Memórias Paroq uiais, pelas ruas da “ Conega, Porta de S. Francisco, Biscainhos, Campo das Hortas, Roxio dellas, de São Mig uel -o- Anjo, Campo de Sam Sebastiam, Carvalheiras, rua dos Assougues, rua Nova, As sougues Velh os, Roxio da Praça, Violinha, rua de S apat eiros, rua de Maximinos , ru a Verde, das Chagas, do Terreiro da Sé, a do Farto, A do Forno, Porta de São João , rua de Gatos, a das Oucias ao redor da Sé, C ampo dos Touros, rua do Campo …” (Capela, 2003, pp. 1 94 -195). Nesta freguesia, como já foi referido na descrição da cidade moderna, e como o próprio nom e ind ica, está lo calizado o conjunto arquiepiscopal, cuja descrição detalhada ocupa a grande maioria da resposta ao i nquérito solicitado. Apesar da s ua dupla vertente intra e extramuros, é uma paróquia maioritariamente urbana. A paróquia da Cividade, tal como a paróquia da Sé, ocupa uma área intra e extramuros (Capela, 2003, p. 1 70). É referido igualmente que possuía no século XVI II, uma população de cerca de mil e sessentas e oito pessoas e era constituída pelas ruas “ do Gualdim, Trave ssa Primeira, Segunda e Terceira, rua do Coutto de Arvoredo, a de Sto António, a de Sta Ma ria, a de Trás do Colegio, a do Postigo, de S. Sebastião, a dos Pelames que perdeo esta o nome por algum dia se chamar de S. Giraldo, a rua do Alcaide, a de T rás do Hospital, a da Quingos ta de S. Sebast ião, o Roxio de Sto A n tonio, o de S. Paulo, DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 111 os cam pos de S. Tiago e S. Sebastião ”. Também é referido que pos suía doi s l ugares ru rais (“ hum chamado Fojacal e outro Urjaes ”) (Capela, 2003, p. 170). Tal com o já foi referido an teriormente, dois dos principais re ferentes ur banísticos são o colégio da Companhia de Jesus e o con vento da Nª Srª da Conceição, bem como os campos de S. Tiago e o de S. Sebastião (Capela, 2003 , p. 170). A freguesia de S. João do Souto, localizada essencialment e intramuros, apresenta uma porção considerável da sua área na zona extramuros (Capela, 2 003, pp. 20 1- 202). A freguesia possuía, à época, mais de três mil e quinhentos habitantes, sendo as suas ruas: “ rua de S. João, rua do A njo, rua de S. Marcos, rua da Agoa, da Porta do Souto, rua dos C hans de Baixo, rua dos Chans de Cima, rua do Eirado, rua da Fonte da Carcova, ru a do Campo da Vinha, rua de Gatos, rua das Travessas, rua de Trá s do Hospital, rua da Quingosta do C olegio, rua do Cam po dos Remédios, rua do Carvalhal, ru a dos Pe nedos, rua do Souto, Paso Arcebispal, rua de Sant o Antonio, rua das Beatas de San to António, Seminário de S. Pedro, rua da Loura, Aljube, C astelo, Alfandega ”) (Capela, 2003, p. 202). Par a além das ruas que constituiriam o tecido urbano n a área intramuros e extramuros, também é feita referência a lugares rurais que constituíam esta fregu esia (“ lugar da Torre, lugar do A rmão e lugar de San ta Barbora de Baix o ”) (Capela, 2003, p. 2 02). Alguns dos dados q ue se po dem ext rair das present es Mem órias Paroquiais, estão relacionados com os aspetos da morfologia urbana já anteriormen te abordados, com é o caso dos campos extramuros que norteiam o crescimen t o da cid ade e a presença de div ersos con ventos, como é o caso do convento dos Remédios , convento do Salvador, o convento do C armo e o convento do Pópulo. 4.34.3. Cronologia Ocupação da Antiguidade Tardia , Alta Idade Média , Baixa I dade Média e Idade Moderna associada a uma cidade. 4.34.4. Bibliografia selecionada PMH. In q., 1888; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -27 3; Gaspar, 1 985, pp. 440-441; Marques, 1988; Martins, 1990, pp. 80 -90; Ban deira, 1993; F ontes, 1993, pp. 31-88; Fontes, Lemos e Cruz, 1997-1998; Bandeira, 2000; Costa, 2000, pp. 68-106; Lemos et al ., 2002, pp. 609-624; Ba rroca, 2003; Capela, 2003, pp. 161-211; Morais , 2004; Carvalho, 2008; Ri beiro, 2008; Ferreira, 2014 , pp. 93 -140; Fontes et al ., 2010b, pp. 255-262; Portoca rrero, 2010; Oliveira, 2011; Pizarro, 2012, p p. 419-461; Ma rtínez Peñin e Martins, 2016, pp. 53-67; Martins et al ., 2016, pp. 35-52; Font es e A ndrade, 2018, pp. 51-6 7; Martins et al ., 2017a, pp. 235-239; Martins et al. , 2017b, pp. 241- 246; Ribeiro et al ., 2018; Ribeiro, 2019; Andrade e Fontes, 2020, pp. 293- 314 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 112 4.35. Sítio 35 Coturela; Braga (Sé); Braga 4.35.1. Dados arqueológicos Não nos foi possível, identificar vestígios claro s de ruínas, percetíveis à superfície, não nos tendo sido igualmente possível acresc entar informação de maior pormenor do que a que foi forn ecida por Fontes (1993, p. 69) e Carvalho (2008). O local localiza-se na periferia imediata da cidade de B raga, próximo a duas da s vias que saem da cidade a n ordeste e norte. A villa da C oturela [35], poder- se -á tratar de uma propriedade suburbana em que, dada a con frontação com diversas entidades bastante próximas, se encontra condicionada a exploração agrícola, não parecendo dispor de um fundu s ext enso como, por exemplo, seria o caso de Dume. Efetivament e, tal como refere C arneiro (2011, p. 7 4), c itando Geoff Ada ms (2008), as villae suburbanas evidenciam “estruturas para fins eminent emente sociais, distan tes da vocação agropecuária tão enfatizada pelos agrónomos lat inos”. O autor menciona ainda que Geoff Ada ms (2008, p. 4) re fere que o desenho planimétrico da s villae suburbanas sendo efetuado em função das at ividades de otium , amoenitas e delectatium , favorece a cont emplação da paisagem, evidenciando que a sua implantação deverá ter em consideração a proximidade a vias de comunicação, potenciando redes de sociabilidade que se pretendiam m anter no cam po, n a medida em que os domini destas villae eram geralmente abastados cidadãos envolvidos frequentemen te na atividade politica que, não raramente, seria associada a uma intensa atividade social. O sítio da Coturela [35] parece efetivament e encaixar no modelo de implantação acima descrito. Por um lado, está ext remamente próximo da cidade, por outro está bem servido de vi as de comunicação. A sua locali zação num pequeno outeiro sob ranceiro ao vale do Cávado, permite o disfrute do aparato cénico que o mesmo con stitui. A con jugação de todos estes fat ores, com os element os arquitetónicos refe ridos por Fontes (1993, p. 69) e Carvalho (2 008) leva -nos a considerar a classificação tipológica c omo plausível. A densa urbanização que se desenvolveu no local, rompeu completament e com a primitiv a organização espacial do loc al e a relação com a e n volvente pr óxima. Co n tudo, a perceção de que o loc al se localizaria num pequeno outeiro, p ermite concluir que h averia u ma relação sobranceira com o s territórios adjacent es a norte. Esta análise será mais desenvolvida na parte I II, n a medida em que consideramos que tem implicações na definição tipológica do local. 4.35.2. Dados documentais A interpretação que o local poderia corresponder à villa Paschasi , leva-nos a con siderar que pode ria já estar mencionado na confirmação da diocese de Dume datada de 911 (Andrade, 2015). DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 113 4.35.3. Cronologia Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma villa . 4.35.4. Bibliografia selecionada Andrade, 2015; Fontes, 1993, p. 69; Carvalho, 2008, II, p. 33 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 216 4.115. Sítio 115 Assento; Vilaça; Braga 4.115.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos invent ários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalmente. Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos. O local encontra -se bastante descaracterizado, contudo pensamos ser possível percecionar uma relação de um núcleo paroquial que está plenamente articulado com os aglomerados populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.115.2. Dados documentais A paróquia de Vi laça [115] era denom inada de “ Sancta Cecilia de Lauredo ”, no censual dat ado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, pp . 82-83). Vilaça [115] é denom inada de “ Sancta Cecilia ” em 1220 e pertence à Terra de Penafiel de B astuço (PMH. Inq., 1888, pp. 15, 86, 174, 217). A paróquia é denominada de “ Sancte Columbe ” em 128 8. Apesar da denomina ção no início do t exto da I nquirição de 12 88 estar com a grafia atrás referida, na descrição é re ferenciada “ Sancta Çesilya ” e pertence ao Julgado de Penafiel de Bastuço (Piz arro, 2 012, p. 477). No século XVI é denom inad a gen ericamente de “ Santa Çezília ” (Freire e Pessanh a, 1905, pp . 241 - 273). Sa nta Cecília de Vilaça [115], pertenceria no século XVIII, ao termo de Barcelos, e s eria constituída por apenas quatro lugares: “ …Quebrada… Gallos… Louredo… Assento... ” (Capela, 2003, p. 210). Para além do facto de part e da fr eguesia se localizar em zon a de encosta e parte se loca lizar em zona de vale, não é feita referência mais detalhada à morfologia do território. 4.115.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.115.4. Bibliografia selecionada PMH. Inq., 1888, pp. 15, 86, 174, 217; Freire e Pess anha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, pp. 82 - 83; Capela, 2003, p. 210; Pizarro, 2012, p. 477 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 217 4.116. Sítio 116 Vimieiro; Vimieiro; Braga 4.116.1. Dados arqueológicos A carta de couto é datável de 1127 e terá sido outorgada por D. Teres a à ordem de Cluny. O s vestígios que t emos deste m osteiro são quase inex istentes, fruto da curta duração da existência do mesmo. Segundo Marques (1988, pp. 657- 658), já em 1377 os visitadores de C luny incluíram este mosteiro entre os que já não teriam monges. Não s ão visív eis n o local quais q uer ve stígios da ocup ação associ ável a este período. Podemos constatar que o couto tinha dimensões razoáveis, localiz an do -se a su doeste da cidade de B raga, numa zona de con tacto entre as duas circunscrições territoriais de maiores dimensões nesta região (T erra de Penafiel de Bastuço e co uto de Braga). Trata -se de um territóri o consideravelmente bem definido, que correspon de aproxim adamente à área atualmente ocupada pelas freguesias q ue lhe foram estad o associadas ao longo dos tempos e englobaria as freguesias de Fig ueiredo [52], C eleirós [37], Avele da [24] e Vimieiro [116]. 4.116.2. Dados documentais O most eiro de Vimieiro [116], apre senta com o referência documen tal mais antiga conhecida “ S. S. de Vimeneiro; Illo monasterio ”, no censual de finais do século XI (Costa, 2000 , pp. 105 -106). Os dados presentes nas Inquirições de 1220 (PMH. In q. 1888) , permitem -n os uma aproximação à propriedade fundiária do mosteiro e perspetivar uma propriedade que prat icamente se circunscreve à área coutada, ao contrário de outros mosteiro s, q ue a presentam propriedades por uma regiã o muito mais ampla, relativamente aos seus dom ínios iniciais. As Inquirições de 1288 ( Pizarro, 2012, pp. 4 90-4 95) proporcionam uma aproximação às con dições em que o couto estaria nesse momen to. É possível con statar, através da leitura do documento que, já neste momento, o território parecia estar a ser alvo de disput as. De facto, a refe rência direta de que entidades seculares e eclesiásticas parecem de alg uma forma prejudicar os inter esses do couto torn a, no nosso entender, compreensív el o panorama traçad o por J. Marques, (1988, pp. 657-6 58). No século XVI, ainda se id entificou a referência a “ Mosteyro de Vimieiro ”, apesar de já t er sido reduzido à época a igreja paroquial (Freire e Pessanha, 1905 , pp. 241 -273). Foi igualmente possível an alisar os dados das Mem órias Paroquias de 1758, refer entes à freguesia de San ta Ana de Vimieiro [116], sendo referido que p ossuiria noventa e quatro vizinhos e duzentas e quarenta e duas “ pessoas de sacramento ”. Menciona -s e ainda que a igreja paro quial se situava num lugar central da freguesia e que seria constituída pelos seguintes lugares: “ Santa C ruz, Sout o, Deveza, Tralharinha, Sobre Gaiam, Granja, Picoto, Bemposta, Pinheiro, Monte, Cachada, B ouça, Agra, Macada, Barreiro e Most eiro ” (Capel a, 2003, p. 211). A freguesia seria cabeça do couto h omónimo, como foi PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 218 também possível constat ar nas an álises de épocas a nteriores. Ao n ível da morfologia da paróquia, é referido que estaria localizada n uma zona de vale e que era constituída igualmen te por diversos out eiros, sendo ainda me ncion ado qu e nos referidos outeiros e stariam diversas “ bouças inc ultas ” (Capel a, 2003, p. 211). 4 .1 16.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um m osteiro. Ocupação da Idade Moderna associada a um núcleo paroquial. 4.116.4. Bibliografia selecionada PMH. In q., 1888; Freire e P essanha, 1905, pp. 241-273; Marqu es, 1 988, pp. 657-658; Cos ta, 2 000, p. 105; Capela, 2003, p. 211; Pizarro, 2012 , pp. 490 -495 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 219 4.117. Sítio 117 Arnoso; A rnoso (Santa Maria); Vila Nova de Famalicão 3.117.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas as sociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalmente. Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos. O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.117.2. Dados documentais A paróquia de Arnoso [117] era denom inada de “ Sancta Maria de A rnoso ”, no censual da tado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 79). Não conseguimos recolher refe rências a Sa nta Maria de Arn oso [17] n as Inquirições de 1220. Aparece apenas referenciada n as I nquirições de 1288, como “ Sancte Marie d'Arnoso ”. Tal com o já foi referido na an álise da paróquia de Arentim [23], está associada uma honra à paroquia de Santa Maria de Arnoso [117], cujos limit es foram confirmados pelas referências que foram ap resentadas (Pizarro, 2012, pp. 481-482). No século XVI a freguesia é denomina da de “ Sancte Marie d’A rnoso ” (Freire e Pessanh a, 1905, pp. 241 -273). Segundo o relato das Memórias P aroqu iais de 1758, seria pertencente ao termo da vila de Barcelos, sendo habitada por duzentas e n oventa e t rês “ pessouas de sacrament o ” e constituída pelos s eguintes lugares: “ Ferram, Agro, Q uintella, Picoto, Bon ome, Lordelo, Lag es, A rnozo ” (Cap ela, 2003, p. 465). Serve-se do juiz de fora de Barcelos e o uso de serviços como o correio é feito com recurso aos ser viços postais de Vila Nova de Famalicão, n ão parecendo qu e o quotidian o dos habit antes da freguesia esteja muito relacionado com a cidade de Braga (Capela, 2003, p. 465). 4.117.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.117.4. Bibliografia selecionada Freire e Pessanh a, 1905, pp. 241-273; Costa, 2000, p. 79; Capela, 2003, p. 465; Pizarro, 2012, pp. 481 -482 PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE 220 4.118. Sítio 118 Jesufrei; Jesufrei; Vila Nova de Famalicão 4.118.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente. Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos. O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade. 4.118.2. Dados documentais A paróquia de Jesufrei [118 ] era denominada de “ Santo Micahel de Seg efrei ”, n o censual datad o dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, pp . 80-81). Não conseguimos recolher referê ncias a Jesufrei [18] nas Inquirições de 12 20. S. Miguel de Jesufrei [118], aparece referenciada nas Inquirições de 1288 como “ Sancti Mich aelis de Sujufrey ”. Nesta paróquia de Jesufrei está referenciada uma honra (Pizarro, 2012, p. 483). No século XVI, a fregues ia é denom inada genericame n te como “ Jesufrey ” (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273) . Em Jesufrei [118], no século XVIII o panorama é basta nte idêntico a Arnoso [117], s endo referido que e stá “ sugeita esta t erra às justiças de Barcellos ” e recorre ao correio de Famalicão. A freguesia cont a com cento e trinta e nove “ pessoas de sacramen to ” e é constituída pelos seguint es lugares: …Pouzada… Passo… Ig reja… Bairro… Monte… Palhares… ” (Capela, 2003, p. 484). 4.118.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.118.4. Bibliografia selecionada Freire e Pessanha, 1905, p p. 241 -273; Costa, 2000, p p. 80 -81; Capela, 2003, p. 484; Pizarro, 2012, p. 483 DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 221 4.119. Sítio 119 Sezures; Sezures; Vila Nova de Famalicão 4.119.1. Dados arqueológicos Não recolhemos dados para este sítio, n os inventários arqueológicos que servira m de base para o nosso estudo, nem em visita ao local. Desconhecemos ruínas de estruturas associáveis ao local, ou indícios de edificad o que possam remontar aos períodos m ais an tigos referenciados documentalmente. A dmitimos a hipót ese de poder haver um templo associável à Idade Moderna, na origem do núcleo paroquial. Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade. 4.119.2. Dados documentais A paróquia de Sez ures [119] era denomina da de “ Sancto Mamete de Cesuras ”, no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de Bracara (Costa, 2000, p. 79). Sezures [119] é denominada de “ Sancto Mamete ”, em 1220 e perten cente à Terra de Penafiel d e Bastuço (PMH. Inq., 1888, pp. 15, 86, 17 4, 217). A paróquia é denom inada “ Sancti Mom heti de Moimenta ” em 12 88, sendo pertencente ao Julgado de Penafiel de Bas tuço (Pizarro, 2012, p. 488). A freguesia é denom inada no século XVI de “ Cezuras ”, tendo pertencido, a Penafiel de Bastuço (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241- 273). A freguesia de Sezu res [ 119], pe rtence em 1758 ao t ermo de Barcelos. A justiça é aplicada por Barcelos, mas faz em uso ta n to do corre io de F amalicão como do de Braga. O pároco é apres entado pelo abade de Priscos. Refere-se ainda que é constituído pel os luga res de “ Rio, Monte, Cada faz, Igreja, Bica, Real, Quintella ” (Capela, 2003 , p. 505). 4.119.3. Cronologia Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial. 4.119.4. Bibliografia selecionada PMH. I nq., 1888, pp. 1 5, 86, 1 74, 217; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 79; Capela, 2003, p. 505; Pizarro, 2012, p. 488 Parte III - A paisagem entre a Antiguida de Tardia e a Idade Moderna: princ ipais vetores de organização DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 223 1. O povoament o na An tiguidade Tardia na região bracarens e 1.1. Os test emunhos, os sítio s e o seu significado 1.1.1. Os sítios Os dados que dispomos relat ivos ao povoamento da Ant iguidade Tardia, na re g ião bracarense, reportam-se ao período entre os finais do século III e o século VI II, sendo basicamente resultantes do cruzamento dos dados arq ueológicos relativos ao terr itório, pr esentes em diversos invent ários (Martin s, 1990; Martins, 19 95; Fontes, 199 3; López Quiroga, 2004; Carvalho, 20 08). Para a cidade de B raga contamos com uma significativa massa de informação de caráct er diacrónico que per mite compreender a evolução da cidade entre o seu mom ento fundacional nos finais do século I e a Idade Média, um conhecimento pr esente em várias publicações q ue abordam os dados arqueológicos facultados por cerca de cinco décadas de prática continuada de arqueologia urbana (Ribeiro, 2008; Fon t es et al. , 2010; Martins et al ., 2015; Martin s et al ., 2016; Martins et al ., 2017b). E sses dados for am cruzados com os do inventário dos materiais arquitet ónicos t ardo an tigos do Mu seu Pio XII ( Fontes et al ., 2 009) e com outros dados resultantes de intervenções arqueológicas realizadas no território bracarense. Figura 14 - Sítios ass oci áveis à Antiguidade Tard ia . ©Francisco And rade A área em estudo int egra um t otal de vinte e três sítios, que poderão de alguma forma ser associáveis ao período tardo antigo, que deverão ser considerados com graus distintos de seguran ça, tendo em conta PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 224 a natureza dos dados usados na sua classificação. Por sua vez, é bastante desigual o g rau de detalhe dos dados arqueológicos di sponíveis para cada um dos sítios inven tariados. Con tudo, e apesar dessa desigualdade potenciar algu m as assimetrias de informa ção , consideramos que é possível refletir sobre os padrões que julgamos poder ident ificar, correla cionando os dados arqueológicos com outras evidências. 1.1.1.1. A cidade de Bracara O conhecimento da ocupação tardo antiga da cidade de B raga [34], representa o resultado das inúmeras intervenções arqueológica s que se têm realizado na cidade, desde 19 76, no âmbito do “Projeto de Estudo de Bracara Augusta”, desenvolvido pela Unidade de Ar queologia da Universidade do Min ho. Os resultados dos t rabalhos realizados t êm sido alvo de inúmeras publicações, das quais se destacam, a título de exem plo, algumas sínteses temá ticas e estudos setoriais (Lemos et al ., 2002, pp . 609- 624; Ribeiro, 2008; Fontes et al ., 2010, pp. 255-2 62; Mar tins et al ., 2016, pp. 35-52; Fontes e A ndrade, 2018, pp. 51-67; Ma rtins et al ., 2015, pp. 11- 28; Mar tins et al ., 2017a, pp. 235-239; Martin s et al ., 2017b, pp. 241-246; Andrade e Fontes, 2020, pp. 293 - 314). Um dos marcadores mais impact antes da morfologia urbana da Braga t ardo antiga, relaciona -se com a construção da robusta muralha da cidade, que passou a limitar uma área urbana com cerca de quarenta e oito hectares, tendencialmente ovalada, erguida em finai s do século III/inícios do IV. A muralha, de imponentes dimensões, apresentava uma largura muito próxima dos seis metros, (Lemos et al ., 2002, pp. 6-22) e foi escavada em variados locais, tendo sido possível perceber que incorporava torreões semicirculares, espaça dos cerca de dezoito pés (Silos , 2018) . Esta reaproveitou um significativo volume de element os arqui tetónicos desmontados de vários monumentos e abunda ntes mon umentos epigráficos, amortizados nos seus enchimentos. A estrutura defensiva foi const ruída no tempo de Diocleciano, apresentando características similares às suas con géneres peninsulares, designadam ente ao nível da solução construtiva com a incorporação de t orreões, igualmen te presentes nas muralhas tardias de cidades do NO ibérico, como Asturica , Lucus , Le gio ou Gijon (Fe rn ández Ochoa, 1997). A topog rafia urbana da B r aga t ardo antiga é herdeira da malha ortogonal de quarteirões que caracterizou o espaço urba no da Bracara Augusta n o período alto imperial, cujo t raçado foi desenh ado num mom ento fundacional (Martin s e C arvalho, 2016). No en tanto, à tendência registada n o século I V de avanço da con strução das domus sobre os pórticos , junta -se no período tardo an tigo uma tendência de amortização dos regulares espaços das an tigas ruas romanas, uma consequência da construção da muralha que con tribuiu, a prazo, para a perca de funcionalidade de alguns eixos viários (Martins e Ribeiro, 2013). No entanto, a cidade manteve, ainda na Antiguidade Tardia, uma topografia pautada pelo traçado DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 225 ortogonal fundacional que se man teve numa con sider ável área intramuros (Martins et al ., 2017a, p. 236) . Aspeto importan te relacionado com as alterações veri ficadas no tecido urbano da Bracara tardo antiga, foi a readaptaçã o de espaços e edifícios p úblicos, que progre ssivamente foram invadidos por estruturas de uso privado, de cará ter residencial e artesanal. Este processo e stá part icularmente bem documentado n a zona do teatro romano , onde se registam ocupações para sitárias dos ant igos espaços do edifício, bem como n a sua envolvente (Martins et al ., 2017 b, pp. 241-242). Aí foram arqueologicamente ident ific adas t rês con struções de c arácter residencial e art esanal, que u sam novos materiais e anunciam soluções con strutivas medievais, datadas entre os séculos V -VII. A unidade construída 1 encont ra-se na área correspondente ao parascaenium norte do teatro e terá tido uso habitacional, en quanto a unidade construída 2 está localizada numa área ext erior ao teatro, anexando - se ao seu muro perimetral. T rata-se de uma con strução t rapezoidal de carácter artesanal, com um forno. A unidade construída 3, encontra -se a norte da unidade construída 2, sendo impossível e stimar ainda a sua funcionalidade, pois encontra-se em fase de escavação (Martins et al. , 2017b, pp . 241-242). A cris tianização da topografia foi um dos aspetos que caracteriza a evolução urbanística t ardo antiga. Tal como já referimos em A ndrade e Fontes (2020, pp. 293-314), o p rincipal dado de que dispomos do cristianismo tardo antigo é pr ovenien te das escavações levadas a cabo por Fontes, Lemos e Cru z (1997 - 1998, pp. 1 37-164), em que é documentado o ap areciment o de um edifício de culto , que t erá reaproveitado e reo rganizado estruturas dos séculos an teriores. O edifício identificado, que apen as se conhece parcialmente, parece dispor de uma nave t ripartida, à luz do que se conhece das int ervenções lavadas a cabo na Sé arquiepiscopal de Braga. Apesar de an teriormente t ermos referido que não se con heciam mais estruturas do conjunto episcopal tardo antigo (Andrade e Fontes, 2020, pp. 293 -314), trabalh os que ainda estão a decorrer a leste da catedral, estão a proporcionar dados acerca do conjunto e piscopal (Mag alhães et al ., 2023, pp. 771- 783), que permanecem, todavia, ainda de difícil interpretação. A o longo da terceira part e desta t ese , tecemos algumas considera ções acerca da organização e adaptação dos espaços, res salvando, contudo, a circu nstânc ia de que, pelo faco de os trabalhos ainda estarem a decorrer, os resultados s ão naturalmente prelimitares. A pesar de a ident ificação do con junto episcopal nesta zona não ser uma novidade (Fontes, Lemos e C ruz, 1997 -1998, pp. 137- 164) a novidade que os t rabalhos mais recent es veio proporcionar é no sentido de uma maior com plexidade, equ iparando o n úcleo arquiepiscopal bracarense a outros que já apresentamos em Andrade e Font es (2020, pp. 293 - 314), fact o que reforça PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 232 sendo at ribuída essa remo delação aos séculos III -IV, o que é condizente com o período de grande vitalidade con strutiva nas villae da Hispânia, que A . Chavarría Arnau (2007) tem como pon to de partida no seu estudo. Figura 18 - Ruínas arqueológicas de Dume ( pars urbana nas proximida des da i greja e capela da Nª Srª do Rosário e balnea , próximo do cem itério). ©UAUM/Francisco A ndrad e A primeira e strutura que se identificou e interpretou como sendo perten cente à Antiguidade Tardia, foi a estrutura balnear que foi ident ificada nas cam panhas de 1993 e 19 95 e se loca liza a cerca de 90 metros a este do primeiro n úcleo de ruínas identificado . O edifício baln ear, a presenta uma planta tendencialmente ortogonal, que s e organiza tendo como área central um pátio, que se encont ra ladead o por duas piscinas retangulares, localizadas a este e oe ste. Para além destes compartiment os, também se ident ificou um tepidarium e um caldarium a sul e a leste uma pretensa área de serviços (Fontes 1994, cap.2. 1; Andrade 2015, pp. 48- 50). Trata-se de um edif ício qu e apresenta o reaproveitamento de diversos elementos arquitetónicos, designadam ente nas pilae do tepidariarium , o que terá influ ído para uma primeira aproximação à fase dos séculos III -IV da villa . DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 233 Figura 19 - Estrutura baln ear identificada em Dume fu ndada nos sécu los III -IV (segundo Andrade, 20 15, adaptad o de Fontes, 199 4). Após a escavação desta estrutura e o alargam ento da int ervenção na zona con tígua a sul, da capela da Nª Srª do Rosário, em 2 003, ident ificaram-se m ais estruturas que, apesar de s eguirem a orient ação das primeiras, par ecem ter conhecido cron ologias similares, designadamente um átrio porticado (Fontes, 2011c, pp. 20- 44). As estruturas apresentam igual ment e element os re aproveitados, tal como n a estrutura balnear. N a área mais próxima da igreja, parece ident ificar-se uma inflexão das estruturas q ue, de uma orientação mais a NO/SE , passam a uma orientação mais no sentido E/O , ju n to às escadas que se identificaram em zona contígua à capela da Nª Srª do Rosário. Mediante uma análise da estratigrafia e de dado s de dataçã o absoluta, que ser ão apresentad os com maior detalh e no capítulo dedicado aos most eiros da Ant iguidade Tardia, parece -nos que os silhares almofadados, dispostos de forma semicircular e que inicialmente foram interpretados como sendo parte da primitiva basílica sueva, poderão ter tido uma origem num com partimento trilobado desta fase da villa , relativamente comum nas villae deste período, q ue t eria constituído um dos com partimentos de maior destaque da pars urbana e configuraria um espaço de representação do edifício senhorial dumiense. Este aspeto pare ce-nos importante, na medida em que a su a confirmação, em co njunto com a existência de outras infr aestruturas como a estrut ura balnear, reforça com bastan te seguranç a o PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 234 enquadramento das ruínas dumienses na tipologia de villa , como já tem vindo a se r defendido desde os primeiros resultados apresentados (Fontes, 1987, p p. 111- 148 ), colma tando, apesar de tudo, a inexistência de uma planta que possa permitir o conhecimento das características gerais do edificado, face à inexistência de uma área escavada mais ampla. Figura 20 - Sala tril obada mais antiga de Dume e enquadra mento com algumas das divisões trilobadas que se conhecem em contexto de villa e ou gra ndes palácios romanos (adaptado parc ialm e nte de Hidalgo, 2014, p. 2 34). Não obstante a origem que consideramos que o espaço possa ter tido num mom ento inicial, não está de todo descartada a hipótes e de que o espaço pos sa ter sido adaptado ao culto cris t ão numa fase final da villa , pe se embora n ão seja possível, de moment o, a recolha de da dos arqueológicos que possam permitir a confirmação desta hipótese. O estudo elaborado sobre o sítio arqueológico de Dum e [40], levou -n os a avançar (Andrade, 2015) com a hipótese de delimitaç ão de domínio fundiário de Dume, através do cruzament o de diversos dados de mom entos posteriores e que são relativos à cent uriação roman a, avan çada por Helena Carvalho (2008). DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 235 Figura 21 - Proposta de f undus para a villa de Du me (segu ndo Andrade, 201 5). ©Franci sco Andrade A proposta leva-nos a consi derar uma área de maior p robabilidade que se circunscreve a uma zona predominantemente quadrangular que corresponde, grosso -modo, à área ocupada pela freguesia de Dume ( pré reorganização administrativa de 2013), dei xando em abert o a inclusão da t otalidade ou de parte de uma faixa a sul que também poderia fazer parte das en tidades que a con frontavam a sul (Andrade, 2015, p. 54). Pese embora as dificuldades de caracterização, face à inexistência de dados, considerámos, no seguimento do que vem sendo defendido por outros aut ores (Martins, 1990; Carvalho, 2008; Carvalho 2019), que na proximidade imediata da villa de Dume [40], s e localizariam outros assentamentos de tipologia simil ar. Assim, acont eceria nos terrenos próximos à igreja de Adaúfe [18], local onde foram identificados elementos arquitetónicos e material laterício, bem como uma inscrição vot iva (Martins, 1990, pp. 8 0 -81; Fontes, 1993, pp. 31- 88; Carvalho, 2008, p. 2 72; C arval ho, 2019, p. 45). Apesar de n ão existirem elementos construtivos, in sito, que permitam relacionar es t e sítio claramente com uma oc upação tardo antiga, presumimos que a provável existên cia de uma villa romana permite considerar também uma ocupação da Antig uidade Tardia, correlacionando os dados arqueológicos de período an terior co m elementos arquitetónicos que lhe possam ser a ssociados . Na verdade, o único vestígio da freguesia de PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 236 Adaúfe, datável daquele período, localiza-se em Santo André do Vale [20], poden do ser aqui, noutro extremo de uma área de terrenos com uma considerável propensão para a prática ag rícola que se poderia localizar a villa , tal como refere Helena Carvalho (201 9, p. 45). Assim, face à inexistência de dados arq ueológicos segu ros, m antemos a possibilid ade genérica de que existiss e uma villa roman a na zona de Adaúfe, que poderá ter tido uma ocupação tardo antiga. O utro local qu e poderá ter sido ocupado por u ma villa , eventualmente ainda na Antiguidade Tardia, situar- se - ia na envolvente dos t errenos da igreja velha de Gualtar [29], estendendo -se até à área próxima da at ual igreja, on de se localizaram diversos elementos de tegulae e lateres (Carvalho , 2 008, p. 271; C arvalho, 201 9, pp. 43-44). A habitaçã o a sudoeste da igreja velha, n a encosta entre as igrejas acima referidas, está localizada n uma zona c on hecida como Pia, s ugestiv o topón imo que parece rem eter para a existê ncia de algum elemento pé treo r eaproveitado com essa funcion alidade. N uma área muito próxima localiz a-se um sítio conhecido como poça, que remete para a abundância de água nesta região. Limitando a norte com o fundus de Dume [4 0], em St o. Estevão Velho ou Pardelhas [82] identificaram-se restos de con struções e de element os arqu itetónicos que, segundo Helena Carvalho (2008, p. 272; 2 019, pp. 54-55), indiciam a pr esumíve l existência de uma villa romana. A refe rência na delimitação do termo de Dume ao sítio de Paretelias (Andrade, 2015, p. 201), leva -nos a assumir a possibilidade de poder corresponder a este local, n ão sendo possível, de momento, saber quais os contornos específicos da sua oc upação. Avelino Jesu s da Costa refere o a parecimen to de uma ara anepígrafa (19 97, p. 1 17), não s endo claro qu e s e t rate efetivamente de uma ara, ou se ela será de Sto. Estevão, lugar da Póvoa [8 1], relativamen te próximo do local, como parecem indi ciar outr os invent ários em que a peça aparece ref erida (Martins, 1990, pp. 84 -85; Fontes, 1993, p. 63; Font es et al ., 20 09, vol. I, p. 33). Refira-se, con tudo, a possibilidade de a ara de Sto. Estevão/Póvoa [8 1] poder se r originária de Sto. Estevão Velho, ou Pardelhas [82], podendo ter sido deslocada. A su doeste de St o. Estevão Velho ou Pardelhas [ 82], e m local próximo da via XIX, junto a u ma zona denominada de Pateira [67], Helena Carvalho ( 2008, pp. 271 -27 2; 2019, p. 44) refere a det eção de fustes de colunas e de uma pedra de lagar numa exploração ag r ícola, cujos limit es parecem coincidir com o traçado da via. Esses dados levaram a inves tigadora a con siderar que esse local também poderia corresponder a uma villa r omana, classificação que t ambém atribuiu ao sítio de S. Pedro de Merelim [66], de onde se conhece uma inscrição que nomeia um cidadão romano inscrito na tribo Quirina. De S. Paio de Merelim proc ede um capitel datável dos séculos V -VII pertencente à coleção do Museu Pio XII, que sugere uma existência de um edifício tardo an tigo. Dada a proximidade da villa de Pateira DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 237 [67] re lativamente ao achado, avançamos a hipótese de o mesmo poder estar associado com aquela villa . Figura 22 - Capitel de S. Paio de Merelim, séculos V -VII (segundo Fontes et al ., 2009, vol. II, p. 60) . ©Manuel Pitães Ainda na zona co n tígua ao domínio fundiário dumiense, a sudoeste, na zona conhecida por Santarão [102], está refe renciado o ach ado de diversos elem entos arquitetónicos (Martin s, 1990, pp. 89 -90; Fontes, 1993, pp. 76-77; Carvalho, 2008, p. 270). Os dois cap iteis em granito nº550 e 5 51, são dados como provenientes de paço de Semelhe, s en do-lhes atri buídas cron ologias associáveis aos séculos V -VII. Integrados na coleção museográfica do Museu Pio XII estão quatro elemen tos arquitet ónicos com cronologias que abarcam um período cronológico compreendido entre os séculos I I -VII (nºs 31 , 66 , 67 e 86) ( Fontes, 20 05), que poderão ter sido alvo de reaproveita mentos de materiais de outras proveniências. Face à existência n este local de um sítio ar queológico que tipológica e cronolog icamente é com patível com este tipo de achad os e a sua re lativa proximidade relativamente ao local do achado dos elementos arquitetónicos, consideramos plausível que e stejamos perante um único sítio. Apesar de Armando Redentor e Henrique Regalo (2013), at ribuír em a proveniência dos capitéis do Museu Pio XII (550 e 551), à zona da Quinta da Mata, um local distinto de Santarão, mantemos a posi ção de sinalização de apenas um sítio, já defendida anteriormente (Andrade, 2 015, p. 60). Figura 23 Capiteis prov enientes de Semelhe e Tibães (segundo Fon tes et al ., 2009 , vol. II, pp. 1 8, 20, 2 1, 52, 62 e 65). ©Ma nu el Pitães PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 238 Existem outros dois locais de on de procedem elementos arquitetónicos que levaram diversos autore s a classificá-los tipologicamente como de villae . Trata-se dos sítios de Infias [29] e de Coturela [35], ambos localizados na periferia ime diata da cidade de B raga, em locais próximos a duas das vias q ue saíam da cidade a nordeste e a n orte. A villa da Coturela [35], deveri a corres ponder a uma propriedade suburbana, dadas as características topográficas do sítio, pelo que seria dedicada essencialmente a habitaçã o de um membro ilustre da cidade, cuja casa beneficiaria da cont empl ação de uma paisagem de qualidade. A localização das villae suburbanas era comum na proximidade de vias de comunicação importantes qu e saíam das cidades (Adams, 2008, p. 4), o que permitia potenciar as redes de sociabilidade que se pretendiam m anter n o campo, na medida em que os domini destas villae eram geralmente abastados membros da elite urbana, envolvidos na atividade política intimamente associada a uma intensa atividade social. Ora o sítio da Coturela [35] parece en caixar -se no modelo de implantaçã o acima descrito, situando-se nas imediaçõ es da cidade, perto do trajeto da via XIX, ocupando um pequeno outeiro sobranceiro ao vale do Cávado, de onde era possível disfrutar uma imponent e p aisagem. Assim, a conjugação da localização com os ac hados (Fontes, 1993, p. 6 9; Carvalho , 2008) leva -nos a con sidera r como plausív el a propo sta classificação de villa , e mbora n ão especificamente ligada à atividade agropecuária. Também a presumív el villa de Infias [29] deve ter possu ído um excelente enquadram en to paisagístico, com uma boa visibilidade para a extensa veiga do Cávado, sendo a área estimável de um presumív el fundus relativa mente reduzida, razão que permite con siderar a sua função como villa suburbana, que se localizava perto do trajeto da via XVIII. Na zona da igreja pa roquial de Espinho [44], Luí s Fon tes (1993, p. 4 5) refere a ident ificação de uma inscrição funerária e de mat erial de construção, existindo no Museu Pio XII uma ara (nº 423). A estes achados, que levaram à classificação do sítio com o villa romana e t ardo an tiga, acrescem as características topog ráficas do sítio, favo ráveis à p rática ag rícola (Carvalho, 2019, p 44). Junt o à igreja de Esporões [45], ident ificaram -se duas inscrições, uma correspondente a uma ara votiva e outra a um marco de propriedade ( Fontes, 19 93, p. 46). Helena Carvalho (2019, p. 44) re fere que as caraterísticas do terreno da e n volvente da igreja sugerem a existência de uma villa , salie ntando a importância do marco de propriedade, q ue tem grafada a palavra SEVERI e teria servido para delimitar o fundus de uma villa , que poderia ser a de Esporões [45]. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 239 Figura 24 - Marco de proprie dade identificado em Esporões ( segundo Font es et al ., 2009 , vo l. I, p. 89). ©Manu el Pitães 1.1.1.3. As vias O nosso conhecimento da viação tardo antiga, herdeira da rede viária da Hispânia romana, deve -se, como referiu Helena Carval ho (2008, p. 10 8), a t rês font es principais: itinerário dito de Ant onino; o denominado an ónimo de Ravenna e as conh ecidas tábuas de Astorga . Por sua v ez, conhecimento dos traçados dos itinerários pr incipais, tem tido com o element o mais relevante da validação, a ident ificação de m iliários, a prospeção e a ident ificação de segmentos de pavimento e a int erp ret ação cartográfica, um trabalho de progressivo apuramento. Não sendo nossa inten ção traçar a historiografia do estudo da viação romana da região bracarense, ou efetuar um estudo apro fundado dos traçados das vias que ligavam Bracara a outras cidades, já abordados em t rabalhos anteriores como em Lemos (2000 ; 20 02) e Carvalho (2008), procu raremos apenas identificar os principais eixos viários que se en con trariam em atividade, permitindo a circulação de pessoas e bens, interconectando a Bracara tardo antiga com outras partes do território da Península Ibérica. Na verdade, o nosso interesse na viação roma na prende -se com a necessidade de estabelecermos uma relação de influência e interdependên cia entre os eixos viários em uso na Antiguidade Tardia e os pri ncipais locais que estariam ocupados nesse período. Bracara Augusta tinha seis principais vi as que conectavam a cidade praticamente em todas as direções. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 240 Figura 25 - Principais vias romanas identificadas na região de Braga. ©Francisco Andrade (base de Helena Carvalho, 20 08) A principal via que partia da cidade para norte, em direção a Lugo, era a via XIX ( item a B racara- Asturica ) que ligava Bracara a Asturica por Lucus , em cuja proximidad e se dispunham alg umas das principais villae conhecidas n a bacia do Cávado, situadas próximas da cidade de Brag a. A via saía pela porta n orte da muralha da cidade, seguindo por terrenos que se dispunham a oeste do atual convento do Pópulo, descendo para a zona de Dume, pas sando próximo à capela de S . L ourenço [42]. Já em Dume, a via cruzava a zon a conh ecida como C arcavelos, basta nte próxima da pars urban a da villa de Dume [40], continuando pe la zona próxima da villa de Pateira [6 7], em direção à passagem do Cávado, no sítio da at ual ponte de Prado [65] (Carvalho, 2008, p. 247). O seu percurso as segurava a ligação a Limia (Pont e de Lima), aglomerado com ori gem num vi cus , dirigindo -se a Tude (Tuy), depois de passado o rio Minho, seguindo para Iria Flavia , infletin do para n ascente em direção a Lucus A ugusti, de on de seguia para Asturica (Almeida , 1968 ; Almeida, 1979; Pérez Losada, 2002; Fe rn ández Och oa, 1995). Para sul dirigiam-se duas v ias. A via XVI ( ab Olisipone Bracaram Augustam ) permitia a ligação de Bracara com a Lus itâ nia. A via sairia pela porta sul da muralha , seguindo em direção a Esporões e veiga do Penso, passando perto de, pelo men os, uma vill a , localizada em Esporões [45], aproxim ando -se progressivamente do litoral, desenh ando um itinerário que percorria a zona ocidental do território atualmente português, passando por vários núcleos ur banos import antes (Mantas, 2000). Por sua vez, DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 241 a via Bracara-Tongobrigam-Emeritam qu e conectaria Bracara à capital d a Lusitânia, sairia pelo quadrante sudeste da cidad e, na zona do Fujacal, seguindo para sul pela zona da Falperra e pela portela que dá acesso a S. Martin ho de Sande e Calda s da s Taipas (Carvalho , 2008, p. 248). Uma vez cruzado o rio Douro a via dirigia-se à Egitânia, seguindo para Emerita . O eixo estruturante de comu n icação de Bracara com o litoral era a via XX ( item per loca maritima a Bracara ) que unia a cidade a Asturica e Lucus por um percurs o con troverso, devido à ausência de miliários, devendo percorrer a orla marítima, até Brigantium (La Coruña). Est a via saía de Bracara pela porta poente da muralha, no enfiamento do decumano máx imo, em frente da qual se di spunha o anfiteatro, onde se construiu a basílica paleocristã d e S. Pedro de Maximinos, infletindo pela calçada da Naia, passando a sul do monte das Caldas [103] (Carvalho, 200 8, p. 2 48). A villa d e Sa ntarão [1 02] era bastante próxima do traçado da via, sendo certo que pass aria perto de Martim , ligando a uma eventual via secundária que passaria próxima às zonas de Real e Semelhe. Pelo lado nascente de Bracara diver giam duas vias. A via XVII ( item a Bracara Augusta ) ligava a cidade a Asturica , com origem n a porta n ascente, n o eixo do traçad o do decumanus m áximo, passando pela área da necrópole que se es tendia do atual largo Carlos Amarante, pela rua do Rai o e largo da Nª Srª. a Branca, passando pela necrópole de S. Victor [33], e m direção a Gualtar, pela rua da Estrada Velha, seguindo pelo vale do Est e, não muito longe da villa de Gualtar [59] (Carvalho, 2008, p. 2 44). O seu percurs o atravessava o atu al território até Aquae Flaviae (Chaves), seguindo para nordeste por Veniatia, Petavonium, Argent iolum e Asturica (Lemos, 2000; Lem os, 2002). Por sua vez, a via XVIII , ou via Nova, construída em época flávia, estruturava um itinerário alt ernativo de ligaçã o entre Bracara e Asturica , saindo da cidade por n ordeste, seguindo o traçado d a at ual rua dos Ch ãos, S. Vicente [28], onde se localizaria uma basílica paleocristã, pela villa suburbana de Infias [29], passando pe las Sete Fontes [31], seguindo pela veiga do Cávado e por Adaúfe [18], em direção ao at ual território de Am ares (Carvalho, 2008, p. 245). Para além destas vias principais haveriam seguramente vias secundárias e cam inhos vicinais que interconectariam os diversos sítios que desenhavam o m apa do povoamento do período tardo ant igo, muito ligado ao prot agonismo e importân cia estratégica da cidad e de Bracara , capital do Reino Suevo, entre 407 e 585, depois de t er conhecido, ao longo do século IV, u m período de forte dinamismo político e económico, em parte derivado da sua p romoção a capital da n ova província da Galécia, criada por Diocleciano. Os testemunhos mais importantes do sis tema viário romano e tardo antigo que se encon tram presentes na região em an álise são os miliários que testemunham as milhas, e nos aproximam aos PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 248 no Museu Pio XI I, parece-nos que há uma g rande probabilidade de o t emplo até à data associado aos séculos IX-X, poder remontar ao período suevo visigótico, como já foi referido, sem descurar todavia eventuais remodelações que seguramente terão existido, de correntes da ocupação do local, mas cuja presença no registo arqueológico conhecido até ao momento, não pare ce ter gran de repr esentat ividade. Figura 32 - Fase de escavação de interior de igre j a (198 9) , com zona de p avimen to de capela-mor visíve l ao fundo. ©Arq uivo UAUM/L u ís Fontes. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 249 Figura 33 - Elementos arqui tetónicos associáveis aos séc ulos V - VII, provenien tes da igreja de Dume. (capiteis segundo Fontes et al., 2009 , vol II, pp, 50, 53- 54 ). ©Manuel Pitães Figura 34 - Possível áre a de ruínas, com base nos dados conhec idos até ao momento. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade Ressalva-se ainda o facto de ser dos poucos sítios, pa ra além da cidade de Braga, que fo i alvo de escavações utilizando m etodologia arqueológica, constituindo uma referência no estudo deste período. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 250 Dado que a área escavada poderá ser basta nte mais am pla e não ser possível um con hecimento m ais detalhado da adaptação da villa a mosteiro, as con clusões a que pu demos chegar estão consideravelmente condicionadas. Os dados disponíveis levam -nos a considerar que diver sas valências da villa t erão sido abandon adas ou conhecido readaptação, como é o caso do balneário. F ace aos dados que conhe cemo s da basílica, a identificação de uma necrópole a oeste e sul da mesm a, terá indubitavelmente condicion ado o uso do espaço nesta zona, inicialmente com usos seguramente distintos. A circulação, face à identificação do muro mais a sul da basíl ica e a não identificação de u m vão que permitisse o ace sso direto a esta zo na, por sul, parece indiciar uma certa rutura ao n ível da orgânica de funcionamento do mesmo, parecendo passar a desempenh ar, a basílica, o novo papel organ izativo do espaço, limitando -se de alguma forma a fluidez de circ ulação. A lógica de circulação int ra basilical, parece estar relativa mente bem definida, sendo os circuitos identificados, o acesso direto ao altar-mor através da zona ce n tral da nave e um acesso através do vão anteriormente referenciado, que foi identificado na abertura de uma entrada no alicerce moderno, propiciando o acess o à abside sul, at ravés do vão onde foram identificados degraus com mosaicos. Figura 35 - Degra us de aces so a abside sul. ©Arqu ivo UAUM/Lu ís Fontes Para além do mosteiro de Dume [40], aproxim adamente a meia distância entre o mesmo e Braga, como refere a Vita Frutuosi , (Cardoso, 1996, p. 43), próximo aos limites con hecidos do domínio DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 251 monástico dumiense (Costa, 1965, p. 39), na atual z ona de Montélios, t erá sido erigido um mosteiro [95], re ferenciado como local de sepultamento de S. Frutuoso. Os dados arqueológicos das diversas intervenções que temos dirigido nos últimos an os no local, não são completamente conclusivos acerca das características do referido mosteiro que se t erá aí instalado. Efetivamente, para além do mausoléu - capela que foi restaurado na primeira metade do século XX e que está classificado como Monumento Nacional, ident ificaram-se duas secções de um muro, localizado n a plataforma a norte do con vento de S. Francisco, numa zona mais baixa relativamente ao mausoléu. O muro, que se desenvolve no sentido NE/SO, apres en ta elementos alm ofadados sendo, até ao momento, os únicos dados que dispomos. Efetivamen te, para além do mausoléu-capela, que foi restaurado na primeira metade do século XX, e difício classificado como Monu mento Nacional, identificaram-se, n uma zona mais baixa relativament e ao mausoléu, duas secçõ es de um muro com orientação NE/SO, com elementos almofadados, localizado na plataforma a norte do convento de S. Francisco. O aparecimento de alguns f ragment os de cerâmica cinzenta tardia comum em áreas próximas, n ão g arante uma dat ação direta da referida estrutura, pelo que e stão e m curso análises às argamassas do muro, tendo em vista obter uma datação para a estrutura, com o financiamento concedido pelo Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT), através de fundos n acionais da FC T – Fundação par a a Ciência e Tecnologia I.P., no âmbito dos projetos estratégicos UIDB/04509 /2020 e UIDP/04509/2020. Os resultados preliminares, avan çados por Jorge Sanju rjo Sánchez 7 , levam-nos a assumir a possibilidade de a sua construção poder remontar aos séculos I V-VI . Figura 36 - As peto de mausoléu de S. Frutuoso e muro que pode rá ter pertencido a mosteiro. ©Arquiv o UAUM/Franc isco Andrade 7 Institut o Isidro Parga Ronda l, Universida de da Corunha. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 252 Os trabalh os de cam po que estão em curso, associad os ao restauro do convento de S. Francisco, permitiram a leitura dos parament os internos e externos do mausoléu, analisando os elemen tos que poderão s er ass ociáveis ao maus oléu original. À luz dos dados qu e atualmente dispomos, consideramos que parte dos alicerces do mausoléu de S. Frutuoso [95], poderão ser associáveis à sua fase mais an tiga que poderá datar do século VII, cronologia que esperamos poder certificar com a análise das argam assas em curso. 8 Dado que não identificamos, nas zonas con servadas, elementos distint ivos claros ent re os elementos do alicerce e os paramentos conservados, con sideramos que poderão ser todos pertencent es à mesma fase 9 . A análise do alçado norte permitiu a constatação de que apenas se conservou part e do braço oeste do mausoléu e parte da t orre cent ral, bem como uma pequena parte do braço este, na zona de suporte da quadra central. Figura 37 - Leitura in terpretada do a lçado este do mausoléu de S. Frutuoso, com indica ção do século asso ciado a cada fa se identificada. © Arq u ivo UAUM/ Francis co Andrade/Paulo Bernardes A parte superior da torre lanterna t erá sido recolocada pela DGEMN, recorrendo a alg uns elementos originais que ainda estavam in situ . Est a ação terá contemplado igualmente o encerramento de uma grande janela que tinha sido rasgada no mausoléu. A análise dos paramentos t ambém permitiu a constatação que a recoloca ção da parte superior dos elementos da torre lant erna terá cont emplado a 8 As amostras recolhi das estão a ser analis adas por Jorge Sanju r jo Sánchez, d o Instit uto Universitá r io Isidro Pa r ga Rondal, da Universida de da Corunha. 9 Assumimos que, dado os in dícios de reaproveitamento d e alguns el ementos, pos sam ser provenientes d e estruturas p reexistent es. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 253 elevação do telhado, o que nos faz s upor que se terão e fetuado alterações ao nível da cobert ura e cúpula do mausoléu. A referida anális e permitiu ainda identificar que os mot ivos decorativos dos alçados, que foram replicados em toda a zona construída, se basearam n os elementos presentes ainda no alçado original do braço este, permitindo a co n firmação de qu e apenas uma pequ ena parte, possuía alguns do s seus elementos originais conservados. Na zona m ais próxima da qu adra central, tal como na z on a les te, veri ficou-se a conservação de parte do m otivo decorat ivo do braço norte, tendo permitido a replicação do motivo identificado. Refir a -se ainda que o desmonte da parte supe rior da torre lanterna também se identifica neste alçado. Na parte inferior do alçado da torre central, não são tão evidentes as alt erações do aparelho com o se verificou no entaipamento do vão que existia na zona norte. A an álise do alçad o ext erio r sul, do mausoléu, permitiu con statar que, tal como no alçad o ext erior norte, se terá conservado uma grande parte do paramento do braço oeste, até à zona inferior à corn ija. Também aqui se ident ificaram elemen tos similares a os q ue foram registados na zona mais a norte, nomeadamente um óculo no paramento. F oi ainda possível verificar que apenas se t erá conservado a zona inferior da t orre lan terna, e, tal como no alçado n orte, a remodelação e recolocação de elementos na zona superior contemplou o entaipamento de um vão. Figura 38 - Leitura i nt erpretada do alçado sul do mausoléu de S. Frutuoso, com indicação do século associado a cada fa se identificada © Arq ui vo UAUM/ Francis c o Andrad e /Paulo Ber nardes PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 254 Para além dos dados qu e di spomos, decorrentes da an álise dos paramentos ext eriores do m ausoléu, também nos foi possível ef etuar sondagens arqueológicas e escavar a área envolvente, qu e nos proporcionou informação sobre o alicerce do edifício e da sua relaç ão com as e struturas com que se articularam. A es cavação da sondag em 4, da intervenção que efetuámos em 20 15 ( Fontes et al ., 2020a), permitiu a ident ificação das características do alicerce do alçad o norte do braço oeste do mausoléu, tendo a análise da estrutura permitido constat ar que, ao cont rário do que acon teceu com os braços reconstruídos pela DGEMN, os motivos decorativos estavam ausentes no embasamento do braço norte. Figura 39 - Fotografia de alçado nort e de braço e ste de mausoléu, sondagem 4. ©Arq uivo UAUM/Francisco Andrade O embasamento possu ía elementos de maiores dimensões na sua zona superior, parecendo pelo menos dois deles, terem si do reaproveitados ou afeiçoados num dos seus vértices, eventualment e para adaptação de edifícios posteriores que lhe adossaram. Os elementos do embasamento apresentam um DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 255 talhe relativamente tosco, se comparados com os motivos do embasamen to da DGEMN, que pode ser visto na fot o do alçado norte da sondagem 4, que apresentamos na página anterior. É visível o assentamento n o substrato rochoso, sendo ainda possível constat ar que alguns dos elemen tos visíveis da zona inferior do mausoléu são de dimen sões relativamente pequenas e apre sentam -se afeiçoados numa das faces. Dado que o alicerce n esta zona se encontra, em parte, encoberto pelas estrutura s do convento do século XVIII, nã o é possível con statar, com clareza, se esta característica se deve a uma adaptação ao terreno ou se poderia ter algum significado a nível construtivo. A sondagem 3, da intervenção arqueológica de 2015, efetuada junt o ao braço este de mausoléu, permitiu igualmente a identificação do seu alicerce. Apesar deste braço do mausoléu ser essencialmente reconstrução da DGEMN, a zona inferior do seu alicerce, pare ce -nos, à luz dos dados que dispomos para este momento, ser constituída por elementos originais, que poderão ser associáveis ao sécu lo VII. Como é visível n a fotografia do alçado este, que abaixo apresentamos, sob o embasament o e uma primeira fiada de pedras q ue terão sido colocadas n o âmbito das obras da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, identificaram-se duas fiadas de sil hares, alguns deles almofadados, t endo encostada argamassa que poderá con stituir parte de estrutura da época moderna. A referida estrutura foi alvo de recolha de ar g amassa para datação por OSL. 10 O aparelho do alicerce m ais antigo, n esta zon a, apresenta parte das suas juntas seladas por argamassa alaranjada de estrutura de cronologia posterior, como é visível na foto apese ntada a seguir, não tendo sido poss ível a recolha de a mostras deste alicerce do mausoléu de S. Frutuoso. Figura 40 - Fotografia de alçado este de alic erce de braço este d e mauso léu, sondagem 3. ©Arquivo UAUM/Franc isco Andrade 10 Análises da respons abilidade de Jorge Sanjurjo Sánchez, da Uni ver sidade da Corun ha. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 256 Figura 41 - Leitura int erpretada de alçad o este de alicerce de braço e ste de mausoléu. © Arquivo UAUM/Franc isco Andrade O desaterro de preparação para con strução de estrutura de en trada no convento de S. Francisco, pressupôs a remoção dos aterros efetuados pela Direção Geral dos Edifícios e Mon umentos Nacionais (DGEMN). Nesta zona foi possível a identificação dos ali cerces dos braços sul e este do maus oléu, tendo permitido con statar que o b raço sul, pelo menos nas s uas área s a sul e a leste, n as partes visíveis, foi reconstruído pela DGEMN, desde o alicerce. No caso do braço oeste, poderá tratar -se da con strução original, at é à zona da cornija. A análise do alicerce ident ificado decorrente do desaterro referenciado, permitiu constatar que o alicerce, t ambém presu mivelment e original, possuía características ligeiramente distintas do que se identificou na zona norte. A a nálise dos elementos permitiu verifi car que o embasamento é constituído por elemen tos de grandes dimensões, bem aparel hados, parecendo um deles apresentar cavidade indiciadora do uso de forfex . As duas fiadas inferiores são compostas, em grande parte, por elementos de menores dimensões que apresentam um talhe mais tosco, alguns dos quais não apresentam a face externa afeiçoada. Apesar das diferentes características dos elementos, não n os foi possível associar o us o de diferentes técnicas construtivas a fases distintas, devendo es sa diferença s er explicada pelas distintas funções que os elementos desempenham, ao nível da solução c onstrutiva adotada no mausoléu. Na zona inferior de alicerce, na área em que as junt as são mais largas, re colheram -se duas am ostras com vista à datação por O SL. 11 Tal como no alicerce leste, os indícios de reaproveitamen to le vem-nos a assumir a sua proveniência de preexistências nas proximidades. 11 Idem nota ant er ior. DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 257 Figura 42 - Fotografia de alç ado sul de alicerce de braço oeste de mausoléu. © Arquivo UA UM/Francisco Andrad e Figura 43 - Leitura interpretada de alçado norte de alicerce de braço este de mausoléu. © Arquivo UAUM/Franc isco Andrade A an álise do alça do oeste do alicerce do braço sul do m ausoléu, permitiu con statar que, por u m lado, a sedimentação que preenchia as juntas era idêntica à que tinha sido identificada n o alicerce sul, por outro, apresentava silhares almofadados, tal como os que foram identificados no alicerce coloca do a descoberto na sondagem 3. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 264 Figura 50 - Fas e IX do núcleo dos C TT (elemen t os la terícios de se p ulturas a laranja), segundo Brag a (201 8, vol. II, fig. 32). © Cris ti na Braga Figura 51 - Fase X do núcleo dos CTT (elementos laterícios de sepulturas a l aran ja), segundo Braga (2018, vol. II, fig. 33). © Cris ti na Braga O n úcleo da Cangosta da Palha, mais distanciado da cidade, localiza -se a nascente do anterior na plataforma norte do eixo viário, onde se orga nizou um espaço de enterramen to utili zado en tre os finais do século II e o século VII, numa área correspondente às traseiras do edifício do s Cong regados que se DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 265 estendia at é à rua do Raio. O local foi intervencionado em 1987, n a sequência de desaterros realizados com o objetivo de con struir um parque de estacionament o, que destruíram um número significativo de sepultur as (Martin s et al. , 1989-1990, p. 105). Assim, de uma área com cerca de 2600m², foram escavados cerca de 350m², que revelaram sessenta e duas sepulturas de inumação e apenas uma associada ao ritual de cremação. Trata-se do único n úcleo em que se observa clara mente uma tendência de orientaçã o O /E e OSO/ENE das sepulturas asso ciadas a cronologias tardo antigas, o que foi documentado em cinquenta e três estruturas, situação distinta da que se verifica para as sepulturas datadas do século II I, início s do IV em que apenas se regi stam três inumações orientadas N/S e uma OSO/ENE. Foram escavadas quarenta e t rês sepulturas atribuídas à fase X, associáveis aos séculos V - VII (Braga, 2018). Figura 52 - Núcleo da cangosta da Palha (el ementos laterícios de sepulturas a laranja), segundo Braga (2018, vol. II, fig. 6). © Cris tina Braga PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 266 Na zona próxima à capela da Nª Sr ª a Bran ca situa -se um núcleo da n ecrópole da via XVII, já referenciado des de 19 18, por J.L. Vascon celos, que ref ere a descoberta de sep ulturas em márm ore “d e forma de caix ões”, não referindo nem o número n em a sua cronologia (Vasconcelos, 1 918, p. 3 60). Em 2012 for am identificadas cinco sepulturas de i numação, que podem ser datadas dos séculos V a VII, n o Largo da Nª Srª a B ranca no âmbito de trabalhos de acompanham ento arqueológico execut ados pelo GACMB. As sepulturas encont ravam-se orientadas O/E, com ligeiros desvios OSO/ENE, t endo sido individualizadas três covas simples sem revestimento e duas caixas de tijolo (Braga, 2018). A necrópole propagaria -se para esta zona, at é ao núcleo de S. Victor [30], on de se considera que possa ter havido um possível núcleo de culto paleocristão. Figura 53 - Núcleo da Nª Srª a Branca ( elemen tos laterício s de sepulturas a l aranja), s egundo Braga (2 018, v ol. II, fig. 34). © Crist ina Braga O n úcleo de S. Victor [30], da necrópole da via XVII, situa-se a cerca de 1km em linha reta da área urbana da cidade tardo antiga. A documentaçã o antiga, datada do ano de 899, levou Avelino Jesus da Costa a propor a localizaçã o da primitiva igreja de S. Victor no sítio onde está hoje con struída a capela de S. Vict or o Velho (Costa, 1997, p. 103). Assim , face aos dados arqueológicos disponíveis consideramos plausível que o referido n úcleo se inte grasse na necrópole da via XV II, englobando um conjunto de sepulturas de inumação , datadas inicialmente dos séculos IX/X, identificado em 1957, no contexto de trabalhos de terraplanagem realiz ad os num edif ício junto à rua Martin s Sarmen to, localizado cerca de 100m a sul da at ual I greja de S. Vict or. A avançad a cronologia das sepulturas foi que stionada DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 267 por Mário Barroca, que considerou que deveriam estar associadas a um con texto cro n ológico dos séculos IV/V, ten do em conta as suas cara cterísticas construtivas (Costa, 1997 , pp. 103 -104). A este núcleo são também atribuídas sete se pulturas detetadas em 200 0, n a sequência de sondagens realizadas pela UAUM, em colaboração com o GACMB, em contexto de uma obra no prédio nº 194 -204, situado n o lado poente da rua Ma rtins Sarmento. O recon hecimento das estruturas funerária s j ustificou a rea lização de trabalhos arqueológicos qu e permitiram identificar um pavimento em opus si gninum que recobria parcialmente uma das sep ulturas, o que permitiu considerar a existência de uma estrutura con struída, ou coberta, tipo mausoléu ou t emplete (Lemos, 2001 , pp. 11-1 2; B raga, 201 8, p. 95). O nível de abandono do piso de opus signinum forneceu mat eriais de cronologia tardo ant iga, datados entre os séculos IV/VI (Lemos, 200 1, pp. 11-12). Na zona de S. Vicent e [28], em zona próxima à via XV III, está documentada a ident ificação de uma inscrição fu n erária datável do século VII, de acordo com Avelino Costa (199 7, p. 101 ). Segundo o aut or, a t radução da inscrição seri a a seguinte “No dia 1 de maio da Era 656 (=ano 6 18), no dia de segunda - feira, Remisnuera aq ui descansou em paz. Amén.” A inscrição am plamente estudada e difundida por diversos autores é con siderada como sendo, até ao momento, o mais antigo tes temunho de designa ção dos dias da semana segundo o modelo cristão. Figura 54 - Epígrafe de S. Vicente, segundo Andrad e (2015, p. 59). ©Francisco Andrad e Não pretende, o presente trabalho, o estudo epigráfico ou a validação da referi da inscrição, contudo, face ao que conh ecemos da topon ímia da cidade, é muito plausível a exist ência de uma necrópole n o local, ocupada neste período e associada a um edifício de culto, como já abordam os anteriormente. Também na zona de Maximinos [25], próximo ao edifício de culto que consideram os que possa ter existido neste local, de evocaçã o de S. Pedro, foram ident ificadas sep ulturas que podem remontar a este período t ardo antigo, que se dispunham ao longo do eixo da via XX, que tinha o seu início na porta poent e da muralha da cidade (Braga, 201 8). PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 268 Figura 55 - Sepulturas identificadas no túnel de Maximinos, (elementos lat erícios de sepulturas a l aranja), associáveis aos s é culos III-IV. Segundo Braga (20 18, vol. II, fig. 51). © Cristina Braga Os dados que se relacionam com o desenvolvi mento de su búrb ios, cujos referentes seriam potenciais basílicas cemiteriais, parece m confirmar-se com estes i n dícios, designadamente o núcleo que se poderia ter desenvolvido na zona d e S. Lázaro [27], no quadra nte SE da cidade de Braga, onde foi identificado um núcleo da necrópole associada à via Bracara-Emerita , que sairia pelo Fujacal, do qual se con hecem oito sepulturas, es cava das em 1996 e 1 998. O núcleo recebeu a designação de Ja rdins da Misericórdia (BRA96/98JMIS) e situa-s e a cerca de trint a e três metros a poent e da muralha romana. As estruturas funerárias foram identificadas num es paço ajardinado s ituado a poente do lar de T erceira Idade Nevarte Gulbenkian. As sepulturas escavadas eram maioritariamente de inumação, exibindo uma orient ação dominante E/O e vestígios associados aos caixões de madeira. A ausência de e spólio dificulta a sua datação, exceção feita à sepultura II, que forn eceu ma teriais con stituídos por cerâmica cinzenta t ardia, de produção local e fragmentos de vidro, co m destaqu e para um frasco quadrangu lar, de bordo em aba horizontal, de cor verde-azulado, de produção local, c om uma dataçã o dos séculos IV -V, que permitiu atribuir a sepultura à fase X, ou seja, datada entre os séculos V-VII (Brag a, 2018, pp. 3 49 -350). Na villa de Dume identificou-se um núcleo inicial que se consider ou ser pertencente às estruturas dos séculos I X-XI, dada a sua relação com a basílica (Fontes, 1991-1992) e a relação de posterioridade, DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 269 relativamente a alguns dos element os reaproveitados que poderiam ter con hecido um horizonte cronológico dos séculos III -IV e, no caso da tampa com mosaicos, eventualmente at é ao século V. Tal como abordado no capítulo referente ao m osteiro de Dume, algumas das sepulturas ap resentam afinidade estilística com sepulturas dos séculos VI -VII. O primeiro aspeto que nos leva a considerar a hipótese que aq ui a vançam os prende -se com o fact o de as sepulturas q ue se ap resentam relacionadas com a estrutura basilical a oeste, nos parecerem ter bastante afinidade estilístic a com as sepulturas qu e foram estudadas por Andreia A rezes ( 2014, pp. 25- 26), na necrópole de S. Mig uel, nas Caldas das Taipas e que a a utora classifica com sendo associáveis aos séculos VI-VI I, decorrente da análise do espól io associado. Figura 56 - Fotografia do conjunto de sepul t uras iden tificad as em 1992 . ©Arquivo UA UM/ Luís Fontes. As sepulturas de Dume colhem paralelos com os conju ntos de sepulturas identificados nas necrópoles de Bracara, es tudadas por C. Brag a (2018, pp. 83 , 253), correspondentes à fase X, atribuída aos séculos V-VII. Uma das sepulturas identificadas mais recentemen te, localizada em zona a sul do primeiro núcleo de ruínas, e que poderá estar relacionada com as mesmas, designadamente o seu con junto m ais a sul, assenta num conjunto de carvões qu e foi possível datar por ca rbono 14 no laboratório Beta a nalytic. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 270 Figura 57 - Núcleo de sepult uras ide ntific adas em 19 92 e sepultura ide ntificada em 2013. ©A rquivo UAUM/Franc isco Andrade Efetivamente, esta sepultura de que nos foi apenas possível ident ificar uma das suas paredes exteriores constituídas por t ijolo (UE 2446), apresenta -se selada por uma camada de opus signinum (UE 2451), que parece t er sido perturbada n a sua zona mais a sul, tendo -nos sido possível efetuar o registo em corte e recolher a amostra 1. Figura 58 - De senho de alçado este de s epultura UE 24 46, da necrópole de Dume e local de recolha de amos tra 1. ©Arquivo UA UM/Francisco Andrade A amostr a 1 foi r ecolhida do n ível de carvões UE 2440 e providenc iou a seguinte datação: 2 SI GMA CALIBRATION: Cal AD 425 to 595 (Cal BP 1525 to 1355). Este facto, leva -nos a considerar que a DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 271 sepultur a será posterior aos séculos V -VI. A análise comparativa de sepulturas que ap resentam características construtivas similares, de signadamente a associação a camadas de opus s igninum , como as que são referidas em W olfram (2011, p p. 140- 302), remete -nos para um h orizonte cronológico, que deverá rondar os séculos V-VII, e qu e, portanto, se enquadra na cronologia qu e é f ornecida pela dat ação absoluta. Figura 59 - Fotografia de s epultura UE 2446 . ©A rquivo UA UM/Francisco Andrade Para além desta sepultura, ident ifica-se, mais a sul, u ma outra, que se apresent a saqueada e com características con strutivas similares às que foram registadas no primeiro núcleo ident ificado, sendo constituída por fundo em tijolo e por parede em elementos de granito. Dado qu e a sepultura s e encontra parcialmente saqueada, tal como as estruturas que l he são contíguas, não foi pos sível es tabelecer, com detalhe, a relação construtiv a entre ambas. Todavia é possível e stabelecer que quer a dat ação da sepultur a seja mais recente, como inicialmente tinha sido es tabelecido para as restant es, datando -as do momento da reconquista, qu er possa ser associada ao período suevo -visigót ico, como a análise comparativa explanada nos parágrafos ant eriores parece indiciar, a sua execução s erá sempre reflexo de uma alteração da orgânica do espaço da villa que, como já referimos, poderá t er s ido adaptada a mosteiro no período suevo-visigótico. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 272 Figura 60 - Sepultura UE 2481/ 2482, da nec rópole de Dume ( elementos laterícios a laranja), localizada na zona mais a sul e p osição relativa mente a edifíc ios de villa /most eiro. ©Arquivo UAUM/Fran c isco Andrad e Para além dos conjuntos de sepu ltura s mais recentes, que se p oderão enquadrar n o período suev o – visigótico, n uma área m ais a leste, ide n tificaram -se duas sepulturas que, pelas suas características construtivas, efetuando uma análise comparat iva com as sepul turas que co nh ecemos na região bracarense (Braga, 2018) e pelo con hecimento que dispomos das fases da villa dumiense, poderão ser associáveis aos séculos III-IV (Fontes e Carneiro, 2011). As sepulturas localizavam -se n uma zona bastante afastada da pars urbana da vil la , a sudeste do edifício termal, não parecendo haver qualquer tipo de condicionamento, relativamente à villa de Dume, tendo sido contemporâneas da época de grande dinamismo construtivo. Para além dos conjuntos de necrópoles, ant eriormente es tudados, também se ident ificou, na zona da antiga igreja de Palmeira, n o lu gar do Assento [79], divers os elemen tos arqui tetónicos e um anel visigótico, que poderia indi ciar a event ual associação a um con texto funerário. Apesar da escassez de dados e a impossibilidade d e estudos recentes (Arezes, 2010, p. 6 1), pensamos qu e poderá ser possível a existência de uma necrópole neste local. Contudo, dado o cont exto de identificação e escassez de dados, que permitam assegurar a sua localização nest e local, n ão o incluímos. Face ao con hecimento que dispomos do s vestígios n este momento, não nos é possível avançar com dados mais DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE MODERNA 273 pormenorizados. Mediant e os dados do povoamento que dispomos até ao momento, parece -nos lícito concluir que haveria outras n ecrópoles no território, presumivelmente associadas às villae , desconhecendo-se, todavia, as suas e specificidades que só poderiam ser reveladas at ravés de escavações. Figura 61 - Se pulturas identificadas em Dume [40], associáveis aos séc u los I I I-IV (elemen tos laterícios a laranja) . ©Arquivo UA UM/Miguel Ca rneiro/Fran cisco Andrad e . 1.1.1.7. Os vestígios tardo antigos nos povoados castrejos Os povoados de altura representam uma característica marcante da paisagem da Idade do Ferro do Minho. Maiorita riamente ab andonados ao longo do século I, conheceram ocupações residuais, ao longo dos séculos seguintes, tendo sido circunstan cialmente reocupados na Antiguidade Tardia, em particular entre os séculos V e VII. PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO 280 localizariam numa zona ligeiramente sobrelevada, n o n osso enten der mais adequada à localização de uma residência senh orial t ardo roma na e que poten ciasse um a parato cén ico mais ad equado ao que seria a função simbólica de uma residência deste tipo, em casos como a Cot urela [35], os valores de TPI apresentados estão bastante condicionados pelas alterações urbanísticas mais recent es, que descaracterizaram o pequeno outeiro em que estava implant ada a possível villa . I nfias [29] também apresenta valores que poderão estar viciados, na medida em que neste local, os trabalhos de con strução da fábrica Pachancho e urbanizações mais recen tes, também descaracterizaram basta nte a topografia original do local. De qualquer das formas, os sítios da Cotutela [35] e Infias [29], n ão constituiriam um tipo de villae na aceção “ortodoxa” do conceito, en qu anto grande exploração agropecuária roman a, podendo constituir residências s uburbanas voltadas para o vale do Cávado e para todo o enquadramento cénico inerente. Figura 70 - Sítios da Antiguid ade Tardia, sobrepostos a ma pa com valores de d e cliv e. ©Francisco Andrad e Por sua vez, a locali zação do mausoléu de S. Frutuoso [95] parece t er privilegiado a visibilidade do espaço envolvent e, com especial ênfase n a via XIX, que lhe corria n as proximidades. Este facto é condizente com a função como mausoléu de um alto dignatári o da sociedade visigótica como era S. Frutuos o, bi spo de Braga e Dume, mas também com u ma h ipotética utilização do local como santuário romano (Carvalho, 2008, II , p. 32). E sta hipót ese parece aceit ável à luz dos re sultados preliminares da [Document text truncated for crawler view.]