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As políticas patrimoniais da Unesco na geopolítica de colonialidades globais e a emergencia de novos sentidos de interculturalidade do patrimonio na Andaluzia

Abstract

Este trabalho tem por objetivo analisar as políticas internacionais do património histórico-cultural desde a perspetiva da colonialidade do poder/saber. Isso pressupõe ter de analisar a estreita ligação que existe entre os discursos e as representações da diversidade estado-nacional e a identificação e a gestão dos patrimónios globais e locais. A emergência dos patrimónios imateriais em contextos locais e a elaboração da lista do património imaterial da humanidade leva-nos a repensar o debate materialidade vs. imaterialidade, dominante nas representações do Ocidente e do Oriente, como manifestação da redefinição dos centros e das periferias geopolíticas, em termos de eurocentrismo e asiocentrismo. Consequentemente, perguntamo-nos se efetivamente nos encontramos ante uma mudança das tendências tradicionais das políticas do património ou ante uma luta de colonialidades opostas. Contrariamente às dinâmicas institucionais, os discursos da interculturalidade do património cultural elaborados por movimentos sociais locais demonstram a emergência de novas construções baseadas na experiência da diversidade cultural e da multiculturalidade, desde o reconhecimento do valor simbólico e identitário para a memória dos patrimónios históricos degradados pela modernidade colonial da Andaluzia.

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As políticas patrimoniais da Unesco na geopolítica de colonialidades globais e a emergencia de novos sentidos de interculturalidade do patrimonio na Andaluzia

Author: Castaño Madroñal, Ángeles; Hernández León, Elodia
Publisher: Catalão GO: Universidade Federal de Goiás - Departamento de História e Ciências Sociais
Year: 2016
DOI: 10.5216/o.v16i1.37021
Source: https://idus.us.es/bitstreams/22fc2341-ec31-44ca-8cd9-d373a2ad338e/download
DOI 10.5216/o. 16i1.37021
As polí icAs pA imoniAis dA UnEsco
nA gEopolí icA dE coloniAlidAdEs globAis
E A EmE gênciA dE no os sEn idos dE
in E cUl U AlidAdE do pA imónio nA AndAlUziA*
Angeles Cas año Mad oñal**
Elodia He nández León***
Resumo: Es e abalho em po obje i o analisa as polí icas in e nacionais do
pa imónio his ó ico-cul u al desde a pe spe i a da colonialidade do pode /sabe .
Isso p essupõe e de analisa a es ei a ligação que exis e en e os discu sos e
as ep esen ações da di e sidade es ado-nacional e a iden i icação e a ges ão
dos pa imónios globais e locais. A eme gência dos pa imónios ima e iais em
con ex os locais e a elabo ação da lis a do pa imónio ima e ial da humanidade
le a-nos a epensa o deba e ma e ialidade s. ima e ialidade, dominan e nas
ep esen ações do Ociden e e do O ien e, como mani es ação da ede inição dos
cen os e das pe i e ias geopolí icas, em e mos de eu ocen ismo e asiocen ismo.
Consequen emen e, pe gun amo-nos se e e i amen e nos encon amos an e
uma mudança das endências adicionais das polí icas do pa imónio ou an e
uma lu a de colonialidades opos as. Con a iamen e às dinâmicas ins i ucionais,
os discu sos da in e cul u alidade do pa imónio cul u al elabo ados po
mo imen os sociais locais demons am a eme gência de no as cons uções
baseadas na expe iência da di e sidade cul u al e da mul icul u alidade, desde o
econhecimen o do alo simbólico e iden i á io pa a a memó ia dos pa imónios
his ó icos deg adados pela mode nidade colonial da Andaluzia.
Pala as-cha e: polí icas pa imoniais; UNESCO; colonialidades globais;
in e cul u alidade; Andaluzia.
* Es e abalho oi ealizado no âmbi o do p oje o “Pa imonio Cul u al e In e cul u alidad. Nue os
sen idos en los p ocesos de pa imonialización en Andalucía” inanciado em 2014 pelo CEI-Cam-
pus de Excelencia In e nacionall en Pa imonio de la Uni e sidad de Jaén, en el p og ama Pa i-
moniUn-10 de 2014.
** Dou o a em An opologia, p o esso a na Uni e sidade de Se illa, Se illa, Espanha.
E-mail: [email p o ec ed]
*** Dou o a em An opologia, p o esso a na Uni e sidade Pablo de Ola ide, Se illa, Espanha.
E-mail: [email p o ec ed]
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UNESCO’S hE i agE pOliCiES iN hE gEOpOli iCS O
glObal COlONiali iES aNd hE EmE gENCE O NEw mEaNiNgS
O hE i agE iN E CUl U ali y iN aNdalUSia
Abs ac : The objec i e o he p esen wo k is o analyze he in e na ional policies
o he his o ical-cul u al he i age om he pe spec i e o he coloniali y o
powe / knowledge. This in ol es con on ing he close links be ween discou ses
and ep esen a ions o di e si y in he na ion-s a e and he iden i ica ion and
managemen o global and local he i age. The eme gence o he in angible he i age
a he local le el and he elabo a ion o he in angible he i age o humani y lis
led us o e hink he deba e o ma e iali y s. imma e iali y ha domina es he
ep esen a ions o ‘Eas ’ and ‘Wes ’; as a mani es a ion o ede ini ion o he
geopoli ical no ions o cen e and pe iphe y, which we e o mula ed in e ms
o Eu ocen ism and Asiacen ism. Consequen ly, i is ques ioned i we a e uly
wi nessing a change in adi ional he i age policies, o simply a s uggle be ween
opposed o ms o coloniali ies. In con as wi h he ins i u ional dynamics, he
in e cul u ali y discou ses o he cul u al he i age elabo a ed by local social
mo emen s demons a e he eme gence o new cons uc ions based on he
expe ience o cul u al di e si y and mul icul u ali y; since he ecogni ion o he
symbolic and iden i a y o he memo y o his o ical he i age which ha e been
deg aded by colonial mode ni y o Andalusia.
Keywo ds: he i age poli ics; UNESCO; global coloniali y; in e cul u ali y;
Andalusia.
laS pOlí iCaS pa imONialES dE la UNESCO EN la gEOpOlí iCa
dE COlONialidadES glObalES y la EmE gENCia dE NUE OS SEN idOS
dE iN E CUl U alidad dEl pa imONiO EN aNdalUCía.
Resumen: El obje i o de es e a ículo es analiza las polí icas in e nacionales
del pa imonio his ó ico-cul u al desde la pe spe i a de la colonialidad del
pode / sabe . Ello supone en en a se a la es echa unión exis en e en e los
discu sos y ep esen aciones de la di e sidad es ado-nacional y la iden i icación
y ges ión de los pa imonios globales y locales. La eme gencia de los pa imonios
inma e iales en los con ex os locales y la con ección de la lis a del pa imonio
inma e ial de la humanidad nos lle a a epensa el deba e ma e ialidad en
oposición a inma e ialidad dominan e en las ep esen aciones de Occiden e y
O ien e, como mani es ación de la ede inición de los cen os y las pe i e ias
geopolí icas, en cla es de Eu ocen ismo y Asiacen ismo. Consecuen emen e,
nos p egun amos si es amos ealmen e an e un cambio en las endencias
adicionales de las polí icas del pa imonio o si es amos an e una lucha de
colonialidades opues as. En con aposición a las dinámicas ins i ucionales,
los discu sos de la in e cul u alidad del pa imonio cul u al elabo ados desde
mo imien os sociales locales, mues an la eme gencia de nue as cons ucciones
basadas en la expe iencia de la di e sidad cul u al y la mul icul u alidad, desde
el econocimien o del alo simbólico e iden i a io pa a la memo ia de los
pa imonios his ó icos deg adados po la mode nidad colonial de Andalucía.
Palab as-cla e: Polí icas pa imoniales; UNESCO; Colonialidades globales;
In e cul u alidad; Andalucía.
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En e o eu ocen ismo e o asiocen ismo, a
in e cul u alidade dos mo imen os eme gen es
Na junção en e as colonialidades globais do eu ocen ismo e do asiocen ismo1, as
polí icas do pa imónio mundial da UNESCO e idenciam as imp essões da dialé ica global
en e blocos ci iliza ó ios que pa ilham o mesmo conjun o de ópicos da expansão cul u al
global neolibe al. Nesse con on o en e discu sos sob e a colonialidade su gem no as
cons uções discu si as nas quais o enunciado da in e cul u alidade deposi a-se sob e os
pa imónios cul u ais pa ilhados e ab e no os caminhos de espe ança pa a o diálogo mundial
e o espei o pela di e sidade cul u al. Os mo imen os sociais, que na Andaluzia espondem
aos discu sos hegemónicos da mode nidade colonial eclesiás ica e polí ica, mos am as o mas
com as quais, desde os sen idos da in e cul u alidade, se alo iza o pa imónio his ó ico de Al-
Andalus, como símbolo não só de uma pa e da memó ia his ó ica de Andaluzia, deg adada pela
colonialidade in e na (GONZÁLEZ, 2006, p. 410) na egião, mas ambém como símbolo do alo
humanis a da di e sidade cul u al como núcleo do ideal cul u al de Andaluzia. Nesse abalho
que emos mos a como é ei a a a iculação en e os no os sen idos da in e cul u alidade
sob e o pa imónio islâmico andaluz, como um es udo de caso que se e como exemplo pa a
ilus a como as eme gências das subal e nidades podem anula as dinâmicas ideológicas de
con on ação global en e blocos en en ados pela sup emacia económica mundial que, po
sua ez, se mo em em eixos discu si os e p odu i os ci iliza ó ios.
No en an o, os discu sos de p ojeção global da UNESCO sob e o pa imónio da
humanidade pa ecem es a p esos e con undidos com a dinâmica de in e esses de blocos.
Se conside a mos as polí icas desen ol idas pa a a sal agua da e o alo dos pa imónios
ima e iais da humanidade, pode emos obse a o pa adoxo da ep odução de subal e nidades
cul u ais a ní el global e a pa alisia das ins i uições in e nacionais pa a debili a os discu sos
eu ocên icos e asiocên icos, que se deposi am nos pa imónios insc i os nas lis as mundiais.
Ao longo des e a igo ambém nos e e imos às polí icas delineadas com o obje i o de mos a
essas endências e à o ma como uma ede mundial de cen os de consag ação e de celeb ação
da cul u a e do pa imónio se a iculam de o ma semelhan e a nós, de consumo indus ial, no
ecido de luxos globais. Se o pa imónio ima e ial da humanidade oi na o igem um a anço
pa a a inclusão de pa imónios cul u ais silenciados, após o anscu so de á ias décadas
pa ece consag a nacionalidades es a ais que ep esen am colonialidades num âmbi o da
no a expansão nes a ase do neolibe alismo.
O pa imónio de e se a ado desde uma pe spe i a descolonial que inclua a di e sidade
da humanidade, dada sua na u eza in e p e á el e e sá il, sua po encialidade pa a eicula
di e sas na a i as que pe mi em mos a as di e gências en e as lei u as e as ep esen ações
e dada a sua dimensão pa ilhada, esul ado de se uma boa pa e do mesmo pa imónio imagem
da colonialidade da mode nidade no mundo2. Essa di e sidade cul u al pode ma e ializa -
se num único elemen o cul u al, no en an o a sua cons ução pa imonial ins i ucionalizada
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MADROÑAL, A. C.; LEÓN, E. H.
As polí icAs pA imoniAis dA UnEsco nA gEopolí icA...
ende a ap esen á-lo com a monó ona sin onia monocó dica da colonialidade eu ocên ica.
A ualmen e, em luga do pa imónio ima e ial encon amos o eículo de ideais asiocên icos. A
pedagogia da iden idade que se mani es a nos pa imónios cul u ais ins i ucionalizados deixa
de se um e lexo da in e cul u alidade do pa imónio, pa a e le i a pedagogia dos discu sos
ci iliza ó ios, sejam es es ociden alizan es ou o ien alizan es. O eu ocen ismo e asiocen ismo
das ep esen ações hegemónicas do pa imónio ins i ucionalizado não eliminam, apesa de udo,
as in e p e ações esis en es, pelo con á io, encon am-se implíci as na p óp ia decla ação.
Em e mos baj inianos, encon amo-nos pe an e discu sos que nos alam de ou os discu sos,
pe an e depósi os jus apos os e in e ex uais de ep esen ações e con a ep esen ações, de
discu sos e con adiscu sos, de enunciados es é icos que espondem a ou os enunciados. As
isibilidades e in isibilidades do pa imónio são con eúdos uni á ios pa a uma in e p e ação
an opológica comple a na p espe i a descolonial.
As polí icas de pa imonialização e a adminis ação do pa imónio cul u al a ní el
in e nacional, egional e local, não podem e i a que sendo o pa imónio um luga -
comum da geopolí ica do sabe /pode o seja ambém no encon o com as subal e nidades
e suas ep esen ações. A hie a quização e in isibilização da di e sidade no con li o da
pa imonialização são p ocessos que desencadeiam espos as cole i as a odos os ní eis e,
po an o, uma lu a de in e subje i idades eme gen es e hegemônicas, que p e endem si ua
as na a i as his ó icas no mesmo luga e jun o às legi imadas. As p opos as pós-coloniais
e descoloniais sob e esses p ocessos (WINTER, 2014) ou sob e os casos conc e os da dança
indiana ou a a e e a es é ica chinesa (FERNÁNDEZ DEL CAMPO, 2012, p. 89-108; CEBALLOS,
2012, p. 71-88; FERNÁNDEZ, 2012, p. 109-125) p omo em ino ações que pode iam pe mi i
e o mula e ans o ma as o mas adicionais do pa imonialismo e a pa imonialização ou,
di o de ou a o ma, as manei as de cons ui e as o mas de go e no e de legi imação.
O pa imónio ima e ial é a exp essão da abe u a desses deba es sob e as di e enças
en e Es e/Oes e e, consequen emen e, da ensão que exis e en e a Ociden alidade e
a O ien alidade no ma co das endências da colonialidade global. Enquan o o Ociden e
p ocedeu à pa imonialização a pa i duma epis emologia baseada na ma e ialidade, na
Ásia a cen alidade es á ocupada pelo in angí el e o pe ecí el (WINTER, 2014, p. 125). Esse
deba e conduz-nos às queb as da mode nidade colonial pa imonialis a e às eme gências
descoloniais, den o de uma ama ecida a á ios ní eis, desde a UNESCO a é o p óp io
con ex o local. No es udo de caso sob e a Andaluzia que p opomos, pode se obse ada a
ama dessas dialé icas a ní el local.
As polí icas do pa imónio cul u al e a geopolí ica mundial da UNESCO
O pa imónio cul u al, longe de se a a de um enómeno dimensionado e limi ado a a és
de um esquema de classi icação de amos ipológicos, à manei a decimonónica com a qual se
expandiu o pa imonial, cons i ui um âmbi o poliéd ico e complexo de ealidades cons uídas,
na a i as polí icas, in e enções ju ídicas e adminis a i as, esis ências é nicas, mediações
écnicas; na ealidade, um âmbi o complexo de amas polí icas, económicas e sociais.
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Embo a essa ealidade se in e p e e de manei a equen e desde a pe spe i a das
ans o mações na ges ão pa imonial e da p óp ia e olução semân ica do concei o de
pa imónio, az pa e subs ancial da na u eza polí ica de um enómeno que é social e cul u al,
ao mesmo empo que possui uma g ande o ça pedagógica na ansmissão de iden idades.
É ce o que, nas úl imas décadas do século XX3, se p oduz uma mudança his ó ica na
de inição de pa imónio e na plu alidade de agen es implicados na sua iden i icação. Se
i e mos em conside ação a in e p e ação elabo ada em ex os académicos ou ju ídicos
di e en es pode emos obse a es as mudanças que nós sin e izamos nas seguin es linhas
e desdob amen os4: desde os obje os-monumen os ao alo -bem cul u al, desde o ma e ial
ao ima e ial, desde o an igo em pe igo de ex inção aos “ esou os i os” que p ecisam de
sal agua da. T ans o mações que supõem mudanças de sen ido na na u eza concei ual
e na p á ica, na adminis ação do pa imónio mundial, um ala gamen o no uni e so de
elemen os passí eis de se em conside ados pa imónio cul u al5 e, o que esul a de o ma
mais inquie an e, são os di e sos p omo o es e in e mediá ios que su gem pa a da o igem a
p ocessos de pa imonialização que ão mais além das ações polí ico-adminis a i as.
Os p omo o es e in e mediá ios enca egues po “descob i ” esses no os pa imónios
anscendem aos go e nos do es ado, o que pe mi e que o ele o das ins i uições in e nacionais
que se agmen am em di eções in e nas com o maio p o agonismo de g upos e pa imónios
locais, como não pode ia se de ou a o ma, endo em con a o p ocesso de globalização e o
ca á e o emen e polí ico e con li uoso que exis e no âmbi o pa imonialis a.
Nas úl imas décadas do século XX icou explici amen e assumido que o a gumen o
delimi ado , na de inição do que é conside ado pa imónio, é o iden i á io. A iden idade é
ago a econhecida como elemen o cha e pa a a de inição dessa pa e da cul u a que se á
selecionada e chamada à p o eção, conse ação e sal agua da. Em ou as pala as, num mundo
global p oli e am as polí icas da iden idade como e úgio dessa, e a a és da pa imonialização,
consegue-se chega à memó ia pa a pô-la ao se iço da iden idade cole i a.
Assim sendo, ace às p imigénias endências mode no-coloniais que cons uí am o
pa imónio mundial segundo as iden idades nacionais eu opeias e o seu sen ido da es é ica e
da a e, nas úl imas décadas do século XX, a e olução pe mi e o apa ecimen o de na a i as
explíci as que, a pa i da ele ância da iden idade, incidem no p ocesso de pa imonialização
e na sua condição de cons ução social. A p oli e ação de museus, de legislação e de pessoas
especialis as na á ea do pa imonial em uma o igem cla a, uma ma ca eu opeia e uma unção
cla a na necessidade de cons ução de comunidades imaginadas (ANDERSON, 1993, p. 23)
sob e uma supos a homogeneidade cul u al que legi ima o Es ado e a suas on ei as.
Des a o ma, a e olução do concei o de pa imónio não se en ende se não conside a mos
as dinâmicas geopolí icas mundiais. O desdob amen o de monumen os e museus sujei os
aos pa adigmas cien í icos coloniais decimonónicos e seu desemba que em ealidades
ex aeu opeias êm de se adap a às no as condições, pa a não queb a a sua hegemonia
pe an e as esis ências locais eme gen es. No con ex o pós-colonial, os ex os, as ins i uições
e os especialis as do pa imónio de ascendência eu opeia impulsiona ão as mudanças e o
desdob amen o den o do âmbi o a ís ico hípe -ins i ucionalizado, como modo de se
sus en a an o a ní el global como local. Daí que, apesa da queb a que se supõe pa a os

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As polí icAs pA imoniAis dA UnEsco nA gEopolí icA...
sis emas de ges ão do pa imónio, o p ocesso his ó ico de expansão do pa imónio mais do
que uma u u a pa a os sis emas de ges ão do pa imónio, pa ece-nos uma adap ação que
pe mi e a manu enção, com as ans o mações necessá ias em alguns dos signi icados e
usos, de polí icas que não p omo em o in es imen o segundo o pad ão de compo amen o
dominan e, que melho as man êm e as ep oduz. A elabo ação dos p og amas de Pa imónio
da Humanidade de 1972 é, como e emos a exp essão des as dinâmicas e das en a i as de
supe a o e nocen ismo cons uindo hie a quias que p e endem “o ganiza as di e enças,
classi ica os obje os e os luga es, in e i na sua di usão e in e p e ação”6 (GARCÍA CANCLINI,
2010, p. 66, adução nossa). O sucesso da expansão desse p ocesso de cons ução de um
pa imónio uni e sal ainda é conside á el, mas o acasso é no á el.
As ans o mações das na a i as pa imoniais, a ampli ude do desen ol imen o do
concei o de pa imónio e a a e agem do ima e ial, co em pa alelamen e à cons ução
de uma o dem global sob e esquemas socioeconómicos libe ais, e no plano das polí icas
cul u ais, na busca desespe ada de homogeneidades cul u ais ansnacionais e anslocais. A
busca de equilíb ios explica á a inclusão de no os pa imónios que econhecem a e idência da
di e sidade cul u al, pa adoxalmen e, pa a não queb a as hegemonias das e sões iden i á ias
que sus en am os di e en es p oje os polí icos. Como explica íamos que a in e cul u alidade,
no e eno do pa imonial, nasça do econhecimen o da di e sidade cul u al de ou os es ados
e não na p esença de mino ias associadas à imig ação?
O jogo en e as colonialidades na pa imonialização in e nacional
A e olução do pa imónio e a sua expansão eu ó ica oi e idenciada, como salien amos,
an o na p odução in elec ual e ju ídica como na elabo ação de lis as de bens pa imoniais
nacionais e/ou uni e sais. Em odas essas dimensões, mani es a-se a queb a de uma de inição
de pa imónio cen ada no alo do obje o, na sua exclusi idade e na sua es é ica dis in a.
As obse ações sob e esse p ocesso de anslação de signi icados no âmbi o pa imonial
ão ao encon o dos es udos sob e as polí icas cul u ais em o no do pa imónio, assinalando
os di e en es momen os em que são ins i ucionalizadas essas ans o mações, a pa i do seu
econhecimen o legal e do seu espe ado desen ol imen o nos p ocessos de pa imonialização
dos agen es globais, es a ais ou locais. No en an o, an es de e e i o seu pe cu so, que emos
de e mina como a e olução no âmbi o pa imonial anscende esse con ex o. É p eciso
conside a que, sendo impo an e obse a o papel dos p o issionais écnicos e cien í icos, das
adminis ações e ins i uições cul u ais de ca á e pa imonial e, po an o, dos documen os
ju ídicos que os co obo am, o âmbi o do pa imonial dis a mui o de se um âmbi o au ónomo
(BOURDIEU, 1987, p.113) e isolado. Re e imo-nos não apenas aos usos polí icos, ao âmbi o
das polí icas da iden idade e às hie a quias, dissime ias e esis ências que apon ámos
an e io men e, mas ambém aos usos económicos, à me can ilizacão e à espe acula ização
mediá ica e u ís ica, e ao encon o com o mundo da a e e da es é ica, que al ez enha
icado esquecido pelos an opólogos quando nos cen amos pa icula men e no ínculo en e
o pa imónio e a iden idade. Nes e sen ido, não e ia azão de se que ago a, quando a ob a de
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As polí icAs pA imoniAis dA UnEsco nA gEopolí icA...
a e é concebida como um p ocesso que acaba no espec ado e se supe am as isões idealis as
que a conside a am como obje os únicos e o iginais p oduzidos pelo génio do seu c iado ,
con inuássemos a e a mesma conceção educionis a do pa imonial7.
De qualque o ma, nas úl imas décadas a UNESCO em-se e igido como um dos
agen es mais des acados na con igu ação do pa imónio. Desde a me ade do século passado,
as o ganizações in e nacionais ão assen ando as bases median e a p odução de ex os e
ca as (ca á e mais écnico) e as con enções e ecomendações (mais polí icas) da ges ão
global do pa imónio, não sem con adições, nem ambiguidades (MORENTE, 2004, p. 51).
Independen emen e do ca á e ob iga ó io de aplicação (só no caso das con enções pa a
os assinan es) os concei os, classi icações e p esc ições écnicas des es ex os di igem as
polí icas de in e enção sob e o pa imónio. Is o é, os a anços e de inições desencadeiam
apidamen e mudanças e p odução de no a legislação incula i a nos es ados, sob e udo, nos
eu opeus. A pa i da c iação do p og ama de “pa imónio da humanidade” em 1972 ge a -se-
ão as di e izes e ecomendações pa a os es ados assinan es e in e i -se-á di e amen e na
iden i icação e cons ução de um pa imónio de um supos o alo uni e sal.
A Con enção de Pa is “17ª Con e ência Ge al sob e a P o eção do Pa imónio Mundial
Cul u al e Na u al”, que p omo e as lis as do Pa imónio Mundial, conside a-se um pon o de
in lexão impo an e po que nela su ge um concei o mais in eg ado do pa imónio. É “o im
da his ó ia” e o início da consolidação do e mo pa imónio cul u al (MORENTE, 2004, p. 55) e
a equipa ação des e úl imo com o pa imónio na u al8.
A o igem da inclusão dessas no as o ien ações se á a Eu opa e o Ociden e. De a o,
apesa das in encionalidades ecolhidas nos ex os e ela ó ios p oduzidos pelos especialis as
das o ganizações in e nacionais, au o es di e sos e, den e eles an opólogos, denunciam o
ca á e eu ocên ico da coleção de luga es incluídos na lis a do pa imónio da humanidade
pela concen ação que exis e na dis ibuição (ap oximadamen e me ade dos luga es es ão
localizados em Eu oamé ica e a ou a pa e no es o do mundo)9. Alem disso p oduzi -se-á
uma espécie de eu ocen ismo indi e o nas p e e ências pelas ex-colónias eu opeias, como a
Índia, a A gélia e o México, e po modelos u banos eu opeus10 (GARCÍA CANCLINI, 2010, p. 72)
esul ando, em de ini i o, numa pa imonialização do e lexo do espelho.
As dissime ias nas polí icas pa imoniais mundiais são mani es amen e obse á eis e
dão luga a deba es no p óp io con ex o da ges ão do pa imónio mundial. Nas sucessi as
euniões celeb adas nas duas décadas seguin es à Con enção de 1972 pa a a P o eção do
Pa imónio Mundial Cul u al e Na u al, de ende-se uma noção de pa imónio mais dila ada que
e i e essas dis o ções. Assim, iniciados os anos 90, impulsiona-se a c iação de uma Comissão
Mundial de Cul u a e Desen ol imen o, que em 1996 di unde o ela ó io “Nossa Di e sidade
C ia i a”, que apos a no pa imónio ima e ial pa a e i a a dis o ção da e e ida con enção,
demasiado cen ada no pa imónio imó el - mui o alo izado em países desen ol idos, mas
que “não é ap op iado pa a o ipo de pa imônio mais equen e em egiões onde as ene gias
cul u ais se concen a am nou as o mas de exp essão como a e a os, danças ou adições
o ais”11 (BRUGMAN, 2005, p. 599, adução nossa)12.
Dessa o ma, ainda que se pudessem in e p e a essas ans o mações nos signi icados
e alcances da noção de pa imónio como uma e olução consequen e com o desen ol imen o
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lógico de um concei o mais an opológico da cul u a (CARRERA, 2005, p. 18), a mudança pa a
a ampli ude e pa a concei os menos ca egó icos e lexí eis, pa ece in luenciado po impulso
compensa ó io ca egado de es a égia polí ica. De a o, na década dos anos 90, an essala
da p oclamada “Con enção pa a a Sal agua da do Pa imónio Cul u al Ima e ial em 2003”,
assis imos a um c escen e p o agonismo dos países asiá icos nas o ganizações e a uações
elacionadas com o pa imónio mundial ima e ial. Encon amos uma isí el ep esen ação de
al os ca gos de o igem japonesa, uma p esença impo an e no apoio simbólico e inancei o ao
desen ol imen o das a uações elacionadas com o pa imónio cul u al ima e ial, mas ambém
na elabo ação de documen os que ques ionam os alo es associados ao pa imonial de ca á e
ociden al p incipalmen e de ido ao seu en aizamen o no ma e ial.
É impo an e e em conside ação que o pano ama global das ins i uições de conse ação
se cons uiu sob e a ep odução das his ó icas assime ias. De a o na geopolí ica pa imonial
o sabe /pode expe ien e em uma o igem eu opeia e o ien a as p incipais di e izes e
o çamen os cien í icos que modelam os alo es uni e sais da u ela.
Inclusi e podemos es abelece um pa alelismo com o mundo da moda. Se nesse mundo
exis em as capi ais que ma cam as endências (Milão, Pa is, Lond es e No a Yo k) ambém
exis em capi ais que ma cam endências no mundo da conse ação, como são as sedes das
ins i uições in e nacionais (Pa is (UNESCO, ICOM and ICOMOS), Roma (ICCROM, ISCR), Los
Angeles (GCI) e New Yo k (WMF) (WINTER, 2014, p. 133). Os ci cui os dos luxos globais que
ma cam endências es é icas en ec uzam-se.
A cons ução do pa imónio mundial si ua-se num e eno con li uoso, en e si uações
e in e esses con apos os, iguais aos p ocessos de pa imonializacão mas em meno escala.
As polémicas polí ico- écnicas são uma boa amos a dos con on os causados, po que e em
uma posição ele an e no sis ema global da u ela do pa imónio. São conhecidas as c í icas
às in e enções de es au o, a a o da demolição e econs ução dos Hu ongs ou bai os
adicionais da China em Beijing; ou a amosa, po ém c i icada, ans o mação comple a
do bai o de Qianmen, masca ada como “ob as de es au ação”. Igualmen e polémica oi a
“ econs ução” da po a Yongdingmen, em p epa ação pa a os Jogos Olímpicos de 2008, ou
em Camboja o a amen o e a econs ução em g ande escala do emplo pa cialmen e em
uínas de Ta P ohm em Angko pelo Se iço A queológico da Índia, que em sido o cen o
de um in enso deba e na comunidade conse acionis a in e nacional. Pa a além desses
exemplos, em ou os luga es da Ásia - na Índia, S i Lanka, Tailândia, Indonésia e Japão - a
conse ação do pa imónio ma e ial e sua p ese ação con inuam a se um ema de discussão.
Uma ca a e ís ica de ini ó ia des e deba e é o su gimen o de uma pos u a, em g ande pa e
p oceden e dos países asiá icos, que a i mam que a conse ação, as p á icas e os pa adigmas
impo ados do ex e io não são adequados ao seu con ex o (WINTER, 2014, p. 125).
Salien a-se dessas posições a necessidade de ela i iza os concei os, supos amen e
uni e sais, que a gumen am e cons oem o sabe expe ien e do pa imónio desde o
Ociden e. Assim, a Ca a de Na a (Japão 1996) de ende a lexibilidade e o ala gamen o do
concei o de au en icidade.
Desde o apa ecimen o da ca a, na p imei a década do p esen e século, sucedem-se ou as
ca as p oceden es dos cen os asiá icos mais des acados. Es amos a assis i a um p ocesso
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de cons ução/legi imação de uma linguagem e p á icas especí icas de a uação no pa imónio
asiá ico. Essa eclamação assinala as di e en es especi icidades cul u ais o ien ais sob e a
base dos sen idos pa icula es que adqui em os concei os de comunidade, espi i ualidade,
in angibilidade e au en icidade. Nesse sen ido, Win e (2014) e idencia que nos encon amos
num p ocesso de negociação e esis ência a p á icas e me odologias conc e as de conse ação
p oceden es de um luga geog á ico conc e o e, no en an o, p oclamadas como uni e sais.
Es amos a assis i à cons ução de uma dico omia Oes e/Es e que não é alheia às cons uções
essencialis as de “cul u a” em o no das ideias ei icadas p óp ias da “espi i ualidade” o ien al:
mu abilidade, eno ação e enascimen o en e à imu abilidade, pe manência e o empo linea da
cul u a ociden al. Essa ambém não é alheia à conside ação de que odas as ações e me odologias
ealizadas po especialis as es angei os podem se au oma icamen e ca ego izadas como
me odologias Ociden ais. No en an o, como e oma emos mais a en e, Win e conclui que
não exis e uma endência ou um pon o de is a p óp io sob e o pa imônio na Ásia, mas sim
que a Ásia ez pa e da endência global (WINTER, 2014, p. 131). Op ou-se po um esquema de
cons ução dico ómica, eple o de ideias abs a as que não ompe com as lógicas impe an es,
nem conside a com maio p o undidade os sen idos di e sos e de g ande iqueza sob e a a e e
o pa imónio nos países asiá icos; como põem em causa os es udiosos do A s Con ex ualis em
Ásia O ien al ao e e i que o sen ido da expe iência es é ica é di e en e e assim, po exemplo, a
pin u a “não se p e ende imo aliza as apa ências ex e nas – algo que pode ia se des alo izado
-, mas sim undi -se com o i mo i al in e io do ep esen ado a pa i da ha monização do
a is a com o lui i al que a a essa os obje os”13 (FERNÁNDEZ, 2012, p. 123, adução nossa).
A obse ação do mapa de localização dos bens econhecidos pela UNESCO como
Pa imónio Cul u al Ima e ial con i ma es e dualismo. F en e ao p o agonismo do Ociden e no
ma e ial encon a-se a concen ação de PCI14 na Ásia e no es o do mundo. Se obse ássemos
as imagens dos mapas de um caso e de ou o, pe cebe íamo-las como imagens in e sas.
Como bem analisa San ama ina, são mecanismos pa ecidos os que in e êm na elabo ação de
ambas as lis as, p oduzindo, no en an o, esul ados desiguais (SANTAMARINA, 2013, p. 277).
Segundo a au o a, a China e o Japão concen am 20% das inclusões, e se pa a além des es
países ainda conside a mos o es o dos países o ien ais, ul apassa-se os 50%. Esses dados
demons am cla amen e a es a égia compensa ó ia à qual nos e e imos an e io men e: à
c i icada p eponde ância eu opeia espondeu-se com uma concen ação do pa imónio
ima e ial nos cen os mais impo an es ago a localizados no O ien e.
Se a ende mos às ipologias, são maio i á ios os espe áculos e os i uais, quase 70%
do o al (SANTAMARINA, 2013, p. 280). Essas ipologias, em compa ação com as exp essões
o ais ou conhecimen os, são mais angí eis, uma ez que podem “se is os” e são mais
acilmen e espe acula izá eis, po an o conside am-se de maio ele ância, seguindo uma
lógica que se ap oxima à da
je se
do pa imónio cul u al: o monumen al e as Belas A es.
Assim, longe de se um p ocesso de a aque às dissime ias e às lógicas eu ocên icas, é um
p ocesso de ep odução e, consequen emen e, de consolidação das mesmas. Com a aplicação
desses mesmos ins umen os e es a égias “de ol e-nos a uma ealidade agmen ada.
A China pe manece exó ica, o Kenia pe manece sel agem e a I ália semp e se á cul u a”15
“(SANTAMARINA, 2013, p. 281, adução nossa).
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dos cole i os de cidadãos que in e p e am os mesmos bens em e mos semân icos di e gen es
e de esis ência cul u al.
Vol ando às pe gun as p opos as a espei o da in e cul u alidade e da pedagogia do
pa imónio cul u al, pa ece-nos que os con li os sob e os pa imónios ão pa a além dos deba es
académicos e especializados sob e os alo es ma e iais do pa imonialismo eu ocên ico s. a
ima e ialidade o ien alis a no go e no pa imonial da UNESCO e se si uam mais p óximos da
exo ização que o pa imónio ima e ial con ém. Man emos que os p ocessos de cons ução e e-
seman ização do pa imónio são mani es amen e complexos, sujei os an o à dialé ica colonial
global como as espos as glocais24 de esis ência cul u al, que adap am os seus con eúdos e
na a i as ao con ex o expe iencial cole i o e aos signi icados e in e p e ações das lei u as
sob e a memó ia his ó ica. Ao obse a a jus aposição e a in e ex ualidade das na a i as e
in e p e ações sob e o pa imónio apa ece não só como de na u eza dinâmica e cambian e,
assim como um p ocesso cons an e de ap op iação e ep esen ação, de subal e nidades e
hegemonias, de ausências e de eme gências (SANTOS, 2011, p. 110) que azem desses elemen os
cul u ais um depósi o in e cul u al pa a a lei u a do isí el e o in isibilizado, do explíci o e o
implíci o, do di o e o silenciado, sendo que a dimensão plás ica de seu con eúdo de comunicação
e sua dimensão pedagógica pode se eelabo ado pelos cole i os sociais.
Conclusões
Nes e abalho, mos amos a pe inência da o ien ação decolonial pa a a análise da
elação en e o pa imónio e a in e cul u alidade. Um pon o de is a escassamen e p opos o
nos es udos sob e in e cul u alidade na Espanha. Também desc e emos a elação con usa
en e o pa imónio e a in e cul u alidade nas na a i as e ep esen ações pa imoniais,
inexis en e na p odução sob e pa imónio.
Analisamos a e olução dos discu sos e as es a égias dos o ganismos in e nacionais no
p ocesso de cons ução do pa imónio mundial, pa a a gumen a a espos a à pe gun a de
se a in e cul u alidade se cons ói e se in eg a nes es úl imos, is o é, se é possí el, a a és da
pa imonialização mundial, an e e a di e sidade cul u al num sis ema no qual as hie a quias
adicionais se iam ques ionadas, como se apon a nos ex os in e nacionais.
In elizmen e, a espos a não pode se mui o o imis a, se e e ua mos a análise dos
discu sos e das p á icas pa a além de uma lei u a supe icial das co eções e das ampliações
da e olução do concei o de pa imónio. Aliás, os ques ionamen os a espei o das hie a quias
de alo es pa a a seleção do pa imónio em u ilizado as mesmas lógicas pa a p oduzi
uma dinâmica in e sa, mas sem as u u as das bases e das o ien ações do conhecimen o/
sabe -expe ien e eu ocên icos, daí os educionismos e exo ismos com os que se in eg am
aos ou os pa imónios que imos ela ando. Sem o ques ionamen o das lógicas dico ómicas
de obje i idade/subje i idade, men e/co po, azão/sensibilidade, a ap oximação a ou as
es é icas a ís icas e pa imoniais é in u uosa, como assim se demons a no caso da análise
do concei o de paisagem cul u al (HERNÁNDEZ, 2012). Embo a a iné cia nesses p ocessos
osse espe á el, dada a expansão semp e c escen e das lógicas do neolibe alismo global.

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Em elação a esse úl imo assun o, é impo an e ques iona mos sob e uma di isão
educionis a e essencialis a Es e/Oes e-Ociden e/O ien e que emasca am a complexidade das
dinâmicas con li uosas nos p ocessos ansnacionais de seleção e cons i uição do pa imónio.
A in e enção de di e en es agen es e dinâmicas mul idi ecionais nas ede inições dos cen os
e as pe i e ias compõem um pano ama mul idimensional complexo que é necessá io analisa
em p o undidade.
Finalmen e, a negação duma up u a a ní el das pa imonializacões ins i ucionais
mundiais não nega a po encialidade do encon o da in e cul u alidade com o pa imónio.
Conside amos que a en ada exube an e do localismo nas ima e ialidades da UNESCO, supôs
um excesso de di e sidade subal e nizada. O p ocesso de inclusão das pe i e ias como “o
exó ico” nas úl imas décadas chega, no en an o, a ques iona o eu ocen ismo hegemónico
e ins i ucional, quan o a seu po encial na a i o de esis ências iden i á ias. É po isso, que
en endemos que as inclusões dos pa imónios anscon inen ais da UNESCO, desen ol idas
como elabo ações a iculadas com as polí icas mac oeconômicas globais, êm a con es a
aqueles discu sos iden i á ios de esis ências locais. Assumindo o seu luga como discu so
hegemónico que de e se escla ecido em elação ao seu depósi o de ou os discu sos de
colonialidade, ou em elação à sua espos a ao discu sos das eme gências. O alo que adqui e
desde o pon o de is a descolonial, como gi o semân ico sob e o pa imónio, como o ma
de amo ece as dinâmicas eme gen es esis en es ao colonialismo da UNESCO, pa ece-nos
exempla e eme e-nos ao cons an e pa adoxo da colonialidade das ins i uições e à dialé ica
dos mo imen os de esis ência e suas po encialidades ans o ma i as.
No a
1 Nossa abo dagem baseia-se na pe spe i a da colonialidade do pode /conhecimen o delineada
no abalho de Quijano (2000), Lande (2000), Mignolo (2003) e Dussel (2001) e na ele ância que
a p odução de uma sociologia das ausências e eme gências assume na no a cul u a polí ica, pa a
en ende os p ocessos con empo âneos dos abalhos de San os (2011).
2 Pa imos da pe spe i a eó ica mode nidade/colonialidade, se bem que conside amos que a
colonialidade da mode nidade é um p ocesso de expansão e epe cussão mundial, que em suas
con ex ualizações e modos de ep odução pa a além do eixo do eu ocen ismo na Amé ica. Os
p ocessos consolidados desde a segunda me ade do século XX na Ásia dão luga à colonialidade
asiacên ica no denominado Longínquo O ien e, a e ado pela mode nidade num con ex o pa icula
que ao longo do século XX se condensa no Sis ema-Mundo bipola da Gue a F ia, e que esseman iza
os seus sen idos na globalização.
3 Na década de 60, Se e o Giannini e a Comissão F anceschini do pa lamen o i aliano desen ol e am
o concei o de Bem Cul u al sob e a cen alidade do alo cul u al (AGUDO, 2003, p. 20; HERNÁNDEZ
Y QUINTERO, 1999, p. 32).
4 São á ios os au o es que e e ema e olução do concei o de pa imónio. No âmbi o espanhol
podemos encon a Agudo (AGUDO, 1999, p. 98), P a (PRAT, 1997), A iño (ARIÑO, 2002, p. 130) e uma
ex ensa p odução pos e io .
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5 No âmbi o pa imonial nos anos 90, os especialis as das di e sas disciplinas, incluindo a
an opologia, sen em e dadei o pa o e desassossego pe an e à expansão inclusi a do p ocesso de
pa imonialização da cul u a (LIMÓN, 1999; CARRETERO, 1999; GARCÍA, 1998).
6 “o ganiza las di e encias, clasi ica los obje os y los luga es, in e eni en su di usión e
in e p e ación”
7 De a o en e os a is as, como en e os pa imonialis as, impõe-se mais a p eocupação pelos
p ocedimen os de c iação e pa imonalização do que pelo p odu o e o esul ado. Da mesma o ma
que os a is as não pe gun am sob e o que é a a e mas sim o que pode aze , no pa imónio a
pe gun a mais ap op iada se ia o que não é pa imónio mas sim quando há pa imónio (GARCÍA
CANCLINI, 2010, p. 69).
8 Ainda que a sepa ação en e pa imônio e cul u a seja apidamen e ques ionada (AGUDO, 2003, p. 21).
9 48% dos luga es conside ados pa imónio da humanidade encon am-se localizados na Eu opa.
E es a p opo ção aumen a se nos cen a mos na ipologia de classi icação, assim a Eu opa e a
Amé ica do No e êm 393 dos 745 luga es cul u ais, in e endo-se a elação se nos e e i mos aos
ca ego izados como na u ais onde a Eu opa e a Amé ica do No e con am apenas com 59 de um o al
de 188. h p://whc.unesco.o g/en/lis . consul ado o 2 de Ab il de 2014.
10 Os o iginais (Viena, B uxas, Toledo, Salamanca, Cáce es, Pa is, Flo encia…) e suas ep oduções na
Amé ica La ina (os cen os his ó icos de Ha ana, México, Oaxaca, Po oa, Mo elia, Zaca ecas, Lima,
San o domingo e Colónia) .
11 “no es ap opiado pa a el ipo de pa imonio más ecuen e en egiones donde las ene gías cul u ales
se han concen ado en o as o mas de exp esión cómo a e ac os, danzas o adiciones o ales”
12 No mesmo sen ido em 1989 inha-se p oduzido a Recomendação sob e a sal agua da da Cul u a
T adicional e Popula econhecida como “el p ime ins umen o no ma i o pa a la sal agua dia del
pa imonio inma e ial” (SANTAMARINA, 2013, p. 272).
13 “no p e ende inmo aliza las apa iencias ex e nas –algo po lo que pod ía se de aluada-, sino
undi se con el i mo i al in e io de lo ep esen ado a pa i de la a monización del a is a con el
lui i al que a a iesa los obje os”
14 Pa imónio Cul u al Ima e ial.
15 se nos de uel e a una ealidad agmen ada. China sigue siendo exó ica, Kenia segui á siendo
sal aje e I alia siemp e se á Cul u a”
16 Um desen ol imen o dessa análise da semân ica nos PIPIA encon a-se desen ol ido po Cas año
( 2016).
17 É o caso da polí ica do plu ilinguismo e bilinguismo na educação no Equado desde o a anço
indigenis a à sua pos e io ime são na semân ica ansnacional eu opeia desde inais dos anos 90, e
com uma e iden e eg essão com espei o às p opos as indigenis as no segundo manda o de Co eia.
O caso da polí ica de in e cul u alidade na educação no Equado mos a a con aposição en e os
di e en es signi icados da in e cul u alidade es a al en e às eme gências indigenis as.
18 Pode-se ilus a a a és das polí icas de con ole de luxos mig a ó ios e sua implan ação nos
e i ó ios on ei iços do Medi e âneo, conside ando desde sua o igem aos aco dos bila e ais
in e es a ais a pa i de 2004, que egula amo e o no e as de oluções o çadas, bem como a e olução
a ual na coope ação ans on ei iça com Ma ocos em Ceu a e Melilla.
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19 T a a-se do ex o “La Mezqui a de Có doba: no sólo es Ca ed al y es mucho más que una Mezqui a”
esc i o po San iago Losada (SANTIAGO, 2013). E “Segundo Documen o. P oceso P i a izado de la
Mezqui a po pa e del Obispo y del Cabildo de la Ca ed al”, ambém esc i o po San iago ( 2013b).
20 Desen ol ido no documen o “Apun es ju ídicos sob e la i ula idad pública de la Mezqui a-Ca ed al
de Có doba”(RODRÍGUEZ, 2013), e ap esen ado na con e ência “Mezqui a-Ca ed al de Có doba:un
pa adigma enpelig o” na Cá ed a Al-Andalus da FundacãoT es Cul u as del Medi e áneo o 30 de
janei o de 2014.
21 El que la Iglesia ca ólica siga u ilizando el edi icio como emplo en el que se encuen a la Ca ed al de
Có doba, no debe se óbice pa a que a la Mezqui a de Có doba o Mezqui a-Ca ed al se le niegue dos
cualidades que la hacen única en el ma co de la in e cul u alidad: pe enece al pa imonio de oda la
humanidad y se , po su esencia his ó ica, encuen o de ci ilizaciones que p o esan di e en es c edos.
Du an e ein e siglos en es e espacio han ealizado sus cul os con segu idad los bé ico- omanos, los
hispano- isigodos (c is ianos uni a ios y pos e io men e ini a ios), los musulmanes-andalusíes y
los c is ianos. Es e hecho cul u al y eligioso debe lle a nos a los c is ianos a p egun a nos ¿Po
qué no ecupe a el espí i u ecumenis a e in e eligioso del Concilio Va icano II? Juan XXIII, dijo
aquello de ab amos las pue as pa a que en e ai e esco en la Iglesia. ¿Po qué no ab i las pue as
pa a que nues a Mezqui a, donde eside la sede del obispo de Có doba, sea ambién ecuménica
e in e eligiosa? Es e paso eminen emen e concilia da ía una p oyección in e nacional pa a que
Có doba sea conside ada ciudad de la in e cul u alidad uni e sal, ciudad de la paz.
Son muchos los au o es que elogian la di e sidad que ha supues o una con i encia en e las es
cul u as de la Có doba de Al-Andalus a la sociedad ac ual. Una co ien e de pensamien o que habla
del Pa adigma de Có doba pa a e e i se a la máxima ac ualidad a la ho a de des aca la acep ación
de la di e sidad, la plu alidad con esional y la lucha con a los ana ismos y acismos. Sob e odo, en
es os his ó icos momen os en los que la c isis económica doblega a la polí ica a no ela po los
de echos humanos y la jus icia social, espondiendo a unos c i e ios neolibe ales que son el caldo
de cul i o de una xeno obia e nocén ica que culpa a los más empob ecidos y excluidos de las
es echeces que enimos a a esando
22 “desde mediados del siglo VI la Ca ed al de Có doba ha pe enecido a la Iglesia y a los c eyen es
que la con o man. Y an solo la ue za de las a mas ha ce cenado sus de echos sob e el emplo. Aho a
quie en ol e a usu pa los con a gucias y men i as”
23 Ex a os do ex o do si e a a o da i ula idade eclesiás ica, disponí el em:< h p://www.haz eoi .
o g/ale a/56781-no-exp opiacion-ca ed al-co doba>. Acesso em: 13 ab 2014.
24 Recolhemos o concei o desen ol ido nos abalhos de Robe son (2003) e ap op iado po Mo eno
(2010) pa a os seus abalhos sob e Andaluzia na globalização, no sen ido de a icula a elação
exis en e en e os p ocessos globais hegemónicos e homegeneizado es e as espos as locais de
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