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As fronteiras entre o popular e o massivo na teoria cultural da folkcomunicação

Abstract

O presente artigo tem por objetivo principal explorar detalhadamente, e de modo exclusivamente bibliográfico, a teoria da Folkcomunicação (Beltrão, 2004), pertencente ao ramo das Ciências Sociais e Humanas, alinhada, sobretudo, com as Ciências da Comunicação; e que possui sua origem genuinamente brasileira, ao ter sido fundada e desenvolvida pelo jornalista e escritor brasileiro Luiz Beltrão durante a década de 1960. A característica da sua procedência brasileira é, portanto, a principal motivação e justificativa para a realização de uma pesquisa bibliográfica aprofundada sobre a referida teoria, com o intuito de dar a conhecer os principais interesses e fundamentos desta formulação, conceito e disciplina, que se comporta como teoria cultural dedicada a compreender a complexa e estreita relação da cultura popular com os meios de comunicação de massa (Breguez, 2013). O universo folkmidiático contempla a cultura em sua completude, dando a notar a extensa complexidade dos elementos, manifestações e desenhos culturais possíveis no mundo contemporâneo (Marques de Melo, 2008). Ao fazer uso de uma gama investigativa de material científico, que aborda conceitos, processos e perspectivas facilitadores de uma compreensão da teoria brasileira de Luiz Beltrão da Folkcomunicação em seu aspecto amplo, geral e completo, compreendemos que os processos históricos e a inegável realidade da dinamicidade coletiva refletem numa constante metamorfose de interesses, empirias, práticas e investigações (Maciel, 2013), que contribuem para uma permanente e recorrente atualização de estudos e conceitos científicos.

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As fronteiras entre o popular e o massivo na teoria cultural da folkcomunicação

Author: Carvalho, Bruna Franco Castelo Branco
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2022
DOI: 10.12795/Ambitos.2022.i58.06
Source: https://idus.us.es/bitstreams/3e7c70f0-d28e-49d0-9124-54d847d61fe2/download
Nº 58 | OTOÑO 2022
ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733
h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i58.06
58-71
As on ei as en e o popula e o massi o na
eo ia cul u al da olkcomunicação
The bo de s be ween he popula and he massi e in he cul u al heo y o
olkcommunica ion
B una F anco Cas elo B anco Ca alho
Uni e sidade Fede al do Cea á | A . Mis e Hull, s/n - Campus do Pici, ICA, 60455-760, Fo aleza – CE, B asil
0000-0002-3688-2653 · b una [email protected]
Fechas: Recepción: 14/06/2022· Acep ación: 18/09/2022 · Publicación: 15/10/2022
Resumo
O p esen e a igo em po obje i o p incipal explo a de alhadamen e, e de modo exclusi amen e bibliog á ico,
a eo ia da Folkcomunicação (Bel ão, 2004), pe encen e ao amo das Ciências Sociais e Humanas, alinhada,
sob e udo, com as Ciências da Comunicação; e que possui sua o igem genuinamen e b asilei a, ao e sido
undada e desen ol ida pelo jo nalis a e esc i o b asilei o Luiz Bel ão du an e a década de 1960. A ca ac e ís ica
da sua p ocedência b asilei a é, po an o, a p incipal mo i ação e jus i ica i a pa a a ealização de uma pesquisa
bibliog á ica ap o undada sob e a e e ida eo ia, com o in ui o de da a conhece os p incipais in e esses
e undamen os des a o mulação, concei o e disciplina, que se compo a como eo ia cul u al dedicada a
comp eende a complexa e es ei a elação da cul u a popula com os meios de comunicação de massa (B eguez,
2013). O uni e so olkmidiá ico con empla a cul u a em sua comple ude, dando a no a a ex ensa complexidade
dos elemen os, mani es ações e desenhos cul u ais possí eis no mundo con empo âneo (Ma ques de Melo, 2008).
Ao aze uso de uma gama in es iga i a de ma e ial cien í ico, que abo da concei os, p ocessos e pe spec i as
acili ado es de uma comp eensão da eo ia b asilei a de Luiz Bel ão da Folkcomunicação em seu aspec o amplo,
ge al e comple o, comp eendemos que os p ocessos his ó icos e a inegá el ealidade da dinamicidade cole i a
e le em numa cons an e me amo ose de in e esses, empi ias, p á icas e in es igações (Maciel, 2013), que
con ibuem pa a uma pe manen e e eco en e a ualização de es udos e concei os cien í icos.
Pala as-Cha e: olkcomunicação, cul u a popula , meios de comunicação.
Abs ac
The main objec i e o his a icle is o explo e in de ail, and in an exclusi ely bibliog aphic way, he heo y o
Folkcommunica ion (Bel ão, 2004), belonging o he ield o Social and Human Sciences, aligned, abo e all, wi h
Communica ion Sciences; and which has i s genuine B azilian o igin, ha ing been ounded and de eloped by he
B azilian jou nalis and w i e Luiz Bel ão du ing he 1960s. The cha ac e is ic o i s B azilian o igin is, he e o e, he
main mo i a ion and jus i ica ion o ca ying ou an in-dep h bibliog aphic esea ch on he a o emen ioned heo y, in
o de o make known he main in e es s and ounda ions o his o mula ion, concep and discipline, which beha es as
a cul u al heo y dedica ed o unde s anding he complex and close ela ionship be ween popula cul u e and he mass
media (B eguez, 2013). The olkmedia uni e se con empla es cul u e in i s en i e y, highligh ing he ex ensi e complexi y
o he elemen s, mani es a ions and cul u al designs possible in he con empo a y wo ld (Ma ques de Melo, 2008). By
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making use o an in es iga i e ange o scien i ic ma e ial, which app oaches concep s, p ocesses and pe spec i es
ha acili a e an unde s anding o he B azilian heo y o Luiz Bel ão da Folkcommunica ion in i s b oad, gene al and
comple e aspec , we unde s and ha he his o ical p ocesses and he undeniable eali y o he dynamics collec i e
e lec ion in a cons an me amo phosis o in e es s, empi ical s udies, p ac ices and in es iga ions (Maciel, 2013),
which con ibu e o a pe manen and ecu en upda ing o scien i ic s udies and concep s.
Keywo ds: olkcommunica ion, popula cul u e, media.
1. In odução
O abalho que se ap esen a, de eo me odológico in es iga i o exclusi amen e concei ual, p e ende
explo a as aces da eo ia da Folkcomunicação, pelo a o p incipal de se a a de um campo de
es udos que pe ence às Ciências humanas, especi icamen e às eo ias da comunicação, e que
comp eende um concei o cien í ico pu o e genuinamen e b asilei o po na u eza, desen ol ido pelo
esc i o e jo nalis a pe nambucano Luiz Bel ão nos idos da década de sessen a do século XX, pelo
seu in e esse em es uda e pesquisa sob e a comunicação popula ealizada no B asil desse pe íodo.
A e e ida eo ia se enca ega de obse a classes da sociedade que são po di e sas ezes in isí eis
e/ou ma ginalizadas den o de um con ex o de classi icação social sis ema izada em nome do egime
capi alis a dominan e em escala global. Diz o mes e Bel ão (1980):
Em unção da es u u a social disc imina ó ia man ida em nações como a nossa, a massa
camponesa, as populações ma ginalizadas u banas e a é mesmo ex ensas á eas p ole á ias
ou de subemp egados se comunicam a a és de um ocabulá io escasso e o ganizado em
signi icados uncionais p óp ios den o dos g upos. (p. 37-38)
Inse idos nes e cená io, Bel ão obse ou que essas classes mais popula es se comunicam en e si
menos pelos meios de comunicação de massa e mais u ilizando elemen os do olclo e como o ma
de mani es ação e oca popula de mensagens pa a uma comp eensão democ á ica e cole i a. Sob e
isso, Amphilo escla ece:
A olkcomunicação pa e dos p essupos os uncionalis as, com is as ao diálogo, ao
desen ol imen o, à in eg ação social, às ans o mações sociais e à in e - elação,
p incipalmen e, dos sis emas comunicacionais, o mais e in o mais, azendo lui a in o mação
no espaço social, encendo a “incomunicação”, p omo endo a paz social e in eg ando o país.
(2011, p. 198)
Sabendo que es amos abalhando com um campo da comunicação na sua e en e eó ica, a a emos
de u iliza nes e abalho uma me odologia que con emple o sen ido con eudis a e concei ual da
Folkcomunicação, dando a conhece a emá ica cien í ica em ques ão; des a o ma, não é de in e esse
con empla o me gulho em um obje o empí ico especí ico, is o que p io izamos abalha com o
mé odo in es iga i o exclusi amen e bibliog á ico, u ilizando de on es e au o es p óp ios da á ea
cien í ica olkcomunicacional.
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Como hipó ese, emos que os pesquisado es da Folkcomunicação se enca egam de iden i ica a
o ma como os sujei os à ma gem da sociedade possuem a p á ica de se exp essa , de sabe como
eles se comunicam e ambém es ão a en os e cu iosos em conhece o que eles êm a dize en e si e
pa a o mundo em seu mais a iado leque de mani es ações popula es.
Dessa o ma, nosso obje i o p incipal no a igo em ques ão é discu i , ap o unda o concei o e di undi
o conhecimen o a espei o da eo ia olkcomunicacional no campo cien í ico. Es e obje i o se á
execu ado e es u u ado a pa i de e lexões em um passeio a se ealizado pelo pe cu so cons u i o
dessa eo ia; incluindo suas o igens, undamen os, e olução, in e esses, modi icações e a anços na
aje ó ia o ma i a da olkcomunicação enquan o concei o acadêmico- eó ico-cien í ico inculado
à g ande es e a das Ciências Humanas e Sociais.
2. O igens da eo ia da olkcomunicação
A eo ia c iada pelo p o esso e p ecu so da olkcomunicação no e i ó io b asilei o, Luiz Bel ão
(1918-1986), ep esen ou um g ande a anço pa a os es udos no campo da Comunicação, uma ez que
ouxe um epe ó io de e lexão ampa ado em ou as ciências a ní el nacional, ais como a His ó ia e
a Sociologia, quando o p o esso Bel ão buscou a icula os p imei os concei os sob e a no a eo ia
a se desen ol ida.
Suas inquie ações iniciais e am á ias. As mo i ações jo nalís icas es a am elacionadas, po
exemplo, à o ma como as populações pob es, excluídas e isoladas geog a icamen e, em um país
ão g ande de dimensões con inen ais como o B asil, conseguiam se in o ma ; melho dizendo, as
in o mações e am ob idas po es es g upos, di os ma ginalizados, a a és de quais meios, canais e
eículos de comunicação? Quais as ias que es a am disponí eis a es e público? E, além disso, quais
as suas eações, pe cepções e opiniões a espei o das in o mações ecebidas? Po onde pode iam
exp essa seus sen imen os? Quais os canais disponí eis pa a ex e na seus pensamen os e ideias?
Quem pode ia, ou e ia in e esse, em acessá-los? Quais os impac os e e ei os que a iam? Tudo isso
le ando em conside ação que os meios de comunicação es abelecidos o malmen e no país es a am,
em sua maio ia, concen ado nas mãos das eli es e ol ados pa a elas.
Re le indo em udo isso, B eguez (2013) esc e eu sob e as pesquisas ei as sob e a cul u a do po o,
escla ecendo que:
G amsci mos a que i emos em uma sociedade capi alis a, onde exis em duas classes sociais:
a eli e dominan e e o po o (conjun o das classes subal e nas). Cada classe em sua p óp ia
cul u a. A cul u a da eli e é le ada, possui s a us acadêmico, é ensinada nas escolas. A cul u a
popula ( olclo e) é ansmi ida pela o alidade, pela p oximidade dos memb os da comunidade,
baseia-se na adição e memó ia cole i a. (p. 92)
En ão, na en a i a de esponde a alguns dos ques ionamen os le an ados acima, Bel ão pene ou
nes e uni e so du an e uma longa e á dua jo nada de, pelo menos, se e anos in ensos de pesquisas,
cole a de dados e obse ações, endo desen ol ido e de endido al eo ia em sua ese de dou o ado,
na Uni e sidade de B asília (UnB) no e e ido ano de 1967.
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É nesse deba e que su gem os en oques comunicacionais da cul u a. O p imei o oi McLuhan, no e
ame icano, sob e a homogeneização cul u al e olclo e indus ial de labo a ó io. Edga Mo in, ancês,
em em seguida com a ideia de uma sociedade icul u al: cul u a e udi a, cul u a popula e cul u a de
massa. No B asil, apa ecem no os en oques como o de Luiz Bel ão que c ia a exp essão Folkcomunicação
pa a designa os p ocessos comunicacionais do olclo e. José Ma ques de Melo ambém pa icipa do
deba e e publica seus ex os ambém na Re is a de Cul u a Vozes (B eguez, 2013, p. 92).
A pa i daí os caminhos eó icos e me odológicos o am sendo g ada i amen e abe os no B asil,
disseminados a a és da abe u a de disciplinas no ensino supe io , de g upos de es udos, de um co po
de pesquisado es in e essados no assun o, de uma ede in eg ada de pesquisa1 pe manen e dedicada
ao âmbi o olkcomunicacional; de modo que os es udos de olkcomunicação o am a ançando cada
ez mais e ampliando sua á ea de ab angência, explo ando os di e sos elemen os que aba cam a
es e a do olclo e e da cul u a popula b asilei a.
Mui os o am os seguido es do legado deixado po Luiz Bel ão. Alguns p o esso es e pesquisado es
i e am des aque na busca po aze pe pe ua os ensinamen os ap eendidos em con a o com a eo ia
do g ande mes e Bel ão. Den e eles, podemos des aca mais di e amen e os p o esso es Robe o
Benjamin e José Ma ques de Melo, e á ios ou os, que a é os dias a uais colabo am pa a aze ende
e lexões sociais con empo âneas, p incipalmen e, mas não apenas, den o de espaços acadêmicos.
O empenho com os es udos olk pe mi iu ambém o con a o com au o es ou os de á eas a ins e
co ela as à Comunicação, que lidam com as p á icas sociais e cul u ais dos ag upamen os cole i os.
Os es udiosos olclo is as, su gidos na década de 1930 in e essados em econhece e alo iza
a cul u a do po o b asilei o, mui o con ibuí am pa a o desen ol imen o des a eo ia; bem como
au o es que dialogam, sob e udo, com a An opologia, e ambém com a His ó ia, a Ciência Polí ica
e a Sociologia, como o ma de aze uma comp eensão ansdisciplina mais ampla a espei o do
uni e so co idiano e cole i o dos g upos sociais, u banos e u ais.
Dessa o ma, emos que a Folkcomunicação es á ime sa em um con ex o de ans o mações no que
se e e e às mídias sociais no B asil. Su gida em uma época em que a ele isão es a a se lançando
como impo an e e amen a comunicacional p es es a se o na o p incipal eículo de comunicação
do país. Pe íodo em que essa mídia ele isi a despon a a ainda como on e in o ma i a p incipal
das eli es, quando “o B asil pe ila a-se como uma sociedade ma cada pela igência de uma mídia
eli is a, anco ada nos alo es da cul u a e udi a” (Ma ques de Melo, 2006, p. 21), quando ambém
a di adu a mili a ope a a em egime de censu a no país e quando as classes sociais b asilei as
encon a am-se o emen e pola izadas.
Assim, sabendo da exis ência de in e ações en e o local e o global nos p ocessos comunicacionais,
numa época em que o pensamen o sociocul u al despon a a como um pe íodo u í e o, com o
a anço de ou as co en es, como os es udos cul u ais b i ânicos e eu opeus, assim como a po ência
das e lexões ace ca da indús ia cul u al na Amé ica La ina, o concei o ai aos poucos buscando
comp eende como acon ece a ap op iação da cul u a popula pelas indús ias midiá icas b asilei as,
1 “A Rede Folkcom – Rede de Es udos e Pesquisa em Folkcomunicação é uma o ganização não go e namen al que busca o
desen ol imen o de a i idades ligadas à Folkcomunicação. A o ganização es á egis ada seguindo os c i é ios legais pa a
sociedades ci is sem ins luc a i os, e é adminis ada po uma di e o ia execu i a, po um conselho adminis a i o e po um
conselho iscal.” Disponí el em: h p://www. ede olkcom.o g/sob e- ede- olkcom/. Acesso em: 14/05/2022.
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e su ge, nas pala as do seu p óp io c iado , como sendo “o p ocesso de in e câmbio de in o mações
e mani es ações de opiniões, ideias e a i udes de massa, a a és de agen es e meios ligados di e a ou
indi e amen e ao olclo e.” (Bel ão, 2001, p.79), podendo, nas pala as do p o esso Ma ques de
Melo (2008), se encon ada:
Na on ei a en e o Folclo e ( esga e e in e p e ação da cul u a popula ) e a Comunicação de
Massa (di usão indus ial de símbolos, po meio de meios mecânicos ou ele ônicos, des inados
a audiências amplas, anônimas e he e ogêneas). (p.17)
Essa on ei a en e o Folclo e e a Comunicação de massa, longe es a dis an e ou a as ada, como se
pode pensa , encon a-se cada ez mais in imamen e ap oximada po um mundo ecnológico, que se
mos a g ada i amen e in e ligado po conexões i uais amplas e complexas.
3. Os p incipais undamen os da eo ia
Os undamen os da olkcomunicação dedicam-se em comp eende aspec os elacionados à
cul u a e seus elemen os; com isso, ela a en ou pa a um a o cu ioso: De que as mani es ações
popula es da cul u a não o am semp e enca adas de a o como aços indica i os de um eal
sis ema de comunicação en e os po os. Po ém, como mui o bem obse ou Joseph Luy en (1999), a
olkcomunicação despe ou pa a ques ões desse ipo quando se p eocupou em econhece como os
alo es mo ais e cul u ais de um g upo são comunicados en e os seus memb os, no in ui o maio de
conhece o que in e essa e a e a mais p o undamen e a população b asilei a nos empos da undação
da eo ia a é os dias de hoje, con o me comen a abaixo a au o a Be ânia Maciel (2013):
Há uma mul icul u alidade ad inda da g ande ci culação e mobilidade das pessoas pelas edes
digi ais, meios de comunicação e ansbo do em ae ona es. O mundo hoje é uma g ande
aldeia. A impo ância de es uda a Folkcomunicação é jus amen e en ende as o igens des as,
o alecendo o que exis e de cul u a e sociedades locais, espei a os pe is his ó icos dis in os,
emp eende em egiões p oje os que pe mi am o desen ol imen o e a ecolocação dos g upos
ma ginalizados no mundo. (p. 629)
Oco e que den o des e p ocesso in e a i o há inúme os ou os a o es que o odeiam, den e eles
es á o sis ema de códigos e de linguagem, que mui o p eocupa aos es udiosos em Semiologia e que
ambém in e essa à á ea de olkcomunicação, pois daí podem de i a p ocessos ou os, como o de
in e mediação, a a és da igu a de um elemen o que medeia essa elação, podendo se denominado
“líde de opinião” ou, de aco do com o e mo cunhado pelo au o con empo âneo da á ea olk,
Os aldo T iguei o, “a i is a midiá ico”; é ele quem pe mi e ealiza a decodi icação de mensagens
de um meio e de uma cul u a a ou os meios e cul u as dis in as. Vejamos o que diz Ma ques de Melo
(2013) sob e o p ocesso de ânsi o de mensagens en e g upos cul u ais dis in os:
An e io men e, p esumia-se que o p ocesso da comunicação, a a és da imp ensa, da TV,
do cinema, do ádio, comp eendia um único luxo: do comunicado ao público ecep o ,
sem possibilidade de e o no imedia o de mensagens. Laza s eld cons a ou, po ém, que esse
p ocesso em um desen ol imen o g ada i o, em dois es ágios, endo como in e mediá io a
igu a do “líde de opinião”. A mensagem ai do comunicado ao líde de opinião (e, po an o,

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codi icada segundo o sis ema de símbolos peculia à cul u a de massas); numa segunda e apa,
ai do líde de opinião ao g upo ecep o (aí, a mensagem es á ecodi icada den o do sis ema
de símbolos p óp io da cul u a popula ). (p. 538)
Mais adian e, o au o con inua sua linha de aciocínio mani es ando o papel de mediado que possui
o líde de opinião, cons i uindo igu a cen al de g ande impo ância no desen ol imen o desse
p ocesso comunica i o.
Os “líde es de opinião” desempenham papel undamen al nesse p ocesso, po que, pelas
p óp ias ca ac e ís icas, são indi íduos do ados de uma g ande mobilidade, ansi ando
nos á ios es a os sociais. Eles se localizam ge almen e naquela aixa comum en e os dois
sis emas simbólicos. Dominando ambos os conjun os de símbolos, esses líde es decodi icam as
mensagens da cul u a de massas e as ecodi icam na linguagem da cul u a popula , azendo-as
en ão chega ao seu des ino. Pelo a o de pe ence em o igina iamen e ao uni e so simbólico
da cul u a popula , eles dispõem de al o g au de c edibilidade; daí a in luência exe cida sob e
o público ecep o . (2013, p. 538)
Daí ê-se o quan o a cul u a popula e as mani es ações olcló icas podem so e in luências e
modi icações quando passam a se u ilizadas pelos apa elhos midiá icos e pela in e e ência dos
in e esses p óp ios das indús ias cul u ais de uma dada egião. De e-se ale a pa a o isco de, nesse
p ocesso, os elemen os olcló icos se em ans o mados em me os p odu os indus iais, pe dendo o
seu sen ido simbólico e iden i á io de ep esen ação é nica, social, ísica, eligiosa ou egional. Tais
ap op iações ambém podem eduzi a cul u a local ao ní el do alheio e do exó ico, con ibuindo,
assim, pa a omen a a indús ia do u ismo como simples p ocesso de explo ação cul u al.
Exemplos disso, emos á ios; o que apon a pa a a p eocupação da já equen e oco ência desse
enômeno como uma ealidade. Quando emos, po exemplo, a igu a de um es angei o u ilizando
acessó ios ou obje os simbólicos - po u ilidade ou ep esen ação - de cidadãos na i os de qualque
egião, pelo simples a o de es a ali a passeio, em uma a i idade lúdica, u ís ica e de laze ; mui as
ezes, num momen o ins an âneo e ugaz, con aminado pela eu o ia de es a em ou o luga
passagei amen e e az uma o o como egis o, ansmi indo a mensagem aos seus con e âneos de
que es á ime so e pene ando, mesmo que p o iso iamen e, nou a cul u a. Ou mesmo quando esse
u is a adqui e po algum alo mone á io um obje o ípico des e luga e le a pa a a sua casa como
lemb ança dali, demons ando como “ ez pa e” de uma cul u a di e en e da sua em um momen o
especí ico da ida. Na ap esen ação do li o Folkcomunicação na A ena Global, a pesquisado a C is ina
Schimid e ela que com o passa do empo:
O olclo e adqui e alo come cial e econhecimen o in e nacional como p odu o, a aindo
u is as, es udiosos e consumido es de á ios pe is. Mas, pa a os es udos de Comunicação, em
alo como p ocesso comunicacional, pe cebendo-se como meio de mobilização e iden i icação
de g upos locais no con ex o globalizado. (2006, p. 13-14)
Den o desse con ex o egionalizado de cul u as é que pe cebemos que “conhece uma egião
é p é- equisi o ao diálogo que se deseja man e com os seus habi an es” (Bel ão, 2004, p. 57) e
que, p incipalmen e no caso b asilei o, as ca ac e ís icas de mes içagem e as es u u as sociais das
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g andes egiões demons am o quan o é di ícil um conhecimen o ap o undado, dado a ausência de
uni o midade den o delas, como econhece Bel ão (2004) em Folkcomunicação, eo ia e me odologia:
A in es igação da na u eza, dos elemen os e da es u u a, dos agen es e usuá ios, do p ocesso,
das modalidades e dos e ei os da Folkcomunicação é absolu amen e necessá ia, no adamen e
em países como o nosso, de ele ado índice de anal abe os, de disseminação populacional
i egula , de econhecida má dis ibuição de endas e acen uado ní el de paupe ismo e
ca ac e izado, em consequência des es e de ou os a o es, po equen es c ises ins i ucionais
que conduzem à ine i á el ins abilidade polí ica. (p.73)
E p ossegue ale ando que:
A edução desses males exige a colabo ação de odo o po o, e su p eende que se con ie a emissão
de mensagens, que se aspi a cons u i as de unidades de p opósi os, quase exclusi amen e
à comunicação con encional po meios de massa, o a do alcance de imensas po ções de
audiência como um odo, quando nem mesmo conhecemos ealmen e bem os que usamos no
dia-a-dia em nossos diálogos. (2004, p.73)
Bel ão ale a ainda pa a as di e en es a ian es que se ap esen am nes e g ande “labo a ó io”
das oco ências comunica i as que é a egião. A dinâmica da sociedade p omo e as suas p óp ias
subdi isões in e nas e ma ginalizam se o es po aspec os econômicos, compo amen ais, polí icos,
ideológicos, é nicos, in elec uais. Em se a ando de uma sociedade cheia de di e sidades e con as es,
ais ca ac e ís icas endem a apa ece em alguns momen os, senão em á ios. Os di e sos g upos
sociais e suas ami icações endem a se o ganiza em cole i idade pa a pa icipa da ida social com
os ecu sos que êm a disposição.
Ca alho (2019) discu e as di e enças in a- egionais, que endem a apa ece ambém po uma
ca ac e ís ica e necessidade humana de dis inção.
Bel ão ale a ainda pa a as di e en es a ian es que se ap esen am nes e g ande “labo a ó io”
das oco ências comunica i as que é a egião. A dinâmica da sociedade p omo e as suas p óp ias
subdi isões in e nas e ma ginalizam se o es po aspec os econômicos, compo amen ais,
polí icos, ideológicos, é nicos, in elec uais. Em se a ando de uma sociedade cheia de
di e sidades e con as es, ais ca ac e ís icas endem a apa ece em alguns momen os, senão
em á ios. Os di e sos g upos sociais e suas ami icações endem a se o ganiza em cole i idade
pa a pa icipa da ida social com os ecu sos que êm a disposição. (2019, p. 60)
Os de en o es de iquezas, bens, sabe es e capi al cul u al2, egis ado pelo sociólogo ancês Pie e
Bou dieu, endem a op imi e domina aqueles que não os possuem. Daí su gem as eli es o ganizadas
e odo o seu pode io di igen e de concei ua e ma ginaliza meios e condu as sociais. E, de aco do
com Éclea Bosi (2013), udo isso se e le e na cul u a das camadas sociais.
2 Pie e Bou dieu denominou o “capi al cul u al” como sendo o conjun o de sabe es, ecu sos, conhecimen os e compe ências
acumulados pelos indi íduos du an e a sua aje ó ia de ida como pa e o mado a de uma expe iência indi idual.
As on ei as en e o popula e o massi o na eo ia cul u al da olkcomunicação
B una F anco Cas elo B anco Ca alho
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A cul u a apa ece como uma e a de encon o com ou os homens, pa a uma classe dob ada
sob e a ma é ia, seg egada como se o a uma ou a humanidade. Se exis em duas cul u as, a
e udi a e á que ap ende mui o do popula : a consciência do g upo e a esponsabilidade que
ad ém dela, a e e ência cons an e à p áxis e, a inal, a uni e sidade. E se um dia a classe pob e
alcança a ges ão sob e seu des ino, a sua cul u a não deixa á de engloba os alo es dos que
abalham, alo es que se opõem aos dos que dominam. Valo es como in e esse e dadei o pelo
ou o, a manei a di e a de ala , o sen ido do conc e o e a la gueza em elação ao u u o, uma
con ian e adesão à humanidade que i á, ão di e en e do p oje o bu guês pa a o amanhã, da
edução do empo con ábil que exp ime o p edomínio do econômico sob e odas as o mas de
pensamen o. (p. 394)
De en o as de pode , capi al cul u al e emp esas de comunicação, a classe bu guesa ala aos seus
iguais, excluindo as demais pa celas da sociedade, que, na p á ica, acabam po não e espaço pa a
exposição e isibilidade nos mass media, seja po possui eduzido pode aquisi i o pa a aquisição
dos apa elhos necessá ios pa a o consumo, po p o es a em con a o sis ema social igen e ou
simplesmen e pela al a de domínio do código u ilizado ou incomp eensão da linguagem u ilizada,
con o me explica Woi owicz (2007).
O e mo exclusão cul u al eme e não apenas às condições de acesso às in o mações e aos bens
de consumo (ma e iais e simbólicos), mas ambém às possibilidades de p odução da cul u a.
Assim, são jus amen e os g upos excluídos e ma ginalizados da sociedade que desen ol em
es a égias de esis ência e lu a em meio às endências homogeneizan es e massi icado as da
sociedade globalizada. (p. 150)
Ou seja, embo a “ma ginalizados”, es e público excluído da comunicação o mal não se ausen a de
exe ce sua unção comunica i a com os demais, a anjando meios indi e os, a esanais e al e na i os
pa a isso e u ilizando, em alguma medida, o olclo e pa a a sua exp essão, de manei a que possam
a ende as ca ac e ís icas peculia es de uncionalidade, egionalismo e adição do seu local de ala.
Exemplo3 disso são as es ações de ádios e ele isão comuni á ias p esen es em mic o espaços de
con i ência; sejam ins i ucionais, no caso de emp esas, escolas, en idades públicas; ou em espaços
públicos, como as pequenas cidades in e io anas e as comunidades pe i é icas u banas nos mo os e
a elas paulis as, ca iocas e demais capi ais e cen os u banos; donde se podem di ulga in o mações
impo an es e mani es a sua cul u a nascen e no seio da ida social ao público local ou a ou as
audiências dis an es e in e essadas. Com base na lei u a de Luiz Bel ão, José Ma ques de Melo
esc e e (2007) que:
(...) Bel ão (1980) comp o ou que a imp ensa, o ádio, a ele isão e o cinema di undem
mensagens que não log am a comp eensão de as os con inen es populacionais. Esses bolsões
“cul u almen e ma ginalizados” eagem de o ma nem semp e os ensi a, obus ecendo um
sis ema midiá ico al e na i o. Cons oem e acionam eículos a esanais ou canais ús icos,
mui as ezes es abelecendo uma espécie de eedback em elação ao sis ema hegemônico. (p. 54)
3 Com o c escen e a anço das ecnologias nos dias de hoje exis em ambém inúme os exemplos de canais audio isuais dis-
poní eis pa a acompanhamen o con ínuo na ede de in e ne .
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Acon ece que, além disso, a eli e passou a enxe ga que, em e mos econômico- inancei os, não se ia
in e essan e pa a ela a exclusão que se azia às classes subal e nas e passou a depende delas, de ido
à sua g ande exp essi idade numé ica, como es a égia pa a ga an i suas iquezas. E pa a isso,
p ecisa a ala com ela di e amen e, modi ica sua linguagem e assun os, iabiliza a acessibilidade
pa a a aquisição do equipamen o, da -lhes isibilidade e no o iedade; po ém, den o dos limi es que
julga a p uden e.
E idencia-se, con udo, a eme gência de uma co en e em sen ido opos o, qual seja a incidência
de emas popula es na mídia massi a, e le indo a sensibilidade dos seus edi o es pa a
co esponde às expec a i as dos segmen os que se inco po am ao seu me cado consumido ,
p incipalmen e na imp ensa diá ia. (Ma ques de Melo, 2008, p. 45).
Nes e caso, apa ece a igu a do a i is a midiá ico, com suas ca ac e ís icas p óp ias de agen es
ca ismá icos, in luenciado es, conselhei os, a iculado es do luxo comunica i o, e que é de
undamen al impo ância como in e mediado , adu o , decodi icado de mensagens bidi ecionais;
passando de simples ecep o a comunicado a i o nes e mo imen o, g aças ao seu espaldo e
c edibilidade nos meios em que ci cula, con o me a es a Luiz Bel ão (2004):
Os líde es agen es-comunicado es de olk, apa en emen e, nem semp e são au o idades
econhecidas, mas possuem uma espécie de ca isma, a aindo ou in es, lei o es, admi ado es
e seguido es, e, em ge al, alcançando a posição de conselhei os ou o ien ado es da audiência,
sem uma consciência in eg al do papel que desempenham. (p.80)
Com o ad en o c escen e e cada ez mais in enso do enômeno da globalização, é inegá el que
há uma endência de ambém se uni e saliza e uni o miza as cul u as, ins i uindo pad ões de
p á icas e consumo. As g andes indús ias e g upos mul inacionais ma cam p esença e e i ó ios
me cadológicos nos g andes cen os populacionais, demons ando que “cos umes, adições, ges os
e compo amen os de ou os po os, p óximos ou dis an es, ci culam amplamen e na ‘aldeia global’”
(Ma ques de Melo, 2013, p. 639). Isso pode a e a , de ce a o ma, a iden idade e as mani es ações
das cul u as egionais, o que não que dize que as exclui, isola ou limi a; mas que ambas podem se
sob epos as; is o que é p a icamen e impossí el, nes a conjun u a a ual, exis i uma comunidade
o almen e dominada po uma pu eza cul u al. Nes e caso, segundo Ma ques de Melo (2008), a
e e ência egional o na-se undamen al, pois:
A globalização pe mi e islumb a o cená io de um mundo mul i ace e mul icul u al. Ele suge e
que qualque inse ção p oa i a no seu uni e so depende basicamen e do capi al simbólico
acumulado nas mega, mac o ou mic o egiões, po encialmen e con e sí eis em imagens e sons
capazes de sensibiliza a aldeia global. (p. 24)
Sob e esse aspec o, o olclo is a b asilei o Luís da Câma a Cascudo (1967) mais uma ez ap o unda o
concei o de olclo e conside ando que o pa imônio adicional de um país pode se ampliado ao longo
do empo a pa i dos sabe es adqui idos e inco po ados aos hábi os sociais, quando a i ma que:
Todos os países do mundo, aças, g upos humanos, amílias, classes p o issionais possuem um
pa imônio de adições que se ansmi e o almen e e é de endido e conse ado pelo cos ume.