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Memória e acontecimento jornalístico : o caso Malhães

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Memória e acontecimento jornalístico : o caso Malhães

Author: Castro Fonseca, Valéria de; Ladeira da Mota, Célia Maria
Publisher: Equipo de Investigación de Análisis y Técnica de la Información, Universidad de Sevilla
Year: 2015
Source: https://idus.us.es/bitstreams/2d1a4f10-9846-41da-b898-b41010b21a36/download
------------------------------------------------------------------ Capí ulo 28. Págs. 386 a 402 ---------
Capí ulo 28
Memó ia e acon ecimen o jo nalís ico:
o caso Malhães
Valé ia de Cas o Fonseca
Célia Ladei a Mo a **
* Pe iodis a e in es igado a. B asil.
** In es igado a en el P og ama de Posg ado de la Facul ad Comunicación de la Uni e sidad
de B asilia (UNB), B asil.
1. INTRODUÇÃO.
s e abalho é pa e de um p oje o de pesquisa, pa a ob enção do g au de
mes e, que em como obje o a Comissão Nacional da Ve dade (CNV),
ins alada pela p esiden e Dilma Rousse em 16 de maio de 2012, em
igo a é dezemb o de 2014, com a missão de in es iga e na a g a es
iolações aos di ei os humanos oco idos en e 1946 e 1988. O oco de pesquisa
ecai sob e a CNV como acon ecimen o jo nalís ico, seus signi icados e
desencadeamen os. Pa a an o, cabe pe gun a : como as no ícias sob e os
abalhos da CNV e elam o esquecimen o e/ou a memó ia dos empos do
go e no mili a no B asil? Qual o agendamen o dos meios de comunicação
ela i o à Comissão da Ve dade e seus abalhos?
Pa a es e a igo o am selecionadas as seguin es ma é ias: O úl imo
seg edo do dou o Pablo, de Loyola (2014), A con issão do co onel, de
Rod igues (2014) e Os gene ais e am leões hoje são a os, de Aquino (2014).
Po meio da análise c í ica da na a i a, desen ol ida pelo p o esso Luiz
Gonzaga Mo a, es e abalho u iliza mé odos e p ocedimen os que p ocu am
o ien a -se pelo acon ecimen o jo nalís ico como uma e o mulação discu si a,
pela econs ução das pe sonagens jo nalís icas, iden i icação da es a égia
na a i a e sua análise e e elação das me ana a i as (Mo a, 2005).
E
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As ma é ias selecionadas ap esen am di e en es episódios dos anos de
chumbo no B asil como acon ecimen o social que e e be a a é hoje, após
longos anos de di adu a, o que nos az lemb a que “é mais p ecisamen e a
unção sele i a da na a i a que o e ece à manipulação a opo unidade e os
meios de uma es a égia engenhosa do esquecimen o an o quan o da
ememo ação”. (Ricoeu , 2007: 98). Aqui, de emos essal a a empo alidade
da na a i a enquan o acon ecimen o jo nalís ico, uma ez que ao deso ganiza
o p esen e, o acon ecimen o es ende o empo pa a ás e pa a en e, ligando-se
ao passado e a u u os possí eis; da mesma o ma o local do acon ecimen o
p oduz o e ei o de eal essencial ao jo nalismo. A memó ia é do passado
( empo), incula-se a luga es (espaço) e pe mi e in eg a a sociedade a a és de
mediações simbólicas e e ó icas da ação (Ricoeu , 2007), que e e be am no
acon ecimen o. O enquad amen o da ma é ia selecionada salien a a capacidade
que em o discu so jo nalís ico de aze na a i a pela memó ia, pela
con on ação de es emunhos como on es de p ocessos his ó icos, pela
eanimação do passado e a ualização de seu con eúdo na cons ução de sen ido,
não só indi idual, como ambém cole i o, da ealidade. Dessa o ma, os
enquad amen os do acon ecimen o jo nalís ico nos episódios analisados
e le em es a o ganização da memó ia do es emunho na cons ução das
ealidades sociais.
2. ACONTECIMENTO JORNALÍSTICO.
No que diz espei o à no ícia, o acon ecimen o jo nalís ico cons i ui a
na a i a do a o, a o discu si o, que en ol e sujei os enunciado es,
econ igu a p á icas sociais e cons ói ealidades, ela a o que de e e o que não
de e se no iciado, num jogo incessan e de dispu a de sen idos. O
acon ecimen o é ansição, mui o mais que simples oco ência, uma ez que
pe co e o passado pelo a o acon ecido, liga o oco ido ao p esen e, e
econhece u u os possí eis, in e e indo dessa o ma no i a se , na
econ igu ação dos e ei os de sen idos e de eal.
O acon ecimen o, na o ma de ela o jo nalís ico, aba ca c i é ios de
no iciabilidade, hie a quização de a os, p ocessos p odu i os, agendamen o e
enquad amen o que dão o ma ao no iciá io e que ai pa icipa na cons ução
de ealidades sociais e de memó ia cole i a em pelo menos ês ní eis, no
egis o men al, nos a qui os e na pau a pública de de e minados
acon ecimen os. Pa a Ve a F ança (2012: 9), “o acon ecimen o, como momen o
de up u a e de eo ganização, é o denado a a és de na a i as, con oca e
cons i ui públicos especí icos, desco ina campos p oblemá icos e eo ganiza a
in e enção de sujei os sociais”.
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Como uma cons ução discu si a, o acon ecimen o az su gi no os
sen idos ao desencadea ideias e ações; da mesma o ma, enquad a o olha sob e
a linguagem, p omo e ou o en endimen o do obje o pesquisado, mos a
al e na i as an es imp o á eis uma ez que es a am esquecidas, e apon a pa a
no os ho izon es, possí eis ealidades. Ba hes nos ajuda a en ende a essi u a
do acon ecimen o jo nalís ico ao a i ma que “a na a i a se ap esen a assim
como uma sé ie de elemen os o emen e imb icados; [...] um jogo incessan e de
po enciais, cujas quedas a iadas dão à na a i a seu ônus ou sua ene gia; cada
unidade é pe cebida no seu a lo amen o e sua p o undidade.” (Ba hes, 2011:
60). O acon ecimen o como a o discu si o inco po a os indi íduos no mundo
social, p omo e in e ação en e agen es sociais e ab e po as pa a a cons ução
de possí eis ealidades. Da mesma o ma, o acon ecimen o jo nalís ico p opicia
a in eg ação en e discu so e na a i a pela expansão da linguagem, suas
camadas, planos e ecob imen os. Vale lemb a Ba hes (2011: 37), que
conside a o poema Jamais um coup de dés, de Malla mé, “com seus ‘nós’ e
seus ‘ en es’, suas ‘pala as-nós’ e suas ‘pala as- endas’ como o b asão de
oda na a i a – de oda linguagem.”
No jo nalismo, a Comissão Nacional da Ve dade como acon ecimen o
cons i ui o a o na ado que en ol e si uações o a da no malidade como
up u as, con li os e p oblemas, amiúde esquecidos, o que desencadeia uma
no a pau a na p aça pública e nas ins i uições.
Na análise do ma e ial empí ico, encon amos o acon ecimen o social
semp e a se emb enha pelo ex o, a pene a nas camadas mais supe iciais às
mais p o undas do discu so, a pe co e as ins âncias no plano de exp essão,
his ó ia e undo da na a i a, en elaçando suas malhas e ios discu si os que,
nes e abalho, e elam o a o na ado. Os episódios analisados e seus
enquad amen os –que conside o “esse co e ins an âneo no de i do mundo”
(Ricoeu , 2007: 446)–, nos ap esen a inúme os e ei os de sen ido e e ei os de
eal, seja pela cons ução da memó ia seja pelo esquecimen o, pelo di o e o não-
di o.
Os acon ecimen os jo nalís icos não são a os na u ais, mas a os sociais,
cons uções cole i as. Cabe elemb a o concei o de a ualidade u ilizado po
Ma ino (2009), que se exp essa como uma dimensão i ual da no ícia, que
in e liga e uni ica as exis ências indi iduais. A noção de a ualidade exp essa
uma dinâmica dos acon ecimen os que ul apassa um eco e empo al, cujo
concei o cons i ui p emissa undamen al pa a a análise de ma é ias sob e a
Comissão Nacional da Ve dade, is o que se a a de in es iga e na a a os
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oco idos no passado, com epe cussão no p esen e, e que p oduz desde já
e ei os cogni i os.
Pa indo da in enção de au onomia na á ea de comunicação a im de ge a
os p óp ios conhecimen os, amos eco e ao dado empí ico que explica, que
dize , o acon ecimen o jo nalís ico ela i o àqueles a os que se des acam e
me ecem se no iciados. Ao longo des e abalho, a escolha do caminho é pelo
desdob amen o dos acon ecimen os como uma agenda de a ibu os,
enquad amen os ou ames, o en oque dado ao acon ecimen o, os silêncios, os
di os e não-di os de um empo que se es ende pa a en e e pa a ás da no ícia.
3. ANÁLISE DA NARRATIVA JORNALÍSTICA.
A me odologia u ilizada nes e es udo baseia-se nos li os Na a ologia
(Mo a, 2005) e Análise C í ica da Na a i a (Mo a, 2013), que a am de
mé odos e p ocedimen os pa a análise da na a i a. Tais p ocedimen os não
seguem um modelo echado, mas p ocu am o ien a -se pela e o mulação
discu si a (acon ecimen o jo nalís ico), econs ução das pe sonagens
jo nalís icas, iden i icação da es a égia na a i a e sua análise e e elação das
me ana a i as. Segundo Mo a, a na a ologia nasce do es o ço dos analis as
em decompo as pa es componen es das his ó ias na adas e g adualmen e se
ans o ma no amo das ciências humanas que es uda os sis emas na a i os da
sociedade, “p ocu ando en ende como os sujei os sociais cons oem os seus
signi icados a a és da ap eensão, da comp eensão e da exp essão na a i a da
ealidade. A p odução cul u al de sen idos é, po an o, um a o p é io que
implica e engloba a na a ologia.” (Mo a, 2005: 13) Pa a ele, as na a i as são
undamen almen e a os cul u ais (não apenas li e á ios) e uma o ma de
exe cício de pode e de hegemonia nos dis in os luga es e si uações de
comunicação.
É impo an e essal a que odos os ipos de pe sonagens p esen es na
análise da na a i a se de inem pelo que azem, e não pelo que são como
pessoas eais com ca ac e ís icas psicológicas, emocionais e in elec uais
pe inen es a cada um. “O enunciado cons ói as pe sonagens de aco do com
suas in enções comunica i as, e a a és da a gumen ação an es e ó ica que
dialé ica emon a e econs i ui os a o es sociais, mos ando e ocul ando alguns
aços em de imen o de ou os. Fo ma-se en ão a malha discu si a e seus ios,
que é indissociá el das alas e ações das pe sonagens na na a i a jo nalís ica.”
(Mo a, 2012: 99).
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Pa a Gonzaga Mo a (2013), a análise c í ica da na a i a e idencia a
na a i a jo nalís ica como his ó ia do p esen e, que dila a o p esen e co idiano,
adqui indo um sen ido his ó ico (de passado), que expande a consciência
his ó ica. O caminho é a busca do sen ido, sendo que o ex o da no ícia é apenas
o pon o de pa ida pa a a análise, pa a p oduzi signi icado. Pela análise da
na a i a, há pelo menos ês na ado es na comunicação jo nalís ica: o eículo,
o jo nalis a, a pe sonagem. E ainda, há ês ins âncias de análise ope acional da
na a i a: 1. plano de exp essão (linguagem ou discu so); 2. plano da es ó ia (ou
con eúdo); 3. plano da me ana a i a ( ema de undo).
4. EPISÓDIOS ANALISADOS.
O obje o empí ico de análise des e a igo são as ma é ias: O úl imo
seg edo do dou o Pablo, de Loyola (2014), A con issão do co onel, de
Rod igues ( 2014), e Os gene ais e am leões hoje são a os, de Aquino ( 2014).
Os episódios em análise são di ididos em seis malhas discu si as, que são
unidades au ônomas do ela o, sequências discu si as que jun as p opo cionam
o sen ido comple o da na a i a jo nalís ica.
4.1. Malha discu si a do Episódio 1.
[O co onel] Paulo Malhães, codinome Dou o Pablo, ez pa e de uma
equipe do Cen o de In o mações do Exé ci o (CIE), que dizimou as
o ganizações de esque da a mada a uan es nas décadas de 1960 e 1970. No
úl imo dia 24 [de ab il de 2014], qua o homens in adi am seu sí io em No a
Iguaçu, na Baixada Fluminense. Usa am ádios e ica am lá uma e e nidade
pa a um assal o – das 13 ho as às 22 ho as. Ma a am Malhães e saí am com
a mas e obje os. De aco do com a polícia, o casei o Rogé io Pi es, seus dois
i mãos e um compa sa não iden i icado come e am o c ime. (Loyola, 2014).
Como acon ecimen o jo nalís ico, emos o a o na ado da mo e do
co onel Malhães, o io nodal da ama, que i á con oca no os enquad amen os
pela e o mulação discu si a, emexe nos quad os de sen ido e deixa su gi em
no os episódios. A ealidade ac ual exp essa pela no ícia ab ange o Exé ci o e
as o ganizações de esque da a mada como ios en elaçados in eg ando
enômenos his ó icos que compõem a ama; da mesma o ma, a no ícia ab ange
pe sonagens como o casei o e seus dois i mãos, um compa sa não iden i icado e
a p óp ia polícia con e indo à na a i a os e ei os de eal ão imp escindí eis ao

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ela o jo nalís ico. Pela análise c í ica da na a i a jo nalís ica, “as pe sonagens
que as no ícias ela am habi am a ealidade da p óp ia na a i a, assim como nas
na a i as ealis as da biog a ia e do documen á io, que ambém ep esen am
sujei os his ó icos” (Mo a, 2013: 190). E ainda, que o indi íduo mesmo sendo
eal ep esen a a unção de pe sonagem no plano da his ó ia, sendo uma igu a
de papel ba hiana. Seguindo esse io na a i o, emos o co onel Paulo Malhães,
codinome dou o Pablo, como pe sonagem p incipal, o eixo da in iga na
no ícia. A pa i des a p imei a malha discu si a é possí el islumb a a gue a
ia como um acon ecimen o sócio-polí ico i enciado pelo mundo nos anos 60-
70, quando a os polí icos de uns causa am ine i á eis e e be ações nos
domínios de ou os. O en elaçamen o dos ios do p esen e e do passado,
jun amen e com o aqui e acolá dos acon ecimen os sociais desencadeados po
indi íduos, g upos e ins i uições i á ece a his ó ia dos homens como uma
g ande na a i a. “Essas ques ões, com elação a nós, só podem ecupe a sua
u gência o iginal se o em econ adas den o da unidade de uma única e g ande
his ó ia cole i a; apenas se o em ap eendidas como episódios i ais de uma
única ama as a e incomple a” (Jameson, 1992: 17).
4.2. Malha discu si a do Episódio 2.
No inal de ma ço (de 2014), aos 76 anos, Malhães con ou um pouco do
que sabia e do que ez como Pablo. De pale ó bege, óculos escu os e com uma
ba ba que o o na a pa ecido com Saddam Hussein, ele explicou sua
me odologia de abalho com calma, sem emoção, a sensí eis memb os da
Comissão Nacional da Ve dade. “Naquela época, não exis ia DNA. Quando
ocê ai se des aze de um co po, que pa es podem de e mina quem é a
pessoa? A cada den á ia e digi ais. Queb a a os den es. As mãos (co a a)
daqui pa a cima”, disse. (Loyola, 2014).
Nes a segunda malha discu si a emos a desc ição ísica da pe sonagem
Paulo Malhães, codinome Pablo, e sua compa ação à igu a his ó ica do di ado
Saddam Hussein, uma das p incipais lide anças di a o iais e mili a es no mundo
á abe, condenado pelo assassina o de 148 xii as em 1982. Hussein, que e a
suni a, oi en o cado (se ecusou a usa capuz) em no emb o de 2006 po um
go e no in e ino i aquiano. A his ó ia do I aque, como egião da an iga
Mesopo âmia, inclui os p imei os egis os his ó icos esc i os, como a Lei de
Talião, cujo p incipio olho po olho den e po den e e a uma ealidade legal. A
compa ação ísica en e Malhães e Hussein en elaça os dois indi íduos de
ca ne e osso na cons ução de Malhães como pe sonagem p incipal do
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acon ecimen o jo nalís ico, enca nando a pe sona ou igu a de papel ba hiana
como ep esen ação de um co esponden e na ida eal.
No plano da his ó ia, os memb os da Comissão Nacional da Ve dade
apa ecem no ex o como pa icipan es de um p ocesso comunica i o em
cons ução, azendo su gi no ela o e elações do depoimen o p es ado po
Malhães, po meio da elação en e sujei os in e locu o es en ol idos na ação
comunica i a de o a e ela o a ocul a . No ex o, o co onel Malhães az ou i
sua oz po meio do discu so di e o, azendo à supe ície da na a i a uma
ealidade ep imida e ocul a da his ó ia ecen e do país no que conce ne à
p á ica da o u a e ao desapa ecimen o de co pos du an e o egime mili a :
“Queb a a os den es. As mãos (co a a) daqui p a cima.” Vemos aqui o
desdob amen o no im de uma sé ie de ações p a icadas pelo Es ado du an e a
di adu a mili a -seques o, o u a, mo e, mu ilação, ocul amen o de co pos-,
de aco do com o p óp io depoimen o de Malhães, o dou o Pablo.
O io do discu so é man ido no ela o jo nalís ico pela e o mulação
discu si a da pe sonagem Malhães, cujo domínio de memó ia pe mi e o e o no
e o eag upamen o de acon ecimen os no passado que o a se e elam pelo
econhecimen o de ações e seus e ei os no p esen e. A econ ex ualização do io
do discu so de Malhães eag upa, esigni ica e eo dena pa e do con ex o
his ó ico da di adu a, com a in enção plausí el de mais exp imi pode do que
explica , uma ez que, segundo (Cou ine, 2006), “memó ia é pode ”.
4.3. Malha discu si a do Episódio 3.
Especi icamen e sob e as o u as, de manei a ge al, o co onel eceu sua
gélida lógica: “A o u a não exis e pa a o soldado. Se ocê me comba e
a dado, em di ei o às leis da Con enção de Geneb a, não posso e o u a .
Mas se ocê comba e mis u ado na população, não em esse di ei o.” Segundo
Malhães, os mili a es somen e ence am o que chamou de gue a po que
coop a am mui os p esos polí icos, aos quais se e e e como “in il ados”. “O
sujei o e a p eso e eu analisa a o ca á e e as aquezas dele. En ão, can a a
ele pa a abalha pa a a gen e. Isso inha que se ei o em um espaço de empo
mui o pequeno pa a o pessoal de o a não sen i al a dele. Aí, de ol ia pa a a
ua. Se ele cump isse o p imei o con a o comigo, que a gen e chama a de
‘pon o’, a pa ada es a a ganha. G aças aos in il ados conseguimos des ui
odas as o ganizações”. (Aquino, 2014).
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No discu so di e o de Malhães iden i icamos es a égias a gumen a i as
que buscam p oduzi an o e ei os de eal como e ei os de sen ido, quando ele
menciona as leis da Con enção de Geneb a pa a en a con ence seus
in e locu o es sob e a legi imidade da o u a p a icada du an e a di adu a.
Como es a egis a, o co onel Malhães eco e, no plano da his ó ia, a
cons i uições es a égicas de signi icados, sejam eais ou ic ícios, num jogo de
in enções que p ocu a jus i ica i as pa a seus a os pela dissimulação de sua
e ó ica. Pela Con enção de Geneb a, em seu a igo e cei o, emos que pessoas
o a de comba e po doenças ou de enção se ão a adas com humanidade. Pa a
es e e ei o, a con enção de e mina a p oibição de:
a) As o ensas con a a ida e a in eg idade ísica, especialmen e o
homicídio sob odas as o mas, mu ilações, a amen os c uéis,
o u as e suplícios;
Ao menciona a Con enção de Geneb a, o sujei o-pe sonagem Malhães
u iliza uma es a égia ex ual que busca o con encimen o pela as úcia
enuncia i a na in e p e ação e ecomposição de signi icados ju ídicos. A é en ão
gua dada a se e cha es, a memó ia an es ecolhida sob e acon ecimen os
capi aneados pelo Es ado nos anos de chumbo az à supe ície do a o na ado
as “mu ilações, a amen os c uéis, o u as e suplícios” que, e i idos no
depoimen o de dou o Pablo, i ão ecompo a memó ia polí ica e social e e aze
o e a o da di adu a.
A ala de Malhães a espei o dos ‘in il ados’ unciona como um e i ó io
ideológico da memó ia que co obo a a o ça do au o i a ismo mili a u ilizado
na ep essão. No plano de exp essão, o echo “can a a ele p a abalha p a
gen e” e ela em seu jogo de linguagem os mé odos c uéis de con encimen o
de p esos, passando de ‘sus os’ de mo e, como ence amen o em ambien es
comple amen e escu os com cob as e ou os bichos a e o izan es, a o u as,
como choques elé icos e espancamen os. Seu a o de ala e ela a memó ia
ma cando e i ó io numa ca og a ia discu si a que, segundo Cou ine (2006),
cons i ui ambém uma geog a ia da e dade e da men i a, com seus di os, não-
di os e in e di os. A p á ica de coop ação de p esos polí icos u ilizada pelo
Es ado di a o ial pa a desman ela o ganizações clandes inas ins ala e ixa o
luga do mandan e e do mandado, de quem dá o dens e de quem as obedece, de
quem p o ê e de quem ecebe “ a amen os c uéis, suplícios”.
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4.4. Malha discu si a do Episódio 4.
Malhães pa icipou de algumas das ações mais somb ias e sec e as do
egime mili a . Foi um dos comandan es da casa de Pe ópolis, um cá ce e
clandes ino onde mais de 20 mili an es de esque da o am o u ados e mo os,
de que se sabe pouquíssimo. “Ele e a um es a egis a, um g ande planejado ”,
diz o ex-sa gen o Ma i al Cha es, que se iu com Malhães no CIE e oi o
p imei o mili a a denuncia os colegas o u ado es, em 1992. “Malhães
es a a em odas as ope ações de ul o”. (Loyola, 2014).
Es abelece-se a oposição en e pe sonagens que habi am o plano da
his ó ia nes a qua a malha discu si a: Malhães, os mais de 20 mili an es de
esque da o u ados e mo os, o ex-sa gen o Ma i al Cha es como o p imei o a
denuncia em 1992 os colegas o u ado es, os quais ambém en am como
pe sonagens- igu an es e uncionam como ios de espe a de uma possí el
na a i a subsequen e. O CIE, Cen o de In o mação do Exé ci o, cons i ui um
io nodal do ela o como ins i uição do Es ado com pode es de a ua a i amen e
no ‘cá ce e clandes ino’. Da mesma o ma, a casa de Pe ópolis a ua como
pe sonagem p incipal des e qua o episódio, is o que ep esen a a o u a
enquan o ação p a icada pelo egime di a o ial mili a , sendo que essas ações de
o u a uncionam como elemen os-cha e de con li o en e sujei os, o pon o
ne álgico do acon ecimen o.
Além da Casa da Mo e, ou Codão, ou casa de con eniência, ês
exp essões que se e e em à mesma Casa de Pe ópolis, sabe-se ainda da
exis ência de quase duas dezenas de ou os edu os clandes inos de o u a
dis ibuídos po casas, sí ios e cháca as pa icula es, espalhados po 12 Es ados
b asilei os, en e eles a casa em São Con ado (RJ), a “Boa e” ou casa de I ape i
(zona sul de SP), o Sí io 31 de Ma ço (SP), a Casa Azul de Ma abá, u ilizada na
ep essão à gue ilha do A aguaia, a Casa do Renascença (BH), locais onde
do mi am ou os ios de espe a que agua dam pa a se em inco po ados a
acon ecimen os co ela os.
A Casa de Pe ópolis, na Rua A hu Ba bosa 668 no bai o de Caxambu,
e ia sido um abalho especí ico de Malhães como agen e do Cen o de
In o mações do Exé ci o (CIE). Ele a i mou em en e is a pa a O Globo digi al
(2014a) que o imó el, emp es ado à ep essão pelo en ão p op ie á io, Ma io
Lodde s, não e a o único apa elho com esse p opósi o: “Tinha ou as. Eu
o ganizei o luga . Quem e am as sen inelas, a o ina e quando se da a es a pa a
dis a ça , po exemplo. Tinha que da ida a essa casa. Eu e a um azendei o
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Wide Web: <h p://epoca.globo.com/ empo/no icia/2014/05/o-ul imo-seg edo-
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