ISSN 2173-125X
Cómo ci a :
Laza ini, Kaya (2023). Es a egias de las muje es de los mo imien os de i iendas en e a la Co id-19 en B asil
y A gen ina. Hábi a y Sociedad, (16), 121-142. h ps://doi.o g/10.12795/Habi a ySociedad.2023.i16.06
Es a égias das mulhe es dos mo imen os
de mo adia en e à Co id-19 no B asil e na
A gen ina
WOMEN ‘STRATEGIES OF HOUSING MOVEMENTS IN FACE OF COVID-19 IN
BRAZIL AND ARGENTINA
ESTRATEGIAS DE LAS MUJERES DE LOS MOVIMIENTOS DE VIVIENDAS
FRENTE A LA COVID-19 EN BRASIL Y ARGENTINA
Kaya Laza ini
FAU USP
kay[email p o ec ed]
0000-0002-3145-9717
Resumo As es a égias das mulhe es dos mo imen os
sociais que lu am po mo adia na Amé ica La ina dian e da
pandemia da Co id-19 se ão in es igadas a a és de
en e is as semies u u adas com pa icipan es do
Mo imen o Sem Te a Les e 1 (MST-Les e1), em São Paulo,
B asil, e do Mo imien o de Ocupan es e Inquilinos (MOI), em
Buenos Ai es, A gen ina. O abalho ep odu i o e de cuidado,
e seu iés de gêne o, classe e aça, o am emas de deba e
du an e a pandemia, e a incapacidade do Es ado em esol e
as demandas e a c escen e si uação de ulne abilidade
social le a am ao su gimen o de nume osas o mas de ajuda
mú ua em e i ó ios popula es. Nos conjun os habi acionais
p oduzidos pela população o ganizada com base na
au oges ão, as edes de solida iedade es u u adas po
mulhe es, que ambém o am p o agonis as na concepção e
p odução des es espaços, unciona am de o ma sis emá ica.
As en e is as demons am o p o agonismo das mulhe es
dian e das demandas ep odu i as, des acando que a
dimensão polí ica do cuidado cole i izado, a p áxis
o ganiza i a com base na au oges ão dos mo imen os
popula es e a disponibilidade de espaços comuns o am
essenciais pa a en en a a pandemia.
Pala as cha e habi ação social, mo imen o popula ,
gêne o, au oges ão, p odução social do habi a , pandemia.
Abs ac The s a egies o women in social mo emen s
igh ing o housing in La in Ame ica in he ace o he
Co id-19 pandemic will be in es iga ed h ough semi-
s uc u ed in e iews wi h pa icipan s om he Mo imen o
Sem Te a Les e 1 (MST-Les e1) in São Paulo, B azil, and he
Mo imien o de Ocupan es e Inquilinos (MOI) in Buenos
Ai es, A gen ina. Rep oduc i e and ca e wo k, and i s
gende , class and ace biases we e a opic o deba e du ing
he pandemic, and he inabili y o he s a e o esol e
demands and he g owing si ua ion o social ulne abili y
led o he eme gence o nume ous o ms o mu ual aid in
popula e i o ies. In he housing es a es p oduced by he
popula ion o ganised on he basis o sel -managemen ,
solida i y ne wo ks s uc u ed by women, who we e also
p o agonis s in he design and p oduc ion o hese spaces,
unc ioned sys ema ically. The in e iews demons a e he
p o agonism o women in he ace o ep oduc i e
demands, highligh ing ha he poli ical dimension o
collec i ised ca e, he o ganisa ional p axis based on sel -
managemen o popula mo emen s, and he a ailabili y
o common spaces we e essen ial o ace he pandemic.
Keywo ds social housing, popula mo emen , gende ,
sel -managemen , housing social p oduc ion, pandemic.
Recibido: 30-09-2022
Acep ado: 12-06-2023
Kaya Laza ini
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
pp.121-142. h ps://doi.o g/10.12795/Habi a ySociedad.2023.i16.06122
Resumen Las es a egias de las muje es de los mo imien os sociales que luchan po la i ienda en
Amé ica La ina en e a la pandemia del Co id-19 se án in es igadas a a és de en e is as semies uc u adas
con pa icipan es del Mo imen o Sem Te a Les e 1 (MST-Les e1) en São Paulo, B asil, y del Mo imien o de
Ocupan es e Inquilinos (MOI) en Buenos Ai es, A gen ina. El abajo ep oduc i o y de cuidados, y sus
sesgos de géne o, clase y aza, ue on emas de deba e du an e la pandemia y la incapacidad del Es ado
pa a esol e las demandas y la c ecien e si uación de ulne abilidad social lle a on al su gimien o de
nume osas o mas de ayuda mu ua en los e i o ios popula es. En las u banizaciones p oducidas po la
población o ganizada sob e la base de la au oges ión unciona on sis emá icamen e edes de solida idad
es uc u adas po muje es, que ambién ue on p o agonis as en el diseño y la p oducción de es os
espacios. Las en e is as demues an el p o agonismo de las muje es en e a las demandas ep oduc i as,
des acando que la dimensión polí ica de los cuidados colec i izados, la p axis o ganiza i a basada en la
au oges ión de los mo imien os popula es y la disponibilidad de espacios comunes ue on esenciales
pa a en en a la pandemia.
Palab as cla e i ienda social, mo imien o popula , géne o, au oges ión, p oducción social del hábi a ,
pandemia.
1. In odução
O obje i o des e a igo é, a pa i de en e is as com mulhe es de mo imen os de
mo adia, discu i suas es a égias de cole i ização do cuidado, au oges ão e uso dos
espaços en e à pandemia de Co id-19. O ex o se o ganiza em qua o pa es, sendo
elas: 1. In odução, 2. Ma e iais e mé odos, 3. Resul ados e 4. Discussões e conclusão.
Nes a In odução, desen ol emos a c í ica à p odução capi alis a do espaço, sua o ma
deso ganizada pa a a ep odução da ida e a ques ão es u u al de gêne o, aça e classe
que engend a es e p ocesso e, simul aneamen e, des acamos os impac os da pandemia
na ida das mulhe es. Em seguida, são ap esen ados os con ex os e os mo imen os de
mo adia que são pa e des e abalho. Nos Ma e iais e mé odos se ão ap esen adas as
di e izes pa a ealização das en e is as. Nos Resul ados as ansc ições das alas das
en e is adas são ag upadas ema icamen e e pe meadas po e lexões que dialogam
com a úl ima pa e, as Discussões e conclusão, onde o deba e en e os con eúdos
das en e is as e a bibliog a ia le a à conclusão de que as ações emp eendidas pelas
mulhe es nos espaços p oduzidos socialmen e, mu i ões e coope a i as o am essenciais
pa a ga an i segu ança e apoio du an e a pandemia.
1.1. O espaço deso ganizado pa a o abalho ep odu i o
A p odução, ci culação, dis ibuição e come cialização de me cado ias são o obje i o
p imei o do modo de p odução capi alis a do espaço, e a lógica ep odu i a da ida ica
necessa iamen e em segundo plano. No âmbi o de suas pesquisas sob e os indicado es
de qualidade dos espaços co idianos, a a qui e a a gen ina Ad iana Ciocole o (2014)
mobiliza as ca ego ias “es e a p odu i a” e “es e a ep odu i a”, sendo que es e a
p odu i a se ia compos a po “ac i idades elacionadas con la p oducción de bienes
y se icios, [...] no malmen e suponen una emune ación”, ou seja, aquela socialmen e
econhecida como “ abalho”, e a es e a ep odu i a como “ac i idades no emune adas
que ealizan las pe sonas de una unidad de con i encia pa a el cuidado de ellas mismas,
[...]. Llamadas ambién ac i idades domés icas, son las elacionadas con p opo ciona
i ienda, nu ición, es ido y cuidado” (Ciocole o, 2014, p.14). Seguindo seu aciocínio,
Es a égias das mulhe es dos mo imen os de mo adia en e à Co id-19 no B asil e na A gen ina
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
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é na es e a p odu i a que se encon a a cen alidade da p odução do espaço, cuja
o ganização es á ol ada a se supo e à acumulação de capi al. O espaço, como não é
concebido pa a a ende às demandas da ep odução, o na a ealização co idiana des as
di e sas a e as de cuidado, saúde, educação, e c., espacialmen e deso denada, ilógica,
i acional. Se a ina Amo oso (2020) expõe as dico omias en e as a i idades p odu i as
e ep odu i as no espaço:
P ác icas como las de la zoni icación, la gen i icación y la u is i icación de los cen os
his ó icos han a o ecido el desa ollo de cie as ac i idades (las p oduc i as) en
de imen o de o as (las ep oduc i as), p o ocando la des alo ación y la in isibilización
de és as úl imas y c eando modelos u banos basados en la sepa ación en e luga de
abajo y casa, en e ida pública y ida p i ada, en e quienes nos dedicamos a cuida
y quien cuida. (Amo oso, 2020, p.8).
Concomi an emen e, a an opóloga Alana Mo aes (2018) comp eende a classe
abalhado a como a “classe que cuida”, sendo as mulhe es neg as aquelas que
ocupam a maio pa e dos abalhos o mais e in o mais em a i idades de cuidado.
Nes e sen ido, as mulhe es, sob e udo as cuidado as e che es de amília, acabam
so endo mais pela ausência de in aes u u a u bana e de se iços, p incipalmen e as
mo ado as das pe i e ias. Como são elas as esponsá eis pela manu enção básica da
amília (alimen ação, saúde, educação, en e ou os) são ambém mais dependen es e
usuá ias de se iços públicos como c eches e pos os de saúde. Es es equipamen os as
libe am do cuidado em empo in eg al, possibili ando a ealização de ou as a i idades,
como o abalho emune ado e os es udos. Co obo ando com o a gumen o de que
as mulhe es ealizam mais a e as dia iamen e, Haydée S ab (2016) des aca que elas
pe co em maio es deslocamen os diá ios e, além de se em maio ia en e os usuá ios
de anspo e público, ambém ealizam mais deslocamen os a pé do que homens.
Assim, podemos a i ma que são as mulhe es pob es e mo ado as das pe i e ias as
mais p ejudicadas pela p odução capi alis a do espaço u bano.
Ao mesmo empo, as mulhe es são as mais a e adas pela ques ão habi acional e
pela despossessão. Segundo dados do Censo Ru al de 2000, 89% dos p op ie á ios de
e a são homens (Dee e e Léon, 2003, p.108). No caso das á eas u banas, a posse legal
da e a alcança somen e 30% das á eas habi adas nos países em desen ol imen o, e
apenas 3% pe encem às mulhe es (GLTN, 2010 in Za ias e al., 2012). Embo a enham
su gido, ecen emen e, polí icas públicas de i ulação da unidade habi acional em nome
da mulhe , en en a es a ealidade, que pe pe ua si uações de iolência, exigi ia uma
sé ie de medidas combinadas:
Pa a além das dimensões cul u ais, psíquicas e polí icas da ques ão, a “casa” não é
apenas o cená io, mas, mui as ezes, um p o agonis a essencial des e en edo ágico:
mui as mulhe es não conseguem pô um im na elação com o ag esso simplesmen e
po não e p a onde i com seus ilhos. (Rolnik, 2011, p.1).
Assim, despossessão e demanda habi acional es ão in insecamen e conec ados
com a iolência de gêne o. E es e aspec o oi ampli icado pela pandemia de Co id-19.
Kaya Laza ini
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
pp.121-142. h ps://doi.o g/10.12795/Habi a ySociedad.2023.i16.06124
1.2. Alguns dos impac os da pandemia sob e as mulhe es
No B asil, desde o início da qua en ena, a Ou ido ia Nacional de Di ei os Humanos (ONDH),
do Minis é io da Mulhe , da Família e dos Di ei os Humanos (MMFDH, 2021), egis ou
mais de 105 mil denúncias de iolência con a mulhe . Fo am 13 mil denúncias a mais
que em 2019, um aumen o de ce ca de 15%. Na A gen ina, de aco do com o Minis é io da
Mulhe , Gêne o e Di e sidade (MMGD, 2021) o am egis adas mais de 108 mil denúncias
ealizadas pela linha 144, especí ica pa a iolência con a a mulhe , em 2020. O cole i o
eminis a Ni Una Menos, em aliança com o sindica o de Inquilinxs Ag upadxs, demons ou
a sob eposição da c ise habi acional com o aumen o da iolência de gêne o dian e do
slogan #Queda eEnCasa (#FiqueEmCasa), p oblema izando que “a casa não pode se um
luga de iolência machis a nem de especulação imobiliá ia” (Ca alle o e Gago, 2020).
Em pa alelo, di e sos es udos demons a am que as mulhe es o am mais a e adas
pela pandemia, sob e udo as acializadas e das classes sociais des a o ecidas, e os
mo i os são a iados. Viei a e al. (2022) des aca que “a linha de en e no comba e à
Co id-19 [é] majo i a iamen e emininae a á ea da saúde compos a, p edominan emen e,
po mulhe es, po an o a pandemia as a e a de manei a desigual”. No mesmo sen ido,
Reis e al. (2021) demons a am a pa i da e isão da li e a u a os po enciais impac os
da pandemia na a enção à saúde sexual e ep odu i a das mulhe es, bem como a
si uação de ‘eme gência den o da eme gência’ em elação à iolência domés ica e de
gêne o du an e a pandemia. O abalho apon ou que cuida em empos de Co id-19
a e ou a saúde das mulhe es, sob e udo acializadas e de baixa enda.
As mulhe es b asilei as, que já abalha am em a aze es domés icos em média 8
ho as/semana a mais que os homens, passa am com o isolamen o social a e es e
abalho duplicado (Ab eu e al., 2020). Já em elação ao abalho emune ado, Pinhei o
e Vasconcelos (2021) egis a am que du an e a pandemia a ulne abilidade das
abalhado as domés icas aumen ou. Tan o no que diz espei o à desp o eção social,
com o aumen o da in o malidade e a negação de di ei os abalhis as e p e idenciá ios,
quan o no que se e e e à iolação sis emá ica de di ei os undamen ais das abalhado as
domés icas. Nisida e Ca alcan e (2020) demons a am com dados sob e óbi os po
Co id-19 uma maio mo alidade de pessoas neg as, mos ando que a pandemia ope a
como um a o ag a an e na ep odução das desigualdades e das condições sociais
impos as à população neg a.
Re lexões sob e a in e seccionalidade en e gêne o, aça e classe podem auxilia na
comp eensão e sepa ação das di e sas camadas de op essão a que es ão subme idas
pa e da população. Es ela e al. (2020) analisa de que o ma as medidas sani á ias
p o e i as da pandemia impac a am as mulhe es, sob e udo acializadas e de baixa
enda, que êm menos acesso aos cuidados de saúde e acabam endo que escolhe
en e ica em casa e passa ome ou co e os iscos do descump imen o ao isolamen o
pa a o sus en o de si e da amília. Em abalho ecen e (Helene e al., 2021), abo dam a
in e secção en e gêne o, aça e classe no es abelecimen o de zonas de sac i ício da
Es a égias das mulhe es dos mo imen os de mo adia en e à Co id-19 no B asil e na A gen ina
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
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Co id-191, e a c ise na ges ão dos cuidados e da ep odução da ida, oco ida du an e a
pandemia. Ao mesmo empo, des acamos a impo ância das p á icas dos mo imen os
de mo adia pa a epensa as cidades, na qual as mulhe es êm um papel cen al.
Nes a di eção, pesquisas apon a am como o ganizações sociais o am undamen ais
no comba e à desigualdade du an e a pandemia (Ca alho e al. 2022; San os e al. 2022;
Leal e F ança Filho, 2020; Mendonça e al. 2020), e elando que os mo imen os popula es
com sua p á ica o ganiza i a au oge i am inúme as inicia i as de cuidado e apoio, como a
con a ação de ambulâncias p óp ias, a cons ução de cozinhas cole i as ou a dis ibuição
de ces as básicas, alimen os pe ecí eis, p odu os de higiene e p o eção indi idual.
1.3. A p odução espacial po dois mo imen os sociais
A segui ap esen a emos b e emen e os dois mo imen os sociais de lu a po mo adia,
a sabe , o Mo imen o Sem Te a Les e 1, localizado na cidade de São Paulo2, B asil, e o
Mo imen o de Ocupan es e Inquilinos, com sede na cidade de Buenos Ai es3, A gen ina,
que são o ganizações sociais polí icas com a inalidade de ag upa pessoas que enham
a demanda habi acional e p oduzi o espaço sob a lógica do uso, e não da oca. Nes es
mo imen os, as mulhe es são maio ia en e lide anças e base e ela a am como
en en a am a pandemia cole i amen e.
1.3.1. O Mo imen o Sem Te a Les e 1, em São Paulo, B asil
A década de 1980 no B asil oi ma cada pelo p ocesso de edemoc a ização, con ex o no
qual obse am-se uma sé ie de oco ências, den e as quais a o mação do Pa ido dos
T abalhado es (PT), a pa icipação a i a das Comunidades Eclesiais de Base nas pe i e ias
das g andes cidades, o c escimen o de o ganizações sindicais, o su gimen os de mo imen os
popula es, como o Mo imen o dos T abalhado es Sem Te a (MST), além do o alecimen o
das ei indicações po di ei os sociais, pa icipação popula e eleições di e as.
Em 1989, na cidade de São Paulo, é elei a a P e ei a Luiza E undina, do ecém c iado
Pa ido dos T abalhado es (PT), que implemen a uma polí ica pública habi acional de
cons ução po mu i ão e au oges ão - o p og ama FUNAPS Comuni á io -, e es imula
o su gimen o e consolidação de mui os mo imen os de mo adia e assesso ias
écnicas. O esul ado des a polí ica oi a cons ução, en e 1989 e 1992, no ma co
des e p og ama, de mais de 10 mil unidades habi acionais (Rod igues, 2006, p.45). Os
mu i ões au oge idos são uma o ma especí ica de p odução do habi a que combina
1. Zona de sac i ício é um e mo c iado pelos mo imen os sociais ambien ais pa a designa e i ó ios
onde se sob epõe injus iças ambien ais e o mas di e sas de exp op iação, onde no malmen e habi am
populações de baixa enda e acializadas.
2. Segundo dados do IBGE (2021), o Município de São Paulo possui população es imada em 12,4 milhões
de habi an es, e o dé ici habi acional o a es imado em 1,4 milhões de mo adias.
3. Segundo dados do INDEC (2023) a Cidade Au ônoma de Buenos Ai es possui pouco mais de 3 milhões
de habi an es e um dé ici habi acional es imado em 500 mil mo adias.
Kaya Laza ini
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
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a a uação di e a da sociedade ci il, a a és de um mo imen o social, com o acesso a
ecu sos, a a és de uma polí ica pública. Em pa ce ia com uma assesso ia écnica,
amílias em si uação de ulne abilidade habi acional elabo am e execu am seus
p óp ios p oje os, po meio de p incípios como a au oges ão e a ajuda mú ua, em
expe iências o emen e in luenciadas pela Fede ación U uguaya de Coope a i as de
Vi ienda po Ajuda Mu ua (Fuc am).
O Mo imen o dos T abalhado es Sem Te a Les e 1 oi c iado em 1987 com o obje i o
de ga an i o di ei o a e a e mo adia às amílias de baixa enda de pa e da Zona Les e
de São Paulo. A ualmen e é o mado po 32 g upos de o igem, ce ca de 3 mil amílias,
e pelos mu i ões cons uídos nos quase 30 anos de exis ência, ab igando quase 4500
amílias. En e os p oje os habi acionais ealizados em pa ce ia com a assesso ia
écnica Usina4, des acam-se os mu i ões na Fazenda da Ju a: 26 de Julho ( ig.1), União
da Ju a ( ig.2) e Ju a No a Espe ança ( ig.3); o Mu i ão Paulo F ei e ( ig.4), ealizado
in ei amen e em es u u a me álica e, mais ecen emen e, inculados ao P og ama
Minha Casa, Minha Vida, os mu i ões do Pa que São Ra ael ( ig.5) (Do o hy S ang, Ma in
Lu he King e Je ônimo Al es), e ao p og ama habi acional municipal “Pode En a ”, o
Mu i ão Ca olina Ma ia de Jesus ( ig.6), localizado na egião cen al de São Paulo.
1.3.2. O Mo imen o de Ocupan es e Inquilinos, em Buenos Ai es,
A gen ina
Desde a década de 1970, e mais in ensamen e en e 1980 e 1990, di e sos países la ino-
ame icanos ade i am às e o mas es u u ais p opos as pelo Consenso de Washing on5 e
4. A Usina – Cen o de T abalhos pa a o Ambien e Habi ado, assesso ia écnica de São Paulo, B asil, a ua
jun o aos mo imen os sociais na p odução do habi a po au oges ão, o ganização da qual sou associada
desde 2010, a uando como a qui e a e u banis a.
5. O Consenso de Washing on oi um conjun o de medidas econômicas implemen adas nos países da
Figu as 1 a 6
Da esque da pa a di ei a
de cima pa a baixo,
o og a ias dos Mu i ões:
26 de Julho, União da Ju a,
Ju a No a Espe ança,
Paulo F ei e, Je ônimo
Al es e Ca olina Ma ia de
Jesus, pe encen es ao
MST Les e 1, São Paulo,
B asil. Fo os: Usina CTAH.
Es a égias das mulhe es dos mo imen os de mo adia en e à Co id-19 no B asil e na A gen ina
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
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implan a am medidas que muda am suas polí icas econômicas locais. A A gen ina oi um
caso pa adigmá ico, pois no deco e da década de 90 a sociedade passou po mudanças
p o undas de ido à c ise econômica ge ada pelas e o mas neolibe ais implemen adas
pelo p esiden e Ca los Menem. Po um lado, con igu ou-se uma sociedade empob ecida,
impossibili ada de acessa se iços básicos, que ha iam sido p i a izados. Po ou o, a
c ise, que alcançou seu ápice em 2001, p oduzia no os a o es sociais: os mo imen os sociais
u banos que lu a am con a as medidas de aus e idade que espolia am a população.
Em dezemb o de 2001, en e as e ol as e os pique es que ocupa am as uas, um
a o ma cou as o ganizações sociais de lu a po mo adia: naquele mês se deu a p imei a
comp a de um imó el na cidade de Buenos Ai es pelos se o es popula es o ganizados,
no ma co no ma i o municipal da Lei 341. O Mo imen o de Ocupan es e Inquilinos (MOI),
que su ge em 1991 como Associação Ci il, oi um dos sujei os decisi os na o mulação e
p odução da Lei 341 e do P og ama de Au oges ión pa a la Vi ienda (PAV) (Laza ini, 2014,
p.23), além de ambém e sido o emen e in luenciado pela Fuc am.
O MOI inicia sua a uação em ocupações já es abelecidas na á ea cen al da cidade
de Buenos Ai es. As p imei as são em San Telmo e Pue o Made o, que de am o igem
( espec i amen e) às coope a i as Pe u ( ig.8) e La Unión ( ig.10). Em San Telmo localiza-se
ambém o P og ama de Vi ienda T ansi ó ia (PVT) ( ig.7), onde amílias das coope a i as
mo am enquan o as ob as são concluídas. Também compõe o mo imen o as Coope a i as
Al a y Omega, Ya ay, La Fáb ica ( ig.9), El Molino ( ig.11), en e ou as, na cidade de Buenos
Ai es, ab igando mais de 250 amílias, além de coope a i as em o mação e p oje os em
cons ução em ou os locais da A gen ina, como San a Fé, Rosá io, Tie a del Fuego, com
o obje i o de nacionaliza o mo imen o. Es á p esen e ambém na Coope a i a El Molino
uma c eche ( ig.12), equipamen o social con eniado com o pode público.
Amé ica La ina, de cunho neolibe al, que de ende a p i a ização das indús ias nacionais e a abe u a da
economia ao me cado ex e no.
Figu as 7 a 12
Da esque da pa a di ei a
de cima pa a baixo,
o og a ias dos seguin es
p oje os: PVT, Coope a i as
Pe u, La Fab ica, La Unión,
El Molino, e achada da
c eche em El Molino, odos
pe encen es ao MOI,
Buenos Ai es, A gen ina.
Fo os p óp ias.
Kaya Laza ini
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
pp.121-142. h ps://doi.o g/10.12795/Habi a ySociedad.2023.i16.06128
2. Ma e iais e mé odos
Me odologicamen e, desen ol eu-se uma abo dagem quali a i a, a pa i de en e is as
ealizadas pa a es e abalho, complemen adas po esul ados de pesquisas e
expe iências an e io es, sob e udo o abalho de campo oco ido na A gen ina na
ocasião da in es igação de mes ado (2013) e a expe iência como assesso a écnica
no B asil (2010-a ual). Pa a es e a igo, o am ealizadas en e is as semies u u adas
com mulhe es dos dois mo imen os sociais de lu a po mo adia ap esen ados. Os
c i é ios pa a a seleção das pa icipan es o am: (a) que se au o iden i icassem como
mulhe es abalhado as; (b) com esponsabilidades mili an es jun o ao mo imen o; (c)
com pa icipação a i a du an e a pandemia; (d) de a iadas coope a i as ou mu i ões;
e, po im, (e) com a iedade de empo no mo imen o. É impo an e salien a que em
ambos os g upos a p esença das mulhe es é de ampla maio ia em elação aos homens.
Na Les e1 o am en e is adas ep esen an es de 2 mu i ões, sendo que ambas azem
pa e da coo denação: Mu i ão José Ma ia Ama al (que ab iga 198 amílias) e Mu i ão
Ca olina Ma ia de Jesus (que ab iga á 227 amílias); além de uma coo denado a ge al do
Mo imen o Sem Te a-Les e 1, que não pe ence a um mu i ão especí ico, mas abalha
com as amílias dos g upos de o igem e mu i ões (ce ca de 3 mil).
No MOI o am en e is adas ep esen an es, que ambém são pa e das coo denações,
de 3 coope a i as: La Unión (que ab iga 34 amílias), La Fab ica (ab iga 50 amílias) e Al a
y Ômega (ainda não em p oje o), sendo que uma delas mo a no PVT (com ce ca de 40
amílias). Todas as en e is adas são mulhe es che es de amília, quase odas são mães
e/ou a ós e a me ade é neg a ou de ou as e nias.
En e os dias 10 e 16 de e e ei o de 2023 o am ealizadas as en e is as com 6
mulhe es. Fo am man idas as coope a i as ou mu i ões a que pe encem e o empo,
po ém o am esgua dadas as iden idades sup imindo nome e sob enome:
• P.G., Coope a i a Al a y Omega, PVT, MOI, no mo imen o há 12 anos.
• S.F., Coope a i a La Fáb ica, MOI, no mo imen o há 23 anos.
• K.R., Coope a i a La Unión, MOI, no mo imen o há 33 anos.
• S.K., Mu i ão Ca olina Ma ia de Jesus, Les e 1, no mo imen o há 7 anos.
• P.N., Mu i ão José Ma ia Ama al, Les e 1, no mo imen o há 12 anos.
• E.R., coo denado a da União dos Mo imen os de Mo adia (UMM/SP), apoio aos
mu i ões, Les e 1, no mo imen o há 35 anos.
As en e is as ealizadas com as mulhe es a gen inas oco e am emo amen e,
a a és de uma pla a o ma de euniões pela in e ne . Já as mulhe es b asilei as o am
en e is adas p esencialmen e, no espaço comuni á io do Mu i ão Ca olina Ma ia de
Jesus, em São Paulo, B asil. As pe gun as que guia am a con e sa o am di ididas em 4
eixos, sendo os 2 p imei os de ca á e diagnós ico, pa a comp eende , em linhas ge ais,
como a pandemia a e ou as suas idas e das comunidades/coope a i as/mu i ões que
Es a égias das mulhe es dos mo imen os de mo adia en e à Co id-19 no B asil e na A gen ina
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pe encem; e os 2 seguin es elacionados com as es a égias de cuidado o ganizadas e
pos as em ação ao longo da pandemia, sendo um desses eixos, exclusi o sob e o ema
do espaço.
3. Resul ados
Não en ende o que es á acon ecendo. Quan o empo demo a ia. Quais e am os eais
iscos. (S.K., Les e 1).
Com a inalidade de delinea um possí el diagnós ico de como a pandemia ha ia
a e ado a ida das mulhe es, o p imei o bloco de pe gun as da en e is a e sa a sob e
es e ema - os impac os da pandemia na ida das en e is adas. Elas o am consonan es
ao decla a em e em sido ex emamen e a e adas pela pandemia, p imei amen e pela
o ina de con inamen o e pelo medo, mas que apidamen e se o nou ação em inúme as
a i idades de cuidado que ealiza am pa a supe a a c ise. Como as en e is adas em
o pe il de se em a i as em suas a e as ‘ o a de casa’, inculadas ao mo imen o, o
con inamen o deu luga à ealização de a i idades de cuidado e o medo deu luga às
inicia i as de cole i ização do cuidado:
Em casa eu inha duas pessoas com como bidade, minha mãe idosa com 80 anos e o
companhei o com diabe es. En ão eu inha mais medo po eles do que po mim – e isso
acaba ajudando ocê a se desp eocupa , ou melho , não ica ão pa anoica po que em
de quem cuida . (E.R., Les e 1).
Ao mesmo empo que es a com pessoas ulne á eis e se suas cuidado as pode ia
aca e a um ní el maio de ansiedade em elação à pandemia, ambém as libe a am
de p eocupa -se an o consigo mesmas, ou ainda, ga an iam um ce o sen ido em meio
à an a ince eza, uma ez que de e iam segui cuidando, independen e do medo.
En e as en e is adas, odas decla a am e ido Co id-19 e nenhuma delas necessi ou
in e nação hospi ala .
3.1 A dimensão polí ica do cuidado
Em elação à ques ão de gêne o e o cuidado, o papel das mulhe es oi des acado e
p oblema izado ou jus i icado pelas en e is adas em di e sos momen os de seus
ela os, demons ando aspec os a e i os e de solida iedade en e o g upo:
Se inha homens? Olha, na ho a de desca ega as ces as do caminhão e am poucos,
iu? E am as mulhe es que desca ega am. É o e úgio das mulhe es, é o olha p aquela
que não se coloca a. Foi bem aquilo: ninguém sol a a mão de ninguém. (P.N., Les e 1).
His o icamen e a mulhe cuida, en ão p a nós oi au omá ico se p eocupa com o
isolamen o, com quem es a a com ome. Na Les e 1 a maio ia de nós somos mulhe es.
A g ande maio ia das nossas lide anças, que i e am que oma a en e, deixa am seus
p oblemas no can o – como a gen e semp e az - e se dedica am a um p oblema bem
maio . É o bem comum nosso, cuida de uma cole i idade. Eu i mui o, como semp e,
Kaya Laza ini
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sé, en gen e que i ía en su depa amen o. Tu imos un mes, un p ime o momen o que
ue bas an e más denso. Pe o después lo que sucedía e a que los niños salían, andaban
po el luga , y más, mi nie a que no i e conmigo, mi nie a enia pa a acá, po que e a un
luga donde podía mínimamen e es a . El espacio p opo cionó es o. (S.F., MOI).
Ainda sob e os espaços comuns, K.R. ela a que na Coope a i a La Union, em unção
da exis ência de um pá io cen al abe o ( ig.10), passa am a ealiza as euniões nes e
espaço, com másca as. Dessa manei a, segundo sua obse ação, as euniões que an es
oco iam em espaços echados, ao passa pa a o espaço abe o, acaba am a aindo a
a enção de no os pa icipan es.
Sob e os espaços do in e io da unidade habi acional, as en e is adas demons a am
que não o am ealizadas mudanças nas casas ou apa amen os em mu i ões e
coope a i as. Elas a i ma am que, de ido à casa possui dimensões adequadas, não
oi necessá io ealiza adap ações, isola ambien es ou ou as medidas de segu ança
du an e a pandemia.
Em elação à izinhança, S.F. ela a que além do desenho do edi ício, ambém a
posição das janelas, ol adas pa a o pá io, colabo a am pa a que ela se sen isse segu a:
Yo engo la en ana, que da el pa io, no engo co ina, en ninguna en ana engo
co ina, es una decisión. Y me enían, me golpeaban ‘necesi as algo, ¿se sen ís bien?’.
Hubo gen e acá que no plan eaba así. (S.F., MOI).
Figu as 13 a 18:
Acima, Coope a i a La
Fab ica, em Buenos Ai es,
e seus espaços comuns;
abaixo, dis ibuição de
alimen os no Mu i ão
Je onimo Al es, no Pq. São
Ra ael, em São Paulo. Ao
cen o pode-se obse a
as abóbodas ci adas pela
en e is ada. Fon e: MOI/
CTAA; MST Les e 1.
Es a égias das mulhe es dos mo imen os de mo adia en e à Co id-19 no B asil e na A gen ina
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Po im, uma obse ação sob e o papel das a andas ou quin ais (pá io), des acando
a impo ância de que cada unidade habi acional enha seu espaço pa icula abe o,
com sol, ‘den o de casa’, que pode se pequeno, mas que não é subs i uído pelo
espaço comum:
C eo que una de las cosas a qui ec ónicas que son piolas ienen que e con que
cada uno enga pa io. Es e ai e pa icula es bien impo an e. El espacio común es
bá ba o, aho a es e espacio pequeño, y que es é conec ado con a ue a ambién, es
muy impo an e. (S.F., MOI).
4. Discussão dos esul ados à luz da bibliog a ia
Do mesmo modo que a pandemia de Co id-19 ecolocou a impo ância dos abalhos
de cuidado e limpeza ao uncionamen o da sociedade, expôs de manei a pe e sa a
sua in isibilidade colonialis a, ma cada es u u almen e po ques ões de gêne o, aça
e classe social, o nando isí el a di isão p o unda exis en e na sociedade en e idas
p o egidas e idas ulne á eis, já que mui as pessoas não pude am ica em casa pois
seus abalhos não o am in e ompidos, como lixei os, en egado es, p o issionais da
saúde, en e ou os (Ve gès, 2020, pp 17-21). As en e is as ealizadas com as mulhe es
pe encen es aos mo imen os sociais de lu a po mo adia demons a am que a lógica
da o ganização social colabo ou sob emanei a pa a isibiliza o cuidado, an o sua
necessidade quan o o abalho de cuida , bem como apoia as pessoas que não pude am
in e ompe seus abalhos.
Os mo imen os sociais cujo obje i o é a p odução po au oges ão dos conjun os
habi acionais com ecu sos públicos, êm como p essupos o a au o-o ganização popula .
Rei indicam a escolha da e a, a elabo ação do p oje o jun o a uma assesso ia écnica
p óp ia e p og amas públicos onde possam au oge i os ecu sos es a ais. O p ocesso
de p odução da mo adia cump e papel cen al na o mação da iden idade cole i a
e o can ei o de ob as é uma espécie de labo a ó io (polí ico e social, com limi es e
con adições) onde á ias o mas de elações sociais são expe ienciadas. Tan o no B asil
quan o na A gen ina, as ocupações de e as e edi ícios p omo idas po mo imen os
popula es são p edominan emen e ealizadas po mulhe es. É signi ica i o que sejam
elas a maio ia da base do mo imen o, bem como sua linha de en e, de modo que
o ganizam e coo denam os g upos, cons i uindo-se como lide anças e e e ências6.
As en e is as demons a am que o mo imen o em a uação pe manen e na dimensão do
cuidado, já que du an e a pandemia inúme as edes de a enção e a e o o am ecidas, an o
i ualmen e - p incipalmen e po meio do celula e do compu ado -, quan o p esencialmen e
- nos momen os de en ega das ces as básicas e comidas pe ecí eis. A dimensão da p áxis
6. Com base em nossa expe iência como assesso a écnica aos mo imen os de lu a po mo adia no
B asil, bem como a ealização de in es igação de mes ado jun o ao Mo imen o de Ocupan es e Inquilinos,
es imamos que ce ca de 80% dos pa icipan es dos mo imen os sociais de lu a po mo adia ci ados – MST
Les e 1 e MOI - sejam mulhe es.
Kaya Laza ini
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da o ganização au oges ioná ia, de solida iedade, ajuda mú ua e diálogo pe manen e, ez
com que o mo imen o popula cump isse um papel de acompanhamen o social du an e a
pandemia e o am as mulhe es as esponsá eis po essa p á ica.
A dimensão polí ica da cole i ização do cuidado es á p esen e na sua comp eensão
como p incípio da ep odução da ida, que em como qualidade p incipal o uso (mesmo
que as ezes possua alo de oca). Foi des acado o aspec o de gêne o elacionado ao
cuidado e a impo ância do cuidado pa a e- ece as elações, o alecendo o g upo.
A pe spec i a eco eminis a7 ap esen a a necessidade de uma no a cosmologia, que
econhece que a ida na na u eza (incluindo os se es humanos) man ém-se po meio
da coope ação, cuidado e amo mú uos. Somen e des e modo es a emos habili ados a
espei a e a p ese a a di e sidade de odas as o mas de ida, bem como das suas
exp essões cul u ais, como on es e dadei as do nosso bem es a e elicidade. Pa a
alcança es e im, as eco eminis as u ilizam me á o as como “ e- ece o mundo”, “cu a
as e idas”, eliga e in e liga a “ eia” (Mies e Shi a, 1993, p.15).
Do pon o de is a da dimensão da p áxis au oges ioná ia, e na con amão do que
apon a Pinhei o e Vasconcelos do aumen o da ulne abilidade, pode íamos a i ma que,
de aco do com as en e is adas, o mo imen o popula se iu jus amen e pa a eduzi
esse isco. A dis ibuição de alimen os, po exemplo, oi de e minan e pa a ga an i a
segu ança alimen a das amílias pe encen es aos g upos.
Ainda con o me os ela os, as edes se expandi am pa a inicia i as de pa ce ia com
ou os mo imen os sociais, com ins i uições inculadas ao pode público como P e ei u as,
e as en e is adas des aca am a impo ância da o ganização e das ações dos mo imen os
sociais ambém na ges ão da cidade. Nes e sen ido, a pandemia ao mesmo empo expôs os
limi es e desa ios das ges ões públicas e a o ça, ab angência e po ência dos mo imen os
sociais u banos e u ais na au oges ão do espaço. Sil ia Fede ici (2020) colabo a com a
comp eensão da necessidade de assumi cole i amen e o con ole das idas.
Hoje não é Es ado sim ou não. É cla o que emos a necessidade de usa es u u as que
p o êm das ins i uições, po que não emos al e na i a. Uma al e na i a é começa a
e le i cole i amen e sob e o que p ecisamos, sob e nossa saúde, sob e alimen os, sob e
o e i ó io, sob e odas as si uações que a e am nossas idas. Enquan o isso, amos
ans o ma a ag icul u a e a saúde, c ia o mas de con ole cole i o. (Fede ici, 2020, p.3)
Em elação aos espaços p oduzidos socialmen e e seu papel du an e a pandemia,
icou e iden e a impo ância de p e e nos p oje os a qui e ônicos e u banís icos
e assegu a a cons ução de á eas li es, pá ios in e nos, á eas comuns e cole i as,
a ejadas e amplas, compa ilhadas po odos e/ou de acesso amilia . A a iedade
desses espaços é a solução mais indicada, ao in és da escolha de uma o ma.
7. O Eco eminismo é uma eo ia c í ica e ilosó ica pa a in e p e a o mundo e ans o ma-lo. Alia a
p á ica polí ica do eminismo com a ecologia, denunciando an o o pa ia cado quan o a explo ação do
homem em elação à na u eza. Au o as como Vandana Shi a, Ma ia Mies, Yayo He e o e Ma a Pascuale
em desen ol ido o deba e em o no des e po en e concei o.
Es a égias das mulhe es dos mo imen os de mo adia en e à Co id-19 no B asil e na A gen ina
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Nos p oje os desen ol idos an o pela Les e 1 em pa ce ia com a Usina – CTAH, quan o
pela equipe écnica do MOI, a concepção a qui e ônica dos conjun os, bai os, edi icações
e casas/apa amen os, con a com a pa icipação de e minan e das mulhe es, sendo elas
que le an am as ques ões inculadas ao abalho ep odu i o que o ien am as soluções
de desenho u bano e a qui e ônico ado adas. Nos deba es sob e os espaços cole i os
e de uso comum, as pa icipan es p opõem múl iplas escalas, po ezes semipúblicas,
onde elas possam obse a , ainda que de den o de suas casas, um g upo de c ianças
b incando, po ezes espaços semip i ados, onde um conjun o de casas apenas enha
acesso. Algumas soluções de p oje o, como a a iedade de espaços de laze espalhados
pelos conjun os, em escalas ambém a iadas, mas semp e ao alcance do olha cole i o,
assim como a andas e espaços de ansição en e o público e o p i ado, como os halls
das escadas, ambém são ampliados, ala gados, de manei a a c ia luga es semip i ados,
compa ilhados en e as amílias de cada anda . Desse modo, o desenho busca ab iga
de manei a adequada o espaço co idiano, do cuidado diá io e do con o o com a
p oximidade da izinhança, espaço es e que se con apõe com o ex ao diná io da isi a
ao pa que público do laze espo ádico (Gue ei o e Laza ini, 2015).
Vale des aca que du an e as en e is as su gi am comen á ios sob e o espaço
p oduzido socialmen e es a mais adequado às demandas da pandemia do que um
p édio ou conjun o habi acional p oduzido como me cado ia. Os espaços comuns na
Coope a i a La Fab ica, po exemplo, o am undamen ais pa a que a izinhança pudesse
man e uma o ina saudá el de con í io, assegu ado pela ampli ude dos pá ios que
ci culam a edi icação.
Ao pe gun a sob e possí eis mudanças den o das unidades habi acionais, as
en e is adas a i ma am que os espaços p i ados es a am adequados, pelo amanho
e disposição dos ambien es, à pandemia. Nes e sen ido, ale des aca que nos p oje os
pa icipa i os os espaços domés icos são u o de incansá eis ensaios sob e a disposição
dos ambien es, sendo a cozinha o espaço da mo adia mais deba ido. Algumas ezes
in eg ada à sala pa a socialização das a e as ligadas à alimen ação da amília, ou as ezes
ese ada po pa ede e po a pa a ga an i a p i acidade, mas in a ia elmen e alçada a
p incipal espaço da casa. Ou as ques ões podem se des acadas das discussões do p oje o
da casa que es ão elacionadas à p eocupação com a ep odução e com a qualidade de
uso, como a la ande ia que de e se ampla, iluminada e a ejada, ou a possibilidade de que
um dos do mi ó ios seja maio que o ou o, de manei a que o maio ique com os ilhos.
Nes e sen ido, uma das en e is adas des acou a impo ância dos ‘pa ios’ indi iduais,
ga an indo que cada unidade habi acional enha seu espaço de sol e espi o.
Em elação à u ilização dos espaços comuns nas coope a i as e mu i ão pa a ealiza
as a i idades de cuidado, a socióloga a gen ina Ma ia Ca la Rod iguez, p o esso a,
pesquisado a e mili an e do MOI, u iliza o e mo “p odução au oges ioná ia de
comuns u banos” pa a comp eende as ações emp eendidas pelos mo imen os. Os
“comuns u banos”, de aco do com Amanda Hu on (2018), se cons i uem a pa i de ês
ca ac e ís icas: a exis ência de um ecu so, de uma comunidade que se sus en e com es e
ecu so e de um conjun o de ins i uições c iadas po essa comunidade pa a sua ges ão.
Kaya Laza ini
Hábi a y Sociedad (ISSN 2173-125X), n.º 16, no iemb e de 2023, Uni e sidad de Se illa,
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Assim, os comuns u banos uncionam pa a ga an i o sus en o de uma comunidade.
Se iam a dis ibuição de alimen os ealizada no salão do PVT ou a dis ibuição de ces as
básicas nas abóbodas do São Ra ael a p odução au oges ioná ia de comuns u banos?
Pode íamos imagina ou a o ma de ges ão e i o ial u bana, na qual as o ganizações
sociais i essem o p o agonismo sob e o espaço que ocupam e legi imidade pa a p opo
polí icas, além de ga an ia de ecu sos pa a as ações e polí icas sociais. A pandemia
e elou a po ência que os mo imen os sociais e i o iais ca egam enquan o sujei os
que, na p á ica, es ão ealizando expe iências conc e as de au oges ão da cidade.
Concluímos que as es a égias espaciais das mulhe es dos mo imen os popula es de
lu a po mo adia an o no B asil quan o na A gen ina obedece am a lógicas cole i is as,
solidá ias, comuni á ias e, mui as ezes, desme can ilizadas. Também pe cebemos,
de o ma co ela a, que an o o se o o ganiza i o dos mo imen os sociais popula es,
quan o as mulhe es pa icipan es des es mo imen os, o am sujei os undamen ais e
i e am papeis de e minan es no con ex o da pandemia.
Po im, se du an e a pandemia, p ema u amen e, espe ançamos mudanças
p o undas no con ex o do capi alismo global, que acaba am po não oco e , ao olha
essas expe iências ensaiamos a u opia de e i ó ios in ei amen e au oge idos po
seus mo ado es, obedecendo à lógica da ges ão em di e sas escalas, ga an ido a da
pa icipação e e i a de ep esen an es de quad a, de bai o, egiões adminis a i as e
cidades, e omando o po encial emancipa ó io das p á icas au oges ioná ias e i o iais.
Ag adeço à Fapesp pela bolsa de mes ado (P ocesso Nº 2012/04083-5) e à CAPES pela
bolsa de dou o ado (P ocesso Nº 88887.663634/2022-00), bem como aos pa ece is as do
pe iódico Hábi a y Sociedad pelas suges ões.
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