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Dinâmicas territoriais e poderes na região de Braga entre a Antiguidade Tardia e a Idade Moderna

Author: Andrade, Francisco José Silva de
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/46d5c6e1-025c-4491-b309-d0e39b7c05e4/download
II

II

DIREIT OS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DE TRABALHO POR TERCEIROS

Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terc eiros desde que respeitadas as regras e boas práticas
internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexo s. Assim, o presen te trabalho pode ser
utilizado nos termos previstos na licença abaixo in dicada. C aso o utilizador necess ite de permiss ão para poder fazer um u so
do traba lho em condiçõ es não previstas no licenciamento indicado , deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da
Universidade do Minho.

Licença concedida aos utiliz adores deste trabalh o
Atribuição-Nã oComercial -SemDe rivações
CC BY- NC - ND
https://creativecom mons.org/lic enses/by- nc -nd/4.0/

III

Agradecimentos

Este trabalho de investigação, para além de uma dose considerável de dedicação também contou
com o apoio de dive rsas pessoas e instituições que , direta ou indiretament e, contribuíram para a s ua
concretização.
Em primeiro lu gar gostaria de ag radecer à professora Manuela Martins pela orientação at enta e pelos
esclarecimentos diligentes. Efetivamente, a atenção que s empre me foi dispen sada, desde que nos
conhecemos, foi fundamental para o meu percu rso na investiga ção .
Também estou grato à Doutora Rebeca Blanco Rotea, que desde que foi con vidada a acompanhar-
nos n este desafio, demon strou uma m ilitância inc ansável. Por vezes, n os momen tos mais inesperados,
surgem pessoas que se m ostram provi denciais para o pr osseguimento dos desafios a que nos propomos .
O reconhecimento à equipa de orientação terá que contar com o incontornável agradecimento à
profess ora Maria do Carmo Ribeiro. De facto , a amabilidade com que aceitou auxiliar neste desafio, foi
fundamental para o prosseguimento dos trabalhos. Devo -lhe o agradecimento pelo apoio aca démico e
institucional, pelas condições que pr oporc ionou, enquanto orientadora e dirig ent e da Unidade d e
Arqueologia da Universidade do Minho. É nessa instituição que eu tenh o vindo a desenvolver a minha
atividade profissional, desde que me licenciei, no longínqu o ano de 2003.
Gostaria ainda de ag radecer à Sílvia Maciel, pelo apoio desinteressado e pelo forneciment o de parte
da base cartográfica que usámos. Gostaria ainda de agradecer ao João Fonte, pelas sugestões de
cartografia e pela partilha de parte dos seus con heciment os em SIGs.
O reconhecimento aos intervenientes na pros secução d o meu pe rcurso de investigação doutoral, não
ficaria completo, sem que mencionasse o papel que os meus colegas e dirigent es da UAUM, atuais e
passados, tive ram no processo de de senvolvimento profissional que de sembocou na con clusão desta
tese. Neste sentido, recordo Francisco Sa nde Lemos, Luís Fontes, Alfredo Barbosa, Alexan drina Alves,
Ana Roriz, A ndré Machado, Belisa Pereira, Bruno O sório, C ândido Semelhe, Clara Rodrigues, Cristina
Braga, Cristina Gu imarães, David Mendes, Diego Ma chado, Eurico Machad o, Fer nanda Magalhães, Filipe
Queijo, Guilhermina B onjardim, Hélder Lemos, Jorge Ribeiro, José Abraão Pires, Julian a Silva, Lara Alves,
Letícia Ruela, Luís C outinho, Luís Ma rado Moreira, Luís Silva, Mafalda Alves, Mário Piment a, Ma urício
Guerreiro, Miguel Carneiro, Natália Botica, Paulo Bernardes, Pedro Silva, Pedro Xavi er, Raquel Sambade,
Ricardo Silva, Rogério Eustáqu io, Sofia Catalão, Sofia Figueiredo, Sofia Silvéri o. Perdoem -me os que n ão
são mencionados, mas a jornada já vai longa e foram muitas as pes soas com que me cruzei.

IV

Seguramente que do rol elencad o, algumas das pessoas t erão mais ou menos con sciência do papel
que desempenharam, mas, apesar de a participação no meu percurso ter sido dif erenciada , a partilha
de experiências foi enriquecedora.
À Fernanda Magalhães gostaria de agradecer a oportunidade de participar em algumas das
intervenções mais recentes em Braga, que foram bastante úteis para um acompanhamento atualizado
das principais novidades arqueológicas na cidade.
Gostaria ainda de lembrar a memória de Júlia A ndrad e, minh a colega de curso, e Vladimiro Pires,
companheiro de lo n gas j ornad as de trabalho e aventuras várias, que infeli zmente não tiveram
oportunidade de presenciar a conclusão deste trabalho de investigação.
Mas não só de apoio pessoal e partilhas de experiências se fez este t rabalho, o apoio inst itucional e
financeiro qu e a Fundação para a Ciência e Tecnolog ia, foi fundamental n um primeiro momen to da
investigação que agora se apresenta.
À Universidade do Minho e mais especificamente ao Lab2PT , devo o agradecimento pelo acolhimento
que me fo i concedido. Go staria de agradecer à Carla Xavier e à professora A lexandra Esteves pela
diligência com que procederam à minha associação ao centro de investigação como aluno de
doutoramento, que me permitiu beneficiar do apoio na particip ação de eventos cient íficos.
Agradeço ainda aos docentes do Institut o de Ciências Sociai s da Universidade do Min ho, de quem
tive a oportunidade de ser discente, pelo seu contributo na m inha formação.
Gostaria especialmente de agradecer à professora Hele na Carvalho e Francis co Mendes, pelas
palavras providenc iais de ânimo, incentivo e simpatia, não só n o âmbito desta jornada. Por vezes as
palavras cert as, na hora ce rta, fazem toda a diferença, especialm ent e se fizerem sentido por parte q ue
quem as ouve.
Ao professor José Meireles e profe ssora Ana Betten co urt agradeço as simpáticas palavras que me
foram dirigidas em momentos importantes do meu percurs o.
Sendo estas palavras escritas durant e as comemorações do surgim ento do curso de arqueologia da
Universidade do Min ho, gostaria de agradecer aos meus colegas de curso, pela experiência de t ermos
iniciado esta jornada em conjunto. Seg uramente que parte das vivências que tivemos foram importantes
e indeléveis nas nossas memórias e na nossa história de vida.
De facto, o noss o ponto de chegada é o corolário de to dos os acontecimentos qu e vivenciamos e das
pessoas com quem n os cruzamos, como tal toda s as experiências são enriquecedoras. Deste modo, o
papel dos n ossos amigos, revela-se de especial importân cia em t odos os aspetos da nossa vida. A lguns
deles já foram mencionadas nas linh as an teriores, pa rte deles, têm uma dimensão demasiadamente

V

importante na minha vida para se circ unscreverem a umas meras menções n umas linh as de
agradecimento de uma tese académica.
Gostaria ainda de agradecer ao senhor Cónego Hermen egildo Faria, pelo acolhimento e amizade com
que me recebe u sempre n a igreja de S. Francisco e mausoléu/capela de S. Frutuoso e em S. Ma rtinho
de Dume, ao Dr. Francisco Silva, presidente da U.F. de Real, Dume e Semelhe , exem plar a todos os
níveis, ao Sr. Romeu Gomes, do executivo da União de freguesias, que tem sido inc ansável, em todas as
visitas a Dume e em respon der às solicitações que lhe tenho feito . Ao senhor Man uel, ao senhor
Bernardino e a t odas as pessoas que de alguma forma cont ribuem para a preservação e valorização do
nosso património, o meu muito obrigado.
Por último, mas sempre em pr imeiro lugar, à minha família, à de san gue, e à que não sendo, passou
a ter esse estatuto, aos meu s pais, Eugénio e Elvira e à minha irmã Má rcia. À Sandra por tudo o que tem
feito e por me t er ajudado e incentivado a ultrapassar vários desafios, nem todos académicos, pela
atenção que me dedica e p elo cuidado e paciência demonstrada n a caminhada que optamos por trilha r
estes últimos dezoito anos.

VI

DECLARAÇÃO DE INTEGRID ADE

Declaro ter atuado com integridade na elaboração da pr esente tese. Confirmo que em todo o trabalho
conducente à sua elaboração não recorri à prática de plágio ou a qualquer form a de falsificação de
resultados.
Mais declaro que t omei conhecimento integral do Código de Conduta Ética da Univers idade do Minho.

Universidade do Minho:_____, de_________de____
Nome completo: Francisco José Silva de Andrade
Assinatura:____________________________

Assinado por: FRANCISCO JOSÉ SILVA DE
ANDRADE
Num. de Identificação: 11977802
Data: 2025.01.16 21:50:11+00'00'

À minha leitora de sempre

ÍNDICES
XIV

4.57. Sítio 5 7
Cones; Gondi zalves; Braga
...................................................................................... 143
4.58. Sítio 5 8
Assento; Gon dizalves; Braga
.................................................................................... 144
4.59. Sítio 5 9
Igreja velha; Gualtar; Braga
..................................................................................... 145
4.60. Sítio 6 0
Igreja velha; Guisande; Brag a
................................................................ .................. 147
4.61. Sítio 6 1
Igreja velha; Lamaçães; Brag a
................................................................................. 148
4.62. Sítio 6 2
Lamas/Cruze iro; Lamas; Braga
............................................................................... 149
4.63. Sítio 6 3
Assento/Igrej a velha; Lomar; B raga
......................................................................... 150
4.64. Sítio 6 4
Devesa; Mere l im (S. Paio ); Braga
................................ ............................................. 153
4.65. Sítio 6 5
Ponte de Prado ; Mere lim (S. Pa io); Braga
................................................................ . 154
4.66. Sítio 6 6
S. Pedro de M erelim; Mereli m (S. Pedro); Braga
................................ ....................... 155
4.67. Sítio 6 7
Pateira; Merel im (S. Pedro); Braga
........................................................................... 156
4.68. Sítio 6 8
Mire; Mire de Tibães; Braga
.................................................................................... 157
4.69. Sítio 6 9
S. Martinho de Tibã e s; Mire de T i bães; Brag a
........................................................... 158
4.70. Sítio 7 0
Morreira; Mor reira; Braga
........................................................................................ 162
4.71. Sítio 7 1
Assento; Nava rra; Braga
......................................................................................... 163
4.72. Sítio 7 2
Nogueira; Na varra; Braga
........................................................................................ 164
4.73. Sítio 7 3
Nogueira; No gue ira; B raga
...................................................................................... 165
4.74. Sítio 7 4
Dadim; Nogueiró; Brag a
.......................................................................................... 166
4.75. Sítio 7 5
Nogueiró; Nogueiró; Braga
...................................................................................... 167
4.76. Sítio 7 6
Monte da Conso lação; Nogueiró; Braga
.................................................................... 168
4.77. Sítio 7 7
S. Pedro da O l iveira; Ol iveira (S. Ped ro); Braga
......................................................... 169
4.78. Sítio 7 8
Padim da Gra ç a; Padim da Gra ça; Braga
................................ .................................. 170
4.79. Sítio 7 9
Assento; Palmeira; B raga
........................................................................................ 1 71
4.80. Sítio 8 0
Pitancinhos; Pa lmeira; Braga
................................ ................................................... 173
4.81. Sítio 8 1
Santo Estevão/ Póvoa; Palmeira; Braga
.................................................................... 174
4.82. Sítio 8 2
Santo Estevão Velho/ Pardelhas; Pa l meira; Braga
...................................................... 1 75
4.83. Sítio 8 3
Assento; Pano ias; Braga
......................................................................................... 177

ÍNDICES
XV

4.84. Sítio 8 4
Parada de Tib ães; Parada de Tibães; Braga
.............................................................. 178
4.85. Sítio 8 5
Passal; Pa ssos (S. Julião); Braga
............................................................................. 179
4.86. Sítio 8 6
Serra; Passos ( S. Julião); B raga
................................................................ ............... 180
4.87. Sítio 8 7
Codeçosa; Pedra lva; Braga
...................................................................................... 181
4.88. Sítio 8 8
Igreja velha/ Sout o; Ce leirós; Brag a
.......................................................................... 182
4.89. Sítio 8 9
Torre; Penso (Sa nto Estevão); B raga
........................................................................ 183
4.90. Sítio 9 0
Carcavelos; Penso (S. Vi cente); Braga
...................................................................... 184
4.91. Sítio 9 1
Pousada ; Pousada ; Braga
....................................................................................... 185
4.92. Sítio 9 2
Ponte do Porto ; Pousada; Braga
.............................................................................. 186
4.93. Sítio 9 3
S. Tiago de P riscos; Priscos; Braga
................................................................ .......... 187
4.94. Sítio 9 4
S. Tomé/Moi menta; Priscos; Braga
......................................................................... 188
4.95. Sítio 9 5
S. Frutuoso de Mo ntélios; Real; Brag a
...................................................................... 189
4.96. Sítio 9 6
S. Jerónimo; Re al; Braga
................................ ......................................................... 192
4.97. Sítio 9 7
Ruílhe; Ruílhe ; Braga
.............................................................................................. 193
4.98. Sítio 9 8
Castelhão; Sa nt a Lucré cia de Alg eriz; Braga
............................................................. 194
4.99. Sítio 9 9
Santa Lucré cia de Algeriz; Sant a Lucrécia d e Algeriz; B raga
....................................... 1 95
4.100 . Sítio 100
S. João de Sem elhe; Sem elhe; Braga
.................................................................. 196
4.101 . Sítio 101
Santa Leocádia; Se melhe; Brag a
......................................................................... 197
4.102 . Sítio 102
Santarão; Semelhe; B raga
.................................................................................. 198
4.103 . Sítio 103
Caldas; Sequeira; Brag a
..................................................................................... 2 00
4.104 . Sítio 104
Sequeira; Sequeira; Brag a
................................................................ .................. 202
4.105 . Sítio 105
Sampaio; Seque ira; Braga
.................................................................................. 203
4.106 . Sítio 106
S. Saturnino; Sequ e ira; Braga
............................................................................. 204
4.107 . Sítio 107
Sobreposta; So bre posta; Braga
........................................................................... 2 05
4.108 . Sítio 108
S. Tomé da Lageos a; Sobrepos t a; Braga
.............................................................. 207
4.109 . Sítio 109
Assento; Tadim; Braga
....................................................................................... 208
4.110 . Sítio 110
Penedo dos Mo u ros; Tadim; Brag a
...................................................................... 209

ÍNDICES
XVI

4.111 . Sítio 111
S. Bento; Tadim; Brag a
...................................................................................... 211
4.112 . Sítio 112
Tebosa; Tebosa ; Braga
................................ ....................................................... 212
4.113 . Sítio 113
Tenões; Tenões; Braga
....................................................................................... 213
4.114 . Sítio 114
Deveza; Trandeiras; Brag a
.................................................................................. 215
4.115 . Sítio 115
Assento; Vilaça; Brag a
........................................................................................ 216
4.116 . Sítio 116
Vimieiro; Vimi eiro; Braga
................................ .................................................... 217
4.117 . Sítio 117
Arnoso; Arnoso (Sa nta Maria); Vila Nov a de Famalicão
.......................................... 219
4.118 . Sítio 118
Jesufrei; Jesufrei; Vi l a Nova de Fa malicão
............................................................ 220
4.119 . Sítio 119
Sezures; Sezures; Vila Nova de Famalicã o
........................................................... 221
Parte III - A paisa gem entre a Antigui dade Tardia e a Idade M oderna: princ ipais vetores de
organização ........................................................................................................................................ 222
1. O povoamento na Antiguidade Tardia na re gião brac arense .............................................. 223
1.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 223
1.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 223
1.1.1.1 . A c idade de
Bracar a
................................ ................................................................... 224
1.1.1.2 . As
villae
................................................................................................................... 227
1.1.1.3 . As vias ..................................................................................................................... 239
1.1.1.4 . Os mosteiros ................................................................ ........................................... 242
1.1.1.5 . As basílicas su burbanas ......................................................................................... 259
1.1.1.6 . As necrópoles ................................................................ .......................................... 262
1.1.1.7 . Os vestígios tardo ant igos nos povoados castrejos .............................................. 273
1.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 2 77
1.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 277
1.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidade: a organização dos sítios ...................................... 299
1.1.2.3 . A hierarquia do povoa mento .................................................................................. 303
2. O povoamento na Alta Idade Média na re gião bracaren se .................................................. 308
2.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 308

ÍNDICES
XVII

2.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 308
2.1.1.1 . A cidade de Braga ................................................................................................ .. 309
2.1.1.2 . Os conjuntos monás ticos ....................................................................................... 311
2.1.1.3 . As vias terrestr es .................................................................................................... 320
2.1.1.4 . As paróquias ........................................................................................................... 320
2.1.1.5 . As necrópoles ................................................................ .......................................... 327
2.1.1.6 . As estruturas defens ivas ................................................................ ........................ 329
2.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 3 32
2.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 332
2.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidade: a organização dos sítios ...................................... 363
2.1.2.3 . A hierarquia do povoa mento .................................................................................. 367
3. O povoamento na Baixa Idade Média na re gião bracaren se ............................................... 375
3.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 375
3.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 375
3.1.1.1 . A cidade de Braga ................................................................................................ .. 377
3.1.1.2 . Os conjuntos monás ticos ....................................................................................... 382
3.1.1.3 . As vias terrestr es .................................................................................................... 401
3.1.1.4 . As paróquias ........................................................................................................... 404
3.1.1.5 . As necrópoles ................................................................ .......................................... 415
3.1.1.6 . As estruturas defens ivas ................................................................ ........................ 416
3.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 4 18
3.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 418
3.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidades ................................................................ ............... 437
3.1.2.3 . A organização dos s ítios: condicionantes e vetor es de articulação .................... 4 40
4. O povoamento na I dade Moderna na re gião bra carense ..................................................... 447
4.1. Os tes temunhos, os sítios e o seu significado .............................................................. 447
4.1.1. Os sítios ....................................................................................................................... 447

ÍNDICES
XVIII

4.1.1.1 . A cidade de Braga ................................................................................................ .. 449
4.1.1.2 . Os conjuntos monás tico-conv entuais ................................................................ .... 454
4.1.1.3 . As vias terrestr es .................................................................................................... 488
4.1.1.4 . As paróquias ........................................................................................................... 491
4.1.2. Analítica ...................................................................................................................... 5 10
4.1.2.1 . Principais soluções de adapta ção topográfica ..................................................... 510
4.1.2.2 . Povoamento e aces sibilidades ................................................................ ............... 529
4.1.2.3 . A organização dos s ítios: condicionantes e vetor es de articulação .................... 5 32
Parte IV - Concl usões ......................................................................................................................... 537
1.1. O povoa m ento na Antiguidade Tardia: tra nsformaçõ es e tendências ........................ 538
1.1.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 38
1.1.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 42
1.2. O povoa m ento na Alta Ida de Média: transforma ções e tendências ............................ 5 46
1.2.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 47
1.2.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 50
1.3. O povoa m ento na Baixa Idade Média: transfor mações e te ndências ......................... 555
1.3.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 55
1.3.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 56
1.4. O povoa m ento na I dade Moderna: tr ansformações e ten dências ............................... 560
1.4.1. A cidade de Bra ga e a envolv ente imediata .............................................................. 5 60
1.4.2. Evolução da pais agem ................................................................................................ 5 62
1.5. Considera ç ões finais ...................................................................................................... 565
Referências Bibliográfi c as ................................................................ ................................................. 572
Apêndices ............................................................................................................................................ 599
Mapa geral de s ítios ....................................................................................................................... 600
Lista geral de sítios e re ferências ................................................................................................ . 6 02
Lista de análises a sítios da Antiguida de Tardia .......................................................................... 616

ÍNDICES
XIX

Lista de análises a sítios da Alta Idade Média .............................................................................. 6 19
Lista de análises a sítios referenciados em censual entre Lima e Ave (finais d o século XI) ..... 622
Lista de análises a sítios associáv eis à Baixa Idade Média ......................................................... 627
Lista de análises a sítios referenciados nas Inq uirições de 1220 .............................................. 630
Lista de análises a sítios referenciados nas Inq uirições de 1288 .............................................. 635
Lista de análises a sítios associáv eis à Idade Moderna ............................................................... 640
Lista de análises a sítios referenciados no “Nu m era mento” do século XVI ............................... 644
Lista de análises a sítios referenciados nas Memóri as Paroquiais de 1758 ............................. 648
Planta Geral de r uínas identificadas no c onvento de S. Fran cisco de R eal ............................... 652
Lista de ações d e convento de S. Fran cisco/Mausoléu de S. Frut uoso ...................................... 654
Lista de fases de convento de S. Franc isco/Mausolé u de S. Frutuos o ................................ ....... 657
Diagrama estrat igráfico simplificado do c onvento de S. Francisc o e Mausoléu de S. Frutuoso
......................................................................................................................................................... 659

ÍNDICES
XX

Índice de figuras

Figura 1 - Ca mpos da tabela do Sistema de Info rmação Ge ográfica. ©Francisco Andrad e .............................. 27
Figura 2

- Modelo esq uemá tico das disti ntas escalas de a nálise,

aplicada s ao mosteiro de Tibã es. ©Francisco
Andrade .......................................................................................................................................................... 32
Figura 3

- Modelo esq uemá tico de organiza ção de povoamento ( l imite ova l maior, circu nscrição d e primeira
ordem, limit e oval mais pequeno, cir cunscrição de s egunda ordem, círculos preenchidos maiores, n úcleos de
povoamento mais i mp ortan t es, cír culos pree nchidos me nores, núcleos de povoa mento m enos im portantes).
©Francisco Andrade ....................................................................................................................................... 32
Figura 4 - Loca l ização de Bra ga na península Ibéri ca (Elabo rado a partir do google maps, consultado em 20 de
setembro de 2022 , às 17h01m). ..................................................................................................................... 34
Figura 5 - Hipsom etria da região de Braga e relação com r ede hidrográfica (alti tude em me tros). ©Fran ci sco
Andrade (composi ç ão car t ográfica) .................................................................................................................. 35
Figura 6 - Ma pa de decliv e s da região de Braga . ©Francis co Andrade (com posição carto gráfica) .................... 36
Figura 7 - Ma pa de Braga com análise de Í ndic e de Posição Topo gráfica. ©Fra ncisco An drade (composição
cartográfica) .................................................................................................................................................... 37
Figura 8 - Ca rta Geológica 5 D, com concelho de Brag a assinalado (Albuquerq u e et a l., 2000 ). ...................... 38
Figura 9 - Escoam ento total de águas me nsal (média). © Francisco Andrad e (composi ção cartográfica) .......... 40
Figura 10 - M apa aprese ntando o rientação de ex posição s olar em Braga. ©Francisco Andrade (composição
cartográfica) .................................................................................................................................................... 41
Figura 11 - Uso do so lo (Corine Land Co ver). ©Fran c isco A ndrade (composição cartográ fica) ........................ 42
Figura 12 - Imag em evide nc iando a Europa (google Ma ps), representando o efeito "Gron e lândia aci ma", no
clima europ eu (adaptado de Faga n, 2020, p. 52 ). ©Francisco Andrad e ........................................................... 47
Figura 13 - Dist intos cou tos de Braga refer enciados na do cumentação m e dieval, seg undo Fontes e A ndrade
(2018 , p. 62) ©Francisco And rade .................................................................................................................. 52
Figura 14 - Sí t ios asso ciáveis à Antigu idade Tard ia. ©Francisco And rade ..................................................... 223
Figura 15 - B raga na Antigu idade Tardia, ev idenciando a muralha (s e gundo M artins et al., 2017a). ............. 226
Figura 16 - Estr u turas tardo antigas do teatro (seg u ndo Ma rtins et al., 2017b , p. 244). ................................ 226
Figura 17 - Pro posta de vil l ae para a região de Braga. © Francisco Andrad e ................................................. 231
Figura 18 - Ruí nas arqueológ icas de Dume (
pars urbana
nas proxi midades da igreja e capela da N ª Srª
do
Rosário
e
balnea
, próx i mo do c emitério). ©U A UM/Fran cisco Andrade ........................................................... 232
Figura 19 - Estr u tura baln e ar iden tificada e m Dume f undada nos séculos II I -IV (segundo Andrade, 2015,
adaptado de Fon t es, 1994 ). .......................................................................................................................... 233

ÍNDICES
XXI

Figura 20 - Sala tr i lobada m ais antiga de Dume e enquadr amento com alg umas das divisões tri lobadas q u e se
conhecem em contex to de villa e ou grandes palá ci os roman os (adaptado parcialm e nte de Hidalgo, 2014, p.
234). ................................................................................................ ............................................................ 234
Figura 21 - Pro posta de f undus para a vi ll a de Du me (seg undo Andrade, 20 15). ©F rancisco Andrade ......... 235
Figura 22 - C apitel de S. Paio de Mere l im, sé culos V-VII (segundo Fontes e t al., 2009, v ol. II, p . 60). ©Ma nuel
Pitães ........................................................................................................................................................... 237
Figura 23 Ca piteis provenientes d e Semelhe e Ti bã es (segundo Fontes et al., 2009, vo l . II, pp. 1 8, 20, 2 1,
52, 62 e 65). ©Manuel Pitã es ....................................................................................................................... 237
Figura 24 - M arco de prop riedade ident ificado em Es porões (segundo Fon t es et a l., 2009 , vol. I, p. 89).
©Manuel Pitães ............................................................................................................................................ 239
Figura 25 - Prin c ipais vias ro manas identificadas na r egião de Braga. ©Fran ci sco And rade (base de Helena
Carvalho, 20 08) ................................ ............................................................................................................ 240
Figura 26 - C ompartimen tação de pis c ina (segundo Andra de, 2015, p. 75). ................................................ 243
Figura 27 - Perf il com local d e recolha de amostra 2. © Arquivo UAUM/ Francis co Andrade .......................... 244
Figura 28 Lo c alização de recolha d e amostra 3. ©A rquiv o UAUM /Francisco A ndrade .............................. 245
Figura 29 - Planta g eral de ruínas d e basílica de Dume. © Arquivo UAUM /Franc i sco And rade ..................... 246
Figura 30 - So leira de pared e de basílica, so breposta a elementos a l mofada dos. ©Arquiv o UAUM /Fra ncisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 247
Figura 31 - C orte de zona d e A55/ A71, com sequ ência co nstrutiva. ©Arqu ivo UAUM/ Francis co Andrade .... 247
Figura 32 - Fas e de escavaç ão de interior de igreja (1 989), com zona d e pavimen t o de c ape la -mor v i sível ao
fundo. ©Arq uivo UAUM/L u ís Fontes. ............................................................................................................. 248
Figura 33 - El e mentos arqu i tetónicos a ssociáve is aos sécul os V - VII, provenien tes da igreja de Dume. ( capiteis
segundo Fontes e t al., 20 09, vol II, pp, 50, 53-54). ©Manuel Pitães .............................................................. 249
Figura 34 - Po ssível área de ruí nas, com base nos da dos c onhecidos até ao mo mento. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 249
Figura 35 - Degra us de acesso a abside sul. ©Arquivo UA UM/Luís Fon tes .................................................. 250
Figura 36 - Asp e to de mauso léu de S. Frutuoso e muro qu e poderá t er perten cido a most eiro. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 251
Figura 37 - Le itura inter pretada do alçado este do mausolé u de S. Fru tuoso, com indicaç ão do século
associado a cada fa se identifica da. ©Arquivo UAUM/ Franc isco Andrad e/Paulo Bernardes ............................. 252
Figura 38 - Le itura inter pretada do alçado sul do mausol éu de S. Fru tuoso, com indi c açã o do século asso ciado
a cada fa se identificada © Arqui vo UAUM/Fran c isco Andrad e/Paulo Bernardes .............................................. 253
Figura 39 - Fotog rafia de alç ado norte de braço es te de ma usoléu, sondag e m 4. ©Arqu ivo UAUM/Francis c o
Andrade ........................................................................................................................................................ 254

ÍNDICES
XXII

Figura 40 - Fotog rafia de alç ado este de alicerc e de braço este de ma usoléu, sondagem 3. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 255
Figura 41 - Le itura inter pretada de alç ado es t e de alice rce de braço este d e mausoléu. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 256
Figura 42 - Fotog rafia de alç ado sul de alicerce de braço oeste de ma usoléu. ©Arquivo UA UM/F rancisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 257
Figura 43 - Le itura inter pretada de alç ado nor t e de alice rce de braço este d e mauso l éu. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 257
Figura 44 - Fotog rafia de alç ado oeste de braço sul d e mauso l éu. ©Arq uivo UAUM/Fra ncisco Andrade ....... 258
Figura 45 - Le itura inter pretada de alç ado oest e de ali cerce de braço su l de mausoléu. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 258
Figura 46 - Topogra fia cristã ant iga de B raga e áreas sub urbanas (segundo And rade e Fontes (202 0)). ....... 259
Figura 47 - C apitel da col e ção do Museu Pio XI I , associado a Maximinos, (Fontes e t. al., 20 09, vo l II., p. 58).
©Manuel Pitães ............................................................................................................................................ 260
Figura 48 - Ne crópoles com vestíg i os ass ociáveis à Antigu idade Tardia, associada s a núc leos de povo amento
suburbanos e r urais. ©Fran cisco Andrad e ..................................................................................................... 262
Figura 49 - Fas e VIII do n úcleo do s CTT (elementos laterí cios de sepul t uras a lara nj a), segundo Braga (2018,
vol. II, fig. 31). ©Cris tina Braga. .................................................................................................................... 263
Figura 50 - Fas e IX do núc leo do s CTT (elementos la t erícios d e sepulturas a laranja), seg undo Braga (2 018,
vol. II, fig. 32). ©Cris tina Braga ..................................................................................................................... 264
Figura 51 - Fas e X do núcl eo do s CTT (elementos laterí cios de se p ulturas a laranja), segu ndo Braga (201 8, vol.
II, fig. 33). ©Cris tina Braga ........................................................................................................................... 264
Figura 52 - Nú cleo da cango sta da Palha (elem entos laterícios d e sepul t uras a lara nja), s egundo Braga (2 018,
vol. II, fig. 6). ©Cr istina Braga ....................................................................................................................... 265
Figura 53 - Nú cleo da Nª Srª a Branca (elementos lat e rício s de sepultu ras a laranja), seg undo Braga (201 8,
vol. II, fig. 34). ©Cris tina Braga ..................................................................................................................... 266
Figura 54 - Ep ígrafe de S. Vi c ente, segu ndo Andrade (2015 , p. 59). ©Fran cisco Andrad e ............................ 267
Figura 55 - Se p ulturas id entificadas no tún e l de Ma ximinos, (elementos la t erícios d e sepul turas a laranja),
associáveis aos s é culos III-IV. Segundo Braga (20 18, vol. II, fig. 51). ©Cristina Brag a .................................... 268
Figura 56 - Fotog rafia do con ju nto de s epulturas identificad as em 1992. ©Arquivo UAUM /Luí s Fontes. ....... 269
Figura 57 - Nú cleo de s e pult uras identificada s em 199 2 e sepultura iden tificada em 2013 . ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 270
Figura 58 - Des enh o d e alçado este de sepult ura UE 24 46, da nec rópole de Dum e e loc al de recolha d e
amostra 1. ©Arqu ivo UAUM/ Francis co Andrade ............................................................................................ 270
Figura 59 - Fotog rafia de s epultura UE 24 46. ©Arquivo UAUM/ Francisco Andrad e ................................ ...... 271

ÍNDICES
XXIII

Figura 60 - Se p ultura U E 2481 /248 2, da necrópole de Dume (e lementos la te rícios a l ara nja), localizada na
zona mais a sul e posição relativamente a ed ifícios de villa/ mosteiro. ©Arquivo U AUM/Francis c o Andrad e .... 272
Figura 61 - Se p ulturas id entificadas em Du me [40], a ssociá veis aos séculos II I -IV (elementos later ícios a
laranja). ©Arquivo UAUM/Miguel Carne i ro/Fran cisco Andra de. ..................................................................... 273
Figura 62 - Po voados fortificados d a Idade do Ferro que apresen t am indí cios de ocu pação da A ntiguidade
Tardia. ©Francisco A ndrade .......................................................................................................................... 274
Figura 63 - Planta da acrópo le de San ta Marta das Cortiças, (s e gundo Russ e l Cortez, e xtraído de Barroca,
Arezes e Morais, 2 018, p. 13 2). ................................................................ .................................................... 275
Figura 64 - Planta com as estruturas identificada s na Falp erra, segundo R eal (2001) (estruturas das
intervenções d e Russel Cor te z e Rigaud de Sousa). ........................................................................................ 276
Figura 65 - Imag em aérea d os vestígios arqueológicos d e Recópolis, com imagem aérea que evide ncia o
complexo pala t ino na zo na superior (figura com da dos do google maps composta em QGIS p or Franc i sco
Andrade). ...................................................................................................................................................... 276
Figura 66 - Sít ios da Antig u ida de Tardia, sobre postos a ma p a com Índi c e de Posi ção Topográfica. ©Fran cisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 278
Figura 67 - Gráf ico com Í ndices de Po siç ão Topográf ica dos s ítios da Antig uidade Tardia. ©Francisco Andrad e
..................................................................................................................................................................... 278
Figura 68 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostos a mapa com Índice de Posição Topográ fica. ©Francis co
Andrade ........................................................................................................................................................ 279
Figura 69 - Gráf ico com Í ndice de Po sição Topográfi c a da vil lae tardoa ntigas. ©Franc i sco Andrade .............. 279
Figura 70 - Sí t ios da Antig ui da de Tardia, sobre postos a ma p a com valor e s de d eclive. ©F rancisco Andrad e . 280
Figura 71 - Gráf ico com de c lives d e sítios da An t iguidad e Tardia. ©Francis co Andrade ................................ 282
Figura 72 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostas a mapa de d eclives. ©Francis co Andrade .................. 283
Figura 73 - Gráf ico com de c lives d as vill a e tardoantigas. © Francisco Andrade ............................................. 284
Figura 74 - Sí t ios da Antig ui da de Tardia, sobre postos a ma p a com exposição solar. © Francisco Andrad e .... 285
Figura 75 - Gráf ico com e xposição so lar de sítios da A nt iguida de T ardia. © Francisco Andrade ..................... 287
Figura 76 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostas a mapa com exposição solar. ©Fra nci sco Andrade .... 288
Figura 77 - Gráf ico com e xposição so lar de villae da Antigui dade Tardia. ©Francisco Andrade ..................... 289
Figura 78 - Sí t ios da Antig ui da de Tardia, sobre postos a ma p a com escoamen to total men sal de águas (mm).
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 290
Figura 79 - Gráf ico com es c oamento total mensal de águas e corr elação com sí ti os da An t iguidade Tard ia.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 291
Figura 80 - Vil lae da Ant iguidade Tardia, so brepostas a mapa com escoamento total d e águas mensal (mm).
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 291

ÍNDICES
XXX

Figura 194 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 288, s obrepostos a mapa com orientação de exposição
solar. ©Francis co Andrade ............................................................................................................................ 434
Figura 195 - Gráfico com ex p osição solar de s ítios referenciados nas Inqu irições de 128 8. ©Francisco A ndrade
..................................................................................................................................................................... 435
Figura 196 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 288, s obrepostos a mapa com escoamento t otal me nsal.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 436
Figura 197 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as de sítios referenciados na s Inquirições de 12 88.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 436
Figura 198 - Sítios asso c iáveis à B aixa Idade M édia e relaç ão com red e viária e hipsom etria. ©Francisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 437
Figura 199 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 220 e relação c om red e viári a e hipso metria. ©Fran c isco
Andrade ........................................................................................................................................................ 439
Figura 200 - Sítios refere nciados na s Inquirições de 1 288 e relação c om red e viári a e hipso metria. ©Fran c isco
Andrade ........................................................................................................................................................ 439
Figura 201 - Triangulação d os sítios referenciado s nas Inquirições d e 1220, ilus t rativa da malha de
povoamento b aixo medieval. ©Francisco Andrad e ......................................................................................... 440
Figura 202 - Triangulação d os sítios referenciado s nas Inquirições d e 1288, ilus t rativa da malha de
povoamento b aixo medieval. ©Francisco Andrad e ......................................................................................... 441
Figura 203 - Proposta de hierarq uia de sítios na Bai xa Idade Média. ©Fran ci sco Andrade ........................... 442
Figura 204 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s nas Inquiriçõ es de 1220. ©F rancisco Andrad e . 443
Figura 205 - Circunscri ções territor i ais refer e nciadas na s Inquirições d e 1220. ©Francis co Andrade ........... 444
Figura 206 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s nas Inquiriçõ es de 1288. ©F rancisco Andrad e . 445
Figura 207 - Circunscri ções territor i ais refer e nciadas na s Inquirições d e 1288. ©Francis co Andrade ........... 446
Figura 208 - Sítios que poderão ser associáveis à Idad e Moderna. ©Franc i sco Andrad e .............................. 447
Figura 209 - Referências do cumentais iden t ificadas no “Numeramento” do sé culo XVI. ©F rancis c o Andrad e
..................................................................................................................................................................... 448
Figura 210 - Referências do cumentais iden t ificadas na s Memórias Paroq u iais d e 1758. ©Fran c isco Andrad e
..................................................................................................................................................................... 449
Figura 211 - Mapa de Georg Braun 1594, segundo M artins, Mar e Ribeiro (20 21). ©ADB ........................... 450
Figura 212 - Casa da Câmara segundo “Mappa da s ruas d e Braga” (Bandei ra, 2000 , p. 43). ..................... 451
Figura 213 - Capela da Nª Srª da Co nceição (à direi t a). ©Francisco A ndrade .............................................. 452
Figura 214 – “Mappa de Br aga Primas”, de 1756, segu ndo Martins, Mar e Ribe iro (2021). ©Biblioteca
Nacional da Aj uda ......................................................................................................................................... 453
Figura 215 - Conventos e mosteiros da Ida de Moderna que fo ram identificado s na regiã o de estudo.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 455

ÍNDICES
XXXI

Figura 216 - Planta esque mática do mosteiro d e Tibães n o século XVI, segundo Fon te s (2 005). ©Luís
Fontes/Clara Rodr igues ................................................................................................................................ . 456
Figura 217 - Porta dos carros q ui nhentis t a do mos teiro de Tibães. ©Fran cisco Andrade .............................. 456
Figura 218 - Elementos arq uitetónicos d o século XVI, ass ociáveis ao most eiro de Tibã es (nas fotogra fias em
que aparecem do is elem entos de vão, os do séc ulo XVI, sã o de menores d imensões). ©Fr ancisco Andrad e ... 457
Figura 219 - Cerca do most eiro de Tibães no sécu lo XVI, a dapt ado de Fontes (2 005). ©Francisco Andrad e 459
Figura 220 - Freguesia d e S. M artinho de Tibães no século XVI, segundo leitura d a descri ção docum ental em
Fontes (2005, p p . 175-1 76) e localização de mar c os extraíd a de Peixoto (2 014, pp. 49-50). ©Francisco
Andrade. ....................................................................................................................................................... 460
Figura 221 - Couto de Tibã es no séc ulo XVI, segundo leitur a da descrição docum e ntal e localização de marc os
em Peixoto (201 4, pp. 11 6-138). ©Francisco A ndrade .................................................................................. 461
Figura 222 - Aspeto do mos teiro de Tibães. ©Francisco Andrade ................................................................ 464
Figura 223 - Plantas do mos te iro de T i bães no sé c ulo XVII I, segundo Fon tes (2005 , p. 156). ...................... 465
Figura 224 - Cerca do most eiro de Tibães no sécu lo XVIII, de acordo com os dados d i sponíve i s até ao
momento. Ada p tado de Fontes ( 2005 ). ©Francisco Andrade . ........................................................................ 466
Figura 225 - Fotos de mar cos d elimitadores da freguesia d e Ti bã es, que també m são coincidentes c om lim ites
do couto. © Francisco Andrade ...................................................................................................................... 467
Figura 226 - Couto de Tibã es no séc ulo XVIII, de a c ordo c om os dados recolhidos e m Fontes (20 05) e Pe ixoto
2014 , pp. 116-138 ). ©Francisco Andrade ..................................................................................................... 468
Figura 227 - Conjunto de r uínas identif ic adas na z ona da antiga adega do convento de S. Franc isco de Real.
©Arquivo UA UM/Francisco Andrade ................................................................................................ ............. 469
Figura 228 - Desenho das e struturas identificada s na anti ga adega e no com p artim ento, denominado de
escada regral do c onv ento de S. Francisco d e Real. © Arquivo UAUM/Fra ncisco Andrade ............................... 470
Figura 229 - Fotografia de estruturas identificada s na envolvente do ma u soléu de S. Frutuoso ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 471
Figura 230 - Alçado inter p retado de e struturas na e nvolvente do ma usoléu de S. Frut uoso. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade ............................................................................................................................. 471
Figura 231 - Alçado norte do convento de S. Fran cisco (C_Al_00 1), com e vidência a vermelho do s alicerces e
parte do sistema h idráulico do século XV III. ©Arquivo UA UM/Francisco And rade ........................................... 472
Figura 232 - Alçado este do convento de S. Francisco (C_Al_00 2), com evidência a ver me lho das estr uturas do
século XVIII. © Arqui vo U AUM/ Francisco Andrad e ................................................................ .......................... 473
Figura 233 - Gravura que ap re senta o alçado sul do C onvento de S. Fr ancis co (s/d) Segundo M oura Coutinho
(1979 ). ................................ ......................................................................................................................... 474
Figura 234 - Alçado sul do convento d e S. Franc isco (C_Al _003), com evidência a ver melho das estruturas do
século XVIII. © Arqui vo U AUM/ Francisco Andrad e ................................................................ .......................... 474

ÍNDICES
XXXII

Figura 235 - Muro da ala sul do claustro do convento de S. Francisco (C_A l _005), com evidência a ver melho
das estruturas do século XVII I. ©Arquivo UAUM/ Francis c o Andrad e ............................................................... 475
Figura 236 - Muro este do c laustro do convento d e S. Francisco (C_A l_006), com evidência a verme lho das
estruturas do século XVI II. ©Arq uivo UAUM/Fran ci sco Andrade ..................................................................... 476
Figura 237 - Fachada da igr e ja de S. Fran c isco de R eal (século XVII I). ©Francisco A ndrade ........................ 477
Figura 238 - Aspeto de conf essionário do sécu lo XVIII. ©A rquivo UAUM/ Francis co Andrade ........................ 477
Figura 239 - Aspeto de p i nturas de nicho na en t rada de convento (esque rda) e negat i vo de escadar i a de torre
sineira (direi ta). ©Arquivo UAUM /Francisco A ndrade ..................................................................................... 478
Figura 240 - Proposta de limites da ce rca do conv ento de S. Francisco no século XVI II, so breposto a fotograf i a
aérea (RAF47_1 38_5012) (limites de c erca a ve rmelho) ©IGEOE/Fra ncisco Andrade ................................... 478
Figura 241 - Portal manue lino da igreja, do conv e nto de V i lar de Frades. ©Francisco A ndrade .................... 479
Figura 242 - Área aproximad a do domínio de Vilar d e Frades. Ada ptado de R e belo e Per e ira (2015 ) ©Francis co
Andrade ........................................................................................................................................................ 480
Figura 243 - Planta com es t ruturas do convento do s Remédios identificada s na intervenção de 2012. ©Arquivo
UAUM/Mário Pi menta/Fra ncisco Andrade ..................................................................................................... 482
Figura 244 - Fotografias de seleção de elementos a rquitet ónicos e epigráf icos prove ni entes do conven to dos
Remédios, ide ntificadas na intervenção de 201 2, asso c iáveis ao s séculos XVII-XVIII. ©Arquivo UAUM/Má rio
Pimenta ........................................................................................................................................................ 482
Figura 245 - Fotografia do convento do Pó pulo (igreja con stitui ainda u m local de culto e espaço c onventua l,
sendo ocupado at ualme nte pe la Câmara Muni cipal). ©Fran cisco Andrade ..................................................... 484
Figura 246 - Localização do c onvento do Pópulo e r elação com Po u sada e S e melhe. © Francisco Andrad e .. 484
Figura 247 - Localização do seminário de S. Pedro e S. Paulo (a ntigo colégio d os Jesuíta s) ©Francisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 487
Figura 248 - Pormenores de c olégio de S. Pa ulo nos mapas d e Georg Braun d e 1594 (esquerda) e “Mappa de
Braga Primas” de 17 56 (direita). ©ADB e Biblio t eca da Aj u d a ....................................................................... 488
Figura 249 - Fotografia de ponte de Prado. ©Fra ncisco An drade ................................................................ . 489
Figura 250 - Pormenor de m apa de Rizzi-Zannoni (c.1780 ). ©BNP ............................................................. 491
Figura 251 - Núcleo paroq uial de Ada ú fe. ©Fran ci sco And rade ................................................................... 495
Figura 252 - Igreja paroquia l de S. Victor. ©F rancisco Andr ade ................................................................... 497
Figura 253 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa com Índ ice de Posição
Topográfica. © Francisco Andrade .................................................................................................................. 512
Figura 254 - Gráfico com Ín dic es de Po sição Topográ fic a dos sítios ass ociáveis à Ida de Mo derna. ©Francisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 512
Figura 255 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa d e declives. ©F rancis c o
Andrade ........................................................................................................................................................ 513

ÍNDICES
XXXIII

Figura 256 - Gráfico com de cl ives do s sítios a ssociáveis à Ida de Moderna. ©Francisco Andrade ................. 514
Figura 257 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa com ex p osição solar.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 515
Figura 258 - Gráfico com ex p osição solar do s sítios a ssociá veis à Idade Moder na. ©Francisco Andrade ...... 516
Figura 259 - Sítios com v e stígios conh ecidos da Idad e Moderna, sobrepostos a mapa com escoa mento tota l de
águas mensal d e águas (m m). ©Francisco Andrad e ................................ ...................................................... 517
Figura 260 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as dos sítios associáveis à Ida de Moderna.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 517
Figura 261 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com Índ ices de
Posição Topográf ica. ©Fran cisco Andrade ................................................................................................ ..... 519
Figura 262 - Gráfico com Ín dic es de Po sição Topográ fic a dos sítios refere nciados no “Numerame nt o” do
século XVI. ©Fra ncis co Andrade .................................................................................................................... 519
Figura 263 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com va l ores d e
declive. ©Fran cisco And rade ......................................................................................................................... 520
Figura 264 - Gráfico com de cl ives do s sítios refer enciados no “Numeramento” do sé culo XVI. ©Fra ncisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 520
Figura 265 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com va l ores d e
exposição solar. ©F rancisco Andrade ............................................................................................................ 521
Figura 266 - Gráfico com ex p osição solar do s sítios refer enciados no “ Numeramento” d o século XVI.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 522
Figura 267 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI, s obrepostos a mapa com es coamento
total de águas m ensal de águas ( mm). ©Francisco Andrade .......................................................................... 523
Figura 268 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as dos sítios referenciados no “Numeramento” do
século XVI. ©Fra ncis co Andrade .................................................................................................................... 523
Figura 269 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com Índices de
Posição Topográf ica. ©Fran cisco Andrade ................................................................................................ ..... 524
Figura 270 - Gráfico com Ín dic e de Posi ç ão Topográf i ca de sít ios referenciado s nas Me mórias Paroq uiais de
1758 . ©Francisco Andrad e ........................................................................................................................... 525
Figura 271 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com valo res de
declive. ©Fran cisco And rade ......................................................................................................................... 526
Figura 272 - Gráfico com de cl ives de s ítios referenciados n as Memórias Paroquiais d e 1758. ©Francisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 526
Figura 273 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com valo res de
exposição solar. ©F rancisco Andrade ............................................................................................................ 527

ÍNDICES
XXXIV

Figura 274 - Gráfico com ex p osição solar de s ítios referenciados nas M e mórias P aroquiais de 175 8.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 528
Figura 275 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58, sobrepostos a mapa com valo res
escoamento total mensa l de águas (mm). ©Franc isco Andra de ..................................................................... 528
Figura 276 - Gráfico com es coamento total m ensal de águ as de sítios referenciados na s Memórias Paroquiais
de 1758. ©Franc isco Andrade ...................................................................................................................... 529
Figura 277 - Sítios asso c iáveis à Ida de Moderna e r e lação com rede viár ia e hipso metria. ©Fran c isco Andrad e
..................................................................................................................................................................... 530
Figura 278 - Sítios refere nciados no “Numeramen to” do século XVI e relação com red e viária e hipsometria.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 531
Figura 279 - Sítios refere nciados na s Memórias Paroq u iais de 17 58 e rel a ção com rede viári a e hi psometria.
©Francisco Andrade ..................................................................................................................................... 531
Figura 280 - Triangulação d os sítios referenciado s no “Numeramento” do sé c ulo XV I, ilustrativa da ma lha de
povoamento mod e rno. ©Fra ncisco Andrade ................................ .................................................................. 532
Figura 281 - Triangulação d os sítios presentes nas M emór i as Paroq u iais de 1758 , ilustrativa da malha de
povoamento do século XVIII. ©Fran c isco Andrad e ......................................................................................... 533
Figura 282 - Proposta de hierarq uia de sítios na I dade Mod erna. ©Francisco Andrade ................................ 535
Figura 283 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s no “Numerame nt o” do s éculo XVI. ©Francis c o
Andrade ........................................................................................................................................................ 535
Figura 284 - Proposta de hierarq uia de sítios r eferenciado s nas Memórias Paroq ui a is de 17 58. ©Francisco
Andrade ........................................................................................................................................................ 536

ÍNDICES
XXXV

Índice de tabelas

Tabela 1 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Vilar de Frades, nas I nquirições
de 1220. ....................................................................................................................................................... 385
Tabela 2 - Tab ela com as pr i ncipais ref e rências d e propried ades do mosteiro de Ada ú fe, na s Inquirições de
1220. ................................................................ ........................................................................................... 387
Tabela 3 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Lomar, nas Inquirições de
1220. ................................................................ ........................................................................................... 389
Tabela 4 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Tibães, nas Inquirições de
1220. ................................................................ ........................................................................................... 399
Tabela 5 - Tab ela com as pr incipais referências d e pro prieda des do mosteiro d e Vimieiro , nas Inquirições de
1220. ................................................................ ........................................................................................... 401

LISTA DE SIGL AS E ABREV I ATURAS

XXXVI

Lista de siglas e abreviaturas

AEspA -
Archivo Español de Arqueología

AD –
Anno dom ini

ADB – Arquivo Distrital de Braga
AIM – Alta Idade Média
AM - Amostra
ANTT – Arquivo Nacional Torre do Tombo
aprox. - aproximadamente
AT – Antiguidade Tardia
BIM – Baixa Idade Média
BNP – Biblioteca Nacional de Portugal
BP –
Before Present

BRA - Braga
CAOP – Cartografia Administrativa Oficial de Portugal
cal. – calibrado
C_Al . – Convento_Alçado
cap. - capítulo
col. – coleção
CSIC –
Consejo Superior de Investigaciones Científicas

CSFR – Convento de S. Francisco de Real
CTT – Correios de Portugal (Correios , telégrafos e telefones)
D. - Dom
DGEMN – Direção Geral d e Edifícios e Monumentos Nacionais
doc.; docs. – documento; documentos
E - este
et al.
–
et alii

FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia
Fig. – Figura
fl.; fls . – fólio; fólios

LISTA DE SIGL AS E ABREV I ATURAS
XXXVII

GATMAA –
Grupo de Arqueologia Tardoant igua y Mediev al, Arqueologia de la Arquitectura
GACMB – Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga
GIS – Sistema de Informação Geográfica (
Geografic Information System
)
ha - hectares
ICArEHB –
Interdisciplinary Center for Archaeology and the Evolution of Huma n B ehavior

IGEOE – Instituto Geográfico do Exército
IM – Idade Moderna
INCIPIT –
Instituto de C iencias del P at rimonio

INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária
Inq. - Inquirições
Km – quilómetro
Lab2PT - Laboratório de Paisagens, Património e Território
LF; L. F.
–
Liber Fidei
Lit. - lítico
m – metro
mm - milímetro
most. – mosteiro
MPXII – Museu Pio XII
N - norte
nº - número
Nª S rª – Nossa Senhora
O – oeste
OSL –
Optically Stimulated Lu minescence

p. – página
pp. - páginas
PMH.D.C
. –
Portugaliae Mon umenta Histórica, Dipl om ata et Chartae
PMH.Inq. - Portugaliae Monumenta Histórica, Inquiditiones
QGIS – Quantum Gis
RAF –
Royal Air Force

S - sul
S. – São
s/d – sem data

LISTA DE SIGL AS E ABREV I ATURAS

XXXVIII

Séc. – século
SMD – São Martinho de Dume
Sta. – Santa
Sto. - Santo
Supl. – suplemento
TPI – Índice de Posição Topográfica (
Topographic Position Index
)
UAUM – Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho
UE – Unidade Estratigráfica
U.F. – União de freguesias
UMinho – Universidade do Minho
UPV –
Universidad d el Pa ís V asco

v. - vers o
vol. - volume

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANTIGUIDA DE TARDIA E A IDADE
MODERNA
1

Introdução
A evolu ção da pais ag em de uma região, se estudada sob uma pe rspetiva arqueológica, não pode s er
dissociada dos diversos tra balhos arqueológicos que aí foram levados a cabo. Dest e modo e, dado que
a região bracarense t em sido uma das áreas em que tem incidid o uma parte considerável da nossa
atividade de arqueólogo e onde está sedeada a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minh o,
instituição em que nos e nquadramos profissionalment e, consideramos que r eunia as condições
necessárias para o desenvolvimento da atividade de investigação a que nos propusemos.
A amplitude espacial e temporal da nossa investigação foi -se adaptan do à que inicialment e se tinha
delineado no primeiro projeto de dout oramento que apresentámos, den ominado “Dinâmicas territoriais
e poderes entre a Antiguidade Tardia e a Alta Idade média no NO de Portu g al”, consoante os
pressupostos e con dições p ara a sua elaboração se for am alterando. Não obstante, apesar de se tratar
de um trabalho de investigação elaborado n um contexto bem definido e balizado no tempo, fruto dos
constrangimentos do cale ndário académico, seguramente beneficiou de um con hecimento que se foi
acumulando ao longo de divers os an os de trabalho numa inst ituição universitária que, não raramente,
assumiu posições inovadoras n o âmbito de diversas áreas científicas.
Foi neste contexto de partilha de conhecimentos vários , que se começou a desenhar um projeto
científico, que agregou diversos saberes e metodologias de investigação , e buscou o traçar de um
caminho próprio, mas alicerçado n um enqu adramento epistemológico b em definid o. D este modo, não é
possível dissociar do conhecimento da área em estudo, as diversas campan has de trabalhos
arqueológicos em que tivemos oportunidade de participar e codirigir em Dume, em Tibães ou no convento
de S. Francisco e na cidade de Bra ga, em intervenções que abarcam a tot alidade do espectro temporal
em estudo.
Delineado o objeto de estudo e selecionado s os instrum entos m etodológicos para a sua abordag em,
tornava-se necessária a definição dos dados a ser tratad os e da forma com o seriam apresentados. Neste
sentido, porque a região braca rense tem vindo a ser estudada nas últimas déc adas, por inúmeros
autores, apesar de terem u ma abordagem distinta da nossa, foi po ssível dispor d e um excelent e pont o
de partida para o trabalho que desenvolvemos, designadamente ao nível dos inventários arqueológicos,
que foram sendo elaborados.
Apesar da existência de diversos invent ários arqueológicos que abarcam a área de estudo, opt ámos
por incluir n este trabalho um invent ário com o detalh e e caract erísticas descrit ivas que u sualmente
acompanham os t rabalhos aca démicos da área de arqueologia, que habit ualmente abarcam uma área

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

8

2. Problemática e objetivos
O presente estudo visa a compreensão da paisagem e das estruturas de povoament o no território
bracarense, no período com preendido ent re a Ant iguidade Tardia e a I dade Mod erna, com um foco
primordial nos dom ínios monásticos. Ent ende-se por território bracarense a área aproximada do atual
concelho de Braga. Por sua vez, o conceito de paisagem, que sustenta o nosso trabalho é devedor do
conceito explanado por Felipe Criado Boado (1993 , p.32), que def ine paisagem h ierarquiz ada como u ma
das formas da paisagem d omesticada, que rep roduz a instauração de determina das relações sociai s e
produtivas. Neste caso, a paisagem do território em análise, compreende as distintas delimitações que
foram efetuadas ao longo dos tempos, bem como as ent idades, forças e poder es con vergentes e/ ou
conflituantes, cujas dinâmicas permitiram o desenvolvimento territorial, que tive ram como pont o de
chegada, o atual concelho bracarense.
Reconhecemos os relevantes contributos que a arqueolog ia t em vindo a fornecer para o estudo da
paisagem e do povoamen to , n o âm bito de uma abordagem que segue os pressupostos da Arqueologia
da Paisagem, que se tem vindo a afirmar na investigação das últimas décadas (Martins, 1988; Criado
Boado, 1999; Hamerow, 2 002; Ch ristie, 2004; Carva lho, 2008; Tent e, 2010; Blan co Rotea, 2015;
Sánchez Pardo e Shapland, 2015; Blan co Rot ea, 2017; Martins e Carvalho , 2016; Sánch ez Pardo,
Marron e Tiplic, 2020). Esses cont ributos possibilitaram um acréscimo con siderável do conhecimento
sobre as pai sagens an tigas, permitindo igualment e a valorização da s entidades pat rimoniais que as
compõem, diversificando a s perspetivas teóricas e met odológicas de an álise (Criado Boado, 1999;
Cowley
et al.
, 2010; C hruchley e Crow, 2010; Mayoral Herrera e Celestino Pérez, 2011; Blan co Rotea,
2015; Brugers
et al.
, 2016 ). Assim, con siderou-se per tinente o en quadramento dessas perspetivas n a
narrativa histórica para a região considerada, na lon ga duração, circunscrevendo -se, para já, as
abordagens dessa nat ureza à área urbana bracarense (Ribeiro, 2008), ou a unidades de povoamento na
sua periferia (Fontes, 2018).
Pela riqueza das suas fontes document ais e pela relevância dos da dos arqueológicos obt idos nas
últimas quatro décadas, a região braca rense oferece -se como es paço privilegiado para o estudo e
compreensão da evolução da paisagem entre a A ntigu idade Tardia e a Idade Moderna. Para o vasto
período cronológico que p retendemos estudar, está ainda por aferir, com detalhe, o impact o das
principais dinâmicas de poder nas estruturas sociais e de povoamento, de acordo com os pressupostos
da Arqueologia da Paisagem, bem como os processos construtivos, de acordo com as análises efetuadas
mediante os pressupos tos da A rqueologia da Arquitetura.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
9
Assim sendo, e ten do em consideração o território em estudo e os dados recolhidos nos diversos
trabalhos já referidos, a no ssa investigação teve como ponto de part ida o conh ecimento dos poderes
subjacentes nas sociedades que ocuparam o espaç o bracarense e a avaliaçã o do seu papel nas
alterações da paisagem entre a Ant i guidade Tardia e a Ida de Modern a, procurando -se responder às
seguintes questões de inve stiga ção: i) quais os principais poderes con flituantes, qual o balaço de poderes
e de qu e forma se foram alteran do ao longo dos t empos ?; ii) q uais as principais ruturas e permanências
que se identificam no povoamento nos distintos períodos históricos; quais os principais agent es e
promotores do povoamento e em que condições ?; iii) quais os principais constrangimentos e
condicionantes físicas, políticas e sociais a determinados tipos de povoamento ?; iv) de que forma se
hierarquizou o povoament o n as distint as épocas ?; v) qual foi o papel das com unidades monástica s no
povoamento na região bracarense e quais o s principais entraves e con dições favoráveis para a sua
implantação e o seu enquadramento na hierarquia de povoamento identificada; vi) quais os distintos
modelos organizativos do povoament o, nos diver sos períodos históricos na região de Braga.

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

10

3. Enquadram ento teórico e m etodo l ógico
3.1. Arqueologia da Paisagem: origem, desenvolvimento e perspetivas atuais
O conceito de paisagem é ambíguo, polissémico e frequentemente imprecis o. Esta imprecisão pode,
em parte, ser explicada pelo diferente significado que o termo apresenta, con soante a líng ua e o context o
em que é utiliz ado (Orejas, 1991, pp. 193).
Almudena Orejas (1991, p p. 192-195), apresent a, a título exem plificativo, as di ferenças de sentido
do conceito, t al como usado em Espanh a, pelo m enos desde o século XVI II, essencialmente n o âmbito
da representação artística, distint o do equivalente francês, com significado mais amplo, não se
restringindo à s ua acess ão pictórica, mas à repres entação de um território, recorrendo a aspetos
sensoriais.
Para além deste primeiro conceito de paisagem, ass ociado à cont emplação visual e de cariz
predominantemente artístico, ciências como a geologia, ou a g eografia física, passaram a incorporar o
conceito co m o objeto de estudo (Orejas, 1991, p. 195). Estas abo rdagen s de finais do século XIX, t iveram
como principais protag onistas geógrafos como Ratzel (1844- 1904), Hettner (1859-1941) e Vidal de La
Blanche (1845-1918) e fo caram -se na interação do ser humano com o meio ambient e, abrindo o
caminho para a s primeir as escolas de Geografia Regional. Estes trabalho s influen ciaram duas correntes
independentes, que tiveram um considerável impacto em posteriores es t udos de Arqueologia da
Paisagem. Falamos da Escola dos
Annales
e da Geografia C ultural, no âmbito da qual se destaca o
trabalho de Carl Sauer (1889-1 975). A Escola dos
Annales
teve uma grande influência no aparato
metodológico de an álise proposto por Vidal de La Blanche (1845-1918), estando a abordagem deste
autor na origem das análises re gionais da paisagem, que devem inte grar to dos os asp etos qu e
caracterizam uma região, como o clima, a veget ação, o relevo e atividade humana em todas as suas
vertentes. Assim, uma paisag em específica deverá incluir o resultado da integração de todos aqueles
elementos (Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boado, 2014, pp. 4379-4388).
O reconhecimento da i mportância de relação h omem/ meio, complementada por ideias procedentes
da sociologia, proporciono u a visão h istórica do con ceito de paisagem, ainda que associada a uma
história predomina ntemente agrária, estando bem refletida n o estudo de cadastr os an tigos do período
romano e medieval, uma t radição de investigação baseada n o reconhecimento e documentaçã o de
estruturas antigas ainda visíveis, recorrendo a um uso int ensivo de fontes de informação com o fotografia
aérea, complementadas por document ação cadastral (Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boad o, 2014,
pp. 4379-4388). Est as abordag ens desenvolveram -se sobretudo em Itália e França, até à II Guerra
Mundial. A partir de então regista -se uma maior dive rsificação e renovação de l inh as de investigação,

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
11

que passam a aba rcar a prot o -história e o período medieval, t endo como principais palcos, os países
nórdicos, a Alem anha, os Países Baixos e o Reino Unid o. Paulatinamente, ampliam-se tam bém os meios
de regis to e as fontes de informação, registando-se, para além do uso da cartografia, o uso da fot ografia
aérea e o recurso aos resu ltados das análises palinológicas, carpológica s, an tracológicas e
arqueozoológicas, bem como o reconhecimento sistemático do terreno (Orejas, 1991 , pp. 197 -198).
O desenvolvi mento da Geog rafia Cultural, em Ingla terra e nos Esta dos U nidos da A mérica, pe rmitiu o
aparecimento das primeiras pr opostas s obre a relevância da dime n são es pacial relativamente ao registo
arqueológico. Assim, na década de 1950, regista -se o ap arecimento das técnicas do que se convencionou
denominar de
Field Archaeology
, cujo objetivo era a análise dos indícios ident ificáveis no território,
recorrendo a todos os mei os de documentação e técnicas disponíveis, aument ando o interesse pelo
estudo do território, emergindo a noçã o da paisagem como um palimpsesto (Orejas, 1 991, p. 199).
Estavam reunidas as condições para a emergência, nos finais dos an os 60 e principalment e nos anos
70 do século XX, de uma alternat iva ao paradigma histórico-cultural, associada ao a parecimento da Nova
Arqueologia, alicerçada nas técnicas da
Field A rchaeology
e na também denominada Nova Geografia,
inspirada no positivismo da Escola de V iena. Este movimento ocorreu em simultâneo n o Reino Unido,
com D. Clarke (1968) e n os EUA, com Lewis Binford (1931-20 11), on de esteve mais diretamen te
relacionado com os avanços ocorri dos na ant ropologia e com a influência dos trabalhos de Carl Hempel
(1966) sobre a construção do conhecimento científi co. Para além do Positivismo Lógico, a Nova
Arqueologia foi influenciada pelo N eo -evolucionismo e pela Teoria Geral dos Sistemas, desenvolvida por
Ludwig von Bertalanffy entre os an os 50 e 60 do século XX ( Bertalanffy, 2008; García San juán, 2005,
pp. 116-117).
É no âmbito da denominada Nov a Arqueologia, com um foco bastante grande na metodologia , como
forma de aced er a socieda des passadas (Thomas, 20 00, p. 1) , que se abre definitivam ente a porta à
incorporação de diversos métodos e t écnicas desenvolvidas noutras disciplinas, com destaque para a
geografia e a antropologia. Na verdade, a nova abordagem enquadrada pelos pressupostos
processualistas propunha uma i nterpretação quanto ao modo como as sociedades se relacionam com
os territórios, sendo estes entendidos c omo um con junto de recursos à disposição das com unidades,
uma visão que está na base do funcionalismo económ ico. Por sua ve z, a cultura foi con cetualizada como
uma adaptação extra somática ao meio, o que justificou uma interpretação sistémica da s mudanças
culturais, resultantes de processos ad aptativos, det erminados por desequilíbrios en tre os recursos
disponíveis e a sua explora ção, tendo o funcionalismo introduzido uma analogia entre a vida orgânica e
a vida social, estabelecendo-se u ma relação entre qualquer aspeto da vida passada e a su a contribuição

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

12

para o funcionamento da mesma (Hodder, 2000, p. 33). Os estudos que foram surgindo neste âm bito,
enquadraram-se n o que se convencionou de nom inar por Arqueologia Esp acial, de pendor processualista
e funcionalista, que potenci ou o desenvolvimento dos e studos ambient ais no Reino Unido (Criado Boado,
1999, pp. 4-5).
A Arqueologia Espacial consolidou os seus pre ssupostos em meados dos an os 70 (Hodder e O rton,
1976; Clarke, 1 977), ten do com o principal foco o us o da estatística e de m odelos matemáticos. Embora
a Arqueologia Espacial pretenda abordar a tot alidade da presen ça humana no território, os sítios
desempenham um papel fulcral nas análises que são realizadas, aplicadas em t rê s principais escalas:
micro, semi-micro e macro (García Sanjuán, 2005, p. 128). A análise micro, desenvolvida n o âmbito
desta corrente de investigação, t em como objetivo a determinação da dimen são espacial de vestígios
circunscritos a estruturas individuais, constituindo essencialmente um diagnóstico funcional, de acordo
com a abordagem empírica referida por F. Criado Boado (1999, pp. 4-5), acima mencionada. A escala
semi-micro desenvolve-se ao nível do sítio individu almente, valorizando os espaços de atividade g rupal e
coletiva. A escala macro, neste âmbito, explora as relações dos sítios entre si e com o meio ambiente.
Tratando-se de uma escala region al de análise, tem como principal ênfase a estratégia de ocupação e
exploração económica da natureza, as sim como a territori alidade teórica que reflet e os relacionamentos
intergrupais, que se consubstanciam em possíveis relações de desigualdade, con flitualidade,
cooperação, com unicações ou, por exem plo, de com ércio (García Sanjuán, 2005, p. 128). Embora não
sendo exclusiva, a escala macro constituiu o cerne da abordagem das paisagens.
O quadro de renovação epistemológica e metodológica que caracterizou a Nova Arqueologia foi
favorável ao desenvolviment o da metodologia de análise de Capt ação de Recursos, cujo principal
propósito era a interação dinâmica das comunidades com determinados n ichos ecológicos. Esta
metodologia assenta em três princípios f undamentais: a relação proporcional entre a dis t ância e o gasto
de energia na obtenção de recursos; o princípio da racionalidade económica e a distinção da importância
relativa entre determinados tipos de recursos (García Sanjuán, 2005, p. 131).
As correntes marxistas também influenciaram a teoria arqueológica , que incorporou a lógica da
dialética e a t eoria e
praxis
do desenvolvimento social (Mcg uire, 2002, p. 56). O marxismo tem como
foco um tipo de t eoria geral, con jugando ideias que, apesar de reconh ecerem a existência de exceções
e idios sincrasias regionais, procura identificar princíp ios univers ais , que regulament am a mudança social
(Iacono, 2 013, p. 2 ). Todav ia, o seu desenvolviment o e afir mação na prática arqueológica n ão conheceu
uma grande ou uniforme dif usão nos distintos paí ses, es tando muitas vezes condicionada pelas
realidades e contingências políticas de cad a um. Des t e modo, é compreensível que, no âmbito d a URSS ,

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
13

durante a vigência do regime com unista, tenha constituído a base teórica exclusiva da prática
arqueológica. Podemos reconhecer em algumas da problemáticas tratadas nos anos 70, na
University
College of London
, no âmbito do Marxismo Estrutural, um dos principais contributos . E sta corrente será
de alguma forma tributária da figura de Vere Gor don Childe (1892 -1957) e da sua relevant e contribuição
enquanto docente desta in stituição. É ainda de ress alvar o papel importante do Marxismo Crítico ,
desenvolvido na
Am erican A ssociation of Archaeology
(T homas, 200 0, p. 199). Em Espanh a, surgiu após
o fim do regime de Franco, t endo -se propagad o na América Latina como reação à Nova Arqueologia,
refletindo o ambiente sociopolítico vivido nessa região (Mcguire, 2002). Esta corrent e epistemológica
permaneceu li gada a de t erminadas insti t uições e grupos de investigadores, situação explicada pela forte
componente política da te oria marxista, não sendo possível perspetivar uma A rqueologia Marxista,
separada do marxismo como um to do (Mcguire, 2002, p. 4). A sua aplicação nos estudos da paisagem
decorre dos seus pressu post os, pe rmitindo perspe tivar a relação de interação entre as comunidades e o
meio en volvente, enquadrada por conceitos operativos como meios, relações e modos de produção, que
explicam as dinâmicas sociais, em termos de relações hegem ónicas en tre grupos e classes, at ravés da
apreciação ent re os “m eios de int eração” e as “relações de int eração” (I acono, 2021, p. 91). A relação
com o espaço é con siderada mediante uma relação em rede, que possibilita as tr ansaç ões entre outros
modos de produção e que pot encia o nível de acumulação de capit al e a quan tidade de recursos
disponíveis. Este sistema concetual em rede é formad o por nós interligados entre si, sendo possível
estimar o seu grau de centralidade pela contag em absoluta de arestas que ligam um n ó aos outros
(Iacono, 2021, pp. 95- 96).
Nos finais da década de s etenta, n a área de influência da geografia francesa, surgiram diversas teses
ecologistas, qu e tiveram como principal dinamizador G. Bertrand (1975) , sendo es ta abordagem
conhecida por E colog ia Hi stórica. B ertrand propôs uma adequação e reflexão do us o de diversos termos
e a sua adequação com o objeto de estudo, t endo considerado que o t ermo paisagem não deveria ser
utilizado a nível científico, dev ido à su a ambiguidade, en tendendo mais adequada a utilização do conceito
de g eossis tema, para descrever uma estrutura espacial, com um funcion amento geográfico autónomo
em que se relacionam o sistema abiótico, o biológico e o antrópico. Os es tudos da paisagem direcionados
para a Eco logia Histórica pretenderam evitar os excessos de formalismo e as análises g eométricas do
espaço, pas sando a ser baseados na dialética entre a sociedade e a natur eza, defenden do u m
determinismo ecológico rela tivo, na medida em que as etapas de boqueio em que o meio é det erminante,
potenciam novos marcos tecnológ icos, que permitem que haja evolução e a su peração da situação
prévia.

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

14

A alteração paradigm ática q ue conduz à afirmaçã o da Arqueologia da Paisagem terá que ser v ista no
âmbito da crítica ao positivismo, qu e constituía a base do pensamento subjacente às correntes
anteriormente descritas, surgindo n o cont exto de posições mais s ubjetivas com ba se n os f undamentos
da Fenom enologia, devida aos trabalhos de E. Husserl (1859 - 1938), que p retendia aceder às
experiências e aos conteúdos da consciência através da intuição (Criado Boado, 2012, p. 140). Husserl
defendeu a subjetividade teór ica das ciências empíri cas, substituindo a certez a positivista, pela
probabilidade ou possibili dade int electualiz ad a acerca de determinado fenómeno empírico. A
incorporação no pe nsamento arqueológico de algun s pressupostos teóricos, que permitiram uma
alternativa ao positivismo contou, entre outros, com o contributo de Ian Hodder (1982), no âm bito da
denominada Arqueologia Contextual, em que se enfatiza a prática interpretativa.
O início da adaptação dos conceito s fenomenológicos nos estudos da Arqueologia da Paisagem ocorre
com os trabalhos de Christopher Tilley (1965 - ), designad amente com a publicação do seu trabalho “
A
phemomenology of Landscape
” (1 994). A partir deste momento perceciona -se uma mudança no uso do
conceito de paisagem, argumentando-se que, ao invés de ser considerada como parte de um ambiente
externo, anterior e independente dos humanos, deverá ser ent endida como uma con strução soc ial e
cultural moldada, ordenada e apropriada em termos materiais e con ceptuais. A contestação ao
paradigma positivista n a arqueologia data dos anos 90 do século XX, enquanto na geografia se iniciou
três décadas antes, com os trabalhos de Lyn ch (Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boado, 2014, pp.
4379 -4388). O p ensamento fenomen ológico abriu novas possibilidades para os estudos arqueológicos,
permitindo um alargamento dos objetos de estudo e a diversificação e ampliação de conclusões.
Contudo, a adaptação de uma postura subjetiva e a necessidade de limitar os excessos interpretativos
resultantes de uma aplicação pouco criteriosa da subjetividade, com o foi referido por F. Criado Boado
(2012, p. 146), induze m a necessidade de criação de u ma subjetividade que t ivesse “consciência de si”,
capaz de examinar outras distintas subjetividades .
A adoçã o do paradigma epistemológico foi alvo de críticas, desde basta nte cedo, destaca ndo - se , a
título de exemplo, as que foram endereçadas por A. F le ming (1999; 2006), an alisadas posteriormente
por J. Barret e I. Ko (2009). Algumas das crít icas que foram feitas na aplicação da fenomenologia à
arqueologia relacionam-se com o facto dos estud os realizados se t erem limitando ao uso da
nomenclatura, evita ndo os aspetos técnicos da corrente filosófica. A s cr íticas de Fleming (1999, 2006)
referem também a ausência de con senso metodológico, o que determina a impossibi lidade de verificação
das propostas interpretativas decorrentes da aplicação destes estudos (Ba rret e Ko, 2009, pp. 276-277).
A aborda gem fenomenológica de T illey ( 20 05) e de Cumming s e Whitle (2004) parte do princípio de que

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o registo arqueológico só pode ser com preendido por mediação humana, dependendo o seu significado
da inter-relação entre as materialidades e o ser humano, sendo o corpo o veículo através do qual esse
envolvimento ocorre. Seria através do envolvimento do s eu corpo que o arqueólogo poderia aceder a um
estar no mundo passado e a descodificar o significado do registo arqueológico. A abordagem de Tilley
(1994, p. 12), acerca da forma como seria estar o estar - no -mundo at ravés de u m distanciamento do
mesmo e consequente criação de um distanciamento no espaço, foi alvo de críticas por part e de Barret
e Ko (2009, pp. 2 76-277) que consideram que poderá haver alguma con tradição ent re a visão de Tilley
(1994) do sujeito consciente e objetificante e a fenomenologia Heideggeriana.
Felipe Cr iado Boado discutiu algumas das questões s uscitadas pela adoção da f enomenologia na
teoria e prática arqueológica que definiu uma primeira agen da da arqueologia pós -processual qu e se
denominou de Arqueologia Contextual. A superação do subjetivismo da fenomenologia a través da
hermenêutica conduziu à Arqueologia Interpretativa, cuja preocu pação fundament al seria a busca de um
horizonte de interpretação e inteligibilidade que não estivesse exclusivamente mediado pelo sujeito
(Criado Boado, 2012, p. 15 7).
Os t rabalhos de Merleau-P ointy (1984, p. 369 ) propõem a t ransformação da fenomenologia de
Huss erl, que procurava com preender o homem e o mu ndo a partir da sua fa cticidade, como foi referido
por Husserl, defendendo a n ecessidade de operar t rês mudanças fundamentais: a mudança da noção
de mundo, que s ubstitui o ser como origem e fundame n to da realidade, a reivindic ação do suje ito como
horizonte de inteligibilidade sobre a existência e situar a significação no mundo e não na consciência do
sujeito (Criado Boado, 2012, p. 157).
A relativização do sujeito na prát ica hermenêutica também é defendida pela Escola de Frankfurt e por
Hans-Georg Gadamer (1900-20 02), deven do-se a este último, a con tribuição para conferir à
hermenêutica o valor de método e prática. O autor aprofunda o círc ulo hermen êutico, como método
interpretativo, sintetizando um procedimento que con siste em ant ecipar uma explicação sobre o
fenómeno considerado por meio da experiência pré -cient ífica para, posteriormente, corrigir e calibrar a
explicação formulada. Assina le -se a importân cia de reconhecer a dis tância no tempo como uma
possibilidade positiva e produtiva para o conhecimento, não constituindo um abismo incontornável,
refletindo a continuidade do s costumes e tradição, à luz da qual as práticas passad as se nos apres en tam
(Johnsen e Olsen, 2000, p. 111).
Os trabalh os de Paul Ricoeur (1913 -2005) tiveram igualmente uma con sider ável influência na
apropriação da h ermenêutica pela disciplina arqueológ ica. Ricoeur (1981) m antém a an álise estrutural
como con dição prévia n o processo de interpretação e introduz um desloc amento do sentido,

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

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concretizando-se esta met odologia num procedimento que considera o texto em si e a análise dos seus
elementos e organização interna, tenta ndo explicar um sentido e definir uma estrutura. Posteriorment e,
defende que a compreensão do m undo projetado no text o representa a ação h u mana (Criado Boado,
2012, p. 160). Refira-se ainda a reflexão de T im Ingold (2000, pp. 510-530) acerca da articulação ent re
os conceitos de temporalidade e paisagem, pautada por uma perspetiva int egrada, balizada pela
Antropologia C ultural e Social, An tropologia Biológica e conh eci mento arqueológico. Neste sent ido, é
fulcral o con ceito de “
dwelling
”, mediante o qual, a pais ag em é constituída por um registo duradouro
das vivências das diversas gerações que desenvolve ram as suas at ividades e re lações num a determinada
ou det erminadas áreas e co ntribuíram individu alment e, para uma amálgama de vestígios que constituem
o t odo. Tanto para as populações que v ivenciaram determinados locais, como para os arqueó logos, a
paisagem conta uma história ou um conjunto de histórias, estando a sua perceção diretamente
relacionada com o conceito de recordação, não como i magem interior do indivíduo , mas a pe rceção de
um ambiente envolvente, pleno de significados do passado (Ingold, 2000, pp. 5 10- 511).
No contexto das arqueologias pós-processuais verifica-se a tent ativa de restabelecimento de uma visão
mais objetiva da int erpretação, defendida por Ian Hodder ( 1991), que se distan cia das posições
subjetivistas do pós-processualis mo, que ele próprio aju dou a implantar. Esta alteração de postura leva -
o a defender o uso do m étodo h ermenêutico que , na sua opinião, deveria obedecer a um conjunto de
princípios q ue formalizam um verdadeiro protocolo: utilização do círculo hermenêutico; autonomia do
objeto; noção de t otalidade; apropriação da alt eridade do passado e transladação para o presente;
controlo da subjetividade pela harmon ização dos dados; diferenciação objetiva e independente do
passado e comparação de diversas hipóteses e ajuste ao t ema; entendimento pa rcial do pas sado,
segundo o critério de coe rência das relações ent re par te e con junto e utilização crítica de uma retórica
dirigida a um determinado público.
Segundo F. Criado Boado (2012, p. 177), a reconceptualização da int erpretação conduz -nos à base
teórica da sua prática e este facto endereça-nos ao estruturalismo. Assim, a base teórica da A rqueologia
Interpretativa acabará por recorrer à A ntropologia Estrutural de Claude L évi-Strauss (1973; 1979),
conhecendo os trabal hos realizados no âmbito da Arqueologia P ré -histórica a influên cia de outros autores,
designadamente de P. Clastres (1 974; 1979; 1 981), Giddens (1984; 1 993; 1997), Sah lins (1988),
Ingold, (1980; 1986; 1990). Na verdade, o estr uturalismo oferece um método de con trastação de
hipóteses distinto do método hipotético -dedutivo, mas também do hermenêutico, baseando -se na
compatibilidade estrutural entre códig os, constituindo uma terceira via entre o objetivi smo e o
subjetivismo do pensamento moderno.

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A part ir dos an os 90 do século XX , F. Criado Boad o (1993; 1 999; 2 012) elaborou sobre os dive rsos
pressupostos t eóricos da Arqueologia da Paisagem, que tem vindo a desenvolver e a aplicar ao longo dos
anos. Assim, o autor considera ser possível superar o modelo dualista de Lévi - Strauss (pensamento
selvagem/pensamento domesticado), sugerindo uma cadeia de formas de pensament o que abarcaria
racionalidades de diversas dimensões (caçadora, selvagem, doméstica, domesticada, hierarquiz ada)
(Criado Boado, 2012, p. 304). Por sua vez, na abordagem ao espaço que enquadra as con siderações
que elabora sobre as possibilidades e limites da Arqueologia da Paisagem, o autor defende uma
aproximação aos trabalhos desenvolvidos po r Mich el Foucault (1978; 1980a; 1980b, 1984; 1989), no
âmbito da emergência dos novos sistemas de saber, c om o en volvimento de det erminadas tecnologias
políticas e produções específicas, até à cr iação de e spaços sociais determinados. Neste context o ,
interessam também as reflexões de Foucault relativas a o poder e à construção do espaço, estabelecendo
ainda que os espaços domésticos surgem como recurso de uma n ova tecnolog ia de poder, inseparável
do novo conceito de homem (F oucault, 1984; 1989).
As ideias de Foucault tiveram um impacto considerável na construção de alguns conceito s chave
propostos por Criado Boado no âmbito da Arqueologia da Paisagem, des ignadamente, qu an to à
consideração do espaço c omo parte essencial do p rocesso social de con strução da realidade, ou à
consideração de que o próprio espaço tam bém é uma construção social e uma categoria com um
determinado sistema saber -poder de uma cultura (Criado Boado, 1993, pp. 11 - 12). Efetivament e, o
conceito plural e c rítico de paisagem, conver ge para o seu ent endimento como um produto específico
que us a uma det erminada realidade fís ica, para criar uma n ova realidade, um espaço social, através da
aplicação de uma ordem imaginada , constitutiva de um espaço simbólico, percebido e pensado (Criado
Boado e Parcero Oubiña , 1997, p. 5; Parcero Oubiña, Barreiro e Criado Boado , 201 4, pp. 4379-43 88).
Este conceito de paisagem, que teve com o principal dinam izador Felipe Criado Boado (1993; 1 999),
teve seguimento nos trabalh os de C ésar Parcero O ubi ña (2021), n o des envolvimento e aplicação de
novas técnicas ou n os t rabalhos de Rebeca Blanco Rotea, na sua aplicação e análise de uma forma
integrada com a Arqueologia da Arquitetura para pe ríodos históricos e temáticas até ent ão praticamente
inéditas neste tipo de estudos (Blanco Rotea, 2015; Blanco Rotea, 2017).
A paisagem percecionada como m aterialização de um conceito, como resultado de um processo e
como recurso do passado no presente, tem vindo a ser objeto de discussão continuada (Blanco Rotea,
2015, Blanco Rotea, 201 7). En quanto materialização de um conceito, a pais agem surge com o resultado
de uma represent ação men tal de uma det erminada “realidade”. Já como resultado de um processo, a
paisagem oferece-se como expressão de um processo cumulativo das realidades que a pre cederam e

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

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nossa investiga ção tira também part ido dos en qua dramentos metodológicos da Arqueologia da
Arquitetura, adapt ando os pressupostos que foram desenvolvidos sobre e sta área por Rebeca Blanco
Rotea (2017).
Este trabalh o constitui- se, assumidamente, com o uma abordag em da paisagem da região de B raga
que se en quadra na corren te da arqueologia pós -processual denomina da de Arqueologia I nterpretativa,
que Felipe Criado Boado (2012, p. 200), considerou poder realizar uma m aior conciliação entre o rigor
do positivismo processualista e a subjetividade que consideramos ser inalienável da análise arqueológica,
uma perspetiva que também consideramos ter s ido seguida por Rebeca Blanco Rotea (20 15; 2017), na
sua abordagem às paisagens fortificadas da bacia do rio Minho.
A perspetiva adot ada press upõe a apl icação de um a m etodologia que pode dese nvolver-se de duas
formas distintas. O procedimento mais comum e mais rigoroso con siste em part ir da análise formal para
observar possíveis regularidades, enunciar uma h ipótese int erpretativa e contrastar a sua validade,
utilizando-se depois modelos interpretativos para perce ber o seu sentido (Criado B oado, 2012, p. 209).
Para além desta forma de análise, F . Criado B oado refere também a possibilidade de trabalh ar no sent ido
inverso “ mediante um deter mina do mo delo teórico - interpretativo” que permite “enunciar uma hipótese”
que possibili ta avaliar se “a análise formal é pertinente e se acomoda regularidades empíricas ou não”.
Na abordagem que preten demos efetuar, pese embora os pressupostos de partida decorrentes dos
trabalhos de investigação que já foram efetuados para a área e épocas de estudo, procuraremos seguir
a primeira proposta met odológica enunciada , de aco rdo com os pressupostos q ue descrevemos no
decorrer do presente capítulo. Dado que o trabalho pretende efetuar um a aproximação à paisagem que
integrará o estudo das arquiteturas monástica s de Braga, a abordagem contemplará a int egração das
ferramentas metodológicas da Arqueologia da Arquitetura, nos moldes que também descrevemos.
A primeira aproximação aos dados arqueológicos pressupôs a recolh a exaustiva da informação
relativa a t odos os sítios arqueológicos identificados na área de trabalho , que se enquadram no âmbito
cronológico do noss o estudo, tendo consistido o primeiro passo na recolha da bibliografia temática mais
relevante, designadamente, os trabalh os de investigação que contemplavam inventários temát icos. Para
o período romano, destacamos o inventário da tese de doutoram ento de Manuela Martins, que constituiu
um dos traba lhos pioneiros da abordag em à paisagem , que dispomo s para a n ossa região (Martins,
1990; 1 995). Esse inventário foi posteriormente ampliado, pelos trabalhos de Luís Fontes (199 3) e de
Helena Carvalho (2008), este último cobrindo uma área mais am pla. Para o período suevo -visigótico
utilizámos os inventários el aborados por Jorge López Q uiroga (2004) e An dreia A rezes ( 2010; 201 4 ).
Para a Idade Média recorremos ao inventário presente na publicação da tese de dou torament o de Avelin o

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Jesus da Costa (Costa, 1997; 2000) e as referências q ue foi possível extrair do doutoramen to de José
Marques (1988), Luís Carlos Amaral (2007) e André Marques (2014).
Para além dos invent ários temáticos que se afiguram de especial relevância para os sítios da
Antiguidade Tardia e da Alta Id ade Média, também se re colheram referências de fontes escritas
publicadas. As principais fo ntes usadas para o período m edieval, fora m o c en sual “dito” de D. Pedro,
publicado por A velino Costa e as Inquirições de 1 220 ( PMH. I nq. 1888) e de 1288 ( Pizarro, 2012). Para
o período m oderno utilizaram- se os dados do “Numeramen to” de 1527 (Freire e Pessanha, 1905, pp.
241 -273) e as Memórias Paroquiais de 1758 (Capela, 2003).
Os dados recolhidos e analis ados foram inseridos num Sistema de Informação Geográfica (SIG)
especialmente desenvolvido para o efeito, recorren do -se ao programa Quantum Gis para a sua
implementação. Os campos das tabelas de dados do SIG tiveram por base o sistema que desenvolvemos
para o trabalho de mestrado, em 2015, devidament e adapt ados para os objetivos da investigação que
aqui apresentamos (Andrade, 2015; Botica, Andrade e Fontes , 2016). A tabela principal, que constituiu
o cerne do SIG, con templou os seguint es campos: I d, C odsitio, Topónimo, X, Y, Z, AT, AIM, BIM, I MOD,
Par Suevo, Censual XI, Terra XI, Inq 1220, Julg 1220, In q 1288, J ulg 1288, H onras 1288, Nome_
Honras 1288, N um XVI, Termo XVI, MP 1758, Termo X VIII Tipologia 1, Tipologia 2, Tipologia 3, freguesia
CAOP 2011 e concelho.
O ID é composto por numer açã o sequencial de 1 a n. T rat a -se de uma numeração automática que é
atribuída pelo QGIS, constituindo uma referência única e irrepetível, atribuída sempre que se procede à
entrada de um novo elemento com representação geográfica. A tabela codsitio contempla a inserção
manual de numeração de 1 a n . A referenciação foi efetuada de acordo com os n omes das fr eguesias
existentes em 2011, organ izadas por ordem alfabét ica, de acordo com a CAOP

1

. Esta opção foi tomada
pelo facto de, à data da elaboração desta tese, estar em curso uma reorganização autárquica, que t em
vindo a cont empl ar a desagregação de div ersas freguesias, voltan do à situação que pr ecedeu a
reorganização de 2013. A este facto acresce a facilitação do estabeleciment o da correlação entre os
sítios, nas distintas épocas.
O nome de sítio, foi introduzido de acordo com o topónimo con hecido mais próximo, à semelhan ça
do que foi feito em diver sos inventários arqueológicos ( Martins, 199 0; Fontes, 1993; Carvalho, 2008). A
estes campos foram acrescentados outros três, para inserção as coordenadas X, Y e Z. O sistema de
georreferenciação utilizado foi o ETRS89TM06. També m se incluíram três cam pos , de acordo com os
descritores AT (Ant iguidade Tardia), AIM (Alta Idade Média), BIM (Baixa I dade Média), IM (Idade

1

https://www. dgterritorio. gov.pt/carto g rafia/ca rtografia-tematica/ca op (consult ado em 21- 12 -2022, às 07 h53 m).

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

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Moderna), que foram preench idos com informação binária (1/0) e que permitirão a seleção dos sítios
que cont emplam ocupação conhecida de cada período. Também se incluiu um campo de texto para
cada uma das referências documentais acim a descritas, de modo a p ermitir efetuar uma correlação
entre os dados document ais, à semelhança do que realizámos na n ossa di ssertação de m estrado
(Andrade, 2015).
No campo Censual XI, cada entrada correspondente a um sítio foi preenchida com os nomes, segundo
a grafia identificada n a referência documental em questão, de cada local que foi possível identificar e
georreferenciar. No campo Terra XI, foi inserido o n ome da circun scrição territorial correspondente à
Terra que está associada a cada paróquia, de acordo com o que se encontra referido em Costa (2000).
O cam po Inq 1220 foi pree nchido de acordo com os dados que se extraíram da análise das I nquirições
de 1220, segundo os mesmos pressu po stos com qu e se inser iram os dados recolh idos em Costa (2 000).
Também aqui se procedeu à associação entre os dados georreferenciados recolh idos e a circunscrição
territorial a que estavam adstritas. No caso dos ca mpos Inq. 128 8 e J ulg. 1288, procedeu-se ao
preenchimento dos dados recolhidos n as In quirições Gerais de 1288 (Pizarr o, 201 2), de forma
semelhante ao já referido para os document os anteriormente mencionados. Dado que este documen to
apresenta alg umas variantes para os mesmos topón imos, u sou-se a grafia que se considerou ser a m ais
aproximada, relativamente àquela que a precedeu e co m a que a sucedeu, tendo em consideração que
algumas das variações, dentro do próprio documento, poderão constituir inconformidades da cópia.
Os dados recolhidos no “Numeramento” do século XVI f oram alvo de tratamento idê n tico aos u sados
para os dos documentos ref erenciados anteriormente. No campo Num XVI, efetuou -se o preench imento
de acordo com os dados re colhidos em (F reire e Pessanha, 19 05) e com a grafia aí presente. No campo
Termo XVI, efetuou-s e o seu preenchimento em consonância com os termos a que cada entidade estaria
adstrita. No cam po MP 1758, preencheu-se o cam po de cada entidade georrefer enciada de acordo com
a análise document al das Mem órias Paroquiais de 1758 (Capela, 2003) , seguindo o mesmo método
aplicado às anteriores referências documen tais. No campo Termo XVIII, inseriram -se os dados recolhidos
na referida publicação, relativos ao termo a que cada paróquia es taria associada.
A tabela tam bém inclui os campos Tip ologia1, Tipologia2, Tipologia3 , que foram pre enchidos segundo
as tipologias que se poderiam associar a cada sítio, tendo em consideração os inventários usados.

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Figura 1 -

Campos da tabe l a do Sistema de I nformação G eográfica. ©Francisco Andrad e
Como estabelecemos no plano de t rabalhos que precedeu a tese qu e s e apre senta, considera-se que
os trabalhos de aborda gem à paisagem, contemplam uma análise aos meios de implan tação das
unidades de povoamento, tal como foi proposto por Felip e Criado Boado (1999, p.18), pelo que o
conhecimento prévio do meio, deverá ter em consideração um conjunto de análises , que procuram os
realizar no presente t rabalho : i) Análise formal ou morfológ ica do espaço físico , q ue se concret izou na
produção de um mapa morfológico, em que se individualizaram os distint os tipos de relevos, como
proposto por Rebeca Blanco Rot ea (2015, p. 179), e m linha com o estabelecido por Baker (1985), de
descrição sem atribuição de sentido estranho a si mesmo; ii) Análise fisiográfica, que permitiu à
identificação das unidades constitutivas e o mapeament o de classes f isiográficas (Criado Boado, 1999,
p. 18). Blanco Rotea (2015, pp. 180-181), consider ou pertinente a análise das cumeadas e delimitação
das principais unidades delimitadas pelas m esmas.”. De acordo com análise feita por Nuno Loureiro
(2016), a análise fisiográfica em Qg is deverá t er em consideração os declives e a exposição solar das
encostas, calculadas a partir de u m modelo digital do terreno , tarefa que também realizamos no âmbito
da pres ente investigação; i ii) An álise de terreno e análise t opográfica, q ue t eve em con sideração a
elaboração de mapas de pen dentes, de solos, de classes agrológicas, de us os e apr oveitamentos efetivos

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

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ou potenciais e modelos dig itais do terreno (Criado Boado , 1999, p. 18); iv) Análi se das con dições de
trânsito, que permitiu a identificação das vias na turais condicionadas pelo rel evo, em conjugação com a
observação das características das li nhas de água e as linhas de cumeada, em concordância com o qu e
foi defendido por Rebeca Blanco Rot ea (2015 , p. 182).
O estudo desenvolvido contemplou as análises descritas, nos moldes em que sã o apresentadas no
capítulo I I.1. Esta primeira an álise da configuração geográfica da área de estudo, que constitui o ponto
de partida para uma aproximação à paisagem bracarense, foi cruzada com os dados arqueológicos, de
modo a ser efet uado um tr atamento integrador de todos os dados. Deste modo, após o conhecimen to
aprofundado do substrato físico e n atural da área que foi objeto de estudo, fo i possível realizar as
seguintes tarefas: i) Análise do terreno e topografia, que permitiu cruzar os diferentes tipos de sítios com
as caract erísticas do terreno em que se implant am, permitindo o cruzamento dos sítios dos diversos
períodos históricos com os tipos de implantação analisados; ii) An álise das condições de t rânsito, que
permitiu cruzar os principais corredores de circulação natural e compreender o m odo com o foram
aproveitados e condicionaram ou poten ciaram a implantação dos sítios ou as dinâmicas de povoam ento,
ao longo do tempo; iii) Análise de visibilidades, qu e per mitiu indagar a relação dos tipos de sítios com as
condições de visibilidade e intervisibilidade, calculada s estas últimas por análise acumulada das
primeiras (Blanco Rotea, 2 015, p. 188), registando -se em que medida a ap ropri ação e apreensão de
determinado espaço terá condicionado a implantação dos s ítios e a correlação de determinados
acontecimentos históricos coevos da sua ocupação. No caso da s
villae
analisadas, este tipo de
observação foi particularmen te relevant e na definição do cont rolo que poderia ser estabelecido sobre a
área de influência. No caso das fortificações, esta análise foi tam bém relevante, n a medida em que
permitiu con statar qual o território con trolado por cada fortificação; iv) Análise do uso e aproveita mento
potencial dos solos, que foi cruzada com os dados paleoambientais dis poníveis par a a área de estudo, o
que permitiu u ma aproxima ção às condições de implantação dos sítios.
Tendo por base as análises referidas, foi possível avançar para observações mais complexas,
relativamente à h ierarquia dos sítios e aos modelos de ocupação característic os de cada período
cronológico, que contemplou as seguintes tarefas : i) Definição de rede de lugares significativos que
permitiu estabelecer pontos básicos de orga nização do espaço circundante, defi nidos por características
específicas como visibilida de ou part iculares condições de trân sito, conforme foi definido por Felipe
Cr iado B oado (1999, p. 18); i i) Recon stituição da hierarquia de lugares, realizada com base na
acessibili dade ou permeabilidade diferencial dos sítios n o contexto do povoam ento de cad a período e
territórios distintos, bem como a área de infl uência (Criado Boad o, 1999, p. 19); iii) Definição de modelos

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teóricos de ocupação, que teve em consideração a análise e o conhecimento da organização do território,
permi ti ndo a apreensão das estruturas conceptuais subjacentes às soluçõe s de organização e
ordenamento da paisagem , para os v ariados períodos históricos.
Efetuaram-se estudos a diferentes escalas, de acordo com os objetivos específicos de investigação.
Assim, as pesquisas da ev olução mais g eral do povoament o e a análise do meio de implantação e
características da área em estudo, foram real izadas numa escala macro, procurando -se traçar uma
perspetiva geral do povoamento, evidenciando as pri n cipais características do mesmo, condições de
implantação, definindo -se as principais permanên cias e alterações ao longo do tempo, a hierarqui a de
lugares, as principai s r edes de locais significativos ou a an álise acumulada de visibili dades. Esta escala
de an álise, como foi referido por Mañan a B orrazás, Rebeca Blanco Rotea e Xurxo Ayán Vila (2002, p.
16), corresponde a um “
between sites system
“, sis t ema utilizado ao nível da teoria espacial económica,
que at ua segundo o pressuposto de que a atividade humana se desenrola segundo os princípios da
maximização de recursos , minimização dos custos e lei do mínimo esforço, sistematizados pela Nova
Arqueologia pr ocessual e funciona lista. Dado que nos posicionamos num quadro teórico e metodológico
distinto, para além do pot encial acesso aos recursos demonstrado pela organização de povoamento,
procuraremos evidenciar as condicionantes ideológicas e conceptuais que poderão ser int erpretáveis pela
organização territorial de cada período abordado.
A aproxima ção aos principais sítios e conjuntos monásticos ident ificados na área de estudo foi
efetuada a uma escala semi -micro, com o objetivo d e compreender as formas de organ ização int erna
deste tipo de sítios e a sua relação com a en volvente próxima. Os trabalhos desen volvidos a esta escala
permitiram saber como é q ue seria efetuado o “con trolo” das variadas partes con stitutivas do mosteiro,
designadamente quanto à sua adequação à forma de rele vo, ou à correlação das variadas partes
constitutivas do sítio com as principais vias de trânsito region ais. De fact o, a a nálise a esta escala
pressupõe encarar um sítio arqueológico com o um local em que se desenvolve um con junto de atividades
humanas, pelo que a dispo sição e localização das diversas estruturas que o compõem , refletem uma
determinada organização funcional do espaço. Por isso, a sua organização espacial reflete os
pressupostos mentais e culturais subjacent es à sua con strução e utilização, sendo possível e enquadrá -
los nos princípios regulament ares das ordens em que s e in tegravam .
Mediante os pressupostos que norteiam o estudo integrado de todos os aspetos constitutivos da
paisagem, em concordância com o que foi defendido por Rebeca Blanco Rotea (201 5, p. 29), a
arquitetura e a paisagem representam dois con ceitos intima mente relacionados, estando esta relação
entre ambos m aterializada pela tripla aceção comum defendida pela autora. De facto, as paisagens

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

30

construídas e humanizadas são con stituídas po r arquiteturas de di versas tipologias e formas e o meio
físico onde s e implantam con stitui elemento fundamental e “ matéria-prima ” para a abstração
arquitetónica, que se consubstanciou na h umanização do espaço. Na verdade, a p aisagem influencia o
ser humano sendo o m esmo parte ativa na sua construção, refletindo as for mas arquitet ónicas , a
perceção social da paisagem que a abstração subjacente à constituição de det erminados elementos
pressupõe, t al como acontece com outros exemplos de cultura mat erial. Assim sendo, a análise das
formas arquitetón icas e da sua evolução, enquant o element os integradores e defi nidores da paisagem,
carece de uma m etodologia de análise, t endo sido adotado o aparato metodológico que foi d efinido no
âmbito da Arqueologia da Arqu itetura.
Os pressupostos subjacentes à metodologia ad otada , têm com o base os precei tos metodológicos
inicialmente propostos por Doglioni, (1988, 1997), Bro giolo (1995), Caballero Zoreda (1996), Manoni e
Parenti (1996), Azkarat e G arai-Olaun e García Cam ino (1998). Este aparato metodológico inc orporou,
sempre q ue po ssível, proc edimentos de açã o que co nt emplam a análise espaci al das estruturas, a
análise estratigráfica vertical e horizontal e a análise da perceção e cronotipologia (Mañan a Borrazás,
Blanco Rot ea e Ayán Vila, 20 02; Ribeiro, 2008).
A adoção e aplicação deste protocolo visou a descrição formal dos distintos con juntos arquitetónicos
estudados n o âmbito do pres ente t rabalho, visando a ide n tificação da forma genérica de partida. A análise
realizada teve em con sideração fatores organ izativos t ais como: modos e princípios de orga nização e
relação espacial. A avaliação das relações espaciais utili za conceitos operativos com o
interioridade/exterioridade, con exão, contiguidade e vinculação. Por sua vez, a organização espacial
opera com os seguintes conceitos: centralização (determinação de espaço central e domi n ante),
linearidade (espaços dir etament e relacio nados entre si), organização axial (organiz açã o em torno de um
eixo), organização radial (espaço cent ral dom inante e desenvolvimento radial em t orno do m esmo),
agrupamento (constituição de espaços que repartem relações de proximidade e f unções semelhant es),
organização em trama (organização no âmbito de u ma trama contínua e regular) . Este tipo de an álise foi
efetuado ten do como base os regist os plan imétricos dos principais sítios intervencionados da área de
estudo. Também foram in dagadas as relações de es pacialidade, de modo a es tabelecer, na macro
escala, os distintos tipos de relações entre sítios.
A an álise estratigráfica, ou leitura de paramen tos, corresponde à metodologia mais com ummente
associada aos estudos de Arqueologia da Arquitetura, sendo um método d esenvolvi do a part ir da leitura
estratigráfica, desenvolvida por Edward Harris (1979) , aplicado às construções históricas (Caballero
Zoreda, 1995). Esta análise pressupôs a obtenção de um suporte gráfico rigoroso de registo dos alçados

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
31

dos edifícios. No caso do conven to de S. Francisco, a leitura foi efetuada sobre ortofotos gerados em
Metashape, no âmbito de trabalhos de levantamento , efetuados com recurso a um drone e
posteriormente tratados no programa Quantum Gis. No caso da análise do sítio arqueológico de Dume ,
foi utilizada a planimetria vetorial elaborada n o âmbito dos recentes trabalhos de musealização. No
mosteiro de Tibães benefici ou-se dos levantament os e estudos que já tinh am sido efetuados (Fontes,
2005).
Na medida em que este t rabalho visou articular dados de diversas intervenções arqueológicas com
registos distintos, realizados em moment os também muito diferentes, opt ou-se por efetuar uma análise
ao nível das atividades con strutivas. Dada a discrepân cia de dados, pareceu -no s a melhor fo rma de
estabelecer uma análise de con junto. As revisões tipológicas ou cronológ icas de alguns dos sítios
arqueológicos an alisados, foram efetuadas at ravés de uma análise comparativa cron o -tipológica,
suportada, sempre que po ssível, por datações absolutas, tal como acont eceu em Dume [ 40] e S.
Frutuos o [95].
A an álise de pe rceção, preconizada em Maña na Borr azás, Blan co Rotea e Ayán Vila (2002, p. 3 9), foi
subdividi da em quatro tipos de análises distintas: análise Gamm a, an álise de circulação, an álise de
visibilidade e análise de visualiz ação. Este protocolo analítico, pese embora po ssa enquadrar-se na
análise semi-micro, ant eriormente descrita, t ambém poderá ser aplicad o a o n ível da estrutura
propriamente dita. No âmbito destes dois níveis e c om o int uito de definir a forma de vivenciar e
percecionar os con juntos monásticos, considerou-se r elevante esclarecer, sempre que possível, os limites
dos espaços con struídos, an alisando-se as formas conhecidas de permeabili da de e de acesso, tent ando-
se percecionar, sempre qu e os dados o permitiram, de que forma as relações sociais foram vive nciadas
em determina dos espaços. Este tipo de análise foi bem definido ao nível da análise
Gamma
defendida
por Hiller e Han son (1984). Também procurámos an alis ar a influência que determinados sent idos de
circulação tiver am na organização do es paço e de qu e forma ess a lógica funcionou e se foi alt erando ao
longo dos tempos.
A informa ção mais detalh ada dos sítios apenas foi po ssível para os locais em qu e se dispunh a de
informação que con siderámos suficient e, t endo -se procurado identificar similitudes com áreas que,
apesar não terem o mesmo tipo de dados, aparentavam dispor de condições análog as.

PARTE I – PROBL EMÁTICA E M ESTUDO E M ET ODO L OGIA

32

Figura 2

- Modelo esquemático das distintas escalas de análi se,

aplicadas ao mosteiro de Tibães. ©Francisco
Andrade

Figura 3

- Modelo esquemático de organização de povoamento (limite oval maior, circunscrição de primeira
ordem, limite oval mais pequeno, circunscrição de segunda ordem , círculos p reench idos maiores, núcleos de
povoamento mais impor tantes, círculos preenchidos menores, núcleos de povoame nto menos important es ).
©Francisco Andrade

Parte II - Os dad os e a sua análise

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
40

Figura 9 - Escoam ento total de águas me nsal (média). ©F ranci sco Andrade (com p osi ção cartográfica)
Ao nível da exposição sol ar, verifica -se que os p rincipais terrenos com maior exposição , estão
subdividi dos em dois grandes g rupos. O primeiro localiza-se a sul de Dume, até à zona de Real e a nor t e
de S. Frutuoso, até à zona da C onfeiteira e Cabanas. O segundo situa -se nos terr enos que vão desde a
Lameira, passando por Felgueiras, Lamas, Trave ssas, En treportas e Carvalheira. Na área cent ral, entre
ambas, ident ifica-se a pequ ena el evação em que se localiza o atual centro da fregues ia de Dume, na su a
zona tradicionalmente mais urbanizada, a n orte do sítio arqueológico de Dume. Os terrenos mais a leste,
nas zonas abarcadas pela s freguesias de Adaúfe, Santa Lucrécia de A lgeriz, Crespos e Pousada
apresentam uma exposição maioritariamente a oeste e nordeste, cruzados em diversas zonas , por faixas
com uma exposição a sudeste. Cont ígua a esta região, na área mais a sul, o vale do Este, na zon a leste
da cidade de B raga, Gualtar, Bela Vista, até ao limite do concelho , apresenta uma exposição solar a sul
e sudeste. Trata -se provavel mente de uma das áreas com maior exposição solar contínua a su l/sudeste,
em Braga. Ou t ras regiões com boa exposição s olar a s ul, são a zona de Sobrepost a e Pedralva, parte de
Lamaçães, de Nogueira e Morreira e algumas porções da veiga do Penso e Lomar. Um g rande corredor
entre Pousa, Cabreiros, Sequeira, Aveleda e Cel eirós, apresenta uma exposição solar a sul e sudeste.
Uma das g randes áreas que apresenta uma exposição solar t endencialmente a sul, é a região de Bastuço,
Cunha, Tadim e norte de Arentim e Ruílhe, Priscos e parte de Vimieiro. Refira-se ainda Tebosa, norte de

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
41
Oliveira (S. Pedro) e Guisa nde, que apresentam algumas áreas com exposição solar com a m esm a
orientação que foi descrita nos parágrafos anteriores. Uma g rande área limitada a sul pelos montes da
Graça, de S. Filipe e das Caldas, apres enta uma exposição essencialmente a nordeste e a oeste, que s e
estende até à região de Panoias e de Merelim (S. Pedro), interrompida por uma faixa exposta a
sul/sudeste na região de Merelim S. Pedro e retomando a exposição a n ordeste e oeste de Merelim S.
Pedro. Outras áreas que apresentam u ma e x posição a oeste e nordeste, são as regiões aba rcadas pe los
principais promontórios que limitam a região a sul e sudeste, ent re o monte de S. Mamede e de Santa
Marta, Sameiro, prolongando-se a norte para Est e S. Pedro e para oeste até Fraião e Picoto.

Figura 10 - Mapa apresen tando orientação de exposição solar em Braga. ©Francisco A ndrad e (composi ção
cartográfica)
O uso do solo na região de Braga, na atualidade, é car act erizado pelo cres cimen to da malha urbana,
propagando-se o t ecido urbano contínuo para uma área que abarca toda s as freguesias do cent ro
histórico de Braga e parte de Real, Dume, Brag a S. Vicente, Braga S. Victor, S. José de S. Lázaro e S.
João do Souto, Nogueira, Lomar e Maximinos. Esta área urbana contínua apresenta nas suas regiões
periféri cas diversos espaços dedicados à indústria, com ércio e equipamentos gerais, os den ominados
parques industriais. No int erior do tecido urbano contínuo, a única exceção de esp aços verdes é a área
abarcada pelo parque do Picoto. No limite da área urbana contínua também se localiz am áreas de lazer

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
42

e desportivas, que têm os dois estádios da cidade, como principal equipament o, dispondo -se uma a norte
e a outra a sul.

Figura 11 - Uso do solo
(Corine Land Co ver).
©Fran cisco A ndrade (composi ção cartográfica)
Partindo do núcleo urbano contínuo prolongam -se, praticamente em tod as as direções, diversas faixas
de tecido urbano descon tínuo, ladeando o trajet o das principais vias de comunicação, marcadas pelos
pontos cardeais e colaterais. Mais a sul, sudoeste e sud este do concelho, localizam -s e diversas manchas
de florestas m istas, alg umas delas ardidas, estando na região mais a oeste do concelho, confinadas a
uma área de consideráveis dimensões, circundante ao mosteiro de Tibães .
O território mais a norte é ocupado por uma ampla área de cultur as t emporárias, a ssociada a culturas
permanentes, profusamente pon tuadas por pequenas áreas de florestas mistas. A n orte , destaca-se
ainda a pres ença de áreas de vinha, emb ora de dimensões relativament e reduzidas. Refira-se ainda nest a
área, a norte e leste, a pr esença de alg umas zonas de extração de inertes, algumas delas já desativadas.
Mais a s ul, alternan do com as florestas mistas e área s urbanas de scontinuas, t ambém se ident ificam
áreas de culturas temporárias e/ou pastagens associadas a culturas permanentes.
Em diversas regiões do concelho, nas suas parcelas não urbanizadas, ident ificam-se diversas zonas
que alt ernam agricultura co m áreas nat urais e semi -na turais. A sul e leste do concelho, identificam -se

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
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43
florestas abertas, cortes e n ovas plantaçõ es. Na zona leste, principalmente, localizam -se algumas
florestas resinosas

5

.

5

https://da dos.gov.pt/pt /datas ets/corine-land-co ver-2012 (consultado em 29- 11 -20 23 às 13h38m ) .

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
44

2. Paleoecologia e alteraçõ e s climáticas en tre a Antiguidade Ta rdia e a
Idade Moderna
Uma abordagem a qualquer temá tica do passado, d everá ter em consideração o distanciamen to
temporal relativamente ao objeto de estudo, podendo constituir um constrangimento para uma avaliação
e interpretação de determin ado fenóm eno, que possa ser identificável. No caso do estudo da evolução
paisagística de uma determinada região, deveremos estar con scientes de que a antropização de uma
determinada paisagem poderá ter sido efetuada mediante condições ambientais distintas das que
atualmente se verificam, muitas d elas até decorrentes da própria açã o humana, sendo também, n este
caso, a relação bidirecional. A aproximação a essa realidade, pese em bora os inevitá veis
condicionalismos, poderá ser es tabelecida através de dados relativos às alterações ambient ais e
climatológicas, que podem auxiliar a interpretação da construção e evolução paisagística.
Uma aproxim ação ao clima de determinada região, poderá ser conseguida pelo cruzamento de
distintos t ipos de dados. A complexidade dessa abordag em pode ser perceb id a pelo estudo de
Mc c kor mick
et al.
(20 12) ac erca das principais alterações climáticas que se verificaram durante o período
romano e Alta Idade Média, na Europa Ocidental. Para o efeito , foram usadas as font es t extuais, os
núcleos de gelo da Gronelân dia, os registos de radiocarbon o que documentam a atividade solar, os
registos de espeleotemas, f orm ados at ravés dos depósitos de minerais nas cavernas, decorrent es na
infiltração de água nas rochas e a evolu ção dos glaciares alpinos, cuja análise é poten ciada pelas novas
datas dendrocron ológicas, a recon strução anual da precipitação em junh o , n o n oroeste de França,
especialmente refletido no crescimento dos carvalhos, os sinais polínicos no planalto Eifel, a precip itação
do levante e as mudanças no nível do Mar Negro, a precipitação da Ásia central e os dados decorrentes
da análise dos isótopos estáveis de oxigénio no lago Van. O trabalh o referido fornece -nos indicadores
gerais acerca das alt erações climáticas da Eu ropa Oci dental, que deverão ser complemen tados com a
análise de dados mais e specíficos de regiões concretas , mais próximas da nos sa área de estudo e
incidentes sobre a cronologia que pretendemos abordar.
O período que se preten de estudar, inicia -se n o int ervalo temporal que se convencionou denominar
de Ant i guidade Tardia, que se expan de aproximadamente dos finais do século I II/inícios do I V até ao
século V III e que adapt a os pressupostos t eorizados inicial mente por Peter B rown (1978). Na segunda
metade do s éculo III ter- se -á ve rificado um arre fecimento a qu e acres ce alguma instabilidade ao n ível da
precipitação, ten do-se registado uma int ensif icação da atividade vulcânica, na origem de episódios de
rápida m udança climática (Mccormick
et al
., 2012, p p. 185- 186). Todavia, no século IV, parece t er
ocorrido uma recuperação das con dições climáticas, com um aument o da t emperatura, que

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
45
proporcionou condições de estabilidade am biental e económ ica, pelo menos na parte ocidental do
Império Romano (Mccormick
et al
., 2012, p. 186 ).
Os dados disponibilizados por Mccormick
et al
. (2012, pp. 191-195), ind icam que o século V registou
uma evolução com alternância de temperaturas mais frias na primeira metade do sécu lo e uma tendên cia
de aquecimento na segu nda metade. A instabilidade re gistada poderá ter tido como fator pote nciador , a
intensa atividade vulcânica, similar à registada n o século I II, com uma ten dência de seca em variadas
regiões. As fontes escritas r elativas ao século V indiciam que o velament o da radiação solar terá cau sado
um arrefecimento da t emperatura e uma diminuição da produtividade das colhei tas, que é con dizente
com a atividade vulcânica registada nos g laciares (Mccormick
et al
., 2012, p. 195). No início do século
VI parece ter havido um ligeiro aument o da temperatura, seguido de um arrefecimen to, pouco antes da
metade da centúria, como document a o aumento exponencial do tam anho dos glaciares alpinos. A estas
condições, acrescem sev eras cheias referidas pe las fontes documentais e corroboradas pe la an álise dos
anéis das árvores no n oroeste de França (Mccormick
et al
., 2012, pp. 19 5-196). A part ir do século VII ,
verifica-se uma acalmia das con dições climát icas estando documentada uma m udança para
temperaturas mais amen as e uma precipitação mais equilibr ada , aproximadam ente ent re os anos 650
e 750, tendo-se document ado um novo arrefecimento no final do século VIII. Na gen eralidade , parecem
estar estabelecidas as condições para uma recuperação en tre finais do século VII e o VIII (Mccormick
et
al
., 2012, p. 200).
Para a região em estudo, em princípio, estaríamos en qu adrados n a tendência geral que se parece ter
verificado na porção ocidental do Impéri o Romano, dispondo de condições mais amenas, dada a posição
geográfica relativamente a algumas áreas de recolha de da dos. Pese embora a ausência de um
manancial de informação suficientemente detalhado, d ispomos de alguns da dos próximos, que poder ão
providenciar algum conh ecimento complementar e que poderão auxiliar a aproximação que preten demos
efetuar.
Após o ano 800, de acordo com os dados disponíveis em Dias (2016, pp. 72 -73) e Basto s (20 21, pp.
102 -103), ter- se -á verificado uma t endência geral de aumento das temperaturas médias, iniciando -se o
período quente m edieval (pequeno ótimo climático, cujo pico de t emperaturas médias se terá situado
num período posterior ao ano 1000 ). As oscilações climáticas terão sido igualmente reduzidas,
relativamente ao perí odo precedente, com oscilações que acompan ham , na mesma m edida, a t endência
geral das temperaturas, no âmbito do ótimo climát ico medieval ( Dias, 2016, pp. 51 -52).
Segundo os dados estudados por Brian Fagan (2020, p. 41), no período quente medieval, verificava -
se a existên cia de um clima quente e estável que se iniciaria em junho e se prolongaria por julho e

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
46

agosto, proporcionando abundantes colheitas e a existência de propriedades de reduzi da s dimensões,
conforme se documenta nalgumas iluminuras francesas. Esta fragmen tação da proprie dade parece
ocorrer na paisagem rural da região do Entre-Douro-e-Minho, dominada pelo minifúndio, só possível
devido à existência de índi ces de produtividade mais elevados do que n outras regiões do país, com
temperaturas mais extremas e índices de pluviosidade mais reduzidos.
Neste período da Ida de Mé dia, as t emperaturas médias localizavam -se entre zero vírgula sete e um
grau, acima das temperaturas caract erísticas do século XX, não havendo geada s em maio, o que permitiu
a subsistência de culturas menos resistentes ao frio. Este período de estabilidade climática t erá durado
pelo menos quinhent os anos, balizando-se aproximadam ente entre os séculos IX e XI II, com uma m aior
prevalência a partir do ano 1000, havendo, contudo, alguns an os excecionalmente fr ios, como terá sido
o caso de 1258, um episódio climático causado , muito provavelmente, por uma g rande erupção
vulcânica (Fagan, 202 0, p. 41), à semelhança do que já havia ocorrido anteriormente, durante as crises
climáticas que precederam o ano 800, em que a intensa atividade vulcânica parece t er estado na orige m
de períodos de arrefecimento abrupto do clima.
O clima europeu, fruto de diversas interações at mosféricas complexas, pa rece ter so frido
consideráveis alt erações a partir do século XI V, com alta instabilidade climática e con siderável baixa da
temperatura (Fagan, 2020, pp. 48-53). Efetivamente, devido aos efeitos cl imatéricos do fenómeno que
é denominado “Gronelândia acima”, o clima europeu padeceu de um inverno seco e excecionalmente
frio , logo no início do an o 1309/1310. Foram também document ados elevados índices de pluviosidade
(Fagan, 2020, pp. 54 -67) e uma sucessão de invernos frios, que se prolon gou em diversos an os. Os
fenómenos climáticos descritos, marcam o início do fenóm eno que se costu ma convencionar por
“pequena idade do gelo”. Ma s, ao contrário do qu e o nome possa indicar, este p eríodo, não foi m arcado
por uma continuada descida das temperaturas, tendo - se verificado uma g rande o scilação e volatilidade
climatérica, que podia alternar en tre os invernos muito frios, verões muito quentes, an os de seca,
alternados com anos de chuva t orrencial, bem com o anos de maior ab undância, inverno s amen os e
verões quentes (Fagan, 2020, pp. 76- 77).
À grande instabilidade climática que caracterizou o século XIV aliaram -se an os de grande instabilidade
política e inúmeras epidemias , que conheceram alguma calm aria em m eados do século XV, que se
prolongou até ao século XVI (Fagan , 2020, pp. 115- 116). Duran te o século XVI, parece ter voltado um
aumento do frio n a Europa, registando -se um aumen to dos g laciares alpinos, tendo a segunda metade
do século sido bastant e fria e tempestuosa. A de gradação das con dições climáticas, t erá sido
generalizada, estando registado um aument o considerável das tempestades (cerca de 85%),

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
47
principalmente durant e os invernos mais frios ( Fagan, 2020, p . 122). O século XV II também terá sido,
na generalidade, tendencialmente frio e instável, facto a que seguramente não será alh eio um novo ciclo
de int ensa atividade vulcânica, estan do documentados quatro grandes episódios eruptivos durant e o
século (1 641-1643; 1 669-1669; 1675 e 1698-1699). O período entre 1680 e 1730, será o mais frio da
“pequena idade do gelo” e o ano de 1725, o mais frio de que há registo (Fagan, 2020, p p. 138-173).
Na década de trint a do século XV III, parece t erem estado reunidas as condiç ões climatéricas que
permitiram a ocorrência de invernos am enos e h úmidos e verões frescos e secos. Todavia, no final da
década e início da seguinte, houve eventos de frio abrupto que terão causado danos consideráveis à
produção agrícola e episódios de fome n a Europa (Fagan, 2020, pp. 174 e 193). A s condições
climatéricas desfavoráveis terão continuado até meados do século XVI II,
terminus
do período que
pretendemos estudar.

Figura 12 - Imag em eviden ciando a E uropa (go ogle Maps), re presenta ndo o efeito "Gronel ândia acima", no clima
europeu (ada p tado de Fagan, 2020 , p. 52) . ©Francisco And rade
Para além das con dições climatéricas gerais, sistematizadas para a Europa, disp omos de estudos
palinológicos e paleoecológicos de caráct er region al, refer entes ao t erritório do noroeste da Península
Ibérica, que permitem um conhecimento da evolução do clima e da cobertura vegetal de uma região
mais próxima.

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
48

Na impossibilidade de trabalhar com amostras especificas de locais pertencen tes à área de estudo,
pretendemos uma aproximação mediada por resultados de diversos locais, relativamente próximos.
Assim, é importante o estudo que foi efetuado por Pablo Ramil Rego
et al.
(2015) , acerca da paisagem
e ação humana n o noroeste de Portugal, onde se apr esentam da dos que podem ser cruzados com os
disponíveis para a Europa Ocidental, que permitem int erpretar algumas ten dências paleoecológicas da
região em análise. No en tanto, desconhecemos em que medida o clima da região em estudo seguiu as
tendências europeias mais gerais, que foram ant eriormente apresentadas.
Os dados apresentados por Sán chez Pardo e García Quintela (2020, p. 1 84) para a Galiza, indiciam
a existên cia de um a intensa desfl orestação, coincidente com a estabilidade do Impé rio Roman o, seguido
de uma reflorestação nos séculos IV -V e uma redução abrupta no século VI , que não conheceu mais
recuperação, pelo menos na região g alega. Os dados apresentados por Olmo Enciso, C astro Priego e
Diarte B lasco ( 2018, pp. 5 -7), refletem, para a zona de Recópolis uma am pla de sflorestação en tre os
séculos V e VIII representativa de uma intensa atividade humana.
No final da ocupação romana e , essencialmente, na Alta Idade Média parece ter -s e verificado uma
recuperação da área de bosqu e, n o n oroeste peninsular. A partir de 980 B P (aprox. 1035 d.C.) parece
identificar-se uma fas e de d et rimento do pólen arbóreo, coin cidindo com o increme n to das percentagens
de
Ericaceae
,
Poaceae
e
Olea
(Ramil Rego
et al
., 2015, pp. 71- 72), que denotam uma diminuição da
área de floresta, condizente com a desflorestaç ão de uma parte consider ável do terri tório. Essa
desflores tação regist ou --se n as zona s de m ontanha (Ferreir a , Plunket e Font es, 2020, p. 8), tendo -se
verificado uma recuperação do bosque no século XII. Na zona da foz do Cávado, h ouve um g rand e
crescimento do pinheiro no final do período romano e d urante o período suevo. À medida que a cultura
de pinheiro foi crescendo, houve um decréscimo da área de sobro e um aumento da área de
cerealia
, a
partir do período romano tardio (Granja
et al
., 2022, p . 48). A pa rtir de finais do século X e inícios do
século XI (858-901BP/ 992-1049 d.C.) regista-se um decrés cimo da presença de pinh eiro (Granja
et al
.,
2022, p. 48).
A conjugação das leituras dos dados apresentados para as diferentes regiões parece indiciar que a
permanência de áreas desflores tadas durante os séculos VIII e X se afigura mais evidente n a regiã o
setentrional do noroeste peninsular, sendo mais claro e ste fenómeno, pe lo menos na região mais litoral ,
da área mais próxima do Douro, a partir de finais do século X.
A partir do século XII I, verificou- se uma gran de re dução da área flore stal n as regiões mais
montanhosas do t erritório português, o que denota u ma possível necessidade de terrenos para pastagens
e área agricultável. No século XI V, ambas as regiões estudadas por Ferreira, Pl unket e Fontes (2 020, p.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
49
8), parecem ter conh ecido um aumen to da área florestal e uma redução da área arável. Já no século
XVI, ter- se -á verificado um a umento da desmatação, ten do existido um acréscimo das espécies herbáceas
e uma redução das espécies arbustivas ( Ferreira, Plunk et e Fontes , 2020, p. 8), situação que está bem
rep re sentada na serra de Arga, mais próxima ao mar, onde se regista uma fort e redução arbórea e
aumento de espécies herbáceas (Góme z Orellana
et al
., 2010, p. 58).
Dados relativos ao século XVII, documentam que a zona da la m eira de Fiães, con heceu um
incremento da área florestal de pinheiro, o que é co mpreensível se considerarmos o ant erior quadro
legislativo que fomen tou o crescimento da plantação de espécies arbóre as, de modo a suprir as
necessidades da ind ústria naval (Ferreira, Plunket e Fontes, 2020, p. 9 ). Na área em estudo, apesar de
não t ermos análises disponíveis, as condições do ter reno levam a considerar q ue este processo de
reflorestação não terá sido muito impact ante.

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
56

4. Catálogo de sí tios
A organização do catálogo procurou ter em con sideração os diversos tipos de dados arqueológicos e
documentais disponíveis, conhecidos para a área de estudo, que serviram de base para o Sistema de
Informação Geográfica desenvolvi do e implementado e que perm itiu o desenvolvimento de cartografias
e an álises que foram apresen tadas ao longo do texto e orga nizado m ediante os variados critérios q ue
foram explanados na descrição da metodologia, que ser viu de base à investigação que des envolvemos.
A apresentação dos dados t eve por base a organ ização g eográfica, que se just ifica pela ampla
ocupação cronológica dos sítios dispondo, por vezes, de dis tintas tipologias nos diversos períodos
históricos. Seguimos as considerações de Martins (1990, p. 63), acerca da pertinên cia da apresentação
dos dados, tendo em consideração este critério.
Apesar da adaptação da organização do SIG que desenvolvemos, o catálog o procurou qu e a consulta
fosse fácil e que a orga nização evidenciasse os dois t ipos primordiais de dados que foram utilizados: os
dados arqueológicos e os dados documentais.
Na medida em que a consulta dos dados presentes no cat álogo deve ser articulada com a diversa
cartografia e a tabela síntese apresentada em apêndice, o elemento primordial de identificação de cada
sítio foi a numeração sequencial, que teve em consideração o posicionamento geográfico ordenado por
freguesia (pré reorganização de 2013), seguido do to pónimo mais próximo e fre guesia em que está
localizado. Optou-se por uma apresentação mais simplista, porque consideramos que deveria constar do
índice geral da tese, de modo a estar mais acessível para con sulta.
A sistemat ização dos dados, pela sua nat ureza, foi levada a c abo tendo em co nsideração que poderia
ser pertin ente a apresentação geral das diferentes épocas , ag rupada pela sua n atureza, tendo h avido a
preocupação de harm onização dos mesmos , para os diversos sítios , de modo que h ouvesse uma
simplificação de alg uns dos dados relativos aos sítios, apresentad os de forma mais exa ustiva na parte
III. Assim sendo, os t rês primeiros itens apresentados f oram a identificação do sítio (número de sítio,
topónimo e freguesia), seguida dos dados arqueológicos e dados documentais . É nestes três pon tos
que consta a maioria da informação relativa a cad a u ma das entidades consideradas, sistematizando as
recolhas que efetuámos n o âmbito da presente investigação e serviram de ponto de partida para a
aproximação que efetuámos da evolução da paisagem bracarense entre a Antiguidade Tardia e a Idade
Moderna.
Apesar de a organização geográfica ter sido a que selecion ámos para este cat álogo, opt ámos por
incluir um ponto relativo à cronologia , em que se procurou apresentar de forma sintética, a conjugação
das distintas tipologias conhecidas para cada sítio, com os divers os períodos históricos.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
57

Dado qu e a g eneralidade dos sítios já foi incluída em diversos inventários arqueológicos e publicação
de font es documentais, que n os serviram de base, inclu ímos na descrição de cada sítio bibliografia
selecionada acerca dos mesmos, de modo que possa ser possível a consulta das diversas fontes. Para
além da apresentação sintética das refe rências no final, foi feita men ção da base bibliográfica, em corpo
de texto, sempre que os dados foram extraídos de publicações.

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
58

4 .1 . Sítio 1
Outeiro; Adães; Barcelos
4.1.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, n os inventários arqueológicos que servira m de base para o
nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalm ente.
Admitimos a h ipótese de p oder haver um templo a ssociável à Idade Moderna, na origem do núcleo
paroquial. Não são conhecidos indícios de materiais e achados isolados p róximos.
Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os
núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade.
4.1.2. Dados documentais
A paróquia de Adães [1] e ra denominada de “
Sancto Petro de Adanes
”, no censual datado dos fi nais
do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 90). Não se conh ecem referências a esta
paróquia em 1220.
A paróquia de S. Pedro de Adães [1], apenas vem m encionada nas I nquirições de 1288, como “
Sancti
Petri de A daes
” (Pizarro, 2 012, p. 50 0). Costa (2000, p. 90), invent aria diversas referências ao local
durante os séculos XIII e XIV.
A paróquia de S. Pedro de Adães [1] é r eferenciada no século XVI como “
Sam Pedro dAdaes
” .
Em 1758 a paróq uia é denom inada como “
São Pedro de A ddains
” (Capela, 2003, p. 6 6). Também
é referido que a paróqu ia estaria incorporada no termo de Barcelos. Part e do conjunto paroqu ial, poderá
contemplar elementos que poss am ser associáveis à época m oderna.
4.1.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.1.4. Bibliografia selecionada
Freire e P essanha, 1905, pp. 241-273; Costa, 2000, p. 90; Capela, 2003 , p. 66; Pizarro, 2012, p. 500

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
59

4 .2. Sítio 2
Assento; Airó; Barcelos

4.2.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente.
Admitimos a h ipótese de p oder haver um templo a ssociável à Idade Moderna, na origem do núcleo
paroquial. Desconhecidos indícios de materiais e achados is olados próximos.
Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os
núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade.
4.2.2. Dados documentais
A paróquia de Airó [2] era denominada de “
Sancto Georgi de Laure do,
” no censual datado dos finais
do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 89).
Desconhecidas referências a esta paróquia em 1220. A paróquia de S. Jorge de Adães [2], foi
referenciada nas Inquirições de 1288, como “
Sancti Georgi
” (Pizarro, 2012, p. 500).
S. Jorge de Airó [2], “
Sam Jorge e Sam Ma rtinho de Eyroo
”, pertence ao couto da Várzea, no século
XVI (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273).
A paróquia que é menciona da como “
Sam Jorge de Airó”
, segundo a grafia das Memórias Paroquiais,
também é referenciada como sendo parte do t ermo de Barcelos no século XVIII (Capela, 2003, p. 68).
Nesta paróquia, t al com o a an terior, os rendiment os também são do convento de Vilar de Frades [4],
sendo os seus párocos “da apresentação do respetivo reitor”. É ainda feita referência ao fact o de a capela
de S
. Martinho de Airó
, ter constituído paróquia anteriormente. Efetivamente, o inventário que elabor ámos
no âm bito do presente t rabalho de investigação, contempla a paróquia de S. Martin ho de Airó [3], para
o período medieval. A não identificação da referência para este perí odo é condizente com fusão das duas
paróquias. Também se considerou a existência de alguns elementos qu e poderão ser associáveis à Idade
Moderna.
4.2.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.2.4. Bibliografia selecionada
Freire e Pess anha, 1905, p p. 241-273; Costa, 2000, p.89; Capela, 2003, p. 68; Pizarro, 2012, p. 500

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
60

4.3. Sítio 3
Cepães; Airó; Barcelos

4.3.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente.
Desconhecemos indícios de materiais e achados isolados próximos.
O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo
paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo
o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.3.2. Dados documentais
Na atual paróquia de Airó [3] identifica - se a referência a “
Sancto Martinio de Capian es
”, no censual
datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 90).
Não nos foi possível reco lher dados acerca da pa róquia em 1220. A freguesia apresenta -se
referenciada em 1288, como “
Sancti Martini de Aireeo
” (Pi zarro, 2012, p. 502).
É desconhecida referência a esta paróquia dur ante o século XVI e durante o século XVIII.
4.3.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um n úcleo paroquial.
4.3.4. Bibliografia selecionada
Costa, 2000, p. 90; Pizarro, 2012, p. 502

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
61

4.4. Sítio 4
S. Salvador de V ilar de Frades ; Areias de Vilar; Barcelos

4.4.1. Dados arqueológicos
Os dados arqueo lógicos deste local são provenientes das es cavações arq ueológicas qu e se real izaram
ao longo de diversos anos no local (Fontes, Moreira e Duarte, 2016; Erasun Cortés e Faure, 2 020, pp.
57 -73). O trabalho de dout oramento de António Pereira (2020) tam bém forneceu importantes dados do
convento, designadamente ao nível do seu espaço construído. Algun s dos elemen tos inven tariados em
Fontes e Pereira (2009) também poderão ser associados ao conven to.
O mosteiro da Baixa Idade Média
O convento de S. Sa lvador de Vilar de Frades [4], foi alvo de diversas campan has de escavações
arqueológicas, cu jos resultados foram publicados em diversos trabalh os, sendo de destacar (Font es,
Moreira e Duarte, 20 16) e (Erasun Cortés e Faure, 20 20, pp. 5 7-73). Também foi es tudado por António
Pereira, no âmbito da sua tese de doutoram ento, tendo sido an alisado com recurso a metodolog ias da
Arqueologia da A rquitetura e da História da Con strução (Pereira, 2020). As interven ções per mitiram a
identificação de diversos el ement os que poderão corres ponder ao edifício da Baix a Idade Média (Fontes,
Moreira e Duarte, 2016), para além dos que ainda subsis t em no conjunto edificado, como é o caso do
pórtico e da janela que se encontra incorporada na zona sul.
A int ervenção arqueológica permitiu a identificação de diversos m ateriais cerâmicos t ardo medievais
em diversos con textos (Fontes, Moreira e D uarte, 20 16). C osta ( 2000, p. 90) r efere que a doação do
mosteiro terá acontecido em 110 4.
O m osteiro de S. Salvador de Vilar de Frades [4] tem associados a si elementos de feição româ nica,
um dos quais está depositado no Museu Pio XII (Fontes e Per eira, 2009, vol. II, p. 17).
O convento da Idade Moderna
O convento, na Idade Moderna, foi estudado por António Pereira (2020), ten do igualmente sido
fundamentais para o conhecimento que temos do espaço, os resultados das intervenções que fo ram
efetuadas no local entre 19 95 e 2012, sendo os pr incipais resultados apresentados em Fontes, Moreira
e Duarte (2016) e em Eras un Cortés e Faure (2020, pp. 57-73).
O espaço convent ual terá, após ser reduzido a igreja secular, no início do século XV , sido entregue
aos cónegos seculares de S. João evan gelista, também conhecidos como Lóios (Erasun Cortés e Faure,
2020, p. 59). A ocupação do espaço, num pr imeiro momento, t erá consistido n uma ocupação do e x tinto
mosteiro, sendo o claustro utilizado para acomodações dos anima is e a igreja como adega e celeiro
(Pereira e Ribeiro, 2 020, p . 42). O convento, ter á conhecido uma revitalização, sendo referido que a
partir da segunda metade do século XV, já se dispõe de registos cont ínuos da ati vidade con ventual

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
62

(Pereira, 2020, p. 140). Em m eados do século XVI, de modo a regularizar o espaço, inicia -se a construção
do claustro. Nos finais do século XVI, reformula -se a ala este do espaço convent ual (Erasun Corté s e
Faure, 2020, p. 63).
No século XVII , documentam -se igualmente diversas remodelações do conv ento, tendo sido
reconstruídas paredes, constroem -se abóbadas de n ervuras e edificaram-se capel as lat erais (Pereira,
2020, p. 3 93; Pereira e Ribeiro, 2020, p. 45). No séc ulo XVIII, prolo nga-se o braço norte do t ransep to,
sendo abertas portas e entaipadas janelas.
4.4.2. Dados documentais
O mosteiro de Vilar de Frades [4] é referenciado com o “
Illo monasterio de Vilar
”, no censual datado
dos finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 91).
As Inquirições de 1220 (PMH. Inq., 1888 ) permitem uma inventariação das propr iedades que
estariam n a posse de Vilar de Frades, sendo possível perspetivar um património fundiário qu e tem a sua
principal área na Terra de Penafiel de Bastuço e n a Terra de Far ia, que seriam as circunscrições
administrativas que mais próximas estariam do conjunto monástico.

As Inquirições de 12 88 (Pizarro, 2012, p. 490), fornecem da dos diretos ac erca do conjunto
monástico. É referido expli citamente que V ilar de F rades “
he delimitado per pa drões e q ue nenh u m
fidalgo n om ha hi hon ra nem casa de morada nem pe rde hi ho mesteyro nada do seu directo
”. Estam os,
portanto, perante um domínio que possuiria em 1288 um couto bem delimitado não esta ndo
documentadas usurp ações de grande monta, no referido período.
No denominado “Numeram en to” do sécu lo XVI, para al ém da referência ao convento e à sua pertença
ao Julgado de Penafiel de Bastuço, apenas é feita re ferência à freguesia “
Sam J oham de A reas
” [6]
(Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273).
A Memória Paroquial de Vilar de Frades [4], para além da s interessantes informações acerca do
conjunto monástico, apresenta também dados das paróquias de
Sancta Ma ria Magdalena
[5] e de
S.
João de Areas
[6] (Capela, 2003, pp. 76-7 7). A análise da descrição das duas paróquias permite
constatar que ambas eram de dimen são basta nte reduzida, possuindo S. João [6], n ove lugares e Santa
Maria Madalena, quatro lugares , tendo possuído em t empos an teriores à Memó ria Paroquial dezoito e
quatro moradores, respetivamente. No século XV III as paróquias eram compostas por novent a e quatro
fogos e t rinta e dois fogos, respetivamente. Os locais ain da apresentam alguns vestígios construtivos
associados à Idade Moderna.
4.4.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média e da Baixa Idade Média associada a um mosteiro.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
63

Ocupação da Idade Moderna associada a um conven to.
4.4.4. Bibliografia selecionada
PMH. Inq., 1888; F reire e P essanha, 190 5, pp. 241-273; Costa, 20 00, p. 91 ; Capela, 2003, pp. 76-77;
Pizarro, 2012, p. 49 0; Fon tes e Pere ira, 2009 , vol. II , p. 17 ; Font es, More ira e Duarte, 2016; Erasun
Cortés e Faure, 2020 , pp. 53 -76; Pereira, 2020

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
64

4.5. Sítio 5
Madalena; Areias de Vilar; Barcelos

4.5.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em vis ita ao local. Desconhecidas ruína s de e struturas associáveis ao local, ou
indícios de edificado que possam remont ar aos períodos mais an tigos referenciados document almente
ou de materiais e achados isolados próximos.
O local encontra -se plenamente enquadrado com o casario que lhe está mais próximo, sendo
relativamente be m ser vido de vias de comunicaçã o, o qu e permite às pop ulações qu e aí vivem
experienciarem parte do seu quotidiano social e religioso.
4.5.2. Dados documentais
Na freguesia de Areias de Vilar, no lugar de Madalena [5] identifica-se a referência à paróquia de
“
Sancta Maria de Sinagog a
”, n o cen sual datado dos fin ais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara

(Costa, 2000, p. 90).
Desconhecidos dados acerca da paróquia em 1220 , em 1288 e no século XVI.
A paróquia é mencionada no século XVI II, como paróquia de “
Santa Maria Madalen a
” (Capela, 2 003,
p. 77).
4.1.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média e Idade Moderna associada a um núcleo paroquial.
4.5.3. Bibliografia selecionada
Costa, 2000, p. 90; Capela, 2003, p. 77

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
65

4.6. Sítio 6
S. João; Areias de Vilar; Barcelos

4.6.1. Dados arqueológicos
Os dados arqueológicos de dispomos para o local são essencialmente provenientes dos invent ário s
do Museu Pio XII (Fontes e Pereir a, 2009 , vol. I , pp. 71- 73 ). Desconhecidas ruínas de estruturas
associáveis ao local, ou in dícios de edificado que possam remontar aos períodos mais an tigos
referenciados documen talmente. A dmitimos a hipótese de poder h aver um templo associável à Idade
Moderna, na origem do núcleo paroquial.
Uma parte considerável dos elemen tos arquitetónicos referenciados no sítio [4] for am originalmente
associáveis às proximidades da capela de S. João [6]. Dadas as características dos elementos e o
edificado con hecido, assu mimos qu e fará mais sentido a s ua a ssociação ao conjunto m onástico
medieval. Fica, contudo, a nota da sua associação a esta proveniência.
O local encontra -se plenamente enquadrado com o casario que lhe está mais próximo, sendo
relativamente be m ser vido de vias de comunicaçã o, o qu e permite às pop ulações qu e aí vivem
experienciarem parte do seu quotidiano social e religioso.
4.6.2. Dados documentais
Na freguesia de Areias de Vilar, no lugar de S. João [6] identifica- se a referência à paróquia de “
Sancto
Johani de Arenas
”, no censual datad o dos finais do s éculo XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa,
2000, p. 90).
S. João de A reias [6], apen as aparece referenciada nas I nquirições de 1220 (PM H. Inq., 1888, pp.
16, 87, 175, 218). A. Costa (2000, p. 90) para além desta, elenca outras referências documentais
associadas aos séculos XIII-XIV .
No denominado “Numeramento” do século XVI , para além da referência a “
Sam Joh am de A reas
”
refere-se ao convento e à sua pertença ao Ju lgado de Penafiel de Bastuço [6] (Freire e Pe ssanha, 1905 ,
pp. 241-273).
A paróquia é mencionada no século XVIII , com o paróquia de “
S. João de Areias
” (Capela, 2003, p.
76).
4.6.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.6.4. Bibliografia selecionada
PMH. I nq., 1888, pp. 1 6, 87, 1 75, 218; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 90;
Capela, 2003, p. 76; Fontes e Pereira, 2009, vol. I, pp. 71- 73

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
72

4.12. Sítio 12
Moure; Moure; Barcelos

4.12.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigo s referenciados document almente.
Admitimos a h ipótese de p oder haver um templo a ssociável à Idade Moderna, na origem do núcleo
paroquial. Também desconhecemos indícios de materiais e achados isolados próximos.
Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os
núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade.
4.12.2. Dados documentais
A paróquia de Moure [12] era denominada de “
Sancta Maria de Mauri
”, no censual dat ado dos finais
do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 89).
Santa Ma ria de Moure (12), encontra - se referenciada nas Inquirições de 1220 co mo “
Sancta Maria
de Moure do Couto da Varzea
” sendo, como o n ome indica pertencente ao couto men cionado (PMH.
Inq., 1888, pp. 33, 113, 1 87, 233). Nas Inquirições d e 1288 é den ominada “
Sancte Marie de Mouri
”,
sendo pertencente ao couto da Várzea (Pizarro, 2012 , p. 496).
A freguesia é referenciada no século XVI com o Moure, mas já pertencente a Penafiel de Bastuço (Freire
e Pessanha, 1905, pp. 241- 273).
Em Santa Ma ria de Moure [12], refere- se apenas a associação ao “
districto de Pennafiel
” (Penafiel
de Bastuço), que perten cia ao termo da
villa
de Barcelos e q ue tinha cinquenta e sete fogos e cent o e
sessenta pess oas, sendo o pároco apresentado pelo reitor de Vilar de Frades (Capela, 2003, p. 130).
4.12.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.12.4. Bibliografia selecionada
PMH. In q., 1888, pp. 33, 113, 18 7, 233; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, pp. 68-
106; Capela, 2003, p. 89; Pizarro, 2012, p. 496

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
73

4.13. Sítio 13
Capela/Cruzinha; Pousa; Barcelos
4.13.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente.
Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos.
O local encontra-se plenamente enquadrado com o casario que lhe está mais adjacente, sendo
relativamente be m ser vido de vias de comunicaçã o, o qu e permite às pop ulações qu e aí vivem
experienciarem parte do seu quotidiano social e religioso.
4.13.2. Dados documentais
Na freguesia de Pousa, no lugar de Capela; Cruzinha [13] identifica -se a referência à paróquia de
“
Sancto Sa lvator de Reguela
”, no censual datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara

(Costa, 2000, p. 93).
S. Salvador da Reguela [13] é referenciada como “
Sancto Salvatore de Reguela
” em 1220 e é
pertencente ao couto da Vár zea (PMH. Inq., 1888, pp . 18, 85, 17 4, 217). A paróquia é mencionada com
“
Sancti Salvat oris de Regeela
” em 1288, continuando a ser referida a sua presença ao couto da Várzea
(Pizarro, 2012, p. 475).
No “Numeramento” do século XVI, também temos referências à fregues ia da “
Reguella
” [13] (Freire
e Pessanha, 1905, pp. 241-273). Desconhecemos dados acerca desta paróquia no século XVIII .
4.13.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.13.4. Bibliografia selecionada
PMH. I nq., 1888, pp. 1 8, 85, 1 74, 217; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 93;
Pizarro, 2012, p. 475

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
74

4.14. Sítio 14
Pousa; Pousa; Barcelos

4.14.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos invent ários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalmente.
Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados.
O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo
paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo
o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.14.2. Dados documentais
A paróquia de Pousa [14] era denominada de “
Sanct a Cristina de Ulgoso
”, no censual datado dos
finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 92).
Santa Cristina da Pousa [ 14], era denomina da nas Inquirições de 1220, de “
San cta Christina de
Ulgoso
” e pertencente à Terra de Bastuço (PMH. Inq., 1888, pp. 15, 87, 174, 218).
Em 1288 denom inava- se “
Sancte Christine de Ulgoso
” e pertencia ao Julgado de Bastuço (Pizarro,
2012, p. 476). Não conseguimos identificar u ma referência a Pousa, no século XVI .
Na freguesia da Pousa [14], as informações fornecidas ao in quérito de 1758, são detalh adas, sendo
referido que p ertencia ao termo de Barcelos e ti n ha cerca de cento e dez fog os e trez entas e quarenta e
sete pessoa s. Os lugares que são elencados com o sendo pertencentes a esta igreja são: “
Seara, Penedo,
Deveza, Outeiro, Fontellas, Pont ido, Espoldras, Decar tes, Brunhais, Emproa, Aldeia, Pouza, Barre iro,
Dobrigo, Rego, Peroalgozo, Paimouro, Pas so, Fontão
.”, ocupan do a paróquia uma zona central no
território co mo parece acontecer em diversas outras paróquias (Capela, 2003, p. 132). Apesar de ser
pertencente ao termo de B arcelos , o seu pároco é apr esentado pelo abade de Padi m da Gr aça q ue, como
vimos ant eriormente n a descrição do couto de T ibães, f az part e int egr ante do seu domínio. Outro aspeto
interessante que podemos con statar pela leitura da descrição desta freguesia, é o facto de que, face à
sua situação entre dois domínios monástico -conventuais, como é o caso dos domínios de Tibães e de
Vilar de Frades, a exploração dos recursos hídricos e piscatórios estar con dicionada (Capela, 2003, p.
132).
4.14.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
75

4.14.3. Bibliografia selecionada
PMH. Inq., 1888, pp. 15, 87, 174, 218; Costa, 2000, p. 92; Capela, 2003, p. 132; Pizarro, 2012, p.
476

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
76

4.15. Sítio 15
Sequeade; Sequeade; Barcelos

4.15.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente.
Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos.
O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo
paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo
o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.15.2. Dados documentais
A paróquia de Sequeade [15] era denomina da de “
Sancto Jacobi de Ciquiavi
”, no censual datado dos
finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 89).
S. Tiago de Sequiade [15], era referenciado como igreja de “
Sancto Jaco bo de Ciquiadi
” em 1220 e
pertencente à Terra de Faria (PMH. Inq., 1888, p p. 3 1, 111, 186, 232). A paró quia era denom inada
“
Sancto Jacobi de C iquiadi
” em 1288 e pertencen te ao Jugado de Faria (Pizarro, 2012, p. 5 07). Não
conseguimos extrair referência de Sequeade [1 5] no século XVI.
A freguesia de Sequeade [15], n o século XVIII , também era parte do termo de Barcelos, sendo referido
que a igreja paroquial estar ia localizada junto ao monte Airó, que com o já vimos an teriormente, é um
dos maiores referentes da topografia desta zona . Os lu gares que são considerados com fazendo parte
desta paróquia são: “
Aido
…,
Viso
,
Fontedonna
,
Sequia de

Fontainha
,
Lugar de Baixo
, …
Alvite
, …
Talhos
,
…
Moinhos
,
Sam Pedro de Sá
…
Furguel
”. É referido ain da que a igreja não tem beneficiados de espécie
alguma, sejam eclesiásticos ou seculares (Capela, 2003, p. 140)
4.15.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.15.4. Bibliografia selecionada
PMH. Inq., 1888, pp. 31, 111, 186, 232; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, p. 89;
Capela, 2003, p. 140; Pizarro, 2012, p. 507

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
77

4.16. Sítio 16
S. Pedro/Sá; Sequeade; Barcelos

4.16.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, nem em visita ao local.
Desconhecemos ruínas de estruturas associáveis ao local, ou indícios de edifi cado que possam
remontar aos pe ríodos mais antigos referenciados documentalmente. T ambém desconhecemos indícios
de materiais e achados isolados que lhe poss am ser associáveis.
O sítio encon tra-se bastante descaracterizado, contudo pensamos ser possível percecionar um núcleo
paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo
o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.16.2. Dados documentais
Na freguesia de Sequeade, n o lugar de S. Pedro; Sá [16] ident ifica-se a referência à paróquia de
“
Sancto Petro de Saa
”, no censual datad o dos finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Cos ta,
2000, p. 88).
A paróquia encontra - se referenciada como “
Sancti Petri de Saa
” em 1220 e perten cente à Terra de
Faria (PMH. Inq., 1888, pp. 32 , 111, 186, 232). É denominada “
Santi Petri de Saa
” em 1288 e pertencia
ao Julgado de Faria (Pizarro, 2012 , p. 516).
Não identificámos referência para a freguesia no sécu lo XVI , e n as Memórias Paroquiais de 1 758.
4.16.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um n úcleo paroquial.
4.16.4. Bibliografia selecionada
PMH. Inq., 1888, pp. 32, 111, 186, 237; Costa, 2000 , p. 88; Pizarro, 2012, p. 516

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
78

4.17. Sítio 17
Fontela; Adaúfe; Braga

4.17.1. Dados arqueológicos
Os dados arqueológicos que temos disponíveis para o local são essencialmente provenientes do
Inventário Arqueológico de Braga (Fontes, 1993, pp . 31 -88). O sítio de Font ela [17], encont ra -se
referenciado em Fontes (199 3, p. 35), como sendo associável também a vestíg ios do per íodo medieval,
não nos ten do, todavia, sido poss í vel a sua a ssociação a qualquer estrutura concr eta que possa indiciar
a tipologia específica do local.
No inventário arqueológico (Fontes, 1993, p. 35), re fere o aparecimento de tijolos , tégula e cerâmica
utilitária, enquadradas no período romano e Idade Média. Dada a impossibilidade de enquadramento
claro, com outro tipo de referências, optam os por assina l ar a pot encial ocupação do local em todo o
período medieval, embora com um grau de certeza i nferior ao dos outros sítios referen ciados na freguesia
de Adaúfe.
O sítio encon tra-se implantado em terrenos de vale, em zona tradicionalmente agrícola, no amplo vale
entre a cidade de Braga e o rio Cávado. Pensamos não poder ser estabelecida qualquer relação direta
entre os materiais e um núcleo populacional espe cífico de grande relevo.
4.17.2. Dados documentais
Não n os foi possível associar com clareza dados documentais específicos para o assentamento que
poderá ter existido no local.
4.17.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média associada a um
habitat
.
4.17.4. Bibliografia selecionada
Fontes, 1993, p. 35

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
79

4.18. Sítio 18
Adaúfe/Quint a da Renda; Adaúfe; Brag a

4.18.1. Dados arqueológicos
Os dados arqueológicos que dispomos para o local s ão provenientes dos div ersos invent ários
temáticos que selecionamos no n osso estudo e aná lise dos m esmos e do edifi cado, analisado em
deslocação ao local.
O conjunto paroquial de Ada úfe [18], é essencialmente con stituído pelo templo do século XVIII e
edificações an exas. Também se destacam os ed ifícios da quinta da Renda que devem ser coetân eas
cronologicamente. Pese embora n ão se identifiquem v estígios arque o lógicos m ais antigos
in sito
, pela
ausência de escavações, pensamos que entre as duas edificações que acima mencionamos, poderiam
estar localizadas as principais áreas con struídas das diversas unidades de pov oamento que temos
documentadas para esta zona da paróquia.
Nos terrenos próximos à igreja de Adaúfe [18], foram identificados elementos arquitetónicos,
designadamente fus tes de colunas e material laterício e u ma inscrição vot iva ( Martins, 199 0, pp. 80 - 81;
Fontes, 1993, pp. 35-3 6; Carvalho, 2008, p. 2 72; Fontes e Pereira, 2009, vol. I , pp. 51 - 52 ; Carvalho,
2019, p. 45). Ape sar de não estarem associados ele mentos que possam, com segurança, relacionar
este sítio à época em an álise e tipologia em questão, as características de imp lantação do local, a
disponibilidade de terrenos para a exploração ag rícola, a correlação entre vestígios do período precedente
e sucedâneo, no local, levam-nos a assumir a ocupação no período em estudo.
As evidências da existência de um m osteiro n este local, de cronologias mais recuadas, são
consideravelmente segur as, dadas as diversas re ferências documentais co nh ecidas e os div ersos
elementos arquitetónicos que s e conhecem para este local.
O sítio abarca, tal como os t opónimos associados indiciam, o atual n úcleo paroquial de Adaúfe e a
quinta da Ren da. O sítio, no início do principal núcleo h abitacional da freguesia encont ra -se em área que
incorpora terrenos ag rícolas e zona con struída. Parte dos mesmos, porque se encontram em propriedade
privada, não são de fácil acesso, o que dificultou trabalhos mais detalhados de prospeção.
4.18.2. Dados documentais
O mosteiro de Adaúfe [ 18] é ref erenciado como “
S. Salvator Adaulfi; Illo monasterio
”, n o censual
datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 98).
A análise da s In quirições d e 1220 (PMH. Inq., 1888), permite constat ar que o mosteiro apresenta
um con siderável pat rimónio fundiário com e special incidência na região leste de B raga, na zona mais
próxima da localização do espaço con struído. Uma das caracte rísticas not órias da an álise dos bens
incorporados no patrimón i o fundiário do convent o, é uma certa prevalência para a dis persão de

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
80

propriedade e uma tendência para localização em regiões mais aciden tadas, n as T erras a les te do couto
de Brag a, design adamente no termo de Vieira, Lanhoso, Julgado de Travaços, Terra de Montelongo e
Julgado de Bouro.
As Inquirições de 1288 (P izarro, 20 12, pp. 4 47-460), apresentam referê ncias diretas ao mosteiro de
Adaúfe n omeadamente a ref erência a det erminados l ocais de San ta Maria de Adaúfe, Sa nto André e
Santa Lucrécia de A lgeriz. Nas paroquias de Santa Maria de Ada úfe [18] e Santo André do Vale [29], à
exceção das h onras “
que chamam da Mota e a casa que cham am o Paaço da Fonte que he d o
Arcediagoo he provado que as virom honradas de que se acordam as testemunhas e d’ouvida de longo
tenpo e dizem as t estemunhas que t rajem por honra com estas quintaas Aldeiãaes e Moinhos e
Pinheirio
”, as re stantes terras são do mosteiro de Adaúfe. A análise à descrição desta paróqu ia também
permite a constatação que o lugar da Ribeira [19], e staria, n este momento, indevidamente honrado,
sendo orden ado que cessasse a usurpação detetada. Em Santa Lucré cia de Algeriz [99] é referido que
os lugares de nome “
Fromam e Souto e Roemir
”, que t inham sido de “
filhos d’ Algo
”, foram doados ao
mosteiro de Adaúfe [18] .
Em Adaúfe [18], apes ar da extinção do conjunto monástico no sécu lo anterior, no século XVI ainda é
referenciado como “
mosteiro de Adaoufe
”( Freir e e Pessanh a, 1905, pp . 241-273).
No século XV III, já só é referenciado como paróquia, sendo referido que “
Não há na freguesia
conventos, nem h ospital, nem caza da mizericordia
” (Capela, 2 003, p. 161). É ainda feita refe rência aos
lugares que são constituintes da freguesia: “
Pegada, Romil, Eira Velha, S. João, Oiteiro, Real, Mota,
Oiteiral, Font ella, Linhares, Pinheirinho, Bica, Moinhos, Valle, S. An dré, Preza, Ribeira de Baixo,
Oitieirinhos, Ribeira de Cima, Pinheiro, Barreiro, Redon do, Freire, Estrada, Ferreiros, Cajam, Pene lla,
Valverde, Quintam, A ldeia, Ferradães, Corrego, Mont ezinhos, A velar, Souto, Sedo feita, Caza Nova, e o
sobredito lugar da Com enda
”. O lugar da C omenda corresponde ao l ugar da s ede paroquia l, sendo
possível, ain da nos dias de hoje vi sualizar um int eressante conjunto dos séculos XVII -XVIII. A análise aos
lugares da freguesia acima enumerados, permite ain da constat ar a afinid ad e topon ímica de alguns, com
paróquias mencionadas na Idade Média, sendo not ória a sua fusão com a paróquia de Santa Maria de
Adaúfe [18] .
4.18.3. Cronologia
Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma
villa
.
Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um m osteiro.
Ocupação da Idade Moderna associada a um núcleo paroquial.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
81

4.18.4. Bibliografia selecionada
PMH. Inq., 1888; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -2 73; Ma rtins, 1990, pp. 80 -81; Fontes, 1993, pp.
35 -36; Costa, 2000, p. 98; Capela, 2003, p. 161; Carv alho, 2 008, II, p. 26; Fontes e Pereira, 2009 , vol.
I, pp. 51- 52 ; Pizarro, 2012, pp. 447- 460, Carvalho, 2019, p. 45

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
88

4.23. Sítio 23
Igreja velha; Arentim; Braga

4.23.1. Dados arqueológicos
Os dados arqueológicos q ue temos disponíveis para o local são essencialmente provenientes do
Inventário Arqueológico de Braga (Fontes, 1993, pp. 31-88), de estudos histórico -artísticos de alguns
elementos arquitetónicos (Real, 2006, pp. 133 -170) e de visita que efetuamo s ao local, em que
analisamos detalhadamente o sítio arqu eológico.
Pese embora as referências efetuadas por Fontes (1993, p. 38), de q ue os diversos e lementos
arquitetónicos sej am indiciadores de existência de estruturas qu e se desenvolviam nos terrenos próximos
à antiga igreja paroquial, não nos foi possível na visita a o local identificar alterações à t opografia do local,
alterações na topografia dos terrenos que nos permitisse t er uma ideia da morfologia das mesmas e da
sua disposição e área abrangida. Contudo, concordamos que os indícios da sua existência são ba stante
elevados.
O mosteiro de Arentim [2 3], parece estar associad o a element os arquitetónicos pré -româ nicos
estudados por M. Real (2006, pp. 31-8 8), sendo de destacar os m odilhões de rolos, que parecem ter
influências de origem g alaico-asturiana. No local da antiga igreja de on de são pr ovenient es os elemen tos
de m aterial de construção, parece haver ind ícios da presença de algum tipo de assentamento anterior,
sem que sej a possível, com clareza, estabelecer qualquer tipo de enquadrament o ti pológico.
Os fragm entos foram identificados numa zona de pendente bastante suave, que tivemos a
oportunidade de visitar, que atualmente é agricultada . Tal como em outros locais, a inexistência de
intervenções arqueológicas , dificulta a int erpretação dos dados, não s endo possível a corre lação com os
vestígios an teriores e a obtenção de dados mais concretos da adaptaçã o do local a m osteiro, ou ain da,
o contexto mais específico da sua fundação, designadament e os contornos subjacentes à escolha do
local que, muito provavelmente, foi ocupado anteriormente.
O local encon tra-se implantado n uma zona de verten te suave, muito próxima dos terrenos mais de
vale, com elevado potencial agrícola. Estes são facilmente acessíveis a part ir deste local, embora lhes
sejam ligeiramente sobranceiros , propiciando um fácil con trolo dos mesmos. Sem um conhecimento
mais detalhado das estruturas e o seu claro enquadrament o tipológico, não é fácil uma análise mais
detalhada da envolvente.
4.23.2. Dados documentais
A paróquia de Arentim [23] era denominada de “
Arinthin
”, no censual datado dos f inais do século XI
e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 81).

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
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Não nos foi possível recolher dados acerca da paróquia em 1220 e em 1288. Contudo, a análise do
documento de 1288, da paróquia de Sant a Maria de Arnoso (117) , pe rmite identificar uma referência
indireta, como se verif ica na menção à “
honraa que fo y d e Ramiro Paez e he ora de Fernam de Sandy
”,
onde é referido q ue em det erminado momento, o term o passaria “
ende a Pedra liaçeira que esta contra
Arentim
” (Pizarro, 2012, p . 97). A análise efetuada por A velino Costa (2 000, pp. 81 -82), permite
constatar que nas inquirições de 1258 há a referência à “
collatione Sancti Salvatoris de Arintim
”.
A freguesia de Arentim [23] é denominada “
Aremtim
” no século XVI , sendo referido que tinha couto
próprio (Freire e Pessanha, 1905, pp. 241-273).
No século XVIII é referido como sendo couto da arqu idiocese primaz de B raga. A resposta ao
questionário revela ainda que n o século XVIII seria con sti tuída por duzentas e trint a pes soas, sendo ain da
referido que é constituído pelos lugares de “
Gondomar
…
Estrada
…
Pessel ar
…
Ponte
…
Crastto
, …
Cantareira
…
Costa
…
Samossa
…
Soutto
…
Rial
…
Assento
…” (Capela, 2003 , p. 165). No lugar da Igreja
Velha [23], apesar de, no s éculo XX se ter construído uma n ova igreja paroquial, ainda se ident ifica a
antiga igreja paroquial, cujo edifício se apresenta como sendo associável à Idade Moderna. O rio Este e
o monte de Santo André, parecem ser os principais re ferentes geográficos do couto, pese embora não
pareçam ter g rande importância, a nível económico, à luz do que é descri t o nos diversos pontos
abordados na freguesia (Capela, 2003, p. 166) .
4.23.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média associada a um mosteiro.
Ocupação da Baixa Idade Média e Idade Moderna associada a um núcleo paroquial.
4.23.4. Bibliografia selecionada
Freire e Pessanh a, 19 05, pp. 241-273; Fontes, 1993, p. 38; Cost a, 20 00, p. 8 1; Capela, 2 003, p. 166;
Real, 2006, pp. 133-170; Pizarro, 2012, p. 97

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
90

4.24. Sítio 24
Aveleda; Aveleda; Braga
4.24.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente.
Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos.
O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo
paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo
o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.24.2. Dados documentais
A paróquia de Aveleda [24] era denom inada de “
Sancta Maria de Avelaneda
”, n o ce nsual dat ado dos
finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 83 ). Também é referenciada nas
Inquirições de 1220 (“
Sancta Ma ria de A velaeda
”) (PMH. In q., 1888, pp. 15, 86, 174, 216) e nas
Inquirições de 1288 como “
Sancte Marie d'Aveleda
” (Pi zarro, 2 012, pp. 494 -495).
No século XVI ident ificou- se a referência da freguesi a como “Sancte Ma rie d’Aveleda” (Freire e
Pessanha, 1905, pp. 241-273).
A paróquia da Aveleda [24], tam bém t em como principal fon te de informa ção para este período, as
Memórias Paroquiais q ue e stão a ser alvo de análise. A arquitetura da igreja paroqu ial remete -nos para
períodos mais recentes. A freguesia, perten ça do couto de Vimieiro, como já constatamos em períodos
anteriores, tinha n o século XVIII oitenta vizinhos e era con stituída pelos lugares de “
Louredo, Passos,
Gaiam, Avelleda, Antoinha, Gondufe, Lage, Larangeira, Noval, Marzagam, Torre, Igreja e Mo nte
” (Capela,
2003, p. 1 6 7). Não é feita referência a qualqu er outro tipo de aspeto de i nteresse ou de destaque nest a
freguesia.
4.24.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.24.4. Bibliografia selecionada
PMH. I nq., 1888, pp. 1 5, 86, 1 74, 216; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 83;
Capela, 2003, p. 167; Pi zarro, 2012, pp. 494-495

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
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4.25. Sítio 25
Maximinos; Braga (Ma ximinos); Braga
4.25.1. Dados arqueológicos
Os da dos arqueológicos, que dispomos do local, para além de serem essencialmente provenient es
dos diversos invent ários t emáticos que utiliz amos, foram compilados na tese de dout oramento de Cristina
Braga (201 8).
Na rua do Caires, n as prox imidades da igreja de S. P edro de Max iminos [25], foram identificadas
diversas sepulturas, escav adas pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (Martins e
Delgado, 1989-1990, pp. 41- 186 ; Fontes, 1993, p.57).
A sua igreja paroquial ainda conserva vestígios q ue podem ser assoc iáveis à Ida de Moderna. Apesar
de hoje já estar perfeitamente integrada na malha urbana da cida de de Braga, no perí odo em análise, a
freguesia, localizada em zona extramuros, ainda constitu ía um arrabalde da cidade de Braga [34]. A
coleção do Museu Pio XI I, cont ém um capitel (nº199), associável aos séculos V -VII que poderá ser
associável ao referido templo (Fontes
et. al
., 2009, vol. II, p. 58 ).
O local encontra -se atualme nte em plena cidade de Braga, n uma zona bastante urbanizada. O local,
bastante próximo de zona s da cidade que lhe estão sobranceiras constituem o início do suave declive
que desce da cidade at é ao vale do Cávado. Dada a densa urb an ização que rodeia o local de culto, não
é possível perspetivar em visita ao local, os traços gerais da relação do núcleo paroquial com a envolvente
próxima.
4.25.2. Dados documentais
A paróquia de Braga ( Maxim inos) [25] era denominada de “
Sancto Petro de Mex ominos
”, n o censual
datado dos finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 104).
S. Pedro de Maximinos [25], estava referenciada em 1220 como “
Sancto Petro de Meiximinis
” e
pertencia ao couto de B rag a (PMH. I nq., 1888, p p. 69, 162, 206, 258). Em 1288 a paróquia estava
referenciada como “
Sam Pedro de Meixeminos
” e pertencia ao Julgado e couto de Brag a (Pizarro, 2012,
p. 431).
No séc ulo XVI a f reguesia e ra denominada de “
Sam Pedro de Meixeminos
” e pertencen te ao termo
de Braga ( Freire e Pessanha, 1 905, pp. 241- 273). A descrição que é efetuada nas Mem órias Paroquiai s
permite constatar a existência de trezentos e onze fogos, oitocen tas e vinte e duas pessoas casadas e
setenta e cinco menores. É estabelecida distinç ão entre moradores das ruas e das aldeias, o que é
ilustrativo do início da expansão da cidade extramuros designadam ente através do crescimento nesta
zona das ruas “
dos A rrabaldes …rua da Q uingosta de Sam Sebastião …rua Direita da Cruz de Pedra …
rua do Beco
”. Os lugares rurais que são enumerados nesta zona, são “
Abram de Sima e Abram de Baix o,

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
92

Monte de Penas, Areal, Souto Cham, Cones, Naia, Assento, Laranjeira, Penedo, Per eiras, Ortas, Talhos,
Quingosta dos Cornos
” (Capela, 2003, p. 186).
4.25.3. Cronologia
Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma
necrópole
, eventualment e ass ociada a uma
basílica
martirial
.
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.25.4. Bibliografia selecionada
PMH. I nq., 1888, pp. 69, 162, 2 06, 258; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -27 3; Martin s e Delgado,
1989 -1990, pp . 41-186; Fontes, 1993, p. 5 7; Cos ta, 2000 , p. 104; Capel a, 2 003, p. 186; Fontes
et al
.,
2009 , vol. II , p. 58 ; Pizarro, 2012, p. 431; Braga, 2018

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
93

4.26. Sítio 26
S. Gregório; Braga (Ma ximinos); Braga

4.26.1. Dados arqueológicos
A referência que é feita por Luís Font es (1993, pp. 54 -55), menciona a existência de alg uns taludes
no monte que poderiam corresponder a eventuais estrut uras, sem esclarecer que se t rata de estruturas
de eventual fortificação. Em deslocação que efetuamos ao local, pese embora não nos tenha sido possível
permanecer n o local por muito t empo, não nos foi possível confirmar a existência dos referidos taludes.
Mantivemos, contudo, a referê ncia ao sítio, sem ser possível uma caract erização mais detalh ada. É feita
referência a cerâm ica utilitária, tijolo e tégula, sendo alguma dela enquadrável na Idade Média. Face à
inexistência de informações mais detalhadas assu mimos qu e pos sa ter t ido algum significado no âmbito
da periferia de Braga medieval.
O local, localizado na pe riferia imediat a da cidade de Braga apresenta -se cad a vez mais sujeito a
pressões urbanísticas na s ua área circundante, o qu e condiciona a leitura,
in sito
da relação com a
envolvente próxima. Contudo, o facto de se encont rar numa elevação, leva-nos a co nsiderar que permitia
um controlo relativo, dos terrenos que se desenvolvem na periferia imediata.
4.26.2. Dados documentais
As refe rências documen tais qu e nos foi possível recolher para o local, s ão provenientes das Memórias
Paroquiais de 1758, na descrição da paróquia em que está inserido (Capela, 2003, pp. 161-211).
O monte de S. Gregório [26] em con junto com o monte da s Caldas [103], é referido com o um dos
principais acidentes geográficos da freguesia de G ondizalves [58].
4.26.3. Cronologia
Ocupação da Baixa Idade Média e Idade Moderna associada a um
habitat
.
4.26.4. Bibliografia selecionada
Fontes, 1993, pp. 54-55; Capela, 2003, pp. 161-211

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
94

4.27. Sítio 27
S. José de S. Lázaro; Brag a (S. José de S. Lázaro); Braga
4.27.1. Dados arqueológicos
Os dados que dispomos acerca deste sítio, são essencialmente provenientes dos resultados das
diversas intervenções arqueológica s realizadas nesta zona, compilados por Braga (2018) e ainda
apresentados em Andrade e Fontes (2020 pp. 293-3 14), que trat am de forma sucinta diversos estudos
realizados pelos autores acerca da periferia da cidade de Braga na Antiguidade Tardia.
A n ecrópole identificada no quarteirão do ant igo edifício dos CTT, muito próximo da cidade, ocupava
praticamente todo o quarteir ão, tendo sido identificadas três fases que se enquadram na Antiguidade
Tardia.
Assumimos q ue, dos di versos elementos arquitetón icos que foram identificados nesta zona, alguns
possam ser associáve is a uma basílica que existiria n es t a zona (Fontes
et al
., 2009, vol. II, pp. 33- 34 ).
A localização e a sua posição relativa a uma da s n ecrópoles melhor conhecidas de Braga, com uma
intensa ocupação deste per íodo levam -nos a concluir que a possibilidade da localização de um edifício
deste tipo seria bastante provável. Na zona mais a sul da via, on de se localizaria o edifício de culto situar-
se -ia uma área de fabricação artesanal, que poderia estar associado ao edifício de culto e teria constituído
um núcleo suburbano tardo antigo. Pese embora a hipotét ica origem associada a uma necrópole, tal
como já abordamos em Andrade e Fontes (2020, pp. 293 -314), o n úcleo primitivo que se desenvolveu
e que está arqueologicamente documentado, assumimos a hipótese de se tratar de um local de culto
associado um n úcleo populacional tardo antigo. Não possuímos dados similares c om o mesmo nível de
probabilidade, associados às restan tes basílicas cemit eri ais suburbanas que t erão exist ido n a periferia
de Braga [34].
A paróquia de S. José de S. Lázaro [27], localizada na periferi a imediat a da cidade de Braga, no
século XVIII , tem hoje em dia um templo de feição contemporânea, completamente integrado n a malha
urbana da cidade. Contudo, a igreja que a pr ecedeu localizada muito próxima à at u al, foi demolida já no
século XX, fruto da reordenação urbanística que a cida de conheceu nessa zona, haven do ainda registos
fotográficos da mesma, confirmando -se quer a localização, quer as suas características gerais.
As diversas intervenções arqueológicas q ue se realizaram no local, pro videnciaram bastant es
fragmentos de cerâmica associados ao espólio exumado das distintas sepulturas das diversas fases da
necrópole. Alguns dos enterramen tos mais recent es, enquadráveis n o nosso período em estudo, estão
associados a cerâmica cinzenta tardia, como refere Braga (2018), o que permite admitir a ocupação da
necrópole, pelo menos até ao denominado período su evo-visigótico.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
95

O local apresenta-se bastante próximo da cidade amuralhada, designadam ente da cidade roma na.
Pese embora a densa urba nização que o local aprese nta, é percetível que, at ravés de uma primeira
análise empírica às con dições de implantaçã o do local, o sítio arqueológico se encont ra implantado numa
zona de pendente suave, favorável ao des envolvimento de um núcleo populacional.
4.27.2. Dados documentais
As referências doc umentais que nos foi possível recolher para o local, são provenientes
essencialmente das Memórias Paroquiais de 1758, n a descrição da paróquia em que está inserido. A
paróquia, de criação recente, foi constituída por desmembramento da par óquia de S. Victor (Capela,
2003, p. 193). A paroquia abarcava uma parte considerável dos ar rabaldes da ci dade de Brag a, a sul,
possuindo mil duzentos e t rint a vizinhos e duas mil setecentas e doze“
pessoas de sacramen to
”, sendo
as principais r uas que a con stituem: “
a rua das Ag oas, parte da rua dos Pellames, rua dos Granginhos,
rua de Trás Sam Marcos, parte do Campo da Sancta Ann a, parte da rua de Sa m Gonçalo, parte da rua
de San cto André do Quint ei ro, parte da rua dos Chãons de Sima, parte da rua Nova do Vico, Paúlo de
Nossa Sen hora Branca, rua do Paimanta
” (Capela, 2003 , p. 191). Nesta freguesia também é feita a
distinção entre ruas e aldeias , o que é, tal como na freguesia de Maximinos [2 5] ilustrativo da sua
característica de freguesia su burbana. As alde ias mencionadas são: “
Gordeita, Escou ra, Deveza, Gallos,
Latas, Ribeira, Sa rdoal, Lages, Sant o Adrião, Quingosta da Palla, Quing osta de Nossa Senhora Bran ca,
Portas, Fujacal.
”
4.27.3. Cronologia
Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma necr ópole, eventualment e associada a uma basílica
e
habitat
.
Ocupação da Idade Moderna associada a um núcleo paroquial.
4.27.4. Bibliografia selecionada
Capela, 20 03, pp. 191-192; Fontes
et al
, 2009, vol. II, pp. 33- 34 ; Braga, 2018; Andrade e Font es, 2020,
pp. 293- 314

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
96

4.28. Sítio 28
. S. Vicente; Brag a (S. Vicente); Braga

4.28.1. Dados arqueológicos
Os dados arqueológicos que dispomos são essencialmente provenientes de Costa (1997, p. 1 01) e
Fontes (1993, p. 72) , po steriormente tratados por Andrade (2015) ou Andrade e F on tes (2020, pp. 2 93 -
314).
Na zona de S. Vicent e [28], está document ada a identificação de uma inscrição funerária datável do
século VII , segundo Avelino C osta (1997, p. 101). Se gundo o autor, a tradução da inscrição seria a
seguinte: “No dia 1 de maio da Era 656 (= ano 618), no dia de segunda -feira, Remisnu era aqui descansou
em paz. Amén.” A inscrição amplamente es tudada e difundida por diversos autores é considerada com o
sendo, até ao momento, o mais ant igo testemunho de designação dos dias da semana segundo o modelo
cristão.
O local en contra-se localizado nas proximidades da via roman a XV III do itinerário de Antonino
(Carvalho, 2008). O desenvolvimento urbanístico em torno do local impede uma com pleta perceção da
sua re lação com a topografia. Uma análise do relevo, d eixa ant ev er uma maior vi sibilidade para a zona
norte, não sendo, contudo, percetíveis os seus cont ornos detalhados.
A identificação de elementos associáveis a uma necrópole t ardo antiga e a relação com a viação
romana, leva-nos a con siderar qu e a pos sibilidade de existência de uma basílica ce miterial suburbana é
bastante elevada, não n os tendo sido possível con hecer qua lqu er outro tipo de est ruturas as sociáveis à
Antiguidade Tardia. Consid eramos, cont udo, plausível a existência das mesmas e a sua inserção no
âmbito do fen ómeno de des envolvimento dos subúrbios tardo an tigos. A ligeira diferença com que
pontualmente ind icamos ou disting uimos esta e restantes necrópoles similares do sítio de S. Lázaro [27]
está diretamente relacionada com a existência arqueologicamente comprovada de ruínas de nat urez a
distinta das necrópoles.
4.28.2. Dados documentais
As referências doc umentais que nos foi possível recolher para o local, são provenientes
essencialmente das Memórias Paroqu iais de 1758, na descrição da paróquia em que está inserido.
A paróquia de S. Vicent e [28], de cr iação recente, ainda estava int egrada, na altura da s Memórias
Paroquiais, na paróquia de S. Victor (Capela, 2003, p. 193).
4.28.3. Cronologia
Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma necrópole, eventualmente associada a uma
basílica.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
97

Ocupação da Idade Moderna associada a um n úcleo populacional que ain da n ão con stituía uma
circunscrição autónoma.
4.28.4. Bibliografia selecionada
Fontes, 1 993, pp. 3 1-88; Costa, 1997, p. 101; Capela, 2 003, p. 1 93; Andrade, 2015, p. 59 ; Andrade e
Fontes, 2020, pp. 293- 31

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
104

4.33.4. Bibliografia selecionada
PMH. Inq., 1888, pp. 70, 163, 206, 259; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, p. 99;
Capela, 2003, p. 193; Pizarro, 2012, p. 456

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
105

4.34. Sítio 34
Braga; Brag a (Sé); Braga
4.34.1. Dados arqueológicos
A cidade de Braga [34] é o s ítio qu e se encon tra mais pr ofusamente documentado, para toda a região
em estudo. Todos os inven tários con sultados se lhe refe rem diretamente ou indiretamente. O manan cial
de dados qu e dispomos da mesma foi profusamente trat ado por diversos autores, beneficiando de cerca
de meio século de in tervenções arqu eológicas no espaço urbano. O conhecime nto qu e temos acerca da
cidade de Braga [34] , na Antiguidade Tardia, tem beneficiado da s inúmeras int ervenções arqueológicas
que se têm realizado na cidade. Os trabalh os têm sido alvo de inúmeras publicações, das quais
destacamos, a título de exemplo, algumas sínteses t emáticas e setoriais, (Lemos
et al.,
2002, pp. 609-
624; Carvalho, 2008 ; Ribei ro, 2 008; Font es
et al.
, 2 010b, pp. 255-262; Martins
et al
., 2016, pp. 35-52;
Fontes e An drade, 20 18, pp. 5 1- 67; Ma rtins
et al.,
2017a, pp . 235-239; Martins
et al
., 20 17b, pp. 2 41-
246; A ndrade e Fontes, 2020, pp. 206 -222). Um dos aspetos mais impact antes na morfologia urbana
neste período foi, sem dúvida, a con strução da grande muralha, que limitava uma área urbana,
tendencialmente circular. A muralha, de imponentes dimensões, apresenta uma largura muito próxima
dos seis metros, ( Lemos
et al
., 2002, p. 622 ) e foi escavada em variados locais, tendo sido pos sível em
alguns dele s, a identificação de torreões s emicircu lares que apresentam um diâmetro de cerca de cinco
metros. Foi possível con statar que a muralha apresenta características similares às congéneres do
noroeste peninsular, designadamente ao nível da solução construtiva que incorpora torreões, como foi
acima referido. Refira-se ainda que a muralha reaproveitou alguns elementos arquitetónicos, estando
documentada arqueologicamente a sobreposição de algumas das estruturas de f ases mais ant igas da
cidade (Lemos
et al.,
2002, p. 621).
Ao nível da organização dos quarteirões, propriam ente ditos, um dos aspetos impo rtant es a ass ina lar
é o fact o de o traçado ortogonal da cidade se t er mant ido numa considerável área intramuros (Martin s
et al
., 2017a, p. 2 36). Um outro aspeto que ress alt a acerca das alterações que se ver ificaram no tecido
urbano de
Bracara
, na Antiguidade Tardia, foi a readapt ação de edifícios, a sua desarticulação e ocupação
dos espaços públicos com estruturas de us o privad o, estando até ao momento, pelo menos três
estruturas em fase de escavação (Martins
et al
., 2017b, pp. 241-242).
A cidade de Braga na Alta Idade Média
Os dados arqueológicos que se conhecem da cidad e de Braga [34], para e ste período, fo ram
fornecidos por diversas int ervenções que fo ram sendo efetuadas nos mais de quar enta anos de projeto
de Arqueologia Urbana que foi levado a cabo na cidade de Braga, tendo sido alvo de diver sas p ublicações
e presentes em algumas sí nteses como por exemplo em Font es
et al.
(2010 b) Ribeiro (2008), Fontes e

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
106

Andrade (2018) e Andrade e Fontes (2020). O principa l elemento e cara cterística que, à luz dos dados
atuais, parece sobressair do urbanismo da cidade é a redução con siderável da área urbana para o seu
quadrante n ordeste, reaproveitando parte das estruturas defensivas do período roman o tardio (Ribeiro,
2008, p. 317).
Este fenómen o, à luz do que foi defendido por Ribeiro (2008, p. 3 11), para além desta redução de
perímetro urbano e das modificações de pormenor q ue a cidade foi sofrendo, é d ifícil de precisar com
rigor, parecendo haver uma t endência para a desarticulação de alguns eixos de circulação e alteração
do tipo de edificado. A tendência identificada qu e poderá ter tido o seu início n o momento imediatamente
anterior, terá reflexo nesta fase.
Um outro aspeto importan te a ret er, para este período, é o facto de que a sede episcopal, qu e se
localizava numa posição completamente excêntrica no momento anterior, passa, com a reorganização
da cidade a nordeste, a ocu par uma posição central no t ecido urban o, tendo sido iden tificados vestígios
que poderão ser enquadrados nesta fase (Gaspar, 1985, pp. 4 40 -441). A catedral torn a-se claramente
a nova referência do t ecido urbano (Ribeiro, 2008, p. 319; Fontes e Andrade, 2018, p. 55), sendo o
principal element o norteador e organ izador do espaço. Não obstan te, apesar de ao nível da arquitetura
e da organização i nterna, alguns dos dados não serem de fácil interpretação, n a cidade de Braga,
parecem existir objetos cerâmicos n o registo arqueológico, com principal incidência n o quadrante
nordeste, que corrobora r am a circunscrição da ocu pação n a zona , não sendo contudo claro se, e em
que momentos essa ocupação terá sido intermitente (Fontes e Andrade, 2018). A área da cidade ter- se -
á restringido a menos de quinze hectares , que constituirá o pont o de partida para os desenvolvimentos
que a cidade conhecerá momentos posteriores.
A cidade de Braga na Baixa Idade Média
A cidade de Braga [34], na Baixa Idade Média conheceu importan tes alterações da sua fisionomia,
relativamente aos m omentos precedent es. A cidade neste período foi alvo de v ários estudos q ue se
debruçaram sobre a m orfologia urbana e a relação da cidade com a sua envolvent e (Ribeiro, 2008;
Fontes e Andrade, 2018; Ribeiro
et al
., 2018), que pr ocuraram a articulação dos dados arqueológicos
com os dados documentais. Os dados que dispomos at é ao mom ento permitem uma aproximação
relativamente detalhada do t ecido urbano, sendo os principais dados re speitantes ao período mais tardio
da Idade Média.
À luz do que con hecemos, a cidade con heceu a c onstrução de uma n ova muralha, que terá
reaproveitado na sua zona sul, o t raçado da ce rca qu e terá sido con struída na Alta I dade Média e na sua
zona norte terá incorporado a área extramuros, a norte da Catedral .

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
107

O sistema defensivo era complementad o a nordeste por um castelo de que apen as resta a sua t orre
de menagem, que se define at ualmente como o pri ncipal elemento qu e resta da es trutura defensiva. Os
restantes elementos do castelo foram demolidos no início do século XX, restando apenas alguns que se
encontram incorporados no casario que se lhe adosso u em períodos po steriores. A cerca era ponteada
por torreões de forma tendencialmente quadrangular.
Mário Barroca (2003b, p. 1 18), inc lui o castelo de Braga, com o sendo um dos poucos exem plares
de castelo gótico que não estão localizados na zona de fronteira. Nos t rabalhos que recent emente se
realizaram no edifício nº1 da praça da República (F ontes, 2021 , p. 58) identificou-se parte do parament o
medieval, que ainda não tinha adquirido a configuração circular que passou a ter em períodos
posteriores.
Um outro aspeto que é not ório na nova organização da cidad e de Braga , neste p eríodo, é o facto de
que a cat edral reforçou a sua centralidade no tecido urbano. O edifício t ambém conheceu importantes
beneficiações que serão dat áveis do século XI I, tendo -se prolongado as obras, muito provavelmente até
finais do século (Font es, Le mos e Cruz, 1997-1998, p. 146). No século XI V, a cat edral terá igualmente
conhecido importantes beneficiações, estando documentada a construção de edifícios anexos, como a
capela da Nª Srª do Livramento, a capela e torre da Nª Srª da Glória e a construção de um novo claustro.
Estas obras sobrepõem finalmen te os edifícios da catedral à muralha romana, que limitava a cidade
nesta zona (Fontes, Lemos e Cruz , 1997-1998, p. 146).
O t raçado urbano da cidade t ambém tem sido alvo de estudos que ten tam o cru zamento entre os
dados arqueológicos e os dados documentais sendo de destacar os trabalhos de Ribeiro
et al
., (2018 ) e
Ribeiro (2019). Pese embor a a continuação da ocupação de um espaço reduzido entre os séculos XI e
XIII, a partir do século XIII dá -se a já mencion ada expansão para a área a n orte. O plano urbano, como
refere Ribe iro (2019, p. 189), refletiria c om clareza dois percursos u rbanos diferenciados,
correspondentes à área cuja ocupação remont aria ao perí odo roma no e a área que tinha sido englobada
na expansão mais recente da urbe.
Na primeira área, apesar d as alterações morfológicas que se fazem sentir, parece verificar -se uma
tendência para a regularidade do traçad o. Esta área da cidade, como é referido em Ribeiro (2019, p.
189) é defi nida, no sentido n orte-sul pela rua Verde, ru a da Triparia, rua D . Gualdim Pais e a rua da Erva
e, no sentido este-oeste, pel a rua da Travessa, o antigo bairro medieval das Travessas. Como também é
referido por Ribeiro (2019, p. 189), ape sar da mat riz romana, os arruamentos são mais irregulares.
Numa an álise ao traçado da zona da cidad e que não se sobrepõe relativamente à cidade romana, parece

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
108

evidente um acréscimo da sinuosidade dos t raçados, sen do a malha urbana menos den sa e a existência
de amplos espaços abertos, especialmente evidente na s ua zona mais a norte.
A cidade de Braga na Idade Moderna
Os dados que dispomos da cidade de Braga M oderna são, es sencialmente, provenient es dos
trabalhos de José Marques (1988), Miguel Bandeira (1993, 20 00), Maria do C armo Ribeiro (2008),
Gustavo Portocarrero (2010) e Eduardo Pires de Oliveira (2011).
A morfologia da cidade do século XV I, conheceu uma considerável alt eração (Portocarrero, 2010, p.
27). É neste momento que a cidade começa a desenvolver-se verdadeirament e para a área extramuros,
iniciando-se o processo de o cupação paulatina dos arrabaldes. T al com o foi re ferido por Mig uel Bandeira
(1993, p. 149), este dese nvolvimento extramuros é norteado por um conjunto de espaços abertos,
interligados, que norteiam as vivências e o desenvolviment o urbanístico, a que o autor den omina de “a nel
de campos”. A s principais praças que con stituíam o circuito de circu lação extramuros eram o campo da
Vinha (atual praça Conde de Agrolongo), o campo das Hortas, o campo/terreiro de S. Sebastião, o cam po
de S. Tiago, o campo dos Remédios ( atual largo C arlos Amarante), o campo de Santa Ana ( atual Ave n ida
Central) (Bandeira, 1993, p. 149 ; 2000, p. 38).
O mapa de
Georg Braun
, a representação icon ográfica detalhad a, m ais ant iga, que se conh ece da
urbe bracarense, para a Idade Moderna, evidencia claramente o anel de circulação e conjunto de terreiros
que ordenaram o crescimento da cidade extramuros no dealbar da Idade Mo derna. Nesta representação
iconográfica da cidade, sobress ai a ampla área a norte da muralha que configura o ca mpo da Vinha e o
campo de Santa Ana, onde é visível o con junto de miliários romanos que circund am a pequena capela
localizada também num amplo espaço, que se fecha e torna mais exíguo na zona da Nª Srª a Bran ca.
Ao nível da estrutura da cidade intramuros, a abertura da rua Nova (atual rua D. Diogo de Sousa),
prolongava o alinh amento da rua do Souto, ligan do -a à porta Nova, aberta em 1512 (Ban deira, 2000,
pp. 32-33), dotando a cidad e de u m eixo principal que permit ia facilmente o atravessamento tra nsversal
do recinto amuralhado. Miguel Ban deira (2000 , p. 34) também refere que a sua abertura se procedeu,
no âmbito de um processo mais amplo que contemplava a abertura de duas pequenas praças na sua
vertente sul (atuais praças D. João Peculiar e praça Nova). Também está documentada a abert ura da
atual rua do Cabido, procedeu-se à retificação do traçado da atual rua Frei Caetano Brandão e à abertura
retilínea da atual rua de S. João.
Para além do reordenamento e abertura de eixos que capacitam e potenciam a circulação na cidade
intramuros e ext ramuros, n o início da I dade Moderna, essencialmente por açã o de D. Diogo de Sousa,

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
109

também se verifica a dot açã o de diversos eq uipamentos coletivos e infraestruturas d e apoio às atividades
económicas e sociais (Bandeira, 20 00, p. 41).
A cidade do século XVIII, é conhecida de uma forma muito mais detalhada do que do século XVI . Para
este período, as fon tes iconográficas são mais abundan tes, para além do “
Mappa de Braga Primas”
de
1756, o denominado Mapa das Ruas de Braga (1764), fornece uma descrição detalhada das ruas da
urbe que permite conhecer as caract erísticas de quase todos os fogos existentes à época. Uma análise
ao referido mapa, permite uma con statação imediata de que a expan são urban ística extramuros,
aparenta um maior desenvolvimento, propagando -se a área con struída ao lon go das vias, por uma área
muito mais extensa.
Segundo Miguel Ban deira (1993, p. 152), este desenvolvimento “t entacular”, pr oporciona à urbe
bracarense, que mantém o seu núcleo primitivo de origem m edieval, acrescido dos arrabaldes, que são
incorporados, um aspeto que recorda um aracn ídeo. Tal como o a utor refer e, e é evident e no “
Mappa
de Braga Primas”
, de 1756, uma das características da cidad e extramuros n este pe ríodo é a convivência
entre as habitaçõ es e os campos que a s circundam . Outra característica evidente é o facto de, n este
momento a muralha já s e encontrar pr aticament e abso rvida, na totalidade, pelo casario que s e adossou
à mesma, pese embora o fact o de, morfologicamente, ain da possuir uma configuração semelhante.
Também é possível con statar que, n a região extramuros, para além do desenvolvimento tentacular ao
longo das vias, é identificável, a n ordeste do núcleo murado, o s urgimento duma zona em que é percetível
um urbanismo de maior complexidade e n o qual é pe rcetível uma orga nização do espaço, que demonstra
um planeamento subjacente, na área denominada de Campo Novo.
Os element os da Brag a barroca, ainda hoje cons t ituem os principais referent es do centro histórico d a
cidade. A gen eralidade das igrejas do centro h istórico, são associáveis a esse perí odo, destacando -se o
importante conjunto arquitetón ico do largo Carlos A marante, constituído pelo hospital de S. Ma rcos e
pela igrej a de Santa Cruz. A estes dois importantes referentes urbanísticos, associava -se o con vento dos
Remédios, entretanto demolido no início do século XX.
Todos os espaços ext ramuros, que foram referen ciados aquando da descrição do desenvolvimento
urbanístico do século XVI, foram embelezados com edifícios datáveis dos séculos XVII e XVIII, refira -se a
título de exemplo, o campo das Hortas, a Avenida Ce ntral (an tigo campo de Sa nta Ana) e o largo de
Santiago. A cidade neste período embeleza -se e m on umentaliza-se. A s áreas ext ramuros, com eçam a
configurar, paulatinamente, novas centralidades que s e consolidam nos períodos vindouros.
A m aterialidade na cidade exumada das diversas escavações arqueológicas na cidade de B raga [34]
é muitíssimo abundante, sendo muitas as pu blicações que lhes es tão associadas, quer pela diversidade

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
110

tipológica e am plitude cron ológica das mesma s. A grande síntese que dispomos para a cerâmica
associada à cidade roman a é referente à cidade Alto -Imperial (Morais, 2004). Para o início do período
em estudo, os trabalhos mais recentes que fo ram elaborados, t ributam -se a Martínez Peñin e Martin s
(2016, pp. 53-67), estando em curso investiga ções de doutoramen to que visam aprofundar este trabalh o,
levadas a cabo por Diego Ma chado e ain da visando o período m oderno, por Lara Fernandes. Quando
terminados, será possível a contextualização das materialidades cerâmicas de todo o período em estudo.
4.34.2. Dados documentais
O local encontra -se referenciado direta ou indiretamente n as principais fontes documen tais que foram
utilizadas no presente estudo.
As referências a Brag a, no c en sual de finais do século XI, são feitas, no sentido de as sociar as diversas
entidades ao seu domínio, t al com o n as Inquirições de 1220, de 1288 e no “Numeramento” do século
XVI.
A cidade de Brag a [34] do século XVIII, foi considerada como uma e nt idade t erritorial e analisada e m
conjunto, de modo que se possa estabelecer uma análise comparativa com os períodos ant eriores.
Contudo, nas Memórias Paroquiais de 1758, é referido que a zona int ramuros da cidad e é con stituída
por três freguesias ( “
Sé Prim az de Braga
, S. João do Sou to e Cividade”) (Capela, 2003, pp. 161 -211).
A freguesia da Sé, que tam bém abarca um a parte da área fora da cerca medieval, t inha n este período
duas mil oitocen tas e uma pessoas e era con stituída, como é referido n as Memórias Paroq uiais, pelas
ruas da “
Conega, Porta de S. Francisco, Biscainhos, Campo das Hortas, Roxio dellas, de São Mig uel -o-
Anjo, Campo de Sam Sebastiam, Carvalheiras, rua dos Assougues, rua Nova, As sougues Velh os, Roxio
da Praça, Violinha, rua de S apat eiros, rua de Maximinos , ru a Verde, das Chagas, do Terreiro da Sé, a do
Farto, A do Forno, Porta de São João , rua de Gatos, a das Oucias ao redor da Sé, C ampo dos Touros,
rua do Campo
…” (Capela, 2003, pp. 1 94 -195). Nesta freguesia, como já foi referido na descrição da
cidade moderna, e como o próprio nom e ind ica, está lo calizado o conjunto arquiepiscopal, cuja descrição
detalhada ocupa a grande maioria da resposta ao i nquérito solicitado. Apesar da s ua dupla vertente intra
e extramuros, é uma paróquia maioritariamente urbana.
A paróquia da Cividade, tal como a paróquia da Sé, ocupa uma área intra e extramuros (Capela,
2003, p. 1 70). É referido igualmente que possuía no século XVI II, uma população de cerca de mil e
sessentas e oito pessoas e era constituída pelas ruas “
do Gualdim, Trave ssa Primeira, Segunda e
Terceira, rua do Coutto de Arvoredo, a de Sto António, a de Sta Ma ria, a de Trás do Colegio, a do Postigo,
de S. Sebastião, a dos Pelames que perdeo esta o nome por algum dia se chamar de S. Giraldo, a rua
do Alcaide, a de T rás do Hospital, a da Quingos ta de S. Sebast ião, o Roxio de Sto A n tonio, o de S. Paulo,

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
111

os cam pos de S. Tiago e S. Sebastião
”. Também é referido que pos suía doi s l ugares ru rais (“
hum
chamado Fojacal e outro Urjaes
”) (Capela, 2003, p. 170). Tal com o já foi referido an teriormente, dois
dos principais re ferentes ur banísticos são o colégio da Companhia de Jesus e o con vento da Nª Srª da
Conceição, bem como os campos de S. Tiago e o de S. Sebastião (Capela, 2003 , p. 170).
A freguesia de S. João do Souto, localizada essencialment e intramuros, apresenta uma porção
considerável da sua área na zona extramuros (Capela, 2 003, pp. 20 1- 202). A freguesia possuía, à época,
mais de três mil e quinhentos habitantes, sendo as suas ruas: “
rua de S. João, rua do A njo, rua de S.
Marcos, rua da Agoa, da Porta do Souto, rua dos C hans de Baixo, rua dos Chans de Cima, rua do Eirado,
rua da Fonte da Carcova, ru a do Campo da Vinha, rua de Gatos, rua das Travessas, rua de Trá s do
Hospital, rua da Quingosta do C olegio, rua do Cam po dos Remédios, rua do Carvalhal, ru a dos Pe nedos,
rua do Souto, Paso Arcebispal, rua de Sant o Antonio, rua das Beatas de San to António, Seminário de S.
Pedro, rua da Loura, Aljube, C astelo, Alfandega
”) (Capela, 2003, p. 202). Par a além das ruas que
constituiriam o tecido urbano n a área intramuros e extramuros, também é feita referência a lugares rurais
que constituíam esta fregu esia (“
lugar da Torre, lugar do A rmão e lugar de San ta Barbora de Baix o
”)
(Capela, 2003, p. 2 02). Alguns dos dados q ue se po dem ext rair das present es Mem órias Paroquiais,
estão relacionados com os aspetos da morfologia urbana já anteriormen te abordados, com é o caso dos
campos extramuros que norteiam o crescimen t o da cid ade e a presença de div ersos con ventos, como é
o caso do convento dos Remédios , convento do Salvador, o convento do C armo e o convento do Pópulo.
4.34.3. Cronologia
Ocupação da Antiguidade Tardia , Alta Idade Média , Baixa I dade Média e Idade Moderna associada a
uma cidade.
4.34.4. Bibliografia selecionada
PMH. In q., 1888; Freire e Pessanha, 1905, pp. 241 -27 3; Gaspar, 1 985, pp. 440-441; Marques, 1988;
Martins, 1990, pp. 80 -90; Ban deira, 1993; F ontes, 1993, pp. 31-88; Fontes, Lemos e Cruz, 1997-1998;
Bandeira, 2000; Costa, 2000, pp. 68-106; Lemos
et al
., 2002, pp. 609-624; Ba rroca, 2003; Capela,
2003, pp. 161-211; Morais , 2004; Carvalho, 2008; Ri beiro, 2008; Ferreira, 2014 , pp. 93 -140; Fontes
et al
., 2010b, pp. 255-262; Portoca rrero, 2010; Oliveira, 2011; Pizarro, 2012, p p. 419-461; Ma rtínez
Peñin e Martins, 2016, pp. 53-67; Martins
et al
., 2016, pp. 35-52; Font es e A ndrade, 2018, pp. 51-6 7;
Martins
et al
., 2017a, pp. 235-239; Martins
et al.
, 2017b, pp. 241- 246; Ribeiro
et al
., 2018; Ribeiro,
2019; Andrade e Fontes, 2020, pp. 293- 314

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
112

4.35. Sítio 35
Coturela; Braga (Sé); Braga

4.35.1. Dados arqueológicos
Não nos foi possível, identificar vestígios claro s de ruínas, percetíveis à superfície, não nos tendo sido
igualmente possível acresc entar informação de maior pormenor do que a que foi forn ecida por Fontes
(1993, p. 69) e Carvalho (2008).
O local localiza-se na periferia imediata da cidade de B raga, próximo a duas da s vias que saem da
cidade a n ordeste e norte. A
villa
da C oturela [35], poder- se -á tratar de uma propriedade suburbana em
que, dada a con frontação com diversas entidades bastante próximas, se encontra condicionada a
exploração agrícola, não parecendo dispor de um
fundu s
ext enso como, por exemplo, seria o caso de
Dume. Efetivament e, tal como refere C arneiro (2011, p. 7 4), c itando Geoff Ada ms (2008), as
villae

suburbanas evidenciam “estruturas para fins eminent emente sociais, distan tes da vocação agropecuária
tão enfatizada pelos agrónomos lat inos”. O autor menciona ainda que Geoff Ada ms (2008, p. 4) re fere
que o desenho planimétrico da s
villae
suburbanas sendo efetuado em função das at ividades de
otium
,
amoenitas
e
delectatium
, favorece a cont emplação da paisagem, evidenciando que a sua implantação
deverá ter em consideração a proximidade a vias de comunicação, potenciando redes de sociabilidade
que se pretendiam m anter no cam po, n a medida em que os
domini
destas
villae
eram geralmente
abastados cidadãos envolvidos frequentemen te na atividade politica que, não raramente, seria associada
a uma intensa atividade social.
O sítio da Coturela [35] parece efetivament e encaixar no modelo de implantação acima descrito. Por
um lado, está ext remamente próximo da cidade, por outro está bem servido de vi as de comunicação. A
sua locali zação num pequeno outeiro sob ranceiro ao vale do Cávado, permite o disfrute do aparato cénico
que o mesmo con stitui. A con jugação de todos estes fat ores, com os element os arquitetónicos refe ridos
por Fontes (1993, p. 69) e Carvalho (2 008) leva -nos a considerar a classificação tipológica c omo
plausível. A densa urbanização que se desenvolveu no local, rompeu completament e com a primitiv a
organização espacial do loc al e a relação com a e n volvente pr óxima. Co n tudo, a perceção de que o loc al
se localizaria num pequeno outeiro, p ermite concluir que h averia u ma relação sobranceira com o s
territórios adjacent es a norte. Esta análise será mais desenvolvida na parte I II, n a medida em que
consideramos que tem implicações na definição tipológica do local.
4.35.2. Dados documentais
A interpretação que o local poderia corresponder à
villa Paschasi
, leva-nos a con siderar que pode ria
já estar mencionado na confirmação da diocese de Dume datada de 911 (Andrade, 2015).

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
113

4.35.3. Cronologia
Ocupação da Antiguidade Tardia associada a uma
villa
.
4.35.4. Bibliografia selecionada
Andrade, 2015; Fontes, 1993, p. 69; Carvalho, 2008, II, p. 33

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
216

4.115. Sítio 115
Assento; Vilaça; Braga

4.115.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos invent ários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalmente.
Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos.
O local encontra -se bastante descaracterizado, contudo pensamos ser possível percecionar uma
relação de um núcleo paroquial que está plenamente articulado com os aglomerados populacionais da
freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.115.2. Dados documentais
A paróquia de Vi laça [115] era denom inada de “
Sancta Cecilia de Lauredo
”, no censual dat ado dos
finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, pp . 82-83).
Vilaça [115] é denom inada de “
Sancta Cecilia
” em 1220 e pertence à Terra de Penafiel de B astuço
(PMH. Inq., 1888, pp. 15, 86, 174, 217).
A paróquia é denominada de “
Sancte Columbe
” em 128 8. Apesar da denomina ção no início do t exto
da I nquirição de 12 88 estar com a grafia atrás referida, na descrição é re ferenciada “
Sancta Çesilya
” e
pertence ao Julgado de Penafiel de Bastuço (Piz arro, 2 012, p. 477).
No século XVI é denom inad a gen ericamente de “
Santa Çezília
” (Freire e Pessanh a, 1905, pp . 241 -
273). Sa nta Cecília de Vilaça [115], pertenceria no século XVIII, ao termo de Barcelos, e s eria constituída
por apenas quatro lugares: “
…Quebrada… Gallos… Louredo… Assento...
” (Capela, 2003, p. 210). Para
além do facto de part e da fr eguesia se localizar em zon a de encosta e parte se loca lizar em zona de vale,
não é feita referência mais detalhada à morfologia do território.
4.115.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.115.4. Bibliografia selecionada
PMH. Inq., 1888, pp. 15, 86, 174, 217; Freire e Pess anha, 1905, pp. 241 -273; Costa, 2000, pp. 82 -
83; Capela, 2003, p. 210; Pizarro, 2012, p. 477

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
217

4.116. Sítio 116
Vimieiro; Vimieiro; Braga

4.116.1. Dados arqueológicos
A carta de couto é datável de 1127 e terá sido outorgada por D. Teres a à ordem de Cluny. O s vestígios
que t emos deste m osteiro são quase inex istentes, fruto da curta duração da existência do mesmo.
Segundo Marques (1988, pp. 657- 658), já em 1377 os visitadores de C luny incluíram este mosteiro
entre os que já não teriam monges. Não s ão visív eis n o local quais q uer ve stígios da ocup ação associ ável
a este período. Podemos constatar que o couto tinha dimensões razoáveis, localiz an do -se a su doeste da
cidade de B raga, numa zona de con tacto entre as duas circunscrições territoriais de maiores dimensões
nesta região (T erra de Penafiel de Bastuço e co uto de Braga). Trata -se de um territóri o consideravelmente
bem definido, que correspon de aproxim adamente à área atualmente ocupada pelas freguesias q ue lhe
foram estad o associadas ao longo dos tempos e englobaria as freguesias de Fig ueiredo [52], C eleirós
[37], Avele da [24] e Vimieiro [116].
4.116.2. Dados documentais
O most eiro de Vimieiro [116], apre senta com o referência documen tal mais antiga conhecida “
S. S.
de Vimeneiro; Illo monasterio
”, no censual de finais do século XI (Costa, 2000 , pp. 105 -106).
Os dados presentes nas Inquirições de 1220 (PMH. In q. 1888) , permitem -n os uma aproximação à
propriedade fundiária do mosteiro e perspetivar uma propriedade que prat icamente se circunscreve à
área coutada, ao contrário de outros mosteiro s, q ue a presentam propriedades por uma regiã o muito
mais ampla, relativamente aos seus dom ínios iniciais.

As Inquirições de 1288 ( Pizarro, 2012, pp. 4 90-4 95) proporcionam uma aproximação às con dições
em que o couto estaria nesse momen to. É possível con statar, através da leitura do documento que, já
neste momento, o território parecia estar a ser alvo de disput as. De facto, a refe rência direta de que
entidades seculares e eclesiásticas parecem de alg uma forma prejudicar os inter esses do couto torn a,
no nosso entender, compreensív el o panorama traçad o por J. Marques, (1988, pp. 657-6 58).
No século XVI, ainda se id entificou a referência a “
Mosteyro de Vimieiro
”, apesar de já t er sido
reduzido à época a igreja paroquial (Freire e Pessanha, 1905 , pp. 241 -273).
Foi igualmente possível an alisar os dados das Mem órias Paroquias de 1758, refer entes à freguesia
de San ta Ana de Vimieiro [116], sendo referido que p ossuiria noventa e quatro vizinhos e duzentas e
quarenta e duas “
pessoas de sacramento
”. Menciona -s e ainda que a igreja paro quial se situava num
lugar central da freguesia e que seria constituída pelos seguintes lugares: “
Santa C ruz, Sout o, Deveza,
Tralharinha, Sobre Gaiam, Granja, Picoto, Bemposta, Pinheiro, Monte, Cachada, B ouça, Agra, Macada,
Barreiro e Most eiro
” (Capel a, 2003, p. 211). A freguesia seria cabeça do couto h omónimo, como foi

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
218

também possível constat ar nas an álises de épocas a nteriores. Ao n ível da morfologia da paróquia, é
referido que estaria localizada n uma zona de vale e que era constituída igualmen te por diversos out eiros,
sendo ainda me ncion ado qu e nos referidos outeiros e stariam diversas “
bouças inc ultas
” (Capel a, 2003,
p. 211).
4 .1 16.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média e Baixa Idade Média associada a um m osteiro.
Ocupação da Idade Moderna associada a um núcleo paroquial.
4.116.4. Bibliografia selecionada
PMH. In q., 1888; Freire e P essanha, 1905, pp. 241-273; Marqu es, 1 988, pp. 657-658; Cos ta, 2 000, p.
105; Capela, 2003, p. 211; Pizarro, 2012 , pp. 490 -495

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
219

4.117. Sítio 117
Arnoso; A rnoso (Santa Maria); Vila Nova de Famalicão

3.117.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas as sociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais antigos referenciados documentalmente.
Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos.
O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo
paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo
o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.117.2. Dados documentais
A paróquia de Arnoso [117] era denom inada de “
Sancta Maria de A rnoso
”, no censual da tado dos
finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 79).
Não conseguimos recolher refe rências a Sa nta Maria de Arn oso [17] n as Inquirições de 1220.
Aparece apenas referenciada n as I nquirições de 1288, como “
Sancte Marie d'Arnoso
”. Tal com o já foi
referido na an álise da paróquia de Arentim [23], está associada uma honra à paroquia de Santa Maria
de Arnoso [117], cujos limit es foram confirmados pelas referências que foram ap resentadas (Pizarro,
2012, pp. 481-482).
No século XVI a freguesia é denomina da de “
Sancte Marie d’A rnoso
” (Freire e Pessanh a, 1905, pp.
241 -273).
Segundo o relato das Memórias P aroqu iais de 1758, seria pertencente ao termo da vila de Barcelos,
sendo habitada por duzentas e n oventa e t rês “
pessouas de sacrament o
” e constituída pelos s eguintes
lugares: “
Ferram, Agro, Q uintella, Picoto, Bon ome, Lordelo, Lag es, A rnozo
” (Cap ela, 2003, p. 465).
Serve-se do juiz de fora de Barcelos e o uso de serviços como o correio é feito com recurso aos ser viços
postais de Vila Nova de Famalicão, n ão parecendo qu e o quotidian o dos habit antes da freguesia esteja
muito relacionado com a cidade de Braga (Capela, 2003, p. 465).
4.117.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.117.4. Bibliografia selecionada
Freire e Pessanh a, 1905, pp. 241-273; Costa, 2000, p. 79; Capela, 2003, p. 465; Pizarro, 2012, pp.
481 -482

PARTE II – OS DA DOS E A S UA ANÁLISE
220

4.118. Sítio 118
Jesufrei; Jesufrei; Vila Nova de Famalicão
4.118.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, nos inven tários arqueológicos que serviram de base para o
nosso estudo, n em em visita ao local. Desconhecemo s ruínas de estruturas ass ociáveis ao local, ou
indícios de edificado que pos sam remontar aos períodos mais an tigos referenciados documentalm ente.
Também desconhecemos indícios de materiais e achados is olados próximos.
O local encontra-se bastante descaracterizado, con tudo pensamos ser pos sível percecionar um n úcleo
paroquial que está plenament e articulado com os aglomerados popu lacionais da freguesia, constituindo
o centro nevrálgico das vivências da comunidade.
4.118.2. Dados documentais
A paróquia de Jesufrei [118 ] era denominada de “
Santo Micahel de Seg efrei
”, n o censual datad o dos
finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, pp . 80-81).
Não conseguimos recolher referê ncias a Jesufrei [18] nas Inquirições de 12 20. S. Miguel de Jesufrei
[118], aparece referenciada nas Inquirições de 1288 como “
Sancti Mich aelis de Sujufrey
”. Nesta
paróquia de Jesufrei está referenciada uma honra (Pizarro, 2012, p. 483).
No século XVI, a fregues ia é denom inada genericame n te como “
Jesufrey
” (Freire e Pessanha, 1905,
pp. 241-273) . Em Jesufrei [118], no século XVIII o panorama é basta nte idêntico a Arnoso [117], s endo
referido que e stá “
sugeita esta t erra às justiças de Barcellos
” e recorre ao correio de Famalicão. A
freguesia cont a com cento e trinta e nove “
pessoas de sacramen to
” e é constituída pelos seguint es
lugares:
…Pouzada… Passo… Ig reja… Bairro… Monte… Palhares…
” (Capela, 2003, p. 484).
4.118.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.118.4. Bibliografia selecionada
Freire e Pessanha, 1905, p p. 241 -273; Costa, 2000, p p. 80 -81; Capela, 2003, p. 484; Pizarro, 2012,
p. 483

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
221

4.119. Sítio 119
Sezures; Sezures; Vila Nova de Famalicão

4.119.1. Dados arqueológicos
Não recolhemos dados para este sítio, n os inventários arqueológicos que servira m de base para o
nosso estudo, nem em visita ao local.
Desconhecemos ruínas de estruturas associáveis ao local, ou indícios de edificad o que possam
remontar aos períodos m ais an tigos referenciados documentalmente. A dmitimos a hipót ese de poder
haver um templo associável à Idade Moderna, na origem do núcleo paroquial.
Consideramos ser possível percecionar um núcleo paroquial que está plenam ente articulado com os
núcleos populacionais da freguesia, constituindo o centro nevrálgico das vi vências da comunidade.
4.119.2. Dados documentais
A paróquia de Sez ures [119] era denomina da de “
Sancto Mamete de Cesuras
”, no censual datado
dos finais do século XI e pertencia à Terra de
Bracara
(Costa, 2000, p. 79).
Sezures [119] é denominada de “
Sancto Mamete
”, em 1220 e perten cente à Terra de Penafiel d e
Bastuço (PMH. Inq., 1888, pp. 15, 86, 17 4, 217). A paróquia é denom inada “
Sancti Mom heti de
Moimenta
” em 12 88, sendo pertencente ao Julgado de Penafiel de Bas tuço (Pizarro, 2012, p. 488).
A freguesia é denom inada no século XVI de “
Cezuras
”, tendo pertencido, a Penafiel de Bastuço (Freire
e Pessanha, 1905, pp. 241- 273).
A freguesia de Sezu res [ 119], pe rtence em 1758 ao t ermo de Barcelos. A justiça é aplicada por
Barcelos, mas faz em uso ta n to do corre io de F amalicão como do de Braga. O pároco é apres entado pelo
abade de Priscos. Refere-se ainda que é constituído pel os luga res de “
Rio, Monte, Cada faz, Igreja, Bica,
Real, Quintella
” (Capela, 2003 , p. 505).
4.119.3. Cronologia
Ocupação da Alta Idade Média , B aixa Idade Média e Idade Moderna ass ociada a um núcleo paroquial.
4.119.4. Bibliografia selecionada
PMH. I nq., 1888, pp. 1 5, 86, 1 74, 217; Freire e Pes sanha, 1905, pp. 241 -2 73; Costa, 2000, p. 79;
Capela, 2003, p. 505; Pizarro, 2012, p. 488

Parte III - A paisagem entre a Antiguida de Tardia e a Idade
Moderna: princ ipais vetores de organização

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
223
1. O povoament o na An tiguidade Tardia na região bracarens e
1.1. Os test emunhos, os sítio s e o seu significado
1.1.1. Os sítios
Os dados que dispomos relat ivos ao povoamento da Ant iguidade Tardia, na re g ião bracarense,
reportam-se ao período entre os finais do século III e o século VI II, sendo basicamente resultantes do
cruzamento dos dados arq ueológicos relativos ao terr itório, pr esentes em diversos invent ários (Martin s,
1990; Martins, 19 95; Fontes, 199 3; López Quiroga, 2004; Carvalho, 20 08). Para a cidade de B raga
contamos com uma significativa massa de informação de caráct er diacrónico que per mite compreender
a evolução da cidade entre o seu mom ento fundacional nos finais do século I e a Idade Média, um
conhecimento pr esente em várias publicações q ue abordam os dados arqueológicos facultados por cerca
de cinco décadas de prática continuada de arqueologia urbana (Ribeiro, 2008; Fon t es
et al.
, 2010;
Martins
et al
., 2015; Martin s
et al
., 2016; Martins
et al
., 2017b). E sses dados for am cruzados com os
do inventário dos materiais arquitet ónicos t ardo an tigos do Mu seu Pio XII ( Fontes
et al
., 2 009) e com
outros dados resultantes de intervenções arqueológicas realizadas no território bracarense.

Figura 14 - Sítios ass oci áveis à Antiguidade Tard ia . ©Francisco And rade
A área em estudo int egra um t otal de vinte e três sítios, que poderão de alguma forma ser associáveis
ao período tardo antigo, que deverão ser considerados com graus distintos de seguran ça, tendo em conta

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
224

a natureza dos dados usados na sua classificação. Por sua vez, é bastante desigual o g rau de detalhe
dos dados arqueológicos di sponíveis para cada um dos sítios inven tariados. Con tudo, e apesar dessa
desigualdade potenciar algu m as assimetrias de informa ção , consideramos que é possível refletir sobre
os padrões que julgamos poder ident ificar, correla cionando os dados arqueológicos com outras
evidências.
1.1.1.1. A cidade de
Bracara

O conhecimento da ocupação tardo antiga da cidade de B raga [34], representa o resultado das
inúmeras intervenções arqueológica s que se têm realizado na cidade, desde 19 76, no âmbito do “Projeto
de Estudo de Bracara Augusta”, desenvolvido pela Unidade de Ar queologia da Universidade do Min ho.
Os resultados dos t rabalhos realizados t êm sido alvo de inúmeras publicações, das quais se destacam,
a título de exem plo, algumas sínteses temá ticas e estudos setoriais (Lemos
et al
., 2002, pp . 609- 624;
Ribeiro, 2008; Fontes
et al
., 2010, pp. 255-2 62; Mar tins
et al
., 2016, pp. 35-52; Fontes e A ndrade,
2018, pp. 51-67; Ma rtins
et al
., 2015, pp. 11- 28; Mar tins
et al
., 2017a, pp. 235-239; Martin s
et al
.,
2017b, pp. 241-246; Andrade e Fontes, 2020, pp. 293 - 314).
Um dos marcadores mais impact antes da morfologia urbana da Braga t ardo antiga, relaciona -se
com a construção da robusta muralha da cidade, que passou a limitar uma área urbana com cerca de
quarenta e oito hectares, tendencialmente ovalada, erguida em finai s do século III/inícios do IV. A
muralha, de imponentes dimensões, apresentava uma largura muito próxima dos seis metros, (Lemos
et al
., 2002, pp. 6-22) e foi escavada em variados locais, tendo sido possível perceber que incorporava
torreões semicirculares, espaça dos cerca de dezoito pés (Silos , 2018) . Esta reaproveitou um significativo
volume de element os arqui tetónicos desmontados de vários monumentos e abunda ntes mon umentos
epigráficos, amortizados nos seus enchimentos. A estrutura defensiva foi const ruída no tempo de
Diocleciano, apresentando características similares às suas con géneres peninsulares, designadam ente
ao nível da solução construtiva com a incorporação de t orreões, igualmen te presentes nas muralhas
tardias de cidades do NO ibérico, como
Asturica
,
Lucus
,
Le gio
ou Gijon (Fe rn ández Ochoa, 1997).
A topog rafia urbana da B r aga t ardo antiga é herdeira da malha ortogonal de quarteirões que
caracterizou o espaço urba no da
Bracara Augusta
n o período alto imperial, cujo t raçado foi desenh ado
num mom ento fundacional (Martin s e C arvalho, 2016). No en tanto, à tendência registada n o século I V
de avanço da con strução das
domus
sobre os pórticos , junta -se no período tardo an tigo uma tendência
de amortização dos regulares espaços das an tigas ruas romanas, uma consequência da construção da
muralha que con tribuiu, a prazo, para a perca de funcionalidade de alguns eixos viários (Martins e Ribeiro,
2013). No entanto, a cidade manteve, ainda na Antiguidade Tardia, uma topografia pautada pelo traçado

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
225
ortogonal fundacional que se man teve numa con sider ável área intramuros (Martins
et al
., 2017a, p.
236) .
Aspeto importan te relacionado com as alterações veri ficadas no tecido urbano da
Bracara
tardo
antiga, foi a readaptaçã o de espaços e edifícios p úblicos, que progre ssivamente foram invadidos por
estruturas de uso privado, de cará ter residencial e artesanal. Este processo e stá part icularmente bem
documentado n a zona do teatro romano , onde se registam ocupações para sitárias dos ant igos espaços
do edifício, bem como n a sua envolvente (Martins
et al
., 2017 b, pp. 241-242). Aí foram
arqueologicamente ident ific adas t rês con struções de c arácter residencial e art esanal, que u sam novos
materiais e anunciam soluções con strutivas medievais, datadas entre os séculos V -VII. A unidade
construída 1 encont ra-se na área correspondente ao
parascaenium
norte do teatro e terá tido uso
habitacional, en quanto a unidade construída 2 está localizada numa área ext erior ao teatro, anexando -
se ao seu muro perimetral. T rata-se de uma con strução t rapezoidal de carácter artesanal, com um forno.
A unidade construída 3, encontra -se a norte da unidade construída 2, sendo impossível e stimar ainda a
sua funcionalidade, pois encontra-se em fase de escavação (Martins
et al.
, 2017b, pp . 241-242).
A cris tianização da topografia foi um dos aspetos que caracteriza a evolução urbanística t ardo antiga.
Tal como já referimos em A ndrade e Fontes (2020, pp. 293-314), o p rincipal dado de que dispomos do
cristianismo tardo antigo é pr ovenien te das escavações levadas a cabo por Fontes, Lemos e Cru z (1997 -
1998, pp. 1 37-164), em que é documentado o ap areciment o de um edifício de culto , que t erá
reaproveitado e reo rganizado estruturas dos séculos an teriores. O edifício identificado, que apen as se
conhece parcialmente, parece dispor de uma nave t ripartida, à luz do que se conhece das int ervenções
lavadas a cabo na Sé arquiepiscopal de Braga.
Apesar de an teriormente t ermos referido que não se con heciam mais estruturas do conjunto episcopal
tardo antigo (Andrade e Fontes, 2020, pp. 293 -314), trabalh os que ainda estão a decorrer a leste da
catedral, estão a proporcionar dados acerca do conjunto e piscopal (Mag alhães
et al
., 2023, pp. 771-
783), que permanecem, todavia, ainda de difícil interpretação. A o longo da terceira part e desta t ese ,
tecemos algumas considera ções acerca da organização e adaptação dos espaços, res salvando, contudo,
a circu nstânc ia de que, pelo faco de os trabalhos ainda estarem a decorrer, os resultados s ão
naturalmente prelimitares. A pesar de a ident ificação do con junto episcopal nesta zona não ser uma
novidade (Fontes, Lemos e C ruz, 1997 -1998, pp. 137- 164) a novidade que os t rabalhos mais recent es
veio proporcionar é no sentido de uma maior com plexidade, equ iparando o n úcleo arquiepiscopal
bracarense a outros que já apresentamos em Andrade e Font es (2020, pp. 293 - 314), fact o que reforça

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
232

sendo at ribuída essa remo delação aos séculos III -IV, o que é condizente com o período de grande
vitalidade con strutiva nas
villae
da Hispânia, que A . Chavarría Arnau (2007) tem como pon to de partida
no seu estudo.

Figura 18 - Ruínas arqueológicas de Dume (
pars urbana
nas proximida des da i greja e capela da Nª Srª
do Rosário
e
balnea
, próximo do cem itério). ©UAUM/Francisco A ndrad e

A primeira e strutura que se identificou e interpretou como sendo perten cente à Antiguidade Tardia,
foi a estrutura balnear que foi ident ificada nas cam panhas de 1993 e 19 95 e se loca liza a cerca de 90
metros a este do primeiro n úcleo de ruínas identificado . O edifício baln ear, a presenta uma planta
tendencialmente ortogonal, que s e organiza tendo como área central um pátio, que se encont ra ladead o
por duas piscinas retangulares, localizadas a este e oe ste. Para além destes compartiment os, também
se ident ificou um
tepidarium
e um
caldarium
a sul e a leste uma pretensa área de serviços (Fontes
1994, cap.2. 1; Andrade 2015, pp. 48- 50). Trata-se de um edif ício qu e apresenta o reaproveitamento de
diversos elementos arquitetónicos, designadam ente nas
pilae
do
tepidariarium
, o que terá influ ído para
uma primeira aproximação à fase dos séculos III -IV da
villa
.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
233

Figura 19 - Estrutura baln ear identificada em Dume fu ndada nos sécu los III -IV (segundo Andrade, 20 15, adaptad o
de Fontes, 199 4).
Após a escavação desta estrutura e o alargam ento da int ervenção na zona con tígua a sul, da capela
da Nª Srª do Rosário, em 2 003, ident ificaram-se m ais estruturas que, apesar de s eguirem a orient ação
das primeiras, par ecem ter conhecido cron ologias similares, designadamente um átrio porticado (Fontes,
2011c, pp. 20- 44). As estruturas apresentam igual ment e element os re aproveitados, tal como n a
estrutura balnear. N a área mais próxima da igreja, parece ident ificar-se uma inflexão das estruturas q ue,
de uma orientação mais a NO/SE , passam a uma orientação mais no sentido E/O , ju n to às escadas que
se identificaram em zona contígua à capela da Nª Srª do Rosário.
Mediante uma análise da estratigrafia e de dado s de dataçã o absoluta, que ser ão apresentad os com
maior detalh e no capítulo dedicado aos most eiros da Ant iguidade Tardia, parece -nos que os silhares
almofadados, dispostos de forma semicircular e que inicialmente foram interpretados como sendo parte
da primitiva basílica sueva, poderão ter tido uma origem num com partimento trilobado desta fase da
villa
, relativamente comum nas
villae
deste período, q ue t eria constituído um dos com partimentos de
maior destaque da
pars urbana
e configuraria um espaço de representação do edifício senhorial
dumiense. Este aspeto pare ce-nos importante, na medida em que a su a confirmação, em co njunto com
a existência de outras infr aestruturas como a estrut ura balnear, reforça com bastan te seguranç a o

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
234

enquadramento das ruínas dumienses na tipologia de
villa
, como já tem vindo a se r defendido desde os
primeiros resultados apresentados (Fontes, 1987, p p. 111- 148 ), colma tando, apesar de tudo, a
inexistência de uma planta que possa permitir o conhecimento das características gerais do edificado,
face à inexistência de uma área escavada mais ampla.

Figura 20 - Sala tril obada mais antiga de Dume e enquadra mento com algumas das divisões trilobadas que se
conhecem em contexto de
villa e
ou gra ndes palácios romanos (adaptado parc ialm e nte de Hidalgo, 2014, p. 2 34).
Não obstante a origem que consideramos que o espaço possa ter tido num mom ento inicial, não está
de todo descartada a hipótes e de que o espaço pos sa ter sido adaptado ao culto cris t ão numa fase final
da
villa
, pe se embora n ão seja possível, de moment o, a recolha de da dos arqueológicos que possam
permitir a confirmação desta hipótese.
O estudo elaborado sobre o sítio arqueológico de Dum e [40], levou -n os a avançar (Andrade, 2015)
com a hipótese de delimitaç ão de domínio fundiário de Dume, através do cruzament o de diversos dados
de mom entos posteriores e que são relativos à cent uriação roman a, avan çada por Helena Carvalho
(2008).

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
235

Figura 21 - Proposta de
f undus
para a
villa
de Du me (segu ndo Andrade, 201 5). ©Franci sco Andrade
A proposta leva-nos a consi derar uma área de maior p robabilidade que se circunscreve a uma zona
predominantemente quadrangular que corresponde, grosso -modo, à área ocupada pela freguesia de
Dume ( pré reorganização administrativa de 2013), dei xando em abert o a inclusão da t otalidade ou de
parte de uma faixa a sul que também poderia fazer parte das en tidades que a con frontavam a sul
(Andrade, 2015, p. 54). Pese embora as dificuldades de caracterização, face à inexistência de dados,
considerámos, no seguimento do que vem sendo defendido por outros aut ores (Martins, 1990; Carvalho,
2008; Carvalho 2019), que na proximidade imediata da
villa
de Dume [40], s e localizariam outros
assentamentos de tipologia simil ar.
Assim, acont eceria nos terrenos próximos à igreja de Adaúfe [18], local onde foram identificados
elementos arquitetónicos e material laterício, bem como uma inscrição vot iva (Martins, 1990, pp. 8 0 -81;
Fontes, 1993, pp. 31- 88; Carvalho, 2008, p. 2 72; C arval ho, 2019, p. 45). Apesar de n ão existirem
elementos construtivos,
in sito,
que permitam relacionar es t e sítio claramente com uma oc upação tardo
antiga, presumimos que a provável existên cia de uma
villa
romana permite considerar também uma
ocupação da Antig uidade Tardia, correlacionando os dados arqueológicos de período an terior co m
elementos arquitetónicos que lhe possam ser a ssociados . Na verdade, o único vestígio da freguesia de

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
236

Adaúfe, datável daquele período, localiza-se em Santo André do Vale [20], poden do ser aqui, noutro
extremo de uma área de terrenos com uma considerável propensão para a prática ag rícola que se poderia
localizar a
villa
, tal como refere Helena Carvalho (201 9, p. 45).
Assim, face à inexistência de dados arq ueológicos segu ros, m antemos a possibilid ade genérica de
que existiss e uma
villa
roman a na zona de Adaúfe, que poderá ter tido uma ocupação tardo antiga. O utro
local qu e poderá ter sido ocupado por u ma
villa
, eventualmente ainda na Antiguidade Tardia, situar- se - ia
na envolvente dos t errenos da igreja velha de Gualtar [29], estendendo -se até à área próxima da at ual
igreja, on de se localizaram diversos elementos de
tegulae
e
lateres
(Carvalho , 2 008, p. 271; C arvalho,
201 9, pp. 43-44). A habitaçã o a sudoeste da igreja velha, n a encosta entre as igrejas acima referidas,
está localizada n uma zona c on hecida como Pia, s ugestiv o topón imo que parece rem eter para a existê ncia
de algum elemento pé treo r eaproveitado com essa funcion alidade. N uma área muito próxima localiz a-se
um sítio conhecido como poça, que remete para a abundância de água nesta região.
Limitando a norte com o
fundus
de Dume [4 0], em St o. Estevão Velho ou Pardelhas [82]
identificaram-se restos de con struções e de element os arqu itetónicos que, segundo Helena Carvalho
(2008, p. 272; 2 019, pp. 54-55), indiciam a pr esumíve l existência de uma
villa
romana. A refe rência na
delimitação do termo de Dume ao sítio de
Paretelias
(Andrade, 2015, p. 201), leva -nos a assumir a
possibilidade de poder corresponder a este local, n ão sendo possível, de momento, saber quais os
contornos específicos da sua oc upação. Avelino Jesu s da Costa refere o a parecimen to de uma ara
anepígrafa (19 97, p. 1 17), não s endo claro qu e s e t rate efetivamente de uma ara, ou se ela será de Sto.
Estevão, lugar da Póvoa [8 1], relativamen te próximo do local, como parecem indi ciar outr os invent ários
em que a peça aparece ref erida (Martins, 1990, pp. 84 -85; Fontes, 1993, p. 63; Font es
et al
., 20 09,
vol. I, p. 33). Refira-se, con tudo, a possibilidade de a ara de Sto. Estevão/Póvoa [8 1] poder se r originária
de Sto. Estevão Velho, ou Pardelhas [82], podendo ter sido deslocada.
A su doeste de St o. Estevão Velho ou Pardelhas [ 82], e m local próximo da via XIX, junto a u ma zona
denominada de Pateira [67], Helena Carvalho ( 2008, pp. 271 -27 2; 2019, p. 44) refere a det eção de
fustes de colunas e de uma pedra de lagar numa exploração ag r ícola, cujos limit es parecem coincidir
com o traçado da via. Esses dados levaram a inves tigadora a con siderar que esse local também poderia
corresponder a uma
villa
r omana, classificação que t ambém atribuiu ao sítio de S. Pedro de Merelim
[66], de onde se conhece uma inscrição que nomeia um cidadão romano inscrito na tribo Quirina.
De S. Paio de Merelim proc ede um capitel datável dos séculos V -VII pertencente à coleção do Museu
Pio XII, que sugere uma existência de um edifício tardo an tigo. Dada a proximidade da
villa
de Pateira

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
237
[67] re lativamente ao achado, avançamos a hipótese de o mesmo poder estar associado com aquela
villa
.

Figura 22 - Capitel de S. Paio de Merelim, séculos V -VII (segundo Fontes
et al
., 2009, vol. II, p. 60) . ©Manuel
Pitães
Ainda na zona co n tígua ao domínio fundiário dumiense, a sudoeste, na zona conhecida por Santarão
[102], está refe renciado o ach ado de diversos elem entos arquitetónicos (Martin s, 1990, pp. 89 -90;
Fontes, 1993, pp. 76-77; Carvalho, 2008, p. 270). Os dois cap iteis em granito nº550 e 5 51, são dados
como provenientes de paço de Semelhe, s en do-lhes atri buídas cron ologias associáveis aos séculos V -VII.
Integrados na coleção museográfica do Museu Pio XII estão quatro elemen tos arquitet ónicos com
cronologias que abarcam um período cronológico compreendido entre os séculos I I -VII (nºs 31 , 66 , 67 e
86) ( Fontes, 20 05), que poderão ter sido alvo de reaproveita mentos de materiais de outras proveniências.
Face à existência n este local de um sítio ar queológico que tipológica e cronolog icamente é com patível
com este tipo de achad os e a sua re lativa proximidade relativamente ao local do achado dos elementos
arquitetónicos, consideramos plausível que e stejamos perante um único sítio. Apesar de Armando
Redentor e Henrique Regalo (2013), at ribuír em a proveniência dos capitéis do Museu Pio XII (550 e
551), à zona da Quinta da Mata, um local distinto de Santarão, mantemos a posi ção de sinalização de
apenas um sítio, já defendida anteriormente (Andrade, 2 015, p. 60).

Figura 23 Capiteis prov enientes de Semelhe e Tibães (segundo Fon tes
et al
., 2009 , vol. II, pp. 1 8, 20, 2 1, 52,
62 e 65). ©Ma nu el Pitães

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
238

Existem outros dois locais de on de procedem elementos arquitetónicos que levaram diversos autore s
a classificá-los tipologicamente como de
villae
. Trata-se dos sítios de Infias [29] e de Coturela [35], ambos
localizados na periferia ime diata da cidade de B raga, em locais próximos a duas das vias q ue saíam da
cidade a nordeste e a n orte. A
villa
da Coturela [35], deveri a corres ponder a uma propriedade suburbana,
dadas as características topográficas do sítio, pelo que seria dedicada essencialmente a habitaçã o de
um membro ilustre da cidade, cuja casa beneficiaria da cont empl ação de uma paisagem de qualidade.
A localização das
villae
suburbanas era comum na proximidade de vias de comunicação importantes qu e
saíam das cidades (Adams, 2008, p. 4), o que permitia potenciar as redes de sociabilidade que se
pretendiam m anter n o campo, na medida em que os
domini
destas
villae
eram geralmente abastados
membros da elite urbana, envolvidos na atividade política intimamente associada a uma intensa atividade
social. Ora o sítio da Coturela [35] parece en caixar -se no modelo de implantaçã o acima descrito,
situando-se nas imediaçõ es da cidade, perto do trajeto da via XIX, ocupando um pequeno outeiro
sobranceiro ao vale do Cávado, de onde era possível disfrutar uma imponent e p aisagem. Assim, a
conjugação da localização com os ac hados (Fontes, 1993, p. 6 9; Carvalho , 2008) leva -nos a con sidera r
como plausív el a propo sta classificação de
villa
, e mbora n ão especificamente ligada à atividade
agropecuária. Também a presumív el
villa
de Infias [29] deve ter possu ído um excelente enquadram en to
paisagístico, com uma boa visibilidade para a extensa veiga do Cávado, sendo a área estimável de um
presumív el
fundus
relativa mente reduzida, razão que permite con siderar a sua função como
villa

suburbana, que se localizava perto do trajeto da via XVIII.
Na zona da igreja pa roquial de Espinho [44], Luí s Fon tes (1993, p. 4 5) refere a ident ificação de
uma inscrição funerária e de mat erial de construção, existindo no Museu Pio XII uma ara (nº 423). A
estes achados, que levaram à classificação do sítio com o
villa
romana e t ardo an tiga, acrescem as
características topog ráficas do sítio, favo ráveis à p rática ag rícola (Carvalho, 2019, p 44). Junt o à igreja
de Esporões [45], ident ificaram -se duas inscrições, uma correspondente a uma ara votiva e outra a um
marco de propriedade ( Fontes, 19 93, p. 46). Helena Carvalho (2019, p. 44) re fere que as caraterísticas
do terreno da e n volvente da igreja sugerem a existência de uma
villa
, salie ntando a importância do marco
de propriedade, q ue tem grafada a palavra
SEVERI
e teria servido para delimitar o
fundus
de uma
villa
,
que poderia ser a de Esporões [45].

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
239

Figura 24 - Marco de proprie dade identificado em Esporões ( segundo Font es
et al
., 2009 , vo l. I, p. 89). ©Manu el
Pitães
1.1.1.3. As vias
O nosso conhecimento da viação tardo antiga, herdeira da rede viária da Hispânia romana, deve -se,
como referiu Helena Carval ho (2008, p. 10 8), a t rês font es principais: itinerário dito de Ant onino; o
denominado an ónimo de
Ravenna
e as conh ecidas tábuas de Astorga . Por sua v ez, conhecimento dos
traçados dos itinerários pr incipais, tem tido com o element o mais relevante da validação, a ident ificação
de m iliários, a prospeção e a ident ificação de segmentos de pavimento e a int erp ret ação cartográfica,
um trabalho de progressivo apuramento.
Não sendo nossa inten ção traçar a historiografia do estudo da viação romana da região bracarense,
ou efetuar um estudo apro fundado dos traçados das vias que ligavam
Bracara
a outras cidades, já
abordados em t rabalhos anteriores como em Lemos (2000 ; 20 02) e Carvalho (2008), procu raremos
apenas identificar os principais eixos viários que se en con trariam em atividade, permitindo a circulação
de pessoas e bens, interconectando a
Bracara
tardo antiga com outras partes do território da Península
Ibérica. Na verdade, o nosso interesse na viação roma na prende -se com a necessidade de
estabelecermos uma relação de influência e interdependên cia entre os eixos viários em uso na
Antiguidade Tardia e os pri ncipais locais que estariam ocupados nesse período.
Bracara Augusta
tinha
seis principais vi as que conectavam a cidade praticamente em todas as direções.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
240

Figura 25 - Principais vias romanas identificadas na região de Braga. ©Francisco Andrade (base de Helena
Carvalho, 20 08)
A principal via que partia da cidade para norte, em direção a Lugo, era a via XIX (
item a B racara-
Asturica
) que ligava
Bracara
a
Asturica
por
Lucus
, em cuja proximidad e se dispunham alg umas das
principais
villae
conhecidas n a bacia do Cávado, situadas próximas da cidade de Brag a. A via saía pela
porta n orte da muralha da cidade, seguindo por terrenos que se dispunham a oeste do atual convento
do Pópulo, descendo para a zona de Dume, pas sando próximo à capela de S . L ourenço [42]. Já em
Dume, a via cruzava a zon a conh ecida como C arcavelos, basta nte próxima da
pars urban a
da
villa
de
Dume [40], continuando pe la zona próxima da
villa
de Pateira [6 7], em direção à passagem do Cávado,
no sítio da at ual ponte de Prado [65] (Carvalho, 2008, p. 247). O seu percurso as segurava a ligação a
Limia
(Pont e de Lima), aglomerado com ori gem num
vi cus
, dirigindo -se a Tude (Tuy), depois de passado
o rio Minho, seguindo para
Iria Flavia
, infletin do para n ascente em direção a
Lucus A ugusti,
de on de

seguia para
Asturica
(Almeida , 1968 ; Almeida, 1979; Pérez Losada, 2002; Fe rn ández Och oa, 1995).
Para sul dirigiam-se duas v ias. A via XVI (
ab Olisipone Bracaram Augustam
) permitia a ligação de
Bracara
com a Lus itâ nia. A via sairia pela porta sul da muralha , seguindo em direção a Esporões e veiga
do Penso, passando perto de, pelo men os, uma
vill a
, localizada em Esporões [45], aproxim ando -se
progressivamente do litoral, desenh ando um itinerário que percorria a zona ocidental do território
atualmente português, passando por vários núcleos ur banos import antes (Mantas, 2000). Por sua vez,

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
241
a via
Bracara-Tongobrigam-Emeritam
qu e conectaria
Bracara
à capital d a Lusitânia, sairia pelo quadrante
sudeste da cidad e, na zona do Fujacal, seguindo para sul pela zona da Falperra e pela portela que dá
acesso a S. Martin ho de Sande e Calda s da s Taipas (Carvalho , 2008, p. 248). Uma vez cruzado o rio
Douro a via dirigia-se à Egitânia, seguindo para
Emerita
.
O eixo estruturante de comu n icação de
Bracara
com o litoral era a via XX (
item per loca maritima a
Bracara
) que unia a cidade a
Asturica
e
Lucus
por um percurs o con troverso, devido à ausência de
miliários, devendo percorrer a orla marítima, até
Brigantium
(La Coruña). Est a via saía de
Bracara
pela
porta poente da muralha, no enfiamento do decumano máx imo, em frente da qual se di spunha o
anfiteatro, onde se construiu a basílica paleocristã d e S. Pedro de Maximinos, infletindo pela calçada da
Naia, passando a sul do monte das Caldas [103] (Carvalho, 200 8, p. 2 48). A
villa
d e Sa ntarão [1 02] era
bastante próxima do traçado da via, sendo certo que pass aria perto de Martim , ligando a uma eventual
via secundária que passaria próxima às zonas de Real e Semelhe.
Pelo lado nascente de
Bracara
diver giam duas vias. A via XVII (
item a Bracara Augusta
) ligava a cidade
a
Asturica
, com origem n a porta n ascente, n o eixo do traçad o do
decumanus
m áximo, passando pela
área da necrópole que se es tendia do atual largo Carlos Amarante, pela rua do Rai o e largo da Nª Srª. a
Branca, passando pela necrópole de S. Victor [33], e m direção a Gualtar, pela rua da Estrada Velha,
seguindo pelo vale do Est e, não muito longe da
villa
de Gualtar [59] (Carvalho, 2008, p. 2 44). O seu
percurs o atravessava o atu al território até
Aquae Flaviae
(Chaves), seguindo para nordeste por
Veniatia,
Petavonium, Argent iolum
e
Asturica
(Lemos, 2000; Lem os, 2002). Por sua vez, a via XVIII , ou via Nova,
construída em época flávia, estruturava um itinerário alt ernativo de ligaçã o entre
Bracara
e
Asturica
,
saindo da cidade por n ordeste, seguindo o traçado d a at ual rua dos Ch ãos, S. Vicente [28], onde se
localizaria uma basílica paleocristã, pela
villa
suburbana de Infias [29], passando pe las Sete Fontes [31],
seguindo pela veiga do Cávado e por Adaúfe [18], em direção ao at ual território de Am ares (Carvalho,
2008, p. 245).
Para além destas vias principais haveriam seguramente vias secundárias e cam inhos vicinais que
interconectariam os diversos sítios que desenhavam o m apa do povoamento do período tardo ant igo,
muito ligado ao prot agonismo e importân cia estratégica da cidad e de
Bracara
, capital do Reino Suevo,
entre 407 e 585, depois de t er conhecido, ao longo do século IV, u m período de forte dinamismo político
e económico, em parte derivado da sua p romoção a capital da n ova província da Galécia, criada por
Diocleciano.
Os testemunhos mais importantes do sis tema viário romano e tardo antigo que se encon tram
presentes na região em an álise são os miliários que testemunham as milhas, e nos aproximam aos

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
248

no Museu Pio XI I, parece-nos que há uma g rande probabilidade de o t emplo até à data associado aos
séculos IX-X, poder remontar ao período suevo visigótico, como já foi referido, sem descurar todavia
eventuais remodelações que seguramente terão existido, de correntes da ocupação do local, mas cuja
presença no registo arqueológico conhecido até ao momento, não pare ce ter gran de repr esentat ividade.

Figura 32 - Fase de escavação de interior de igre j a (198 9) , com zona de p avimen to de capela-mor visíve l ao
fundo. ©Arq uivo UAUM/L u ís Fontes.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
249

Figura 33 - Elementos arqui tetónicos associáveis aos séc ulos V - VII, provenien tes da igreja de Dume. (capiteis
segundo Fontes
et al.,
2009 , vol II, pp, 50, 53- 54 ). ©Manuel Pitães

Figura 34 - Possível áre a de ruínas, com base nos dados conhec idos até ao momento. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade
Ressalva-se ainda o facto de ser dos poucos sítios, pa ra além da cidade de Braga, que fo i alvo de
escavações utilizando m etodologia arqueológica, constituindo uma referência no estudo deste período.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
250

Dado que a área escavada poderá ser basta nte mais am pla e não ser possível um con hecimento m ais
detalhado da adaptação da
villa
a mosteiro, as con clusões a que pu demos chegar estão
consideravelmente condicionadas.
Os dados disponíveis levam -nos a considerar que diver sas valências da
villa
t erão sido abandon adas
ou conhecido readaptação, como é o caso do balneário. F ace aos dados que conhe cemo s da basílica, a
identificação de uma necrópole a oeste e sul da mesm a, terá indubitavelmente condicion ado o uso do
espaço nesta zona, inicialmente com usos seguramente distintos. A circulação, face à identificação do
muro mais a sul da basíl ica e a não identificação de u m vão que permitisse o ace sso direto a esta zo na,
por sul, parece indiciar uma certa rutura ao n ível da orgânica de funcionamento do mesmo, parecendo
passar a desempenh ar, a basílica, o novo papel organ izativo do espaço, limitando -se de alguma forma a
fluidez de circ ulação. A lógica de circulação int ra basilical, parece estar relativa mente bem definida,
sendo os circuitos identificados, o acesso direto ao altar-mor através da zona ce n tral da nave e um acesso
através do vão anteriormente referenciado, que foi identificado na abertura de uma entrada no alicerce
moderno, propiciando o acess o à abside sul, at ravés do vão onde foram identificados degraus com
mosaicos.

Figura 35 - Degra us de aces so a abside sul. ©Arqu ivo UAUM/Lu ís Fontes
Para além do mosteiro de Dume [40], aproxim adamente a meia distância entre o mesmo e Braga,
como refere
a Vita Frutuosi
, (Cardoso, 1996, p. 43), próximo aos limites con hecidos do domínio

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
251
monástico dumiense (Costa, 1965, p. 39), na atual z ona de Montélios, t erá sido erigido um mosteiro
[95], re ferenciado como local de sepultamento de S. Frutuoso. Os dados arqueológicos das diversas
intervenções que temos dirigido nos últimos an os no local, não são completamente conclusivos acerca
das características do referido mosteiro que se t erá aí instalado. Efetivamente, para além do mausoléu -
capela que foi restaurado na primeira metade do século XX e que está classificado como Monumento
Nacional, ident ificaram-se duas secções de um muro, localizado n a plataforma a norte do con vento de
S. Francisco, numa zona mais baixa relativamente ao mausoléu.
O muro, que se desenvolve no sentido NE/SO, apres en ta elementos alm ofadados sendo, até ao
momento, os únicos dados que dispomos. Efetivamen te, para além do mausoléu-capela, que foi
restaurado na primeira metade do século XX, e difício classificado como Monu mento Nacional,
identificaram-se, n uma zona mais baixa relativament e ao mausoléu, duas secçõ es de um muro com
orientação NE/SO, com elementos almofadados, localizado na plataforma a norte do convento de S.
Francisco. O aparecimento de alguns f ragment os de cerâmica cinzenta tardia comum em áreas
próximas, n ão g arante uma dat ação direta da referida estrutura, pelo que e stão e m curso análises às
argamassas do muro, tendo em vista obter uma datação para a estrutura, com o financiamento
concedido pelo Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT), através de fundos n acionais
da FC T – Fundação par a a Ciência e Tecnologia I.P., no âmbito dos projetos estratégicos
UIDB/04509 /2020 e UIDP/04509/2020. Os resultados preliminares, avan çados por Jorge Sanju rjo
Sánchez

7

, levam-nos a assumir a possibilidade de a sua construção poder remontar aos séculos I V-VI .

Figura 36 - As peto de mausoléu de S. Frutuoso e muro que pode rá ter pertencido a mosteiro. ©Arquiv o
UAUM/Franc isco Andrade

7

Institut o Isidro Parga Ronda l, Universida de da Corunha.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
252

Os trabalh os de cam po que estão em curso, associad os ao restauro do convento de S. Francisco,
permitiram a leitura dos parament os internos e externos do mausoléu, analisando os elemen tos que
poderão s er ass ociáveis ao maus oléu original. À luz dos dados qu e atualmente dispomos, consideramos
que parte dos alicerces do mausoléu de S. Frutuoso [95], poderão ser associáveis à sua fase mais an tiga
que poderá datar do século VII, cronologia que esperamos poder certificar com a análise das argam assas
em curso.

8

Dado que não identificamos, nas zonas con servadas, elementos distint ivos claros ent re os
elementos do alicerce e os paramentos conservados, con sideramos que poderão ser todos pertencent es
à mesma fase

9

. A análise do alçado norte permitiu a constatação de que apenas se conservou part e do
braço oeste do mausoléu e parte da t orre cent ral, bem como uma pequena parte do braço este, na zona
de suporte da quadra central.

Figura 37 - Leitura in terpretada do a lçado este do mausoléu de S. Frutuoso, com indica ção do século asso ciado
a cada fa se identificada. © Arq u ivo UAUM/ Francis co Andrade/Paulo Bernardes
A parte superior da torre lanterna t erá sido recolocada pela DGEMN, recorrendo a alg uns elementos
originais que ainda estavam
in situ
. Est a ação terá contemplado igualmente o encerramento de uma
grande janela que tinha sido rasgada no mausoléu. A análise dos paramentos t ambém permitiu a
constatação que a recoloca ção da parte superior dos elementos da torre lant erna terá cont emplado a

8

As amostras recolhi das estão a ser analis adas por Jorge Sanju r jo Sánchez, d o Instit uto Universitá r io Isidro Pa r ga Rondal, da Universida de da Corunha.

9

Assumimos que, dado os in dícios de reaproveitamento d e alguns el ementos, pos sam ser provenientes d e estruturas p reexistent es.

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
253
elevação do telhado, o que nos faz s upor que se terão e fetuado alterações ao nível da cobert ura e cúpula
do mausoléu. A referida anális e permitiu ainda identificar que os mot ivos decorativos dos alçados, que
foram replicados em toda a zona construída, se basearam n os elementos presentes ainda no alçado
original do braço este, permitindo a co n firmação de qu e apenas uma pequ ena parte, possuía alguns do s
seus elementos originais conservados.
Na zona m ais próxima da qu adra central, tal como na z on a les te, veri ficou-se a conservação de parte
do m otivo decorat ivo do braço norte, tendo permitido a replicação do motivo identificado. Refir a -se ainda
que o desmonte da parte supe rior da torre lanterna também se identifica neste alçado. Na parte inferior
do alçado da torre central, não são tão evidentes as alt erações do aparelho com o se verificou no
entaipamento do vão que existia na zona norte.
A an álise do alçad o ext erio r sul, do mausoléu, permitiu con statar que, tal como no alçad o ext erior
norte, se terá conservado uma grande parte do paramento do braço oeste, até à zona inferior à corn ija.
Também aqui se ident ificaram elemen tos similares a os q ue foram registados na zona mais a norte,
nomeadamente um óculo no paramento. F oi ainda possível verificar que apenas se t erá conservado a
zona inferior da t orre lan terna, e, tal como no alçado n orte, a remodelação e recolocação de elementos
na zona superior contemplou o entaipamento de um vão.

Figura 38 - Leitura i nt erpretada do alçado sul do mausoléu de S. Frutuoso, com indicação do século associado
a cada fa se identificada © Arq ui vo UAUM/ Francis c o Andrad e /Paulo Ber nardes

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
254

Para além dos dados qu e di spomos, decorrentes da an álise dos paramentos ext eriores do m ausoléu,
também nos foi possível ef etuar sondagens arqueológicas e escavar a área envolvente, qu e nos
proporcionou informação sobre o alicerce do edifício e da sua relaç ão com as e struturas com que se
articularam. A es cavação da sondag em 4, da intervenção que efetuámos em 20 15 ( Fontes
et al
., 2020a),
permitiu a ident ificação das características do alicerce do alçad o norte do braço oeste do mausoléu,
tendo a análise da estrutura permitido constat ar que, ao cont rário do que acon teceu com os braços
reconstruídos pela DGEMN, os motivos decorativos estavam ausentes no embasamento do braço norte.

Figura 39 - Fotografia de alçado nort e de braço e ste de mausoléu, sondagem 4. ©Arq uivo UAUM/Francisco
Andrade
O embasamento possu ía elementos de maiores dimensões na sua zona superior, parecendo pelo
menos dois deles, terem si do reaproveitados ou afeiçoados num dos seus vértices, eventualment e para
adaptação de edifícios posteriores que lhe adossaram. Os elementos do embasamento apresentam um

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
255
talhe relativamente tosco, se comparados com os motivos do embasamen to da DGEMN, que pode ser
visto na fot o do alçado norte da sondagem 4, que apresentamos na página anterior. É visível o
assentamento n o substrato rochoso, sendo ainda possível constat ar que alguns dos elemen tos visíveis
da zona inferior do mausoléu são de dimen sões relativamente pequenas e apre sentam -se afeiçoados
numa das faces. Dado que o alicerce n esta zona se encontra, em parte, encoberto pelas estrutura s do
convento do século XVIII, nã o é possível con statar, com clareza, se esta característica se deve a uma
adaptação ao terreno ou se poderia ter algum significado a nível construtivo.
A sondagem 3, da intervenção arqueológica de 2015, efetuada junt o ao braço este de mausoléu,
permitiu igualmente a identificação do seu alicerce. Apesar deste braço do mausoléu ser essencialmente
reconstrução da DGEMN, a zona inferior do seu alicerce, pare ce -nos, à luz dos dados que dispomos para
este momento, ser constituída por elementos originais, que poderão ser associáveis ao sécu lo VII.
Como é visível n a fotografia do alçado este, que abaixo apresentamos, sob o embasament o e uma
primeira fiada de pedras q ue terão sido colocadas n o âmbito das obras da Direção Geral dos Edifícios e
Monumentos Nacionais, identificaram-se duas fiadas de sil hares, alguns deles almofadados, t endo
encostada argamassa que poderá con stituir parte de estrutura da época moderna. A referida estrutura
foi alvo de recolha de ar g amassa para datação por OSL.

10

O aparelho do alicerce m ais antigo, n esta zon a,
apresenta parte das suas juntas seladas por argamassa alaranjada de estrutura de cronologia posterior,
como é visível na foto apese ntada a seguir, não tendo sido poss ível a recolha de a mostras deste alicerce
do mausoléu de S. Frutuoso.

Figura 40 - Fotografia de alçado este de alic erce de braço este d e mauso léu, sondagem 3. ©Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade

10

Análises da respons abilidade de Jorge Sanjurjo Sánchez, da Uni ver sidade da Corun ha.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
256

Figura 41 - Leitura int erpretada de alçad o este de alicerce de braço e ste de mausoléu. © Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade
O desaterro de preparação para con strução de estrutura de en trada no convento de S. Francisco,
pressupôs a remoção dos aterros efetuados pela Direção Geral dos Edifícios e Mon umentos Nacionais
(DGEMN). Nesta zona foi possível a identificação dos ali cerces dos braços sul e este do maus oléu, tendo
permitido con statar que o b raço sul, pelo menos nas s uas área s a sul e a leste, n as partes visíveis, foi
reconstruído pela DGEMN, desde o alicerce. No caso do braço oeste, poderá tratar -se da con strução
original, at é à zona da cornija. A análise do alicerce ident ificado decorrente do desaterro referenciado,
permitiu constatar que o alicerce, t ambém presu mivelment e original, possuía características ligeiramente
distintas do que se identificou na zona norte. A a nálise dos elementos permitiu verifi car que o
embasamento é constituído por elemen tos de grandes dimensões, bem aparel hados, parecendo um
deles apresentar cavidade indiciadora do uso de
forfex
. As duas fiadas inferiores são compostas, em
grande parte, por elementos de menores dimensões que apresentam um talhe mais tosco, alguns dos
quais não apresentam a face externa afeiçoada.
Apesar das diferentes características dos elementos, não n os foi possível associar o us o de diferentes
técnicas construtivas a fases distintas, devendo es sa diferença s er explicada pelas distintas funções que
os elementos desempenham, ao nível da solução c onstrutiva adotada no mausoléu. Na zona inferior de
alicerce, na área em que as junt as são mais largas, re colheram -se duas am ostras com vista à datação
por O SL.

11

Tal como no alicerce leste, os indícios de reaproveitamen to le vem-nos a assumir a sua
proveniência de preexistências nas proximidades.

11

Idem
nota ant er ior.

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MODERNA
257

Figura 42 - Fotografia de alç ado sul de alicerce de braço oeste de mausoléu. © Arquivo UA UM/Francisco Andrad e

Figura 43 - Leitura interpretada de alçado norte de alicerce de braço este de mausoléu. © Arquivo
UAUM/Franc isco Andrade
A an álise do alça do oeste do alicerce do braço sul do m ausoléu, permitiu con statar que, por u m lado,
a sedimentação que preenchia as juntas era idêntica à que tinha sido identificada n o alicerce sul, por
outro, apresentava silhares almofadados, tal como os que foram identificados no alicerce coloca do a
descoberto na sondagem 3.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
264

Figura 50 - Fas e IX do núcleo dos C TT (elemen t os la terícios de se p ulturas a laranja), segundo Brag a (201 8, vol.
II, fig. 32). © Cris ti na Braga

Figura 51 - Fase X do núcleo dos CTT (elementos laterícios de sepulturas a l aran ja), segundo Braga (2018, vol.
II, fig. 33). © Cris ti na Braga
O n úcleo da Cangosta da Palha, mais distanciado da cidade, localiza -se a nascente do anterior na
plataforma norte do eixo viário, onde se orga nizou um espaço de enterramen to utili zado en tre os finais
do século II e o século VII, numa área correspondente às traseiras do edifício do s Cong regados que se

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MODERNA
265
estendia at é à rua do Raio. O local foi intervencionado em 1987, n a sequência de desaterros realizados
com o objetivo de con struir um parque de estacionament o, que destruíram um número significativo de
sepultur as (Martin s
et al.
, 1989-1990, p. 105). Assim, de uma área com cerca de 2600m², foram
escavados cerca de 350m², que revelaram sessenta e duas sepulturas de inumação e apenas uma
associada ao ritual de cremação. Trata-se do único n úcleo em que se observa clara mente uma tendência
de orientaçã o O /E e OSO/ENE das sepulturas asso ciadas a cronologias tardo antigas, o que foi
documentado em cinquenta e três estruturas, situação distinta da que se verifica para as sepulturas
datadas do século II I, início s do IV em que apenas se regi stam três inumações orientadas N/S e uma
OSO/ENE. Foram escavadas quarenta e t rês sepulturas atribuídas à fase X, associáveis aos séculos V -
VII (Braga, 2018).

Figura 52 - Núcleo da cangosta da Palha (el ementos laterícios de sepulturas a laranja), segundo Braga (2018,
vol. II, fig. 6). © Cris tina Braga

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
266

Na zona próxima à capela da Nª Sr ª a Bran ca situa -se um núcleo da n ecrópole da via XVII, já
referenciado des de 19 18, por J.L. Vascon celos, que ref ere a descoberta de sep ulturas em márm ore “d e
forma de caix ões”, não referindo nem o número n em a sua cronologia (Vasconcelos, 1 918, p. 3 60). Em
2012 for am identificadas cinco sepulturas de i numação, que podem ser datadas dos séculos V a VII, n o
Largo da Nª Srª a B ranca no âmbito de trabalhos de acompanham ento arqueológico execut ados pelo
GACMB. As sepulturas encont ravam-se orientadas O/E, com ligeiros desvios OSO/ENE, t endo sido
individualizadas três covas simples sem revestimento e duas caixas de tijolo (Braga, 2018).
A necrópole propagaria -se para esta zona, at é ao núcleo de S. Victor [30], on de se considera que
possa ter havido um possível núcleo de culto paleocristão.

Figura 53 - Núcleo da Nª Srª a Branca ( elemen tos laterício s de sepulturas a l aranja), s egundo Braga (2 018, v ol.
II, fig. 34). © Crist ina Braga
O n úcleo de S. Victor [30], da necrópole da via XVII, situa-se a cerca de 1km em linha reta da área
urbana da cidade tardo antiga. A documentaçã o antiga, datada do ano de 899, levou Avelino Jesus da
Costa a propor a localizaçã o da primitiva igreja de S. Victor no sítio onde está hoje con struída a capela
de S. Vict or o Velho (Costa, 1997, p. 103). Assim , face aos dados arqueológicos disponíveis
consideramos plausível que o referido n úcleo se inte grasse na necrópole da via XV II, englobando um
conjunto de sepulturas de inumação , datadas inicialmente dos séculos IX/X, identificado em 1957, no
contexto de trabalhos de terraplanagem realiz ad os num edif ício junto à rua Martin s Sarmen to, localizado
cerca de 100m a sul da at ual I greja de S. Vict or. A avançad a cronologia das sepulturas foi que stionada

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
267
por Mário Barroca, que considerou que deveriam estar associadas a um con texto cro n ológico dos séculos
IV/V, ten do em conta as suas cara cterísticas construtivas (Costa, 1997 , pp. 103 -104). A este núcleo são
também atribuídas sete se pulturas detetadas em 200 0, n a sequência de sondagens realizadas pela
UAUM, em colaboração com o GACMB, em contexto de uma obra no prédio nº 194 -204, situado n o lado
poente da rua Ma rtins Sarmento. O recon hecimento das estruturas funerária s j ustificou a rea lização de
trabalhos arqueológicos qu e permitiram identificar um pavimento em
opus si gninum
que recobria
parcialmente uma das sep ulturas, o que permitiu considerar a existência de uma estrutura con struída,
ou coberta, tipo mausoléu ou t emplete (Lemos, 2001 , pp. 11-1 2; B raga, 201 8, p. 95). O nível de
abandono do piso de
opus signinum
forneceu mat eriais de cronologia tardo ant iga, datados entre os
séculos IV/VI (Lemos, 200 1, pp. 11-12).
Na zona de S. Vicent e [28], em zona próxima à via XV III, está documentada a ident ificação de uma
inscrição fu n erária datável do século VII, de acordo com Avelino Costa (199 7, p. 101 ). Segundo o aut or,
a t radução da inscrição seri a a seguinte “No dia 1 de maio da Era 656 (=ano 6 18), no dia de segunda -
feira, Remisnuera aq ui descansou em paz. Amén.” A inscrição am plamente estudada e difundida por
diversos autores é con siderada como sendo, até ao momento, o mais antigo tes temunho de designa ção
dos dias da semana segundo o modelo cristão.

Figura 54 - Epígrafe de S. Vicente, segundo Andrad e (2015, p. 59). ©Francisco Andrad e
Não pretende, o presente trabalho, o estudo epigráfico ou a validação da referi da inscrição, contudo,
face ao que conh ecemos da topon ímia da cidade, é muito plausível a exist ência de uma necrópole n o
local, ocupada neste período e associada a um edifício de culto, como já abordam os anteriormente.
Também na zona de Maximinos [25], próximo ao edifício de culto que consideram os que possa ter
existido neste local, de evocaçã o de S. Pedro, foram ident ificadas sep ulturas que podem remontar a este
período t ardo antigo, que se dispunham ao longo do eixo da via XX, que tinha o seu início na porta poent e
da muralha da cidade (Braga, 201 8).

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
268

Figura 55 - Sepulturas identificadas no túnel de Maximinos, (elementos lat erícios de sepulturas a l aranja),
associáveis aos s é culos III-IV. Segundo Braga (20 18, vol. II, fig. 51). © Cristina Braga
Os dados que se relacionam com o desenvolvi mento de su búrb ios, cujos referentes seriam potenciais
basílicas cemiteriais, parece m confirmar-se com estes i n dícios, designadamente o núcleo que se poderia
ter desenvolvido na zona d e S. Lázaro [27], no quadra nte SE da cidade de Braga, onde foi identificado
um núcleo da necrópole associada à via
Bracara-Emerita
, que sairia pelo Fujacal, do qual se con hecem
oito sepulturas, es cava das em 1996 e 1 998. O núcleo recebeu a designação de Ja rdins da Misericórdia
(BRA96/98JMIS) e situa-s e a cerca de trint a e três metros a poent e da muralha romana. As estruturas
funerárias foram identificadas num es paço ajardinado s ituado a poente do lar de T erceira Idade Nevarte
Gulbenkian. As sepulturas escavadas eram maioritariamente de inumação, exibindo uma orient ação
dominante E/O e vestígios associados aos caixões de madeira. A ausência de e spólio dificulta a sua
datação, exceção feita à sepultura II, que forn eceu ma teriais con stituídos por cerâmica cinzenta t ardia,
de produção local e fragmentos de vidro, co m destaqu e para um frasco quadrangu lar, de bordo em aba
horizontal, de cor verde-azulado, de produção local, c om uma dataçã o dos séculos IV -V, que permitiu
atribuir a sepultura à fase X, ou seja, datada entre os séculos V-VII (Brag a, 2018, pp. 3 49 -350).
Na
villa
de Dume identificou-se um núcleo inicial que se consider ou ser pertencente às estruturas dos
séculos I X-XI, dada a sua relação com a basílica (Fontes, 1991-1992) e a relação de posterioridade,

DINÂMICAS TERRITORIA I S E PODERE S NA REG IÃO DE BR AGA E NTRE A ANT IGUIDADE TARDI A E A ID ADE
MODERNA
269
relativamente a alguns dos element os reaproveitados que poderiam ter con hecido um horizonte
cronológico dos séculos III -IV e, no caso da tampa com mosaicos, eventualmente at é ao século V. Tal
como abordado no capítulo referente ao m osteiro de Dume, algumas das sepulturas ap resentam
afinidade estilística com sepulturas dos séculos VI -VII.
O primeiro aspeto que nos leva a considerar a hipótese que aq ui a vançam os prende -se com o fact o
de as sepulturas q ue se ap resentam relacionadas com a estrutura basilical a oeste, nos parecerem ter
bastante afinidade estilístic a com as sepulturas qu e foram estudadas por Andreia A rezes ( 2014, pp. 25-
26), na necrópole de S. Mig uel, nas Caldas das Taipas e que a a utora classifica com sendo associáveis
aos séculos VI-VI I, decorrente da análise do espól io associado.

Figura 56 - Fotografia do conjunto de sepul t uras iden tificad as em 1992 . ©Arquivo UA UM/ Luís Fontes.
As sepulturas de Dume colhem paralelos com os conju ntos de sepulturas identificados nas necrópoles
de Bracara, es tudadas por C. Brag a (2018, pp. 83 , 253), correspondentes à fase X, atribuída aos séculos
V-VII.
Uma das sepulturas identificadas mais recentemen te, localizada em zona a sul do primeiro núcleo de
ruínas, e que poderá estar relacionada com as mesmas, designadamente o seu con junto m ais a sul,
assenta num conjunto de carvões qu e foi possível datar por ca rbono 14 no laboratório Beta a nalytic.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
270

Figura 57 - Núcleo de sepult uras ide ntific adas em 19 92 e sepultura ide ntificada em 2013. ©A rquivo
UAUM/Franc isco Andrade
Efetivamente, esta sepultura de que nos foi apenas possível ident ificar uma das suas paredes
exteriores constituídas por t ijolo (UE 2446), apresenta -se selada por uma camada de
opus signinum
(UE
2451), que parece t er sido perturbada n a sua zona mais a sul, tendo -nos sido possível efetuar o registo
em corte e recolher a amostra 1.

Figura 58 - De senho de alçado este de s epultura UE 24 46, da necrópole de Dume e local de recolha de amos tra
1. ©Arquivo UA UM/Francisco Andrade
A amostr a 1 foi r ecolhida do n ível de carvões UE 2440 e providenc iou a seguinte datação: 2 SI GMA
CALIBRATION: Cal AD 425 to 595 (Cal BP 1525 to 1355). Este facto, leva -nos a considerar que a

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MODERNA
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sepultur a será posterior aos séculos V -VI. A análise comparativa de sepulturas que ap resentam
características construtivas similares, de signadamente a associação a camadas de
opus s igninum
, como
as que são referidas em W olfram (2011, p p. 140- 302), remete -nos para um h orizonte cronológico, que
deverá rondar os séculos V-VII, e qu e, portanto, se enquadra na cronologia qu e é f ornecida pela dat ação
absoluta.

Figura 59 - Fotografia de s epultura UE 2446 . ©A rquivo UA UM/Francisco Andrade
Para além desta sepultura, ident ifica-se, mais a sul, u ma outra, que se apresent a saqueada e com
características con strutivas similares às que foram registadas no primeiro núcleo ident ificado, sendo
constituída por fundo em tijolo e por parede em elementos de granito. Dado qu e a sepultura s e encontra
parcialmente saqueada, tal como as estruturas que l he são contíguas, não foi pos sível es tabelecer, com
detalhe, a relação construtiv a entre ambas. Todavia é possível e stabelecer que quer a dat ação da
sepultur a seja mais recente, como inicialmente tinha sido es tabelecido para as restant es, datando -as do
momento da reconquista, qu er possa ser associada ao período suevo -visigót ico, como a análise
comparativa explanada nos parágrafos ant eriores parece indiciar, a sua execução s erá sempre reflexo de
uma alteração da orgânica do espaço da
villa
que, como já referimos, poderá t er s ido adaptada a mosteiro
no período suevo-visigótico.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
272

Figura 60 - Sepultura UE 2481/ 2482, da nec rópole de Dume ( elementos laterícios a laranja), localizada na zona
mais a sul e p osição relativa mente a edifíc ios de
villa
/most eiro. ©Arquivo UAUM/Fran c isco Andrad e
Para além dos conjuntos de sepu ltura s mais recentes, que se p oderão enquadrar n o período suev o –
visigótico, n uma área m ais a leste, ide n tificaram -se duas sepulturas que, pelas suas características
construtivas, efetuando uma análise comparat iva com as sepul turas que co nh ecemos na região
bracarense (Braga, 2018) e pelo con hecimento que dispomos das fases da
villa
dumiense, poderão ser
associáveis aos séculos III-IV (Fontes e Carneiro, 2011).
As sepulturas localizavam -se n uma zona bastante afastada da
pars urbana
da
vil la
, a sudeste do
edifício termal, não parecendo haver qualquer tipo de condicionamento, relativamente à
villa
de Dume,
tendo sido contemporâneas da época de grande dinamismo construtivo.
Para além dos conjuntos de necrópoles, ant eriormente es tudados, também se ident ificou, na zona da
antiga igreja de Palmeira, n o lu gar do Assento [79], divers os elemen tos arqui tetónicos e um anel
visigótico, que poderia indi ciar a event ual associação a um con texto funerário. Apesar da escassez de
dados e a impossibilidade d e estudos recentes (Arezes, 2010, p. 6 1), pensamos qu e poderá ser possível
a existência de uma necrópole neste local. Contudo, dado o cont exto de identificação e escassez de
dados, que permitam assegurar a sua localização nest e local, n ão o incluímos. Face ao con hecimento
que dispomos do s vestígios n este momento, não nos é possível avançar com dados mais

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MODERNA
273
pormenorizados. Mediant e os dados do povoamento que dispomos até ao momento, parece -nos lícito
concluir que haveria outras n ecrópoles no território, presumivelmente associadas às
villae
,
desconhecendo-se, todavia, as suas e specificidades que só poderiam ser reveladas at ravés de
escavações.

Figura 61 - Se pulturas identificadas em Dume [40], associáveis aos séc u los I I I-IV (elemen tos laterícios a laranja) .
©Arquivo UA UM/Miguel Ca rneiro/Fran cisco Andrad e .
1.1.1.7. Os vestígios tardo antigos nos povoados castrejos
Os povoados de altura representam uma característica marcante da paisagem da Idade do Ferro do
Minho. Maiorita riamente ab andonados ao longo do século I, conheceram ocupações residuais, ao longo
dos séculos seguintes, tendo sido circunstan cialmente reocupados na Antiguidade Tardia, em particular
entre os séculos V e VII.

PARTE III – A PAI SAGEM ENT RE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MODERNA. I NTERPR ETAÇÃO DOS
PRINCIPAIS V ETORES DE OR GANIZAÇÃO
280

localizariam numa zona ligeiramente sobrelevada, n o n osso enten der mais adequada à localização de
uma residência senh orial t ardo roma na e que poten ciasse um a parato cén ico mais ad equado ao que
seria a função simbólica de uma residência deste tipo, em casos como a Cot urela [35], os valores de TPI
apresentados estão bastante condicionados pelas alterações urbanísticas mais recent es, que
descaracterizaram o pequeno outeiro em que estava implant ada a possível
villa
. I nfias [29] também
apresenta valores que poderão estar viciados, na medida em que neste local, os trabalhos de con strução
da fábrica Pachancho e urbanizações mais recen tes, também descaracterizaram basta nte a topografia
original do local. De qualquer das formas, os sítios da Cotutela [35] e Infias [29], n ão constituiriam um
tipo de
villae
na aceção “ortodoxa” do conceito, en qu anto grande exploração agropecuária roman a,
podendo constituir residências s uburbanas voltadas para o vale do Cávado e para todo o enquadramento
cénico inerente.

Figura 70 - Sítios da Antiguid ade Tardia, sobrepostos a ma pa com valores de d e cliv e. ©Francisco Andrad e
Por sua vez, a locali zação do mausoléu de S. Frutuoso [95] parece t er privilegiado a visibilidade do
espaço envolvent e, com especial ênfase n a via XIX, que lhe corria n as proximidades. Este facto é
condizente com a função como mausoléu de um alto dignatári o da sociedade visigótica como era S.
Frutuos o, bi spo de Braga e Dume, mas também com u ma h ipotética utilização do local como santuário
romano (Carvalho, 2008, II , p. 32). E sta hipót ese parece aceit ável à luz dos re sultados preliminares da

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